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Numero do processo: 18108.002090/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2007
NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Não há ocorrência de nulidade, pois não houve violação aos requisitos do artigo 59 do Decreto 70.235/72.
DECADÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8.
Dispõe a Súmula Vinculante nº 8 do STF: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições sociais é de 5 anos.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO.
Tratando-se de tributos sujeitos à homologação e comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, aplica-se, quanto à decadência, a regra do art. 150, § 4 º do CTN.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. PRONUNCIAR. CARF. COMPETÊNCIA. NÃO TEM.
Súmula CARF nº 28: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais."
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ATRIBUIR. EM SEDE DE RECURSO. CARF. IMPOSSIBILIDADE.
Em sede de recurso, não há possibilidade de incluir responsável no polo passivo, tendo em vista que não é competência do CARF atribuir responsabilidade solidária, sendo que tal atribuição compete, no âmbito da ação fiscal, a autoridade lançadora.
RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO.
A apresentação tempestiva do Recurso Voluntário suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do inciso III, art. 151 do CTN.
JURISPRUDÊNCIAS. PROCESSOS. NÃO TRANSITADOS EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO.
As jurisprudências referentes a processos judiciais, ainda não transitados em julgado, sem decisões definitivas de mérito, não vinculam o julgamento na esfera administrativa.
PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR/PAT. NÃO COMPROVAÇÃO DE ADESÃO AO PAT. INTEGRA O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Quando a empresa não comprovar a regularidade de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT, os pagamentos efetuados a título de alimentação serão considerados parcelas integrantes do salário de contribuição para todos os efeitos.
LANÇAMENTO. DOCUMENTOS. ESCRITURAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. DIRPJ. LEGALIDADE.
Quando a contribuinte deixar de apresentar ou apresentar com deficiência a sua escrituração contábil e os documentos solicitados, compete a Autoridade Fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que considerar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
A Fiscalização dispõe de instrumentos legais para aferir de forma indireta, arbitramento, a base de cálculo para efetuar o lançamento das contribuições devidas. Sendo válido o procedimento lastreado em informações registradas na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica/DIRPJ.
Numero da decisão: 2202-005.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento no que se refere às competências janeiro a setembro de 2002.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Leonam Rocha de Medeiros, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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NÃO OCORRÊNCIA. Não há ocorrência de nulidade, pois não houve violação aos requisitos do artigo 59 do Decreto 70.235/72. DECADÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Dispõe a Súmula Vinculante nº 8 do STF: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições sociais é de 5 anos. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. Tratandose de tributos sujeitos à homologação e comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, aplicase, quanto à decadência, a regra do art. 150, § 4 º do CTN. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. PRONUNCIAR. CARF. COMPETÊNCIA. NÃO TEM. Súmula CARF nº 28: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais." RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ATRIBUIR. EM SEDE DE RECURSO. CARF. IMPOSSIBILIDADE. Em sede de recurso, não há possibilidade de incluir responsável no polo passivo, tendo em vista que não é competência do CARF atribuir responsabilidade solidária, sendo que tal atribuição compete, no âmbito da ação fiscal, a autoridade lançadora. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 20 90 /2 00 7- 15 Fl. 489DF CARF MF Processo nº 18108.002090/200715 Acórdão n.º 2202005.249 S2C2T2 Fl. 490 2 A apresentação tempestiva do Recurso Voluntário suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do inciso III, art. 151 do CTN. JURISPRUDÊNCIAS. PROCESSOS. NÃO TRANSITADOS EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM. 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A Fiscalização dispõe de instrumentos legais para aferir de forma indireta, arbitramento, a base de cálculo para efetuar o lançamento das contribuições devidas. Sendo válido o procedimento lastreado em informações registradas na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica/DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento no que se refere às competências janeiro a setembro de 2002. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Leonam Rocha de Medeiros, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 18108.002090/200715 Acórdão n.º 2202005.249 S2C2T2 Fl. 491 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1723.800 proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II / SP DRJ/SPOII, a qual julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário exigido referente às contribuições sociais por meio da NFLD DEBCAD n° 37.080.0982 de 30/10/2007 (fls. 416/422 e 443/472). Do Lançamento Tributário No tocante ao lançamento tributário, o relatório que acompanha a decisão da DRJ/SPO II (fl. 417) mencionou o seguinte: Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, contendo contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte segurados, empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aquelas destinadas as Terceiras Entidades, incidentes sobre pagamentos efetuados aos segurados empregados a título de alimentação do trabalhador, concedidos em desacordo com a Lei 6.321/76 e a Lei 8.212/91, art. 28, parágrafo 9°, "c", conforme consta do Relatório Fiscal às fls 69 a 76. 2. Informa a Auditoria Fiscal que o débito foi apurado por aferição indireta, com base nos lançamentos constantes da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ, obtida no Banco de Dados da Secretaria da Receita Federal. Na verificação da DIPJ 2003/ AnoCalendário 2002 há lançamentos denominados de Alimentação do Trabalhador que se encontram nas fichas 04 e 05: Custos dos Bens e Serviços Vendidos e Despesas Operacionais, respectivamente. O total obtido: R$ 294.209,78 foi dividido por 12 meses, resultando no valor aferido de R$ 24.517,48/mês, aplicado no período de 01/2002 a 12/2002. Regularmente intimada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação, bem sintetizada pela DRJ (fls. 418/419), alegando que (fls. 359/388): A técnica implementada pela Auditoria Fiscal para fundamentar o arbitramento da base tributável foi utilizada ao arrepio das disposições legais. Não foram respeitados os seguintes princípios: liquidez e certeza, reserva legal, prova segura e tipicidade. Infere ainda, que o lançamento é duvidoso eis que não foi comprovado, de forma segura, a ocorrência do fato gerador do tributo, uma vez que não foram realizadas as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza à constituição do crédito tributário. A falta de apresentação das folhas de pagamento e documentos como: GFIP's e GPS ou mesmo a escrituração contábil e fiscal do período fiscalizado, por si só, não autoriza Fl. 491DF CARF MF Processo nº 18108.002090/200715 Acórdão n.º 2202005.249 S2C2T2 Fl. 492 4 o fiscal a utilizarse da constituição de crédito tributário como instrumento punitivo, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Na obtenção dos dados de todas as GFIP's e GPS com a utilização do banco de dados Dataprev/CNIS para apuração do presente débito o Auditor Fiscal também deveria ter considerado as informações a respeito das retenções que foram efetuadas da Impugnante e aquelas efetuadas de seus subempreiteiros, com vistas a dar mais segurança e certeza para o levantamento, o que evidencia a nulidade do Auto de Infração. Pleiteia a aplicação do prazo decadencial de 05 anos, a teor das disposições contidas no art. 173 e do §4° do art. 150 do CTN. Com o advento da Lei 9.711/98 que alterou a sistemática de recolhimento da contribuição social instituindo a retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e considerando que sua atividade exclusiva era a prestação de serviços de manutenção de redes telefônicas, mediante o fornecimento de mão de obra, em contratos firmados unicamente com as empresas TELESP S/A, BRASIL TELECOM S/A e TELEMAR S/A, elas são responsáveis por substituição e devem ser incluídas no pólo passivo do presente processo administrativo. Com referência à Representação Fiscal para Fins Penais, alega que a caracterização do ilícito penal está a depender da procedência do lançamento fiscal eis que se trata de um crime material, de resultado, em que a supressão ou redução do tributo caracterizada, além do que a Autoridade Fiscal está proibida por lei (art. 83 da Lei 9.430/96) de encaminhar a representação ao Ministério Público, razão porque o Inquérito Policial decorrente de tal representação está inquinado pelo vício da ilegalidade. e pede o efeito suspensivo do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ/SPOII (fls. 416/422). Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a DRJ/SPOII apreciou o lançamento e proferiu o acórdão: "Acordam os membros da 10ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do voto da relatora." que em síntese, assim relatou (fls. 419/422): 7. A fiscalização constituiu o crédito previdenciário correspondente, conforme determina o art. 37, da Lei n° 8.212/91 e art. 229 do Decreto n° 3.048/99, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, em total consonância com as normas legais, inclusive, em atendimento ao disposto no art. 142 e seu parágrafo 1, do Código Tributário Nacional CTN. 8.1. A Legislação determina o uso de aferição indireta quando a documentação apresentada não demonstre a realidade, ou seja, os contribuintes têm a obrigação de colaborar com a Fiscalização. Devem apresentar todos os documentos que possui sob pena de ser autuado. Ocorre que o contribuinte desidioso nada apresenta, limitandose a alegar que a técnica Fl. 492DF CARF MF Processo nº 18108.002090/200715 Acórdão n.º 2202005.249 S2C2T2 Fl. 493 5 implementada pela Auditoria Fiscal para fundamentar o arbitramento da base tributável foi utilizada ao arrepio das disposições legais. 9. Considerando que nenhuma prova em contrário foi apresentada, a alegação da empresa serve apenas para reforçar o procedimento fiscal, vez que ela mesma admite não ter apresentado toda a documentação solicitada (fls. 306). Tenta justificar tal falta inferindo que a Auditoria Fiscal, de forma superficial, conduziu o procedimento administrativo destinado à definição do crédito tributário uma vez que suas tomadoras de serviços deveriam também ser objeto de inspeções. 10. No presente caso a Auditoria Fiscal verificou que a empresa efetuou despesas com alimentação de seus empregados sem, no entanto, estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. A Lei n° 6.321/76. (...). 11. Com referência ao pleito de incluir no pólo passivo as empresas tomadoras de serviços elencadas na impugnação, têm se que o presente levantamento de débitos não se trata de responsabilidade solidária. Para melhor entendimento, transcrevo as ementas do acórdão proferido pela DRJ/SPOII (fl. 416): Assunto: Contribuições Sociais previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2007 NFLD DEBCAD n° 37.080.0982 de 30/10/2007 Fato Gerador Os valores pagos aos segurados empregados a título de Alimentação em desacordo com o que preceitua a legislação do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, caracterizamse como salário de contribuição. Aferição Indireta Face recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de oficio por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, § 3º da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Decadência de Contribuições Previdenciárias. O prazo decadência! para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos, na forma do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário A empresa, devidamente intimada da decisão da DRJ/SPOII (fls. 436/437), em 30/06/2008, conforme Aviso de Recebimento AR (fl. 440), apresentou, em 15/07/2008, recurso voluntário (fls. 443/472). Fl. 493DF CARF MF Processo nº 18108.002090/200715 Acórdão n.º 2202005.249 S2C2T2 Fl. 494 6 Em sede de recurso voluntário, a recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/SPOII, questionando preliminarmente sobre: a) dos procedimentos utilizados para fundamentar o arbitramento b) dos procedimentos incorretos utilizados para efeito do apuração do "Auto de Infração com Lançamento Complementar"; apresentando as seguintes alegações: Dos Procedimentos Incorretos Utilizados Para Fundamentar o Arbitramento e o Lançamento Complementar Que a técnica implementada pela Auditoria Fiscal para fundamentar o arbitramento da base tributável foi utilizada ao arrepio das disposições legais e que o auto de infração deve ser pautado pelos princípios da legalidade e segurança jurídicas, porque, salvo nas hipóteses em que a legislação expressamente autoriza o emprego da presunção, a acusação de falta de recolhimento de parte das contribuições previdenciárias, há que se fundar em provas concretas e hábeis, de modo a caracterizar com inarredável certeza a ocorrência da Infração Que os fatos apresentados para embasar a presunção dos valores das contribuições não recolhidas se tornaram improcedentes por absoluta falta de requisitos técnicos no que tange a sua apuração e fundamentação de direito para utilização como prova que pudesse transmitir à AFRFB a certeza necessária quanto à efetiva ocorrência da omissão de recolhimento das contribuições previdenciárias, requisito indispensável para a configuração da efetiva existência do fato gerador do tributo e por conseqüência possibilitar o lançamento complementar do crédito tributário. Que não foram respeitados os seguintes princípios: liquidez e certeza, reserva legal, prova segura e tipicidade e ainda que o lançamento é duvidoso, pois não foi comprovado, de forma segura, a ocorrência do fato gerador do tributo, uma vez que não foram realizadas as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza à constituição do crédito tributário. Que a falta de apresentação das folhas de pagamento e documentos como: GFIP's e GPS ou mesmo a escrituração contábil e fiscal do período fiscalizado, por si só, não autoriza o fiscal a utilizarse da constituição de crédito tributário como instrumento punitivo, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Que não se está discutindo o fato do Ilmo. AFRFB ter aplicado o arbitramento dos valores, uma vez que não lhe foram apresentados as folhas de pagamento, documentos e livros fiscais e contábeis solicitados, mas sim a forma superficial utilizada na condução do procedimento administrativo destinado à definição da do crédito tributário. Que o arbitramento feito de ofício é o recurso da fiscalização previdenciária da Receita Federal do Brasil, quando se vê impossibilitada de aceitar ou de apurar o valor da contribuição devida pelo contribuinte. Por isso, o Conselho de Contribuintes tem reiteradamente decidido que essa modalidade de tributação é excepcional e deve ser aplicada somente quando esgotadas de fato as possibilidades de apuração do tributo. Que no caso da retenção de 11% a ser efetuada pelo tomador do serviço, o fato gerador da obrigação previdenciária principal é a prestação do serviço, ou seja, não importa se houve ou não emissão de nota fiscal, recibo ou fatura, o que prevalece para a Previdência Social é exclusivamente a prestação do serviço. E que o valor retido desta forma será compensado pela empresa contratada, referente ao mesmo estabelecimento ou obra de Fl. 494DF CARF MF Processo nº 18108.002090/200715 Acórdão n.º 2202005.249 S2C2T2 Fl. 495 7 construção civil da empresa que sofreu a retenção, quando do recolhimento das contribuições previdenciárias devidas sobre a folha de pagamento dos seus trabalhadores. Que da mesma forma como se obteve os dados do Conta Corrente SAFIS e de todas as GFIP's e GPS utilizadas no banco de dados Dataprev/CNIS, também detém informações a respeito das retenções que foram efetuadas da Impugnante, bem como daquelas retenções por esta efetuada de seus subempreiteiros. Assim, a auditoria fiscal deveria levar em consideração e consequentemente reduzir dos montantes apurados, os valores "retidos da", bem como "retidos pela" impugnante, com vistas a dar um pouco mais de segurança e certeza para o embasamento do Auto de Infração, destituindoo das características nítidas de superficialidade que o trabalho apresenta. Da Nulidade Que ficou claramente evidenciada a nulidade do Auto de Infração uma vez que para sua lavratura não foram observadas as disposições contidas na legislação tributária. (fl. 451). Da Decadência Pleiteia a aplicação do prazo decadencial de 05 anos, a teor das disposições contidas no art. 173 e do §4° do art. 150 do CTN. "Do raciocínio acima exposto e encampado por abalizada doutrina e jurisprudência mais excelente, podese concluir que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, em sede de contribuições sociais, permanece o de cinco anos, a teor das disposições do artigo 173 e do § 4o do art. 150 do CTN." Acrescenta ainda que "sendo inconstitucional, deve prevalecer a regra do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), que é de 05 (cinco) anos, conforme estatuído no art. 173." Da Responsabilidade Solidária Alegou ainda sobre a ocorrência de responsabilidade solidária, afirmando que com o advento da Lei 9.711/98 que alterou a sistemática de recolhimento da contribuição social instituindo a retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e considerando que sua atividade exclusiva era a prestação de serviços de manutenção de redes telefônicas, mediante o fornecimento de mão de obra, em contratos firmados unicamente com as empresas TELESP S/A, BRASIL TELECOM S/A e TELEMAR S/A, elas são responsáveis por substituição e devem ser incluídas no pólo passivo do presente processo administrativo. Da Representação Fiscal Para Fins Penais Que em relação à Representação Fiscal para Fins Penais caracterização do ilícito penal está a depender da procedência do lançamento se trata de um crime material, de resultado, em que a supressão ou redução do tributo deve ser caracterizada, além do que a Autoridade Fiscal está proibida por lei (art. 83 da Lei nº 9.430/96) de encaminhar a representação ao Ministério Público, razão porque o Inquérito Policial decorrente de tal representação está inquinado pelo vício da ilegalidade. Do Pedido Fl. 495DF CARF MF Processo nº 18108.002090/200715 Acórdão n.º 2202005.249 S2C2T2 Fl. 496 8 Ao final, a Recorrente requer: a) a atribuição de efeito suspensivo á presente impugnação; b) o reconhecimento de que Ilmo. Auditor Fiscal não esgotou as possibilidades para identificar a base tributável sujeita à imposição do arbitramento do valor das contribuições previdenciárias objeto da autuação, condição essencial para o lançamento do crédito tributário. c) que seja declarada a nulidade e o respectivo cancelamento do auto de infração e imposição de multa, tendo em vista o enorme número de irregularidades nele apresentado afronta aos princípios administrativos bem como não representa com segurança e liquidez o valor do crédito tributário nele contido. d) a inclusão das empresas Telesp Telecomunicações de São Paulo S/A., Telemar Norte Leste S/A e Brasil Telecom S/A. no pólo passivo do presente processo administrativo, tendo em vista sua indiscutível responsabilidade solidária em relação aos eventuais débitos tributários que vierem a ser lançados. e) o reconhecimento da decadência do lançamento referentes às contribuições previdenciárias anteriores à 31 de outubro de 2002. f) a suspensão da emissão da Representação Fiscal para fins penais enquanto não complementado o Processo Administrativo Fiscal para fins penais, uma vez não caracterizada a ocorrência de qualquer infração. É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade A recorrente afirmou que "fica claramente evidenciada a nulidade do Auto de Infração uma vez que para sua lavratura, fica claramente demonstrado que não foram observadas as disposições contidas na legislação tributária." (fl. 451). Neste caso, ao analisar o pedido de nulidade, verificouse que os motivos alegados pela Impugnante se referem também à questão de mérito, por isso, os argumentos aqui apresentados serão devidamente apreciados no decorrer do voto, quando da análise do mérito. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 18108.002090/200715 Acórdão n.º 2202005.249 S2C2T2 Fl. 497 9 Todavia, notase que a empresa cogitou a ocorrência de nulidade, por isso, fezse necessário compulsar os elementos contidos nos autos para verificar se houve alguns dos motivos que pudessem ensejar nulidade. Então, após compulsar os autos, percebeuse que a Notificação de Lançamento de Débito NFLD e seus anexos cumprem a exigência legal de descrever de modo claro e preciso os motivos fáticos e jurídicos que justificaram o lançamento. Pois, consta nos documentos a discriminação dos fatos geradores das contribuições devidas e os períodos a que se referem, além dos acréscimos moratórios e da multa aplicada (fls. 02/55), bem como no Relatório Fiscal contém informações sobre a base de cálculo e a exposição dos fundamentos jurídicos da autuação (fls. 71/78). No mesmo sentido, notase que o procedimento fiscal adotado foi realizado observando as normas legais pertinentes à matéria e respeitando o direito da contribuinte, como: a) a empresa foi devidamente intimada (fls. 56/69); b) o crédito tributário foi lançado por meio de Notificação de Lançamento, acompanhado de anexos explicativos (fls. 02/69); c) apresentação da fundamentação legal do crédito (fls. 02, 50/53 e 74/75); d) informações para o exercício da defesa (fls. 03/05) e e) ciência da contribuinte (fls. 440 e 443). Ou seja, houve, por parte da Autoridade Fiscal, a apresentação das informações necessárias para propiciar à contribuinte uma análise adequada do crédito, como também exercer o direito à ampla defesa e ao contraditório, como de fato está exercendo no recurso voluntário, como foi na impugnação. Do mesmo modo, a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e o Relatório Fiscal permitiram à Recorrente compreender exatamente como foi apurada a base de cálculo para efetuar o lançamento com a discriminação dos fatos geradores, das contribuições devidas, dos períodos a que se referem, além dos acréscimos moratórios e da multa aplicada. Por fim, entendo que a empresa pode até contestar a interpretação dada aos fatos pela Fiscalização, mas é inegável que a NFLD cumpriu os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235 de 06/03/1972, permitindo à Recorrente o exercício pleno do seu direito à ampla defesa e ao contraditório bem como não houve violação de algum dos requisitos elencados no artigo 59 do mesmo Decreto. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 497DF CARF MF Processo nº 18108.002090/200715 Acórdão n.º 2202005.249 S2C2T2 Fl. 498 10 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Com base no exposto, rejeito a preliminar de nulidade arguída pela empresa, bem como entendo que inexistiu ofensa ao direito à defesa da Recorrente. Da Decadência O Supremo Tribunal Federal aprovou a Súmula Vinculante nº 8, de 12 de junho de 2008, publicada no Diário Oficial da União de 20 de junho de 2008, declarando inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 2008, in verbis: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Por força do artigo 146, III, b, da Constituição Federal de 1988, cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre prescrição e decadência tributária. Destarte, aplicamse às contribuições sociais as regras de decadência e prescrição da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), recepcionado pela Constituição Federal com força de lei complementar. Assim, o prazo decadencial para o lançamento de ofício de contribuições sociais é de 5 anos, na forma dos arts. 150, §4º, e 173, inciso I, do CTN. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 18108.002090/200715 Acórdão n.º 2202005.249 S2C2T2 Fl. 499 11 (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Neste aspecto, considerando o fato de que a contribuição previdenciária é um tributo sujeito a lançamento por homologação e, por conseqüência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso exista pagamento parcial, o crédito é definitivamente extinto cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Por outro lado, naquelas competências em que não há o pagamento parcial, o prazo decadencial somente se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a contribuição poderia ser lançada. Neste contexto, cabe observar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou neste sentido, conforme o teor da súmula nº 99: Súmula nº 99 – Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, em consulta ao Relatório de Documentos Apresentados RDA (fls. 38 e 44) verificouse a existência de pagamentos parciais de contribuições nas competências 01 a 09 de 2002. Desse modo, devido ao transcurso do prazo superior cinco anos contado da ocorrência do fato gerador até a data da ciência do débito em 31/10/2007, os créditos consignados nas competências janeiro a setembro de 2002 (Códigos de pagamento 2100) foram alcançados pela decadência, consoante o art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional. Da Suspensão da Exigibilidade do Crédito Quando a empresa contestou o Acórdão da Decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme recurso voluntário (fls. 443/472), ocorreu a suspensão da exigência do credito tributário nos termos do inciso III, do art. 151, da Lei nº 5.172/66 (CTN). Assim, com a suspensão da exigibilidade do crédito, ora em análise, entendo que foi contemplado o pedido da empresa, enquanto perdurar o recurso administrativo. Da Responsabilidade Solidária No tocante ao pedido da contribuinte, em sede de recurso, para incluir no polo passivo as empresas tomadoras de serviços, não procede, tendo em vista que não é competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF atribuir Fl. 499DF CARF MF Processo nº 18108.002090/200715 Acórdão n.º 2202005.249 S2C2T2 Fl. 500 12 responsabilidade solidária, sendo que tal atribuição, no âmbito da ação fiscal, se for o caso, caberia a Autoridade lançadora. Da Representação Fiscal Para Fins Penais A Recorrente, pelas suas razões, pleiteia a suspensão da emissão da Representação Fiscal para Fins Penais. Contudo, cabe esclarecer não compete ao CARF se pronunciar sobre controvérsias referentes a citada representação, no caso, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Da Jurisprudência Em relação a jurisprudência apresentada pela empresa, cabe esclarecer que os efeitos das decisões judiciais, conforme art. 503 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), somente obrigam as partes envolvidas, uma vez que a sentença judicial tem força de lei nos limites das questões expressamente decididas. Além disso, cabe ao conselheiro do CARF o dever de observância obrigatória de decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. Isto posto, entendo que a jurisprudência apresentada nos autos pela Recorrente não vincula este julgamento na esfera administrativa. Mérito Quanto ao mérito, passo a apreciálo na sequência: Do Lançamento por Aferição Indireta A Recorrente contestou o lançamento argumentando que a técnica implementada pela Auditoria Fiscal para fundamentar o arbitramento da base tributável foi utilizada ao arrepio das disposições legais, que o auto de infração deve ser pautado pelos princípios da legalidade e segurança jurídicas, que não foram respeitados os princípios da liquidez e certeza, reserva legal, prova segura e tipicidade e ainda que o lançamento é duvidoso. Argumentou também que a falta de apresentação das folhas de pagamento, documentos ou mesmo a escrituração contábil e fiscal do período fiscalizado, por si só, não autoriza o fiscal a utilizarse da constituição de crédito tributário como instrumento punitivo, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. De plano, observase que os argumentos apresentados pela recorrente na sua essência, além de não merecer acolhida, carece de fundamentação legal para se sustentar. Pois a empresa foi intimada diversas vezes para apresentar seus documentos fiscais, previdenciários bem como sua escrituração contábil (livros diário e razão e demais documentos) e não os apresentou (fls. 60/68), descumprindo os comandos legais previstos no art. 195 da Lei nº 5.172 Fl. 500DF CARF MF Processo nº 18108.002090/200715 Acórdão n.º 2202005.249 S2C2T2 Fl. 501 13 de 25 de outubro de 1966 (CTN) e no art. 32, III, da Lei nº 8.212 de 24 de julho de 1991, os quais determinam que a empresa está obrigada a prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis na forma da lei, bem como os esclarecimentos necessários à Fiscalização. Por este motivo, o AuditorFiscal aplicou a multa por descumprimento de obrigação acessória por meio do Auto de Infração DEBCAD n° 37.130.0959, exigido em processo próprio, nos termos do § 2º, art. 33, da Lei n.º 8.212/91 (fl. 75, item 3.1.2). Assim, ao deixar de atender a Fiscalização, recusando a fornecer as informações, os documentos solicitados e a sua escrituração contábil, a contribuinte praticamente inviabilizou a identificação e a individualização dos elementos sujeitos à verificação do fato gerador das contribuição sociais. Por isso, não restou outra alternativa à auditoria fiscal, senão constituir os créditos tributários por aferição indireta, nos termos do § 3, artigo 33 da Lei nº 8.212/91. Contudo, cabe esclarecer que o lançamento de ofício, por meio da aferição indireta, com fundamento no § 3, artigo 33 da Lei nº 8.212/91, é um procedimento excepcional que se aplica quando o sujeito passivo deixa de apresentar os documentos necessários à fiscalização bem como a sua escrituração contábil, impedindo a apuração regular das contribuições devidas. Neste sentido, observase que o lançamento por aferição indireta (arbitramento) é um procedimento com presunção juris tantum, sujeito a prova em contrário. Todavia, como pode ser observado nos autos, a Recorrente não apresentou as provas para contestar o lançamento, ficando os seus argumentos desprovidos de qualquer elemento probatório. Além disso, entendo que caberia à contribuinte, caso não concordasse com o procedimento adotado pela fiscalização, apresentar junto com os motivos de fato e de direito que fundamentaram sua pretensão, os documentos que respaldassem suas afirmações, a fim de comprovar o seu pleito, conforme disciplina os dispositivos legais pertinentes à matéria, os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Assim, sem apresentar os documentos e os elementos probatórios, o lançamento não pode ser modificado, pois, a modificação do crédito lançado se processa mediante comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que o lançamento não foi realizado corretamente. Nesta mesma linha de pensamento, cabe citar o Acórdão nº 2202004.572, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara do CARF, em 03 de julho de 2018, no qual se decidiu como correto a aplicação do arbitramento (aferição indireta) quando o contribuinte recusar ou apresentar elementos deficientes para verificação do fato gerador do tributo: AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 18108.002090/200715 Acórdão n.º 2202005.249 S2C2T2 Fl. 502 14 Diante do exposto, rejeitase os argumentos da contribuinte de que o lançamento foi realizado ao arrepio das disposições legais, que não foi pautado pelos princípios da legalidade, segurança jurídicas, que não foram respeitados os princípios da liquidez e certeza, reserva legal, prova segura e tipicidade e que o lançamento é duvidoso. Da Regularidade dos Procedimentos Para o Lançamento por Aferição Indireta Neste caso, em relação à técnica para realizar a aferição indireta, entendo que compete a Autoridade Fiscal estabelecer procedimentos capazes de verificar a ocorrência dos fatos geradores dentro da realidade da empresa, sem contudo se tornar uma presunção absoluta, cabendo prova ao contrário. Assim, para efeito de apurar a contribuição devida, decorrente da verba paga a título de alimentação em desacordo com as normas em vigor sobre o PAT, a Fiscalização utilizou os elementos informativos registrados na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIRPJ (exercício 2003) da Recorrente em relação a despesa com a alimentação do trabalhador. Do mesmo modo, cabe registrar que as informações colhidas pela Fiscalização, para embasar o lançamento das contribuições devidas pela empresa, tiveram como base os elementos de provas registrados na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica da Recorrente, os quais se constituem em meio probatório consistente e que foram apresentadas de forma circunstanciada no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (fls. 71/73): 1 A presente Notificação Fiscal de Levantamento de Débito NFLD contem as contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte de segurados, à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho para as competências a partir de 07/97, às destinadas a Entidades/Fundos Terceiros sobre o Salário Contribuição Fato Gerador REFEIÇÕES e PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR SEM APRESENTAÇÃO DA INSCRIÇÃO / FILIAÇÃO NO PAT PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. Observase que a empresa fiscalizada não forneceu a sua Filiação / Inscrição no PAT PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR, um dos motivos para a emissão do Auto de Infração DEBCAD N°. 37.130.0959. 2 As contribuições devidas, incluídas na presente Notificação, foram apuradas por_Aferição_Indireta, com base nos lançamentos da: 2.1 DIPJ 2003 Ano Calendário 2002: 3 A relação de Lançamentos AIR Alimentação Declaração Imposto de Renda Pessoa Jurídica, com base na DIPJ 2003 Ano Calendário 2002, obtida no Banco de Dados da Secretaria da Receita Federal: Fl. 502DF CARF MF Processo nº 18108.002090/200715 Acórdão n.º 2202005.249 S2C2T2 Fl. 503 15 3.1 FICHA 04 A CUSTO DOS BENS E SERVIÇOS VENDIDOS Custo dos Produtos de Fabricação Própria Vendidos, pagina 3: 07 ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR: RS 229.506,68 3.2 FICHA 05 A DESPESAS OPERACIONAIS ATIVIDADES EM GERAL, pagina 4 : 10 ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR: R$ 64.703,10 TOTAL ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR: R$ 294.209,78 dividido por 12 meses = 24.517,48 Valor Aferido 01/2002 a 12/2002: RS 24.517,48 4 Para os anos 2003 até 04/2007, utilizamos o Valor Aferido 01/2002 a 12/2002, com base nos valores contidos DIPJ 2003 Ano Calendário 2002: Valor Aferido para o período 01/2003 a 04/2007: R$ 24.517,48 Diante do exposto, consideramse corretos os procedimentos e as técnicas utilizados pela Fiscalização com o objetivo de apurar o quantum devido, por meio de aferição indireta. Dessa forma, rejeitase o argumento da contribuinte de que a técnica implementada pela Auditoria Fiscal foi utilizada ao arrepio das disposições legais e que não foram esgotadas as possibilidades para identificar a base tributável. Da Exigência da Contribuição / Programa de Alimentação do Trabalhador PAT A Fiscalização solicitou e a empresa não apresentou nenhum documento comprobatório da sua participação no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, por este motivo, considerou os valores pagos a título de alimentação como parcela integrante do salário de contribuição. Todavia, para usufruir da isenção prevista na alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 a empresa necessitaria cumprir rigorosamente os requisitos previstos no diploma legal, observando as diretrizes dos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Do mesmo modo, o cumprimento dos requisitos do PAT pressupõe a regular inscrição da empresa no referido programa, nos termos do art. 2º da Portaria MTE nº 3/2002. Pois a inscrição no PAT, tratase de medida necessária que impõe à pessoa jurídica o cumprimento dos requisitos do programa e possibilita a fiscalização de sua regular execução pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Contudo, a empresa, devidamente intimada, não apresentou os documentos necessários para verificar a possível regularidade de inscrição no programa PAT do Ministério do Trabalho e Emprego MTE. Após a recusa da empresa em apresentar os documentos solicitados, o AuditorFiscal, por meio da aferição indireta (arbitramento), lançou a contribuição decorrente Fl. 503DF CARF MF Processo nº 18108.002090/200715 Acórdão n.º 2202005.249 S2C2T2 Fl. 504 16 dos pagamentos efetuados a título de alimentação do trabalhador que foram incorporados ao salário de contribuição para todos os efeitos, conforme consta no Relatório Fiscal (fl. 73): 6 A empresa não apresentou nenhuma documentação relativa de sua adesão/ filiação /inscrição ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, mesmo após solicitação nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, datados em 06/07/2007, em 27/08/2007 , um dos motivos do Auto de Infração DEBCAD N. 37.130.0959. 8 O fornecimento de alimentação e gêneros alimentícios ao empregado, em princípio, seria salárioutilidade. Porém, com a criação dos incentivos a Programas de Alimentação aos Trabalhadores, subsidiados pelo governo, hoje, só constituirá parcela integrante da remuneração, se o fornecimento dessa utilidade não estiver em conformidade com as normas em vigor sobre o PAT. Em sua defesa, a contribuinte não apresentou nenhum elemento capaz de modificar o lançamento, pelo contrário, apenas reforçou os motivos da exigência, quando reconheceu que não apresentou a documentação solicitada (fl. 450): Deixamos muito claro que a impugnante não está discutindo o fato do Ilmo. AFRFB ter aplicado o arbitramento dos valores, uma vez que não lhe foram apresentados as folhas de pagamento, documentos e livros fiscais e contábeis solicitados, mas sim a forma superficial utilizada na condução do procedimento administrativo destinado à definição da do crédito tributário. Em vista do exposto, considerase correto o efetivo lançamento das contribuições decorrentes das verbas pagas a título de alimentação do trabalhador, uma vez que a contribuinte deixou de apresentar documentos e outros elementos probatórios, não comprovando a sua regularidade de inscrição PAT e, assim, não restou outra alternativa à Autoridade Fiscal, senão exigir o tributo nos termos do § 3º, do art. 33, Lei nº 8.212/91. Dos Créditos Considerados no Lançamento A recorrente questionou que da mesma forma como se utilizou informações dos bancos de dados da RFB (contacorrente, SAFIS, GFIP e GPS), deveria levar em consideração os valores retidos para reduzir o montante apurado. Assim, no tocante a esse questionamento, entendo que não merece ser acolhido, uma vez que a contribuinte alegou de forma genérica, não apontando qual foi o recolhimento que deixou de ser considerado. Além do mais, compulsando os autos, notase que, diferente das alegações da contribuinte, o AuditorFiscal levou em consideração, no que diz respeito a recolhimento, as informações colhidas na ação fiscal, como pode ser verificado no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (fls. 71/78), bem como no RL Relatório de Lançamentos, nos quais estão registradas as base de cálculo apuradas e o valor da contribuição lançada (fls. 27/32). Do mesmo modo, observase que a fiscalização verificou também os recolhimentos Fl. 504DF CARF MF Processo nº 18108.002090/200715 Acórdão n.º 2202005.249 S2C2T2 Fl. 505 17 efetuados pela empresa, conforme consta no RDA Relatório de Documentos Apresentados (fls. 33/49). À vista disso, rejeitase o argumento de que as guias recolhidas e os valores declarados pela contribuinte não foram levados em consideração na ação fiscal. Decisão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência dos créditos lançados nas competências janeiro a setembro de 2002. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 505DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002079/2008-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS DE INTERPOSIÇÃO.
Apresentação de Recurso Especial para a Câmara Superior em face de acórdão proferido por turma da DRJ. A peça recursal é inexistente, pois seria adequada para atacar decisão de turma ordinária de Câmara do CARF. A discussão no recurso especial é mais restrita, pois não se discute matéria de fato, apenas divergências de interpretação de norma tributária.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3001-000.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS DE INTERPOSIÇÃO. Apresentação de Recurso Especial para a Câmara Superior em face de acórdão proferido por turma da DRJ. A peça recursal é inexistente, pois seria adequada para atacar decisão de turma ordinária de Câmara do CARF. A discussão no recurso especial é mais restrita, pois não se discute matéria de fato, apenas divergências de interpretação de norma tributária. Recurso não conhecido.
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PRESSUPOSTOS DE INTERPOSIÇÃO. Apresentação de Recurso Especial para a Câmara Superior em face de acórdão proferido por turma da DRJ. A peça recursal é inexistente, pois seria adequada para atacar decisão de turma ordinária de Câmara do CARF. A discussão no recurso especial é mais restrita, pois não se discute matéria de fato, apenas divergências de interpretação de norma tributária. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 20 79 /2 00 8- 57 Fl. 178DF CARF MF 2 Trata se de pedido de ressarcimento de crédito acumulado de COFINS em razão de receitas de exportação, pleiteada no PER/DCOMP 16496.23527.271107.1.1.081212 (efl. 8), com fundamento no artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 que permitem o pedido de ressarcimento do saldo de crédito das contribuições ao fim do trimestre neste caso. O pedido foi indeferido em razão de glosas de crédito realizadas no auto de infração no processo nº 11020.003343/200951. Todo o acervo probatório para as glosas e para a lavratura do auto ficaram no processo nº 11020.003343/200951. O referido auto de infração foi lavrado para constituição do crédito tributário de PIS e COFINS não cumulativos sobre receitas no mercado interno (declaradas pela contribuinte como de exportação) e glosas de crédito que culminou na redução de saldo credor das contribuições. Conforme se destaca do Relatório de Verificação Fiscal (fls. 36 a 51), o período fiscalizado compreende os meses de outubro/2004 a 12/2006. A fiscalização entendeu que as receitas no período de apuração não podem ser consideradas como de exportação, pois foram remetidas para empresas comerciais exportadoras e, ainda, a contribuinte incluiu como receitas de exportações os produtos adquiridos de terceiros com o fim específico de exportação. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade alegando, em breve síntese, que o seguinte: A DRJ de Campo Grande/MS julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório conforme Acórdão no 0426.084 a seguir transcrito: Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Especial contra a decisão de primeira instância nos termos do art. 64, II, 67 e 68 do RICARF. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11020.002079/200857 Acórdão n.º 3001000.821 S3C0T1 Fl. 326 3 Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento A Recorrente equivocadamente apresenta no presente estágio do trâmite processual administrativo tributário um Recurso Especial com fundamento nos arts. 64, II, 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Dentro dos trâmites processuais do Recurso Especial a Recorrente apresenta no corpo da sua petição as regras previstas para a sua admissibilidade tal qual previsto nos art. 67 do RICARF, apresentando a existência de interpretação divergente de turmas do CARF acerca do conceito de insumos das contribuições para o PIS e da COFINS com a indicação de acórdãos paradigmas. A peça recursal apresentada tem por objetivo atacar um suposto acórdão proferido pelo CARF em face da decisão proferida quando da impugnação, para tanto, direciona o pleito para a Primeira Turma Ordinária do CARF. Está claro no seguinte trecho do Recurso Especial apresentado: “A decisão proferida quando da apresentação da impugnação era no sentido de que os itens não podiam ser considerados como insumos. Já na decisão recorrida, o entendimento é de que pode ser considerado insumo, mas que a parte não teria comprovado o seu destino”. Constatase da análise do Recurso apresentado a Recorrente ataca uma inexistente decisão de turma do CARF e não discute questões de fato e de direito, nem as provas carreadas aos autos, tratando tão somente como recurso especial. Pela análise do recurso, não é possível aplicar a fungibilidade para admitilo como recurso voluntário, tendo em vista que toda a argumentação foi montada para um outro recurso diverso do voluntário. Portanto, fica evidente que não houve a interposição de recurso voluntário e, nesta fase do trâmite processual não é possível conhecer do recurso especial. Diante do exposto, não conheço do recurso apresentado. Fl. 180DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.002722/2006-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IRRF. AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
A existência de ação judicial, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas, ficando suspensa a exigibilidade até decisão judicial final.
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RECEITA. RENDIMENTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAR O IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE.
Os rendimentos com a exigibilidade suspensa em função de ter havido o depósito do montante integral do respectivo imposto sobre a renda, devem ser excluídos do total de rendimentos tributáveis informados na DIRPF. Aplicação SCI COSIT 09/2013.
Numero da decisão: 2201-005.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão, da base de cálculo do tributo lançado, do valor de R$ 18.069,00, que se refere ao rendimento cuja natureza tributária está sob discussão judicial.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IRRF. AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A existência de ação judicial, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas, ficando suspensa a exigibilidade até decisão judicial final. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RECEITA. RENDIMENTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAR O IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. Os rendimentos com a exigibilidade suspensa em função de ter havido o depósito do montante integral do respectivo imposto sobre a renda, devem ser excluídos do total de rendimentos tributáveis informados na DIRPF. Aplicação SCI COSIT 09/2013.
