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Numero do processo: 13312.000856/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIDO.
Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa.
TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. PAGAMENTO SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA.
Fica sujeito à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA . TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. PAGAMENTO SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA.
Na ocorrência das hipóteses previstas no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, exige-se da fonte pagadora o imposto de renda, exclusivo de fonte, à alíquota de 35%, com o reajustamento da base de cálculo, acompanhado da multa de ofício, no percentual de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a alegação de cerceamento do direito de defesa e o pedido para realização de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 09/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIDO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. PAGAMENTO SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Fica sujeito à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA . TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. PAGAMENTO SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 00 08 56 /2 00 9- 50 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13312.000856/200950 Acórdão n.º 2102003.230 S2C1T2 Fl. 223 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a alegação de cerceamento do direito de defesa e o pedido para realização de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 09/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra MARILHA HOLDING LTDA foi lavrado Auto de Infração, fls. 138/143, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 6.022.471,53, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/08/2009. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 127/137, foi falta de recolhimento do IRRF sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, caracterizada por remessas ao exterior ocorridas em 04/11/2004, no valor total de R$ 4.700.000,00, cujos beneficiários são os sócios da pessoa jurídica, conforme a seguir discriminado: Cesare Dal Molin R$ 1.633.648,62 Brafin Ag. Vaduz R$ 511.070,04 Capital Investment Trust R$ 1.668.313,97 Luciano Bianchi R$ 362.900,49 Dartmoor Holding AG R$ 524.066,88 Durante o procedimento fiscal a contribuinte esclareceu que as remessas foram realizadas por conta de aquisição de ações em tesouraria, decorrente de redução do capital social da empresa de R$ 60.000.000,00 para R$ 55.300.000,00, sendo certo que as referidas remessas estão escrituradas no livro Razão a débito da conta de Ação em Tesouraria. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13312.000856/200950 Acórdão n.º 2102003.230 S2C1T2 Fl. 224 3 A autoridade fiscal justificou o nãoacolhimento da tese defendida pela contribuinte pelos motivos a seguir transcritos do Termo de Verificação Fiscal: IV DA ANÁLISE DOS ESCLARECIMENTOS/DOCUMENTO APRESENTADOS PELA FISCALIZADA Os documentos e os esclarecimentos apresentados pela fiscalizada não comprovam a causa da remessa para o exterior dos R$ 4.700.000,00 (quatro milhões e setecentos mil reais) no dia 04 de novembro de 2004. Pelo contrário, eles vão totalmente de encontro com a respectiva remessa, sendo vejamos: 1. Ao olharmos o 9° aditivo ao Contrato Social, datado de 24 de outubro de 2004, podemos constatar que os sócios decidiram aumentar o Capital Social de R$ 36.000.000,00 (trinta e seis milhões de reais) para R$ 60.000.000,00 (sessenta milhões de reais). Decidiram também que uma parte desse aumento, ou seja, R$ 4.128.316,00 (quatro milhões, cento e vinte e oito mil e trezentos e dezesseis reais) seria proveniente de recursos dos próprios sócios, a ser integralizado em moeda corrente, no prazo máximo de 36 (trinta e seis) meses. Porém, como podemos constatar no livro razão de fls. 110, no dia seguinte, ou seja, no dia 25 de outubro de 2004, aconteceu exatamente o contrário, ou seja, a empresa contabilizou a remessa de R$ 4.700.000,00 (quatro milhões e setecentos mil reais) para os sócios. 2. Conforme consta no Diário Oficial do Estado do Ceará, do dia 05 de dezembro de 2005, a reunião em que os sócios da empresa Marilha Holding deliberaram e aprovaram a redução do capital de R$ 60.000.000,00 (sessenta milhões) para R$ 55.300.000,00 (cinqüenta e cinco milhões e trezentos mil reais), aconteceu no dia 17 de novembro de 2005. Portanto, esse dado nos leva a uma grande interrogação: Se a reunião aconteceu no dia 17 de novembro de 2005, então, como pode a devolução do capital aos sócios ter ocorrido 378 (trezentos e setenta e oito) dias antes, ou seja, no dia 04 de novembro de 2004? 3. Conforme consta no próprio Diário Oficial, somente os 04 sócios abaixo discriminados teriam direito à devolução do capital: Sócio Capital Anterior Capital Atual Cesare Dal Molin 18.810.739,47 17.177.090,85 Luciano Bianchi 5.400.000,00 5.037.099,51 Brafin Ag Vaduz 5.843.260,53 5.332.190,49 Capital Investiment Trust 29.946.000,00 27.753.619,15 TOTAL 60.000.000,00 55.300.000,00 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13312.000856/200950 Acórdão n.º 2102003.230 S2C1T2 Fl. 225 4 Porém, conforme contrato de câmbio (fls. 10/28) e extrato bancário (fls. 106), 05 sócios foram beneficiados da remessa ao exterior, pois o sócio Dartmoor Holding foi um deles, recebendo uma quantia de R$ 524.066,88 (quinhentos e vinte e quatro mil, sessenta e seis reais e oitenta e oito centavos); 4. Além, disso, conforme consta no 9° Aditivo ao Contrato Social, datado do dia 24 de novembro de 2004, o sócio Dartmoor Holding Ag transferiu todas as suas quotas, que totalizavam R$ 1.008.125,00 (hum milhão, oito mil e cento e vinte e cinco reais) para o sócio Capital Investment Trust. Ora, se o sócio Dartmoor Holding Ag transferiu todas as suas quotas a outro sócio, então o valor de R$ 524.066,88 (quinhentos e vinte e quatro mil, sessenta e seis reais e oitenta e oito centavos) que Dartmoor Holding Ag recebeu no dia 04 de novembro de 2004 jamais poderia ter sido por causa de uma redução de capital, conforme alega a empresa Marilha Holding; 5. Na Ata publicada no Diário Oficial (fls. 108), consta que os sócios haviam integralizado, conjuntamente, 100% do capital social da sociedade limitada. Porém, ao olharmos o Balanço Patrimonial Analítico do ano calendário de 2004, escriturado no Livro Diário da empresa Marilha Holding (fls. 117) vamos ver que ainda faltava ser integralizado pelos os sócios os seguintes valores: Sócios Capital a integralizar Cesare Dal Molin R$ 1.916.693,56 Luciano Bianchi R$ 369.985,51 Dartmoor Holding AG R$ 484.058,53 Brafin Ag Vaduz R$ 810.671,89 Capital Investiment Trust R$ 1.387.820,65 Total R$ 4.969.230,14 6. A empresa Marilha Holding alega que o capital social foi reduzido por se enquadrar excessivo em relação ao objeto social da sociedade, de acordo com os artigos 1082 e 1084 do Código Civil Brasileiro de 2002. Vejamos, então, o que diz os referidos artigos: Art. 1.082. Pode a sociedade reduzir o capital, mediante a correspondente modificação do contrato: I depois de integralizado, se houver perdas irreparáveis; II se excessivo em relação ao objeto da sociedade. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13312.000856/200950 Acórdão n.º 2102003.230 S2C1T2 Fl. 226 5 Art. 1.084. No caso do inciso II do art. 1.082, a redução do capital será feita restituindose parte do valor das quotas aos sócios, ou dispensandose as prestações ainda devidas, com diminuição proporcional, em ambos os casos, do valor nominal das quotas. § 1º No prazo de noventa dias, contado da data da publicação da ata da assembléia que aprovar a redução, o credor quirografário, por título líquido anterior a essa data, poderá oporse ao deliberado. (grifo nosso) § 2º A redução somente se tornará eficaz se, no prazo estabelecido no parágrafo antecedente, não for impugnada, ou se provado o pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor. (grifo nosso) § 3º Satisfeitas as condições estabelecidas no parágrafo antecedente, procederseá à averbação, no Registro Público de Empresas Mercantis, da ata que tenha aprovado a redução. Ora, a remessa dos R$ 4.700.000,00 (quatro milhões e setecentos mil reais) ao exterior ocorreu no dia 04/11/2004, ou seja, 396 (trezentos e noventa e seis) dias antes da data da publicação da Ata da Assembléia, ocorrida no dia 05 de novembro de 2005. Portanto, a referida remessa não foi de acordo com os artigos 1.082 e 1084 do Código Civil Brasileiro de 2002, conforme alega a empresa Marilha Holding. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/FOR nº 0823.923, de 16/08/2012, fls. 174/196. Cientificada da decisão, acima referida, por via postal, em 27/08/2012, Aviso de Recebimento (AR), fls. 201, a contribuinte apresentou, em 24/09/2012, recurso voluntário, fls. 203/215, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Preliminarmente: Do Cerceamento do direito de defesa – Indevida rejeição do pedido de perícia A perícia solicitada e rejeitada pela decisão recorrida não tinha apenas a finalidade de comprovar a regularidade dos repasses feitos aos destinatários, e sua respectiva identificação, mas sobretudo o de também comprovar que, afora aqueles pagamentos, não ocorreu nenhum outro repasse àquelas mesmas pessoas, fundados nos atos societários objeto da redução do capital social. Vedar a produção dessa prova implicou em ignorar os pressupostos básicos do contraditório e da ampla defesa, constitucionalmente assegurados no processo administrativo. Assim, a recorrente requer a realização da perícia, com vistas ás respostas aos quesitos formulados e, em especial, para atestar se ocorreu ou não qualquer outro tipo de remessa aos sócios da contribuinte, fundados na redução de capital, além daqueles feitos em 04/11/2004. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13312.000856/200950 Acórdão n.º 2102003.230 S2C1T2 Fl. 227 6 Da indevida conclusão acerca da exigência da exação principal – O fundamento utilizado na decisão recorrida ignora e faz letra morta à possibilidade de que a sociedade pudesse atribuir causa futura àquela remessa, feita em caráter de antecipação, quando essa causa restou consumada e eficaz antes do próprio lançamento fiscal. Todos os repasses feitos aos sócios da recorrente obedeceram aos pressupostos legais, seja com respeito ás normas de remessas externas (registro no Bacen e contratos de câmbio) e contábeis (registro nos livros contábeis da empresa). Ao tempo da lançamento fiscal, 24/09/2009, a causa das remessas já tinha alcançado sua eficácia, porque o ato societário que deliberou pela redução foi produzido em 17/11/2005 e adquiriu sua eficácia em 05/03/2006, consoante aplicação do art. 1.084 do CPC. A legislação tributária, vigente à época dos fatos, não registrava proibição alguma para que a empresa efetuasse repasses a título de adiantamento da devolução de parcela de capital social, ainda que sujeita á aprovação, especialmente pelo fato de que aquela devolução foi distribuída e feita a todos os sócios, que detinham 100% do capital social. Além disso, nenhuma outra remessa fora feita aos sócios, posteriormente ao ato societário que deliberou sobre a redução. O fato de o sócio Dartmoor Holding AG não constar mais do quadro societário da sociedade ao tempo do efetivo pagamento, em 25/10/2004, não torna a operação sem causa para o seu caso particular, porque o negócio foi deliberado antes desta data, enquanto ele ainda era sócio. A quantia destinada à Dartmoor Holding G foi assumida evidentemente pelos sócios remanescentes da sociedade. Quanto à aparente contradição entre uma ata que delibera sobre um aumento de capital e, um dia após, ter havido uma redução de capital e, um dia após, ter havido uma redução de capital também não justifica o lançamento. Na verdade, em termos prático, o que restou foi um aumento de capital, de R$ 36.000.000,00 para R$ 55.300.000,00. Outrossim, a autuação desconsiderou o conteúdo do art. 112 do CTN, segundo o qual a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, deve ser interpretada da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. O agente fiscal lançou dúvida sobre a causa da operação de remessa aos sócios da autuada e o fez ignorando as provas documentais acima referidas. Da multa de ofício – Dupla penalidade – A norma contida no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, trouxe à lume a criação de uma nova espécie de substituição tributária, na medida em que exigiu da pessoa jurídica pagadora o imposto exclusivo na fonte, com base de cálculo ajustada, em lugar do imposto devido pelo real contribuinte, pelo fato de este não poder ser identificado ou pela falta de comprovação da operação ou da sua causa. Logo, há de se concluir que o art. 61 da referida lei tratou de criar mais uma espécie de penalidade, de tal sorte que impossível aplicar a alíquota definida naquele dispositivo legal conjuntamente com a multa de ofício de 75%, porque isto importaria num bis in idem. Acresçase que além da elevação da alíquota do imposto de renda , alçado em 35%, a contribuinte sofre também uma outra penalidade, consubstanciada no reajustamento da base de cálculo do imposto. É o Relatório. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13312.000856/200950 Acórdão n.º 2102003.230 S2C1T2 Fl. 228 7 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, devese analisar a alegação da recorrente de cerceamento do direito de defesa em razão do indeferimento do pedido de perícia formulado quando da apresentação da impugnação. Nesse sentido, devese dizer que a decisão recorrida rejeitou o pedido de perícia, fundamentando suas razões de decidir, nos seguintes termos: Nos termos dos dispositivos colacionados, no momento da apresentação da peça contestatória o contribuinte deve indicar as perícias e diligências pretendidas, expondo os motivos de seu pedido, elaborando os quesitos relativos aos exames a serem realizados e, no caso da perícia, qualificando o seu representante. A autoridade julgadora, por seu turno, deverá proceder a um exame de admissibilidade do pedido, perquirindo a real necessidade da diligência ou da perícia, indeferindo aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (...) Realmente, não faz qualquer sentido a determinação de um procedimento de diligência, ou de perícia, na hipótese de sua realização se mostrar irrelevante para o deslinde da questão posta em apreciação, competindo à autoridade julgadora, por meio de despacho fundamentado, indeferir aquelas que se mostrarem prescindíveis. É o que ocorre no caso em apreciação, senão vejamos: • no item “a” foi solicitado que fosse verificado se constam dos livros Diário e Razão os lançamentos relativos à movimentação da quantia de R$ 4,7 milhões (operação que deu azo ao crédito tributário em discussão); observandose o Termo de Verificação Fiscal, é possível se afirmar que a própria autoridade autuante fez constar a contabilização da operação, efetuada a débito da conta Ações em Tesouraria e a crédito da conta Banco do Brasil BB Renda Fixa; • no item “b” a impugnante pediu que fosse esclarecida se, com base nos lançamentos objeto do item anterior, os pagamentos efetuados aos sócios demonstram uma efetiva redução do capital social; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13312.000856/200950 Acórdão n.