Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 19647.009023/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005
ALCOOL ANIDRO PARA OBTENÇÃO DE GASOLINA C. TRIBUTAÇÃO MONOFASICA. DISTRIBUIDORA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
O álcool anidro, tomado o arcabouço legal que regula a incidência monofásica da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre os combustíveis, não pode ser considerado insumo para a obtenção da gasolina C, a partir da mistura com a gasolina A. Mesmo porque, submetido o álcool anidro à alíquota zero, a teor do art. 42, II da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, há expressa vedação à apropriação de crédito pretendida, ex vi do art. 3º, § 2º das Leis nº s 10.637/02 e 10.833/03.
Numero da decisão: 3401-002.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite de Queiroz Lima que davam provimento integral. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Robson José Bayerl - Redator designado.
EDITADO EM: 05/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005 ALCOOL ANIDRO PARA OBTENÇÃO DE GASOLINA C. TRIBUTAÇÃO MONOFASICA. DISTRIBUIDORA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. O álcool anidro, tomado o arcabouço legal que regula a incidência monofásica da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre os combustíveis, não pode ser considerado insumo para a obtenção da gasolina C, a partir da mistura com a gasolina A. Mesmo porque, submetido o álcool anidro à alíquota zero, a teor do art. 42, II da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, há expressa vedação à apropriação de crédito pretendida, ex vi do art. 3º, § 2º das Leis nº s 10.637/02 e 10.833/03.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19647.009023/2007-97
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5441208
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3401-002.893
nome_arquivo_s : Decisao_19647009023200797.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19647009023200797_5441208.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite de Queiroz Lima que davam provimento integral. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Júlio César Alves Ramos - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Robson José Bayerl - Redator designado. EDITADO EM: 05/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
id : 5859952
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704637014016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2320; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.009023/200797 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.893 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria PIS E COFINS Recorrente FEDERAL DISTRIBUIDORA DE PETROLEO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005 ALCOOL ANIDRO PARA OBTENÇÃO DE GASOLINA C. TRIBUTAÇÃO MONOFASICA. DISTRIBUIDORA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. O álcool anidro, tomado o arcabouço legal que regula a incidência monofásica da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre os combustíveis, não pode ser considerado insumo para a obtenção da gasolina “C”, a partir da mistura com a gasolina “A”. Mesmo porque, submetido o álcool anidro à alíquota zero, a teor do art. 42, II da Medida Provisória nº 2.15835/2001, há expressa vedação à apropriação de crédito pretendida, ex vi do art. 3º, § 2º das Leis nº s 10.637/02 e 10.833/03. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005 ALCOOL ANIDRO PARA OBTENÇÃO DE GASOLINA C. TRIBUTAÇÃO MONOFASICA. DISTRIBUIDORA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. O álcool anidro, tomado o arcabouço legal que regula a incidência monofásica da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre os combustíveis, não pode ser considerado insumo para a obtenção da gasolina “C”, a partir da mistura com a gasolina “A”. Mesmo porque, submetido o álcool anidro à alíquota zero, a teor do art. 42, II da Medida Provisória nº 2.15835/2001, há expressa vedação à apropriação de crédito pretendida, ex vi do art. 3º, § 2º das Leis nº s 10.637/02 e 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 90 23 /2 00 7- 97 Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite de Queiroz Lima que davam provimento integral. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Robson José Bayerl Redator designado. EDITADO EM: 05/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório O presente processo tem como objeto Pedidos de Ressarcimento (PER) e Pedidos de Compensação, interrelacionados pela dependência destes em relação àqueles, que foram indeferidos pela autoridade administrativa, e que, agora, percorre as instâncias que apreciam a inconformidade do contribuinte com esse indeferimento. Os pedidos de ressarcimento de COFINS se referem aos períodos de apuração do 3º trimestre de 2004 ao 4º trimestre de 2005, cujas PER foram transmitidas entre as datas de 19/04/2004 e 14/02/2006. E os pedidos de ressarcimento de PIS se referem aos períodos de apuração do 3º trimestre de 2004 ao 4º trimestre de 2005, cujas PER foram transmitidas entre as datas de 14/02/2006 e 14/03/2006. Os pedidos de ressarcimento (PER) foram justificados pelo contribuinte com seu entendimento de suposto direito de aproveitar créditos de Pis e Cofins decorrentes da aquisição de álcool anidro para a produção de gasolina C e créditos de Pis e Cofins decorrentes de despesas com serviços prestados por pessoas jurídicas na produção e comercialização dos produtos, abrangendo despesas com frete e armazenagem. O indeferimento analisou o fato e o que prescreve a legislação, argumentando, em síntese produzida pela instância a quo que reproduzo: 2.1. por meio de termo de diligencia fiscal, a contribuinte, aos 03/11/2009, foi intimada a apresentar"... demonstrativos dos Perdcomp, dos Dacon, o resumo da natureza dos créditos, assim como, copia da movimentação contábil e das notas fiscais do período de 2004 a 2008", os quais foram entregues pelo sujeito passivo e analisados pela Fiscalização; Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.009023/200797 Acórdão n.º 3401002.893 S3C4T1 Fl. 3 3 2.2. a interessada foi, em seguida, novamente intimada, desta feita para esclarecer as razões pelas quais pleiteou os créditos examinados, e, em resposta, informou que "Os valores informados na ficha 4 linha 02 do Dacon do 3° e 4° trimestres e na ficha 6 linha 2 do 10, 2°, 3° e 4° trimestres de 2005 referemse as aquisições de álcool anidro que é utilizado como insumo na mistura da gasolina 'A' para obtenção da gasolina 'C'. A fundamentação para tal procedimento tem origem na Lei n° 10.833 (...)" e que "Dessa forma, como o álcool anidro não é utilizado para revenda e sim como insumo para produção da gasolina 'C' entendemos estar obedecendo as orientações do Dacon 1.3 do período de 2004 (...)" e que "Para o ano de 2005 a fundamentação legal é a mesma e esta em consonância com as orientações do Dacon"; 2.3. analisandose a legislação que trata do direito ao crédito da contribuição para o PIS e da COFINS nãocumulativas sobre a aquisição de álcool anidro pelas distribuidoras de combustíveis para adição a gasolina "A", chegarseia a conclusão abaixo, sintonizada com vários acórdãos de Delegacias de Julgamento e com Soluções de Consulta dos órgãos da RFB: 2.3.1. até 30/09/2008 as aquisições, por distribuidor de álcool anidro para fins carburantes para ser adicionado a gasolina, não geravam direito a crédito, por força da vedação expressa encartada no art. 3°, I, "a", das Leis n° 10.637, de 30/12/2002 e 10.833, de 29/12/2003; 2.3.2. o álcool anidro adquirido para adição a gasolina tipo "A" para formulação da gasolina tipo "C" não se enquadra na condição de insumo, conforme art. 42, II, da Medida Provisória n° 2.158 35, de 24/08/2001, c/c o art. 11, §1°, da Instrução Normativa SRF n° 594, de 26/12/2005; 2.3.3. "As duas condições anteriores impeditivas do aproveitamento de créditos, já foram bastante analisadas no âmbito da Receita Federal, tanto em soluções de consultas quanto em Acórdãos das DRJs, sendo que, até o presente, não houve divergências quanto ao entendimento de que a aquisição de álcool anidro por distribuidoras de combustíveis para adição à gasolina " não dá direito aos créditos do PIS e da COFINS nãocumulativos." O contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade que foi apreciada pelos Respeitáveis Julgadores da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife. Após criteriosa e detalhada análise, concluíram por considerarem improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 1135.483, de 22/11/2011, ficou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 Inexiste nulidade de Despacho Decisório por preterição do direito de defesa quando, na manifestação de inconformidade interposta, a contribuinte demonstra compreensão das razões do indeferimento do pedido de ressarcimento e da não homologação da Declaração de Compensação por ela apresentada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005 COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFASICA. DISTRIBUIDORA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A introdução dos combustíveis derivados de petróleo ' na sistemática não cumulativa da contribuição para o PIS não alterou a incidência monofásica desta contribuição junto aos produtores/importadores. Assim, as distribuidoras, que não possuem obrigação de pagamento da contribuição para o PIS na comercialização, submetida à aliquota zero, de mencionados produtos, não têm direito a creditamento, seja em relação aos custos de aquisição dos produtos revendidos, seja no tocante aos correspondentes custos, despesas e encargos de comercialização, pois não há cumulatividade a ser evitada, razão maior da apuração de créditos. Além disto, a admissão do creditamento às distribuidoras de combustíveis contrariaria, neste contexto, a lógica da tributação monofásica, que pressupõe a existência de reflexos tributários apenas em um dos elos da cadeia de comercialização/produção. • ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005 COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFASICA. DISTRIBUIDORA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A introdução dos combustíveis derivados de petróleo na ,sistemática não cumulativa da COFINS não alterou a incidência monofásica desta contribuição junto aos produtores/importadores. Assim, as distribuidoras, que não possuem obrigação de pagamento da COFINS em relação à comercialização, submetida à aliquota zero, de mencionados produtos, não têm direito a creditamento, seja em relação aos custos de aquisição dos produtos revendidos, seja no tocante aos correspondentes custos, despesas e encargos de comercialização, pois não há cumulatividade a ser evitada, razão maior da apuração de créditos. Além disto, a admissão do creditamento As distribuidoras de combustíveis contrariaria, neste contexto, a lógica da tributação monofásica, que pressupõe a existência de reflexos tributários apenas em um dos elos da cadeia de comercialização/produção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte ingressa com Recurso Voluntário, por meio do qual repisa as razões constantes em sua manifestação de inconformidade porque entende legitimo seu direito e porque as decisões anteriores devem ser reformadas. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.009023/200797 Acórdão n.º 3401002.893 S3C4T1 Fl. 4 5 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o Recurso Voluntário e foram atendidos os requisitos de admissibilidade. Mérito Longo, cordial e intenso diálogo vem sendo mantido pelos interessados e estudiosos a respeito (a) do significado e alcance da legislação vigente à época, (b) da natureza das operações, processos e produtos objeto da lide, e ( c) da finalidade e justificativas da sistemática de tratamento tributário e fiscal desse conjunto. As ponderações apresentadas neste processo refletem apenas parte desse diálogo entre estudiosos do tema. A nossa análise não pretende reproduzir esse debate, mas apenas propor um juízo para este contencioso. Sobre o álcool anidro ser considerado insumo na produção da gasolina C: Pareceme que ao evolver da apreciação da lide concorre a discussão a respeito da identidade da gasolina A, da gasolina C e do alcool anidro, e das suas interrelações como objetos do interesse econômico e jurídico. S.m.j., creio que informações de outras esferas de conhecimento podem trazer contribuições para a reflexão e o debate até aqui realizado. Permitamme o uso de imagens conceituais e figuras de linguagem para expor meu entendimento. Após ponderações a respeito das causas e razões dessa lide e da natureza dos produtos discutidos, concluí que a gasolina C não é uma justaposição ou simples mistura da gasolina A com o alcool anidro, de modo que se possa afirmar que não existe realmente um produto C, mas apenas a gasolina A e o alcool anidro "juntados fisicamente num mesmo pacote", que, se pudéssemos desfazer essa "juntada e empacotamento", separaríamos e reaveríamos a gasolina A e a o alcool anidro. Ao contrário, a gasolina C é resultante da combinação daqueles elementos, mas ela é um terceiro elemento obtido por um processo que implicou em mudanças, e não só num ajuntamento. Negar esse fato me parece trabalhar com uma ficção físicoquímica e se afastar da verdade material. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 Podemos descrever que esses produtos gasolina A, alcool anidro e gasolina C sejam componentes de uma cadeia de produção e comercialização, um fluxo cujas etapas e atividades agregam valor. Há estudiosos do direito que interpretam e afirmam que a gasolina C nas distribuidoras é etapa de comercialização. Mas o que pude compreender até o momento, considerando o exposto nos parágrafos anteriores, contraria as conclusões desses estudiosos. A meu ver, nessa cadeia, a agregação de valor no momento da obtenção da gasolina C não se limita ao comercial, mas iniludivelmente é de produção. Logo, a obtenção da gasolina C é processo de produção. Mas esclareço que nem toda produção é necessariamente um processo de industrialização, nos termos delimitados pela legislação do IPI. O que vejo na legislação da COFINS e do PIS é ela se referir aos processos de produção e de fabricação, e não somente ao de industrialização. No âmbito das normas para essas contribuições, defendo que os conceitos da legislação do IPI possam concorrer de forma supletiva, quando não contradigam os já oferecidos pela própria legislação do PIS e da COFINS. Por isso, divirjo dos argumentos que se baseiam em interpretações que circunscrevem ao significado de processo de industrialização dado pela legislação do IPI as referência dos dispositivos dos artigos 3º das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002 aos processos de produção e de fabricação. Este superior tribunal vem consolidando o entendimento que os conceitos que organizam a apuração do PIS e da COFINS pelas Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 não se circunscrevem ou se subordinam aos conceitos da Legislação do IPI. O PIS e a COFINS têm seu próprios fundamentos, e se distinguem do IPI. Assim, concluo que não pode ser considerado procedente o argumento que reconhece ou que nega a pretensão da contribuinte baseada nos conceitos da legislação do IPI, transplantados para questão de PIS ou de COFINS. Nessa toada, sendo a obtenção da gasolina C um processo de produção resultante da combinação de gasolina A com alcool anidro embora não seja industrialização, a empresa que dessa forma obtém a gasolina C é empresa produtora embora não seja industria. E notese que essa é atividade diferente da atividade de distribuição. A venda da gasolina C, nessa visão, não é a revenda da correspondente gasolina A e do alcool anidro, mas de fato a venda desse terceiro produto deles resultante: a gasolina C. E o alcool anidro seria, sim, insumo para a produção da gasolina C. Sobre a monofasia e a não cumulatividade: Mas essa proposta de apreciação inicial não é suficiente. Ainda, precisamos apreciar outros conceitos brandidos nessa discussão: a monofasia e a não cumulatividade. Espero que me perdoem pelas considerações sintéticas. É o crescente amor pela brevidade, além do respeito pelas apertadas linhas que assim me orientam na exposição dos votos. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.009023/200797 Acórdão n.º 3401002.893 S3C4T1 Fl. 5 7 A Monofasia aqui referida, que alguns denominam incidência monofásica, outros de regime de tributação monofásica, vou preferir considerar como regime de recolhimento (de tributo). Labuto com a perspectiva que ele não pode ser embaralhado com o conceito de não cumulatividade (ou de cumulatividade, seu oposto). O regime de recolhimento monofásico é medida de governança fiscal que, na cadeia de produçãocomercialização de determinado produto, seleciona a operação de produção para identificar o responsável pelo recolhimento do tributo considerado representativo ou equivalente da tributação incidente ao longo de toda essa cadeia nas posteriores operações de comercialização. Assim, os contribuintes na seqüência dessa cadeia ficam desonerados do pagamento desse tributo. Esse regime de recolhimento trabalha sobre a unidade de registro "cadeia de produçãocomercialização". Ele tem seu termo quando o produto não será submetido a comercialização, como, por exemplo, quando ele é incorporado ao patrimônio, ou é consumido, ou é aproveitado na produção de outro produto. A não cumulatividade, por sua vez, haure seu sentido corrente do âmbito do IPI. Nessa perspectiva – para o IPI – ele é instituto basilar do direito tributário e prevê a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Ele mantém intima relação com os princípios constitucionais que orientam tratar igualmente os iguais, ou seja, não beneficiar mais alguns do que os outros do mesmo ciclo produtivo (Princípios da Igualdade e da Capacidade Contributiva Objetiva) e orientam evitar a incidência do tributo sobre tributo, o inaceitável efeito confiscatório ou "cascata". Em linhas gerais, esperase que a não cumulatividade oriente e fundamente normas de tributação, no que for aplicável. As técnicas de creditamento podem estar entre elas. Elas são concebidas, na mor parte das vezes, para observar esse instituto. Mas há hipóteses na legislação em que as técnicas de creditamento não estão adstritas à não cumulatividade; elas atendem a outros princípios legais ou a outros interesses de governança tributáriofiscal (ex.: incentivos; benefícios). Entretanto, a meu ver, a não cumulatividade dedicada às contribuições PIS e COFINS tem outro sentido, regras e critérios diferentes daquela do IPI, e passo a expor esse meu entendimento preliminar. A Constituição Federal, em seu artigo 195, estabeleceu contribuições incidentes sobre as receitas ou faturamento do empregador, da empresa ou de entidade equiparada na forma da lei, cuja arrecadação desse tributo se constituiria em recursos a serem destinados a financiar a seguridade social. Ela, em seu § 12, atribuiu ao legislador ordinário a competência para a criação e o disciplinamento do regime de não cumulatividade dessas contribuições. A Constituição Federal cria a incidência desses tributos sobre a receita ou a faturamento. Mas, são as Leis n.º 10.637, de 2002, e n.º 10.833, de 2003 que trazem elementos para definir as hipóteses de incidência e as de exclusão ou isenção. Além disso, essas leis, regulam o PIS e a COFINS e pretendem vir ao encontro daquela previsão constitucional de um regime de não cumulatividade. Nesse sentido, elas trazem as regras para a determinação do valor devido dessas contribuições, e, para tanto, a Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 meu sentir, prevêem que o cálculo considere a redução por créditos apurados para fatores que concorreram para a obtenção dessa receita ou faturamento. A regra da não cumulatividade estatuída pelo inciso II, § 3º do artigo 153 da CF/1988 para o IPI não corresponde ao regime de não cumulatividade previsto pelo § 12 do artigo 195 da mesma CF. E mesmo as regras das Leis acima citadas, que se apresentam como sob o manto desse regime de não cumulatividade, não correspondem à lógica e regime previsto para o IPI. O regime de não cumulatividade do PIS e da COFINS é um regime próprio e distinto daquele reservado ao IPI. As Lei n. 10.637/2002 e Lei n. 10.833/2003 disciplinam o creditamento para, por dedução ou abatimento, se determinar o valor devido dessas contribuições. O creditamento assim estabelecido pretende atender ao regime de não cumulatividade previsto na Constituição Federal e criado através das Leis aqui citadas. E, até o momento, este é um ponto central em minha compreensão a respeito dessa matéria: 1. a materialidade do PIS e da COFINS está na receita tributável; 2. a materialidade da não cumulatividade está na relação de dependência da receita tributável para com a ocorrência do fator admitido pelas leis que disciplinam a matéria; 3. logo, o direito de creditamento está reservado para os fatores em que esteja demonstrado sejam eles necessários para a geração da receita tributável. Apesar de mal traçadas, essas breves considerações representam, a meu ver, a lógica da não cumulatividade do PIS e da COFINS expressa na leitura conjugada dos artigos dessas Leis. Não faz sentido que se possa gerar creditamento a partir da ocorrência de fatores que não tenham relação de causação ou de concorrência para com a geração da receita a ser tributada. Contradiz essa lógica ler os incisos e §§ do artigo 3º desconectados dos demais artigos da mesma Lei, principalmente os artigos 1º e 2º. A par das intensas discussões a esse respeito nas esferas de produção de normas e de julgamento de contenciosos, não é surpresa constatarmos que a legislação em 30/09/2008 estabeleceu um divisor temporal de águas, o que antes alguns julgavam que não era admissível, passa então a ser positivamente admitido (no caso: as aquisições de alcool anidro para a produção da gasolina C não gerariam direito a crédito até essa data; mas passaram a gerar depois dela). Por exemplo, assim analisa a autoridade fiscal: Assim, até o advento da Lei n° 11.727, de 23/06/2008, que, como veremos, introduziu tratamento diferenciado para a apuração de crédito pelo produtor, importador ou distribuidor de álcool, inclusive para fins carburantes, quando da aquisição do produto para revenda de outro produtor, importador ou distribuidor, devese buscar nas Leis n's 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, ... Por outro lado, a partir das alterações introduzidas pela Lei 11.727, de 23 de junho de 2008, que fixou novos parâmetros à tributação do álcool, incluindoo na nãocumulatividade e estabelecendo uma tributação concentrada no distribuidor, concomitante com uma menor tributação no produtor ou importador, houve previsão de geração de credito na aquisição de álcool anidro, conforme previsto nos §§ 13, 15 e 16 do Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.009023/200797 Acórdão n.º 3401002.893 S3C4T1 Fl. 6 9 artigo 50 da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, que teve sua redação reescrita pela Lei no 11.727, de 2008 .... Quando leio essas considerações e argumento, me parece evidente que a razão dessa 'mudança" não reside no enquadramento desses tipos de produtos no regime monofásico ou na não cumulatividade, mas, sim, simplesmente, na existência de vontade e decisão políticas, expressas em dispositivo na Lei que veda ou autoriza ou disciplina a geração do direito creditório. No caso aqui em discussão, sinto falta de consistência nos argumentos que decidem o direito creditório simplesmente com base na interpretação que ele é incompatível com o regime de recolhimento monofásico e com a não cumulatividade. Pareceme mais razoável buscarmos o concurso do que positivamente define a lei. E a Lei não definiu que a gasolina C não seja um produto, ou que a empresa que a obtenha no processamento da gasolina A com o Alcool anidro não seja uma produtora, PARA OS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DO PIS E DA COFINS. Vejamos as razões postas pelos julgadores a quo para considerar improcedente o direito pleiteado: A introdução dos combustíveis derivados de petróleo ' na sistemática não cumulativa da contribuição para o PIS não alterou a incidência monofásica desta contribuição junto aos produtores/importadores. Assim, as distribuidoras, que não possuem obrigação de pagamento da contribuição para o PIS na comercialização, submetida à aliquota zero, de mencionados produtos, não têm direito a creditamento, seja em relação aos custos de aquisição dos produtos revendidos, seja no tocante aos correspondentes custos, despesas e encargos de comercialização, pois não há cumulatividade a ser evitada, razão maior da apuração de créditos. Além disto, a admissão do creditamento às distribuidoras de combustíveis contrariaria, neste contexto, a lógica da tributação monofásica, que pressupõe a existência de reflexos tributários apenas em um dos elos da cadeia de comercialização/produção. Essas razões me parecem insustentáveis, face o que dispõe a legislação e as práticas dessa matéria. Os julgadores propõem que a nao cumulatividade é a razão dos créditos, e as distribuidoras não têm obrigação de pagamento do PIS e da COFINS na comercialização submetida à alíquota zero, então não têm direito ao creditamento quando aos custos do que foi adquirido e revendido, nem quanto aos custos de comercialização. Mas este é um raciocínio equivocado a meu ver. A não cumulatividade do PIS e da COFINS não possui a mesma razão da não cumulatividade do IPI (abater no imposto devido na venda de determinado produto o anteriormente pago desse mesmo imposto na aquisição daquilo que concorreu para a fabricação desse produto). Esse raciocínio sugere que a razão dos créditos no PIS e na COFINS reside na não cumulatividade, no sentido dessa conta de abater o pago antes para determinar o devido agora. Se essa afirmação fosse verdade, não poderia haver nenhuma hipótese de creditamento com bens vendidos com nenhum tributo devido, ou com insumos sem tributo devido em sua aquisição. Mas isso não está na lei, de modo absoluto. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 A outra justificativa para o indeferimento seria "por força da vedação expressa encartada no art. 3°, I, "a", das Leis n° 10.637, de 30/12/2002 e 10.833, de 29/12/2003" e que o alcool anidro não é insumo. Ocorre que a vedação citada se refere à venda de alcool para fins carburantes. Mas essa proibição não pode se aplicar ao caso deste processo, pois o alcool anidro é insumo na produção da gasolina C, como vimos aqui, e esse insumo não é vendido na situação em que foi adquirido, mas já assimilado e transformado nesse novo produto: a gasolina C. Logo a justificativa para o indeferimento não tem correspondência com o que dita a Lei. Portanto, com relação ao alcool anidro, concluo e proponho a este Egrégio Colegiado: · que ele é insumo para a produção da gasolina C; · que ele não pode ser considerado como revenda quando se vende a gasolina C; · que, nessa situação, ele faz jus a apuração de crédito para o PIS e a COFINS, inclusive porque não há vedação na Lei nesse sentido para alcool anidro; · que seja dado provimento ao recurso voluntário neste aspecto. Com relação ao pedido de ressarcimento de créditos sobre serviços utilizados como insumos na produção: A recorrente explica que havia tratado em seus pedidos da apuração de créditos de PIS e COFINS em relação aos serviços prestados por pessoas jurídicas utilizados na produção e comercialização dos produtos. A recorrente alega que a decisão proferida pela Unidade de Origem não fez menção a esse aspecto de seu pleito (pedidos de ressarcimento e Declarações de compensação). Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte pediu a nulidade da decisão administrativa e invocou prejuízo ao direito de defesa. Os Julgadores a quo não a acolheram, entendendo que não houve prejuízo à defesa, in verbis: 63. No entanto, o Termo de Informação Fiscal de fls. 983/1013; que embasou o Despacho Decisório de fls. 1014/1015, ao mesmo tempo em que, pelos fundamentos já narrados pormenorizadamente, desqualifica como industrialização, para fins da contribuição para o PIS e da COFINS, a mistura do álcool anidro a gasolina tipo "A" para obtenção da gasolina tipo "C", reproduz os arts. 3°, II, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 (fl. 990 e 1005), bem como o art. 26, II, da Instrução Normativa n° 594/2005 (fl. 994), os quais, somente autorizam a apuração de créditos sobre insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 64. A conjugação dos dois entendimentos acima impõe a conclusão de que a contribuinte, por não realizar processo de industrialização, não contrata serviços de terceiros (pessoas jurídicas) que possam ser caracterizados como insumos aplicados na produção ou na fabricação de produtos por ela destinados a venda. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.009023/200797 Acórdão n.º 3401002.893 S3C4T1 Fl. 7 11 65. É bem verdade que, ao propor o indeferimento total do pedido de ressarcimento e a nãohomologação das correlatas DCOMP, o Termo de Informação de fls. 983/1013 não correlacionou expressamente as duas circunstâncias acima como fundamento da negativa do direito ao creditamento sobre a parcela ora apreciada. Apesar disto, a contribuinte compreendeu muito bem a circunstância. Tanto é assim que, tendo defendido no recurso interposto que a mistura do álcool anidro a gasolina tipo "A" para obtenção da gasolina tipo "C" configuraria • industrialização, posteriormente, na vigésima primeira lauda da manifestação de inconformidade, sustenta, precisamente, que "O artigo 3°, II, das Leis n° 10.637/2002 [equivocadamente digitada como 10.637/2003] e 10.833/2003 [registrada, por lapso, como 10.833/04] quando trata de créditos aproveitáveis, faz claramente menção ao direito condizente aos serviços prestados na execução da produção" (trechos entre colchetes inseridos por este Relator). 66. Portanto, nenhum prejuízo houve a defesa da contribuinte em relação à questão aqui versada, já que a Recorrente muito bem compreendeu as razões da negativa do .creditamento sobre os serviços que diz haver contratado com terceiros. Neste aspecto, compartilho do entendimento exposto pelos julgadores a quo. O despacho decisório se baseou no entendimento que somente autorizam a apuração de créditos sobre insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. E a contribuinte pareceme compreendeu a motivação e razão e entendimento do indeferimento, e foi capaz de contraditar seus argumento. Assim, creio que não houve cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório. Ademais, concordo com os estudiosos que explicam que a autoridade administrativa não está obrigada a rebater todos os argumentos trazidos pela contribuinte em sua petição ou manifestação ou recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. S.m.j., as autoridades administrativas apreciaram de forma suficiente os pedidos e os argumentos da contribuinte, ou seja, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não havia mesmo que se acolher a preliminar de em nulidade do despacho decisório. Entretanto, tenho como necessária a reforma do acórdão recorrido nesta parte. Como expliquei anteriormente neste voto, a meu ver, a apuração dos créditos do PIS e da COFINS, nos termos das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 não se circunscreve ou se submete aos conceitos da legislação do IPI. O contribuinte desenvolve processo de tratamento das gasolinas A e C e do alcool anidro, processo de produção da gasolina C e presta serviços de logística e distribuição da gasolina C. Para o direito ao crédito em discussão, esses processos não precisam ser de industrialização, nos estritos termos da legislação do IPI. Os serviços prestados aos processos de tratamento e de produção da gasolina C são insumos aos bens por ela vendidos e aos serviços por ela prestados. E há previsão na legislação para que as despesas, encargos e custos dos serviços assim classificados possam gerar direito créditos. Portanto, concluo que razão assiste à recorrente para reconhecer o direito referente aos serviços prestados por pessoas jurídicas na produção e nos serviços de distribuição e comercialização dos produtos. Proponho dar provimento ao recurso neste aspecto. Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 Com relação ao pedido de ressarcimento dos créditos sobre despesas com armazenagem e fretes: A contribuinte havia incluído em sua petição o direito a créditos do PIS e da COFINS com relação a despesas, encargos e custos de frete e de armazenagem de gasolina A, alcool hidratado, diesel e gasolina C. A autoridade administrativa indeferiu essa parte do pleito do contribuinte o creditamento sobre despesas com armazenagem e frete com a seguinte fundamentação: 5 O direito ao aproveitamento do crédito descrito no inciso IX "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, no§ casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor" do art. 3 ° das leis 10.637/02 e 10.833/03, está condicionado ao principal, ou seja, os produtos que armazena ou transporta, tenha direito ao creditamento, conforme descrito no inciso IX Art. 30 ,c/c inciso I alínea b e § 10 do art. 2° . 6 A análise do crédito descrita no termo de Encerramento de Diligência considerou valido o aproveitamento do crédito em relação as aquisições de Álcool Anidro e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda que entendemos não ser pertinente, portanto, ficou prejudicada aquela informação no tocante ao direito e aos valores dos créditos. Até 30/09/2008, as aquisições por distribuidor de álcool anidro para fins carburantes para ser adicionado ã gasolina não geravam direito a crédito, por força de vedação expressa contida na letra "a", do inciso I do artigo 3 ° das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003 Os E Julgadores a quo mantiveram essa decisão sob o entendimento que os produtos em tela estão alcançados pela vedação posta na Lei, estão sob regime monofásico, e não integram processo de produção ou fabricação e o contribuinte não é produtor ou fabricante, mas distribuidor. Assim expuseram suas razões: 74. Da leitura dos dispositivos acima, resta evidente que o direito ao desconto de créditos sobre despesas com frete e armazenagem na operação de venda somente é cabível nos casos dos incisos I e II do art. 3° da Lei n° 10.833/2003 — e o inciso I trata de bens adquiridos para revenda, exceto, afora outra hipótese, em relação aos produtos referidos no art. 2°, §1°, de referida lei (art. 3°, I, b) e, dentre os produtos aludidos no art. 2°, §1°, da Lei n° 10.833/2003, no qual estão relacionados diversos produtos submetidos á tributação monofásica, estão os combustíveis derivados de petróleo (art. 2°, §1°, I). 75. Portanto, é evidente que, embora de forma sucinta, o Termo de Informação deixa clara a impossibilidade de creditamento das despesas de frete e armazenagem sobre os combustíveis derivados de petróleo de que trata a Lei n° 9.718/98, que, por não ensejarem direito a crédito sobre as correspondentes aquisições, igualmente não permitem o creditamento em relação As despesas de armazenagem e frete. ... 79. Afasto, pois, a preliminar de nulidade comentada e passo ao exame da existência, ou não, de direito ao creditamento sobre despesas com armazenagem e fretes na operação de venda aqui discutido — e o faço para indeferir a pretensão, pois, consoante já se patenteou exaustivamente, inexiste, diante da Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.009023/200797 Acórdão n.º 3401002.893 S3C4T1 Fl. 8 13 lógica da tributação monofásica, qualquer direito de creditamento pelas distribuidora de petróleo em relação aos custos de aquisição e aos correspondentes custos, despesas e encargos de comercialização concernentes aos combustíveis derivados de petróleo (gasolina, óleo diesel) e ao álcool anidro adicionado à gasolina tipo "A" para formação da gasolina tipo "C". 80. Ademais, no caso vertente, o direito ao creditamento sobre despesas com armazenagem e fretes encontra intransponível óbice no art. 3º, IX, da Lei n° 10.833/2003, aplicável à contribuição para o PIS por força , do disposto no art. 15, II, desta Lei. Como expus algumas linhas acima, entendo que a gasolina C é produto obtido com a combinação da gasolina A do alcool anidro. E que este é insumo daquela. Sendo assim, é evidente que abro uma possibilidade de conclusão diferente das adotadas pela autoridade de origem e pelo colegiado de 1º grau. Com eles concordo que as despesas de armazenagem e as de frete na operação de venda, suportados pelo vendedor. dos combustíveis em regime monofásico e o alcool para fins carburantes adquiridos para revenda não dão direto a crédito por expressa definição legal. (artigo 3°, inciso I, "a",das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003) Entretanto, sendo a empresa produtora de gasolina C, os combustíveis e alcool anidro adquiridos para e usados em esse processo de produção são insumos, e as despesas de armazenagem e as de frete na operação de venda suportados pelo vendedor dão direto a crédito. (inciso II do artigo 3° das Leis n`'s 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei no 10.865, de 2004) Por conseguinte, proponho dar provimento ao recurso voluntário neste aspecto, nos termos e pelas razões expostas nessa seção do voto. Conclusão: Ao final, consolidando, o voto propõe: 1. dar provimento ao recurso para reconhecer a existência de crédito de PIS e COFINS apurados pela aquisição de alcool anidro para produção da gasolina C; 2. dar provimento ao recurso para reconhecer a existência de crédito de PIS e COFINS apurados com os custos e despesas com os serviços prestados por terceiros pessoas jurídicas e empregados no processos de tratamento dos derivados de petróleo e do alcool e processos de produção da gasolina C e dos serviços de distribuição desses produtos; 3. dar provimento ao.recurso para reconhecer o crédito de PIS e COFINS apurados com as despesas e custos de frete e armazenagem Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 14 dos derivados de petróleo e do alcool anidro adquiridos para e usados em o processo de produção da gasolina C; 4. homologar as declarações de compensação objeto deste processo até o limite do valor de direito creditório assim reconhecido. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Com todo o respeito, peço vênia para divergir da conclusão do nobre Conselheiro Relator, na parte que reconhece o direito de crédito pela aquisição de álcool anidro para mistura com a gasolina “A” visando a obtenção da gasolina “C” e na prestação de serviços empregados na sua “produção” Em que pese o brilhantismo e a vanguarda do raciocínio expendido, adiro ao entendimento conservador da decisão recorrida, que a meu sentir bem enfrentou a questão, não merecendo qualquer reparo em sua argumentação, razão pela qual, aliás, tomo a liberdade de adotar seus fundamentos e, desde logo, remeter ao voto condutor da decisão de piso como razão de decidir deste voto vencedor. A par dessa colocação, registro que não vislumbro operação de industrialização e/ou produção na simples mistura de gasolina “A” e álcool anidro para obtenção de gasolina “C”, realizada pela requerente, na linha defendida pela Administração Tributária, motivo pelo qual não vejo possibilidade de creditamento de PIS/Pasep e Cofins, em relação ao álcool anidro, na condição de insumo. Devido a essa interpretação, inclusive, é que também não admito a possibilidade de creditamento pela prestação de serviços como “insumos”, pois entendo que a simples mistura de gasolina e álcool anidro, em observância à regulação própria do setor, não pode ser considerada “produção” e/ou “industrialização”. Como não bastasse, ainda que suplantado este óbice, à época dos fatos, a legislação previa a redução a zero da alíquota do PIS/Pasep e Cofins incidente sobre o álcool para fins carburantes, quando adicionada à gasolina, a teor do art. 42, II da MP 2.15835/2001, situação revertida tão somente a partir de 2008, com o advento da Lei nº 11.727/2008, que deu nova roupagem à forma de tributação dos combustíveis, verbis: “Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; II álcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina, auferida por distribuidores; (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.009023/200797 Acórdão n.º 3401002.893 S3C4T1 Fl. 9 15 III álcool para fins carburantes, auferida pelos comerciantes varejistas. (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às hipóteses de venda de produtos importados, que se sujeita ao disposto no art. 6o da Lei no 9.718, de 1998.” Tendo em conta aludida alíquota zero no período, sucede no caso vertente a vedação de apropriação de crédito constante do art. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...)” Ou seja, ainda que possível a qualificação do álcool anidro como insumo, para obtenção da gasolina “C”, a partir da mistura à gasolina “A”, o direito de crédito esbarraria na restrição expressa do dispositivo supra. Concernente ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004, tenho que não se presta à garantia do crédito vindicado, ao passo que garante a manutenção do crédito da não cumulatividade ao vendedor do produto sujeito à alíquota zero, logicamente pressupondo a existência de direito de crédito na etapa imediatamente anterior, pois não se pode manter o que não existe. Entendo, ainda, que o preceptivo em destaque seja aplicável exclusivamente ao sistema não cumulativo, não extensível à monofasia e à substituição tributária, em razão das especificidades de cada sistema. Nesta linha, andou bem a Solução de Consulta n° 59 de 31/05/2010, SRRF07/DISIT, citado no parecer que ampara o despacho decisório, ao examinar o cerne do debate ora travado com extrema percuciência, valendo a transcrição dos seguintes excertos: “(...) 16. Pretende o consulente ter reconhecido o seu direito de crédito sobre o valor das aquisições de álcool anidro para fins carburantes sob a alegação de que a vedação de aproveitamento de crédito constante do artigo 3°,inciso I, letra ‘a’ das Leis n's 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003 aplicase apenas quando de sua aquisição para revenda, hipótese que não se coadunaria com o seu caso concreto uma vez que o álcool anidro por ele Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 16 adquirido seria na verdade insumo a ser utilizado na industrialização (beneficiamento) da gasolina A para sua transformação na gasolina C. 17. Não merece, contudo, prosperar a tese defendida pelo interessado dentro da lógica tributária inerente ao Pis/Pasep e a Cofins incidente sobre os produtos com tributação concentrada. As alíquotas, neste caso, são diferenciadas de acordo com o papel do contribuinte na cadeia de produção e comercialização do produto. Como visto, no caso da gasolina e suas correntes a tributação ficou concentrada no produtor (refinaria) e importador, aplicandose ao distribuidor e ao varejista a alíquota zero. Caso viesse a ser acatada a argumentação do consulente, nas vendas de gasolina tipo C o mesmo não seria distribuidor, mas fabricante do produto, o que remeteria imposição sobre suas receitas das alíquotas de 5,08% para o Pis e de 23,44% para a Cofins. No entanto, como ele próprio assevera, todas suas receitas estão sujeitas à alíquota zero. 18. Desta forma, não cabe a transposição para o regime próprio de tributação da contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins relativo à gasolina e suas correntes dos conceitos adotados na legislação do IPI relativos à industria1izaçã, sob pena de macular toda a sua construção. A adição de álcool anidro à gasolina A feita pelo consulente e por todos os demais distribuidores, para obtenção da gasolina C, que é por eles vendida e posteriormente comercializada pelos varejistas (postos de gasolina) não é considerada, neste contexto e para fins de apuração das contribuições, fabricação ou produção de bem ou produto, e, portanto, não permite a caracterização como insumo do álcool anidro a ela agregado. 19. Em linha com tal interpretação, verificase ter o legislador cuidado de reduzir a zero a alíquota da Contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins relativas ao álcool anidro para fins carburantes adicionado A gasolina pelo distribuidor, conforme artigo 42, inciso II da MP 215835, de 2001 c/c §1° do artigo 11 da IN SRF nº 594, de 2005. 20. Afastada, assim, a possibilidade de ser o álcool anidro para fins carburantes adicionado à gasolina pelo distribuidor tratado como um insumo, premissa que sustentaria a tese da interessada quanto ao direito de aproveitamento de crédito em relação às suas aquisições do produto, deve ser demonstrado que, à luz da legislação vigente até o advento da Lei nº 11.727, de 2008, havia vedação expressa ao aproveitamento de créditos em relação à aquisição para revenda de álcool para fins carburantes, conforme artigo 3°, inciso I, ‘a’ das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, o que de pronto afasta a possibilidade de aplicação do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 2004, o qual, embora estabeleça ser admitido o aproveitamento de créditos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não tem o condão de sobreporse à uma vedação especifica prevista na própria legislação de regência.” (destacado) Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 19647.009023/200797 Acórdão n.º 3401002.893 S3C4T1 Fl. 10 17 De outra banda, discordo do Conselheiro Relator quando afirma que o direito de crédito, ora vindicado, não desnatura o regime monofásico de tributação dos combustíveis, haja vista que admitir o crédito em etapa posterior da cadeia produtiva, nessa situação, equivale a “devolver”, “restituir”, o que foi recolhido de forma concentrada, anulando parcialmente a cobrança realizada na etapa anterior. O reconhecimento do direito de crédito no regime monofásico subverte o sistema e todo o arcabouço legal definido para o instituto, equiparandoo ao sistema não cumulativo, onde, diversamente daqueloutro (que possui alíquotas distintas em função da cadeia de produção envolvida), as alíquotas são uniformes, ao passo que a incidência ocorre em cada etapa da cadeia de produção de forma independente. Assevero que a admissão de creditamento no regime monofásico exige lei específica que confira tal direito, não sendo possível a sua extração a partir da integração de textos legais, uma vez que a sistemática de tributação monofásica, assim como a substituição tributária, representa exceção à regra, consubstanciada na adoção do regime não cumulativo, razão porque, além de seguirem normas especiais para apuração do quantum debeatur, devem ser interpretadas restritivamente. Este entendimento – impossibilidade de apropriação de crédito no regime monofásico – está em consonância com a jurisprudência predominante do STJ, como se extrai da seguinte passagem da ementa do REsp 1.440.928/RS, julgado em 07/10/2014: “VII. (...). Entretanto, na forma da jurisprudência do STJ, não há falar em direito ao creditamento, na hipótese, pois este pressupõe, fática e juridicamente, incidências múltiplas de tributação, ao longo da cadeia econômica, o que não ocorre, no regime monofásico, no qual a exação é paga no início da cadeia produtiva, pelo fabricante ou importador, pessoa diversa do ora recorrente, que é comerciante/revendedor, beneficiado com a alíquota zero. Com efeito, ‘o regime jurídico da não cumulatividade pressupõe tributação plurifásica, ou seja, aquela em que o mesmo tributo recai sobre cada etapa do ciclo econômico. Buscase evitar a incidência em cascata, de modo a que a base de cálculo do tributo, em cada operação, não contemple os tributos pagos em etapas anteriores. Na tributação monofásica, por outro lado, não há risco de cumulatividade, pois o tributo é aplicado de forma concentrada numa única fase, motivo pelo qual o número de etapas passa a ser indiferente para efeito de definição da efetiva carga tributária. Logo, não há razão jurídica para que, nas fases seguintes, o contribuinte se aproveite de crédito decorrente de tributação monofásica ocorrida no início da cadeia (AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/5/2012; AgRg no Resp 1.289.495/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, Dje 23/03/2012; REsp 1.140.723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/2010; AgRg no REsp 1.221.142/PR, Rel. Min. Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 4/2/2013)" (STJ, AgRg no Resp 1.239.794/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 23/10/2013). VIII. Consoante firme jurisprudência do STJ, ‘as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 18 incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência NãoCumulativo, a teor dos artigos 2º, §1º, e incisos; e 3º, I, 'b' da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. Desse modo, não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes e por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei n. 11.033/2004, e 16, da Lei n. 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime Não Cumulativo, salvo determinação legal expressa" (STJ, AgRg no REsp 1.433.246/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 02/04/2014). IX. Por não estar sujeito ao pagamento nãocumulativo do PIS e da COFINS, na forma das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o recorrente não faz jus à apuração de créditos, segundo essa sistemática, sendo tal fundamento suficiente para indeferir o pretendido creditamento.” Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário na parte que defere a apropriação de crédito de PIS/Pasep e Cofins pela aquisição de álccol anidro, para mistura com a gasolina “A” e obtenção da gasolina “C”, e também pela aquisição de serviços empregados nessa operação. Robson José Bayerl Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923789/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10880.923789/2009-19
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5454272
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-003.384
nome_arquivo_s : Decisao_10880923789200919.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Francisco José Barroso Rios
nome_arquivo_pdf_s : 10880923789200919_5454272.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5891312
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704676859904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2230; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 129 1 128 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.923789/200919 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.384 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de julho de 2014 Matéria Pedido de Compensação PER/DCOMP Recorrente Santos Brasil S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 37 89 /2 00 9- 19 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 97/100 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Verificandose que o crédito informado no PER/DCOMP já foi utilizado pelo sujeito passivo, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito (PIS recolhido em 15/08/2000) já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; b) que a RFB entendeu não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora; c) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10880.923789/200919 Acórdão n.º 3802003.384 S3TE02 Fl. 130 3 d) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. A decisão de primeira instância, como já mencionado, indeferiu a manifestação de inconformidade, em síntese, pelo fato de o pagamento informado como origem do crédito já estar alocado integralmente a três débitos de PIS da empresa (processo nº 10880.510562/200737). A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 27/06/2011 (fls. 127). Inconformada, a mesma apresentou, em 27/07/2011, o recurso voluntário de fls. 102/122, onde informa que o débito tributário encontrase suspenso por medida judicial em razão de sentença proferida nos autos do mandado de segurança nº 2009.61.00.0103036, o qual “visou unicamente conceder efeito suspensivo a manifestação de inconformidade interposta”. No mais, reitera os argumentos aduzidos na primeira instância e requer, ao fim, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve aduzido direito creditório com base no qual o sujeito passivo formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Nos autos não está comprovada, minimamente, a existência do crédito reclamado. Nessa toada, a recorrente não apresentou nenhuma documentação necessária à comprovação do reclamado direito, até porque a interessada discute, com maior ênfase, a questão concernente à incidência de acréscimos moratórios sobre débitos vencidos declarados em DCOMP, a ser abordada adiante. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Mas merece seja feito o registro de que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi minimamente observado nos autos. A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários que esta intentava extinguir por compensação, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões pelas quais entendo que também no que diz respeito aos aludidos argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10880.923789/200919 Acórdão n.º 3802003.384 S3TE02 Fl. 131 5 I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. Por fim, no que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento do tributo ou de sua quitação via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000045/2005-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999
ARBITRAMENTO DO RESULTADO. LIVROS AUXILIARES. FALTA DE AUTENTICAÇÃO. LANÇAMENTOS TOTALIZADORES. PERÍODOS AUTUADOS POSTERIORMENTE. OPÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DO CONTRIBUINTE RESPEITADA. MESMAS IRREGULARIDADES PRESENTES. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A falta de autenticação de livros diário auxiliares e de remissão a suas folhas quando há lançamentos totalizadores para o diário geral são irregularidades que, de per si, não autorizam a arbitrar o resultado da pessoa jurídica, medida que se justifica quando a escrituração se mostra efetivamente imprestável para sua determinação, condição não caracterizada nos autos, sobretudo quando o autuante, em períodos autuados posteriormente, respeita a opção de tributação adotada pelo contribuinte, mormente presentes as mesmas irregularidades na escrituração.
