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Numero do processo: 13820.720037/2016-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
Numero da decisão: 2001-000.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 72 00 37 /2 01 6- 11 Fl. 60DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2011, anocalendário de 2010, por meio da qual foi constatada omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial, no valor de R$ 27.864,00. A autoridade fiscal sustenta que não houve comprovação de pagamento de honorários ou outra justificativa. O interessado foi cientificado da notificação, apresentou impugnação e alega, em síntese, que do valor total recebido pela via judicial (R$ 84.364,00), devem ser deduzidos R$ 25.309,20 referentes a honorários advocatícios (recibo acostado – fl. 10) e R$ 2.530,92 de IR retido na fonte. Aduz que resta uma diferença de aproximadamente R$ 24,00 que se deve provavelmente à diferença do recibo da advogada. Junta documentos para comprovar o quanto alega. A DRJ Rio de Janeiro, no decorrer da análise dos fatos, argumenta que o contribuinte furtouse de trazer aos autos além do recibo da advogada que patrocinou a ação judicial , documentos judiciais, dentre eles, a planilha de cálculos a fim de demonstrar o valor da parcela tributável recebida, uma vez que de acordo com a orientação passada, os honorários advocatícios devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos em ação judicial, ou seja, entre os rendimentos tributáveis, os sujeitos a tributação exclusiva e os isentos e nãotributáveis.. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte junta as documentações claras e inequívocas com relação ao pagamento da profissional advogada bem como do IR fonte e extratos bancários e cálculos para comprovar o quanto alegado. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos RRA Conforme mencionado no relatório acima, o lançamento foi efetuado com base no fato de ter o contribuinte omitido rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação judicial. De acordo com o que fora exposto ao decorrer deste processo administrativo, fica claro que o contribuinte recebeu os rendimentos acumulados, oriundos de ação judicial federal . Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13820.720037/201611 Acórdão n.º 2001000.709 S2C0T1 Fl. 3 3 O Recorrente sustenta que do valor total recebido pela via judicial (R$ 84.364,00), devem ser deduzidos R$ 25.309,20 referentes a honorários advocatícios (recibo acostado – fl. 10) e R$ 2.530,92 de IR retido na fonte. Aduz que resta uma diferença de aproximadamente R$ 24,00 que se deve provavelmente à diferença do recibo da advogada. Neste diapasão, merece trazer a baila novamente o que estabelece o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988 (são dedutíveis da base de cálculo do imposto os honorários advocatícios pagos). Vejamos : “Art 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.” Vale dizer, a despesa com honorários advocatícios dedutível é a necessária ao recebimento dos rendimentos tratados no caput do artigo, ou seja, os rendimentos recebidos acumuladamente sujeitos à incidência do imposto. O contribuinte juntou aos autos o recibo, de fl. 10, a título de honorários advocatícios no valor de R$ 25.309,20 pagos à Dra. Eliane Debien Arizio, relativos ao processo n° 2003.61.83.0143508, movido em face do INSS. A DRJ entendeu que os documentos contidos até a impugnação eram insuficientes para comprovar a procedência da dedução pleiteada. Assim, em sede de Recurso Voluntário, juntou o contribuinte o comprovante de retenção do imposto de renda na fonte, planilha de cálculo demonstrando o valor da parcela o tributável recebida com discriminação clara do valor pago a título de honorários advocatícios, extratos bancários e recibo emitido pela advogada. Entendo, desta feita, que resta absolutamente claro o valor de IR fonte e de honorários pago pelo contribuinte, o qual é dedutível por lei. Nesta esteira, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para exonerar o contribuinte do crédito tributário lançado. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, exonerando o mesmo do crédito tributário lançado, eis que comprovado o valor de imposto de renda retido na fonte e honorários advocatícios pagos no processo judicial, conforme detalhadamente explanado no decorrer deste acórdão. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 62DF CARF MF 4 Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13617.720231/2017-93
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
ISENÇAO POR MOLÉSTIA GRAVE.
Documentos apresentados pelo recorrente não coadunam com a data do ano-calendário, não faz jus a isenção requerida.
Numero da decisão: 2002-000.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 ISENÇAO POR MOLÉSTIA GRAVE. Documentos apresentados pelo recorrente não coadunam com a data do ano-calendário, não faz jus a isenção requerida.
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Documentos apresentados pelo recorrente não coadunam com a data do ano calendário, não faz jus a isenção requerida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 61 7. 72 02 31 /2 01 7- 93 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13617.720231/201793 Acórdão n.º 2002000.575 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 45) contra decisão de primeira instância (fls. 25/28), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte qualificado nos autos foi emitida a notificação de lançamento, referente ao imposto de renda de pessoa física, exercício 2013, anocalendário 2012. O crédito tributário apurado está assim constituído: Imposto Suplementar 780,07 Multa de Ofício (passível de redução) 585,05 Juros de Mora (cálculo até 07/2017) 377,16 Total do Crédito Tributário 1.742,28 A notificação de lançamento teve origem na constatação das seguintes infrações, conforme demonstrativos de descrição dos fatos e enquadramento legal. Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave. Da análise dos documentos apresentados pela contribuinte e informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, a fiscalização constatou omissão de rendimentos no valor de R$148.346,76, da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. “Consta na descrição da infração, que o contribuinte é Militar reformado desde 2008 e que apresentou dois Laudos Médicos. Destacase que por força legal apenas Laudos emitidos por órgão oficial da União, Estados ou Municípios são válidos para efeito de isenção. Desse modo, esta fiscalização considera como inicio da fruição de benefício a data constante do Laudo Oficial da PMMG, ou seja, desde 2015”. Na impugnação apresentada, o contribuinte, faz em síntese as seguintes alegações. Que o valor contestado é isento por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portador de moléstia grave; Que o valor do imposto já foi pago em quotas na data certa, conforme declaração original. Entende que o valor foi gerado pela apuração da declaração retificadora, devendose assim conferir as duas declarações; Que é portador de Moléstia Grave atestada desde fevereiro de 2008; Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13617.720231/201793 Acórdão n.º 2002000.575 S2C0T2 Fl. 4 3 Que não houve assinatura do médico oficial da PM, pois não dispõe dos exames feitos em 2008 e estes são exigidos pelo médico oficial; Que o profissional, Dr. Eduardo Almeida Orlando, CRM/MG 22.895, atesta o inicio da moléstia e agravamento da mesma em maio do corrente ano através de exames feitos. Ao final, requer a improcedência do lançamento. O resumo da decisão revisanda está condensada na seguinte ementa do julgamento: PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei 7.713/1988 e alterações. Tal isenção está condicionada a comprovação da doença mediante laudo pericial emitido de modo conclusivo por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e se aplica aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo ou parecer, quando a moléstia for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 29/11/2017 (fl. 41); Recurso Voluntário protocolado em 11/12/2017 (fl. 45), assinado por procurador legalmente constituído (fls. 6 e 37). Responde o autuado nestes autos, pela seguinte infração: a) Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13617.720231/201793 Acórdão n.º 2002000.575 S2C0T2 Fl. 5 4 Diz o AFR, “que o contribuinte é Militar Reformado desde 2008 e apresenta dois laudos médicos. Destacase que por força legal apenas laudos emitidos por órgão oficial da União, Estados ou Municípios são válidos para efeitos de isenção. Desse modo, esta fiscalização considera como início de fruição do benefício a data constante do Laudo Oficial da PMMG, ou seja 2015”. A r. decisão primeira, confirma o que foi dito pelo Sr. ARF e julga pela improcedência da impugnação. Irresignado o recorrente maneja recurso próprio, alegando que o imposto já foi pago e que “o que pode ser feito, é que a receita Federal do Brasil, através dos senhores me oriente como refazer esta retificadora com os lançamentos dos valores da declaração original já pagos”. Pois bem, não assiste razão ao recorrente, até porque o mesmo não ataca o mérito da r. decisão. Quanto ao pedido de orientação que o recorrente faz, este CARF não tem competência para fazêlo. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.902172/2013-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO.
A retificação de DCTF para alteração dos valores declarados na declaração original para fins de modificação de Despacho Decisório deve vir acompanhada de documentação hábil e idônea que comprove o erro.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO POSTERIOR DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Uma vez verificada a inexistência do direito creditório por ocasião da transmissão da Declaração de Compensação original, cabe ao contribuinte a comprovação de que o crédito objeto da declaração já existia.