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IRRF. AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A existência de ação judicial, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas, ficando suspensa a exigibilidade até decisão judicial final. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RECEITA. RENDIMENTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAR O IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. Os rendimentos com a exigibilidade suspensa em função de ter havido o depósito do montante integral do respectivo imposto sobre a renda, devem ser excluídos do total de rendimentos tributáveis informados na DIRPF. Aplicação SCI COSIT 09/2013. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão, da base de cálculo do tributo lançado, do valor de R$ 18.069,00, que se refere ao rendimento cuja natureza tributária está sob discussão judicial. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 27 22 /2 00 6- 60 Fl. 90DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.260 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.002722/2006-60 Relatório 1- Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (e-fls. 70/72) por sua precisão e as folhas dos documentos indicados no presente são referentes ao e-fls (documentos digitalizados). Por meio do auto de infração (fls. 28/36), exige-se do contribuinte R$ 957,66 de Imposto de Renda Pessoa Física - Suplementar, R$ 718,24 de multa de oficio de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e R$ 626,50 de encargos legais calculados até 12/2005, decorrentes da revisão da declaração de rendimentos relativa ao exercício 2002, ano-calendário 2001, em face de omissão de rendimentos recebidos da Real Grandeza, no valor de R$ 18.069,00, e dedução indevida de imposto complementar, no valor de R$ 957,66. A autuação foi fundamentada nos arts. 1° ao 3° e 6°, da Lei 7.713, de 22 de dezembro de 1988; arts. 1° ao 3°, da Lei 8.134, de 14 de abril de 1990; art. 1°, 3°, 5°, 6°, 11, 12, V, e' 33, da Lei n.° 9.250, de 26 de dezembro de 1995; art. 21, da Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Lei 9.887, de 07 de dezembro de 1999; e art. 43 e 44, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 - RIR/1999, e alterou os rendimentos recebidos de pessoa jurídicas de R$ 13.617,42 para R$ 31.686,42, e o Imposto complementar para zero. Cientificado da exigência, em 17/03/2006 (fl. 29), o contribuinte apresentou, em 21/03/2006, a impugnação de fl. 01, instruída com os documentos de fls. 02/26, onde informa que está anexando as cópias da DIRPF/2002 original, dos DARF, dos cálculos refeitos pela Receita, e da DIRPF/2002 retificadora solicitando restituição do imposto, baseada em liminar expedida no processo 20003400041415-3 - da 13” Vara Federal que não foi considerada e, por conseguinte, resultou na lavratura do auto de infração. Em 03/11/2006, apresentou a petição de fl. 53, instruída com os documentos de fls. 54/59, onde pede o desmembramento do IRRF compensado de R$ 495,20, excluindo o valor de R$ 489,26 retido pela Real Grandeza e depositado judicialmente, considerando-se apenas o IRRF pelo INSS, no valor de R$ 5,94, conforme já se procedeu quando da análise da DIRPF/2005, em que se glosou o IRRF de R$ 1.649,20 referente à Real Grandeza, mantendo- se a compensação do IRRF relativo ao INSS, no valor de 525,09, conforme Notificação de Lançamento de fls. 54/56, e Certidão do Poder Judiciário Seção Judiciária do Distrito Federal, que esclarecem todas as dúvidas anteriormente existentes (fl. 59). 02- A impugnação do contribuinte foi julgada improcedente de acordo com decisão da DRJ abaixo ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA- IRPF Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IRRF. AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A existência de ação judicial, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas, ficando suspensa a exigibilidade até decisão judicial final. Fl. 91DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.260 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.002722/2006-60 Lançamento Procedente 03 – Houve a interposição de recurso voluntário pelo contribuinte às e-fls. 76/77, sendo o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator. 04 – Recebo o recurso por estarem presentes as condições de admissibilidade. 05 – O lançamento do crédito tributário tem por motivação o seguinte, de acordo com o e-fls 5/7 identificado abaixo: Fl. 92DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.260 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.002722/2006-60 06 – A DRJ por sua vez entendeu pela procedência do lançamento, justificando a decisão conforme segue: Conforme certidão à fl. 59, o impugnante, juntamente com outros interessados, impetraram Ação Ordinária/Tributária junto à 13” Vara Federal - Seção Judiciária do Distrito Federal, por meio do processo 2000.34.00.041425.3, objetivando afastar a exigibilidade do IRRF sobre a aposentadoria complementar paga pela Fundação Real Grandeza, com a repetição dos valores pagos nos últimos dez anos, tendo sido concedida a antecipação dos efeitos da tutela, em 07/12/2000, para suspender o recolhimento dos valores de imposto de renda incidente sobre a complementação de aposentadoria dos autores, determinando que as quantias retidas, fossem depositadas judicialmente. O lançamento versa sobre rendimentos declarados como isentos e não- tributáveis no valor de 18.069,00, recebidos da Real Grandeza - Fundação de Previdência e Assistência Social, referentes à complementação de aposentadoria, cujo IRRF no montante de R$ 489,26, em obediência à decisão judicial, foi depositado em juizo, conforme demonstra o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte às fls. 13 e 58. Assim, o fato de o interessado ter optado pela discussão da mesma matéria na esfera judicial, perde o sentido a análise de seu mérito, ou seja, a tributação ou não desses rendimentos, bem assim se é cabível a compensação do IR questionado, uma vez que a decisão judicial sempre prevalece sobre a decisão administrativa, devendo, por conseguinte, ser observado o disposto no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° O3, de 1996, que estabelece: (omissis) 07 - O contribuinte, por sua vez, apresenta a sua irresignação alegando o seguinte em suas razões recursais: I - OS FATOS Em 09 de abril de 2002 entregou a declaração de imposto de renda pessoa física exercício 2002 ano-calendário 2001 recibo n° 38.33.62.67.26: Valores declarados; rend trib. recebidos de p. jurídica r$ 31.686,42, total dos rendimentos tributáveis r$ 31.686,42, contr. à previdência privada/fapi r$ 767,04, dependentes r$ 3.240,00, despesas com instrução r$ 3.400,00, despesas médicas r$ 3.793,61, total deduções r$ 11.200,65, base de calculo r$ 20.485,77, imposto calculado r$ 1.452,86. imposto devido r$ 1.4 52,86, imposto de renda retido na fonte r$ 495,20, total imposto pago r$ 495,20, saldo do imposto a pagar r$ 957,66, parcelamento numero de quotas 2, valor da quota r$ 498,83. Valor das 2 quotas pagas em 30/04/2002 e 29/05/2002 ambas no banco Bradesco, conforme xerox em anexo. Em 23 de abril de 2004 entregou a declaração de imposto de renda pessoa física exercício 2002 ano-calendário 2001 retificadora recibo n° 04.67.59.61.15: Fl. 93DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.260 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.002722/2006-60 Valores declarados; rend trib. recebidos de p. jurídica r$ 13.617,42, total dos rendimentos tributáveis r$ 13.617,42, contr. à previdência privada/fapi r$ 767,04, dependentes r$ 3.240,00, despesas com instrução r$ 3.400,00, despesas médicas r$ 3.793,61, total deduções r$ 11.200,65, base de calculo r$ 2.416,77, imposto calculado r$ 0,00. imposto devido r$ 0,00 imposto de renda retido na fonte r$ 4 95,20, imposto complementar r$ 957,66, total imposto pago r$ 1.452,86, imposto a restituir r$ 1.452,86. Tendo a secretaria da receita federal 20 de outubro de 2005 emitido o auto de infração - imposto de renda pessoa física n.p./distribuição 930/6.880-025, fazendo as alterações na declaração nos rendimentos tributáveis de pessoa jurídica; Resultado apurado após a revisão da declaração: Rend trib. recebidos de p. jurídica r$ 31.686,42, total dos rendimentos tributáveis r$ 31.686,42, contr. à previdência privada/fapi r$ 767,04, dependentes r$ 3.240,00, despesas com instrução r$ 3.400,00, despesas médicas R$ 3.793,61, total deduções r$ 11.200,65, base de calculo r$ 20.485,77, imposto calculado r$ 1.452,86. IMPOSTO DEVIDO R$ 1.452,86, Imposto de Renda Retido na Fonte R$ 4 9 5 , 2 0 , Total Imposto Pago R$ 4 9 5 , 2 0 , Saldo do Imposto a Pagar R$ 957,66. Verificando a Retificação que a Secretaria da Receita Federal fez na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2002 Ano-Calendário 2001 ficou igual a que foi entregue em 09/04/2002 e valor apurado de R$ 954,66, já pago em 2 parcelas (30/04/2002 e 29/05/2002), portando sendo indevida a cobrança deste imposto e multa tendo em vista que a Secretaria da Receita Federal não foi lesada em nenhum momento, porque o valor da restituição de R$ 1.452,86 apurado na Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física Retificadora entregue em 23/04/2004 não foi restituído ao contribuinte. Na fls 67 do Processo n° 10980.002722/2006-60 Acórdão n° 06-18.810; "No que tange à glosa do Imposto complementar é cabível a sua glosa, uma vez que o valor pleiteado refere-se ao imposto apurado n DIRPF original (fls. 44/46) e recolhido por meio dos DARF à fl 26, o qual não pode ser compensado na declaração anual de ajuste." Não se fala em glosa, mas sim em Imposto de Renda Pessoa Física -Declaração de Ajuste Anual (0211) Período de Apuração 2001 pago, portanto referindo-se ao Imposto de Renda de Pessoa Física do período que a Secretaria da Receita Federal esta cobrando indevidamente tendo em vista que esse Imposto já fora recolhido. 08 – Pela análise dos autos, entendo que não merece ser conhecido o presente recurso do contribuinte, ao menos em parte, uma vez que o tema objeto do lançamento constitui em discussão judicial levada a cabo pelo contribuinte de acordo com a certidão de objeto e pé de fls. 63. 9 – A discussão em tela como bem frisou a DRJ é sobre a questão do lançamento versar sobre rendimentos declarados como isentos e não- tributáveis no valor de R$ 18.069,00, recebidos da Real Grandeza - Fundação de Previdência e Assistência Social, referentes à complementação de aposentadoria, cujo IRRF no montante de R$ 489,26 foi depositado judicialmente. Portanto, de acordo com os termos da certidão de fls. 63 é o mesmo objeto em que discutido judicialmente, não podendo essa instância administrativa adentrar no mérito de tal Fl. 94DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.260 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.002722/2006-60 questão, não se conhecendo da presente demanda, aplicando-se ao presente caso os termos da Súmula nº 01 do CARF, verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 10 – Quanto a alegação da questão de glosa do imposto, a DRJ ao decidir em relação a essa questão assim se manifestou: “No que tange à glosa do imposto complementar é cabível a sua glosa, uma vez que o valor pleiteado refere-se ao imposto apurado na DIRPF original (fls. 44/46) e recolhido por meio dos DARF à fl. 26, o qual não pode ser compensado na declaração anual de ajuste. Ressalte-se que a competência para apreciação dos pedidos de restituição nos casos de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda é da Delegacia da Receita Federal do Brasil - DRF que jurisdiciona o seu domicílio fiscal. Assim, cabe `a unidade de origem adotar as providências cabíveis.” 11 – Contudo, nesses casos é necessário ser aplicado os termos da Solução de Consulta Interna Cosit nº 09/2013 cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF RENDIMENTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAR O IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL (DAA). Os rendimentos com a exigibilidade suspensa em função de ter havido o depósito do montante integral do respectivo imposto sobre a renda, devem ser excluídos do total de rendimentos tributáveis informados na DAA. Não pode ser compensado na DAA o valor depositado judicialmente a título de IRRF cuja exigibilidade esteja suspensa. Deve ser conhecida a impugnação do sujeito passivo, tendo em vista não se verificar concomitância entre a ação judicial e a impugnação administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), art. 151. Fl. 95DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.260 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.002722/2006-60 12 – Segue os termos da Solução de Consulta nos pontos em que aplicáveis ao presente caso e cujos fundamentos adoto como razões de decidir, verbis: 14. A instauração de litígio na esfera judicial, por si só, não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito objeto de discussão. Para ocorrer essa suspensão, faz-se necessário que o contribuinte adote algumas medidas. Uma delas é efetuar o depósito do montante integral do valor objeto do conflito. 15. No caso em análise, o contribuinte questiona judicialmente se há, ou não, isenção do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) em relação a determinado rendimento. 16. Com o depósito do montante integral, suspende-se a exigibilidade do crédito e estancam-se os encargos moratórios decorrentes. 17. Ressalte-se que, nos casos citados pela Cocaj, a discussão no âmbito administrativo é referente ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) depositado judicialmente pela fonte pagadora. 18. O litígio administrativo é decorrente do fato de a fiscalização tributária estar glosando a compensação do IRRF depositado judicialmente correspondente ao rendimento objeto da discussão judicial. (...)omissis 22. Uma vez que com o depósito do montante integral a Administração Tributária fica impedida de executar o sujeito passivo devedor, porquanto este ofereceu uma garantia de liquidez, não há que se falar em tributação desses valores antes da decisão judicial. 23. Da mesma forma, não pode o contribuinte utilizar o IRRF referente a esses rendimentos em litígio para compensar o tributo devido. Caso o fizesse, estaria se adiantando à decisão do Poder Judiciário. 24. Somente quando a ação judicial transitar em julgado é que se se saberá se tais rendimentos serão tributáveis ou não. Em sendo tributáveis, o depósito do IRRF correspondente será convertido em renda da União, caso contrário ficará disponível para o contribuinte. 25. Entende-se, portanto, que o procedimento correto a ser adotado pelo contribuinte para a situação em comento é não incluir entre os rendimentos tributáveis a parcela com exigibilidade suspensa e, simultaneamente, não compensar o IRRF depositado judicialmente. 26. Caso o contribuinte opte por declarar os rendimentos e informar o respectivo IRRF, este deverá ser glosado; aqueles, excluídos do montante dos rendimentos tributáveis. 27. Na hipótese de o contribuinte não incluir os rendimentos com exigibilidade suspensa entre os rendimentos tributáveis da DAA, mas mesmo assim compensar o IRRF depositado judicialmente, deve-se tão somente efetuar a glosa do IRRF. Conclusão 29. De todo o exposto, conclui-se que: Fl. 96DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.260 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.002722/2006-60 29.1. os rendimentos com a exigibilidade suspensa em função de ter havido o depósito do montante integral do respectivo imposto sobre a renda, devem ser excluídos do total de rendimentos tributáveis informados na DAA; 29.2. não pode ser compensado na DAA o valor depositado judicialmente a título de IRRF cuja exigibilidade esteja suspensa; 13 – Portanto, nesse caso, necessário ser excluído do lançamento o valor do rendimento de R$ 18.069,00 de acordo com os fundamentos da SCI Cosit 09/2013 acima indicada. Conclusão 14 - Diante do exposto, conheço em parte do recurso, e na parte conhecida DOU LHE PROVIMENTO PARCIAL para determinar a exclusão, da base de cálculo do tributo lançado, do valor de R$ 18.069,00, que se refere ao rendimento cuja natureza tributária está sob discussão judicial. (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 16636.001409/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
O inconformismo diante de decisão contrária às pretensões firmadas em recurso não permite concluir pelo cerceamento de defesa, mormente quando resta assegurado à contribuinte o prosseguimento da lide, ocasião em que pode reafirmar seu pleito e, se for o caso, obter decisão que lhe é satisfatória, e também quando a referida decisão é fundamentada, pauta-se na análise do caso de acordo com a legislação e provas dos autos.
PRELIMINAR. PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS/COFINS. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS. CUMPRIMENTO.
Os documentos carreados aos autos confirmam a efetiva prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente, o ingresso de divisas. O fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro, eis que o ingresso divisas é decorrência lógica da natureza deste tipo de operação, não sendo ônus da Recorrente a apresentação de contrato cambial para a sua comprovação.
Numero da decisão: 3301-006.246
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O inconformismo diante de decisão contrária às pretensões firmadas em recurso não permite concluir pelo cerceamento de defesa, mormente quando resta assegurado à contribuinte o prosseguimento da lide, ocasião em que pode reafirmar seu pleito e, se for o caso, obter decisão que lhe é satisfatória, e também quando a referida decisão é fundamentada, pauta-se na análise do caso de acordo com a legislação e provas dos autos. PRELIMINAR. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS/COFINS. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. Os documentos carreados aos autos confirmam a efetiva prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente, o ingresso de divisas. O fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro, eis que o ingresso divisas é decorrência lógica da natureza deste tipo de operação, não sendo ônus da Recorrente a apresentação de contrato cambial para a sua comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 63 6. 00 14 09 /2 00 9- 53 Fl. 1927DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.246 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001409/2009-53 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão que manteve o Despacho Decisório que negou a compensação declarada em PER/DCOMP carreada aos autos. Verifica-se inicialmente que a contribuinte supracitada solicitou restituição de Cofins para fins de compensação com débitos. O suposto direito creditório da contribuinte se fundamenta na alegação de que a prestação de serviços portuários não sofre a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas decorrentes destes, quando efetuados para pessoa física ou jurídica, residentes ou domiciliadas no exterior, cujo pagamento represente o ingresso de divisas, sendo que a intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira, tomadora de serviços portuários, não descaracteriza a exportação deste serviços. Tal argumentação é fundamentada no art.6º, inciso II da Lei 10.833/2003, com redação dada pela Lei 10.865/2004, e na Circular BACEN nº 3.280/2005, bem como na Solução de Consulta nº 58, de 07/04/2006, da 10ª SRRF, na qual a contribuinte é solicitante. Após análise pela DRF de origem, o pleito de restituição foi negado e, por conseguinte, as compensações realizadas pela contribuinte não foram homologadas. Foi consignado que, intimado o contribuinte para comprovação dos fatos, não restou caracterizada a prestação de serviços para pessoa situada no exterior, em relação aos fatos geradores ocorridos no período litigado, nem tampouco que os pagamentos recebidos pela interessada representam ingresso de divisas no país. Irresignada, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, manejando, inicialmente, os argumentos a seguir sintetizados: __ presta serviços portuários às empresas transportadoras sediadas e domiciliadas no exterior, cujas embarcações atracam em seu porto para as operações, dentre outras, de embarque e desembarque de mercadorias, sendo que as empresas transportadoras estrangeiras a contratam, através de seus agentes, representantes no Brasil, para execução de serviços portuários; __ as transferências dos recursos do exterior e para o exterior, são disciplinadas pelo Banco Central do Brasil - BACEN, através da Circular n° 3.280, de 09 de março de 2005, sendo obrigatória a intervenção de uma agência marítima como representante da empresa de navegação estrangeira, nos termos do § 2o, art. 4o, da IN RFB N° 800, de 27 de dezembro de 2007; __ há duas hipóteses de transferência de valores entre o transportador estrangeiro e o agente marítimo no País, regulados pela Circular n° 3.280, de 09 de março de 2005: o envio de divisas do exterior para o País, abordando a questão das despesas portuárias, e o envio do País para o exterior, envolvendo o pagamento do transporte internacional e dedução das despesas portuárias. Nas duas hipóteses citadas, ao final das operações cambiais, o saldo no balanço de Fl. 1928DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.246 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001409/2009-53 pagamentos na conta de transações correntes é o mesmo e existem contratos de câmbio, celebrados entre o transportador estrangeiro e a agência de navegação, que evidenciam as operações de prestação de serviços, considerando que a manifestante não é responsável pelo fechamento do câmbio, já que o contrato de câmbio é celebrado entre o transportador estrangeiro e a agência marítima, seu representante no Brasil; __ descreve o relacionamento do transportador estrangeiro, do agente do transportador estrangeiro, e do prestador do serviço (manifestante/contribuinte), informando que 70% (setenta por cento) de sua receita tem origem na prestação de serviços a transportadores estrangeiros, fato que pode ser confirmado através de perícia técnica a ser realizada em seu estabelecimento. No mérito, salienta que origem do crédito decorre de receitas auferidas na prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior, sendo isenta das contribuições de PIS e Cofins, nos termos do II, do art. 6º, da Lei nº 10.833/2003 e inciso II do art. 5º, da Lei nº 10.637/2002, na redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004 e ainda pela IN SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002, devendo o valor pago indevidamente sobre as receitas mencionadas ser objeto de restituição. Para comprovar nexo causal do ingresso de divisas, faz nova juntada de alguns contratos celebrados com os transportadores estrangeiros e de amostragem das notas fiscais emitidas contra estes, aos cuidados de sua agência marítima ou de seu representante no Brasil. Afirma que a existência das agências de navegação, que seria uma terceira pessoa na relação contratual com os transportadores, não desfigura o efetivo ingresso de divisas, pois estas representam os transportadores e fazem os pagamentos e recebimentos por estes. Ainda ressalta que os contratos de câmbio celebrados entre os transportadores estrangeiros e as agências marítimas são de propriedade destas, não podendo ser exigidos da manifestante, sendo que apresenta alguns contratos de empresa do seu grupo empresarial para comprovar as relações entre a instituição financeira, o agente de navegação e o transportador estrangeiro. Sustenta que o ingresso de divisas também ficaria comprovado nos contratos formais firmados entre esta e os transportares estrangeiros, trazendo aos autos alguns exemplos. Nesta relação de atividade, seria frequente o contrato informal (solicitações por e-mail ou por telefone), que não desfiguraria a relação jurídica, sendo que poderia comprovar o relacionamento jurídico por outros instrumentos, como nota fiscal emitida contra o transportador estrangeiro ou contra seu agente/representante no Brasil, registros contábeis, ou, ainda, através de perícia técnica. Traz cópias de contratos traduzidos para o português para alicerçar sua defesa. Também afirma que os serviços administrativos e operacionais do terminal, quando executados para atender navios estrangeiros, compõem toda a atividade portuária, não podendo de forma nenhuma serem segregados uns dos outros, já que todos integram a atividade da empresa, pois sem a prestação destes serviços o atendimento ao transportador estrangeiro não ocorreria. Para reforçar sua alegação apresenta solução de consultas concluindo pela não incidência/isenção de PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas decorrentes de prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas ou com sede no exterior, mesmo mediante a intermediação do agente/representante do transportador estrangeiro no Brasil, haja vista a efetividade do ingresso de divisas. Por conseguinte, argumenta que estariam provados seus os crédito decorrentes da não incidência/isenção do PIS e da Cofins sobre a receita oriunda da prestação de serviços de Fl. 1929DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.246 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001409/2009-53 operação portuária ao transportador estrangeiro, pessoa jurídica domiciliada ou com sede no exterior, cujo pagamento configura o ingresso de divisas no País, ainda que realizado mediante intermediação de agente/representante do transportador estrangeiro no Brasil. Como também estaria comprovado o crédito da contribuição relativo às despesas da manifestante com bens e serviços utilizados como insumos, aluguel de prédio locado de PJ, aluguel de máquina e equipamentos, contraprestação de arrendamento mercantil, encargos de amortização de edificações e benfeitorias e quanto ao crédito a descontar pela aquisição de bens do ativo imobilizado. Por fim, requer a conversão do julgamento em diligência a ser realizada por servidor estranho aos autos, a fim de que fique comprovado o pagamento a maior da contribuição em face dos serviços prestados aos transportadores estrangeiros, bem como seja confirmado o crédito a descontar relativo a bens do ativo imobilizado adquiridos pela contribuinte/manifestante. Por seu turno, a DRJ, por maioria de votos, rejeitou o pedido de diligência/perícia e desconheceu da Manifestação de Inconformidade no que tange a matérias que não tenham sido indeferidas no Despacho Decisório (que não constituem parte litigiosa), julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade quanto às demais alegações. Concluiu a instância a quo que a isenção para a receita de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação documental das operações e do ingresso de divisas no país. Nesse sentido, é obrigação do contribuinte comprovar o alegado, nos termos do art.333, inciso II do CPC. Irresignada com a decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário em que reafirma os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.232, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16636.001408/2009-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.232): O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido e apreciado. Preliminares Cerceamento de Defesa e Pedido de Perícia Segundo a Recorrente, o v. acórdão 10-48.968, proferido pela 2ª Turma da DRJ/POA aponta, mormente no voto divergente, que a análise dos documentos juntados pela Recorrente à Impugnação passou ao largo da unidade de origem, que sequer questionou Fl. 1930DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.246 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001409/2009-53 os demonstrativos juntados ao processo, assim como a documentação carreada aos autos, afirmando categoricamente que, se caso persistissem dúvidas quanto à documentação, seria de se cogitar, inclusive, a hipótese de remessa dos autos em perícia para que a unidade de origem verificasse de maneira mais acurada a documentação pertinente às operações embasadoras do direito creditório. Portanto, o CARF, na sua função imparcial de "juízo" dos litígios tributários em segunda instância administrativa, não pode negar à análise da documentação acostada aos autos, bem como toda aquela que se encontra no estabelecimento da Recorrente, que comprova a realidade inerente às operações realizadas pela Recorrente, objetivando o reconhecimento da não incidência do PIS/Cofins na prestação de serviços portuários efetuada a armadores estrangeiros domiciliados no exterior. Consequentemente, a realização de diligência já requerida quando do oferecimento da Manifestação de Inconformidade, deve agora ser deferida para a realização de perícia técnica, e por servidor estranho aos autos, a fim de que fique comprovado o pagamento indevido do PIS e da Cofins, sob pena de cerceamento de defesa. Passo à correspondente análise. De fato, é robusta a documentação acostada aos autos pela Recorrente. Vejo que a Recorrente se esforçou para reunir a gama de documentos aqui juntados, diversos carreados, inclusive, após a apresentação de sua Manifestação de Inconformidade. No entanto, o indeferimento de pedido de conversão do julgamento em diligência/perícia, quando fundamentado, como o foi pelo órgão julgador a quo, não tem o condão de representar cerceamento de defesa, mormente quando resta assegurado à contribuinte o prosseguimento da lide, ocasião em que pode reafirmar seu pleito e, se for o caso, obter decisão que lhe é satisfatória. O inconformismo diante de uma decisão contrária às pretensões firmadas em recurso não permite concluir pelo cerceamento de defesa, e também quando a referida decisão é fundamentada, pauta-se na análise do caso de acordo com a legislação e provas dos autos. Ademais, a despeito da apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, conforme determina o Decreto nº 70.235, de 1.972, ao dispor na Seção VI acerca do julgamento de primeira instância. Logo, não há que se falar em cerceamento de defesa quando o julgador a quo proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Neste ponto, ressalto haver limites estipulados no Decreto n° 70.235, de 1972, e que devem ser observados, sobretudo para fins de apresentação a destempo de novos documentos aos autos, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar as razões que ensejariam a admissibilidade da prova documental apresentada a posteriori. Contudo, a autoridade julgadora de segunda instância pode apreciar a prova acostada aos autos, sob o prisma da verdade material, e por ser destinatária dela (prova), o que, inclusive, será feito por este julgador, lembrando que, na apreciação da prova, este julgador formará livremente sua convicção. Assim, a insatisfação do contribuinte, sobre este ponto, não tem o condão de anular a decisão de primeira instância, sendo matéria atinente à interposição de recurso voluntário, a ser objeto de deliberação pelo colegiado de segunda instância. Quanto à reafirmação do pedido de perícia, entendo por sua desnecessidade, porquanto a realização de perícia se justificaria na hipótese de necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos que não ficaram suficiente mente demonstrados pelas provas aportadas ao processo. Fl. 1931DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.246 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001409/2009-53 Entretanto, essa não é a hipótese presente nos autos, visto que não se faz necessária a apreciação técnica de especialista para subsidiar o julgamento da lide. Portanto, estas preliminares hão de ser rechaçadas. Mérito Os autos tratam da análise do PER/DCOMP nº 07634.97230.301008.1.3.04-5435, por meio do qual a Recorrente informa crédito de pagamento indevido ou a maior cuja gênese seria o recolhimento, em 15/02/2005, para a Cofins, código de receita 5856 (Cofins não cumulativa), período de apuração 01/2005, no valor de R$ 841.704,65, do qual o valor creditória seria R$ 560.998,25. Por intermédio do Despacho Decisório nº 168, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas/RS não homologou a Declaração de Compensação, em razão da inexistência de crédito. No bojo do referido despacho, a unidade de origem salientou que a DCOMP 07634.97230.301008.1.3.04-5435 foi lastreada em crédito referente a pagamento a maior de Cofins em decorrência de retificações na DACON feitas com base no entendimento de que a contribuinte faz jus a não incidência da Cofins sobre receitas oriundas de prestação de serviços para pessoas domiciliadas ou residentes no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Em sua análise, porém, a unidade de origem concluiu que "não foi comprovada a prestação de serviços para pessoa situada no exterior, como também não foi comprovado que os pagamentos recebidos pelo interessado representam ingresso de divisas. Em conseqüência da falta de comprovação das condições necessárias para que o interessado faça jus a não incidência da Cofins, previstas no inciso II do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei 10.865/2004, não existe base legal que ampare as retificações na DACON. Sendo assim, não foi apurado pagamento a maior de Cofins para o período". A partir de então, com a abertura de prazo para apresentação de Manifestação de Inconformidade, instaurou-se o litígio administrativo tendo como tema central a possibilidade, ou não, de a Recorrente valer-se da não incidência da Cofins sobre as receitas decorrentes de operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Inicialmente, faz-se necessário transcrever a norma que disciplina o assunto em debate, em sua redação original: Lei 10.833/2003 Art. 6 o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; Posteriormente, essa norma foi alterada pelo art. 21 da Lei 10.865/2004, que passou a produzir seus efeitos a partir de 01/05/2004, consoante art. 53 do mesmo diploma legal, com nova redação a seguir: Lei 10.833/2003 Art. 6 o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)” Da leitura da norma, extraímos a necessidade do preenchimento de dois requisitos cumulativos para a configuração da não incidência da Cofins quanto ao caso, a saber: Fl. 1932DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art6ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art6ii Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.246 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001409/2009-53 a) prestação de serviços para a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior; e b) cujo pagamento represente ingresso de divisas. Na analise do presente caso, entendo que os referidos requisitos foram satisfeitos pela Recorrente. Vejamos. A Recorrente tem como objeto principal a exploração do terminal de contêineres do Porto de Rio Grande/RS, na qualidade de operador portuário. E, nessa condição, presta serviços portuários (carga, descarga etc.) a empresas transportadoras sediadas e domiciliadas no exterior, mediante contratos. Para a consecução de suas atividades e, em razão natureza inerente a essas atividades, as empresas transportadoras estrangeiras - pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, que operam linhas de transporte marítimo internacional de carga relativas a importações e exportações brasileiras - contratam a Recorrente, através de seus agentes, representantes no Brasil, para execução de serviços portuários, sendo estes os responsáveis pelo pagamento dos serviços prestados pela Recorrente mediante prestação de contas junto ao transportador estrangeiro. Essa relação de intermediação e seus conceitos são expostos pela Recorrente em seu recurso. Vale transcrevê-la: a) Transportador Estrangeiro São as empresas transportadoras estrangeiras, pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, que operam linhas de transporte marítimo internacional de cargas relativas a importações e exportações brasileiras e que contratam a Recorrente, através de seus agentes/representantes no Brasil, para a execução de serviços portuários. b) Agente do Transportador Estrangeiro (agência marítima) É o representante obrigatório no Brasil dos interesses do transportador estrangeiro, administrando os contratos de prestação de serviços em nome do seu principal. Ele recebe do exterior (câmbio tipo 03) ou utiliza receitas auferidas pelo transportador estrangeiro, transferíveis ao exterior, para fazer face aos pagamentos dos serviços contratados pelo transportador estrangeiro. Assim, a agência de navegação efetua a contratação do câmbio, conforme Carta Circular nº 3.280, de 09/05/2005, emitida pelo Banco Central do Brasil e paga aos fornecedores e efetua a prestação de contas junto ao transportador estrangeiro. c) Prestador de Serviços Ele executa as operações de embarque, descarga, movimentação e armazenagem de mercadorias destinadas ou oriundas do ou ao exterior, cumprindo o contrato firmado com o transportador estrangeiro. Também fatura tais serviços ao transportador estrangeiro aos cuidados do seu agente no Brasil e recebe os valores em reais do agente no Brasil, através dos recursos provenientes do exterior, conforme as normas emitidas pelo Banco Central do Brasil. A presença de intermediário, agente do transportador estrangeiro, na operação não descaracteriza a situação de não incidência da Cofins. Nesse sentido foi a conclusão da Solução de Consulta SRRF/08 nº 58, de 07/04/2006, exarada no Processo Administrativo nº 11050.003099/2005-45, em resposta à demanda da própria Recorrente, levando em conta sua situação particular: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. A Cofins não incide sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo Fl. 1933DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.246 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001409/2009-53 pagamento represente ingresso de divisas. A intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, II com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004; Circular Bacen nº 3.280, de 2005. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. A Contribuição para o PIS/Pasep não incide sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. A intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, II com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004; Circular Bacen nº 3.280, de 2005. Nos termos acima, tem-se, ainda, já com a alteração das redações das contribuições não cumulativas do PIS e da Cofins pela Lei nº 10.865/2004, a Solução de Consulta SRRF/07 nº 23, 22/03/2011, no Processo Administrativo nº 10768.007322/2010-41, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO. Para fins de não incidência ou isenção da Cofins sobre a receita decorrente da prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, o pagamento deve necessariamente representar ingresso de divisas no País. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM FAVOR DE ARMADOR ESTRANGEIRO. REPRESENTANTE DO ARMADOR ATUANDO NO PAÍS COMO MERO MANDATÁRIO. Na hipótese de prestação de serviços, efetuada por empresa domiciliada no País, para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, a existência de terceira pessoa agindo na condição de mero mandatário da pessoa no exterior não descaracteriza a relação jurídica a que aludem o art. 6º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, e o art. 14, III, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, para fins de reconhecimento da não incidência ou isenção da Cofins. [...] Ainda, tem-se a Solução de Consulta Cosit nº 346, de 26 de junho de 2017, com a seguinte ementa (trecho): [...] Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins NÃO-INCIDÊNCIA. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A PESSOA FÍSICA OU JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. POSSIBILIDADE DE MERA INTERMEDIAÇÃO ENTRE A PRESTADORA DOS SERVIÇOS E A PESSOA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DO INGRESSO DE DIVISAS. A existência de terceira pessoa, desde que agindo como mera mandatária, ou seja, cuja atuação não seja em nome próprio, mas em nome e por conta do mandante estrangeiro, entre a pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior e a prestadora de serviços nacional, não afeta a relação jurídica negocial exigida para enquadramento nos arts. 6°, inciso II, Fl. 1934DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.246 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001409/2009-53 da Lei n° 10.833, de 2003, e 14, inciso III, da MP 2.158-35, de 2001, para o fim de reconhecimento da não-incidência/isenção da Cofins. [...] Enfim, a Administração Tributária reconhece que a existência de terceira pessoa agindo na condição de mero mandatário da pessoa no exterior não descaracteriza a relação jurídica a que alude o art. 6º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, para fins de reconhecimento da não incidência ou isenção da Cofins. Portanto, neste ponto não há controvérsia. A controvérsia pauta-se na comprovação da efetiva prestação de serviços ao transportador estrangeiro e, consequentemente, no ingresso de divisas. A farta documentação carreada aos autos pela Recorrente, abrangendo notas fiscais de serviço, contratos com armadores estrangeiros, bem como declarações firmadas por estes, e respectivas tabelas de preços praticados, demonstram a efetividade dos serviços prestados e, por decorrência, o ingresso de divisas. Verifica-se nos documentos acostados aos autos que a Recorrente, em virtude de contrato de prestação de serviços com armadores no exterior, às fls. 798-1.277 (Manifestação de Inconformidade) e 1.904-2.157 (Recurso Voluntário), presta serviços portuários a estes e emite nota fiscal de serviços, às fls. 1.300-1.344 (Manifestação de Inconformidade) e 1.829-1.903 (Recurso Voluntário), em nome dos tomadores estrangeiros, mas aos cuidados de seus representantes/agentes marítimos, os quais atuam como intermediários nessa operação. Considero, portanto, ser incontroversa a comprovação dos serviços prestados diante de arcabouço documental que traz os detalhes da operação de prestação de serviços. No que diz respeito ao ingresso de divisas, embora a fiscalização e a DRJ tenham concluído competir à Recorrente a apresentação dos contratos cambiais para sua comprovação, entendo não ser ônus da dela a apresentação de tais documentos. Conforme mencionado anteriormente, a própria Fazenda Pública entende não descaracterizada a situação de não incidência da Cofins quando, na operação de prestação de serviço para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, haja representante do armador estrangeiro atuando no país como mero mandatário. Nessa situação, havendo o intermediário na operação, este é quem legalmente detém os referidos contratos, em razão da sistemática deste tipo de operação. Logo, não pode a Recorrente ser compelida a apresentar documento da qual não é proprietária e da qual sequer tem posse. Por sua vez, a norma isentiva da Cofins, Lei 10.833, de 2003, não estipulou que competiria ao prestador de serviço a comprovação do ingresso de divisas, em especial nessa situação em que há operação de intermediação. Dessa forma, sendo permitida a intermediação de mandatário do armador estrangeiro na prestação de serviço sem descaracterizar a não incidência da Cofins, a exigência dos contratos cambiais - como único instrumento de comprovação dos ingressos de divisas - a quem não os detenha acaba por impossibilitar, na prática, o uso deste benefício fiscal (não incidência legal), o que, certamente, não é a finalidade da norma isentiva. Dessa forma, compreendo que o ingresso divisas é decorrência lógica da natureza deste tipo de operação, não sendo ônus da Recorrente a apresentação de contrato cambial para a sua comprovação. A corroborar as conclusões acima, valho-me da pertinente análise do mesmo assunto e mesmo contribuinte efetuada pelo Conselheiro Walker Araújo no bojo do Processo Administrativo nº 17437.720221/2015-65, Resolução nº 3302-000.772, de 21/06/2018: O fato da Recorrente não ter apresentado cópia dos contratos de câmbio - diga- se, documentos que não pertencem è ela, logo não poderia haver exigência nesse sentido -, não pode servir único fundamento/justificativa para fiscalização Fl. 1935DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-006.246 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001409/2009-53 afastar o direito do contribuinte e, desconsiderar os demais documentos hábeis à comprovar a origem dos registros contábeis. Com efeito, restou comprovado nos autos que a Recorrente firmou contratos com diversos transportadores estrangeiros (fls.1.007-1.615) para prestar serviços de embarque, descarga, movimentação e armazenagem de mercadorias em embarcações utilizadas para navegações de longo curso. Referidos transportadores estrangeiros nomeiam agentes marítimos para intermediar os negócios objeto dos contratos firmados entre as partes e, realizar os pagamentos à Recorrente pela prestação dos serviços anteriormente citados, na condição de mandatários dos transportadores estrangeiros. A Recorrente, por sua vez, emite nota fiscal de serviços (fls.1.616-2.604) em nome dos transportadores estrangeiros, mas aos cuidados de seus agentes marítimos. Tais fatos operacionais estão totalmente de acordo com o artigo 4º, da Instrução Normativa 800/2007 que, obriga aos transportes estrangeiros utilizarem agentes marítimos, senão vejamos: Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Nestes termos, o argumento utilizado pela RFB no sentido de que a Recorrente não teria comprovado o ingresso de divisa no país por meio de contratos câmbio, deve ser totalmente rechaçado, posto que os documentos colacionados aos autos comprovam que as receitas registradas em sua contabilidade decorrem de operações de prestação de serviços à pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. Portanto, entendo que não deve haver a incidência das contribuições ao PIS e COFINS, porque (i) os documentos carreados autos confirmam a efetiva prestação de serviços à pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente o ingresso de divisa; e (ii) o fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro. Reforça o direito da Recorrente, a Solução de Consulta nº 58, de 07/04/2006, da 10ª SRRF, contida no processo administrativo 11050.003099/200545, de solicitação da própria contribuinte, no sentido de que o pagamento por Agente Marítimo em nome de Transportador Estrangeiro denota ingresso de divisas, conforme se verifica na ementa abaixo: [...] IV. Conclusão Diante do exposto, afasto as preliminares de nulidade e, no mérito, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, afastar as preliminares nele suscitadas e, no mérito, dar-lhe provimento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 1936DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-006.246 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001409/2009-53 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator Fl. 1937DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726134/2014-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72.
Petições apresentadas após o recurso voluntário, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
COFINS. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA A SAÚDE.
A ausência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) e o descumprimento dos requisitos previstos no art. 29 da Lei 12.101/2009 autorizam o lançamento de ofício para constituição de crédito tributário referente à Cofins.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
A ocorrência de sonegação conforme definida no art. 71 da Lei 4.502/1964 pressupõe a aplicação da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, I, §1º, da Lei 9.430/1996.
JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 4 DO CARF.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-006.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. Petições apresentadas após o recurso voluntário, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. COFINS. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA A SAÚDE. A ausência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) e o descumprimento dos requisitos previstos no art. 29 da Lei 12.101/2009 autorizam o lançamento de ofício para constituição de crédito tributário referente à Cofins. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 61 34 /2 01 4- 38 Fl. 5290DF CARF MF 2 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. A ocorrência de sonegação conforme definida no art. 71 da Lei 4.502/1964 pressupõe a aplicação da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, I, §1º, da Lei 9.430/1996. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. O processo trata de Auto de Infração (AI) de Cofins – contribuição para financiamento da seguridade social (fls. 4) relativo ao anocalendário 2010, lavrado em desfavor de Monte Tabor Centro Italo Brasileiro de Promoção Sanitaria – Hospital São Rafael, em razão de "descumprimento dos requisitos estabelecidos na Lei 12.101/2009, assim como, aqueles estabelecidos pelos artigos 9º e 14 do CTN, com base no art. 32 da Lei 12.101/2009, combinado com o disposto no art. 144 do CTN", com imposição da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, I, §1º, da Lei 9.430/1996. A autoridade fiscal relacionou como responsáveis solidárias pelo crédito tributário Liliana Ronzoni e Laura Ziller, segundo o Fl. 5291DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 3 3 art. 124 do CTN – Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966). Fondazione Centro San Rafaelle del Monte Tabor e Oasis Administração Ltda. também foram indicadas em igual condição, mas com suporte no art. 135 do Código. O contexto do lançamento está minuciosamente descrito no TVF – Termo de Verificação Fiscal (fls. 14). No item 4.1 do TVF, há indicação de ausência de Cebas – Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social: "Com relação ao Certificado de entidade Beneficente de Assistência Social, CEBAS, o contribuinte obteve a sua renovação do período de validade de 30/06/2006 a 29/06/2009 referente ao processo nº 71010.001116/200699, através da Resolução nº 3, de 23 de janeiro de 2009, publicada no DOU de 26.01.2009 (anexo 07). Obteve também a renovação do período de validade de 05/05/2000 a 04/05/2003, referente ao processo nº 44006.000953/200058. No entanto, através da Resolução nº 7, de 03 de fevereiro de 2009, publicada no DOU de 04.02.2009 (anexo 07), houve o indeferimento da renovação da certificação do período de 2009 a 2012. O indeferimento do pedido de renovação do CEBAS na área de saúde pelo Ministério da Saúde, se deu através da Portaria nº 872, de 22 de agosto de 2012, DOU nº 165, de 24.08.2012 (anexo 11). O contribuinte interpôs recurso contra esta decisão e obteve efeito suspensivo, conforme Portaria nº 1.256, de 08 de novembro de 2012, DOU nº 217, de 09.11.2012 (anexo 07). Encaminhado ofício à Secretaria de atenção à saúde através do Ofício N.20/2014/SEFIS/DRFSDR, cientificado em 30/03/2014, posteriormente reiterado através do Ofício 27/2014/SEFIS/DRF SDR, cópias no ANEXO 01, solicitando informação quanto à vigência da Portaria N. 1256/2012, que atribuiu o efeito suspensivo ao indeferimento da renovação do CEBAS e solicitada Cópia do Parecer Técnico de indeferimento do Certificado de entidade Beneficente de assistência Social, CEBAS, o qual demonstra, de forma inequívoca, a falta de atendimento aos requisitos legais para o gozo da isenção das contribuições, objeto de lançamento na ação fiscal aqui descrita. Os requisitos elencados na seção I da Lei 12.101/2009, art. 4o a 11, necessários à obtenção da certificação para as entidades que atuam na área de saúde, não foram observados, justificando o indeferimento do pedido do certificado CEBAS. O Parecer Técnico N.279/2012CGCER/DCEBAS/SAS/MS, (anexo 7.1), demonstra, de forma clara, o descumprimento aos requisitos legais para a obtenção do CEBAS. Análise esta que, de acordo com o art.21I da Lei 12.101/2009, compete ao Ministério da saúde: ..." No item 4.2, a Autoridade Fiscal descreveu os fatos que conduziram à conclusão de ocorrência de distribuição de resultados ou de parcelas de patrimônio decorrentes de operações com o Grupo Delfin e com o Centro de Hematologia e Terapia Celular, de transferências de recursos a diretores, de Fl. 5292DF CARF MF 4 benfeitoras em imóveis de terceiros e de pagamento de aluguel à Fondazione Centro San Rafaelle del Monte Tabor. O item 5 trata de caracterização de grupo econômico entre Hospital São Rafael, Fondazione Centro San Rafaelle del Monte Tabor e Oasis Administração Ltda. Acerca do enquadramento legal, expôs a Autoridade Fiscal (pág. 32 e 33 do TVF): "Com base nos fatos narrados acima, cumpre suspender a isenção da COFINS no período de 01/2010 a 12/2010, pois houve flagrante desvio de finalidade na aplicação dos recursos do Contribuinte com a distribuição de uma parcela do seu patrimônio e renda do Contribuinte, através destinação de recursos elevados para empresa sediada fora do território nacional, como é o caso da Fondazione italiana, já que descumpriu os requisitos previstos no inciso II e V do artigo 29 da Lei nº 12.101, de 2009. Conforme disposto no caput e no parágrafo 1º do artigo 32 da Lei nº 12.101, de 2009, deverá ser lavrado auto de infração relativo ao período correspondente ao descumprimento dos requisitos do artigo 28 da mesma lei. (...) Persiste discussão na doutrina nacional relativa aos requisitos necessários ao gozo do benefício tributário conferido pelo art. 195, § 7º da constituição Federal. Desta forma, considerando a avaliação daqueles que julgam necessário o atendimento ao disposto no art. 14 do Código Tributário nacional, apresentase a seguir uma exposição, com base na descrição dos fatos já relatados, quanto à inobservância também destes requisitos. Desta forma, qualquer que seja a tese adotada, fica evidente que o contribuinte fiscalizado também não atende aos mínimos requisitos impostos pela legislação, sendo imperativo o lançamento tributário consignado no Auto de Infração do qual este Termo de Verificação é parte integrante. A seguir extrato dos artigos 9º e 14 do CTN, Lei 5.172/1966 e suas alterações: (...) Diante do exposto, como exaustivamente demonstrado ao longo deste Termo de Verificação Fiscal, também com base nos artigos 9º e 14 do CTN, cabe suspender a imunidade tributária do contribuinte fiscalizado, Monte Tabor Brasil, HSR. A primeira premissa, com base no CTN, para o gozo da imunidade tributária, no caso do HSR, é ser considerada uma instituição de Assistência Social. Para tal, o que não poderia ser de outra forma, o que implicaria na extensão do benefício a todas as demais pessoas jurídicas que assim se auto denominassem, deve obedecer requisitos legais para tal. No caso da legislação nacional, devem ser observados os requisitos da Lei 12.101/2009, os quais, como já fartamente demonstrado acima, foram descumpridos. Merecendo destaque a falta de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, como descrito no item 4.1. Ou seja, não sendo reconhecida pelo ordenamento jurídico como sendo uma entidade de assistência Social, não há que se aplicar a imunidade conferida pela constituição a tais entidades. Fl. 5293DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 4 5 A obrigação imposta pelo art. 14 I foi descumprida pela distribuição dos resultados ou parcelas do seu patrimônio, como descritas no item 4.2, evidenciadas pelas fartas distribuições de resultados a empresa do grupo DELFIN, item 4.2.1, procedimento semelhante àquele verificado nas operações com o Centro de Hematologia e Terapia Celular, item 4.2.2, da farta distribuição de recursos aos seus Diretores, demonstradas no item 4.2.3, da realização de benfeitorias em imóveis de terceiros, item 4.2.4, ou ainda, da simulação quanto aos aluguéis pagos à Fondazione, demonstrado no item 4.2.5. Também a fraude demonstrada no item 5.0, que evidencia a constituição de um grupo empresarial entre o HSR, e as empresas OASIS e a Fondazione. Distribuição de resultados também presentes ao amortizar valores contabilizados como empréstimos cujas origens não foram comprovadas, como demonstrado no item 5.2. Além da farta distribuição de seus resultados, o planejamento tributário abusivo, através da venda do seu patrimônio, como demonstrado no item 5.1, demonstram o desvio de finalidade do HSR. A obrigação imposta pelo art. II, foi descumprida ao amortizar empréstimos com empresa estrangeira, a Fondazione, registrados contabilmente, com investimentos realizados em imóveis registrados em nome da mesma Fondazione. Além de inúmeras amortizações, destes mesmos empréstimos, como indicados no item 5.2. Conforme descrito no item 5.0, o HSR não realizou a retenção na fonte dos valores registrados a título de aluguel devido à Fondazione. Vale ressaltar que, ainda que, por absurdo, se desprezem todas as evidências indicadas neste Termo de Verificação Fiscal, que levam à suspensão da imunidade auto atribuída pelo HSR, no ano de 2010, período sujeito à fiscalização, se for considerado que o HSR e a Fondazione são pessoas jurídicas distintas, deveria ter sido realizada a retenção na fonte dos valores correspondentes ao pagamento dos aluguéis devidos, na forma do estabelecido pelo art. 9o do Código tributário nacional, CTN, transcrito parcialmente acima. Diante do exposto, já que, não basta se autointitular Imune ao pagamento dos tributos devidos, no curso da presente ação fiscal, ficou evidenciado a ausência da presença dos mínimos requisitos para a fruição da autoimputada imunidade tributária." A Entidade autuada, Fondazione Centro San Rafaelle del Monte Tabor, Oásis Administração e Liliana Ronzoni tiveram ciência do auto de infração em 19/08/2014 (fls. 2.843, 2.845, 2.847 e 2.849, respectivamente) e Laura Ziller no dia 22 do mesmo mês (fls. 2.850, 2.892 e 4.471) A Entidade, indicada no AI na condição de Contribuinte, impugnou a exigência em 16/09/2014 (fls. 2.895). Inicialmente, discorreu longamente sobre o seu histórico e as suas atividades "beneméritas". Suscitou as seguintes preliminares: Fl. 5294DF CARF MF 6 a) impossibilidade da autuação em razão do efeito suspensivo atribuído pelo Ministro da Saúde ao recurso interposto contra a decisão denegatória do Cebas; b) necessidade de suspensão do julgamento até a decisão do processo de certificação no Ministério da Saúde; c) nulidade do "auto tributário" por inobservância do princípio da tipicidade cerrada; d) impossibilidade de realização do lançamento em razão da inexistência de ato declaratório expedido por Delegado da Receita Federal nos termos do art. 32 da Lei 9.430/1996; e) decadência do "exercício" 2010. No mérito, alegou: a) a previsão contida no art. 195, §7º, da Constituição trata de imunidade, embora mencione "isenção"; b) a imunidade está sujeita a exigências de caráter formal – conforme art. 150, VI, "c", e 195, §7º, da Constituição – especificados em lei, que há de ser complementar por força do comando do art. 146, III, da Lei Maior, no caso, o art. 14 do CTN, a saber: (i) não distribuição de lucro, (ii) reinvestimento de lucros ou resultados na manutenção ou ampliação dos objetivos da entidade beneficiária no País e (iii) manutenção de livros autenticados, com folhas numeradas em ordem crescente, termos de abertura e encerramento, para escrituração de receitas e despesas. Tais requisitos são inteiramente observados no seu modo procedendi, o que se comprova pelos balanços, balancetes e relatórios de auditoria externa anualmente elaborados e apresentados, inclusive, à autoridade previdenciária. Ademais, doutrina e jurisprudência consagraram o entendimento de que a imunidade não exige a aversão ao lucro, mas apenas que a renda auferida e o lucro obtido, sejam empregados no atendimento das finalidades precípuas da instituição; c) todas as exigências restritivas da MP 446/2008 e das Leis 8.212/1991 e 12.101/2009 são inconstitucionais e, por isso, devem ser desconsideradas; d) a reportagem da revista Carta Capital, citada no relatório fiscal, traz "considerações detrimentosas" acerca da sua atuação, negando e distorcendo a verdade; e) dificuldade de adaptação ao regime capitalista e aos ditames do mercado pelas entidades filantrópicas, destacando a evolução interpretativa sobre a vedação à obtenção de lucro e de remuneração aos dirigentes, o que resultou no entendimento, baseado na identificação do que desejou alcançar o legislador, de aceitação do lucro, desde que mantido na entidade, e de remuneração de dirigentes não por essa condição, mas pelo exercício de atividade profissional técnica nas suas respectivas especialidades; f) o contrato firmado com Delfin Médicos Associados gerou modernização do parque tecnológico de radiologia e imagem e incremento de receita com novos equipamentos, diminuiu o risco de passivo trabalhista, reduziu a energia direcionada ao negócio tendo em vista a gestão que deixou de ser por si exercida, garantiu o recebimento da receita mínima que já existia e proporcionou o uso de conhecimento profissional que não Fl. 5295DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 5 7 detinha, entre outros inúmeros ganhos indiretos, com reinvestimento na atividade de todo o acréscimo de receita e patrimônio, inexistindo distribuição de resultados. Os equipamentos importados com benefício de imunidade tributária são de sua propriedade e foram dados em pagamento aos médicos em reclamação trabalhista. Não pôs empregados à disposição gratuitamente. A equipe de limpeza do hospital, por exemplo, também atua na unidade de radiologia e imagem, "pelo simples fato de não ser possível ter uma equipe específica para cada unidade...". O fato de 13 prestadores de serviços serem sócios da Delfin Médicos Associados reduz custos do contrato e contribui para evitar passivos trabalhistas, aumentando a segurança do negócio. Não é correto afirmar que, por liberalidade, deu em comodato parte do imóvel onde o serviço é prestado porque, afinal, beneficiase da receita gerada. A prestação de serviços sob a modalidade contratada só trouxe benefícios para a instituição, conforme parecer acostado, além da tributação da parcela de receita auferida pela contratada. Para a empresa, o negócio se deu em condições piores do que as de mercado, tendo em vista a obrigatoriedade de atendimento pelo SUS. O todo alegado pode ser confirmado por meio de perícia, para o que indica perito e relaciona quesitos; g) o contrato com Centro de Hematologia e Terapia Celular Sociedade Simples Ltda. tem por objeto prestação de serviço de operação de banco de sangue, necessário ao desenvolvimento das atividades de um hospital de grande porte. Os argumentos lançados no tópico anterior (Delfin Médicos Associados) rechaçam a pretensão arrecadatória, passível de comprovação mediante perícia, para o que indica perito e relaciona quesitos; h) inexiste ilegalidade na contratação de empresas que prestam serviços distintos daqueles que os diretores não estatutários realizam na condição de empregados; i) as relações jurídicas com Andrea Garziera, Eduardo Jorge Marinho de Queiroz e Sigevaldo Santana de Jesus ocorreram dentro da legalidade; j) a diretora médica e conselheira Liliana Ronzoni e a presidente Laura Ziller jamais receberam qualquer remuneração direta ou indireta da entidade, muito embora qualquer dirigente, estatutário ou não, possa ser remunerado, direta ou indiretamente. A alegação pode ser confirmada por meio de perícia, para o que indica perito e relaciona quesitos; l) não houve transferência gratuita de imóvel e as benfeitorias foram compensadas com os aluguéis devidos, o que se demonstra mediante perícia, para o que indica perito e relaciona quesitos; m) atende pacientes do SUS em "mais aproximados 65%". Uma visita ao local comprovaria o serviço à comunidade carente – Fl. 5296DF CARF MF 8 negros, índios, pobres e anciões – maioria esmagadora daqueles que lá aportam; n) além de ser inconstitucional, agrediria o bom senso aceitar que o mero descumprimento de obrigação acessória, episódico e de boa fé, pudesse resultar em suspensão de isenção, penalidade tão desproporcional que fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Desse modo, a ausência de retenção do aluguel transferido à Fondazione, em regime de compensação, ao par de indevido, não pode ensejar a suspensão; Nos itens 3.6 a 3.8 da peça de contestação, a Entidade (i) classificou a suspensão da imunidade como ofensiva ao princípio da razoabilidade, (ii) considerou desigual o tratamento das partes no processo e requereu a oportunidade de apresentação de "estudo crítico acerca dos números apresentados, o que não foi possível obter em tão curto espaço de tempo", (iii) dispôs sobre a natureza "confiscatória" da multa qualificada, (iv) defendeu a incidência de juros somente a partir do julgamento final que lhe seja desfavorável e (v) invocou a imunidade tributária para "afastar genérica e especificamente toda a pretensão arrecadatória veiculada, seja aquela relacionada a contribuições diretas – cota patronal, de empregados, ou de terceiros; qualquer que seja, enfim." Requereu perícia, indicou perito e formulou quesitos para verificar se a contabilidade é transparente e digna de fé, os livros contábeis são mantidos organizados e autenticados, há registros de investimento fora do País ou de distribuição de lucros a seus diretores estatutários ou associados. Assim concluiu: "Do exposto e tudo considerando, promove a integral impugnação do auto de infração para cobrança da COFINS, genérica e especificamente, bem como de todos os argumentos contidos na presente fiscalização contrários aos interesses do Impugnante, ficando certo que o que se promove direta ou indiretamente, é uma impugnação total de todo o conjunto de auto de infração, processos e representação que integram a iniciativa administrativo fiscal e tudo quanto lhe fora com a presente fiscalização cominado. Requer sejam admitidas as preliminares para encerrar a presente apuração extinguindo a pretensão arrecadatória ou, ao menos, suspendêla. De tudo quanto exposto no mérito da presente impugnação não há como prosperar a pretensão arrecadatória. D'outra sorte, ainda que tudo desprezado, restará a natureza imune da Instituição, como lhe garante a Constituição Federal, que impede a cobrança ora realizada. Demais disso, cabe impugnar, ainda, as conclusões as conclusões contábeis e pugnar pela realização de exauriente instrução, que não poderá dispensar as diligências periciais solicitadas, bem assim demais provas necessárias à apuração e alcance da verdade, o que desde já requer, como a oitiva de testemunhas, juntada de novos documentos como prova e contraprova, perícia contábil e econômica e de qualquer outra natureza, inspeção, e tudo o mais que se revele útil ao alcance pleno da verdade." Fl. 5297DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 6 9 Liliana Ronzoni e Laura Ziller apresentaram Impugnações individuais em 15/09/2014 (fls. 4300 e 4.399, respectivamente) enquanto Fondazione Centro San Rafaelle del Monte Tabor e Oásis Administração reuniram os seus argumentos de contestação em uma peça conjunta, apresentada também no dia 15/09/2014 (fls. 3.546). Após impugnação, foi apresentada documentação suplementar. O processo foi devolvido à unidade de origem para diligência nos termos da Resolução 111.196/2016 (fls. 4.659): "O lançamento tratado neste processo tem como um dos seus fundamentos a inexistência do Cebas – Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para o anocalendário 2010, matéria semelhante à examinada no processo nº 10580.726137/201471, que trata de suspensão de imunidade e isenção da instituição impugnante por intermédio do Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/SDR nº 067/2014, relativo ao mesmo período (2010). Naquele processo, esta Turma adotou a Resolução nº 111.994 (fls. 4.648), de 29/07/2016, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para verificação da ocorrência de decisão do Ministério da Saúde acerca do recurso interposto pela autuada em processo relativo a pedido de renovação do referido certificado. Assim, tendo em vista a correlação das matérias tratadas em ambos os processos e as considerações tecidas no voto condutor da acima referida resolução, os autos devem ser devolvidos à unidade de origem para adoção pela autoridade fiscal das providências adiante relacionadas: a) dar ciência desta resolução aos sujeitos passivos (contribuinte e responsáveis) e lhes entregar cópia; b) verificar a existência de novo recurso interposto pela entidade quanto ao indeferimento do Cebas relativo ao anocalendário 2010 e de decisão irrecorrível na esfera administrativa competente (Ministério da Saúde), com cópia juntada aos presentes autos." Em atendimento à determinação contida na referida Resolução, a Autoridade Fiscal informou, no Relatório de Diligências (RD – fls. 4.662), a ocorrência da negativa de provimento ao recurso pelo Ministério da Saúde e apresentação de pedido de reconsideração: "Reintimado através de novo Termo de Diligência, visando identificar se teria havido alguma alteração da situação quanto à resposta fornecida anteriormente e transcrita acima, afirmou, em resposta datada de 20/02/2017, recebida em 22/02/2017, que: Fl. 5298DF CARF MF 10 Em relação ao quesito formulado, referente ao ofício 050/2016 DCEBAS/SAS/MS, vem informar que o processo MS/SIPAR n. 25000.023577/201009 foi julgado para negar provimento ao recurso administrativo dirigido ao Ministro da Saúde, de acordo com o despacho publicado em 12.12.16 no DOU (doc.01). Face à decisão acima mencionada, o Peticionário apresentou o pedido de reconsideração em anexo (doc. 02). Demais disso, ainda pendem de apreciação os pedidos de renovação protocolados em 2012, 2013 e 2014, igualmente em apenso (docs. 03, 04 e 05)." (Destaque acrescido) Todos os sujeitos passivos – Contribuinte e Responsáveis – receberam cópia do RD (fls. 4.834/4.838). Sobre o referido Relatório, assim se pronunciou a Contribuinte (fls. 4.841): "No que tange ao item 2 do Relatório de Diligências, especialmente quanto ao indeferimento do CEBAS, esclarece a Requerente que o STF, nas ADIs n° 2.028, 2.036, 2.228 e 2.621 e no RE n° 566.622/RS, recentemente julgados, declarou que os requisitos para a concessão do certificado só podem ser veiculados por lei complementar, invalidando de forma específica aquele invocado pelo Ministério da Saúde para o indeferimento do pedido do Monte Tabor: mínimo de 60% de atendimentos ao SUS (Lei n° 8.212/91, art. 55, §5°), o que, como fato superveniente, já ensejou novo requerimento à autoridade certificadora (petição protocolada em anexo), submetida nestes casos ao entendimento do STF (art. 102, parágrafo segundo, CF)." Os Responsáveis foram cientificados do RD. Laura Ziller se manifestou individualmente acerca do RD (fls. 4.864) e Fondazione Centro San Rafaelle del Monte Tabor e Oásis Administração apresentaram manifestação conjunta (fls. 4.880). Liliana Ronzoni não se pronunciou. A Contribuinte apresentou petição de juntada aos autos de e mail supostamente comprobatório de empréstimos da Fondazione Centro San Rafaelle del Monte Tabor (fls. 4.891). Alegou serem fundamentos da exigência (i) o indeferimento da renovação do Cebas para o triênio 2006/2008 e (ii) a indicação de violação do art. 29, II e V, da Lei 12.101/2009 (aplicação de recursos fora dos objetivos institucionais e distribuição de resultados). Afirmou ter demonstrado a "insubsistência da autuação, tendo em vista, preliminarmente, a decadência da maior parte das infrações e, no mérito, a improcedência das acusações lançadas pelo Fisco". Concluiu, no "pedido": "Ante o exposto, reitera o Impugnante o pedido de procedência da sua impugnação, para extinguiremse integralmente os créditos autuados." Há processo de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) apensado a estes autos (nº 10580.726135/201482). Fl. 5299DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 7 11 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 COFINS. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA A SAÚDE. A ausência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) e o descumprimento dos requisitos previstos no art. 29 da Lei 12.101/2009 autorizam o lançamento de ofício para constituição de crédito tributário referente à Cofins. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. A ocorrência de sonegação conforme definida no art. 71 da Lei 4.502/1964 pressupõe a aplicação da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, I, §1º, da Lei 9.430/1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 IMUNIDADE OU ISENÇÃO TRIBUTÁRIAS. ASSISTÊNCIA A SAÚDE. Para gozo de imunidade ou isenção tributárias é insuficiente apenas o exercício de atividade voltada para a área de saúde sem finalidade lucrativa, há obrigatoriedade de observância de todos os requisitos especificados na legislação própria. DECADÊNCIA. EXAME DE PERÍODOS CADUCOS. A Autoridade Fiscal pode investigar fatos ocorridos em períodos já alcançados pela decadência para identificar possíveis consequências tributárias em períodos de apuração para os quais seja possível a constituição do crédito tributário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros de mora previstos no art. 161 do CTN incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são calculados, a partir de 1º de abril de 1995, com base na taxa Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ALEGAÇÕES. Questionamentos acerca de inconstitucionalidade de lei não são conhecidas no âmbito do julgamento administrativo por tratarem de matéria reservada ao exame do Poder Judiciário (Súmula Carf nº 2). PERÍCIA. DESNECESSIDADE. É desnecessária a realização de perícia para exame de elementos devidamente demonstrados nos autos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação. Fl. 5300DF CARF MF 12 Em janeiro de 2019 a recorrente Monte Tabor apresentou petição informando sobre decisão da primeira seção do CARF que trata do pedido de suspensão da isenção e da determinação de diligência prolatada no processo referente a exigência do IRPF. Na petição a Recorrente apresenta laudo técnico e afirma a existência de erros nos cálculos do valor tributável utilizado para o lançamento. Solicita que o julgamento do presente processo seja sobrestado até o retorno da diligência do processo de exigência do IRPF ou que o julgamento seja convertido em diligência para apuração dos supostos erros nos cálculos utilizados no Auto de Infração. O detalhamento dos erros listados pela Recorrente, podem ser assim resumidos. Com o intuito de atender a referida intimação fiscal, a administração da MONTE TABOR produziu uma simples planilha sem efeitos fiscais com os valores resumidos de Receitas de Serviços e Outras Deduções, deixando de detalhar relevantes lançamentos contábeis , como, por exemplo, as “Outras Receitas não operacionais”. .. A referida planilha gerencial apresenta, em sua última linha, o suposto valor das “Vendas Líquidas de Serviços” na ordem de R$348.427.217,59 , mesma quantia que foi imputada como Base de Cálculo do PIS/COFINS pela autoridade fiscal, que repitase não se baseou nos registros contábeis da entidade Ocorre que a informação contida na referida planilha não reflete a Receita REAL auferida pelo MONTE TABOR para o ano de 2010, pois, além de deixar de incluir algumas contas contábeis, também apresenta ERRO DE SOMA não notado pela autoridade fiscal, vejamos: Tomando como o exemplo o mês de janeiro/2010, temos que Venda Líquida de Serviços informada foi de R$ 26.923.360,24, que é a diferença entre o Total de Vendas de Serviços e as Deduções de Glosas (R$ 27.346.837,10 R$ 423.476,86). Fazendo uma simples conferência da operação matemática, podemos atestar que não foram deduzidos os valores das “Deduções de Vendas de Serviços” , no valor de R$ 758.655,47" Expurgando o ERRO de cálculo, temos que o valor da Venda Líquida de Serviços para o mês de janeiro/2010 seria reduzido para R$ 26.269.733,18 . Ao final do ano a referida conta “Deduções de Vendas de Serviços” alcançou a importância total de R$ 5.626.220,54, valor que corresponde a uma indevida majoração da Base de Cálculo de PIS/COFINS. Segue resumo das diferenças apurados em cada mês do ano de 2010 ... Conforme imagem acima, a autoridade fiscal considera que o contribuinte, para o mês de maio/2010, auferiu uma receita total de R$ 512.657,78. Contudo houve um estorno lançado a débito na ordem de R$ 34.743,05, que não foi deduzido pelo fisco. ... Fl. 5301DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 8 13 O fato de a referida conta apresentar saldo devedor em determinado momento, caracteriza uma redução de receita, o que significa a ocorrência de reversões, cancelamentos ou possíveis erros de escrituração dentro do mesmo período e/ou vinculadas a operações do passado . Assim, podemos concluir que a autoridade fiscal majorou o valor das “Outras Receitas não operacionais”, ao descartar todos os lançamentos a débito realizados pelo contribuinte para o ano de 2010, sem nenhuma justificativa. .. Deixouse, ainda, de abater o PIS DEPOSITADO JUDICIALMENTE, no montante de R$ 948.306,42 em 2010: É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, serem conhecidos. Preliminares Petição apresentada após o recurso voluntário com pedido de sobrestamento do julgamento ou conversão em diligência. A Recorrente Monte Tabor protocolou petição, posterior à apresentação do recurso voluntário, com solicitação para apuração de supostos erros na apuração do valor tributável utilizado para lavratura do Auto de Infração. Este Conselho tem sido flexível em aceitar a apresentação de documentos após a interposição do recurso voluntário, mas, via de regra, tais informações se justificam nas situações em que sua apresentação é impossibilitada por razões diversas. Argumentos jurídicos não podem ser consideradas matérias a serem trazidas após a apresentação dos recursos da primeira instância e posteriores a decisão da DRJ. No caso em tela, a Recorrente em petição anexada em janeiro de 2019, questiona os valores apurados no lançamento, alegando erros grosseiros na apuração dos valores. Em uma primeira análise foi permitido à Recorrente manifestarse nas duas instância de julgamento e se tais erros fossem tão grosseiros como afirma, não foram levantados em nenhum momento de todo o curso do processo administrativo. Analisando detidamente as afirmações da Recorrente, verificase que não se trata de meros erros formais de somatório, mas questões de direito, que envolvem a exclusão de contas contábeis, que segundo a Recorrente não teriam sido corretamente consideradas na Fl. 5302DF CARF MF 14 apuração do valor tributável, mas, ressaltese que os valores apresentados foram feitos pela própria Recorrente, em atendimento a intimação durante os procedimentos de fiscalização. O que a Recorrente pede é que seja revisto os cálculos por ela apresentados e que não foram questionados tanto na impugnação quanto no recurso voluntário. A segunda alegação, que valores registrados em conta de débito deveriam ser considerados para redução da base de cálculo do lançamento. Aqui também não se trata de mero erro de somatório, mas de questão de direito, que levaria a averiguar a origem e natureza das contas, para em sendo necessário, rever a apuração da base de cálculo das contribuições. Por obvio, que tratase de matéria de direito, que envolve questões de mérito a serem analisadas tanto pela autoridade fiscal, caso fosse determinada pela diligência, quanto ao colegiado que deveria se debruçar para identificar a correta apuração da base de cálculo. Estas matérias e alegações trazidas na petição tratase de matéria que deveria ter sido trazida na impugnação e no recurso voluntário e permitisse a manifestação da primeira instância de julgamento e em seguida por este Conselho. Entretanto, a petição apresentada, ao meu sentir, não supre a preclusão da discussão da matéria já configurada na impugnação julgada na primeira instância, pois, não se trata de mero erro formal ou erro de cálculo, mas envolve questões de direito, análise da contabilidade da Recorrente e novos diligências por parte da Autoridade Fiscal e envolveria suprimir instância de julgamento. Assim, considero que matérias referentes a apuração de valores e discussão sobre a apuração de débitos e créditos em contas contábeis seriam matérias de direito que estão preclusas, não podendo ser analisadas por este colegiado, conforme determina o art. 17 do Decreto 70.235/72. "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Quanto a análise se as matérias trazidas na petição seriam de ordem pública e portanto de análise obrigatória por este colegiado. Em recente decisão, a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 9303008.206, prolatado na sessão do dia 21 de fevereiro de 2019, de relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, analisando a definição de ordem pública, decidiu, mesmo para estes casos, a necessidade de levantamento da matéria no recurso voluntário. Também na esfera judicial, a jurisprudência moderna vem decidindo que as matérias, ainda que de ordem pública, para serem apreciadas e analisadas, em Juízo, devem obrigatoriamente serem prequestionadas pelo autor, no respectivo recurso, conforme provam as ementas dos julgados do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF): STJ AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL: AgRg no AREsp 95241 PR 2011/02398298: Fl. 5303DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 9 15 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITOS FISCAIS (ISS) JULGADA PROCEDENTE. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC . DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. NÃO OPOSIÇÃO DO RECURSO INTEGRATIVO CONTRA O ACÓRDÃO A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284 DO STF. PRESCRIÇÃO. INOVAÇÃO RECURSAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS ARTS. 131 E 436 DO CPC . DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. NÃO INCIDÊNCIA DO TRIBUTO, NO CASO CONCRETO, AFIRMADA PELA CORTE DE ORIGEM LASTREADA NA PROVA DOS AUTOS. SÚMULA 7/STJ. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283 DO STF. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (...). 2. Não é possível, em Recurso Especial, analisar questões não debatidas pelo Tribunal de origem, por caracterizar inovação de fundamentos; lembrando que mesmo as chamadas questões de ordem pública, apreciáveis de ofício nas instâncias ordinárias, devem estar prequestionadas, a fim de viabilizar sua análise nesta Instância Especial. Precedentes da Corte Especial: AgRg nos EREsp. 1.253.389/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 02.05.2013 e AgRg nos EAg 1.330.346/RJ, Rel. Min. ELIANA CALMON, DJe 20.02.2013. 6. Agravo Regimental desprovido." Supremo Tribunal Federal STF AG. REG. NO AGRAVO DE INSTRUMENTO: AI 601767 SC A invocação de normas de ordem pública ou social não supera deficiência recursal, como a falta de prequestionamento ou a omissão nas razões recursais (art. 317, § 1º do RISTF), EMENTA: REPERCUSSÃO GERAL. VÍCIOS PROCESSUAIS E FORMAIS QUE IMPEDEM A REGULAR FORMAÇÃO E TRAMITAÇÃO DO RECURSO. PREJUÍZO DO EXAME DAS QUESTÕES DE FUNDO. INVOCAÇÃO DO DEVER DE CONHECIMENTO POR OFÍCIO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA E SOCIAL. NÃO CABIMENTO NO EXAME DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PRETENSÃO DE ANULAR A COBRANÇA DE CONTA DE FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. INCONTÁVEIS ARGUMENTOS. ARGUMENTO PARCIAL RELATIVO AO ICMS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. RAZÕES DE AGRAVO QUE NÃO ATACAM FUNDAMENTO SUFICIENTE DA DECISÃO QUALIFICADA. INÉPCIA. (...). 2. A invocação de normas de ordem pública ou social não supera deficiência recursal, como a falta de prequestionamento ou a omissão do argumento nas razões recursais (art. 317 , § 1º do RISTF ). 3. As razões de agravo regimental não atacam um dos fundamentos suficientes em si para manter a decisão qualificada, Fl. 5304DF CARF MF 16 no sentido de que a relação mantida entre a cooperativa de eletrificação e o município resolviase no plano cível ou no plano administrativo, e não em termos tributários. Insistência na tese tributária da imunidade. Inépcia. Agravo regimental ao qual se nega provimento." Dessa forma, ainda que se considere que o lançamento da multa de oficio constitui matéria de ordem pública, seu julgamento na Câmara Baixa somente poderia ter sido realizado, se tivesse sido expressamente questionada no recurso voluntário. Como essa matéria não foi impugnada, ocorreu a preclusão temporal do direito do contribuinte. Em face do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Por fim, na petição é apresentado pedido de exclusão do lançamento de depósitos judiciais de valores de PIS. A matéria é claramente de direito e foi alegada na impugnação do processo referente ao lançamento de PIS, sendo objeto de deliberação da Delegacia de Julgamento, mais uma vez fica evidente que não tratase de erro formal na apuração dos valores, mas argumentos de defesa trazidos após a apresentação do recurso voluntário. Ofensa a princípios constitucionais, vícios no ato administrativo do lançamento e vícios no ato administrativo do lançamento Inicialmente afasto as alegações de ofensa aos princípios constitucionais, que não são possíveis de apreciação por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Em sede preliminar é alegada a existência de vícios no ato administrativo que não teria atendido aos requisitos de motivação e finalidade e a decisão da Delegacia de Julgamento. Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade autuante à lavratura do auto de infração. As Recorrentes foram cientificadas da exigência fiscal e apresentaram impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância. Irresignadas com o resultado do julgamento da autoridade a quo, foram interpostos recursos voluntários, rebatendo as posições adotadas pela autoridade de primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento Fl. 5305DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 10 17 previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Imprecisão da base legal (discussão sobre o art. 135 do CTN e o 124, I) Em sede preliminar também é feita a alegação que os fundamentos do lançamento não indica se a imputação para solidariedade está sendo aplicada em razão do art. 135 ou 124 do CTN. Ao consultar o Auto de Infração é possível identificar a citação dos dois enquadramentos legais. Tanto o art. 135 é citado no texto especifico, quanto o art. 124 é trazido como fundamento legal. Os fatos que levaram a auditoria fiscal considerar a solidariedade das pessoas físicas e jurídicas estão claramente descritos no Termo de Verificação Fiscal e possibilitou à Recorrente combater os fundamentos para a solidariedade trazidos pela Fiscalização, não existindo nenhum prejuízo a sua defesa. Cerceamento do direito de defesa, ausência de individualização dos atos praticados A Recorrente Laura Ziller alega cerceamento de direito de defesa por não ter sido individualizado os atos praticados que levaram a conclusão da sua solidariedade. Não assiste razão ao recurso, o Termo de Verificação Fiscal descreve exaustivamente, em diversos momentos, as práticas imputadas à Recorrente para configurar a solidariedade. Como pode ser visto, nas fls. 36 e 37 do TVF, que descreve os fundamentos para aplicação da sujeição passiva. Decadência do direito de averiguar fatos ocorridos a mais de 5 anos (levantamento das informações imóveis, etc.) Consta de alegação em sede preliminar a decadência do direito de averiguar fatos ocorrido a mais de 5 anos. Mais uma vez não assiste razão ao recurso. O Instituto da decadência aplicase a exigência tributária, limitando o prazo para exigência dos tributos. No caso em tela, a exigência fiscal somente foi lavrada para fatos geradores do ano de 2010. Os fatos levantados pela Auditoria Fiscal, em períodos anteriores, reforçam o seu fundamento para afastar a isenção das contribuições, aplicação das multas qualificadas e da solidariedade. Entretanto, os fundamentos não se referem unicamente a estes períodos existindo fatos e situações que são mantidas no ano de 2010, que fundamentam as exigências fiscais. Assim, entendo, que não cabe neste caso, falar em aplicação da decadência, visto que, os fatos geradores objeto do lançamento referemse ao ano calendário de 2010 e a ciência do auto de infração do devedores principal e solidários foi realizado no ano de 2014. Ausência de isenção na diligência realizada pelo mesmo auditor que lavrou o auto de infração Fl. 5306DF CARF MF 18 Alegam as Recorrentes a ausência de isenção na diligência, em razão de ser realizada pelo mesmo auditor responsável pelo auto de infração. Em que pese a irresignação dos autuados pela realização da diligência, não existe no ordenamento jurídico impedimento para a realização da diligência pelo mesmo auditor responsável pelo auto de infração. Caso as Recorrente discordem das conclusões do relatório fiscal, o caminho a ser utilizado é a manifestação sobre o resultado da diligência que lhe é franqueado ao final do trabalho da auditoria, que consta de forma expressa da resolução que determinou a realização de diligência e foi plenamente cumprido pela Unidade de Origem, que procedeu a ciência dos interessados, com prazo de 30 (trinta) dias. Portanto, não existe irregularidade na diligência realizada. Falta de intimação durante o trabalho de diligência, e não somente ao final do relatório. A decisão da DRJ, que determinou a realização de diligência com a ciência dos Recorrentes ao final do trabalho fiscal e não durante a auditoria. Entendo não existir nenhuma irregularidade no trabalho, pois, obedeceu a determinação da Delegacia de Julgamento da ciência do relatório de diligência a todos os Recorrentes ao final do trabalho fiscal, sendo franqueado a manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Inexistência de ato declaratório de suspensão da imunidade pelo Delegado. A Recorrente alega que o lançamento fiscal não poderia ocorrer por ausência de ato declaratório emitido pelo Delegado da Receita Federal, com a suspensão da imunidade. Não assiste razão à Recorrente, os artigos 26 e 32 da Lei 12.101/2009 traz a determinação para o lançamento a partir da decisão que indeferir o requerimento para a renovação do certificado. Art. 26. Da decisão que indeferir o requerimento para concessão ou renovação de certificação e da decisão que cancelar a certificação caberá recurso por parte da entidade interessada, assegurados o contraditório, a ampla defesa e a participação da sociedade civil, na forma definida em regulamento, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da publicação da decisão. § 1o O disposto no caput não impede o lançamento de ofício do crédito tributário correspondente § 2o Se o lançamento de ofício a que se refere o § 1o for impugnado no tocante aos requisitos de certificação, a autoridade julgadora da impugnação aguardará o julgamento da decisão que julgar o recurso de que trata o caput. § 3o O sobrestamento do julgamento de que trata o § 2o não impede o trâmite processual de eventual processo administrativo fiscal relativo ao mesmo ou outro lançamento de ofício, efetuado por descumprimento aos requisitos de que trata o art. 29. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 4o Se a decisão final for pela procedência do recurso, o lançamento fundado nos requisitos de certificação, efetuado nos Fl. 5307DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 11 19 termos do § 1o, será objeto de comunicação, pelo ministério certificador, à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o cancelará de ofício. ... Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Com o indeferimento do pedido de renovação do certificado, cabe a Receita Federal realizar o lançamento referente aos tributos que estavam suspensos. Destarte, correto o lançamento realizado pela Autoridade Fiscal. ADIs n° 2.028, 2.036, 2.228 e 2.621 e no RE n° 566.622/RS do STF Conforme consta do relatório, quando da manifestação do resultado da diligência, a Recorrente informou que o STF, nas ADIs n° 2.028, 2.036, 2.228 e 2.621 e no RE n° 566.622/RS declarou que os requisitos para a concessão do certificado só podem ser veiculados por lei complementar, invalidando de forma específica aquele invocado pelo Ministério da Saúde para o indeferimento do pedido do Monte Tabor: mínimo de 60% de atendimentos ao SUS (Lei n° 8.212/91, art. 55, §5°) Em que pese a decisão do STF, este colegiado não pode analisar questões constitucionais e mesmo existindo a discussão sobre a aplicação dos requisitos da Lei nº 8.212/91, o fato, até o momento, é que a Recorrente não possuía o CEBAS válido para o ano de 2010 e sob esta perspectiva será conduzido este voto. O impacto das decisões sobre constitucionalidade do indeferimento do CEBAS pelo Ministério da Saúde devem ser apreciadas no âmbito daquele ministério. Inaplicabilidade dos artigos utilizados para caracterização de solidariedade. As alegações referentes a inaplicabilidade de artigos do CTN para caracterizar a solidariedade é matéria que se confunde com o mérito e será analisada da Fl. 5308DF CARF MF 20 perspectiva de verificar se os fatos consignados no TVF comprovam a responsabilidade solidária das Recorrentes. Isenção da COFINS sobre entidades de assistência social A tributação sobre as entidades de assistência social sem fins lucrativos, apresenta tratamento próprio previsto na Legislação, existindo a previsão para imunidade e isenção, desde que sejam atendidos exigências prevista em Lei. No caso em tela, tratase de hospital que presta serviços médicos e não recolheu impostos e as contribuições para o PIS e a COFINS, utilizando os benefícios previstos para as entidades de assistência social. A imunidade para os impostos incidentes sobre as rendas, patrimônio e serviços relacionados aos fins institucionais das entidades de assistência social, estão previstos no art. 150 da Constituição Federal. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... VI instituir impostos sobre: ... c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Quanto as Contribuições para o PIS e a COFINS, o art. 195 da Constituição Federal, traz o preceito constitucional da isenção para as entidades beneficentes de assistência social. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: ... § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.(griffo nosso) Os critérios para fruição da isenção prevista no art. 195 estão previstas na Lei 12.101/2009. Art. 1º A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social Fl. 5309DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 12 21 serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. Parágrafo único. (VETADO) Art. 2º As entidades de que trata o art. 1o deverão obedecer ao princípio da universalidade do atendimento, sendo vedado dirigir suas atividades exclusivamente a seus associados ou a categoria profissional. ... Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam, seus dirigentes estatutários, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. § 1o A exigência a que se refere o inciso I do caput não impede: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I a remuneração aos diretores não estatutários que tenham vínculo empregatício; (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) Fl. 5310DF CARF MF 22 II a remuneração aos dirigentes estatutários, desde que recebam remuneração inferior, em seu valor bruto, a 70% (setenta por cento) do limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo federal. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 2o A remuneração dos dirigentes estatutários referidos no inciso II do § 1o deverá obedecer às seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I nenhum dirigente remunerado poderá ser cônjuge ou parente até 3o (terceiro) grau, inclusive afim, de instituidores, sócios, diretores, conselheiros, benfeitores ou equivalentes da instituição de que trata o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II o total pago a título de remuneração para dirigentes, pelo exercício das atribuições estatutárias, deve ser inferior a 5 (cinco) vezes o valor correspondente ao limite individual estabelecido neste parágrafo. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o não impede a remuneração da pessoa do dirigente estatutário ou diretor que, cumulativamente, tenha vínculo estatutário e empregatício, exceto se houver incompatibilidade de jornadas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) A teor do fatos descritos no relatório, a Recorrente pleiteou a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS para o ano de 2010, que foi indeferida pelo Ministério da Saúde, o TVF descreveu o histórico da solicitação de renovação e o indeferimento. Com relação ao Certificado de entidade Beneficente de Assistência Social, CEBAS, o contribuinte obteve a sua renovação do período de validade de 30/06/2006 a 29/06/2009 referente ao processo nº 71010.001116/200699, através da Resolução nº 3, de 23 de janeiro de 2009, publicada no DOU de 26.01.2009 (anexo 07). Obteve também a renovação do período de validade de 05/05/2000 a 04/05/2003, referente ao processo nº 44006.000953/200058. No entanto, através da Resolução nº 7, de 03 de fevereiro de 2009, publicada no DOU de 04.02.2009 (anexo 07), houve o indeferimento da renovação da certificação do período de 2009 a 2012. O indeferimento do pedido de renovação do CEBAS na área de saúde pelo Ministério da Saúde, se deu através da Portaria nº 872, de 22 de agosto de 2012, DOU nº 165, de 24.08.2012 (anexo 11). O contribuinte interpôs recurso contra esta decisão e obteve efeito suspensivo, conforme Portaria nº 1.256, de 08 de novembro de 2012, DOU nº 217, de 09.11.2012 (anexo 07). Encaminhado ofício à Secretaria de atenção à saúde através do Ofício N.20/2014/SEFIS/DRFSDR, cientificado em 30/03/2014, posteriormente reiterado através do Ofício 27/2014/SEFIS/DRF SDR, cópias no ANEXO 01, solicitando informação quanto à vigência da Portaria N. 1256/2012, que atribuiu o efeito suspensivo ao indeferimento da renovação do CEBAS e Fl. 5311DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 13 23 solicitada Cópia do Parecer Técnico de indeferimento do Certificado de entidade Beneficente de assistência Social, CEBAS, o qual demonstra, de forma inequívoca, a falta de atendimento aos requisitos legais para o gozo da isenção das contribuições, objeto de lançamento na ação fiscal aqui descrita. Os requisitos elencados na seção I da Lei 12.101/2009, art. 4o a 11, necessários à obtenção da certificação para as entidades que atuam na área de saúde, não foram observados, justificando o indeferimento do pedido do certificado CEBAS. O Parecer Técnico N.279/2012CGCER/DCEBAS/SAS/MS, (anexo 7.1), demonstra, de forma clara, o descumprimento aos requisitos legais para a obtenção do CEBAS. Análise esta que, de acordo com o art.21I da Lei 12.101/2009, compete ao Ministério da saúde: A Receita Federal em procedimento de auditoria fiscal, decidiu por suspender a imunidade da Recorrente, tendo em vista, o indeferimento do CEBAS e o descumprimento de requisitos legais para fruição da isenção. A decisão da receita consta do Processo Administrativo 10580.7261372014 71, que foi objeto de impugnação e recurso voluntário e foi apreciado neste Conselho no Acórdão 1301.003.754 pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, na sessão do dia 19/03/2019, sendo mantida a suspensão da imunidade da Recorrente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 ACÓRDÃO DA DRJ. EXAME DOS PONTOS ESSENCIAIS. NULIDADE. A decisão não está obrigada a abordar todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivos suficientes para decidir, sendo dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI. SUSPENSÃO. CABIMENTO. Tratandose de imunidade cujo gozo dependa da observância de requisitos estabelecidos em lei, o descumprimento de qualquer um deles implica o afastamento da imunidade, no respectivo período. ENTIDADE IMUNE. CONTRATAÇÃO DE EMPRESA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PERTENCENTE A DIRETOR. IDENTIDADE DE FUNÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. CARACTERIZAÇÃO. A contratação, por entidade imune, de empresa de prestação de serviço pertencente a diretor da mesma entidade imune caracteriza remuneração indireta, quando a atividade exercida pelo dirigente se confunde com o serviço prestado pela empresa, que não tem empregados, nem estrutura física, e quando a remuneração se dá em patamares elevados. Fl. 5312DF CARF MF 24 A decisão da Primeira Turma deixou claro os fundamentos para a manutenção da suspensão da imunidade. O CEBAS é requisito essencial para o gozo da imunidade do art. 195, § 7º, da Constituição Federal. Porém a concessão desse certificado não cabe à Receita Federal. No caso dos autos, a competência é do Ministério da Saúde. Portanto, não compete ao CARF fazer qualquer juízo de valor acerca da decisão que conceder ou denegar o CEBAS. Se a suspensão da imunidade estivesse na dependência exclusivamente do CEBAS, o julgamento haveria de ser sobrestado, até decisão definitiva do Ministério da Saúde. Entretanto, não é o que se verifica no caso em exame. Aqui foram várias as circunstâncias que serviram de fundamento autônomo à suspensão da imunidade em 2010. Assim, basta que se reconheça a presença de um, dentre os diversos fundamentos, para que se confirme a suspensão, negando provimento ao recurso. ... Remuneração de dirigentes No que tange à remuneração de dirigentes, há situações limítrofes, que se encontram na fronteira entre o que é ou não permitido a uma entidade imune. Não há dúvida de que é lícito pagar, pelas aulas dadas, ao professor, que é também o diretor da escola, instituição de educação sem fins lucrativos, que goza de imunidade tributária. Por outro lado, a pergunta que se impõe é saber se é lícito contratar serviços de consultoria ou assessoria de empresas pertencentes a diretores da entidade imune (pagando valores acima dos de mercado), por serviços que deveriam ser prestados pelo diretor pessoalmente. Antes de examinar o problema, é importante delimitar, no tempo, os fatos relevantes, que merecem atenção. O processo cuida de suspensão de imunidade no ano de 2010. Logo, são irrelevantes, em princípio, os fatos ocorridos antes desse período. Em relação à controvérsia, diz a recorrente: O Sr. EDUARDO JORGE MARINHO DE QUEIROZ JÚNIOR era sócio da empresa TODAY CONSULTORIA DE NEGÓCIOS, contratada em 01/08/2003 pelo Recorrente para realizar o diagnóstico econômico financeiro da instituição (doc. n° 27 da impugnação, fls. 4.081/4.085). Somente em 11/2008, o Recorrente optou por contratar o SR. EDUARDO como Diretor Administrativo e Financeiro, quando este passou a exercer funções de macrogestão da instituição, sem confundirse com os trabalhos de consultor na TODAY. O fato de terem sido renegociados para baixo os honorários pagos à TODAY, a partir da nomeação do SR. EDUARDO à diretoria do Fl. 5313DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 14 25 Recorrente, afasta qualquer pecha simulatória que poderia pairar sobre os fatos. (fl. 4.612) A propósito do serviços prestados pela Today Consultoria de Negócios, vale reproduzir a informação que consta do Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 2.837 a 2.876): No Anexo 29, extrato de informações constantes nas Declarações de Imposto de Renda Retidas na Fonte, DIRF, correspondente a serviços prestados pela Today, TCN, cópia no anexo 29, indicam, apenas no ano de 2010, rendimentos tributáveis auferidos decorrentes de serviços contratados pelo HSR que atingem o total de R$ 906.463,02 (novecentos e seis mil, quatrocentos e sessenta e três reais e dois centavos). Valor bastante elevado para o contrato com uma empresa que não apresenta nenhum funcionário registrado no período. (fls. 2.855) A contratação da empresa de consultoria, claro está, se fez com o propósito de remunerar um dos diretores da recorrente. Consta ainda do recurso: No caso do Sr. SIGEVALDO SANTANA DE JESUS, tratase antigo funcionário do Recorrente que exercera cargos de controladoria e RH e que, em 05/2011, assumiu a Diretoria de Controle e Expansão. Ocorre que aludido Senhor foi sócio da empresa ACERVO AUDITORIA E CONSULTORIA, contratada desde 2005 (doc. n° 34 da impugnação, fls. 4.136/4.139) para prestação de serviços de consultoria contábil ao Recorrente, em época, portanto, muito anterior à sua chegada à diretoria. Isto é, o Sr. SIGEVALDO não se valeu da condição de diretor para determinar a contratação da empresa de que era sócio. Sem falar que os serviços da ACERVO (aperfeiçoamento e melhoria de processos contábeis, revisão de classificações e graus de insalubridade de colaboradores etc.) não equivaliam às atividades do Sr. SIGEVALDO como empregado (até 2011) ou como Diretor (após essa data). (fl. 4.612). Sobre os serviços prestados pela Acervo Consultoria e Auditoria, manifestouse a autoridade fiscal no TVF: Foram identificados ainda, em 2009 e 2010, pagamentos à empresa Acervo Auditoria e Consultoria Emp. S/S Ltda, inscrita no CNPJ n° 07.666.348/000161, cujo sócio era o sr. Sigevaldo Santana de Jesus, até 18.05.2011 (anexo 27). Esta empresa faturou junto ao contribuinte entre 2009 e 2010 R$ 115.650,00 conforme contrato e notas fiscais apresentadas (anexo 30). Os serviços prestados objeto do referido contrato são os mesmos que o sócio da empresa desempenha como empregado do Fl. 5314DF CARF MF 26 contribuinte. Em pesquisa ao sistema GFIP WEB, nos anos de 2009 e 2010, encontrase a situação "GFIP SEM MOVIMENTO" desde 05/2009, portanto sem qualquer empregado. (fl. 2.856) Diante desse quadro, o mais relevante é o fato de que a empresa de consultoria não tinha empregados, porque isso revela que os serviços eram prestados pessoalmente, em caráter intuitu personae, por Sigevaldo Santana de Jesus, de tal modo que a contratação da empresa de consultoria era uma forma mascarada de remunerar dirigente e também uma forma de distribuição de renda da entidade imune. Em suma, tais fatos, por si, bastam para dar suporte ao ato de suspensão de imunidade, tanto a relativa a impostos, quanto a relativa às contribuições de seguridade social. Aqui não cabe a discussão quanto os motivos para o indeferimento da renovação do CEBAS, cuja competência é do Ministério da Saúde, cabendo aquele órgão o controle e análise dos pedidos. Sendo assim, independente dos argumentos apresentados pela Recorrente, é fato que não possuía o certificado no período de exigência do presente lançamento. Quanto a decisão da Primeira Turma que tratou unicamente da suspensão da imunidade. O posição majoritária da turma foi em afastar os fatos referentes as operações com imóveis e acusações de repasses a administradores por não estarem compreendidos no ano de 2010, período referente ao lançamento. Quanto as operações com as empresas Contratos com a DELFIN e o CENTRO DE HEMATOLOGIA, a turma também por decisão majoritária decidiu que as operações com estas empresas atendeu a critérios técnicos e não configuraria justificativa para a suspensão da imunidade. Diante destes fatos, e a partir da decisão do Acórdão 1301.003.754, entendo como acertado a exigência do PIS e da COFINS, referente as receitas obtidas pela Recorrente com as suas atividades. Ressaltese que apesar de posicionamento da turma em afastar as operações de imóveis e repasses a administradores que ocorreram em períodos distintos de 2010. O presente voto vai tratar destes assuntos, por entender que os fatos devem ser analisados dentro do conjunto probatório e em razão dos fatos repercutirem no ano de 2010, pois, os levantamentos quanto as operações de alienação de imóveis e o aluguel ao Monte Tabor permanecem para o ano de 2010 e a situação das Recorrentes Liliana Ronzoni e Laura Ziller residirem no imóvel revendido pela Monte Tabor, reforça a importância de analisar todo o histórico para entender a situação existente no ano de 2010 e a qualificação da multa e responsabilidade solidária. Multa qualificada A autoridade fiscal, além de exigir as contribuições, aplicou a multa qualificada no percentual de 150%, por entender, que existiu a prática de dolo por parte dos administradores, que montaram um grupo econômico com a intenção de distribuir irregularmente lucros e beneficiar diretores e de forma ilegal manter a isenção dos tributos. Fl. 5315DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 15 27 No Termo de Verificação Fiscal são trazidos diversas fatos para corroborar a posição da autoridade lançadora. O primeiro que salta aos olhos são as operações realizadas entre a Centro Monte Tabor e a Fondazione Centro S. Raffaele Del Monte Tabor, com sede na Italia. O Centro Monte Tabor Hospital São Rafael foi fundado pela Fondazione Centro S. Raffaele Del Monte Tabor e pela Associazione Monte Tabor. Em 2003 os imóveis pertencentes ao Centro Monte Tabor foram alienadas à Fondazione Centro S. Raffaele Del Monte Tabor. que em seguida alugou estes imóveis para o Monte Tabor, o histórico destas operações foram detalhados no Termo de Verificação Fiscal. No ano de 2003 o Contribuinte alienou formalmente o seu complexo hospitalar principal para a sua entidade fundadora Fondazione Centro S. Raffaele Del Monte Tabor, empresa sediada na Itália, cujos dados cadastrais e Estatutos encontram se no Anexo 34. Em seguida efetuou um contrato de locação do mesmo imóvel. No anexo 33, cópia das escrituras e das certidões dos imóveis alienados pelo HSR para a Fondazione, no Anexo 33E, cópia do contrato de locação dos imóveis da Fondazione para o HSR. No contrato de locação há cláusula prevendo a indenização das benfeitorias úteis e necessárias, mas não foram identificados na contabilidade lançamentos que comprovem tais indenizações/compensações, apesar da empresa informar a conta do ativo não circulante “1.2.04.03.0002 – Créditos a compensar”, até 31.12.2010 não havia qualquer lançamento nesta conta. O Contribuinte foi intimado, no curso da ação fiscal MPF 05.1.01.002013002053, a informar os beneficiários destas melhorias e apresentou demonstrativo (anexo 32), que comprova que a quase totalidade das benfeitorias foram realizadas no imóvel da Fondazione. Percebese que após a alienação o HSR realizou uma série de benfeitorias no imóvel que formalmente já não mais lhe pertencia, construindo inclusive novo prédio e inúmeras ampliações. De acordo com uma relação de bens fornecidas pelo Contribuinte o custo total da construção do novo prédio foi de R$ 21.896.258,70, quase o mesmo valor que este teria recebido no ano de 2003, do adquirente pela alienação de todo o complexo de terrenos e edificações. Além destes vultosos valores aplicados em “imóveis de terceiros”, verificase, conforme demonstrativo consolidado, cópia anexo 42, firmado pela preposta do HSR, autorizada a atender a fiscalização, Sra. Mariluce Leão, expressivos valores aplicados em outro imóvel que também teria sido vendido pelo HSR para a Fondazione. O demonstrativo, denominado: “Reforma da Fazenda OASIS, demonstrase os valores aplicados pelo HSR no imóvel denominado “Fazenda OASIS”, entre os anos de 2004 e 2008 um valor de R$7.017.901,00 (sete milhões, dezessete mil, novecentos e um reais). No anexo 33C estão apresentados valores contabilizados como “Adiantamento p/ reforma propriedade terceiros”, conta 1.1.03.02.0005. No qual estão registrados parte do que foi gasto pelo HSR com a reforma do imóvel Fazenda OASIS. Fl. 5316DF CARF MF 28 ... Diversos outros lançamentos, também em conta do ativo, encontramse registrados na conta: 1.1.03.02.0006, denominada “adiantamento p/ despesas c/ propriedade terceiros”, anexo 33 B. Despesas das mais diversas, desde rações para cães ao pagamento de débitos de IPTU. Valores amortizados parcialmente com a compensação do expressivo valor de R$2.735.024,63 (dois milhões setecentos e trinta e cinco mil, vinte e quatro reais e sessenta e três centavos) de empréstimos, descritos no item 5.2 abaixo, registrado como tomado pelo HSR junto à Fondazione. Em 2007, foi criado a empresa OASIS Administração LTDA, de propriedade da Fondazione e Roberto Lino Cusin, cidadão italiano. Os bens imóveis que encontravamse alugados a Centro Monte Tabor passaram a ser administrados pela OASIS, que possui como representante na Receita Federal a Sra Liliane Ronzoni, que também responde pela Fondazione Centro S. Raffaele Del Monte Tabor, sendo também diretora do Centro Monte Tabor Hospital São Rafael. O TVF segue descrevendo o histórico das operações realizadas. Tomando como base o histórico fornecido pelo próprio HSR, ANEXO 33, fazse necessário situar no tempo alguns fatos: 1) Em 30/09/2003 o Monte Tabor, neste Termo denominado HSR, vende à Fondazione Centro San Rafaelle del Monte Tabor, CNPJ 05.842.123/000193, dados cadastrais RFB, ANEXO 34, terreno de 167.252 m2 com as suas edificações. Cópias das escrituras, ANEXO 33. A Fondazione, cadastrada como Fundação ou associação domiciliada no exterior, tem como domicílio a Itália e como responsável perante a RFB, a Diretora do HSR, já identificada no item 1.2 acima, Liliana Ronzoni, CPF 398.802.90500; 2) Em 01/04/2004, foi firmado contrato de locação da estrutura ocupada pelo HSR, incluindo igreja e o CRH, tendo como locador a Fondazione e locatário o HSR, ANEXO 33; 3) Em 03/12/2007 foi constituída a empresa OASIS Administração LTDA, CNPJ 09.238.244/000181, dados cadastrais, anexo 35, pertencente, conforme contrato social, ANEXO 35, 90% à Fondazione e 10% a Roberto Lino Cusin, CPF 743.349.80104, tendo como objeto social a atividade de prestação de serviços de administração de bens móveis, semoventes e ou imóveis; 4) Desmembramento do terreno, gerando várias novas matrículas, ANEXO 33. A representante da Fondazione, Sra Liliane Ronzoni, cujos dados existentes no cadastro da RFB encontramse no anexo 34, que também responde pela OASIS e é Diretora do HSR, regularmente intimada, através dos Temos de Diligência, 01, 02 e 03, Anexo 36, apresentou como resposta ao Termo de Diligência 01, evasivas, informando não dispor de nenhum dos elementos que foram objeto da intimação, apesar de tratarse de unidade no Brasil da Fondazione, alegando que, por Fl. 5317DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 16 29 tratarse de entidade no exterior, não estaria obrigada a apresentálos e que não dispõe de qualquer informação, deixou de responder a todos os itens objeto da intimação, exceto a indicação da responsável pelo atendimento à fiscalização, designando a Sra. Simone Conceição Freitas. Afirmou de maneira reiterada, conforme resposta ao Termo de Diligência 02, datada de 04/06/2014, em resposta aos diversos questionamentos, “Conforme já informado, não temos acesso aos documentos da empresa Fondazione para que seja possível atender a esta solicitação”. Conforme constado relatório fiscal, foram realizadas diversas intimações para apresentação dos documentos referentes ao contrato de aluguel e os pagamentos vinculados, que não foram respondidos pelas Recorrentes. Da mesma forma que o realizado em relação aos valores registrados como tendo sido transferidos à Fondazione a título de alienação dos imóveis, também em relação aos expressivos valores registrados como sendo decorrentes de um contrato de mútuo firmado entre o HSR e a Fondazione, também foram objeto de sucessivas intimações, também respondidas de forma incompleta, nas quais se exigiu: “Apresentar comprovação, com registro, conforme regulado pelo Banco Central do Brasil, do efetivo ingresso no sistema financeiro nacional, dos valores correspondentes aos valores registrados como empréstimos tomados junto à Fondazione Centro San Raffaele Del Monte Tabor, CNPJ05.842.123/000193, planilha indicando cada um dos ingressos de valores no âmbito dos aludidos contratos e cópiados contratos de mútuo firmados com vigência desde a constituição até 31/12/2010”, exigindose ainda a informação quanto à realização de eventuais amortizações e remessa de valores ao exterior, apresentando os elementos de prova correspondente. ... O HSR apresentou cópia de contrato de mútuo firmado com a fondazione em 29/05/1995, anexo 45, contrato este que seria vigente por 60 meses, findando portanto em maio de 2000. O demonstrativo apresentado, anexo 47, indica os valores que teriam sido captados, segmentados sob a denominação de “empréstimo I”, “empréstimo II”, “empréstimo III”, empréstimo IV” e “empréstimo V”, cujos demonstrativos apresentados encontramse nos anexos 48 A, B, C e D. Em relação ao denominado “empréstimo I”, anexo 48A, que totalizam US$5.000.000,00 (cinco milhões de dólares), não foram apresentados comprovantes bancários em relação ao valor emprestado. Já quanto às amortizações, realizadas até 2000, foi apresentado, através de correspondência recebida em 11/09/2014, uma parte das alegadas amortizações. Conta ainda Fl. 5318DF CARF MF 30 indicação de compensação em 2013, conforme planilha anexo 47. Merece destaque o disposto no documento emitido pelo banco Central do Brasil, intitulado “Certificado de Registro”, apresentado como elemento de prova, através do qual, no item 10, correspondente à observação 4, que o certificado foi emitido com base em declarações apresentadas por credor e devedor, sujeito a ulterior verificação. Em relação ao denominado “empréstimo II”, o único registro que existe da origem deste empréstimo no valor de US$ 6.072.118,45 (seis milhões, setenta e dois mil, cento e dezoito reais e quarenta e cinco centavos), é um registro em idioma espanhol de uma transferência deste valor de uma unidade do Banco UNIBANCO nas Ilhas Cayman para o Uruguai, à época, as Ilhas Cayman, assim como o Uruguai eram considerados como “Paraíso Fiscal”, tanto pela reduzida tributação imposta como pela falta de transparência nas transações financeiras. Foram apresentados também alguns registros contábeis e extratos contendo parte das amortizações indicadas, sem especificar o destino. De qualquer maneira, há evidências de vultosas transferências bancárias realizadas até 2001, sem a comprovação do ingresso correspondente. Em 2008 e posteriormente em 2013, foram compensados saldos destes empréstimos como especificados na planilha anexo 47, com a construção do laboratório de Biotecnologia e Terapia Celular, autorizado com base em documento datado de 31/10/2008, anexo 48B. Em 2013, foram compensados gastos do HSR com Impostos e benfeitorias. Também em relação ao empréstimo III, (anexo 48C) e empréstimos IV e V (anexo 48 D), não foram apresentados extratos bancários ou a efetiva comprovação do efetivo ingresso dos recursos no sistema financeiro nacional. Comprovandose parte das saídas dos recursos a título de amortização, sem comprovar o destino destes valores. Há um registro de amortização em 2011, correspondente aos empréstimos IV e V, para a qual não foi apresentada comprovação. Também foram apresentados alguns registros contábeis, sem apresentação de registros em extratos bancários correspondentes. Assim, não restou nos autos nenhuma documentação que trate de aluguel destes imóveis, entretanto, foi apurado pela Fiscalização que a Monte Tabor despendeu na manutenção deste imóveis, que a priori, não lhe pertence, o montante de R$ 7.017.901,00 (sete milhões, dezessete mil, novecentos e um reais), no período de 2004 a 2008, conforme detalhado no TVF. Apesar de figurarem como encarregados administrativos, de acordo com a declaração de Liliana Ronzone, no mencionado Termo de Declaração datado de 18/06/2014, informando, na Fl. 5319DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 17 31 qualidade de administradora da OASIS, função em relação à qual, segundo a depoente, é auxiliada por Laura Ziller, todos os funcionários da OASIS trabalham na Fazenda OASIS, limpeza das casas e cuidando da manutenção do patrimônio. A OASIS, Pessoa Jurídica de Direito Privado, com fins lucrativos, tem como sócios a Fondazione, detentora de 90% das cotas, e o Sr. Roberto Lino Cusin, cidadão italiano, CPF 743.349.80104, que detem 10% do capital social. A administração da sociedade, conforme previsto na cláusula 10, pela Sra. Liliana Ronzoni, que poderá exercer a administração de forma ampla, tendo como limite apenas a realização de negócios estranhos ao objeto da sociedade ou a alienação de bens do ativo permanente, atos para os quais dependerá da anuência dos demais sócios, no caso, da anuência de Roberto Cusin, já que é a representante da Fondazione no Brasil, com ampla procuração para representála. Em relação a Roberto Cusin, como já descrito no item 4.2.3 acima, sucedeu o exDiretor do HSR na empresa VDS Export, Andrea Garziera, demonstrando vínculo entre ambos. A OASIS, na resposta ao Termo de Diligência 02 destaca ainda que: “Não existe instrumento de procuração conferido a pessoa física bem como a pessoa jurídica. Conforme cláusula 10 do contrato social da empresa, a Administradora é Dra. Liliana Ronzoni”. Do já descrito, verificase que a Sra. Liliana Ronzoni, atua como administradora da OASIS, da Fondazione e também do Monte Tabor, HSR, do qual exerce a função de Diretora Médica. A OASIS, quando arguída quanto á destinação dos imóveis denominados: “casa sede” e “Fazenda OASIS”, imóveis estes de propriedade da Fondazione, locados ao HSR e administrados pela OASIS, afirma, em relação à Fazenda OASIS que: “(...) é um imóvel que fica sob os cuidados de funcionários visando sua manutenção e conservação, além de cuidarem das plantações ali existentes”. Já em relação ao imóvel denominado “casa sede”, afirma ser “(...) utilizada para moradia e hospedagens de pessoas autorizadas pela Fondazione, atividades sócioculturais e realização de eventos na área de saúde”. Em relação a este imóvel, o HSR aplicou, como já descrito no item 4.2.4, “benfeitorias em Imóveis de Terceiros”, no imóvel denominado “Fazenda OASIS”, totalizando no período compreendido entre os anos de 2004 e 2008 um valor de R$7.017.901,00 (sete milhões, dezesete mil, novecentos e um reais), com itens como: mobiliário e luminária, enxoval de cama, mesa, banho e acessórios; eletrodomésticos e utensílios; materiais de jardinagem e mudanças e carretos, conforme demonstrativo, anexo 42, o que demonstra, considerando a falta de qualquer destinação do referido imóvel à atividade fim do HSR, que é seu “locador”, demonstrando mais um desvio de finalidade na aplicação dos seus recursos. Tais valores teriam sido compensados com os valores contabilizados como Fl. 5320DF CARF MF 32 empréstimos tomados junto à Fondazione, conforme informado na resposta fornecida pelo HSR ao item 9 do Termo de Fiscalização 04, Anexo 1. Empréstimos estes, conforme descrito no item 5.2 abaixo, cujas transferências não foram adequadamente comprovadas. A Presidente do HSR, Laura Ziller, CPF 124. 251.41553, reside, conforme extrato de pesquisa, Anexo 2, no imóvel denominado casa sede, imóvel pertencente à Fondazzione, alugado ao HSR e administrado pela OASIS. Local onde também reside a Sra. Liliana Ronzoni, conforme extrato de pesquisa do cadastro RFB, anexo 34, cujo endereço está também indicado no instrumento de procuração conferido pela Fondazione, anexo 35. Conforme apresentado em resposta ao item 5 do Termo de Fiscalização 03, ANEXO 1, assina como representante da Fondazione, dando quitação ao demonstrativo de pagamento de Despesas de manutenção e ampliação de instalações da Fazenda OASIS e de Manutenção da casa sede da OASIS em Salvador/Ba, na qualidade de representante da Fondazione, o então Vice Presidente do HSR, Mário Cal, reforçando a demonstração de enorme confusão patrimonial entre as três instituições, Fondazione, OASIS e HSR. Cópia do passaporte de Mario Cal, ANEXO 3. Uma parcela dos valores registrados como aluguel do HSR para a Fondazione, era transferida mensalmente do HSR diretamente para a OASIS, demonstrativos no Anexo 33A. Conforme documento apresentado no curso da ação fiscal, “Demonstrativo de Compensação Faturas OASIS X Fondazione”, juntamente com os demonstrativos dos repasses e das Notas Fiscais emitidas, anexo 38,demonstram que foi repassado á OASIS um valor (R$613.000,00) que excede ao montante das Notas Fiscais emitidas (R$456.693,92). Ressaltese que só há Notas Fiscais correspondentes ao período janeiro de 2010 a junho de 2010, sendo todas elas emitidas a partir de 04/08/2010. As notas relativas ao período julho a dezembro de 2010 foram emitidas em 2011, conforme indicado na resposta ao Termo de Diligência 04, anexo 38, entregue em 27/06/2014. Ressaltando que, regularmente intimado, item 01 do Termo de Fiscalização 01, reintimado através do item 4 do Termo de Fiscalização 03, e item 10 do Termo de Fiscalização 04, Anexo 1, a apresentar: “Instrumento que autoriza o pagamento dos valores devidos à Fondazione Centro S. Raffaele Del Monte Tabor, à empresa OASIS administração LTDA, CNPJ 09.238.244/00181 no ano de 2010”, respondeu, através da resposta ao Termo de Fiscalização 04, fornecida em 25/04/2014, termos e respostas no anexo 1 que: “Não existe outro termo de autorização pois os procedimentos se mantiveram da forma inicial, sem haver nenhum desacordo ou manifestação em contrário da outra parte visto existir a necessidade da manutenção dos imóveis de propriedade da Fondazione. Sendo assim, o termo existente continuou prevalecendo. Lembrando que a autorização para compensação Fl. 5321DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 18 33 das benfeitorias e IPTU está no contrato de aluguel dos imóveis e não há exigência de autorização”. ... Diante do exposto, fica evidente que as transferências realizadas pelo HSR para a OASIS no ano de 2010 não possuem qualquer respaldo jurídico que as justifiquem, sendo realizadas por “acordo informal”, demonstrando o total descaso com os recursos do HSR, que beneficiase ao longo de anos de uma autoatribuída imunidade/isenção. A OASIS, que teria sido contratada pela Fondazione, “informalmente”, já que sem contrato vigente, para administrar os seus imóveis, recebe os valores correspondentes à locação dos imóveis “casa sede” e “fazenda OASIS”, utilizando estes recursos para a manutenção não só do patrimônio como também dos próprios Diretores do HSR, tais como alimentação, telefones, energia elétrica, mobiliário, etc, como evidenciado nas já mencionadas despesas com a manutenção e ampliação da Fazenda OASIS, como já descrito acima, anexo 42, reforçado pelos balanços patrimoniais da OASIS, anexo 43. Ainda que se admita a possibilidade de realização de gastos para manutenção do imóvel “locado”, eventuais despesas deveriam ser realizadas diretamente pelo locador. A transferência de recursos a este título para empresa que não possui qualquer instrumento contratual que a ligue ao HSR demonstra mais um exemplo de desvio de finalidade e transferência de recursos desta instituição que se autodenomina Imune/Isenta. ... Conforme já informado no item 4.2.3 que trata da transferência de recursos aos Diretores do HSR, além da farta distribuição de recursos aos Diretores não estatutários, também os seus Diretores Estatutários foram amplamente beneficiados através da distribuição de recursos do HSR. Como demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, através de um “planejamento tributário” abusivo, o HSR simula o pagamento de aluguéis à Fondazione e transfere parte destes recursos para a empresa OASIS, administradora dos bens da Fondazione, recursos estes totalmente destinados à manutenção dos imóveis “Casa Sede” e “Fazenda OASIS”, imóveis destinados à residência e utilização dos diretores estatutários do HSR. Na resposta da OASIS ao item 1 do Termo de Diligência 03, apresentada em 06/06/2014, afirma que: “Dessa forma, os valores cobrados à Fondazione são aqueles incorridos nos serviços de manutenção e de outros gastos com os imóveis de sua propriedade. Gastos estes, por natureza variáveis”. Afirma ainda, através do mesmo documento de resposta, quanto ao item 4, afirma ser a casa sede, domicílio de forma permanente, entre outros, da Presidente do HSR, Laura Ziller e da Sra. Liliana Ronzoni, entre outros membros associados da “Associazione Fl. 5322DF CARF MF 34 Sigilli”. Afirma ainda que as despesas de manutenção, energia, água e vigilância são custeadas pela OASIS Administração. Atribuindo tal situação ao fato de esta ser a sede da Fondazione e também da OASIS. Apesar de, após reiteradas intimações, afirmar não haver sequer contato com prepostos da Fondazione. Causa espanto também o fato de que as transferências do HSR para a OASIS excedam o valor das Notas Fiscais, anexo 38, emitidas pela suposta administração de imóveis de terceiros, além do fato, já relatado de que os pagamentos não apresentem qualquer vinculação com estas Notas Fiscais. Merece destaque também a afirmação, neste mesmo instrumento de resposta, em resposta à intimação para apresentar, caso tenha havido, comprovação de qualquer transferência de valores para a Fondazione, correspondentes aos valores de locação dos imóveis administrados, que: “Não houve até o momento qualquer remessa para a Fondazione”. Diante do exposto, fica evidente que a venda dos imóveis do HSR para a Fondazione, com posterior pagamento de aluguéis mensais, valores estes nunca recebidos pelo locador, consistiu em realidade em um planejamento tributário abusivo, contando com a intermediação de empresa criada com este único objetivo, qual seja, o de receber os valores correspondentes a esta locação, aplicando estes valores na manutenção dos Diretores da denominada “Associazione Sigilli”, entre os quais encontramse Diretores Estatutários do HSR. Tal planejamento tributário abusivo, caracteriza uma fraude evidente com o intuito de burlar a legislação tributária que veda, para entidades imunes, a remuneração de seus Diretores. Já que, desta forma, as suas despesas passaram a ser custeadas através do HSR, utilizando as supostas transferências de recursos para a Fondazione, utilizando a OASIS como veículo desta operação. É de se estranhar os volumes despendidos pelo Monte Tabor com imóveis que não lhe pertencem e são administrados pela OASIS, que conforme consta dos autos possui participação da Fundazione e de um cidadão estrangeiro. E conforme relatado no TVF, a OASIS utiliza valores repassados pela Monte Tabor para manter um imóvel denominado Fazenda e Casa Sede, ambos alugados para o Monte Tabor e onde reside de forma permanente as Diretoras da Monte Tabor Laura Ziller e Liliana Ronzoni. Outro fato que demonstra a vinculação e a confusão patrimonial da Recorrente, Fundazione e OASIS é um empréstimo obtido pela Monte Tabor, junto ao Banco do Nordeste do Brasil, que teve como garantia parte dos imóveis que foram alienados a Fundazione. Questão que merece destaque, é o fato de que o HSR, para o exercício das suas atividades, ter contraído empréstimo junto ao Banco do Nordeste do Brasil, BNB, cópia do contrato no Anexo 33 – F. Fl. 5323DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 19 35 No aludido instrumento contratual, denominado: “Cédula de Crédito Comercial N. 181.2010.131.1285”, na folha 8, item 4, ao tratar dos Bens Vinculados em Alienação Fiduciária, as Diretoras estatutárias Laura Ziller e Liliana Ronzoni, “assumem em conjunto e isoladamente as obrigações de FIÉIS DEPOSITÁRIOS dos bens alienados fiduciariamente, e nesta condição assinam, pessoalmente o presente instrumento de crédito, sujeitandose, assim, às sanções cíveis e penais previstas na legislação vigente”. Foram dados em garantia parte dos imóveis, formalmente pertencentes à Fondazione, em garantia a crédito no valor de R$40.619.308,57 (quarenta milhões, seiscentos e dezenove mil, trezentos e oito reais e cinquenta e sete centavos). As mencionadas Diretoras, assinam o instrumento contratual qualificadas como Diretores Gerais. Regularmente intimado, através do Termo de Fiscalização 10, também foram apresentados documento de anuência da Fondazione para gravar os imóveis de sua propriedade. Ata de reunião da Fondazione, realizada em 20/02/2009 na Itália, tanto no idioma italiano, como em Português, com tradução juramentada. Cópia no Anexo 33F. E, em mais uma demonstração de caracterização do grupo econômico com a Fondazione, os imóveis, formalmente pertencentes à Fundação italiana, foram dados em garantia. Conforme indicado nas certidões contidas no Anexo 33. Ou seja, a Fondazione, aluga os seus imóveis para o HSR, como demonstrado acima, não recebe qualquer valor correspondente ao imóvel locado ao longo de mais de 10 (dez) anos, e ainda concorda em dar em garantia os próprios imóveis para viabilizar empréstimos contraídos pelo locador. Desta forma, por mais nobres e verdadeiros que fossem as intenções, não se pode deixar de afirmar que, em realidade, o Monte Tabor Brasil, HSR, e a Fondazione, constituem em realidade, um mesmo grupo econômico. Em resumo, existe uma completa confusão patrimonial entre a Monte Tabor, Fundazione e empresa OASIS, onde não é possível identificar quem é realmente o proprietário do imóvel, pois, não existe contrato de aluguel, não existe controle de pagamento de alugueis e despesas de manutenção. Existem gastos realizados em imóvel, que não estão em nome da Monte Tabor e ao mesmo tempo imóveis em que residem diretores do Monte Tabor, cujas despesas são mantidas pela OASIS. Os fatos deixam claro a existência de um grupo de pessoas jurídicas e físicas se utilizando de recursos referentes ao Monte Tabor, o que ao meu sentir, deturpa totalmente o que se espera de uma entidade de assistência social e sem fins lucrativos, onde deveria ocorrer um controle rígido de gastos e transparência para justificar os aportes financeiros que recebe e os benefícios fiscais concedidos para que a integralidade de suas receitas sejam utilizadas nas suas atividades finalísticas. Além da situação do imóvel onde reside as diretoras do Monte Tabor, a fiscalização comprovou a distribuição de receitas a diretores por meio de criação de empresas de assessoria. Fl. 5324DF CARF MF 36 A partir de uma análise criteriosa da contabilidade do HSR foram identificadas empresas prestadoras de serviço de consultoria, cujos sócios eram os diretores não estatutários, conforme veremos a seguir. Os valores mencionados abaixo, relativos a 2009 foram obtidos através do acesso aos elementos apurados no curso da ação fiscal consolidada no PAF, N. 10580.731120/201355. De 08/2003 a 10/2009 o sr. Andrea Garziera, com base em procuração, exerceu a função de verdadeiro Diretor Geral do Monte Tabor. O início do exercício desta função não era como empregado e sim a título de “Mandato” outorgado pelos representantes legais do Contribuinte, conferindo ao mesmo poderes de gestão definidas no instrumento de mandato (anexo 3A). O comunicado DIREX – CI 083/03 de 01/08/2003 (anexo 3A) oficializa a gestão do sr. Andrea, designado como Diretor Executivo Adjunto, o qual, conforme estabelecido pela Diretora executiva Laura Ziller, “colaborado pela empresa TCN – Today Consultoria de Negócios, dirigida pelo sr. Eduardo J. Marinho de Queiroz Jr”. Como veremos a seguir o sr. Eduardo se tornará diretor do HSR. Através da Resolução 007/03 de 29/08/2003 (anexo 3A), o sr. Andrea é nomeado diretor geral do contribuinte. Em janeiro de 2004 o sr. Andrea, já exercendo a função de Diretor Geral, firma um contrato de prestação de serviços com o HSR. Em junho de 2004 é firmado um contrato de cessão de direitos (anexo 3A) do Sr. Andrea para a empresa Salva Consulting. No Anexo 29, extrato de informações constantes nas Declarações de Imposto de Renda Retidas na Fonte, DIRF, correspondente a serviços prestados pela Today, TCN, cópia no anexo 29, indicam, apenas no ano de 2010, rendimentos tributáveis auferidos decorrentes de serviços contratados pelo HSR que atingem o total de R$906.463,02 (novecentos e seis mil, quatrocentos e sessenta e três reais e dois centavos). Valor bastante elevado para o contrato com uma empresa que não apresenta nenhum funcionário registrado no período. Não foram identificadas remunerações pagas pelo HSR diretamente ao seu diretor geral. Porém foi constatado que o sr. Andrea é sócio majoritário (90% do capital social) da empresa Salva Consulting Gestão Empresarial Ltda, inscrita no CNPJ nº 06.244.574/000191, conforme espelho do contrato social extraído da pagina web da Junta Comercial do Estado da Bahia – JUCEB (anexo 25). Entre os anos de 2009 e 2010, esta empresa faturou com o Contribuinte a importância de R$ 551.578,04, conforme relação abaixo extraída do mencionado processo de lançamento anterior. Notas Fiscais, extrato DIRF 2010 e contratos (anexo 26) : ... Observase que a reunião da Diretoria do Monte Tabor conforme