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Numero do processo: 13888.003282/2005-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
Ementa:
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COFINS-IMPORTAÇÃO RECOLHIDA VINCULADA A MERCADORIAS DESTINADAS AO MERCADO INTERNO OU UTILIZADAS EM PRODUTO DESTINADO AO MERCADO INTERNO. CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INAPLICABILIDADE DOS MÉTODOS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS PREVISTOS NOS §§7º, 8º E 9º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.637/2002.
Os recolhimentos de Cofins-Importação vinculados a mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, destinado ao mercado interno, consideram-se específicos a estas receitas, não se lhes aplicando os métodos de apropriação previstos nos §§7º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, por não configurarem custos, despesas ou encargos comuns a receitas de venda no mercado interno e receitas de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-002.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Rosa Paulo
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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COFINSIMPORTAÇÃO RECOLHIDA VINCULADA A MERCADORIAS DESTINADAS AO MERCADO INTERNO OU UTILIZADAS EM PRODUTO DESTINADO AO MERCADO INTERNO. CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INAPLICABILIDADE DOS MÉTODOS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS PREVISTOS NOS §§7º, 8º E 9º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.637/2002. Os recolhimentos de CofinsImportação vinculados a mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, destinado ao mercado interno, consideramse específicos a estas receitas, não se lhes aplicando os métodos de apropriação previstos nos §§7º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, por não configurarem custos, despesas ou encargos comuns a receitas de venda no mercado interno e receitas de exportação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 32 82 /2 00 5- 23 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 3 2 Ricardo Rosa Paulo Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Declarações de Compensação com utilização de créditos da nãocumulatividade de Cofins, relativo ao quarto trimestre de 2005. A fiscalização efetuou glosa de créditos de importação de CofinsImportação recolhido de produtos amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Autotmotiva (Recof Automotivo), em razão de que os recolhimentos ocorreram devido à destinação dos produtos ao mercado interno (nacionalização, ou seja, o produto importado foi revendido no mercado interno ou utilizado como insumo em outro produto vendido no mercado interno). Em manifestação de inconformidade, a recorrente, alegou: 1. A possibilidade de se aplicar o método de rateio proporcional a receitas de venda no mercado interno e de exportação, para segregar os insumos comuns adquiridos sob o regime do Recof; 2. A possibilidade de manutenção dos créditos das contribuições para o PIS e Cofins, em operações desoneradas sob o regime de Recof, de acordo com o art. 17 da Lei nº 11.033/2004; 3. Que antes da edição da Lei nº 12.058/2009, não havia disposição legal determinando a segregação dos créditos em função da natureza, origem e vinculação desses ao tipo de receita auferida; 4. A exclusão da multa de ofício e dos juros de mora, por ter a recorrente seguido as instruções de preenchimento do Dacon.A recorrente apresenta manifestação adicional, reforçando os argumentos quanto à regularidade do rateio efetuado, mencionado no item 3 acima. A Quinta Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1454.517, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 4 3 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. RATEIO. CONDIÇÕES. Aplicase o rateio proporcional para apuração dos créditos relativos ao mercado interno e à exportação somente para os insumos comuns às mercadorias destinadas a um e outro mercado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando, preliminarmente, a nulidade da decisão por não ter apreciado as provas e os argumentos de defesa, ou alternativamente, a conversão em diligência a fim de confirmar o alegado pela recorrente e, no mérito, os argumentos já deduzidos na manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente aduziu nulidade por não ter a decisão recorrida apreciado as provas de que os custos são comuns às receitas de exportação e de venda no mercado interno. A recorrente apresentou relação em meio magnético e planilha exemplificativa (doc. 4 da manifestação de inconformidade) contendo duas notas fiscais (uma de exportação e outra de venda no mercado interno na quais se demonstra que um produto adquirido numa mesma DI e nota fiscal de entrada foi revendido no mercado externo e interno, o que seria suficiente para rebater as alegações da autoridade fiscal e da DRJ de que todas as mercadorias seriam destinadas ao mercado nacional. A decisão recorrida assim dispôs: "Portanto, o Recof, em resumo, tratase de um regime de entreposto aduaneiro onde o contribuinte pode importar com suspensão da exigibilidade dos tributos devidos mercadorias destinadas a comporem produtos que serão posteriormente exportados. Caso as mercadorias sejam destinadas ao mercado interno, os tributos suspensos devem ser recolhidos até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação. No caso concreto, a contribuinte destinou as mercadorias cujos insumos foram adquiridos no âmbito do Recof ao mercado interno, sendo assim os tributos passaram a ser devidos, Fl. 549DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 5 4 incluídas as contribuições ao PIS e a Cofins na importação, cujo respectivo crédito foi utilizado pela empresa. Como as mercadorias foram internalizadas, a fiscalização entendeu que o crédito somente poderia ser utilizado para descontar das contribuições devidas no mercado interno, glosando a parcela que a contribuinte vinculou ao mercado externo, porquanto o crédito referente à receita do mercado interno pode apenas ser descontado da contribuição devida. A impugnante primeiramente alega que o custo do insumo importado é comum, não está vinculado, porque pode ser utilizado tanto na fabricação de produto destinado ao mercado ao interno como ser exportado, assim não haveria como fazer a apropriação, pois a receita ainda não foi auferida. Todavia, esse crédito, relativo às contribuições sociais pagas na importação, somente surge com o pagamento das contribuições, pois, como restou demonstrado, as contribuições somente são devidas após a internação da mercadoria, até então havia a suspensão dos tributos. Portanto, tal alegação é infundada, pois não há custo comum, já que nesses casos antes da internalização dos produtos ainda não existe esse tipo de crédito, pois somente nesse momento a contribuição passa a ser devida, bem assim surge o crédito, que se refere apenas às mercadorias destinadas ao mercado interno, haja vista que se fossem exportadas não haveria pagamento das contribuições. Há um equívoco por parte da recorrente, que, na realidade, permeia toda a discussão deste processo. Nem a autoridade fiscal nem a DRJ afirmaram que todas as mercadorias adquiridas no âmbito do Recof foram destinadas ao mercado interno, mas sim que todo o crédito decorrente de PIS/PasepImportação e CofinsImportação recolhidos se vinculam a mercadorias destinadas exclusivamente ao mercado interno. Assim, não obstante a planilha demonstrar que as importações, no instante que realizadas no âmbito do Recof, não possuem destinação futura definida, neste momento não há crédito algum a ser apropriado, haja vista a aquisição com suspensão dos tributos. Este crédito somente surge com o recolhimento do PIS/PasepImportação e CofinsImportação, o qual somente surge com a destinação das mercadorias ao mercado interno, devidamente segregadas das destinadas ao mercado externo, por exigência normativa do Recof. O fato de a decisão não ter se referido à planilha apresentada pela recorrente não implica a omissão de enfrentamento de razões, pois toda a argumentação da decisão afasta a tese defendida pela recorrente de que o creditamento é comum às receitas de exportação e de venda no mercado interno (embora a aquisição dos produtos fora contabilizada de forma indistinta quando de sua aquisição). Ademais, não há necessidade de o julgador rebater um a um os argumentos deduzidos, bastando que a decisão seja suficientemente fundamentada, em observância do princípio do livre convencimento motivado. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3202001.369, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento: Fl. 550DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:1987, 1990 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido, devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Este entendimento é pacífico no Superior Tribunal de Justiça, como se observa nos seguintes julgados: Resp nº 879.944MG (2006/01814150): [...] 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Resp nº 885.454DF (2006/01923977) 1. Não há que se falar em ofensa do art. 535 do CPC se o Tribunal de segundo grau resolveu a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados. [...] EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.489.482 RS (2014/02694068): PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS Fl. 551DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 7 6 QUESTÕES RECURSAIS. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS DE LEI INVOCADOS. SÚMULA 211/STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS DO ART. 535 DO CPC. PRETENSÃO DE REEXAME E ADOÇÃO DE TESE DISTINTA. 1. Não são cabíveis os embargos de declaração cujo objetivo é ver reexaminada e decidida a controvérsia de acordo com tese distinta. 2. Não há falar em obscuridade e ausência de fundamentação no afastamento da alegada violação do art. 535 do CPC pela Corte de origem, pois, conforme explicitamente consignado no acórdão embargado, nos termos de jurisprudência do STJ, o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados, como ocorreu no caso em apreço. Rejeitase, portanto, a preliminar arguida e passase ao mérito. Rateio para os créditos de importação vinculados às receitas de exportação, decorrentes dos recolhimentos de CofinsImportação, quando da nacionalização dos insumos importados ao amparo do Recof. Esclareçase, inicialmente, que as normas relativas à suspensão do pagamento do imposto de importação ou do IPI vinculado à importação, relativas aos regimes aduaneiros especiais, aplicamse também às contribuições para CofinsImportação, nos termos do artigo 14 da Lei nº 10.865/2004. O regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado estava disposto no Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002) e foi normatizado pela IN SRF nº 417/20041, vigente à época dos fatos, nos seguintes termos: Decreto nº 4.543/2002: CAPÍTULO VII DO ENTREPOSTO INDUSTRIAL SOB CONTROLE INFORMATIZADO Seção I Do Conceito Art. 372. O regime de entreposto industrial sob controle aduaneiro informatizado (Recof) é o que permite a empresa importar, com ou sem cobertura cambial, e com suspensão do pagamento de tributos, sob controle aduaneiro informatizado, mercadorias que, depois de submetidas a operação de industrialização, sejam destinadas a exportação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 89). 1 Revogada pela IN RFB nº 757/2007 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 8 7 § 1º Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, poderá ser despachada para consumo (Decretolei nº 37, de 1966, art. 89). § 2º A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá ter ainda uma das seguintes destinações: I exportação; II reexportação; ou III destruição. Seção II Da Autorização para Operar no Regime Art. 373. A autorização para operar no regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, e poderá ser cancelada ou suspensa a qualquer tempo, nos casos de descumprimento das condições estabelecidas, ou de infringência de disposições legais ou regulamentares, sem prejuízo da aplicação de penalidades específicas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90, § 1º). Art. 374. Poderão habilitarse a operar no regime as empresas que atendam aos termos, limites e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, em ato normativo, do qual constarão (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90): I as mercadorias que poderão ser admitidas no regime; II as operações de industrialização autorizadas; III o percentual de tolerância, para efeito de exclusão da responsabilidade tributária do beneficiário, no caso de perda inevitável no processo produtivo; IV o percentual mínimo da produção destinada ao mercado externo; V o percentual máximo de mercadorias importadas destinadas ao mercado interno no estado em que foram importadas; e VI o valor mínimo de exportações anuais. [...] Seção III Do Prazo e da Aplicação do Regime Art. 375. O prazo de suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação será de até um ano, prorrogável por período não superior a um ano. [...] Fl. 553DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 9 8 Art. 376. A normatização da aplicação do regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, que disporá quanto aos controles a serem exercidos (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90, § 3º). Seção IV Da Exigência de Tributos Art. 377. Findo o prazo fixado para a permanência da mercadoria no regime, serão exigidos, em relação ao estoque, os tributos suspensos, com os acréscimos legais cabíveis (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 90, § 2º). Parágrafo único. O disposto no caput não dispensa o cumprimento das exigências legais e regulamentares para a permanência definitiva da mercadoria no País. Art. 378. Os resíduos decorrentes do processo produtivo poderão ser: I destruídos, sem exigência de tributos, caso não se prestem à utilização econômica; ou II despachados para consumo, com o pagamento de tributos, tendo como base de cálculo o valor que lhes for atribuído em laudo técnico específico, e com a alíquota fixada para a mercadoria correspondente. Art. 379. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá a forma e o momento para o cálculo e para o pagamento dos tributos. IN SRF nº 417/2004: Art. 1º A concessão e a aplicação do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof) serão efetuadas de acordo com o disposto nesta Instrução Normativa. DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 2º O regime permite importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão da exigibilidade de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados a exportação [...] Art. 22. A admissão no regime de mercadoria importada terá por base declaração de importação específica formulada pelo importador no Siscomex. [...] Art. 31. A aplicação do regime se extingue com a adoção, pelo beneficiário, de uma das seguintes providências: I exportação: Fl. 554DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 10 9 a) de produto no qual a mercadoria, nacional ou estrangeira, admitida no regime tenha sido incorporada; b) da mercadoria no estado em que foi importada; c) da mercadoria nacional no estado em que foi admitida; ou d) de produto ao qual a mercadoria estrangeira admitida no regime, sem cobertura cambial, tenha sido incorporada; II reexportação da mercadoria estrangeira admitida no regime sem cobertura cambial; III transferência de mercadoria para outro beneficiário, a qualquer título; IV despacho para consumo: a) das mercadorias estrangeiras admitidas no regime e incorporadas a produto acabado; ou b) da mercadoria no estado em que foi importada; V destruição, às expensas do interessado e sob controle aduaneiro; ou VI retorno ao mercado interno de mercadoria nacional, no estado em que foi admitida no regime, ou após incorporação a produto acabado, obedecido ao disposto na legislação específica [...] Art. 36. Os resíduos do processo produtivo poderão ser exportados ou despachados para consumo, mediante o recolhimento dos tributos devidos na importação, ou destruídos. § 1º Os resíduos para os quais a beneficiária não tenha controle de suspensão de tributos na forma do ato a que se refere o art. 52, despachados para consumo, terão os seus tributos devidos calculados com base na mercadoria geradora de resíduo que tenha, na importação, o maior somatório de tributos com exigibilidade suspensa, por quilograma, consideradas as últimas importações registradas. § 2º O beneficiário deverá separar fisicamente os resíduos para os quais tenha controle na forma do ato a que se refere o art. 52 dos demais resíduos. [...] Art. 37. No caso de destinação para o mercado interno, o recolhimento dos tributos com exigibilidade suspensa, correspondentes às mercadorias importadas, alienadas no mesmo estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, ou aplicadas em serviço de recondicionamento, manutenção ou reparo, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, Fl. 555DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 11 10 mediante o registro de DI na unidade da SRF que jurisdicione o estabelecimento importador. § 1º O IPI com exigibilidade suspensa, relativo às aquisições no mercado interno, será apurado e recolhido na forma da legislação de regência. § 2º A declaração a que se refere o caput será desembaraçada automaticamente pelo Siscomex. [...] Art. 38. Findo o prazo estabelecido para a vigência do regime, os tributos com exigibilidade suspensa, incidentes na importação, correspondentes ao estoque, deverão ser recolhidos com o acréscimo de juros e multa de mora, calculados a partir da data do registro da admissão das mercadorias no regime. § 1º Na hipótese deste artigo, para efeito de cálculo dos tributos devidos, as mercadorias constantes do estoque serão relacionadas às declarações de admissão no regime ou às correspondentes Notas Fiscais de aquisição no mercado interno, inclusive de transferência entre beneficiários, com base no critério contábil PEPS. § 2º O pagamento dos tributos e respectivos acréscimos legais, quando espontâneo, não dispensa o registro da DI e o cumprimento das demais exigências regulamentares para a permanência definitiva das mercadorias no País. CONTROLE DO REGIME Art. 45. O controle aduaneiro de entrada, permanência e saída de mercadorias no regime, inclusive em decorrência de substituição do beneficiário ou de movimentação com base em Ambra, será efetuado com base no sistema informatizado a que se refere o inciso III do art. 5 o , 2 integrado aos respectivos controles corporativos e fiscais da empresa interessada. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento de outras obrigações acessórias previstas na legislação fiscal. Art. 46. O sistema informatizado a que se refere o art. 45 estará sujeito a auditoria, nos termos da Instrução Normativa SRF n o 239, de 6 de novembro de 2002. [...] 2 Art. 5 o Para a habilitação de que trata o art. 4 o , a empresa deverá: [...] III dispor de sistema informatizado de controle de entrada, permanência e saída de mercadorias, de registro e apuração de créditos tributários devidos, extintos ou com exigibilidade suspensa, integrado aos sistemas corporativos da empresa no País, com livre e permanente acesso da SRF; e Fl. 556DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 12 11 Art. 47. O sistema informatizado do beneficiário habilitado deverá contemplar ainda: I o registro de dados sobre as importações autorizadas no regime realizadas por fornecedores, até a entrada no seu estabelecimento; II o registro de dados de importações em outros regimes aduaneiros especiais e de aquisição no mercado interno de partes e peças utilizadas na fabricação de produto ou aplicadas na prestação de serviços industriais; III o controle do valor dos tributos com exigibilidade suspensa, relacionada às entradas ou transferências de regime de mercadorias importadas, referenciados aos seus documentos de origem, bem assim das formas de extinção das correspondentes obrigações tributárias; e IV a demonstração de cálculo dos tributos relativos aos componentes de produtos transferidos para outros beneficiários, vendidos no mercado interno ou exportados. Art. 48. O controle de extinção dos créditos com exigibilidade suspensa em decorrência da aplicação de outros regimes aduaneiros especiais também observará o critério PEPS, em harmonia com as entradas e saídas de mercadorias. § 1 o O sistema de controle informatizado deverá registrar os inventários de partes e peças existentes em estoque ou na linha de produção antes do início das operações no regime. § 2 o O disposto no § 1 o , para o caso de mercadorias admitidas em regime aduaneiro especial, requer, ainda, a vinculação dos estoques existentes aos respectivos documentos de entrada. § 3 o A exportação de produto, a reexportação de mercadoria admitida no regime ou a prestação de serviço a cliente sediado no exterior, utilizando mercadorias admitidas no regime de que trata esta Instrução Normativa e em outros regimes suspensivos, enseja a baixa simultânea dos correspondentes tributos com exigibilidade suspensa. A recorrente foi autorizada a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo) pelo Ato Declaratório Executivo SRF nº 8/2004, parcialmente, transcrito abaixo: Art. 1º Fica a empresa Caterpillar Brasil Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 61.064.911/0000177, situada na Rodovia Luiz de Queiroz, Km 157, s/nº, Distrito Unileste Piracicaba/SP, autorizada a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo). Art. 2º A autorização referida no art. 1º somente permite a admissão, no Recof Automotivo, de mercadorias estrangeiras destinadas às operações de industrialização dos produtos Fl. 557DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 13 12 relacionados no Anexo I à Instrução Normativa SRF nº 254, de 11 de dezembro de 2002. [...] Art. 5º A admissão de mercadoria no Recof Automotivo darseá com ou sem cobertura cambial e terá por base declaração de importação específica, formulada pela autorizada no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex, na forma estabelecida na Instrução Normativa SRF nº 254, de 2002. Art. 6º O recolhimento dos tributos suspensos, correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro da declaração de importação na DRF/Piracicaba. Art. 7º A autorizada fica obrigada a disponibilizar os relatórios previstos no ADE Conjunto COANA/COTEC nº 1, de 14 de novembro de 2001 , de conformidade com o disposto no art. 49 do ADE Conjunto COANA/COTEC nº 2, de 26 de setembro de 2003 . Parágrafo único. O disposto neste artigo: I não dispensa a autorizada de apresentar relatório de apuração anual, que demonstre o cumprimento dos compromissos de que trata o art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 254, de 2002; e II não exclui a realização de outros procedimentos fiscais pertinentes. [...] Art. 10. Este ato entra em vigor na data de sua publicação. Verificase que o art. 6º do referido ato determinava o recolhimento dos tributos suspensos correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, mediante o registro da corresponde Declaração de Importação. Já seu art. 7º determinava a disponibilização de relatórios previstos no Ato Declaratório Executivo Conjunto COANA/COTEC nº 1/2001, revogado pelo ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003, o qual especificou os requisitos técnicos para o sistema informatizado de controle aduaneiro. O ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003 especificou em seu item 3.7, os requisitos para o controle de suspensão dos tributos incidentes na importação, cujo teor transcrevese: 3.7 Suspensão de Tributos Art. 27 . O controle de suspensão do II e do IPI vinculado à importação e do IPI relativo à aquisição de mercadoria nacional deverá ser feito de modo integrado ao controle de entrada e saída de mercadoria, e abrangerá os valores dos Fl. 558DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 14 13 tributos e as quantidades de mercadorias em estoque e terá por base os documentos fiscais e aduaneiros pertinentes, e a RTM3 quando for o caso. § 1º Cada tributo objeto do controle de que trata este artigo terá quatro contas "Calculado", "Suspenso", "Devido" e "Extinto" que serão registradas segundo o método contábil de partidas dobradas. § 2º As contas de tributo "Suspenso" serão desdobradas em nível de part number4 e cada um terá também uma correspondente conta de quantidade para registrar entrada e saída crédito e débito de mercadoria objeto do controle de suspensão. § 3º O controle de suspensão de que trata este artigo deverá ser estendido para registrar outros tributos ou contribuições administrados pela SRF que vierem a incidir sobre as operações e, a critério do beneficiário do regime, poderá ser utilizado também para controlar o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) e o Adicional de Frete de Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). [...] Art. 28. Os lançamentos nas contas referidas no artigo anterior deverão ser escriturados em ordem cronológica e obedecerão as seguintes regras: I pela importação de mercadoria com suspensão de tributos, aquisição de mercadoria nacional de outro beneficiário do Recof que contenha mercadorias admitidas nesse regime, ou pela aquisição de mercadoria nacional com IPI suspenso, será feito: a) débito na conta "Calculado" e crédito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) crédito na correspondente conta de quantidade; 3 Relação de Transferência de Mercadoria O registro da transferência de mercadoria entre ambos, correspondente à entrada ou saída em seus estoques, terá por base a emissão informatizada da pertinente RTM e deverá apresentar contrapartida simultânea em ambos sistemas de controle 4 Art. 12. O controle de estoque de mercadoria admitida no regime de entreposto aduaneiro para fins de aplicação nas operações previstas nos incisos II e III do art. 5º da IN SRF nº 241, de 6 novembro de 2002, bem assim o de componente adquirido no mercado nacional para o mesmo fim, será feito de forma integrada ao correspondente controle exercido pelo estabelecimento industrial instalado no recinto alfandegado de uso público, que receba a mercadoria para industrialização. § 1º O registro da transferência de mercadoria entre ambos, correspondente à entrada ou saída em seus estoques, terá por base a emissão informatizada da pertinente RTM e deverá apresentar contrapartida simultânea em ambos sistemas de controle. § 2º A RTM terá numeração seqüencial única para o recinto, com sete dígitos mais um dígito verificador, correspondendo os dois primeiros ao ano da transferência e outros cinco à seqüência numérica sem repetição e terá como sede de registro e arquivo o sistema informatizado do recinto alfandegado de uso público. § 3º Cada mercadoria, identificada pelo seu part number, será indexada na RTM a um número seqüencial de item, iniciando sempre pelo numeral "0001". Fl. 559DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 15 14 II quando do despacho para consumo de mercadoria importada admitida com suspensão, inclusive de seu resíduo, ou venda para o mercado doméstico de mercadoria nacional recebida com suspensão, inclusive de seu resíduo, ou do registro de saída relativamente à constatação de falta de mercadoria importada admitida no regime, será feito: a) débito na conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; e b) débito na correspondente conta de quantidade. III pela venda de mercadoria nacional admitida no regime de entreposto aduaneiro com suspensão de IPI, em retorno para o mercado interno, será feito: a) débito na conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; e b) débito na correspondente conta de quantidade; IV quando da exportação de mercadoria no mesmo estado em que importada, inclusive de seu resíduo, será feito: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) débito na correspondente conta de quantidade; V pela exportação de mercadoria produzida pelo estabelecimento com componente(s) importado(s) e ou nacional(is), ou pela venda ou transferência definitiva de mercadoria para outro beneficiário do regime, será feito: a) crédito na conta "Extinto" e débito na(s) conta(s) "Suspenso" do(s) pertinente(s) part number do(s) componente(s) importado(s) e ou nacional(is); b) débito na(s) correspondente(s) conta(s) de quantidade; VI pela baixa relativa à perda de mercadoria até o limite admitido na habilitação: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; b) débito na correspondente conta de quantidade; VII pela baixa relacionada à destruição de mercadoria admitida no regime sem cobertura cambial, ou de seu resíduo: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) débito na correspondente conta de quantidade; VIII pela baixa relacionada à destruição de mercadoria admitida no regime com cobertura cambial, ou de seu resíduo: Fl. 560DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 16 15 a) crédito na conta "Devido" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) débito na correspondente conta de quantidade; IX pela destinação ao mercado interno, em caráter definitivo, de mercadoria obtida pela desmontagem de outra mercadoria importada admitida no regime: a) débito na conta "Calculado" e crédito na conta "Devido" da pertinente NCM ou part number referido ao respectivo registro de desmontagem; e b) débito na correspondente conta de quantidade. X quando do pagamento da obrigação tributária, débito na conta "Devido"e crédito na conta "Extinto"; XI pela expiração do prazo de suspensão: a) débito na correspondente conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; b) débito na correspondente conta de quantidade, ao qual deverá corresponder um crédito nos estoques de mercadoria nacionalizada. § 1º O registro de débito/crédito referido nos incisos do caput, além das informações de valor e ou quantidade, deverá conter: [...] § 3º O débito na conta "Suspenso" de qualquer part number, bem assim na respectiva conta de quantidade, obedecerá ainda às regras: I será registrado apenas na data do correspondente embarque na hipótese de exportação, do registro da DI para consumo na hipótese de nacionalização de produto estrangeiro, ou da efetiva saída do estabelecimento em se tratando de destinação ao mercado interno de produto nacional; II o débito de tributo suspenso corresponderá à proporção da quantidade debitada, pela apropriação do respectivo saldo em cada DA/adição/item na hipótese de produto importado, ou de cada nota fiscal/item em se tratando de produto nacional, com obediência ao critério contábil PEPS; III para a mercadoria aplicada em produto industrializado pelo estabelecimento industrial situado em recinto alfandegado, o débito será feito mediante apropriação das quantidades de produto importado relacionadas nas RTM de transferência do estabelecimento industrial para o recinto alfandegado de uso público; e IV as RTM referidas no inciso anterior serão apropriadas pelo critério PEPS por ocasião das exportações ou de Fl. 561DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 17 16 colocação no mercado nacional, mantida a correspondência com o produto industrializado exportado. [...] Dispõe ainda o item 3.9, artigos 30 e 31: 3.9 Controles Contábeis e Corporativos Art. 30. O sistema de controle informatizado do estabelecimento industrial ou prestador de serviços, beneficiário de regime aduaneiro suspensivo de que trata este ADE, deverá se integrar aos controles contábeis, por meio dos registros de compras de mercadorias nacionais ou importadas, bem assim por meio do registro das vendas para o mercado interno ou exportações de produtos acabados. [...] Art. 31 . O sistema de controle informatizado do estabelecimento industrial ou prestador de serviços, beneficiário de regime aduaneiro suspensivo de que trata este ADE, deverá se integrar aos demais sistemas corporativos, especialmente os que controlem almoxarifados e produção. Depreendese que todo o controle da suspensão dos tributos pressupõe a segregação dos tributos suspensos que passam para a condição de “devidos” dos tributos suspensos que passam para a condição de “extintos”. É esta segregação exigida pelo ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003 que possibilita a aplicação do artigo 6º5 do ADE SRF nº 8/2004, acima mencionado, em conformidade com as disposições da IN SRF 417/2004. No sentido de se determinar a vinculação dos recolhimentos de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação, a fiscalização lavrou o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 05, com o seguinte teor: “Considerando que o sujeito passivo está autorizado a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo), podendo importar insumos com os tributos suspensos, sendo devidos os recolhimentos em caso de destinação ao mercado interno, deverá, em relação aos valores declarados nos campos "Créditos a Descontar na Importação — PIS/Pasep Pago" e "Créditos a Descontar na Importação — Cofins Paga" dos DACON e dos Demonstrativos de Cálculo dos Créditos do período 4° trimestre de 2004 até o 4° trimestre de 2005, atender o seguinte: 1) Sendo estes valores integralmente referentes às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pagas em função da nacionalização, ou seja, destinação ao mercado interno de insumos, ou de produtos industrializados aos quais estes insumos sejam 5 O recolhimento dos tributos suspensos, correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro da declaração de importação Fl. 562DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 18 17 incorporados, adquiridos dentro do regime do Recof, originalmente com suspensão de tributos, apenas informar o fato; 2) Sendo os valores compostos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pagas em função da nacionalização de insumos adquiridos dentro do regime do Recof, originalmente com suspensão de tributos, e de contribuições pagas em função de aquisição de insumos fora do citado regime, com incidência de tributos, apresentar arquivos Excel de PIS/Pasep e Cofins pagos na Importação, distintos para cada situação a seguir, sujeito á comprovação posterior: a) de insumos adquiridos sob o regime do Recof e nacionalizados; b) de insumos adquiridos fora do regime e destinados exclusivamente ao mercado interno; c) de insumos adquiridos fora do regime e destinados exclusivamente ao mercado externo; d) de insumos adquiridos fora do regime, comuns ás receitas dos mercados externo e interno.” Em resposta, a recorrente informou: “A Intimada informa que os valores declarados nos campos "Créditos a Descontar na Importação PIS/Pasep Pago" e "Créditos a Descontar na Importação Cofins Paga" dos DACONs e dos Demonstrativos de Cálculo dos Créditos do período 4o . Trimestre de 2004 até o 4o trimestre de 2005, referem se às Contribuições para o PIS/Pasep e COFINS pagas (vide Anexos I e II), em decorrência de nacionalização de: a) Mercadorias importadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado RECOF, empregadas em produtos cujo destino final foi o mercado doméstico. b) Regime Comum de Importação referente a mercadorias importadas e empregadas na produção de geradores, cujo destino final foi o mercado doméstico. c) Regime Comum de Importação referente a peças de reposição para geradores, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas. d) Regime Comum de Importação referente a peças de reposição para máquinas, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas. e) Mercadorias importadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Depósito Especial DE, mais especificamente peças de reposição, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas.” Constatase que a recorrente confirmou que os recolhimentos de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação referiamse à destinação das mercadorias importadas ao mercado interno e não às exportações. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 19 18 De todo o exposto, concluise que não procedem as alegações da recorrente quanto à aplicação do método do rateio previsto no §8º, uma vez que o recolhimento de Cofins Importação pressupõe a vinculação à destinação ao mercado interno, conforme normatizado pelo Recof. A própria sistemática do Recof, diversamente do que defende a recorrente, determina a segregação das mercadorias importadas e dos tributos suspensos respectivos, estabelecendo requisitos técnicos e formais para implantação de sistema informatizado, visando o controle dos tributos suspensos e da destinação de cada mercadoria. Destarte, os tributos suspensos relativos às mercadorias reexportadas ou utilizadas na fabricação de produto exportado se tornam extintos, implicando, por conseguinte, a inexistência de pagamento de CofinsImportação, incidindo, consequentemente, a vedação quanto à possibilidade de creditamento relativo à importação das mercadorias vinculadas às exportações, uma vez que o comando do artigo 15, §1º determina a efetividade de pagamento das contribuições para que as hipóteses de creditamento previstas nos incisos do caput possam gerar créditos, conforme transcrevese abaixo: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Regulamento) [...] § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. Por outro lado, discordase da recorrente quanto à alegação de que o art. 176 da Lei nº 11.033/2004 propiciaria a manutenção de créditos em operações desoneradas no âmbito do Recof. É que tal artigo não estabelece novas hipóteses de creditamento, mas apenas permite que se mantenham os créditos apuráveis segundo os dispositivos legais regentes da matéria, como os artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, bem como o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004. O artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 elucida o entendimento: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela 6 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 20 19 Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Assim, não obstante o art. 17 permitir o creditamento em relação a saídas desoneradas, é necessário que os pressupostos previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 sejam observados, especialmente o §1º acima que condiciona o creditamento à existência de PIS/PasepImportação e CofinsImportação efetivamente pagas. Entretanto, o Recof estipula que os tributos suspensos relativos às mercadorias destinadas ao exterior são extintos, baixados no dizer do §3º do artigo 48 da IN SRF nº 417/2004, ou seja, não há qualquer recolhimento de PIS/PasepImportação ou CofinsImportação vinculados às receitas de exportação. Dito de outro modo, se todas as mercadorias importadas no âmbito do Recof fossem destinadas ao mercado externo, implicando a baixa dos tributos suspensos, não haveria qualquer crédito a ser aproveitado. Desta forma, agiu a fiscalização com acerto, quando efetuou a glosa por entender que a contribuição paga vinculavase às mercadorias importadas revendidas no mercado interno ou utilizadas em produto vendido no mercado interno Por fim, quanto à exclusão de multas e juros de mora, por observância das normas de preenchimento do Dacon, verificase, de fato, que a recorrente não observou a premissa das instruções de preenchimento, qual seja, a existência de custos, despesas e encargos comuns às receitas de exportação e às de venda no mercado interno, sobre os quais aplicarseia um dos métodos de vinculação previstos no §8º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (rateio proporcional ou apropriação direta, à sua escolha). No caso aqui tratado, os créditos decorrentes dos recolhimentos de CofinsImportação no âmbito do Recof não são comuns às duas receitas, mas apenas às de venda no mercado interno. Assim, não se trata da aplicação do parágrafo único do artigo 100 do CTN. Pontuese, ainda, que as alegações quanto ao artigo 35 da Lei nº 12.058/2009 em nada influenciam a decisão, pois tal artigo trata de segregação dos créditos da não cumulatividade e não da segregação realizada no âmbito do Recof, a qual fundamentou a vinculação específica entre os créditos de importação decorrentes dos recolhimentos de PIS/Pasep e CofinsImportação e as receitas de venda no mercado interno. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 565DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.003282/200523 Acórdão n.º 3302002.947 S3C3T2 Fl. 21 20 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 13878.000210/2004-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis - dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo - vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo insumo, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica.
CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os gastos com embalagens de transporte - pallet, papelão e os filmes strech, integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO-COMPROVAÇÃO. GLOSA. A não-comprovação dos créditos, referentes à não-cumulatividade, indicados no DACON, implica sua glosa por parte da fiscalização.
NaapuraçãodePIS/Cofinsnão cumulativo,aprovadaexistênciadodireito de crédito incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração por parte do contribuinte, deve a Fiscalização promover o lançamentocomosdadosqueseencontramaoseualcance.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-002.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as seguintes glosas dos créditos tomados sobre: (i) gastos com embalagens de transporte - pallet, papelão e os filmes strech; e (ii) água e seu tratamento - 40% que foram glosados por não ser utilizada no processo produtivo. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra (Relator) quanto ao item (ii). Vencida Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz quanto aos produtos químicos e energia térmica. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que deu provimento integral. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto quanto a energia térmica. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Atulim quanto aos produtos químicos. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Designado como Redator do voto vencedor referente ao item (5c) da conclusão, o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Valdete Aparecida Marinheiro e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vêse que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 8. 00 02 10 /2 00 4- 62 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Os gastos com embalagens de transporte pallet, papelão e os filmes strech, integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. A nãocomprovação dos créditos, referentes à nãocumulatividade, indicados no DACON, implica sua glosa por parte da fiscalização. NaapuraçãodePIS/Cofinsnão cumulativo,aprovadaexistênciadodireito de crédito incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração por parte do contribuinte, deve a Fiscalização promover o lançamentocomosdadosqueseencontramaoseualcance. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as seguintes glosas dos créditos tomados sobre: (i) gastos com embalagens de transporte pallet, papelão e os filmes strech; e (ii) água e seu tratamento 40% que foram glosados por não ser utilizada no processo produtivo. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra (Relator) quanto ao item (ii). Vencida Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz quanto aos produtos químicos e energia térmica. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que deu provimento integral. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto quanto a energia térmica. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Atulim quanto aos produtos químicos. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Designado como Redator do voto vencedor referente ao item (5c) da conclusão, o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Valdete Aparecida Marinheiro e Waldir Navarro Bezerra. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000210/200462 Acórdão n.º 3402002.824 S3C4T2 Fl. 343 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 291/296 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada contra Despacho Decisório que homologou parcialmente o formulário de Pedido de Ressarcimento de Crédito (fls. 183/186), cujo crédito provém do saldo credor da contribuição da COFINS não cumulativos, relativo a receitas de exportação (§ 1º, do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003), apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao 3º trimestre de 2004. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do saldo credor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), às fl. 183/186, relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao terceiro trimestre de 2004, no valor total de R$ 993.421,16. Posteriormente, foi apresentada Declaração de Compensação (DComp)aproveitando o crédito acima, em processo apenso. A DRF/Piracicaba, por meio do despacho decisório de fls. 238/244, reconheceu parte do direito creditório postulado, no valor de R$ 949.511,14, e homologou a compensação até o limite do crédito reconhecido. De acordo com o Termo de Informação Fiscal, de fls. 206/214, a fiscalização, por adotar a definição de insumo contida na Instrução Normativa (IN) SRF nº 404, de 2004, ou seja, aquela que considera insumo apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, glosou os seguintes créditos (extraído do despacho de fls. 238/244): “EMBALAGENS DE TRANSPORTE — não se integram aos produtos fabricados, destinamse somente ao transporte deles, assim, não podem compor a base de cálculo dos créditos. GASTOS COM PRODUTOS QUÍMICOS RELACIONADOS À GERAÇÃO DE VAPOR uma vez que a alteração sofrida pela água do estado liquido para o gasoso não se dá por causa da ação exercida diretamente sobre os produtos em fabricação, haja vista que esta transformação acontece em etapa anterior não se enquadram no conceito de bens utilizados como insumo, portanto, não podem compor a base cálculo dos créditos do PIS. ÁGUA E SEU TRATAMENTO — 40% dos gastos com a água, porque não foram incorporados ao produto, nem sofreram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, desqualificamse como insumos. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 GASTOS COM AQUISIÇÃO DE ENERGIA TÉRMICA DE ALTA PRESSÃO —Somente permitido calcular créditos sobre tais gastos a partir de 15/06/2007, com a nova redação dada pelo art. 18 da Lei n° 11.488 de 15 de junho de 2007 ao inciso III do art. 3° da Lei n° 10.833/2003.” Cientificada do despacho e inconformada com o deferimento parcial do crédito requerido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 254 a 267, alegando, quanto às embalagens de transporte, que “por mais que não façam parte da composição do produto fabricado, o que realmente seria impossível, haja vista que os produtos em questão são do gênero de alimentos, sem as embalagens que transportam, tornariam estes produtos, IMPOSSÍVEIS de serem deslocados de onde foram produzidos para o local de venda, inviabilizando totalmente o processo mercantil.” Alega que “insumo é todo o bem utilizado na produção de outro bem. As embalagens são bens utilizados na produção de outro bem que são os alimentos, e a produção engloba uma série de atos e operações até que se chegue ao processo final, que é o produto pronto posto à venda.” E ainda que significa “a combinação de fatores de produção, diretos (matériasprimas) e indiretos (mão de obra, energia, tributos), que entram na elaboração de certa quantidade de bens ou serviços.”, ou seja: “tudo aquilo que entra no processo ('input'), em contraposição ao produto ('output'), que é o que sai.” Prossegue: “O termo insumo possui conceito amplo e não pode o Fisco, por meio de despacho decisório, modificar este conceito para glosar créditos legítimos pertencente ao contribuinte em questão, sob pena de desrespeito dos princípios constitucionais da estrita legalidade, segurança jurídica e capacidade contributiva, bem como ao artigo 110, do Código Tributário Nacional.” Assim, “o produto pronto e acabado, só conseguirá ser posto à venda, se chegar ao local de destino. Para que isso ocorra, se faz necessário que ele (produto) seja colocado dentro de embalagens para transportes.” Em linhas gerais, repete essas mesmas alegações para as glosas dos produtos químicos relacionados à geração de vapor e da água não incorporada aos produtos, no sentido de que tais itens são essenciais à fabricação dos bens por ela produzidos, assim deveriam ser considerados insumos no processo produtivo. Com relação à glosa de energia térmica, argúi que mesmo antes da alteração da legislação já havia implicitamente o direito ao crédito de qualquer espécie de energia, conforme entendimento da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), de acordo com Solução de Consulta que cita. Argumenta ainda que esse crédito poderia ser utilizado por analogia com a energia elétrica, pois se esta dá direito ao crédito, energia térmica ou qualquer outro tipo de energia que Fl. 345DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000210/200462 Acórdão n.º 3402002.824 S3C4T2 Fl. 344 5 venha a substituíla também dará, e que a interpretação por analogia está prevista no Código Tributário Nacional (CTN), art. 108. Por fim, requer a suspensão dos débitos objeto de compensação. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito ao crédito da Cofins, no regime de incidência não cumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. Somente dão direito ao crédito da contribuição a Cofins, no regime de incidência nãocumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 20/08/2013 (data da abertura Portal e CAC, fl. 301), a interessada, em 18/09/2013 (fl. 308), apresentou o recurso voluntário de fls. 308/333, com as alegações resumidas abaixo: (i) que a DRF/Piracicaba (SP), entendeu por bem reconhecer apenas parte do direito creditório, glosando créditos que seriam correspondentes a gastos com: a) Embalagens de transporte (pallets, papelão e filmes de stretch); b) Produtos químicos relacionados ao tratamento da água (geração de vapor); c) Água e seu tratamento dos quais 40% foram glosados; d) Com energia térmica de alta pressão. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 (ii) quanto ao direito, faz considerações sobre a nãocumulatividade do PIS e da COFINS, cita a legislação pertinente, salientando que não se nota no texto constitucional qualquer limitação à não cumulatividade, mas apenas a afirmação de que a Lei definirá os setores de atividade em que serão incidentes a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Assim, pretender limitar as hipóteses de creditamento na incidência não cumulativa do PIS e da CONFINS implica em tributar fato outro que não a receita, ferindo um dos princípios basilares do nosso ordenamento jurídico tributário, o da capacidade contributiva; (iii) alude suas considerações sobre o conceito de INSUMOS e que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 não trazem qual é a definição de "insumo", mas apenas autorizam o desconto dos créditos decorrentes da sua aquisição. Assim, ao adotar conceito equivocado de insumo, o Órgão julgador acaba por glosar erroneamente parcela legítima de crédito da ora recorrente, já que, conforme demonstrado, qualquer despesa necessária para o processo de geração de receita tributável deve ser admitido como insumo. Cita várias decisões sobre a matéria proferidas por este CARF e de juristas. Em seu recursos a Recorrente elabora as seguintes considerações sobre o seu direito ao aproveitamentos dos créditos: a) as embalagens de transporte Alega que o Fisco está equivocado em tentar sustentar o entendimento da glosa, na medida em que, as Leis n° 10.833/2003 e n° 10.637/02, autorizam a pessoa jurídica aproveitar os créditos referentes a esta fase específica da cadeia produtiva, posto que, tal fase é parte integrante a qual compõe o processo de produção do produto como etapa secundária mais necessária, pois o produto somente considerase totalmente acabado quando este se encontrar em posse do varejista/revendedor final. Que resta claro, não assistir razão o Fisco, ao alegar que as embalagens de transportes não fazem parte do processo produtivo, posto que, tornase óbvio, por mais que não façam parte da composição do produto fabricado, o que realmente seria impossível, haja vista que os produtos em questão são do gênero de alimentos, sem as embalagens que transportam, tornariam estes produtos, impossíveis de serem deslocados de onde foram produzidos para o local de venda, inviabilizando totalmente o processo mercantil. Ressalta que o produto pronto e acabado, só conseguirá ser posto à venda, se chegar ao local de destino. Para que isso ocorra, se faz necessário que ele (produto) seja colocado dentro de embalagens para transportes. b) dos gastos com produtos químicos relacionados à geração de vapor Aduz que os produtos químicos utilizados para a transformação da água em vapor, visam à utilização deste vapor nas etapas posteriores de fermentação, isolação e purificação, conforme constatado pelo próprio Fisco. Dessa forma, o processo de produção do produto se inicia quando ocorre o primeiro ato necessário na parte de fabricação da empresa com o fim de industrializar o produto. Portanto, considerando que a transformação da água em vapor, visa a utilização deste vapor nas etapas posteriores de fermentação, isolação e purificação, devese concluir que, esta etapa, faz parte necessária da etapa de industrialização. Conforme constatação da própria fiscalização, considerando o denominador utilidade e necessidade, a necessidade ressaltase em escala absoluta pois, sem o vapor é Fl. 347DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000210/200462 Acórdão n.º 3402002.824 S3C4T2 Fl. 345 7 impossível a industrialização dos produtos, posto que, não seria possível a fermentação, isolação e purificação. Portanto, para que os produtos sejam adequadamente industrializados é necessário o vapor, utilizandose para isso de produtos químicos relacionados a geração deste vapor. Ressaltese ainda que, estes produtos químicos são adquiridos exclusivamente para ajudar no processo de produção do produto que irá ser vendido. c) A água e seu tratamento Conforme especificado no despacho decisório, 40% (quarenta por cento) dos gastos com água, porque não foram incorporados ao produto, nem sofreram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, desqualificamse como insumos. Pelos mesmos motivos já expostos, aqui também cabe o aproveitamento do crédito de PIS/COFINS, pois, independente da água ter ou não sigo incorporada ao produto, a sua utilização foi necessária exatamente no processo produtivo, o que a qualifica como insumo. Em todo e qualquer processo produtivo, onde são relacionados produtos do gênero alimentício ou produtos químicos para futura produção de alimentação, utilizase água, e esta água, possui um custo, especialmente com o seu tratamento. Tornase absolutamente cristalino que "(...) NENHUMA EMPRESA TRATARIA A ÁGUA, TENDO ENORME CUSTO COM ESTE PROCEDIMENTO, SE NÃO FOSSE NECESSÁRIO NO PROCESSO PRODUTIVO". d) Gastos com aquisição de energia térmica de alta pressão O Fisco considera que, somente é permitido calcular créditos sobre tais gastos com energia térmica a partir de 15/06/2007, com a nova redação dada ao artigo 18 da Lei n° 11.488/2007, ao inciso III do artigo 3o da Lei n° 10.833/2003. A recorrente entende que o direito ao crédito decorre das despesas com energia utilizada pela empresa, independente de qual a espécie da energia A alteração da legislação pela Lei n° 11.488/07, possui o intuito apenas de chancelar este entendimento acerca do direito líquido e certo ao crédito. Mesmo se considerarmos a legislação antes da inclusão do termo energia térmica, esta, já possuía implicitamente o direito ao crédito de qualquer espécie de energia. Deve ser aplicado o princípio da analogia (art. 108 do CTN), pois se energia elétrica dá direito ao crédito, energia térmica ou qualquer outro tipo de energia que venha a substituir a energia elétrica, também gera direito ao crédito. Pedido De todo o exposto, requer a suspensão da exigibilidade dos débitos, nos termos do art. 151 do CTN e a revisão do acórdão recorrido e do despacho decisório que glosou parte do crédito pretendido pela recorrente, concedendolhe direito integral ao crédito alegado. É o relatório. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra 1) Admissibilidade do recurso Como visto, em 20/08/2013, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (data da abertura Portal eCAC, fl. 301). A Recorrente, em 18/09/2013 (fl. 308), apresentou o recurso voluntário de fls. 308/333. Portanto, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. 2) Da anexação de processo Ressaltese que foi apensado a este o PAF nº 13878.000215/200495, referente ao mesmo período. A DRF de Piracicaba (SP), analisou ambos pedidos por meio do despacho decisório, reconhecendo parte do direito creditório. 3) Do Mérito Como já exposto, a lide envolve discussão concernente à existência ou não de direito creditório referente ao regime de incidência nãocumulativa da COFINS, referente aos insumos mencionados, competência do terceiro trimestre de 2004. A recorrente, cuja denominação é Ajinomoto do Brasil, tem por objeto social (estatuto social apenso aos autos), a indústria, comércio, importação, exportação, representação e distribuição de produtos e ingredientes alimentícios e bebidas, produtos químicos em geral, para agricultura, produtos e insumos farmacêuticos e cosméticos. Consta dos autos que no anocalendário 2005, a empresa enquadravase no regime não cumulativo do PIS e da COFINS para as receitas decorrentes de sua produção. O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos – bens ou serviços adquiridos, que geram direito aos créditos de PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000210/200462 Acórdão n.