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Numero do processo: 13502.721526/2012-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010
CONCOMITÂNCIA DAS VIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DE DEMANDAS. NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 1301-002.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Jose Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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IDENTIDADE DE DEMANDAS. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Jose Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa e Bianca Felicia Rothschild. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 15 26 /2 01 2- 60 Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.282 2 Tratase de recurso voluntário interpost por DETEN QUÍMICA S/A contra acórdão nº 1147.235 da 4ª Turma da DRJ/Recife. Por bem retratar os fatos, reproduzo o relatório da DRJ, adotandoo: “Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração, com ciência pessoal, em 30/10/2012, para exigência de crédito tributário nos valores a seguir especificados: 2. Conforme descrição dos fatos, o lançamento foi decorrente da seguinte infração, com descrição em sequência: “0001 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL”. A contribuinte, tributada pelo lucro real, adota apuração anual do IRPJ e da CSLL, com mecanismo de suspensão ou redução dos tributos por meio de balancetes mensais. Preencheu, nas DIPJ 2010 e 2011, o demonstrativo de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido anual (fichas 17) sem apresentar o cálculo das estimativas mensais (ficha 16). Os valores de CSLL anual e suas estimativas mensais não foram declarados em DCTF, tampouco recolhidos por DARF, adotando tal procedimento por dispor de decisão judicial favorável através do processo de Ação Ordinária nº 89.01.13929 4, que declarou a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, tendo o seu trânsito em julgado conforme documentação apresentada. Informa que a Fazenda Nacional não ingressou com Ação Rescisória, apresentando Certidão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região para justificar a afirmativa. Apesar do disposto, o Parecer nº 1.277 de 17/11/1994, DOU de 28/12/1994, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, tratando dos efeitos de decisão judicial transitada em julgado, em ação ordinária, relativamente à CSLL, manifestouse que “... a declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros...”. Assim, verificase que nas relações jurídicotributárias de natureza continuativa entre o Fisco e o contribuinte não é cabível a alegação da exceção da coisa julgada em relação aos fatos geradores ocorridos após as alterações legislativas, que também é o caso ora tratado. A sentença judicial transitada em julgado que afasta a aplicação da Contribuição Social referese à legislação editada em 1988, mas, após essa data, ocorreram diversas alterações legislativas, a exemplo das Leis 7.988/89, 8.034/90, 8.212/91, 8.981/95, 9.065/95, 9.249/95, 9.316/96, 9.430/96, 9.532/97, 9.779/99, 10.426/02, 10.637/02, 10.684/03, 10.931/04, 11.051/04, 11.196/05, 11.487/07, 11.452/07, 11.727/08, 11. 774/08, 11.941/09, além das MP nº 2.15835/01 e Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.283 3 449/2008 e da Lei Complementar nº 70/91, dentre outras. O fato gerador objeto do Auto de Infração ocorreu nos anoscalendário de 2009 e 2010, portanto, em data posterior à ocorrência daquelas alterações legislativas. Observase que a sentença transitada em julgado apresentada pela impugnante não se constitui em óbice à incidência tributária da CSLL e que a autoridade lançadora, no uso da competência atribuída pelo art. 142 do CTN, realize o lançamento cabível, inclusive com os consectários legais de multa e juros. O interessado, entretanto, impetrou o Mandado de Segurança nº 2003.33.00.0148690 contra a inscrição em dívida ativa de um crédito tributário decorrente de lançamento de ofício da CSLL, requerendo, ainda, que a autoridade lançadora se abstivesse de efetuar novas autuações sobre a matéria, obtendo decisão favorável quanto aos pleitos. Para sanar as dúvidas quanto ao alcance da decisão judicial no Mandado de Segurança em questão, o Grupo de Ações Judiciais da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari emitiu o Parecer Sarac nº 29/2007, de 31/05/2007, que se manifesta no sentido em de que os lançamentos por não pagamento ou confissão dos débitos de CSLL devem ser efetuados com suspensão de sua exigibilidade, a fim de se prevenir a decadência. Assim, procedeuse à constituição, por meio deste auto de infração, dos créditos tributários da CSLL, anoscalendário 2009 e 2010, decorrentes da não confissão desses débitos em DCTF e nem dos seus recolhimentos. A contribuinte apresentou os demonstrativos de apuração da CSLL, conforme solicitados no curso dos trabalhos. As informações prestadas foram cotejadas com o Lalur e com a escrituração contábil digital (ECD) da contribuinte no ambiente SPED. As apurações anuais da CSLL, com as respectivas adições e exclusões, lançadas por meio de auto de infração, estão demonstradas no Anexo I, integrante deste documento. “Em consonância com o Acórdão 1524.684 da 2a Turma da DRJ/SDR, que julgou improcedente o lançamento da multa por não recolhimento da CSLL sobre a base estimada para o mesmo contribuinte, sobre o mesmo tributo, para o ano de 2008, em função do ‘exercício de direito reconhecido por sentença’ (mesma situação de hoje), não será efetuado o lançamento da referida multa”. Fato gerador: 31/12/2009; Valor tributável ou contribuição: R$ 3.874.243,94; Multa R$ 0,00; Fato gerador: 31/12/2010; Valo tributável ou contribuição: R$ 7.096.640,23. Multa R$ 0,00. 3. Cientificada do Auto de Infração por meio de ciência pessoal em 30/10/2012 (fl. 485), a empresa apresentou impugnação, fls. 711 a 781, em 27/11/2012, conforme carimbo de fl. 711, na qual alega que: 3.1. a autoridade autuante procurou explicar, à sua maneira, as razões da autuada para o não recolhimento do tributo; 3.2. com base em parecer procedeu ao lançamento, assinalando que, afastada a suspensão da exigibilidade, seja por falta ou insuficiência do depósito, caducidade ou cassação desfavorável ao sujeito passivo, o ora impugnante deverá, conforme teor e extensão do julgado, recolher total ou parcialmente o crédito lançado, com os acréscimos legais cabíveis, sob pena de inscrição na dívida ativa; Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.284 4 3.3. procurará demonstrar que a autuação padece de vícios que a maculam visceralmente; 3.4. com a instituição da CSLL, pela Lei 7.689/1988, a recorrente, juntamente com centenas ou milhares de outras empresas nacionais, pondo em dúvida a constitucionalidade da exação, ingressou com a Ação Cautelar, processo 89.12932, no Juízo da 4a Varal Federal da Seção Judiciária da Bahia, e depois com a Ação Ordinária Declaratória, processo 1.8809/89, pedindo a declaração de inexistência de relação jurídica que lhe obrigasse a recolher a CSLL instituída pela Lei 7.689/88, pois, a mesma, a) não foi instituída por lei complementar, exigida pelo art. 195, §4º da Constituição Federal, mas por lei ordinária; b) por ter os mesmos fato gerador e base de cálculo do imposto de renda; c) por ferir princípio da irretroatividade das leis, ao abarcar fatos geradores entre 1o de janeiro e 31 de dezembro de 1988; e d) porque exigida sem observância do lapso de 90 dias previsto no art. 195, §6º da Constituição; 3.5. as referidas ações foram julgadas procedentes, tendo a sentença da Ação Declaratória o seguinte teor: “Diante do exposto, julgo procedente a ação. Façoo para declarar inexistente a relação jurídica que obrigue a empresa Autora a recolher a contribuição social instituída pela Lei n° 7.689, de 15.12.88, QUER NO PERÍODOBASE ENCERRADO EM 31.12.88, QUER NOS EXERCÍCIOS FINANCEIROS SEGUINTES." (grifos do impugnante); 3.6. foi negado provimento ao recurso de apelação da Fazenda Nacional (Apelação Cível n° 89.01.139294BA), pela Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 1a Região, por unanimidade, lavrado o acórdão com ementa de inconstitucionalidade da lei 7.689, de 15/12/1988, que instituiu a CSLL, por violar os arts. 146, inc. III; 154, inc. I; 165, § 5o, inc. III; e 195, §§ 4o e 6o, da Constituição Federal de 1988; 3.7. interpostos pela União Recurso Especial e Recurso Extraordinário, o primeiro foi inadmitido no TRF1a Região e o segundo admitido, todavia o Ministro do STF Ilmar Galvão, relator, negoulhe seguimento, com base no art. 38, da Lei n° 8.038/90, e no parágrafo 1o do art. 21 do RI/STF, sob o argumento de que "... não havendo nos autos os fundamentos da declaração incidental de inconstitucionalidade, o recurso extraordinário não poderia ser conhecido, à falta do indispensável pré questionamento (sic), com aplicação das Súmulas 282 e 356"; 3.8. assim, conforme certidão do STF, constante do documento nº 3, as decisões que garantiram à recorrente o não recolhimento da CSLL no período encerrado em 31/12/88 e nos exercícios financeiros seguintes, transitaram em julgado em 07 de dezembro de 1992; 3.9. intimado pessoalmente em 22/11/96, o Procurador da Fazenda Nacional no Estado da Bahia declarou nos autos que “A Ré nada mais tem a postular neste autos”; 3.10. após decisões dos TRF da 1a e da 5a Regiões, declarando a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, e dos TRF da 3a e 4a Regiões reconhecendo apenas a sua inconstitucionalidade parcial, em julgamento de 29/06/1992, no RE 146.733SP, o STF pacificou jurisprudência, admitindo a constitucionalidade da Lei nº 7.689/88 exceto em relação ao seu art. 8º; 3.11. “a partir de então, a UNIÃO FEDERAL passou a ingressar com inúmeras ações rescisórias das sentenças que lhe eram contrárias, obtendo, em geral, seguidas vitórias. Exemplo dessas ações é a constante do DOE. n° 4 c/ 14 fls. Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.285 5 dos autos, movida contra a DETENPAR EMPREENDIMENTOS LTDA, empresa componente do mesmo grupo de que participa a Recorrente”; 3.12. quando há coisa julgada, ela precisa ser desconstituída por meio de ação rescisória. Havendo coisa julgada e não tendo a Fazenda Nacional promovido a ação rescisória, deverá essa delegacia julgar improcedente a presente autuação; 3.13. no caso da Deten Química S/A, a União, ou a Fazenda Nacional, em momento algum em todos esses anos desde o trânsito em julgado da decisão que a favoreceu, jamais pleiteou a rescisão do decisório, o que não mais poderá fazêlo, pela verificação da preclusão há quase 20 anos; 3.14. utilizase a Fazenda Nacional, irregularmente, de meios de coerção de que dispõe, condenados até em Súmulas do STF (nºs 70, 323 e 547), classificados, pelo tributarista que cita, como excesso de exação; 3.15. nos sistemas jurídicos civilizados a regra é a imutabilidade da coisa julgada material; a rescindibilidade é a exceção. Transcreve excertos doutrinários sobre sentença e coisa julgada e argumenta que a sentença transitada em julgado, pela preclusão, é insuscetível de ação rescisória, não podendo ser desrespeitada por auto de infração ou qualquer meio, somente podendo ser atingida ou modificada por outra lei que viesse a regular fatos idênticos e somente para efeitos futuros e a partir de nova decisão judicial que viesse a aplicar a lei nova. Transcreve mais excertos doutrinários; 3.16. cita entendimento doutrinário sobre a questão da relação jurídica continuativa, mencionada no auto de infração, e até em Súmulas do STF, mostrando que a adaptação do julgado anterior em face de mudança superveniente somente é autorizada através de outra ação, prevista no art. 471, I, do CPC, mas que “decorrido o biênio sem a propositura da rescisória, há coisa soberanamente julgada, o que também se verifica depois de transitado em julgado decisão declarando improcedente a rescisória”; 3.17. faz menção a outro doutrinador, para destacar que, no âmbito tributário, se a questão é sobre um dado lançamento, a sua revogação não obsta o lançamento no exercício seguinte, mas que situação diversa é que pretende a inconstitucionalidade de um tributo, nesse caso sendo incogitável submeter os efeitos dessa decisão e respectiva coisa julgada ao enunciado da Súmula STF nº 239; 3.18. o enunciado da Súmula 239 do STF, de que a “decisão que declara indevida cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores”, só pode ser entendido à luz do objeto do processo. Se este afeta o tributo, abarcando, inclusive sob fundamento de inconstitucionalidade, e a própria relação jurídica entre Fisco e contribuinte, é insustentável sua aplicação, que fica restrita a hipóteses em que o objeto do processo delimita os efeitos da sentença a determinado exercício; 3.19. ilustres tributaristas reconhecem que nos casos de elementos permanentes e imutáveis da relação jurídica, à coisa julgada devese atribuir ação permanente. “A jurisprudência, embora não uniforme, se inclina, majoritariamente, para encampar a tese acima preconizada, restringindo o alcance da citada Súmula e aplicandoa em consonância com os limites do objeto do processo”. Cita algumas decisões do STF e STJ, inclusive uma em favor da Fazenda Nacional, mas com defesa de tese idêntica; Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.286 6 3.20. como no processo em causa, o objeto do julgamento com coisa julgada material citado também abrangeu toda a relação jurídica, não se restringindo a algum(ns) exercício(s); 3.21. análise dos limites da coisa julgada põe por terra argumento de que a declaração de inexistência da relação tributária ficaria adstrita a determinados exercícios, a menos que o objeto do processo seja limitado a determinado(s) lançamento(s); 3.22. não há que se falar em relação continuativa porque, conforme amplamente aceito na doutrina e na jurisprudência, a circunstância de a relação tributária projetarse no futuro não prejudica sua unidade, pois, “salvo modificação ou jurídica, ‘é a mesma, renovada período a período de apuração’”; 3.23. não há, no caso, qualquer modificação fática ou jurídica que justifique a desconsideração da autoridade da coisa julgada, não havendo, conforme doutrina, variação ‘quanto aos pressupostos de qualidade ou quantidade’; 3.24. do “exame de cada um dos diplomas legais posteriores que se referiram à contribuição social sobre o lucro, vêse que efetivamente não houve revogação da lei que instituiu a exação e nem esta passou a ser regida por nova norma”; 3.25 a modificação de fato ou de direito apta a infirmar a autoridade da coisa julgada há que recair sobre o que a doutrina denomina de "verdadeiramente essenciais"; 3.26. modificações introduzidas pelos diplomas posteriores, listados pelo Auto de Infração, que, na essência, reafirmaram a cobrança da exação, podem e devem ser entendidas como típicas modificações "confirmatórias" da situação anterior, e não alterarar os elementos fáticos de fundamento à cobrança, que serviram de fundamento à sentença que declarou a inexistência de relação jurídica e, portanto, a inexigibilidade; 3.27. “a tese de que a edição de ‘nova lei’ justificaria afastarse a autoridade da coisa julgada ao que consta, encampada por uma parte da jurisprudência do STJ não pode vingar porque, no caso em discussão, não há "nova lei" que altere a "gênesis do pronunciamento" judicial (para usar as palavras da doutrina). Simples edição de uma nova lei sobre o tema não significa nova lei apta a afastar a lex specialis estabelecida pela sentença transitada em julgado”; 3.28. “... significaria grave comprometimento do sistema de direitos e garantias individuais abrirse margem para que o Legislador alterasse os efeitos e respectiva imutabilidade do ato proferido pelo Judiciário, depois de observado o devido processo legal...”; 3.29. suposta modificação a afastar a coisa julgada estaria em declaração superveniente de constitucionalidade, feita incidentalmente no STF, no julgamento de outro caso concreto. Tal declaração, ainda que tivesse efeito vinculante, e não tem, não poderia jamais afetar a coisa julgada, em prol da segurança jurídica, além do que a declaração de constitucionalidade não pode ir além dos limites do próprio processo em que proferida; 3.30. assim como tratado, monografia ou parecer não são sentenças, também não o são as Súmulas do STF, notadamente a Súmula 239 nem a jurisprudência iterativamente invocada, notadamente referente a ICM, a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, ou à orientação restritiva da Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.287 7 coisa julgada em matéria tributária, de modo a excluir os motivos e fundamentos da sentença (cita decisões); 3.31. já foram vistas acima inúmeras divergências e questionamentos dos ministros nesses pronunciamentos, o que leva a considerar que ainda não foi fixado o correto entendimento dos mesmos, os quais podem até, eventualmente, servir de orientação, paradigma, ou lições doutrinárias, mas não têm, força de alterar coisa julgada material; 3.32. cita excerto de parecer de processualista juntado à já mencionada Ação Rescisória movida pela Fazenda Nacional contra a coligada da recorrente, Detenpar Empreendimentos Ltda (Doc 7 dos autos), em que o mesmo argumenta que não importa que decisão do STF no recurso extraordinário invocado pela Fazenda noutra lide semelhante venha a merecer solução diversa, pois causas de mesma natureza recebem tratamento díspar, devendose respeitar a coisa julgada. Aduz que “O julgamento do Supremo Tribunal Federal, no recurso extraordinário n°. 146.733, é insuscetível de alterar acórdãos, transitados em julgado(...)” e que “se, no sistema constitucional brasileiro, as decisões do mais alto Tribunal de Justiça do país sequer obrigam às cortes inferiores, seria disparate sustentar que elas alterariam uma sentença transitada em julgado”; 3.33. o mesmo processualista continua sua argumentação de que “ainda que, em ação direta de inconstitucionalidade, o Supremo Tribunal Federal houvesse repelido, ou venha a rejeitar, a arguição de inconstitucionalidade da Medida Provisória n° 22 e da Lei n° 7.689/88, acolhida no acórdão favorável à Suplicada, esse eventual julgamento não afetaria a coisa julgada, na ação ordinária da Suplicada. (...)”; 3.34. apresenta posicionamentos doutrinários na linha de que as Súmulas do STF não são normas, mas enunciados sobre normas, sequer normas sobre normas. Transcreve ementa de decisão do Conselho de Contribuintes que dispõe que “O alcance dos efeitos da coisa julgada material, quando se trata de fatos geradores de natureza continuada, não se projeta para fatos futuros, a menos que assim expressamente determine em cada caso o Poder Judiciário”; 3.35. a relativização da coisa julgada no CPC só ocorre no caso de decisão do STF declarando a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo o que não ocorre aqui em que a decisão do STF é no sentido de afirmar a constitucionalidade da lei. Transcreve excertos dos arts. 4751 e 741 do CPC de decisão do STJ sobre aplicação do art. 741 do CPC entre outros aspectos; 3.36. lembra que “a sentença transitada em julgado na qual a ora recorrente logrou êxito considerou inconstitucional a incidência da CSLL que, posteriormente o STF veio a considerar constitucional” e conclui que “nem mesmo a nova legislação, que relativizou a coisa julgada, alcançou a situação na qual se encontra a ora Recorrente”; 3.37. “... a sentença que possui, proferida pelo MM. Juízo da 14a. Vara Federal (Dr. Durval Carneiro Neto, da 13a. Vara Federal em exercício na 14a. Vara Federal), no Mandado de Segurança n. 2003.33.00.0148690 mencionada no auto de infração como fato capaz de suspender a exigibilidade do crédito tributário —, decidiu no sentido de conceder a ordem para cancelar a inscrição na dívida ativa de débitos decorrentes da CSLL contra o ATO IDÊNTICO ao objeto da presente autuação, vale dizer, de inscrição na dívida ativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido”. Transcreve trechos da sentença; Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.288 8 3.38. afirma que “as autoridades fiscais tomaram ciência da ordem por via de oficio” e que “Na seqüência, a União recorreu dessa decisão”, que se achava, conforme continua “pendente de julgamento pelo Tribunal Regional Federal 1a Região (...)”; 3.39. “Examinando a mesma questão de direito, havendo discrepância apenas com relação ao período objeto do questionamento, reconheceu o Juízo da 14a Vara Federal (ainda que outro magistrado) que "..., não houve modificação da situação fáticojurídica no tocante à base de cálculo da CSLL, que continuou sendo a mesma: o lucro das 3.32. cita excerto de parecer de processualista juntado à já mencionada Ação Rescisória movida pela Fazenda Nacional contra a coligada da recorrente, Detenpar Empreendimentos Ltda (Doc 7 dos autos), em que o mesmo argumenta que não importa que decisão do STF no recurso extraordinário invocado pela Fazenda noutra lide semelhante venha a merecer solução diversa, pois causas de mesma natureza recebem tratamento díspar, devendose respeitar a coisa julgada. Aduz que “O julgamento do Supremo Tribunal Federal, no recurso extraordinário n°. 