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Numero do processo: 15885.000158/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/01/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE IMPUGNAÇÃO INSTÂNCIA A QUO.
Conforme explicita o Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo administrativo tributário, em seu art. 56 e § 2.º, a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento. No presente caso, a preliminar de tempestividade foi suscitada nas razões do recurso voluntário, situação em que é cabível o julgamento da tempestividade argüida.
Numero da decisão: 2401-005.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/01/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE IMPUGNAÇÃO INSTÂNCIA A QUO. Conforme explicita o Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo administrativo tributário, em seu art. 56 e § 2.º, a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento. No presente caso, a preliminar de tempestividade foi suscitada nas razões do recurso voluntário, situação em que é cabível o julgamento da tempestividade argüida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 5. 00 01 58 /2 00 9- 95 Fl. 449DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 15885.000158/200995 Acórdão n.º 2401005.183 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) debcad nº 37.080.9017, que constitui o crédito relativo às contribuições sociais relativas à parte da empresa (patronal) e dos segurados (não descontada), e à parte destinada às outras entidades fundos (terceiros), incidentes sobre remunerações pagas a empregados e contribuintes individuais, a segurados caracterizados como empregados, e ainda sobre salário de contribuição aferido na construção civil (CUB – Custo Unitário Básico), perfazendo, inicialmente, o montante de R$ 1.743.288,69 (incluindo multa e juros vide fl. 04), abrangendo o período de 07/1998 a 01/2007. Consoante o Relatório Fiscal (fls. 42/49), apuraramse os fatos geradores a partir de remunerações de mão de obra empregada na execução de obras de construção civil ( conjuntos habitacionais), contratadas por mutuários ( com recursos próprios) com a autuada SAT ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA., sob a forma de empreitada total. Analisaramse folhas de pagamento, recibos, notas fiscais, relatórios financeiros, folhas de pagamento de obras, rescisões trabalhistas, GFIP´s e outros documentos, além de ter havido caracterização de segurados a partir da constatação dos requisitos legais. Impende salientar que ainda foram analisados documentos apreendidos judicialmente, nos autos do processo nº 2003.61.08.0126184 da 3.ª Vara Federal de BauruSP. Os valores apurados estão demonstrados, por estabelecimento, em diversos relatórios, conforme recibo de arquivos entregues ao contribuinte (fls. 36/38), fazendose referência ainda ao relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD), e à emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) Ressaltese ainda que foram anexadas cópias de: consultas processuais judiciais, especialmente decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) em apelação (fls. 74/76) no processo nº 2007.61.08.0042401, datada de 11/03/2011 que trata de Medida Cautelar cujo objeto era a devolução de todos os documentos apreendidos e ainda retidos pela fiscalização , procuração, contrato social e alterações, dentre outros. Consta despacho de 25/08/2011, da SACAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em BauruSP, às fls. 88/89, dando notícia de que: a) na apelação, o Tribunal decidiu que o prazo para interposição de defesa administrativa tivesse início a partir da data de conclusão do procedimento de devolução do material apreendido ou da data da intimação daquela decisão, o que ocorresse por último; b) a fiscalização informou que todos os documentos foram devolvidos; c) a data de da intimação da decisão do TRF3 nos autos nº 2007.61.08.0042401 ocorreu em 28/03/2011, não havendo registro, no sistema de protocolo de documentos e processos (Cdoc e Comprot), de interposição de recurso administrativo até a presente data; e, por fim; Fl. 451DF CARF MF 4 d) sugeriu a aplicação da Súmula Vinculante n.º 8 do Supremo Tribunal Federal (STF), com posterior cobrança do crédito remanescente. Diante do acima exposto, consta às fls. 92/94 Despacho Decisório (DD) reconhecendo parcialmente a decadência, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF e Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, pelo que, com base no art. 150 e § 4º do CTN, foram excluídas as competências de 08/1998 a 03/2002. assim, foi emitido o Discriminativo Analítico do Débito Retificado (DADR) fls. 95/109, remanescendo o crédito em R$ 1.604.142,49, corrigidos até 19/04/2007. Nessa esteira dos acontecimentos, por intermédio de Despacho (DD) a empresa foi intimada a regularizar o débito (quitar ou parcelar) no prazo legal de cobrança administrativa, em 29/10/2011, conforme se verifica às fls. 114/115. Inconformada, a empresa autuada, apresenta IMPUGNAÇÃO em 22/12/2011, às fls. 116/154, alegando em síntese: a) em sede preliminar – a tempestividade da defesa administrativa tendo em vista que, nos termos do acórdão na ação judicial n.º 2007.61.08.0042401, o prazo para interposição da defesa iniciase a partir da efetiva entrega da documentação apreendida ou da data da intimação da decisão prolatada. Como não foram devolvidos todos os documentos apreendidos – em especial as DISO –, as quais seriam imprescindíveis para a defesa do contribuinte, alega que não iniciou o prazo para defesa. que a presente impugnação/manifestação é feita por cautela, para não se ver imputada de omissa ou inerte em sua defesa administrativa, apesar da não entrega das DISO à impugnante. No mérito alega que: a contribuição do SAT/RAT está com a exigibilidade suspensa. que os embargos de declaração na ação judicial nº 2007.61.08.0042401 impõem efeito suspensivo em sua decisão. que a fiscalização realizada foi irregular e precária, devendo ser anulada. que não foram devolvidas as DISO à empresa, impossibilitando a verificação dos dados apurados e lançados pela fiscalização. que foi irregular o procedimento e critérios de cálculo dos valores devidos por aferição indireta, para as obras que relaciona; que é indevida a inclusão dos sócios da empresa como solidários, no pólo passivo da execução fiscal. que é indevida a imposição de multa superior a 20%. que deve ser cancelada a NFLD. que deve ser permitida a juntada posterior de documentos. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 15885.000158/200995 Acórdão n.º 2401005.183 S2C4T1 Fl. 4 5 Assim, às fls. 182/183 consta despacho da DRF/BAURU/SACAT, de 30/01/2012, informando que em relação ao Acórdão proferido pelo TRF3 no processo nº 2007.61.08.0042401, entende que: a) o procedimento de devolução dos documentos apreendidos foi concluído em 23/09/2009, tendo o sujeito passivo recebido em 07/10/2009 a comunicação da devolução mencionada; e b) a data de intimação dessa decisão ocorreu o dia 28/03/2011. Ato contínuo, os presentes autos são encaminhados ao setor de fiscalização, para apreciação das alegações da autuada, e para ratificar ou retificar as informações quanto à devolução dos documentos apreendidos. Em resposta, consta a Informação Fiscal de fls. 186/187, de 29/02/2012, informando que as alegações acerca da não devolução de todos os documentos já haviam sido feitas no processo judicial, e ali respondidas, atendendo ao ofício da Procuradoria (PRFN). Em síntese, transcreve a Informação Fiscal da época (05/11/2009), segundo a qual “não consta relacionadas nas atas de abertura de todas as caixas objeto de apreensão judicial a descrição DISO’S de obras”. Em anexo, consta o Ofício 75/2009 PRFN/SP, a Informação Fiscal da época e todos os elementos comprobatórios relativos à apreensão e à devolução dos documentos (vide fls.188/367). Por fim, consta despacho de encaminhamento do processo à DRJ, ante as alegações do sujeito passivo quanto à tempestividade da impugnação, pela suposta falta de devolução das DISO. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1447.708 7ª Turma da DRJ/RPO, às fls. 375/381, não conhecendo da Impugnação oposta, em face de sua intempestividade. Recordese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/01/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. PRAZO LEGAL. TERMO DE INÍCIO. ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. EFEITOS. A impugnação deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser impugnado. A defesa apresentada fora do prazo legal estipulado somente instaura a fase litigiosa se for suscitada a sua tempestividade, observandose que a negativa de seu acolhimento afasta a apreciação das demais questões argüidas. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Fl. 453DF CARF MF 6 O prazo de intimação do resultado do julgamento começou a fluir em 19/08/2014, nos termos do Edital nº 09/2014/DRF/BAU/SACAT às fls. 399, tendo em vista que foram restituídos três vezes os AR´s não cumpridos, constantes das fls. 385/388 de 04/06/2014; fls. 390/393 de 11/06/2014 e fls. 395/398 de 17/07/2014, respectivamente. Assim, após conhecimento, inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário tempestivo às fls. 404/439, em 17/09/2014, reprisando os mesmos argumentos já lançados em sua peça de impugnação, inclusive no mérito, e reiterando a preliminar de tempestividade aos argumentos a seguir expostos: Fl. 454DF CARF MF Processo nº 15885.000158/200995 Acórdão n.º 2401005.183 S2C4T1 Fl. 5 7 Após, ratifica toda a alegação de mérito, embora, ressaltese, que a matéria submetida para análise perante este E. CARF, referese somente à preliminar de arguição da tempestividade. Por fim, repisa a necessidade de aplicação da Súmula nº 8 do STF, para ver reconhecida a total improcedência de todos os lançamentos das contribuições realizadas anteriormente a março de 2002, ou seja, anterior a cinco anos, conforme descrito no CTN, uma vez que ocorreu nas presente competências pagamento de valores à Secretaria Previdenciária, podendo ser facilmente constatado pela NFLD e pelo sistema. É o relatório. Fl. 455DF CARF MF 8 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O prazo de intimação do resultado do julgamento começou a fluir em 19/08/2014, nos termos do Edital nº 09/2014/DRF/BAU/SACAT às fls. 399, e o Recorrente apresentou seu recurso voluntário em 17/09/2014. Assim, CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1 TEMPESTIVIDADE O Recorrente alega em suas razões recursais que a impugnação apresentada às fls. 116/154 é tempestiva, tendo em vista que, de acordo com o Acórdão do processo judicial nº 2007.61.08.0042401, o início do prazo para interposição da defesa contarseia a partir da efetiva entrega de documentação apreendida ou da data da intimação da decisão prolatada. Como não teriam sido devolvidos todos os documentos apreendidos – em especial as DISO – ,reputadas imprescindíveis para a defesa do contribuinte, não teria se encerrado, ainda, o prazo para impugnação. Em que pese os argumentos de defesa apresentados, os mesmos não podem prosperar, conforme restará demonstrado a seguir: Conforme amplamente esclarecido no v. Acórdão a quo (fls. 375/381), o termo inicial para apresentação da defesa administrativa, conforme r.decisão proferida nos autos do processo nº 2007.61.08.0042401 – Medida Cautelar do TRF da 3ª Região, restou definido como sendo a data de conclusão do procedimento de devolução do material apreendido ou a data da intimação daquela decisão, o que ocorresse por último. Nesse diapasão, em que pese a ciência da NFLD ter ocorrido em 27/04/2007, em face da decisão judicial supramencionada, o desdobramento visando a devolução dos documentos apreendidos pela fiscalização – postergou tal início, já que o procedimento de devolução dos documentos apreendidos foi encerrado em 23/09/2009, com ciência à interessada em 07/10/2009, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fls. 78/80. Também foi informado desse encerramento o Juízo pertinente, em 05/01/2010, conforme Ofício de fls. 81/82. Nessa mesma esteira dos acontecimentos, a data de intimação da decisão do TRF3 nos autos n.º 2007.61.08.0042401 ocorreu em 28/03/2011, conforme atestado às fls. 88/89; assim, este foi considerado o marco inicial para a interposição de defesa administrativa relativa à NFLD lavrada. Notese ainda que em relação às alegações da autuada de que não houve devolução da totalidade dos documentos apreendidos, em especial as DISO, necessárias para promover sua defesa, as mesmas também não podem prosperar, senão vejamos:. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 15885.000158/200995 Acórdão n.º 2401005.183 S2C4T1 Fl. 6 9 A Informação Fiscal de fls. 186/187 e seguintes, reportandose ao ocorrido na época, vem esclarecer a questão. De acordo com tais expedientes e anexos comprobatórios, não constava a descrição de DISOs nas atas de aberturas de todas as caixas de documentos apreendidos. Ou seja, não se registrou DISO`s nos "termos de comparecimento e abertura de volumes” ou em “atas de devolução e retenção de volumes”, os quais discriminam o conteúdo das caixas. Destacase que os trabalhos de abertura, triagem e posterior devolução do material apreendido foram notificados à empresa e acompanhados por seus representantes, devidamente habilitados, mediante procurações, conforme se depreende do contido nos presentes autos, incluindo “listas de comparecimento para a retirada da documentação apreendida”, e planilhas de “controles da retirada das caixas e documentos apreendidos”, todas rubricadas por representantes da empresa. Somase ainda que naquela Informação Fiscal já era consignada a improcedência das alegações de cerceamento de defesa, haja vista não constar no material relacionado nenhuma DISO de obra; além do registro de que todos os documentos foram devolvidos à empresa, sejam os originais, sejam as cópias daqueles que ficaram retidos. Em síntese, quanto ao aspecto da devolução, resta claro que foram efetivamente devolvidos todos os documentos da empresa, com regular finalização do procedimento de devolução, e que não havia DISO`s integrando o rol dos referidos documentos, afastandose, assim, qualquer possibilidade de prejuízo procedimental ou cerceamento de defesa para o Contribuinte. Dessa feita, diante dos fatos acima articulados e com fulcro nos artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72 (DOU de 07/03/1972), a impugnação deveria ter sido apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias da data de intimação da exigência iniciando em 28/03/2011 e terminando em 27/04/2011, instaurandose assim a fase litigiosa do procedimento, o que de fato não ocorreu, já que a petição apresentada pela empresa, a pretexto de IMPUGNAÇÃO, foi protocolizada somente em 22/12/2011, ou seja, muito depois do prazo legal supracitado; concluindose – de forma inequívoca – pela sua intempestividade. Conforme explicita o Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo administrativo tributário, em seu art. 56 e § 2.º, a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, exceto se a preliminar de tempestividade for suscitada, situação em que será cabível o julgamento da tempestividade da impugnação argüida pelo Impugnante, in verbis: Art.56. (omissis) (...) §2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. (grifos nossos) Fl. 457DF CARF MF 10 Razão pela qual não merece reforma o v. Acórdão recorrido, bem como a presente decisão também limitarseá a julgar a preliminar de tempestividade da impugnação apresentada, a qual, assim como na 1ª instância, deve ser rejeitada, haja vista a absoluta extemporaneidade da peça impugnatória. Nessa esteira de entendimento, deixase de apreciar as demais matérias tratadas no recurso voluntário, para as quais não se instaurou a fase litigiosa do procedimento. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume o v. Acórdão proferido pela instância a quo. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 458DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.906044/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA.
A prova por excelência do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a respaldam, não se prestando a tal finalidade exclusivamente as declarações prestadas à RFB, mormente quando as informações nelas indicadas não são convergentes entre si.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA. A prova por excelência do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a respaldam, não se prestando a tal finalidade exclusivamente as declarações prestadas à RFB, mormente quando as informações nelas indicadas não são convergentes entre si. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 60 44 /2 01 3- 41Fl. 219DF CARF MF 2 Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 21564.87505.250309.1.3.041115, cujo fundamento foi a insuficiência de crédito disponível para a compensação realizada. Em manifestação de inconformidade o contribuinte aduziu que houve um erro no preenchimento da DCTF original, o que já fora sanado com a apresentação de declaração retificadora, sendo juntadas cópias do PER/DCOMP e DCTF para comprovação das alegações. A DRJ Juiz de Fora/MG julgou a manifestação improcedente, em decisão assim ementada: “COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.” O recurso voluntário sustentou recolhimento a maior de COFINS, consoante demonstravam o DACON transmitido e planilhas anexas à peça; que a não homologação da compensação decorreu de um equívoco no preenchimento da DCTF; que teria direito à retificação da declaração apresentada; que o princípio da verdade material não foi observado; que não houve análise dos documentos apresentados e sequer houve intimação do contribuinte para apresentação dos documentos contábeis para comprovação do indébito; que a simples divergência da DCTF não é motivo suficiente para não reconhecimento do crédito; e, que a compensação é forma de extinção do crédito tributário. Na oportunidade foram juntados, além das declarações, DARF, despacho decisório e planilha analítica da apuração do tributo. É o relatório. Voto Fl. 220DF CARF MF Processo nº 11080.906044/201341 Acórdão n.º 3401004.310 S3C4T1 Fl. 11 3 Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. O tema a ser enfrentado pelo colegiado, nessa assentada, reside basicamente na possibilidade de se admitir o reconhecimento de indébito tributário a partir da retificação de declarações apresentadas pelo sujeito passivo. Nesse diapasão, o recorrente alegou que a compensação não foi homologada simplesmente por equívoco no preenchimento da DCTF, o que fora saneado em 26/09/2013, com a transmissão de declaração retificadora, não havendo razão para exigência de documentos contábeis que demonstrassem a apuração do tributo, o que seria possível pela simples análise das declarações apresentadas (DCTF retificadora e DACON), devendo prevalecer a busca pela verdade material, princípio regente do processo administrativo fiscal. Ocorre que a DCTF retificadora apenas foi entregue após ciência do despacho decisório de não homologação da compensação, como se verifica do aviso postal de efl. 108, sendo aludido ato administrativo emitido em 04/09/2013, com ciência em 13/09/2013 e a indigitada retificação promovida apenas em 26/09/2013, portanto, não deflagrando os efeitos que lhe são inerentes, conforme preceitua o art. 9º da IN SRF 1.110/2010, então vigente: “Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, Fl. 221DF CARF MF 4 já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1177, de 25 de julho de 2011)” (destacado) Então, distintamente do que aduz o recorrente, a retificação de declarações prestadas não é livre e demanda prova inequívoca dos erros de fato alegados, não bastando a tal desiderato a simples remissão ao exame de dados consubstanciados em outras declarações de apresentação obrigatória. É certo que as declarações prestadas pelo contribuinte gozam de presunção de idoneidade e veracidade, porém, dita presunção não é absoluta, mas relativa, de maneira que havendo incongruência entre os dados delas constantes, apontados pelo próprio contribuinte, caberia a demonstração, a partir de elementos contábeis, de qual destas informações é a verídica. Além da previsão normativa, a decisão recorrida deixou vincada essa condição para reconhecimento do indébito, verbis: “Assim, cabe à manifestante a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original apresentada antes da Dcomp e que o valor efetivamente devido é o alegado por ela e/ou aquele declarado na DCTF retificadora (entregue após a transmissão da Dcomp). Em situações tais como a analisada, o crédito pretendido poderia ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde. Outrossim, de acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplicase ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Esse Decreto, com força de Lei, determina em seu art. 16 que a impugnação (manifestação de inconformidade) ‘mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir’. No mesmo sentido, a Lei n.º 9.784/99, de aplicação subsidiária ao rito processual do Decreto n.º 70.235/72, Fl. 222DF CARF MF Processo nº 11080.906044/201341 Acórdão n.º 3401004.310 S3C4T1 Fl. 12 5 estabelece, em seu art. 36, que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, em consonância, ainda, com o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil (CPC), que afirma que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Com efeito, cumpre elucidar ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil (CC), para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente dos assentamentos contábeis/fiscais do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, como prova a mera apresentação de DCTF retificadora.” Nesse sentido, a decisão de primeiro grau não merece qualquer reparo, eis que, em hipóteses como esta – divergência entre declarações –, apenas a contabilidade do sujeito passivo se sobrepõe às declarações firmadas, porquanto a legislação comercial e civil (e. g. art. 226 do Código Civil, art. 195 do Código Tributário Nacional e arts. 56 e ss da Lei nº 4.502/64) lhe conferem expressamente esta força probante, de modo que caberia sua apresentação para contraposição às declarações aviadas. Nesse ponto o debate passa à distribuição do ônus probatório, que, como bem pontuado pela decisão reclamada, uma vez envolvida restituição de tributo pago a maior c/c compensação de débitos, é exclusivamente do contribuinte, à luz do art. 333, I do Código de Processo Civil, à época vigente, e art. 36 da Lei nº 9.784/99. Destarte, consoante aludidos dispositivos, cabe ao autor a prova do fato constitutivo de seu direito, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento, atribuise ao sujeito passivo, que é o titular do direito, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário este encargo cabe ao sujeito ativo, o Estado, representado pela Fazenda Nacional. Nestes autos, a incumbência da prova então caberia ao ora recorrente, que não se desvencilhou de produzila, sendo insuficiente, como dito, a remissão às declarações, justamente porque as informações são díspares. Por outro lado, o protesto pela observância do princípio da verdade material é claramente retórico, pois, como destacado alhures, o ônus da prova é do próprio recorrente, único capaz de provar o recolhimento indevido de tributo, a partir de elementos de sua contabilidade, o que não fez em momento processual algum. Aliás, a produção da prova não é um dever das partes, mas simplesmente uma oportunidade, de maneira que não se desincumbir desse compromisso implica em arcar com as conseqüências decorrentes, no caso dos autos, o não acolhimento do pleito. Fl. 223DF CARF MF 6 Outrossim, a realização de diligência não deve ter por móvel a produção de prova, seja em favor do Fisco, seja em favor do sujeito passivo, mas apenas se destinando a esclarecimento de dúvidas fáticas dos julgadores, a seu livre alvedrio. De outra banda, soa vazia a reclamação de ausência de intimação para apresentação de documentos contábeis comprobatórios do direito, pois, mesmo diante da colocação expressa do julgador a quo da necessidade desse acervo probatório, o recorrente se limitou a apresentar DACON, DARF, DCTF e uma planilha analítica de apuração, sem qualquer outro elemento, o que, como já registrado, não é suficiente à pretensão recursal. Especificamente quando à sobredita planilha, em que pese a demonstração da composição minuciosa da apuração do tributo, não consubstancia um documento contábil hábil e bastante para comprovar o recolhimento a maior. Acentuo que o demonstrativo parece evidenciar as rubricas de créditos que originaram o suposto indébito, como “Serv. Desenvolv. e Manutenção de Sistemas Com.”, CCEAR 4LEE H 20092016”, “CCEAR 1 LEN H 20092038”, etc. (efls. 197/198), bastando então que o contribuinte informasse a natureza dessas contas e apresentasse, p.e., o Livro Razão com os respectivos lançamentos, o que não aconteceu. Ainda que o Livro Razão não fosse a prova cabal, consubstanciaria um princípio razoável de prova, situação que este colegiado tem se sensibilizado com os argumentos de defesa e, em hipóteses análogas, convertido o julgamento em diligência para coleta de subsídios para o julgamento, não, porém, quando o recurso vem desacompanhado de documentos contábeis e fiscais mínimos, como no caso de simples declarações. Pelo exposto, entendo que a decisão recorrida deve ser integralmente mantida pelos seus próprios fundamentos, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.016279/2002-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/1999
COFINS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. NÃO INCLUSÃO.
