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Numero do processo: 15940.720144/2013-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. SÚMULA CARF n. 103. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício quando o crédito tributário exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF n. 63, de 9 de fevereiro de 2017.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. OPÇÃO PELO ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO.
Uma vez que o contribuinte não logrou justificar a diferença entre o montante das notas fiscais do produtor emitidas e a receita bruta da atividade rural declarada, resta confirmada a omissão de rendimentos. Em caso de opção pelo arbitramento da base de cálculo, o valor tributável corresponde a 20% (vinte por cento) da receita bruta.
OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE QUOTAS SOCIETÁRIAS. MAJORAÇÃO INDEVIDA DO CUSTO DE AQUISIÇÃO.
Evidenciada a majoração indevida da reserva de lucros utilizada em integralização de capital pelos sócios e, por conseguinte, do custo de aquisição da participação societária alienada, apura-se ganho de capital não oferecido à tributação.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO
Caracterizado dolo específico do sujeito passivo no sentido de reduzir a tributação do ganho de capital, incide a aplicação da multa qualificada com fulcro no art. 44, §1°., da Lei n. 9.430/1996.
Todavia, no caso concreto, há de se considerar o não reconhecimento, por não comprovação inequívoca, do dolo específico na omissão de rendimentos da atividade rural.
Numero da decisão: 2402-006.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, conhecer do recurso voluntário, dando-lhe parcial provimento para afastar a qualificação da multa de ofício (150%), reduzindo-a ao patamar ordinário de 75% especificamente em relação à infração de omissão de rendimentos da atividade rural.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. SÚMULA CARF n. 103. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício quando o crédito tributário exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF n. 63, de 9 de fevereiro de 2017. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. OPÇÃO PELO ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Uma vez que o contribuinte não logrou justificar a diferença entre o montante das notas fiscais do produtor emitidas e a receita bruta da atividade rural declarada, resta confirmada a omissão de rendimentos. Em caso de opção pelo arbitramento da base de cálculo, o valor tributável corresponde a 20% (vinte por cento) da receita bruta. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE QUOTAS SOCIETÁRIAS. MAJORAÇÃO INDEVIDA DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. Evidenciada a majoração indevida da reserva de lucros utilizada em integralização de capital pelos sócios e, por conseguinte, do custo de aquisição da participação societária alienada, apurase ganho de capital não oferecido à tributação. MULTA QUALIFICADA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO Caracterizado dolo específico do sujeito passivo no sentido de reduzir a tributação do ganho de capital, incide a aplicação da multa qualificada com fulcro no art. 44, §1°., da Lei n. 9.430/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 01 44 /2 01 3- 66 Fl. 2014DF CARF MF 2 Todavia, no caso concreto, há de se considerar o não reconhecimento, por não comprovação inequívoca, do dolo específico na omissão de rendimentos da atividade rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, conhecer do recurso voluntário, dandolhe parcial provimento para afastar a qualificação da multa de ofício (150%), reduzindoa ao patamar ordinário de 75% especificamente em relação à infração de omissão de rendimentos da atividade rural. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 2015DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso de Ofício (art. 34, I do Decreto n. 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n. 9.532/1997; Portaria MF n. 3, de 03 de janeiro de 2008, em vigor à época dos fatos), e de Recurso Voluntário (efls. 1.987/2.006) em face do Acórdão n. 16 57.341 16ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo DRJ/SPO (efls. 1.958/1.980), que julgou parcialmente procedente a impugnação de efls. 1.467/1.488 (apresentada pelo sujeito passivo principal) e manteve em parte o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnosCalendário 2008; 2009; 2010; 2011 no montante de R$ 2.112.265,62 sendo R$ 730.619,17 de imposto Cód. Receita 2904 , R$ 290.156,80 de juros de mora calculados até 10/2013 e R$ 1.091.489,65 de multa proporcional passível de redução (efls. 1.419/1.432) com fulcro em apuração de i) omissão de rendimentos da atividade rural recebidos nos meses de fevereiro; julho; e dezembro/2009; e ii) omissão de ganhos de capital na alienação de quotas societárias auferidos em dezembro/2008; janeiro a março e setembro e outubro/2009; fevereiro, março e junho/2010; e fevereiro/2011, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) efls. 1.433/1.448 e procedente a impugnação de efls. 1.906/1.929 apresentada pelo sujeito passivo relacionado como solidário LFM Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 posteriormente denominada LFMS Administração e Participações Ltda., no tocante ao afastamento da sujeição passiva. No TVF (efls. 1.433/1.448), parte integrante do Auto de Infração de efls. 1.419/1.432), a Fiscalização da RFB relata os procedimentos efetuados no curso da ação fiscal (intimações e respostas apresentadas) e, a partir das informações coletadas junto ao contribuinte e terceiros circularizados, bem assim pesquisas nos sistemas da RFB, indica as conclusões às quais chegou a partir das constatações levantadas. A DRJ/SPO compila e resume, no essencial, os principais eventos relacionados no TVF (efls. 1.433/1.448), verbis: Da omissão de ganhos de capital na alienação de quotas societárias: 21. Através do instrumento particular de quinta alteração contratual, assinada em 24/12/08, os sócios da empresa LFM Administração e Participações Ltda CNPJ: 04.849.060/000134 (o fiscalizado possuía à época 99% da participação societária, cabendolhe a administração exclusiva da sociedade conforme cláusula quarta da referida alteração contratual) elevaram seu capital social que passou de R$ 104.000,00 (cento e quatro mil reais) para R$ 6.200.000,00 (seis milhões e duzentos mil reais), subscrevendose para tanto mais 6.096.000 (seis milhões e noventa e seis mil) cotas com valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma. Desse montante, R$ 5.037.212,12 (cinco milhões, trinta e sete mil, duzentos e doze reais e doze centavos) vieram da conta lucros acumulados sendo que ao fiscalizado coube a integralização de R$ 6.035.000,00 (seis milhões e trinta e cinco mil reais) os quais foram entregues da seguinte maneira: 1) um imóvel urbano matrícula n° 49.612 do 2o CRI de Presidente Prudente/SP com área de 71.25,27 m2 entregue pelo valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão e reais); 2) um imóvel urbano matrícula n° 9.444 do 1o CRI de Presidente Prudente/SP com área de 200 m2 entregue pelo valor de R$ 48.200,00 (quarenta e oito mil e duzentos reais); Fl. 2016DF CARF MF 4 3) R$ 4.986.840,00 (quatro milhões, novecentos e oitenta e seis mil, oitocentos e quarenta reais) pelo aporte com reservas da conta Lucros Acumulados, segundo a participação do fiscalizado nas cotas sociais. (...) 23. Considerando que a empresa não conseguiu comprovar através de sua escrituração contábil a formação desses lucros no tempo, e, na tentativa de comprovar a existência desses lucros acumulados, buscaramse informações nos sistemas informatizados da Receita Federal onde foi apurado o que se segue. (Seguem tabelas que evidenciam os valores da receita bruta informados em Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ (efls. 1223 a 1352), desde a abertura em 04/01/2002 até o anocalendário de 2006, bem como os valores recolhidos a título de PIS e COFINS em cada anocalendário, conforme telas de efls. 1399 a 1418). 26. Portanto, estando declarada em DIPJ uma receita bruta acumulada, no período compreendido desde a abertura da empresa até o anocalendário de 2006, no valor de RS 1.128.260,00; corroborado pelos valores recolhidos a título de PIS/COFINS nesse mesmo período, restou provado ser impossível que a empresa LFM ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. possuísse em 31/12/2006 um saldo de lucro acumulado da ordem de R$ 4.616.914,69 (quatro milhões, seiscentos e dezesseis mil, novecentos e quatorze reais e sessenta e nove centavos). No item “27” (efls. 1441 e 1442), a fiscalização assinala que, conforme instrumento particular de compromisso de cessão e transferência de cotas de capital de sociedade limitada firmado em 26/12/2008 e sexta alteração contratual, datada de 25/03/2009 (efls. 824 a 826 e 834 a 841), o contribuinte alienou 70,71% das quotas que detinha na empresa LFM Administração e Participações Ltda. para a pessoa jurídica VMS Administração e Participações Ltda., CNPJ n° 10.531.068/000150. Uma vez apresentada a escrituração contábil relativa ao anocalendário de 2007, que consigna o lucro do exercício de R$ 564.482,57 (fl. 741), a fiscalização considerou comprovada a integralização de capital com reserva de lucros no valor de R$ 420.297,43, correspondente à diferença entre o total informado como integralizado a esse título (R$ 5.037.212,12) e o valor não comprovado (R$ 4.616.914,69). Assim, apurouse a parcela integralizada pelo contribuinte com reserva de lucros, de R$ 416.094,46, que corresponde a 99% de R$ 420.297,43. No item “28” (efls. 1442 a 1444), relata que, de acordo com a sétima alteração contratual datada de 08/09/2009 (efls. 336 a 343), foi aumentado o capital social da empresa LFM Administração e Participações Ltda. e, concomitantemente, o contribuinte alienou à pessoa jurídica VMS Administração e Participações Ltda. 45,16% da participação então detida na LFM. No item “29” (efls. 1444 e 1445), registra que, de acordo com a oitava alteração contratual datada de 01/12/2009 (efls. 344 a 351), o contribuinte retirouse da empresa LFM Administração e Participações Ltda., alienando o total de 1.520.000 quotas, sendo 1.368.000 quotas à pessoa jurídica VMS Administração e Participações Ltda, 76.000 quotas a Sandro Santana Martos e 76.000 quotas a Vanessa Santana Martos. Nos itens “27” a “29”, a fiscalização demonstra, ainda, o reflexo da falta de comprovação do lucro acumulado na importância de R$ 4.616.914,69 na apuração do ganho de capital auferido nas alienações de participação societária mencionadas. Fl. 2017DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 103 5 Da omissão de rendimentos da atividade rural: 31. Para justificar a diferença apurada R$ 188.447,70 entre o valor declarado na sua DIRPF 2010/2009 e o constante dos sistemas informatizados da Receita Federal (de R$ 1.812.972,98 e R$ 2.001.420,68, respectivamente, conforme Termo de Intimação Fiscal de 24/09/2013, efls. 1013 a 1016), o contribuinte informou que no Estado do Mato Grosso do Sul as Notas Fiscais de Produtor são emitidas com o valor de pauta e em muitos casos não refletem o valor real da operação realizada entre vendedor e comprador. Informou, outrossim, que essas Notas Fiscais de Produtor foram declaradas segundo o regime de caixa, ou seja, pelas datas do efetivo recebimento.(...) (...) 32. Quanto à Nota Fiscal de Produtor n° 12060174 valor de R$ 445,00 o contribuinte declarou item 17 sic: "que não se lembra do referido documento, o mesmo deve ter sido extraviado". 33. Analisando essas justificativas e os documentos fiscais apresentados temos: 33.1 Exclusão do valor de R$ 2.429,80: procedente haja vista que consta no corpo da NF Produtor n° 012037298 campo observações "Valor total da operação R$ 500.000,00", devidamente anotada à época de emissão da nota; 33.2 Exclusão do valor de R$ 5.604,90: procedente haja vista que o recibo datado de 13/03/2009, devidamente assinado e com firma reconhecida em 31/03/2009, o contribuinte atestou o recebimento de R$ 324.095,10 tendo em vista que do montante total das NF Produtor n°s 011886871 a 011886879 R$ 329.700,00 concedeu desconto de R$ 5.604,90; 33.3 Exclusão do valor total da NF Produtor n° 012348884 R$ 142.140,00. Essa nota fiscal, emitida em 30/12/2009, referese à alienação de 150 cabeças de bovinos a R$ 947,60/cada feita pelo contribuinte a Sandro Santana Martos e outra. Para justificar a exclusão integral do valor dessa nota fiscal o contribuinte anexou cópia da declaração firmada em 03/10/2013 pelas partes envolvidas na transação onde elas afirmam que a importância correspondente não foi quitada até a presente data pelos compradores e que o prazo de pagamento ainda está em aberto entre as partes. Objetivando verificar a autenticidade dessa declaração firmada pelas partes, realizouse consulta às suas DIRPF Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física e foi constatado que não há correspondência entre o que foi afirmado por elas em 03/10/2013 e o declarado anteriormente nas citadas DIRPF; ou seja, o contribuintealienante não declarou esse valor como direito a receber na ficha "Bens e Direitos" e os adquirentes não o incluíram na ficha "Dívidas e Ônus Reais" nem na ficha "Dívidas Vinculas à Atividade Rural" do Demonstrativo da Atividade Rural. Vêse, portanto, que, intencionalmente, as partes firmaram essa declaração a fim de que o fiscalizado se esquivasse da devida tributação. 33.4 Exclusão do valor de R$ 21.078,00. As NF Produtor n°s 11838587 a 11838592, emitidas em 19/02/09, cujo destinatário consta Valdir Gonçalves Nogueira, têm como valor total R$ 17.313,00/cada, somando o total de R$ 103.878,00. Observase que em referidas notas foi incluida no campo observações, datilograficamente e após a emissão da nota fiscal, a seguinte informação: "Valor da operação $ 460,00 p/cabeça=R$ 13.800,00". Para comprovar o valor recebido o contribuinte anexou cópia de cheque de terceiro, nominal a Valdir Gonçalves Nogueira cheque n° 850040/BBrasil/Agência 0483 – no valor de R$ 38.000,00; cópia de extrato Fl. 2018DF CARF MF 6 bancário (Bradesco) onde se destacaram os valores de: R$ 33.610,70 Ted; R$ 2.490,00 Transferência; R$ 800,00; R$ 2.500,00; R$ 2.400,00 e R$ 3.000,00 Depósitos; cabe ressaltar que esses valores constantes do extrato bancário não identificam a origem. Nesse contexto, temos que anotações extemporâneas à emissão das NF a respeito do valor da transação e falta de documento hábil a comprovar a origem do valor recebido impedem a exclusão solicitada; 33.5 Exclusão do valor de R$ 16.750,00. As NF Produtor n°s 11812282 a 11812288, emitidas em 27/01/09, a Bom Mart Frigorífico, têm como valor R$ 31.824,00/cada, somando o total de R$ 222.768,00. 0 contribuinte apresentou cheque nominal a ele, emitido por Bom Mart Frigorífico em 12/12/2008 e comprovante de depósito tendo ele como favorecido cujo valor e data coincidem com o citado cheque. Diante desses documentos, a exclusão foi aceita. Da multa qualificada: 34. Do exposto acima itens 20 a 29 temos que, de maneira deliberada, a empresa LFM Administração e Participações Ltda forjou fraudulentamente a formação de lucros acumulados que, posteriormente capitalizados, permitiu ao sócio fiscalizado, que à época de ocorrência dos fatos era sócio administrador com 99% (noventa e nove por cento) de participação societária, alienar suas cotas sem a devida apuração de ganho de capital. 