MULTA. SIMULAÇÃO. FRAUDE. QUALIFICADORA.
Simulação de operações de empréstimos, registradas com o intuito de internar na entidade valores que se encontravam à margem da escrituração, caracteriza fraude, circunstância qualificadora da conduta infracional e agravante da multa de oficio.
PASSIVO FICTÍCIO. MÚTUO. NUMERÁRIO. FALTA DE PREVISÃO
CONTRATUAL. TÍTULOS DA DÍVIDA ARGENTINA INEXISTENTES. T-BILLS. TITULARIDADE NÃO COMPROVADA. SUBSIDIÁRIA. CAPACIDADE ECONÔMICA. AUSÊNCIA.
Obrigações vultosas contraídas junto a subsidiária domiciliada em paraíso
fiscal com endereço em caixa postal, desprovida de capacidade econômica,
decorrentes de recebimento de numerário sem previsão em instrumento contratual, de mútuo de títulos do governo argentino inexistentes e, títulos da divida estadunidense "T-Bills" cuja titularidade do fiscalizado é duvidosa, caracterizam passivo fictício e a presunção legal de omissão de receitas.
Numero da decisão: 1301-001.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares. No mérito, negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999 ARBITRAMENTO DO RESULTADO. LIVROS AUXILIARES. FALTA DE AUTENTICAÇÃO. LANÇAMENTOS TOTALIZADORES. PERÍODOS AUTUADOS POSTERIORMENTE. OPÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DO CONTRIBUINTE RESPEITADA. MESMAS IRREGULARIDADES PRESENTES. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de autenticação de livros diário auxiliares e de remissão a suas folhas quando há lançamentos totalizadores para o diário geral são irregularidades que, de per si, não autorizam a arbitrar o resultado da pessoa jurídica, medida que se justifica quando a escrituração se mostra efetivamente imprestável para sua determinação, condição não caracterizada nos autos, sobretudo quando o autuante, em períodos autuados posteriormente, respeita a opção de tributação adotada pelo contribuinte, mormente presentes as mesmas irregularidades na escrituração. MULTA. SIMULAÇÃO. FRAUDE. QUALIFICADORA. Simulação de operações de empréstimos, registradas com o intuito de internar na entidade valores que se encontravam à margem da escrituração, caracteriza fraude, circunstância qualificadora da conduta infracional e agravante da multa de oficio. PASSIVO FICTÍCIO. MÚTUO. NUMERÁRIO. FALTA DE PREVISÃO CONTRATUAL. TÍTULOS DA DÍVIDA ARGENTINA INEXISTENTES. T-BILLS. TITULARIDADE NÃO COMPROVADA. SUBSIDIÁRIA. CAPACIDADE ECONÔMICA. AUSÊNCIA. Obrigações vultosas contraídas junto a subsidiária domiciliada em paraíso fiscal com endereço em caixa postal, desprovida de capacidade econômica, decorrentes de recebimento de numerário sem previsão em instrumento contratual, de mútuo de títulos do governo argentino inexistentes e, títulos da divida estadunidense "T-Bills" cuja titularidade do fiscalizado é duvidosa, caracterizam passivo fictício e a presunção legal de omissão de receitas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16327.000045/2005-54
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5446750
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.810
nome_arquivo_s : Decisao_16327000045200554.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16327000045200554_5446750.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares. No mérito, negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
id : 5878913
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704717754368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2350; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000045/200554 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301001.810 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de março de 2015 Matéria IRPJ. Recorrente MCOM WIRELESS S/A (ATUAL MCOM WIRELESS LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 ARBITRAMENTO DO RESULTADO. LIVROS AUXILIARES. FALTA DE AUTENTICAÇÃO. LANÇAMENTOS TOTALIZADORES. PERÍODOS AUTUADOS POSTERIORMENTE. OPÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DO CONTRIBUINTE RESPEITADA. MESMAS IRREGULARIDADES PRESENTES. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de autenticação de livros diário auxiliares e de remissão a suas folhas quando há lançamentos totalizadores para o diário geral são irregularidades que, de per si, não autorizam a arbitrar o resultado da pessoa jurídica, medida que se justifica quando a escrituração se mostra efetivamente imprestável para sua determinação, condição não caracterizada nos autos, sobretudo quando o autuante, em períodos autuados posteriormente, respeita a opção de tributação adotada pelo contribuinte, mormente presentes as mesmas irregularidades na escrituração. MULTA. SIMULAÇÃO. FRAUDE. QUALIFICADORA. Simulação de operações de empréstimos, registradas com o intuito de internar na entidade valores que se encontravam à margem da escrituração, caracteriza fraude, circunstância qualificadora da conduta infracional e agravante da multa de oficio. PASSIVO FICTÍCIO. MÚTUO. NUMERÁRIO. FALTA DE PREVISÃO CONTRATUAL. TÍTULOS DA DÍVIDA ARGENTINA INEXISTENTES. TBILLS. TITULARIDADE NÃO COMPROVADA. SUBSIDIÁRIA. CAPACIDADE ECONÔMICA. AUSÊNCIA. Obrigações vultosas contraídas junto a subsidiária domiciliada em paraíso fiscal com endereço em caixa postal, desprovida de capacidade econômica, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 00 45 /2 00 5- 54 Fl. 2891DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 2 decorrentes de recebimento de numerário sem previsão em instrumento contratual, de mútuo de títulos do governo argentino inexistentes e, títulos da divida estadunidense "TBills" cuja titularidade do fiscalizado é duvidosa, caracterizam passivo fictício e a presunção legal de omissão de receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares. No mérito, negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário e de Ofício, manuseados contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. Segundo consta nos autos, a contribuinte foi autuada e notificada a recolher ou impugnar os créditos tributários de R$ 51.447.213,83, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ; R$ 1.338.702,17, de Contribuição para o Programa de Integração Social — Pis; R$ 19.698.974,66, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL; e, R$ 4.924.743,62, de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins, incluídos nesses valores as multas e juros de mora, calculados até 30.11.2004. O enquadramento legal dos lançamentos encontrase grafado nos campos específicos do auto de infração. E o procedimento fiscal iniciouse em 23/07/2003 (fls. 04) com o objetivo original de atestar a adequação do contribuinte às normas relativas a preços de transferência e à verificação da regularidade dos juros pagos/creditados a empresas vinculadas. Posteriormente, houve um redirecionamento da fiscalização, ocorrendo um encerramento Fl. 2892DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000045/200554 Acórdão n.º 1301001.810 S1C3T1 Fl. 3 3 parcial dos trabalhos e a constituição de crédito tributário de IRPJ e reflexos em relação aos anos calendário de 1998 e 1999, sendo imputado à fiscalizada a infração de omissão de receitas não operacionais, por manutenção de empréstimos inexistentes em seu passivo, tendo sido arbitrado seu lucro tributável, com fundamento na imprestabilidade da escrituração da fiscalizada. Os fundamentos da autuação estão consignados no TERMO DE CONSTATAÇÃO E VERIFICAÇÃO FISCAL ENCERRAMENTO PARCIAL (fls. 1216/1222), adiante transcritos: [...] "Nas funções de AuditorFiscal da Receita Federal, e em ação fiscal realizada no contribuinte acima identificado [MCOM Wireless SA], procedemos a verifica a atestar a adequação do contribuinte as normas de preços de transferência, em relação aos juros pagos/creditados com empresas vinculadas. A análise dos Livros contábeis e fiscais, entretanto, levou à desclassificação da escrita e arbitramento do lucro do contribuinte por irregularidades formais e legais na escrituração, além de terse constatado a prática de atos delituosos tendentes a excluir a incidência dos tributos, com a utilização de documentos eivados de falso ideológico e uso do abuso de forma. Além disso, o contribuinte sistematicamente recusase a atender a fiscalização. Os seguintes pontos caracterizam as irregularidades acima referidas: I DO ABUSO DE FORMA GRUPO GP (Garantia): 1.a MCOM é uma empresa do Grupo GP (Garantia). Há mais de dez anos o Grupo GP cria várias empresas por ano, sendo que algumas chegam a ter o CNPJ sequencial; 2.tais empresas são, em sua maior parte, empresas de participação (holdings); 3.tais empresas variam o local da sede, havendo várias situadas em um mesmo endereço (por vezes, uma sala ou conjunto); 4. a razão social das empresas muda, muitas vezes, no decorrer do tempo; 5. os responsáveis perante a SRF e os contadores também mudam, mas se revezam na administração e na contabilidade das empresas, com o intuito de descaracterizar as responsabilidades. Como exemplo, a própria MCOM apresentou uma DIRPJ, em 2002, retificando o responsável e o contador na DIRPJ de 1996; 6. os sócios também mudam com o passar do tempo; Fl. 2893DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 4 7. boa parte dos sócios são pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, principalmente nas British Virgin Islands e nos EUA, em Willmington, Estado do Delaware; 8. os representantes (procuradores) destas empresas são pessoas ligadas ao Grupo; 9. praticamente todas as empresas apresentam uma "vida útil", após o que são incorporadas por outras do próprio Grupo ou meramente extintas. Este é o caso da MCOM e suas subsidiárias; 10. a prática de criar as empresas tem por finalidade "esquentar dinheiro", seja pela tomada de empréstimos (externos) fictícios, seja pela suposta prestação de serviços a empresas locais ou a pessoas vinculadas no exterior; 11. nenhuma das empresas apresenta lucro, tendo prejuízos gerados por despesas financeiras ou variação cambial passiva decorrente dos supostos empréstimos ou decorrentes de equivalência patrimonial em outras empresas, que também apresentam prejuízo; 12. os empréstimos recebidos são transferidos para outras empresas, para um suposto futuro aumento de capital; 13. quando do aumento de capital, normalmente a contabilização não segue as regras contábeis, sendo o valor consignado na conta de integralmente contabilizado como investimento, não se considerando o que seria o ágio pago; 14. imediatamente após o aumento de capital, é contabilizado o resultado de equivalência patrimonial, gerando prejuízo; 15. tais operações aumento de capital são por vezes realizadas no dia 01 de janeiro ou 31 de dezembro; 16. sendo boa parte das empresas S/As de capital aberto, tais operações são efetuadas com o conluio, não só dos contadores e peritos avaliadores, como das empresas de auditoria externa. II DA DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA DA MCOM: 1. os artigos 204 (do Decreto n° 1.041/94) e 258 (do Decreto n° 3.000/99), que tratam do Livro Diário, determinam, ambos em seu § 4°, que tais Livros auxiliares contenham termos de abertura e encerramento e sejam autenticados no Registro de Comércio. A MCOM nunca autenticou nenhum de seus Diários Auxiliares. 2. O § 1° dos artigos supracitados admite a utilização de tais Livros Auxiliares na hipótese de operações numerosas ou realizadas fora da sede. Nenhum desses pressupostos ocorria no caso da MCOM; 3. a quase totalidade dos lançamentos do Diário Geral (o único autenticado) davase no último dia do mês, e tinha como histórico 'REF MOVTO DO CONTAS A PAGAR DE (último dia do mês)' ou 'REF. MOVTO CX.BC DE ... (último dia do mês)'. O § 2° dos artigos acima determina que o transporte Fl. 2894DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000045/200554 Acórdão n.º 1301001.810 S1C3T1 Fl. 4 5 dos totais mensais dos Livros Auxiliares para o Livro Diário deva ser feita referência as páginas em que as operações se encontram lançadas nos Livros Auxiliares (mais uma vez mencionando que estes devem estar registrados). No caso da MCOM, os lançamentos não eram um só (totalizadores) mas vários, e jamais foi feita qualquer referência à página dos registros auxiliares, além do fato de que os lançamentos contábeis (todos) não eram numericamente identificados; 4. apesar de possuir escrituração em meio magnético, a MCOM não possui o Diário Auxiliar de Contas a Pagar em meio magnético. O arquivo de Fornecedores e Clientes (FCLI) não se confunde com aquele, constituindose em arquivo distinto; 5. o próprio arquivo FCLI, acima mencionado, revelase imprestável para a análise da escrita do contribuinte: para o anocalendário de 1999 há vários lançamentos para o CNPJ 11.111.111/111111 e 77.777.777/777777; 6. a maior parte dos lançamentos (pagamentos), montando a R$ 22,4 MM, foi feito, conforme consta do arquivo, ao CNPJ 29.040.359/000174 — Celta Industria e Comércio Ltda., uma empresa sediada na Cidade do Rio de Janeiro (sede original da MCOM), uma empresa que declarou em 1999 (ano base) pelo Lucro Presumido um total de R$ 1,8 MM de faturamento e possui Capital registrado de R$ 363,64. III — DO FALSO IDEOLÓGICO: 1.para os anoscalendário de 1998 e 1999, a MCOM tomou supostos empréstimos em moeda nacional com seus (ex)sócios Macal Investimentos e Participações S/A (exLtda.), CNPJ 30.891.691/000121 (extinta em 23/12/03) e Antônio Dias Leite Neto, CPF 041.366.91734, e em moeda estrangeira com sua subsidiária integral MCOM Wireless BVI, Inc.; 2. para o anocalendário de 1999, pelo arquivo magnético com os lançamentos de Diário, os débitos com Antonio D. L. Neto — conta analítica 2222.0105.01000 — e Macal — conta 2222.0405.01000 — apresentam, em 31.12.99, saldo credor de R$ 3.858.380,52 e devedor de R$ 3.8585.380,52, respectivamente. Entretanto, as duas apresentam saldos zero em 31/12/00, pelo Balanço, porque lançamentos de pagamento foram feitos apenas à conta Macal; 3. os empréstimos supostamente recebidos de sua subsidiária MCOM BVI — que tem um Capital registrado de R$ 0,97 — foram feitos tendo como suposto lastro títulos da dívida argentina (Argentine Global Bonds) e da dívida americana (TBills); 4. a principal adquirente desses títulos no Brasil foi a Industrias de Papel R. Ramenzoni S/A, CNPJ 58.910.316/000109; 5. em diligência feita na empresa supra com o intuito de confirmar a real ocorrência dessas operações, foi informada pela referida que jamais transacionou tais títulos com a MCOM; Fl. 2895DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 6 6. informou ainda o representante da Ramenzoni já ter sido alvo de autuação por parte da SRF referente aos anoscalendário de 1997, 1998, 1999 e 2000, conforme processos 19515.001944/2002, 004567/200334,e 002490/200449 (fls.); 7. na confecção dos Autos de Infração acima, foi diligenciado o Governo Argentino, que confirmou a não existência dos títulos que teriam sido objeto das transações; 8. também nos referidos Autos já aparecem, como envolvidos na fraude, a MCOM e outras empresas do Grupo GP; 9. como tal prática existe desde a constituição, resta evidente a não existência de empréstimos, e, por conseguinte, a não existência de juros ou variação cambial; 10. ressaltese que as subsidiárias da MCOM tem prejuízo em (sic) também em função de empréstimos recebidos, pelo que jamais houve prejuízo de fato. Ou seja, não existe nem nunca existiu prejuízo na MCOM (em decorrência de não terem existido os empréstimos) pelo que toda a escrita do ente, desde sua fundação, deve ser desclassificada, não só pelo não registro de seus Livros Diário Auxiliares, como pela ocorrência de simulação na prática de tais operações de empréstimo. IV DO NÃO ATENDIMENTO A FISCALIZAÇÃO: 1. o contribuinte jamais entregou os arquivos magnéticos referentes aos anos calendário 1995 a 1998; 2. o contribuinte jamais entregou a composição das DIRPJ referentes aos anoscalendário de 1995 a 1997. Neste item, como pretexto para sua recusa o fato de que os Livros contábeis originais estão em poder da fiscalização, como se não possuísse os arquivos magnéticos e eventuais memórias de cálculo para os ajustes efetuados; 3. o contribuinte nunca apresentou os Livros "Presença de Acionistas"; 4. o contribuinte jamais apresentou os arquivos magnéticos de sua subsidiária Mcomcast, conforme Termo de Intimação de 17/06/04. Apesar de ter sido lavrado termo especifico para a Mcomcast (também sob fiscalização, para o período de 2000 a 2003), o representante (sic) dos contribuintes são exatamente os mesmos, de ser sua subsidiária; 5. o contribuinte apresentou em 15/12/04 os arquivos magnéticos referentes ao período de maio a dezembro de 2002 de sua subsidiária Mobilcom, em 23/12/04 os referentes a 1999, não tendo entregue os dos demais anos. O mesmo comentário quanto aos representantes do contribuinte e o fato de ser uma subsidiária sua se aplica no caso. V DO CONCURSO DE PESSOAS PARA A PRATICA DO ILÍCITO: 1. conforme já mencionado, além dos contadores e peritos avaliadores para a aquisição/aumento de capital das empresas, também os auditores externos participaram da fraude; Fl. 2896DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000045/200554 Acórdão n.º 1301001.810 S1C3T1 Fl. 5 7 2. foram tomadas a Termo as declarações do representante da Deloitte Touche Tomatsu Auditores Independentes (fls.) em relação aos trabalhos de auditoria realizados na MCOM; 3. as respostas dadas revelam terem sido desprezados os princípios básicos de auditoria; 4. também será chamado para esclarecimentos o representante da riceWaterhouse Auditores Independentes, que auditou os demonstrativos de 1995; 5. ainda não logrou esta fiscalização localizar, para esclarecimentos, a empresa WFS nem seu sócio Wander Ferreira da Silva, que fez as avaliações da Mobilcom e Mcomcast. VI DO AUTO DE INFRAÇÃO: Em função das irregularidades acima, está sendo lavrado nesta data Auto de Infração referente aos anoscalendário de 1998 e 1999. Em função da sistemática recusa do contribuinte em atender à fiscalização, está sendo agravada a multa nos termos do inciso II do art. 957, ao amparo do inciso 1 do art. 959, tudo do RIR/99. A representação fiscal para fins penais, por infringência à Lei n°8.137/90, que trata dos crimes contra a ordem tributária, será efetuada quando do encerramento da fiscalização. [...] Devidamente cientificada (fls. 1.222), a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 1.257/1.302), cujas razões seguem resumidas abaixo: [...] i. No lucro arbitrado, os períodos de apuração do IRPJ e da CSLL são trimestrais, razão pela qual ocorreu a decadência dos lançamentos referentes aos 1°, 2°, 3° e 4° trimestres de 1998 e, daqueles relativos aos 1°, 2° e 3° trimestres de 1999, por força do art. 150 do C.T.N. No que tange ao Pis e A Cofins, ocorreu a decadência das exigências relativas aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 1998 e de janeiro a novembro de 1999; ii. Apenas a título de argumentação, ainda que se entendesse aplicável o artigo 173, inciso I do CTN, por eventual ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda assim estariam decaídos os lançamentos de IPRJ e de CSLL referentes aos 1 0, 2° e 3 0 trimestres e 1999 e 1998, assim como os de Pis e Cofins de janeiro a novembro de 1998 e 1999; iii. A D. Autoridade Fiscal discorre sobre um suposto abuso de forma que teria praticado pelo grupo empresarial do qual a Impugnante faz parte e que Fl. 2897DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 8 são um amontoado de informações e acusações genéricas sem qualquer comprovação nos autos; iv. A D. Autoridade Fiscal afirma que os contadores e responsáveis perante a SRF se revezariam na administração e na contabilidade das empresas com o intuito de descaracterizar responsabilidades, lançando uma acusação genérica, subjetiva, sem possuir qualquer prova da alegação; afirma que as empresas teriam por finalidade "esquentar dinheiro", sem colher provas nesse sentido; v. O livro razão da Impugnante traz os adiantamentos para futuro aumento de capital, bem como a movimentação dos registros contábeis relativos aos investimentos da Impugnante em suas subsidiárias (docs. 04 e 05); vi. O autuante, sem qualquer comprovação, aponta um suposto conluio entre contadores, peritos avaliadores e empresas de auditoria externa; vii. Jamais a WFS ou o Sr. Wander Ferreira da Silva realizaram avaliações da Mobilcom ou da Mcomcast, sendo certo que ambos encontramse à disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários; viii. O arbitramento do lucro é medida extrema e, como tal, somente pode ser realizado em excepcionais hipóteses em que seja definitivamente impossível A autoridade lançadora determinar, ainda que de maneira aproximada, o lucro real do contribuinte, o que não se verifica no caso presente; ix. O autuante fundamenta suas alegações relativas à desconsideração da escrita da Impugnante principalmente sobre a falta de autenticação dos livros auxiliares, bem como outras pontuais supostas inconsistências relativas A escrituração contábil, as quais, contudo, meras irregularidades formais, não têm o condão de tornála imprestável nos termos do artigo 47, II, da Lei n° 8.981/95; x. O autuante equivocouse ao arbitrar o lucro da Impugnante, considerando a receita apurada no período como não operacional, sem fazer prova dessa alegação; xi. O autuante é incoerente, na medida que a receita bruta foi obtida dos livros Diário Auxiliar Caixa e Bancos, conforme planilha de fls. 1218 e 1233, baseandose parte da autuação exatamente em livros que entende serem um dos principais motivos da imprestabilidade de toda a escrita da Impugnante; xii. Embora o autuante também tenha procurado justificar a desclassificação da escrita da Impugnante pelo fato de esta supostamente não possuir o Livro Diário Auxiliar de Contas a Pagar em meio magnético, ele foi apresentado, conforme se nota às fls. 1114, sendo idêntico ao CDROM juntado à presente impugnação como doc. 07; xiii. É inaceitável que o autuante desconsidere o Livro Diário de Contas a Pagar por conta de somente (e ainda supostamente) lhe ter sido disponibilizada versão impressa e não aquela em meio magnético; Fl. 2898DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000045/200554 Acórdão n.º 1301001.810 S1C3T1 Fl. 6 9 xiv. "Ademais, o autuante lança acusação genérica, afirmando que 'para o anocalendário de 1999 há vários lançamentos (...)', sem indicar precisamente quais seriam estes lançamentos; xv. "Não bastasse isso, a D. Autoridade Fiscal utiliza um suposto argumento que atine unicamente ao anocalendário 1999 como fundamento para a desclassificação da escrita e arbitramento do lucro também em relação ao anocalendário de 1998!"; xvi. O arquivo de Fornecedores e Clientes (FCLI) mencionado pelo autuante é usado em controle interno da Impugnante e não é um livro obrigatório; xvii. Por um lapso, diversos lançamentos contábeis, a maioria adiantamento para futuro aumento de capital em empresas subsidiárias, foram registrados no sistema computadorizado da Impugnante como referentes ao fornecedor registrado sob o código "0", no qual foi incorretamente cadastrado o CNPJ da referida empresa Celta Indústria e Comércio Ltda.", empresa com a qual não se realizou qualquer operação como se percebe dos documentos anexos (doc. 08), destacando que o autuante, novamente, utiliza um argumento que está adstrito unicamente ao ano de 1999, para também desclassificar a escrita relativa a 1998; xviii. O autuante indicou dispositivos legais do arbitramento que se referem unicamente à desconsideração da escrita do contribuinte por conta de sua alegada imprestabilidade para fins de apuração do lucro real, não indicando, em momento algum, o critério para apurar a base de cálculo arbitrada dos tributos exigidos; xix. O arbitramento do lucro depende do conhecimento ou não da receita bruta do fiscalizado, sendo que a Impugnante, cujo objeto social é a participação em outras sociedades, a fim de se chegar à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta seria o de 8%, majorado em 20%, isto 6, 9,6%; xx. Ocorre que o autuante classificou as receitas supostamente omitidas como receitas não operacionais, indicando a incidência da hipótese do inciso II do artigo 27 da Lei n° 9.430/1996, as quais não estão sujeitas à aplicação dos percentuais acima referidos, não justificando, entretanto, os motivos que levaram a essa conclusão, observando que inexiste dispositivo legal em favor do Fisco autorizando a presunção de que as receitas assim apuradas possam ser classificadas como não operacionais, razão pela qual deverseiam aplicar os percentuais determinados pelo artigo 16 da Lei n° 9.249/1995, isto 6, de 9,6%; xxi. Caso não fosse possível determinar a receita bruta da Impugnante, deveria a D. Autoridade Fiscal valerse de um dos métodos alternativos trazidos pelo artigo 51 da Lei n°8.981/95; xxii. Ainda que fossem consideradas receitas não operacionais, apenas a título de argumentação, não poderia haver incidência do Pis e da Cofins para o anocalendário de 1998, uma vez que aquelas receitas não se encaixavam Fl. 2899DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 10 no conceito de faturamento previsto nas Leis Complementares es. 7/70 e 70/91; xxiii. Não restou comprovado nos presentes autos o "evidente intuito de fraude" mencionado pelo artigo 44, II, da Lei n° 9.430/1996, como pré requisito para aplicação da multa agravada; xxiv. O autuante, no capitulo III do relatório fiscal, intitulado "Do falso ideológico", narra brevemente quais teriam sido as razões que o levaram a detectar o suposto intuito de fraude por parte da Impugnante e a concluir a inexistência das operações de empréstimos, sem fazer referência a qualquer prova que teria sido carreada aos autos de maneira a dar suporte as acusações; xxv. Ademais, em momento algum é informado pela D. Autoridade Fiscal em qual dos artigos da Lei n° 4.502/64 estaria enquadrada a situação dos presentes autos; xxvi. O Impugnante realizou diversas operações de empréstimo em moeda nacional com Macal Investimentos e Participações S/A e Antônio Dias Leite Neto e, em moeda estrangeira, com MCOM Wireless By!, Inc; xxvii. Em relação as operações em moeda nacional, nenhuma irregularidade foi apontada, restringidose as observações da D. Autoridade Fiscal a uma suposta inconsistência quanto ao registro contábil das contas analíticas 2222.0105.01000 e 2222.0405.01000; xxviii. O autuante faz referência a outros processos administrativos da qual a Impugnante não teve acesso em razão do sigilo fiscal, sendo que constaria de um deles que o governo argentino teria confirmado a inexistência dos títulos objeto das transações, mas nos presentes autos, há apenas cópia de Termo de Constatação e Verificação Fiscal de Indústria e Papel Ramenzoni S/A, não tendo sido juntadas as referidas respostas do governo argentino; xxix. O autuante reconhece que os empréstimos em moeda estrangeira envolviam títulos da dívida argentina (Argentine Global Bonds) e da dívida americana (TBills), mas em momento posterior de sua narrativa, sustenta a inexistência dos títulos argentinos e, sem apontar qualquer irregularidade nos TBills, afirma que todas as operações estariam maculadas, tomando a parte pelo todo, identificandose mais esta falha em relação ao procedimento fiscalizatório; xxx. Diante dessas falhas e ante a ausência de comprovação do evidente intuito de fraude, impõese a redução da penalidade aplicada para o percentual de 75%; xxxi. A Impugnante tem por objeto a participação no capital de outras sociedades, sendo que as empresas controladas por ela operavam no ramo de prestação de serviços de "paging" e "trunking", os quais demandavam grandes investimentos para sua implantação, sendo esse o contexto em que ocorreram os empréstimos mencionados no Termo de Constatação e Verificação Fiscal; xxxii. A obtenção de recursos foi feita em moeda nacional, diretamente no Brasil, a partir de contratos de mútuo com Macal Investimentos e Fl. 2900DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000045/200554 Acórdão n.º 1301001.810 S1C3T1 Fl. 7 11 Participações S/A e com Antônio Dias Leite Neto, e, em moeda estrangeira, no exterior, por meio de operações envolvendo valores mobiliários ou ingresso de divisas por meio de remessas CC5, devidamente registradas junto ao Banco Central do Brasil; xxxiii. Ao contrário do que afirmou o autuante, não houve qualquer movimentação quanto à conta analítica 2222.0105.01000 (Antônio Dias Leite Neto) durante o ano de 1999, conforme consta das planilhas de fls. 1221/1222, em que todos os lançamentos informados referemse à conta 2222.0405.01000 (Macal Investimentos e Participações S/A), pois, embora à fls. 1223 esteja indicado como nome da conta "Antonio D. L. Neto — Oper. Empr.", indica o código 2222.0405.01000, o qual referese A conta "Macal — Oper. Empr."; xxxiv. A conta 2222.0405.01000 (Macal) encerrou o ano de 1999 ( e não de 2000, conforme noticiou o autuante) com saldo zero, porque a Macal cedeu os créditos de que dispunha com a Impugnante, conforme comprovam as anexas cópias do Livro Razão e do contrato de cessão de crédito (docs. 09 e 10); xxxv. As operações de mútuo com a Macal podem ser comprovadas pelo anexo contrato e, embora jamais tenham sido objeto de questionamento, pelos comprovantes de depósito bancário e respectiva contabilização (doc. 11 e 12); xxxvi. As operações com valores mobiliários envolviam a Impugnante, sua subsidiária MCOM Wireless BVI, Inc. e uma terceira empresa que variava a cada operação; xxxvii. "Inicialmente fora firmado uma 'Line of Credit and Debt Consolidation (Linha de Crédito e Consolidação de Débitos) entre a Impugnante e a MCOM BVI, por meio da qual a Impugnante teria à sua disposição US$ 200.000.000,00 (duzentos milhões de dólares), mediante o pagamento de taxa de juros fixa estabelecida no contrato firmado, cuja cópia autenticada e tradução juramentada seguem anexas à presente impugnação (doc. 13). xxxviii. "Estes recursos eram transmitidos à Impugnante por meio de cessões de titularidade de valores mobiliários com grande liquidez e, posteriormente, vendidos a uma terceira empresa no Brasil". xxxix. As operações de swap com empresas do mesmo grupo já foram analisadas pelo E. Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual conclui por sua integral licitude (1° CC, P C, recurso 124462, acórdão 10193.616); xl. As operações envolvendo moeda estrangeira operações com valores mobiliários e remessas CC5 — estão comprovadas pelos seguinte documentos anexos correspondentes a cada uma das operações (does. 14 a 42): contrato de Linha de Crédito; contrato de cessão de valores mobiliários, acompanhado de comprovante de custódia; contrato de venda desses títulos no Brasil; comprovante de ingresso dos valores no Caixa da Impugnante; Fl. 2901DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 12 contabilização e, no caso de remessas CC5, comprovante de seu registro junto ao Banco Central do Brasil; xli. Dentre as operações acima listadas estão aquelas realizadas com a Indústria e Papel R. Ramenzoni S/A, sendo que os contratos de aquisição dos títulos e os respectivos pagamentos realizados por ela estão individualmente identificados nos documentos anexos, não subsistindo as alegações do autuante de que tais operações não existiram (does. 14 a 16); xlii. As operações com os títulos da dívida argentina também restam cabalmente demonstradas, especialmente pelo documento de custódia junto à instituição financeira (does. 14 a 16 e 22); xliii. A Impugnante reservase ao direito de abordar unicamente o ano calendário de 1999, deixando de apresentar os documentos relativos ao ano de 1998 que, indiscutivelmente, foi atingido pela decadência, sendo idênticas as operações de ambos os anos; xliv. Cumpre destacar que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) que deu origem A presente autuação foi emitido especificamente em relação ao anocalendário de 1999. Ou seja, todos os documentos apresentados pela fiscalizada no curso da ação fiscal tinham como objetivo demonstrar os lançamentos e registros contábeis de 1999. Todavia, somente em 30.12.2004, data da lavratura do presente auto de infração, a Impugnante foi surpreendida com o MPF que também estendia a fiscalização para o anocalendário 1998 (fl. 01). xlv. Ainda assim, importa apontar o erro de digitação cometido pelo autuante na planilha de fls. 1218, relativo ao lançamento datado de 15.09.1998, que é de R$ 967.266,00 e não R$ 1.298.330,00, conforme fazem prova a cópia do livro Diário e do extrato bancário (doc. 43), de maneira que o total dos lançamentos dessa planilha montam a R$ 34.930.949,38; xlvi. Não obstante o autuante faça menção A suposta falta de atendimento A Fiscalização, em momento algum foi cominada a multa do artigo 44, § 2° da Lei n° 9.430/1996; xlvii. Apesar de restar demonstrada a improcedência da autuação, a contribuinte é impelida a contestar essa infundada alegação, observando que não estava obrigada a apresentar livros e documentos relativos aos anos calendário de 1995 a 1998, uma vez que já atingidos pela decadência no momento em que foram solicitados. A contribuinte também apresentou seu livro "Presença de Acionistas", conforme fls. 549/547 (volume III). A Impugnante também não estava obrigada a apresentar seus arquivos magnéticos de sua subsidiária Mcomcast, pois em se tratando de pessoas jurídicas distintas, a própria Mcomcast deveria têlos apresentado; xlviii. Subsidiariamente, temse que a taxa Selic não pode ser aplicada para fins tributários, por ser inconstitucional, sendo esse o entendimento do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. [...] Fl. 2902DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000045/200554 Acórdão n.º 1301001.810 S1C3T1 Fl. 8 13 Primitivamente os autos foram distribuídos à DRJ, que converteu o julgamento em Diligência para que a Fiscalização providenciasse a juntada de cópia da resposta dada pelo Governo Argentino ao adido tributário brasileiro quanto aos títulos de sua divida de emissão do dia 02 de março de 1998; para que fosse solicitado informações de nosso adido tributário em Washington no sentido de informar se o Credit Lyonnais Uruguay é instituição financeira autorizada a custodiar títulos da divida americana; e, caso afirmativo; confirmar junto As autoridades norteamericanas a ocorrência da cadeia de alienação dos títulos correspondentes A documentação juntada pelo contribuinte (fls. 2452/2455). Os autos retornaram à Turma sem o cumprimento da diligência e, em função de reiteradas recusas do autuante em cumprir a determinação do órgão julgador, a diligência requerida somente veio a ser encerrada com a designação de outro auditorfiscal para cumpri la, obtendose o seguinte resultado: juntada de uma cópia da Nota 342/04, de 13.02.2004, enviada pelo Coordenador de Títulos Públicos do Órgão Nacional de Crédito Público do Ministério da Economia da Argentina ao Adido Tributário e Aduaneiro do Brasil em Buenos Aires (fls. 2508); cópia da tradução juramentada da referida nota (fls. 2509); cópia do pedido de informações solicitadas ao Adido Tributário e Aduaneiro do Brasil em Washington, mediante correio eletrônico (fls. 2510); cópia da resposta enviada pela Adidância em Washington, mediante correio eletrônico (fls. 2511/2512); relatório de diligência (fls. 2513/2514). A contribuinte foi notificada das informações e dos documentos produzidos pela diligência, tendo se manifestado as fls. 2519/2528, resumidamente, nos seguintes termos: [...] a. Preliminarmente, nos termos do art. 90 do Decreto n° 70.235/1972, está bem caracterizada a ocorrência da preclusão para a Autoridade Fiscal produzir provas, pois, não bastasse a ausência dos documentos no momento da lavratura do auto de infração, esta RJ deulhe três novas e ulteriores oportunidades para inovar a dilação probatória relativa a suas alegações; b. Se o contribuinte não pode produzir provas depois de apresentada a impugnação, com maior ênfase está impedida a Autoridade Fiscal de produzi las depois da lavratura do auto de infração; c. Assim, devem ser desconsiderados e desentranhados dos presentes autos os documentos acostados ao relatório; d. Os documentos de fls. 2508/2509 consistem em declaração firmada por um senhor Alejandro G. Granieri, supostamente o coordenador de títulos públicos da "Oficina Nacional de Credito Publico" que não é conclusiva, na medida que não foi acostada aos autos a solicitação do Adido Tributário na Argentina, em atenção à qual a referida declaração foi emitida, sendo cediço que, para se entender bem uma resposta, devese conhecer a pergunta formulada; e. Por fim, o conteúdo da referida declaração é imprestável, pois, em razão de um lapso material, baseouse numa informação incorreta da DRJ que questionou a respeito da emissão de títulos públicos pela Argentina em "02 de março de 1998", provavelmente porque no contrato de compra e venda Fl. 2903DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 14 dos títulos argentinos negociadas pela Impugnante (does. 14 a 16 e 22 da impugnação) indicava que a emissão destes teria ocorrido em "March 2, 1998". Ocorre que houve um erro de digitação do contrato, na medida que a data acima indicada foi colocada no lugar da correta, qual seria "March 12, 1998", notandose que no contrato de que se fala não apresenta como data o dia "02", mas apenas "2", o que reforça a simples ausência do número "1", em razão de erro de digitação. A prova de que digitação aconteceu encontra se no próprio banco de dados do Governo Argentino, extrai sitio da internet do Ministério da Economia da Argentin (http://www.mecon.gov.ar/boletin/ler trim 98/cuadr15.htm), conforme tabela anexa (doc. 1); f. Subsidiariamente, mesmo que se admitisse que os títulos argentinos não existissem, apenas a titulo de argumentação, esse fato não tornaria inexistente a operação financeira realizada pela Impugnante e, muito menos o passivo dela decorrente, o que seria suficiente para cancelar o auto de infração; g. Consoante mensagem eletrônica da Adida Tributária e Aduaneira do Brasil em Washington, as informações acerca do fluxo de alienações de TBills são de impossível obtenção. Logo, caso se esperasse a obtenção de alguma prova contrária Requerente, ela não pôde ser produzida. [...] A 1ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 2.571 em diante, julgou o lançamento parcialmente procedente, ficando assim ementada a decisão: [...] ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/1998, 31/12/1999 PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO. O autuante e o fiscalizado devem apresentar suas provas, respectivamente, no ato da lavratura do auto de infração e na apresentação da impugnação, mas o julgador pode determinar a realização de diligência para juntada de elementos que entender necessários para formação de seu convencimento. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. CAPITULAÇÃO LEGAL INCOMPLETA. DESCRIÇÃO DOS FATOS SUFICIENTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A descrição dos fatos de maneira suficiente para identificar a conduta ilícita atribuida ao fiscalizado a ensejar a exasperação da multa de oficio supre a indicação incompleta do dispositivo legal violado no auto de infração, configurando mera irregularidade e não é causa de nulidade da sanção por cerceamento de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/1998, 31/12/1999 Fl. 2904DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000045/200554 Acórdão n.º 1301001.810 S1C3T1 Fl. 9 15 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. PAGAMENTO. FATO GERADOR. EXERCÍCIO SEGUINTE. A contagem do prazo decadencial em desfavor do Fisco, nas hipóteses de inexistência de pagamento antecipado de tributo, ainda que parcial, ou quando a infração à legislação tributária é praticada com emprego de fraude, iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, I do Código Tributário Nacional. MULTA. SIMULAÇÃO. FRAUDE. QUALIFICADORA. Simulação de operações de empréstimos, registradas com o intuito de internar na entidade valores que se encontravam à margem da escrituração, caracteriza fraude, circunstância qualificadora da conduta infracional e agravante da multa de oficio. JUROS DE MORA. CABIMENTO. ATO LEGAL. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. DO JUDICIÁRIO. É cabível a exigência de juros moratórios calculados pela taxa Selic, em face de pagamento intempestivo de tributo, conforme expressa determinação em lei, sendo vedado à autoridade administrativa deixar de aplicála, sob alegação de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1998, 31/12/1999 ARBITRAMENTO DO LUCRO. LIVROS AUXILIARES. FALTA DE AUTENTICAÇÃO. LANÇAMENTOS TOTALIZADORES. PERÍODOS AUTUADOS POSTERIORMENTE. OPÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DO CONTRIBUINTE RESPEITADA. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de autenticação de livros diário auxiliares e de remissão a suas folhas quando há lançamentos totalizadores para o diário geral são irregularidades que, de per si, não autorizam o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, medida que se justifica quando a escrituração se mostra efetivamente imprestável para determinação de seu resultado, condição não caracterizada nos autos, corroborada pela conduta do próprio autuante que, em períodos autuados posteriormente, respeitou a opção de tributação pelo lucro real, adotada pelo contribuinte, mormente presentes as mesmas irregularidades na escrituração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE OLUCRO LÍQUIDO – CSLL Data do fato gerador: 31/12/1998, 31/12/1999 ARBITRAMENTO DO RESULTADO. LIVROS AUXILIARES. FALTA DE AUTENTICAÇÃO. Fl. 2905DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 16 LANÇAMENTOS TOTALIZADORES. PERÍODOS AUTUADOS POSTERIORMENTE. OPÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DO CONTRIBUINTE RESPEITADA. MESMAS IRREGULARIDADES PRESENTES. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de autenticação de livros diário auxiliares e de remissão a suas folhas quando há lançamentos totalizadores para o diário geral são irregularidades que, de per si, não autorizam a arbitrar o resultado da pessoa jurídica, medida que se justifica quando a escrituração se mostra efetivamente imprestável para sua determinação, condição não caracterizada nos autos, sobretudo quando o autuante, em períodos autuados posteriormente, respeita a opção de tributação adotada pelo contribuinte, mormente presentes as mesmas irregularidades na escrituração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/12/1998, 31/12/1999 PASSIVO FICTÍCIO. MÚTUO. NUMERÁRIO. FALTA DE PREVISAO CONTRATUAL. TÍTULOS DA DÍVIDA DA ARGENTINA. INEXISTENTES. TBILLS. TITULARIDADE NÃO COMPROVADA. SUBSIDIÁRIA. CAPACIDADE ECONÔMICA. AUSÊNCIA. Obrigações vultosas contraídas junto a subsidiária domiciliada em paraíso fiscal com endereço em caixa postal, desprovida de capacidade econômica, decorrentes de recebimento de numerário sem previsão em instrumento contratual, de mútuo de títulos do governo argentino inexistentes e, títulos da divida estadunidense "TBills" cuja titularidade do fiscalizado é duvidosa, caracterizam passivo fictício e a presunção legal de omissão de receitas. FATO GERADOR. PERÍODO DE APURAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. A Cofins, cujo dia de fato gerador é o último do mes, incide apenas sobre os valores tributáveis apurados neste próprio mes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/1998, 31/12/1999 PASSIVO FICTÍCIO. MÚTUO. NUMERÁRIO. FALTA DE PREVISÃO CONTRATUAL. TÍTULOS DA DÍVIDA ARGENTINA INEXISTENTES. TBILLS. TITULARIDADE NÃO COMPROVADA. SUBSIDIARIA. CAPACIDADE ECONÔMICA. AUSÊNCIA. Obrigações vultosas contraídas junto a subsidiária domiciliada em paraíso fiscal com endereço em caixa postal, desprovida de capacidade econômica, decorrentes de recebimento de numerário sem previsão em instrumento contratual, de mútuo de títulos do governo argentino inexistentes e, títulos da divida estadunidense "TBills" cuja titularidade do fiscalizado é duvidosa, caracterizam passivo fictício e a presunção legal de omissão de receitas. FATO GERADOR. PERÍODO DE APURAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Fl. 2906DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000045/200554 Acórdão n.º 1301001.810 S1C3T1 Fl. 10 17 A contribuição para o PIS, cujo dia de fato gerador é o último do mês, incide apenas sobre os valores tributáveis apurados neste próprio mês. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte [...] Em resumo, a DRJ firmou entendimento de que: relativamente à decadência aplicase o art. 173, inc. I do CTN, tendo em vista que não houve pagamentos de PIS e COFINS no período de 1998, nem em janeiro de 1999. Em relação às exigências de PIS e COFINS entre fevereiro de dezembro de 1999, verificouse a existência de pagamentos, o que levaria à aplicação do art. 150, § 4º do CTN; entretanto, o autuante qualificou a conduta como fraudulenta, o que atraiu o art. 173, inc. I do CTN, restando afastada a decadência; Quanto ao mérito, uma vez não configurada a imprescindibilidade do arbitramento do lucro, a eleição desse método para fins de determinação de ofício da base de cálculo do IRPJ e da CSLL foi indevida, razão pela qual cancelou o lançamento de IRPJ e CSLL; Acerca do lançamento de PIS e COFINS, em razão do fato gerador de referidas contribuições ser mensal e não anual, errou o fiscal ao efetuar o lançamento com a fixação da data de 31 de dezembro como a da ocorrência do fato gerador, como se este fosse anual e não mensal. Nos termos da legislação, ao identificar no lançamento a data do fato gerador em 31 de dezembro de 1998 e 1999, considerou a DRJ como passível de tributação de PIS e COFINS as receitas consideradas omitidas em dezembro de 1998 e dezembro de 1999. Assim, mantevese a autuação somente na parte da exigência de PIS e COFINS de dezembro de 1998 e dezembro de 1999. Frisou a DRJ ainda, que embora o autuante tenha classificado a infração como omissão de receitas não operacionais, estas devem ser entendidas como operacionais, como se infere do art. 12 do Decreto‑ lei 1.598/77, que trata sobre “receita de venda e serviços”, referente a passivo fictício. Firmouse assim, que receita omitida é operacional, salvo prova em contrário; Observase ainda, que as autuações de PIS e COFINS mantidas se referem a empréstimos em moeda nacional com a Macal Investimentos e Participações S.A , quanto a dezembro de 1998; e a empréstimos de títulos americanos (TBills), quanto a dezembro de 1999. A exigência de PIS e COFINS incidentes sobre as receitas omitidas vinculadas aos empréstimos lastreados em títulos da dívida Argentina foi exonerada, pelo erro da apuração anual e não mensal, sendo anteriores a dezembro de 1999. Tendo em vista que o crédito tributário exonerado superou o valor de alçada, a autoridade julgadora interpôs recurso de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto 70.235/72. Devidamente cientificada da decisão parcialmente desfavorável, a contribuinte Interpôs Recurso Voluntário (fls. 2.625/2.662), alegando em síntese, que: a extinção do crédito tributário pela decadência, nos termos do art. 150, §4° do CTN, tendo em vista notificação da recorrente em 30.12.2004. Aduziu que não houve fraude, dolo ou simulação, bem como que a aplicação do prazo decadencial é estipulada em virtude do tipo de Fl. 2907DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 18 lançamento que o tributo está sujeito, e não em razão da falta de pagamento antecipado, a atrair o art. 173 do CTN. Defendeu que a DRJ concretizou ilegal revisão do lançamento relativamente ao PIS e à COFINS correspondentes aos meses de dezembro de 1998 e 1999. Argumenta que, ao lançar tais contribuições como se tivessem fatos geradores anuais, a autoridade fiscal acabou por não lançar nenhum fato gerador mensal. Dessa feita, o fato gerador de dezembro não poderia se mantido pela DRJ, simplesmente porque ele sequer fora lançado; argumentou que não incide PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes da manutenção do passivo fictício, pois estas foram classificadas pela autoridade fiscal como receitas não operacionais. Argumentou que a DRJ revisou o lançamento, ao afirmar que, embora o autuante tenha classificado a infração como omissão de receitas não operacionais, estas devem ser entendidas como operacionais, a compor a receita bruta. Além disso, inocorreu omissão de receitas, tendo em vista a efetividade das operações de empréstimo, como demonstram documentos juntados aos autos por ocasião da impugnação e reputou descabida a multa agravada por fraude (150%); e que em suma, poderia se afirmar que, como a exigência fiscal mantida pela DRJ de origem foi apenas de PIS e COFINS referente aos períodos de apuração dezembro de 1998 e dezembro de 1999, devido a erro da autoridade fiscal, que considerou fato gerador anual e não mensal, a lide se restringe à exigência de PIS e COFINS vinculada à omissão de receitas de empréstimos em moeda nacional com a Macal Investimentos e Participações S.A, quanto a dezembro de 1998; e aos empréstimos com lastro em títulos americanos (TBills), quanto a dezembro de 1999. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões postulando o desprovimento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 2908DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000045/200554 Acórdão n.º 1301001.810 S1C3T1 Fl. 11 19 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade, bem assim, o Recurso de Ofício atende aos pressupostos legais e regimentais. Admitoos para julgamento. Tal como registrado acima, cuidase de Recurso Voluntário e de Ofício interpostos em face de decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em São Paulo, por meio da qual exonerouse o Lançamento de IRPJ e CSLL, ao considerase indevido o arbitramento promovido pela Fiscalização e mantevese apenas parcela da autuação relativa ao PIS e à COFINS fundada em presunção legal ante a constatação da manutenção de passivo fictício. I – DO RECURSO DE OFÍCIO I.1 – AUTUAÇÃO DE IRPJ E CSLL Considerando o dúplice enfrentamento a ser promovido, de rigor iniciarse pela parcela exonerada do crédito tributário, submetida de ofício para apreciação deste Conselho, cujos fundamentos, para a dita exoneração, se deram em vista da desnecessidade do arbitramento promovido pela Fiscalização. Em síntese, a Autoridade Fiscal buscou desclassificar a escrituração fiscal da Recorrente, em razão da constatação de irregularidades formais (principalmente por conta da falta de autenticação dos Livros Diário Auxiliares) e da ocorrência de simulação nas operações de empréstimo. A decisão recorrida, a seu turno, proclamou que as irregularidades aferidas na contabilidade da Contribuinte "não tem o condão de desnaturar os lançamentos contábeis neles registrados", pontuando que o arbitramento do lucro é medida extrema, devendo servir tão somente como mecanismo residual de determinação da base de cálculo, ante a absoluta falta de alternativas que permitam a apuração do lucro. No mister de aferir o acerto, ou não do conteúdo decisório submetido a reapreciação, convém pontuar, tal como o fez a decisão recorrida, que a matriz legal sobre a qual a Fiscalização apoiou a medida de arbitramento foi o art. 47, inc. II, da Lei n° 8.981/1995, ou seja: “a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real”. A Fiscalização, ao impor o arbitramento do lucro, observou que nenhuma das hipóteses que autorizariam a escrituração resumida do Diário, constantes do artigo 285 do RIR/99, estariam presentes, anotando que os lançamentos totalizadores no Diário Geral se davam no último dia do mês, e tinha como histórico "REF MOVTO DO CONTAS A PAGAR DE.(último dia do mês)" ou "REF. MOVTO CX. BC DE... (último dia do mês)" havendo vários lançamentos totalizadores que não faziam referência às páginas em que as respectivas operações se encontravam lançadas nos livros auxiliares, além de não serem numericamente identificados. Também observou que nenhum dos livros auxiliares estava autenticado. Fl. 2909DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 20 O ponto a ser deslindado, relativamente aos lançamentos de IRPJ e CSLL, é relativo apenas à prevalência da medida de arbitramento, de sorte que já adianto que a decisão recorrida, ao meu juízo, não merece qualquer reparo ao concluir pela descacterização da medida, eis que muito se fundamento no aresto recorrido que o Livro Diário Geral, na espécie, estava autenticado, consoante informou a própria Fiscalização, sendo que, mesmo havendo lançamentos totalizadores no Diário Geral, o que se teria como imprescindível era a apresentação dos livros auxiliares que permitam a identificação desses lançamentos globais, situação que foram levada a efeito, já que os livros auxiliares foram apresentados, mas não estavam autenticados o que, por si só, mas que de fato, não ponto suficiente para impor a rejeição e desconsiderarse a opção pelo Lucro Real, tampouco se evidencia com isso, que a escrita do contribuinte era imprestável. Nesse passo, registrese o acerto da decisão recorrida de ofício ao proclamar que o arbitramento do lucro é medida extrema, verdadeiro mecanismo residual de determinação da base de cálculo do IRPJ, sempre ante a impossibilidade de apuração do lucro de acordo com a opção exercida pelo contribuinte. Confirase oportuno trecho da decisão recorrida que revela o detrimento na análise do caso e impõe acolherse os seus fundamentos: [...] Feito essas observações, não se pode afirmar que, no presente caso, a tributação com base no lucro real tenha sido inevitavelmente inviabilizada pela apresentação de livros auxiliares sem autenticação ou pelo transporte dos totais dos diários auxiliares para o Diário Geral sem referência as páginas daqueles. Tais irregularidades seriam graves, a ensejar o arbitramento, caso se demonstrassem insanáveis, impossibilitando a apuração do resultado da contribuinte. Todavia, nos termos da decisão em comento, o autuante poderia ter intimado o sujeito passivo a conciliar essas partidas mensais com as respectivas páginas em que essas operações estavam lançadas nos respectivos livros auxiliares. Caso tal providência se mostrasse impossível, estaria configurada a necessidade do arbitramento do lucro. [...] Tem razão a decisão recorrida. Para além de alegar que os livros auxiliares não estavam autenticados e o livro diário continha lançamentos globais, cumpria à Fiscalização evidenciar a impossibilidade de apurar o lucro real do período. O ponto decisivo para a decisão recorrida anotar que não houve a dita comprovação (da impossibilidade de aferir o lucro real), e que para mim indica mesmo a desnecessidade do arbitramento, é que a presente fiscalização estendeuse para os anos calendário subsequentes (2000 a 2002), redundando no processo administrativo fiscal n° 16327.000013/200630, sendo que no referido PA o autuante relatou a mesma infração — passivo fictício — e as irregularidades na escrita vistas nesta autuação — falta de autenticação dos livros auxiliares, totalização no Diário sem referência às páginas — contudo, naquele feito, a forma de tributação do lucro adotada pela contribuinte (Lucro Real) foi respeitada e não se operou o arbitramento, conforme consta do capitulo III, item A (Da escrituração) do Termo Fl. 2910DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000045/200554 Acórdão n.º 1301001.810 S1C3T1 Fl. 12 21 de Verificação Fiscal e do auto de infração do IRPJ do PAF n° 16327.000013/200630, cujas cópias foram acostadas as fls. 2.543/2.570. Bem evidenciouse, portanto, se em momento posterior o próprio autuante acabou por efetuar o lançamento de acordo com o lucro real, sendo que os fatos que teriam fundamentado o arbitramento num momento anterior ainda estavam presentes, é de se concluir que o auditor fiscal entendeu que as irregularidades verificadas nos assentamentos contábeis da fiscalizada não eram graves a ponto de merecer a sua total desclassificação, de sorte que a excepcional medida de arbitramento não pode prestarse à comodidade da Fiscalização, antes, porém, satisfazer balizas legalmente fixadas. Em conclusão, tal como o fez a decisão recorrida, reputo não caracterizada a necessidade do arbitramento do lucro, a Fiscalização deveria ter observado a forma de tributação adotada pela contribuinte, ou seja, o lucro real, como o fez em anos seguintes para os quais impôs lançouse as mesmas imputações, mas respeitando, naquele caso, a opção pelo lucro real. Ademais, e por aqui a DRJ encerra a questão acerca da incorreção do lançamento exonerado, devese ao critério adotado na efetivação do comentado arbitramento. Ou seja, mesmo que se verificasse acertada sua utilização, o que se viu não o ser, a metodologia foi completamente equivocada. Bem anotou a decisão recorrida que o IRPJ e a CSLL, apurados com base no lucro e resultado arbitrados, têm como período de apuração o trimestre civil, consoante se depreende das normas contidas nos artigos 1° e 28 da Lei n° 9.430/96, de sorte que, na espécie, as receitas tidas como omitidas, decorrentes de presunção advinda de passivo fictício foram identificadas mensalmente, conforme demonstrado pela autoridade lançadora (fls. 1224/1226). Contudo, o IRPJ e a CSLL incidentes sobre o lucro e o resultado arbitrado, respectivamente, que deveriam ser apurados trimestralmente, foram lançados somente para o 4° trimestre, com período de apuração encerrado apenas em 31 de dezembro de 1998 e 1999 (fls. 1235, 1237, 1248 e 1250). Ora, em argumento alternativo, outra vez tem razão a decisão recorrida ao dispor que o lançamento também deixou de se revestir da devida forma legal ao não observar o correto período de apuração quando do cálculo do lucro arbitrado. Sendo assim, entendo correto o entendimento firmado pela decisão recorrida no sentido de afastar no caso concreto o arbitramento do lucro, mantendo, destarte, a exoneração do crédito tributário relativo ao IRPJ e à CSLL, desprovendo, neste particular, o Recurso de Ofício. I.2 – AUTUAÇÃO DE PIS E COFINS – PARCELA EXONERADA Relativamente ao lançamento de PIS e COFINS, em resumo, a decisão recorrida manteve somente os débitos atinentes aos meses de dezembro de 1998 e dezembro de 1999, tendo em vista que a Autoridade Fiscal efetuara o lançamento considerando o fato gerador daqueles tributos como anual e não mensal, como determina a lei, cancelando os demais por terse efetuado o justo inverso. Fl. 2911DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 22 Entendeu a decisão recorrida, portanto, que houve erro na identificação do aspecto temporal do fato gerador, o que torna o lançamento insustentável. Isso porque o autuante cometeu erros nos lançamentos referentes contribuição para o PIS e da COFINS, eis que a legislação de regência (artigos 1° e 2° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, e art. 2° da Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998), seriam claros ao determinar que a contribuições sociais em questão têm incidência mensal, ocorrendo no último dia a mês, independentemente da forma de tributação e do período de apuração do lucro adotado pelo contribuinte. Foi nessa toada, que acertadamente constatou a decisão recorrida que o fiscal incorreu em equívoco ao efetuar o lançamento com a fixação da data de 31 de dezembro como a da ocorrência do fato gerador, como se este fosse anual e não mensal, de modo que está correta a decisão recorrida ao dispor que ao identificar no lançamento a data do fato gerador em 31 de dezembro de 1998 e de 1999, somente podem ser consideradas passíveis de tributação, para fins das exigências do PIS e da Cofins, as receitas que sejam consideradas omitidas em dezembro de 1998 e, em dezembro de 1999. Deste modo, acato o entendimento firmado no sentido de que, independentemente de caracterizada a infração ou a decadência, deveriam ser excluídas as demais parcelas dessas contribuições que foram lançadas sobre receitas que não teriam sido omitidas nos períodos de apuração das respectivas datas dos fatos geradores que constam nos autos de infração. Em conclusão, portanto, em sede de apreciação do Recurso de Ofício, nada há que se modificar no conteúdo da decisão recorrida relativamente às parcelas exoneradas, motivo pelo qual, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. II – DO RECURSO VOLUNTÁRIO II.1 – PRELIMINARES Verificado o conteúdo da decisão recorrida, de rigor analisar o inconformismo da contribuinte com a parcela remanescente da autuação, que diz respeito às exigências de PIS e COFINS sobre os fatos geradores ocorridos em 31.12.1998 e 31.12.1999, únicas parcelas mantidas, apuradas com base em presunção legal de omissão de receitas, caracterizada pela manutenção de passivo fictício. Na manutenção da referida parcela, aliás, consideradas as exonerações promovidas e já apreciadas em sede de Recurso de Ofício, observou a decisão recorrida que a omissão de receitas com base em passivo fictício, presumese, na falta de prova em contrário, que essas receitas são operacionais, de sorte que, embora o autuante tenha classificado a infração como omissão de receitas não operacionais, estas devem ser entendidas como operacionais e, desta maneira, compõem a receita bruta. Em verdade, boa parte da discussão das intricadas operações descritas pela Fiscalização foi suplantada pelo cancelamento das autuações por equívocos na apuração do aspecto temporal do fato gerador das contribuições e do igualmente equivocado arbitramento do lucro, de sorte que todo o procedimento relativo à comprovação dos títulos da dívida argentina e mesmo as operações não comprovadas com TBills, cuja caracterizadores, em tese, da presunção de omissão de receita, com base em um passivo cuja exigibilidade não foi demonstrada, encontram sua pertinência diminuída porquanto fora considerado procedente Fl. 2912DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000045/200554 Acórdão n.º 1301001.810 S1C3T1 Fl. 13 23 apenas o lançamento do PIS e da COFINS incidentes sobre os valores considerados omitidos correspondentes ao período de apuração de dezembro de cada anocalendário em questão. Sendo assim, convém passarse ao enfretamento dos tópicos aludidos pela contribuinte em seu Recurso Voluntário, iniciandose pela reiterada preliminar de decadência. Em resumo, sustenta a contribuinte a aplicação do art. 150, § 4º do CTN, para que o lançamento relativo aos períodos de dezembro de 1998 e 1999 seja considerado como extinto, eis que, por se tratar de lançamento por homologação, considerando que a notificação do lançamento se deu em 30/12/2004, estaria decaído o direito de o Fisco exigirlhe qualquer tributo. Todavia, bem entendeu a decisão recorrida que na espécie se aplica o art. 173, inc. I do CTN, segundo firme e pacificada jurisprudência, porquanto não houve pagamento de PIS e COFINS no período de dezembro de 1998, e relativamente ao PIS e COFINS de dezembro de 1999, conquanto tenha se anotado a existência de pagamento antecipado, o que levaria à aplicação do art. 150, §4º do CTN, a fiscalização qualificou a conduta como fraudulenta, o que será aferido oluntna apreciação da multa, mas que desloca o cômputo do prazo decadencial para a regra do artigo art. 173, inc. I do CTN, de modo que rejeito a preliminar de decadência. Outro tópico preliminar manifestado pela recorrente respeita à alegação de “revisão de lançamento”, confirase o que argumentou a contribuinte em seu Recurso Voluntário a propósito do tema: [...] A Autoridade Fiscal efetuou o lançamento de PIS e COFINS em bases anuais. Assim, identificou apenas um fato gerador, relativo ao período de 1 ano, com data de 31/12. A DRJ, corretamente, asseverou que esse procedimento não seria correto. Contudo, para manter parte da autuação, correspondente aos meses de dezembro de 1998 e 1999, a DRJ concretizou uma ilegal revisão do lançamento. O fato gerador não é composto apenas de sua expressão quantitativa. Por isso que ele passou a ser descrito como hipótese de incidência (Geraldo Ataliba), ou Regramatriz de incidência (Paulo de Barros Carvalho). Disso decorre que, ao lançar fatos geradores anuais, a Autoridade Fiscal acabou por não lançar nenhum fato gerador mensal. Logo, o fato gerador de dezembro não pode ser mantido, simplesmente porque ele sequer fora lançado. Objetarseia, em sentido contrário, que o valor de dezembro estaria incluído no total da base de cálculo, e que 31/12 seria o dia do fato gerador desse mês. Esses argumentos, contudo, não prosperariam, pois, mesmo sendo verdadeiros, esses fatos não foram descritos desse modo no Auto de Infração. Ali, a base de dezembro não o era, mas base anual (parcial), e 31/12 não era o dia do fato gerador do mês de dezembro, mas do ano. Buscou, desse modo, a Autoridade Fiscal, "aproveitar" algo do lançamento, ainda que, para tanto, tivesse de modificar a Fl. 2913DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 24 enunciação dos fatos prevista no Auto de Infração, contemplando uma Regramatriz de incidência diversa da descrita pela Autoridade Fiscal. O que deveria a DRJ ter propugnado, em verdade, era o cancelamento integral do lançamento, e a realização de um novo, baseado em premissa mensal. Por outras palavras, não há nada que diferencie o mês de dezembro dos demais, no Auto de Infração: assim como estes, dezembro também deveria ter sido desonerado, pois ele não se confunde com e o ano, que foi o foco da autuação. A revisão de lançamento é vedada após o prazo decadencial, como demonstram os julgados apresentados no tópico seguinte. Desse modo, deve ser cancelado o saldo remanescente do Auto de Infração, ante a tentativa de revisão de lançamento, de "salvamento" do crédito tributário, que, infelizmente, natimorto que era, já não mais podia ser salvo. [...] A propósito do tema, temse que a apuração das contribuições sociais para o PIS e a Cofins, nos termos dos arts. 2º da LC 70/91 e 2º da Lei nº 9.715/98, são apuradas mensalmente, considerandose ocorrido o fato gerador no último dia de cada mês, de sorte que na presente autuação, como visto na apreciação do Recurso de Ofício, procedeuse ao lançamento das citadas contribuições como se tivessem fato gerador anual, realizado em 31 de dezembro de cada ano. Foi nesta contextura que a DRJ considerou o erro da Fiscalização ao efetuar o lançamento, de sorte que ao identificar no lançamento a data do fato gerador em 31 de dezembro de 1998 e 1999, a autoridade autuante somente poderia ter considerado passíveis de tributação as receitas omitidas nesse mês de cada um dos referidos anoscalendário, daí porque, a decisão recorrida assinalou que deveriam “ser excluídas as demais parcelas dessas contribuições que foram lançadas sobre receitas omitidas fora dos períodos de apuração das respectivas datas dos fatos geradores consignados nos autos de infração”. O que argumenta a recorrente, para concluir pela “revisão de lançamento” é que ao lançar fatos geradores anuais, a Autoridade Fiscal acabou por não lançar nenhum fato gerador mensal. Logo, o fato gerador de dezembro não poderia ser mantido, simplesmente porque ele sequer fora lançado. Tenho para mim que a decisão recorrida, ao menos do ponto de vista formal agiu corretamente. Se o lançamento é procedente ou não, é matéria que se deve analisar pela prevalência da imputação, ou seja, se os passivos indicados tinham ou não, fato condições de serem efetivos “passivos” ou se eram mesmo fictícios e desencadeiam a presunção legal, fato é, como bem sustenta a zelosa Procuradoria da Fazenda Nacional, que a DRJ não promoveu qualquer ato de lançamento, ou de revisão de lançamento. Ao manter a parcela em análise, com base apenas no faturamento da recorrente nos meses de dezembro, a DRJ não alterou os elementos essenciais da regra matriz de incidência tributária (critérios material, pessoal, espacial, temporal e quantitativo), contrário disso, o que a DRJ fez foi apenas retirar do lançamento os excessos no montante da base de cálculo, retirando da receita dos meses de dezembro valores que correspondiam a receitas obtidas em outras competências; mas a base de cálculo inegavelmente permaneceu a mesma. Fl. 2914DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000045/200554 Acórdão n.º 1301001.810 S1C3T1 Fl. 14 25 Não verifico, destarte, qualquer revisão de lançamento, a atividade da DRJ não foi senão o ato de julgar, cancelando valores que entendeu indevidos e mantendo os que, fundamentadamente, entendeu cabíveis. Se subsiste ou não, se acertou ou equivocouse o órgão julgador, é matéria que será adiante analisada, porém, não se cuida de revisão de lançamento, sendo improcedente a alegação preliminar da recorrente. II.2 – MÉRITO – OMISSÃO DE RECEITAS Como bem se viu até aqui, em desfavor da recorrente foi lavrado auto de infração ante a constatação de omissão de receitas, por presunção legal, decorrente da manutenção de passivo fictício. Das parcelas mantidas, dois pontos subsistem para análise: i) efetividade dos empréstimos em moeda nacional com a Macal Investimentos e Participações S.A. relativos a fatos ocorridos em 1998; ii) empréstimos vinculados a títulos da dívida americana (TBILLS), relativos aos fatos ocorridos em 1999. Ou seja, verificado que os aspectos preliminares sustentados pela recorrente são improcedentes, o deslinde da questão passa pelo enfrentamento da efetividade dos empréstimos, ou se caracterizouse na espécie a manutenção de passivo fictício, hipótese apta a desencadear a presunção legal de omissão de receias. Relativamente aos empréstimos em moeda nacional com Macal Investimentos e Participações S.A., desde a Impugnação a recorrente tem se limitado a aduzir que os tributos decorrentes desse período estariam fulminados pela decadência. Nesse sentido, assim se manifestou a decisão recorrida (fl. 2.598): [...] De toda maneira, a Impugnante deixou de trazer documentos relativos a fatos ocorridos em 1998, pois entendeu que, à época do lançamento, já havia ocorrido a decadência para aquele período. Assim, em relação ao Pis e à Cofins lançados no período de apuração de 01.12.1998 a 31.12.1998, caso não configurada a decadência, que será enfrentada adiante, o crédito tributário desse período restará consolidado, ante a falta de apresentação de provas que pudessem infirmar essa exigência. [...] Já com relação à acusação fiscal mantida, para exigir PIS e COFINS, referentes ao AC 1999, concernente aos empréstimos americanos (T‑ Bills), entendeu a Fiscalização que as operações de empréstimo escrituradas pela recorrente em seu passivo eram fictas. A seu turno, a recorrente defende, em resumo, a efetiva existência do passivo discutido, encartando aos autos documentos que comprovariam as aquisições a prazo de Títulos do Tesouro Americano (Treasury Bills – TBills) posteriormente revendidos para terceiras empresas situadas no Brasil. Fl. 2915DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 26 Entendo neste ponto que o Recurso Voluntário não merece provimento. Com efeito, já se anotou nestes autos que as operações de empréstimos vinculadas aos títulos americanos, denominados “T‑ Bills”, seriam, alegadamente, adquiridos pela subsidiária Mcom BVI que, posteriormente, cederia esses títulos, como empréstimo, para a Mcom Wireless S/A que, por sua vez, os teria vendido no mercado interno, efetuando um registro contábil idêntico às demais operações de empréstimos em dinheiro. Bem anotou a decisão recorrida, todavia, que a contribuinte juntou documentos que demonstrariam a efetividade das transações com TBills: i) documento com timbre de Credit Lyonnais Uruguay, confirmando a transação de aquisição de U.S. Treasury Bill por Mcom BVI; contrato de compra e venda de notas do tesouro para terceiros no mercado nacional; anexo com a indicação CUSIP do TBill, valor nominal, número de referência CL e preço de compra; ii) instrumento contratual de cessão dos títulos de Mcom BVI para a Mcom Wireless S/A; iii) tradução juramentada (fl. 2604). Tem razão a decisão recorrida, contudo, ao dispor que, acaso fossem os tais títulos vendidos da Mcom Wireless S/A para terceiros, seria imprescindível o comprovante do agente custodiante, contendo o nome dos adquirentes finais desses ativos financeiros, o que não foi comprovado pela autuada, de sorte que não foi demonstrada a operação com T-Bills, pois não comprovou a recorrente a operação em sua totalidade: empréstimo dos títulos para venda a terceiros. Ou seja, ausente a comprovação da aquisição por terceiros, caracterizase a presunção de omissão de receita, com base em um passivo cuja exigibilidade não foi demonstrada e como bem destacado no acórdão proferido pela DRJ, há nos autos “indícios veementes de que a subsidiária somente existe no papel, criada artificialmente, desprovida de funcionalidade econômica ou operacional, a não ser o de se prestar a dar a aparência de ser mutuante de valores com a finalidade de ludibriar a fiscalização tributária” (fl. 3.243). Ademais, como bem se sabe, a simples apresentação de Contratos de Compra e Venda não é suficiente para comprovar a aquisição dos títulos, nem tampouco sua transferência. Com efeito, dado o caráter eletrônico e imaterial dos TBills, apenas o registro do agente de custódia dos títulos teria esse condão (vide precedente CARF Acórdão nº 1402- 00.101). Em conclusão, portanto, assiste razão à decisão recorrida ao proclamar que não restando comprovadas as obrigações que fundamentariam o passivo gerado na contabilidade da recorrente, não havia alternativa à fiscalização senão a lavratura do competente auto de infração por omissão de receitas, como autoriza o art. 40 da Lei nº 9.430/96. II.3 – MULTA QUALIFICADA Quanto à multa qualificada, importa registrar que a parcela substancial da autuação somente foi exonerada porquanto a Fiscalização equivocouse, formalmente, nos critérios de lançamento. Contudo, os fatos articulados revelamse graves e ficou evidenciado que o sujeito passivo praticou diversos atos fraudulentos, todos com o fim único de retardar ou sonegar o pagamento de tributos. Tem razão a decisão recorrida ao dispor que a sucessão de atos demonstra a ação firme, consciente, abusiva e sistemática da contribuinte, em burla ao cumprimento da obrigação fiscal. Confirase o inarredável entendimento da decisão recorrida, justificando a Fl. 2916DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000045/200554 Acórdão n.º 1301001.810 S1C3T1 Fl. 15 27 multa qualificada em razão da autuação que julgou prevalente (TBills), conforme trecho extraído da folha 2.611 em diante: [...] Embora as informações vindas de Washington não tenham respondido aos quesitos formulados por este relator, o que poderia a vir a ser uma prova direta da fraude ou da idoneidade das transações com os TBills, os demais elementos probantes dos autos levam à conclusão de que esta operação também foi simulada. Com efeito, todas as operações apresentadas pela contribuinte apresentam irregularidades que impedem que se diga que elas foram perfeitamente executadas. A começar pela própria operação de empréstimo com sua subsidiária Mcom BVI que, segundo a Impugnante, envolvia uma operação de mútuo fundada em moeda estrangeira e em títulos financeiros. A principal obrigação do mutuário é a de restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, consoante disposto pelo art. 1.256 do Código Civil Brasileiro de 1916, vigente A época dos fatos fiscalizados. Todavia, se é próprio do contrato de mútuo a restituição de coisa do mesmo gênero, quantidade e qualidade daquela cujo empréstimo foi pactuado, e as partes realmente desejam ver cumprido o contrato, então, é inaceitável que mutuante e mutuário entreguem e recebam coisa distinta daquela que convencionaram entregar e receber. Assim, se determinadas operações realizadas consistiam na celebração de contrato de mútuo, mediante o qual TBills eram entregues A Impugnante por sua subsidiária Mcom BVI, era de se esperar que, em determinado momento, títulos do mesmo gênero, quantidade e qualidade fossem devolvidos. Entretanto, não há qualquer sinal de que isso tenha ocorrido. Ademais, os instrumentos contratuais que formalizariam essas operações de mútuo com TBills e a venda no mercado interno, tal como sucedeu com as supostas operações de empréstimo em moeda nacional, não trazem a qualificação das partes. Tratase de uma irregularidade relevante, na medida que era de se esperar que contratos envolvendo valores vultosos deveriam trazer a identificação de seus signatários, não somente para que comprador e vendedor tivessem certeza de que estariam celebrando um negócio jurídico com seus legítimos representantes; mas também para resguardar o interesse Fl. 2917DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO 28 de terceiros, tais como seus acionistas e o fisco, por exemplo. É de se notar, ainda, que esses instrumentos contratuais envolvendo a suposta venda no mercado interno, por vezes trazem, por parte da Impugnantevendedora, apenas uma assinatura (fls. 2233), levando A conclusão de que não estaria o ato devidamente regularizado, uma vez que o estatuto social da fiscalizada, consoante visto anteriormente, exige no mínimo a participação de dois representantes. Também mostrase irregular, conforme já observado, a ausência de qualificação de seus signatários, sendo impossível identificar as pessoas fisicas que os assinam e, conseqüentemente, sua legitimidade. Ainda pesa em desfavor de tais instrumentos o fato de que, muitos deles sequer têm a participação de testemunhas e, quando aparecem, resumemse a meras assinaturas, como por exemplo, verificase As fls. 2314, 2316, 2331, 2333, 2337, 2352, 2354, 2358, 2378, 2380, 2384. Também é indicio relevante a levar à conclusão da ficcionalidade dessas operações a constatação de que sua subsidiária Mcom BVI tem como domicilio uma mera caixa postal ("Craigmur Chambers, P.O. Box 71 — Road Town), conforme consta do Cont to de Linha de Crédito e Consolidação de Divida, em sua tradução de fls. 2123 e cujo capital registrado é de R$ 0,97. A mera existência formal de uma pessoa jurídica, em matéria tributária, não garante a legitimidade dos atos praticados em seu nome, na medida que é a identificação da natureza do empreendimento que justifica sua existência. A criação de uma empresa tem sentido e seus atos podem ser aceitos para fins fiscais se, no mínimo, seja possível concluir que se está diante de uma entidade que preenche os requisitos previstos no caput do art. 966 que "considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços". O capital social representa a aplicação de recursos dos sócios ou acionistas na entidade, a partir do qual será montado o caixa da empresa e adquiridos seus ativos para consecução de seus fins sociais. E inverossímil que uma empresa sediada em uma caixa postal, detentora de um capital registrado de tãosomente R$ 0,97, detenha capacidade econômica de efetuar operações de empréstimos para sua controladora no Brasil, envolvendo milhões de dólares e que, ainda, tenha capacidade de assumir as dividas desta, também milionárias. São indícios veementes de que a subsidiária somente existe no papel, criada artificialmente, desprovida de funcionalidade econômica ou operacional, a não ser o de Fl. 2918DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000045/200554 Acórdão n.º 1301001.810 S1C3T1 Fl. 16 29 se prestar a dar a aparência de ser mutuante de valores que, ao que se verificou, não são compatíveis com as alegadas operações de empréstimos. Assim, todas as irregularidades até então apontadas, sejam elas de ordem formal, sejam de ordem material, constituem indícios graves e convergentes no sentido de que não só as operações com títulos estrangeiros, mas como todas as demais operações envolvendo empréstimos com pessoas ligadas, foram simuladas, com evidente intuito de fraudar o recolhimento de tributos, mediante a simulação de operações de empréstimos. [...] Evidenciase, à saciedade, portanto, o evidente intuito de fraude, estando comprovado o evento capaz de enseja a multa qualificada ao patamar de 150%. III – CONCLUSÃO Em vista de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, mantendo a exoneração dos autos de infração relativos ao IRPJ e à CSLL, bem como os relativos às contribuições do PIS e da COFINS, salvo aquelas relacionadas a dezembro de 1998 e 1999, objetos do Recurso Voluntário, ao qual, por oportuno, venho NEGAR PROVIMENTO, mantendo as exigências fiscais e a multa qualificada. Sala das Sessões, em de 05 março de 2015. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 2919DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 23/03/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2015 p or ADRIANA GOMES REGO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000012/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
FALTA DE RECOLHIMENTO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL.