146.733, é insuscetível de alterar acórdãos, transitados em julgado(...)” e que “se, no sistema constitucional brasileiro, as decisões do mais alto Tribunal de Justiça do país sequer obrigam às cortes inferiores, seria disparate sustentar que elas alterariam uma sentença transitada em julgado”; 3.33. o mesmo processualista continua sua argumentação de que “ainda que, em ação direta de inconstitucionalidade, o Supremo Tribunal Federal houvesse repelido, ou venha a rejeitar, a arguição de inconstitucionalidade da Medida Provisória n° 22 e da Lei n° 7.689/88, acolhida no acórdão favorável à Suplicada, esse eventual julgamento não afetaria a coisa julgada, na ação ordinária da Suplicada. (...)”; 3.34. apresenta posicionamentos doutrinários na linha de que as Súmulas do STF não são normas, mas enunciados sobre normas, sequer normas sobre normas. Transcreve ementa de decisão do Conselho de Contribuintes que dispõe que “O alcance dos efeitos da coisa julgada material, quando se trata de fatos geradores de natureza continuada, não se projeta para fatos futuros, a menos que assim expressamente determine em cada caso o Poder Judiciário”; 3.35. a relativização da coisa julgada no CPC só ocorre no caso de decisão do STF declarando a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo o que não ocorre aqui em que a decisão do STF é no sentido de afirmar a constitucionalidade da lei. Transcreve excertos dos arts. 4751 e 741 do CPC de decisão do STJ sobre aplicação do art. 741 do CPC entre outros aspectos; 3.36. lembra que “a sentença transitada em julgado na qual a ora recorrente logrou êxito considerou inconstitucional a incidência da CSLL que, posteriormente o STF veio a considerar constitucional” e conclui que “nem mesmo a nova legislação, que relativizou a coisa julgada, alcançou a situação na qual se encontra a ora Recorrente”; 3.37. “... a sentença que possui, proferida pelo MM. Juízo da 14a. Vara Federal (Dr. Durval Carneiro Neto, da 13a. Vara Federal em exercício na 14a. Vara Federal), no Mandado de Segurança n. 2003.33.00.0148690 mencionada no auto de infração como fato capaz de suspender a exigibilidade do crédito tributário —, decidiu no sentido de conceder a ordem para cancelar a inscrição na dívida ativa de débitos decorrentes da CSLL contra o ATO IDÊNTICO ao objeto da Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.289 9 presente autuação, vale dizer, de inscrição na dívida ativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido”. Transcreve trechos da sentença; 3.38. afirma que “as autoridades fiscais tomaram ciência da ordem por via de oficio” e que “Na seqüência, a União recorreu dessa decisão”, que se achava, conforme continua “pendente de julgamento pelo Tribunal Regional Federal 1a Região (...)”; 3.39. “Examinando a mesma questão de direito, havendo discrepância apenas com relação ao período objeto do questionamento, reconheceu o Juízo da 14a Vara Federal (ainda que outro magistrado) que "..., não houve modificação da situação fáticojurídica no tocante à base de cálculo da CSLL, que continuou sendo a mesma: o lucro das pessoas jurídicas””, concluindo “que seria "forçoso reconhecer que a sentença transitada em julgado afastou a impetrante da cobrança de qualquer contribuição social (pouco importando o nomem júris que se lhe dê ou o veículo formal de sua instituição) cujo fato gerador fosse idêntico ao do imposto de renda da pessoa jurídica. E o fez com base em normas constitucionais, que ainda continuam em vigor (art. 154, I c/c 195, § 4o)."”; 3.40. “Aí está a evidência de que o Auditor Fiscal ... não examinou, como deveria, d.v., as leis supervenientes à Lei n. 7689/88, para ... verificar se elas teriam operado a mudança da CSLL, ... a alterar a coisa julgada com base no inciso I, do art. 471 do CPC”; 3.41. inexistente qualquer alteração da CSLL, subsiste a coisa julgada em favor da Recorrente, que somente poderia ser desconstituída por meio da ação rescisória, o que reclama o acolhimento dessa defesa e a improcedência da autuação; 3.42. o Auditor Fiscal admite, em tese, a idoneidade da alegação da Autuada de que seria necessário o ajuizamento da ação rescisória para desconstituir a decisão transitada em julgado em favor da Recorrente mas a afasta sob a alegação de que teria ocorrido alteração legislativa na CSLL após a obtenção da coisa julgada, sem perceber que as leis supervenientes não promoveram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo da CSLL, conforme entendimento do STJ, a despeito do que vier a decidir no recurso repetitivo; 3.43 em julgamento de 2007, o STJ examinou a legislação superveniente à Lei n. 7.856/89, alterando sua jurisprudência para reconhecer que "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídico tributária". Transcreve ementa e trechos de relatório e voto de decisão do STJ sobre a matéria, com conclusões de tal voto de que “... Por isso, o Fisco está impedido de cobrar exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material” para o caso ali em apreço; 3.44. a situação sob exame é “rigorosamente a mesma, pois a decisão transitada em julgado em favor da ora recorrente: (a) julgou “procedente a ação... para declarar inexistente a relação jurídica que obrigue a empresa autora a recolher a contribuição social instituída pela Lei n. 7.689, de 15.12.88, quer no períodobase encerrado em 31.12.88, quer nos exercícios financeiros seguintes"”, e um dos seus fundamentos era o de que (b) "além desse aspecto (não utilização da lei complementar), outro, do mesmo nível de importância, é que, face à remissão ao inciso I do art. 154, pelo § 4o do art. 195, as contribuições sociais novas não podem ter fato gerador ou base de cálculo próprios dos impostos já existentes" e, mesmo assim, "a Lei n. 7.689/88 elege como base de cálculo da contribuição que pretende Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.290 10 instituir o lucro das pessoas jurídicas (arts. 1° e 2o), o que já é próprio do imposto de renda (cf., art. 44 CTN e 153 RIR/80), além de praticamente assemelhar o seu fato gerador ao deste imposto (IR) aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica (art. 43 CTN)"; 3.45. esse novo entendimento, surgido em 2007, constou de acórdão unânime da 1a Seção do STJ, que ressaltou a necessidade do ajuizamento da ação rescisória para desconstituir a coisa julgada obtida pelo Contribuinte. Transcreve ementa e trechos de decisão do STJ (ERESP 731.250/PE), em que destaca a existência de “PRESSUPOSTOS E CONDIÇÕES DA CSLL PERPETUADOS NAS LEIS 7.856/89 E 8.034/90, A LC 70/91 E AS LEIS 8.383/91 E 8.541/92”, e reafirma que, “Por isso, está impedido o Fisco cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material”, destacando o entendimento de que “somente com ação rescisória, se tivesse sido proposta a ação rescisória para desconstituir, em parte, o acórdão, para limitar aquele exercício de 1989 é que se poderia entender inaplicável o acórdão às situações posteriores”, e que, nesse contexto, o não pagamento da CSLL não se consubstancia em ilegalidade, pois autorizado pela coisa julgada, concluindo que no caso ali em apreciação não houve real mutação dos critérios, pressupostos e condições que já haviam sido objeto de expressa declaração de inconstitucionalidade; 3.46. não se trata de caso isolado, tendo o STJ voltado a reafirmar a necessidade de ajuizamento de ação rescisória pela União contra decisões que tivessem reconhecido inconstitucionalidade material da CSLL. Transcreve excertos de outras decisões do STJ sobre efeitos da coisa julgada, superveniência de nova legislação e não incidência de Súmula 239/STF; 3.47 “Não poderia, pois, o Fisco, proceder à inscrição na dívida ativa de tributo considerado inconstitucional em face da Recorrente, sem que promovesse, antes, a necessária ação rescisória visando a desconstituir a coisa julgada”; 3.48. as leis ordinárias “trataram apenas de promover a alteração da alíquota da CSLL”. Transcreve art. 23 da Lei 8.212/91, art. 19 da Lei 9.249/95, art. 37 da Lei 10.637/02, art. 6º da M 1.858/99, não havendo alteração do fato gerador e base de cálculo pela Lei 8.034/90, conforme caput do art. 2o, da Lei 7.689/88, permanecendo a regra de que "A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda", logo, ao contrário do afirmado no auto de infração, as leis ordinárias supervenientes à Lei 7.689/88 não promoveram qualquer alteração da base de cálculo da CSLL; 3.49. a LC n. 70/91 apenas tratou de repristinar as normas da Lei nº 7.689/88, igualmente restando mantida a situação de fato e de direito considerada inconstitucional pela sentença transitada em julgado, qual seja, a previsão de fato gerador e de base de cálculo idênticos à do Imposto de Renda, conforme o art. 11 da LC n 70/91; 3.50. em Parecer oferecido para a Recorrente (cópia anexa) Cândido Dinamarco afirmou que " deve ficar muitíssimo claro não há, no caso em discussão, qualquer modificação fática ou jurídica que justifique a desconsideração da autoridade da coisa julgada. Não houve, para empregar os termos da mais autorizada doutrina, variação "quanto aos seus pressupostos de qualidade ou quantidade", que permaneceram rigorosamente inalterados"; Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.291 11 3.51. “Permanece, assim, intangível, em razão da coisa julgada, o dispositivo da sentença que afastou a exigibilidade da CSLL da ora Recorrente, porque utilizada a mesma base de cálculo e o mesmo fato gerador do Imposto de Renda, cujos termos convém reproduzir: ‘Diante do exposto, julgo procedente a ação. Façoo para declarar inexistente a relação jurídica que obrigue a empresa autora a recolher a contribuição social instituída pela Lei n. 7.689, de 15.12.88, quer no períodobase encerrado em 31.12.88, quer nos exercícios financeiros seguintes’”.; 3.52. o lançamento mostrase contrário à coisa julgada que impede a recorrente de ser cobrada a pagar CSLL; 3.53. o caso sob exame é diverso dos demais submetidos ao Judiciário seja porque a sentença transitado em julgado expressamente declarou que teria eficácia sobre os exercícios seguintes, seja porque apoiouse não apenas em exigência de lei complementar para instituição da CSLL, mas também por ser ela inconstitucional por possuir a mesma base e o mesmo fato gerador do imposto de renda e porque a Fazenda Nacional esqueceuse de ajuizar ação rescisória para desconstituir a sentença transitada em julgado; 3.54. a recorrente solicitou vários pareceres, todos opinando que, no caso, faziase necessária ação rescisória para desconstituir a coisa julgada. Passa a transcrever compreensões de Cândido Rangel Dinamarco, Souto Maior Borges, Ada Pelligrini Grinover, e aduz que estes chegaram à mesma conclusão do Juiz da 13a Vara Federal em exercício na 14a Vara Federal ao julgar o Mandado de Segurança nº 2003.33.00.0148690, de que as leis posteriores não promoveram a alteração da relação fática e jurídica da CSLL; 3.55. “o direito processual brasileiro não admite a rescisão da sentença, ou do acórdão transitado em julgado, apenas porque outro julgamento foi proferido em sentido contrário, ainda que por tribunal mais alto, excetuada, reafirmese, a hipótese recém introduzida ao Código de Processo Civil”; 3.56. a partir da compreensão da doutrina kelseniana da moldura do direito, dentro da qual o direito é positivado, conforme ainda outros autores citados, é impossível pensar que uma simples interpretação divergente consiste em erro ou violação literal de lei, face a outras interpretações, sendo normal no sistema jurídico a possibilidade da coexistência de coisas julgadas contrárias; 3.57. precedentes recentes do STJ e TRF 1a Região foram por “exame detalhado das Leis supervenientes à Lei n° 7.689/88, para verificar se efetivamente ... tais leis supervenientes criaram nova relação jurídicotributária de CSLL, tendo concluído que tais leis restringiramse puramente e simplesmente em modificar a alíquota e a base de cálculo, razão pela qual, havendo coisa julgada em favor do contribuinte e não tendo a Fazenda ajuizado ação rescisória para desconstituir a sentença (como é o caso da Recorrente) ficaria a Fazenda Nacional impedida de cobrar a exação”. Transcreve ementas de decisões do STJ que dispõem que a Súmula 239/STF, na qual consta que “decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício, não faz coisa julgada em relação aos posteriores”, não se aplica apenas a decisão que tratou de direito material declarando a inexistência de relação jurídicotributária e que as Leis 7.856/89, 8.034/90, LC 70/91, e Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária, ficando o fisco impedido de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992; Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.292 12 3.58. “... tramitam perante a Justiça Federal, assim como perante os diversos TRFs e também perante o Superior Tribunal de Justiça diversos processos envolvendo os limites objetivos da coisa julgada, dadas as alterações legislativas posteriores ao trânsito em julgado de sentença declaratória de inexistência de relação jurídica tributária no tocante à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei 7.689/88”; 3.59. assim “... como já se decidiu em favor da DETEN no Mandado de Segurança relativo ao Processo n° 2003.33.00.014869 0, que "as alterações posteriores da Lei n° 7.689/88 não têm o condão de atingir a coisa julgada, pois a CSLL não sofreu nenhuma modificação substancial, permanecendo a hipótese de incidência, prevista na norma em comento, inalterada até os dias de hoje"”; 3.60. “Dada a multiplicidade de recursos, a Relatora de um dos recursos especiais que tramitavam no STF, Ministra Denise Arruda, ao apreciar o Recurso Especial n° 1.118.893, decidiu submeter a matéria a apreciação da Primeira Seção/STJ, diante da afetação de recurso repetitivo e ao mesmo tempo suspendeu o julgamento de todos os demais recursos especiais na forma prevista no art. 543 C, do CPC” (sic); 3.61. “Em 14/03/2011, o RESP 1.118.893, foi julgado procedente por unanimidade, dando provimento ao Recurso Especial supra mencionado, tendo sido afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, e assim, não tem aplicação o enunciado n° 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal”. Está juntando o inteiro teor do acórdão lavrado no RESP 1.118.893/MG (Doc. 18); 3.62. Transcreve trecho de acórdão do CARF, “no qual por unanimidade negouse provimento a recurso voluntário em processo em que se discutia a exigência da CSLL relativa aos anos calendário de 2002 a 2005”. Transcreve ementa do CARF, entretanto, que dispõe sobre a reprodução pelo CARF, em função do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, das decisões do STJ sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos que reconheceram ofensa à coisa julgada nas decisões que reconheceram a inconstitucionalidade da exigência da CSLL, originalmente pelas disposições da Lei 7.689/88, e depois por diplomas normativos posteriores; 3.63. “O acórdão em tela negou a existência de violação à coisa julgada sob o fundamento de que "nas relações tributárias de natureza continuativa, não é cabível a alegação de coisa julgada em relação a fatos geradores ocorridos após alterações legislativas, posto que, a imutabilidade diz respeito apenas aos fatos concretos declinados no pedido, ficando sua eficácia restrita ao período de incidência que fundamentou a busca da tutela jurisdicional”. “Deste modo a Câmara do CARF afastou os efeitos da decisão transitada em julgado, dando margem à exigência da CSLL dos períodos posteriores aos discutidos no Mandado de Segurança cuja sentença transitou em julgado”; 3.64. “O Contribuinte inconformado interpõe Recurso Especial (...) juntando acórdãos das Câmaras dos CARF, a favor e contra o entendimento de que os efeitos da coisa julgada se estendem aos fatos geradores ocorridos após alterações legislativas”; 3.65. “O Conselheiro Relator, (...) apresentou julgado do antigo Conselho de Contribuintes, onde (...) reconheciam modificação no estado de direito a aplicavam o art. 471, I do CPC, afastando os efeitos da coisa julgada”. “Todavia, salienta o Relator, que o STJ já se manifestou de forma diversa, afirmando que se a decisão transitada em julgado restringese a determinado exercício, ela não se aplica aos Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.293 13 demais, a teor do que dispõe a Súmula 239 do STF, e sua exigência não fere a coisa julgada” “No entanto, se a decisão atacar o tributo em seu aspecto material da hipótese de incidência, não há como exigir a sua exigência, sem ofender a coisa julgada, ainda que para exercícios posteriores e com fundamento em lei diversa que não tenha alterado o aspecto material, ofende a coisa julgada”; 3.66. “Esse entendimento está agasalhado no Agravo Regimental no Recurso Especial n° 1.176.454/MG, julgado pelo STJ pela sistemática dos Recursos Repetitivos e assim, podemos afirmar que na esfera judicial, o assunto encontrase pacificado”; modificação substancial, permanecendo a hipótese de incidência, prevista na norma em comento, inalterada até os dias de hoje"”; 3.67. “Com efeito, apesar de existir divergência entre a jurisprudência administrativa e judicial, decisões proferidas pela sistemática dos Recursos repetitivos devem ser observadas pelo CARF, nos termos do art. 62A de seu Regimento Interno”; 3.68. “Assim, a declaração de inconstitucionalidade da Lei 7689/88, atacou o aspecto material da incidência da CSLL, restando violada a coisa julgada quando da exigência do tributo nos períodos posteriores aos discutidos em sede de controle difuso de constitucionalidade”. Transcreve ementa de RESP 1.176.545/MG, cujo inteiro foi juntado (doc. 19), com “matéria julgada pela sistemática dos recursos repetitivos”, com o novo entendimento sobre a coisa julgada material; 3.69. “estáse a perpetrar grave atentado à ordem jurídica (...), por iniciativa da administração, com a inusitada agressão à coisa julgada material, instituto (...) insusceptível, inclusive, de desconstituição pela via processualmente adequada da ação rescisória, pelo decurso do prazo preclusivo há mais de 10 (dez) anos”; 3.70. a decisão que protege a recorrente transitou em julgado e o dispositivo da sentença foi o seguinte: “Diante do exposto, julgo procedente a ação. Façoo para declarar inexistente a relação jurídica que obrigue a empresa Autora a recolher a contribuição social instituída pela Lei n° 7.689, de 15.1.88, QUER NO PERÍODO BASE ENCERRADO EM 31.12.88, QUER NOS EXERCÍCIOS FINANCEIROS SEGUINTES”, o que “foi confirmado em decisão unânime da Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 1a Região, tendo sido inadmitido o Recurso Especial interposto, sem impugnação pelo competente recurso de agravo, e, admitido o Recurso Extraordinário da Fazenda foilhe, entretanto, negado seguimento pelo Ministro Relator no STF, com base no art. 38, da Lei n° 8.038/90, e no parágrafo 1o do art. 21, do Regimento Interno do Excelso Pretório, sem qualquer manifestação de inconformidade”; 3.71. refuta integralmente o cometimento das infrações apontadas no auto de infração e a imposição de sanções e de mora e multa isolada, por ser titular de decisão transitada em julgado, o que constitui coisa julgada material imune a contestações, que reconhece inexistência de relação jurídica que a obrigue a recolher a CSLL pela Lei 7.689/88; 3.72. ademais pelos acórdãos mencionados nos itens 126 e 140 da impugnação, com “decisões no sentido da declaração de Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.294 14 inconstitucionalidade somente do art. 8o, da lei 7689/88, do entendimento de que a Súmula 239 do STF não atinge a coisa julgada em seu aspecto material, ainda que para exercícios posteriores e finalmente aplicando o art. 62A do Regimento Interno do CARF (...) É mister reconhecer, que o presente Auto de Infração seja considerado totalmente improcedente” ; 3.73. “por força da coisa julgada, da ordem judicial, dos acórdãos colacionados e das próprias decisões da Receita Federal, o crédito tributário ora impugnado, encontrase com a sua exigibilidade suspensa e consequentemente a sua inscrição, representa um ato arbitrário, que desrespeita o direito líquido e certo da Recorrente”; 3.74. protesta “pela produção de todas e quaisquer provas que venham a ser necessárias, como lhe faculta a legislação que regula o processo administrativofiscal, espera a Recorrente que a presente seja recebida e processada, para que seja julgada totalmente improcedente a Ação Fiscal”.” Decisão de primeira instância às fls. 1.128/1.184 assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009, 2010 DESISTÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial – por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas e impede a apreciação das razões de mérito pela Autoridade Administrativa, a quem caberia o julgamento. Consolidase, na esfera administrativa, o crédito tributário correspondente às matérias objeto de lide judicial, uma vez que a opção pela via judicial significa a renúncia à esfera administrativa no que pertine a tais matérias. CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. INCOMPETÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente RECURSOS REPETITIVOS. A RFB só estará vinculada às decisões proferidas em Recursos Especiais Repetitivos (STJ) ou Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF), nos termos dos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, que já tenham sido definitivamente julgadas de modo desfavorável Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.295 15 à Fazenda Nacional e para as quais haja expressa manifestação da PGFN, veiculada por meio da Nota Explicativa de que trata o art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 PROVAS. APRESENTAÇÃO. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação, sob pena de preclusão do direito de sua apresentação.” Ao final do julgamento, os membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Recife decidiram, por maioria de votos: a) não conhecer da impugnação relativamente às matérias levadas ao Judiciário, tendo em vista a opção pela via judicial, declarandose a definitividade quanto ao mérito destas na esfera administrativa; b) não conhecer da impugnação com relação às matérias estranhas ao contencioso fiscal; c) não conhecer dos questionamentos sobre constitucionalidade de matérias, por falta de competência; d) em relação às demais matérias, considerar improcedente a impugnação. Registrese que restou vencido o julgador Giovanni Christian Nunes Campos, que votou pela procedência da impugnação, para cancelar o lançamento. Ciência da decisão de primeira instância no dia 11/02/2015, à fls. 1.195. Recurso a este Colegiado às fls. 1.97/1.247, com entrada na repartição preparadora no dia 13/03/2015. Nessa oportunidade, reitera os argumentos já expostos na impugnação ao mesmo tempo em que refuta toda e qualquer imposição de sanções e de mora e de multa isolada, uma vez que é titular de decisão transitada em julgada que a desobriga ao recolhimento da CSLL, instituída pela Lei nº 7.689/1989. Além disso, acrescenta que a tese contida no Parecer PGFN nº 492/2011 foi rejeitada pelo STJ, no julgamento do Resp nº 1.118.893/MG, que lhe é posterior, afora o fato de que o Parecer PGFN nº 2.025/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda, determinou ao órgão fazendário que se abdique de recorrer das decisões emanadas no STJ, quando proferidas segundo a sistemática dos recursos repetitivos. Por derradeiro, requer que o recurso seja recebido e processado, julgandose improcedente o auto de infração em referência. Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.296 16 É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator Conforme a descrição dos fatos no auto de infração, para a exigência de CSLL: “O contribuinte, tributada pelo lucro real, adota apuração anual do IRPJ e da CSLL, com mecanismo de suspensão ou redução dos tributos por meio de balancetes mensais. Preencheu, nas DIPJ 2010 e 2011, o demonstrativo de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido anual (fichas 17) sem apresentar o cálculo das estimativas mensais (ficha 16). Os valores relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e os referentes às estimativas mensais não foram declarados em DCTF, tampouco recolhidos por DARF. O contribuinte adota tal procedimento por dispor de decisão judicial favorável, proferida no processo de Ação Ordinária nº 89.01.139294, que declarou a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, tendo o seu trânsito em julgado conforme documentação apresentada. Informa, ainda, que a Fazenda Nacional não ingressou com Ação Rescisória, apresentando Certidão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região para justificar a afirmativa. Apesar do disposto, o Parecer nº 1.277 de 17/11/1994, DOU de 28/12/1994, expedido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, o qual, tratando dos efeitos de decisão judicial transitada em julgado, em ação ordinária, relativamente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, assim se manifesta “... a declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros...”. Assim, a par do transcrito parecer, verificase que nas relações jurídico tributárias de natureza continuativa entre o Fisco e o contribuinte não é cabível a alegação da exceção da coisa julgada em relação aos fatos geradores ocorridos após as alterações legislativas, que, também, é o caso ora tratado. A sentença judicial transitada em julgado que afasta a aplicação da Contribuição Social referese à legislação editada em 1988 e, após essa data, ocorreram diversas alterações legislativas, a exemplo das Leis 7.988/89, 8.034/90, 8.212/91, 8.981/95, 9.065/95, 9.249/95, 9.316/96, 9.430/96, 9.532/97, 9.779/99, 10.426/02, 10.637/02, 10.684/03, 10.931/04, 11.051/04, 11.196/05, 11.487/07, 11.452/07, 11.727/08, 11. 774/08, 11.941/09, além das MP nº 2.15835/01 e 449/2008 e da Lei Complementar nº 70/91, dentre outras. O fato gerador objeto do Auto de Infração ocorreu nos anos calendário de 2009 e 2010, portanto, em data posterior à ocorrência daquelas alterações legislativas. Isto posto, observase que, no presente caso, a sentença transitada em julgado apresentada pela impugnante não se constitui em óbice à incidência tributária da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e, conseqüentemente, inexiste impedimento que obste a Autoridade Lançadora de, no uso da competência atribuída pelo art. 142 do CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), realizar o lançamento cabível, inclusive com os consectários legais multa e juros. Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.297 17 Entretanto, o interessado impetrou o Mandado de Segurança nº 2003.33.00.0148690 contra a inscrição em dívida ativa de um crédito tributário decorrente de lançamento de ofício da CSLL, requerendo, ainda, que a autoridade lançadora se abstivesse de efetuar novas autuações sobre a matéria, obtendo decisão favorável quanto aos pleitos. Para sanar as dúvidas quanto ao alcance da decisão judicial no Mandado de Segurança em questão, o Grupo de Ações Judiciais da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari emitiu o Parecer Sarac nº 29/2007, de 31/05/2007, que se manifesta no sentido em de que os lançamentos por não pagamento ou confissão dos débitos de CSLL CSLL devem ser efetuados com suspensão de sua exigibilidade, a fim de se prevenir a decadência.” Assim, procedeuse, por ato de ofício, à constituição dos créditos tributários de CSLL relativos aos anoscalendário 2009 e 2010, uma vez inexistentes a confissão desses créditos em DCTF e os respectivos recolhimentos. Os fundamentos jurídicos da autuação, anotados no auto de infração, são os seguintes: artigo 57 da Lei nº 8.981/1995 (com a redação dada pela Lei nº 9.065/1995); artigo 2º da Lei nº 9.249/1995; artigo 1º da Lei nº 9.316/1996; artigo 28 da Lei nº 9.430/1996. Verificase que a autoridade fiscal efetuou o lançamento para prevenir a decadência do direito estatal de constituir o crédito tributário da CSLL mediante ato de ofício, tendo em conta o direito superveniente à promulgação da Lei nº 7.689/1988. De acordo com o entendimento da Fiscalização, tal legislação superveniente constitui alteração no estado do direito, o que permitiria a efetivação de lançamento para a constituição de créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos ao tempo de vigência da nova legislação, assim considerando que a relação jurídica tributária é de trato sucessivo. Ao intento de se proteger da ação fiscalizadora, a recorrente buscou o amparo judicial, conforme fl. 1.147, impetrando, para tanto, o mandado de segurança nº 2003.33.00.01. 48690, com a formulação do pedido, entre outros, de que a autoridade fiscal impetrada se abstivesse de determinar novas autuações fundadas na inexistência de recolhimento da CSLL. Como causa de pedir, alegouse: (i) anterior decisão judicial transitada em julgado, proferida nos autos da ação ordinária nº 89.01.139294, a assegurarlhe a intributabilidade da CSLL; (ii) inexistência de modificação do estado de direito, a despeito da instituição das Leis nº 8.034/1990, 8.212/1991, 8.383/1991, 8.981/1995, 9.065/1995, 9.249/1995 e outras; (iii) inexistência de ação rescisória, manejada pela União com vistas à desconstituição da res judicata, ou do ajuizamento da ação revisional de que trata o artigo 471, I, do CPC/1973. Esses mesmos motivos estão relacionados no recurso administrativo interposto para combater o lançamento tributário aqui em debate. Daí se vê a identidade entre as causas de pedir das demandas judicial e administrativa. Sob o ponto de vista do impetrante do mandado de segurança, a presente autuação constitui uma ameaça de lesão a direito seu, líquido e certo, de não recolher a CSLL, assegurado em decisão transitada em julgado. Por esse prisma, depreendese que a pretendida expedição de ordem judicial impeditiva ao lançamento de ofício objetivava assegurar a incolumidade do patrimônio da impetrante. Outro não é o fim almejado pela recorrente, ao requerer a anulação do lançamento pela via administrativa. Diante disso, é inevitável que se conclua pela concomitância, o que impõe a aplicação da Súmula CARF nº 1: Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 13502.721526/201260 Acórdão n.º 1301002.563 S1C3T1 Fl. 1.298 18 “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Diante disso, proponho não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (digitalmente assinado) Flávio Franco Corrêa Fl. 1298DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.004423/2003-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.334
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente TECNOEVA TECNOLOGIA EM EVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 44 23 /2 00 3- 11 Fl. 439DF CARF MF Processo nº 11065.004423/200311 Acórdão n.º 9303005.334 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330100.606, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 11065.004423/200311 Acórdão n.º 9303005.334 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 11065.004423/200311 Acórdão n.º 9303005.334 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 442DF CARF MF Processo nº 11065.004423/200311 Acórdão n.º 9303005.334 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 443DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.911368/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/06/2002
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.532
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente VS SUPRIMENTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/06/2002 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 13 68 /2 01 0- 42 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10980.911368/201042 Acórdão n.º 3302004.532 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06051.321. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10980.911368/201042 Acórdão n.º 3302004.532 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.911368/201042 Acórdão n.º 3302004.532 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.911368/201042 Acórdão n.º 3302004.532 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.911368/201042 Acórdão n.º 3302004.532 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10980.911368/201042 Acórdão n.º 3302004.532 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 10070.000067/2003-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT).
A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.171
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de Recurso Especial (fls. 294 a 3221) interposto pelo contribuinte contra o Acórdão nº 20218.469, de 22 de novembro de 2007 (fls. 279 a 286), com fulcro no 1 A numeração das folhas reportase à atribuída nos autos digitais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 00 67 /2 00 3- 25 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10070.000067/200325 Acórdão n.º 9303005.171 CSRFT3 Fl. 371 2 art. 56, inc. II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, RICC, c/c o art. 15, § 2°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007 RI CSRF. O acórdão recorrido está assim ementado: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO 1P1. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996 condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício os produtos não tributados (NT). CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais legítimos do IP1. Para créditos que se revelem inexistentes, ou ilegítimos, a pretensão de tal incidência é, deveras, absurda. Recurso negado. Em síntese, o acórdão decidiu que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram Crédito Presumido de IPI – CPIPI. Quanto aos acréscimos de juros pela taxa Selic ao valor do ressarcimento, por falta de amparo legal, indeferiuse o pleito. No recurso especial, o contribuinte suscitou dissídio jurisprudencial quanto ao direito a ressarcimento do CPIPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, em relação à exportação de produtos NT, bem como em relação à incidência da taxa Selic sobre o valor do ressarcimento de IPI. No mérito, argumenta, em síntese, que o beneficio do CPIPI foi concedido ao contribuinte exportador de mercadorias nacionais, independentemente, da classificação na TIPI da mercadoria exportada. Acrescenta finalmente que desde o protocolo do seu pedido até a presente data já transcorreu um longo período, portanto, se os valores dos créditos presumidos de IPI devem ser seguidos da atualização monetária, para recompor esses valores dos efeitos da inflação, tal como concluiu os acórdãos apontados como paradigmas. Por meio do Despacho s/nº 3ª Câmara, de 13 de julho de 2015 (fls. 357 a 360), o Presidente da 3ª Câmara admitiu o apelo. O feito foi contrarrazoado (fls. 362 a 368). A PFN alega que, reconhecer o benefício a pessoas jurídicas não contribuintes do IPI, como no caso em tela, é criar crédito presumido não previsto em lei, em afronta ao art. 150, § 6°, da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/88. É o Relatório. Voto Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10070.000067/200325 Acórdão n.º 9303005.171 CSRFT3 Fl. 372 3 Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Admissibilidade O contribuinte foi intimado do acórdão recorrido, em 23/01/2009 (cfe. termo de ciência pessoal do patrono, fl. 286). O apelo formulado em 06/02/2009 (cfe. carimbo de protocolo aposto na fl. 294) é tempestivo. Ademais, o instrumento recursal foi adequadamente instruído, mediante cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigma, que, a partir de circunstâncias fáticas similares, deram diversa interpretação à lei tributária. Assim, presentes os pressupostos recursais, o arrazoado de fls. 294 a 322 merece ser conhecido como recurso especial contra o Acórdão nº 20218.469, de 22 de novembro de 2007. Mérito – Direito de fruição do crédito presumido do IPI sobre o valor das receitas de exportação de produtos NT A matéria em julgamento é corriqueira. Peço licença para adotar como razão de decidir os fundamentos do Voto Vencedor que redigi para o Acórdão nº 9303004.177, forte no § 3º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999: Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Relator O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A matéria objeto da divergência apontada pelo sujeito passivo diz respeito à questão do direito ou não ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Realmente é uma matéria divergente como demonstrou o contribuinte em seu Recurso Especial. Assim, conheço o recurso e passo a análise do mérito. Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, de alto valor agregado, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e COFINS. incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. Tal crédito presumido foi criado pela Lei 9.363/96, que adveio da MP 948/95 e reedições. Para o cumprimento do objetivo a lei criou o ressarcimento ao produtor e exportador do pagamento das contribuições PIS e COFINS. incidentes no processo de produção da mercadoria a ser exportada. Tal discussão tem resultado em interpretações divergentes no Poder Judiciário o no próprio CARF. A depender das composições dos tribunais, tanto administrativos quanto judiciais, o resultado dos julgamentos tem dado soluções divergentes, ora permitindo, ora negando, o direito ao creditamento previsto na referida lei. Isso causa uma insegurança jurídica nos contribuintes. Já é hora de tentar pacificar a questão, mesmo sabendo que não é uma tarefa fácil. Até porque os nossos tribunais superiores ainda não se manifestaram a respeito. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10070.000067/200325 Acórdão n.º 9303005.171 CSRFT3 Fl. 373 4 Porém já percebemos uma certa tendência dos Tribunais Regionais Federais de negar o aproveitamento do créditos nos casos em que as mercadorias exportação não são consideradas industrializadas (NT). Podemos citar como exemplos de decisões que negaram o aproveitamento do crédito: TRF da 3a Região, Apelação em MS 309.564/MS, Processo 2005.61.00.0013479, Rel. Juiz convocado Des.Federal Roberto Jeuken, 3a T., julg. 04/12/2008, DJ 20/01/2009. Apelação cível 1.245.945/MS, processo 1999.61.00.0019753, Rel. dês. Federal Cecília Marcondes, 3aT.., julg. 27/11/2008, DJ 09/12/2008. TRF da 5a Região, AMS 89.109/PE, Processo 000236988.2003.4.058308, Rel. Des. Federal Francisco Barros Dias, 2a T., julg. 18/08/2009, DJ, 11/09/2009. Apelação em MS93782/PE, Processo 000992245.2005.4.05.8300/03, Rei. Des. Federal Rivaldo Costa, 3ª T., DJ 28/08/2007. Como já dissemos, os Tribunais Superiores ainda não se manifestaram diretamente sobre o tema. Para continuarmos a discorrer sobre o tema. é essencial ao deslinde da demanda, determinar se os produtos com a classificação "NT" na TIPI, que trata de produtos em que não há a incidência do IPI, por não serem industrializados e. portanto, não estarem no campo de incidência do imposto, podem se caracterizar como produtos originários de empresa produtora e exportadora descrita no art. 1o da Lei 9.363/96. transcrito abaixo. A lei, muita das vezes, apesar de não ser o meio ideal, deve dar definições aos institutos. Tal conduta do legislador serve para dar contornos precisos a alguns termos usados, como por exemplo o conceito de produto industrializado. A lei assim o faz. E mais. A Legislação complementar ê de suma importância, quando traz a tabela TIPI com informações de quais produtos seriam NT e que tais produtos estariam forma do campo de incidência do IPI. não sendo considerados, portanto, produtos industrializados. O beneficio fiscal chamado "Crédito Presumido de IPI Exportações" consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo econômico da COFINS e do PIS. conforme podemos notar pelo texto do art. 1o da Lei 9.363/96: "Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará Jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento dos contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, S, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo ". "Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior ". Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10070.000067/200325 Acórdão n.º 9303005.171 CSRFT3 Fl. 374 5 Considerandose, então, que o artigo 1o da Lei 9.363/96 autoriza a fruição do benefício do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições — ser produtora e ser exportadora —, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como NT na TIPI. Isso porque os estabelecimentos que produzem mercadorias NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições imposta pelo beneficio em análise, qual seja, o de ser produtora. Esta condição está intimamente relacionada à própria natureza do crédito presumido. Ser industrializado o produto exportado é característica essencial da finalidade da lei: estímulo às empresas para que destinem seus produtos com maior valor agregado à exportação, melhorando nossa balança comercial e reduzindo a taxa de desemprego. São justamente os produtos industrializados que agregam mais fatores de produção, sobretudo mãodeobra. São eles que possuem cadeia produtiva mais extensa e, portanto, de maior influência para o desenvolvimento econômico. Não é a exportação de produtos primários que se procurou estimular, já que esta sempre foi avocação do pais ao longo de toda a sua história. Com efeito, cabe aos intérpretes das leis. trazer o real e correto significado das normas nela contidas. Se a norma é dúbia cabe aos operadores do direito a sua correta interpretação, conforme as técnicas da ciência da Hermenêutica Jurídica, e não fazer a interpretação de modo aleatório e intuitivo. Nem mesmo uma interpretação literal do art. 1o da referida lei poderia levar concluir que a empresa produtora e exportadora também abarcaria àquelas que não são contribuintes do imposto. Porém, como já dito. esse seria o pretenso resultado de uma interpretação meramente literal. Esse tipo de análise somente pode ser feito quando a lei expressamente determinar. Pelo contrário, qualquer tipo de interpretação nos levaria ao mesmo resultado, como acontece com os texto legais bem elaborados. Deve, neste caso, fazer uma interpretação sistemática, que consiste em harmonizar a presente norma de um modo contextualizado com todo o texto da mesma lei e com o arcabouço legal pátrio, principalmente na área tributária. Teremos de fazer a nossa análise em conjunto com toda a legislação que rege o IPI. Em um estudo da lei incentivadora, nos artigos posteriores ao 1o, o legislador já deixa mais claro que a delimitação do benefício se daria somente em relação aos produtos industrializados. Isso nos remete à matriz legal do IPI. A Lei n° 4.502/64 é muito precisa na definição do que seja estabelecimento produtor quando preceitua em ser art. 3o que "considerase estabelecimento produtos todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto". Assim fica claro que tanto na acepção econômica quanto jurídica, não há como se enquadrar empresas não sujeitas ao IPI como estabelecimento industrial ou estabelecimento produtor. É pacífico que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI. conforme dispõe o parágrafo único do artigo 2o do RIPI/98. (Decreto 2.637, de 25.06.98). Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10070.000067/200325 Acórdão n.º 9303005.171 CSRFT3 Fl. 375 6 "Art. 2º Parágrafo Único O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributado) (Lei n.º 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13) " Logo, quem produz esses produtos, ainda que sob uma das operações de industrialização previstas no artigo 4º do Regulamento do IPI não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento produtor ou industrial, de acordo com o artigo 8º do RIP1/98, que prescreve: Art. 8º Estabelecimento industrial è o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Estabelecimento produtor ou industrial é aquele que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como de industrialização; da qual. cumulativamente, resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Ora, de fato, seu beneficiário necessariamente deve produzir industrializados sujeitos à incidência do PI e exportálos, diretamente ou através de empresa comercial exportadora, para que lhe seja reconhecido o direito ao crédito presumido, conforme a sistemática instituída pela Lei n° 9.363/96. Se o benefício fosse estendido a todas as empresas produtoras exportadoras, sem a delimitação de ser contribuinte do imposto algumas questões ficariam sem uma solução prevista na lei, como por exemplo, como se daria a escrituração dos créditos para a futura compensação? Não existe previsão de livro registro de apuração do IPI para não contribuintes. Todos sabemos que a apuração do imposto a pagar ou dos créditos devem ser escriturados no referido livro. Ademais a lei não contém palavra inúteis. Se fosse para abarcar os exportadores que não fossem produtores porque a lei traria e expressão "produtora e exportadora". Bastaria o uso da palavra "exportadora". Está claro, dessa forma, que há que se interpretar a linguagem legislativa contida no art. 1o da Lei 9.363/96 e cabe a nós, desse tribunal administrativo, elucidar e resolver o presente caso concreto ora apresentado a essa corte. E da interpretação que cuida a hermenêutica jurídica. Primeiramente cabe esclarecer o conceito de hermenêutica "que provém do latim hermenêutica (que interpreta ou explica), é empregado na técnica jurídica para assinalar o meio ou modo por que se devem interpretar as leis. a fim de que se tenha delas o exato ou o melhor sentido. Na hermenêutica jurídica, assim, estão encerrados todos os princípios e regras que devam ser judiciosamente utilizados para a interpretação do texto legal. E esta interpretação não se restringe ao esclarecimento de pontos obscuros, mas toda elucidação a respeito da exata compreensão da regra jurídica a ser aplicada aos fatos concretos. È o que faz a hermenêutica jurídica, interpreta as leis. Deixo claro também que não se trata de lacuna na lei. Caso assim fosse, teríamos que fazer uma integração legislativa e não a interpretação. Mais abaixo deixaremos claro que mesmo àqueles que consideram que a lei é omissa e que há que se fazer a integração,também chegaremos à mesma conclusão: A exportação de produtos NT Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10070.000067/200325 Acórdão n.