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Numero do processo: 11065.100019/2010-05
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR EMPRESAS VINCULADAS À CONTRATANTE COM O OBJETIVO DE GERAR CRÉDITOS SEGUNDO REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DA COFINS. ABUSO DO DIREITO CARACTERIZADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS CELEBRADOS ENTRE TOMADORA DOS SERVIÇOS E CONTRATADAS.
Realidade em que empresa do ramo de calçados contratou três empresas para a prestação de serviços de industrialização por encomenda, cujas despesas foram utilizadas para fins de creditamento da COFINS segundo o regime da não-cumulatividade.
Contudo, foi comprovado nos autos que: a) a contratante transferiu significativos montantes financeiros para o pagamento de despesas operacionais das contratadas; b) uma das contratadas mantinha identidade de endereço com a tomadora dos serviços (recorrente); c) os serviços prestados pelas empresas contratadas eram quase que exclusivamente destinados à reclamante; d) houve transferência de empregados da interessada para as empresas contratadas quando da constituição destas; e) contratante e contratadas operavam no mesmo ramo de negócio; f) sócios das empresas envolvidas apresentavam ligação familiar.
Tais fatos, no seu aspecto objetivo, revelam mácula finalística quando da constituição das empresas contratadas, posto que não norteada por aspectos de natureza empresarial/econômica, corroborando para tanto as evidências que demonstram a inexistência de sua independência gerencial e financeira. Daí se deduz o viés subjetivo de que a estrutura foi criada com o intuito exclusivo de se obter vantagem tributária indevida.
Abuso do direito caracterizado, o que legitima a desconsideração dos negócios jurídicos celebrados entre as empresas envolvidas, posto que a conduta se subsume à norma antielisão objeto do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, preliminarmente, para indeferir o pedido de perícia bem como para não acolher as razões de nulidade formalizados pela recorrente, e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausente momentaneamente o conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR EMPRESAS VINCULADAS À CONTRATANTE COM O OBJETIVO DE GERAR CRÉDITOS SEGUNDO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DA COFINS. ABUSO DO DIREITO CARACTERIZADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS CELEBRADOS ENTRE TOMADORA DOS SERVIÇOS E CONTRATADAS. Realidade em que empresa do ramo de calçados contratou três empresas para a prestação de serviços de industrialização por encomenda, cujas despesas foram utilizadas para fins de creditamento da COFINS segundo o regime da nãocumulatividade. Contudo, foi comprovado nos autos que: a) a contratante transferiu significativos montantes financeiros para o pagamento de despesas operacionais das contratadas; b) uma das contratadas mantinha identidade de endereço com a tomadora dos serviços (recorrente); c) os serviços prestados pelas empresas contratadas eram quase que exclusivamente destinados à reclamante; d) houve transferência de empregados da interessada para as empresas contratadas quando da constituição destas; e) contratante e contratadas operavam no mesmo ramo de negócio; f) sócios das empresas envolvidas apresentavam ligação familiar. Tais fatos, no seu aspecto objetivo, revelam mácula finalística quando da constituição das empresas contratadas, posto que não norteada por aspectos de natureza empresarial/econômica, corroborando para tanto as evidências que demonstram a inexistência de sua independência gerencial e financeira. Daí se deduz o viés subjetivo de que a estrutura foi criada com o intuito exclusivo de se obter vantagem tributária indevida. Abuso do direito caracterizado, o que legitima a desconsideração dos negócios jurídicos celebrados entre as empresas envolvidas, posto que a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 00 19 /2 01 0- 05 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 conduta se subsume à norma antielisão objeto do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, preliminarmente, para indeferir o pedido de perícia bem como para não acolher as razões de nulidade formalizados pela recorrente, e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausente momentaneamente o conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Porto Alegre (fls. 142/145), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra o despacho decisório que não reconheceu o direito creditório argüido pela mesma, relativamente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Conforme relatório objeto da decisão recorrida, foram constatadas irregularidades na apuração de créditos relativos aos serviços prestados para a recorrente pelas empresas Calçados Ronessa Ltda, Calçados Rafelly Ltda e Calçados Ronelly Ltda. Averiguou se que tais empresas seriam, na verdade, mera extensão, apêndice ou desdobramento das atividades produtivas da empresa Rojana Calçados Ltda, com total dependência econômico financeira e que, portanto, todas constituiriam uma só empresa. Conforme relato da instância recorrida, a fiscalização, para chegar a tais conclusões, se embasou nas seguintes questões: a) Há grau de parentesco entre os sócios de todas as empresas; b) As empresas envolvidas têm o mesmo objeto social – fabricação de calçados de couro; c) 100% dos clientes e do faturamento das empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly têm relação direta com o grupo (Rojana representa de 92,562 a 99,9999% e o restante é representado por Ronessa e/ou Rafelly e/ou Ronelly); d) As empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly receberam vultosos aportes financeiros advindos da empresa Rojana, efetuados na forma de depósitos, adiantamentos e transferências entre contas. Operações imprescindíveis e utilizadas integralmente para cobrir seus gastos operacionais (custos com Fl. 198DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100019/201005 Acórdão n.º 3802001.553 S3TE02 Fl. 198 3 pessoal, despesas bancárias e diversas, cheques e aluguéis à própria Rojana); e) A contabilidade e as notas fiscais das empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly evidenciam que a empresa Rojana é praticamente o único cliente daquelas, inclusive com a emissão de notas fiscais seqüenciais entre as empresas; f) Ocorreu uma migração de diversos funcionários da empresa Rojana para a recém constituída Rafelly, além do fato de ambas possuírem o mesmo endereço. Ainda nos termos do relatório da decisão vergastada: A auditoria fiscal concluiu, então, que restou evidenciado que o contribuinte na verdade “transformou” sua folha de salários em serviços de industrialização por encomenda prestados pelas empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly. As prestações de serviços efetuadas por estas empresas, na verdade, simulavam terceirização de mãodeobra. A abertura das empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly, todas optantes pelo SIMPLES, com a efetiva transferência de empregados do interessado para aquelas, visou apenas a redução da carga tributária previdenciária e também o creditamento das contribuições PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade, relativamente aos pretensos serviços de industrialização por encomenda. Desta forma, o contribuinte não pode se creditar das contribuições em relação aos serviços de mãodeobra em face de expressa vedação legal, conforme dispõe os Arts. 3º, § 2º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. O contribuinte, inconformado com o indeferimento, apresentou tempestivamente sua manifestação onde alega que, além das empresas relacionadas no lançamento, diversas outras prestam serviços a ele, o que facilmente pode ser constatado na sua contabilidade. Acrescenta que as empresas prestadoras de serviços possuem seus próprios sócios que, apesar de terem ligação de parentesco com um dos sócios da empresa Rojana, não estão a ela subordinados. Diz que estas empresas estavam devidamente regulares perante os órgãos públicos, tinham autonomia, remuneravam seus sócios e seus empregados regulamente cadastrados, além de recolher seus impostos e contribuições previdenciárias. Comenta que desde o início da fabricação de calçados na região, há mais de cinqüenta anos, existem empresas prestadoras de serviços. Diz, ainda, que não há qualquer vedação legal para que uma empresa tenha contrato com outra de modo que seu faturamento mensal fique desta dependente. Alega, preliminarmente, a nulidade do procedimento fiscal que estaria motivado por mera presunção, o que ofenderia o princípio da segurança jurídica. Ainda em preliminar, alega novamente a nulidade em face de suposta ilegitimidade passiva da empresa Rojana. Entende que no pólo passivo deveriam figurar as empresas prestadoras de serviços, que recolhiam seus tributos pelo SIMPLES, pois considera que não teve benefício algum com a redução da carga tributária daquelas empresas. O manifestante contesta as afirmações do auditor fiscal, com o argumento de que se tratariam de mera e inverídica presunção, não fundamentadas em qualquer elemento de prova. Explica que os pagamentos que efetuou às empresas prestadoras decorrem de notas fiscais de serviços ou de antecipações de receitas devidamente documentadas através de contratos de mútuo, contratos de antecipação de pagamentos e outros. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Acrescenta que o auditor fiscal poderia ter analisado a contabilidade das empresas prestadoras de serviços onde constataria que elas também realizaram serviços para diversas outras empresas. O interessado entende que o procedimento fiscal precisaria ser complementado, mediante diligências fiscais e através da realização de perícia contábil, onde poderá ficar melhor esclarecida a questão dos adiantamentos que realizou às empresas prestadoras de serviços. Para tanto, indica o seu assistente técnico e os quesitos a serem respondidos. Ao final, o sujeito passivo requer a insubsistência e total improcedência da ação fiscal, com o seu cancelamento e a legitimação de seus créditos complementares de PIS e COFINS, renovando também seus pedidos pela realização de diligências e perícia contábil, bem como a produção de prova documental. Para fins de informação, foram também lançados contra a contribuinte Autos de Infrações relativos a tributos/contribuições previdenciárias que motivaram o encaminhamento de Representação Fiscal para Fins Penais junto à autoridade competente. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 Ementa: CRÉDITOS. MÃO DE OBRA. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor de mãodeobra paga a pessoas físicas, nos termos da legislação que rege a contribuição. A constatação de negócios simulados, enseja o indeferimento do pedido tendo como base a situação de fato, cabendo a desconsideração dos atos jurídicos simulados envolvendo pessoas jurídicas que apenas aparentemente figuravam como prestadoras de serviços. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 06/07/2011 (fls. 147), a interessada, em 02/08/2011 (fls. 153), apresentou o recurso voluntário de fls. 153/178, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, destacando ainda: a) o cerceamento ao seu direito de defesa, dado que a instância recorrida indeferiu pedido de produção pericial que seria imprescindível para o julgamento da causa, violando, assim, os princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal; b) que a primeira instância não demonstrou a existência de negócio jurídico destinado a dissimular a ocorrência de fato gerador de tributo, como disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN, incluído pela Lei Complementar no 104, de 2001; assim, o julgamento de primeiro grau, bem como o lançamento, teriam se fundado em presunções, sendo a citada decisão, portanto, nula; Fl. 200DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100019/201005 Acórdão n.º 3802001.553 S3TE02 Fl. 199 5 c) que as prestadoras de serviços CALÇADOS RAFELLY, CALÇADOS RONELLY e CALÇADOS RONESSA foram constituídas de forma regular, tendo seus próprios sócios e administradores, respondendo os mesmos pelas obrigações fiscais e tributárias originárias de suas atividades econômicas; portando, tais empresas são totalmente diversas da empresa tomadora dos serviços – a recorrente – que, assim, figura indevidamente no pólo passivo da lide, eis que o auto de infração deveria ter sido lavrado em relação às empresas prestadoras dos serviços; Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso, com o consequente reconhecimento, no mérito, do direito creditório reclamado pela interessada. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A legislação pertinente ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS (respectivamente, Leis nos 10.637, de 30/12/2002 e 10.833, de 29/12/2003), autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das citadas leis ordinárias. Relevante para o caso em tela o disposto no inciso II do dispositivo retromencionado, que autoriza o desconto de créditos relativos a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda [...]”. Portanto, em tese, os serviços prestados à recorrente enquadramse na hipótese normativa que autoriza sua utilização (como insumos) na base de cálculo dos créditos do PIS e COFINS a serem descontados no regime da nãocumulatividade. Contudo, conforme relatado, a fiscalização desconsiderou os créditos das contribuições calculados a partir desses montantes sob o argumento de que a autuada “transformou” sua folha de salários em serviços de industrialização por encomenda prestados por outras empresas, no caso, as empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly. Estas, segundo a fiscalização, receberam vultosos aportes financeiros advindos da reclamante (para fins de pagamento de despesas operacionais – funcionários, aluguéis, despesas bancárias, etc.). Ademais, a recorrente (Rojana) seria quase que exclusivamente o único cliente das empresas Ronessa, Ronelly e Rafelly. Dentre outras questões abordadas pela autoridade lançadora, foi mencionado também que a empresa Rafelly estaria estabelecida no mesmo endereço da autuada (Rojana). O CTN, em seu artigo 116, dispõe o seguinte: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (grifo nosso) Interessa para a lide, especialmente, o disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN, acima reproduzido. Neste âmbito de discussão, a possibilidade legal para a desconsideração de atos ou negócios jurídicos pela autoridade administrativa está restrita às hipóteses em que for caracterizada a “[...] finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária [...]”. Necessário, pois, examinar sistematicamente a aplicabilidade da regra em tela, inclusive considerando a parte final do preceito aludido, que remete sua aplicação à observação de “procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”. Tal questão será abordada adiante. Agora, analisemos a conduta proibida pela lei tributária complementar, que tem como núcleo o verbo “dissimular”. Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, “dissimular”, quando usado como verbo transitivo direto – como empregado no texto normativo (“dissimilar a ocorrência do fato gerador do tributo”, “dissimular a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária”) –, significa (1) “ocultar ou encobrir com astúcia; disfarçar; (2) não dar a perceber; calar; (3) fingir; simular; (4) atenuar o efeito de; tornar pouco sensível ou notável”. As condutas coibidas pela lei enquadramse em hipóteses que a doutrina denomina de abuso do direito, cuja reprimenda legal deixa transparecer inegável limitação ao princípio da autonomia da vontade, como, aliás, ressalta Douglas Yamashita1 no início de suas considerações sobre o estudo do abuso do direito no Código Civil de 2002, e seus reflexos em matéria tributária: Ao reputar ilícito o exercício de um direito por seu titular, sempre que tal exercício exceda manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes, o art. 187 do CC/20022 não faz outra coisa senão traduzir em nível infraconstitucional limites constitucionais à autonomia da vontade, consubstanciada essencialmente na liberdade de iniciativa garantida pela Constituição Federal de 1988, em seus arts. 1o, IV, e 170. Assevera, portanto, que o contexto do abuso do direito e do artigo 187 do Código Civil de 2002 é o contexto constitucional, ressaltando, ainda, que o princípio do Estado 1 YAMASHITA, Douglas. Elisão e evasão de tributos. Limites à luz do abuso do direito e da fraude à lei. São Paulo: Lex Editora, 2005, p. 87. 2 Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100019/201005 Acórdão n.º 3802001.553 S3TE02 Fl. 200 7 Democrático de Direito (caput do artigo 1o da Constituição Federal3) se alicerça em bases formais (a segurança jurídica – princípio da legalidade, da proteção ao ato jurídico perfeito, do direito adquirido, da coisa julgada, etc.) e materiais (voltados à realização da justiça – art. 3o, I, da CF/88 –, a um Estado de Direito e de Justiça Social – Miguel Reale –, a um Estado Social – Tércio Sampaio Ferraz Jr.). Todos são valores que, muito embora positividados na Constituição Federal, estão em constante tensão, “de modo que um plus na realização de um valor significa um minus na realização de outro ou outros valores”4. É nesse contexto – de reprovação do abuso do direito (o qual, longe de se restringir ao Direito Civil, alcança todos os ramos do direito5) – que precisa ser analisado o alcance da norma antielisão, cujo exame requer obrigatória aplicação do princípio da proporcionalidade, afastandose assim concepções absolutistas ou a ilimitabilidade do exercício da liberdade de contratar, juízo que se amolda perfeitamente à seguinte lição de Pontes de Miranda: O estudo do abuso do direito é a pesquisa dos encontros dos ferimentos, que os direitos se fazem. Se puderem ser exercidos sem outros limites que os da lei escrita, com indiferença, se não desprezo, da missão social das relações jurídicas, os absolutistas teriam razão. Mas a despeito da intransigência deles, fruto da crença a que se aludiu, a vida sempre obrigou a que os direitos se adaptassem entre si, no plano do exercício. Conceptualmente, os seus limites, os seus contornos, são os que a lei dá, como quem põe objetos na mesma maleta, ou no mesmo saco. Na realidade, quer dizer – quando se lançam na vida, quando se exercitam – têm de coexistir, têm de conformarse uns com os outros6. Na mesma toada, e especialmente quanto à possibilidade legal de desconsideração de atos ou negócios jurídicos pela autoridade tributária com base no parágrafo único do artigo 116 do CTN, destaca Luciano Amaro que não merecem prosperar as críticas daqueles que defendem que referido preceito teria dado à autoridade administrativa o poder de criar tributo sem lei. Neste comenos, ressalta, textualmente: [...] O questionado parágrafo não revoga o princípio da reserva legal, não autoriza a tributação por analogia, não introduz a consideração econômica no lugar da consideração jurídica. Em suma, não inova no capítulo da interpretação da lei tributária. O que se permite à autoridade fiscal nada mais é do que, ao identificar a desconformidade entre os atos ou negócios efetivamente praticados (situação jurídica real) e os atos ou negócios retratados formalmente (situação jurídica aparente), desconsiderar a aparência em prol da realidade. 3 Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituise em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: 4 Cf. YAMASHITA, ob. cit., p. 8890. 5 PACHECO, José da Silva. Considerações preliminares à guisa de atualização. In: BATISTA MARTINS, Pedro. Abuso do direito e o ato ilícito, 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. XV, apud YAMASHITA, ob. cit., p. 95. 6 PONTES DE MIRANDA, Francisco. Tratado de direito privado. Rio de Janeiro: Borsoi, 1972, t. LIII, p.67 e ss., apud YAMASHITA, ob. cit., p. 92. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 [...] Noutras palavras, nada mais fez o legislador do que explicitar o poder da autoridade fiscal de identificar situações em que, para fugir do pagamento do tributo, o indivíduo apela para a simulação de uma situação jurídica (não tributável ou com tributação menos onerosa), ocultando (dissimulando) a verdadeira situação jurídica (tributável ou com tributação mais onerosa)7. Releva mencionar a existência de respeitáveis entendimentos doutrinários contrários à possibilidade de “aplicação analógica em caso de abuso do direito”, como denomina Alberto Xavier, o qual entende que as cláusulas gerais antielisivas são uma “tentativa de tributação analógica de fatos extratípicos”8. Preferimos nos filiar à primeira corrente, por entendermos que a mesma está em sintonia com o princípio constitucional do Estado Democrático de Direito, o qual, como ressaltado, procura conciliar o direito considerando o conjunto de seus aspectos formal e material. Além disso, a norma antielisiva em destaque está prevista em lei complementar, portanto, de observação compulsória por parte do julgador administrativo, que não poderia afastála, por exemplo, sob argumento de inconstitucionalidade, questão, vale lembrar, sumulada por este Conselho (Súmula no 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”). Mas ainda no campo teórico da possibilidade legal de sanção ao abuso do direito no âmbito tributário, ou, em outras palavras, na arena de aplicação efetiva do disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN9, cumpre destacar que referido dispositivo faz remissão a “procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”, fato que poderia levar a juízo pela impossibilidade de sua autoaplicabilidade, dado que até hoje norma ordinária nesse sentido não foi editada10. Todavia, não obstante a inexistência de norma ordinária específica que trate da matéria, temse admitido a desconsideração de atos ou negócios jurídicos diante das hipóteses contempladas pelo parágrafo único do artigo 116 do CTN. Nessa toada, defende Douglas Yamashita11 que a ressalva legal “referese clara e exclusivamente a ‘procedimentos’ de desconsideração, e se o conceito de dissimulação é de direito material e não procedimental, logo, sua definição conjuga os conceitos de abuso do direito (arts. 50 e 187 do CC/2002) e de fraude à lei (art. 166, VI, do CC/2002) independentemente da lei ordinária”. Quanto aos critérios utilizados para a caracterização do abuso do direito, a doutrina se refere a três correntes principais: teoria subjetiva, teoria objetiva e teoria subjetivo objetiva. Em apertada síntese, segundo o a teoria subjetiva, o abuso nasce quando o ato é praticado sem interesse próprio e com o único objetivo de prejudicar outrem. Pela teoria objetiva, ato abusivo é o ato anormal, porque contrário à finalidade do direito; [...] um ato economicamente prejudicial e reprovado pela consciência pública. Seria ainda, o ato em 7 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva. 2009. 15. ed. p. 237238. 8 XAVIER, Alberto. Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva. São Paulo: Dialética. 2001. p. 45. 9 Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (grifo nosso) 10 Tais procedimentos chegaram a ser objeto dos artigos 15 a 19 da Medida Provisória no 66, de 2002. Contudo, foram suprimidos no processo de conversão à Lei no 10.637/2002. 11 idem, p. 149. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100019/201005 Acórdão n.º 3802001.553 S3TE02 Fl. 201 9 contrariedade às regras sociais [...] em desconformidade ao interesse ou valor ambiental cultural vigente. Ou, de forma mais abrangente, em conformidade com o critério do motivo legítimo: o ato será normal ou abusivo, segundo se explique, ou não, por motivo legítimo, que passa, pois, a constituir a pedra angular da teoria objetiva da finalidade social do direito12. Por fim, prega a teoria subjetivoobjetiva que ato abusivo seria aquele em que estariam presentes a intenção de se prejudicar a terceiro (aspecto subjetivo) e a não funcionalidade, ou anormalidade, do ato (aspecto objetivo)13. Ao examinar o 187 do Código Civil de 2002 à luz da teoria do abuso do direito, YAMASHITA ressalta o seguinte: Hoje, a concepção mais moderna do abuso do direito baseia se, sim, em critérios estritamente jurídicos: os princípios positivados. Os princípios servem, de um lado, como fundamentos de justificação das regras e, de outro, como normas de regulação de aplicação das regras existentes ao caso concreto. [...] Nesse sentido o abuso do direito consiste em uma conduta ilícita atípica, pois esta perde sua permissão normativa prima facie, em virtude de sua contrariedade a princípios jurídicos, especialmente aqueles de nível constitucional14. (grifo nosso) Especialmente no âmbito tributário, e notadamente em relação ao disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN, há que se admitir que referido preceito não se restringe unicamente a uma norma antisimulação, como entende parte da doutrina (para estes, a aplicação como norma antielisão fere o princípio da legalidade estrita), mas opera efetivamente como norma antielisão contra abuso do direito ou contra a fraude à lei. Nesse sentido, novamente, Douglas Yamashita15: A segunda corrente defende, com base na interpretação do verbo dissimular constante do parágrafo em questão, que esse parágrafo consiste em uma norma não apenas antisimulação, mas também antielisão, ou seja, de combate ao abuso do direito e à fraude à lei, sendo constitucional a norma antielisão. Para essa corrente, os atos ou negócios com finalidade dissimuladora da ocorrência do fato gerador do tributo ou da natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária poderiam ser também atos não simulados, uma vez que efetivamente declarados como desejados e executados. Tais atos ou negócios seriam aqueles que utilizam a fraude à lei ou o abuso do direito para disfarçar "licitamente", perante o Fisco, fatos tributáveis. [...] (gridouse) Ainda segundo Yamashita (ob. cit., p. 146), a dissimulação de que trata o parágrafo único do artigo 116 do CTN ocorre não apenas quando um fato jurídico falso dissimula um fato verdadeiro, mas também quando “um fato jurídico verdadeiro VI dissimule, isto é, atenue o efeito de outro fato jurídico verdadeiro V2 e, portanto, sem simulação. Se 12 “Um direito subjetivo não é um poder do indivíduo, mas uma função social. Assim, abusivo é o ato antifuncional, contrário ao fim social ou econômico do direito”. (SPOTA, Alberto G. Tratado de derecho civil. Buenos Aires: RubinzalCulzoni Editores, 1995, v. 2., 1.1, p. 10, apud LUNA, Everardo da Cunha. Abuso de direito. Rio de Janeiro: Forense, 1959, p. 92 e ss., apud Yamashita, ob. cit., p. 104). 13 Conf. YAMASHITA, ob. cit., p. 100104. 14 Idem, p. 119120. 15 Ob. cit., p. 144. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 aquele fato jurídico verdadeiro VI é ato abusivo e dissimula o efeito do segundo fato jurídico verdadeiro V2, então VI constitui um ‘abuso dissimulatório’”. O caso em exame envolve, exatamente, suposto abuso de personalidade jurídica de empresas que, segundo a autoridade fiscal, teriam sido criadas com o intuito exclusivo de gerar vantagem tributária imprópria em favor da recorrente, no caso em análise, na forma de direito creditório indevido para as contribuições PIS e COFINS. Tal forma de abuso, em tese, muito embora seja de natureza civil (art. 50, c/c art. 187 do Código Civil), possui reflexos tributários, sendo, pois, admitida a material desconsideração da personalidade jurídica, ou melhor, dos negócios jurídicos celebrados entre as envolvidas, para fins de lançamento tributário16. Essa questão merece seja utilizado, como adequado critério de exame da ocorrência de suposto abuso do direito de personalidade jurídica, se, no ato, ficou evidenciado eventual aspecto objetivo de anormalidade (se é injustificada a criação das empresas; se fere viés finalístico à operacionalização das mesmas – propósito econômico; se não houve recursos dos sócios para sua constituição; se a empresa não tem empregados, etc.) daí se extraindo ou deduzindo o intuito (aspecto subjetivo) de “dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária”, como consta do parágrafo único do artigo 116 do CTN, portanto, em prejuízo do Erário. Enfim, envolve a análise do caso concreto frente às provas que instruem os autos para se examinar se o caso é mesmo de desconsideração do suposto ato abusivo. Em estudo da aduzida caracterização de abuso do direito exercido por parte da empresa recorrente, considero como de menor importância algumas questões trazidas pela fiscalização, como o grau de parentesco entre os sócios da reclamante e as empresas contratadas, ou ainda, a identidade de objeto social. Contudo, tais fatos tem força probatória subsidiária para, ao lado das questões que julgo como mais importantes, revelarem a efetiva prática da conduta vedada pelo parágrafo único do artigo 116 do CTN. São elas: a) as empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly receberam vultosos aportes financeiros advindos da reclamante para fins de pagamento de despesas operacionais – funcionários, aluguéis, despesas bancárias, etc.; b) a empresa Rojana (recorrente – tomadora dos serviços) é quase que exclusivo cliente das empresas Ronessa, Ronelly e Rafelly; c) a empresa Rafelly é estabelecida no mesmo endereço da autuada (Rojana); d) a transferência dos empregados da interessada quando da constituição das empresas Ronessa, Ronelly e Rafelly. Tais fatos, no seu aspecto objetivo, revelam mácula finalística quando da constituição das empresas Ronessa, Ronelly e Rafelly, posto que a constituição dessas pessoas jurídicas não foi norteada por aspectos de natureza empresarial/econômica, corroborando para tanto as graves evidências que demonstram a inexistência de sua independência gerencial e financeira. Daí se deduz o claro viés subjetivo de que a estrutura foi criada com o intuito exclusivo de se obter crédito tributário indevido. 16 “Ora, se o abuso de personalidade jurídica, como espécie de abuso do direito, é um ilícito civil (art. 187 do CC/2002) e se todo ato ilícito, ainda que meramente civil, é caso de evasão tributária, então se pode concluir que a desconsideração da personalidade jurídica é perfeitamente cabível em matéria tributária. (YAMASHITA, ob. cit., p. 157) Fl. 206DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100019/201005 Acórdão n.º 3802001.553 S3TE02 Fl. 202 11 Os fatos acima referenciados, em que se baseiam o presente juízo em favor da caracterização de abuso do direito exercido por parte da empresa recorrente, não chegam a ser maculados pelos argumentos da interessada. Com efeito, a aduzida realização de negócios com outras empresas, a alegada diversidade entre os sócios de cada pessoa jurídica, a regularidade formal trabalhista, o recolhimento dos tributos, nenhum desses argumentos é suficiente para afastar o conjunto probatório trazido pela fiscalização, suficientes para alicerçar a procedência do entendimento oficial. Subsidiariamente, e também em resposta ao argumento da suplicante em prol da nulidade do lançamento em vista de o mesmo haver sido baseado em suposta presunção, destaquese que o direito brasileiro admite sim a utilização de presunções para combater ilícitos tributários. Nesse sentido, a lição de Maria Rita Ferragut17: [...] não há como ignorar que, se a segurança jurídica não admitisse as presunções, acabaria dificultando a proteção do direito daqueles que os detêm, mas que são prejudicados pela fraude, dolo, simulação. Dentre esses encontrase, sem dúvida alguma, o Fisco. Assim, o motivo para a criação das presunções foi sanar a dificuldade de se provar certos fatos mediante prova direta, fatos esses que deveriam ser necessariamente conhecidos, a fim de possibilitar a preservação da estabilidade social mediante uma maior eficácia do direito. As presunções suprem deficiências probatórias, disciplinam o procedimento de construção de fatos jurídicos, “alargam o campo cognoscitivo do homem”18, e aumentam a possibilidade de maior realização da ordem jurídica, ao permitir que alguns fatos sejam conhecidos por meio da relação jurídica de implicação existente entre indícios e o fato indiciado. No Direito Tributário, assumem significativa importância, tendo em vista que os fatos juridicamente relevantes são muitas vezes ocultados por meio de fraudes à lei fiscal, ficando o processo de positivação do direito obstado de ocorrer. Em tais casos, a presunção tem natureza essencialmente procedimental, destinada a auxiliar o aplicador do direito na subsunção da situação fática à norma. Portanto, não cria, altera ou revoga direitos, conclusão que se extrai, mais uma vez, das considerações de Maria Rita Ferragut sobre o tema: A previsibilidade quanto aos efeitos jurídicos da conduta praticada não se encontra comprometida quando a presunção for corretamente utilizada para a criação de obrigações tributárias. O enunciado presuntivo não altera o antecedente da regramatriz de incidência tributária, nem equipara, por analogia ou interpretação extensiva, fato que não é como se fosse, nem substitui a necessidade de provas. Apenas, tãosomente, prova o acontecimento factual relevante não de forma direta – já que isso, no caso concreto, é impossível ou muito difícil – mas indiretamente, baseandose em indícios graves, precisos e concordantes, que levem à conclusão de que o fato efetivamente ocorreu19. 17 FERRAGUT, Maria Rita. Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 146147. 18 Cf. Jimir Doniak Jr, citado por FERRAGUT, ob. cit., p. 146. 19 Op. cit., p. 168. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 [...] [...] Ora, diante de tudo o que já foi exposto até aqui, temos que as presunções constituemse em meio de prova que contribui para a eficácia jurídica da norma. E, se é assim, não se trata de alegar que a obrigação decorre de fato não previsto na regramatriz, mas de se reconhecer que o conhecimento do evento descrito no fato jurídico típico dáse de forma indireta, com base em fatos indiciários graves, precisos e concordantes no sentido da ocorrência pretérita do evento diretamente desconhecido20. (grifos nossos) A norma aduaneira, inclusive, admite textualmente a presunção de interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior diante da “não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados” (vide artigo 23, inciso V e §§ 2°, do Decretolei n° 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/200221) (destaque nosso). Os argumentos até aqui desenvolvidos também deixam claro que a empresa que procurou se beneficiar indevidamente do direito creditório das contribuições sociais PIS e COFINS foi a própria Rojana Calçados, a qual buscava a extinção de débitos próprios, por compensação, com os supostos créditos das contribuições. Assim, é ela mesma quem deve figurar no pólo passivo, o que afasta também o argumento de nulidade por aduzida ilegitimidade passiva da reclamante. Também não merece prosperar a argüida nulidade do julgamento de primeira instância por suposto cerceamento do direito de defesa da interessada, cerceamento o qual teria sido caracterizado na recusa do pedido de perícia destinada a esclarecer, dentre outras, a questão dos adiantamentos que o contribuinte teria realizado às empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly. Segundo o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, o julgador tem a prerrogativa de determinar de ofício perícias ou diligências quando considerálas necessárias para a instrução do processo e, conseqüentemente, para a solução do litígio, sendo facultado ainda ao mesmo o indeferimento daquelas que “[...] considerar prescindíveis ou impraticáveis [...]”. Portanto, tanto a perícia como a diligência, por representarem instrumentos capazes de propiciar melhor convencimento ao julgador, poderão ser justificadamente negadas por este, não representando, pois, direito subjetivo do impugnante. Ademais, de acordo com os artigos 15, caput, e 16, § 4º, do PAF, as provas do sujeito passivo deverão ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão desse direito, salvo se demonstrada uma das hipóteses discriminadas nos incisos “a” a “c” do 20 Op. cit., p. 170. 21 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 2° Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] (grifo nosso) Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100019/201005 Acórdão n.º 3802001.553 S3TE02 Fl. 203 13 mencionado § 4º, através de petição devidamente fundamentada (§ 5º do mesmo artigo), condições as quais não foram evidenciadas no caso presente. A primeira instância recursal indeferiu o pedido de perícia baseada na fundamentada suficiência probatória dos autos para a formação da convicção pelo julgador. A suplicante alega a necessidade de perícia para comprovar a razão dos adiantamentos realizados às empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly, o que poderia ter feito através da apresentação de documentos que só ela pode dispor. Ora, a interposição de recurso voluntário sem a apresentação de nenhuma documentação nova voltada a alicerçar os argumentos da reclamante revela que andou bem a DRJ quando negou o pedido de produção pericial. E pelos mesmos fundamentos, nego o pedido de perícia reapresentado na presente instância recursal. Afastase, pois, aqui também, o argumento em prol da nulidade por aduzido cerceamento ao direito de defesa da interessada. Examinadas as questões de natureza preliminar e as nulidades aduzidas pela reclamante – deixadas para o final em vista de sua ligação com as questões principais tratadas – e considerando que, no mérito, não assiste razão à recorrente, há que se concluir pela improcedência dos argumentos apresentados pela interessada, devendo, portanto, ser mantido o entendimento da autoridade administrativa no sentido de glosar os créditos argüidos pelo sujeito passivo. Da conclusão Por todo o exposto, voto, preliminarmente, para indeferir o pedido de perícia formalizado pela recorrente, bem como para não acolher as razões de nulidade aduzidas pela interessada, e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 26 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10166.901194/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2005, 31/03/2005
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional requer pagamento, e não outras formas de extinção do crédito tributário. Apesar de a compensação figurar como uma das hipóteses de extinção do crédito tributário, isso não tem o condão de igualar o instituto da compensação ao do pagamento.
