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Numero do processo: 10166.728270/2011-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 82 70 /2 01 1- 19 Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 9202005.783 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 9202005.783 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 9202005.783 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 9202005.783 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 9202005.783 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 9202005.783 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 9202005.783 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 9202005.783 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 9202005.783 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10166.728270/201119 Acórdão n.º 9202005.783 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 1136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910562/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 31/01/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.474
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 31/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 05 62 /2 01 1- 81 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910562/201181 Acórdão n.º 3402004.474 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.569, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 31/01/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910562/201181 Acórdão n.º 3402004.474 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910562/201181 Acórdão n.º 3402004.474 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910562/201181 Acórdão n.º 3402004.474 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001116/2005-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001, 2002
ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.
Resta possível o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel.
Numero da decisão: 9202-006.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001, 2002 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta possível o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta possível o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 11 16 /2 00 5- 31 Fl. 334DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 13/05/2010, foi dado provimento ao Recurso Voluntário em epígrafe, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2201000.667 (fls. 287 a 295), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001,2002 ITR. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O Laudo Técnico apresentado pelo Recorrente, quando emitido de acordo com as formalidades exigíveis e com conteúdo pertinente, deve ser aceito como prova para a fixação do Valor da Terra Nua. Recurso Provido." Cientificada do acórdão em 12/02/2014 (Termo de Intimação de fls. 296), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data (Relação de Movimentação de fls. 299), o Recurso Especial de fls. 300 a 307, com fundamento no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional visa rediscutir o critério para aceitação de laudo que vise a revisão do arbitramento do VTN. Como paradigmas foram indicados os Acórdãos nºs 30130.275 e 30239396, tendo sido admitido o presente com base no segundo paradigma. Intimado do presente Recurso, o Contribuinte apresenta contrarrazões pugnando pelo não conhecimento e, se conhecido desprovido o presente. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13603.001116/200531 Acórdão n.º 9202006.051 CSRFT2 Fl. 335 3 Da delimitação da lide: Tratase de Recurso que Valor da Terra Nua arbitramento SIPT. Do conhecimento: Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, uma vez não teria sido juntada a íntegra dos Acórdãos paradigmas, requisito este não expresso no RICARF, motivo pelo qual, entendo cumpridos os requisitos para conhecimento, uma vez que a própria análise de admissibilidade já desconsiderou o paradigma referido pelo Contribuinte. Tratase de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2005 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Portanto, sobre os valores arbitrados pelo fisco, para o exercício de 2001 em R$ 790,06/ha e para o exercício de 2002 em R$ 1.799,26/ha faz se necessário observar, a principio, que não poderia a autoridade fiscal deixar de arbitrar novo Valor de Terra Nua urna vez que não ha dúvidas de que os VTN's declarados pela contribuinte para areas do imóvel de R$ 306,12/ha para o exercício de 2001 e R$ 171,74/ha para o exercício de 2002, encontram se, de fato, subavaliados, por serem muito inferiores não só a todos os VTN's por hectare listados conforme qualidade das terras, mas também aos VTN`s médios por hector de R$ 1.515,56/ha, apurado no universo das declarações do ITR/2001, e de R$1.633,73/ha, apurado no universo das declarações do ITR/2002, referentes aos imóveis rurais localizados em Caete MG. O VTN proposto pelo impugnante, de R$ 565.434,99 (R$ 311,69/ha para o exercício de 2001 e R$ 311,77/ha, para exercício de 2002), fundamentado no Laudo Técnico de Avaliação, que entendo como válido, de acordo com o constante da decisão a quo. Assim, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 336DF CARF MF 4 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado. Com a devida vênia ao entendimento esposado pela relatora quanto ao mérito do Recurso, ouso discordar. Mantenho, aqui, meu posicionamento, já expresso em outros Acórdãos de lavra desta Turma, de que, com fulcro no disposto nos art. 14, § 1o. da Lei nº 9.396, de 1996, quando combinado com o art. 12, II, da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, quando da não apresentação, pelo contribuinte, de laudo com a fundamentação exigida pela NBR aplicável que suporte o VTN declarado (tal como ocorreu no caso em questão, consoante relatório fiscal de efl. 12), é de se aceitar, para fins da caracterização ou não de subavaliação, o arbitramento pelo SIPT, ressaltese, todavia, desde que efetuado com utilização do VTN médio que leve em consideração também o fator de aptidão agrícola, verbis: Lei 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização.(g..n.) § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.(g.n.) Lei 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos:(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIIdimensão do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias.(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) (grifei) Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13603.001116/200531 Acórdão n.º 9202006.051 CSRFT2 Fl. 336 5 §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA.(Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel.(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) No caso em questão, não foi apresentado, pela autuada, o laudo com a fundamentação requerida pela norma técnica de regência, podendose notar ainda, a partir do disposto nos demonstrativos de efls. 8, 13, 15, 16 e 17, que foi utilizado, para fins de arbitramento, pela autoridade fiscal, para ambos os exercícios em questão (2001/2002), o valor de VTN constante do SIPT levandose, sim, em consideração a aptidão agrícola para cada um dos componentes do imóvel em questão (cultura, matas e área aproveitável), assim, com plena observância ao requisito legal estabelecido para fins do arbitramento realizado. Escorreito, destarte, o lançamento realizado para ambos os exercícios, sendo de se manter a tributação realizada consoante efls. 16 e 17, e, diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.011613/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 26/11/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 26/11/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 16 13 /2 00 7- 44 Fl. 100DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10120.011613/200744 Acórdão n.º 2202004.162 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.000461/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado Digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire Presidente
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1397; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 692 1 691 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15165.000461/200832 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.178 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de outubro de 2017 Assunto CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Recorrente S L COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta CâmaraTerceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de auto de infração para exigência de crédito tributário no valor de R$ 3.164.205,00 referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 51 65 .0 00 46 1/ 20 08 -3 2 Fl. 692DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Resolução nº 3402001.178 S3C4T2 Fl. 693 2 Depreendese da descrição dos fatos do auto de infração e de seu relatório fiscal (Termo de Encerramento de Diligência – fls. 37 a 53) que a importadora Petra Comercial Importadora e Exportadora Ltda realizou diversas importações utilizandose de recursos da empresa SL Comercial Importadora e Exportadora Ltda descumprindo as normas de importação pertinentes. As Declarações de Importação foram registradas informandose que a importadora e adquirente das mercadorias seria a empresa Petra, todavia todas as mercadorias importadas até 28/02/2007 foram vendidas para a empresa SL e os recursos utilizados para pagamento dos tributos e fechamento dos contratos de câmbio provieram de Contratos de Mútuo da sócia das empresas, sendo que sua origem foi a empresa SL. Considerandose que as mercadorias foram dadas a consumo, conforme declaração da sóciagerente, foi lavrada multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, prevista no §3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002. As Declarações de Importação objeto do auto de infração são as seguintes: DI NUM DATA DE REGISTRO VALOR ADUANEIRO/CIF(R$) 0701618862 06fev2007 54.447,00 0701618811 06fev2007 66.391,00 0701385728 01fev2007 233.061,00 0701094901 25jan2007 175.783,00 0701094847 25jan2007 170.165,00 0701094839 25jan2007 76.053,00 0701042863 24jan2007 545.033,00 0701025012 24jan2007 249.065,00 0700855062 19jan2007 109.150,00 0700536110 12jan2007 558.416,00 0700469910 11jan2007 361.703,00 0700348098 09jan2007 116.875,00 0615525444 21dez2006 187.115,00 0615334088 18dez2006 78.424,00 0615107073 12dez2006 162.721,00 0614385312 27nov2006 19.803,00 TOTAL 3.164.205,00 Em diligências efetuadas na empresa Petra Comercial Importadora e Exportadora Ltda verificouse a seguinte situação, em síntese: A empresa Petra é constituída pelos sócios Maria de Lourdes Santos Chervonagura (5% do Capital Social ) e a empresa Desk Village Sociedad Anônima, sediada no Uruguai, que tem como procuradora e responsável no País a Sra. Maria de Lourdes. A sede da empresa Petra funciona em imóvel de 107,05 m2 pertencente à empresa Matisse Participações Ltda, empresa constituída pelo sr. Saul Chervonagura Trosman e por seus filhos Erica Santos Chervonagura Trosman e Iael Santos Chervonagura Trosman. Nessa sala trabalha uma secretária e, quando necessário, a sócia Maria de Lourdes Santos Chervonagura comparece para resolver algum Fl. 693DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Resolução nº 3402001.178 S3C4T2 Fl. 694 3 problema. Nesse local são emitidas as Notas Fiscais de Entrada e Saída de Mercadorias. Foi informado que a empresa se utiliza de área de 30% de um imóvel da empresa SL Comercial Importadora e Exportadora Ltda, que perfaz 1.581 m2, e que pertence à empresa E.J. Wagner Engenharia e Construção Ltda, para utilizar para armazenamento das mercadorias importadas e comercializadas no mercado interno. Os valores referentes ao IPTU e às despesas de energia elétrica, água e telefone são pagas proporcionalmente à área do imóvel ocupado, conforme contrato de locação. A empresa SL Comercial