35. Ainda, o constante no item 33.3, demonstra que o fiscalizado, em conluio com as partes envolvidas na transação ali mencionada, emitiu declaração falsa na qual afirma não ter recebido até o presente anocalendário receita de venda de gado, ocorrida em 30/12/2009, evitando com isso sua tributação. 36. Por força da determinação contida na Portaria RFB n° 2.439, de 21 de dezembro de 2010, e diante da constatação de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária previsto nos artigos 1o, incisos I e II; e 2o, incisos I e II da Lei n° 8.137/90, foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais. O recorrente foi cientificado do lançamento em 31/10/2013 (efl. 1.449) e, inconformado, apresentou impugnação em 02/12/2013 (efls. 1.467/1.488), aduzindo em síntese: Apuração de omissão de rendimentos da atividade rural: quanto à suposta omissão de rendimento no valor de R$ 21.078,00, a anotação contida nas NF do Produtor nos 11838587 a 11838592 decorre do fato de que as operações de venda de bovinos realizadas no Estado do Mato Grosso do Sul têm suas notas fiscais emitidas diretamente nas Agências Fazendárias da localidade onde está situado o gado negociado e pelo valor da pauta fiscal vigente à data da operação, para fins de recolhimento de ICMS, conforme Portaria SAT n° 2030, de 22/12/2008 ( efls. 1507 a 1510); a diferença entre o valor de pauta, de R$ 577,10 por cabeça de gado bovino fêmea de 12 a 24 meses, e o valor real da operação negociada pelo impugnante, de R$ 460,00, ou seja, R$ 117,10 por cabeça, não representa rendimentos da atividade rural, mas apenas diferença entre o valor de pauta fiscal e o da efetiva operação; conforme escriturado em livro caixa (fl. 1499) e respaldado pelas cópias das NF (efls. 1501 a 1503) e cópia de cheques, comprovantes de depósitos e extrato bancário (efls. 1504 a 1506), nas operações de venda de gado para Valdir Gonçalves Nogueira, o impugnante auferiu rendimentos no limite de R$ 82.800,00 e não de R$ 103.878,00, como presumiu a fiscalização; Fl. 2019DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 104 7 não houve a omissão de rendimento no valor de R$ 142.140,00, expresso na NF n° 01234884, pois os rendimentos da atividade rural são tributados pelo regime de caixa e os compradores prestaram declaração reconhecendo o não pagamento da dívida (fl. 1512); ainda que seja considerada existente a referida omissão, não há fundamento legal para a imposição de multa qualificada, uma vez não comprovado o evidente intuito de fraude, conforme Súmula CARF n° 14; a mera alegação de que as partes declarantes não teriam incluído tais informações em suas DIRPF, item 33.3 do Termo de Verificação, não é suficiente para deduzir que "intencionalmente, as partes firmaram essa declaração a fim de que o fiscalizado se esquivasse da devida tributação"; conforme comprova anotação na pág 38 do Livro Caixa do impugnante (fl. 1515), seu crédito em desfavor de Sandro Santana Martos e outra foi devidamente escriturado pelo valor de R$ 142.140,00, em 30/12/2009; além de o impugnante não ter como precisar se a mesma conduta foi adotada por seus devedores em suas declarações de ajuste anual relativas ao exercício de 2010, não cabe ser a ele imputada responsabilidade ou punição por fato de terceiro, além de seu alcance; caso mantido o lançamento, os rendimentos da atividade rural são sujeitos ao arbitramento à razão de 20%, à luz do disposto no art. 60, § 2°, do RIR, e não à tributação pelo valor integral, como foi consignado no Demonstrativo de Apuração do IRPF devido. Apuração de omissão de ganhos de capital na alienação de quotas societária: o impugnante procurou pela sua antiga empresa LFM Administração e Participações Ltda. para que ela lhe fornecesse os documentos solicitados durante o processo de fiscalização, no entanto, foi informado que ela já havia se desfeito da documentação correspondente aos anos de 2001 a 2007, posto que este período já estaria prescrito, tendo cessado a causa da guarda dos documentos, nos termos da legislação; não obstante, o impugnante conseguiu localizar os seguintes documentos pertencentes à LFM Administração e Participações Ltda., através dos quais foi possível comprovar a composição dos lucros acumulados de R$ 4.616.914,69 nos anos de 2001 a 2006: a) Balanços Patrimoniais e Balancetes Contábeis dos anos de 2001, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009; b) Recibo de entrega de todas as DCTFs dos exercícios de 2002 a 2009; c) Livro Razão Analítico dos anos de 2001 e 2006; e d) Livro Diário dos anos de 2001 e 2006; os Balanços Patrimoniais, além de estarem devidamente assinados pelo contador, cujas declarações fazem prova em favor do contribuinte, podem ter sua veracidade comprovada através do simples cotejo da receita bruta operacional neles consignada, com os valores correspondentes declarados nas DIPJ dos respectivos exercícios; em relação ao ano de 2001, foi possível identificar no Balanço Patrimonial que, embora a LFM Administração e Participações Ltda. tenha sido constituída no dia 03 de novembro, ela obteve um lucro no exercício de R$ 1.214.781,48, representado na conta "Receita de Cessão de Direitos Sobre Bens", da folha 0.012 da Demonstração Analítica, identificada no Livro Razão como referente a Fl. 2020DF CARF MF 8 "recebimento de participação societária na ordem de 99% da E. Agropecuária Prudenmar (efls. 1516 a 1521); as distribuições de lucros e resultados advindos da Agropecuária Prudenmar Ltda. ocorreram em virtude da participação da LFM Administração e Participações Ltda. no seu capital social, conforme demonstram os contratos sociais juntados às efls. 26 e ss.; dando suporte à legitimidade dos pagamentos feitos pela empresa Agropecuária Prudenmar, da qual também já havia sido sócio, o impugnante identificou que o valor de R$ 1.214.781,48 (R$ 926.585,93 + R$ 288.195,54), em 31/12/2001, também pode ser comprovado pelo registro no Livro Diário n° 0006, do ano de 2001 pág. 23, onde estão apontados os lançamentos contábeis referentes à distribuição a título de lucros acumulados, seguido pelo Balanço Patrimonial, Plano de Contas e Livro Razão Analítico, no qual os lançamentos podem ser localizados às págs. 17 e 24; para o ano de 2004, o impugnante localizou no Balanço Patrimonial da LFM Administração e Participações Ltda. um lucro do exercício no valor de R$ 220.454,38, cuja existência é comprovada pela cópia do Balanço Geral emitido em 31/12/2004; assim, afigurase totalmente equivocada a premissa apontada no item 24 do Termo de Verificação, como sendo R$ 70.000,00 a receita total do período 2005/2004; o valor de R$ 70.000,00, na verdade, é apenas um dos componentes da Receita Bruta auferida no período, como pode ser comprovado pelo documento ora juntado sob n° 188 (fl. 1682); o Balanço Patrimonial do ano de 2004 prova ainda a existência no Patrimônio líquido de lucros acumulados no ano anterior de 2003, no importe de R$ 2.099.467,83, que também veio a compor o valor de R$ 4.616.914,69, ora em discussão, tornando evidente a conclusão de que no ano de 2002 o lucro acumulado perfez o valor aproximado de R$ 884.686,35, que corresponde à diferença entre o valor declarado em 2003 e o registrado em 2001 (R$ 2.099.467,831.214.781,48); para o ano de 2005, o impugnante localizou a prova da existência de lucro acumulado no exercício, de R$ 261.795,15, no Balanço Geral emitido em 31/12/2005 (fl. 1687); a veracidade das informações contidas no demonstrativo de efls. 1687/1691 pode ser constatada pelo total da receita bruta no valor de R$ 296.000,00, cujo valor coincide com a receita bruta declarada na DIPJ do mesmo exercício; o lucro do ano de 2006, de R$ 2.136.138,53, somado aos lucros acumulados de exercícios anteriores (2001, 2002, 2003, 2004 e 2005) no valor de R$ 2.480.776,16, resulta no montante de R$ 4.616.914,59, identificados na cópia do Balanço Patrimonial de 2006, como reserva de capital; o elevado lucro do ano de 2006 se deu em face do recebimento de distribuição de lucros em pagamento de empréstimo no valor de R$ 1.584.000,00, que havia sido celebrado com a empresa Agropecuária Prudenmar, conforme comprovam Livro Diário n° 06, Balanço Patrimonial, DRE e Livro Razão, pertencentes à LFM Administração e Participações Ltda.; dando respaldo à existência desses valores, seguem também Declaração Recibo de Distribuição de Lucros e Pagamento/Recebimento de Empréstimo, no valor de R$ 1.584.000,00 de 28 de abril de 2006, e cópia do Livro Razão, apuração de faturamento e composição de lucros acumulados, recibos de entrega de DCTFs, Fl. 2021DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 105 9 Balanço Patrimonial e Livro Diário n° 11, pertencentes à Agropecuária Prudenmar Ltda., referentes ao ano de 2006, quando a distribuição foi efetuada; respaldando a composição dos lucros, anexa também Contrato de Cessão de Direitos Sobre Bens/Créditos (efls. 1521 a 1525), entre a cedente, Agropecuária Prudenmar Ltda., e a LFM Administração e Participação Ltda., firmado em 28/12/2001 e reajustado em 01/02/2002; diante dessas provas, resta dirimida qualquer dúvida levantada pela fiscalização sobre a veracidade da existência do lucro acumulado na LFM Administração e Participação Ltda. em 2006, no valor de R$ 4.616.914,59, lançados no Patrimônio Líquido como reserva de capital no ano de 2006 e posteriormente revertidos como aumento de capital social, conforme representado na 5a alteração de contrato social (fl. 318) e que resultaram no aumento do numero de cotas, que posteriormente foram alienadas pelo impugnante, sem que isso resultasse em ganho de capital para ele; as receitas decorrentes de distribuição de lucros da Agropecuária Prudenmar não compõem a base de cálculo de incidência de PIS/COFINS, pois não se tratam de faturamento, por isso, totalmente equivocadas as considerações lançadas pela autoridade fiscal no item 24, 25 e 26 do Termo de Verificação Fiscal, as quais, por esta razão, não servem como fundamento para a qualificação da multa; estando a conduta do impugnante amparada em documentação idônea, não há lugar para alegação da existência de evidente intuito de fraude tal como está tipificado no artigo 72 desde os idos de 1964, assim como não tem aplicação a regra constante do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; também restaram elididas as alegações feitas pela autoridade fiscal nos itens 20 a 29, principalmente porque demonstrada a inexistência de qualquer inconsistência ou incompatibilidade entre os valores apontados nas DIPJ e DCTF, a título de Receita Bruta ou Faturamento, com a formação de lucros acumulados, vez que evidenciado que a maioria dele veio de distribuição de lucros e resultados da empresa Agropecuária Prudenmar Ltda., que não estavam sujeitos a tributação de IRPJ, CSLL ou PIS/COFINS, tendo em vista que todos foram devidamente informados nos documentos contábeis ora anexados; requer seja desconstituído o crédito tributário, com o reconhecimento da total improcedência do Auto de Infração impugnado, por inexistirem as infrações descritas, ou subsidiariamente seja reconhecida a improcedência da aplicação da pena de multa na forma qualificada. A Fiscalização atribuiu responsabilidade solidária à pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 mediante o Termo de Sujeição Passiva Solidária de efls. 1.450/1.452, pelas razões relatadas no Auto de Infração (e fls. 1.419/1.432) e no TVF (efls. 1.433/1.448). Ciente do referido Termo em 06/11/2013 (efl. 1.452), juntamente com o TVF (efls. 1.433/1.448) e Auto de Infração (efls. 1.419/1.432), a pessoa jurídica indicada como responsável solidário apresentou, em 05/12/2013, a impugnação de efls. 1.906/1.929, que foi considerada procedente pela DRJ/SPO nos termos do Acórdão n. 1657.341 (efls. 1958/1980) , caracterizando a insubsistência da responsabilidade solidária a ela atribuída, afastandoa, ipso facto, do polo passivo da relação jurídicatributária em tela. Na apreciação das impugnações de efls. 1.467/1.488 (Luiz Antonio Martos CPF 037.408.14845) e de efls. 1.906/1.929 (LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134), o órgão julgador de primeira instância, mediante o Acórdão n. 16 57.341 (efls. 1958/1980), assim sumarizou o seu entendimento: Fl. 2022DF CARF MF 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2008, 2009, 2010, 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. OPÇÃO PELO ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Uma vez que o contribuinte não logrou justificar a diferença entre o montante das notas fiscais do produtor emitidas e a receita bruta da atividade rural declarada, resta confirmada a omissão de rendimentos. Em caso de opção pelo arbitramento da base de cálculo, o valor tributável corresponde a 20% (vinte por cento) da receita bruta. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE QUOTAS SOCIETÁRIAS. MAJORAÇÃO INDEVIDA DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. Evidenciada a majoração indevida da reserva de lucros utilizada em integralização de capital pelos sócios e, por conseguinte, do custo de aquisição da participação societária alienada, apurase ganho de capital não oferecido à tributação. MULTA QUALIFICADA. Sempre que houver conduta dolosa do sujeito passivo buscando impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, está configurado o evidente intuito de fraude à lei tributária, a justificar a aplicação da multa qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. Não subsiste a atribuição de responsabilidade solidária, nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), à pessoa jurídica cujas quotas sociais foram objeto da transação que ensejou o lançamento, uma vez que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária ocorre entre pessoas que figuram no mesmo polo da relação jurídica. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O recorrente foi cientificado do teor do Acórdão n. 1657.341 (efls. 1958/1980) em 15/05/2014 (efls. 1981 e 1.984) e, irresignado, interpôs recurso voluntário em 16/06/2014 (efls. 1.987/2006), tempestivo, portanto, no qual repisa, em linhas gerais, os mesmos argumentos (exceto nos capítulos reconhecidos pela DRJ/SPO) apresentados na impugnação de efls. 1.467/1.488. Lateralmente, a DRJ/SPO submeteu a decisão consubstanciada no Acórdão n. 1657.341 (efls. 1958/1980) à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), de acordo com o artigo 34, I, do Decreto n. 