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Numero do processo: 10875.908422/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 02/10/2006
PROCESSUAL - ART. 17 DO DECRETO 70.235/75 - INADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada.
Numero da decisão: 1302-002.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 02/10/2006 PROCESSUAL - ART. 17 DO DECRETO 70.235/75 - INADMISSIBILIDADE DO RECURSO. Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 84 22 /2 00 9- 36 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10875.908422/200936 Acórdão n.º 1302002.476 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuidam os autos de processo de compensação em que o recorrente pretendeu a quitação de obrigações afeitas à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido mediante pretenso crédito decorrente de pagamento indevido. A vista disto, transmitiu, em 09/08/2007, a Dcomp de nº 24188.82486.090807.1.3.049903, vinculando um DARF de recolhimento, sob o código CSLL (2484 Estimativa), pago em 02/10/2006, no valor de R$ 96.033,37, a fim de quitar débito do próprio Cofins, relativo à competência de abril de 20075, no montante de R$ 107.566,98. Em Outubro de 2010, foi proferido despacho decisório por meio do qual deixouse de homologar a predita compensação tendo em conta a seguinte fundamentação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. O contribuinte manejou manifestação de inconformidade abordando, genericamente o seu direito de compensar o valor declinado na DCOMP, destacando que o direito creditório em questão decorreria de erro de preenchimento da DCTF. Em sessão realizada em maio de 2014, a DRJ de Juiz de Fora houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme argumentos resumidos na ementa, O contribuinte teve ciência do resultado do julgamento acima em 27/06/2014, uma sextafeira (AR de fl. 44), tendo interposto o seu recurso administrativo em 29/07/2014 (doc. de fl. 46). O trecho a seguir transcrito resume suficientemente a tese central do apelo. Vejase: Sobre o assunto, a impugnante, absolutamente impossibilitada dado inexistir via legal de fazer frente à exigência de juntada de todos os documentos necessários e aptos a comprovação da regularidade de seu agir, antecipa a apresentação daqueles que instruem a presente 'Manifestação' (notas Fiscais e Extratos), cuja crítica cautelar e minudente já é suficiente ao desnude da conclusão, de que os valores dos serviços tomados e os valores destacados no recebimento líquido dos seus preço guardam identidade com os montantes declarados com retidos e que por consequência compuseram o meio formal da compensação ora discutida (PERDCOMP). Ao final, invoca o princípio da verdade material a fim de reforçar a sua tese quanto a consideração dos documentos, segundo ele, colacionados no feito. O processo foi, então, encaminhado à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10875.908422/200936 Acórdão n.º 1302002.476 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de CSLL (2484 Estimativa) pago em 02/10/2006. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.402, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10875.900328/200858, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.402): O recurso voluntário é tempestivo, e sobre isso não há dúvidas. O problema, todavia, é que há, no caso, uma confusão impar!!! A questão aventada na manifestação de inconformidade cingia se à "erro material" de preenchimento da DCTF, na qual foi informado o DARF para recolhimento de IRPJ (estimativa) e que, em razão deste erro, transmitiuse, após a prolação do despacho decisório, declaração retificadora. A DRJ não acolheu a manifestação porque, a despeito da transmissão de uma nova DCTF para demonstrar a existência do crédito, considerando que esta providência se deu no curso de ação fiscal, caberia ao contribuinte demonstrar, por meio de documentos idôneos, que o novo valor refletiria, de fato, a correção da realidade apresentada, valendo destacar, neste particular, que da relação que consta da citada manifestação, não foram descritos livros, balancetes ou documentos fiscais que pudessem dar suporte às informações retificadas. No recurso voluntário, como se dessume do relatório acima, o contribuinte lança discussão absolutamente desconectada das razões propostas na manifestação de inconformidade e do próprio acórdão! Discutese, no apelo, a comprovação de valores retidos por tomadores de serviços a título de IRRF (?!?) e que tais valores poderiam ser objeto de compensação com outros tributos ou com o próprio IRPJ relativo à competências subsequentes (?!?!?!), invocando, inclusive, o princípio da verdade material para justificar o conhecimento, pela autoridade julgadora, das notas fiscais juntadas ao processo (?!?!?!??!!?). Esta discussão, digase, é totalmente estranha ao processo; não se conecta com a manifestação de inconformidade, nem tampouco se opõe aos argumentos tratados no acórdão recorrido (cuja análise se cingiu à imprestabilidade da apresentação de DCTF após a prolação do despacho decisório, desacompanhada dos documentos que se prestariam para Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10875.908422/200936 Acórdão n.º 1302002.476 S1C3T2 Fl. 5 4 demonstrar, de fato, os motivos que levaram o contribuinte a retificar a sua declaração). No caso, pois, recurso voluntário é inadmissível, ante a inegável preclusão ocorrida quanto a fatos/argumentos não suscitados na manifestação de inconformidade, em especial à luz do que dispõe o art. 17 do Decreto 70.235/72, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Objetivamente, o contribuinte nem mesmo aventou os motivos pelos quais não trouxe a alegação, e respectivas provas, quando do oferecimento de sua manifestação de inconformidade. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta, de fato, pelo princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas e argumentos não contempladas pela instância interior, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno; pretender, neste ponto, analisar provas e argumentos que não foram sequer disponibilizadas à DRJ, representaria iniludível supressão de instância. Em vista do exposto, não conheço recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.724553/2014-27
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2013
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais- DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°. 02 DO CARF.
Súmula nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
Numero da decisão: 1001-000.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2013 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais- DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°. 02 DO CARF. Súmula nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente COMERCIAL GAÚCHA DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°. 02 DO CARF. Súmula nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 45 53 /2 01 4- 27 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11065.724553/201427 Acórdão n.º 1001000.050 S1C0T1 Fl. 62 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 15ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1276.166, de 20 de maio de 2015 (efls. 40/42), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento (efl. 07) com a exigência do crédito tributário no valor de R$ 5.360,42 a título de multa de ofício isolada por quatorze (14) meses de atraso na entrega, em 31/10/2014, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao mês de julho de 2013, cujo prazo final era 23/09/2013. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, argumentando, que sua aplicação, no montante acima discriminado, ofenderia os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Alternativamente, postulou a redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária, fica sujeito a multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). Ciente da decisão de primeira instância em 23 de junho de 2015, conforme Aviso de Recebimento à efl. 45, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 20 de julho de 2015 (efls. 47/52), conforme carimbo aposto à efl. 47. É o Relatório. Voto Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11065.724553/201427 Acórdão n.º 1001000.050 S1C0T1 Fl. 63 3 Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele conheço. Gira a lide sobre a multa por atraso na entrega da DCTF do mês de julho de 2013. A base legal do lançamento foi o art. 7º da Lei nº 10.426/2001, com a redação que lhe foi dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3; [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; [...] § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11065.724553/201427 Acórdão n.º 1001000.050 S1C0T1 Fl. 64 4 No recurso interposto, os argumentos da recorrente, a exemplo do que ocorreu em sede de primeira instância, são centrados em princípios legais e constitucionais, a saber, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Alternativamente, a recorrente pede a aplicação da multa em seu valor mínimo, na forma do art. 7º, § 3º, da IN RFB nº 1.110/2010. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Como se pode observar, a Interessada não contesta o fato de haver apresentado a declaração a destempo. Suas razões de inconformidade estão centradas, única e exclusivamente, no valor da multa aplicada, que, segundo seu entendimento, seria excessivo, violando os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Muito embora respeitáveis os argumentos de defesa, não há como acolher a pretensão da Impugnante. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Uma vez configurada a ocorrência do fato gerador da multa, é dever da autoridade fiscal aplicar a penalidade nos estritos termos do comando legal. Ao julgador administrativo, por seu turno, é vedado afastar a aplicação de lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). De observar que, no caso em apreço, a multa foi calculada exatamente de acordo com a regra do art. 7º, inciso II, da Lei nº 10.426, de 2002, não tendo cabida a aplicação da penalidade mínima de R$ 500,00, prevista no § 3º do referido dispositivo. Como acertadamente consignou a decisão recorrida em relação às supostas inconstitucionalidades alegadas, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº. 02: Súmula CARF nº. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. A autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, como bem assinalou a decisão recorrida, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11065.724553/201427 Acórdão n.º 1001000.050 S1C0T1 Fl. 65 5 A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, entendo que a decisão recorrida não merece ser reformada quanto aos pontos alegados pela recorrente. Por fim, em relação ao pedido de redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00, tenho a acrescentar que essa multa mínima corresponde àquela estatuída no § 3º do dispositivo legal anteriormente transcrito neste voto, e não há dúvidas de que é aplicável apenas quando a multa calculada na forma do inciso I for inferior aos valores mínimos, ou, ainda, nos casos de não haver qualquer valor informado na DCTF. Tais hipóteses não se aplicam ao caso vertente, pelo que igualmente inaplicável a multa mínima pretendida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000278/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. NATUREZA DO VÍCIO DE NULIDADE.
Deixa-se de acolher os embargos declaratórios quando inexistentes os vícios apontados no acórdão recorrido, o qual expressamente manifestou-se pela nulidade do lançamento por vício formal.