º 9303005.171 CSRFT3 Fl. 376 7 não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei n° 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1o da Lei 9.363/96, aponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área. sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Além do mais a lei que trata de qualquer tipo de exoneração tributária deve ter a sua interpretação restritiva, para abarcar somente os caso expressamente permitidos. É necessária a autorização legislativa para a concessão do beneficio em face do principio da legalidade. Como se sabe, o Principio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis. mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. O princípio da legalidade vale tanto para a exação quanto para a isenção. Sabemos que o crédito presumido é um tipo de isenção parcial. È indiscutível que a lei que trata de isenção deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. O art. 1o da lei isentiva faz exatamente isso. Descreve minuciosamente os contornos de quem tem o direito ao crédito presumido para evitar que o intérprete ou aplicador da lei tenha entendimentos contraditórios, gerando incerteza e insegurança para o contribuinte. Com efeito não há outra conclusão que não a constatação que crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou. no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para corroborar e elucidar todo o exposto, por ser de uma precisão Ímpar trago o Presidente Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão n° 202.16.066: "A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante ás aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10070.000067/200325 Acórdão n.º 9303005.171 CSRFT3 Fl. 377 8 utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados á exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 2° da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal o crédito é destinado, tãosomente, ás empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3o da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT /Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não ê considerada como produtora não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos á alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IP1 conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10070.000067/200325 Acórdão n.º 9303005.171 CSRFT3 Fl. 378 9 Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória n° 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI". Também, colaciono parte do voto do Conselheiro Gilson Rosemburg Filho, em voto recentemente proferido neste plenário: Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3o, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto n° 87.981, de 23/12/1982 RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8o do RIPI82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como "de industrialização", da qual cumulativamente, resulte um produto ''tributado", ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industria! para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. "Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei n° 4.502, art 3°)." Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em ''Tudo sobre o IPI, 4aedição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: "Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10070.000067/200325 Acórdão n.º 9303005.171 CSRFT3 Fl. 379 10 beneficiamento, montagem, o condicionamento/reacondicionamento e renovação e recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei n° 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL n° 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto '(art. 8°). As expressões ‘fábrica' e ‘fabricante' são equivalentes a ‘'estabelecimento industrial', como definido acima (art. 48711). Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte — sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (não tributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrial tacão pelo artigo 5o do RIPI." O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão "NT" aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI qual seja o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o nãoreconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI impossibilitando o aproveitamento dos primeiros (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10070.000067/200325 Acórdão n.º 9303005.171 CSRFT3 Fl. 380 11 "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...)." Lógico que "produção" conformase na atividade do "produtor ". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, "estabelecimento produtor" é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: "Art. 3º Considerase estabelecimento produtor iodo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto." Considerandose, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao "estabelecimento produtor e exportador", e que o art. 3º da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, consequentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como "NT" na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI: A legislação que trata do especifico beneficio do crédito presumido do IPI determina que as "mercadorias" devam decorrer de "estabelecimento produtor", o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Assim não há que se falar em questões fáticas, mas meramente jurídicas. Por isso toda a análise se absteve de ilações de fato, mas argumentações meramente jurídicas, como aliás devem ser todas as questões trazidas a interpretação pelos tribunais.. Também não há discussão acerca de os produtos que não tributados – NT, estarem, ou não, no campo de incidência do IPI. Senão teríamos de fazer uma longa explanação sobre outros institutos tributários como isenção, imunidade, não incidência, lançamento, fato gerador, dentre outros. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10070.000067/200325 Acórdão n.º 9303005.171 CSRFT3 Fl. 381 12 Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser ressarcido pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Mesmo para aqueles que entendem que existe omissão legal e que pretendem fazer a integração prevista no art. do CTN, In verbis: Interpretação e Integração da Legislação Tributária Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia: II os princípios gerais de direito tributário: III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10070.000067/200325 Acórdão n.º 9303005.171 CSRFT3 Fl. 382 13 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A ordem de integração é obrigatória, como determina a Lei. Podemos usar a analogia com o caso dos créditos básicos e assim chegarmos à conclusão que não geram direito ao crédito a exportação de produtos NT. Neste caso existe até uma súmula do CARF: Súmula CARF n° 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Porém podemos passar também para o segundo critério de integração. Trata se de usarmos os princípios gerais de Direito Tributário. O principio mais especifico em relação ao IPI é o principio constitucional da não cumulatividade do IPI. transcrito abaixo: Art. 153, § 3º: "O imposto previsto no inciso IV: I – será seletivo, em função da essencialidade do produto; II – será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores". Fica claro aqui também que tem que haver tributo devido para que possamos aplicar o principio. Se o produto final não é tributado, não há que se falar em aproveitamento de crédito. Obviamente a lei pode excepcionar e permitir o aproveitamento do crédito, já que não há óbice constitucional como ocorre com o ICMS. Mas. como dito acima a lei tem que ser clara ao permitir o creditamento nessas situações especiais o que não ocorre in casu. O próprio TRF da 3ª Região tem exarado decisões que vedam o direito ao incentivo da lei 9.363 quando não há o recolhimento do IPI na cadeia de industrialização da mercadoria a ser exportada. O Direito Pátrio não autoriza o aproveitamento do crédito presumido de IPI em relação a mercadorias exportadas que figurem como NT na tabela do IPI – TIPI. Essa é a única conclusão juridicamente aceitável ao interpretarmos, por todas as técnicas existentes, os diplomas legais do crédito presumido – Lei 9.363/96, em cotejo com as demais legislações do IPI. Aqueles que defendem que a lei instituidora do incentivo é lacunosa, podemos fazer a integração nos moldes permitidos pelo CTN e chegaremos à mesma conclusão acima exposta. Diante de todo o exposto, voto dar provimento do Recurso Especial interposto pela PGFN. (assinado digitalmente) Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10070.000067/200325 Acórdão n.º 9303005.171 CSRFT3 Fl. 383 14 Rodrigo da Costa Pôssas Mérito – Acréscimo de juros SELIC ao valor de ressarcimento de créditos de IPI Não estivesse prejudicado pela inexistência do direito ao ressarcimento, a matéria teria o tratamento preconizado pelo § 2° do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, com a reprodução do decidido pelo Ministro Luiz Fux no REsp 993164, que declinou expressamente que: [...] 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). [...] Reitero todavia que, em face da inexistência do direito ao ressarcimento, não há falar em correção do seu valor. Conclusão Com tais considerações, nego provimento ao Recurso Especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 385DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.725551/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não deve ser conhecido o Recurso interposto após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de 1ª instância.
Numero da decisão: 1301-002.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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INTEMPESTIVIDADE. Não deve ser conhecido o Recurso interposto após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de 1ª instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Rothschild. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 55 51 /2 01 3- 17 Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 15504.725551/201317 Acórdão n.º 1301002.528 S1C3T1 Fl. 1.851 2 Cuidase o presente processo de autos de infração às fls. 02/34, referentes a IRPJ e CSLL, no valor de R$ 4.421.517,76,e R$ 1.591.746,40 respectivamente, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, além da multa isolada, somando o valor de R$ 1.410.680,00 pra IRPJ e R$ 1.591.746,40 para CSLL, relativos aos anoscalendário de 2008 e 2009. Os referidos autos foram lavrados em decorrência das seguintes infrações, conforme se infere do Termo de Verificação fiscal às fls. 35/71, bem como do relatório da decisão da DRJ às fls. 1584/1586: 1) OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. A autuada celebrou contratos de mútuo com empresas coligadas, nos quais a cláusula 2ª previa que os encargos incidiriam sobre o saldo médio mensal e seriam calculados com base na variação da TJLP acrescido de 2,5 % ao ano. No entanto, não foram contabilizados como juros/encargos recebidos/a receber dos contratos com Shultz Shoes, ZZCAPRI, SAP Schutz e ZZAF, todas do ramo de comércio de calçados. Intimada a demonstrar as receitas com juros/encargos auferidos nos contratos de mútuo, e justificar a contabilização desses juros com mútuo em contrapartida da conta de Duplicatas a Receber, a autuada informou que “não houve lançamento de receitas financeiras sobre os contratos de mútuos nesse período em virtude de aumento de participação da Arezzo Ind. e Com. S/A nas empresas coligadas utilizando os saldos de mútuo”. Quanto à contrapartida do lançamento em conta de duplicatas a receber, informou que “pode ser em virtude de transferência de pagamentos de algumas duplicatas recebidas por uma empresa e as duplicatas são de emissão da emissão coligada”. Considerando as informações prestadas, a fiscalização concluiu que a própria autuada reconheceu que omitiu receitas financeiras, que deveriam ter sido tributadas, nos termos dos artigos 373 e 770 do RIR/99. 2) ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO A autuada foi intimada a “demonstrar o cálculo dos Juros sobre o Capital Próprio – JCP, os valores contabilizados e os efetivamente distribuídos aos sócios”. Foram apresentadas duas planilhas com cálculo da apuração do JCP dos anos calendário de 2008 e 2009, informando que “os valores contabilizados foram efetivamente distribuídos e pagos aos sócios”. Foi constatado que haveria o usufruto parcial das 9.976.658 ações de um dos acionistas da autuada, a Albir Participações, para os também acionistas Anderson Lemon Birman (6.553.294 ações) e Alexandre Café Birman (3.423.364 ações). Segundo a autuada, este usufruto constaria do Estatuto Social. Não se verificou qualquer menção quanto ao usufruto das ações no Livro Registro de Ações Nominativas da autuada, e sequer no Estatuto Social da Albir Participações. No livro Registro de Ações Nominativas consta uma anotação/observação da existência de um Acordo de Acionistas, que trataria da transferência ou oneração das ações e sobre o exercício do direito de voto. Intimada a apresentar o documento que serviu de base ao pagamento dos juros sobre o capital diretamente aos acionistas da Albir Participações, a autuada apresentou cópia da Ata da Assembléia Geral Extraordinária da Albir Participações, Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 15504.725551/201317 Acórdão n.º 1301002.528 S1C3T1 Fl. 1.852 3 de 31 de outubro de 2007, na qual consta cláusula Quarta o usufruto parcial e vitalício no que “tange ao direito patrimonial relativo ao recebimento de montantes decorrentes do pagamento, pela Companhia, dos juros sobre o capital próprio”. Nos termos do artigo 40 da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas), a eficácia do usufruto das ações perante a companhia e terceiros está condicionada à averbação do gravame no Livro de Registro de Ações Nominativas. Já o acordo entre acionistas, considerando o artigo 118 da Lei nº 6.404/76, não se presta para garantir o usufruto. Assim, qualquer valor excedente à participação societária estaria fora do conceito de juros sobre o capital próprio, sendo indedutível na apuração dos tributos, devendo os valores serem adicionados ao lucro líquido. 3) ÁGIO SOBRE INVESTIMENTOS – ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO DAS AMORTIZAÇÕES E GLOSA DA EXCLUSÃO DA REVERSÃO DA PROVISÃO Em 08/11/2007, a BRICS Participações S.A., CNPJ. 08.482.751/000101,subscreveu 3.203.808 novas ações da autuada, no valor de R$ 50.000.000,00, sendo metade àvista e o restante em 24 parcelas. Neste mesmo dia, foi celebrado, entre a BRICS Participações S.A. e Anderson Lemos Birman, contrato de compra e venda, não apresentado à fiscalização, com compromisso de subscrição de 1.686.710 ações da autuada, com ágio contabilizado de quase R$ 25 milhões. A BRICS Participações S.A foi criada em novembro/2006, com capital social de R$ 100,00, assim permanecendo, e sem atividade operacional, até 07 de novembro de 2007, quando teria recebido aporte de capital da FIGEAC Holding, CNPJ. 08.984.651/000175, aberta meses antes. E foi com este capital que houve a integralização de parte do capital subscrito na autuada, realizado no dia seguinte. Em 31 de maio de 2008, foi aprovada a incorporação da BRICS Participações S.A pela autuada. Nos termos exigidos pela Lei nº 6.404/78, também foram aprovados o Protocolo e Justificação de Incorporação, e o laudo de avaliação da BRICS Participações S.A. As ações ordinárias nominativas da autuada pertencentes à BRICS Participações S.A, no total de 4.890.516, foram extintas e substituídas por igual número de novas ações, com os mesmos direitos e obrigações, e atribuídas a FIGEAC HOLDING S.A., única acionista da BRICS, passando a possuir 25% do capital da autuada. O ágio contabilizado, no valor de R$ 40.984.447,56, teria surgido em novembro de 2007, quando a empresa BRICS Participações adquiriu a participação acionária na autuada. Em maio de 2008, finalizando o planejamento, a autuada incorporou a BRICS Participações, e o ágio integrante do ativo da BRICS é vertido para a autuada, que passa a amortizar fiscalmente, reduzindo a base de cálculo do IRPJ e CSLL. De acordo com o §3 do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77, o ágio oriundo de expectativa de resultados futuros deve ser embasado em estudo técnico, que deverá ser obrigatoriamente arquivado como comprovante da escrituração, devendo ser elaborado antes da aquisição das ações da autuada. No presente caso, o laudo e justificativa do ágio foi apresentado somente em 2008, ou seja, quase 3 meses após a aquisição da participação. Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 15504.725551/201317 Acórdão n.º 1301002.528 S1C3T1 Fl. 1.853 4 Constatouse que houve o efetivo pagamento de R$ 25.000.000,00, mas o restante de R$ 25.000.000,00, a BRICS Participações ficou de integralizar em 24 meses. Porém não efetuou qualquer pagamento até maio de 2008, quando ocorreu a incorporação, e elaborado novo Boletim de Subscrição transferindo a obrigação de pagar os R$ 25.000.000,00 para FIGEAC. Além disso, não restou comprovado o pagamento das 1.686.710 ações com ágio do acionista Anderson Lemos Birman. Também verificouse que não houve movimentação financeira ou qualquer operação realizada, e sequer existência de funcionários na empresa BRICS Participações, concluindose que ela foi utilizada como empresa veículo para permitir a amortização do ágio pela autuada, não existindo propósito negocial na sua incorporação. Diante dos fatos, a fiscalização concluiu que não foram atendidos os pressupostos necessários para caracterização do ágio, a saber: (1) existência de laudo (ou documento equivalente), mantido sob arquivo como “demonstração” do ágio suportado; (2) existência de efetivo pagamento pelo investimento adquirido, cujo ônus financeiro tenha de fato recaído sobre aquele (investidor) que se apresenta suportando o investimento; (3) existência de documento onde esteja exposta a motivação que ensejara a combinação de negócios, a partir da qual se iniciara a amortização de ágio, inicialmente contabilizado por outra entidade; (4) existência de lapso temporal entre a constituição do ágio e a data da combinação de negócios (deflagradora de sua amortização); suficiente a empregar razoabilidade aos atos e eventos societários formalizados, frente à realidade negocial; (5) existência de independência negocial entre as pessoas jurídicas envolvidas no ágio. Logo, o lucro real foi apurado com erro, já que houve redução indevida da base de cálculo, devendo os valores serem adicionados ao lucro líquido. Além disso, houve descumprimento da IN CVM nº 349/2001, que estabeleceu o critério para o tratamento contábil do ágio nesses casos e determinava a constituição de provisão no valor da diferença entre o ágio e o benefício fiscal decorrente da sua amortização, o que leva à autuação por conta da indevida exclusão, efetuada via Lalur, da reversão da provisão da amortização do ágio. Em função das infrações acima, houve lançamento da CSLL, nos termos da Lei nº 7.689/88, combinado com o artigo 28 da Lei nº 9.430/96. Ainda, as bases de cálculo das estimativas foram recalculadas, resultando na constatação da falta/insuficiência de recolhimento, dando origem ao lançamento da multa de ofício isolada, com base no artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007. A ciência da autuação ocorreu em 12/06/2013, de acordo com documento acostado aos autos às fls. 984. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação às fls. 997/1100. Confirase a síntese de suas alegações, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão prolatado pela 5ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 1587/1594), a saber: 1 Da amortização Fiscal do Ágio na Arezzo. comprovará que as alterações societárias adotadas deramse da forma mais simples, direta e adequada para atingir seu objetivo final, qual seja: capitalizar a Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 15504.725551/201317 Acórdão n.