PEDIDO JUDICIAL DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO E DE ANULAÇÃO DAS INTIMAÇÕES DECORRENTES. CONCOMITÂNCIA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA EM PRELIMINAR. O fato de o sujeito passivo submeter à apreciação do Poder Judiciário a validade das intimações das quais resultam o lançamento, defendendo a suspensão dos efeitos da exclusão em razão do litígio administrativo, não impede que, em preliminar, seja declarada improcedente a exigência, em razão do cancelamento do ato de exclusão por falta de provas. Interpretação da Súmula CARF nº 1.
Numero da decisão: 1101-001.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. PEDIDO JUDICIAL DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO E DE ANULAÇÃO DAS INTIMAÇÕES DECORRENTES. CONCOMITÂNCIA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA EM PRELIMINAR. O fato de o sujeito passivo submeter à apreciação do Poder Judiciário a validade das intimações das quais resultam o lançamento, defendendo a suspensão dos efeitos da exclusão em razão do litígio administrativo, não impede que, em preliminar, seja declarada improcedente a exigência, em razão do cancelamento do ato de exclusão por falta de provas. Interpretação da Súmula CARF nº 1.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10925.000012/2009-11
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5435718
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1101-001.253
nome_arquivo_s : Decisao_10925000012200911.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10925000012200911_5435718.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
id : 5839923
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704732434432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2081; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000012/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101001.253 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2015 Matéria COFINS Exclusão do SIMPLES Nacional Recorrente J. S. MÁQUINAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 FALTA DE RECOLHIMENTO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. PEDIDO JUDICIAL DE SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO E DE ANULAÇÃO DAS INTIMAÇÕES DECORRENTES. CONCOMITÂNCIA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA EM PRELIMINAR. O fato de o sujeito passivo submeter à apreciação do Poder Judiciário a validade das intimações das quais resultam o lançamento, defendendo a suspensão dos efeitos da exclusão em razão do litígio administrativo, não impede que, em preliminar, seja declarada improcedente a exigência, em razão do cancelamento do ato de exclusão por falta de provas. Interpretação da Súmula CARF nº 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 12 /2 00 9- 11 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório J. S. MÁQUINAS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 28/01/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 6.380,57. Consoante relatório fiscal de fls. 09/21, em razão de procedimento do qual resultou a exigência de débitos de contribuições previdenciárias formalizados no processo administrativo nº 10925.000022/200948, constatouse que o contribuinte compõe um grupo de empresas, denominado "GRUPO IDUGEL", integrado também pelas empresas "KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA" e "IDUGEL INDUSTRIAL LTDA.". Embora as empresas possuam aparentemente sócios distintos, todas são administradas diretamente pelo Sr. José Schazmann e Sra. Silvana Marques Schazmann, conforme cópia das procurações e documentos anexos (fls. 50 a 71 do AI DEBCAD 37.129.2298/COMPROT 10925.000022/200948). As demais pessoas, que contratualmente participam da gerência, são familiares próximos (mãe, irmã, filhos). Depois de discorrer sobre a composição societária de cada empresa do grupo, a autoridade lançadora registra que no mesmo imóvel situado na BR 282, km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguelli, Joaçaba/SC, funcionam as empresas IDUGEL INDUSTRIAL LTDA e J.S. MAQUINAS LTDA ME. Embora a empresa KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME, indique em seu contrato social e alterações ter como endereço a Rua Almirante Barroso, 592, Bairro Tobias, Joaçaba/SC, tratase na verdade do endereço residencial das Sras Elita Schimidtz Schazmann e Claúdia Schazmann Perottoni, sócias da empresa J.S. As empresas IDUGEL, J.S. e KF, funcionam na verdade, no mesmo endereço e estabelecimento, com empregados formalmente vinculados a cada uma delas, mas com uniforme contendo a descrição "GRUPO IDUGEL", trabalhando sob a administração de um mesmo empregador. A supremacia dos fatos revelase tratar de uma só empresa. O exame da contabilidade das pessoas jurídicas mencionadas revelou que a empresa IDUGEL INDUSTRIAL LTDA é responsável por praticamente toda a atividade industrial, compreendendo a aquisição de insumos, matériaprima, materiais de embalagem, energia, etc. As empresas J.S. MAQUINAS LTDA ME e KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME, são meras fornecedoras de mãodeobra. Da mesma forma, praticamente todo o faturamento com vendas é através da empresa IDUGEL, ficando a prestação de serviço de instalação das máquinas a cargo da empresa KF. Os auditores fiscais também relatam a existência de diversos “pagamentos cruzados” entre as empresas pertencentes ao “GRUPO”, de pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, de pagamentos “extrafolha” aos seus empregados, de pagamentos registrados a vista, embora realizados a prazo. Conclui, assim, que o "GRUPO" é administrado como se fosse uma única empresa, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação comercial em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 4 3 A partir da receita bruta mensal informada no âmbito do Simples, a autoridade fiscal calculou a COFINS devida de julho/2007 a dezembro/2007 mediante a aplicação da alíquota de 3%. Da contribuição apurada foram deduzidos os recolhimentos promovidos. Sobre o valor remanescente foi aplicada multa qualificada de 150%, dado que o relato dos fatos deixa caracterizado de forma clara o intuito de fraude por parte da fiscalizada, especialmente tendo em conta o que consignado no item 14 do relatório: A fiscalização, conclui que de fato, ocorreu simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte SIMPLES e SIMPLES NACIONAL. A exigência fiscal foi precedida da edição do Ato Declaratório Executivo DRF/JOA nº 021/2008, que excluiu a contribuinte do Simples Nacional a partir de 01/07/2007 em razão de haver sido verificada sua constituição por interpostas pessoas, restando caracterizado o emprego de artifício (simulação de atividade empresarial autônoma) objetivando reduzir o pagamento de tributos apuráveis segundo aquele regime especial, e em virtude da constatação de que o principal propósito de sua existência jurídica tomouse a contratação de mãodeobra em seu nome para cessão a outra pessoa jurídica.. A matéria é objeto do processo administrativo nº 10925.0022252/200861. Impugnando a exigência, a contribuinte questionou as intimações que lhe foram dirigidas para prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação, apesar da discussão administrativa acerca da exclusão, e deduziu os mesmos argumentos de defesa opostos contra a exclusão do Simples Federal. Juntou à defesa cópia da petição inicial do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028261, impetrado com vistas a obstar qualquer lançamento ou aplicação de penalidade por falta de atendimento a intimação até o julgamento final das defesas apresentadas contra as exclusões do Simples Federal e Nacional, bem como restabelecer sua condição de optante nos sistemas de controle da Receita Federal e vedar impedimento a nova opção em períodos subseqüentes, impedindo a exigência de qualquer recolhimento em outro regime que não o simplificado. A Turma Julgadora rejeitou aqueles argumentos em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Demonstrado o evidente intuito de fraude, mantémse a multa por infração qualificada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. EXCLUSÃO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 5 4 PROVA TESTEMUNHAL. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas; devendo, se tidas a seu favor, ser apresentadas sob forma de declaração escrita, já com a impugnação. IMPUGNAÇÃO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação posterior de documentos, pois a prova documental será apresentada na impugnação. Cientificada da decisão de primeira instância em 24/05/2010 (fl. 153), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 08/06/2010 (fls. 154/195), no qual inicialmente reproduz a defesa apresentada contra a exclusão do Simples Federal. Principia com a seguinte epígrafe: "SIMULAÇÃO – INEXISTÊNCIA – Não é simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com o desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária (3o C. 1° Conselho de Contribuintes, ac. 103.23.357/08, proc. 11516.002462/2004 18, Rel Paulo Jacinto do Nascimento, publ. DOU n° 57, de 25/03/2008) No preâmbulo da peça consigna, dentre outros aspectos, que: Concomitante à exclusão do regime simplificado e, a despeito da interposição de recursos administrativos e do efeito suspensivo garantido a estes, o agente fiscal expediu intimações com a finalidade de exigir a prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação, para as quais foram apresentadas manifestações no sentido da incompatibilidade com o efeito suspensivo atribuído aos recursos pendentes. Reintimada, foram reiterados os termos da manifestação anterior. E, por fim, foi surpreendida com a emissão dos autos de infrações constantes no rol anexo. Aduz que o grupo familiar de Elita Schazmann, formado por si e seus filhos e netos exploram o ramo industrial e comercial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais, e que com a evolução do negócio e por interesse dos entes familiares para evitar desentendimentos, optaram pela separação das atividades, com o fracionamento da cadeia produtiva, considerando o envolvimento de cada um nesse processo, o conhecimento técnico e a capacidade financeira de cada familiar, para chegar à disposição empresarial hoje existente. Neste sentido, em virtude dos conhecimentos técnicos e por já atuar no ramo de projetos, fabricação e comércio desse tipo de produção de maquinários, José Schazmann e sua esposa integraram a empresa IDUGEL, a qual é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (knowhow), que conta com a participação de diversas outras empresas delegadas (não apenas KF Montagens e JS Máquinas). Por sua vez, mediante participação financeira e visando o sustento familiar dentro do mesmo ramo negocial, formaram, a mãe e irmã de José Schazmann, a empresa recorrente, para participarem da cadeia produtiva de máquinas industriais comercializadas pela empresa IDUGEL. Já KF Montagens, formada por Karine e Felipe, filhos de José Schazmann, dedica Fl. 218DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 6 5 se exclusivamente à montagem dos equipamentos fabricados pela empresa IDUGEL (por si ou através de terceiros), diretamente nos locais definitivos. Desta forma, a recorrente é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa lDUGEL (direta ou indiretamente), e KF Montagens é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, sendo que outras empresas, além da recorrente, participam da cadeia produtiva. Defende que nenhum ilícito existe na formação de empresas por grupo de familiares, bem como a terceirização no caso em tela não se traduz em cessão de mão de obra como interpretou o agente fiscal, em que pese tenha assim concluído por análise equivocada dos fatos. Reportase ao art. 116 do CTN e diz que, no mundo negocial, há um momento anterior à sua efetivação, no qual é permitido ao participante do negócio optar por um ou outro caminho a alcançar um único objetivo, no caso, fato gerador. E cita doutrina acerca da permissão, presente na legislação tributário, em favor do desenvolvimento de ações (ou omissões) tendentes a evitar a ocorrência da hipótese de incidência (fato gerador), através da chamada Elisão Fiscal, qual seja, “direito à economia de impostos". No caso, não houve qualquer concretização de hipótese normativa de incidência anterior ao fato gerador dos tributos. Desta forma a ação é legítima ao passo que é perfeitamente lícita a formação de empresas que mantêm contratação entre si, ainda que constituídas por grupo de familiares. Não há como exigir que se funde apenas uma empresa. Variando percentuais proporcionais à participação financeira ou de trabalho de cada um, se há como separar perfeitamente as atividades em diversos setores. Ademais, as práticas foram revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todos os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações. Conclui, assim, que nenhuma mácula existe na constituição e operacionalização da empresa requerente, suficiente a afastarlhe o direito a opção pelo regime simplificado de tributação. Prossegue afirmando ilegal o ato praticado, porque não especificado o termo final dos efeitos da exclusão. Observa que na fundamentação do ato de exclusão está expresso que o ato disciplina apenas as situações abrangidas pelo Simples Federal, a evidenciar a ilegalidade da extensão daqueles efeitos para além de 30/06/2007. Argumenta, ainda, que a fundamentação exposta para exclusão demonstra a total insegurança da decisão, em razão da adoção de motivos totalmente incompatíveis entre si. Entende que ao promover o enquadramento da recorrente como sendo a atividade desempenhada “locação de mão de obra", está se respaldando a relação jurídica havida entre as empresas Idugel e J.S. Deste modo, se há relação jurídica entre referidas empresas, logo, existem; e devem ser reconhecidas como duas personalidades distintas, autônomas. E, se assim o são, é incompatível com a decisão de anular a existência da empresa JS, considerandoa como parte integrante da própria empresa Idugel, como leva a crer na fundamentação em apreço. Entende que, ao optar por se cercar de todos os fundamentos possíveis e impossíveis a prejudicar a requerente, a autoridade fiscal praticou ato nulo por defeito de fundamentação, com prejuízo à defesa da requerente, na forma do artigo 59, do Decreto 70.235/72, e nos termos de doutrina que cita. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 7 6 Defende a aplicação do prazo previsto no art. 45, parágrafo único, do Código Civil para anulação da constituição da pessoa jurídica, observando que sua constituição pelas sócias Elita e Cláudia Schazmann está informada no CNPJ desde 20/02/98, sem qualquer questionamento por parte da Receita Federal. Acrescenta que mesmo considerando a regra do art. 2028 do Código Civil, estaria fulminada pela decadência a possibilidade de anulação da empresa requerente, como pretende a autoridade fiscal. Aduz, também, que a apuração de fatos no exercício de 2008 somente se presta como prova da alegada simulação neste período, revelandose absurda a exclusão com efeitos desde 01/01/2003. Observa que a cada exercício é feita a opção pelo regime simplificado, com validade única e exclusiva para aquele. Reportase aos arts. 105 e 106 do CTN, e ao art. 15 da Lei nº 9.317/96 para defender que em se tratando que a situação excludente foi atestada (equivocadamente) durante o exercício de 2008, deveria ser aplicada a regra de exclusão a partir da constatação da mesma pois e quando se dá a ocorrência, pois que resultante de situação fática, cuja situação na data da verificação não pode ser estendida ao período pretérito. Cita manifestações dos Tribunais Regionais Federais TRF da 1a e da 3a Região, neste sentido e conclui pela inexistência de qualquer base jurídica para fixar a data de exclusão em 01.01.2003, devendo o ato de exclusão operar efeitos a partir de outubro/2008. Cita doutrina para argumentar que a cobrança com efeito retroativo dos tributos, tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva, malferida pelo Poder Executivo, até porque os contribuintes não deram causa à exclusão da condição de microempresa ou empresa de pequeno porte. Reportase ao art. 97 do CTN e destaca que a exclusão de um regime tributário cujo tratamento favorecido está constitucionalmente positivado e a conseqüente migração para outro mais oneroso, implica em majorar, indiretamente, a base de cálculo dos tributos. Acrescenta que tal circunstância impede um planejamento para a incidência dos tributos majorados, e que a exclusão afasta benefícios previstos na Lei nº 9.841/99, desvirtuando sua finalidade expressa já em seu art. 1o, como corolários dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, penalizando as microempresas e empresas de pequeno própria com indevida restrição ao direito de exercer a atividade econômica, que independe da autorização de órgãos públicos, além de configurar uma exigência sem o devido processo legal, com grave violação ao direito de defesa do contribuinte, posto que a autoridade que impõe a restrição não é competente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se e legítima ou ilegítima. Observa que a cobrança retroativa de tributos será realizada com incidência de juros e correção monetária, e diz que nos termos do art. 15 da Lei nº 9.317/96, a sanção tributária esta a ser aplicada por força da exclusão de ofício, a critério exclusivo da autoridade fiscal, passando esta a impor a tributação aplicável as demais pessoas jurídicas, a partir da data dos efeitos da exclusão. Cita doutrina acerca da necessidade de ato ilícito praticado pelo contribuinte para imposição de sanção, reportase ao art. 112 do CTN, e questiona se existe algum ilícito administrativo, a ensejar a aplicação da penalidade de pagamento retroativo dos tributos. Acrescenta que, quando da edição da Lei Federal n.° 9.317/96, vários contribuintes passaram a desenvolver atividades comerciais sob a égide da tributação simplificada, com o acolhimento do pedido de adesão por parte do Órgão competente do Poder Executivo, e com o advento da Lei Federal n.° 9.841/99, houve uma consolidação em massa da abertura de microempresas e empresas de pequeno porte, sendo que somente em 2004 passaram a ser emitidos atos declaratórios, fundados na vedação da continuidade da tributação simplificada sob o argumento de que a "atividade é vedada", sem Fl. 220DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 8 7 qualquer diretriz legal para os atos, ficando a critério subjetivo da autoridade fiscal de atribuir vedação ou não à atividade, sem apresentar sequer o fundamento legal do fato da exclusão, e não da exclusão em si mesma. Argumenta, ainda, que a legitimação da interpretação aleatória das regras juridicotributárias e fundada em meros indícios das atividades desenvolvidas pelos contribuintes foi inserida no Código Tributário na forma do Parágrafo Único do artigo 116. A atuação fiscal aqui questionada estaria fundada naquele autorização legal, ainda dependente de procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária, sem a qual permitese interpretações elásticas e, às vezes até fantasiosa. A ausência de limites seguros para atuação fiscal, portanto, evidencia que a atuação fiscal não tem amparo legal. Reportase à diferença entre locação/cessão de mão de obra e empreitada, citando a Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, e enfatizando que na cessão de mão de obra é o tomador quem gerencia a realização do serviço, sendo que no caso presente, tratase de Empreitada, pois há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo ã contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e, ainda, o emprego de meios mecânicos necessários à execução da tarefa. Entende, assim, que não há que se falar na vedação do artigo 9o, XII, “f” da Lei 9317/96. Aduz que a Fiscalização não demonstrou não serem, as sócias Elita e Cláudia, as verdadeiras titulares da sociedade, sendo que o fato de terem outorgado procurações para representálas em situações especificas, visando a facilitação das práticas empresariais e desburocratização, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação, mormente tendo em conta o disposto no art. 1018 do Código Civil. Observa que as sócias proprietárias recebem pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, reportase à definição de interpostas pessoas, destaca que as sócias que integram a empresa requerente têm legítimo interesse nas atividades desenvolvidas pela mesma, objetivando e obtendo para si lucro e renda suficiente a mantêlas, e arremata que não há qualquer motivo ilícito para que os sócios integrantes da empresa Idugel figurem no quadre societário, nada existindo a acobertar. Conclui que falta amparo legal à exclusão do Simples, mas ainda cita provas inservíveis juntadas pela Fiscalização, porque referentes a datas posteriores a outubro/2007, e enfatiza que há uma divisão física que separa o imóvel e, por conseqüência, as empresas em tela, observando que esta ocorrência deveria ter sido atestada pela Fiscalização, e reportandose a cópia da planta do imóvel para demonstrar sua alegação, à instalação de sistemas de alarmes e à certificação municipal neste sentido. Discorre sobre a atividade da empresa Idugel, citando doutrina acerca dos resultados obtidos por quem detém knowhow em alguma atividade, e enfatizando que aquela empresa detém capacidade técnica para desenvolver projetos e possibilidade de angariar contratos e obras em razão da tradição de mercado e capacidade técnica de José Schazmann e outros engenheiros contratados, observando que parte desta atividade é delegada para empresas terceirizadas, como a recorrente, por empreitada, razão pela qual o valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL quando da comercialização do conjunto todo. Cita exemplo prático para demonstrar que o faturamento das empresas contratadas, em que pese com número de empregados muito superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional. Reportase a Fl. 221DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 9 8 documentos que evidenciam outro tipo de atuação em parceria das empresas referidas e conclui que a simples análise de desproporção do faturamento entre as empresas lDUGEL e JS não se presta a comprovar ilegalidade nas suas constituições ou no relacionamento entre elas, assim como não é possível, diante das peculiaridades do caso, considerar proporcionalidade de faturamento com número de empregados. Afirma a regularidade de sua escrituração contábil, reconhecendo que houve empréstimo entre ela e a empresa Idugel, mas que tais transferências não desqualificam a individualidade de ambas, porque sempre na proporção dos créditos existentes da ora requerente perante a empresa IDUGEL. Diz que quando existente crédito e, ao mesmo tempo, devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos. E invoca a aplicação do princípio da proporcionalidade, eis que a partir do momento que o agente fiscal firmou entendimento (equivocado) sobre a ilegalidade da ora requerente, passou a buscar elementos, por mais insignificantes fossem, para sustentar referido convencimento. Reportase a jurisprudência do TRF/4a Região e pede o afastamento a ilegalidade apontada, até porque insuficiente a formar convencimento sobre a inidoneidade da empresa requerente. Complementa sua defesa apresentada contra a exclusão do Simples Federal opondose à acusação de registro de pagamentos cruzados em sua contabilidade, reafirmando a existência de empréstimos entre IDUGEL e JS, e a regularidade de sua escrituração, bem como frisando que a Fiscalização somente se reportou a 6 (seis) lançamentos no período fiscalizado, motivo pelo qual invoca a aplicação do princípio da proporcionalidade. Ademais, a idoneidade de sua escrituração permitiu que a Fiscalização identificasse valores esporadicamente pagos a empregados, apesar de não lançados em GFIP, o que, inclusive, afasta a aferição indireta, limitando a aplicação da verba previdenciária às parcelas pagas (maio/2006 e setembro/2007), sem estendêlas a outras competências. Questiona, também, exigências correspondentes a prolabore, sem qualquer fundamentação, para além da irregularidade de sua escrituração. Diz que houve apenas cinco pagamentos no período fiscalizado em favor do sócio José Schazmann, o que impede a aferição indireta. Transcreve a ementa citada na epígrafe e excerto do voto condutor do acórdão para afirmar perfeitamente legal, legítima a constituição e relacionamento da empresa requerente para com a IDUGEL. E finaliza a abordagem de mérito fazendo considerações acerca da inviabilização de suas atividades caso mantida a interpretação dada pela Fiscalização. Na seqüência, aponta vício formal do ato administrativo, citando o art. 142 do CTN, o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, o art. 293 do Decreto nº 3.048/99, e questionando a lavratura de auto de infração, e não de notificação fiscal de lançamento, sem a indicação da penalidade aplicada e sua gradação, nem a disposição legal infringida, para o que não se presta a indicação dos fundamentos legais das rubricas. Acrescenta que há que ser considerado que o montante constante no auto de infração corresponde à pena aplicada, equivalente ao valor do tributo corrigido. Razão pela qual deixa a impugnante de manifestarse quanto ao mérito das rubricas lançadas no auto em epígrafe. E na seqüência discorda da penalidade no percentual de 200% prevista no art. 284, II do Decreto nº 3.048/99, porque não verificada a hipótese do inciso IV do art. 225 do mesmo decreto, e também porque não observada a limitação para a penalidade. Cita jurisprudência em favor de seu entendimento. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 10 9 Argúi, ainda, cerceamento ao seu direito de defesa, porque pendentes intimações fiscais objeto de impugnações administrativas não decididas, observando que no relatório fiscal há referência a diversas intimações para apresentação de documentos, as quais não esclarece quanto ao atendimento ou não por parte do contribuinte, bem como se foram as mesmas tomadas como base na emissão do auto de infração em epígrafe, com aplicação de penalidade equivalente ao valor do tributo mais encargos. Diz que o descumprimento das intimações não é verdadeiro, porque comprovados os questionamentos administrativos antes mencionados. Afirma, também, a nulidade do processo administrativo, porque o auto de infração não foi submetido a qualquer revisão de ofício pela autoridade tributária superior ao autuante, na forma do art. 149, VII do CTN. Mais à frente, diz que o lançamento também seria nulo porque a penalidade não poderia ter recaído sobre os valores apurados pela Fiscalização, dado que apesar da unificação dos impostos e contribuições houve recolhimento do tributo, que não foi identificado como crédito na apuração fiscal. Por fim, argúi a decadência do direito de o Fisco constituir as contribuições previdenciárias devidas de janeiro a dezembro/2003, na forma do art. 173, I do CTN, conforme jurisprudência que cita, dado que houve pagamento antecipado. E nega a ocorrência de fraude, que só pode ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, e deve ser provada pelo Fisco. Ademais, na forma do art. 112 do CTN, na dúvida em face do planejamento tributário adotado pela recorrente, a decisão deve lhe ser favorável, consoante jurisprudência que cita. Em acréscimo à defesa apresentada no âmbito do Simples Federal, também consigna que não há como aplicar multa qualificada, eis que ausente qualquer demonstração de má fé ou fraude no caso em tela, como já fundamentado anteriormente. Arremata requerendo a produção de prova oral, cujo rol de testemunhas será apresentado oportunamente, quando da designação de data para sua oitiva. O recurso voluntário foi distribuído, inicialmente, para relatoria do Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, integrante da 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 3a Seção deste Conselho, que por meio do Acórdão nº 3201000.712 declinou competência em favor desta 1a Seção de Julgamento. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 11 10 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como relatado, o lançamento aqui formalizado decorre da exclusão da contribuinte do Simples Nacional, objeto do processo administrativo nº 10925.002252/2008 61. Naqueles autos, há notícia de que a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028261/SC, questionando os atos praticados em razão daquela exclusão. Em consulta ao sítio da Justiça Federal da 4a Região na Internet, constatase que o mandado de segurança foi impetrado em 09/12/2008, e a sentença posteriormente proferida traz o seguinte relato do pedido de liminar: Pleiteou, ademais, a concessão de liminar no sentido de: "(a) obstar qualquer exigência à impetrante para optar pelo regime tributário diverso daquele simplificado (SIMPLES) no período impugnado, e, consequentemente, vedação à exigência de documentos relativos a regime tributário divergente do SIMPLES até julgamento final dos processos administrativos n.s. 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823; (b) ordenar o restabelecimento da impetrante no regime simplificado perante todo o sistema da Receita Federal do Brasil, inclusive no sítio da internet até julgamento final dos processos administrativos n.s 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823; (c) ordenar a vedação de qualquer impedimento a nova opção pelo regime simplificado de tributação até julgamento final dos processos administrativos n.s 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823; (d) obstar qualquer penalidade decorrente do não atendimento aos termos de intimações n.s. 001, 002 e 003, por se tratarem de documentos relativos ao regime tributário "lucro real"; (e) afastar a possibilidade de aplicação, pela autoridade coatora, de qualquer ato tendente a exigir o recolhimento dos tributos por outro regime com penalidades administrativas, assim como o fornecimento de certidões negativas, até julgamento final dos processos administrativos n.s 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823". A liminar foi indeferida em decisão publicada em 06/02/2009, nos seguintes termos: A impetrante pretende, inclusive em provimento liminar, seja assegurada sua reinclusão junto ao Simples Nacional, vedada qualquer exigência ou aplicação de penalidade decorrente de regime tributário diverso do simplificado, até julgamento final dos processos administrativos nº 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823. Alega, em síntese, que apresentou tempestivo recurso administrativo contra os atos de exclusão, o qual possui efeito suspensivo. Notificada, a Autoridade apresentou informações alegando, preliminarmente, a perda de objeto da presente lide, tendo em vista a suspensão da exclusão até decisão administrativa definitiva. O impetrante apresentou manifestação. Vieram os autos conclusos. Decido. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 12 11 Considerando a informação e documentos apresentados pela impetrada, noticiando a suspensão da exclusão e dos efeitos dos Atos Declaratórios Executivos nº 18/2008 e 21/208, até decisão administrativa definitiva, com a consequente reinclusão da impetrante no Simples Nacional, ausente o periculum in mora, o que impede o deferimento do provimento liminar requerido. Ante o exposto, INDEFIRO o pedido de liminar. Em 28/01/2009 foi formalizada a presente exigência, consta da sentença proferida no mandado de segurança que a contribuinte peticionou nos autos para informar que em razão do não atendimento das intimações encaminhadas pelo Fisco e, sobretudo, pela desconsideração do efeito suspensivo dos recursos administrativos protocolizados, a autoridade fiscal emitiu diversos autos de infração em seu desfavor, todos no sentido de exigir a tributação pelo lucro real. Acrescentouse que naquela peça a contribuinte pugnou pelo reconhecimento de nulidade daqueles expedientes. Na seqüência, verificase nos autos da ação judicial a designação de diligência nos seguintes termos: Converto o julgamento em diligência. A impetrante pretende seja assegurada a sua permanência junto ao Simples Nacional, vedada qualquer exigência ou aplicação de penalidade decorrente de regime tributário diverso do simplificado, até julgamento final dos processos administrativos nº 10925.002252/200861 e nº 10925.002073/200823. Alega, em síntese, que apresentou tempestivo recurso administrativo contra os atos de exclusão, o qual possui efeito suspensivo. Notificada, a Autoridade apresentou informações alegando, preliminarmente, a perda de objeto da presente lide, tendo em vista a suspensão da exclusão e dos efeitos dos Atos Declaratórios Executivos nº 18/2008 e 21/2008, até decisão administrativa definitiva. Muito embora a Impetrada tenha apresentado informações (fls. 19/22), nas quais noticiou a suspensão dos efeitos dos Atos Declaratórios Executivos n.s 18/2008 e 21/2008, com a consequente reinclusão da Impetrante no Simples Nacional, a documentação acostada pela empresa às fls. 42/43 indica ter havido a lavratura de diversos autos de infração em desfavor daquela pessoa jurídica, cujo Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal TEPF foi datado em 23.01.2009, momento posterior às informações apresentadas. Dessarte, reputo necessária nova notificação da Impetrada para que apresente, no prazo de 10 (dez) dias, informações complementares, a fim de esclarecer as razões que justificaram a autuação da Impetrante nos autos do MPF n. 0920300.2008.00200, já que a suspensão noticiada pela Autoridade Impetrada decorreu das disposições contidas no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. CÓPIA DA PRESENTE DECISÃO SERVIRÁ COMO OFÍCIO Nº 3277427, a ser encaminhado com cópias da petição e documentos das fls. 41/43. Apresentadas as informações, retornem conclusos. Também da sentença extraise que a autoridade prestou informações complementares (fls. 68/72) no sentido de que "os créditos tributários lançados em nome da impetrante encontramse com a exigibilidade suspensa em virtude da impugnação do ato de exclusão do Simples Nacional apresentada (conforme documentos anexos), e que os lançamentos dos débitos tiveram como objetivo prevenir possível decadência do direito de fazêlo". Fl. 225DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 13 12 Frente a tais circunstâncias, o MM. Juiz Federal Substituto Ivan Arantes Junqueira Dantas Filho assim decidiu: II FUNDAMENTAÇÃO Mérito 1. Reconhecimento parcial do pedido A fls. 19/22 a autoridade impetrada apresentou informações dando conta de que "a DRF efetivou a suspensão das exclusões feitas, suspendendo assim os efeitos dos Atos Declaratórios Executivos n.s 18/2008 e 21/2008, até decisão administrativa definitiva". Na mesma ocasião, coligiu aos autos comprovantes da reinclusão da impetrante no Simples Nacional e no Simples Federal (a partir de 01/01/2003) e de que a impetrante encontrase, atualmente, e a partir de 01/07/2007, na situação de optante pelo Simples Nacional (fls. 23/26). Destarte, a autoridade impetrada reconheceu a procedência do pedido formulado pela impetrante nos itens "b" e "c" de fls. 07 de sua exordial, bem como daquele descrito a fls. 08, consistente em "assegurar o direito líquido e certo da impetrante em permanecer no regime tributário instituído pela Lei Complementar n. 123/2006 (SIMPLES), para recolhimento dos tributos na forma do artigo 18, § 5º, VII da referida Lei Complementar (...) até julgamento final dos processos administrativos n.s 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823". Assim, restam controversos apenas os pedidos arrolados nos itens "a", "d" e "e" de fls. 07 da inicial. 2. Pedidos constantes dos itens "a", "d" e "e" de fls. 07 da inicial Verificase dos autos que ato contínuo à exclusão do SIMPLES, a Receita Federal intimou e reintimou a contribuinte impetrante para que apresentasse escrituração fiscal ordinária, visando a apurar lucro real, IPI etc (fls. 30/32). Porque não apresentada tal documentação, autuou a contribuinte e promoveu lançamentos de ofício (fls. 71). A autoridade fiscal ignorou, assim, a eficácia suspensiva de que dotado o recurso interposto contra o ato de exclusão. Uma vez legalmente reconhecido efeito suspensivo à impugnação administrativa, a vida fiscal da contribuinte permanece regida pelas normas que disciplinam o sistema de tributação simplificada. Reconhecer que a decisão que excluiu a impetrante do SIMPLES teve sua eficácia suspensa é dizer que todas as suas obrigações, principais ou acessórias, permanecem sendo aquelas impostas por tal regime especial. Não há qualquer amparo jurídico em reconhecer a permanência ainda que provisória do contribuinte em certo regime de tributação e ao mesmo tempo exigirlhe escrituração fiscal de outro. Configurase, nesta exigência, burla à regra legal que castra de eficácia o ato administrativo recorrido. Se para a lei, interposta a impugnação, o contribuinte permanece no SIMPLES, não pode o Fisco imporlhe deveres e ônus que não sejam aqueles próprios deste mesmo SIMPLES. Vejase que a alegação da Fazenda de que efetuou os lançamentos para prevenir decadência (fls. 68) não se sustenta. Esta figura jurídica (lançamento para prevenir decadência), prevista no art. 63 da Lei 9.430/96, visa a compatibilizar as funções jurisdicional e administrativa, quando exercidas em sobreposição temporal. Desta forma, ao mesmo tempo em que a decisão judicial impede qualquer investida fiscal contra o patrimônio do contribuinte, possibilitase à Administração cumprir seu dever legal de verificar a ocorrência de fatos geradores e constituir os respectivos créditos tributários. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 14 13 Esta situação não se verifica no caso em tela, em que não há exercício concomitante de função judicial e administrativa sobre um mesmo fato. O que se verifica na hipótese dos autos é a existência de um processo administrativo em fase recursal, sendo que a eficácia suspensiva da exclusão decorre de ato da própria Administração, que recebeu e processou a impugnação apresentada pelo contribuinte. Desta forma, não se verifica o cabimento de lançamento para prevenção de decadência. O contexto concreto é diverso da fattispecie legal. Ademais, percebase que não se está a discutir a ocorrência de um fato gerador ou a incidência de determinado tributo, mas a exclusão de um regime tributário simplificado. Se a exclusão não produz efeito, fica prejudicado todo e qualquer ato constitutivo de crédito que guarde como fundamento remoto esta exclusão, já que não haverá incidência das normas ordinárias de tributação. Assim, se a Fazenda exige prestação, principal ou acessória, com base em norma cuja incidência está obstada pela interposição de recurso, pratica ato destituído de base legal, e portanto nulo. Devo observar, por outro lado, que se o Fisco não se vê munido de poder legal para constituir o crédito, contra ele não fluirá prazo decadencial. Somente a partir do momento em que estivesse juridicamente dotado de condições legais para lançar (o que, no caso, darseia com eventual decisão final confirmadora da exclusão do SIMPLES) é que teria o ônus de fazêlo. Portanto, não existe decadência a ser prevenida, pois sequer há fluência de prazo decadencial. Feita essa observação, o que se conclui da situação concreta é que, enquanto não julgada a impugnação da impetrante contra sua exclusão do SIMPLES, não lhe poderão ser exigidas obrigações de regime diverso, e tampouco efetuadas autuações e lançamentos com base em normas estranhas ao regime simplificado, sendo nulas as que desta maneira já realizadas. III DISPOSITIVO Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, com resolução do mérito, para: i) nos termos do art. 269, II, do CPC, diante do reconhecimento da impetrada, declarar o direito líquido e certo da impetrante de permanecer no regime tributário simplificado (SIMPLES FEDERAL de 01/01/2003 a 30/06/2007 e SIMPLES NACIONAL a partir de 01/07/2007) até o julgamento final dos processos administrativos 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823; ii) nos termos do art. 269, I, do CPC, declarar nulas as intimações e reintimações fiscais feitas à impetrante com base em normas estranhas ao SIMPLES (fls. 30/32), bem como as autuações e lançamentos delas decorrentes (fls. 70/71), reconhecendo seu direito à obtenção de certidão de regularidade fiscal se por outro motivo não estiver impedida sua expedição; iii) nos termos do art. 269, I, do CPC, ordenar à autoridade impetrada que se abstenha de impor à impetrante qualquer obrigação estranha ao SIMPLES, principal ou acessória, até o julgamento final dos processos administrativos 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823. [...] Referida decisão foi submetida a reexame necessário e mantida por seus próprios fundamentos, consoante ementa do acórdão datado de 28/08/2012: TRIBUTÁRIO. SIMPLES. EXCLUSÃO. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. EFICÁCIA SUSPENSIVA. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 15 14 1. Uma vez legalmente reconhecido efeito suspensivo à impugnação administrativa, a vida fiscal da contribuinte permanece regida pelas normas que disciplinam o sistema de tributação simplificada. 2. No caso, não se verifica o cabimento de lançamento para prevenção de decadência, pois não há exercício concomitante de função judicial e administrativa sobre um mesmo fato, mas apenas a existência de um processo administrativo em fase recursal, com eficácia suspensiva decorrente de ato da própria Administração. A União Federal interpôs recurso especial, que foi admitido em 13/02/2014, mas não foi identificado o processo correspondente no Superior Tribunal de Justiça. Há neste relato manifestações judiciais acerca da (in)validade das intimações das quais resultaram a presente exigência, bem como do próprio lançamento, se destinado a prevenir a decadência. Além disso, foi dirigida ao Delegado da Receita Federal em Joaçaba a ordem para que se abstenha de impor à impetrante qualquer obrigação estranha ao SIMPLES, principal ou acessória, até o julgamento final dos processos administrativos 10925.002252/200861 e 10925.002073/200823, mas isto depois de formalizado o lançamento aqui sob análise. De outro lado, este Conselho já pacificou o entendimento de que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Observase, porém, que o objeto deste processo administrativo é mais amplo que o submetido à apreciação judicial. Isto porque, antes de questionar as exigências feitas no sentido da adequação de sua escrituração em razão de sua exclusão do Simples, a contribuinte repete, aqui, os argumentos veiculados em sua manifestação de inconformidade contra a exclusão, os quais, apreciados nos autos do processo administrativo nº 10925.002252/200861, ensejaram o cancelamento do ato de exclusão por ausência de provas, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 1101001.244, a seguir reproduzido. Este Colegiado apreciou, recentemente, atos simulados praticados com vistas a assegurar que uma atividade econômica, apesar de sua expansão, continuasse a usufruir dos benefícios do regime simplificado de recolhimentos. Os atos de exclusão e os lançamentos decorrentes foram mantidos por unanimidade de votos, nos termos das ementas a seguir transcritas: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES O excesso de receita bruta e a prática reiterada de infração à legislação tributária são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples. Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2007, 2008, 2009 EXCLUSÃO DO SIMPLES O excesso de receita bruta, a prática reiterada de infração à legislação tributária e a omissão na folha de pagamento de empregado são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 16 15 Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. É válido o lançamento resultante de procedimento fiscal desenvolvido com observância das normas legais. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. A ocorrência de fraude impõe a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado. UNICIDADE EMPRESARIAL. CONFUSÃO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. Demonstrada a simulação em razão da confusão operacional, comercial, financeira e trabalhista entre as pessoas jurídicas fiscalizadas, correto o lançamento que reúne, na pessoa jurídica que primeiro foi constituída, o faturamento partilhado entre as demais pessoas jurídicas com vistas a manter a atividade empresária beneficiada pela sistemática simplificada de recolhimento. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Caracterizada a simulação e a fraude, o lançamento tributário depende, apenas, da formalização da exclusão da pessoa jurídica autuada do SIMPLES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. A confusão entre pessoas jurídicas formalmente constituídas para que entre elas fosse partilhado o faturamento decorrente da atividade empresária impõe a responsabilidade solidária de todas pelo crédito tributário. ARBITRAMENTO DO LUCRO. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. A contabilidade da pessoa jurídica, quando escriturada fracionada e com vícios, erros e falhas não é hábil para que se proceda a tributação com base no lucro real ou pelo lucro presumido. EMPRÉSTIMOS E ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL NÃO COMPROVADOS. INDÍCIOS EXTRAÍDO DE ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. Se os vícios que ensejam a imprestabilidade da escrituração afetam significativamente os registros de disponibilidades não é possível tomar como indícios de presunção de omissão de receitas os empréstimos e adiantamentos que, segundo a acusação fiscal, teriam se prestado a evitar a configuração de saldo credor de caixa. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Válida a aplicação de multa qualificada nos casos de fraude e simulação. (Acórdão nº 1101001.093, sessão de julgamento de 09 de abril de 2014) Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Confirmadas as irregularidades na escrituração da movimentação financeiras, consistente na manutenção de conta corrente e de depósitos à margem da escrituração, seguindose a constituição de pessoa jurídica sem qualquer autonomia em relação à optante e com interpostas pessoas no quadro social, de modo a evitar que a receita bruta auferida pela atividade ultrapasse o limite fixado para permanência no Simples, é válida a exclusão com efeitos no próprio ano fiscalizado e no subseqüente. Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS DE TRIBUTOS FEDERAIS. ESCRITURAÇÃO QUE NÃO IDENTIFICA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. O excesso de receita bruta verificado no anocalendário anterior, ocultado pela simulação de constituição de pessoa jurídica para fracionamento do faturamento, agravada pelo uso de interpostas pessoas no quadro social, além da constatação de débitos do Simples Federal não recolhidos e ocultados mediante retificação das declarações originalmente apresentadas, e da manutenção de contas correntes à margem Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 17 16 da escrituração, autorizam a exclusão com efeitos retroativos à data de opção pelo Simples Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ARBITRAMENTO. O lucro tributável deve ser arbitrado se a escrituração dos sujeito passivo mostrase imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira, vez que constatada a manutenção de contas correntes (e de depósitos) à margem da contabilidade, mormente se o sujeito passivo não questiona as receitas presumidas em razão destas omissões, bem como não responde à intimação formulada no curso do procedimento fiscal para opção pelo lucro presumido ou real, em razão da exclusão da pessoa jurídica do regime simplificado de recolhimentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Verificada a omissão de receita, o valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. ALÍQUOTA ZERO. PIS/COFINS. Para que fosse possível admitir que as receitas omitidas seriam correspondentes a vendas tributadas à alíquota zero, necessário que fossem apresentadas as notas fiscais de venda a corroborar a alegação, não escrituradas na contabilidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. Comprovado que a empresa designada responsável solidária foi constituída por pessoas físicas ligadas aos reais sócios e administradores do empreendimento, única e exclusivamente para fracionar o faturamento da contribuinte autuada, de modo a permitir a sua permanência no SIMPLES FEDERAL e, posteriormente, no SIMPLES NACIONAL, o que se tem é apenas uma pessoa jurídica, um único faturamento, uma única atividade e um único patrimônio, que deve ser chamado a responder pelo crédito tributário devido pela atividade desempenhada pelas empresas em conjunto, inclusive com a utilização indistinta de recursos humanos e patrimoniais. (Acórdão nº 1101001.158, sessão de julgamento de 31 de julho de 2014). Traço comum dos litígios em referência é a prova produzida pela Fiscalização em favor da confusão patrimonial e da ausência de autonomia entre as pessoas jurídicas, evidenciando um único empreendimento formalmente dividido com vistas, apenas, a usufruir das isenções conferidas aos beneficiários do sistema simplificado de recolhimentos. No presente caso, a representação fiscal para exclusão da contribuinte do SIMPLES também se reporta a simulação para segmentação de atividades/faturamento. Inicialmente aponta a existência de documentação anexa, onde se observa a designação de “GRUPO IDUGEL”, possivelmente reportandose ao papel timbrado usado por Idugel Industrial Ltda, que ao lado da designação desta pessoa jurídica traz o logotipo do grupo (fl. 13), o mesmo se verificando no demonstrativo consolidado de salários pagos pelas pessoas jurídicas do grupo, à fl. 83. A autoridade fiscal indica as pessoas jurídicas integrantes do grupo (Idugel Industrial Ltda, J.S. Máquinas Ltda ME e KF Montagens Industriais Ltda ME), descrevendo seu endereço, objeto social, data de opção pelo SIMPLES e informações sobre o número de empregados. Na seqüência, discorre sobre as características da composição societária do grupo, enfatizando a administração das três pessoas jurídicas, por procuração, pelo casal José Schazmann e Silvana Marques Schazmann (que também são sócios e administradores de Idugel Industrial Ltda), e relatando a atuação dos demais familiares: Elita Schimidtz Schazmann (mãe de José Schazmann, sócia administradora da fiscalizada e antiga sócia administradora de KF Montagens Industriais Ltda ME); Claudia Schazmann Perottoni (irmã de José Schazmann e sócia administradora da autuada); Felipe Marques Schazmann (filho de José Schazmann e sócio administrador de KF Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 18 17 Montagens Industriais Ltda ME); e Karinne Marques Schazmann (filha de José Schazmann e sócia cotista de KF Montagens Industriais Ltda ME). Os quadros abaixo demonstram as alterações da composição societária das pessoas jurídicas do grupo empresarial: Para afirmar que as três pessoas jurídicas constituem uma única empresa, a autoridade lançadora consigna que: · As três pessoas jurídicas ocupariam o mesmo imóvel, situado na BR 282, km 385, Trevo Oeste, Acesso Adolfo Ziguelli, Joaçaba/SC, pois este é o endereço declarado por Idugel Industrial Ltda e JS Máquinas Ltda ME, enquanto o endereço declarado por KF Montagens Industriais Ltda ME é o endereço residencial das sócias da fiscalizada. Todavia, a autoridade fiscal nada menciona acerca das instalações físicas deste imóvel, e não infirma a possibilidade de naquele mesmo espaço físico Idugel Industrial Ltda estar encarregada de projetos, comércio, montagem e manutenção das máquinas e equipamentos, restando à J.S. Máquinas Ltda ME a fabricação Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 19 18 propriamente dita dos equipamentos, ou de partes deles, e à KF Montagens Industrias Ltda ME a prestação de serviços a Idugel Industrial Ltda para instalação dos equipamentos fora do estabelecimento industrial; · A fiscalizada atuaria basicamente como empresa de cessão de mãodeobra para Idugel Industrial Ltda, pois embora o objeto social de JS Máquinas Ltda ME seja fabricação e comercialização de máquinas e equipamentos e acessórios para moinhos, silos e cerealistas, as duas pessoas jurídicas ocupam o mesmo espaço físico de trabalho e tem seu pessoal subordinado ao comando das mesmas pessoas. Como dito, a ocupação do mesmo espaço físico é afirmada pela Fiscalização apenas em razão da identidade de endereço. Não há qualquer descrição de diligência no estabelecimento em referência, ou termo lavrado neste sentido, para investigação acerca das atividades exercidas pela mãodeobra contratada ou da logística dos materiais, com vistas a afirmar que José Schazmann e Silvana Marques Schazmann estariam administrando uma atividade empresarial única em razão da confusão operacional entre elas; · A tomadora de mãodeobra – IDUGEL , que não é optante pelo SIMPLES, teve, por exemplo, em 2007, dois empregados registrados em seu nome, e concentrou praticamente todo o faturamento de vendas. Porém, nada impediria que Idugel Industrial Ltda se responsabilizasse apenas pelo projeto e comércio dos equipamentos, desde que seus empregados e suas instalações físicas estivessem efetivamente destinadas a estas atividades, e houvesse contratação formal e material de JS Máquinas Ltda ME para a produção dos equipamentos projetados e vendidos, atividade a ser realizada em instalações específicas do imóvel compartilhado pelas duas pessoas jurídicas, com seus próprios empregados, mormente tendo em conta que a fiscalizada teria como sócias pessoas distintas dos sócios de Idugel Industrial Ltda. Necessário seria que houvesse simulação na composição do quadro social da fiscalizada, distribuição informal de receitas contratadas com clientes por apenas uma das pessoas jurídicas, ou descompasso na distribuição entre as pessoas jurídicas da remuneração contratualmente fixada, tendo em conta a natureza dos serviços que cada ente prestaria; · Os setores administrativos (financeiro, pessoal, etc...) atendem as duas empresas. Ocorre que para demonstrar esta prática, a Fiscalização se reportou a demonstrativos de pagamento de folha de salário, juntados às fls. 77/83, nos quais apenas se observa a utilização da mesma máscara para o relatório, com substituição da marca de cada pessoa jurídica, além de um relatório consolidando os resultados das três pessoas jurídicas. Não há sequer a individualização dos empregados destes setores administrativos, subsistindo a possibilidade de os relatórios terem sido produzidos de forma padronizada por uma mesma pessoa jurídica em favor da qual foram terceirizadas estas atividades; · Além das pessoas jurídicas funcionarem num mesmo estabelecimento, os empregados usam uniforme contendo a descrição “GRUPO IDUGEL”, trabalhando sob a administração de um mesmo empregador. A indicação do logotipo do grupo empresarial no uniforme, entretanto, é apenas um indício de eventual confusão operacional entre as pessoas jurídicas. Como dito, nenhum elemento foi trazido aos autos demonstrando a impossibilidade de Idugel Industrial Ltda ter operado com apenas dois ou três empregados para executar o projeto e o comércio dos equipamentos, ou a atuação dos empregados de JS Máquinas Ltda em favor de outra pessoa jurídica ou em suas instalações. A localização das duas pessoas jurídicas no mesmo imóvel e a administração das três sociedades pelas mesmas pessoas físicas são Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 20 19 aspectos formais que podem indicar irregularidades, mas estas devem ser materializadas com provas, ou ao menos indícios consistentes e convergentes, colhidos das instalações físicas, da atividade operacional e da gerência efetiva da atividade empresária; · A escrituração contábil das pessoas jurídicas revela vários pagamentos “cruzados” ferindo o princípio contábil da “Entidade”, ou seja, quando não havia recursos financeiros para pagar os compromissos assumidos por uma das empresas, simplesmente utilizavam os recurso da outra, como se na verdade fosse uma única empresa com diversas contas bancárias. Ademais, os pagamentos foram autorizados por Silvana Marques Schazmann. Porém, os elementos juntados à acusação fiscal, com datas do ano de 2007, apenas refletem as operações em si, e não ensejaram qualquer questionamento às empresas do grupo acerca da solução adotada para adequação dos saldos bancários das pessoas jurídicas, sendo certo que os registros contábeis, na parte em que evidenciados, apontavam a baixa de disponibilidades pela pessoa jurídica que implementou o pagamento, e nada foi esclarecido acerca da forma contábil adotada para registro da despesa ou do ativo vinculado a tais pagamentos, que deveria se dar na pessoa jurídica que promoveu sua aquisição/contratação ou incorreu no tributo devido. Vejase: o Relação de lançamentos a crédito da conta Caixa de JS Máquinas Ltda ME em razão de pagamentos de “INSS a Recolher” promovidos com a débito de conta bancária mantida por Idugel Industrial Ltda e autorizados por Silvana M. Schazmann (fls. 84/89); o Relação de lançamentos a crédito da conta Caixa de KF Montagens Industriais Ltda ME em razão de pagamentos de “INSS a Recolher” e “FGTS a Recolher” promovidos com a débito de conta bancária mantida por Idugel Industrial Ltda e autorizados por Silvana M. Schazmann (fls. 90/94 e 100/101); o Relação de lançamentos a débito da conta Caixa de KF Montagens Industriais Ltda ME em razão de pagamentos de boletos bancários tendo Idugel Industrial Ltda como sacado, e debitados em conta bancária de KF Montagens Ltda ME, com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 90 e 95/99); o Relação de valestransporte e valesrefeição de empregados vinculados a J.S. Máquinas Ltda ME e K.F. Montagens Ltda ME, pagos com cheque emitido por Idugel Industrial Ltda (fls. 103/108); o Aquisição de material por Idugel Industrial Ltda debitada em conta bancária de J.S. Máquinas Ltda ME, com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 109/111); o Pagamento de boleto bancário tendo como sacado J.S. Máquinas Ltda ME, debitado em conta bancária de Idugel Industrial Ltda com autorização de Silvana M. Schazmann (fls. 112/113); e o Pagamento de nota fiscal de aquisição de uniformes e correspondente boleto bancário tendo como sacado Idugel Industrial Ltda, debitado em conta bancária de KF Montagens Industriais Ltda (fls. 114/116). · Não há preocupação de justificar contabilmente, de forma correta, tais registros, ou seja, a empresa que faz os pagamentos contabiliza as saídas na conta “Bancos” e as entradas na conta “Caixa”. A empresa que tem suas contas pagas simplesmente contabiliza esses valores como saídas da conta Fl. 233DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 21 20 “Caixa”. Contudo, estas ocorrências apenas revelam o uso do “Caixa Flutuante”, prática por meio da qual todos os valores movimentados em Bancos transitam por conta Caixa. Inexistiria qualquer irregularidade se, depois de contabilizar um pagamento de outra empresa do grupo mediante débito de “Caixa” e crédito de “Bancos”, a pessoa jurídica registrasse outro lançamento creditando “Caixa” e debitando “Créditos com pessoas ligadas”, representativo do direito que passou a deter ao destinar suas disponibilidades ao pagamento de dívida de outra pessoa jurídica. Logo, os registros apontados pela Fiscalização não se prestam a comprometer de forma irremediável a escrituração contábil apresentada; · Idugel Industrial Ltda é a responsável por praticamente toda a atividade gerencial/industrial do “grupo”, compreendendo as aquisições de insumos, matériaprima, material de embalagem, energia, etc. As empresa J.S. e K.F. são meras fornecedoras de mãodeobra, e todo o faturamento com vendas é através da empresa IDUGEL, ficando a prestação de serviço de instalação de máquinas a cargo da empresa KF. O único elemento que aparenta ter correlação com esta acusação é a nota fiscal emitida por KF Montagens Industriais Ltda por prestação de serviços a Idugel Industrial Ltda, no valor de R$ 48.000,00, em 30/04/2008, juntada à fl. 117. Para além disso, a autoridade fiscal se limita a elaborar quadros com a relação custo x receita e receita por empregado, de 2003 a 2007, para demonstrar a concentração de receitas e custos em Idugel Industrial Ltda, e de empregados em J.S. Máquinas Ltda ME e K.F. Montagens Ltda ME. Como já dito, não houve qualquer investigação acerca da logística destes materiais, das relações contratuais entre as pessoas jurídicas do grupo, e da forma de prestação de serviço pelos empregados, para materializar as suspeitas advindas do objeto social das pessoas jurídicas, do endereço por elas adotados, da designação de seus administradores, e dos quantitativos de receitas, custos e número de empregados. A conclusão fiscal, diante destes fatos, é de que houve simulação para fracionamento da atividade e o faturamento, hábil a ensejar a exclusão da fiscalizada do Simples para que os resultados por ela declarados não fossem beneficiados com o tratamento diferenciado concedido por aquela sistemática de recolhimento. Em paralelo, afirmase também que a atividade de cessão ou locação de mãodeobra também impediria a permanência da contribuinte no Simples Nacional. O ato de exclusão faz referência às constatações consolidadas no Parecer SACAT nº 341/2008. Neste documento algumas acusações recebem nova abordagem: · O Grupo Idugel constituiria uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no Simples Federal, sendo que Idugel Industrial Ltda beneficiouse indevidamente por acometer artificialmente à pessoa jurídica J.S. Máquinas Ltda ME, no regime diferenciado, a responsabilidade por significativa parcela dos tributos com os quais normalmente teria que arcar, especialmente contribuições previdenciárias, uma vez que o faturamento da única empresa de fato (Idugel), do pretenso “grupo empresarial, ultrapassa sistematicamente os limites para ingresso e permanência no Simples Federal. Contudo, em momento algum a autoridade fiscal demonstrou que o faturamento do grupo superaria o limite para permanência no Simples Federal. Os quadros comparativos de receitas, custos e empregados apresentam totais anuais, mas não são correlacionados com os limites de faturamento estipulados para cada anocalendário, dado que sua elaboração não tinha este objetivo. Demais disso há ao menos uma Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 22 21 evidência de nota fiscal de prestação de serviços emitida por KF Montagens Ltda ME em favor de Idugel Industrial Ltda, a exigir a exclusão destas operações recíprocas para se aferir o volume real de receita do grupo. · J.S. Máquinas Ltda, a partir de determinado momento teria perdido, se é que possuía, sua autonomia como entidade empresarial, passando a ter suas atividades incorporadas pela empresa Idugel Industrial Ltda, assumindo existência apenas no campo formal, uma ficção, sob os aspectos econômico, contábil, administrativo, operacional e societário, desde então constituída por interpostas pessoas, de inteira confiança dos proprietários da Idugel Industrial Ltda. Mas, além de a representação fiscal para exclusão não ter sido acompanhada de provas desta alegada existência meramente formal da fiscalizada, não houve investigação para demonstrar que as sócias administradoras de JS Máquinas Ltda ME seriam interpostas pessoas, sem qualquer participação na sociedade, a evidenciar que os administradores da pessoa jurídica por procuração (José Schazmann e Silvana Marques Schazmann) seriam, em verdade, seus sócios de fato; · As alterações societárias se prestaram a submeter o controle administrativo da fiscalizada ao casal José Schazmann e Silvana Marques Schazmann, bem como a alterar o endereço de J.S. Máquinas Ltda ME, que deixou de ter sede própria em 22/09/97 para adotar o mesmo endereço de Idugel Industrial Ltda, com indicação em blocos diferentes do mesmo imóvel, sendo esta uma pequena diferença, apenas formal. Como já demonstrado, além de a Fiscalização não ter infirmado a divisão em blocos do imóvel ocupado pelas pessoas jurídicas, também não houve qualquer prova de que o mencionado controle administrativo por José Schazmann e Silvana Marques Schazmann seria absoluto, sem prestação de contas às sócias administradoras da fiscalizada, que lhes outorgaram procuração para gerir a J.S. Máquinas Ltda; · Ainda que exercesse atividade econômica autônoma a fiscalizada apenas forneceria mãodeobra a Idugel Industrial Ltda, dado que os gastos de JS Máquinas Ltda ME com insumos não justificam – por serem irrisórios comparados aos da Idugel – o faturamento consignado em sua contabilidade, mostrandose os gastos contábeis com mãodeobra, por outro lado, exagerados e incompatíveis com este mesmo faturamento, também quando comparados aos números da Idugel Industrial Ltda. Ocorre que não há, nos autos, qualquer intimação dirigida à fiscalizada exigindo esclarecimentos acerca das atividades por ela exercidas, ou de suas relações comerciais com Idugel Industrial Ltda, de modo que as incompatibilidades aventadas são apenas inferências a partir dos valores escriturados, motivadas em razão da administração das sociedades pelas mesmas pessoas. Não é possível declarar gastos com mãodeobra incompatíveis com o faturamento, nem afirmar que houve locação ou cessão de mãodeobra sem avaliar, documentalmente ou no plano fático, qual a atividade exercida pelas pessoas jurídicas e a forma como ela se processou; e · A exclusão deveria operar efeitos desde o início da opção, dado que as vedações tratadas no art. 5o, inciso V da Resolução CGSN nº 15/2007 (interposição de pessoas no quadro social) e no art. 5o, inciso XI da mesma Resolução (locação ou cessão de mãodeobra) estariam demonstradas nos autos a partir de janeiro/2003, em especial nos quadros comparativos de receita, custos e gastos com mãodeobra. Contudo, por tudo antes exposto, as evidências reunidas não são suficientes para caracterizar a interposição de pessoas no quadro social, ou mesmo que as atividades da fiscalizada Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 23 22 pudessem caracterizar locação ou cessão de mãodeobra, verificandose idêntica situação em todos os períodos investigados, desde 2003; · Como a constituição por interpostas pessoas seria a principal e mais grave motivação para a exclusão do Simples Nacional, e em se tratando de claro artifício para induzir e manter a fiscalização em erro, com o fim de reduzir o pagamento de tributos apuráveis na forma do Simples Nacional, o impedimento de nova opção pelo Simples Nacional se verifica por 10 (dez) anos calendários. Restou demonstrado, entretanto, que a interposição de pessoas no quadro social não foi provada pela Fiscalização. Acrescentese que ao prosseguir na análise do litígio formado a partir desta exclusão, examinando as exigências tributárias daí decorrentes, constatouse a referência ao procedimento fiscal descrito nos autos do processo administrativo nº 10925.000023/200992, no qual foram formalizadas exigências de contribuições previdenciárias já apreciadas pela 3a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento. No Relatório Fiscal lavrado naqueles autos foram identificadas algumas diligências aqui não relatadas, anteriores à representação fiscal para exclusão. Vejase: No dia 04 de março de 2008, em cumprimento ao Mandato de Procedimento Fiscal — MPF n° 0920300.2008.00160, na presença da Sra. Silvana Marques Schazmann e através da ciência do Sr. José Schazmann no Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF (fls.75, 76) iniciouse a ação fiscal no contribuinte IDUGEL INDUSTRIAL LTDA. Durante essa visita inicial ao estabelecimento do contribuinte, foi constatada a existência de uma quantidade de segurados empregados muito superior à declarada a Previdência Social através da Guia de Recolhimento do FGTS e Informação a Previdência Social — GFIP, informação essa decorrente do procedimento de pré análise feita pela fiscalização com base nas informações dos sistemas internos (GFIPWEB). Pôdese verificar que tais segurados trabalhavam usando uniforme com identificação visual contendo ?' descrição "GRUPO IDUGEL". Foram observados também na recepção do estabelecimento ,, do fiscalizado, "banners", quadros . com foto do estabelecimento e documentos com a mesma identificação visual. Questionado o Sr. José Schazmann sobre a existência de outras empresas de sua propriedade, foi informado à fiscalização que havia, além da IDUGEL INDUSTRIAL LTDA, as empresas J.S. MÁQUINAS LTDA ME e KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME. Foi solicitado o nome completo das empresas e o número do CNPJ e informado ao Sr. José Schazmann que ambas seriam fiscalizadas. [...] Em atendimento ao TIAF, o fiscalizado apresentou parcialmente os documentos discriminados, com destaque para os arquivos magnéticos conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais (fls. 77 a 81). Os documentos solicitados foram apresentados pelo escritório de contabilidade CONTASSESC CONTABILIDADE E ASSESSORIA, com sede a Rua Getúlio Vargas 835, Centro Joaçaba/SC, contratado pelo contribuinte para a execução de sua escrita fiscal. A fiscalização foi atendida pelo Sr. Tiago, sendo este o contato para esclarecimento de todas as questões relativas à fiscalização. Foi informado à fiscalização que todas a empresas pertencentes ao "GRUPO IDUGEL" haviam sido recém incorporadas a carteira de clientes do escritório, sendo que até a competência de agosto de 2007 elas eram atendidas pelo escritório de contabilidade GABARITO ASSESSORIA CONTÁBIL, com sede a Rua 13 de Maio, 11, sala 19, Centro, Joaçaba/SC. Em razão disso, alguns documentos não puderam ser disponibilizados de imediato, pois ainda encontravamse de posse do antigo escritório de contabilidade. Posteriormente a fiscalização iniciou a análise dos documentos que deram origem à escrita contábil dos contribuintes (IDUGEL INDUSTRIAL LTDA, KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME e J.S. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA ME), sendo disponibilizados na sede do fiscalizado. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 24 23 4.2 TERMO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS — TIAD DE 27/06/2008 Por meio do TIAD de 2710612008 (fis. 82) intimamos o contribuinte a fornecer cópia da procuração com cessão de poderes para José Schazmann e Silvana Marques Schazmann. Tal solicitação teve como objetivo comprovar de forma clara e objetiva que a empresa fiscalizada na verdade é administrada de forma direta pelos proprietários da empresa IDUGEL INDUSTRIAL LTDA., constatação já evidenciada pela análise da documentação contábil apresentada pelo contribuinte. Constatase do assim exposto que a autoridade fiscal promoveu diligências ao estabelecimento da fiscalizada, e lá colheu as impressões acerca do uniforme usado pelos empregados (aqui citada), além da identificação comum das empresas, que não foi ressaltada na acusação aqui produzida. Observase, também, que nenhuma contestação foi objetivamente apresentada acerca da divisão do imóvel em blocos, para complementar a afirmação posterior de que ela seria apenas formal. Ou seja, não foram descritas as atividades exercidas no imóvel, os empregados nelas alocados e seus vínculos empregatícios, a forma de supervisão de seu trabalho, etc. Quanto às atividades administrativas, surgem as referências à terceirização antes cogitada. E, no que tange à administração das pessoas jurídicas por José Schazmann e Silvana Marques Schazmann, confirmase que a investigação resumiu se à outorga de poderes pelas sócias da fiscalizada, sem qualquer questionamento acerca da efetiva atuação destas como sócias, para suportar a acusação de que elas seriam interpostas pessoas. A ausência das provas referidas neste voto impede que, neste julgamento, sejam refutadas as justificativas apresentadas na defesa, especialmente que: · O interesse do grupo familiar em termos societários e operacional em fracionar a cadeia produtiva, aproveitando o conhecimento técnico e a capacidade financeira de cada familiar, para chegar à disposição empresarial hoje existente: não houve qualquer questionamento dirigido aos administradores ou aos sócios das pessoas jurídicas envolvidas perquirindo as razões comerciais para o fracionamento das atividades, e a Fiscalização não as infirmou para prevalência da motivação tributária; · A experiência profissional de José Schazmann e sua esposa para administrar em Idugel Industrial Ltda os projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (knowhow), bem como as atividades delegadas à diversas outras empresas (não apenas KF Montagens e JS Máquinas): não foram investigadas as relações comerciais entre as pessoas jurídicas do grupo e entre elas, seus fornecedores, clientes e parceiros, para assim reunir evidências de confusão operacional; · A participação financeira, visando o sustento familiar dentro do mesmo ramo negocial, em favor daqueles que são sócios de JS Máquinas Ltda ME e KF Montagens Ltda ME: não foi questionado a formação do capital social das pessoas jurídicas que teriam sido supostamente constituídas por interpostas pessoas, nem eventual desproporção entre sua participação nos lucros e a remuneração dos administradores; · A recorrente seria responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa lDUGEL (direta ou indiretamente), e KF Montagens é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, sendo que outras empresas, além da recorrente, participam da cadeia produtiva: não há, nos autos, registros da atividade operacional da fiscalizada, dos insumos por ela adquiridos, das receitas por ela registradas, dos contratos por ela firmados, das funções exercidas por seus empregados; Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 25 24 · Seria perfeitamente lícita a formação de empresas que mantêm contratação entre si, ainda que constituídas por grupo de familiares. Não há como exigir que se funde apenas uma empresa. Variando percentuais proporcionais à participação financeira ou de trabalho de cada um, se há como separar perfeitamente as atividades em diversos setores: sem a demonstração de como se processaram as atividades e as relações comerciais entre as pessoas jurídicas do grupo empresarial, não há como dizer que as atividades não estavam separadas, e que seu resultado era partilhado na proporção da participação financeira e do trabalho dos sócios e administradores; · As sócias proprietárias recebem pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, tendo legítimo interesse nas atividades desenvolvidas pela mesma, objetivando e obtendo para si lucro e renda suficiente a mantê las: a outorga de procuração para que outrem administre a sociedade não permite que se classifique os integrantes do quadro social como interpostas pessoas. A condição de sócio pressupõe capacidade financeira para formação do capital social da pessoa jurídica, da qual resultará a pretensão de auferir lucros, que podem ser acompanhados de pro labore mensal, caso os sócios também exerçam atividades em favor da pessoa jurídica, isto para além de demandar a prestação de contas por parte daqueles a quem conferiu poderes para administrar a pessoa jurídica. Nenhuma destas circunstâncias foi infirmada durante o procedimento fiscal; · ...há uma divisão física que separa o imóvel e, por conseqüência, as empresas em tela, consoante atesta a cópia da planta do imóvel, a instalação de sistemas de alarmes e a certificação municipal neste sentido: a autoridade fiscal apenas afirma que a divisão do imóvel é meramente formal e nada traz aos autos para fundamentar sua constatação; · A empresa Idugel detém capacidade técnica para desenvolver projetos e possibilidade de angariar contratos e obras em razão da tradição de mercado e capacidade técnica de José Schazmann e outros engenheiros contratados, observando que parte desta atividade é delegada para empresas terceirizadas, como a recorrente, por empreitada, razão pela qual o valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL quando da comercialização do conjunto todo: como o comparativo entre receitas, custos e mãodeobra teve em conta apenas os totais anuais registrados por cada pessoa jurídica, não há como afastar a possibilidade de as anormalidades aventadas pela Fiscalização decorrerem, apenas, da natureza das atividades exercidas por cada uma das pessoas jurídicas; e · Houve empréstimo entre ela e a empresa Idugel: como antes demonstrado, sem a investigação acerca da forma de escrituração da despesa ou dos ativos pagos por outra empresa do grupo, não há como afastar a possibilidade de que este registro tenha sido feito em contrapartida a empréstimos. Relevante frisar que não se admite, aqui, a ampla liberdade para a formação de empresas por grupo de familiares, bem como para a alegada terceirização que teria ocorrido no caso em tela. A sistemática simplificada de recolhimentos confere isenções significativas para as empresas de baixo faturamento, e para todas as beneficiárias no âmbito previdenciário. Por esta razão, há limites de faturamento para opção, e esta é vedada à pessoa jurídica que resulte de qualquer desmembramento de outra pessoa jurídica, bem como a pessoas jurídicas em cujo quadro societário conste titular de participação em outra pessoa jurídica também Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 26 25 optante, além de restrições a atividades que apresentam alta incidência previdenciária. Assim, a formação de empresas por grupos familiares e a terceirização de operações pode se prestar como meio para auferir as vantagens que a lei não conferiu a determinados empreendimentos, e a prova da simulação em tais circunstâncias é suficiente para a prática dos atos administrativos de exclusão e lançamento, independentemente do disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN. A atuação das três pessoas jurídicas no mesmo ramo de atividades, operando sob a mesma administração, no mesmo local e no mesmo ramo de negócio são indícios sérios de que vantagens tributárias ilícitas poderiam ser auferidas pelo grupo, porém a acusação de simulação não pode estar suportada, apenas, por inferências que sequer constituem presunções simples. Assim, uma vez demonstrado que não há, nos autos, provas que suportem a acusação de ilicitude da estruturação societária, operacional e comercial adotada pelo grupo familiar, não pode subsistir o ato de exclusão do Simples Nacional. Irrelevante, assim, se a argumentação subsidiária acerca da prática de locação de mãodeobra pela fiscalizada seria incompatível com a acusação principal que pretendeu anular a existência da empresa JS, ou se outro conceito deve ser atribuído às atividades de locação de mãodeobra, vez que nenhuma das irregularidades aventadas no ato de exclusão podem sustentálo. Desnecessário, também, apreciar a argüição de decadência do direito de o Fisco questionar a constituição da pessoa jurídica fiscalizada, ou a postergação dos efeitos da exclusão em razão da constatação, apenas em 2008, das irregularidades aqui abordadas. Impróprio, ainda, discutir o efeito confiscatório da exigência retroativa dos créditos tributários, na medida em o litígio, aqui, limitase à exclusão da contribuinte do Simples Federal. O mesmo se diga acerca da extensa abordagem em favor da existência de vício formal no ato administrativo de lançamento, e de cerceamento ao direito de defesa em razão das intimações que lhe foram dirigidas quando ainda pendentes de apreciação as impugnações interpostas contra os atos de exclusão, bem como de nulidade por ausência de prévia revisão de ofício do lançamento e de decadência de parte da exigência de contribuições previdenciárias. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para cancelar o ato de exclusão do Simples Nacional. Assim, sem adentrar aos aspectos submetidos ao Poder Judiciário, é possível solucionar o presente litígio já em preliminar, e cancelar a presente exigência, na medida em que a contribuinte subsiste optante pelo Simples Nacional no período autuado, o que a dispensa da apuração individualizada do tributo aqui lançado. Ademais, em virtude da presente decisão não será exigido do Delegado da Receita Federal a prática de ato vedado na ordem judicial expedida na sentença do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028261/SC. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 239DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.000012/200911 Acórdão n.º 1101001.253 S1C1T1 Fl. 27 26 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002573/2002-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
- DECADÊNCIA DO DIREITO DE REVER O CRÉDITO - ART. 173 DO CTN - RESSARCIMENTO.