Em razão da declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a contribuição para a COFINS deve incidir tão somente sobre as receitas correspondentes ao faturamento da pessoa jurídica, compreendido nesse os valores decorrentes da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da venda de mercadorias e serviços. Portanto, não devem ser incluídas na base de cálculo da COFINS as receitas de variação cambial ativa decorrentes das operações de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/1999 COFINS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. NÃO INCLUSÃO. Em razão da declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a contribuição para a COFINS deve incidir tão somente sobre as receitas correspondentes ao faturamento da pessoa jurídica, compreendido nesse os valores decorrentes da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da venda de mercadorias e serviços. Portanto, não devem ser incluídas na base de cálculo da COFINS as receitas de variação cambial ativa decorrentes das operações de exportação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/1999 COFINS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. NÃO INCLUSÃO. Em razão da declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a contribuição para a COFINS deve incidir tão somente sobre as receitas correspondentes ao faturamento da pessoa jurídica, compreendido nesse os valores decorrentes da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da venda de mercadorias e serviços. Portanto, não devem ser incluídas na base de cálculo da COFINS as receitas de variação cambial ativa decorrentes das operações de exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 62 79 /2 00 2- 65 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10680.016279/200265 Acórdão n.º 9303006.537 CSRFT3 Fl. 293 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte SAMA – SANTA MARTA SIDERURGIA LTDA. (fls. 228 a 231) com fulcro no art. 7º, inciso II e §1º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, vigente à época da sua interposição, buscando a reforma do Acórdão nº 20401.691 (fls. 209 a 219) proferido pela outrora Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 22 de agosto de 2006, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/1999 COFINS. BASE DE CALCULO. LEI Nº 9.718. VARIAÇÕES CAMBIAIS. INCLUSÃO. Consoante disposição legal expressa incluemse na base de calculo da contribuição instituída pela Lei Complementar nº 7/70 as contrapartidas no valor de direitos ou obrigações expressos em moeda estrangeira em decorrência de variação no valor desta em relação à moeda nacional. APLICAÇÃO IMEDIATA DA DECISÃO PLENÁRIA DO STF QUE JULGOU INCONSTITUCIONAL O ALARGAMENTO DA BASE DE CALCULO DO PIS PELA LEI N" 9.718/98. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 49 da Portaria MF IV 147/2007 não obriga os Conselheiros à imediata aplicação de decisões plenárias do STF, a qual somente deve ser feita quando convencido o Conselheiro da exata subsunção dos fatos a decisão aplicanda. Recurso Voluntário Negado O processo tem origem em Auto de Infração lavrado para exigência de crédito tributário de COFINS, juros de mora e multa proporcional de 75% por ter sido verificada a insuficiência de recolhimento. Conforme constatou a Fiscalização, dentre outros aspectos, a não inclusão como receitas das contas de variações monetárias e cambiais ativas, para fins de determinação da base de cálculo da COFINS no período fiscalizado. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10680.016279/200265 Acórdão n.º 9303006.537 CSRFT3 Fl. 294 3 Não resignada, apresentou impugnação, em cujo julgamento foi mantida a exigência fiscal, conforme fundamentos lançados no Acórdão DRJ/BHE nº 5.082, de 29 de dezembro de 2003, sintetizados na seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/1999 Ementa: A partir do período de apuração de fevereiro de 1999, a Cofins incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, nelas se incluindo as advindas de aplicações financeiras, inclusive as variações monetárias ativas e juros ativos, uma vez que inexiste dispositivo legal que possibilite suas exclusões da base de cálculo. Lançamento Procedente Contra referida decisão, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 177 a 180), ao qual foi negado provimento nos termos do Acórdão nº 20401.691 (fls. 209 a 219) proferido pela outrora Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 22 de agosto de 2006, ora recorrido, por ter entendido o Colegiado, em síntese, que devem ser incluídas na base de cálculo da COFINS as variações cambiais ativas decorrentes das exportações, pois o art. 49 da Portaria MF nº 147/07 não obrigava os Conselheiros à imediata aplicação das decisões plenárias do STF. Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 228 a 231), alegando divergência jurisprudencial quanto ao art. 49 da Portaria MF nº 147/07 e a possibilidade de aplicação aos julgamentos administrativos das decisões plenárias definitivas do Supremo Tribunal Federal, como ocorreu com a alteração do conceito de faturamento do art. 3º, §1º da Lei n º 9.718/98. Colacionou como paradigma o acórdão 20181.260. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: (a) a controvérsia travada nos autos referese à exigência de COFINS sobre a variação cambial ativa relacionada com as exportações realizadas pela Contribuinte; (b) referida parcela não se insere no conceito de faturamento; (c) o Plenário do STF julgou inconstitucional o art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, não havendo mais lugar para tributar pelo PIS e pela COFINS valores não abrangidos pelo conceito de faturamento, como ocorre no caso dos autos; e (d) nos termos do art. 49, da Portaria MF nº 147/07, as decisões do Conselho Administrativo ficam vinculadas àquelas proferidas pelo Plenário do STF. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho nº 340000.107, de 20 de março de 2014 (fls. 281 e 282), proferido pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 286 a 289) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10680.016279/200265 Acórdão n.º 9303006.537 CSRFT3 Fl. 295 4 O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/07, vigente à época, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese à possibilidade de aplicação no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS estabelecida no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR. Os fundamentos da decisão foram sintetizados na seguinte ementa, in verbis: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10680.016279/200265 Acórdão n.º 9303006.537 CSRFT3 Fl. 296 5 (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 2711 2008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL 0020802 PP00871 ) (grifouse) Pertinente, ainda, colacionar a ementa de julgado do leading case RE nº 357.950/RS, refletindo a posição predominante na Corte Suprema confirmada em sede de repercussão geral: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) Nessa linha relacional, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham sido afetadas à sistemática da repercussão geral são de observância obrigatória por este órgão administrativo de julgamento, conforme redação do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, atualmente em vigor e que obriga os Conselheiros à sua aplicação: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10680.016279/200265 Acórdão n.º 9303006.537 CSRFT3 Fl. 297 6 b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Frente à declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS estabelecida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, as variações cambiais ativas decorrentes das exportações da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não se caracterizam como receitas, não integrando o faturamento da empresa. Além disso, com a decisão do STF em repercussão geral ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas as receitas financeiras. Por conseguinte, tornase insustentável o argumento de que haveria a tributação da variação cambial ativa, com fulcro no art. 9º da Lei nº 9.718/98, por se tratar de receita financeira. Esta grandeza não integra o faturamento e, portanto, não sofre a incidência da COFINS. O Supremo Tribunal Federal, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 627.815, na sistemática da repercussão geral, decidiu que as receitas de exportação decorrentes de variação cambial não devem ser tributadas pelas contribuições para o PIS e para a COFINS, in verbis: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10680.016279/200265 Acórdão n.º 9303006.537 CSRFT3 Fl. 298 7 impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 627815, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 23/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe192 DIVULG 30092013 PUBLIC 01102013) No mesmo sentido, já decidiu essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ao julgar os processos que receberam os acórdãos de nºs 9303004.181 e 9303005.032. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 298DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.902032/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA
Com a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não se instaura a fase litigiosa do contencioso administrativo fiscal, impedindo-se, assim, a análise do Recurso Voluntário, mesmo que este seja apresentado dentro do prazo de 30 dias, contado do recebimento do acórdão recorrido.
Numero da decisão: 1302-002.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado) e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (Suplente convocado) e Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 20 32 /2 01 2- 24 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10320.902032/201224 Acórdão n.º 1302002.669 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte, Equatorial Soluções SA, ora Recorrente, apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 24941.11828.120810.1.7.042718), com a qual pretendia utilizar um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ para quitar débitos próprios de tributos federais. Contudo, em despacho decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em São Luiz, o crédito indicado no mencionado PER/DCOMP não foi reconhecido e, por consequência, a compensação não foi homologada. O Recorrente foi devidamente intimado do despacho decisório que não homologou a compensação pretendida. Contudo, ao apresentar sua Manifestação de Inconformidade, com as alegações acerca da suposta legitimidade do crédito indicado na PER/DCOMP, o fez após ultrapassados os 30 dias estipulados na legislação em vigor para manejo do recurso administrativo. Desta feita, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP), demonstrando aquela intempestividade, proferiu acórdão, no qual não conheceu do apelo do contribuinte. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Devidamente intimado, o Recorrente apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que o indeferimento do crédito indicado no pedido de compensação só ocorreu por um "erro da administração", uma vez que, pela análise detida das declarações do contribuinte, o direito creditório deveria ser reconhecido. Assim, independentemente da intempestividade da Manifestação de Inconformidade, requereu que o Recurso Voluntário fosse conhecido e provido, para, ao final, ser reconhecido o crédito utilizado para o pagamento de débitos próprios do contribuinte, como indicado no pedido de compensação apresentado. Este é o relatório. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10320.902032/201224 Acórdão n.º 1302002.669 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.668, de 16.03.2018, proferido no julgamento do processo nº 10320.901811/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.668): A questão posta em análise é simples e não demanda maiores divagações. . Como se depreende dos autos, o Recorrente foi intimado do despacho decisório que não homologou o crédito indicado em pedido de compensação no dia 16/11/2012, sendo o dia o 18/12/2012 o último dia para o manejo da Manifestação de Inconformidade. Entretanto, a Manifestação de Inconformidade só foi protocolizada no dia 21/12/2012, ou seja, após extrapolado o prazo de 30 dias estipulado pela legislação para apresentação do referido recurso. Como é sabido, o art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96 (redação dada pela Lei n.º 10.833/2003), determina que, nos casos de pedidos de compensação, em que não houver a homologação pela autoridade fiscal ou que se esta homologação for parcial, o contribuinte deverá apresentar Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias, contados do recebimento do despacho denegatório. Confirase a redação do dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10320.902032/201224 Acórdão n.º 1302002.669 S1C3T2 Fl. 5 4 Por outro lado, o Decreto 70.235/72, assim estipula a forma de contagem dos prazos no âmbito do contencioso administrativo fiscal: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. E mais: o artigo 14 do referido Decreto aduz que a apresentação da Impugnação da exigência fiscal, que, mutatis mutandis, tem a mesma função da Manifestação de Inconformidade, instaura "a fase litigiosa do procedimento". Assim, não restam dúvidas, pela interpretação sistemática do ordenamento, em especial daqueles dispositivos que regem o processo administrativo em âmbito federal, que a não apresentação ou a apresentação fora do prazo previsto em lei de Impugnação/Manifestação de Inconformidade afasta a instauração da fase litigiosa administrativa, tornando, por consequência, a autuação fiscal definitiva (pelo menos em âmbito administrativo). Esta é, inclusive, a orientação do Ato Declaratório Normativo COSIT n.º 15/1996. Vejase: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar No caso em apreço, é incontroverso que o Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade depois de transcorridos 30 dias, contados do recebimento da intimação do Despacho Decisório lavrado pela autoridade fiscal. Assim, é preclusa a matéria apresentada no Recurso Voluntário, uma vez que, repitase, não foi instaurada a fase litigiosa do contencioso administrativo. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem inúmeros julgados nesse sentido. Como exemplo, citase: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Terceira Seção QUARTA CÂMARA SEGUNDA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTÁRIO MATÉRIA: PIS ACÓRDÃO: 3402003.473 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/01/2000 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10320.902032/201224 Acórdão n.º 1302002.669 S1C3T2 Fl. 6 5 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Desta feita, o recurso não deve ser conhecido, uma vez que não atacou em específico a declaração de intempestividade do acórdão recorrido, à luz do que determina os preceitos do art. 17 e 33 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. No presente processo, o Recorrente foi intimado do despacho decisório que não homologou o crédito indicado em pedido de compensação no dia 16/11/2012, sendo o dia o 18/12/2012 o último dia para o manejo da Manifestação de Inconformidade. Entretanto, a Manifestação de Inconformidade só foi protocolizada no dia 21/12/2012, ou seja, após extrapolado o prazo de 30 dias estipulado pela legislação para apresentação do referido recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.924527/2012-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 20/06/2007
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.870
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 20/06/2007 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 20/06/2007 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 45 27 /2 01 2- 69 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.924527/201269 Acórdão n.º 3302004.870 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.341. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.924527/201269 Acórdão n.º 3302004.870 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.924527/201269 Acórdão n.º 3302004.870 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.924527/201269 Acórdão n.º 3302004.870 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.924527/201269 Acórdão n.º 3302004.870 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.903143/2008-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1402-002.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese pedido de perícia ou diligência quando sua realização revelese impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 31 43 /2 00 8- 78 Fl. 25DF CARF MF Processo nº 10983.903143/200878 Acórdão n.º 1402002.946 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, buscando extinguir por compensação de débito próprio. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC – DRF Florianópolis proferiu o Despacho Decisório, o qual não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento arrolado como crédito já teria sido integralmente utilizado. Conseqüentemente, foi promovida a cobrança do débito arrolado na compensação, com os acréscimos legais decorrentes da mora (multa de mora e juros). Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com a autuação, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que foi entregue retificadora da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica referente ao exercício 2003, anocalendário de 2002, e também DCTF retificadora, sendo informados os débitos correspondentes ao exercício. Complementa dizendo que não merece prosperar o entendimento exarado pela autoridade fiscal, posto tratarse de compensação devida e que houve pagamento a maior/indevido. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, entendeu que não há elementos suficientes para concluir que o pagamento arrolado como crédito é maior que o devido, devendo, por isso, ser mantido o que foi decidido através do Despacho Decisório e ser considerada não homologada a compensação. Fundamentou a sua decisão que a recorrente admite que apresentou a DCTF retificadora, somente após a ciência do Despacho Decisório. Portanto, a conclusão a que chegou o Despacho Decisório advém das informações contidas nos sistemas de controle da RFB, que foram prestadas pela própria interessada através da DCTF original. Destarte, é certo, porém, que a retificação da DCTF promovida através da mera apresentação de declaração retificadora, sem a comprovação documental do erro anteriormente cometido, não tem o condão de, de pronto, alterar o débito anteriormente informado e, conseqüentemente, fazer surgir crédito para ser utilizado em compensação. Neste sentido, deve ser levado em conta que a interessada apresentou retificação da DCTF somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação e, ainda, sem a devida comprovação de que o valor do débito anteriormente confessado não é devido, o que seria obrigatório na hipótese ora analisada, dada a perda de espontaneidade. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos: Fl. 26DF CARF MF Processo nº 10983.903143/200878 Acórdão n.º 1402002.946 S1C4T2 Fl. 4 3 O art. 1º da IN nº 166/99 reconhece a possibilidade de restituição e/ou compensação de tributos a partir da DIPJ retificadora, sem condicionar a necessidade de DCTF retificadora; Os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade, sendo ônus da fiscalização solicitar documentos, nos termos do art. 9º, caput, do Decreto nº 70.235/72; A apresentação da DCTF retificadora apresentada após o início do MPF não constituiria motivo por si só para indeferimento do pedido de restituição; Aplicarseia a verdade material, pois um erro material no envio da DCTF retificadora não poderia prevalecer sobre o direito do crédito, este decorrente de pagamento indevidamente efetuado, e informado na DIPJ. Cita alguns acórdãos e ementas pertinentes para corroborar seu raciocínio; Se houvesse dúvida, poderia ser convertido o julgamento em diligência, para análise do direito creditório e da compensação; Dispõe posteriormente sobre a formalidade moderada e da verdade material que regem o processo administrativo fiscal para justificar a apresentação da DIPJ e demais documentos que demonstram o direito ao crédito; Disto pede que seja julgado procedente o presente recurso, e alternativamente, seja determinada a conversão em diligência para apuração da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.926, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.901701/200941. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.926): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pela recorrente, para apuração da compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de Fl. 27DF CARF MF Processo nº 10983.903143/200878 Acórdão n.º 1402002.946 S1C4T2 Fl. 5 4 diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Embora o comando legal inserido no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Destarte, INDEFIRO o pedido de diligência. Da questão material Conforme relatado, o Despacho Decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pela recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignada, a recorrente alega que no ano de 2004 retificou a DIPJ do período, informando os verdadeiros débitos correspondentes ao exercício. Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, foi apresentada, no seu prazo devido, a DIPJ original, referente ao anocalendário do tributo e respectivo período de apuração do tributo em questão neste processo. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostra se compatível com o que fora declarado na DCTF e na DIPJ originais. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta na DIPJ última entregue, e sem ter retificado a DCTF original, a recorrente apresentou a DCOMP pleiteando a compensação ora em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Somente no ano de 2009, após tomar ciência do Despacho Decisório, a recorrente retificou a DCTF original, informando nesta o valor então apurado na DIPJ última entregue. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pela DIPJ, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído. A DIPJ tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratórioconstitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, na data da apresentação da DCOMP não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido retificada, o que significa que o crédito utilizado pela recorrente em sua compensação, juridicamente, não existia. No caso que se examina, não há dúvidas que a recorrente retificou sua DCTF somente após a ciência da decisão administrativa que não homologou a compensação pretendida. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a Fl. 28DF CARF MF Processo nº 10983.903143/200878 Acórdão n.º 1402002.946 S1C4T2 Fl. 6 5 liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Há ainda que se destacar que a retificação da DCTF ocorreu já com o decurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito ali declarado, nos termos do art. 168, caput, do CTN, de forma que a referida retificação não poderia produzir quaisquer efeitos tributários. Com este entendimento, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeito a solicitação de diligência e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 29DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.918180/2013-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/12/2004
MULTA DE MORA. SANÇÃO DE NATUREZA PUNITIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DO TRIBUTO COMPLEMENTAR ANTES DA APRESENTAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA E DE QUALQUER MEDIDA DE FISCALIZAÇÃO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. POSSIBILIDADE.