º 1301002.528 S1C3T1 Fl. 1.854 5 autuada mediante aumento de capital e, posteriormente, simplificar a estrutura societária do Grupo com o intuito de atender aos anseios dos acionistas. todas as operações societárias que acarretaram o aproveitamento do ágio forma praticadas de forma legal e com o conhecimento dos órgãos competentes. os atos societários devem ser consideradas como um todo, e não isoladamente, de forma a compreender o propósito negocial e econômico das operações societárias que deram origem à dedução dos ágios ora em análise. traça histórico da autuada, e as principais operações societárias, que buscou simplificar a estrutura do grupo para fazer frente à competitividade do mercado calçadista. em 08/11/2007 é firmado contrato de compra e venda com compromisso de subscrição de 1.686.710 ações ordinárias nominativas da autuada, por um preço de R$ 26.323 mil, celebrado entre Anderson Birman e BRICS, com o respectivo ágio de R$ 24.913 mil (ágio 1) o ganho de capital apurado por Anderson Birman em razão desta venda, de R$ 22.961.748,30, foi devidamente tributado. em 08/11/2007, são emitidas 3.203.808 novas ações ordinárias e nominativas, pelo preço de R$ 50.000.000,00, com ágio de R$ 34.821.000,00 (ágio 2) as quais foram integralizadas pela BRICS, e pagas com R$ 25.000.000,00 à vista e R$ 25.000.000,00 parcelado em 24 meses; em decorrência desta operação, a BRICS registra um ágio total de R$ 59.734.447,56 (soma dos ágios) o ingresso do fundo de investimento TARPON All Equities Fund na estrutura societária do Grupo Arezzo teve finalidade de injetar recursos financeiros para possibilitar a expansão das suas atividades no mercado nacional. em 31/05/2008, visando a simplificação do grupo, a autuada incorpora a BRICS, passando a amortizar fiscalmente o ágio 1 e também a parcela efetivamente paga até a data da incorporação do ágio 2. a partir desta incorporação, a autuada também passa a registrar as receitas de reversão da denominada Provisão CVM, a qual é excluída na apuração do IRPJ e CSLL (uma vez que a despesa com sua constituição foi devidamente adicionada). a estrutura societária permitiu o ingresso do investidor estrangeiro através de sua holding no Brasil, e o conseqüente aproveitamento fiscal do ágio pago na aquisição da participação societária. a BRICS adquiriu 25% das ações mediante pagamento em dinheiro, cujo valor foi negociado no mercado por parte independentes, fundamentada em expectativa de rentabilidade futura comprovado por Laudo de Avaliação, o que torna evidente o propósito negocial de todas as operações analisadas. com a entrada do investidor estrangeiro e a simplificação da estrutura societária, a autuada ficou conhecida por ter realizado a oferta inicial de ações mais bem sucedida no ano de 2001, sendo que o aproveitamento fiscal do ágio é mera conseqüência do conjunto de operações analisadas. houve equívoco no relato dos fatos e na apuração da matéria tributável, pois a autoridade fiscal, tomando por base informação apontada no Laudo Técnico, Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 15504.725551/201317 Acórdão n.º 1301002.528 S1C3T1 Fl. 1.855 6 concluiu que o ágio apurado pela BRICS na ocasião da compra das 3.203.808 ações totalizaria R$ 40.984.447,56, e que não teria ocorrido o pagamento integral. na data desta aquisição, a autuada já havia registrado na contabilidade da BRICS o ágio 1, no valor de R$ 24.913.447,56, do valor total R$ 26.323.530,00, pago a vista ao Sr. Anderson Birman na compra das 1.686.710 ações, apurado com base em rentabilidade futura, fato que não foi questionado em nenhum momento pelo auditor fiscal. o ágio 2 no valor de R$ 34.821.000,00, apurado na subscrição das 3.203.808 ações com base em rentabilidade futura, do valor total de R$ 50.000.000,00, foi pago parcela à vista de R$ 25.000.000,00, e em duas parcelas à prazo de R$ 12.500.000,00. ao firmar contrato de compra e venda, surge a obrigação de pagamento do preço de aquisição, devendo se efetuar os registros contábeis pertinentes. custo de um bem não é somente o desembolso em caixa, por falta de previsão legal, devendo ser incluídas as obrigações assumidas. na data da incorporação, em 31/05/2008, pendiam de vencimento o total a pagar de R$ 18.750.000,00, valor registrado como redutor da conta de ágio. o ágio incorporado pela autuada, no valor de R$ 40.984.447,56 é a so soma dos ágios efetivamente pagos, a saber: (1) ágio 1 no valor de R$ 24.913.447,56 e (2) ágio 2 no valor de R$ 16.071.000,00 (R$ 34.821.000,00 – R$ 18.750.000,00). conclui se que o ágio de R$ 40.984.447,56 não é somente composto do ágio 2, como afirma a autoridade autuante, e foi integralmente quitado, fato que acarreta verdadeiro equívoco na apuração da matéria tributável. a fiscalização entendeu que o ágio amortizado seria decorrente somente do ágio 2, sendo ilegítimo pois não teria sido integralmente pago, o que demonstra falta de aprofundamento na análise dos fatos. considerando o erro de cálculo, os lançamentos foram lavrados em contrariedade ao artigo 142 do CTN, em função da incerteza e iliquidez do montante exigido, tornandoo nulo. também é impossível a autoridade autuante questionar o registro contábil que deu origem ao ágio, surgido em 08/11/2007, já que transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, na data da ciência do lançamento (12/06/2013), nos termos do artigo 150, §4º do CTN, trazendo doutrina e ementas do antigo Conselho de Contribuintes e CARF neste sentido. o ágio contabilizado em 2007 é dado contábil e societário e representa, na verdade, parte dos custos das duas aquisições, sendo que a Lei nº 9.532/97 autoriza a antecipação do seu aproveitamento em data anterior a uma eventual alienação, não podendo ser contestado em 2013. no caso de inexistência da Lei, não poderia o Fisco glosar o custo de um ativo adquirido em 1990 no cálculo de um ganho de capital decorrente de uma venda em 2010, já que ato que gerou este custo não poderia ser questionado, mantendo seus efeitos tributários futuros. Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 15504.725551/201317 Acórdão n.º 1301002.528 S1C3T1 Fl. 1.856 7 é legítima a exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, dos valores correspondentes às receitas de reversão da PROVISÃO IN CVM 319/349. a BRICS constituiu PROVISÃO IN 319349 em abril de 2008, no valor de R$ 27.049.735,39, com a contrapartida do lançamento de uma despesa contábil no mesmo valor, em atendimento ao previsto no artigo 6º da Instrução CVM nº 319/99, alterada pela Instrução CVM nº 349/2001, como forma de evitar os efeitos negativos do ágio no patrimônio líquido da autuada (proteção do fluxo de dividendos dos minoritários), decorrentes de sua amortização após a incorporação. a despesa correspondente à referida provisão foi adicionada pela BRICS, uma vez que não se trata de provisão com dedutibilidade expressamente autorizada. uma vez tendo sido adicionado o valor da despesa com a constituição da provisão, o valor das receitas incorridas contabilmente com a reversão da referida provisão devem ser excluídas do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sob pena de tributação em duplicidade. se já houve a devida adição da receita decorrente da constituição da Provisão IN CVM 319/349 pela BRICS em 04/2008, com sua tributação, não se pode questionar a exclusão da reversão da referida provisão, que passa a ser registrada na parte B do Lalur da autuada, na qualidade de sucessora por incorporação. a exclusão da reversão da Provisão IN CVM é procedimento lógico e garantido pelas regras contábeis e fiscais. a autoridade autuante se equivocou ao analisar a legitimidade da exclusão da provisão, tendo por premissa o fato de que a despesa com amortização do ágio estava sendo aproveitada indevidamente. se a intenção era questionar o aproveitamento fiscal do ágio, deveria apenas ter glosado sua amortização, pois este fato não é relevante para a determinação da tributação das receitas decorrentes da reversão da provisão, utilizando fundamento incorreto para embasar a autuação. a despesa reconhecida com a provisão foi adicionada pela BRICS, evitando qualquer efeito fiscal, o que afasta qualquer alegação de procedimento contábil incorreto. traz Soluções de Consulta da Receita Federal que permitiriam a exclusão das receitas decorrentes da reversão de provisões não dedutíveis, e julgamento do CARF reconhecendo ser impossível a tributação dos valores correspondentes às exclusões da receita de reversão da provisão, por caracterizar tributação em duplicidade. o ágio é válido, pois todas as operações foram lícitas e se inseriram no contexto de propósito negocial do Grupo Arezzo, visando simplificar a estrutura societária e a racionalização dos custos, em face das negociações com novo investidor (TARPON), que visavam a aquisição de empresas nacionais e internacionais para fazer frente à competitividade do mercado calçadista. as 1.686.710 ações adquiridas do Sr. Anderson Birman, e as 3.203.828 ações subscritas, todas pela BRICS, foram avaliadas no valor de mercado, com data base em 31/10/2007, sendo que o Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira validou os estudos internos elaborados pela TARPON previamente à aquisição do investimento, os quais também Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 15504.725551/201317 Acórdão n.º 1301002.528 S1C3T1 Fl. 1.857 8 se fundamentam na expectativa da rentabilidade futura, demonstrando postura diligente para determinar o preço da transação. em 31/05/2008 a autuada incorpora a BRICS, passando então a amortizar fiscalmente o ágio nela registrado (R$ 40.984.447,56), ficando a FIGEAC, controladora da BRICS, detentora de 25 % do controle acionário da autuada, e assumindo parte da dívida de R$ 25.000.000,00, que ainda restava ser quitada. ao analisar a nova estrutura societária, o auditor fiscal decidiu glosar as despesas de amortização do ágio da incorporada BRICS com base nos seguintes argumentos: afirma que cumpriu os requisitos legais para amortização do ágio, rebatendo cada item acima, já que: (1) o Laudo pela Hiroshima Associados é valido para fundamentar o ágio na expectativa da rentabilidade futura pois (i) a legislação em regência não traz um rigor formal, exigindo a apresentação de um “laudo” e (ii) o laudo elaborado pela empresa de auditoria tem como database 31/10/2007; o fundamento econômico encontrase demonstrado por documentos hábeis e idôneos, sejam os documentos elaborados internamente pela TARPON anteriormente à aquisição, seja o Laudo de avaliação elaborado pela Hiroshima Associados. (2) o ágio no valor de R$ 40.984.447,56 está integralmente quitado, esclarecendo que não há no artigo 385 do RIR/99 qualquer restrição quanto à forma de aquisição ou quitação do preço do investimento. (3) a BRICS não foi utilizada como sociedade veículo pois, na qualidade de holding, participou como acionista da autuada, além de permitir que a FIGEAC pudesse ingressar no Grupo Arezzo; ainda, pretendendo tornarse competitivo no mercado calçadista, o Grupo Arezzo vislumbrou a necessidade de consolidar a estrutura societária para facilitar o planejamento estratégico, decidindo pela incorporação da BRICS pela autuada; afirma que a amortização do ágio não foi o objetivo, mas sim a decorrência da aquisição de participação societária entre partes independentes e a subseqüente reorganização societária do Grupo Arezzo . (4) houve propósito negocial, e não apenas como objetivo a redução de tributos; mesmo no caso de a FIGEAC tivesse adquirido diretamente as ações da autuada, na perspectiva estritamente fiscal, surgiria o direito à amortização do ágio no momento da incorporação; com a criação de uma holding no Brasil (BRICS), haveria uma maior facilidade para que o negócio fosse desfeito, motivo pelo qual sua constituição foi de extrema importância dentro do planejamento estratégico Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 15504.725551/201317 Acórdão n.º 1301002.528 S1C3T1 Fl. 1.858 9 idealizado pela TARPON e propósito negocial de aquisição de investimentos no Brasil para ampliar o mercado de atuação do Grupo; o Grupo Arezzo optou por esta estrutura, não adquirindo as ações da autuada diretamente pela FIGEAC, pois a intenção era de manter o controle da participação societária de forma indireta. traz diversos julgados para demonstrar a validade das empresas veículo na atual jurisprudência do CARF. afirma, ainda, que o presente caso está em consonância com a doutrina e jurisprudência, uma vez que todos os atos praticados demonstraram claramente a congruência do motivo e da finalidade das operações realizadas, os quais não foram predominantemente tributário, existindo propósito negocial. esclarece que as operações ocorridas encontramse claramente inseridas no planejamento estratégico do Grupo Arezzo, de se firmar como empresa líder no mercado de calçados brasileiros e expandir seus negócios para países estrangeiros, gerando a necessidade obter recursos financeiros, motivo pelo qual vendeu parte das ações ao Grupo TARPON, facilitando a entrada da autuada no mercado americano. caso seja mantido o lançamento de IRPJ, alega que não há previsão legal determinando a adição da despesa com amortização do ágio na base de cálculo da CSLL. não consta no Termo de Verificação Fiscal legislação específica para fundamentar a necessidade de adição, o que macula a validade do lançamento de CSLL, e fere o Princípio da Legalidade. ao enumerar de forma exaustiva os ajustes, nos termos do artigo 2º e §§ da Lei nº 7.689/88, não enumerou como hipótese de adição ao lucro líquido o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo Método da Equivalência Patrimonial. traça o histórico da legislação, esclarecendo que o DecretoLei nº 1.598/77 tornou indedutível a amortização do ágio para fins de apuração do lucro real, e que a Lei nº 7.689/88, que instituiu a CSLL, fixou as adições, dentre as quais não se encontra o ágio. concluiu que (i) a base de cálculo da CSLL é o lucro líquido com ajustes expressamente previstos, (ii) a amortização contábil do ágio sempre foi permitida pela legislação brasileira até a Lei nº 11.638/07, (iii) a base de cálculo de IRPJ é o lucro real, para o qual existem previsões específicas quanto aos efeitos da amortização do ágio, o que não se aplicam à CSLL, sendo este entendimento do antigo Conselho de Contribuintes e atual CARF. o lançamento da CSLL fere o Princípio da Legalidade, motivo pelo qual deve ser cancelado. 2 – Do suposto excesso de juros sobre o capital próprio (JCP) apurado pela fiscalização. possui como principal acionista controlador a empresa Albir Participações S.A., a qual, por sua vez, possui como acionistas os senhores Anderson Lemos Birmas e Alexandre Café Birman. as 9.976.658 ações da Albir Participações foram reservadas com direito de usufruto parcial e vitalício aos seus acionistas, motivo pelo qual se justificou o Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 15504.725551/201317 Acórdão n.º 1301002.528 S1C3T1 Fl. 1.859 10 pagamento dos valores a título de juros sobre o capital próprio diretamente às referidas pessoas. o entendimento atual do CARF é que a essência prevalece sob a forma, o que afasta o motivo da autuação, qual seja, o descumprimento de um formalismo (ausência de averbação no Livro de Registro de Ações Nominativas). a autoridade fiscal negou a existência de uma situação de fato – o usufruto das ações, e que já havia sido comprovada quando da resposta da Intimação. houve o reconhecimento que a Cláusula Quarta da Assembléia Geral Extraordinária da Albir Participações, de 31 de outubro de 2007 registrou o usufruto das ações da autuada em favor dos sócios da Albir Participações S.A., além da existência do Acordo de Acionistas tratando deste mesmo assunto. contudo, a autoridade autuante considerou ineficaz o usufruto em razão da falta de averbação no Livro Registro de Ações Nominativas, nos termos do artigo 40 da Lei nº 6.404/76, entendimento que não merece prosperar, pois a obrigação estabelecida neste dispositivo não tem natureza constitutiva de direito, mas sim de cunho meramente declaratório. o mero descumprimento de uma formalidade atinente ao registro do usufruto das ações no Livro de Registro de Ações Nominativas não pode justificar a presente autuação, ignorando a existência de tal fato. o registro da AGE realizada em 31/08/2007 perante a JUCESP já representa a publicidade do usufruto perante terceiros, diferente do conteúdo do Livro Registro de Ações Nominativas, que não passa sob o escrutínio da Junta Comercia, ficando o documento em posse da própria companhia. a eficácia do usufruto perante terceiros também é comprovada em razão da presença de todos os acionistas da Albir Participações S.A. representando a totalidade do seu capital social quando da realização da mencionada AGE. aduz que as disposições estabelecidas no artigo 118 da Lei nº 6.404/76 são exemplificativas, o que torna o Acordo de Acionistas documento hábil para o registro do usufruto das ações. diante da comprovação de que o usufruto constituído foi devidamente publicizado perante terceiros, a desconsideração deste fato em razão de descumprimento de formalidade prevista no artigo 40 da Lei nº 6.404/76, de cunho meramente informativo, é desrespeitar o Princípio da Verdade Material, o que leva ao cancelamento deste lançamento. o próprio Termo de Verificação Fiscal reconhece que o único efeito prático do pagamento diretamente aos acionistas seria apenas de aumentar o montante recebido pelas pessoas físicas, fato que implicou em uma despesa dedutível maior para a autuada, não acarretando prejuízo ao Fisco. 3 – Da indevida presunção de omissão de receita financeira – Contratos de Conta Corrente. os valores que deram origem ao lançamento foram equivocadamente contabilizados como mútuo; de fato, os valores recebidos referemse a operações de conta corrente entre as empresas do Grupo, que não geram juros financeiros. Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 15504.725551/201317 Acórdão n.º 1301002.528 S1C3T1 Fl. 1.860 11 a autoridade autuante fundamentou a autuação em contratos de mútulo genéricos os quais não guardam relação com os referidos montantes e, por conseqüência, não poderiam gerar receitas financeiras, configurando presunção. o contrato de mútuo não se confunde com contrato de conta corrente. nos contratos de conta corrente as remessas realizadas nas contas perdem sua existência autônoma, de forma que o credor e o devedor somente serão definidos no encerramento do contrato. as coligadas não deduziram os valores como despesas financeiras, fato que comprova que não são decorrentes de contrato de mútuo. faltou investigação, ferindo o Princípio da Verdade Material, sendo que a única prova trazido pelo Fisco foram os registros contábeis equivocados e contratos genéricos. como exemplo, passa a esclarecer os procedimentos adotados relativos aos contratos de conta corrente com a coligada SAP Shutz. os valores autuados pela fiscalização, relativos à coligada ZZCAPRI, correspondem à integralização do capital social, previsto no contrato social, Cláusula Quinta, item 5.2, que não geram juros financeiros, e tampouco incidência de IRPJ e CSLL. 4 – Da impossibilidade da cobrança da multa isolada em razão da falta de recolhimento de IRPJ e CSLL devidos por estimativas. considerando a sistemática do lucro real, com apuração anual, os recolhimentos com base nas estimativas são antecipações dos tributos devidos no final do período. Logo, caracteriza duplicidade na cobrança da multa isolada cumulada com a multa de ofício, sobre tributos que possuem a mesma base de cálculo. também não tem cabimento a cobrança de multa isolada em função de estimativas mensais não recolhidas após o encerramento do anobase, pois só poderão ser cobrados os tributos apurados no final do período, momento da ocorrência do fato gerador. 5 – Da ilegalidade da cobrança de juros a multa de ofício afirma que os juros de mora calculados com base na Taxa SELIC sobre a multa de ofício não poderão ser exigidos por absoluta ausência de previsão legal. o artigo 13 da Lei nº 9.065/95 prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC somente sobre os tributos, cuja definição contida no artigo 3 do CTN não contempla a multa, uma vez que esta trata de sanção de ato ilícito. Neste sentido, o artigo 113, §1º do CTN deixa claro que as duas figuras não se confundem, ao diferenciar “tributo” de “penalidade pecuniária”. traz jurisprudência neste sentindo, e finaliza solicitando o cancelamento da cobrança dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 15504.725551/201317 Acórdão n.º 1301002.528 S1C3T1 Fl. 1.861 12 A 5ª Turma da DRJ/RJ1 prolatou o Acórdão n° 1261.485, o qual rejeitou, a preliminar de decadência suscitada e, no mérito, julgou improcedente a impugnação apresentada. Contra a decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 1640/1754, repisando os argumentos exarados na Impugnação, visando o cancelamento das exações fiscais. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário às fls. 1806/1847. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator TEMPESTIVIDADE. O Recurso Voluntário é intempestivo. Vejamos. Primeiramente, impede registrar que a Recorrente é optante do Domicílio Tributário Eletrônico, consoante o art. 2º, parágrafo único, do Decreto 70.235/72. Conforme fl. 1626 dos autos, o acórdão da decisão da DRJ foi disponibilizado na caixa postal da Recorrente, em 29/11/2013, nos termos do art. 23, III, "a", do referido Decreto. Temse que a ciência do acórdão por decurso do prazo ocorreu em 14/12/2013, haja vista que a Recorrente não acessou a mensagem da intimação da decisão da DRJ em sua caixa postal eletrônica, conforme o §2º, III, do referido art. 23 do Decreto 70.235/72 Art. 23. Farseá a intimação: (...) § 2° Considerase feita a intimação: III se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Transcorrido os 30 dias do prazo regulamentar sem que a Recorrente tivesse interposto o Recurso Voluntário, foi anexado nos autos, em 21/01/2014, o Termo de Perempção, nos termos do art. 33 do referido Decreto, conforme se depreende à fl. 1627. Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 15504.725551/201317 Acórdão n.º 1301002.528 S1C3T1 Fl. 1.862 13 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, o processo foi encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para a cobrança do débito, conforme o art. 21, §3º do mesmo Decreto, sendo emitida carta de cobrança, em 22/01/2014, cuja ciência por decurso de prazo se deu em 06/02/2014. Dito isso, verificase que a Recorrente interpôs seu Recurso Voluntário em 21/02/2014 de forma intempestiva, isto é, mais de dois meses após o encerramento do prazo. Portanto, face ao disposto no art. 35 do Decreto 70.235/72, é dever deste Colegiado julgar a intempestividade do Recurso. Ante todo o exposto, não conheço do Recurso Voluntário, vez que foi apresentado fora do prazo. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 15504.725551/201317 Acórdão n.º 1301002.528 S1C3T1 Fl. 1.863 14 Fl. 1863DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720391/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 21/01/2008
MULTA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE RESPOSTA NO PRAZO ESTIPULADO, NO CURSO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ARTIGO 107, INCISO IV, ALÍNEA "C", DO DECRETO-LEI Nº 37/1966. ARTIGO 94 DO DECRETO Nº 37/1966.