Numero da decisão: 2401-005.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, negar-lhes provimento, por inexistência dos vícios apontados pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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SALÁRIOEDUCAÇÃO. Embargante MI MONTREAL INFORMÁTICA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. NATUREZA DO VÍCIO DE NULIDADE. Deixase de acolher os embargos declaratórios quando inexistentes os vícios apontados no acórdão recorrido, o qual expressamente manifestouse pela nulidade do lançamento por vício formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, negarlhes provimento, por inexistência dos vícios apontados pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 02 78 /2 00 7- 24 Fl. 798DF CARF MF Processo nº 12045.000278/200724 Acórdão n.º 2401005.184 S2C4T1 Fl. 799 2 Relatório Cuidamse de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, às fls. 729/736, contra o Acórdão nº 230100.719, de 29/10/2009, proferido pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de relatoria do Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, o qual está juntado às fls. 703/714. 2. A embargante alega a existência de omissão e contradição no acórdão mencionado, a seguir resumidas: (i) omissão, dada a falta de análise a respeito da natureza jurídica do vício que motivou a anulação do lançamento por cerceamento do direito de defesa; e (ii) contradição entre a fundamentação do votocondutor do acórdão embargado e as suas conclusões, porquanto o julgado decretou a nulidade por vício formal, em vez de reconhecer a existência de vício material, segundo jurisprudência dominante no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 3. A ciência do acórdão embargado pelo sujeito passivo deuse, por via postal, em 24/10/2013, tendo o embargante protocolado o recurso no dia 25/10/2013, data do carimbo aposto pelos Correios no envelope da remessa postal (fls. 783/785). 4. Os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção, Conselheiro Marcelo Oliveira, na qual foi prolatada a decisão questionada (fls. 792/793). 5. Por derradeiro, o processo administrativo foi sorteado a este Relator na sessão do mês de maio do corrente ano, para fins de exame dos embargos e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 799DF CARF MF Processo nº 12045.000278/200724 Acórdão n.º 2401005.184 S2C4T1 Fl. 800 3 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 6. Uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo à avaliação de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e suas alterações). 7. Na análise do acórdão embargado, verifico que o votocondutor reconheceu expressamente a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos copiados abaixo (fls. 714): (...) 17. Por fim, diante de todo o exposto e uma vez transitada em julgado a sentença reconhecendo que o domicílio tributário é o estabelecimento centralizador do recorrente, situado na rua Capitão Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ, somente resta a este órgão administrativo julgador acatar a decisão judicial e, consequentemente, a preliminar ora examinada, para anular o lançamento por vício formal. Restando, portanto, prejudicado o exame de mérito. (...) (GRIFEI) 8. Segundo o Acórdão nº 230100.719, os membros da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção, em votação unânime, decidiram anular o lançamento de contribuições sociais destinadas ao salárioeducação, nos termos do voto do relator (fls. 707): Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular o auto de infração/lançamento, nos termos do voto do relator. (...) Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente) e Júlio César Vieira Gomes (Presidente). (GRIFEI) 9. Nessas condições do julgado, não visualizo a existência de omissão no acórdão recorrido no tocante à designação da natureza do vício de nulidade. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 12045.000278/200724 Acórdão n.º 2401005.184 S2C4T1 Fl. 801 4 10. Todavia, a embargante assevera que o julgado esquivouse de confrontar de maneira concreta a questão referente à natureza jurídica da nulidade por cerceamento do direito de defesa. 10.1 Em apoio da sua linha de argumentação, a pessoa jurídica embargante colacionou aos autos, a título de exemplo, cópia do Acórdão nº 2301003.235, julgado em 22/11/2012, no qual a Turma, em situação idêntica em face do mesmo contribuinte, acolheu os embargos declaratórios para, atribuindolhes efeitos infringentes, qualificar o vício de nulidade como material (fls. 765/771). 11. Com efeito, tendo em conta as dezenas de notificações de lançamento e/ou autos de infrações lavrados em nome da embargante, a inobservância do domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e as consequências para os lançamentos de ofício efetuados pelo Fisco acabaram sendo apreciadas em diversas oportunidades no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 11.1 No Acórdão nº 2301003.235, acima mencionado, a despeito da alusão à nulidade do lançamento por vício formal, o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes reconheceu a existência de omissão e de contradição no acórdão embargado, sob a justificativa de ausência de cotejo da natureza jurídica do vício com o caso concreto. 11.2 Ao final do julgamento, por maioria de votos, a Turma acolheu os declaratórios para analisar o vício e conceituálo como material, na esteira do entendimento manifestado pelo relator. 12. Com a devida vênia, o acolhimento dos embargos declaratórios, conforme explicitado no Acórdão nº 2301003.235, extrapolou o seu cabimento limitado previsto na legislação de regência, destinado que é a sanar tão somente vícios formais especificamente tipificados. 12.1 Tendo ocorrido o julgamento dos declaratórios após mais de três anos da sessão do acórdão embargado, com nova composição da Turma e maioria renovada, entendo plausível que a matéria sofreu uma reavaliação de interpretação diante dos fatos ou mesmo uma mudança de entendimento do próprio Relator, Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, sobre a natureza do vício formal. 12.2 A meu sentir, o que aconteceu naquele julgamento foi a rediscussão da matéria com novos argumentos, utilizandose de via processual inadequada, postura que não compartilho. 13. Embora o acórdão ora recorrido, sob o nº 230100.719, não tenha se ocupado em exteriorizar e confrontar as características que usualmente levam à distinção entre vício formal e vício de natureza material, não há dúvidas que o votocondutor discorreu de forma minuciosa a respeito das razões pelas quais considerou configurado o cerceamento do direito de defesa da recorrente, concluindo, ao final, que tal situação fática implicava a anulação do lançamento por vício formal. 14. De mais a mais, também não há que se falar em contradição no Acórdão nº 230100.719, ora embargado, ou mesmo em evidente erro material, sob a justificativa de que a sua fundamentação conduz, indubitavelmente, para a decretação do vício como de natureza material, e não formal. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 12045.000278/200724 Acórdão n.º 2401005.184 S2C4T1 Fl. 802 5 15. É verdade que prevalece, segundo diversos precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a natureza do vício material na hipótese dos autos. Contudo, não havia, e pode ainda não haver, uma unanimidade sobre o assunto, avaliando alguns julgadores os mesmos fatos e razões trazidos aos autos para conceituar a irregularidade como vício formal. 15.1 Apenas como exemplo da divergência interpretativa, o voto da Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que conceituou o vício como formal no Acórdão nº 230100.719, ora embargado, assim como manteve a mesma posição no Acórdão nº 2301003.235, quando restou vencida. 15.2 A toda a evidência, a natureza do vício é uma questão de índole interpretativa, não havendo proposições inconciliáveis entre si no acórdão embargado. 16. Em arremate de síntese, não comprovada a contradição no julgado, nem mesmo omissão quanto ao ponto questionado pela embargante, a consequência é a rejeição dos embargos declaratórios opostos pelo contribuinte. 17. De todo modo, conquanto inviável o manejo dos aclaratórios, é possível a interposição de recurso especial, desde que evidenciada a similitude de situações fáticas e a divergência interpretativa, representadas por julgados que decidiram pela natureza material do vício. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO dos embargos declaratórios e, no mérito, NEGO PROVIMENTO aos aclaratórios opostos pelo contribuinte, dada a inexistência dos vícios de omissão e contradição no Acórdão nº 230100.719. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 802DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.725593/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO
Para caracterizar a subvenção para investimentos é necessária a previsão legal, o protocolo de intenções firmado com o ente público em que se discrimine o investimento a ser realizado, o controle pelo subvencionador da realização do projeto e, evidentemente, a própria realização do projeto na medida mínima dos valores subvencionados.
PIS - COFINS - SUBVENÇÕES
Independentemente do regime de apuração destas contribuições, se cumulativo ou não cumulativo, o PIS e a COFINS não incidem sobre subvenções estaduais relativas ao ICMS, mesmo não caracterizadas como subvenções para investimento.
MULTA ISOLADA
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
Numero da decisão: 1401-002.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e dar provimento ao recurso voluntário no que diz respeito à autuação do PIS e da COFINS. O Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa votou pelas conclusões em relação a este último ponto. Por maioria de votos, i) negar provimento ao recurso voluntário em relação à autuação de IRPJ e CSLL. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva; ii) dar provimento ao recurso para afastar a aplicação da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
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(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino Da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO Para caracterizar a subvenção para investimentos é necessária a previsão legal, o protocolo de intenções firmado com o ente público em que se discrimine o investimento a ser realizado, o controle pelo subvencionador da realização do projeto e, evidentemente, a própria realização do projeto na medida mínima dos valores subvencionados. PIS - COFINS - SUBVENÇÕES Independentemente do regime de apuração destas contribuições, se cumulativo ou não cumulativo, o PIS e a COFINS não incidem sobre subvenções estaduais relativas ao ICMS, mesmo não caracterizadas como subvenções para investimento. MULTA ISOLADA A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e dar provimento ao recurso voluntário no que diz respeito à autuação do PIS e da COFINS. O Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa votou pelas conclusões em relação a este último ponto. Por maioria de votos, i) negar provimento ao recurso voluntário em relação à autuação de IRPJ e CSLL. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva; ii) dar provimento ao recurso para afastar a aplicação da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. . (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino Da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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PIS COFINS SUBVENÇÕES Independentemente do regime de apuração destas contribuições, se cumulativo ou não cumulativo, o PIS e a COFINS não incidem sobre subvenções estaduais relativas ao ICMS, mesmo não caracterizadas como subvenções para investimento. MULTA ISOLADA A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e dar provimento ao recurso voluntário no que diz respeito à autuação do PIS e da COFINS. O Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa votou pelas conclusões AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 55 93 /2 01 5- 11 Fl. 472DF CARF MF 2 em relação a este último ponto. Por maioria de votos, i) negar provimento ao recurso voluntário em relação à autuação de IRPJ e CSLL. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva; ii) dar provimento ao recurso para afastar a aplicação da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. . (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino Da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratamse de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o PIS/PASEP, e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativos aos anos calendários de 2011 e 2012, em razão da requalificação de receitas de subvenção para investimento. Relativamente à acusação fiscal (termo de verificação fiscal de fls. 5171), merecem ser destacados os seguintes trechos: 9. Esta auditoria identificou que a fiscalizada, no preenchimento de suas DIPJ dos anoscalendário objeto desta fiscalização (2011 e 2012), nas fichas de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, excluiu os valores de R$ 14.171.569,03 (ano de 2011) e R$ 14.792.822,14 (ano de 2012), respectivamente, a título de “Doações e Subvenções para Investimentos”. 10. Relativamente a tais exclusões, em 04/05/2015 a fiscalizada foi solicitada a explicar as bases que a levou a proceder tal exclusão, notadamente, a explicação e comprovação de que tais subvenções poderiam ter o tratamento fiscal como de subvenção para investimentos. 11. Como resposta, a empresa vem informar que: que obteve incentivos fiscais do Estado (redução do ICMS) para se fortalecer na Paraíba e gerar emprego e desenvolvimento; que era a intenção do governo local ao subvencionar o contribuinte era “de modo a fortalecer as empresas existentes e estimular a Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10480.725593/201511 Acórdão n.