º 2102003.230 S2C1T2 Fl. 229 8 tratase de questão determinante para a manutenção ou não do lançamento discutido, que será enfrentada, com base nos documentos presentes nos autos (suficientes para tanto, como será demonstrado), por ocasião da apreciação do mérito; • no item “c” a impugnante requereu que seja informada se os lançamentos de que trata o item “a” foram efetivados a crédito da conta banco conta movimento, identificandoa; como já assinalado, tais lançamentos foram efetuados a débito da conta Ações em Tesouraria e a crédito da conta Banco do Brasil BB Renda Fixa; • no item ‘d” a litigante pretende ver esclarecido se os repasses feitos aos sócios tiveram registro no Banco Central e, em caso positivo, a data desse registro e a finalidade da transação, mais precisamente, se consta do registro se tratar de restituição a sócios efetuada a título de redução do capital; os documentos de fls. 11/29 e 165/167 mostramse suficientes para a verificação do registro da operação no Banco Central; quanto a se tratar de restituição aos sócios, também será apreciada na análise do mérito da autuação; contratos de câmbio (fls. 11/26) referemse às remessas para os sócios CESARE DAL MOLIN, fls. 11/14, BRAFIN AG VADUZ, fls. 15/18, CAPITAL INVESTMENT TRUST SPA, fls. 19/22, e LUCIANO BIANCHI, fls. 23/26, observandose não constar do processo o contrato de câmbio relativo à remessa para a empresa DARTMOOR HOLDING LTDA; extratos do Sistema Sisbacen (fls. 27/29 e 165/167) temse à fl. 27 cópia de tela em que consta o nome da impugnante e a assinalação do evento “redução de capital – para restituição a sócios”, assim como a data de 25/10/2004 como sendo aquela em que ocorreu o ato societário, ressaltandose que neste documento não foram identificados os destinatários do numerário; à fl. 28 é observada outra tela do Sistema Sisbacen com a identificação de o destinatário do recurso ser a empresa DARTIMOOR HOLDING LTDA (aquela cujo contrato de câmbio não consta do processo), que se trata de redução de capital e que a parcela restituída ao investidor foi de R$ 524.066,00; na tela seguinte, constante à fl. 29, temse documento contendo o registro de 524.066 quotas (mesma quantidade indicada na tela anterior) e sua aparente conversão para dólares e para euros; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13312.000856/200950 Acórdão n.º 2102003.230 S2C1T2 Fl. 230 9 quando da impugnação, o contribuinte apresentou outras duas telas do Sistema Sisbacen à fl. 165 temse consulta do tipo “redução do capital para restituição a sócios”, datada de 25/10/2004, no valor de R$ 4,7 milhões; e às fls. 166/167 temse consulta do tipo “relação dos investidores” em que aparecem as quantidade de quotas canceladas dos sócios LUCIANO BIANCHI, CESARE DAL MOLIN, DARTMOOR HOLDING AG BRAFIN AG VADUZ e CAPITAL INVESTMENT TRUST; • no item “e” a pessoa jurídica postula que seja informado se, com base nos lançamentos efetuados nos livros Diário e Razão, o pagamento aos sócios deuse em contrapartida à conta do capital social ou de alguma reserva; já foi anotado na resposta ao item “a” que tal lançamento foi efetivado a débito da conta Ações em Tesouraria e a crédito da conta Banco do Brasil BB Renda Fixa; • no item “f” foi requerido que os peritos informassem, com base nos lançamentos contábeis, a origem dos recursos utilizados para a restituição do capital feita aos sócios; caberia à litigante, em verdade, apresentar o documentário necessário à comprovação da origem dos recursos utilizados nas remessas ao exterior, por ocasião da apresentação da impugnação ao lançamento (é o que dispõe o art. 15 do Decretonº 70.235, de 1972); não o tendo feito, precluso encontrase o seu direito, a não ser que demonstre a presença de alguma das situações estabelecidas pelo § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, a delinear as condições em que a prova documental poderá ser apresentada em momento posterior; além disso, tal questão não possui relevância para o deslinde da controvérsia, uma vez que o cerne da questão diz respeito à natureza da operação levada à tributação, e não a origem do recurso utilizado nas transferências bancárias; • por fim, no item “g”, pretende a defendente que, como base nas respostas aos quesitos anteriores, seja esclarecida se teria havido a aquisição de quotas pela própria contribuinte, mantidas em tesouraria; a impugnação do sujeito passivo afirma categoricamente que “a hipótese acerca da operação de remessa feita aos sócios, objeto da autuação, em nada se coaduna com a Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13312.000856/200950 Acórdão n.º 2102003.230 S2C1T2 Fl. 231 10 circunstância “ações em tesouraria”, demonstrando a própria defendente que de operação desse tipo não se trata. Como observado, os questionamentos formulados encontram resposta nos documentos presentes nos autos ou, quando não, dizem respeito à matéria de fundo, a ser enfrentada na análise do mérito, restando caracterizada a prescindibilidade da perícia requerida, não podendo prosperar a pretensão da impugnante. Do acima transcrito, resta claro que a perícia solicitada é de fato desnecessária para a solução da lide, de modo que aqui adotase as razões de decidir da decisão recorrida para também rejeitar o pedido reiterado no recurso. Ainda sobre o pedido de perícia, devese dizer que, ao contrário do que afirma a defesa no recurso, dentre os quesitos formulados, não está contemplado pedido para verificar se, afora as remessas em questão no lançamento, ocorreram outros repasses àquelas mesmas pessoas, fundados nos atos societários objeto da redução do capital social. Cuidase, portanto, de inovação no pedido de perícia, realizado em momento precluso. Contudo, tal verificação também se demonstrará desnecessária para o deslinde da questão como se verá quando da análise das questões de mérito trazidas pela defesa. Nestes termos, afastase a preliminar de cerceamento do direito de defesa e indeferese o pedido de perícia. No mérito, cuidase de exigência do IRRF incidente sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, caracterizada por remessas ao exterior, ocorridas em 04/11/2004, no valor total de R$ 4.700.000,00. Segundo esclarecimentos prestados pela defesa tais remessas estariam justificadas em operação de redução de capital social da empresa Marilha Holding Ltda de R$ 60.000.000,00 para R$ 55.300.000,00. Tal justificativa não foi acolhida pela autoridade fiscal pelas seguintes razões a seguir resumidas: 1. Segundo o 9º aditivo ao contrato social, de 24/10/2004, os sócios da pessoa jurídica Marilha Holding Ltda decidiram aumentar o capital social de R$ 36.000.000,00 para R$ 60.000.000,00, sendo R$ 19.871.684,00 decorrente da incorporação de uma reserva de reavaliação e R$ 4.128.316,00 proveniente de recursos dos próprios sócios, a ser integralizado em moeda corrente, no prazo máximo de 36 meses. Contudo, no dia seguinte, 25/10/2004, aconteceu exatamente o contrário, ou seja, a empresa contabilizou a remessa de R$ 4.700.000,00 para os sócios. 2. A redução do capital somente veio a público em 05/12/2005, com a publicação no Diário Oficial do Estado do Ceará de Ata da Assembléia dos sócios, que aconteceu em 17/10/2005. 3. Conforme consta da referida Ata, somente os sócios Cesare Dal Molin, Luciano Bianchi, Brafin Ag Vaduz e Capital Investiment Trust teriam direito à devolução de capital, contudo, conforme contrato de câmbio e extrato bancário, o sócio Dartmoor Holding também foi contemplado com a quantia de R$ 524.066,88. Registrese que Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13312.000856/200950 Acórdão n.º 2102003.230 S2C1T2 Fl. 232 11 referido sócio havia transferido todas as suas quotas de capital para o sócio Capital Investment Trust, em 24/10/2004, conforme 9º aditivo ao contrato social. 4. Na Ata da Assembléia, publicada no Diário Oficial do Estado do Ceará, em 05/12/2005, consta que os sócios já haviam integralizado 100% do capital social, contudo, no Balanço Patrimonial Analítico, do anocalendário de 2004, escriturado no Livro Diário, vêse que ainda faltava a integralização do valor total de R$ 4.969.230,14 (Cesare Dal Molin R$ 1.916.693,56, Luciano Bianchi R$ 369.985,51, Dartmoor Holding AG R$ 484.058,53, Brafin Ag Vaduz R$ 810.671,89 e Capital Investiment Trust R$ 1.387.820,65). 5. A remessa dos R$ 4.700.000,00 ao exterior ocorreu no dia 04/11/2004, mais de um ano antes da data da publicação da Ata da Assembléia, ocorrida no dia 05 de novembro de 2005. Diante dos fatos acima expostos, há de se concluir que a tese defendida pela recorrente para justificar a remessa ao exterior destinadas a Cesare Dal Molin, Brafin Ag. Vaduz, Capital Investment Trust, Luciano Bianchi e Dartmoor Holding não pode prosperar. Assiste razão à decisão recorrida quando afirma que, como sobejamente demonstrado, o que autoriza o reembolso dos sócios, decorrente de uma redução de capital, é o atendimento ao procedimento determinado pelo art. 1.084 do Código Civil, situação que somente se concretizou em 05/03/2006, o que inviabiliza se cogitar de as remessas para o exterior efetivadas, em 04/11/2004, terem decorrido da mitigação do capital, tratandose, por conseguinte, de pagamentos sem causa a autorizar a tributação ora debatida, afastandose a pretensão da impugnante. Também não pode prosperar a tese da defesa de que em 04/11/2004 tenha ocorrido um adiantamento de quantias, que seriam devidas aos sócios da pessoa jurídica em decorrência de uma situação que somente veio a ser resolvida um ano depois. Ora, impossível admitirse que em novembro de 2004, no mesmo mês em que a empresa fez um aumento de capital de R$ 36.000.000,00 para R$ 60.000.000,00, fosse possível prever o futuro, a ponto de se saber que um ano depois, em novembro de 2005, o capital da empresa seria reduzido para R$ 55.300.000,00. E mais, ainda que se admitisse que os sócios já estivessem prevendo tal situação, o que seria bastante estranho, devese ter em mente que quando o capital foi aumentado de R$ 36.000.000,00 para R$ 60.000.000,00, em 24/10/2004, o foi da seguinte forma: R$ 19.871.684,00, decorrente da incorporação de uma reserva de reavaliação e R$ 4.128.316,00, proveniente de recursos dos próprios sócios, a ser integralizado em moeda corrente, no prazo máximo de 36 meses. Todavia, tal integralização, que é um pouco menor do que a quantia remetida ao exterior aos sócios da pessoa jurídica, ainda não havia sido integralizada. Aliás, em 31/12/2004, ainda estava por ser integralizado o capital, no valor de R$ 4.969.230,14, que supera o valor remetido aos sócios. Ora, não há que se falar em devolução de capital que ainda não foi integralizado. E esta é a situação que a contribuinte pretende dizer ter ocorrido para justificar as remessas realizadas aos seus sócios em 04/11/2004. Redução do capital social da pessoa jurídica, com devolução aos sócios de capital social ainda não integralizado. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13312.000856/200950 Acórdão n.º 2102003.230 S2C1T2 Fl. 233 12 E mais, não existe nos autos notícias de que tal capital, de R$ 4.969.230,14, tenha sido integralizado, ainda, que depois de ocorrida as remessas feitas aos sócios em 04/11/2004. Nestes termos, demonstrase totalmente desnecessária a perícia requerida pela defesa para verificar se, afora as remessas em questão no lançamento, ocorreram outros repasses àquelas mesmas pessoas, fundados nos atos societários objeto da redução do capital social. Repisese: não há que se falar em devolução de capital ainda não integralizado. Ou seja, melhor seria para a defesa demonstrar que o capital, no valor de R$ 4.969.230,14, foi integralizado, antes da data das remessas realizadas em 04/11/2004 ou pelo menos até a data em que a redução do capital foi de fato formalizada, posto que, somente se pode admitir a devolução de capital social com a demonstração da efetividade da integralização total do capital social da pessoa jurídica. Sem tais demonstrações a tese de adiantamento, levantada pela defesa, fica completamente inviável e comprometida. Devese também dizer que ao caso não se aplicam as disposições do art. 112 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). A autoridade fiscal não lançou dúvida sobre a causa da operação de remessa aos sócios da autuada, tampouco ignorou as provas documentais apresentadas pela recorrente durante o procedimento fiscal. O que de fato ocorreu é que a contribuinte intimada, não se desincumbiu de comprovar a operação que teria dado causa às remessas ao exterior, ocorridas em 04/11/2004, no valor total de R$ 4.700.000,00, posto que a justificativa apresentada não pode ser acolhida em razão dos fatos narrados à exaustão no Termo de Verificação Fiscal. Nessa conformidade, deve ser mantida a exigência do IRRF incidente sobre os pagamentos sem causa, nos termos em que consubstanciado no lançamento. Por fim, apreciase a alegação da defesa de impossibilidade de exigência da multa de ofício, no percentual de 75%. Segundo seu entendimento, o art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, criou uma nova espécie de penalidade, de tal sorte que impossível aplicar a alíquota definida naquele dispositivo legal conjuntamente com a multa de ofício, porque isto importaria num bis in idem. Equivocado é o raciocínio da contribuinte. O art. 61 não criou uma nova penalidade, apenas determinou a incidência do imposto de renda, exclusivo de fonte, à alíquota de 35%, com o reajustamento da base de cálculo, sustentado na presunção legal de que os pagamentos ali descritos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, deslocase a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. Como se vê, não se trata de penalidade, mas de uma presunção legal que atribui à fonte pagadora o dever de arcar com o imposto que deveria ser recolhido do beneficiário do rendimento. Logo, não pode prosperar a alegação da defesa de dupla penalidade. Verificandose, como no presente caso, a ocorrência das hipóteses previstas no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, exigese da fonte pagadora o imposto de renda, exclusivo de fonte, à alíquota de 35%, com o reajustamento da base de cálculo, acompanhado da multa de ofício, no percentual de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13312.000856/200950 Acórdão n.º 2102003.230 S2C1T2 Fl. 234 13 Ante o exposto, voto por afastar a alegação de cerceamento do direito de defesa, rejeitar o pedido de perícia e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 11610.004700/2009-58
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma.