º 3402002.824 S3C4T2 Fl. 346 9 A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. A questão posta em exame nos autos diz respeito, justamente, à existência ou não de direito ao creditamento da COFINS nãocumulativo em vista da aquisição de matériasprimas e de serviços utilizados no processo produtivo destinado à exportação. Com efeito, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.833/2003, bem como do correspondente preceito da Lei no 10.637 de 2002, prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 4) Da definição de insumos no contexto da nãocumulatividade Sabese que essa questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei no 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividade do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). Da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido Fl. 350DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços, ou na fabricação de produtos destinados à venda, ou seja, ao processo de industrialização. No regime nãocumulativo de PIS e da Cofins, a Lei dispõe de maneira diferente da legislação do IPI, reconhecendo o crédito em relação à aquisição de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes” (art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003). O legislador, como visto, vai além do âmbito da industrialização, utilizando termos mais amplos, referindose à produção ou fabricação de bens e, também, à prestação de serviços. O contexto em que ocorre a incidência de PIS/Cofins, apresenta como fato gerador a receita bruta ou faturamento, referindose, assim, a todo tipo e amplitude de atividade produtiva, não se limitando apenas à fase de industrialização. Desde o primeiro momento este Conselho recusou a pretensão de confinar o conceito de insumo aos mesmos critérios da legislação do IPI, conforme serve de exemplo o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual foi negado provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional: CRÉDITO. RESSARCIMENTO, A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado Acórdão 9303001.035, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, j. 23/08/2010 Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos – bens ou serviços – que sejam aplicados na produção – de bens ou serviços –, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou Fl. 351DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000210/200462 Acórdão n.º 3402002.824 S3C4T2 Fl. 347 11 consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Assim, na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/03, integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301, do RIR/99. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Muito bem. Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS não cumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS não cumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais. Portanto, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos. É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos. 5) Dos Insumos consumidos pela recorrente A recorrente discorre em seu recurso voluntário que no desenvolvimento de sua atividade produtiva, adquire diversas matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem e serviços que são empregados no processo de fabricação e comercialização de seus produtos. Dentre eles, aqueles arrolados nos demonstrativos de fls. 206 a 214 – Termo de Informação Fiscal, em que parte foram objeto de glosa pelo Fisco e que no entender da recorrente, geram o direito ao crédito da COFINS. A recorrente ressalta em seu recurso que tais custos visa um só e único fim: o produto final industrializado. O Fisco por sua vez, de acordo com o Termo de Informação Fiscal de fls. 206/214, informa que deferimento parcial do pleito decorreu, em parte, do entendimento de que insumo, no âmbito da não cumulatividade, seria apenas as matérias primas, os produtos Fl. 352DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Como se vê, a discussão trata de uma questão de interpretação da legislação e de provas. Observese que a Recorrente não acostou aos autos, como exemplo, uma descrição do processo produtivo da empresa (etapas do processo industrial e fluxogramas, por exemplo) para facilitar o entendimento, uma vez que por si só não permite ao julgador correlacionar os materiais glosados com as formas pelas quais são utilizados no referido processo produtivo. No caso sob análise, quanto aos elementos probatórios, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para pleitear o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto à sua existência e líquido quanto ao valor solicitado. E foi nesse contexto que foram apuradas glosas referentes a vários itens que a Recorrente considerou como créditos, os quais passaremos a analisálos separadamente: 5a) Embalagens de transporte (pallet, chapa de papelão e os filmes strech). Alega a Recorrente que os custos glosados foram efetuados de forma equivocada, pois as embalagens de transporte são bens utilizados para o acondicionamento do produto com o objetivo de fazer chegar ao consumidor final, caracterizadas, portanto, como INSUMO da produção ou fabricação de produtos destinados a venda, estando, por conseguinte totalmente dentro do requisito ensejador do direito ao crédito da COFINS. Vejase trecho de seu recurso: “(...) Portanto, fica claro que, não assiste razão o FISCO ao alegar que as embalagens de transportes não fazem parte do processo produtivo, posto que, tornase óbvio, por mais que não façam parte da composição do produto fabricado, o que realmente seria impossível, haja vista que os produtos em questão são do gênero de alimentos, sem as embalagens que transportam, tornariam estes produtos, IMPOSSÍVEIS de serem deslocados de onde foram produzidos para o local de venda, inviabilizando totalmente o processo mercantil. (...) Posto que, insumo é todo o bem utilizado na produção de outro bem. As embalagens são bens utilizados na produção de outro bem que são os alimentos, e a produção engloba uma série de atos e operações até que se chegue ao processo final, que é o produto pronto posto à venda. Pois bem, o produto pronto e acabado, só conseguirá ser posto à venda, se chegar ao local de destino. Para que isso ocorra, se faz necessário que ele (produto) seja colocado dentro de embalagens para transportes”. Por outro lado, a fiscalização em sua análise contida no item 16 do Termo de Informação Fiscal (fl. 209), descreve a motivação da glosa, informando que se trata de gastos com embalagens de transporte, pois considera como insumo somente as embalagens de apresentação. Vejase: (...) Neste sentido, verificamos que os materiais de embalagem a seguir identificados enquadramse no conceito de embalagens de transporte, como já discorrido no item 12, visto que não se integram aos produtos fabricados, mas se destinam tãosomente Fl. 353DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000210/200462 Acórdão n.º 3402002.824 S3C4T2 Fl. 348 13 ao transporte destes, como informado às fls. 193 (item 2), e por isso não podem compor a base de cálculo dos créditos. No mesmo sentido, decidiuse no Acórdão recorrido (fl. 295): (...) Destarte, na espécie em julgamento o mister desta autoridade julgadora resumese a analisar a eventual procedência da matéria expressamente impugnada ante às prescrições normativas editadas pela Receita Federal que regulamentaram o direito litigado.Especificamente, analisar as glosas procedidas pela fiscalização, expressamente contestadas pela recorrente, ante às disposições contidas nas IN SRF nºs 247/2002 e 358/2003. Portanto, corretas as glosas efetuadas pela DRF, em relação às embalagens de transporte, aos produtos químicos relacionados à geração de vapor e à água não incorporada aos produtos, pois tais itens não são insumos aplicados diretamente ao bens produzidos, a despeito de serem alegadamente imprescindíveis ao processo produtivo (grifouse). Observase ainda que no referido Termo de Constatação Fiscal, lavrado pelo Fisco, a Recorrente, em resposta ao Termo de Intimação, informou o que segue sobre os gastos com embalagens de transporte (fl. 197): (...) 2) Sobre os materiais de embalagem: Resposta Os materiais que não se incorporam aos produtos finais durante o processo de fabricação, que não contêm indicações promocionais destinadas à valorização dos produtos, mas que se destinam ao transporte destes são: Chapa Papelão Ondul 1,1x1,1m Ref.10942, Chapa Papelão Ondul 1,2x1,Om Ref.onda 2, Chapa Papelão 1,20x2,20m, Filme Cobertura para Paletiz 1600x80m, Filme Strech para Paletizacao 500x25 HLm, Filme Strech para Paletizacao 50x30 HLm, Filme Strech para Paletizacao 50x40 HLm, Pallet madeira 1,0x1,2x0,12m Dpi Face, Pallet madeira 1,1x1,1xO,10m Dpi Face, Pallet Madeira 1,20x1,00x0,13m Dupla Face, Pallet Pinus 1,0x1,0m (tábuas 08+03), Pallet Pinus 1,0x1,2 Dupla Face 9 tábuas, Pallet Pinus 1,0x1,2m 4 Entr Dpi Face, Pallet Pinus 1,1x1,1m Exportação 1 Face, Pallet Pinus 1,1x1,2 Dupla Face, Pallet Pinus 1,1x1,2 Dupla Face 9 tábuas. Com efeito, verificase que, concernente ao material de embalagem de transporte (pallet, papelão e os filmes strech), a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles produtos por se tratarem de embalagens para transporte e não de apresentação, na premissa que o termo “insumo” referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo. No entanto, a recorrente alega que a glosa, atingiu os créditos oriundos da aquisição de desses produtos por possuírem requisitos para o transporte sem contaminação e/ou alteração das características dos produtos e obrigatórios para o processo de exportação, sendo descartáveis, ou seja, do tipo “one way” (conforme informações mais claras em outros processos da Recorrente ora sob exame), evidente que sua utilização é imprescindível para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, enquadrandose no conceito de insumo e devendo dar direito ao crédito pretendido. Neste caso, entendo que assiste razão a recorrente, senão vejamos: Fl. 354DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 O acondicionamento dos produtos a serem exportados constituise em etapa da industrialização e, como tal em face do princípio da não cumulatividade das contribuições, deve ter todos os valores relativos às suas aquisições de fornecedores considerados para fins de dedução de créditos. Pois conforme informado pela recorrente, os pallets, filmes de stretch e chapas de papelão, são requisitos para o transporte sem contaminação e/ou alteração das características dos produtos e obrigatórios para o processo de exportação, sendo descartáveis, ou seja, do tipo one way. Como já frisado anteriormente sobre o conceito de insumos, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do IRPJ, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Feito esse registro, ingressando no exame do caso concreto, verificase que a fiscalização, consoante já destacado, não reconheceu o direito ao crédito relativo às aquisições de embalagens de transporte (no caso pallet, papelão e os filmes strech), assentado nos fundamentos por se tratarem de embalagens de transporte e não de apresentação dos produtos. A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: Art. 66. [...] § 5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e portanto, afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000210/200462 Acórdão n.º 3402002.824 S3C4T2 Fl. 349 15 Verificase ainda que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi informado ainda pela recorrente e pelo que consta dos autos que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. Para quem entende que elas não integram o custo de produção, pode se adicionar que a lei prevê créditos com despesas de armazenagem (art. 3º, inc. IX da Lei nº 10.833/2003). Por fim, afastada a interpretação restritiva adotada pela decisão recorrida, e pelos fundamentos acima exposto, descabe a exigência de prova da venda dos materiais de embalagens com o produto ao consumidor final. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 Portanto, considerando o conceito de insumo adotado pela jurisprudência do CARF, entendo que que a Recorrente tem direito ao crédito relativo às aquisições de Embalagens de transporte pallets de madeira não retornáveis (one way), chapas de papelão e os filmes strech. 5b) Gastos com produtos químicos (relacionados à geração de vapor) Atinente a esse tópico, alega a recorrente em seu recurso que: “(...) o FISCO alega que, uma vez que a alteração sofrida pela água do estado líquido para o estado gasoso não se dá por causa da ação exercida diretamente sobre os produtos em fabricação, haja vista que, esta transformação acontece em etapa anterior, os produtos químicos relacionados à geração de vapor, não se enquadram no conceito de bens utilizados como insumo, portanto, não podem compor a base de cálculo dos créditos do PIS/COFINS. Mais uma vez, equivocase o FISCO nesta alegação, posto que, fazendo uma análise extremamente simplista à sua concepção a cerca do que seja a palavra INSUMO e tudo o que ela engloba dentro do processo produtivo de um produto. Como se trata de produtos alimentos, fazse necessário todo um encadeamento de atos que antecedem a simples produção do alimento, em si. No caso em tela, os produtos utilizados para a transformação da água em vapor, visam à utilização deste vapor nas etapas posteriores de fermentação, isolação e purificação, conforme constatado pelo próprio Sr. Agente Fiscal” (...). A fiscalização, no item 17 do seu Termo de Informação Fiscal, argumenta que (fl. 209/210): 17. (...) Os gastos com os produtos químicos acrescentados à água para a geração de vapor não se subsumem ao conceito de bens utilizados como insumos, porque a alteração sofrida pela água do estado líquido para o gasoso não se dá por causa da ação exercida diretamente sobre os produtos em fabricação, mas em etapa anterior, ou seja, é transformada em vapor para ser utilizada nos processos de aquecimento nas etapas de fermentação, isolação e purificação. Assim, os gastos com os produtos químicos relacionados à geração de vapor, a seguir listados, não podem compor a base de cálculo do crédito da Cofins. A DRJ, em seu Acórdão decidiu da seguinte forma: (...) Portanto, corretas as glosas efetuadas pela DRF, em relação às embalagens de transporte, aos produtos químicos relacionados à geração de vapor e à água não incorporada aos produtos, pois tais itens não são insumos aplicados diretamente ao bens produzidos, a despeito de serem alegadamente imprescindíveis ao processo produtivo. Conforme se observa na resposta (item 17 do Termo de Intimação Fiscal), apresentada pela empresa, informa que parte da água também é utilizada nas caldeiras para produção de vapor (alteração sofrida pela água do estado liquido para o gasoso), utilizados nos processos de aquecimento nas etapas de fermentação, isolação e purificação. Portanto, a produção do vapor, considerado um tipo de energia, é utilizado na secagem e finalização dos produtos. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000210/200462 Acórdão n.º 3402002.824 S3C4T2 Fl. 350 17 Conforme o dicionário eletrônico Wikipédia, temos que um gerador de vapor, conhecido também como caldeira, é um dispositivo usado para produzir vapor aplicando energia térmica a água. Tratase de uma máquina ou dispositivo de engenharia onde a energia química transformase em energia térmica. Geralmente é utilizado nas turbinas de vapor para gerar vapor, habitualmente vapor de água, com energia suficiente como para fazer funcionar uma turbina em um ciclo modificado. Neste caso não assiste razão a recorrente. Explico. Ocorre que sobre esse tipo de gastos, somente a partir de 15/06/2007, com a nova redação do art. 3º, inciso III, da Lei nº 10.833/2003, dada pela Lei nº 11.488, de 2007, é que se permitiu descontar créditos de COFINS sobre o consumo com energia sob a forma de vapor. Por isso, entendo estar correto os valores identificados e que foram excluídos da base de cálculo do crédito da COFINS. Vejase texto da Lei: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)grifamos. Como é cediço, a Lei nº 10.833, de 2003, permitia, em seu artigo 3º, inciso III, somente a apropriação de créditos referentes a despesas com a energia elétrica consumida pelos contribuintes, nestes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (redação vigente à época dos fatos geradores terceiro trimestre de 2004). Desta forma, repisandose, a redação original desse inciso somente previa o crédito relativo à energia elétrica. A possibilidade do aproveitamento do crédito referente à energia sob a forma de vapor somente foi incluída com a Lei nº 11.488, de 2007, que deu nova redação a esse inciso, e que entrou em vigor em 15/06/2007, portanto não atinge o período aqui analisado, que se refere ao terceiro trimestre de 2004. O argumenta de que a utilização de tais créditos já estaria implícita na legislação antes de sua autorização explícita pela Lei nº 11.488, de 2007, e que se deveria usar o princípio da analogia (art. 108, do CTN) com a energia elétrica não deve prosperar, pois na sistemática da nãocumulatividade os créditos passíveis de desconto estão discriminados expressamente na legislação de regência, sendo vedado o desconto de créditos não previstos em lei. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 O art. 111 do CTN, ao determinar a interpretação literal da legislação que disponha sobre a exclusão de crédito tributário desautoriza uma interpretação mais “ampla” da lei para permitir a utilização de créditos não previstos, tampouco permite a aplicação da analogia para reduzir tributo ou contribuição. Digase ainda que o art. 97 do CTN dispõe que somente a lei pode reduzir tributos e definir as hipóteses de exclusão e extinção do crédito tributário. Ademais, não teria sentido incluir expressamente na legislação de regência o direito ao crédito com gastos da energia sob a forma de vapor em uma lei publicada em 2007 e sem previsão de aplicação retroativa se esse tipo de energia já estivesse implícita na legislação anterior. Em relação à alegação de que tal energia tratarseia de mais um insumo e desta forma daria direito a crédito, vale esclarecer que, conforme explanação acima, restou demonstrado que a energia utilizada pelas máquinas e equipamentos não se enquadra no conceito de insumo no âmbito da não cumulatividade. Portanto, o dispositivo mencionado que daria guarida a desconto dos créditos, não atinge os gastos com os produtos químicos para geração de energia produzida sob a forma de vapor para o período aqui analisado, que se refere ao terceiro trimestre de 2004. Desta forma, entendo totalmente justificada a glosa desse tipo de energia nos créditos da recorrente. 5c) Da água e seu tratamento 40% foram glosados Sobre esse tópico, alega a recorrente em seu recurso que: "(...) Conforme especificado no despacho decisório ora impugnado, 40% (quarenta por cento) dos gastos com água, porque não foram incorporados ao produto, nem sofreram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, desqualificamse como insumos. Pelos mesmos motivos expostos no item 2.2, aqui também cabe o aproveitamento do crédito de PIS/COFINS, pois, independente da água ter ou não sigo incorporada ao produto, a sua utilização foi necessária exatamente no processo produtivo, o que a qualifica como insumo. Em todo e qualquer processo produtivo, onde são relacionados produtos do gênero alimentício ou produtos químicos para futura produção de alimentação, utilizase água, e esta água, possui um custo, especialmente com o seu tratamento. Tornase absolutamente cristalino que: NENHUMA EMPRESA TRATARIA A ÁGUA, TENDO ENORME CUSTO COM ESTE PROCEDIMENTO, SE NÃO FOSSE NECESSÁRIO NO PROCESSO PRODUTIVO” (...). A fiscalização, no Termo de Constatação Fiscal (fl. 197) e no itens 18 do Termo de Informação Fiscal elaborado pelo Fisco (fl. 211), informa que: 18. Por sua vez, dos gastos tidos com a água e seu tratamento, 60% geram direito a crédito, pois irão compor o fertilizante nitrogenado, mas os outros 40% não, pois não foram incorporados e nem sofreram o desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, para poderem ser considerados como insumos. Desta forma, as bases de cálculo relacionadas a esses gastos serão reduzidas em 40%, como demonstrado abaixo (...): A DRJ, em seu Acórdão, conclui que: Fl. 359DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000210/200462 Acórdão n.º 3402002.824 S3C4T2 Fl. 351 19 (...) Portanto, corretas as glosas efetuadas pela DRF, em relação às embalagens de transporte, aos produtos químicos relacionados à geração de vapor e à água não incorporada aos produtos, pois tais itens não são insumos aplicados diretamente ao bens produzidos, a despeito de serem alegadamente imprescindíveis ao processo produtivo. Vejase que o Fisco não reconheceu o direito de crédito relativo a parte da água consumida e seu tratamento (as bases de cálculo relacionadas a esses gastos foram reduzidas em 40%). Consta que parte dessa água é utilizada nas caldeiras para produção de vapor, e a outra parte nos processos de fermentação, isolação e purificação. Ao final, 40% (quarenta por cento) da água será descartada, retornando ao rio, e os outros 60% (sessenta por cento) irão compor o fertilizante nitrogenado. A recorrente, em documento elaborado em resposta ao item 4 do Termo de Intimação Fiscal, informa que (fl. 192): ITEM 4 ) A água é utilizada para ajuste de concentração na preparação do meio de fermentação no processo fermentativo, como líquido para lavagem do ácido glutâmico no processo de purificação e no ajuste de concentração do Hidróxido de Sódio para formação do Glutamato Monossódico. A água também é utilizada nas caldeiras para produção de vapor utilizado nos processos de aquecimento, sendo que, são utilizados produtos químicos nesta água de alimentação das caldeiras para garantir sua qualidade. Como pode ser visto no Termo de Constatação Fiscal, após estes processos, a empresa em sua resposta informa que 40% da água é descartada e retorna aos rios (meio ambiente) e portanto, não se trata de bens empregados na produção industrial. Diferente dos 60% de água que é utilizada na produção e recebe os produtos químicos, que será utilizada no processo produtivo da empresa (fertilizantes nitrogenado). A recorrente em seu recurso, não demonstrou, mediante apresentação de provas, que tais glosas foram indevidas, ou seja que tais aquisições foram objeto de aplicação no processo produtivo.O simples exame das referidas planilhas não permite ao julgador constatar que os bens ali discriminados se enquadram no conceito de insumo que vem sendo adotado por este colegiado. Como se trata de um pedido de interesse exclusivo da requerente, ressarcimento de contribuições sociais recolhidas, que implica renúncia por parte do ente tributante, o ônus da comprovação dos valores que compõem o crédito postulado é todo da requerente. Desta forma, a composição do valor do crédito pretendido, deve ser devidamente comprovada e explicitada, por parte de quem o postula, de modo a que não restem dúvidas quanto à natureza e montante das operações. Assim, não podem descontar da contribuição para o PIS apurada mensalmente, créditos calculados em relação aos valores das aquisições de materiais de consumo no caso água utilizada 40% foram glosados, por absoluta falta de amparo legal, uma vez que tais despesas não se encontram relacionados no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, nem tampouco caracterizam insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. A fiscalização promoveu o levantamento detalhado da apuração da contribuição, segregando as hipóteses de creditamento. Cumpria ao contribuinte apresentar as Fl. 360DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 alegações de direito e a demonstração pontual em relação a cada uma destas hipóteses, o que não aconteceu. Assim, não há como acolher os argumentos da recorrente no que diz respeito ao alegado direito de creditamento relativamente às glosas referente aos 40% de gastos com água e seu tratamento, que não foram comprovadamente empregados no processo produtivo. 5d) Dos gastos com energia térmica Aduz a recorrente em seu recurso que: (...) o FISCO considera que, somente é permitido calcular créditos sobre tais gastos com energia térmica a partir de 15/06/2007, com a nova redação dada ao artigo 18 da Lei n° 11.488/2007, ao inciso III do artigo 3o da Lei n° 10.833/2003. Sendo assim, o FISCO admite o crédito, porém somente a partir de 15/06/2007. O direito ao crédito decorre das despesas com energia utilizada pela empresa, independente de qual a espécie da energia. A alteração da legislação pela Lei n° 11.488/07, possui o intuito apenas de chancelar este entendimento acerca do direito líquido e certo ao crédito. Em relação à energia térmica utilizada, a Recorrente alega que sem ela, o maquinário não funcionaria, impedindo a produção. Logo, estaria perfeitamente enquadrada no conceito de insumo, devendo também gerar direito ao crédito. Que os respectivos créditos estão previstos no citado art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e que foi inteiramente consumida no processo produtivo. Aduz ainda que, “(...) Revelase notório que, por analogia, se energia elétrica dá direito ao crédito, energia térmica ou qualquer outro tipo de energia que venha a substituir a energia elétrica, também gera direito ao crédito”. Já a fiscalização alega no item 19 de seu Relatório Fiscal (fl. 211), que os gastos com energia térmica foram glosados por falta de previsão legal: 19. A empresa calculou créditos do PIS/Pasep sobre os gastos efetuados com a aquisição de energia térmica, na forma de vapor de alta pressão, neste trimestre, mas até 14/06/2007 somente permitiase calcular créditos sobre os gastos com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa, conforme inciso III do art. 3° da Lei 10.833, de 2003. Somente a partir de 15/06/2007, com a nova redação do inciso III dada pela Lei 11.488, de 2007, é que se permitiu calcular créditos também sobre os gastos com energia térmica, inclusive sobre a forma de vapor (...). No acórdão recorrido, temos que: (...) Quanto à energia térmica, a postulante argumenta que a utilização de tais créditos já estaria implícita na legislação antes de sua autorização explícita pela Lei nº 11.488, de 2007, e que se deveria usar a analogia com a energia elétrica. Entretanto, na sistemática da nãocumulatividade os créditos passíveis de desconto estão discriminados expressamente na legislação de regência, sendo vedado o desconto de créditos não previstos em lei. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000210/200462 Acórdão n.º 3402002.824 S3C4T2 Fl. 352 21 Quanto ao tema, a Lei nº 10.833/2003 permite, em seu artigo 3º, inciso III, a apropriação de créditos referentes a despesas com a energia elétrica consumida pelos contribuintes, nestes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (redação vigente à época dos fatos geradores terceiro trimestre de 2004). Como se vê, a redação original desse inciso somente previa o crédito relativo à energia elétrica. A possibilidade do aproveitamento do crédito referente à energia térmica somente foi incluída com a Lei nº 11.488, de 2007, que deu nova redação a esse inciso, e que entrou em vigor em 15/06/2007, portanto não atinge o período aqui analisado, que se refere ao terceiro trimestre de 2004. Vejase abaixo: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)grifamos. O argumenta de que a utilização de tais créditos já estaria implícita na legislação antes de sua autorização explícita pela Lei nº 11.488, de 2007, e que se deveria usar a analogia com a energia elétrica (art. 108, do CTN), não deve prosperar, pois na sistemática da nãocumulatividade os créditos passíveis de desconto estão discriminados expressamente na legislação de regência, sendo vedado o desconto de créditos não previstos em lei. O art. 111 do CTN, ao determinar a interpretação literal da legislação que disponha sobre a exclusão de crédito tributário desautoriza uma interpretação mais “ampla” da lei para permitir a utilização de créditos não previstos, tampouco permite a aplicação da analogia para reduzir tributo ou contribuição. Digase ainda que o art. 97 do CTN dispõe que somente a lei pode reduzir tributos e definir as hipóteses de exclusão e extinção do crédito tributário. Ademais, não teria sentido incluir expressamente na legislação de regência o direito ao crédito da energia térmica em uma lei publicada em 2007 e sem previsão de aplicação retroativa se esse tipo de energia já estivesse implícita na legislação anterior. Em relação à alegação de que a energia térmica tratarseia de mais um insumo e desta forma daria direito a crédito, vale esclarecer que, conforme explanação acima, restou demonstrado que a energia utilizada pelas máquinas e equipamentos não se enquadra no conceito de insumo no âmbito da não cumulatividade. Portanto, o dispositivo mencionado que daria guarida a desconto dos créditos, não atinge os custos com energia térmica do período aqui analisado, que se refere ao terceiro trimestre de 2004. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 Desta forma, totalmente justificada a glosa desse tipo de energia nos créditos da recorrente. 6) Das provas Como já analisado neste voto, a fiscalização apurou glosas de bens e serviços. A recorrente, porém, com exceção relativo às embalagens, não deixou claro nos autos as provas junto com suas manifestações contrárias aos outros itens glosados, o que acaba por ser um empecilho à comprovação de suas alegações. Não sendo possível a análise do vínculo entre as supostas determinações e os gastos que elas o teriam obrigado. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, afim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art.15.A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art.16.A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (RedaçãodadapelaLeinº8.748,de1993)” No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art.396. Compete à parte instruir a petição inicial (art.283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. 7) Da apresentação das provas Fl. 363DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000210/200462 Acórdão n.º 3402002.824 S3C4T2 Fl. 353 23 O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da Recorrente, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, não foram trazidas aos autos quaisquer outros documento que provassem que o sujeito passivo realizou gastos em decorrência das glosas de bens e serviços apurados pelo fisco, excetuandose a já comentada. 8) Princípio da verdade material O princípio da verdade material foi preservado nesse julgamento, de forma que foi deferido parte da crédito pleiteado. As provas trazidas pelo contribuinte foram analisadas, porém, o princípio da verdade material não supre a inércia do interessado. Nesse sentido, apenas foram admitidos os créditos devidamente comprovados, uma vez que lhe competia o ônus da prova. 9) Da suspensão da exigibilidade do débito Em relação à suspensão da exigibilidade dos débitos objeto de compensação, cumpre lembrar que a apresentação do Recurso Voluntário suspende sua exigibilidade, a teor do §11, do art. 74 da Lei nº 9.430/96. 10) Conclusão Diante das considerações e fundamentos acima expostos, voto por conhecer do recurso voluntário, para: a) dar provimento parcial, para reconhecer o direito do crédito da COFINS nãocumulativa, respaldado pelos documentos acostados aos autos, inerente ao item 5a) embalagens de transporte pallet, papelão e os filmes strech, conforme o voto, e b) negar provimento em relação aos seguintes itens: 5b) produtos químicos aplicados à água para geração de vapor; 5c) água e seu tratamento 40% que foram glosados por não ser utilizada no processo Fl. 364DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 produtivo; e 5d) gastos com energia térmica de alta pressão, conforme o contido neste voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 365DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000210/200462 Acórdão n.º 3402002.824 S3C4T2 Fl. 354 25 Voto Vencedor Acerca da glosa de 40% sobre o total de água consumida, entendo que tal vedação de creditamento não deva prosperar, sobretudo diante do minucioso trabalho do fiscal durante a o procedimento de fiscalização, como se vê no item 16 do Termo de Informação Fiscal elaborado pelo Fisco, argumenta que: (...) A água que é utilizada nos processos produtivos da empresa, unidades matriz e filial, recebe inúmeros produtos químicos para garantir sua qualidade (ver fls 464 item 1). Inicialmente parte da água será utilizada nas caldeiras para produção de vapor, e a outra nos processos de fermentação, isolação e purificação. Ao final, 40% (quarenta por cento) da água será descartada, retornando ao rio, e os outros 60% (sessenta por cento) irão compor o fertilizante nitrogenado. Dos gastos tidos com a água e seu tratamento, 60% geram direito a crédito, pois irão compor o fertilizante nitrogenado, mas os outros 40% não, pois não foram incorporados e nem sofreram o desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, para poderem ser considerados como insumos. Desta forma, as bases de cálculo relacionadas a esses gastos serão reduzidas em 40%, como demonstrado abaixo: Como se interpreta claramente da descrição acima dada, 100% da água é utilizada no processo produtivo, de diversas formas (produção de vapor, processos de fermentação, isolação e purificação, e composição do fertilizante nitrogenado), apesar de que apenas 60% dele será incorporado efetivamente ao produto final, restando 40% descartado após tratamento químico. Caso essa turma adotasse o vetusto conceito de insumo de IPI para os casos de PIS e Cofins, faria sentido a glosa de parcela da água que não fora incorporada ao produto. Todavia, temos firme entendimento de que a noção de insumo está relacionada ao processo produtivo como um todo e as despesas necessárias para sua ocorrência, ainda que não haja a incorporação física ao produto. Tal entendimento está consubstanciado nesse trecho da lavra do Ilustre Conselheiro Antônio Carlos Atulim: Em relação aos bens cujos custos de aquisição foram glosados, a fiscalização levou em conta o conceito de insumo estabelecido naqueles atos administrativos, os quais, basicamente, adotaram o mesmo conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou de forma genérica que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo produtivo, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 A questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/02 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matériaprima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que Fl. 367DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000210/200462 Acórdão n.º 3402002.824 S3C4T2 Fl. 355 27 no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. O contribuinte invocou a seu favor o art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03, pois esse dispositivo legal teria encampado o entendimento da recorrente 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 368DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 no sentido de que todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora estão aptos a gerarem créditos das contribuições. Tal interpretação não prospera porque a expressão "(...) se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...)" contida no dispositivo legal, alude aos gastos incorridos no auferimento das receitas especificadas nos incisos I e II e se referem aos créditos das contribuições apurados na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Em outras palavras: o direito à tríplice forma e aproveitamento dos créditos gerados por operações de exportação referese unicamente aos créditos apurados com base no art. 3º da Lei nº 10.833/03. E como já se viu alhures, este dispositivo legal não instituiu o direito à tomada do crédito sobre todos os custos e despesas necessários à manutenção da atividade da empresa. Dessa forma, resta claro nos autos que os 40% de descarte de água participaram, sim, do processo produtivo, razão pela qual deve ser revertida a glosa de crédito. É como voto. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 369DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 16327.721046/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 04 6/ 20 11 -8 4 Fl. 10942DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.943 2 Relatório BANCO SANTANDER BRASIL S/A (INCORPORADO POR BANCO SANTANDER BANESPA S/A) recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 10ª Turma da DRJ São Paulo01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de ação fiscal realizada na empresa em epígrafe com a lavratura dos autos de infração sobre o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 2255 a 2259 e 2273 a 2275), apurados até 29/07/2011, nos valores de R$146.922.676,86 e R$5.650.415,81 e dos autos de infração sobre a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls.2263 a 2268 e 2278 a 2280) apurados até 29/07/2011, nos valores de R$52.152.272,79 e R$2.034.149,69, tendo em vista a apuração das seguintes infrações: IRPJ 001 Custos, Despesas Operacionais e Encargos Não Necessários Fato Gerador Valor Tributável Multa(%) 31/08/2006 R$17.048.839,59 75,00 Enquadramento legal: Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99. 002 – Depreciação de Bens Ativo Imobilizado Excesso em Função da Taxa Fato GeradorValor Tributável Multa(%) 31/08/2006 R$6.303.852,4275,00 Enquadramento legal: Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99. 003 Prejuízos por Desfalque, Apropriação Indébita e Furto Fato GeradorValor Tributável Multa(%) 31/08/2006 R$2.268.895,26 75,00 Enquadramento legal: Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 364, do RIR/99. 004 Glosa de Prejuízos Compensados Indevidamente Saldos de Prejuízos Insuficientes Fato GeradorValor Tributável Multa(%) 31/08/2006 R$42.139.333,3775,00 Enquadramento legal: Arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99. 005 Adições não Computadas na apuração do lucro real Fato GeradorValor Tributável Multa(%) 31/12/2005 R$89.068.279,4475,00 31/08/2006 R$59.378.852,4675,00 Enquadramento legal: Art. 249, 385 e 386 do RIR/99. Art. 173 inciso I do CTN. 006 Adições não Computadas na apuração do lucro real Perdas em Operações no Exterior Fato GeradorValor Tributável Multa(%) 31/08/2006 R$22.295.470,0075,00 Enquadramento legal: Arts. 249, inciso I, e 396, § 2o, do RIR/99. 007 Exclusões/Compensações não autorizadas na apuração do lucro real Exclusões Indevidas Fato GeradorValor Tributável Multa(%) Fl. 10943DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.944 3 31/08/2006 R$106.960.418,0975,00 Enquadramento legal: Art. 250, inciso I, do RIR/99, arts. 9º a 12 da Lei n° 9.430/1996. 008 Adições não Computadas na apuração do lucro real Fato GeradorValor Tributável Multa(%) 31/12/2006 R$14.528.478,4675,00 Enquadramento legal: Art. 249 do RIR/99. CSLL 001 – CSLL – Valor apurado conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal Fato GeradorValor Tributável Multa(%) 31/08/2006 R$17.048.839,59 75,00 31/08/2006 R$2.268.895,26 75,00 31/12/2005 R$89.068.279,4475,00 31/08/2006 R$59.378.852,4675,00 31/08/2006 R$22.295.470,0075,00 31/08/2006 R$106.960.418,0975,00 31/08/2006 R$6.303.852,4275,00 31/12/2006R$14.528.478,4675,00 Enquadramento legal: Art. 2o e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 1° da Lei n° 9.316/96 e art. 28 da Lei n° 9.430/96; Art. 37 da Lei n° 10.637/02. 002 Base de cálculo negativa de períodos anteriores (Financeiras) Compensação indevida base de cálculo negativa de períodos anteriores (Financeiras) Fato GeradorValor Tributável Multa(%) 31/08/2006 R$41.670.576,9675,00 Enquadramento legal: Art. 2o e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 58 da Lei n° 8.981/95 e art. 16 da Lei n° 9.065/95; Art. 1° da Lei n° 9.316/96; Art. 37 da Lei n° 10.637/02. DA AUTUAÇÃO O Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 2283 a 2318), que faz parte integrante dos autos de infração, detalha o procedimento fiscal levado a efeito, cujos fatos apurados foram relatados nos seguintes termos, que se resumem: O objeto da fiscalização foi verificar a apuração do IRPJ e reflexos do ano calendário 2006 do BANCO SANTANDER BRASIL S/A, CNPJ 61.472.676/000172, doravante BSB, sucedido em 31/08/2006, em evento de incorporação, pelo Banco Santander Meridional S/A, que neste mesmo ato passou a se chamar Banco Santander Banespa S/A, CNPJ 90.400.888/000142. Regularmente intimado, apresentou Balancetes Mensais, Livro de Apuração do Lucro Real e Demonstrações Financeiras Publicadas com data base de 30 de junho de 2006. Com base nestas informações preliminares foram selecionados diversos itens de despesas para auditoria, sendo que detectouse diversas irregularidades que são objeto desta autuação, conforme demonstrado a seguir. INFRAÇÃO N° 1 Perdas de Capital Baixa de gastos com aquisição e desenvolvimento de logiciais Despesas não necessárias e amortização a maior. Descrição dos fatos O BSB deduziu despesas não operacionais no período em análise no valor de R$58.487.139,42 COSIF 8.3.9.10.007 PERDAS DE CAPITAL conta interna 994261 PERDAS CAPBX GASTOS C/ AQ DES LOG. Intimado a apresentar relatório analítico e informações adicionais, apresentou planilha elaborada com data base de 31 de dezembro de 2005, com a relação individualizada de cada item baixado de modo a compor o valor acima indicado, bem como razões contábeis relativos aos meses de março e abril de 2006 das contas de ativo Fl. 10944DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.945 4 envolvidas no controle destes bens patrimoniais, com a seguinte ressalva:"Alertamos que por uma limitação sistêmica não temos a informação da contrapartida das respectivas contas contábeis." Complementou as informações conforme segue: O embasamento legal para a baixa dos softwares catalogados no material ora apresentado remetese ao artigo 418 do RIR Decreto 3000/99, pois as baixas dos softwares correspondiam às hipóteses abaixo: Desgaste/Obsolescência normal do próprio sistema; "Descontinuidade do negócio", aplicandose a sistemas em produção (não ativados) ou ainda não obsoletos. Tais baixas justificamse pela decisão em migrar a plataforma dos sistemas BSB para a nova Base Tecnológica do Grupo. Apresentou o documento intitulado "Integração Tecnológica PDI 2004 2006 Santander Banespa" e podese visualizar a chamada "Integração Tecnológica", que em apertada síntese, correspondeu à unificação de sistemas computadorizados de quatro instituições financeiras independentes, componentes do conglomerado financeiro Santander Banespa, de um lado o Banco Banespa 033 e de outro os Bancos Meridional 008 Santander Brasil 353 e Santander S.A. 351. Por decisão estratégica do grupo, esta unificação de plataformas se deu como ato preparatório para a unificação jurídica verificada em 31 de agosto de 2006. A base sistêmica utilizada foi a do Banespa, que era o maior banco do grupo e que já vinha recebendo investimentos de atualização. Apresentou ainda o documento "Levantamento das Informações do Ativo Diferido", de autoria de FLP Assessoria e Serviços Contábeis S/C LTDA, onde demonstra a conciliação dos registros contábeis com o controle patrimonial dos bens Departamento de Patrimônio Sispro e Tecnologia (fls. 392411). Ainda com o objetivo de se esclarecer o chamado processo de integração tecnológica formalizouse nova intimação, tendo sido parcialmente atendida com a informação de que processo de modernização foi implementado no Banespa, que assumiu os custos de desenvolvimento e implantação, os quais foram registrados no seu Ativo Diferido, como de sua propriedade e titularidade, e passaram a ser amortizados a partir do momento de sua efetiva utilização. Verificouse que o valor total dos itens "em curso" apurados pelo relatório analítico importou em R$17.048.839,59, valor este compatível com o contabilizado. Todavia, esta baixa de bens é indedutível, pois ficou demonstrado que as despesas deduzidas pelo BSB, classificadas como "em curso" não foram usuais ou necessárias, uma vez que todo o custo do processo de integração tecnológica foi suportado pelo Banespa. Considerouse, para os demais bens baixados, incorreto o valor residual constante da planilha individualizada, por se referir à data base de 31 de dezembro de 2005, sendo que entre esta data e a data da efetiva baixa, em 27 de abril de 2006, houve lançamento de amortização complementar, que não foi considerada na determinação do valor residual e, portanto, sujeita a glosa. Fl. 10945DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.946 5 Do Direito Aplicado Há que se questionar a classificação contábil utilizada pelo BSB no lançamento da baixa de bens do Ativo Permanente, COSIF 8.3.9.10.007 "PERDAS DE CAPITAL", classificada no grupo de despesas não operacionais. Segue a função da conta, de acordo com Plano Contábil das Instituições Financeiras – COSIF: PERDAS DE CAPITAL 8.3.9.10.007 Função: Registrar as perdas de capital suportadas em decorrência de redução da percentagem de participação no capital social de sociedade coligada e controlada e outras insubsistências ativas, bem como quaisquer superveniências passivas. Esta conta requer os seguintes subtítulos de uso interno: Insubsistências Ativas Superveniências Passivas Outras Perdas de Capital Nos subtítulos Insubsistências do Ativo e Superveniências do Passivo registramse as perdas em decorrência de fatos eventuais que independem de atos da gestão administrativa. A redução de percentagem de participação no capital social de coligadas e controladas registramse no subtítulo Outras Perdas de Capital. Base Normativa: (Circ 1273) Concluiuse pela incorreção do procedimento do BSB, pois a baixa efetuada não se enquadra nas possibilidades indicadas. Analisouse a possibilidade de o enquadramento se dar no COSIF 8.3.1.50.001 PREJUÍZOS NA ALIENAÇÃO DE VALORES E BENS função da conta a seguir indicada: PREJUÍZOS NA ALIENAÇÃO DE VALORES E BENS 8.3.1.50.001 Função: Registrar os prejuízos ocorridos na alienação eventual de bens móveis, imóveis e valores de propriedade da instituição. Base Normativa: (Circ 1273) A impossibilidade de enquadramento nesta rubrica é decorrente de que, não se trata o caso de alienação, mas sim de baixa, e que ambos os títulos estão no grupo de "Despesas Não Operacionais". Da apuração da Base de Cálculo Para fins de determinação do valor da despesa de depreciação contabilizada em duplicidade, atualizamos a planilha analítica (fls. 417 478) mediante a complementação da depreciação, de cada item individual componente do grupo de bens ativados, à razão de 1/60 do valor original por mês, conforme disposto na Instrução Normativa SRF n° 04/85, ajustando para os casos em que o valor residual, em 31 de dezembro de 2005 era inferior ao calculado: o valor do ajuste assim calculado importou em R$6.303.852,42. O procedimento do BSB se caracterizou por utilização de taxa de depreciação incompatível com as disposições legais, conforme § 1o do artigo 310 do RIR/99. O valor a ser glosado é igual a R$6.303.852,42, devendo ser adicionado ao Lucro Real nos termos do artigo 249, inciso I do RIR/99. Quanto aos bens classificados como Fl. 10946DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.947 6 "em curso", o valor a ser glosado, conforme quadro resumo, é igual a R$17.048.839,59, devendo também ser adicionado ao Lucro Real. Resumo dos valores glosados por tipo de infração: Infração Valor glosado – R$ Excesso de depreciação 6.303.852,42 Despesas classificadas como “Em curso” 17.048.839,59 Total 23.352.692,01 INFRAÇÃO N° 2 Perdas em Operações de Crédito Não observância dos requisitos de dedutibilidade Divergência de valores Exclusão indevida do Lucro Real. Descrição dos fatos Na Demonstração de Apuração do Lucro Real, o contribuinte excluiu o valor de R$162.358.682,94 Ficha 09 B Linha 29, Perdas Dedutíveis em Operações de Crédito. Intimado a apresentar relatório analítico contemplando os critérios legais para dedutibilidade, individualizando os valores deduzidos, apresentou em 30 de maio de 2011 planilhas com os títulos "Final 5207", "Final 5152" e "Final LY", com valor total compatível com o lançado na DIPJ, conforme resumo a seguir: Planilha Valores – R$ Final 5207 67.373.115,56 Final 5152 61.176.973,80 Final LY 33.816.487,56 Total 162.366.576,92 Com base nestes relatórios analíticos, foi extraída amostragem solicitando os documentos comprobatórios de medidas administrativas ou judiciais, conforme o caso, que suportassem tal dedutibilidade. Esta amostragem foi da ordem de 10% (dez por cento) do valor excluído como perda Termo de Intimação Fiscal n° 05 de 16/06/2011. Verificase, para os casos amostrados, divergência significativa entre os valores baixados e os indicados como lançados em crédito em liquidação (CL), bem como diversas situações em que a documentação relativa a cobrança administrativa ou judicial não dava suporte às baixas. Não foram consideradas, como documentação comprobatória hábil, telas de sistema, pois não é possível identificar o BSB como detentor do crédito baixado como perda, bem como as providências administrativas e os valores deduzidos. Esta condição está indicada na planilha de amostragem, campo "Empresa" = "Tela". Elaborouse nova planilha e nova intimação com vistas a esclarecer a divergência entre os valores contabilizados e os efetivamente baixados (fls.11321137). A entrega da documentação comprobatória solicitada somente foi complementada conforme expediente resposta em 22 de agosto de 2011 (fls.1139 1140). O BSB encaminhou novo arquivo digital com novos contratos para as listagens final 5207 e 5152. Complementando as informações, apresentou em 24 de agosto de 2011, um quadro resumo das alterações levadas a efeito e a indicação da diferença de Rendas a Apropriar RAP contabilizadas no primeiro relatório. Em resumo, dos 15871 contratos no valor de R$128.550.089,36 apresentados no primeiro relatório, excluiu 2219 contratos no valor de R$51.558.548,79 e R$ 31.312.757,98 a título de RAP e, Fl. 10947DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.948 7 acrescentou 11.383 novos contratos no valor de R$82.825.406,56, perfazendo um novo valor de R$128.504.189,15. Apresentou ainda tabelas com a descrição de códigos de garantias e de produtos que não constaram na listagem original. Da Legislação aplicada Em relação à aplicabilidade do art. 299 do RIR/99, esta é uma regra geral que regula a dedutibilidade de todas as despesas operacionais da pessoa jurídica, enquanto os arts. 9o a 12 da Lei n° 9.430/1996 são normas específicas, que tratam das perdas no recebimento de créditos DECORRENTES DAS ATIVIDADES DA PESSOA JURÍDICA. Em outras palavras, os arts. 9o a 12 anulam a norma mais geral do art. 299, dela subtraindo uma parte da sua matéria para submetêla a uma regulamentação diferente. Por conseguinte, como as perdas são decorrentes das atividades de concessão de créditos e financiamentos a seus clientes, não há que se falar em dedutibilidade nos termos do art. 299, mas sim das normas específicas, em virtude do princípio ex specialis derrogat generali. A Lei n°9.430, de 27/12/1996, introduziu novas regras para o reconhecimento de perdas no recebimento de créditos, substituindo a sistemática anterior de provisionamento baseado em percentuais e médias históricas (a provisão para créditos de liquidação duvidosa PCLD). A partir de sua edição, as deduções passaram a ser efetuadas conforme as perdas efetivamente ocorrem, havendo ainda a autorização para a dedução da perda segundo outros critérios, conforme previsto no artigo 9o do citado diploma legal. O art. 28 da Lei n° 9.430/1996, por sua vez, estende as novas regras também para a apuração da base de cálculo e o pagamento da CSLL. Ao justificar as deduções das perdas, o interessado faz referência a situações em que as garantias inicialmente mencionadas nos contratos revelaramse posteriormente inexistentes. Mesmo nestes casos, devem ser obedecidos os critérios objetivos definidos pelo legislador que, no § 3°, do art. 9°, da Lei nº9.430/1996, explicitou que considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais. A Lei adotou, como critério objetivo para classificar o crédito garantido, o definido segundo a proveniência do crédito. Destarte, o crédito deve ser classificado como garantido ou não, conforme a operação que lhe deu origem.Se o contrato celebrado previa garantia real, há que ser considerado como tal, independentemente de como evoluir o respectivo processo de cobrança, mesmo que a garantia dada se revele posteriormente indisponível ou inexistente. E, tratandose de crédito garantido, deve ser observado o prazo de dois anos após o vencimento, para ser considerado perda dedutível. Em nenhum momento questionouse a indicação dos contratos apresentados no primeiro relatório analítico, solicitado através do Termo de Intimação Fiscal n° 2, de 25 de março de 2011, apresentado apenas em 30 de maio de 2011, tomados como corretos. Apenas se questionou quanto ao enquadramento legal utilizado pelo BSB, na baixa de contratos com garantia real em prazo inferior a dois anos Termo de Intimação Fiscal n°5, de 16 de junho de 2011, expediente resposta em 07 de julho de 2011 e, com base na amostragem realizada através do mesmo Termo de Intimação Fiscal, atendida parcialmente em vários expedientes a partir de 01 de julho de 2011 até 08 de agosto de 2011, quanto aos valores de CL, para todos os contratos. Fl. 10948DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.949 8 Estes trabalhos, em relação à listagem original, já foram realizados por parte desta fiscalização, com muita dificuldade por demora, incorreções e ausência de apresentação da documentação e informações requisitadas. Este procedimento encontra amparo no §2o do artigo 38 e artigo 39 da Lei 9.784/99. Da apuração da base de cálculo 1. (5.3.1) Contratos com garantia real baixados antes do prazo de dois anos Conforme quadro resumo elaborado (fl.2301), são indedutíveis as perdas que possuam garantias reais, baixados antes de dois anos, códigos: 2 Nota Promissória, 6 Alienação Fiduciária Veículos, 7 Duplicata Mercantil, 8 Duplicata de Serviço, 9 – Penhor, 12 Penhor Mercantil, 15 Penhor de Direito, 19 Cheque Pré Datado e 47 Alienação Fiduciária (outros bens), respectivamente no valor de R$3.650.208,06 Listagem 5207 e R$47.961.706,08 Listagem 5152, totalizando o valor de R$51.611.914,14. 2. (5.3.2)Contratos baixados antes do prazo legal Também indedutíveis as perdas acima de R$5.000,00 e inferior ou igual a R$30.000,00 baixadas em prazo inferior ou igual a 1 ano, R$49.647,20 Listagem LY. 343190187 424 31//08/20 05 6.737,31 365 INDEDUTÍVEL PRAZO IGUAL A 1 ANO 307822957 150 31//08/20 05 7.364,83 365 INDEDUTÍVEL PRAZO IGUALA 1 ANO 343170312 155 31//08/20 05 7.619,15 365 IN DEDUTÍVEL PRAZO IGUAL A 1 ANO 332653302 424 31//08/20 05 11.428,01 365 INDEDUTÍVEL PRAZO IGUAL A 1 ANO 2030130001121 173 31//08/20 05 16.497,90 365 INDEDUTÍVEL PRAZO IGUAL A 1 ANO 3. (5.3.3)Contratos amostrados com insuficiência de comprovação, não comprovados e/ou com divergência de valor – listagem final 5152 e 5207 Considerando que o BSB não apresentou quaisquer justificativas para as inconsistências apontadas na planilha de amostragem, limitandose à apresentação de documentos considerados insuficientes por esta fiscalização e com base na planilha de amostragem atualizada com a análise da documentação apresentada, elaboramos o quadro resumo: GARANTIA REAL CONCLUSÃO AUDÍTORIA NÃO SIM Total Resultado Dados COMPROVA DO COMPROVAD O COM DIVERGÊNCIA DE VALOR NÃO COMPROVAD O COMPROVAD O COM DIVERGENCIA DE VALOR NÃO COMPROV ADO Soma Valor 497.877,65 4.873.674,59 1.965.938,71 2.955.660,82 373.476,50 10.666.628,2 7 Soma VALOR CL 503.311,78 2.570.162,74 360.655,24 1.512.939,59 104.454,20 5.051.523,55 Soma Valor 1.246.815,03 34.439,60 1.281.254,63 Soma VALOR CL Soma Valor 1.993.335,79 2..012.426,5 9 4.005.762,38 Soma VALOR CL 497.877,65 4.873.674,59 5.206.089,53 2.955.660,82 2.420.342,69 15.953.645,2 8 Fl. 10949DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.950 9 503.311,78 2.570.162,74 360.655,24 1.512.939,59 104.454,20 5.051.523,55 O valor a ser glosado para as perdas sem garantia real, amostradas em relação ao excluído na apuração do Lucro Real é igual a R$5.206.089,53, referente aos casos em que não houve entrega de documentos ou a comprovação foi considerada insuficiente, mais R$2.303.511,85 (R$4.873.674,59 R$2.570.162,74), relativo aos casos em que houve a comprovação documental, mas com divergência de valor entre o baixado e o contabilizado como perda em CL, num total de R$7.509.601,39. Quanto aos valores com garantia real amostrados, já foram integralmente baixados conforme subitem 1 e deixam de ser incluídos neste subitem para evitar duplicidade de glosa. Pelos mesmos critérios dos créditos "sem garantia real" deveriam ser glosados os valores de R$2.420.342,69 e R$1.443.721,23 (R$2.955.660,82 R$1.512.939,59). 4. (5.3.4) Contratos amostrados com insuficiência de comprovação, não comprovados – listagens final LY A amostragem relativa a listagem final LY foi a que apresentou maiores problemas de comprovação, apenas dois de quarenta e oito casos foram julgados satisfatórios, outros dois foram julgados comprovados com valor a menor, e os demais, como não comprovados, conforme tabela a seguir: DEMONSTRATIVO DA GLOSA VALORES R$ TOTAL AMOSTRADO 933.493,65 TOTAL COMPROVADO 16.242,00 COMPROVAÇÃO A MENOR 7.014,56 TOTAL GLOSADO 910.237,09 5.