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Numero do processo: 13975.000188/2005-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA
O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78 , parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015.
Numero da decisão: 9303-005.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, em razão da desistência do processo administrativo fiscal pelo contribuinte através de ação judicial com o mesmo objeto, nos termos do Art. 78, § 2º do RICARF.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78 , parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, em razão da desistência do processo administrativo fiscal pelo contribuinte através de ação judicial com o mesmo objeto, nos termos do Art. 78, § 2º do RICARF. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78 , parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, em razão da desistência do processo administrativo fiscal pelo contribuinte através de ação judicial com o mesmo objeto, nos termos do Art. 78, § 2º do RICARF. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 01 88 /2 00 5- 33 Fl. 943DF CARF MF Processo nº 13975.000188/200533 Acórdão n.º 9303005.184 CSRFT3 Fl. 944 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra ao acórdão nº 3201001.645, proferido pela 2º Câmara/1º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório de Cofins não cumulativa referente a despesas com os serviços de extração de madeira. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que trata o art. 3° da Lei 10.833/2003, relativo ao quarto trimestre de 2004. A DRF/BLUMENAU exarou o Despacho Decisório de fls. 642 a 674 deferindo parcialmente 0 pedido da interessada para reconhecer o direito creditório no valor de R$150.251,60, referente ao saldo remanescente da apuração não cumulativa da COFINS a título de mercado externo. No relatório e na fundamentação que embasaram a decisão proferida consta consignado, em resumo, que: O Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE, DIREITO CREDITÓRIO. As despesas com os serviços de extração de madeira é passível de direito creditório, pois se trata de atividade essencial e necessária à sua realização do processo produtivo de portas e batentes de pinus. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Nos pedidos de ressarcimento, é ônus do contribuinte da prova do direito creditório afirmado. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que somente devem ser considerados insumos, para fins de creditamento, os bens utilizados no processo de produção da mercadoria destinada à venda e ao ato de prestação de um serviço dos quais decorram a receita tributada, ou seja, os custos relacionados com a atividade fim, diretamente ligados aos processos de prestação de serviços e de fabricação de bens a serem vendidos, dos quais decorrem o auferimento de uma receita é que podem ser considerados insumos. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 13975.000188/200533 Acórdão n.º 9303005.184 CSRFT3 Fl. 945 3 Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 3801001.885 e 3801002.037. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 933/936. A Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso é tempestivo, mas, em razão dos fatos a seguir apontados, dele não tomo conhecimento. Conforme acima relatado, o Pedido de Restituição formulado pelo ora Recorrente, guerreado neste Conselho por meio do Processo Administrativo nº13975.000188/200533, versa sobre a mesma matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, Processo nº 500358476.2013.404.7213/SC, fls. 404/442, informado junto aos autos, o que configurou desistência do Recurso. Essa questão encontrase no artigo 78, parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015, nos seguintes termos: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Uma vez submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão prevalecerá na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficaz, uma vez que suas conclusões, indubitavelmente, quedarseão ao decisum judicial manifesto ou a ser proferido. Diante do exposto, não conheço do Recurso interposto pela Fazenda Nacional, declarandose a extinção do feito, com a devolução dos autos a unidade de origem. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 945DF CARF MF Processo nº 13975.000188/200533 Acórdão n.º 9303005.184 CSRFT3 Fl. 946 4 Fl. 946DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012352/2002-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/1990 a 31/08/1991
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS EQUIVALENTES À TAXA SELIC. CUMULAÇÃO COM OUTRA TAXA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE.
A partir de 1º de janeiro de 1996, os juros moratórios devidos na repetição do indébito tributário são calculados pelo percentual equivalente à taxa Selic, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice, seja a título de juros ou atualização monetária. Se os pagamentos indevidos ocorreram antes de 1º de janeiro de 1996, o termo inicial de incidência do citado acréscimo será a referida data (REsp 1.111.175/SP, julgado sob o regime dos recursos repetitivos).
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INSCRITOS NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE ATÉ 31/10/2003. CABIMENTO.
A vedação ao contribuinte de realizar a compensação de débitos inscritos em Dívida Ativa da União somente passou existir a partir de 31 outubro de 2003, data da vigência do art. 17 da Medida Provisória 135/2003, que incluiu o inciso III no § 3º do art. 74 da Lei 9.430/1996. Se antes da referida data não havia proibição legal para tal restrição, certamente, o contribuinte podia realizar a compensação de débitos inscritos em DAU com créditos passíveis de compensação.
COMPENSAÇÃO. MOMENTO DA REALIZAÇÃO DO ENCONTRO DE CONTAS. DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A partir de 1º de outubro de 2002, data em que entrou em vigor o regime de compensação declarada pelo contribuinte, a data da realização da compensação, se homologada tácita ou expressamente, passou a ser o dia da entrega da Declaração de Compensação (DComp) à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/1990 a 31/08/1991
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A OMISSÃO. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. POSSIBILIDADE.
Uma vez demonstrada a existências de omissão no acórdão embargado, mas acolhida parcialmente as pretensões meritórias da embargante, acolhe-se parcialmente os embargos de declaração opostos, para integrar o julgado embargado e conferir-lhe efeito infringente, apenas em relação à parte do mérito provida.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para (i) reconhecer o direito do contribuinte de compensar os débitos discriminados na DComp de fl. 1253 e cobrados por meio do processo nº 10680.004738/97-94, até o limite do valor do crédito reconhecido no julgado embargado; e (ii) definir o dia 26/11/2002, data da entrega da DComp de fl. 1253, como o momento da realização do encontro de contas, devendo os créditos e os débitos serem atualizados até referida data, conforme estabelecido no dispositivo do acórdão embargado. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões e fez declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/1990 a 31/08/1991 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS EQUIVALENTES À TAXA SELIC. CUMULAÇÃO COM OUTRA TAXA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 1º de janeiro de 1996, os juros moratórios devidos na repetição do indébito tributário são calculados pelo percentual equivalente à taxa Selic, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice, seja a título de juros ou atualização monetária. Se os pagamentos indevidos ocorreram antes de 1º de janeiro de 1996, o termo inicial de incidência do citado acréscimo será a referida data (REsp 1.111.175/SP, julgado sob o regime dos recursos repetitivos). COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INSCRITOS NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE ATÉ 31/10/2003. CABIMENTO. A vedação ao contribuinte de realizar a compensação de débitos inscritos em Dívida Ativa da União somente passou existir a partir de 31 outubro de 2003, data da vigência do art. 17 da Medida Provisória 135/2003, que incluiu o inciso III no § 3º do art. 74 da Lei 9.430/1996. Se antes da referida data não havia proibição legal para tal restrição, certamente, o contribuinte podia realizar a compensação de débitos inscritos em DAU com créditos passíveis de compensação. COMPENSAÇÃO. MOMENTO DA REALIZAÇÃO DO ENCONTRO DE CONTAS. DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A partir de 1º de outubro de 2002, data em que entrou em vigor o regime de compensação declarada pelo contribuinte, a data da realização da compensação, se homologada tácita ou expressamente, passou a ser o dia da entrega da Declaração de Compensação (DComp) à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/1990 a 31/08/1991 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A OMISSÃO. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. POSSIBILIDADE. Uma vez demonstrada a existências de omissão no acórdão embargado, mas acolhida parcialmente as pretensões meritórias da embargante, acolhe-se parcialmente os embargos de declaração opostos, para integrar o julgado embargado e conferir-lhe efeito infringente, apenas em relação à parte do mérito provida. Embargos Acolhidos em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para (i) reconhecer o direito do contribuinte de compensar os débitos discriminados na DComp de fl. 1253 e cobrados por meio do processo nº 10680.004738/97-94, até o limite do valor do crédito reconhecido no julgado embargado; e (ii) definir o dia 26/11/2002, data da entrega da DComp de fl. 1253, como o momento da realização do encontro de contas, devendo os créditos e os débitos serem atualizados até referida data, conforme estabelecido no dispositivo do acórdão embargado. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões e fez declaração de voto. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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JUROS EQUIVALENTES À TAXA SELIC. CUMULAÇÃO COM OUTRA TAXA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 1º de janeiro de 1996, os juros moratórios devidos na repetição do indébito tributário são calculados pelo percentual equivalente à taxa Selic, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice, seja a título de juros ou atualização monetária. Se os pagamentos indevidos ocorreram antes de 1º de janeiro de 1996, o termo inicial de incidência do citado acréscimo será a referida data (REsp 1.111.175/SP, julgado sob o regime dos recursos repetitivos). COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INSCRITOS NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ENTREGUE ATÉ 31/10/2003. CABIMENTO. A vedação ao contribuinte de realizar a compensação de débitos inscritos em Dívida Ativa da União somente passou existir a partir de 31 outubro de 2003, data da vigência do art. 17 da Medida Provisória 135/2003, que incluiu o inciso III no § 3º do art. 74 da Lei 9.430/1996. Se antes da referida data não havia proibição legal para tal restrição, certamente, o contribuinte podia realizar a compensação de débitos inscritos em DAU com créditos passíveis de compensação. COMPENSAÇÃO. MOMENTO DA REALIZAÇÃO DO ENCONTRO DE CONTAS. DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A partir de 1º de outubro de 2002, data em que entrou em vigor o regime de compensação declarada pelo contribuinte, a data da realização da compensação, se homologada tácita ou expressamente, passou a ser o dia da entrega da Declaração de Compensação (DComp) à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 23 52 /2 00 2- 20 Fl. 1487DF CARF MF 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/1990 a 31/08/1991 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A OMISSÃO. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. POSSIBILIDADE. Uma vez demonstrada a existências de omissão no acórdão embargado, mas acolhida parcialmente as pretensões meritórias da embargante, acolhese parcialmente os embargos de declaração opostos, para integrar o julgado embargado e conferirlhe efeito infringente, apenas em relação à parte do mérito provida. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para (i) reconhecer o direito do contribuinte de compensar os débitos discriminados na DComp de fl. 1253 e cobrados por meio do processo nº 10680.004738/9794, até o limite do valor do crédito reconhecido no julgado embargado; e (ii) definir o dia 26/11/2002, data da entrega da DComp de fl. 1253, como o momento da realização do encontro de contas, devendo os créditos e os débitos serem atualizados até referida data, conforme estabelecido no dispositivo do acórdão embargado. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões e fez declaração de voto. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 1453/1477), tempestivamente, opostos pela autuada, com o objetivo suprir suposto vício de omissão contidos no acórdão nº 3302001.714, de 17 de julho de 2012 (fls. 934/945), em que os membros desta Turma Ordinária decidiram: a) por maioria de votos, incluir os expurgos inflacionários no cálculo do indébito e declarar a improcedência da compensação de ofício, nos termos do voto da relatora; e b) por voto de qualidade, declarar devidos os juros de mora e a multa de mora nas compensações realizadas após a data do vencimento do tributo compensado, nos termos do voto do redator designado. A embargante alegou que houve vício de omissão no julgado embargado, porque não foram apreciados os seguintes relevantes argumentos apresentados no recurso voluntário, a saber: a) a aplicação dos juros moratórios de 1% sobre o montante a ser Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 10680.012352/200220 Acórdão n.º 3302004.128 S3C3T2 Fl. 1.488 3 restituído/compensado, além da correção monetária integral, com os índices dos expurgos inflacionários, e dos juros equivalentes à taxa Selic; e b) a existência ou não de impedimento, para a realização das compensações dos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, cobrados por meio do processo nº 10680.004738/9794, bem como a definição quanto ao momento da realização das compensações dos respectivos débitos. Por meio do despacho de fls. 1480/1481, com amparo nos §§ 1º e 3º do art. 65 do Regimento Interno do CARF (Anexo II à Portaria MF 256/2009, com a redação da Portaria MF 586/2010), o então presidente desta Turma de Julgamento admitiu os embargos e reconheceu que houve as alegadas omissões suscitadas pela embargante, pois as referidas questões foram articuladas no recurso voluntário, porém não foram apreciadas pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para fim de análise dos vício de omissão alegados pela recorrente. Nos presentes embargos, a embargante alegou omissão, no julgado embargado, de duas questões relevantes, que foram suscitadas em sede de recurso voluntário, porém não apreciadas pelo Colegiado no âmbito do questionado julgamento, a saber: a) o direito aos juros moratórios de 1% sobre o montante a ser restituído/compensado, a partir do trânsito em julgado da decisão, além dos juros equivalentes à taxa Selic; e b) o direito de realizar as compensações dos débitos inscritos na Dívida Ativa da União (DAU), por meio do processo nº 10680.004738/9794, bem como fosse definido o momento no qual deveriam ser consideradas realizadas as compensações dos referidos débitos. Do direito ao acréscimo dos juros moratórios de 1% cumulados com os juros equivalente a taxa Selic. Uma das questões omitidas foi a não apreciação do alegado direito ao acréscimo dos juros moratórios de 1% sobre o valor a ser restituído/compensado, previstos no art. 167, parágrafo único, do CTN, a partir do trânsito em julgado da decisão final, proferida no âmbito da Ação Ordinária nº 92.00.018084. Segundo a recorrente, além da correção monetária integral, incluindo os índices dos expurgos inflacionários, e dos juros equivalentes à taxa Selic, o valor a ser restituído deveria ser acrescido ainda dos mencionados juros moratórios. Inicialmente, cabe esclarecer, que, nos presentes embargos, não será apreciada a questão atinente a atualização/correção monetária dos créditos até a atualização pela taxa Selic, haja vista que tal questão foi devidamente apreciada e decidida no âmbito do julgado embargado, que reconheceu, até a incidência Selic, a correção/atualização integral pelos índices dos expurgos inflacionários definidos pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Fl. 1489DF CARF MF 4 A controvérsia a ser dirimida neste tópico cingese apenas a questão atinente a possibilidade o valor do crédito a ser restituído ser a acrescido de juros moratórios/compensatório além da correção pelos índices dos expurgos inflacionários e pela taxa Selic. A previsão de incidência de juros moratórios sobre os valores dos indébitos tributários a restituir encontrase prevista no art. 167, parágrafo único, do CTN, a seguir transcrito: Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. (grifos não originais) A partir de 1º de janeiro de 1996, a matéria passou a ser disciplinada pelo art. 39, § 4º, da Lei 9.250/1995, a seguir reproduzido: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. [...] § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (grifos não originais) Em conformidade com o preceito legal em destaque, com a extinção da correção monetária, a partir de 1º de janeiro de 1996, o único acréscimo devido na restituição do indébito tributário passou a ser os juros equivalentes a variação da taxa Selic, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, conforme corretamente já decidiu esta Turma de Julgamento, no âmbito do julgado embargado. Na mesma linha do entendimento aqui esposado, no julgamento do Recurso Especial (REsp) 1.111.175/SP, submetido ao rito do art. 543C do CPC, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidouse no sentido de que, a partir de 1º janeiro de 1996, aplicase “a taxa SELIC na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária”. Para melhor compreensão do teor do entendimento esposado no referido julgado, segue reproduzido o enunciado da ementa do referido julgado: Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10680.012352/200220 Acórdão n.º 3302004.128 S3C3T2 Fl. 1.489 5 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250∕95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250∕95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257∕SC, 399.497∕SC e 425.709∕SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c∕c a Resolução 8∕2008 Presidência∕STJ.1 (grifos não originais). E como o referido entendimento/fundamento é de adoção obrigatório pelos integrantes deste Conselho, nos termos do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 343/2015 (RICARF/2015), adotase neste julgado o mesmo entendimento exarado pelo STJ no citado REsp. Por pertinente, cabe ainda consignar que o acórdão do STF, proferido no âmbito do RE 192.0912/MG, decisão final proferida no âmbito da referida Ação Ordinária, transitou em julgado em 30/8/1996, conforme certidão de fl. 699. Portanto, quando já se encontrava vigente o art. 39, § 4º, da Lei 9.250/1995. Dessa forma, fica demonstrado que, em relação aos valores a serem compensados ou restituídos nos presentes autos, a recorrente faz jus apenas ao acréscimo dos juros equivalentes a variação da taxa Selic, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, conforme estabelecido no art. 39, § 4º, da Lei 9.250/1995. Com base nessas considerações, por falta de amparo legal e tendo em conta o referido entendimento jurisprudencial, rejeitase a pretensão da recorrente ao acréscimo, adicionalmente aos juros equivalentes a variação da taxa Selic, dos juros moratórios de 1% sobre o valor a ser restituído/compensado, contado a partir do trânsito em julgado da decisão final, proferida no âmbito da Ação Ordinária nº 92.00.018084. 1 STJ, Primeira Seção. REsp 1.111.175/SP. Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 01/09/2009, DJe 18/09/2009. Fl. 1491DF CARF MF 6 Do direito e momento da realização das compensações dos débitos cobrados no processo nº 10680.004738/9794. A embargante alegou ainda que, no julgado embargado, não foram apreciadas as relevantes questões atinentes ao direito e momento da realização das compensações dos débitos inscritos na DAU, objeto do processo nº 10680.004738/9794. Previamente, cabe esclarecer que, de acordo com o despacho decisório (fls. 1324/1327), proferido pela autoridade da unidade da RFB de origem, e a decisão de instância (fls. 1382/1389), proferido pelo órgão julgador a quo, o indeferimento/não homologação da compensação dos débitos informados no referido processo foi motivado pela insuficiência de crédito e não por que os citados débitos encontravamse inscritos na DAU, em 26/11/2002, data da entrega da Declaração de Compensação (DComp) de fl. 1253. Para espancar qualquer dúvida a respeito, transcrevese a seguir o elucidativo excerto extraído da decisão de primeira instância: Em síntese, a DRF BHE procedeu ao confronto entre o crédito de R$ 343.429,55 (em 02/01/96) com os 319 débitos declarados pela interessada, tendo remanescido saldos devedores. Ou seja, o crédito apurado não foi suficiente nem mesmo para liquidar os débitos, objeto de pedidos/declarações de compensação, não parcelados e não inscritos. Portanto, não há que se falar em extinção, por compensação, ainda que parcial, dos débitos inscritos por meio do processo 10680.004738/9794 (citado pela interessada), por insuficiência de crédito. (grifos não originais) Assim, se o motivo da não homologação da referida compensação foi a insuficiência de crédito passível de compensação, inequivocamente, ele deixa de existir diante do restabelecimento de parte do valor do crédito pleiteado pela embargante, a serem apurados pela autoridade fiscal da unidade da RFB de origem, no procedimento de liquidação do acórdão embargado, em razão do acréscimo da correção monetária integral dos valores dos indébitos reconhecidos, incluindo os índices dos expurgos inflacionários determinados pelo Poder Judiciário. E no dia 26/11/2002, data da apresentação da Dcomp de fl. 1253, embora o art. 21, § 3º, III, da Instrução Normativa SRF 210/2002, proibisse a compensação pelo contribuinte de débitos inscritos em DAU, tal vedação não tinha respaldo legal, o que somente veio a ocorrer a partir do dia 31/10/2003, quando entrou em vigor o inciso III do § 3º do art. 74 da Lei 9.430/1996, incluído pelo art. 17 da Medida Provisória 135/2003, que se converteu na Lei 10.833/2003. E na ausência de vedação legal na referida data (26/11/2002), chegase a conclusão que a recorrente tinha o direito de realizar a compensação dos débitos inscritos em DAU, discriminados na referida DComp e cobrados por meio do processo nº 10680.004738/9794. Assim, uma vez demonstrado que a recorrente podia realizar a compensação dos citados débitos, cabe agora definir o momento (a data) da realização da compensação. Em relação ao assunto, expressamente, determina o art. 74, §§ 1º e 2º, da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, que o momento de realização da compensação ou do encontro de contas é a data da entrega da declaração de compensação pelo contribuinte. No mesmo sentido, dispunha o art. 21, §§ 1º e 2º, da Instrução Normativa SRF 210/2002, vigente na data dos fatos, a seguir transcrito: Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10680.012352/200220 Acórdão n.º 3302004.128 S3C3T2 Fl. 1.490 7 Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da “Declaração de Compensação”. § 2º A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...]. De acordo com os referidos preceitos legais e regulamentares, a compensação realizase na data da entrega da declaração de compensação. Logo, até essa data, os créditos e os respectivos débitos a serem compensados devem ser atualizados, conforme determinava, expressamente, o caput do art. 28, que segue transcrito: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de abril de 2003) [...] No caso da compensação em apreço, os débitos e os créditos deverão ser atualizados até o dia 26/11/2002, data da entrega da Dcomp. Os créditos devem ser acrescidos de correção monetária integral, incluindo os expurgos inflacionários definidos pelo Poder Judiciário, e dos juros equivalentes à taxa Selic (Lei 9.250/1995, art. 39, §4º), enquanto que os débitos devem ser acrescidos dos juros de mora e a multa de mora, conforme estabelecido no dispositivo do acórdão embargado, a seguir transcrito: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: por maioria de votos, para incluir os expurgos inflacionários no cálculo do indébito e declarar a improcedência da compensação de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos, na primeira matéria, os conselheiros Walber José da Silva e José Antonio Francisco e, na segunda matéria, o conselheiro Walber José da Silva; pelo voto de qualidade, para declarar devidos os juros de mora e a multa de mora nas compensações realizadas após a data do vencimento do tributo compensado, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que consideravam suspensos os juros de mora. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. (grifos do original) Fl. 1493DF CARF MF 8 E pela razões aduzidas no tópico precedente, enfatizase, novamente, que não há amparo legal nem fundamento jurídico, para, adicionalmente a correção monetária integral e aos juros equivalente a taxa Selic (Lei 9.250/1995, art. 39, §4º), serem acrescidos juros moratórios ou compensatórios de 1% (um por cento), calculado a partir de 30/8/1996, data do trânsito em julgado da decisão judicial definitiva, conforme pretensão da recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por ACOLHER PARCIALMENTE os embargos e, na parte acolhida, conferir efeito infringente, para: a) reconhecer o direito de a embargante compensar os débitos inscritos em DAU, discriminados na DComp de fl. 1253 e cobrados por meio do processo nº 10680.004738/9794, até o limite do valor do crédito reconhecido no julgado embargado; e b) definir o dia 26/11/2002, data da entrega da DComp de fl. 1253, como o momento da realização do encontro de contas, devendo os créditos e os débitos serem atualizados até referida data, conforme estabelecido no dispositivo do acórdão embargado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Declaração de Voto Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à possibilidade de compensação com débitos inscritos na Dívida Ativa em 26/11/2002, pelas razões a seguir. Na vigência da IN SRF nº 21/1997, era permitida a compensação com débitos inscritos em dívida ativa, conforme se infere do artigo 13, §3º, I, "n" da instrução normativa (incluído pela IN nº 73/1997): Art. 13. Compete às DRF e às IRFA, efetuar a compensação. "§ 3o A compensação será efetuada considerandose as seguintes datas: I tratandose de pedido formulado espontaneamente pelo contribuinte: [...] n) da efetivação da compensação, quando se tratar de débito inscrito em Dívida Ativa."; Após a edição da IN SRF 210/2002, em 30/09/2002, não mais se permitiu a compensação com débitos da Divida Ativa, os termos da delegação da MP 66 (30/08/2002), que incluiu o § 5º no artigo 74. Portanto, na entrega da dcomp (26/11/2002), já vigia a IN SRF 210, de 30/09/2002, cujo artigo 21 dispunha, em sua redação original: Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10680.012352/200220 Acórdão n.º 3302004.128 S3C3T2 Fl. 1.491 9 Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da " Declaração de Compensação" . § 2º A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3º Não poderão ser objeto de compensação efetuada pelo sujeito passivo: I o saldo a restituir apurado na DIRPF; II os tributos e contribuições devidos no registro da DI; III os débitos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF inscritos em Dívida Ativa da União; e IV os créditos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou do parcelamento a ele alternativo. A MP nº 66/2002 acrescentou o § 5º ao artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, dispondo que a Secretaria da Receita Federal disciplinaria o disposto no referido artigo: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. [...] § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002). Assim, em novembro de 2002, já vigia o impedimento do artigo 21 da IN SRF 210/2002, embora reconheçase que a alteração na Lei nº 9.430/1996 somente veio em momento posterior. Ocorre que os débitos compensados em 26/11/2002 referemse ao processo 10680.004738/9794, que, segundo a recorrente, foram inscritos em DAU em 29/01/2003 (efl. 1411). Tal inscrição posterior à compensação foi confirmada no despacho de efls. 1294, abaixo transcrito: Senhor Juiz, Fl. 1495DF CARF MF 10 1. Reportome ao Oficio em referência, de 13/09/2005(Processo Judicial n" 2003.38.00.0484923) por meio do qual Vossa Excelência solicita informações sobre a compensação noticiada pelo executado Banco Agrimisa S/AEm Liquidação Ordinária, às fls. 52/57, nos autos do processo judicial citado, no prazo dc 15 (quinze) dias. 2. De fato, analisando o processo 10680.012352/200220, do mesmo consta pedido de compensação(copia anexa) protocolado pelo contribuinte executado em 26/11/2002 (portanto, antes da inscrição), por meio do qual o contribuinte solicita a compensação de créditos relativos aos recolhimentos do Pis decorrentes dos Decretos 2445 e 2446 (Ação Ordinária 92.00018084) com os débitos do processo 10680.004738/9794, dentre outros débitos. 3. O mencionado processo 10680.012352/200220 se encontra pendente de análise por parte desta Delegacia no que se refere à quantificação do crédito pleiteado. Assim, a compensação teria ocorrido antes da inscrição em DAU. Portanto, acompanho o voto do relator pela conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1496DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.724947/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009, 2010
DEPRECIAÇÃO. AMORTIZAÇÃO. MUP.
Forma de depreciação e amortização. Bens tangíveis e intangíveis que compõem um único ativo, formando um único bem. Passível de depreciação pelo método de unidades produzidas. Baseado no uso e/ou produção esperados.
LAUDO TÉCNICO. ACEITAÇÃO.COMPROVAÇÃO
Laudo produzido após intimação da Fiscalização deve ser aceito e analisado, já que solicitado para fim determinado. Não há que se falar em laudo extemporâneo.
REGIME DE COMPETÊNCIA
A despesa que pertence ao ano-calendário de 2010 não pode ser utilizada para o ano calendário de 2009. Por outro lado, tal despesa glosada sob o único fundamento de inobservância do regime de competência deve ser incluída no ano-calendário de 2010.
Numero da decisão: 1301-002.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício.
assinado digitalmente
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
assinado digitalmente
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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AMORTIZAÇÃO. MUP. Forma de depreciação e amortização. Bens tangíveis e intangíveis que compõem um único ativo, formando um único bem. Passível de depreciação pelo método de unidades produzidas. Baseado no uso e/ou produção esperados. LAUDO TÉCNICO. ACEITAÇÃO.COMPROVAÇÃO Laudo produzido após intimação da Fiscalização deve ser aceito e analisado, já que solicitado para fim determinado. Não há que se falar em laudo extemporâneo. REGIME DE COMPETÊNCIA A despesa que pertence ao anocalendário de 2010 não pode ser utilizada para o ano calendário de 2009. Por outro lado, tal despesa glosada sob o único fundamento de inobservância do regime de competência deve ser incluída no anocalendário de 2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. assinado digitalmente Waldir Veiga Rocha Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 49 47 /2 01 4- 43 Fl. 693DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 694 2 assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 695 3 Relatório MAERSK ENERGIA LTDA, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB, que, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação, para adicionar as despesas no valor de R$97.351.684,54 no prejuízo das atividades de 2010. Passo ao relato da decisão recorrida: O procedimento fiscal foi iniciado em 27/03/2012 mediante a ciência do contribuinte do Termo de Início de Fiscalização, para a apresentação dos livros fiscais, dos extratos bancários e informações sobre composição da DIPJ, relativos ao anocalendário de 2009. Posteriormente houve a extensão do período sob exame ao ano calendário de 2010, mediante a ciência do contribuinte ao Termo de Intimação Fiscal em 10/01/2013. Durante o curso da ação fiscal foram ainda lavrados os termos com ciência em 16/07/2012, 08/10/2012, 10/01/2013, 26/03/2013, 08/08/2013, 04/11/2013, 29/11/2013, 05/02/2014, 11/02/2014, 19/02/2014, e 24/04/2014. A empresa MAERSK ENERGIA LTDA (doravante MAERSK) possuía participação em consórcios, como investidora, para exploração, desenvolvimento e produção em 4 blocos de petróleo e gás natural licitados pela ANP. Verificouse que para o período objeto do procedimento fiscal, o contribuinte apresentou as Declarações de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ, com base no Lucro Real anual, apurando prejuízo fiscal e base negativa para a CSLL. Intimado mediante o Termo de Início de Fiscalização com ciência em 27/03/2012 a, no tocante à DIPJ AC2009, informar a composição da linha 12, ficha 04A Encargos de Depreciação e Exaustão e linha 20, ficha 0 5 a Encargos de Depreciação, o contribuinte em resposta datada de 19/04/2012, anexo V, apresentou o quadro de composição exigido. lsto posto, o contribuinte foi intimado mediante o Termo de Intimação Fiscal com ciência em 16/07/2012 a apresentar as planilhas referentes a estes encargos de depreciação e amortização. Em 25/07/2012 encaminhou carta solicitando prorrogação do prazo em 20 dias, sendo deferido, e em 02/08/2012 solicitou ainda 20 dias adicionais, com deferimento. Em atendimento ao termo com ciência em 16/07/2012 encaminhou carta datada de 22/08/2012, apresentando em seu anexo XIV a planilha "Demonstrativo dos Encargos de Amortização, Depreciação e Exaustão relativos aos anocalendário de 2009". Posteriormente, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal com ciência em 10/01/2013 cientificando a extensão do Fl. 695DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 696 4 período sob exame ao anocalendário de 2010. Pelo o Termo de Intimação Fiscal com ciência em 08/08/2013 foi também exigida a apresentação da planilha "Demonstrativo dos Encargos de Amortização, Depreciação e Exaustão" relativa ao anocalendário de 2010. Após prorrogações de prazo em 35 dias, conforme cartas datadas de 28/08/2013 e 27/09/2013, foi encaminhada a citada planilha mediante a carta datada de 04/10/2013. Em carta datada de 19/12/2012, no tocante aos gastos capitalizados que compõem o Ativo denominado "Campo Polvo Bloco BMC08" e de sua contabilização, o contribuinte informa que: "Para fins de reconhecimento dos gastos incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento, consistente, em sua maioria, em gastos com G&G (Geologia e Geofísica); IDC ("Intangible Drilling Costs"), que são gastos com perfuração de poços; pagamento de retenção de área; e outros gastos menos relevantes, mas ainda associados à perfuração dos poços de exploração e produção, a Maersk adotou os seguintes procedimentos: i. Todos os gastos incorridos foram inicialmente registrados em contas do Ativo Diferido. ii. No momento em que a produção do petróleo e gás natural se iniciou (julho do anocalendário 2007) estes gastos foram reclassificados para conta de Ativo Imobilizado, denominada "Campo Polvo Bloco BMC08 ". iii. Uma vez iniciada a produção, os gastos classificados na conta de Ativo Imobilizado são então reconhecidos em contas de estoque, sendo apropriados no resultado do exercício no momento da venda do petróleo e gás natural. " No tocante à aplicação dos bens tangíveis, o contribuinte informa que os mesmos integram os gastos incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento, conforme exposto na mesma carta datada de 19/12/2012. Por carta datada de 29/01/2014, o contribuinte declara que "Importante ressaltar, todavia, que, apesar de o Ativo Imobilizado "Campo Polvo BMC08" ser composto de gastos relativos à aquisição de bens tangíveis, listados no Anexo I, quanto de bens intangíveis, cuja, relação já foi entregue a esta fiscalização na Resposta datada de 19/12/2012, todos o bens e direitos foram adquiridos com o objetivo de se formar um único bem, a saber, o de poços de exploração e produção de petróleo e gás natural relativos ao Campo Polvo BMCQ81. Em sua carta datada de 19/12/2012, discorrendo sobre os bens tangíveis a serem depreciados, cita no item 2.3 "Do Método de Recuperação do Ativo e seus Fundamentos", no subitem "ii" — " No mesmo sentido, caso considerássemos que, por existirem bens tangíveis na formação do Ativo "Campo Polvo Bloco BMC08 ", ainda que em quantidade e volume financeiro em muito inferior aos gastos intangíveis, tal Ativo deveria se sujeitar à depreciação, o método das unidades produzidas também reputarseia como método mais adequado para depreciação deste Ativo, em razão do disposto no artigo 309, §3"". [RIR/99]. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 697 5 Da mesma forma, de acordo com o item 2.3, "i", da citada carta datada de 19/12/2012, o contribuinte declara que na amortização dos gastos intangíveis incorridos na exploração e desenvolvimento do "Campo Polvo Bloco BMC08" utilizouse também do método das unidades produzidas com amparo nos artigos 325, 326, 327 do RIR/1999 e no Parecer Normativo CST n°. 110/1975. O contribuinte foi intimado mediante o Termo de Intimação Fiscal com ciência em 16/07/2012 a apresentar o razão da conta 3.1.01.02.01 Custo BMBAR3. Em atendimento, por carta datada de 22/08/2012, fls. 10 e 11, declarou que "Entretanto, ao final da primeira fase exploratória, ocorrida no mês de novembro de 2009, a Maersk optou por descontinuar o projeto de exploração do BMBAR3, transferindo sua participação no referido bloco para a Petróleo Brasileiro S/A ..." e que "... Desta forma, todos os gastos incorridos durante a primeira fase exploratória deste bloco, que seriam registrados em contas de Ativo Diferido para posterior amortização, foram registrados em resultado como encargo no próprio anocalendário 2009, como determina o artigo 324, §3°, do Decreto 3.000/1999". Bens Tangíveis e Gastos Intangíveis formando um único bem A fiscalização analisou os citados "Demonstrativos dos Encargos de Amortização, Depreciação e Exaustão", e constatou que a linha "Gastos Associados às Atividades de Exploração e ao Desenvolvimento da Produção", constante do quadro "Custo dos Bens e Gastos", indica a soma dos citados "bens tangíveis" com os "gastos intangíveis", lavrou o Termo de Intimação Fiscal com ciência em 29/11/2013, item 1.1, para a separação destes valores e indicação das NCM para os bens tangíveis. Por carta datada de 21/02/2014 o contribuinte encaminhou as planilhas "Relação dos Bens do Ativo Imobilizado do Campo Polvo" em valores de 31/12/2009 e 31/12/2010. Todavia, não informou as NCM para estes bens tangíveis relacionados, informando em sua carta datada de 29/01/2014, item 2, que "em relação ao item 1.2 do Termo, conforme já mencionado anteriormente, a Maersk Energia não utiliza, na depreciação do Ativo fixo Campo Polvo BMC08, as taxas fixadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil através das Instruções Normativas SRF n. 162/1998 e n.130/1999, haja vista utilizar o Método das Unidades Produzidas para fins de reconhecimento, no resultado, dos gastos incorridos na constituição do Ativo Imobilizado ". A fiscalização verificou as planilhas "Relação dos Bens do Ativo Imobilizado do Campo Polvo", e, entendeu que, no limite das informações apresentadas, os valores com as descrições "206102 Fluidos Perfuração" ( R$31.126.464,61 em 2009 e R$36.545.453,14 em 2010 ), e "213251 Cimento e Serviços de Cimentação" ( R$82.931,16 em 2009 e 2010) referem se a gastos plurianuais, sujeitos portanto à amortização. Tendo em vista as justificativas do contribuinte, apresentadas durante todo o curso do procedimento fiscal, no sentido da agregação dos bens tangíveis com os gastos intangíveis, e da utilização do método das unidades Fl. 697DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 698 6 produzidas na depreciação/amortização dos mesmos, a fiscalização, mediante o Termo de Intimação com ciência em 19/02/2014, intimou o mesmo a apresentar laudo técnico que comprovasse, dentre os gastos intangíveis a serem individualizados, quais contribuiriam para a formação do resultado de mais de um período base, passíveis portanto de amortização, e quais se agregariam aos bens tangíveis para a formação de um único bem, no caso o Campo Polvo BMC08, passíveis de depreciação. O laudo técnico foi apresentado mediante carta datada de 16/05/2014. Contudo, verificou a fiscalização que o mesmo foi produzido em 24/04/2014, sendo portanto não aceito para suportar lançamentos efetuados em 2009 e 2010, motivo pelo qual não foi objeto de análise. Observou, ainda, a fiscalização que a entrada em produção do campo deuse em 2007. Assim sendo, entendeu a fiscalização a ausência de comprovação por documentação hábil que embasasse, a época dos fatos ocorridos, o procedimento do contribuinte em agregar os bens tangíveis com os gastos intangíveis, e, portanto que ambos devam ser apartados, e tratados de forma distinta, os primeiros submetidos à depreciação, e os gastos intangíveis à amortização. Utilização do Método das Unidades Produzidas na Depreciação e Amortização No exame dos citados "Demonstrativos dos Encargos de Amortização, Depreciação e Exaustão", a fiscalização constatou que na sistemática de depreciação/amortização dos bens tangíveis e gastos intangíveis, de acordo com a linha "Amortização e Exaustão Mensal" do quadro "Campo de Produção de Polvo BMC 8 (40%) Maersk Energia", o contribuinte utilizou taxa calculada a partir do quociente entre a produção mensal e a reserva remanescente no mês anterior, em desacordo com o previsto no artigo 309, §3°, do RIR/1999, ou seja, a razão entre o volume da produção no período de apuração e a possança, ou seja, o volume da reserva inicial. A fiscalização citou também o transcrito item 4.1.4 do Parecer Normativo CST n°44/77, que trata de quota de exaustão de recursos minerais, estabelecendo que o valor dedutível como custo será proporcional "à extração do período em relação com a potência conhecida da mina". Assim sendo, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal com ciência em 24/04/2014, sendo que na resposta datada de 05/05/2014 o contribuinte corrobora seu procedimento de utilizar como taxa de depreciação/amortização o quociente entre a produção mensal e a reserva remanescente no mês anterior. A fiscalização entendeu que, não obstante, em que pese a justificativa do contribuinte para a utilização de um sistema "híbrido", em que emprega uma reserva inicial "móvel", amparado, como informa, na sistemática prevista em função das especificidades de sua atividade econômica, não haver na legislação de regência, a previsão legal para a utilização do método das unidades produzidas, quando não se pode precisar a reserva inicial. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 699 7 Inobservância do Regime de Competência A fiscalização analisando o "Instrumento Particular de Distrato" anexo à carta datada de 22/08/2012, relativo à sobredita transferência do referido bloco para a Petrobrás S/A, verificouse que tal documento foi assinado em 05/10/2010, portanto no anocalendário seguinte ao da baixa. Tal fato motivou a lavratura do Termo de Intimação Fiscal com ciência em 08/10/2012 para a apresentação de instrumento que legitimasse a apropriação das sobreditas despesas no anocalendário 2009. Em resposta por carta datada de 29/10/2012, a fiscalização entendeu que a contribuinte não logrou apresentar o instrumento exigido que embasasse a baixa do Bloco em questão e declarou que "... a decisão de descontinuar o projeto de exploração do Bloco BMBAR3 foi tomada durante o AC 2009, razão pela qual todos os gastos incorridos durante a primeira fase exploratória deste Bloco, que seriam registrados em contas de Ativo Diferido para posterior amortização, foram registrados em resultado como encargo no próprio anocalendário, em conformidade com artigo 324, § 3o, do Decreto n° 3.000/1999 (RIR/1999)". Prosseguiu ainda declarando que "Não obstante a apropriação das referidas despesas no AC 2009 ter ocorrido em estrita observância ao princípio da competência e em conformidade com a legislação fiscal aplicável, conforme comprovado, ressaltamos que o fato de a baixa ter ocorrido em AC anterior ao da assinatura do "Instrumento Particular de Distrato", não trouxe qualquer consequência adversa ao fisco, isto porque, ainda que a baixa tivesse ocorrido no AC 2010, conforme se constata através da análise das fichas 09 e l7 da D1PJ 2011, no AC 2010 (anexo II), o resultado apurado em ambos os anoscalendário seria de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, conforme demonstramos abaixo;" A contribuinte encaminhou ainda em anexo à citada carta o "Termo Aditivo n° 2 ao Contrato de Concessão para Exploração , Desenvolvimento e Produção de Petróleo e Gás Natural n° 48610.009212/2002 BMBAR3 ", datado de 05/10/2010, onde consta que "... que, na data de 05/10/2010, foi aprovada pela Diretoria Colegiada da ANP a Cessão de Direitos e Obrigações referentes à transferência integral do percentual de 30% (trinta por cento) dos mesmos da SK DO BRASIL LIDA, para Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás, através da Resolução de Diretoria n" 854/2010;" A fiscalização considerou como ocorrida a cessão na data da aprovação pela Agência Nacional do Petróleo. Assim, como na DIPJ AC 2010 o contribuinte apurou prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, a fiscalização conclui que essa antecipação de despesas referentes ao AC 2010, apropriada em 2009, será considerada como redução indevida do Lucro Real, e não como postergação de pagamento de imposto, conforme legislação de regência. Cientificado dos autos de infração, a contribuinte impugnou trazendo as seguintes razões (resumo): DAS PRELIMINARES DE NULIDADE Fl. 699DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 700 8 DA DESCONSIDERAÇÃO DO LAUDO PERICIAL. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA BOAFÉ. DA SEGURANÇA JURÍDICA . DA PROTEÇÃO À CONFIANÇA E DA LEGALIDADE A contribuinte afirma que o Auto de Infração ora impugnado está fulminado pelo vício de nulidade em razão da flagrante violação aos princípios da boafé, da segurança jurídica, da proteção à confiança e da legalidade, uma vez que a Autoridade Fiscalizadora não aceitou o laudo técnico apresentado pela ora Impugnante para comprovação da integração dos bens tangíveis e gastos intangíveis que contribuíram para a formação de um único bem, o Campo Polvo BMC08. Lembra a impugnante que, em 17/02/2014, a própria Autoridade Fiscal intimou (Doc. 04) a Impugnante para apresentar o referido laudo. Afirma a impugnante que a solicitação da fiscalização foi feita de forma genérica, intimando apenas a Impugnante a apresentar laudo técnico hábil a comprovar os gastos mencionados, sem fazer qualquer ressalva de que o laudo deveria ter sido elaborado em data anterior aos lançamentos, ou até mesmo anterior à entrada em produção do Campo Polvo BMC 08. A conclusão do responsável técnico (Doc. 05), após a análise dos registros contábeis apresentados pela Impugnante na planilha "Composição do Ativo do Campo de Polvo por Ano" foi no sentido de que os gastos ativados nas fases de exploração e desenvolvimento do Campo Polvo BMC 08 foram típicos e estritamente necessários ao desenvolvimento de um campo marítimo de petróleo. Assim, restou demonstrado que os gastos descritos nesta planilha se agregam, de fato, a um único bem do ativo imobilizado, qual seja: o Campo Polvo BMC08. Aduz a impugnante que o Agente Fiscal não aceitou o laudo técnico apresentado sob o frágil argumento de que o referido laudo fora produzido em 24/04/2014 e não seria documento hábil a suportar os lançamentos efetuados em 2009 e 2010. Assim, o Fiscal houve por bem sequer analisar o laudo apresentado pela Impugnante. Assevera a impugnante que o laudo técnico apresentado representa verdadeiro parecer pericial sobre a composição do ativo do Campo Polvo BMC08 com enfoque nos gastos incorridos em serviços contratados, tal como solicitado pela Autoridade Fiscalizadora. O referido laudo não foi, portanto, elaborado com o propósito de dar suporte à época aos lançamentos contábeis, mas para confirmar a integração dos bens tangíveis e gastos intangíveis que contribuíram para a formação do Campo Polvo BMC08. E, como todo laudo pericial, não há como ter sido feito à época dos fatos, tendo em vista que sua elaboração, repitase, decorreu de solicitação da própria Autoridade Fiscalizadora. Entende a impugnante ser flagrante, no presente caso, a violação aos princípios da boafé, da segurança jurídica, da proteção à confiança e da legalidade, tendo em vista que a Autoridade Fiscal não aceitou e sequer Fl. 700DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 701 9 analisou o laudo pericial apresentado pela Impugnante em cumprimento à sua própria solicitação. Assim, afirma a impugnante que não merece prosperar o argumento trazido pelo Fiscal Autuante às fls. 7 do Termo de Constatação de Irregularidades anexo ao presente Auto de Infração, no sentido de que o laudo pericial não deveria ser aceito pelo fato de ter sido produzido em 24/04/2014 para suportar lançamentos efetuados em 2009 e 2010. Isto porque a legislação de regência não obriga o contribuinte a produzir laudo técnico hábil a comprovar a taxa de depreciação utilizada ou que os gastos tangíveis e intangíveis foram incorridos para a formação de um único bem, como é possível verificar dos artigos 309 e 310 do Decreto nº3.000/1999. Diante do exposto, entende a impugnante que a presente Autuação está fulminada pelo vício de nulidade, devendo, portanto, ser cancelado por esta Delegacia de Julgamento. DA NÃO INCLUSÃO DAS DESPESAS NO ANOCALENDÁRIO DE 2010. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA DO FISCO. O presente Auto de Infração foi lavrado sob o argumento de que a Impugnante não teria observado o regime de competência, uma vez que a baixa dos gastos com o Bloco BMBAR3 foi registrada em 2009 e a transferência do referido bloco à Petrobrás somente foi formalizada em 2010. Assim, no entendimento do Fiscal, teria havido antecipação de despesas referentes ao anocalendário de 2010, apropriadas pela Impugnante em 2009, e, conseqüentemente, uma redução indevida do lucro real. A Impugnante afirma ter plena convicção de ter procedido corretamente à baixa do Bloco BMBAR3 em 2009, tendo em vista que, em novembro de 2009, após a primeira fase de exploração, a Impugnante tomou a decisão de descontinuar o projeto de exploração do Bloco BMBAR 3 por entender que os esforços empregados na exploração deste campo não apresentariam o retorno esperado. A formalização da transferência do referido Bloco somente ocorreu em 2010 em razão de trâmites burocráticos que resultaram num lapso temporal entre esses dois momentos. Afirma a contribuinte que, em nenhum momento foi questionada a legalidade da despesa, a qual é inquestionável, mas exclusivamente a suposta não observância do regime de competência. Portanto, a glosa das despesas oriundas da baixa do Bloco BMBAR3 no anocalendário de 2009, resulta necessariamente na conclusão de que tais despesas devem ser consideradas como legítimas para o anocalendário de 2010, uma vez que a formalização da transferência do Bloco BMBAR3 naquele ano. Entendeu a contribuinte caracterizada situação de flagrante enriquecimento sem causa perpetrado pelo Fisco, tendo em vista a verificação de (i) locupletamento do Fisco ao desconsiderar despesas dedutíveis e cobrar Auto de Infração de IRPJ e CSLL sobre glosa de tais despesas; (ii) empobrecimento da Impugnante, haja vista a constituição de Fl. 701DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 702 10 passivo tributário indevido em seu desfavor; (iii) o nexo de causalidade entre o empobrecimento da Impugnante e o locupletamento do Fisco, qual seja: a lavratura do presente Auto de Infração; e (iv) a falta de uma causa jurídica para tais eventos, ou seja, o descabimento da cobrança em comento. Aduz que o presente Auto de Infração está fulminado pelo vício de nulidade, vez que sua manutenção representa flagrante enriquecimento sem causa por parte do Fisco. DO MÉRITO DA CAPITALIZAÇÃO DOS GASTOS INCORRIDOS NAS FASES DE EXPLORAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. DOS BENS TANGÍVEIS E GASTOS INTANGÍVEIS FORMANDO UM ÚNICO BEM. A contribuinte entende que conforme a documentação acostada à esta impugnação em 16/05/2014, a Impugnante apresentou à fiscalização laudo técnico (Doc. 05) hábil a comprovar o procedimento adotado relativamente à agregação dos bens tangíveis aos gastos intangíveis incorridos nas fases de exploração e desenvolvimento do Campo Polvo BMC08. Contudo, como já ressaltado acima, a Autoridade Fiscalizadora não aceitou o referido laudo, sob o frágil argumento de que o mesmo foi elaborado posteriormente à data de entrada em produção do campo, em flagrante ofensa aos princípios da boafé, segurança jurídica, proteção à confiança e legalidade. A contribuinte ressalta que o próprio Fiscal reconhece que as despesas são capitalizáveis e devem ser submetidas a método de recuperação. Dessa forma, entende que não há que se falar em tratamento distinto e apartado para os gastos com bens tangíveis e intangíveis como pretende a Autoridade Fiscalizadora, uma vez que todos estes gastos foram incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento e contribuíram para a formação do ativo, que é o próprio Campo Polvo BMC08. Assim, há que se considerar que todos os gastos tangíveis e intangíveis foram suportados pela Impugnante para a FORMAÇÃO DE UM ÚNICO BEM, qual seja: o Campo Polvo BMC08. Afirma a contribuinte que os gastos incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento consistiram, em sua maioria, em gastos com G&G (geologia e geofísica); IDC ("Intangible Drilling Costs"), que são gastos com a perfuração de poços; pagamento de retenção de área; além de outros gastos menos relevantes associados à perfuração dos poços de exploração e produção. A Impugnante informa que adotou os seguintes procedimentos para fins de reconhecimento de tais gastos: “i) todos os gastos incorridos foram inicialmente registrados em contas de Ativo Diferido Fl. 702DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 703 11 ii) no momento em que a produção do petróleo e gás natural se iniciou (julho do anocalendário de 2007) estes gastos foram reclassificados para conta de Ativo Imobilizado, denominada "Campo Polvo Bloco BMC08"; e; iii) uma vez iniciada a produção, os gastos classificados na conta de Ativo Imobilizado foram reconhecidos em contas de estoque, sendo a quota de preciação apropriada no resultado do exercício no momento da venda do petróleo e gás natural.” Afirma a impugnante que o Ativo denominado "Campo Polvo Bloco BMC08" é o resultado da capitalização de todos os gastos de exploração e desenvolvimentos determinados pela Lei nº 9.478/1997 ("Lei do Petróleo"). Informa, também, que a apropriação dos referidos gastos em contas de estoque se dá na medida em que o petróleo e o gás natural são produzidos, com base no método das unidades produzidas, a ser analisado no próximo tópico, haja vista que os referidos gastos somente contribuirão para o resultado da Impugnante enquanto perdurarem as reservas (possança) de petróleo e gás natural existentes naquele Bloco. A impugnante destaca que o procedimento adotado pela Impugnante, qual seja, capitalizar os gastos incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento, para posterior recuperação através de depreciação/ amortização/ exaustão pelo método das unidades produzidas, encontra fundamento na legislação contábil e fiscal brasileiras, bem como se adequa às regras internacionais aplicáveis à indústria do petróleo, cuja observância pelos concessionários está determinada pelo artigo 44, inciso VI, da Lei do Petróleo. Informa a impugnante que em relação à legislação contábil brasileira, o dever de capitalizar os gastos que contribuem para a formação de resultados de mais de um exercício encontrase previsto no artigo 179, IV, V e VI, da Lei n9 6.404/1976, com a redação anterior às alterações trazidas pela Lei nº 11.638/2007. Adiciona que a legislação fiscal determina, conforme artigo 248 do RIR/1999, que o Lucro Líquido, ponto de partida para o cálculo do Lucro Real, deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. Afirma, também, que para as pessoas jurídicas que adotaram o Regime Tributário de Transição (RTT), como no caso da ora Impugnante, a legislação comercial a ser observada é a Lei n° 6.404/1976 antes das alterações trazidas pela Lei n° 11.638/2007. Assim, o dispositivo legal acima transcrito deve ser observado para fins de cálculo do Lucro Real. A impugnante destaca que o dever de capitalizar os referidos gastos também pode ser observado pelo disposto nos artigos 248, 301, 324, 330 e 346 do RIR/1999. Pondera, que além dos dispositivos legais acima mencionados, a Impugnante também estava obrigada a observar, quando do reconhecimento dos gastos incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento, as Fl. 703DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 704 12 regras internacionais relativas à contabilização destes gastos, as quais, diferentemente da legislação brasileira, são de aplicação específica para a indústria do petróleo e gás natural. A impugnante aduz que, em que pese o Brasil não possuir uma legislação contábil e fiscal específica para a indústria do petróleo, não há dúvidas de que a Lei do Petróleo é de observância obrigatória para todas as pessoas jurídicas envolvidas nas atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural, e a referida lei determinou no inciso VI do artigo 44 acima transcrito que o concessionário deve adotar, na consecução de suas atividades, as melhores práticas da indústria internacional do petróleo. Afirma, ainda, que com base neste preceito, e à luz das regras internacionalmente aceitas, as pessoas jurídicas atuantes na indústria do petróleo e gás natural no Brasil estão obrigadas a adotar um dos regimes contábeis que lhes são aplicáveis, conhecidos internacionalmente como "successful efforts" e "full cost” para fins de contabilização dos gastos incorridos com a exploração e desenvolvimento de petróleo e gás natural. Informa que no regime conhecido como "successful efforts" são capitalizados apenas os custos diretamente associados com as atividades que podem, objetivamente, causar o sucesso exploratório. Neste regime, consideramse apenas os custos incorridos com esforços que resultem diretamente em descobertas e reservas provadas, e somente tais custos, devem ser objeto de capitalização. Ao contrário, aqueles que não são relacionados diretamente com tais êxitos, devem ser baixados imediatamente a resultado. Adiciona que Pelo método 'full cost", como sugere a expressão, todos os custos são considerados associados a uma possível descoberta e desenvolvimento final. Assim, mantêmse capitalizados todos os custos incorridos na busca de petróleo e gás natural. Informa, também, que o método full cost encontrase especificamente previsto nas regras de USGAAP (Princípios Geralmente Aceitos de Contabilidade dos Estados Unidos da América), IAS (International Accounting Standard) no s 16 e 18 e IFRS (International Financial Reporting Standards) n°6. Ressaltese, inclusive, que a Lei n° 11.638/2007 teve por objetivo iniciar a convergência do sistema contábil brasileiro às regras internacionais de contabilidade (IFRS), tendo sido sucedida pela Lei nº 12.973/2014, publicada recentemente como resultado da conversão da Medida Provisória n9 627/2013. Destaca, ainda, a contribuinte que o Comitê de Contabilidade da Indústria do Petróleo ("Oil Industry Accounting Committee") emitiu o Relatório de Práticas Recomendadas à indústria de petróleo e gás natural ("SORP Statement of Recommended Practice"), determinando a capitalização de todos os gastos incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento em único Ativo (denominado "cost pool"), para posterior depreciação através do método das unidades produzidas. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 705 13 A Impugnante afirma que corretamente observou as regras aplicadas à indústria internacional do petróleo ao capitalizar todos os gastos incorridos nas fases de exploração e desenvolvimento do Campo Polvo BMC08, motivo pelo qual o presente Auto de Infração não merece prosperar, devendo ser cancelado. DO MÉTODO DE RECUPERAÇÃO DO ATIVO. DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DAS UNIDADES PRODUZIDAS NA DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO A Impugnante afirma que em conformidade com as práticas internacionais da indústria do petróleo, utilizou o método das unidades produzidas ("MUP") para fins de reconhecimentos dos gastos capitalizados, incorridos durantes as fases de exploração e desenvolvimento, haja vista que os referidos gastos somente têm o condão de contribuir para o resultado da Impugnante enquanto perdurarem as reservas de petróleo e gás natural existentes no Bloco. A contribuinte destaca que parte significativa dos gastos incorridos nas fases de exploração e desenvolvimento consiste na contratação de serviços e outros bens intangíveis necessários à preparação de determinado campo para que o mesmo comece a extrair e, consequentemente, produzir petróleo e gás natural. Também são aplicados nestas atividades bens de natureza tangível, mas em quantidade e volume notadamente inferior. Afirma que não haveria dúvidas de que o método a ser utilizado para a depreciação dos ativos intrinsecamente ligados às atividades de exploração e produção é o método das unidades produzidas ("MUP"). Adiciona que o MUP determina a quota de depreciação em função do volume da produção relativo a cada período de apuração e a sua relação com a capacidade de produção do poço de petróleo e gás natural em que são utilizados os bens passíveis de depreciação, já que, quando do esgotamento destas reservas, os bens utilizados nestas operações já não terão nenhuma utilidade econômica. Para a efetiva aplicação do MUP à indústria do petróleo, as reservas provadas são determinadas por geólogos e engenheiros de petróleo da empresa operadora dos blocos e sua determinação segue padrões internacionais determinados para este fim, de acordo com o estabelecido no artigo 44, VI, da Lei do Petróleo. Alega a impugnante que, ao contrário do alegado pela Autoridade Fiscalizadora às fls. 8 do Termo de Constatação de Irregularidades do presente Auto de Infração, o parágrafo 3 do artigo 309 do RIR/1999 prevê, expressamente, a possibilidade de utilização do método das unidades produzidas pelas pessoas jurídicas que realizam as atividades de exploração de minas, jazidas e florestas, estabelecendo que, em tais casos, a quota de depreciação poderá ser registrada na escrituração em função do volume da produção de cada período de apuração. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 706 14 Afirma a contribuinte, cai por terra o argumento da Autoridade Fiscalizadora no sentido de que não há previsão legal que permita a utilização do método das unidades produzidas em situações nas quais não é possível precisar a possança (reserva inicial). A impugnante, ainda alega que, caso se entenda que a Impugnante utilizou taxas incorretas para recuperação do ativo devido à reavaliação periódica da reserva provada, o que somente se admite por hipótese, o presente Auto de Infração deveria apenas cobrar o tributo pago a menor em razão da taxa equivocada, acrescido de juros, e não glosar a totalidade do custo capitalizado pela Impugnante. Adicionalmente, a contribuinte alega ser importante frisar que apesar de o procedimento adotado pela Impugnante ser o que melhor se adequa às regras contábeis internacionais, é o método que apresenta maior ônus para empresa do ponto de vista tributário. Isto porque, o RIR/1999 estabelece que as pessoas jurídicas atuantes na indústria do petróleo podem optar por deduzir os encargos com exploração e produção de petróleo cru em cada período de apuração para efeito de determinação do lucro líquido. De acordo com o artigo 416, não haveria necessidade de se ativar estes gastos para posterior depreciação em razão das unidades produzidas em relação às reservas provadas, os quais poderiam ser apropriados no período de apuração em que incorridos. Aduz a impugnante, que considerando (i) todos os gastos tangíveis e intangíveis foram incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento do Campo Polvo BMC08, sendo, portanto, considerado um único bem; e (ii) tanto o prazo inicial quanto o prazo final para reconhecimento destes gastos no resultado do exercício é exatamente o mesmo para todos os itens capitalizados, não houve necessidade, no momento da capitalização, de segregar os gastos em subcontas distintas, já que esta segregação somente se faz necessária quando o início ou duração do prazo para amortização, depreciação e exaustão de bens e direitos são distintos. Se todos os itens que compõem o Ativo se submetem ao mesmo início e prazo de depreciação/ amortização/ exaustão de bens e direitos, não há que se falar em ficha individual de bens do ativo imobilizado. DOS GASTOS INTANGÍVEIS A impugnante ressalta que, de acordo com o artigo 325 do RIR/1999, os gastos incorridos com despesas que contribuem para a formação do resultado de mais de um exercício podem ser amortizados, observadas as regras trazidas pelos artigos 3265 e 327 do RIR/1999, o que necessariamente se aplica aos gastos incorridos pela Impugnante durante as fases de exploração e desenvolvimento. Ressalta que o fato de estes gastos serem inicialmente transferidos para outra conta de Ativo para posterior amortização não lhes tira a natureza de gastos que contribuem para a formação do resultado de mais de um exercício, mas, pelo contrário, tem o objetivo único e exclusivo de que Fl. 706DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 707 15 tais gastos sejam efetivamente reconhecidos na proporção de sua contribuição aos resultados. Relembra a contribuinte, que o artigo 327 do RIR/1999 estabelece que a taxa anual de amortização deve ser calculada com base no número de períodos de apuração em que deverão ser usufruídos os benefícios, respeitandose o prazo mínimo de 5 (cinco) anos. Assim, entende que, desde que o prazo mínimo de 5 (cinco) anos seja respeitado, o contribuinte poderá calcular a taxa de amortização daqueles gastos pelo prazo em que espera usufruir o direito. No caso em tela, entende que tal prazo está intrínsecamente relacionado com a existência das reservas, razão pela qual a taxa é calculada pelo método das unidades produzidas, apropriandose os gastos ao resultado na medida em que a produção ocorre e em função da quantidade total de petróleo e gás natural que se espera produzir, ainda que tal prazo seja superior a 5 (cinco) anos como é o caso para o anocalendário de 2009. Assim, entende que, tendo em vista que a taxa de recuperação do Ativo "Campo Polvo Bloco BMC08" respeitou os prazos mínimos estabelecidos na legislação fiscal, o procedimento adotado pela Impugnante está em consonância com a legislação fiscal independentemente do fato de todos os gastos terem sido alocados para conta de Ativo Imobilizado e reportados na DIPJ na linha 35 da Ficha 36 da DIPJ. DOS GASTOS COM BENS TANGÍVEIS A impugnante entende que, no mesmo sentido, por existirem bens tangíveis na formação do Ativo "Campo Polvo Bloco BMC08", ainda que em quantidade e volume financeiro muito inferior aos gastos intangíveis, tal Ativo deveria se sujeitar à depreciação, e o MUP também reputarseia como método mais adequado para depreciação deste Ativo, em razão do disposto no artigo 309, § 32, do RIR/1999. Entende imperioso destacar que os bens tangíveis eventualmente utilizados durante as fases de exploração e desenvolvimento consistem, basicamente, em máquinas e equipamentos, cujo prazo de vida útil máximo seria de 10 (dez) anos, conforme Instrução Normativa n° 162/1998. Assim, considerando que o prazo estimado de produção do Campo Polvo Bloco BMC08, de acordo com a reserva provada de 18.935.689 barris de óleo cru (equivalente a 3,0105 milhões de m3, conforme demonstrado no quadro abaixo), declarada à ANP em janeiro de 2009 (Doc. 07), é de aproximadamente 7 (sete) anos, a depreciação destes bens deverá ser efetuada pelo método das unidades produzidas, conforme determina o parágrafo 39 do artigo 309 do RIR/1999. Adicionalmente, entende que em consonância com o estabelecido no 39 do artigo 310 do RIR/1999, quando o registro do imobilizado for feito por conjunto de instalação ou equipamentos, sem especificação suficiente para Fl. 707DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 708 16 permitir aplicar as diferentes taxas de depreciação de acordo com a natureza do bem, deverão ser utilizadas as taxas aplicáveis aos bens de maior vida útil que integrem o conjunto. Isto é, ainda que não haja individualização dos bens, novamente se verifica que a depreciação de eventuais bens tangíveis registrados na conta de Ativo "Campo Polvo Bloco BMC 08" deve ser realizada pelo MUP, com base no disposto no parágrafo 39 do artigo 309 do RIR/1999. Tal metodologia, afirma a impugnante, está fundamentada, ainda, no artigo 310 do RIR/1999, o qual determina que a taxa anual de depreciação deverá ser fixada pelo prazo durante o qual se espera utilização econômica do bem pelo contribuinte. A impugnante assevera que no caso das pessoas jurídicas atuantes na indústria do petróleo o prazo durante o qual se espera a utilização econômica dos bens na produção dos rendimentos, nos casos dos bens intrinsecamente ligados à produção de um campo ou bloco específico, é, justamente, o prazo no qual se espera que existam recursos naturais a serem produzidos e vendidos. Entende que o MUP também deve ser utilizado para a depreciação dos ativos tangíveis intrinsecamente ligados às atividades de exploração e desenvolvimento da indústria do petróleo e gás natural. DO BÔNUS DE ASSINATURA A contribuinte alega, que usualmente os contratos de concessão possuem prazo de duração amplo, correspondente ao tempo máximo permitido para a exploração e produção do respectivo campo. Contudo, o contrato necessariamente é rescindido quando do esgotamento das reservas de petróleo e gás natural, com a respectiva devolução da área concedido à ANP. Assim, é possível concluir que o prazo de concessão ou do contrato de exploração tem relação direta com a possança conhecida das reservas de petróleo e gás natural. Aduz que o mesmo acontece no presente caso, uma vez que a Cláusula 4.1, prevê que o Contrato será dividido em 02 (duas) fases (exploração e produção), em conformidade com o artigo 24 da Lei do Petróleo8. A referida Cláusula ainda dispõe que a fase de produção somente terá início após a entrega da Declaração de Comercialidade à ANP, podendo ter duração de 27 (vinte e sete) anos, duração esta que pode ser reduzida ou prorrogada, conforme o disposto na Cláusula 8.1. Com efeito, a Declaração de Comercialidade foi entregue à ANP em 01/07/2005 (Doc. 08) e que o prazo estimado de produção do Campo Polvo Bloco BMC08, de acordo com a reserva provada de 18.935.689 barris de óleo cru, declarada à ANP em janeiro de 2009 (Doc. 07), é de aproximadamente 7 (sete) anos. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 709 17 Entende, que, ainda que o contrato preveja prazo máximo de duração de 27 anos para a fase de produção, isto não significa que o direito de exploração e produção do campo se perpetuará por este mesmo prazo, uma vez que contrato deve ser rescindido quando do esgotamento das reservas, com a respectiva devolução da área concedido à ANP. Logo, a taxa anual de amortização aplicável ao bônus de assinatura não pode estar intrinsecamente relacionada ao prazo máximo de duração do contrato. Assevera não merecer prosperar a presente Autuação que pretende glosar os valores de R$ 1.177.054,43 (um milhão cento e setenta e sete mil cinquenta e quatro reais e quarenta e três centavos) e R$ 1.224.997,15 (um milhão duzentos e vinte e quatro mil e novecentos e noventa e sete reais e quinze centavos) relativos, respectivamente, aos anoscalendário de 2009 e 2010, a título de quota de amortização de bônus de assinatura utilizada a maior. EXAUSTÃO DOS GASTOS INCORRIDOS NA EXPLORAÇÃO E PROSPECÇÃO DE RECURSOS NATURAIS A impugnante considera que, em função da falta de tratamento específico aos gastos incorridos pela indústria do petróleo e gás natural, devem ser aplicados aos custos e despesas com depreciação, amortização e exaustão de gastos incorridos na exploração e prospecção de jazidas de petróleo e gás natural as mesmas regras existentes para os gastos incorridos na exploração e prospecção de minas, ou seja, aplicarseia o disposto no artigo 330 do RIR/1999. Entende,a contribuinte que tanto os gastos incorridos com bens intangíveis (serviços e outros direitos), quanto os gastos incorridos com bens tangíveis (equipamentos e outros bens eventualmente utilizados nas fases de exploração e produção e na perfuração dos poços de exploração e produção) seriam exauridos pela curva da produção, com base no MUP, tratamento este dispensado pela Impugnante aos bens registrados na conta "Campo Polvo Bloco BMC08", em total consonância com o estabelecido no § 29 do art. 330 do RIR. DA ILEGALIDADE DA GLOSA DE DESPESAS PELA INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. ERRO RELATIVO AO QUANTUM DEBEATUR. Assevera a impugnante que em função da suposta inobservância do regime de competência, a Autoridade Fiscal pretende recompor o saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, por entender que as despesas no montante de R$ 97.351.684,54 (noventa e sete milhões trezentos e cinquenta e um mil seiscentos e oitenta e quatro reais e cinquenta e quatro centavos) foram deduzidas pela Impugnante no anocalendário de 2009 de forma antecipada, resultando em redução indevida do Lucro Real, o que ensejaria a aplicação de multa prevista no caput do artigo 273 do RIR/1999. Contudo, alega que a dedução de tais despesas efetuada pela Impugnante em 2009 se deu em virtude da decisão da própria Maersk de Fl. 709DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 710 18 descontinuar o projeto de exploração do Bloco BMBAR3 após a primeira fase de exploração, em novembro de 2009, por entender que os esforços empregados na exploração deste campo não apresentariam o retorno esperado. Tal decisão baseouse em análises efetuadas pela Impugnante e suas consorciadas sob a viabilidade do negócio, cujas conclusões foram sumarizadas na "Proposta de Abandono" (Doc. 09) apresentada pela operadora do Bloco BMBAR3. Desta forma, entende a impugnante que todos os gastos incorridos durante a primeira fase exploratória do Bloco BMBAR3, que estavam registrados em contas de Ativo Diferido para posterior amortização, foram registrados em resultado como encargo no próprio anocalendário de 2009, em consonância com o disposto no artigo 324, §39 do RIR/1999. Logo, conclui que a apropriação das referidas despesas no anocalendário de 2009 ocorreu em estrita observância ao princípio da competência e em conformidade com a legislação de regência. Afirma a contribuinte que, muito embora a decisão quanto a efetiva descontinuação do projeto de exploração do Bloco BMBAR3 tenha ocorrido em novembro de 2009, a Autoridade Fiscal entendeu que as despesas relativas à baixa do Bloco seriam referentes ao anocalendário de 2010 pelo simples fato de o Instrumento Particular de Distrato (Doc. 10), que lastreou a transferência do percentual de 30% de participação da Impugnante no referido Bloco à Petrobrás, ter sido formalizado em 05/10/2010, data em que a ANP aprovou a cessão de direitos e obrigações relativa a tal transferência. Afirma que, os gastos incorridos devem ser registrados em resultado como encargo do próprio anocalendário no momento em que a Impugnante percebeu que o Bloco se tornou imprestável, e não no momento da formalização de sua transferência à Petrobrás e aprovação da agência reguladora. Entende a contribuinte (como argumentação subsidiária), que a apropriação de despesas pela Impugnante em 2009 jamais poderia ser considerada como redução indevida do Lucro Real para fins de aplicação do artigo 273, inciso II do RIR/1999. Dessa forma, entende ( subsidiariamente) que tais despesas devem ser então consideradas como legítimas para o anocalendário de 2010, uma vez que houve a formalização da transferência do Bloco BMBAR3. DA DESCONSIDERAÇÃO DAS DESPESAS RELATIVAS AO BIOCO BMBAR3 NA APURAÇÃO DO IRPJ E CSLL SUPOSTAMENTE DEVIDOS PELA IMPUGNANTE NO ANOCALENDÁRIO DE 2010, A impugnante alega que, caso se tratassem efetivamente de despesas relativas ao anocalendário de 2010, o que se admite apenas por argumentação, o resultado apurado em ambos os anoscalendário de 2009 e 2010 seria de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 711 19 Entende a Impugnante que se tivesse apenas provisionado tais despesas em 2009 e registrado sua baixa integral no anocalendário de 2010 o resultado prático seria o aumento do prejuízo fiscal verificado em 2010. Em outras palavras, ainda que se entenda que a Impugnante não tenha observado o regime de competência no caso sob análise, não teria havido qualquer lesão aos cofres públicos. Por todo exposto, na eventualidade de o Auto de Infração ora impugnado não ser integralmente cancelado por esta Delegacia de Julgamento, pede que as despesas relativas à baixa do Bloco BMBAR3 devem ser consideradas como dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e da CSLL (supostamente) devidos pela Impugnante no anocalendário de 2010, evitandose, dessa forma, o enriquecimento ilícito da União Federal. Em julgamento realizado em 27 de fevereiro de 2015, a 2ª Turma da DRJ/BSB, considerou parcialmente procedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 0366.592, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 DEPRECIAÇÃO. AMORTIZAÇÃO Na legislação fiscal encontramse as maneiras de depreciar e amortizar. Notadamente o RIR/99. Outras formas de depreciação ou amortização não podem ser utilizadas para efeitos fiscais. A forma de depreciação baseada em reserva inicial móvel, não tem respaldo na legislação fiscal. REGIME DE COMPETÊNCIA A despesa que pertence ao anocalendário de 2010 não pode ser utilizada para o ano calendário de 2009. Por outro lado, tal despesa glosada sob o único fundamento de inobservância do regime de competência deve ser incluída no anocalendário de 2010. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 711DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 712 20 A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 538/685), onde repete os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Recebi, por sorteio, o presente auto em 16/02/2017. É o relatório. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 713 21 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto A contribuinte foi autuada, em 16/06/2014, no IRPJ e reflexo, no regime de lucro real anual, por ter deduzido em excesso valores relativos a depreciação de bens tangíveis nos anoscalendário de 2009 e 2010, bem como por ter deduzido em excesso valores relativos a amortização dos gastos intangíveis e do Bônus de Assinatura, também nos mesmos anos calendário de 2009 e 2010, além da inobservância do regime de competência no anocalendário de 2009, conforme se observa do quadro abaixo. autuação 2009 2010 0001 depreciação 20.776.195,62 30.350.043,42 0002 amortização 40.297.563,36 72.571.315,13 1.177.054,43 1.224.997,15 0003 inobserv reg compet 97.351.684,54 159.602.497,95 104.146.355,70 Foi exigido o crédito tributário total de R$ 40.319.662,95, incluindo imposto, contribuição, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 06/2014. A DRJ/BSB julgou a impugnação Procedente em Parte, mantendo os autos de infração relativos ao anocalendário de 2009, e com relação ao anocalendário de 2010, recompor o resultado do período, mediante o reconhecimento da despesa no valor de R$97.351.684,54, configurando no final, depois da compensação do prejuízo, uma redução do mesmo para R$17.364.735,30. Contra essa decisão foi interposto recurso de ofício e voluntário, os quais passo a analisar. RECURSO DE OFÍCIO No que tange à admissibilidade do recurso de ofício, ressalto o determinado no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, publicada no DOU de 10/02/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em referência, diante do reconhecimento da despesa no ano de 2010, no valor de R$ 97.351.684,54, reduzindo, após a compensação de prejuízo, para R$ 17.364,735,30, verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Dessa forma, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 714 22 No que se refere à questão da inobservância ao regime de competência no ano de 2009, ela decorreu das deduções de despesas efetuadas em razão da decisão da empresa de descontinuar o projeto de exploração do Bloco BMBAR3 após a primeira fase de exploração, em novembro de 2009, por entender que os esforços empregados na exploração deste campo não apresentariam o retorno esperado, sendo que essa decisão foi baseada em análises efetuadas pela empresa e suas consorciadas sob a viabilidade do negócio, cujas conclusões foram sumarizadas na "Proposta de Abandono" (Doc. 09). No entanto, o Instrumento Particular de Distrato, foi somente assinado em 05/10/2010, ou seja, no ano seguinte ao da efetiva baixa na contabilidade, motivo pelo qual a autuação entendeu que o ano correto para a baixa contábil seria o de 2010. A empresa pugnou, então, que tais despesas fossem reconhecidas em 2010, pelo que entendeu a DRJ ser possível. Ademais, em razão da existência de prejuízos fiscais no ano de 2010 de R$24.159.406,46, adicionandose tais despesas glosadas em 2009 de R$97.351.684,54, temos R$121.511.091,00, em 2010 de prejuízos fiscais, subtraindose o valor de R$104.146.355,70, relativo a apuração da base tributável pela fiscalização nesse mesmo período, ainda permanece em situação de prejuízo no valor de R$17.364.735,30 em 2010. No que se refere a este item, entendo que a decisão a quo deve ser mantida, uma vez que de fato a despesa glosada no ano de 2009 poderia de fato ser aproveitada em 2010. Dessa forma, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BSB e intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ e reflexos em 13/03/2015 (fl. 535), e apresentou em 14/04/2015, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 538/685. Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e sendo o mesmo tempestivo, dele conheço. 1) Da ilegítima desconsideração do laudo pericial Alega o recorrente que o auto de infração está eivado de nulidade por violação aos princípios da boafé, segurança jurídica, da proteção à confiança e da legalidade, visto que a Fiscalização não aceitou o laudo técnico apresentado para comprovação da integração dos bens tangíveis e gastos intangíveis que contribuíram para a formação de um único bem, o Campo Polvo BMC08. Afirma que o laudo pericial foi produzido nos termos que foi requerido pela fiscalização, e acostado aos autos, como se verifica de fls. 238/241. A fiscalização, no entanto, entendeu por bem não aceitálo já que produzido em 24/04/2014 e não teria sido documento hábil a suportar os lançamentos efetuados em 2009 e 2010. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 715 23 Nesse ponto, entendo que o laudo foi recebido e juntado aos autos do processo, porém não foi aceito pela fiscalização como argumentação em defesa da recorrente, dessa forma, não vejo motivos para se decretar a nulidade da auto de infração ou ofensa aos princípios acima mencionados ou mesmo cerceamento de defesa. 2) Da nulidade pela nãoinclusão das despesas glosadas no ano calendário de 2010 O recorrente alega em sede recursal, ainda, que o fato das autoridades fiscais não terem considerados as despesas apropriadas e glosadas no anocalendário de 2009, poderiam têlo feito para o anocalendário de 2010, e pelo fato da decisão a quo ter reconhecido tal direito, impõe um vício insanável na determinação da base de cálculo do lançamento, em detrimento do disposto no art. 142 do CTN. Em que pese os argumentos do contribuinte, não vejo que houve a ocorrência de tal vício ou nulidade, pois que a base de cálculo lançada no auto de infração foi plenamente conhecida e calculada, porém contraargumentada em sede de impugnação e assim reconhecida na decisão prolatada. Os vícios que eivariam de nulidade o lançamento da autoridade fiscal são aqueles cuja ausência impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Não é o caso em tela. Assim, deixo de conhecer desta preliminar argüida. 3) Dos bens intangíveis e gastos tangíveis formando um só bem direito à capitalização das despesas Neste item, alega a recorrente que as Autoridades Fiscais Federais desconsideraram indevidamente o laudo pericial, dessa forma, deixaram de considerar o Campo Polvo BMC08 como um único bem, formado pela combinação dos bens tangíveis e gastos intangíveis. No entendimento da fiscalização não havia documentação que embasasse o procedimento contábil adotado pela contribuinte em 2009 e 2010, não sendo correta a apropriação dos gastos incorridos nas fases de exploração e desenvolvimento no Campo Polvo BMC08 transformando gastos intangíveis em bens depreciáveis. Vamos aos fatos: a contribuinte intimada a apresentar a composição das linhas de encargos de depreciação e exaustão da DIPJ, e especialmente no tocante ao ativo denominado "Campo Polvo Bloco BMC08", ela explicou Fl. 715DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 716 24 que: Explica, ainda, que "tal ativo é composto de gastos relativos à aquisição de bens tangíveis e de bens intangíveis, e que todos os bens e direitos foram adquiridos com o objetivo de se formar um único bem, a saber, o conjunto de poços de exploração e produção de petróleo e gás natural relativos ao Campo Polvo BMC08". Expôs, também, o funcionamento dessa indústria, por se tratar de uma concessionária, possui os direitos de exploração e produção do petróleo e gás natural, incorrendo em gastos de exploração, justamente para se verificar se a área possui ou não reservas passíveis de produção. Tais gastos podem ainda, serem divididos em: Ressaltou, ainda, que desses gastos, os de "a" a "c" podem ser incorridos antes do início da efetiva exploração, ou seja, antes da perfuração do primeiro poço exploratório, e quando isso ocorre, são mantidos em conta do Ativo Diferido para posterior amortização. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 717 25 Informa, também, que no caso em tela, o ativo "Campo Polvo Bloco BMC 08 é o resultado da capitalização de todos os gastos de exploração e desenvolvimento, e conforme demonstrado no laudo, a parte mais significativa dos gastos capitalizados pela recorrente e recuperados pelo MUP, gastos relacionados às fases de exploração e desenvolvimento, perfuração de poços, pagamento de retenção de área e outros gastos associados à perfuração dos poços de exploração e desenvolvimento. Assim, em 19/02/2014, a fiscalização solicitou a apresentação de laudo técnico para comprovar, dentre os gastos intangíveis a serem individualizados, quais contribuiriam para a formação do resultado de mais de um período base, passíveis portanto de amortização, e quais se agregariam aos bens tangíveis para a formação de um único bem, no caso o Campo Polvo BMC08, passíveis de depreciação. O contribuinte apresentou tal laudo técnico, nos moldes solicitados em 16/05/2014, entretanto quando a fiscalização verificou que o mesmo foi produzido em 24/04/2014, ele não foi aceito como justificativa, pois não serviriam de suporte para embasar lançamentos efetuados em 2009 e 2010, não sendo nem objeto de análise. Ainda em alegações, verificase, que a recorrente se utilizou do método full cost, ou custo total, para a contabilização dos gastos incorridos com a exploração e desenvolvimento de petróleo e gás natural, nesse métodos, todos os gatos incorridos durante a fase de exploração e desenvolvimento são considerados associados a uma possível descoberta e produção final. Tal método é utilizado em empresas do setor de óleo e gás, o método do custo total considera todos os custos nas atividades de aquisição, exploração e desenvolvimento, como sendo necessários à produção definitiva das reservas. Todos esses custos são incorridos com o conhecimento que, geralmente, está relacionado também às atividades que não resultam diretamente em reservas provadas e desenvolvidas. Contudo, a companhia espera que os benefícios obtidos das prospecções que se provam bemsucedidas, junto com os benefícios das descobertas passadas, serão adequados para recuperar os custos de todas as atividades, bemsucedidas e malsucedidas, e proporcionar lucro1. Isso em observância ao art. 179 da Lei 6.404/76: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo:[..] IV no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial; V no ativo diferido: as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais. 1 Silva, Carlos Eduardo Vieira da, "Oil & Gas Accounting: O Estudo de Caso de Uma Empresa de Petróleo", http://www.anpad.org.br/admin/pdf/enanpad2004ccg0238.pdf Fl. 717DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 718 26 Do conceito de lucro líquido, estabelecido no art. 248 do RIR, verificase o ponto de partida do lucro real. A apuração do lucro líquido, no encerramento de cada período base, deve ser efetuada em conformidade com os procedimentos usuais da contabilidade. Já que a recorrente adotou ao normas do RTT Regime Tributário de Transição, a norma comercial é aplicável, antes das alterações da lei 11.638/2007. Ademais, os arts. 301 e 324 do RIR também embasam tal procedimento. Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano. [...] § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado. Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração Após essas considerações, no meu entendimento, assiste razão ao recorrente, pois aplicou de forma correta a contabilização de capital ocorridos nas fases de exploração e desenvolvimento de petróleo e gás natural. Nesse aspecto, o laudo pericial não era único documento para embasar a contabilização dos gastos nos respectivos anos, já que todos eles assim foram considerados como Ativo do Campo Polvo BMC08 para futura depreciação nos termos da lei. E o laudo acostado aos autos apenas vem para confirmar tal alegação, concluindo no seguinte sentido: Dessa forma, de se reconhecer a forma de capitalização utilizada pela recorrente. 4) Do método de recuperação do ativo. Da aplicação do método das Unidades Produzidas MUP na depreciação e amortização. Diante da forma como foram ativados os gastos pela recorrente, ela optou por se utilizar do método das unidades produzidas MUP para fins de reconhecimento dos gastos capitalizados, incorridos durante as fases de exploração e desenvolvimento, já que tais gastos somente contribuiriam no resultado da contribuinte enquanto perdurarem as reservas de petróleo e gás natural existentes no Bloco. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 719 27 A fiscalização, no entanto, entendeu que foi utilizada uma forma híbrida, não havendo amparo legal para tanto. Verificamos o que diz os arts. 309, §3º, 310, §1º e 330 do RIR também embasam tal procedimento, ainda, Art. 309. A quota de depreciação registrável na escrituração como custo ou despesa operacional será determinada mediante a aplicação da taxa anual de depreciação sobre o custo de aquisição dos bens depreciáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 1º ).[...] § 3º A quota de depreciação, registrável em cada período de apuração, dos bens aplicados exclusivamente na exploração de minas, jazidas e florestas, cujo período de exploração total seja inferior ao tempo de vida útil desses bens, poderá ser determinada, opcionalmente, em função do prazo da concessão ou do contrato de exploração ou, ainda, do volume da produção de cada período de apuração e sua relação com a possança conhecida da mina ou dimensão da floresta explorada (Lei nº 4.506, de 1964, arts. 57, § 14, e 59, § 2º ). Art. 310. A taxa anual de depreciação será fixada em função do prazo durante o qual se possa esperar utilização econômica do bem pelo contribuinte, na produção de seus rendimentos (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 2º ). § 1º A Secretaria da Receita Federal publicará periodicamente o prazo de vida útil admissível, em condições normais ou médias, para cada espécie de bem, ficando assegurado ao contribuinte o direito de computar a quota efetivamente adequada às condições de depreciação de seus bens, desde que faça a prova dessa adequação, quando adotar taxa diferente (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 3º ).gn § 2º No caso de dúvida, o contribuinte ou a autoridade lançadora do imposto poderá pedir perícia do Instituto Nacional de Tecnologia, ou de outra entidade oficial de pesquisa científica ou tecnológica, prevalecendo os prazos de vida útil recomendados por essas instituições, enquanto os mesmos não forem alterados por decisão administrativa superior ou por sentença judicial, baseadas, igualmente, em laudo técnico idôneo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 4º ). Art. 330. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à diminuição do valor de recursos minerais, resultante da sua exploração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 59 ). § 1º A quota de exaustão será determinada de acordo com os princípios de depreciação (Subseção II), com base no custo de aquisição ou prospecção, dos recursos minerais explorados (Lei nº 4.506, de 1964, art. 59, § 1º ). § 2º O montante da quota de exaustão será determinado tendo em vista o volume da produção no período e sua relação com a Fl. 719DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 720 28 possança conhecida da mina, ou em função do prazo de concessão (Lei nº 4.506, de 1964, art. 59, § 2º ).gn § 3º O disposto neste artigo não contempla a exploração de jazidas minerais inesgotáveis ou de exaurimento indeterminável, como as de água mineral. O método das unidades produzidas MUP, resulta em despesa baseada no uso ou produção esperado. Por exemplo, uma máquina cujo custo é de R$ 182.000,00 produziu 800.000 peças no primeiro ano e 1.200.000 peças no segundo ano. Durante a vida útil do equipamento é estimado que ele produza 30.000.000 de peças. A depreciação é assim calculada: Número de unidades produzidas x 100 Número de unidades estimadas durante a vida útil Ano 1: (regra de três simples) 800.000 x 100 = 2,67% 30.000.000 2,67% x R$ 182.000,00 = R$ 4.859,40 (despesa de depreciação no Ano 1) Ano 2: 1.200.000 x 100 = 4% 30.000.000 4% x R$ 182.000,00 = R$ 7.280,00 (despesa de depreciação no Ano 2) No caso da recorrente, por esse método, determinase a quota de depreciação em função do volume da produção relativo a cada período de apuração e a sua relação com a capacidade de produção do poço de petróleo e gás natural em que são utilizados os bens passíveis de depreciação, já que quando do esgotamento destas reservas, os bens utilizados já não trarão benefício econômico. Ou seja, o método escolhido pela recorrente para fins de depreciação do ativo Campo Polvo BMC08 está baseado em lei e conforme a produção do petróleo e do gás foi levado à despesa, enquanto perdurou tais reservas nesse específico Bloco. Tais provas técnicas de que o referido ativo poderá ser recuperado decorre dos estudos desenvolvidos pelos engenheiros e geólogos da recorrente e entregues anualmente à ANP, demonstrando o tamanho das reservas cuja produção será economicamente viável. Verificase às fls. 479 a 484, o Boletim Anual de Reservas entregue à ANP, com os respectivos cálculos. Bem como a declaração de comercialidade de tais reservas. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 721 29 Ressaltese, ainda, outro ponto trazido pela recorrente, que por se tratar de empresa concessionária da exploração de petróleo e gás poderia ter se utilizado do método previsto no art. 416 do RIR, em que poderia deduzir, para efeito de determinação do lucro líquido, as importâncias aplicadas, em cada período de apuração, na prospecção e extração de petróleo cru. A fiscalização no entanto, aplicou o percentual de 10% sobre o valor total de bens tangíveis, chegando a um valor menor ao apurado pelo contribuinte. Por todo o exposto, entendo que de fato, o método utilizado pelo contribuinte é plenamente aplicável ao seu setor de atuação, nos termos do art. 309, §3º do RIR, e tratando se o Campo Polvo BMC08 um ativo único, a partir do momento em que passou a produzir, os gastos passaram a ser depreciados, de acordo com o MUP, não havendo o que se falar em sistema "híbrido". 5) Dos Gastos intangíveis Neste ponto, conforme acima já mencionado, a recorrente tratou os gastos relacionados à exploração, ou seja, aqueles incorridos antes do início da perfuração do primeiro poço exploratório como ativo diferido para posterior amortização, assim considerado como ativo único do Campo Polvo BMC08, passando então a depreciálo, utilizandose no MUP, após o início da produção efetiva do petróleo e gás. A fiscalização, de outro modo, segregou tais despesas, e aplicou o percentual de 20% diretamente. Nesse sentido, seguindo a mesma linha do ponto anterior, em se considerando tais gastos depreciáveis apenas após o início da produção, e sendo parte do mesmo ativo que compõe um único bem, entendo aplicável o método MUP, não devendo prevalecer o lançamento efetuado. Em ambos os casos, caso o tratamento fosse pela aplicação do método linear, a forma de ativação deveria também ser desconsiderada, já que fundamentou todo o processo seguinte. Ou seja, o contrato de concessão existente entre a empresa e a Petrobrás remonta ao ano 2000, ou seja, tais gastos já poderiam ser depreciados e assim considerados dedutíveis desde então. 6) Dos bônus de assinatura Os gastos relativos ao bônus de assinatura, são relacionados com a aquisição do direito de explorar e produzir petróleo e gás natural, compreendendo o determinado no art. 45 da Lei do Petróleo e art. 9º do Decreto 2.705/98: Fl. 721DF CARF MF Processo nº 12448.724947/201443 Acórdão n.º 1301002.424 S1C3T1 Fl. 722 30 Nesse sentido, novamente, baseandose do mesmo procedimento dos dois pontos anteriores, utilizouse do método MUP para depreciação, a Recorrente amortizou tais gastos nos termos do art. 327 do RIR, ou seja, considerando que o benefício do pagamento pelo bônus somente será usufruído pelo período que houver reservas de petróleo e gás a serem produzidos e vendidos. A fiscalização, por outro lado, utilizouse do prazo constante do contrato de concessão de 27 anos para fixar o percentual de 3,7037% de amortização, não acatando o método MUP utilizado pelo contribuinte. Novamente, neste ponto, fixese que a recorrente se utilizou do mesmo método MUP, baseado em análise anual da estimativa de produção entregue à ANP, baseada em estudos geológicos, geofísicos e de engenharia, estimando o volume da produção de cada período de apuração e sua relação com a possança conhecida. Assim, mantendo o mesmo critério adotado, entendo aplicável o procedimento adotado pelo recorrente. 7) Da exigência de Juros sobre multa Em decorrência do entendimento acima esposado, não verifico necessidade de discussão do ponto relativo à exigência de juros sobre a multa. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por CONHECER dos Recursos de Ofício e Voluntário para no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO ao Recurso voluntário. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 722DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000049/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF Nº 2.Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária. Ademais, uma vez que o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo de dados bancários à RFB.
CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35.
O artigo 11, §3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE.
O percentual de multa qualificada aplicável é aquele determinado expressamente em lei.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal.
SÓCIO-GERENTE. RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA.
O sócio-gerente que deixa de manter atualizados os registros empresariais e comerciais, em especial quanto à localização da empresa e à sua dissolução, viola a lei; a não-localização da empresa, em tais hipóteses, gera legítima presunção juris tantum de dissolução irregular e, portanto, responsabilidade do gestor, nos termos do art. 135, do CTN.
SÓCIO-GERENTE. INTERESSE COMUM
São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é relevado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento de ofício com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA.
Uma vez que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 inverte o ônus da prova, cabe ao contribuinte comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos depositados.
LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
MPF-F. NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização (MPF-F), não se trata de despacho ou decisão, mas de controle administrativo interno, descabendo o pleito de nulidade.
Numero da decisão: 1201-001.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gustavo Guimarães da Fonseca; ausente Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF Nº 2.Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária. Ademais, uma vez que o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo de dados bancários à RFB. CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O artigo 11, §3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa qualificada aplicável é aquele determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. SÓCIO-GERENTE. RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. O sócio-gerente que deixa de manter atualizados os registros empresariais e comerciais, em especial quanto à localização da empresa e à sua dissolução, viola a lei; a não-localização da empresa, em tais hipóteses, gera legítima presunção juris tantum de dissolução irregular e, portanto, responsabilidade do gestor, nos termos do art. 135, do CTN. SÓCIO-GERENTE. INTERESSE COMUM São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é relevado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento de ofício com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Uma vez que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 inverte o ônus da prova, cabe ao contribuinte comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos depositados. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 MPF-F. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização (MPF-F), não se trata de despacho ou decisão, mas de controle administrativo interno, descabendo o pleito de nulidade.
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CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF Nº 2.Nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária. Ademais, uma vez que o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo de dados bancários à RFB. CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O artigo 11, §3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa qualificada aplicável é aquele determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. SÓCIOGERENTE. RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. O sóciogerente que deixa de manter atualizados os registros empresariais e comerciais, em especial quanto à localização da empresa e à sua dissolução, viola a lei; a nãolocalização da empresa, em tais hipóteses, gera legítima presunção juris tantum de dissolução irregular e, portanto, responsabilidade do gestor, nos termos do art. 135, do CTN. SÓCIOGERENTE. INTERESSE COMUM AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 00 49 /2 00 8- 18 Fl. 950DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 3 2 São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é relevado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento de ofício com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Uma vez que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 inverte o ônus da prova, cabe ao contribuinte comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos depositados. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 MPFF. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), não se trata de despacho ou decisão, mas de controle administrativo interno, descabendo o pleito de nulidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator. Fl. 951DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 4 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gustavo Guimarães da Fonseca; ausente Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o processo dos autos de infração, págs. 591/619, que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$4.211.337,17, devido à infração 001 Omissão de Receitas, Depósitos Bancários não Contabilizados com fato gerador em 31/12/2003; também se exige R$ 2.868.029,32 de 002 Multas Isoladas, pela falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo estimada, fatos geradores mensais de 01 a 12/2003; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$1.524.721,38, relativa à mesma infração e período de apuração; contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$279.491,58 sobre a receita omitida; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$508.240,45; o imposto e as contribuições exigidos foram apenados com multa de 75%; às págs. 579/590, o Termo de Verificação de Infração Fiscal e Demonstrativos de Apuração das exigências autuadas. 2. Foram lavrados os seguintes Termos de Sujeição Passiva Solidária, págs. 622/630: a. Andreia Ribeiro da Silva, CPF 217.735.86807, sócia gerente e responsável pela empresa e pela movimentação financeira, juntamente com o sócio Haruo Kawamura, no anocalendário 2003; a CIMEOuro não foi localizada no domicílio fiscal, na qual estava em funcionamento outra pessoa jurídica Monica Akemi Bo Midorikawa Construção ME, concluindo a fiscalização que houve a dissolução irregular da CIMEOuro; base legal art. 124, I e 135 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, e art. 207 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); b. Haruo Kawamura, CPF 004.231.50855, sócio gerente e responsável pela movimentação financeira, juntamente com o sócio Haruo Kawamura, no ano calendário 2003; base legal art. 124, I e 135 do CTN, e art. 207 do RIR de 1999; c. Leandro Ribeiro da Silva, CPF 218.780.46829, irmão de Andreia Ribeiro da Silva, admitido na empresa em 28/05/2004, ocupa o cargo de gerente, assinando pela empresa; base legal art. 124, I e 135 do CTN, e art. 207 do RIR de 1999; 3. Cientificados a contribuinte e os responsáveis solidários, foi interposta impugnação pela autuada representada por Haruo Kawamura e Andreia Ribeiro da Silva de págs,. 645/647, objeto do Acórdão nº 0522.219, de 18 de junho de 2008, proferido pela DRJ em Campinas DRJ/CPS, que por unanimidade, julgou a autuação procedente. 4. Foram intimados: Andreia Ribeiro da Silva e CIME Ouro Materiais de Construção Ltda, CNPJ 71.978.985/0001272, via Edital de pág. 759, em 10/05/2008, dado que correspondências que lhes haviam sido remetidas, foram devolvidas pelo correio; Haruo Kawamura, págs. 763/764, em 16/10/2008; Leandro Ribeiro da Silva, pág. 883, via Edital, em 27/11/2008, também por ter retornado a correspondência enviada. Fl. 952DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 5 4 5. A empresa requereu pedido de vistas do processo por meio de representante legal em 30/07/2008, que foi concedido em 30/07/2008, e foram apresentados recursos voluntários pela Autuada e pelos responsáveis solidários. CIMEOuro Materiais de Construção Ltda. Recurso Voluntário, págs. 694/747 6. Acusa que a autuação está embasada nas informações da sua movimentação bancária, sem ordem judicial, efetivada em ofensa à sua garantia constitucional ao sigilo de dados bancário, tratandose de prova ilícita conforme pressupõe o artigo 5o, LVI da Magna Carta, o que macula o devido processo legal administrativo, em violência ao artigo 5C, XXII, LIVe LV, da Carta Magna. 7. Constataram que o Mandado Procedimento Fiscal, é nulo, porque desatendeu os primados inerentes e aplicáveis por analogia do Decreto nº 3.724/01, que regulamentou o art. 5º da LC nº 105/01 e, desde o inicio aos cuidados do Sr. Auditor Fiscal em referência, não atendeu aos prazos fixados pela SRF, através de Portaria, já que foi constantemente prorrogado, o que vai de encontro ao estabelecido pelas assertivas da própria Receita Federal. 8. Sobre o art. 11, §2º da Lei nº 9.311 de 24 de outubro de 1996, afirma que foi desrespeitado o § 3 do artigo, que veda sejam utilizadas as informações coligidas globalmente pelo pagamento da CPMF, para apuração de outros tributos, ou invocação de suposto delito penal tributário e que é evidente que o Fisco está se arvorando na recente edição da Lei Complementar n° 105/01, para aterrorizar os cidadãos brasileiros, de forma indiscriminada e aleatória, inclusive desrespeitando a regulamentação efetivada pelo Decreto n° 3.724/01, que transcreve. 9. Diz que o Poder Executivo, de forma imoral, deixou de regulamentar o artigo 6o da LC 105, deixando ao arbítrio e alvedrio da conveniência das Autoridades Administrativas, sem qualquer peia, a quebra do sigilo bancário, como ocorreu com a indevida utilização dos dados da CPMF, vedadas na Lei 9311/96, como visto, e agora iniciando procedimento fiscal, sem qualquer fundamentação legal ou administrativa para tal ato despropositado, sendo evidente que deve se emprestar, ao menos, o Decreto 3.724/01, que regulamenta o artigo 5ºo, também para o artigo 6º, devendo, ao menos, serem observadas as regras lá contidas, se constitucional tal Lei Complementar 105/01. 10. Diz que se assiste à implantação de uma ditadura fiscal, e que à luz das garantias constitucionais (que transcreve), a Recorrente está tendo violentadas sua privacidade e intimidade, que o Estado devia proteger, sendo cláusulas pétras o sigilo de dados e bancário; mas que o Fisco vem tentando burlar mediante edições de leis que já foram julgadas inconstitucionais. 11. Que mesmo o Ministério Público, conforme art.129, VI, da Magna Carta, e regulamentado pela Lei Complementar n° 75/93, e ainda, com a motivação prevista para o Poder Judiciário (§4° do artigo 129 c/c 93, IX e X, da CF/88), somente poderá requisitálas ao Poder Judiciário, conforme art 6º XVIII, 'a', E, na LC 105/01. 12. Que, mesmo que fosse o caso de quebra de sigilo de dados de qualquer cidadão, como admite a jurisprudência, a decisão deverá antes de mais nada permitir o direito de defesa, já que garantia constitucional inamovível (artigo 5o, LIV e LV da CF/88), e, após, instalado o contraditório, deverá ser devidamente fundamentada, sob pena de nulidade absoluta, e garantido o direito aos recursos pertinentes na legislação ordinária. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 6 5 13. Diz que, que a LC 105/01, violenta a garantia inserta no inciso XLI do artigo 5o da CF/88, , mas mesmo que se admita a Constitucionalidade da Lei Complementar n° 105/01, os dados que estão protegidos pelo §3° do artigo 11 da referida Lei i 9.311/96, não podem ser utilizados. E, mesmo na vigência desta Lei Complementar, somente com autorização judicial, devidamente fundamentada, de forma proporcional e razoável, após o cumprimento de todo um rito processual, è que em raras vezes se autorizou a quebra do sigilo de dados, ou bancário, quando comprovadamente existente a prova ou indícios sérios e fortes de delitos penais. 14. Tendo em vista de que o § único do artigo 59 da Carta Politica, elegeu a Lei Complementar n° 95/98, como norma geral de elaboração de leis, e não tendo sido revogado o § 3U do artigo 11 da Lei 9.311/96, não poderão ser utilizados os dados para cobrança de tributos diversos do que a CPMF, como está agora ocorrendo. 15. Transcreve as opiniões exaradas por Juristas, em face do XXV Simpósio, publicadas no Livro Direito Fundamentais do Contribuinte Pesquisas Tributárias, Nova Série 6, Coordenador Ives Gandra da Silva Martins, da Editora Revista dos Tribunais, CoEdição Centro de Extensão Universitária, sendo certo que farta jurisprudência do Pretório Excelso estão encartadas nos inúmeros artigos jurídicos, razão pela qual não as transcreveremos na parte desta exordial que cuida especificamente da farta jurisprudência. 16. É assente que a simples movimentação e titularidade de valores em contas correntes e aplicações financeiras, por si só, não constitui a aquisição de disponibilidade jurídica ou econômico, nem são proventos de qualquer natureza, sendo, portanto, impossivel imputar como base de cálculo do Imposto de Renda, os valores deduzidos pela fiscalização, de forma singela, ou imaginar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda o simples depósito ou saque de valores em contas bancárias, que não traduz a aquisição de riqueza, renda, ou de recebimento de proventos. 17. Diz que a aplicação da taxa Selic se afigura ilegal e inconstitucional, dado que a taxa dos juros moratórios, como prevista no artigo 161 do CTN, de até 1 % ao mês, e na legislação civil, os juros moratórios são de 6% ao ano, ou 0,5% ao mês, calculados de forma simples, como bem se lê do artigo 1062 da Lei Objetiva; devido à Lei Ordinária n° 9.065/95, foi o débito da Impetrante corrigido a taxas superiores à 1% ao mês, sendo certo que tal norma retirou da correção monetária pela UFIR, o padrão legalmente estabelecido e aceito na jurisprudência consolidada, da correção monetária do crédito fiscal pela UFIR, mais 1% de juros de mora ao mês, para taxas de juros das mais altas praticadas no mercado financeiro, mas em face do principio constitucional da observância da hierarquia das Leis, art. 59 da Magna Carta, não pode o CTN ser sobrepujado pela Lei Ordinária, alterando a taxa de juros lá permitida, de até 1% ao mês, para o juros financeiros hoje existentes, e que, como vemos, faz com que as dividas dos contribuintes se tomem impagáveis, e o art. 192, fixa a taxa de juros anuais em 12%, sendo que no Código Civil, é de 6% ao ano. 18. Diz que a multa de 225%. tem efeito confiscatório. 19. Conclui requerendo: (...) anular IN TOTUM o presente auto de infração, pelos fundamentos acima colocados em elenco, ou seja, do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, expungir à aplicação da Taxa Selic, do encargo do DL 1065/69, bem como na multa com efeito de confisco, bem como pela não imputação da mesma, por falta de Fl. 954DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 7 6 amparo legal, já que o mandado de fiscalização é nulo de pleno direito, em vista de sua caducidade temporal, e por que tal majoração da multa é inconstitucional. Haruo Kawamura. Recurso voluntário, págs. 765/818. 20. Nega que tenha participado de atos de gerência que lhe são imputados. Reproduz o teor do recurso voluntário apresentado pela CimeOuro, que se resumiu supra e requer: (...) anular IN TOTUM o presente auto de infração, pelos fundamentos acima colocados em elenco, ou seja: NÃO INDICAÇÃO DE SUA PARTICIPAÇÃO NOS AUTOS TIDOS E LEVADOS EM CONTA NA AUTUAÇÃO; do IRPJ, CSL, COFINS e PIS, expungir à aplicação da Taxa Selic, do encargo do DL 1065/69, bem como na multa com efeito de confisco, bem como pela não imputação da mesma, por falta de amparo legal, já que o mandado de fiscalização é nulo de pleno direito, em vista de sua caducidade temporal, e por que tal majoração da multa é inconstitucional Andreia Ribeiro da Silva. Recurso voluntário, págs. 825/878 21. Adere ao recurso interposto pela empresa devedora e reproduz o recurso voluntário da CIMEOuro e apresenta idêntico requerimento Leandro Ribeiro da Silva. Recurso voluntário, págs. 884/93 22. Adere ao recurso interposto pela empresa devedora, sendo certo que inclui em sua defesa que não participou dos atos de gerência que lhe são imputados, negandoos de forma geral; reproduz o recurso voluntário da CIMEOuro e apresenta idêntico requerimento. Voto Conselheiro Eva Maria Los 1 Matéria não impugnada. Multas isoladas. 23. Não houve impugnação às exigências de Multas Isoladas. 2 Nulidade. MPFF. 24. Estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito Fl. 955DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 8 7 passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifouse) 25. No caso, o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF), não se trata de despacho ou decisão, mas de controle administrativo interno, descabendo o pleito de nulidade. 3 Quebra de sigilo bancário. Autorização judicial. Prova ilícita. 26. Haja vista que esta questão já foi objeto de amplos debates no âmbito do CARF e estando sedimentada a jurisprudência administrativa, utilizo os argumentos expostos no Acórdão 2401004.6287 da Segunda Sessão de Julgamento, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, proferido em 14 de março de 2017, que transcrevo a seguir. 27. A quebra de sigilo bancário é questão extremamente delicada, porquanto resvala sobre o direito à intimidade, à privacidade e à liberdade do indivíduo, confronta o dever ético e contratual das instituições financeiras e, por fim, põe em risco a verdadeira segurança e integridade física da pessoa. 28. Conforme relatado, o auto de infração foi lavrado com base em dados bancários obtidos por meio de RMF, nos termos da Lei Complementar n° 105, de 2001. A discussão acerca da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário foi ventilada em sede de impugnação e, inclusive, lastrou o sobrestado dessa lide em 2012, exatamente pela declaração de Repercussão Geral sobre o tema. pelo STF. 29. Efetivamente, a discussão estava contida no Tema de Repercussão Geral n° 225, daquela Corte Constitucional. Ocorre que a matéria já foi julgada no "leading case" RE u° 601.314, no qual se definiu que: ''Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item "a" do tema em questão, a seguinte tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do principio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal";..." 30. Em suma, a despeito de polêmicas de cunho acadêmico no que se refere à adequação do art. 6º da Lei Complementar n° 105/2001 ao ordenamento pátrio, o STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE n° 601.314) sobre a constitucionalidade da referida norma. 31. Dessa forma, não apenas a Súmula CARF n° 2 declara que este Conselho Administrativo não tem competência para se pronunciar acerca da inconstitucionalidade das leis tributárias, como inclusive o STF já consolidou a posição e confirmou que a Lei Complementar n° 105, de 2001 é efetivamente constitucional e, portanto, deve ser aplicada. Fl. 956DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 9 8 4 CPMF. Uso dos dados. 32. Também em relação a este questionamento da Recorrente, utilizo os argumentos expostos no mesmo Acórdão 2401004.6287 da Segunda Sessão de Julgamento, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, proferido em 14 de março de 2017, que transcrevo a seguir. 33. Além disso, esclareço que conforme artigo 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, as "decisões reiterados e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória" pelos seus membros. Sobre a matéria relativa à tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada há várias delas em vigor, que indicam entendimentos convergentes, em inúmeros julgamentos. A utilização de súmulas, que também são aplicadas pelos Tribunais Judiciários, visa a conferir confiança, segurança e eficiência aos julgamentos administrativos, dentre outros princípios a serem observados pela Administração Pública. 34. Diz a Súmula CARF n° 35: "O artigo 11, §3°, da Lei n° 9.311/96, com redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente." 35. Ou seja. podese usar as informações da CPMF para constituições de créditos tributários relativos a outros tributos, no caso o IRPF, inclusive retroativamente, por se tratar de norma procedimental (§1° do artigo 144, do CTN). 5 Omissão de Receitas. Depósitos bancários. Origem não esclarecida. Presunção legal. 36. A única resposta que a fiscalização obteve da empresa ou de seus sócios consta às págs. 553/554, na qual, sintetiza: RELATÓRIO REFERENTE A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DO ANO DE 2.003 FATURAMENTO DA VALE DO PARAlBA R$ 2.021.409,59 FATURAMENTO DA AMIGOS DO CIMENTO R$ 1.619.458,73 FATURAMENTO DA CIMEOURO R$ 2.833.452,53 FATURAMENTO DA SOCORRO CIMENTO . R$ 3.893.000,00 TOTAL RS 10.367.320,85 37. O autuante constatou que : 5. Cabe destacar que a empresa fiscalizada optou pelo Lucro Real Anual relativamente ao anocalendário de 2003, exercício de 2004, efetuando a entrega da DIPJ 2004 (fls.04/62 e 547), bem como das respectivas DCTF (fls.542/546) exigidas pela legislação tributaria; (...) 27. Da análise da documentação entregue, conforme descrito nos itens 16 e 23 acima, verificase que: a) A contribuinte não escriturou a conta Banco (relativa ao ITAÚ e ao SAFRA) no Livro Razão, bem como não houve registro de movimentação bancária no Livro Diário, conforme se depreende das fls.407/513; b) O Livro Razão trouxe à tona o faturamento mensal da CIMEOURO em razão da revenda de mercadorias cujos valores estão em sintonia com os montantes mensais declarados em sua DIPJ 2004, mas com a contrapartida da Fl. 957DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 10 9 receita sendo efetuada na conta Caixa; c) A DIPJ 2004 mostra que o contribuinte apurou o lucro em consonância com o LALUR (fls.514/527), concluindose que a DIPJ 2004 declarada pela contribuinte aproximase da escrituração contábil apresentada a esta fiscalização pela CIMEOURO; 28. Entretanto, não há respostas para os depósitos/créditos efetivamente ocorridos em contas bancárias da empresa CIME OURO (fls.341/396), cujo valor em muito ultrapassa a receita bruta anual declarada pela contribuinte (fl08); 29. Não há como considerar, numa hipótese remota, que esses recursos tenham •. ^ contabilizados na conta Caixa da empresa, pois a diferença dos mon^ntt antre o que foi depositado/creditado em conta bancária e o que foi escriturado nessa conta (fls.505/512) é gritante; 30. Instada a se manifestar (fls.536/537) acerca da divergência apurada entre o montante depositado/creditado (aproximadamente 20 milhões de reais, fls 341/396), cuja origem dos recursos foi exigida por meio de diversas intimações, e o valor declarado em DIPJ como receita de revenda de mercadorias (aproximadamente 2,8 milhões de reais, fl.08), a contribuinte limitouse a declarar (fls. 539/540) que a movimentação financeira havia sido ocasionada por depósitos de outras empresas na contacorrente da CIMEOURO, anexando apenas o relatório de uma folha (f1.540) apócrifa, em que colocou a termo o nome e o faturamento das supostas empresas que teriam se utilizado da conta da CIMEOURO, sem apresentar qualquer comprovante, coincidente em data e valor, que atestasse suas alegações; 31. Assim sendo, tornase evidente que a empresa CIMEOURO omitiu de sua escrituração contábil e fiscal recursos vultosos depositados/creditados em suas contas bancárias ao longo de todo o ano de 2003 (fls.341/396), porquanto não há qualquer prova ou mesmo indícios de que esses recursos tenham sido contabilizados e tributados, seja pela CIMEOURO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LIMITADA ou por qualquer outra pessoa, física ou jurídica; 38. Cabe destacar que as receitas que as receitas declaradas em DIPJ foram deduzidas dos valores autuados, citese: 35. Entretanto, para efeito de obtenção da base de cálculo do IRPJ, deduziuse desses depósitos/créditos (fls.341/396) os montantes declarados mensalmente na DIPJ2004 como receita de revenda de mercadorias (fls.08/62), cujo valor total deduzido perfez R$ 2.833.452,53 (fl.08); 39. Via de regra, a autoridade deve estar munida de provas para alegar a ocorrência de fato gerador; contudo, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador – as chamadas presunções legais – a produção de tais provas é dispensada, e cabe ao contribuinte apresentar provas que ilidam a presunção de omissão resultante. 40. Presunções legais são as estabelecidas por lei, que determina o princípio em virtude do qual se tem como provado o fato, pela dedução tirada de outro fato, ou de um direito, por outro direito. As presunções legais dividemse em absolutas ou presunções juris et jure e em Fl. 958DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 11 10 relativas, condicionais ou presunções juris tantum. As presunções absolutas são as que, por expressa determinação da lei, não admitem prova em contrário nem impugnação; os fatos ou atos que por elas se deduzem, são tidos como provados, conseqüentemente como verdadeiros, ainda que se tente demonstrar o contrário. As presunções relativas são estabelecidas em lei, não em caráter absoluto ou como verdade indestrutível, mas em caráter relativo, que podem ser destruídas por uma prova em contrário, ou seja, valem enquanto prova em contrário não vem desfazêlas ou mostrar sua falsidade. 41. Tal como as absolutas, as presunções relativas não se confundem com os indícios, porquanto estes podem, em certas circunstâncias, merecer fé, desde que acompanhados de elementos subsidiários que os tornem de valor indiscutível, enquanto aquelas são geradas do preceito ou da regra legalmente estabelecida. No caso em análise, verificase não se tratar de simples indício de omissão de receitas, porquanto havendo uma presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, cabendo à contribuinte a produção da prova de que não teria ocorrido a omissão de receitas. 42. Logo, tratandose de presunção juris tantum, ou seja, está prevista em lei, mas admite prova em contrário, caberia à interessada comprovar a sua improcedência, mediante provas que apresentasse. 43. No texto a seguir reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, JUSTECRJ, 1979, pág. 806, José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. (Grifouse.) 5.1 ÔNUS DA PROVA. 44. Logo, tratando o caso em tela de presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, pois a autoridade administrativa fica dispensada de provar que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico sujeito à incidência do imposto de renda; nesse caso, cabe à contribuinte a produção da prova de que o fato presumido não existe, ou seja, de que não teria ocorrido a omissão de receitas apontada pela fiscalização com base nos depósitos bancários de origem não comprovada. 45. Temse que os depósitos recebidos não foram justificados como referentes a receitas declaradas, ou que fossem não tributáveis, isentos ou que pertencessem a terceiros, ou outra justificativa que elidisse a autuação. 46. No caso, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se deu pela mera constatação de um depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiado com um depósito bancário sem origem – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o Fl. 959DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 12 11 estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos não declarados. 47. A única forma de elidir a presunção legal é a apresentação de provas hábeis e idôneas que demonstrem a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. E essas provas, se não apresentadas por ocasião da fiscalização, devem ser apresentadas junto com a peça de defesa. Na peça impugnatória, examinamse os elementos de prova se apresentados; quanto aos valores não justificados, permanece a presunção legal de omissão de receita e as correspondentes exigências de imposto e contribuições. 48. Portanto, descabe o argumento de ser desprovida de base a Receita Bruta omitida apurada, dado que a exigência de impostos e contribuições, sobre receita presumida legalmente como omitida, é legal. 5.1.1 Súmula nº do 182, do TFR. 2. Apesar de não mencionada especificamente pela Recorrente, a Súmula nº 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos TFR, corresponde ao questionamento posto de que a simples existência de créditos recebidos em contas mantidas em instituições financeiras não seria prova de que foi auferida receita; porém tal Súmula se refere a momento histórico distinto, no qual não era possível formularse uma presunção legal com base em depósitos bancários; por conseguinte, não abrange o caso em comento, que tem por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cuja legalidade e constitucionalidade não consta tenham sido objeto de decisão judicial erga omnes, nem que tivessem sido judicialmente questionadas pelo interessado, levandose ainda em conta que, em face das disposições do art. 144 do CTN, aplicase ao lançamento a legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador. 6 Juros de mora. Selic. 49. A respeito da aplicabilidade, o entendimento do CARF foi objeto da: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 7 Multa de ofício de 225% 50. No presente caso, foi aplicada a multa de ofício de 75%; a Recorrente se engana ao mencionar o percentual supra. 51. O dispositivo que regula a multa de ofício aplicada, conforme indicado no auto de infração, foi o art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 960DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 13 12 52. Portanto, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. 53. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. 54. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos e contribuições não recolhidos. 55. E quanto às acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade de legislação devese esclarecer que, sendo aos Conselheiros do CAREF, não compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. 8 Responsabilidade solidária. 56. Relata o Autuante que a CIMEOuro não foi localizada no domicílio tributário constante do seu CNPJ, pág. 69: que compareceu ao local em 26/03/2007 e foi informado por pessoas que ali trabalhavam na empresa Mônica Akimi Bo Midorikawa Construções ME, CNPJ 08.111.446/000103, que ali funcionava desde 2006, cadastro CNPJ págs, pág. 70, que a CimeOuro já não mais ali se encontrava desde aquela data; ato contínuo, lavrou o Termo de Constatação de pág. 68. 57. As numerosas intimações e reintimações remetidas á empresa e aos sócios, págs. 71/88 e 408/415 não foram respondidas, ou retornaram com a anotação "Desconhecido" ou "mudouse", relatados na Dolicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) , págs. 89/91; em 29/11/2007. 58. Às págs. 545/549, histórico da CIMEOuro, obtido pela fiscalização na Junta Comercial do estado de São Paulo SP, onde consta transferência da sede para Sadamu Inoue, 8.049, Perelheiros, São Paulo, CEP 04866180, em 02/03/2007. 59. O Autuante consignou nos Termos de Sujeição Passiva Solidária, págs. 622/630, que: A contribuinte CIMEOURO encontrase omissa na entrega da DIPJ do exercício de 2007, base 2006, sendo que somente entregou a DIPJ 2006, base 2005, em 15/04/2007, fl.547, ou seja após o início do procedimento deflagrado por esta fiscalização; Fl. 961DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 14 13 Questionada acerca da atual localização física da CIME OURO (fl.536), a sócia responsável ANDRÉIA RIBEIRO DA SILVA não se manifestou; Ao analisar o sistema de controle de arrecadação da RFB (fls.548/564), constatase que não há registro de recolhimento, nos dias atuais, de tributos federais tendo como contribuinte a CIMEOURO, especialmente a partir de outubro de 2005; Ante o exposto, dos fatos acima relatados, concluise pela dissolução irregular da empresa CIMEOURO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LIMITADA, CNPJ 71.978.985/000172, nos termos da legislação tributária, restando, portanto, caracterizada a sujeição passiva solidária (...) 60. Eis que o ato administrativo, para ser válido, não pode prescindir do atributo da publicidade, ensejando, portanto, a sua notificação ao sujeito passivo. Assim, somente se instaura a relação jurídica quando notificado o sujeito passivo de ato produzido por autoridade competente. E este ato, por definição do próprio CTN, é o lançamento (art. 142 do CTN). Portanto, somente se instaura a relação jurídica entre os sujeitos ativo e passivo da obrigação tributária por meio do lançamento notificado. 61. E a finalidade do lançamento é a satisfação do crédito tributário, por quem de direito, ou seja, pelo sujeito passivo da obrigação tributária. E conforme definição constante do art. 121 do CTN, o sujeito passivo é identificado como contribuinte ou responsável. É contribuinte a pessoa que tenha relação direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; e responsável aquele que, sem se revestir da condição de contribuinte, tem sua obrigação decorrente de lei. Impõese, identificar, no lançamento, não só o contribuinte, mas também o responsável, inclusive apontando os elementos necessários para caracterizar a responsabilidade solidária, a fim de trazer o responsável para dentro da relação jurídica tributária. 62. Assim, a questão da responsabilidade tributária, propriamente dita, será apreciada considerandose as razões de defesa levantadas pelas pessoas físicas identificadas nos Termos de Sujeição Passiva lavrados pela autoridade administrativa, as quais, no presente caso, têm a particularidade de serem idênticas àquelas trazidas pela empresa autuada. 63. A fiscalização fundamentou a responsabilidade solidária dos sócios administradores na prática de sonegação, enquadrando a sujeição passiva nos artigos 124, I, e 135, do CTN, e art. 207 do RIR de 1999: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Fl. 962DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 15 14 64. O art. 135, I, se refere ao art. 134 do CTN: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: (...) VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. 65. O RIR de 1999, dispõe: Art. 207. Respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas (Lei nº 5.172, de 1966, art. 132, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5º ): (...) V os sócios, com poderes de administração, da pessoa jurídica que deixar de funcionar sem proceder à liquidação, ou sem apresentar a declaração de rendimentos no encerramento da liquidação. Parágrafo único. Respondem solidariamente pelo imposto devido pela pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5º, § 1º ): I as sociedades que receberem parcelas do patrimônio da pessoa jurídica extinta por cisão; II a sociedade cindida e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio, no caso de cisão parcial; III os sócios com poderes de administração da pessoa jurídica extinta, no caso do inciso V. 66. Cabe destacar que o Superior Tribunal de Justiça STJ editou a Súmula 435, que tem a seguinte redação: "Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente". 67. Portanto, dissolvida irregularmente, configurase infração à lei; o sóciogerente que deixa de manter atualizados os registros empresariais e comerciais, em especial quanto à localização da empresa e à sua dissolução, viola a lei (arts. 1.150 e 1.151, do CC, e arts. 1º, 2º, e 32, da Lei 8.934, de 1994, entre outros); a nãolocalização da empresa, em tais hipóteses, gera legítima presunção iuris tantum de dissolução irregular e, portanto, responsabilidade do gestor, nos termos do art. 135, do CTN. 68. À vista do exposto, cabe e manter a responsabilidade solidária de Andreia Ribeiro da Silva, Haruo Kawamura e Leandro Ribeiro da Silva, com base no art. 135 do CTN. 69. No que se refere à responsabilização solidária pelo art. 124, I do CTN, cabe citar: ‘TRIBUTÁRIO. INVESTIMENTO RELEVANTE EM SOCIEDADE COLIGADA. SOLIDARIEDADE NO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DESTA. INEXISTÊNCIA. 1. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O Fl. 963DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 16 15 interesse comum das pessoas não é relevado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador, ou que, e comum com outras, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação; por outras palavras, (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado (Rubens Gomes de Souza, Compêndio de legislação tributária, 3. ed., Rio de Janeiro, Edições Financeiras, 1964, p. 67). 2. A sociedade que participa do capital de outra ainda que de forma relevante, não é solidariamente obrigada pela dívida tributária referente ao imposto de renda desta última, pois, embora tenha interesse econômico no lucro, não tem o necessário interesse comum, na acepção que lhe dá o art. 124 do CTN, que pressupõe a participação comum na realização do lucro. Na configuração da solidariedade é relevante que haja a participação comum na realização do lucro, e não a mera participação nos resultados representados pelo lucro. 3. Apelação a que se dá provimento, para exclusão do nome da apelante do rol dos devedores solidários.”(TRF4ª R., 2.ª T., AMS nº 94.04.550469/RS, Rel. Juiz Zuudi Sakakihara, DJU 27.10.1999, p. 635). ‘TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. CONTRIBUINTE. ARRENDAMENTO MERCANTIL. EMPRESA ARRENDADORA E BANCO PERTENCENTES AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INOCORRÊNCIA. Contribuinte do ISS é o prestador do serviço, nos termos do art. 10 da Lei Complementar nº 116/03. O fato de a empresa de arrendamento mercantil e a instituição bancária pertencerem ao mesmo grupo econômico, por si só, não torna este último solidariamente obrigado pelodébito tributário da primeira, uma vez que não configurado o interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal. Inteligência do art. 124, I, do CTN. Precedentes do TJRGS e STJ. Agravo de instrumento conhecido em parte, e nesta provido liminarmente’. (AI nº 70010310951, TJRS, Rel. Des. Carlos Eduardo Zietlow Duro, Julgado em 19/11/2004) (Grifouse.) 70. À luz da definição supra, evidenciase que Andreia Ribeiro da Silva e Haruo Kawamura, sócios gerentes da Autuada em 2003, foram as pessoas responsáveis pelas decisões de não declarar as receitas que deveriam ter sido oferecidas à tributação, devendo ser responsabilizados também com base no art. 124, I do CTN.. 71. Quanto Leandro Ribeiro da Silva, CPF 218.780.4682, não se aplica a responsabilização com base no art. 124, I do CTN. 9 Andreia Ribeiro da Silva, CPF 217.735.86807 72. Sócia administradora desde 14/12/2001, pág. 71. Fl. 964DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 17 16 73. Às págs. 100/101, constam as assinaturas de Andreia Ribeiro da Silva e Haruo Kawamura, na Ficha de abertura de conta corrente no Banco Itaú, em 19/11/2002. 74. Às págs. 305/306, constam como sócios gerentes/diretores Andreia Ribeiro da Silva e Haruo Kawamura, na ficha Informações para Cadastro de Pessoa Jurídica, assinada por eles em 26/09/2003, referente à conta corrente nº 19.4140 do banco Safra; pág. 312, Ficha Cadastro da sua Pessoa Física; págs. 314/319, Instrumentos de procuração, em nome da CIME Ouro, que assina junto com Haruo Kawamura, em 19/02/2004 e em 31/10/2003. 75. Pág. 326, procuração em nome da CIMEOuro, que assina individualmente, em 31/10/2003. 76. Às págs. 545/549, histórico da CIMEOuro, obtido pela fiscalização na Junta Comercial do estado de São Paulo SP , onde consta terem sido admitidos como sócios Andreia Ribeiro da Silva e Haruo Kawamura, em 14/12/2001, ocupando os cargos de sócios gerentes e assinando pela empresa. 77. Os elementos descritos evidenciam sua responsabilidade pelas ações que resultaram na autuação 10 Haruo Kawamura, CPF 004.231.50855 78. Sócio administrador incluído em 14/12/2001, excluído em 16/11/2005, pág. 72. 79. Às págs. 100/101, constam as assinaturas de Andreia Ribeiro da Silva e Haruo Kawamura, na Ficha de abertura de conta corrente no Banco Itaú, em 19/11/2002; pág. 311, Ficha Cadastro da sua Pessoa Física 80. Às págs. 305/306, constam como sócios gerentes/diretores Andreia Ribeiro da Silva e Haruo Kawamura, na ficha Informações para Cadastro de Pessoa Jurídica, assinada por eles em 26/09/2003, referente à conta corrente nº 19.4140 do banco Safra; págs. 314/319, Instrumentos de procuração, em nome da CIMEOuro, que assina junto com Andreia Ribeiro da Silva, em 19/02/2004 e em 31/10/2003. 81. Págs. 320/325, procurações em nome da CIMEOuro, que assina individualmente, em 10/03/2005 e 11/04/2005. 82. Às págs. 545/, histórico da CIMEOuro, obtido pela fiscalização na Junta Comercial do estado de São Paulo SP , onde consta terem sido admitidos como sócios Andreia Ribeiro da Silva e Haruo Kawamura, em 14/12/2001, ocupando os cargos de sóciosgerentes e assinando pela empresa. 11 Leandro Ribeiro da Silva, CPF 218.780.4682 83. Sócio administrador desde 28/05/2004, pág. 71. 12 Conclusão. Voto por negar provimento aos recursos voluntários da autuada e dos responsáveis solidários. Fl. 965DF CARF MF Processo nº 13864.000049/200818 Acórdão n.º 1201001.659 S1C2T1 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator Fl. 966DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13053.000164/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
COFINS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL
O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637/2002.