Numero da decisão: 3101-001.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Adriana Oliveira e Ribeiro e Vanessa Albuquerque Valente, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Corintho Oliveira Machado - Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Adriana Oliveira e Ribeiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Adriana Oliveira e Ribeiro e Vanessa Albuquerque Valente, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Luiz Roberto Domingo - Relator Corintho Oliveira Machado - Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Adriana Oliveira e Ribeiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2005, 31/03/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional requer pagamento, e não outras formas de extinção do crédito tributário. Apesar de a compensação figurar como uma das hipóteses de extinção do crédito tributário, isso não tem o condão de igualar o instituto da compensação ao do pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Adriana Oliveira e Ribeiro e Vanessa Albuquerque Valente, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Corintho Oliveira Machado Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 11 94 /2 00 9- 70 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.901194/200970 Acórdão n.º 3101001.260 S3C1T1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Adriana Oliveira e Ribeiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de Pedido de Compensação apresentado para obter a extinção de crédito tributário de COFINS do período de fevereiro e março de 2005 com indébitos do mesmo tributo referente ao período março de 2005. O pedido foi parcialmente homologado por insuficiência de crédito em razão da inclusão da multa de mora em valor pela Recorrente, restando saldo devedor exigido do contribuinte conforme intimação de fls. 77. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo, em síntese, de que, por erros no preenchimento do PER/DCOMP, foi incluído indevidamente a multa no pagamento da COFINS, tendo em vista sua inexigibilidade pela denúncia espontânea. Assim, reconhecido o pagamento indevido da multa, o crédito originário utilizado na compensação seria suficiente para extinguir o saldo remanescente. Distribuídos os autos à DRJ, foi proferido Acórdão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob o fundamento de que a denúncia espontânea só se aplica às multas de caráter punitivo, conforme ementa a seguir transcrita: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A aplicabilidade do art. 138 do CTN se restringe às multas de caráter punitivo, não às de caráter moratório. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário para reforma do Acórdão proferido pela DRJ, sob os mesmos fundamentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.901194/200970 Acórdão n.º 3101001.260 S3C1T1 Fl. 4 3 Voto Vencido Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. O objeto da lide é identificar o alcance do instituto tributário da denúncia espontânea para aferir se o pedido de restituição/compensação efetivado antes de qualquer procedimento fiscal ou declaração apresentada pelo contribuinte em relação ao débito é capaz de excluir a multa de mora, A denúncia espontânea é instituto de exclusão da responsabilidade que tem por finalidade estimular o cumprimento das obrigações tributárias, e se caracteriza pela ação voluntária do Contribuinte de, antecipandose a qualquer ação fiscal, oferece ao Fisco a informação de sua inadimplência ou infração acompanhada, “se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora”. Atualmente, estes requisitos para reconhecimento da denúncia espontânea estão definidos pela pacifica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no julgamento, em sede de Recurso Repetitivo, do RESP nº 1.149022, cuja ementa dispõe o seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). Fl. 103DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.901194/200970 Acórdão n.º 3101001.260 S3C1T1 Fl. 5 4 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) O Acórdão do STJ em sede de RECURSO REPETITIVO, cujo entendimento deve ser seguido pelos Conselheiros do CARF por força do art.62A do Regimento Interno, Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) é claro em distinguir a denúncia espontânea e pagamento em atraso pelo fato de o contribuinte, após a regular apuração do tributo, “procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário Fl. 104DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.901194/200970 Acórdão n.º 3101001.260 S3C1T1 Fl. 6 5 atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN”. É exatamente esse é o caso dos autos. A Recorrente confessou devida a obrigação nos moldes do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mediante declaração de compensação, antes de qualquer procedimento do ou declaração apresentada ao Fisco. Ocorre que a confissão da dívida e a extinção do débito se deram concomitantemente no mesmo instrumento (DCOMP) apresentada pelo contribuinte. Aliás, verificase que a Recorrente apresentou o pedido de compensação (confissão de dívida acompanhada da extinção do crédito), em 31/05/2005, antes mesmo da retificação da DCTF, em 21/05/2007, na qual constituiu os créditos tributários denunciados. Notese que o Art. 74 da Lei nº 9.430/96, que disciplina a compensação de tributos, dispõe que a Declaração de Compensação tem os efeitos de confissão de dívida (§ 6º), sendo, portanto, instrumento de denunciação, e de extinção do crédito tributário (§ 2º), sob condição resolutória de sua ulterior homologação (tal qual qualquer tributo sujeito ao regime jurídico do lançamento por homologação, inclusive no âmbito da denúncia espontânea). Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. É bom lembrar que o STJ também pacificou entendimento quanto aos efeitos do pedido de compensação e as normas de vigência à data do pedido de compensação (REsp 1.137.738 – também em sede de Recurso Repetitivo): Fl. 105DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.901194/200970 Acórdão n.º 3101001.260 S3C1T1 Fl. 7 6 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). 2. A Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, ato normativo que, pela vez primeira, versou o instituto da compensação na seara tributária, autorizoua apenas entre tributos da mesma espécie, sem exigir prévia autorização da Secretaria da Receita Federal (artigo 66). 3. Outrossim, a Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na Seção intitulada "Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições", determina que a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal (artigo 73, caput), para efeito do disposto no artigo 7º, do DecretoLei 2.287/86. 4. A redação original do artigo 74, da Lei 9.430/96, dispõe: "Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração". 5. Consectariamente, a autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si. ... Fl. 106DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.901194/200970 Acórdão n.º 3101001.260 S3C1T1 Fl. 8 7 10. In casu, a empresa recorrente ajuizou a ação ordinária em 19/12/2005, pleiteando a compensação de valores recolhidos indevidamente a título de PIS E COFINS com parcelas vencidas e vincendas de quaisquer tributos e/ou contribuições federais. 11. À época do ajuizamento da demanda, vigia a Lei 9.430/96, com as alterações levadas a efeito pela Lei 10.637/02, sendo admitida a compensação, sponte própria, entre quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações. 12. Ausência de interesse recursal quanto à não incidência do art. 170A do CTN, porquanto: a) a sentença reconheceu o direito da recorrente à compensação tributária, sem imposição de qualquer restrição; b) cabia à Fazenda Nacional alegar, em sede de apelação, a aplicação do referido dispositivo legal, nos termos do art. 333, do CPC, posto fato restritivo do direito do autor, o que não ocorreu in casu; c) o Tribunal Regional não conheceu do recurso adesivo da recorrente, ao fundamento de que, não tendo a sentença se manifestado a respeito da limitação ao direito à compensação, não haveria sucumbência, nem, por conseguinte, interesse recursal. ... 17. Recurso especial parcialmente conhecido e parcialmente provido, apenas para reconhecer o direito da recorrente à compensação tributária, nos termos da Lei 9.430/96. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1137738/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) Aplicável o regime jurídico vigente à data do pedido de compensação, devem ser reconhecidos os efeitos do art. 74 da Lei nº 9.430, cuja concomitância de confissão e extinção do crédito tributário, antes de “qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. Inobstante, é certo que o art. 138 do CTN ao dispor que a denúncia espontânea deverá ser “acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora” deixa aberta a possibilidade de o sujeito passivo levar a efeito outras formas de extinção do crédito tributário, inclusive a compensação. Importante ressaltar que o princípio da segurança jurídica e o princípio da moralidade administrativa não conferem ao Fisco exigir a extinção de crédito tributário se, diante da combinação de institutos jurídicos, é dado ao contribuinte opções de extinção da dívida. Tal exigência se mostra mais gravosa quando está demonstrado que a forma pela qual Fl. 107DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.901194/200970 Acórdão n.º 3101001.260 S3C1T1 Fl. 9 8 se dá a extinção não interfere na resolução das relações jurídicas estabelecidas e o próprio Fisco ocupa o polo passivo de uma das obrigações que se pretende resolver na compensação. Diante da homologação pela fiscalização do direito creditório cabível ao contribuinte, mostrase que, à data do pedido de compensação, a Recorrente era titular de valor bastante e suficiente para extinção do crédito tributário confessado e denunciado, sendo irretorquível o reconhecimento do pagamento/extinção do crédito tributário àquela data. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Voto Vencedor Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Redator Designado Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das considerações tecidas pelo eminente Conselheiro Relator, o Colegiado, pelo voto de qualidade, firmou entendimento de que não assiste razão à recorrente no que diz com o seu pleito compensatório. Consoante relatado, a recorrente entende possuir crédito em virtude de ter se equivocado quando do preenchimento de PER/DCOMP, tendo incluído indevidamente a multa no pagamento da COFINS, haja vista sua inexigibilidade pela denúncia espontânea. O eminente relator abraçou a tese, e inclusive cita recurso especial no qual foi aplicado o rito de recurso repetitivo, entretanto, a denúncia espontânea naquele caso, diferentemente do destes autos, deuse por conta de pagamento do débito, e não por conta de compensação, daí porque não aplicável a este expediente. Apesar de a compensação figurar como uma das hipóteses de extinção do crédito tributário, isso não tem o condão de igualar o instituto da compensação ao do pagamento. Notese que os efeitos da extinção do crédito tributário, na compensação se dá sob condição resolutória de sua ulterior homologação, ao passo que o pagamento não requer condição alguma. Bem por isso o art. 138 do Código Tributário Nacional requer pagamento para operar a denúncia espontânea, e não outras formas de extinção do crédito tributário. Nesse diapasão, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10166.901194/200970 Acórdão n.º 3101001.260 S3C1T1 Fl. 10 9 Sala das Sessões, em 26 de setembro de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05 /2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, A ssinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11686.000081/2008-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 86 .0 00 08 1/ 20 08 -6 8 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000081/200868 Resolução nº 3302000.322 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de PIS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/07/2006 a 30/09/2006 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas no Mercado Interno. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por ele constatadas: I.1 o contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dos incentivos fiscais "PRODEPE", crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual PE) n° 23.504, de 27 de agosto de 2001, e "PROARROZ", crédito fiscal de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual MT) n° 4.366, de 21 de maio de 2002. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS é o valor do faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente das atividades por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, admitidas as exclusões e deduções expressamente previstas em lei. Integram o faturamento os valores contabilizados como incentivos fiscais "PRODEPE" e "PROARROZ", inexistindo previsão legal para que sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. I.2 O contribuinte incluiu indevidamente na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS fretes sobre transferências e fretes sobre devoluções. O valor do frete contratado de pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de simples transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores e filiais não integra a operação de venda a ser realizada posteriormente, não podendo ser utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Da mesma forma, o valor do frete sobre devoluções não integra a base de cálculo de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Dará direito ao crédito o frete contratado para entrega de mercadorias diretamente aos clientes, na venda do produto, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme arts. 3o , inciso IX, e 15 da Lei n° 10.833/2003. I.3 A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da Fl. 407DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000081/200868 Resolução nº 3302000.322 S3C3T2 Fl. 4 3 NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6º , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito resumido de atividades agroindustriais referente a estas compras. I I . C O N C L U S Ã O Em função dos fatos anteriormente descritos e das irregularidades fiscais constatadas, após efetuados os ajustes necessários e outras correções obrigatórias demonstrados em planilhas anexas, que obedeceram ao disposto na legislação do PIS/Pasep não cumulativo, concluo que os direitos creditórios da fiscalizada, relativamente aos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep devem ser reconhecidos apenas de forma parcial. (...) Em consequência, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao pedido de ressarcimento de PIS NãoCumulativo Mercado interno, referente ao 3º trimestre de 2006. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando, preliminarmente, a nulidade da decisão pela ofensa à constituição federal e aos princípios do processo administrativo fiscal – PAF, em face de ausência de fundamentação expressa, e no mérito: · Discorda sobre a inclusão dos créditos de ICMS, oriundos de programas de benefícios fiscais ("PRODEPE" e "PROARROZ"), na base de cálculo do PIS e da COFINS como receita, na medida em que as leis instituidoras desses benefícios objetivariam o fomento da competitividade e sustentabilidade das empresas situadas nos estados do MT e PE. Entende que tais valores não poderiam ser considerados como receita da empresa, pois não representariam um ingresso de novo valor ao seu patrimônio, sendo apenas abatidos de seus débitos de ICMS, de forma a reduzir o saldo devedor de imposto estadual devido. · Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes de transferências entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica e devoluções, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações de venda. Discorre sobre sua necessidade de possuir centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Entende que tais fretes deveriam também ser enquadrados como custo ou despesas da empresa, sujeitos à apuração dos respectivos créditos das contribuições. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da isonomia e do nãoconfisco. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000081/200868 Resolução nº 3302000.322 S3C3T2 Fl. 5 4 · Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei n° 10.925/2004 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela Instrução Normativa SRF n° 660/2006, portanto não estaria sujeita a observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Considera que teria a faculdade de escolher, ou não, a suspensão da exigibilidade, cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que nas Notas Fiscais de aquisição emitidas por seus fornecedores não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art.2º, §2º da IN 660/06. Acrescenta que seus fornecedores também não lhe pediram declaração de que apuraria seu IRPJ pelo Lucro Real, em face da ausência destas solicitações, inferiu que não teria sido utilizada a suspensão da exigibilidade nas correspondentes operações de compra e venda. Contesta a intimação recebida para que apresentasse declarações de seus fornecedores informando se as vendas haviam ocorrido com ou sem a suspensão, pois entende que não lhe caberia exigir tal informação de seus parceiros comerciais. Aponta que inclusive adquiriria arroz em casca de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, portanto fora dos requisitos previstos na IN 660/06. · pede a realização de perícia para o esclarecimento de quesitos que define como necessários para demonstrar a origem e a composição dos créditos em litígio. Relativamente à questão da inclusão, como receita, na base de cálculo do PIS e da COFINS, de valores referentes a créditos de ICMS, concedidos por programas estaduais de benefícios fiscais ('"PRODEPE" e "PROARROZ") a contribuinte impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.71.00.0323140 junto à Justiça Federal Tributária de Porto AlegreRS, que teve liminar favorável em 27 de fevereiro de 2009 (publicado em 04/03/2009). Mas, a sentença proferida em 1ª instância de 27/07/2009 denegou a segurança. E, em decorrência de apelações e embargos interpostos pelas partes, a Sentença judicial de 1ª instância foi reformada pelo o TRF4 para conceder a segurança pleiteada, determinando a incidência de correção monetária, pela taxa SELIC, pelo fato de que a demora no ressarcimento dos créditos presumidos se deu por óbice indevido do Fisco. A contribuinte foi cientificada do cumprimento da sentença do Mandado de Segurança 2008.71.00.0323140, por meio da INTIMAÇÃO DRF/SEORT/COMP/REST 2.180/2010. Portanto, tal questão não faz mais parte do litígio. Em julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por unanimidade de votos, por desconhecer da manifestação de inconformidade na parte que contesta a inclusão de créditos de ICMS oriundos de incentivos fiscais estaduais na base de cálculo das contribuições, tendo em vista a identidade de objeto com questões levadas ao crivo do Poder Judiciário. E, nas matérias controversas restantes, também por unanimidade de votos, acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: Fl. 409DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000081/200868 Resolução nº 3302000.322 S3C3T2 Fl. 6 5 NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as irregularidades que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CRÉDITOS DE ICMS CONCEDIDOS POR INCENTIVOS FISCAIS. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado o preenchimento de todos os requisitos para a suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DA PRELIMINAR II. I. 1 DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM FACE DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO MOTIVACIONAL; II. I. 1.1 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA CERCEAMENTO DE DEFESA II. I. 1. 2 DA ILEGALIDADE II. II DA PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EM FACE DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL III DO DIREITO Fl. 410DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000081/200868 Resolução nº 3302000.322 S3C3T2 Fl. 7 6 III. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS III. II DO FRETE DE TRANSFERÊNCIA III. II. 1 DA NÃOCUMULATIVIDADE III. III DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO PE ARROZ EM CASCA III. III. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 III. III. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 977/09 III. III. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 5 EQUÍVOCO REFERENTE À GLOSA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA DE PESSOAS JURÍDICAS REVENDEDORAS III. III. 6 DA PERÍCIA IV DO PEDIDO Formula o seu pedido nos seguintes termos: “Diante do exposto, a ora Recorrente requer que seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim de que seja reconhecida a nulidade do despacho decisório combatido. Sucessivamente, caso não seja este o entendimento, requer que o presente recurso seja acolhido por Vossas Senhorias para determinar a reforma do r.acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legitimidade”. Na forma regimental, o processo foi distribuído para a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó relatar. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000081/200868 Resolução nº 3302000.322 S3C3T2 Fl. 8 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de PIS. Uma das questões suscitadas pela Recorrente diz respeito à possibilidade de escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04. A DRF considerou que todas as aquisições de arroz em casca saíram do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal: A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6o , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito presumido de atividades agroindustriais referente a estas compras Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas fiscais de compra de arroz em casca, emitidas no período em questão, não contém a informação de que as vendas foram efetuadas com suspensão da contribuições e, também, que adquire arroz em casca de Pessoas Jurídicas revendedoras, que não atendem aos requisitos normativos para efetuar venda com suspensão do PIS e da Cofins. Junta notas fiscais de aquisição de arroz em casca junto às empresas PURO GRÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARROZ E SOJA LTDA e SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA, . Para a realização da venda de arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins, no período de 04/04/2006 (data da publicação da IN SRF 636/2006) a 24/07/2006 (dia anterior à publicação da IN SRF nº 660/2006), a pessoa jurídica (autorizada) vendedora deveria solicitar (e o adquirente fornecer) a declaração prevista no § 3º, do art. 2º da IN SRF nº 636/2006. A partir do dia 25/07/2006, além da referida declaração, a pessoa jurídica vendedora deveria consignar na nota fiscal que a venda estava sendo realizada com a suspensão do PIS e da Cofins (§ 2º, do art.2º, da IN SRF nº 660/2006). Fl. 412DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000081/200868 Resolução nº 3302000.322 S3C3T2 Fl. 9 8 Em caso semelhante, este Colegiado entendeu que é necessário a comprovação de que a operação atendia às condições legais para dar saída com suspensão do PIS e da Cofins., conforme Acórdão nº 330201.982, de 28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/200980. Na oportunidade, o Colegiado entendeu que, não havendo o Fisco logrado provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente o direito de escriturar o crédito normal e não o crédito presumido, cabendo à Administração avaliar a necessidade e oportunidade de efetuar o lançamento da exação que deixou de ser recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso. Portanto, ao contrário do entendimento da Fiscalização, naquele julgado o Colegiado entendeu que a suspensão somente se opera se forem cumpridos os requisitos formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei nº 10.925/04. Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento, junto aos fornecedores da Recorrente, com o objetivo de identificar quem efetivamente cumpriu os requisitos exigidos pela IN nº 660/06 nas vendas de arroz em casca para a Recorrente, ou seja, possui a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A (para as vendas realizadas a partir 05/04/2006) e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins (para as vendas realizadas a partir 25/07/2006). Há, portanto, nos autos incerteza quanto ao cumprimento das obrigações acessórias para a saída do arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores da Recorrente, nos termos determinados pelas IN SRF nº 636/06 e 660/06. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente, cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 1.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 2 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 2.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 3 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na Fl. 413DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000081/200868 Resolução nº 3302000.322 S3C3T2 Fl. 10 9 nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 3.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 4 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 4.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 5 No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos itens anteriores; 6 Opinar sobre a procedência (ou não) do direito ao crédito normal em cada uma das situações descritas nos itens 1 a 4; 7 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4; 8 dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 414DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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Numero do processo: 15889.000037/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2006
INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS.
O envio de especificações técnicas, mesmo que por escrito, na aquisição de produtos por encomenda, não se equivale à remessa de modelos que caracteriza a industrialização por encomenda.
Caso revenda os produtos adquiridos, a contribuinte estará realizando uma operação comercial, não se equiparando a estabelecimento industrial nessa operação.
Numero da decisão: 3302-001.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral a Dra. Valdirene Lopes Fronhani OAB/SP 141248
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS. O envio de especificações técnicas, mesmo que por escrito, na aquisição de produtos por encomenda, não se equivale à remessa de modelos que caracteriza a industrialização por encomenda. Caso revenda os produtos adquiridos, a contribuinte estará realizando uma operação comercial, não se equiparando a estabelecimento industrial nessa operação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral a Dra. Valdirene Lopes Fronhani OAB/SP 141248 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 27/01/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 00 37 /2 01 0- 47 Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Ribeirão PretoSP: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 02/06, lavrado em 24/02/2010, com ciência da contribuinte em 26/02/2010, totalizando o crédito tributário de R$ 7.739.942,17. De acordo com a descrição dos fatos de fls. 02/06 e o termo de verificação fiscal de fls. 21/39, houve falta de lançamento de IPI, no período de outubro/2004 a dezembro/2006, em razão da saída de produtos mandados industrializar por encomenda. Segundo consta, a contribuinte encomenda a fabricação de filtros de papel da empresa Celupa Industrial Celulose e Papel Guaíba Ltda, empresa com a qual mantém relação de interdependência. A fabricação é feita seguindo as especificações técnicas, características, design, cor, forma, tamanho, tipo de material, de embalagem etc, definidas pela Melitta. Esse procedimento enquadraria a operação como uma industrialização por encomenda, nos termos do art. 9º , inciso IV do RIPI/2002, porque a definição do produto a ser fabricado, equivale à um modelo, já que um modelo não precisa ser necessariamente um modelo físico. Da mesma forma, a autuada encomenda a fabricação de cafeteiras manuais da empresa Astra Brasil Indústria de Vidros Ltda. Nas duas operações a empresa se equipara a estabelecimento industrial. Conseqüentemente, foi calculado o IPI não lançado nas revendas dos filtros e cafeteiras, e realizada a reconstituição da escrita fiscal. A reconstituição da escrita utilizou como base a reconstituição efetuada no processo n° 15889.000132/200915, relativo a auto de infração sobre a mesma matéria, referente ao período de janeiro a setembro de 2004. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1206/1234, alegando, em síntese, que: 1. Decaiu o direito de lançar o imposto em relação aos fatos ocorridos antes de 26/02/2005, pois na data da ciência do auto de infração, 26/02/2010, já havia passado mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores; 2. Considerandose a decadência, a reconstituição da escrita fiscal deveria ter partido do final de fevereiro/2005; Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15889.000037/201047 Acórdão n.º 3302001.843 S3C3T2 Fl. 1.714 3 3. O julgamento do presente auto de infração deve ser julgado em conjunto com o auto de infração objeto do processo n° 15889.000132/200915; 4. Nas operações objeto do lançamento, apenas revendia as mercadorias adquiridas de terceiros, atuando como estabelecimento comercial; 5. Os filtros fabricados são licenciados com exclusividade pela empresa alemã, proprietária da marca, para o fabricante, empresa Celupa; não é a autuada que determina o modelo dos filtros; 6. O Parecer Normativo CST n° 202/70 determina que para a caracterização por encomenda é essencial que o encomendante remeta ao menos parte dos insumos; 7. Os filtros são entregues à impugnante já acabados, nos moldes e com a marca desenvolvida pela empresa alemã; 8. O Parecer Normativo CST n° 202/70 é bastante claro ao expressar que a remessa de moldes, matrizes e modelos não pode ser estendida ao fornecimento de instruções técnicas acerca das especificações do produto; 9. Os filtros de papel de n° 102 e 103 não podem ser objeto de modelo exclusivo pois já passaram a ser de domínio público; 10. Também em relação às cafeteiras, apenas revendia o produto; 11. É irrelevante a relação de interdependência para efeito de equiparação a estabelecimento industrial; a interdependência apenas exige um valor tributário mínimo de venda do produto, por parte da Celupa, fabricante do produto; 12. Não há amparo legal para a aplicação da multa de ofício, pois o art. 45 da Lei n° 9.430/96 estava revogado; 13. A multa aplicada tem caráter confiscatório. Por fim, requer a improcedência do auto de infração, ou o reconhecimento da decadência, ou ainda, a exclusão da multa aplicada. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem julgála procedente em decisão que assim ficou ementada: Assunto : Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES 4 ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS. O envio de especificações técnicas, mesmo que por escrito, na aquisição de produtos por encomenda, não se equivale à remessa de modelos que caracteriza a industrialização por encomenda. Caso revenda os produtos adquiridos, a contribuinte estará realizando uma operação comercial, não se equiparando a estabelecimento industrial nessa operação. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Acórdão Por força do determinado no art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, a decisão exarada foi submetida à segunda estância de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Contra a Recorrida foi lavrado auto de infração sob o argumento de que esta teria deixado de destacar em suas notas fiscais de venda o IPI incidentes sobre as operações praticadas com filtros de papel e cafeteiras manuais. A fiscalização entendeu que as aquisições de filtros de papel e cafeteiras manuais efetuadas pela contribuinte, caracterizavamse como operações de industrialização por encomenda, equiparando o estabelecimento a industrial, nos termos do art. 9º, inciso IV, do RIPI/2002, na medida em que a impugnante determinava quais os produtos a serem fabricados, definindo as especificações técnicas, características, design, cor, forma, tamanho, tipo de material, de embalagem etc. A Recorrida, por sua vez, aduz que os filtros fabricados são licenciados com exclusividade pela empresa alemã, proprietária da marca, para o fabricante, empresa Celupa; não é a autuada que determina o modelo dos filtros. Citou parecer COSIT nº 202/70 que corrobora seu entendimento. O lançamento foi efetuado tendo por base a equiparação a industrial da Recorrida nas atividades relacionadas a filtros de papel e cafeteiras manuais, e fundamentado no seguinte dispositivo do RIPI/04: Art. 9° Equiparamse a industrial: (...) Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15889.000037/201047 Acórdão n.º 3302001.843 S3C3T2 Fl. 1.715 5 IV os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos; A Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto ao analisar a matéria tratada no presente processo entendeu por bem julgar procedente a Impugnação e cancelar o lançamento, tendo pautado seu entendimento nas seguintes razões: Sobre o assunto, já se manifestou a Administração Fazendária mediante o Parecer Normativo CST n° 202/70. Cabe esclarecer que a autoridade julgadora administrativa tem o dever de observância dos atos normativos da Secretaria da Receita Federal SRF, de acordo com a Portaria MF n° 58/2006: Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112. de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Abaixo, transcrevo parte do referido Parecer Normativo: 2. Preliminarmente, tornase necessário estabelecer o exato alcance de "moldes, matrizes ou modelos", de que fala a parte final do dispositivo acima transcrito. Entendemos, em princípio, que os vocábulos em questão guardam uma relação de semelhança com os seus antecedentes (matériasprimas, embalagens, recipientes) no sentido de se referirem a coisas corpóreas, não abrangendo, pois a meras especificações, ainda que por escrito, referentes à determinada marca ou tipo do produto a ser industrializado. 3. Aliás, no capítulo sobre a "interdependência" (RIPI, art. 21, § 7º), vamos encontrar na alínea "d" uma hipótese que a configura, quando uma das firmas seja a única adquirente de um ou mais de um dos produtos industrializados pela outra, "ainda quando a exclusividade se refira apenas a padronagem, marca ou tipo do produto". Quer dizer que a industrialização por encomenda, com especificação de marca ou tipo, pelo encomendante, caracteriza a interdependência (artigo 21, § 7°, "d") e não a figura de que estamos tratando (art. 3°, § 1º, III). 4. Assim sendo, estabelecimento que manda industrializar produtos em estabelecimento de terceiros sem fornecimento de matériasprimas,. produtos intermediários, embalagens, moldes, matrizes ou modelos, não é equiparado, por esse fato, a estabelecimento industrial, ainda que determine especificações sobre determinada marca ou tipo do produto que mandou industrializar. Se, dentro dessa mesma hipótese, o autor da encomenda é um estabelecimento industrial, relativamente a essa operação estará agindo como mero comerciante, e não como contribuinte; as obrigações relativas a este, e com referência ao produto encomendado, terão que ser cumpridas pelo executor da encomenda. Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES 6 9. Quando a industrialização por encomenda não obrigue o seu autor (item 4, retro), este agirá, em relação ao produto encomendado, como mero comerciante, cumprindo, contudo, observar o disposto no a/i. 139 do R1PI. Por outro lado, nas hipóteses mencionadas no item 7, supra, o executor devolverá os produtos ao encomendante acompanhados de nota fiscal com suspensão do imposto, indicando em separado, se for o caso, o valor dos produtos por ele diretamente aplicados na industrialização, devendo observar o disposto na alinea "b", inc. 1, art. 33, do RIPI. 12. Esclareçase, ainda, que quando configurar a hipótese da interdependência, prevista no art. 21, § 7° , "d", do RIPI, isto é, quando os produtos sejam industrializados por encomenda de terceiro o qual especifique a padronagem, marca ou tipo do produto e seja o único adquirente desse produto, deverá o executor da encomenda atentar para o disposto no § 8a, seguinte, sobre o valor tributável. Todavia, sempre que o autor da encomenda seja equiparado a contribuinte, excluída estará a hipótese de interdependência. " O Parecer Normativo apresenta as seguintes conclusões aplicáveis ao caso em tela: Quando o artigo do RIPI referese à remessa de modelos, está se referindo a bens corpóreos. O envio de especificações, ainda que por escrito, referentes à determinada marca ou tipo do produto a ser industrializado, não se caracteriza como uma remessa de modelo. A encomenda de produto, com especificação de marca ou tipo, pelo encomendante, caracteriza a interdependência, e não a figura da industrialização por encomenda. A impugnante, ao mandar industrializar produtos em estabelecimento de terceiros sem fornecimento de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, moldes, matrizes ou modelos, não é equiparada, por. esse fato, a estabelecimento industrial, ainda que determine especificações sobre determinada marca ou tipo do produto que mandou industrializar. Mesmo que a contribuinte seja um estabelecimento industrial, nessas operações está agindo como mero comerciante. Desse modo, e de acordo com o entendimento expresso no Parecer Normativo, as aquisições de filtros de papel e cafeteiras manuais, mesmo que efetuadas por encomenda mediante o envio das especificações técnicas dos produtos, não se caracterizam como industrialização por encomenda, e, nessas operações, a recorrente não se equipara a estabelecimento industrial. A nosso ver, correta a decisão da Delegacia Regional. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15889.000037/201047 Acórdão n.º 3302001.843 S3C3T2 Fl. 1.716 7 Isto porque, o simples encaminhamento de especificações técnicas não pode ser considerado como sendo a remessa de moldes, matrizes ou modelos como exige o texto legal. Neste sentido, são taxativos os comentários de Antonio Zomer1: Os moldes, matrizes ou modelos devem estar relacionados com a fabricação dos produtos industrializados por encomenda. O mero fornecimento das especificações sobre padronagem marca ou tipo do produto que se deseja adquirir não equipara o encomendante a industrial, se não houver o fornecimento de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipinetes, moldes, matrizes ou modelos. Se o autor da encomenda for ele próprio um estabelecimento industrial, não restará equiparado na operação de saída dos produtos assim adquiridos, se não praticar neles qualquer operação de transformação definida como industrialização pela legislação do IPI. Aliás, esta é a posição assentada a mais de uma década pela própria Receita Federal que, em inúmeras soluções de consulta, assim orienta: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 94 de 19 de Junho de 2001 ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: . Industrialização por encomenda. Sem fornecimento de insumos. Não equiparação a estabelecimento industrial. O estabelecimento que manda industrializar produtos em estabelecimento de terceiros sem fornecimento de insumos não é equiparado a industrial, ainda que indique especificações sobre determinada marca ou tipo de produtos. MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 139 de 05 de Maio de 2009 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Para que se considere uma determinada operação como industrialização por encomenda é necessário que o encomendante tenha encaminhado ao executor da encomenda matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos e não apenas especificações técnicas. A simples conexão de fechos de 1 in Regulamento do IPI Imposto Sobre Proidutos Industrializados Anotado e Comentado. Coordenadores Marcelo Magalhães Peixto, Luiz Roberto Domingo; Autores Antonio Zomer...[ et al.] SP; MP Ed., 2008. p. 60 Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES 8 cintos de segurança a assentos já fabricados de automóveis não configura processo de industrialização. MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 51 de 29 de Fevereiro de 2012 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CONCEITO. ALÍQUOTA. Para que se caracterize operação de industrialização por encomenda é necessário que o encomendante tenha encaminhado ao executor da encomenda matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos, e não apenas especificações técnicas. Caso caracterizada uma operação de industrialização por encomenda, a pessoa jurídica executora de tal operação, no que toca à receita bruta auferida com a industrialização por encomenda das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, está sujeita à incidência da Cofins à alíquota de 0% (zero por cento) nos períodos de 1º de abril a 30 de setembro de 2005 e de 14 de outubro de 2005 a 28 de fevereiro de 2006; e à alíquota de 7,6% no período de 1º a 13 de outubro de 2005, bem como a partir de 1º de março de 2006. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, nos termos do acima exposto, em complemento as razões de decidir expostas no acórdão recorrido, as quais se faz remissão, nos termos do art. 50, § 1º da Lei 9.784/99; (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 11128.000773/2002-46
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 23/05/2001
MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA.