(5.3.5) Glosa relativa à divergência de valor relativa a contratos não amostrados – listagens final “5152” e “5207” Considerando o não atendimento do item 3, do Termo de Intimação Fiscal n° 8 indicação dos valores de CL, relativos a cada contrato lançado em perdas e tendo em vista a afirmação do BSB que “em relação às informações do sistema AN/EN. nas operações de crédito processadas, foi incluído indevidamente o saldo dos encargos financeiros incidentes sobre o crédito (rendas a apropriar) incorridos após dois meses do vencimento", expediente resposta de 22 de agosto de 2011, configurase para todos os contratos, divergência a maior entre o valor baixado e o lançado entre CL, constatação esta a partir da análise dos contratos amostrados. Com base nos contratos amostrados, foi estimado o montante de "rendas a apropriar" indevidamente incluídas e, portanto, sujeitas a glosa, conforme segue. Cabe ressaltar que este ajuste não será aplicado aos contratos já incluídos nos itens 5.3.1 a 5.3.4, cujas glosas já estão neles consideradas, não cabendo qualquer ajuste adicional. Com base nos contratos amostrados nas listagens 5207 e 5152 considerados por esta fiscalização como "comprovados com divergência de valor" apuramos o índice a ser aplicado aos demais contratos, inclusive aos da listagem LY, índice este obtido a partir dos valores indicados no item 5.3.3, para os contratos sem garantia, conforme tabela a seguir: índice de ajuste Valores – R$ valor original 4.873.674,59 valor comprovado com divergência 2.570.162,74 valor rendas a 2.303.511,85 Fl. 10950DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.951 10 apropriar índice a aplicar 47,26% Demonstrativo de Cálculo – R$ Relatório Total Glosa 5.3.1 Glosa 5.3.2 Total s/ garantia real amostrado 5.3.3 Total amostrado 5.3.4 Saldo a ajustar “Rendas a apropriar” Cálculo do ajuste 47,26% 5207 67.373.115,56 3.650.208,06 3.155.889,58 60.567.017,92 28.623.972,67 5152 61.176.973,80 47.961.706,08 7.421.752,19 5.793.515,53 2.738.015,44 LY 33.816.467,48 49,647,20 933.493,65 32.833.326,63 15.517.030,17 Total resultado 162.366.556,84 51.611.914,14 49,647,20 10.577.641,77 933.493,65 99.193.860,08 46.879.018,27 Com base nos cálculos acima, o valor a ser glosado pela baixa indevida de "Rendas a Apropriar", calculadas após 60 dias do vencimento do contrato é igual a R$46.879.018,27. Sendo assim, elaborouse o quadro resumo das glosas, a seguir: Item glosado Valores – R$ GLOSA 5.3.1 51.611.914,14 GLOSA 5.3.2. 49.647,20 GLOSA 5.3.3 7.509.601,39 GLOSA 5.3.4 910.237,09 GLOSA 5.3.5 46.879.018,27 GLOSA TOTAL 106.960.418,09 INFRAÇÃO N° 3 Prejuízos em operações que se caracterizam como de arbitragem em Bolsas no Exterior prejuízos não dedutíveis Descrição dos fatos Foi selecionada para auditoria a operação envolvendo a negociação de "ADRS AÇÕES", cujo espelho nos registros contábeis do BSB apresentase a seguir: Val VALORES ESCRITURADOS EM AGOSTO/2006 conta cosco conta cosif desc conta cosif conta joadrcconta padrão <tesc_ddesc. . conta padrão agosValor – R$ 7199900 9 OUTRAS RENDAS OPERACIONAIS 876488 OUT RDS OPCONV VAR CB ADRS ACOES 301.862.736,00 7151500 5 RENDAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS NO EXTERIOR 864521 RDS TRFACOES ADRS 37.349.557,00 8153000 1 PREJUÍZOS COM TÍTULOS DE RENDA VARIÁVEL 964738 PREJ C/ ADRS ACOES 22.295.470.00 8199900 6 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS 946604 DESP CONV V CAMBIALADRS ACOES 299.709.188,00 8199900 6 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS 946602 DESP CUST ADR 3.000.732.00 Regularmente intimado a esclarecer a natureza das operações envolvendo "ADRS AÇÕES", bem como a sua movimentação mensal, o contribuinte atendeu parcialmente em expediente datado de 13 de junho de 2011, com entrega de arquivos magnéticos e informou o que segue: Fl. 10951DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.952 11 "Esclarecemos que a operação de ADRS praticadas pelo Banco Santander 61.472.676, consistia em comprar e vender ações de uma determinada empresa em mercados distintos (Bovespa /NYSE NY). O Santander não possuía ADRS em carteira, apenas realizava operações de compra e venda no mesmo dia, que era chamada de "operação de arbitragem", onde como investidor comprava as ações na Bovespa efetua sua conversão no mesmo momento na Bolsa de NY, ou vice e versa." (destaque do original) Novamente intimado a esclarecer acerca do produto e a trazer o esquema de contabilização utilizado para o registro das operações, apresentou as funções das contas e esquemas contábeis, bem como esclarecimentos adicionais, conforme segue: "American Depositar/Receipts (ADRs), são certificados de ações, emitidos por bancos americanos, com lastro em papéis de empresas brasileiras. Só pode comprar e vender ADRs os investidores que têm conta no exterior (pessoa física ou jurídica). A abertura da conta é lícita, desde que seja declarada e respeite as regras de tributação. O envio de dinheiro para o exterior só pode ser feito através das instituições financeiras credenciadas a operar câmbio e, se montante ultrapassar US$ 10 mil, o banco Central deverá ser informado. Em 2006 o BSB praticava a operação de arbitragem, aquela no qual o Investidor percebe distorções entre o preço de um mesmo ativo em dois ambientes de negociação distintos e se beneficia disso, ou muitas vezes aufere prejuízo, (destaque do original) Exemplo: se o preço das ações de uma empresa (depois de aplicado o fator de conversão para a ADR e depois para dólar) é de US$ 20 no Bovespa e de US$ 21 nos Estados Unidos, há uma oportunidade de comprar aqui, efetuar a conversão e vender lá no mesmo momento, auferindo a diferença. No CD anexo temos duas operações efetuadas ago/2006 detalhadas e o esquema contábil. Indicamos a natureza dos títulos negociados, que eram ações de empresas brasileiras que o Banco possuía em sua carteira cujos emitentes eram pessoas jurídicas não vinculadas ao BSB." O esquema contábil relativo ao registro de prejuízos da venda de ADRS na Bolsa de New York, é a seguir transcrito: 22 AD R Baixa da Operação Venda de ADRS (Bolsa de New York) Prejuízo na Venda de ADRS 2788 2788.23 – Prejuízo na Venda de ADRS 6536 DO 8.1.5.30.00. 1/0805 Desp. Oper./Result. Trans. T.V.M./Prej.c/T.R. V./ Prejuízo c/ Ações ADRS O BSB deduziu na apuração do Lucro Real, no período em análise, o valor de R$22.295.470,00 conta interna 964738, COSIF 8.1.5.30.001 Prejuízos com Títulos de Renda Variável, dedução esta considerada incorreta por esta fiscalização conforme demonstrado a seguir. Da legislação aplicada A matéria é regulada pelo artigo 396 do RIR/99. Pelas próprias afirmações do BSB, as operações envolvendo ADRS não se caracterizam como "de cobertura hedge". Fl. 10952DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.953 12 Quanto à natureza de suas operações com ADRS, apresentase excerto de artigo intitulado "Derivativos financeiros: hedge, especulação e arbitragem de autoria de Maryse Farhi, publicado em Economia e Sociedade, Campinas, (13): 93114, dez. 1999." que apresenta a diferenciação entre as operações de cobertura e as de arbitragem, de modo a dirimir qualquer dúvida em relação ao praticado pelo BSB: "1. O hedge 1.1. As operações de cobertura de riscos As operações de cobertura de riscos (hedge) consistem, essencialmente, em assumir, para um tempo futuro, a posição oposta à que se tem no mercado à vista. A operação de cobertura de riscos do produtor (no caso do mercado de commodities) ou do agente que tenha uma posição comprada no mercado à vista é denominada de hedge de venda. O risco desse agente consiste na queda dos preços; para protegerse desse risco, ele deve efetuar uma operação de venda nos mercados de derivativos. No caso do transformador (também, no mercado de commodities) ou de todo agente com posição vendida no mercado à vista, a operação de cobertura é chamada de hedge de compra, já que seu risco é de uma alta dos preços contra o qual ele se protege assumindo posição comprada nos mercados de derivativos. 3.A arbitragem 3.1. Correia de transmissão As operações de arbitragem são compostas de duas pontas opostas seja no mesmo ativo com temporalidade diferente (cash and carry), seja em praças diferentes, envolvendo derivativos diferentes, seja ainda em ativos diversos mas com um determinado grau de correlação nos movimentos de seus preços. Elas visam tirar proveito de distorções nas relações dos preços. Se uma das pontas é liquidada e a outra mantida em aberto, a operação passa a ser especulativa." Concluise que os prejuízos em operações com ADRS do BSB são enquadradas no §2o do artigo 396 do RIR/99 e, portanto, indedutíveis. Da base de cálculo para o lançamento A base de cálculo para o lançamento é de R$22.295.470,00 conta interna 964738, COSIF 8.1.5.30.001 Prejuízos com Títulos de Renda Variável que apresenta a totalidade dos valores registrados nesta rubrica contábil. INFRAÇÃO N° 4 Prejuízos por desfalque, apropriação indébita e furto ausência de comprovação despesas indedutíveis Descrição dos Fatos Selecionada para auditoria, a verificação da dedutibilidade de prejuízos por desfalque, apropriação indébita e furto, cujos valores escriturados pelo BSB se encontram resumidos no quadro a seguir: SALDO DAS CONTAS EM 31/08/2006 C0SIF CONTA INTERN A NOME DA CONTA R$ TIPO DE FRAUDE CAUSA 8.3.9.10.0 07 994231 FRAUDESCHEQUES CONTESTADOSOC ESP 143.378,45 Operacional Terceiros 8.3.9.10.0 07 994232 FRAUDESSAQUES CONTESTADOSOC ESP 375.449,40 Eletrônica Terceiros Fl. 10953DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.954 13 8.3.9.10.0 07 994233 FRAUDESABERT CTAS DOC FRAUDOC ESP 315.186,06 Operacional Terceiros 8.3.9.10.0 07 994234 FRAUDESCDCE LEASING 1.290.395,44 Operacional Terceiros 8.3.9.10.0 07 994236 FRAUDESOPERACOES DE CREDITO 171.271,09 Operacional Terceiros 8.3.9.10.0 07 994240 FRAUDESDEPÓSITOS E CREDÍTOS 6.423,00 Operacional Terceiros 8.3.9.10.0 07 994245 FRAUDESFUNCIONARIOS 17.358,77 Interna Empregados 8.3.9.10.0 07 994246 FRAUDESBANCO ELETRÔNICO 774.338,44 Eletrônica Terceiros 8.3.9.10.0 07 994247 FRAUDESOUTROS 67.585,52 Operacional Terceiros 8.3.9.10.0 07 994248 DESP C/ROUBOS, FURTOS E SEQUESTROS 274.655,70 Operacional Terceiros 8.3.9.10.0 07 994260 FRAUDES SUPERLINHA 18.340,48 Eletrônica Terceiros TOTAL 3.454.382,35 O contribuinte apresentou documentação: boletins de ocorrência e relatórios operacionais, relativos ao indicado na tabela acima, como "fraudes eletrônicas". Além disso, complementou as informações acima com a conciliação destas despesas com a respectiva DIPJ e apresentou uma amostragem com quatro dossiês relativos a diferentes tipos de ocorrências, bem como relatórios analíticos de ocorrências e respectiva tabela de códigos, e informou o que se segue: "Ressaltamos que se houver necessidade da disponibilização de todos os documentos relativos os dossiês das Fraudes Operacionais do BSB, que correspondem a aproximadamente 25 caixas de arquivo morto, por gentileza, avisenos para que possamos colocálos a disposição da Fiscalização em nossa sede CASA3 Interlagos." Com base na análise dos dossiês amostrados e não tendo sido localizado, em qualquer um dos quatro dossiês, a documentação comprobatória indispensável, qual seja, o Boletim de Ocorrência de autoria do BSB, expediuse nova intimação reiterando a solicitação da documentação, prevista na legislação vigente para suportar os prejuízos deduzidos. Em expediente resposta datado de 12 de agosto de 2011, informou: " como procedimento interno, os processos contabilizados como Fraudes Operacionais possuem suporte no respectivo Boletim de Ocorrência Policial instaurado pelos respectivos reclamantes, conforme evidenciado nas amostras disponibilizadas a essa Fiscalização: há casos onde os processos contabilizados como Fraude não possuem amparo de Boletim de Ocorrência Policial instaurado pelo reclamante, pois as despesas incorridas estão devidamente respaldadas: a) nos respectivos processos judiciais cíveis (ex: Ação de Indenização, Ação Penal Privada, etc); e b) nos processos administrativos decorrentes de ocorrências/reclamações efetuadas junto aos órgãos de defesa do cliente bancário (BACEN e PROCON). Informamos que para os casos de Fraudes Operacionais não possuímos o Boletim de ocorrência Policial Global, por entender que os documentos acima estão em conformidade com o exigido pelo artigo 364 do Decreto 3.000/99.” Fl. 10954DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.955 14 Ao contrário do alegado pelo BSB, é indispensável o Boletim de Ocorrência de sua autoria. E, nos casos em que haja este documento, que seja de sua autoria e não de terceiros, conforme demonstrado a seguir. Da legislação aplicada A matéria é regulamentada pelo artigo 364 do RIR/99. Ausente a queixa perante a autoridade policial, obviamente se torna indedutível a despesa, sendo que para todos os casos de fraudes consideradas do tipo "operacionais", causados por terceiros, o BSB não apresentou estes documentos, pelo que deve haver a glosa total dos valores lançados nas respectivas contas. Da base de cálculo A base de cálculo a ser adicionada na apuração do Lucro Real e da CSLL é de R$2.268.895,26, conforme demonstrado na planilha a seguir: CONTA INTERNA NOME DA CONTA SALDO EM 31/08/2006 R$ 994231 FRAUDESCHEQUES CONTESTADOSOC ESP 143.378,45 994233 FRAUDESABERT CTAS DOC FRAUDOC ESP 315.186,06 994234 FRAUDESCDC E LEASING 1.290.395,44 994236 FRAUDESOPERACOES DE CREDITO 171.271,09 994240 FRAUDESDEPÓSITOS E CRÉDITOS 6.423,00 994247 FRAUDESOUTROS 67.585,52 994248 DESP C/ROUBOS, FURTOS E SEQUESTROS 274.655,70 VALOR TOTAL DE GLOSA DE DESPESAS COM FRAUDES 2.268.895,26 INFRAÇÃO N° 5 Amortização de ágio decorrente de incorporação de empresa controlada sem fundamentação em rentabilidade futura Despesa indedutível Descrição dos Fatos O BSB deduziu da apuração do Lucro Real, no período em análise, o valor de R$59.378.852,46 conta interna 992358, COSIF 8.1.8.10.006, "DESP AMORT INVESTIMENTOS". Regularmente intimado a esclarecer e apresentar documentação comprobatória que suportasse tal dedução, e duas vezes reintimado, apenas prestou esclarecimentos e anexou documentação, a saber: "Contrato de Compra e Venda de Ações e Segundo e Terceiro Instrumentos de Alteração", cópias de cheques e lançamentos bancários relativos à parte dos pagamentos referentes a compra do Noroeste, "Relatório de Avaliação do Banco Santander Noroeste S.A. e do BSB de autoria de KPMG Corporate Finance emitido em 30 de junho de 1999" e "Apresentação Especial Revisão Análise de Oportunidade de Investimento Banco Santander Brasil, de 18 de julho de 1997, autoria de BoozAllen & Hamilton". Da análise destes documentos identificouse que a origem do ágio foi decorrente do objetivo de aquisição do controle acionário do então Banco Noroeste S.A. doravante BN pelo então denominado Banco Geral do Comércio S.A., posteriormente BSB. Para a consecução de seu objetivo, o BSB realizou, a partir de 1997, uma série de eventos societários que culminou, em meados de 1999, com a incorporação do BN, posteriormente Banco Santander Noroeste S.A., doravante BSN pelo BSB. Fl. 10955DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.956 15 O controle acionário do BN era detido por três empresas holding distintas, a saber: Comercial e Administradora Zileo S.A. CNPJ 60.830.338/000100, doravante ZILEO, Joisa S.A. Comércio e Administração CNPJ 60.800.331/000138, doravante JOISA e Wasinco S.A. CNPJ 53.633.988/000192, doravante Wasinco. Além destas três empresas holding, havia ações do BN de propriedade de diversas pessoas físicas e jurídicas, que foram objeto de negociação. Conforme informado, através de "Contrato de Compra e Venda de Ações", o então Banco Geral do Comércio S.A., cujo controle passou ao grupo Santander no decorrer do processo, adquiriu a totalidade das ações das três empresas holding e também ações de emissão do BN de propriedade de terceiros, processo este concluído em 27 de março de 1998. Ao adquirir as ações da holding, o BSB adquiriu indiretamente ações do BN, pois estes ativos compunham exclusivamente o patrimônio das três empresas holding. Demonstrase a apuração do ágio, data base de 27 de março de 1998, no valor de R$445.341.396,66, em 4 contas internas, a saber: ZILEO –365131, no valor de R$150.613.112,74; JOISA – 365133, no valor de R$150.593.742,38; WASINCO – 365136, no valor de R$134.267.669,33 e NOROESTE – 365129, no valor de R$9.866.872,21 COSIF 2.4.1.10.000 "Ágios de Incorporação". Reproduzimos a seguir a informação relativa à sequência dos eventos: "Em dezembro de 1998 o BSB incorporou as holdings Zileo, Wasinco e Joisa, passando a deter todo o investimento no BN mediante participação direta. Em junho de 1999, o BSB incorporou o BN. Quando da aquisição foi efetuado um estudo sobre o BN pela consultoria de investimentos Booz Allen & Hamilton, cujo relatório encontrase em anexo a esta carta, no qual foram elaborados projeções dos resultados futuros do Banco Noroeste, indicando os cenários prováveis de retorno, o que serviu de suporte para a definição do preço das ações do BN. Na incorporação do BN pelo BSB, a empresa independente KPMG Corporate Finance elaborou o laudo de avaliação do BN e do BSB, com base na metodologia de fluxo de caixa futuro descontado, determinado pela projeção de lucros futuros. Referida avaliação fundamentou a relação de troca de ações a preços de mercado, aprovada pelos acionistas de ambos Bancos em Assembleia Geral Extraordinária. Ambos os estudos indicaram o valor do BN com base na projeção de lucros futuros do BN, de modo a fundamentar economicamente o ágio gerado pela aquisição direta e indireta das ações do BN, nos termos do artigo 385, parágrafo 2°, inciso II do RIR/99. A partir da aquisição, em março de 1998. o BSB passou a amortizar contabilmente o ágio e a despesa foi tratada como indedutível. para fins de apuração do Imposto de Renda (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro (CSL). sendo controlada na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). nos termos do artigo 391, RIR/99, (destaque do auditor) Após a incorporação do BN pelo BSB, a amortização contábil do ágio passou a ser deduzida fiscalmente para fins de apuração do IRPJ e CSL. Adicionalmente, foi feita uma exclusão fiscal às bases de cálculo do IRPJ e da CSL referente ao ágio adicionado, controlado na parte B do LALUR. A amortização contábil e a exclusão fiscal, em cada mês de apuração, respeitaram o limite de 1/60 avos, nos termos do artigo 386, III do RIR/99. Fl. 10956DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.957 16 Em 2006, o ágio foi amortizado contabilmente na razão de 1/60 no mês no valor de R$ 7.422.356,61, ou R$ 59.378.852,89 no período de janeiro a agosto de 2006." Apesar de não haver apresentado escrituração contábil, nem a documentação societária relativa aos eventos societários, tais como atas de assembleias, protocolos, pela análise do encadeamento dos fatos e do documento denominado "Análise de Oportunidade de Investimento" há elementos de convicção suficientes para considerar indevida a dedução do ágio na forma realizada pelo BSB, conforme demonstrado a seguir. Da Legislação Aplicada Uma vez que o ágio deduzido foi apurado quando da aquisição das participações societárias nas empresas holding e de outros investidores, tornamse irrelevantes os eventos posteriores, especialmente a incorporação do BN pelo BSB, verificada em junho de 1999. Apesar de apresentado laudo de avaliação, datado de 30 de junho de 1999, que pretensamente determina um valor do BN em junho de 1999, com base em previsão de rentabilidade futura, não há registro pelo BSB de qualquer ágio apurado neste evento. O registro de ágio em questão se refere a outro evento que deve ser analisado isoladamente. A estratégia adotada pelo BSB para o controle do BN se caracterizou por um planejamento tributário, com vistas apenas à obtenção de benefícios fiscais: bastaria a compra direta das ações do BN de propriedade das empresas holding para que o BSB assumisse seu controle societário, sendo totalmente dispensável a compra das ações das holdings e sua posterior incorporação, para a consecução desse objetivo. O cerne da questão é a verificação dos procedimentos do BSB, quando da aquisição das participações societárias nas holdings, momento em que a legislação determina que seja apurado qualquer tipo de ágio e, dos prérequisitos para a sua classificação em qualquer uma das três possibilidades relacionadas no artigo 385 do RIR/99, bem como dos prérequisitos necessários para usufruir do benefício fiscal de amortização em caso de incorporação indicado no inciso III do artigo 386 do mesmo diploma legal. Apesar do evento em questão haver ocorrido na vigência do RIR/94, utilizaremos o RIR/99 que já contemplou a legislação superveniente que regulou a matéria, em seus artigos 385 e 386. O fato gerador da apuração do ágio pelo BSB, quando da aquisição das participações societárias nas empresas holdings e demais controladores e sua contabilização se deu em 27 de março de 1998. Não consta no contrato de Compra e Venda de Ações qualquer indicação do critério utilizado para determinação do valor da transação, assim, o único documento disponível que poderia embasar a natureza do ágio seria o intitulado "Análise de Oportunidade de Investimento" datado de 18 de julho de 1997. Neste documento não identificamos as informações básicas para subsidiar a escrituração do ágio pretendida pelo BSB, quais sejam, o valor do patrimônio líquido atual inciso I do artigo 385 e valor de rentabilidade de controlada/coligada, com base em rentabilidade futura item II do parágrafo 2o do mesmo artigo. Em sua página IV6, há a menção de que em caso de consolidação com o BSB “algumas premissas poderiam ser incorporadas à consolidação", sendo uma delas Fl. 10957DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.958 17 "Depreciação do "Goodwill" e economia fiscal em função da depreciação de "Goodwill”. Entretanto não chega à determinação deste valor. Esta condição é indispensável nos termos do previsto no § 3o do artigo 385 do RIR/99. O BSB pretende indicar que o ágio escriturado, em 1998, se referia a rentabilidade futura nos termos do §2°, inciso II do artigo 385 do RIR/99. Ora, se assim fosse, o próprio BSB não teria considerado este ágio como indedutível, conforme já destacado acima. Ainda que houvesse esta indicação, na apuração do ágio pretendida, constatase que o BSB se utilizou de sociedades distintas, ou seja, deduziu do valor do patrimônio líquido das holdings o pretenso valor presente baseado em rentabilidade futura do BN, em desacordo com a legislação vigente: pelo princípio contábil da Entidade, não há como se misturar duas sociedades distintas na apuração de um mesmo fato econômico, ainda que as holdings, no momento da transação, se prestassem unicamente ao investimento no BN. Ressaltase, ainda, que no encerramento dos anoscalendário 1997 e 1998 o patrimônio líquido do BN Fichas 18 e 19 da DIPJ ND 5013160 era de respectivamente R$468.442.566,96 e R$620.375.375,73, valores estes muito superiores ao utilizado pelo BSB na apuração do ágio, que correspondem aos patrimônios líquidos das holdings incorporadas. Caso fosse possível a amortização do ágio em questão, o momento correto seria quando da incorporação das holdings, ocorrido em 14 de dezembro de 1998 e não quando da posterior incorporação do BN. Ressaltese que, nesta oportunidade, não havia qualquer ágio registrado no ativo das sociedades holdings ficha 18 das respectivas DIPJ de incorporação – ZILEO:ND 3956220; JOISA:ND 3956219 e WASINCO: ND 3956209. Reforça a constatação da indedutibilidade do ágio, o procedimento do BSB em elaborar novo documento em 1999, justamente para subsidiar a sua dedutibilidade: caso o documento de 1998 já contemplasse esta condição, não seria necessário novo documento. Ainda em relação à amortização do ágio, a parcela relativa às ações de emissão do BN, adquiridas diretamente de investidores valor original de ágio conta interna 365129, de R$9.866.872,21 não é passível de dedução, pois foi objeto de aquisição direta de ações e não passou ao patrimônio do BSB por qualquer evento de incorporação. Concluise que não foi comprovada a fundamentação econômica do ágio pretendida pelo BSB, pelo que se considera que a correta fundamentação do ágio oriundo da incorporação das três holdings, se houvesse, seria no mesmo artigo 385, porém em seu inciso III do § 2°, qual seja, "fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas", o que o torna indedutível. Do lançamento relativo ao anocalendário 2005 O BSB deduziu no ano calendário 2005, o valor de R$89.068.279,44, a título de amortização de ágio. A forma de apuração adotada pelo BSB, no anocalendário 2005 foi de Lucro Real anual, conforme DIPJ ND 1345423. Conforme Linha 37 da Ficha 09 B Fl. 10958DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.959 18 demonstração do Lucro Real o BSB apurou, no ano calendário 2005, um prejuízo fiscal de R$84.597.574,73 e base de cálculo negativa da CSLL de R$98.315.700,83 Linha 39 da Ficha 17 B. O IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, uma vez que a lei exige o pagamento antes de qualquer exame por parte da Fazenda Pública. Quanto à regra de decadência aplicável a tais espécies de tributos, há entendimento firmado através do Parecer PGFN N° 1.617/2008, no sentido de que, em havendo pagamento antecipado, a decadência de a Fazenda Pública constituir créditos tributários se dá após cinco anos da data da ocorrência do fato gerador, aplicandose o disposto no § 4o do art. 150 do CTN. Por sua vez, na inexistência do pagamento antecipado, aplica se a regra do art. 173, I, do CTN, independentemente se houve ou não declaração, ocorrendo a decadência também após cinco anos, sendo que contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A interessada não efetuou qualquer pagamento a título de IRPJ ou CSLL relativamente ao anocalendário de 2005, pois não apurou imposto ou contribuição a pagar na apuração anual. Assim, a regra de decadência aplicável ao IRPJ e à CSLL apurado pela interessada no exercício de 2006, anocalendário de 2005 , é a do art. 173, I, do CTN. Dessa maneira, relativamente ao fato gerador ocorrido em 31/12/2005, o lançamento já poderia ter sido efetuado no anocalendário de 2006 e o primeiro dia do exercício seguinte é 1o de janeiro de 2007. Assim, a decadência somente ocorrerá cinco anos após, ou seja, a partir de 1° de janeiro de 2012. Consequentemente, o lançamento poderá ser efetuado até 31/12/2011. Da apuração da Base de Cálculo Tendo sido considerado indedutível o valor escriturado na conta interna 992358, COSIF 8.1.8.10.006, "DESP AMORT INVESTIMENTOS", a base de cálculo para o lançamento do IRPJ e CSLL é: R$89.068.279,44, para o anocalendário 2005; R$59.378.852,46, para o período de janeiro a agosto de 2006; R$14.528.478,46, para o período de setembro e outubro de 2006, contabilizado já na sucessora. Recomposição das compensações de Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo Negativa de Períodos Anteriores Resumo da Fiscalização A seguir, o resumo dos valores apurados por infrações à legislação tributária: RESUMO DAS INFRAÇÕES (valores em R$) INFRAÇÃO Agosto AC 2005 AC 2006 SUCESSORA 1.BAIXA DE SOFTWARES 23.352.692,01 2.PERDAS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITO 106.960.418,09 3.PREJUÍZOS ADR 22.295.470,00 4. PREJUÍZOS POR DESFALQUE 2.268.895,26 5. ÁGIO 59.378.852,46 89.068.279,44 14.528.478,46 TOTAL 214.256.327,82 89.068.279,44 14.528.478,46 Foram reconstituídas, nos termos dos artigos 509 e 510 do RIR/99, as compensações de prejuízos e bases de cálculo negativas dos anoscalendário 2005 e Fl. 10959DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.960 19 2006 do BSB, já considerado o ajuste efetuado por meio do auto de infração de número 16327.000482/200811. AJUSTES DOS PREJUÍZOS FISCAIS E DAS BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS – R$ AJUSTES COMPENSAÇÕES IRPJ CSLL RESULTADO DIPJ AC 2005 84.597.574,73 98.315.700,83 AJUSTES AUTUAÇÃO 89.068.279,44 89.068.280,44 RESULTADO AC 2005 AJUSTADO 4.470.704,71 9.247.420,39 LIMITE COMPENSAÇÃO 30% 1.341.211,41 0,00 SALDO A COMPENSAR 31/12/2004 7.956.152,83 0,00 SALDO DISPONÍVEL EM 31/12/2005 AJUSTADO 6.614.941,42 9.247.420,39 SALDO COMPENSADO 31/08/2006 SAPLI PROCESSO 16327.000482/200811 48.754.274,79 50.917.997,35 EXCESSO DE COMPENSAÇÃO 42.139.333,37 41.670.576,96 DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte foi cientificado das autuações, em 30/08/2011 (fls.2255 a 2264) e apresentou em 28/09/2011, a impugnação de fls. 2327 a 2410, acompanhada dos documentos de fls. 2413 a 4522, com as alegações que se resumem a seguir: DO DIREITO 1. Perda de Capital: Dedutibilidade da Baixa de Gastos com Softwares – Sistemas Logiciais 1.1 Da Estratégia da Integração Tecnológica adotada pelo impugnante e da necessidade de baixar os softwares que se tornaram obsoletos – Ausência de excesso de depreciação No que se refere às glosas de despesas com softwares, descritas no item 4 do Termo de Verificação Fiscal, houve a glosa de despesas do Impugnante referentes à suposta (i) depreciação em excesso no valor de R$6.303.852,42, e (ii) à suposta amortização em duplicidade, quanto aos bens classificados como "em curso", no valor de R$17.048.339,59. Como resultado, o valor glosado foi de R$23.352.692,01. Durante os anoscalendário de 2004 a 2006, o Grupo Santander operacionalizou reestruturações societárias que resultaram na necessidade de revisão das bases tecnológicas adotadas pelos diversos Bancos que passaram a fazer parte do grupo. Concluiuse pela necessidade de integração dos sistemas originários de cada banco, mantendose as partes que eram compatíveis entre si e "baixando" as partes que não atendiam a esse quesito. É equivocada a afirmação da D. Fiscalização de que: "Da leitura do 'caput' do artigo 418 se verifica que nenhuma das situações ali indicadas correspondem ao caso em análise perecimento, extinção, desgaste, obsolecência ou exaustão(...)", mesmo com a apresentação da documentação relativa aos estudos de unificação das plataformas tecnológicas durante a fase de fiscalização. A análise dos documentos societários das incorporações bastaria para se concluir pela necessidade de implantação de novos sistemas operacionais, após as sucessivas incorporações ocorridas. Os documentos apresentados no decorrer da fase de fiscalização são mais do que suficientes para demonstrar que os softwares que o Impugnante (à época, o BSB) detinha antes da incorporação se tornariam ineficazes, e, portanto, obsoletos, diante das novas necessidades que surgiriam com a nova estrutura societária oriunda das incorporações. Fl. 10960DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.961 20 A legislação em vigor não exige o cumprimento de outros requisitos, tais como os laudos técnicos, para que a obsolescência seja configurada. Aguarda o Impugnante que se reconheça a operacionalidade das despesas decorrentes das baixas dos softwares, tendo em vista serem claramente necessárias e usuais à continuidade dos negócios do Impugnante, e normais em situações de reestruturações societárias que envolvam a conglomeração de pessoas jurídicas com sistemas operacionais diferentes entre si. Caso não fossem dedutíveis os valores baixados em razão da unificação dos sistemas, fato é que o Impugnante teria direito à amortização (1/60) nos termos da IN/SRF n° 04/85, resultando, portanto, em uma mera postergação dos impostos, se devidos. 1.2 – Da inexistência de dedução em duplicidade da amortização de software No que tange à suposta dedução em duplicidade das despesas de amortização de software no ano calendário de 2006, de fato, conforme mencionado pelo Sr. Agente Fiscal, o Impugnante baixou o valor de R$58.487.139,42, em abril de 2006. Contudo, o Sr. Agente Fiscal apresenta planilha analítica totalmente diferente do saldo registrado em 2005, decorrente dos gastos de software que se encontravam registrados no ativo do Impugante, o qual supostamente somaria exatamente o total de R$58.487.139,42 (valor coincidente ao valor baixado como perda decorrente da integração tecnológica). Fazse necessário compreender a totalidade dos registros contábeis correspondentes aos gastos com software, divididos em duas categorias: (i) softwares que foram abandonados pelo Impugnante após o procedimento de integração tecnológica; e (ii) softwares que continuaram em uso e assim permaneceram durante os períodos subsequentes. No total, esses gastos perfaziam o valor de R$133.096.220,58 (saldo em 31/12/2005, conforme estudo elaborado pela assessoria contábil). Ocorre que, durante o anocalendário de 2006, foram realizados novos gastos e novas amortizações, bem como a baixa dos gastos correspondentes aos softwares que foram desativados em abril de 2006. Em junho de 2006, o saldo dos gastos com softwares que se encontravam ativados no estoque do BSB perfazia R$76.348.644,82 (valor esse que continuou a ser amortizado, com base na legislação de regência). 2. Prejuízos por Desfalque, Apropriação Indébita e Furto – Comprovação dos Requisitos para a Dedutibilidade Conforme conta no demonstrativo "Consolidado de Fraudes Banespa/Santander 2006", apresentado à Fiscalização, o Impugnante possuiu diversas contas internas para contabilizar as suas fraudes operacionais. Em alinhamento às normas editadas pelo Banco Central do Brasil, o Impugnante possui manual interno de instruções que determina os procedimentos internos padrões que devem ser tomados por seus colaboradores diante da ocorrência da cada tipo de fraude. Para cada ocorrência fraudulenta o Impugnante elabora um procedimento interno de caráter inquisitorial com o intuito de apurar os fatos alegados pelo reclamante. Dentre os diversos documentos que fazem parte desse inquérito interno está o boletim de ocorrência apresentado pelo reclamante. Fl. 10961DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.962 21 Apresentou durante a fase de fiscalização 4 dossiês, comprovando as fraudes sofridas pelo Impugnante. O fato de a Fiscalização não ter analisado pormenorizadamente todos os documentos apresentados pelo Impugnante afronta diretamente o princípio da verdade material e à natureza probatória desses documentos. Não paira nenhuma dúvida de que o Impugnante agiu em conformidade com o que determina o artigo 364 do RIR/99. Verificase que a finalidade de seu comando nada mais é do que condicionar a dedução de despesa com prejuízos com desfalque, apropriação indébita e furto à apresentação da documentação pertinente que as comprove. Existem diversos valores que, apesar de serem contabilizados como fraudes, foram posteriormente recuperados (e tributados como receita). Logo, é possível verificar a total falta de liquidez e certeza com relação às glosas efetuadas, uma vez que a Fiscalização não considerou os valores recuperados pelo Impugnante, que compuseram o seu resultado. O prejuízo suportado pelo Impugnante, que deu origem às despesas ora glosadas, decorreu dos furtos e roubos sofridos pelos seus clientes. Vale dizer, os clientes do Impugnante não são, obviamente, empregados dela e tampouco podem ser considerados como terceiros. A tipificação legal atribuída pela Fiscalização ao presente caso para justificar a glosa de despesas com perdas, furtos ou fraude de cartão de crédito é equivocada, posto que não há qualquer correlação fática com o presente caso. Não poderia a Fiscalização exigir do Impugnante, a apresentação de boletim de ocorrência, com base no artigo 364 do RIR/99, para considerar a dedutibilidade da despesa em apreço. 3. Perdas em Operações de Crédito – Comprovação dos Requisitos para a Dedutibilidade Verificou o Impugnante que a planilha enviada em resposta ao TIF n° 2 apresentava incorreções em decorrência de uma falha sistêmica. Diversos contratos que não foram utilizados na dedução da base de cálculo do IRPJ, em razão de perdas em operações de crédito, constavam do relatório apresentado e, ainda, muitos contratos que foram utilizados para deduções, não constavam na referida base de dados. A lista gerada pelo sistema informático do Grupo resultou, equivocadamente, na inclusão indevida do saldo de encargos financeiros incidentes sobre o crédito (rendas a apropriar), incorridos após dois meses do vencimento e na desconsideração da situação de cobranças pela via judicial nas operações. O erro foi ocasionado em razão de o Impugnante, até o anocalendário de 2006 (ano da integração tecnológica mencionada anteriormente), possuir dois sistemas distintos para o controle de suas operações de crédito. Estes eram denominados "AN/EN" e "LY", controlados posteriormente apenas pelo sistema “LY”. O fundamento para caracterizar o procedimento do Impugnante como protelatório, foi a falta de tempo hábil para se realizar a devida análise de tais informações, em função da proximidade do encerramento do prazo decadencial. Fl. 10962DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.963 22 Não pode o Impugnante ser prejudicado na produção das provas necessárias a comprovar a dedutibilidade das despesas em análise. Isto porque, tais provas foram, efetivamente, apresentadas dentro do prazo decadencial, mas foram deliberadamente ignoradas pelo Sr. Agente Fiscal sob o pretexto de não possuir tempo hábil para tanto. Um dos princípios informadores da atividade administrativotributária é o da verdade material, que deve fundamentar qualquer cobrança dos créditos tributários em motivos reais, sob pena de ilegitimidade. 3.1 Contratos com Garantia que teriam sido baixados antes do prazo de 2 anos, disposto no art. 9º, inciso III da Lei 9.430/96 A análise não pode dar respaldo à glosa das deduções realizadas pelo Impugnante, uma vez que os contratos utilizados para a verificação do Sr. Agente Fiscal não são os constantes na planilha enviada em resposta ao TIF nº 8 (planilha demonstrativa correta). Se a análise houvesse sido realizada com base na planilha legítima, apresentada em 22/08/11, todos os contratos teriam os requisitos, apontados pela Lei 9.430/96, cumpridos. Ademais, pelo simples confronto entre as duas planilhas, notase que do montante autuado (R$51.611.914,14) apenas restou R$4.894.464,24, ou seja, apenas 9.5% foi deduzido pelo Impugnante, demonstrandose, com isso, a total discrepância entre o valor autuado e aquele considerado pelo contribuinte. 3.2 Contratos da Listagem “LY” com valor entre R$5.000,00 e R$30.000,00, sem Garantia, que teriam sido baixados antes de ultrapassado o prazo de um ano, conforme estipula o art. 9º, §1º, inciso II, letra b, da Lei 9.430/96 De fato, conforme se verifica da lista de contratos mencionados pela Fiscalização, todos se encontravam vencidos em 31/08/2005 e foram baixados, um ano depois 31/08/2006. Dessa forma, a glosa desses valores fere o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, conforme art. 2º da Lei nº 9.784/99 e doutrina. Não há qualquer impedimento para que se reconheça a dedutibilidade das despesas ora em análise, em conformidade com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, razão pela qual merecem ser cancelados os presentes autos de infração. 3.3 Contratos da Listagem “5152” e “5207” separados na amostragem que apresentariam divergência no valor de baixa, insuficiência na comprovação documental ou ausência desta documentação – Contratos em garantias Mais uma vez, ocorreu ofensa ao Princípio da Verdade Material, visto que a planilha na qual a Autoridade Fiscal pautou sua análise, estava parcialmente incorreta, perseverando o Sr. Agente Fiscal em elaborar o valor a ser glosado com base em tais informações. Confrontandose as duas planilhas notase que o valor de R$10.577.641,77 (que deu origem à glosa de R$7.509.601,39) passou a ser de R$8.366.782,89 o que demonstra a invalidade da base de cálculo considerada pelo Sr. Agente Fiscal. Apresenta documentos que validam os valores deduzidos e informados na segunda lista, tais como: cobranças administrativas (relatório SERASA), para os casos entre R$5.000,00 e R$30.000,00, e a comprovação de medidas de cobrança judicial adotadas para determinados casos superiores a R$ 30.000,00 e/ou com garantia. Fl. 10963DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.964 23 Referidos casos compõem uma amostra representativa do total de operações consideradas dedutíveis nos termos da legislação fiscal. 3.4 – Contratos da Listagem “LY” separados na amostragem que apresentariam insuficiência na comprovação documental ou ausência desta documentação Todas as operações apontadas foram comprovadas. Muitas das operações realizadas têm sua formalização restrita ao sistema, ou seja, não há contrato escrito firmado. A título de exemplo, citemse os casos de crédito pré aprovado onde basta que o cliente aceite a disponibilização do valor pela internet, caixa eletrônico ou qualquer outra forma de interação com a instituição financeira. Fica evidente que o sistema interno e contábil do banco registra toda a movimentação com relação às operações de crédito, sendo, desta forma, prova válida para a comprovação efetiva de perdas. Os documentos apresentados e os esclarecimentos até aqui expostos, são suficientes a justificar a dedução de perdas pelo Impugnante. 3.5 – Divergência de valor relativa a contratos não amostrados O Sr. Agente Fiscal se vale do argumento do curto "lapso temporal" para justificar a glosa de valores sem o aprofundamento necessário à fiscalização. O registro do RAP é feito em controles extra contábeis, apenas para suportar a gestão operacional da cobrança. Em momento algum são registrados no ativo do impugnante, nem deduzidos quando da perda desses créditos. O valor considerado a título de “Rendas a apropriar”, além de ser indevidamente considerado como uma baixa de crédito contra o resultado, não corresponde ao valor efetivo dos encargos financeiros incorridos para os contratos mantidos pelo impugnante. A inclusão dos valores do RAP na planilha apresentada no início da fiscalização é resultado de um processamento sistêmico incorreto pontual, nunca tendo sido utilizado para fins fiscais. Não se verifica qualquer razão que sustente o entendimento do Sr. Agente Fiscal, tanto com relação ao item 5.3.5, como com relação aos itens 5.3.1 a 5.3.4 do Termo de Verificação Fiscal. 3.6 – “Ad Argumentandum” – Da dedutibilidade de despesas operacionais e da aplicação do artigo 299 do RIR/99 Como instituição financeira, uma das principais funções do Impugnante é a prática de operações ativas, passivas e acessórias, inerentes às respectivas Carteiras autorizadas. As perdas e os descontos concedidos no recebimento de créditos são perfeitamente aceitáveis frente ao desenvolvimento de atividades dessa natureza. As despesas em comento não devem submeterse ao tratamento conferido pelo artigo 9° da Lei n° 9.430/1996, e sim à regra geral de dedutibilidade prevista no artigo 299 do RIR/99. Ainda que haja regra específica, de fato, para as instituições financeiras, nada seria mais apropriado do que considerar como despesa dedutível, pelo artigo 299 do RIR/99, as perdas e os descontos concedidos no recebimento de créditos. Os valores Fl. 10964DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.965 24 glosados referemse às perdas verificadas pelo Impugnante na consecução de suas atividades. Se fosse equiparado a outras pessoas jurídicas, teria prejudicada toda a sua atividade social. Ademais, estarseia permitindo a tributação de valores que não constituem renda, nos termos do que determina a Constituição Federal. 4. Dedutibilidade dos Prejuízos na Venda de Ações (Operação de Arbitragem) Em nenhum momento, durante a fiscalização, o Impugnante afirmou que as operações realizadas com ADRs seriam "operações de cobertura" ou operações de hedge. Tratase de uma operação de arbitragem, plenamente operacional, em que o BSB auferia ganhos decorrentes da diferença de preços do mesmo ativo subjacente (AÇÕES) em dois mercados distintos (BOVESPA e NYSE), de liquidação à vista (e não mercados de liquidação futura), pelo que inaplicável ao presente caso o artigo mencionado. Nenhuma das hipóteses previstas no art. 396 do RIR/99 está presente: não são operações de hedge (cobertura), mas, sim, operações vinculadas ao objeto social da Impugnante (compra e venda de ações) não são operação realizadas em mercados de liquidação futura, mas, sim, operações de compra e venda de ações no mercado à vista; e não há resultados auferidos no exterior, mas, sim, resultados auferidos no Brasil. Os ADRs são certificados representativos de ações, emitidos por bancos norte americanos, com lastro em ações de emissão de empresas brasileiras. A mesma empresa pode participar de diferentes tipos de programas, com características específicas dependendo do nível de exigência das informações e divulgações. As operações em questão estão intrinsecamente relacionadas à atividade do Impugnante, sendo portanto operações necessárias à consecução do seu objeto social, além de serem normais e usuais à prática bancária. A própria planilha transcrita pelo Sr. Agente Fiscal no Termo de Verificação Fiscal deixa clara a existência de um ganho final nas operações de arbitragem consideradas em conjunto (TVF, p. 22). Portanto, não pode a Fiscalização pretender glosar a despesa e receber o tributo incidente sobre a receita decorrente da mesma operação. 5. Despesas com Amortização de Ágio 5.1 Análise do “filme” das operações societárias – Cumprimento dos requisitos para a dedutibilidade do ágio Para a correta compreensão econômica dos fatos, fazse necessária a análise do conjunto de operações realizadas pelo Impugnante: (i) 18/07/1997 Estudo elaborado pela empresa BOOZ ALLEN & HAMILTON com o objetivo de "Análise da Oportunidade de Aquisição do Banco Noroeste S.A." no qual restou avaliado investimento com base na expectativa de rentabilidade futura; Fl. 10965DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.966 25 (ii)14/08/1997 Celebrado "Contrato de Compra e Venda de Ações", pelo qual o então denominado Banco Geral do Comércio S.A. adquiriu a totalidade das sociedades abaixo, as quais possuíam como único ativo 113.294.703 ações ordinárias e 197.488 ações preferenciais de emissão do BN: a)Comercial e Administradora Zileo S.A. ("Zileo") b) Joisa S.A. Comércio e Administração ("Joisa") c) Wasinco S.A. ("Wasinco") (iii) 14/08/1997 Na mesma data, celebrado "Contrato de Compra e Venda de Ações", pelo qual o então denominado Banco Geral do Comércio S.A. adquiriu 2.705.297 ações ordinárias e 28.402.512 ações preferenciais do BN, pertencentes a diversos minoritários. (iv) 16/02/1998 Celebrado Instrumento de alteração do Contrato de Compra e Venda de Ações. (v) 17/02/1998 Celebrado Instrumento de alteração do Contrato de Compra e Venda de Ações. (vi) 20/03/1998 Celebrado Instrumento de alteração do Contrato de Compra e Venda de Ações. (vii) 27/03/1998 Banco Santander Brasil S.A. (BSB nova denominação do Banco Geral do Comércio S.A.) concluiu a aquisição do controle acionário do BN, mediante autorização do Banco Central do Brasil (Bacen). (viii) 14/04/1998 O BSB efetuou os pagamentos referentes à compra do BN no valor total de R$585.385.015,47, equivalente a USD 513.946.457,83. (ix) julho/1998 O BSB passa a amortizar contabilmente o ágio pago na aquisição das participações societárias, o qual foi adicionado para fins fiscais em razão de ainda não ter sido incorporado o investimento adquirido. (x) 14/12/1998 O BSB incorporou as holdings, passando a deter diretamente todo o investimento no BN. (xi) 24/06/1999 O BSB incorporou o BN. Esta incorporação estava amparada por laudo de avaliação, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, o qual ratifica o laudo inicialmente mencionado, elaborado em 1997, preparado para determinar a relação de substituição de ações dos acionistas do BN, nos termos da Lei n° 6.404/76. (xii) Janeiro/2000 Início da amortização fiscal do ágio pelo BSB. O valor pago pela compra e venda foi realizado no mercado (ou seja, negociado entre partes independentes), o qual estava fundamentado na expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido, preparado por empresa especializada independente. Não há qualquer razoabilidade na qualificação da operação em análise como um suposto "planejamento tributário". Isto porque o tratamento fiscal ocorrido no presente caso é expressamente aquele previsto em Lei para a aquisição de investimentos. A compra de ações realizada pelo BSB (ato de aquisição de participação societária gerador do referido ágio), objeto da presente atuação, foi devidamente Fl. 10966DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.967 26 registrada contabilmente. Neste sentido, confirase o resumo dos lançamentos contábeis registrados no balancete do BSB em 31/12/98. No período anterior à incorporação do BN e das holdings pelo BSB, o ágio amortizado contabilmente não poderia ser deduzido para fins fiscais, pois ainda não preenchido o requisito do caput do artigo 386 do RIR/99. No presente caso, em que a pessoa jurídica adquirente (BSB) absorve o patrimônio de outra (a Zileo, a Joisa, a Wasinco e o BN), em virtude de incorporação, na qual detinha participação societária adquirida com ágio apurado com fundamento econômico no valor de rentabilidade dos resultados nos exercícios futuros, estabelece a legislação que será possível amortizar o valor do ágio nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração (inciso III do artigo 386 do RIR/99). Conforme se verifica do estudo apresentado pelo Impugnante, como prova do fundamento econômico para a aquisição, havia a previsão de todos os fatores macroeconômicos, índices e taxas que permitiram ao Impugnante fazer uma estimativa do valor de rentabilidade futura do BN, a qual fundamentou a determinação do preço pago. A fiscalização não questionou a existência de rentabilidade futura como fundamento econômico para o pagamento do ágio, mas, tãosomente o documento que teria dado suporte a este fundamento. Salientese que em estrita conformidade com o parágrafo 3o, do artigo 385 do RIR/99 foi realizado estudo pelo BOOZ ALLEN & HAMILTON, em julho de 1997, que comprovava o fundamento econômico do ágio na aquisição do BN (e das empresas Zileo, Joisa e Wasinco, que possuíam como único ativo ações deste banco): a expectativa de rentabilidade futura. O estudo entregue pela KPMG para dar suporte ao ato de incorporação, nada mais representa do que uma ratificação do estudo elaborado pelo BOOZ ALLEN & HAMILTON, em 1997. Um dos supostos fundamentos para a glosa do ágio foi o de que houve a aquisição das holdings em momento anterior e que a expectativa de rentabilidade futura do BN não seria suficiente para demonstrar a expectativa de rentabilidade futura das holdings. De fato, parte do ágio registrado pelo BSB decorreu da aquisição das sociedades Zileo, Joisa e Wasinco. Ocorre que essas sociedades representavam o grupo de controle do BN, e possuíam como único ativo ações deste Banco. Não se trata de afirmar que seria a mesma pessoa jurídica, pois de fato são pessoas jurídicas distintas. Contudo, é óbvio que se uma sociedade holding possui como único ativo ações de um Banco, a expectativa de rentabilidade futura dessa holding está diretamente vinculada à expectativa de rentabilidade futura do Banco. 5.2 Da decadência para o anocalendário 2005 É possível aferir pela DIPJ anocalendário de 2005, que o Impugnante recolheu R$84.429.486,84 a título de estimativas de IRPJ, como também recolheu R$28.684.641,27, a título de estimativas de CSLL. Junta as guias Darf. Fl. 10967DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.968 27 Não obstante o Impugnante tenha apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL no encerramento do período base, houve efetivamente pagamento antecipado do IRPJ e da CSLL ao longo do anocalendário de 2005, capaz de fazer ensejar o disposto no artigo 150, parágrafo 4o, do CTN. Impõese seja reconhecida a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário relativamente ao fato gerador ocorrido em 31/12/2005, dado que a constituição dos créditos tributários de IRPJ e CSLL, se operou em 30/08/2011, após o decurso do prazo decadencial de 5 anos (31/12/2010), nos termos do que prevê o parágrafo 4° do artigo 150 do CTN. 5.3 Da preclusão de análise dos fatos que deram origem ao ágio Muito embora o ágio somente tenha sido amortizado fiscalmente após a incorporação dessas empresas pelo Impugnante, processo concluído em 24/06/1999, o fato contábilsocietário que deu origem ao referido ágio ocorreu no anobase de 1998, motivo pelo qual este elemento já havia integrado o fato gerador do IRPJ e da CSLL (alteração patrimonial) desde esse período base. Não poderia o Fisco efetuar os lançamentos de ofício sobre fatos pretéritos (fatos societários que geraram o ágio ocorridos em 1998), já consumados no tempo em razão do decurso do prazo decadencial, para alcançar os efeitos decorrentes desses fatos, em períodos subsequentes (amortização do ágio realizada de 2000 a agosto de 2006). 5.4 Da inexistência de previsão legal para adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização O legislador ao determinar a base de cálculo da CSLL (artigo 2o e parágrafos, da Lei n° 7.689/88), não arrolou, como hipótese de adição ao lucro líquido, o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Tendo em vista que o ordenamento foi silente quanto à adição da parcela do ágio ao lucro líquido, não cabe à Autoridade Fiscal exigir o que a lei não exige. De fato, o tributo só pode ser exigido quando ocorrer a efetiva subsunção do fato à norma tributária e, somente assim, poderia se falar em ocorrência do fato jurídico tributário. 6. Impossibilidade de Sucessão da Multa de Ofício sobre Fatos Geradores ocorridos antes da incorporação No Direito Tributário, a sucessão abrange apenas os TRIBUTOS devidos pela empresa extinta, jamais as MULTAS relativas a tais práticas, sobretudo quando forem imputadas posteriormente ao evento sucessório. De acordo com o disposto no art. 132 do Código Tributário Nacional, o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão. A multa fiscal somente será transferida ao sucessor se ela tiver sido lançada antes do ato sucessório (hipótese essa em que a multa já integra o passivo da empresa sucedida). Tendo em vista que o Impugnante foi autuado na qualidade de sucessor por incorporação, não há que se manter a cobrança da multa punitiva no presente caso. Não se pode admitir a transferência dessa penalidade para o Impugnante, em razão do seu caráter personalíssimo, conforme já assentou a jurisprudência (judicial e administrativa) sobre o tema. 7. Da Ilegalidade da Cobrança de Juros sobre a Multa Fl. 10968DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.969 28 Os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. O artigo 13 da Lei 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. O parágrafo primeiro do artigo 113 do CTN, ao diferenciar "tributo" de "penalidade pecuniária", ratifica o que ora se demonstra, deixando claro que as duas figuras não se confundem. Há desrespeito ao princípio constitucional da legalidade, previsto nos artigos 5o, II, e 37 da Constituição Federal, o que não pode ser admitido. DO PEDIDO (i) seja convertido o julgamento em diligência, especialmente no que diz respeito à glosa dos valores correspondentes ao RAP, considerandose a sua natureza, bem como à dedutibilidade das despesas, caso não seja reconhecida a nulidade dos autos de infração em razão do vício no procedimento fiscal; (ii) sejam acolhidas as razões aqui expostas, extinguindose os créditos tributários de IRPJ e de CSLL exigidos e arquivandose o respectivo processo administrativo; (iii) caso assim não se entenda, o reconhecimento da extinção do crédito tributário para o anobase de 2005 em razão da decadência; (iv) a exoneração da multa de ofício em razão de sua natureza personalíssima, ou ainda, o afastamento da aplicação da taxa Selic sobre tais valores. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 1636.772 (fls. 4.9305.004) de 22/03/2012, por unanimidade de votos, afastou o pedido de diligência e a preliminar de decadência para os lançamentos referentes ao anocalendário 2005 e no mérito, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO. Somente são dedutíveis, para fins fiscais, as despesas que atendam aos requisitos cumulativos da necessidade, normalidade e usualidade, em relação às atividades operacionais da pessoa jurídica. Se não comprovadas as despesas, mesmo sendo estas necessárias, não podem ser deduzidas da apuração do lucro real. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Na determinação do lucro real, a dedução de despesas relativas a perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica requer a observância das condições impostas pelos artigos 9º a 12 da Lei nº 9.430/96. Fl. 10969DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.970 29 DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. PERDAS COM OPERAÇÃO NO EXTERIOR. PREJUÍZOS NÃO DEDUTÍVEIS. No caso de operações que não se caracterizem como de cobertura (hedge), para efeito de apuração do lucro real, os lucros obtidos serão computados e os prejuízos não serão dedutíveis. FURTO. DEDUTIBILIDADE. LUCRO REAL. O prejuízo oriundo de desfalque, apropriação indébita ou furto somente será dedutível na apuração do imposto de renda da pessoa jurídica submetida à apuração pelo Lucro Real, quando houver inquérito instaurado, nos termos da legislação trabalhista, ou quando o fato for comunicado à autoridade policial (notitia criminis). AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. Em função da expressa previsão legal, deve ser comprovado que o ágio a ser amortizado decorre de expectativa de rentabilidade da coligada/controlada com base em previsão de resultados de exercícios futuros. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. PREJUÍZO AO FISCO. Verificase prejuízo ao fisco na realização de incorporação indireta mediante a aquisição de ações de holdings que possuíam, como único ativo, as ações do incorporado, com a formalização de ágio e posterior amortização, após a incorporação destas holdings. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006 FATOS PRETÉRITOS. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando eles repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária, mormente se incorporadora e incorporada encontravamse sob controle comum. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. PARTES. A eficácia de decisões administrativas alcança, em princípio, apenas as partes envolvidas no litígio e, excetuando as hipóteses legalmente previstas, o julgador administrativo não está vinculado ao entendimento dos Conselhos de Contribuintes. Fl. 10970DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.971 30 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005, 2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública lançar de ofício o crédito tributário referente ao imposto de renda decai após o prazo de cinco anos contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houver pagamento antecipado. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2005, 2006 CSLL. BASE DE CÁLCULO. NORMAS DE APURAÇÃO. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS EM SOCIEDADES COLIGADAS OU CONTROLADAS. INDEDUTIBILIDADE DA BASE DE CÁLCULO. A amortização de ágio será incluída na determinação da base de cálculo da CSLL, constituindo adição prevista na legislação tributária.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 05/04/2012 (A.R. de fl. 5.336) a interessada interpôs recurso voluntário em 03/05/2012 (fls. 1.3341.355) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 10971DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.972 31 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Esta Turma de Julgamento, por meio da Resolução 1402000.171, resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse analisada a documentação juntada às fls. 263 e seguintes. Vejase o teor da resolução. ... De acordo com o Relatório Fiscal, a empresa fiscalizada deduziu indevidamente das suas bases de cálculo as seguintes despesas: gastos com aquisição e desenvolvimento de logiciais; perdas em operações de crédito; prejuízos em operações que se caracterizam como de arbitragem em Bolsas no exterior; prejuízos por desfalque, apropriação indébita e furto; e, amortização de ágio decorrente de incorporação de empresa controlada. Irresignado com a autuação fiscal, o sucessor do contribuinte autuado apresentou impugnação onde elencou as seguintes razões: dedutibilidade da baixa de gastos com softwares; inexistência de dedução em duplicidade da amortização de software; comprovação dos requisitos para a dedutibilidade dos prejuízos por desfalque, apropriação indébita e furto; comprovação dos requisitos para a dedutibilidade das perdas em operações de créditos; dedutibilidade dos prejuízos na venda de ações (operação de arbitragem); dedutibilidade das despesas com amortização de ágio; decadência da glosa referente ao ágio amortizado no anocalendário de 2005; preclusão da análise dos fatos que deram origem ao ágio glosado; inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível; impossibilidade de sucessão da multa de ofício sobre fatos geradores ocorridos antes da incorporação; e, ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Tendo que a DRJ manteve integralmente as exigências, a contribuinte apresentou recurso voluntário, onde pleiteia a realização de diligência. Vejamos as alegações do recorrente nessa parte (verbis): “(...) 3 – Perdas em Operações de crédito Comprovação dos Requisitos para a Dedutibilidade Entendeu a Fiscalização que não estaria comprovado o cumprimento dos requisitos previstos no artigo 9º da Lei nº 9.430/96 para a dedutibilidade das despesas incorridas por motivo de perdas em operações de crédito. No entanto, cumpre destacar que a primeira planilha enviada à fiscalização para a verificação dos valores excluídos da Demonstração de Apuração do Lucro Real no valor de R$ 162.358.682,94, correspondente a “Perdas Dedutíveis a Título de Crédito”, apresentava incorreções em decorrência de uma falha sistêmica no momento de sua elaboração. Em decorrência destas incorreções, diversos contratos que não foram utilizados na dedução da base de cálculo do IRPJ, em razão de perdas em operações de crédito, constavam do relatório apresentado e, ainda, muitos contratos que de fato foram utilizados para deduções não constavam na referida base de dados. Fl. 10972DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.973 32 Com o intuito de corrigir esses equívocos, o Recorrente esclareceu o ocorrido na resposta ao TIF nº 8 e anexou uma nova planilha analítica retificando os dados necessários. Nesta nova planilha ficaram demonstrados, claramente, os contratos retirados da base anteriormente enviada. No entanto, o Sr. Agente Fiscal não a recebeu sob o fundamento de que haveria falta de tempo hábil para se realizar a devida análise de tais informações, em função da proximidade do encerramento do prazo decadencial. Ora, não pode o Recorrente ser prejudicado na produção das provas necessárias a comprovar a dedutibilidade das despesas em análise. Isto porque tais provas foram, efetivamente, apresentadas dentro do prazo decadencial, mas foram deliberadamente ignoradas pelo Sr. Agente Fiscal, sob o pretexto de não possuir tempo hábil para sua análise, em total desrespeito ao Princípio da Verdade Material. (...) As operações de crédito glosadas foram as seguintes: 3.1 Contratos com garantia que teriam sido baixados antes do prazo de 2 anos disposto no art. 9º, §1º, inciso III da Lei 9.430 de 1996. Os contratos utilizados para a verificação do Sr. Agente Fiscal não são os constantes na planilha enviada em resposta ao TIF nº 8 (planilha demonstrativa correta). Portanto, comprovado o equívoco no trabalho da Fiscalização, deve este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reformar a decisão ora atacada para o fim de se cancelar os autos de infração originários do presente processo administrativo. 3.2 Contratos da listagem “LY” com valor entre R$ 5.000,00 e R$ 30.000,00, sem garantia, que teriam sido baixados antes de ultrapassado o prazo de um ano conforme estipula o art. 9º, §1º, inciso II, letra b da Lei 9.430 de 1996. Além de ter sido utilizada pela Fiscalização a primeira planilha entregue pelo Recorrente, o Sr. Agente Fiscal também considerou como motivo para glosa destas deduções o entendimento de que não foi cumprido o disposto no artigo 9º, § 1º, inciso II, alínea “b” da Lei 9.430/96, o qual requer que os contratos estejam vencidos a prazo superior a um ano. No caso concreto, conforme se verifica da lista de contratos mencionados pela Fiscalização, todos se encontravam vencidos em 31/08/2005 e foram baixados um ano depois, em 31/08/2006. Dessa forma, a glosa desses valores fere o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, devendo, portanto, serem cancelados os autos de infração. 3.3 Contratos da listagem “5152” e “5207” separados na amostragem que apresentariam divergência no valor de baixa, insuficiência na comprovação documental ou ausência desta documentação. Neste ponto, mais uma vez ocorreu grave ofensa ao Princípio da Verdade Material, visto que a planilha na qual a Autoridade Fiscal e a Turma Julgadora pautaram sua análise estava parcialmente incorreta, o que demonstra, uma vez mais, a invalidade da base de cálculo considerada pelo Sr. Agente Fiscal e pela Turma Julgadora. Tampouco podem prosperar as alegações no sentido de que os documentos apresentados pelo Recorrente mostramse insuficientes, pois este apresentou, em sede de Impugnação, documentos que validam os valores deduzidos e informados na Fl. 10973DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.974 33 segunda lista, tais como: cobranças administrativas (relatório SERASA), para os casos entre R$ 5.000,00 e R$ 30.000,00, e a comprovação de medidas de cobrança judicial adotadas para determinados casos superiores a R$ 30.000,00 e/ou com garantia. Referidos casos compõem uma amostra representativa do total de operações consideradas dedutíveis nos termos da legislação fiscal. Ademais, valeuse o Recorrente da apresentação de seu Recurso Voluntário para juntar novos jogos de documentos (petições iniciais, contratos, certidões de objeto e pé, dentre outros) que comprovam que, para as perdas registradas na nova planilha, efetivamente foram despendidos esforços para a recuperação dos créditos subjacentes, notadamente mediante a interposição de medidas judiciais. 3.4 Contratos da listagem “LY” separados na amostragem que apresentariam insuficiência na comprovação documental ou ausência desta documentação. Não procede a alegação da Autoridade Fiscal no sentido de que o Recorrente não teria comprovado ou teria apresentado comprovação insuficiente às efetivas perdas dos créditos uma vez que todas as operações apontadas foram comprovadas. De fato, como já destacado na Impugnação, muitas das operações realizadas pelo Recorrente têm sua formalização restrita ao sistema (devidamente auditado por profissionais da área), ou seja, não há contrato escrito firmado. Fica evidente, por conseguinte, que o sistema interno e contábil do banco registra toda a movimentação com relação às operações de crédito, sendo, desta forma, prova válida para a comprovação efetiva de perdas. Portanto, não há como se negar que os documentos apresentados durante o procedimento fiscal (o que foi inclusive reconhecido pela Turma Julgadora) e os esclarecimentos até aqui expostos são suficientes a justificar a dedução de perdas pelo Recorrente, motivo pelo qual deverá ser reformada a decisão ora recorrida e, consequentemente, cancelados os autos de infração. 3.5 Divergência de valor relativa a contratos não amostrados. Conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal, entendeu o Sr. Agente Fiscal que dada a resposta do Recorrente ao TIF nº 8 informando que houve a inclusão do RAP (Rendas a Apropriar) na base de cálculo da planilha enviada em resposta ao TIF nº 2, deveria este valor ser utilizado para estimar o montante a maior hipoteticamente deduzido. No entanto, a inclusão dos valores do RAP na planilha apresentada no início da fiscalização é resultado de um processamento sistêmico incorreto pontual, nunca tendo sido utilizado para fins fiscais. 3.6 Dos Documentos que Comprovam a Dedutibilidade das Perdas com Operações de Crédito Ainda, no intuito de comprovar a dedutibilidade das perdas com operações de crédito, o Recorrente apresentou, no recurso voluntário, duas planilhas que, em conjunto com os documentos anexos fazem prova, por amostragem, do quanto exposto acima, demonstrando a real necessidade de conversão do presente julgamento em diligência. (...)” Grifei. Pois bem. Diante da farta documentação juntada formei convencimento de que fazse necessário converter o julgamento em diligência para que a fiscalização da DRF de origem efetue as verificações necessárias e, ao final, lavre termo consubstanciado manifestandose sobre as alegações e documentação apresentada pela contribuinte (fls. Fl. 10974DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.975 34 263 e seguintes). Após, cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. Em resposta, a fiscalização da DRF de origem lavrou o relatório de diligência fiscal de fls. 10.838/10.852. Não satisfeita, a defendente apresenta manifestação quanto à diligência efetuada, fls. 10.855/10.871, onde sugere que a Autoridade Fiscal apenas reitera os argumentos expostos em seu Termo de Verificação Fiscal, "não atingindo o objetivo visado pela conversão em diligência". Com efeito, prescrutandose o relatório de diligência, não é isso que se observa. A diligência foi, em grande parte, respondida pela Autoridade Fiscal a contento. Ainda assim, entendo que cabe razão à recorrente quanto à análise dos contratos juntados por amostragem, item IV.2 de sua manifestação, sobre a qual passo a discorrer. A Autoridade Fiscal, no item 5.48 do Relatório de Diligência, afirma que a documentação apresenta pela recorrente a partir do recurso voluntário seria insuficiente na maior parte dos casos, razão pela qual não seriam dedutíveis as despesas com operações de crédito, vejase: "A documentação apresentada se mostrou deficitária na maior parte dos casos, seja por ausência de apresentação dos contratos iniciais, certidões de objeto e pé, ausência de fichas financeiras, medidas judiciais incompatíveis em data, valor, contrato e situação não ativa em 31 de agosto de 2006, prints de consultas nos sítios dos respectivos tribunais incompletos". A recorrente, por sua vez, alega que apresentou os mais diversos documentos a partir do recurso voluntário, todos aptos, na sua opinião, a comprovar a regularidade das respectivas deduções. Traz, nesse sentido, descrição de alguns casos, a fim de comprovar o que alega. Vejase: 1. Nara Porcincula Mello R$ 179.485,28: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 2. Ralph Lima Terra R$ 323.995,44: apresentada a inicial do processo judicial e o instrumento da contratação do crédito. 3. GC Agropecuária Ltda. R$ 174.293,92: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 4. Celso Manoel Fachada Adv. Ass R$ 330.365,43: apresentada a certidão de objeto e pé da ação judicial. 5. Manuel Diniz de Oliveira R$ 166.626,44: apresentada a inicial do processo judicial, o registro do imóvel e o instrumento da contratação do crédito. Fl. 10975DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.976 35 6. Vilma S. M. Passarelli R$ 162.472,50: apresentada a inicial do processo judicial e o instrumento da contratação do crédito. 7. Cirillo Maros Alves R$ 162.545,66: apresentada a certidão de objeto e pé da ação judicial. 8. Aparecida T. Comercial R$ 161.267,82: apresentada a inicial do processo judicial. 9. Modas Eltekon Ltda. EPP R$ 160.751,28: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 10. Manoel A. Duarte Carreira R$ 123.533,76: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito, notificação de cobrança e o instrumento da contratação do crédito. 11. Frigonovo Comércio R$112.961,17: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 12. Rodoviário 381 Ltda. R$ 104.517,23: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 13. Florença Calçados Ltda. R$ 103.545,55: apresentado o demonstrativo do débito, o protesto do título e o instrumento da contratação do crédito. 14. Aparecido Lima R$ 100.505,68: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 15. Mercado C. Pires R$ 95.549,01: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 16. Drack D, P. Alimentícios R$ 86.804,94: apresentada a inicial do processo judicial e o instrumento de confissão de dívida. 17. Elizabeth Agatão R$ 86.588,14: apresentada a inicial do processo judicial e o instrumento da contratação do crédito. 18. Parceria D. e Comércio R$ 78.303,18: apresentada a inicial do processo judicial e o instrumento da contratação do crédito. 19. C. E. Com. Imp. e Exportação Ltda. R$ 77.222,28: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito, o instrumento da contratação do crédito e a certidão de objeto e pé. 20. Guilherme Oliveira Müller R$ 75.043,88: apresentada a inicial do processo judicial e o instrumento da contratação do crédito. Fl. 10976DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.977 36 21. Wincreativo Comércio R$ 65.316,25: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito, o instrumento da contratação do crédito e o protesto do título. 22. C.C.L Barcala R$ 64.530,17: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 23. Gilberto F. Takato ME. R$ 64.484,20: apresentada a Inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 24. Eva Vazquez M. Miguel R$ 63.762,17: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 25. KGB Malhas Ltda. R$ 63.636,72: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 26. Arnóbio C. Pinto R$ 61.994,48: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 27. Luiz Carlos dos Santos R$ 61.742,51: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 28. Portal V. N. Internacionais R$ 60.450,54: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 29. D.S. Com. e Ind. R$ 59.997,35: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 30. Louisanne Millani R$ 59.842,18: apresentada a inicial do processo judicial, o registro do imóvel e o instrumento da contratação do crédito. 31. YPS Confecções Ltda. R$ 57.071,49: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 32. Watson C. P. ME. R$ 56.751,41: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 33. Construtora Lacerda C. Ltda. R$ 56.110,75: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. Fl. 10977DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721046/201184 Resolução nº 1402000.319 S1C4T2 Fl. 10.978 37 34. Wilson Roberto J. Lopes R$ 54.781,40: apresentada a inicial do processo judicial e o instrumento da contratação do crédito. 35. S. L. Squiaveto ME. R$ 53.880,73: apresentada a inicial do processo judicial, o demonstrativo do débito e o instrumento da contratação do crédito. 36. Carlos Magno Celino R$ 52.506,04: apresentada a inicial do processo judicial e o instrumento da contratação do crédito. 37. CredMóveis C. R. M. Escrit. Ltda. R$ 51.899,61: apresentada a inicial do processo judicial e o instrumento da contratação do crédito. 38. José Francisco Paiola R$ 50.312,93: apresentada a inicial do processo judicial, o registro do imóvel e o instrumento da contratação do crédito. Como se verifica da lista acima, a recorrente apresentou em sua amostragem informações e documentos que, a princípio, justificariam a dedutibilidade das perdas com operações de crédito, informações essas que, a meu sentir, não foram analisadas pela Autoridade Fiscal. Nesse sentido, proponho a conversão do julgamento em nova diligência com o fito único de a Autoridade Fiscal analisar as informações acima exemplificadas em face dos documentos apresentados como supedâneos dessas informações. Ao final gerando relatório conclusivo e dando oportunidade à defendente, caso queira, manifestarse no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 10978DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000234/2006-49
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa: SIMPLES. ATIVIDADES DE MONTAGENS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS.
Não comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a execução das atividades de montagens e instalações elétricas, a pessoa jurídica pode optar pelo sistema SIMPLES de recolhimento de impostos e contribuições federais.
Numero da decisão: 1202-000.263
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
1.0 = *:*
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES. ATIVIDADES DE MONTAGENS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS. Não comprovada a necessidade de profissional legalmente habilitado (engenheiro) para a execução das atividades de montagens e instalações elétricas, a pessoa jurídica pode optar pelo sistema SIMPLES de recolhimento de impostos e contribuições federais.
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Numero do processo: 12963.000065/2010-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO.
1- O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou.
2- As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade.
3- A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência,
4- Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sê-lo e também o que era despesa deixa de sê-lo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente.
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-002.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: a) Quanto ao conhecimento, por unanimidade de votos, recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido. b) Quanto ao mérito, por maioria de votos, no Tema JCP, recurso dado provimento, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e no Tema Juros de Mora Sobre a Multa de Ofício, por unanimidade de votos, recurso provido. Os Conselheiros Luís Flávio Neto e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) apresentarão declaração de voto. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(documento assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALCOA ALUMÍNIO S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. 1 O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. 2 As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. 3 A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência, 4 Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 00 65 /2 01 0- 36 Fl. 651DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 652 2 sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: a) Quanto ao conhecimento, por unanimidade de votos, recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido. b) Quanto ao mérito, por maioria de votos, no Tema JCP, recurso dado provimento, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez e no Tema Juros de Mora Sobre a Multa de Ofício, por unanimidade de votos, recurso provido. Os Conselheiros Luís Flávio Neto e Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) apresentarão declaração de voto. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) em 07/08/2012, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), alegando divergência jurisprudencial em relação à dedução de despesa com pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) relativos a anos anteriores, e também à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1202000.766, de 08/05/2012, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por Fl. 652DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 653 3 maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de admitir a dedução das despesas a título de JCP referente a períodos anteriores, e também reafirmar a jurisprudência da CSRF que afasta a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O acórdão recorrido foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2007 Ementa: NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES ELENCADAS NO ARTIGO 59 DO DECRETO 70.235/72. As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não haverndo que se falar em nulidade por outras razões. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. POSSIBILIDADE DE REMUNERAÇÃO COM BASE EM PERÍODOS ANTERIORES. O Art. 9º da Lei n° 9249/95 não faz nenhuma restrição temporal acerca do pagamento de juros sobre o capital próprio. Diante dessa falta de restrição temporal e da discricionariedade das sociedades em remunerar os juros sobre capital próprio aos acionistas, os juros não precisam ser obrigatoriamente pagos ou creditados ao final de cada período, o que permite o pagamento em um momento futuro. ART. 29 DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 11/96, REGIME DE COMPETÊNCIA. O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há, deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. Nada obsta a distribuição acumulada de JCP desde que provado, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou a sua distribuição. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Tratandose de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, ante a intima relação de causa e efeito que os vincula. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos quanto às matérias acima referidas. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS tratase de Auto de Infração lavrado em decorrência de redução indevida de Lucro Real pelo excesso de dedução de Juros sobre o Capital Próprio pagos em 2007 referentes a lucros auferidos no período de 2000 a 2006; o acórdão recorrido considerou insubsistente o lançamento, e também posicionouse contrariamente à incidência de juros de mora sobre a multa de oficio; CABIMENTO RECURSAL Fl. 653DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 654 4 observase a existência de dissídio jurisprudencial entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e o manifestado pela Segunda Câmara através do Acórdão nº 120100.348 no Processo nº 19515.001145/200498: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 REGIME DE COMPETÊNCIA. Os juros sobre o capital próprio, como, de regra, as demais despesas, somente podem ser levados ao resultado do exercício a que competirem. diante de situações fáticas semelhantes qual seja, o momento regular para a dedução de despesas a titulo de JCP , as Câmaras deram interpretação divergente à legislação tributária. Enquanto o colegiado a quo considerou que o regime de competência previsto na IN SRF 11/96 implica o reconhecimento da despesa no períodobase do pagamento momento a partir do qual nasce a obrigação, a Turma prolatora do acórdão paradigma decidiu que, no regime de competência, não importa o momento de pagamento, o qual constitui mera postergação da obrigação já perfectibilizada; a decisão proferida pelo Colegiado a quo, no que toca à impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa de oficio diverge do entendimento sufragado pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluiu pela possibilidade da incidência, conforme a ementa do acórdão paradigma CSRF/0400.651, proferido pela Quarta Turma da Câmara Superior: JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recurso não provido. resta clara, portanto, a divergência jurisprudencial, que consiste na possibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. Enquanto o Colegiado a quo entende ser inaplicável, a turma prolatora do acórdão paradigma defende que devem ser calculados juros de mora sobre a multa; RAZÕES PARA REFORMA DO ACÓRDÃO QUANTO AO LIMITE TEMPORAL PARA APURAÇÃO DO JCP no caso ora tratado, porque nos exercícios anteriores a remuneração do capital foi aquém da parcela dedutível prevista pela legislação tributária, a Câmara a quo entendeu que não haveria qualquer impedimento para pagála de forma acumulada com o valor apurado no ano seguinte; entretanto, para haver dedutibilidade, fazse necessária a deliberação social tomada no devido tempo, não podendo a assembléia deliberar sobre exercícios encerrados; o pagamento dos juros sobre capital próprio não se confunde com as regras para sua dedução; Fl. 654DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 655 5 o pagamento de JCP é uma faculdade conferida aos acionistas e decorre de princípios como a livre iniciativa e a autonomia privada, dependendo apenas de deliberação em assembléia. A pessoa jurídica tem liberdade e autonomia para decidir a melhor forma de remunerar o capital dos sócios, mas a dedutibilidade ficará sujeita às regras trazidas pela Lei nº 9.249/95; o art. 132 da Lei n° 6.404/76 impõe a obrigatoriedade de a empresa realizar uma assembléiageral ordinária anual, nos quatro primeiros meses seguintes ao término do exercício social, no intuito de, entre outras matérias, deliberar sobre a destinação do lucro liquido do exercício e a distribuição de dividendos; as deliberações tomadas em assembléia pelos acionistas não podem ser simplesmente revogadas ou modificadas a qualquer tempo. Na qualidade de negócio jurídico tutelado pelo Direito, a anulação da manifestação de vontade externada na reunião somente pode ocorrer se ficar comprovado erro, dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 171 e seguintes do Código Civil; em se tratando de exercício social pretérito já houve a realização de assembléiageral ordinária, onde foi externada a vontade social sobre a destinação dos lucros e aprovação das demonstrações financeiras. Se a assembléia, em determinado ano, deliberou sobre o pagamento dos juros sobre capital próprio abaixo do limite autorizado para dedução, significa dizer que a própria empresa renunciou a tal direito; temse, então, um ato jurídico perfeito, estando apto a produzir todos os seus efeitos. A ata, inclusive, foi arquivada e publicada, em cumprimento ao art. 134, § 6º, da Lei nº 6.404/76; não existe óbice para a assembléia, em exercício posterior, deliberar sobre a remuneração do capital dos sócios na forma que melhor lhe aprouver. Os critérios trazidos pela Lei nº 9.249/95 dizem respeito apenas aos efeitos fiscais, ou seja, a dedução do lucro real para fins de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica; logo, a empresa pode determinar o pagamento de juros sobre o capital próprio ate mesmo acima dos limites trazidos pela Lei nº 9.249/95. Tratase de um direito, uma faculdade exercida com base nos princípios da livre iniciativa e autonomia privada; porém, a parcela dedutível a titulo de juros sobre capital próprio sempre deve obedecer aos requisitos indicados na legislação. Um dos critérios trazidos pela norma tem natureza quantitativa, a parcela dedutível limitase ao maior valor entre: a) 50% do lucro liquido do período de apuração antes da dedução desses juros, após a dedução da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido e antes da provisão para o imposto de renda IRPJ, ou b) 50% do somatório dos lucros acumulados e reservas de lucros; não pode a empresa tentar dilatar esse limite, sob o fundamento de que está realizando pagamento 'acumulado', referente a exercícios anteriores. Independentemente do montante pago a titulo de juros sobre o capital próprio, a parcela dedutível obedecerá ao critério quantitativo previsto na legislação; a dedutibilidade dessa despesa é uma faculdade conferida à empresa, e não um direito absoluto. Até a edição da Lei nº 9.249/95, o ordenamento jurídico sequer autorizava essa dedução, conforme constava do artigo 49 da Lei nº 4.506/64; Fl. 655DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 656 6 se a empresa, no momento adequado, resolveu remunerar o capital dos sócios abaixo do limite permitido, por óbvio, naquele exercício acabou renunciando à faculdade que lhe foi conferida. No ano subseqüente a parcela dedutível continuará atrelada ao limite trazido pela Lei nº 9.249/95, não sendo possível recuperar a dedutibilidade da despesa que, por determinação da própria empresa, não foi suportada em anos anteriores; ademais, a deliberação acerca da destinação dos lucros referente ao ano anterior é um ato jurídico perfeito. Cabe à empresa apenas cumprir as determinações constantes da assembléia, onde houve a aprovação das demonstrações financeiras e ficou decidido sobre a destinação a dar ao lucro apurado no período. Eventual modificação dependeria de alteração no balanço e a prova de algum vício no tocante à manifestação de vontade; não há como imputar a exercícios passados os efeitos de deliberação societária (sujeita a uma disciplina jurídica específica) tomada no presente. Essa imputação só poderá ocorrer se o Balanço vier a ser retificado por determinação dos sócios ou acionistas, mas tal retificação só poderia ser juridicamente justificada se demonstrada a anterior ocorrência de erro, dolo ou simulação (trecho extraído do artigo publicado no site Fiscosoft por Edmar Oliveira de Andrade Filho); o artigo 29 da Instrução Normativa 11/96 ratifica que a despesa de juros sobre o capital próprio deve observar o regime de competência. Tal norma não é ilegal, pois tem como fundamento de validade o artigo 177 da Lei 6.404/77, bem como o art. 6° do DecretoLei n° 1.598/77, segundo o qual "Lucro real é o lucro liquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária"; diante da observância do regime de competência, a decisão de assembléia que credita aos sócios JCP decorrente de exercício anterior não tem validade para fins fiscais, pois se refere às despesas que somente poderiam ser deduzidas naquele anocalendário e se assim tivessem deliberado os sócios e acionistas. Como não o fizeram ou remuneraram abaixo dos limites permitidos para dedução, a vontade social deve ser respeitada, caracterizando renúncia ao direito conferido pela legislação tributária. Para o exercício subseqüente, permanecem os limites dedutíveis previstos na Lei nº 9.249/95; ainda que a empresa tenha liberdade para remunerar os sócios na forma que melhor lhe aprouver, a dedutibilidade está atrelada aos requisitos estabelecidos na norma tributária; os limites trazidos pela legislação devem ser preservados. Não pode o contribuinte alargar esse montante, sob o pretexto de que ele não foi integralmente utilizado em exercício anterior. Se assim fosse, qualquer outro limite trazido pela legislação poderia ser desrespeitado. Por exemplo, a pessoa física que não teve qualquer gasto com educação em um ano poderia dobrar o limite dedutível de despesas com instrução no exercício seguinte; RAZÕES PARA REFORMA DO ACÓRDÃO QUANTO À INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO ao se manifestar pela impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de oficio, o acórdão recorrido contrariou o artigo 139 do Código Tributário Nacional e o artigo 13 da Lei nº 9.065/1995, bem como o artigo 61, § 3º, da lei 9.430/96; Fl. 656DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 657 7 o ato legal que introduziu a aplicação da taxa de juros, Lei nº 9.065/95, para fins do que determina o caput do art. 161 do CTN, em percentual equivalente à taxa SELIC, encontrase em harmonia com a norma complementar e com a Constituição da República Federativa do Brasil; a Súmula nº 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais dispõe: Súmula CARF no 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. já o artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina que a partir de janeiro de 1997, os débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994 e que não tenham sido objeto de parcelamento e os créditos inscritos em Divida Ativa da União, estão sujeitos a juros de mora calculados segundo a SELIC; o entendimento defendido neste recurso encontrase em harmonia com aquele que prevaleceu nos Acórdãos nºs 0400.651 e 910100.539, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, indicados anteriormente como paradigmas. Com efeito, nesses arestos, ao entender pela incidência dos juros na multa de oficio, os conselheiros da CSRF definiram ainda que deve ser aplicada a taxa Selic sobre os valores correspondentes à multa de oficio, e não a taxa de 1% ao mês. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da PGFN, o Presidente da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 00.045, de 10/03/2014, admitiu o recurso especial fazendo as seguintes considerações sobre as divergências suscitadas: [...] A divergência de entendimentos apontada referese ao momento em que despesas com JCP devem ser computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Segundo a recorrente, em situações semelhantes, ou seja, em ano posterior ao do capital objeto da remuneração, no recorrido considerouse que o regime de competência previsto na IN SRF 11/96 implica o reconhecimento da despesa no períodobase do pagamento momento a partir do qual nasce a obrigação, no acórdão paradigma decidiuse que, no regime de competência, não importa o momento de pagamento, o qual constitui mera postergação da obrigação já perfectibilizada. Verificouse que, de fato, as situações são semelhantes: em ambos os casos foram distribuídos aos sócios juros sobre capital próprio com base em períodos anteriores ao da dedução do IRPJ e, conseqüentemente, da CSLL. Já as decisões foram antagônicas: no recorrido, decidiuse que essa dedução era possível, e que não teria sido desrespeitado o regime de competência; no paradigma, decidiuse que o regime de competência impõe que a despesa seja considerada em cada exercício em que se está remunerando o capital próprio, não podendo ser postergada para exercícios posteriores. Desse modo, concluise que a divergência jurisprudencial está suficientemente demonstrada para essa matéria. Em relação à incidência de juros de mora, a FN alega que o entendimento do recorrido, de que não incide sobre a multa de ofício, contraria o acórdão paradigma que indicou, de nº CSRF/0400.651, proferido pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa reproduziu integralmente. O entendimento está expresso em trecho dela extraído: Fl. 657DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 658 8 [...] Verificouse que, de fato, a decisão do recorrido, ao adotar posicionamento da CSRF no Acórdão nº 910100.722, considerou que multa de mora não incide sobre multa de ofício, conforme demonstra trecho extraído do voto condutor: [...] Como no caso do paradigma entendeuse que a multa de mora incide sobre a multa de ofício à taxa Selic, a divergência jurisprudencial alegada está suficientemente demonstrada. [...] Em 28/04/2014, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 09/05/2014 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: OS FATOS os autos de infração dizem respeito ao períodobase anual de 2007, notando se no respectivo termo de constatação fiscal que: · o valor dado como pago ou creditado é de R$ 277.403.000,00, confirmando o mencionado acima; · o valor total pago não excedeu o maior dos limites de 50% dos lucros acumulados e das reservas de lucros em 2007, nem do lucro líquido desse ano, antes da provisão para o IRPJ e da dedução dos juros; · a base de cálculo dos autos de infração, portanto, está situada apenas no suposto excesso de pagamento, que consistiria no pagamento sobre a remuneração do capital próprio até 2006; · para a fiscalização, o valor pagável seria de R$ 169.198.038,00, o qual, comparado com o valor de R$ 277.403.000,00, representaria um excesso de R$ 108.204.962,00, sobre o qual foram lançados os dois tributos; · por sua vez, o valor de R$ 169.198.038,00 corresponde a 6,375% de R$ 2.654.086.884,00, que é o patrimônio líquido de 31.12.2006 (R$ 2.679.921.001,00) menos a reserva especial de R$ 25.834.117,00. em suma, para a Fiscalização, em 2007 a recorrida somente poderia ter remunerado o capital próprio dos seus acionistas na base do patrimônio líquido de abertura do ano de 2007 e pela aplicação da TJLP de janeiro de 2007 a dezembro de 2007, não podendo ter remunerado o capital de períodos anteriores; ainda inicialmente, a recorrida aproveita para enfatizar que não há qualquer dúvida quanto à matéria de fato, sendo incontroverso que a recorrida respeitou o limite de dedutibilidade anual para pagamento do JCP, conforme muito bem enfatizado pelo acórdão recorrido e não contestado no recurso especial da Fazenda Nacional; passase a demonstrar as razões pelas quais o recurso da Fazenda Nacional não merece prevalecer, o que será feito de forma segregada, primeiro quanto à questão do JCP, e, posteriormente, relativamente à questão dos juros de mora sobre a multa de ofício; Fl. 658DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 659 9 O PAGAMENTO DE JCP ACUMULADO PRELIMINARMENTE. A AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. a questão da renúncia acima mencionada, defendida pela Fazenda Nacional, ora recorrente, não foi analisada em nenhum momento no presente processo. O que se verifica, portanto, é a tentativa da Fazenda Nacional de trazer nova discussão ao processo, sem que a recorrida possa exercer de forma plena seu direito constitucional da ampla defesa e contraditório, eis que só terá uma oportunidade para se defender (a presente contrarrazões), tendo perdido tanto a fase de impugnação, quanto a de recurso voluntário; além disso, em nenhum momento no presente processo, nem tampouco no acórdão ora recorrido, esse tema foi debatido, o que comprova a falta de prequestionamento da matéria, requisito imprescindível para o conhecimento do recurso especial; quisesse a recorrente debater essa matéria no âmbito desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, deveria ter oposto embargos de declaração para prequestionar a matéria, o que possibilitaria, posteriormente, a interposição de recurso especial; desse modo, por não preencher o requisito do art. 67, parágrafo 3º, do RICARF, qual seja, o prequestionamento da matéria objeto do recurso especial, este não merece ser conhecido; outro aspecto que deve ser levantado é o fato de que o acórdão divergente indicado no recurso da Fazenda Nacional em nenhum momento trata da matéria em tela; não houve, em nenhum momento do acórdão indicado como divergência, análise da matéria pelo prisma da renúncia ao pagamento de JCP, quando a sua deliberação não se dá até o ano posterior, na assembléia que define a destinação dos lucros; por outro lado, o referido aresto analisou a questão única e exclusivamente pelo viés do princípio da competência, de forma que não se pode admitir o recurso especial de divergência da Fazenda Nacional relativamente ao argumento da renúncia da contribuinte ao pagamento de JCP referente aos períodos anteriores a 2007, eis que não houve indicação de divergência para tal matéria, não estando cumpridos, pois, os requisitos de admissibilidade do recurso especial previstos nos parágrafos 4º e 6º do art. 67 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n. 256, de 22.6.2009); dessa forma, também não se pode admitir o recurso especial de divergência quanto à discussão sobre a existência ou não de renúncia da recorrida ao pagamento de JCP naqueles períodos, eis que não houve indicação de divergência; outrossim, válido ressaltar que na hipótese de esta C. Corte entender que a autuação deve ser mantida com base no argumento de que o não pagamento de JCP implicaria renuncia ao direito, teremos uma perfeita hipótese de inovação do lançamento, a qual, como é cediço e não merece maior aprofundamento aqui, é expressamente vedada no processo administrativo fiscal. Sendo assim, também para evitar expressa contrariedade ao art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, o argumento em comento não merece ser conhecido; MÉRITO. O PAGAMENTO DE JCP ACUMULADO. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 660 10 o primeiro aspecto digno de nota em relação ao art. 9º da Lei nº 9.249/1995, consiste em que a base sobre a qual se aplica a TJLP é o patrimônio líquido ("caput"), do qual somente se deduz o valor da reserva de reavaliação; outro ponto a ser destacado é que a lei não estabelece uma data na qual o patrimônio líquido deva ser considerado para aplicação da TJLP, nem uma data ou período determinado para que ocorra o pagamento dos JCP; em suma, tendo em mira o que é relevante para o deslinde do presente processo, vale destacar os seguintes dados essenciais: · o cálculo é feito com base na variação da TJLP aplicada "pro rata tempore" sobre as contas do patrimônio líquido, assim considerado segundo o art. 182 da Lei n. 6404, de 15.12.1976, e demais dispositivos legais pertinentes, sendo excluídas as reservas de reavaliação; · assim, apurado o valor total dos JCP, sua dedutibilidade é limitada a (1) cinquenta por cento dos lucros do período em que eles foram pagos ou creditados, computados antes da sua dedução e da provisão para o IRPJ, ou (2) a cinquenta por cento dos saldos de lucros acumulados ou reservas de lucros de períodos anteriores àquele em que os juros foram pagos ou creditados, saldos estes existentes na abertura do período, prevalecendo o maior desses limites; nesse cenário, a controvérsia a ser decidida centrase na possibilidade de pagamento de JCP apenas relativos a cada períodobase, como entende a Fazenda Nacional, ou se também é possível fazêlo com base no tempo decorrido anteriormente, neste caso, como se costuma dizer (embora impropriamente), "acumuladamente" ou a destempo ou extemporaneamente; é de se observar que somente há espaço para se aludir a "pagamento a destempo" ou extemporâneo se houver um limite de prazo, previsto na lei, para apuração e pagamento dos JCP, assim como somente se pode falar em "pagamento acumulado" se houver, na lei, a fixação de períodos para apuração e pagamento dos mesmos; realmente, tais alegações somente se justificam se a dedutibilidade dos juros for condicionada ao seu cálculo e pagamento ou crédito dentro do anocalendário, do exercício social ou do períodobase fiscal a que correspondam, isto se na lei houver um período específico que seja competente para os JCP; ora, nada disso consta da lei, como já foi apontado acima e pode ser constatado pela releitura do art. 9º da Lei 9.249/1995, podendose desde logo estabelecer uma premissa básica inquestionável: a lei não estabelece prazo para o pagamento ou crédito, nem período certo de computação (um tipo de períodobase para os JCP); portanto, como na lei não existe obrigatoriedade de que o pagamento ou crédito dos juros seja feito em cada ano, em cada exercício social, em cada períodobase fiscal ou em qualquer outro determinado período de tempo, ela somente pode ser exigida nos casos em que houver alguma disposição estatutária, em determinada pessoa jurídica, que a estabeleça; Fl. 660DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 661 11 a própria Fazenda Nacional reconhece tal questão, como se retira do acórdão recorrido e do recurso especial ora combatido (trechos transcritos); o raciocínio da Fazenda é no sentido de que não existe óbice para o pagamento de JCP acumulado, mas esses não podem alcançar os efeitos fiscais desejados, caso não sejam deliberados na assembléia imediatamente posterior ao encerramento do período, raciocínio esse baseado no art. 132 da Lei n. 6404/1976; ocorre, no entanto, que tal raciocínio é totalmente incongruente, eis que a base legal para pagamento de JCP é a mesma que define seus efeitos fiscais, qual seja, o art. 9º da Lei n. 9249, de modo que, se não há restrição para o pagamento de JCP "acumulado" no âmbito societário, conforme entende a Fazenda Nacional, também não há uma restrição de seus efeitos tributários, como de fato não há, conforme observado na leitura do referido dispositivo; em outras palavras, não havendo óbice legal para pagamento dos JCP "acumulados" na legislação societária, nem tampouco na legislação fiscal, conforme destacado pela própria Fazenda Nacional, não é possível admitirse que o intérprete coloque uma restrição temporânea inexistente, o que, conforme muito bem destacado pelo acórdão a quo atenta contra o princípio da legalidade, fundamental da ordem jurídica brasileira; por fim, também não havendo essa previsão estatutária, o pagamento de JCP é matéria deixada à deliberação dos órgãos administrativos da pessoa jurídica, portanto, a ser exercida a qualquer momento; o art. 9º da Lei n. 9.249 conferiu às pessoas jurídicas a possibilidade de deduzir, para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os valores pagos aos sócios ou acionistas a título de JCP; é oportuno consignar que, na época, o Governo Federal, esboçava certo receio de que a extinção do sistema de correção monetária das demonstrações financeiras, inclusive para fins societários, pudesse provocar efeitos nocivos à capitalização das sociedades empresárias, uma vez que os sócios e acionistas estavam impedidos de adotar medidas para neutralizar os efeitos da perda de poder aquisitivo da moeda; o efeito provocado pela extinção da correção monetária decorre do fato de que a pessoa jurídica financiada por meio de empréstimos continuaria autorizada a deduzir os encargos inflacionários para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, os quais seriam embutidos nas despesas financeiras relativas aos juros, por meio de taxas compostas, que incluem tanto a correção monetária quando a remuneração do capital no tempo. Por outro lado, a pessoa jurídica financiada por meio de contribuição ao capital social não poderia reconhecer os efeitos da inflação sobre o seu patrimônio, o que, além de desestimular o aporte de recursos por meio de subscrição de capital, ainda diminui o valor intrínseco do capital social, afetando o seu papel como elemento de garantia aos credores; além disso, relembrese que a correção monetária do balanço tinha o objetivo de permitir a tributação do acréscimo patrimonial efetivo, excedente ao efeito inflacionário. Com a extinção da correção monetária, passouse a tributar o lucro contábil nominal, incluindo a inflação, e não mais o lucro efetivo. Com isso, a desvalorização nominal do patrimônio líquido não era mais neutralizada pelo saldo de correção monetária devedora de balanço, que reduzia o valor do imposto apurado no regime no lucro real. Em suma, o Fl. 661DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 662 12 patrimônio líquido das empresas continuava perdendo valor pelo efeito da inflação ainda existente na economia brasileira, o que desestimulava a capitalização das sociedades; com receio dos efeitos apontados acima, o legislador, não por acaso, conferiu ao JCP um tratamento tributário similar àquele aplicável aos juros provenientes de empréstimos, como forma de remunerar o custo de oportunidade do sócio ou acionista; essa constatação é de fundamental importância para a análise da questão, pois evidencia que a finalidade do JCP é remunerar o sócio ou acionista pelo capital investido na sociedade durante todo o lapso temporal em que manteve recursos financeiros empenhados, conforme refletido no seu patrimônio líquido; a partir da breve exposição colocada acima, percebese que, para manter coerência com a finalidade pretendida com a instituição do JCP, o legislador tributário, de forma lúcida e perspicaz, deixou de estabelecer prazo para o seu pagamento ou crédito, assim como não estipulou lapso temporal certo de maturação. Por certo, tratase de decisão consciente do legislador tributário, pois o custo de oportunidade do capital e os efeitos da inflação perduram no tempo, de modo que não faria sentido restringir a dedução da despesa ao pagamento do JCP no mesmo anocalendário em que calculado; a interpretação teleológica e finalística do art. 9º da Lei n. 9249 é confirmada pela base de cálculo do JCP, que consiste no patrimônio líquido da sociedade; os JCP visam remunerar os recursos correspondentes ao capital aportado pelos sócios ou acionistas (mesmo sob a forma de reservas de capital, que são valores vocacionados a integrar o capital social), e também os lucros que poderiam ter sido distribuídos ou creditados aos sócios ou acionistas, mas que permaneceram em poder da sociedade como lucros acumulados ou reservas. Destarte, a determinação do respectivo valor deve considerar não apenas todo o tempo de permanência desses recursos em poder da sociedade, mas também o montante dos valores que ficaram com ela; dentro desses parâmetros, os juros podem ser pagos sobre quaisquer períodos de tempo, sejam eles coincidentes com o anocalendário, com o exercício social ou com o períodobase fiscal, ou ainda sejam maiores ou menores do que qualquer desses lapsos temporais; isto também se explica porque, na legislação reguladora da matéria, não há qualquer tipo de restrição no que diz respeito a prazos de pagamento ou de apuração do valor devido a título de JCP, o que deixa o assunto à exclusiva regulação dos atos internos de cada pessoa jurídica; destarte, observadas as regras legais de cálculo e limites, juros que eventualmente ainda não tenham sido pagos ou creditados, total ou parcialmente, sobre um período qualquer, podem sêlo em qualquer momento posterior. Daí ser possível (1) pagar ou creditar juros "acumulados" ao longo de todo um período, quando nenhum pagamento ou crédito tenha ocorrido nesse período, ou (2) pagar "sobras" de juros que poderiam ter sido pagos ou creditados anteriormente nesse período, mas o foram apenas parcialmente; caso o legislador tivesse querido vedar ou limitar tais possibilidades, teria estabelecido na lei, expressamente, qualquer vedação ou limite, como, por exemplo, poderia ter estabelecido algum tipo de restrição temporal para a computação dos valores a pagar ou Fl. 662DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 663 13 creditar, ou poderia ter condicionado a dedutibílidade dos juros ao seu pagamento ou crédito dentro de um determinado prazo máximo. Seria uma norma semelhante à que está na Lei n. 9532, de 10.12.1997, art. 1º, parágrafo 4º, que estabelece um prazo para dedução do imposto de renda incidente sobre rendimentos obtidos no exterior, perante o imposto brasileiro; entretanto, tal limitação ou vedação não consta da lei, que apenas estabelece a taxa de juros aplicável, a base para aplicação dessa taxa e os limites porcentuais de juros em relação aos lucros acumulados, às reservas de lucros e aos lucros do período; querer acrescentar qualquer outra restrição além destas diretrizes da norma legal, importa na ilegal atitude de extravasar o comando da lei; o art. 29 da Normativa SRF n. 11, de 21.2.1996, não acrescenta, relativamente ao art. 9º da Lei n. 9249, qualquer outra regra que não consta deste, nem estabelece como se deve observar o regime de competência, ou melhor, não prescreve que ele exige o pagamento ou crédito obrigatoriamente em cada períodobase ou segundo qualquer outro critério temporal; aliás, o art. 9º faz o mesmo que o art. 6º, o qual também determina o cumprimento do regime de competência mas não estabelece o períodobase em que alguma receita ou despesa deva integrar o lucro real, pois isto é matéria relativa ao regramento legal aplicável a cada espécie de receita e de despesa; neste passo, a conseqüência imediata é que, mesmo não havendo uma norma determinadora do período a que a despesa com JCP compete, isto não exclui a conclusão de que elas, tanto quanto qualquer outra espécie de despesa, necessariamente pertencem a um períodobase competente, o que se determina pela regra legal que trata do assunto, regra esta que, como dito acima, está fora do art. 6° do Decretolei n. 1598 (tanto quanto está fora do art. 29 da Instrução Normativa SRF nº 11/96); ora, tal regra estabelece que a despesa é dedutível quando incorrida, ou seja, quando se torne juridicamente devida de modo definitivo e incondicional, o que está muito bem definido no Parecer Normativo CST n. 58/77, contemporâneo à Lei n. 6404 e ao Decreto lei n. 1598, e que até hoje informa o entendimento do conceito, sendo, inclusive, mencionado em vários julgados administrativos; segundo esse parecer "regime de competência costuma ser definido, em linhas gerais, como aquele em que as receitas ou despesas são computadas em função do momento em que nasce o direito ao rendimento ou a obrigação de pagar a despesa"; aplicada a diretriz desse ato normativo aos JCP, a respectiva despesa pertence ao períodobase em que é incorrida, cujo momento é aquele que esteja previsto no estatuto ou contrato social, quando este documento torne obrigatório o pagamento, ou, quando não haja tal obrigação estatutária, no momento em que a administração da pessoa jurídica decidir efetuar o pagamento ou crédito, pois é a partir daí que existe a obrigação incorrida incondicionalmente; verseá, inclusive, que este é o entendimento majoritário na jurisprudência; portanto, a alusão ao regime de competência, no art. 29 da instrução fiscal, significa que a despesa compete ao tempo decorrido entre uma data qualquer, não pre Fl. 663DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 664 14 estabelecida pela lei, e o término do prazo de computação dos juros, que também, à falta de disposição legal em contrário, somente pode ser qualquer em que os JCP se tornam devidos, e este é o da deliberação societária no sentido de pagálos; seria ilegal uma outra interpretação que sustentasse que o art. 29, efetivamente, pretenderia vincular o pagamento ou crédito ao períodobase fiscal, exigindo que qualquer desses atos fosse efetivado até o final do encerramento desse período, e que a computação dos juros também fosse vinculada a ele, ou seja, ao patrimônio líquido de abertura do mesmo, às mutações ocorridas durante ele, à TJLP desse lapso temporal, aos saldos de reservas de lucros e lucros acumulados quando da sua abertura e de lucros auferidos no respectivo encerramento; de mais a mais, ante o art. 29, seria preciso muito esforço para, a partir da simples referência ao regime de competência "Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão se deduzidos os juros" , concluir que ele proíba o pagamento baseado no tempo decorrido antes do períodobase no qual a dedução ocorre, porque os juros deveriam ter sido pagos no passado, enquanto que o pagamento no presente preenche todos os requisitos de cálculo da remuneração e dos limites de dedução; ademais, existe um outro ponto que não pode ser ignorado no julgamento desta questão, e que absolutamente impede a simples glosa da dedução dos JCP calculados desde elementos patrimoniais e temporais anteriores ao períodobase; tratase de que, se esses juros pertencessem a períodosbase anteriores e neles não tivessem sido pagos, os pagamentos em períodosbase posteriores seriam considerados como postergados, mas a respectiva dedução fiscal obrigatoriamente teria que ser admitida segundo as regras dos parágrafos do art. 6° do Decretolei n. 1598; realmente, como se sabe, desde o Decretolei n. 1598 a legislação do IRPJ admite deduções fiscais feitas antes ou após o período a que competem, ressalvando apenas a anulação de qualquer efeito favorável ao contribuinte, efeito este que seja indevidamente decorrente do fato da antecipação ou da postergação; quer dizer, nunca fica vedada a dedução antecipada ou atrasada, mas os seus efeitos fiscais ficam restritos a repor aqueles que teriam existido se o regime de competência tivesse sido observado, sem a adição de qualquer proveito para o contribuinte. E esta norma estaria envolvida em toda a discussão do presente tema, se os JCP devessem pertencer a um determinado períodobase; neste sentido, é muito importante notar que o art. 29 da Instrução Normativa SRF n. 11/96 não tem a mínima pretensão de contrariar a referida norma do Decretolei n. 1598, pois, mesmo que fosse entendido como determinante da dedução dos juros ano a ano, ou períodobase a períodobase, não proíbe, nem expressa nem implicitamente, que o respectivo pagamento ou crédito seja feito fora do períodobase competente; e, neste caso, o lançamento fiscal que coubesse teria que observar o disposto no Parecer Normativo COSIT n. 2/96, ao invés de simplesmente ser glosada inteiramente a dedução; contudo, a rigor nem é o caso de se falar em antecipação