LANÇAMENTO EFETUADO PELA AUTORIDADE JULGADORA. IMPOSSIBILIDADE.
Descabe à Autoridade julgadora efetuar o lançamento de glosa de imposto de renda retido na fonte no bojo de processo administrativo fiscal em que o objeto do lançamento é a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 119.122,40, indevidamente glosado pela Autoridade Julgadora de piso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. LANÇAMENTO EFETUADO PELA AUTORIDADE JULGADORA. IMPOSSIBILIDADE. Descabe à Autoridade julgadora efetuar o lançamento de glosa de imposto de renda retido na fonte no bojo de processo administrativo fiscal em que o objeto do lançamento é a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 119.122,40, indevidamente glosado pela Autoridade Julgadora de piso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. LANÇAMENTO EFETUADO PELA AUTORIDADE JULGADORA. IMPOSSIBILIDADE. Descabe à Autoridade julgadora efetuar o lançamento de “glosa de imposto de renda retido na fonte” no bojo de processo administrativo fiscal em que o objeto do lançamento é a infração de “omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica”. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 119.122,40, indevidamente glosado pela Autoridade Julgadora de piso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 47 00 /2 00 9- 58 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.004700/200958 Acórdão n.º 2801003.887 S2TE01 Fl. 160 2 Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fl. 134 deste processo digital), reproduzido a seguir: O contribuinte em epígrafe insurgese contra o lançamento de fl. 07, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, que reduziu o valor de sua restituição da quantia pleiteada de R$ 119.122,40 para RS 308,83. O lançamento teve origem na constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, pagos pela ULTRAPREV Associação de Previdência Complementar, CNPJ 29.981.107/000140, na quantia de R$ 447.759,55 com retenção na fonte na quantia de R$ 119.122,40. Em sua impugnação o contribuinte requer a retificação do lançamento alegando, em síntese, o que segue: diz que é portador de cardiopatia grave desde janeiro de 2002 e que a isenção de imposto já foi reconhecida pelo Fisco por intermédio do processo n° 13807.013157/200231; além disso, as informações fornecidas ao Fisco pela ULTRAPREV Associação de Previdência Complementar estariam totalmente incorretas; informa que ingressou com o Processo Trabalhista n° 2281/1997 movido contra a ULTRAPREV tendo efetuado Levantamentos de Depósitos Judiciais em 14/01/2004 e em 10/12/2004, nos valores respectivos de R$ 668.657,65 e de R$ 298.453,05. Na declaração de ajuste anual referente ao exercício 2005, anocalendário 2004, informou tais rendimentos como isentos e não tributáveis na linha correspondente a pensão, proventos de aposentadoria ou reforma por moléstia grave, no valor de R$ 1.079.064,71, conforme demonstra à fl. 02; sustenta que esses valores foram efetivamente recebidos nas datas indicadas e que não recebeu qualquer tipo de informe da fonte pagadora ULTRAPREV. Para confirmar suas alegações, informa que declarou no quadro próprio de Pagamentos e Doações Efetuados a quantia de R$ 240.859,48 paga a seus advogados a título de honorários advocatícios; a ULTRAPREV apresentou informe de rendimentos incorreto para o anocalendário 2005, uma vez que os valores foram recebidos em 2004 e em outra quantia. A fonte pagadora efetuou Fl. 160DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.004700/200958 Acórdão n.º 2801003.887 S2TE01 Fl. 161 3 a retenção de imposto indevidamente, conforme DARF recolhido em 30/11/2005 no valor de R$ 119.122,40 por se tratar de rendimento isento; requer a revisão do lançamento e a restituição da quantia de R$ 119.122,40 devidamente atualizada. Junta os documentos de fls. 10/33 para comprovar o quanto alegado. Em face das alegações do contribuinte, a fonte pagadora ULTRAPREV foi intimada a prestar esclarecimentos a respeito dos valores informados em sua DIRF (fl. 48), tendo juntado os documentos de fls. 52/115. A impugnação foi julgada procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 133/136. Entenderam os julgadores da instância de piso que a omissão de rendimentos deveria ser cancelada, uma vez que restou comprovado nos autos que tais rendimentos haviam sido recebidos no anocalendário de 2004. De resto, glosouse o imposto de renda retido na fonte correspondente, no valor de R$ 119.122,40, resultando saldo inexistente de imposto a pagar ou a restituir. Cientificado da decisão de primeira instância em 02/06/2011 (fl. 138), o Interessado interpôs, em 04/07/2011, o recurso de fls. 141/148. Na peça recursal aduz, em síntese, que: No momento da entrega da Declaração Anual de Ajuste do Exercício de 2005 (anobase 2004) foram integralmente declarados os valores recebidos por força do processo judicial trabalhista n° 2281/1997, através dos seguintes levantamentos de depósitos judiciais: em 10/12/2004, R$ 298.453,05 e em 14/01/2004, R$ 668.657,65. À época, a fonte pagadora (Ultraprev) não emitiu qualquer informe de rendimentos referente aos pagamentos acima, vindo fazêlo somente durante o transcurso do anobase 2005, quando enviou ao Recorrente informe complementar no qual constaram os seguintes valores: rendimento tributado no ano de 2005: R$ 447.759,55; IRRF em 2005: R$ 119.122,40, rendimento isento por moléstia grave: R$ 160.647,07. O informe complementar apresentado pela fonte pagadora comprovouse equivocado. Isso porque, uma vez reconhecida a existência de moléstia grave, o montante de R$ 447.759,55 classificase como "nãotributável". Em face do cenário descrito, o procedimento adotado pelo Recorrente não poderia ter sido outro, posto que ao final de 2004 não havia sido emitido o informe de rendimentos. Resta claro que ao opor óbice à restituição do imposto de renda indevidamente retido a decisão ignora fato incontestável e noticiado nos autos, posto que a isenção dos proventos recebidos pelo Recorrente já havia sido legalmente reconhecido em processo administrativo próprio. No caso em apreço, temos que ao desconsiderar a isenção dos rendimentos pagos ao Recorrente a decisão ora combatida está a negar a plena eficácia da Lei n° 7.713/88, artigo 6º, incisos XIV e XXI, com redação dada pelas Leis nºs 8.541/92, 9.250/95 e Fl. 161DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.004700/200958 Acórdão n.º 2801003.887 S2TE01 Fl. 162 4 11.052/2004, bem como ao Despacho 253 exarado no Processo n° 13807.013157/2002 31, sendo imperiosa a sua reforma face aos argumentos desenvolvidos. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. A intributabilidade dos proventos de aposentadoria do portador de moléstia grave encontra previsão no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; O art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, impõe, ainda, como condição para a isenção do imposto de renda de que trata o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, a emissão de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos seguintes termos: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Para gozo do benefício fiscal, portanto, fazse necessário que o beneficiário preencha os requisitos legais exigidos, quais sejam: (a) o reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1998, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. Na espécie, é incontroverso que o Interessado é portador de uma das moléstias elencadas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1988 a partir de janeiro de 2002. É Fl. 162DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.004700/200958 Acórdão n.º 2801003.887 S2TE01 Fl. 163 5 o que revela os seguintes excertos do DespachoDecisório nº 253, às fls. 13/15, exarado no bojo do Processo nº 13807.013157/200231. Confira: Conforme consta às fls. 09, o documento emitido pelo Chefe do Grupamento Médico Pericial do Instituto Nacional da Previdência Social, Agência Braz Leme, São Paulo combinado com os documentos de fls.08, emitido pelo médico cardiologista da Unidade Básica de Saúde da Prefeitura do Município de São Paulo, comprovam, de forma inequívoca, ser o interessado portador de moléstia grave incluída no rol daquelas que isentam os rendimentos de aposentadoria do imposto de renda, a partir de 09/01/2002, conforme prevê o inciso XIV do Art. 6º da Lei 7.713/88, com redação dada pelo artigo 47, da Lei nº 8.541/92, e alterada pelos artigos 30 da Lei nº 9.250 e 1º da Lei nº 11.052/2004. A moléstia está comprovada a partir de janeiro de 2002 e, de acordo com a cópia do extrato de pagamento inicial de aposentadoria emitido pelo INSS anexada às fls. 07 o interessado se aposentou em setembro de 1993, assim sendo, em conformidade com o disposto no artigo 5º, parágrafo 2º, inciso III da IN SRF n° 15 de 2001 a data para isenção de imposto de renda a ser considerada é janeiro de 2002. Por outro lado, a fonte pagadora informou, por meio da petição de fls. 55/57, que “a natureza dos rendimentos pode ser traduzida pela causa de pedir do então reclamante (Eugênio Cesar Guerreiro) nos autos do processo n° 2281/97 – 1ª VT/SP, que corresponde ao pedido de complementação de aposentadoria com os devidos reajustes, além de diferenças de complementação, juros e correção monetária”, o que evidencia que os rendimentos recebidos estão isentos de imposto de renda. Nesse cenário, andou bem a decisão recorrida ao cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 447.759,55, objeto da presente Notificação de Lançamento, até porque tais rendimentos foram percebidos no ano calendário de 2004, conforme comprovam os Alvarás de Levantamento adunados aos autos em fls. 23/24 e que foram lançados na declaração de ajuste anual do mesmo ano, na ficha de “Rendimentos Isentos e não Tributáveis” (fls. 18/22). Por outro lado, andou mal a decisão recorrida ao efetuar a glosa do imposto de renda retido na fonte, por três motivos: primus, porque o Interessado é beneficiário da isenção prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1988 e, até a data limite para a entrega da declaração do ano calendário de 2004, não havia sido emitido o comprovadamente incorreto “Informe de Rendimentos” relativo ao anocalendário de 2005, sendo de conhecimento do Recorrente tão somente os valores que lhe foram pagos em 2004 e que foram declarados como isentos no mesmo ano. secundus, porque ao elaborar a declaração do anocalendário de 2005, já de posse do “Informe de Rendimentos” do mesmo ano e que fora emitido indevidamente, deduziu o imposto de renda que constava do referido comprovante e que não fora deduzido no ano Fl. 163DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11610.004700/200958 Acórdão n.º 2801003.887 S2TE01 Fl. 164 6 anterior, haja vista ser beneficiário de isenção que não poderia ser desconsiderada em face de erro da fonte pagadora. Demais disso, o imposto retido foi efetivamente recolhido aos cofres públicos em 30/11/2005 (DARF à fl. 36). tertius, porque descabe à Autoridade julgadora efetuar o lançamento de “glosa de imposto de renda retido na fonte” no bojo de processo administrativo fiscal em que o objeto do lançamento é a infração de “omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica”, ainda que esta tenha sido lançada indevidamente e ainda que o imposto retido tenha sido compensado com a suposta omissão. Em verdade, apenas o contribuinte, ora Recorrente, utilizouse do procedimento que lhe era possível ao tempo dos fatos (declaração no anocalendário de 2004 dos rendimentos recebidos no mesmo ano e dedução do imposto retido no anocalendário que tomou conhecimento da retenção, vale dizer, no ano calendário de 2005). A fonte pagadora equivocouse ao emitir o comprovante de rendimentos do anocalendário de 2005 com os rendimentos recebidos e o imposto retido do anocalendário de 2004, mas recolhido em 2005; a Autoridade lançadora equivocouse ao efetuar o lançamento de omissão de rendimentos em anocalendário diverso do recebimento dos rendimentos e que já haviam sido declarados no anocalendário anterior; e a Autoridade julgadora equivocouse ao usurpar a competência da Autoridade lançadora para glosar o imposto de renda retido na fonte que fora indevidamente retido, porquanto o beneficiário dos rendimentos era comprovadamente isento do imposto de renda. Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer o imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 119.122,40, indevidamente glosado pela Autoridade julgadora de piso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 164DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 18088.000635/2009-04
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONCOMITÂNCIA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
COMPENSAÇÃO. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. VEDAÇÃO.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme art. 170-A do CTN.