º 1401002.087 S1C4T1 Fl. 473 3 instalação de novos empreendimentos, promovendo um incremento na geração de mãodeobra e renda.”; e faz anexo, diversos comprovantes de inversões fixas realizadas pela empresa. 12. Relativamente a essas exclusões efetuadas pela fiscalizada passamos a tecer as nossas considerações e entendimento, para ao final concluir com as suas consequências tributárias: (...) [na parte aqui suprimida a autoridade tece considerações teóricas sobre o tema] 2.2. Do Regime Especial de Tributação do Crédito Presumido do ICMS do Estado da Paraíba E sua classificação fiscal: Subvenção para Custeio 30. O Regime Especial de Tributação de ICMS, na modalidade de Crédito Presumido de ICMS, foi criado pelo Decreto do Estado da Paraíba nº 23.210/2002, de 29 de julho de 2002 e alterações. 31. Examinando este Decreto, observamos, já no caput do seu art. 1º, que ele tem por finalidade a adoção de Regime Especial de Tributação de ICMS, em substituição à sistemática normal de apuração, visando ao incremento do faturamento e da arrecadação do imposto em relação às atividades nele relacionadas: “Art. 1º A Secretaria das Finanças, através de celebração de Termo de Acordo com estabelecimentos industriais ou comerciais devidamente inscritos neste Estado, poderá adotar Regime Especial de Tributação de ICMS, em substituição à sistemática normal de apuração, visando ao incremento do faturamento e da arrecadação do imposto. Art. 2º O disposto neste artigo somente se aplica às atividades de: I torrefação e moagem de café; II produção sucroalcooleira; III comércio atacadista em geral, inclusive importações; IV central de distribuição de estabelecimento industrial ou distribuidor exclusivo; V comércio varejista de produtos de informática; VI comércio varejista de veículos novos; VII industrialização e comercialização de produtos comestíveis resultantes do abate de bovinos, bufalinos, suínos, ovinos, caprinos e aves. Parágrafo único. Considerase estabelecimento atacadista, para os efeitos deste Decreto, empresas cujas vendas mensais Fl. 474DF CARF MF 4 a outros contribuintes do ICMS correspondam, no mínimo, a 90% (noventa por cento) do total. Nova redação dada ao art. 2º pelo art. 1º do DECRETO Nº 30.484 (DOE de 29.07.09). Art. 2º O disposto neste artigo somente se aplica às atividades de: I torrefação e moagem de café; II comércio atacadista em geral, inclusive importações; III central de distribuição; IV industrialização, e comercialização de produtos comestíveis resultantes do abate de bovinos, bufalinos, suínos, ovinos, caprinos e aves. Acrescentado o inciso V ao “caput” do art. 2º pelo art. 1º do Decreto nº 33.698/13 DOE de 20.02.13. V – industrialização náutica ou similar.” 32. No seu art. 3º, a seguir transcrito, estabelece as condições a que estarão sujeitos os contribuintes submetidos ao Regime Especial: “Art. 3º O Termo de Acordo condicionará o contribuinte a: I efetuar, mensalmente, independente da existência de saldo credor, recolhimento mínimo de ICMS entre 3% (três por cento) e 6% (seis por cento) do valor das saídas mensais, conforme percentual estabelecido de acordo com a atividade econômica exercida; Nova redação dada ao inciso I do art. 3º pelo art. 2º do DECRETO Nº 30.484 (DOE de 29.07.09). I – efetuar, mensalmente, independente da existência de saldo credor, recolhimento de ICMS nunca inferior a 3% (três por cento) do valor das saídas internas e, nas operações interestaduais, em percentual a ser estabelecido de forma a garantir a competitividade das empresas deste Estado, mediante a concessão de benefícios de porte similar aos oferecidos por outras unidades da Federação. II estabelecer meta de faturamento médio mensal superior a R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais), no caso de empresas atacadistas devidamente cadastradas e em operação comercial neste Estado há mais de 12 (doze) meses, e gerar, no mínimo, 10 (dez) empregos diretos; III estabelecer meta de faturamento médio mensal superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), no caso de empresas atacadistas devidamente cadastradas e em operação comercial neste Estado há menos de 12 (doze) meses, e gerar, no mínimo, 30 (trinta) empregos diretos; Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10480.725593/201511 Acórdão n.º 1401002.087 S1C4T1 Fl. 474 5 IV estabelecer meta de faturamento médio mensal superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais), no caso de centrais de distribuição de estabelecimento industrial ou distribuidor exclusivo, devidamente cadastradas e em operação comercial neste Estado há menos de 12 (doze) meses, e gerar, no mínimo, 30 (trinta) empregos diretos; V manter sistema eletrônico de processamento de dados para emissão de documentos e escrituração de livros fiscais e apresentar, mensalmente, à Secretaria das Finanças informações completas e detalhadas da movimentação fiscal de entradas e saídas de mercadorias, na forma estabelecida no Anexo 06 – Manual de Orientação/Processamento de Dados, do Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto nº 18.930, de 19 de junho de 1997; VI estabelecerse em local compatível com a atividade desempenhada e que disponha de espaço físico apropriado para a estocagem de mercadorias. Parágrafo único. Para concessão de Termo de Acordo aos estabelecimentos de que trata o inciso II deste artigo, é necessário que o faturamento médio mensal dos últimos 12 (doze) meses de atividade seja superior a R$ 100.000,00 (cem mil reais).” 33. Em sua resposta à nossa intimação a fiscalizada apresentou o Termo de Acordo nº 2008.000205, celebrado com o Governo do Estado da Paraíba em 30/12/2008, estabelecendo as condições gerais para a adoção do Regime Especial de Tributação de ICMS do qual ele é partícipe, dentre as quais, destacamos: "CLÁUSULA PRIMEIRA Nas saídas de mercadorias, neste Estado, será concedido crédito presumido de ICMS, de modo que a carga tributária máxima resulte: I 3% (três por cento) nas operações internas; II 1% (um por cento) nas operações interestaduais; III 1% (um por cento) nas saídas de mercadorias adquiridas de estabelecimento industrial localizado neste Estado; .... § 4º O direito a utilização do crédito presumido mensal de que trata esta cláusula ficará condicionado ao pagamento do ICMS nos prazos estabelecidos no Regulamento do ICMS, e a apresentação dos arquivos eletrônicos de que trata o Inciso I da Cláusula Décima Terceira. ... CLÁUSULA NONA A Empresa se obriga a cumprir as disposições da legislação tributária do Estado da Paraíba não excepcionadas no presente Termo de Acordo e, seu Fl. 476DF CARF MF 6 descumprimento, além do contido neste acordo, implicará no seu cancelamento, sem prejuízo da aplicação das sanções contidas na referida legislação, bem como do estorno do crédito presumido utilizado indevidamente nos meses em que as irregularidades foram cometidas. CLÁUSULA DÉCIMA A Empresa se obriga, ainda, a: I emissão e escrituração de documentos fiscais através de processamento eletrônico de dados, na forma definida no Regulamento do ICMS; II apresentar junto à Gerência Executiva de Arrecadação e Informações Econômico Fiscais GEAIEF, através da GIM, informações da movimentação fiscal de entradas e saídas de mercadorias, em meio eletrônico, os registros do tipo 10, 11, 50, 53, 54, 74, 75, 88 e 90, na forma estabelecida nos Anexos 06 e 46 do RICMS/PB; III manter, em caráter permanente, no mínimo 30 (trinta) empregos diretos; VI manterse estabelecida em local compatível com a atividade desempenhada, inclusive com espaço físico apropriado para a estocagem de mercadorias;” .... (grifos nossos) 34. Ora, na análise da legislação que disciplina o Regime Especial de Tributação de ICMS do Estado da Paraíba (Decreto 23.210/2002), e das cláusulas do Termo de Acordo nº 2008.000205, não visualizamos nenhum dispositivo que aponte a intenção do Governo do Estado em criar tal subvenção com a finalidade específica de investimentos, nem a existência de qualquer mecanismo de vinculação entre os valores obtidos com o benefício fiscal resultantes da adoção do Regime Especial de Tributação do ICMS e a aplicação, por parte do beneficiário, desses recursos em bens e direitos ligados à implantação ou expansão do empreendimento econômico. 35. A alegação apresentada pela empresa8 de que a intenção do subvencionador esta comprovada no documento lavrado pela Gerência Executiva de Tributação foi baseada em um dos “Considerando” do Decreto do Estado da Paraíba nº 23.210/2002, que abaixo reproduzimos: O GOVERNADOR DO ESTADO DA PARAÍBA, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 86, IV, da Constituição do Estado, e tendo em vista o disposto no art. 186, da Lei nº 6.379, de 2 de dezembro de 1996, e, ... CONSIDERANDO o tratamento tributário adotado pelas demais unidades da Federação, sobretudo do Nordeste; CONSIDERANDO ser imprescindível dispensar tratamento tributário semelhante ao adotado em outras unidades da Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10480.725593/201511 Acórdão n.º 1401002.087 S1C4T1 Fl. 475 7 Federação, de modo a permitir participação no mercado regional, de forma justa e equânime; CONSIDERANDO a necessidade de racionalizar procedimentos de tributação relativos às operações praticadas pelos contribuintes enquadrados nas atividades econômicas que especifica e que sejam usuários de sistema eletrônico de processamento de dados para emissão de documentos e escrituração de livros fiscais; CONSIDERANDO, ainda, ser de vital importância adaptar a legislação tributária do ICMS à nova realidade sócio econômica, de modo a fortalecer as empresas existentes e estimular a instalação de novos empreendimentos, promovendo um incremento na geração de mãodeobra e renda, D E C R E T A : .... 36. Portanto, tratase de “considerações iniciais” para expedição do Decreto, que não são reproduzidas nos seus artigos, e, mesmo assim, onde não são declinadas quaisquer condicionantes para o gozo do benefício fiscal estatal a ser concedido. 37. Ademais, apesar de a fiscalizada ter apresentado, em sua resposta, documentação comprobatória de aquisição de carrocerias e veículos, de gastos na construção do seu Centro de Distribuição em Cabedelo/PB e ainda, alterações contratuais de abertura de filiais; alegando estar comprovando a efetiva aplicação dos recursos decorrentes do benefício fiscal em seu empreendimento econômico; tais ações e inversões físicas não possuem vinculação com os dispositivos legais ou Termo de Acordo que instituíram e definiram as condições de gozo dos benefícios fiscais; ou seja, essas inversões não foram condicionantes para a aquisição do benefício fiscal. 38. Consequentemente, o benefício fiscal aqui tratado não pode ser reconhecido como uma subvenção para investimento, a como tal, poder ser excluído das bases de tributação do IRPJ e CSLL; eis que, no caso, estão ausentes duas das cláusulas conclusivas do PN CST nº 112/78 para que uma subvenção seja admitida como de investimento e passível de exclusão, a recordar: 7.1 ... II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: Fl. 478DF CARF MF 8 a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; (...) A autoridade também inseriu as receitas de subvenção na base de cálculo do PIS e da COFINS, lançou multas isoladas pela falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL, bem como glosou deduções indevidas de estimativas de IRPJ e de CSLL que superaram o valor efetivamente pago. Aqui, já adianto que a DRJ afastou este último item de autuação, o qual não foi objeto de recurso de ofício. DA IMPUGNAÇÃO A impugnação foi apresentada às fls. 316338. Com relação a essa peça, reproduzo o relatório da decisão de primeiro grau: 6. Cientificada em 29/05/2015, conforme informação de fls. 312/313, tempestivamente, em 26/06/2015, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos, às fls. 316/338, acompanhada dos documentos de fls. 339/359, que se resume a seguir: FATOS NECESSÁRIOS a. Afirma que é empresa constituída no Estado da Paraiba há vários anos, onde colabora, há décadas, com a geração de emprego e renda. Sempre procurou, apesar das várias dificuldades que assombram os empresários de nosso Pais, cumprir corretamente com suas obrigações fiscais. Assim, entendese suprida de razões para comparecer perante o Órgão Administrativo competente para apresentar suas motivações de inconformismo, esperando ao final, ver providas suas razões de ingresso; b. Entende que o Auto de Infração não tem esteio tributário e ainda, que as multas exponenciadas significam um enriquecimento ilícito do Estado, em ofensiva à igualdade das partes, sendo tal igualdade garantida pela Constituição Federal Brasileira. Ao entender da Autuada, os termos alocados pelos Autos de Infração e ainda, o valor obtido por estes, obrigaram na à apresentação da Defesa Escrita, para perfeição de suas razões, que serão abaixo alinhavadas; DO RELATÓRIO FISCAL c. Destaca que a controvérsia cingese acerca da intenção do governo do Estado da Paraíba em subvencionar o contribuinte. Cita trecho do Relatório Fiscal. No que se refere ao ponto central da controvérsia (intenção do governo local), inferese que a Auditoria considerou que a empresa, em sua resposta, Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10480.725593/201511 Acórdão n.