ou postergação ante a Lei n. 9249, pois esta estabelece, como condição para a dedutibilidade dos JCP, haver Fl. 664DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 665 15 pagamento ou crédito individualizado dos mesmos, e estabelece critérios temporais para o cálculo do seu montante, mas não datas de início e de fim de aplicação desses critérios. Também não estabelece prazo máximo para a ocorrência dos pagamentos ou créditos; a jurisprudência majoritária não destoa do entendimento manifestado acima, embora alguns precedentes tenham caminhado de forma diferente, como é o exemplo do aresto indicado como paradigma pela recorrente; antes de examinar a jurisprudência administrativa, cabe registrar que, em 17.12.2009, a primeira turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial n. 1086752/PR, proferiu decisão reconhecendo o direito do contribuinte de deduzir as despesas relativas ao pagamento ou crédito de JCP relativo a períodos anteriores; a decisão transcrita acima é irretocável e merece ser enaltecida. Além disso, no voto condutor da decisão unânime do tribunal restou consignado que "a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercício financeiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em ano calendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento"; em seguida, ao adentrar no exame do art. 29 da Instrução Normativa SRF n. 11, a primeira turma do STJ acertadamente afastou a pretensão fiscal no sentido de que a dedução da despesa com JCP somente poderia ocorrer no próprio anocalendário; na esfera administrativa, por sua vez, há inúmeros precedentes que asseguram o direito de calcular JCP sobre períodos passados, desde o antigo Conselho de Contribuintes até o atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dentre os quais a Impugnante entende conveniente destacar os acórdãos a seguir colacionados (ementas transcritas); a partir da análise dos acórdãos citados acima, é possível firmar as seguintes conclusões, que sufragam integralmente o procedimento adotado pela recorrida: · o períodobase para a dedução da despesa de JCP é aquele em que, após a aprovação da deliberação societária em Assembléia de Acionistas ou Reunião de Quotistas, ocorre o pagamento ou crédito individual ao sócio ou acionista; · é possível pagar JCP desde o ano em que tenham sido instituídos (1996), observandose as variações no patrimônio líquido ao longo de todo o tempo, desde a data inicial até a data do efetivo pagamento ou crédito; · os limites de 50% dos lucros ou prejuízos acumulados e 50% do lucro líquido são apurados com base nos respectivos valores no ano em que houver o pagamento ou crédito do JCP, independentemente do período de maturação; finalmente, apesar de tratarse de latente tentativa de inovar o feito, conforme já demonstrado, cumpre atacar o argumento da fiscalização no sentido de que a não deliberação do pagamento de JCP logo após o encerramento do período competente significaria renuncia, pelo contribuinte, no caso a recorrida, ao direito de pagamento/crédito de JCP aos sócios/acionistas; Fl. 665DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 666 16 levando em conta se tratar a renúncia, de um instituto do direito privado, cumprenos analisar a sua natureza no Código Civil, para, passo seguinte, verificar se tratarse, efetivamente, de hipótese de renúncia como quer fazer a crer a Fazenda Nacional; a possibilidade de efetuar o pagamento de JCP, assim como a de distribuir dividendos, fica a cargo das conveniências da própria empresa. Tratase, portanto, o pagamento de JCP, de um direito subjetivo concedido pela legislação fiscal às empresas, quando estas estiverem na contingência de remunerar os seus sócios. Aqui, importa repisar que o JCP é direito subjetivo das empresas. Em relação aos sócios, enquanto não houver a deliberação sobre o seu pagamento, eles não têm direito subjetivo aos mesmos, nem sequer expectativa de direito. Após a deliberação, no entanto, os sócios adquirem direito efetivo ao seu recebimento, mesmo que, ao final, por circunstâncias diversas, possa não vir a recebêlo; sendo assim, considerando que o pagamento de JCP constituise em direito subjetivo, ou seja, uma permissão dada por meio de norma jurídica para o exercício ou não de uma aptidão, o pagamento de JCP não constitui um direito das empresas, perfeitamente incorporados ao seu patrimônio e em relação aos quais possa usar, gozar, dispor livremente tal qual qualquer proprietário de um direito. Ao contrário, tratase de uma via aberta pela legislação para o uso de uma prerrogativa concedida, mas em relação a qual o ordenamento impõe uma série de conseqüências que não dependem da vontade de quem a exercita; a Lei n. 9249 não confere um direito, mas uma alternativa no exercício de um outro direito préexistente. Contudo, ao ser exercido, implicará efeitos fiscais que não ficam ao talante da empresa. Tratase, a toda evidência, de uma permissão jurídica para agir; por ser uma permissão jurídica para agir, ela depende, pois, da manifestação da vontade do agente, manifestação essa que será revelada pelo agir ou pelo não agir; o art. 1.228 do Código Civil é inequívoco ao dizer que "O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha". Ora, a faculdade de usar revela necessariamente também a faculdade de não usar, caso contrário não é faculdade, é regra impositiva e teria a lei que determinar ao proprietário que devesse sempre usar, gozar e dispor da coisa, até o exaurimento de suas potencialidades, o que seria francamente injurídico; o que se está querendo afirmar é que não usar uma coisa é uma forma negativa de fazer uso daquela mesma coisa. É muito diferente de abrir mão sobre o direito àquela coisa; a renúncia não é uma categoria jurídica ou um instituto, mas uma das muitas faces da manifestação volitiva. Por isso, não há no Código uma normatização específica para a renúncia, porque ela é simplesmente uma das muitas formas em que a vontade se manifesta. Dai o Código preocuparse, isto sim, em normatizar as circunstâncias em que a renúncia se manifesta e os seus efeitos, quer dizer, em quais circunstâncias se é autorizado a inferir a renúncia, sem uma manifestação expressa neste sentido; a renúncia é ato de manifestação da vontade destinado a produzir um efeito jurídico bastante específico: abrir mão de um direito. Resulta, portanto, sempre o empobrecimento do patrimônio do renunciante. O cuidado do Código é preservar o patrimônio do renunciante em relação ao que ele decidiu manter em seu patrimônio, o que é feito Fl. 666DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 667 17 emprestando efeitos estritos ao ato de renúncia. Vale dizer, a renúncia deve ser interpretada nos exatos termos em que manifestada, não podendo ser ampliada para além de seu objeto; a renúncia tácita, para ser validamente presumida, deve apoiarse nas circunstâncias em que o silêncio opera, substituindo os atos do titular do direito presumidamente renunciado por uma declaração expressa nesse sentido; o silêncio sempre opera por um ato omissivo, enquanto as declarações tácitas de vontade, nem sempre. Especificamente quanto à renúncia tácita à prescrição, o art. 191 afasta a possibilidade de que a mesma se possa dar por meio do silêncio. Só é possível presumila ante a existência de fatos que sejam incompatíveis à alegação de prescrição; essa distinção assume relevância para a análise que ora se intenta, porque, como visto, a Fazenda Nacional defende que a não utilização da permissão jurídica para pagamento de JCP logo após o encerramento do período, quando da realização da assembléia geral ordinária, manifeste uma renúncia a essa opção; todavia, a Fazenda Nacional confunde a mera inércia com a renúncia, pois que nesse caso nenhum ato há que leve a uma conclusão inequívoca de que o contribuinte apenas por não ter exercido essa opção, nos anos em que se quedou silente, tenha aberto mão desta prerrogativa; a alegação de renúncia ao direito que foi exatamente exercitado é totalmente incongruente com as determinações do Código Civil quanto à interpretação da renúncia e da renúncia tácita. Mormente porque nada há na legislação, fiscal ou societária, que imponha a necessidade de exercitar a faculdade de pagar JCP a cada ano ou em qualquer período de tempo; até porque, como visto, o silêncio puro e simples só se pode revestir de manifestação válida de vontade quando exista uma obrigação de manifestação expressa, o que absolutamente não há, seja analisando o art. 9º da Lei n. 9249, seja a Instrução Normativa SRF n. 11/96, seja pela obrigatoriedade de assuntos que devem ser objeto de deliberação pela AssembléiaGeral ordinária anual, na forma posta pelo art. 132 da Lei das S.A, conforme quer fazer quer a Fazenda Nacional; de modo que nada autoriza presumir renúncia à possibilidade de pagar JCP, pelo simples não exercício dessa faculdade em um determinado lapso de tempo, mormente porque nem a Lei n. 9249, nem a Lei n. 6404, repitase, fixam qualquer norma que imponha o exercício desta prerrogativa em período certo de tempo; nem se diga que o regime de competência impõe a conclusão da renúncia pelo não exercício do direito, porque o regime de competência não se presta a fixar norma extintiva de uma permissão jurídica que nada diz a respeito. Ao contrário, a aplicação do regime de competência deve ser observada quando do exercício desta opção legal, o que não interfere com a possibilidade de que haja pagamento de JCP acumulado, desde que os limites legais de dedução sejam respeitados. Mesmo porque só é possível falar em regime de competência, quando da deliberação do pagamento dos JCP. Quer dizer, sendo uma faculdade, antes do seu uso não é possível falar em competência; não existe renúncia à mera expectativa de direito; Fl. 667DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 668 18 como já dissemos, o pagamento de JCP não constitui um direito do contribuinte pessoa jurídica, mas tão somente uma via alternativa aberta pela legislação fiscal e que traz outro regime jurídico para hipótese de remuneração dos sócios de uma empresa. Não há qualquer direito incorporado ao patrimônio da empresa, há tão somente uma faculdade posta à disposição e que gerará direitos e deveres, isto sim, caso seja feita tal opção. Antes disso, nada há que possa revelar um direito adquirido da empresa. Resta a perplexidade de se admitir que se possa renunciar algo sobre o qual não se têm qualquer relação jurídica; o entendimento da Fazenda Nacional aqui combatido acaba por levar à conclusão injurídica de que existe na legislação regente da matéria uma limitação temporal implícita e que impõe o exercício da permissão jurídica de pagar JCP ao cabo de cada ano calendário; a legislação tributária que trata do JCP, seja a Lei n. 9249, sejam os demais atos normativos, em nenhum momento fixam qualquer lapso temporal para o exercício dessa via alternativa de remuneração dos sócios e do tratamento fiscal dela reflexo. A legislação societária igualmente nada fala a respeito da necessidade de deliberar sobre o seu pagamento ou não, quando da realização da AssembléiaGeral ordinária anual; o entendimento fiscal, além de não encontrar amparo na legislação vigente, ao contrário, acaba por afrontar o art. 109 do CTN e a liberdade de a empresa gerenciar seus interesses da maneira que melhor lhe aprouver, indo contra aos ditames da autonomia privada e da livre iniciativa; a recorrida não tentou alterar o que fora deliberado naqueles períodos anteriores. Pelo contrário, naqueles períodos, anteriores a 2007, decidiuse por não pagar JCP aos acionistas, o que foi devidamente respeitado, eis que não houve pagamento. Posteriormente, em 2007, verificandose situações de mercado e econômicas totalmente diferentes daquelas passadas, deliberouse pelo pagamento de JCP com base nos períodos anteriores, eis que a empresa, naquele momento, tinha condições de efetuar esse pagamento; não se trata, de forma alguma, em tentativa de alterar o que foi deliberado no passado, e desrespeitar ato jurídico perfeito. Pelo contrário, tratase de nova deliberação, tomada em condições totalmente diferentes, e em total conformidade com a lei que não prevê nenhum limite temporal para a pagamento, e dedutibilidade, do JCP pago ou creditado; com base no exposto, a recorrida postula seja negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO a discussão em referência é simples. O v. acórdão recorrido decidiu que não incidem juros de mora sobre a multa de ofício. A Fazenda Nacional, por sua vez, defende que há incidência dos juros sobre a multa; a legislação que rege a matéria foi sendo alterada ao longo do tempo, de forma que em determinados períodos havia a previsão de incidência de juros sobre as penalidades não recolhidas, e em outros períodos não existia qualquer disposição nesse sentido; Fl. 668DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 669 19 como se pode observar atualmente, no art. 61 da Lei nº 9.430/1996,, a incidência de juros passou a ocorrer sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal"; portanto, concluise que no regime da Lei n. 9430 somente os débitos decorrentes de tributos e contribuições é que estão sujeitos à incidência de juros de mora; e como a multa não possui natureza de tributo, nos termos do art. 3º do CTN, neste regime, ainda em vigor, não cabe a incidência de juros sobre ela; as transcrições das leis anteriores evidenciam que o legislador, ciente da diferença entre a natureza jurídica dos tributos e das respectivas penalidades, teve o cuidado de se referir de forma clara aos "débitos de qualquer natureza" quando pretendeu autorizar a incidência de juros sobre as multas; não foi o que ocorreu na Lei n. 9430, que em seu art. 61, tratou apenas de "tributos e contribuições", sem fazer qualquer menção a débitos de outra natureza; a própria Lei n. 9430, quando pretendeu autorizar a exigência de juros sobre a multa decorrente de lançamento "ex officio", o fez de forma expressa e específica. Tratase do art. 43 e do seu parágrafo único, que prevêem a incidência de juros moratórios sobre as multas isoladas; este é mais um fundamento que permite concluir que não há previsão legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa lançada proporcionalmente a tributo, e em conjunto com este; restaria, por derradeiro, a possibilidade de aplicação, sobre as multas de ofício, dos juros previstos no art. 161, do Código Tributário Nacional. Todavia, também o CTN não admite a cobrança de juros sobre a multa de ofício; o art. 139, do CTN, estabelece que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A seu turno, o art. 113, do CTN, determina que a obrigação tributária pode ser principal (de pagar tributo ou penalidade pecuniária) ou acessória (de fazer), sendo que a obrigação acessória "pelo simples fato de sua inobservância, converte se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária", nos termos do parágrafo 3º, do citado artigo 113; dessa forma, a penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é exatamente aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória, sendo que somente sobre esta penalidade, que por si só consubstancia (ou se converteu em) obrigação principal, podem incidir os juros de mora, seja de 1% ao mês com base no art. 161 supra, ou seja com base na taxa SELIC como atualmente previsto no art. 43 da Lei n. 9430; portanto, sobre a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal, exigida conjuntamente com o tributo não pago, não podem incidir juros moratórios, posto que se já estivesse incluída na expressão "crédito" sobre o qual incidem os juros de mora previstos no art. 161, do CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis"; Fl. 669DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 670 20 por fim, na remota hipótese de se entender que se deve incidir a taxa SELIC sobre a multa de ofício, essa não pode ultrapassar o índice de 1% ao mês, tendo em vista a previsão do art. 161, parágrafo 1°, do CTN; portanto, conforme exposto, resta claro que não há que se falar em incidência de juros sobre a multa de ofício, e, na hipótese de se entender pela aplicabilidade desses juros, estes devem ser limitados à 1% ao mês, ou à taxa Selic, o que for mais favorável ao contribuinte, razão pela qual não merece provimento o apelo da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 671 21 Voto Voto vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. 2. A divergência jurisprudencial restou perfeitamente configurada, e foram atendidos todos os demais requisitos que oportunizam o recurso. Portanto, conheço do Recurso Especial, analisando a preliminar levantada pela recorrida no item 3. Dividirei o presente voto nos seguintes títulos: · Análise do prequestionamento de matéria · Escopo · Da natureza jurídica dos JCPs · Do tratamento societário das despesas (de JCP) · Do regime de competência · Da existência, ou não, do direito de fazer incorrer em exercícios subseqüentes despesas de exercícios anteriores não incorridas · Da interpretação do art. 9 da Lei nº 9.429/95 · Da interpretação da IN da RFB de 1996 · Da Deliberação CVM nº 207, de 13 de dezembro de 1996 · Do precedente do STJ e do regime de caixa · Da renúncia e da decadência · Da postergação de tributo · DOS JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Análise do prequestionamento de matéria 3. Examino a preliminar. 3.1. Quando o contribuinte fala em matéria, visa tomar matéria por fundamento ou argumento de convencimento. Não se exige para o recurso especial que todos os argumentos já tenham sido préquestionados, caso contrário, seria inúteis os argumentos trazidos tanto no corpo do Recurso Especial, como nas próprias Contrarazões. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 672 22 3.2. A construção da ementa do recorrido é apenas uma forma de interpretação da norma; o que está em discussão é a interpretação da norma e não dos limites supostamente criados pelo acórdão recorrido. 3.3. Assim, pelo que já disse e também por entender que esse ponto é apenas razão de decidir, INDEFIRO a preliminar. Escopo 4. A matéria trazida à nossa apreciação diz respeito a: a) possibilidade de deduzir da base de cálculo do IRPJ (e da CSLL) pagamentos feitos a título de remuneração de Juros sobre Capital Próprio (JCP) relativos a anos anteriores; b) incidência de juros de mora sobre multa de ofício. 5. O dispositivo legal que dá ensejo a interpretações divergentes é o art. 9º, caput e §1º, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. Transcrevoo integralmente: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; ... § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 673 23 § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. 6. Há inúmeros julgados do CARF relativos a questão em apreço, tanto em um sentido (favorável a recorrente) quanto em outro (desfavorável a ela). Não pretendo aqui esgotar as diversas facetas da polêmica; mas apenas, além de apresentar minha visão, tratar de alguns pontos que entendo essenciais nas discussões, ainda que posteriores a este processo. 7. Entendo que assiste razão à recorrente, pelos motivos que passo a expor. Da natureza jurídica dos JCPs 8. Faço a constatação da existência de uma premissa fundamental que, embora bastante simples, acaba por ser totalmente esquecida, qual seja, que a natureza jurídica dos Juros sobre Capital Próprio não é derivada da norma fiscal que delimita condições para a sua dedutibilidade do IRPJ e da CSLL. 8.1. Os equívocos que encontrei em alguns precedentes que julgaram o tema consistiram em extrair a natureza jurídica dos JCPs do seu artigo de dedução fiscal. O fato é que isso acabou desfigurando a verdadeira natureza jurídica dos JCP e implicou numa teoria que resultou na inobservância da legislação societária. 8.2. Portanto, não me resta outra alternativa, antes de aprofundar no estudo das divergências entre o recorrido e os paradigmas, senão apontar algumas características essenciais da natureza jurídica dos JCPs. 9. Cito inicialmente duas características essenciais da natureza jurídica dos Juros sobre Capital Próprio: a) a primeira é que visam à REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS; e b) a segunda é que são JUROS (como o próprio nome os qualificam). 9.1. Constatase, com isso, que as quantias que os sócios recebem à título de remuneração do capital próprio não podem se confundir com o patrimônio da entidade. Assim, para estar de acordo com a real natureza jurídica, os JCPs somente podem ser entendidos como elementos que não venham a se integrar ao patrimônio da sociedade (consistindo numa rubrica redutora do mesmo), ou seja, não podem estar em contas redutoras dos lucros acumulados, das reservas de lucros ou de outras contas do patrimônio líquido. 9.2. Portanto, pela razão do subitem 9.1, na apuração do lucro líquido do exercício, os valores destinados aos sócios como remuneração do capital devem compor o lucro contábil da entidade; o que implica, necessariamente, em reconhecêlos como integrantes do resultado do exercício da sociedade, ou, seja, assumindo a natureza de DESPESA, não se admitindo que sejam incorridos apenas no momento em que sejam decididas as destinações dos lucros. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 674 24 9.3. Entender diferentemente seria negar validade ao princípio da entidade, que veda confundir o patrimônio dos sócios com o patrimônio da sociedade, bem como prever o enriquecimento dos sócios em detrimento da empresa. Confirase o que diz a Resolução nº 750, de 29/12/1993, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), sobre o princípio da entidade: CAPÍTULO I DOS PRINCÍPIOS E DE SUA OBSERVÂNCIA Art. 1º Constituem PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE (PFC) os enunciados por esta Resolução. § 1º A observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC). § 2º Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais. CAPÍTULO II DA CONCEITUAÇÃO, DA AMPLITUDE E DA ENUMERAÇÃO ... SEÇÃO I O PRINCÍPIO DA ENTIDADE Art. 4º O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único – O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil. 9.4. Deste Princípio Fundamental da Contabilidade (PFC) societária saltam conceitos como de autonomia patrimonial, de diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, além da evidente e contundente conseqüência: "o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição". Assim, para que esse PFC seja observado, é de rigor que o incorrimento dos JCPs não se dê na integração do patrimônio da sociedade; devendo, os Juros sobre Capital Próprio, inevitavelmente, transitar pelo resultado da sociedade como despesa. 9.5. O CFC, considerando a conveniência de um maior esclarecimento sobre o conteúdo e abrangência dos PFCs, emitiu a Resolução nº 774, de 16/12/94, dando interpretação à Resolução CFC nº 750/93, por meio de um apêndice. Sobre o princípio da entidade foi melhor detalhada a questão da autonomia patrimonial: 2.1.1 – A autonomia patrimonial O cerne do Princípio da ENTIDADE está na autonomia do patrimônio a ela pertencente. O Princípio em exame afirma que o patrimônio deve revestirse do atributo de autonomia em relação a todos os outros Patrimônios existentes, pertencendo a uma Entidade, no sentido de sujeito suscetível à aquisição de direitos e Fl. 674DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 675 25 obrigações. A autonomia tem por corolário o fato de que o patrimônio de uma Entidade jamais pode confundirse com aqueles dos seus sócios ou proprietários. Por conseqüência, a Entidade poderá ser desde uma pessoa física, ou qualquer tipo de sociedade, instituição ou mesmo conjuntos de pessoas, tais como: famílias; empresas; governos, nas diferentes esferas do poder; sociedades beneficentes, religiosa, culturais, esportivas, de lazer, técnicas; sociedades cooperativas; fundos de investimento e outras modalidades afins. No caso de sociedades, não importa que sejam sociedades de fato ou que estejam revestidas de forma jurídica, embora esta última circunstância seja a mais usual. O Patrimônio, na sua condição de objeto da Contabilidade, é, no mínimo, aquele juridicamente formalizado como pertencente à Entidade, com ajustes quantitativos e qualitativos realizados em consonância com os princípios da própria Contabilidade. A garantia jurídica da propriedade, embora por vezes suscite interrogações de parte daqueles que não situam a autonomia patrimonial no cerne do Princípio da Entidade, é indissociável desse princípio, pois é a única forma de caracterização do direito ao exercício de poder sobre o mesmo Patrimônio, válida perante terceiros. Cumpre ressaltar que, sem autonomia patrimonial fundada na propriedade, os demais Princípios Fundamentais perdem o seu sentido, pois passariam a referirse a um universo de limites imprecisos. A autonomia patrimonial apresenta sentido unívoco. Por conseqüência, o patrimônio pode ser decomposto em partes segundo os mais variados critérios, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos. Mas nenhuma classificação, mesmo que dirigida sob ótica setorial, resultará em novas Entidades. Carece, pois, de sentido, a idéia de que as divisões ou departamentos de uma Entidade possam constituir novas Entidades, ou “microentidades”, precisamente por que sempre lhes faltará o atributo da autonomia. A única circunstância em que poderá surgir nova Entidade, será aquela em que a propriedade de parte do patrimônio de uma Entidade, for transferida para outra unidade, eventualmente até criada naquele momento. Mas, no caso, teremos um novo patrimônio autônomo, pertencente a outra Entidade. Na contabilidade aplicada, especialmente nas áreas de custos e de orçamento, trabalhase, muitas vezes, com controles divisionais, que podem ser extraordinariamente úteis, porém não significam a criação de novas Entidades, precisamente pela ausência de autonomia patrimonial. 9.6. Da interpretação autêntica do princípio da entidade, percebese que o cerne deste está na autonomia patrimonial, que está indissociavelmente ligado à garantia jurídica da propriedade, como "única forma de caracterização do direito ao exercício de poder sobre o mesmo patrimônio, válida perante terceiros". 9.6.1. Daí se conclui que terceiros (a exemplo dos sócios) não podem dispor livremente (fora das formas jurídicas concebidas para a correta disposição) do patrimônio da sociedade, que detém autonomia patrimonial e garantia jurídica de sua propriedade. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 676 26 9.6.2. Portanto, para que haja o respeito à autonomia patrimonial da sociedade e de forma a respeitar o seu direito de propriedade, os JCPs devem passar pelo resultado da sociedade no momento do reconhecimento da despesa do exercício, e não serem incorridos a partir do seu patrimônio já formado. 9.7. Desse raciocínio, verifico mais uma característica essencial da natureza jurídica do JCPs: transitam pelo resultado por serem despesas, sendo deduzidas para formação1 do lucro líquido do exercício. Ademais, essa característica está de acordo com o fato dos Juros sobre Capital Próprio serem Juros, pois os outros tipos de juros sempre são despesas para quem os deve. 9.7.1. Esta característica já foi sabiamente identificada no Acórdão do Processo nº 13888.721267/201290, Acórdão nº 1101001.186, da lavra da Conselheira Edeli Pereira Bessa: Assim, embora os juros sobre o capital próprio apresentem alguma semelhança com o tratamento societário conferido aos dividendos, consoante alegado pela contribuinte em sua impugnação, há uma diferença essencial entre eles: os juros sobre o capital próprio representam o custo do capital investido pelos sócios e, portanto, despesa da pessoa jurídica, ao passo que os dividendos correspondem a distribuição do resultado. Como despesa, conceitualmente os juros sobre o capital próprio antecedem a apuração do lucro contábil. O crédito ou pagamento futuro de juros sobre o capital próprio, portanto, exige o seu prévio provisionamento, de modo a reduzir o lucro do período. Se desta forma não se procede, o resultado do período, majorado pela ausência daquela dedução, passa a ter o status de lucro a ser destinado nos termos do art. 192 da Lei nº 6.404/76. Ainda que os limites legais de dedutibilidade tenham em conta as reservas de lucros e lucros acumulados, a fixação de tais limites tem por objetivo apenas evitar a descapitalização da pessoa jurídica com a remuneração dos sócios, e não evidencia, por si só, que valores já destinados a reservas de lucros e lucros acumulados possam ter sua natureza revertida, por deliberação futura, de lucro para despesa. Vejase que a referida provisão, com vistas a reduzir o lucro do período ao qual competiriam os juros, não resulta em despesa dedutível na medida em que legislação exige deliberação e individualização do pagamento ou crédito dos juros sobre o capital próprio. Mas é essencial para evitar que tais valores integrem o lucro e sejam destinados a outro fim. Em suma, cabe à sociedade decidir como remunerar o capital investido pelos sócios: por meio de juros ou de lucros. E esta decisão deve ser tomada antes da destinação do lucro líquido do exercício, na forma do art. 192 da Lei nº 6.404/76. Ultrapassado este momento, sem o prévio provisionamento dos juros, a deliberação de seu pagamento futuro, associada ao crédito ou pagamento individualizado, não é suficiente para constituir, neste segundo momento, despesa dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL, como defende a recorrente. 9.8. Ainda que não seja causa do fato dos JCPs serem despesas, mas conseqüência disso, o que concorda com a realidade dos outros tipos de juros, constatase que, para aqueles que recebem JCPs, estes são considerados receitas e assim tributados. 1 Todos os interessados na escrituração da sociedade, sejam os clientes, os fornecedores, os sócios/acionistas, a própria sociedade, tem direito a evidenciação desse fato. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 677 27 9.9. Um corolário imediato da característica essencial dos Juros sobre Capital Próprio SEREM JUROS é que: para haverem juros, há de haver empréstimo ou financiamento2 de algo. E esse algo, no caso dos JCP, é o capital dos sócios, ou seja, há de haver "empréstimo" do capital dos sócios. 9.10. Digo isso porque é comum as abordagens sobre esse tema fazerem analogia entre os Juros sobre Capital Próprio (pago aos sócios) e os juros pagos a terceiros por empréstimos contraídos pela empresa. 9.11. Essa analogia faz sentido na medida em que: a integralização do capital da pessoa jurídica se dá pela transferência de capital dos sócios para a empresa; a empresa realiza suas atividades com esse capital dos sócios que foi para ela transferido/disponibilizado; o patrimônio líquido da pessoa jurídica representa "dívida" desta para com os sócios (por isso, aliás, o PL figura na coluna do passivo). 9.12. Mas a "dívida" que motiva o pagamento de JCP também guarda diferenças com as dívidas que fundamentam o pagamento de juros por empréstimos contraídos com terceiros, especialmente no que diz respeito aos índices de remuneração do capital "emprestado" e às condições para a sua dedutibilidade, que são fixadas em lei e não em um contrato de empréstimo tomado, por exemplo, junto a uma instituição financeira. 9.13. No caso, de acordo com o art. 9º da Lei nº 9.249/1995, o índice de remuneração do capital admitido para fins de apuração do lucro real é a Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP definida especificamente para o período em que o capital dos sócios ficou à disposição da empresa, ou cinco por cento ao ano (o que for menor). 9.14. Vale registrar que a TJLP é definida por períodos trimestrais, e que o dispositivo legal acima referido estabelece que tanto essa taxa quanto os cinco por cento ao ano devem ser aplicados "pro rata die", ou seja, proporcionalmente aos dias em que o capital dos sócios ficou em poder da empresa. 9.15. A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência, que é matéria examinada adiante. Do tratamento societário das despesas (de JCP) 10. Pois bem, uma vez sedimentado que os JCP transitam pelo resultado como despesas, há que perquerir qual o tratamento específico dado pela legislação a essas despesas. Consultandose a legislação societária, constatase que, de fato, não há nenhum tipo de tratamento específico às despesas de JCPs. Em assim sendo, frente a esse vazio normativo da legislação comercial, concluo que as despesas de JCP entram nas regras gerais de tratamento de despesas. 2 A partir desse momento, citarei apenas empréstimo, sem prejuízo de financiamento se mostrar como o instituto jurídico mais apropriado. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 678 28 11. Como bem sabido, despesa é um item do resultado do exercício. Apurado o resultado do exercício a partir das receitas e das despesas, encerramse as receitas e as despesas, as contas contábeis onde são registradas são zeradas ao final do exercício. 11.1. Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. 11.2. Apenas as contas patrimoniais tem influencia de um ano para outro, as contas de resultado de um exercício não podem influenciar anos subseqüentes, é um pilar essencial que as contas de resultado iniciamse e extinguemse dentro de um mesmo exercício. 11.3. É o que se deduz do art. 187 da Lei nº 6.404, de 15/12/1976, que dispõe sobre as Sociedades por Ações (S.A.): Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais; (Redação dada pela Lei nº 9.249, de 1995) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados; VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. 12. Uma despesa, para ser deduzida do resultado societário de outro exercício, necessita de autorização legal nesse sentido que venha a ser uma exceção ao §1º do art. 187 da Lei das S.A. 13. O conceito de exercício é precisamente definido pela legislação societária e, conforme o art. 175 da Lei das S.A., bem delimitado temporalmente (tendo duração de um ano), sem possibilidade de alteração desse período (exceto nos casos especiais relacionado no parágrafo único deste mesmo artigo); apenas a data de término pode ser alterada. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 679 29 SEÇÃO I Exercício Social Art. 175. O exercício social terá duração de 1 (um) ano e a data do término será fixada no estatuto. Parágrafo único. Na constituição da companhia e nos casos de alteração estatutária o exercício social poderá ter duração diversa. 13.1. Ademais, o conceito de exercício é tão caro para a legislação societária que os próprios conceitos de resultado e de lucro líquido estão sobre eles assentados, é o que se infere da leitura dos arts. 176, 189 e 191 da Lei nº 6.404/1976. Do regime de competência 14. A Lei das Sociedades por Ações estabeleceu como regra de observância obrigatória o regime de competência, através de seu art. 177, a seguir transcrito: Escrituração Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. ... 14.1. Dessa imposição legal, verificase que as mutações patrimoniais da sociedade estão vinculadas ao regime de competência. Essa é a regra geral da Lei das S.A., e não é somente a regra geral, é a regra para a totalidade dos casos; pois, na legislação societária, não foi normatizada nenhuma exceção. E, onde não há exceção, na ausência de disposição expressa em contrário, a regra se aplica. 14.2. Como não foi criada para as despesas de Juros com Capital Próprio nenhuma exceção própria ao regime de competência, daí então se conclui que elas estão submetidas a esse regime. Não há necessidade de disposição expressa na Lei das S.A. que preveja especificamente para as despesas de JCPs que elas devam atender ao regime de competência. 15. Quando se fala em regime de competência, um outro conceito é interno a este, qual seja, o conceito de exercício social (estudado no item 13). Assim regime de competência depende de exercício social, ou seja, é função deste; em outras palavras, mudouse o exercício social, mudouse o regime de competência; não se pode, portanto, construir um conceito de regime de competência dissociado de exercício social. 16. Ademais regime de competência é um instituto jurídico tradicional, de definição bem precisa e sobre o qual a legislação fiscal pôde estruturar a tributação no tempo. Confirase as disposições do art. 9º da Resolução CFC nº 750/93: Fl. 679DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 680 30 SEÇÃO VI O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. (...) 17. O regime de competência apresenta o seguinte elemento chave: o correlacionamento simultâneo entre as receitas e as despesas (também entendido como princípio do confronto das despesas com as receitas e com os períodos contábeis). A concretização do regime de competência para as despesas consiste no reconhecimento das despesas no momento em que incorridas, não estando relacionado (sendo o reconhecimento independente) com recebimentos ou pagamentos. 17.1. Sobre essa realidade não preciso muito discorrer, sendo suficiente a lição da FIPECAFI3, em seu Manual4: 3.1.5.4 O PRINCÍPIO DO CONFRONTO DAS DESPESAS COM AS RECEITAS E COM OS PERÍODOS CONTÁBEIS ENUNCIADO: "Toda despesa diretamente delineável com as receitas reconhecidas em determinado período, com as mesmas deverá ser confrontada; os consumos ou sacrifícios de ativos (atuais ou futuros), realizados em determinado período e que não puderam ser associados à receita do período nem às dos períodos futuros, deverão ser descarregados como despesa do período em que ocorrerem..." É importante notar que a base do confronto não está relacionada ao montante dos recursos efetivamente recebido em dinheiro ou pago, no período, mas às receitas reconhecidas (ganhas), nas bases já mencionadas, e às despesas incorridas (consumidas) no período. Assim, podemos consumir ativos pagos no mesmo período ou adquiridos em períodos anteriores. Pode ocorrer o caso de sacrifícios de ativos, no esforço de propiciar receita, cujos desembolsos efetivos somente irão ocorrer em outro exercício, ou de se incorrer em despesas a serem desembolsadas posteriormente (sacrifício de ativo no futuro, ativo esse que pode nem existir hoje). Todas as despesas e perdas ocorridas em determinado período deverão ser confrontadas com as receitas reconhecidas nesse mesmo período ou a ele atribuídas, havendo alguns casos especiais: 3 FIPECAFI = Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP. 4 Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (aplicável às demais sociedades). IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. São Paulo: Editora Atlas S.A. 6a Edição, pgs. 64 e 65. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 681 31 a) os gastos de períodos em que a entidade é total ou parcialmente pré operacional. São normalmente ativados para amortização como despesa a partir do exercício em que a entidade, ou a parte do ativo, começar a gerar receitas; b) a parcela dos gastos dos departamentos de pesquisa e desenvolvimento que superar o montante necessário para manter o setor em funcionamento, independentemente do número de projetos em execução. (Esses últimos gastos incluem os salários fixos dos pesquisadores e as depreciações dos equipamentos permanentes.) Todo o gasto incremental necessário para determinado projeto poderá ser ativado e, quando o projeto iniciar a geração de receitas, amortizado contra as receitas. Os gastos diferidos que não vierem a gerar receitas deverão ter seus valores específicos descarregados como perda no período em que se caracterizar a impossibilidade da geração de receita ou o fracasso ou desmobilização do projeto. Os gastos com propaganda e promoção de venda, mesmo institucional, deverão ser considerados como despesas dos períodos em que ocorrerem. Somente um motivo muito forte e preponderante pode fazer com que um gasto deixe de ser considerado como despesa do período, ou através do confronto direto com a receita ou com o período. Se somos conservadores no reconhecimento da receita, devemos sêlo, em sentido oposto, com a atribuição de despesas. Os juros e encargos financeiros decorrentes da obtenção de recursos para construção ou financiamento de ativos de longo prazo de maturação ou construção somente poderão ser ativados durante o período préoperacional. Entretanto, seu montante deverá ser contabilizado em conta específica de ativo a ser amortizada a partir do exercício em que o ativo entrar em operação. As demais despesas financeiras serão apropriadas aos períodos em que foram incorridas. 17.2. Alguns pontos devem ficar bastante sedimentados, quais sejam: a) a base de confronto não está relacionada aos recursos pagos; b) as despesas financeiras devem ser apropriadas no período em que incorridas, excetuado os casos de despesas préoperacionais (aqui inaplicável); e c) somente situações extremamente especiais (como as mencionadas na lição, entre as quais não se enquadra o presente processo), autorizase a quebra da consideração da despesa do período através do confronto direto com a receita do período. 18. Bem situadas essas verdades, a aplicação ao caso concreto leva a constatar que as despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. 18.1. Assim, andou bem o voto vencedor do Acórdão nº 120100.348, de 11/11/2010, da lavra do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, ao dizer: a pessoa jurídica deverá reconhecer a despesa ao longo do tempo em que empregado o capital objeto da remuneração. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 682 32 18.2. Também acertado o voto condutor do Acórdão n° 1201000.857, do mesmo Conselheiro citado, de 10/09/2013: a despesa com juros deve ser apropriada nos mesmos períodos em que a pessoa jurídica empregou o capital no desenvolvimento de suas atividades. 19. Daí então se conclui que o incorrimento da despesa deve se dar no exercício das receitas (geradas pelo uso do capital) que vão formar o resultado do mesmo exercício; que, em sendo positivo, será chamado de lucro líquido daquele exercício. 19.1. Sendo certo que as despesas devem estar correlacionadas com as receitas do mesmo exercício, questionase: o que as despesas de JCPs de um exercício têm a ver com as receitas do exercício anterior, ou com as receitas do exercício de dois, três, quatro ou cinco anos anteriores? Pareceme que nada. 19.2. De fato, as despesas de JCP só guardam alguma correlação com as receitas que formam o lucro líquido do mesmo exercício, pois é neste período que o capital próprio foi empregado para geração de receitas (e, conseqüentemente, do lucro) daquele exercício. 20. Portanto, eventual data da assembléia que determine pagamento de JCP não consegue atender ao regime de competência, primeiro porque se utilizou do principal fator que este regime teve o cuidado de absolutamente afastar (qual seja, o pagamento); depois porque a data de assembléia não representa duração de utilização, pela sociedade, do capital que lhe foi disponibilizado pelos sócios; e, por fim, esta data não é tempo de geração de receitas, para fins de confrontação. 20.1. A defesa da recorrida é insistente em afirmar que o incorrimento da despesa é o momento do pagamento (seja o determinado no estatuto ou contrato social, seja na data da assembléia que delibere sobre pagamento, seja na data da decisão da administração no silêncio destes). Nada mais contrário ao regime de competência, no qual o tempo do pagamento é totalmente irrelevante para o reconhecimento das despesas. 21. Sabendose que o incorrimento da despesa se dá no exercício da aplicação do capital investido pelos sócios/acionista na sociedade (no tempo em que a empresa faz usufruto desse capital), ou ainda, o incorrimento da despesas num exercício se opera quando há correlação com as receitas de igual exercício; é elementar ver que data de AG que delibere sobre pagamento de JCPs não tem o condão de modificar a data do incorrimento das despesas de JCPs. 22. Não obstante tudo o que se disse, é muito importante deixar claro que é possível fazer incorrer as despesas de JCP de um exercício relativamente ao capital disponibilizado naquele exercício e não efetuar pagamento algum a título de JCPs (assim não haverá lançamento do caixa/banco contra despesas). Neste caso, o que deve ser feito é a constituição da OBRIGAÇÃO/DÍVIDA DE PAGAR JCPs, que formará uma dívida da sociedade para com os sócios (sendo registrada no passivo), de forma que esse DEVER da empresa fique evidenciado. Isso está perfeitamente de acordo com o regime de competência. 23 O tempo da constituição da obrigação de pagar juros é simultâneo ao do incorrimento das despesas, pois essa obrigação é a contrapartida contábil (para atender o método das partidas dobradas) do registro das despesas incorridas. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 683 33 23.1. E essa obrigação pode ser conservada ao longo de vários exercícios (ou seja, num exercício poderá haver passivos de JCPs de exercícios anteriores), sem que se aponte qualquer inobservância ao regime de competência; de forma que, quando se der o pagamento, satisfeita será a dívida, sem qualquer vinculação com as despesas de JCPs incorridas no eventual exercício em que houver o pagamento. 23.2. Esses fatos serão relevantes mais a frente ao se enfrentar a interpretação da norma fiscal: o art. 9º da Lei nº 9.249/95. Da existência, ou não, do direito de fazer incorrer em exercícios subseqüentes despesas de exercícios anteriores não incorridas 24. Analiso agora se as despesas de JCP que deixaram de ser incorridas em exercícios anteriores, que deixaram de ir ao resultado destes exercícios, podem ser incorridas em exercícios posteriores. Ou ainda, se a sociedade adquiriu, frente à legislação societária, o direito de deduzir, do lucro líquido, a despesa incorrida com a manutenção do capital dos sócios na sociedade em anos anteriores (embora não tenha deliberado sobre isso no momento adequado). 25. Como visto no tópico anterior, as despesas de JCP, por não serem exceção ao regime de competência, são despesas padrão: devem ser levadas ao resultado quando incorridas (ao tempo em que o sócio disponibilizou o capital para a empresa) e independem do pagamento para sua dedução na contabilidade societária. 26. Assim, a despesa é incorrida pela manutenção do capital dos sócios na empresa durante o exercício em que o resultado é apurado. Se a despesa for incorrida em exercício diferente ao do qual o capital vinculado a essa despesa esteve disponibilizado, então essa despesa não estará mais vinculada ao capital do exercício anterior, mas sim ao capital do exercício em curso; havendo, portanto, flagrante desrespeito à regra do confronto, e, conseqüentemente, ao regime de competência. 27. O direito de fazer incorrer despesa na lei societária é determinado no tempo do art. 175 da Lei das S.A., ou seja, no exercício, assim não existe direito de fazer incorrer despesa de exercícios anteriores (art. 187, III e IV e §1ºb). Na observância do regime de competência, também não há direito de postergação de despesa para exercícios seguintes. 28. Ademais, as despesas de exercícios anteriores que deveriam ter lá tido seu incorrimento não podem ser incorridas em exercícios futuros, conforme vedação do art. 186, §1º, da Lei nº 6.404/1976: Art. 186. ... ... § 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. ... Fl. 683DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 684 34 29. Portanto, o que ocorreu nos autos não foi mudança de critério contábil e também não foi retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. 30. Pelo exposto, concluo que não há direito algum5 de fazer incorrer em exercícios subseqüentes despesas de exercícios anteriores não incorridas, ou seja, inexiste direito da sociedade a deduzir do lucro líquido do ano despesas de JCP que deixaram de ser incorridas em anos anteriores, tanto por contrariedade ao art. 177 (regime de competência) como por não se enquadrar no art. 186, §1º, e no art. 187, III e IV e §1ºb, todos da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.A). 31. Ressalto ainda que o caso dos autos, embora defenda a existência do direito aqui afastado, sequer trata realmente desta possibilidade; pois, não houve no lucro líquido do exercício de 2007, apurado segundo a legislação societária, a dedução de despesas não incorridas de JCPs de exercícios anteriores (2002 a 2006). O lucro líquido do exercício de 2007 não foi afetado por estas "despesas"6 de anos anteriores, a dedução foi apenas do lucro real. 32. O art. 192 da Lei das S.A. também auxilia na compreensão do problema: Proposta de Destinação do Lucro Art. 192. Juntamente com as demonstrações financeiras do exercício, os órgãos da administração da companhia apresentarão à assembléiageral ordinária, observado o disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta sobre a destinação a ser dada ao lucro líquido do exercício. 32.1. A destinação do lucro é uma decisão submetida à assembléia de sócios/acionistas do exercício. E estes devem estar atentos aos itens de custos e despesas que acabam por reduzirem os seus lucros. Daí porque talvez a Lei das S.A. tenha sido tão restritiva no seu art. 186, §1º, em razão da seriedade que envolve a apuração do lucro líquido do exercício, com a conseqüente destinação dos lucros, impactando todos os exercícios futuros. 32.2. Uma despesa que deixe de ser incorrida em um exercício e que pretensamente venha a ser ratificada em outro exercício pode acabar por reduzir o lucro de um quadro de sócios/acionistas diferente do quadro de sócios/acionistas do exercício em que a despesa não foi considerada, prejudicando uns em detrimento dos outros; e, inevitavelmente, influenciando o valor das ações. 32.3. Esta consideração apenas não seria válida se a estrutura societária se mantivesse intacta durante os cinco anos ou mais, o que é muito improvável em se tratando de sociedade de capital aberto, ainda mais que a norma em debate é de aplicação aos mais diferentes setores da economia. Da interpretação do art. 9º da Lei nº 9.429/95 33. O art. 9º da Lei nº 9.429/95 não modifica nada que esteja assentado na legislação comercial/societária, pelo contrário, ele deve ser interpretado de forma a se harmonizar com os princípios e regras gerais dessa legislação. 5 O direito somente é adquirido se estiver de acordo com ordenamento jurídico, o que não se deu. 6 Que não foram nem serão despesas. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 685 35 33.1. A referida norma legal apenas concedeu autorização de dedutibilidade do lucro real das despesas incorridas7 e pagas, não concedeu esse tratamento para despesas pagas e não incorridas (como é o caso de despesas que deixaram de ser incorridas no exercício anterior, que poderiam ser despesas no exercício anterior; mas, nesse exercício, não são despesas, nem conservam a capacidade de serem incorridas). 34. Na óptica da analogia que se fez com os empréstimos de modo geral como fundamento para pagamento de juros, a empresa não está limitada a deduzir, do lucro líquido do exercício, qualquer valor de despesas de JCP. Ou seja, para a legislação societária, não há qualquer restrição de quantidade, daí porque o capital pode ser disponibilizado para a empresa a taxas maiores do que a TJLP. Já no âmbito fiscal não se pode dizer o mesmo. As despesas de JCP do exercício devem observar conjuntamente os limites do caput e do §1º do art. 9º da Lei nº 9.429/95 e o excesso dessas despesas devem ser estornadas, em obediência ao art. 6º, §2º "a", do DecretoLei nº 1.598, de 26/12/1977. 35. Conforme visto nos itens 22 e 23, os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, e devidamente escriturada (no passivo) e constituída8 a corresponde obrigação/dívida de pagálos. Foi visto que essa forma de agir não contraria o regime de competência. A dúvida surge em relação a saber se este procedimento prejudica a norma do ponto de vista fiscal, o que demanda análise. 36. A expressão utilizada pelo art. 9º da Lei nº 9.429/95 não foi "despesa de juros pagos ou creditados", foi apenas "juros pagos ou creditados"; assim, não se pode limitar esse artigo de forma a permitir apenas a dedução de despesas incorridas no exercício e pagas no mesmo exercício. Portanto, os "juros" devem ser entendidos como "despesa de juros" e "obrigações/dívidas9 de juros". 36.1. Assim, podese falar em direito em relação a descontar juros pagos, seja pagamento das despesas de JCPs do exercício, seja satisfação pelo pagamento da dívida de pagar JCPs que tiveram suas despesas incorridas em exercícios anteriores. Concluise, dessa leitura do dispositivo fiscal, que o procedimento dos itens 22/23 e 35 não impossibilitam a dedução da despesa. 36.2. O contribuinte alega inexistir restrição temporal neste artigo. Não há, propriamente, restrição temporal, há restrição material, explico: para que os JCP sejam pagos, é necessário que os JCP a serem pagos existam; caso contrário estarseia pagando outra coisa indedutível que não JCP (como foi o caso que resultou na autuação em julgamento). 36.3. Ou ainda, há de existirem as despesas de JCPs do exercício (que serão pagas no exercício, o que dispensa a necessidade da constituir obrigação de pagar) ou existir obrigação de pagar JCPs para serem satisfeitas pelo pagamento, obrigação esta constituída em razão das despesas de juros relativas a exercícios anteriores não terem sido pagas nos exercícios em que incorridas. 7 Porque se não forem incorridas sequer despesas serão. 8 Conforme o item 23.1, é igual o tempo da constituição da obrigação de pagar juros e o do incorrimento das despesas, pois aquela é quem equilibra contabilmente o lançamento datas. 9 Ou juros a pagar. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 686 36 36.4. Não obstante, ainda que a norma fiscal não vede a dedução do lucro real dos valores pagos para extinguir a dívida de pagar JCPs de exercícios anteriores, também o montante pago daí originado está submetido aos dois limites (o do caput e o do §1º) do art. 9º da Lei nº 9.429/95. 36.5. Ademais, tendo em vista serem os limites direcionados para os "juros" (assim entendido o gênero, dos quais as despesas e as obrigações seriam espécies), então este limite deve ser compartilhado (ou seja, os valores devem ser somados) entre o total das despesas pagas de JCPs do exercício e o total dos pagamentos para quitar as dívidas de pagar JCPs de exercício anteriores, estando o excesso submetido ao art. 6º, §2º, "a", do DecretoLei nº 1.598/1977. 37. No caso dos autos, não haviam obrigações/dívidas (ausência de passivo), da sociedade, de pagar JCPs vinculadas a despesas de JCPs incorridas em exercícios anteriores, estas dívidas inexistiam, em virtude de não terem sido constituídas pela falta do incorrimento, nos exercícios anteriores, das despesas de JCPs, resultando em desobediência do art. 177 (regime de competência) e do art. 186, §1º, da Lei das S.A. 37.1. Assim, o que foi estornado sequer pode ser chamado de excesso de Juros sobre Capital Próprio (pois não era baixa de passivo de JCP, nem tampouco despesas de JCP já que essas somente as incorridas no exercício). Tratouse, na realidade, da conversão de bens (numerários) da empresa em direitos desta para com os sócios ou em redução dos direitos destes para com a sociedade; contabilmente (na legislação societária), deuse10 permutação de ativos (redução dos ativos de recursos contra aumento dos ativos de direitos exigíveis dos sócios – a exemplo de empréstimos aos sócios) ou troca dos ativos de recursos por redução do patrimônio líquido (seja da conta dos lucros acumulados, seja da conta das reservas de lucros, ou ainda da redução do capital social respectivo aos sócios que receberam os citados recursos), sendo assim destinação do próprio PL (o que ratifica que não pode haver nenhuma repercussão fiscal). Improcedente, portanto, reduzir os ativos de recursos tendo por contrapartida a redução dos exigíveis de IRPJ e CSLL. Da interpretação da IN da RFB de 1996 38. A Instrução Normativa (IN) SRF nº 11, de 21/02/1996, ao tratar dos Juros sobre Capital Próprio, trouxe o caput do art. 29 com a seguinte redação: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. 39. Comparandose o texto do caput do art. 29 da IN SRF nº 11/1996 com o caput do art. 9º da Lei nº 9.249/1995, observase que foi incluído a expressão "observado o regime de competência". 40. Surgiram questionamentos a respeito da legalidade do caput do citado art. 29, por ter incluído essa expressão em sua redação. 10 E assim, portanto, deveriam ter sido tratados na escrituração da sociedade. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 687 37 40.1. A legalidade dessa inclusão me parece tão obvia que, para defendêla, entendo suficiente a leitura do dispositivo sem a expressão atacada para verificar que não haverá nenhuma modificação de aplicação do caput do art. 29 da IN SRF nº 11/1996, ou seja, com ou sem a expressão incluída o artigo tem a mesma efetividade. 40.2. É fato que não é a expressão guerreada que impõe a observância do regime de competência, nem para a legislação societária, tampouco para a legislação fiscal. Como ficou cristalino no item 14 e seus subitens, o regime de competência é dever legal, é regra geral, sem exceção para a legislação societária e com exceções para a legislação fiscal desde que expressas (entre as quais os JCP não se enquadram). 40.3. Aqui dáse a velha retórica, eu enuncio no dispositivo específico a regra geral, leio o dispositivo específico e vejo que a regra geral não está escrita nele, em seguida tento defender que, como a regra geral não está ali expressa, então tratase de uma exceção. A isso se responde apenas que a exceção não se presume nem que a regra geral tem que ser escrita em todos os lugares. 