Não se aplica aos pedidos de ressarcimento o prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN.
- REVISÃO DE LANÇAMENTO - POSSIBILIDADE.
É autorizado à Administração a revisão de seus atos a teor do que determina o art. 53 da Lei n. 9784/99.
- RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI - CRÉDITO DE IPI PELA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS, UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES.
O art. 11 da Lei n. 9.779/99 autoriza expressamente a manutenção e utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos decorrentes do IPI pago por insumos entrados a partir de 1º de janeiro de 1999 no estabelecimento industrial ou equiparado, quando destinados à industrialização de produtos tributados pelo imposto, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, bem como os imunes e a imunidade decorrer de exportação. Não se aplica esse e mesmo entendimento aos produtos finais NT ou aos imunes em vista do que dispõe o art. 150, VI, alínea d, da Constituição Federal, que trata de imunidade objetiva, aplicável aos contribuintes que comercializam livros, jornais e periódicos. Entendimento consagrado pelos Tribunais pátrios no AgReg no RE 561.676/SC e RESP 1.015.855/SP.
- ALCANCE DA IN SRF 33 DE 1999.
A imunidade prevista no art. 4° da Instrução Normativa n° 33, de 1999 regula apenas as saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação, se submetem à imunidade tributária indicada no inciso III, par. 3º. do art. 153 da CF/88.
Numero da decisão: 3301-002.280
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recuso nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
EDITADO EM: 17/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez, Adriana Oliveira e Ribeiro e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 - DECADÊNCIA DO DIREITO DE REVER O CRÉDITO - ART. 173 DO CTN - RESSARCIMENTO. Não se aplica aos pedidos de ressarcimento o prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN. - REVISÃO DE LANÇAMENTO - POSSIBILIDADE. É autorizado à Administração a revisão de seus atos a teor do que determina o art. 53 da Lei n. 9784/99. - RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI - CRÉDITO DE IPI PELA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS, UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES. O art. 11 da Lei n. 9.779/99 autoriza expressamente a manutenção e utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos decorrentes do IPI pago por insumos entrados a partir de 1º de janeiro de 1999 no estabelecimento industrial ou equiparado, quando destinados à industrialização de produtos tributados pelo imposto, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, bem como os imunes e a imunidade decorrer de exportação. Não se aplica esse e mesmo entendimento aos produtos finais NT ou aos imunes em vista do que dispõe o art. 150, VI, alínea d, da Constituição Federal, que trata de imunidade objetiva, aplicável aos contribuintes que comercializam livros, jornais e periódicos. Entendimento consagrado pelos Tribunais pátrios no AgReg no RE 561.676/SC e RESP 1.015.855/SP. - ALCANCE DA IN SRF 33 DE 1999. A imunidade prevista no art. 4° da Instrução Normativa n° 33, de 1999 regula apenas as saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação, se submetem à imunidade tributária indicada no inciso III, par. 3º. do art. 153 da CF/88.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11020.002573/2002-26
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5454292
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3301-002.280
nome_arquivo_s : Decisao_11020002573200226.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FABIA REGINA FREITAS
nome_arquivo_pdf_s : 11020002573200226_5454292.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recuso nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Fábia Regina Freitas - Relatora. EDITADO EM: 17/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez, Adriana Oliveira e Ribeiro e Fábia Regina Freitas (Relatora).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5891555
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704743968768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2230; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.002573/200226 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.280 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2014 Matéria Ressarcimento de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Recorrente EMPRESA JORNALISTICA PIONEIRO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 DECADÊNCIA DO DIREITO DE REVER O CRÉDITO ART. 173 DO CTN RESSARCIMENTO. Não se aplica aos pedidos de ressarcimento o prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN. REVISÃO DE LANÇAMENTO POSSIBILIDADE. É autorizado à Administração a revisão de seus atos a teor do que determina o art. 53 da Lei n. 9784/99. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI CRÉDITO DE IPI PELA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS, UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES. O art. 11 da Lei n. 9.779/99 autoriza expressamente a manutenção e utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos decorrentes do IPI pago por insumos entrados a partir de 1º de janeiro de 1999 no estabelecimento industrial ou equiparado, quando destinados à industrialização de produtos tributados pelo imposto, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, bem como os imunes e a imunidade decorrer de exportação. Não se aplica esse e mesmo entendimento aos produtos finais NT ou aos imunes em vista do que dispõe o art. 150, VI, alínea ‘d’, da Constituição Federal, que trata de imunidade objetiva, aplicável aos contribuintes que comercializam livros, jornais e periódicos. Entendimento consagrado pelos Tribunais pátrios no AgReg no RE 561.676/SC e RESP 1.015.855/SP. ALCANCE DA IN SRF 33 DE 1999. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 25 73 /2 00 2- 26 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS 2 A imunidade prevista no art. 4° da Instrução Normativa n° 33, de 1999 regula apenas as saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação, se submetem à imunidade tributária indicada no inciso III, par. 3º. do art. 153 da CF/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recuso nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. EDITADO EM: 17/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez, Adriana Oliveira e Ribeiro e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Trata, na origem, de pedido de ressarcimento do IPI (fl. 01), protocolizado pelo contribuinte junto à repartição competente em 16 de abril de 2002. Por intermédio desse pleito, o contribuinte pugna pela devolução dos valores referentes aos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos para a produção de produtos industrializados classificados como não tributados, relativos ao 4º. Trimestre de 2000, no valor de R$ 15.996,57. Analisando o pleito formulado pelo contribuinte, o Serviço de Fiscalização de Caxias do Sul, em 12 de setembro de 2007, proferiu despacho analisando o crédito formulado e propondo seu reconhecimento nos moldes em que solicitado (fl. 86). Nessa ocasião o Chefe do Serviço de Fiscalização submeteu sua análise ao Delegado responsável pela Delegacia de Caxias do Sul. O Chefe da SEORT, examinando o parecer da fiscalização também opinou pelo reconhecimento do mencionado crédito. Ciente do mencionado despacho, a contribuinte procedeu a compensação dos créditos, conforme DCOMPs de fls. 87/93. O Chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária, por competência delegada pela Portaria 24/2007, à fl. 95, em 14/03/2008, determinou a intimação do sujeito passivo acerca do despacho referido, nos termos da notificação de fls. 97. Em 14 de julho de 2008 foi prolatado novo parecer pela SEFIS (fl. 99/100), mediante a qual o auditor reviu o posicionamento adotado no despacho de fl. 86. Segundo o Fl. 224DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS Processo nº 11020.002573/200226 Acórdão n.º 3301002.280 S3C3T1 Fl. 3 3 auditor da SEORT, a revisão do posicionamento ser fez necessária em atenção ao princípio da legalidade e respeitando a disposição do Ato Declaratório STF n. 5, de 17 de abril de 2006. Tal parecer foi confirmado por meio de despacho decisório de fls. 103/106, prolatado em 15 de julho de 2008 pela Chefe da SEORT, Sra. Gizela Muner, que estava munida da competência delegada pela Portaria de Delegação 24/2007. Irresignado, o contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, na qual alega: (i) decadência do direito de rever o crédito, na medida em que o pedido de ressarcimento de crédito de IPI foi protocolizado em junho de 2002 e o indeferimento do pleito foi exarada depois do prazo para a administração constituir o crédito tributário, o qual está previsto no art. 173 do CTN; (ii) impossibilidade de revisão de lançamento em razão de erro de direito; (iii) no mérito, possibilidade de compensação do crédito de insumos tributados utilizados em produtos industrializados com imunidade, a teor do que prescreve o art. 11 da Lei n. 9779/99 e do art. 4º. Da IN/SRF n. 33/99. A Delegacia de Julgamento de Porto Alegre, examinando a defesa apresentada pelo contribuinte, julgoua improcedente em acórdão assim ementado, litteris: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI. O prazo a que está sujeita a autoridade administrativa, para o exame de pedido de ressarcimento, cumulado com declaração de compensação, é aquele que diz respeito à homologação das compensações, que é de cinco anos contados da data da entrega da declaração de compensação. A autoridade administrativa, em obediência ao Principio da Legalidade, deve anular suas decisões, quando eivadas de vício de legalidade. Não são admitidos, na composição do saldo credor do IPI, os créditos decorrentes da aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos com a notação "NT" (nãotributados) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Ilegalidade. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à ilegalidade dos atos normativos, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Aplicação dos atos normativos. O julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Solicitação Indeferida Contra o mencionado acórdão, o contribuinte interpôs recurso voluntário trazendo as mesmas razões já expendidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS 4 Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Inicialmente, quanto à questão atinente à decadência, alega a recorrente que no caso concreto teria ocorrido a decadência do direito da Administração de rever o crédito utilizado para compensar outros tributos, a teor do que determina o art. 173 do CTN. Importante destacar que a origem do debate travado nesses autos se deu, em 16 de abril de 2002, com pedido de ressarcimento dos créditos decorrentes de insumos adquiridos para industrialização de produtos não tributados. Esse esclarecimento se faz necessário para afastar, desde já, a aplicação do disposto no art. 173 do CTN, eis que, a hipótese analisada não trata de procedimentos relacionados ao lançamento tributário, matéria que é regida pelo dispositivo em tela, mas de situação em que o credor é o Estado, figurando o contribuinte como sujeito ativo da relação. Não há, a meu ver, na hipótese em que o contribuinte pleiteia restituição de um indébito, procedimento de lançamento. Por outro lado, a figura da homologação tácita para os pedidos de ressarcimento de tributos, cujo reconhecimento é pleiteado pelo contribuinte em sua peça, depende de previsão legal expressa, o que não é o caso. Assim, entendo por incabível o recurso do contribuinte nessa parte, eis que não se verifica a figura da homologação tácita para os pedidos de ressarcimento. Registrese, por oportuno, que mesmo se o prazo decadencial for contado da data das Declarações de Compensação relacionadas ao crédito em discussão, declarações essas apresentadas pela contribuinte cerca de um ano do protocolo do pedido de ressarcimento (15/01/2008), não haveria que se falar em homologação tácita. Isso porque entre a data do pedido eletrônico de compensação e a análise da compensação efetuada não se verificou o decurso do prazo decadencial de cinco anos da entrega da declaração. Assim, mesmo por esse prisma, a decadência apontada não se verificaria, donde não merece guarida a tese apontada pelo contribuinte. No tocante à alegação de impossibilidade de revisão de ofício do despacho decisório, entendo também não assistir razão ao contribuinte. Isso porque a vedação apontada pelo patrono do contribuinte estaria inserta no art. 149 do CTN. Ocorre que tal dispositivo apenas se aplica aos casos de revisão de lançamento, não trata de situação em que está em análise o próprio pedido de ressarcimento do crédito tributário. Como já exposto, o pedido de ressarcimento não é procedimento que resulta em lançamento, não há constituição de crédito pela Fazenda a partir do seu deferimento ou indeferimento. Assim, na hipótese,por se tratar o de pedido de ressarcimento não há razão para a aplicação do mencionado dispositivo legal ao caso em tela. De outra ponta, caso se entenda que o pedido de compensação no caso em tela seja relevante para o fim de aplicação do mencionado dispositivo, vez que a declaração de compensação implica autolançamento, mesmo assim não assistiria razão ao contribuinte. Isso porque o art. 53 da Lei n. 9784/99 estabeleceu que cabe à Administração Pública o direito de Fl. 226DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS Processo nº 11020.002573/200226 Acórdão n.º 3301002.280 S3C3T1 Fl. 4 5 rever seus próprios atos quando estes estiverem eivados de vício de legalidade ou por conveniência ou oportunidade. Diante desse panorama foi que a Administração, fulcrada no princípio da legalidade, reviu seu posicionamento, dentro do prazo legal de cinco anos previsto no art. 54 da mesma Lei, e, subsumindo a hipótese fática à norma, concluiu pela insubsistência do crédito. Nesse ponto é de se revelar que o posicionamento adotado pela decisão revisora está em plena consonância com a jurisprudência consagrada pelos Tribunais Superiores. Nessa medida, adoto como razão de decidiras razões expendidas no voto vencedor da lavra do Il. Cons. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, no PA n. 10820.002284/200419, assim redigido (...) o texto constitucional estabeleceu de modo direto a exclusão de competência tributária sobre os livros, jornais, periódicos e papel para impressão sob a forma de imunidade objetiva. Determina o texto constitucional em seu art. 150 que os jornais são imunes, assim: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI instituir impostos sobre: d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. No caso em tela, a operação da Recorrente na aquisição de insumos tributados e posterior saída de produtos imunes, diferentemente do cenário de créditos incentivados no qual os insumos são imunes e o produto final é tributado. O Supremo Tribunal Federal, através de seu Plenário, já teve a oportunidade de se pronunciar sobre a temática dos insumos tributados seguidos de saída desonerada, como constante no resultado do julgamento do Recurso Extraordinário 475.551/PR, cuja ementa transcrevo: “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI. INSUMOS OU MATÉRIAS PRIMAS TRIBUTADOS. SAÍDA ISENTA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. ART. 153, §3°, INC. II, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. ART. 11 DA LEI N. 9779/99. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO: INEXISTÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO. 1. Direito ao creditamento do montante de Imposto sobre Produtos Industrializados pago na aquisição de insumos ou matérias primas tributados e utilizados na industrialização de produtos cuja saída do estabelecimento industrial é isenta ou sujeita à alíquota zero. 2. A compensação prevista na Constituição da República, para fins da não cumulatividade, depende do cotejo de valores apurados entre o que foi cobrado na entrada e o que foi devido na saída o crédito do adquirente se dará em função do montante cobrado do vendedor do insumo e o débito do adquirente existirá quando o produto industrializado é vendido a terceiro, dentro da cadeia produtiva. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS 6 3. Embora a isenção e a alíquota zero tenham naturezas jurídicas diferentes, a conseqüência é a mesma, em razão da desoneração do tributo. 4. O regime constitucional do Imposto sobre Produtos Industrializados determina a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores, esta a substância jurídica do princípio da não cumulatividade, não aperfeiçoada quando não houver produto onerado na saída, pois o ciclo não se completa. 5.Com o advento do art. 11 da Lei n. 9779/99 é que o regime jurídico do Imposto sobre Produtos Industrializados se completou, apenas a partir do início de sua vigência se tendo o direito ao crédito tributário decorrente da aquisição de insumos ou matérias primas tributadas e utilizadas na industrialização de produtos isentos ou submetidos à alíquota zero. Recurso extraordinário provido” (Data do Julgamento 06/05/2009 grifos nossos). Aprofundandose na interpretação do artigo 11 da Lei 9779/99, com especial ênfase ao caráter restritivo do preceito legal (RESP 1.015.855/SP), o Superior Tribunal de Justiça decidiu no seguinte sentido, conforme ementa a seguir: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I, CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, § 3o, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCIDÊNCIA. (...) 4. O art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de não tributação e imunidade estão fora doalcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. 5. O princípio da legalidade, insculpido no texto constitucional, exalta que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5o, II). No campo tributário significa que nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei (art. 150, I, CF/88 e 97 do CTN). É o princípio da legalidade estrita. Igual pensamento pode ser atribuído a benefício concedido ao contribuinte, como no presente caso. Não estando inscrito na regra beneficiadora que na saída dos produtos não tributados ou imunes podem ser aproveitados os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte nesse aspecto, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS Processo nº 11020.002573/200226 Acórdão n.º 3301002.280 S3C3T1 Fl. 5 7 Por isso entendo por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, em razão da impossibilidade de aproveitamento ou ressarcimento dos créditos de insumos tributados em produtos finais imunes ou classificados como NT.” Diante do exposto, por estar o v. aresto recorrido em consonância com o entendimento já consagrado pelos Tribunais pátrios, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Nesses termos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte para (i) rejeitar a preliminar de decadência para revisão do crédito; (ii) rejeitar a alegação de impossibilidade de reexame de ofício do despacho decisório; e (iii) no mérito, negar provimento ao recurso. Brasília, 27 de março de 2014. Fábia Regina Freitas Relatora Fl. 229DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903910/2008-95
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, , Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado).
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10865.903910/2008-95
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5451392
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1802-000.576
nome_arquivo_s : Decisao_10865903910200895.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10865903910200895_5451392.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, , Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5887405
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704776474624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1411; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.903910/200895 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 1802000.576 – 2ª Turma Especial Data 23 de outubro de 2014 Assunto IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente FAZENDA SETE LAGOAS AGRÍCOLA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel, , Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 03 91 0/ 20 08 -9 5 Fl. 641DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.903910/200895 Resolução nº 1802000.576 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação de débitos da responsabilidade da contribuinte com através de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, concernente ao período de apuração 01/2003. A Receita Federal não reconheceu o direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada, sob o argumento de que o crédito pleiteado já foi objeto de análise, em processos relativos aos PER/DCOMP de n.° 10769.54888.101203.1.3.048007, 01850.16010.101203.1.3.040542, 33592.14380.151203.1.3.040927, 28623.05598.250804.1.3.017067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707, tendo sido constatado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado nos PER/DCOMP n.o s 28623.05598.250804.1.3.047067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que haveria crédito suficiente para pagamento do débito informado na PER/DCOMP, e requerendo a homologação da compensação declarada. Em sessão de 29 de março de 2011, a 5ª Turma da DRJ/RPO proferiu o Acórdão 1433.103, julgando improcedente a manifestação de Inconformidade e não reconhecendo o direito creditório, sob a alegação de que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório é sempre do contribuinte. Aduz que no caso dos autos a recorrente optou pela sistemática de apuração pelo Lucro Real Apuração Anual para IRPJ, situação em que o contribuinte realiza os pagamentos no decorrer dos meses do ano civil por estimativa, o que configura antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração, e não pagamento antecipado. Assim, tratandose de mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Alega que ao final do anocalendário, caso a contribuinte apure saldo negativo do tributo, resta então configurado o pagamento indevido ou a maior, o qual é passível de restituição ou compensação, daí porque, inclusive, o marco inicial de contagem de decadência para repetição ou para o lançamento se dá no último dia do exercício e não nas datas em que realizadas as antecipações. Afirmou ainda a Turma Julgadora que os recolhimentos mensais por estimativa a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos a maior passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda. Alega que o pedido de compensação baseouse em suposto crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJ estimativa mensal, código de arrecadação 2362, sendo o objeto do pedido incompatível com a legislação de regência. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.903910/200895 Resolução nº 1802000.576 S1TE02 Fl. 4 3 Por fim, declara que, para que fosse possível a compensação requerida, caberia à contribuinte trazer documentos probatórios específicos, o que não ocorreu. Do Recurso Inconformada, recorreu a contribuinte em face da decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou a correspondente declaração de compensação, apresentando, em suma, os seguintes argumentos: Que está sujeita ao recolhimento do Imposto sobre a Renda (IRPJ), tendo se submetido à sistemática de apuração pelo Lucro Real Apuração Anual, no anocalendário de 2003. Que procedeu ao recolhimento durante todo o anocalendário, porém, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente recolheu aleatoriamente, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida no valor de R$ 800.000,00. Que após a devida correção de sua escrituração contábil, constatouse que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 162.507,06, o que resulta num direito de crédito compensatório. Afirma que demonstrou o equívoco dos números informados, mas que mesmo assim a DRJ manteve a decisão de nãohomologação das compensações efetuadas, porém, sob outros argumentos, extrapolando os limites da sua esfera de competência. Requer o retorno dos autos à fiscalização para nova decisão quanto a homologação ou não da compensação declarada. Requer, por fim, a reforma parcial do Acórdão ora recorrido, para afastar a “decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização”, ou alternadamente, a análise da documentação contábil juntada aos autos. Esse o relatório. VOTO Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 23/05/2011 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 17/06/2011. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito Tratase de Recurso Voluntário interposto por Fazenda Sete Lagoas Agrícola S/A em face da decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou as correspondentes declarações de compensação. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10865.903910/200895 Resolução nº 1802000.576 S1TE02 Fl. 5 4 De acordo com o que consta dos autos, a DRF não reconheceu direito creditório a seu favor, sob o fundamento de que o crédito pleiteado já fora totalmente utilizado em outras PER/DECOMP’s. Uma vez ofertada manifestação de inconformidade, sob alegação de que as compensações supostamente responsáveis pelo consumo de todo o crédito não haviam sido homologadas, foi a mesma julgada pela DRJ Ribeirão Preto que, desta feita, indeferiu a compensação por entender que o recolhimento de estimativa indevido ou a maior não gera crédito passível de compensação. É fato que a DRJ adotou como razões de decidir diferentes daquelas usadas pela DRF. Por conta disso, (i) não restou definida a argumentação expendida pelo contribuinte segundo a qual as compensações responsáveis pelo consumo do crédito não estariam homologadas; e (ii) caso optante pela argumentação segundo a qual a estimativa não é passível de geração de crédito a compensar, teria violado expressamente súmula do CARF. É entendimento deste Conselho que o recolhimento por estimativa pode gerar crédito, e portanto, ser compensável, , nos termos da súmula 84, cujo teor é o seguinte: "Súmula CARF 84 Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação" Sendo assim, impõese instrução complementar destes autos, para que se considere o alegado crédito, analisando, à luz da documentação trazida aos autos, se o mesmo existe na medida em que o contribuinte alega possuílo e se, realmente, por força de todos os PER/DCOMP apresentados, teria ou não tal crédito sido consumido noutras compensações; ou se, por outro lado, haveria saldo credor a compensar. Contudo, a solução do presente processo demanda uma instrução complementar. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência a fim de que, à luz das explicações trazidas pelo contribuinte com sua manifestação de inconformidade, mais toda a documentação ofertada em vários volumes, a autoridade fiscal reexamine a pretendida compensação. Esse o meu Voto. Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator (assinado digitalmente) Fl. 644DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 31/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005189/2005-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
RESERVA LEGAL. ISENÇÃO.
Comprovado nos autos que a reserva legal declarada pelo contribuinte encontrava-se averbada a margem da matricula do imóvel no Registro de Imóveis competente, na data do fato gerador, e que foi apresentado ADA correspondente, há que restabelecer a exclusão da referida área para fins de apuração do imposto devido.
O decisum recorrido considerou somente um dos imóveis em questão (NIRF 2341599-1), silenciando o julgador em relação ao outro imóvel (NIRF 5321341-6) deixando de apreciá-lo. Importante salientar, que foi acostado aos autos do processo, a anterior averbação da Reserva Legal às margens da matricula dos dois imóveis (fls. 174 AV-08/2.479 e fls. 173 AV-01-0418) (doc. 03 anexo) , bem como o ADA dos dois imóveis ( fls. 169/170 e fls. 171/172) (doc.04 anexo) dos autos.
IMÓVEL RURAL, ÁREAS DE TERRAS CONTINUAS.