AS MATÉRIAS ABAIXO FICAM PREJUDICADAS EM FACE DA NEGATIVA DO DIREITO AO PRÓPRIO CRÉDITO.
AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO.
O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8°, § 3°, da Lei no 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado.
AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO.
O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE INTERNACIONAL. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO REPRESENTADO POR AGENTE MARÍTIMO SEDIADO NO PAÍS.
Sujeito passivo que contrata frete internacional junto a transportador marítimo domiciliado fora do País, embora representado por agente marítimo estabelecido no Brasil. Agente marítimo que atua na condição de mandatário profissional do armador. Direito de crédito inexistente.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL.
De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário a que se nega.
Numero da decisão: 3201-002.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhamento de representação pela recorrente. .
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA -Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637/2002. AS MATÉRIAS ABAIXO FICAM PREJUDICADAS EM FACE DA NEGATIVA DO DIREITO AO PRÓPRIO CRÉDITO. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8°, § 3°, da Lei no 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE INTERNACIONAL. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO REPRESENTADO POR AGENTE MARÍTIMO SEDIADO NO PAÍS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 01 64 /2 00 9- 18 Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.402 2 Sujeito passivo que contrata frete internacional junto a transportador marítimo domiciliado fora do País, embora representado por agente marítimo estabelecido no Brasil. Agente marítimo que atua na condição de mandatário profissional do armador. Direito de crédito inexistente. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário a que se nega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhamento de representação pela recorrente. . (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: A contribuinte acima identificada apresentou pedido de ressarcimento de R$ 26.397.964,79 a título de Cofins não cumulativa/exportação, conforme PER/DCOMP n. 04589.49101.111209.1.5.093631. Os trabalhos fiscais foram executados e estão discriminados no Auto de Infração acostado ao processo 13005.001269/200951. Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.403 3 O crédito foi parcialmente reconhecido (R$ 16.297.506,64) e, até esse limite, as compensações foram homologadas, conforme Despacho Decisório DRF/SCS n. 029/2010 (f. 29). Os fundamentos para o deferimento parcial do crédito estão insertos nos autos de infração (processo n. 13005.001269/200951). A ciência quanto ao despacho decisório ocorreu em 22 de fevereiro de 2010, conforme Aviso de Recebimento acostado à f. 68. Em 24 de março de 2010, foi protocolada a manifestação de inconformidade de f. 100 a 132, firmada por procuradora (cópia de instrumento de mandato à f. 84), na qual, após do relato dos fatos, foi alegado, em apertada síntese: a) tempestividade da impugnação; b) necessidade de apreciação deste processo relativo aos autos de infração com os referentes às DCOMPs; c) na apuração do montante do crédito presumido, o percentual de 60% foi aplicado corretamente, uma vez que a contribuinte é produtora de mercadorias de origem animal classificada no capítulo 2 da NCM e destinada à alimentação humana ou animal, conforme possibilita o art. 8º da Lei n. 10.925/2004; d) que a norma prevista no art. 5º da IN SRF n. 660/2006, que parece ter sido utilizada pelo auditor autuante, é inconstitucional e contrária àquela do art. 8º da Lei n. 10.925/2004 supracitada; e) é nulo o procedimento porque violados os princípios da legalidade e da verdade material; f) o crédito presumido agroindustrial foi utilizado de maneira correta. O que houve foi a demonstração de forma diversa daquela que entendeu como correta o autuante, mas isso por falha da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil que não disponibiliza campos específicos para a demonstração do valor na DACON, sendo efetuadas as demonstrações para a evidenciação do ocorrido; g) está correto o apontamento efetuado pela autoridade fiscal, no que se refere à determinação da base de cálculo, sobre o desconto das devoluções de vendas; h) quando da entrega das mercadorias comercializadas junto ao mercado internacional, é assumido o ônus com relação ao frete na operação de venda, ou seja, é efetivado o pagamento das despesas com os fretes internacionais; i) esses pagamentos são feitos a pessoas jurídicas domiciliadas no país, conforme documentos anexados; Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.404 4 j) não há restrição de que esses pagamentos sejam feitos a tais pessoas não sendo necessário sejam “armadores” como exigido no lançamento; k) os fretes internacionais não constituem insumos mas sim despesas com vendas, serviço apontado pelo legislador como passível de geração de crédito; l) não há motivo plausível para as glosas dos créditos relativos aos fretes nas operações de venda, tendo sido ofendidos os princípios da razoabilidade e proporcionalidade; m) é necessária a correção monetária sobre os créditos que deixaram de ser homologados, com a aplicação da taxa Selic, desde a constituição desses créditos até a decisão final favorável. Foi requerida perícia, com a apresentação do assistente técnico e dos quesitos e há protesto por todas as provas em direito admitidas. Ao final, é requerido o julgamento conjunto deste processo com o relativo ao auto de infração (n. 13005.001269/200951) e, bem assim, seja o auto de infração baixado e arquivado com a homologação do quanto declarado nos PER/DCOMPs. Ainda, foi alegado ter havido erro material quanto à parcela homologada, tendo a contribuinte considerado como valor correto e incontroverso R$ 16.297.506,64 e não R$ 16.290.744,01 como constou no Relatório de Ação Fiscal. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CGE no 0424.381, de 06/05/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 JULGAMENTO CONJUNTO. AUTO DE INFRAÇÃO, PEDIDO DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. Impugnação a auto de infração sem crédito e lavrado em face de apuração de crédito utilizado em PER/DCOMPs deve ser julgada em conjunto com as manifestações de inconformidade aos despachos decisórios. MATÉRIA DE FATO NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.405 5 Os preceitos constitucionais são endereçados ao legislador e a análise de normas segundo esses princípios é atribuição do Poder Judiciário, cabendo aos agentes fazendários o cumprimento da legislação em vigor. NULIDADE. O lançamento calcado na legislação aplicável não é nulo e se a contribuinte demonstrou ter pleno conhecimento da infração que lhe é imputada não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal as provas devem ser apresentadas junto com a impugnação e a perícia só é determinada no caso de questões que demandem essa providência. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL. A classificação contida no § 3º do art. 8º da Lei n. 10.925/2004 referese aos produtos adquiridos como insumos. CRÉDITO PRESUMIDO. DEMONSTRAÇÃO. O crédito presumido agroindustrial não é ressarcível, não podendo, para fins de demonstração, ser somado aos créditos passíveis de. CRÉDITOS. FRETES SOBRE VENDAS. Os fretes sobre vendas só geram créditos se os pagamentos forem efetuados a pessoa jurídica domiciliada no país e para dedução das contribuições a pagar. CRÉDITOS. VALORAÇÃO. A valoração dos créditos é efetuada na forma disposta na legislação, não incidindo juros compensatórios no caso de ressarcimento de créditos de Cofins, inclusive durante o prazo de discussão administrativa. ERRO MATERIAL. Considerase como correto o valor constante no auto de infração e não aquele do relatório de ação fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de rejeitar as preliminares arguidas, indeferir o pedido de produção de provas e, no mérito, de não reconhecer o valor do crédito pleiteado. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressaltando, dentre outras razões, que: i) julgamento em conjunto deste processo com o relativo ao auto de infração (13005.001269/200951); Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.406 6 ii) foi alegado ter havido erro material quanto à parcela homologada, tendo a contribuinte considerado como valor correto e incontroverso R$ 16.297.506,64 e não R$ 16.290.744,01 como constou no Relatório de Ação Fiscal. iii) seja reconhecido o cerceamento de defesa por ausência de fundamentação e motivação pelo despacho decisório proferido à primeira instância administrativa, com o reconhecimento de sua nulidade e, por consequência o afastamento das glosas sobre a integralidade do crédito presumido; iv)se por hipótese, não forem acolhidas a alegações de cerceamento de defesa e nulidade da decisão de primeira instância, requer seja integralmente reformado o Acórdão 04 24.381, com o reconhecimento da totalidade do crédito presumido da Recorrente e o deferimento integral do pedido de ressarcimento formulado no presente feito, acrescido de correção monetária pela taxa SELIC; e v) seja acolhido o pedido de perícia. O processo digitalizado foi a mim redistribuído, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa pedido de ressarcimento de R$ 26.397.964,79 a título de Cofins não cumulativa/vinculado à receita de exportação, conforme PER/DCOMP n° 04589.49101.111209.1.5.093631, relativo ao 2o trimestre de 2009. O Despacho Decisório DRF/SCS n° 029, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul, reconheceu e homologou parcialmente o direito ao crédito no limite de R$ 16.297.506,64 Os trabalhos fiscais foram desenvolvidos e estão discriminados no Auto de Infração no processo 13005.001269/200951. PRELIMINAR Inicialmente, insiste a Recorrente que o aludido Auto de Infração não produz nenhum efeito e, portanto, é nulo, na medida em que de um lado a autoridade fiscal, por meio de despacho decisório, indica os valores de crédito expressamente homologados em favor da Recorrente em sede de pedido de ressarcimento e depois aponta os mesmos valores a título de infração à legislação tributária e sem exigência de crédito. Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.407 7 Em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pelo transcrito, observase que, no caso de auto de infração – que pertence à categoria dos atos ou termos –, só há nulidade se esse for lavrado por pessoa incompetente, uma vez que por preterição de direito de defesa apenas despachos e decisões a ensejariam. Por outro lado, caso houvesse irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59, essas não importariam em nulidade e poderiam ser sanadas, se tivessem dado causa a prejuízo para o sujeito passivo, como determina o art. 60 do mesmo decreto: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por tudo que foi exposto, sendo improcedentes os argumentos da Recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada, não deve ser acolhida a preliminar com esse fundamento. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA A Recorrente requer a este órgão julgador a realização de prova pericial, tendo formulado quesitos e nomeado perito. Concluise, portanto, que os elementos probatórios contidos no processo são suficientes para formar a livre convicção do julgador acerca da lide em tela, sendo desnecessária a produção de novas provas ou informações adicionais para a solução do litígio. Desta forma, indeferese o pedido perícia formulado na peça recursal. DA PREJUDICIAL DE CONEXÃO A Recorrente pleiteia que o presente processo seja analisado em conjunto com o Auto de Infração nº 13005.001269/200951, bem como aos demais pedidos de ressarcimento, processos números 13053.000163/200965, 13053.000287/200941, 13053.000286/200904 (este, também em pauta, que será julgado em seguida, referente ao 3° trimestre de 2009). O que tenho a noticiar é que o processo referente ao Auto de Infração (13005.001269/200951) já foi julgado nas duas câmaras do CARF, com os seguintes resultados, que inclusive, comentarei, posteriormente. Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.408 8 Logo, o Acórdão 3402002.333 (P.13005.001269/200951), da 4ª Câmara/2 Turma Ordinária, em 26/02/2014, de relatoria de Gilson Macedo Rosemburg Filho, dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2009 a 30/09/2009 Ementa: NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.0 1 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para admitir o ressarcimento/compensação dos créditos presumidos de PIS e Cofins não cumulativos e para determinar a aplicação da alíquota de 60% aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos no §1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Vencidos o conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça, o conselheiro João Carlos Cassuli Junior e o conselheiro Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva quanto a aplicação da taxa Selic no ressarcimento. O conselheiro João Carlos Cassuli Junior votou pelas conclusão na matéria referente ao frete e apresentará declaração de voto sobre a aplicação da taxa Selic ao ressarcimento. Como se observa, foi admitido o ressarcimento/compensação dos créditos presumidos de PIS e Cofins não cumulativos e determinar a aplicação da alíquota de 60% aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos no §1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Já o Acórdão CSRF/9303003812, (P.13005.001269/200951), decorrentes dos recursos da PGFN e Contribuinte, sessão de 26/04/2016, de relatoria de Tatiana Midori Migiyama, e voto vencedor somente em relação ao recurso especial da Fazenda Nacional, no que tange ao ressarcimento, conforme ementa reproduzida abaixo: Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.409 9 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2009 a 30/09/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637/2002. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL DO CRÉDITO PRESUMIDO. O montante de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) quando se tratar de insumos utilizados nos produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para afastar a possibilidade de ressarcimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento total. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões em relação à aplicação do percentual de 60% do crédito presumido; e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Fez sustentação oral a Dra. Priscilla G. Cunha, OAB/RJ nº 129.297, advogada do sujeito passivo. Concluindo, pois, dessa forma: Assim, o crédito presumido da COFINS, apurado na forma do art. 8º da Lei nº. 10.925/2004, não pode ser objeto de ressarcimento ou compensação, por absoluta falta de previsão legal. Pelo exposto no voto acima dou provimento ao recurso especial da Fazenda nacional, em relação à matéria ora analisada, para afastar a possibilidade de ressarcimento. A decisão em relação à correção monetária ficou prejudicada face a negativa de direito ao próprio crédito. Prosseguindo à análise, após trazer os resultados dos julgados referentes ao processo do Auto de Infração, então, quanto à alegação de divergência de valores, entre o relatório fiscal e do Auto de Infração, de parcela homologada, é exatamente referente a este período, 2º trimestre de 2009, registro e adoto as razões da decisão de piso: Cofins. Erro material. Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.410 10 Ainda, relativamente à Cofins, foi alegado ter havido erro material quanto à parcela homologada, tendo a contribuinte considerado como valor correto e incontroverso R$ 16.297.506,64 e não R$ 16.290.744,01 como constou no Relatório de Ação Fiscal (f. 16). No citado relatório (f. 16), consta que o valor encontrado relativamente à Cofins do segundo trimestre de 2009 é de R$ 16.290.744,01. No auto de infração (f. 05), os valores encontrados da Cofins, mês a mês, para o segundo trimestre foram: a) abril: R$ 8.674.813,67; b) maio: R$ 3.893.571,52 e c) junho: R$ 3.729.121,46. Somandose esses valores chegase ao total de R$ 16.297.506,65. Na f. 29 temos a planilha com a finalização dos cálculos, tendo sido obtido o valor de R$ 16.297.506,64. Em face disso, esse é o valor correto a ser considerado. Portanto, o valor correto é R$ 16.297.506,64, conforme as razões postas acima. Em relação ao mérito, passemos aos itens a serem analisados: RESSARCIMENTO A Recorrente solicita reforma integral do Acórdão recorrido, que afasta o ressarcimento do crédito presumido, o qual poderá ser, inclusive restituído em dinheiro, eis que ausente norma restritiva nesse sentido, menos ainda aquela prevista no artigo 8° da Lei 10.925/2004. Alega que inexiste qualquer vedação na Lei nº. 10.925/04 com relação à possibilidade de utilização do crédito presumido formado por receitas de exportação para compensação com débitos de outros tributos federais, sendo incabível a inovação trazida pela IN/SRF nº 660/06. O crédito glosado corresponde ao crédito presumido da agroindústria, previsto nos artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, abaixo transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.411 11 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [...] Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [...] Art. 17III Produz efeitos: A partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8° e 9° desta Lei; O texto da lei é claro e não deixa margem a dúvidas: a partir de 1º de agosto de 2004, o crédito presumido, apurado na forma ali prevista, concedido às pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal, as quais se classificam nos códigos ali citados, poderá ser deduzido da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devida em cada período de apuração. Observase, portanto, que não se trata de limitação imposta por meio da IN/SRF nº 660/06, mas de restrição trazida pela própria Lei nº10.925/2004, não havendo, portanto, qualquer permissão legal para a utilização dos créditos presumidos concedidos por aquela lei em compensação de tributos, conforme pretende a recorrente, mas apenas para a sua dedução da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP devidas em cada período de apuração. Alega, ainda, a recorrente, que sua pretensão encontraria fundamento no inciso II do §1º do art. 5º da Lei nº 10.637/2002, o qual estabelece que o crédito apurado na forma do artigo 3° daquela lei poderá ser utilizado tanto na dedução do valor da mesma contribuição quanto na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Contudo, os §10 e 11 do art. 3º da Lei nº. 10.637/2002, que tratavam da forma de utilização do crédito presumido solicitado pela recorrente, foram expressamente revogados pela alínea “a” do inciso I do art. 16 da Lei nº. 10.925/2004, que passou a disciplinar a forma de utilização desse créditos, por meio do art. 8º, já transcrito linhas acima. Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.412 12 Lei nº 10.637/2002: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ....................................................................................................... § 10.Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº.10.925/2004) §11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925/2004) Iseu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº.10.925/2004) IIo valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº.10.925/2004) Lei nº. 10.925/2004 Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: a) os §§ 10 e 11 do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e Por todo o exposto, o crédito presumido da COFINS, apurado na forma do art. 8º da Lei nº. 10.925/2004, não pode ser objeto de ressarcimento ou compensação, por absoluta falta de previsão legal. Foi o que foi decidido no processo do auto de infração como comentado acima, através do acórdão 9303003.812, nos termos abaixo: Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.413 13 Assim, o crédito presumido da COFINS, apurado na forma do art. 8º da Lei nº. 10.925/2004, não pode ser objeto de ressarcimento ou compensação, por absoluta falta de previsão legal. Pelo exposto no voto acima dou provimento ao recurso especial da Fazenda nacional, em relação a matéria ora analisada, para afastar a possibilidade de ressarcimento. Exemplifico, nesse sentido, conforme se depreende o acórdão cuja ementa está abaixo transcrita: Processo nº 13852.000528/200512 Acórdão nº 310100.749– 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de maio de 2011 Matéria PIS (ressarcimento) Recorrente AÇÚCAR E ÁLCOOL OSWALDO RIBEIRO DE MENDONÇA LTDA. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 Ementa: PIS/COFINS. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. MOMENTO DA APURAÇÃO E DEDUÇÃO. O direito de utilização do crédito presumido de PIS e COFINS, concedido na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, exsurge após a regular compensação entre créditos (apurados a partir das despesas) e débitos (apurados a partir das receitas), de modo que, remanescendo saldo a pagar o contribuinte qualificado na norma poderá deduzir o valor a pagar com os créditos presumidos apurados, exclusivamente, naquele período de apuração. O regime jurídico do crédito presumido veda a possibilidade de acumular saldo credor desse tipo de crédito, donde se conclui que tais créditos não são passíveis de ressarcimento. Recurso Voluntário Improvido. E, por fim, afastase, ainda, a alegação da recorrida, que entende que não pode ter o exercício do seu direito de gozar do crédito presumido violado por falha da própria Receita Federal, que não disponibiliza campos específicos para a demonstração do valor no DACON. Neste mesmo sentido, coleciono ementa do acórdão nº 3402001.602, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção deste Carf, de relatoria do conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho, que se refere a pleito repetitório do mesmo contribuinte, referente à Contribuição para o PIS/Pasep apurada no 4ª Trimestre de 2004: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ementa: PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.414 14 O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, arts. 3º e 5º, § 1º, inciso II, e § 2º; Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15; Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005; Lei nº 11.116/2005, art. 16 e art. 21, caput da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido conselheiro João Carlos Cassuli Junior que reconhecia o direito ao ressarcimento e a compensação com outros tributos. O conselheiro João Carlos Cassuli Junior apresentará declaração de voto. Da mesma forma, o processo de n°10680.010360/200584, de relatoria de Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, julgado por esta turma, conforme ementa reproduzida abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Recurso Voluntário Negado. Bem como, o processo de n° 10680.012087/200522, de relatoria de PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA (voto vencido) e com voto vencedor da lavra de WINDERLEY MORAIS PEREIRA, julgado por esta turma, conforme ementa reproduzida abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.415 15 compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Recurso Voluntário Negado Passando aos outros itens de mérito, no entanto, como a lide se restringe a um pedido de ressarcimento efetuado pela recorrente, e não há previsão legal para tal, conforme exposição acima do voto, restam prejudicados os demais argumentos, mas mesmo assim, tecerei alguns comentários. APLICAÇÃO DO PERCENTUAL ( %) NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO A questão deste item é a interpretação do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, que assim dispõe: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos”. Então, a partir da leitura do citado dispositivo legal, não resta dúvida de que percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos de PIS/COFINS a que as agroindústrias têm direito, prevista no art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925, de 2004, é determinado em função dos insumos adquiridos e não dos produtos fabricados. Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.416 16 Por bem tratar da matéria, transcrevese trecho do voto condutor do acórdão nº 330200.788: “(...) notase que o dispositivo é claro ao mencionar que o percentual é aplicado sobre o valor das mencionadas aquisições’. Portanto, ao referirse aos “produtos de origem animal classificados nos Capítulos [...]”, o inciso I claramente trata das aquisições e não dos produtos fabricados, que é do que trata o caput. Assim, o entendimento do que seja ‘produto fabricado’ ou ‘insumo’ deve ser feito pela análise do dispositivo e não a partir de uma tentativa de sistematização de nomenclatura genérica como pretendeu a Interessada. Em outras palavras, nem sempre quando a legislação menciona ‘produto’ está referindose ao produto fabricado, como no caso em questão. Não se pode olvidar tratarse de um crédito presumido exatamente sobre os insumos adquiridos, a fim de dar efetividade à não cumulatividade de PIS/Cofins. Portanto, a intenção é descontar do valor devido na saída um valor presumido apurado na entrada, o que somente poderia ser feito sobre os valores dos ‘insumos’, não havendo razão para se estabelecer percentuais e alíquotas a partir dos produtos fabricados. Tanto é assim que a mensagem de veto no 443, de 23 de julho de 2004, disse o seguinte sobre o inciso VIII do art. 1º (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ _ato20042006/2004/Msg/Vep/VEP44304.htm): Razões do veto "O inciso I do § 3º do art. 8º do projeto de lei de conversão concede crédito presumido, destinado a compensar, na sistemática da não cumulatividade a incidência das referidas contribuições sobre os insumos, incluídos os produtos relacionados no inciso VIII do art. 1º, equivalente a 60% (sessenta por cento) do valor dos produtos de origem animal, adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, classificados nos Capítulos 2 a 4, a serem utilizados como matériaprima para a produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal, e a 35% (trinta e cinco por cento) do valor dos produtos de origem vegetal (sic) com idêntica destinação. Registrese que a sistemática do crédito presumido visa compensar a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins sobre os insumos agropecuários utilizados por pessoas físicas produtoras e fornecedoras, à indústria de alimentos, de produtos de origem animal ou vegetal. Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.417 17 Assim, na forma acordada entre o Governo Federal, parlamentares e representantes dos mais diversos segmentos do agronegócio brasileiro, na produção de alimentos de origem vegetal, seus insumos mais importantes teriam alíquota zero, enquanto no de origem animal o mesmo não ocorreria, em razão da diferença entre os percentuais de crédito presumido. É mais cristalino que a redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins para as rações, mantendose os percentuais de crédito presumido inalterados e diferenciados provoca grave desequilíbrio no setor, tornandose tecnicamente inconsistente e politicamente inadequada. Ademais, a redução a zero das referidas alíquotas e a manutenção do crédito presumido no elevado e injustificado patamar de 60% (sessenta por cento) pode vir a configurar concessão de subsídio, prejudicando a política de exportação do País, além de gerar perda de arrecadação da ordem de R$ 900 milhões anuais." De fato, os percentuais foram fixados em função dos insumos porque cada um deles tem certo número de etapas de produção, o que independe do produto ao qual são aplicados. Não há, assim, razão lógica ou jurídica para se estabelecerem os percentuais a partir dos produtos em que são empregados os insumos”. Nesse contexto e uma vez evidenciado que o percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos de PIS/COFINS, prevista no art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925/2004, é determinado em função dos insumos adquiridos (e não dos produtos fabricados), deve ser reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja restabelecida a decisão de primeira instância. Dessa forma, é como entendo e voto, ou seja, para usufruir do percentual acima referese aos produtos adquiridos como insumos; no entanto, registrese que tanto a CSRF e turma ordinária já se pronunciaram a despeito desta matéria no processo do Auto de Infração, chegando a conclusão pela aplicação da alíquota de 60% na apuração da base de cálculo, como já comentado. É como se observa no voto de relatoria de Gilson Rosemburg Filho no referido processo do Auto de Infração: De acordo com as modificações aduzidas pela Lei nº 12.865/2003, o percentual aplicado aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos no §1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é de 60%. Portanto, o pleito do recorrente tem amparo legal,de sorte que aplico o percentual citado e reformo da decisão a quo quanto a esta matéria. Como comentado acima, expus toda a situação decorrente, mas a conclusão a que se chega, mais uma vez, é que é irrelevente neste processo, pois não há possibilidade ao direito ao ressarcimento, por falta de previsão. Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.418 18 DOS CRÉDITO RELATIVO A DESPESA DE FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA ÔNUS SUPORTADO PELA RECORRENTE PAGAMENTO REALIZADO A EMPRESA DOMICILIADA NO PAÍS RESPONSÁVEL PELO TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGAS Quanto a este tópico, os fretes glosados correspondem a serviços pagos a pessoa jurídica domiciliada no exterior, explica a recorrente que em suas atividades operacionais, em especial quando da entrega de suas mercadorias comercializadas junto ao mercado internacional, assume o pagamento das despesas com fretes internacionais. Defende que o crédito pretendido de frete é relativo ao frete na operação de venda e não diz respeito a insumo e sim a despesa, tendo como base legal o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/03. Utilizarei a maneira de decidir os fundamentos do voto nesta parte do acordão de n° 3201001.977, de 25/01/2016, de relatoria de Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, julgado nesta Turma, que não prevê o direito ao crédito, nos termos abaixo: Em relação à glosa de créditos com despesas relacionadas ao serviço de frete internacional, não está em discussão o fato de tais gastos correspondem a despesas com frete na operação de venda, passíveis, a princípio, de gerar créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins. A fiscalização entendeu que tais despesas não geram direito a crédito devido a terem como contratado pessoa jurídica não domiciliada no território nacional. A recorrente sustenta ter contratado o serviço junto a pessoas jurídicas domiciliadas no País, condição que é imposta pela Lei nº 10.833/03 para a apropriação do crédito. A fiscalização, por seu turno, sustenta que a pessoa jurídica a quem se refere a recorrente não é o transportador, mas sim seu agente marítimo. Delimitada a lide, esclarecese que o agente marítimo tem por função exercer a representatividade do armador em uma determinada localidade. Sinteticamente, sua função, na condição de auxiliar da navegação, é o de colaborar com a empresa armadora nas tarefas da armação e do transporte marítimo, dentre as quais se destaca a angariação de carga para os espaços disponíveis do navio (slot charters) e o controle das operações portuárias de carga e descarga. A definição legal do agente marítimo, por sua vez, encontrase estampada no art. 1º, III, da Portaria 48/95 da Secretaria de Vigilância Sanitária, vinculada ao Ministério da Saúde, a qual define o como “pessoa qualificada para representar um transportador e por ele ou em seu nome, autorizar todas as formalidades relacionadas com a entrada e despacho de embarcação, tripulação, passageiro, carga e provisão de bordo”. O agente marítimo, portanto, é a pessoa jurídica que o armador nomeia como seu mandatário, encarregando o de representálo comercialmente, perante os contratantes de seus serviços, e Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.419 19 também perante as autoridades administrativas dos portos de partida e destino. Em relação a sua natureza jurídica, opera o agente marítimo sob a figura do artigo 658 do Código Civil de 2002, como mandatário profissional do armador, que é verdadeiro encarregado do serviço de transporte. O STJ se pronunciou nesse sentido, conforme voto proferido pela Ministra Eliana Calmon, do qual se extraiu o excerto abaixo transcrito: O agente marítimo, relata Danielle Machado Soares (SOARES, Danielle Machado. O agente marítimo e sua responsabilidade jurídica. In: Revista de Direito do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, n.º 63, abril/junho 2005, p. 52), surgiu como mero auxiliar dos capitães dos navios nos portos estrangeiros. Nessa função, apenas facilitava o trâmite e os despachos diante das autoridades locais e dos comerciantes. Com a evolução do comércio marítimo e o aumento da rotatividade das embarcações, passou a praticamente substituir os capitães no tocante às questões técnicas provenientes do negócio marítimo, tornandose seu representante para atuar em seu nome, por sua conta e nos seus interesses. Hoje, a expressão agente marítimo ou ship broker denomina: ... pessoas encarregadas pelos armadores, ou por quem as suas vezes faça em cada caso particular, temporária ou permanentemente, do mandato de realizar as operações comerciais que originalmente corresponderiam ao capitão ou armador, nos portos de carga ou descarga, de ajudar o capitão em qualquer operação e de cuidar dos interesses do navio e da carga, não só perante as autoridades, mas também nas relações privadas (SOARES, Luiz Dantas de Souza Soares. Agente de navegação responsabilidade civil. In: Revista de direito mercantil, n.º 34, abril/junho 1979, p. 54). O agente marítimo comprometese a representar o navio em terra, praticando em nome do armador ou capitão os atos que esse teria de realizar pessoalmente. Vale se, para isso, de contrato consensual, bilateral e oneroso que corresponde perfeitamente à idéia do mandato profissional, figura jurídica tratada no art. 658 do CC de 2002. (recurso especial no. 731.226, j. 20.09.2007) (grifo nosso) Em sendo esta a natureza contratual existente entre armador e agente marítimo, os valores pagos foram pela recorrente ao agente marítimo pelo frete internacional de cargas na condição de mandatárias das empresas transportadoras. Estes, os armadores, que efetivamente perceberam tais valores. Como consequência, em sendo o agente marítimo um mero representante da pessoa jurídica que efetivamente presta o serviço de transporte, atuando por meio de verba de representação paga pela empresa transportadora, devese verificar, para fins de atendimento da vedação prevista pelo Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.420 20 artigo 3º, §3º, inciso I, da Lei no. 10.833/03, o domicilio da empresa que presta o serviço de transporte, e não de sua mandatária. Assim sendo, tendo em vista que os contratos de transporte foram firmados com pessoas jurídicas não domiciliadas no Brasil, mostrase correta a glosa promovida pela autoridade fiscal, devendo ser mantida a decisão recorrida neste ponto. Portanto é fato incontroverso que o frete é prestado por pessoa jurídica domiciliada no exterior, não gerando direito ao crédito. Da mesma forma, não resta possibilidade ao direito ao ressarcimento, por falta de previsão legal ao pedido, conforme já comentado. DA VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS PELA TAXA SELIC A interessada requer que seja determinada a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição até a data da completa satisfação do crédito No que tange à aplicação da Taxa Selic sobre o crédito pretendido pela interessada, deve ser expressado que o crédito de COFINS e de PIS/PASEP no regime da não cumulatividade não pode sofrer incidência de atualização monetária desde a data da constituição do mesmo, tendo em vista a existência de dispositivo legal expresso vedando tal pretensão, a teor do que dispõem os arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, que trataram especificamente do assunto: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3o do art. 1o, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3o, nos §§ 3o e 4o do art. 6o, e nos arts. 7o, 8o, 10, incisos XI a XIV, e 13. Logo, reputase descabida a pretensão da contribuinte, diante da vedação expressa de atualização monetária do crédito. E no mais, não há como aplicar no presente a interpretação assentada no REsp nº 1.035.847 / RS, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Por força no art. 62 §2° do Anexo II do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais1, este Colegiado deve reproduzir as decisões proferidas pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no entanto, a matéria ali debatida, esclareçase, é a aplicação da correção monetária sobre créditos do IPI. Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 13053.000164/200918 Acórdão n.º 3201002.847 S3C2T1 Fl. 1.421 21 Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 1421DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910823/2009-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/02/2004
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.846
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/02/2004 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 23 /2 00 9- 53 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11065.910823/200953 Acórdão n.º 9303004.846 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.140, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/02/2004 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/02/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11065.910823/200953 Acórdão n.º 9303004.846 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11065.910823/200953 Acórdão n.º 9303004.846 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11065.910823/200953 Acórdão n.º 9303004.846 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000031/2009-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA
Quando se trate de exigência fiscal, incumbe à autoridade fiscal autuante a demonstração, com base nas informações a serem prestadas pelo sujeito passivo, de que o índice empregado descumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação no índice contratualmente definido excede à dos custos efetivamente ocorrida. Mantém-se o lançamento quando, intimado, o sujeito passivo não fornece as informações necessárias a essa demonstração.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA
Quando se trate de exigência fiscal, incumbe à autoridade fiscal autuante a demonstração, com base nas informações a serem prestadas pelo sujeito passivo, de que o índice empregado descumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação no índice contratualmente definido excede à dos custos efetivamente ocorrida. Mantém-se o lançamento quando, intimado, o sujeito passivo não fornece as informações necessárias a essa demonstração.