Numero da decisão: 3403-003.464
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial e, na parte conhecida, negar provimento. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONCOMITÂNCIA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. COMPENSAÇÃO. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme art. 170-A do CTN.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial e, na parte conhecida, negar provimento. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2008; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 366 1 365 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.000635/200904 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.464 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria AI IPICRÉDITOS JUDICIAIS Recorrente INDÚSTRIA DE COMPONENTES PLÁSTICOS INCOPLAS LTDA (denominação atual: METALMA EMBALAGENS E COMPONENTES LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONCOMITÂNCIA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. COMPENSAÇÃO. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme art. 170A do CTN. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial e, na parte conhecida, negar provimento. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 06 35 /2 00 9- 04 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre auto de infração lavrado em 23/10/2009 (fls. 257 a 260, com ciência à empresa em 29/10/2009 fl. 2581), para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no período de agosto a dezembro de 2005, acrescido de juros de mora e de multa de ofício de 75%, perfazendo total de R$ 967.623,32. Narra a fiscalização que a autuação decorre de falta de recolhimento/recolhimento a menor do imposto em virtude de utilização de créditos indevidos referentes a entradas isentas provenientes de Manaus sem o devido amparo em ação judicial, bem como de créditos indevidos referentes a entradas de molde não caracterizado como insumo para a indústria, conforme relatório anexo. No Relatório Fiscal anexo à autuação (fls. 261 a 268), informa o fisco que: (a) a empresa possui demanda judicial sobre IPI (autos no 2001.61.15.0015038), mas não estava autorizada a registrar créditos no livro RAIPI das entradas isentas provenientes de Manaus no ano de 2005, porque havia sido indeferida a tutela antecipada em 2002, e o acórdão do TRF (que ainda não havia transitado em julgado) condicionava a escrituração dos créditos ao trânsito em julgado; (b) inexistindo provimento judicial de amparo, não se aplica ao caso a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por não restar configurada a hipótese de exclusão da multa de ofício prevista no art. 63 da Lei no 9.430/1996, tendo sido efetuada compensação antes do trânsito em julgado da ação judicial (em afronta ao art. 170A do CTN); (c) em atendimento a intimação sobre a origem dos créditos de IPI informados na DIPJ como “outros créditos”, a empresa informou que se tratavam de “PERDCOMP”, “correção de notas fiscais (avisos de lançamento)” e “entradas isentas originárias da Zona Franca de Manaus”, tendo sido glosados estes últimos, por falta de previsão legal ou amparo judicial; e (d) no curso do procedimento fiscal detectouse ainda a obtenção indevida de crédito de IPI em relação à Nota Fiscal no 4786 (R$ 593,48), referente a “molde para termoformagem” emprestado (não tendo inclusive havido destaque do IPI na devolução). Em sua impugnação (fls. 282 a 291), apresentada em 27/11/2009, alega a empresa que: (a) “adquire regularmente insumos fabricados na Zona Franca de Manaus, que são beneficiados pela isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, de acordo com a legislação pátria e compensa os créditos oriundos da aquisição desses insumos com o IPI devido na saída das mercadorias”; (b) em relação à Nota Fiscal no 4786, a empresa reconhece o erro e informa ter efetuado o recolhimento correspondente; (c) não se pode negar à empresa o direito de compensação escritural do IPI, tendo em vista que esse direito está expressamente garantido na Constituição Federal (art. 153, IV e § 3o), “não tendo a Constituição estabelecido qualquer restrição à nãocumulatividade aplicável ao IPI”, conforme entendimento do STF no RE no 212.4842/RS; (d) “ante o receio de que a administração não aceitasse o creditamento do imposto”, a empresa “achou por bem levar a questão ao judiciário, a fim de que fosse garantido o creditamento do IPI relativo aos insumos isentos”; e (e) é improcedente a interpretação do acórdão do TRF pelo fisco, no sentido de que a escrituração depende do trânsito em julgado. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 367DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 18088.000635/200904 Acórdão n.º 3403003.464 S3C4T3 Fl. 367 3 Em 26/12/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 956 a 960), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da impugnação apresentada, sob os fundamentos de que: (a) o princípio da não cumulatividade tratado no art. 153, § 3o da Constituição se presta a evitar a incidência em cascata, permitindo a compensação do imposto devido em cada operação com o cobrado nas operações anteriores (sendo improcedente a demanda de crédito se a operação anterior não foi onerada); os insumos isentos adquiridos pela empresa já vieram desonerados do IPI, porque seu fornecedor recuperou o imposto valendose da faculdade prevista no art. 11 da Lei no 9.779/1999; (c) os insumos adquiridos com isenção do IPI não propiciam direito ao crédito, a não ser nos casos excepcionais previstos em lei, ou na hipótese de amparo em decisão judicial (que foi a alternativa buscada pela empresa); (d) a partir da decisão do TRF (estando ainda pendentes apreciações de Recursos Especial e Extraordinário) a empresa poderia se apropriar dos créditos sub judice, com respaldo na decisão contida no acórdão (valores originais, pois a correção se calcula na data do trânsito em julgado); (e) tendo o acórdão sido publicado em 2008, não poderia a autora ter se antecipado, querendo executar a sentença em 2005, mesmo porque não detinha à época decisão favorável; e (f) pela decisão do TRF, os créditos podem ser escriturados, e não terão incidência de correção monetária (se gerados após 01/07/2008), por não haver mais impedimento a seu aproveitamento, sendo os créditos de períodos anteriores corrigidos na data do trânsito em julgado, cabendo à RFB aferir sua validade e correta aplicação. Cientificada da decisão de piso em 12/04/2013 (AR à fl. 345), a empresa (já sob o nome “METALMA EMBALAGENS E COMPONENTES LTDA) apresenta recurso voluntário em 10/05/2013 (fls. 347 a 361), basicamente reiterando a argumentação expressa na impugnação, acrescentando: (a) menção a acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais no 0202.357; (b) que a discussão acerca da possibilidade de a empresa utilizar créditos de IPI calculados sobre aquisição de insumos isentos oriundos da ZFM iniciouse no Poder Judiciário, achando a empresa por bem propor “ação declaratória” reconhecendo seu direito; (c) que o acórdão recorrido incorre em equívoco tanto ao aplicar o art. 11 da Lei no 9.779/1999 para vedar o direito ao crédito quanto ao interpretar a decisão do TRF, que está no bojo de “ação declaratória”, que não constitui relação jurídica (o direito ao crédito não nasceu com a decisão, mas foi por ela reconhecido). Como pedido alternativo ao provimento do recurso voluntário, a empresa demanda sobrestamento até o trânsito em julgado do processo judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. É preciso destacar de início que a empresa informa, ainda em sua impugnação, que acordou com uma das condutas irregulares a ela atribuídas pelo fisco, efetuando pagamento das quantias atualizadas. Por certo que isso não implica improcedência parcial da autuação em relação ao valor reconhecido (pelo contrário, caracteriza exatamente a Fl. 368DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 procedência da autuação, cabendo à unidade local efetuar a imputação do pagamento ao respectivo débito, verificando a escorreição do montante). Remanescem contenciosas, assim, a questão referente à (im)possibilidade de obtenção crédito em relação a aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, e ao fato de ter a empresa escriturado as compensações antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Em relação à primeira questão, a alegação do fisco é basicamente no sentido de inexistência de permissivo legal ao crédito e de que a ação judicial proposta pela empresa não amparava seu direito em 2005 (período em que foram escriturados os créditos), tendo a decisão judicial favorável (no TRF3) sido proferida apenas em 2008. A recorrente, por seu turno, afirma que nem precisaria do provimento judicial, pois o direito é constitucionalmente assegurado (fazendo referência a julgado do STF e da CSRF), mas que ingressou com ação declaratória justamente para explicitar seu direito, tendo o TRF3 emitido decisão que reconhece (e não constitui) o direito. Sobre o direito de tomar créditos em relação a aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus manifestouse esta Terceira Turma recentemente, já com a composição atual do colegiado, sendo a conclusão unânime no sentido de que: “DECISÕES DO STF. APLICABILIDADE. À luz do art. 62A do RICARF, o RE 212.484 tornouse inaplicável no âmbito do CARF desde a decretação da repercussão geral no RE 592.891. CRÉDITOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do DecretoLei nº 288/67.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403 003.323, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime, sessão de 15.out.2014) No voto condutor de tal acórdão, é rechaçado exatamente o posicionamento adotado pela empresa no presente processo, de que o amparo é constitucional e já foi reconhecido pelo STF no RE no 212.484/RS: “Também não socorre à recorrente a Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, pois com no julgamento do RE nº 566.819 o STF reformou seu entendimento quanto ao direito de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos. Por outro lado, com o reconhecimento da repercussão geral no RE 592.891, a questão do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM se encontra pendente de julgamento pelo STF, o que retira o caráter de definitividade do RE 212.484, impedindo este colegiado de aplicar o art. 62A do RICARF para estender aquela interpretação ao caso concreto. A decretação da repercussão geral retira o caráter de definitividade do RE 212.484 porque o tribunal pode modificar seu entendimento. Não foi por outro motivo que este colegiado sobrestou o julgamento deste recurso enquanto vigeram os §§ 1º e 2º do art. 62A do RICARF. (...) Fl. 369DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 18088.000635/200904 Acórdão n.º 3403003.464 S3C4T3 Fl. 368 5 A defesa pleiteou o reconhecimento desse crédito com fundamento nos mesmos argumentos que estão sob o crivo do Supremo Tribunal Federal no RE 592.891 (art. 153, IV, § 3º da CF/88). Entretanto, os órgãos administrativos de julgamento não podem afastar a aplicação do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) para reconhecer um crédito não previsto no DL nº 288/67 porque o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 veda a este colegiado a possibilidade de negar vigência a dispositivo legal de hierarquia igual ou superior a decreto.” Assim, nem se alonga na discussão do tema, já conhecido da Turma. Judicialmente, se fosse pacífico seu reconhecimento, o STF simplesmente manteria o entendimento expresso no RE no 212.484/RS (e comungado pelo Acórdão da CSRF, de 2006, trazido no recurso voluntário), ao invés de reconhecer a repercussão geral do tema em outubro de 2010 (no RE no 592.891/RS). Quanto à menção no julgamento da DRJ ao art. 11 da Lei no 9.779/1999, é simplesmente no sentido de informar que nas ocasiões em que a legislação permite o crédito em relação a insumos isentos, ela o faz expressamente. Não foi o comando normativo, assim, motivação para o afastamento do direito (motivação essa que claramente foi a carência de fundamento legal), mas exemplo utilizado na argumentação do julgador. Antes de este colegiado se manifestar administrativamente sobre a (im)possibilidade de obtenção crédito em relação a aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, no presente processo, é preciso, contudo, verificar o conteúdo da ação judicial proposta pela empresa, em obediência à unidade de jurisdição. A ação judicial proposta pela empresa (“ação ordinária com pedido de antecipação dos efeitos da tutela” no 2001.61.15.0015038 peça inicial às fls. 148 a 160), buscava discutir exatamente a primeira matéria que resta contenciosa nos autos. E isso fica claro logo ao início da peça inicial (fls. 148/149): Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 Vejase que a demanda judicial é exatamente para assegurar à empresa o direito de lançar os créditos de IPI gerados nas aquisições “sem incidência” do imposto, em operações pretéritas e futuras. E isso é endossado/explicado pelo pedido efetuado (fl. 159):2 2 Expurgaramse aqui, do pedido, os itens sem relação com a matéria discutida nos autos ("b", referente a "correção mentária"; e "e", relativo a honorários advocatícios. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 18088.000635/200904 Acórdão n.º 3403003.464 S3C4T3 Fl. 369 7 Assim, a primeira matéria discutida administrativamente no presente processo é totalmente englobada no conteúdo submetido ao Poder Judiciário. No pedido “a”, a empresa discute judicialmente o direito a crédito nas aquisições isentas, entre outras; e no pedido “d”, pede para durante o curso da lide efetuar o lançamento na escrita, impedindo a imposição de penalidades pelo fisco. Antes de seguir na análise das decisões judiciais obtidas, cabe de plano destacar que, apesar de ser livre o acesso ao Poder Judiciário, a empresa não pode discutir o mesmo tema administrativa e judicialmente. Efetuada a opção pela via judicial, ocorre renúncia à discussão administrativa, como já assentado historicamente no CARF (a ponto de se refletir na primeira súmula do tribunal): “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (grifo nosso) Não se pode, assim, discutir no presente processo o direito a crédito em relação a aquisição de insumos isentos (oriundos ou não da Zona Franca de Manaus), visto que essa matéria é expressamente tratada no processo judicial. Houvesse a análise administrativa, estarseia diante do risco de provimentos (administrativo e judicial) contraditórios. A concomitância resta patente na peça recursal (fl. 357), reconhecendo a empresa que: Sói ainda destacar que a tutela antecipada foi indeferida em 28/01/2002 (fl. 164): Fl. 372DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 Assim, deixou de pairar impeditivo para que o fisco autuasse a empresa (tendo a decisão judicial fulminado os pleitos da recorrente de “durante o curso da lide” efetuar os lançamentos de crédito na escrita fiscal, e de impedir que o fisco a autuasse por tal motivo). Ou seja, no ano em que lançou os créditos na escrita fiscal (2005), a recorrente, além de não possuir amparo judicial para a medida, arvorouse no direito de escriturar os créditos exatamente na forma em que foi negada a tutela no processo judicial, em 2002. O julgamento do processo judicial, em primeira instância, data de 22/08/2007 (fl. 169), e novamente não socorre a recorrente: Sobreveio em acórdão do TRF da 3a Região, assim ementado: “TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. DECRETO N. 20.910/1932. INSUMOS, MATÉRIASPRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS, MATERIAIS DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO SOB REGIME DE ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO, IMUNIDADE OU NÃO TRIBUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. ÔNUS DA SUCUMBÊNCIA. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 18088.000635/200904 Acórdão n.º 3403003.464 S3C4T3 Fl. 370 9 1. Prescrição das parcelas anteriores a 5 (cinco) anos da propositura da ação, por aplicação da regra do Decreto n. 20.910/1932. Precedentes do STJ. Declaração de ofício. 