º 1401002.087 S1C4T1 Fl. 476 9 informou que obteve incentivos fiscais do Estado (redução do ICMS) para se fortalecer na Paraiba e gerar emprego e desenvolvimento; d. Anota que a resposta da empresa Autuada foi no sentido de que a intenção do governo paraibano era fortalecer a empresa e estimular a instalação de novos empreendimentos. Este trecho, inclusive, está grifado na resposta da Autuada, conforme trecho citado; e. Afirma ser estreme de dúvidas que o "incremento na geração de mãodeobra e renda" é a consequência da "instalação de novos empreendimentos" (propósito da subvenção). Assim, não há que se falar em intenção de gerar emprego e desenvolvimento; o propósito do Estado da Paraiba ao subvencionar o contribuinte era fortalecer a empresa e estimular a instalação de novos empreendimentos e, consequentemente, gerar emprego e renda. Exatamente dessa forma respondeu o contribuinte; f. Defende que resta clarividente a intenção do Governo do Estado da Paraíba ao subvencionar o contribuinte objetivando estimular a implantação de empreendimentos econômicos. Cita outro trecho do Relatório Fiscal. A Auditoria afirma ainda que "o Parecer Normativo CST 112/78 da Secretaria Receita Federal do Brasil veio esclarecer o tratamento fiscal a ser dado às subvenções, oferecendo, assim, o referencial normativo a ser seguido por toda administração tributária federal". Transcreve trechos do Parecer Normativo e ao final conclui, conforme trecho citado; g. Repete que a discussão sobre a subvenção cingese à "intenção do subvencionador de destinála para investimento" (1a característica, de acordo com o PN CST n° 112/78). Acontece que nos termos do referido Parecer Normativo CST n.° 112/1978, transcrito parcialmente pelo distinto fiscal, restou consolidado que a subvenção para investimento é "a transferência de recursos para uma pessoa juridica" e tem por fim fomentar a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, conforme se verifica do trecho citado; h. Afirma que não há dúvidas que o Parecer da Gerência Executiva de Tributação considerou que o propósito do Estado da Paraiba era "estimular a instalação de novos empreendimentos", estando em perfeita consonância com o Parecer Normativo CST n.° 112/1978. Verificase assim que os motivos expostos no Decreto n° 23.210/02 foram reafirmados no referido Parecer da Gerência Executiva de Tributação de n° 2008.01.00.00772, emitido em 30/12/2008. Consta ainda no retrocitado Parecer que "o Regime Especial que ora se propõe, não desobrigará a requerente do cumprimento das obrigações tributárias acessórias previstas no Regulamento, tendo o prazo de validade até 31/12/2015, produzindo efeitos a partir de 01/01/2009". Depreendese do referido documento, portanto, que a intenção do governo estadual era estimular a instalação de Fl. 480DF CARF MF 10 novos empreendimentos (reiterando o Decreto n° 23.210/02) sem prejuízo do cumprimento "das obrigações tributárias acessórias previstas no Regulamento" , sendo certo, inclusive, que o propósito ainda subsiste, tendo em vista que está vinculado à concessão do Regime Especial; i. Alega que não se trata apenas de "considerações iniciais para expedição do Decreto". Ao contrário, além de constar expressamente no referido Decreto, a intenção do Estado da Paraíba também está explícita em Parecer da Gerência Executiva de Tributação de n° 2008.01.00.00772, extraído dos autos do Processo n° 10412520087; j. Acrescenta que, em decisão exarada nos autos do Processo retrocitado, o Secretário de Estado da Receita deferiu o pedido de N. CLAUDINO & CIA LTDA., nas condições do Parecer n° 2008.01.00.00772, conforme se infere do outro documento anexado à resposta do contribuinte (igualmente esquecido pela fiscalização). Assim, a intenção do Estado em subvencionar os contribuintes de forma geral, está formalizada em Decreto Estadual, o que já seria suficiente, uma vez que os "considerandos" são as razões que motivaram o projeto do Decreto analisado. Os "considerandos", portanto, não precisam ser "reproduzidos" nos artigos da lei, até porque expressam os motivos (ou intenções) da própria legislação; k. Aduz que, no caso especifico da Autuada, além do Decreto supracitado, temse ainda um Parecer da Gerência Executiva de Tributação e uma decisão do Secretário de Estado da Receita que referenda os termos do Parecer e do Decreto. Isso tudo exsurge dos autos do Processo Administrativo, devidamente instaurado para concessão do incentivo fiscal à N. Claudino & Cia. Ltda. Esses documentos comprovam, de forma insofismável, a intenção do Governo do Estado da Paraiba ao subvencionar o contribuinte autuado, mais precisamente, a de estimular a implantação e expansão de seus empreendimentos econômicos, possuindo assim a natureza jurídica de subvenção para investimento, estando fora da incidência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Ademais, as condições e intenções explicitadas no Decreto e no Parecer foram, de fato, concretizadas, mormente com a abertura de 09 (nove) filiais da empresa no periodo, além da construção do seu Centro de Distribuição em Cabedelo/PB. l. Registra que a fiscalização alegou, de forma genérica e aleatória, que os recursos não foram aplicados no empreendimento econômico da subvencionada (tópico 37). Acontece que o Relatório Fiscal não dedicou sequer uma linha para comprovar esta absurda alegação, pelo que fica totalmente rechaçada qualquer discussão neste sentido; m. Cita decisão do CARF; n. Argumenta que, malgrado o Relatório Fiscal não ter logrado êxito em provar que não houve vinculação do beneficio recebido, cabe trazer à baila, por puro amor ao debate, recentíssimo julgado do CARF que considerou que não seria exigível a prova de que o investimento foi efetuado com aquela verba especifica Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10480.725593/201511 Acórdão n.º 1401002.087 S1C4T1 Fl. 477 11 subvencionada, portanto sendo tratada como subvenção para investimento; o. Reafirma que a intenção do subvencionador ficou caracterizada, qual seja, fortalecer e estimular a instalação de novos empreendimentos da Sociedade Empresária N. CLAUDINO & CIA LTDA, de acordo com Parecer emitido nos autos do processo em que a empresa figura como parte interessada. Estreme de dúvida, portanto, que o propósito do Governo do Estado da Paraíba era fortalecer a Autuada e estimular a instalação de novos empreendimentos desta empresa, caracterizando assim a subvenção para investimento; p. Cita outros julgados administrativos; q. Reclama que, embora mencione o art. 545 do RIR/99 (tópico 19), o Relatório Fiscal não observou que o Contribuinte não distribuiu aos sócios os valores subvencionados, em cumprimento ao referido dispositivo legal. Diante disso, e de tudo o quanto exposto, a Autuada postula pela improcedência dos lançamentos e pela insubsistência dos Autos de Infração ora guerreados; RECEITAS DE SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO EXCLUSÃO DEVIDA DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL r. Relata que, conforme se infere do tópico 3.2, foram lavrados Autos de Infração específicos, tendo em vista que a fiscalização considerou que a empresa excluiu indevidamente do lucro liquido, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos anos de 2011 e 2012, os valores de R$ 14.171.569,03 (ano de 2011) e R$ 14.792.822,14 (ano de 2012), que se referiram a receitas ganhas a titulo de incentivos fiscais do ICMS. Acontece que a única alegação da fiscalização (intenção do governo estadual) foi rechaçada no tópico anterior, não restando sequer resquícios de dúvidas sobre o propósito de subvencionar o contribuinte com o fito de implantação de novos empreendimentos econômicos no Estado. Assim sendo, ficam totalmente impugnados os autos de infração específicos, ficando requerida, mais uma vez, a improcedência total dos lançamentos; DA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA PELA ALEGADA FALTA RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA s. Repete que, pela mesma razão, ou seja, por serem considerados os valores recebidos como subvenções para investimento, fica rechaçada a aplicação da multa isolada pela alegada falta dos pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. Ad argumentandum, cabe considerar que ainda que fossem tributados o IRPJ e o CSLL anos 2011 e 2012 ainda assim a exigência da multa de oficio relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário não seria compatível com a multa isolada. Esse, inclusive, foi o entendimento do Relator Ricardo Fl. 482DF CARF MF 12 Marozzi Gregório, nos autos do processo n° 10480.720836/201355, Acórdão n° 1102001.226 Ia Câmara / 2a Turma Ordinária do CARF; t. Conclui que, por ser descabida a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício no mesmo lançamento, a sua cobrança é indevida, pelo que fica impugnada. Além disso, já está pacificado no CARF a impossibilidade da aplicação da multa isolada sobre estimativas não recohidas após findo o ano exercício fiscalizado, estando inclusive sumulado tal entendimento, conforme Súmula CARF n° 82 (Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas). Por todos estes motivos, requer seja exonerado o lançamento da multa isolada; DA DEDUÇÃO DO IRJP E DA CSLL, NO AJUSTE ANUAL, PAGOS POR ESTIMATIVA u. Anota que, nos tópicos 3.3 e 3.4 a fiscalização concluiu que a empresa deduziu, no ajuste anual, um valor a maior de R$ 20.976,31, a título de estimativa do IRPJ e R$ 11.605,75, a título de estimativa da CSLL, motivo pelo qual glosou os referidos valores. Acontece que os valores foram efetivamente pagos no ano calendário, conforme se infere dos DARFs em anexo. Diante do exposto, trazendo aos autos provas inequívocas da lisura com que efetuara as deduções impugnadas pela fiscalização, temse que as glosas devem ser consideradas indevidas. É o que fica requerido; DA ALEGADA FALTA DE INCLUSÃO DE RECEITA NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS v. Relata que, por entender que as subvenções recebidas se classificam como correntes, ou para custeio, a fiscalização adicionou os valores subvencionados às bases de tributação das Contribuições do PIS e da COFINS; w. Alega que, conforme demasiadamente demonstrado, a fiscalização não trouxe elementos suficientes no Relatório Fiscal para caracterizar a subvenção como sendo para custeio, e ante todas as evidências que lhe atribuem a natureza de subvenção para investimento, a tributação das Contribuições do PIS e da COFINS deve seguir a mesma sorte do IRPJ e da CSLL, qual seja: a improcedência. Com efeito, a lei n° 11.941/2009, no seu inciso I, parágrafo único, art. 21 dispõe sobre a exclusão para as Contribuições do PIS e da Cofins, quando caracterizadas as subvenções para investimentos; x. Assim, tendo em vista que a Autuada demonstrou a intenção do Governo do Estado da Paraiba em subvencionar a empresa, estimulandoa a implantar novos empreendimentos, caracterizada está a subvenção para investimento, não devendo ser considerada receita para PIS/COFINS. Somente a titulo de Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10480.725593/201511 Acórdão n.º 1401002.087 S1C4T1 Fl. 478 13 argumentação, cabe ressaltar que ainda que fossem considerados como subvenções para custeio, o que aqui somente se admite por hipótese, ainda assim estes valores não seriam tributados pelo PIS/Cofins, pois não têm natureza jurídica de receita ou faturamento. Nessa esteira de pensamento, os Tribunais Superiores são amplamente favoráveis a não inclusão dos valores subvencionados na base de cálculo do PIS/Cofins; y. Conclui que as subvenções para custeio também não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, pelo fato de serem meros redutores de custo e não efetivo ingresso de recursos para o contribuinte ou, em outras palavras, por não terem sido auferidos em razão da atividade econômica da empresa; DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão de primeiro grau (fls. 376406) deu provimento parcial à impugnação apenas para afastar a infração relativa a suposto aproveitamento a maior de estimativas. Abaixo, reproduzimos os principais trechos da decisão. Com relação à inclusão das receitas de subvenção na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o julgador assim se manifestou: 23. No caso concreto, conforme explicou o autuante em seu TVF, nem o Decreto 23.210/2002, que disciplina o Regime Especial de Tributação de ICMS do Estado da Paraíba, nem as cláusulas do Termo de Acordo nº 2008.000205, não consta nenhuma disposição que aponte a intenção do Governo do Estado em criar a subvenção com a finalidade específica de investimentos, nem a existência de qualquer mecanismo de vinculação entre os valores obtidos com o benefício fiscal resultantes da adoção do Regime Especial de Tributação do ICMS e a aplicação, por parte do beneficiário, desses recursos em bens e direitos ligados à implantação ou expansão do empreendimento econômico. 24. Na peça de defesa, a impugnante alega que não há dúvidas que o Parecer da Gerência Executiva de Tributação considerou que o propósito do Estado da Paraiba era "estimular a instalação de novos empreendimentos", estando em perfeita consonância com o Parecer Normativo CST n.° 112/1978. Que os motivos expostos no Decreto n° 23.210/02 foram reafirmados no referido Parecer da Gerência Executiva de Tributação de n° 2008.01.00.00772, emitido em 30/12/2008, em que consta que "o Regime Especial que ora se propõe, não desobrigará a requerente do cumprimento das obrigações tributárias acessórias previstas no Regulamento, tendo o prazo de validade até 31/12/2015, produzindo efeitos a partir de 01/01/2009". Que a intenção do governo estadual era estimular a instalação de novos empreendimentos (reiterando o Decreto n° 23.210/02) sem prejuízo do cumprimento "das obrigações tributárias acessórias previstas no Regulamento" , sendo certo, inclusive, Fl. 484DF CARF MF 14 que o propósito ainda subsiste, tendo em vista que está vinculado à concessão do Regime Especial. 