Importadora e Exportadora Ltda é constituída pelos sócios Maria de Lourdes Santos Chervonagura (5% do Capital Social ) e a empresa Dive Garden Sociedad Anonima (95% do Capital Social) uruguaia e cujo procurador e representante no Brasil é Saul Chervonagura Trosman, marido da sra. Maria de Lourdes. Os sócios fundadores da empresa SL Comercial Importadora e Exportadora Ltda foram a empresa Uruguaia Dive Garden Sociedad Anônima, Saul Chervonagura Trosman e Marcelo Caetano Taniello Santos Azevedo, que se retirou da sociedade quando ingressou a sócia Maria de Lourdes. O depósito compartilhado entre as empresas Petra e SL não apresenta nenhuma separação física que permita distinguir quais mercadorias pertencem a qual empresa. O controle de estoques é realizado por sistema informatizado, conforme demonstrado por Maria de Lourdes. Foram emitidos Relatórios de Ocupação das empresas, bem como Relatório da Invoice. Maria de Lourdes trabalha em escritório localizado no interior do depósito, juntamente com seu esposo Saul (que possui outra sala) e quando necessário se desloca à outra sala comercial, no endereço sede. Saul Trosman é o responsável pelo contato com os fornecedores externos de ambas empresas (Petra e SL). Maria de Lourdes detém conhecimento das rotinas de trabalho e controle informatizado de emissão de relatórios. Não há como se saber quais dos 120 funcionários fazem parte dos 30% que trabalham para a Petra como informado pela sócia. Tanto interna como externamente somente é possível visualizar a marca “Láquila”, que pertence à empresa SL. Há necessidade de inscrição tanto federal, estadual, quanto municipal próprias da Petra no local de funcionamento do depósito de mercadorias (filial da empresa) para fins de controle do transporte e armazenagem das mercadorias. “Conforme Termo de Declaração (fls. 460) a Sra. Maria de Lourdes informa, entre outras coisas, que a partir do final de 2001 houve o planejamento para se dividir os mercados de produtos comercializados entre a empresa S.L. Comercial Importadora e Exportadora Ltda. e a nova empresa a ser criada; que devido à instabilidade econômica da época (meados de 2002) resolveram não colocar em prática a nova empresa (Petra criada neste período); que no final de 2005 resolveram implementar o projeto de divisão de mercado e trataram de se organizar junto com seus fornecedores no exterior para o início das atividades da empresa Petra previsto para meados de 2006. Porém, devido a dificuldades enfrentadas pelos fornecedores, adiaram o início Fl. 694DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Resolução nº 3402001.178 S3C4T2 Fl. 695 4 das operações de importação por intermédio da nova empresa (Petra), o que se deu apenas em setembro de 2006 (data do primeiro embarque); que a empresa Petra obteve uma linha de crédito junto aos antigos fornecedores da empresa S.L, conforme documentos apresentados no processo de Habilitação do Siscomex; que a Petra inicialmente comercializou somente com a empresa S.L, com margem de lucro usual a todos os demais compradores das suas mercadorias; que o seu marido, Sr. Saul Trosman, é o responsável pelos contatos com os fornecedores externos e que o mesmo faz, eventualmente, visitas às fábricas e feiras comerciais em nome das empresas S.L e Petra, muito embora seja remunerado apenas pela S.L; que não há divisão física no depósito de mercadorias, separando as mesmas de cada uma das empresas (S.L e Petra). Existe uma divisão logística, gerenciada por sistema informatizado, inclusive já demonstrado para esta fiscalização quando em visita ao mesmo; que a Sra. Maria de Lourdes recebe prólabore apenas da empresa S.L., não recebendo, até aquela data, nenhum pagamento da empresa Petra, efetuando apenas investimento na mesma.” Foram apresentadas fichas de apenas três funcionários. Quanto aos demais foram apresentados contratos de prestação de serviços entre a Petra e as empresa PH Trabalho Temporário Ltda (para prestação de serviços temporários) e Mantros Suporte e Apoio Administrativo Ltda (alocação de todo tipo de mãodeobra), conforme informação da sócia. A empresa Mantros tem como sócios Maria de Lourdes Santos Chervonagura e seu marido Saul Chervonagura Trosman. O pedido de habilitação da interessada perante o Siscomex foi inicialmente indeferido por não haver comprovação da correta integralização do capital social, bem como ausência de comprovação de valores de contas a receber e ausência de comprovação de capacidade financeira da credora/mutuante Maria de Lourdes Santos Chervonagura para realizar os empréstimos à Petra, conforme Contratos de Mútuo apresentados. Posteriormente a Petra foi habilitada a título precário e foi instaurado procedimento especial de fiscalização previsto na IN SRF nº 228/02. A integralização do capital social da empresa Petra teve como origem os recursos obtidos por Contratos de Mútuo firmados entre a empresa S.L. e a Sra. Maria de Lourdes, conforme documentos apresentados. Há indícios que os contratos de mútuo entre a Sra. Maria de Lourdes e a empresa S.L. tenham sido lavrados posteriormente às datas informadas, considerandose não haver registro público e observando se as datas de reconhecimento das firmas. Aparentemente os contratos foram formalizados para serem apresentados perante a fiscalização, com o fim de se obter habilitação no Siscomex. Os recursos foram, de fato, transferidos da empresa S.L. para a empresa Petra, via Sra. Maria de Lourdes, como demonstram os comprovantes de depósitos, extratos bancários, cópias de cheques e registros contábeis. Os livros contábeis, inclusive, somente foram registrados na Junta Comercial depois de iniciada a ação fiscal e depois de ter sido exigida sua apresentação pela fiscalização. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Resolução nº 3402001.178 S3C4T2 Fl. 696 5 Não houve demonstração da Sra. Maria de Lourdes de que possuía capacidade financeira para assumir empréstimos perante a empresa S.L. de mais de seis milhões de reais, apesar de esse valor ter sido repassado à empresa Petra para adquirir mercadorias no mercado externo. Esse repasse de recursos da empresa S.L. para a empresa Petra mediante contratos de mútuo da sócia pode ser entendido como uma tentativa de ocultar o real adquirente das mercadorias importadas pela Petra e revendidas, na quase totalidade, à empresa S.L. A empresa afirma que a fonte de recursos são os créditos rotativos ou facilidades de pagamento obtidos de seus fornecedores no exterior, confirmados pelas correspondências apresentadas. No período entre 12/12/2006 e 28/02/2007 todas as mercadorias importadas foram vendidas somente à empresa S.L., conforme notas fiscais emitidas. Posteriormente, parte das mercadorias passou a ser negociada com outras empresas, notadamente, constituídas por pessoas de estreito relacionamento pessoal (filhos). Pequena comercialização (cerca de nove mil reais) ocorreu com empresa sem vínculo pessoal com a interessada. Não houve registro de importações na modalidade “por conta e ordem de terceiros” ou “por encomenda”. “A partir da planilha acima, podemos chegar às seguintes conclusões: A Sra. Maria de Lourdes atualmente é sócia das empresas S.L, Petra e Mantros e já foi Diretora da empresa Eurostar; o seu marido, Sr. Saul Trosman, nos dias de hoje, é sócio das empresas Matisse (proprietária do imóvel sala comercial, onde se localizada sede da empresa Petra) e Mantros (fornecedora de mãodeobra para as empresas S.L. e Petra) e já foi sócio da empresa S.L.; Érica Chervonagura, filha da Sra. Maria de Lourdes, é, atualmente, Presidente da empresa Eurostar e sócia da empresa Matisse; Iael Chervonagura, filho da Sra. Maria de Lourdes, é Diretor da empresa Eurostar e sócio das empresas BMP e Matisse; Vanuzia dos Santos, esposa do Sr. José dos Santos, é funcionária da empresa S.L. e sócia da empresa BMP; José dos Santos, marido da Sra. Vanuzia, foi sócio da empresa BMP e atualmente não pertence a qualquer outro quadro societário; e Marcelo Santos Azevedo foi sócio da empresa S.L e atualmente é sócio da empresa MPL.” Não houve como se verificar com profundidade a margem de lucro praticadas pela interessada, considerando que quase a totalidade das mercadorias foram “vendidas” à empresa S.L. ou a empresas do grupo familiar. Muito provavelmente a empresa S.L. está utilizando a empresa Petra para “quebrar a cadeia do IPI”, fazendo uma economia no pagamento desse tributo e, conseqüentemente, competindo em condições mais favoráveis em relação a seus concorrentes. Concluiuse ter havido ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, a empresa S.L., através da empresa Petra, nos termos do Fl. 696DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Resolução nº 3402001.178 S3C4T2 Fl. 697 6 disposto no art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/1976, com as modificações da Lei nº 10.637/2002. Assim, foi lavrado o auto de infração do presente processo, para exigência da multa prevista no parágrafo 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, haja vista a declaração da sócia de que a totalidade das mercadorias importadas foram dadas a consumo. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada aprese4ntou impugnação na qual alega, em síntese, que: Após intimada para informar a destinação das mercadorias importadas, demonstrou que parte foi devolvida à Petra (importadora), como se observa das Notas Fiscais nº 118719 e 122166, citadas às fls. 27, ficando com parte minoritária que foi vendida a terceiros. As mercadorias importadas por meio das Declarações de Importação nº 07/01618862 e 07/01042863 tiveram a pena de perdimento decretada pela DRF Itajaí, conforme se vê da decisão final do Processo Administrativo Fiscal nº 10909.001466/200737. Essas Declarações de Importação juntas representam R$ 599.480,00 e sequer foram desembaraçadas pela Petra, assim, deve o auto de infração ser desconstituído parcialmente, sob pena de aplicação de dupla penalidade pelo mesmo fato. A empresa Petra foi constituída para que atuasse em nichos exclusivos de mercado, não abrangidos pela atuação da impugnante, que reduziria suas importações diretas, destinandose mais à comercialização no mercado interno de produtos importados por terceiro. “Ou seja, não se nega que o início das atividades da Petra decorra de decisões tomadas pelos sócios da Impugnante. Em verdade, a Petra veio a preencher um nicho mercadológico em que a Impugnante não mais pretendia atuar. E o fato da sócia da Petra (Maria de Lourdes) ser também sócia minoritária da Impugnante é justamente o fator que possibilitou que o nicho de mercado que estava sendo abandonado por uma das empresas pudesse ser assumido pela outra. Isto não significa, contudo, que uma empresa (Petra) tenha vindo a esconder a outra (Impugnante). 