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n. 9.532/1997, e Portaria MF n. 3, de 03 de janeiro de 2008 (em vigor à época dos fatos), por força de recurso de ofício. É o relatório. Fl. 2023DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 106 11 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Do Recurso de Ofício O Recurso de Ofício interposto pela DRJ/SPO Acórdão n. 1657.341 (efls. 1958/1980) ancorouse no art. 34, I do Decreto n. 70.235/1972, verbis: “A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão (...) exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda." Todavia, o Recurso de Ofício em apreço balizouse pela Portaria MF n. 3, de 03 de janeiro de 2008, que estabelecia o limite para interposição de recurso de ofício pelas turmas de julgamento das DRJ sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00, conforme disposto no art. 1°. daquele diploma infralegal. Ocorre que a Portaria MF n. 3, de 03 de janeiro de 2008 foi revogada pela Portaria MF n. 63, de 09 de fevereiro de 2017, que estabeleceu o limite para interposição de recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, bem assim quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário, nos termos do seu art. 1°., §§ 1° e 2°., verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, consoante determina a Súmula CARF n. 103. Desta forma, devese balizar, no caso concreto, o conhecimento do recurso de ofício anotado no Acórdão n. 1657.341 (efls. 1.958/1.980) pelos parâmetros estabelecidos na Portaria MF n. 63, de 09 de fevereiro de 2017, em vigor. Nessa perspectiva, verificase que o valor total do crédito exonerado é inferior ao limite estabelecido na Portaria MF n. 63, de 09 de fevereiro de 2017, conforme denunciado no Demonstrativo do Crédito Tributário informado no Acórdão n. 1657.341 (efls. 1958/1980), a seguir reproduzido: Fl. 2024DF CARF MF 12 Ainda que a referida exoneração tivesse alcançado a totalidade do crédito tributário não teríamos a incidência do limite para interposição do recurso de ofício, vez que tributo e multa, somados, alcançaria o total de R$ 1.822.108,82, conforme se depreende do demonstrativo do crédito tributário de fl. 02: Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 107 13 Isto posto, não há que se conhecer do recurso de ofício anotado no Acórdão n. 1657.341 (efls. 1958/1980), restando, inclusive, prejudicado quanto ao afastamento da responsabilidade solidária da pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134, vez que sequer o limite do crédito tributário exonerado foi alcançado. Fl. 2026DF CARF MF 14 Do Recurso Voluntário: Por sua vez, o Recurso Voluntário (efls. 1.987/2006) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele também CONHEÇO. Consoante relatado, a autuação em lide recai sobre omissão de rendimentos da atividade rural; omissão de ganhos de capital na alienação de quotas societárias, aplicação de multa qualificada e responsabilidade tributária passiva. O órgão julgador de primeira instância reconheceu que, em caso de opção pelo arbitramento da base de cálculo, o valor tributável dos rendimentos decorrentes de atividade rural corresponde a 20% da receita bruta, nos termos do art. 60, §2°. do Decreto n. 3.000/99 (RIR/99), e também afastou a responsabilidade solidária passiva da pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134, vez que não subsiste a atribuição da solidariedade imputada, nos termos do art. 124, I do CTN. Destarte, o Recurso Voluntário de efls. 1.987/2006 restringese à i) omissão de rendimentos da atividade rural; ii) omissão de ganhos de capital na alienação de cotas da pessoa jurídica LFM Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134, e iii) à aplicação de multa qualificada de 150%. Isto posto, passo a analisar o Recurso Voluntário (efls. 1.987/2006). por capítulos, na ordem nele apresentada. Omissão de rendimentos da atividade rural: A Fiscalização da RFB apurou omissão de rendimentos da atividade rural no valor total de R$ 163.663,00 correspondente à exclusão dos valores R$ 142.140,00; R$ 21.078,00 e R$ 445,00 pelas razões expostas a seguir: O valor de R$ 142.140,00 referese à NF Produtor n. 012348884 (efls. 1.513). Para uma melhor contextualização dos motivos da exclusão, reproduzo, ipsis litteris, o relato da Fiscalização da RFB subitem 33.3 efls. 1.446/1.447 do TVF, bem assim o posicionamento da DRJ/SPO, verbis: "Quanto ao valor de R$ 142.140,00 relativo à NF do Produtor n° 012348884 (fl. 1513), o interessado alega que o preço da operação não teria sido quitado, conforme declaração firmada pelas partes, datada de 03 de outubro de 2013 (fl. 1512). Tal declaração já fora apresentada no curso do procedimento fiscal (fl. 1030) e sobre ela a fiscalização observa o que segue, no subitem “33.3” do Termo de Verificação Fiscal (efls. 1446 e 1447): Objetivando verificar a autenticidade dessa declaração firmada pelas partes, realizouse consulta às suas DIRPF Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física e foi constatado que não há correspondência entre o que foi afirmado por elas em 03/10/2013 e o declarado anteriormente nas citadas DIRPF; ou seja, o contribuintealienante não declarou esse valor como direito a receber na ficha "Bens e Direitos" e os adquirentes não o incluíram na ficha "Dívidas e Ônus Reais" nem na ficha "Dívidas Vinculas à Atividade Rural" do Demonstrativo da Atividade Rural. Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 108 15 Vêse,portanto, que, intencionalmente, as partes firmaram essa declaração a fim de que o fiscalizado se esquivasse da devida tributação. Não merece crédito a declaração prestada pelas partes envolvidas, em total descompasso com o informado em suas declarações de ajuste anual, ainda mais se considerado o vínculo de parentesco entre os signatários, posto que Sandro Santana Martos e Vanessa Santana Martos são sobrinhos do impugnante. Cabe ressaltar que o livro caixa da atividade rural, por não ser sujeito a registro, é apenas um elemento subsidiário de prova, sendo indispensável a apresentação de documentos comprobatórios hábeis e idôneos." A leitura do art. 18 da Lei n. 9.250/95, bem assim do art. 61, §4°. do RIR/99, deve alinharse ao disposto na legislação do imposto de renda pessoa física. Assim, as anotações nas respectivas declarações de rendimentos (DIRPF) do alienante (ficha Bens e Direitos) e dos adquirentes (fichas "Dívidas e Ônus Reais" e ficha "Dívidas Vinculadas à Atividade Rural" do Demonstrativo da Atividade Rural) são procedimentos previstos na legislação do imposto de renda, com força cogente, portanto, não podendo dele se elidir o recorrente, apenas pelo fato de não ter efetivamente recebido os rendimentos. Ora, quando efetivamente os receber, deverá oferecêlos à tributação mediante a declaração de ajuste anual de IRPF relativa ao respectivo anocalendário da aquisição da disponibilidade financeira. Isto posto, é procedente a não aceitação da exclusão no valor R$ 142.140,00, vez que resta infirmada a declaração de efl. 1.512, sendo assim desprovida de qualquer repercussão tributária. Por sua vez, quanto ao valor de R$ 21.078,00, o recorrente alega que o valor real das NF do Produtor n. 11838587 a 11838592 (efls. 1501 a 1503) seria de R$ 13.800,00 cada uma e não de R$ 17.313,00, em virtude do valor de pauta (valor mínimo fixado para a operação, pela Secretaria da Fazenda de Mato Grosso do Sul), constante da Portaria SAT n. 2030, de 22 de dezembro de 2008 (efls. 1507 a 1510). Todavia, verificase que as referências ao preço de R$ 460,00 p/cabeça (total de R$ 13.800,00) não faz parte do corpo original das referidas notas fiscais (foram apostas por meio datilográfico), havendo razoável dúvida quanto à contemporaneidade de tais anotações, bem assim não há comprovação nos autos de valores recebidos pelo recorrente relacionados aos montantes questionados (R$ 82.800,00) no período referente às datas de emissão das referidas NF, inclusive quanto à identidade do real depositante (que o recorrente afirma tratar se do Sr. Valdir Gonçalves Nogueira), consoante cópias de extratos bancários acostados aos autos. Ou seja, não resta comprovado nos autos, de forma expressa e inequívoca, que a operação em litígio ocorreu nos valores informados pelo recorrente e que este recebeu os valores na ordem de grandeza que informa do adquirente Valdir Gonçalves Nogueira. Embora o recorrente alegue que "as operações de venda de bovinos realizadas no estado do Mato Grosso do Sul, tem suas notas fiscais emitidas diretamente nas Agências Fazendárias da localidade onde está situado o gado negociado e pelo valor da Pauta Fiscal vigente à data da operação, para fins de geração de DAEMS e consequente recolhimento de ICMS, independentemente do valor de negociação, que pode ser superior ou inferior ao valor da pauta praticado na região", bem assim que "a diferença existente entre o valor de pauta R$ 577,10 (2), por cabeça de gado bovino fêmea de 12 a 24 meses e o valor real da operação negociada pelo recorrente (R$ 460,00), ou seja, os (R$ 117,10) por cabeça, não representam rendimentos da atividade rural, mas apenas diferença do valor da pauta fiscal e o da efetiva operação", não traz aos autos nenhum elemento de prova emitido pelos Fl. 2028DF CARF MF 16 respectivos órgãos oficiais do estado do Mato Grosso do Sul nesse sentido, que viesse a robustecer a alegação quanto aos valores efetivos das operações de venda ao Sr. Valdir Gonçalves Nogueira, bem assim da referida pauta fiscal vigente à data da operação. É, sem sombra de dúvidas, uma ausência bastante prejudicial ao pleito do recorrente. É de se destacar que, na seara tributária, o ônus da prova é de quem dela se aproveita. Desta forma, as provas acostadas aos autos não têm a robustez suficiente para elidir a exclusão do valor de R$ 21.078,00 procedida pela Fiscalização da RFB. O recorrente não se pronunciou quanto à exclusão do valor de R$ 445,00, tornandoa matéria não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/1972. Com relação à multa qualificada, o recorrente protesta no sentido de que "a mera alegação de que as partes declarantes não teriam incluído tais informações em suas DIRPF, item 33.3 do termo de verificação, não é suficiente para deduzir que: intencionalmente, as partes firmaram essa declaração a fim de que o fiscalizado se esquivasse da devida tributação". Nesse diapasão, remete à Súmula CARF n. 14, verbis: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." O art. 44, §1º., I da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n. 11.488, de 15 de junho de 2007, estabelece que a multa de ofício a ser aplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964, é de 150%. É o que denominase de multa qualificada. As condutas previstas nos dispositivos legais em tela têm como pressuposto uma atuação ou omissão dolosa por parte do agente. Assim, para a qualificação da multa de ofício, é necessária a constatação, com elevado grau de probabilidade, de que determinado contribuinte tenha pautado sua conduta imbuído de dolo (no caso, específico), ou seja, com a consciência da conduta, a consciência do resultado, a consciência do nexo causal entre a conduta e o resultado, e a vontade de atuar no sentido de provocar o resultado infringente às normas juridicotributárias. Também é preciso que não haja verossimilhança minimamente suficiente em eventuais justificativas que, alternativamente, poderiam dar amparo ao proceder do contribuinte sem implicar, necessariamente, em um agir doloso. Deve ser admitido, por outra via, que, quando verificada conduta de pessoa física infringente à legislação tributária, a comprovação do dolo específico a ela porventura associado é tarefa deveras árdua, face a muitas vezes limitada possibilidade de produção de um arcabouço probatório hábil e suficiente para tanto. No caso concreto, a declaração com data de 03/10/2013 firmada pelo recorrente com os adquirentes (que têm estrito vínculo de parentesco com o recorrente) foi considerada falsa pela Fiscalização da RFB, com fundamento em ausência do referido direito no demonstrativo da atividade rural integrante da declaração de ajuste anual do recorrente, nem tampouco foi informado como dívida nas declarações de ajuste anual dos adquirentes. O órgão julgador de primeira instância, por sua vez, assim se pronunciou, verbis: Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 109 17 "No entanto, o estreito vínculo de parentesco entre os signatários da declaração de fl. 1030, bem como o total descompasso entre o teor desta e as informações prestadas em suas declarações de ajuste anual, conduzem à conclusão de que houve ajuste doloso para o fim de encobrir a ocorrência do fato gerador, impondose a manutenção da multa qualificada." Entretanto, a questão não é tão simples assim. Não obstante as circunstâncias apuradas pela Fiscalização, acima relatadas, não há elementos nos autos que comprovem, de forma inequívoca, que houve efetivo ajuste doloso para o fim de encobrir a ocorrência de fato gerador (dolo específico), como conclui a DRJ/SPO e a Fiscalização da RFB, conforme o enunciado da Súmula CARF n. 14, in fine. O estreito vínculo de parentesco que une os adquirentes e o alienante, bem assim a ausência do referido direito no demonstrativo da atividade rural integrante da declaração de ajuste anual do recorrente e da informação da dívida nas declarações de ajuste anual dos adquirentes, não permitem, por si só, concluirse, de forma absoluta, pelo dolo específico dos envolvidos na operação de compra e venda. Omissão de ganho de capital: Conforme relatado, o recorrente, inicialmente, alienou 70,71% das quotas que detinha na empresa LFMS Administração e Participações Ltda. para a pessoa jurídica VMS Administração e Participações Ltda. CNPJ n. 10.531.068/000150 (conforme instrumento particular de compromisso de cessão e transferência de cotas de capital de sociedade limitada firmado em 26/12/2008 e sexta alteração contratual, datada de 25/03/2009 efls. 824 a 826 e 834 a 841), correspondente a um total de 4.340.000,00 cotas ao valor nominal de R$ 1,00 cada uma, totalizando, portanto, R$ 4.340.000,00. Desse montante, R$ 2.514.600,00 o recorrente recebeu no anocalendário 2008 e R$ 1.825.400,00 no anocalendário 2009. A seguir, reproduzo a apuração efetuada pela Fiscalização da RFB, conforme (efls. 1.433/1.448), no que diz respeito à 5ª. e 6ª. alterações contratuais, que ilustram a narrativa acima, bem assim o aporte de Lucros Acumulados no valor de R$ 4.986.840,00: Fl. 2030DF CARF MF 18 Posteriormente, em 08/09/2009, de acordo com a sétima alteração contratual datada de 08/09/2009 (efls. 336 a 343), foi aumentado o capital social da empresa LFMS Administração e Participações Ltda. que passou de R$ 6.200.000,00 para R$ 7.600.000,00 e, concomitantemente, o recorrente alienou à pessoa jurídica VMS Administração e Participações Ltda. 45,16% da participação então detida na LFMS, correspondente a 1.252.000 cotas a R$ 1,00 cada cota, perfazendo um total de R$ 1.252.000,00, que foram recebidos em setembro e outubro de 2009. A seguir, reproduzo a apuração efetuada pela Fiscalização da RFB, conforme (efls. 1.433/1.448), no que diz respeito à 7ª. alteração contratual, que ilustra a narrativa acima: Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 110 19 De acordo com a oitava alteração contratual datada de 01/12/2009 (efls. 344 a 351), o recorrente retirouse da empresa LFMS Administração e Participações Ltda., alienando o total de 1.520.000 quotas, sendo 1.368.000 quotas à pessoa jurídica VMS Administração e Participações Ltda, 76.000 quotas a Sandro Santana Martos e 76.000 quotas a Vanessa Santana Martos. A seguir, reproduzo a apuração efetuada pela Fiscalização da RFB, conforme (efls. 1.433/1.448), no que diz respeito à 8ª. alteração contratual, que ilustra a narrativa acima: Fl. 2032DF CARF MF 20 Essas foram as alienações efetuadas pelo recorrente, objeto da autuação em lide, bem assim o histórico da integralização do capital social com a composição dos Lucros Acumulados ao longo do tempo. Conforme se constatará a seguir, o núcleo da controvérsia em apreço, no que diz respeito à apuração de ganhos de capital, concentrase na procedência da composição dos Lucros Acumulados que deram azo à majoração do custo de aquisição para fins de alienação de quotas da pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 e Agropecuária Prudenmar CNPJ 01.595.436/000133. A Lei n. 7.713/88, em seu art. 16, define o que será considerado como custo de aquisição dos bens e direitos para fins de apuração do ganho de