Numero da decisão: 1201-002.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10183.902177/2013-28, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO. A retificação de DCTF para alteração dos valores declarados na declaração original para fins de modificação de Despacho Decisório deve vir acompanhada de documentação hábil e idônea que comprove o erro. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO POSTERIOR DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Uma vez verificada a inexistência do direito creditório por ocasião da transmissão da Declaração de Compensação original, cabe ao contribuinte a comprovação de que o crédito objeto da declaração já existia.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10183.902177/2013-28, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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ERRO NO PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO. A retificação de DCTF para alteração dos valores declarados na declaração original para fins de modificação de Despacho Decisório deve vir acompanhada de documentação hábil e idônea que comprove o erro. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO POSTERIOR DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Uma vez verificada a inexistência do direito creditório por ocasião da transmissão da Declaração de Compensação original, cabe ao contribuinte a comprovação de que o crédito objeto da declaração já existia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10183.902177/201328, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 21 72 /2 01 3- 03 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10183.902172/201303 Acórdão n.º 1201002.596 S1C2T1 Fl. 3 2 Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Trata o processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório postulado na declaração de compensação (PER/DCOMP) em que foi declarado crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Após ciência do despacho decisório, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a contribuinte afirma que houve equívoco em não retificar as DCTFs e que a DIPJ comprovaria a inexistência do débito. Decisão da DRJ/CGE Em decisão de 30/03/2015, a 2° Turma da DRJ/CGE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A retificação de DCTF, desacompanhada de esclarecimentos quanto ao suposto erro cometido e de prova da veracidade dos débitos retificados, é insuficiente para reforma da decisão que indeferiu o direito creditório. Recurso Voluntário Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual ratificação os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.590, de 16/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10183.902177/2013 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10183.902172/201303 Acórdão n.º 1201002.596 S1C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.590): "Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, por isso, deve ser apreciado. Mérito Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente traz de forma muito sucinta os mesmos argumentos trazidos em sua Impugnação anterior, especialmente quanto à possibilidade de dedução do ágio que a meu ver não constitui o cerne da discussão ora travada que referese à ausência de comprovação da existência dos créditos utilizados em compensação. Além disso, apresenta petição, que chama de laudo, que supostamente comprovaria seu direito creditório, o que não acontece a meu ver. Dada a inexistência de novos argumentos ou provas trazidos pelas Recorrente em sede de Recurso Voluntário e o total alinhamento do presente Conselheiro à decisão da DRJ, faço aqui uso do disposto no Art. 57, § 3°do Regimento Interno deste CARF que assim dispõe: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Desta forma, faço abaixo a transcrição integral do voto vencedor da decisão da DRJ: Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10183.902172/201303 Acórdão n.º 1201002.596 S1C2T1 Fl. 5 4 AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO Postula a interessada direito creditório em tese decorrente de recolhimento indevido ou a maior de estimativa de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ . A pretensão não foi acolhida pois, conforme a DCTF apresentada pela empresa, havia correspondência entre o recolhimento e o valor do débito declarado. Por esse viés, inexistiu recolhimento indevido ou a maior. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, afirmando, em síntese, que o débito não existiria e que apresentou DCTF retificadora. Efetivamente, constatamos que a empresa apresentou DCTFs “zerando” os débitos de IRPJ e CSSL anteriormente declarados, com relação ao ano calendário 2010. A título de ilustração, transcrevo os valores constantes das DIPJs e DCTFs originais e retificadoras, no que se refere ao mês janeiro/2010: [...] Pelo visto no quadro acima, aparentemente a empresa, ciente do indeferimento de seu pleito, apresentou declarações retificadoras ad hoc, sem maior compromisso com a realidade dos fatos, apenas com o objetivo de atacar pontualmente a motivação do ato decisório contrário ao seu interesse. O mesmo ocorre nos demais períodos de apuração em que houve pagamento de estimativa, conforme os registros nos sistemas de processamento de dados pertinentes, já que a cópia de declaração apresentada pela interessada omite as páginas em que constariam tais informações. Nenhuma explicação foi apresentada para as retificações e nenhum documento foi trazido para subsidiar as informações prestadas nas declarações, e há evidente contradição entre o conteúdo das declarações retificadoras. Em situações tais como a analisada, o crédito pretendido poderia ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde. Outrossim, de acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplicase ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Esse Decreto, com força de Lei, determina Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10183.902172/201303 Acórdão n.º 1201002.596 S1C2T1 Fl. 6 5 em seu art. 16 que a impugnação (manifestação de inconformidade) “mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. No mesmo sentido, a Lei n.º 9.784/99, de aplicação subsidiária ao rito processual do Decreto n.º 70.235/72, estabelece, em seu art. 36, que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, em consonância, ainda, com o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil (CPC), que afirma que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Com efeito, cumpre elucidar ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil (CC), para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente dos assentamentos contábeis e fiscais do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, como prova a mera apresentação de DCTF retificadora, notadamente quando contraditória com outras declarações apresentadas. Nesse sentido tem decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme ementas a seguir transcritas: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10183.902172/201303 Acórdão n.º 1201002.596 S1C2T1 Fl. 7 6 O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes,Sessão de 22/05/2013) Assim, na ausência de comprovação do direito creditório em tela, não merece reforma a decisão combatida. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10183.902172/201303 Acórdão n.º 1201002.596 S1C2T1 Fl. 8 7 Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.722227/2015-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente CLARISSA MACIEL DE ANDRADE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 22 27 /2 01 5- 51 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10469.722227/201551 Acórdão n.º 2002000.380 S2C0T2 Fl. 123 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 32/36), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2012. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar de R$5.814,20 para saldo de imposto a pagar de R$12.161,20. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas no valor de R$23.080,00, consignando que a contribuinte, intimada, não apresentou comprovação quanto a uma despesa declarada e quanto ao efetivo pagamento das despesas declaradas com dois profissionais ali indicados (fl.34). Impugnação O aviso de Recebimento aponta a ciência à contribuinte em 28/5/2015. Não obstante, a NL foi objeto de impugnação, em 12/5/2015, à fl. 2/30 dos autos, assim sintetizada na decisão de piso: 1. As despesas têm como beneficiários a própria contribuinte e os filhos Matheus Augusto Maciel Santiago e Sófia Maciel Santiago, foram pagas à vista e em dinheiro, forma de pagamento válida no país, no decorrer do ano de 2011 aos profissionais Magali Barreto de Medeiros, Ana Cláudia Bezerra Ribeiro, Mirani Rocha de Melo Filho, Ângela Pinto e Alexandre Jácome em contraprestação aos serviços prestados; 2. Discorda do lançamento na medida em que a fiscalização lança suspeições sobre os recibos sem apresentar provas que os desqualifiquem, quando deveria realizar diligência junto aos profissionais e verificar se eles omitiram receitas. Alerta que os profissionais emitiram declarações confirmando a realização dos serviços e seu recebimento e estão devidamente registrados no conselho de classe; 3. Refuta a necessidade de comprovação do efetivo pagamento, pois não foi provada a invalidade dos recibos; 4. Invoca a boa fé prevista no artigo 113 do Código Civil para arrematar juntamente com julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e jurisprudência que os recibos apresentados comprovam as despesas declaradas e aponta pessoalidade e vaidade da autoridade lançadora na lavratura na notificação fiscal; 5. Aduz que tem o direito de ver provadas todas as alegações trazidas pelo fisco e o fato de contradizer a imputação fiscal não inverte o ônus da prova, pois contestados os fatos informados na Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10469.722227/201551 Acórdão n.º 2002000.380 S2C0T2 Fl. 124 3 declaração de ajuste, cabe à administração provar o contrário. Em seu favor cita os artigos 923 e 924 do Regulamento do Imposto de Renda; 6. Ao final requer o cancelamento da exigência fiscal; A impugnação foi apreciada na 9ª Turma da DRJ/BHE que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 58/64): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. ACEITAÇÃO. CONDIÇÕES. EFETIVO PAGAMENTO. Somente podem ser acatadas as despesas médicas do contribuinte e seus dependentes, quando comprovadas por documentação que atenda aos requisitos legais e que produzam a convicção necessária da ocorrência do efetivo pagamento. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 6/6/2016 (fl. 68), a contribuinte, em 28/6/2016 (fl. 73), apresentou recurso voluntário, às fls. 73/117, no qual alega, em apertado resumo, que: seriam dedutíveis as despesas médicas realizadas pelo contribuinte para seu tratamentos e de seus dependentes, comprovadas por meio de recibos médicos, que se consubstanciam, no seu entendimento, em documentação hábil e idônea para esse fim; se julgasse necessário, deveria a autoridade fiscal suprir a ausência de algum requisito legal por meio de consultas aos sistemas da RFB; os recibos e declarações emitidos pelos profissionais e que preenchem os requisitos não poderiam ser desconsiderados, citando jurisprudência administrativa acerca do tema; citando os princípios da verdade material e da oficialidade, indica a juntada de seus extratos bancários, que demonstrariam sua condição financeira e econômica (fls.94/117); destaca os princípios da moralidade e da eficiência, para defender que a administração não deve gerar ônus desnecessários ao processo; antes de exigir do contribuinte a comprovação do efetivo pagamento da despesa, caberia a autoridade fiscal consultar os sistemas da RFB; reproduz a legislação de regência, aduzindo que o recibo é o meio de fazer prova da despesas médicas declaradas; Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10469.722227/201551 Acórdão n.º 2002000.380 S2C0T2 Fl. 125 4 cita jurisprudência do CARF no sentido de que, para rejeitar os recibos médicos, a autoridade fiscal deveria comprovar que os serviços não teriam sido prestados ou pagos; tendo sido disponibilizados os recibos, a autoridade fiscal não poderia exigir mais elementos do que aqueles previstos na legislação de regência; requer seja dado provimento ao seu recurso. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10469.722227/201551 Acórdão n.º 2002000.380 S2C0T2 Fl. 126 5 Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Em seu recurso, a contribuinte defende que as declarações e os recibos emitidos pelos profissionais são os documentos hábeis a fazer a prova exigida. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10469.722227/201551 Acórdão n.º 2002000.380 S2C0T2 Fl. 127 6 Como exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte e ele não pode se eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamento seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Não a socorre o argumento de que tem disponibilidade financeira e econômica acompanhado da apresentação de extratos, uma vez que não foi estabelecida uma correlação entre os saques e os gastos realizados. Por seu turno, os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10469.722227/201551 Acórdão n.º 2002000.380 S2C0T2 Fl. 128 7 Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) No caso concreto desses autos, ainda que intimada a fazer a prova do efetivo pagamento, como aponta a autuação, só foram juntadas pela recorrente declarações de fls. 24/30. Repisese que a apresentação dos extratos, como forma de demonstrar a disponibilidade de recursos, também não se revela hábil a fazer a prova exigida. Assim, na ausência dessa comprovação, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 128DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.905887/2008-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
EMENTA
COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A norma inserida no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 (revogada posteriormente pela Medida Provisória nº 1991-18/2000), previa que a exclusão de crédito tributário estava vinculada a edição de norma regulamentadora pelo Executivo. Embora vigente, tal exclusão não teve eficácia no mundo jurídico, uma vez não editado o decreto regulamentador. Em decorrência da ausência de regulamentação, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedentes: STJ-AgRg no REsp 1132743/RS, CARF-Acórdão 202-18928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/2003-71; e CARF-Acórdão 203-08986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/2002-31.