5. Tanto é assim, que ambas as empresa (tanto a Impugnante, quanto a Petra) estão devidamente habilitadas no sistema Radar, sob a modalidade ordinária de importações.” Desde sua constituição a impugnante já importou mais de 32 milhões de dólares americanos, e a empresa Petra teve seu limite semestral de importação definido pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil em mais de 5 milhões de dólares americanos. “Assim, não é plausível a afirmação de que a Petra não tem recursos para suas importações ou que a Impugnante estivesse se escondendo por trás da Petra para realizar as importações descritas no Auto de Infração, pois ambas têm condições financeiras e comerciais de gerir seus próprios negócios.” Fl. 697DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Resolução nº 3402001.178 S3C4T2 Fl. 698 7 Os próprios fornecedores da empresa esclareceram que concedem condições de pagamento facilitados e crédito à impugnante. “Não bastasse isso, foi afirmado e comprovado desde o início pela sócia comum da Impugnante e da Petra, Maria de Lourdes, que ela aportou recursos na Petra através de empréstimos, todos eles devidamente documentados e contabilmente declarados. Ora, os empréstimos da sócia para a sociedade são fatos confessados e documentados pela própria sócia da Impugnante sem qualquer ilegalidade. Tanto é assim que, muito antes da lavratura de qualquer auto de infração (seja contra a Impugnante ou a Petra), a própria sócia comum das empresas informou os mútuos celebrados e apresentou todos os contratos, as transferências bancárias realizadas e as suas respectivas contabilizações. O que se vê claramente é que tanto os mútuos entre a Impugnante e sua sócia Maria de Lourdes, quanto os desta última e a Petra, estão absolutamente regulares, nos exatos termos do artigo 6o, § Io e § 2o, da Instrução Normativa n. 228, de 21/10/2002, da Secretaria da Receita Federal. Não há como se afirmar que a mera seqüência de empréstimos possa caracterizar a Petra como uma importadora sem recursos ou de fachada e a Impugnante como a verdadeira importadora que teria sido omitida nas operações de comércio exterior. (...) Ou seja, o contrato de mútuo se resume, em síntese, ao acordo de vontades firmado entre duas pessoas, na qual uma delas transfere determinado bem ou quantia em dinheiro à outra, que fica obrigada a restituir a mesma quantia, em determinado prazo e sob um determinado custo (no caso do mútuo oneroso). No caso em questão, os contratos de mútuos firmados entre SL Comercial e Maria de Lourdes ou Maria de Lourdes e Petra deramse, exatamente, nos moldes previstos pela doutrina, ou seja, empréstimo entre pessoas, com prazo certo (de 36 a 50 meses) e previsão de pagamento de juros (0,5% ao mês).” Pelo disposto no Código Civil, art. 586, não há como se taxar como ilícitas as transferências instrumentalizadas nos contratos de mútuo. A própria Instrução Normativa SRF nº 228/2002 autoriza que os recursos aplicados nas operações de comércio exterior sejam comprovados através da apresentação dos contratos de empréstimo. Não houve inovação no ordenamento jurídico, a sócia Maria de Lourdes simplesmente utilizouse da faculdade prevista na legislação, sendo legais seus procedimentos, não podendo ser desconsiderados. “E mais, embora o auto se infração qualifique como suspeita a simultaneidade das operações de empréstimos realizadas entre as empresas e sua sócia comum, não se pode ignorar que o mundo dos negócios exige agilidade. Exatamente esta agilidade justificou que, ao mesmo tempo em que Maria de Lourdes obteve os empréstimos frente à Fl. 698DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Resolução nº 3402001.178 S3C4T2 Fl. 699 8 SL Comercial, ela aportasse os recursos na Petra, também sob a forma de empréstimo, a fim de viabilizar suas atividades econômicas, principalmente pelo pouco tempo de funcionamento desta empresa. Ressaltese, ainda, mais uma prova da legalidade dos mútuos: a própria Impugnante, quando firmou os contratos de empréstimo com Maria de Lourdes, recolheu o IOF incidente sobre as operações de mútuo (doc. 05), nos termos dos artigos Io, 2o e 5o do Decreto 4494/2002. Mesmo que se afirme que isso não é prova absoluta da existência dos mútuos, vêse que, se eles fossem fictícios, por certo a Mutuante SL Comercial não teria despendido recursos próprios para o pagamento do IOF incidente sobre as operações, pois, em razão do alto valor dos mútuos, seria um custo demasiado para uma simples ficção.” Análise da contabilidade da impugnante demonstra que ela possuía plena capacidade financeira para realizar os empréstimos. Concluise que é impossível se considerar que a impugnante ou a Petra eram uma única realidade ou mesmo que a segunda foi uma trading company para esconder a primeira. O fato de as duas empresas possuírem uma sócia comum não significa que foram constituídas para sonegar tributos. “Não se pode, assim, rotular a empresa negativamente apenas pelo fato de sua sócia minoritária também ser sócia de outra empresa. Nem mesmo se pode afirmar que as vendas da Petra, nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2007, demonstrariam que a maior parte dos produtos foi vendida para a Impugnante (tal como consta do Auto de Infração). Isto porque, para as conclusões aritméticas adotadas no Termo de Encerramento da fiscalização que foi realizada junto à Petra, tomouse por base apenas os 2 meses iniciais de atividade comercial da Empresa, nos quais, naturalmente, pela sua prematura idade no mercado, suas vendas tenderiam a se concentrar mais para a outra empresa da sua sócia (no caso a Impugnante), que já tinha clientela formada no mercado interno. No entanto, basta se observar a seqüência das atividades da Petra e se verá que as mercadorias por ela importadas foram comercializadas com várias empresas do mercado nacional. Da análise dos pedidos em anexo (docs. 8), observase que, ainda no primeiro semestre do ano de 2007, já não mais existiam vendas de mercadorias da Petra para a Impugnante, pois grande parte de suas mercadorias importadas já estava sendo adquirida pelo mercado afora, como se observa dos seguintes pedidos feitos pouco tempo após o início das atividades da empresa, que totalizaram USS 517.000,00 (quinhentos e dezessete mil dólares norteamericanos): (...)”Esses pedidos já haviam sido confirmados no início de 2007 e os valores de sinal de negócio depositados pelos clientes na conta corrente da Petra, o que demonstra que a Petra não é empresa de “fachada”, como presumiu a fiscalização, ou que importaria e comercializaria com a impugnante com intuito exclusivo de omitir esta última nas importações e assim quebrar a cadeia do IPI. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Resolução nº 3402001.178 S3C4T2 Fl. 700 9 E mesmo que tenham sido inicialmente vendidas para a impugnante, acabaram sendo devolvidas para a Petra, em sua maior parte, como comprovam as notas fiscais anexadas. O saldo remontaria a R$ 629.758,21, limite para que se realizasse a conversão da pena em multa, pois não se pode punir a impugnante por mercadorias que não ficaram em sua posse ou propriedade. Não houve importações por conta e ordem de terceiro ou por encomenda. A Petra foi a real adquirente das mercadorias, tanto que as vendeu a quem bem quis comprálas, sendo na menor parte à impugnante. “Neste contexto, data máxima vénia, nao se pode considerar a presente importação "por conta e ordem de terceiro" ou "por encomenda", pois, em havendo como de fato existiu várias vendas de mercadoria da Petra a terceiros diversificados (inclusive à Impugnante), como ficariam as DI's se nelas constasse a SL Comercial como futura adquirente de todas as mercadorias? Logo não pode a Impugnante ser penalizada com multa decorrente da conversão de pena de perdimento de mercadorias que sequer adquiriu em sua integralidade. Não há, por conseqüência, qualquer ocultação do sujeito passivo da importação ou interposição fraudulenta de terceiros. As operações tinham como sujeito passivo a Petra, que, após a nacionalização das mercadorias importadas, efetuou sua comercialização junto ao mercado brasileiro.” Da mesma forma, não houve qualquer fraude nas importações, tendo sido recolhidos todos os tributos integralmente, tanto nas importações, quanto nas etapas posteriores de comercialização. Os fatos não tipificam a infração acusada pela fiscalização. Requer a desconstituição total do auto de infração ou, em caso contrário, a desconstituição parcial do auto de infração, pelas razões expostas. Encaminhado para julgamento, o processo foi convertido em diligência (v.fl. 322 ) para esclarecimentos por parte da unidade de despacho. Os autos foram instruídos com os documentos de folhas 325 a 641. Cienti8ficada, a interessada apresentou aditivo a sua impugnação inicial alegando, em síntese, que os documentos trazidos aos autos comprovam que as mercadorias importadas, amparadas pelas Declarações de Importação nº 07/01618862 e 07/01042863 foram objeto de pena de perdimento e inclusive já foram leiloadas e, portanto, não podem servir de base para aplicação da multa do presente processo, sob pena de aplicação de dupla penalidade pelo mesmo fato. Ratificou as alegações iniciais e requereu a desconstituição total ou parcial do auto de infração. Ato contínuo, a DRJFLORIANÓPOLIS (SC) julgou a impugnação do contribuinte, nos seguintes termos: Fl. 700DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Resolução nº 3402001.178 S3C4T2 Fl. 701 10 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 27/11/2006 a 06/02/2007 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA, NÃO LOCALIZADA OU REVENDIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é substituída por multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria importada caso tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida. PENALIDADE. DUPLICIDADE. INSUBSISTÊNCIA. Penalidade lançada em duplicidade em relação ao mesmo fato gerador deve ser tornada insubsistente. Impugnação Procedente Em Parte. Crédito Tributário Mantido Em Parte. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. A Empresa, em seu Recurso Voluntário. repisou os mesmos argumentos não providos utilizados na Impugnação. É o relatório. VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual deve ser conhecido. A acusação fiscal se refere a aplicação de pena de perdimento de mercadoria que, por ter sido consumida ou não ter sido localizada, foi convertida em multa em valor equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, decorrente da identificação da S L Comercial Importadora e Exportadora Ltda como a real adquirente em importação com características de por conta e ordem, nos termos dos inciso V, art.23, do DecretoLei nº 1.455/1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002, in verbis: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ...................................................................................... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. ...................................................................................... Fl. 701DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Resolução nº 3402001.178 S3C4T2 Fl. 702 11 § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Em diligência realizada na importadora Petra Comercial Importadora e Exportadora Ltda, a Fiscalização encontrou fortes indícios de que a empresa teria realizado várias operações de importações no período 27/11/2006 a 06/02/2007 ocultando a empresa SL Comercial Importadora e Exportadora Ltda como a real adquirente das mercadorias, em descumprimento das exigências da legislação aduaneira. Segundo a fiscalização, os recursos para as referidas operações de importações, objeto da autuação, tiveram origem na empresa SL Comercial Importadora e Exportadora Ltda. A Autoridade Aduaneira chegou a essa conclusão após constatar que os recursos financiadores da importação decorreram de operação triangular realizada entre as empresas SL Comercial, Petra e a sócia comum a ambas, a Sra. Maria de Lourdes. A triangulação para a transferência dos recursos se deu por meio de contratos de mútuo celebrados inicialmente entre a sócia e a empresa SL Comercial em montante superior a R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais) e, posteriormente, em período próximo e anterior aos fechamentos de câmbio ou pagamento dos tributos incidentes no comércio exterior, a sócia também celebrou contratos de mútuo com a Petra Comercial, repassando os recursos a mesma, como demonstram os comprovantes de depósitos, extratos bancários, cópia de cheques e registros nos livros Diário e Razão da empresa Petra. Depreendeu a fiscalização que as operações visaram tão somente transferir, de forma indireta e simulada, valores da SL à Petra, por meio da sócia em comum de ambas as empresas, com o fim de custear as importações realizadas pela segunda. Noticiase também nos autos que no período autuado, de 27/11/2006 a 28/02/2007, todas as mercadorias importadas pela Petra foram vendidas no mercado interno para a empresa SL Comercial. Afirmase ainda que, muito provavelmente, a empresa S.L. esteja utilizando a empresa Petra para, principalmente, realizar uma quebra da cadeia do IPI, fazendo uma economia no pagamento desse tributo e, conseqüentemente, competir em condições mais favoráveis que seus concorrentes no mercado interno. Conclui a fiscalização que ficou demonstrado que a empresa Petra comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior, porém com a ocultação do real adquirente das mercadorias por ela importadas, descumprindo consequentemente os controles aduaneiros estabelecidos na legislação vigente e com a quebra da cadeia de IPI. Durante o período analisado pela fiscalização, não houve registro por parte da importadora Petra Comercial Importadora e Exportadora Ltda de importação efetuada "por conta e ordem de terceiros" nos termos da I.N. SRF n.