capital: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Quando da primeira alienação (valor de R$ 4.340.000,00), a Fiscalização da RFB entendeu que o recorrente majorou indevidamente o custo de aquisição da participação societária alienada, vez que não restou comprovado o valor de R$ 4.570.745,54, correspondente a 99% (participação societária do recorrente) do valor de R$ 4.616.914,49 (abatido integralmente). Com efeito, em 24/12/2008, mediante a quinta alteração contratual, houve elevação do capital social da LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 de R$ 104.000,00 para R$ 6.200.000,00 , com a subscrição de 6.096.000 cotas no valor nominal de R$ 1,00 cada uma. Desse total, R$ 5.037.212,12 vieram da conta Lucros Acumulados, havendo o recorrente integralizado R$ 6.035.000,00, dos quais R$ 4.986.840,00 pelo aporte com reservas da conta Lucros Acumulados, observandose o percentual de participação do recorrente (99%). Ocorre que a pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 não logrou êxito em comprovar a formação dos Lucros Acumulados, havendo a Fiscalização constatado, mediante análise das DIPJ Exercícios 2003 Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 111 21 a 2007 , receita bruta acumulada no período de apenas R$ 1.128.260,00, valor bastante próximo da apuração por valores recolhidos de PIS/COFINS (consulta ao sistema SINAL08) nos respectivos anoscalendário (2002 a 2006) que resultaram em uma receita bruta de R$ 1.123.610,00. A Fiscalização, para fins de estimativa dos Lucros Acumulados, considerou o valor de R$ 1.128.260,00. Em 31/12/2007, a LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 informou à RFB, mediante Livro Diário n. 07, Lucros Acumulados de R$ 4.616.914,69. De acordo com o TVF (efls. 1.433/1.448), a Fiscalização observa que a LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 não apresentou a escrituração contábil de anoscalendário anteriores a 2007 e, assim, não logrou demonstrar a formação, no tempo, dos lucros acumulados em 31 de dezembro de 2006 no valor de R$ 4.616.914,69 constante no balanço de janeiro a dezembro de 2007 (efl. 741), levando a Fiscalização constatado, conforme já informado, receita bruta acumulada no período de apenas R$ 1.128.260,00 nos respectivos anoscalendário (2002 a 2006). Considerando este valor, concluiu a Fiscalização pela impossibilidade de existência de saldo de Lucros Acumulados, em 31/12/2006, de R$ 4.616.914,69, raciocínio que me parece bastante razoável. Desta feita, uma vez apresentada a escrituração contábil relativa ao ano calendário de 2007 que consigna o lucro do exercício de R$ 564.482,57 (efl. 741) foi considerada comprovada a integralização de capital com reserva de lucros acumulados no valor de R$ 420.297,43, correspondente à diferença entre o total informado como integralizado pelos sócios a esse título (R$ 5.037.212,12) e o valor não comprovado (R$ 4.616.914,69). Considerandose que, anteriormente à sexta alteração contratual da LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 , o contribuinte detinha a participação de 99%, apurouse a parcela por ele integralizada com reserva de lucros, de R$ 416.094,46 (99% de R$ 420.297,43), bem como os ganhos de capital nas alienações de participação societária, em decorrência da majoração indevida do custo de aquisição. Destarte, foi desconsiderado o valor de R$ 4.570.745,54 do aporte de lucros acumulados informados pelo recorrente (R$ 4.986.840,00) Visando à comprovação dos Lucros Acumulados em apreço, o recorrente acostou aos autos cópias de livros e demonstrações contábeis (efls. 1.516/1.521; 1.528/1.785; 1.787; e 1.803/1.880). Todavia, os Livros Diário apresentados não contêm qualquer registro, sendo, assim, desprovidos de qualquer força probatória, conforme ressaltado no acórdão recorrido. O Livro Razão, por sua vez, embora tenha o registro dispensado, somente se presta para prova se corroborado pelo Livro Diário, fato que não ocorre no caso concreto. No que tange aos Livros Diário, é oportuno resgatar o disposto no art. 258 do Decreto n. 3.000/99 (RIR/99), verbis: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). §1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares Fl. 2034DF CARF MF 22 para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). §2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. §3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). §4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). §5º Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 6º No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente. Destarte, há, por expressa previsão legal, necessidade de que o Livro Diário, para efeito de prova a favor do contribuinte, contenha, respectivamente, na primeira e na última página, termos de abertura e de encerramento e seja registrado e autenticado pelas Juntas Comerciais ou repartições encarregadas do Registro do Comércio, ou, no caso das sociedades civis, no Registro Civil das Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos onde se acharem arquivados seus atos constitutivos, fato não constatado no caso concreto. No tocante aos demonstrativos contábeis acostados aos autos pelo recorrente, não resta comprovado que foram transcritos no Diário ou em livro próprio, sujeito à registro, na forma estabelecida no art. 258, §6°, do RIR/99, acima reproduzido. E, ainda que regular fosse a escrituração, só se prestaria como prova se respaldada em documentos hábeis e idôneos, nos termos exatos do art. 923 do RIR/99, verbis: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Com relação à composição dos Lucros Acumulados, nos períodos indicados pelo recorrente, bem assim à higidez dos documentos contábeis apresentados, assim se pronunciou o órgão julgador de primeira instância: "Com vistas a demonstrar a percepção de lucro em 31 de dezembro de 2001, no valor de R$ 1.214.781,48, decorrente de “receita de cessão de direitos s/bens”, conforme demonstrações contábeis de efls. 1517 a 1519, o contribuinte apresenta cópias simples de instrumentos particulares de Cessão de Direitos sobre Bens/Créditos, relativos a imóveis, de efls. 1522 a 1525, onde a LFM figura como cessionária, além de certidões de registro de imóveis lavradas em 04 de março de 2002 (efls. 1526 e 1527), que seriam referentes aos mesmos imóveis. Na qualidade de cessionária, evidentemente, a LFM jamais auferiria “receita de cessão de direitos”. As referidas demonstrações contábeis teriam sido transcritas Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 112 23 no Razão cujo Termo de Abertura consta de fl. 1516, em desacordo com o previsto no artigo 258 do RIR/1999, acima reproduzido. Além de o Razão não se prestar à comprovação da manutenção de escrituração regular, há fortes indícios de que as folhas cujas cópias foram juntadas às efls. 1517 a 1521 não integrariam o Razão mantido em poder da empresa. Notese que, no canto superior direito do Termo de Abertura de fl. 1516, o número da folha é indicado com os algarismos “0001”. Já nas cópias de efls. 1517 a 1521, os números de folhas possuem tipologia distinta – “0.009”, “0.010”, “0.012”, além de “00.002” e “00.003”. Embora o contrato social de constituição da LFM esteja datado de 03 de novembro de 2001 (efls. 293 a 299), consta da tela extraída do Sistema CNPJ (fl. 1952) que a constituição da empresa se deu em 04 de janeiro de 2002, o que é corroborado pela informação prestada na DIPJ (fl. 1223). Não é demais lembrar que a existência da pessoa jurídica tem início com o arquivamento dos seus atos constitutivos no órgão competente. Desse modo, não há que se falar em apuração de resultado em 31 de dezembro de 2001. Alega o impugnante que, em abril de 2006, a LFM teria recebido da Agropecuária Prudenmar Ltda., CNPJ n° 01.595.436/000133, a importância de R$ 1.584.000,00, a título de distribuição de lucros, a maior parte utilizada para quitar empréstimo obtido dessa empresa, conforme declaração de fl. 1786. Além de a referida declaração ter sido firmada pelo próprio interessado, não foi comprovado que a operação foi regularmente escriturada pelas pessoas jurídicas, nem tampouco a efetividade do aludido empréstimo. Embora não seja indispensável a prova da contratação do mútuo mediante instrumento formal, em caso de pessoas ligadas, o empréstimo deve ser comprovado por meio de documentação hábil e idônea da efetiva transferência do numerário ao tomador. Pairam dúvidas inclusive sobre o fato de a LFM ter sido sócia da Agropecuária Prudenmar Ltda.. De acordo com a Alteração n° 05 da Prudenmar, datada de 03 de novembro de 2002 (efls. 36 a 38), a pessoa jurídica admitida como sócia é identificada com o número de CNPJ e o endereço da sede social correspondentes à empresa F.J.F. Administração e Participação S/C Ltda.. O percentual de participação da pessoa jurídica seria de 99%, ou 99.000 quotas, cujo valor teria sido integralizado em moeda corrente. Não obstante, os sócios Luiz Antonio Martos e Francisco Martos teriam integralizado parte do capital social da LFM mediante a conferência de 99.000 quotas da Prudenmar, confome Anexo I ao contrato social datado de 03 de novembro de 2001 (fl. 298), situação que se manteve até a 4ª alteração contratual datada de 29 de janeiro de 2007, conforme Anexo I das sucessivas alterações contratuais (efls. 305, 310 e 316). Ou seja, a referida conferência de quotas para a LFM se fez à margem dos atos societários da Prudenmar. Finalmente, é irrelevante para o presente litígio a demonstração do “faturamento acumulado” da Agropecuária Prudenmar Ltda. no período de janeiro de 2002 a fevereiro de 2005, constante da tabela denominada “Apuração do Faturamento para Composição da Reserva de Lucros”, de fl. 1788, elaborada com base nos valores de PIS e COFINS informados nas DCTF de efls. 1789/1802." Fl. 2036DF CARF MF 24 Da leitura dos autos, constatase que a LFMS não informou qualquer valor a título de “Receitas e Rendimentos Não Tributáveis” nas DIPJ relativas aos anoscalendário de 2002 a 2005 (efls. 1255, 1291, 1327 e 1339) e não se comprovou o recebimento de lucros ou dividendos distribuídos, nos termos do art. 10 da Lei n. 9.249/1995 e da Instrução Normativa SRF n. 93/1997 (em vigor à época dos fatos), conforme informa o recorrente em sua peça recursal de efls. 1.987/2006. Outrossim, também não há registro nas DIPJ AnoCalendário 2006 das pessoas jurídicas LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 e Agropecuária Prudenmar CNPJ 01.595.436/000133 do valor dos lucros distribuídos ao recorrente (efls. 1.955/1.956). Desta forma, ausente a comprovação do montante dos lucros pagos aos sócios no anocalendário de 2006, por cada uma das empresas mencionadas, mediante apresentação de registros contábeis mantidos com observância da legislação tributária e de prova da transferência dos recursos do patrimônio das pessoas jurídicas para os sócios, não há como determinar se há saldo de lucros acumulados pela LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 anteriores a 2007, passível de distribuição na data da alienação da participação societária. Isto posto, verificase que a presente lide resolvese, na sua essência, pela ausência de elementos fáticos hábeis e idôneos que robusteçam a alegação do recorrente no que se refere à formação dos lucros acumulados no período em tela, decorrendo, destarte, a procedência da apuração de ganhos de capital na alienação de quotas societárias, considerando se os ajustes no custo de aquisição das quotas da pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 , conforme discriminado no Auto de Infração de efls. 1.419/1.432 e no Termo de Verificação Fiscal de efls. 1.433/1.448, parte integrante daquele, em consonância com o decisum recorrido. Com relação à multa qualificada, o recorrente protesta no sentido de que "ainda que não pareça verossímil à autoridade lançadora que o contribuinte ora recorrente nada soubesse sobre a inserção de informações falsas em sua declaração, a conduta adotada desde o início da fiscalização me leva a concluir pelo desconhecimento deste a respeito do fato criminoso". Entende, assim, que a conduta do recorrente estaria amparada em documentação idônea e em escrituração contábil que respaldariam a composição dos Lucros Acumulados da LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134. Nesse sentido, resgata o enunciado da Súmula CARF n. 14, já transcrito neste voto. Conforme já relatado, as condutas previstas nos artigos em questão têm como pressuposto uma atuação ou omissão dolosa por parte do agente. Assim, para a qualificação da multa de ofício, é necessária a constatação, com elevado grau de probabilidade, de que determinado contribuinte tenha pautado sua conduta imbuído de dolo (no caso, específico), ou seja, com a consciência da conduta, a consciência do resultado, a consciência do nexo causal entre a conduta e o resultado, e a vontade de atuar no sentido de provocar o resultado infringente das normas juridicotributárias. Também é preciso que não haja verossimilhança minimamente suficiente em eventuais justificativas que, alternativamente, poderiam dar amparo ao proceder do contribuinte sem implicar, necessariamente, em um agir doloso. Deve ser admitido, por outra via, que, quando verificada conduta de pessoa física infringente à legislação tributária, a comprovação do dolo específico a ela porventura associado é tarefa deveras árdua, face a muitas vezes limitada possibilidade de produção de um arcabouço probatório hábil e suficiente para tanto. Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 15940.720144/201366 Acórdão n.º 2402006.007 S2C4T2 Fl. 113 25 No caso concreto, o TVF (efls. 1.433/1.448) informa a motivação para o lançamento da multa qualificada, in verbis: "34. Do exposto acima itens 20 a 29 temos que, de maneira deliberada, a empresa LFM Administração e Participações Ltda forjou fraudulentamente a formação de lucros acumulados que, posteriormente capitalizados, permitiu ao sócio fiscalizado, que à época de ocorrência dos fatos era sócio administrador com 99% (noventa e nove por cento) de participação societária, alienar suas cotas sem a devida apuração de ganho de capital." Da análise sistêmica da apuração de ganhos de capital, conforme exposta nos autos, entendese que há, sim, elementos de convicção suficientes no sentido de caracterizar o dolo específico do recorrente em ocultar a ocorrência da hipótese de incidência da obrigação tributária, consubstanciado na majoração indevida do custo de aquisição das quotas societárias da pessoa jurídica LFMS Administração e Participações Ltda. CNPJ 04.849.060/000134 alienadas pelo recorrente, sócioadministrador da referida pessoa jurídica com 99% de participação acionária, portanto, em posição privilegiada na cadeia de comando da retrocitada pessoa jurídica, com o domínio absoluto e inconteste na condução dos procedimentos, que, ao fim, o beneficiaria com a redução de imposto de renda a pagar. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso de Ofício anotado no Acórdão n. 1657.341 (efls. 1.958/1.980), CONHECER do Recurso Voluntário (efls. 1.987/2.006) e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, restando afastada a qualificação da multa de ofício (150%), reduzindoa a 75%, especificamente em relação à infração omissão de rendimentos da atividade rural. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 2038DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.003257/2003-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1997
Falta de Recolhimento.