Numero da decisão: 3001-000.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrente MÁQUINAS BECKER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 EMENTA COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A norma inserida no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 (revogada posteriormente pela Medida Provisória nº 199118/2000), previa que a exclusão de crédito tributário estava vinculada a edição de norma regulamentadora pelo Executivo. Embora vigente, tal exclusão não teve eficácia no mundo jurídico, uma vez não editado o decreto regulamentador. Em decorrência da ausência de regulamentação, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedentes: STJAgRg no REsp 1132743/RS, CARFAcórdão 20218928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/200371; e CARFAcórdão 20308986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/200231. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri – Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 58 87 /2 00 8- 51 Fl. 66DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório O Contribuinte, Máquinas Becker Ltda., apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição, acompanhado de Declaração de Compensação, pelo recolhimento a maior a título de COFINS, visto que não observou a alteração da base de cálculo. Por meio de Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRFB Porto Alegre não homologou a compensação declarada, por ausência de direito creditório oponível ao Fisco. Na Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte reafirma o direito de compensação. Para tanto, alega que efetuou pagamento de valores devidos a título de PIS e Cofins com a utilização de base de cálculo errônea, utilizando forma de cálculo diversa da disposta na Lei n° 9.718/1998. Afirma, ainda, que deixou de implementar as deduções previstas no art. 3°, § 2° da Lei n° 9.718/1998, especialmente aquela prevista no inciso III do § 2° do art.3° da referida norma, deixando de excluir da base de cálculo da contribuição valores repassados a terceiros. No julgamento da Manifestação de Inconformidade, em sessão realizada em 09 de janeiro de 2009, a 2ª Turma da DRJ/POA não homologou a compensação, cujo fundamento central está retratado no seguinte excerto das razões do voto formulado pelo Relator (fls. 34), a saber: Dessa forma, é de se negar provimento à pretensão da impugnante de conferir eficácia ao dispositivo legal que, não tendo o atributo da autoexecutoriedade, foi revogado pela Medida Provisória n° 1.99118, de 2000, não produzindo efeitos no curso de sua vigência, por não ter sido regulamentado pelo Poder Executivo. Regularmente intimado da decisão de 1ª instância, conforme AR recebido no dia 29.01.2009, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 10.02.2009. Alega, síntese, que “as contribuições ao PIS e COFINS incidiam sobre o faturamento das empresas. Esta situação perdurou até o advento da Lei 9.718/98, que perfectibilizou profundas alterações na natureza jurídica das referidas contribuições, especialmente no que diz respeito às suas bases de cálculo. Esta nova norma, que revogou parte das Leis Complementares 07/70 e 70/91 elegeu como base imponível das contribuições a receita bruta das empresas, que foi equiparada ao faturamento para fins de incidência dos tributos” (fls. 40). É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Conforme relatado, tratase de recurso voluntário interposto por MÁQUINAS BECKER LTDA em face de Acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/POA. Regularmente intimado da decisão de 1ª instância, conforme AR recebido no dia 29.01.2009, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 10.02.2009, subscrito por procurador habilitado, e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11065.905887/200851 Acórdão n.º 3001000.569 S3C0T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão n° 3001000.563, de 20 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 11065.905879/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionada Resolução que determinou o retorno à DRJ recorrida, quanto segue. Em síntese, a 1ª Instância não homologou o pedido de compensação por dois fundamentos distintos: (i) ressaltou que não consta dos autos documentação comprobatória do crédito alegado; e, (ii) a alteração da base de cálculo da contribuição de que trata o art. 2º da Lei 9.718/1998 estava com a eficácia condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, para fins de exclusão dos valores transferidos a outras pessoas jurídicas da base de cálculo da contribuição. No Recurso Voluntário, quanto ao primeiro aspecto, o Contribuinte assinala que “os Darfs e planilhas anexadas ao processo administrativo comprovam a existência de crédito”. No que tange ao outro fundamento, conforme já relatado, assevera que: “As contribuições ao PIS e COFINS incidiam sobre o faturamento das empresas. Esta situação perdurou até o advento da Lei 9.718/98, que perfectibilizou profundas alterações na natureza jurídica das referidas contribuições, especialmente no que diz respeito às suas bases de cálculo. Esta nova norma, que revogou parte das Leis Complementares 07/70 e 70/91 elegeu como base imponível das contribuições a receita bruta das empresas, que foi equiparada ao faturamento para fins de incidência dos tributos. (...) A leitura do dispositivo legal em comento permite concluir com absoluta clareza, que para obter a base de cálculo das referidas contribuições se faz necessário seguir os passos do artigo 3º e parágrafos da norma, que podem ser resumidos para fins didáticos em dois momentos: 1° Apurar a totalidade da receita auferida pela empresa (art. 3º. § l°); 2° Efetuar as deduções previstas nos incisos I, II, III e IV do parágrafo 2° da Lei 9.718/98, onde destacase as exclusões de todas as receitas tidas como próprias e transferidas para outras pessoas jurídicas (inciso III). A controvérsia que origina a presente demanda decorre do fato da Recorrente pretender cobrar o tributo com base na totalidade das receitas, sem permitir as deduções previstas na Lei. Afirmam os Agentes do fisco que a aplicação do inciso III é impossível, visto que não foram editadas as normas regulamentadoras previstas no texto legal. Ora, nenhuma norma regulamentadora pode dispor sobre a base de cálculo das contribuições, visto que esta matéria é reservada à lei, não podendo ser tratada por regulamentos”. Conquanto a controvérsia tenha motivado acalorados debates a partir da publicação da suposta alteração da base de cálculo da contribuição, já há muito se pacificou entendimento de que a aplicação das deduções dependia de regulamentação, via decreto, pelo Poder Executivo, o que não ocorreu. Nesse sentido trilha a jurisprudência, em âmbito judicial, representada por Fl. 68DF CARF MF 4 acórdão proferido pela Primeira Turma do STJ, nos autos do AgRg no REsp 1132743/RS, em que atuou, como Relator, o Ministro LUIZ FUX, em julgamento ocorrido em 16.12.2010, publicado no DJe 21.02.2011, cujos trechos que interessam ao presente caso seguem abaixoreproduzidos: 'PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS/COFINS. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. (RECURSO REPETITIVO RESP 1.002.932SP). PIS E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS TRANSFERIDAS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI N.º 9.718/91, ART. 3º, § 2º, III. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. 1. As normas jurídicotributárias admitem a dicotomia entre as cognominadas leis de eficácia limitada ou condicionada. Consoante a doutrina do tema, "as normas de eficácia limitada são de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a eficácia.". Isto porque, "não revestem dos meios de ação essenciais ao seu exercício os direitos, que outorgam, ou os encargos, que impõem: estabelecem competências, atribuições, poderes, cujo uso tem de aguardar que a Legislatura, segundo o seu critério, os habilite a se exercerem". 2. A lei 9.718/91, art. 3º, § 2º, III, optou por delegar ao Poder Executivo a missão de regulamentar a aplicabilidade desta norma. Destarte, o Poder Executivo, competente para a expedição do respectivo decreto, quedouse inerte, sendo certo que, exercendo sua atividade legislativa constitucional, houve por bem retirar a referida disposição do universo jurídico, através da Medida Provisória 199118/2000, numa manifestação inequívoca de aferição de sua inconveniência tributária. 3. Conquanto o art. 3º, § 2º, III, da Lei supracitada tenha ostentado vigência, careceu de eficácia, ante a ausência de sua imprescindível regulamentação. Assim, é cediço na Turma que "se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000". 4. Deveras, é lícito ao legislador, ao outorgar qualquer benefício tributário, condicionar o seu gozo. Tendo o legislador optado por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos da isenção concedida, também essa decisão encontra amparo na sua autonomia legislativa. 5. Conseqüentemente, "não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11065.905887/200851 Acórdão n.º 3001000.569 S3C0T1 Fl. 4 5 deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência." 6. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva.' Nessa mesma linha, vejamos como vem caminhando a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, verbis. 'Ementa: COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. Se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, revogada posteriormente pela edição da MP 199118/2000, previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador. Em decorrência deste fato, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedente do STJ – Recurso Especial nº 445.452 RS Nº 2002∕00836607 ( Processo: 19515.002905/200301 Nº Acórdão Nº 20310404, proferido em 13.09.2005).' No mesmo sentido, citamse ainda os acórdãos: (a) 20218928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/200371; e, (b) 20308986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/200231. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do congtribuinte. Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 11065.905879/200813, em que figura a mesma Recorrente, MÁQUINAS BECKER LTDA., conforme Acórdão nº 3001000.563, de 20.11.2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, também nesta oportunidade VOTO no sentido de conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante – Relator. Fl. 70DF CARF MF 6 Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.973352/2011-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.483