25. Às fls. 353/355 juntou cópia do Parecer da Gerência Executiva de Tributação de n° 2008.01.00.00772, em que destaca o seguinte trecho: (...) 26. Ocorre que tal documento não cumpre o requisito da perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado, caracterizado pela expressa disposição, no instrumento legislativo que concede a subvenção, da obrigação do beneficiário de alocar os recursos em bens do ativo imobilizado. A menção ao estímulo à instalação de novos empreendimentos configura um "animus" de subvencionar para investimento, o que não basta para configurar o benefício da subvenção para investimento, nos termos do Parecer Normativo CST n.º 112/78. 27. Corroborando a inexistência de obrigação de alocação dos recursos subvencionados em bens do ativo imobilizado, o Termo de Acordo nº 2008.000205, juntado às fls. 97/105, estipula, na cláusula décima, uma série de obrigações da beneficiária, mas nada dispõe acerca da vinculação dos recursos recebidos: (...) 28. Prosseguindo na contestação, a litigante alega que as condições e intenções explicitadas no Decreto e no Parecer foram, de fato, concretizadas, com a abertura de 09 (nove) filiais da empresa no período, além da construção do seu Centro de Distribuição em Cabedelo/PB. Que a fiscalização alegou, de forma genérica e aleatória, que os recursos não foram aplicados no empreendimento econômico da subvencionada (tópico 37). Que o Relatório Fiscal não dedicou sequer uma linha para comprovar esta absurda alegação, pelo que fica totalmente rechaçada qualquer discussão neste sentido. 29. No decorrer da ação fiscal a fiscalizada havia juntado: alteração contratual n° 64, de 09/12/2011, prevendo abertura de filial no município de Queimadas/PB (fls. 107/116); alteração contratual n° 65, de 07/02/2012, prevendo abertura de filiais nos municípios de Alhandra/PB, PiancóPR, SouzaPR e Campina Grande (fls. 118/120); alteração contratual n° 66, de 31/08/2012, prevendo abertura de filiais nos municípios de João PessoaPB, MonteiroPB, LapãoBA, Campina Grande (fls. 122/124). Juntou também, às fls. 126/191, cópias de notas fiscais, emitidas por diversos prestadores de serviços ao longo do ano 2012, tendo como beneficiário a fiscalizada, referentes a prestação de serviços de terraplanagem, medição para construção de galpão, tranporte de carroceria; bem como notas fiscais de compra de veículos. 30. Não procede a reclamação de que a fiscalização teria alegado, de forma genérica e aleatória, no tópico 37 do TVF, que os recursos não foram aplicados no empreendimento Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10480.725593/201511 Acórdão n.º 1401002.087 S1C4T1 Fl. 479 15 econômico da subvencionada. Conforme se verifica no trecho abaixo reproduzido, o auditor fiscal somente afirmou que os documentos apresentados pela fiscalizada representam dispêndios que não possuem vinculação com os dispositivos legais ou Termo de Acordo que instituíram e definiram as condições de gozo dos benefícios fiscais, ou seja, que os gastos efetuados não foram condicionantes para a aquisição do benefício fiscal. (...) 31. A fiscalização, ao rejeitar as explicações dadas pelo contribuinte, motivou sua análise de forma correta. De fato, como o decreto estadual e Termo de Acordo não impunha ao beneficiário das subvenções nenhuma obrigação de aplicar os recursos em bens do ativo imobilizado, os investimentos citados foram feitos por mera liberalidade da empresa. Em suma, de nada adianta a impugnante comprovar os investimentos com abertura de novas filiais e compra de equipamentos ou veículos, diante da já constatada e explicada falta da perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. PIS e Cofins Já em relação à incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas de subvenção, os trechos abaixo trazem os fundamentos para a manutenção do lançamento: 38. Com respeito às exigências do PIS e da Cofins, a impugnante argumenta que, ainda que fossem considerados como subvenções para custeio, ainda assim estes valores não seriam tributados pelo PIS/Cofins, pois não têm natureza jurídica de receita ou faturamento. Cita decisões judiciais e do CARF. Conclui que as subvenções para custeio também não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, pelo fato de serem meros redutores de custo e não efetivo ingresso de recursos para o contribuinte ou, em outras palavras, por não terem sido auferidos em razão da atividade econômica da empresa. 39. Não logrou melhor sorte a impugnante nas exigências dessas contribuições. 40. Vejamos o que diz a legislação pertinente, a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e Lei nº 10.833, de 29 dezembro de 2003, na redação vigente à época dos fatos: (...) 41. Conforme se verifica, a regra geral de ambas as contribuições é que elas incidem não somente sobre a receita bruta da venda de bens e serviços, alcançando também todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação. As receitas que, excepcionalmente, não se submetem ao PIS e Cofins, são as Fl. 486DF CARF MF 16 definidas exaustivamente nos artigos 5° e 6° das duas leis, respectivamente, e que não contemplam as subvenções. A Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, introduziu nova exceção à base de cálculo dessas contribuições, referente às subvenções para investimento, ou seja, as demais subvenções, como as de custeio, seguem a regra geral de incidência. Multa isolada A autoridade julgadora rejeitou ainda os argumentos apresentados pelo contribuinte relativamente às multas isoladas ao considerar que podem ser lançadas após o encerramento do anocalendário, bem como inexiste concomitância entre as multas isoladas e as de ofício. Dedução a maior de estimativas Em relação a deduções a maior de estimativas, deu provimento à impugnação, mas não recorreu de ofício por corresponder a valor inferior ao limite de alçada. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 413 a 438. Nessa peça, consignou as mesmas razões oferecidas na impugnação ao lançamento. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Preliminar de nulidade A defesa aduz que a autuação seria nula em razão de a acusação fiscal ser deficiente e inverter indevidamente o ônus da prova, o que teria ferido seu direito de defesa e o preceito do contraditório. Pois bem, o procedimento de fiscalização é de caráter inquisitivo. O contraditório e a oportunidade de defesa se iniciam com a impugnação. Se a autoridade deixou de comprovar a acusação, como alegado pela defesa, a questão é de mérito a ser enfrentada substancialmente, como faremos a seguir. Não procede, pois, a alegação de nulidade. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10480.725593/201511 Acórdão n.º 1401002.087 S1C4T1 Fl. 480 17 Subvenção IRPJ e CSLL A questão principal do feito diz respeito ao enquadramento do benefício usufruído pelo sujeito passivo no conceito de subvenção para investimento, a qual não se submete à tributação do IRPJ, nem da CSLL. As subvenções são classificadas em dois tipos. O primeiro corresponde às subvenções para custeio, as quais se caracterizam como receita bruta, nos termos no art. 44, da Lei nº 4.506/64. Abaixo, reproduzo o dispositivo: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. O segundo tipo é denominado "subvenção para investimento" e está disciplinado, para fins de exclusão da incidência tributária, no § 2ª, art. 38 do DL nº 1.598/77, cuja redação transcrevemos: § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Apesar de posterior aos fatos aqui tratados, vale mencionar também o disposto no art. 30 da Lei 12.973/2014: Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: (Vigência) Fl. 488DF CARF MF 18 I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1o Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2o As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1o ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3o Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. Apesar de ser genericamente clara a distinção entre os dois tipos de subvenção, pois ao custeio de despesas operacionais, enquanto a outra tem por finalidade entregar recursos ao particular para que este invista na ampliação do seu parque de operações, os critérios precisos da delimitação entre os dois tipos não estão estampados na lei. A distinção é objeto de atos normativos e decisões administrativas, inclusive e principalmente, deste colegiado. No primeiro caso, o Parecer Normativo CST nº 112/78 visa estabelecer critérios para a definição do que deve ser entendido como subvenção para investimento. Sobre esse aspecto, vale reproduzir os seguinte trechos do parecer: 2.11 Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST .11.9 2/78 (D.O.D. de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo", menção de que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO seria a destinada á aplicação em bens ou direitos. Já no item 7; subentendese uniconfronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10480.725593/201511 Acórdão n.º 1401002.087 S1C4T1 Fl. 481 19 caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST número 143/73 (D.O.U. de 16/10/73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, no nas suas despesas mas sim na aplicação especifica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do D.L. 1.598/77. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese também a efetiva e específica aplicação de subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. 2.13 Outra característica bem nítida da SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO, para os fina do gozo dos favores previstos no § 2º do art. 38 do D.L. 1.598/77, é a que seu beneficiário terá que ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Em outras palavras: quem está suportando o ônus de implantar ou expandir o empreendimento econômico é que deverá ser tido como beneficiário da subvenção e por decorrência dos favores legais. Essa característica está milito bem observada nos desdobramentos do item 5 do PN CST nº 2/78. Do parecer, podemos elencar as seguintes características para a qualificação de um incentivo como subvenção para investimento: a) transferência de recursos para a instalação ou ampliação de empreendimentos econômicos; b) sincronia entre a intenção do subvencionador e a realização do subvencionado; c) existência de um projeto a ser implantado; d) aplicação dos recurso especificamente no projeto; e) o beneficiado deve ser a mesma pessoa que aplica o valor no projeto. Fl. 490DF CARF MF 20 A seguir o parecer esclarece que isenções e reduções de impostos (como ocorre no presente feito) podem se enquadrar como subvenção para investimento, mas desde que cumpridos os requisitos acima referidos. Na mesma toada, a jurisprudência do CARF tem caracterizado a subvenção para investimento. Cito a seguinte passagem de ementa de recente acórdão da Câmara Superior: (...) não basta a mera intenção do subvencionador. (...) Há que restar demonstrada, no mínimo, que a aplicação dos recursos será submetida a um acompanhamento, um controle de sua efetiva utilização. (CSRF, Acórdão nº 9101002.348, 14/06/2016) Vale também transcrever trecho do voto condutor: “O que se fala é assegurar que o montante de recursos derivados da transferência seja, em momento razoável, efetivamente aplicados, de acordo com projetos executivos de implementação e construção, controle que deve ser exercido pelo subvencionador, e, naturalmente, que tais investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, e, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas.” (CSRF, Acórdão nº 9101002.348, 14/06/2016) Para caracterizar a subvenção para investimentos é necessária a previsão legal, o protocolo de intenções firmado com o ente público em que se discrimine o investimento a ser realizado, o controle pelo subvencionador da realização do projeto e, evidentemente, a própria realização do projeto na medida mínima dos valores subvencionados. A interessada alega que abriu 16 (dezesseis) filiais em 4 (quatro) anos, além de um grande centro de distribuição, fato que já era de conhecimento da autoridade fiscal e não contestado por ela. Nesse sentido, destaco o parágrafo 37 do Termo de Verificação Fiscal: 37. Ademais, apesar de a fiscalizada ter apresentado, em sua resposta, documentação comprobatória de aquisição de carrocerias e veículos, de gastos na construção do seu Centro de Distribuição em Cabedelo/PB e ainda, alterações contratuais de abertura de filiais; alegando estar comprovando a efetiva aplicação dos recursos decorrentes do benefício fiscal em seu empreendimento econômico; tais ações e inversões físicas não possuem vinculação com os dispositivos legais ou Termo de Acordo que instituíram e definiram as condições de gozo dos benefícios fiscais; ou seja, essas inversões não foram condicionantes para a aquisição do benefício fiscal. Tais fatos são incontroversos, pois. Nada obstante, esses empreendimentos não estavam acordados com o poder público e nem havia a previsão de verificação da sua implantação. A característica do acompanhamento não está presente na subvenção promovida pelo Estado da Paraíba. A única contrapartida, nos próprios termos da defesa que reproduz ato do poder concessor, seria "fortalecer as empresas existentes e estimular a instalação de novos empreendimentos, promovendo um incremento de na geração de mãodeobra e renda". Notese que o caráter da Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10480.725593/201511 Acórdão n.º 1401002.087 S1C4T1 Fl. 482 21 "contrapartida" é genérico e, portanto, isoladamente considerado, o controle efetivo da sua implementação, inclusive para revogar o benefício para o caso de não cumprimento. Também não está presente, por decorrência do caráter genérico da concessão, a sincronia entre um específico propósito de subvencionar, em que se apontam os empreendimentos a se realizar, com a sua efetiva implementação. Esta é uma característica prevista no parecer normativo CST 112/78, mas também reconhecida pelo CARF, inclusive por esta turma de julgamento, como aponto pela reprodução da ementa de recente julgado, do qual participei: LUCRO REAL. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO E SINCRONIA. DESCARACTERIZAÇÃO. Para que uma subvenção possa ser considerada como de investimento e, nessa condição, se encontre fora do cômputo da base de cálculo do IRPJ apurado pelo lucro real, é imprescindível a sua efetiva e específica aplicação na aquisição de bens ou direitos necessários à implantação ou expansão de empreendimento econômico. Na ausência de tal vinculação e sincronia, os valores objeto da subvenção, decorrentes de créditos presumidos de ICMS, devem ser computados na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. (AC nº 1401.001.621, de 04/05/2016) Deve ser mantida, pois, a autuação relativa ao IRPJ e à CSLL. Subvenção PIS e Cofins Já em relação à incidência do PIS e da Cofins sobre os valores, a sorte deve ser outra. Em recentíssima decisão, no AC 9303005.503, de 15 de agosto de 2007, a Câmara Superior de Recursos Fiscais se posicionou pela não incidência das referidas contribuições independentemente do regime de apuração (cumulativo ou não cumulativo) e mesmo que o incentivo do ICMS não se caracterize como subvenção sobre investimento. Segue a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2001 a 30/06/2004 SUBVENÇÕES ESTADUAIS. BENEFÍCIOS FISCAIS. NÃO CONFIGURAÇÃO DE RECEITA PARA FINS DE INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NO REGIME CUMULATIVO. A base de cálculo da Cofins é o faturamento que corresponde à r eceita bruta a venda de mercadorias, de serviços, mercadorias e serviços; o disposto no § 1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98 foi afastado, por sentença transitada em julgado do STF. Logo, não incide PIS e COFINS sobre valores d e créditos de ICMS, decorrentes de subvenção estadual. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS NO REGIME NÃO Fl. 492DF CARF MF 22 CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) o crédito presumido do ICMS não inclui a base de cálculo do PIS e da COFINS no regime não cumulativo por se configurar incentivo voltado à redução de custos. Vale ainda destacar que, concretamente, a decisão tratou justamente dos incentivos do Estado da Paraíba. Isso posto, devem ser afastadas as autuações relativas ao PIS e ao Cofins. Multas isoladas É de longa data meu posicionamento acerca da aplicação da multa isolada em concomitância com a multa proporcional. Abaixo, reproduzo meu voto, relativo à situação idêntica à presente neste feito, que conduziu o Acórdão nº 120100.235, de 07 de abril de 2010: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10480.725593/201511 Acórdão n.º 1401002.087 S1C4T1 Fl. 483 23 No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, “pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático”. Para Delmanto, “a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste”. Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. No presente processo, as multas isoladas foram aplicadas sobre valor que integrou completamente a base para a autuação de sanções punitivas proporcionais. A Fl. 494DF CARF MF 24 autoridade, assim, puniu conjuntamente o descumprimento do dever de antecipar e o de pagar em definitivo sobre idênticas bases. A sanção mais grave, contudo, absorve a outra. Conclusão Voto por rejeitar a preliminar suscitada para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário com o fito de afastar a autuação de PIS, Cofins e as multas isoladas. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 495DF CARF MF
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Numero do processo: 10516.720004/2014-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 19/03/2009 a 24/10/2013
IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS E MULTAS. CABIMENTO.
Constatado por meio de provas, colhidas nas dependências e computadores do contribuinte, que os preços praticados nas operações de importação eram superiores àqueles indicados nas declarações de importação, inclusive com a verificação de utilização de remessas de valores através de sistemas de câmbio não oficiais, situação esta não esclarecida pelo sujeito passivo, cabível a exigência das diferenças de tributos e a inflição das multas pertinentes.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 19/03/2009 a 24/10/2013
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA.
O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEP-Importação e Cofins-Importação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 19/03/2009 a 24/10/2013
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA.
O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEP-Importação e Cofins-Importação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-004.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para que se exclua o valor do ICMS e das próprias contribuições da apuração da Contribuição para o PIS/PASEP-Importação e da Cofins-Importação.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 19/03/2009 a 24/10/2013 IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS E MULTAS. CABIMENTO. Constatado por meio de provas, colhidas nas dependências e computadores do contribuinte, que os preços praticados nas operações de importação eram superiores àqueles indicados nas declarações de importação, inclusive com a verificação de utilização de remessas de valores através de sistemas de câmbio não oficiais, situação esta não esclarecida pelo sujeito passivo, cabível a exigência das diferenças de tributos e a inflição das multas pertinentes. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 19/03/2009 a 24/10/2013 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEP-Importação e Cofins-Importação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 19/03/2009 a 24/10/2013 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEP-Importação e Cofins-Importação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15. Recurso voluntário provido em parte.
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A. SPOHR & CIA. LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 19/03/2009 a 24/10/2013 IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS E MULTAS. CABIMENTO. Constatado por meio de provas, colhidas nas dependências e computadores do contribuinte, que os preços praticados nas operações de importação eram superiores àqueles indicados nas declarações de importação, inclusive com a verificação de utilização de remessas de valores através de sistemas de câmbio não oficiais, situação esta não esclarecida pelo sujeito passivo, cabível a exigência das diferenças de tributos e a inflição das multas pertinentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 19/03/2009 a 24/10/2013 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEPImportação e CofinsImportação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 19/03/2009 a 24/10/2013 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 72 00 04 /2 01 4- 65Fl. 906DF CARF MF 2 O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEPImportação e CofinsImportação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para que se exclua o valor do ICMS e das próprias contribuições da apuração da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da CofinsImportação. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase, na espécie, de auto de infração para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada, decorrente da caracterização de dano ao erário, Imposto de Importação, IPI vinculado à importação, PIS/PASEPimportação e Cofins Importação. Relata a fiscalização que o procedimento fiscal tem origem nas informações e documentos obtidos nas operações “Hércules” e “Heráclidas”, onde foi constatada movimentação de divisas à margem do sistema oficial, subfaturamento de importações e sonegação de tributos. A fiscalização, nesse processo, envolveu 30 (trinta) declarações de importação, ressaltando os autuantes que, desse universo, em 12 (doze) DIs foi possível apurar o valor real da operação, a partir de documentos apreendidos por ordem judicial, com exame individualizado, sendo aplicado o art. 1 do AVAGATT; e, para as demais, ante a impossibilidade de se levantar o valor real da transação, aplicouse o método previsto no art. 88, I da MP 2.15835/2001. Em impugnação o contribuinte alegou nulidade do lançamento por ausência de intimação válida para o início do procedimento fiscal; nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, uma vez que os livros, documentos e equipamentos encontravamse Fl. 907DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201465 Acórdão n.º 3401004.023 S3C4T1 Fl. 11 3 apreendidos pela Polícia Federal; nulidade do lançamento por ausência de prova, invalidade do arbitramento e limites das presunções tributárias; decadência parcial; inconstitucionalidade das multas em razão do seu caráter confiscatório; e, o descabimento da inclusão do ICMS e das próprias contribuições na base de cálculo do PIS/PASEPImportação e CofinsImportação. A DRJ Florianópolis/SC manteve integralmente o lançamento: “IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. Comprovada a fraude decorrente de subfaturamento do valor aduaneiro das mercadorias importadas, aplicável pena de perdimento (ou multa de 100% do valor aduaneiro caso tenham sido as mercadorias consumidas), cobrança da diferença dos tributos incidentes nas operações e multa de ofício qualificada.” O recurso voluntário verberou as teses da impugnação É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Relativamente à nulidade pela ausência de intimação válida do início do procedimento fiscal, após compulsar os autos, concluo que não procede a reclamação. O Termo de Início de Fiscalização nº 13/2014 (efl. 121) foi entregue pessoalmente a funcionária da empresa, no seu endereço comercial, não havendo imposição legal ou mesmo normativa que, nessa situação, imponha a necessidade de mandato específico, pois não houve prestação de qualquer informação relevante ou assunção de obrigação que exija poderes especiais de representação, mas simples ciência de procedimento fiscal. Como não bastasse, o ato consubstanciava intimação do responsável pela pessoa jurídica a comparecer à IRF Porto Alegre/RS em data especificada, o que efetivamente ocorreu, como se verifica da data da ciência do auto de infração (efls. 791 e ss.). Quanto à nulidade por cerceamento de defesa, é certo que houve apreensão de documentos e de um HD externo relativos aos negócios do contribuinte, no cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão nºs 7336800 e 7336854 (efls. 104 e ss.), cumpridos em 11/10/2011, não havendo notícia nos autos de sua devolução até o momento da lavratura do auto de infração. Contudo, essa situação, por si só, não revela qualquer cerceamento de defesa, uma vez que as provas coligidas e que embasaram o lançamento estavam à disposição do contribuinte a todo o tempo, bastando o pedido de vista destes autos, ao passo que o recorrente se defende dos fatos que lhe são imputados segundo a sua disposição no processo de exigência tributária. Fl. 908DF CARF MF 4 Outrossim, as autoridades fazendárias não tem qualquer disponibilidade sobre documentos apreendidos por órgão policial em cumprimento a ordem judicial. Como dito, os elementos de prova necessários à pretensa demonstração da infração foram anexados aos autos e estavam disponíveis ao recorrente, sendo que sobre eles é que se desenvolverá o contraditório, não havendo que se perscrutar de outros documentos não juntados ao presente feito. O sistema processual pátrio acolheu do direito francês o princípio pas de nullité sans grief, consoante o qual não há nulidade sem prejuízo concreto às partes ou ao processo, mesmo porque a própria peça recursal reserva espaço para discutir o mérito da autuação, o que revela o pleno conhecimento das razões de autuação. No caso vertente não vislumbro qualquer prejuízo à defesa que justifique a decretação de nulidade do lançamento, motivo pelo qual rejeito as preliminares argüidas. Tocante à decadência parcial do lançamento, por aplicação do art. 173, I do Código Tributário Nacional, tomado na contagem do lapso extintivo pelo próprio recorrente, conduziria à conclusão que os fatos geradores ocorridos em 2008 estariam colhidos pela decadência; entretanto, como bem destacado pela decisão recorrida, esquadrinhando os demonstrativos de apuração do auto de infração (efls. 6/9, 36/39, 61/64 e 83/86) verifico que as declarações de importação objeto do lançamento sub examine foram registrados a partir de 2009. Logo, não há que se falar em decadência, sequer parcial, da autuação. Respeitante à ausência de provas da infração, dos limites das presunções tributárias e do arbitramento, temse que as autoridades fiscais fizeram exame individualizado e detalhado de cada uma das 12 (doze) declarações de importação onde foi possível aferir os reais valores da operação. Nesses casos, há planilhas com a indicação dos valores reais das mercadorias importadas, mensagens eletrônicas trocados com os exportadores estrangeiros e faturas pro forma emitidas por esse exportadores, bem como, prova pericial realizada pela Polícia Federal dando conta da remessa de valores, pelo ora recorrente, às margens do sistema oficial de câmbio, por meio de doleiros, para destinatários localizados na China. O acervo probatório, pelo seu conjunto e a meu sentir, demonstra a ocorrência da infração imputada pela fiscalização. O recorrente, por seu turno, defende a diferença de preços em razão da flutuação do mercado, qualidade e quantidade das mercadorias importadas, no entanto, não justifica as diferenças entre os preços constantes das faturas pro forma, que indicam as DIs a que se referem, e aqueles informados nessas declarações, quando de seu registro, sempre em montante inferior. Interessante notar que o recorrente, mesmo diante do detalhamento das operações constantes da acusação fiscal, não rebate individualmente qualquer delas, limitando se à defesa genérica da autuação, não se podendo olvidar que todos esses elementos de convicção foram apreendidos em poder do autuado ou de seus representantes. Repisando, em minha opinião, as provas carreadas aos autos permitem, sim, inferir que os valores eram subfaturados, em conluio com os exportadores estrangeiros, através Fl. 909DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201465 Acórdão n.