40.4. Assim, não há qualquer ilegalidade no caput do art. 29 da IN SRF nº 11/1996. Da Deliberação CVM nº 207, de 13 de dezembro de 1996 41. Em sede de memoriais, levantouse a improcedência do premissa básica admitida neste voto, qual seja, o de que os JCP são despesas. Para isso, foi apontado como definitivo para desnaturar essa premissa, o inciso I da Deliberação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nº 207, de 13/12/1996, que reproduzo abaixo e passo a sua interpretação, com todo o respeito, com toda a deferência, aos que entendem diferentemente. I Os juros pagos ou creditados pelas companhias abertas, a título de remuneração do capital próprio, na forma do artigo 9º da Lei nº 9.249/95, devem ser contabilizados diretamente à conta de Lucros Acumulados, sem afetar o resultado do exercício. 41.1. Da ementa da referida Deliberação percebese que esta surgiu no contexto da regulamentação do artigo fiscal, como esta mesma anuncia: "Dispõe sobre a contabilização dos juros sobre o capital próprio previstos na Lei nº 9.249/95". Assim, tudo indica que surgiu para adaptar as conseqüências dos JCP, em razão da efetivação desse instituto jurídico que se tornou interessante com o tratamento tributário. 41.2. O inciso I da Deliberação não tem o condão de modificar a natureza jurídica dos JCP, tanto é que o próprio inciso é bem claro ao prescrever: devem ser contabilizados, tratase de norma contábil, de determinação para modo de proceder aos registros contábeis, nada mais. Esse inciso não teve a presunção de dizer que não é despesa algo que é, antes pelo contrário, o só fato desta norma existir é sinal evidente de que, em sua ausência, a contabilização ocorreria através de conta de resultado. 41.3. Ao dizer "sem afetar o resultado do exercício", está enunciando que a contabilização deve ocorrer que modo diverso ao que originalmente ocorreria, ou seja, como sem a norma a despesa de JCP afetaria o resultado do exercício, então, com a norma essa despesa de JCP não afetará o resultado do exercício. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 688 38 41.4. Não se trata de uma norma declaratória de conteúdo, antes pois é uma norma que institui uma conduta, qual seja, a conduta de fazer dessa forma (contabilizar diretamente à conta de Lucros Acumulados sem transitar pelo resultado) e não daquela forma (contabilizar como despesa financeira transitando pelo resultado), ou ainda, ao instituir a conduta que pretende impor acaba por revelar qual a conduta se deseja evitar. E ao se refletir sobre a conduta evitável, tornase evidente que, na ótica do próprio legislador (o colegiado da CVM), os JCP são despesas. 41.5. Ademais, não é uma norma absoluta, foi excetuada na própria Deliberação CVM, senão vejamos os incisos: VII, VIII e IX: VII O disposto nesta Deliberação aplicase, exclusivamente, às demonstrações financeiras elaboradas na forma dos artigos 176 e 177 da Lei nº 6.404/76, não implicando alteração ou interpretação das disposições de natureza tributária. VIII Caso a companhia opte, para fins de atendimento às disposições tributárias, por contabilizar os juros sobre o capital próprio pagos/creditados ou recebidos/auferidos como despesa ou receita financeira, deverá proceder à reversão desses valores, nos registros mercantis, de forma a que o lucro líquido ou o prejuízo do exercício seja apurado nos termos desta Deliberação. IX A reversão, de que trata o item anterior, poderá ser evidenciada na última linha da demonstração do resultado antes do saldo da conta do lucro líquido ou prejuízo do exercício. 41.6. Não é preciso ir muito longe para encontrar o que prevê o inciso VIII: "caso a companhia opte, para fins de atendimento às disposições tributárias, por contabilizar os juros sobre o capital próprio pagos/creditados ... como despesa ... financeira, ...". Onde estão as disposições tributárias que conduzem a conduta do inciso VIII? Na própria IN SRF nº 11/1996! Transcrevo mais alguns de seus dispositivos: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a § 1º À opção da pessoa jurídica, o valor dos juros a que se refere este artigo poderá ser incorporado ao capital social ou mantido em conta de reserva destinada a aumento de capital. ... § 3º O valor do juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, não poderá exceder, para efeitos de dedutibilidade como despesa financeira, a cinqüenta por cento de um dos seguintes valores: a) do lucro líquido correspondente ao períodobase do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou b) dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores. ... Art. 30. O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que Fl. 688DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 689 39 trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo da incidência do imposto de renda na fonte. Parágrafo único. Para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real, os juros pagos ou creditados, ainda que imputados aos dividendos ou quando exercida a opção de que trata o § 1º do artigo anterior, deverão ser registrados em contrapartida de despesas financeiras. 41.7. Assim, na existência de disposições tributárias, é forçoso atender a conduta dos incisos VIII e IX, em detrimento da conduta do inciso I, que acabou por não ter aplicação prática, por estar em vigor concomitantemente com a IN SRF nº 11/1996. 41.8. Uma interpretação sistemática da Deliberação CVM nº 207/1996, deixa claro que o objetivo do seu inciso I não foi, mais uma vez, dizer que os JCP não são despesa, mas sim tornar a informação dessas despesas bastante evidente (o inciso IX se utilizou do termo "evidenciada") na demonstração para os sócios, de forma que esses tivessem uma visão facilitada dos valores de JCP (a posição junto a conta de Lucros Acumulados é bastante estratégica), ao invés de terem que consultar as despesas da sociedade e, no meio de todas as outras despesas, localizarem esses valores. 41.9. Vejase que esse estudo apenas confirmou o acerto na consideração dos JCP como despesas, ainda que seja desnecessário aprofundar o estudo de normas procedimentais de contabilização, tanto é que somente nesse momento (depois de vários meses de julgamento iniciado) sobre isso me manifesto, após levantado o tema, não por desconhecimento dessa norma, mas por entendêla sem muita relevância; conservando, obviamente a devida vênia, que é máxima, aos entendimentos em sentido contrário. Do precedente do STJ e do regime de caixa 42. Para um acertado exame do precedente do STJ (Recurso Especial nº 1086752/PR, de 17/02/2009), é preciso diferenciar inicialmente o regime de competência do regime de caixa, especificamente aplicado à despesa. Em se tratando de despesas, o regime de competência estabelece que o reconhecimento da despesa se dá no mesmo exercício do incorrimento, já o regime de caixa estabelece que o reconhecimento da despesa não ocorre no exercício do incorrimento e sim no exercício do pagamento (parto do pressuposto que o pagamento se deu em exercício diferente do incorrimento; se se der no mesmo, a questão se torna diferenças mensais). 42.1. Diferentemente de regime de competência que é um conceito da legislação societária, adotada pela legislação fiscal, a expressão regime de caixa está mais associada à legislação fiscal pelo seguinte fato: não há aplicação do regime de caixa na lei das S.A; como se viu em tópico próprio, não há exceção a este regime no âmbito societário. Mas, mesmo quando o regime de caixa é permitido pela legislação fiscal, isso se reflete apenas para apuração de tributos, pois a sociedade, se submetida a Lei nº 6.404/76, ainda deverá apurar o lucro líquido do exercício pelo regime de competência. 43. Então o tratamento de uma despesa submetida a regime de caixa "fiscal"11 é: seguir o regime de competência para apuração do lucro líquido do exercício (ou seja, a despesa 11 A expressão é para se contrapor a regime de caixa "societário", que é desconhecido pelo ordenamento jurídico brasileiro. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 690 40 continua a ser reconhecida no momento em que incorrida) e ajustar esse lucro de forma a desconsiderar o reconhecimento desta despesa e controlála, fora da escrituração societária, de modo a vir a incluíla no lucro fiscal somente no momento do pagamento. 43.1. Assim, a adoção do regime de caixa permite a formação de um outro tipo de lucro, destinado a fins fiscais e que não é o lucro societário apurado para atendimento da Lei das S.A. 43.2. Chamo atenção então para o fato de que a despesa, ainda que submetida ao regime de caixa "fiscal", para a legislação societária, continua a ser reconhecida no momento em que incorrida, conseqüência esta da manutenção nesta seara do direito do regime de competência. 43.3. Assim, esta despesa não deixa de ser despesa do exercício; no exercício do pagamento não é despesa de exercício anterior, absolutamente, é apenas uma despesa diferida para fins fiscais, ou ainda, mantendo o estrito rigor técnico sequer é despesa, na realidade, é um valor diferido para fins fiscais ou então pode ser chamada de uma despesa "fiscal". 44. Examino então se esta dinâmica é apropriada aos Juros sobre Capital Próprio. A pergunta que se impõe: o regime de caixa que precisa ser aplicado para conservar as autuações envolvidas é o regime de caixa existente em alguns casos na legislação tributária (o que outrora denominei regime de caixa "fiscal") ou é um regime de caixa inédito (inovador) a ser aplicável mesmo no âmbito da Lei das S.A.? 44.1. Em resposta a esta pergunta, frente ao que se expôs no item 43 e em seus subitens, há que verificar que a aplicação do regime de caixa adotado pela legislação tributária não supre a necessidade do recorrido de fazer incorrer no exercício de 2007, na escrituração societária, despesas que deixaram de ser incorridas nos exercícios de 2002 a 2006. 44.2. Então, por exclusão, resta que o regime de caixa pretendido e ao qual o STJ atendeu em caso assemelhado, é um regime de caixa adequado ao caso, uma exceção jurisprudencial ao art. 177 da Lei nº 6.404/76. É difícil até mesmo conceber a redação de um dispositivo legal que permita um regime de caixa útil para manutenção da conduta que se deseja. 45. Assim, o exame do precedente do STJ nos coloca uma questão bem simples: existe a possibilidade de aplicação do regime de caixa no âmbito da legislação societária sem previsão legal e exclusivamente para os Juros sobre o Capital Próprio, mantendo o regime de competência quanto ao mais? Firmei convicção, mesmo sem aqui contraditar as razões de decidir ali apresentadas, que essa possibilidade não deve prevalecer. Da renúncia e da decadência 46. Quanto à renúncia, já que superei a preliminar alegada, devo me pronunciar, mesmo que esta questão não tenha mais importância para o deslinde da questão por tudo o que já foi dito, e o faço dizendo que entendo não ser o caso, pelos motivos que apresento. 47. Tendo em vista que tanto a renúncia quanto a decadência tratam de formas que impedem o exercício de um direito: esta por implicar na caducidade do direito por perda do Fl. 690DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 691 41 prazo de sua duração e aquela por perda do direito pela manifestação de não exercêlo, e como esses dois institutos jurídicos foram discutidos conjuntamente no recurso e na tribuna, entendo por bem tratálas no mesmo tópico. 48. No âmbito tributário, a meu ver, o que ocorreu foi ausência de atendimento de requisito para gozo de benefício fiscal, mas não de ordem temporal e sim material: não existiam JCP para serem pagos! Deuse a situação de ausência de juros (seja por ausência de despesa já que a despesa só pode ser do exercício; seja por ausência de conversão da obrigação de pagar JCP). Os JCP que existiam ao momento da dedução do IR eram apenas as despesas de JCP do exercício, que não foram objeto da autuação. 48.1. Ou seja, não houve o incorrimento da despesa com JCP e a conseqüente constituição da obrigação de pagar os JCP, o que permitiria, no caso de pagamento ou crédito, o enquadramento ao benefício fiscal de dedutibilidade do lucro real. O que foi pago, embora tenha sido denominado de "à título de JCP" não corresponde à satisfação (por meio de pagamento ou crédito) de obrigações com despesas incorridas de JCP. 48.2. Portanto, não há que se cogitar de renúncia no âmbito tributário, se não atendo aos requisitos para usufruto de um benefício fiscal, isso não implica em concluir que estou renunciando ao mesmo, implica em concluir que sequer tenho a capacidade de renunciálo; ou, que se o fizer, essa renúncia não produz efeito algum, pois de que adianta renunciar a algo que não obteria ainda que não houvesse renunciado. 48.3. Daí porque comparar com o PN 79/76 não seria aplicável, pois trata do âmbito fiscal, em tese, uma renúncia de tratamento específico fiscal, daí porque não há que se invocar a questão de comparabilidade com a renúncia de depreciação incentivada. 49. Ainda que fosse caso de aplicação dos institutos jurídico da renúncia ou da decadência12, esta seria no âmbito societário e não no âmbito fiscal; seria, assim, renúncia/perda de prazo de fazer incorrer a despesa de JCP na lei societária, ou ainda, do direito de deduzir do lucro líquido (e não do lucro real) essa despesa incorrida em exercícios anteriores. 50. Ocorre que o pressuposto lógico para aplicação dos institutos da renúncia e também da decadência é haver a existência de algum direito. Como mesmo reconhece a própria recorrida, não há direito dos sócios de exigir os juros sobre o capital próprio, tampouco há obrigação da sociedade, quando da ausência da deliberação, de fazêlos incorrer ou de pagá los. 50.1. Como visto antes, a simples manutenção do capital na empresa não pode ser presumida como intenção de receber JCPs e não constitui uma obrigação da sociedade de remunerar os sócios através de JCP; o mero fato da permanência do capital dos sócios na empresa não pode, na ausência de ficções legais (a exemplo de presunção) ou de manifestação de vontade, ser juridicamente associado a uma forma específica de remuneração do capital. 50.2. Caso se aceite a existência do "direito" de fazer incorrer em exercícios subseqüentes despesas de exercícios anteriores não incorridas (pois não houve renuncia, já que 12 Impróprio, portanto, cogitarse de não ocorrência da decadência de que trata o Decreto nº 20.910/1942, em virtude de não se estar situado no âmbito tributário. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 692 42 não houve manifestação de vontade em não fazer, e nem decadência, já que não há prazo que fulmine esse direito), aí sim a discussão teria algum sentido. 50.2.1. Mas já se verificou que esse direito não existe, pois somente poderia se sustentar se as prescrições da própria legislação societária tivessem sido observadas e não haver aplicação de nenhuma das suas vedações. 50.2.2. Como se viu anteriormente, o art. 177, o art. 186, §1º, e o art. 187, III e IV e §1º, "b", da Lei das S.A. não foram respeitados, a sociedade não observou o regime de competência (ausência de correlação despesareceita/capital), bem como se encaixou na vedação das possibilidades de ajustes extemporâneos. Aqui, a situação é de não cumprimento de obrigação: ao não fazer da forma correta, surge a vedação de fazer. 50.2.3. Não é que o regime de competência disponha sobre prazo decadencial do direito de deduzir do lucro líquido despesas incorridas em anos anteriores ou permita essa dedução, desde que esse direito não seja renunciado. Na verdade, o regime de competência simplesmente não permite13 a dedução do lucro líquido de despesas incorridas em anos anteriores, ou seja, esse direito sequer existe, ainda mais quando não há autorização para fazer incorrer a despesa. Como esse assunto já foi suficientemente explorado em tópicos anteriores, entendo não ser preciso dizer mais. 51. Concluo, portanto, que, na ausência de direito a deduzir do lucro líquido despesas de JCP incorridas em anos anteriores, não há que se falar nos institutos jurídicos da renúncia ou da decadência, por falta do pressuposto básico dos mesmos. 52. Apenas para encerrar a discussão, analiso qual o direito que nasce com a deliberação decorrente da assembléia geral relativa ao pagamento ou crédito de JCP. 52.1. Certamente dessa deliberação nasceu um direito para os sócios de receber JCP pagos ou creditados, bem como nasce um dever para a sociedade de pagálos ou creditálos. 52.2. Em se tratando das despesas de JCP do exercício, a sociedade entendeu que o pagamento/crédito se daria ao mesmo tempo do exercício, então a contrapartida dessa despesa se deu em caixa/banco. 52.3. Em se tratando do restante, que não pode corresponder à conversão de obrigações anteriores de JCP, já que não houve incorrimento de despesas de JCP em anos anteriores, resta apenas a alternativa de reclassificar o que está denominado de pagamento a título de JCP, para registro de algum tipo de direito da sociedade para com os sócios, distribuição de dividendos, etc. Da postergação de tributo 53. Não é o caso, não estamos frente a uma situação em que um tributo deixou de ser pago em exercícios anteriores e seria devido no exercício fiscalizado. 13 Exceto os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 693 43 53.1. O que poderia até se defender (no máximo) é que houve "postergação de despesa", logo, em exercícios anteriores, teria havido antecipação de tributo; e, portanto, no exercício fiscalizado estaria havendo "compensação" desses tributos antecipados. 53.2. Entretanto, esta defesa não procede porque não se trata de despesa (não foi incorrida nos anos anteriores, sequer foi ao lucro líquido de 2007); depois, ainda que fosse, essa "postergação de despesa" foi indevida (em desrespeito à legislação societária, e, conseqüentemente, à legislação fiscal). Assim, o tributo não foi realmente antecipado, sempre foi tributo devido. DOS JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO 54. Sobre este tema, adoto as razões de decidir do Acórdão nº 910100.539, da relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner: De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. E a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 694 44 O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de ofício a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de Fl. 694DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 695 45 juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, §1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, Fl. 695DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 696 46 incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. E legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n.) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 697 47 55. Na esteira dessas bem lançadas razões de decidir, DOU provimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo RELATOR Fl. 697DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 698 48 Declaração de voto Conselheiro Luís Flávio Neto. Na reunião de janeiro de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é recorrida ALCOA ALUMÍNIO S.A (doravante “ALCOA” ou “recorrida”), no processo n. 12963.000065/201036. Em tal recurso, a PFN requer a reforma do acórdão n. 1202000.766 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela r. 2a Turma Ordinária da 2a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”), em especial no que concerne à dedutibilidade de Juros sobre o Capital Próprio (doravante “JCP”). Em brevíssima síntese, sustenta a PFN que somente o valor dos JCP apurado pelo sócio no mesmo períodobase de seu pagamento/crédito pode ser considerado dedutível do lucro líquido para a apuração do IRPJ e da CSL. Ocorre que a fiscalização considerou que JCP pago ou creditado, para fins de dedutibilidade do IRPJ e da CSL, apenas poderia tomar como base o capital mantido pelo acionista na mesma competência em que o pagamento ou credito tenha sido realizado. No recurso especial em análise, está em questão saber se esse argumento subsiste à legislação federal aplicável. O acórdão recorrido restou assim ementado: NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES ELENCADAS NO ARTIGO 59 DO DECRETO 70.235/72. As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. POSSIBILIDADE DE REMUNERAÇÃO COM BASE EM PERÍODOS ANTERIORES. O Art. 9º da Lei nº 9249/95 não faz nenhuma restrição temporal acerca do pagamento de juros sobre o capital próprio. Diante dessa falta de restrição temporal e da discricionariedade das sociedades em remunerar os juros sobre capital próprio aos acionistas, os juros não precisam ser obrigatoriamente pagos ou creditados ao final de cada período, o que permite o pagamento em um momento futuro. ART. 29 DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 11/96. REGIME DE COMPETÊNCIA. O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. Nada obsta a distribuição acumulada de JCP desde que provado, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou a sua distribuição. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Tratandose de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, ante a íntima relação de Fl. 698DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 699 49 causa e efeito que os vincula. Nesta declaração de voto, permissa vênia, apresento os fundamentos que me fizeram votar pelo não provimento do recurso especial interposto pela PFN, por compreender que a cobrança tributária em questão ofende as normas que tutelam a matéria, especialmente aquelas que decorrem do art. 9o da Lei n. 9.249/95. 1. O conceito de “Juros sobre Capital Próprio” (“JCP”). O JCP corresponde a um mecanismo de integração adotado pelo legislador brasileiro. Busca amenizar o desestímulo reconhecido pela Ciência Econômica causado pela dupla tributação da lucro empresarial tanto na órbita da pessoa jurídica quanto nas mãos de seus sócios (pessoas físicas ou jurídicas)14, bem como induzir a preferência ao investimento de capital próprio dos sócios (participações permanentes) à capitalização da companhia com recursos de terceiros (alavancagem). Por se tratar de medida com reflexo em políticas econômicas amplas, cabe a cada Estado decidir, por meio de seus agentes competentes, qual método de integração será adotado para a tributação da renda da pessoa jurídica e de seus sócios ou, ainda, se não irá adotar algum deles. Assim, por exemplo, podem as leis de um país tributar apenas as pessoas físicas, deixando as pessoas jurídicas na zona de não incidência tributária. Outros, por sua vez, podem tributar a renda em ambos os níveis, mas conceder aos sócios o direito ao crédito do imposto pago pela pessoa jurídica. O certo é que os métodos de integração podem ser os mais variados. O Brasil adota em especial dois métodos de integração para a tributação da renda: ‐ Dividendos: Os lucros da empresa devem ser tributados no âmbito da pessoa jurídica, com alíquotas de IRPJ e CSL próximas a 34%. Por sua vez, os lucros distribuídos sob a forma de dividendos, observadas as regras vigentes, não devem ser tributados nas mãos dos sócios que os recebem e nem são dedutíveis para a empresa que os distribui. Nesse caso, o método de integração consiste na isenção dos dividendos recebidos por quotistas ou acionistas. ‐ JCP: Os lucros da empresa devem ser tributados no âmbito da pessoa jurídica, com alíquotas de IRPJ e CSL próximas a 34%. O JCP pago ou creditado pela pessoa jurídica aos seus sócios poderá ser deduzida de seu lucro líquido, de forma a neutralizar proporcionalmente a tributação de IRPJ e CSL sobre tais porções. O JCP 14 Remonta aos primeiros registros de tributação da renda de pessoas jurídicas a preocupação dos Estados com a adoção de mecanismos de integração entre a empresa e os sócios, a fim de que a mesma renda não fosse duplamente tributada. Ocorre que o interesse arrecadatório do Estado é garantido não quando se arrecada muito de uma vez só, mas sim com a continuidade da atividade empresarial, que gere lucros perenes sujeitos à tributação razoável. Como a tributação do lucro empresarial tanto nas mãos da pessoa jurídica quanto na pessoa física de seus sócios pode gerar desestímulo à constituição e condução dos negócios por meio de pessoas jurídicas, à geração de emprego e ao desenvolvimento, os métodos de integração compõem as políticas econômicas dos Estados. Nesse sentido, vide: SANTOS, Ramon Tomazela. Aspectos controvertidos atuais dos juros sobre capital próprio (JCP): o impacto das mutações no patrimônio líquido, o pagamento acumulado e a sua qualificação nos acordos de bitributação, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 214. São Paulo : Dialética, 2013, p. 109 e seg. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 700 50 recebido pelo sócio, por sua vez, está sujeito ao imposto de renda, retido na fonte, à alíquota de 15% (tributação definitiva para as pessoas físicas e mera antecipação para as pessoas jurídicas) . Tal como o regime de tributação dos dividendos, o JCP corresponde a um mecanismo de integração da empresa com o sócio, prescrito pelo legislador brasileiro para amenizar a dupla tributação nefasta à livre iniciativa e ao desenvolvimento econômico. A adoção pelo legislador brasileiro do JCP como método de integração tem o claro propósito de induzir o investimento e a manutenção de capital investido em pessoas jurídicas nacionais. Sob a perspectiva da empresa, há incentivo à capitação de recursos dos sócios e não de terceiros, já que a remuneração de ambos se tornou igualmente dedutível. Somese a isso vantagens do JCP, a exemplo do fato de que a capitação de recursos dos sócios não influencia no nível de endividamento da companhia, bem como que estes são remunerados por índice geralmente menor que o de mercado, qual seja, a Taxa de Juros de Longo Prazo (doravante “TJLP”). 2. A norma de dedutibilidade de JCP pago ou creditado. Caso se adote o sentido estrito da expressão “planejamento tributário” 15, o tema “JCP” estará fora da matéria. Ocorre que a regra expressa pelo art. 9o da Lei n. 9.249/95 o situa, em termos estritos, entre as “economias de opção” ou “opções fiscais”. Nas chamadas opções fiscais, o sistema jurídico tributário oferece ao contribuinte mais de uma sistemática para que submeta os seus signos de riqueza à tributação: é garantida ao contribuinte a liberdade para optar pelo caminho que lhe parecer mais adequado, seja por praticidade ou por lhe proporcionar menor ônus tributário. Explorando o exemplo da DIRPF16, com opção pela sistemática simplificada ou completa, verificase que o legislador prescreveu ao contribuinte uma fórmula procedimental básica a ser seguida pela pessoa física: no programa de computador fornecido pela Receita Federal, o contribuinte deve pura e simplesmente optar pelo modelo simplificado ou completo. O programa de computador calcula para o contribuinte qual opção lhe trará o menor custo de IRPF e, caso se opte pelo modelo mais oneroso, o sistema não prossegue até que o contribuinte 15 Em meio às muitas divergências que o tema suscita na doutrina nacional, alguns autores incluem no conceito de planejamento tributário a utilização de opções fiscais e de normas tributárias indutoras, já que o contribuinte, ao praticar os referidos atos, certamente teria realizado prévio estudo, planejandoos. Nesse sentido, vide: ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Planejamento tributário. São Paulo : Saraiva, 2009, p. 02. Outros, por sua vez, as excluem “do âmbito do planejamento, pois correspondem a escolhas que o ordenamento positivo coloca à disposição do contribuinte, abrindo expressamente a possibilidade de escolha” Nesse sentido, vide: GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. São Paulo : Dialética, 2008, p. 100. BARRETO, Paulo Ayres. Elisão tributária limites normativos. Tese apresentada ao concurso de livre docência do Departamento de Direito Econômico e Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. São Paulo : USP, 2008, p. 240. 16 DIRPF Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 701 51 confirme estar certo de que realmente irá optar por pagar mais (mensagem semelhante não aparece caso o contribuinte opte pelo caminho mais natural de poupar despesas tributárias). Neste exemplo, não estaria o contribuinte realizando um “planejamento tributário”, mas algo não apenas tolerado como regulado e incentivado pelo legislador: “opções fiscais” ou “economias de opção”. Outra economia de opção conhecida consiste nos regimes de tributação da renda pelo “lucro real”, “lucro presumido” ou, ainda, SIMPLES NACIONAL. Nestes, o legislador oferece caminhos diversos que podem ser adotados pelos contribuintes e que podem apresentar elevada variação na obrigação tributária que a União seria legitimada a exigir. A escolha de um desses caminhos, por si só, não corresponde a um planejamento tributário em sentido estrito, mas uma mera opção fiscal. O que se dá com o regime jurídico do JCP não é diferente. A norma jurídica, construída a partir do art. 9o, da Lei n. 9.249/95, estabelece uma opção à pessoa jurídica, que poderá destinar uma parte de seus lucros aos seus sócios qualificandoos como “JCP” e não como dividendos. O mesmo dispositivo prescreve as duas consequências jurídicotributárias do pagamento ou creditamento de JCP: (i) a pessoa jurídica que realiza o pagamento ou creditamento do JCP poderá deduzílos diretamente à conta de lucros acumulados da companhia, com a proporcional redução da base de cálculo do IRPJ e da CSL. (ii) a parte beneficiária do JCP (sócio da pessoa jurídica) está sujeita à tributação de imposto de renda, com retenção pela fonte pagadora à alíquota de 15% na data de seu pagamento ou creditamento. A norma prescreve uma fórmula de cálculo, com limites quantitativo e temporal. Há também um outro fator temporal prescrito pela Lei n. 9.249/95, mas que não se refere ou mesmo interfere no cálculo do JCP. Tratase da tutela do momento em que o JCP se torna dedutível à pessoa jurídica e tributável do sócio. O legislador foi claro e expresso em relação a esses elementos, não autorizando a dedutibilidade de valores que com eles não se coadunem. Por outro lado, a clareza e o modo expresso com que o legislador tratou a questão também conferem segurança jurídica ao contribuinte, que encontra na lei ordinária a moldura dentro da qual o seu agir estará em conformidade com a economia de opção que lhe foi outorgada. Assim, se por um lado da moeda não é possível exigir do particular o cumprimento de requisitos ou a observância de limites não requeridos pelo legislador, pelo outro deve ser exigido do contribuinte o efetivo cumprimento dos aludidos fatores prescritos em lei. Aludidos elementos serão analisados mais detidamente nos tópicos “3” e “4”da presente declaração de voto. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 702 52 A base jurídica para a apuração e identificação das consequências tributárias do JCP consiste no art. 9o da Lei 9.249, de 26.12.1995, que passou por alterações em 1996 (Lei 9.430/96), 2014 (Lei 12.973/14) e 2015 (Medida Provisória nº 694, de 30.09.2015, não convertida em lei até essa data). No presente caso, os lançamentos tributários se reportam ao período de 2007, quando foram pagos/creditados JCP calculados acumuladamente em relação aos anos de 2000 a 2006. Dessa forma, interessa à solução dessa contenda a seguinte redação da Lei 9.249/95, art. 9o: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.17 § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 17 Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996. Em seu original: “§ 1º. O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados”. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 703 53 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. § 9º. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 10. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) 3. A fórmula de cálculo do JCP. A pessoa jurídica optante pelo lucro real poderá destinar aos seus acionistas ou quotistas JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da TJLP (art. 9o, caput, da Lei n. 9.249/95). Como limites quantitativos à dedutibilidade do JCP, o seu valor deve ficar adstrito a um dos seguintes montantes: (i) 50% do lucro líquido do período em que for realizado o pagamento/crédito ou; (ii) 50% dos lucros acumulados e das reservas de lucros de períodos anteriores (art. 9o, § 1º, da Lei n. 9.249/95). Notese que a norma traz uma única limitação temporal, ao prescrever que o JCP deverá ser dedutível apenas sobre o período que o acionista manteve o seu capital investido na pessoa jurídica, devendo o seu cálculo ser realizado “pro rata dia”. Desse modo, o JCP “deverá ser calculado com base na TJLP do espaço temporal de manutenção, na pessoa jurídica, do capital próprio a ser remunerado, ou seja, aplicada a taxa sobre o respectivo patrimônio líquido, proporcionalmente aos respectivos dias, ou seja, ‘pro rata die’ para mais ou para menos, descontada apenas a reserva de reavaliação ainda não tributada” 18. Podese cogitar, por exemplo, de um particular, em 20X2, investir capital em uma companhia que tenha deliberado e pago JCP pela última vez em 20X0. Caso a assembleia delibere, em 20X4, que serão pagos JCP aos acionistas sobre o capital mantido naquela sociedade desde o último pagamento realizado, o particular em questão não faria jus a qualquer valor atinente ao ano de 20X1, pois não manteve capital investido na sociedade nesse período. No caso, a regra expressa no art. 9o da Lei 9.249/95 apresenta dois efeitos: ‐ limita o pagamento de JCP à proporção temporal (“pro rata dia”) de manutenção do capital investido na pessoa jurídica. O particular, no exemplo citado, estaria limitado a receber JCP em relação aos anos de 20X2, 20X3 e 20X4. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 704 54 ‐ garante ao particular o direito receber JCP sobre todo o período (“pro rata dia”) que mantiver capital investido na pessoa jurídica, caso assim delibere a assembleia geral da companhia. O particular, no exemplo citado, teria garantido o direito de receber JCP em relação aos anos de 20X2, 20X3 e 20X4, submetendose, naturalmente ao imposto de renda na fonte, à alíquota de 15%, sobre todo o período. Como decorrência dessa delimitação temporal, se o investidor mantiver o seu capital por período superior a um anobase, poderá ser, pro rata dia, remunerado por JCP em relação ao todo esse período, mas nem um dia a mais do que isso. 4. O momento em que o JCP se torna dedutível à pessoa jurídica e tributável do sócio: “regime de competência” e “regime de caixa”. No âmbito contábil, a adoção do regime de competência corresponde a um princípio fundamental de contabilidade. Notese o que prescreve o art. 177 da Lei n. 6.404/76: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (grifos acrescidos) O legislador foi enfático, pois entre os “princípios de contabilidade geralmente aceitos” ou “princípios fundamentais de contabilidade”19 está justamente o princípio da competência. A adoção de tais princípios contábeis como regra geral para a apuração do resultado das companhias também foi prescrita pelo art. 187 da Lei n. 6.404/76: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (...) § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. A Resolução CFC n. 750/93 também exprimiu ser decorrência necessária do princípio da competência a adoção do método (ou “princípio”) do confronto das receitas e despesas, como se observa do art. 9o da aludida norma contábil: 18 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 318. 19 Vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de renda. São Paulo : Quartier Latin, 2008, p. 1038 e seg. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 705 55 Art. 9º. As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. Com as alterações introduzidas pela Resolução CFC n. 1.282/10, o aludido dispositivo passou a constar com outra redação, sem alterar em nada o princípio do emparelhamento das receitas e despesas. Como nem poderia ser diferente, a norma contábil reafirma o método do emparelhamento de receitas e despesas como pressuposto para a concretização do princípio da competência: Art. 9º. O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Parágrafo único. O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas. ELISEU MARTINS, ERNESTO RUBENS GELBCKE, ARIOSVALDO DOS SANTOS e SÉRGIO DE IUDÍCIBUS20 lecionam que, no regime de competência, “as receitas e despesas são apropriadas ao período em função de sua ocorrência e da vinculação da despesa à receita, independentemente de seus reflexos no caixa”, apontando que “A Lei das Sociedades por Ações não admite exceções”. Noutro diapasão, no âmbito do Direito tributário, especialmente no que se refere à tributação da renda, o regime de caixa e o regime de competência convivem harmonicamente. O CTN, ao exercer a competência atribuída ao legislador complementar pelo art. 146 da Constituição Federal, conferiu ao legislador ordinário a possibilidade de tributar a renda das pessoas físicas e jurídicas pelo regime de caixa ou pelo regime de competência. Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Embora não seja ponto livre de debates doutrinários, é possível afirmar ser razoavelmente difundida a ideia de que a “aquisição da disponibilidade econômica”, referida 20 MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS, Ariosvaldo dos; IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI. São Paulo : Atlas, 2013, p. 4. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 706 56 no caput do art. 43 do CTN, corresponde ao “regime de caixa”, enquanto que a “aquisição da disponibilidade jurídica” conduz ao “regime de competência”. Nesse seguir, o legislador ordinário possui competência para adotar o regime de competência ou o regime de caixa no exercício de seu poder para tributar a renda. Possui, assim, autonomia em relação ao princípio contábil da competência, podendo adotálo (como o faz, em geral), afastálo (com a adoção do regime de caixa) ou, ainda, adequálo para as suas necessidades. A sua autonomia em relação à contabilidade permite ao legislador tributário não apenas adotar regime diverso ao regime de competência, de forma a tributar a renda apenas conforme o regime de caixa. O legislador também pode, por exemplo, a adotar o regime de competência com ajustes, atribuindolhe feições diversas das verificadas exclusivamente sob a perspectiva contábil. Ocorre que, em relação a tal aspecto, o legislador encontra limites apenas na Constituição Federal e no CTN. Para a tutela do JCP, o legislador se valeu de tal autonomia, do seguinte modo: ‐ O legislador elegeu o JCP não como uma despesa propriamente dita, a qual pressupõe, para a sua dedutibilidade, contribuição para a manutenção das atividades da pessoa jurídica. Tratase de forma de remuneração do capital próprio investido pelos sócios na pessoa jurídica, dedutíveis, portanto, diretamente dos lucros desta, não se sujeitando às regras ordinárias aplicáveis às despesas em geral; ‐ O legislador elegeu o efetivo pagamento como evento relevante para a incidência da norma tributária de JCP (Lei n. 9.249/95, art. 9o, caput). Assim, o nascimento do direito à dedutibilidade do JCP pago e a obrigação tributária do sócio que o recebe se dá, nessa hipótese, pelo regime de caixa. A adoção do referido regime será analisada com mais detalhes no subtópico “4.1”; ‐ O legislador também elegeu o creditamento como evento relevante para a incidência da norma tributária de JCP (Lei n. 9.249/95, art. 9o, caput). Assim, o nascimento do direito à dedutibilidade da empresa que credita o JCP e a obrigação tributária do sócio que é creditado se dá, nessa hipótese, por um regime de competência, embora com distinções relevantes em relação ao princípio contábil da competência. A adoção do referido regime será analisada com mais detalhes no subtópico “4.2”; Os referidos regimes foram adotados pelo legislador tributário para estabelecer o período a que pertencem os JCP, isto é, quando estes podem ser deduzidas. No entanto – e isso é decisivo para a solução do presente caso – o legislador não se baseou nos aludidos regimes para a composição da fórmula de cálculo do JCP a ser pago ou creditado. Significa dizer que o Fl. 706DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 707 57 fato do JCP passar a ser dedutível no momento em que apurado pelo regime de caixa ou de competência em nada interfere no seu montante ou em seu cálculo sobre exercícios anteriores. 4.1. O reconhecimento do JCP pelo regime de caixa: a hipótese de efetivo pagamento aos sócios. O legislador ordinário tradicionalmente tributa as pessoas físicas pelo regime de caixa e as pessoas jurídicas pelo regime de competência. No entanto, embora o regime de competência seja a regra para a tributação da renda das pessoas jurídicas, há uma série de exceções. Entre outros exemplos, é possível verificar que, na sistemática de tributação da renda pelo lucro presumido, o regime de caixa é uma opção em relação ao regime de competência. Muitas pessoas jurídicas podem, anualmente, manifestar a sua opção pela tributação conforme o regime de caixa, excepcionando a regra geral do regime de competência. O regime de apuração adotado (caixa ou competência) deverá ser consistente em relação ao IRPJ, à CSL, à contribuição ao PIS e à COFINS durante todo o exercício fiscal atinente à opção.21 Entre as empresas tributadas pelo lucro real, o pagamento de JCP corresponde a hipótese em que o regime de competência pode dar lugar à adoção do regime de caixa para a apuração deste evento relevante ao IRPJ e à CSL. O art. 9o da Lei 9.249/95 prevê, para que a dedutibilidade do JCP seja regida pelo regime de caixa, dois fatos que devem estar necessariamente presentes: 1o fato: A deliberação da assembleia geral da companhia para que sejam pagos JCP aos acionistas, a partir do que este se considera “incorrido”, pois, a partir daí, os acionistas passam a ter direito ao pagamento ou creditamento de tais valores. Pelo regime de competência, aplicável em geral, seria desde já possível à pessoa jurídica deduzir aludidas despesas incorridas. A Lei n. 9.249/95, contudo, não autoriza a dedutibilidade do JCP meramente incorrido, exigindo o aperfeiçoamento do pagamento. 2o fato: O efetivo pagamento individualizado ao acionista nos moldes decididos na assembleia antecedente. Com o efetivo pagamento, evento típico do regime de caixa, a Lei n. 9.249/95 autoriza a dedutibilidade do JCP, o que antes de tal evento não seria permitido. Desse modo, não vige na legislação do imposto de renda um regime de competência absoluto e inarredável. O JCP é apenas mais uma exceção àquela regra geral. 21 Vide: Solução de Divergência COSIT n. 37, de 5.12.2013. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 708 58 O JCP é, ele próprio, algo excepcional. Tratase de elemento enunciado no ordenamento jurídico em 1995 e com raros paralelos na legislação estrangeira (ao que parece, apenas a Bélgica apresenta instituto semelhante). O seu arranjo foi introduzido pelo legislador em meio a esse seu caráter excepcional, sendo compreensível a adoção, portanto, de exceção à regra do regime de competência. 4.2. O reconhecimento do JCP pelo regime de competência: a hipótese de creditamento aos sócios. Conforme o princípio da competência, as mutações positivas e negativas devem ser apropriadas ao patrimônio da entidade, respectivamente, conforme a aquisição dos respectivos direitos (receitas e rendimentos) ou incorrimento das obrigações (custos, despesas e perdas).22 Assim, a receita deve ser reconhecida no período em que vier a ser obtido o título jurídico que lhe dê suporte em caráter definitivo e incondicional, independentemente do seu recebimento, enquanto que a despesa será apropriada no período em que for exigível o cumprimento da obrigação correspondente, independentemente do seu pagamento. Notese que, nos termos do Parecer Normativo CST 110/71, conforme o regime de competência, “permitese deduzir do lucro das pessoas jurídicas, para efeito do Imposto de Renda, as despesas pagas ou incorridas no anobase da declaração de rendimentos, entendendose por incorridas as que embora realizadas e quantificadas não tenham sido pagas”. A noção de despesa incorrida é, portanto, fundamental à apuração do lucro real pelo regime de competência: devese considerar como dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSL as despesas que, independentemente de efetivo fluxo financeiro ou sacrifício para o seu adimplemento, possam ser consideradas como incorridas, ou seja, que já tenham caráter definitivo e incondicional, podendo ser juridicamente exigido pela parte credora. O art. 9o da Lei n. 9.249/95, além da possibilidade de adoção do regime de caixa para a dedutibilidade do JCP (subtópico “4.1”), também previu a adoção do regime de competência, embora com distinções relevantes em relação ao princípio contábil da competência: 1o fato: A deliberação da assembleia geral da companhia para que sejam pagos JCP aos acionistas, a partir do que já se poderia considerar a despesa como incorrida, já que, apenas a partir daí, os acionistas passam a ter direito ao recebimento de tais valores. Pelo regime de competência “puro”, aplicável em geral, já seria possível à pessoa jurídica deduzir aludidas despesas incorridas. A Lei n. 9.249/95, contudo, não autoriza a dedutibilidade do JCP meramente incorrido, exigindo, ao menos, o aperfeiçoamento de seu “creditamento”. 22 Nesse sentido, vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 318 e seg. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 709 59 2o fato: efetivo crédito individualizado ao acionista nos moldes decididos na assembleia antecedente. A Lei n. 9.249/95 deslocou o evento relevante para o regime de competência, que geralmente seria momento em que juridicamente a pessoa jurídica se torna juridicamente obrigada a cumprir uma despesa (no caso, a assembleia geral de deliberação), para o efetivo creditamento individualizado do JCP ao sócio. A questão é bem observada pela doutrina, como se observa deste trabalho de RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA23: “Realmente, apesar de a obrigação já ter sido constituída desde a deliberação, o parágrafo 1o do art. 9o da Lei 9.249 somente permite a dedução fiscal a partir do momento em que ela for cumprida no âmbito do direito privado mediante a efetivação do pagamento ou do crédito em conta individualizada do sócio ou acionista. Isso explica porque o regime de competência se constitui na regra geral acima descrita, mas nosso sistema legal relativo ao IRPJ e à CSL contém várias regras relacionadas à dedutibilidade de determinadas despesas ou custos, as quais estão inseridas no ordenamento jurídico a par da regra geral do regime de competência, sendo que algumas delas excepcionam, condicionam ou complementam tal norma geral. Assim, ao lado das regras que existem para declarar a indedutibilidade de determinadas despesas ou custos, ou para limitar o valor dedutível, ou para condicionar a dedução a esta ou àquela circunstância, há outras que, excepcionalmente, estabelecem o momento da dedução em momento distinto daquele em que o encargo já está incorrido.” O que se conclui é que o legislador não incorporou em sua integralidade o princípio contábil da competência, pois, conforme este, os valores em questão já deveriam ser reconhecidas desde a realização da assembleia geral da companhia em que o pagamento do JCP fosse aprovado. Tratase de um regime de competência ajustado. Assim, a Lei n. 9.249/95 adotou o regime de caixa e um regime de competência ajustado para estabelecer o momento em que o JCP se torna dedutível à empresa e rendimento tributável dos sócios. Significa dizer que o JCP pertence ao período em que o seu pagamento ou creditamento primeiro ocorrer. 5. A contabilidade: relevância para a apuração do JCP, com possíveis ajustes determinados pela lei fiscal; irrelevância para a tutela jurídicotributária das consequências fiscais do JCP pago ou creditado. 23 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 324. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 710 60 Na sistemática do lucro real, a base de cálculo adotada pelo legislador corresponde ao “lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas” por lei. E o lucro líquido será apurado “com observância das disposições das leis comerciais”, ou seja, a partir da contabilidade da pessoa jurídica.24 Para a solução do recurso especial ora em análise, é necessário verificar e distinguir a relevância da contabilidade para a apuração do JCP e para a delimitação da incidência da norma de dedutibilidade do JCP. Há um íntimo relacionamento entre as searas contábil e tributária, marcada por recente revolução. Durante décadas, a contabilidade brasileira esteve vinculada às necessidades da legislação do imposto de renda, o que não ocorre mais desde a edição da Lei n. 11.638/2007. A importante missão da contabilidade de informar usuários internos e externos à entidade hoje é cumprida adotando padrões internacionais e não da legislação tributária. Ao se reportar à “promulgação das Leis n. 11.638/07 e 11.941/09 (MP 449/08) e a independência da contabilidade brasileira”, no Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI, seus autores ELISEU MARTINS, ERNESTO RUBENS GELBCKE, ARIOSVALDO DOS SANTOS e SÉRGIO DE IUDÍCIBUS25 trazem mensagem bastante esclarecedora: “A partir dessas legislações passou a ser possível praticarse, de fato, Contabilidade no Brasil sem influências diretas ou indiretas de natureza fiscal, com a Secretaria da Receita Federal Brasileira passando a ser enorme parceira da evolução contábil. De agora em diante, trabalham juntas, as normas contábeis e as normas fiscais, cada um seguindo o seu caminho. Nenhuma norma contábil nova, convergente às internacionais, provoca qualquer efeito tributário, aumentando ou reduzindo tributos, sem que haja uma outra norma de natureza fiscal para fazêlo; não saindo essa nova norma tributária, prevalece o que existia anteriormente (até o final de 2013 ainda prevalecem as do final de 2007). Por outro lado, se o Fisco determinar uma nova forma de apropriação de receita ou despesa para fins próprios, isso não tem automática aplicação na Contabilidade, sem que saia uma nova norma contábil. E todas essas diferenças são controladas no Lalur, agora ELalur, no FCont etc. Devemos, os Contabilistas brasileiros, aplaudir estes momentos históricos que estamos vivendo e aproveitar para fazer valer a grande utilidade da nossa profissão: a de ajudar no processo de controle e no bem informar.” Até 2007, receitas e receitas seriam reconhecidas pela contabilidade de maneira formalística (forma jurídica sobre a substância), em obediência à legislação tributária ou à normas de Direito privado. Naquele estágio, a contabilidade estava presa às amarras do Direito tributário, mas este jamais teve amarras involuntárias nas normas contábeis. 24 Decreto 3000/00 (Regulamento do Imposto de Renda), art. 247; DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 6; Lei no 8.981, de 1995, art. 37, §1. 25 MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS, Ariosvaldo dos; IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI. São Paulo : Atlas, 2013, p. 21. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 711 61 É premissa fundamental que a resposta para “o que gera o dever de pagar tributos” não pode ser construída imediatamente com base na contabilidade. A análise de relatórios financeiros, pura e simples, não é conclusiva para a definição do quantum debeatur. A decisão sobre “o que gera o dever de pagar tributos” e, ainda, “quanto deve ser pago”, demanda, no regime democrático brasileiro, a decisão do legislador competente. Os eventos contábeis adquirem importância para o Direito tributário na medida em que são acolhidos pelo legislador. Também é preciso ter claro que não há comunicação necessária e indissociável entre a contabilidade e o Direito tributário. O legislador tributário pode, inclusive, se valer de conceitos próprios para capturar signos presuntivos de riqueza passíveis de tributação. Uma “receita” ou “despesa”, para fins societários e contábeis, pode não ter o mesmo sentido e tratamento para fins fiscais. Assim, tal como convergências conceituais da contabilidade e do Direito tributário podem ser facilmente encontradas no que tange ao IRPJ e à CSL, também não há dificuldade para se encontrar divergências, sem que isso represente qualquer ruído sistêmico. Nem a contabilidade e nem o Direito tributário ignoram tais possibilidades, antes as têm como naturais, de forma que cada qual possui as suas próprias soluções. Notese que, desde as Leis 11.638/07 e 11.941/09, a contabilidade brasileira ganhou independência em relação Direito tributário, mas este permanece, tal como antes, autônomo em relação àquela. A relação do Direito tributário com a contabilidade é de simbiose, quase parasitária, pois o legislador tributário se aproveita apenas daquilo que lhe interessa. O que não há, tal como nunca houve, é sujeição do legislador tributário à cogência das normas contábeis. No presente caso, o legislador tributário prevê que a contabilidade possui relevância para a apuração do JCP, com possíveis ajustes determinados pela lei fiscal. Tratase de um caso que o legislador tributário, em pleno exercício de suas funções e dentro dos limites que lhe são imanentes, seleciona da contabilidade aquilo que interessa para a mensuração do JCP. A relevância da contabilidade para a apuração do JCP passível de dedução fiscal será tanto maior quanto a evidenciação, reconhecimento e mensuração contábeis se derem em consonância com a fórmula adotada no art. 9o da Lei n. 9.249/95. Quanto mais a contabilidade se afastar dessa fórmula, menos relevante será para a aplicação da norma de dedutibilidade do JCP. Por sua vez, é necessário reconhecer que as normas contábeis são irrelevantes para a tutela jurídicotributária das consequências fiscais do JCP pago ou creditado. Ainda que o princípio contábil da competência possa orientar a escrituração contábil do JCP de uma determinada forma, isso em nada influencia para que se deflagre a sua dedutibilidade fiscal. Importa unicamente que se cumpram os elementos tal qual prescritos no art. 9o da Lei 9.249/95. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 712 62 Prova disso é que a legislação tributária prevê a solução a ser adotada caso a contabilidade reconheça JCP que (ainda) não possa ser considerado dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSL. Com a aplicação cumulativa do art. 9o e do art. 13, I, da própria Lei 9.249/95, na hipótese da contabilidade, por hipótese, evidenciar o JCP no ato da assembleia que determinar o seu pagamento, este deverá ser considerado, para fins fiscais, como mera provisão indedutível, devendo ser adicionada ao lucro líquido do período para apuração do lucro tributável respectivo. No futuro, quando de fato se concretizar o pagamento/creditamento individualizado exigido para fins de dedutibilidade fiscal, este será realizada a débito da provisão e não do lucro líquido desse período.26 Dessa forma, cumprese o disposto no art. 6o do Decretolei 1.598/7727. 5. O vício imputado pela fiscalização para a glosa da dedução de JCP efetivamente pagos aos acionistas. No presente caso, a autuação fiscal em discussão decorreu de pagamentos/creditamentos efetivamente realizados pelo contribuinte, a título de JCP, no ano de 2007, o qual foi calculado tomandose por base também os exercícios anteriores, de 2000 a 2006. 5.1. O pagamento ou creditamento de JCP acumuladamente, com base em exercícios anteriores. O investimento no capital social de pessoas jurídicas é, por definição, uma “participação permanente”28, o que evidencia uma noção de continuidade, perenidade. Embora o liame societário em questão possa ser extinto (realização do investimento), há expectativa de que o período de permanência do capital investido pelo acionista ou cotista perdure por mais de um exercício. Ao tutelar a remuneração do capital próprio investido pelos sócios (detentores dessa participação permanente), o legislador tributário precisou considerar tais fatores. O legislador precisou considerar tanto o pressuposto da continuidade do investimento mantido pelo sócio no capital social da pessoa jurídica investida, quanto a possibilidade legal de extinção desse liame societário a qualquer tempo. 26 Nesse sentido, vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 3256. 27 Decretolei 1.598/77, art 6º. Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (…) § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. 28 Vide Lei n. 6.404/74, art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo. (…) III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; Fl. 712DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 713 63 Quanto à possibilidade de extinção desse liame societário, o legislador prescreveu a única limitação temporal atinente ao JCP, analisada no tópico “3”, acima: somente será considerado dedutível o JCP calculado sobre o período em que o sócio manteve o seu capital investido na pessoa jurídica, devendo, assim, ser calculado “pro rata dia”. Por sua vez, tendo em vista que o período de permanência do capital investido pelo acionista ou cotista tende a perdurar por mais de um exercício, o legislador, de forma bastante técnica, prescreveu que o limite quantitativo aplicável (vide tópico “3”) pode ser tanto de 50% do lucro liquido do exercício, como de 50% dos lucros acumulados ou reservas de lucros, que se reportam justamente aos anos anteriores. Daí a correta assertiva doutrinaria de que, “não fosse assim, ou seja, fossem os JCP vinculados em seu cálculo exclusivamente aos presente períodobase, a lei teria limitado o seu valor apenas à metade do lucro líquido deste período”29. Assim fez o legislador, ao prescrever que o efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados (Lei 9.249/95, art. 9o, § 1). Além disso, prescreveu expressamente o legislador (Lei 9.249/95, art. 9o): § 7º. O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. O dispositivo da Lei das S.A., a que faz referência a Lei 9.249/95, segue transcrito: “Art. 20230. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, a importância determinada de acordo com as seguintes normas: I metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido dos seguintes valores: a) importância destinada à constituição da reserva legal (art. 193); e b) importância destinada à formação da reserva para contingências (art. 195) e 29 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 334. No mesmo sentido, vide: SANTOS, Ramon Tomazela. Aspectos controvertidos atuais dos juros sobre capital próprio (JCP): o impacto das mutações no patrimônio líquido, o pagamento acumulado e a sua qualificação nos acordos de bitributação, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 214. São Paulo : Dialética, 2013, p. 114115. 30 Em sua redação original, alterada pela Lei nº 10.303, de 2001, o caput e os seus incisos I, II e III possuíam a redação a seguir: “Art. 202. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto, ou, se este for omisso, metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido dos seguintes valores: I quota destinada à constituição da reserva legal (artigo 193); II importância destinada à formação de reservas para contingências (artigo 195), e reversão das mesmas reservas formadas em exercícios anteriores; III lucros a realizar transferidos para a respectiva reserva (artigo 197), e lucros anteriormente registrados nessa reserva que tenham sido realizados no exercício.” Fl. 713DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 714 64 reversão da mesma reserva formada em exercícios anteriores; II o pagamento do dividendo determinado nos termos do inciso I poderá ser limitado ao montante do lucro líquido do exercício que tiver sido realizado, desde que a diferença seja registrada como reserva de lucros a realizar (art. 197); III os lucros registrados na reserva de lucros a realizar, quando realizados e se não tiverem sido absorvidos por prejuízos em exercícios subsequentes, deverão ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado após a realização. (...)” (grifos acrescidos) Conforme a norma societária, os acionistas têm direito a receber dividendo obrigatório, em cada exercício, equivalente à parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, em conformidade com as regras estabelecidas na Lei das S.A. Entre essas regras, prevê o legislador societário que os valores registrados em reservas de lucros ou lucros acumulados de exercícios anteriores devem, após a sua realização, ser distribuídos na primeira oportunidade a título de dividendos. O legislador tributário fez remissão expressa à lei societária, atraindo para o JCP a norma societária originalmente aplicável apenas aos dividendos. Diante da referida remissão legal, constróise norma segundo a qual os lucros registrados na reserva de lucros a realizar, quando realizados e se não tiverem sido absorvidos por prejuízos em exercícios subsequentes, deverão ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado após a realização, podendo, ainda, ser destinados ao pagamento de juros sobre capital próprio. O legislador tributário prescreveu que o JCP, por também ter a natureza de distribuição de lucros, poderá ser pago no lugar dos dividendos obrigatórios referidos pelo art. 202 da Lei 6.404/76, destinando, inclusive, 50% dos valores registrados em reservas de lucros ou lucros acumulados de exercícios anteriores. Por remissão expressa na Lei 9.249/95, o legislador, que é uno, prescreve que até 50% das reservas de lucros ou lucros acumulados referidos pela Lei das S.A. podem: (i) servir de limite para o cálculo do JCP, coerentemente com a possibilidade de cálculo deste em relação aos períodos anteriores (Lei 9.249/95, art. 9, § 1º) e; (ii) ainda, servir de fonte de recursos para o pagamento do JCP, que de outra forma se prestariam apenas à distribuição de dividendos (Lei n. 9.249/95, art. 9o, § 7º). A norma prescrita pela Lei n. 9.249/95 é clara. O legislador não apenas permitiu o pagamento de JCP relativos a períodos anteriores, como também editou mais do que um parágrafo para regular a utilização de reservas de lucros ou lucros acumulados de períodos anteriores para o cálculo e fonte de recursos. Dessa forma, o auto de infração lavrado em face do contribuinte padece de vício Fl. 714DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 715 65 insanável quanto à compreensão da norma de dedutibilidade de JCP. A aplicação equivocada do art. 9o da Lei n. 9.249/95 conduziu a fiscalização a restringir a dedutibilidade de tais valores, não obstante a assembleia geral ter deliberado o pagamento de JCP relacionados aos anos 2000 a 2006 e tais valores tenham, de fato, sido efetivamente pagos ou creditados aos acionistas. Não se pode deixar de observar que sequer a equivocada qualificação do JCP como tendo natureza de juros comuns justificaria a glosa atinente aos exercícios anteriores. Ocorre que a relevância da autonomia e independência dos exercícios restou enfraquecida desde os idos de 1978, quando da introdução do Decretolei 1.598 ao sistema jurídico brasileiro. Até esse marco jurídico, as despesas atinentes a um exercício não poderiam ser deduzidas em outro, qualquer que fosse o motivo. O Decretolei 1.598, contudo, expressamente passou a autorizar deduções extemporâneas.31 Nesse cenário, a glosa empreendida pela fiscalização não possui fundamento legal de validade, devendo ser afasta, reconhecendose, assim, a legitimidade do pagamento ou creditamento de JCP acumuladamente, com base em exercícios. 5.2. A compatibilidade do art. 29, da IN 11/96, com a Lei 9.249/95. Após a edição da Lei 9.249/95, foi publicada a Instrução Normativa n. 11, de 21.02.1996, veiculando o seguinte texto em seu art. 29: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração de capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio liquido e limitados à variação pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). § 1º À opção da pessoa jurídica, o valor dos juros a que se refere este artigo poderá ser incorporado ao capital social ou mantido em conta de reserva destinada a aumento de capital. § 2º Para os fins do cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado, salvo se adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, valor: a) da reserva de reavalição de bens e direitos da pessoa jurídica; b) da reserva especial de trata o art. 428 do RIR/94; c) da reserva de reavaliação capitalizada nos termos dos arts. 384 e 385 do RIR/94, em relação às parcelas não realizadas. § 3º O valor do juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, não poderá exceder, para efeitos de dedutibilidade como despesa financeira, a cinqüenta por 31 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 334. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 716 66 cento de um dos seguintes valores: a) do lucro líquido correspondente ao períodobase do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou b) dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores. § 4º Os juros a que se refere este artigo, inclusive quando exercida a opção de que trata o § 1º ou quando imputados aos dividendos, auferidos por beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no: a) lucro real, serão registrados em conta de receita financeira e integrarão lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro; b) lucro presumido ou arbitrado, serão computados na determinação da base de cálculo do adicional do imposto. § 5º Os juros serão computados nos balanços de suspensão ou redução (art. 10). § 6º Os juros remuneratórios ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito. § 7º O imposto de renda incidente na fonte: a) no caso de beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, será considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos ou compensado com o que houver retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração do capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. b) será considerado definitivo, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isenta; c) no caso de beneficiária sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do Decretolei nº 2.397, de 1987, poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento de rendimentos a seus sócios ; d) deverá ser pago até o terceiro dia útil da semana subsequente à do pagamento ou crédito dos juros. § 8º A pessoa jurídica que exercer a opção de que trata o § 1º assumirá o ônus do imposto incidente na fonte sobre os juros. § 9º O valor do imposto será determinado sem o reajuste da respectiva base de cálculo e não será dedutível para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. § 10. O imposto incidente na fonte, assumido pela pessoa jurídica, será recolhido no prazo de quinze dias contados do encerramento do períodobase em que tenha ocorrido a dedução dos juros, sendo considerado: a) definitivo, nos casos de beneficiário pessoa física ou jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isentas; b) como antecipação do devido na declaração, no caso de beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 717 67 § 11. Na hipótese da alínea "b" do § anterior, a pessoa jurídica beneficiária deverá registrar, como receita financeira, o valor dos juros capitalizados que lhe couber e o do imposto de renda na fonte a compensar. § 12. O valor do imposto registrado como receita poderá ser excluído do lucro líquido para determinação do lucro real. Logo em seu caput, o art. 29 fez referência à observância do regime de competência, o que pode ter dado origem à questão ora submetida a esta CSRF. Ocorre que a fiscalização considerou que JCP pago ou creditado, para fins de dedutibilidade do IRPJ e da CSL, apenas poderia tomar com base o capital mantido pelo acionista na mesma competência em que o pagamento ou credito tenha sido realizado. Não se trata de interpretação exclusiva que possa ser obtida imediatamente dos elementos textuais do art. 29, da IN 11/96. Pelo contrário, RAMON TOMAZELA SANTOS32 bem explicitou outra interpretação que se coerentemente obter do aludido dispositivo, in verbis: “Na prática, significa dizer que a dedução da despesa deve ocorrer no momento em que a pessoa jurídica efetuar o pagamento do JCP em favor do sócio ou acionista, em caráter definitivo e incondicional, ainda que a deliberação societária determine que o prazo de cômputo deve abranger lapso temporal superior a um anocalendário, com o objetivo de remunerar o capital investido pelo sócio ou acionistas em períodos pretéritos.” A questão deve ser solucionada com vistas ao tema das fontes do Direito tributário: instruções normativas correspondem a fontes secundárias, do Direito, cuja função subalterna é de apenas explicitar normas enunciadas por fontes primárias, entres as quais tem destaque a lei ordinária. Assim, a interpretação do art. 29, da IN 11/96, deverá ser empreendida de tal forma que este seja consentâneo com a norma veiculada pelo art. 9o da Lei n. 9.249/95. Como se viu no subtópico “5.1”, o art. 9o da Lei n. 9.249/95 legitima o pagamento ou creditamento de JCP acumuladamente, com base em exercícios anteriores. O legislador não se baseou no regime de caixa ou de competência para a composição da fórmula de cálculo do JCP a ser pago ou creditado, mas apenas para marcar o momento em que este passa a ser dedutível. 5.3. Jurisprudência do STJ sobre o objeto do recurso especial em análise. A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça analisou recurso especial aparentemente com o mesmo objeto do recurso administrativo ora em análise. A r. decisão restou assim ementada: 32 SANTOS, Ramon Tomazela. Aspectos controvertidos atuais dos juros sobre capital próprio (JCP): o impacto das mutações no patrimônio líquido, o pagamento acumulado e a sua qualificação nos acordos de bitributação, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 214. São Paulo : Dialética, 2013, p. 109 e seg. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 718 68 MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anoscalendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíqua, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". V Recurso especial improvido. (STJ, REsp 1086752/PR, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 11/03/2009) Em seu voto, o i. Min. FRANCISCO FALCÃO consignou ser aplicável ao JCP o regime de caixa e não o regime de competência, como se observa do seguinte trecho: “Com efeito, a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração”. Conforme exposto nesta declaração de voto, me alinho à conclusão dos Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça do STJ, no sentido de que “a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa”. No entanto, permissa venia, a r. decisão parece ter analisado apenas a hipótese em que há efetivo pagamento de JCP, em que o regime de caixa foi realmente adotado pelo legislador. Conforme os fundamentos expostos no tópico “4.2”, acima, o legislador tributário também elegeu o creditamento da JCP como elemento temporal para que este se torne dedutível, o que remete, então, a um regime de competência ajustado. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 719 69 Dessa ressalva decorre que a assertiva do i. Min. FRANCISCO FALCÃO deve, permissa venia, ser complementada do seguinte modo: “Ao contrário, permite que ela ocorra em ano calendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento” ou creditamento. 6. Conclusão. Por todo o exposto, deve ser negado provimento ao recurso especial da PFN quanto à matéria analisada nesta declaração de voto. A glosa empreendida pela fiscalização não possui fundamento legal de validade, devendo ser afastada, reconhecendose, assim, a legitimidade do pagamento ou creditamento de JCP apurados acumuladamente, com base em exercícios anteriores. É como voto. Conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Fl. 719DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 720 70 Declaração de Voto Conselheiro Ronaldo Apelbaum, Em relação ao conhecimento do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, acompanho o d. Relator no sentido de que a divergência jurisprudencial exigida pelo Art. 67 e parágrafos do RICARF encontrase devidamente comprovada. Por esse motivo, o Recurso Especial deve ser conhecido. Quanto ao mérito, contudo, ouso divergir completamente do d. Relator, pelas razões que serão expostas a seguir. Essa divergência não retira nem diminui os elogios que são merecedores o d. Relator pela profunda pesquisa realizada. Em primeiro lugar, vale transcrever o art. 9º da Lei 9.249/95, que disciplina o pagamento a título de Juros sobre Capital Próprio, mas apenas nos trechos que impactam a presente discussão: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (...) § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. O artigo 9º da Lei n.º 9.249/95 limitase a autorizar a dedução, para fins fiscais, de “juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP”. Essa legislação dá ao contribuinte a faculdade de pagar ou creditar JCP a seus sócios sobre contas do patrimônio líquido e determina que esse valor poderá ser deduzido para fins de apuração do lucro real no momento de seu pagamento ou crédito. Já o §1º do referido artigo 9º determina que o efetivo pagamento ou crédito dos JCP dependem da existência de lucros correntes ou acumulados em valor igual ou superior a duas vezes os juros a serem pagos. Nesse ponto, a legislação traz uma limitação quantitativa para o pagamento dos juros sobre o capital próprio, mas não faz qualquer limitação ao pagamento relativo à aplicação da TJLP sobre as contas de patrimônio líquido de períodos anteriores. Mesmo a IN RFB n.º 11/96, vigente à época dos fatos ora analisados, não traze qualquer restrição à adoção, como base para determinação dos JCP, de contas de patrimônio líquido de períodos anteriores. Tanto essa IN quanto a Solução de Consulta 329/14 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 721 71 da COSIT, utilizadas como referência para a manutenção da autuação, não devem ser consideradas como válidas por partires do pressuposto de que o pagamento de JCP se trata de despesa de juros, o que não é o caso para a específica situação dos JCP, pelo que será exposto na análise dos primados contábeis. a) dos Princípios Contábeis aplicáveis ao caso em questão Em sua fundamentação, o d. Relator também se fundamenta em dois postulados contábeis para justificar a impossibilidade de pagamento de JCP sobre períodos passados: (i) Princípio da Entidade e (ii) Princípio da Competência. A análise das normas contábeis, embora não disciplinadoras dos efeitos fiscais de seus regramentos, são de extrema relevância no presente contexto. E por isso merecem análise pormenorizada, em conjunto com a legislação societária vigente no Brasil: (i) Princípio da Entidade O Princípio da Entidade é um postulado que determina que a contabilidade de determinada entidade não se confunde com a pessoa de seus sócios ou quotistas. Com base nesse Princípio, o d. Relator desenvolve raciocínio a partir do qual os JCPs devem ser caracterizados como despesa de juros, e, portanto, devem ser reconhecidas a cada ano calendário em que o resultado permitir tal disponibilização. Esse argumento não se sustenta na medida em que a necessidade de segregação contábil da “Entidade” foi observada pela Recorrente. É certo que a discussão sobre a natureza desse pagamento advém da legislação fiscal e societária e o momento correto de seu reconhecimento advém da regra contábil específica dos JCPs. Estamos falando de (i) momento de reconhecimento e (ii) natureza do pagamento, e não de confusão contábil entre a empresa e seus quotistas titulares. Por conta disso, nos itens abaixo, compreendo que essa discussão poderá ser mais frutífera, deixando de lado desde já qualquer descumprimento ao Primado da “Entidade”. (ii) Princípio da Competência Conforme já ressaltado anteriormente, os primados contábeis são de extrema relevância e devem sempre ser observados em conjunto com a legislação fiscal. A observância do Princípio da Competência é, indubitavelmente, um dos pilares da Contabilidade e é objeto de profunda análise em normas exaradas por entidades como a CVM, IBRACON, entre outras. O voto do d. Relator demonstra, de forma clara, a relevância e aplicação desse Princípio. Ocorre que há um severo engano nas conclusões do voto vencedor, na medida em que considera que as regras estipuladas na Lei 9.249/95 se amoldam ao Princípio da Competência de forma estrita, ou melhor, necessariamente relacionada ao período de apuração do JCP e não do pagamento efetivo dessa verba. É sempre relevante relembrar que a competência para a regra temporal de dedução de pagamentos na apuração do lucro real é matéria reservada à Lei. É a Lei 9.249/95, portanto, que define o momento em que deve ser considerada a dedução na base de cálculo do imposto. Ademais, é necessário ainda lembrar que o pagamento de JCP não é classificado como despesa, o que poderia gerar controvérsia quanto à necessidade de reconhecimento imediato desse pagamento como despesa do próprio período, em consonância com outras despesas comumente reconhecidas pelos contribuintes, de forma geral. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 722 72 Isso porque os JCP não devem ser considerados como dispêndio que contribuem para manutenção do patrimônio ou para incremento de receitas da atividade. Trata se de destinação de resultado após apurado o lucro, não sendo aplicadas as regras de competência para o registro de despesas, porque de despesa não se trata. É uma dedução legal criada por lei para incentivar a capitalização das empresas e favorecer o investimento em atividade produtiva. São uma forma de remuneração do investimento realizado por sócios ou acionistas. Esses juros foram criados como uma alternativa ou complementação ao pagamento de dividendos e, até por sua natureza, consiste em uma faculdade à empresa e não uma obrigação. Podemos dizer, portanto, que os JCP somente serão considerados existentes a partir do momento em que os sócios ou acionistas definem sua aprovação e seu pagamento. Dessa forma, fica claro que o período de competência não pode ser outro se não aquele em que é definido o seu pagamento, momento no qual é gerada uma obrigação para a empresa e um direito creditório aos sócios e acionistas. Essa conclusão também se depreende da Deliberação CVM 207/96, que determina a contabilização dos JCP diretamente à conta de lucros acumulados: I Os juros pagos ou creditados pelas companhias abertas, a título de remuneração do capital próprio, na forma do artigo 9º da Lei nº 9.249/95, devem ser contabilizados diretamente à conta de Lucros Acumulados, sem afetar o resultado do exercício. b) dos JCP como forma de remuneração do capital Conforme anteriormente mencionado, os JCP foram instituídos na legislação brasileira pela Lei 9.249/95. A partir desse momento, as empresas passaram a ter mais flexibilidade para remunerar seus sócios ou acionistas, com a possibilidade de antecipação do pagamento de dividendos, através do pagamento de JCP, autorizado pelo art. 9º dessa Lei. Tais juros possuem a mesma natureza jurídica da distribuição de dividendos, ambos representando formas de remuneração do capital ao acionista. Essa afirmação é confirmada pelo parágrafo 7º, do artigo 9º da Lei n.º 9.249/95, que admite sua imputação ao valor dos dividendos previstos no artigo 202 da Lei n.º 6.404/76. Já o art. 202 da Lei 6.404/76, faz referência aos dividendos obrigatórios, que a empresa tem a autonomia em definir quando distribuir, de modo a não comprometer sua situação financeira, não havendo qualquer vedação legal expressa que estabeleça um limite temporal para esta distribuição. “Art. 202. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, a importância determinada de acordo com as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001) I metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido dos seguintes valores: (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001) a) importância destinada à constituição da reserva legal (art. 193); e (Incluída pela Lei nº 10.303, de 2001) Fl. 722DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 723 73 b) importância destinada à formação da reserva para contingências (art. 195) e reversão da mesma reserva formada em exercícios anteriores; (Incluída pela Lei nº 10.303, de 2001) II o pagamento do dividendo determinado nos termos do inciso I poderá ser limitado ao montante do lucro líquido do exercício que tiver sido realizado, desde que a diferença seja registrada como reserva de lucros a realizar (art. 197); (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001) III os lucros registrados na reserva de lucros a realizar, quando realizados e se não tiverem sido absorvidos por prejuízos em exercícios subseqüentes, deverão ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado após a realização. (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001) (…) § 4º O dividendo previsto neste artigo não será obrigatório no exercício social em que os órgãos da administração informarem à assembléiageral ordinária ser ele incompatível com a situação financeira da companhia. O conselho fiscal, se em funcionamento, deverá dar parecer sobre essa informação e, na companhia aberta, seus administradores encaminharão à Comissão de Valores Mobiliários, dentro de 5 (cinco) dias da realização da assembléiageral, exposição justificativa da informação transmitida à assembléia. § 5º Os lucros que deixarem de ser distribuídos nos termos do § 4º serão registrados como reserva especial e, se não absorvidos por prejuízos em exercícios subseqüentes, deverão ser pagos como dividendo assim que o permitir a situação financeira da companhia.” A leitura desse artigo da Lei n. 6.404/76 revela claramente a preocupação do legislador de retirar parte da discricionariedade da companhia no pagamento de dividendos, garantindo o pagamento de um mínimo a todos os acionistas, o que protege os direitos dos acionistas minoritários, que teriam pouco poder na deliberação sobre o pagamento dos dividendos. Mas não o fez com relação aos juros em comento e, portanto, não cabe à autoridade fazendária inferir que deveria assim ocorrer. Aqui é importante ressaltar outro ponto relevante trazido à tona pelo d. Relator: a impossibilidade de pagamento de JCP retroativos em face da possibilidade de prejuízo aos acionistas ou quotistas “originários” do período dos Juros levantados. Nesse quesito, é importante mencionar que não há tal prejuízo, já que existe é fartamente reconhecida a possibilidade de distribuição posterior, aos titulares do momento de deliberação. A própria CVM, em seu Parecer 2004/0381, reconheceu a possibilidade de recebimento de dividendos retroativos. Se dividendos, que têm sua distribuição mínima obrigada por Lei, podem ser distribuídos dessa forma, os JCP também estariam no mínimo albergados pela mesma regra. A conclusão desse Parecer é clara a respeito de dividendos: Conclusão 17. Assim, pelas razões antes expostas, meu voto é no sentido de responder à consulta no sentido de manifestar o entendimento, aplicável apenas aos pagamentos de dividendo que vierem a ocorrer após a publicação da decisão que vier a acolher esta proposta, de que, em qualquer caso de declarações tardias, retificadoras ou complementares de dividendos (ou outros proventos) devidos por companhias abertas cujas ações sejam admitidas à negociação,o pagamento deve ser feito às pessoas titulares das ações na data Fl. 723DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 724 74 da declaração tardia, retificadora ou complementar, ou em outra data posterior,tornada pública de maneira concomitante com a declaração. Não restam dúvidas, portanto, que os JCP representam remuneração de capital, não há obrigação legal de reconhecimento no período a que se refere e que a distribuição tardia dos mesmos não representa prejuízo aos quotistas e/ou acionistas do período base de cálculo dos Juros. E, de acordo com o art. 9º da Lei 9.249/95, o Período de Competência aplicável ao pagamento dos Juros é o da efetiva deliberação e não do período base de cálculo desses Juros. c) dos juros sobre a multa Nesse ponto, acompanho o d. Relator. A partir da edição da Lei 9430/96, compreendo que as multas de mora se enquadram no conceito de “débito decorrente de tributo” e, portanto, há incidência de juros sobre a multa de ofício, para fatos ocorridos a partir de 01 de janeiro de 1997. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Apelbaum Fl. 724DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 12963.000065/201036 Acórdão n.º 9101002.181 CSRFT1 Fl. 725 75 Fl. 725DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 10880.900122/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
SALDO NEGATIVO. IRPJ. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTOS E RETENÇÕES NA FONTE. RECONHECIMENTO.
Comprovada a correição do saldo negativo pleiteado, reconhece-se o direito crédito correspondente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-002.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 1.317.101,32 e homologar a compensação pleiteada até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO EM SEDE DE JULGAMENTO. Acatase a retificação de declarações, ainda que manifestada em sede de manifestação de inconformidade ou recurso voluntário, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo IRPJ ou de CSLL. Inteligência do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 83/2014. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 SALDO NEGATIVO. IRPJ. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTOS E RETENÇÕES NA FONTE. RECONHECIMENTO. Comprovada a correição do saldo negativo pleiteado, reconhecese o direito crédito correspondente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 01 22 /2 00 8- 59 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.900122/200859 Acórdão n.º 1402002.054 S1C4T2 Fl. 287 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 1.317.101,32 e homologar a compensação pleiteada até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Manoel Silva Gonzalez, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.900122/200859 Acórdão n.º 1402002.054 S1C4T2 Fl. 288 3 Relatório EMPRESA DE ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A ECAP (sucedida por: Companhia de Bebidas das Américas AMBEV) recorre a este Conselho em face do acórdão nº 1633.757 proferido pela 4ª Turma da DRJ em São Paulo I DRJ/SP1 que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da lei nº 9.430/96 e no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). O litígio pode ser assim resumido: o crédito pleiteado não fora reconhecido pela unidade de origem em razão da divergência entre o saldo negativo contido na PER/Dcomp e o transmitido na DIPJ. Apresentada manifestação de inconformidade, a turma julgadora de primeira instância julgoua improcedente, concluindo que o montante de imposto de renda retido na fonte naquele período de apuração não seria suficiente para quitar as estimativas e o saldo de imposto devido, não havendo que se falar em saldo negativo. Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: Tratase de Despacho Decisório (DD), com ciência em 14/03/2008, que não reconheceu o direito creditório referente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, em razão de divergência entre o saldo negativo informado na DIPJ, de R$ 165.913,95, e o saldo negativo de R$ 1.151.187,67 informado no demonstrativo de crédito do PER/DCOMP n.º 35177.26292.311003.1.3.022531 e, portanto, não homologou a compensação com o débito de estimativa de CSLL de R$ 1.559.513,94, referente ao período de apuração 09/2003, declarado no PER/DCOMP. O enquadramento legal foi o parágrafo 1º do art. 6º e art. 28 da Lei 9.430, de 1996; art. 5º da IN SRF 600, de 2005; art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (fls. 1 a 9). A manifestação de inconformidade, protocolizada em 14/04/2008 (fls. 10 a 20), foi apresentada por procuradora da AMBEV (fls. 20 a 72), acostando elementos de fls. 73 a 84. Alega, em resumo, que: 1 tratase de crédito tributário da sucedida ECAP; 2 houve erro ao preencher: a) o PER/DCOMP, informando saldo negativo de R$ 1.151.187,67, enquanto o correto seria R$ 1.317.101,32, pois o saldo negativo corresponde ao IRRFJSCP; Fl. 288DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.900122/200859 Acórdão n.º 1402002.054 S1C4T2 Fl. 289 4 b) a DIPJ, pois na Ficha 12A cálculo do IRPJ constou R$ 165.913,95 de IRRF na linha 13, quando o correto seria R$ 1.317.101,32 (anexo 05); 3 tratase de inexatidão material, de modo que a retificação: a) do PER/DCOMP seria permitida, nos moldes dos arts. 58 e 59 da IN SRF n.º 600/2005, salvo por já ter sido proferido DD, conforme o art. 57 da mesma IN; b) da DIPJ não foi efetuada, pois o erro não foi percebido; 4 a compensação do débito com o saldo negativo de IRPJ pode ser provada por meio de: a) planilha de apoio à elaboração do PER/DCOMP; b) razões contábeis “IRPJ a Recuperar” e “CSLL balanço suspensão/redução” (anexo 04); 5 “a contribuinte sofreu retenção na fonte sobre o código 5706 – Juros sobre o capital próprio no valor de R$ 4.211.249,8/7 no ano de 2001, de acordo com o Comprovante Anual de Rendimentos recebido (anexo 06 fls. 01 e 02).”; 6 ”acontece que, no decorrer do exercício a manifestante compensou o IRRF s/ TJLP a pagar nos meses de agosto e dezembro de 2001 no valor de R$ 2.894.148,56, com a retenção sofrida de IRRF de juros sobre o capital próprio no valor de R$ 4.211.249,87.”; 7 a compensação de JSCP está conforme o art. 347 do RIR/99, de forma que “temos retenção na fonte de IRRF do ano de 2001 nos valores de R$ 2.017.764,33 e R$ 2.193.485,55, que totalizam a soma de R$ 4.211.249,97, os quais foram compensados com IRRF sobre TJLP, nos valores de R$ 1.893.401,38 e R$ 1.000.747,18, conforme demonstrado através do razão contábil (Anexo 07).”; 8 assim, o valor remanescente do IRRF de 2001 compõe o que seria o saldo negativo correto, de R$ 1.317.101,31, que é a diferença entre R$ 4.211.249,87 e R$ 2.894.148,56; 9 o inciso I, do art. 5º, da IN 600 autoriza a restituição na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; 10 apóiase na tese de erro de fato (art. 352 do CPC) e em doutrina, para pleitear: Fl. 289DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.900122/200859 Acórdão n.º 1402002.054 S1C4T2 Fl. 290 5 a) o reconhecimento do direito creditório; ou b) a realização de diligência. Foi apensado (fls. 89 a 91) o processo 11831.007697/200253 ao qual já havia sido apensado o processo 11831.003318/200397 que trata de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório apontado na Declaração de Compensação do débito da estimativa de CSLL de R$ 21.323,93, do período de 11/2002, com crédito de saldo negativo de IRPJ de R$ 165.913,35, e nos seguintes PER/DCOMPs: I 16671.96316.311003.1.3.026609, que com o mesmo saldo negativo pretende compensar débito de estimativa de IRPJ de 09/2003 de R$ 201.944,51; II 38644.55028.280208.1.7.020234 retificador, que com o mesmo saldo negativo pretende compensar débitos de estimativa de CSLL de 07 e 08/2003, no total de R$ 4.580,65. O processo 11831.003318/200397 previamente apensado ao então processo principal 11831.007697/200253 por sua vez, referese a uma Declaração de Compensação do mesmo saldo negativo com débitos dos períodos de 02/2003 (códigos 1708 e 2484) e 03/20003 (código 2484), respectivamente, de R$ 138,93, R$ 2.018,99 e R$ 14.482,39. Apresentada manifestação de inconformidade, a turma de julgamento a quo julgoua improcedente, tendo o julgado recebido a seguinte ementa (fls. 133139): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. Não foi reconhecido crédito líquido e certo em favor do contribuinte, referente ao IRPJ apurado no AC de 2001, razão pela qual mantémse a decisão recorrida. A recorrente foi intimada da decisão em 14 de fevereiro de 2012 (fl. 141), tendo apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 143167 em 13 de março de 2012, que, em resumo: preliminarmente requer a declaração de nulidade do ato administrativo por ausência de motivação: o despacho decisório exarado pela autoridade fiscal (unidade de origem) teria simplesmente indeferido o pedido em razão da divergência entre o saldo negativo constante na PER/DCOMP e o informado em DIPJ. Ao não adentrar no mérito do pedido, examinandoo com maior profundidade, teria cerceado o direito de defesa da recorrente em razão da ausência de motivação da decisão, ensejando, a seu ver, a declaração de sua nulidade; ainda em sede de preliminar, requer que, a teor do que dispõe o § 4º, alínea “c”, do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, o deferimento de apresentação de prova nesta fase Fl. 290DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.900122/200859 Acórdão n.º 1402002.054 S1C4T2 Fl. 291 6 recursal, uma vez que tais documentos se prestariam a contrapor fatos e razões trazidas aos autos somente por ocasião do julgamento da manifestação de inconformidade; finalizando suas preliminares, argumenta que tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida não observaram o princípio da verdade material, aduzindo que, ao contrário do que se afirmou na decisão de primeira instância, se ao contribuinte cabe o ônus da prova, à Administração impõese o dever da prova, ainda que se trate de pleito do contribuinte. Em relação à matéria, conclui que a decisão recorrida também não foi motivada, implicando sua nulidade; no mérito, a recorrente reforça que o imposto de renda que dela foi retido quando do recebimento de juros sobre capital próprio foi utilizado, em parte para quitação de imposto de renda que reteve na fonte quando realizou pagamentos de juros sobre capital próprio a seus sócios, no mesmo período de apuração, sendo que o restante de IRRF é justamente o saldo negativo pleiteado (R$ 1.317.101,30). Em relação às estimativas mensais a que se refere a decisão recorrida, esclarece que não foram quitadas com o IRRF retido quando do recebimento de JCP, mas sim mediante compensação com saldo negativo de IRPJ dos anos calendário de 1999 e 2000. Anexou ainda comprovantes de retenção na fonte, escrituração contábil e demonstrativos de tais períodos, esclarecendo que, à época de tais compensações, vigia o art. 66 da Lei nº 8.383/91 que permitia que a compensação de tributos da mesma espécie fosse realizada diretamente em sua escrituração contábil. Convém ainda destacar que a recorrente, ainda em sede de manifestação de inconformidade, havia ressaltado que o valor correto de seu saldo negativo não era o consignado em sua DIPJ (R$ 165.913,95), tampouco aquele contido em sua declaração de compensação (R$ 1.151.187,67). Segundo ela, o valor correto a ser considerado era de R$ 1.317.101,32. Anexou documentação que comprovaria a ocorrência de erros de fato no preenchimento de tais declarações, pugnando pelo reconhecimento da totalidade do crédito pleiteado, que, segundo seu entendimento, faria jus. Em relação ao tema, a decisão recorrida, ao reconstituir a apuração de IRPJ de tal período, concluiu inexistir qualquer saldo negativo em favor da recorrente, não entrando no mérito se poderia, ou não, ser acatada a retificação da Dcomp em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.900122/200859 Acórdão n.º 1402002.054 S1C4T2 Fl. 292 7 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. 2 PRELIMINARES 2.1 NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO Segundo a recorrente, o despacho decisório exarado pela autoridade fiscal teria simplesmente indeferido o pedido em razão da divergência entre o saldo negativo constante na PER/DCOMP e o informado em DIPJ. Ao não adentrar no mérito do pedido, examinandoo com maior profundidade, teria cerceado o direito de defesa da recorrente em razão da ausência de motivação da decisão, ensejando, a seu ver, a declaração de sua nulidade. Entendo não lhe assistir razão. O despacho decisório, ao depararse com valores distintos de saldo negativo consignados na DIPJ e na Dcomp transmitida, concluiu não haver certeza e liquidez no pleito do contribuinte, tanto que as próprias declarações por ela transmitidas não guardavam correlação entre si. Logo, não haveria porque se adentrar em pormenores da composição do saldo negativo, não havendo que se falar em ausência de motivação de tal ato administrativo. Assim sendo, rejeito esta preliminar de nulidade. 2.2 DO PEDIDO PARA APRESENTAÇÃO DE PROVAS EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO Requer a recorrente o deferimento da apresentação de provas nesta fase recursal, uma vez que tais documentos se prestariam a contrapor fatos e razões trazidas aos autos somente por ocasião do julgamento da manifestação de inconformidade. Considerandose que os documentos acostados aos autos buscam contrapor os argumentos contidos no voto condutor do aresto recorrido, a teor do que dispõe o § 4º, alínea “c”, do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, e em homenagem ao princípio da verdade material, não há como rejeitar tal pedido. Assim sendo, o presente voto levará em consideração toda a documentação acostada aos autos, incluindo aqueles anexados ao recurso voluntário. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.900122/200859 Acórdão n.º 1402002.054 S1C4T2 Fl. 293 8 2.3 DA NÃO OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE Aduz a recorrente que tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida não teriam observado o princípio da verdade material. Segundo sua tese, ao contrário do que se afirmou na decisão de primeira instância, se ao contribuinte cabe o ônus da prova, à Administração impõese o dever da prova, ainda que se trate de pleito do contribuinte. Em relação à matéria, conclui que a decisão recorrida também não foi motivada, implicando sua nulidade. Novamente discordo de tal arguição de nulidade. Corroboro o entendimento firmado pela decisão recorrida de que, em se tratando de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova é do requerente, cabendo tão somente ao Fisco reconhecer o direito de indébito ou, caso não o faça, fundamentar adequadamente sua decisão. Dessa feita, baseandose nos documentos apresentados pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, concluiu a turma julgadora a quo que haveria indébito a se reconhecer. Saliento ainda que tal conclusão adveio de informações contidas na própria DIPJ transmitida pela recorrente, sendo que o principal fundamento de tal decisão foi a de inexistência de saldo negativo porque na própria DIPJ constava que o IRRF que compunha o saldo negativo já houvera sido totalmente utilizado, inclusive para quitação das estimativas que já compunham o saldo negativo. Tanto é assim que no recurso voluntário ora analisado um dos pontos tratados pela recorrente é de que houve erro de fato no preenchimento da DIPJ, em especial na forma indicada para compensação das estimativas: não teria sido realizada utilizandose do IRRF, mas sim de saldos negativos de períodos anteriores. Com efeito, considerandose aquele momento processual, não há que se falar em qualquer atentado ao princípio da verdade material, pois não haveria como o relator do voto condutor do aresto recorrido supor que havia outro erro no preenchimento da DIPJ transmitida, além daqueles já consignados na manifestação de inconformidade então sob análise. Logo, tanto a decisão recorrida, quanto o despacho decisório, a par das informações disponíveis, estão devidamente motivados, não havendo que falar em nulidade, tampouco em cerceamento do direito de defesa. Rejeito, pois, também esta arguição de nulidade. 3 MÉRITO 3.1 DO PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DO VALOR PLEITEADO E DO SALDO NEGATIVO CONSIGNADO EM DIPJ – ALEGAÇÃO DE ERROS DE FATO Tendo em vista que a recorrente pleiteou o reconhecimento do direito de retificar o valor de saldo negativo consignado em sua Dcomp, tanto em razão de supostos erros Fl. 293DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.900122/200859 Acórdão n.º 1402002.054 S1C4T2 Fl. 294 9 de fato em seu preenchimento, quanto em dados informados em sua DIPJ, início a análise por este ponto. A matéria gerou controvérsias durante longo período. Contudo, com a edição do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014, não há mais controvérsia em relação ao tema. Tal Parecer tratou da possibilidade de revisão e retificação de ofício, tanto de lançamentos quanto de débitos confessados, concluindo ser perfeitamente cabível. A análise realizada se restringiu à revisão/retificação realizada no âmbito das Delegacias da Receita Federal, não se aplicando aos processos em que já se foi instaurado o litígio, uma vez que, a partir da apresentação de impugnação/manifestação de inconformidade/recurso voluntário, compete ou às Delegacias de Julgamento ou ao CARF a análise de seus méritos. Contudo, não há como se afastar das conclusões de tal Parecer Normativo quando o mesmo vai ao encontro do entendimento firmado pelos recorrentes, uma vez que, a bem da verdade, a matéria deixou de ser litigiosa. Vejamos. Em tal Parecer, a própria RFB reconhece que é possível a revisão de ofício de um despacho decisório, em sentido favorável ao contribuinte, quando se constatar erro de fato no preenchimento da própria Dcomp, da DCTF ou mesmo da DIPJ no caso de o crédito pleiteado se originar de saldo negativo de IRPJ, como é o presente caso. Alguns limites foram impostos, em especial o crédito não pode já ter sido extinto, não pode estar submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já ter sido objeto de apreciação destes, haja vista a definitividade de tais decisões nas hipóteses aventadas no art. 42 do art. nº 70.235/72. Por oportuno, vejase o excerto da ementa desse Parecer em relação a tal matéria: REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Logo, estando o processo sob análise desta Corte Administrativa, caso nos negássemos a enfrentar tal questão, estaria o contribuinte fadado a não ver seu pedido, no Fl. 294DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.900122/200859 Acórdão n.º 1402002.054 S1C4T2 Fl. 295 10 mérito, analisado na esfera administrativa, uma vez que, no retorno dos autos à unidade de origem, esta não mais poderia se pronunciar sobre o tema. Pelo acima exposto, em especial quanto à conclusão da própria RFB sobre a possibilidade de, em caso de erro de fato, retificação/revisão de informações contidas em DComp e DIPJ, entendo que devemos analisar se houve ou não os erros de fato alegados, e, em caso positivo, retificar de ofício o valor pleiteado, ajustandoo ao montante efetivamente comprovado. Quanto à análise da ocorrência dos alegados erros de fato, tendo em vista que se confundem com a própria análise do quantum a ser reconhecido, o farei nos itens seguintes deste voto. 3.1 DO PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DO VALOR PLEITEADO E DO SALDO NEGATIVO CONSIGNADO EM DIPJ – ALEGAÇÃO DE ERROS DE FATO O objeto do pedido da recorrente é o reconhecimento de pretenso saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2001. Embora tenha transmitido declaração de compensação informando que o seu saldo negativo seria de R$ 1.151.187,67, em descompasso com sua DIPJ que indicava saldo negativo de R$ 165.913,95, desde a interposição de sua manifestação de inconformidade a recorrente alega que houve erros de fato no preenchimento de ambas as declarações, uma vez que o montante correto do indébito de IRPJ seria de R$ 1.317.101,31. Foram anexados diversos documentos que embasariam sua pretensão. Convém novamente ressaltar as conclusões da decisão recorrida que levaram ao indeferimento total de seu pleito: O quadro a seguir coteja os valores da DIPJ (fl. 113 do processo principal), os do pleito e os ora constatados: AJUSTE DIPJ PLEITO CONSTATADO IR 1.416.369,05 1.416.369,05 1.416.369,05 ADIC 920.246,03 920.246,03 920.246,03 SOMA 2.336.615,08 2.336.615,08 2.336.615,08 () IRRF 165.913,95 1.317.101,31 12,18 () EST 2.336.615,08 2.336.615,08 1.314.599,58 SALDO 165.913,95 1.317.101,31 1.022.003,32 Resta claro que não há qualquer direito creditório no caso em tela, pois o interessado deveria ter apresentado, na verdade, saldo de imposto a pagar de R$ 1.022.003,32. Compulsando os autos, concluise que, de fato, a recorrente sofreu retenção de imposto de renda (IRRF) no total de R$ 4.211.249,86 (Informe de Rendimentos à fl. 186). Tal retenção proveio do direito à percepção de juros sobre capital próprio (JCP) da qual foi beneficiária. Desse valor de IRRF, a recorrente utilizou R$ 2.894.148,56 para quitar o IRRF que deveria recolher em relação aos JCP que distribuiu aos seus próprios acionistas, Fl. 295DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.900122/200859 Acórdão n.º 1402002.054 S1C4T2 Fl. 296 11 conforme possibilita o art. 347 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). Analisando os documentos acostados ao recurso, constato que, de fato, os lançamentos retratados à fl. 187 (cópia do Livro Razão) comprovam que tal procedimento foi adotado (lançamentos realizados no Livro Diário encontramse às fls. 188193). Por consequência, restoulhe ainda um saldo de IRRF a ser utilizado no ajuste anual do IRPJ de R$ 1.317.101,32 (conforme saldo final da conta “1.1.02.04.003 – IRRF – S/ Remuneração da TJLP a Receber” – fl. 187). Conforme indicado pela recorrente, a receita referente aos JCP auferidos foi computada ao lucro real (DIPJ, Ficha 06A – Demonstração de Resultado, no valor de R$ 28.074.999,15 – fl. 194). Importante ressaltar que o oferecimento à tributação das receitas de JCP permitem à recorrente a utilização do respectivo IRRF, nos termos da Súmula CARF nº 80 (Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.) A decisão de primeira instância, baseada nas informações contidas nas Ficha 11 e 12A da DIPJ/2002 concluiu que as estimativas referentes aos meses de agosto e dezembro de 2011 haviam sido adimplidas mediante compensação, utilizandose como crédito o próprio IRRF incidentes sobre os JCP percebidos pela recorrente, o que levoua a concluir pela inexistência de saldo negativo. Em sua peça recursal, alega a recorrente que houve erro de fato no preenchimento da DIPJ, pois, na realidade, tais estimativas, embora realmente quitadas por meio de compensação, não se utilizaram de créditos de IRRF, mas sim de saldos negativos relativos aos anoscalendário de 1999 (para adimplir estimativas de janeiro a maio, agosto, e parte de dezembro) e 2000 (para quitar parcela da estimativa de dezembro de 2001). Aduziu ainda não havia comprovado a quitação das estimativas em sede de manifestação de inconformidade porque, até então, tal matéria não era controvertida. De fato, na Ficha 11 da DIPJ (fl. 195) constatase que foi informado que do saldo de IRPJ devido no ajuste anual deduziuse R$ 2.336.615,08 a título de pagamentos de estimativas mensais (linha 16). Já na Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa (fls. 196199) consta que as estimativas dos meses de janeiro a maio, agosto e dezembro de 2001 foram pagas mediante dedução de IRRF. Em sua peça recursal, o contribuinte fez constar à fl. 200 a demonstração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário comparativa entre o que foi informado em DIPJ e a correta. Vejase a primeira tabela apresentada: Fl. 296DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.900122/200859 Acórdão n.º 1402002.054 S1C4T2 Fl. 297 12 A menção à letra (C), na última linha à direita, referese ao saldo final da conta de IRRF relativo ao JCP que percebeu, conforme extrato da conta razão (fl. 201). Em seguida, a recorrente indica em nova tabela a composição das quitações de estimativas mensais, fazendo menção a saldos negativos de IRPJ de períodos anteriores. Reproduz ainda as informações relativas ao IRRF (sua formação e utilização), conforme já retratado em passagem anterior deste voto. A fim de comprovar que as estimativas efetivamente não foram compensadas com utilização do IRRF, mas sim com saldos negativos dos anoscalendário de 1999 e 2000, a recorrente anexou fichas do Livro Razão (fls. 201217) que comprovariam as compensações realizadas. De fato, compulsando tais elementos de prova, em especial as rubricas contábeis relativas a imposto de renda a recuperar, imposto de renda – balanço suspensão/redução, e IRPJ a Pagar, constatase que efetivamente houve a quitação das estimativas mensais de janeiro a maio, agosto e dezembro de 2001 mediante compensação. É importante que frisar que é, à época, vigia o art. 86 da Lei nº 8.383/91 que permitia que a compensação de tributos da mesma espécie fosse realizada diretamente na escrituração contábil do contribuinte. Assim sendo, entendo que resta confirmado o erro de fato no preenchimento tanto da Dcomp quanto da DIPJ. O valor correto a ser considerado de saldo negativo é de R$ 1.317.101,32, sendo que a extinção das estimativas consignadas em DIPJ equivocadamente como realizadas com saldo de IRRF, o foi, na realidade, com saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 1999 e 2000. O contribuinte demonstrou a composição dos saldos negativos dos anos calendário de 1999 e 2000, anexando farta documentação com o intuito de comprovar suas alegações. Listo, a seguir, os documentos que foram objeto de análise por parte deste relator: Fl. 297DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.900122/200859 Acórdão n.º 1402002.054 S1C4T2 Fl. 298 13 AC 1999 (fls.) AC 2000 (fls.) Planilhas Demonstrativas 218 e 231 233 e 248 Informe de Rendimentos 219223 234237 Registros Contábeis 224226 238 Tributação das Receitas Financeiras 227229 240242 Comprovação erro de fato* 231 c/c 219223 * Na Ficha 13A da DIPJ/2000 anocalendário de 1999, na linha 13 havia sido informada apenas a retenção referente às receitas de aplicações financeiras (código de receita 6800), quando deveria também englobar as retenções referentes aos rendimentos de JCP (código de receita 5706). Assim, o valor correto a ser considerado é de R$ 1.128.826,26 e não R$ 102.298,28 (valor indicado na DIPJ). Assim sendo, após analisar os documentos apresentados pela recorrente também em relação aos saldos negativos de IRPJ relativos aos anoscalendário de 1999 e 2000, concluo que o direito creditório pleiteado pela recorrente deva ser reconhecido. 4 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório de R$ 1.317.101,32 (valor histórico) e homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 298DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722006/2014-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
PREVIDÊNCIA PRIVADA. PGBL. DEDUÇÃO
A dedução relativa às contribuições para entidades de previdência privada, somadas às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi), destinadas a custear benefícios complementares, assemelhados aos da previdência oficial, cujo ônus tenha sido do participante, em beneficio deste ou de seu dependente, fica limitada a 12% do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda devido na declaração.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2201-002.890
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 PREVIDÊNCIA PRIVADA. PGBL. DEDUÇÃO A dedução relativa às contribuições para entidades de previdência privada, somadas às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi), destinadas a custear benefícios complementares, assemelhados aos da previdência oficial, cujo ônus tenha sido do participante, em beneficio deste ou de seu dependente, fica limitada a 12% do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda devido na declaração. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
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PGBL. DEDUÇÃO A dedução relativa às contribuições para entidades de previdência privada, somadas às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi), destinadas a custear benefícios complementares, assemelhados aos da previdência oficial, cujo ônus tenha sido do participante, em beneficio deste ou de seu dependente, fica limitada a 12% do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda devido na declaração. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 20 06 /2 01 4- 14 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10166.722006/201414 Acórdão n.º 2201002.890 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, Acórdão 1050.846 da 8ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte, sendo restabelecida a dedução de despesa médica referente ao pagamento a Sandra Pereira de Castro Guimarães. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase da Notificação de Lançamento (fls. 83/88), lavrada contra o contribuinte acima identificado, por dedução indevida de Previdência Privada e Fapi, no valor de R$ 7.200,00 e de despesas médicas, no valor de R$ 13.450,00. É relatado que o contribuinte não comprovou que efetuou a contribuição para o plano de previdência privada (PGBL)/Fapi à Sul América Seguros, CNPJ 01.704.513/000146 e que também não comprovou o efetivo pagamento da despesa médica com Sandra Pereira de Castro Guimarães. Com essas alterações foi apurado imposto suplementar (código 2904) no valor de R$ 5.678,75, acrescido de multa de ofício e juros de mora calculados até 28/02/2014, resultando no crédito tributário de R$ 10.776,56. O contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 03/04) alegando que apresentou os comprovantes de pagamento à Previdência Privada/Fapi para SulAmérica Seguros de Pessoas e Previdência S/A (contribuição para renda por sobrevivência) e que o montante deduzido a esse título não ultrapassa 12% dos rendimentos tributáveis declarados. Quanto às despesas médicas, informa que são despesas do próprio contribuinte e que apresentou os comprovantes e os extratos bancários mensais com saques variados, que, ao todo, superam os valores requeridos para os efetivos pagamentos realizados parceladamente em moeda corrente nacional para Sandra P. de C. Guimarães. Extrato do Processo anexado (fl. 91). Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Contratou PGBL, proposta 220077339 (documento III). Fl. 139DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 · Boleto de pagamento apresentado (folha 28) contém as informações: "ficha para quitação da parcela 1003 da proposta número 220077339. · Posteriormente ao recebimento da intimação 535/2014 (doc. II), a Sul América Seguros e Previdência SA declara/ratifica que o formulário que ela utiliza é padrão da receita IN SRF nr 698 de 2006 e que o valor de contribuiçãop de R$ 7.200,00 referese a pagamento em PGBL (proposta 220077339) (doc. IX). · Há vasta comprovação do PGBL (inscrição, boleto bancário, extratos de contribuição e declaração). · Faz jus à dedução. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10166.722006/201414 Acórdão n.º 2201002.890 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Discutese exclusivamente a glosa de deduções com previdência privada. A motivação do fisco para efetuar a glosa foi a não comprovação que efetuou a contribuição para plano de previdência privada PGBL à Sul América Seguros. A DRJ entendeu que as contribuições foram para VGBL, não passíveis de dedução. Entendo comprovado que o contribuinte aportou R$ 7.200,00 para previdência privada PGBL e que a dedução é devida. Os documentos que embasam tal entendimento são: · Proposta de inscrição, folhas 122 e 123. · Boleto de pagamento, folha 125. · Extrato de contribuição, folha 126. · Histórico de movimentações, folha 130. · Declaração da Sul América, folha 131. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 141DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 15868.720090/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE INVESTIMENTO. AUTOMÓVEL DE PASSEIO.