2. Autorizase o aproveitamento dos créditos relativos à aquisição de insumos, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente incorporados ao produto final e adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, em conformidade com entendimento do STF (RREE 370.682SC, 353657PR e 212.4842), considerandose as alíquotas a eles aplicáveis em outras regiões do país. Excluída da autorização energia elétrica, máquinas e equipamentos com vida útil inferior a doze anos e outros que não compõem o produto ou sofrem desgaste ao longo do ciclo produtivo final. 3. Negada a compensação do crédito de IPI com outros tributos, por falta de permissivo legal. 4. É devida a correção monetária dos créditos admitidos, uma vez que o aproveitamento não ocorreu em época própria porque assim não autorizava o Fisco, obrigando o contribuinte a dirigir se ao Judiciário para ver reconhecido o seu direito. 5. Entendimento da Turma, em sintonia com jurisprudência uníssona dos Tribunais, no sentido de que a correção monetária é tãosomente a reconstituição do valor da moeda, não implicando em penalidade nem em acréscimo ao montante a ser restituído. 6. Deferida a atualização dos créditos desde a data em que poderiam ter sido aproveitados e não foram, até o trânsito em julgado nestes autos, pela taxa Selic, índice oficial que a Turma entende aplicável à compensação tributária, no período. Precedente do STJ (ERESP 468926). 7. Ressalva expressa da atividade fiscalizatória da Secretaria da Receita Federal no sentido de verificar se houve ou não o creditamento do IPI no passado e assim, o cabimento da correção monetária deferida. 8. Juros moratórios de 1% ao mês indevidos. 9. Honorários advocatícios mantidos como fixados pela sentença, em face da sucumbência mínima da União.” (TRF3, Terceira Turma, Rel. Des. Márcio Moraes, unânime, sessão de 19.jun.2008, disponibilizado em 01.jul.2008) (grifo nosso) Foram rejeitados os embargos interpostos ao acórdão do TRF (em 24/06/2010), estando atualmente o julgamento sobrestado (em 08/06/2011) por força do RE no 590.809/RS, como se verifica em consulta ao sítio web do TRF da 3a Região Fiscal. Assim, ao tempo da autuação (final de 2009), a empresa já tinha em seu favor a decisão do TRF da 3a Região, autorizando o aproveitamento dos créditos relativos à aquisição de insumos, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente incorporados ao produto final e adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o Fl. 374DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 forem junto à Zona Franca de Manaus, excluída da autorização energia elétrica, máquinas e equipamentos com vida útil inferior a doze anos e outros que não compõem o produto ou sofrem desgaste ao longo do ciclo produtivo final. Resta saber se tal decisão, proferida em 2008, permitia/endossava a escrituração efetuada em 2005, e expressamente negada na antecipação de tutela em 2002. E isso é exatamente a segunda questão que resta contenciosa nestes autos. Entende o fisco que não (e por isso lavra a multa de ofício, não considerando o crédito com exigibilidade suspensa na forma do art. 63 da Lei no 9.430/1996), com base em excerto da decisão do TRF no qual se afirma que: “Considerando, entretanto, que o trânsito em julgado ocorrerá em período de aplicação exclusiva da taxa Selic, além do fato de que com o trânsito cessará o impedimento à escrituração do crédito atualizado, os juros de mora de 1% ao mês são indevidos na hipótese dos autos.” Já a recorrente sustenta que é improcedente a interpretação do acórdão do TRF pelo fisco, no sentido de que a escrituração depende do trânsito em julgado, pois faz leitura constitutiva de uma decisão no bojo de “ação declaratória”, que não constitui relação jurídica (afirmando que o direito ao crédito não nasceu com a decisão, mas foi por ela reconhecido). Verificando o teor do acórdão do TRF, percebese que foi garantido judicialmente o aproveitamento do crédito (“direito de creditamento”), não tratando o julgamento da forma de aproveitamento (v.g. escrituração direta, como pleiteado sem sucesso em tutela antecipada), seja pelo item 2 do acórdão transcrito, ou pelo seguinte excerto do voto (no tópico referente a “crédito do IPI”): “Em conclusão, estando a questão de fundo inteiramente decidida pela Corte Excelsa, é de se reconhecer o direito da impetrante ao creditamento do imposto que seria devido apenas no caso de aquisição de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem) oriundos da Zona Franca de Manaus. Consigno que os itens mencionados no parágrafo anterior abrangidos neste voto são exclusivamente aqueles efetivamente incorporados ao produto final, excluídos aqueles que não o compõem ou sofrem desgaste ao longo do ciclo produtivo,(...)” (grifo nosso) Na sequência do voto, em tópico intitulado “compensação tributária”, explicase: “Diferentes são as situações de repetição de indébito tributário, que tem como uma de suas espécies a compensação tributária, e o sistema de crédito e débito de valores relativos ao IPI, como forma de operacionalização do princípio da nãocumulatividade insculpido no art.153, § 3º, II, da CF/1988. Para a primeira hipótese (repetição de indébito), com a edição da Lei nº 9.430/1996, passaram a coexistir dois regimes legais de compensação: o primeiro regido pela Lei n. 8.383/1991, alterada pela Lei n.9.069, de 29 de junho de 1995, e pela Lei n. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 18088.000635/200904 Acórdão n.º 3403003.464 S3C4T3 Fl. 371 11 9.250, de 26 de dezembro de 1995, disciplinando a compensação de tributos da mesma espécie e destinação constitucional, e o segundo estabelecido pela Lei n. 9.430/1996, orientando a compensação de tributos de espécies e destinações diferentes, administrados pela Receita Federal, mediante requerimento ao órgão administrativo, e, a partir da Lei 10.637, de 30.12.2002, por iniciativa do contribuinte, mediante entrega de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados, com o efeito de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Relativamente ao crédito de IPI gerado nas operações anteriores da cadeia produtiva e cujo aproveitamento não seja possível com o próprio IPI na fase posterior, a autorização legal de compensação com outros tributos, na forma da Lei nº 9.430/1996, surgiu apenas com a Lei nº 9.779/1999, (...) (...) Vêse daí que não há permissivo legal para a compensação de IPI com outros tributos e contribuições na situação dos autos, não sendo possível atender a pretensão da impetrante, nessa parte.” Após reconhecer o direito ao crédito, e negar a compensação com outros tributos, o voto condutor trata de “atualização monetária e juros de mora”, já iniciando suas observações com a seguinte afirmação: “Relativamente à correção monetária do crédito ora reconhecido e não lançado na época própria, não olvidamos a existência de precedentes do STF segundo os quais “a falta de correção monetária não afeta o princípio da não cumulatividade e somente implica em enriquecimento sem causa, quando houver óbice do Fisco, oposto diante de previsão legal que contemplar o procedimento de compensação. O contribuinte tem que demonstrar este óbice e a existência de norma legal que se contrapõe a esta conduta.”.” (grifo nosso) Pareceu partir o relator de informação equivocada (por certo, induzido pelo teor dos autos), de que o crédito que estava reconhecendo não havia sido lançado à época própria. Ocorre que, em descumprimento à negativa de tutela antecipada (em 2002) para escriturar os créditos durante o curso do processo judicial, a empresa ainda assim os escriturou em 2005. Mas é na leitura da conclusão deste tópico do voto (“atualização monetária e juros de mora”) que divergem veementemente fisco e recorrente sobre os efeitos da decisão: “Assim sendo, alinhome ao entendimento estampado nos votos aqui transcritos, cujos fundamentos adoto, para reconhecer o direito à correção monetária do crédito de IPI ora admitido, a incidir desde a data em que o crédito poderia ter sido aproveitado e não o foi até o trânsito em julgado da decisão nestes autos. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 Considerando a prescrição parcial e o entendimento da Turma acerca dos índices aplicáveis à compensação tributária, os valores deverão ser corrigidos pela taxa Selic, índice oficial. Ressalvo expressamente a atividade fiscalizatória da Secretaria da Receita Federal, inclusive no sentido de verificar se houve ou não o creditamento do IPI no passado e assim, o cabimento da correção monetária deferida. São indevidos juros moratórios de 1% ao mês, haja vista que esse consectário apenas incide a partir do trânsito em julgado, por aplicação do art. 167, parágrafo único, do CTN e Súmulas 162 e 188/STJ (RESP 677445). Considerando, entretanto, que o trânsito em julgado ocorrerá em período de aplicação exclusiva da taxa Selic, além do fato de que com o trânsito cessará o impedimento à escrituração do crédito atualizado, os juros de mora de 1% ao mês são indevidos na hipótese dos autos.” Novamente se percebe que trata o relator de reconhecer o crédito de IPI corrigido “desde a data em que o crédito poderia ter sido aproveitado e não o foi”. Parece assim endossar o entendimento de que a empresa não escriturou efetivamente o crédito. Mas, na dúvida, permitiu à “Receita Federal verificar se houve ou não creditamento do IPI no passado”, para checar se era cabível a correção. E, ao final, esclareceu que os juros de mora de 1% ao mês são indevidos por incidirem somente após o trânsito em julgado. Estáse a tratar, assim, de duas coisas diferentes (ao menos para o voto analisado): “correção monetária” e “juros de mora de 1% ao mês”, aquela incidindo desde a data em que o crédito poderia ter sido aproveitado e não o foi, à Taxa SELIC, e estes, sendo inaplicáveis, por incidirem somente após o trânsito em julgado. Nada consta, a nosso ver, sobre estar assegurado o direito à escrituração. Ademais, a conclusão do voto esclarece melhor o provimento deferido: “5. Conclusão Declaro a prescrição qüinqüenal dos créditos, de ofício; reconheço o direito ao crédito do IPI apenas na aquisição de insumos, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem isentos, oriundos da Zona Franca de Manaus e efetivamente incorporados ao produto final, a ser aproveitado exclusivamente em compensação com o próprio IPI, com atualização monetária pela taxa Selic. Mantenho os honorários advocatícios como fixados pela sentença, em face da sucumbência mínima da União. Pelo exposto, dou parcial provimento à apelação e de ofício declaro a prescrição parcial. É o voto.” Nítido que o provimento judicial de que dispunha a empresa ao tempo da autuação era para reconhecimento de direito creditório, a ser aproveitado em compensação, a título provisório, pois ainda pendente de trânsito em julgado o processo. Daí ter o autuante invocado o art. 170A do CTN em seu relatório fiscal (fl. 265): Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 18088.000635/200904 Acórdão n.º 3403003.464 S3C4T3 Fl. 372 13 “De outra forma não poderia ser, pois a escrituração dos créditos no livro Registro de Apuração do IPI implicou em pagamento a menor (ou ausência de pagamento) do 1PI. Não há porque se afastar a aplicação do art. 170A do CTN no presente caso, pois a fiscalizada valeuse da compensação com crédito objeto de discussão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Reforço que no curso do procedimento fiscal dei nova oportunidade para que o contribuinte comprovasse a existência de autorização para o creditamento em 2005, conforme atesta o item 3.8 do Termo de constatação de Intimação Fiscal 001/323/2009.” (grifo nosso) Efetivamente, ao tempo em que a escrituração foi efetuada (2005) não havia nenhum provimento judicial favorável à recorrente. E o provimento judicial posterior, como aqui destacado, não amparava a escrituração ou compensação já efetuada, mas tão somente o direito de crédito e o direito de compensar (ainda a título não definitivo), que deveriam depois do trânsito em julgado ser aplicados/implementados (judicial ou administrativamente). E nem proíbe nenhuma das decisões judiciais (pelo contrário, a decisão na antecipação de tutela expressamente afastava pleito da empresa para que fosse proibido) o lançamento dos valores correspondentes a débitos diversos de IPI indevidamente já compensados na escrita com os créditos que se está aqui a tratar (decorrentes de aquisições isentas de mercadorias oriundas da ZFM). De fato, não pode haver efetiva compensação antes do trânsito em julgado da ação judicial, como se percebe do texto do art. 170A do CTN (aplicável a demandas posteriores a 11/01/2001, como a tratada no presente processo): “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial” (grifo nosso) Assim, correta ação do fisco de efetuar o lançamento dos débitos diversos de IPI indevidamente já compensados na escrita com os créditos que se está aqui a tratar (que seguem sendo discutidos judicialmente). Diante da incerteza sobre os créditos postulados em juízo, não poderia a empresa já ter se aproveitado destes, compensandoos com outros débitos de IPI. Assim, procedente o lançamento. Mas esclareçase, aqui, que apesar de restar claro que a compensação é indevida (pois ainda não transitado em julgado o processo judicial), sendo cabível o lançamento decorrente, não se está aqui discutir o direito creditório (e nem se poderia, porque sobre tal matéria deve se pronunciar em instância final o Poder Judiciário, em função da unidade de jurisdição). Se procedente a ação judicial, a empresa fará jus a tudo o que ali lhe for assegurado. Mas tal discussão não impede nem afeta a autuação aqui levada a cabo, na qual restou patente a efetivação de compensação indevida (pois realizada unilateralmente antes do trânsito em julgado de ação judicial na qual se discute o direito creditório). E, por fim, apesar de não haver previsão para o sobrestamento demandado (a única que havia, no art. 62A do RICARF, foi expressamente revogada), é certo que ao final do Fl. 378DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 14 processo judicial, como aqui destacado, deverá ser garantida à empresa a tutela que for jurisdicionalmente assegurada de forma definitiva. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 379DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10580.911880/2009-68
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/07/2006
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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PROMAT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/07/2006 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 18 80 /2 00 9- 68 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (São Paulo I)/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. O Recorrente, nas razões de fls. 61 e ss., alega que a existência de decisão judicial seria suficiente para comprovar do crédito objeto da compensação. Após reproduzir parte da decisão liminar, confirmada em sentença, sustenta que esta teria reconhecido o direito dos substituídos processuais dentre os quais o Recorrente de compensar todos os valores indevidamente recolhidos à título de PIS/Pasep e de Cofins sobre a receita de medicamentos, nos termos da Lei nº 10.147/2000. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 13/02/2014 (fls. 67), interpondo recurso tempestivo em 14/02/2014 (fls. 69). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911880/200968 Acórdão n.º 3802003.753 S3TE02 Fl. 82 3 contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911880/200968 Acórdão n.º 3802003.753 S3TE02 Fl. 83 5 CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples afirmação de que existiria decisão judicial reconhecendo suposto direito de crédito – formulada apenas por ocasião da interposição do recurso voluntário e omitida no campo dos “dados inicias” do PER/Dcomp– é insuficiente para a reforma da decisão recorrida, quando não demonstrada documentalmente a efetiva liquidez e certeza do direito creditório. Na data da transmissão dos PER/Dcomps, vigorava a Instrução Normativa RFB nº 600/2005, que, como se sabe, exige a prévia habilitação do crédito como requisito indispensável para a transmissão válida de pedido de compensação lastreado em decisão judicial: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I – o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II – a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 III – a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV – cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V – a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI – a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. O Recorrente, além de omitir a suposta existência de decisão judicial na manifestação de inconformidade, sequer fez indicação deste fato nos “dados iniciais” do PER/Dcomp, preenchendo negativamente o campo “crédito oriundo de ação judicial”. Tal fato além de induzir em erro a autoridade julgadora a quo inviabiliza o reconhecimento da homologação, uma vez que o PER/Dcomp, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, pressupõe a correta identificação do crédito, inclusive e principalmente no tocante ao fato de ser decorrente de suposta decisão judicial. Com efeito, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Tais modalidades foram substituídas pela autocompensação, que – ao lado da compensação deofício e ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e aos débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911880/200968 Acórdão n.º 3802003.753 S3TE02 Fl. 84 7 A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque não foi identificada corretamente a origem do crédito nem demonstrada a sua liquidez e certeza. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912297/2012-88