1. Por ter natureza punitiva, a multa de mora é excluída se configurada a denúncia espontânea da infração mediante o pagamento intempestivo do tributo devido.
2. No âmbito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a denúncia espontânea da infração por pagamento extemporâneo resta caracterizada se o contribuinte, após efetuar o pagamento do valor integral do tributo declarado, apura diferença a maior de tributo devido e realiza o seu pagamento integral (acrescido dos juros moratórios) e, concomitante ou posteriormente (antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração), a apresenta a DCTF retificadora, com a inclusão do valor da diferença a maior do tributo devido apurada (aplicação do entendimento exarado no REsp nº 1.149.022/SP, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.929
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. SANÇÃO DE NATUREZA PUNITIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DO TRIBUTO COMPLEMENTAR ANTES DA APRESENTAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA E DE QUALQUER MEDIDA DE FISCALIZAÇÃO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE. POSSIBILIDADE. 1. Por ter natureza punitiva, a multa de mora é excluída se configurada a denúncia espontânea da infração mediante o pagamento intempestivo do tributo devido. 2. No âmbito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a denúncia espontânea da infração por pagamento extemporâneo resta caracterizada se o contribuinte, após efetuar o pagamento do valor integral do tributo declarado, apura diferença a maior de tributo devido e realiza o seu pagamento integral (acrescido dos juros moratórios) e, concomitante ou posteriormente (antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração), a apresenta a DCTF retificadora, com a inclusão do valor da diferença a maior do tributo devido apurada (aplicação do entendimento exarado no REsp nº 1.149.022/SP, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015). Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 81 80 /2 01 3- 04 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10880.918180/201304 Acórdão n.º 3302004.929 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Trato presente processo de declaração de compensação (DComp) em que foi informada a compensação de pagamento indevido ou a maior de COFINS, com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. O Despacho Decisório proferido pelo titular da unidade da Receita Federal unidade de origem não homologou a compensação declarada porque não havia crédito disponível, uma vez que o pagamento informado havia sido integralmente utilizado para quitação do débito vinculado ao correspondente pagamento.. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que fazia jus a homologação integral da compensação declarada, uma vez que o crédito informado era proveniente de recolhimento da multa de mora indevida, em razão da denúncia espontânea da infração. Para a recorrente, como cumprira, espontaneamente, o dever de recolher o tributo devido, a referida multa de mora recolhida era indevida, nos termos do art. 138 do CTN. Em decorrência, o valor do crédito informado era passível de compensação. Sobreveio a decisão de primeira instância em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 14 053.285. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que não cabe a exclusão da Multa de mora em casos de denúncia espontânea, devendo o Pagamento extemporâneo ser feito com os acréscimos legais. A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância e inconformada, protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, após discorrer sobre o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN, alegou que a multa moratória tinha natureza punitiva e era passível de exclusão por denúncia espontânea, conforme jurisprudência deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo do julgamento do REsp 1.149.022/SP, julgado sob regime dos recursos repetitivos, cujos fundamentos eram de adoção obrigatória pelos membros deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10880.918180/201304 Acórdão n.º 3302004.929 S3C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.927, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.688913/200986, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.927): "O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O motivo da não homologação da compensação em apreço foi a inexistência do valor do crédito informado para compensar o débito confessado e as razões foram consignadas no despacho de decisório colacionado aos autos (fls. 5/6). Segundo o citado despacho, a partir das características do DARF discriminado na PER/DCOMP nº 16516.34621.310306.1.3.041964 o sistema localizara o valor do pagamento informado, mas ele encontravase integralmente vinculado à quitação da correspondente parcela do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de outubro de 2003, logo não restava crédito disponível para compensação dos débitos informado na citada PER/DCOMP. Na peça impugnatória, a recorrente alegou que o valor do crédito informado referiase a pagamento indevido da multa de mora incidente sobre a parcela do débito complementar da citada contribuição do mês de outubro de 2003, que fora paga antes da retificação da DCTF do período, o que configurava denúncia espontânea da infração. Com base no entendimento de que a multa de mora não era passível da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, por não ter natureza punitiva e sim natureza indenizatória, o órgão julgador a quo manteve a não homologação da compensação, baseada no entendimento de que não havia crédito disponível para compensação, uma vez que o valor informado na citada PER/DCOMP fora integralmente utilizado no pagamento da multa de mora de devida em decorrência do pagamento em atraso da parcela complementar da contribuição do citado mês. De outro parte, a recorrente alegou a multa moratória tinha natureza punitiva e era passível de exclusão por denúncia espontânea, conforme jurisprudência deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo do julgamento do REsp 1.149.022/SP, sob o regime dos recursos repetitivos, cujos fundamentos eram de adoção obrigatória pelos membros deste Conselho. Com base no breve resumo dos dois entendimentos distintos ficam evidenciadas as duas divergências. Uma de cunho jurídico, referente a natureza da multa de mora, ou seja, se a multa moratória tem natureza indenizatória ou punitiva. A segundo de cunho fáticoprobatório, isto é, se a denúncia realizada pela recorrente atende os requisitos do art. 138 do CTN, de modo a isentála da cobrança do tributo. Até a decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ no julgamento do REsp 1.149.022/SP, sob o regime dos recursos repetitivos, tais questões Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10880.918180/201304 Acórdão n.º 3302004.929 S3C3T2 Fl. 5 4 geraram ampla controvérsia no âmbito da jurisprudência deste Conselho. Para facilitar a compreensão, o enunciado da ementa do referido julgado segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que “a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): “No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10880.918180/201304 Acórdão n.º 3302004.929 S3C3T2 Fl. 6 5 Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional.” 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.1 A partir da referida decisão definitiva, por força do que determina o art. 62, § 2º, do RICARF/2015, o entendimento manifestado no referido julgado passou a ser de adoção obrigatória nos julgamentos deste Conselho. Dessa forma, a controvérsia em torno da questão jurídica restou dirimida, haja vista o entendimento esposado no citado julgado definiu que, na seara tributária, o instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias ou multas e que estas têm natureza punitiva, inclusive, as multas moratórias decorrentes do atraso ou impontualidade no pagamento dos tributos. No que tange aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que há declaração e pagamento parcial dos débitos, o referido julgado também definiu as condições necessárias para a configuração da denúncia espontânea da infração decorrente da mora ou impontualidade no pagamento do tributo. E neste caso, as condições objetivas configuradoras da denúncia espontânea são as seguintes: a) o prévio pagamento da diferença a maior do tributo acrescidos dos juros moratórios; e b) a apresentação concomitante ou posterior da declaração retificadora, antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, em que informada a parcela do tributo a maior paga e ainda não declarada. Após a referida decisão, a PGFN passou a adotar o mesmo entendimento manifestado no referido julgado, conforme se lê no enunciado da ementa do Parecer PGFN/CRJ nº 2.124/2011, que segue reproduzido: A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 1 BRASIL. STJ. REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.918180/201304 Acórdão n.º 3302004.929 S3C3T2 Fl. 7 6 No caso, há provas nos autos (fls. 80/82), que a recorrente declarou na DCTF e pagou dentro do prazo de vencimento a Contribuição para o PIS/Pasep do mês de outubro de 2003 no valor de R$ 2.994.807,61. Em seguida, no dia 27/2/2004, após o prazo de vencimento, realizou o pagamento complementar da referida contribuição no valor de R$ 266.755,76, acrescido de juros moratórios de R$ 9.709,91. Após o referido pagamento e antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, no dia 18/6/2004, a recorrente apresentou a DCTF retificadora com acréscimo do referido valor complementar (fls. 83/84). Em seguida, no dia 20/7/2004, a recorrente realizou o pagamento da multa de mora, referente ao referido valor complementar recolhido fora do prazo de vencimento (fl. 78), objeto do presente do procedimento de compensação. Assim, resta demonstrado que a recorrente realizou pagamento integral do débito complementar, com os acréscimos dos juros moratórios, previamente a apresentação da DCTF retificadora e antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, portanto, cumpriu as condições necessárias para a configuração da denúncia espontânea da infração, prevista no art. 138 do CTN. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso voluntário, para reconhecer o direito da recorrente de compensar o débito informado até o valor indevido da multa de mora recolhido." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a recorrente realizou pagamento integral do débito complementar, com os acréscimos dos juros moratórios, previamente a apresentação da DCTF retificadora e antes de qualquer procedimento ou medida de fiscalização, portanto, cumprindo as condições necessárias para a configuração da denúncia espontânea da infração, prevista no art. 138 do CTN. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito da recorrente de compensar o débito informado até o valor indevido da multa de mora recolhido.. Fl. 201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720025/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições.
OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições.
OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-004.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à glosa de créditos de fretes e, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao Recurso quanto à inclusão das bonificações na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições. OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à glosa de créditos de fretes e, pelo voto de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 25 /2 01 2- 51 Fl. 502DF CARF MF 2 qualidade, por negar provimento ao Recurso quanto à inclusão das bonificações na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração de PIS e COFINS relativamente ao primeiro trimestre de 2007. Basicamente, nos termos do descrito no TVF (fl. 17/31), o lançamento foi levado a efeito tendo em vista o seguinte: Glosa de despesas de frete na operação de venda: valores constantes como créditos a descontar na linha 07 das fichas 6A (PIS) e 16A (COFINS) dos DACON a título de "despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda". Averba a fiscalização nos termos das legislações de regência que só poderão ser descontados créditos relativos à despesas incorridas com fretes utilizados na operação de venda e de bens adquiridos para revenda quando o ônus for suportado pelo vendedor. Intimado a segregar os lançamentos contábeis a esse título, discriminando, separadamente, as despesas com fretes na operação de venda, das despesas de combustíveis, lubrificantes, armazenagem, concluiu a fiscalização que descabe o crédito com despesas de armazenagem e que das despesas de fretes contabilizadas somente podem ser deduzidas aquelas referente a contratações "de fretes ocorridas nas operações de vendas de mercadorias", não podendo ser deduzidas as despesas com combustível e lubrificantes utilizados pela empresa em sua frota. O documento 15 detalha os valores das glosas; O outro item do auto de infração referese à subvaloração da base imponível das contribuições por não ter o contribuinte oferecido à tributação as "bonificações recebidas de fornecedores em disponibilidade". Informa a fiscalização que "o recebimento destas disponibilidades ocorreu de formas variadas, quais sejam, recursos em moeda contabilizados a débitos em contas correntes bancárias, ou ordens de pagamento sem identificação ou cheques em carteira, posteriormente destinadas a depósito em contas bancárias do sujeito passivo". Afirmou o Fisco: Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10970.720025/201251 Acórdão n.º 3402004.938 S3C4T2 Fl. 503 3 Conclui a fiscalização "que o art. 1º, § 2º, da Lei 10.637/2002 (PIS) e o art. 1º, § 2º, da Lei 10.833/2003, preconizam que os recursos auferidos a título de bonificações em disponibilidade (verbas repassadas pelos fornecedores) devem integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativa pois se enquadram no conceito de faturamento", e acresce: Na sequência a fiscalização detalha a forma como a empresa vinha contabilizando tais valores para demonstrar a distorção que ela acarreta, pois "esta receita de bonificações vai para a apuração da base de cálculo de IRPJ e da CSLL, mas não vai para a base de cálculo do PIS e COFINS devidos". Esta distorção fica evidenciada pela fiscalização, conforme o que abaixo reproduzse: O documento 16 demonstra os valores da base de cálculo das contribuições refeitas pelo Fisco, e os valores finais a pagar encontramse nos "Demonstrativos de Apuração do PIS e COFINS e da Movimentação dos Saldo de Créditos a Descontar", conforme docs. 10 e 04, respectivamente. Impugnado o lançamento, a DRJ/JFA (fls. 463/467) manteve o mesmo na íntegra. Não resignada, a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 473/488). Alegou em síntese: EM RELAÇÃO À GLOSA DOS FRETES Que dedicase "ao comércio atacadista de mercadorias em geral, na modalidade de atacadistadistribuidor, adquirindo grandes quantidades de mercadorias diretamente dos fabricantes, de outros atacadistas ou de importadores, armazena, revende tais Fl. 504DF CARF MF 4 mercadorias e as entrega, diretamente nos estabelecimentos varejistas, compradores, por meio de veículos próprios e de terceiros, nos mais diversos pontos do território nacional". No ano de 2007, averba, utilizava 240 caminhões de sua propriedade para entrega de mercadorias revendidas em cerca de 1.500 estabelecimentos em pelos menos 17 estados da Federação. Entende, em suma, que para que seja admitido o princípio da nãocumulatividade "todos os custos e despesas necessárias à atividade comercial sobre os quais tenha incidido as guerreadas contribuições nas etapas anteriores sejam passíveis de creditamento". Entende que a expressão "despesas com frete" constante das leis de regências das contribuições no sistema não cumulativo "não tem um sentido único de "fretes contratados", nem pode ser interpretada de forma isolada sem se considerar todo o complexo jurídico tributário que levou à implantação da incidência do PIS e da COFINS, pelo regime nãocumulativo", discorrendo sobre tal tese. Ou seja, em suma, entende que devem ser admitidas as despesas por ela incorridas para entregar as mercadorias que revende utilizandose de frota própria. Entende que "a lei utiliza a palavra FRETE e não expressão frete contratado". Colaciona jurisprudência que vai ao encontro de sua assertiva. E conclui, no ponto, que tem direito de aproveitar, "a título de despesas com frete", os gastos incorridos e pagos, na compra de combustíveis e de lubrificantes que utilizou em veículos de sua propriedade que fizeram a entrega aos compradores das mercadorias a ele vendidas"; SOBRE AS BONIFICAÇÕES RECEBIDAS DE FORNECEDORES, EM DISPONIBILIDADES Alega que tais bonificações foram recebidas incondicionalmente, independente de qualquer contrapartida por parte da compradora e que são destinados, basicamente, a reduzir os custos das diversas mercadorias compradas da empresa bonificadora com o objetivo de incentivar as vendas de seus produtos. Elas permitem, alega, que os fornecedores reduzam os custos das mercadorias a serem revendidas, "tornando os preços finais de venda mais atrativos e competitivos". Consigna que elas não representam receitas e que foram corretamente contabilizadas a crédito de contas de descontos obtidos e de uma contra representativa de ações comerciais de incentivo a vendas, e que, por tal, não integram a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS, e como, continua, são contas de resultado são encerradas no balanço como redutoras de custo das mercadorias vendidas e provocam aumento do lucro líquido, tendo sido tributadas pela CSLL e pelo IRPJ. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire A GLOSA DE CRÉDITOS A empresa informa que efetua, em veículos próprios, a entrega das mercadorias que revende e alega que os valores glosados da base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins são indevidos visto que não há previsão de limitação alguma, quanto ao direito do contribuinte de considerar como créditos no cálculo da COFINS, de despesas realizadas com fretes feitos com utilização de veículos próprios, como é o caso dos combustíveis e lubrificantes O inciso IX do art. 3º e o inciso II do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/2003, que admitem o crédito para a Cofins e PIS/Pasep relativamente à “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10970.720025/201251 Acórdão n.º 3402004.938 S3C4T2 Fl. 504 5 vendedor”, não se aplica à empresa, pois a armazenagem e frete aí mencionados, evidentemente, referemse aos serviços de terceiros, prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País, e não às despesas próprias. O transporte de produtos, executado por empresa dedicada a atividade comercial, entre seus estabelecimentos ou destes para os clientes, não caracteriza o frete da operação de venda de que trata a legislação. Ainda assim, em que pese a extensa argumentação recursal no sentido de tentar demonstrar que despesas com combustíveis e lubrificantes, quando efetuadas por empresas que efetuam a entrega das mercadorias vendidas por meio de transporte próprio, geram crédito de PIS/Pasep e Cofins, entendo que, para a solução da lide no presente lançamento, a discussão sobre se as despesas com esse tipo de operação se caracterizam como aquelas relativas “frete na operação de venda” é de todo dispensável, tendo em vista a norma de regência. Os citados incisos IX do art. 3º e II do art. 15, da Lei 10.833/2003, estabelecem para a Cofins e para o PIS/Pasep, respectivamente, que “do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Dessumese que, nos termos do comando legal transcrito, para que a empresa possa se apropriar de créditos relativo “frete na operação de venda”, é indispensável que o ônus seja suportado pelo vendedor, o que não ocorre no caso em tela. A recorrente informa que “no exercício da sua atividadefim, prevista no contrato social, de atacadistadistribuidor, revende mercadorias adquiridas no atacado, diretamente das indústrias ou de importadores, a comerciantes varejistas ou a outros atacadistas e as entrega nos estabelecimentos indicados pelos compradores, utilizando veículos (caminhões) de sua propriedade e assumindo todo o ônus do transporte (frete), cujo custo está embutido no preço das mercadorias revendidas”, e ainda que “os custos dos combustíveis consumidos são incluídos nos preços das mercadorias revendidas”. Significa dizer que a impugnante transfere o ônus da despesa de frete para o comprador, o que é exatamente o inverso do que preconiza o dispositivo legal acima citado. Na verdade, é normal no comércio atacadista, e até mesmo no varejista, a transferência do custo do transporte da mercadoria vendida ao comprador, quando o local de entrega for distante da sede da vendedora. Algumas empresas cobram o valor do frete de forma destacada, outras, como a impugnante, embutem esse valor no preço final da mercadoria vendida. Em qualquer dos casos não existe direito ao crédito de PIS/Pasep e Cofins, visto que o ônus não é suportado pelo vendedor e sim pelo comprador. Portanto, correta a glosa. A INCLUSÃO DAS BONIFICAÇÕES NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES No presente auto de infração, foram tributados como “omissão de receitas” os valores recebidos, em moeda, de fornecedores a título de bonificações cujo objetivo seria a promoção de ações comerciais e precificação. Fl. 506DF CARF MF 6 Quanto à base de cálculo da contribuição para a Cofins, a Lei 10.833/2003 estabelece: Art 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Assim, não existe dúvida de que toda e qualquer receita auferida pela empresa integra a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep a para a Cofins. A impugnante alega que por não representarem receitas, os respectivos valores, em consonância com as normas brasileiras de contabilidade e os princípios contábeis geralmente aceitos, foram corretamente contabilizados a crédito de contas de descontos obtidos e uma conta representativa de ações comerciais de incentivo a vendas. Em verdade, os valores recebidos são descontos e não receitas auferidas. Ora, descontos, sejam eles incondicionais ou não, são valores que reduzem o total pago em uma determinada compra. No caso, a empresa em vez de redução recebeu um acréscimo de receita. Usando dos exemplos constantes no Termo de Verificação Fiscal (TVF), teríamos a seguinte situação: a empresa pagou R$ 100,00 recebeu os mesmos R$ 100,00 em mercadorias e mais um acréscimo de R$ 10,00. Desconto não é, visto que a adquirente ao invés de pagar menos, recebeu mais. Até se poderia admitir hipótese de desconto, se, no exemplo acima, a empresa ao receber os R$ 10,00 de bonificação usasse como base de cálculo dos créditos de PIS/Pasep e Cofins, o valor de R$ 90,00. Assim, outra não pode ser a conclusão de que tais bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. Nesse sentido, vários julgados da 3ª Turma da CSRF. Como exemplo, citese o Acórdão 9303004.608, de 26/01/2017, cuja ementa, neste mérito, dispõe: COFINS NÃOCUMULATIVA. BONIFICAÇÕES CONDICIONAIS. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições nãocumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações. CONCLUSÃO Forte em todo exposto, nego provimento ao recurso. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10970.720025/201251 Acórdão n.º 3402004.938 S3C4T2 Fl. 505 7 É como voto. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator Fl. 508DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.913317/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.011