A dedutibilidade de despesas na aquisição de veículos, limita-se a tratores, veículos de cargas e utilitários rurais. Despesas na aquisição de automóveis de passeio, ainda que possam ser utilizados eventualmente na atividade rural, não podem ser deduzidas da receita obtida.
ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE INVESTIMENTO. EXPLORAÇÃO DA ATIVIDADE EXCLUSIVAMENTE POR MEIO DE PARCERIAS.
Nos casos em que o contribuinte explora a atividade rural exclusivamente por meio de contratos de parceria, em que sua participação limita-se à cessão da terra nua para o cultivo agrícola, e não há comprovação da exploração direta em outras áreas rurais nem da pretensão de vir a fazê-lo no futuro, as despesas com aquisições de materiais agrícolas não podem ser consideradas como de investimento e, portanto, não são dedutíveis para fins da apuração do IRPF, em razão de não restar configurado o objetivo de desenvolvimento, de expansão e da melhoria da atividade.
ATIVIDADE RURAL NOTAS FISCAIS NÃO RECONHECIDAS PELO EMITENTE. DESPESAS NÃO PROVADAS.
A escrituração de despesas fictícias, fundamentadas em notas fiscais não reconhecidas pelo emitente, ensejam a sua.
MULTA QUALIFICADA.
É cabível a qualificação da multa de ofício no caso de apresentação de notas fiscais fictícias.
Numero da decisão: 2301-004.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado: (a) por maioria de votos, não conhecer das novas razões trazidas por ocasião da apresentação dos memoriais; vencidos os Conselheiros Alice Grecchi e Ivacir Julio de Souza; (b) quanto às demais questões, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões, quanto a multa qualificada, os Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza e Nathália Correia Pompeu. Fez sustentação oral o Dr. Bruno Padovan, OAB/DF 28.460.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/03/2016
João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE INVESTIMENTO. AUTOMÓVEL DE PASSEIO. A dedutibilidade de despesas na aquisição de veículos, limita-se a tratores, veículos de cargas e utilitários rurais. Despesas na aquisição de automóveis de passeio, ainda que possam ser utilizados eventualmente na atividade rural, não podem ser deduzidas da receita obtida. ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE INVESTIMENTO. EXPLORAÇÃO DA ATIVIDADE EXCLUSIVAMENTE POR MEIO DE PARCERIAS. Nos casos em que o contribuinte explora a atividade rural exclusivamente por meio de contratos de parceria, em que sua participação limita-se à cessão da terra nua para o cultivo agrícola, e não há comprovação da exploração direta em outras áreas rurais nem da pretensão de vir a fazê-lo no futuro, as despesas com aquisições de materiais agrícolas não podem ser consideradas como de investimento e, portanto, não são dedutíveis para fins da apuração do IRPF, em razão de não restar configurado o objetivo de desenvolvimento, de expansão e da melhoria da atividade. ATIVIDADE RURAL NOTAS FISCAIS NÃO RECONHECIDAS PELO EMITENTE. DESPESAS NÃO PROVADAS. A escrituração de despesas fictícias, fundamentadas em notas fiscais não reconhecidas pelo emitente, ensejam a sua. MULTA QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício no caso de apresentação de notas fiscais fictícias.
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado: (a) por maioria de votos, não conhecer das novas razões trazidas por ocasião da apresentação dos memoriais; vencidos os Conselheiros Alice Grecchi e Ivacir Julio de Souza; (b) quanto às demais questões, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões, quanto a multa qualificada, os Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza e Nathália Correia Pompeu. Fez sustentação oral o Dr. Bruno Padovan, OAB/DF 28.460. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/03/2016 João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2156; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 211 1 210 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15868.720090/201278 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.543 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de março de 2015 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente MARIA ANTONIETA STORTI CORREA Recorrida União (Fazenda Nacional) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE INVESTIMENTO. AUTOMÓVEL DE PASSEIO. A dedutibilidade de despesas na aquisição de veículos, limitase a tratores, veículos de cargas e utilitários rurais. Despesas na aquisição de automóveis de passeio, ainda que possam ser utilizados eventualmente na atividade rural, não podem ser deduzidas da receita obtida. ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE INVESTIMENTO. EXPLORAÇÃO DA ATIVIDADE EXCLUSIVAMENTE POR MEIO DE PARCERIAS. Nos casos em que o contribuinte explora a atividade rural exclusivamente por meio de contratos de parceria, em que sua participação limitase à cessão da terra nua para o cultivo agrícola, e não há comprovação da exploração direta em outras áreas rurais nem da pretensão de vir a fazêlo no futuro, as despesas com aquisições de materiais agrícolas não podem ser consideradas como de investimento e, portanto, não são dedutíveis para fins da apuração do IRPF, em razão de não restar configurado o objetivo de desenvolvimento, de expansão e da melhoria da atividade. ATIVIDADE RURAL NOTAS FISCAIS NÃO RECONHECIDAS PELO EMITENTE. DESPESAS NÃO PROVADAS. A escrituração de despesas fictícias, fundamentadas em notas fiscais não reconhecidas pelo emitente, ensejam a sua. MULTA QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício no caso de apresentação de notas fiscais fictícias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 90 /2 01 2- 78 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado: (a) por maioria de votos, não conhecer das novas razões trazidas por ocasião da apresentação dos memoriais; vencidos os Conselheiros Alice Grecchi e Ivacir Julio de Souza; (b) quanto às demais questões, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Votaram pelas conclusões, quanto a multa qualificada, os Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza e Nathália Correia Pompeu. Fez sustentação oral o Dr. Bruno Padovan, OAB/DF 28.460. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/03/2016 João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1642.188, exarado pela 16ª Turma da DRJ em São Paulo I (fls. 170 a 184 – numeração dos autos eletrônicos). O auto de infração (fls. 102 a 123) é referente ao imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito à omissão de rendimentos da atividade rural no ano calendário 2006. É exigido crédito tributário de R$1.167.417,60, dos quais R$488.190,89 correspondem a imposto, R$577.194,82 à multa de ofício proporcional e R$102.031,89 a juros de mora. O termo de verificação fiscal (fls. 110 a 123) descreve que a omissão de rendimentos provenientes de atividade rural foi caracterizada por glosa de despesas (1) fundamentadas em notas fiscais ideologicamente falsas; (2) de investimentos não necessárias à atividade rural referente a veículo de passeio; (3) de investimento não necessária à atividade rural referente a aquisição de colheitadeira. Entendeuse aplicável aos fatos o seguinte enquadramento legislativo: arts. 1° a 22 da Lei 8.023, de 1990; arts. 9º e 17 da Lei 9.250, de 1995; art. 59 da Lei 9.430, de 1996; art. 57 c/c art. 849 do Decreto 3.000, de 1999, que aprova o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR 99); art. 10 da Lei 9.887, de 1999 e art. 1° da Medida Provisória 22, de 2002 convertida na Lei 10.451, de 2002. Foi aplicada multa qualificada de 150% sobre o imposto decorrente da glosa de despesas com a aquisição de canadeaçúcar e milho com fundamento na utilização de notas fiscais ideologicamente falsas. Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese (fls. 129 a 164) (transcrição do relatório do acórdão recorrido): 1 inferese do presente Auto de Infração, que todas as supostas "omissões" de receitas verificadas pelo fiscal, tiveram como marco inicial a quebra do sigilo fiscal da Impugnante, por ato unilateral, por ele praticado, que burlou os mais comezinhos Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15868.720090/201278 Acórdão n.º 2301004.543 S2C3T1 Fl. 212 3 princípios de direito inerentes a sua atividade estatal e definitivamente quebrou o manto sagrado do sigilo fiscal albergado por nossa Carta Política; 2 os valores arbitrariamente obtidos, foram exclusivamente em decorrência da quebra do sigilo bancário da IMPUGNANTE. O Termo de Constatação e Intimação Fiscal, inexoravelmente, comprova que as exações foram realizadas da análise de suas movimentações financeiras; 3 A inconstitucionalidade da Lei Complementar 105/2001, em especial dos dispositivos que autorizavam o Fisco a requisitar informações financeiras do contribuinte fiscalizado, já foi, inclusive, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808 PR; 4 o acesso desautorizado às movimentações financeiras da Impugnante não passa de um ato ilegal e arbitrário, e que, como tal, não pode produzir nenhum efeito, nem mesmo para fins de tributação é o que se tem no caso em exame; 5diante das decisões acima transcritas, temse que a decisão proferida pelo C. Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário 389.808PR, com efeito de repercussão geral, prevista no artigo 543C, do Código de Processo Civil, apenas consolidou o entendimento já pacificado pela jurisprudência pátria, reafirmando definitivamente que a quebra do sigilo bancário só pode ser realizada mediante autorização prévia do Poder Judiciário; 6nesse sentido, os efeitos dessa decisão conferem à causa a mesma natureza dos feitos submetidos ao regime de Repercussão Geral, razão pela qual é perfeitamente possível a aplicação do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF a fim de admitir no presente processo administrativo o reconhecimento da inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário; 7 a Impugnante é única, exclusiva e vitalícia usufrutuária dos 4 (quatro) os imóveis rurais, descritos na folha 01 do Termo de Constatação Fiscal, que faz parte integrante do auto de infração, tendo direito á posse, uso, administração e percepção de seus frutos, consoante dispõe o artigo 1.394, do Código Civil; 8 não merece valia salientar que a contribuinte não tem despesas e investimentos dentro de suas atividades agropecuárias, pois, é ela quem administra e investe nas terras remanescentes da parceria; 9 está havendo um grande equívoco aceitar que a contribuinte/administradora/usufrutuária de suas terras não têm despesas com suas atividades, ou mesmo, não investe em melhorias benfeitorias para otimizar sua produção, principalmente naquelas áreas onde não existem a parceria agrícola; Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 10 o modelo veículo IDEA Adventure Flex, não é um automóvel esportivo e sim um utilitário, a versão deste carro não deixa margem á dúvida, além de seu modelo traduzir a função "aventura", sendo utilizado na espécie, dentro dos imóveis rurais da contribuinte; 11 outra confusão praticada pelo nobre fiscal, reflete no fato de não saber distinguir o que é domicílio e residência para os fins de direito; difere o domicílio da residência por ser esta o lugar em que a pessoa habita. Se tiver várias residências, onde viva alternadamente, qualquer delas será considerada domicílio (CC. art. 71); 12 o artigo 120, do Código de Transito brasileiro, suscitado pelo próprio fiscal, confere a Impugnante a faculdade de registrar seu veículo no local de seu domicílio ou residência, ficando a seu livre arbítrio a escolha; 13 a primeira confusão suscitada pelo Fiscal, reside no fato de não saber distinguir o que é proprietário e o que seria usufrutuário. Condições personalíssimas extremamente diversas e relevantes para o desfecho deste procedimento; 14 ao contrário do que sustenta o nobre Fiscal, é dever do usufrutuário administrar/cuidar do patrimônio onde recebe frutos e rendimentos; 15 no imóvel denominado Fazenda Jardim, matriculada sob n. 120, no Cartório de Registro o Móveis de Chapadão do Céu, Estado de Goiás, a parceria existente foi firmada sobre uma área de 405 hectares, logo considerando que o tamanho do imóvel rural perfaz a área de 3.369,80 hectares, temos que a Impugnante detém a administração e responsabilidade sobre a área remanescente da propriedade de 2.964,8 hectares; 16 se o contrato de parceria firmado na gleba Fazenda Jardim, foi pactuado apenas em cima de 405 hectares, por óbvio, que a área remanescente é usufruída pela contribuinte que é possuidora de seu usufruto em caráter vitalício; 17 a compra dos insumos, milho empanado e mudas de cana deaçúcar seriam utilizadas no futuro confinamento de bovinos que seria implementado na fazenda Jardim, na parte da área remanescente da propriedade em que a Impugnante detém a administração isolada; 18 em resposta a notificação data de 09/05/2012, ela foi taxativa em afirmar que os pagamentos das notas fiscais foram feitos em dinheiro e adiantados ao Sr. Gardini, inclusive todos contabilizados; 19 caso o nobre fiscal tivesse dúvida no adiantamento dos valores pagos ao Sr. Gardini, deveria agir da mesma forma como fez com a Contribuinte e quebrar seu sigilo bancário, que certamente constaria todos os pagamentos efetuados; 20 a "excepcional verdade está ancorada na falta de verdade" nas palavras tecidas pela patrona do Sr. Gardini, que afirmou nunca fazer qualquer tipo de negócio com a Impugnante, bem Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15868.720090/201278 Acórdão n.º 2301004.543 S2C3T1 Fl. 213 5 como, na venda da propriedade que menciona as notas fiscais em 06 de Maio de 2009; 21 Com base nas súmulas CARF n° 14 e 25 as multas de ofícios devem ser excluídas. As súmulas colacionadas nesta defesa tem aplicação direta em todos os órgãos do Poder Judiciário e a Administração Pública, com efeito vinculante a todas as decisões. DRJ julgou a impugnação improcedente em acórdão que recebeu as seguintes ementas: NULIDADE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ALEGAÇÕES ESTRANHAS AO LANÇAMENTO NÃO CONHECIMENTO. Alegações de nulidade do lançamento em virtude de inconstitucionalidade da norma que permite a obtenção de extratos bancários diretamente pela autoridade fiscal não devem ser conhecidas e apreciadas no julgamento quando estranhas à autuação. ATIVIDADE RURAL DESPESAS DE INVESTIMENTO AUTOMÓVEIS DE PASSEIO. Considerase despesas de investimento a aplicação de recursos financeiros que visem ao desenvolvimento da atividade rural, à expansão da produção e da melhoria da produtividade. A dedutibilidade de despesas na aquisição de veículos, por expressa previsão legal, limitase a tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de cargas e utilitários rurais. Despesas na aquisição de automóveis de passeio, ainda que possam ser utilizados eventualmente na atividade, não podem ser deduzidas da receita obtida. ATIVIDADE RURAL DESPESAS DE INVESTIMENTO EXPLORAÇÃO DA ATIVIDADE EXCLUSIVAMENTE POR MEIO DE PARCERIAS RESPONSABILIDADE LIMITADA A CESSÃO DA TERRA NUA. Nos casos em que o contribuinte explora a atividade rural exclusivamente por meio de contratos de parceria em que sua participação limitase tãosomente à cessão da terra nua para o cultivo de milho e soja e não logra comprovar a exploração direta em outras áreas rurais e nem a pretensão de vir a fazêlo no futuro, as despesas com aquisições de colheitadeiras não podem ser consideradas como de investimento e, portanto, não são dedutíveis, em razão de não restar configurado o objetivo de desenvolvimento, de expansão e da melhoria da atividade. ATIVIDADE RURAL NOTAS FISCAIS NÃO RECONHECIDAS PELO EMITENTE DESPESAS FICTÍCIAS MULTA QUALIFICADA A escrituração de despesas fictícias, fundamentadas em notas fiscais não reconhecidas pelo emitente, ensejam a sua glosa e a aplicação da multa qualificada (150%) por restar configurada a Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 ação deliberada do contribuinte em ocultar a ocorrência do fato gerador do imposto de renda da autoridade fazendária, por meio de deduções indevidas do resultado da atividade rural apurado na declaração de ajuste. A ciência dessa decisão ocorreu em 25/01/2013 (fl. 188). Em 22/02/2013, foi apresentado recurso voluntário (fls. 189 a 204), sendo reiterados, em síntese, os termos da impugnação (afora as manifestações contrárias à quebra de sigilo bancário, fato estranho aos autos). O pedido consiste no provimento do recurso voluntário, para julgar improcedente a autuação. O processo foi distribuído para este relator em 12/03/2015 (fl. 210). É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. glosa da aquisição do fiat idea adventure A recorrente afirma ser indevida a glosa da aquisição do veículo Fiat Idea Adventure Flex, por ser um utilitário utilizado na entrega de marmitas aos funcionários que estão no campo, busca de mantimentos na cidade mais próxima e deslocamento rápido dentro do imóvel, visando à entrega de ferramentas, insumos, defensivos, equipamento e qualquer outra emergência exclusiva dos obreiros. São passíveis de dedução as despesas de custeio – necessárias à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte pagadora, relacionada com a natureza das atividades exercidas – e os gastos com investimento – a aplicação de recursos financeiros que visem ao desenvolvimento da atividade rural, à expansão da produção e da melhoria da produtividade (art. 62, §§ 1º e 2º, do RIR 99). A dedutibilidade da aquisição de veículos automotores na atividade rural é regulamentada pelo art. 62, § 2º, III do RIR 99 e pelo art. 8º, III, da IN SRF 83, de 2001, a seguir transcritos: RIR 99 Art. 62. Os investimentos serão considerados despesas no mês do pagamento (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, §§ 1º e 2º). § 1º As despesas de custeio e os investimentos são aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionados com a natureza da atividade exercida. § 2º Considerase investimento na atividade rural a aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15868.720090/201278 Acórdão n.º 2301004.543 S2C3T1 Fl. 214 7 melhoria da produtividade e seja realizada com (Lei nº 8.023, de 1990, art. 6º): (...) III aquisição de utensílios e bens, tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de carga ou utilitários de emprego exclusivo na exploração da atividade rural; IN SRF 83, de 2001 Art. 8° Considerase investimento a aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, que visem ao desenvolvimento da atividade rural, à expansão da produção e da melhoria da produtividade, realizados com: (...) III aquisição de tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de cargas e utilitários rurais, utensílios e bens de duração superior a um ano, bem assim de botes de pesca ou caíques, frigoríficos para conservação da pesca, cordas, anzóis, bóias, guinchos e reformas de embarcações; Como visto, no caso de veículos, apenas é permitida a dedutibilidade de veículos de carga e utilitários rurais. A classificação dos veículos é efetivada pelo art. 90 da Lei 9.503, de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro), o qual possui a seguinte redação: Art. 96. Os veículos classificamse em: I quanto à tração: a) automotor; b) elétrico; c) de propulsão humana; d) de tração animal; e) reboque ou semireboque; II quanto à espécie: a) de passageiros: 1 bicicleta; 2 ciclomotor; 3 motoneta; 4 motocicleta; 5 triciclo; 6 quadriciclo; Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 7 automóvel; 8 microônibus; 9 ônibus; 10 bonde; 11 reboque ou semireboque; 12 charrete; b) de carga: 1 motoneta; 2 motocicleta; 3 triciclo; 4 quadriciclo; 5 caminhonete; 6 caminhão; 7 reboque ou semireboque; 8 carroça; 9 carrodemão; c) misto: 1 camioneta; 2 utilitário; 3 outros; d) de competição; e) de tração: 1 caminhãotrator; 2 trator de rodas; 3 trator de esteiras; 4 trator misto; f) especial; g) de coleção; III quanto à categoria: a) oficial; b) de representação diplomática, de repartições consulares de carreira ou organismos internacionais acreditados junto ao Governo brasileiro; Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15868.720090/201278 Acórdão n.º 2301004.543 S2C3T1 Fl. 215 9 c) particular; d) de aluguel; e) de aprendizagem. Como visto, os automóveis em geral (art. 96, II, ‘a’, ‘7’) não se classificam nem como veículos de carga (art. 96, II, ‘b’) nem como utilitários (art. 96, II, ‘c’, ‘2’). E não há dúvidas em ser o Fiat Idea um automóvel. É assim que é descrito no sítio eletrônico da Fiat (http://www.fiat.com.br/carros.html#passeio=4&valor=27590,115800&pessoas=2,15&potenci a=1.0,1.8), que o considera como veículo de passeio, na categoria “minivan”, em oposição aos modelos “comerciais”, entre os quais os veículos de carga e pichups. E é como automóvel que é indicado o Fiat Idea na Portaria Denatran 28, de 2011: (http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&ved=0CCMQFj AB&url=http%3A%2F%2Fwww.denatran.gov.br%2Fdownload%2FPortarias%2F2011%2FPO RTARIA_DENATRAN_28_11.pdf&ei=F36dVZXRH8mZwgT234OAAQ&usg=AFQjCNFRI 9zo5_H628XUPIuTH1WvJ3tZQ&bvm=bv.96952980,d.Y2I) A nota fiscal de aquisição do veículo (fl. 51) também não o indica como veículo de carga ou utilitário. Assim, está correto o lançamento na glosa da despesa do Fiat Idea. da aquisição de colheitadeira e plataforma de corte Na glosa da aquisição da colheitadeira e de plataforma de corte a fiscalização afirma que tais bens não são ou foram necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionados com a natureza da atividade exercida, nos termos do já citado art. 62 do RIR 99. Isso porque não haveria qualquer prova de sua utilização em áreas exploradas pela contribuinte. O contribuinte alega, em linhas gerais, que no imóvel denominado Fazenda Jardim, matriculada sob n. 120, no Cartório de Registro o Móveis de Chapadão do Céu, Goiás, a parceria existente foi firmada sobre uma área de 405 hectares, sendo a área total do imóvel de 3.369,80 hectares, o que prova a administração e responsabilidade da recorrente sobre a área remanescente da propriedade (2.964,8 hectares). Pois bem. Se, como afirma, a contribuinte detém a posse de 2.964,8 hectares de área rural, na qual foram utilizadas a colheitadeira e plataforma de corte, nada mais fácil a ela juntar provas de sua utilização, como do pagamento de remuneração de seus funcionários, despesas com lubrificantes e itens de manutenção. Nenhuma prova da utilização dos maquinários, porém, foi juntada aos autos. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 No livrocaixa da atividade rural (fls. 33 a 46) foram escrituradas somente receitas advindas da venda de milho e de soja, produtos advindos dos contratos de parceria, única forma de atividade rural registrada em sua declaração de ajuste anual (DAA) (fl. 08). Assim, as provas constantes nos autos demonstram que toda a sua receita foi decorrente dos contratos de parceria. Para se beneficiar da dedução pleiteada é necessária a demonstração que a despesa foi realizada visando ao desenvolvimento da atividade rural, a expansão da produção e/ou melhoria da produtividade. Quando a exploração da atividade rural se dá apenas por meio de contratos de parceria, em que sua participação limitase à cessão da terra nua para o cultivo agrícola, e não há comprovação de exploração direta em outras áreas rurais, as despesas com aquisições de materiais agrícolas não podem ser consideradas como de investimento e, portanto, não são dedutíveis para fins da apuração do imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF), em razão de não restar configurado o objetivo de desenvolvimento, de expansão e da melhoria da atividade. da compra de milho empalhado e cana de açúcar Neste item, a glosa de duas notas fiscais, relativas à compra de milho empalhado e cana de açúcar, nos valores respectivos de R$887.200,00 e de R$157.500,00 devemse a que o vendedor, Sr. Valter Gardini, CPF 364.251.84868, afirmou categoricamente não ter efetivado tais vendas e que o imóvel situado no endereço constante das notas ficais não mais lhe pertencia na época da alegada venda; não sendo mais o proprietário da Fazenda Correntão, não poderia ter efetuado qualquer venda de produtos oriundos daquela; ademais, jamais produziu milho ou canadeaçúcar, era criador de bovinos para corte, e não agricultor e em 18/11/201 teve sua inscrição estadual baixada; os vegetais teriam sido entregues em fazendas cedidas em parceria; e a não haver provas dos pagamentos, que teriam sido efetuados “em várias parcelas anteriores à emissão da nota fiscal, em dinheiro”. A contribuinte afirma que comprou insumos (milho empanado e mudas de canadeaçúcar), que seriam utilizados no futuro confinamento de bovinos, que deveria ter sido implementado na fazenda Jardim, na parte da área remanescente da propriedade em que detém a administração isolada; que o milho foi moído, a canadeaçúcar foi triturada e ambos foram ensilados; como o financiamento bancário, do qual dependia o projeto, não foi aprovado, os vegetais apodreceram e não mais puderam ser aproveitados; que a baixa na inscrição estadual do vendedor, Sr. Gardini, quase um ano após a venda, não afeta o seu negócio; que os pagamentos das notas fiscais foram feitos em dinheiro e adiantados ao Sr. Gardini, sendo todos contabilizados; caso houvesse dúvida no adiantamento dos valores pagos ao Sr. Gardini, deveria ser promovida a quebra de seu sigilo bancário, que demonstraria todos os pagamentos efetuados; que as notas fiscais foram emitidas em período em que a inscrição estadual do Sr. Gardini ainda estava ativa, e que as notas foram emitidas no nome desse, aparecendo como requisitante a Sra. Márcia Maria Paula Guimarães, funcionária e procuradora do vendedor. A questão se resolve facilmente pela ponderação das provas juntadas aos autos. A venda do milho empalhado e da canadeaçúcar, nos valores respectivos de R$887.200,00 e de R$157.500,00 foi negada pelo Sr. Valter Gardini, CPF 364.251.84868, asseverando, ademais, que nunca produziu tais vegetais e que não era mais proprietário do imóvel apontado como origem dos produtos (fls. 7980). Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15868.720090/201278 Acórdão n.º 2301004.543 S2C3T1 Fl. 216 11 Bastaria à recorrente fazer prova do pagamento de tais vultosos valores, que totalizam R$1.044.700,00. Porém, ela se diz impossibilitada, pois teria realizado os pagamentos em dinheiro, antecipadamente. Além de inverossímil, sua tese não guarda sustentação em seu próprio livrocaixa, que registra o dispêndio, pelo valor total, no dia 30/12/2009 (fl. 46). Além disso, os livros e fichas dos empresários provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios, de acordo com o art. 226 da Lei 10.406, de 2002 (Código Civil Brasileiro) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. Ademais, também não há provas das despesas com moagem do milho, da trituração da canadeaçúcar e da silagem de ambos, nem de quaisquer outras medidas preparatórias à criação de animais por parte da recorrente. Cabe ao contribuinte a comprovação “receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição”, na dicção do § 1º do art. 60 do RIR 99: Art. 60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei n2 9.250, de 1995, art. 18). § 1 O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei n2 9.250, de 1995, art. 18, § 12). Sem tais provas, tanto o registro dos pagamentos no livrocaixa quanto as renegadas notas fiscais não possuem eficácia a ser oposta contra o fisco, razão pela qual entendo que deva ser mantida a glosa de tais valores. da multa de ofício O contribuinte alega ser indevida a aplicação de multa de ofício qualificada (150%), porque não laborou com dolo ou fraude com intenção de reduzir ou suprimir tributo. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 A fundamentação para a aplicação da multa qualificada é a conduta do contribuinte em justificar despesas da atividade rural com notas fiscais ideologicamente falsas, como já relatado. Consta do relatório fiscal: As informações e provas apresentadas por VALTER GARDINI desfazem por completo a aparente candura da contribuinte, que não achando suficiente o benefício fiscal que a lei lhe confere, ou seja, a opção de considerar como rendimento tributável apenas 20% da receita bruta da atividade rural, que, neste caso, corresponde a receita líquida, vez que, por força do contrato de parceria ela recebe, sem nenhum custo o equivalente a 14,7% da produção, com o único risco de deixar de ganhar, isso na remota hipótese de perda total da produção, transformou a sua receita líquida de R$ R$ 2.048.998,69 em prejuízo de R$ 77.438,91, mediante procedimentos ilegais, inclusive confecção e registro em seu Livro Caixa 2009 de nota fiscal ideologicamente falsa. A conduta da contribuinte está tipificada como crime contra a ordem tributária no artigo Iº da Lei 8 137/1990 e considerada pela legislação tributária motivo para qualificação da multa a ser aplicada, que passa de 75% para 150%, conforme artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, abaixo transcrito: (...) Dolo é a direção da vontade para contrariar a direito. No suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa. (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado. Rio de Janeiro; Borsoi, t.2, § 177): § 177. Conceito de dolo Dolo é a direção da vontade para contrariar a direito. No suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa. Não só o agente atua e contraria a direito: quer que o ato contrarie a direito; ou quer contrariar a direito, e atua para isso. Sabe que o ato (ou omissão) contraria a sua promessa, viola o direito, a pretensão, a ação ou exceção do seu credor, e pratica o para contrariar a direito. A lei vedalhe algum ato, ou omissão, e quer violála, praticandoo, ou omitindo. Não é preciso que o agente queira as consequências do ato, ainda que sejam próprias desse. Nem que as preveja. Basta querer o ato contrário a direito. Na apreciação da prova, o julgador forma livremente sua convicção (art. 29 do Decreto 70.235, de 1972). Assim se dá com a prova do dolo. Dada uma determinada infração tributária, não há outra possibilidade de que tenha ocorrido: (a) mero erro, evidenciando culpa, ou (b) vontade em praticar o ato, demonstrando o dolo. Penso que resta caracterizada a utilização de notas fiscais ideologicamente falsas pela recorrente, o que é incompatível com a ocorrência de erro/culpa e demonstra a intenção da contribuinte em esconder do Fisco o verdadeiro valor de suas receitas tributáveis e prova a existência da vontade de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (art. 71, I, da Lei 4.502, de 1964), ocorrendo, desse modo, a subsunção ao art. 44, II, da Lei 9.430, de 1996 (redação original): Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15868.720090/201278 Acórdão n.º 2301004.543 S2C3T1 Fl. 217 13 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Tal entendimento não é incompatível com as Súmula CARF 14, porque, no caso, não se trata de “simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos” (Súmula 14), uma vez que a apresentação de notas fiscais ideologicamente falsas é a própria prova do dolo de sonegar. Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Por outro lado, também não é aplicável a Súmula CARF 25, pois a qualificação da multa não decorrer de presunção legal. Súmula CARF nº 25 (VINCULANTE): A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Voto, portanto, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 13971.000660/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13971.001651/2005-02, referente à exclusão da recorrente do SIMPLES.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RESOLVEM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13971.001651/200502, referente à exclusão da recorrente do SIMPLES. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 00 66 0/ 20 10 -3 5 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.000660/201035 Resolução nº 2401000.486 S2C4T1 Fl. 185 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2007 Data da lavratura do Auto de Infração: 11/02/2010. Data da Ciência do Auto de Infração: 19/02/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Brasília/DF que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.246.4726, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 21/25. Informa a fiscalização que a empresa declarava ser optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Federal, apesar de já haver sido excluída de tal Sistema Simplificado, desde 01/01/2002, mediante o Ato Declaratório Executivo nº 046, de 23/04/2009, a fl. 27, oriundo da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, em virtude de infração ao art. 15, inciso II, da Lei nº 9.317/96 e art. 24, §1º, II, da IN SRF nº 608/2006. A omissão de forma sistemática pela empresa da contribuição patronal a Outras Entidades e Fundos, em consequência da informação incorreta do código de opção pelo SIMPLES na GFIP, cujo programa gerador deixa de calcular as referidas contribuições, constituise, em tese, crime contra a ordem tributária, de acordo com o artigo 1º, alínea ‘a’ da Lei nº 8.137/90, uma vez que não foi informado o valor correto na GFIP, razão pela qual se houve por formalizada a competente Representação Fiscal para Fins Penais. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 37/59. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou decisão administrativa aviada no Acórdão nº 0339.075 – 5ª Turma da DRJ/BSB, a fls. 115/135, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/12/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 137. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 138/159, requerendo preliminarmente a suspensão do presente Processo Administrativo Fiscal até o julgamento definitivo do processo administrativo n° 13971.001651/200502, no qual se discute a exclusão, ou não, do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. O julgamento do Recurso Voluntário houvese por convertido em Diligência Fiscal, para que fosse aguardado o Trânsito em Julgado do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001651/200502 suso citado, nos Termos da Resolução nº 2302353 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 05/11/2014, a fls. 175/178. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.000660/201035 Resolução nº 2401000.486 S2C4T1 Fl. 186 3 Relatados sumariamente os fatos relevantes. 2. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 2.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20/12/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18/01/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 3. DAS PRELIMINARES 3.1. DEPENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO O Recorrente argumenta que o presente Auto de Infração houvese por lavrado em razão da emissão do Ato Declaratório Executivo nº 046, de 23/04/2009, a fl. 27, oriundo da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, o qual foi tempestivamente impugnado e se encontra pendente de decisão administrativa nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001651/200502. A vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na confirmação ou não da efetiva exclusão da empresa autuada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. O Ato Declaratório Executivo nº 046/2009 acima referido foi impugnado pela entidade interessada, constituindo os autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001651/200502, no qual se analisa a manutenção da empresa em tela ao albergue do mencionado sistema simplificado. Avulta das circunstâncias do presente caso que o veredictum a ser proferido no vertente Processo Administrativo Fiscal depende visceralmente do desfecho definitivo a que alcançar o julgamento PAF nº 13971.001651/200502, no qual se debate a manutenção da empresa em tela no SIMPLES Federal. Por tais razões, como medida de reconhecida prudência, houvese o julgamento do presente feito convertido em diligência fiscal para que se aguardasse o Trânsito em Julgado do Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001651/200502 suso citado, sendo solicitado que a diligência fosse concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva proferida no PAF acima mencionado. A Resolução nº 2302353 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 05/11/2014, a fls. 175/178, foi clara e expressa ao determinar que a diligência deveria ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia das decisões definitivas proferidas no Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001651/200502. “Por tais razões, como medida de reconhecida prudência, pautamos pela conversão do julgamento em Diligência Fiscal, para que se aguarde o Trânsito em Julgado do Processo Administrativo Fiscal nº Fl. 186DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13971.000660/201035 Resolução nº 2401000.486 S2C4T1 Fl. 187 4 13971.001651/200502 suso citado, devendo a diligência ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva proferida no PAF acima mencionado”. A DILIGÊNCIA FISCAL NÃO FOI CUMPRIDA !!! Os autos retornaram a este Colegiado sem que fosse juntada ao presente processo a cópia da decisão definitiva proferida no PAF nº 13971.001651/200502, em que se debate o mérito da exclusão da empresa ora Recorrente do Simples Nacional, sendo negligenciada a determinação expressa comandada pela diligência fiscal contida na Resolução nº 2302353 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 05/11/2014, a fls. 175/178. Por tais razões, pugnamos pela conversão do julgamento em nova diligência fiscal para que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem desídia, CUMPRA EFETIVAMENTE as determinações aviadas na Resolução nº 2302353 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 05/11/2014, a fls. 175/178, mediante a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva referente ao Processo Administrativo Fiscal nº 13971.001651/2005 Além disso, conforme comandado na Resolução acima mencionada, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser promovida a ciência do Contribuinte a respeito do conteúdo e resultado da diligência fiscal ora requestada, sendolhe concedido o prazo normativo para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento da demanda objeto do PAF nº 13971.001651/200502, devendo ser acostada aos presentes autos cópia da decisão definitiva em apreço. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000411/2002-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão exarado pelo CARF, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando a sanar o vicio apontado.
Embargos Providos
Numero da decisão: 9303-003.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar a ementa e a parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto da Relatora.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1733; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 788 1 787 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13971.000411/200230 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9303003.381 – 3ª Turma Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria Embargos Embargante BUNGE ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão exarado pelo CARF, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando a sanar o vicio apontado. Embargos Providos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar a ementa e a parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto da Relatora. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 04 11 /2 00 2- 30 Fl. 788DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000411/200230 Acórdão n.º 9303003.381 CSRFT3 Fl. 789 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte contra o Acórdão nº 0203.407, por meio do qual a CSRF julgou os recursos especiais interpostos pela contribuinte e pela Fazenda Nacional. A ementa dessa decisão está assim redigida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. Incluemse da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP n° 1.8587/1999 e AD SRF nº 88/99. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS. LENHA. MATÉRIA SUMULADA. Não se conhece de matéria do recurso que contrarie súmula em vigor, nos termos do § 2º do art. 38 do RICSRF. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. Não se conhece de matéria do recurso que não preencha pressuposto de admissibilidade. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, aplicados na fabricação de produtos NT, devem ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido. Entretanto, os valores relativos às operações de vendas de produtos NT devem integrar não só a receita de exportação, mas também a Fl. 789DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000411/200230 Acórdão n.º 9303003.381 CSRFT3 Fl. 790 3 receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especiais da Fazenda Nacional provido e do Contribuinte provido em parte. Por sua vez, a decisão do referido acórdão foi redigida nos seguintes termos: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento ao recurso; 2) quanto_ao recurso especial do contribuinte: a) por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso em relação à matéria compreendida na Súmula n° 12 do Segundo Conselho de Contribuintes e à matéria para a qual não foi apresentado o paradigma necessário à formação da divergência (inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos à revenda de produtos); b) na parte conhecida: b.1) por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso especial, para que a receita de exportação de produtos NT seja incluída no cálculo do coeficiente de exportação, tanto no dividendo quanto no divisor da operação aritmética que dá origem ao referido coeficiente; b.2) por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial quanto a inclusão das aquisições de insumos de pessoas físicas na base de cálculo do ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Relator), Josefa Maria Coelho Marques, Elias Sampaio Freire e Gilson Macedo Rosenburg Filho que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Entende a embargante terem ocorridos dois erros materiais (contradição/omissão) no acórdão. Nesse sentido, seguem excertos dos embargos interpostos pela contribuinte: (...) Os erros materiais constatados na parte dispositiva do 'acórdão' são os seguintes, posto que no mesmo consta nas fIs. 689: 1) PRIMEIRO ERRO MATERIAL relativamente ao Recurso da Procuradoria Fl. 790DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000411/200230 Acórdão n.º 9303003.381 CSRFT3 Fl. 791 4 1 Na parte dispositiva, contudo, surge o erro material pela falta de referência ao não conhecimento de parte do recurso da Procuradoria; vejamos: "ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (...) " No entanto, no VotoVencido de lavra do Conselheiro Antônio Carlos Atulim, às fls. 704, o mesmo deu provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, nos seguintes termos : "Em face do exposto, voto no sentido de: l) Dar provimento parcial ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional nos seguintes termos: a) não conhecer do recurso quanto à exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos valores relativos às vendas para o exterior de soja em grão e de mercadoria revendida sem sofrer industrialização, por ser matéria estranha aos autos;"(grifo nosso) Não há no VotoVencedor, do Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, às fls. 680, qualquer referência a este ponto, já que restringiuse a questão das aquisições de MP, ME e MI em que não houve incidência de PIS/PASEP e COFINS Pessoas Físicas e Cooperativas, vejamos: (...) 2) SEGUNDO ERRO MATERIAL relativamente ao Recurso da Empresa: Consta da ementa: "CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. Incluemse na base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP n° 1.8587/1999 e AD SRF n° 88/99." (...) No VotoVencedor, do Conselheiro Julio César Vieira Gomes, conforme referido anteriormente, e que se ressalta novamente, o mesmo aborda favoravelmente a inclusão na base de cálculo do crédito das aquisições de MP, ME e MI em que não houve Fl. 791DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000411/200230 Acórdão n.º 9303003.381 CSRFT3 Fl. 792 5 incidência de PIS/PASEP e COFINS Pessoas Físicas e Cooperativas, vejamos: (...) Designada esta conselheira "ad hoc", manifestouse favoravelmente à admissibilidade dos embargos de declaração. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Tratase de análise de embargos de declaração interpostos tempestivamente pela contribuinte. Estabelece o artigo 65 do RICARF: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma." Assiste razão à embargante pelas seguintes razões: Recurso especial da Fazenda Nacional: Analisando o acórdão vergastado, percebese uma contradição no voto vencido do i. Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em relação ao recurso interposto pela d. Procuradoria. Confirase: Estando devidamente fundamentado o entendimento expresso pela Fazenda do que considera contrariedade a lei é patente o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade do referido recurso, não merecendo prosperar a preliminar apresentada. Contrariamente, ao acima exposto consta da conclusão do voto do nobre Conselheiro relator: 1. Dar provimento parcial ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional nos seguintes termos: a) não conhecer do recurso quanto à exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos valores relativos às vendas para o exterior de soja em grão e de mercadoria revendida sem sofrer industrialização, por ser matéria estranha aos autos; (grifos inseridos) Consta, no entanto, do acórdão: Fl. 792DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000411/200230 Acórdão n.º 9303003.381 CSRFT3 Fl. 793 6 ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Nas palavras do voto do Conselheiro Relator: a) não conhecer do recurso quanto à exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos valores relativos às vendas para o exterior de soja em grão e de mercadoria revendida sem sofrer industrialização, por ser matéria estranha aos autos; (grifos inseridos) Pela motivação exposta no voto, o correto é ter constado também do acórdão, no que se refere ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, "recurso conhecido em parte". Recurso especial da contribuinte: Já em relação ao recurso da contribuinte, há contradição do texto da ementa, devendo ser excluído o seguinte: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. Incluemse da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP n° 1.8587/1999 e AD SRF nº 88/99. Isto porque, a um, independentemente do período dos autos, o voto vencedor do Conselheiro Julio César Vieira Gomes foi por reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI, o valor relativo aos insumos adquiridos tanto das pessoas físicas como de cooperativas. A dois, pelo fato de a matéria pertinente às cooperativas já se encontrar na mesma ementa constante do acórdão embargado. Confirase: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. Por derradeiro, devese também corrigir o texto da ementa, de forma a explicitar o resultado final no que diz respeito à taxa SELIC. Assim, onde se lê: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS, FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Deve se ler: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. A exclusão da palavra "SELIC" fazse necessário, tendo em vista já constar da ementa, em outro item específico. Confirase: Fl. 793DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000411/200230 Acórdão n.º 9303003.381 CSRFT3 Fl. 794 7 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Desta forma, concluo como correto: I em relação ao recurso da Fazenda: pela motivação exposta no voto, o correto é ter também constado do acórdão, "recurso conhecido em parte". II em relação ao recurso da contribuinte, conforme anteriormente exposto, o acerto de redação de forma a explicitar o que foi decidido nos votos vencido e vencedor. Dessa forma, a ementa do acórdão embargado passa a ser a seguinte: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS. LENHA. MATÉRIA SUMULADA. Não se conhece de matéria do recurso que contrarie súmula em vigor, nos termos do § 2º do art. 38 do RICSRF. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. Não se conhece de matéria do recurso que não preencha pressuposto de admissibilidade. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, aplicados na fabricação de produtos NT, devem ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido. Entretanto, os valores relativos às operações de vendas de produtos NT devem integrar não só a receita de exportação, mas também a Fl. 794DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13971.000411/200230 Acórdão n.º 9303003.381 CSRFT3 Fl. 795 8 receita operacional bruta, para fins de apuração do coeficiente de exportação. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte conhecidos em arte e, na parte conhecida, providos em parte. É como voto. Maria Teresa Martínez López Fl. 795DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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