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PIS/COFINS. CRÉDITO ORIUNDO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Recorrente SADIVE S. A. DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 73 35 2/ 20 11 -3 2 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.973352/201132 Resolução nº 3201001.483 S3C2T1 Fl. 198 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de decisão da DRJ em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório proferido pela DERAT/São Paulo, que, por sua vez, indeferiu o pedido de restituição. Nos termos do despacho decisório, o indeferimento do pleito foi devido à inexistência do direito creditório alegado, uma vez que o pagamento apontado com origem do crédito, informado como a maior ou indevido, não foi localizado. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando que faz jus ao crédito informado, uma vez que comprova a existência do pagamento não localizado pelo sistema da RFB. Afirma que o crédito alegado referese a parcelas do PIS/Cofins que incidiram sobre valores que escapavam ao conceito de faturamento, na forma inconstitucionalmente posta pela Lei nº 9.718, de 1998. Por lapso, deixou de informar que o pagamento não foi realizado por meio de recolhimento com guia DARF, mas através de compensação em DCOMP anteriormente transmitida, objeto de discussão no PAF nº 13807.010069/200288, conforme informado em DCTF. Cita para a sua defesa o princípio da estrita legalidade, da tipicidade cerrada e da verdade material, além de ementas de acórdãos do CARF. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade. Essencialmente, o colegiado a quo decidiu que "não existindo a comprovação do pagamento informado como origem do crédito, indeferese o conseqüente pedido de restituição". No recurso voluntário apresentado foram repisados os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10880.973352/201132 Resolução nº 3201001.483 S3C2T1 Fl. 199 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.480, de 24/10/2018, proferida no processo 10880.973356/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.480): "Conforme as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. O contribuinte sustenta que o crédito existe e aponta que a compensação equivocada foi que originou o pagamento indevido, que o pagamento indevido ocorreu em compensação que não deveria ter ocorrido sobre despesas não operacionais, conforme entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal na decisão de inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98 (vide julgamentos dos RE 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840 do STF), que tem aplicação obrigatória neste Conselho conforme Art 62 do regimento interno. Quanto ao erro de preenchimento na Dcomp, por apontar a origem do crédito de um pagamento indevido, que não se trata totalmente de um erro, este não pode se tornar um impedimento à obtenção do crédito existente e incontroverso. Ratificando tal entendimento, este Conselho já se pronunciou em diversas oportunidades. Destaco abaixo somente algumas mais recentes pronúncias, da Câmara Superior e da Primeira Seção de Julgamento: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DCOMP E DIPJ. ESCLARECIMENTO E SANEAMENTO DE ERRO NO CURSO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. 1 Um erro de preenchimento de DCOMP, que motivou uma primeira negativa por parte da administração tributária (DRF de origem), não pode gerar um impasse insuperável, uma situação em que a contribuinte não pode apresentar nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo. Tal interpretação estabelece uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal. Não há como acolher a idéia de preclusão total, sustentada no entendimento de que a contribuinte pretende realizar uma nova compensação por vias indiretas, dentro do processo, especialmente pelas circunstâncias do caso concreto, em que ela não pretende modificar a natureza do crédito (saldo negativo de IRPJ), nem seu período de apuração (anocalendário de 2003), e nem mesmo aumentar o seu valor. 2 A decisão de primeira instância administrativa decidiu não examinar as informações que pretendiam justificar as divergências entre DCOMP e DIPJ, sustentando seu entendimento na questão Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10880.973352/201132 Resolução nº 3201001.483 S3C2T1 Fl. 200 4 formal da impossibilidade de retificação de DCOMP após ter sido exarado o despacho decisório, óbice que nesse momento está sendo afastado. Afastado o óbice formal que fundamentou a decisão da Delegacia de Julgamento, o processo deve retornar àquela fase, para que se examine o mérito do direito creditório e das compensações pretendidas pela contribuinte. (Processo 10880.932547/200827, Data da Sessão 02/02/2016, Acórdão n. 9101 002.203). (...) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO. Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado. SALDO NEGATIVO DE CSLL APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído, até o limite apurado nos anos calendário objeto do pedido. (Processo 11610.005921/200358, Data da Sessão 21/01/2016, Acórdão 1301001.918). A mencionada compensação é objeto do processo 13807.010069/200288, que foi julgado neste Conselho e registrado no Acórdão de n.º 3403003.595, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1989 a 31/08/1991 UNIDADE DE JURISDIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. APLICAÇÃO. Conforme Súmula CARF no 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com o trânsito em julgado do processo judicial, resta à fiscalização aplicar ao caso concreto o que foi decidido em definitivo pelo Poder Judiciário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1989 a 31/08/1991 Ementa: COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. ENCONTRO DE CONTAS. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte (REsp no 1.164.452/MG e art. 62A do RICARF). COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. APLICAÇÃO NO TEMPO. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização “antes do trânsito em julgado da respectiva decisão Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10880.973352/201132 Resolução nº 3201001.483 S3C2T1 Fl. 201 5 judicial”, conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela Lei Complementar no 104/2001 (REsp no 1.164.452/MG e art. 62A do RICARF). HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DE PRAZO EM ANOS. Os prazos em meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência, conforme art. 132, § 3o do Código Civil brasileiro (Lei no 10.406/2002). Assim, uma DCOMP apresentada em 13/02/2003 só se considera homologada tacitamente em 14/02/2008." O recurso voluntário foi parcialmente provido neste mencionado processo conexo, conforme resultado do julgamento transcrito a seguir: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer a homologação tácita em relação ao pedido de compensação apresentado em 12/09/2002, e para, em função da unidade de jurisdição, devolver o processo à unidade preparadora, para que aplique ao caso concreto o que foi decidido em definitivo pelo Poder Judiciário, não cabendo a oposição do art. 170A do CTN, em função de a data de propositura da ação judicial ser anterior à Lei Complementar no 104/2001 (conforme REsp no 1.164.452/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos), ressalvando que tal unidade da RFB, antes de implementar a decisão judicial, deve certificarse de que as quantias demandadas no presente processo não estejam sendo objeto de execução judicial, determinando à recorrente que apresente o respectivo pedido de desistência da execução, homologado pelo juízo. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fabiana Carsoni A Fernandes da Silva, OAB/SP no 246.569, que desistiu do pedido de adiamento do julgamento para a sessão de março." Assim, se a compensação constante no processo conexo extinguiu débitos de Cofins sobre receitas não operacionais, o pagamento indevido poderia ser configurado e o contribuinte teria o direito à uma nova compensação. Os autos apontam indícios de que os débitos já foram pagos. Este entendimento já foi objeto desta Turma de julgamento e pode ser encontrado no precedente consubstanciado no Acórdão 3201002.824. Considerando que a não homologação do crédito foi fundamentada unicamente sobre a premissa de que não foi comprovado o crédito desta nova compensação pois não há DARF juntada aos autos que comprove o pagamento do tributo a ser compensado, justificase a busca da verdade material. Diante do exposto, votase pela conversão do presente processo em diligência, para que: 1 A DRF informe quais os débitos extintos na compensação do processo conexo, dentro dos créditos que o contribuinte pleiteia. Os documentos juntados em Manifestação de Inconformidade também devem ser apreciados de forma que fique claro se a compensação do processo conexo extinguiu débitos de Cofins sobre receitas não operacionais, com a devida análise sobre a natureza destas receitas. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10880.973352/201132 Resolução nº 3201001.483 S3C2T1 Fl. 202 6 Após elaborado relatório fiscal, o contribuinte deve ser cientificado e deve ser oportunizada sua manifestação. Cumprida a diligência, retornem os autos a este Conselho para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: a) informe quais os débitos extintos na compensação do processo conexo, dentro dos créditos que o contribuinte pleiteia. Os documentos juntados em Manifestação de Inconformidade também devem ser apreciados de forma que fique claro se a compensação do processo conexo extinguiu débitos do PIS/Cofins sobre receitas não operacionais, com a devida análise sobre a natureza destas receitas; b) após elaborado relatório fiscal, o contribuinte deve ser cientificado e deve ser oportunizada sua manifestação; c) cumprida a diligência, os autos devem retornar a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.902933/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