° 225/2002, nem "operações por encomenda", conforme estabelecido pela IN SRF n.° 634/2006. Decorrente dos mesmos fatos, também foi lavrado o auto de infração nº15165.001988/200701 contra a empresa Petra por "cessão de nome a terceiro". O contribuinte, por sua vez, em toda a sua defesa pugna pela regularidade dos mútuos celebrados entre a sócia e as empresas, nos exatos termo do art.6º, § 1º e § 2º, da IN SRF nº228 de 21/10/2002. Sustenta que não houve simulação de empréstimo, mas regular contrato de mútuo, empréstimo de numerário da sócia Maria de Lourdes para ela, autora Fl. 702DF CARF MF Processo nº 15165.000461/200832 Resolução nº 3402001.178 S3C4T2 Fl. 703 12 (PETRA), tendo este empréstimo, inclusive, sido contabilizado e informado ao Fisco. Assim, o mútuo está na mais absoluta legalidade e nos exatos termos do artigo 6º, § 1º e § 2º, da Instrução Normativa nº 228, de 21/10/2002, da Secretaria da Receita Federal e da legislação em regência. Aduz ainda a Recorrente que os tributos referentes às importações realizadas foram integralmente pagos, inexistindo dano ao erário. Por consequência, afirma que inexistiu a ocultação do sujeito passivo da importação ou interposição fraudulenta de terceiros. As operações tinham como sujeito passivo a Petra que, após a nacionalização das mercadorias importadas, efetuou sua comercialização junto ao mercado brasileiro. Depreendese que uma das matérias centrais da lide a ser analisada trata da natureza desses mútuos, os quais a Recorrente afirma como regulares e de acordo com a lei os empréstimos celebrados, e a fiscalização como operações simuladas para encobrir o real destinatário das mercadorias: a empresa SL Comercial Importadora e Exportadora Ltda. Para solucionar a lide, tornase, então, necessária a análise dos referidos contratos de mútuos, os comprovantes das movimentações financeiras envolvidas e demais documentos gerados que foram gerados na Diligência Fiscal realizada na empresa Petra Comercial Importadora e Exportadora Ltda. Os fatos e documentos citados na referida diligência foi um dos elementos que serviram de base para o lançamento fiscal ora analisado. No entanto, compulsando os autos, constatase que não consta no processo os documentos aos quais o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal da Petra faz referência (fls.37 a 53). Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em diligência para que a DRF de origem junte ao processo os referidos documentos. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO Relator Fl. 703DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.904077/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.723
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 40 77 /2 01 2- 13 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10935.904077/201213 Acórdão n.º 3402004.723 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição fundado em suposto pagamento indevido ou a maior face suposta inclusão indevida do ICMS na base de cálculo das contribuições. No que tange esta matéria, o pedido restou indeferido conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificada desta decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ, através do Acórdão nº 06041.449, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da impugnante, tendo em vista que não há, na legislação de regência, previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. A contribuinte foi cientificada dessa decisão, tendo apresentado recurso voluntário tempestivo, onde alega que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da Cofins e do PIS, por não estar abrangido nos conceito de "faturamento", tratandose de mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.699, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.902211/201233, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.699): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10935.904077/201213 Acórdão n.º 3402004.723 S3C4T2 Fl. 4 3 Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/771 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR2, sob a sistemática do art. 543C do 1 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. 2 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10935.904077/201213 Acórdão n.º 3402004.723 S3C4T2 Fl. 5 4 CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10935.904077/201213 Acórdão n.º 3402004.723 S3C4T2 Fl. 6 5 sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10935.904077/201213 Acórdão n.º 3402004.723 S3C4T2 Fl. 7 6 n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10935.904077/201213 Acórdão n.º 3402004.723 S3C4T2 Fl. 8 7 das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10935.904077/201213 Acórdão n.º 3402004.723 S3C4T2 Fl. 9 8 Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito creditório decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.100136/2007-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO PAÍS. DIREITO AO CRÉDITO. NÃO CARACTERIZADO NO CASO DOS AUTOS.
A legislação tributária permite o aproveitamento de créditos das contribuições não-cumulativas decorrentes da prestação de serviços de industrialização por terceiros, expressamente autorizada pelo disposto no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, desde que haja independência entre as pessoas jurídicas da relação negocial.
No entanto, esta não é a hipótese dos autos, porque não há independência gerencial e econômica entre contratante e contratada, constituindo-se, em verdade, na mesma pessoa jurídica. Verificou-se, assim, não ser a pessoa jurídica contratada independente, mas sim, tratarem-se contratante (IMS BRAZIL LTDA) e contratada (PUPPIES TIME) da mesma empresa, impossibilitando o creditamento das contribuições não-cumulativas.
Numero da decisão: 9303-006.076
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IMS BRAZIL LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO PAÍS. DIREITO AO CRÉDITO. NÃO CARACTERIZADO NO CASO DOS AUTOS. A legislação tributária permite o aproveitamento de créditos das contribuições nãocumulativas decorrentes da prestação de serviços de industrialização por terceiros, expressamente autorizada pelo disposto no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, desde que haja independência entre as pessoas jurídicas da relação negocial. No entanto, esta não é a hipótese dos autos, porque não há independência gerencial e econômica entre contratante e contratada, constituindose, em verdade, na mesma pessoa jurídica. Verificouse, assim, não ser a pessoa jurídica contratada independente, mas sim, trataremse contratante (IMS BRAZIL LTDA) e contratada (PUPPIES TIME) da mesma empresa, impossibilitando o creditamento das contribuições nãocumulativas. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 01 36 /2 00 7- 65 Fl. 407DF CARF MF Processo nº 11065.100136/200765 Acórdão n.º 9303006.076 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3201000.766, de 11/08/2011, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito ao crédito de COFINS nãocumulativa decorrente de "serviços prestados na industrialização por terceiros, ante a constatação de que a empresa que prestava tais serviços (Puppies Time) era, na verdade, estabelecimento da própria interessada". Colacionou como paradigma o acórdão nº 20219.139, da mesma empresa (IMS BRAZIL LTDA). Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) restou comprovada a divergência jurisprudencial na medida em que os acórdãos confrontados analisam a mesma situação fática, atinente à possibilidade de creditamento de insumos de COFINS correspondentes a serviços prestados na industrialização por terceiros, atribuindolhes soluções jurídicas diversas; (b) conforme a legislação de regência das contribuições para o PIS e COFINS nãocumulativos, os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, geram direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos. No entanto, é requisito que a prestadora de serviço tenha independência formal e econômica em relação à contribuinte interessada no ressarcimento do insumo. Já no caso dos autos, ficou caracterizada a dependência econômica da prestadora de serviços (Puppies Time Ltda.) em relação à IMS Brazil Ltda., afastando o direito ao crédito; (c) a análise do conjunto de situações descritas no Relatório Fiscal revela que a prestadora de serviços (Puppies Time) era, de fato, um estabelecimento industrial da Contribuinte exportadora, e não uma pessoa jurídica independente como seria necessário. Para ilustrar a assertiva, a Fazenda Nacional colacionou em seu recurso as seguintes constatações: “a Fl. 408DF CARF MF Processo nº 11065.100136/200765 Acórdão n.º 9303006.076 CSRFT3 Fl. 4 3 empresa Puppies Time foi a principal fornecedora de serviços de industrialização da IMS Brazil.; a empresa Puppies Time trabalhou exclusivamente para a IMS Brazil; a empresa Puppies Time desenvolveu suas atividades com máquinas, equipamentos e em prédio pertencente à IMS Brazil; a empresa Puppies Time foi gerenciada por pessoa contratada pela IMS Brazil, que inclusive utilizava cartões de visita em nome das duas empresas; a empresa Puppies Time tinha como sóciaadministradora uma exfuncionária da IMS Brazil, que ainda assinava em nome desta e pouco participava da administração daquela; e a empresa Puppies Time possuía passivo a descoberto em mais de 800% (oitocentos por cento) do valor total do seu Ativo, em decorrência de vultosos adiantamentos recebidos da IMS Brazil”. (d) requer seja dado provimento ao recurso especial e mantida a glosa realizada pela Fiscalização. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio de despacho proferido pelo Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em exercício à época. A IMS BRASIL LTDA. apresentou contrarrazões postulando a negativa de provimento ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.070, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11065.101125/200611, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.070): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09 e reproduzido na Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 11065.100136/200765 Acórdão n.