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 33 17 /2 01 1- 68 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13839.913317/201168 Acórdão n.º 3402005.011 S3C4T2 Fl. 0 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos da Contribuição para 63 COFINS. De acordo com o Despacho Decisório denegatório do direito inicialmente pleiteado, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que em um trabalho de revisão de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e Cofins, constatouse que no período de dezembro de 2002 a março de 2004, foram aplicadas alíquotas vigentes à época, em desacordo com a Lei 10.485/02, art. 3º, § 2º, inciso I; que foi feito levantamento dos produtos constantes dos anexos I e II que foram indevidamente tributados e chegouse ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação; que diante deste fato transmitiu em 14/11/2005, Pedido de Restituição, informando que em 30/09/2003, arrecadou indevidamente, a título de PIS/PASEP, por meio de darf no valor de R$19.398,03, a importância de 1.626,87; que transmitiu a Declaração de Compensação remetendo ao pedido de restituição e que o utilizaria para compensar débito de mesmo valor com vencimento. que por um lapso a DCTF do período não foi retificada, no entanto na DIPJ do período está declarada corretamente. Passa a discorrer sobre o direito creditório embasandoo em fundamentos jurídicos citando inclusive posicionamentos jurisprudenciais, para ao final requerer a homologação da compensação e que seja declarado sem efeito o despacho decisório. Sobreveio então o Acórdão 02058.299, da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Ademais, alega que o Acórdão da DRJ padeceria de nulidade, devido à falta de apreciação de questões e provas relevantes para o deslinde da controvérsia. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13839.913317/201168 Acórdão n.º 3402005.011 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402004.996, de 21 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 13839.913300/201119, paradigma ao qual o presente processo vinculase. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402004.996: "Como se depreende do relato acima, ao se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, a Recorrente brada pela existência de indébitos decorrentes de pagamento indevido da Contribuição ao PIS. Aduz ter realizado um trabalho de revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, constando que recolheu indevidamente as contribuições pois, com fundamento na Lei n. 10.485/02, artigo 3º, §2º, inciso I, a alíquota sobre os produtos constantes nos Anexos I e II deveria seria, mas tributouos à alíquota vigente à época, sendo assim levantou os produtos constantes dos referidos Anexos e que foram indevidamente tributados chegando ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação referidos. Para corroborar suas alegações, a Recorrente apresenta, cópia da PER/DCOMP , Recibo de Entrega do Pedido de Restituição, da DCTF do período de apuração (fls 44), DACON (fls 46), DARF (fls 50), folhas do Razão Geral (fls 51), de antes e depois da revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, bem como Demonstrativo elaborado com a pretensão de demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior (fls 53). Outrossim, a própria Recorrente assume que, por uma lapso, deixou de efetuar a retificação da DCTF, muito embora tenha devidamente retificado a DIPJ, o DACON, tudo com registro em seu livro razão. Quando constatou seu erro, justamente pela não homologação das compensações, o prazo para a retificação já estava expirado. Pois bem, muito embora o DACON e a DIPJ sejam de fato simples declarações, incapazes de, sozinhas, salvaguardar o crédito pleiteado pela Recorrente sempre no intuito de demonstrar o erro em sua DCTF, que, como se sabe, tem efeito de confissão de dívida o livro razão é justamente um dos documentos fiscais/contábeis aptos para tanto, sendo presumidas verdadeiras as informações ali constantes, conforme os artigos Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13839.913317/201168 Acórdão n.º 3402005.011 S3C4T2 Fl. 0 4 417 e 419 do Novo Código do Processo Civil (NCPC) e o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99). Ocorre que, nos presente caso, a Recorrente apresentou unicamente duas folhas soltas do seu livro razão (fls 51 e 52). Ou seja, não é possível aferir a validade do documento, uma vez que o Decretolei 468/69, em seu artigo 5, §2º determina que "os Livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio." (...)1 Lembremos que Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de 1 Transcreveuse apenas o entendimento que prevaleceu no paradigma. Os fragmentos sobre a conversão em diligência, em que a relatora restou vencida, foram aqui omitidos, por irrelevantes, mas podem ser consultados em sua íntegra no acórdão paradigma. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13839.913317/201168 Acórdão n.º 3402005.011 S3C4T2 Fl. 0 5 débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 2 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos. Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir totalmente do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DIPJ, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com 2 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13839.913317/201168 Acórdão n.º 3402005.011 S3C4T2 Fl. 0 6 observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou documentação suficiente que comprovasse o crédito alegado, já que as folhas soltas do livro razão carecem de legitimidade para tanto. Outrossim, a mera apresentação do demonstrativo interno da sociedade não é suficiente para comprovar a existência de alegado indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, haja vista que se encontra desacompanhado de documentos que lhe dê suporte jurídico. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Foi justamente nesse sentido de decidiu o Acórdão recorrido, bem apreciando todas as provas trazidas aos autos, cotejandoas com o direito Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13839.913317/201168 Acórdão n.º 3402005.011 S3C4T2 Fl. 0 7 pleiteado pela Recorrente, não havendo, portanto, que se falar em nulidade da decisão a quo, como aventado na peça recursal. Afinal, ressaltese, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13839.913317/201168 Acórdão n.º 3402005.011 S3C4T2 Fl. 0 8 para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13839.913317/201168 Acórdão n.º 3402005.011 S3C4T2 Fl. 0 9 confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo plenamente comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Tendo em vista que essa turma de julgamento decidiu questão prejudicial ao pleito da Recorrente, no sentido de que não é cabível a diligência proposta por esta Relatora, não resta o que fazer nesse processo se não manter a não homologação das compensações pretendidas, pois não foram comprovados os créditos para fazer frente aos débitos nelas apontados. Ex positis, voto no sentido de negar provimento o recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.720062/2014-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NULIDADE DE DECISÃO DA DRJ. OMISSÃO DE ANÁLISE DE REQUERIMENTO EXPRESSAMENTE INDICADO NA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA DO CONTRIBUINTE.
Uma vez constatado que a decisão da DRJ não tratou de argumento expressamente apresentado pelo contribuinte em sua impugnação administrativa e que este argumento é relevante à solução da presente contenda, torna-se imperativo o reconhecimento da nulidade da decisão recorrida por falta de fundamentação, determinando-se o retorno dos autos àquela instância julgadora, para que profira nova decisão, incluindo a análise do argumento omisso, evitando assim supressão de instância.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3301-004.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que nova decisão seja proferida, com a inclusão do pleito subsidiário apresentado pelo contribuinte quando da impugnação, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauti - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 NULIDADE DE DECISÃO DA DRJ. OMISSÃO DE ANÁLISE DE REQUERIMENTO EXPRESSAMENTE INDICADO NA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA DO CONTRIBUINTE. Uma vez constatado que a decisão da DRJ não tratou de argumento expressamente apresentado pelo contribuinte em sua impugnação administrativa e que este argumento é relevante à solução da presente contenda, torna-se imperativo o reconhecimento da nulidade da decisão recorrida por falta de fundamentação, determinando-se o retorno dos autos àquela instância julgadora, para que profira nova decisão, incluindo a análise do argumento omisso, evitando assim supressão de instância. Recurso Voluntário provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 3.740 1 3.739 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10970.720062/201421 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.190 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria COFINS Recorrente NIDERA SEMENTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE DE DECISÃO DA DRJ. OMISSÃO DE ANÁLISE DE REQUERIMENTO EXPRESSAMENTE INDICADO NA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA DO CONTRIBUINTE. Uma vez constatado que a decisão da DRJ não tratou de argumento expressamente apresentado pelo contribuinte em sua impugnação administrativa e que este argumento é relevante à solução da presente contenda, tornase imperativo o reconhecimento da nulidade da decisão recorrida por falta de fundamentação, determinandose o retorno dos autos àquela instância julgadora, para que profira nova decisão, incluindo a análise do argumento omisso, evitando assim supressão de instância. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que nova decisão seja proferida, com a inclusão do pleito subsidiário apresentado pelo contribuinte quando da impugnação, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) José Henrique Mauti Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 62 /2 01 4- 21 Fl. 3740DF CARF MF 2 Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). Fl. 3741DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.741 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão da DRJ, às fls. 3.498/3.543 dos autos: Contra a contribuinte NIDERA SEMENTES LTDA, em epígrafe, foram lavrados autos de infração no valor total de R$ 10.139.084,56, para exigência de Cofins e de contribuição para o PIS, relativas aos segundo e terceiro trimestres de 2009. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL Do extenso e bem detalhado Termo de Verificação Fiscal de fls. 38/125, parte integrante dos autos de infração, extraemse as seguintes informações. A fiscalização iniciouse em 03/04/2013 com vistas à verificação da legitimidade/legalidade dos pedidos de ressarcimento de PIS e COFINS não cumulativos do 2° e 3° trimestres de 2009, além da apuração de eventuais diferenças dessas contribuições. Durante a fiscalização, a autoridade fiscal lavrou diversos Termos de Intimação, dos quais resultaram diversas respostas por escrito fornecidas pelo contribuinte. No referido Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal, após identificar as atividades econômicas exercidas pela empresa, consignou: ‘’8. A partir das informações apresentadas pela Nidera Sementes Ltda, verificou–se que o contribuinte comercializa os seguintes produtos/serviços. Produto/Serviço Tributação PIS/COFINS Fundamentação Legal Sementes para semeadura de Milho, Soja, Sorgo e Girassol Alíquota Zero Lei nº 10.925/2004, art 1º, III Trigo comercializado no Mercado Interno Alíquota Zero Lei nº 10.925/2004, art 1º, XV e § 1º Fertilizantes e Defensivos Alíquota Zero Lei nº 10.925/2004, art 1º, I e II Exportação de Milho e Soja em Grãos Não incidência Lei nº 10.833/2003, art 6º, I Sementes Vencidas e outros resíduos, como Palha e Sabugo Tributado Fl. 3742DF CARF MF 4 Prestação de Serviços, Pesquisa e Desenvolvimento, Corretagens, Royalities Tributado Milho e Soja em Grãos comercializados no Mercado Interno Tributado 9. Solicitado a descrever o processo produtivo, o contribuinte explicou a existência de dois negócios distintos na empresa, quais sejam, o processo de produção de sementes, identificado em todos os lançamentos contábeis e registros extracontábeis pela sigla NID, e o processo de comercialização de grãos, identificado em todos os lançamentos contábeis e registros extracontábeis pela sigla BGO. 10. A empresa explicou o Processo de Sementes da seguinte forma, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 1/2013: "Item 1 (Processo de sementes) A primeira etapa para produção de sementes acontece no melhoramento do Hibrido, empresa realiza um trabalho de pesquisa constante buscando o melhoramento da sua matriz. Nos laboratórios de germinação é realizado o acompanhamento e evolução da semente. Que também pode ser realizado numa estação quarentenária, em estabelecimento da empresa na cidade de Uberlândia que serve para o aprimoramento de suas pesquisas. Após a colheita das sementes, elas passam por um processo de Beneficiamento. Onde o milho passará por um processo conhecido como despalha, debulha e seca o produto. Feito este processo, existem vários silos para a armazenagem da semente até que estas sejam ensacadas. A Nidera possui suas unidades de pesquisa nas cidades de Uberlândia MG, Realeza PR,Abelardo Luz SC e Rio Verde GO, que fazem todos os testes e melhoramento em seus produtos (sementes de milho, sorgo e soja). No ano de 2009 houve também a produção de sementes de Girassol, nas unidades de Minas Gerais e Paraná. Todas as cultivares da Nidera são registradas no Ministério da Agricultura (que podem ser acessadas através do sitehttp://extranet.agricultura.gov.br/php/snpc/cultivarweb/cultivares_registradas. php?) antes do contrato de multiplicação que a empresa faz com os parceiros. É celebrado uma contrato de multiplicação de Sementes de milho e sorgo em parceria com produtores rurais, tanto pessoa Física como Jurídica. Neste contrato fica acordado que a Nidera irá pagar por hectare colhido. No inicio da produção, a Nidera encaminha para o produtor Semente Genética ou Básica, agroquímicos e fertilizantes que serão utilizados naquele plantio. O acompanhamento deste procedimento é realizado por agrônomos, funcionários da Nidera, que participam desde o plantio até a colheita. Após a colheita, os produtos são acondicionados em caminhões específicos para a unidade de beneficiamento da empresa, onde ele será despalhado, debulhado e ensacado em sacos que contenham 60.000 sementes. A Semente de Milho é guardada em câmara fria ou em armazém, na própria empresa até a sua venda. Antes que a venda aconteça, esta semente passará por rigoroso teste de germinação para acompanhamento da qualidade e será certificada pelo Ministério da Agricultura que irá liberar esta semente para a venda. Fl. 3743DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.742 5 Toda a venda da semente, sai com um certificado do laboratório , o transporte contratado para realizar as entregas por conta da Nidera e os agrônomos também acompanham a entrega e orientam os produtores na forma de plantar a semente para obter melhores resultados na colheita. A semente de soja também tem o mesmo tipo de contrato de multiplicação com os produtores, mas o modelo é um pouco mais simples, isto porque os produtores que multiplicam as sementes de soja, é que fazem o beneficiamento em UBS próprias ou de terceiros e fazem a liberação e certificação pelos laboratórios dos mesmos ou de terceiros. A Nidera remete para os parceiros produtos e embalagens para ensacar a semente. Também são envidados paletes, film Strech, Sleep Shit, entre outros materiais necessários para que a semente fique armazenada da melhor forma possível para não perder germinação. Após este processo toda a semente que foi multiplicada nos parceiros é comprada pela Nidera, conforme estipulado em contrato. Se por alguma razão, as sementes que não germinam, são transformadas em grãos e vendidas para outras empresas que poderão fazer ração, álcool, ou mesmo comercialização." 11. Já o processo de comercialização de grãos foi assim explicado, também em resposta ao Termo de Intimação 1/2013: "(Processo de Exportação de Grãos) Durante o período em análise, eram duas as formas de operação da Nidera em relação aos seus processos de exportação: 1) A Nidera adquiria lotes de produtos (soja e milho), já depositada em determinado armazém. Após a transferência da propriedade do produto para a Nidera, através de Nota Fiscal de venda, a Nidera remetia a mercadoria para armazenagem, até que houvesse a atracação do navio, para que os produtos fossem embarcados, e devidamente exportados; 2) Os produtos (soja e milho) eram adquiridos no "interior", o vendedor emitia nota fiscal de venda para a Nidera, que se responsabilizava pelo transporte destes produtos até os portos. Após a chegada dos produtos no porto, o processo era exatamente o mesmo, Nidera faz remessa para armazenagem, aguarda a atracação do Navio e na sequencia faz o devido processo de exportação." 12. Com relação ao processo de comercialização de grãos, apesar do contribuinte explicar apenas os procedimentos de exportação, verificouse também que existiram vendas no mercado interno de soja e milho, assim como a importação de trigo para posterior comercialização no mercado interno. 