Nega-se provimento ao recurso do contribuinte, posto que o mesmo não logrou comprovar a quitação integral do crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 1401-000.363
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 Falta de Recolhimento. Nega-se provimento ao recurso do contribuinte, posto que o mesmo não logrou comprovar a quitação integral do crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS - Relator. EDITADO EM: 31/01/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Declarou-se impedido o conselheiro Maurício Pereira Faro Relatório Fl. 169DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 192): Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado, no valor total de R$ 2.631.236,58 (fls. 06/15). 2. O lançamento teve origem na Auditoria Interna das Declarações de Contribuições e Tributos Federais — DCTF relativas ao 10 2°, 3° e 4° trimestres de 1997, onde foi constatado falta de recolhimento do IRPJ, nos períodos de apuração de 01-02/1997, 01-05/1997, 01-06/1997, 01-07/1997, 01-09/1997, 01-10/1997 e 01-11/1997, nos valores respectivos de R$ 206.117,29, R$ 133.269,88, R$ 521.447,79, R$ 502,26, R$ 19.97, R$ 74.462,73 e R$ 61.988,03, totalizando o valor originário em R$ 997.807,95, conforme "Anexo Ib — Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados em DCTF" (fls. 08/14) e "Anexo III 1— Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (fls. 15). 3. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 12/12/2001 (AR, fls. 19), o contribuinte apresentou impugnação em 08/01/2002 (fls. 01/02). Alega, em síntese, que: 3.1 — comprova o efetivo recolhimento dos valores declarados junto ao Banco 001 (Banco do Brasil), Agência 0044-2, provando inequivocamente o cumprimento da obrigação Principal, conforme DARF's anexos aos autos e demonstrativo próprio constante da impugnação (fls. 01); 3.2 —os códigos sob os nºs 4424 e 6677 não constavam da tabela da DCTF da época, ressaltando, também, que, em consulta verbal efetuada junto à Delegacia da Receita Federal de sua jurisdição, foi orientado a fazer referência ao código 2362; 3.3 - ante o exposto, requer o processamento dos pagamentos com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração e a respectiva baixa do processo e seu arquivamento. Ao receber a impugnação e constatar a existência de diversos DARFs com código de recolhimento incorreto, a DRF Teresina – PI efetuou a vinculação manual dos referidos pagamentos e promoveu a revisão do lançamento, cancelando créditos tributários no montante de R$ 988.112,61. Restou apenas um saldo devedor no valor de R$ 9.695,34, acrescido de multa de ofício. Assim, o processo foi encaminhado à DRJ Fortaleza, para julgamento do crédito tributário remanescente. A 4ª Turma da DRJ Fortaleza , por unanimidade, julgou o lançamento procedente em parte, por meio do Acórdão DRJ/FOR nº 9.269, de 30/11/2006, assim ementado (v. fl. 87): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 Fl. 170DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10384.003257/2003-61 Acórdão n.º 1401-00.363 S1-C4T1 Fl. 155 3 Ementa: Falta de Recolhimento. Tendo o contribuinte logrado comprovar parcialmente o recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, é de se considerar procedente em parte o lançamento. Multa Vinculada. Retroatividade Benigna. Tendo em conta a nova redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051, de 2004, ao art. 18 da Lei 10.833, de 2003, c/c o art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, cancela-se a multa de oficio vinculada aplicada. Lançamento Procedente em Parte Cientificado do referido Acórdão em 20/09/2007 (fls. 96, verso), o contribuinte interpôs em 16/10/2007 o recurso voluntário de fls. 100-103. O Recorrente alega, basicamente, o que segue (fls. 102): [...] o IRPJ relativo ao mês de junho de 1997 foi integralmente quitado pela Recorrente, não havendo qualquer saldo remanescente a ser recolhido. Destarte, conforme elucidado na tabela acima, a Recorrente realizou o pagamento integral do imposto devido no período em questão, através de dois DARF's nos valores de R$ 448.445,10 (doc. 08) e R$ 73.022,65 (doc. 09). Nesse sentido, veja-se que a soma dos dois DARF's recolhidos no mês de junho de 1997 representam exatamente o valor do IRPJ devido no período (R$ 521.447,79), restando claro que o referido imposto foi integralmente quitado pela Recorrente na data do seu vencimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. O presente lançamento originalmente se reportava a falta de recolhimento do IRPJ, nos períodos de apuração de 01-02/1997, 01-05/1997, 01-06/1997, 01-07/1997, 01- 09/1997, 01-10/1997 e 01-11/1997, nos valores respectivos de R$ 206.117,29, R$ 133.269,88, R$ 521.447,79, R$ 502,26, R$ 19.97, R$ 74.462,73 e R$ 61.988,03, totalizando o valor originário em R$ 997.807,95, acrescido de multa de ofício (fls. 15). Antes mesmo de enviar o presente processo para a DRJ Teresina - PI, a DRF Teresina – PI procedeu à vinculação manual de diversos pagamentos efetuados pela contribuinte, por meio de DARFs com códigos de recolhimento incorretos, os quais foram trazidos aos autos na fase impugnatória. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 Estas vinculações de pagamentos acarretaram o cancelamento quase integral do crédito tributário lançado, remanescendo apenas um crédito tributário no valor de R$ 9.695,34 (acrescido de multa de ofício), relativo ao período de apuração 01-06/1997. A DRJ Fortaleza constatou a correção do procedimento realizado pela DRF Teresina – PI, mantendo apenas a exigência do crédito tributário no valor de R$ 9.695,34, referente ao período de apuração 01-06/1997. Sobre o tema, assim se pronunciou o relator do Acórdão recorrido, fls. 89 (grifado): 5.2 — deixou de comprovar, porém, a totalidade dos recolhimentos do IRPJ, referente ao período de apuração 01- 06/1997 (2° trimestre/98), pois, do valor declarado de R$ 521.447,79, justificou o recolhimento de apenas R$ 511.752,45, conforme se infere dos demonstrativos de fls. 74/76, c/c o "RESUMO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS LANÇADOS COM REVISÃO DO LANÇAMENTO" (fls. 77), remanescendo o crédito tributário no valor de R$ 9.695,34, a ser mantido no presente lançamento. A multa de ofício resultou cancelada pela DRJ Fortaleza, tendo em vista a nova redação do art. 18 da Lei 10.833, de 2003, dada pelo art. 25 da Lei 11.051, de 2004, por força do disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. Importante destacar que os dois DARFs mencionados pelo contribuinte em seu recurso voluntário, nos valores de R$ 448.445,10 e R$ 73.022,65 (fls. 150 e 152), já foram devidamente analisados pela DRF Teresina – PI, na fase de revisão de ofício do presente lançamento. Conforme relatório de fls. 74, os aludidos recolhimentos, acrescido de outro recolhimento no valor de R$ 76.337,50, não foram suficientes para quitar integralmente o débito lançado, relativo ao período de apuração 01-06/1997. O citado relatório não teve sua correção expressamente questionada pelo contribuinte, nem na fase impugnatória, nem na fase recursal. Vale dizer que tal relatório serviu de base para o Acórdão recorrido, o qual reconheceu expressamente a existência de uma pequena parcela de crédito tributário remanescente, no montante de R$ 9.695,34. Sobre esta parcela, contudo, não mais incide multa de ofício, conforme decisão da DRJ Fortaleza. Diante da ausência de qualquer indício de incorreção no demonstrativo elaborado pela DRF Teresina (fls. 74), voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator Fl. 172DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10384.003257/2003-61 Acórdão n.º 1401-00.363 S1-C4T1 Fl. 156 5 Fl. 173DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/01/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 19515.004941/2003-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO.
O instituto da decadência, em matéria tributária, transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo. Extinto o crédito tributário pela decadência, não poderá ser reavivado pelo lançamento de ofício.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
(Súmula Carf nº 38)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DO ART. 150, § 4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
Caracterizado o pagamento parcial antecipado, e ausente a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial em relação à omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada dá-se pela regra do § 4º do art. 150 do CTN.