Numero da decisão: 9303-005.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA Quando se trate de exigência fiscal, incumbe à autoridade fiscal autuante a demonstração, com base nas informações a serem prestadas pelo sujeito passivo, de que o índice empregado descumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação no índice contratualmente definido excede à dos custos efetivamente ocorrida. Mantém-se o lançamento quando, intimado, o sujeito passivo não fornece as informações necessárias a essa demonstração. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA Quando se trate de exigência fiscal, incumbe à autoridade fiscal autuante a demonstração, com base nas informações a serem prestadas pelo sujeito passivo, de que o índice empregado descumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação no índice contratualmente definido excede à dos custos efetivamente ocorrida. Mantém-se o lançamento quando, intimado, o sujeito passivo não fornece as informações necessárias a essa demonstração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA Quando se trate de exigência fiscal, incumbe à autoridade fiscal autuante a demonstração, com base nas informações a serem prestadas pelo sujeito passivo, de que o índice empregado descumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação no índice contratualmente definido excede à dos custos efetivamente ocorrida. Mantémse o lançamento quando, intimado, o sujeito passivo não fornece as informações necessárias a essa demonstração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA Quando se trate de exigência fiscal, incumbe à autoridade fiscal autuante a demonstração, com base nas informações a serem prestadas pelo sujeito passivo, de que o índice empregado descumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação no índice contratualmente definido excede à dos custos efetivamente ocorrida. Mantémse o lançamento quando, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 00 31 /2 00 9- 49 Fl. 2203DF CARF MF 2 intimado, o sujeito passivo não fornece as informações necessárias a essa demonstração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402002.494, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, deu Fl. 2204DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.204 provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006 Ementa: CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06, não desnaturando o requisito do preço predeterminado a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM.” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, trazendo, em apertada síntese, que: · A ANEEL, enquanto mera agência reguladora de energia elétrica, não tem atribuição para emitir normas acerca da interpretação de legislação tributária; · Os órgãos que efetivamente detêm essa competência, ou seja, a Receita Federal do Brasil e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional se pronunciaram sobre o assunto, adotando entendimento exatamente contrário ao exposto pela ANEEL; · Existindo manifestações em sentido contrário (ANEEL x PGFN/SRF), evidentemente que devem prevalecer as conclusões dos órgãos que possuem a atribuição e o conhecimento técnico para dispor sobre a matéria, no caso, os atos da Receita Federal e da Procuradoria da Fazenda Nacional O apelo da Fazenda Nacional foi admitido, nos termos do despacho às fls. 2062 a 2063 apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da 3º Seção desse Conselho em exercício à época. O sujeito passivo, então, apresentou contrarrazões às fls. 2079 a 2109, requerendo a negativa de provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda, reafirmando suas alegações com menções a jurisprudências de tribunais. Traz ainda, que Fl. 2205DF CARF MF 4 caso todos os seus argumentos forem desconsiderados, haverseia de reconhecer que é inaplicável a imposição de multa e juros e, observância ao parágrafo único do art. 100 do CTN (a observância dos atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas exclui a aplicação de penalidade). É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora O Recurso é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pelo conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O que concordo com a análise feita através do Despacho de admissibilidade. Passo a analisar o cerne da lide trazida em recurso especial, qual seja, se o reajuste estipulado no contrato descaracteriza o preço predeterminado. Trago, preliminarmente, para aclarar, o art. 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei 10.833/03, in verbis: "Lei 10.833/03 (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às Normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Fl. 2206DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.205 Pela leitura desse dispositivo, temse que não havia nenhuma previsão legal, até o advento da Lei 11.196/05, de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados. Não obstante, não tenha tido à época previsão legal até o advento da Lei 11.196/05 dispondo que o reajuste nos contratos firmados implica a alteração do regime tributário, havia sido publicada a Instrução Normativa da Receita Federal determinando a alteração do regime tributário com a existência de cláusula de reajuste, conforme se lê nos arts. 1º e 2º da IN SRF 468/2004, in verbis (Grifos meus): “Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. (...)." Assevera a autoridade fazendária, assim, através do art. 2º, § 2º, da IN SRF 468/04, ao conceituar o termo "preço determinado", que a existência de cláusula de reajuste descaracteriza o contrato como sendo predeterminado, alterando, consequentemente, a situação da pessoa jurídica da sistemática cumulativa para a não cumulativa das contribuições. Logo, é de se mencionar que a referida Instrução Normativa havia extrapolado seu poder regulamentar, haja vista que tratou o reajuste de preço necessário à sua equalização ao poder da moeda como revisão do preço contratado, conferindo o aumento das alíquotas do PIS de 0,65% para 1,65% e da COFINS Fl. 2207DF CARF MF 6 de 3% para 7,6% com a alteração da aplicação da sistemática cumulativa para a sistemática não cumulativa. No entanto, vêse que, em respeito ao Princípio da Legalidade, somente poderia ocorrer aumento de alíquota tributária por meio de lei, em respeito ao art. 97 do CTN, sendo incabível a observância de ato infra legal para este intuito. A IN SRF 468/04, que limitou a acepção do termo "preço predeterminado" restringiu o alcance da norma legal o art. 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei 10.833/03, incorrendo em evidente ilegalidade. Não obstante à essa constatação, temse que, posteriormente à IN SRF 468/04, especificamente em 22.11.05, foi publicada a Lei 11.196/05 – que trouxe o seguinte dispositivo (Grifos meus): “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” O que, em respeito à norma legal, que naquele momento dispôs sobre o reajuste de preço para o caso em questão e de forma retroativa – vez que explicitou que o art. 109 da Lei 11.196/05 deve ser aplicado desde 1º de novembro de 2003, passo, forçosamente, a apreciar também a IN SRF 468/04 e a IN SRF 658/06 – não entrando no mérito da discussão acerca da produção dos efeitos retroativos estabelecidos no parágrafo único do art. 109 da Lei. Sendo assim, em melhor análise da IN SRF 468/04, ainda que tenha sido editada à época sem previsão legal de “reajuste de preços”, entendo que o que se está propondo com essa norma é desbordar confusão no ordenamento jurídico – vez Fl. 2208DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.206 que a natureza do evento de reajuste de preço é diferente do evento de revisão de preço. Eis que o reajuste contratual tem a finalidade de se “corrigir monetariamente” o preço já contratado/negociado para se manter o equilíbrio econômico financeiro do contrato – equalizando o preço já estipulado com o poder da moeda. Ou seja, o reajuste não tem o condão de alterar o preço já contratado/negociado, mas sim, de apenas, em virtude de perdas inflacionárias, adequálo à realidade econômica. Enquanto que a revisão do preço, com a definição pela continuidade de determinado serviço e em vista de circunstâncias extraordinárias, p.e. motivos concorrenciais, tem a finalidade de se estipular uma nova equação econômica para se firmar um novo preço junto ao contratado. O que, de fato, alteraria o preço do serviço. É de se trazer também que o reajuste usualmente ocorre anualmente e no final do exercício, pois deve considerar os impactos inflacionários do ano corrente, diferentemente da revisão de preço, que poderá ocorrer pelas circunstâncias extraordinárias que influenciam as partes e o mercado (p.e., oferta e demanda). Dessa forma, o reajuste, resultante da simples aplicação do índice de correção monetária não tem o poder de alterar o preço predeterminado. Tanto é assim, que não implica em obrigatoriedade de aditamento do contrato, bastando a previsão de cláusula de reajuste com a estipulação de um índice oficial para a atualização monetária do preço. O que passo, a desconsiderar aquela Instrução Normativa IN SRF 468/04 para o caso em apreço, em respeito à natureza dos eventos jurídicos – reajuste e revisão de preços – já que traz que o mero “reajuste” implicaria a alteração do preço antes firmado, confluindo da mudança da sistemática das contribuições Fl. 2209DF CARF MF 8 Quanto à IN SRF 658/06, publicada posteriormente à Lei 11.196/05 e que revogou a IN 468/04, que trouxe os arts. 3º e 4º, in verbis (Grifos meus): “Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência nãocumulativa das contribuições.” É de se considerar, em vista do exposto, que a IN SRF 658/06, especificamente sem eu art. 3º, § 3º, está em consonância com o art. 109 da Lei 11.196/05 ao dispor que o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Fl. 2210DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.207 Vêse que houve citação expressa nos dispositivos da IN SRF 658/06, Lei 11.196/05 e art. 27 da Lei 9.069/95, in verbis (Grifos meus): “Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 10 de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do índice de Preços ao Consumido, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: (...) II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; (...)” O que, por conseguinte, poderseia entender que somente poderão ser considerados como contratos prédeterminados aqueles que forem corrigidos com base no custo de produção ou no IPCr, por expressa limitação legal. No entanto, data vênia, não compartilho desse singelo entendimento, o que passo a discorrer as minhas argumentações para tal sentimento. A correção monetária de per si por sua natureza mantém o preço predefinido equalizandoo somente com o poder da moeda – o que, a meu sentir, nem precisaria de previsão legal para se fazer tal reajuste – necessário à manutenção de vários negócios jurídicos. Sendo assim, a cláusula de reajuste é admitida para assegurar às partes a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença. Fl. 2211DF CARF MF 10 Cabe lembrar que a Lei 8.666/93 – que dispõe sobre as licitações e contratos firmados pela Administração Pública, estabelece a observância obrigatória de determinadas regras, das quais a cláusula de reajuste de preço deve constar não apenas do instrumento contratual, mas também do próprio ato convocatório do processo de licitação (Grifos meus): "Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, o dia e a hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: (...) XI – critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (...) Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (...) III o preço e as condições de pagamento, os critérios, database e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios da atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;" Com efeito, notase que o reajuste apenas representa o repasse da correção monetária durante a vigência do contrato, ou seja, mero reajuste mesmo e não o estabelecimento de um novo contrato – por decorrência de um novo preço – ou seja, reajuste de preço. Tanto é assim, que não tem o condão de provocar alteração contratual, conforme demonstrado no art. 65, § 8º do art. 65 da Lei de Licitações (Grifos meus): "Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos: (...) Fl. 2212DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.208 § 8.º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato, as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo, podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento." Em vista do exposto, o mero reajuste de preço, em respeito ao poder da moeda, não altera o contrato já firmado, tampouco há que se falar em mudança do preço acordado. Ou seja, a mera atualização do preço, por decorrência da desvalorização da moeda, não poderia descaracterizar o contrato com preço pré determinado. Continuando, é de se recordar ainda que os dispositivos da Lei 11.196/05 e da própria IN SRF 658/05, transcritos anteriormente, traz que não se descaracteriza o contrato como predeterminado quando o reajuste de preços considerar percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do art. 27 da Lei 9.069/95 (que citou o índice IPCr.) Quanto ao índice de atualização, a Lei 11.196/05 e a IN SRF 658/05 até o momento faz menção ao art. 27 da Lei 9.065/95 que, por sua vez, traz que somente poderão ser considerados como contratos prédeterminados quando reajustados pelo IPCr. Mas o índice foi extinto. O que resta a pergunta: como aplicar um índice já extinto? É de se trazer que o IPCr foi extinto e substituído por outros índices, inclusive o IGPM – índice utilizado pelo sujeito passivo. E, não obstante ter Fl. 2213DF CARF MF 12 sido também substituído pelo IGPM, importante trazer o que diz o art. 8º da Lei 10.192/01 (Grifos): “Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo.” Nos termos do art. 8º, § 1º, da Lei 10.192/01 descrito acima, pode se considerar, para fins de reajuste, o índice previsto contratualmente para esse fim – já que havia sido extinto o IPCr. Há que se observar também os dizeres do art. 2º da Lei 10.192/01: “Lei nº 10.192/01 Art. 2º É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. (...)” Destarte, tendo em vista que o IGPM é um Índice Geral de Preços do Mercado e uma das versões do Índice Geral de Preços – IGP, medido pela Fundação Getúlio Vargas e tem como finalidade registrar a inflação de preços, forçoso se afirmar que a utilização desse índice seria aplicável para se alterar o preço contratado/negociado, e não para se atualizar o preço estipulado em contrato. Seria tão danoso tal entendimento de que não se poderia utilizar o IGPM como índice para a atualização do preço no contrato ora firmado que a própria Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel traz em seu site que o reajuste para a atualização monetária dos contratos deve considerar o IGPM. Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.209 Cabe elucidar que a Aneel foi instituída pela Lei 9.427/96, tendo por finalidade regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, em conformidade com as políticas e diretrizes do governo federal. E, dentre as suas atribuições, consta a gestão dos contratos de concessão ou de permissão de serviços públicos de energia elétrica, de concessão de uso de bem público, bem como atuar para se zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da concorrência, monitorando e acompanhando as práticas de mercado dos agentes do setor de energia elétrica. Dessa feita, compete a Aneel zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da concorrência, monitorando as práticas de mercado, além de gerir os contratos de concessão de energia elétrica – o que, para tanto, poderá regular o índice a ser utilizado para se atualizar tais contratos. O que efetivamente faz e fez no presente caso ao expor a possibilidade de se utilizar o IGPM como índice de atualização monetária do preço. Frisese esse entendimento a decisão emanada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1169088 MT 2009/02357184 – o que peço licença para transcrever a ementa: “Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. Fl. 2215DF CARF MF 14 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.210 prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, conhecer em parte do recurso e, nessa parte, darlhe parcial provimento nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. Ministro Relator.” Nessa seara, proveitoso trazer também ementa do julgado pelo STJ quando apreciou o REsp 1089998/RJ RECURSO ESPECIAL 2008/02056082 (Grifos meus): “Ementa TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste Fl. 2217DF CARF MF 16 somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: "Prosseguindose no julgamento, após o votovista do Sr. Ministro Castro Meira, acompanhando o Sr. Ministro Humberto Martins, a Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator." Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Cesar Asfor Rocha e Castro Meira (votovista) votaram com o Sr. Ministro Relator.” Ademais, cabe trazer ainda que, nos termos do voto do relator do acórdão recorrido – o ilustre ex conselheiro Gilson Macedo trouxe: “[...] A Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica APINE – protocolou consulta com fins de averiguar a possibilidade do “enquadramento dos índices utilizados para Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.211 reajuste de preços dos contratos de compra e venda de energia elétrica celebrados anteriormente a 31/10/2003, nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da IN SRF nº 658/06, sejam eles o IGPM ou quaisquer previstos nos contratos padronizados, nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL ou contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época”. Em resposta à consulta foi apresentado o Ofício 1431/2006SFF/ ANELL, com a seguinte conclusão: [...] Resta, portanto, hialino que o IGPM é índice que se amolda ao comando legal do art 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da instrução Normativa SRF nº 658, de 04 de julho de 2006. [...] De outra parte, resta ainda esclarecer que, conquanto tais fatos não tenham sido objeto da Nota Técnica nº 224/2006 – SFF/ANEEL, de 16 de junho de 2006, os demais índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, na medida em que visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, mantendo o poder de compra da moeda, enquadramse nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e consequentemente, nas disposições do art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/06. Nos termos da consulta formalizada pela APINE – Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica, a correção do preço por índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na Fl. 2219DF CARF MF 18 regulamentação vigente à época, não descaracteriza o preço predeterminado. A ANEEL é a Agência do governo competente para homologar as tarifas e seus reajustes, segundo as respectivas naturezas e fundamentos econômicos. Deste modo, uma resposta oficial sobre a natureza do reajuste não pode ser descartada por outro órgão do governo, sob pena de arranhar a segurança jurídica que sustenta o direito pátrio. Feitas estas considerações, faltava nos autos a comprovação de que o contrato PIE 029.020, celebrado entre a recorrente e a CBEE, cumpriu os requisitos formais e foi aprovado pela ANEEL. Após a diligência proposta por esse Colegiado, os autos retornaram com a informação de que o referido contrato foi apresentado à ANEEL, por intermédio da Carta CBEE 064/02, de 19 de fevereiro de 2002. Ressalto que o Ofício nº 104/2013SEM/ANEEL afirmou categoricamente que o contrato PIE 029.020 cumpriu com todas as exigências previstas na Resolução nº 580, de 18 de dezembro de 2001, que autorizou a CBEE a comercializar energia elétrica no âmbito do mercado atacadista de energia elétrica. Portanto, resta evidente que o contrato PIE 029.020 foi aprovado pela ANEEL e possuía cláusula de reajuste em seu bojo, de sorte que os reajustes praticados foram dentro dos limites previstos na legislação, de forma a não descaracterizar o preço como predeterminado. Assim sendo, não vejo motivos para apurar o PIS e a Cofins pelo regime da nãocumulatividade. Forte nestes argumentos, dou provimento parcial ao recurso para determinar que as apurações do PIS e da Cofins, referentes aos períodos de apuração 01/01/2004 a 31/12/2005 e 01/03/2006 a 31/03/2006, sejam feitas no regime cumulativo.” Ademais, tenho que para desconsiderar esse ofício, a autoridade fazendária deveria, de acordo com o art. 79, § 1º, do Decretolei 5.844/43, produzir Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.212 contraprova demonstrando que os índices dos contratos eram superiores a esses, atestando eventual falsidade ou inexatidão desse Ofício. Ante todo o exposto, entendo que o reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Frisese tal entendimento a Solução de Consulta da 8ª Região 390 de 2006 Os reajustes de preço de venda de energia elétrica determinados ou autorizados pela ANEEL, conforme procedimento previsto em cláusula de contrato de venda de energia, os quais expressem exclusivamente a variação de custos do gerador/vendedor, reconhecida por aquela agência, são aceitáveis para efeito do que dispõe o art. 109 da Lei 11.196/05, não descaracterizando o fornecimento a preço predeterminado. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos – Redator Designado Divergiu o colegiado do bem fundamentado voto da relatora na linha do quanto vem sendo aqui decidido e que, creio, está bem sintetizado no voto que transcrevo: A matéria, única, submetida ao colegiado já se encontra aqui perfeitamente esgotada. Com efeito, a Turma firmou o Fl. 2221DF CARF MF 20 entendimento de que a utilização do IGPM, por si só, não implica a inclusão no regime nãocumulativo, como quer a fiscalização, nem mantém o contribuinte no regime cumulativo, como postula ele. Para esclarecer, segue voto de minha lavra, em processo relativo a pedido de compensação. Aqui, como relatado, tratase de auto de infração. Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente exmembro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.213 É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 2223DF CARF MF 22 acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantémse o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGP-M desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Fl. 2224DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.214 Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Espero ter deixado aí bem registrado que o ônus da necessária prova distribuise conforme previsto na norma processual: quando se trate de postulação de direito creditório proveniente de recolhimento a maior, ao sujeito passivo; quando objeto de exigência fiscal, ao Fisco. Examinando a bem elaborada peça de acusação Relatório Fiscal efls 3643, não encontro questionamento quanto a tais contratos. Ao que parece, a autoridade fiscal sequer se apercebeu da existência de contratos a preço predeterminado, matéria que só aparece com a impugnação apresentada. Nela, a empresa se limita a afirmar que a adoção de tal índice em nada obsta a manutenção das receitas no regime cumulativo, de sorte que não faz aí nenhuma prova de que a variação nele prevista não excede a dos seus custos efetivos. E como para a DRJ a adoção do IGPM já é causa para mudança do regime, nenhum esclarecimento adicional foi requerido do sujeito passivo, mesmo após a sua impugnação. Em seu recurso voluntário, por sua vez, o sujeito passivo afirma que na prática o reajuste se deu por índice até mesmo inferior ao IGP_M, "basta ver a variação das mensalidades". Considerando, pois, caber à fiscalização a prova de que o reajuste promovido excedeu aquele autorizado legalmente, deve 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 2225DF CARF MF 24 o lançamento ser considerado improcedente, quanto a essa matéria, mantendose a decisão de piso. Voto, pois, por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Conforme aí consignado, pacificouse o entendimento de que não basta a afirmação de que o IGPM cumpre os requisitos legais nem de que não cumpre. Tudo se resume à prova em cada caso concreto. E essa prova há de ser produzida pela fiscalização, como dito no voto transcrito, sempre que se trate de lançamento de tributo. Com isso, quisse dizer, e aqui o reitero, que não podem prevalecer lançamentos como o do voto transcrito em que a autoridade fiscal simplesmente descaracteriza o regime porque adotado o IGPM. Cabe a ela mais: buscar junto ao contribuinte as informações sobre a efetiva variação de custos e com ela demonstrar que, no caso concreto, o IGPM não cumpre os requisitos legais. E assim ela o fez no caso concreto. De fato, consta à fl. 281 dos autos solicitação à empresa, datada de 07 de agosto de 2008, para: Elaborar demonstrativos referentes aos acréscimos dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no processo produtivo, entre as datas referências e os respectivos reajustes de preços decorrentes do Contrato de Produtor Independente de Energia PIE n° 029.020 C.B.E.E, desde o início da vigência do contrato até o último reajuste realizado. O contribuinte deverá, ainda, demonstrar de forma pormenorizada os reajustes efetivamente implementados, nos períodos de vigência do contrato supracitado, com base nos Índices contratados, nos termos das cláusulas 25 e 26, do Título X. Obs. Os demonstrativos deverão ser acompanhados de documentação hábil e idônea apta a comprovar a veracidade das informações prestadas. Concedidas dilações de prazo para atendimento, a solicitação não foi atendida até o fim dos trabalhos fiscais. Embora, como já reafirmado, seja ônus da fiscalização a prova do descumprimento, mais do que isso, entendo, não se lhe pode exigir. Desse modo, votou o colegiado pelo provimento do recurso da Fazenda Nacional para restabelecer o lançamento, na integralidade. E é esse o acórdão que fui incumbido de redigir. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 2226DF CARF MF Processo nº 12897.000031/200949 Acórdão n.º 9303005.202 CSRFT3 Fl. 2.215 Fl. 2227DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.902830/2012-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.193
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1345; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.902830/201240 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.193 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 30 /2 01 2- 40 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902830/201240 Acórdão n.º 3302004.193 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.041. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902830/201240 Acórdão n.º 3302004.193 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902830/201240 Acórdão n.º 3302004.193 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.902830/201240 Acórdão n.º 3302004.193 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10283.902830/201240 Acórdão n.º 3302004.193 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10283.902830/201240 Acórdão n.º 3302004.193 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000156/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2007
NULIDADE - CERCEAMENTO DE DEFESA - HIGIDEZ DO LANÇAMENTO FISCAL - INOCORRÊNCIA
Não se verifica cerceamento do direito de defesa diante da constatação da higidez do lançamento fiscal, cumpridor dos requisitos legais exigidos para a sua validade, que identifica claramente os fatos geradores e sua origem, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, reportando a apuração da base de cálculo.
Se as cópias dos documentos que fundamentaram o lançamento foram entregues pelo contribuinte, não é imperioso que estas estejam necessariamente acostadas nos autos do processo administrativo, pois o próprio contribuinte as detém e, assim, lhe conferem condições de averiguação da higidez do lançamento fiscal, o que não causa prejuízo ao contraditório e ao seu direito de defesa.
NULIDADE - UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA - POSSIBILIDADE - RESPEITO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.
A utilização de conjunto probatório - utilizado como prova subsidiária - produzido em processo judicial criminal ao qual a fiscalização obteve acesso mediante autorização judicial, relativo ao mesmo contribuinte, respeitado o contraditório e a ampla defesa, está de acordo com o ordenamento jurídico, não constitui causa de nulidade do lançamento fiscal e pode ser utilizado para caracterizar a existência de fato gerador de contribuição previdenciária.
A absolvição na esfera judicial criminal não interfere no processo administrativo fiscal, pois este não apura a existência de crimes, mas tão somente a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária.
ATOS ADMINISTRATIVOS - PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - AFERIÇÃO INDIRETA - POSSIBILIDADE.
O § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91 permite à fiscalização apurar por aferição indireta as contribuições efetivamente devidas pelos contribuintes quando constatado que a documentação apresentada é deficiente, por conter informação diversa da realidade ou omitir informação verdadeira, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Tendo o conjunto probatório demonstrado a real relação de trabalho acobertada por interposta pessoa jurídica, é legalmente permitido à fiscalização que se presuma essa relação, para efeitos de lançamento de crédito tributário previdenciário, cujo ônus da sua desconstituição cabe ao contribuinte.
PROVAS - CAPACIDADE PARA VALIDAREM RELAÇÃO SOCIETÁRIA E DIRETIVA - DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DOS PRESTADORES DE SERVIÇO EM SEDE ADMINISTRATIVA PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS - POSSIBILIDADE
Tendo o conjunto probatório demonstrado que os sócios únicos de empresas interpostas exerciam cargos de gestão na empresa autuada, resta configurada com estas a relação societária e diretiva daqueles, fato que, no caso, revelou a prestação de serviço pessoal, habitual e onerosa dos mesmos à contribuinte, o que enseja a desconsideração do contrato de prestação de serviço para que se efetue o lançamento fiscal, decorrente da ocorrência de fato gerador da contribuição previdenciária.
São segurados obrigatórios da Previdência Social, na categoria contribuinte individual, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho.
PROCESSO JUDICIAL CRIMINAL - ABSOLVIÇÃO - REFLEXO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - INOCORRÊNCIA.
As apurações havidas no processo tributário são independentes daquelas verificadas no processo judicial criminal, ao ponto de uma absolvição neste campo não refletir, nem interferir na constatação de fato gerador tributável.
RELAÇÃO DE TRABALHO - INOBSERVÂNCIA EM INSPEÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO - REFLEXO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - INOCORRÊNCIA.
As apurações havidas no processo tributário são independentes daquelas verificadas no processo administrativo trabalhista, ao ponto da regularização de uma relação de trabalho, ou a não constatação de relação trabalhista nesta seara não refletir, nem interferir, na verificação de fato gerador tributável.
DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO - ARTIGO 173, I, DO CTN - INOCORRÊNCIA.
Em se tratando de lançamento de ofício de crédito tributário previdenciário cujos fatos geradores foram omitidos em GFIP, para apuração da decadência, aplica-se o prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. 173, I)
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. JUROS. TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
As contribuições devidas à Seguridade Social, incluídas em lançamento fiscal, são sujeitas aos juros equivalentes à taxa SELIC (Lei 8.212/91, Art. 35; Lei nº 9.430/96, Art. 61, § 3º e 5º, § 3º; Súmula CARF nº 04).