13. Sendo assim, questionado novamente sobre atribuição das siglas NID e BGO às atividades econômicas realizadas pela empresa bem como às suas filiais, o contribuinte respondeu assim ao Termo de Intimação Fiscal 02/2013: "As siglas "NID" e BGO" são denominações especificadas em processos internos para diferenciar respectivamente as operações de "Sementes" e Grãos". As principais atividades das filiais classificadas como NID são pesquisa e desenvolvimento de sementes, bem como a comercialização das mesmas, nas operações "BGO" temos a exportações dos grãos bem como a comercialização no mercado interno;" 14. Importante observar que no Termo de Início de Procedimento Fiscal foi solicitado à empresa que explicasse o processo produtivo e identificasse todos os insumos consumidos nestes processos. A empresa assim se manifestou: Fl. 3744DF CARF MF 6 "Cumprenos informar, que durante o período fiscalizado não desenvolvemos qualquer atividade de industrialização de nossos produtos;" 15. Por último, tornase muito importante observar também o Contrato Social consolidado da pessoa jurídica Nidera Sementes Ltda, evidenciandose as duas principais atividades nos dois primeiros itens do objeto social: Cláusula 3a A Sociedade tem por objeto: a) A comercialização, importação, exportação, transporte e armazenagem de algodão, grãos, cereais, óleos vegetais, farelos e laticínios, fertilizantes simples ou compostos, suas matérias primas, corretivos do solo, bem como seus derivados e implementos agrícolas; b) A produção, armazenagem, reembalagem, beneficiamento, comercialização, importação, exportação, transporte, distribuição, classificação, certificação, análise e representação de sementes básicas, certificadas e fiscalizadas, de produção própria e de terceiros; c) A pesquisa e desenvolvimento genético de espécies de cultivares, biotecnologia, produção, armazenagem, comercialização, importação e exportação de produtos relacionados com suas atividades; d) A representação, agenciamento e intermediação de negócios envolvendo implementos agrícolas e insumos agropecuários em geral, inclusive fertilizantes e defensivos; e) A prestação de serviços em geral, inclusive de pesquisa, experimentação e análises químicas e físicas no campo da agronomia; A formulação, produção, beneficiamento, comércio, importação, exportação e representação de defensivos agrícolas em geral, inseticidas, fungicidas, formicidas, herbicidas, rodenticidas e outros produtos químicos correlatos para a agricultura, bem como fertilizantes simples ou compostos, suas matérias primas, corretivos de solo, bem como seus derivados e implementos agrícolas; g) A edição de publicações de caráter técnicocientífico ou não; e h) A participação em outras companhias nacionais ou estrangeiras como sócia quotista ou acionista e administração de bens próprios." 16. Pelo exposto até o momento, confirmase a existência de dois negócios totalmente distintos no período da fiscalização. O primeiro, um processo produtivo de multiplicação e comercialização de sementes, com lançamentos contábeis e extracontábeis identificados pela sigla NID, onde parceiros são os responsáveis pela produção das cultivares que serão vendidas. Esta atividade econômica será referenciada no presente termo por produção de sementes (NID). 18. O segundo, um processo estritamente comercial de exportação ou venda no mercado interno de grãos, com lançamentos contábeis e extracontábeis identificados pela sigla BGO. Esta atividade econômica será referenciada no presente termo por comercialização de grãos (BGO). 19. Por tudo o exposto, as análises das receitas auferidas pela empresa e das despesas relacionadas às bases de cálculos dos créditos de PIS/Cofins foram realizadas de forma segregada para cada um dos dois negócios identificados.” Fl. 3745DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.743 7 Nesse cenário, analisando as receitas auferidas pela empresa no 2° e 3° trimestres de 2009, o agente fiscal entendeu que algumas receitas de vendas realizadas pela fiscalizada deveriam ter sido incluídas na base de cálculo das mencionadas contribuições, de acordo com a legislação vigente. Nesse tema, quatro são as irregularidades apuradas pela Fiscalização. Constatou também a autoridade fiscal que diversas despesas realizadas pela empresa não deveriam ter sido consideradas como base de cálculo para apuração dos créditos de PIS/Cofins, por falta de previsão legal ou expressa vedação. Nesse tema, sete são as denominadas glosas específicas de créditos promovidas pela fiscalização. O agente fiscal, então, promoveu os lançamentos de ofício para exigir as contribuições sociais recolhidas a menor, identificando no referido Termo de Verificação Fiscal as seguintes infrações, na ordem em que apresentadas: 1. DAS RECEITAS NÃO CONSIDERADAS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS 1.1. EXPORTAÇÃO NÃO CONFIRMADA A Fiscalização analisou todas as exportações realizadas pela contribuinte no 2° e 3o trimestres do ano de 2009, com vistas a confirmar a correta aplicação da não incidência das aludidas contribuições sociais sobre as receitas de exportação. Segundo o agente fiscal, apenas uma das operações realizadas, consubstanciada na Nota Fiscal n° 14, emitida em 29/09/2009, não poderia ser acolhida, conforme manifestação a seguir: "53. Na realidade, a documentação comprobatória de exportação não apresentada se refere à Nota Fiscal 14, vendida à Seara Ind e Com de Produtos Agropecuários Ltda, CNPJ 75.739.086/001140, emitida em 29/09/2009. 54. A Nota Fiscal n° 14, emitida em 29/09/2009, não possui todos os requisitos para confirmação da não incidência da tributação na exportação (§2º do art. 39 da Lei n° 9.532, de 1997). Intimado a comprovar a exportação da venda realizada através da Nota Fiscal 14, a empresa não apresentou quaisquer documentos que comprovassem a efetiva exportação do produto. 55. A mercadoria comercializada, soja em grãos, NCM 12.01.90.00, não está inserida no rol de produtos com alíquota zero da tributação de PIS/ Cofins para as vendas realizadas no mercado interno. 56. Portanto, pelos motivos expostos e pelo não atendimento à legislação sobre a nãoincidência da tributação (artigo 6°, inciso III da Lei n° 10.833, foi efetuada a recomposição da base de cálculo da contribuição para o PIS/ Cofins, considerando como receita tributável a operação de venda realizada pela Nota Fiscal 14, emitida em 29/09/2009". 1.2. VENDA DE SOJA E MILHO EM GRÃOS NO MERCADO INTERNO Informou a autoridade fiscal que, de acordo com a legislação vigente, e com base nas explicações da Nidera Sementes Ltda sobre suas atividades econômicas, não se pode aplicar a suspensão da incidência de PIS/Cofins nas vendas de milho e Fl. 3746DF CARF MF 8 soja em grãos efetuadas no mercado interno, no negócio de comercialização de grãos (BGO). Consignou o autuante, no referido Termo de Verificação Fiscal: “79. Para enquadramento como cerealista, nos termos da legislação vigente é imperativo que a pessoa jurídica exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I, parágrafo 1° do art. 3 ° da IN SRF 660/06. A própria empresa se manifestou sobre suas atividades e não confirmou o exercício cumulativo das atividades necessárias ao enquadramento como Cerealista. Cabe ainda observar o Contrato Social da empresa, que em sua Cláusula 3a, item (a) não faz referencia às atividades de uma cerealista (item 15). 80. Na sequência, analisase a situação de empresa com atividade agropecuária, segundo as informações prestadas pela própria empresa sobre seu processo de comercialização de grãos (BGO) em diversas respostas oferecidas à fiscalização: (...) 81. Pelo disciplinado no parágrafo único do art. 2° da Lei 8.023/1990, com alterações da Lei 9.250 de 1995, a mera intermediação de produtos agrícolas não pode ser entendida como atividade agropecuária. O negócio de comercialização de grãos (BGO), segundo explicações feitas pela empresa acima transcritas, é uma atividade estritamente comercial. Não pode, portanto, a Nidera Sementes Ltda ser considerada uma pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária no negócio de comercialização de grãos (BGO). 82. Analisando os lançamentos contábeis que registraram as vendas de soja e milho em grãos ocorridas no mercado interno, obtêmse as seguintes contas: 4.1.1.02.009 > Grão Comercial Milho e 4.1.1.02.010 > Grão Comercial Soja. Estas duas contas contábeis estão relacionadas à atividade econômica de comercialização de grãos (BGO), conforme pode ser observado pelo prefixo do identificador de cada lançamento contábil registrado. 83. Importante verificar, ainda, que todas estas vendas de soja e milho em grãos no mercado interno, no negócio de comercialização de grãos (BGO), foram feitas com o CFOP 5102, cuja descrição é Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros. Tratase, portanto, de revenda de grãos, cuja aplicação da suspensão é expressamente vedada (§ 3° do art. 4° da IN SRF n° 660/2006). 84. Afastada a possibilidade de vendas com suspensão de incidência do PIS/Cofins para a comercialização no mercado interno de milho e soja em grãos (BGO), verificase ainda que inexiste previsão legal de aplicação da alíquota zero de PIS/Cofins para venda no mercado interno de milho em grãos, NCM 1005.90.10, e soja em grãos, NCM 1201.90.00. 85. Pelo exposto neste tópico e com fundamento no art. 3° da IN SRF n° 660/2006 e do § 3° do art. 4° da IN SRF n° 660/2006, concluise que as vendas no mercado interno de soja e milho em grãos, com CFOP das notas fiscais de saída 5102, relativos à atividade econômica de comercialização de grãos (BGO), devem ser tributadas pela contribuição ao PIS e Cofins. 86. Portanto, efetuouse a recomposição da base de cálculo da contribuição ao PIS/Cofins considerando como tributáveis todas as notas fiscais de vendas de milho e soja em grãos com CFOP 5102, negócio BGO, as quais não haviam sido tributadas pela Nidera Sementes Ltda. Fl. 3747DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.744 9 87. Neste ponto cabe uma observação, que não afeta o resultado do lançamento de ofício. Nos registros contábeis da empresa, parte das vendas de milho foram contabilizadas na conta contábil 4.1.1.02.010 > Grão Comercial Soja. O acerto da contabilidade foi efetuado posteriormente pela empresa, na apuração dos resultados anuais. Como a tributação de PIS/Cofins sobre a venda de milho e soja em grãos no mercado interno segue a regra geral, esta classificação de conta contábil, inexata para o período fiscalizado, não gera efeitos sobre os valores lançados de ofício.” 1.3. VENDA DE SEMENTES VENCIDAS À USINA CORACI No que se refere à atividade de produção de sementes, constatou o agente fiscal que a quase totalidade das receitas auferidas pela fiscalizada se enquadrou no regime de tributação à alíquota 0 (zero) da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, referindose a vendas de sementes para plantio e de defensivos praticadas. Ocorre que a autoridade fiscal identificou que uma fração dessas vendas referese a sementes "vencidas", hipótese que não estaria amparada pela legislação como sujeita à tributação à alíquota 0 (zero) das aludidas contribuições sociais, ou sequer hipótese de suspensão da incidência, tendo em vista tratarse de venda de insumos destinados à produção de álcool pelo adquirente, consoante se verifica pela atividade da compradora Usina Coraci Destilaria de Álcool Ltda. Nesse contexto, ressaltou o autuante: “98. Correto, assim, o reconhecimento da empresa, que a tributação do PIS/Cofins deve incidir sobre todas as vendas realizadas à empresa USINA CORACI DESTILARIA DE ÁLCOOL LTDA, CNPJ 51.587.087/000267. 99. Portanto, pela falta de previsão legal para aplicação da tributação à alíquota zero, bem como pelo não atendimento aos requisitos legais para aplicação da suspensão da incidência das contribuições ao PIS/Cofins e ainda pelo reconhecimento da necessidade de tributação expressamente manifestado pela empresa, foi efetuada a recomposição da base de cálculo da contribuição ao PIS/Cofins considerando como tributáveis todas as notas fiscais de vendas à Usina Coraci, que não haviam sido tributadas pela Nidera Sementes Ltda.” 1.4. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS/REEMBOLSO DE DESPESAS Constatou a autoridade fiscal que as receitas de prestação de serviços classificadas nas contas contábeis n°. "4.1.1.03.002 Receitas Serviços Pesquisa/Desenvolvimento" e n°. "4.1.1.06.006 Serviços e Corretagens" não foram oferecidas à tributação da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Não obstante a explicação da fiscalizada de que as referidas receitas eram, na realidade, reembolsos de despesas efetuados pela empresa Concórdia Trading BV (companhia do mesmo grupo econômico), o agente fiscal houve por bem promover o lançamento de ofício, conforme manifestação a seguir: “120. Portanto, por não comprovar o efetivo reembolso de despesas e pela inexistência de previsão legal para a exclusão do reembolso de despesas da base de incidência da tributação para as contribuições ao PIS/Cofins, efetuouse a recomposição da base de cálculo da contribuição ao PIS/Cofins considerando como tributáveis todos os lançamentos das contas contábeis 4.1.1.03.002 > Rec. Servicos Pesquisa/Desenvolvimento e 4.1.1.06.006 > Servicos E Corretagens.” 2. DA GLOSA DOS CRÉDITOS Fl. 3748DF CARF MF 10 Após a análise das receitas da fiscalizada que deveriam se submeter à incidência da contribuição para o PIS e da COFINS, o agente fiscal passou a discorrer sobre os créditos dessas contribuições apurados pela empresa, na forma do artigo 3o das Leis n°. 10.637, de 30/12/2002, e n°. 10.833, de 19/12/2003, relativos ao 2° e 3° trimestres do ano de 2009, utilizados tanto para desconto dos débitos dessas contribuições apurados no período, em relação as operações tributadas no mercado interno, quanto para fins de ressarcimento. Destacou a autoridade fiscal (fls. 1.394/1.396): “123. Inicialmente cabe observar que a empresa solicitou valores de Ressarcimentos de PIS/Cofins para o 2° e 3° trimestres de 2009 informando haver créditos apurados nas operações de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita Não Tributada, nos seguintes valores: PER Registro Natureza Crédito 15736.65199.270709.1.11 9646 27/07/2009 COFINS NC MI 27004.21601.270709.1.1.10 5567 27/07/2009 PIS/PASEP NC MI 15315.31248.231009.1.1.10 9428 23/10/2009 PIS/PASEP NC MI 13085.28680.271009.1.1.11 9553 27/10/2009 COFINS NC MI 124. Pelo Termo de Intimação Fiscal 01/2013 a empresa foi intimada a apresentar planilha extracontábil e relação de Notas Fiscais que atestassem inequivocamente a origem e natureza dos créditos pleiteados: Apresentar Memorial de Cálculo ou Demonstrativos, em papel e meio magnético, utilizados para subsidiar a apuração do PIS e da COFINS na sistemática nãocumulativa, de forma que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza dos créditos ora pleiteados, observando o que se segue:a) os Demonstrativos do item anterior devem ser elaborados separadamente para cada tipo de Receita (Tributada no Mercado Interno, Não Tributada no Mercado Interno e de Exportação), assim como no DACON (planilha no formato XLS); Apresentar em meio magnético e de forma segregada para cada linha das fichas 06A/16A (Mercado Interno) e 06B/16B (Importação) do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON), a relação das Notas Fiscais usadas na apuração dos créditos (consignando, no mínimo, n.° da NF, CNPJ e Nome do Emitente, Data da Emissão, Data da Entrada; Descrição Produto/Serviço, NCM, CFOP e Valor) (planilha no formato XLS); (...) 126. A empresa atendeu à intimação, respondendo ao item 12 no prazo solicitado e posteriormente encaminhando mensagem eletrônica em resposta ao item 13. Fl. 3749DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.745 11 127. Analisando a documentação apresentada, verificouse que a base de cálculo dos créditos constantes da planilha extracontábil e da relação de Notas Fiscais era superior à base de cálculo das informações constantes dos Dacons transmitidos pela empresa. O Termo de Intimação 02/2013 solicitou à empresa a apresentação de Dacons retificadores, sem a transmissão, no que foi prontamente atendido. 128. Assim, visto que durante o procedimento fiscal a empresa pleiteou créditos superiores àqueles constantes dos Dacons ativos nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a análise fiscal dos créditos de PIS/Cofins considerou as planilhas apresentadas pelo contribuinte e os Dacons retificadores não transmitidos, em detrimento às informações dos Dacons ativos. 129. Feitas estas considerações iniciais, passouse à análise dos créditos pleiteados pela Nidera Sementes Ltda. 130. Como todas as despesas informadas pela Nidera Sementes Ltda estão separadas pelas duas atividades econômicas exercidas pela empresa, produção de sementes (NID) e comercialização de grãos (BGO) (itens 8 a 19), a análise dos créditos pleiteados foi igualmente segregada. (...) 132. Antes de adentrar nas glosas específicas de créditos de PIS/Cofins que não observaram a legislação vigente, tornase importante explicar algumas glosas/estornos aplicados em um contexto mais geral sobre as despesas informadas pela empresa, quais sejam: Os estornos de créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão (inciso II do § 4° do art. 8 ° e do § 4 ° do art. 15 da Lei n ° 10.925, de 2004; § 2 ° do art. 3° da IN SRF 660/06); A glosa de créditos relativos à atividade de comercial exportadora (§ 4° do art. 6° e no inciso III do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003); A glosa de créditos pela ausência de apresentação de documentação comprobatória (art. 76 da IN RFB 1.300/2012).” Quanto aos estornos de créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, promovidos pela Fiscalização, o agente fiscal consignou: “135. As vendas efetuadas no mercado interno pela Nidera Sementes Ltda no negócio de comercialização de grãos (BGO) não foram consideradas como suspensas da incidência da contribuição ao PIS/Cofins, e foram lançadas de ofício. Portanto, para as receitas auferidas na atividade econômica de comercialização de grãos (BGO), não há que se aplicar o estorno de créditos da nãocumultividade. 136. Para as vendas efetuadas no mercado interno pela Nidera Sementes Ltda no negócio de produção de sementes (NID), a empresa comprovou o correto atendimento à legislação vigente para a saída com suspensão da incidência das contribuições ao PIS/Cofins. Entretanto, a empresa não estornou os créditos proporcionalmente às receitas auferidas com suspensão da tributação. 137. Desta forma, no caso dos créditos relativos a insumos da atividade econômica de produção de sementes (NID), agrupados nas rubricas "Bens Utilizados como Insumos" e "Serviços Utilizados como Insumos", devese efetuar um estorno Fl. 3750DF CARF MF 12 proporcional à receita auferida nas saídas com suspensão da incidência de PIS/Cofins, conforme § 2° do art. 3° da IN SRF 660/06. 138. Assim, após aplicar glosas específicas de créditos por não atenderem à legislação vigente, do saldo de crédito remanescente devese fazer o estorno proporcional às receitas auferida com suspensão da incidência de PIS/Cofins na atividade de produção de sementes (NID). 139. Como destacado nas planilhas mensais relativas à tributação incidente sobre as receitas auferidas pela Nidera Sementes Ltda (células com fundo amarelo), apresentadas ao final do tópico "DA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE PIS/COFINS", item 121, temse o seguinte percentual mensal de estorno relativo às receitas auferidas com a suspensão da incidência da contribuição ao PIS/Cofins para a atividade de produção de sementes (NID): Percentual mensal de créditos a estornar Vendas com Suspensão (com base na Receita de Vendas Suspensas NID) (...) 140. Muito importante ressaltar que, caso a empresa instaure o contencioso administrativo e alguma glosa relativa às rubricas "Bens Utilizados como Insumos" e "Serviços Utilizados como Insumos", na atividade de produção de sementes (NID), venha a ser julgada improcedente pelas instâncias julgadoras administrativas, o valor do crédito restabelecido deverá passar pela proporcionalização deste estorno relativo às vendas realizadas com suspensão da incidência de PIS/Cofins.” Já no que tange à glosa de créditos relativos à atividade de comercial exportadora, promovida pela Fiscalização, a autoridade fiscal consignou: “145. Apesar das pessoas jurídicas que realizam operações de exportação não apurarem contribuições a recolher sobre as respectivas receitas auferidas, a legislação permite que sejam apurados créditos referentes às mercadorias, produtos e insumos adquiridos, bem como em relação às despesas e encargos incorridos para o auferimento da receita da exportação (desde que estas receitas, se auferidas no mercado interno, estivessem sujeitas ao regime nãocumulativo), nas mesmas regras, condições e limites aplicáveis aos créditos apurados sobre as receitas auferidas no mercado interno. 146. Para a empresa comercial exportadora, porém, existe vedação legal expressa à apuração dos créditos relativos à Cofins, conforme se verifica na disposição constante do art. 6°, § 4°, extensiva à Contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do art. 15, inciso III, da Lei n° 10.833, de 2003, como segue: (...) 147. Destarte, por força do disposto no § 4° do art. 6° e no inciso III do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003, concluise que não é permitida a utilização de créditos diretos e indiretos da Contribuição para o PIS e para a Cofins, vinculados às despesas efetuadas por pessoa jurídica comercial exportadora. (...) 150. Desta forma, a Nidera Sementes Ltda não poderá utilizar créditos de PIS/Cofins relativos às operações de exportação na atividade econômica de comercializações de grãos (BGO), pelo fato de estar enquadrada no conceito de empresa comercial exportadora, como já visto anteriormente (itens 20 a 46). 151. Portanto, para cada rubrica de crédito analisada no negócio de comercialização de grãos (BGO), devese efetuar uma glosa proporcional à receita Fl. 3751DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.746 13 auferida nas exportações realizadas como empresa comercial exportadora, de acordo com o disciplinado no § 4° do art. 6° e no inciso III do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003. 152. Assim, após aplicar glosas específicas de créditos por não atenderem à legislação vigente, do saldo de crédito remanescente devese fazer a glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa no negócio de comercialização de grãos (BGO). 