º 3401004.023 S3C4T1 Fl. 12 5 de remessa de parte dos valores devidos através de sistema não oficial de câmbio (doleiros), o que também não foi pontualmente esclarecido pelo recorrente. Concernente ao arbitramento, plenamente cabível a desconsideração dos valores declarados, a partir das provas obtidas em relação às 12 (doze) declarações de importação destacadas pela fiscalização, uma vez que, tratandose de mercadoria similar àquelas abrigadas por tais DIs, restava claro que os preços informados não eram merecedores de fé, respaldandose a fiscalização nas disposições do art. 88, I da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, verbis: “Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis.” A fiscalização aduziu que o arbitramento tomou em consideração mercadorias idênticas ou similares, importadas pelo próprio contribuinte, com observância da classificação fiscal da mercadoria, origem e as datas mais próximas das operações requantificadas, de maneira que o procedimento, bastante conservador, atende os requisitos do dispositivo reproduzido, não havendo qualquer mácula que conspurque o arbitramento. Destaco o adjetivo “conservador” porque a fiscalização, na DI 13/03505896, apesar de desconfiar do valor de transação informado, não realizou o seu arbitramento por não encontrar similar importado pelo recorrente no período lançado, o que denota o caráter criterioso do trabalho desenvolvido. Quanto às alegações de inconstitucionalidade deduzidas em recurso, por pretensa violação ao art. 150, IV da CF/88, não serão conhecidas por força de expressa vedação do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Fl. 910DF CARF MF 6 Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF/15 (Portaria MF 343/15), entendimento sedimentado na Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.). Por derradeiro, no que tange à inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEPImportação e CofinsImportação, estribado nas exceções previstas nos já mencionados art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e art. 62 do RICARF/15, deve ser acolhido o pleito formulado. Nesse sentido, O Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, por intermédio do RE 559.937/RS, julgado sob a sistemática da repercussão geral, conforme ementa que ora se reproduz: “Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que Fl. 911DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201465 Acórdão n.º 3401004.023 S3C4T1 Fl. 13 7 tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” A decisão em comento transitou em julgado em 29/10/2014, de modo que sua observância neste sodalício é impositiva. Em face de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para que se exclua o ICMS e as próprias contribuições da apuração do PIS/PASEPImportação e CofinsImportação. Robson José Bayerl Fl. 912DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910620/2011-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 02/10/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.508
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 02/10/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 02/10/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 20 /2 01 1- 77 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910620/201177 Acórdão n.º 3402004.508 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.753, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 02/10/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910620/201177 Acórdão n.º 3402004.508 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910620/201177 Acórdão n.º 3402004.508 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910620/201177 Acórdão n.º 3402004.508 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13822.000178/2005-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria não geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.812
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral e o conselheiro Demes Brito que lhe deu provimento parcial, para excluir o frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria não geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral e o conselheiro Demes Brito que lhe deu provimento parcial, para excluir o frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1634; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13822.000178/200541 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.812 – 3ª Turma Sessão de 17 de outubro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. Recorrente CLEALCO AÇÚCAR E ÁLCOOL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria não geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral e o conselheiro Demes Brito que lhe deu provimento parcial, para excluir o frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 2. 00 01 78 /2 00 5- 41 Fl. 673DF CARF MF Processo nº 13822.000178/200541 Acórdão n.º 9303005.812 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3401002.980, de 18/03/2015, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: (...) ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, não foram admitidos. Irresignada, interpôs recurso especial suscitando divergência em relação às seguintes matérias: a) quanto ao que constitui o seu processo produtivo para identificação dos gastos que dão direito a crédito da contribuição não cumulativa; e b) quanto ao conceito de insumo. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3402002.396, 3402 002.605 e 9903003.069 (primeiro tema) e 320200.226 (segundo tema). Por intermédio do despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 674DF CARF MF Processo nº 13822.000178/200541 Acórdão n.º 9303005.812 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.802, de 17/10/2017, proferido no julgamento do processo 13822.000009/200773, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.802): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Malgrado o recurso especial pretenda discutir dois temas – o processo produtivo da Recorrente e o conceito de insumo –, no fundo está a debater apenas o último, uma vez que, a depender da definição que se venha a emprestar ao termo "insumo" adotado na legislação do PIS/Cofins não cumulativos os gastos realizados em etapa anterior à produção do produto final – vale dizer, aquela anterior à industrialização propriamente dita – pode vir ou não a ser assim considerados (como insumos!), de modo que ensejaria, no primeiro caso, a apropriação de créditos sobre eles incidentes (p. ex., os gastos realizados na etapa agrícola, portanto, anterior à industrialização). A própria ementa do Acórdão paradigma de nº 3402002.605 comprova esse fato: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. As Leis de Regência da não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo produtivo da pasta de celulose e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. (g.n.) Feita essa breve introdução, vemos que, de fato, enquanto o acórdão recorrido consubstanciou o entendimento de que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesa necessária para a atividade da empresa, mas apenas aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, sejam efetivamente aplicados ou consumidos na produção de açúcar e álcool (os produtos fabricados pela Recorrente), o Acórdão paradigma de nº 320200.226, em divergência, adotou conceito bem mais largo, a conhecida tese do IRPJ. Contudo, a despeito de conhecido o recurso, vemos que o acórdão recorrido não merece reparos. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 13822.000178/200541 Acórdão n.º 9303005.812 CSRFT3 Fl. 5 4 No regime não cumulativo do PIS/Cofins, os créditos a que tem direito a pessoa jurídica estão elencados no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que, no ponto, apresentam redação bastante semelhante. Na Lei nº 10.833, de 2003, é a seguinte: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Fl. 676DF CARF MF Processo nº 13822.000178/200541 Acórdão n.º 9303005.812 CSRFT3 Fl. 6 5 Não há, nos diplomas legais referidos, qualquer dispositivo conceituando o termo “insumo”, tampouco atribuindo a sua definição àquela adotada pela legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, o que só o legislador infralegal fez ao editar as Instruções Normativas RFB n.º 247, de 2002, e 404, de 2004. Aqui também reproduziremos apenas uma delas, uma vez que idênticas na parte que nos interessa: IN SRF nº 247, de 2002: Art. 66 A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II – utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Daí a controvérsia que se instaurou no âmbito do Contencioso Administrativo, uma vez que muitos contribuintes passaram a emprestar ao termo “insumo” significado muito mais elástico do que aquele aparentemente conferido pelas normas infralegais que regulamentaram as Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e cuja origem é, evidentemente, a legislação do IPI, mas apenas quanto a uma parte dos créditos – aqueles bens fisicamente ligados ao produto final (alínea “a” do inciso I do § 5º do art. 66, supra) –, já que os serviços, dada a impossibilidade de ligação física, encontramse autorizados em alínea diversa (alínea “b”). O cerne da questão, portanto, está em definir o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins: se este se apresenta numa perspectiva muito ampla, em ordem a abarcar, como querem alguns, todo ou qualquer custo ou despesa operacional da pessoa jurídica (tese do IRPJ), ou se, como pretendem outros, apresentase de modo mais restritivo, mais próximo ao que ocorre na legislação do IPI. Há, ainda, uma posição intermédia, aceitando o creditamento sobre tudo que for pertinente ou necessário na produção ou na prestação de serviço. De todo modo, entendemos que, no presente caso, não cabe conceituar o termo "insumo" a ponto de alcançar etapas anteriores à efetiva produção do açúcar e do álcool. Um pesticida, por exemplo, não é – nem jamais poderia ser! – insumo na industrialização do açúcar, uma vez que, fosse nele empregado, o inutilizaria completamente para o consumo. O legislador deixou cristalino, na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, que um dos Fl. 677DF CARF MF Processo nº 13822.000178/200541 Acórdão n.º 9303005.812 CSRFT3 Fl. 7 6 principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. Vejam: 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. Assim, considerar como insumos todos os gastos realizados da etapa agrícola da produção do açúcar e do álcool, como pretende a Recorrente, é admitir que, no referido conceito, estejam todos os “insumos dos insumos". Explicitamente, não foi esta a intenção do legislador. Diverso, contudo, é, a nosso juízo, o caso, por exemplo, de uma mineradora, cuja atividade, a mineração, consiste no processo de extração de minerais da terra. Ainda que posteriormente à retirada do minério algum beneficiamento seja por ela mesma realizado, como, por exemplo, a fragmentação da pedra, dando origem à conhecida "brita", a verdade é que há, neste caso, um todo indissociável, não se podendo cindir a retirada do minério do solo, para o efeito de determinar o que é ou não é insumo, sob pena de descaracterizar a própria atividade realizada pela mineradora, uma vez que, no exemplo, a quebra da pedra não tem existência autônoma em relação à sua retirada do solo. Não é caso da Recorrente, porém. As usinas de açúcar e álcool, como se sabe, são estabelecimentos agroindustriais que produzem, a partir da cana, o açúcar, o melaço, a aguardente e o álcool. Além de sua fabricação própria, costumam adquirir a cana de outros estabelecimentos produtores. Pelos motivos aqui adotados (existência autônoma da atividade industrial propriamente dita), a aquisição de cana gera, sim, o direito à apropriação dos créditos correspondentes, não, contudo, os gastos realizados, pela própria Recorrente, no plantio e colheita da cana de açúcar. Podese até achar inconveniente, mas é assim que a lei é. No caso específico, foram os seguintes os itens glosados (apenas os referidos no recurso especial e na ordem em que elencados), glosa com a qual, pelas razões antes explicitadas, concordamos: a) Material Intermediário – Serviços de Manutenção: partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus, manutenção de veículos, locação de veículos para uso administrativo, obras de recuperação de rodovias, etc.; b) Frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. À falta de maiores informações, entendemos que os bens do ativo permanente são aqueles empregados na fase agrícola, tal como indica um dos paradigmas trazidos no recurso (Acórdão nº 3402002.605). Nesse contexto, não há o direito ao crédito, conforme, a contrario sensu, indica o inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002). Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela contribuinte e, no mérito, negolhe provimento." Fl. 678DF CARF MF Processo nº 13822.000178/200541 Acórdão n.º 9303005.812 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 679DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.902628/2009-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.748