Ata nº 172/2009 (anexo 3A), tratou do afastamento do sr. Andrea, com revogação do instrumento de mandato, que Fl. 5325DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 20 37 transcrevo parcialmente: ”Abordando o segundo ponto da pauta, a VicePresidente deu conhecimento aos demais dos acertos finais intercursos com o diretor geral Andrea Garziera, o qual, a mais de um ano se encontra muito ausente, empenhado em outros empreendimentos pessoais e das Instituições italianas, FINRAF e outros, e, para tanto, deixará o mandato no próximo mês de outubro”. Causa estranheza o faturamento da empresa do sr. Andrea, junto ao Contribuinte, nos anos de 2009 e 2010, no valor de R$ 551.578,04, conforme tabela acima, pois, em pesquisa ao Sistema GFIP WEB, durante estes dois anos a empresa Salva não declarou qualquer empregado, declarando apenas pro labore. Desta forma, fica evidente que os valores pagos à Salva decorria da remuneração do seu Diretor. Conforme mencionado acima, os dirigentes do HSR afirmam, em 18/09/2009, que o sr. Andrea “a mais de um ano se encontra muito ausente”. Percebese, com isso, flagrante distribuição de parcela do patrimônio e renda do contribuinte a esse diretor, configurando ainda um pagamento sem qualquer vinculação com as atividades do contribuinte que se intitula como sendo sem fins lucrativos. Mesmo fato verificado com a empresa TCN, que a antecedeu na Gestão administrativa do HSR. Em 11/2008, assumiram a Diretoria Administrativa e Financeira e a Diretoria de Controle e Expansão, respectivamente, os senhores Eduardo Jorge Marinho de Queiroz Junior e Sigevaldo Santana de Jesus, sócios na empresa Today Consultoria de Negócios Ltda, inscrita no CNPJ nº 05.017.814/000152, conforme espelho do contrato social extraído da pagina web da JUCEB (anexo 28). Entre janeiro de 2009 de dezembro de 2010 esta empresa faturou com o Contribuinte a importância de R$ 802.837,91, conforme contrato e notas fiscais apresentadas (anexo 29). Os serviços prestados objeto do referido contrato são os mesmos que os sócios da empresa desempenham como empregados do contribuinte. Ressaltese que em pesquisa ao sistema GFIP WEB, nos anos de 2009 e 2010, encontrase a situação “GFIP SEM MOVIMENTO”, portanto sem qualquer empregado, em princípio, com suas atividades paralisadas. Também nas DIPJ 2009 e 2010, não há qualquer registro relativo a custos ou despesas com pessoa, assim como relativa a serviços prestados por terceiros. Foram identificados ainda, em 2009 e 2010, pagamentos à empresa Acervo Auditoria e Consultoria Emp. S/S Ltda, inscrita no CNPJ nº 07.666.348/000161, cujo sócio era o sr. Sigevaldo Santana de Jesus, até 18.05.2011 (anexo 27). Esta empresa faturou junto ao contribuinte entre 2009 e 2010 – R$ 115.650,00 conforme contrato e notas fiscais apresentadas (anexo 30). Os serviços prestados objeto do referido contrato são os mesmos que o sócio da empresa desempenha como empregado do contribuinte. Em pesquisa ao sistema GFIP WEB, nos anos de 2009 e 2010, encontrase a situação “GFIP SEM MOVIMENTO” desde 05/2009, portanto sem qualquer empregado Regularmente intimado através do Termo de Fl. 5326DF CARF MF 38 fiscalização 05, o HSR apresentou planilha, ANEXO 25, contendo a remuneração dos seus diretores no ano de 2010, entre os quais encontramse os Srs. Eduardo Jorge e Sigevaldo Santana, que receberam as remunerações indicadas, as quais excedem aqueles valores declarados em GFIP para o mesmo período. Em resposta ao Termo de Fiscalização 05, ANEXO 1, item 3, o contribuinte declara que: “os serviços prestados pelas empresas TCN, Acervo e Salva Consulting, dentro das dependências do Monte Tabor, foram prestados pelas pessoas pertencentes a estas empresas, não existindo uma quarteirização que seja de nosso conhecimento”. Evidenciando que os serviços foram prestados pelos sócios e dirigentes destas empresas, dirigentes do HSR, já que as empresas não possuíam quadro de funcionários, assim como não informaram despesas nas respectivas DIPJ. Na mesma resposta, descreve as atividades destas empresas criadas para remunerar os seus diretores, indicando atividades eminentemente gerenciais, vinculadas à área de atuação destes Diretores. Tendo apresentado, quando intimado a comprovar a efetiva prestação dos serviços gerenciais terceirizados, atos de gestão dos seus Diretores, não comprovando a atuação destas empresas de consultoria que recebeu no período fiscalizado as altas somas conforme descrito. Os atos de gestão apresentados estão dispostos no anexo 24. Quando intimada, através do Termo de Fiscalização 02, item 5, Anexo 1, a apresentar eventuais resultados das aludidas prestações de serviços, que teriam sido prestados pelas empresas: TCN, Acervo e Salva, apresentou atas de reunião e relatórios firmados pelos seus Diretores. O que não poderia ser diferente, já que estas empresas de consultoria, sem funcionários, se prestaram apenas para remunerar , em evidente desvio de finalidade, os seus Diretores. O tratamento benevolente para com os seus Administradores e Diretores também pode ser constatado através do aluguel de imóveis residenciais, não registrados como remuneração aos respectivos beneficiários, conforme indicado na resposta ao Termo de Fiscalização 3, fornecida em 26/03/2014, Anexo 50, no qual se descarta a existência de vínculos com os locadores, afirmando que os imóveis residenciais locados, situados respectivamente em Porto Seguro/Ba e Alagoinhas/Ba, destinaramse, no ano de 2010, período submetido a fiscalização, à residência respectivamente dos Srs. Aurélio Justiniano Rocha Neto, Diretor Geral da Organização social Hospital Luiz Eduardo Magalhães em Porto Seguro/Ba, e Adalberto Bezerra, Diretor Geral da Organização Social Hospital Regional Dantas Bião em Alagoinhas/Ba. Em que pese a transferência de recursos para alguns dos administradores terem ocorrido em período anterior aos fatos geradores controlado nos presente processo, este fato deixa claro um modus operandi adotado pelos administradores da Monte Tabor de Fl. 5327DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 21 39 repassar recursos a diretores, tentando ocultar estes fatos por meio de utilização de empresas de assessoria. A par de todas os fatos apurados no trabalho fiscal, existiu a criação de um grupo de empresas e pessoas físicas, que utilizando de diversos artifícios, retirou recursos da Monte Tabor para benefício próprio, ocultando estes fatos, por meio de operações simuladas, contrato de aluguel, ausência de controle de gastos, trabalhos de assessoria não comprovados, demonstrando a característica dolosa para ocultar os tributos devidos, o que implica no agravamento da multa, conforme muito bem aplicado pela Autoridade Fiscal. Assim, entendo correta a qualificação da multa, nos termos previstos na lei nº 9.430/96, Art. 44, inciso I, §1º c/c o art. 71 da Lei nº 4.502/64. Solidariedade das pessoas jurídicas Fundazione, Oasis e as pessoas físicas Liliana Ronzoni e Laura Ziller O lançamento trouxe para o pólo passivo da obrigação como devedores solidários a Fundazione, OASIS e as pessoas físicas Liliana Ronzoni e Laura Ziller. O TVF detalhou os fundamentos para considerar a solidariedade dos responsáveis. Liliana Ronzoni, CPF 398.802.90500, cidadã italiana, residente no Brasil, cópia da cédula de identidade de estrangeiro no anexo 3, Diretora Conselheira e também Diretora Médica do HSR, Representante perante a RFB e administradora da Fondazione, e administradora da OASIS, à época dos fatos apurados na presente ação fiscal, persistindo até o presente momento, atuando diretamente, através de atos de gestão, vinculados tanto ao HSR, como à Fondazione e à empresa OASIS, como demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, com atuação direta para a implementação das fraudes evidenciadas no curso desta ação fiscal. Face à qual foi imputada a responsabilidade solidária com base no artigo 135 da Lei nº. 5.172/1966; Laura Ziller, CPF 124.251.41553, cidadã italiana, residente no Brasil, cópia da cédula de identidade de estrangeiro no anexo 3, dados cadastro CPF no anexo 2, VicePresidente executiva do HSR, até o falecimento do então Presidente Luigi Verge, falecido em 31/12/2011, após o que passou a exercer a função de Diretora presidente, representante perante a RFB e administradora do HSR, situação que persiste até o presente momento, atuando diretamente, através de atos de gestão, vinculados tanto ao HSR, como à Fondazione e à empresa OASIS, como demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, com atuação direta para a implementação das fraudes evidenciadas no curso desta ação fiscal. Face à qual foi imputada a responsabilidade solidária com base no artigo 135 da Lei N. 5.172/1966. Fl. 5328DF CARF MF 40 As Diretoras Laura Ziller e Liliana Ronzoni, às quais se imputa a sujeição passiva solidária, atuam ativamente na administração do HSR e também da Fondazione e OASIS, tendo inclusive assumido pessoalmente o gravame de parte dos imóveis registrados em nome da Fondazione em garantia a empréstimo do HSR junto ao Banco do Nordeste do Brasil, como descrito no item 5.0 acima. Cópias dos elementos de prova no Anexo 33F. Em relação às Diretoras do HSR, Laura Ziller e Liliana Ronzone, face às quais foram imputadas as infrações na qualidade de responsáveis solidárias, conforme evidenciado através das respectivas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física, DIRPF, correspondentes aos períodos de apuração de 2010 a 2013, cópias nos anexos 54 e 55, indicam que não recebem diretamente remuneração do HSR. No entanto, ambas declararam ter recebido rendimentos recebidos de pessoa física/exterior, conforme planilha abaixo, valores estes que foram objeto de Termos de Diligências específicos, anexo 1, visando esclarecer a origem dos rendimentos declarados. Na resposta ao Termo de Diligência 01, Laura Ziller afirma que os rendimentos declarados “são oriundos de valores recebidos na Itália a título de aposentadoria”, sem comprovar aquilo declarado. Liliana Ronzoni, afirma que: “Os rendimentos declarados nas DIRPF correspondentes aos períodos de apuração compreendidos entre o ano de 2010 e julho/2012, e informados no campo, rendimentos recebidos de pessoa física/exterior, são oriundos de valores recebidos na Itália a título de salários recebidos da Fondazione Centro San Raffaele. Os rendimentos compreendidos entre o período de agosto de 2012 e o ano de 2013 são oriundos de valores recebidos na Itália a título de aposentadoria”, sem comprovar aquilo declarado. Merece destaque, em relação à resposta da Diretora Liliana Ronzoni o fato de que afirma, que, no período submetido à presente ação fiscal, recebeu rendimentos da Fondazione, a qual, como demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, constitui, com o HSR, um mesmo grupo econômico. Tal remuneração, considerando que exerce a atribuição de Diretora do HSR, só pode decorrer do exercício desta atribuição. Na mesma resposta, a Diretora Liliana Ronzoni afirma que: “o valor recebido é depositado em conta bancária naquela localidade. Meus gastos pessoais aqui no Brasil são pagos com cartão de crédito internacional e debitados diretamente na referida conta, no exterior”. De tal afirmação, merece destaque, além do fato de afirmar possuir conta no exterior não declarada na DIRPF, o fato de atestar que a sua manutenção é custeada pela Fondazione. ... Vale ressaltar que, Liliana Ronzoni, CPF 398.802.90500, apesar de indicada no mencionado documento como Diretora não estatutária, figura como Diretora estatutária, na qualidade de Diretora Conselheira, como indicado nas já mencionadas Fl. 5329DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 22 41 atas de eleição das diretorias para o período 2008 a 2012. Figurando portando como Diretora estatutária, integrante do conselho de Administração, como estabelecido no Estatuto, responsável pelas principais definições do HSR, juntamente com o Presidente, Luigi Maria Verzé, falecido em 31/12/2011, e os vicepresidentes Mario Cal, falecido em 18/07/2011, e Laura Ziller, VicePresidente executiva, atual presidente após o falecimento do Presidente e do Vice. A Sra. Liliana Ronzone, também exerceu a função de Vice Diretor Médico, posteriormente, em 01/01/1992, conforme resolução 03/1991 de 19/12/1991, Anexo 3, assumiu a função de Diretora Médico do HSR, função que exerce até a presente data. Figura ainda como responsável perante a Receita federal do Brasil, RFB, pelo contribuinte: “Fondazione Centro San Raffaele Del Monte Tabor, CNPJ – 05.842.123/000193”, Fondazione, contribuinte em relação ao qual foi imputada a condição de responsável solidário em relação às infrações apuradas, além de atuar como responsável, perante a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, em relação ao HSR, conforme Termo de responsabilidade, Anexo 3. .... Além da farta distribuição de recursos aos Diretores não estatutários, também os seus Diretores Estatutários foram amplamente beneficiados através da distribuição de recursos do HSR. Como restará demonstrado nos itens: “4.2.5. pagamento de Aluguel á Fondazione” e “5.0 – Da caracterização do grupo econômico entre HSR OASIS – Fondazione”, através de um “planejamento tributário” abusivo, o HSR simula o pagamento de aluguéis à Fondazione e transfere parte destes recursos para a empresa OASIS, administradora dos bens da Fondazione, recursos estes totalmente destinados à manutenção dos imóveis “Casa Sede” e “Fazenda OASIS”, imóveis destinados à residência e utilização dos diretores estatutários do HSR. Através de exame da contabilidade do HSR, foram identificadas algumas despesas identificadas nos históricos dos lançamentos contábeis correspondentes, como sendo relativas à diretora Liliana Ronzoni. A comprovação destas despesas foram objeto de intimação através do item 2 do Termo de Fiscalização06, tendo sido respondido em 06/06/2014, anexo 251, que parte destes registros corresponderam a viagens vinculadas ao exercício da atividade de Diretora Médica, deixando de apresentar comprovação das despesas especificadas como sendo “Despesas com visitantes estrangeiros para intercâmbio médico Reembolso”. Também através do Termo de Fiscalização 06, item 2.2, intimou se o HSR a justificar o pagamento de despesas correspondentes à empresa VDS Export LTDA, empresa pertencente até 19/10/2010 ao então diretor do HSR Andrea Garziera, e atualmente apresenta como sócio Roberto Lino Cusin, CPF 743.349.80104, conforme extrato de pesquisa de cadastro, Fl. 5330DF CARF MF 42 anexo 52. Roberto Lino é sócio, juntamente com a Fondazione, da empresa OASIS, integrante, como demonstrado, no item 5.0 abaixo, do mesmo grupo econômico do HSR. Na mencionada resposta ao Termo de Fiscalização 06, afirmase que o valor registrado contabilmente como sendo da VDS Export não seria uma despesa e sim um reembolso. O que de fato procede. No entanto, evidenciase a utilização das instalações do HSR por empresa privada vinculada a Diretor e a pessoa vinculada à OASIS, empresa criada com o fim específico de custear a manutenção dos Diretores estatutários do HSR. Evidenciada também a transferência de recursos aos Diretores através do custeio integral para a manutenção da Presidente do HSR, Laura Ziller, e da Diretora estatutária, Liliana Ronzoni, como evidenciado nos itens 5.0, que trata da caracterização do grupo econômico entre o HSR, a OASIS e a Fondazione; e o item 8, que trata da Sujeição Passiva ... A mencionada procuração, anexo 35, datada de 16/01/2008 e com validade do mandato até 31/12/2014,confere os mais amplos poderes à Diretora do HSR, Liliana Ronzoni, para praticar quaisquer atos de administração em relação à Fondazione, apesar de, estranhamente, conforme afirma na resposta apresentada em 18/06/2014, ao Termo de Diligência 03, anexo 36: “Conforme já informado a V.Sas., atualmente não possuímos contato com pessoas da fondazione San Raffaele Del Monte Tabor”. Tal afirmação configura que a Fondazione, proprietária de enorme patrimônio em imóveis no Brasil, credora, ao menos contabilmente de vultoso crédito, em realidade não existe, ao menos para a sua procuradora. Apesar de afirmar em diversas respostas em nome da Fondazione, não ter contato com os Dirigentes da Fondazione, afirmou no Termo de Declaração firmado em 18/06/2014, que a Fondazione continua existindo na Itália. A fiscalização, conforme detalhado alhures, comprovou a criação de um grupo econômico das pessoas jurídicas Fundazione, OASIS e Monte Tabor, onde as operações realizadas com imóveis e transferência de recursos em benefícios de administradores do Monte Tabor buscaram ocultar operações de transferências de valores e evitar a suspensão da isenção e a consequente exigência dos tributos. Quanto as pessoas físicas Liliana Ronzoni e Laura Ziller, as apurações da auditoria comprovam que se beneficiarem de recursos ao residirem em imóvel cujas despesas são integralmente custeadas pela Monte Tabor. Além deste fato, a auditoria fiscal, levantou diversos pontos que levam a responsabilidade de Liliana Ronzoni e Laura Ziller como diretoras que respondem pelas empresas envolvidas e portanto, também devem ser arroladas como solidárias nas obrigações tributária. O acórdão da decisão da primeira instância descreveu em detalhes as participações individuais de Liliana Ronzoni. Fl. 5331DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 23 43 Diante das informações acima, é certo que a responsabilidade foi imputada com base no inciso III do art. 135 do CTN, que se refere aos “diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado”. A alegação da Sra. Liliana Ronzoni, de que não pratica atos de gestão administrativa ou financeira na referida entidade, e exerceria apenas a função de DiretoraMédica, atribuição com competência exclusivamente técnica na área de saúde, é no sentido contrário às provas levantadas pela fiscalização, das quais destaco as duas seguintes, relativamente ao ano da autuação: representando a contribuinte Monte Tabor, Liliana Ronzoni assinou em 30/03/2007 o contrato com da empresa Delfin Médicos Associados LTDA (fl. 1009). figura como Diretora estatutária, na qualidade de Diretora Conselheira, como indicado nas atas de eleição das diretorias para o período 2008 a 2012. No ano de 2010 participou do Conselho de Administração da Monte Tabor, como reconhecido em sua Impugnação (fl. 2971), participando então das decisões da entidade; é mandatária dos interesses da FONDAZIONE no Brasil e representante dessa entidade perante a Receita federal do Brasil, fato também admitido na sua peça impugnatória, que não pode ser olvidado sob a afirmação singela de que figurava como mera “assinante de papéis” (fl. 2975). A Sra. Liliana Ronzoni ainda afirma que, a partir da concordata da FONDAZIONE pelo Tribunal de Milão, deixou de manter contato ou ter ciência dos acontecimentos relacionados a essa entidade e por isso respondeu, no curso da fiscalização, que não possuía as informações solicitadas com relação à FONDAZIONE, declarando que “atualmente não possuímos contato com pessoas da fondazione San Raffaele Del Monte Tabor.” (fl. 2976). Tal justificativa parece desarrazoada, pois ela continuou como mandatária da FONDAZIONE, “muito embora já sem qualquer relação pessoal com os seus administradores judiciais”. Destarte, as provas levantadas pela fiscalização e a responsabilidade tributária em debate não estão amparadas em meros indícios, mas em um conjunto de fatos e provas que se mantêm. Por isso, e em face da conduta dolosa da Impugnante na prática de atos de administração na Monte Tabor, ela responde pessoal e solidariamente, nos termos dos arts. 124, II, e 135, III, do CTN. Quanto a Laura Ziller, a decisão de piso descreveu os atos praticados que confirmam a responsabilidade solidária Fl. 5332DF CARF MF 44 A responsabilidade da Sra. Laura Ziller também deve ser mantida, mais uma vez com base nos arts. 124, II, e 135, III, do CTN, por ser ela presidente da contribuinte Monte Tabor. No subitem 8.4 do TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL – AUTO DE INFRAÇÃO PIS o AuditorFiscal informa (fl. 49): 4. Laura Ziller, CPF 124.251.41553, cidadã italiana, residente no Brasil, cópia da cédula de identidade de estrangeiro no anexo 3, dados cadastro CPF no anexo 2, VicePresidente executiva do HSR, até o falecimento do então Presidente Luigi Verge, falecido em 31/12/2011, após o que passou a exercer a função de Diretora presidente, representante perante a RFB e administradora do HSR, situação que persiste até o presente momento, atuando diretamente, através de atos de gestão, vinculados tanto ao HSR, como à Fondazione e à empresa OÁSIS, como demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal, com atuação direta para a implementação das fraudes evidenciadas no curso desta ação fiscal. Face à qual foi imputada a responsabilidade solidária com base no artigo 135 da Lei N. 5.172/1966. Sendo administradora, a pessoa física é diretamente responsável pelos atos dolosos, tal como assentado no Relatório Fiscal. Apenas se não assumisse a administração é que a autuação precisaria apontar, com precisão (como, aliás, se deu em relação à Sra. Liliana Ronzoni), quais atos teria praticado com dolo e ensejaria a responsabilidade pessoal. Nesse sentido a jurisprudência pacífica e antiga do STJ, representada, dentre outros, pelos Recursos Especiais nºs 624.842/SC, julgado em 26/10/2005, 717.717/SP, julgado 28/09/2005, e 749.034/SP, todos da Primeira Seção. No voto do REsp nº 624.842, o voto do Relator, o saudoso Min. Teori Zavascki, esclarece que a responsabilidade pessoal dos sócios das sociedades por quotas de responsabilidade limitada só existe quando presentes as condições estabelecidas no art. 135, III do CTN, e que nesta hipótese "é indispensável a comprovação, pelo credor exeqüente, de que o nãorecolhimento da exação decorreu de ato praticado com violação à lei, ou de que o sócio deteve a qualidade de dirigente da sociedade devedora" (negrito acrescentado): Na mesma linha, as ementas dos REsp nºs 717717/SP e 749.034/SP, estes dois da relatoria do Min. José Delgado, informam: "O CTN, art. 135, III, estabelece que os sócios só respondem por dívidas tributárias quando exercerem gerência da sociedade ou qualquer outro ato de gestão vinculado ao fato gerador" (negrito acrescentado). Concordo plenamente com as justificativas apresentadas na decisão da primeira instância. Assim, entendo como corretas a aplicação da solidariedade as pessoas Fl. 5333DF CARF MF Processo nº 10580.726134/201438 Acórdão n.º 3301006.381 S3C3T1 Fl. 24 45 jurídicas Fondazione Centro San Rafaelle del Monte Tabor, OASIS e as pessoas físicas Liliana Ronzoni e Laura Ziller. Juros de mora e utilização da taxa SELIC O contribuinte também se insurge contra a cobrança de juros de mora e utilização da taxa SELIC. Também nesta matéria não assiste razão a recorrente, os juros moratórios incidem sobre o crédito tributário não integralmente pago, no intuito de corrigir os valores devidos, sem se configurar em penalidade. A previsão para a cobrança dos juros de mora consta do art. 161 do Código Tributário Nacional. “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Depreendese da leitura do § 1º que a cobrança de um por cento fica afastada no caso de lei dispuser de modo diverso. No caso em análise, a legislação trouxe novos valores de cobrança, em substituição àquele original, que vem a ser o art. 2º do DecretoLei 1.736/79, alterado pelo artigo 16 do DecretoLei 2.323/87 com redação dada pelo artigo 6º do Decreto Lei 2.33187 e art. 54 parágrafo 2º da Lei 8.383/91. Quanto ao cabimento da cobrança de juros de mora, utilizando a taxa SELIC. O CARF editou a súmula nº 4, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Diante do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 5334DF CARF MF 46 Winderley Morais Pereira Fl. 5335DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.721300/2015-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/05/2010
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL NÃO CORRIGIDO.
Não é possível a submissão dos mesmos fatos, razões e documentos já apreciados definitivamente pela instância administrativa para novo julgamento pela mesma instância administrativa, sem que haja correção do vício material anteriormente reconhecido.
Numero da decisão: 3302-007.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado) e Gilson Macedo Rosenburg Filho. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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VÍCIO MATERIAL NÃO CORRIGIDO. Não é possível a submissão dos mesmos fatos, razões e documentos já apreciados definitivamente pela instância administrativa para novo julgamento pela mesma instância administrativa, sem que haja correção do vício material anteriormente reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado) e Gilson Macedo Rosenburg Filho. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 13 00 /2 01 5- 94 Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 11080.721300/201594 Acórdão n.º 3302007.256 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, constituído para cobrança da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, conforme previsto no art. 23, inc. V e § 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no valor de R$ 528.305,29 (quinhentos e vinte e oito mil, trezentos e cinco reais e vinte e nove centavos). Devidamente cientificadas do Auto de Infração, as devedoras principal e solidária apresentaram impugnações levantando as questões representadas nos seguintes tópicos: (i) impugnação da devedora principal: preliminares (i.a) vício material não corrigido; (i.b) falta do procedimento especial de fiscalização previsto na IN SRF nº 228/2002; (i.c) falta de intimação para apresentação das mercadorias sujeitas a pena de perdimento; (i.d) vício na formação do procedimento fiscal de fiscalização; e (i.e) meritoriamente, alega, em síntese, que não restou comprovada nenhuma irregularidade passível de punição; (ii) impugnação da devedora solidária: preliminares (ii.a) vício contido no auto de infração em análise omissão quanto ao apontamento do devedor solidário; (ii.b) persistência de vício material; (ii.c) meritoriamente, alega, em síntese, que não restou comprovada nenhuma irregularidade passível de punição. Em 26 de agosto de 2015, a DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/05/2010 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. O objetivo pretendido pelos interessados atentou contra a legislação do comércio exterior por ocultar o real adquirente das mercadorias estrangeiras e consequentemente afastálo de toda e qualquer obrigação cível ou penal decorrente do ingresso de tais mercadorias no país. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 11080.721300/201594 Acórdão n.º 3302007.256 S3C3T2 Fl. 4 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimada da decisão acima, a devedora principal Open Market, recorrente interpôs o presente recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. Verificada a ausência de intimação da devedora solidária, o processo foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 3302000.817, de 27 de julho de 2018, para sanar a irregularidade, retornando, os autos à este Conselho com a comprovação de cientificação do sujeito passivo a respeito da decisão de piso, contudo o prazo para a interposição do recurso voluntário decorreu in albis, sem qualquer manifestação da devedora. Passo seguinte o processo foi enviado ao E. CARF para julgamento, sendo distribuído para a relatoria desse Conselheiro É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência dessa Turma, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. A matéria que se apresenta para julgamento já foi analisada e julgada por esta 2ª Turma Ordinária, à época com outra composição, em processo que a ora recorrente também figura como parte, alterando a devedora solidária, que no presente caso é a empresa LANDA COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA (a qual não apresentou recurso voluntário), sendo certo que as demais questões de fato e de direito são exatamente as mesmas. Pois bem. Nesse sentido, o Acórdão n.º 3302006.017, de relatoria do Nobre Conselheiro Walker Araujo, cujos fundamentos passam a integrar o presente voto como razões de decidir, com fulcro no art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/1999, in verbis: II Preliminares II.1 Vício Material não corrigido Conforme se verifica nos recursos voluntário, ambas Recorrentes alegaram existir no lançamentos fiscal o denominado "vício material não corrigido", cujas razões peço vênia para transcrever: O presente auto de infração foi lavrado em substituição a lançamento nulo de credito tributário ocorrido em 2012 acerca dos mesmos fatos ora fiscalizados. A nulidade decretada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza acórdão 0826.658 decorreu de vício material pela ausência de análise contábil e financeira das operação de comercio exterior, necessária à conclusão sobre a origem dos Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 11080.721300/201594 Acórdão n.º 3302007.256 S3C3T2 Fl. 5 4 recursos empregados nas importações e sobre a natureza da participação dos agentes nas operação de importação. Desta feita, percebese que foi determinante para a decretação da nulidade do lançamento realizado em 2012, relativo aos mesmos fatos objeto da autuação ora impugnada, o fato de a Autoridade Autuante não ter realizado ou exposto a análise contábil e financeira detalhando a relação das partes e dos recursos empregados, sem o que, o lançamento esvaziouse, pois restou apoiado em meros indícios. Não obstante a decretação da nulidade pela ocorrência do vício material, o Órgão Julgador ressalvou o direito do Fisco em lavrar novo auto abrangendo os mesmos fatos fiscalizados — não atingidos pela decadência. E, de fato, novo auto de infração foi lavrado. Todavia, permanece este eivado com o mesmo vício material apontado no passado, posto que a necessária análise contábil e financeira que motivou a decretação da nulidade não foi, novamente, apresentada, muito embora a autuação seja idêntica àquela que restou anulada. A Autoridade Autuante, após discorrer genericamente sobre as modalidades de importação, procedimento fiscal, ocultação do real comprador, bem como sobre a fiscalização anterior, anulada, e sobre os fatos apurados na presente fiscalização, encerra o relatório fiscal com a constituição de crédito tributário, dispondo expressamente que o lançamento dáse em decorrência de suposto 'dano ao Erário causado pela ocultação do real comprador de mercadoria estrangeira mediante simulação e interposição fraudulenta'. Ou seja, pelas mesmas razões do auto anterior, anulado. Notese, ademais, que as provas carreadas ao novo auto são as mesmas norteadoras daquele anulado, dentre as quais não se incluiu a análise contábil e financeira, balizadora da decretação de nulidade no passado. No entanto, é evidente que quando o Órgão Julgador ressalvou a lavratura de novo auto de infração, com relação aos fatos não decaídos, tinha se por pressuposto básico que o novo ato considerasse o vício apontado no julgamento anterior, corrigindoo sob pena de receber o mesmo tratamento dado ao lançamento precedente. Logo, a identidade das autuações (anulada e nova), atrelada à ausência de correção do vício material que no passado ocasionou a nulidade do lançamento, contaminam, de per si, o auto de infração ora impugnado, cujo destino não deve ser diferente: a decretação da nulidade. em respeito à desejável estabilidade dos critérios utilizados pela administração para a interpretação dos textos legais, à confiança e à segurança jurídica! Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 11080.721300/201594 Acórdão n.º 3302007.256 S3C3T2 Fl. 6 5 Julgar causas idênticas de forma desigual acarreta imensurável insegurança jurídica, desconfiança e imprevisibilidade na ordem administrativa operante, principalmente considerando que as alterações inseridas no novo auto prestaramse tãosomente a adaptar o relatório fiscal às informações atualizada dos procedimentos fiscais de diligência e de fiscalização realizados a posteriori do lançamento anulado e dar conta da decretação de nulidade do auto anterior. Diante do exposto e estando o presente auto de infração vinculado ao julgamento do acórdão 0826.658 (no presente processo o acórdão é o 0826.655), em especial ao vício material lá apontado e aqui não corrigido, a decretação da nulidade pela mesma razão é medida que se impõe, face à desejável estabilidade dos critérios utilizados pela administração para a interpretação dos textos legais, bem como aos princípios da confiança e segurança jurídica. Tais alegações e fatos noticiados pelas Recorrentes, são idênticos aos ocorridos no processo administrativo nº 10983.720194/201595 (aqui o processo é o de nº 10983.721508/201224), instaurado contra a ora Recorrente, devedora principal Open Market, sendo que naquele processo (julgado pela antiga composição dessa Turma), foi acolhido o pleito preliminar para declarar a nulidade da autuação por vício material, a saber: Voto da Relatora A recorrente afirma que o auto de infração sob julgamento foi lavrado em substituição ao lançamento de crédito tributário declarado nulo pela autoridade administrativa da julgamento em 2012. Afirma que a decretação de nulidade pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza decorreu do vício material pela ausência de análise contábil e financeira das operações de comércio exterior. E assim esclarece: "7. Percebese que foi determinante para a decretação da nulidade do lançamento realizado em 2012, relativo aos mesmos fatos objeto da autuação de cuja decisão de 1º grau ora se recorre, o fato de a Autoridade Autuante não ter realizado ou exposto a análise contábil e financeira detalhando a relação das partes e dos recursos empregados, sem o que, o lançamento esvaziouse, pois restou apoiado em meros indícios. (...) 9. Não obstante a decretação da nulidade pela ocorrência do vício material, o Órgão Julgador ressalvou o direito do Fisco em lavrar novo auto abrangendo os mesmos fatos fiscalizados não atingidos pela decadência. 10. E, de fato, novo auto de infração foi lavrado. Todavia, permanece este eivado com o mesmo vício material apontado no passado, posto que a necessária análise contábil e financeira que motivou a decretação da nulidade não foi, novamente, Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 11080.721300/201594 Acórdão n.º 3302007.256 S3C3T2 Fl. 7 6 apresentada, muito embora a autuação seja idêntica àquela que restou anulada. (...) 13. Logo, a identidade das autuações (anulada e nova), atrelada à ausência de correção do vício material que no passado ocasionou a nulidade do lançamento, contaminam, de per si, o auto de infração de cuja decisão ora se recorre, cujo destino não deve ser diferente: a decretação da nulidade, em respeito à desejável estabilidade dos critérios utilizados pela administração para a interpretação dos textos legais, à confiança e à segurança jurídica!" (grifos no original) Com efeito, os documentos acostados aos autos remetem à inexorável conclusão que a autuação fiscal sob julgamento corresponde aos mesmos fatos já julgados pela DRJ de Fortaleza no ano de 2012. Naquela oportunidade, a turma julgadora acolheu a impugnação da contribuinte ao constatar a existência de vício material insanável. Por esse motivo, apesar de ser direito do Fisco promover nova fiscalização pelos fatos já sepultados, deveria a nova autuação contar com novos fundamentos jurídicos e mais elementos fáticos aptos a subsidiar a pretensão fiscal. É defeso à autoridade fiscal simplesmente repetir o lançamento, sem que apresente nova e suficiente motivação. A decisão proferida pela Delegacia de Fortaleza tornou os fatos já examinados impossíveis de serem reeditados. Nesse sentido é o Parecere Cosit n. 21/2003, do qual apresento ementa e fragmentos: Ementa: DECISÃO DEFINITIVA PROFERIDA POR ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO DE 1a INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONSULTA AO ÓRGÃO JULGADOR PARA CORREÇÃO DE EVENTUAL INEXATIDÃO MATERIAL. PELO PROSSEGUIMENTO DA COBRANÇA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO PELA DECISÃO. Não cabe revisão, no âmbito da Administração Tributária Federal, do mérito de decisão definitiva proferida por órgão julgador administrativo de primeira instância. Inexistindo a possibilidade de consulta ao órgão julgador que proferiu a decisão definitiva no processo administrativo fiscal, para esclarecimento de eventual inexatidão material na decisão, em face de modificação na estrutura e na competência dos órgãos julgadores administrativos de primeira instância, a unidade competente da Secretaria da Receita Federal deve dar prosseguimento à cobrança do crédito tributário mantido pela decisão. Excertos: 13. Aliás, o parágrafo único do art. 42 do Decreto no 70.235, de 1972, é cristalino ao afirmar que são também definitivas as decisões de primeira instância administrativa na parte que não estiver sujeita a recurso de ofício. Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 11080.721300/201594 Acórdão n.º 3302007.256 S3C3T2 Fl. 8 7 14. É verdade que o art. 32 do Decreto no 70.235, de 1972, chega a prever a possibilidade de a decisão proferida pelo órgão julgador administrativo ser revista, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a fim de que sejam corrigidas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo [...] 17. A revisão do mérito de decisão administrativa definitiva, além de desprovida de fundamentação legal, ofende o princípio da segurança jurídica que, aplicado ao processo administrativo tributário, proíbe que decisões administrativas finais em matéria tributária, sejam elas favoráveis ou desfavoráveis ao sujeito passivo, possam ser revistas a qualquer tempo. 18. Acerca dessa irretratabilidade das decisões administrativas finais, convém transcrever os ensinamentos do Professor Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 25a Edição, Malheiros Editores, São Paulo, 2000, pág. 626), in verbis: “..., o que ocorre nas decisões administrativas finais é, apenas, preclusão administrativa, ou a irretratabilidade do ato perante a própria Administração. É sua imodificabilidade na via administrativa, para estabilidade das relações entre as partes. Por isso, não atinge nem afeta situações ou direitos de terceiros, mas permanece imodificável entre a Administração e o administrado destinatário da decisão interna do Poder Público.” (grifouse) 19. Marcos Vinicius Neder de Lima e Maria Teresa Martínez López (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 1a Edição, Dialética, São Paulo, 2002, págs. 353 e 354), ao discorrerem sobre o tema, afirmam o seguinte: “De fato, boa parte da doutrina sustenta que a decisão final no processo administrativo vincula a Administração, mas não o contribuinte que, ainda, pode recorrer ao Poder Judiciário para o controle da legalidade do ato. É por isto que se diz que a decisão formalmente válida que encerra o processo administrativo faz ‘coisa julgada administrativa’, não podendo ser revogada pela Administração.” (grifouse) De maneira similar, Parecer Cosit 8/2014, ao tratar da revisão de ofício, dispôs em seu item 20, o seguinte: "O verdadeiro fundamento da limitação da revisão do lançamento à hipótese de erro de fato resulta do caráter taxativo dos motivos da revisão do lançamento enumerados no artigo 149 do Código Tributário Nacional e que, como vimos, são, além da fraude e do vício de forma, dever apreciarse “fato não conhecido ou não provado por ocasião de lançamento anterior” (inciso VIII). Significa isto que, se só pode haver revisão pela invocação de novos fatos e novos meios de prova referentes à matéria que foi Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 11080.721300/201594 Acórdão n.º 3302007.256 S3C3T2 Fl. 9 8 objeto de lançamento anterior, essa revisão é proibida no que concerne a fatos completamente conhecidos e provados. Assim, acolho o argumento de nulidade apresentado pela Recorrente em preliminar, de modo a concluir não ser possível a submissão dos mesmos fatos e argumentos já decididos para novo julgamento pela mesma instância administrativa. Declaração de voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède Concernente à preliminar II.I.I VÍCIO MATERIAL NÃO CORRIGIDO, razão cabe à recorrente. A primeira fiscalização, que gerou a autuação declarada nula pela DRJ pelo Acórdão 0826.653 por vício material, foi alicerçada no relatório de efls. 673 a 690, juntado na impugnação, no qual se constata que os tópicos 5.2 Dos Procedimentos de Ocultação do Real Comprador, 5.2.1 Proximidade das datas de desembaraço, entrada e saída de mercadorias, 5.2.2 Entrega da mercadoria diretamente no adquirente, 5.2.3 Falta de habilitação para operar no comércio exterior das adquirentes, 6. Das infrações apuradas e penalidades aplicáveis, 7 Da responsabilidade por infrações e solidariedade possuem, praticamente, o mesmo conteúdo acusatório do Relatório Fiscal produzido na autuação deste processo ora em julgamento, cujos tópicos, de mesma nomenclatura, correspondem aos itens 6.3, 6.3.1, 6.3.2, 6.3.3, 7 e 8. Para exemplificar, transcrevese excerto do item 6 relatório de 2012: "Com base nas informações constantes nas DI’s da Tabela 1 registradas no SISCOMEX em nome da fiscalizada, nas notas fiscais de entrada e de saída das mercadorias importadas, nos extratos das contas correntes bancárias da fiscalizada e adquirente, nos livros e demonstrações contábeis da fiscalizada, nas bases de dados da RFB (SISCOMEX, e RADAR), restou por demonstrado que a empresa OPEN MARKET COMERCIO EXTERIOR LTDA, mediante simulação e interposição, importou por encomenda de terceiro oculto das relações obrigacionais tributárias formadas. Cabe asseverar que a fiscalizada não cumpriu nenhum dos requisitos legais para realizar importações por encomenda predeterminada de terceiros. Desse modo, na medida em que constou no Siscomex e em toda documentação analisada como se tivesse realizado importações por conta própria, ocultou da fiscalização aduaneira a empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS CERAMICOS LTDA, real adquirente das mercadorias objeto das DI’s constantes na Tabela 1, registradas em seu nome." O item 7 do relatório deste processo reproduziu o mesmo conteúdo: Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 11080.721300/201594 Acórdão n.º 3302007.256 S3C3T2 Fl. 10 9 7. DAS INFRAÇÕES APURADAS E PENALIDADES APLICÁVEIS Com base nas informações constantes nas DI’ s da Tabela 1 registradas no SISCOMEX em nome da fiscalizada, nas notas fiscais de entrada e de saída das mercadorias importadas, nos extratos das contascorrentes bancárias da fiscalizada e adquirente, nos livros e demonstrações contábeis da fiscalizada, nas bases de dados da RFB (SISCOMEX, e RADAR), restou por demonstrado que a empresa OPEN MARKET COMERCIO EXTERIOR LTDA, mediante simulação, importou por encomenda de terceiro oculto das relações obrigacionais tributárias formadas. Cabe asseverar que a fiscalizada não cumpriu nenhum dos requisitos legais para realizar importações por encomenda predeterminada de terceiros. Desse modo, na medida em que constou no Siscomex e em toda documentação analisada como se tivesse realizado importações por conta própria, ocultou da fiscalização aduaneira a empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS CERAMICOS LTDA, real adquirente das mercadorias objeto das DI’s constantes na Tabela 1, registradas em seu nome." Verificase, na realidade, que a única diferença entre os relatórios é que no atual, o auditor rebateu as conclusões obtidas no processo anterior anulado, quanto à necessidade de comprovação da origem dos recursos empregados na operação, sem, contudo, alterar os fatos e as razões da acusação anterior. Em que pese ter ficado evidente para mim que a acusação não foi de importação por conta e ordem, mas sim de importação por encomenda, e, portanto, seria, em princípio, desnecessária a prova da transferência de recursos, já que em nenhum momento houve acusação de adiantamento de recursos, os fatos novamente autuados correspondem aos mesmos fatos já julgados no processo anterior, que fora anulado por vício material, sendo imperioso que uma nova autuação tivesse sido lastreada em novos fundamentos fáticos e/ou jurídicos, sendo defeso à autoridade fiscal simplesmente repetir o lançamento sem que tenha havido nova motivação. Houve coisa julgada material administrativa quanto à interpretação dos fatos objeto do lançamento, ainda que, a meu ver, equivocada. Em sentido semelhante, Parecer Cosit nº 21/2.003: Ementa: DECISÃO DEFINITIVA PROFERIDA POR ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO DE 1a INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONSULTA AO ÓRGÃO JULGADOR PARA CORREÇÃO DE EVENTUAL INEXATIDÃO MATERIAL. PELO PROSSEGUIMENTO DA COBRANÇA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO PELA DECISÃO. Não cabe revisão, no âmbito da Administração Tributária Federal, do mérito de decisão definitiva proferida por órgão julgador administrativo de primeira instância. Inexistindo a possibilidade de consulta ao órgão julgador que proferiu a decisão definitiva no processo administrativo fiscal, para Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 11080.721300/201594 Acórdão n.