No Processo Administrativo Fiscal devem ser observados os Princípios Processuais da Impugnação Específica e da Preclusão, sendo que as matérias não propostas em sede de Manifestação de Inconformidade não podem ser deduzidas em Recurso Voluntário. Impossibilidade de inovação recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-005.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. No Processo Administrativo Fiscal devem ser observados os Princípios Processuais da Impugnação Específica e da Preclusão, sendo que as matérias não propostas em sede de Manifestação de Inconformidade não podem ser deduzidas em Recurso Voluntário. Impossibilidade de inovação recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. No Processo Administrativo Fiscal devem ser observados os Princípios Processuais da Impugnação Específica e da Preclusão, sendo que as matérias não propostas em sede de Manifestação de Inconformidade não podem ser deduzidas em Recurso Voluntário. Impossibilidade de inovação recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 29 33 /2 01 1- 61 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.902933/201161 Acórdão n.º 3402005.800 S3C4T2 Fl. 0 2 Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Trata o presente processo da Declaração de Compensação por meio da qual a contribuinte realizou a compensação de débitos tributários próprios utilizandose de crédito de Cofins cumulativa. Foi emitido despacho decisório de não homologação da compensação, pelo fato de que o DARF discriminado na Dcomp estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando saldo de crédito disponível para a compensação. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada defende a existência de crédito no pagamento indicado na Dcomp bem como a falta de motivação para o indeferimento das compensações pleiteadas. Relata que, após ter identificado a existência de pagamento a maior do que o devido da contribuição, providenciou a retificação da DCTF e DIPJ respectivas, informando o valor correto da mesma, e a entrega da Per/Dcomp tratada no presente processo, para o fim de utilizar o crédito gerado pelo pagamento indevido. Argumenta que sua solicitação de compensação foi indeferida sob o fraco argumento de inexistência de crédito e sem qualquer espécie de verificação do mesmo. Diz que tomou todas as medidas administrativas necessárias para que a compensação fosse reconhecida (retificação das declarações e entrega da Dcomp) mas que, por outro lado, a autoridade administrativa não fundamentou o indeferimento do pedido. Por fim, suscita a nulidade do despacho decisório, tendo em vista a ausência de motivação jurídica e falta de elementos indispensáveis como clareza, lógica e precisão. Diante do exposto, requer o acolhimento da manifestação para o fim de homologar a compensação pleiteada." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR proferiu o Acórdão nº 06042.942, pelo qual julgou pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendo os termos do Despacho Decisório e a não homologação da compensação. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário tempestivo, pugnando pelo provimento para que seja reformada a decisão recorrida e homologada a compensação formalizada. Em Recurso Voluntário a Contribuinte alegou que: i) O direito creditório tem origem em pagamento indevido ou a maior, tendo em vista a ilegalidade e inconstitucionalidade da inclusão de valores de ICMS na base de cálculo de PIS e COFINS; ii) Foram adotadas as medidas administrativas, retificações de declarações e protocolo das DCOMP's, dando conta dos créditos geradores e a forma de utilização; Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.902933/201161 Acórdão n.º 3402005.800 S3C4T2 Fl. 0 3 iii) Foi induzida a erro e a pagar valores indevidos ou a maior, a título de PIS e COFINS, em virtude de legislação que se verifica ilegal e inconstitucional. iv) Após exposição legislativa da contribuição e forma de apuração, a Recorrente invocou a Lei nº 9.718/70 para as empresas optantes pelo Lucro Presumido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.795, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.902926/201160, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.795): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo. Como relatado na decisão de primeira instância, a Recorrente havia apresentado Manifestação de Inconformidade com os seguintes argumentos: "Após um breve relato dos fatos, a interessada defende a existência de crédito no pagamento indicado na Dcomp bem como a falta de motivação para o indeferimento das compensações pleiteadas. Relata que, após ter identificado a existência de pagamento a maior do que o devido da contribuição, providenciou a retificação da DCTF e DIPJ respectivas, informando o valor correto da mesma, e a entrega da Per/Dcomp tratada no presente processo,para o fim de utilizar o crédito gerado pelo pagamento indevido. Argumenta que sua solicitação de compensação foi indeferida sob o fraco argumento de inexistência de crédito e sem qualquer espécie de verificação do mesmo. Diz que tomou todas as medidas administrativas necessárias para que a compensação fosse reconhecida (retificação das declarações e entrega da Dcomp) mas que, por outro lado, a autoridade administrativa não fundamentou o indeferimento do pedido. Acrescenta que “No caso em tela, verificase que além dos elementos não terem sido analisados suficientemente, conforme legislação e a jurisprudência, há ausência de fundamentação jurídica que baseie a decisão e que mostre de maneira convincente o motivo pelo qual a Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.902933/201161 Acórdão n.º 3402005.800 S3C4T2 Fl. 0 4 Impugnante não pôde ter seu crédito compensado.” Por fim, suscita a nulidade do despacho decisório, tendo em vista a ausência de motivação jurídica e falta de elementos indispensáveis como clareza, lógica e precisão." Outrossim, verificase do PERD/COMP de fls. 610 as seguintes informações, o que demonstra que não foi informado crédito oriundo de ação judicial: Diante dos argumentos da Contribuinte, a DRJ enfrentou a preliminar de nulidade e, no mérito, concluiu pela improcedência do pedido nos seguintes termos: "A compensação declarada na Dcomp não foi reconhecida (homologada) porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da emissão do despacho decisório o DARF de Cofins, no valor de R$ 46.497,20, recolhido em 12/11/2004, indicado como origem do crédito para compensação, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte. Notese, aliás, que essa situação, diferentemente do que afirma a interessada na manifestação, não sofreu qualquer alteração, nem mesmo após a emissão do Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.902933/201161 Acórdão n.º 3402005.800 S3C4T2 Fl. 0 5 Despacho Decisório, conforme demonstram as declarações (DCTF) entregues pela interessada. A última DCTF relativa ao débito de Cofins do setembro de 2004 apresentada pela interessada foi a DCTF do 3º trimestre de 2004 (Retificadora), entregue em 17/11/2004, por meio da qual esse débito foi confessado no valor de R$ 42.432,20, e para o qual foi vinculado o DARF de Cofins, no valor de R$ 46.497,20, recolhido em 12/11/2004 (justamente o DARF apontado como crédito na Dcomp tratada no presente processo). Lembrese, nesse ponto, que a DCTF constitui em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos tributários nelas declarados, de acordo com o que dispõe o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984. Como se vê, o Despacho Decisório contestado relata exatamente a situação acima identificada, ou seja, a ausência de crédito em face da utilização de todo o valor do DARF indicado como origem do crédito em outro débito da própria contribuinte. É evidente, portanto, que inexiste nesse ato administrativo falta de clareza,precisão e lógica, afinal ele está a retratar a situação que a própria interessada declarou (através de DCTF) para o órgão administrativo." A motivação da improcedência decorreu da ausência de provas apresentadas pela Contribuinte sobre o direito creditório passível de surtir os efeitos legais. Ocorre que em análise às razões de Recurso Voluntário, constatase que a Recorrente abordou, de maneira genérica, pela ilegalidade e inconstitucionalidade de inclusão de valores de ICMS na base de cálculo de PIS e COFINS, conforme colacionado abaixo: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.902933/201161 Acórdão n.º 3402005.800 S3C4T2 Fl. 0 6 (...) Ou seja, além de não haver nenhuma informação e/ou comprovação de que o alegado crédito teve origem nas razões demonstradas em Recurso Voluntário, resta flagrante que a Recorrente inaugura nova discussão, sem amparo, portanto, no artigo 17 do Decreto n.º 70.235/72. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.902933/201161 Acórdão n.º 3402005.800 S3C4T2 Fl. 0 7 Neste sentido, foi proferido o v. Acórdão nº 3401004.446 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vejamos: DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Por sua vez, resta igualmente impossibilitado o conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao con hecimento do Órgão Julgador de Primeira Instância, sob pena de supressão de instância e negativa de vigência ao artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Dispositivo Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.100610/2003-37
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
FALTA DE RECOLHIMENTO.