º 9303006.076 CSRFT3 Fl. 5 4 Mérito No mérito, cingese a discussão à possibilidade de aproveitamento de créditos COFINS nãocumulativa decorrente da prestação de serviços de industrialização por terceiros, expressamente autorizada pelo disposto no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003. Ocorre que, no caso dos autos, verificase não ser a pessoa jurídica contratada independente, mas sim, trataremse contratante (IMS BRAZIL LTDA) e contratada (PUPPIES TIME) da mesma empresa, impossibilitando o creditamento de COFINS não cumulativo. Adotase como fundamentos da presente decisão, aqueles expendidos no Acórdão nº 20219.139, de lavra da Ilustre então Conselheira Maria Tereza Martínez López, in verbis: (II) DOS CRÉDITOS RELATIVOS À PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PELA EMPRESA PUPPLES TIME LTDA. A decisão recorrida reitera o relatório da Ação Fiscal ao explicitar que a prestadora de serviços (sic) "nada mais é o de que um braço da exportadora, constituindo um estabelecimento industrial da autuada, e não uma pessoa jurídica independente." E mais (fl. 229): "Sua criação formal serve aos interesses da fiscalizada, inclusive no que tange a folha de pagamentos com empregados, pretendendo, também, levar vantagem no que concerne à tributação, visto a empresa Puppies Time, ser optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Imposto e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) sofrendo tributação diferenciada como tal. Ademais, os créditos de PIS e da Cofins sequer existiriam se o serviço fosse prestado pelos próprios empregados da interessada ou por pessoas físicas." Consta do Relatório da Ação Fiscal — Cofins (fl. 88) o que segue: "Os fatos relatados nos itens 3.2.2 e 3.2.3 do presente relatório revelaram, em suma, que no período sob fiscalização a empresa Puppies Time: foi a principal fornecedora de serviços de industrialização da IMS Brazil; trabalhou exclusivamente para a IMS Brazil; desenvolveu suas atividades com máquinas, equipamentos e em prédio pertencente à IMS Brazil; foi gerenciada por pessoa contratada pela IMS Brazil, que inclusive utilizava cartões de visita em nome das duas empresas; tinha como sóciaadministradora uma exfuncionária da IMS Brazil, que ainda assinava em nome desta e pouco participava da administração daquela; e possuía passivo a descoberto em mais de 800% (oitocentos por cento) do valor total do seu Ativo, em decorrência de vultosos adiantamentos recebidos da IMS Brasil; Diante desses fatos, portanto, não restou dúvida que, embora regularmente constituída, esta fornecedora de serviços não era, de fato, uma pessoa jurídica independente, mas sim um estabelecimento industrial da própria fiscalizada, dissimulado como outra pessoa jurídica. Considerando que, pelo exposto neste relatório, a verdadeira atividade da Puppies Time consistiu em fornecer mãodeobra para o embalamento de produtos e que a fiscalizada controlava informalmente esta empresa, ficou claro que este artificio foi por ela utilizado para deixar de alocar esses empregados em sua folha de pagamentos. Com isso, por conta das notas fiscais emitidas pela Puppies Time, ela criou condições de tomar créditos sobre a mãodeobra de mais de 140 (cento e quarenta) empregados no período de 2003 e 2004, o que não teria ocorrido sem esta simulação. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 11065.100136/200765 Acórdão n.º 9303006.076 CSRFT3 Fl. 6 5 Concluímos assim que, por este motivo, as atividades desenvolvidas neste estabelecimento não configuravam, para a fiscalizada, serviços de industrialização de terceiros, mas sim custos com mãodeobra própria, de pessoas físicas. Assim sendo, porquanto o § 2° do art. 3° da Lei n° 10.833/2003, estabelece claramente que 'não dará direito a crédito (..) o valor de mãodeobra paga a pessoa fisica', os créditos calculados sobre estas operações foram considerados indevidos. Ademais, por terem sido calculados sobre operações em que a fiscalizada se fez passar por terceiro, concluímos que, além e indevidos, esses créditos haviam sido por ela apurados com o evidente intuito de fraude." (destaques do original) Cabe registrar que não se trata de se proceder à desconsideração da personalidade jurídica, matéria que diz respeito ao Poder Judiciário. Nesse sentido, oportuno transcrever o disposto no art. 50 do Código Civil: "Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações selam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica." Este dispositivo legal estatui norma que prevê a desconsideração tanto na hipótese de desvio de finalidade (teoria subjetiva), quanto na de confusão patrimonial (teoria objetiva). No caso dos autos, importa em saber se havia ou não independência ou autonomia de estabelecimento de forma a justificar o procedimento adotado pela contribuinte. Se de fato ocorreu suposta fraude ou simulação do ponto de vista fiscal. Com efeito, ainda que se possa invocar a aplicação da chamada Lei Antielisão (Lei Complementar nº 104, de 10 de Janeiro de 2001 — LC nº 104/2001), a maior parte da doutrina, assim como a jurisprudência, ainda admite a possibilidade de os contribuintes optarem por estruturas que lhes sejam menos onerosas do ponto de vista fiscal, contanto que tais estruturas não sejam implementadas com dolo, fraude ou simulação. Claro que os serviços prestados por PJ domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto geram créditos. Assim, dão direito ao crédito (IN SRF Nº 404/2004 (Regulamenta o art. 3º, II, das Leis nºs 10.637 e 10.833) os Insumos para a Prestação de Serviços: bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. No caso, importa, no meu sentir, reconhecer se quem fazia a prestação de serviços era de fato a mesma quem contratava. Pelo descrito pela autoridade autuante, há sim, nos autos, uma caracterização de dependência econômica, gerencial entre a Puppies Time e a autuada. Em outras palavras, era a própria autuada que administrava e providenciava a execução do serviço. Erra a contribuinte ao não demonstrar a independência da empresa com a prestadora de serviço. Portanto, fiscalmente, assiste razão à decisão recorrida ao manter a autuação e, dessa forma, convalidar a exclusão dos créditos relativos aos valores da contribuição que incidiram sobre a prestação de serviços. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 11065.100136/200765 Acórdão n.º 9303006.076 CSRFT3 Fl. 7 6 [...]Com efeito, a fraude e a simulação sempre foram expressamente proibidas pela legislação tributária, sendo que o próprio Código Tributário Nacional prevê o lançamento de oficio nas hipóteses em que se comprovar que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio dele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de Novembro de 1.964, a fraude é definida como toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Já a simulação, por sua vez, corresponde a uma declaração enganosa da verdade. Podese dizer que simular é fingir o que não é, ao passo que dissimular é fingir aquilo que é. Ambas as formas têm em comum o fato de que algo verdadeiro está sendo disfarçado, de modo que a verdade fica coberta por um ato falso, sendo assim inerente, tanto no caso da simulação quanto da dissimulação, a existência de uma declaração falsa que não corresponde à realidade. No caso dos autos, no exame detalhado das provas apresentadas pela fiscalização, provado está que a empresa constituída não era de fato uma pessoa jurídica independente e sim um estabelecimento industrial da autuada, dissimulado com outra pessoa jurídica.[...] (grifouse) Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 412DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13858.720172/2015-59
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2015
IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE VISUAL. NÃO DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS.
Não faz jus ao benefício da aquisição de veículo automotor com isenção do IPI, quando os documentos médico-periciais evidenciam que a deficiência visual não atende os requisitos para sua fruição, na medida que a requerente apresenta, segundo o laudo de avaliação e a declaração médica, no melhor olho, após a melhor correção, valores de acuidade visual ou campo de visão superiores aos limites mínimos prescritos na lei de regência.
Numero da decisão: 3001-000.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vice-presidente) e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2015 IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE VISUAL. NÃO DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. Não faz jus ao benefício da aquisição de veículo automotor com isenção do IPI, quando os documentos médico-periciais evidenciam que a deficiência visual não atende os requisitos para sua fruição, na medida que a requerente apresenta, segundo o laudo de avaliação e a declaração médica, no melhor olho, após a melhor correção, valores de acuidade visual ou campo de visão superiores aos limites mínimos prescritos na lei de regência.
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ISENÇÃO. DEFICIENTE VISUAL. NÃO DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. Não faz jus ao benefício da aquisição de veículo automotor com isenção do IPI, quando os documentos médicopericiais evidenciam que a deficiência visual não atende os requisitos para sua fruição, na medida que a requerente apresenta, segundo o laudo de avaliação e a declaração médica, no melhor olho, após a melhor correção, valores de acuidade visual ou campo de visão superiores aos limites mínimos prescritos na lei de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vicepresidente) e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 46/50) contra o Acórdão nº 1459.511, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 8. 72 01 72 /2 01 5- 59 Fl. 59DF CARF MF 2 RPO), da sessão de 26.11.2015 (fls. 39/41), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela requerente (fls. 24/34), que, na ocasião, não reconheceu o direito ao benefício de aquisição de veículo com isenção de IPI por deficiente (visual). Do Pedido de Isenção À época, a requerente efetuou, à vista da documentação apresentada, pedido de reconhecimento à fruição da isenção do imposto sobre produtos industrializados (IPI), na aquisição de automóvel de passageiros ou de uso misto, de fabricação nacional, classificado na posição 87.03 da tabela de incidência do IPI (TIPI), por entender que preenchia os requisitos exigidos pela Lei nº 8.989 de 24.02.1995 e alterações posteriores. Do Despacho Decisório Em face do referido requerimento, foi exarado o respectivo despacho decisório: DESPACHO DECISÓRIO Nº 667/2015 (...) Em análise ao processo, de Isenção de IPI para Deficiente, supramencionado, em face do disposto na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, e na Instrução Normativa RFB n° 988, de 22 de dezembro de 2009, com as Alterações da IN RFB nº 1.369 de 2013 foram feitas as seguintes verificações: (...) Laudo de avaliação apresentado as fls 03 e 04 informa acuidade visual que não satisfaz exigência legal para concessão da isenção pretendida. (...) Face as informações supramencionadas: INDEFIRO o requerimento de isenção de IPI, para Deficiente, face ao não cumprimento dos quesitos, não eventuais, supra assinalados como “NÃO Regular”, sendo facultado ao interessado(a) a impugnação à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados à partir da ciência deste despacho. Da Manifestação de Inconformidade Diante do não reconhecimento da isenção pleiteada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade à época (17.08.2015). Que sumarizo: (...) Possuo necessidade de utilização de uma prótese ocultar para olho direito, pois o mesmo foi retirado devido a um acidente doméstico. O mesmo ocorreu quando tinha aproximadamente 11 (onze) anos de idade. (...). Na época fui submetida a cirurgia ocular para retirada do mesmo, (...). Desde então, é necessário e utilizo uma prótese ocular. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13858.720172/201559 Acórdão n.º 3001000.003 S3C0T1 Fl. 53 3 (...), possuo também a necessidade de utilizar óculos de grau para olho esquerdo, devido à dificuldade que obtenho para enxergar. Segue anexo declaração médica do Dr. José Roberto Clemente que detalha claramente minha total necessidade de prótese ocular. (...) Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão contida no Acórdão nº 1459.511, da 3ª Turma da DRJ/RPO, da sessão de 26 de novembro de 2015, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2015 ISENÇÃO. DEFICIENTE VISUAL. REQUISITOS. O benefício da isenção do IPI na aquisição de veículo por portador de deficiência visual só alcança aquele que, segundo atestado em laudo médico que atende os requisitos normativos, apresenta, no melhor olho, após a melhor correção, valores de acuidade visual ou campo de visão iguais ou inferiores aos limites prescritos na lei de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: (...) Tal é o caso da isenção ora pretendida, prevista na Lei nº 8.989, de 1995. Com efeito, a supramencionada lei, com as alterações efetuadas pela Lei nº 10.690, de 16 de junho de 2003, definiu no inciso IV do artigo 1o que ficam isentos do IPI os automóveis nela especificados, quando adquiridos por pessoas portadoras de deficiência visual, e acrescentou, no § 2o, que se considera pessoa portadora de deficiência visual aquela que apresenta acuidade visual igual ou menor que 20/200 (tabela de Snellen) no melhor olho, após a melhor correção, ou campo visual inferior a 20º, ou ocorrência simultânea de ambas as situações. Vejamos, então, as informações contidas no laudo de avaliação apresentado pela interessada (fl. 3/4): Tipo de deficiência: Deficiência Visual. Código Internacional de Doenças (CID10): H 54.4 (Cegueira em um olho). Descrição detalhada da deficiência: Paciente apresenta perda do olho direito devido perfuração ocular, faz uso de prótese ocular. AV OE 20/20 com correção, necessita de óculos para longe e perto. Fl. 61DF CARF MF 4 (...) Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Do Recurso Voluntário Irresignada, a requerente interpôs recurso voluntário, que veio a reprisar o argumento apresentado na manifestação de inconformidade que restou não acolhido pela decisão de primeiro grau; o enxerto a seguir transcrito confirma a identidade do argumento expendido em sede de impugnação: Contudo, houve um indeferimento de minha solicitação, porém o Laudo Médico descreve mina situação, devido a isso relato novamente meu caso, juntamente com a Declaração Médica expondo minha necessidade. É o relatório. Voto Orlando Rutigliani Berri, Relator Da Admissibilidade O recurso voluntário, conforme se depreende do carimbo aposto na petição em análise, foi protocolado na MF/RFB/ARF/São Joaquim da Barra/SP em 12.02.2016 (sexta feira). A ciência da decisão de 1º (primeiro) grau, conforme termo de ciência pessoal (fl. 43), ocorreu em 28.01.2016 (quintafeira). Portanto, nos termos do art. 73 do Decreto nº 7.574 de 29.09.2011, combinado com o art. 33 do Decreto nº 70.235 de 06.03.1972, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Do Mérito Em face da manutenção integral dos fundamentos do despacho decisório efetuada pela DRJRPO, a questão em litígio, apresentada para essa Turma de Julgamento, restringese em saber se a deficiência visual da requerente atende os requisitos normativos; se o melhor olho apresenta valores de acuidade visual ou campo de visão iguais ou inferiores aos limites prescritos na lei de regência, para fins de usufruir do benefício para a aquisição de veículo com isenção de IPI. De plano, trago a baila a disposição prescrita nos artigos 111 e 176 do CTN (Lei nº 5.172 de 1966): Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13858.720172/201559 Acórdão n.º 3001000.003 S3C0T1 Fl. 54 5 Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Não é surpresa, ao verificarmos que o artigo 111 do CTN positivou, em sede infraconstitucional, a interpretação restritiva da lei tributária que versa acerca da outorga de isenção. Da mesma forma, o artigo 176 do CTN, reforça que a isenção sempre decorre de lei, impondolhe que a norma especifique as condições e os requisitos exigidos para a sua concessão, bem como o tributo a que se aplica. A Lei 8.989 de 24.02.1995, que trata da isenção do IPI, na aquisição de automóveis para utilização no transporte autônomo de passageiros, bem como por pessoas portadoras de deficiência, em seu artigo 1º e inciso IV, com redação dada pela Lei 10.690 de 16.06.2003, dispõe que "ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal". Por seu turno, acrescentou, no parágrafo 2ª do mencionado artigo 1º, que "é considerada pessoa portadora de deficiência visual aquela que apresenta acuidade visual igual ou menor que 20/200 (tabela de Snellen) no melhor olho, após a melhor correção, ou campo visual inferior a 20º, ou ocorrência simultânea de ambas as situações". É fato inconteste que o laudo de avaliação juntado no presente recurso é cópia daquele apresentado anteriormente pela recorrente na formulação do pedido de isenção (fls. 2/17) e na manifestação de inconformidade (fls. 24/34); é correto afirmar também que o profissional da medicina que emitiu, em 12.02.2016, a declaração juntada pela requerente Dr. José Roberto Clemente (CRM 60.101), foi um dos que subscreveram o citado laudo pericial; tanto que, por óbvio, ambos os documentos prescrevem idêntico diagnóstico CID 10 H54.4 cegueira em um olho. Nesse sentido, sem mais delongas, por concordar plenamente, faço meus os fundamentos expendidos pela relatora da decisão de primeira (recorrida), o qual peço licença para reproduzir: De fato, diante destas informações, e considerando a prescrição legal aplicável à espécie, em que pese a deficiência da interessada, não merece reparos a decisão recorrida, porquanto esta, na condição de portadora de deficiência visual, não pode ser considerada destinatária da isenção requerida. Isto porque o laudo de avaliação não atesta, para o melhor olho, parâmetros de acuidade e campo visual iguais ou inferiores aos limites prescritos no comando legal já transcrito. Neste sentido, nos termos do artigo 111 do CTN, que impõe a interpretação restritiva da lei tributária que versa sobre isenção, afigurase incabível a pretensão da requerente, posto que excede os limites impostos pela norma de regência Lei 8.989 de1995, com redação dada pela Lei 10.690 de 2003, que prescreve que para fazer jus a referida isenção Fl. 63DF CARF MF 6 do IPI, in casu, a portadora de deficiência visual teria que apresentar, no melhor olho e após a melhor correção, uma acuidade visual igual ou menor que 20/200 (tabela de Snellen) ou campo visual inferior a 20º; circunstância que, como visto, não restou demonstrada; ao contrário, pois não obstante o laudo de avaliação informar que a paciente necessita de óculos para perto e longe, esclarece que sua acuidade visual é de uma razão de AV OE 20/20. Da Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903916/2008-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN.
A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84.
BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA.
A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99.
Numero da decisão: 1301-002.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito de R$ 786.828,18 (valor principal), acrescido da multa de mora incidente sobre esse valor, homologando-se as compensações declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN. A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84. BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99.
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NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN. A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84. BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito de R$ 786.828,18 (valor principal), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 39 16 /2 00 8- 62 Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10865.903916/200862 Acórdão n.º 1301002.684 S1C3T1 Fl. 1.126 2 acrescido da multa de mora incidente sobre esse valor, homologandose as compensações declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório constante da Resolução nº 1301000.324, proferida por esta Turma na sessão realizada em 06/04/2016, complementando o ao final: "Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão n° 1433.108, às fls. 49 a 57: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJestimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 01/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10865.903916/200862 Acórdão n.º 1301002.684 S1C3T1 Fl. 1.127 3 Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que o despacho decisório recorrido conteria equívoco em relação aos valores expressos no quadro "Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PER/DCOMP", os quais não corresponderiam aos efetivamente declarados. Os valores do alegado crédito apropriados nos PER/DCOMP n.° 28623.05598.250804.1.3.017067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707, seriam, respectivamente, R$ 1.959,26, R$ 17.649,06, R$ 27.748,53, R$ 15.394,36 e R$ 2.042,88, e não os valores que constam no despacho decisório; que haveria saldo suficiente para compensação do tributo informado em PER/DCOMP, conforme demonstrativo de compensação juntado aos autos, relativo ao montante do alegado direito creditório, de R$ 858.160,00; Ao final requer seja reconhecido, conforme documentação anexa, "que nada é devido em relação à PER/DCOMP não homologada, improcedendo o valor constante no DARF encaminhado e vinculado ao Processo Administrativo em referência". Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/05/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/06/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10865.903916/200862 Acórdão n.º 1301002.684 S1C3T1 Fl. 1.128 4 dispõe a legislação que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada; assim procedeu a Recorrente, tendo recolhido as estimativas mensais do imposto durante todo o anocalendário; todavia, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente recolheu aleatoriamente (posto que sem uma apuração efetiva da receita bruta auferida) mas de boafé, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida (período de apuração: 01/2003), a qual, inclusive, se mostra em "valores exatos" (R$ 800.000,00), corroborando o alegado; outrossim, após a devida correção de sua escrituração contábil, constatouse que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 162.507,06, o qual fora quitado da seguinte forma: • R$ 56.470,37 Darf recolhido em 30/05/2003, com multa e juros, totalizando R$ 70.390,31; • R$ 10.711,46 mediante compensação por meio do DComp 21298.07778.21050.31304.9740; • R$ 76.208,64 mediante compensação por meio do DComp 16895.65143.21050.31304.8488; • R$ 19.116,06 mediante compensação por meio do DComp 17482.92249.03110.31304.8560 (já homologada). desta forma, se verifica que o valor integral da guia embatida não foi utilizado para a quitação da estimativa mensal de 31/01/2003, e este montante, portanto, corresponde ao crédito que a Recorrente possui junto a este órgão, tendo sido objeto de compensação com débitos do exercício de 2003 (o recurso traz uma tabela relacionando várias outras compensações realizadas a partir deste mesmo crédito); o Despacho Decisório apenas consignava insuficiência do crédito apontado, tendo a Recorrente demonstrado o equívoco dos números constantes no referido despacho, o que foi acatado pela 5a Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto; contudo, a DRJ manteve a decisão de nãohomologação da compensação sob outro fundamento, extrapolando os limites da discussão a que lhe fora submetida e, conseqüentemente, sua esfera de competência, posto que o processo deveria ter retornado à Fiscalização para nova decisão quanto à homologação ou não da compensação declarada, devido ao fato da Autoridade Julgadora haver afastado o único óbice apontado pela Fiscalização; tal situação acarretou supressão de instância em face da Recorrente, posto que lhe foi cerceado seu direito à ampla defesa (apresentação de razões e juntada de documentos contábeis que se fizessem necessários, em virtude do novo fundamento utilizado), visto que sua Manifestação de Inconformidade não abrangeu a situação apontada no v. acórdão combatido, posto que esta era inexistente; em que pese o acima exposto e apenas para que não paire qualquer dúvida acerca da existência do crédito, destacase que o atual fundamento para a não homologação das compensações apenas apontaria um equívoco de interpretação quanto ao "Tipo do Crédito" a ser preenchido no Per/Dcomp, posto que ao invés de Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10865.903916/200862 Acórdão n.