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-003.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 25/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 25/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2007 NULIDADE - CERCEAMENTO DE DEFESA - HIGIDEZ DO LANÇAMENTO FISCAL - INOCORRÊNCIA Não se verifica cerceamento do direito de defesa diante da constatação da higidez do lançamento fiscal, cumpridor dos requisitos legais exigidos para a sua validade, que identifica claramente os fatos geradores e sua origem, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, reportando a apuração da base de cálculo. Se as cópias dos documentos que fundamentaram o lançamento foram entregues pelo contribuinte, não é imperioso que estas estejam necessariamente acostadas nos autos do processo administrativo, pois o próprio contribuinte as detém e, assim, lhe conferem condições de averiguação da higidez do lançamento fiscal, o que não causa prejuízo ao contraditório e ao seu direito de defesa. NULIDADE - UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA - POSSIBILIDADE - RESPEITO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. A utilização de conjunto probatório - utilizado como prova subsidiária - produzido em processo judicial criminal ao qual a fiscalização obteve acesso mediante autorização judicial, relativo ao mesmo contribuinte, respeitado o contraditório e a ampla defesa, está de acordo com o ordenamento jurídico, não constitui causa de nulidade do lançamento fiscal e pode ser utilizado para caracterizar a existência de fato gerador de contribuição previdenciária. A absolvição na esfera judicial criminal não interfere no processo administrativo fiscal, pois este não apura a existência de crimes, mas tão somente a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. ATOS ADMINISTRATIVOS - PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - AFERIÇÃO INDIRETA - POSSIBILIDADE. O § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91 permite à fiscalização apurar por aferição indireta as contribuições efetivamente devidas pelos contribuintes quando constatado que a documentação apresentada é deficiente, por conter informação diversa da realidade ou omitir informação verdadeira, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Tendo o conjunto probatório demonstrado a real relação de trabalho acobertada por interposta pessoa jurídica, é legalmente permitido à fiscalização que se presuma essa relação, para efeitos de lançamento de crédito tributário previdenciário, cujo ônus da sua desconstituição cabe ao contribuinte. PROVAS - CAPACIDADE PARA VALIDAREM RELAÇÃO SOCIETÁRIA E DIRETIVA - DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DOS PRESTADORES DE SERVIÇO EM SEDE ADMINISTRATIVA PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS - POSSIBILIDADE Tendo o conjunto probatório demonstrado que os sócios únicos de empresas interpostas exerciam cargos de gestão na empresa autuada, resta configurada com estas a relação societária e diretiva daqueles, fato que, no caso, revelou a prestação de serviço pessoal, habitual e onerosa dos mesmos à contribuinte, o que enseja a desconsideração do contrato de prestação de serviço para que se efetue o lançamento fiscal, decorrente da ocorrência de fato gerador da contribuição previdenciária. São segurados obrigatórios da Previdência Social, na categoria contribuinte individual, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho. PROCESSO JUDICIAL CRIMINAL - ABSOLVIÇÃO - REFLEXO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - INOCORRÊNCIA. As apurações havidas no processo tributário são independentes daquelas verificadas no processo judicial criminal, ao ponto de uma absolvição neste campo não refletir, nem interferir na constatação de fato gerador tributável. RELAÇÃO DE TRABALHO - INOBSERVÂNCIA EM INSPEÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO - REFLEXO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - INOCORRÊNCIA. As apurações havidas no processo tributário são independentes daquelas verificadas no processo administrativo trabalhista, ao ponto da regularização de uma relação de trabalho, ou a não constatação de relação trabalhista nesta seara não refletir, nem interferir, na verificação de fato gerador tributável. DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO - ARTIGO 173, I, DO CTN - INOCORRÊNCIA. Em se tratando de lançamento de ofício de crédito tributário previdenciário cujos fatos geradores foram omitidos em GFIP, para apuração da decadência, aplica-se o prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. 173, I) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. JUROS. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. As contribuições devidas à Seguridade Social, incluídas em lançamento fiscal, são sujeitas aos juros equivalentes à taxa SELIC (Lei 8.212/91, Art. 35; Lei nº 9.430/96, Art. 61, § 3º e 5º, § 3º; Súmula CARF nº 04). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
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Se as cópias dos documentos que fundamentaram o lançamento foram entregues pelo contribuinte, não é imperioso que estas estejam necessariamente acostadas nos autos do processo administrativo, pois o próprio contribuinte as detém e, assim, lhe conferem condições de averiguação da higidez do lançamento fiscal, o que não causa prejuízo ao contraditório e ao seu direito de defesa. NULIDADE UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA POSSIBILIDADE RESPEITO AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. A utilização de conjunto probatório utilizado como prova subsidiária produzido em processo judicial criminal ao qual a fiscalização obteve acesso mediante autorização judicial, relativo ao mesmo contribuinte, respeitado o contraditório e a ampla defesa, está de acordo com o ordenamento jurídico, não constitui causa de nulidade do lançamento fiscal e pode ser utilizado para caracterizar a existência de fato gerador de contribuição previdenciária. A absolvição na esfera judicial criminal não interfere no processo administrativo fiscal, pois este não apura a existência de crimes, mas tão somente a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 01 56 /2 00 8- 64 Fl. 1198DF CARF MF 2 ATOS ADMINISTRATIVOS PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AFERIÇÃO INDIRETA POSSIBILIDADE. O § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91 permite à fiscalização apurar por aferição indireta as contribuições efetivamente devidas pelos contribuintes quando constatado que a documentação apresentada é deficiente, por conter informação diversa da realidade ou omitir informação verdadeira, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Tendo o conjunto probatório demonstrado a real relação de trabalho acobertada por interposta pessoa jurídica, é legalmente permitido à fiscalização que se presuma essa relação, para efeitos de lançamento de crédito tributário previdenciário, cujo ônus da sua desconstituição cabe ao contribuinte. PROVAS CAPACIDADE PARA VALIDAREM RELAÇÃO SOCIETÁRIA E DIRETIVA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DOS PRESTADORES DE SERVIÇO EM SEDE ADMINISTRATIVA PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS POSSIBILIDADE Tendo o conjunto probatório demonstrado que os sócios únicos de empresas interpostas exerciam cargos de gestão na empresa autuada, resta configurada com estas a relação societária e diretiva daqueles, fato que, no caso, revelou a prestação de serviço pessoal, habitual e onerosa dos mesmos à contribuinte, o que enseja a desconsideração do contrato de prestação de serviço para que se efetue o lançamento fiscal, decorrente da ocorrência de fato gerador da contribuição previdenciária. São segurados obrigatórios da Previdência Social, na categoria contribuinte individual, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho. PROCESSO JUDICIAL CRIMINAL ABSOLVIÇÃO REFLEXO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INOCORRÊNCIA. As apurações havidas no processo tributário são independentes daquelas verificadas no processo judicial criminal, ao ponto de uma absolvição neste campo não refletir, nem interferir na constatação de fato gerador tributável. RELAÇÃO DE TRABALHO INOBSERVÂNCIA EM INSPEÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO REFLEXO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INOCORRÊNCIA. As apurações havidas no processo tributário são independentes daquelas verificadas no processo administrativo trabalhista, ao ponto da regularização de uma relação de trabalho, ou a não constatação de relação trabalhista nesta seara não refletir, nem interferir, na verificação de fato gerador tributável. DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ARTIGO 173, I, DO CTN INOCORRÊNCIA. Em se tratando de lançamento de ofício de crédito tributário previdenciário cujos fatos geradores foram omitidos em GFIP, para apuração da decadência, aplicase o prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. 173, I) Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.164 3 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. JUROS. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. As contribuições devidas à Seguridade Social, incluídas em lançamento fiscal, são sujeitas aos juros equivalentes à taxa SELIC (Lei 8.212/91, Art. 35; Lei nº 9.430/96, Art. 61, § 3º e 5º, § 3º; Súmula CARF nº 04). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 25/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 445/525) interposto contra decisão da DRJSPOI (fls. 379/441) que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário lançado através do Auto de Infração DEBCAD nº 37.211.3052 (fls. 01/81) no valor de R$ 2.061.014,44, sendo R$ 1.252.201,74 de principal, R$ 375.660,55 de multa de ofício e R$ 433.152,15 de juros; lavrado em decorrência de procedimento fiscal realizado nos registros da Recorrente, precedido de Mandado de Procedimento Fiscal nº 0812800.2008.00106 e Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (fls. 224/225) – relativo às Contribuições devidas à Previdência Social, rubrica "C.ind/adm/aut", nas Fl. 1200DF CARF MF 4 competências de novembro de 2003 a outubro de 2007, incidentes sobre a remuneração de segurados obrigatórios da Previdência Social enquadrados na categoria "contribuintes individuais", não declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, "Levantamento: "PLA PRO LABORE AFERIDO". Segundo consta de trechos do relatório do Acórdão da DRJ (fls. 382/383), o Relatório Fiscal acostado às fls. 27/76 esclarece que o procedimento fiscal é reflexo: “(...) das ações desenvolvidas pela Polícia Federal na "Operação Persona", deflagrada em 16 de outubro de 2007, fruto de dois anos de investigações conjuntas do Departamento da Polícia Federal DPF, da Receita Federal do Brasil RFB, do Ministério Público Federal MPF e da Justiça Federal, objetivando apurar a existência de diversos ilícitos, tais como, interposição fraudulenta, sonegação, falsidade ideológica e documental, entre outras, que resultou na retenção judicial de mercadorias em despacho e trânsito aduaneiro, retenção judicial dos estoques de mercadorias e na apreensão de vasto material que comprovam os ilícitos; 2.2. a ação principal sobre o assunto tramita na 4a Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo SP (Processo n° 2005.61.81.0092851). De acordo com manifestação judicial, todo o material apreendido ficou à disposição para manuseio pela Receita Federal do Brasil RFB mediante solicitação ao Departamento da Polícia Federal; 2.3. como fontes subsidiárias de informação foram utilizados, também, os documentos e arquivos magnéticos apreendidos, conforme autorização judicial contida no Ofício n° 3693/2008 S & SVZ da Quarta Vara Criminal 18a Subseção Judiciária de São Paulo. Os documentos analisados, além dos apreendidos, foram: Folhas de Pagamento, Livros Diário e Razão, notas fiscais de serviço, recibos de pagamento e contratos de prestação de serviços; 2.4. verificouse que o contribuinte possuía, além dos sócios ostensivos constantes no contrato social e alterações, sócios ocultos, integrantes do capital social da empresa por intermédio de instrumento particular de cessão de ativos e participações societárias e contrato associativo de investimentos não registrados na Junta Comercial, que demonstram a participação de todas as pessoas físicas integrantes deste lançamento fiscal; 2.5. verificouse, também, que estas pessoas físicas recebiam parte (sócios ostensivos) ou a totalidade (sócios ocultos) da remuneração pelos serviços prestados ao contribuinte por intermédio de pessoas jurídicas por eles constituídas. Os valores lançados no presente auto referemse à constatação da utilização destas empresas interpostas; 2.6. as contribuições previdenciárias referentes à cota patronal foram apuradas à alíquota de 20% (vinte por cento) sobre a base de cálculo apurada mensalmente, que compreende a remuneração aferida à razão de 100% (cem por cento) do valor das notas fiscais emitidas pelas pessoas jurídicas, cujos sócios foram considerados como segurados do contribuinte, conforme demonstrativo elaborado, e foram extraídas dos livros contábeis em lançamentos não escriturados em contas contábeis próprias para a demonstração dos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, fato constatado através da análise e utilização da documentação apreendida. Estes valores não constaram da base de cálculo das contribuições Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.165 5 previdenciárias da empresa, nem foram lançados nas Guias de Recolhimento ao FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, e correspondem ao levantamento "PLA PRO LABORE AFERIDO"; 2.7. através destes documentos comprovouse que os sócios do contribuinte utilizaramse de pessoas jurídicas interpostas para o recebimento de sua remuneração (prólabore), razão pela qual seus sócios foram enquadrados como segurados empresários (contribuintes individuais a serviço do contribuinte), aferindose como remuneração de cada um os valores pagos às pessoas jurídicas por eles constituídas; 2.8. as bases de cálculo utilizadas correspondem aos valores integrais constantes em notas fiscais e recibos discriminados na planilha "PESSOAS FÍSICAS REMUNERADAS ATRAVÉS DE EMPRESAS INTERPOSTAS", que informa o beneficiário, o serviço prestado, a pessoa jurídica correspondente, a conta contábil, a data, o número de controle do documento e o correspondente Livro Diário onde se encontra o lançamento; 2.9. a aferição tem fundamento no art. 33, §§ 3 o e 6o , da Lei n° 8.212/91, que determinam, inclusive, a inversão do ônus da prova; 2.10. os Livros Diário utilizados encontramse relacionados, à exceção dos períodos de 21/12/2004 a 31/12/2004 (n° 36), 29/12/2005 a 31/12/2005 (n° 62) e 01/2006 a 10/2007, que foram apresentados apenas em meio magnético; 2.11. as provas anexadas são decorrentes das ações de busca e apreensão efetuadas pela Polícia Federal e tiveram sua utilização autorizada pela Justiça Federal. São documentos apreendidos nos endereços diligenciados para o cumprimento dos mandados, e arquivos magnéticos encontrados nos computadores apreendidos com os Srs. Fernando Machado Grecco (diretor da área de marketing), Marcelo Naoki Ikeda (diretor da área comercial), Marcílio Palhares Lemos (gerente do departamento financeiro) e Ronaldo Bertoni Chiarelli (Gerente do Departamento de Comunicação de Dados), sócios das empresas que prestaram serviços supostamente terceirizados Orpheus Comércio e Serviços Ltda., Marcelo Naoki Ikeda EPP, PLCON Serviços Administrativos Ltda. EPP e Bertoni Chiarelli Tecnologia e Informática Ltda. EPP, respectivamente;” Na sequência do seu relatório, a autoridade fiscal expõe os motivos que a convenceram da ocorrência de simulação nos serviços prestados pelas pessoas físicas relacionadas, representadas por empresas interpostas, porém tipificadas pela fiscalização como sócios da Recorrente, que entendeu presentes os elementos configuradores da hipótese disposta no artigo 12, V, “f”, da Lei 8.212/91 – segurado obrigatório da Previdência Social, na condição de contribuinte individual, titular de firma individual urbana que recebe remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana. Após discorrer sobre cada elemento jurídico configurador do vínculo econômico entre a Recorrente e as pessoas físicas nominadas, como a pessoalidade, a onerosidade, a habitualidade, a autoridade fiscal concluiu que a Recorrente encobriu relação de trabalho, pois utilizou contratos de prestação de serviços com empresas interpostas para ocultar Fl. 1202DF CARF MF 6 a verdadeira situação jurídica laboral, qual seja, a prestação de serviços essenciais ao funcionamento da empresa por pessoas físicas, que no caso em questão, são os seus sócios ostensivos e ocultos. Cientificada do lançamento fiscal em 16/12/2008 (fls. 377), a Recorrente apresentou Impugnação tempestiva em 15/01/2009 (fls. 291/357), cujas alegações, resumidas com clareza e pormenores no relatório do Acórdão proferido pela DRJSPOI, adoto como parte fundamental deste relatório, a seguir transcritas: “Das Preliminares Do cerceamento de defesa da Impugnante. Da violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa 6.1. O presente lançamento foi efetuado com base nos valores das notas fiscais de prestação de serviços, as quais, segundo a Fiscalização, seriam, em verdade, remuneração paga aos sócios da Impugnante. Ocorre que, não obstante as diversas menções a essas notas fiscais de serviços, bem como sua indicação na planilha "Pessoas Físicas Remuneradas Através de Empresas Interpostas", não houve a juntada aos autos de nenhuma dessas notas. Tal expediente caracteriza cerceamento do direito de defesa da Impugnante, uma vez que não há nos autos qualquer elemento que lhe permita verificar a correção dos valores lançados pelas Autoridades Fiscais como base de cálculo das contribuições em cobrança, o que macula a autuação fiscal de completa e insanável nulidade, conforme manifestação dos Conselhos de Contribuintes; 6.2. Além disso, as Autoridades Fiscais fazem o cotejo dos pagamentos das notas fiscais com os lançamentos nos Livros Diário da Impugnante. Contudo, não houve, da mesma forma, ajuntada de cópia desses documentos aos autos, o que reforça a ocorrência de cerceamento de defesa. Dessa forma, diante da inexistência da prova da ocorrência dos fatos geradores e do montante apurado como base de cálculo das exações ora em cobrança, há que se reconhecer a nulidade do presente Auto de Infração; Da Nulidade das "Provas" Trazidas aos Autos Finalidade Exclusivamente Penal das "Provas" (...) 6.4. Ocorre que, muito embora alguns documentos apreendidos sejam de natureza comercial ou fiscal, portanto passíveis de exame pelo Fisco (art. 195 do CTN), os documentos que realmente fundamentam a autuação são aqueles obtidos com o único objetivo de instruir ação criminal e, sendo assim, jamais poderiam ter sido utilizados no processo administrativo fiscal; 6.5. Com efeito, os mesmos elementos alçados ao patamar de "provas" pelo Ministério Público, que fundamentam as acusações penais, colhidas naquele procedimento específico, são utilizados pela Fiscalização para embasar a autuação fiscal em comento, conforme se verifica pela leitura do Relatório Fiscal. Contudo, esse procedimento fiscal viola o artigo 5º da Constituição Federal, incisos X, XI e XII, devendo a Turma Julgadora, já por esse motivo, determinar a desconstituição dos créditos tributários; (...) Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.166 7 6.7. A indevida utilização de provas penais acarreta outra dificuldade intransponível. A sua utilização implicaria considerar também as provas e os mecanismos à disposição da defesa no âmbito criminal, transportandose aquele contraditório especialíssimo para o bojo do procedimento fiscal, o que se mostra totalmente inviável. Assim, não há como utilizar provas penais sem assegurar à defesa os critérios garantidores do processo penal. Portanto, as informações e eventuais provas colhidas por meio de interceptação de telefonemas e de comunicações telemáticas somente poderão ser utilizadas para fins penais e jamais será admitida a sua utilização para outros fins, muito menos tributários; 6.8. Dessa forma, considerandose que as supostas provas utilizadas pela Fiscalização para fundamentar o Auto de Infração são elementos que somente poderiam, quando muito, ser aproveitados para fins penais, deverá ser reconhecido que o Auto de Infração carece de fundamentação fático probatória, determinando o seu cancelamento, pois excluídas as provas produzidas para fins exclusivamente penais, assim taxativamente consideradas pela lei, observarseá que não houve trabalho fiscal propriamente dito, decorrendo disto a insubsistência do Auto. Prova disso é que a Fiscalização afirma, expressamente, que a verificação dos supostos fatos geradores "não seria possível sem a análise e utilização da documentação apreendida"; 6.9. O presente tópico não trata de pedido de declaração de inconstitucionalidade de norma (o que é reservado ao Poder Judiciário), mas sim de pedido para que essa Turma Julgadora reconheça a invalidade da pertinência de tais pretensas provas colhidas no âmbito criminal ao presente processo administrativo fiscal, nos termos da Lei e da Constituição, evitandose a aplicação do artigo 10 da Lei n° 9.296/96; Da Ausência de Relação entre as "Provas" e o Lançamento 6.10. Além do fato de que as supostas provas teriam, quando muito, finalidades única e exclusivamente penais, mesmo que assim não fosse, não poderiam ser utilizadas para fundamentar o lançamento, pois são documentos extracontábeis, apócrifos, relativos a apenas parte dos períodos autuados ou mesmo sem data, não assinados, incompletos ou em forma de "minuta para discussão"; 6.11. Para constituição dos créditos previdenciários a Fiscalização, para concluir pela existência de vínculo societário e diretivo, valeuse de documentos como planilhas eletrônicas, questionários para análise de cargos e mapeamento de competências, relatórios de auditoria e trechos de petições iniciais de Reclamações Trabalhistas. Esses documentos são relativos a apenas parte dos períodos autuados ou sequer possuem data, de forma que, mesmo que pudessem ser utilizados como prova de infração à legislação previdenciária, o que se admite apenas para argumentar, ainda assim não poderiam gerar qualquer obrigação em relação a outros períodos; 6.12. A título de exemplo, vale citar os organogramas. Ora, com base em organograma supostamente relativo ao ano de 2006 (frisese, sem qualquer comprovação de autenticidade e não assinados), a Fiscalização atribuiu uma determinada estrutura organizacional à Impugnante, aplicandoa Fl. 1204DF CARF MF 8 indistintamente e de forma genérica a todos os períodos e todos os prestadores de serviços que supostamente possuíam poder de comando e de direção na Impugnante. Da mesma forma, com base em suposto documento intitulado "Acordo de Associação com Opção de Compra de Quotas/Ações", datado de maio de 2007, atribuise valor fundamental para caracterizar como "sócios ocultos" todos aqueles que participariam do acordo associativo, com exceção óbvia dos sócios ostensivos, dandolhe efeitos para períodos anteriores a tal documento. E princípio basilar de direito que as provas devem ter relação direta com os fatos tidos como infracionais. Assim, não se pode admitir que documentos, por exemplo, do ano de 2006 ou 2007 (supostamente, já que vários não possuem data) sejam base para aferição indireta de contribuições previdenciárias dos anos de 2003, 2004 ou 2005; 6.13. O Conselho de Contribuintes já se deparou com questão semelhante, decidindo pela impossibilidade de manutenção do auto de infração. No caso os I. Conselheiros levantaram outro ponto de fundamental relevância: se a autuação for realizada com base em provas que se refiram a períodos distintos do auto de infração, tal lançamento é realizado, de fato, com base em simples suposições. E suposições jamais podem fundamentar autuações fiscais. 6.14. Desse modo, tais elementos probatórios não poderão ser aproveitados para fundamentar a constituição da contribuição previdenciária em tela, de modo que essa Turma Julgadora deverá determinar a anulação de tais lançamentos. Da Superficialidade da Fiscalização e da Falta de Verificação da Verdade Material Autuação com Base em Suposições. Nulidade. 6.15. Ante o princípio da estrita legalidade, e tendo em vista o fato de a atividade administrativa de lançamento ser plenamente vinculada, para que se verifique a efetiva realização da hipótese de incidência tributária, é muito importante e indispensável que se tenha certeza acerca dos fatos descritos no lançamento. Portanto, comete a fiscalização ilegalidade ao exigir da Impugnante contribuições e multas sobre um fato jurídico presumido (suposta existência de vínculo societário e diretivo) e não provado. No caso em tela, para que o Auto de Infração pudesse subsistir, seria necessário que a fiscalização comprovasse, documentalmente, por meios diretos e não indiretos (presuntivos) a alegada existência de vínculo societário e diretivo, ante toda a documentação que lhe foi apresentada; 6.16. As supostas "evidências" descritas no Relatório Fiscal, tais como planilhas eletrônicas, questionários para análise de cargos e mapeamento de competências, relatórios de auditoria e trechos de petições iniciais de Reclamações Trabalhistas, dentre outros, nada provam contra a Impugnante, principalmente no sentido de evidenciarse relação societária e diretiva. Resumiuse a fiscalização a apresentar meras ilações e a emitir juízos de valor sobre supostos documentos que jamais podem ser considerados como provas, e nem mesmo como meros indícios. Tratase, pois, de presunção das autoridades fiscais; 6.17. Mencionese que a Fiscalização não empreendeu quaisquer diligências às dependências ou estabelecimentos da Empresa, com a finalidade de efetuar verificação física dos segurados em serviço, para confronto com os registros e documentos da empresa, como lhe faculta o art. 229, § I o do Decreto n° 3.048/99; Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.167 9 6.18. Ora, nem que as supostas irregularidades em questão fossem possíveis, isso não autorizaria o Fisco considerálas fato jurídico tributável, pois, na hipótese de a presunção não corresponder à verdade como ocorre no caso sub examine o contribuinte estará à mercê de ato indiscutivelmente arbitrário por parte do Poder Público, e que implicará penalidade injusta por uma falta que, de fato, não foi cometida. Justamente para resguardar os particulares de eventuais atos arbitrários por parte do Poder Público, é necessário que toda e qualquer irregularidade eventualmente verificada esteja severamente atrelada ao princípio da verdade material. Nessas condições, para que o Fisco Federal pudesse lavrar algum Auto de Infração em face da Impugnante, deveria, segundo o que preceituam os principias da verdade material e da legalidade, ter comprovado plenamente, por meios seguros e irrefutáveis, a alegada existência de sócios ocultos remunerados através de empresas interpostas; 6.19. Mais grave do que isso: na lavratura do Relatório Fiscal, as Autoridades Fiscais tomaram como base a documentação e as acusações que estão sendo objeto de verificação em processo criminal próprio, as quais, além de não poderem ser utilizadas no Processo Administrativo Fiscal e se referirem a períodos diferentes, nada provam em face da Impugnante, e ainda serão objeto de verificação no decorrer do processo criminal, com produção de provas específicas que serão submetidas ao Juízo responsável pelo caso; 6.20. Verificando todos esses fatos, quer parecer à Impugnante que está sendo vítima de arbitrariedades por parte dos Agentes Fiscais que lavraram o auto. Frisese que não ficou evidenciado durante o procedimento fiscalizatório que os Agentes Fiscais teriam procedido a todas as diligências para apurar os supostos fatos ocorridos, que ensejariam a lavratura do presente Auto de Infração, notadamente porque não há um único documento de conhecimento da Impugnante que demonstre de forma segura e irrefutável a existência de vínculo societário e diretivo dos prestadores de serviço. Assim, é evidente que a fiscalização não se valeu de todos os elementos de prova para a verificação dos fatos narrados na autuação fiscal, infringindo também o princípio da tipicidade da tributação, o que, segundo os Conselhos de Contribuintes, invalida o lançamento por falta de certeza e segurança jurídicas. 6.21. Como bem sabido, a Fiscalização deve guardar estrita obediência aos princípios que regem a Administração Pública, dentre os quais se destaca o da motivação e o da legalidade. Sendo assim, jamais poderiam os Agentes Fiscais ter lavrado o Auto de Infração ora impugnado sem fazer o levantamento e o exame completo de toda a documentação contábil da Impugnante, bem como dos fatos aceitos pela fiscalização como verdadeiros. Sobressai do art.142, parágrafo único do CTN a imposição à Fiscalização de averiguar a ocorrência do fato concreto nos termos previstos na norma geral e abstrata, individualizandoo e tipificandoo, tudo mediante prova concreta e material. 6.22. Caberia, portanto, à Fiscalização analisar todos os fatos informados na presente Impugnação, que foram também apresentados no procedimento fiscalizatório, para fins de verificação do cumprimento da obrigação Fl. 1206DF CARF MF 10 tributária pela Impugnante e, não somente, como efetivamente ocorreu, proceder ao lançamento com base em presunções, razão pela qual o Auto de Infração é absolutamente nulo, devendo ser rechaçado; Da Impossibilidade de Utilização de Prova Emprestada 6.23. A autuação fiscal tem como base as supostas "provas" produzidas no âmbito criminal, por força de autorização judicial concedida naquela esfera. Tal procedimento não poderá ser admitido, já que se tem auto de infração lavrado com base em prova emprestada produzida no âmbito criminal, pois a Fiscalização deve guardar estrita obediência aos princípios que regem a Administração Pública, dentre os quais se destaca o da motivação e o da legalidade. Sendo assim, jamais poderiam os Agentes Fiscais ter lavrado o Auto de Infração sem fazer o levantamento e exame completo de toda a documentação contábil das empresas que participaram da fiscalização, e sem ter diligenciado nos estabelecimentos da Impugnante para fins de verificação dos supostos sócios remunerados por empresas interpostas; 6.24. Como visto, ao longo de todo o Relatório da autuação, a Fiscalização exprime seu juízo de valor e baseia suas convicções a partir de elementos obtidos exclusivamente por meio da operação deflagrada pela Polícia Federal para fins criminais, valendose até mesmo de depoimentos pessoais prestados à Autoridade Policial. Tanto é assim que as Autoridades Fiscais afirmam expressamente que a constatação dos supostos fatos geradores "não seria possível sem a análise e utilização da documentação apreendida". Sobre a utilização de prova emprestada, seguem decisões dos Conselhos de Contribuintes que determinam o cancelamento do lançamento tributário lavrado nessa situação; 6.25. Dessa forma, também em função da incorreta utilização das "provas" emprestadas, não poderá prevalecer o lançamento ora impugnado, devendo essa Delegacia de Julgamento determinar o inevitável cancelamento do Auto de Infração; Do Mérito Da Inexistência de Vínculo Societário e de Direção – Impossibilidade de Cobrança de Contribuições Previdenciárias. Da Ausência de Prova Individualizada Acerca dos Supostos Vínculos e dos Fatos Geradores 6.26. Inexiste o afirmado vínculo societário e de direção entre a Impugnante e as pessoas físicas remuneradas por meio de pessoas jurídicas prestadoras de serviços, de maneira que resta incabível a cobrança das contribuições por meio de aferição indireta, seja porque a realidade dos fatos demonstra o contrário, seja porque as Autoridades Fiscais não demonstraram a procedência de suas alegações; 6.27. A Fiscalização, não realizou análise individualizada acerca da atividade desenvolvida por cada uma das pessoas físicas supostamente sócias da Impugnante, para fins de comprovação, de maneira individual e em relação a cada caso concreto, da existência de vínculo societário e da atribuição de poder de mando. O trabalho fiscal não poderia se ater à verificação analítica do "acordo associativo" e do "instrumento particular de cessão de quotas sociais não registrados em órgãos próprios" e a fazer inferências sobre demais documentos que dizem respeito a apenas alguns dos períodos. Em se tratando e lançamento fiscal não caberia a utilização de um caso a título de exemplo para outros. Como poderiam as Autoridades Fiscais Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.168 11 comprovar a ocorrência de cada um dos fatos geradores se nem sequer juntaram aos autos as notas fiscais de serviços com os valores que foram indicados como base de cálculo das contribuições? 6.28. Como a Fiscalização preferiu concentrar seus esforços na construção de discurso extremamente longo e confuso, partindo de ilações e analisando documentos que não servem sequer como indícios da presença dos elementos que caracterizariam o vínculo societário e de direção, acabou deixando totalmente de lado a comprovação da efetiva ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Por esses motivos, o Auto de Infração carece de suporte fáticoprobatório, que se mostraria essencial tanto para embasar a alegação de existência de vínculo societário e diretivo em relação a cada uma das pessoas físicas, como para demonstrar a ocorrência dos fatos geradores; Da Inexistência dos Requisitos Necessários à Configuração do Vínculo Societário e de Direção 6.29. A Fiscalização não apenas afirma que houve prestação de serviço com pessoalidade, habitualidade e onerosidade, mas também que existe poder de direção das pessoas em relação à Impugnante, para daí inferir que haveria não uma relação de emprego, mas verdadeira relação societária e diretiva. Entretanto, não se desincumbiram da tarefa de comprovar nos autos a alegada relação societária e de direção como base da cobrança das contribuições previdenciárias. Ao contrário, a Impugnante passa a esclarecer que não há motivos para se considerar as empresas prestadoras de serviço como interpostas; (...) 6.31. Com base em documento intitulado "Acordo de Associação com Opção de Compra de Quotas/Ações", o qual conteria acordo associativo para a exploração de negócios de distribuição de produtos da área de informática entre os Srs. Moacyr Álvaro Sampaio, Hélio Benetti Pedreira, Pedro Luis Alves Costa, Fernando Machado Grecco, Marcelo Naoki Ikeda, Luiz Scarpelli Filho e José Roberto Pernomian Rodrigues, a Fiscalização infere que todas essas pessoas são sócias da Impugnante. Em que pese a tentativa da Fiscalização de extrair desse documento a existência de "sócios ocultos" na Impugnante, tal documento é tão somente uma minuta apócrifa, com marcas de revisão e não assinada. Disso decorre que é texto sem nenhum valor jurídico de forma que quaisquer inferências sobre seu conteúdo e efeitos serão mera hipótese. Tal texto não é sequer documento, na acepção jurídica do termo; 6.32. Já o poder diretivo e de comando exercido pelos "sócios ocultos" decorreria de outros grupos de documentos. Não é necessário muito esforço para perceber que referidos documentos não tem o condão de comprovar materialmente a presença de poder de comando/gerência e, principalmente, de affectio societatis. Referidos organogramas e planilhas, quando muito, poderiam ser tomados como meros indícios, extremamente tênues, inservíveis, portanto, para demonstrar a existência de suposto poder diretivo e societário. Seriam necessários elementos concretos que dessem consistência probatória a esses supostos indícios; Fl. 1208DF CARF MF 12 6.33. Além disso, os organogramas a que a Fiscalização atribui valor probante fundamental, e que supostamente foram encontrados em computadores apreendidos, estavam armazenados em pasta virtual com o título "Planejamento", ou seja, ainda que se dê qualquer relevância a estas informações, não há como se afirmar se teria havido a implementação da estrutura lá prevista. E, a propósito, esse planejamento nunca foi realmente implementado, não passando de mera intenção futura, não se sabe de quem; 6.34. A Impugnante fazia diversos planejamentos sobre possíveis estruturas, até mesmo para fins prospectivos, em que citava nomes de colaboradores e parceiros que eventualmente seriam chamados a compor seu quadro de pessoal, o que não é nada incomum em se tratando do mercado altamente especializado em que atua. Aliás, a Impugnante tem como certo que existiam, nos computadores apreendidos, diversos outros planejamentos dessa espécie, com outras informações, mas que, por não serem interessantes às conclusões da Fiscalização, naturalmente não foram apresentados aos autos; 6.35. Os mesmos comentários podem ser feitos em relação ao item "4C", em que a Fiscalização analisa supostas planilhas intituladas "Estudo Salarial Revisão 081206.xls", "Remuneração Estrutura 2005 v03.xls", e "Cópia Folha Total (2).xls", nas quais o contribuinte supostamente indicaria os cargos e as respectivas remunerações de seus colaboradores. Tais planilhas nada provam contra a Impugnante. Tanto é assim que a Fiscalização não traz qualquer comprovação acerca do efetivo desembolso desses valores por parte da Impugnante. Em outras palavras, as Autoridades Fiscais não demonstram materialmente a própria validade dessas informações como elemento de prova, como "retrato da realidade"; 6.36. A Fiscalização atribui grande importância ao fato de que os cargos supostamente ocupados pelas pessoas físicas na Impugnante teriam a denominação de "Diretor" para concluir pela existência de poder de gerência. Ora, a denominação de um cargo é irrelevante para determinar a verdadeira natureza de sua atividade numa empresa. Deveria haver a comprovação de quaisquer atos de gestão por parte dessas pessoas o que, contudo, não foi feito em momento algum pelas Autoridades Fiscais; 6.37. As Autoridades Fiscais aduzem que a simulação da existência de pessoas jurídicas prestadoras de serviço seria reforçada pela suposta emissão de notas fiscais sequenciais por essas prestadoras, além de supostos pagamentos de valesrefeição e convênio médico e outros elementos que nada provam contra a Impugnante, pois não demonstram a presença dos elementos indispensáveis à caracterização do alegado vínculo, mormente o poder de gerência; 6.38. As "provas" alegadas pela Fiscalização organogramas, questionários para análise de cargos e mapeamento de competências, descritivos de cargos e salários, entre outros, não têm o condão de comprovar, materialmente, a presença dos requisitos do artigo 12, V, "f” da Lei n° 8.212/91. Todos esses documentos, quando muito, poderiam ser tomados como meros indícios, extremamente tênues, aliás, inservíveis, portanto, para demonstrar a existência de suposto vínculo societário e de direção Transcreve acórdão do Tribunal Regional Federal da 3 a Região, salientando que "Não constituem elementos da relação jurídica laboral 'riscos no exercício da função', reembolsos e ajudas de custo, convênio médico, prestação de serviço apenas a uma empresa, tampouco a existência de supervisor de vendas"; Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.169 13 6.39. Não há nos presentes autos qualquer elemento que evidencie o poder de mando das pessoas físicas em relação a seus supostos subordinados ou às decisões da empresa. Notas de despesas com fornecimento de alimentação e convênio médico para pessoas físicas prestadoras de serviços por intermédio de pessoas jurídicas, recibos de pagamento de cursos, atividades empresariais e treinamento para referidas pessoas físicas, etc., nada comprovam no sentido da existência de vínculo societário e de direção, da mesma forma que, contrario sensu, a ausência desses dispêndios não comprovaria a inexistência do vínculo. O oferecimento de determinados benefícios, treinamentos e cursos nada mais significam do que uma política de melhoria de produtividade e de aproximação da Impugnante com seus melhores prestadores de serviços, o que reverteria em benefício daquela, já que, via de regra, pessoas melhor qualificadas e mais identificadas com seus parceiros comerciais tendem, naturalmente, a dar mais resultados; 6.40. Verificase, portanto, que as Autoridades Fiscais não poderiam ter se valido do procedimento de aferição indireta, nos termos do art. 33, §§ 3o e 6o da Lei n° 8.212/91, uma vez que, previamente à adoção desse procedimento, deveriam deixar explicitamente comprovada, de forma individualizada, a existência dos pressupostos para a alegada relação das pessoas físicas com a Impugnante, devendo ser reconhecida a nulidade do lançamento pela ausência de comprovação dos pressupostos necessários à ocorrência do fato gerador da contribuição em cobrança; As Únicas "Provas" do Vínculo Societário e de Direção são Documentos Eletrônicos Apócrifos e Interpretados Erroneamente pela Fiscalização 6.41. Os Fiscais exprimem seu juízo de valor e baseiam suas convicções a partir de elementos obtidos exclusivamente por meio da operação deflagrada pela Polícia Federal para fins criminais, valendose até mesmo de depoimentos pessoais prestados à Autoridade Policial. Tanto é assim que as Autoridades Fiscais afirmaram expressamente que a constatação dos supostos fatos geradores "não seria possível sem a análise e utilização da documentação apreendida"; 6.42. No entanto, os documentos trazidos aos autos pela Fiscalização para basear o entendimento pela existência de vínculo societário e de direção entre a Impugnante e as pessoas físicas ligadas às empresas prestadoras de serviços são extracontábeis, apócrifos, relativos a apenas parte dos períodos autuados ou mesmo sem data, não assinados, incompletos ou em forma de "minuta para discussão", interpretados pela Fiscalização sempre da maneira mais desfavorável possível para a Impugnante, com isso se desincumbindo das diligências que seriam próprias à fiscalização; 6.43. Diante desse expediente, fica a indagação: se a prestação de serviços por pessoas físicas remuneradas através de pessoas jurídicas interpostas é tão evidente como afirmam as Autoridades Fiscais, por que teriam sido utilizados apenas documentos de valor probante tão questionável? Aonde estariam as evidências materiais dessa prática? 6.44. Na página 19 do Relatório Fiscal, é feita análise de textos indicados como "Questionários para Análise de Cargos" e "Mapeamento de Competências", supostamente encontrados em computadores apreendidos de Fl. 1210DF CARF MF 14 pessoas físicas (Ronaldo Chiarelli, Marcílio Lemos e Fernando Grecco), textos estes sem data e nãoassinados. Na visão do fisco, tais documentos fazem parte de uma estratégia de implementação de endomarketing, cuja finalidade seria motivar os empregados para que possam prestar melhores serviços aos clientes. Tais análises e o mapeamento reforçariam a existência do suposto poder diretivo em nome dos "sócios ocultos", na medida em que pessoas físicas que, na visão do Fisco, a eles se subordinariam, reconheceramlhes posição hierárquica privilegiada dentro da estrutura organizacional da Impugnante; 6.45. No entanto, esta alegação da Fiscalização não merece subsistir. Ainda que se considere que tais textos apócrifos são válidos como prova o que se admite apenas ad argumentandum, visto que não possuem data e não estão assinados, eles não passam de uma mera ferramenta de melhoria da comunicação com seus principais parceiros comerciais, aumentando a sinergia e a produtividade, nada demonstrando a respeito da presença de poder de comando/gerência e, principalmente, de affectio societatis; 6.46. O mesmo pode ser dito em relação ao "Plano de Treinamentos", que, segundo as Autoridades Fiscais, demonstrariam pessoalidade no tratamento da Impugnante com os prestadores de serviços. No entanto, o oferecimento de treinamento às pessoas físicas ligadas às empresas prestadoras de serviços não comprova vínculo algum, pois a Impugnante tem como política oferecer cursos e treinamentos não só aos seus empregados (celetistas), mas também para os demais prestadores de serviços, conforme atestam os anexos documentos, relativos a algumas das campanhas de relacionamento e de incentivo a seus colaboradores e parceiros comerciais (doe. 03). Além disso, a Fiscalização não comprova que esses cursos foram efetivamente pagos pela Impugnante; 6.47. Em outro trecho do Relatório Fiscal, os Fiscais tecem comentários acerca de "Relatórios de Auditorias Fiscais" em que empresas de auditoria manifestariam entendimento de que serviços prestados com habitualidade por profissionais remunerados por meio de pessoas jurídicas podem configurar vínculo empregatício. Mais uma vez, ainda que se considere que tais textos apócrifos são válidos como prova, visto que não possuem data, não estão assinados e são apresentados aos autos em forma de "minuta para discussão", esses documentos nada provam contra a Impugnante; 648. Ora, a suposta existência de vínculo é apenas uma advertência de risco feita pelos auditores, mas não um enunciado de certeza, não sendo possível determinar com base em que documentos e em relação a quais profissionais foi realizada a auditoria, tanto que a maior parte dos comentários dos auditores é genérica. Além disso, esses Relatórios de Auditoria falam apenas em possível existência de vínculo empregatício, não fazendo qualquer comentário acerca do vínculo societário e de direção de que ora se cuida, o que reforça o entendimento de que são documentos que em nada socorrem as Autoridades Fiscais; 6.49. Frisese que é ilícita a utilização desse tipo de prova! Relatórios de Auditoria são documentos confidenciais, cujo conteúdo é protegido por contrato e só interessa à Impugnante e à empresa de auditoria. E totalmente inadmissível a utilização de tal espécie de documento como prova em um processo administrativo fiscal; Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.170 15 6.50. Enfim, são apenas alguns exemplos que demonstram que os documentos trazidos aos presentes autos pela Fiscalização nada provam contra a Impugnante, ficando nítido que há, ao longo do Relatório Fiscal, meras inferências, ilações e juízos de valor com base em convicções pré concebidas. E todos os documentos, por menor valor probante que tenham, são sempre interpretados da maneira mais desfavorável possível para a Impugnante. Não há qualquer certeza quanto à existência da alegada simulação da terceirização, mas, quando muito, apenas meros indícios e suposições. Logo, requer a Impugnante o cancelamento da autuação fiscal; Da Ausência de Comprovação da Simulação Alegada e da Impossibilidade de Desconsideração da Personalidade Jurídica das Prestadoras de Serviço 6.51. Para caracterizar a simulação, para fins fiscais, há que se comprovar que houve intencional dano ao Erário Público por meio de vantagens fiscais obtidas pelas partes envolvidas, além da existência, na operação praticada, dos demais elementos necessários à configuração do ilícito. Referida comprovação não ocorreu, na medida em que apoiada na pretensa comprovação de (inexistente) vínculo societário e diretivo; 6.52. Os Auditores Fiscais, assumindo a premissa inconsistente de simulação, valeramse da prerrogativa da chamada "aferição indireta", conferida pelo art. 33, §§ 3 o e 6o, da Lei n° 8.212/91. Foge à atividade e competência estatais impor qualificação própria aos fatos econômicos analisados, com base em seus particulares índices tipológicos, em afronta direta à vontade manifesta das partes, de reconhecimento social e legalmente garantido; (...) 