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/07/2008
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 22 97 /2 01 2- 88 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Não há previsão legal para retificação de DCOMP por meio de manifestação de inconformidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), identificando, em tese, incorretamente o valor do crédito. O valor do crédito original informado não era suficiente para a quitação o débito, já que teria sido integralmente utilizado em outros débitos. Apesar de afirmar o erro, não retificou a Per/Dcomp, supostamente por não ter conseguido fazêlo em razão da superveniência de decisão administrativa. A DRJ manteve a não homologação, porque não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 60 e ss., alega que teria tentado retificar o PER/Dcomp, corrigindo o valor original do crédito inicial, do crédito acumulado e do saldo do crédito original. Porém, devido à superveniência do despacho decisório, não conseguiu transmitir a retificação. Sustenta ter direito à retificação, bem como a veracidade do direito de crédito. Apresenta como prova do direito de crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.912297/201288 Acórdão n.º 3802003.776 S3TE02 Fl. 87 3 O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 04/11/2013 (fls. 57), interpondo recurso tempestivo em 02/12/2013 (fls. 60). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.912297/201288 Acórdão n.º 3802003.776 S3TE02 Fl. 88 5 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a apresentar como prova da “veracidade” do crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Tais documentos, contudo, são insuficientes para demonstrar a liquidez e a certeza do direito de crédito, porque apenas veiculam a insurgência do Recorrente em face do despacho decisório (item “a”), comprovam o preenchimento do PER/Dcomp retificado (item “b” e “c”), a regularidade da representação do Recorrente (itens “e”, “f” e “d”), bem como o pagamento do Darf (itens “d”). Estão distantes, como se vê, de qualquer relação de pertinência com a prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11442.000216/2010-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões. O Recurso foi julgado na reunião de outubro de 2014, onde negou-se provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões. O Recurso foi julgado na reunião de outubro de 2014, onde negouse provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 2. 00 02 16 /2 01 0- 72 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000216/201072 Acórdão n.º 3301002.485 S3C3T1 Fl. 154 2 (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000216/201072 Acórdão n.º 3301002.485 S3C3T1 Fl. 155 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento Eletrônico, por meio do qual a interessada requer o ressarcimento de créditos que julga possuir, oriundo de créditos da COFINS NãoCumulativa. A interessada não transmitiu Declarações de Compensação vinculadas ao Pedido de Ressarcimento acima citado. Intimada a apresentar documentos e informações a contribuinte informou que os supostos créditos pleiteados no PER foram motivados pela comercialização de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas classificações fiscais 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001, pleiteando seus créditos com base no artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004. Indeferido o pedido apresentou Manifestação de Inconformidade solicitando a reforma do Despacho Decisório, com uma rica argumentação onde discorre sobre dois marcos normativos importantes que não teriam sido observados: o art. 17 da Lei 11.033, de 2004 que lhe daria o direito de se creditar da Cofins e do PIS incidente sobre a fase anterior em regime de substituição tributária; e o art. 42 da Lei 11.727, de 2008, que revogou a sistemática de não cumulatividade ainda mantida pelas leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002 para alguns casos específicos previstos no inciso IV do § 3º do art. 1º e a alínea a do inciso VII do art. 8º das referidas leis, respectivamente para a Cofins e o PIS, o que teria eliminado qualquer discussão sobre as normas de não cumulatividade que, por princípio, devem permitir o crédito sobre as contribuições que incidiram na fase anterior da cadeia produtiva. A DRJ de Ribeirão Preto/SP julgou improcedente o pedido da contribuinte sendo o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. Em razão da técnica legalmente implementada de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de automóveis e peças, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda desses produtos são submetidas à alíquota zero de PIS e Cofins, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses bens. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 155DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000216/201072 Acórdão n.º 3301002.485 S3C3T1 Fl. 156 4 Inconformada apresenta a recorrente o presente recurso voluntário apontando as mesmas razões apontadas na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000216/201072 Acórdão n.º 3301002.485 S3C3T1 Fl. 157 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da COFINS incidente sobre aquisição de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas posições 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001. No âmbito do PIS e da COFINS, os veículos automotores, bem como as autopeças mencionadas nos anexos I e II da lei n.° 10.485/2002, estão sujeitos ao regime de tributação monofásica desde o advento desse diploma legal, cujos artigos. 1º e 3º, após as alterações introduzidas pela lei n.º 10.865/2004, trazem a seguinte redação: Art. 1º. As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n.º 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1º desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 157DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000216/201072 Acórdão n.º 3301002.485 S3C3T1 Fl. 158 6 II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1º Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, inclusive em decorrência de modificações na codificação da TIPI. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e II – o caput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. O sistema de incidência monofásica consiste na concentração de tributação das contribuições do PIS e da COFINS no início da cadeia produtiva, isto é, ocorre a incidência de alíquotas mais elevadas nas etapas de produção e importação, desonerandose as fases seguintes da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero. Vale dizer, o fato gerador ocorre uma única vez nas vendas realizadas pelos fabricantes/importadores, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. A concentração funciona, assim, como uma antecipação da cobrança do tributo que normalmente seria cobrado nas operações subseqüentes à cadeia inicial. Essa sistemática foi instituída nos termos dos artigos acima apontados que estabeleceu o regime de incidência monofásica, na origem, ou seja, nos fabricantes e importadores, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Na incidência monofásica os fabricantes e importadores passaram a efetuar o recolhimento das citadas Contribuições somente na condição de contribuinte (de fato e direito), deixando de ser contribuintes substitutos dos demais intervenientes nas etapas de comercialização seguintes (as distribuidoras e os varejistas). Fl. 158DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000216/201072 Acórdão n.º 3301002.485 S3C3T1 Fl. 159 7 Em decorrência da nova modalidade de incidência, as receitas dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram excluídas do pagamento das referidas Contribuições, com base no regime da alíquota zero, conforme § 2º do artigo 3º, supra citado. Não é demais ressaltar que, a partir da nova forma de incidência a tributação dos fabricantes e varejistas passaram a ser realizadas de forma autônoma. Em decorrência, o que for recolhido pelo fabricante não mais significa antecipação do que seria devido nas etapas subseqüentes. Logo, a incidência das mencionadas contribuições sobre os fabricantes ou importadores, assim como os pagamentos por eles realizados são considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos para revenda. Nesse sentido, é pertinente trazer à colação o entendimento dos renomados Professores Sacha Calmon Navarro Coêlho e Misabel Abreu Machado Derzi, externados no excerto extraído da Revista Dialética de Direito Tributário n.º 86, página 113, a seguir transcrito: “... cabe agora dizer que no caso em exame não temos substituição tributária e tampouco nãoincidência (imunidade, isenção ou alíquota zero), mas uma categoria jurídica diferente, a da tributação monofásica”. (grifos do original) Logo, a eficácia das modificações introduzidas pela MP n.º 1.99115, de 2000, no que tange à nova redação do art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, conforme determinado no seu art. 46, II, verificouse, como já mencionado, desde 01/07/2000, não mais existindo, a partir daí, o regime de substituição tributária. Ressaltese, ainda, que o referido dispositivo constou em todas as reedições posteriores da citada MP, sendo repetido na atual MP n.º 2.158 35, de 24 de agosto de 2001 (art. 92, II), que em face do disposto no art. 2º da EC n.º 32/2001, não carece de reedição. Assim, a MP n.º 1.99115, de 2000, extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Por sua vez, a MP 1.99118, de 2000, a Lei n.º 9.990, de 1990 e a Lei n.º 10.865, de 2004, sem alterar o regime jurídico de incidência monofásica, modificaram apenas as alíquotas aplicáveis as operações em análise. Nesse sentido, no regime monofásico de incidência não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez. No presente Recurso, sustentou a interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de veículos, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Não assiste razão a Recorrente. O citado preceito legal, não comporta tal conclusão, conforme observase de sua redação, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000216/201072 Acórdão n.º 3301002.485 S3C3T1 Fl. 160 8 Da leitura do transcrito comando legal, resta indubitável que ele se aplica, exclusivamente, a manutenção de créditos, calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, segundo sistemática da nãocumulatividade, ou seja, quando a cadeia de incidência não é a em exame. Além disso, por força do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de veículos objetos da presente discussão. Assim, ao se referir à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o dispositivo em análise, na verdade, está se referindo aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos das ditas Contribuições, no âmbito do regime de incidência nãocumulativa, sem contudo alterar a força normativa do inciso alínea “b” do I do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, que, de forma expressa, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos, cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, especificamente, o de incidência monofásica em apreço. Ademais, tendo em conta a natureza específica de cada uma das formas de incidência — e não regime de tributação — das citadas Contribuições anteriormente abordadas, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. Na verdade, ambos os preceitos legais tratam de sistemáticas distintas de incidência, não podendo o regramento de uma ser invocado para fins de apuração e cobrança por meio de outra sistemática, sem que haja grave distorção nos regimes de apuração e cobrança das referidas Contribuições. Em consideração ao caso tomo a liberdade de apontar a expressão do parágrafo oito da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002, a saber (os destaques são nossos): 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Esse foi o cuidado tomado pela Lei, explicitar que os regimes são distintos e não intersectáveis e na condição de Conselheiro, ao qual a discussão da óbvia inconstitucionalidade, não é permitida. Até tenho me posicionado que quando a empresa opera com produtos do sistema monofásico e no regime da nãocumulatividade, poderá descontar créditos quanto às máquinas e veículos utilizados como insumo na fabricação ou prestação de serviços, mas não como se pretende no presente caso, porque para a revenda esse aproveitamento é expressamente vedado. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000216/201072 Acórdão n.º 3301002.485 S3C3T1 Fl. 161 9 Assim, os comerciantes distribuidores, atacadistas e varejistas que comercializam mercadorias sujeitas ao regime de incidência monofásica — mecanismo de incidência monofásica, forma de incidência monofásica ou qualquer sinonímia que se queira dar à essa forma de incidir —, mesmo que submetidos ao regime nãocumulativo, são proibidos de descontar créditos em relação à aquisição de tais produtos quando adquiridos para revenda. Essa restrição é específica aos produtos sujeitos à incidência monofásica adquiridos para revenda, portanto, a aquisição de produtos submetidos à incidência monofásica para serem utilizados em processos de industrialização ou prestação de serviços (insumos), não estão abrangidos pela restrição. A título de exemplo, suponhamos que uma fábrica de automóveis adquira filtros de combustíveis, sujeitas à incidência monofásica, para serem empregadas na fabricação daquele produto. Nesta hipótese, a empresa poderá descontar créditos normalmente, sendo que as alíquotas aplicáveis no cálculo dos créditos serão de 1,65% para o PIS/Pasep e 7,60% para a Cofins, ou seja, não serão aplicadas as alíquotas diferenciadas. É verdade que a Presidência da República vem tentando, sistematicamente, restringir através de Medidas Provisórias (MP's), a apropriação dos créditos sobre os custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico, todavia, essa tentativa de restrição não perdurou nas respectivas conversões em Lei. Assim, podemos concluir que é admitido aos atacadistas e varejistas o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico das contribuições, ou seja, a restrição abrange apenas a aquisição dos produtos adquiridos para revenda e não os utilizados como insumo. O referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004, cuja justificativa na exposição de motivos é simplória expressando que “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, no meu exame, serviu para informar que o crédito das contribuições relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos devem permanecer e que a restrição é com relação aos produtos destinados à revenda. No mais, se serve para esclarecer dúvidas, não serve para inovar, garantindo um direito novo, diferente do ante existente. Cabe destacar ainda que existe uma diferença marcante entre a previsão de alíquota zero apontada no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, e aquela outra estabelecida no inciso I do artigo 50 da Lei n.