INOCORRÊNCIA.
O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua correta classificação tarifária, não é razão suficiente para que a importação seja considerada como tendo sido realizada sem licenciamento de importação ou documento equivalente.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-000.238
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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Recorrida DRJ - SÃO PAULO/SP ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/05/2001 MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA. INOCORRÊNCIA. O fato de a mercadoria mal enquadrada na NCM não estar corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua correta classificação tarifária, não é razão suficiente para que a importação seja considerada como tendo sido realizada sem licenciamento de importação ou documento equivalente. ' RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. i ACORDAM os membros da r Câmara / 1 8 Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. • o- •• JUDITH D o • ' s • L MAR ONDES ARMAN D O - Presidente4 , _ — LUCIANO LOPES DE A 1 P • MORAES - Relator Participaram, ainda, do pre ente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amotim, Rosa Maria de Jesus da Silva C. de Castro, Ricardo Paulo Rosa e Marcelo Ribeiro Nogueira. i Processo n° 11128.000773/2002-46 SI-C2T1 Acórdão n.° 3201-00238 Fl. 288 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 08/02/2002, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Multa de Controle Administrativo , no valor de R$38.980,00, em face dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio da Declaração de Importação No. 01/0513908-9, de 23/05/2001, 237.342,00 kg de FERTILIZANTE MINERAL MISTO QUIMICA: 2N 35% - CU 14%, recebendo classificaçao fiscal na posição NCM 3824.90.79, com incidência da alíquota de 16,5 % para o Imposto de Importação e o Imposto de Produtos Industrializados NÃO TRIBUTÁVEL Através do Laudo Técnico Oficial No. 2173.01, foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria RESÍDUO CONSTITUÍDO DE COMPOSTO INORGÂNICOS A BASE DE ZINCO na posição NCM 2620.19.00, com incidência da aliquota de 6,5 % para o Imposto de Importação e o Imposto de Produtos Industrializados NÃO TRIBUTÁVEL; Em decorrência, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo do contribuinte o recolhimento da Multa do Controle Administrativo, no valor de R$38.980,00. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 11/03/2002 (fls. 72-verso), o contribuinte, protocolizou impugnação, protocolizou impugnação, tlempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 10/04/2002, de fls. 73 à 80, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: O laudo de assistência técnica ofertou os seguintes fatos: A mercadoria não apresenta composição típica de micronutrientes em função da presença de materiais pesados; Não se trata de composto inorgânico de constituição química definida e isolada; Não se trata de preparação; Em função da presença de metais pesados, principalmente Chumbo, concluiu-se que a mercadoria não está pronta para ser utilizada como fertilizante micronutriente; Processo n° 11128.000773/2002-46 81-C2T1 Acórdão n.° 3201-00238 Fl. 289 Segundo a referência bibliográfica, a mercadoria apresenta composição característica de resíduo proveniente da metalurgia do zinco; A conclusão da fiscalização se baseia em entendimento equivocado do laudo de assistência técnica; O cerne da questão gira em torno do fato se o produto FERTILIZANTE MINERAL MISTO PLANTZINC tem enquadramento no item outro produto inorgânico não especificado e nem compreendido em outra posição da TEC por não ter enquadramento específico; De acordo com o fabricante do produto, o chumbo vem a ser uma impureza do processo produtivo, composto insolúvel, na forma segura, que não será dissolvido ou mobilizado no solo; O laudo de assistência técnica se omitiu a respeito da forma que este material está presente e de que modo poder-se-ia deduzir algum dano ao solo,; Por ser um produto industrial conterá impurezas; A base da autuação fiscal foi decorrente da citação a mercadoria não apresenta composição típica de micronutrientes em função da presença de metais pesados (chumbo) em função das respostas dos quesitos, podendo se considerar que para a satisfação da fiscalização deveria conter como resposta a expressão Micronutriente Fertilizante, como foi declarada pela autuada; A presença de metais pesados é admitida em produtos de consumo humano e de uso diário, dentro dos limites especificados; É solicitada a conversão do julgamento em diligência para que seja retificado o entendimento da fiscalização, em função dos seguintes quesitos: Quais as propriedades que levaram o laboratório considerar a mercadoria como um RESÍDUO PROVENIENTE DA METALURGIA DO ZINCO? Por ser produto proveniente de misturas de diversos materiais, existe legislação que desclassifique essa mercadoria como preparação? Com os dizeres do Parecer Normativo Cosit No. 001 de 09.01.1990, esse tipo de mercadoria em pó, mesmo em dispersão, constituída de dois ou mais nutrientes de plantas, o seu enquadramento não seria na posição NCM 3824.90 como foi declarada? Entende ser incabível a multa tipificada no artigo 526, II do Regulamento Aduaneiro - Decreto 91.030/85, em função do Ato Declaratório COSIT No. 10/97; 3 Processo n° 11128.000773/2002-46 SI-C2T1 Acórdão n.° 3201-00238 Fl. 290 Pugna a improcedência e a insubsistência do Auto de Infração. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/SPOII n° 19.861, de 23/08/2007, fls. 246/250: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 23/05/2001 RESÍDUO CONSTITUÍDO DE COMPOSTO INORGÂNICOS A BASE DE ZINCO na posição NCM 2620.19.00, dada a preponderância da concentração deste elemento na composição do produto. Incompatibilidade da presença do Chumbo em Fertilizantes, em função do artigo 2° da Portaria No. 82, de 09/05/1994, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Lançamento Procedente. Às fls. 257 o contribuinte toma ciência da decisão, ofertando recurso voluntário de fls. 260/284 e, assim, é dado andamento ao processo. 1 4 Processo n° 11128.000773/2002-46 SI-C2T1 Acórdão n.° 3201-00238 Fl. 291 Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discute-se nos autos a classificação fiscal do produto importado pela recorrente, fertilizante mineral, composto de zinco, cobre, chumbo e outros elementos, que ensejou a aplicação da multa prevista no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro. Discute-se nestes autos exclusivamente a multa aplicada no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro. Deixo de apreciar a preliminar aventada de cerceamento de defesa em face da previsão constante do § 3° do art. 59 do PAF. Entendo que esta multa aplicada deve ser afastada. Neste sentido, adoto o voto proferido pelo Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, no recurso n.° 142372,o qual concordo integralmente: Identifico no texto de relatoria do i. Julgador de primeira instância um interessante ponto de partida para as reflexões que julgo necessárias para a solução do presente feito. São as instruções contidas no Parecer Cosit n° 477/88 e no ADN Cosit n° 12/97. O que se depreende da leitura dos mesmos é que o primeiro considera hipótese de ocorrência da infração por importar mercadoria sem licença de importação a descrição incorreta, omissa ou imprecisa de elementos indispensáveis à identificação da mesma, enquanto o segundo exclui da hipótese de ocorrência o erro de classificação fiscal de mercadoria que estiver corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Há neles, portanto, dois comandos que se apóiam no mesmo critério de valoraçã o da ocorrência, a qualidade da descrição das mercadorias, mas que orientam em sentido oposto: o primeiro define uma circunstância na qual ocorrerá a infração e o segundo uma na qual ela não ocorrerá. Essa distinção traz relevante conseqüência prática na aplicação do comando contido no ADN Cosit n° 12/97. Ele determina que não constitui infração o erro de classificação tarifária se presentes as circunstâncias nele especificadas, mas não determina que, não se encontrando presentes tais circunstâncias, o erro de classificação tarifário importará em que se considere ocorrida a infração. j- 5 Processo n° 11128.000773/2002-46 S1-C2T1 Acórdão n.° 3201-00238 Fl. 292 O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa n° 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional - Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso lido art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior - SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (grifei) Ou seja, em obediência à norma, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tanto em atividade de execução quanto de julgamento, deverá considerar que não ocorreu a infração por importação sem licenciamento sempre que constatar que a mercadoria estava correta e suficientemente descrita, mas não que, contrariu sensu, tenha ocorrido a infração sempre que a mercadoria tiver sido descrita de forma deficiente, seja pela falta de elementos importantes à sua identificação ou de informações necessárias ao correto enquadramento tarifário. Trata-se de interpretação obtida de uma simples leitura do enunciado da norma - não constitui infração, mas que é corroborada quando, logo a seguir, o texto cuida de especificar que as ocorrências por ele contempladas são aquelas em que a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, automático ou não, admitindo, assim, que tal equívoco não exija novo licenciamento. Em termos mais objetivos, o que a norma determina é que não se considere infração o erro de classificação que exija novo licenciamento se a mercadoria estiver correta e suficientemente descrita e não que se considera infração o erro de classificação sempre que a mercadoria não estiver correta e suficientemente descrita, independentemente desse erro exigir ou não novo licenciamento. A conseqüência disso é que, constatado o erro de classificação tarifária, em situações nas quais a mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, será sempre necessário avaliar se esse erro remete à exigência de novo licenciamento ou não. Para tanto, é preciso debruçar-se um pouco mais no estudo do assunto licenciamento das importações. 6 Processo n° 11128.000773/2002-46 S1-C2T1 Acórdão n.° 3201-00238 Fl. 293 O controle administrativo das importações a que se refere o caput do artigo 633 do Regulamento Aduaneiro, diz respeito ao controle que a administração exerce por ocasião da concessão da licença de importação, e que se consolida no despacho aduaneiro e/ou na revisão aduaneira, quando os dados contidos na licença de importação serão cotejados com os demais documentos de instrução do despacho e com a própria mercadoria. Disso se extrai que o controle administrativo das importações é exercido em dois momentos distintos, (i) quando o Poder Público concede autorização para o particular importar mercadoria do exterior, nos prazos, condições e especificações estabelecidas na licença de importação e (ií) quando o Poder Público examina se as mercadorias importadas e demais documentos apresentados estão de acordo com os dados contidos na licença de importação. A atividade de controle exercida em cada uma dessas duas etapas é de competência de órgãos distintos dentro da administração pública federal, respectivamente, a Secretaria do Comércio Exterior - SECEX e a Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. As divergências entre as informações contidas na licença de importação e as informações obtidas no despacho aduaneiro ou na revisão aduaneira, a partir do exame da mercadoria e demais documentos, é que ensejarão considerarem-se as importações como tendo sido realizada sem licença de importação, tendo em vista a desconsideração da licença apresentada. A Portaria Secex n° 21/96 trazia algumas considerações relevantes no que diz respeito ao tipo de informações contidas em uma licença de importação, esclarecendo que tais informações caracterizavam a operação de importação e definiam o seu enquadramento. Os parágrafos 1 0 e 2° do artigo 7° da Portaria determinavam: "§ 1° As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT n° 291, de 12 de dezembro de 1996. § 2° As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento." A Portaria Secex n° 17, de 1° de dezembro de 2.003; contudo, revogou a Portaria Secex n° 21/96 e deixou de fazer menção expressa aos quatro elementos que, nos termos da Portaria Secex n° 21/96 caracterizam a operação de importação e definiam o seu enquadramento — as informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal. e2L, 7 Processo n° 11128.000773/2002-46 SI-C2T1 Acórdão n.°3201-00238 Fl. 294 Embora isso, é de se notar que, mesmo deixando de mencionar os elementos que caracterizam e enquadram a operação de importação, o artigo 10 da Portaria Secex n° 17/03 confirmou que nas importações sujeitas a licenciamento o importador deveria prestar as informações contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict n° 291, de 12 de dezembro de 1996, remissão idêntica a que fazia a Portaria Secex n° 21/96, ao referir-se às informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal que caracterizavam e enquadravam a operação. Essa referência foi mantida nas Portarias Secex 14/04, 35/06 36/07 e 25/08. Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict n.o 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. Ou seja, na prática, a edição da Portaria Secex n° 17/03 não provocou qualquer mudança no que diz respeito às informações que deverão ser prestadas pelo importador para a obtenção da licença de importação, devendo-se considerar que tais informações continuam sendo aquelas das quais o órgão licenciador lança mão no processo de análise do pedido de licenciamento. O Anexo II da Portaria Intel-ministerial MF/Mict n° 291/96 contém, portanto, todas as informaç'óes que devem ser prestadas pelo importador nas importações sujeitas a licenciamento, sendo essas as informações que poderão ser analisadas pela administração, com vistas à concessão do licenciamento pleiteado. São elas: 1 - Importador 2 - País de procedência 3 - URF de despacho 4 3 URF de entrada no País 5 - Exportador 6- Fabricante ou produtor 7- Classificação fiscal da mercadoria na NCM 8 - Classificação da mercadoria na NALADI/SH ou NALADI/NCCA 9- Quantidade na medida estatística 10 - Peso líquido em Kg 11- INCOTERM 12 - Número "commoditie" 0L 8 Processo n° 11128.000773/2002-46 SI-C2T1 Acórdão n.° 3201-00238 Fl. 295 13 - Moeda na condição de venda 14- Valor total da operação na moeda negociada 15 - Destaque NCM 16- Processo anuente 17 - Indicativos da condição da mercadoria 18- Descrição detalhada da mercadoria 18.1- Especificação 18.2 - Unidade comercializada 18.3 - Quantidade na unidade comercializada 18.4- Valor unitário da mercadoria na condição de venda 19-Acordo tarifário 20-Regime de tributação para o Imposto de Importação 20.1-Fundamentação legal 21-Ato Concessório Drawback 22 -Natureza cambial 22.1- Cobertura cambial 22.2 - Modalidade de pagamento 22.3 - Instituição financiadora 22.1- Código 22.2 — Denominação 22.3 - Motivo da importação sem cobertura cambial 23 - Quantidade de dias para limite de pagamento 24- Substituição de LI 25 - Informações complementares A relação contida no Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict n° 291/96 não deixa margem de dúvidas quanto ao alcance das informações exigidas pela Administração com vistas à analise e o deferimento da licença de importação. Trata-se de uma relação exaustiva, abrangendo dados relacionados à mercadoria, seu enquadramento fiscal, à transação comercial, o pagamento etc. No processo de análise e deferimento da licença de importação, toda essa gama de informações especificada no Anexo Il da Portaria 291/96 são do interesse da Administração e devem ser prestadas de forma correta, retratando precisamente a operação que se deseja licenciar, de tal sorte que todos os c7L 9 - Processo n° 11128.000773/2002-46 SI-C2T1 Acórdão n." 3201-00238 Fl. 296 elementos relevantes para cada operação especifica possam ser avaliados e a licença concedida ou indeferida, tendo em vista a adequação do pedido à política de controle das operações de importação vigente à época em que o licenciamento está sendo examinado. Os artigos 14 e 15 da Portaria Secex n° 17/03, abaixo transcritos, especificam qual procedimento será observado pela Decex (Departamento de Operações de Comércio Exterior) no caso de serem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença. Art. 14. Quando forem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença ou mesmo a inobservância dos procedimentos administrativos previstos para a operação ou para o produto, o Decex registrará, no próprio pedido, . advertência ao importador, solicitando a correção de dados. § Io... § 2.0... Art. 15. Não será autorizado licenciamento quando verificados erros significativos em relação à documentação que ampara a importação ou indícios de fraude ou patente negligência. (grifei) Parágrafo Único. Em qualquer caso, serão fornecidas informações relativas aos motivos do indeferimento do pedido, assegurado o recurso por parte do importador, na forma da lei. O texto deixa claro, que, independentemente do tipo de operação para a qual se pretende obter a licença ou da mercadoria importada, em três hipóteses não será autorizado o licenciamento pleiteado pelo importador: erros significativos, indícios de fraude e patente negligência. Por outro lado, uma vez concedida a licença, ela poderá ser retificada antes ou depois do desembaraço das mercadorias, sendo preservada a validade do licenciamento original, desde que a alteração não descaracteriza a operação original. Art. 20. A empresa poderá solicitar a alteração do licenciamento, até o desembaraço da mercadoria, em qualquer modalidade, mediante a substituição, no Siscomex, da licença anteriormente deferida. § I o A substituição estará sujeita a novo exame pelo(s) órgão(s) anuente(s), mantida a validade do licenciamento original. § 2o Não serão autorizadas substituições que descaracterizem a operação originalmente licenciada. Art. 21. O licenciamento poderá ser retificado após o desembaraço da mercadoria, mediante solicitação ao órgão anuente, o que será objeto de manifestação fornecida em documento especifico. (2L" 10 Processo n° 11128.000773/2002-46 SI-C2T1 Acórdão n.° 3201-00238 Fl. 297 De todo o exposto, o que se extrai da legislação de regência é que será preciso decidir se o erro cometido pelo importador ao indicar a classificação incorreta da mercadoria descaracterizou ou não a operação originalmente licenciada, exigindo, por conseguinte, novo licenciamento, automático ou não automático. Nesta altura, a leitura que tenho dos fatos leva à conclusão de que esse aspecto se quer foi investigado. A transcrição feita de excertos do voto condutor da decisão recorrida deixa claro que as razões de decidir estiveram alicerçadas em interpretação distinta do comando contido no ADN Cosit n°12/97, até porque, a juízo do i. relator do voto condutor, a descrição da mercadoria não estava tão discrepante da que havia sido efetivamente importada. Embora "os motores importados contêm cilindros, são efetivamente da marca Wartsila, modelo 18V46, com potência um pouco superior a 17.000 kW, com números de série correspondentes àqueles descritos na Dl" e "os dados complementares da mercadoria (fls. 08 e 91) contemplam outras características, como a presença de pistons, compatível, portanto, com um motor de combustão interna (dentre eles os motores a diesel), conforme afirmado pelo próprio perito no laudo técnico de fls. 99", a multa deve ser aplicada, tendo em vista que o importante é "se a descrição do produto contida na LI/DI permite se chegar à correta classificação da mercadoria, a qual, conforme demonstrado, deverá se adequar a algum dos códigos NCM das posições 84.07 ou 84.08. ". Como na "LI/DI não há nenhuma informação que permita vislumbrar que os motores importados são equipamentos de ignição por compressão (a diesel), de sorte a permitir a classificação dos mesmos na posição correta 84.08, em detrimento da posição 84.07", considerou-se não aplicável ao caso o ADN Cosit n° 12/97, sujeitando a importação à multa nele tratada, sem que fosse avaliada a necessidade ou não de novo licenciamento frente às imprecisões identificadas na instrução dos documentos que instruíram o despacho de importação. Não me passa desapercebido o fato de que essa interpretação restringe significativamente as ocorrências passíveis de serem reconhecidas como infração por falta de licenciamento decorrente do erro de classificação tarifária e nem os problemas que ela acarreta na definição do que venha ser objeto de novo licenciamento nestas circunstâncias. Quanto a isso, é tranqüilizador saber que decorrem da outra interpretação problemas muito maiores, por que dela resulta uma aplicação indesejável da norma, ao desconsiderar-se que a mesma especifica uma inocorrência e não uma ocorrência e, ainda mais, desconhece por completo a presença de uma condição expressamente consignada: a de que tais circunstâncias exijam novo licenciamento, reduzindo a ação do Fisco à identificação de um erro de classificação associado ou não a um problema de descrição das mercadorias, sem qualquer 11 Processo n° 11128.000773/2002-46 SI-C2T1 Acórdão n.° 3201-00238 Fl. 298 conexão com todo arcabouço legislativo que regulamenta a sistemática de licenciamento das importações. Não há como escapar de uma análise de mérito, caso a caso, de cada uma das importações licenciadas, buscando identificar se o erro de classificação tarifária descaracterizou a operação original, na medida em que para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar se a mercadoria estava ou não correta e suficientemente descrita, e só então decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. Assim, entendo deva ser af..tada a multa prevista no art. 526, II do RA. Ante o exposto, voto por n ar provimento ao recurso voluntário interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em O . 4 4 julho • - 109. $íLUCIANO LOPES RJ k M I, A MORAES - Rel tor 11 12 1 41.?, MINISTÉRIO DA FAZENDA ,t,%, o r,,,;'1 j:4231 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO -, ..... Processo n°: 11516.000007/2001-27 Recurso n.°: 139.465 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°. 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Sessão, a tomar ciência do Acórdão n.° 3201-00.255. Brasília, 21 de setembro L4UIZ HUMB • ' ji , ' 'ir." Dã Chefe da 2a jliiii: : • SeçoES / / 1 Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional ,
score : 1.0
Numero do processo: 13656.721148/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ESPÓLIO. FALTA DE PRÉVIA NOTIFICAÇÃO.
Não cabe o lançamento sobre depósitos bancários de origem não comprovada em nome do espólio ou sucessores quando o procedimento fiscal tenha se iniciado após falecimento do titular da conta bancaria e este não tenho sido intimação para a comprovar a origem dos recursos. Cuida-se de ato essencial e personalíssimo que somente cabe ao titular da conta bancária para permitir a inversão do ônus da prova de que cuida o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante da falta de notificação e impossibilidade pelo falecimento do titular da conta a autuação, de fato, não poderia subsistir.
Numero da decisão: 2202-002.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinatura digital)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio Lacerda Martins, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ESPÓLIO. FALTA DE PRÉVIA NOTIFICAÇÃO. Não cabe o lançamento sobre depósitos bancários de origem não comprovada em nome do espólio ou sucessores quando o procedimento fiscal tenha se iniciado após falecimento do titular da conta bancaria e este não tenho sido intimação para a comprovar a origem dos recursos. Cuida-se de ato essencial e personalíssimo que somente cabe ao titular da conta bancária para permitir a inversão do ônus da prova de que cuida o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante da falta de notificação e impossibilidade pelo falecimento do titular da conta a autuação, de fato, não poderia subsistir.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta. (Assinatura digital) Odmir Fernandes - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio Lacerda Martins, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ESPÓLIO. FALTA DE PRÉVIA NOTIFICAÇÃO. Não cabe o lançamento sobre depósitos bancários de origem não comprovada em nome do espólio ou sucessores quando o procedimento fiscal tenha se iniciado após falecimento do titular da conta bancaria e este não tenho sido intimação para a comprovar a origem dos recursos. Cuidase de ato essencial e personalíssimo que somente cabe ao titular da conta bancária para permitir a inversão do ônus da prova de que cuida o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante da falta de notificação e impossibilidade pelo falecimento do titular da conta a autuação, de fato, não poderia subsistir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Presidente Substituta. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio Lacerda Martins, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 11 48 /2 01 1- 80 Fl. 599DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ODMIR FERNANDE S 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício contra decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Juiz de Fora/MG que, por unanimidade de votos, cancelou a autuação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, do anocalendário de 2006, sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Intimado (fls. 02 a 06) o contribuinte não apresentou os extratos bancários, com isso foi expedida RMF Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (fls.24/34). Auto de infração (fls. 486/493) e Termo de Verificação Fiscal (fls. 495/503). A decisão recorrida (fls.576 a 593 ) com ciência em 07.03.2012 (AR fls. 596), afastou o lançamento sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancários com origem não comprovada, exonerando o crédito tributário, pois a intimações com exceção de uma, foram feitas após o óbito do contribuinte fiscalizado. A decisão esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade, uma vez que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente, tendo sido concedido ao contribuinte amplo direito à defesa e ao contraditório, mediante a oportunidade de apresentar, no curso da ação fiscal e na impugnação, provas capazes de refutar os pressupostos em que se baseou a lançamento de ofício. SIGILO BANCÁRIO. PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A legislação em vigor autoriza o Fisco a solicitar diretamente às instituições financeiras informações referentes à movimentação bancária de seus clientes mediante a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, desde que haja procedimento de fiscalização em curso e esta seja precedida de intimação ao sujeito passivo, sendo desnecessária a autorização judicial prévia. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Uma vez existente comando expresso, em lei, autorizando o exame de informações bancárias, este deve ser acatado e utilizado pelo Fisco, pois não cabe aos agentes públicos questionarem a constitucionalidade da lei vigente mediante juízos subjetivos, dado o Princípio da Legalidade que vincula a atividade administrativa. Ademias, falece competência à autoridade administrativa para se manifestar quanto à Fl. 600DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ODMIR FERNANDE S Processo nº 13656.721148/201180 Acórdão n.º 2202002.274 S2C2T2 Fl. 3 3 inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ESPÓLIO. Não cabe o lançamento sobre depósitos bancários de origem não comprovada em nome do espólio ou dos sucessores quando o procedimento fiscal tenha se iniciado em data posterior ao óbito do único titular ou de todos os titulares faleceram antes do término do prazo da intimação para a comprovação da origem dos recursos. O ônus probandi instituído pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 é tão somente do titular da conta bancária. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O Recurso de Ofício foi interposto é razão do cancelamento da autuação pela decisão recorrida, pela falta da prévia intimação do autuado para explicar a origem dos depósitos bancários, ante o falecimento. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ODMIR FERNANDE S 4 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator Cuidase de Recurso de Ofício da decisão que cancelou a autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, apurada mediante Requisição da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte juntos às instituições financeiras. A autuação se fez mediante a quebra do sigilo bancário, sem ordem judicial. Esta Turma de julgamento vem sobrestando os processos com a quebra do sigilo bancário sem ordem judicial, em razão da existência de repercussão geral sobre a matéria no C. STF no RE 601.314/SP e a determinação do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado da Portaria MF nº 256, de 2009. No entanto, antevendo a possibilidade de confirmar a decisão recorrida com o cancelamento da autuação, afasto essa prejudicial conheço do recurso e passo ao exame do mérito, na forma do art. 59, § 3º, do Decreto n° 70.235, de 1972 (com força de lei): Art. 59. São nulos: ...... § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) Pois bem, a autuação foi cancelada pela falta da previa intimado do titular das contas bancarias para explicar a origem dos depósitos constatados pela movimentação financeira da CPMF, em razão do seu falecimento no curso das diligencias. A autuação foi lavrada em 13.12.2011 sobre o IRPF do ano – base de 2006 e o autuado faleceu em 14.07.2011 (fls. 14), antes, portanto, da autuação e não foi, de fato, previamente intimado para explicar a origem dos depósitos bancários constatado em sua conta, como exige a lei. A prévia intimação é ato pessoal, personalíssimo e essencial para permitir a inversão do ônus da prova, a teor do art. 42, da Lei 9.430 de 1996, e assim autorizar a presunção legal, de os depósitos bancários serem rendimentos tributáveis, se nada comprovado em sentido contrário. Andou bem a decisão recorrida, que deve ser mantida e prestigiada. Sem a prévia intimação do titular da conta impossível com o falecimento, não havia mesmo de prosperar a autuação, que foi cancelada com inteiro acerto, podendo, eventualmente, ser renovada na pessoa dos sucessores com outros critérios. Ante o exposto, nego provimento ao recurso de oficio para manter a decisão recorrida que cancelou a autuação. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ODMIR FERNANDE S Processo nº 13656.721148/201180 Acórdão n.º 2202002.274 S2C2T2 Fl. 4 5 (Assinatura digital) Odmir Fernandes, Relator. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ODMIR FERNANDE S
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723478/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
A partir de 1º de abril de 2003, a empresa fica obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e recolhê-la juntamente com a contribuição a seu cargo.