Caracterizada a falta de recolhimento, ressalva-se à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o regime a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
Numero da decisão: 1003-000.276
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 FALTA DE RECOLHIMENTO. Caracterizada a falta de recolhimento, ressalvase à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o regime a que estiver submetida no período de apuração correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 10 06 10 /2 00 3- 37 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.100610/200337 Acórdão n.º 1003000.276 S1C0T3 Fl. 87 2 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração nº 0000519 às fls. 1231, com a exigência do crédito tributário no valor total de R$3.512,97 a título Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) juros de mora e multa de ofício proporcional, código de receita 2973 e multa de ofício isolada, código de receita 6094 informados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) nºs 100199800075152 e 100199900009001, referentes, respectivamente, ao segundo e quarto trimestres de 1998. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: O presente Auto de Infração da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminadas [...], conforme INSRF n° 045 e 077/98. Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF" (Anexos la ou Ib), e /ou "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos IIa ou IIb), e/ou no "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (Anexo III) e/ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor" (Anexo IV). [...] FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III. "DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR", em anexo. ARTS 1 E 4 L 7689/88; ART 25 COMB C/ART 57 L 8981/95; ART 1 E 19 L 9249/95; ARTS 2 E 6 (COMBS C/ART 28) E ARTS 30, 55 E 60 L 9430/96. MULTA VINCULADA: ART 160 L 5172/66; ART 1 L 9249/95; ART 44 E INC I E PAR 1 INC I L 9430/96. JUROS DE MORA: ART 161 PAR 1 L 5172/66; ART 43 PAR UN E ART 61 PAR 3 L 9430/96. FALTA DE PAGAMENTO DE MULTA DE MORA, conforme Anexo IV "DEMONSTRATIVO DE MULTA E/OU JUROS A PAGAR NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR", em anexo. ART 160 L 5172/66; ART 1 L 9249/95; ARTS 43 E 44 INCS I E II E PAR 1 INC II E PAR 2 L 9430/96. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/POA/RS nº 1016.543, de 03.07.2008, fls. 4042: MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A EXIGÊNCIA DE TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE DE NORMA MAIS BENIGNA. Cancelase a multa vinculada à exigência de tributo declarado em DCTF, uma vez que seu fundamento legal foi derrogado por legislação superveniente ao lançamento. TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula n° 4 do 1° CC). MULTA ISOLADA. DCTF. FALTA DE PAGAMENTO. Comprovado o pagamento regular do débito, cancelase o lançamento da multa isolada. Lançamento Procedente em Parte [...] Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.100610/200337 Acórdão n.º 1003000.276 S1C0T3 Fl. 88 3 Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, de maneira a cancelar (a) a “multa paga a menor” de que trata o item 4.2.1 do auto de infração, bem como (b) a multa de ofício de que trata o item 4.1, mantendose a exigência do principal lançado, que deverá ser cobrado com os respectivos consectários legais (multa de mora e juros de mora). Notificada em 14.10.2008, fl. 44, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 13.11.2008, fls. 6977, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Em relação ao lançamento diz que: II O DIREITO II.1 NO MÉRITO Merece anulado o presente Auto de Infração. O débito objeto da lavratura do presente crédito da fazenda pública diz respeito ao Contribuição Social sobre Lucro Liquido apurados nos segundo e quarto trimestres de 1998, pelo regime de Lucro Presumido, que se encontra inserto nos valores que compõe o débito consolidado do Parcelamento Especial PAES. Nesse sentido, verificase que os débitos oriundos do respectivo auto de infração já haviam sido alvo de parcelamento, tendo a adesão levada a cabo através do envio do termo de opção, que fora postado em 31 de julho de 2003. Sendo assim, a presente autuação versa sobre tributo que está sendo pago, e portanto, incabível a exigência deste através de Auto de Infração. O parcelamento especial, fora concebido como um parcelamento especial de débitos com a Secretaria da Fazenda Nacional, configurandose assim como uma espécie do gênero moratória. Assim houvese instituído pela Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003, in verbis: [...] Descabem aqui maiores digressões sobre a natureza jurídica do PARCELAMENTO ESPECIAL PAES, uma vez que qualquer que seja o entendimento, tratase necessariamente de moratória ou parcelamento, dando ensejo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na forma da Lei n° 5.172/66, no artigo que transcrevemos: [...] Com efeito, incabível a lavratura de auto de infração relativo à débitos informados em DCTF, os quais já estão parcelados através do PAES, No que compete a multa moratória e juros de mora, também não deve ser mantida a presente autuação, uma vez que consoante anteriormente noticiado, a empresa estava devidamente inclusa no PAES, razão pela qual o crédito tributário restava inexigível. Ademais, o Auto de Infração aponta a exigência de juros de mora inconstitucionais e ilegais. A Constituição Federal em seu Art. 192, parágrafo 3°, limitava no período a cobrança de juros reais em 12% ao ano. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.100610/200337 Acórdão n.º 1003000.276 S1C0T3 Fl. 89 4 Assim, a cobrança de juros que tal fora estampado no Auto de Infração, ainda que com amparo na Legislação infraconstitucional, está a identificar exigência de juros remuneratórios do capital, e ainda, que excedem ao parâmetro constitucional dos 12%. São juros remuneratórios por natureza, porque quantificados a partir da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, ainda acumulada mensalmente. E são juros reais superiores aos 12% estabelecidos pela Constituição Federal. A taxa referencial SELIC para títulos federais é composta de inflação do mês mais os juros reais. Notese que as taxas são maiores que a inflação do mês mais um por cento. [...] Com a exigência dos juros estampada no Auto de Infração, o contribuinte está suportando os custos variáveis que o Poder Público Federal se obriga perante os financiadores de sua dívida mobiliária interna, sem que com isso tenha qualquer relação. Ressaltese ainda que o CTN autoriza somente a incidência de juros moratórios, e jamais de juros compensatórios. Desta forma, ainda que se procedente fosse a autuação inquinada, o valor pretendido jamais poderia ser determinado pela aplicação da descabida taxa de juros remuneratórios, sendo, no máximo, permitida a incidência de juros moratórios à taxa de 1% ao mês, o que se admite apenas por medida de cautela. [...] Resta claro de toda a abordagem, nos termos do voto proferido pela e. Ministra, que é ilegal a aplicação da taxa SELIC, merecendo o acolhimento desta, mesmo em sede administrativa. Por fim, resta o pedido de que seja desconsiderado todo e qualquer entendimento relativo ao eventual erro de preenchimento da DCTF, com fulcro no principio da verdade material, haja vista ter sido comprovada a inexistência de qualquer débito frente a esta Secretaria. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da autuação fiscal, espera e requer seja acolhido o presente recurso voluntário, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, uma vez que incidente sobre crédito com exigibilidade suspensa. Caso entenda o douto julgador insubsistente às alegações apresentadas para o cancelamento e anulação do auto lavrado, o que não nos parece crível ante a relevância de todo o exposto, requer em caso de não acolhimento dessas, seja cancelado o presente auto quanto a aplicação da Taxa Selic, o que se faz apenas por medida de cautela. É o Relatório. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.100610/200337 Acórdão n.º 1003000.276 S1C0T3 Fl. 90 5 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do lançamento ao argumento de que os débitos objeto do lançamento estão parcelados pelo PAES. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais1. Caracterizada a falta de recolhimento, ressalvase à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o regime a que estiver submetida no período de apuração correspondente. A Instrução Normativa RFB nº 45, de 05 de maio de 1998, que vigorava à época, previa: Art. 1º As Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF relativas aos trimestres do anocalendário de 1998 e anteriores serão elaboradas com observância do disposto na Instrução Normativa SRF Nº 073, de 19 de dezembro de 1996, e nesta Instrução Normativa. Art. 2º Os saldos a pagar, relativos a cada imposto ou contribuição, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. § 1º Os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL serão objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e na Declaração de Rendimentos, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. 1 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.100610/200337 Acórdão n.º 1003000.276 S1C0T3 Fl. 91 6 § 2º Os demais valores informados na DCTF, serão, também, objeto de auditoria interna. § 3º Os créditos tributários, apurados nos procedimentos de auditoria interna a que se referem os parágrafos anteriores, serão exigidos por meio de lançamento de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto na Instrução Normativa SRF Nº 094, de 24 de dezembro de 1997. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas (art. 14, art. 15 e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Verificase que o alegado parcelamento dos débitos objeto do presente lançamento deve ser tratado junto a autoridade preparadora que a jurisdicione a quem compete gerir e executar as atividades de arrecadação, de controle e de cobrança do crédito tributário, conforme art. 270 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017. Ainda em qualquer fase processual a Recorrente pode desistir do recurso em tramitação, bem como, no caso de pedido de parcelamento está configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto (art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015). Sobre o erro cabe ressaltar que a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Ocorre que a Recorrente não demonstra o suposto erro material. Consta no Acórdão da 1ª Turma/DRJ/POA/RS nº 1016.543, de 03.07.2008, fls. 4042, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Do débito de nº 7114986 (fl. 25) Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11080.100610/200337 Acórdão n.º 1003000.276 S1C0T3 Fl. 92 7 A contribuinte, no anocalendário de 1998, tributou seu resultado com base no lucro presumido. Nesse caso, o IRPJ e a CSLL deveriam ser pagos em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração, ou, à opção da pessoa jurídica, em até três quotas mensais. iguais e sucessivas, vencíveis até o último dia útil dos três meses subseqüentes ao do encerramento do período de apuração a que corresponder. As quotas deveriam ser acrescidas de juros equivalentes à taxa SELIC acumulada mensalmente a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento; e de 1% (um por cento) no mês do pagamento (art. 5°, §§ 1° e 3°, da Lei n° 9.430, de 1996). Analisandose pagamentos realizados sob código de arrecadação 2372 em 31/07/98, 31/08/98 e 30/09/98, verificase a existência de manifestação de vontade pelo pagamento do tributo devido em três quotas, não obstante O evidente erro no preenchimento da DCTF, onde foi indicado o pagamento por meio de quota única. E essas quotas foram devidamente adimplidas, na forma da lei, conforme ratificam os registros do sistema SINAL10, [...]. Do débito de nº 9784596 (fl. 24) A contribuinte não juntou prova de que tenha requerido o parcelamento do débito arrolado à fl. 24 anteriormente à lavratura do auto de infração. Pelo contrário, os documentos de fls. 32/33, bem como a informação prestada pela DRF de Origem à fl. 37, evidenciam que o pedido ocorreu em 31/07/2003, enquanto a ciência do auto de infração Ocorreu em 17/07/2003 (ver AR à fl. 36). Visto que a protocolização do pedido de parcelamento não ocorreu ao abrigo da espontaneidade, concluise como correta a constituição do crédito tributário, em conformidade com o disposto no art. 90 da Medida Provisória 2.15835, de 2001, [...] Correto também o lançamento da multa de ofício vinculada, com fundamento no art. 44, inciso I e §1°, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, e dos juros de mora, conforme art. 61, §3º da Lei nº 9.430/1996. Não obstante o exposto, a multa de setenta e cinco por cento vinculada à exigência dos tributos declarados em DCTF deve ser cancelada por outro motivo, que não aqueles reclamados pela impugnante. Explico. A Receita Federal entendia, à época da autuação, que os saldos a pagar apurados em auditoria interna de valores informados em DCTF deveriam ser exigidos mediante lançamento de ofício, com acréscimo de multa de ofício (ver Instrução Normativa SRF n° 045, de 05/05/1998, art. 2°, § 3°). Esse entendimento era corroborado pelo disposto no art. 90, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, antes citado. Todavia, o art. 18 da Lei n° 10.833/2003 veio a restringir a aplicação do art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, limitando o lançamento de multa de ofício a casos específicos, [...]. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11080.100610/200337 Acórdão n.º 1003000.276 S1C0T3 Fl. 93 8 Essa norma penal, mais benéfica, deve ser aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, por força do art. 106, II, “a”, do CTN. Assim sendo, e tendo em vista que a situação sob análise não encontra correspondência com qualquer das hipóteses versadas no “caput” desse artigo, a multa de ofício exigida juntamente com 0 principal deve ser exonerada. Já a reclamação quanto aos juros moratórios deve ser afastada, pois a contribuinte está a insurgirse contra disposições expressas de lei. A incidência de juros de mora em percentuais superiores a 1% ao mês encontra guarida no art. 84, I, da Lei nº 8.981/1995, no art. 13 da Lei nº 9.065/1995, e no art. 61, §3º da Lei nº 9.430/1996. O mesmo art. 13 da Lei nºg 9.065/1995 respalda a aplicação da taxa SELIC a partir de lº de abril de 1995. A matéria já se encontra pacificada na esfera administrativa, conforme consolidado na Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes, [...]. Conclusão Voto, portanto, por julgar parcialmente procedente o lançamento, de maneira a cancelar (a) a multa de que trata o item 4.2.1 do auto de infração, bem como (b) a multa de ofício de que trata o item 4.1, mantendose a exigência do principal lançado, que deverá ser cobrado com os respectivos consectários legais (multa de mora e juros de mora). As decisões reiteradas e uniformes do CARF foram consubstanciadas na Súmula Vinculante CARF nº 4 de observância obrigatória pelos membros do CARF no sentido de que "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais" (Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018 e art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015). Por conseguinte, a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic está previsto em lei. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade2. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11080.100610/200337 Acórdão n.º 1003000.276 S1C0T3 Fl. 94 9 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013654/2005-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - IMPOSTO DE RENDA SOBRE ABONO VARIÁVEL - NATUREZA INDENIZATÓRIA.