153. Como pode ser visto nas planilhas mensais relativas à tributação incidente sobre as receitas auferidas pela Nidera Sementes Ltda (células de cor laranja), apresentadas ao final do tópico "DA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE PIS/COFINS", item 121, temse o seguinte percentual mensal de glosas relativas às exportações realizadas pelo contribuinte como empresa comercial exportadora na atividade de comercialização de grãos (BGO): Percentual mensal de glosa sobre os créditos de PIS/Cofins exportações realizadas como empresa comercial exportadora (BGO) (...). 154. Muito importante ressaltar que, caso a empresa instaure o contencioso administrativo e alguma glosa na atividade de comercialização de grãos (BGO) venha a ser julgada improcedente pelas instâncias julgadoras administrativas, o valor do crédito restabelecido deverá passar pela proporcionalização da glosa relativa às exportações realizadas. Como exemplo, caso uma glosa relativa ao negócio BGO no valor hipotético de R$ 100,00 para o mês 04/2009 seja restabelecida pelos órgãos julgadores, somente R$ 3,92 poderão voltar a compor o crédito, como visto na planilha acima.” Por fim, no que se refere à glosa de créditos pela ausência de apresentação de documentação comprobatória, a autoridade fiscal ressaltou que durante as análises de cada rubrica de créditos, as notas fiscais não apresentadas pela empresa foram desconsideradas para fins de apuração dos créditos da nãocumulatividade das citadas contribuições, com fundamento no art. 76 da IN RFB 1.300/2012. Passa, então, o agente fiscal à análise de cada rubrica de crédito para, ao final, promover as denominadas glosas específicas de créditos das mencionadas contribuições sociais. 2.1. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS Informou o agente fiscal que, para comprovar as despesas relacionadas a esta rubrica do Dacon, a empresa relacionou 16 notas fiscais, no valor total de R$ 389.181,53 para o 2° e 3° trimestres de 2009; nas intimações foram solicitadas 6 cópias digitais de notas fiscais para amostragem, perfazendo o valor de R$ 299.321,18 (76,9% do total); e pela amostragem, a empresa comprovou o correto emprego da legislação tributária relativa aos créditos de PIS/Cofins, não gerando glosas específicas relativas a esta rubrica de créditos. Não obstante, apesar de não ter sido promovida uma glosa específica para essa rubrica, a autoridade fiscal efetuou o estorno de créditos proporcionalmente à receita auferida na venda de produtos sujeitos à suspensão da incidência de PIS/Cofins para o negócio de produção de sementes (NID), nos termos do § 2° do art. 3° da IN SRF 660/06, que disciplina o inciso II do § 4 ° do art. 8 ° e o § 4 ° do art. 15 da Lei n ° 10.925/2004. Fl. 3752DF CARF MF 14 2.2. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS Informou o agente fiscal que, para comprovar as despesas relacionadas a esta rubrica do Dacon, a empresa relacionou 173 notas fiscais, no valor total de R$ 2.345.276,44 para o 2° e 3° trimestres de 2009; nas intimações foram solicitadas 77 cópias digitais de notas fiscais para amostragem, perfazendo o valor de R$ 2.238.002,67 (95,4% do total); e no pedido original de crédito, a empresa não havia relacionado nenhum valor de crédito relativo a esta rubrica. Neste tópico, promoveu a Fiscalização glosas de despesas de serviços utilizados como insumos, referentes à atividade econômica de produção de sementes (NID), pelos seguintes motivos, resumidamente: A) Regularmente intimada a apresentar documentos comprobatórios, a empresa não apresentou 01 (uma) nota fiscal relativa à atividade econômica de produção de sementes (NID) para a rubrica "Serviços Utilizados como Insumos", em desconformidade, portanto, com o art. 76 da IN RFB 1.300/2012; B) Também com relação à atividade econômica de produção de sementes (NID), a empresa apresentou 02 (dois) documentos que não se enquadram na legislação fiscal como documentação fiscal válida para fins de comprovação de despesas (art. 76 da IN RFB 1.300/2012 e da Lei n° 9.532/1997, art. 61, § 1° e 81, II), quais sejam: uma Nota de Débito e uma Nota de Despesa. C) Ainda no que se refere à atividade econômica de produção de sementes (NID), a empresa relacionou 15 (quinze) notas fiscais relativas a serviços de Assessoria e Consultoria Ambiental, Seguro de Transporte, Serviços para Imigração, Licença para funcionamento e expedição de Carteira de Motorista, que não se enquadrariam no conceito de insumos para fins de apuração dos créditos de PIS/Cofins, conforme definido pela legislação (inciso II, art. 3 da Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 em conjunto com § 5° do art. 8° da IN SRF 404/2004). Segundo o agente fiscal: “Das 15 notas fiscais relacionadas, 12 (doze) foram apresentadas pelo contribuinte em resposta a intimação e estão anexas a este procedimento fiscal. As 03 (três) notas fiscais não solicitadas se referem a despesas efetuadas com a pessoa jurídica ASSESSORIA TÉCNICA ATENE S/C LTDA, CNPJ 60.740.172/000123, cujo site possui a seguinte informação sobre sua área de atuação: "Atuando no mercado desde 1989, a ATENE Consultoria Jurídica presta serviços de assessoria e consultoria de imigração para pessoas físicas, empresas nacionais e multinacionais" (http://atene.com.br/novo/nossos servicos.aspx?i = PT, acessado em 20/02/2014).” D) Também com relação à atividade econômica de produção de sementes (NID), o contribuinte relacionou 57 (cinquenta e sete) documentos de pagamentos ao Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral de Patos de Minas. Destes documentos, 06 (seis) foram amostrados e se encontram anexos ao procedimento fiscal. De acordo com a autoridade fiscal, (1) existe vedação legal expressa (incisos I e II, do § 2° do art. 3° da Lei 10.833/2003) à apuração de créditos sobre o valor de mãodeobra paga a pessoa física, assim como sobre a aquisição de serviços não sujeitos ao pagamento das aludidas contribuições; e (2) no presente caso, ficou claramente definido que inexiste prestação de serviços por parte do mencionado sindicato que justifique a geração de créditos a serem utilizados pela interessada; o que houve, tãosomente, foi o repasse de pagamentos a trabalhadores pessoas físicas (os trabalhadores avulsos), por meio do mencionado Sindicato, por força da previsão legal. Fl. 3753DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.747 15 E) A autoridade fiscal efetuou o estorno de créditos proporcionalmente à receita auferida na venda de produtos sujeitos à suspensão da incidência de PIS/Cofins para o negócio de produção de sementes (NID), nos termos do § 2° do art. 3° da IN SRF 660/06, que disciplina o inciso II do § 4 ° do art. 8 ° e o § 4 ° do art. 15 da Lei n ° 10.925/2004. Já com relação à atividade de comercialização de grãos (BGO), promoveu a Fiscalização glosas de despesas de serviços utilizados como insumos, pelos seguintes motivos, resumidamente: A) Regularmente intimada a apresentar documentos comprobatórios, a empresa não apresentou 13 (treze) notas fiscais relativas à atividade econômica de comercialização de grãos (BGO) para a rubrica "Serviços Utilizados como Insumos", em desconformidade, portanto, com o art. 76 da IN RFB 1.300/2012; B) Também com relação à atividade econômica de comercialização de grãos (BGO), a empresa apresentou 01 (um) documento que não se enquadra na legislação fiscal como documentação fiscal válida para fins de comprovação de despesas (art. 76 da IN RFB 1.300/2012 e da Lei n° 9.532/1997, art. 61, § 1° e 81, II), qual seja: uma Nota de Débito. C) A empresa relacionou 91 (noventa e uma) notas fiscais com a descrição do produto categorizada como "Embarque" no valor total de 2.245.617,66 para a atividade de comercialização de grãos (BGO). Destas notas, 54 (cinquenta e quatro) foram amostradas, perfazendo o valor de R$ 2.171.052,80 (96,48% do total). Excluídas as 14 (quatorze) notas fiscais já glosadas nos dois tópicos anteriores, restaram 41 notas fiscais a serem analisadas. Quanto às notas apresentadas, o agente fiscal verificou tratarse de despesas relativas a taxas de embarque, supervisão de embarque, operações portuárias, desembaraços aduaneiros, análises de soja para embarque, certificação, laudos. Segundo a autoridade fiscal, essas despesas são incorridas com vistas a promover as vendas da empresa, logo não dão direito a créditos, por não constituirem serviços que possam ser considerados como aplicados diretamente sobre os produtos em fabricação, mas sim em uma etapa posterior a esta, quando os produtos já estão prontos e destinados à venda, representando, pois, despesas de vendas. D) Ressaltou, por fim, o agente fiscal que, do saldo de crédito remanescente na rubrica "Serviços Utilizados como Insumos" deverseia fazer a glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa, no negócio de comercialização de grãos (BGO). Contudo, como todos os créditos pleiteados pelo contribuinte relacionados à atividade de comercialização de grãos (BGO) não foram considerados, esta glosa não foi realizada. 2.3. DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA E ENERGIA TÉRMICA, INCLUSIVE SOB A FORMA DE VAPOR Neste tópico, promoveu a Fiscalização glosas de despesas com energia elétrica, referentes tanto à atividade econômica de produção de sementes (NID), como à atividade de comercialização de grãos (BGO), pelos seguintes motivos, resumidamente: A) Notas fiscais em duplicidade; B) Documentação não apresentada; Fl. 3754DF CARF MF 16 C) Notas fiscais em nome de outro contribuinte, sem contrato de locação apresentado; e D) Custeio de Iluminação Pública, Juros, Multas e Custo de Disponibilidade: neste item, destacou o agente fiscal que a faculdade de desconto de créditos calculados em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, prevista no inciso III do art. 3 ° da Lei n° 10.833/03, não contempla valores que não sejam aqueles relacionados ao consumo. Já com relação à atividade de comercialização de grãos (BGO), ressaltou a autoridade fiscal que, do saldo de crédito remanescente na rubrica "Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, inclusive sob a forma de Vapor" devese fazer a glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa, o que foi feito, com fundamento no § 4° do art. 6° e no inciso III do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003. 2.4. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS DE PESSOA JURÍDICA Neste tópico, promoveu a Fiscalização glosas de despesas de aluguéis de prédios de pessoa jurídica, referentes à atividade econômica de produção de sementes (NID), em razão de documentação não apresentada. Já com relação à atividade de comercialização de grãos (BGO), promoveu a Fiscalização glosas de despesas de aluguéis de prédios de pessoa jurídica, pelos seguintes motivos, resumidamente: A) Documentação não apresentada; B) Aluguéis pagos a pessoa física; C) Garantia Locatícia; e D) Aluguel de bens móveis – Kartódromo. Ressaltou também a autoridade fiscal que, do saldo de crédito remanescente na rubrica "Despesas de aluguéis de prédios de pessoa jurídica" devese fazer a glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa, na atividade de comercialização de grãos (BGO), o que foi feito, com fundamento no § 4° do art. 6° e no inciso III do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003. 2.5. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PESSOA JURÍDICA Neste tópico, promoveu a Fiscalização glosas de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica, referentes tanto à atividade econômica de produção de sementes (NID), como à atividade de comercialização de grãos (BGO), em razão de documentação não apresentada. Já com relação à atividade de comercialização de grãos (BGO), promoveu a Fiscalização glosas de despesas de aluguéis máquinas e equipamentos de pessoa jurídica, pelos seguintes motivos, resumidamente: A) Suporte de Informática: neste item, o agente fiscal verificou que os 2 (dois) documentos fiscais apresentados se referem à prestação de serviços de manutenção, consultoria e suporte em equipamentos de informática, que apesar de constituirem despesas necessárias para as empresas em geral, não possuem previsão legal para apuração de créditos das citadas contribuições; B) Ressaltou também a autoridade fiscal que, do saldo de crédito remanescente na rubrica "Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica" devese fazer a glosa proporcional às exportações realizadas pela Fl. 3755DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.748 17 empresa, na atividade de comercialização de grãos (BGO), o que foi feito, com fundamento no § 4° do art. 6° e no inciso III do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003. 2.6. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA Neste tópico, promoveu a Fiscalização glosas de despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, referentes à atividade econômica de produção de sementes (NID), pelos seguintes motivos, resumidamente: A) Documentação não apresentada; B) Duplicidade de Nota Fiscal; C) Compra de materiais diversos; D) Fretes sobre Transferências: neste item, informou o agente fiscal que a empresa relacionou 22 (vinte e dois) documentos fiscais categorizados como "FRETES S/ TRANSFERENCIAS" no valor total de R$ 2.059,38; que, como amostragem, a fiscalização selecionou 03 (três) documentos perfazendo o valor de R$ 1.463,00 (71% do total); que os documentos fiscais amostrados se referem a transferências de colheitadeiras entre estabelecimentos; e que o inciso IX, do artigo 3° da Lei 10.833/2003, que disciplina a despesa de frete passível de apuração de créditos das aludidas contribuições, não relaciona as despesas com frete relativas às transferências entre estabelecimentos; E) Fretes sobre Consumo; F) Fretes sobre Devoluções: neste item, informou o agente fiscal que a empresa relacionou 15 (quinze) documentos fiscais categorizados como "FRETES S/ DEVOLUCAO" no valor total de R$ 27.512,11; e que o inciso IX, do artigo 3° da Lei 10.833/2003, que disciplina a despesa de frete passível de apuração de créditos das aludidas contribuições, não relaciona as despesas com frete relativas a devoluções de mercadorias; G) Fretes sobre Compras: neste item, informou o agente fiscal que a empresa relacionou 609 (seiscentos e nove) documentos fiscais categorizados como "FRETES S/ COMPRAS" no valor total de R$ 895.046,52 relativos à atividade econômica de produção de sementes (NID); e que o inciso IX, do artigo 3° da Lei 10.833/2003, que disciplina a despesa de frete passível de apuração de créditos das aludidas contribuições, não relaciona as despesas com frete pagas na aquisição de bens. Já com relação à atividade de comercialização de grãos (BGO), promoveu a Fiscalização glosas de despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, pelos seguintes motivos, resumidamente: A) Documentação não apresentada; B) Duplicidade de Nota Fiscal; C) Comprovante não é válido como documento fiscal; D) Saída de Soja de Armazém; E) Armazém na Importação de Trigo; Fl. 3756DF CARF MF 18 F) Fretes sobre compras: neste item, informou o agente fiscal que a empresa relacionou 2.835 (dois mil oitocentos e trinta e cinco) documentos fiscais categorizados como "FRETES S/ COMPRAS" no valor total de R$ 4.999.408,64 relativos à atividade econômica de comercialização de grãos (BGO); e que o inciso IX, do artigo 3° da Lei 10.833/2003, que disciplina a despesa de frete passível de apuração de créditos das aludidas contribuições, não relaciona as despesas com frete pagas na aquisição de bens; G) Ressaltou também a autoridade fiscal que, do saldo de crédito remanescente na rubrica "Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda" devese fazer a glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa, na atividade de comercialização de grãos (BGO), o que foi feito, com fundamento no § 4° do art. 6° e no inciso III do art. 15 da Lei n° 10.833, de 2003. 2.7. DESPESAS DE AQUISIÇÃO DE BENS PARA O IMOBILIZADO Neste tópico, promoveu a Fiscalização glosas de despesas de aquisição de bens para o imobilizado, referentes à atividade econômica de produção de sementes (NID), pelos seguintes motivos, resumidamente: A) Documentação não apresentada; B) Duplicidade de Nota Fiscal; e C) Nota Fiscal de Importação. II. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos autos de infração em 27/03/2014, e irresignada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1.386/1.482, em 11/04/2014, por meio da qual oferece, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa. DAS PRELIMINARES 1. Da preliminar de inobservância do regime jurídicotributário das contribuições sociais Sustenta a impugnante que o lançamento fiscal é nulo de pleno direito na medida em que desrespeita frontalmente as disposições da legislação tributária vigente, não somente no que concerne à legislação de regência das aludidas contribuições, mas e principalmente em razão do desrespeito às normas para a prática do ato do lançamento de ofício. Assevera que não só o agente fiscal lançou débitos a título das citadas contribuições sobre vendas que estavam efetivamente adstritas ao regime da Lei n°. 10.925/04, mas também porque o fez sem, ao menos, considerar quaisquer créditos vinculados às receitas sujeitas ao "desenquadramento", sem qualquer juízo de valor acerca dos insumos que originaram tais receitas, sobretudo no negócio denominado como "NID", relativo à produção e venda de sementes. Aduz que a autoridade fiscal, quando desconsiderou determinadas receitas auferidas pela impugnante, fez retroagir à data da suposta ocorrência dos fatos geradores as mesmas normas administrativas que sequer existiam na época, sob o argumento de que tais modificações teriam cunho "interpretativo", em flagrante afronta não só ao quanto disposto no artigo 144 do CTN, mas também ao quanto disposto no parágrafo único do artigo 100 do mesmo Código. 2. Da preliminar da impossibilidade de adoção de critérios jurídicos conflitantes na prática do lançamento de ofício Fl. 3757DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.749 19 Nesse item, para sustentar a apontada nulidade, a suplicante desenvolve o seguinte raciocínio: “(...) É dizer, caso se admita que as operações com grãos (BGO) praticadas pela Impugnante no período autuado de fato estivessem sujeitas à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, nos termos dos artigos 1o e 2o das Leis n°. 10.637/02 e n°. 10.833/03, respectivamente, então em relação a estas receitas, deverseiam ser calculados os créditos a estas vinculados, nos exatos os termos dos artigos 3o das mesmas Leis, pela alíquota de 9,25% (nove inteiros e vinte e cinco centésimos por cento), valores estes que, caso confrontados com os créditos tributários ora lançados, sobre as mesmas operações, representariam o afastamento de boa parte da autuação fiscal, conforme item IV.3 e seguintes, abaixo. Entretanto, Nobre Julgador, ao contrário do que ele mesmo apontou como base de seu ato de lançamento, além de ignorar a questão dos créditos estornados, confundese o i. Agente Fiscal ao determinar, em relação às vendas efetuadas no mercado interno pela Impugnante no negócio de produção de sementes (NID), no item 136, que "entretanto, a empresa não estornou os créditos proporcionalmente às receitas auferidas com suspensão da tributação", concluindo que "desta forma, no caso dos créditos relativos a insumos da atividade econômica de produção de sementes (NID), agrupados nas rubricas "Bens Utilizados como Insumos' e 'Serviços Utilizados como Insumos', devese efetuar um estorno proporcional à receita auferida nas saídas com suspensão da incidência de PIS/Cofins, conforme § 2o do art. 3º da IN SRF 660/06". Ocorre que as sementes produzidas pela Impugnante estão sujeitas à alíquota zero, nos termos do artigo 1o, inciso III, da Lei n°. 10.925/04, e não ao regime de suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS previsto no artigo 9o da mesma Lei, para o qual não é exigido o estorno dos créditos apurados e vinculados a estas receitas, erro grosseiro da d. Fiscalização que, além de alterar critérios jurídicos em relação ao mesmo fato gerador e no mesmo procedimento administrativo, implicou o lançamento de valores indevidos conforme item IV.3 e seguintes, abaixo. Sendo assim, não pode prosperar um lançamento (procedimento administrativo) em que dois atos subsequentes praticados sob a mesma rubrica e tendo por base os mesmos objetos têm consequências jurídicas distintas e contraditórias, bem como, em ambos os casos, prejudiciais à Impugnante, pois visam exigir contribuições sociais sobre vendas de sementes (NID) no mercado interno, de um lado atribuindoas um regime jurídico para fins de cálculo (lançamento) das contribuições incidentes sobre a receita bruta e, em um segundo momento (no mesmo processo V logo em seguida), não reconhecendo o respectivo direito ao creditamento por parte da Impugnante. (...)” 3. Da nulidade dos autos de infração por violação às regras do art. 149, V, do CTN Alega a impugnante que a autoridade fiscal, após longo procedimento de fiscalização das operações praticadas pela empresa na produção e comercialização de sementes (NID) e grãos (BGO), limitouse a adotar presunções no que tange aos elementos caracterizadores da ocorrência do fato gerador das contribuições sociais ora lançadas, bem como em relação à sua escrituração fiscal e contábil, sem contudo, comprovar item a item o porquê da adoção de cada um dos critérios na prática do ato, em flagrante ofensa ao art. 149 do CTN. Fl. 3758DF CARF MF 20 DO MÉRITO 1. DAS RECEITAS NÃO CONSIDERADAS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS 1.1. EXPORTAÇÃO NÃO CONFIRMADA Assevera a suplicante que a mencionada Nota Fiscal n°. 