As divisas de terras continuas de um mesmo proprietário ou possuidor constituem um único imóvel de acordo com a legislação do ITR e devem, portanto, serem adicionadas para fins de apuração do imposto devido.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9202-003.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado com efeitos infringentes.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM:02/02/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. Comprovado nos autos que a reserva legal declarada pelo contribuinte encontrava-se averbada a margem da matricula do imóvel no Registro de Imóveis competente, na data do fato gerador, e que foi apresentado ADA correspondente, há que restabelecer a exclusão da referida área para fins de apuração do imposto devido. O decisum recorrido considerou somente um dos imóveis em questão (NIRF 2341599-1), silenciando o julgador em relação ao outro imóvel (NIRF 5321341-6) deixando de apreciá-lo. Importante salientar, que foi acostado aos autos do processo, a anterior averbação da Reserva Legal às margens da matricula dos dois imóveis (fls. 174 AV-08/2.479 e fls. 173 AV-01-0418) (doc. 03 anexo) , bem como o ADA dos dois imóveis ( fls. 169/170 e fls. 171/172) (doc.04 anexo) dos autos. IMÓVEL RURAL, ÁREAS DE TERRAS CONTINUAS. As divisas de terras continuas de um mesmo proprietário ou possuidor constituem um único imóvel de acordo com a legislação do ITR e devem, portanto, serem adicionadas para fins de apuração do imposto devido. Embargos acolhidos.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10183.005189/2005-01
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5429232
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9202-003.388
nome_arquivo_s : Decisao_10183005189200501.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10183005189200501_5429232.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado com efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5824461
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704804786176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 18 1 17 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10183.005189/200501 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9202003.388 – 2ª Turma Sessão de 18 de setembro de 2014 Matéria ITR Embargante CONSELHEIRA MARIA HELENA COTTA CARDOZO Interessado MARAPE AGROPECUÁRIA S/C LTDA. E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. Comprovado nos autos que a reserva legal declarada pelo contribuinte encontravase averbada a margem da matricula do imóvel no Registro de Imóveis competente, na data do fato gerador, e que foi apresentado ADA correspondente, há que restabelecer a exclusão da referida área para fins de apuração do imposto devido. O decisum recorrido considerou somente um dos imóveis em questão (NIRF 23415991), silenciando o julgador em relação ao outro imóvel (NIRF 53213416) deixando de apreciálo. Importante salientar, que foi acostado aos autos do processo, a anterior averbação da Reserva Legal às margens da matricula dos dois imóveis (fls. 174 — AV08/2.479 e fls. 173— AV01 0418) —(doc. 03 anexo) , bem como o ADA dos dois imóveis ( fls. 169/170 e fls. 171/172) — (doc.04 anexo) dos autos. IMÓVEL RURAL, ÁREAS DE TERRAS CONTINUAS. As divisas de terras continuas de um mesmo proprietário ou possuidor constituem um único imóvel de acordo com a legislação do ITR e devem, portanto, serem adicionadas para fins de apuração do imposto devido. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 51 89 /2 00 5- 01 Fl. 903DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Acordam os menbros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado com efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Em 27 de março de 2014, a 2ª Turma da CSRF prolatou Acórdão n. 9202 003.092 que decidiu pelo provimento parcial do Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2002 Ementa: RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. Comprovado nos autos que a reserva legal declarada pelo contribuinte encontravase averbada a margem da matricula do imóvel no Registro de Imóveis competente, na data do fato gerador, e que foi apresentado ADA correspondente, há que restabelecer a exclusão da referida área para fins de apuração do imposto devido. O decisum recorrido considerou somente um dos imóveis em questão (NIRF 23415991), silenciando o julgador em relação ao outro imóvel (NIRF 53213416) deixando de apreciálo. Importante salientar, que foi acostado aos autos do processo, a anterior averbação da Reserva Legal às margens da matricula dos dois imóveis (fls. 174 — AV08/2.479 e fls. 173— AV01 0418) —(doc. 03 anexo) , bem como o ADA dos dois imóveis ( fls. 169/170 e fls. 171/172) — (doc.04 anexo) dos autos. IMÓVEL RURAL, ÁREAS DE TERRAS CONTINUAS. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.005189/200501 Acórdão n.º 9202003.388 CSRFT2 Fl. 19 3 As divisas de terras continuas de um mesmo proprietário ou possuidor constituem um único imóvel de acordo com a legislação do ITR e devem, portanto, serem adicionadas para fins de apuração do imposto devido. O dispositivo do decisum restou assim: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto a área de reserva legal. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à terras contíguas. Pelo voto qualidade, em negar provimento ao recurso quanto ao VTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. A i. Conselheira Redatora consignou em seu voto e, posteriormente, por meio de Embargos de Declaração a existência de erro no julgamento, fato que, per se, justificava a oposição do referido recurso: Encarregada de redigir o voto vencedor do acórdão em epígrafe, depareime com a situação a seguir relatada, que demanda a oposição de Embargos Declaratórios, previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2009. A questão que me foi dada a elaborar o voto vencedor diz respeito ao arbitramento do VTN, levado a cabo pela Fiscalização, relativamente ao ITR do exercício de 2002. A meu ver, o arbitramento com base no SIPT tem previsão legal e pode ser aplicado, nas situações tipificadas, quando os respectivos valores forem apurados conforme as determinações legais, Entretanto, no presente caso, embora o Extrato do SIPT de fls. 17, relativo ao exercício de 2000, tenha atendido aos ditames legais, o extrato correspondente ao exercício de 2002, objeto da autuação, mostra que o VTN — Valor da Terra Nua foi arbitrado levandose em conta apenas o valor médio das DITR, sem se considerar a aptidão agrícola, o que contraria a legislação de regência. Destarte, como os critérios do arbitramento pelo SIPT não foram respeitados, o entendimento desta Conselheira, já manifestado em outras oportunidades, é de que dito arbitramento não pode ser mantido. Não obstante, o resultado do julgamento foi no sentido de que esta Conselheira teria negado provimento ao Recurso Especial Fl. 905DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 da Contribuinte, nesta parte, o que demanda a oposição de Embargos de Declaração, para que a questão seja aclarada. Ato contínuo e por força do disposto no art. 65, do RICARF, o então Presidente da CSRF analisou a oposição e resolveu acolher os ED, tendo determinado a inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Primeiramente, há que ser conhecido e provido os Embargos de Declaração opostos pela i. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, em atenção ao disposto no art. 65, do RICARF e as razões consignadas no relatório. Assim, acolho os embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado com efeitos infringentes, apenas quanto ao arbitramento do VTN, levado a cabo pela Fiscalização, relativamente ao ITR do exercício de 2002 (item III do voto). Mantémse incólume os itens I e II que serão reproduzidos conforme acórdão original. No caso em tela, tratase de dois imóveis rurais que foram considerados contíguos pela Fiscalização, que promoveu a tributação unificada, conforme a seguir O procedimento fiscal encontrase resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 6 e 7 volume I, segundo o qual foi apurado falta de recolhimento do ITR decorrente das seguintes alterações na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — DITR apresentada pela contribuinte: 1. Área Total do Imóvel: no laudo apresentado pela contribuinte consta como Área total do imóvel 43095,00ha. Analisando as matriculas 409 e 418, com área total de 39.762ha, a fiscalização verificou que este se confrontava com imóvel rural , matricula 408, com área de 3.333,00ha, informado na DITR com o NIRF 5.321.3416 (exercícios 2000, 2001 e 2002). Como se trata de áreas continuas do mesmo proprietário, o imóvel referente à matricula 408 foi adicionado ao NIRF 2.341.5991, alterandose a área total do imóvel para 43.095,00ha. 2. Área de Utilização Limitada: glosa total, pois embora conste averbação de área de reserva legal à margem da matricula do imóvel, no percentual de 63% da área total, não foi apresentada comprovação de solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental — ADA junto ao IBAMA, até seis meses após a data da entrega da DITR. 3. Valor da Terra Nua (VTN): valor alterado, considerando as informações constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal — SIPT, por não haver sido apresentado Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais, observando o critérios estabelecidos pela ABNT com grau de fundamentação II, no mínimo. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.005189/200501 Acórdão n.º 9202003.388 CSRFT2 Fl. 20 5 O recurso está manejado quanto às seguintes matérias: 1) discussão sobre a forma de tributação do ITR das Áreas de terras contínuas declaradas separadamente, se como um único imóvel ou como vários; 2) inclusão do segundo imóvel de propriedade da recorrente nas Áreas de reserva legal glosadas pelo Fisco, nas mesmas condições de não tributação do primeiro; e 3) validação, pela Fiscalização, dos laudos de avaliação apresentados para fins de apuração do VTN, dado que o V'TN originado dos valores constantes no SIPT seria genérico para a área tributada. I ÁREAS CONTÍNUAS O acórdão recorrido decidiu, por voto de qualidade, que as áreas contínuas de um mesmo proprietário ou possuidor constitui um único imóvel para fins de apuração do ITR [fls. 337/338]: No que se refere as áreas continuas, importa transcrever o art. 1º, caput e §2º, da Lei n. 9.393, de 19 de dezembro de 1996: Art.1º. 0 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município em 1" de janeiro de cada ano. [...] § 2º. Para os efeitos desta Lei considerase imóvel rural a área continua formada de uma ou mais parcelas de terras localizada na zona rural do município. Resta claro, portanto, que as áreas continuas de um mesmo proprietário ou possuidor constitui um único imóvel para fins de apuração do ITR. Pelas certidões do Cartório de Registro de Imóveis de Sorriso, anexadas as fls. 95 e 96 — volume I, o imóvel registrado na matricula n. 408, confrontase com o imóvel da matricula n. 409, ambos de propriedade da contribuinte, perfazendo uma área total de 43.095,00 a. Assim, agiu com acerto a fiscalização em adicionar a área de 3.333,00ha, referente à matricula n" 408, informado na DITR com o NIRF 5.321.3416, ao imóvel declarado no NIRF 2.341.5991 (matricula ri° 409), alterandose a área total para 43.095,0 ha. O fato de a contribuinte haver declarado, desde 1997, as áreas separadamente não implica a aceitação dos valores declarados por parte do fisco. Sendo o ITR tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, pode a fiscalização efetuar o lançamento de oficio, desde que não transcorrido o prazo decadencial de homologação (art. 150, §4º, do CTN). Fl. 907DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 É certo que o legislador considerou imóvel rural às áreas contínuas matriculadas ou não num único imóvel para fins do ITR, cujo fundamento é o art. 1o, § 2o, da Lei n° 9.393/1996. Confirase: "Art. 1o O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. (...) §2° Para os efeitos desta Lei, considerase imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona rural do município." (grifei) O art. 9o do Decreto n° 4.382/2002, do Regulamento do ITR também dispõe: Do Imóvel Rural Art. 9" Para efeito de determinação da base de cálculo do ITR considerase imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona rural do município, ainda que, em relação a alguma parte do imóvel, o sujeito passivo detenha apenas a posse (Lei n" 9.393, de 1996, art. 1, § 2)." (grifei) Os Manuais de Perguntas e Respostas, das Declarações do ITR de 2005 e 2006, também trouxeram a seguinte orientação: "048 que é imóvel rural? Para efeito do ITR considerase imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras confrontantes, do mesmo titular, localizada na zona rural do município, ainda que, em relação a alguma parte da área, o declarante detenha apenas a posse, (grifouse) (Lei n°9.393, de 1996, art. 1º, §2°; RITR/2002, art. 9º; IN SRFn°256, de 2002, art. 8°) 049 – O que é área continua? Para efeito do ITR, considerase área contínua a área total do prédio rústico, mesmo que fisicamente dividida por ruas, estradas, rodovias, ferrovias ou por canais ou cursos de água. Assim, se uma pessoa adquiriu dois, três ou quatro imóveis, de dois, três ou quatro proprietários diversos, mediante escrituras públicas distintas, os respectivos bens são unidades autônomas para o Código Civil e para a Lei de (...) Ainda que não decorresse inicialmente da mesma área ou fossem diversas matriculas, importa serem as áreas continuas para se considerar um único imóvel para efeito de tributação do ITR. Nesse sentido, mantenho o entendimento manifestado no acórdão recorrido. II ÁREAS DE RESERVA LEGAL SEJAM CONSIDERADAS ISENTAS Fl. 908DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.005189/200501 Acórdão n.º 9202003.388 CSRFT2 Fl. 21 7 Com relação a este ponto, a recorrente requer que todas as Áreas de utilização limitada ou de reserva legal sejam consideradas isentas ao contrário do acórdão recorrido que entendeu que as áreas de reserva legal glosadas pelo Fisco alcançam apenas um dos dois imóveis de propriedade da recorrente – aduzindo, a fl. 374, que "no julgamento em questão, se analisou e isentou a reserva legal de um dos imóveis, deixando de considerar a isenção da Reserva Legal do outro" (fls. 365): O julgamento apreciou um Recurso Voluntário interposto pela recorrente, com relação ao ITR (Imposto Territorial Rural) ano 2002, dos imóveis rurais abaixo relacionados, localizados em Lucas do Rio Verde, MT. 1. Imóvel rural cadastrado no NIRF sob no 2.341.5991 com área de 39.762,0 hectares, matriculado sob no 418 do Livro 2 do Registro de Imóveis de Lucas do Rio Verde, MT. 2. Imóvel rural cadastrado no NIRF sob no 5.321.3416 com área de 3.333,0 hectares, matriculado sob no 2.479, livro 2 do Registro de Imóveis de Lucas do Rio Verde, MT. Inicialmente decidiram que os dois imóveis possuem áreas continuas, as quais devem ser adicionadas para fins de apuração do imposto devido. Na seqüência, por ocasião da apreciação das áreas de Reserva Legal, foi isentado da tributação, parte do imóvel de 39.762,0 hectares a quantia declarada como de Reserva Legal 25.050 hectares, uma vez que comprovado nos autos pelo contribuinte que encontrase anteriormente ao fato, averbada à margem da matricula do imóvel e existe n autos o ADA correspondente. Ocorre que, equivocadamente deixaram de apreciar e sequer fizeram menção à área de 3.333,0 hectares, que possui a Reserva Legal de 2.099,8 hectares, embora tenha as mesmas comprovações existentes do outro imóvel, nos autos do processo. Como se depreende, de uma leitura ainda que perfunctória do processo, a fl. 337, o conselheiro Relator deixa claro que se encontra, as fls. 169 e 170, volume I do presente processo, apenas a comprovação da protocolização de ADA de 25.050 ha., ou seja, apenas de um dos imóveis da recorrente. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da apuração do ITR. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, cuja redação à época do fato gerador, antes da alteração promovida pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, era a seguinte: “Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2º e 3º desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: a) nas regiões Leste Meridional, Sul e CentroOeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindose, nesses casos, apenas a extração de árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucariaangustifolia", não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerandose, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. § 1º Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computarseão, para efeito de fixação do limite percentual, além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. § 3º Aplicase às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais.” (original sem grifo) Fl. 910DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.005189/200501 Acórdão n.º 9202003.388 CSRFT2 Fl. 22 9 Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 2º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com conseqüências diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: (i) para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, (ii) para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à área de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à área de reserva legal condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frustra o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigência do artigo 16, parágrafo 2º do Código Florestal. Por outro lado, existindo a averbação, ainda que posterior ao fato gerador, não é razoável recusar a desoneração tributária, notoriamente quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, sendo que uma área averbada e comprovada em exercício posterior provavelmente existia nos exercícios precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR, perfazendose com a averbação a qualquer data o viés indutivo de comportamento que informa a dispensa do tributo. Nada obstante, tenho para mim que com a averbação na matrícula do imóvel das áreas de reserva legal, ainda que posteriormente ao momento eleito como aspecto temporal da hipótese de incidência do ITR ou ao início do procedimento fiscal, tais áreas devem ser excluídas da base de cálculo do tributo, pelas razões expostas acima. Resta cristalino que a recorrente tem direito à isenção da Reserva Legal nos dois imóveis de sua propriedade. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 Ocorre, que equivocadamente foi considerado somente um dos imóveis em questão (NIRF 23415991), silenciando o julgador em relação ao outro imóvel (NIRF 53213416) deixando de apreciálo. Importante salientar, que foi acostado aos autos do processo, a anterior averbação da Reserva Legal às margens da matricula dos dois imóveis (fls. 174 — AV08/2.479 e fls. 173— AV010418) —(doc. 03 anexo) , bem como o ADA dos dois imóveis ( fls. 169/170 e fls. 171/172) — (doc.04 anexo) dos autos: AV0812.479 — Em 30 de agosto de 2004. Nos termos da certidão da matricula 0408 do Cartório de Registro de Imóveis de SorrisoMT, conforme AV1210408 — Prot n°. 11.520, onde consta: Pelo termo de responsabilidade e preservação de floresta, de 23 de junho de 1.997, assinado pela proprietária Marapé Agropecuária S/C Ltda., e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, através da Superintendência Regional em Mato Grosso, fica GRAVADA COMO DE UTILIZAÇÃO LIMITADA 63,0% (sessenta e três por cento) do total da propriedade, não podendo nela ser feito qualquer tipo de exploração a não ser Mediante autorização expressa do IBAMA, e vedada a alteração da Área destinada A rese . .:4; I n, casos de transmissão ou desmembramento." Datada no Cartório de Origem em 08/07/97. Oficiala Titular, (Maria Carolina Magalhães). Dessa forma, afasto a glosa referente à área de reserva legal do outro imóvel (NIRF 53213416). III VALOR DA TERRA NUA A contribuinte afirma que a documentação apresentada foi desconsiderada para fins de comprovação do VTN, embora realizada nos moldes requeridos e por profissionais habilitados (laudo técnico, avaliações etc.) em total arbitrariedade e disparate. Em contraponto, o decisum recorrido entendeu que o laudo apresentado não atendeu às exigências legais [fls. 338/339]: Conjugandose as exigências da legislação tributária com as prescrições da NBR 146533, os Laudos Técnicos de Avaliação para fins de determinação do VTN tem como requisitos principais: (a) a identificação e caracterização do imóvel avaliando, em que se descreve os aspectos relevantes na formação do valor; (b) a pesquisa realizada, com a identificação das fontes e descrição dos imóveis da amostra coletada (no mínimo 5 elementos); (c) a escolha e justificativa do método de avaliação utilizado; e (d) a memória de cálculo do tratamento dos dados. Insurgindose contra aos argumentos da relatora a quo, a contribuinte apresentou, em sede de recurso o laudo de fls. 204 a 233 — volume H. Posteriormente, atendendo à diligência do Terceiro Primeiro C9nselho de Contribuintes para que fosse apresentado um único laudo para todas as matriculas envolvidas, foi juntado o laudo de fls. 302 a 316— volume II, acompanhado dos anexos de fls. 317 a 328— volume II e da correspondente ART (fl. 329 — volume II), englobando as duas areas das registradas nas matriculas 2.429 e 418 do Registro de Imóveis de Lucas do Rio Verde/MT (registros anteriores; Fl. 912DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.005189/200501 Acórdão n.º 9202003.388 CSRFT2 Fl. 23 11 matriculas 408 e 409 do Registro de Imóveis de Sorriso/MT), conforme certidões anexadas As fls. 325 a 328 —volume II. Nos dois laudos apresentados pelo contribuinte, apesar haver a indicação de que foi aplicado o Método Comparativo Direto de Lados de Mercado (fls. 209 e 308 — volume II), que segundo o próprio responsável técnico pe os laudos "consiste na comparação com outros imóveis transacionados ou em oferta, pertencente a uma mesma micro região, contemporâneos e de características semelhantes (dados de mercado)", e de que teriam sido efetivamente utilizado seis amostras (fls. 206 e 304 — volume II), não consta a identificação dessas amostras, limitando à fixar o valor da terra nua em R$248,00/ha, no caso da Fazenda Lote Pedregulho, e em R$200,00/ha, no caso da Fazenda São Francisco do Marape, como se observa A fl. 320 — volume II. Ressaltese que, embora o responsável técnico afirme que os laudos possuem Grau de Fundamentação II, de acordo com a NBR 46533, que rege a matéria, esse grau de fundamentação exige a apresentação de todos os dados amostrais (item 9.2.3.5.a da referida norma). Assim, os laudos padecem de uma deficiência fundamental, qual seja a identificação dos imóveis rurais utilizados na avaliação, razão pela qual não podem ser aceitos para fins de determinação do VTN. Destarte, mantémse o VTN arbitra o pela fiscalização. [Grifo nosso] Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigos 10 e 14, § 1°, da Lei nº 9.393/1996, que assim estabelecem: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 913DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; d) servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola; e) sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993; VI Grau de Utilização GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. § 2º As informações que permitam determinar o GU deverão constar do DIAT. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.005189/200501 Acórdão n.º 9202003.388 CSRFT2 Fl. 24 13 § 3º Os índices a que se referem as alíneas "b" e "c" do inciso V do § 1º serão fixados, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola, pela Secretaria da Receita Federal, que dispensará da sua aplicação os imóveis com área inferior a: a) 1.000 ha, se localizados em municípios compreendidos na Amazônia Ocidental ou no Pantanal matogrossense e sul matogrossense; b) 500 ha, se localizados em municípios compreendidos no Polígono das Secas ou na Amazônia Oriental; c) 200 ha, se localizados em qualquer outro município. § 4º Para os fins do inciso V do § 1º, o contribuinte poderá valerse dos dados sobre a área utilizada e respectiva produção, fornecidos pelo arrendatário ou parceiro, quando o imóvel, ou parte dele, estiver sendo explorado em regime de arrendamento ou parceria. § 5º Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do § 1º, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. § 6º Será considerada como efetivamente utilizada a área dos imóveis rurais que, no ano anterior, estejam: I comprovadamente situados em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastagens; II oficialmente destinados à execução de atividades de pesquisa e experimentação que objetivem o avanço tecnológico da agricultura. § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão Fl. 915DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 14 levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” (grifamos) Extraise da norma legal que o Valor da Terra Nua mínimo – VTNm será estabelecido pela Receita Federal do Brasil, após os devidos procedimentos e pesquisas para se aferir aludido valor. Por sua vez, o contribuinte poderá se insurgir ao valor arbitrado pelo Fisco, devendo, porém, apresentar os documentos necessários a comprovar as bases por ele pretendidas. Na esteira do dispositivo legal retro, a revisão do VTN por parte da autoridade fiscal fica condicionada à apresentação de Laudo emitido por profissional habilitado e acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, além da necessidade de alinhavarse com as normas procedimentais mínimas ditadas pela ABNT, mais especificadamente aquelas relativas à avaliação de imóveis rurais. Outro não é o entendimento levado a efeito por este Conselho Administrativo, ao tratar da matéria, como se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “ITR/94. VALOR DA TERRA NUA VTNm. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REVISÃO. O laudo técnico de avaliação para que tenha validade e produza efeitos pretendidos através da revisão do VTNm, além de ser elaborado por profissional habilitado e acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica ART, deve revestirse de formalidades e exigências técnicas mínimas, que corroborem para a sua eficácia, não devendo limitarse a ser um mero documento informativo. A base de cálculo do imposto é o valor da terra nua – VTN, apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior. A data registrada no laudo técnico o torna inservível, por encontrarse em desacordo com a lei de regência sobre a matéria. Recurso especial provido.” (3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 325.167 – Acórdão nº CSRF/0304.255 – Sessão de 21/02/2005) (grifamos) “TR – EXERCÍCIO 1994. VALOR DA TERRA NUA. A revisão do VTN mínimo é condicionada à apresentação de laudo técnico de acordo com as exigências legais, especialmente as referentes ao valor e às fontes de sua pesquisa. JUROS DE MORA Os juros de mora têm caráter compensatório e são exigidos pela não disponibilização do valor devido à Fazenda Pública. Sua fluência só se interrompe se a impugnação for acompanhada do depósito integral do crédito tributário considerado devido. MULTA DE MORA Nos lançamentos de ITR em que não exista a obrigação de antecipação do imposto, havendo impugnação, a multa de mora só é cabível após o vencimento do prazo de intimação de decisão final administrativa. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO POR UNANIMIDADE” (1a Câmara do 3o Conselho – Recurso nº 326.064, Acórdão nº 30130761, Sessão de 11/09/2003) “ITR/95. VTN. REVISÃO. LAUDO. PROVA INSUFICIENTE. Laudo Técnico de Avaliação que não atenda às exigências legais, especialmente as relativas à pesquisa e comprovação das fontes, é prova insuficiente para a revisão do lançamento em que se adotou o VTNm. CNA. LEGALIDADE. As contribuições lançadas com o ITR têm natureza tributária e fundamento nos Fl. 916DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.005189/200501 Acórdão n.º 9202003.388 CSRFT2 Fl. 25 15 art. 149 e 8º, inc. V, parte final, da CF/88, e art. 10, § 2 º do Ato das Disposições Constitucionais transitórias. MULTA DE MORA. A multa de mora só é exigível, na vigência da Lei 8.847/94, após a constituição definitiva do crédito tributário. JUROS DE MORA. A fluência dos juros de mora só é interrompida se a impugnação for acompanhada do depósito integral do crédito tributário contestado. Recurso parcialmente provido por unanimidade.” (1a Câmara do 3o Conselho – Recurso nº 322.872, Acórdão nº 30130534, Sessão de 25/02/2003) Constatamse da legislação de regência e da jurisprudência administrativa acima transcrita, as formalidades necessárias à validade do Laudo Técnico a ser emitido com a finalidade de revisar o VTNn presumido para cada região. É bem verdade que os dispositivos legais que tratam da matéria não trazem em seu bojo a exigência expressa da observância às normas da ABNT para elaboração de Laudos Técnicos tendentes a revisar o VTNn. No entanto, os julgadores deste Colegiado vêm exigindo o atendimento das normas mínimas da ABNT, por ser da própria essência da elaboração de Laudos Técnicos, sobretudo com a finalidade de se estabelecer parâmetros com o fito de conferir maior robustez ao conteúdo do documento em epígrafe. Neste sentido, o Acórdão nº CSRF/0304.292, oferece guarida ao entendimento encimado ao estabelecer o seguinte: “[...] Tal laudo possui riqueza de detalhes e indicações de fontes pesquisadas, além de planilhas demonstrativas, tudo levando à conclusão de que o VTN tributável do referido imóvel é, efetivamente, o indicado no referido Laudo. [...]” Portanto, entendo que os laudos apresentados pelo Contribuinte dão guarida à pretensão, conforme identificados a folha 338: Insurgindose contra aos argumentos da relatora a quo, a contribuinte apresentou, em sede de recurso o laudo de fls. 204 a 233 — volume H. Posteriormente, atendendo à diligência do Terceiro Primeiro C9nselho de Contribuintes para que fosse apresentado um único laudo para todas as matriculas envolvidas, foi juntado o laudo de fls. 302 a 316— volume II, acompanhado dos anexos de fls. 317 a 328— volume II e da correspondente ART (fl. 329 — volume II), englobando as duas areas das registradas nas matriculas 2.429 e 418 do Registro de Imóveis de Lucas do Rio Verde/MT (registros anteriores; matriculas 408 e 409 do Registro de Imóveis de Sorriso/MT), conforme certidões anexadas As fls. 325 a 328 — volume II. Além disso, consigno como razões de decidir a motivação apresentada pela i. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, redatora do Acórdão n. 9202003.092: A questão que me foi dada a elaborar o voto vencedor diz respeito ao arbitramento do VTN, levado a cabo pela Fiscalização, relativamente ao ITR do exercício de 2002. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 16 No caso em tela, tratase de dois imóveis rurais que foram considerados contíguos pela Fiscalização, que promoveu a tributação unificada, conforme a seguir:[...] Tratase do arbitramento com base no SIPT – Sistema Integrado de Preços de Terras, previsto no art. 14, da Lei n° 9.393, de 1.996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1° inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Quanto ao art. 12, §1º, inciso II , da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, cabe trazêlo à colação, com a redação vigente à época da edição da Lei nº 9.393, de 1996: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel.” Destarte, combinandose os dispositivos legais acima, concluise que o sistema a ser criado pela Receita Federal, para fins de arbitramento do VTNValor da Terra Nua, deveria observar os critérios estabelecidos no art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629, de 1993, a saber: localização, capacidade potencial da terra e dimensão do imóvel, assim como considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de TerrasSIPT, pela Portaria SRF nº 447, de 2002, que deve ser alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3º da citada Portaria). Fl. 918DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.005189/200501 Acórdão n.º 9202003.388 CSRFT2 Fl. 26 17 Portanto, o arbitramento com base no SIPT tem previsão legal e pode ser aplicado, nas situações tipificadas, quando os respectivos valores forem apurados conforme as determinações legais acima especificadas. Entretanto, no presente caso, embora o Extrato do SIPT de fls. 17, relativo ao exercício de 2000, tenha atendido aos ditames legais, o extrato correspondente ao exercício de 2002, objeto da autuação, mostra que o VTN – Valor da Terra Nua foi arbitrado levandose em conta apenas o valor médio das DITR, sem se considerar a aptidão agrícola, o que contraria a legislação de regência, acima transcrita. Com efeito, conforme o demonstrativo acima, os VTNs declarados pela Contribuinte foram de R$ 200,00 por hectare (R$ 7.952.400,00 / 39.762,0 ha), relativamente ao Imóvel A (fls. 12), e R$ 248,00 (R$ 826.584,00 / 3.333 ha), no que tange ao Imóvel B (fls. 14). A Contribuinte apresentou Laudo de Avaliação, porém este foi desconsiderado pela Fiscalização que, unificando os imóveis, procedeu ao arbitramento com base em valor constante do SIPT, o que resultou em um VTN de R$ 339,40 por hectare (R$ 14.626.443,00/43.095,0 ha), conforme extrato de fls. 17. Quando do Recurso Voluntário, a Contribuinte apresentou novo Laudo de Avaliação, por meio do qual foram confirmados os VTNs declarados (fls. 320). Destarte, como os critérios do arbitramento pelo SIPT não foram respeitados, entendo que devem ser aceitos os VTNs declarados pela Contribuinte. [Grifo no original] IV DISPOSITIVO Por todo o exposto, voto por ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, para retificar o acórdão embargado com efeitos infringentes. Ato contínuo, CONHEÇO DO RECURSO ESPECIAL interposto, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para afastar a glosa referente à área de reserva legal do outro imóvel (NIRF 53213416) e acolher o VTN apresentado nos laudos apresentados pelo Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 919DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 18 Fl. 920DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10314.003510/2001-48
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 09/10/1997
Havendo prova do vinculo comercial do fornecedor com o importador, deve ser desconsiderado o primeiro método do Acordo de Valoração Aduaneira, pois o vínculo entre as empresas influenciou o preço da operação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.368
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200906
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 09/10/1997 Havendo prova do vinculo comercial do fornecedor com o importador, deve ser desconsiderado o primeiro método do Acordo de Valoração Aduaneira, pois o vínculo entre as empresas influenciou o preço da operação. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Câmara
numero_processo_s : 10314.003510/2001-48
conteudo_id_s : 5430960
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 07 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3102-00.368
nome_arquivo_s : Decisao_10314003510200148.pdf
nome_relator_s : Marcelo Ribeiro Nogueira
nome_arquivo_pdf_s : 10314003510200148_5430960.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
id : 5826990
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704812126208
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-12-14T18:28:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-12-14T18:28:25Z; Last-Modified: 2009-12-14T18:28:25Z; dcterms:modified: 2009-12-14T18:28:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-12-14T18:28:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-12-14T18:28:25Z; meta:save-date: 2009-12-14T18:28:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-12-14T18:28:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-12-14T18:28:25Z; created: 2009-12-14T18:28:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-12-14T18:28:25Z; pdf:charsPerPage: 1276; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-12-14T18:28:25Z | Conteúdo => S3-C1T2 F1.176 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS- ;;Nr‘A5) TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10314.003510/2001-48 Recurso n° 139.421 Voluntário Acórdão n° 3102-00.368 — ia Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009 Matéria II/IPI Falta de Recolhimento Recorrente COMPANHIA LIGNA DE DISTRIBUIÇÃO Recorrida DRJ-São Paulo/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO-li Data do fato gerador: 09/10/1997 Havendo prova do vinculo comercial do fornecedor com o importador, deve ser desconsiderado o primeiro método do Acordo de Valoração Aduaneira, pois o vínculo entre as empresas influenciou o preço da operação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena. Mt HEL tipil-----doAncw,.?ry IA NA TRAJAmp DAMORIM - Presidente _ MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA - RelatIor -- EDITADO EM: 30/10/2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 15/08/2001, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados acrescidos de juros e multa de mora, em face dos fatos a seguir descritos. EM ato de revisão aduaneira a fiscalização constatou que o FABRICANTE/EXPORTADOR ( empresa SCM GROUP SPA, sediada na Itália) possui vinculo comercial com o importador; A documentação levantada pela fiscalização demonstram a insuficiência do preço de transação; Os descontos concedidos — chegando a 35% - não estão amparados na legislação que implementou o Acordo de Valoração Aduaneira — Decreto 1.355/94, Decreto 2.498/98 e Instrução Normativa No. 16/98; As declaração de importação objeto da autuação estão relacionadas no corpo do Auto de Infraçâo; Em decorrência, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo do contribuinte o recolhimento do Imposto de Importaça e do Imposto sobre Produtos Industrializados acrescidos de juros e multa de mora. Cientificado do auto de infração, via aviso de recebimento, em 16/10/2001 (fls. 38-verso), o contribuinte, protocolizou tempestivamente impugnação na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 19/11/2001, de fls. 39 à 51, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Há que se diga que na data de 16/11/2001, não houve expediente normal na repartição, por ter sido encerrado excepcionalmente às 13:00 horas (lh. 102). Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que:: A intimação sintética e codificada não é suficiente para dar conhecimento ao contribuinte da matéria tributária em questão conflagrando ausência de pressupostos de constituição e desenvolvimento válidos; O Auto de Infração carece de ausência de motivação; Discorda da autuação em função da argumentação de que os descontos concedidos não estariam amparados na legislação que implementou o Acordo de Valoração Aduaneira; Não houve desconto, mas uma condição de venda favorável, uma vez que a autuada é distribuidora/fornecedora da empresa SCM 2 Processo n° 10314.003510/2001-48 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00368 Fl. 177 Group SPA no mercado brasileiro, exceto nos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina; ._ A autuada não é dirigida, controlada ou administrada pela empresa SCM Group SN; A autuada recebe um preço diferenciado "melhorado" para ter uma condição de venda favorável aos seus clientes; A autuada pauta sua conduta no artigo 20 do Código Tributário Nacional, sendo o valor da base de cálculo aquele que consta da Fatura Comercial; A autuação peca por ausência de tipicidade o que fulmina a exigência tributária; A multa impingida desobedece o princípio da proporcionalidade; Pugna pela improcedência do Auto de Infração. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação -II Data do fato gerador: 09/10/1997 Fiscalização constatou vinculo comercial do fornecedor com o importador. Os descontos concedidos - chegando a 35% - não estão amparados na legislação que implementou o Acordo de Valoraçã o Aduaneira. Impugnante alega que não houve desconto, mas uma condição de venda favorável. Não é a vinculaçã o em si que desabona o primeiro método de valoração aduaneira, mas quando houver fatos por si só relacionados a aceitabilidade do preço. A fiscalização trouxe elemento concreto e relevante para desabonar o I° método do Acordo de Valoração Aduaneira, demonstrando que o vinculo entre as empresas teria influenciado o preço. Lançamento procedente. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no 3 julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator Entendo que o recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. O caso em exame é de simplicidade franciscana, pois, tendo sido comprovado que há vinculo entre o importador e o exportador, conforme ocorreu no presente feito, resta inaplicável o primeiro método de valoração do Acordo de Valoração Aduaneira. Não tendo, o recorrente, logrado trazer aos autos contraprova, ou ao menos indicio de erro na prova produzida pela fiscalização, não há como acatar suas alegações e deve ser mantida a glosa do valor aduaneiro e suas conseqüências legais. Os descontos concedidos sistemática e preferencialmente à importadora pela empresa estrangeira evidenciam a ligação comercial entre ambas e a própria recorrente reconhece que atua como distribuidora da empresa estrangeira no Brasil. Assim, VOTO por conhecer do recurso para negar-lhe provimento. l\ ,k,kiJ,P&JUIM-f()•-) 1/4. • es) MARCELO 1Z11-3Elja0GUEIRA 4
score : 1.0
Numero do processo: 13004.000170/2005-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais e que não têm relação direta com a ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da Súmula CARF nº 49.
Recurso Voluntário Improvido
Numero da decisão: 1102-001.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais e que não têm relação direta com a ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da Súmula CARF nº 49. Recurso Voluntário Improvido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13004.000170/2005-19
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448464
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1102-001.116
nome_arquivo_s : Decisao_13004000170200519.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
nome_arquivo_pdf_s : 13004000170200519_5448464.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho
dt_sessao_tdt : Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5883783
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704814223360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1909; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13004.000170/200519 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.116 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2014 Matéria Multa isolada. Atraso na entrega da declaração. Recorrente CPM ESCOLA ESTADUAL DE 1° E 2° GRAU DR. CARLOSAUGUSTO MOURA E CUNHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais e que não têm relação direta com a ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da Súmula CARF nº 49. Recurso Voluntário Improvido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 4. 00 01 70 /2 00 5- 19 Fl. 27DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 13004.000170/200519 Acórdão n.º 1102001.116 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 1ª Turma da DRJ/POA (fls. 16 – 18), que julgou procedente o auto de infração que impôs multa acessória pela entrega em atraso da DIPJ relativa ao anocalendário 2002. Entendeu o acórdão recorrido que o pedido de denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, não se aplicaria a atos formais, como a entrega de declarações fiscais, ou seja, não se aplica às obrigações acessórias. Em recurso voluntário a recorrente afirma ser associação sem fins lucrativos perfeitamente inserida na hipótese da isenção, que a entrega em atraso se deu em razão do desconhecimento da obrigação, solicitando o cancelamento da multa diante da disposição do art. 138 do CTN, uma vez que a declaração foi entregue de forma espontânea sem qualquer atuação fiscal. Não bastasse isso, a multa também seria descabida pelo fato da associação ser isenta. Voto Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Atendidos os pressupostos legais do recurso voluntário, é de se conhecêlo. Analisando a matéria em epígrafe, entendemos por negar provimento ao recurso voluntário. A questão posta, aplicabilidade ou não do instituto da denúncia espontânea nas multas por descumprimento de obrigação acessória, in casu, multa pelo atraso de entrega da DIPJ, foi analisada reiteradas vezes neste Contencioso Administrativo. No tocante ao instituto da denúncia espontânea, sustentando ser o mesmo plenamente aplicável à hipótese de que se trata, é de se ressaltar que, embora a contribuinte tenha apresentado espontaneamente a declaração antes de qualquer atividade administrativa da fiscalização, entendese que, mesmo nesses casos a aplicação da multa permanece, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, in verbis: Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento Fl. 28DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 13004.000170/200519 Acórdão n.º 1102001.116 S1C1T2 Fl. 4 3 administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração se refere à multa de ofício e à multa de mora relativa à obrigação principal, qual seja, aquela decorrente da falta de pagamento do tributo, não alcançando a obrigação acessória. A multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega extemporânea não tem relação com o fato gerador da obrigação tributária principal, tendo expressa previsão legal de sua cominação. Tratase, portanto, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal e autônoma que não pode ser afastada pela denúncia espontânea, nos termos da Súmula 49 do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Esse entendimento do CARF não destoa da jurisprudência pacífica em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ): PROCESSO CIVIL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA ADMINISTRATIVA. PRETENSÃO JÁ ACOLHIDA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. 1. Na origem, cuidase de mandado de segurança impetrado contra ato do Delegado da Receita Federal do Brasil, no qual se pleiteia o não pagamento das penalidades pecuniárias (multas), em razão da não entrega das Declarações de Imposto Retido na Fonte (DIRF's) dos anos de 1994 e 1997. 2. Segundo orientação firmada nesta Corte, "a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas" (AgRg no AREsp 11340/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.9.2011, DJe 27.9.2011). 3. A Corte de origem reconheceu que é "legítima a exigência da multa administrativa", afastando a aplicação da denúncia espontânea. Assim, as alegações no sentido que não ocorreu denúncia espontânea em relação à multa administrativa é infundada, pois tal pretensão já foi acolhida pela Corte Regional, revelandose, portanto, a falta de interesse recursal da recorrente. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1279038/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/02/2012, DJe 09/02/2012) Fl. 29DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 13004.000170/200519 Acórdão n.º 1102001.116 S1C1T2 Fl. 5 4 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 19/02/2009)” Ademais a DIPJ é uma declaração de entrega obrigatória inclusive pelas pessoas jurídicas isentas, nos termos do art.2° da Instrução Normativa SRF n° 127, de 30 de outubro de 1998: Instrução Normativa SRF n° 127 "Art. 2°A partir do anocalendário de 1999, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, anualmente, até o último dia útil do mês de setembro, a DIPJ, centralizada pela matriz. Parágrafo único. A obrigatoriedade a que se refere este artigo não se aplica: ás microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; II aos órgãos públicos, às autarquias e fundações públicas." O prazo para a entrega da Fl. 30DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 13004.000170/200519 Acórdão n.º 1102001.116 S1C1T2 Fl. 6 5 DIPJ pelas pessoas jurídicas imunes ou isentas referente ao ano calendário de 2002 foi até o dia 30 de maio de 2003. Desta forma, não há aplicabilidade da denúncia espontânea à multa lançada, razão pela qual voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Fl. 31DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
score : 1.0
Numero do processo: 10314.007837/2005-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 18/04/2002
Ementa:
CONSULTA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
É de observância obrigatória a solução de consulta provocada pelo sujeito passivo, tanto para o consulente como para administração, uma vez que está vinculada a observar a decisão dada à consulta apresentada pelo consulente, já que expressa a sua interpretação.
MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. CABIMENTO.
Quando as mercadorias não forem descritas na DI de forma a permitir a sua identificação e caracterização a fim proporcionar a perfeita identificação e classificação na TEC/NCM, como determina a legislação de regência, cabe a penalidade prevista no art. 526, II, do Decreto nº 91.030/85 e alterações.
Numero da decisão: 3402-002.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente à aplicação da multa de 75% incidente sobre a diferença recolhida a menor do Imposto de Importação, referente à aplicação da multa proporcional de 1% sobre o valor da mercadoria importada por classificação fiscal de mercadoria incorreta e da aplicação da multa regulamentar sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada por erro de classificação da mercadoria, por não constarem na peça inaugural do presente litígio. Na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Alexandre Kern e Fernando Luiz da Gama D Eça.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, João Carlos Cassuli Junior e Maria Aparecida Martins de Paula.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 18/04/2002 Ementa: CONSULTA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. É de observância obrigatória a solução de consulta provocada pelo sujeito passivo, tanto para o consulente como para administração, uma vez que está vinculada a observar a decisão dada à consulta apresentada pelo consulente, já que expressa a sua interpretação. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. CABIMENTO. Quando as mercadorias não forem descritas na DI de forma a permitir a sua identificação e caracterização a fim proporcionar a perfeita identificação e classificação na TEC/NCM, como determina a legislação de regência, cabe a penalidade prevista no art. 526, II, do Decreto nº 91.030/85 e alterações.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10314.007837/2005-12
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5437749
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3402-002.600
nome_arquivo_s : Decisao_10314007837200512.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10314007837200512_5437749.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente à aplicação da multa de 75% incidente sobre a diferença recolhida a menor do Imposto de Importação, referente à aplicação da multa proporcional de 1% sobre o valor da mercadoria importada por classificação fiscal de mercadoria incorreta e da aplicação da multa regulamentar sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada por erro de classificação da mercadoria, por não constarem na peça inaugural do presente litígio. Na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Alexandre Kern e Fernando Luiz da Gama D Eça. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, João Carlos Cassuli Junior e Maria Aparecida Martins de Paula.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
id : 5844982
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704817369088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2272; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 100 1 99 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.007837/200512 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.600 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2015 Matéria Processo Administrativo Fiscal Recorrente Maymo Comércio e Indústria Veterinária Ltda Recorrida DRJ SÃO PAULO (SP) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/04/2002 Ementa: CONSULTA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. É de observância obrigatória a solução de consulta provocada pelo sujeito passivo, tanto para o consulente como para administração, uma vez que está vinculada a observar a decisão dada à consulta apresentada pelo consulente, já que expressa a sua interpretação. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. CABIMENTO. Quando as mercadorias não forem descritas na DI de forma a permitir a sua identificação e caracterização a fim proporcionar a perfeita identificação e classificação na TEC/NCM, como determina a legislação de regência, cabe a penalidade prevista no art. 526, II, do Decreto nº 91.030/85 e alterações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente à aplicação da multa de 75% incidente sobre a diferença recolhida a menor do Imposto de Importação, referente à aplicação da multa proporcional de 1% sobre o valor da mercadoria importada por classificação fiscal de mercadoria incorreta e da aplicação da multa regulamentar sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada por erro de classificação da mercadoria, por não constarem na peça inaugural do presente litígio. Na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Alexandre Kern e Fernando Luiz da Gama D Eça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 78 37 /2 00 5- 12 Fl. 614DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.007837/200512 Acórdão n.º 3402002.600 S3C4T2 Fl. 101 2 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, João Carlos Cassuli Junior e Maria Aparecida Martins de Paula. Relatório Para elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 15/08/2005 em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora, multa proporcional, multa do controle administrativo, multa proporcional ao valor aduaneiro e multa regulamentar no valor de R$ 2.490.312,77, em virtude dos fatos a seguir descritos. • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio das Declarações de Importação relacionadas no corpo do auto de infração, os seguintes produtos com a correspondente classificação fiscal: BAMBER 80(Flavofosfolipol) – NCM 3003.90.99 ou 2941.90.99. MAYPRACINA PREMIX (Apramixina) – NCM 3003.90.99 ou 2941.90.49 ROBENIN 60(Robenidina) – NCM 2928.00.90 ou 2933.59.59. MONGAIN 20 (Monesinas Sódica) – NCM 2941.90.71 ou 3003.29.99. SALINO 120(Salinomicina) – NCM 2309.90.90 ou 2941.90.79. • Em ato de revisão aduaneira foi apurado que as SOLUÇÕES DE CONSULTA DIANA/SRRF/8ªRF Nºs. 14, 15, 16, 17 e 18 de 13 de abril de 2005, a classificação fiscal correta para os produtos assinalados é no código NCM 2309.90.90, para qual é aplicada as seguintes alíquotas do Imposto de Importação: 11% para o ano de 2000; 10,5% para o ano de 2001; 9,5% para os anos 2002 e 2003; 8% a partir de 2004; Fl. 615DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.007837/200512 Acórdão n.º 3402002.600 S3C4T2 Fl. 102 3 A alíquota de 0% para o Imposto sobre Produtos Industrializados; Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 26/08/2005 (fls. 2frente), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 83 à 120, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 57 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, a impugnante alegou resumidamente que: • A fiscalização não aplicou corretamente os ditames do artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir três classificações diferentes, com as respectivas multas, para a Declaração de Importação Nº. 04/08048519, de 13/08/2004, sendo que há apenas uma adição, com um único produto MONGAIN, o que implica em anulação do auto de infração; • A Superintendência da 8ª Região Fiscal ao responder as Soluções de Consulta propostas pela própria impugnante, utilizouse exclusivamente das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, em detrimento das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; • Para tanto, especificará suas razões produto ao produto: ROBENIN 60(Robenidina): \Produto veterinário do tipo microgranulado, com função principal de antibiótico para inibir protozoário. Ministrado via oral, misturado na ração. O veículo (sepiolita mineral, casca de avelã e óleo vegetal) serve apenas para que o princípio ativo, Rebenidina, não sublime. Portanto, um modo de adicionamento usual e indispensável, por razões de segurança ou transporte. Código NCM adotado pelo impugnante: 2925.20.29, uma vez que o produto é derivado da guanidina, um princípio ativo de constituição química definida, em razão do princípio ativo que age como antibiótico. Aplicação da Regra Nº. 1 e 3 a) das Regra Gerais do Sistema Harmonizado. Assim o código NCM eleito pela fiscalização se mostra inadequado, pois só serão ali classificados produtos destinados à alimentação; MAYPRACINA PREMIX (Apramixina) Produto veterinário apresentado em pó, com função principal de antibiótico para inibir diarréia. É obtida através de fermentação de micro organismo Sreptomyces.. O veículo(sepiolita mineral, casca de avelã e óleo vegetal) serve apenas para que o princípio ativo, Apramicina, não sublime. Portanto, um modo de adicionamento usual e indispensável, por razões de segurança ou transporte. Código NCM adotado pelo impugnante: 2941.90.49, uma vez que o produto ativo apramicina, um princípio ativo de Fl. 616DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.007837/200512 Acórdão n.º 3402002.600 S3C4T2 Fl. 103 4 constituição química definida, age para impedir o crescimento de bactérias no intestino dos animais, agindo assim como antibiótico. O texto do código NCM 2941.90.49 é o mais adequado para a classificação fiscal. O código NCM eleito pela fiscalização se mostra inadequado, pois só serão ali classificados produtos destinados à alimentação; MONESINA SÓDICA Produto veterinário do tipo microgranulado, com função principal de antibiótico para inibir protozoário. Ministrado via oral, misturado na ração. O veículo (sepiolita mineral, casca de avelã e óleo vegetal) serve apenas para que o princípio ativo, Monesina sódica, não sublime. Portanto, um modo de adicionamento usual e indispensável, por razões de segurança ou transporte. Código NCM adotado pelo impugnante: 2941.90.71, uma vez que o produto é derivado do “Mongain 20”, um princípio ativo de constituição química definida, que age como antibiótico, que visa prevenir aves e animais ruminantes de uma doença chamada de coccidose. O código NCM eleito pela fiscalização se mostra inadequado, pois só serão ali classificados produtos destinados à alimentação; BAMBER 80(Flavofosfolipol): Produto veterinário do tipo pó cor marrom, com função principal de antibiótico para inibir o crescimento de bactérias no intestino. Ministrado via oral, misturado na ração. O veículo (resíduo da própria fermentação, celulose e óleo vegetal) serve apenas para que o princípio ativo, Flavofosfolipol, não sublime. Portanto, um modo de adicionamento usual e indispensável, por razões de segurança ou transporte. Código NCM adotado pelo impugnante: 2941.90.49, em razão do componente ativo do produto Flavofosfolipol ser um princípio ativo de constituição química definida, de um aminoglicídeo. Aplicação da Regra Nº. 1 e 3 a) das Regra Gerais do Sistema Harmonizado. Assim o código NCM eleito pela fiscalização se mostra inadequado, pois só serão ali classificados produtos destinados à alimentação, sendo adequada sua classificação fiscal no capítulo 29. SALINO 120(Salinomicina) Produto veterinário do tipo pó cor marrom, com função principal de antibiótico para inibir os protozoários do gênero Elimeria. Ministrado via oral, misturado na ração. O veículo (resíduo da própria fermentação, farelo de trigo e óleo vegetal) serve apenas para que o princípio ativo, Flavofosfolipol, não sublime. Portanto, um modo de adicionamento usual e indispensável, por razões de segurança ou transporte. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.007837/200512 Acórdão n.º 3402002.600 S3C4T2 Fl. 104 5 Código NCM adotado pelo impugnante: 2941.90.79, em razão do componente ativo do produto Salinomicina ser um princípio ativo de constituição química definida, que age como antibiótico, que visa prevenir aves e animais ruminantes de uma doença chamada de coccidose. O código NCM eleito pela fiscalização se mostra inadequado, pois só serão ali classificados produtos destinados à alimentação. • Os produtos importados não se destinam a fabricação de ração animal, mas à mistura aos alimentos já preparados com a única e específica função antibiótica, não importando a denominação utilizada pelo Ministério da Agricultura; • Indica um rol de quesitos para perícia de cada produto; • Incabível a multa do controle administrativo, reportandose a jurisprudência administrativa; Pugna a improcedência do Auto de Infração. Em 19/03/2009, através do Acórdão n° 1730.689, a 1ª Turma da DRJ/SPOII, considerou Procedente o Lançamento. No prazo regulamentar o interessado interpôs RECURSO VOLUNTÁRIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em 30/09/2010, ACORDARAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO de julgamento, por unanimidade de votos, através do ACÓRDÃO Nº. 3102000.773 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, em dar provimento ao recurso para anular o processo desde o acórdão recorrido, inclusive, para que outro seja lavrado enfrentando as alegações do sujeito passivo. A 23ª Turma de Julgamento da Delegacia de São Paulo (SP) julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 16037911, de 19/04/2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/04/2002 Importação dos produtos Flavofosfolipol, Apramixina, Robenidina, Monesinas Sódica e Salinomicina. Efetuada pela fiscalização a desclassificação das mercadorias dos códigos NCM declarados, para o código 2309.90.90. O enquadramento tarifário eleito para a correta classificação tarifária das mercadorias em tela, foi baseada em respostas da DIVISÃO DE NOMENCLATURA, CLASSIFICAÇÃO E ORIGEM DE MERCADORIASDINOM. A fiscalização atribui aos produtos como preponderante sua função alimentar. Esse entendimento da fiscalização não surge ao seu alvedrio, mas aplicando à questão o que determina as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.007837/200512 Acórdão n.º 3402002.600 S3C4T2 Fl. 105 6 A fiscalização não pode deixar de observar as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, sob risco de responder funcionalmente. A NESH não é um adereço que pode ser descartado ao alvedrio da fiscalização. Sua observância é obrigatória. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, alegando, em síntese, que: a) A autuação fiscal adveio das soluções de consulta DIANA/SRRF/83 RF n°. 14, 15, 16, 17 e 18 de 13 de abril de 2005, efetuadas pela própria Recorrente, as quais equivocadamente consignaram que os produtos importados (Flavofosfolipol, Apramicina, Robenidina, Monensina Sódica e Salinomicina) deveriam ter sido classificados na posição 2309.9090 (preparações de topos utilizados na alimentação de animais Outras — Outras). Em virtude da impropriedade técnica das referidas Soluções de Consulta, que não se basearam nas regras fiscais de classificação de mercadorias trazidas pelo Regulamento Aduaneiro (Decreto 6.759 de 2009), mais especificamente em seu artigo 941, a Recorrente apresentou Impugnação ao Auto de Infração para informar que os produtos importados devem ser classificados nas seguintes posições: Robenidina – 2925.2029; Apramicina – 2941.9049; Monensina Sódica – 2941.9071; Flavofosfolipol – 2941.9049 e Salinomicina – 2941.9079; b) As alocações defendidas na impugnação foram as de que todos os produtos importados não são destinados à fabricação de rações para uso animal, mas sim destinados a mistura aos alimentos já preparados com a única e específica função antibiótica, não importando assim a denominação utilizada para os registros desses produtos no Ministério da Agricultura, se aditivo ou medicamento, conforme se pode verificar nos Certificados dos produtos anexados aos autos do processo administrativo. Diante da especificidade técnica de cada um dos produtos, foi requerida prova pericial com a finalidade de analisar as respectivas composições químicas, tendo sido formulados quesitos para os produtos de forma individual e nomeado perito técnico; c) Naquela oportunidade, a Recorrente demonstrou ainda a impropriedade da multa de controle administrativo no percentual de 30% sobre o valor total das mercadorias, nos termos do ato declaratório COSIT 12/1997, haja vista que as mercadorias foram corretamente descritas nos documentos de importação, de modo que é possível ao Fisco realizar suas completas identificações; Fl. 619DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.007837/200512 Acórdão n.º 3402002.600 S3C4T2 Fl. 106 7 d) Mesmo após o retorno dos autos por determinação do conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a decisão da Delegacia Regional de Julgamento considerou como elemento probatório tão somente as soluções de consulta, tendo indeferido o pedido de produção de prova pericial requerido pela Recorrente, ao alegar que "todavia, ao mesmo tempo, não se pode desconsiderar os efeitos da Consulta que vincula seu proponente". Tal procedimento é completamente indevido, uma vez que a solução de consulta não impede que o julgador administrativo analise a matéria nos casos em que a Recorrente se insurge contra o entendimento da Receita Federal, nem sequer veda que a Administração Pública reveja o ato administrativo por ilegalidade, a qual é latente no âmbito do presente Processo Administrativo Tributário. Por certo que a solução de consulta se caracteriza como mecanismo hábil a ensejar segurança a jurídica, externando o entendimento da administração acerca da classificação fiscal de determinado produto. Entretanto, nos casos em que a classificação não foi corretamente efetuada, por exemplo, não é vedado que a Recorrente a questione. Por isso, ocasiona ofensa ao princípio da ampla defesa, estampado no artigo 5º, inciso LV, o indeferimento de prova pericial essencial ao deslinde da controvérsia. A solução de consulta vincula apenas à Administração Pública (até que seja comprovada sua ilegalidade), que é obrigada a observála e impedida de aplicar sanções em face da Recorrente que a formulou. É facultado, contudo, a Recorrente impugnar o Auto de Infração por intermédio do Processo Administrativo Fiscal, por entender que a solução de consulta é ilegal. Ora, é possível pleitear a nulidade do ato administrativo, nas ocasiões em que este for contrário aos ditames da lei, especialmente no âmbito do Processo Administrativa Federal. Ademais, a solução de consulta é ato administrativo, possuindo em decorrência os atributos da presunção da legalidade e da veracidade. Contudo, as presunções não são absolutas, ou seja, admitem prova em contrário. Por este motivo, deve ser dada oportunidade a Recorrente de provar as ilegalidades presentes nas soluções de consulta, ao menos pela efetiva análise das razões de seu Recurso Voluntário e pelo deferimento de prova pericial. Mais que isso, percebida a ilegalidade na solução de consulta, deve ser expurgado o teor do ato administrativo no âmbito do Processo Administrativo Federal, ainda que não houvesse iniciativa do administrado nesse sentido; Fl. 620DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.007837/200512 Acórdão n.º 3402002.600 S3C4T2 Fl. 107 8 e) É indevida a cumulação de multas imputadas em virtude de uma mesma conduta, a saber: 1) Multa proporcional, passível de redução, de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre a diferença recolhida a menor do Imposto de Importação, prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; 2) Multa do controle administrativo das importações, passível de redução, de 30% (trinta por cento) incidente sobre o valor das mercadorias importadas do exterior, supostamente sem guia de importação ou documento equivalente, conforme previsto no artigo 526, inciso II, do Decreto n° 91.030/85 (Antigo Regulamento Aduaneiro); 3) Multa proporcional, passível de redução, de 1% (um por cento) sobre o valor da mercadoria importada por classificação fiscal de mercadoria incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, conforme disposições do Decreto n° 91.030/85 (Antigo Regulamento Aduaneiro), bem como do art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.158 35/2001; e Multa regulamentar, única não passível de redução, no percentual de 1% incidente sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada por erro de classificação da mercadoria em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria, conforme previsto no Decreto n° 4.543/2002. Termina sua petição, requerendo: 1) A anulação da decisão de primeira instância administrativa, pelas razões aqui formuladas, particularmente pela flagrante ilegalidade e falta de requisito formal para o lançamento fiscal em comento e desconhecimento da verdade material, para que o processo seja convertido em diligência e seja determinada a perícia técnica com resposta aos quesitos formulados na impugnação ao auto de infração em combate; ou 2) Que seja reformada a decisão de primeira instância, cancelandose totalmente o lançamento efetuado pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo nesse processo administrativo. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.007837/200512 Acórdão n.º 3402002.600 S3C4T2 Fl. 108 9 A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade, passo a análise. Na impugnação, momento processual que delimita a extensão da matéria em litígio, o sujeito passivo repele a classificação dada pelas soluções de consulta por ele efetuada para os produtos Robenidina, Apramicina, Monensina Sódica, Flavofosfolipol e Salinomicina. Amplia a discussão para multa por controle administrativo das importações em percentual de 30% sobre o valor das mercadorias. No acórdão nº 16037911, de 19 de abril de 2012, a DRJ São Paulo enfrenta as insurgências do sujeito passivo e julga improcedente a impugnação. No recurso voluntário, o contribuinte repisa os argumentos sobre a classificação de mercadoria e sobre a multa por controle administrativo das importações. Inova quanto as seguintes matérias: 1) multa proporcional de 75% incidente sobre a diferença recolhida a menor do Imposto de Importação, prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; 2) multa proporcional de 1% (um por cento) sobre o valor da mercadoria importada por classificação fiscal de mercadoria incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, conforme disposições do Decreto n° 91.030/85 (Antigo Regulamento Aduaneiro), bem como do art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.158 35/2001; e 3) multa regulamentar, única não passível de redução, no percentual de 1% incidente sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada por erro de classificação da mercadoria em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria, conforme previsto no Decreto n° 4.543/2002. Após excursão aos autos, é de meridiana obviedade que nem todos os assuntos trazidos pelo recorrente no recurso voluntário foram suscitados na impugnação. Por óbvio, a DRJ também não enfrentou tais fundamentos jurídicos. Sabemos que é na impugnação que surge a lide. Também não é surpresa que, pelo principio da congruência, é neste momento que se delimita a matéria a ser discutida e se define os fatos incontroversos. Para passarmos a análise de mérito da matéria delimitada no momento da impugnação, devese investigar se foram observados os requisitos mínimos impostos por lei, cuja ausência implica a pronta inadmissão da peça recursal, sem que se investigue ser procedente ou improcedente a própria irresignação veiculada no recurso. As atividades do julgador direcionadas para aferição da presença desses pressupostos recebem o nome de juízo de admissibilidade. Esse juízo antecede lógica e Fl. 622DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.007837/200512 Acórdão n.º 3402002.600 S3C4T2 Fl. 109 10 cronologicamente um outro subseqüente juízo, qual seja o juízo de mérito, no qual é analisada a pretensão recursal. O professor Barbosa Moreira observa que a questão relativa à admissibilidade é, sempre e necessariamente, preliminar à questão de mérito. A apreciação desta fica excluída se àquela se responde em sentido negativo. Os requisitos viabilizadores do exame do mérito recursal são divididos pelo professor Barbosa Moreira em duas categorias: “requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer) e requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercêlo)”. Alinhamse no primeiro grupo o cabimento, a legitimidade para recorrer, o interesse recursal e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. O segundo grupo é composto pela tempestividade, a regularidade formal e o preparo. Temos a consciência de que nem todos os requisitos de admissibilidade devem ser observados no âmbito do processo administrativo. Contudo, ao examinar a possibilidade de seguimento do recurso, o julgador administrativo deve estar atento para alguns dos requisitos, a saber: o interesse recursal, a legitimidade, a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer, a regularidade formal e a tempestividade. Atendidos todos eles, fica permitida a análise do meritum causae. Conforme já relatado, compulsando exaustivamente os autos, em especial a impugnação e a última decisão da Primeira Instância Administrativa, identifico que as únicas matérias que compõem a lide posta nestes autos são as referentes à classificação dos produtos Robenidina, Apramicina, Monensina Sódica, Flavofosfolipol e Salinomicina, baseados em soluções de consultas, e a multa do controle administrativo das importações incidente sobre o valor das mercadorias importadas. Não há na impugnação uma única linha acerca da impossibilidade de aplicação das penalidades elencadas no recurso voluntário, de sorte que entendo que estas matérias não fazem parte do litígio, o que me conduz ao não conhecimento. Assim sendo, não conheço da matéria referente à aplicação da multa de 75% incidente sobre a diferença recolhida a menor do Imposto de Importação, referente à aplicação da multa proporcional de 1% sobre o valor da mercadoria importada por classificação fiscal de mercadoria incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM e da aplicação da multa regulamentar sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada por erro de classificação da mercadoria, por não constarem na peça inaugural do presente litígio. Quanto às matérias referentes à classificação de mercadoria e à multa do controle administrativo das importações incidente sobre o valor das mercadorias importadas, identifico os demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, delas tomo conhecimento e passo a apreciar. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Como já mencionado, as classificações dos produtos Robenidina, Apramicina, Monensina Sódica, Flavofosfolipol e Salinomicina foram objeto de consulta efetuada pelo recorrente à 8ª Região Fiscal que definiu a posição no código NCM 2309.90.90. Produto Processo nº Solução de Consulta nº Fl. 623DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.007837/200512 Acórdão n.º 3402002.600 S3C4T2 Fl. 110 11 Robenidina 13811.006644/200360 014 de 13 de abril de 2005; Apramicina 13811.006645/200312 015 de 13 de abril de 2005; Monensina Sódica 13811.006644/200360 016 de 13 de abril de 2005; Flavofosfolipol 13811.006644/200360 017 de 13 de abril de 2005; Salinomicina 13811.006644/200360 018 de 13 de abril de 2005. Surge, então, o problema, qual seja; É de observância obrigatória a solução de consulta provocada pelo sujeito passivo? Para o sujeito passivo, não resta dúvida. A questão é se o CARF tem a obrigação de observar a dita regra ou se pode produzir decisões para o consulente de forma contrária a solução dada pela Administração Tributária. Reproduzo partes do livro do Professor Marcos Vinicius Neder e da Conselheira Maria Teresa Martinez López sobre o tema “Consulta”: Diante do emaranhado de leis, medidas provisórias, decretos, instruções normativas etc., os obrigados à observância da Legislação tributária, muitas vezes, encontramse na situação de não saber como proceder, sendo comum a busca de soluções na Administração Pública mediante o instituto da consulta. A consulta, formulada por escrito é, portanto, o instrumento que o interessado possui para dirimir dúvidas quanto à aplicação de determinado dispositivo da legislação tributária em uma situação concreta relacionada com sua atividade. Com efeito, o contribuinte tem interesse em conhecer qual é o ponto de vista das Administração sobre a aplicação da norma vigente a um caso concreto, sobretudo se o preceito for obscuro, duvidoso ou complexo. A interpretação oficial emanada do órgão competente do Fisco pode ser decisiva na organização dos negócios por parte do contribuinte solicitante da informação, já que a resposta a uma consulta tem caráter vinculante para os órgãos fazendários, e a atuação do contribuinte segundo essa orientação o exime, em princípio, de toda responsabilidade. Na verdade, é benéfico para ambos os pólos da relação jurídico tributária a existência de um sistema de informações que obrigue a Administração a se pronunciar sobre questões formuladas pelos administrados, pois a prévia definição da interpretação de determinada norma tributária permite harmonizar interesses igualmente relevantes: o primeiro, proveniente dos órgãos fazendários que desejam rápido ingresso de receita sem se defrontarem com grande resistência dos devedores; o segundo, da parte dos contribuintes que almejam atuar em terreno seguro que afaste a surpresa de interpretações desconhecidas por eles. Para Geraldo Ataliba, o Direito é, por excelência, instrumento da segurança jurídica, é o que assegura ao governante e governados seus direitos e deveres recíprocos, tornando viável a vida social. E haverá mais segurança jurídica onde exista uma Fl. 624DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.007837/200512 Acórdão n.º 3402002.600 S3C4T2 Fl. 111 12 rigorosa delimitação das esferas jurídicas e sobretudo quando ocorra no Direito público. A incerteza sobre a correta aplicação da norma tributária gera efeitos perniciosos ao equilíbrio das relações econômicas de um país, pois estas normas veiculam preceitos regulatórios de massa que afetam e condicionam a atividade econômica global de todos os cidadãos.(...) A contribuição do ato administrativo que responde a consulta é, portanto, dar transparência ao atuar da Administração e guiar o intérprete na busca das soluções para os casos concretos. Consultar tem, assim, o sentido de buscar orientação de quem possui conhecimentos sobre a norma consultada. (...) Segundo Valdir Rocha, “ a decisão definitiva da Administração, à consulta fiscal, produz um efeito preclusivo ou irretratabilidade para o FiscoAdministração. A definitividade da resposta não significa imodificabilidade, mas a modificação, anulação(desfazimento do ato administrativo por razões de ilegalidade) só opera para o futuro. A anulação da resposta, que põe outra decisão no lugar da anulada, deve ser motivada.” (...) Ressaltese, ainda, que a Administração está vinculada a observar a decisão dada à consulta apresentada pelo consulente, já que expressa a sua interpretação, mas o consulente não fica obrigado a observála, porque, se entender que a resposta dada lesa ou ameaça seu direito, sempre poderá ver a posição apreciada pelo Poder Judiciário. Na linha do texto acima, a solução de consulta tem o objetivo de pacificar a relação Administração/administrado quanto a interpretação de normas jurídicotributária. Ao analisarmos o Decreto nº 70.235/72, identificaremos que ele é composto por quatro capítulos, a saber: capítulo I referese ao processo fiscal, capítulo II ao processo de consulta, capítulo III às nulidades e capítulo IV referente às disposições finais e transitórias. No capítulo referente ao processo de consulta, consta todo o procedimento a ser adotado pelo sujeito passivo e pela administração pública. Chamo atenção para o art. 54 que define as competências de julgamento em primeira e segunda instâncias e define que terá instância única as consultas relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal e formuladas sobre classificação fiscal de mercadorias, formuladas pelos órgãos centrais da administração pública e por entidades representativas de categorias econômicas ou profissionais, de âmbito nacional. Resta evidente que os procedimentos do processo administrativo fiscal e do processo de consulta não se cruzam, não cabendo, portanto, criar um recurso, por via obliqua, para discutir o teor da consulta feita pelo sujeito passivo. Assim sendo, não vejo com bons olhos a possibilidade de o sujeito passivo provocar uma consulta, obter resposta da Administração e manter sua conduta de forma diversa Fl. 625DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.007837/200512 Acórdão n.º 3402002.600 S3C4T2 Fl. 112 13 da solução apresentada. De certa maneira, ao inaugurar o litígio por transgressão à interpretação de consulta por ele formulada, o sujeito passivo está criando, de modo transverso, uma forma de revisar à consulta, forma esta não prevista na legislação. A consulta feita à administração pública sobre interpretação de leis ou atos administrativos não é de exclusividade da administração tributária. É comum depararmos com consultas realizadas por prestadores de serviços públicos às Agências Reguladoras sobre casos concretos e a devida subsunção da norma jurídica. As soluções proferidas pelas Agências são utilizadas, constantemente, como razões recursais neste Tribunal Administrativo. E, nesses casos, as Turmas não discutem o mérito do parecer, apenas o aplicam. Gostaria de entender o porquê de ventilar um tratamento diferenciado às soluções de consultas proferidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, se é desse órgão a competência para oferecer ao administrado a interpretação da Administração Tributária sobre o caso concreto. Na linha do entendimento fixado, adoto a classificação já exarada pelo Órgão responsável pela interpretação da legislação tributária e mantenho o código 2309.90.90 para os produtos Robenidina, Apramicina, Monensina Sódica, Flavofosfolipol e Salinomicina. MULTA DO CONTROLE ADUANEIRO Quanto à multa do controle administrativo das importações, não havia nos autos documentos que comprovasse a necessidade de licenciamento. Diante deste quadro, os autos retornaram à Unidade de Origem para que essa informação fosse aduzida ao processo. A Equipe de Fiscalização Aduaneira da Delegacia Especial da RFB de Comércio Exterior – DELEX – informou que as importações realizadas pela recorrente estavam sujeitas ao licenciamento não automático, caso houvesse sido apontada a NCM correta quando do registro das DI. Pelas assertivas feitas, entendo que não há reparos a fazer na decisão de primeira instância. O texto descreve com exatidão os fundamentos jurídicos (premissa menor) e os fundamentos legais (premissa maior) e faz a subsunção dos fatos à conduta típica de forma didática e com bastante clareza. Assim, mantenho a decisão a quo pelos próprios fundamentos, que peço vênia para reproduzilos e utilizálos como razão de decidir, verbis: A tipificação está perfeitamente enquadrada no caso presente, ou seja, foi aplicada a referida penalidade, por estarmos diante de uma mercadoria importada ao desamparo de uma licença de importação, como estabelece a legislação. O Sistema Administrativo das Importações Brasileiras encontravase disciplinado pelas portarias que definem as situações onde as operações estarão sujeitas a Licenciamento de Importação, a ser emitido pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Estão previstas as seguintes situações: 1. importações sujeitas a licenciamento automático; e Fl. 626DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.007837/200512 Acórdão n.º 3402002.600 S3C4T2 Fl. 113 14 2. importações sujeitas a licenciamento não automático. No caso de importação sujeita a licenciamento, a obtenção da licença deveria ocorrer previamente ao embarque da mercadoria ou ao registro da declaração de importação, conforme previsto em legislação específica. O pedido de Licença de Importação (LI), a ser vinculado a DI ou de Licença Simplificada de Importação (LSI), a ser vinculada a DSI, deveria ser registrado no Siscomex, recebendo a numeração específica e ficando disponível para análise pelo(s) órgão(s) anuente(s). Deferida a licença de importação, considerase que foram cumpridas as formalidades previstas na legislação específica expedida pelos órgãos anuentes. A propósito estabelecia a Portaria nº 21/96, de competência da Secex, do MDIC, tendo em vista a implementação das operações de importação no Sistema Integrado de Comércio ExteriorSiscomex: “Art.7º O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do Siscomex: §1º As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento... §2º As informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. Art.8º Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. PORTARIA MF/MICT nº. 291, de 12 /12 /1996 (DOU de 13/12/1996) ANEXO II “18 Descrição detalhada da mercadoria Descrição completa da mercadoria de modo a permitir sua perfeita identificação e caracterização.” Dos dispositivos legais transcritos, constatase que, quando do licenciamento das mercadorias objeto do presente processo, a legislação vigente dispunha que todas as importações estavam sujeitas a licenciamento automático ou não automático. Portanto, a licença, automática ou não automática, era concedida para a importação do produto nela declarado. Se a descrição do produto realizada na licença não retrata Fl. 627DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.007837/200512 Acórdão n.º 3402002.600 S3C4T2 Fl. 114 15 exatamente o produto que foi efetivamente importado, então este se encontra desamparado de licença de importação. A dispensa de licenciamento prevista na Portaria SECEX nº 14/2004, referida pela impugnante, foi introduzida na legislação aduaneira pela Portaria SECEX nº 17/2003, DOU de 02/12/03, posteriormente a ocorrência dos fatos sob exame. Dispõe o art. 144 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66) que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Quando da importação em questão, vigia a Portaria SECEX nº 21/96, que previa apenas dois tipos de licenciamento: o automático e o não automático. Portanto, a correta identificação da mercadoria, feita por meio de análise laboratorial, passou a exigir uma nova licença de importação, porque a licença obtida, ainda que automática, amparava a mercadoria que se encontrava nela descrita, mas não o produto que foi efetivamente importado. Por sua vez, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12, de 1997, orienta a não aplicação da multa por falta de guia de importação nos seguintes termos: “que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante”. Ocorre que o importador nas Declarações de Importação relacionadas no auto de infração, não informou que os produtos se tratavam de preparação, o que induziu a fiscalização em erro. Assim a autuação foi baseada no fato de que as mercadorias não foram descritas na DI de forma a permitir a sua identificação e caracterização a fim de poder melhor identificar e classificar na TEC/NCM, como determina a legislação de regência. Como as declarações no Siscomex equivalem à licença de importação (art.6º, §1º do Decreto nº 660/92), e em decorrência da mercadoria descrita na DI, terem implicado em licença de importação distinta, cabível a aplicação da multa prevista no inciso II, do art.169 do DecretoLei nº 37/66, alterado pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, vigente à época, do seguinte teor: “Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Artigo com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18/09/1978) Fl. 628DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.007837/200512 Acórdão n.º 3402002.600 S3C4T2 Fl. 115 16 I – importar mercadorias do exterior: a) (omissis); b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria.” Regulamentada pelo art. 633 do Decreto nº 4.543, de 2002 Regulamento Aduaneiro: “Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas: I (omissis); II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente...” Aliás, o Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 2002), ainda dispõe no seu art. 490 que: “A importação de mercadoria está sujeita, na forma da legislação específica, a licenciamento, que ocorrerá de forma automática ou não automática, por meio do Siscomex.” Como se infere, essa norma é de controle administrativo de competência da Secex e, no seu descumprimento foram estabelecidos dispositivos tipificadores das infrações e as respectivas penalidades, como no caso presente, o do art.169, inciso I, alínea ‘b’ do Decretolei nº 37/66, alterado pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, regulamentado pelo art. 633 do Decreto nº 4.543, de 2002, Regulamento Aduaneiro. A Secex realiza o controle administrativo das importações tendo como fonte de informações as operações de importação declaradas no Siscomex, marco inicial para o licenciamento das mercadorias. A falta da correta informação inviabilizou o controle prévio e o adequado deferimento de licenciamento, pois as mercadorias foram declaradas com outra conotação, desconhecendo a Secex a ocorrência da verdadeira importação. Na prática, isto tem a seguinte repercussão : Não se trata de produto corretamente descrito. Inaplicável o Ato Declaratório Cosit nº 12/97. Forte nestes argumentos, não conheço da matéria referente à aplicação da multa de 75% incidente sobre a diferença recolhida a menor do Imposto de Importação, referente à aplicação da multa proporcional de 1% sobre o valor da mercadoria importada por classificação fiscal de mercadoria incorreta e da aplicação da multa regulamentar sobre o valor Fl. 629DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.007837/200512 Acórdão n.º 3402002.600 S3C4T2 Fl. 116 17 aduaneiro da mercadoria importada por erro de classificação da mercadoria, por não constarem na peça inaugural do presente litígio. Na parte conhecida, nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, 28/01/2015 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 630DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