A verba denominada abono variável e provisório foi declarada como de natureza indenizatória pelo Supremo Tribunal Federal, através da Resolução 245/2002, sendo, portanto, isenta do imposto de renda. Res. 245/2002: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 2001-000.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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A verba denominada “abono variável e provisório” foi declarada como de natureza indenizatória pelo Supremo Tribunal Federal, através da Resolução 245/2002, sendo, portanto, isenta do imposto de renda. Res. 245/2002: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 36 54 /2 00 5- 68 Fl. 56DF CARF MF 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte. Pleiteou a interessada, maior de 60 anos, à fl. l, restituição de imposto de renda decorrente da aplicação da Resolução n° 245, de 12 de dezembro de 2002, do Supremo Tribunal Federal. A Delegacia da Receita Federal proferiu despacho decisório indeferindo o pleito. Cientificada em 20/ 1 l/2008, fl. 29, a contribuinte apresenta, em 05/12/2008, por meio de representante (fl. 37), o recurso às fls. 31 a 36, no qual alega, em síntese, que o Supremo Tribunal Federal editou a Resolução n° 245, regulando o abono previsto na Lei n° 10.474, de 2002, objeto do lançamento. Aduz que o STF determinou, mediante norma legal e não decisão jurisdicional isolada, para todos os efeitos legais, que é de natureza jurídica indenizatória o abono precitado e autorizou a restituição ou compensação diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Acrescenta que os abonos recebidos correspondem exclusivamente a auxíliomoradia. A DRJ Belo Horizonte manifestou seu entendimento no sentido de que não cabe razão ao sujeito passivo eis que aos juízes classistas deve ser reservado tratamento normativo diferenciado daquele conferido aos magistrados togados. O juiz classista, em conseqüência, apenas faz jus aos benefícios e vantagens que lhe tenham sido expressamente outorgados em legislação específica”. Destarte, não se pode automaticamente concluir que a natureza jurídica indenizatória do abono variável e provisório concedido pelo art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com alteração do art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, estabelecida pelo an. 1° da Resolução n° 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal, seja também aplicável aos juízes classistas, que é o caso da contribuinte em apreço. Inconformado com a decisão, maneja Recurso Voluntário argüindo que a decisão alterou o entendimento obvio acerca da natureza jurídica da parcela recebida pela contribuinte,"negando" o seu enquadramento como abono variável, diante da função de Juiz Classista por ela exercida. Escapou, pois, a sua percepção, que a contribuinte recebeu, efetivamente, o abono variável previsto no art. 2 °, da Lei 10.474, que também foi pago aos Juízes Togados. Sendo assim, pleiteia o reconhecimento do seu direito para afastar a ordem de cobrança dos valores correspondentes o restituição do Imposto de Rendo de Pessoa Física dos exercícios de 2001, 2002 e 2003, pelos motivos expostos (essencialmente por ter o abono natureza jurídica de caráter indenizatório. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10680.013654/200568 Acórdão n.º 2001000.795 S2C0T1 Fl. 3 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Conforme mencionado no relatório acima, a discussão administrativa decorreu da cobrança de restituições do Imposto de Renda consideradas indevidas pela Receita Federal, referentes ao exercício de 2001, 2002 e 2003. As restituições referemse ao Imposto de Renda que incidiu sobre o abono variável de que trata o art. 2 °, do Lei 10.474/2002, considerada parcela de natureza indenizatória, não sujeito a tributação, no v. Acórdão proferido no Egrégio Tribunal Regional do Trabalho do 3 ° Região, nos autos do Recurso Administrativo 01050200300003009. Como se verificou, o denominado abono variável e provisório foi instituído pela Lei nacional nº 9655/98 e seu valor foi fixado pela Lei 10.474/2002. O abono foi instituído como diferença estipendial para implantação da remuneração da Magistratura nacional através de subsídio. Neste ponto reside a pertinência do pagamento do abono variável a todos os Magistrados brasileiros, porque foi um instrumento utilizado para equalizar a remuneração dos integrantes da Magistratura nacional, permitindo a implantação de um sistema remuneratório único para todo o país, nos exatos termos da Constituição Federal. Nesta senda, merece frisar rapidamente que a própria norma constitucional federal estabeleceu um sistema remuneratório observando a ESTRUTURA JUDICIÁRIA NACIONAL, inexistindo violação ao pacto federativo. Não se trata de vinculação remuneratória entre as várias Magistraturas existentes no Brasil, nem de violação do teto remuneratório nacional. Não houve a alegada violação do princípio da legalidade. O abono variável foi pago com a finalidade de indenizar os Magistrados brasileiros pelas perdas sofridas ao longo do tempo de defasagem de suas remunerações e para adaptar o sistema remuneratório ao novo ordenamento que instituiu o subsídio. Não se trata de remuneração propriamente dita, mas de uma indenização, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal. Fundamental deixar claro que a verba denominada “abono variável e provisório” foi declarada como de natureza indenizatória pelo Supremo Tribunal Federal, através da Resolução 245/2002, sendo, portanto, isenta do imposto de renda. Res. 245/2002: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Não há nenhuma distinção entre juizes classistas ou togados na decisão do STF. Apenas discutese a natureza jurídica da verba. E, por óbvio, entendo que já que se trata da mesma verba, da mesma natureza jurídica e não há distinção pelo Supremo entre os juízes, não há que se falar em incidência do imposto de renda sobre esta verba. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário e acatar o pleito do contribuinte para afastar a ordem de cobrança dos valores Fl. 58DF CARF MF 4 correspondentes o restituição do Imposto de Rendo de Pessoa Física dos exercícios de 2001, 2002 e 2003 . CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721471/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA SUPRIR OMISSÕES.
Constatado que há omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para sanar tal vício.