De acordo com o artigo 107, Inciso IV, Alínea "c", do Decreto-Lei nº 37/1966, está sujeita a imposição de multa a prática de ação ou omissão de "embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira", inserindo o legislador no referido dispositivo legal uma conduta que, em decorrência da própria Lei, deve ser considerada "embaraçar, dificultar ou impedir" ação de fiscalização, que é a não apresentação de resposta, no prazo estipulado, no curso de ação fiscal.
Assim, enquanto que para toda e qualquer conduta, a Fiscalização deve demonstrar os motivos pelos quais aquela conduta implica "embaraçar, dificultar ou impedir" ação de fiscalização, na hipótese de não-apresentação de resposta à intimação, no prazo estipulado, a própria Lei tratou de defini-la como uma prática de "embaraçar, dificultar ou impedir" ação de fiscalização", ficando a sua aplicação sujeita à existência dos seguintes requisitos cumulativos: (i) ausência de resposta no prazo estipulado; e (ii) intimação realizada no curso de procedimento fiscal, não havendo que se perquirir a intenção do agente na prática do ato, conforme determina o artigo 94 do Decreto nº 37/1966.
Numero da decisão: 3401-003.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco votou pelas conclusões.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE RESPOSTA NO PRAZO ESTIPULADO, NO CURSO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ARTIGO 107, INCISO IV, ALÍNEA "C", DO DECRETOLEI Nº 37/1966. ARTIGO 94 DO DECRETO Nº 37/1966. De acordo com o artigo 107, Inciso IV, Alínea "c", do DecretoLei nº 37/1966, está sujeita a imposição de multa a prática de ação ou omissão de "embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira", inserindo o legislador no referido dispositivo legal uma conduta que, em decorrência da própria Lei, deve ser considerada "embaraçar, dificultar ou impedir" ação de fiscalização, que é a não apresentação de resposta, no prazo estipulado, no curso de ação fiscal. Assim, enquanto que para toda e qualquer conduta, a Fiscalização deve demonstrar os motivos pelos quais aquela conduta implica "embaraçar, dificultar ou impedir" ação de fiscalização, na hipótese de nãoapresentação de resposta à intimação, no prazo estipulado, a própria Lei tratou de definila como uma prática de "embaraçar, dificultar ou impedir" ação de fiscalização", ficando a sua aplicação sujeita à existência dos seguintes requisitos cumulativos: (i) ausência de resposta no prazo estipulado; e (ii) intimação realizada no curso de procedimento fiscal, não havendo que se perquirir a intenção do agente na prática do ato, conforme determina o artigo 94 do Decreto nº 37/1966. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 03 91 /2 00 8- 13 Fl. 204DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco votou pelas conclusões. ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório Por bem expor a controvérsia, adoto inicialmente parte do relatório da decisão recorrida, redigido na forma a seguir: “Trata o presente processo de lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 02/07, que constituiu crédito tributário no valor de R$ 5.500,00, correspondente às multas por embaraço à fiscalização e por descumprimento do prazo para aplicação do regime aduaneiro especial de exportação temporária. Conforme relato da autoridade aduaneira e demais documentos constantes dos autos, a interessada obteve o regime aduaneiro de exportação temporária para os bens acobertados pela DSE nº 2050201466/0. O regime foi concedido por meio do processo nº 10831.012039/200563, pelo prazo de 01 ano, contado a partir de 31/01/2006. Verificado o vencimento do prazo, a contribuinte foi intimada, em 01/10/2007, por meio do Termo nº 304/2007, para comprovar o recolhimento da multa no valor de R$ 500,00, prevista no inciso II do art. 72 da Lei nº 10.833/2003, no prazo de 10 dias. Intempestivamente, em 29/10/2007, a empresa solicitou prorrogação do prazo para atendimento à intimação. Considerando a intempestividade dessa manifestação, a fiscalização intimou a interessada a comprovar, no prazo de 10 dias, o recolhimento da multa por embaraço, através do Termo 491/2007, do qual a empresa foi cientificada em 07/12/2007. Desta vez, tempestivamente, a empresa apresentou manifestação contra a aplicação da referida multa, no montante de R$ 5.000,00. Diante desse contexto, a fiscalização lavrou auto de infração para cobrança das multas previstas no art. 72, II, da Lei nº 10.833/2003 e art. 107, IV, “c”, do Decretolei nº 37/66”. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10980.720391/200813 Acórdão n.º 3401003.906 S3C4T1 Fl. 205 3 Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Impugnação, julgada improcedente pela 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo ("DRJ"), na sessão do dia 25/02/2015, por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/01/2008 MULTA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Aplicase a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/01/2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DESISTÊNCIA DO PROCESSO. A não impugnação de parte do crédito tributário exigido implica a não instauração da fase litigiosa e desistência do processo, reputandose definitivo o crédito correspondente”. Dessa decisão, a ora Recorrente foi intimada no dia 13/03/2015, sextafeira, conforme documentos de fls. 142 e 173, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 10/04/2015, sextafeira, pelo qual requer seja reconhecida a improcedência do Auto de Infração, argumentando que adotou as medidas necessárias ao cumprimento da intimação, inclusive, com o protocolo de petição requerendo a dilação de prazo, e não se poderia atribuir a multa à Recorrente, tendo em vista que o descumprimento da obrigação acessória não teria decorrido de ato voluntário da empresa, mas em razão de sua fragilidade financeira, informando que ajuizou recuperação judicial. Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e distribuídos à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Fl. 206DF CARF MF 4 Como relatado, a Fiscalização realizou o lançamento de duas penalidades, quais seja, (i) multa por embaraço à fiscalização e (ii) multa por descumprimento do prazo para aplicação do regime aduaneiro especial de exportação temporária. A decisão recorrida, por sua vez, julgou definitivamente constituído o crédito tributário referente a essa segunda multa, por descumprimento do prazo, por não ter sido contestada pela Recorrente em sua Impugnação, o que implicou a não instauração da fase litigiosa em relação a essa parte do lançamento. Do mesmo modo, a Recorrente não se insurge contra a decisão recorrida nessa matéria, de modo que a questão que se coloca ao Colegiado pela interposição do Recurso Voluntário diz respeito única e exclusivamente ao cabimento da aplicação da multa por embaraço, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "c", do DecretoLei nº 37/1966, ao caso concreto. Nos termos do dispositivo legal em referência, "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal". (grifos nossos) Como se observa, a conduta tipificada como sujeita à cominação da multa em questão é a prática de ação ou omissão de "embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira", inserindo ainda o legislador uma conduta que, em decorrência da própria Lei, deve ser considerada "embaraçar, dificultar ou impedir" ação de fiscalização, que é a não apresentação de resposta, no prazo estipulado, no curso de ação fiscal. Assim, enquanto para toda e qualquer conduta, a Fiscalização deve demonstrar os motivos pelos quais aquela conduta implica "embaraçar, dificultar ou impedir" ação de fiscalização, na nãoapresentação de resposta à intimação, no prazo estipulado, a própria Lei tratou de definila dessa maneira, não havendo margem para discussão. Nesse sentido, já decidiu o CARF, por unanimidade, em processo de relatoria do i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, para quem: "a conduta vedada está definida na primeira parte do preceito legal em comento. Na segunda parte, visando conferir uma certa objetividade ao preceito legal, o legislador resolveu especificar uma conduta que, se praticada, implicaria embaraço, dificuldade e impedimento à ação da fiscalização aduaneira, condutas configuradoras da mencionada infração". (Acórdão nº 310200.657; Processo nº 11128.005449/200567; Relator: Conselheiro José Fernandes do Nascimento; 29/04/2010; 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção) Além disso, é de se destacar que essa penalidade aduaneira é objetiva, não dependendo da vontade do agente para a sua configuração, a teor do que dispõe o artigo 94 do Decreto nº 37/1966, a seguir: “Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. (grifos nossos) Assim, quando a Legislação prevê a cominação de penalidade para a hipótese de “nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal”, devese entender como requisitos cumulativos para a aplicação da penalidade: (i) ausência de resposta no prazo estipulado; e (ii) intimação realizada no curso de procedimento fiscal. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10980.720391/200813 Acórdão n.º 3401003.906 S3C4T1 Fl. 206 5 Desse modo, incluemse nos casos passíveis de sujeição à penalidade tanto a hipótese em que o contribuinte é intimado e nada apresenta como resposta, como a hipótese em que é intimado e apresenta uma resposta, mas a mesma é intempestiva, pois ambas se qualificam como “não apresentação de resposta no prazo estipulado”. Por outro lado, caso o contribuinte seja intimado e apresente uma resposta dentro do prazo, ainda que seja para pedir prazo adicional para atendimento à intimação ou com uma resposta que não seja completamente satisfatória à Fiscalização, tal conduta, em princípio, não se enquadraria na hipótese prevista para aplicação dessa penalidade, ao menos, no tipo específico ora em análise, “não apresentação de resposta no prazo estipulado”. Por essas razões, as Turmas de Julgamento da Terceira Seção do CARF vêm entendendo que a apresentação intempestiva de resposta à intimação sujeita o infrator à penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "c", do DecretoLei nº 37/1966, como se depreende dos seguintes julgados: Ementa: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 26/09/2005 NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. PENALIDADE A não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal justifica a aplicação da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c" do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/2003". (Acórdão nº 3201001.062; 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara; Sessão de 21/08/2012; decisão unânime; Relator: Daniel Mariz Gudiño) Trecho do Voto: “A conduta passível de punição é objetiva, qual seja a nãoapresentação de resposta à intimação no prazo estipulado. Tratase de uma conduta que não exige o prejuízo financeiro ao erário público para que a multa possa ser aplicada. Aliás, como muito bem destacou a decisão recorrida, o não cumprimento de obrigações acessórias também acarreta prejuízo ao erário público na medida em que cerceia o poderdever de fiscalização, sobretudo em matéria aduaneira. Desse modo, como a Recorrente tomou ciência pessoalmente, o mínimo que poderia ter feito é respondêla ainda que fosse para prestar esclarecimentos ou pleitear um prazo mais dilatado para cumprir a determinação nela contida”. ***** Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 12/08/2008 NÃO ATENDIMENTO INJUSTIFICADO À INTIMAÇÃO EM PROCEDIMENTO FISCAL. MULTA. CABIMENTO. A não apresentação Fl. 208DF CARF MF 6 injustificada de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal é causa suficiente para a imputação da multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decretolei n°37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. (Acórdão nº 3102002.300; 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara; Sessão de 15/10/2014; Relatora: Andréa Medrado Darzé) No presente caso, a Fiscalização e a Recorrente não divergem quanto aos seguintes fatos: (i) a Recorrente recebeu no curso de procedimento de fiscalização intimação no dia 01/10/2007, dando 10 dias para que a Recorrente apresentasse resposta; (ii) a Recorrente apresentou resposta após o prazo, somente no dia 29/10/2007. Apesar disso, a Recorrente entende incabível a aplicação da penalidade, alegando que havia entrado com pedido de recuperação judicial e, em razão de sua fragilidade financeira e empresarial, teve dificuldades em proceder com a multa prevista na referida intimação, que tal conduta não ocasionou dano ao erário, invocando ainda o artigo 112, inciso II, do CTN, e o princípio constitucional do não confisco. Contudo, as alegações da Recorrente não são capazes de afastar a aplicação da penalidade, que deve ser mantida, tendo em vista que a conduta praticada pela Recorrente, não apresentação de resposta à intimação, no curso de ação fiscal, dentro do prazo estipulado, se enquadra na hipótese legal prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "c", do DecretoLei nº 37/1966, não dependendo a aplicação da penalidade do elemento subjetivo da vontade do agente, das condições financeiras ou de organização empresarial enfrentadas pelo agente no momento do recebimento da intimação, nem da existência de dano ao erário. Além disso, não se aplica ao presente caso o artigo 112, inciso II, do CTN, pois, como afirmado acima, não há dúvidas quantos às circunstâncias materiais de fato envolvidas, reconhecendo a Recorrente a realização da conduta que enseja a penalidade. Por fim, alegações relativas ao o princípio constitucional do não confisco não podem ser conhecidas pelo Colegiado, em função do que determina a Súmula CARF nº 02, pela qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pelo exposto, proponho ao Colegiado conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento em sua integralidade. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720007/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
É ônus processual da contribuinte fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OCORRÊNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO.
No caso em análise, a contribuinte foi intimada a apresentar documentação, no entanto, não atendeu à respectiva solicitação, implicando na negativa do seu crédito pelo seu próprio comportamento. Não cabe dizer, portanto, que há afronta ao princípio da verdade material ou cerceamento ao direito de defesa.