º 1301002.684 S1C3T1 Fl. 1.129 5 ter preenchido "Pagamento Indevido ou a Maior" defende que deveria a Recorrente ter escolhido a opção "Saldo Negativo do IRPJ" (anocalendário de 2003); todavia, o montante do crédito informado é legítimo, não podendo eventual equívoco quanto ao "tipo de crédito" informado ser óbice ao direito da Recorrente de ter ressarcido valores recolhidos indevidamente, a título de imposto sobre a renda, razão pela qual junta aos autos toda a documentação contábil pertinente à demonstração do Saldo Negativo do período, assim como demonstrou em planilha como fora utilizado aludido crédito; por derradeiro, se coloca à inteira disposição para o fornecimento de quaisquer outros documentos que se fizerem necessários, requerendo, desde já, se necessário, diligência fiscal para a apuração do alegado, sendo medida de justiça a homologação das compensações efetuadas; DA DECADÊNCIA conforme dito no item anterior, a Fiscalização não homologou as compensações declaradas sob o fundamento (ÚNICO) de que o crédito era insuficiente, posto que já utilizado para o pagamento de outros débitos, demonstrando o alegado com números equivocados e distorcidos do efetivamente declarado; em face desta situação, a Recorrente apresentou suas razões de defesa, demonstrando a incorreção do apontado pela Fiscalização e juntando documentos hábeis a comprovar a matéria objeto de discussão; a incorreção foi ratificada pela 5a Turma da Delegacia de Julgamento, a qual reconheceu o erro da Fiscalização, acatando as razões de defesa da ora Recorrente; contudo, para total surpresa da Recorrente, a DRJ decidiu não homologar as compensações por novo fundamento, apontando que o tipo do crédito informado não seria passível de ressarcimento; caberia à DRJ julgar a controvérsia instaurada e não substituir a Fiscalização para o fim de homologar ou não a compensação declarada, sob fundamento diverso do apontado; se o óbice apontado no v. acórdão fosse causa de nãohomologação pela Fiscalização, esta deveria ter consignado também este fundamento no r. Despacho Decisório, posto que seria devidamente conferido ao Contribuinte a oportunidade de apresentar todas as suas razões de defesa já na Manifestação de Inconformidade, assim como juntar os documentos contábeis necessários à comprovação do alegado. Entretanto, isto não ocorreu; tal fato foi apenas apontado no v. acórdão e, assim, o seu acatamento culminaria em verdadeira supressão de instância, posto que não seria possível contestar algo de que ainda não se tinha ciência; se a fiscalização não apontou o "Tipo do Crédito" como óbice à compensação, não poderia a autoridade julgadora fazêlo, pois esta matéria não era objeto de discussão, não tendo sequer sido conferida a oportunidade ao Contribuinte de insurgirse em face dela; aos nobres Julgadores caberia apenas afastar o óbice apontado pela Fiscalização e, assim, eventualmente e na mais otimista das hipóteses, retornar os autos à DRF para nova análise acerca da homologação ou não da compensação; Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10865.903916/200862 Acórdão n.º 1301002.684 S1C3T1 Fl. 1.130 6 outrossim, tendo sido afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. despacho decisório, bem como já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para que o Fisco pudesse, eventualmente, não homologar a compensação declarada por novo fundamento, é medida de justiça a reforma parcial do v. acórdão para o fim de afastar a decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela Fiscalização; DA COMPENSAÇÃO a compensação efetuada se encontra em perfeita sintonia com as normas legais vigentes, tendo ocorrido, eventualmente, apenas um equívoco quanto ao preenchimento do campo "tipo do crédito"; o não reconhecimento dos créditos decorrentes dos valores "pagos a maior" (estimativa), sob a rubrica de imposto sobre a "renda" ou contribuição social sobre o "lucro líquido", o que se cogita por mera argumentação, caracterizaria tributação de fato que não corresponde ao conceito de renda, nem tampouco ao de lucro líquido; desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Recorrente, conforme demonstra a farta documentação contábil anexada à presente, seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional; portanto, é medida de justiça o reconhecimento do crédito informado pela Recorrente na íntegra, sendo homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; DO PEDIDO dado o fato de a 5a Turma da DRJ/Ribeirão Preto haver afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. Despacho Decisório e já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para um eventual novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento, requer, respeitosamente, seja parcialmente reformado o v. acórdão, para o fim de afastar a "decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização", considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; caso assim não entendam V. Sas., o que se cogita por mera argumentação, requer, respeitosamente, a análise da documentação contábil ora apresentada, a qual demonstra a existência do crédito informado, não podendo eventual equívoco quanto ao tipo do crédito ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito e, assim, ao final, seja julgada totalmente procedente o recurso interposto, homologandose as compensações declaradas em sua integralidade, por ser esta medida de justiça. Este é o Relatório." Na sessão de julgamento realizada em 06/04/2016, esta Turma julgadora reconheceu a possibilidade de recolhimento a maior para a estimativa de janeiro/2003, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a disponibilidade do crédito pleiteado pela recorrente para as várias compensações por ela realizadas, nos termos da Súmula CARF nº 84. Contudo entendeu a Turma que a solução do presente processo ainda demandaria instrução complementar, e converteu o julgamento em diligência, através da Resolução nº 1301000.324, para: Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10865.903916/200862 Acórdão n.º 1301002.684 S1C3T1 Fl. 1.131 7 "Embora a indicação seja da existência e disponibilidade do alegado excedente referente à estimativa de janeiro/2003, há outras compensações que afetam este processo. A quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, está vinculada a outras compensações. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz da documentação contábil e fiscal da Contribuinte: 1)verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF n° 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias." Em cumprimento à Resolução acima transcrita, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 1.116 a 1.119, tendo concluído que: A base de cálculo das estimativas em janeiro/2003 é de R$ 658.028,25, e o valor do IRPJ devido de R$ 162.507,06; O débito de IRPJ relativo à estimativa de janeiro/2003 foi integralmente liquidado com pagamento e compensações já homologadas; A soma dos débitos de estimativas devidos no anocalendário de 2003, deduzida dos pagamentos em DARF para extinção das estimativas no anocalendário de 2003, dos valores das estimativas extintas por compensação e do IRRF utilizado na quitação do débito de estimativa apurada no mês de agosto/2003, resulta em sobra de R$ 800.000,00, valor este idêntico ao DARF recolhido em 19/03/2003; Parte das estimativas dos meses de fevereiro/2003, março/2003 e abril/2003 foram incluídas em compensações analisadas no processo nº 10865.720313/200827, ainda pendente de decisão administrativa. Assim, caso a decisão seja favorável à contribuinte, do montante de R$ 858.160,00 (principal de R$ 800.000,00 + multa de 50.160,00 + juros de R$ 8.000,00) recolhido a maior em 19/03/2003, estaria disponível para compensação o valor total de R$ 844.453,02 para compensações com outros débitos ou mesmo débitos de outros períodos diferente do anocalendário de 2003. Devidamente cientificada da Intimação Fiscal nº 98/2016, em 20/09/2016, a recorrente não apresentou manifestação. É o relatório. Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10865.903916/200862 Acórdão n.º 1301002.684 S1C3T1 Fl. 1.132 8 Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora. O recurso é tempestivo e dele conheço. PRELIMINAR Alega a recorrente que a fiscalização não homologou a compensação sob o fundamento de que o crédito seria insuficiente pois teria sido utilizado para o pagamento de outros débitos, entretanto, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, a 5a Turma da DRJ/Ribeirão Preto afastou o óbice apontado pela fiscalização no Despacho Decisório e decidiu pela nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização. Fundamentouse no fato de que os recolhimentos por estimativa, por se tratarem de mera antecipação do tributo devido no final do ano, não se caracterizam como pagamento indevido ou a maior passível de restituição. Entende a recorrente que já tendo transcorrido o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, o Fiscal não poderia proferir novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento. Assim, requereu, a reforma do acórdão, para o fim de afastar a decisão de não homologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização, considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade. Na análise dos pedidos de ressarcimento/compensação, a investigação da autoridade fiscal tem por escopo verificar a certeza e liquidez do crédito tributário, requisito necessário ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) Dessa forma, procedeu corretamente o julgador de primeira instância que, após superar o motivo inicialmente apontado pela fiscalização para indeferimento do crédito, prosseguiu na verificação da certeza e liquidez do crédito e identificou situação, a seu juízo, igualmente capaz de retirar do crédito os atributos de certeza e liquidez. Com relação às alegações de que teria transcorrido o prazo decadencial de 5 anos para que o Fisco pudesse não homologar a compensação por novo fundamento, não assiste razão à recorrente. O prazo decadencial de cinco anos previsto no art. 150,§ 4º do CTN é aplicável aos lançamentos de ofício realizados para constituição de créditos tributários. A análise de direito creditório não está sujeita a prazo decadencial mas apenas ao prazo de cinco anos previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para homologação tácita das compensações, o que não ocorreu no presente caso. A declaração de compensação objeto de análise foi enviada em 27/09/2004 e o contribuinte foi cientificado do despacho decisório em 17/11/2008 (fls. 47 a 50), portanto, antes do decurso do prazo de 5 (cinco) anos. Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10865.903916/200862 Acórdão n.