6.54. Assim, considerando o quanto exposto sobre simulação e tendo em vista o direito constitucional à livre iniciativa, resta irrefutavelmente inconsistente a pretensão dos Auditores Fiscais. Neste particular, cumpre nos abordar a impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica por parte das autoridades fiscais em procedimento fiscalizatório, por carecerem de lei que regulamente tal atuação; 6.55. Importante mencionar que a Lei Complementar n° 104/01, através da inserção de parágrafo único ao artigo 116 do CTN, introduziu um amplo mecanismo antievasão de tributos no Brasil ao permitir que as Autoridades Fiscais desconsiderem atos ou transações efetuados com a intenção de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos. Contudo, depreendese desta regra que a sua aplicabilidade não é automática, uma vez que o próprio texto ressaltou carecer de futura regulamentação. Em verdade, houve tentativa de regulamentação do disposto na LC n° 104/01, com a edição dos artigos 13 a 19, da MP n° 66/02. Não obstante, por ocasião da conversão desta MP em lei, a Lei n° 10.637/02, tais artigos, regulamentadores da LC em questão, foram integralmente suprimidos. Ou seja, retomouse, após a conversão da MP n° 66/02 em Lei, ao status quo ante, qual seja, o de inexistência de regulamentação da LC n° 104/01; Fl. 1212DF CARF MF 16 6.56. Portanto, como a LC mencionada ainda não foi devidamente regulamentada, seus dispositivos não são atualmente aplicáveis, não existindo, atualmente, norma legal que possa ser utilizada pelas autoridades fiscais para desconsiderar qualquer negócio jurídico que tenha sido realizado dentro da legalidade, como é o caso objeto da autuação ora impugnada. Desta forma, para fins dos fatos contestados na presente peça impugnatória, a desconsideração da personalidade jurídica pretendida pelos Auditores Fiscais não só padeceria de materialidade para fins de sua caracterização, como também careceria a própria Administração de competência legal para fazêlo; (...) 6.59. Considerando o período fiscalizado (2003 a 2007) e a vigência da Lei n° 11.196/05, cabe, aqui, esclarecer o caráter meramente interpretativo da referida norma, e, como tal, retroativo à lei que pretende interpretar, nos termos do art. 106, inciso I, do CTN. As contribuições para a seguridade social encontram fundamento de validade no artigo 195, inc. I da CF/88, o qual revela que somente podem advir do pagamento ou creditamento, a pessoa física, de valores remuneratórios do trabalho por ela realizado; 6.60. No caso das sociedades de serviços profissionais/intelectuais, a tributação por meio das contribuições segue, mutatis mutandis, o sistema referente ao imposto sobre a renda, tributandose apenas a pessoa jurídica, mas agora, por meio de contribuição sobre o faturamento (jamais de contribuição previdenciária)". Para fins de imposto de renda, com exceção do período compreendido entre 1988 e 1996, a teor do Decretolei n° 2.397/87, os resultados econômicos positivos obtidos por sociedades civis de prestação de serviços profissionais são tributados à luz da legislação aplicável às pessoas jurídicas (sistema reafirmado com a Lei n° 9.430/96, artigo 55); 6.61. Assim sendo, no caso concreto, não há que se falar em vínculo empregatício, ou em simulação/fraude, nem em desconsideração da personalidade por inconsistência dos conceitos cotejados e pela ausência de provas que atestem e respaldem os atos alegados e ora combatidos; Decadência do Direito de Constituir Contribuições Relativas a Fatos Geradores Ocorridos Há Mais de Cinco Anos 6.62. Verificase que parte do crédito tributário constituído nos presentes autos foi atingida pela decadência prevista no art. 150, § 4o do CTN, de modo que não se poderá permitir a manutenção da cobrança de tais valores, determinandose a desconstituição do lançamento. Tanto é assim que o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante n° 8, por meio da qual declarou em definitivo a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Desse modo, tendo em vista que a ciência do Auto de Infração se deu em 15/12/2008, impera seja reconhecida a extinção dos créditos referentes aos períodos anteriores a 15/12/2003; Da Ilegalidade da Utilização da Taxa SELIC 6.63. Ainda que não se admitam os argumentos trazidos pela Impugnante, não pode prosperar a cobrança dos juros moratórios (se devidos) mediante a utilização da taxa Selic, eis que é uma taxa de juros remuneratórios, que visa a premiar o capital investido pelo aplicador em títulos da dívida pública federal. Portanto, a sua fixação visa a remuneração do investidor, de uma Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.171 17 forma competitiva, e não para ser aplicada como sanção por atraso no cumprimento de uma obrigação. Ademais, ressaltase que referida taxa não foi criada e definida em lei, mas por Resolução do Banco Central do Brasil, o que ofende ao princípio constitucional da legalidade, bem como ao disposto no artigo 161, § I o do CTN. Como não existe lei ordinária que tenha criado a taxa Selic, os juros (se devidos) estão limitados a 1% ao mês. Do Pedido 6.64. Pelo exposto, a Impugnante requer o recebimento, o conhecimento e o provimento da presente Impugnação, seja em razão das preliminares, seja em razão do mérito, com a consequente desconstituição dos créditos tributários exigidos e o cancelamento do auto de Infração.” A DRJSPOI julgou improcedente a Impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2007 LANÇAMENTO FISCAL. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. ANEXAÇÃO DE DOCUMENTOS DA EMPRESA. JUNTADA DE CÓPIA. DISPENSÁVEL. O lançamento fiscal atende à legislação pertinente, encontrandose o direito constitucional do contraditório e da ampla defesa plenamente assegurado, pois o Relatório Fiscal discrimina clara e precisamente os fatos geradores e sua origem, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, fazendose acompanhar de planilha individualizando as bases de cálculo apuradas. Tendo sido apresentados pela própria empresa os documentos utilizados para o lançamento fiscal é totalmente dispensável a anexação de cópia destes ao Auto de Infração, eis que se encontram em poder da empresa, mormente porque o prejuízo à defesa não restou demonstrado. LANÇAMENTO FISCAL. PROCESSO CRIMINAL. PROVA EMPRESTADA. POSSIBILIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. DESVINCULAÇÃO. Inexiste impedimento para utilização pelo Fisco de provas obtidas em processo criminal para o fim de caracterizar a existência de fato gerador de contribuição previdenciária, sobretudo quando o acesso da Receita Federal do Brasil a tais provas foi autorizado judicialmente para fins de procedimento administrativo fiscal mediante a garantia do contraditório. A prova da inexistência dos supostos crimes apurados em processo penal não interfere no processo administrativo fiscal, vez que este não apura a existência de crimes, mas tão somente a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária apuradas mediante lançamento fiscal. Fl. 1214DF CARF MF 18 ATOS ADMINISTRATIVOS. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Os atos praticados pela fiscalização, calcados em documentos e informações prestadas pelo contribuinte, além daqueles constantes de processo penal, obtidos com autorização judicial, constituem elementos lícitos de prova, e revestemse da presunção relativa de veracidade própria dos atos administrativos, cabendo ao sujeito passivo a produção de provas factuais hábeis a elidir tal presunção. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação sua apresentação contendo informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira, os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil podem lançar de ofício a importância que reputarem devida, cabendo à empresa, o ônus da prova em contrário. O fato gerador tributário emerge da realidade fática do desenvolvimento da atividade empresarial, e não do nomen júris ou revestimento formal dado pelas partes ao negócio. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. PRESSUPOSTOS DO VÍNCULO SOCIETÁRIO E DE GESTÃO EMPRESARIAL. CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LEGALIDADE. São segurados obrigatórios da Previdência Social, na categoria contribuinte individual, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho e o administrador não empregado na sociedade por cotas de responsabilidade limitada. Por efeito do princípio da primazia da realidade, presentes os requisitos da prestação de serviço com vínculo societário e de gestão empresarial deve a auditoria fiscal desconsiderar o contrato de prestação de serviços originalmente pactuado e efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias devidas. DESCONSIDERAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. AUDITORIA FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. MINISTÉRIO ATRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE CONFLITO. A autoridade fiscal ao aplicar a norma previdenciária ao caso em concreto, tem autonomia para caracterizar uma relação societária e de gestão empresarial onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, sendolhe permitido desconsiderar atos, negócios e personalidade jurídica para fins de lançamento das contribuições previdenciárias efetivamente devidas. PRESTADORES DE SERVIÇO. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. INTENÇÃO DO AGENTE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE. Para fins tributários, não importa perquirir se o ato ilícito praticado gerou efeitos, nem interessa saber qual a natureza do ato ou a extensão dos seus efeitos, pois a penalidade a ser aplicada no campo tributário independe das circunstâncias ou dos efeitos das infrações, bastando, para sua aplicação, que se caracterize o fato ocorrido como desobediência à legislação tributária. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.172 19 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATOS GERADORES PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INTELECTUAIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. É irrelevante a discussão sobre natureza dos serviços prestados como sendo a de serviços intelectuais, quando resta comprovado que os serviços foram prestados com pessoalidade, não eventualidade e onerosidade, cuja prova em contrário não foi satisfeita pelo sujeito passivo. CREDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIARIO. DECADÊNCIA. INOCORRENCIA. Em se tratando de lançamento de ofício, aplicase o prazo decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUSENCIA DE RECOLHIMENTO. JUROS. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. As contribuições devidas à Seguridade Social, incluídas em lançamento fiscal, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa SELIC, incidentes sobre o valor atualizado, em caráter irrelevável, a partir da data de seu vencimento. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Cientificada do Acórdão da DRJ (fls. 379/441) em 17/08/2011 (fls. 444), a Recorrente interpôs tempestivamente, em 16/09/2011, Recurso Voluntário (fls. 445/525), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação, conforme relatam os trechos do relatório do Despacho de Conversão do Julgamento em Diligência proferido pela Colenda 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Segunda Sessão de Julgamento do E. CARF (fls. 1.125/1.132), que adoto como parte deste relatório, a seguir transcritos: “Preliminarmente, alega cerceamento de defesa, por não terem sido juntadas, aos autos, as notas fiscais que serviram de base para o lançamento, argumentando que, mesmo que elas tenham sido mencionadas e indicadas em planilha, não há, nos autos, elementos que permita à recorrente verificar a correção dos valores lançados como base de cálculo das contribuições cobradas, o que, segundo entende, macula a autuação fiscal de completa nulidade. Traz julgado do antigo CC para reforçar suas alegações e acrescenta que a falta de juntada de cópia dos Livros Diários aos autos reforça a ocorrência de cerceamento de defesa e ofensa ao contraditório, defendendo que é dever da Administração dar publicidade do motivo do ato, independentemente se o administrado possui uma via em seu poder, e discorrendo sobre os elementos que dão validade ao atonorma administrativo, citando a doutrina e concluindo que, não disponibilizar ao contribuinte os meios de prova implica nulidade do atonorma, por vício de motivo. Insiste na impossibilidade de utilização de prova emprestada, entendendo que os elementos trazidos do processo PCD 2005.61.0092851, em curso na Quarta Vara Criminal de SP é exclusivo para o âmbito penal, caracterizando Fl. 1216DF CARF MF 20 crime a utilização de tais documentos sem autorização judicial, sendo que tais documentos nunca poderiam ser utilizados para embasar a exigência em tela. Entende que, embora muitos dos documentos apreendidos seja de natureza fiscal ou comercial, passíveis, portanto, de exame pelo fisco, os documentos que realmente fundamentaram a autuação em questão são aqueles obtidos com o único objetivo de instituir ação criminal, e jamais poderiam ter sido utilizados no processo administrativo fiscal. Frisa que a fiscalização preferiu juntar aos autos apenas elementos emprestados de processo criminal e que nada provam acerca da materialidade das contribuições previdenciárias lançadas, deixando, assim, de provar a ocorrência dos fatos geradores, para, em seu lugar, buscar comprovar tão somente a alegada ocorrência de relação societária e de direção dos prestadores de serviços que supostamente se utilizaram de empresas interpostas. Sustenta que mesmo havendo autorização judicial para emprestar provas, não poderia a fiscalização basear o lançamento apenas em tais elementos, e traz parecer encomendado pela recorrente a Professores Titulares da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo para tentar demonstrar a ausência de motivação e a ilegalidade no processo de obtenção dos meios probatórios, ressaltando que a referida autorização é somente para se ter acesso, e não para servir de meios de prova para outros fins que não os criminais. Reitera que as referidas provas não poderiam ser utilizadas para fundamentar o lançamento ora discutido, pois são documentos extra contábeis, apócrifos, relativos a apenas parte dos períodos autuados, ou mesmo sem data, não assinados, incompletos ou em forma de “minuta para discussão”, e que seria inviável à fiscalização concluir, com base em documentos fiscais sem natureza societária qualquer, pela existência de sócios ocultos. Repete que não se pode admitir que documentos supostamente do ano de 2006 sejam base para aferição indireta de contribuições dos anos de 2003, 2004 ou 2005, não cabendo, à fiscalização, chegar a uma conclusão sem que haja provas concretas sobre os fatos, vinculando informações vagas e incertas a períodos desconhecidos para concluir que houve a ocorrência do fato gerador. Assevera que a fiscalização comete ilegalidade ao exigir da recorrente contribuições e multas sobre um fato jurídico presumido e não provado, entendendo ser necessária a comprovação, por meios diretos e não indiretos, da alegada existência de vínculo de emprego, ante toda a documentação que lhe foi apresentada, sendo que as supostas evidências descritas no relatório fiscal nada provam contra a recorrente, principalmente no sentido de evidenciarse relação societária e diretiva. Observa que, no caso presente, a fiscalização não obedeceu as regras aplicáveis ao procedimento de aferição indireta, inaugurando procedimento criado a seu bel prazer e, portanto, sem previsão legal, que foi o de considerar como base de cálculo as notas fiscais de prestação de serviços, imaginando existir suposto vínculo societário. Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.173 21 Ressalta que não houve aferição indireta, mas apenas mera presunção, sem previsão legal, a partir de elementos que nada podem provar quanto à existência do vínculo societário e diretivo entre a recorrente e as pessoas físicas por meio de interposição de pessoa jurídica. Quanto ao argumento da DRJ de que seria descabida a verificação física dos segurados em serviço na empresa para confronto com seus registros fiscais, questiona se a diligência não se presta para verificação de fatos ocorridos nos períodos de 2003 a 2007, o que dizer de documentos genéricos, não datados, fundamentarem uma autuação relativa a período anterior Discorre sobre a verdade material e cita a doutrina para argumentar que, para que a fiscalização pudesse lavrar algum auto de infração em face da recorrente, deveria ter comprovado plenamente, por meios seguros e irrefutáveis, a alegada existência de sócios ocultos remunerados por intermédio de empresas interpostas, restando evidente, no caso em tela, que a fiscalização não se valeu de todos os elementos de prova para a verificação dos fatos narrados, infringindo, dessa forma, o princípio da tipicidade da tributação, o que invalida o lançamento por falta de certeza e seguranças jurídicas. Frisa que tem certeza de que não existe uma prova sequer no processo que subsidie as afirmações de existência de vínculo societário e diretivo a basear a cobrança das contribuições em questão, sendo que as supostas provas apresentadas, e acolhidas pela DRJ, não passam, quando muito, de meros indícios. No mérito, repete que inexiste o vínculo societário, o que impossibilita a cobrança das contribuições em tela por meio de aferição indireta, seja porque a realidade dos fatos demonstra o contrário, seja porque as autoridades fiscais não demonstraram a procedência de suas alegações. Atenta para o fato de que a fiscalização não produziu prova individualizada acerca da existência do vínculo societário e de direção das pessoas físicas sócias das prestadoras de serviço em relação à recorrente e, em consequência, não logrou êxito em comprovar, de forma individualizada, a ocorrência dos fatos geradores, sendo que várias das pessoas físicas supostamente remuneradas por meio de empresas interpostas eram assessores e consultores de gestão e prestadores de serviços intelectuais, como consultores, advogados, etc, cujas atividades não se caracterizam pela existência de vínculo societário diretivo. Insiste que, para que se pudesse considerar válida a apuração fiscal, seria necessária a produção de prova material, com a análise individual de cada uma das relações supostamente existentes e demonstrar, de maneira individual, a ocorrência de cada um dos fatos geradores, não cabendo a utilização de um caso a título de exemplo para outros. Quanto à inversão do ônus da prova, sustenta que essa só seria cabível se a fiscalização tivesse comprovado a existência do vínculo societário e de direção, e a ocorrência dos fatos geradores da contribuição previdenciária, o que não foi feito, não cabendo à recorrente apresentar prova em contrário, como quer a DRJ, e não se aplicando, ao caso, o disposto no art. 33, da Lei 8.212/91, uma vez que não houve recusa de entrega de documentos e tampouco exame de escrituração contábil. Fl. 1218DF CARF MF 22 Reafirma a inexistência dos requisitos necessários à configuração do vínculo societário e de direção, discorrendo acerca da administração de sociedades e administradores, sócios ou não sócios, citando doutrina sobre a matéria, concluindo que a fiscalização nada comprovou a respeito, se baseando fundamentalmente em um suposto acordo associativo e outros documentos que sequer podem ser considerados como indícios. Cita alguns documentos utilizados pela fiscalização para frisar que os mesmos não têm o condão de comprovar materialmente a presença do poder de comando/gerência e, principalmente, de affectio societatis, sendo que tais documentos poderiam, quando muito, ser tomados como indícios, inservíveis, portanto, para demonstrar a existência de suposto poder diretivo e societário, sendo necessários elementos concretos. Com relação à pasta virtual com o título “Planejamento”, aduz que não há como afirmar se teria havido a implementação da estrutura alí prevista, afirmando que esse planejamento nunca foi realmente implementado, não passando de mera intenção futura, não se sabe de quem. Relativamente ao item “4C”, assevera que as planilhas ali referidas nada provam contra a recorrente, e as autoridades fiscais não demonstram materialmente a própria validades dessas informações como elemento de prova. Quanto à denominação “Diretor” para alguns cargos ocupados pelas pessoas físicas, defende que a denominação de um cargo é irrelevante para determinar a verdadeira natureza de sua atividade numa empresa, e alega que as autoridades fiscais deveriam ter buscado elementos que caracterizassem objetivamente o poder de comando/gerência das pessoas físicas em relação à recorrente. Reitera que as provas utilizadas pela fiscalização não têm o condão de comprovar, materialmente, a hipótese do artigo 12, V, “f”, da Lei 8.212/91, que remetem aos requisitos de pessoalidade, nãoeventualidade, onerosidade e poder de direção, podendo, quando muito, ser tomados como meros indícios da existência de suposto vínculo societário e de direção. Esclarece que o oferecimento de determinados benefícios, treinamentos e cursos nada mais significam do que uma política de melhoria de produtividade e de aproximação da recorrente com seus melhores prestadores de serviços, e reafirma que a fiscalização não se revestiu de um único documento que comprovasse, de maneira suficiente, a existência de poder de mando pro parte das pessoas físicas, não havendo um único email, uma única comunicação interna que demonstre atos de gestão e de gerência por parte dessas pessoas. Tece comentários sobre alguns documentos utilizados pela fiscalização, para tentar demonstrar o desacerto das conclusões por ela esposadas, e conclui que o conjunto probatório reunido pelas autoridades fiscais é extremamente frágil, e nada prova contra a recorrente, ficando nítido que há, ao longo do relatório fiscal, meras inferências, ilações e juízos de valor com base em convicções préconcebidas, não havendo qualquer certeza quanto à existência da alegada simulação da terceirização, mas, quando muito, apenas meros indícios e suposições. Discorre sobre o conceito de simulação e de livre iniciativa, para argumentar que, no direito brasileiro, os particulares têm a prerrogativa de Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.174 23 escolher o meio, dentre os lícitos, para a realização de uma determinada atividade econômica, restando inconsistente a pretensão da fiscalização de caracterizar os contratos de prestação de serviços firmados pela recorrente como artifícios simulatórios de reais relações societárias e de direção. Aborda a impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica pelas autoridades fiscais em procedimento fiscalizatório, por carecerem de lei que regulamente tal atuação, sendo que tal recurso extremo deverá ser levado a efeito somente por um juiz. Transcreve o art. 116, do CTN, lembrando que o referido dispositivo ainda não foi devidamente regulamentado, não sendo, portanto, aplicável, inexistindo, atualmente, norma legal que possa ser utilizada pelas autoridades fiscais para desconsiderar qualquer negócio jurídico que tenha sido realizado dentro da legalidade, como é o caso em tela. Analisa a abrangência do conceito de “serviços intelectuais”, de que trata o art. 129, da Lei 11.196/95, para concluir que restou comprovada a subsunção dos casos concretos ora recorridos à letra da lei, e observa que, apesar da alegação de existência de simulação, nenhuma multa qualificada foi imputada ao contribuinte, o que representa uma contradição em termos. Se reporta à absolvição, na esfera penal, em 17/02/2011, de algumas das pessoas físicas, consideradas pelas autoridades fiscais como sócios ocultos da recorrente, o que, segundo entende, resulta na total improcedência do AI em questão, tendo em vista demonstrar o completo equívoco nas conclusões arbitrárias que foram formalizadas no caso em questão, uma vez que tais pessoas não participaram de qualquer ilícito de que foram acusados, inexistindo qualquer prova que possam lhe imputar responsabilidade, seja criminal, cível ou administrativa. Argumenta que, se o Juízo Criminal entendeu que as provas não são suficientes para incriminar essas pessoas, supostamente vinculadas à recorrente, menos ainda as pretensas provas podem ser utilizadas para atribuição de responsabilidade tributária, sendo a aplicação da decisão penal ao presente processo, de forma a desconstituir o quanto alegado pela fiscalização, é imperiosa. Diante desse fato superveniente, requer a reforma da decisão recorrida e o cancelamento do AI em questão e, caso assim este Conselho não entenda, requer o cancelamento das contribuições indevidamente cobradas em razão do suposto vínculo societário e diretivo relacionado ao Sr Helio Benetti Pedreira que, conforme exposto, foi inocentado no processo criminal, logrando comprovar não possuir qualquer relação jurídica e comercial com a recorrente. Traz outro fato superveniente, que consiste na inspeção pelo MTE, que, na ocasião, solicitou a regularização do registro de seis prestadores de serviços, o que foi efetuado pela recorrente, sendo que a fiscalização daquele Ministério, após análise de todas as circunstâncias fáticas e jurídicas envolvendo a recorrente e seus prestadores, considerou os contratos de prestação de serviços regulares, tendo concluído pela existência de poucos vínculos empregatícios e tão somente esses, determinando que referidos Fl. 1220DF CARF MF 24 empregados fossem regularmente registrados, o que foi feito no prazo de 48 horas pela recorrente. Informa que, muito embora o escopo dessa fiscalização tenha sido a verificação de relações de emprego, o MTE e a Procuradoria Regional do Trabalho do MPU não constataram nenhum vínculo societário e de direção entre a recorrente e as pessoas arroladas pela fiscalização. Insiste na aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4o, do CTN, para reafirmar que os lançamentos ocorridos antes de 15/12/2003 estariam atingidos pela decadência, e insurgese contra a incidência de juros sobre a multa de ofício, alegando ilegalidade de sua cobrança. Alega, por fim, inaplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora, e requer a reforma integral da decisão recorrida, e que seja julgado procedente o presente recurso voluntário, cancelando in totum o Auto de Infração. Encaminhado para julgamento, a Colenda 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Segunda Sessão de Julgamento do E. CARF decidiu por converter o julgamento em diligência (fls. 1.125/1.132), em razão: i) do recurso inovar as alegações firmadas na Impugnação, ao informar que algumas das pessoas físicas consideradas pela autoridade fiscal como sócias ocultas da Recorrente foram absolvidas na esfera penal em 17/02/2011 (após a apresentação da Impugnação), sob a fundamentação de que as provas não foram suficientes para incriminálas; e ii) das alegações da Recorrente no sentido de que, se no juízo penal as provas foram julgadas insuficientes para incriminar aludidas pessoas, não seriam suficientes, na esfera administrativa, para lhes atribuir responsabilidade tributária. Dessa forma, o processo foi convertido em diligência, para que a autoridade fiscal se pronunciasse quanto aos argumentos trazidos no recurso, em especial no seu item “III.3 – Da Absolvição em Âmbito Criminal / Improcedência das Alegações das Autoridades Fiscais” (fls. 510), para investigar a veracidade das informações ali prestadas e se manifestar, de forma conclusiva, se tais fatos supervenientes foram suficientes para a retificação do débito. Foi determinada, outrossim, ciência à Recorrente sobre o teor dos esclarecimentos que viessem a ser prestados pela fiscalização, com abertura de prazo para sua manifestação, com o fim de se evitar o cerceamento do direito de defesa. Em cumprimento ao quanto determinado pelo E. CARF, a Divisão de Fiscalização II da DEMACSP (Delegacia Especial da RFB de Maiores Contribuintes) lavrou o Termo de Diligência Fiscal (fls. 1.141/1.154), cujos trechos pertinentes são abaixo transcritos: “(...) 6. Tais documentos atestam a participação de todas as pessoas físicas relacionadas na autuação e que, consequentemente, foram consideradas pela fiscalização como sócios da fiscalizada, por terem sido constatados os elementos que os enquadram no art. 12, inciso V, "f", da Lei 8.212/91 . 7. Constatouse que para o desempenho das atividades desempenhadas por estas pessoas físicas a empresa disponibilizou assinaturas eletrônicas da MUDE (email institucional), instalações físicas adequadas e equipamentos, tais como, notebook, celular, mesa, cadeira, etc. 8. À época, verificouse, também, que estas pessoas físicas recebiam parte (sócios ostensivos) ou a totalidade (sócios ocultos) de suas remunerações, pelos serviços prestados em caráter pessoal ao contribuinte, por intermédio de pessoas jurídicas por elas constituídas. Os valores lançados no presente auto referemse à constatação da utilização destas empresas interpostas. Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.175 25 9. Os documentos analisados na ação fiscal, além dos apreendidos, foram as notas fiscais de serviços, Livros Diário e Razão, contratos de prestação de serviços, GFIP, Folhas de Pagamentos, recibos de pagamentos, notas fiscais de cupons de alimentação, boletos bancários de planos de assistência médica, notas fiscais de despesas incorridas com treinamentos, cursos de aperfeiçoamento, seminários, recrutamento e confecção de cartões de visitas. Estes documentos, apresentados pelo contribuinte em atendimento a intimações fiscais, fls. 1105/1116 e 215/223, se estendem em períodos contínuos o que indica sua prática habitual. (..) 21. Em vista das alegações, a priori, cabe relembrar que os elementos examinados durante a ação fiscal não se restringiram a documentação apreendida. Parte dos documentos que embasaram o lançamento fiscal foram fornecidos pela própria empresa em decorrência do atendimento de intimações fiscais e parte foram formalmente solicitadas ao juízo competente que as deferiu. 22. Salientese que, todos os documentos utilizados foram informados no Relatório Fiscal e dado o volume expressivo, cópias foram acostadas aos autos por amostragem. A auditoria fiscal constatou, também, que os mesmos são frequentes e se distribuem em períodos contínuos o que indica sua prática habitual. 23. Quanto a ação fiscal propriamente dita, informo que as análises efetuadas no conjunto de documentos apresentados pelo contribuinte foram complementadas pela disponibilização judicial da documentação apreendida e pelos depoimentos prestados na Policia Federal. Tal fato permitiu que a fiscalização constatasse a ausência de propósito negocial das empresas interpostas, bem como a incoerência entre a finalidade dos serviços contratados e a forma adotada para sua exteriorização. 24. Ao passo que nos documentos extracontábeis apreendidos, como por exemplo "Cópia Folha Total (2).xls", encontrada no HD de FERNANDO MACHADO GRECCO, às fls.161/5, e "Folha de PagamentoFolha 2004 Folha 200407.xls", encontrada no HD de MARCÍLIO PALHARES LEMOS, às fls.206/213, é demonstrado o vínculo entre o contribuinte e as pessoas físicas, na escrituração contábil está registrado o serviço prestado pela empresa interposta, conforme lançamentos efetuados nas contas contábeis "5.03.02.01 PRESTACAO DE SERVICOS” e “5. O3. O 1.01 CONSULTORIA E AUDITORIA”. (...) 27. Quanto a alegação de que as irregularidades imputadas à Recorrente na esfera criminal são idênticas às apontadas pela Fiscalização, entendo que esta não deve prosperar. (...) 30. Como visto no processo penal informado pela empresa, a discussão diz respeito a apuração dos crimes de interposição fraudulenta em operações de importação, falsidade documental e quadrilha, ao passo que no presente Fl. 1222DF CARF MF 26 processo administrativo fiscal o que se discute é a ocorrência de fato gerador tributárioprevidenciário. 31. Fatos jurídicos totalmente distintos. 32. Por outro lado, a prova da inexistência dos supostos cines apurados em processo penal não interfere no procedimento administrativo fiscal, vez que este não apura a existência de crimes, mas tão somente a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. 33. Inicialmente, é bom que se reforce, que o Sr. HÉLIO BENETTI PEDREIRA, NIT Número de Identificação do Trabalhador no 1.082.143.3277, não é um sócio oculto como informado no Recurso da fiscalizada. 34. Ele e FERNANDO MACHADO GRECCO, NIT no 1.247.991.6814, são os sócios ostensivos a que se refere o Relatório Fiscal. De acordo com as peças societárias exercem as funções de sócios administradores. (...) 38. É certo, portanto, que estes sócios ostensivos se enquadram no art. 12, inciso V, "f", da Lei 8.212/91. 39. Portanto, da leitura do texto legal acima, mesmo que o contribuinte alegue que o Sr. HÉLIO BENETTI PEDREIRA não fazia parte da administração da empresa como alegado no processo penal, ou que as peças societárias não refletiam a realidade de comando existente na empresa, que o seu trabalho era desenvolvido apenas no Conselho de Administração, etc., o fato de receber remuneração o torna segurado obrigatório do regime previdenciário e mais, porintegrar o quadro societário de empresa interposta, a ele deve ser atribuída parte da remuneração aferida sobre as notas fiscais da pessoa jurídica descaracterizada como foi feito na planilha "PESSOAS FÍSICAS REMUNERADAS ATRAVÉS DE EMPRESAS INTERPOSTAS", fs. 77 a 80. 40. Como relatado anteriormente, as provas têm toda relação com o lançamento debatido e os fatos jurídicos analisados nas esferas penal e tributária são totalmente distintos. O tributário visa a cobrança de crédito previdenciário enquanto o penal diz respeito a apuração dos crimes de interposição fraudulenta em operações de importação, falsidade documental e quadrilha. Desse modo, entendo não caber razão também nestes quesitos. 41. Em vista da gama de documentos analisados durante a fiscalização levada a efeito no contribuinte, a falta ou insuficiência de provas para fins penais não implica necessariamente falta ou insuficiência de provas para caracterizar a conduta como infração tributária no presente processo administrativo fiscal. 42. Não raro existirão condutas consideradas ilícitas nestes dois ramos. Contudo, é perfeitamente legítimo a um deles impor sanções em face de fatos que para o outro sistema sejam irrelevantes, de menor gravidade ou que não sejam provados incontestavelmente. 43. De qualquer forma, é largamente difundida a ideia de que existe diferença jurídica entre a absolvição por falta de prova e por não constituir o fato infração penal, pois, na primeira, restará sempre a dúvida da prática de um crime que não se logrou provar, enquanto que, na segunda, temse a certeza de que o fato imputado não constitui infração penal. Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.176 27 44. De início, a ligação societária entre a fiscalizada e o Sr. HÉLIO BENETTI PEDREIRA já foi analisada. Os elementos apontados comprovam que o mesmo é sócio ostensivo integrante do quadro societário contido nas alterações do contrato social, é contribuinte obrigatório da previdência social e recebeu parte de sua remuneração por intermédio de pessoa jurídica interposta. 45. Assim, também, entendeu o juiz ao se referir sobre ele: “d.7) HELIO BENETTI PEDREIRA HÉLIO BENETTI PEDREIRA, era sócio da empresa MUDE, contudo o Ministério Público Federal não se desincumbiu do ônus de comprovar sua participação na administração da referida empresa. A responsabilidade penal é subjetiva, não podendo haver condenação de quem quer que seja somente por figurar no contrato social de empresa. Não há comprovação de que HÉLIO participasse dos fatos ilícitos praticados na empresa MUDE, aliás, bem ao contrário, os elementos dos autos indicam que ele não participava da administração da referida empresa. Em seu interrogatório judicial, HÉLIO afirmou que nunca administrou a MUDE, mas na época dos fatos estaria mais afastado ainda da empresa, em função de uma disputa de poder interna. (FIs.776). (...) Nessa medida, não havendo provas da participação de HÉLIO nos Crimes descritos na inicial, ele deve ser absolvido, com fulcro no art. 386, V do Código de Processo Penal." (FIs. 781). Grifei. 46. Como visto, o juízo entendeu que as provas anexadas ao processo penal não tiveram o condão de ligar HÉLIO BENETTI PEDREIRA aos crimes de interposição fraudulenta em operações de importação, falsidade documental e quadrilha. Não reconheceu, portanto, que o mesmo não era sócio ou não possuía qualquer relação jurídica e comercial com a empresa. Aliás, este nem é o escopo daquele processo, haja vista a condenação ou absolvição de outras pessoas físicas que não foram consideradas sócias ostensivas ou ocultas da fiscalizada. 47. Com relação aos demais quesitos não merecem prosperar os argumentos do contribuinte, eis que, diferentemente de sua interpretação, as conclusões judiciais já se declararam pelo vínculo societário entre as demais pessoas físicas arroladas no presente processo administrativo fiscal e a fiscalizada vez que reconheceu que os mesmos realmente administravam a MUDE. (...) 50. Diante do acima exposto, concluo pela manutenção total do lançamento fiscal, uma vez que os fatos supervenientes não são suficientes para a sua retificação.” Cientificada do teor do Termo de Diligência Fiscal em 27/03/2015 (fls. 1.156), através pelo Termo de Intimação Fiscal de fls. 1.155, a Recorrente não se manifestou, Fl. 1224DF CARF MF 28 conforme atestado pelo Termo de Constatação de fls. 1.157, vindo os autos, na sequência, em retorno a este E. CARF. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Nulidade – Cerceamento de defesa Preliminarmente, a Recorrente alega cerceamento de defesa por não terem sido juntadas aos autos as notas fiscais que serviram de base para o lançamento, argumentando que, mesmo que elas tenham sido mencionadas e indicadas em planilha, não há, nos autos, elementos que lhe permita verificar a correção dos valores lançados como base de cálculo das contribuições cobradas, o que macula de nulidade a autuação fiscal. Aduz que a ausência de cópia dos Livros Diários nos autos reforça a ocorrência de cerceamento de defesa e ofensa ao contraditório, defendendo que é dever da Administração dar publicidade do motivo do ato, independentemente se o administrado possui uma via em seu poder, e discorrendo sobre os elementos que dão validade ao atonorma administrativo, citando doutrina e concluindo que não disponibilizar ao contribuinte os meios de prova implica nulidade do ato, por vício de motivo. Neste ponto, não devem proceder as alegações da Recorrente, senão vejamos. A despeito de não terem sido acostados aos autos as notas fiscais e os Livros Contábeis da Recorrente, como esta quer fazer imprescindível à validade desta demanda, o certo é que as informações trazidas nestes documentos já foram obtidas pela fiscalização de forma processada e oficial, decorrente de procedimento prévio de fiscalização ocorrido legal e oficialmente no âmbito do Poder Judiciário. Este ponto é incontestável. Outro ponto que reforça a fragilidade das alegações da Recorrente é que os documentos por ela mencionados se encontram em seu poder e, assim, passíveis de conferência para averiguação da higidez do lançamento fiscal. Por isso, entendo desnecessária a anexação de cópia destes documentos nos autos, posto seus dados já constarem do mesmo. Dessa forma, não se vislumbra prejuízo ao contraditório e ao direito de defesa da Recorrente, que foi regularmente intimada nos autos para apresentar documentos e esclarecimentos em sua defesa, o que o fez oportunamente, o que demonstra assegurado seus direitos constitucionais, inocorrendo afronta ao artigo 5º, LV, da CF/88. Assim, neste tópico, afasto a preliminar de nulidade. Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.177 29 Nulidade – Utilização de prova emprestada Sustenta a Recorrente a impossibilidade da utilização de prova judicial criminal emprestada para lavratura de auto de infração tributário, entendendo serem estas exclusivas do âmbito judicial penal, caracterizando crime a utilização de tais documentos sem autorização judicial, sendo que tais documentos nunca poderiam ser utilizados para embasar a exigência em tela. Entende que, embora muitos dos documentos apreendidos seja de natureza fiscal ou comercial, passíveis, portanto, de exame pelo Fisco, os documentos que realmente fundamentaram a autuação em questão são aqueles obtidos com o único objetivo de instituir ação criminal, e jamais poderiam ter sido utilizados no processo administrativo fiscal. De igual forma, não merecem acolhida as alegações da Recorrente, pois é perfeitamente lícito o uso de provas obtidas no âmbito do Poder Judiciário ou pelo Ministério Público para o desenvolvimento de trabalhos no âmbito administrativo fiscal, em especial pela fiscalização tributária, com vistas à apuração de créditos tributários não pagos por contribuintes. Aliás, este tema já foi abordado e utilizado como fundamento da decisão a quo, cujo trecho incorporo a este voto e aproveito como razão e fundamento para decidir: “11.1. Através do OFÍCIO/DIFIS/N0 34/2008 foi solicitada à Quarta Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo: i) "autorização para acesso e utilização do conteúdo das interceptações telefônicas e telemáticas constantes do Relatório elaborado pela Polícia Federal referente à Operação Persona e utilização do teor de documentos apreendidos no âmbito daquela operação (papel ou outras mídias), além dos depoimentos de pessoas envolvidas", relacionados à empresa Mude Comércio e Serviços Ltda., CNPJ 04.867.975/000172 e 04.867.975/000253; ii) "autorização para acesso e utilização do conteúdo das interceptações telefônicas e telemáticas bem como do teor da documentação apreendida no âmbito da Operação Persona das seguintes pessoas físicas": Fernando Machado Grecco, CPF 154.002.54896; Marcelo Naoki Ikeda, CPF 174.047.79871; Marcílio Palhares Lemos, CPF 455.587.95620; Patrícia Saviolli Folchito, CPF 140.481.12813; Ronaldo Bertoni Chiarelli, CPF 158.578.86864, com o objetivo de "instruir procedimento de fiscalização, conforme Mandado de Procedimento Fiscal 08.1.28.002008001068, iniciado em 28/02/2008 e instrução de processos administrativos no âmbito da Receita Federal do Brasil, para constituição e exigência de crédito tributário". 11.2. Nos termos do OFÍCIO N° 3693/2008 S.7 SVZ / Inquérito Policial n° 2007.61.81.0147551, a Quarta Vara Federal Criminal Ia Subseção Judiciária de São Paulo autorizou a utilização do conteúdo das interceptações telefônicas e telemáticas por Auditores da Receita Federal referente às pessoas físicas e jurídicas, conforme solicitado no Ofício/Difis n° 34/2008. Segue trecho do despacho decisório do MM. Juiz Federal Alexandre Cassettari naqueles autos: Fl. 1226DF CARF MF 30 "Fls. 1809/1810 (Waytec), 1824 (Brastec), 1827/1828 (Telecon) e 1836/1840 (diversos): Em relação ao requerido pela 5" região fiscal da Receita Federal Ilhéus e aos 03 (três) pedidos formulados pela Receita Federal do Brasil em São Paulo, acerca da utilização de conteúdo de interceptações telefônicas e telemáticas por Auditores da Receita Federal para fins de instrução de procedimentos fiscais visando lançamentos tributários em autuações fiscais, abstratamente falando é legal e constitucional a utilização de elementos desse procedimento criminal para outros fins, inclusive para fins administrativos (prova emprestada). A jurisprudência do STF já tem mais de um caso de autorização ou aceitação de utilização de provas sigilosas obtidas em processo penal para outros fins. A legal obtenção da prova para apuração de crimes, mesmo no caso de interceptações telefônicas, não inviabiliza a posterior utilização dessas provas para outros fins judiciais ou administrativos. O que precisa ficar devidamente comprovado é que a interceptação foi originalmente solicitada e deferida visando efetivamente sua utilização em apurações de crimes e isso, inegavelmente, é o caso dos autos. As interceptações telefônicas e telemáticas, bem como as demais quebras de sigilo de dados, foram regularmente deferidas para apuração de crimes de quadrilha, falsidade documental, descaminho e crimes tributários. Com isso, perfeitamente cabível, em um segundo plano, que esses elementos possam ser utilizados como provas em outros procedimentos, mesmo que administrativos (prova emprestada). (...) Assim, como estamos diante de pedidos de utilização de provas emprestadas em relação a fatos direta ou indiretamente relacionados com os fatos apurados nesse procedimento criminal, com objetivos fiscais administrativos, entendo cabível a autorização de uso desses dados sigilosos. (...) Obviamente, a autoridade administrativa só poderá utilizar os dados sigilosos das pessoas indicadas para o fim específico de apuração administrativa referente às próprias pessoas ou às pessoas jurídicas que integrem como diretoras ou sócias, bem como com o fim específico da solicitação feita a este Juízo, devendo ser total o sigilo dos dados em relação a terceiros. Com essas limitações, fica deferida a obtenção de cópia de documentos e dados referentes às pessoas indicadas no pedido, devendo os auditores fiscais indicarem quais elementos de prova têm interesse para, por sua vez, a Secretaria e a Autoridade Policial (quando retirada diretamente das mãos da polícia) certificarem ou indicarem nos autos quais documentos ou provas foram entregues à Receita Federal nos termos dessa decisão. " 11.3. Como demonstrado, as provas do processo criminal utilizadas no procedimento fiscal que deu origem aos presentes autos foram formalmente solicitadas ao juízo competente que as deferiu. Ressaltese que a ordem judicial que permitiu o acesso dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil às provas do processo penal não deixa dúvida quanto à legalidade das Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.178 31 interceptações telefônicas e telemáticas e das quebras de sigilo de dados, que foram regularmente deferidas para apuração de crimes de quadrilha, falsidade documental, descaminho e crimes tributários. Ademais, a fiscalização utilizou também os livros contábeis apresentados pela empresa, inexistindo qualquer irregularidade no procedimento administrativo fiscal. 11.4. Resta claro, portanto, a ausência de impedimento da utilização desses elementos como prova em procedimentos administrativos, não havendo que se falar em ofensa a qualquer dispositivo constitucional. Por pertinente, transcrevemos recente decisão do Superior Tribunal de Justiça em situação análoga: PROCESSO PENAL COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA INCLUSIVE POSSIBILIDADE PRECEDENTES DO STF E DA CORTE ESPECIAL DO STJ. (...). 