Numero da decisão: 3302-004.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da contribuinte fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OCORRÊNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. No caso em análise, a contribuinte foi intimada a apresentar documentação, no entanto, não atendeu à respectiva solicitação, implicando na negativa do seu crédito pelo seu próprio comportamento. Não cabe dizer, portanto, que há afronta ao princípio da verdade material ou cerceamento ao direito de defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
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ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da contribuinte fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OCORRÊNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. No caso em análise, a contribuinte foi intimada a apresentar documentação, no entanto, não atendeu à respectiva solicitação, implicando na negativa do seu crédito pelo seu próprio comportamento. Não cabe dizer, portanto, que há afronta ao princípio da verdade material ou cerceamento ao direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 07 /2 00 7- 91 Fl. 796DF CARF MF 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI, com fundamento no crédito presumido, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, previsto na Lei nº 9.363, de 1996, e Portaria MF nº 38/97, do período de apuração referente ao 2º trimestre de 2002 A contribuinte impetrou mandado de segurança, fls. 671, a fim de que seus pedidos de compensação fossem analisados, e obteve a segurança pleiteada, na qual a sentença determinou que o processo administrativo fosse instruído em 30 dias e decidido nos trinta dias seguintes. Sobreveio o despacho decisório, indeferindo o pedido, fls. 117 e seguintes, cuja ementa é transcrita abaixo: O saldo credor do IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à aliquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos art. 73 e 74 da Lei n°9.430, de 27/12/1996. Sua utilização deverá observar as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, cabendo à interessada a prova dos fatos que tenha alegado. A contribuinte, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade, fls. 136 e seguintes, onde alegou em síntese que: 1. Que ela foi intimada pela SAORT/DRF/Blumenau pela intimação fiscal nº 045/2007 para apresentar documentos, visando à análise dos pedidos de homologação de declarações de compensação de tributos. A contribuinte solicitou prorrogação de prazo para a entrega de documentos, contudo, a DRF em Blumenau indeferiu o pedido de prorrogação sob o argumento de que a análise estava sendo examinada em atendimento à decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2006.72.05.0051978/SC, onde foi fixado um prazo de 60 (sessenta dias) para finalização do procedimento; 2. Afirma que possui toda a documentação e não pode ser privada do direto de ver seu crédito tributário compensado em razão da não apresentação de todos os documentos. Ela informa que teve que instruir simultaneamente 24 (vinte e quatro) processos administrativos de compensações de tributos, envolvendo vários exercícios fiscais, atendendo rigorosamente as diretrizes impostas pelas portarias e instruções normativas da SRF, tanto que necessitou contratar serviços especializados de assessoria especializada na área para dar atendimento as exigências, o que lamentavelmente não foi possível diante da exiguidade do prazo concedido; 3. Sustenta que ela pode juntar documentos em qualquer fase do processo administrativo, em razão do princípio da verdade documental, razão pela qual requereu a juntada dos documentos exigidos pela autoridade fiscal, solicitando revisão da decisão de indeferimento do pedido de compensação. 1 Todas as páginas, referencidas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 797DF CARF MF Processo nº 13971.720007/200791 Acórdão n.º 3302004.696 S3C3T2 Fl. 3 3 Houve o julgamento da manifestação de inconformidade pela DRJ/Ribeirão Preto, fls. 308 e seguintes, cuja ementa é transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2002 a 30/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. E ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Quando documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 315 e seguintes, onde reafirmou as alegações da manifestação de inconformidade e acrescentou: 1. Ela é empresa fabricante e exportadora de móveis e esquadrias de madeira. Durante muitos anos, vem desenvolvendo atividades de produção destinadas especificamente à exportação, direcionando seus esforços ao comércio exterior; 2. Em razão do princípio da verdade material, os documentos anexados na fase impugnatória devem ser analisados e assim já decidiu este Tribunal Administrativo que a apresentação dos documentos na fase de impugnação é válido; 3. Pleiteia pela nulidade do acórdão da DRJ, devendo os autos serem baixados à gerência de origem, de modo que a autoridade originária analise o pedido da interessada à luz dos documentos por ela trazidos aos autos. Sobreveio, então, julgamento do CARF, acórdão nº 380300.749, de 29 de setembro de 2010, Relator Hélcio Lafetá Reis, que anulou a decisão da DRJ, a ementa do julgado é transcrita abaixo, fls. 339: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RESSARCIMENTO DE IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. No processo administrativo fiscal vigoram os princípios da verdade material, do informalismo moderado e da oficialidade, devendo a autoridade administrativa julgadora proceder de forma a garantir a elucidação dos fatos que propicie o bom deslinde da controvérsia. Ao contribuinte é assegurado o direito de apresentar os elementos probatórios na manifestação de conformidade, que equivale à fase de impugnação do PAF. Deve Fl. 798DF CARF MF 4 ser anulada a decisão administrtiva de primeira instância em que se ignoraram tais condicionantes, para que outra seja proferida, ainda que se valendo de diligencias junto à repartição de origem. O processo retornou à DRJ/Ribeirão Preto, que devolveu o presente processo ao órgão preparador para, fls. 691: Diante do teor do acórdão proferido pelo CARF entendo que o presente processo deva ser baixado em diligência para que a fiscalização se pronuncie sobre: 1°) A documentação juntada pelo interessado atendeu as intimações, inclusive o arquivo magnético (CD) apresentado, feitas no decorrer do exame do pedido? 2°) A documentação juntada pelo interessado prova no todo ou em parte o direito creditório alegado? (Em caso afirmativo, em quanto montaria tal crédito contra a Fazenda nacional?). Sobreveio a informação fiscal, fls. 699, onde demonstrou quais itens foram atendidos e não atendidos, e em relação a um documento específico informou, in verbis: Assim, tendo em vista a ausência da memória de cálculo a que se refere o artigo 6º da IN SRF nº 23/97, informase que a documentação juntada pela interessada não comprova o direito ao crédito presumido. A contribuinte, então, manifestouse, fls. 710, no sentido de que a lei não prevê que, para a comprovação do direito ao crédito, se faz necessária a apresentação da memória de cálculo, nem mesmo o mencionado artigo 6º, da IN SRF nº 23, de 1997, ademais, ela junta memória de cálculo na referida manifestação. O acórdão da DRJ/Ribeirão Preto julgou parcialmente procedente a segunda manifestação de inconformidade, fls. 734, para reconhecer o direito creditório montante em R$ 15.474,48. A ementa é transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito, sendo que a aceitação destas, quando intempestivamente apresentadas, submetese às hipóteses legais. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados e convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. ) e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 799DF CARF MF Processo nº 13971.720007/200791 Acórdão n.º 3302004.696 S3C3T2 Fl. 4 5 A contribuinte, então, apresentou novamente Recurso Voluntário, fls. 743, onde repisou a argumentação apresentada e acrescentou: 1. Que a alegação da DRJ/Riberão Preto no sentido de não comprovação do crédito por intempestividade é infundada, afirma que mesmo não apresentada a memória de cálculo, não poderia o julgador concluir que não está comprovado o direito alegado; 2. Diz que no anexo V, em formato exigido pela SRFB, consta a relação das entradas de insumos, demonstrados todos os produtos com seu respectivo destaque de IPI, dos CFOP's 1.11 e 2.11, que deram origem ao crédito. Além disso, estão relacionadas todas as Notas Fiscais de exportação direta e indireta, que compõem os CFOP's informados em documento anexo e arquivo digital; 3. Afirma que os documentos constantes dos autos, juntamente aos que seguiram em anexo por ocasião à Manifestação à Informação Fiscal, protocolada em 01/06/2011 (memória de cálculo), comprovam a existência do crédito reclamado; 4. Suscita que não houve zelo por parte da fiscalização na análise dos documentos apresentados, uma vez que eles atendem ao exigido na legislação, pois os cálculos foram baseados no que prescreve o artigo 3º, da Portaria 38/1997. Os autos subiram, novamente, a este Egrégio Tribunal Administrativo, onde por meio da Resolução nº 38030.161, Relator Hélcio Lafetá Reis, o feito foi convertido em diligência para, fls. 778: Nesse contexto, considerando que para se concluir acerca da extensão do direito creditório pleiteado há a necessidade de se confrontarem os dados presentes nos autos, muitos deles apresentados em arquivos magnéticos, com outros constantes dos sistemas internos da Receita Federal, bem como da escrituração contábil fiscal e da documentação da pessoa jurídica trazidas aos autos, surge como única alternativa à pacificação no processo a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a Fiscalização, com base em todas as informações já disponíveis nos autos, proceda ao exame do crédito presumido requerido pelo Recorrente. Concluise, portanto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como no princípio da verdade material decorrente do princípio da legalidade, pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para que se apure, observandose as normas que regem a matéria, a extensão do crédito presumido de IPI a que tem direito o Recorrente, valendose de todas as informações e documentos presentes nos autos, bem como de outros que se mostrarem necessários ao bom cumprimento desta decisão. Sobreveio informação fiscal, fls. 788, e, posteriormente, informação da unidade a respeito da ciência da Recorrente e a ausência de manifestação, fls. 794. É o relatório. Fl. 800DF CARF MF 6 Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do Recurso Voluntário 2.1. Informação fiscal Sobreveio informação fiscal, fls. 788, que expõe o que se segue: Diante da resolução de fls. 772779, constante dos autos em epígrafe, passamos a informar o que segue: · Já consta pedido de ressarcimento do crédito presumido referente ao 2º trimestre de 2002 para o mesmo interessado no processo nº 13977.000225/200241, tendo o pedido sido protocolado em 13/08/2002, anterior, portanto, ao pedido formulado nos presentes autos (18/11/2003); · Não consta pedido de crédito presumido no presente processo, tendo em vista que o interessado requereu o ressarcimento de apenas R$ 18.443,98 (fl. 3), valor inferior aos créditos básicos apurados cf. informação fiscal à fl. 699 (R$ 18.475,72) que, após a dedução do IPI destacado nas saídas, levou ao crédito reconhecido de R$ 15.474,48. Assim, temse que o crédito presumido referente ao trimestre em tela será apurado no processo correspondente ao pedido desse tipo de crédito, qual seja, o processo nº 13977.000225/200241, sendo que tal processo se encontra sob análise no presente momento, com intimação do interessado para apresentação de documentos para apuração do valor do crédito. Portanto, observase pela informação fiscal que há pedido de ressarcimento já em trâmite para a apuração do 2º trimestre de 2002. 2.2. Momento para apresentação da documentação A Recorrente faz uma retrospectiva fática no início do seu Recurso Voluntário, posteriormente, insurgese contra a decisão da DRJ/Ribeirão Preto, que entendeu, por sua vez, que houve a preclusão temporal e que a contribuinte não pode carrear aos autos provas ou alegações suplementares. Ela fundamenta o seu direito crédito no artigo 1º, da Lei nº 9.393, de 1996, e diz que o crédito pleiteado pode ser comprovado por meio das informações contidas nos autos, relacionando os documentos que se encontram acostados e que comprovam o referido crédito. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 13971.720007/200791 Acórdão n.º 3302004.696 S3C3T2 Fl. 5 7 Quanto ao momento de apresentação da documentação, não vejo qualquer óbice à apresentação no momento da manifestação da inconformidade, período no qual se instaura o real litígio entre o contribuinte e a Secretaria da Receita Federal, fazendo uma analogia entre a impugnação administrativa e a manifestação de inconformidade: Decreto nº 70.235/1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. No caso em análise, o cerne do problema é que já há um pedido de ressarcimento para o mesmo período de apuração em trâmite e houve por parte da unidade uma análise do direito ao crédito, visto que houve o reconhecimento de R$ 18.475,72. Na informação fiscal, fls. 695, houve análise da documentação acostada aos autos e inclusive há a seguinte informação: 7. Apresentar cópia do Livro Registro de Apuração do IPI que contenha a escrituração do período relativo ao pedido de ressarcimento epigrafado até a data do estorno/envio do PER/DCOMP dos créditos solicitados em ressarcimento. Atendido em parte – faltou apresentar período compreendido entre 11/08/2002 e 31/10/2011 – fls. 192 a 194, 230 a 270; Mais adiante, a fiscalização expõe, fls. 699: No que tange a parcela de crédito básico, apurouse, com fulcro nos arquivos contendo os registros de entradas e os registros de saídas, e no pedido de ressarcimento, créditos passíveis de ressarcimento equivalentes a R$ 15.474,48(quinze mil quatrocentos e setenta e quatro reais e quarenta e oito centavos), tendo em vista que os créditos passíveis de ressarcimento em aquisições somaram R$ 18.475,72 (dezoito mil quatrocentos e setenta e cinco reais e setenta e dois centavos) e que o IPI destacado nas saídas somou R$ 3001,24 (três mil e um reais e vinte e quatro centavos) conforme se demonstra a seguir: A contribuinte obteve a partir de tal análise decisão parcialmente favorável na DRJ/Ribeirão Preto, encontrandose, assim, superada a presente alegação . 2.3. Princípio da verdade material A Recorrente argumenta que apresentou a documentação e que a decisão da DRJ/Ribeirão Preto desrespeita o princípio da verdade material, ademais, cita uma série de precedentes do Carf. Pelos mesmos fundamentos, adotados no tópico anterior, a argumentação encontrase superada pela conversão do feito em diligência e análise da documentação acostada aos autos. 2.4. Cerceamento ao direito de defesa A Recorrente alega que o entendimento da DRJ/Ribeirão Preto, ao fundamentar que após a apresentação do contencioso administrativo não pode mais analisar a Fl. 802DF CARF MF 8 documentação, fere o direito de defesa com previsão constitucional, e, portanto, pela falta de análise deve ser considerada nula, citando, mais uma vez, uma série de precedentes do Carf. Afirma que os cálculos foram realizados em conformidade com a legislação pertinente, qual seja, a Portaria nº 38, de 1997. Mais uma vez, voltase ao fato de que o feito foi convertido em diligência com a finalidade de apurar os valores dos créditos presumidos, mas por falta de iniciativa da própria Recorrente a diligência não foi concluída, pois deixou de apresentar um período no Livro Registro de Apuração do IPI. Cabe esclarecer que o ônus da prova, quanto à existência de crédito ou não, cabe à Recorrente nos termos do artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/2015. Portanto, diante da falta de produção probatória por parte da Recorrente, tornase improcedente o pedido contido no Recurso Voluntário quanto à verificação dos créditos. Quanto ao pedido de que as intimações sejam dirigidas ao escritório do patrono da Recorrente, não há previsão legal para tal determinação, pois o artigo 67, da Lei nº 9.532, de 1997, determina que as intimações serão "por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo." Portanto, o domicílio tributário, eleito pela Recorrente, é o local das intimações. 3. Conclusão Por todo exposto, conheço o recurso voluntário e nego provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 803DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.901392/2014-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
Numero da decisão: 1401-002.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
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GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 13 92 /2 01 4- 48 Fl. 874DF CARF MF 2 Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: O presente processo tem como objeto compensações por meio das quais a interessada pretende o aproveitamento de crédito no valor de R$ 44.242.787,52, correspondente ao saldo negativo de CSLL do ano de 2008. Conforme despacho decisório eletrônico de fls 703, do qual a interessada teve ciência em 25/08/2014 (fls 708), a Administração Pública declarou parcialmente homologada a compensação pretendida, reconhecendo o crédito de R$ 19.963.103,37. O fundamento da decisão foi o de que não teria sido confirmada a parcela de composição do crédito referente a fevereiro de 2008 , que segundo informações prestadas no Per Dcomp, teria sido compensada em outro per Dcomp, conforme abaixo: (...) Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls 560, na qual alega, em síntese, que: 1. Quanto à decadência: § Nos termos do art 150 do CTN, decaiu o direito de o Fisco refazer apuração referente ao ano calendário 2008. Logo, o crédito apurado pela interessada no referido ano representa uma situação jurídica consolidada, impossível de desconstituição; § Tal qual a homologação tácita do pagamento antecipado, os dados informados em DIPJ também se tornam imutáveis com o decurso do prazo decadencial. 2. Quanto à estimativa não compensada: § É incabível a desconsideração de estimativas mensais compensadas; § De acordo com o art 156 , inciso II, do CTN, a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário, de modo que as estimativas compensadas devem ser consideradas extintas até decisão administrativa final que estabeleça em contrário; § A apresentação de manifestação de inconformidade tempestiva tem como efeito a suspensão da exigibilidade do débito até decisão final; § Logo, enquanto há decisão administrativa pendente, o débito de estimativa não pode ser cobrado nem de forma direta, nem de forma indireta, mediante redução do saldo negativo que integra; § Mesmo na hipótese de haver decisão administrativa definitiva não homologando a compensação, ainda assim a estimativa que Fl. 875DF CARF MF Processo nº 16682.901392/201448 Acórdão n.º 1401002.016 S1C4T1 Fl. 875 3 deixou de ser extinta deve ser considerada no cômputo do saldo negativo, já que será devidamente exigida em processo administrativo próprio, por força do disposto no art 74 § 6º da Lei 9.430/1996, verbis : “A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados”; § Portanto, em qualquer hipótese, sendo ou não homologada a compensação da estimativa, deve ela ser considerada na composição do saldo negativo correspondente; § O procedimento da RFB, de reduzir o saldo negativo integrado por estimativas cujas compensações foram não homologadas, implica em exigir duplamente o mesmo débito; § A Administração Pública já se manifestou favoravelmente à tese acima, por meio de entendimento formalizado na Solução de Consulta Interna (Cosit) 18 e adotado pelas Delegacias de Julgamento; Da decisão de primeiro grau A Delegacia de Julgamento negou provimento à manifestação de inconformidade (fls. 730736), pelas seguintes razões: 1) As regras de decadência só se aplicam ao poder de o Fisco constituir o crédito tributário e não para verificar os elementos necessários para a análise de direito creditório; 2) A estimativa de CSLL de fevereiro de 2008, única questão fática controvertida, foi compensada, mas essa compensação foi homologada apenas parcialmente, como consta dos autos do processo nº 16682.906949/201275. Assim, a parcela não homologada, no valor de R$ 20.812.308,87, não pode ser computada na apuração do saldo negativo em razão da ausência de certeza e liquidez. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 783 a 800, em que reitera as razões de defesa apresentadas na impugnação. É o relatório. Fl. 876DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Como já é de conhecimento desde Colegiado, concordo com a posição da Delegacia de Julgamento quanto à alegação de decadência do direito de o Fisco analisar elementos para fins de reconhecer direitos creditórios. Nada obstante, deixo de enfrentar esse tema preliminar, uma vez que, no mérito, o interessado faz jus ao direito creditório, como abaixo discorro. Passo, pois, diretamente à análise de mérito. A única questão ora em disputa diz respeito ao reconhecimento de saldo negativo de CSLL para o ano de 2008, relativamente à parcela da estimativa de fevereiro que havia sido extinta por compensação, a qual, contudo, não foi homologada e é objeto do processo administrativo nº 16682.906949/201275. Já julguei de forma similar à posição adotada pela DRJ. Sempre tive a convicção de que estimativas não podem ser lançadas, nem cobradas. Caso não recolhidas, a omissão deve ser punida com a multa isolada e repercutir no saldo negativo do período ou no tributo a recolher que, este sim, deve ser lançado relativamente à diferença não recolhida. Desse modo, uma compensação não homologada não poderia repercutir na formação do saldo negativo do período. Nada obstante, a Administração Tributária entende de modo diverso e efetivamente cobra estimativas declaradas em Dcomp não homologadas. Citese, nesse sentido o Parecer PGFN/CAT n.º 193/2013, cuja conclusão reproduzimos abaixo: CONCLUSÃO 22. Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 16682.901392/201448 Acórdão n.º 1401002.016 S1C4T1 Fl. 876 5 Em razão dessa premissa, tanto a Receita Federal do Brasil, quanto a Procuradoria da Fazenda Nacional já se manifestaram no sentido de a estimativa objeto de compensação não homologada compensada possa compor o saldo negativo do período, conforme podemos constatar na Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006 e no Parecer/PGFN/CAT nº 88/2014, cujas ementas transcrevo abaixo: Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. A Câmara Superior de Recursos Fiscais também já assentou esse entendimento, conforme podemos constatar pela ementa do Acórdão nº 9101002.493, de 23/11/2016: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Não há, pois, razão para a glosa da estimativa extinta por meio de compensação posteriormente não homologada. Fl. 878DF CARF MF 6 Conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório suplementar no valor originário de R$ 20.812.308,87 a título de saldo negativo de CSLL para o ano de 2008 e que é relativa à parcela não homologada da estimativa de fevereiro de 2008, bem como para realizar as compensação declaradas até o montante do valor reconhecido. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 879DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.904861/2011-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.976