Numero da decisão: 1402-003.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para sanar as omissões apontadas no acórdão 1402-002.241, com efeitos infringentes, nos seguintes termos: dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar dos lançamentos da multa isolada dos meses de janeiro e fevereiro de 2007 os valores de R$ 2.740.731,22 e R$ 1.765.898,52, respectivamente.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para sanar as omissões apontadas no acórdão 1402-002.241, com efeitos infringentes, nos seguintes termos: dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar dos lançamentos da multa isolada dos meses de janeiro e fevereiro de 2007 os valores de R$ 2.740.731,22 e R$ 1.765.898,52, respectivamente. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVO PRONUNCIAMENTO PARA SUPRIR OMISSÕES. Constatado que há omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para sanar tal vício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para sanar as omissões apontadas no acórdão 1402002.241, com efeitos infringentes, nos seguintes termos: dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar dos lançamentos da multa isolada dos meses de janeiro e fevereiro de 2007 os valores de R$ 2.740.731,22 e R$ 1.765.898,52, respectivamente. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 14 71 /2 01 2- 54 Fl. 2513DF CARF MF Processo nº 16327.721471/201254 Acórdão n.º 1402003.482 S1C4T2 Fl. 2.514 2 Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 2514DF CARF MF Processo nº 16327.721471/201254 Acórdão n.º 1402003.482 S1C4T2 Fl. 2.515 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos BANCO ITAUCARD S.A. em face do acórdão n° 1402002.241, julgado na sessão de 06 de julho de 2016. Transcrevo excertos da informação em embargos prestadas pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto e acatadas pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento quando da admissão parcial dos embargos: "Tratase de embargos de declaração opostos por BANCO ITAUCARD S/A (fls. 24702476) em face do acórdão n° 1402002.241, julgado na sessão de 06 de julho de 2016. A exigência diz respeito a auto de infração de CSLL referente à falta de adição de amortização de ágio à base de cálculo da CSLL. Em decorrência de tal infração, exigiuse também multa de ofício isolada por falta de recolhimento de estimativas de CSLL. Julgando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, este colegiado, por maioria de votos, negoulhe provimento. Em relação ao recurso de ofício, o mesmo foi negado por unanimidade de votos. O acórdão foi cientificado ao contribuinte em 02 de dezembro de 2016 (fl. 2467), uma sextafeira, iniciandose a contagem de cinco dias para oposição de embargos em 05 de dezembro, segundafeira. No quarto dia do prazo, dia 08 de dezembro de 2016, o contribuinte opôs tempestivamente os embargos de fls. 24702476. Em resumo, aduz que em seu recurso voluntário, mais precisamente nos itens 60 a 65, em argumento subsidiário quanto à exigência de multa isolada, questionou a base de cálculo da multa isolada em relação aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, uma vez que pendia de julgamento o recurso voluntário interposto nos autos do processo administrativo n° 16327.000462/201064 para afastar a glosa da base de cálculo negativa de CSLL utilizada na composição da base imponível de estimativas de CSLL naqueles meses. Aduz que a própria decisão de primeira instância concordou que o valor das bases de cálculo de estimativas de janeiro e fevereiro de 2007 indicadas nos presentes autos dependeria da manutenção da glosa discutida nos autos 16327.000462/201064. No entanto, o voto condutor do aresto seria omisso em relação a tal matéria. Por fim, informa que naqueles autos seu recurso voluntário foi provido antes mesmo do julgamento do recurso voluntário deste processo, o que implica a necessidade de correção da base de cálculo das estimativas referentes ao meses de janeiro e fevereiro de 2007. É o suficiente para o relato. Passo à análise do preenchimento dos pressupostos para sua admissibilidade. DOS PRESSUPOSTOS PARA ADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS Fl. 2515DF CARF MF Processo nº 16327.721471/201254 Acórdão n.º 1402003.482 S1C4T2 Fl. 2.516 4 Nos termos do art. 65, § 2°, do Regimento Interno do CARF RICARF (Anexo II da Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015) fui designado para me pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos opostos. Pois bem, dispõe o art. 65 do RICARF/2015 que "Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma'" Razão assiste à Embargante quando alega que o acórdão embargado contém omissão a respeito da correta base de cálculo das estimativas de CSLL referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, em especial em razão das glosas de base negativa de CSLL discutidas no bojo dos autos n° 16327.000462/201064, devendo o colegiado suprir tal omissão, manifestandose a respeito do tema. PROPOSTA Isso posto, proponho ao Presidente da 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF que a irresignação do contribuinte seja ADMITIDA como embargos inominados, nos termos do art. 66 do Anexo II do RICARF/2015, retornandome os autos para relato e inclusão em pauta de julgamento. Desse modo, existente a omissão apontada, entendo que os embargos DEVEM SER ADMITIDOS, uma vez que procedente as alegação do Embargante. Isso posto, proponho ao Presidente da 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção do CARF que os embargos opostos por BANCO ITAUCARD S/A sejam ADMITIDOS, retornandome os autos para relato e inclusão em pauta de julgamento." Acatada a proposta, o M.D. Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF devolveu os autos para relato e inclusão em pauta de julgamentos. Tendo em vista a designação do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para compor novo colegiado, os autos foram submetidos a um novo sorteio entre os membros da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 2516DF CARF MF Processo nº 16327.721471/201254 Acórdão n.º 1402003.482 S1C4T2 Fl. 2.517 5 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Os embargos já foram parcialmente admitidos pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção. 2 DAS OMISSÕES Conforme já relatado, a lide diz respeito, em resumo, ao argumento subsidiário quanto à exigência de multa isolada, questionouse a base de cálculo da multa isolada em relação aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, uma vez que pendia de julgamento o recurso voluntário interposto nos autos do processo administrativo n° 16327.000462/201064 para afastar a glosa da base de cálculo negativa de CSLL utilizada na composição da base imponível de estimativas de CSLL naqueles meses. No entanto, o voto condutor do aresto seria omisso em relação a tal matéria. Por fim, informase que naqueles autos o recurso voluntário do contribuinte foi provido antes mesmo do julgamento do recurso voluntário do presente processo, o que implica a necessidade de correção da base de cálculo das estimativas referentes ao meses de janeiro e fevereiro de 2007. Opostos embargos, os mesmos foram admitidos para que o colegiado possa suprimir omissões a respeito da correta base de cálculo das estimativas de CSLL referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, em especial em razão das glosas de base negativa de CSLL discutidas no bojo dos autos n° 16327.000462/201064. Verificase que ocorreu a extinção do Crédito Tributário lançado no processo n° 16327.000462/201064, conforme despacho da Autoridade Fiscal (fls. 761) para atualização dos sistemas de controle da RFB, implementando a decisão da do julgamento de Recurso Especial de extinção do Crédito Tributário, in verbis: "Tratase de lançamento de ofício resultante do MPF nº 08.1.66.00 2008/00003. Em 05 de maio de 2010, foi lavrado auto de infração de CSLL (2973), período de apuração 2005, 2006 e 2007 em razão de falta de adição na determinação da base de cálculo do montante relativo a amortização de ágio. Inconformado o contribuinte questionou o lançamento administrativamente, apresentando impugnação e recurso voluntário. O Acórdão DRJ/SP1 nº 16 26.967 10ª Turma da DRJ/SP1, de 06 de outubro de 2010, considerou o lançamento procedente. Fl. 2517DF CARF MF Processo nº 16327.721471/201254 Acórdão n.º 1402003.482 S1C4T2 Fl. 2.518 6 O Acórdão nº 1301001.394 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de julgamento do Recurso Voluntário, considerou o lançamento improcedente, decidindo pela integral desconstituição do auto de infração. (fls. 658 a 675). A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do acórdão nº 9101002.760– 1ª Turma, não conheceu os recurso, o que significa que a decisão de extinguir o crédito tributário foi mantida (fls. 747 a 756) ." Portanto tem razão a Embargante quanto aos seus argumentos para a redução dos valores de multa isolada exigidos em relação às competências de janeiro e fevereiro de 2007 em razão do provimento de seu recurso voluntário interposto nos autos do processo administrativo nº 16327.000462/201064 para afastar a glosa da base de cálculo negativa de CSLL utilizada para quitar as referidas estimativas. Excluindose da base de cálculo o valor anterior de R$ 94.147.327,45, que havia sido zerado pela Fiscalização Externa, conforme processo 16327.000462/201064, apura se o valor de R$ 341.775,00 de multas isolada no mês de janeiro e fevereiro de 2007, conforme demonstrativo seguinte: jan/07 fev/07 Base de Cálculo da CSLL após compensação (1) 128.111.989,12 272.508.833,33 (+) BC Negativa glosada por Fiscalização Externa anterior (2) 0,00 0,00 (+) INFRAÇÃO Desp de amort de ágio não adicionadas 7.595.000,04 15.190.000,08 BC CSLL com adição de infrações apurada 135.706.989,16 287.698.833,41 CSLL apurada com infrações (9% da BC) 12.213.629,02 25.892.895,01 () CSLL devida em meses anteriores (DIPJ) 0 11.530.079,02 CSLL a pagar apurado cl infrações 12.213.629,02 14.362.815,99 () CSLL a pagar positivo informado na DIPJ 11.530.079,02 12.995.715,98 Base de Cálculo da Multa Isolada 683.550,00 1.367.100,01 Multa isolada (50% sobre a falta de recolhimento) 341.775,00 683.550,00 Multa isolada devida em meses anteriores 0 341.775,00 Lançamento da multa isolada do mês Mantido 341.775,00 341.775,00 Fl. 2518DF CARF MF Processo nº 16327.721471/201254 Acórdão n.º 1402003.482 S1C4T2 Fl. 2.519 7 Elaborouse o demonstrativo com os valores lançados, mantidos e exonerados da Multa Isolada dos mês de Janeiro e Fevereiro de 2007: jan/07 fev/07 Lançamento da multa isolada do mês Fiscalização 2.812.506,22 2.107.673,52 Lançamento da multa isolada do mês Valor Mantido 341.775,00 341.775,00 Lançamento da multa isolada do mês Valor Exonerado 2.470.731,22 1.765.898,52 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto acolher os embargos para sanar as omissões apontadas no acórdão 1402002.241, com efeitos infringentes, nos seguintes termos: dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar dos lançamentos da multa isolada dos meses de janeiro e fevereiro de 2007 os valores de R$ 2.740.731,22 e R$ 1.765.898,52, respectivamente. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Fl. 2519DF CARF MF
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