º 3302007.256 S3C3T2 Fl. 11 10 esclarecimento de eventual inexatidão material na decisão, em face de modificação na estrutura e na competência dos órgãos julgadores administrativos de primeira instância, a unidade competente da Secretaria da Receita Federal deve dar prosseguimento à cobrança do crédito tributário mantido pela decisão. Excertos: 13. Aliás, o parágrafo único do art. 42 do Decreto no 70.235, de 1972, é cristalino ao afirmar que são também definitivas as decisões de primeira instância administrativa na parte que não estiver sujeita a recurso de ofício. 14. É verdade que o art. 32 do Decreto no 70.235, de 1972, chega a prever a possibilidade de a decisão proferida pelo órgão julgador administrativo ser revista, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a fim de que sejam corrigidas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo [...] 17. A revisão do mérito de decisão administrativa definitiva, além de desprovida de fundamentação legal, ofende o princípio da segurança jurídica que, aplicado ao processo administrativo tributário, proíbe que decisões administrativas finais em matéria tributária, sejam elas favoráveis ou desfavoráveis ao sujeito passivo, possam ser revistas a qualquer tempo. 18. Acerca dessa irretratabilidade das decisões administrativas finais, convém transcrever os ensinamentos do Professor Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 25a Edição, Malheiros Editores, São Paulo, 2000, pág. 626), in verbis: “..., o que ocorre nas decisões administrativas finais é, apenas, preclusão administrativa, ou a irretratabilidade do ato perante a própria Administração. É sua imodificabilidade na via administrativa, para estabilidade das relações entre as partes. Por isso, não atinge nem afeta situações ou direitos de terceiros, mas permanece imodificável entre a Administração e o administrado destinatário da decisão interna do Poder Público.” (grifouse) 19. Marcos Vinicius Neder de Lima e Maria Teresa Martínez López (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 1a Edição, Dialética, São Paulo, 2002, págs. 353 e 354), ao discorrerem sobre o tema, afirmam o seguinte: “De fato, boa parte da doutrina sustenta que a decisão final no processo administrativo vincula a Administração, mas não o contribuinte que, ainda, pode recorrer ao Poder Judiciário para o controle da legalidade do ato. É por isto que se diz que a decisão formalmente válida que encerra o processo administrativo faz ‘coisa julgada administrativa’, não podendo ser revogada pela Administração.” (grifouse) Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 11080.721300/201594 Acórdão n.º 3302007.256 S3C3T2 Fl. 12 11 De maneira similar, o Parecer Cosit nº 8/2.014, ao tratar da revisão de ofício, dispôs em seu item 20, o seguinte: "O verdadeiro fundamento da limitação da revisão do lançamento à hipótese de erro de fato resulta do caráter taxativo dos motivos da revisão do lançamento enumerados no artigo 149 do Código Tributário Nacional e que, como vimos, são, além da fraude e do vício de forma, dever apreciarse “fato não conhecido ou não provado por ocasião de lançamento anterior” (inciso VIII). Significa isto que, se só pode haver revisão pela invocação de novos fatos e novos meios de prova referentes à matéria que foi objeto de lançamento anterior, essa revisão é proibida no que concerne a fatos completamente conhecidos e provados. Diante do exposto, voto para dar provimento à preliminar de nulidade alegada pela recorrente, discordando da possibilidade de nova apreciação sobre os mesmos fatos e razões já definitivamente apreciados na via administrativa. O presente caso não difere daquele anteriormente citado, onde há identidade das autuações (anulada e nova), atrelada à ausência de correção do vício material que no passado ocasionou a nulidade do lançamento. Com efeito, analisando o relatório fiscal elaborado em 2012 (PA 10983.721508/201224) e o relatório do presente processo, constatasse que os tópicos 5.2 Dos Procedimentos de Ocultação do Real Comprador, 5.2.1 Proximidade das datas de desembaraço, entrada e saída de mercadorias, 5.2.2 Aportes de recursos de terceiros para fechamento de câmbio, 5.2.3 Entrega da mercadoria diretamente no adquirente, 5.2.4 Falta de habilitação para operar no comércio exterior das adquirentes, 6. Da infrações apuradas e penalidades aplicáveis, 7 Da responsabilidade por infrações e solidariedade possuem, praticamente, o mesmo conteúdo acusatório do Relatório Fiscal produzido na autuação deste processo ora em julgamento, cujos tópicos, de mesma nomenclatura, correspondem aos itens 6.3, 6.3.1, 6.3.2, 6.3.3, 7 e 8. A título exemplificativo transcrevese excerto dos relatórios, a saber: PA 10983.721508/201224 PA 11080.721300/201594 6 DAS INFRAÇÕES APURADAS E PENALIDADES APLICÁVEIS Com base nas informações constantes nas DI’s da Tabela 1 registradas no SISCOMEX em nome da fiscalizada, nos contratos de câmbio utilizados para pagar os fornecedores estrangeiros das DI´s em apreço, nas notas fiscais de entrada e de saída das mercadorias importadas, nos extratos das contascorrentes bancárias da fiscalizada, nos livros e demonstrações contábeis da fiscalizada, nas bases de dados da RFB (SISCOMEX, e 7 DAS INFRAÇÕES APURADAS E PENALIDADES APLICÁVEIS Com base nas informações constantes nas DI’s da Tabela 1 registradas no SISCOMEX em nome da fiscalizada, nos contratos de câmbio utilizados para pagar os fornecedores estrangeiros das DI´s em apreço, nas notas fiscais de entrada e de saída das mercadorias importadas, nos extratos das contascorrentes bancárias da fiscalizada, nos livros e demonstrações contábeis da fiscalizada, nas bases de dados da RFB (SISCOMEX, e Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 11080.721300/201594 Acórdão n.º 3302007.256 S3C3T2 Fl. 13 12 RADAR), restou por demonstrado que a empresa OPEN MARKET COMERCIO EXTERIOR LTDA, mediante simulação, importou por “conta (via adiantamento de recursos) e “ordem” (pedidos) de terceiros ocultos das relações obrigacionais tributárias formadas. Cabe asseverar que a fiscalizada não cumpriu nenhum dos requisitos legais para realizar importações por encomenda predeterminada de terceiros. Desse modo, na medida em que constou no Siscomex e em toda documentação analisada como se tivesse realizado importações por conta própria, ocultou da fiscalização aduaneira a empresa LANDA COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA, real adquirente das mercadorias objeto das DI’s constantes na Tabela 1, registradas em seu nome. RADAR), restou por demonstrado que a empresa OPEN MARKET COMERCIO EXTERIOR LTDA, mediante simulação, importou por “conta (via adiantamento de recursos) e “ordem” (pedidos) de terceiros ocultos das relações obrigacionais tributárias formadas. Cabe asseverar que a fiscalizada não cumpriu nenhum dos requisitos legais para realizar importações por encomenda predeterminada de terceiros. Desse modo, na medida em que constou no Siscomex e em toda documentação analisada como se tivesse realizado importações por conta própria, ocultou da fiscalização aduaneira a empresa LANDA COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA, real adquirente das mercadorias objeto das DI’s constantes na Tabela 1, registradas em seu nome. Destarte, adoto as razões de decidir trazidas pelo processo nº 10983.720259/201501, acolhendo o pedido de nulidade formulado pela recorrente. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 1313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.926999/2016-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 24/06/2010
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.427
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 24/06/2010 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1768; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.926999/201636 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401006.427 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 24/06/2010 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 69 99 /2 01 6- 36 Fl. 49DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.926999/201636 Acórdão n.º 3401006.427 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 51DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.926999/201636 Acórdão n.º 3401006.427 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 53DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.720562/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. PREVISÃO LEGAL
A utilização de créditos na apuração das contribuições não-cumulativas pressupõe a comprovação da autenticidade das operações que os geraram e sua adequação às disposições legais .
Numero da decisão: 3301-006.270
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. PREVISÃO LEGAL A utilização de créditos na apuração das contribuições não-cumulativas pressupõe a comprovação da autenticidade das operações que os geraram e sua adequação às disposições legais . Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no. 08-18.877 - 4a Turma da DRI/FOR (fls 135/151): Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de Cofins não- cumulativa n° 08073.22531.281107.1.1.11.4832 (fls. 01/04), transmitido pela internet em 28.11.2007, no valor de R$ 334.969,18, apurado no 1o. trimestre de 2005, em virtude do disposto no artigo 17 da Lei n° 11.033/2004, que assegura a manutenção dos créditos vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência do Cofins não-cumulativa, cumulado com compensações. A DRF em Bauru - SP elaborou o Despacho Decisório de fls.89/91, no qual decidiu total improcedência do valor pleiteado, conforme Termo de Constatação Fiscal de folhas 79 a 86, que é parte integrante e indissociável do referido Despacho, não homologando as compensações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 05 62 /2 00 9- 70 Fl. 181DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.270 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720562/2009-70 No referido Termo de Constatação Fiscal, contém a informação da origem dos créditos pleiteados: A empresa, originalmente, entregou o DACON, referente ao primeiro trimestre de 2005, em 05/08/2005, e retificou esse DACON, pela última vez, em 25/10/2007. No PERDCOMP, entregue em 2007, a empresa embasava o pedido com o art. 17 da Lei 11.033/2004. Informa o Auditor-fiscal que a empresa é atacadista de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e higiene pessoal entre outros, e apura o imposto de renda pelo lucro real e, portanto, o PIS e a, COFINS pelo regime não cumulativo. Muitos dos produtos citados, de acordo com a lei 10.147/2000, modificada pela Lei 10.548/2002, estão sujeitos a INCIDÊNCIA MONOFÁSICA das contribuições ao PIS e a COFINS. São assim, tributados na indústria, não sofrendo incidência de ambas contribuições na revenda. Transcreve as normas relativas à não cumulatividade da contribuição em apreço e verifica que: Assim, a revenda de produtos farmacêutico, de perfumaria, de toucador e higiene pessoal, classificados nos códigos descritos acima da TIPI, não geram direito ao crédito sobre os valores de suas aquisições, calculados na forma do art. 3° da Lei 10.833/2003 desde a instituição da COFINS não cumulativa. Não se aplica, para esses produtos, o disposto no art. 17 da Lei 11.033/2004, utilizado pelo contribuinte para embasar o pedido de ressarcimento via PERDCOMP. A fiscalização, reconhece que: Sobre os demais produtos revendidos pelo contribuinte, não enquadrados na incidência monofásica, são tributados normalmente na saída, portanto, gerando créditos sobre tais aquisições. Além disso, explica o Auditor-fiscal: O art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, tem como objetivo de aperfeiçoar a desoneração da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS relativamente as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas contribuições, a medida que possibilita a manutenção de créditos, originalmente passíveis de utilização para desconto da contribuição devida, calculados sobre as aquisições de matérias-primas (custos), encargos e despesas que tenham antes sofrido tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela COFINS, que assim dispõe: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O.(zero), ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. A empresa não industrializa produtos cuja venda seja efetuada com suspensão, isenção ou alíquota zero, para que gerem direito ao crédito sobre compra de insumos tributados o que daria amparo a utilização do art. 17 transcrito acima. O artigo 17 da lei 11.033/2004, também não, se aplica aos produtos não monofásicos vendidos pela fiscalizada, que são tributados normalmente e cujos créditos estão previstos nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que instituíram a não cumulatividade de ambas contribuições E conclui que: Desta forma, segundo a legislação vigente, o contribuinte somente poderia pedir ressarcimento de COFINS não Cumulativa referente as receitas decorrentes de exportação de seus produtos Sujeitos ao regime não cumulativo que não sejam monofásicos. Da análise do Dacon apresentado pela empresa, constatou a autoridade fiscalizadora: O valor do ressarcimento da COFINS Não Cumulativa do 1° Trimestre/2005, pleiteado no valor de R$ 334.969,18, refere-se ao saldo de crédito do trimestre no Mercado Fl. 182DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.270 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720562/2009-70 Interno, calculados pela diferença entre a linha 10 (total de créditos apurado,no mês) e a linha 12 (créditos descontados no mês que é a COFINS apurada), conforme fl. 45, valores estes não, passiveis de Ressarcimento. Assim, a empresa não apura, no DACON, crédito no mercado externo; pois informa nesse campo que não há receita de exportação. Por outro lado, quando informa, também no DACON, ao apurar, a contribuição a pagar, que existe Receita de Exportação ocorre a diminuição da base de cálculo da COFINS. Toda a questão passa a ser,então, não o art. 17 da Lei 11.033/2004 alegada no PERDCOMP, mas o preenchimento do DACON, ora informando e ora não, a existência de Receita de Exportação já que os produtos não monofásicos só dão direito a ressarcimento se houver exportação. Importante ressaltar que a empresa já foi autuada por não comprovar exportações tanto pelo ICMS como pela Receita Federal. A autuação da RFB está descrita nos Autos de Infração 15889.000130/2007-56 e 15889.000129//2007-21 e na Representação Fiscal para Fins Penais 15889.000131/2007-09. A empresa foi, então; intimada e reintimada. a comprovar a venda a –comercial exportadora, uma vez que não há exportação direta. Em resposta as intimações a advogada e procuradora ,da empresa respondeu sem comprovar a efetividade da transação com as comerciais exportadoras. Também não foram apresentados os comprovantes financeiros dessas vendas. Desta forma, não sendo comprovada a venda a comercial exportadora com documentos hábeis e idôneos e com o próprio DACON apresentado pela empresa não apurando crédito resultante de exportações, não há que se falar em ressarcimento. O Auditor-fiscal conclui no seu Termo: Assim, não há valores a serem ressarcidos uma vez que no período não houve exportação comprovada pela empresa, seja diretamente, seja via comercial exportadora de produtos não monofásicos sujeitos ao regime não cumulativo de apuração da COFINS. E não há que se falar no art. 17 da Lei 11.033/2004 pois este não se aplica a nenhum dos produtos vendidos pela fiscalizada. Cientificada do Despacho Decisório e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 96/121, alegando, preliminarmente: O presente despacho decisório foi exarado concomitantemente ao processo n° 0810300/01265-09, no qual a fiscalização pressupõe a prática de hipotéticas irregularidades em razão do contribuinte ter sofrido autuações anteriores, as quais não se confundem com os fatos narrados neste auto de infração. Além disso, também afirma que: De bom alvitre admoestar que os processos mencionados pela fiscalização, relativamente ás exportações realizadas, estão ainda em trâmite no Conselho de Contribuintes (hoje CARF) - incidindo o teor da Súmula Vinculante n° 24 do Egrégio Supremo Tribunal Federa1. Partindo de suposições, a fiscalização, de forma simplista, glosou os créditos de PIS/COFINS legalmente realizados pelo contribuinte, alegando afronta aos artigos 1°, 3° e 5°, todos da Lei 10.833/03, bem como artigos 1°, 3° e 4°, estes da Lei 10.637/02 - os quais, ao reverso do que entende a fiscalização, amparam aludidos creditamentos. No tocante à glosa de créditos, discordou da fiscalização que concluiu que “a empresa não industrializa produtos cuja venda seja efetuada com suspensão, isenção ou alíquota zero, para que gerem direito ao crédito sobre compra de insumos tributados, o que daria amparo à utilização do art. 17 [da Lei nº 11.034, de 2004]”, argumentando que esse dispositivo legal, em momento algum, menciona a palavra insumos “quando mantém os créditos vinculados às operações de venda”. Fl. 183DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.270 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720562/2009-70 Acrescentou ainda que o procedimento por ela adotado está amparado pelo art. 27 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Alegou que os Dacon do ano de 2005 “comprovam que os créditos adjudicados não são sujeitos a esse regime [tributação monofásica]”, e que não existe impedimento ao contribuinte que comercializa mercadorias sujeitas a esse regime “tomar créditos” expressamente autorizados no art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Continua a sua defesa, alegando "MANIFESTA NULIDADE DO AUTO/DESPACHO DECISÓRIO", sob o entendimento esposado no item "11.1.1 – Ausência da precisa indicação do dispositivo legal supostamente violado.": Prefacialmente insignes julgadores, o processo administrativo tributário é norteado pelo principio da legalidade objetiva, corolário do art. 5°, II, 37 e 150, I, todos da Constituição da República, de rígidos contornos e, caso não observados, ensejam sua absoluta nulidade. Afirma que o Despacho Decisório não contemplou "a descrição do fato e nem tampouco a disposição legal infringida e a penalidade aplicável", transcrevendo a seguir os dispositivos relativos às Contribuições para o PIS e para a Cofins. Alega "cerceamento ao direito de defesa": O generalismo no arrolamento das disposições legais supostamente violadas, consoante se verifica no despacho ora fustigado, implica em odioso cerceamento de defesa, malferindo desde o art. 5°, II e art. 37, todos da Carta Magna, normatizado através do art. 59, II, do multicitado Decreto 70.235/72, in verbis: Neste sentido cita jurisprudência e doutrina que entende aplicável à situação fática. Inicia tópico na peça recursal sob o título "11.1.2 — Deficiência da fundamentação fática inserta no despacho/auto para com os documentos fiscais (DACON's e notas) que representam os creditamentos realizados pelo contribuinte." Neste tópico, refutou a menção feita pela fiscalização a outros dois procedimentos fiscais que tiveram como ato administrativo os autos de infração, processos de nºs 15889.000130/2007-56 e 15889.000129/2007-21, e que estão em trâmite no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Suscitou a Súmula 24 do STF, segundo a qual “não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei n° 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo.” Acusou a fiscalização de mentir, ao afirmar não ter havido recurso em relação às autuações dos processos mencionados anteriormente, e embaraçar o direito de defesa ao discorrer longamente sobre situações pretéritas. Reafirmou que os valores discutidos neste processo originam-se única e exclusivamente de creditamentos autorizados pelas Leis 10.637 e 10.833, nos moldes dos Dacon entregues ao Fisco, cuja origem foi comprovada pela documentação requerida pela fiscalização (intimação fiscal nº 007/2010). Sobre as despesas com frete e armazenagem, a fiscalização requereu somente notas fiscais superiores a R$ 10.000,00, mas glosou créditos inferiores a tal patamar, por não verificar sua origem. Insurgiu-se contra o refazimento dos Dacon com base em “amostragem retirada do livro-razão!”, reafirmando que a documentação que ampara os créditos apurados estariam em poder do Fisco. Acrescentou que a falta de anexação de cópia dos processos mencionados pela fiscalização, referente a autuações anteriores, afrontou o já referido art. 10 do Decreto n° 70.235, em seu inciso III, tornando nulo o presente lançamento. Quanto à glosa de créditos, especificamente, alegou: a) paradoxalmente, a fiscalização afirma que a contribuinte é atacadista de produtos sujeitos ao regime monofásico, e assim não teria direito a crédito algum, mas na Fl. 184DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.270 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720562/2009-70 reconstituição do Dacon, ela não só reconhece créditos a descontar como apura saldo credor da contribuição; b) o inciso IV do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 prevê a possibilidade da pessoa jurídica apurar créditos referentes a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica e utilizados nas atividades da empresa; portanto a glosa não foi amparada em nenhum dispositivo legal; c) a glosa descrita relativa à máquinas e equipamentos, quando confrontada com o inciso IX do referido art. 3º, carece de legalidade; d) a vedação suscitada pelo fisco, relativamente ao inciso VI, não condiz com a nova redação do dispositivo conferida pela Lei nº 11.196, de 2005; e) o fato da empresa “Pedra Azul”, que alugou imóvel para a contribuinte, pertencer aos seus sócios não é impeditivo do creditamento, bem como a permanência do locatário no imóvel, após o prazo contratual, presume a prorrogação do mesmo por prazo indeterminado, nos termos da Lei nº 8.245, de 1991; f) os comprovantes dos aluguéis foram apresentados à fiscalização, sendo a respectiva glosa baseada em conjecturas. Reiterou não ter havido creditamento referente a produtos sujeitos à tributação monofásica, tendo sido feita a devida exclusão de tais receitas nos Dacon de 2006. O creditamento ocorreu nos estritos termos das Leis 10.637 e 10.833. Discorreu sobre o art. 17 da Lei nº 11.033, argumentando que a “suposta ausência de exportação, ocorrendo a venda de quaisquer produtos com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) OU não incidência” das contribuições “não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” (grifos no original). Citou instrução de preenchimento do Dacon, da própria Receita Federal. Voltou a falar da “autuação anterior”, para reafirmar inexistir “decisão definitiva sobre as exportações realizadas, bem assim provas de sua hipotética inocorrência”. Acrescentou não possuir qualquer ingerência nas empresas comerciais exportadoras relacionadas pelo fisco à “folha 9 de 15” do auto, não podendo ser responsabilizada por qualquer irregularidade a elas atribuídas. Mencionou acórdão do antigo Conselho de Contribuintes. Discorreu sobre o princípio da vedação ao confisco e o conceito de justiça tributária. Finalizou requerendo: 111.1 - Preliminarmente, seja declarada a absoluta NULIDADE do despacho decisório, calcado no auto de infração em tela, pelo diáfano malferimento aos incisos III e IV, do art. 10, do Decreto 70.235/72; 111.2 - Em respeito, somente, ao principio da eventualidade, superada a preliminar supra, seja reconhecido os créditos de COFINS, mantendo os DACONS do ano- calendário de 2006, julgando totalmente IMPROCEDENTE o auto de infração, REFORMANDO o despacho em voga, como medida de melhor JUSTIÇA TRIBUTÁRIA! Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. Fl. 185DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.270 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720562/2009-70 A utilização de créditos na apuração das contribuições não-cumulativas pressupõe a comprovação da autenticidade das operações que os geraram e sua adequação às disposições legais. VENDAS SEM INCIDÊNCIA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. A manutenção de créditos da não-cumulatividade relativos a vendas sem incidência das contribuições, pressupõe a previsão legal de apuração dos créditos nas operações de aquisição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 EXPRESSÕES INJURIOSAS. É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador mandar riscá-las. NULIDADES. A inocorrência de afronta ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como das situações previstas em seu art. 59, ensejam o afastamento das alegações de nulidade. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade. Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. (fls. 158/177), no qual a Recorrente no qual repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. No voto serão abordados os questionamentos. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Os argumentos expendidos pela Recorrente para solicitar a reforma do acórdão recorrido são os seguintes: 11.1 — DO DIREITO CREDITÓRIO SOBRE OS CUSTOS E DESPESAS VINCULADOS AOS PRODUTOS MONOFÁSICOS 11.2 — DA APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE AS DESPESAS DE ALUGUEL DE PRÉDIO DE PESSOA JURÍDICA Analisaremos cada um deles. 11.1 — DO DIREITO CREDITÓRIO SOBRE OS CUSTOS E DESPESAS VINCULADOS AOS PRODUTOS MONOFÁSICOS Afirma a Recorrente que sua atividade principal é a distribuição de produtos farmacêuticos, de perfumaria, toucador e higiene pessoal, sendo que cerca de 90% desses produtos se encontra submetida à incidência monofásica das Contribuição para o PIS e da COFINS. Segundo a Recorrente, a incidência monofásica consiste no recolhimento de forma concentrada e integral das Contribuições ao PIS e à COFINS pelo fabricante ou importador, mediante a aplicação de alíquota mais elevada; assim, a receita auferida pelos distribuidores, atacadistas e varejistas, com a posterior revenda destes produtos, não constitui Fl. 186DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.270 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720562/2009-70 base de cálculo das contribuições em pauta. Ou seja, nessa sistemática, todos os contribuintes, à exceção do fabricante ou importador (responsáveis pelo recolhimento), ficam desobrigados do recolhimento das contribuições sobre a receita por eles auferida com os produtos sujeitos à incidência monofásica. Por outro lado, afirma, é em virtude da exclusão de tais receitas da base de cálculo das referidas contribuições, é vedada a apropriação de créditos sobre o valor de aquisição de tais produtos. No entanto, entende a Recorrente que a circunstância dos produtos sujeitos à tributação monofásica impedir o creditamento sobre as respectivas aquisições, não exclui a possibilidade de apropriação dos créditos sobre os custos e despesas vinculados às operações com estes realizadas, porque, assevera, no momento em que entrou em vigor a sistemática não cumulativa, todos essas outras despesas e custos foram submetidos à uma tributação mais gravosa. Afirma a Recorrente: O Regime Monofásico ou Concentrado de tributação das Contribuições para as indústrias farmacêuticas, de higiene pessoal e cosméticos foi implementado em 2000 pela Lei 10.147/2000. Quando da entrada em vigor da sistemática não cumulativa das Contribuições ao PIS e COFINS (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), apesar da tributação das mercadorias sujeitas ao método monofásico não ser alterada, todas as outras despesas e custos passaram a ser submetidas a uma alíquota mais gravosa. A contrapartida disso é justamente a possibilidade de apropriação de créditos sobre tais dispêndios. A Recorrente cita soluções de consulta expedidas pelas Superintendências da Receita Federal que corroborariam seu entendimento. No que concerne à apropriação de crédito sobre operações sujeitas ao regime de incidência monofásica, transcreve-se trecho do Recurso Voluntário que é bastante elucidativo: Note-se que, em momento algum se discute nos presentes autos o direito creditório sobre o valor de aquisição de produtos sujeitos à incidência monofásica das Contribuições ao PIS e à COFINS (vedado expressamente pela legislação), mas sim, o direito creditório sobre os custos e despesas vinculados às operações com tais produtos (expressamente autorizado pela própria SRFB, conforme Soluções de Consulta acima expostas). Portanto, estão em pauta os custos atrelados às operações sujeitas à incidência monofásica e não as aquisições, propriamente ditas, de tais produtos, que o próprio contribuinte reconhece como vedadas pela lei. Todavia, em que pese a especificidade, a Recorrente não esclareceu quais seriam os custos que, nestas condições, não foram admitidos pelas autoridades administrativas, valendo- se de um argumento genérico. Nas peças recursais, conforme já anotado na decisão de piso, não foi feita qualquer menção quanto às razões que ensejaram a redução do valor da Cofins devida, de R$ 635.081,26 (Dacon original) para R$ 596.796,08. Nenhum argumento e nenhuma prova foram juntadas para comprovar a redução da base de cálculo. O art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) exige a liquidez e certeza dos indébitos para a realização da compensação. Portanto, não basta a contribuinte alterar o Dacon, mas, conforme concluiu a DRJ, deveria ter comprovado, mediante apresentação dos livros contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais, a natureza da receita, bem assim o seu valor. Assim, seguimos a decisão de piso no entendimento de que somente com esse Fl. 187DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.270 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720562/2009-70 procedimento se poderia constatar o equívoco alegado e se apurar o valor efetivamente devido para se confrontar com o valor recolhido e calcular o quantum do indébito havido. Desssarte, propõe-se manter integralmente o entendimento da decisão recorrida neste ponto. 11.2 — DA APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE AS DESPESAS DE ALUGUEL DE PRÉDIO DE PESSOA JURÍDICA Apresenta a Recorrente ainda as seguintes alegações: Compulsando os autos, verifica-se que, no tocante à questão da apropriação de créditos sobre as despesas de aluguel de prédio de pessoa jurídica, a Colenda Turma Julgadora entendeu por bem em não se manifestar sobre a matéria veiculada sob a alegação de que a mesma já teria sido apreciada nos autos do Processo Administrativo n° 13827.000616/2010-99. Contudo, impende ressaltar que o Processo Administrativo n° 13827.000616/2010-99 ainda se encontra em tramitação (extrato anexo), não havendo nenhum pronunciamento de mérito definitivo que impeça a análise da questão por este E. Tribunal, razão pela qual a Contribuinte expõe as suas razões que implicam na reforma do v. acórdão recorrido com relação a também este ponto. No presente momento, porém, o Processo Administrativo n° 13827.000616/2010- 99 encontra-se julgado de forma definitiva no âmbito administrativo, pelo Acórdão no. 3401002.421 - 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de outubro de 2013, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE IMPUGNADA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, que cuida do processo administrativo fiscal, considera-se não impugnada a matéria não expressamente contestada no recurso manobrado, precluindo o direito de fazê-lo em outra oportunidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/11/2006 ALUGUÉIS. PAGAMENTOS A PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. As despesas com aluguéis pagos a pessoa jurídica conferem créditos na apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, entretanto, demandam prova por meio de documentação idônea. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A prática de fraude, conforme conceituada no art. 72 da Lei nº 4.502/64, consistente na reiterada utilização de despesas não comprovadas para geração de créditos da não cumulatividade, impõe a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, segundo determinação do art. 44, II da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2006 ALUGUÉIS. PAGAMENTOS A PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. Fl. 188DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.270 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.720562/2009-70 As despesas com aluguéis pagos a pessoa jurídica conferem créditos na apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, entretanto, demandam prova por meio de documentação idônea. FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A prática de fraude, conforme conceituada no art. 72 da Lei nº 4.502/64, consistente na reiterada utilização de despesas não comprovadas para geração de créditos da não cumulatividade, impõe a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, conforme determinação do art. 44, II da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário negado. Portanto, neste ponto também não assiste razão à Recorrente. CONCLUSÃO Destarte, tendo em conta o exposto, proponho que seja negado provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13749.001188/2008-77
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTO DE DEPENDENTE.
Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes declarados devem ser somados aos do contribuinte para efeito de tributação na DAA.
SÚMULA CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei".
Numero da decisão: 2003-000.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTO DE DEPENDENTE. Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes declarados devem ser somados aos do contribuinte para efeito de tributação na DAA. SÚMULA CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, negarlhe provimento. Francisco Ibiapino Luz Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 11 88 /2 00 8- 77 Fl. 80DF CARF MF 2 Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 3623,19, referente a Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2006, anobase de 2005, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente da omissão de rendimento recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 16.938,25 (fls. 15/18). Impugnação Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, solicitando juntada de documentos e alegando, em síntese (fls. 02/05).: 1. requer efeito suspensivo, cessando a contagem do prazo para fins de multa e juros; 2. afirma ter incluído os pais como dependentes na DAA, com o propósito de evitar que tivessem de fazer declaração de isentos, devendo a fiscalização têlo intimado para regularizar a situação antes de proceder ao lançamento, o que não ocorreu; 3. alega nulidade da decisão que indeferiu a Solicitação de Retificação de Lançamento, por falta de fundamentação legal. Julgamento de Primeira Instância A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campo Grande, por unanimidade, julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação, sob o fundamento de que (fls. 28/30): 1. a nulidade alegada é improcedente, já que o vício suscitado não prejudicou o contribuinte, pois a mera revisão administrativa não impediu que os aspectos jurídicos alegados na impugnação fossem analisado no julgamento em questão; 2. a legislação autoriza a realização do lançamento sem intimação prévia do contribuinte, quando a autoridade fiscal já dispuser de elementos suficientes para caracterizar a materialidade e autoria da infração; 3. a opção pela dedução com dependentes atrai a tributação para os rendimentos tributáveis por eles recebidos, independentemente das razões por que figuraram em tal situação. Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese (fls. 37/42): 1. preliminar de ilegalidade do crédito tributário constituído no valor de R$ 3.623,19, sob o fundamento de que a MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, declararam remidas as dívidas com a Fazenda Pública iguais ou inferiores a R$ 10.000,00; 2. ratifica o argumento apresentado por ocasião da impugnação, no sentido de que a inclusão dos genitores como dependentes teve o único objetivo de dispensálos da declaração de isento; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13749.001188/200877 Acórdão n.º 2003000.088 S2C0T3 Fl. 81 3 3. houve violação de princípios constitucionais, na medida em que a intervenção fiscal afastou o prazo qüinqüenal que dispunha para a realização de retificação da declaração, como também pelo suposto efeito confiscatório da autuação; 4. discorre acerca de jurisprudência que supostamente justificaria seus argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 07/11/2011 (fls. 72), e a Peça recursal foi recebida em 06/12/2011 (fls. 37), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminar Rejeito a preliminar suscitada pelo recorrente, no sentido de que a remissão decorrente da MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, torna ilegal a constituição do crédito tributário no valor de R$ 3.623,19, porquanto mencionado procedimento fiscal, como também o crédito nele apurado transcorreram sob o manto da estrita legalidade. Ademais, a autoridade judicante administrativa não dispõe de competência para julgar ilegalidade de lei. No mesmo sentido, nada há a manifestar acerca de suposta ofensa a princípios constitucionais, pois ao "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei" (Súmula CARF nº 2). Mérito Como visto no Relatório, a lide está em saber se o fato do recorrente ter declarado os pais como dependentes, com a finalidade única de livrálos da declaração de isento, afasta a obrigatoriedade de oferecer os rendimentos por eles auferidos à tributação. A par disso, interpretação sistêmica da legislação tributária traduz que a faculdade dada pela legislação para o declarante incluir seus dependentes, gozando das deduções decorrentes (dependente, despesas médicas e com instrução), implica sujeição de oferecer os rendimentos tributáveis por eles recebidos à tributação. Tratase, portanto, de declaração em conjunto constitutiva de efeitos jurídicos próprios tal qual aquela vista no art. 8º do Decreto nº 3.000, de 1999 (vigente durante aludido anocalendário em análise, quando foi revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018, em 22/11/2018). Nestes termos: Art.8º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. Fl. 82DF CARF MF 4 [...] §3º O cônjuge declarante poderá pleitear a dedução do valor a título de dependente relativo ao outro cônjuge A propósito, o comando funcional ali presente assim o quis, já que extremamente preciso ao compor a unidade tributável em único formulário, composto da totalidade dos rendimentos auferidos pelo grupo declarante, como também das deduções e compensações de IRRF a que têm direito seus integrantes. Refinando mais o estudo, supracitado Decreto traz igual entendimento ao tratar do dependente de espólio (art. 12) e da restrição imposta à garantia do crédito tributário em face dos bens de menores (art. 27). Confirmase: Art.12º A declaração de rendimentos, a partir do exercício correspondente ao anocalendário do falecimento e até a data em que for homologada a partilha ou feita a adjudicação dos bens, será apresentada em nome do espólio (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 45, e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). [...] II deduzir o valor a título de dependente em relação aos seus próprios dependentes, ao cônjuge sobrevivente e respectivos dependentes, se os mesmos não tiverem auferido rendimentos ou, se os perceberem, desde que estes sejam incluídos na declaração do espólio. (grifo nosso) Art. 27. Os rendimentos e os bens de menores só responderão pela parcela do imposto proporcional à relação entre seus rendimentos tributáveis e o total da base de cálculo do imposto, quando declarados conjuntamente com o de seus pais, na forma do art. 4º, § 3º (Lei nº 4.506, de 1964, art. 4º, § 3º).(grifo nosso) Mais precisamente, a Lei nº 4.506, de 1964, fecha definitivamente a questão ao estabelecer que os rendimentos tributáveis dos menores e outros incapazes poderão ser tributados em seus respectivos nomes ou, opcionalmente, em conjunto, entre outros, com um dos pais, figurando, neste caso, como dependentes. Confirmase: Art. 4º Os rendimentos e ganhos de capital de que sejam titulares menores e outros incapazes serão tributados em seus respectivos nomes, com o número de inscrição próprio no Cadastro de Pessoas Físicas CPF (Lei nº 4.506, de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 1.301, de 31 de dezembro de 1973, art. 3º). [...] § 2º Opcionalmente, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por menores e outros incapazes, ainda que em valores inferiores ao limite de isenção (art. 86), poderão ser tributados em conjunto com os de qualquer um dos pais, do tutor ou do curador, sendo aqueles considerados dependentes.(grifo nosso) Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13749.001188/200877 Acórdão n.º 2003000.088 S2C0T3 Fl. 82 5 Do exposto, releva registrar se tratar de unidade tributária única, como tal, sujeito passivo do crédito tributário, razão por que não cabe suposta alegação de transferência da sujeição passiva e, muito menos, de que não há previsão legal exigindo dita composição tributária, aí se incluindo a totalidade dos rendimentos, deduções e compensações atinentes ao declarante e seus dependentes declarados. A propósito, o entendimento acima exposto também poderá ser observado mediante análise dos seguintes excertos a seguir transcritos: Lei 9.250, de 1995: Art. 7º A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Art. 25. Como parte integrante da declaração de rendimentos, a pessoa física apresentará relação pormenorizada dos bens imóveis e móveis e direitos que, no País ou no exterior, constituam o seu patrimônio e o de seus dependentes, em 31 de dezembro do anocalendário, bem como os bens e direitos adquiridos e alienados no mesmo ano.(grifo nosso) Lei nº 8.981, 1995: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. Lei nº 9.779, de 1999: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Por fim, tanto se apresenta razoável o entendimento discorrido anteriormente, que o declarante em conjunto ao figurar na condição de dependente, goza não só das deduções e compensações permitidas, como também firma a condição de declarante para todos os fins legais. Portanto, nesse contexto, não há que se falar em multa por atraso na entrega de declaração, caso seus rendimentos tributáveis montem quantia superior ao limite de isenção definido para o respectivo anocalendário. Fl. 84DF CARF MF 6 Assim entendido, a pretensão do recorrente teria amparo na legislação somente se seus dependentes não tivessem auferidos rendimentos tributáveis, pois a alegação de que mencionada relação de dependência se deu apenas para suprir a declaração de isento não se sustenta perante o que se discorreu anteriormente, como também pelo ditame presente no art. 136 do CTN, que patrocina ser a intenção do agente, em regra, irrelevante para a caracterização da infração tributária. Confirmase: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.. Conclusão Ante o exposto, conheço do presente Recurso, rejeito a preliminar nele suscitada e, no mérito, negolhe provimento, mantendo a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 16.938,25. É como voto. Francisco Ibiapino Luz Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16692.720729/2014-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS
FINANCEIRAS.