2. E possível compartilhar a prova, colhida em processo criminal em tramitação, com o MPF e outros órgãos administrativos, para fim disciplinar. 3. Incluise no rol dessas provas os diálogos colhidos mediante interceptação autorizada. 4. Agravo regimental improvido. (AgRg na APn 536 / BA; AGRAVO REGIMENTAL DA AÇÃO PENAL n° 2006/02588679; Ministra ELIANA CALMON; DJe 14/05/2009)” Assim, pela análise do trecho da fundamentação da decisão de piso ora transcrito, verificase que, relativamente às pessoas físicas e jurídicas de que tratam os autos, houve autorização do Juízo da 4ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de São Paulo para utilização do conteúdo das interceptações telefônicas e telemáticas por Auditores da Receita Federal, conforme OFÍCIO N° 3693/2008 S.7 SVZ / Inquérito Policial n° 2007.61.81.0147551, que atendeu solicitação constante do Ofício/Difis n° 34/2008. Outrossim, é necessário frisar que a Auditoria Fiscal não se utilizou apenas das informações contidas nos autos do processo criminal – que, ressaltese, foram utilizadas como prova subsidiária – mas também analisou os livros contábeis, folhas de pagamento, além de outros documentos e informações fiscais da Recorrente para lavrar o Auto de Infração contestado, conforme se verifica da leitura dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD anexados aos autos, bem como do próprio Relatório Fiscal. Dessa forma, temse que não houve qualquer prejuízo à defesa da Recorrente, pois lhe foi oferecida possibilidade de manifestação para que prestasse suas alegações, na garantia do exercício do seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Posto isso, diante dos procedimentos hábeis e idôneos (ofícios judiciais) e das autorizações judiciais incontestáveis, não há que se contestar a legalidade da utilização das provas obtidas na seara judicial criminal para a execução dos trabalhos de fiscalização tributária, entendimento que, aliás, é compartilhado pelo Egrégio CARF, que inclusive já decidiu contra a Recorrente sobre a mesma matéria ora tratada; e pelo Poder Judiciário, senão vejamos: Fl. 1228DF CARF MF 32 “PROVA EMPRESTADA. DIÁLOGOS DE ESCUTA TELEFÔNICA. COMPARTILHAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. VALIDADE. É válida a prova carreada aos autos do processo administrativo fiscal extraída de escuta telefônica se a coleta e o repasse à fiscalização da RFB foram judicialmente autorizados.” (CARF, Ac. 3302003.225. Terceira Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 3ª Turma. Rel. José Fernandes do Nascimento. Contribuinte: Mude Comércio e Serviços Ltda. Sessão: 21/06/2016) “Direito Processual Penal. Inquérito. Prova emprestada. 1. É assente na jurisprudência desta Corte a admissibilidade, em procedimentos administrativos ou civis, de prova emprestada produzida em processo penal, mesmo que sigilosos os procedimentos criminais. 2. Agravo regimental provido.” (STF, Inq. 3305/RS. Primeira Turma. Min. MARCO AURÉLIO. Julgamento: 23/02/2016. DJe137: 01072016) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO ADMINISTRATIVO. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. COMPETÊNCIA. CONCURSO MATERIAL. FRAUDE. SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE. ADMINISTRADOR DE HOSPITAL. SIGILOS BANCÁRIO E FISCAL. PROVA EMPRESTADA. APLICAÇÃO RETROATIVA DE LEI. CARÁTER SANCIONADOR. 1. A competência da TCU é fixada a partir da origem dos recursos públicos, logo independe da natureza do ente envolvido na relação jurídica, inclusive na seara do Sistema Único de Saúde. 2. É possível a utilização em processo administrativo de provas emprestadas de processo penal, quando haja conexão entre os feitos.” (STF, RE 934233/RS. Primeira Turma. Min. EDSON FACHIN. Julgamento: 14/10/2016. DJe234: 04112016) Como demonstrado, entendo que os autos não padecem dos vícios apontados pela Recorrente e, por isso, afasto as alegações de nulidade por esta invocadas. Da alegação de incapacidade das provas para validarem relação societária e diretiva. A despeito do quanto demonstrado, ainda insiste a Recorrente na incapacidade das provas emprestadas para fundamentarem o lançamento ora discutido, pois, no seu entendimento, se tratam de documentos extracontábeis, apócrifos, relativos a apenas parte dos períodos autuados, ou mesmo sem data, não assinados, incompletos ou em forma de “minuta para discussão”, e que seria inviável à fiscalização concluir, com base em documentos fiscais sem natureza societária qualquer, pela existência de sócios ocultos. Neste ponto, melhor razão não assiste à Recorrente, que apenas contrariou com alegações as imputações lançadas, sem ao menos ter logrado apresentar documentos hábeis e idôneos a desconstituílas. Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.179 33 Pelo contrário, constam dos documentos societários e particulares de acordos celebrados entre os sócios da Recorrente e de empresas vinculadas aos fatos constatados no Relatório Fiscal (fls. 27/76) que aqueles exerciam cargos de gestão nas respectivas entidades, o que valida os termos da imputação fiscal. Neste tópico, por sua clareza e pormenores, merecem ser adotados como razão de decidir os esclarecedores fundamentos da decisão a quo, que passo a transcrever adiante: “12.1. Notase que os arquivos que subsidiaram a conclusão fiscal foram localizados em computadores pessoais, devidamente identificados quanto ao objeto e às pessoas que deles faziam uso e, como antes demonstrado, legalmente obtidos. Ademais, todos os quesitos identificados pela auditoria fiscal, seja nos computadores pessoais (organogramas, relatórios de estudos salariais, questionários para análise de cargos e mapeamento de competências, consultorias tributárias e trabalhistas, folhas de pagamento), seja nos documentos fornecidos pela empresa (folhas de pagamento, livro de registro de empregados), abrangem períodos contínuos que indicam sua prática habitual. 12.2. Por outra, é indiscutível que as bases de cálculo tiveram por alicerce as notas fiscais de prestação de serviços contabilizadas pela Impugnante, relacionando o Auditor Fiscal os Livros Diário utilizados, à exceção dos períodos de 21/12/2004 a 31/12/2004 (n° 36), 29/12/2005 a 31/12/2005 (n° 62) e 01/2006 a 10/2007, que foram apresentados pela empresa apenas em meio magnético, bem como a análise das folhas de pagamento e das GFIP entregues pelo contribuinte e Livro de Registro de Empregados para todo o período do lançamento. Temse, ainda, a planilha "PESSOAS FÍSICAS REMUNERADAS ATRAVÉS DE EMPRESAS INTERPOSTAS", que informa o beneficiário, a pessoa jurídica correspondente, a conta contábil, a data, o número de controle do documento e o correspondente Livro Diário onde se encontra o lançamento. 12.3. Observase, ainda, que a análise fiscal baseouse não apenas em relatórios emitidos pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviços à Impugnante, mas também em documentos da empresa fornecidos pela própria Impugnante como, por exemplo: 12.3.1. documentos relativos a "treinamento, cursos, seminários e recrutamento" ofertados pela Impugnante tanto aos segurados empregados como aos prestadores de serviço no período 2003 a 2007, cujas Notas fiscais foram apresentadas pelo contribuinte em decorrência do atendimento das intimações fiscais, conforme informado no Relatório Fiscal; 12.3.2. os documentos relativos aos "Cupons de Alimentação", fornecidos às pessoas jurídicas prestadoras de serviços e aos segurados empregados, cujas Notas fiscais também foram apresentadas pelo contribuinte em decorrência do atendimento das intimações fiscais, e escriturados na conta de despesa "5.01.03.03 Vale Refeição", conforme consta do Relatório Fiscal. 12.4. Como visto, para concluir que as pessoas jurídicas prestadoras de serviço na realidade mantinham com a Impugnante uma relação societária e diretiva a auditoria fiscal não se valeu apenas de planilhas eletrônicas, Fl. 1230DF CARF MF 34 questionários para análise de cargos e mapeamento de competências, relatórios de auditoria, organogramas, utilizou também documentos fiscais que lhe foram fornecidos pela própria empresa e lançados em sua contabilidade. 12.5. Tampouco, como se observa do Relatório Fiscal e dos exemplos citados, as conclusões foram fundamentadas em documentos relativos a apenas uma parte dos períodos lançados. Pelo contrário, o conjunto de elementos (provas) existentes em todo o período de 2003 a 2007 conduziu a uma única e possível conclusão relativamente ao período objeto do lançamento do crédito tributário previdenciário, restando perfeitamente demonstrado nos autos a impertinência dos argumentos apresentados pela Impugnante. 12.6. Há que se considerar, ainda, que se considerar que a Impugnante não apresenta nos autos argumentos consistentes ou qualquer elemento ou documento capaz de fazer prova em contrário às conclusões da auditoria fiscal.” Como se vê, o Relatório Fiscal detalha os documentos informações que levaram a auditoria fiscal a concluir que os titulares das pessoas jurídicas prestadoras de serviço contratadas pela Recorrente preenchiam os pressupostos necessários à caracterização do vínculo societário e diretivo com a mesma (onerosidade, pessoalidade, não eventualidade), razão pela qual aquelas pessoas físicas foram enquadradas como segurados empresários da Recorrente, tendo aferido como remuneração dos valores a elas pagos, com base de cálculo correspondente aos valores das notas fiscais e recibos da contabilidade da Recorrente e discriminados na planilha "Pessoas Físicas Remuneradas através de Empresas Interpostas", que informam o nome do beneficiário, a pessoa jurídica correspondente, a conta contábil, a data, o número de controle do documento e o Livro Diário onde se encontra o lançamento. Isto posto, entendo por comprovada a relação societária e diretiva, para com a Recorrente, das pessoas físicas vinculadas às empresas que lhe prestaram serviço, restando evidenciada, assim, a caracterização da prestação de serviço à Recorrente diretamente por essas pessoas físicas, o que conduz ao afastamento das alegações da Recorrente neste ponto. Autuação com Base em Fato Jurídico Presumido. Possibilidade. Comprovação da Real Relação de Trabalho Encoberta por Interpostas Pessoas Jurídicas. Aduz a Recorrente que a fiscalização cometeu ilegalidade ao lhe exigir contribuições e multas sobre um fato jurídico presumido e não provado, entendendo ser necessária a comprovação, por meios diretos. Ressalta que não houve aferição indireta, mas apenas mera presunção, sem previsão legal, a partir de elementos que nada podem provar i) quanto à existência do vínculo societário e diretivo entre ela e as pessoas físicas, por meio de interposição de pessoa jurídica, nem ii) quanto à ocorrência dos fatos geradores da contribuição previdenciária; e, por ser assim, não é aplicável ao caso o instituto da inversão do ônus da prova, não lhe cabendo apresentar prova em contrário. A legislação previdenciária (Lei nº 8.212/91) permite à fiscalização apurar por aferição indireta as contribuições efetivamente devidas pelos contribuintes quando constatado que a documentação apresentada é deficiente, por conter informação diversa da realidade ou omitir informação verdadeira, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, conforme disposição legal abaixo transcrita: Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.180 35 “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Nesse contexto, como o Auto de Infração está devidamente fundamentado, cabe à Recorrente comprovar que cada um dos prestadores de serviço caracterizados como segurados contribuintes individuais em exercício de cargos de gestão efetivamente não se enquadram nesta categoria, eis que o artigo 373 do Código de Processo Civil dispõe que o ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, que, no caso, é o Fisco. Da análise dos contratos assinados entre a Recorrente e as pessoas jurídicas contratadas, resta claro que na consecução de seus objetivos sociais esta utilizouse do trabalho desenvolvido pelos seus diretores em caráter pessoal, simulando a utilização dos serviços dessas pessoas jurídicas para remunerálos. Essa situação, inclusive, foi esclarecida e utilizada como fundamento do voto da decisão de piso, que adoto como fundamento deste voto, a saber: “19.5. Assim é absolutamente procedente o trabalho da auditoria fiscal, quando conclui: 19.5.1. os contratos firmados entre a empresa e os diversos prestadores seguem um padrão préestabelecido para todas as situações e evidenciam que sua existência busca apenas caracterizar uma situação formal que não existe na prática. As notas fiscais emitidas indicam, pela sua numeração, exclusividade no serviço prestado, periodicidade quinzenal e que a sede da pessoa jurídica corresponde a um endereço residencial; 19.5.2. em que pese cláusulas contratuais obrigando a contratada à "responsabilizarse pela conduta de seus prepostos, quando na execução dos serviços Requisitados (...) verificase que faticamente isso nunca ocorreu, pois as empresas contratadas nunca tiveram empregados registrados, conforme GFIP Guias de Recolhimento ao FGTS e Informações a Previdência Social por elas enviadas e constantes do banco de dados da Receita Federal do Brasil. Os serviços foram sempre prestados, pessoalmente, pelos sócios das empresas contratadas, os quais, inclusive, ocupam "na contratante" cargos de diretores e compõem sua estrutura organizacional; 19.5.4. a mudança da composição societária da empresa prestador; de serviços configura motivo para rescisão contratual, evidenciando que quem está sendo contratado de fato é a pessoa física, conforme cláusula padrão existente nos contratos firmados, a exemplo daquele firmado com a empresa Fl. 1232DF CARF MF 36 interposta Orpheus Comércio e Serviços Ltda., cujas notas fiscais representam os serviços prestados pelo diretor de marketing Fernando Machado Grecco: "8.3 Facultase a rescisão de pleno direito do presente contrato, independentemente de qualquer aviso, interpelação ou notificação judicial ou extrajudicial nos casos de: (...) 8.3.3 alteração do controle societário da CONTRATADA." 19.5.5. os prestadores de serviços assinam documentos em nome do contribuinte, que criam deveres, obrigações e direitos junto a terceiros, utilizamse de linhas telefônicas, endereços e assinaturas eletrônicas do mesmo. 19.5.6. tais circunstâncias comprovam o vínculo jurídico da Impugnante com as pessoas físicas, sócios ostensivos ou ocultos, responsáveis pela administração da Mude, que recebiam remuneração por interpostas "pessoas jurídicas". Pessoas físicas que, na realidade, prestavam pessoalmente os serviços, em caráter não eventual, mediante remuneração e em decorrência do exercício de gestão e de comando desempenhados na Impugnante. São, portanto, as características reais da prestação do serviço que indicam o enquadramento destas pessoas físicas no art. 12, inc. V, alínea " f da Lei n° 8.212/91: “Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei n° 9.876, de 1999).” Não é outra a conclusão que se chega a partir da análise dos relatórios apresentados pelas empresas de auditoria contratadas pela Recorrente para diagnosticar sua situação fiscal e trabalhista, para emissão de parecer sobre as demonstrações contábeis, que confirma o resultado da ação fiscal, a qual culminou no Auto de Infração, conforme abaixo transcrito o “Item II.4.” do documento “RELATÓRIO DE COMENTÁRIOS E RECOMENDAÇÕES CEI 16704 Carta da Directa Auditoria Prévia 2004ll16.doc." encontrado no HD portátil de Marcílio Palhares Lemos, elaborado pela empresa BDO Directa Auditores S/C (fls. 1.013): “4. Contratos os de Prestação de Serviços Responsabilidade Solidária Possibilidade de Vínculo Empregatício Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.181 37 A MUDE: mantém em seu quadro de colaboradores, profissionais que vêm prestando serviços com habitualidade, sendo remunerados através de Contato de Prestação d e Serviços e respectiva Nota Fiscal. Lembramos que, nestes casos, fica caracterizada a relação de emprego, estando presentes os requisitos constantes do artigo 3o, da CLT, que trata do conceito de empregado: "toda pessoa física que prestar, serviço de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário". Deste conceito, a doutrina trabalhista extrai e analisa os principais elementos caracterizadores do vínculo empregatício. Entre eles, figura a habitua idade da prestação do serviço e o estado de subordinação. Ainda sobre o assunto, vejamos a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: "A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços (. ..)". O procedimento atualmente adotado pela MUDE poderá ocasionar futuras Reclamações Trabalhistas por parte dos prestadores de serviços, pleiteando vínculo empregatício de todo o período. Além disto, poderá vir a ser questionado pelas autoridades fiscais, estando a MUDE sujeita ao recolhimento dos encargos trabalhistas e previdenciários incidentes sobre as remunerações pagas." Outro exemplo encontrase descrito em trecho da fundamentação do voto da decisão a quo, às fls. 430, abaixo transcrito: “b) do documento "Revisão Geral Mesquita Neto.doc" encontrado no notebook de Fernando Machado Grecco (fls. 54/56), que consiste em Minuta para Dissolução elaborada pela empresa Mesquita Neto Advogados em decorrência dos trabalhos "desenvolvidos com o intuito de assessorar a Administração da Sociedade, com respeito aos aspectos relevantes da legislação fiscal que devem ser observados no cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias": “No que se refere à incidência das Contribuições Previdenciárias, Fundiárias e do Imposto de Renda na modalidade retenção na fonte, nosso trabalho foi efetuado mediante análise das Notas Fiscais emitidas contra essa Sociedade, no mês de Julho do corrente ano, pelas Pessoas Jurídicas prestadoras de serviços de Representação Comercial e Consultoria, bem assim dos respectivos Contratos, nos quais os serviços são pautados”. "(...) Verificamos também que alguns dos sócios das pessoas jurídicas prestadoras de serviço foram, antes desse fato, empregados dessa Sociedade, passando do regime de CLT para o de prestador de serviço, sem qualquer intervalo de tempo, o que evidencia a nítida mudança do regime de contratação, sem a perda do cargo/função. E igualmente importante ressaltar que, principalmente quando da constituição, as pessoas jurídicas prestadoras de serviços possuíam sua sede no domicílio dos sócios. Ainda, pudemos verificar que, para algumas contratadas, as Notas Fiscais são emitidas contra essa Sociedade em número sequencial e mensalmente, evidenciando assim a ausência de prestação de serviços a outros tomadores. Fl. 1234DF CARF MF 38 Também pudemos identificar uma identidade de datas entre a constituição das pessoas jurídicas e o início da prestação de serviços. Estas evidências corroboram para a identificação do vínculo empregai lei o, tão almejado pela Administração Pública seja em razão da arrecadação, seja em razão da preservação dos direitos do empregado, esta advinda dos elementos que caracterizam o sistema normativo trabalhista brasileiro, pautado por princípios como proteção ao vínculo empregatício, indisponibilidade e irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas, primazia da realidade sobre a forma etc. (...) Conforme observamos, o desenvolvimento das atividades de consultoria contratadas e o tratamento mantido entre os profissionais denotam a existência de subordinação, já que aos mesmos são imputados cargos e funções na estrutura da Contratante, nos quais ou respondem a superiores hierárquicos, ou exercem as funções de gerência e diretoria. (...) Todavia, na prática, podemos perceber que as pessoas físicas executam as tarefas que lhe são passadas por conta e ordem da Contratante, o que denota nítida divergência entre o conteúdo pactuado e a realidade". Outras provas do vínculo societário e diretivo entre a Recorrente e os respectivos prestadores de serviços são verificados pelos seguintes documentos: organogramas, questionários para análise de cargos e mapeamento de competências, descritivos de cargos e salários, relatório de auditorias, benefícios concedidos aos prestadores de serviço pessoas jurídicas contratadas pela Recorrente (NFs de despesas com fornecimento de alimentação e de convênio médico, recibos de pagamento de cursos, atividades empresariais e de treinamento). Desse modo, a partir da situação descrita no Relatório Fiscal, se conclui que a efetiva natureza do serviço prestado, bem como as condições sob as quais este é prestado, revelam o caso tratarse de relação jurídica com vínculo societário e diretivo. Outrossim, no tocante à alegação da Recorrente de que as planilhas encontradas nos computadores dos sócios diretores das pessoas jurídicas interpostas entre a relação de trabalho não comprovam o desembolso de valores desta para as referidas empresas, esta não merece prosperar, conforme trecho da decisão a quo (fls. 431), abaixo trazido: “20.11 Quanto à alegação de que as planilhas nada provam contra a Impugnante, posto que a Fiscalização não trouxe qualquer comprovação acerca do efetivo desembolso desses valores por parte da empresa, verifica se que tais valores foram extraídos dos livros Diário da própria Impugnante, conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 29): "3.3)As bases de cálculo utilizadas correspondem aos valores integrais constantes em notas fiscais e recibos discriminados na planilha "PESSOAS FÍSICAS REMUNERADAS ATRAVÉS DE EMPRESAS INTERPOSTAS", que informa o beneficiário, o serviço prestado, a pessoa jurídica correspondente, a conta contábil, a data, o número de controle do documento e o correspondente Livro Diário onde se encontra o lançamento". Demonstrado acima a existência de relação vinculativa societária e diretiva das pessoas físicas “sócias” das empresas prestadoras de serviços (exclusiva e unicamente para) com a Recorrente, entendo afastar esse tópico também. Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.182 39 Desconsideração da Personalidade Jurídica dos Prestadores de Serviço Para Fins Previdenciários. Possibilidade. A Recorrente sustenta a impossibilidade da desconsideração da personalidade jurídica pelas autoridades fiscais em procedimento fiscalizatório, ante a ausência de lei que regulamente tal procedimento, entendendo que aludida medida extrema somente pode ser manejada pelo Poder Judiciário. Transcreve o parágrafo único do artigo 116, do CTN, lembrando que o referido dispositivo ainda não foi devidamente regulamentado, não sendo, portanto, aplicável, inexistindo, atualmente, norma legal que possa ser utilizada pelas autoridades fiscais para desconsiderar qualquer negócio jurídico que tenha sido realizado dentro da legalidade, como é o seu caso. Ocorre que não se sustenta esse posicionamento da Recorrente, conforme será demonstrado. O parágrafo único do artigo 116 é considerado por muitos uma norma antielisiva genérica e entendo que não há necessidade de regulamentação para sua aplicabilidade, sendo que o próprio CTN já dispõe de procedimentos para tanto, no caso o artigo 142 do CTN, bastando para sua aplicabilidade a verificação de conceitos do Direito Privado indicados no parágrafo único com as limitações impostas de acordo com a interpretação dada pelo artigo 110 do CTN. Uma das formas de fraude fiscal é a simulação constante do artigo 167 § 1º do CTN, sendo um defeito do ato jurídico: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Como bem asseverado por Marcos Bernardes de Mello:1 Simulação é o resultado do ato de aparentar, produto de fingimento, de hipocrisia, de disfarce. O que caracteriza a simulação é, precisamente, o ser não verdadeira, intencionalmente, a declaração de vontade. Na simulação quer se o que não aparece, não se querendo o que efetivamente aparece. Fl. 1236DF CARF MF 40 Apesar da legislação indicar o termo dissimulação, talvez por falta de maior técnica legislativa, sabemos que são muito próximos esses termos. Parte da doutrina distingue a simulação em absoluta e relativa. Francesco Galgano2 distingue a simulação absoluta e a simulação relativa. A primeira ocorre quando as partes celebram um contato e, através de uma contradeclaração, afirmam não desejar que o negócio produza qualquer efeito, criando apenas uma aparência de negócio perante terceiros. Já, a simulaçã o relativa ocorre quando as partes criam uma aparência de negócio diferente daquele que efetivamente desejam, hipótese em que há dois negócios o simulado e o dissimulado. Nesse ponto a doutrina majoritária segue a ideia de que há aproximação da simulação relativa com a dissimulação, uma vez que na simulação o agente engana sobre a existência de uma situação inverídica, enquanto que na dissimulação o agente engana sobre a existência de uma situação real. Edmar Oliveira Andrade Filho3 declara igualmente que “o ato ou negócio jurídico dissimulado é aquele que foi contornado por intermédio de acordo de simulação. Sob essa perspectiva, a dissimulação é uma resultante da simulação, de modo que aquela não existe sem essa”. Por derradeiro Marco Aurélio Greco4 salienta que “o sentido de “dissimular”, previsto no parágrafo único do art. 116, abrange o sentido de “simular”, mas tem maior amplitude que este, pois alcança, pelo novo dispositivo, todas as hipóteses de simulação e mais alguma outra figura”. Assim, neste tópico, não prosperam as alegações da Recorrente. Fato Superveniente Da alegada improcedência fiscal decorrente da absolvição na seara judicial criminal Incansavelmente, continua a Recorrente na sua defesa e agora se reporta à absolvição, na esfera penal, em 17/02/2011, de algumas das pessoas físicas, consideradas pelas autoridades fiscais como seus sócios ocultos e, no seu entender, esse fato resulta na total improcedência do auto de infração combatido, pois demonstra o equívoco nas conclusões arbitrárias da fiscalização, sendo que tais pessoas não participaram de qualquer ilícito de que foram acusados, inexistindo prova que possa lhes imputar responsabilidade, seja criminal, cível ou administrativa. Argumenta que, se o Juízo Criminal entendeu que as provas não são suficientes para incriminar as pessoas supostamente a ela vinculadas, menos ainda as pretensas provas podem ser utilizadas para atribuição de responsabilidade tributária contra a Recorrente, sendo imperiosa a aplicação da decisão penal ao presente processo administrativo, de forma a desconstituir o quanto alegado pela fiscalização. Diante desse fato superveniente, a Recorrente requer a reforma da decisão e o cancelamento do Auto de Infração e, caso assim este Conselho não entenda, requer o cancelamento das contribuições indevidamente cobradas em razão do suposto vínculo societário e diretivo relacionado ao Sr. Hélio Benetti Pedreira que, conforme exposto, foi Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.183 41 inocentado no processo criminal, tendo comprovado não possuir qualquer relação jurídica e comercial com a Recorrente. Apesar do esforço da Recorrente em tentar cancelar as infrações administrativotributárias embasada na informação de que um dos “sócios” de uma das empresas interpostas que lhe prestava serviço foi absolvido em processo criminal, entendo não merecer acolhida sua alegação, ante a independência de atuação e tomada de decisão entre a justiça criminal e a administrativatributária. Como claramente distinguiu o julgador de piso na fundamentação do seu voto: “11.6. No processo penal a discussão estará pautada na apuração de crimes de quadrilha, falsidade documental, descaminho e crimes tributários, enquanto neste processo administrativo o que se discute é a ocorrência do fato gerador tributário previdenciário e a exigência das contribuições correspondentes mediante lançamento de ofício. Tratamse, pois, de fatos jurídicos distintos. A prova da inexistência dos supostos crimes apurados no processo penal não interfere no processo administrativo fiscal que apura a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Neste sentido, confirase o Acórdão n° 105 17389, de 04/02/2009, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: Ementa: (...) DESVIO DE FINALIDADE CAUSA DE INSTAURAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL PROCESSO PENAL – COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO Ainda que o procedimento de fiscalização tenha sido iniciado por fatos apurados em procedimentos penais ou perante Comissão Parlamentar de Inquérito, a atividade de fiscalização da Receita Federal do Brasil é autônoma e independente, não se vinculando aos resultados de investigações realizadas em outros planos do Poder do Estado. Mesmo porque, ainda que não haja crime ou ainda que não haja infração sujeita à investigação parlamentar, a Receita Federal do Brasil pode identificar a existência de tributos devidos e não pagos, cuja competência exclusiva para lançar lhe pertence. (...) 11.7. Na mesma esteira, corroborando a legalidade do procedimento administrativo fiscal, transcrevemos recente pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça (MS 14017/DF; MANDADO DE SEGURANÇA n° 2008/02714966; Ministro HERMAN BENJAMIN; DJe 01/07/2009): "14. Como se sabe, no Direito brasileiro, as instâncias penal, civil e administrativa não se confundem. Vale dizer: se o processo administrativo observou os trâmites legais, e nele foi produzida prova suficiente para bem caracterizar a conduta reprovável, a sanção (ou, no caso dos autos, medida administrativa) pode ser aplicada independentemente de prévia condenação criminal. " 11.8. Como demonstrado, é perfeitamente possível a utilização de prova emprestada de processo penal para fundamentação do lançamento fiscal, mormente quando este foi regularmente formalizado, motivo pelo qual não se Fl. 1238DF CARF MF 42 reconhece o pedido da Impugnante para desconhecimento de tais provas no presente processo administrativo fiscal.” Reforça o quanto decidido pela DRJ o superveniente Termo de Diligência Fiscal de fls. 1.141/1.154, confeccionado pela Divisão de Fiscalização II da DEMAC/SP, cujos trechos primordiais e definidores desta análise são transcritos a seguir: “(...) 27. Quanto a alegação de que as irregularidades imputadas à Recorrente na esfera criminal são idênticas às apontadas pela Fiscalização, entendo que esta não deve prosperar. 28. Os focos investigados são diferentes. 29. Vejamos a informação contida na sentença acostada aos autos pelo contribuinte e que resume bem o alcance daquela ação no processo penal: "O primeiro ponto a ser ressaltado é que os fatos que serão apreciados e decididos na presente sentença dizem respeito única e exclusivamente à interposição fraudulenta em operações de importação que resultou no cometimento de Crimes Capitulados no art. 334, $ 1°, "c", além de uso de documentos ideologicamente falsos (art. 304 c.c. art. 299, quanto a pena, ambos do Código Penal) e quadrilha (art. 288 do Código Penal). Outros fatos mencionados na representação policial, denúncia e autuações da Receita Federal (como subfaturamento, corrupção de fiscais, entre outros) são objeto de investigações que prosseguem e, eventualmente, podem vir a consubstanciar ações penais no futuro. É certo que a chamada interposição fraudulenta pode ter reflexos em tributos internos como é o caso do IPl, tendo sido lavrados autos de infração contra a empresa MUDE e diversos devedores solidários, entre pessoas jurídicas e físicas. Em função do princípio da correlação, a presente sentença não tem o escopo de examinar tais fatos, porque não fazem parte da denúncia”. (fis. 729/730). 30. Como visto no processo penal informado pela empresa, a discussão diz respeito a apuração dos crimes de interposição fraudulenta em operações de importação, falsidade documental e quadrilha, ao passo que no presente processo administrativo fiscal o que se discute é a ocorrência de fato gerador tributárioprevidenciário. (...) e) E se o Juízo Criminal entendeu que as provas não são suficientes para incriminar essas pessoas, supostamente vinculadas à Recorrente na qualidade de sócias ocultas, menos ainda as pretensas provas (que são exatamente as mesmas avaliadas no âmbito penal) podem ser utilizadas para atribuição de responsabilidade tributária. Assim, a aplicação da decisão penal ao presente processo, de forma a desconstruir o quanto alegado pelas Autoridades Fiscais, e validado pela D. DRJ, é imperiosa. 40. Como relatado anteriormente, as provas têm toda relação com o lançamento debatido e os fatos jurídicos analisados nas esferas penal e tributária são totalmente distintos. O tributário visa a cobrança de crédito previdenciário enquanto o penal diz respeito a apuração dos crimes de Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.184 43 interposição fraudulenta em operações de importação, falsidade documental e quadrilha. Desse modo, entendo não caber razão também nestes quesitos. 41. Em vista da gama de documentos analisados durante a fiscalização levada a efeito no contribuinte, a falta ou insuficiência de provas para fins penais não implica necessariamente falta ou insuficiência de provas para caracterizar a conduta como infração tributária no presente processo administrativo fiscal. 42. Não raro existirão condutas consideradas ilícitas nestes dois ramos. Contudo, é perfeitamente legítimo a um deles impor sanções em face de fatos que para o outro sistema sejam irrelevantes, de menor gravidade ou que não sejam provados incontestavelmente. 43. De qualquer forma, é largamente difundida a ideia de que existe diferença jurídica entre a absolvição por falta de prova e por não constituir o fato infração penal, pois, na primeira, restará sempre a dúvida da prática de um crime que não se logrou provar, enquanto que, na segunda, temse a certeza de que o fato imputado não constitui infração penal.” Assim, pela leitura do mencionado termo de diligência fiscal, se verifica que a própria sentença criminal segrega a apuração criminal e seus efeitos daqueles competentes à esfera administrativotributária. Além disso, identifica e distingue os objetivos da apuração criminal (apuração da ocorrência de crimes de interposição fraudulenta em operações de importação, falsidade documental e quadrilha) daqueles relativos à apuração administrativa tributária (apuração da ocorrência de fato gerador tributárioprevidenciário). Ainda, quanto à alegação do reflexo da absolvição criminal sobre este processo administrativo, no intuito de se cancelar o lançamento neste debatido, o aludido termo fiscal entende que: “a falta ou insuficiência de provas para fins penais não implica necessariamente falta ou insuficiência de provas para caracterizar a conduta como infração tributária no presente processo administrativo fiscal.” E reforça seu entendimento ao dispor que: “Não raro existirão condutas consideradas ilícitas nestes dois ramos. Contudo, é perfeitamente legítimo a um deles impor sanções em face de fatos que para o outro sistema sejam irrelevantes, de menor gravidade ou que não sejam provados incontestavelmente.” Por todo o acima exposto, entendo que não devem prosperar as alegações da Recorrente ao fato superveniente ora tratado. Fato Superveniente Da alegada improcedência fiscal decorrente da falta de constatação de vínculo societário e diretivo pela inspeção do MTE A Recorrente traz outro fato superveniente, que consiste na inspeção realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego junto aos seus documentos e registros administrativos trabalhistas, que após análise de todas as circunstâncias fáticas e jurídicas envolvendo ela e seus prestadores, considerou os contratos de prestação de serviços regulares, tendo concluído pela existência de seis vínculos empregatícios, tendo solicitado a regularização destes, o que foi por ela atendido no prazo de 48 horas. Fl. 1240DF CARF MF 44 Informa que, muito embora o escopo dessa fiscalização tenha sido a verificação de relações de emprego, o MTE e a Procuradoria Regional do Trabalho do MPU não constataram nenhum vínculo societário e de direção entre a Recorrente e as pessoas arroladas pela fiscalização. Apesar de aguerridas as alegações da Recorrente, estas não merecem acolhida, pois como se observa da documentação acostada aos autos, em especial o Relatório Fiscal e o Termo de Diligência Fiscal, facilmente se constata que as pessoas físicas sócias das empresas prestadoras de serviços à Recorrente o realizavam de forma pessoal, habitual e onerosa, além de tomarem as decisões administrativas nesta, fatos que aqui já foram tratados e revelaram os vínculos societário e diretivo destas, motivo que entendo pela consideração destes como contribuintes individuais obrigatórios da Previdência Social. Esse posicionamento é reforçado pelo entendimento no mesmo sentido, presente no citado Termo de Diligência Fiscal às fls. 1.1150, conforme abaixo: “44. De início, a ligação societária entre a fiscalizada e o Sr. HÉLIO BENETTI PEDREIRA já foi analisada. Os elementos apontados comprovam que o mesmo é sócio ostensivo integrante do quadro societário contido nas alterações do contrato social, é contribuinte obrigatório da previdência social e recebeu parte de sua remuneração por intermédio de pessoa jurídica interposta.” Assim, também neste ponto, entendo não prosperarem as alegações da Recorrente. Decadência Insiste a Recorrente na aplicação da regra decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, para reafirmar que os lançamentos ocorridos antes de 15/12/2003 estariam atingidos pela decadência. Ocorre que sua reclamação não merece prosperar, conforme adiante esclarecido. Dispõe o artigo 150, § 4º, do CTN que, nos casos de lançamento por homologação como é o caso da obrigação acessória previdenciária GFIP o prazo de decadência do direito do sujeito ativo da relação tributária efetuar o lançamento exigindo tributo recolhido de forma que entende insuficiente é de 5 (cinco) anos a partir da data do fato gerador, conforme o dispositivo legal abaixo transcrito: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.185 45 definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Grifei Ocorre que essa previsão legal não se aplica ao caso em análise, pois houve a comprovação de simulação conforme justificado anteriormente, aplicandose dessa forma a regra do artigo 173, I do CTN. “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Diante do exposto, se verifica que, no caso em apreço, a competência mais antiga que fundamentou o lançamento, qual seja aquela de novembro de 2003, tornouse exigível a partir de 1º de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008. Assim, como se extrai da leitura do auto de infração, este foi lavrado em 09/12/2008, tendo a Recorrente sido cientificada em 16/12/2008, e, portanto, se conclui pela inocorrência da decadência, afastandose, assim, a alegação da Recorrente neste ponto. Aplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora A Recorrente questiona a aplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora, por entender que o índice não foi instituído por Lei, devendo incidir, no caso, juros de mora à taxa de 1% a.a. Ocorre que não merece prosperar aludida colocação, conforme esclarecimentos a seguir. À época da lavratura do auto de infração contestado, vigorava o artigo 34 na Lei nº 8.212/91, conforme abaixo trazido: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento.” Ocorre que aludido artigo foi revogado pela vigência da MP nº 449/08 (convertida na Lei nº 11.941/09) que, porém, instituiu na mencionada lei o artigo 35, que passou então a tratar desta matéria, senão vejamos: Fl. 1242DF CARF MF 46 “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Como foi mencionado no artigo acima trazido, o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos decorrentes de contribuições administradas pela Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do artigo 5° da mesma lei, conforme abaixo: “Art. 61 (...) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Por sua vez, o mencionado § 3º do artigo 5º da lei nº 9.430/96 prescreve que: Art. 5º (...) “(...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.” Portanto, segundo os dispositivos legais acima transcritos, não resta dúvida que, sobre as contribuições sociais arrecadadas pela Previdência Social (RFB), pagas com atraso, incluídas ou não em notificação de débito, sujeitamse aos juros equivalentes à taxa SELIC, em caráter irrelevável, a partir da data de seu vencimento. Ademais, este entendimento resta simulado na Súmula CARF nº 04, a saber: “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Portanto, outro não poderia ser o entendimento do E. CARF, conforme faz exemplo o trecho (abaixo colacionado) extraído do Acórdão proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste colendo tribunal administrativo, da lavra do Ilustre Relator Daniel Melo Mendes Bezerra: “PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.186 47 títulos federais.” (CARF. Segunda Sessão de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Rel. Daniel Melo Mendes Bezerra. Sessão: 04/04/2017) Como visto, a taxa SELIC é o índice legal utilizado na cobrança dos juros de mora por atraso no recolhimento das contribuições previdenciárias. Assim sendo, neste ponto, improcede a argumentação da Recorrente. Juros sobre a multa de ofício. Legalidade. A Recorrente contesta a incidência de juros sobre a multa de ofício, sustentando que, se os juros remuneram o credor pela privação do uso do seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal. Ainda, aduz que, como a multa não retrata o principal, sobre ela não incide juros. Por fim, informa que inexiste lei que autorize a incidência de juros sobre a multa aplicada sobre o principal. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente, haja vista a Lei dispor que incide juros de mora sobre o crédito tributário, o qual também é composto pela multa de ofício, senão vejamos. Ao tratar da incidência de juros sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, o Código Tributário Nacional preceitua o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Assim, a alegação de que a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada seria ilegal é totalmente improcedente, já que a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o dispositivo legal transcrito acima. Quer dizer, tanto a multa de ofício como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, inclusive no que tange a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Cabe observar, ainda, que tanto o artigo 43, como o artigo 61, ambos da Lei nº 9.430/96, trazem a previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, conforme demonstrado abaixo: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Fl. 1244DF CARF MF 48 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Como se vê, a incidência de juros sobre a multa de ofício está amparada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, já que a multa de ofício se enquadra dentro do conceito de “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Ademais, observase que a incidência de juros sobre a multa de ofício também está amparada pelo parágrafo único do artigo 43 da Lei nº 9.430/96, já que este estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário “correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente” incidem juros a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo. Com efeito, em que pesem as alegações apresentadas pela Recorrente, não há que se falar em nenhuma irregularidade no que tange a incidência de juros sobre a multa de ofício, visto que ela se encontra expressamente prevista em lei e que as autoridades administrativas estão plenamente vinculadas à legislação em vigor. Nesse sentido, cabe citar o esclarecedor voto da ilustre conselheira Viviane Vidal Wagner, em seu voto vencedor na 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão 910100.539, de 11 de março de 2010, a saber: “ (...) Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.187 49 Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente." A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§10). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. Fl. 1246DF CARF MF 50 A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei no 9.430, de 1996, art. 61). §1o. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: "JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (g.n.) Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.188 51 Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei no 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: "REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07)." (grifei) Em consonância com o esclarecedor voto supra, cabe transcrever a seguir os seguintes precedentes judiciais e administrativos: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido.” (STJ, AgRg no Recurso Especial nº 1.335.688 PR (2012/01537730). Relator Ministro Benedito Gonçalves. Decisão: 04/12/2012. Dje de 10/12/2012). “JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Fl. 1248DF CARF MF 52 A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.” (...) (CARF, Acórdão nº 130100.810, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, Conselheiro designado para o voto vencedor Waldir Veiga Rocha, Sessão de 01/02/2012) “JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região.” (CARF, Acórdão nº 9202001.806, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Conselheiro designado para o voto vencedor Elias Sampaio Freire, Sessão de 29/11/2011) Neste ponto, com fundamento na legislação competente e pelos fundamentos acima expostos, entendo pela legalidade da incidência de juros de mora sobre multa de ofício, negando provimento às alegações da Recorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator 1MELLO, Marcos Bernardes de. Teoria do fato jurídico: plano da validade . 8 ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 128 2GALGANO, Francesco apud BATALHA, Wilson de Souza Campos, 1985, p. 161 3 ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Planejamento Tributário. São Paulo: Saraiva, 2009,p. 171 4 GRECO, Marco Aurélio. “Constitucionalidade do parágrafo único do artigo 116 do CTN”. In: ROCHA, Valdir de Oliveira (Coord.). O Planejamento tributário e a lei complementar 104. São Paulo: Dialética, 2001, p. 194 Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 10803.000156/200864 Acórdão n.º 2201003.657 S2C2T1 Fl. 1.189 53 Fl. 1250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900271/2014-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 24/09/2010
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 02 71 /2 01 4- 84 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900271/201484 Acórdão n.º 3401003.675 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 24/09/2010 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13888.900271/201484 Acórdão n.º 3401003.675 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13888.900271/201484 Acórdão n.º 3401003.675 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