º 10.833, de 2003. A primeira visa exonerar determinadas receita de venda da cobrança das citadas Contribuições, ao passo que a segunda tem por objetivo a implementação da técnica de apuração e cobrança de forma concentrada ou monofásica. No caso em tela, caso fosse acatado o entendimento esposado pela Recorrente, o que se admite apenas para fins argumentativos, teria direito ao crédito tanto o comerciante atacadista, quando houver, como, por ex., no caso de distribuidoras de combustíveis, quanto o varejista. Em decorrência, com a fruição dos créditos por ambos os contribuintes, chegarse ia ao absurdo de a Fazenda Nacional recolher um valor para em seguida devolvêlo em dobro. Ante o exposto, fica demonstrado que, seja pelo prisma estritamente jurídico, seja pelo lado racional que norteia a técnica da tributação concentrada, as receitas dos comerciantes atacadistas e varejistas decorrentes das vendas de automóveis estão sujeitas à Fl. 161DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000216/201072 Acórdão n.º 3301002.485 S3C3T1 Fl. 162 10 alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento dos créditos atinentes às aquisições desses bens dos fabricantes e importadores, únicos responsáveis pela apuração e recolhimento das ditas Contribuições incidentes em toda a cadeia de venda. Tenho, por fim, que explicitar que o que existe é um mecanismo de incidência monofásica no qual alguns produtos se submetem à opção do legislador e o regime da nãocumulatividade que permite a apuração de créditos dentro dos limites também delimitados pelo legislador pátrio, estando os produtos sujeitos à incidência monofásica, quando adquiridos para revenda, fora dos permitidos para a apuração dos créditos. Assim, para esses, não há que se cogitar nem de débito nem de crédito das referidas Contribuições, por expressa determinação legal. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10882.002513/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da 3ª Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da 3ª Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da 3ª Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 02 51 3/ 20 03 -8 1 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 257 ___________ Relatório Tratase de Auto de Infração referente à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, lavrado em 13/06/2003, tendo a Contribuinte cientificada em 01/07/2003, com o crédito tributário no valor total de R$ 72.736,06 (setenta e dois mil setecentos e trinta e seis reais e seis centavos), correspondente a 1 – valor principal, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, e 2 – multa de ofício isolada, em razão de: a) Débitos de PIS de código 8109 dos períodos de janeiro a dezembro/98 terem sido declarados com exigibilidade suspensa por processo judicial de outro CNPJ (declaração inexata); b) b) Débitos de PIS de códigos 8002 e 8205 dos períodos de janeiro a março/98 terem sido recolhidos em atraso, sem acréscimos moratórios. DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA A Contribuinte apresentou em 31/07/2003, Manifestação de Inconformidade, à fl. 2 (numeração eletrônica) alegando, em síntese, que no tocante às competências de Janeiro a Maio de 1998 estaria decaído o direito para o lançamento, bem como que a Secretaria da Receita Federal, antes de autuála, deveria ter determinado uma diligência fiscal ou uma intimação para prestar esclarecimentos a fim de verificar qual a razão da falta de pagamento, e que, caso o procedimento adotado houvesse sido esse, poderia ter verificado que o não recolhimento justificase em virtude de liminar em Mandado de Segurança, nos autos nº 9600104450, por meio do qual possuía autorização judicial para recolher o PIS na forma estabelecida pela Lei Complementar nº 7/70. A então Impugnante mencionou que a liminar foi concedida conforme o pedido inicial, estando a exigibilidade dos créditos suspensa. A sentença julgou parcialmente procedente o pedido, porém equivocouse quanto à parte não acolhida, pois foi determinado a aplicação das EC nºs 10/96 e 17/97, que são aplicáveis somente às instituições financeiras e equiparadas, o que não era o caso da Contribuinte, o qual foi discutido em sede de recurso, aguardando julgamento no TRF da 3ª Região. Requereu ao fim a impossibilidade da correção dos valores autuados pela Taxa SELIC, aduzindo que esta não foi criada por lei, ofendendo assim, o princípio constitucional da legalidade, bem como o disposto no art. 161, §1º do CTN, sendo esse o entendimento no RE nº 215.881 do STJ. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Fl. 257DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10882.002513/200381 Resolução nº 3402000.706 S3C4T2 Fl. 258 3 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), em 02/02/2011, proferiu acórdão de nº 0532.289, às fls. 142 (numeração eletrônica), nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. LANÇAMENTO. DÉBITOS DE PIS FATURAMENTO. 01/98 A 05/98. DECADÊNCIA. Descabe discutir o prazo para formalização da exigência, bem como aspectos que poderiam ensejar a nulidade do lançamento, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. AUSÊNCIA DE PRÉVIA INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Apurada causa suficiente, hábil a dispensar a intimação do contribuinte, desnecessária é a exteriorização do procedimento fiscal por meio de prévia solicitação de esclarecimentos. AÇÃO JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, não impede a formalização do lançamento. Apenas que, se confirmada a suspensão da exigibilidade antes do início do procedimento fiscal, incabível seria a explicação de multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de suspensão de exigibilidade não comprovada, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005. JUROS. TAXA SELIC. Nos termos da Lei nº 9.430, de 1996. Os juro serão equivalentes à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de alegações relacionadas a inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. DÉBITOS DECLARADOS SOB CÓDIGOS 8002 E 8205. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. Ausente motivação específica para atribuição de vencimento previsto para PISFaturamento (código 8109) a débitos declarados sob códigos 8205 (PISRepique) e 8002 (PISDedução), não prospera a imputação de atraso no recolhimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 258DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10882.002513/200381 Resolução nº 3402000.706 S3C4T2 Fl. 259 4 A DRJ considerou procedente em parte a impugnação, afastando a preliminar de decadência, sustentando que relativamente ao crédito tributário relativo aos períodos supostamente decaídos, por estarem os mesmos declarados em DCTF, seria inócua eventual declaração (de decadência), pois que o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte mediante a formalização de declaração. Em seguida, reconhecendo a existência de medida liminar em MS, manteve aqueles lançados a título de principal PISFaturamento (código 8109) relativos aos períodos de janeiro a maio/98 (considerando que o contribuinte apresentou desistência dos períodos subsequentes, inserindoos na Lei 11.941/2009) e afastou a multa de ofício proporcional sobre eles aplicada e a multa de ofício isolada, conforme quadro resumo em anexo ao Acórdão da DRJ, às fls. 154 (numeração eletrônica). DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância em 28/02/2011 (conforme AR de fls. 158), a contribuinte apresentou em 25/03/2011 a defesa que denominou Manifestação de Inconformidade, recorrendo, porém, contra o Acórdão da DRJ, fls. 161165, nos seguintes termos: Arguiu a Contribuinte, em resumo, que quanto ao “princípio da constituição e extinção do crédito tributário”, considerandose a modalidade de lançamento por homologação, no qual o prazo é de 5 anos, a contar da data do fato gerador (estabelecido pelo §4º do art. 150 do CTN), estaria o crédito tributário homologado tacitamente, uma vez que entre a declaração pelo contribuinte e a constituição do crédito tributário pelo Fisco havia decorrido mais de 5 anos (fatos geradores 01 a 12/1998, lançamento em 13/06/2003). Desta forma, como não homologado expressamente, restaram os períodos controvertidos homologados tacitamente, pelo que deveria ser reformado o Acórdão recorrido. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 255 (duzentos e cinquenta e cinco), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10882.002513/200381 Resolução nº 3402000.706 S3C4T2 Fl. 260 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Quanto aos requisitos de admissibilidade do recurso, inicialmente se faz necessário consignar que o recorrente protocolou suas razões de defesa através de recurso nominado “Manifestação de Inconformidade”, atacando, entretanto, o Acórdão proferido pela DRJ de Campinas, pelo que, pelo princípio da fungibilidade, aceito a referida petição, verificando em seguida seus efetivos pressupostos. “Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/07/2004 PRELIMINAR DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO VOLUNTÁRIO Acatase como Recurso Voluntário a petição da contribuinte contendo esclarecimentos, em função do teor constante do Acórdão recorrido que só poderá ser alterado pela instância de julgamento superior, bem como em função dos princípios da fungibilidade e o da economia processual. (ACÓRDÃO 3302001.800. CARF. 3A. SEÇÃO. 3ACAMARA/.2ATURMAORDINARIA) Em seguida, ponderando que o sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância em 28/02/2011 (conforme AR de fls. 158) e que apresentou sua defesa em 25/03/2011, considero tempestivo o recurso, para dele então tomar conhecimento apenas na parte que restou discutida no petitório, vez que houve desistência parcial do processo (relativa aos períodos não entendidos como decaídos JunDez/1998), conforme petição de fls. 98 (numeração eletrônica). Compulsandose então propriamente à questão controvertida nos autos, constato tratarse de Auto de Infração exarado na data de 13/06/2003, em face de o contribuinte ter declarado em DCTF a suspensão da exigibilidade dos débitos em face de decisão judicial, cuja vinculação, conforme próprio relatório da DRJ, “restou não comprovada”. Em 31/07/2003 a Recorrente apresentou sua impugnação ao Auto de Infração alegando a decadência dos períodos de JanMai/1998, bem como questionando a ausência de procedimento fiscalizatório por parte da Administração Tributária, a qual poderia obter do contribuinte os dados referidos ao Processo Judicial cuja vinculação não restou verificada pelo Fiscal, anexando à defesa cópias das principais peças processuais e dos extratos da referida ação, sob o intuito de comprovar a medida liminar para si favorável. Analisando a discussão sob o ponto dos motivos que levaram a Administração à lavratura do auto de infração, modalidade de lançamento vinculada, subsumida ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, verifico que o ponto determinante para o mesmo foi o fato de não restar comprovada a referida suspensão dos débitos do contribuinte declarados em DCTF, bem como, não reconhecida pela Instância Julgadora a quo a decadência pleiteada pelo contribuinte. Assim, considerando que houve desistência parcial do lançamento pelo sujeito passivo (relativa aos períodos de 06 a 12/1998), restaram no processo apenas os valores de 04 e Fl. 260DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10882.002513/200381 Resolução nº 3402000.706 S3C4T2 Fl. 261 6 05/1998, alegados como decaídos pelo contribuinte e rejeitados pela DRJ, pois que considerado já constituído o crédito tributário por meio da declaração. Antes ainda, de haver qualquer manifestação acerca da controvérsia, importa mencionar que a decadência ou não dos períodos exigidos através do lançamento, somente poderia ser justamente analisada por este Colegiado, acaso estivessem reunidos no processo todos os elementos hábeis a motivar e justificar uma contagem de prazo decadencial, qual seja, a própria DCTF declarada pelo contribuinte (bem como eventual complementação transmitida), e ainda, informação acerca da possível existência de pagamentos parciais realizados pelo sujeito passivo, pois que a rigor da obrigação contida no artigo 62A do RICARF, uma vez já decidido pacificamente o tema pelo STJ (que considera este fator determinante para a aplicação das regras que delimitam este instituto), será necessário adotar esta mesma posição, devendo, portanto, haver presente nos autos estes documentos/informações. Assim, da análise dos autos não foi possível identificar a DCTF do contribuinte relativa ao período autuado (1998), nem tampouco, há menção, documentos ou informações, sobre eventuais pagamentos parciais de PIS para os períodos daquele anocalendário, pelo que, o processo assim não se encontra em condições de receber um justo julgamento, merecendo o mesmo ser convertido em diligência para: a) Seja juntada a DCTF cruzada pela Fiscalização para o lançamento; b) Seja intimada a recorrente para que se manifeste sobre a existência de pagamentos parciais para os débitos autuados, bem como, apresente comprovantes, se existentes; c) Após elaboração termo de Diligência, com as conclusões decorrentes dos quesitos aqui formulados, seja a Recorrente intimada das informações fiscais para manifestação no prazo de 30 dias,retornando os autos a julgamento. Na esteira das considerações acima, proponho a conversão deste julgamento em diligência. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10480.914180/2009-53
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 41 80 /2 00 9- 53 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801004.688 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801004.688 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos da ementa transcrita abaixo: MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO JUDICIAL. DESCABIMENTO DE ANÁLISE PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. Tendo em vista o princípio de unicidade de jurisdição judicial, é descabida a análise, pela autoridade administrativa de julgamento, de matéria submetida à apreciação na esfera judicial. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801004.688 S3TE01 Fl. 5 4 Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801004.688 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801004.688 S3TE01 Fl. 7 6 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801004.688 S3TE01 Fl. 8 7 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801004.688 S3TE01 Fl. 9 8 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801004.688 S3TE01 Fl. 10 9 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801004.688 S3TE01 Fl. 11 10 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914180/200953 Acórdão n.º 3801004.688 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13362.720058/2011-77
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2010 a 01/01/2011
RECURSO INTEMPESTIVO, POIS APRESENTADO APÓS O DECURSO DO TRINTÍDIO LEGAL. CONTRIBUINTE APRESENTOU DESISTÊNCIA EXPRESSA DOS RECURSOS. CRÉDITOS INCLUÍDOS EM PARCELAMENTO.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-003.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, tendo em vista ter havido pedido de desistência, tendo sido o crédito incluído em parcelamento, bem como por ser o recurso intempestivo.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2010 a 01/01/2011 RECURSO INTEMPESTIVO, POIS APRESENTADO APÓS O DECURSO DO TRINTÍDIO LEGAL. CONTRIBUINTE APRESENTOU DESISTÊNCIA EXPRESSA DOS RECURSOS. CRÉDITOS INCLUÍDOS EM PARCELAMENTO. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, tendo em vista ter havido pedido de desistência, tendo sido o crédito incluído em parcelamento, bem como por ser o recurso intempestivo. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato.