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA.
A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea c, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais.
ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação.
BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO.
A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.º 8.958, de 1994, não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços.
MULTA DE MORA.
Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa de obrigação principal nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A partir de 1º de abril de 2003, a empresa fica obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e recolhê-la juntamente com a contribuição a seu cargo. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea c, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.º 8.958, de 1994, não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços. MULTA DE MORA. Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa de obrigação principal nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2191; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.373 1 1.372 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.723478/200928 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.650 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Recorrente FUNDAÇÃO ADM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A partir de 1º de abril de 2003, a empresa fica obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e recolhêla juntamente com a contribuição a seu cargo. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.º 8.958, de 1994, não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 34 78 /2 00 9- 28 Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa de obrigação principal nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723478/200928 Acórdão n.º 2402003.650 S2C4T2 Fl. 1.374 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 13/07/2009 para constituição de crédito sobre a prestação de serviço na condição de contribuinte individual e caracterização de segurado empregado. Foram lançadas as contribuições não descontadas dos contribuintes individuais. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A partir de 1º de abril de 2003, a empresa fica obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e recolhêla juntamente com a contribuição a seu cargo. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.º 8.958, de 1994, não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços. ... A Fiscalização constatou, através da análise dos documentos apresentados, que um grande número de pessoas físicas prestaram serviços ao contribuinte, em diversos projetos, durante o Exercício 2005, excluídas da folha de pagamento e da GFIP da Fundação. Tratase de serviços prestados por professores, em cursos de especialização e extensão, contadores, engenheiros, eletricistas, vigias, dentre outros profissionais, com remunerações lançadas em contas de Passivo ou de despesa administrativa, denominadas Prestação de Serviço Pessoa Física e Horas aula/coordenação, por projeto. Ficou constatado que o contribuinte inclui em folha e declara em GFIP apenas os empregados, assim reconhecidos. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Sobre a maior parte das remunerações pagas houve o desconto da contribuição do segurado, com lançamentos na conta INSS A RECOLHER, individualizada por projeto. Não foram verificados lançamentos referentes à contribuição patronal incidente sobre as remunerações dos prestadores de serviços. Considerando que estes prestadores constituem a maior parte do pessoal envolvido na execução das atividades da Fundação, a Fiscalização solicitou informações quanto à natureza dos serviços prestados e esclarecimentos sobre a omissão dos segurados e remunerações em GFIP, conforme TIF n° 02, de 25/05/09. Não foram apresentados os contratos, mas a instituição emitiu nota explicativa apenas em relação a professores da UFBA participantes dos projetos, anexa ao Relatório. Os lançamentos contábeis permitiram identificar dois tipos de verbas pagas a estes professores (13 listados): uma a título de Bolsa de extensão/pesquisa, e outra a título de remuneração por serviços prestados. Desta forma, com base nos recibos de pagamento e nos lançamentos nas contas de Prestação de Serviço Pessoa Física e Horas aula/coordenação, a Fiscalização concluiu pelo caráter remuneratório por contraprestação de serviço e apurou as contribuições devidas. Nos levantamentos CIN (contribuintes individuais com desconto antes MP 449/08), Z2 (contribuintes individuais com desconto pós MP 449/08), CIS (contribuintes individuais sem desconto antes MP 449/08), e Z3 (contribuintes individuais sem desconto pós MP 449/08) foram lançadas as remunerações dos prestadores de serviços quando não foi possível identificar todos os pressupostos que permitissem a caracterização de vínculo empregatício, enquadrandoos na definição do artigo 12, V, alínea "g" da Lei 8.212, de 1991. ... Inicialmente, cumpre ressaltar que este lançamento diz respeito exclusivamente às contribuições dos segurados contribuintes individuais que deveriam ter sido descontadas das respectivas remunerações e repassadas aos cofres da Previdência Social. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: ... Pontua que existem flagrantes situações que violam os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, notadamente em seu viés substancial, vez que o AI não consigna os motivos fáticos e jurídicos integrais que fundamentam a conclusão, sendo certo, inclusive, que sequer explica como chegou ao valor cobrado. ... Registra a Impugnante que a multa/penalidade em virtude da não inclusão em folha de pagamento e GFIP dos prestadores de serviço já está sendo processada por meio de outro Auto de Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723478/200928 Acórdão n.º 2402003.650 S2C4T2 Fl. 1.375 5 Infração — tais como o AI 37.220.2225 e AI 37.220.2128—, razão pela qual não deve servir de base para a questão discutida no presente Auto de Infração, sob pena de bis in idem. Salienta ainda que o Fisco entendeu não ter ocorrido o desconto da contribuição previdenciária do segurado prestador de serviço leiase, professores —, tendo em vista ter concluído pelo caráter remuneratório de tais bolsas de extensão/pesquisa e da remuneração pelos serviços prestados. É que o próprio arcabouço normativo aplicável ao caso em tela afasta a incidência de contribuição previdenciária sobre bolsa de estudos (bolsa de extensão/pesquisa), tendo em vista que não integra o salário de contribuição, conforme preconiza o art. 214, § 9°, XIX, do Decreto n° 3.048, de 1999. Pontua que, no intuito de otimizar o cumprimento de seu objeto social, a Impugnante, além de ter empregados, possui serviços prestados por terceiros contratados, sem vínculo empregatício, tratandose estes de contribuintes individuais, sendo certo que sem quaisquer das características da relação de emprego e sem nenhuma condenação neste sentido pela Justiça do Trabalho. Além disso, não se pode deixar de mencionar, também, que os empregados da Fundação Peticionária não desenvolvem atividades com grau de risco, pelo menos não com grau médio ou grave. Afirma que as contribuições previdenciárias patronais oriundas da contratação dos prestadores de serviços não declarados em GFIP e os sem desconto/retenção da contribuição previdenciária, apesar de ser discutíveis tais situações e demonstrado o contrário, foram devidamente recolhidas na forma prevista na legislação, o que poderá ser comprovado com perícia específica. Com fulcro no art. 150, VI, alínea “c” da Constituição Federal, afirma a Impugnante que é proibida a cobrança de impostos federais, estaduais e municipais, das organizações sem lucrativos, definidas como entidades de assistência social ou de educação, que preencham os requisitos da Lei. Já o art. 195, § 7º da CF, preconiza que são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Conclui que as entidades sem fins lucrativos que dispõe de atividades sociais, como é o caso da Impugnante, são imunes à contribuição patronal da previdência pública. Afirma que as exigências legais que devem ser observadas são aquelas estabelecidas em lei complementar, tendo em vista disposição constitucional expressa, sendo certo que qualquer outra exigência existente em lei ordinária (ou qualquer outro texto normativo, exceto a própria Constituição) não pode ser considerada em razão da flagrante inconstitucionalidade. Sendo mais específico, as exigências legais que devem ser observadas são aquelas constantes no Código Tributário Nacional (art. 14). Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Pontua ainda que as imunidades tributárias para serem reconhecidas não necessitam de outros atos por parte do Estado, bastando a comprovação do preenchimento dos requisitos mencionados no art. 14 do Código Tributário Nacional. Qualquer outra exigência, revestese de flagrante inconstitucionalidade. Argumenta que não poderia a Impugnante está sendo submetida a tais cobranças no presente Auto de Infração e nos demais lavrados pela nobre Auditora Fiscal, eis que fora excluída do cumprimento de tal mister através do benefício da imunidade tributária concedido diretamente da Constituição Federal, complementada pelo Código Tributário Nacional (lei complementar), porquanto, é entidade sem fins lucrativos atuante no ramo da educação, gozando, assim, das duas imunidades, referentes à contribuição social, e aos impostos sobre seu patrimônio, renda e serviços. Afirma que a referida imunidade tributária passou a integrar o patrimônio jurídico da organização Impugnante, constituindo em um Direito subjetivo da mesma, até porque lhe foi gerada a confiança de que estava dispensada do recolhimento dos tributos, não deve lhe ser imputado agora o inadimplemento da obrigação tributária que não lhe poderia ser cobrado. Aduz que, quanto ao aspecto subjetivo, ou seja, o sujeito passivo da contribuição, remetese ao quanto esposado anteriormente, ou seja, a questão da imunidade tributária da Impugnante. A organização Impugnante não é sujeito passivo da contribuição social, tendo em vista, justamente, a imunidade tributária concedida diretamente da constituição, complementada pelo Código Tributário Nacional. ... Registra a Impugnante que o único dos requisitos caracterizadores de vínculo empregatício presente no caso em tela era a remuneração. Este requisito, considerado isoladamente ou até mesmo em conjunto com a periodicidade , não tem o condão de descaracterizar o contrato de prestação de serviços para caracterizálo como empregatício. Afirma que é inviável, em âmbito fora da Justiça do Trabalho, o reconhecimento de vínculo empregatício, sendo certo que a conduta da nobre Auditora Previdenciária, em que pese a previsão no Decreto nº 3.048/99, não possui nenhuma legitimidade/competência. Menciona a Impugnante que existe limite máximo para incidência da contribuição previdenciária, inclusive em relação ao contribuinte individual. Com efeito, os valores dos contribuintes individuais que não foram tributados/retidos decorreram do fato de respeitar o limite máximo, haja vista que este já tinha sido atingido, afastandose a incidência da cobrança previdenciária. Segundo o fisco previdenciário, há divergência entre o total das remunerações declaradas em GFIP e as folhas de pagamento da empresa, razão pela qual lançou as diferenças da base de Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723478/200928 Acórdão n.º 2402003.650 S2C4T2 Fl. 1.376 7 cálculo e o desconto do segurado no levantamento. Com efeito, o simples fato de existir diferenças entre o total das remunerações declaradas em GFIP e as folhas de pagamento da empresa significa dizer que nem tudo que está na folha de pagamento é remuneração tributável pela previdência, constituindo a mesma de verbas ressarcitórias e afins, verbas estas que não integram o salário de contribuição. O Fisco informa que o levantamento feito no caso em tela se deu por amostragem, apesar de ter aplicado penalidade integral. Registrese, inclusive, que não há previsão legal para a punição em decorrência de simples amostragem, recaindo em flagrante nulidade. Assim, por mera amostragem e por simples divagação intelectual, a nobre Auditora Fiscal entendeu ter ocorrido existência de vínculo de emprego, descaracterizando a relação jurídica travada entre a organização civil Peticionária e os prestadores de serviços, além de não ter analisado toda a documentação contábil da mesma. Nesse sentido, até para resguardar os Direitos da Peticionária e evitar nulidade no procedimento administrativo fiscal, impõese a realização de perícia in loco para averiguar o tipo de relação existente entre a Peticionária e os prestadores de serviços, bem como perícia contábil para analisar a sua contabilidade, notadamente no que diz respeito ao Livro Diário (especialmente o n° 07) e Razão, recibos de pagamento, GPS, GFIP, recibos de pagamentos a autônomos, folha de pagamentos e resumo, livro de registros de empregados e suas funções, cadastros de prestadores de serviços, arquivos digitais da contabilidade c comprovantes de recolhimentos (empregado, patronal e terceiros prestadores de serviços). Em síntese: a) Prejuízo à defesa por omissão de informações no lançamento; b) alguns dos prestadores de serviços são professores universitários colaboradores com os projetos da fundação e os valores percebidos são bolsas; portanto, sem a incidência da contribuição previdenciária; c) goza de imunidade de contribuições previdenciárias e outros tributos; e d) é improcedente a caracterização de vínculo de emprego. É o Relatório. Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723478/200928 Acórdão n.º 2402003.650 S2C4T2 Fl. 1.377 9 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As informações alegadas como omitidas do lançamento em prejuízo à defesa estão nos anexos do relatório fiscal, como advertido pela decisão recorrida, e todas as demais podem ser verificadas nos próprios documentos que compõem a escrituração do recorrente através das indicações também no relatório fiscal e seus anexos. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito Ao contrário do que afirma a recorrente, a fiscalização não realizou o lançamento sobre os pagamentos comprovadamente a título de bolsa pela colaboração em projetos de pesquisa. Conforme os documentos trazidos, ficou comprovado que, de fato, as funções exercidas não são de ensino, pesquisa e extensão como preconiza a Lei nº 8.958/94, são funções de natureza administrativa ou operacional: Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Ainda assim, a fiscalização não caracterizou todos os prestadores de serviços como empregados, mas tão somente aqueles em que possível a comprovação dos pressupostos da relação empregatícia. Os demais foram considerados contribuintes individuais. Quanto à imunidade, independentemente da discussão sobre a necessidade requerimento para seu gozo, o recorrente não atende aos requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, vigentes à época. Até o momento, por exemplo, não juntou aos autos o Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723478/200928 Acórdão n.º 2402003.650 S2C4T2 Fl. 1.378 11 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Multa Insurgese a recorrente quanto a multa aplicada. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. É que a medida provisória revogou o artigo 35 da Lei 8.212/91 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Sendo que para a multa de mora existe o limite de 20%. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia desde 27/12/1996 o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos aparentes. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP 449 aplicavase sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/91. Portanto, a sistemática do artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/96 para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. E não fica só nisso, dependendo de alguns agravantes esta última que se inicia em 75% pode chegar a 225%; enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723478/200928 Acórdão n.º 2402003.650 S2C4T2 Fl. 1.379 13 recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Quando realizado o lançamento a multa de mora é maior em razão da gradação e não porque foi aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também ocorre igualmente em outras fases do processo sem que, em qualquer momento, a Lei nº 8.212/91 alterasse a natureza jurídica da multa de mora. E, ainda, a diferença de percentual para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%. Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449. Alguns sustentam a aplicação quando embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ... É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão1: “De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória.” Como regra comporta algumas exceções, dentre as quais a aplicação retroativa da lei posterior que houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; 1 FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977. Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Acontece que as hipóteses excepcionais nas alíneas “a” e “b” não têm relação com a multa de mora. Isso porque a mesma Lei nº 8.212/91 fazia à época uma nítida diferenciação entre infração, todas relacionadas ao descumprimento de obrigações acessórias, inclusive pela falta de declaração de fatos geradores em GFIP, e obrigação principal pelo não pagamento das contribuições previdenciárias. Deixar de pagar a contribuição devida não era infração, mas inadimplemento de uma obrigação que tinha como conseqüência o lançamento através de Notificação Fiscal de Lançamento do Débito – NFLD para a cobrança do valor principal e os acréscimos legais na forma de multa e juros de mora: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. § 1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. ... Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art.283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nºs 8.212 e 8.213, ambas de 1991, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: a)deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; b)deixar a empresa de se matricular no Instituto Nacional do Seguro Social, dentro de trinta dias contados da data do início de suas atividades, quando não sujeita a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723478/200928 Acórdão n.º 2402003.650 S2C4T2 Fl. 1.380 15 c)deixar a empresa de descontar da remuneração paga aos segurados a seu serviço importância proveniente de dívida ou responsabilidade por eles contraída junto à seguridade social, relativa a benefícios pagos indevidamente; d)deixar a empresa de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início das respectivas atividades; ... Já quanto à hipótese na alínea “c”, o Superior Tribunal de Justiça STJ pacificou o entendimento que não se trata apenas dos atos infracionais, mas de todas as penalidades em geral, inclusive aquela relativa à mora: RECURSO ESPECIAL Nº 542.766 RS (2003/01010120) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – MULTA MORATÓRIA – REDUÇÃO – APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997 –POSSIBILIDADE – RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA – ART. 106 DO CTN O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, facultando ao contribuinte, com base no art. 106 do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61 da Lei 9.430/96 a fatos geradores anteriores a 1997. Recurso não conhecido. ... O art. 106, II, "c", do CTN, que prevê a retroação da lex mitior determina que se aplique, in casu, a Lei nº 9.430/96, que alcança fatos pretéritos por ser mais favorável ao contribuinte, devendo ser reduzida a multa aplicada por cometimento de infração tributária material. Destarte, não comporta mais divergências no âmbito da Primeira Seção desta Corte, em razão do julgado nos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 184.642/SP, da relatoria do Min. Garcia Vieira, in verbis: "TRIBUTÁRIO – LEI MENOS SEVERA – APLICAÇÃO RETROATIVA – POSSIBILIDADE – REDUÇÃO DA MULTA DE 30% PARA 20%. O Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, letra 'c' estabelece que a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comina punibilidade menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. A lei não distingue entre multa moratória e multa punitiva. Tratandose de execução não definitivamente julgada, pode a Lei n.º 9.399/96 ser aplicada, sendo irrelevante se já houve ou não a apresentação dos embargos do devedor ou se estes já foram ou não julgados." A Administração Fazendária, através da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, admitiu também a retroatividade benéfica aos processos ainda não Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 definitivamente julgados, ainda que realizados antes da vigência da MP 449; embora tenha considerado que as multas sejam de ofício mesmo para os fatos geradores ocorridos na vigência da redação original do artigo 35 da Lei nº 8.212/91. E, a partir da adoção do conceito de multa de ofício, a Portaria, para a aplicação da retroatividade benéfica, fixou uma regra de execução com a qual não concordamos. A Portaria diz que as multas lançadas nas NFLD devem ser somadas à multa por omissão de fatos geradores em GFIP para fins de comparação, com vista à aplicação da alínea "c" do inciso II do artigo 106 CTN. Entendo que não se podem comparar institutos com naturezas jurídicas distintas como se fossem a mesma coisa e, pior ainda, a partir disso se realizarem operações algébricas com as expressões monetárias de cada um deles. Como somarem multa de mora e multa de ofício se entre elas só há em comum o nome “multa”, mais nada? Não pode. Essa parte da Portaria, com o devido respeito, não merece acolhida nesse Conselho Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009: Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). ... § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723478/200928 Acórdão n.º 2402003.650 S2C4T2 Fl. 1.381 17 publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. A multa lançada nos documentos de constituição de crédito da obrigação principal anteriores à vigência da MP 449 é de mora. Contudo, de fato, o conceito foi alterado pela lei posterior para multa de ofício. Acontece que não se pode fazer retroagilo aos lançamentos de fatos geradores que lhe são anteriores. Para fins de aplicação da retroatividade benéfica devemos comparar as regras anteriores e posteriores. Assim, temos atualmente vigentes duas regras, a primeira para a multa de mora e a segunda para a de ofício: a) quando a contribuição inadimplida é declarada, aplicase o artigo 61 da Lei nº 9.430/96; b) caso contrário, o artigo 44 da mesma lei. Lei nº 9.430/96 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Por tudo aqui exposto, a regra relativa à multa de ofício nunca será aplicada aos fatos geradores anteriores à MP 449; agora para aplicação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 é necessário que tenha havido declaração. A regra atual de incidência da multa de mora, para a retroatividade benéfica, deve ser comparada com a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores mas como um todo e não de forma fracionada. A aplicação da multa de mora atualmente vigente ao invés da multa de ofício exige como requisito a declaração dos fatos geradores. Se a declaração na época somente tinha importância para a redução da multa de mora, nos termos do §4° do mesmo artigo, para a regra atual deixa de ser aplicada multa de ofício e se aplica multa de mora. Lei nº 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: ... Em síntese, por força do artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, os processos de lançamento fiscal de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, ainda em tramitação, devem ser revistos para que as multas sejam adequadas às regras e limitação previstas no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, quando declarados os fatos geradores ou, caso contrário, aplicado o artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 nos percentuais vigentes à época dos fatos geradores. Por último, considerando que a execução judicial do crédito é ato processual posterior à MP 449, também não seria aplicável a regra do artigo 35, inciso III, “c” e “d” da Lei nº 8.212/91, mas a atual regra no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996: III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: ... c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Prova pericial Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723478/200928 Acórdão n.º 2402003.650 S2C4T2 Fl. 1.382 19 Quanto à produção de prova pericial, em razão da clareza do lançamento é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Inconstitucionalidade Quanto as demais alegações, a regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto pelo provimento parcial para que seja aplicada a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75% previsto no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13706.005165/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 2201-002.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1717; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.005165/200757 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.089 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria IRPF Recorrente PAULO ROBERTO ARNAUD CARMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 51 65 /2 00 7- 57 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls. 17/19, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 5.635,18, calculados até 28/09/2007. A fiscalização apurou, conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, fl. 18, compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, no valor de R$ 3.793,63, relativos aos rendimentos recebidos da Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social – REFER, CNPJ nº 30.277.685/000189. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: a fonte pagadora apresentou Dirf retificadora acertando a retenção do IR em igual valor ao por ele informado em sua declaração anual de ajuste; os descontos praticados nos pagamentos que recebe estão sendo depositados judicialmente em decorrência do Processo nº 2001.51.01.0061942 – Rio de Janeiro; tratamento diverso deu o fisco ao contribuinte de CPF nº 059.193.39772, que se encontrava em situação idêntica a sua; efetuou corretamente sua declaração anual de ajuste, com base no comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte que a REFER lhe enviou. Requer o cancelamento do débito. A 6ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJ2 julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: DEDUÇÃO INDEVIDA DE IRRF. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Em face da supremacia da decisão judicial sobre a administrativa, não cabe a esta instância de julgamento se pronunciar sobre questão também submetida à apreciação do órgão judicante do Poder Judiciário. Intimado da decisão de primeira instância em 17/04/2011 (fl. 65), Paulo Roberto Arnaud Carmo apresenta Recurso Voluntário em 13/05/2011 (fls. 66 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.005165/200757 Acórdão n.º 2201002.089 S2C2T1 Fl. 3 3 Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A matéria em debate nos autos é por demais conhecida pelos membros desta Câmara, já que se trata de concomitância entre processo administrativo e judicial. Em diversas ocasiões este Órgão Administrativo já se manifestou, conforme se observa de alguns julgados idênticos ou similares que transcrevo: DEMANDA JUDICIAL E PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. COINCIDÊNCIA DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. Conforme entendimento sumulado por esse E. Conselho de Contribuintes, “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. (DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006). Recurso voluntário não conhecido. (Acórdão nº: 10322.903) ... CONCOMITÂNCIA AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL A propositura, pelo contribuinte, de qualquer ação judicial com o mesmo objeto importa em renúncia à instância administrativa. Isso porque, uma vez transitada em julgado, a decisão judicial deve ser cumprida pelo Poder Executivo, sobrepondose àquilo que será ou que já tenha sido decidido em sede administrativa, por força do princípio da intangibilidade da coisa julgada. Súmula CARF nº 1. Recurso voluntário não conhecido (Acórdão nº 3102000.837)... MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF n° 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Acórdão nº 330100.684)... CREDITAMENTO DE INSUMOS ISENTOS. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA NAS ESFERAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Tratandose de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política. (Acórdão n° 204 03.200) No caso dos autos, tratase de Mandado de Segurança impetrado pelo recorrente contra o Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, cujo objetivo era excluir da base de cálculo do imposto de renda as parcelas recolhidas no decorrer dos anos a título de formação de fundo (poupança) e resgatadas gradualmente pelo contribuinte (fl. 41). A 10ª Vara Federal do Rio de Janeiro, em sentença de 1º grau, julgou extinta a ação. Interpostos agravos e Recurso Especial os mesmos foram improvidos, conforme decisão de fls. 41/43. Não há dúvida de que as causas de pedir presente no processo administrativo e o relativo à demanda judicial são absolutamente idênticas. Assim, a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Transcrevese, outrossim, a Súmula CARF nº 01, cujo entendimento é de adoção obrigatória por este Órgão nos termos regimentais: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante ao exposto, voto por não conhecer do recurso, restando prejudicadas as razões de mérito nele aduzidas. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13896.003484/2008-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DE DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA.. INDICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS DOS SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS. DEDUÇÃO
Diante de conjunto probatório apresentado pelo Recorrente, que apresentou recibos complementados por declarações dos profissionais médicos, é de se reconhecer a dedutibilidade das despesas médicas respectivas.
DESPESA MÉDICA. COMPROVANTES DE PAGAMENTO TRAZIDOS APENAS COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO ENDEREÇO DO EMITENTE.
Tratando-se de requisito legal, não pode ser aceito como comprovante hábil a autorizar a dedutibilidade de despesa médicas quando ausente o requisito legal de indicação do endereço do emitente.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Deixando o Recorrente de trazer qualquer comprovante do beneficiário do valor deduzido a título de pensão alimentícia, mantém-se a glosa.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-001.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer deduções de despesas médicas de R$11.899,98 (onze mil, oitocentos e noventa e nove reais e noventa e oito centavos), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 16/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DE DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA.. INDICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS DOS SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS. DEDUÇÃO Diante de conjunto probatório apresentado pelo Recorrente, que apresentou recibos complementados por declarações dos profissionais médicos, é de se reconhecer a dedutibilidade das despesas médicas respectivas. DESPESA MÉDICA. COMPROVANTES DE PAGAMENTO TRAZIDOS APENAS COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO ENDEREÇO DO EMITENTE. Tratandose de requisito legal, não pode ser aceito como comprovante hábil a autorizar a dedutibilidade de despesa médicas quando ausente o requisito legal de indicação do endereço do emitente. PENSÃO ALIMENTÍCIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Deixando o Recorrente de trazer qualquer comprovante do beneficiário do valor deduzido a título de pensão alimentícia, mantémse a glosa. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 34 84 /2 00 8- 19 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer deduções de despesas médicas de R$11.899,98 (onze mil, oitocentos e noventa e nove reais e noventa e oito centavos), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 16/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 22/26), referente ao exercício 2004, anocalendário 2003, em razão das seguintes supostas infrações, todas em decorrência do não atendimento à intimação fiscal, ciência pelo Edital nº 10, de 07/05/2008, portanto, por falta de comprovação: dependentes, despesas médicas, previdência oficial, pensão alimentícia judicial e compensação indevida de IRRF. Cientificado, conforme fl.158, apresentou tempestivamente impugnação (fls. 1/17), acompanhada dos documentos de fls. 27/101, alegando, em síntese, que: o lançamento contém vícios insanáveis, já que a autoridade notificante não cientificou em tempo algum o requerente do início do procedimento fiscal, contrariando o disposto no art. 7º, I do Decreto nº 70.235/72; ao questionar o agente fiscal sobre a intimação feita, este confirmou a realização via edital. Também teve acesso ao “Controle de consulta de Postagens de Intimação Fiscal”, constando que a correspondência enviada ao contribuinte foi devolvida em 11/04/2008, por estar ausente o destinatário. O serviço de carta registrada com AR, prestado pela ECT, uma vez postada pela autoridade fiscal será apresentada ao destinatário e no caso de ausência deste, deverá ser realizada até 3 tentativas em horários alternados. Esgotandose as 3 tentativas, é procedimento da ECT a entrega do aviso no endereço do destinatário quanto à existência de correspondências pendentes de recebimento, ficando esta disponível em até 20 dias sob pena de devolução ao remetente; Fl. 199DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 13896.003484/200819 Acórdão n.º 2802001.892 S2TE02 Fl. 199 3 verificase dos fatos apresentados claramente a intenção da autoridade fiscal em descumprir aos requisitos dos art. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72, e também afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório, visto que o requerente por ter se ausentado de seu domicilio tributário em datas e horários coincidentes às tentativas de entrega e apresentação da intimação fiscal, foi penalizado com a lavratura da notificação; quanto à dedução de dependentes, está anexando à impugnação os respectivos comprovantes; no que se refere às despesas médicas, pensão alimentícia e previdência oficial, junta parte dos comprovantes. Informa que os demais documentos serão juntados assim que disponibilizados pela instituição financeira; quanto à compensação indevida de IRRF, está anexando os documentos disponíveis. O comprovante de rendimentos será solicitado à fonte pagadora, e juntado à impugnação assim que disponibilizado; através da declaração de ajuste anual procedeu Às deduções de acordo com a legislação vigente à época, devidamente comprovadas por meio dos documentos hábeis e comprovantes de pagamentos juntados; o requerente efetivamente não foi intimado de modo a lhe proporcionar o exercício pleno do direito de ampla defesa e do contraditório, ficou evidente e claro com a narração dos termos que a autoridade fiscalizadora, de forma abusiva e se utilizando de mera presunção de ausência do requerente, propôs de forma descabida a glosa das deduções. Pede a improcedência do lançamento. Por meio da petição de fls. 104/108 pede a ajuntada dos documentos de fls. 109/156. Em julgamento, a 9ª Turma da DRJ/SP2, em sessão realizada no dia 04/11/2010, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, restabelecendose em parte as deduções com dependentes, nos termos da fundamentação de fl.167, também restabelecendose parcialmente deduções de despesas médicas, nos termos de fls.167168; restabelecendose pagamentos de pensões alimentícias; acatando despesas de instrução com alimentandos, embora originalmente indevidamente declaradas no montante de pagamentos de pensões alimentícias, nos termos de fls.169170; restabelecendose quase em sua integralidade pagamentos à Previdência Oficial, nos termos de fls.170171; restabelecendose ainda integralmente valores compensados relativos a IRRF, nos termos de fl.171, apresentandose ainda quadro resumido das glosas e valores restabelecidos, a fl.171. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl.180, o contribuinte interpôs tempestivamente Recurso Voluntário, a fl. 181, atacando a decisão exarada pela DRJ, aos fundamentos de que anexa declarações dos profissionais Paulo Dal Médico, Reinaldo Colessi e Oscar Massarentti, complementando os comprovantes antes apresentados; que os valores pagos a Gabriela Dorothy de Carvalho estavam somados aos valores declarados como sendo de pensão alimentícia e referemse a tratamento de sua filha Andrea Sbeghen Camargo, anexando também declaração da referida profissional, pedindo ainda a reconsideração de glosas de R$1092,46 em pagamentos de pensão alimentícia, nos termos do comprovante de pagamento de rendimentos de Global Investiments do Brasil Participações Ltda., já trazido aos autos, juntando documentos de fls.183 e ss. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso não ser conhecido, por atender aos requisitos de admissibilidade, no que tange a irresignação em face de glosas de despesas médicas e de pagamentos de pensão alimentícia. Em homenagem ao princípio do formalismo moderado e na esteira da jurisprudência desta Turma, conheço dos documentos de fls.183 e ss.. De fato, o único impedimentos apontados pela DRJ à aceitação das deduções dos pagamentos efetuados aos profissionais Paulo Dal Médico (R$ 9.799,98), Reinaldo Colessi (R$ 600,00) e Oscar Massarentti (R$1500,00) foi a falta da indicação dos beneficiários dos respectivos serviços médicos. Isto posto, tenho que as declarações de fls.183185, suprem adequadamente tal omissão, justificando o restabelecimento das deduções em questão, não cabendo aqui perquirir da eventual falta de outros requisitos impostos pelo RIR/99 aos comprovantes em questão, diante de que o único fundamento invocado pela DRJ, como acima já apontado, foi a falta de indicação dos pacientes dos serviços médicos e todas as declarações mencionadas apontam o próprio contribuinte como beneficiário dos serviços. Quanto aos pagamentos efetuados a Gabriela Dorothy de Carvalho (R$ 1080,00), a declaração de fl.186 aponta terem sido feitas em benefício da filha do contribuinte, sua alimentanda e a DRJ aponta como única razão para a não dedução dessa espécie de despesas médicas a falta de comprovantes neste sentido. Nesse caso, porém, em se tratando de comprovação pela primeira vez trazida aos autos e ausente a indicação de endereço profissional da dentista, deixo de acolher o comprovante como idôneo para fundamentar eventual dedução do valor correspondente. Quanto ao pedido de reconhecimento de pagamento de pensão alimentícia no valor de R$ 1092,46, nos termos do comprovante de fl.156, não há no mesmo qualquer documento indicando o beneficiário, razão pela qual deve ser mantida a decisão da DRJ neste particular. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 13896.003484/200819 Acórdão n.º 2802001.892 S2TE02 Fl. 200 5 Isto posto, dou parcial provimento ao recurso para restabelecer deduções de despesas médicas pagas aos profissionais Paulo Dal Médico (R$ 9.799,98), Reinaldo Colessi (R$ 600,00) e Oscar Massarentti (R$1.500,00), nos termos das declarações de fls.183185, totalizando o valor de R$ 11.899,98, mantendose quanto ao mais o lançamento, naquilo em que não haja sido desconstituído pela DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 202DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10825.003122/2005-21
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
LANÇAMENTO FISCAL. MULTA ISOLADA POR FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DO IRPJ ESTIMATIVA MENSAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
DECISÃO A QUO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE AFASTADA.