º 1301002.684 S1C3T1 Fl. 1.133 9 Diante do exposto não merece ser acolhido o pedido do recorrente para que sejam afastadas as decisões de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização e após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos. MÉRITO Relativamente ao mérito, a recorrente requereu a análise da documentação contábil anexada ao recurso voluntário, a qual demonstra a existência do crédito informado, afirmando que eventual equívoco quanto ao tipo do crédito não poderia ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito. Na sessão de julgamento realizada em 06/04/2016, esta Turma julgadora reconheceu a possibilidade de recolhimento a maior para a estimativa de janeiro/2003, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a disponibilidade do crédito pleiteado pela recorrente para as várias compensações por ela realizadas, nos termos da Súmula CARF nº 84. Entretanto, entendeu pela necessidade de conversão em diligência do presente processo, em virtude da existência de outras compensações que afetariam o presente processo, dentre elas a quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, estaria vinculada a outras compensações. Assim, foi determinada a realização de diligência fiscal para que a unidade de origem, à luz da documentação contábil e fiscal da contribuinte: "1)verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF n° 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias." Em cumprimento à Resolução acima transcrita, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 1.116 a 1.119, tendo prestado as seguintes informações: "Pelas informações analisadas foi confirmado o valor de R$ 658.028,25 correspondente à base de cálculo do IRPJ apurado por estimativa no mês de janeiro/2003, que apresentou o valor de R$ 162.507,06. De acordo com as informações declaradas na DCTF e demais informações constantes nos bancos de dados da RFB, foram apurados os pagamentos em DARF realizados para liquidação de débitos de IRPJ no período (fls. 1.086 a 1.088) e créditos utilizados em compensações, alocados para a liquidação do débito de IRPJ apurado por estimativa no mês de janeiro/2003, como segue: DISCRIMINATIVO VALOR A Pagamento n° 3828142258, realizado em 19/03/2003 valor principal 800.000,00 Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10865.903916/200862 Acórdão n.º 1301002.684 S1C3T1 Fl. 1.134 10 B Pagamento n° 3928679608, realizado em 30/05/2003 valor principal 56.470,37 C Compensação formalizada pela DCOMP n° 16895.65143.210503.1.3.048488. 76.208,64 D Compensação formalizada pela DCOMP n° 21298.07778.210503.1.3.049740. 10.711,46 E Compensação formalizada pela DCOMP n° 17482.92249.031103.1.3.048560. 19.116,60 F Débito de IRPJ apurado por estimativa no mês de janeiro/2003 162.507,06 (A + B + C + D + E F) 800.000,01 Por fim, conferindo todos pagamentos em DARF realizados para extinção de débito de IRPJ apurado no ano calendário 2003, somados aos valores dos débitos de IRPJ apurados por estimativas extintos por compensação no mesmo período, mais a dedução de IRRF sobre o débito de estimativa apurado no mês de agosto/2003 e, desta soma, deduzindose o valor do IRPJ mensal pago por estimativa levado ao cálculo do IRPJ a pagar pela apuração anual declarada na DIPJ, teríamos como sobra valor idêntico ao valor principal do pagamento em DARF realizado em 19/03/2003 (fls. 1.087), pois vejam: Período Discriminativo Valor Janeiro/2003 Pagamento n° 3828142258, realizado em 19/03/2003 valor principal 800.000,00 Janeiro/2003 Pagamento n° 3928679608, realizado em 30/05/2003 valor principal 56.470,37 Janeiro/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 16895.65143.210503.1.3.048488. 76.208,64 Janeiro/2003 Compensação foramlizada pela DCOMP n° 21298.07778.210503.1.3.049740. 10.711,46 Janeiro/2003 Compensação foramlizada pela DCOMP n° 17482.92249.031103.1.3.048560. 19.116,60 Fevereiro/20 03 Compensação formalizada pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488. 2.000,00 Fevereiro/200 3 Compensação formalizada pela DCOMP n° 09485.96361.041103.1.3.045595. 47.357,43 Março/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488. 3.999,99 Março/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 12702.93357.041103.1.3.043072. 13.095,16 Abril/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488. 6.000,00 Abril/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 22780.66384.041103.1.3.045184. 15.162,43 Agosto/2003 Imposto de renda retido na fonte 72.068,49 IRPJ mensal pago por estimativa 322.190,57 Pagamentos + Compensações + Dedução de IRRF IRPJ mensal pago por estimativa 800.000,00 Ocorre que, o crédito utilizado nas compensações de débitos de estimativas do período, formalizadas pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488, teve origem neste pagamento. Cabe esclarecer que esta DCOMP foi analisada no processo nº 10865.720313/200827 e não foi homologada. As extinções dos débitos informados em compensação encontramse pendentes de decisão administrativa (fls. 1.100 a 1.104). Com base nas informações acima, é possível afirmar que, caso a decisão administrativa sobre as compensações formalizadas pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488 seja favorável à contribuinte, o crédito formado pelo pagamento n° 3828142258, realizado em 19/03/2003, pelo valor principal de R$ 800.000,00 e valor total de R$ 858.160,00, estaria parcialmente disponível, pelo valor total de R$ 844.453,02 (fls. 1.115), para ser utilizado em compensações com Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10865.903916/200862 Acórdão n.º 1301002.684 S1C3T1 Fl. 1.135 11 outros débitos ou mesmos débitos de outros períodos diferentes do ano calendário 2003. Parte do pagamento, face as compensações com débitos de estimativas no período, estaria vinculada no ajuste anual. É preciso deixar claro que, antes da formalização das compensações pela DCOMP acima, o pagamento já havia dado suporte a créditos utilizados em compensações formalizadas por outras DCOMP. Pelo quadro a seguir, dá para visualizar que o pagamento em questão é suficiente para as extinções dos débitos compensados na DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488: Verificase, portanto, que apesar do relatório de diligência ter concluído que o valor total de R$ 858.160,00 estaria parcialmente disponível pelo valor de R$ 844.453,02 para utilização em compensações com outros débitos ou mesmos débitos de outros períodos, como as estimativas objeto da compensação nº 35863.47312.240604.1.3.043488 estão sendo analisadas no processo nº 10865.720313/200827, que também utiliza o mesmo direito creditório ora apreciado, seria necessário o reconhecimento integral do crédito. Por outro lado, no Relatório de Diligência Fiscal anexado às fls. 666 a 672 do processo nº 10865.903917/200815, que trata de compensação com utilização do mesmo direito creditório ora analisado, a unidade preparadora chegou a conclusão diversa acerca do valor da estimativa devida em janeiro/2003: "O contribuinte foi intimado para cumprirmos a diligência solicitada pelo CARF e apresentou o Livro Razão e o Diário da época, juntamente com outros documentos, entre eles a apuração da base de cálculo do IRPJ. Na DIPJ/2004 retificadora foi assinalado que a base de cálculo foi apurada com base na receita bruta e acréscimos. As receitas informadas no demonstrativo da base de cálculo foram confirmadas no Livro Razão e, nos termos do artigo 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta é de oito por cento: "Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. " Conta Receita Valor 3.1.11.1 Vendas Produção Própria 8.093.340,95 3.1.12.1 Receita Exportação 18.093,60 3.1.31.1 Receita Vendas não Agrícolas 3.601,50 3.3.91 Outras Receitas Operacionais 3.885,67 Receita Bruta 8.118.921,72 Percentual 8% Base de Cálculo Operacional 649.513,74 3.3.61.1.1 Variações Cambiais Realiz. 51.687,09 3.3.61.3.2 Outros Ganhos Financeiros 4.294,02 3.5.11.2 Ganho Venda Bens do Imobilizado 3.478,53 3.5.21.3.1.001 Ganho c/Arrendamento Al 1.742,18 Base de Cálculo do Imposto de Renda 710.715,56 A Alíquota de 15% 106.607,33 Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10865.903916/200862 Acórdão n.º 1301002.684 S1C3T1 Fl. 1.136 12 Adicional 69.071,56 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 175.678,89 Há divergência entre o valor apurado nesta diligência e o informado pelo contribuinte, porque ele aplicou oito por cento para receitas que não se enquadram no conceito de receita bruta." O Relatório de Diligência Fiscal anexado às fls. 666 a 672 do processo nº 10865.903917/200815, elaborado pela unidade de origem identificou divergência entre o valor da estimativa de janeiro/2003 apurado na diligência (R$ 175.678,89) e o valor informado pelo contribuinte (R$ 162.507,07). A diferença decorre da aplicação indevida pela recorrente do percentual de oito por cento para receitas que não se enquadram no conceito de receita bruta definido pelo art. 224 do RIR/99, contrariamente ao disposto no art. 225 do RIR/99 que determina a adição integral das receitas nele relacionadas: Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto. (Lei nº 8.981,de 1995, art. 32 e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela equivalência patrimonial(Lei nº 8.981,de 1995, art. 32§ 1º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). § 2º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável, corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. (Lei nº 8.981,de 1995, art. 32, § 2º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). Considerando que a recorrente foi regularmente cientificada às fls. 673 a 675 do processo nº 10865.903917/200815 sobre as conclusões do referido relatório que apurou divergência entre a estimativa de janeiro/2003 apurado em diligência no valor de R$ 175.678,89 e o valor informado pelo contribuinte de R$ 162.507,07, entretanto, não apresentou manifestação quanto à diferença apurada, tenho como correto o valor apurado na diligência fiscal. Dessa forma, entendo que a diferença a menor da base de cálculo apurada pela recorrente na estimativa de janeiro/2003, no valor de R$ 13.171,82, deve ser reduzida do crédito pleiteado sobre o recolhimento a maior, consubstanciado no DARF pago em 19/03/2003, com valor principal de R$ 800.000,00 acrescido de multa e juros de mora. Assim, deve ser reconhecido o direito creditório no montante de R$ 786.828,18 (principal) acrescido de multa e juros de mora. Importante ressaltar que parte do valor reconhecido de R$ 786.828,18, foi utilizado nas compensações já homologadas, a seguir relacionadas, conforme Informação Fiscal prestada em procedimento de diligência fiscal às fls. 1.118 do presente processo: Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10865.903916/200862 Acórdão n.º 1301002.684 S1C3T1 Fl. 1.137 13 PER/DCOMP Valor Débito Data Situação Atual Situação da Declaração Motivo da Situação da Declaração Processo Nº 39035.35092.280704. 1.7.044892 12.676,68 11/07/2012 HOMOLOGAÇÃO TOTAL AGUARDANDO PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO 28623.05598.250804. 1.3.047067 2.453,78 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903912/200884 22743.16824.020904. 1.3.040251 22.331,36 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903913/200829 08891.60465.080904. 1.3.045809 35.110,22 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903914/200873 30276.47095.140904. 1.3.049480 19.478,48 06/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903915/200818 15738.53242.210906. 1.7.045707 2.558,50 23/09/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.902975/200813 Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por reconhecer o direito creditório sobre o valor de R$ 786.828,18 (principal) acrescido de multa de mora, devendo as compensações efetuadas serem homologadas até o limite do crédito reconhecido. Na apuração do saldo disponível para as compensações ainda não homologadas devem ser considerados também os juros de mora recolhidos e excluídos os valores das compensações já homologadas que utilizaram o mesmo crédito ora reconhecido. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 1137DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.910612/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 13/11/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.502
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 13/11/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 12 /2 01 1- 21 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910612/201121 Acórdão n.º 3402004.502 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.747, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 13/11/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910612/201121 Acórdão n.º 3402004.502 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910612/201121 Acórdão n.º 3402004.502 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910612/201121 Acórdão n.º 3402004.502 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
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