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Recorrente MUNICÍPIO DE CAMPINSA DO PIAUÍ SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2010 a 01/01/2011 RECURSO INTEMPESTIVO, POIS APRESENTADO APÓS O DECURSO DO TRINTÍDIO LEGAL. CONTRIBUINTE APRESENTOU DESISTÊNCIA EXPRESSA DOS RECURSOS. CRÉDITOS INCLUÍDOS EM PARCELAMENTO. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, tendo em vista ter havido pedido de desistência, tendo sido o crédito incluído em parcelamento, bem como por ser o recurso intempestivo. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 2. 72 00 58 /2 01 1- 77 Fl. 521DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13362.720058/201177 Acórdão n.º 2803003.932 S2TE03 Fl. 609 2 Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13362.720058/201177 Acórdão n.º 2803003.932 S2TE03 Fl. 610 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.328.3989, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias, decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de empregados – cota patronal, bem como a contribuição da empresa para o SAT, e, ainda a contribuição patronal em razão da retribuição paga a contribuintes individuais, que lhe prestaram serviços, encerra, ainda, o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.328.3997, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias, decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de empregados – parte descontada dos empregados e não repassadas à previdência social, assim como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.328.4004, que objetiva o lançamento das contribuições decorrentes da remuneração/retribuição paga aos trabalhadores da categoria de empregados e contribuinte individuais, diferenças apuradas, por fim o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 37.328.4020 que objetiva o lançamento das contribuições decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de empregados, destinada a outras entidades e fundos – terceiros, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração, de fls. 49 a 60, com período de apuração de 04/2010 a 12/2010, conforme Termo de Intimação Fiscal TIF, de fls. 63 e 64. O sujeito passivo foi cientificado das autuações, em 16/05/2010, conforme Folha de Rosto dos Autos de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 03; 18; 27 e 38. O contribuinte apresentou suas defesas/impugnações, em 15/06/2010, as fls. 359 a 373; 381 a 394; 402 a 413; 421 a 429, acompanhadas dos documentos, de fls. 374 a 380; 395 a 401; 414 a 420; 430 a 436, respectivamente. As impugnações foram consideradas tempestivas, fls. 440 e 442. Consta, as folhas 443, Termo de Apensação (1), o qual informa a juntada por apensação a estes autos do processo Nº 13362.720060/201146, em 24/02/2012. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0824.213 6ª, Turma DRJ/FOR, em 13/11/2012, fls. 444 a 460. No qual as impugnações foram consideradas procedentes em parte e o crédito retificado, Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 461 a 466. O contribuinte tomou conhecimento da decisão da DRJ, em 10/12/2012, conforme AR, de fls. 480. As folhas, 483, dos presentes autos consta um despacho que informa a inclusão dos DEBCAD’s 37.328.3989; 37.328.3997; 37.328.4004 e 37.328.4020, no parcelamento da MP 589/2012 que abrange as contribuições previdenciárias até a competência 10/2012, estando tal despacho acompanhado dos documentos, de fls. 484 a 489, que comprovam a desistência dos recursos e o deferimento do parcelamento. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13362.720058/201177 Acórdão n.º 2803003.932 S2TE03 Fl. 611 4 O contribuinte apresentou petição de Recurso Voluntário, as fls. 495, em 10/01/2013, as razões recursais estão acostadas, as fls. 496 a 514, desacompanhado de qualquer documentos. A autoridade preparadora reconheceu que o recurso voluntário é perempto, fls. 519, bem como informa, ainda, nesse mesmo despacho a inclusão dos débitos no parcelamento da Lei 12.810/2013. Encaminhouse os autos ao CARF, fls. 519. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 18/07/2014, Lote 09, fls. 520. É o Relatório. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13362.720058/201177 Acórdão n.º 2803003.932 S2TE03 Fl. 612 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O suposto recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Ocorre, entretanto, que como esclarecido no relatório a municipalidade desistiu do recurso voluntário e aderiu ao parcelamento da dívida. Dessa forma com supedâneo no artigo 78, parágrafos 1º, 2º e 3º, da Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF o recurso não comporta julgamento. Assim com esses esclarecimentos e em razão do pedido de desistência, bem como da inclusão deste em parcelamento não conheço do recurso. Não fosse isso suficiente para impossibilitar o conhecimento do recurso voluntário a ARF – origem informa que o recurso é intempestivo, situação que, também, não permite seu conhecimento. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo não conhecimento do recurso, tendo em vista ter havido pedido de desistência, tendo sido o crédito incluído em parcelamento, bem como por ser o recurso intempestivo. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729671/2013-52
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2013
IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE.
Não cabe a isenção de IPI para aquisição de veículo automotor prevista no inciso IV do art. 1º da Lei nº 8.989/95 quando não transcorrido o prazo de 2 (dois) anos para o exercício do direito a uma nova aquisição de veículo com isenção do IPI.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges e Demes Brito.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2013 IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE. Não cabe a isenção de IPI para aquisição de veículo automotor prevista no inciso IV do art. 1º da Lei nº 8.989/95 quando não transcorrido o prazo de 2 (dois) anos para o exercício do direito a uma nova aquisição de veículo com isenção do IPI. Recurso Voluntário Negado
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ISENÇÃO. DEFICIENTE. Não cabe a isenção de IPI para aquisição de veículo automotor prevista no inciso IV do art. 1º da Lei nº 8.989/95 quando não transcorrido o prazo de 2 (dois) anos para o exercício do direito a uma nova aquisição de veículo com isenção do IPI. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges e Demes Brito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 96 71 /2 01 3- 52 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.729671/201352 Acórdão n.º 3801004.754 S3TE01 Fl. 54 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Tratase da aquisição de veículos destinados a pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Lei nº 8.989, de 1995, com as alterações da Lei nº 10.182, de 2001, dos arts. 2º, 3º e 5º da Lei nº 10.690, de 2003, e da Lei nº 10.754, de 2003. O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório de fls.15/16, fundamentado no fato de que o pedido de nova isenção foi apresentado sem que fosse respeitado o interstício de 2 anos previsto no art.2º ,§2º, da IN RFB 988/2009. Foi apresentada manifestação de inconformidade nos termos seguintes(fls.19): “Por uma fatalidade, no dia 08/08/2013, a requerente veio a reforçar a estatística tão expressiva das vítimas de roubo de carro. Isenta de qualquer culpa injustamente foi penalizada com a perda do veículo e do direito de nova isenção em resposta ao requerimento protocolado em 03/09/2013 à Receita Federal. O novo benefício foi descartado sob o fundamento de que não transcorreu o período mínimo de dois anos desde a aquisição do veículo anterior conforme determina o art.2º, §§3º e 4º da IN 988/2009. Esta determinação tem como objetivo coibir a celebração de negócio jurídico que, em caráter comercial ou meramente civil, atraia escopo lucrativo. Entretanto, a finalidade primeira da norma é, obviamente, de inclusão do deficiente em razão do fundamento constitucional da dignidade da pessoa humana e do direito à locomoção, que restariam feridos acaso negado a esse cidadão direito de adquirir novo veículo sem o recolhimento do IPI. A regra que fixa a limitação temporal de dois anos para o gozo do benefício da isenção fiscal não se aplica quando for interrompido por motivo alheio à vontade do contribuinte, devidamente comprovado em documentação idônea expedida por órgãos oficiais, pois pressupõe a efetiva utilização do benefício fiscal.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.729671/201352 Acórdão n.º 3801004.754 S3TE01 Fl. 55 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2013 DEFICIENTE FÍSICO.IPI.ISENÇÃO. O parágrafo 4º, inciso I, do art.2º da IN RFB 988/2009 assevera não haver exceção quanto à necessidade de atendimento do prazo de dois anos para nova fruição da isenção do IPI incidente na aquisição de veículos por deficientes físicos.. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.729671/201352 Acórdão n.º 3801004.754 S3TE01 Fl. 56 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A legislação que trata da isenção pleiteada concedida às pessoas portadoras de deficiência para aquisição de veículos automotores está prevista na Lei n° 8.989/1995, que dispõe, in verbis: Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (...) IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) § 1o Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003); (...) Art. 2o A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata o art. 1o desta Lei somente poderá ser utilizada uma vez, salvo se o veículo tiver sido adquirido há mais de 2 (dois) anos; A regulamentação da norma pela Instrução Normativa (IN) RFB nº 988, de 2009, assim dispõe: Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.729671/201352 Acórdão n.º 3801004.754 S3TE01 Fl. 57 5 Art. 2 º As pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, ainda que menores de 18 (dezoito) anos, poderão adquirir, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, com isenção do IPI, automóvel de passageiros ou veículo de uso misto, de fabricação nacional, classificado na posição 87.03 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi). (...) § 3 º O direito à aquisição com o benefício da isenção de que trata o caput poderá ser exercido apenas 1 (uma) vez a cada 2 (dois) anos, sem limite do número de aquisições, observada a vigência da Lei n º 8.989, de 1995. § 4 º Em qualquer hipótese, o prazo de 2 (dois) anos a que se refere o § 3 º : I – deverá ser obedecido para uma nova aquisição de veículo com isenção do IPI; e II – terá como termo inicial a data de emissão da Nota Fiscal da aquisição anterior com isenção do IPI.. Alega a recorrente que o veículo de sua propriedade adquirido com a isenção de IPI concedida às pessoas portadoras de deficiência foi roubado e que neste caso descabe a imposição do decurso do prazo de dois. anos para a aquisição de novo veículo. No entanto, não assiste razão ao recorrente, senão vejamos: A Lei n° 8.989/1995 e os atos normativos regulamentadores não excepcionam o decurso do prazo de 2 (dois) anos para o exercício do direito ao benefício pleiteado, mesmo no caso de roubo de veiculo contemplado anteriormente com a isenção de IPI para pessoa portadora de deficiência . Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: outorga de isenção, conforme determina o art. 111, II, CTN, o que inviabiliza uma interpretação ampliativa ou mesmo analógica da norma com base em critério subjetivo de justiça do julgador. Diante do exposto e do que consta nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.729671/201352 Acórdão n.º 3801004.754 S3TE01 Fl. 58 6 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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