Não configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia quando desnecessário, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. COMERCIALIZAÇÃO, EM NOME PRÓPRIO, DE PLANOS DE SAÚDE (SEGURO SAÚDE) PARA TERCEIROS NÃO COOPERADOS. ATOS PRATICADOS COM TERCEIROS QUE GERAM RECEITA E LUCRO. NATUREZA MERCANTIL. NECESSIDADE DE SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS, CUSTOS, DESPESAS E RESULTADOS DO ATO COOPERATIVO E DO ATO NÃO COOPERADO.
As cooperativas praticam atos que lhe são próprios, por isso, denominados cooperativos e atos comuns a toda e qualquer pessoa jurídica, os não-cooperativos.
As sociedades cooperativas não estão sujeitas à tributação. A não incidência, contudo, atinge tão somente os atos cooperativos próprios de sua finalidade.
O conceito de ato cooperativo é de definição restrita; está contido no art. 79 da Lei 5.764/71. Os demais atos, sejam eles auxiliares ou acessórios, por não se identificarem com os definidos no referido art. 79, são atos não cooperativos.
Os atos cooperativos são definidos no artigo 79 da Lei 5.764/71 e não implicam operação de mercado ou contrato de compra e venda de mercadoria e/ou serviço de terceiros, nem geram faturamento ou receita para a sociedade que possa ser titularizado, não havendo, pois, base para impor o IRPJ. Por exclusão, chega-se ao conceito de atos não-cooperativos, que seriam aqueles praticados entre as cooperativas e pessoas físicas ou jurídicas não-associadas, revestindo-se, nesse caso, de nítida feição mercantil gerando receita e faturamento para a sociedade cooperativa. O resultado do exercício deve, portanto, ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação.
No caso, a Unimed, que comercializa planos de saúde, que tem traços de seguro saúde, presta serviços privados de saúde, caracterizando-se assim sua natureza mercantil na relação entre seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados.
O fornecimento de serviços a terceiros e de terceiros não-associados caracteriza-se como ato não-cooperativo, sujeitando-se, portanto, à incidência do Imposto de Renda.
As receitas das mensalidades pagas pelos usuários, e destinadas a cobrir os custos/despesas dos serviços prestados pelos cooperados e os custos dos serviços prestados por terceiros não associados, devem ser rateadas, segregadas, conforme execução dos atos cooperativos e dos atos não cooperativos, segundo critério razoável a ser justificado perante a fiscalização.
FALTA DE SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS, CUSTOS E RESULTADOS DA COMERCIALIZAÇÃO DE PLANOS DE SAÚDE PARA TERCEIROS NÃO COOPERADOS EM ATO COOPERATIVO E ATO NÃO COOPERADO. TRIBUTAÇÃO GLOBAL DO RESULTADO. IMPOSIÇÃO DE MULTA ISOLADA POR FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DO IRPJ - ESTIMATIVA MENSAL.
Se escrituração contábil da sociedade cooperativa de trabalho médico segrega as receitas e correspondentes custos, despesas e encargos segundo sua origem (atos cooperativos e demais atos), serão excluídos da tributação os resultados dos atos cooperativos. Todavia, se a escrituração (acompanhada de documentação hábil que a lastreie) não especificar com clareza quais as receitas dos atos cooperativos e quais as dos atos não cooperativos, ter-se-á como integralmente tributado o resultado da sociedade. É que, nesse caso, impossível será a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária.
Numero da decisão: 1802-001.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas, vencido o Conselheiro Marciel Eder Costa que acolheu a preliminar de nulidade do lançamento. Por voto de qualidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 LANÇAMENTO FISCAL. MULTA ISOLADA POR FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DO IRPJ ESTIMATIVA MENSAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DECISÃO A QUO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE AFASTADA. Não configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia quando desnecessário, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. COMERCIALIZAÇÃO, EM NOME PRÓPRIO, DE PLANOS DE SAÚDE (SEGURO SAÚDE) PARA TERCEIROS NÃO COOPERADOS. ATOS PRATICADOS COM TERCEIROS QUE GERAM RECEITA E LUCRO. NATUREZA MERCANTIL. NECESSIDADE DE SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS, CUSTOS, DESPESAS E RESULTADOS DO ATO COOPERATIVO E DO ATO NÃO COOPERADO. As cooperativas praticam atos que lhe são próprios, por isso, denominados cooperativos e atos comuns a toda e qualquer pessoa jurídica, os não-cooperativos. As sociedades cooperativas não estão sujeitas à tributação. A não incidência, contudo, atinge tão somente os atos cooperativos próprios de sua finalidade. O conceito de ato cooperativo é de definição restrita; está contido no art. 79 da Lei 5.764/71. Os demais atos, sejam eles auxiliares ou acessórios, por não se identificarem com os definidos no referido art. 79, são atos não cooperativos. Os atos cooperativos são definidos no artigo 79 da Lei 5.764/71 e não implicam operação de mercado ou contrato de compra e venda de mercadoria e/ou serviço de terceiros, nem geram faturamento ou receita para a sociedade que possa ser titularizado, não havendo, pois, base para impor o IRPJ. Por exclusão, chega-se ao conceito de atos não-cooperativos, que seriam aqueles praticados entre as cooperativas e pessoas físicas ou jurídicas não-associadas, revestindo-se, nesse caso, de nítida feição mercantil gerando receita e faturamento para a sociedade cooperativa. O resultado do exercício deve, portanto, ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação. No caso, a Unimed, que comercializa planos de saúde, que tem traços de seguro saúde, presta serviços privados de saúde, caracterizando-se assim sua natureza mercantil na relação entre seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados. O fornecimento de serviços a terceiros e de terceiros não-associados caracteriza-se como ato não-cooperativo, sujeitando-se, portanto, à incidência do Imposto de Renda. As receitas das mensalidades pagas pelos usuários, e destinadas a cobrir os custos/despesas dos serviços prestados pelos cooperados e os custos dos serviços prestados por terceiros não associados, devem ser rateadas, segregadas, conforme execução dos atos cooperativos e dos atos não cooperativos, segundo critério razoável a ser justificado perante a fiscalização. FALTA DE SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS, CUSTOS E RESULTADOS DA COMERCIALIZAÇÃO DE PLANOS DE SAÚDE PARA TERCEIROS NÃO COOPERADOS EM ATO COOPERATIVO E ATO NÃO COOPERADO. TRIBUTAÇÃO GLOBAL DO RESULTADO. IMPOSIÇÃO DE MULTA ISOLADA POR FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DO IRPJ - ESTIMATIVA MENSAL. Se escrituração contábil da sociedade cooperativa de trabalho médico segrega as receitas e correspondentes custos, despesas e encargos segundo sua origem (atos cooperativos e demais atos), serão excluídos da tributação os resultados dos atos cooperativos. Todavia, se a escrituração (acompanhada de documentação hábil que a lastreie) não especificar com clareza quais as receitas dos atos cooperativos e quais as dos atos não cooperativos, ter-se-á como integralmente tributado o resultado da sociedade. É que, nesse caso, impossível será a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária.
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Recorrente UNIMED DE BAURU COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 LANÇAMENTO FISCAL. MULTA ISOLADA POR FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DO IRPJ ESTIMATIVA MENSAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DECISÃO A QUO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE AFASTADA. Não configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia quando desnecessário, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. COMERCIALIZAÇÃO, EM NOME PRÓPRIO, DE PLANOS DE SAÚDE (SEGURO SAÚDE) PARA TERCEIROS NÃO COOPERADOS. ATOS PRATICADOS COM TERCEIROS QUE GERAM RECEITA E LUCRO. NATUREZA MERCANTIL. NECESSIDADE DE SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS, CUSTOS, DESPESAS E RESULTADOS DO ATO COOPERATIVO E DO ATO NÃO COOPERADO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 31 22 /2 00 5- 21 Fl. 773DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 774 2 As cooperativas praticam atos que lhe são próprios, por isso, denominados cooperativos e atos comuns a toda e qualquer pessoa jurídica, os não cooperativos. As sociedades cooperativas não estão sujeitas à tributação. A não incidência, contudo, atinge tão somente os atos cooperativos próprios de sua finalidade. O conceito de ato cooperativo é de definição restrita; está contido no art. 79 da Lei 5.764/71. Os demais atos, sejam eles auxiliares ou acessórios, por não se identificarem com os definidos no referido art. 79, são atos não cooperativos. Os atos cooperativos são definidos no artigo 79 da Lei 5.764/71 e não implicam operação de mercado ou contrato de compra e venda de mercadoria e/ou serviço de terceiros, nem geram faturamento ou receita para a sociedade que possa ser titularizado, não havendo, pois, base para impor o IRPJ. Por exclusão, chegase ao conceito de atos nãocooperativos, que seriam aqueles praticados entre as cooperativas e pessoas físicas ou jurídicas nãoassociadas, revestindose, nesse caso, de nítida feição mercantil gerando receita e faturamento para a sociedade cooperativa. O resultado do exercício deve, portanto, ser levado à conta específica para que possa servir de base à tributação. No caso, a Unimed, que comercializa planos de saúde, que tem traços de seguro saúde, presta serviços privados de saúde, caracterizandose assim sua natureza mercantil na relação entre seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados. O fornecimento de serviços a terceiros e de terceiros nãoassociados caracterizase como ato nãocooperativo, sujeitandose, portanto, à incidência do Imposto de Renda. As receitas das mensalidades pagas pelos usuários, e destinadas a cobrir os custos/despesas dos serviços prestados pelos cooperados e os custos dos serviços prestados por terceiros não associados, devem ser rateadas, segregadas, conforme execução dos atos cooperativos e dos atos não cooperativos, segundo critério razoável a ser justificado perante a fiscalização. FALTA DE SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS, CUSTOS E RESULTADOS DA COMERCIALIZAÇÃO DE PLANOS DE SAÚDE PARA TERCEIROS NÃO COOPERADOS EM ATO COOPERATIVO E ATO NÃO COOPERADO. TRIBUTAÇÃO GLOBAL DO RESULTADO. IMPOSIÇÃO DE MULTA ISOLADA POR FALTA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DO IRPJ ESTIMATIVA MENSAL. Se escrituração contábil da sociedade cooperativa de trabalho médico segrega as receitas e correspondentes custos, despesas e encargos segundo sua origem (atos cooperativos e demais atos), serão excluídos da tributação os resultados dos atos cooperativos. Todavia, se a escrituração (acompanhada de documentação hábil que a lastreie) não especificar com clareza quais as receitas dos atos cooperativos e quais as dos atos não cooperativos, terseá como integralmente tributado o resultado da sociedade. É que, nesse caso, Fl. 774DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 775 3 impossível será a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas, vencido o Conselheiro Marciel Eder Costa que acolheu a preliminar de nulidade do lançamento. Por voto de qualidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 776 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 660/688 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (fls. 810/822) que julgou a impugnação improcedente. Quanto aos fatos, consta dos autos do processo: que, em procedimento de fiscalização externa, em 22/11/2005 houve a lavratura de auto de infração do IRPJ–Multa Isolada (fls. 03/08), ou seja, imposição, em concreto, de penalidade pecuniária no patamar de 75%, no valor de R$ 687.184,17, incidente sobre o valor do imposto estimativa mensal que deixara de ser pago com base na receita bruta mensal e acréscimos e/ou com base em balancetes mensais de suspensão/redução, quanto aos meses: a) janeiro, julho e outubro (anocalendário 2001); b) janeiro, fevereiro e agosto (anocalendário 2002); c) janeiro, setembro, outubro e novembro (anocalendário 2003). que a infração foi imputada nos seguintes termos (fl.07), in verbis: (...) 001 MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CALCULO ESTIMADA. Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme demonstrado no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL e seus respectivos anexos. Data Valor da Multa Isolada 31/01/2001 R$ 110.310,00 31/07/2001 R$ 91.797,92 31/10/2001 R$ 26.301,60 31/01/2002 R$ 156.038,13 28/02/2002 R$ 35.928,28 31/08/2002 R$ 3.030,85 31/01/2003 R$ 50.740,68 30/09/2003 R$ 30.191,90 31/10/2003 R$ 76.536,00 Fl. 776DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 777 5 30/11/2003 R$ 106.308,81 Enquadramento Legal: Arts. 222, 843, e 957, parágrafo único, inciso IV, do RIR/99. (...) que, conforme Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 9/17), o qual é parte integrante do auto de infração, a citada infração foi imputada quanto aos anoscalendário 2001, 2002 e 2003 (incidência do IRPJ), pelos seguintes motivos ou fundamentos (fls.14/19), in verbis: (...) DA NÃO TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS Conforme documentos anexos, a contribuinte auferiu no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2003, receitas financeiras nos valores abaixo relacionados, classificandoas genérica e indevidamente como receitas de atos cooperativos e, portanto, subtraindoas da devida tributação. Os rendimentos obtidos pelas cooperativas por intermédio de aplicações financeiras, de acordo com o constante no Parecer Normativo CST n.° 04 de 1986, nos seus subitens 6.1.1 e 6.1.2, devem submeterse à tributação normal. É pacifica a jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre a devida tributação dos resultados positivos das aplicações financeiras. .(Ac. CSRF/011:972/96DO 06/12/00, Ac 1° . CC 10178:060/88 e 101.84.488/92 1039.377/89 e 10187.05/94 e 10187.095/94 etc). No mesmo sentido o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, confirmou que as aplicações financeiras são atos não cooperativos, cujos resultados estão sujeitos à incidência tributária.(Acórdãos da 1ª Turma: Resp 36.8871/PRDJU I 04.10.93, e Resp 35.8434/PRDJU I 27.06.94; Ac mv 1ª T do STJResp10941/RS17/4/97; Ac um 2ª TSTJResp 169411/SP 18/06/98). (...) DA NÃO TRIBUTAÇÃO DOS RESULTADOS OBTIDOS COM ATOS NÃOCOOPERADOS A contribuinte praticou claramente atos nãocooperativos, fazendo, porém, irregularmente, subtrair de forma clara e contrária aos ditames legais todos os valores do campo da incidência tributária, conforme abaixo se constata. Além do mais, embora revestida sob o manto de cooperativa, a contribuinte pratica com habitualidade, basicamente, a atividade de mercancia de planos de saúde, constituída na venda de bens e serviços de terceiros, com assunção dos resultados econômicos(risco), com fins lucrativos e habitualidade, como já exposto. Concorde com a jurisprudência, tal prática descaracteriza a sociedade cooperativa, para fins fiscais. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 778 6 De acordo com a documentação anexada e pela análise da escrituração contábilfiscal, a UNIMED BAURU contrata com a clientela, conjuntamente com os serviços médicos dos sócios (atos cooperativos), a prego global não discriminativos, ainda o fornecimento de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com diária e serviços hospitalares, serviços de laboratórios, serviços odontológicos, venda de medicamentos, transporte terrestre e aéreo e outros serviços especializados ou não, por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, sendo evidente que estas operações são atos nãocooperativos independente da autodenominação dada pela contribuinte não se compreendendo nem entre os atos cooperativos, nem entre os excepcionalmente facultados pela lei, resultando, portanto, em modalidade contratual com traços de segurosaúde, conforme estabelece a legislação aplicável, ESTANDO SUJEITOS À INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Registrese que o Superior Tribunal de Justiça em acórdão proferido recentemente em 17/02/2004, em ação interposta por contribuinte em situação semelhante à da cooperativa de trabalho médico ora fiscalizada, também entendeu dessa forma: Recurso Especial n.° 237.348SC "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA.COOPERATIVA MÉDICA. ATOS NÃOCOOPERADOS 1. A UNIMED presta serviços privados de saúde, ficando evidenciada, assim, sua natureza mercantil na relação com seus associados, ou seja, vende, por meio de intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados. 2. O fornecimento de serviços a terceiros e de terceiros não associados, caracterizase como atos nãocooperativos, sujeitandose, portanto, à incidência do Imposto de Renda." Esses serviços são fornecidos pela UNIMED BAURU em forma de plano de saúde e são classificados em duas modalidades: a) contratos de "Valor Determinado", também denominados de "prépagamento", em que o contratante — pessoa física ou jurídica paga a mensalidade fixa para ter disposição os serviços abrangidos na forma de cobertura contratada, conforme modelos de contratos anexos, ocorrendo o pagamento das mensalidades independente da utilização dos servigos;(g.n.) b) contrato de "Custo Operacional", relativos aos planos de "póspagamento", compreendendo os contratos firmados com empresas em benefícios de seus funcionários, para utilização de serviços, que serão cobrados acrescidos de taxa de administração. (...) As receitas auferidas, correspondentes às habituais comércio desses planos de seguro saúde e as devidas às demais atividades operacionais da cooperativa fiscalizada, foram indevidamente Fl. 778DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 779 7 classificadas e englobadas sob o titulo "ATOS COOPERATIVOS" pela contribuinte nas mais variadas rubricas: mensalidades empresa, mensalidade pif, manutenção mensal, intercâmbio, além de "Outros Ingressos", como taxas administrativas, guias vendas, transporte uti móvel usuário, farmácia, receitas financeiras e outras receitas. A esse respeito o Egrégio Conselho de Contribuintes prolatou a seguinte decisão: "ATOS NÃO COOPERATIVOS A sociedade cooperativa que pratique, em caráter habitual, atos não cooperativos previstos na legislação própria descaracteriza se como tal sujeitandose todos os resultados às normas que regem a tributação das operações das demais sociedades civis e comerciais (Ac 1º CC 10179.879/90DO 05/06/90)." No mesmo sentido temse o Acs. 1º CC 10512.514/98DO 23/11/98, 103 8.483/88, 10226.948/92, 10512.817/99 e 107 5630/99. DISTRIBUIÇÃO INDEVIDA DE RESULTADOS COM ATOS NÃOCOOPERATIVOS Por força do artigo 87 da Lei n.° 5164/71, os resultados positivos obtidos com operações relacionadas com atos não cooperativos, além de tributáveis, não podem ser distribuídos, pois passam a integrar obrigatoriamente a conta do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social — FATES. Este é ainda o reiterado entendimento dado pelo Conselho de Contribuintes, através dos acórdãos n.s. 101.72.410/81, 101 72.700/81, 101 75.025/84 e 10176.76.645/86. Consoante comprovam os documento anexos, a contribuinte distribuiu irregularmente o resultado positivo (sobras), na forma abaixo, estando, obviamente, incluido naquele valor os resultados com atos nãocooperativos já apurados. Na Assembléia Geral Ordinária datada de 28/03/2004, as sobras do ano calendário de 2003, no valor de R$ 663.099,25, foram "destinadas ao Capital Social, na proporção da produção de cada cooperado", que é uma forma de distribuição dos resultados. Procedendo dessa forma, a contribuinte infringiu as disposições contidas no §3.° do artigo 24 da Lei n.° 5.764/71 e no § 1.° do artigo 182 do Regulamento do Imposto de Renda/99— Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999, e por força legal, com fundamento do citado artigo 182 e seu §2.° do RIR/99 c/c artigo 87 da Lei n.° 5.764/71, implicando na tributação do resultado global apurado mensalmente pela contribuinte. DA NÃO SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS ENTRE ATOS COOPERATIVOS E NÃOCOOPERATIVOS Uma vez que a escrituração contábilfiscal procedida pela contribuinte, não traz a segregação da receita obtida com a Fl. 779DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 780 8 prestação de serviços acima explicitados, para atos cooperativos e nãocooperativos, procedeuse à intimação da contribuinte, em 29/08/2005, fazendo constar naquele Termo de Intimação: "Uma vez que, conforme análise dos livros e demais registros da entidade, constatase que escrituração contábil fiscal da contribuinte não permite a segregação das receitas dos atos cooperativos das receitas dos atos nãocooperativos (exceção feita as receitas já declaradas de Transporte UTI Móvel Particular e às Comissões s/ Planos Uniodontos), comprovar explicitamente, mediante documentação hábil, idônea e através de critérios claros e compatíveis com as regras contábeis e fiscais, a legal segregação das receitas oriunda de atos cooperativos, quais sejam do trabalho médico prestados pelos associados, das demais receitas oriundas dos atos não cooperativos, quais sejam, (a) diária e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios e institutos, (c) serviços odontológicos, (d) venda de medicamentos(farmácia); (e) transporte terrestre e aéreo, (f) seguro saúde cobrado conjuntamente com os planos prépagos e (g) outros serviços especializados ou não, prestados por não associados, pessoas físicas ou jurídicas.” Em resposta a esta Intimação, a contribuinte, após arrazoado, afirma que: "Em consonância com esta determinação fiscal, a sociedade segrega em seus demonstrativos contábeis e fiscais, como inclusive já apresentado à fiscalização, as receitas de suas atividades próprias, atos cooperativos, ou seja, identificados em suas atividades fins, de acordo com seu objetivo social e de estrutura organizacional, através de seus associados cooperados, e outras receitas, em que se utiliza de terceiros, não associados, ao desenvolvimento de sua atividade econômica." Como já fartamente demonstrado, basta uma análise dos demonstrativos contábeis e fiscais da fiscalizada para se constatar claramente a total inconsistência de suas alegações, e que esta não segrega as receitas dos atos cooperativos das dos atos nãocooperativos conforme exige a legislação em vigor, e nem o fez após devidamente intimada. DA TRIBUTAÇÃO GLOBAL DOS RESULTADOS POSITIVOS Ante todo o exposto, em suma, o resultado total referente aos atos cooperativos e aos atos nãocooperativos, será integralmente tributado por três razões: a) por ter a sociedade cooperativa praticado, em caráter habitual, atos não cooperativos previstos na legislação própria — habitualismo na mercantilização de planos de saúde descaracterizandose como tal e sujeitandose todos os resultados às normas que regem a tributação das operações das demais sociedades civis e comerciais, como já decidiu o Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes em seus Acórdãos n.° 101 79.879/90DO 05/06/90, 10226.948/92DO 22/09/92, 105 12.817/99; Fl. 780DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 781 9 b) a inexistência da segregação da receita obtida com a prestação de serviços (atos cooperativos e nãocooperativos) não estar apoiada em documentação hábil que a legitime, não obedecendo as disposições contidas na Lei n.° 5.764/71, infringindo o artigo 182 do RIR/99. O Primeiro Conselho de Contribuintes, através de seu Acórdão n.° 10192.455, de 08.12.98, entendeu que se a segregação da receita feita pela sociedade não estiver apoiada em documentação hábil que a legitime, o resultado global será tributado, por ser impossível a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária; c) ter distribuído os resultados apurados aos cooperados, no ano calendário de 2003, quando se sabe que parte dos mesmos, conforme demonstrado, corresponde a lucro obtido com atos não cooperativos e relacionado com receitas de serviços prestados por terceiros não associados, infringindo os parágrafos 1º e 2.° do art.182 do RIR/99 e § 3.° do art. 24 da Lei 5.764, de 1971. DA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA Embora optando pela tributação anual com base no lucro real, a contribuinte não efetuou o recolhimento dos valores calculados do imposto de renda (...), impondose a aplicação da multa isolada prevista no inciso IV, parágrafo único do artigo 957 do RIR/99(Lei n.° 9.430/96, art. 44, §1.°). (...) A contribuinte tomou ciência do auto de infração do IRPJ – Multa Isolada e do Termo de Verificação Fiscal (parte integrante do lançamento fiscal), pessoalmente, por intermédio de seu representante legal em 22/11/2005 (fls. 06 e 19), apresentando impugnação de fls.402/425 em 16/12/2005, cujas razões estão resumidas no relatório da decisão recorrida que, nessa parte, o transcrevo (fls.646/647), in verbis: (...) · Nulidade do lançamento — a afirmação de que a impugnante não apresentou elementos que permitissem à autoridade fiscal identificar as receitas decorrentes de ato cooperativo e não cooperativo é inveridica; · Junta à impugnação balancete contábil analítico do período de 2003, destacando as contas de receitas, custos e despesas, nas quais se identifica a segregação de atos cooperativos e não cooperativos; · Interpretou equivocadamente a autoridade fiscal que as atividades de operação de plano de saúde ou atendimento hospitalar não se relacionam ou não estão compreendidas no objeto de uma sociedade cooperativa de serviços médicos; · A impugnante utilizase das operações de plano de saúde, bem assim de serviços hospitalares, para permitir e garantir a seus cooperados a execução de suas atividades médicas; Fl. 781DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 782 10 · O ato de fornecimento de planos de saúde pela impugnante a terceiros nãocooperados tratase de ato cooperativo, pois essa atividade visa ao auxílio à consecução da prestação de serviço aos associados (intermediação e captação de clientela); · A alegação de que a impugnante distribuiu indevidamente resultados provenientes de atos nãocooperativos não prospera, pois as sobras distribuídas a cooperados são provenientes de atos cooperativos; · As receitas financeiras são sobras oriundas de receitas de atos cooperativos e não podem ser classificadas, na sua totalidade, como receitas tributáveis; · Apenas o rendimento líquido auferido nas aplicações financeiras pode ser tributado, e não a receita financeira total. Requereu: seja determinada diligência para sanar a irregularidade na ação fiscal representada por vício formal, passível de nulidade, caracterizado pela omissão na análise dos demonstrativos contábeis e fiscais da impugnante; alternativamente, a nulidade do lançamento por vicio irreparável ou a declaração de sua improcedência. (...) A DRF/Ribeirão Preto, enfrentando as questões suscitadas pela contribuinte, julgou a impugnação improcedente e de oficio exonerou, em parte, o crédito tributário objeto dos autos, mediante redução da multa de ofício de 75% para 50% (aplicação do princípio da retroatividade benigna em face da edição de legislação superventiente ao auto de infração ter abrandado a penalidade), cuja ementa do acórdão transcrevo (fl. 644), in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Comprovada a falta de recolhimento do IRPJ, com base em estimativa, correta a exigência de multa isolada. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. O encaminhamento de usuários da cooperativa a terceiros não associados, mesmo que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato não cooperativo. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MEDICOS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. CONTABILIZAÇÃO EM SEPARADO. TRIBUTAÇÃO. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 783 11 Não discriminadas na contabilidade as parcelas da receita relativas a serviços de terceiros (não cooperados) e a serviços de cooperados, terseá como integralmente tributado o resultado da sociedade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Impõese a redução de 75% para 50% do percentual da multa em face de legislação superveniente ao fato gerador, por força do principio da retroatividade benigna. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 IMPUGNAÇÃO. ONUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte (...) Ciente desse decisum em 21/12/2011 (fl. 658), a contribuinte, irresignada na parte que restou vencida, apresentou Recurso Voluntário em 19/01/2012 (fls. 660/688), juntando ainda os documentos de fls. 689/768, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) Preliminarmente, suscitou: a) nulidade do lançamento fiscal: que o auto de infração, em suma, tem como fundamento a suposta ausência de identificação na escrituração contábil da segregação das receitas e dos resultados cooperativos e não cooperativos; que, diversamente do entendimento da fiscalização, tal segregação encontrase suficientemente demonstrada nos autos; que o lançamento tributário é nulo por evidente violação ao direito de defesa; que a mera negativa do fisco de que a contribuinte não segregou as operações de atos não cooperativos em sua escrituração, quando a prova constituída revela justamente o contrário, por si só já é suficiente para revelar a falta de clareza necessária à liquidez e certeza do crédito constituído, desrespeito ao contraditório e sendo flagrante arbitrariedade da Administração Tributária em considerar como prova somente aquilo que atende aos seus exclusivos interesses e não aos preceitos da legislação de regência. b) nulidade da decisão recorrida que rejeitou a realização de diligência fiscal violação ao contraditório e à ampla defesa: que a rejeição do pedido de diligência fiscal para apuração, identificação, verificação, determinação, de atos cooperados e não cooperados configura violação dos citados Fl. 783DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 784 12 princípios insculpidos na Constituição Federal, tendo em vista a inequívoca demonstração da segregação desses atos não cooperados em sua escrituração; que se dúvida existe, em relação à forma de escrituração ou sua legitimidade no tocante aos critérios utilizados à segregação dessas receitas e resultados em atos não cooperativos, cabia à autoridade administrativa fazêlo e identificalo, permitindo à contribuinte, a partir daí, o direito ao contraditório. que não há como prosperar o lançamento tendo como fundamento a ausência de identificação na escrituração da contribuinte da segregação dos resultados cooperativos e não cooperativos, uma vez que tal segregação encontrase suficientemente demonstrada; que, se a autoridade administrativa entende que aquilo que a contribuinte classifica como ato cooperativo não o é, a exemplo das operações de plano de saúde, deveria identificar quais são esses atos, em face do artigo 142 do CTN e recompor a base de cálculo do tributo, uma vez que possuía condições de assim fazêlo, em vista da escrituração contábil/fiscal e a segregação de contas adotadas pelo contribuinte; que, ao não fazêlo, a autoridade expõe o caráter precário do seu trabalho e sua inocuidade para fins de determinação do crédito tributário. 