Numero da decisão: 2401-005.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento, reconhecendo a decadência do crédito lançado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. O instituto da decadência, em matéria tributária, transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo. Extinto o crédito tributário pela decadência, não poderá ser reavivado pelo lançamento de ofício. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula Carf nº 38) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DO ART. 150, § 4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Caracterizado o pagamento parcial antecipado, e ausente a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial em relação à omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada dá-se pela regra do § 4º do art. 150 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento, reconhecendo a decadência do crédito lançado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente KLEBER GUIMARÃES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. O instituto da decadência, em matéria tributária, transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo. Extinto o crédito tributário pela decadência, não poderá ser reavivado pelo lançamento de ofício. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula Carf nº 38) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DO ART. 150, § 4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Caracterizado o pagamento parcial antecipado, e ausente a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial em relação à omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada dáse pela regra do § 4º do art. 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 49 41 /2 00 3- 00 Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 19515.004941/200300 Acórdão n.º 2401005.130 S2C4T1 Fl. 1.571 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e darlhe provimento, reconhecendo a decadência do crédito lançado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 19515.004941/200300 Acórdão n.º 2401005.130 S2C4T1 Fl. 1.572 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria (DRJ/STM), cujo dispositivo julgou procedente em parte o lançamento fiscal, mantendo parcialmente o crédito tributário. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1807.405 (fls. 1.343/1.361): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não tem competência para sobre a constitucionalidade ou legalidade de lei SIGILO BANCÁRIO. UTILIZAÇÃO INFORMAÇÕES RELATIVAS A CPMF. Como o advento da Lei no 10.174/2001, resguardado o ria forma da legislação aplicável, é legítima a utilização das informações sobre as movimentações financeiras relativas a CPMF para instaurar procedimento administrativo que resulte lançamento de outros tributos, ainda que os geradores tenham ocorrido antes da vigência da referida Lei. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. Lançamento Procedente em Parte 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 1.104/1.112, que o processo administrativo é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente ao anocalendário 1998, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, em virtude de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários, efetuados em conta corrente, de origem não comprovada. 2.1 O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 1.123/1.129, enquanto a relação de depósitos não comprovados, por data e valor, às fls. 1.113/1.122. 2.2 Esclarece a autoridade fiscal que o lançamento compreende apenas os recursos depositados nas contas bancárias mantidas pelo contribuinte no Unibanco S/A, Banco Bradesco S/A e Banco Nossa Caixa S/A sem comprovação da origem. Os valores depositados para os quais foi comprovada, no curso do procedimento fiscal, a origem do crédito em conta não compõem o auto de infração. Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 19515.004941/200300 Acórdão n.º 2401005.130 S2C4T1 Fl. 1.573 4 3. A ciência da autuação se deu em 12/01/2004, conforme fls. 1.130, tendo o sujeito passivo apresentado impugnação no prazo legal (fls. 1.154/1.162). 4. Intimado da decisão de piso por via postal, em 27/11/2008, o recorrente apresentou recurso voluntário em 23/12/2008, com os seguintes argumentos de fato e de direito em face da decisão de piso que manteve em parte a pretensão fiscal (fls. 1.367/1.373): (i) no caso do lançamento tributário relativo à omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a inversão do ônus da prova é incompatível com o conceito de aferição de renda previsto na Carta Política de 1988; (ii) a decisão recorrida deixou de acatar como prova de recursos pertencentes a terceiros os recibos por prestação de serviços emitidos pela empresa de contabilidade do recorrente, a Kage Contabilidade Ltda.; (iii) todas as movimentações relacionadas às contas correntes do recorrente restaram devidamente comprovadas na impugnação, por intermédio de documentos hábeis e idôneos, cabendo a declaração de improcedência do crédito tributário remanescente; e (iv) a decisão de piso não considerou os valores pagos e declarados pelo contribuinte em sua declaração como pessoa física, relativamente ao anocalendário de 1998. É o relatório. Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 19515.004941/200300 Acórdão n.º 2401005.130 S2C4T1 Fl. 1.574 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Ao compulsar os autos, não localizei o comprovante do recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, que atesta a data em que o recorrente tomou ciência do acórdão de primeira instância. 6. Por outro lado, a unidade preparadora manifestouse pela apresentação tempestiva do apelo recursal (fls. 1.562), tendo o recorrente declarado que foi cientificado da decisão de primeira instância em 27/11/2008 (fls. 1.367). 7. Além disso, constato que a interposição do recurso voluntário no prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão recorrida, é conclusão compatível com a data de elaboração do documento de intimação do Acórdão nº 1807.405, em 18/11/2008, sendo plenamente razoável admitir o transcurso de uma semana, no mínimo, até a efetivação da ciência no domicílio do contribuinte, considerando a expedição da comunicação via postal (fls. 1.362). 8. Assim exposta a questão processual, entendo tempestivo o apelo recursal, protocolado em 23/12/2008, e, uma vez satisfeitos os demais requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele tomo conhecimento. Decadência 9. Ainda que indeterminado e aberto o conceito de "matéria de ordem pública", prevalece a noção de que a decadência, em matéria tributária, transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador. Extinto o crédito tributário pela decadência, não poderá ser reavivado pelo lançamento. 10. O IRPF é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário é de cinco anos contados do fato gerador, na hipótese da existência de pagamento parcial antecipado, e ausente o dolo, fraude ou a simulação na conduta do sujeito passivo, nos termos do § 4º do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 19515.004941/200300 Acórdão n.º 2401005.130 S2C4T1 Fl. 1.575 6 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 11. Nessa diretriz de raciocínio, o decidido no Recurso Especial (REsp) nº 973.733/SC, da relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, na sessão de 12/08/2009. Reproduzo parcialmente a sua ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) (DESTAQUEI) 12. Como regra geral, o fato gerador do IRPF é anual, por meio do ajuste realizado no ano seguinte, considerandose ocorrido em 31 de dezembro do anocalendário do recebimento dos rendimentos, inclusive quanto à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. 13. Tal linha de entendimento, após longo debate, representa o entendimento consolidado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o verbete abaixo reproduzido: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. 14. O Auto de Infração é relativo ao anocalendário de 1998, considerandose ocorrido o fato gerador, portanto, em 31/12/1998. Não há alusão pelo agente fazendário de conduta dolosa, fraudulenta ou simulada praticada pela pessoa física autuada. Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 19515.004941/200300 Acórdão n.º 2401005.130 S2C4T1 Fl. 1.576 7 15. Por sua vez, a cópia da Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 1998, exercício 1999, transmitida pelo contribuinte em 16/04/1999, revela o recebimento de rendimentos tributáveis de pessoas jurídicas, com imposto retido na fonte no importe de R$ 1.247,27, a título de antecipação do devido no ajuste anual (fls. 9/11). 15.1 Tal situação caracteriza pagamento parcial antecipado do imposto lançado, cujo lançamento de ofício incluiu a base de cálculo declarada pelo contribuinte e o imposto pago/devido na declaração de ajuste (fls. 1.123). 16. Dado que a ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse no dia 12/01/2004 (fls. 1.130), nessa ocasião já havia transcorrido mais de cinco anos da data do fato gerador, operandose, por consequência, a decadência do crédito tributário lançado no auto de infração, segundo a contagem do § 4º do art. 150 do CTN. 17. Deixo de analisar os demais argumentos de defesa contra a pretensão fiscal remanescente após a decisão de primeira instância, por absoluta desnecessidade para o deslinde do julgamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PROVIMENTO para tornar insubsistente o auto de infração, devido ao reconhecimento da decadência do crédito tributário. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1576DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.005097/2007-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2008 PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.140
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : SIMPLES NACIONAL Exercício: 2008 PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13839.005097/200711 Acórdão n.º 180101.140 S1TE01 Fl. 44 2 (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente solicitou opção pelo Simples Nacional a qual foi indeferida com base nos fundamentos de fato e de direito indicados, fl. 22: Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006) [...] Com fundamento no parágrafo 6º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e no artigo 8º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, fica a pessoa jurídica acima identificada impedida de optar pelo Simples Nacional pro incorrer na(s) seguinte(s) situação (ões): Estabelecimento CNPJ: 68.221.050/000132 Atividade econômica vedada: 70204/00 Atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica especifica Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso XIII. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0204 com as alegações a seguir sintetizadas. Suscita a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, por afronta ao princípio da igualdade. Defende a tese de que a legislação não pode limitar a opção pelo Simples Nacional em razão de atividade econômica, porque é garantido um tratamento simplificado e diferenciado a todas as microempresas e empresas de pequeno porte. Diz que a autoridade administrativa deve zelar pelo cumprimento das garantias da Carta Magna. Conclui Face o quanto suso exposto a Requerente requer de V. Sa. se digne em julgar totalmente procedente o presente pleito, reconhecendo a aplicação do artigo 150, inciso II, da Constituição Federal ao presente caso, revogando o ato administrativo Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13839.005097/200711 Acórdão n.º 180101.140 S1TE01 Fl. 45 3 que determinou a vedação da inclusão da mesma no SIMPLES NACIONAL em função de sua atividade econômica, por ser de direito e para que se faça a sempre costumeira e necessária justiça. Termos em que. Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0525.399, de 09.04.2009, fls. 2425: “Solicitação Indeferida”. Restou ementado ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. CONSULTORIA. VEDAÇÃO. A prestação de serviço de consultoria é circunstância impeditiva para o ingresso ou a permanência no Simples Nacional. LEGALIDADE. Cumpre à Administração aplicar a Lei de ofício, sem desbordar para críticas sobre sua constitucionalidade. Notificada em 04.05.2009, fl. 26verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 08.05.2009, fl. 20, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, a Impugnante requer se dignem os Ilustres Julgadores ACOLHER esta manifestação de inconformidade para o fim de reformar a v. decisão de fls. 24/25 e determinar a inclusão da Impugnante no SIMPLES NACIONAL desde o ANOCALENDÁRIO 2007. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em Direito admitidos, sem exceção de quaisquer, os quais ficam desde já requeridos ainda que não especificados. Requer, por derradeiro, que a decisão proferida na análise desta impugnação seja encaminhada, por correio e com aviso de recebimento, para o endereço da Impugnante, constante do preâmbulo desta petição. Termos em que. Pede deferimento. É o Relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13839.005097/200711 Acórdão n.º 180101.140 S1TE01 Fl. 46 4 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para fins da aplicação das determinações relativas à notificação, nos termos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 1. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente se insurge contra o indeferimento da opção. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais.A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Verificada a falta da comunicação obrigatória, a exclusão de ofício é formalizada mediante termo emitido pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de ofício. O seus efeitos podem ser retroativos, conforme o caso. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13839.005097/200711 Acórdão n.º 180101.140 S1TE01 Fl. 47 5 Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência e de sua validade. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional é a manifestação unilateral da administração pública, que vincula o ente federativo que o emitiu, uma vez que esta questão é afeta à repartição constitucional de competências tributárias. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios2. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, fl. 22, tem como motivo a prestação de serviços de atividade consultoria em gestão empresarial. No Contrato Social registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo consta que a sociedade tem o seguinte objeto, fls. 3642: [...] A sociedade terá como atividade social de assessoria e consultoria empresarial e tributária; treinamento e comércio de produtos de informática. A hipótese de indeferimento da opção da Requerente pelo Simples Nacional fundamentada na prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, pressupõe a obtenção de receita proveniente da atividade vedada, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. Analisando todos este fatos verificase que a “prestação de serviços de atividade consultoria em gestão empresarial” caracterizase por si só a atividade expressamente vedada, de acordo com o Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 18 de junho de 2007. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso3. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade4. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 17, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 e art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965. 3 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 4 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13839.005097/200711 Acórdão n.º 180101.140 S1TE01 Fl. 48 6 (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.724554/2014-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2013
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais- DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°. 02 DO CARF.
Súmula nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
Numero da decisão: 1001-000.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente COMERCIAL GAÚCHA DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°. 02 DO CARF. Súmula nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 45 54 /2 01 4- 71 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11065.724554/201471 Acórdão n.º 1001000.049 S1C0T1 Fl. 61 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 15ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1276.167, de 20 de maio de 2015 (efls. 40/42), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento (efl. 07) com a exigência do crédito tributário no valor de R$ 4.158,83 a título de multa de ofício isolada por dezesseis (16) meses de atraso na entrega, em 31/10/2014, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao mês de maio de 2013, cujo prazo final era 19/07/2013. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, argumentando, que sua aplicação, no montante acima discriminado, ofenderia os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Alternativamente, postulou a redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária, fica sujeito a multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). Ciente da decisão de primeira instância em 23 de junho de 2015, conforme Aviso de Recebimento à efl. 45, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21 de julho de 2015 (efls. 47/52), conforme carimbo aposto à efl. 47. É o Relatório. Voto Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11065.724554/201471 Acórdão n.º 1001000.049 S1C0T1 Fl. 62 3 Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele conheço. Gira a lide sobre a multa por atraso na entrega da DCTF do mês de maio de 2013. A base legal do lançamento foi o art. 7º da Lei nº 10.426/2001, com a redação que lhe foi dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3; [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; [...] § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11065.724554/201471 Acórdão n.º 1001000.049 S1C0T1 Fl. 63 4 No recurso interposto, os argumentos da recorrente, a exemplo do que ocorreu em sede de primeira instância, são centrados em princípios legais e constitucionais, a saber, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Alternativamente, a recorrente pede a aplicação da multa em seu valor mínimo, na forma do art. 7º, § 3º, da IN RFB nº 1.110/2010. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Como se pode observar, a Interessada não contesta o fato de haver apresentado a declaração a destempo. Suas razões de inconformidade estão centradas, única e exclusivamente, no valor da multa aplicada, que, segundo seu entendimento, seria excessivo, violando os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Muito embora respeitáveis os argumentos de defesa, não há como acolher a pretensão da Impugnante. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Uma vez configurada a ocorrência do fato gerador da multa, é dever da autoridade fiscal aplicar a penalidade nos estritos termos do comando legal. Ao julgador administrativo, por seu turno, é vedado afastar a aplicação de lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). De observar que, no caso em apreço, a multa foi calculada exatamente de acordo com a regra do art. 7º, inciso II, da Lei nº 10.426, de 2002, não tendo cabida a aplicação da penalidade mínima de R$ 500,00, prevista no § 3º do referido dispositivo. Como acertadamente consignou a decisão recorrida em relação às supostas inconstitucionalidades alegadas, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº. 02: Súmula CARF nº. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. A autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, como bem assinalou a decisão recorrida, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11065.724554/201471 Acórdão n.º 1001000.049 S1C0T1 Fl. 64 5 A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, entendo que a decisão recorrida não merece ser reformada quanto aos pontos alegados pela recorrente. Por fim, em relação ao pedido de redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00, tenho a acrescentar que essa multa mínima corresponde àquela estatuída no § 3º do dispositivo legal anteriormente transcrito neste voto, e não há dúvidas de que é aplicável apenas quando a multa calculada na forma do inciso I for inferior aos valores mínimos, ou, ainda, nos casos de não haver qualquer valor informado na DCTF. Tais hipóteses não se aplicam ao caso vertente, pelo que igualmente inaplicável a multa mínima pretendida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 64DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.910674/2011-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 05/03/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.545
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 05/03/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.910674/201132 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.545 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 05/03/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 74 /2 01 1- 32 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910674/201132 Acórdão n.º 3402004.545 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.042, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 05/03/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910674/201132 Acórdão n.º 3402004.545 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910674/201132 Acórdão n.º 3402004.545 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910674/201132 Acórdão n.º 3402004.545 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910785/2008-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2002
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.738
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO ALEGADO. Recorrente FLEURY S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2002 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 85 /2 00 8- 81 Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10880.910785/200881 Acórdão n.º 9303005.738 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802002.029, de 24/09/2013, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido quanto à impossibilidade de apresentação de DCTF retificadora, após o Despacho Decisório e no prazo da Manifestação de Inconformidade, para a comprovação do direito creditório alegado. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 1302001.423 (possibilidade de homologação da PER/DCOMP em face da apresentação de DCTF retificadora após o Despacho Decisório) e 3401002.744 e 3401002.128 (necessidade de conversão do julgamento em diligência caso não seja reconhecido o direito à homologação com base na DCTF retificada). Por meio do exame de admissibilidade do recurso, propôsse o seu não seguimento, o que, embora acatado pelo Presidente do CARF em despacho de reexame, foi revertido por medida liminar em mandado de segurança, determinando o seguimento do recurso especial. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10880.910785/200881 Acórdão n.º 9303005.738 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.708, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10880.910755/200875, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.708): "Em face do provimento judicial que determinou a este Colegiado Administrativo o seguimento do recurso especial, ultrapassamos a análise de sua admissibilidade e passamos ao mérito do litígio. Neste, como já registramos noutros processos envolvendo matéria idêntica, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Nesse contexto, ainda que não se tenha concordado com o argumento de que a falta de DCTF retificadora não seria óbice ao deferimento do pedido (coisa com a qual também concordamos), não se poderia, pura e simplesmente, dar provimento ao recurso especial, mas retornar os autos à unidade de origem, a fim de que, ultrapassada a questão, enfrentasse o mérito do litígio, mediante a análise da documentação fiscal ou contábil por meio da qual se pudesse comprovar o crédito a ser restituído. Para nós, portanto, correta a Câmara baixa, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria suficiente para a demonstração do crédito, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que, no caso ora em exame, não se verificou, daí porque absolutamente impertinente converter o julgamento em diligência, como pretende a Recorrente1. Ante o exposto, conheço do recurso especial em face do provimento judicial e, no mérito, negolhe provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também "limitouse a retificar a DCTF, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito". 1 Segundo o relator do acórdão recorrido: "No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição". Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10880.910785/200881 Acórdão n.º 9303005.738 CSRFT3 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido em face do provimento judicial e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720102/2013-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2010 a 30/11/2010
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. A validade do planejamento tributário é aferida após verificação de adequação da conduta no campo da licitude ou da ilicitude. Assim, a opção negocial do contribuinte no desempenho de suas atividades, quando não integrar qualquer hipótese de ilicitude, ou seja, implicando a ausência de subsunção do fato à norma tributária ou acarretando o enquadramento à norma tributária que prescreva exigências menos onerosas, é perfeitamente lícita e não susceptível de desconsideração pela autoridade administrativa para fins de tributação. Estará o contribuinte no campo da ilicitude se o negócio jurídico for simulado ou se houver a ocorrência do disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, ou seja, se as condutas esconderem, modificarem ou excluírem o fato jurídico-tributário.