As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e
encargos comuns.
As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017).
RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas.
A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros.
A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo.
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações.
No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País.
INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas são de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Destarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.
Numero da decisão: 3201-005.403
Decisão:
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: I - Por unanimidade de votos, para: (a) que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras e de transporte internacional de passageiros como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (b) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"; (c) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo; (d) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros; II - Por maioria de votos: (a) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (a.1) às tarifas aeroportuárias, (a.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de "handling", serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; e (a.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que negava provimento quanto aos serviços de comunicação de rádio entre funcionários e com os gastos com atendimento ao passageiro; (b) manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que, no ponto, davam provimento ao Recurso; III - Por voto de qualidade: a) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo"; (b) manter as glosas de créditos de insumos correspondentes aos gastos com equipamentos terrestres. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que, quanto a tais matérias, deram provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-12T13:42:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-07-12T13:42:09Z; Last-Modified: 2019-07-12T13:42:09Z; dcterms:modified: 2019-07-12T13:42:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:cef220bf-db56-40b4-9094-87f09903d742; Last-Save-Date: 2019-07-12T13:42:09Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-12T13:42:09Z; meta:save-date: 2019-07-12T13:42:09Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-12T13:42:09Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-07-12T13:42:09Z; created: 2019-07-12T13:42:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 56; Creation-Date: 2019-07-12T13:42:09Z; pdf:charsPerPage: 2204; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-12T13:42:09Z | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16692.720729/201407 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201005.403 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente TAM LINHAS AEREAS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas. A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”. A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 69 2. 72 07 29 /2 01 4- 07 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 2 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações. No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas são de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Destarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: I Por unanimidade de votos, para: (a) que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras e de transporte internacional de passageiros como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (b) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"; (c) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo; (d) reverter a glosa Fl. 324DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 3 para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros; II Por maioria de votos: (a) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (a.1) às tarifas aeroportuárias, (a.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de "handling", serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; e (a.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que negava provimento quanto aos serviços de comunicação de rádio entre funcionários e com os gastos com atendimento ao passageiro; (b) manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que, no ponto, davam provimento ao Recurso; III Por voto de qualidade: a) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo"; (b) manter as glosas de créditos de insumos correspondentes aos gastos com equipamentos terrestres. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que, quanto a tais matérias, deram provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 06054.294, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: I Dos Fatos A Recorrente explica que no ano de 2011 reanalisou suas receitas declaradas desde janeiro de 2007 a março de 2011 e verificou que parte dessas receitas teriam sido inseridas no regime cumulativo do Pis e da Cofins, quando, na verdade, deveriam ter sido declaradas como pertencentes ao regime não cumulativo. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 4 Em resumo, as receitas que passaram a ser consideradas no regime não cumulativo referemse (i) às receitas financeiras e (ii) às receitas decorrentes da prestação de serviço de transporte internacional de pessoas. A fiscalização discordou da reanálise de receitas e refez toda a escrita fiscal da Recorrente. Além disso, entendeu que diversos gastos incorridos pela Recorrente não dariam direito ao crédito do PIS e da COFINS nos termos dos arts. 3º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. Diante disso, concluiu pela inexistência do direito creditório alegado, realizando a glosa e proferindo inúmeros despachos decisórios referentes aos trimestres dos anos de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, períodos nos quais os créditos se originaram. A Recorrente contesta as glosas dos seguintes itens: II – Do Direito II.1 – Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas Financeiras Pertencem às Receitas Brutas Não Cumulativas A Recorrente alega que para o presente caso interessa a regulamentação que versa sobre os Regimes Especiais relacionados às “Alíquotas Concentradas”. Nessa linha, argumenta que as “as receitas financeiras são inquestionavelmente pertencentes ao rol de receitas não cumulativas auferidas pelas pessoas jurídicas contribuintes do Pis e da Cofins.” A seu favor, cita o art. 2º do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4, de 07/06/2016. Ao final, a Recorrente sustenta quanto a correição do procedimento de incluir as financeiras no cálculo das receitas brutas não cumulativas. II.2 – Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas de Transporte Internacional de Passageiros Pertencem às Receitas Brutas Não Cumulativas A Recorrente alega que as receitas de transporte internacional de passageiros pertencem às receitas brutas não cumulativas. Nesse sentido, interpreta o inciso XVI, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Faz referência ainda ao Código Brasileiro Aeronáutico – CBA, instituído por meio da Lei Federal nº 7.565 de 1986. Ao final, a Recorrente chega a conclusão de que as receitas vinculadas à prestação de serviços de transporte aéreo de passageiros em percurso internacional estão, necessariamente, submetidas ao regime não cumulativo das contribuições ao Pis e a Cofins. II.3 – Do Regime Não Cumulativo das Contribuições ao PIS e a COFINS A Recorrente discorre sobre o conceito de insumo constante nas Leis nº 10.637 de 2002 e nº 10.833 de 2003. Nesse sentido, contesta a interpretação restritiva da decisão de primeira instância, baseada nos comandos da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 e Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004. Em seguida, contesta as glosas efetuadas pela fiscalização. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 5 II.3.1 – Da Glosa Relacionada às Tarifas Aeroportuárias No que diz respeito a glosa relacionada às tarifas aeroportuárias, a d. fiscalização sustenta que a Recorrente não estaria autorizada a apropriar os créditos de PIS e da COFINS calculados sobre os valores pagos a título de tarifas aeroportuárias, por entender – equivocadamente que os serviços prestados pela INFRAERO não se incorporariam aos serviços prestados pela Recorrente. A decisão de primeira instância deferiu os créditos relacionados ao transporte aéreo internacional de cargas, sendo que a Recorrente pede que este entendimento seja ampliado a totalidade dos créditos pleiteados. II.3.2 – Da Glosa Relacionada aos Créditos Extemporâneos A Recorrente alega quanto à apropriação de crédito, em momento posterior daquele que poderia ter sido feito, ou seja, a utilização de crédito extemporâneo. II.3.3 – Da Glosa Relacionada aos Gastos com Atendimento ao Passageiro A Recorrente se insurge contra a glosa de gastos passíveis de crédito com os serviços relacionados atendimento do passageiro no transporte aéreo internacional. Alega que as receitas provenientes do transporte internacional de passageiros estariam vinculadas ao regime não cumulativo e que tais atividades seriam indispensáveis ao exercício da atividade. Em seguida discorre sobre cada uma das atividades em particular. II.3.4 – Da Glosa Relacionada às Aquisições de Bens Patrimoniais A Recorrente alega que os gastos relativos às despesas com manutenção predial, gastos com combustíveis para equipamentos de rampa, materiais de infraestrutura de redes de dados e voz, despesas com veículos e satélite estão diretamente relacionados à sua atividade. II.3.5 – Da Glosa Relacionada aos Gastos com Importação A Recorrente combate a glosa relativa aos serviços com despachantes aduaneiros, alegando que os mesmos são imprescindíveis para a sua atividade. Nesse linha, afirma que há divergência do conceito relacionado a insumo. II.3.6 – Da Glosa Relacionada aos Gastos com Estadia de Tripulantes A Recorrente alega que é da natureza da sua atividade que o tripulante se desloque de sua base até o destino do voo em que foi alocado, motivo pelo qual ensejaria o direito creditório. Dessa forma, sustenta que tais gastos se enquadrariam como insumos. II.3.7 – Da Glosa Relacionada aos Gastos com o Reparo de Equipamentos Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 6 Item tratado no II.3.4 II.3.8 – Da Glosa Relacionada aos Gastos Não Relacionados à Atividade de Transporte Aéreo A Recorrente discute neste tópico diversos créditos relacionados aos gastos decorrentes da (i) contratação de serviços de comunicação por rádio, (ii) serviços de despachantes, (iii) serviços de segurança patrimonial, (iv) serviços gráficos, (v) serviços gerais de limpeza, (vi) gastos com treinamentos, (vii) serviços de telefonia e banda larga, (viii) serviços de lavagem, (ix) abastecimento de água (QTA) e energia (GPU equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), (x) manutenção de instalações, (xi) aparelhos telefônicos e (xii) de ar condicionado, (xiii) manutenção de extintores e (xiv) de aparelhos de raio X, (xv) cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas, (xvi) rede de dados e voz. Quanto a tais gastos, alega que são essenciais a sua atividade. II.3.9 – Da Glosa Relacionada aos Gastos Não Considerados Insumos – Bens de Uso e Consumo A Recorrente sustenta os gastos não considerados como insumo, bens de uso e consumo, se enquadrariam no conceito de insumos por terem vinculação direta com a prestação de serviço. II.3.10 – Da Glosa Relacionada aos Combustíveis Utilizados no Transporte A Recorrente faz uso da interpretação sistemática para justificar os créditos com os gastos de combustíveis utilizados no transporte. II.3.11 – Da Glosa Relacionada aos Gastos com Fornecedor com Inscrição Baixada pela RFB A Recorrente confere razão a fiscalização e manifesta a sua vontade de realizar o pagamento devido. III Do Pedido Ao final do Recurso Voluntário, a Recorrente pede: Provimento para reconhecer a existência do crédito; Conexão do presente processo ao processo, relativo ao Auto de Infração lavrado para cobrança do saldo devedor do Pis e da Cofins decorrente da glosa de créditos discutida neste caso. É o relatório. Voto Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 7 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.376, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 12585.720232/201285, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.376): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Em apertada síntese, tratase de processo relativo a glosa de insumos passíveis de gerar créditos de PIS/COFINS. A fiscalização aplicou o conceito restritivo de insumo para glosar créditos e negou a utilização de créditos extemporâneos, dentre outros tópicos. De forma geral, cabe razão a recorrente. O STJ, por meio do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em decisão de 22/02/2018, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, firmou as seguintes teses em relação aos insumos para creditamento do PIS/COFINS: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Assim, em vista do disposto pelo STJ no RE nº 1.221.170/PR quanto a ilegalidade das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, bem como da jurisprudência deste CARF, tratase de analisar se os insumos atendem ou não aos requisitos da essencialidade, relevância ou imprescindibilidade conforme ensinamento do superior tribunal. Para fins de se tomar créditos de PIS/COFINS, no regime nãocumulativo por meio dos chamados insumos não se torna necessário que os bens sejam consumidos ou desgastados no contato direto com o processo produtivo, mas que tenham uma relação direta com o mesmo. Da Conexão Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 8 A Recorrente alega que existe conexão deste processo com o processo nº 10888.722355/201452, relativo ao Auto de Infração lavrado para cobrança do saldo devedor do Pis e da Cofins decorrente da glosa de créditos discutida neste caso. De fato, existe conexão, sendo que é impossível fazer a reunião dos processos tendo em vista que o processo nº 10888.722355/201452 encontrase julgado. Na verdade, a conexão abrange um número maior de processos, conforme planilha trazida aos autos pela própria Recorrente e aqui reproduzida. Processo Tributo Período Natureza Localização Situação 16692.720719/201463 PIS/COFINS jan/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720720/201498 PIS/COFINS Feb07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720721/201432 PIS/COFINS mar/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720722/201487 PIS/COFINS Apr07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720723/201421 PIS/COFINS May07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16349.720144/201227 PIS/COFINS jun/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720724/201476 PIS/COFINS jul/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720725/201411 PIS/COFINS Aug07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 10880.722141/201486 PIS/COFINS nov/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720038/201314 PIS 2º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 16692.720037/201370 COFINS 2º TRIM 2008 Ressarciment o 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720729/201407 PIS/COFINS Apr08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720730/201423 PIS/COFINS May08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720731/201478 PIS/COFINS jun/08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720022/201297 PIS 3º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720009/201238 COFINS 3º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720229/201261 PIS/COFINS jul/08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 9 12585.720230/201296 PIS/COFINS Aug08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720231/201231 PIS/COFINS Sep08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720023/201231 PIS 4º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720010/201262 COFINS 4º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720232/201285 PIS/COFINS Oct08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720233/201220 PIS/COFINS nov/08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720234/201274 PIS/COFINS Dec08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720024/201286 PIS 1º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720011/201215 COFINS 1º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720235/201219 PIS/COFINS jan/09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720236/201263 PIS/COFINS Feb09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720237/201216 PIS/COFINS mar/09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720025/201221 PIS 2º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720012/201251 COFINS 2º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720238/201252 PIS/COFINS Apr09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720239/201205 PIS/COFINS May09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720240/201221 PIS/COFINS jun/09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 10880.722355/201452 PIS/COFINS 3º TRIM 2009 a 1º TRIM 2011 Auto de Infração 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720026/201275 PIS 3º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720013/201204 COFINS 3º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720241/201276 PIS/COFINS jul/09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720027/201210 PIS 4º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720014/201241 COFINS 4º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720243/201265 PIS/COFINS Dec09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 10 12585.720028/201264 PIS 1º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720015/201295 COFINS 1º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720244/201218 PIS/COFINS jan/10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720245/201254 PIS/COFINS Feb10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720246/201207 PIS/COFINS mar/10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720029/201217 PIS 2º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720016/201230 COFINS 2º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720247/201243 PIS/COFINS Apr10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720248/201298 PIS/COFINS May10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720249/201232 PIS/COFINS jun/10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720030/201233 PIS 3º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720017/201284 COFINS 3º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720250/201267 PIS/COFINS jul/10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720251/201210 PIS/COFINS Aug10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720252/201256 PIS/COFINS Sep10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720031/201288 PIS 4º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720018/201229 COFINS 4º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720253/201209 PIS/COFINS Oct10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720255/201290 PIS/COFINS Dec10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720032/201222 PIS 1º TRIM 2011 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720019/201273 COFINS 1º TRIM 2011 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720256/201234 PIS/COFINS jan/11 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720257/201289 PIS/COFINS Feb11 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720258/201223 PIS/COFINS mar/11 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 10880.938833/201363 PIS 2º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento Fl. 332DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 11 10880.938832/201319 COFINS 2º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938835/201352 PIS 3º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938834/201316 COFINS 3º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938836/201305 PIS 4º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938837/201341 COFINS 4º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 16692.721933/201780 PIS/COFINS 1º TRIM a 4º TRIM 2012 Auto de Infração 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Distribuído 10880.938839/201331 PIS 1º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938838/201396 COFINS 1º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938840/201365 PIS 2º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938841/201318 COFINS 2º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938843/201307 PIS 3º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938842/201354 COFINS 3º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938845/201398 PIS 4º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938844/201343 COFINS 4º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa Fonte: Planilha elaborada pela Recorrente No particular, notase que o processo ora em julgamento cujo período de apuração é outubro/2008 está relacionado aos processos nº 12585.720023/201231 e nº 12585.720010/201262, ambos do 4º. Trimestre de 2008. Do Voto para o Presente Processo Tendo em vista a constatação quanto a conexão com outros processos da Recorrente que já foram julgados, bem como buscando atender o pedido da Recorrente no seu Recurso Voluntário para evitar divergências no julgamento de processos conexos, entendo como correto colher o voto proferido nos processos nº 12585.720023/201231 e nº 12585.720010/201262, como votos condutores para o presente processo de restituição. Nesse sentido colho a seguir o voto da i. Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, bem como o voto vencedor da i. Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz constantes do processo nº 12585.720010/201262, Acórdão nº 3402005.316 como se meu fosse como razão de decidir do presente processo. Voto Vencido Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Nos termos do art. 26, §5º da Lei nº 9.784/99, a falta de intimação é considerada suprida pelo comparecimento do administrado. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 12 Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. I Rateio Proporcional Receitas Financeiras Como se sabe, os créditos das contribuições do PIS e da Cofins podem somente ser apropriados pela contribuinte em relação à receita bruta não cumulativa, sendo que, na hipótese de a empresa auferir receitas nos dois regimes (cumulativo e não cumulativo), o crédito da contribuição deverá ser apurado em conformidade com o disposto nos arts. 3º, §§7º a 9º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep): Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. [negritei] § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) No caso, a recorrente adota o método do rateio proporcional, sendo o crédito da contribuição determinado pela multiplicação do valor integral do crédito por um percentual obtido pela razão entre a receita bruta não Fl. 334DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 13 cumulativa e a receita bruta total auferida pela empresa no mês. Sustenta a fiscalização que as receitas financeiras, por não serem relacionadas aos insumos sobre os quais são apurados os créditos, não deveriam ser consideradas no estabelecimento da relação percentual destinada à apropriação dos créditos. No entanto, as receitas financeiras integram, sim, a receita bruta não cumulativa, inclusive, posteriormente aos períodos de apuração sob análise, mediante o Decreto nº 8.426/2015, foram restabelecidas as alíquotas das contribuições de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições. Nessa linha também é a orientação da própria Cosit órgão central da Receita Federal na Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE APURAÇÃO. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, arts. 10 e 15, V. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (...) Ademais, como se vê nos §§8º dos arts. 3º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep) não há qualquer ressalva a respeito das receitas sujeitas à alíquota zero das contribuições ou da necessidade de ter havido pagamento das contribuições para o cômputo nas receitas brutas. Temse como princípio fundamental da hermenêutica que onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir. A respeito do tema, Carlos Maximiliano afirmou que,"quando o texto dispõe de modo amplo, sem Fl. 335DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 14 limitações evidentes, é dever do intérprete aplicálo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente; não tente distinguir entre as circunstâncias da questão e as outras; cumpra a norma tal qual é, sem acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas" (in "Hermenêutica e Aplicação do Direito", 17ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 247). Dessa forma, no cálculo do rateio proporcional entre a receita auferida sob o regime não cumulativo em relação ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, devem ser consideradas as receitas financeiras como integrantes dessas outras duas receitas, ainda que tributadas à alíquota zero nos períodos de apuração. Nesse mesmo sentido já decidiu este Colegiado, por unanimidade de votos, no Acórdão cuja ementa se transcreve abaixo, relativamente a consideração das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional das receitas de exportação não cumulativas: Processo nº 16366.000413/200689 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.312– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Maria Aparecida Martins de Paula ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. Caracterizada a omissão sobre ponto que deveria o Colegiado se pronunciar, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração com a apreciação da correspondente alegação. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA TOTAL. O método de rateio proporcional utilizado na apuração dos créditos da Cofins vinculados à exportação consiste na aplicação, sobre o montante de custos, despesas e encargos vinculados comumente a receitas brutas não cumulativas do mercado interno e da exportação, da proporcionalidade existente entre a Receita Bruta da Exportação não cumulativa e a Receita Bruta Total no regime não Cumulativo. Não há permissivo legal para a exclusão de qualquer valor, inclusive receitas financeiras, Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 15 da Receita Bruta da Exportação não Cumulativa ou da Receita Bruta Total no Regime não cumulativo. Embargos acolhidos Também no Acórdão nº 3201002.235– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de junho de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, foi assim decidido: (...) Exclusão das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional O terceiro tema é matéria recorrente neste Colegiado Administrativo. Diz com a exclusão, pela fiscalização, das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional, previsto no art. 3º, § 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. Essa mesma Turma de Julgamento já se posicionou a respeito, entendendo ilegal a exclusão, uma vez que, não falando a lei em receita bruta sujeita ao pagamento da Cofins, mas apenas em receita bruta sujeita à incidência não cumulativa, não caberia ao intérprete restringir o que a lei não restringiu. Eis a ementa da decisão: CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não cumulativo. (CARF/3ª Seção/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Acórdão n.º 3202000.597, de 28/11/2012). De conseguinte, as receitas financeiras devem, sim, ser consideradas no cálculo do rateio proporcional dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. (...) Assim, cabe reforma na decisão recorrida para que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total e efetuado o Fl. 337DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 16 correspondente ressarcimento/compensação no montante adicional. II Receitas de Transporte Internacional de Passageiros A matéria controvertida neste tópico envolve a interpretação do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep2, que assim dispõe: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, e na Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária (...) VII as receitas decorrentes das operações: (...) XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; (...) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, e as decorrentes da prestação de serviço de transporte de pessoas por empresas de táxi aéreo; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [negritei] (...) Sustenta a autoridade administrativa no item 5.2 do Despacho Decisório que: "O contribuinte, na qualidade de “empresa aérea regular de passageiros”, deve, no entanto, observar o disposto nos incisos XVI do art. 10° e V do art. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 17 15º da Lei N° 10.833/2003, que manteve regime cumulativo as receitas do transporte aéreo de passageiros, tenham elas sido obtidas no mercado doméstico ou no mercado internacional". O julgador a quo, com esteio na Solução de Consulta Interna nº 12 Cosit, de 11 de junho de 2014, interpreta a questão da seguinte forma: No caso ora debatido, interessa a análise da espécie de receita citada na 1ª parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Da literalidade do texto, constatase que se trata de norma que alberga dois requisitos: permanecem na cumulatividade das contribuições determinadas receitas (“receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”) se auferidas por determinadas pessoas jurídicas (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”). O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. Deveras, se o legislador não estabeleceu expressamente, nem implicitamente, diferenciação de tratamento entre as duas modalidades de transporte aéreo citadas, não cabe ao intérprete fazêlo. Se o legislador almejasse estabelecer essa distinção, teria feito de forma clara, como fez no art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ao isentar das contribuições em tela apenas as receitas decorrentes do “transporte internacional de cargas ou passageiros”. Por outro lado, o segundo requisito estabelecido na primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, para aplicação da cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, versa sobre as pessoas jurídicas que devem auferir as receitas contempladas pela norma: segundo o texto legal, tais receitas devem ser auferidas por “empresas regulares de linhas aéreas domésticas”. É de se concluir, portanto, que as empresas devem operar linhas aéreas domésticas, o que equivale a exigir que tais empresas sejam brasileiras, uma vez que, pela legislação atual, apenas essas podem prestar serviços de transporte aéreo público doméstico. Quanto à menção legal a “empresas regulares”, como condição a ser cumprida pela pessoa jurídica, é de se ressaltar que a legislação estabelece que a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora. Daí porque imperioso concluir que, conquanto se refira a “empresas regulares”, o dispositivo legal em Fl. 339DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 18 comento quis alcançar as empresas que operam linhas aéreas regulares. Afinal, é ilógica a interpretação de que a qualidade “regular” atribuída ao vocábulo “empresa” tenha objetivado restringir a permanência na cumulatividade das contribuições em estudo às receitas auferidas pela empresa que esteja em situação regular. Apesar da atecnia, o legislador pretendeu apenas estabelecer paralelismo redacional no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, referindose em sua primeira parte às “empresas regulares de linhas aéreas”, para versar sobre o transporte aéreo regular, e às “empresas de táxi aéreo”, para versar sobre o transporte aéreo não regular (conforme art. 220 do CBA, “os serviços de táxiaéreo constituem modalidade de transporte público aéreo não regular”). Diante do exposto, concluise que a primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, determina que permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo aéreo de passageiros, nacional (doméstico) ou internacional, efetuado por empresa que opera linhas aéreas domésticas e regulares. Por tal razão, a pessoa jurídica que opera linhas aéreas domésticas regulares de transporte coletivo não pode apurar créditos previstos na legislação da apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins em relação a custos, despesas e encargos vinculados à prestação de serviços de transporte aéreo internacional de passageiros. [negritei] Como se vê, a estratégia hermenêutica utilizada pela DRJ foi a seguinte: separou a primeira parte do inciso em dois requisitos, quais sejam, “receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” e “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” e conectou as duas com o vocábulo "auferidas", no lugar do vocábulo original "efetuado" do dispositivo legal. Daí, interpretou os dois requisitos de forma independente para juntálos, ao final, com o vocábulo "auferidas". Ocorreu que os pressupostos adotados pelo intérprete da DRJ já direcionaram a interpretação no sentido desejado previamente. Em verdade, no esforço interpretativo, partiuse da hipótese de que os dois requisitos seriam independentes para concluir que eles realmente são independentes, como se depreende do seguinte trecho do Acórdão recorrido: "O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. [negritei] Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. (...)". Fl. 340DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 19 Ora, não se pode separar a primeira parte do inciso em dois requisitos independentes quando eles estão interligados! Os "dois requisitos" estão justamente ligados no pelo vocábulo "efetuado", que concorda em gênero e número com o substantivo "serviço", certamente com a função de restringilo. O dispositivo de interesse poderia ser reescrito com o termo omitido na construção linguística da redação original na seguinte forma: Art. 10 (...) [Lei nº 10.833/2003] (...) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, [quando o serviço for] efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, (...); Ademais, como dito no próprio acórdão recorrido, "a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora", o que é mais um elemento que corrobora no sentido de que o "segundo requisito" (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”) consta na redação do dispositivo para restringir o alcance do termo "serviço de transporte coletivo de passageiros" constante no "primeiro requisito". Seria até um contrassenso entender, no fim das contas, que “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” [negritei] limitaria somente a "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” no que concerne à modalidade de transporte regular aéreo e não quanto ao percurso doméstico, também expressamente referido no dispositivo. Aliás, tratase de mais elemento que corrobora o quanto os dois "requisitos" separados pela DRJ são interdependentes. Segundo o entendimento da fiscalização e da DRJ, a recorrente teria sido alcançada quanto à exclusão do regime não cumulativo porque opera no transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares, sejam elas domésticas ou internacionais, o que se contrapõe à ideia expressa no dispositivo de restringir tanto a modalidade de transporte aéreo regular quanto o percurso doméstico (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas). Também não se coaduna com a boa regra hermenêutica substituir o vocábulo "efetuado", ligado por concordância com o substantivo "serviço", pela palavra "auferidas", que estaria relacionada ao termo "as receitas", como feito no acórdão recorrido. Oportuno, neste ponto, transcrever algumas lições de Carlos Maximiliano: Fl. 341DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 20 114 O processo gramatical exige a posse dos seguintes requisitos: (...) 4) certeza da autenticidade do texto, tanto em conjunto como em cada uma das partes (1). (...) 116 Merecem especial menção alguns preceitos, orientadores da exegese literal: a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase, em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem com idéia inserta no dispositivo" (1). (...) f) Presumese que a lei não contenha palavras supérfluas; devem todas ser entendidas como escritas adrede para influir no sentido da frase respectiva (6). (...) i) Pode haver, não simples impropriedade de termos, ou obscuridade de linguagem, mas também engando, lapso, na redação. Este não se presume: Precisa ser demonstrado claramente. Cumpre patentear, não só a exatidão, mas também a causa da mesma, a fim de ficar plenamente provado o erro, ou o simples descuido (9). (...) Commodissimum est, id accipi, quo res de qua agitur, magis valeat quam pereat: "Prefirase a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade" (3). 304 (...) (...) 343. Não pode o intérprete alimentar a pretensão de melhorar a lei com desobedecer às suas prescrições explícitas. (...) Pelo que se depreende da leitura da Lei nº 10.833/2003, como regra geral, todas as pessoas jurídicas estão sujeitas Fl. 342DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 21 a não cumulatividade da Cofins e do PIS/Pasep, excepcionandose dessa regra aquelas pessoas expressamente referidas nos incisos I a VI do seu art. 10, as quais permanecem sob o anterior regime cumulativo. De outra parte, cuida também o art. 10 da Lei nº 10.833/2003 de excepcionar algumas receitas da incidência não cumulativa, mesmo que a pessoa jurídica esteja sujeita ao regime não cumulativo. Esse entendimento veio depois ser confirmado na referida Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, nestes termos: (...) 12. A primeira forma de exceção à apuração não cumulativa exclui desse regime determinadas pessoas jurídicas. Assim, em função do objeto social ou de aspectos específicos (por exemplo, imunidade a impostos ou tributação pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido), certas pessoas jurídicas permanecem sujeitas às normas da legislação anterior à instituição da não cumulatividade. 13. A segunda forma de exceção à apuração não cumulativa não se relaciona com nenhuma propriedade das pessoas jurídicas, mas decorre de uma característica do fato gerador das contribuições em questão. Assim, receitas específicas foram excluídas do regime de apuração não cumulativa, devendo, portanto, submeterse ao regime de apuração préexistente à instituição da não cumulatividade. 14. Dessa forma, o sujeito passivo que não se enquadra na primeira exceção, está sujeito ao regime de apuração não cumulativa. A pessoa jurídica não se submete ao regime de apuração cumulativa por auferir alguma das denominadas receitas cumulativas (excluídas do regime de apuração não cumulativa), ainda que essa seja a única receita por ela percebida. (...) Dessa forma, tendo em vista que a recorrente não se enquadra em nenhuma das hipóteses gerais de exclusão do regime, temse, inicialmente, que ela, como pessoa jurídica, está sujeita ao regime não cumulativo das contribuições de PIS/Cofins, sem prejuízo, como dito, de algumas de suas receitas, por disposição legal expressa, serem eventualmente excluídas da incidência não cumulativa. No caso, as receitas excluídas pela primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 dizem respeito às "receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", mas somente quando Fl. 343DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 22 esse serviço seja "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas". Como já delineado acima, esta última expressão tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, de forma que somente estariam excluídos do regime não cumulativo "as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", assim considerado aquele operado em "linhas aéreas regulares domésticas". Há que se observar que no inciso XII do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 foram excluídas "as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros" para as quais não houve qualquer ressalva quanto ao percurso, se nacional ou internacional, a se supor que aqui, diferentemente do inciso XVI sob análise, pretendeuse excluir do regime não cumulativo todos os serviços de transporte coletivo de passageiros, seja dentro ou fora do território nacional. Importante consignar, por fim, que a exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção comporta interpretação restritiva, de forma que, ainda que fosse possível a interpretação sugerida pela DRJ, deveria prevalecer a interpretação mais restritiva da exceção, adotada neste Voto. A interpretação restritiva das regras de exceção foi bem explicada no Recurso Especial do STJ, com apoio também nos ensinamentos de Carlos Maximiliano: RECURSO ESPECIAL Nº 853.086 RS (2006/01380157) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA EMENTA RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM. COMPETÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO. ENFERMEIROS MILITARES. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA DAS REGRAS DE EXCEÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. (...) 9. Ademais, relativamente à Lei 6.681/79, a qual estabeleceu ressalva à fiscalização dos médicos, cirurgiõesdentistas e farmacêuticos militares pelas Forças Armadas, salientese que, em se tratando de regra de exceção, tornase inviável a utilização de exegese ampliativa ou analógica. É inadequada a interpretação extensiva e a aplicação da analogia em relação a Fl. 344DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 23 dispositivos infraconstitucionais que regulam situações excepcionais, porquanto enseja privilégio não previsto em lei. 10. "As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente" (MAXIMILIANO, Carlos. ob. cit., pp. 225/227). (...) A EXMA. SRA. MINISTRA DENISE ARRUDA (Relatora): (...) Nesse contexto, cabe mencionar a lição de Carlos Maximiliano acerca do "Direito Excepcional " (ob. cit., pp. 225/227), in verbis: "Em regra, as normas jurídicas aplicamse aos casos que, embora não designados pela expressão literal do texto, se acham no mesmo virtualmente compreendidos, por se enquadrarem no espírito das disposições: baseiase neste postulado a exegese extensiva. Quando se dá o contrário, isto é, quando a letra de um artigo de repositório parece adaptarse a uma hipótese determinada, porém se verifica estar esta em desacordo com o espírito do referido preceito legal, não se coadunar com o fim, nem com os motivos do mesmo, presume se tratarse de um fato da esfera do Direito Excepcional, interpretável de modo estrito. Estribase a regra numa razão geral, a exceção, numa particular; aquela baseiase mais na justiça, esta, na utilidade social, local, ou particular. As duas proposições devem abranger coisas da mesma natureza; a que mais abarca, há de constituir a regra; a outra, a exceção. (...) O Código Civil explicitamente consolidou o preceito clássico Exceptiones sunt strictissimoe interpretationis ('interpretamse as exceções estritissimamente') no art. 6.º da antiga Introdução, assim concebido: 'A lei que abre exceção a regras gerais, ·ou restringe direitos, só abrange os casos que especifica'. O princípio entronca nos institutos jurídicos de Roma, que proibiam estender disposições excepcionais, e assim denominavam as do Direito exorbitante, anormal ou anômalo, isto é, os preceitos estabelecidos contra a razão de Direito; limitavalhes o alcance, por serem um mal, embora mal necessário. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 24 (...) Os sábios elaboradores do Codex Juris Canonci (Código de Direito Canônico) prestigiaram a doutrina do brocardo com inserir no Livro I, título I, cânon 19, este preceito translúcido: 'Leges quoe poenam statuunt, aut liberum jurium exercitium coarctant, aut exceptionem a lege continent, strictae subsunt interpretationi' ('As normas positivas que estabelecem pena restringem o livre exercício dos direitos, ou contêm exceção a lei, submetemse a interpretação estrita'). (...) A fonte mediata do art. 6.° da antiga Lei de Introdução, do repositório brasileiro, deve ser o art. 4.º do Título Preliminar do Código italiano de 1865, cujo preceito decorria das leis civis de Nápoles e era assim formulado: 'As leis penais e as que restringem o livre exercício dos direitos, ou formam exceções a regras gerais ou a outras leis, não se estendem além dos casos e tempos que especificam'. As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente. Os contemporâneos preferem encontrar o fundamento desse preceito no fato de se acharem preponderantemente do lado do princípio geral as forças sociais que influem na aplicação de toda regra positiva, como sejam os fatores sociológicos, a Werturteil dos tudescos, e outras. O art. 6º da antiga Lei de Introdução abrange, em seu conjunto, as disposições derrogatórias do Direito comum; as que confinam a sua operação a determinada pessoa, ou a um grupo de homens à parte; atuam excepcionalmente, em proveito, ou prejuízo, do menor número. Não se confunda com as de alcance geral, aplicáveis a todos, porém suscetíveis de afetar duramente alguns indivíduos por causa da sua condição particular. Referese o preceito àquelas que, executadas na íntegra, só atingem a poucos, ao passo que o resto da comunidade fica isenta." (grifouse) Dessa forma, neste tópico, está com razão a recorrente, no sentido de que as "receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo", sendo cabível a apropriação de créditos do PIS/Pasep e da Cofins que por ventura enquadremse no conceito de insumo, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/20044. III Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e a Cofins Fl. 346DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 25 Filiome ao entendimento deste CARF quanto ao cabimento de creditamento de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito Fl. 347DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 26 do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/995. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. No caso, entendeu a fiscalização e não discordou a DRJ, que a empresa possuiria receitas sujeitas ao regime cumulativo, obtidas com o transporte aéreo de passageiros (doméstico e internacional), e receitas sujeitas ao regime não cumulativo, obtidas com as demais atividades, entre elas o transporte aéreo nacional e internacional de cargas, sujeitas, portanto, ao rateio previsto nos §§ 7°, 8° e 9° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins). Como visto acima neste Voto, no caso do transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares internacionais, a incidência das contribuições deve se dar de forma não cumulativa, como pretendido pela recorrente, não sendo cabível a exclusão desse regime veiculada pelo inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Assim, para fins deste Voto, sobre as receitas da recorrente a incidência das contribuições de PIS/Cofins dáse na seguinte forma: regime cumulativo transporte aéreo doméstico de passageiros regime não cumulativo transporte aéreo internacional de passageiros; transporte aéreo de cargas nacional e internacional e demais atividades. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 27 Dentro desses parâmetros, passase a analisar a glosas especificamente contestadas no recurso voluntário. 1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias Quanto a glosa sobre as tarifas aeroportuárias, decidiu a DRJ que se enquadrariam no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins os serviços prestados pela Infraero e cobrados por tarifas que são devidas pelas companhias aéreas, eis que fazem parte do processo produtivo da TAM Linhas Aéreas, afinal, sem a realização de tais serviços não seria possível fazer o transporte aéreo de cargas e passageiros, contudo determinou a aplicação do percentual de rateio para a reversão da glosa somente em relação ao transporte internacional de cargas. Considerando o conceito de insumo adotado neste Voto, a essencialidade/imprescindibilidade dos referidos serviços na prestação de serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros pela recorrente, é cabível o creditamento correspondente. Assim, além da reversão da glosa das tarifas aeroportuárias proporcionalmente ao transporte internacional de cargas efetuada pela DRJ, cabe reverter neste Voto a parcela da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros. 2. Da glosa relacionada aos combustíveis utilizados no transporte A autoridade administrativa glosou o crédito de combustível consumido no transporte aéreo internacional sob os fundamentos abaixo, o que foi mantido pela DRJ: 9.2.1. A impossibilidade de apuração de créditos do COFINS sobre o valor do combustível consumido no transporte aéreo internacional deuse a partir de 26/09/2008, com a edição, da Lei N° 11.787, de 25/09/2008 – DOU 26.09.2008 – que deu nova redação ao artigo 3° da Lei N° 10.560, de 13/11/2002 – DOU 14.11.2002: Dispõem os artigos 2° e 3° da Lei 10.560, de 13/11/2002 (DOU 14.11.2002): Art. 2° A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, relativamente à receita bruta decorrente da venda de querosene de aviação, incidirá uma única vez, nas vendas realizadas pelo produtor ou importador, às alíquotas de 5% (cinco por cento) e 23,2% (vinte e três inteiros e dois Fl. 349DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 28 décimos por cento), respectivamente.(redação dada pela lei 10.865/2004) Art. 3° A Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não incidirão sobre a receita auferida pelo produtor ou importador na venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional. (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008) Dispõe o parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 10833/2003 § 2o Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. 9.2.2. A empresa sem observar os dispositivos citados – particularmente a redação dada pela Lei 11.787, de 25/09/2008, ao artigo 3° da Lei N° 10.560/2002 – manteve a apuração de créditos sobre a COFINS em relação ao consumo de combustível em suas rotas internacionais. 9.2.3. Os valores relativos ao consumo de combustível no transporte internacional foram identificados – na memória de cálculo da apuração do crédito – com o código “NOP E2.02: compra de insumos para utilização na prestação de serviço – combustível para voo internacional”. De outra parte alega a recorrente que não há na Constituição Federal qualquer proibição que diga respeito à vedação da apropriação de créditos relacionados a operações sujeitas à isenção ou qualquer outra hipótese desonerativa. Ocorre que a não cumulatividade das contribuições de PIS/Cofins é instituída por lei ordinária, diferentemente do que ocorre com o IPI e ICMS, cuja não cumulatividade tem previsão constitucional, conforme esclarece Nasrallah: Muito embora o ICMS e o IPI e o PIS e a Cofins sejam tributos sujeitos à sistemática não cumulativa, existem diferenças muito relevantes entre as duas espécies de não cumulatividade. A não cumulatividade do ICMS e IPI é obrigatória e tem suas principais diretrizes oriundas da Constituição Federal, que enuncia que estes impostos são não cumulativos, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Vale dizer, a não cumulatividade destes impostos ocorre com o creditamento na escrita fiscal do montante do imposto Fl. 350DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 29 pago e destacado nas notas fiscais de entrada e que sofre nova incidência em etapa posterior da cadeia. Por outro lado, a não cumulatividade da COFINS e do PIS não é obrigatória, pois somente existirá ser for instituída por lei ordinária e pode coexistir com o sistema cumulativo. É tratada pela legislação ordinária, com regras de deduções e estornos próprios, que podem ser alteradas livremente pela lei comum. No caso da recorrente, não há a incidência das contribuições na "venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional", nos termos 3° da Lei 10.560/2002, razão pela qual incabível o correspondente creditamento, conforme determinação expressa do §§2°s, incisos II dos artigos 3°s das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002. 