2) No mérito: que é insubsistente o auto de infração: a) que, conforme seu Estatuto Social, é sociedade cooperativa de trabalho médico, tendo como objeto social, nos termos da Lei n° 5.764/71, a prestação de serviços aos seus associados, que se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de sua atividade econômica, sem objetivo de lucro; b) que foi surpreendida, ao final do exercício de 2005, com a aplicação de multa isolada, por parte da autoridade administrativa, por não ter efetuado o recolhimento de valores, supostamente devidos e não pagos, a título do Imposto de Renda por estimativa mensal, com base na receita bruta e acréscimos e/ou balanço suspensão/redução. c) que a suposição do débito do imposto fundamentase na assertiva, à toda evidência equivocada, de que as receitas auferidas pela contribuinte na exploração de operação de plano de saúde não se classificam como decorrentes de atos cooperativos; d) que tal equívoco baseiase na absurda premissa de que as receitas de operação de plano de saúde somente poderiam sem consideradas receitas de atos cooperativos, caso os beneficiários, pagadores do plano de saúde, fossem seus próprios associados, ou seja, somente haveria ato cooperativo na operacionalização de planos de saúde, se o beneficiário do plano fosse também médico associado; e) que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, o que se apresenta nos autos é justamente o contrário, a contribuinte prova, cabalmente, a segregação de suas operações com cooperados e não cooperados, ou seja, atos cooperativos e não cooperados; f) que, nesse contexto, somente a título de reforçar os argumentos e provas já produzidas e juntadas nos presentes autos, anexa folha (cópia) da Parte A de seu LALUR – Registro dos Ajustes do Lucro Líquido do Exercício (fl. 689) e demonstrativo extracontábil identificando a segregação das receitas dos atos cooperativos e não cooperativos para fins tributários Balancete de dezembro/2003 referente anocalendário 2003 (fl. 690) e cópia de Balancete Analítico das contas contábeis do anoalendário 2003, findo em 31/12/2003, Fl. 784DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 785 13 demonstrando a segregação, na escrituração contábil, de atos cooperativos e não cooperativos (fls. 691/768); g) que a contribuinte, tendo em vista sua convicção em relação ao cumprimento de suas obrigações acessórias, notadamente a segregação em sua escrituração contábil de atos cooperativos e não cooperativos, requereu por cautela, e até mesmo por segurança do trabalho realizado pela Administração Tributária, que houvesse diligência a fim de apontar, identificar, quais os vícios, erros que, na interpretação da Administração Tributária, comprometeram sua escrituração, uma vez que a contundente ou evidente demonstração, em sua escrituração contábil de segregação de atos cooperativos e não cooperativos, revelava justamente o contrário; h) que, sem prejuízo do exposto, entendendo que a sociedade não segregava as receitas e adotando a premissa que as receitas de atos cooperativos seriam aquelas auferidas somente na relação estabelecida entre médicos associados, a Autoridade Fiscal concluiu, por absurdo, que a contribuinte não segregou em sua escrituração seus atos entre cooperativos e não cooperativos e, portanto, entendeu legítima, em razão disso, a recomposição do valor tibutável, ou seja, da base de cálculo, abarcando todas as receitas; i) que, em seu relatório fiscal, ao recompor a natureza das receitas auferidas e incluir os resultados que entendeu não se tratarem de atos cooperativos, a Autoridade Administrativa observou que a Sociedade não recolheu imposto estimativa mensal e, em razão disso, aplicou multa de ofício isolada, em razão do não recolhimento das antecipações mensais do imposto devidas pela sistemática de estimativas, antecipações mensais obrigatórias; j) que, diversamente do entendimento da fiscalização e da decisão recorrida, defende a tese de que as receitas derivadas da operacionalização de planos de saúde são receitas de atos cooperados, uma vez que tal operacionalização é realizada exclusivamente em atendimento dos cooperados e de suas atividades laborais; k) que nem toda a contratação de terceiros, como faz crer a autoridade administrativa, tratase de ato não cooperado. Para a realização dos serviços médicos por parte de seus cooperados é necessários uma séria de serviços necessários à gestão administrativa da cooperativa e, propriamente, à efetividade dos próprios atos médicos praticados por seus cooperados; que, a exemplo disso, os serviços de operação de plano de saúde, os serviços de transporte de pacientes, serviços hospitalares, de enfermagem e outros, são imprescindíveis à plena realização do ato médico e, por estarem subordinados e dependentes a este, são considerados também atos cooperados; que o ato cooperativo, por excelência, ao contrário da interpretação da r. decisão ora recorrida, tratase de ato auxiliar ao trabalho fomentado pela sociedade cooperativa. Ainda que o ato seja considerado atividadefim, ato fim, para a sociedade cooperativa, é ato meio para o seu associado, que o admite e o aceita ao exercício de sua atividade, como auxiliar na execução de seu labor; l) que o r. acórdão recorrido repete o mesmo erro do auto de infração ao adotar a premissa de que atos cooperativos seriam apenas aqueles praticados entre a cooperativa e seus associados, o que levaria a hipótese totalmente absurda de considerar, por exemplo, que uma cooperativa de taxistas somente praticaria atos cooperativos quando seus taxistas prestassem serviços uns aos outros; m) que não há como negar que os serviços de operacionalização de planos de saúde, os serviços de ambulância, serviços hospitalares, de terapia intensiva e outros, sejam Fl. 785DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 786 14 necessários ao atendimento do beneficiário de pacientes e que, ao mesmo tempo, também necessários, subordinados e dependentes ao atendimento médico cooperado e, por isso mesmo, necessariamente serviços cooperados; n) que, a propósito da segregação de receitas, especificamente falando, e da conclusão de que a ausência dessa segregação importa em inobservância da legislação de regência, há de se destacar que grande parte da totalidade das receitas da recorrente advém da operacionalização de plano de saúde; que, nesse contexto, no reconhecimento contábil dessas receitas não se faz possível segregar se tais receitas irão corresponder a custos ou despesas de serviços médicos prestados por médicos cooperados ou não. O que é possível fazer, a exemplo do que faz a recorrente, é segregar o resultado de atos cooperados e não cooperados com base na apropriação dos custos e despesas relacionados ao ato médico cooperado; que, logo, a prova pretendida pela autoridade administrativa, no sentido de segregar as receitas de atos cooperativos e não cooperativos e não seus resultados, como faz a recorrente, tratase de prova impossível a ser produzida; que, de outro lado, também claro o caráter confiscatório do ônus da prova determinado, ao contribuinte, em segregar como atos não cooperativos, em sua escrituração fiscal, aquilo que entende, de maneira diametralmente oposta, ser inequivocamente ato cooperativo; que, por conseguinte, se a prova requerida circunscrevese à materialidade da controvérsia, o direito propriamente dito, não há como produzir tal prova, sob pena de ofensa ao próprio direito de defesa da contribuinte; o) em defesa de sua tese, cita precedente jurisprudencial deste CARF: Acórdão n° 130100.219, Sessão de 05 de novembro de 2009 e precedentes do STJ (REsp. 215.311, Min. Eliana Calmon, 2a Turma, Data do Julgamento 10/10/2000, Data da Publicação: 11/12/2000 e REsp. 727.091/RJ Min. Eliana Calmon, 2a Turma, Data de Julgamento: 13/09/2005 DOU: 17/10/2005); p) que a recorrente a fim de prestar serviço a seus cooperados, em estrito respeito à legislação cooperativista, utilizase da operação de plano de saúde, ou seja, do oferecimento a usuários de garantia futura de prestação de serviços médicos a fim de viabilizar uma estrutura de seus serviços a esses usuários; q) que o ato de fornecimento de planos de saúde pela recorrente a terceiros não cooperados tratase de ato cooperativo tendo em vista que essa atividade visa ao auxilio da consecução da prestação de serviço que a sociedade cooperativa presta aos seus associados, qual seja, a intermediação e a captação de clientela para seus cooperados; que, apesar do Auto de Infração em epígrafe tratar unicamente de aplicação de multa isolada, conveniente se faz a análise da impossibilidade de tributação de supostos lucros obtidos pela sociedade cooperativa, pois o suposto "lucro" serviu de base para a aplicação dessa multa; que o fisco não pode descaracterizar a Sociedade Cooperativa para fins tributários, para tributar na forma do art. 183 do RIR/99, e simples afastamento da não incidência prevista no art. 182 desse mesmo diploma legal; que, nesse sentido, em defesa de sua tese, citou o Acórdão do CARF n° 10806.448 e, ainda, o Acórdão CSRF/0104.454, em 24/02/2003; r) que o auto de infração, pelo fato da exigência se fundar exclusivamente na descaracterização da cooperativa para fins fiscais, pela prática de atos não cooperativos, diversos dos previstos nos artigos 85, 86 e 88, da Lei n° 5.764/ 7 , não pode prosperar, pois, conforme se evidenciou, as “sobras” distribuídas a cooperados referemse ou são provenientes de atos legitimamente cooperativos; Fl. 786DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 787 15 s) que, por fim, o fisco alega que a recorrente auferiu receitas financeiras e entende que tais receitas decorrem de atos não cooperativos, razão pela qual devem ser contabilizadas, na sua totalidade, como receitas de atos não cooperativos e devem ser caracterizados como receitas tributáveis e, dessa forma, base para o cálculo da aplicação da multa isolada; que a Autoridade Fiscal, em total equívoco, lançou como receita tributada o total das receitas financeiras auferidas pela recorrente, e não somente o rendimento líquido das receitas provenientes das aplicações financeiras; que tais receitas financeiras são sobras oriundas de receitas de atos cooperativos e, desse modo, não podem ser classificados pela Autoridade Fiscal, na sua totalidade, como receitas tributáveis; que, para corroborar essa tese, citou o Acórdãos do CARF nº 10705.460, data da Sessão 08/12/1998 e o Acórdão: 10704905, Sessão 14/04/2008, Relatora: Maria do Carmo Soares Rodrigues de Carvalho. Por fim, com base nessas razões, pediu a declaração da nulidade do lançamento e/ou da decisão recorrida e, no mérito, a improcedência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 788 16 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, cuidase da exigência de crédito tributário por auto de infração do IRPJ – Multa Isolada, a título de multa isolada por falta de pagamento do IRPJ estimativa mensal apurado pelo fisco com base em balancetes mensais de suspensão/redução, de sociedade cooperativa de trabalho médico, quanto aos anoscalendário 2001, 2002 e 2003. Vale dizer, em procedimento fiscal realizado no âmbito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o fisco efetuou a recomposição ou reversão dos resultados não oferecidos à tributação pela contribuinte (sociedade cooperativa) dos anoscalendário 2001, 2002 e 2003, em face da falta de segregação, na escrituração contábil e fiscal, das receitas, dos custos/despesas e dos resultados do ato não cooperativo. Como dito, o lançamento fiscal, no caso, ficou restrito à exigência da multa isolada. A base de cálculo da multa isolada aplicada, e sua exigência via auto de infração do IRPJ – Multa Isolada, deuse sobre o IRPJ estimativa mensal que deixara de ser pago mensalmente. Vale dizer, a contribuinte apresentou à fiscalização os balancetes analíticos mensais (sobras e perdas) dos anoscalendário 2001, 2002 e 2004 (fls. 206, 213 e 218). A fiscalização, de ofício, efetuou a recomposição/reversão dos resultados não oferecidos à tributação desses balancetes analíticos mensais da contribuinte quanto aos anos calendário 2001, 2002 e 2003 (fls. 206, 213 e 218), conforme balancetes mensais de suspensão/redução elaborados pelo fisco de fls. 20/25 anexos ao Termo de Verificação Fiscal (fls. 09/17), o qual, juntamente com seus anexos, são partes integrantes do Auto de Infrado do IRPJ – Multa Isolada. A decisão a quo manteve, em parte, o lançamento fiscal, reduzindo o percentual da multa aplicada de 75% para 50% para os anoscalendário 2001, 2002 e 2003, pela aplicação do princípio da retroatividade benigna em matéria de penalidade, pela existência de lei superveniente ao auto de infração mais favorável à recorrente, em termos de cominação de penalidade pecuniária foi infração administrativatributária. Nas razões do recurso, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, na parte que restou vencida, suscitando preliminares de nulidade da decisão recorrida e do lançamento fiscal e, no mérito, pediu a improcedência do auto de infração. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 789 17 LANÇAMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE AFASTADA. A contribuinte argumentou que o Auto de Infração do IRPJ –Multa Isolada, em suma, tem como fundamento a suposta ausência de identificação na escrituração contábil da segregação das receitas, custos e dos resultados em atos cooperativos e não cooperativos; que, diversamente do entendimento da fiscalização, tal segregação dos resultados encontrase suficientemente demonstrada na escrituração e nas suas manifestações nos presentes autos; que o lançamento tributário é nulo por evidente violação ao direito de defesa; que a mera negativa do fisco de que a contribuinte não segregou as operações de atos cooperativos e não cooperativos em sua escrituração, quando a prova constituída revela justamente o contrário, por si só já é suficiente para revelar a falta de clareza necessária à liquidez e certeza do crédito tributário constituído, configurando desrespeito ao contraditório e flagrante arbitrariedade da Administração Tributária em considerar como prova somente aquilo que atende aos seus exclusivos interesses e não aos preceitos da legislação de regência. A preliminar suscitada deve ser refutada peremptoriamente. Ora, a apreciação de elementos de prova que sustentam ou não a infração imputada, ou seja, se a recorrente efetuou, ou não, a segregação dos resultados decorrentes de ato cooperativo e não cooperativo na escrituração contábil/fiscal na forma da legislação de regência, não é matéria a ser tratada ou enfrentada em sede de preliminar, por ser matéria de mérito. Assim, a questão probatória, se a infração imputada pelo fisco está, ou não, comprovada nos autos, é questão a ser enfrentada quando da análise do mérito da própria lide, oportunamente. É cediço que as provas do direito constitutivo do fisco (fato gerador), quando ausentes ou insuficientes para manutenção da infração imputada não possuem o condão de nulificar o lançamento fiscal, mas tãosomente afastar, no mérito, a exigência tributária. Por outro lado, em sede de preliminar é momento próprio, específico, para enfrentamento ou análise de questões atinentes a vícios formais do auto de infração, por afronta eventual dos arts. 10, III e IV e 59 do Decreto nº 70.275/72 e do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN; No caso, no lançamento fiscal objeto destes autos não se vislumbra vício algum dessa natureza, pois foi efetuado por agente competente e a infração imputada está devidamente descrita, narrada, de forma objetiva e clara, com respectiva fundamentação legal, com demonstrativos anexos da matéria tributável e ainda com todos os elementos do fato gerador devidamente identificados e caracterizados, permitindo pleno conhecimento e entendimento da infração imputada, não restando caracterizado prejuízo algum à defesa. Sendo, por conseguinte, totalmente infundada a alegação de cerceamento do direito de defesa. Ainda, a recorrente, na instância a quo, exercitou nos autos e persiste, nesta instância de julgamento, exercitando, plenamente, o contraditório e a ampla defesa, inexistindo, por conseguinte, o alegado cerceamento do direito de defesa. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 790 18 Diversamente do alegado pela recorrente, o cerceamento do direito de defesa na peça de acusação fiscal somente estaria configurado se houvesse ausência de descrição dos fatos e de enquadramento legal, que não é o caso, como frisado anteriormente. Os precedentes de jurisprundência deste CARF, também, são no sentido da inexistência de vício de nulidade do auto de infração quando, além de lavrado por agente competente, ele contém descrição detalhada dos fatos com relação à infração imputada e respectivo enquadramento legal, e demonstrativos da matéria tributável. Nesse sentido, trancrevo ementas de decisões, precedentes deste CARF, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). Fl. 790DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 791 19 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Ainda, na mesma linha de raciocínio, é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Como demonstrado, não restou configurado, nem caracterizado, o alegado prejuízo à defesa ou cerceamento de defesa, em relação à infração imputada no auto de infração do IRPJ – Multa Isolada, justamente pela inocorrência dos alegados vícios no lançamento fiscal. Portanto, inexistindo vício formal algum no auto de infração, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. DECISÃO A QUO. REJEIÇÃO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. A recorrente alegou que deveria ser decretada a nulidade da decisão recorrida por cereceamento do direito de defesa, pois rejeitara o pedido de realização de diligência fiscal para verificar a escrituração contábil, onde estariam segregados os resultados decorrentes de atos cooperativos e não cooperativos e assim permitir ou possibilitar, nos autos do processo, a ampla defesa e o contraditório. Rejeito, de plano, a preliminar suscitada. Não há vício algum na decisão recorrida que indeferiu o pedido de realização de diligência fiscal, pois a decisão a quo, após enfrentar, no mérito, a infração imputada pelo fisco, sopesando os elementos de prova já constantes dos autos, concluiu, fundamentadamente, pela prescindibilidade de tal meio de prova ou produção de prova para a resolução da lide (fls. 651/653), in verbis: (...) Nesse particular, cabe esclarecer que a exação recorrida não implicou descaracterização da sociedade como cooperativa. Tratase tão somente de imputação da perda do direito de beneficiarse do regime fiscal favorecido próprio das Fl. 791DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 792 20 cooperativas, cujos efeitos, a priori, ficam restritos à esfera tributária. Notese, ademais, que, pelo fato de os clientes pagarem mensalidades relativas aos planos de saúde, os valores das receitas referemse, indistintamente, aos serviços a eles prestados por associados ou por terceiros, contratados pela cooperativa. O preço cobrado dos clientes tem de ser estimado para cobrir também os custos representados pelo valor cobrado pelos prestadores de serviços. Há, portanto, mercancia de serviço, pela contratação de serviço de terceiro para cumprimento de contrato com cliente. Podese afirmar, então, que a receita das mensalidades pagas pelos usuários de planos de saúde se destina, em parte, a cobrir os Custos/despesas diretas ou indireta.s dos serviços prestados pelos cooperados (atos cooperativos), e em parte, a cobrir os custos dos serviços prestados por terceiros não associados (atos não cooperativos). Nesse sentido, a fruição do mencionado beneficio fiscal de não incidência de IRPJ tem como pressuposto essencial a segregação contábil das receitas e despesas, e do resultado correspondente aos atos cooperativos e não cooperativos, a teor do disposto no árt. 87 da Lei n° 5.764, de 1971. Nessa hipotese, porém, incumbiria à sociedade cooperativa a competente escrituração de suas contas, de modo a possibilitar a perfeita identificação daquilo que decorre de atos cooperativos ou não. Entretanto, do que se depreende dos documentos acostados aos autos, a contribuinte deixou de atender a exigência legal de contabilização em separado das receitas, despesas e resultados relativos aos atos não cooperativos. Embora haja, como afirma ela, separação de contas em atos cooperados e não cooperados, o fato é que, dentro das receitas dos atos classificados como cooperados existem receitas de atos não cooperados, cuja segregação não é possível de ser feita, em função do que foi dito anteriormente. Por exemplo, no próprio balancete trazido pela impugnante (fl. 468/545), há discriminação, dentro de "Atos Cooperativos — Matriz" de ingressos de contratos coletivos, que, como visto, englobam mensalidades pagas pelos usuário dos planos de saúde para uso, indiscriminado, tanto de atos cooperativos, quanto de não cooperativos. A respeito do tema, cabe menção ao entendimento adotado no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes: COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO ATOS COOPERADOS E ATOS AUXILIARES — SEGREGAÇÃO NECESSÁRIA. AUSÊNCIA DE PROVA EM CONTRÁRIO SOBRE O CORRETO PROCEDIMENTO FISCAL DE CONSIDERAÇÃO DE TODA A RECEITA COMO TRIBUTÁVEL. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 793 21 Uma vez pacificado o entendimento que, tanto na lei do cooperativismo, como na legislação tributária de regência que somente estão ao abrigo da nãoincidência tribritária os atos cooperados, sendo que os demais como nãocooperados, ou auxiliares, são passíveis de tributação, cabe ao contribuinte, para beneficiarse do beneficio legal, segregar suas receitas pertinentes, custos e despesas respectivas. Caso não se incumba, ou não tenha interesse nesse sentido, legitima a Fazenda Nacional imputar como receita tributável toda a movimentação apurada em verificações na sua contabilidade e escrituração fiscal. Não se pode impor a Fazenda Nacional o dever do próprio sujeito passivo de produzir prova a seu favor, salvo o claro interesse do mesmo na inércia por declarado posicionamento jurídico divergente, sem força obrigatória contrária à constituição do crédito tributário como lançado. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão n° 10809593, de 14/04/2008; Recurso n.° 149.888) COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. NÃO SEGREGAÇÃO DE CONTÁBIL DOS SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS POR TERCEIROS CONTRATADOS. INVERSÃO DO ONUS. CABIMENTO. A nãoinversão do ônus da prova requereria do Auditor Fiscal da Receita Federal um conhecimento notável do Sistema de Custo de uma Unidade Hospitalar —fato que implicaria prévio, amplo e minucioso domínio de todos os serviços e funções integrantes do ambiente hospitalar (cozinhas, refeitórios, lavanderias, salas de cirurgia, prontosocorros etc) para que se pudesse, a partir desse marco inicial, promoverse a segregação dos atos cooperativos dos não cooperativos, objetivandose chegar ao custo final do pacientedia ou ao custo por procedimento (atendimento clínico, cirúrgico etc.,) ou até mesmo por patologia. Exigirseia também apurar o número de consultas a que o beneficiário, incluindose os seus dependentes e agregados se submetera no período (incluindo as reembolsáveis ). Se assim procedesse haveria de, após, detectar a que receita oriunda dos associados corresponderia àquele custo (segundo a patologia ou o procedimento médico hospitalar materializado), para que se pudesse calcular segundo a destinação de cada rubrica , qual a porção proporcional desses recebimentos segundo a segregação de que aqui se cuida. Em face da complexidade que enfeixa tal levantamento, seria como determinar que nenhuma matéria tributária desse jaez fosse imposta pela nãoobservância dos princípios inspiradores do sistema. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. DECORRÊNCIA. COOPERATIVA MÉDICA. SERVIÇOS CONTRATADOS COM_TERCEIROS. RESULTADO A TEOR DE ATO COOPERATIVO. TRATAMENTO. NÃOSEGREGAÇÃO. EXIGÊNCIA SOBRE A RECEITA PLENA. PERTINÊNCIA. Ao entender de forma expressa que a contratação de terceiros implica atos cooperados, sem que haja na contabilidade a Fl. 793DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 794 22 segregação dos serviços prestados em ambiéncia própria, ainda que com o concurso dos profissionais cooperados, dos serviços prestados em ambiente físicotécnico de terceiros com ou sem a participação de cooperados não há como impor ao Fisco a reconstituição integral das demonstrações financeiras objetivando escoimar da rubrica única as verbas atinentes a uma e a outra classificação, segundo a sua essencialidade. (Acórdão n.° 10707914, de 26/01/2005; Recurso n° 139803) Assim, há que ser indeferido o pedido de diligência, porque os elementos constantes do processo são suficientes para formação de convicção do julgador. (...) Ainda cabe aduzir, em relação a fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, o ônus probatório é da recorrente, conforme dipõe o Codigo de Processo Civil Brasileiro Lei nº 5.869/1973 e alterações posteriores, in verbis: Art.333.O ônus da prova incumbe: I (...) II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) O momento da apresentação de elementos de prova pelo sujeito passivo contra o feito fiscal é quando da apresentação da impugnação sob pena de preclusão. A propósito, dispõem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I – (....) II – (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) Fl. 794DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 795 23 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) (...) (grifei) Deflui do exposto, que a diligência fiscal não se presta para produzir prova cujo ônus probatório é do sujeito passivo. No caso, ainda a diligência fiscal pleiteada é desnecessária, meramente protelatória, pois envolveria análise da escrituração contábil e fiscal da autuada já realizada devidamente pelo fisco quando do procedimento de fiscalização, cujos elementos de prova da infração imputada já constam dos autos, já foram juntados pela fiscalização (Decreto nº 70.235/72, art. 18). A propósito, nessa situação de prescindibilidade da diligência para resolução da lide, transcrevo precedentes jurisprudenciais deste Egrégio Conselho Administrativo que reafirmam tal entendimento, de forma pacífica, in verbis: NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR.. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. De conformidade com o artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatoria, com arrimo no § 2°, do artigo 38, da Lei n° 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. (Acórdão nº 20601.462, sessão de 09/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão nº 10249.407, sessão de 06/11/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A admissibilidade de diligência ou perícia, por não se constituir em direito do autuado, depende do livre convencimento da autoridade julgadora como meio de melhor apurar os fatos, Fl. 795DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 796 24 podendo como tal dispensar quando entender desnecessárias ao deslinde da questão. Ademais, temse como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. (Acordão nº 19300.018, sessão de 13/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.(Acórdão nº 10515.978, sessão de 20/07/2006). DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o mesmo poderia trazêlas aos autos, se de fato existissem.(Acórdão nº 10248.141, de 25/01/2007). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido pedido de diligencia quando prescindível, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. (Acórdão nº 20180.294, sessão de 23/05/2007). PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, apenas circunscrita à matéria contábil e aos argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador.(Acórdão nº 10222.937, sessão de 28/03/2007). PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. (Acórdão CARF nº 2202.000.747, Sessão de 20/09/2010). PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA — A diligência ou perícia não é meio próprio para comprovação de fato que possa ser feita mediante a mera apresentação ou juntada de documentos, cuja guarda e conservação compete à contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados. Tendo a decisão devidamente apreciado o pedido formulado, motivadamente, sendo considerada prescindível, incabível a argüição de nulidade da decisão proferida.(Acordão CC nº 10708.709, Sessão de 17/08/2006). Fl. 796DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 797 25 DILIGÊNCIA.. INDEFERIMENTO. Descabe qualquer pedido de diligência estando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção, não podendo este servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de trazer aos autos.(Acórdão CC nº 10617.219, Sessão de 18/12/2008). PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA. DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia técnica para obter informações que, por integrarem a escrituração, poderiam ter sido apresentadas por iniciativa do sujeito passivo demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido.A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada os requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento. Somente haverá perícia, portanto, quando o exame do fato probando depender de conhecimentos técnicos ou especiais e essa prova, ainda, tiver utilidade, diante dos elementos disponíveis para exame.(Acórdão CARF nº 1802000.661, Sessão de 03/11/2010). No caso, caberia, simplesmente a recorrente trazer os elementos de prova documentais para dar suporte às suas alegações, porém não o fez. Nesse sentido, inclusive foi intimada durante o procedimento de fiscalização a efetuar a segregação das receitas, custos, despesas e dos resultados entre ato nãocooperativo e cooperativo conforme transcrição já feita no relatório, porém ela não se desencumbiuse desse ônus probatório. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar suscitada pela inexistência do alegado vício que pudesse macular de nulidade a decisão recorrida. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. COMERCIALIZAÇÃO, EM NOME PRÓPRIO, DE PLANOS DE SAÚDE – SEGURO SAÚDE – PARA TERCEIROS NÃO COOPERADOS. NATUREZA MERCANTIL DA ATIVIDADE. Conforme já transcrito no relatório, consta do auto de infração e do termo de verificação fiscal que a autoridade fiscal aplicou penalidade (Multa Isolada) por falta de antecipação de pagamento do IRPJ estimativa mensal quanto aos anoscalendário 2001, 2002 e 2003, pois a recorrente, embora tendo praticado atos não cooperativos em grande escala nesses anos, não segregou as respectivas receitas, custos, despesas e resultados em ato não cooperativo, afastando ou subtraindo, indevidamente, da tributação tais receitas atinentes aos atos não cooperativos, como se fossem atos cooperativos. A comercialização pela recorrente de Planos de Saúde a terceiros não cooperados (Seguro Saúde), nesses anoscalendário, é matéria incontroversa nos autos. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 798 26 A própria recorrente, nas razões do recurso, reconheceu, expressamente, que a grande maioria das receitas totais auferidas, em cada um desses anoscalendário, decorreu da venda, comercialização, de Planos de Saúde para terceiros não cooperativados, e que não efetuou na escrituração a segregação das receitas por ato não cooperativo, mas apenas os resultados. A propósito, transcrevo excerto do recurso da recorrente, onde nas razões a recorrente expressamente reconheceu que as receitas de comercialização de plano de saúde constituíram a maior parte das receitas faturadas, auferidas, em cada um desses anoscalendário objeto da autuação e cujas receitas não foram segregadas em ato não cooperativo, mas apenas os resultados (fl. 671), in verbis: (...) Daí que os atos realizados pela sociedade cooperativa com a finalidade de fomentar o exercício da atividade laboral de seus cooperados são inequivocamente atos cooperativos, a exemplo das operações de plano de saúde, serviços hospitalares, meio ao atendimento médico e outros. A propósito da segregação de receitas, especificamente falando, e da conclusão de que a ausência dessa segregação importa em inobservância da legislação e regência, há de se destacar que grande parte da totalidade das receitas da Recorrente advém da operacionalização de plano de saúde. Nesse contexto, no reconhecimento contábil dessas receitas não se faz possível segregar se tais receitas irão corresponder a custos ou despesas de serviços médicos prestados por médicos cooperados. O que é possível fazer, a exemplo do que faz a Recorrente, é segregar o resultado de atos cooperados e não cooperados com base na apropriação dos custos e despesas relacionados ao ato médico cooperado. Logo, a prova pretendida pela autoridade administrativa, no sentido de segregar a receitas de atos cooperativos e não cooperativos e não seus resultados, como faz a Recorrente, tratase de prova impossível a ser produzida. De outro lado, também claro o caráter confiscatório do ônus da prova determinado ao contribuinte, em segregar como atos não cooperativos, em sua escrituração fiscal, aquilo que entende de maneira diametralmente oposta, ser inequivocamente ato cooperativo. Logo, se a prova requerida circunscrevese a materialidade da controvérsia, o direito propriamente dito, não há como produzir tal prova, sob pena de ofensa ao próprio direito de defesa do contribuinte. Tal exigência importa na presunção de que, havendo inequívoca e absoluta razão à Fazenda, a qual não se discute, ou o contribuinte confessa e admite seu débito, ou ele será determinado, de igual modo, pela negativa dessa admissão. (...) Fl. 798DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 799 27 (grifei) Como demonstrado, a recorrente admitiu, expressamente, nas razões do recurso que a grande maioria de suas receitas nos anoscalendário 2001, 2002 e 2003, decorreram da comercialização de Planos de Saúde (seguro saúde) para terceiros não cooperados e que não efetuou a segregação de receitas para ato não cooperativo, e os documentos contábeis juntados aos autos pelo fisco são, também, nesse sentido. Ainda, diversamente do entendimento do fisco, a recorrente frisou que, além da dificuldade operacional, não oferecera à tributação as receitas de comercialização de Planos de Saúde (seguro saúde) a terceiros não cooperados (não segregando as receitas como ato não cooperativo), por considerar tais ingressos como decorrentes de “ato auxiliar”, que também seria abarcado pelo ato cooperativo. Por conseguinte, os resultados mensais oferecidos à tributação, a título de ato não coooperativo nesses anoscalendário, foram ínfimos, irrisórios, ou seja, eles não têm proporcionalidade alguma com as receitas auferidas com a comercialização de Planos de Saúde para terceiros não cooperados. A propósito, compulsando os balancetes ou demonstrativos analíticos mensais da escrituração contábil (Relatórios Consolidados) da recorrente dos anoscalendário 2001, 2002 e 2003, observase que ela excluiu da tributação, na média, 93% da receita bruta do campo de incidência tributária a título de ato cooperativo (incluíndo o “ato auxiliar”), atribuindo, como resultado de ato não cooperativo em torno de 7% da receita bruta operacional, nos períodos objeto do auto de infração (fls. 206, 213 e 218). Nesse sentido, transcrevo o demonstrativo a seguir, elaborado a partir dos Balancetes mensais (Relatórios Consolidados), já citados: Anocalendário Ingresso Oper. Bruto –Ato Cooperativo (R$) Ingresso Oper. Bruto Ato Auxiliar (R$) Ingresso Oper. Bruto Ato NãoCoop. (R$) Receita Bruta Operacional Total (R$) 2001 47.038.922,12 31.958.312,43 341.416,87 79.338.651,42 2002 80.649.004,00 5.382.096,00 86.031.099,00 2003 88.078.421,00 14.308.136,00 102.386.557,00 Obs: Quanto ao anocalendário 2001, embora a recorrente tenha segregado os ingressos a título de “ato auxiliar”, porém, ao final, classificou tais ingressos como sendo, também, ato cooperativo, excluindo tais ingressos indevidamente da tributação, pois as receitas de “ato auxiliar”, como será demonstrado adiante, não caracterizam ato cooperativo, mas sim ato não cooperativo. Nas razões do recurso, como já mencionado a recorrente frisou que, em relação aos ingressos de receitas decorrentes da comercialização de Planos de Saúde para terceiros não cooperados, não fez segregação de receitas de ato não cooperativo, mas informou, também, que fez segregação parcial dos resultados relacionados com Plano de Sáude. A propósito, transcrevo excerto do recurso da recorrente, onde consta externado pela recorrente a sua interpretação sui generis do que entende ser ato cooperativo em relação aos ingressos decorrentes da comercialização de planos de saúde para terceiros não cooperados (fls.667/668), in verbis: (...) Fl. 799DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 800 28 2.2. Do Alcance do Chamado Ato Cooperativo (...) ao contrário do que parece concluir a decisão recorrida às fls. 554, a Contribuinte não entende de forma divergente da autoridade administrativa ao concluir que o atendimento prestado por terceiros, médicos não cooperados, fisioterapeutas, dentistas, e outros profissionais não cooperados, aos beneficiários do plano de saúde da sociedade cooperativa, são atos não cooperados. (...) Ocorre, que nem toda a contratação de terceiros, como faz crer a autoridade administrativa, tratase de ato não cooperado. Para a realização dos serviços médicos por parte de seus cooperados é necessários uma séria de serviços necessários à gestão administrativa da cooperativa e, propriamente, à efetividade dos próprios atos médicos praticados por seus cooperados. Tais serviços prestamse a tornar eficiente o ato médico cooperado e a ele são necessariamente vinculados e dependentes. A exemplo disso, os serviços de operação de plano de saúde, os serviços de transporte de pacientes, serviços hospitalares, de enfermagem e outros, são imprescindíveis à plena realização do ato médico e, por estarem subordinados e dependentes a este, são considerados também atos cooperados, pouco importando, como bem ressalvado no acórdão recorrido, sua classificação como "atos cooperativos auxiliares". O ato cooperativo por excelência, ao contrário da interpretação da r. decisão ora recorrida, tratase de ato auxiliar ao trabalho fomentado pela sociedade cooperativa. Ainda que o ato seja considerado atividade fim, ato fim, para a sociedade cooperativa, é ato meio para o seu associado, que o admite e o aceita ao exercício de sua atividade, como auxiliar a execução de seu labor. Nesse contexto, a exemplo da digressão apresentada no acórdão ora recorrido, não há dúvida de que a contratação de um plano de saúde realizada por determinado beneficiário sempre contempla uma diversidade de serviços vinculados à saúde, que nem sempre se identificam com os serviços médicos dos seus associados. Os próprios serviços de operacionalização de planos de saúde não se confundem com serviços médicos, são nitidamente serviços auxiliares ao ato médico. Tais serviços atendem aos interesses de seus clientes, na qualidade de beneficiários do plano de saúde adquirido e, de outro lado, a própria cooperativa e aos seus associados, à medida que fomenta a atividade laboral de seus associados e, justamente por isso, por atender ao fomento dessa atividade, se classificam como atos cooperativos. Alega a Autoridade Fiscal no r. Acórdão, em consonância com a orientação e o relatório fiscal da constituição da exigência, que Fl. 800DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 801 29 as receitas auferidas na exploração de planos de saúde teriam sido indevidamente classificadas e englobadas pela Contribuinte, sob o título de "ATO COOPERATIVOS". (...) tal alegação fundamentase na despropositada e absurda presunção de que a extensão do chamado ato cooperativo se restringe à relação direta estabelecida entre cooperativa e cooperado ou cooperado entre si. De modo que, a premissa adotada pela autoridade administrativa e que foi confirmada pelo acórdão ora recorrido é de que não há ato cooperativo em uma cooperativa de trabalho médico, senão no atendimento de um médico associado a outro, ou, na hipótese desta atividade ser fomentada através de um plano de saúde, que o beneficiário do plano de saúde seja, necessariamente, médico associado à cooperativa. O acórdão recorrido repete o mesmo erro do auto de infração ao adotar a premissa de que atos cooperativos seriam apenas aqueles praticados entre a cooperativa e seus associados, o que levaria a hipótese, totalmente absurda, de considerar, por exemplo, que uma cooperativa de taxistas somente praticaria atos cooperativos quando seus taxistas prestassem serviços uns aos outros. (...) (grifei) Como visto, a pretensão da recorrente é de alargar, distorcer, o conceito de ato cooperativo, entendendo ou defendendo a tese de que o denominado “ato auxiliar”, também, seria ato cooperativo. Tratase de pretensão descabida da recorrente, ou seja, sem sustentação na legislação de regência (Lei nº 5.764/71) e sem sustentação na legislação tributária, e também não merecendo guarida em sede doutrinária bem com na jurisprudência administrativa deste CARF e dos tribunais deste País. Em sede doutrinária, as Unimed, espalhadas pelo Brasil, sequer seriam cooperativas, mas sim sociedades empresárias em relação à comercialização, em escala comercial, de Planos de Saúde (SeguroSaúde) para terceiros não cooperados. Nesse sentido, transcrevo o entendimento do doutrinador Cláudio Juvenal Wolf, in Enfoque da Teoria da Empresa, texto jurídico publicado no site http://jus.com.br/revista/texto/7373, Publicado em 10/2005, que aborda, com precisão, o modus operandi das UNIMED em todo o País, in verbis: (...) registrase inclusive alguma dissidência doutrinária que põe em dúvida uma identidade própria da cooperativa e efetiva existência de um direito cooperativo (autônomo). Apesar disso, sobressaem peculiaridades próprias, prevalecendo: a) que o negócio posto sob o regime cooperativo seja exclusivamente dos sócios (Lei nº 5.764/71, art. 3º); Fl. 801DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 802 30 b) que a cooperativa apenas se identifique por sua atuação como mandatária negocial dos sócios (Lei nº 5.764/71, arts. 4º e 7º ); c) que a relação negocial seja restrita entre os sócios e sua cooperativa – ou desta com outra cooperativa (Lei nº 5.764/71, art. 79); d) que seja vedada a operação de mercado, ou a compra e venda de produto ou mercadoria, porque caracterizam atividade empresária (Lei nº 5.764/71, art. 79, parág. Único). O negócio é dos cooperados, cabendolhes executar pessoalmente o trabalho, até final, sem utilizar produto ou trabalho de outrem, ainda que em parte somente, pois é vedada a participação de quaisquer terceiros, e a cooperativa apenas exercerá a gerência comercial na tradução do interesse direto daqueles como se eles próprios estivessem realizando todas as ações, inclusive mercadológicas, o que consubstancia ação substitutiva da ação que seria dos cooperados e assinala a diferencia relativamente a outras sociedades possuidoras de um interesse próprio. O ato cooperativo configurase fundamentalmente pelo modo como é exercitada a atividade econômica, independente do objeto posto sob o regime peculiar. Ditaticamente: o cooperado entrega o seu produto/serviço para a cooperativa ir buscar o mercado consumidor, nele barganhando – como usual em todo negócio – nos preços, vantagens, e outras estipulações em benefício dos cooperados, que, supõese, eles não conseguiriam em negociação individual. Desta forma, podem os cooperados absorver os proveitos que terceiros, se inseridos, obteriam para si. Em doutrina, está fora de qualquer dúvida – e ainda à vista das disposições da Lei nº 5.764/71, que institui o regime jurídico das sociedades cooperativas – que os cooperados devem dispensar a participação de quaisquer terceiros e que a personalidade jurídica da cooperativa constitui apenas a imagem externa da união interna, figurando, essencialmente, como preposta dos cooperados, para atuar como mediadora no mercado, única e exclusivamente em proveito destes. Vêm daí as diversas modalidades jurídicas oferecidas em doutrina para explicar a função de uma cooperativa:mandato, representação, assessoria, substituição, mediação, preposição, comissão mercantil, etc. Importa destacar que a sociedade cooperativa, nos termos dos artigos 3º e 4º da Lei nº 5.764/71, entrou no contexto do direito societário na vigência do CCB/1916 como sociedade civil (art. 16, I), hoje denominada sociedade simples, regida, subsidiariamente, pelas disposições desta (Cód. Civ./2002, arts. 997 a 1.038 e 1.096). Em que pese isto,mutatis mutandis, os requisitos para sua constituição continuam os mesmos e, frente ao disposto no artigo 5º da Lei nº 5.764/71, não existe distinção entre atos civis e comerciais, porque não é a natureza do objeto Fl. 802DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 803 31 o caráter diferencial, conforme já referido,mas sim o modo como é exercida a atividade econômica, o que, hoje, vale para atividade econômica (Cód. Civ. arts. 966, 967, 982, 2037). Em cooperativa de prestação de serviços, como a Unimed, a peculiaridade sui generis consiste: a) em ser a atividade exercida por todos os membros, dentro de sua qualificação profissional; b) em ser prestado o serviço in totum e exclusivamente pelos cooperados; c) em dever a cooperativa atuar exclusivamente como agente comercial dos cooperados; d) em não ser a atividade desenvolvida como sociedade empresária. Este tema foi enfocado, genericamente, também pela ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB, na internet, em agosto de 2005, no artigo intitulado ''Critérios para Identificação de Cooperativas de Trabalho – proposta da OCB'', propugnando pela devida identificação de uma cooperativa, da seguinte maneira, a saber: a) a sociedade cooperativa deve ter caráter auxiliar; b) deve possuir identidade de vontades com a coletividade dos cooperados; c) os atos e negócios devem ser praticados no âmbito dos objetivos sociais afinados com o artigo 3º da lei cooperativista; d) o cooperado deve ser proprietário, ser usuário e ser fornecedor da "matéria/produto/serviço" de sua propriedade entregue ou posta à disposição, por ele, na cooperativa. Isso exclui, portanto, qualquer forma de atuação diferente ou adoção de qualquer objeto econômico outro que não seja o da categoria que se cooperativou, ainda que afim, conexo ou correlato. Por isso, tanto se enfatiza que os cooperados são os donos do negócio para sua exclusiva utilidade, em que pese ostensivamente apresentado em nome da cooperativa, sendo que esta ponte direta com o mercado identifica a função auxiliar da cooperativa no intuito de fazer desaparecer a colaboração, participação ou intervenção de terceiros a qualquer título. (...) Releva, então, apontar as diferenças entre uma sociedade simples ou empresária de prestação de serviços e uma sociedade cooperativa do mesmo setor: a) A proprietária do negócio e fornecedora dos serviços é a sociedade, ao passo que a cooperativa não é a proprietária nem a fornecedora (e sim os cooperados); Fl. 803DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 804 32 b) A prestadora não destina seus serviços aos sócios; porém, a cooperativa deve servir unicamente aos cooperados, porque os clientes daquela são os consumidores, que numa cooperativa são clientes dos cooperados; c) A prestadora de serviços pode socorrerse de outros profissionais para cumprir seus compromissos, já na cooperativa é defeso utilizar a cooperação de terceiros; d) A prestadora de serviços destina os lucros, quando os obtém, aos sócios; mas a cooperativa não pode obter lucros, mas somente a remuneração do serviço prestado pelos cooperados; e) A prestadora de serviços é profissional, é sujeito de direitos; a cooperativa não é a titular dos direitos nem das obrigações, pois eles resultam da atividade dos cooperados; f) A prestadora de serviços tem uma estrutura própria de fatores produtivos, enquanto na cooperativa os fatores produtivos, quando existem, são dos cooperados; g) A prestadora de serviços tem com os sócios uma relação de natureza societária somente, de quem exige apenas o cumprimento das obrigações daí decorrentes, enquanto na cooperativa é exigida atividade operacional de todos os sócios. Neste ponto cabe indagar: o que é a Unimed ? Cooperativa ou empresária ? Ab initio, o Portal Aliança Cooperativista Nacional Unimed (Unimed 01/09/2005 Fonte: Portal N/NE.... www.aliancaunimed.com.br ) estabelece a concepção de que: ''A cooperativa é uma associação autônoma de pessoas que se unem, voluntariamente, para satisfazer aspirações econômicas, sociais e culturais comuns, por meio da criação de uma sociedade democrática e coletiva. As empresas cooperativas baseiamse em valores de ajuda mútua, solidariedade, democracia e participação. Tradicionalmente, os cooperantes acreditam nos valores éticos de honestidade, responsabilidade social e preocupação pelo seu semelhante''. Este enunciado, em ser do Portal Unimed, nada define sobre a atividade da Unimed, mas reconhecea como empresa, o que concorre a conclusões. Do mesmo modo, o estatuto de quase todas as singulares também omite definir o objeto em função de uma cooperativa de trabalho médico. Na maioria dos casos, o objetivo declarado consiste na congregação dos integrantes da profissão médica para a sua defesa econômicosocial, proporcionarlhes condições para o exercício de sus atividades no mercado de trabalho e aprimorar a assistência médicohospitalar. Não raro, a dissimulação é mais marcante: assegurar a satisfação dos clientes, oferecendo produtos e serviços que atendam às suas necessidades, proporcionando trabalho médico qualificado, através da vivência cooperativista remunerando de forma justa os Fl. 804DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 805 33 cooperados,colaboradores e parceiros, em busca do pleno desenvolvimento... Só mesmo excepcionalmente encontrase referência, mesmo assim genérica, à ''promoção'' de contratos de serviços assistenciais e médicos, com realce à busca de atendimento com qualidade, respeitando o princípio da livre escolha pelo usuário e garantindo ao médico a valorização do seu trabalho. Ou então, que a Unimed é uma cooperativa de trabalho médico fundada e dirigida por médicos, com a finalidade de oferecer assistência médica,serviços complementares e hospitalares. O esforço em dissimular o que efetivamente é feito já, por si só, acena para o desvio de função. Na medida em todas as singulares se definem cooperativas de trabalho médico, o seu objeto deveria ser a prestação de serviços médicos, declarado sem subterfúgios, inclusive, porque filiam apenas profissionais médicos, não sendo compreensíveis enunciados tão evasivos, que conduzem à suspeita de que existe o que ocultar. Somente nos folhetos de venda e informes publicitários, se consegue saber o verdadeiro objeto: Toda cooperativa Unimed: 1) comercializa Planos de Assistência à Saúde, em cujo contexto entra grande número de serviços fora da habilitação profissional do médico (...) e 2) muitas singulares comercializam Cartões de Descontos, pelo qual proporcionam descontos em serviços de saúde, serviço de ambulância, exames, empréstimo de equipamentos médicos, serviços odontológicos, até mesmo auxílio funeral, onde nada tem a ver com trabalho médico. Importa lembrar que o Plano de Assistência à Saúde está, há quase uma década, definido em lei como atividade peculiar, de todo diferente do trabalho profissional médico. Em que pese ainda não exista definição legal para o ato médico, como serviço profissional, foi conceituado pelo Conselho Federal de Medicina na Resolução nº 1.627/2002 e que deveria ser a atividadefim dentro da Unimed, a saber: '' Promoção da saúde e prevenção da ocorrência de enfermidades ou profilaxia (prevenção primária); prevenção da evolução das enfermidades ou execução de procedimentos diagnósticos ou terapêuticos (prevenção secundária); prevenção da invalidez ou reabilitação dos enfermos (prevenção terciária)'' Já o Plano de Assistência à Saúde é produto – não é serviço – porque constituído por um complexo de componentes de variada natureza, e está definido em lei, como: '' Prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, Fl. 805DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 806 34 integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor ''(Lei nº 9.656/98, art. 1º, I). De salientar: 1) preço, 2) prazo indeterminado, 3) ''garantia'' de atendimento, 4) livre escolha dos profissionais, 5) assistência médica, hospitalar e odontológica, 6) pagamento do prestador pela operadora (do plano de saúde) por conta e ordem do consumidor, ou reembolso (a este). Isto, decididamente, não ocorre em tema de prestação de trabalho médico na relação direta com o paciente. (...) Ora, uma vez definida como cooperativa de trabalho médico, a Unimed deveria ser fiel a este propósito, para escapar à incidência do artigo 966 do Código Civil. Dentro deste contexto, a Unimed pratica operação de mercado. Conforme já referido, o empresário se caracteriza pela prática profissional de atos de produção, circulação e consumo, o que envolve a interposição entre produtor/fornecedor e consumidor/usuário, e a teoria da empresa considera que qualquer empreendimento organizado economicamente para a produção ou circulação de bens ou serviços segue o regime de atuação empresarial. Já a atividade intelectual, por sua natureza, põe em evidência a pessoa do profissional, dotado de capacitação técnicocientífíca para prestar serviços em sua área de qualificação profissional, não constituindo qualquer óbice a utilização dos apropriados instrumentos de trabalho. Entretanto, há o engajamento necessário de terceiros fornecedores da maioria dos serviços e/ou ações que formam o Plano de Saúde, os quais assumem um papel de ''cooperação'' como se cooperados fossem. Porém, não o são, porque os cooperados, no caso da Unimed, não possuem habilitação profissional nem técnica para configurar in totum aquele produto. A par da intermediação mercantil aí existente, há, por extensão, violação do artigo 85 da Lei nº 5.764/71, que só permite adquirir produtos de não associados às cooperativas agropecuárias e de pesca, desde que fornecidos por agricultores, pecuaristas ou pescadores, faculdade esta, todavia, limitada a completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem, ou seja, excepcionalmente. Já as outras, diz o artigo 86 da mesma lei, somente poderão fornecer bens e serviços a não associados desde que:a) atendam aos objetivos sociais, b) estejam de conformidade com a presente lei. E, quanto às cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas Fl. 806DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 807 35 agrícolas mistas, o disposto neste artigo somente se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão normativo competente. Convém lembrar que, para cooperativas que operam Planos de Saúde, as regras são as da Lei nº 9.656/98 e as normas do Ministério da Saúde. Por oportuno, lembrase que a própria Lei nº 5764/71, em seu artigo 2º, previu a evolução legislativa, de molde a permitir que as atribuições do Governo Federal na coordenação e no estímulo às atividades de cooperativismo no território nacional possam ser exercidas na forma da Lei e das normas que surgirem em sua decorrência.. Não se veja aqui a vedação assinalada na CF/88 quanto à interferência estatal nas cooperativas, pois interferir no funcionamento é intrometerse na execução das atividades e/ou na gestão interna. Está, portanto, fora de qualquer dúvida ou divergência que a excepcionalidade permitida nos dispositivos supra não alcança serviços diretamente vinculados à atividade médica porque seria "terceirizar" a própria atividadefim. A Unimed poderia adquirir serviços de terceiros somente para uso dos próprios cooperados em sua profissão. Mas, no caso, o trabalho profissional dos cooperados é apenas um componente do produto comercializado e por isto é elemento de empresa quando deveria ser o eqüivalente à atividade profissional dos cooperados mas esta noção perdeu completamente o seu conteúdo do ponto de vista jurídico porque desapareceram os princípios especiais que regem tal atividade. Diferentemente, nas outras operadoras, os médicos são excepcionalmente sócios e raríssimas vezes contratados como trabalhadores especializados. Os médicos não prestam serviço a estas operadoras. Eles têm a disposição integral do produto do seu trabalho e isto destrói totalmente a obstinada alegação de que a unimilitância teria a função de eliminar a''exploração'' econômica do trabalho médico. A regra predominante seguida nas empresas, ao contrário, é que os pacientes vinculados ao Plano de Saúde pagam diretamente os serviços aos médicos, com posterior reembolso pela Operadora, ou, quando possível, são pagos por esta como terceira juridicamente interessada, em nome e por conta dos usuários. Está definitivamente demonstrado que a Unimed extrapola não só o ato médico, como também o ato cooperativo. Ora, à luz do artigo 86 da Lei nº 5.764/71, o ato nãocooperativo só é admitido excepcionalmente. Por isso, o conceito de empresário atinge os médicos cooperados com a venda do Plano de Saúde, que é mercadoria, a par desta intermediação entre terceiros fornecedores e terceiros usuários, de modo oblíquo, em vez de tomálos apenas para sua própria atividade médica. A Unimed: a) atua como empresária, pois gerencia e supervisiona o fornecimento de serviços de terceiros, e b) viola a Fl. 807DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 808 36 regra da exclusividade de prestação dos serviços pelos cooperados. O Plano de Saúde, como o Seguro, traz ínsito o risco, não somente o risco do negócio em si, mas o contratual que está no conceito dos contratos aleatórios, no caso, a assunção da doença do subscritor, de ocorrência provável estando incerto se e quando o sinistro efetivamente se apresenta, o que obriga, inclusive, a Operadora a constituir garantias técnicas para cumprimento das obrigações, entre outras, a Provisão de Risco, em trato de todo diferente da assistência médica como simples prestação de serviço profissional. Por isso, a Operadora cobra do usuário um custo que não corresponde à remuneração dos serviços utilizados pelos usuários, mas sim ao preço calculado em função da natureza e extensão da cobertura contratada amplitude assistencial variável conforme o Plano e da idade do usuário, à semelhança do Seguro. A apuração do custo do Plano para o usuário obedece a critérios de matemática atuarial, que são analisados pela ANS. Há, aqui, o ato econômico, cujos efeitos concretos são estimados por cálculo e não pelo serviço prestado pelos cooperados. Então, a Unimed age nesse mercado como agente econômico, porque o ato médico não é Plano de Saúde e, consequentemente, toda a receita é obtida no mercado consumidor junto a um universo despersonalizado de usuários que sustentam o Plano para cobrir o risco assumido inquantificável aprioristicamente. Por não ser cobrado o valor do serviço efetivamente prestado, o trato é de todo diferente da relação direta médicopaciente. A receita obtida deveria ser remuneração do trabalho dos cooperados; porém, é preço do produto vendido. Pela prerrogativa concedida às cooperativas, a ocorrência de ''sobras líquidas'' aponta para o apropriação pelos associados da diferença a maior entre a receita e a despesa resultado credor ocorrido na exploração da atividade, superávit ou mais valia. A partilha desta receita líquida entre os cooperados só seria legítima se estes, com sua atividade, concorressem com todos os recursos necessários para as despesas operacionais, em autêntica forma cooperativa, donde se falar em ''retorno''; vale dizer, restituir a diferença entre a receita e a despesa (Lei nº 5.764/71, art. 80). O que mais seria essa restituição, senão aquilo que cada um forneceu além do necessário, se foi o caso, para custear aquilo de que se utilizou dentro da cooperativa ? A entendimento da OCB, os critérios de aferição para verificação se a cooperativa se mantém fiel às suas finalidades são: a) verificar a existência de proporcionalidade razoável entre aquilo que o associado deixa para a cooperativa, a título de Fl. 808DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 809 37 rateio de despesas (artigo 80 da lei nº 5.764/71), comumente denominado de taxa de administração; b) verificar os serviços que a cooperativa presta ao seu associado através da sua atuação no mercado, oferecimento de infraestrutura, aquisição de tecnologia, realização do marketing, administração dos contratos, negociação com os clientes, treinamento e qualificação profissional e estabelecimento de uma política de benefícios e seguros ( Ibid.). A comercialização do Plano de Saúde, a par de envolver interposição entre fornecedor/consumidor, produz renda, visto que o preço aliado à álea engendra lucro, inclusive porque os médicos trabalham em função daquele e submetemse ao espaço de atuação no mercado em razão da exclusividade (unimilitância), o que ressalta mais ainda a atuação empresarial. Na Unimed, como já foi referido, o ingresso é angariado junto aos usuários do Plano de Saúde e eles, em não sendo cooperados, não entram na partilha das ''sobras líquidas''. Tratase, então, de lucro líquido lucro apurado em balanço , que será distribuído na razão do volume da participação de cada cooperado nos negócios. Nas sociedades empresárias, tal distribuição é feita em razão da subscrição de capital pelo sócio. Tratase de mera questão terminológica, sem outra conotação que não a de referir a que título é contabilizado o resultado positivo com vistas ao critério de sua partilha. Releva lembrar o artigo 87 da Lei nº 5.764/71: '' Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos''. A exceção – operações com não associados – transformada em regra dá realce ao artigo 89, que trata os prejuízos por critério semelhante ao das sociedades empresárias. Por este modo, a Unimed viola o preceito da não lucratividade. O regime de atuação da Unimed tornou os cooperados empresários, em afronta direta à proibição posta no § 4º do artigo 29 da lei de regência, que veda ao cooperado atuação em regime empresarial. (...) Está claro que a Unimed acoberta à sombra de sua forma jurídica sua atuação como empresária, para a qual não consegue prescindir da cooperação de empresas e profissionais fora de sua organização própria, subjetivizada, como está, no segmento de Planos de Saúde, onde assume direitos e obrigações próprios, diferentes daqueles que haveria se o produto ofertado se limitasse à prestação dos serviços profissionais dos seus Fl. 809DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 810 38 associados. Há um plus, consistente nas obrigações com terceiros fornecedores de serviços integrantes do Plano e terceiros usuários que utilizam mais do que apenas serviços médicos. Então, na medida em que se afastou do objeto próprio a uma cooperativa de trabalho médico para fornecer, por intermediação de terceiros, outros serviços, não está negociando exclusivamente ''com'' os seus associados, constituindose em falácia afirmar que ela mantém com os seus associados uma relação meramente ''societária'',data maxima venia. É, pois, de se ver que os médicos filiados à Unimed não formam uma cooperativa, mas sim uma sociedade empresária, inclusive porque trabalham em função de um produto híbrido, submetendose ao espaço de atuação no mercado em regime de exclusividade unimilitância , o que ressalta mais ainda a atuação empresarial. Ora, ao optar pelo regime cooperativo, deveria estar resguardado o princípio da exclusividade de operação somente entre cooperados e cooperativa, princípio este que foi invertido com a comercialização do Plano de Saúde! O fornecimento de um produto comercial, em regime empresarial, a terceiros não cooperados caracteriza ato não cooperativo. (...) Nesse contexto, claro está que: a) as receitas da cooperativa decorrentes da comercialização de Planos de Saúde (seguro saúde) para terceiros não cooperados não são ato cooperativo pela natureza empresarial da atividade, exceto a parte referente ao serviço prestado por médico cooperado desde que, devidamente, demonstrada, de forma segura e cabal, pela escrituração com respectivos documentos de suporte dos lançamentos contábeis (segregação das receitas do ato cooperativo e do ato não cooperativo); b) não é vedado à cooperativa realizar atos não cooperativos. Por isso, não é cabível ao fisco descaracterizar a cooperativa para fins não tributários, pois não tem competência para tanto. Porém, pode o fisco federal, para efeitos tributários, como no caso, tributar os resultados globais da cooperativa, quando a escrituração contábil não atender aos ditames da legislação tributária, pela falta de segregação das receitas, custos e resultados do ato não cooperativo, em face da documentação que dá sustentação à escrituração contábil não permitir, de forma segura, a segregação das receitas do ato cooperativo quanto aos ingressos decorrentes da comercialização de planos de saúde para terceiros não cooperativados. A recorrente, ainda durante o procedimento de fiscalização, foi intimada a fazer a segregação de receitas, custos e resultados em ato cooperativo e ato não cooperativo, porém ela não se desencumbiuse desse ônus probatório. Alegou que não faria prova contra si mesma, pois não concorda com a interpretação do fisco em relação à tributação do que denomina de ato auxiliar do ato cooperativo (receitas de Planos de Saúde). Por isso, da aplicação pelo fisco do auto de infração para exigência do respectivo crédito tributário. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 811 39 A recorrente, como restou patente nas razões do recurso, defende a tese de que as receitas da comercialização de Planos de Saúde para terceiros não coopeativados seriam “ato auxiliar” do ato cooperativo. Tal entendimento da recorrente, como visto, não merece prosperar. Aliás, essa questão do “ato auxiliar” já foi enfrentada neste CARF em todos os seus pormenores. Vale dizer, quanto à diferenciação do ato cooperativo em relação ao ato auxiliar ou acessório, transcrevo excerto do voto condutor do Acórdão nº 101 94.081, sessão de 30 de janeiro de 2003, Relatora Conselheira Sandra Farroni, in verbis: (...) • O conceito de ato cooperativo, é de definição restrita, que está contida no art. 79 da Lei 5.764/71. Os demais atos, sejam eles auxiliares ou acessórios, por não se identificarem com os definidos no referido art. 79, são atos não cooperativos. • A definição legal de ato cooperativo dada pelo artigo 79 da Lei 5.764/71 compreende os atos praticados entre a cooperativa e seus associados, entre estes e aquela e pelas cooperativas entre si, quando associadas, para a consecução de seus objetivos sociais. O objetivo social da cooperativa de trabalho médico é negociar diretamente com os consumidores do trabalho de seus cooperados, potencializando sua força negocial individual. Para isso ela existe: para prestar serviços aos médicos seus associados. Ao contratar com terceiros a prestação de serviços de pessoas físicas ou jurídicas não associadas, a cooperativa está praticando atos não cooperativos, não importa que os intitule atos cooperativos auxiliares. • A Lei não determina que a sociedade cooperativa realize apenas os negócios inerentes aos atos com seus associados, podendo, também, atuar na modalidade operacional de outras pessoas jurídicas, quando então sua conduta, para todos os fins, será aquela prescrita para a característica desse ato não cooperativo. Isso não quer dizer, porém, que essa atividade, devidamente autorizada pela lei brasileira, implique na descaracterização da sua atuação em cooperativa. Isto é, os fatos que decorrem de atos cooperativos são uma coisa, e os fatos decorrentes de atos não cooperativos são outra coisa. Uns não interferem nos efeitos jurídicos dos outros. • Pelo art. 18 do Decretolei 59/66, os resultados das sociedades cooperativas não estavam sujeitos à incidência do imposto. A Lei 5.764/71 trouxe significativa alteração ao regime tributário das sociedades cooperativas, ao delimitar a não incidência aos atos cooperativos (Lei 5.764/71, art. 79 c.c. art. 111). Portanto, a não incidência, antes alcançando a cooperativa como um todo (não incidência subjetiva), passou a alcançar apenas os atos não cooperativos (não incidência objetiva). E, por não se tratar de não incidência subjetiva, ou seja, pelo fato de a não incidência Fl. 811DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 812 40 não abranger a sociedade como um todo, mas apenas os atos definidos no artigo 79 da Lei 5.764/72, em relação aos demais atos por ela praticados, submetese a sociedade às mesmas regras de tributação a que se obrigam as demais pessoas jurídicas. Portanto, não estão alcançados pela não incidência os resultados dos serviços prestados aos consumidores (pessoas estranhas à cooperativa) por pessoas físicas não associadas ou pessoas jurídicas (também estranhas à cooperativa), em nada importando sejam eles classificados como negócios acessórios. • Não há previsão legal para tributação dos atos cooperativos, exceto, a partir de 1° de janeiro de 1998, quanto aos praticados por sociedades cooperativas que tenham por objeto a compra de bens e revenda para seus associados, por determinação do art. 64 da MP 1.602, de 14/11/96. Não há, também, previsão legal para descaracterizar a natureza jurídica das sociedades cooperativas pela prática reiterada de atos não cooperativos. Não tem, ainda, a Secretaria da Receita Federal competência legal para fiscalizar as atividades das cooperativas e puniIas por eventual infração à lei de regência (se fosse o caso), mediante tributação dos resultados dos atos que, por lei, não sofrem incidência do imposto ( o que, de resto, não se coaduna com o nosso sistema jurídico : usar tributo como penalidade). A única exegese possível, portanto, nos casos de sociedades cooperativas que praticam, em maior ou menor escala, atos não cooperativos, é que a não incidência alcança todos os atos cooperativos, devendo ser tributado o que exorbita desse campo. • Se escrituração contábil da sociedade segrega as receitas e correspondentes custos, despesas e encargos segundo sua origem (atos cooperativos e demais atos), serão excluídos da tributação os resultados dos atos cooperativos. Todavia, se a escrita (acompanhada de documentação hábil que a lastreie) não especificar com clareza quais as receitas dos atos cooperativos e quais as dos atos não cooperativos, terseá como integralmente tributado o resultado da sociedade. É que, nesse caso, impossível será a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária. • Nos casos em que a cooperativa de trabalho médico recebe mensalidades dos usuários e, como contraprestação, se compromete a fornecer, além dos serviços médicos dos associados, serviços de terceiros, tais como exames laboratoriais e exames complementares de diagnose e terapia, diárias hospitalares, etc., a receita das mensalidades pagas pelos usuários se destina, em parte, a cobrir os custos/despesas diretas ou indiretas dos serviços prestados pelos cooperados, e em parte, a cobrir os custos dos serviços prestados por terceiros não associados. Esses serviços prestados por não associados não se classificam como atos cooperativos. Nesses casos, a cooperativa deve ratear a receita das mensalidades entre receitas de atos cooperativos e receita de outros atos segundo critério razoável, a ser justificado perante a fiscalização. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 813 41 Esse tem sido o entendimento acatado pela mais recente jurisprudência desta Câmara (Acórdãos 10192.476/98, 101 92.455/98, 101 92.647/99, 10192.648/99). (...) Portanto, o que a recorrente denomina de “ato auxiliar” ao ato cooperativo, na verdade tratase de ato não cooperativo, pois envolve receitas auferidas decorrentes da comercialização, em nome próprio, de Planos de Saúde para terceiros não cooperados, exceto a parte do serviço que é prestada pelo médico cooperado. Por fim, ainda contra a tese ou contra a pretensão da recorrente temos precedentes jurisprudenciais do Superior Tribunal de Justiça – STJ: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. COOPERATIVA MÉDICA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. 1. A UNIMED presta serviços privados de saúde, ficando evidenciada, assim sua natureza mercantil na relação com seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados. 2. O fornecimento de serviços a terceiros e de terceiros não associados, caracterizase como atos nãocooperativos, sujeitandose, portanto, à incidência do Imposto de Renda. 3. Recurso especial provido. (REsp 237348 SC 1999/01003660 Relator(a): Ministro CASTRO MEIRA Julgamento:17/02/2004 Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Publicação: DJ 17/05/2004 p. 165) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. COOPERATIVA MÉDICA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. 1. A UNIMED presta serviços privados de saúde, ficando evidenciada assim a sua natureza mercantil na relação com seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados. 2. O fornecimento de serviços a terceiros e de terceiros não associados caracterizase como ato nãocooperativo, sujeitando se, portanto, à incidência do Imposto de Renda. Precedentes: REsp. Nº 237.348 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 17 de fevereiro de 2004;REsp 418.352/SC, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJU de 23.09.02;REsp 215.311 / MA, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 10/10/2000;REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 9.10.2006. 3. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no REsp 751460 MG 2005/00816373 Relator(a): Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Fl. 813DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 814 42 Julgamento: 18/12/2008 Órgão Julgador: T2 SEGUNDA TURMA Publicação: DJe 13/02/2009). TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ATOS PRATICADOS COM TERCEIROS QUE GERAM RECEITA E LUCRO. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. PRECEDENTES. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Segundo orientação do Superior Tribunal de Justiça, "os atos praticados pela cooperativa com terceiros não se inserem no conceito de atos cooperativos e, portanto, estão no campo de incidência da contribuição ao PIS e à COFINS. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas. Esse é o conceito que se depreende do disposto no art.79 da lei que institui o regime jurídico das sociedades cooperativas Lei n. 5.764/71" (REsp 1.192.187/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Segunda Turma, DJe 17/8/10). 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 170.608/MG, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/10/2012, DJe 16/10/2012) COOPERATIVAS MÉDICAS. INCIDÊNCIA. 1. As Cooperativas organizadas para fins de prestação de serviços médicos praticam, com características diferentes, dois tipos de atos: a) atos cooperados consistentes no exercício de suas atividades em benefício dos seus associados que prestam serviços médicos a terceiros; b) atos não cooperados de serviços de administração a terceiros que adquiram seus planos de saúde. 2. Os primeiros atos, por serem típicos atos cooperados, na expressão do art. 79, da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, estão isentos de tributação. Os segundos, por não serem atos cooperados, mas simplesmente serviços remunerados prestados a terceiros, sujeitamse ao pagamento de tributos, conforme determinação do art. 87 da Lei nº 5.764/71. 3. As cooperativas de prestação de serviços médicos praticam, na essência, no relacionamento com terceiros, atividades empresariais de prestação de serviços remunerados. 4. Incidência do ISS sobre os valores recebidos pelas cooperativas médicas de terceiros, não associados, que optam por adesão aos seus planos de saúde. Atos não cooperados. 5. Recurso provido” (REsp 254.549/CE – 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, j. 18.09.2000). Logo, como restou demonstrado, as receitas de comercialização de Planos de Saúde (Seguro Saúde) para terceiros não cooperados configuram ato não cooperativo, exceto a Fl. 814DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 815 43 parte do serviço prestado por médico cooperado desde que esse ato esteja devidamente comprovado na escrituração com documentos seguros, hábeis e idôneos (segregação das receitas, custos, despesas, resultados do ato cooperativo e do ato não cooperativo). Ainda, não assiste razão à recorrente quando se reporta ao exemplo da cooperativa de taxi. Segundo a recorrente, se fosse seguir o raciocínio das autoridades fiscais autuantes, não haveria ato cooperativo na cooperativa de táxi, pois os taxistas cooperados só poderiam tansportar taxistas cooperados e não terceiros não cooperados. Como disse, o entendimento da recorrente quanto ao ato cooperativo está totalmente equivocado. No caso da cooperativa de táxi, cabe oberservar o seguinte: Por definição e fundamento conceitual, o ato cooperativo típico é aquele quando realizado exclusivamente entre os próprios cooperados. É neste sentido que postula a Lei 5.764/71: “Art. 3º Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro”. “Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...) X – prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa; (...)”. Verificase que a característica fundamental do ato cooperativo típico é a realização de operações exclusivamente entre os próprios cooperados. Em tais operações não há incidência do imposto, pois inexiste a circulação econômica de serviços. Quando a cooperativa presta um serviço em benefício de um associado, não está praticando uma operação para terceiros, visto que a cooperativa age em nome e por conta dos cooperados. No momento em que o cooperado se utiliza de um serviço prestado pela cooperativa, será ele ao mesmo tempo prestador, pois é a pessoa integrante da sociedade, e tomador do serviço, não havendo que se falar, portanto, em venda de bens imateriais com fins econômicos. Por exemplo, uma cooperativa de rádio táxi que funciona exclusivamente para centralizar as chamadas dos clientes e repassálas aos associados, sem nada cobrar como adicional aos usuários, sendo mantida exclusivamente por meio das quotas de capital aplicadas pelos cooperados, teria suas ações, realmente, reconhecidas como atos típicos de cooperativa. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 816 44 Explicando em outras plavras: a cooperativa de rádio táxi presta serviço ao taxista cooperado repassando apenas os clientes – passageiros interessados (terceiros interessados). Já, o taxista cooperado é que presta o serviço de transporte dos passageiros (terceiros usuários) e cobra o respectivo valor do transporte, e não a cooperativa em nome próprio. O contrário ocorre quando os serviços são prestados pela cooperativa diretamente aos usuários. A gestora passa a ser a cooperativa; o contrato negocial é firmado entre o usuário e a cooperativa. Temos, então, a caracterização de ato atípico de cooperativa, gerando o fato imponível tributário. Vale dizer, se a cooperativa contrata em seu nome próprio a obrigação de prestar o serviço de transporte de passageiros a terceiros não cooperados e recebe o valor em seu nome próprio, e ainda que posteriormente repasse o valor ao taxista cooperado prestador do serviço, ainda assim estará configurado ato não cooperativo, pois, para caracterizar ato cooperativo, a cooperativa não pode contratar, nem receber o valor, em seu nome próprio, a título de prestação de serviços a terceiros não cooperados. Esta ação foi prevista no artigo 87 do Estatuto das Cooperativas, nos seguintes termos: “Art. 87 – Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do ‘Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social’ e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos”. O supra mencionado art. 85 trata exclusivamente de cooperativas agropecuárias e de pesca, mas o art. 86 é de conteúdo amplo e genérico, como se vê: “Art. 86 – As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e esteja de conformidade com a presente Lei”. A respeito da matéria, o eminente e laureado tributarista Roque Antônio Carrazza diz o seguinte: “Portanto, as cooperativas de consumo, enquanto abastecem seus associados, não praticam operações mercantis. Não devem, pois, ser tributadas por via de ICMS, enquanto se mantiverem no exercício das atribuições consubstanciadas no ato cooperativo, isto é, enquanto se limitarem a entregar bens a seus associados. Evidentemente, a venda que a cooperativa efetua a terceiros (não cooperado) está sujeita ao ICMS. É que, neste caso (e só neste caso), ela pratica uma operação mercantil. Está envolvida com a prática de ato de comércio” Assim, quando a própria cooperativa fecha contrato de prestação de serviços com terceiro em nome própirio, assume ela própria a obrigação de fazer, determina o preço do serviço e os termos negociais, configurase de modo inegável o fato gerador do imposto. É o caso dos atos praticados pelas cooperativas de serviços de saúde, destinados a terceiros, fazendo das mensalidades pagas a contraprestação pelos serviços de assistência médica que lhes são proporcionados. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 817 45 Esse entendimento consta também da fundamentação do voto condutor da decisão recorrida que adoto e transcrevo nessa parte (fls. 651/654), in verbis: (...) De outra parte, fica evidenciado que o valor global dos pagamentos mensais efetuados pelos clientes, relativo a plano de saúde, constitui receita própria da cooperativa. As receitas auferidas com os pagamentos mensais não são dos médicos, pois a razão jurídica do pagamento do plano de saúde é diversa da razão jurídica do pagamento do serviço que o médico presta ao seu paciente. Na primeira hipótese, a razão é um contrato entre a cooperativa e o cliente. Na segunda, é pelo serviço prestado ao paciente, cujos honorários a cooperativa paga ao médico. Dessa forma, é claro que há receitas de naturezas diversas; uma auferida pela cooperativa, em face do contrato de plano de Saúde, e outra auferida pelo associado, em face da prestação especifica do serviço médico. A gestdo da cooperativia envolve, portanto, a administração dos custos e , despesas, de forma a prover a cobertura integral dos custos com os associados, com os terceiros contratados e com atividades administrativas. Assim, quando a cooperativa contrata serviços de terceiros, para atender aos clientes, retira de suas receitas as origens de recursos para custeio do serviço, para dar fim ao contrato com o cliente, configurando ato de mercancia. Nesse momento, o médico associado fica de fora do ato praticado pela cooperativa. O serviço custeado pela cooperativa ao cliente passa a ter fundamento diverso do prestado pelo associado, pois interessa apenas ao cumprimento do contrato realizado entre a cooperativa e seu cliente. Portanto, o campo da não incidência tributária prevista no art. 182 do RIR/1999 abrange somente as atividades inerentes à cooperativa. O que exorbita esse campo é tributável, ou seja, não leva à descaracterização da natureza jurídica da cooperativa, mas apenas à tributação dos atos que não guardam relação com os seus objetivos sociais. Essa concepção decorre de não haver proibição, no regime jurídico cooperativo, da prática de atos nãocooperativos não expressamente previstos, conforme preceitua o art. 87 da Lei n° 5.764, de 1971. A exigência é que sejam tributados. O mesmo se pode afirmar em relação aos requisitos e condicionantes previstos no texto da Lei n° 9.656, de 1998, que dispõe sobre os planos e, seguros privados de assistência à saúde, ficando respectivas atividades sujeitas à incidência tributária se extrapolarem a esfera de não incidência prevista no RIR/99. Nesse particular, cabe esclarecer que a exação recorrida não implicou descaracterização da sociedade como cooperativa. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 818 46 Tratase tão somente de imputação da perda do direito de beneficiarse do regime.fiscal favorecido próprio das cooperativas, cujos efeitos, a priori, ficam restritos à esfera tributária. Notese, ademais, que, pelo fato de os clientes pagarem mensalidades relativas aos planos de saúde, os valores das receitas referemse, indistintamente, aos serviços a eles prestados por associados ou por terceiros, contratados pela cooperativa. 0 preço cobrado dos clientes tem de ser estimado para cobrir também os custos representados pelo valor cobrado pelos prestadores de serviços. Há, portanto, mercancia de serviço, pela contratação de serviço de terceiro para cumprimento de contrato com cliente. Podese afirmar, então, que a receita das mensalidades pagas pelos usuários de planos de saúde se destina, em parte, a cobrir os custos/despesas diretas ou indiretas dos serviços prestados pelos cooperados (atos cooperativos), e em parte, a cobrir os custos dos serviços prestados por terceiros não associados (atos não cooperativos). Nesse sentido, a fruição do mencionado beneficio de fiscal de não incidência de IRPJ tem como pressuposto essencial a segregação contábil das receitas e despesas, e do resultado correspondente aos atos cooperativos e não cooperativos, a teor do disposto no art. 87 da Lei n° 5.764, de 1971. Nessa hipotese, porém, incumbiria à sociedade cooperativa a competente escrituração de suas contas, de modo a possibilitar a perfeita identificação daquilo que decorre de atos cooperativos ou não. Entretanto, do que se depreende dos documentos acostados aos autos, a contribuinte deixou de atender a exigência legal de contabilização em separado das receitas, despesas e resultados relativos aos atos não cooperativos. Embora haja, como afirma ela separação de contas em atos cooperados e não cooperados, o fato é que, dentro das receitas dos atos classificados como cooperados existem receitas de atos não cooperados, cuja segregação não é possível de ser feita, em função do que foi dito anteriormente. Por exemplo, no próprio balancete trazido pela impugnante (fl. 468/545), há discriminação, dentro de "Atos Cooperativos — Matriz" de ingressos de contratos coletivos, que, como visto, englobam mensalidades pagas pelos usuário dos planos de saúde para uso, indiscriminado, tanto de atos cooperativos, quanto de não cooperativos. (...) Constatada a prática reiterada de atos qualificados como não cooperativos, e desatendido o requisito legal de segregação das receitas, custos e despesas, de acordo com sua correspondente alocação (atos cooperativos ou não cooperativos), resulta impossibilitado o inequívoco reconhecimento por parte do fisco, da prática de atos cooperativos, na acepção da lei de regência, Fl. 818DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 819 47 ficando a sociedade sujeita à incidência fiscal sobre a totalidade do resultado obtido, uma vez que não se pode usufruir de beneficio fiscal por mera presunção de prática de atos privilegiados por tratamento isencional. (...) A não segregação do resultado decorrente da prática de atos cooperativos e atos não cooperativos foi demonstrada no processo. Ora, se a escrita contábil, lastreada em documentação hábil não especifica com clareza quais as receitas, despesas e resultados relativos aos atos cooperativos e quais se .referem a atos não cooperativos, terseá como integralmente tributado o resultado total da sociedade, por ser impossível a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária. (...) Ainda, os precedentes jurisprudenciais (de natureza administrativa e judicial) invocados pela recorrente a seu favor, não se amoldam e não se aplicam ao caso. Portanto, os ingressos de receitas na cooperativa, em nome próprio, oriundos da comercialização de planos de saúde (seguro saúde) para terceiros não cooperados, pela natureza empresarial dessa atividade e por tudo que foi exposto, configuram, em regra, atos não cooperativos sujeitos à incidência do IRPJ. Cabe à contribuinte comprovar a segregação na escrituração contábil, com documentos hábeis e idôneos, das receitas, custos e resultados de ato cooperativo prestado por médico cooperado atinentes à comercialização de plano de saúde, sob pena de tributação global dos resultados, como no caso. RECEITAS DA VENDA DE PLANOS DE SAÚDE PARA TERCEIROS NÃO COOPERATIVADOS. FALTA DE SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS, CUSTOS/DESPESAS E RESULTADOS DO ATO NÃO COOPERATIVO E DO ATO COOPERATIVADO. TRIBUTAÇÃO GLOBAL. FALTA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO. IMPOSIÇÃO DE MULTA ISOLADA. Conforme já restou caracterizado no relatório, a exigência do auto de infração do IRPJ – Multa Isolada deuse pelo fato da contribuinte não ter segregado na sua escrituração contábil e fiscal as receitas, custos e resultados do ato não cooperativo (receitas atinentes à comercialização de Planos de Saúde para terceiros não cooperados), em relação ao ato cooperativo, quanto aos anoscalendário 2001, 2002 e 2003, embora tivesse sido intimada pelo fisco a fazêlo, porém não desencumbiuse desse mister. Por isso, da tributação global dos resultados mensais com base em balancetes mensais de suspensão/redução elaborados pelo fisco, a partir dos balancetes análiticos mensais de sobras e perdas da contribuinte. A questão da incidência ou tributação pelo IRPJ das receitas de comercialização de Planos de Saúde para terceiros não cooperados já restou enfrentada no tópico anterior deste Voto. Quanto à base de cálculo mensal da multa isolada dos anoscalendário 2001, 2002 e 2003, que é o imposto apurado mensalmente com base em balanço de suspensão/redução que deixou de ser pago por antecipação durante o respectivo ano calendário, a contribuinte questionou que o fisco teria computado no resultado tributável apurado as receitas financeiras pelo seu valor bruto, e não pelo valor líquido. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 820 48 A propósito, quanto aos fatos relativos às receitas financeiras, transcrevo a narrativa constante do TVF, in verbis: (...) DA NÃO TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS Conforme documentos anexos, a contribuinte auferiu no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2003, receitas financeiras nos valores abaixo relacionados, classificandoas genérica e indevidamente como receitas de atos cooperativos e, portanto, subtraindoas da devida tributação. Os rendimentos obtidos pelas cooperativas por intermédio de aplicações financeiras, de acordo com o constante no Parecer Normativo CST n.° 04 de 1986, nos seus subitens 6.1.1 e 6.1.2, devem submeterse à tributação normal. É pacífica a jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre a devida tributação dos resultados positivos das financeiras.(Ac. CSRF/011:972/96DO 06/12/00, Ac 1o. CC 10178,0,60/88 e 10184.488/92 e. 1039.377/89 e 10187.05/94 e 10187.095/94 etc). No mesmo sentido o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, confirmou que as aplicações financeiras são atos não cooperativos, cujos resultados estão sujeitos à incidência tributária.(Acórdãos da 1.a Turma: Resp 36.8871/PRDJU I 04.10.93, e Resp 35.8434/PRDJU I 27.06.94; Ac mv 1.a T do STJResp10941/RS17/4/97; Ac um 2 a TSTJResp 169411/SP 18/06/98). Apurase, desta feita, os seguintes valores que deveriam ser contabilzados como receitas de atos nãocooperativos e submetidos à devida incidência tributária: Período de Apuração Rendimentos Aplic. Financeiras Não Tributadas Período de Apuração Rendimentos Aplic. Financeiras Não Tributadas Período de Apuração Rendimentos Aplic. Financeiras Não Tributadas jan/01 18.387,74 jan/02 16.448,16 jan/03 68.963,90 fev/01 10.588,68 fev/02 13.580,68 fev/03 61.191,94 mar/01 18.588,69 mar/02 16.820,90 mar/03 51.812,07 abr/01 15.709,74 abr/02 17.817,90 abr/03 80.544,10 mai/01 15.589,84 mai/02 25432,79 mai/03 79.724,28 jun/01 15.081,36 jun/02 19.358,83 jun/03 80.612,60 jul/01 16.502,89 jul/02 20.794,11 jul/03 94.417,96 ago/01 15.283,93 ago/02 17.510,60 ago/03 100.791,66 set/01 13.542,30 set/02 20.195,78 set/03 94.883,75 out/01 15.656,22 out/02 15.971,21 out/03 108.812,21 nov/01 15.916,67 nov/02 23.519,35 nov/03 108.282,92 dez/01 39.671,56 dez/02 16.014,31 dez/03 119.682,41 Total RS 210.519,62 Total – RS 223.464,62 Total – RS 1.049.719,80 Esses dados de receitas financeira constam, também, informadas nas respectivas DIPJ da contribuinte e que, até prova em contrário, são receitas líquidas. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 821 49 Ainda, essa alegação da recorrente não merece prosperar, pois não comprovou que os valores, individuais, da tabela acima não seriam líquidos. A propósito, a decisão a quo, conforme fundamentação constante do voto condutor, já enfrentadou ou tratou dessa questão nos sequintes termos (fl. 654), in verbis: (...) Questionou também a impugnate a tributação das receitas financeiras, alegando que elas são sobras oriundas de receitas de atos cooperativos e não podem ser classificadas, na sua totalidade, como receitas tributáveis e que apenas o rendimento liquido auferido nas aplicações financeiras pode ser tributado, e não a receita financeira total. Entretanto, não trouxe ela nenhum documento para demonstrar qual seria o rendimento liquido auferido nas aplicações financeiras. (...) Nesta instância recursal, a recorrente também não se desencumbiu do seu ônus probatório, pois não produziu prova de suas alegações. Vale dizer, alegar e não provar é mesma coisa que não alegar. Nos termos do art. 333, II, do CPC, compete ao sujeito passivo o ônus da prova quanto a fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do fisco. O momento para apresentação das provas é quando da impugnação, sob pena de preclusão dessa faculdade processual (Dec. 70235/72, arts.15 e 16, III e § 4º). Ainda, compulsando os balancetes de suspensão/redução elaborados pela fiscalização, anexos ao TVF (fls. 20/25) com base nos bancetes ou demonstrativos analíticos mensais –Relatórios Consolidados dos anos 2001, 2002 e 2003 (fls. 206, 213 e 218), observa se que, em regra, as receitas financeiras foram anuladas pelas despesas financeiras nesses períodos da autuação, não causando impacto na tributação e nas multas apuradas e aplicadas. O fisco considerou as despesas financeiras integralmente, pois apenas reverteu (adicinou) o resultado do período mensal não tributável (apurado pela contribuinte) para o resultado tributável, em face da tributação global aplicada. Foi aplicada a tributação global dos resultados, pois as receitas de planos de saúde não foram segregadas em ato cooperativo e ato não cooperativo, e não há como segregar as receitas de ato cooperativo, em face dos documentos de suporte dos lançamentos contábeis não conterem e não permitirem discriminação precisa, segura, do que seria ato cooperativo para efeito de não incidência tributária. Por fim, diversamente do alegado pela recorrente, as receitas financeiras não são ato cooperativo, estando sujeitas normalmente à tributação pelo IRPJ. Nesse sentido, há jurisprudência pacífica do STJ, e já objeto de Súmula, que colaciono a seguir: Fl. 821DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 822 50 Súmula STJ nº 262: "Incide o imposto de renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas", Como dito, no caso a fiscalização tributou integralmente o resultado da sociedade cooperativa (pela inexistência de segregação de receitas, custos e resultados dos atos não cooperativos e de atos cooperativos na escrituração contábil) dos anoscalendário 2001, 2002 e 2003. Aqui, mais uma vez convém lembrar que não é vedado a cooperativa de serviços médicos efetuar a comercialização de Planos de Saúde (Seguro Saúde) para terceiros não sócios da cooperativa. Porém, convém frisar que a comercialização ou contratação de fornecimento pela Cooperativa, em nome próprio, de prestação de serviços a terceiros (plano de saúde para não sócios da cooperativa = terceiros) caracteriza ato nãocooperativo pela natureza comercial da atividade, implicando, portanto, a incidência do Imposto de Renda, exceto a parte da receita pela prestação de serviços por médico cooperado se devidamente segregada e comprovada com documentação hábil e idônea, na escrituração contábil. A exegese da legislação de regência, portanto, nos casos de sociedades cooperativas que praticam, em maior ou menor escala, atos não cooperativos, é que a não incidência alcança todos os atos cooperativos, devendo ser tributado o que exorbita desse campo. No caso, consta do lançamento fiscal que o sujeito passivo não segregou as receitas, despesas/custos e resultados do ato cooperativo e do ato não cooperativo na escrituração, embora intimado pela fiscalização a fazêlo. Por isso da tributação global dos resultados. O fisco lançou multas isoladas mensais dos anoscalendário 2001, 2002 e 2003, conforme demonstração constante dos balancetes mensais de suspensão/redução (fls. 20/25) e do auto de infração. Entretanto, compulsando os autos e os documentos ou elementos de prova carreados aos autos, constase que o lançamento fiscal, em parte, merece reparo. Vale dizer, quanto aos anoscalendário 2002 e 2003, a recorrente realmente não segregou as receitas, custos, despesas e os resultados econômicos provenientes da comercialização de planos de saúde – seguro saúde em ato cooperativo e ato não cooperativo. Não há nenhuma proporcionalidade entre os ingressos a título de comercialização de Plano de Saúde, custos e resultados oferecidos à tributação (ato não cooperativo) e o valor do resultado informado a título de ato cooperativo, pois a escrituração com respectiva documentação de suporte não especifica com clareza ou com segurança quais as receitas que seriam de atos cooperativos, o que implicou na tributação integral do resultado da sociedade nesses anos. É que, nesse caso, impossível é a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária. Ainda, os documentos juntados aos autos, por ocasião do recurso, apenas reafirmam a falta de segregação das receitas, custos e resultados do ato não cooperativo (comercialização de planos de saúde para terceiros não cooperados, quanto aos anoscalendário 2002 e 2003). Fl. 822DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 823 51 Já, quanto ao anocalendário 2001, constatase que a recorrente segregou as receitas de comercialização de Planos de Saúde para terceiros não cooperados em ato não cooperativo e ato cooperativo; porém deixou de oferecer à tributação parte das receitas de ato não cooperativo (“ato auxiliar”), pois classificou, erroneamente, a categoria de “ato auxiliar” como sendo ato cooperativo, vide Relatório Consolidado do ano 2001(fl. 206). Logo, como dito, os balancetes ou demonstrativos analíticos mensais – Relatório Consolidado da contribuinte do anocalendário 2001 segregaram as receitas do ato não cooperativo, ao consignar em dois subitens: “ato auxiliar” e “ato não cooperativo”; porém ela (a contribuinte) deixou de tributar as receitas do “ato auxiliar” que, como já analisado, demonstrado alhures, é também ato não cooperativo. Em momento algum a fiscalização refutou, especificamente quanto ao ano calendário 2001, que os custos da cooperativa não estariam comprovados por documentação hábil e idônea, quanto ao “ato auxiliar” não oferecido à tributação. Destarte, quanto ao anocalendário 2001, os balancetes analíticos mensais de de suspensão/redução de fls. 20/25, anexos ao auto de infração e ao TVF, devem ser refeitos pela fiscalização da DRF de origem (DRF/Bauru), para apuração do valor tributável mensal, valor do imposto mensal (base de cálculo da multa isolada) e o valor da multa isolada quanto aos meses de janeiro/2001, julho/2001 e outubro/2001 (lançadas no auto de infração), em face da necessidade de exclusão da tributação dos resultados com ato cooperativo, pois os balancetes ou demonstrativos mensais analíticos – Relatório Consolidado do ano 2001 segregaram os atos não cooperativos em dois subitens: “atos auxiliares” e “atos não cooperativos”, com respectivos custos (fl. 206). Portanto, quanto ao anocalendário 2001, somente devem ser tributados pelo IRPJ como atos não cooperativos as receitas e os resultados de “atos auxiliares” e “ato não cooperativos” informados nos balancetes ou demonstrativos analíticos – Relatório Consolidado do ano 2001 – elaborado pela contribuinte de fl. 206, cujos valores de receitas a esse título constantes desses balancetes/demonstrativos analíticos mensais – Relatório Consolidado do anocalendário 2001, transcrevo a seguir: Rec. Bruta Operac. Jan Fev Mar Abril Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez. Valor Acumulado Receita Atos Auxiliares 2.356.76 9 2.478.137 2.506.09 1 2.942.65 5 2.570.54 7 3.076.08 8 3.132.20 0 2.663.306 2.650.666 2.449.714 2.597.832 2.534.309 31.958..312 Receitas Atos Não – Coop. 23.476 25.097 27.628 29.127 28.811 25.864 28.466 24.845 32.030 30.985 31.760 33.327 341.417 Em relação aos ato não cooperativos (“atos auxiliares” e “ato não cooperativos” de fl. 206), para apuração do resultados mensais com ato não cooperativo, devem ser subtraídos ou considerados os seguintes custos que estão segregados nos balancetes/demonstrativos analíticos mensais – Relatório Consolidado do ano 2001 (fl. 206): Custos dos Serv. Prest. Jan Fev Mar Abril Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez. Valor Acumulado Atos Auxiliares (1.864.6 65) (2.327.252 ) (2.228.16 6) (2.763.69 1) (2.323_9 22) (2.977.63 0) (2.219.43 0) (2.451.178 ) (2.365.74 4) (2.109.82 1) (2.361.53 3) (2.232.0 98) (28.225.13 0) Fl. 823DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10825.003122/200521 Acórdão n.º 1802001.354 S1TE02 Fl. 824 52 Atos Não – Coop. (18.574) (23.569) (24.564) (27.355) (26.047) (25.037) (20.171) (21.561) (27.326) (25.474) (27.858) (28.323) (295.859) Por tudo que foi exposto, voto pela rejeição das preliminares suscitadas e, no mérido, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: a) manter o lançamento fiscal dos anoscalendário 2002 e 2003; b) revisar o lançamento fiscal do anocalendário 2001, para exigir multa isolada, por falta de pagamento antecipado do IRPJ estimativa mensal, apenas em relação aos resultados mensais de ato não cooperativo, abarcando a esse título tão somente as receitas mensais registradas pela contribuinte como “ato auxiliar” e “ato não cooperativo” e respectivos custos mensais, conforme balancetes/demonstrativos analíticos mensais –Relatório Consolidado do anocalendário 2001 , elaborados pela própria contribuinte (fl. 206). (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 824DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NELSO KICHEL
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