SIMULAÇÃO. CONCEITO. Considera-se simulação quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado, hipótese em que o Fisco deve alcançar o negócio jurídico que se dissimulou, para proceder à devida tributação.
FRAUDE. CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. Havendo a comprovação de atos simulados, com o único propósito de esquivar-se das obrigações tributárias, obtidos por meio de uma fraude perpetrada em conluio entre as partes envolvidas, deve ser aplicada multa qualificada determinada pelo § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Renato Vieira de Avila.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Renato Vieira de Avila, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/2010 a 30/11/2010 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. A validade do planejamento tributário é aferida após verificação de adequação da conduta no campo da licitude ou da ilicitude. Assim, a opção negocial do contribuinte no desempenho de suas atividades, quando não integrar qualquer hipótese de ilicitude, ou seja, implicando a ausência de subsunção do fato à norma tributária ou acarretando o enquadramento à norma tributária que prescreva exigências menos onerosas, é perfeitamente lícita e não susceptível de desconsideração pela autoridade administrativa para fins de tributação. Estará o contribuinte no campo da ilicitude se o negócio jurídico for simulado ou se houver a ocorrência do disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, ou seja, se as condutas esconderem, modificarem ou excluírem o fato jurídico-tributário. SIMULAÇÃO. CONCEITO. Considera-se simulação quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado, hipótese em que o Fisco deve alcançar o negócio jurídico que se dissimulou, para proceder à devida tributação. FRAUDE. CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. Havendo a comprovação de atos simulados, com o único propósito de esquivar-se das obrigações tributárias, obtidos por meio de uma fraude perpetrada em conluio entre as partes envolvidas, deve ser aplicada multa qualificada determinada pelo § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Renato Vieira de Avila. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Renato Vieira de Avila, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2010 a 30/11/2010 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. VALIDADE. A validade do planejamento tributário é aferida após verificação de adequação da conduta no campo da licitude ou da ilicitude. Assim, a opção negocial do contribuinte no desempenho de suas atividades, quando não integrar qualquer hipótese de ilicitude, ou seja, implicando a ausência de subsunção do fato à norma tributária ou acarretando o enquadramento à norma tributária que prescreva exigências menos onerosas, é perfeitamente lícita e não susceptível de desconsideração pela autoridade administrativa para fins de tributação. Estará o contribuinte no campo da ilicitude se o negócio jurídico for simulado ou se houver a ocorrência do disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, ou seja, se as condutas esconderem, modificarem ou excluírem o fato jurídicotributário. SIMULAÇÃO. CONCEITO. Considerase simulação quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado, hipótese em que o Fisco deve alcançar o negócio jurídico que se dissimulou, para proceder à devida tributação. FRAUDE. CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. Havendo a comprovação de atos simulados, com o único propósito de esquivarse das obrigações tributárias, obtidos por meio de uma fraude perpetrada em conluio entre as partes envolvidas, deve ser aplicada multa qualificada determinada pelo § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 02 /2 01 3- 52 Fl. 32050DF CARF MF Processo nº 16561.720102/201352 Acórdão n.º 3301004.132 S3C3T1 Fl. 32.051 2 julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Renato Vieira de Avila. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Renato Vieira de Avila, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório O procedimento fiscal que culminou na lavratura do auto de infração decorreu de representação da ALFÂNDEGA DO AEROPORTO INTERNACIONAL DE VIRACOPOS feita nesses termos: No curso do Procedimento Especial de Controle Aduaneiro – RPF nº 08177002011001698 – instaurado para apurar indícios de infração punível com a penalidade de perdimento relativo às mercadorias submetidas a despacho de exportação através das Declarações de Exportação de nº 2110181387/3, 2110259498/9, 2110263533/2, 2110270129/7, 2110270139/4, 2110320914/0, 2110320927/2, 2110320948/5, 2110320964/7, 2110320980/9, 2110270113/0, 2110270124/6 e 2110270148/3, foram levantadas informações sobre as operações de importação de peças, industrialização, exportação e posterior reimportação de aparelhos telefônicos celulares marca Blackberry, que, combinadas com informações já levantadas pelas alfândegas de Vitória e Florianópolis, formam um quadro indiciário de um eventual megaesquema envolvendo planejamento tributário e descaminho. O esquema se desenharia, grosso modo, da seguinte forma. DAS PESSOAS JURÍDICAS ENVOLVIDAS: RIM – RESERCH IN MOTION – CANADÁ Fabricante / proprietária da marca BLACKBERRY (BB); RIM – PANELART URUGUAI Seria o distribuidor autorizado dos aparelhos celulares da marca BB para toda a América do Sul. FLEXTRONICS INTERNATIONAL TECNOLOGIA LTDA CNPJ: 74.404.229/000551 Município: SOROCABA CEP: 18017013 UF: SP Unidade de Jurisdição Aduaneira: 081.1000 – SOROCABA Subsidiária brasileira de uma multinacional chinesa que opera a terceirização da manufatura de produtos eletrônicos. Fl. 32051DF CARF MF Processo nº 16561.720102/201352 Acórdão n.º 3301004.132 S3C3T1 Fl. 32.052 3 SIMM SOLUCOES INTELIGENTES PARA MERCADO MOVEL DO BRASIL S.A. CNPJ: 06.964.587/000135 Município: CAMPINAS CEP: 13092523 UF: SP Unidade de Jurisdição Aduaneira: 081.7700 AEROPORTO INT DE VIRACOPOS Distribuidor dos aparelhos BB no mercado brasileiro. DOS FATOS APURADOS ATÉ O MOMENTO: 1. A FLEXTRONICS importa partes e peças de aparelhos celulares BB, fabricados pela RIM – CANADÁ, ou por empresas autorizadas pela RIM – CANADÁ. 2. A FLEXTRONICS é beneficiária do RECOF, ou seja, importa partes e peças com suspensão de tributos, com a condição de que os aparelhos fabricados sejam exportados. 3. A FLEXTRONICS, para cumprir o regime de RECOF, exporta os aparelhos BB para a empresa uruguaia RIM PANELART. 4. Existem fortes indícios de que aparelhos celulares BB fabricados pela FLEXTRONICS destinamse totalmente ou quase totalmente ao mercado nacional. No caso das exportações fiscalizadas no presente procedimento especial, 100% dos celulares continham a indicação de destinação ao mercado nacional. 5. Os aparelhos são exportados já com a etiqueta de reimportação por parte da SIMM, distribuidor dos aparelhos BB no mercado nacional. 6. Os aparelhos BB são fabricados pela FLEXTRONICS em SOROCABA SP, e exportados para RIMPANELART no Uruguai. No mesmo dia ou em data muito próxima os aparelhos BB retornam ao Brasil, pelo dobro do preço da exportação, sendo importados, via VITÓRIAES, pela distribuidora SIMM, de CAMPINASSP, a menos de 100 km da fábrica da FLEXTRONICS em SOROCABA. 7. Uma carga de 20 toneladas de aparelhos BB foi retida na Alfândega de Florianópolis, entrando ilegalmente no Brasil através de uma aeronave militar uruguaia. Os indícios encontrados apontam para a possível ocorrência das seguintes fraudes, sem descartar outras repercussões possíveis. 1) Operação triangular simulada para fraude ao RECOF; 2) Reimportação superfaturada para remessa de divisas; 3) Descaminho na importação. Transcrevo o relatório da decisão recorrida, para outros detalhes do litígio: Fl. 32052DF CARF MF Processo nº 16561.720102/201352 Acórdão n.º 3301004.132 S3C3T1 Fl. 32.053 4 Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado auto de infração no qual é cobrado o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativamente aos fatos geradores no período de marçonovembro de 2010, para exigência dos créditos tributários a seguir: IPI R$ 11.598.925,72 Juros de Mora (calculados até 09/2013) R$ 3.297.665,21 Multa de Ofício de 150% R$ 17.398.388,60 Total: R$ 32.294.979,53 2. Por meio do Termo de Verificação (fls. 31.87631.928) são apresentadas pela autoridade lançadora diversas constatações, dentre as quais convém destacar as seguintes: 2.1. A Flextronics industrializa, sob encomenda de terceiros, produtos eletrônicos. Em 26/03/2010, celebrou Contrato de Prestação de Serviços com a Panelart (empresa sediada no Uruguai) para a industrialização de telefones celulares da marca BlackBerry em sua unidade localizada em Sorocaba (SP). A Panelart é controlada pela RIM (empresa sediada no Canadá e detentora da marca BlackBerry). 2.2. A Flextronics importa os componentes para a industrialização com o benefício do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (RECOF). Os tributos incidentes na importação de componentes e partes (Imposto de Importação, IPI, PIS/PasepImportação e CofinsImportação) ficam suspensos até a comprovação das exportações, quando passam a ser isentos. 2.3. A Flextronics industrializa os referidos telefones celulares já preparados para serem usados com os serviços das operadoras de telefonia móvel brasileiras (Claro, Tim, Vivo etc.). Posteriormente, exporta os aparelhos para o Uruguai, sendo que a mercadoria fica depositada em depósito aduaneiro, sob controle da empresa Panelart, para retornar logo em seguida ao Brasil. 2.4. No embarque para exportação, os telefones celulares continham etiqueta que indicava o exportador uruguaio Panelart, o importador brasileiro SIMM – Soluções Inteligentes para Mercado Móvel do Brasil S.A., além da informação "MADE IN BRAZIL", e estavam acompanhados com manuais escritos em português, desbloqueados e preparados para serem utilizadas com operadoras de telefonia brasileiras. 2.5. A mercadoria não foi nacionalizada no Uruguai, ingressando no depósito aduaneiro da Panelart sem pagamento dos tributos aduaneiros determinados pela legislação uruguaia, retornando ao Brasil sem qualquer alteração em sua natureza física e classificação tarifária. 2.6. Pelo cotejamento do número de série dos telefones celulares vendidos/exportados e adquiridos/importados, ficou comprovado que os aparelhos vendidos/exportados pela Flextronics para a Panelart são os mesmos aparelhos adquiridos/importados pela SIMM. Fl. 32053DF CARF MF Processo nº 16561.720102/201352 Acórdão n.º 3301004.132 S3C3T1 Fl. 32.054 5 2.7. O lapso temporal decorrido entre o embarque para o exterior e o retorno ao Brasil, extremamente curto em inúmeros casos, demonstra que os telefones celulares, marca BlackBerry, já tinham uma programação de comercialização no mercado do país de origem. Também permite a conclusão de que todo o conjunto de ações industrialização, venda para o Uruguai, armazenamento em depósito aduaneiro, aquisição por empresa do país de origem e comercialização no mercado interno já estava programado desde a primeira etapa do processo, ou seja, desde a industrialização pela empresa brasileira Flextronics. 2.8. Foi constatada um significativo aumento entre o valor (preços médios) do aparelho celular exportado e o valor pago pela importadora SIMM, com indícios de majoração indevida de custos na empresa adquirente, reduzindo as bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, uma vez não houve agregação de valor, entre a operação de exportaçãoimportação, que justificasse o apontado incremento. Em função disto, o conjunto de ações em tela gerou um déficit entre a entrada e a saída de divisas no país de origem (Brasil), da ordem de US$ 34.322.726,53. 2.9. Ficou evidente que a Flextronics não pretendia uma exportação definitiva dos celulares. As operações de exportação configuram um negócio jurídico aparente, sendo a comercialização dos telefones celulares no mercado interno o negócio jurídico real. As operações de exportação foram atos simulados que visaram única e exclusivamente resultados tributários, qual seja, não recolhimento dos tributos (II, IPI, PISImportação e Cofins Importação) e dos tributos internos incidentes sobre as vendas no mercado interno. 2.10. Dessa forma, foram desconsiderados os efeitos tributários das operações de exportação, exigindose o IPI na saída do estabelecimento industrial (art. 131, inc. II, Decreto nº 4.544, de 2002). 3. Por ter a autoridade autuante entendido que restou comprovado, durante o anocalendário de 2010, o consciente intuito de não pagar, ou pagar menos tributos, foi aplicada a pena pecuniária de 150% sobre os tributos não recolhidos. A fiscalização considerou existir uma triangulação entre as empresas Panelart, Flextronics e SIMM, a qual não poderia existir sem um ajuste doloso que é o ponto central do conluio. 4. Consta também noticiada a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais, por força do disposto na Portaria RFB nº 2.439, de 21/12/2010. 5. Regularmente cientificado do lançamento, o sujeito passivo ingressou tempestivamente com a impugnação de fls. 32.31732.341, na qual formula, em síntese, as seguintes razões de defesa: 5.1. Alega que a fiscalização, apesar de descrever corretamente as empresas envolvidas na operação e suas atividades, teria se equivocado ao concluir “que a Panelart seria mera intermediária de compra e venda entre Flextronics e SIMM Soluções Inteligentes para o Mercado Móvel do Brasil S/A”. Nesse sentido indaga: “Como poderia ser desta forma se toda a propriedade intelectual pertinente à produção dos referidos celulares (patente, marca e processo produtivo) são da Panelart?”. 