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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Recorrente DICAVE GARTNER DISTRIBUIDORA CATARINENSE DE VEÍCULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803002.656, de 21/03/2012, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que foi assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 26 28 /2 00 9- 18 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10909.902628/200918 Acórdão n.º 9303005.748 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE PROVA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. O início do procedimento fiscal retira a espontaneidade do contribuinte em relação aos atos jurídicos anteriores. Desta feita, a retificação da DCTF em momento posterior ao despacho decisório não possui o condão, por si só, de produzir efeitos retroativos em relação à compensação anteriormente declarada. Sendo a DCTF confissão de dívida, correto está a decisão que não homologou a compensação por insuficiência de crédito em razão do contribuinte não ter produzido provas suficientes à desconstituição do crédito tributário pretendido. Recurso Voluntário Negado. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento com relação aos efeitos da DCTF retificadora entregue após despacho decisório de não homologação de declaração de compensação, ou seja, se este documento apresentado após proferido o despacho é hábil ou não para que se promova a revisão do direito creditório. Alega divergência em relação ao decidido no Acórdão nº 10517.303. O recurso foi admitido mediante despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.741, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10909.902621/200904, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto ao conhecimento do recurso. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme resultado constante da ata da sessão deste julgamento. Desta forma, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.741): Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10909.902628/200918 Acórdão n.º 9303005.748 CSRFT3 Fl. 4 3 "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte não deve ser conhecido. No caso tratado nos acórdãos recorrido e paradigma, as DCTF retificadoras foram apresentadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o PER/DCOMP. Afirma a Recorrente que, a despeito da similitude dos fatos, os Colegiados respectivos adotaram soluções diversas: enquanto nos presentes autos, a falta de apresentação de documentação comprobatória do indébito levou ao desprovimento do recurso voluntário, no paradigma entendeuse pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade local apurasse se o débito declarado na DCTF retificadora correspondia ao efetivamente devido, "intimandose a contribuinte para se manifestar acerca do relatório da diligência." Todavia, intimada do relatório da diligência que concluiu que o débito declarado na DCTF retificadora não correspondia ao valor devido, a contribuinte não se manifestara. O Colegiado prolator do acórdão paradigma, sem fazer qualquer referência expressa à diligência, propôs o provimento parcial do recurso voluntário, com base nos seguintes e exclusivos fundamentos: Na DCTF originariamente apresentada, a recorrente declarou débito de IRPJ relativo ao 1º Trimestre de 1999 no valor de R$ 1.007,14, enquanto que na DCTF retificadora o débito declarado é de R$ 463,09, o que resultaria em um recolhimento a maior de IRPJ da ordem de R$ 544,05, a quanto equivale o direito creditório em questão. A receita bruta da recorrente no mês de março de 1999, a partir do qual foi excluída do SIMPLES, foi de R$ 16.543,74 relativos à prestação de serviços e de R$ 5.503,54 relativos à venda de mercadorias. Na apuração da base de cálculo do IRPJ declarado na DCTF retificadora, a recorrente aplicou sobre a receita proveniente da prestação de serviços o percentual de 16%, do qual não poderia fazer uso, dado que somente aplicável às pessoas jurídicas prestadoras de serviços cuja receita bruta anual seja de até R$ 120.000,00 e a recorrente, no anocalendário de 1999, auferiu receitas desta atividade que ascenderam a R$ 184.595,78. Aplicados os percentuais de 32% sobre a receita de serviços e de 8% sobre a receita de vendas, a base de cálculo do IRPJ é de RS 5.734,28 e o IRPJ devido corresponde a R$ 860,14, o que reduz o direito creditório a R$ 147,00. Diante disso, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório da recorrente no valor de RS 147,00, com os devidos acréscimos legais, correspondente ao pagamento efetuado a maior a titulo de IRPJ e homologada a compensação desse crédito com débitos de sua responsabilidade, passíveis de compensação, relacionados no "Demonstrativo dos Débitos Indicados para Compensação", até o montante em que se compensem. Portanto, foi possível verificar, na diligência (é o que supomos!), que, ao menos em parte, cabia restituir à contribuinte uma parcela do que houvera pago, em face de um erro de aplicação dos percentuais do lucro presumido. Observese que o entendimento a ser cotejado com o recorrido, e com este supostamente divergente, é aquele que se extrai do voto condutor do acórdão paradigma, parte integrante do acórdão em que se encontram os fundamentos da decisão colegiada. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10909.902628/200918 Acórdão n.º 9303005.748 CSRFT3 Fl. 5 4 A nosso juízo, o acórdão paradigma não traduz efetivamente uma interpretação divergente daquela adotada no recorrido, a ponto de permitir o conhecimento do recurso especial. Em nenhum momento, firmouse o entendimento, como comprova a transcrição literal do voto do relator, de que, ainda que nada se traga de provas documentais nos recursos interpostos, os autos sempre devem ser enviados à unidade de origem para diligenciar junto ao contribuinte. Se o Colegiado prolator do acórdão paradigma resolveu, em assentada anterior, determinar a diligência, fêlo em vistas das razões recursais e das informações que se encontravam colacionadas aos autos, a partir das quais concluiu a necessidade de sua realização. Isso, contudo, não firma uma tese jurídica, uma interpretação divergente da legislação tributária, a ponto de permitir o seu cotejo com outras que, aparentemente, lhe sejam confrontantes. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do recurso especial. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679880/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 18/01/2007
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.133
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 18/01/2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 80 /2 00 9- 83 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.679880/200983 Acórdão n.º 3401004.133 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de despacho decisório eletrônico, emitido pela Delegacia de Administração Tributária que não homologou as compensações declaradas em virtude de não ter havido apuração de pagamento indevido, uma vez que o pagamento foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. 2. Intimada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese: (i) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP; (ii) alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros 147 Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte; (iii) reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; (iv) alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; (v) discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese; (vi) alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado; (vii) discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" (sic); (viii) alega que qualquer agente fiscal que "(...) analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa" em apreço; (ix) ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; (x) a necessidade da observância aos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e doutrina; (xi) exigüidade do prazo para apresentar 148 defesas em apenas trinta dias e informa que "(...) já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito"; (xii) a necessidade de suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP; (xiii) a nulidade do despacho decisório; e (xiv) a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.679880/200983 Acórdão n.º 3401004.133 S3C4T1 Fl. 4 3 3. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) proferiu o Acórdão DRJ nº 16027.685, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: COFINS Data do fato gerador: 18/01/2007 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÔS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL — NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Creditório Não Reconhecido 4. A contribuinte, intimada, interpôs, recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.679880/200983 Acórdão n.º 3401004.133 S3C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.105, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.679797/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.105): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: "A manifestação de inconformidade apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dela tomase conhecimento. Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. Realmente, o caso presente se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 01, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito , em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez. Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.679880/200983 Acórdão n.º 3401004.133 S3C4T1 Fl. 6 5 Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER?DCOMP , observase que a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCOMP retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. A retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e de compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório. Ora, como a própria manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência que agora a contribuinte entende ter havido erro no preenchimento das DCTF. Cabe lembra à douta reclamante que a conduta Fisco Federal é pautada em documentos formais e oficiais e, se a contribuinte resta inerte e não promove a tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Não e demais ressaltar que a RFB não está à disposição de particulares para satisfazer interesses privados e a comprovação que qualquer direito creditório alegado, é tarefa exclusiva dos contribuintes, não sendo tarefa do Fisco promover alterações em declarações fiscais para reconhecer suposto direito creditório que a contribuinte julga possuir. Aliás a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equívoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Ao final da manifestação de inconformidade, a requerente protesta pela produção de todos os meios de prova, apresentação Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.679880/200983 Acórdão n.º 3401004.133 S3C4T1 Fl. 7 6 de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. O processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/1972 que em seu art. 16, I1I assim dispõe, in verbis: Conforme expressamente previsto no Decreto n° 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4% somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Como se vê do dispositivo transcrito, a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Cabe ressaltar que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade , nenhuma documentação foi apresentada nela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora , não embasada por qualquer documentação comprobatória. Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: (...). (...) No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega , preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, considerandose que essa DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório, que apreciou as compensações declaradas. Em face do exposto, e para concluir, VOTO por considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo qualquer direito creditório e não homologando a PER/DCOMP" (seleção e grifos nossos). 7. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.679880/200983 Acórdão n.º 3401004.133 S3C4T1 Fl. 8 7 disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 8. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 9. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 10. Tal, no entanto, não ocorreu, tendo a contribuinte realizado defesa genérica com fundamento de que teria tido de se defender de um grande número de despachos decisórios em um exíguo espaço de tempo. Contudo, reservouse a ora recorrente a repetir os mesmos argumentos em suas razões de recurso voluntário, demorandose longamente em questões doutrinais ou de constitucionalidade, o que inviabiliza, de todo, até mesmo a proposta de eventual conversão do feito em diligência para que se verifique a procedência de suas alegações, uma vez que não há de se realizar questionamento genérico em tal momento processual. 11. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.679880/200983 Acórdão n.º 3401004.133 S3C4T1 Fl. 9 8 12. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 13. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.006494/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 64 94 /2 00 7- 15 Fl. 81DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10384.006494/200715 Acórdão n.º 2202004.182 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 83DF CARF MF
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