3. Da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro Os créditos pleiteados sob a rubrica gastos com atendimento ao passageiro foram glosados pela fiscalização sob o seguinte fundamento: "9.3.1. Não dão direito ao crédito, por estarem vinculadas ao regime cumulativo, nos termos do disposto no inciso XVI do artigo 10° da Lei N° 10.833/2003, as despesas ligadas exclusivamente à receita do transporte aéreo de passageiros, tais como gastos com o serviço de bordo, atendimento em área de embarque (VIP), hospedagem e alimentação de passageiros". Tal entendimento foi mantido parcialmente pela DRJ, que rebateu os argumentos da manifestante item a item dessa rubrica, abaixo discutidos. a) Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos Segundo a recorrente tratamse de gastos incorridos para disponibilizar uma estrutura física e de pessoal para atender os seus passageiros antes de embarcarem no voo a que se destinam, razão pela qual não há dúvida acerca que são pertinentes e essenciais para o serviço prestado pela recorrente de transporte aéreo de passageiros, e, portanto, geram direito a crédito das contribuições de PIS/Cofins no que concerne ao montante relativo ao transporte internacional de pessoas, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido neste Voto. b) Serviços auxiliares aeroportuários Alegou a então manifestante que os "serviços auxiliares aeroportuários” seriam aqueles regulamentados pelo art. 1° da Resolução n° 116, de 20009, da ANAC, constantes no Anexo da aludida Resolução, o que foi rechaçado pela DRJ nestes termos: Fl. 351DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 30 A contribuinte, porém, não tem razão. Isso porque, analisandose os itens das notas fiscais glosados pela fiscalização (“Anexo 9.3 – Gastos com atendimento ao passageiro”) constatase que os valores desconsiderados na conta “Serviços Auxiliares Aeroportuários” dizem respeito unicamente ao transporte de passageiro, como, por exemplo, “prestação de serviços de atendimento ao passageiro no checkin” e “movimentação de passageiros”, os quais, como já se viu, não geram direito a crédito. A recorrente não apresentou a comprovação em sentido contrário à constatação da DRJ de que tais serviços estão efetivamente vinculados apenas ao transporte de passageiros, apenas repisando que tais serviços seriam aqueles referidos na Resolução nº 116/2009 da Anac, também relacionados ao transporte de cargas. Diante da ausência de demonstração de vinculação das despesas glosadas ao transporte de cargas é de ser mantido o entendimento de que elas estão associadas efetivamente ao transporte de passageiros. Dessa forma, entendo que deve ser revertida a glosa de serviços auxiliares aeroportuários no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. c) Serviços de handling Os serviços de handling são procedimentos em terra para apoio às aeronaves, passageiros, bagagem, carga e correio, os quais podem ser prestados pelos próprios aeroportos ou por empresas externas, sendo que, quando tal atividade é realizada pelas próprias companhias aéreas, denominase "autohandling”. Entendeu a DRJ que é uma despesa que pode estar vinculada tanto à movimentação de passageiros quanto de cargas, de forma que tais gastos gerariam direito ao crédito da não cumulatividade apenas em relação à parte relacionada ao transporte de cargas. Assim, como nos casos precedentes, deve ser revertida também a parcela da glosa de serviços de handling relativa ao transporte internacional de passageiros. d) Serviços de Comissaria Conforme informado pela recorrente, tratase de serviço de preparo e ou aquisição, transporte por veículo apropriado e colocação no espaço designado na cabine da aeronave de alimentos e bebidas para consumo dos aeronautas, mecânicos e passageiros embarcados. A DRJ manteve tais glosas sob o fundamento de que tais despesas são vinculadas ao sistema cumulativo, ou seja, ao transporte de passageiros. De outra parte, alega a recorrente que tais serviços, além de atenderem os Fl. 352DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 31 critérios de custo referido no art. 290 do RIR/99, também são pertinentes e essenciais para a prestação do serviço da Recorrente, e, sendo reconhecido o direito da recorrente de incluir as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros no sistema não cumulativo, haverá de se reconhecer também que os serviços de comissaria enquadramse no conceito de insumo para a legislação do PIS e da Cofins. Assim, deve ser revertida a parcela da glosa de serviços de comissaria no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. e) Gastos com equipamentos terrestres Sobre tais gastos assim decidiu a DRJ: Em relação aos “gastos com equipamentos terrestres”, diz que são gastos com equipamentos terrestres de apoio ao embarque e desembarque de pessoas e cargas consistem na concretização do serviço de transporte aéreo, através da utilização da rampa de apoio, equipamento indispensável para que se tenha acesso e saída da aeronave. Explica que dispõe de rampas de apoio em solo, mas que, em situações de necessidade, pode também solicitálas de empresas especializadas para complementar sua capacidade operacional (doc. 03) e, neste caso, enquadramse como insumo ou geram direito a crédito com base nos incisos IV dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 (aluguel). A primeira dificuldade, neste ponto, é identificar o denominado “doc. 03”, pois embora a interessada tenha anexado alguns contratos ao recurso, não os relacionou ao nome pelo qual se refere na manifestação de inconformidade. Por outro lado, a glosa realizada, no mês de 10/2008, conforme planilha de glosas anexada pela fiscalização, tem como fornecedor a empresa “SERVECOM CATERING REFEICOES LTDA EPP”. Não parece haver, entretanto, nenhum contrato nos autos entre a TAM e esta empresa. Enfim, a contribuinte não logrou provar que tal serviço diz respeito ao transporte internacional de cargas e que possui docomentação hábil a comprovar o crédito. No recurso voluntário a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo ou extintivo quanto à ausência de provas do direito creditório pleiteado apurada pelo julgador a quo, apenas insistindo no enquadramento de tais gastos no conceito de insumo vinculado ao transporte internacional de passageiros, razão pela qual há de ser mantida a glosa relativa aos gastos com equipamentos terrestres. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 32 f) Serviços de transportes de pessoas e cargas Alegou a então manifestante que se trataria de despesas relativas à movimentação de pessoas e cargas para embarque e desembarque; entretanto, apurou a DRJ que as despesas glosadas seriam relativas à contratação de serviços de vans de passageiros, razão pela qual não haveria direito ao crédito. No que concerne à ausência de comprovação de vinculação dos gastos ao transporte de cargas, a recorrente nada contrapôs à decisão recorrida, apenas reafirmando seu direito ao crédito com relação ao transporte internacional de passageiros. Assim, revertese a glosa de "serviços de transporte de pessoas e cargas" no montante desses gastos relativo ao transporte internacional de passageiros. g) Gastos com voos interrompidos Em relação a “gastos com voos cancelados, atrasados ou interrompidos”, esclareceu a então manifestante que a ANAC impõe, por meio da Resolução de n° 141/2010, a responsabilidade da companhia aérea em relação à assistência devida aos seus passageiros quando os voos forem interrompidos, cancelados ou estiverem atrasados, de forma que tais gastos seriam essenciais à prestação dos serviços de transporte aéreo, especialmente por serem imposição da ANAC, anexando contrato (doc. 02) que comprovaria a contratação de serviços a fim de cumprir suas obrigações regulamentadas pela ANAC. Tendo a DRJ apurado que se tratam de despesas vinculadas exclusivamente ao transporte aéreo de passageiros, manteve tais glosas. Assim, da mesma forma que nos itens anteriores, revertese a glosa de gastos com voos interrompidos no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. h) Demais glosas Alega a recorrente que o "acórdão recorrido traz ainda um item específico no qual analisa os serviços de aeroporto, despesas com veículos, aluguel e condomínios e luz e força, entendendo não gerarem direito ao crédito por serem despesas vinculadas exclusivamente a gastos com passageiros". Entende que pela "simples análise das glosas é possível verificar que se relacionam com ambos os tipos de transporte, seja de cargas ou de passageiros, motivo pelo qual, ainda que parcialmente, seguindo o raciocínio desenvolvido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deveria ter sido reconhecido o direito creditório da Recorrente". No entanto, especificamente neste trimestre não constam tais glosas. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 33 Dessa forma, em resumo deste tópico, da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro devem ser revertidas, no montante relativo ao transporte internacional de passageiros, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido mais acima neste Voto, as seguintes parcelas: "Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos", "Serviços auxiliares aeroportuários", "Serviços de handling", "Serviços de comissaria", "Serviços de transportes de pessoas e cargas" e "Gastos com voos interrompidos". 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais Sobre a matéria assim decidiu a DRJ: No caso do 4º trimestre de 2008, os bens glosados dizem respeito a quatro contas: “Variação de Custos Estoques”, “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e “Vestuários e acessórios profissionais”. Relativamente às despesas com “Vestuários e acessórios profissionais”, obviamente elas não estão relacionadas com a manutenção de aeronaves e nem, tampouco, com a prestação de serviços aéreos de cargas, razão pela qual não geram direito a crédito. Por sua vez, há a apenas uma despesa na rubrica “Materiais de manutenção em equipamentos”, que diz respeito à aquisição de uma “Câmera Digital Sony DSC T70”. Obviamente, tal despesa não é insumo no processo produtivo da empresa em epígrafe. Quanto às demais glosas, analisandose, especificamente, os itens das notas fiscais glosados na planilha “9.3 – Aquisição de bens patrimoniais”, percebese que se tratam, em verdade, de peças e partes de manutenção de equipamentos. Ocorre, todavia, que em 23 de junho de 2008, foi publicada a Lei n° 11.727 que alterou a redação do inciso IV do art. 28 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, determinando o seguinte: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: ... IV – aeronaves classificadas na posição 88.02 da Tipi, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem Fl. 355DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 34 empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e industrialização das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos; Por isso, os bens e serviços de manutenção relacionados nas contas supracitadas não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II do §2º do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ressaltese que tal disposição entrou em vigor em 23/06/2008, conforme dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas estão corretas. De outra parte, no recurso voluntário, a recorrente manifestou concordância com relação às contas “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e também não se contrapôs ao óbice colocado pelo julgador a quo ao creditamento de bens e serviços de manutenção. Ademais, nada foi mencionado no recurso voluntário acerca das contas “Variação de Custos Estoques”, e “Vestuários e acessórios profissionais” desta rubrica, razão pela qual não cabe reforma na decisão recorrida. 5. Da glosa relacionada aos créditos extemporâneos O legislador ordinário realmente previu a possibilidade de o contribuinte descontar nos meses subsequentes eventuais créditos oriundos de meses anteriores, nos termos dos §§4° dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003: Art. 3º (...) (...) § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [grifos da relatora] (...) Decorre diretamente desse dispositivo que o aproveitamento posterior ao mês em que os bens ou serviços foram adquiridos (ou as despesas foram incorridas) depende da comprovação por parte da requerente de não aproveitamento anterior pelo contribuinte (entre o mês da aquisição do bem ou serviço e o mês de aproveitamento extemporâneo). Assim, por exemplo, se a aquisição do insumo é do mês março e a requerente pretende apropriálo em setembro do mesmo ano, terá de comprovar que não o fez nos meses de março a agosto. Nesse sentido estão as orientações da Receita Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 35 Federal quanto à necessidade de retificação dos DACONs e DCTFs originais, como instrumentos próprios para tal comprovação, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento de créditos. Há precedentes desta Seção de Julgamento do Carf, conforme trechos extraídos abaixo dos Votos dos Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan, no sentido de que pode ser admitida a relevação da formalidade de retificação das declarações e demonstrativos desde que demonstrada pela interessada a ausência de utilização do crédito extemporâneo em outros períodos: Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n° 3402002.603 4a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Aproveitamento de Créditos Extemporâneos (...) A matéria no entanto já tem entendimento em sentido contrário, plasmado, por exemplo, no Acórdão n° 3403002.717, de 29 de janeiro de 2014 (Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime), em que quedou assente a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. Admitese a possibilidade de relevar formalidade de retificação das declarações desde que demonstrada conclusiva e irrefutavelmente, a ausência de utilização do crédito extemporaneamente registrado. De se reconhecer, no entanto, que a retificação das declarações é extremamente mais simples. Assim, omitindose em proceder à prévia retificação do Dacon respectivo e sem fazer prova cabal de que não aproveitou o crédito anacrônico, devese manter a glosa. (...) Processo nº 10380.733020/201158 Acórdão n° 3403002.717 4a Câmara / 3a Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2014 Relator: Rosaldo Trevisan Fl. 357DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 36 (...) Cabe destacar de início, que, por óbvio, a ausência de retificação a que se refere o fisco, é referente aos períodos anteriores, pois o que se busca é evitar o aproveitamento indevido, ou até em duplicidade. As retificações, como destaca o fisco, trazem uma série de consequências tributárias, no sentido de regularizar o aproveitamento e tornálo inequívoco. Quanto à afirmação de que a recorrente cumpriu em demonstrar a ausência de utilização anterior dos referidos créditos, indicando genericamente todos os documentos entregues à fiscalização e/ou acostados na impugnação, não logra instaurar apresentar elementos concretos que ao menos instaurem dúvida no julgador, demandando diligência ou perícia. Aliás, a perícia solicitada ao final do recurso voluntário considerase não formulada pela ausência dos requisitos do art. 16, IV do Decreto no 70.235/1972, na forma do § 1o do mesmo artigo. No mais, acordase com o julgador de piso sobre a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. E, ainda que se relevasse a formalidade de retificação das declarações, não restou no presente processo demonstrada conclusivamente, como exposto, ausência de utilização anterior dos referidos créditos. Sobre a afirmação de que a autuação "funda seu entendimento tão somente em uma solução de consulta, formulada por outro contribuinte", é de se reiterar de que forma o fisco utilizou soluções de consulta na autuação (fl. 35 do Termo de Verificação Fiscal): "O segundo requisito diz respeito à necessária retificação, em todos os períodos pertinentes, de todas as declarações (DACONs, DCTFs e DIPJs) cujos valores são alterados pelo recálculo e refazimento da apropriação de créditos de PIS e COFINS. Isto porque este procedimento implica também o recálculo de todos os tributos devidos em cada período de apuração, especialmente o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. É que na sistemática da nãocumulatividade, qualquer apropriação de créditos de PIS e de COFINS, resulta, necessariamente na redução, em cada período de apuração, de custos ou despesas incorridas e, por consequência, na elevação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Há diversas soluções de consulta no âmbito da RFB, que exprimem o entendimento acima, dentre elas citaremos a Solução de Consulta no 14 SRRF/6aRF/DISIT, de Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 37 17/02/2011, a Solução de Consulta no 335 SRRF/9aRF/DISIT, de 28/11/2008, e a Solução de Consulta no 40 SRRF/9aRF/DISIT, de 13/02/2009." Assim, patente que as soluções de consulta não são (e sequer constam no campo correspondente) a fundamentação da autuação. (...) Em adição ao que a DRJ estabelece, agregamos somente a possibilidade de, na ausência das retificações, haver comprovação inequívoca do alegado por outros meios, o que não se visualiza no caso dos presentes autos. É de se reconhecer, contudo, que extremamente mais simples é a retificação das declarações. (...) Nesse sentido também foi decidido por este Colegiado, em outra composição, no Acórdão nº 3402002.809, de 10/12/2015, sob minha relatoria: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 (...) CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. Assim, no caso presente, não obstante se pudesse relevar a formalidade de retificação das declarações e demonstrativos, diante da ausência de demonstração inequívoca, a cargo da recorrente, de que os créditos extemporâneos, referentes à aquisições dos anos de 2005 e 2006, não foram aproveitados em outros períodos, não há como reformar a decisão recorrida. 6. Da glosa relacionada aos gastos com importação Trata este tópico das glosas relativas aos gastos com despachante aduaneiro na importação de bens e o correspondente transporte até o estabelecimento da recorrente. Segundo a recorrente seriam os bens importados máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves, os quais não estariam disponíveis no mercado nacional. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 38 A DRJ manteve a glosa dos gastos com despachante aduaneiro, com esteio no Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4/2012 e na Solução de Divergência Cosit nº 7/2012, abaixo transcritos, tendo em vista que não é permitido o desconto de créditos sobre tais dispêndios, os quais não compõem a base de cálculo das referidas contribuições incidentes na importação de mercadorias: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4, de 26 de junho de 2012 DOU de 27.6.2012 “Dispõe sobre a impossibilidade do desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 273 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 a 18 Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, e na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 24 de maio de 2012, declara: Artigo único. Os gastos com desembaraço aduaneiro na importação de mercadorias não geram direito ao desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), por falta de amparo legal. Solução de Divergência nº 7, Cosit, de 24/05/2012 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. GASTOS COM DESEMBARAÇO ADUANEIRO. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, relativos a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, decorrentes de importação de mercadorias, por falta de amparo legal. Dispositivos Legais: Lei nº 10.865, de 2004, art. 7º, I e art. 15 (...) 19. Portanto, considerandose que os dispêndios com desembaraço aduaneiro devem ser tratados como parte do custo de aquisição das mercadorias importadas, a possibilidade de creditamento em relação ao referido custo deve ser aferida exclusivamente com base na Lei nº Fl. 360DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 39 10.865, de 2004, que dispõe sobre as contribuições incidentes na importação. 20. Por outro lado, mostrase absolutamente indevido, em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, qualquer creditamento com base nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que cuidam, respectivamente, de outras contribuições, quais sejam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pelas pessoas jurídicas no mercado interno. 21. Embora dispensável, observase que um mesmo dispêndio não poderá gerar crédito duplamente: na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Ou seja, não é possível a apuração de crédito sob a égide das duas espécies de contribuições em relação a um mesmo fato econômico, visto que ou se está numa “operação de importação” ou numa “operação doméstica”. 22. Exatamente por isso, o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e seu homólogo na Lei nº 10.833, de 2003, limitam o direito de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita exclusivamente “aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País”, e “aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País”. 23. Verificase, portanto, que a análise da possibilidade de se apurar créditos com relação aos gastos com desembaraço aduaneiro deve se basear exclusivamente na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a importação de bens e serviços. 24. O direito ao crédito previsto na Lei retrocitada referese às contribuições efetivamente pagas na importação e corresponde ao valor resultante da aplicação das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes no mercado interno no regime de apuração não cumulativa (1,65% e 7,6%, respectivamente) sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições incidentes na importação, acrescido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando integrante do custo de aquisição. É o que se infere da leitura do § 1º e do § 3º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004: 25. De fato, há que se verificar se os gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada estão incluídos na base de cálculo das contribuições incidentes sobre a importação, pois, caso não estejam, não há que se falar em apuração de crédito para ulterior abatimento do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar incidentes sobre a receita bruta, visto que o crédito Fl. 361DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 40 só existe em relação às contribuições efetivamente pagas. Em outras palavras, o crédito na importação não pode ser maior do que a Contribuição para o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação pagas pelo contribuinte. ...... 32. Assim, nos termos da legislação em estudo, os gastos com desembaraço aduaneiro não estão incluídos na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep– Importação e da Cofins–Importação por ocasião da importação de mercadorias. Consequentemente, não há contribuição efetivamente paga sobre esses gastos, não sendo, portanto, possível a apuração de crédito sobre os referidos dispêndios. 33. Assim, considerandose as hipóteses de creditamento previstas no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, combinado com o inciso I do art. 7º do referido diploma legal, não há autorização para apuração de crédito em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada. Isto porque, conforme o § 1º do art. 15, o direito ao crédito aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação, pagamento que não ocorre em relação a tais gastos, visto que eles não compõem a base de cálculo das aludidas contribuições. Conclusão 34. Diante do exposto, solucionase a presente divergência afirmandose que: a) os gastos com desembaraço aduaneiro devem ser considerados como integrantes do custo de aquisição de mercadoria importada; b) em se tratando de operação de importação de mercadoria, utilizada como insumo ou destinada à revenda, devese analisar a Lei nº 10.865, de 2004, para fins de verificação do direito ao desconto de crédito para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; c) os gastos com desembaraço aduaneiro decorrentes de importação de mercadoria não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação, por força do disposto no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865, de 2004; d) não é permitido às pessoas jurídicas submetidas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins descontar créditos em relação a gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada, utilizada como insumo ou destinada à revenda, por falta de amparo legal, consoante disposto no § 1º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 41 De outra parte, os argumentos apresentados no recurso voluntário não convencem. Alega a recorrente que os gastos com despachantes aduaneiros seriam qualificados como custos dos produtos importados, o que, a seu ver, já justificaria a permissão para apropriar os respectivos créditos. Ora, o que poderia justificar o reconhecimento de um direito creditório é a sua previsão legal, o que inexiste para tais gastos, mormente quando esses valores sequer integram a base de cálculo das contribuições de PIS/Cofins na importação. Também não se poderia dizer que os gastos com despachantes aduaneiros seriam "imprescindíveis para a importação dos mencionados bens pela ora Recorrente", vez que as atividades relacionadas ao despacho aduaneiro de mercadorias também podem ser efetuadas por outras pessoas, inclusive empregado com vínculo empregatício exclusivo, nos termos do art. 5º, §1º do Decretolei nº 2.472/887, atualmente consolidado no art. 809 do Regulamento Aduaneiro/2009. A decisão recorrida deve ser mantida em relação aos gastos com despachantes aduaneiros pelos seus próprios fundamentos. Quanto ao frete nacional dos bens importados, melhor sorte não assiste à recorrente. Os créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, no que concerne aos bens e serviços utilizados como insumo no processo produtivo da contribuinte, estão previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/20048, sendo que, em seu §3º, está definida a base de cálculo do crédito como "o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição". Por sua vez, o art. 7º da Lei nº 10.865/2004 estabelece que a base de cálculo das contribuições será o valor aduaneiro. Nos termos do art. 77 do Regulamento Aduaneiro/2002 ou 2009, integram o valor aduaneiro o custo de transporte e os gastos relativos à carga, descarga e manuseio da mercadoria importada até o ponto de desembaraço no território aduaneiro, bem como o custo do seguro da mercadoria nessas operações. Dessa forma, não há possibilidade de, com fundamento no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, se autorizar o creditamento das despesas com frete e armazenagem incorridas após o desembaraço aduaneiro, que não integram a base de cálculo definida na Lei para o desconto dos créditos. De outra parte, também o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, obviamente, não poderia socorrer a recorrente relativamente a despesas em operações referentes à entrada do insumo, eis que se refere a Fl. 363DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 42 despesas de frete e armazenagem relativas à operação de venda com o ônus suportado pelo vendedor. Analisemos agora a eventual aplicação do art. 3º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 (ou o correspondente da Lei nº 10.637/2002), o qual dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) [negritei] Como se sabe, o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou da Lei nº 10.637/2002 trata do creditamento relativo a um bem ou a um serviço que seja utilizado como insumo Fl. 364DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 43 na processo produtivo, no caso, na prestação de serviços de transporte de passageiros ou cargas. Vejamos primeiro a hipótese de "serviço utilizado como insumo". Poderia o frete dos bens importados (máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves) ser considerado como "serviço utilizado como insumo" na prestação dos serviços de transporte pela ora recorrente? Entendo que não. Em que pese o CARF não adotar a interpretação restritiva das Instruções Normativas no conceito de insumo, é certo que o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 não abriga o creditamento de serviços utilizados em etapas anteriores, que não possam ser consideradas como a prestação do serviço em si (resultado do processo produtivo), no caso, o transporte de pessoas e cargas. Os referidos serviços (frete) são aplicados somente nos próprios insumos, que já foram importados na condição de insumos, de forma que também não se poderia considerar como algo relacionado à produção ou à fabricação anterior desses insumos. O dispositivo legal exige que o serviço (no caso, o frete) seja utilizado como insumo na própria prestação do serviço (transporte de pessoas e cargas), o que não é o caso. Tampouco haveria possibilidade de creditamento dessas despesas com frete em relação ao "bem utilizado como insumo", embora haja construção jurisprudencial no CARF9 no sentido de admitir o desconto de créditos, no que concerne ao frete relativos aos insumos, em relação aos bens utilizados como insumo e aos bens para revenda, relativamente às despesas de fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou 10.637/2002) ou de um bem para revenda (inciso I). Em relação ao bem adquirido de pessoa jurídica no exterior não se vislumbra hipótese de creditamento com base nos arts. 3ºs das Leis nºs 10.833/2003 ou 10.637/2002, em face da restrição contida no §3º, I desse dispositivo ("§ 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;") e, em consequência, também não seria possível o creditamento de gastos com o frete nacional vinculados ao creditamento desses bens (apropriado ao custo de aquisição do bem utilizado como insumo). Mais importante é que, como visto, no caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº Fl. 365DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 44 10.865/2004, que é a norma especial aplicável ao caso, a qual não prevê a inclusão dos gastos com frete. Assim, sob qualquer ponto de vista, não há que se falar em creditamento das despesas relativas a frete realizadas após o desembaraço aduaneiro, sendo o mesmo raciocínio aplicável aos gastos com despachantes aduaneiros. Em situação semelhante ao presente caso, foi decidido no mesmo sentido do proposto acima por unanimidade de votos daquele Colegiado, sob a relatoria do Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento, conforme ementa abaixo: Acórdão nº 3302003.212– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2016 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Relator: José Fernandes do Nascimento ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições (valor aduaneiro, segundo art. 7º, I, da Lei 10.865/2004), nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003. (...) 6. Da glosa relacionada aos gastos com estadia de tripulantes Com relação aos gastos com estadia de tripulantes alega a recorrente que: "Não há como desconsiderar a indispensabilidade do gasto com estadia dos tripulantes para que a empresa aérea possa desenvolver suas Fl. 366DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 45 atividades. Afinal, na atividade de transporte aéreo se pressupõe que os tripulantes percorram longas distâncias para efetivarem a prestação do serviço a que se propõem. E, não raro, por conta da imperiosa necessidade de respeitar a duração da jornada de trabalho do aeronauta, para que este tenha condições de desempenhar seu trabalho, a estadia do tripulante é indispensável à continuidade da prestação do serviço pela companhia". No entanto, os serviços relativos à hospedagem de tripulantes não são utilizados como insumo na prestação de serviços de transporte pela recorrente em si, sendo usufruídos pelos tripulantes em face dos deslocamentos decorrentes da modalidade de trabalho que exercem. Tratamse de despesas que atendem a uma necessidade operacional da empresa, não se enquadrando no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins. Nesse sentido está a Solução de Divergência nº 15, de 30 de Maio de 2008: “Os gastos com passagem e hospedagem de empregados e funcionários, não são considerados “insumos” na prestação de serviços, não podendo ser considerados para fins de desconto de crédito na apuração da contribuição para a Cofins e o PIS nãocumulativo". 7. Da glosa relacionada aos gastos com o reparo de equipamentos utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos Neste tópico assim decidiu a DRJ: No caso do 4º trimestre de 2008, os bens glosados (“Planilha 9.8 – Gastos com o Reparo de Equipamentos Utilizados na Manutenção”) dizem respeito a três contas: “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Handling” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”. Tais contas já foram analisadas no item “II.5.4 DA GLOSA RELACIONADA ÀS AQUISIÇÕES DE BENS PATRIMONIAIS”, tendo o crédito glosado sido indeferido à contribuinte. Pelas mesmas razões lá aduzidas, entendese serem corretas as glosas realizadas. Como dito no tópico 4. a recorrente manifestou concordância com relação às contas "Gastos com equipamentos terrestres" e "Serviços de manutenção em equipamentos", e relativamente à conta "handling" deste tópico a recorrente nada mencionou no recurso voluntário, razão pela qual a decisão recorrida há de ser mantida. 9. Da glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo Tratase de glosas relativas aos gastos decorrentes da (i) contratação de serviços de comunicação por rádio, (ii) serviços de despachantes, (iii) serviços de segurança Fl. 367DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 46 patrimonial, (iv) serviços gráficos, (v) serviços gerais de limpeza, (vi) gastos com treinamentos, (vii) serviços de telefonia e banda larga, (viii) serviços de lavagem, (ix) abastecimento de água (QTA) e energia (GPU equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), (x) manutenção de instalações, (xi) aparelhos telefônicos e (xii) de ar condicionado, (xiii) manutenção de extintores e (xiv) de aparelhos de raio X, (xv) cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas, (xvi) rede de dados e voz. Entendeu a autoridade administrativa que: "Tais serviços, por mais necessários às atividades desenvolvidas pela contratante, não estão diretamente ligados à atividade de transporte aéreo de cargas, fato que os afasta da conceituação de insumo". Os gastos com comunicação de rádio entre a companhia aérea e a torre de comando são remuneradas por tarifa e já estão incluídos no tópico "tarifas aeroportuárias". Quanto aos serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas, bem como para contato entre as áreas aeroportuárias, entendeu a DRJ que eles são empregados diretamente na prestação dos serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros, concedendo o respectivo crédito no que concerne ao transporte de cargas. Dessa forma, como neste Voto foi considerado que o transporte internacional de passageiros está sujeito ao regime não cumulativo, deve ser aqui revertida a parcela da glosa sobre "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros. Com relação à aquisição de “aparelhos de raio X”, como dito pelo julgador a quo, só poderia gerar créditos de depreciação. Como a recorrente não apresentou qualquer argumento que afastasse tal constatação, a glosa deve ser mantida nessa parte. No entanto, quanto “serviços de operação de equipamentos de raio X”, eles podem estar vinculados tanto ao transporte de passageiros como de carga, devendo a parcela da glosa de tais serviços aplicada no transporte internacional de cargas ou no transporte internacional de passageiros ser revertida. No tocante à segurança patrimonial e aos gastos com aquisição de extintores de incêndio, alega a interessada que ambos estão vinculados à segurança dos passageiros e das cargas transportadas. Tendo em vista a não demonstração pela recorrente de que os extintores de incêndio seriam bens não ativáveis, não se pode reverter essa parcela da glosa, entretanto, os serviços relativos à Fl. 368DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 47 segurança dos passageiros e das cargas enquadramse no conceito de insumo adotado neste voto, eis que são essenciais e imprescindíveis ao transporte de passageiros e de cargas, devendo a parcela da glosa relativa à "segurança patrimonial" ser revertida relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. A glosa dos créditos relacionados ao fornecimento de energia às aeronaves (GPU: equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), que se refere, na verdade, a gastos com a locação destes equipamentos e não com suas aquisições, foi mantida pela DRJ nos seguintes termos: "Ocorre, todavia, que a empresa não conseguiu demonstrar dois aspectos essenciais para ter direito ao crédito em discussão. Primeiro, provar que também a atividade aérea de transporte de cargas necessita deste tipo de equipamento. Pelo recurso apresentado, parece que tais equipamentos são utilizados apenas no transporte de passageiros que, como já se viu, está sujeito ao regime cumulativo. Além disso, o contrato apresentado pela manifestante (doc. 5), fls. 1.441/1.444, foi assinado em 04/11/2013 e o prazo de vigência, conforme cláusula 2.1 só se iniciou a partir da assinatura do contrato. Portanto, como o crédito é do 4º trimestre de 2008, tal contrato não tem o condão de gerar o crédito pretendido". Assim, como a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo ou extintivo quanto a não vigência do contrato no período analisado, não restou comprovado o direito creditório relativo à locação do equipamento GPU, não cabendo reforma na decisão recorrida. Quanto aos gastos com treinamento de tripulantes, decidiu a DRJ no sentido de que "não há previsão legal expressa que autorize o creditamento com tal gasto. Por outro lado, tais despesas não se subsumem no conceito de “insumos”, pois não se caracterizam como “bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços” ou “serviços aplicados ou consumidos na prestação do serviço”. De outra parte, alega a recorrente que "as despesas com treinamento de tripulantes são indispensáveis para a aludida execução do serviço de transporte aéreo e estão diretamente relacionadas ao objeto social da Recorrente, razão pela qual as glosas devem ser revertidas por este E. CARF". No entanto, as despesas com treinamento de empregados embora sejam essenciais em qualquer ramo empresarial, não são se tratam de serviços aplicados na prestação de serviços de transporte, objeto social da recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida nesta parte. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 48 Quanto aos demais itens deste tópico, em que pesem os argumentos da recorrente, deve ser mantida a decisão recorrida, nos seguintes termos: "é facilmente observável que diversos bens glosados não dizem respeito diretamente ao serviço prestado pela manifestante, sendo apenas despesas operacionais da empresa. Obviamente, serviços gerais de limpeza, serviços de telefonia e banda larga, serviços de lavagem, gastos com cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas entre diversos outros, não têm correspondência direta com os serviços prestados pela empresa, não podendo gerar o direito ao crédito. São bens de uso e consumo da empresa, que não geram o direito ao crédito". No que diz respeito a "rede de dados e voz", conforme já decidido por este CARF no Acórdão nº 3401002.857, de 27 de janeiro de 2015, em relação a uma transportadora de cargas, não há o direito ao creditamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:2009, 2010, 2011 (...) DESPESAS COM TELEFONEVOZ E TELEFONEDADOS. VINCULAÇÃO A ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS. NÃO ENQUADRAMENTO COMO INSUMOS. As despesas com telefonevoz e telefonedados, por sua natureza, não se vinculam à prestação de serviço de transporte de cargas e não são indispensáveis a sua execução. Ademais, sua utilização está principalmente vinculada à realização das atividades administrativas da empresa, o que permitiria enquadrálas como necessária nos termos da legislação do IRPJ. Considerando a definição de insumos adotada, que não se confunde com o de despesa necessária do art. 299 do Decreto nº 3000/99, tais despesas não preenchem os requisitos para caracterização como insumo. Deve ser mantida a glosa em relação a estas despesas. Assim, em resumo, devem ser revertidas neste tópico, relativamente à glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo, somente as seguintes parcelas: a) "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e b) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte Fl. 370DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 49 internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. 11. Da glosa relacionada aos gastos não considerados insumos – Bens de uso e consumo No tocante a estas glosas, assim decidiu a DRJ: Observase com as glosas levadas a cabo pela fiscalização (Anexo 9.11 – Outros gastos não classificáveis como insumos) que a interessada pretendeu se creditar de todos os gastos que possui. No referido anexo, percebese a glosa de, entre outros, dispêndios com lixas, thinner, fita crepe, rolo de espuma, aplicador de massa, estopa, bobinas, etc. Todavia, não é todo e qualquer custo que gera o crédito da não cumulatividade do PIS/Cofins. Bens de uso e consumo não podem gerar o crédito da não cumulatividade das referidas contribuições, razão pela qual correta as glosas efetividas pela fiscalização. Tais bens são de uso e consumo, não havendo previsão legal para este tipo de creditamento. Além do mais, como a própria interessada consignou em seu recurso, “os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins não devem alinharse às definições de custo e despesas de que trata o RIR/99”. Especificamente, a interessada se insurge contra as glosas de despesas com vestuários e acessórios profissionais, entendidos como os uniformes utilizados pelos funcionários de rampa, aeroporto, os tripulantes, etc. Quanto a estas despesas em específico, vale observar que a Lei n° 11.898, de 08/01/2009, incluiu nos artigos 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 o inciso X, prevendo tal direito a crédito, in verbis: X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Observase, portanto, que as despesas constantes do inciso acima transcrito não proporcionam o crédito indiscriminadamente a qualquer pessoa jurídica. Tais despesas possibilitam o crédito apenas a pessoas jurídicas que explorem a prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Como este não é o caso da manifestante, não há que se falar em direito a crédito em relação a essas despesas. Por fim, a manifestante reclama especificamente sobre as glosas de gastos com materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticas, que são utilizados para a conservação e para a segurança das partes e peças que Fl. 371DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 50 serão destinadas ou à manutenção ou à própria aplicação nas aeronaves. Tais bens, entretanto, por razões já exaustivamente debatidas neste voto, não se enquadram no conceito de insumo para a empresa em epígrafe, dado o seu objeto social. Afinal, não têm vinculação direta com a prestação de seus serviços. Alega a recorrente que as "despesas com vestuários e acessórios profissionais" seriam custeadas pelo empregador, conforme determinação legal, não havendo como dissociar esse gasto ao conceito de insumo. Não obstante o conceito mais amplo de insumo no âmbito deste CARF, entendo que tais despesas não se enquadram no conceito de insumo, vez que não são aplicadas no transporte de pessoas e cargas, tratandose de despesas operacionais da empresa. No caso de fardamento e uniforme, o legislador ordinário optou por conceder o creditamento somente às atividades de "prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção", nos termos do art. 3º, IX das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Com relação aos "Materiais de Acondicionamento e Embalagens", embora afirme a recorrente que se tratariam de "materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticos", não se tem prova nos autos de que natureza seriam tais materiais e embalagens ou se seriam não ativáveis, devendo a decisão recorrida ser mantida também nesta parte. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário na seguinte forma: a) Determinar à autoridade administrativa que efetue novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total, bem como a inclusão das receitas originadas do transporte internacional de passageiros no regime não cumulativo; e b) Reverter somente as seguintes parcelas das glosas abaixo: i) glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no valor relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; ii) glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro: "Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos", "Serviços auxiliares aeroportuários", "Serviços de handling", "Serviços de comissaria", "Serviços de transportes de pessoas e cargas" e "Gastos com voos interrompidos", no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; Fl. 372DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 51 iii) gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo: iii.1)"serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e iii.2) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Voto Vencedor Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Redatora Designada Com a devida vênia, ouso divergir da ilustre Relatora no que tange a glosa de despesas com os uniformes dos aeronautas relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. A questão de mérito discutida nestes autos é já amplamente conhecida pelos julgadores do CARF. Tratase do conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade (artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) Embora não seja essa premissa o objeto da minha divergência em relação ao voto da Conselheira Relatora mas sim a sua aplicação sobre uma específica glosa , vale repisar a evolução jurisprudencial administrativa sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide. Quando primeiramente instado a se manifestar sobre o tema, este Conselho convalidou o restritivo entendimento esposado pela Receita Federal, materializado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04. Ou seja, transportouse o conceito de insumo do IPI para sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia que ao contribuinte somente seria legítimo descontar créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469). Num segundo momento, já assumindo a impropriedade de se aplicar como critério para aferir o crédito PIS e Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 52 COFINS não cumulativos aquele do IPI uma vez que materialidades destas espécies de tributos são completamente distintas, sendo a do IPI, circunscrita ao âmbito da industrialização, enquanto a das Contribuições, é mais abrangente, por ser a receita como um todo , o CARF passou a utilizar as regras de dedutibilidade de despesa constante na legislação do pelo imposto sobre a renda (“IR”) para a definição de insumos (e.g. Acórdão n. 320200.226). Nesse sentido, a jurisprudência do CARF acabou conferindo uma amplitude maior ao conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à consecução do objeto social da pessoa jurídica. Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”.10 Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 (Acórdão 3402002.881), para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Ademais, na recente data de 24 de abril de 2018, foi publicado pelo Superior Tribunal de Justiça o Acórdão relativo ao REsp 1.221.170 / PR, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, que pacifica a tese adotada por este Conselho, in verbis: 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 53 Tal julgamento é de observância obrigatória pelo CARF, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. A Recorrente é concessionária de serviço público que se dedica à prestação de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e objetos postais, assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves, motores, partes e peças de terceiros. Tendo em vista o citado objeto social, a Recorrente trouxe aos autos prova de seus dispêndios com vestuários e acessórios profissionais de seus funcionários. O custeio dessas vestimentas para os aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984 (com a redação mantida pela Lei n. 13.475/2017, a qual dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave, denominado aeronauta; e revoga a Lei no 7.183/1984), in verbis: Art. 46 O aeronauta receberá gratuitamente da empresa, quando não forem de uso comum, as peças de uniforme e os equipamentos exigidos para o exercício de sua atividade profissional, estabelecidos por ato da autoridade competente”. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade da Recorrente, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo de produção dos serviços prestados pela Recorrente, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais. Assim tem se manifestado esse Conselho em casos análogos, à medida que o fornecimento de uniformes decorre de imposição de lei específica do setor econômico da empresa. Citamos como exemplo o caso dos uniformes utilizados pelos funcionários em redes de supermercado, conferindo direito ao crédito das Contribuições, haja vista que para cada setor específico das lojas a legislação trabalhista brasileira prevê a obrigatoriedade do fornecimento de equipamentos de proteção individual bem como de uniformes para os seus funcionários (Acórdão n. 3301004.483). Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 54 Por tudo quanto exposto, voto pela reversão das glosas de créditos pautados em "despesas com vestuário e acessórios profissionais" dos aeronautas, relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário utilizando como paradigma o processo nº 12585.720010/201262, Acórdão nº 3402005.316 e em resumo: (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras e de transporte internacional de passageiros como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondentes aos gastos com equipamentos terrestres por ausência de comprovação; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"; (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"); (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo"; Fl. 376DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 55 (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros; (c) manter as glosas das despesas de frete pagas após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros; Ressaltar que na hipótese de se tratar de bem ativado, este deixa de ser considerado insumo, passando a gerar crédito com base na depreciação. Voto ainda para que todos esses processos permaneçam reunidos por conexão." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: (a.1) que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras e de transporte internacional de passageiros como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondentes aos gastos com equipamentos terrestres por ausência de comprovação; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"; (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"); (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo"; Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16692.720729/201407 Acórdão n.º 3201005.403 S3C2T1 Fl. 0 56 (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros; (c) manter as glosas das despesas de frete pagas após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros; Ressaltar que na hipótese de se tratar de bem ativado, este deixa de ser considerado insumo, passando a gerar crédito com base na depreciação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 378DF CARF MF
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