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 86 1/ 20 11 -9 5 Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10530.904861/201195 Resolução nº 3201000.976 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10530.904861/201195 Resolução nº 3201000.976 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10530.904861/201195 Resolução nº 3201000.976 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10530.904861/201195 Resolução nº 3201000.976 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1051DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.909162/2011-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.472
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
RELATÓRIO
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 09 16 2/ 20 11 -6 0 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10783.909162/201160 Resolução nº 1401000.472 S1C4T1 Fl. 235 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 03055.160, de 26 de setembro de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, mantendo na íntegra a não homologação do crédito tributário pleiteado. Por economia processual, sirvome do relatório constante no Acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ/BSB) Cuidam os autos da Compensação de crédito, decorrente do Saldo Negativo de CSLL, anobase 2005, com débito(s) próprio(s) da contribuinte (folhas 495 a 508). Irresignada com a homologação parcial da compensação, a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: “As estimativas pagas nos meses de janeiro, fevereiro, junho e julho de 2005 foram compensadas através de Declarações de compensações vinculadas a processos administrativos que ainda estão em discussão, não tendo ainda nos autos de seus respectivos processos decisão definitiva que embasasse a decisão desta DRJ, impedindo assim que o fisco não homologue créditos em que ainda está discutindo sua legitimidade”. Para comprovar as alegações acima descritas, indica o status de cada processo administrativo que discute a legitimidade dos créditos utilizados para compensar as referidas estimativas, de modo a comprovar que ainda não houve decisão definitiva que justifique a nãohomologação das compensações realizadas. Portanto, resta claro que o presente despacho decisório deve ser anulado e o curso do processo suspenso até julgamento final dos processos de crédito acima mencionados. À vista das razões expostas, requer seja reformado o despacho decisório, ou então seja sobrestado estes autos até decisão definitiva dos outros processos administrativos. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ/BSB) Como dito, a DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por meio do Acórdão 03055.160, de 26 de setembro de 2013, que teve a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. A lei somente autoriza a compensação de crédito tributário com crédito líquido e certo do sujeito passivo. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10783.909162/201160 Resolução nº 1401000.472 S1C4T1 Fl. 236 3 DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. É dever do julgador observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A empresa foi cientificada na data de 16/12/2013, por meio do Termo de Ciência e Vista dos Autos (efl. 204), do resultado do julgamento da DRJ/BSB. Irresignada com a decisão da DRJ, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fl. 164 a 174) tempestivamente na data de 14/01/2014, argumentando o que segue: III.1 DA ILEGALIDADE DA GLOSA DAS ESTIMATIVAS CUJAS DECISÕES DAS COMPENSAÇÕES ENCONTRAMSE COM EFEITO SUSPENSO Alega que os processos de compensação nº 13770.000146/200507, 13770.000224/200565 e 13770.000351/200564, utilizados para compensar as estimativas de janeiro, fevereiro, junho e julho de 2005, estão com sua exigibilidade suspensa, com base no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Em razão disso, a estimativa não deferida por não homologação das declarações de compensação constantes em tais processos, mas cuja decisão ainda não é definitiva, retorna aos status quo ante, qual seja, a de estimativa devidamente compensada e extinta sob condição resolutória. Logo, aduz que não cabe a alegação da DRJ de que não há certeza e liquidez em relação a tais créditos. III.2 DA ILEGALIDADE DO INDEFERIMENTO DO SALDO NEGATIVO SOB PENA DE DÚPLICE COBRANÇA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Alega que o PER/DCOMP é documento jurídico que constitui confissão de dívida, ensejando a cobrança das compensações não homologadas, conforme redação § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Afirma que Receita Federal entende que os débitos de estimativa de IRPJ e CSLL quitados por meio de PER/DCOMP não homologados podem ser cobrados de forma isolada, e, por consequência, não podem influenciar negativamente na apuração do Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL, como prevê a Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006. Conclui que a definitividade da não homologação dos créditos constantes nos processos de compensação nº 13770.000146/200507, 13770.000224/200565 e 13770.000351/200564, juntamente com o indeferimento do crédito aqui discutido, enseja a duplicidade de cobrança de um mesmo valor, razão pela qual pugna pelo deferimento do crédito deste processo de nº 10783.909162/201160. III.3 DA PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DA PENDÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA ACERCA DAS COMPENSAÇÕES DAS ESTIMATIVAS Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10783.909162/201160 Resolução nº 1401000.472 S1C4T1 Fl. 237 4 Por fim, ante a nítida correlação existente entre o crédito pleiteado nestes autos e os processos nº 13770.000146/200507, 13770.000224/200565 e 13770.000351/200564, os quais ainda estão(estavam) pendentes de trânsito em julgado administrativo, pede pelo sobrestamento deste processo de nº 10783.909162/201160 até o decisão definitiva dos processos retrocitados. No CARF, o processo foi distribuído, cabendo a mim sua relatoria. É o Relatório. VOTO Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Delimitação da Lide Conforme tabela abaixo, a fiscalização não homologou parte de créditos decorrentes de IRRF e de estimativas quitadas por processos de compensação não homologados. PARC.CREDITO IR EXTERIOR RETENÇÕES FONTE PAGAMENTOS ESTIM.COMP.SNPA SNPA ESTIM.PARCELADAS DEM.ESTIM.COMP. PARC.CRED. PER/DCOMP 0,00 340.280,45 6.299.857,75 0,00 0,00 10.503.535,15 17.143.673,35 CONFIRMADAS 0,00 78.467,18 6.299.857,75 0,00 0,00 4.379.947,46 10.758.272,39 Não obstante a referida glosa, a recorrente (outrora manifestante) não apresentou recurso quanto à glosa decorrente do imposto de renda retido na fonte. Assim, a lide resumese a verificar se a quitação de estimativas a partir de compensação com créditos de tributos administrados pela RFB pode ser considerada para a formação do saldo negativo do período de que se pleiteia o crédito, mesmo que a compensação não tenha sido homologada, ou ainda esteja pendente de julgamento. Quitação de estimativas com compensação de créditos de tributos administrados pela RFB Como visto, tanto no Despacho Decisório quanto no julgamento da impugnação pela DRJ, a Receita Federal se pronunciou no sentido de que não é possível homologar integralmente a compensação deste processo, pois não há certeza e liquidez de parte do crédito Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10783.909162/201160 Resolução nº 1401000.472 S1C4T1 Fl. 238 5 utilizado para quitar as estimativas do período objeto do saldo negativo gerado, uma vez que as estimativas foram quitadas por meio de declaração de compensação, que se deram por meio eletrônico (PER/DCOMP) ou por formulário entregue em meio papel. Pois bem. Verifiquei em alguns votos neste Conselho em que a turma concluiu pela impossibilidade de deferir, de plano, créditos tributários de saldo negativo originado a partir de estimativas quitadas por meio de compensação. Como exemplo, cito o voto constante na Resolução nº 1302000.378, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção de Julgamento, em que a relatora destacou que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), por meio do Parecer nº 1.658/2011, já havia se manifestado acerca da falta de certeza e liquidez da exigibilidade das antecipações devidas a título de estimativas mensais, fato a comprometer a cobrança e a inscrição em Dívida Ativa de tais débitos e a impossibilitar a compensação de recolhimentos de estimativas; no caso citado, as compensações decorrem de saldos negativos de períodos anteriores. No voto supra, a turma decidiu por baixar o processo em diligência para aguardar o julgamento do processo "principal", que originou o pedido de crédito compensado naquele processo em análise. Esta incerteza na execução da compensação eventualmente não homologada foi justificada em razão de que as estimativas de IRPJ e de CSLL não correspondem aos próprios tributos (IR e CS) apurados no fim de período de apuração. Não obstante o brilhante voto da Conselheira relatora, entendo que a situação discutida merece ser analisada sob outro olhar: É que, após o encerramento do período de apuração, as estimativas se convertem nos próprios tributos que foram quitados mediante antecipação, quais sejam, IRPJ e CSLL. Vejase na redação dos art. 2º c/c 6º da Lei 9.430/1996 que o imposto a pagar apurado no final do período de apuração é calculado abatendose dele, dentre outras rubricas, os valores pagos por estimativa: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10783.909162/201160 Resolução nº 1401000.472 S1C4T1 Fl. 239 6 II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (negritei) (...) Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. §2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. §3º O prazo a que se refere o inciso I do §1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente.” Ou seja, após o período de apuração não se cobrará mais as estimativas eventualmente não quitadas, mas sim o IRPJ e a CSLL apurados. Ultrapassada esta premissa, deve ser analisado se a compensação pode atribuir efeito de liquidez e certeza ao pagamento das estimativas e, por conseguinte, ao saldo negativo do IRPJ e da CSLL. De acordo com o disposto no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei 10.637/2002 (conversão da MP nº 66/2002) vigente a partir de 01/10/2002 a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação: § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Ou seja, o crédito tributário quitado por meio de declaração de compensação considerase extinto até a sua homologação efetuada pela Receita Federal, que pode se dar da seguinte forma: a) Homologação expressa quando a autoridade fiscal, tomando conhecimento e tendo disponibilidade de fazêlo, expressamente homologa o crédito. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10783.909162/201160 Resolução nº 1401000.472 S1C4T1 Fl. 240 7 b) Homologação tácita quando a autoridade fiscal não se manifesta sobre o extinção do crédito, no prazo de 5 (cinco) anos contados da sua compensação. Daí se pode extrair que a declaração de compensação, efetuada nos termos da lei, pode conferir ao crédito tributário caráter de liquidez e certeza, mesmo que sujeitos a condição resolutória de sua ulterior homologação. O questionamento que pode surgir é, se a autoridade fiscal não homologar o crédito extinto por compensação, perdese a liquidez e certeza da extinção do crédito? Entendo que sim. Por esse motivo é que, em muitos julgados, não foram permitidas compensações para quitação de estimativas e geração de saldos negativos de IRPJ e de CSLL, pois em desacordo com o preceito de liquidez e certeza do crédito que se pleiteia. Por outro lado, a incerteza da homologação do crédito extinto por compensação se dissipa pela natureza de confissão de dívida dada às declarações de compensação, trazida pela MP nº 135/2003, convertida posteriormente na Lei nº 10.833/2003, na redação dada ao § 6º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996, vigente a partir de 30/10/2003: § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ou seja, o caráter de incerteza da compensação é neutralizado por sua natureza de confissão de dívida, razão pela qual podese permitir a quitação da estimativa por meio de declaração de compensação. Observo também que, quanto aos períodos anteriores à vigência da MP nº 135/2003, a confissão de dívida se dava por meio da DCTF. No mesmo sentido se pronunciou a Procuradoria da Fazenda no Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011, que, apesar de concluir pela impossibilidade de se aceitar a compensação das estimativas, é de serventia para se constatar que o crédito tributário pode ser cobrado com base na DCOMP: 26. Atentese para a ressalva: se o pleito de compensação foi anterior à Medida Provisória no 135 (30.10.2003), a DCOMP não se prestou à constituição do crédito tributário, o que decorre da declaração de débitos e créditos tributários federais – DCTF. 27. Portanto, relativamente à compensação declarada mas não homologada, o crédito tributário poderá ser cobrado com base na DCOMP, salvo se o pleito foi feito no período no qual este documento não apresentava a natureza de confissão de dívida, hipótese em que sua constituição se dá pela DCTF (ou, se inexistente, pelo Fisco)1. Da leitura dos dispositivos legais supra, inferese que, independentemente de homologação da compensação declarada à Receita Federal, a cobrança no processo de origem dos créditos compensados será necessariamente efetuada. 1 Quanto à compensação tida por não declarada, o crédito tributário respectivo ou foi objeto de DCTF ou deverá ser constituído de ofício pelo Fisco, pois a DCOMP não se presta à sua constituição. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10783.909162/201160 Resolução nº 1401000.472 S1C4T1 Fl. 241 8 E foi esta a interpretação dada pela Receita Federal e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, respectivamente, por meio da Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006 e do Parecer/PGFN/CAT nº 88/2014, cujas ementas transcrevo abaixo: Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18, de 13 de outubro de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. No referido Parecer, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional traça arrazoado de que as estimativas convertemse no próprio tributo que se quer antecipar. Ou seja, nos casos de estimativas compensadas com créditos de tributos administrados pela RFB, o que está originando o crédito é o próprio tributo, e não a estimativa recolhida. Desta feita, revela a PGFN que a compensação das estimativas pode ser considerada no cálculo do saldo negativo do IRPJ e da CSLL, uma vez que a sua não homologação definitiva torna o crédito passível de execução, qual seja, o crédito (titularizado pela fazenda) do próprio tributo. Vejase a conclusão do referido Parecer: (início da transcrição do Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014) (...) III CONCLUSÃO 22. Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; (negritei) b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. (término da transcrição do Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014) Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10783.909162/201160 Resolução nº 1401000.472 S1C4T1 Fl. 242 9 Em acórdão publicado recentemente, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a partir do voto proferido pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, acompanhou a conclusão constante no Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014, conforme Acórdão nº 9101002.493, da sessão de 23/11/2016, cuja ementa reproduzo abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). No mesmo sentido, caminhou decisão exarada no Acórdão 1201001.054, de 30 de julho de 2014, da 1ª TO, da 2ª Câmara, da 1ª Seção do CARF: (início da transcrição de trecho do voto no Acórdão 1201001.054) Ora, temos aqui uma situação gravosa sendo imposta a ora Recorrente. Isso porque, temos, de um lado, processos administrativos relacionados a não homologação/homologação parcial das compensações efetuadas para fins de liquidação dos débitos de estimativa que passaram e compor o saldo negativo do ano de 2004 e, de outro, o presente processo, por meio do qual a Fiscalização e a DRJ entendem que a estimativas em discussão não devem compor o saldo negativo utilizado pelo Recorrente, reduzindo o crédito utilizado, fazendo remanescer um débito em aberto. Assim, caso entendêssemos no presente processo que tais estimativas, extintas por compensações (em discussão administrativa) devem ser desconsideradas para fins de composição do saldo negativo do respectivo período e, nos demais processos, a Recorrente venha a ter uma decisão desfavorável, teríamos uma cobrança em duplicidade dos respectivos valores. Isso porque, a Recorrente seria chamada a pagar as estimativas indevidamente compensadas, com os devidos acréscimos legais ao mesmo tempo em que seria obrigada também, a pagar os débito liquidados através do aproveitamento do saldo negativo do período. A não homologação das compensações vinculadas às estimativas de IRPJ e CSLL tem determinado, em efeito cascata, o não reconhecimento dos saldos negativos apurados ao final do exercício, o que vem causando um verdadeiro imbróglio processual. (término da transcrição de trecho do voto no Acórdão 1201001.054) O que posso extrair da conclusão da Procuradoria, da Receita Federal e da CSRF é que não seria justo, sob o ponto de vista da celeridade processual, indeferir crédito tributário ou suspender julgamento de processos que têm como única pendência o pagamento Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10783.909162/201160 Resolução nº 1401000.472 S1C4T1 Fl. 243 10 de estimativas com compensações de créditos de tributos administrados pela RFB, os quais, como visto, podem ser cobradas pela PGFN caso não forem homologadas em definitivo. Portanto, concluise que o valor de estimativas quitado por compensação não pode obstar o direito creditório ora pleiteado. ENTRETANTO, parte das estimativas foram quitadas por meio de declaração de compensação entregue por formulário em meio papel. Em princípio, tal instrumento permite que a compensação vista a roupagem de natureza de confissão de dívida, como as declarações entregues por meio de Declaração de Compensação, nos termos do § 6º do art. 74 da Lei 9.430/1996: § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Isto porque, mesmo os pedidos de compensação protocolados anteriormente a 01/10/2002, foram considerados declaração de compensação, conforme redação do § 4º do art. 74 da Lei 9.430/1996, dada pela MP 66/2002, posteriormente convertida na Lei 10.637/2002: § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Não obstante esta conversão, devese verificar se há comprovação do controle, pela RFB, em relação os valores compensados, principalmente para que, em razão de eventual não homologação das declarações de compensação entregue em formulário em meio papel, a Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional tenham condições de executar o crédito não homologado. Além da análise acima, mais importante ainda é verificar se as declarações de compensação utilizadas para quitar as estimativas possuem crédito suficiente para compensar todos os débitos ali informados. Ou seja, fora a questão decorrente da não homologação dos créditos, o que precisa ser visto é se, por exemplo, os créditos informados em compensação não foram aproveitados para compensar mais de um débito. Em relação aos valores de compensação com créditos de períodos anteriores, foi apresentada a seguinte tabela (efl. 14): PA ESTIM. COMP. PROCESSO/DCOMP V A L OR ESTIM. COMP. PER/DCOMP VALOR CONFIRMADO VALOR NÃO CONFIRMADO JUSTIFICATIVA JAN/05 36017.41899.311006.1.3.024790 131.519,51 0,00 131.519,51 DCOMP não homologada JAN/05 13770.000146/200507 165.338,69 0,00 165.338,69 DCOMP não homologada FEV/2005 13770.000224/200565 5.603.443,92 1.256.485,35 4.346.958,57 Compensação confirmada parcialmente com mais de um crédito JUN/2005 13770.000351/200564 870.560,98 212.906,48 657.654,50 DCOMP homologada parcialmente Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10783.909162/201160 Resolução nº 1401000.472 S1C4T1 Fl. 244 11 JUL/2005 13770.000351/200564 822.116,42 0,00 822.116,42 DCOMP não homologada TOTAL 7.592.979,52 1.469.391,83 6.123.587,69 CONCLUSÃO Desta feita, partindo da premissa de que as estimativas podem ser quitadas por meio de declaração de compensação, proponho CONVERTER o referido processo em diligência para que a unidade de origem verifique o que segue: 1) Verificar e informar se as declarações de compensação (ou pedidos de compensação) utilizados para quitar as estimativas referentes ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005, constantes na tabela acima, possuem crédito suficiente para compensar todos os débitos ali informados e, se não possuem, informar os débitos remanescentes. 2) Verificar e informar se as declarações de compensação (ou pedido de compensação) utilizados para quitar as estimativas referentes ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005, constantes na tabela acima, estão controlados pela RFB, para que, em razão de eventual não homologação das compensações utilizadas para quitar tais estimativas, a Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional tenham condições de executar o crédito não homologado. 3) Caso a resposta do item 2 seja negativa (ou parcialmente negativa), informar o processo de compensação ou débitos que não estão controlados, a situação do processo perante a RFB ou a Procuradoria da Fazenda Nacional e o motivo de os débitos não estarem sujeitos a controle. Ao final da diligência, favor elaborar parecer conclusivo e dar ciência à empresa, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do parecer fiscal, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.784/1999. Após, favor encaminhar este processo a esta turma do CARF, para o prosseguimento do julgamento deste processo administrativo fiscal. É como voto! (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 244DF CARF MF
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