14 foi por ela emitida com o Código Fiscal de Operações e de Prestações ("CFOP") n°. 6.502, destinado justamente à "remessa de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, com fim específico de exportação. Aduz que não se verifica na sua escrita fiscal (Livro Registro de Entradas) o registro de qualquer Nota Fiscal emitida com o CFOP n°. 2.504 e que corresponda às mesmas quantidades/valores da Nota Fiscal n°. 14, nos 180 (cento e oitenta) dias imediatamente posteriores à sua emissão, pelo que também se pode comprovar a efetiva exportação destes produtos, posto que não foram devolvidos pelo destinatário no prazo legal para embarque das mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. Ressalta que, ainda que ao agente fiscal não fosse suficiente a prova colhida da própria escrita fiscal da empresa, exigirse da impugnante a apresentação do respectivo Memorando de Exportação é absolutamente incabível, posto que na qualidade de empresa produtora/fornecedora de produtos agrícolas, esta tem por responsabilidade tão somente emitir a Nota Fiscal competente para dar suporte às mercadorias remetidas, utilizandose para isso do respectivo CFOP indicado para a operação a ser praticada. Assevera que a efetiva exportação das mercadorias no prazo legal é de inteira e exclusiva responsabilidade do adquirente (empresa comercial exportadora), não podendo a impugnante ser punida por eventual descumprimento da legislação por parte de terceiro, principalmente por se tratar de obrigação meramente acessória, sendo facultado ao agente fiscal intimar o destinatário das mercadorias, de forma a apresentálo. 1.2. VENDA DE SOJA E MILHO EM GRÃOS NO MERCADO INTERNO Neste item, que envolve o exame do regime de suspensão da incidência das mencionadas contribuições sociais, a impugnante apresenta inicialmente a seguinte argumentação: “(...) Ora, Nobre Julgador, novamente se verificam argumentos contraditórios em relação à sistemática de suspensão da incidência das contribuições sociais em comento aplicável às atividades da Impugnante, alegados ao belprazer do i. Agente Fiscal: no item 136 do Termo de Verificação Fiscal, afirmou o i. Agente Fiscal que "para as vendas efetuadas no mercado interno pela Nidera Sementes Ltda. no negócio de produção de sementes (NID). a empresa comprovou o correto atendimento à legislação vigente para a saída com suspensão da incidência das contribuições ao PIS/Cofins" (grifamos), quando em verdade, conforme acima destacado, as operações relativas a tal negócio (sementes "NID") sujeitamse à alíquota zero. Em contrapartida, no item imediatamente anterior do Termo de Verificação Fiscal, o i. Agente Fiscal já havia afirmado que "as vendas efetuadas no mercado interno pela Nidera Sementes Ltda. no negócio de comercialização de grãos (BGO) não foram consideradas como suspensas da incidência da contribuição ao PIS/Cofins e foram lançadas de ofício" (grifamos). Fl. 3759DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.750 21 Afinal, o que teria mudado? Por que para o i. Agente Fiscal, no negócio de sementes (NID sujeito à alíquota zero dessas contribuições sociais), a Impugnante teria comprovado "o correto atendimento à legislação vigente para a saída com suspensão da incidência", nos moldes do artigo 9o da Lei n°. 10.925/04, e no negócio de grãos (BGO), conduzido pela mesma empresa Impugnante, o mesmo dispositivo não seria a ela aplicado? Seria uma forma transversa de cobrar créditos tributários de contribuições sociais supostamente devidas pela Impugnante de forma DUPLICADA?” Assevera, a seguir, que, inobstante a vedação trazida a partir de 14 de dezembro de 2009, pelas alterações promovidas na IN SRF n° 660/06 pela IN RFB n°. 977/09, o artigo 9o da Lei n°. 10.925/04, que instituiu e atualmente dispõe sobre o regime de suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, não traz qualquer restrição ao benefício legal em comento, sendo ilegal não somente a própria restrição instituída por norma administrativa (art. 19 da IN RFB n°. 977/09), como também a tentativa de aplicação retroativa, disposta no artigo 22 da mesma norma administrativa. Aduz que, pelo princípio constitucional da legalidade estrita, em matéria tributária, a norma administrativa no caso, a IN RFB n°. 977/09 não poderá, a pretexto de regulamentar a Lei, restringir benefícios fiscais concedidos por mencionada Lei. Sustenta, por fim, que, ainda que se admita a vigência retroativa do comando inserido pela IN RFB n°. 977/09 o qual fundamentou a desconsideração das operações realizadas com suspensão dessas contribuições sociais por parte do agente fiscal não poderia o autor do feito imputar à impugnante multa punitiva, posto que em manifesta contrariedade ao disposto no artigo 106, inciso I do CTN. 1.3. VENDA DE SEMENTES VENCIDAS À USINA CORACI Neste item, não trouxe a suplicante contestação específica ao trabalho fiscal. 1.4. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS/REEMBOLSO DE DESPESAS Quanto a este item, ressalta a impugnante que, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n°. 01/2013, informou que “os lançamentos são contra cliente no exterior Concórdia Trading BV e referese a reembolso desta empresa realizada no Brasil e pagas pela Nidera Sementes Ltda"; já com relação aos lançamentos da conta contábil "4.1.1.06.006 Serviços e Corretagens", informou que "todos os lançamentos são contra o cliente no exterior Concórdia Trading B V e referese a serviços prestados para importação/exportação de produtos realizados no Brasil e pagas pela Nidera Sementes Ltda". Assevera que as "Notas de Reembolso", desde que devidamente detalhadas com a vinculação ao contrato firmado entre a Impugnante e a empresa no exterior, são documentos hábeis e idôneos para comprovar tanto a remessa de valores para o exterior, quanto o recebimento de quaisquer valores a título de reembolso de gastos efetivamente incorridos, desde que os pagamentos realizados não excedam os valores incorridos pela pessoa jurídica reembolsada, no caso, a impugnante. Fl. 3760DF CARF MF 22 Afirma também que as "Notas de Débitos" são instrumento hábil para a contabilização de despesas (e receitas) relativas a reembolsos de despesas. Aduz que, não sendo o reembolso de despesa uma "nova receita", verifica se que este não se submete, em qualquer hipótese, à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Após trazer à colação diversos julgados administrativos e judiciais sobre o tema, conclui que os valores recebidos a título de "Reembolso de Despesas” não se confundem com receitas auferidas pelo contribuinte, devendo este, para tanto, demonstrar: (i) que as despesas foram efetivamente suportadas; (ii) que as despesas são decorrentes da parcela de serviços compartilhados por empresas do mesmo grupo econômico; (iii) a efetiva utilização e essencialidade dessas despesas para o terceiro que as reembolsou; e, (iv) a segregação desses reembolsos das demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Ressalta, por fim, que a empresa cercouse de todas as cautelas para evidenciar que os ingressos a débito na conta contábil 4.1.1.03.002 não constituem ingresso de novas receitas e, portanto, não se encontram atingidos pela hipótese de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. 2. DA GLOSA DOS CRÉDITOS 2.1. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS Neste item, ressaltando que as sementes produzidas estão sujeitas à alíquota zero, insurgiuse a impugnante quanto ao procedimento fiscal que efetuou o estorno de créditos proporcionalmente à receita auferida na venda de produtos sujeitos à suspensão da incidência de PIS/Cofins para o negócio de produção de sementes (NID). 2.2. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS Sustenta a impugnante que a Fiscalização conferiu interpretação restritiva ao conceito de "insumo" para fins de creditamento das aludidas contribuições, de acordo com o entendimento exposto apenas pelas IN RFB n°. 247/02 e n°. 404/04. Alega que esta limitação (não prevista em lei) do conceito de insumo, mostrase inconstitucional, na medida em que qualquer restrição ao direito ao crédito implicaria o alargamento indevido da base de cálculo das contribuições sociais e, consequentemente, o aumento de tributos sem lei que o estabeleça. Aduz que o E. CARF tem adotado posicionamento mais abrangente, firmando o entendimento de que na conceituação do termo "insumo" devese considerar a essencialidade do bem ou serviço à atividade produtiva da empresa, bem como sua integração ao custo dos produtos e/ou serviços vendidos de forma contábil e não necessariamente "física". Cita precedentes administrativos e judiciais. Conclui que, no presente caso, não se pode deixar de considerar a essencialidade dos gastos incorridos pela impugnante na contratação, por exemplo, do serviço de Assessoria e Consultoria Ambiental, indispensável ao processo de produção de sementes (NID) e, tampouco, das despesas portuárias em geral, necessárias ao embarque dos grãos por ela comercializados e destinados à exportação para o exterior do país. Fl. 3761DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.751 23 Ainda quanto a este item, ressaltando que as sementes produzidas estão sujeitas à alíquota zero, insurgiuse a impugnante quanto ao procedimento fiscal que efetuou o estorno de créditos proporcionalmente à receita auferida na venda de produtos sujeitos à suspensão da incidência de PIS/Cofins para o negócio de produção de sementes (NID). 2.3. DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA E ENERGIA TÉRMICA, INCLUSIVE SOB A FORMA DE VAPOR Sustenta a impugnante que a interpretação restritiva adotada pela Fiscalização novamente não encontra amparo legal, na medida em que o artigo 3o, inciso III, da Lei n° 10.833/03 autorizaria o desconto do crédito em relação a toda e qualquer energia elétrica consumida pelos estabelecimentos da pessoa jurídica, sem fazer qualquer distinção em relação a sua aplicação, conforme desejou o agente fiscal. Cita precedentes administrativos. Ainda quanto a este item, insurgiuse a impugnante quanto ao procedimento fiscal que procedeu à glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa, no negócio de comercialização de grãos (BGO). Nesse tema, ressalta que, nas atividades de comercialização de grãos (BGO), atua como empresa comercial exportadora que, para consecução de suas atividades aquisição de mercadorias no mercado interno e posterior remessa para exportação , depende da contratação de pessoas jurídicas prestadoras de serviços de transporte (frete) e armazenagem, arcando com o custo destes serviços. Assevera que, ao contrário das próprias mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, os serviços acessórios contratados pela Impugnante no desempenho de suas atividades não estão abarcados pela isenção ou não incidência das contribuições sociais, ou seja, os respectivos prestadores são contribuintes da contribuição para o PIS e da COFINS, motivo pelo qual, é assegurado o direito de tomada de crédito relativo a estas despesas, sob pena de incidência em cascata e "exportação de tributos" para o exterior do país, ferindo a competividade das commodities brasileiras em relação aos similares estrangeiros. Conclui que a impossibilidade de aproveitamento de créditos relativos à atividade das empresas comerciais exportadoras aplicase tão somente às mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, não se estendendo às demais aquisições procedidas pelas tradings companies na consecução de sua atividade comercial, tais como o frete e a armazenagem pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no país, nas operações de venda da Impugnante, como ocorreu no caso presente. 2.4. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS DE PESSOA JURÍDICA Neste item, não trouxe a suplicante contestação específica ao trabalho fiscal. Contudo, insurgiuse a impugnante quanto ao procedimento fiscal que procedeu à glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa, no negócio de comercialização de grãos (BGO). Fl. 3762DF CARF MF 24 Nesse tema, ressalta que, nas atividades de comercialização de grãos (BGO), atua como empresa comercial exportadora que, para consecução de suas atividades aquisição de mercadorias no mercado interno e posterior remessa para exportação , depende da contratação de pessoas jurídicas prestadoras de serviços de transporte (frete) e armazenagem, arcando com o custo destes serviços. Assevera que, ao contrário das próprias mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, os serviços acessórios contratados pela Impugnante no desempenho de suas atividades não estão abarcados pela isenção ou não incidência das contribuições sociais, ou seja, os respectivos prestadores são contribuintes da contribuição para o PIS e da COFINS, motivo pelo qual, é assegurado o direito de tomada de crédito relativo a estas despesas, sob pena de incidência em cascata e "exportação de tributos" para o exterior do país, ferindo a competividade das commodities brasileiras em relação aos similares estrangeiros. Conclui que a impossibilidade de aproveitamento de créditos relativos à atividade das empresas comerciais exportadoras aplicase tão somente às mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, não se estendendo às demais aquisições procedidas pelas tradings companies na consecução de sua atividade comercial. 2.5. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PESSOA JURÍDICA Alega que, embora tenha sido lançada no DACON sob a rubrica "Despesas de Aluguéis de Maquinas e Equipamentos de PJ", referese a duas notas de pagamento de serviços de manutenção, consultoria e suporte em equipamentos de informática. Aduz que tais despesas não podem ser desconsiderada para fins de creditamento das mencionadas contribuições, na medida em que se caracterizam como pagamento de serviço empregado diretamente no processo produtivo da impugnante e que, portanto, deverá ser considerado como "insumo". Ressalta que o processo de produção de sementes desenvolvido pela empresa é iniciado com a fase de pesquisa nos laboratórios, onde são realizados testes e acompanhamento da evolução das sementes, visando o melhoramento dos produtos a serem posteriormente comercializados pela impugnante. Assevera que os computadores e programas de softwares desenvolvidos especificamente para tais pesquisas constituem ferramentas indispensáveis ao processo produtivo iniciado nos referidos laboratórios, razão pela qual os serviços de manutenção e de suporte não poderiam ser considerados de outra forma senão como verdadeiros insumos para a atividade econômica desempenhada pela Impugnante, gerando direito ao crédito. Ainda quanto a este item, insurgiuse a impugnante quanto ao procedimento fiscal que procedeu à glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa, no negócio de comercialização de grãos (BGO). Nesse tema, ressalta que, nas atividades de comercialização de grãos (BGO), atua como empresa comercial exportadora que, para consecução de suas atividades aquisição de mercadorias no mercado interno e posterior remessa para exportação , depende da contratação de pessoas jurídicas prestadoras de Fl. 3763DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.752 25 serviços de transporte (frete) e armazenagem, arcando com o custo destes serviços. Assevera que, ao contrário das próprias mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, os serviços acessórios contratados pela Impugnante no desempenho de suas atividades não estão abarcados pela isenção ou não incidência das contribuições sociais, ou seja, os respectivos prestadores são contribuintes da contribuição para o PIS e da COFINS, motivo pelo qual, é assegurado o direito de tomada de crédito relativo a estas despesas, sob pena de incidência em cascata e "exportação de tributos" para o exterior do país, ferindo a competividade das commodities brasileiras em relação aos similares estrangeiros. Conclui que a impossibilidade de aproveitamento de créditos relativos à atividade das empresas comerciais exportadoras aplicase tão somente às mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, não se estendendo às demais aquisições procedidas pelas tradings companies na consecução de sua atividade comercial. 2.6. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA Ressalta a impugnante que a Fiscalização realizou a glosa do crédito apropriado em decorrência das despesas incorridas com a transferência de colheitadeiras entre os seus estabelecimentos, sob o fundamento de que o inciso IX do artigo 3o da Lei n° 10.833/2003 permitiria o creditamento tãosomente em relação ao frete na operação de venda. Sustenta, todavia, que, em se tratando as colheitadeiras de maquinário indispensável à fase produtiva do cultivo de sementes, o frete pago para o seu transporte deveria ser apropriado como crédito, pela aplicação conjunta do inciso IX com o inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003. Cita precedentes do CARF. Insurgese também a impugnante no que se refere à glosa efetuada em relação às despesas incorridas com fretes sobre devoluções e fretes sobre compras. Alega que, embora o artigo 3o, inciso IX, da Lei n° 10.833/03 autorize o crédito de despesas com fretes nas operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, a própria Receita Federal tem manifestado em diversas oportunidades o entendimento de também ser possível o direito a crédito sobre o frete na aquisição de bens e serviços utilizados como insumos no mercado interno e na importação, dessa vez com fundamento no inciso II do mesmo artigo. Cita precedente administrativo. Ainda quanto a este item, insurgiuse a impugnante quanto ao procedimento fiscal que procedeu à glosa proporcional às exportações realizadas pela empresa, no negócio de comercialização de grãos (BGO). Nesse tema, ressalta que, nas atividades de comercialização de grãos (BGO), atua como empresa comercial exportadora que, para consecução de suas atividades aquisição de mercadorias no mercado interno e posterior remessa para exportação , depende da contratação de pessoas jurídicas prestadoras de Fl. 3764DF CARF MF 26 serviços de transporte (frete) e armazenagem, arcando com o custo destes serviços. Assevera que, ao contrário das próprias mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, os serviços acessórios contratados pela Impugnante no desempenho de suas atividades não estão abarcados pela isenção ou não incidência das contribuições sociais, ou seja, os respectivos prestadores são contribuintes da contribuição para o PIS e da COFINS, motivo pelo qual, é assegurado o direito de tomada de crédito relativo a estas despesas, sob pena de incidência em cascata e "exportação de tributos" para o exterior do país, ferindo a competividade das commodities brasileiras em relação aos similares estrangeiros. Conclui que a impossibilidade de aproveitamento de créditos relativos à atividade das empresas comerciais exportadoras aplicase tão somente às mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, não se estendendo às demais aquisições procedidas pelas tradings companies na consecução de sua atividade comercial, tais como o frete e a armazenagem pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no país, nas operações de venda da Impugnante, como ocorreu no caso presente. 2.7. DESPESAS DE AQUISIÇÃO DE BENS PARA O IMOBILIZADO Neste item, não trouxe a suplicante contestação específica ao trabalho fiscal. DO PEDIDO Pede a conversão do julgamento em diligência. Formula quesitos. Pede o provimento integral da impugnação e o consequente cancelamento dos autos de infração. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por rejeitar as preliminares suscitadas pelo contribuinte em sua impugnação, e, no mérito, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constituído em sua integralidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. COMPETÊNCIA. A apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, qual seja o controle da legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais às normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando o contribuinte não logra demonstrar a sua necessidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 EXPORTAÇÃO DIRETA OU INDIRETA. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 3765DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.753 27 Estão fora do campo de incidência da contribuição para o PIS e da Cofins as receitas de exportação de bens realizadas direta ou indiretamente, via empresa comercial exportadora, desde que comprovadas por meio de documentação hábil. REGIME DE SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. Não se aplica o regime da suspensão da incidência de PIS/Cofins nas vendas de milho e soja em grãos efetuadas no mercado interno porque, no caso, a pessoa jurídica não é cerealista nem exerce atividade agropecuária, conforme definida pela legislação, mas, sim, mera revendedora de mercadorias adquiridas de terceiros. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Para a empresa comercial exportadora existe vedação legal expressa à apuração dos créditos relativos à Cofins e à contribuição para o PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. VEDAÇÕES. LIMITES ESTABELECIDOS EM LEI. As Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, com as alterações posteriores, e legislação complementar estabelecem os limites e condições para que a pessoa jurídica possa descontar créditos de contribuição para o PIS e de Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Para fins de apuração de créditos de Cofins, consideramse insumos as matériasprimas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, bem comoos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS o decidido em relação à Cofins exigida de ofício a partir da mesma matéria fática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 05/02/2015 (vide termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 3560 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 05/03/2015 Recurso Voluntário (fls. 3562/3728), através do qual requereu: (i) reconhecimento da nulidade da decisão recorrida em função da ausência de fundamentação no que tange a: (a) inobservância do regime jurídico Fl. 3766DF CARF MF 28 tributário da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não cumulativas no ato de lançamento de ofício (item II.1.1.1), (b) da impossibilidade de adoção de critérios jurídicos conflitantes na prática do lançamento de ofício (item II 1.1.2), (c) da nulidade dos AI devido à violação às regras do lançamento de ofício (artigo 149, inciso V do CTN – item II.1.1.3), (d) inexistência de decisão expressa quanto ao cancelamento da multa punitiva imposta com fundamento na IN RFB nº 977/09 (item II.1.2.1), (e) inexistência de decisão expressa quanto ao reconhecimento dos créditos não vinculados à receita com suspensão da incidência tributária de ofício nos termos do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e Lei nº 10.833/2003 (item II.1.2.2), (f) violação à ampla defesa e ao contraditório em razão do indeferimento da realização da diligência fiscal (artigo 5º, inciso I,V da CF/88 – item II.2); (ii) em relação ao mérito, que seja julgado integralmente procedente o Recurso Voluntário afastando integralmente os valores de PIS/Pasep e de COFINS, juros de mora e multa de ofício; (iii) caso não seja suspensa a cobrança em relação à Contribuição para PIS/Pasep o contribuinte requer o reconhecimento do direito ao crédito vinculado a essas receitas pela alíquota 9,25% conforme demonstrativo elaborado pela recorrente (fls. 1.646/1.972 – item IV.3.3 da Impugnação); (iv) requer em qualquer hipótese o afastamento da multa punitiva de 75% haja vista a vedação constante nos artigos 106, inciso I, e 100, parágrafo único, ambos do CTN, ante à irretroatividade da legislação para fins de aplicação de penalidades. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 3767DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.754 29 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 3562/3728), através do qual requereu: (i) reconhecimento da nulidade da decisão recorrida em função da ausência de fundamentação no que tange à: (a) inobservância do regime jurídico tributário da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não cumulativas no ato de lançamento de ofício (item II.1.1.1), (b) impossibilidade de adoção de critérios jurídicos conflitantes na prática do lançamento de ofício (item II 1.1.2), (c) nulidade dos AI devido à violação às regras do lançamento de ofício (artigo 149, inciso V do CTN – item II.1.1.3), (d) inexistência de decisão expressa quanto ao cancelamento da multa punitiva imposta com fundamento na IN RFB nº 977/09 (item II.1.2.1), (e) inexistência de decisão expressa quanto ao reconhecimento dos créditos não vinculados à receita com suspensão da incidência tributária de ofício nos termos do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e Lei nº 10.833/2003 (item II.1.2.2), (f) violação à ampla defesa e ao contraditório em razão do indeferimento da realização da diligência fiscal (artigo 5º, inciso I,V da CF/88 – item II.2); (ii) em relação ao mérito, que seja julgado integralmente procedente o Recurso Voluntário afastando integralmente os valores de PIS/Pasep e de COFINS, juros de mora e multa de ofício; (iii) caso não seja suspensa a cobrança em relação à Contribuição para PIS/Pasep o contribuinte requer o reconhecimento do direito ao crédito vinculado a essas receitas pela alíquota 9,25% conforme demonstrativo elaborado pela recorrente (fls. 1.646/1.972 – item IV.3.3 da Impugnação); (iv) requer em qualquer hipótese o afastamento da multa punitiva de 75% haja vista a vedação constante nos artigos 106, inciso I, e 100, parágrafo único, ambos do CTN, ante à irretroatividade da legislação para fins de aplicação de penalidades. Passarei, então, à análise do tópico de nulidade da decisão recorrida, por considerálo prejudicial à análise meritória da presente contenda. 1. Reconhecimento da nulidade da decisão recorrida em função da ausência de fundamentação no que tange à: (a) inobservância do regime jurídico tributário da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não cumulativas no ato de lançamento de ofício (item II.1.1.1), (b) impossibilidade de adoção de critérios jurídicos conflitantes na prática do lançamento de ofício (item II 1.1.2), (c) nulidade dos AI devido Fl. 3768DF CARF MF 30 à violação às regras do lançamento de ofício (artigo 149, inciso V do CTN – item II.1.1.3), (d) inexistência de decisão expressa quanto ao cancelamento da multa punitiva imposta com fundamento na IN RFB nº 977/09 (item II.1.2.1), (e) inexistência de decisão expressa quanto ao reconhecimento dos créditos da não vinculados à receita com suspensão da incidência tributária de ofício nos termos do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e Lei nº 10.833/2003 (item II.1.2.2), (f) violação à ampla defesa e ao contraditório em razão do indeferimento da realização da diligência fiscal (artigo 5º, inciso I,V da CF/88 – item II.2 Em resumo, a Recorrente alega em seu Recurso Voluntário que a decisão recorrida seria nula, visto que teria deixado de analisar vários argumentos trazidos pela mesma em sua impugnação, seja em sede de preliminares, seja em sede do mérito da contenda em questão. Em sua impugnação, apresentou a Recorrente os seguintes tópicos em sede de preliminar: (a) inobservância do regime jurídico tributário da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não cumulativas no ato de lançamento de ofício (item II.1.1.1), (b) impossibilidade de adoção de critérios jurídicos conflitantes na prática do lançamento de ofício (item II 1.1.2), (c) nulidade dos AI devido à violação às regras do lançamento de ofício (artigo 149, inciso V do CTN – item II.1.1.3). Ao analisar ditos argumentos preliminares, assim se manifestou a DRJ: DAS PRELIMINARES 1. Da preliminar de inobservância do regime jurídicotributário das contribuições sociais As questões suscitadas pela impugnante a esse título não são matérias que devam ser decididas em sede de preliminar, pois se confundem com o mérito. Com efeito, a alegação de que o lançamento fiscal desrespeita as disposições da legislação tributária vigente, ao desenquadrar regimes de incidência dessas contribuições e promover certas glosas de créditos, deve ser examinada no contexto do mérito da defesa. No mesmo sentido, a alegação de que uma parte da exigência fiscal teria afrontado os art. 100 e 144 do CTN. Rejeito, pois, a preliminar suscitada. 2. Da preliminar da impossibilidade de adoção de critérios jurídicos conflitantes na prática do lançamento de ofício As questões suscitadas pela impugnante a esse título não são matérias que devam ser decididas em sede de preliminar, pois se confundem com o mérito. À toda evidência deve ser examinada no contexto do mérito da defesa a alegação da impugnante de que “(...) não pode prosperar um lançamento (procedimento administrativo) em que dois atos subsequentes praticados sob a mesma rubrica e tendo por base os mesmos objetos têm consequências jurídicas distintas e contraditórias, bem como, em ambos os casos, prejudiciais à Impugnante, pois visam exigir contribuições sociais sobre vendas de sementes (NID) no mercado interno, de um lado atribuindoas um regime jurídico para fins de cálculo (lançamento) das contribuições incidentes sobre a receita bruta e, em um segundo momento (no mesmo processo V logo em seguida), não reconhecendo o respectivo direito ao creditamento por parte da Impugnante.” Rejeito, pois, a preliminar suscitada. Fl. 3769DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.755 31 3. Da nulidade dos autos de infração por violação às regras do art. 149, V, do CTN A alegação de que o lançamento fiscal limitouse a adotar presunções, no que tange aos elementos caracterizadores da ocorrência do fato gerador das aludidas contribuições sociais, deve ser examinada no contexto do mérito da defesa. Isso porque, no caso, somente quando do exame do mérito do lançamento será possível se concluir se restou comprovada (ou não) ação ou omissão do sujeito passivo, de que trata o art. 149, V, do CTN. De todo modo, no presente momento, o caso retrata situação que se encontra alcançada pelo art. 145, I, do mesmo Código, na medida em que o lançamento cientificado ao sujeito passivo foi tempestivamente impugnado. Rejeito, pois, a preliminar suscitada. Quanto ao primeiro argumento apresentado (inobservância do regime jurídicotributário das contribuições sociais), entendo que não há omissão no Acórdão recorrido. Ao analisar este argumento, a DRJ entendeu que "As questões suscitadas pela impugnante a esse título não são matérias que devam ser decididas em sede de preliminar, pois se confundem com o mérito". De outro norte, ao analisar o mérito da contendo em si, e tendo a DRJ naquela oportunidade concluído que a fiscalização observou corretamente o regime jurídicotributário das contribuições sociais, findou por tratar deste tópico preliminar. Não há, portanto, que se falar em nulidade da decisão recorrida sob este fundamento. No que tange ao segundo argumento apresentado (impossibilidade de adoção de critérios jurídicos conflitantes na prática do lançamento de ofício), sigo no mesmo sentido: não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. A DRJ pronunciouse expressamente no sentido de que "À toda evidência deve ser examinada no contexto do mérito da defesa a alegação da impugnante". E assim o fez ao analisar o mérito da contenda. Destaquese, inclusive, que o próprio contribuinte reconhece em seu Recurso Voluntário que a DRJ tratou sobre o tema, ainda que na sua visão de forma equivocada. É o que se extrai da transcrição a seguir, extraída da fl. 3573 do Recurso Voluntário: Se o contribuinte discorda dos fundamentos ali apresentados, este é um tema que deverá ser analisado quando da análise meritória do Recurso Voluntário, não representante nulidade da decisão recorrida. Fl. 3770DF CARF MF 32 Por último, quanto ao terceiro argumento (nulidade dos autos de infração por violação às regras do art. 149, V, do CTN), entendo que tampouco assiste razão ao contribuinte. Neste particular, ainda que entendendo que os argumentos trazidos pelo contribuinte se confundiam com o mérito da demanda, manifestouse a DRJ expressamente sobre o tema ao assim dispor: "De todo modo, no presente momento, o caso retrata situação que se encontra alcançada pelo art. 145, I, do mesmo Código, na medida em que o lançamento cientificado ao sujeito passivo foi tempestivamente impugnado". Em outras palavras, entendeu o julgador que não havia que se falar em nulidade do auto de infração, e que eventual discordância quanto aos fundamentos ali constantes poderiam ser apresentadas em sede de impugnação administrativa. Concordo com a decisão da DRJ em tal caso, pelo que afasto o argumento de nulidade do contribuinte. Em seguida, já acerca do mérito da contenda, alega a Recorrente que a decisão da DRJ seria nula visto que teria deixado de decidir expressamente quanto ao cancelamento da multa punitiva imposta com fundamento na IN RFB 977/09 (item II.1.2.1). Ocorre que, ao analisar a decisão da DRJ, verificase que houve expressa e minuciosa manifestação daquela instância julgadora sobre o tema em questão. É o que se verifica da transcrição a seguir: Aduziu a impugnante que, inobstante a vedação trazida a partir de 14 de dezembro de 2009, pelas alterações promovidas na IN SRF n° 660/06 pela IN RFB n°. 977/09, o artigo 9o da Lei n°. 10.925/04, que instituiu e atualmente dispõe sobre o regime de suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, não traz qualquer restrição ao benefício legal em comento, sendo ilegal não somente a própria restrição instituída por norma administrativa (art. 19 da IN RFB n°. 977/09), como também a tentativa de aplicação retroativa, disposta no artigo 22 da mesma norma administrativa. Concluiu que, pelo princípio constitucional da legalidade estrita, em matéria tributária, a norma administrativa no caso, a IN RFB n°. 977/09 não poderia, a pretexto de regulamentar a Lei, restringir benefícios fiscais concedidos por mencionada Lei. Não assiste razão à suplicante. (...) Constatase que as alterações introduzidas foram no sentido de clarear as situações de aplicação e vedação da suspensão de incidência do PIS/Cofins, sendo que o art. 11, que trata da produção de efeitos, não sofreu modificações. Assim, desde 4 de abril de 2006, é vedada a aplicação da suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (...). Nesse cenário, cabe ressaltar, por fim, três importantes aspectos. O primeiro é que a citada Instrução Normativa, ao regulamentar a mencionada Lei, o fez em consonância com normas já existentes na legislação tributária, de maneira a disciplinar em um único ato administrativo toda a matéria. O segundo aspecto que também merece ser destacado é que a norma inserta no artigo 9º da Lei n°. 10.925/04 autoriza, per si, a nossa conclusão no presente caso, ou, de outra forma, a regulamentação da referida Lei, pela IN SRF n° 660/06, permite concluir quais os requisitos necessários para que a venda de produtos, como os da fiscalizada, ocorra com a suspensão das mencionadas contribuições. Fl. 3771DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.756 33 Portanto, para o presente caso, diferentemente do que sustentou a suplicante, as alterações promovidas na IN SRF n° 660/06 pela IN RFB n°. 977/09, no artigo 9o da Lei n°. 10.925/04, não havendo que se falar em tentativa de aplicação retroativa de norma administrativa. Por último, é oportuno lembrar que não podem ser conhecidas as alegações da impugnante no sentido de que a presente exigência tributária violaria o princípio constitucional da legalidade estrita, entre outros princípios. Com efeito, a apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, qual seja o controle da legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais às normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Está fora de seu alcance, portanto, o debate sobre aspectos da constitucionalidade ou da legalidade da legislação, uma vez que o controle da constitucionalidade das normas é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, “a”, III da CF de 1988). Ou seja, não lhes compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário, e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. Afasto, portanto, a alegação de nulidade apresentada pela Recorrente em razão da suposta ausência de manifestação acerca do cancelamento da multa punitiva imposta com fundamento na IN RFB 977/09. Alega o contribuinte, ainda, que a decisão recorrida seria nula visto que teria violado os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório ao indeferir a realização de diligência fiscal. Novamente, deve ser afastado o argumento do contribuinte de nulidade da decisão recorrida, uma vez constatado que esta tratou da matéria dentro do que lhe autoriza a legislação que rege o processo administrativo tributário: DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA O pedido de diligência apresentado pela impugnante é prescindível. A uma porque farta foi a documentação anexada aos autos pela Fiscalização, permitindo ao Julgador firmar sua convicção acerca do litígio instaurado. A duas porque caberia ao contribuinte, nesta fase processual, carrear aos autos outros elementos de prova que entendesse pertinentes, consoante disciplina o art. 57, § 4º, do Decreto nº 7.574, de 2011. Vejase: Fl. 3772DF CARF MF 34 “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; ou III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A três porque os quesitos formulados pela impugnante, em sua grande maioria, visam a responder questões que dizem respeito à interpretação da legislação tributaria, cuja competência para fazêlo, no presente caso, é deste Colegiado. Rejeito, pois, o pedido de diligência. Por derradeiro, cumpre analisar o penúltimo argumento apresentado pela Recorrente no intuito de ter decretada a nulidade do acórdão recorrido, qual seja, inexistência de decisão expressa quanto ao reconhecimento dos créditos vinculados à tributação de ofício das receitas decorrentes de vendas com suspensão da incidência tributária, argumento este também relacionado ao mérito da presente contenda. Neste tópico, defendeu o contribuinte que, ao majorar a base de cálculo das contribuições sociais em discussão, nesta incluindo receitas decorrentes de vendas que, no entendimento da Recorrente, estariam sujeitas à suspensão da sua incidência, deveria a fiscalização ter apurado, de ofício, o respectivo crédito, em decorrência do regime não cumulativo que tais tributos se sujeitam. Destacou, inclusive, ter juntado à sua impugnação quadros demonstrativos dos valores dos créditos apurados, os quais foram novamente reproduzidos às fls. 3580/3581 do seu Recurso Voluntário. Ao analisar os autos, confirmo que o contribuinte, de fato, trouxe este argumento em sua impugnação, inclusive apresentado tópico específico nesse sentido (item IV.3.3 da impugnação) e pedido alternativo expresso ao final da sua peça de defesa (pedido descrito no item iii, à fl. 1.481 dos autos. A DRJ, por seu turno, embora tenha analisado de forma minuciosa se o contribuinte possuía ou não direito à suspensão do PIS e da COFINS nas vendas de soja e milho em grãos no mercado interno (vide tópico 1.2 da decisão da DRJ, a partir da fl. 3.526 dos autos), tendo concluído pela impossibilidade do usufruto da referida suspensão, deixou de apreciar este argumento subsidiário apresentado pelo contribuinte no sentido de que, uma vez desconsiderada a suspensão e incluídas tais receitas na base de cálculo do PIS e da COFINS, deveriam ter sido admitidos, da mesma forma, os créditos decorrentes da sistemática da não cumulatividade. Não identifiquei em nenhuma passagem da decisão recorrida qualquer análise acerca deste pleito específico do contribuinte. Mencionese, inclusive, que o relator da DRJ sequer mencionou este tópico/requerimento no relatório constante da sua decisão. Nesse contexto, entendo que houve, sob este viés, nulidade da decisão recorrida ao deixar de analisar tal argumento, inclusive em razão da planilha já apresentada aos autos com a indicação dos créditos que entende fazer jus, na hipótese de ser mantida a desconsideração da suspensão do recolhimento do PIS e da COFINS adotada pelo mesmo. Embora este pleito também pudesse, em tese, ser apreciado nesta instância recursal, seja através da sua análise por parte dos Conselheiros que compõem esta Turma Julgadora, ou mesmo através da baixa do processo em diligência, entendo que tal procedimento acarretaria Fl. 3773DF CARF MF Processo nº 10970.720062/201421 Acórdão n.º 3301004.190 S3C3T1 Fl. 3.757 35 supressão de uma instância de julgamento, em prejuízo do direito de defesa do contribuinte, o que não penso ser admissível. Diante do acima exposto, voto no sentido de reconhecer a nulidade da decisão recorrida, determinando que os autos retornem à DRJ para que esta se manifeste expressamente acerca do pleito subsidiário do contribuinte acima indicado. E, caso entenda necessária a realização de diligência para este fim, que determine a sua realização naquela instância de julgamento. Em razão dos argumentos aqui apresentados, deixo, portanto, de analisar as razões de mérito apresentadas pelo contribuinte em seus pleitos subsequentes, as quais deverão ser analisadas em momento futuro, caso as mesmas matérias retornem à discussão perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, após a nova decisão a ser proferida pela DRJ. 5. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins reconhecer a nulidade da decisão recorrida, determinando que os autos retornem àquela instância de julgamento para que nova decisão seja proferida com a inclusão da análise do pleito subsidiário do contribuinte no sentido de que, uma vez desconsiderada a suspensão e incluídas tais receitas na base de cálculo do PIS e da COFINS, deveriam ter sido admitidos os créditos decorrentes da sistemática da não cumulatividade (item IV.3.3 da impugnação). É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 3774DF CARF MF
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