5.2. Aduz que “a Panelart é uma subsidiária integral de uma empresa canadense chamada Research in Motion (RIM), que é a proprietária de todos os direitos sobre o produto conhecido no mercado como BlackBerry. A RIM pretendia Fl. 32054DF CARF MF Processo nº 16561.720102/201352 Acórdão n.º 3301004.132 S3C3T1 Fl. 32.055 6 que seu produto fosse manufaturado no Brasil, mas através de um contrato de outsourcing (terceirização) industrial. A RIM igualmente resolveu que não haveria a necessidade de ter uma presença física no Brasil, razão porque preferiu se instalar no Uruguai, encomendar a produção dos celulares à Impugnante, importar a produção industrial para o Uruguai, e finalmente reexportar os celulares para uma distribuidora residente no Brasil” e argumenta que as razões que teriam levado a RIM a adotar essa conduta são as mais variadas, não lhe cabendo poder decisório algum a respeito. 5.3. Defende ser “uma mera contratada da Panelart, em termos absolutamente consentâneos com contratos realizados com outras empresas” e que a Panelart se estabeleceu no Uruguai por razões que não são da sua alçada. Nessa toada, sustenta que inexiste qualquer outro vínculo ou laço societário ou empresarial com a empresa encomendante (Panelart), além daqueles que seriam comuns a uma prestação de serviços. 5.4. Afirma que competiu com diversas outras empresas de manufatura internacionais e "que conquistou a preferência da Panelart S/A e RIM, que ajustou o preço efetivamente demonstrado nos documentos fiscais e aduaneiros de saída da Flextronics, encomendou a produção de diversos aparelhos telefônicos, determinando a entrega no Uruguai". 5.5 Sugere que a operação em questão não causou dano ao erário, haja vista que o custo dos tributos indiretos foi superior à carga tributária que incidiria se a RIM fosse sediada no Brasil. 5.6. Diz que não sabe nem poderia saber como a Panelart calcula seus preços e que “A relação comercial da Flextronics acaba na entrega dos aparelhos para fins exportação ao Uruguai, de forma que as informações relacionadas ao posterior retorno ao Brasil não lhe cabe responder”. 5.7. Ainda assim, conhecendo alguns dados e fatos da relação mantida entre a Panelart e a SIMM, opina que seria pouco relevante o destino subsequente que seria dado pelo seu cliente aos aparelhos produzidos no Brasil, não havendo vedação alguma a que estes, inclusive, fossem destinados ao próprio País de origem. Esclarece que não possui qualquer vínculo com a SIMM, no processo de distribuição dos aparelhos celulares. 5.8. Transcreve excerto de Acórdão do CARF, no qual restou evidenciado que o desejo da fiscalização não se sobrepôs à realidade fática subjacente. Sustenta que a fiscalização confundiuse ao chamar o proprietário do produto e detentor da tecnologia para a sua produção, inclusive a marca BlackBerry (RIM ou sua subsidiária Panelart) de intermediário, invocando precedente do então Conselho de Contribuintes quanto ao erro na identificação do sujeito passivo. 5.9. Nega a existência de conluio com a Panelart, ante a falta de vantagem indevida, interesse e, em última análise, qualquer indício de que remotamente isto possa ter acontecido. 5.10. Afirma que inexiste interesse em cometer a irregularidade apontada, pois se houve alguma redução de carga tributária, esta não lhe afeta, uma vez que a sua contratação ocorre de forma que lhe são pagos os custos e a margem de lucro. 5.11. Diz que "sequer pode ser afirmado que tenha havido dano ao erário ou motivo para se cometer a pretensa infração", uma vez que "no saldo total houve um incremento de recolhimento de tributos indiretos (exportação seguida de Fl. 32055DF CARF MF Processo nº 16561.720102/201352 Acórdão n.º 3301004.132 S3C3T1 Fl. 32.056 7 importação), ante o argumento (não provado) de redução de tributos diretos (IRPJ e CSLL) de um terceiro", no caso a SIMM, e indaga: "Não seria ir um tanto longe demais?". 5.12. Em seu favor, destaca a liberdade de contratação, prevista no Código Civil e na Constituição Federal, justificando que o trabalho fiscal não mostrou a existência ilicitude na forma pactuada e muito menos o conluio que sustenta o auto de infração. Afirma que "apenas se não fosse efetivamente remetida a mercadoria fisicamente para o Uruguai é que estaríamos diante de uma simulação [...]". 5.13. Aponta, também, algumas inconsistências no trabalho fiscal: (i) seria impossível a venda de celulares da marca BlackBerry para a SIMM, exceto se a Flextronics infringisse leis e contratos de direitos de marcas e de patente; (ii) afirma que o RECOF não exonera tributo algum, visto que o IPI, o PIS e CofinsImportação são nãocumulativos, o que implicaria crédito a entrada dos insumos (partes e componentes); (iii) inexiste qualquer vedação em se fabricar os celulares no Brasil, exportálos para armazenagem, por exemplo, e em seguida se fazer a distribuição novamente para o Brasil, se a estrutura adotada pela Panelart requer tal mobilidade operacional. 5.14. Argumenta que "tanto a fraude, como a simulação requerem sempre uma conduta nociva e deliberada, não existindo fraude ou simulação quando há simples cumprimento de dever contratual [...], não basta a demonstração objetiva do reingresso de mercadorias de origem brasileira no território brasileiro (elemento objetivo), sendo imprescindível a demonstração da intenção do contribuinte (elemento subjetivo) de fraudar ou dissimular, o que jamais ocorreu na espécie". 5.15. Com base nestas considerações, requer o cancelamento do auto de infração e da penalidade imposta. A 2ª Turma da DRJ/REC, no acórdão n° 1148.600, negou provimento ao recurso voluntário, com decisão dessa forma ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2010 a 30/11/2010 SIMULAÇÃO. CONCEITO. TRIBUTAÇÃO. Considerase simulação quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado, hipótese em que o Fisco deve alcançar o negócio jurídico que se dissimulou, para proceder a devida tributação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2010 a 30/11/2010 SIMULAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. Fl. 32056DF CARF MF Processo nº 16561.720102/201352 Acórdão n.º 3301004.132 S3C3T1 Fl. 32.057 8 Havendo a comprovação de atos simulados, com o único propósito de esquivarse das obrigações tributárias, obtidos por meio de uma fraude perpetrada em conluio entre as partes envolvidas, deve ser aplicada multa qualificada determinada pelo § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. No seu recurso voluntário, a Recorrente repisa os exatos argumentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A controvérsia reside na interpretação das operações entre as três empresas Flextronics, Panelarte e SIMM: se as exportações realizadas pela Recorrente no exercício de 2010, com os benefícios do RECOF, configuram ou não um negócio jurídico simulado, ou se está diante de elisão fiscal. Importa salientar que as circunstâncias fáticas descritas no TVF são incontroversas, divergindo o fisco e a Recorrente apenas quanto aos efeitos. Há um problema semântico de vaguidade quanto ao instituto do planejamento tributário. Genericamente, todo o procedimento com vistas à redução da carga tributária é denominado planejamento tributário. Contudo, a organização das atividades negociais com o objetivo de obter economia tributária pode representar tanto uma conduta lícita quanto ilícita, por isso, é fundamental o delineamento entre elisão fiscal (conduta dentro do código de licitude do sistema do direito positivo) e evasão fiscal (conduta vedada pelo sistema do direito positivo). O planejamento tributário demanda duas diferentes perspectivas de análise: de um lado o contribuinte que legitimamente pode e deve, com segurança jurídica, planejar suas ações com o escopo de reduzir a carga tributária que suporta e, de outro, a autoridade administrativa que busca encontrar o que supostamente seriam os “limites” ao ato de planejar do contribuinte. Na construção dos “limites” ao planejamento tributário, é possível identificar a aplicação acrítica, por alguns, de “teoria antielisiva” do direito estrangeiro, a teoria do propósito negocial (business purpose test). A teoria do propósito negocial tem origem no direito suíço, com grande desenvolvimento no direito norteamericano. Sua base é de construção jurisprudencial que identifica no caso concreto além da economia fiscal, um propósito negocial. Isso quer dizer que deverá haver outras “motivações” que não a exclusiva de economizar tributos para que a Fl. 32057DF CARF MF Processo nº 16561.720102/201352 Acórdão n.º 3301004.132 S3C3T1 Fl. 32.058 9 operação de planejamento tributário se legitime. Dessa forma, se a operação tiver apenas o propósito de economizar tributo os efeitos da operação de planejamento não seriam legítimos. Na doutrina, Marco Aurélio Greco, dentre outros juristas, defende a linha da “existência de justificativa” para a validade do planejamento tributário e o faz nos seguintes termos: O Estado brasileiro evoluiu de um Estado Liberal para um Estado Social de Direito, dessa forma a capacidade contributiva prevista no artigo 145 da CF e a solidariedade social prevista no artigo 3º a CF se sobreporiam à legalidade: embora não previsto especificamente, o caso deve ser considerado dentro da incidência.1 Discordo da aplicação da teoria do propósito negocial, isso porque exigir como requisito para o planejamento tributário qualquer uma das teorias antielisivas estrangeiras, é aplicar norma inexistente no sistema jurídico brasileiro. A interpretação dos negócios jurídicos e de seus efeitos deve ser feita, impreterivelmente, segundo as prescrições do direito positivo brasileiro, do contrário, ela será inválida. Então, a validade do planejamento é aferida após verificação de adequação da conduta no campo da licitude ou da ilicitude. Assim, a opção negocial do contribuinte no desempenho de suas atividades, quando não integrar qualquer hipótese de ilicitude, ou seja, implicando a ausência de subsunção do fato à norma tributária ou acarretando o enquadramento à norma tributária que prescreva exigências menos onerosas, é perfeitamente lícita e não susceptível de desconsideração pela autoridade administrativa para fins de tributação. Estará o contribuinte no campo da ilicitude se o negócio jurídico for simulado ou se houver a ocorrência do disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, ou seja, se as condutas esconderem, modificarem ou excluírem o fato jurídicotributário. Logo, se a conduta estiver no campo da licitude estaremos diante da elisão fiscal e se no campo da ilicitude, da evasão fiscal. Vejase decisão nesse sentido: DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. LANÇAMENTO. Não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de ofício, ao menos até os dias atuais. O lançamento é vinculado à lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ELISÃO. EVASÃO. Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir 1 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2004, p. 186. Fl. 32058DF CARF MF Processo nº 16561.720102/201352 Acórdão n.º 3301004.132 S3C3T1 Fl. 32.059 10 sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos (elisão). A grande infração em tributação é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação). ELISÃO. Desde que o contribuinte atue conforme a lei, ele pode fazer seu planejamento tributário para reduzir sua carga tributária. O fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vício. Estranho seria supor que as pessoas pudessem buscar economia tributária lícita se agissem de modo casual, ou que o efeito tributário fosse acidental. SEGURANÇA JURÍDICA. A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais. CARF, Acórdão nº 110100.708, julg. 11/04/2012. (Grifamos) O artigo 167, § 1º do Código Civil dispõe que haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira e III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Na seara da tributação, para que haja simulação que legitime a desconsideração do negócio jurídico, é necessário: (i) conluio entre as partes; (ii) divergência entre a real vontade das partes e o negócio por elas declarado; e (iii) intenção de lograr o Fisco2. A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que se praticam são outros. Desse modo, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois, na realidade, o ato praticado é outro. No caso em comento, não se trata de aferir a existência de propósito negocial nas operações de exportação da empresa Flextronics para o Uruguai; mas sim de identificar a ocorrência de simulação e de fraude. Entendo que os elementos colacionados permitem afirmar que a exportação dos celulares foi simulada, pois o negócio real foi a venda no mercado interno. É possível essa afirmação, através dos seguintes elementos: · A Flextronics industrializou, sob encomenda da Panelart, os celulares BlackBerry. · A Flextronics era beneficiária do RECOF. · Os celulares BlackBerry eram exportados para o Uruguai, mediante demanda da Panelart, empresa com sede naquele país. · A Panelart é controlada pela empresa RIM, a qual, detentora do direito de patente da marca, é sediada no Canadá. 2 “Os atos tendentes a ocultar ocorrência de fato jurídico tributário configuram operações simuladas, pois não obstante a intenção consista na prática do fato que acarretará o nascimento da obrigação de pagar tributo, este, ao ser concretizado, é mascarado para que aparente algo diverso do que realmente é.” (Derivação e Positivação no Direito Tributário. Vol. 1. São Paulo: Editora Noeses, 2013, p. 80). Fl. 32059DF CARF MF Processo nº 16561.720102/201352 Acórdão n.º 3301004.132 S3C3T1 Fl. 32.060 11 · Ao chegarem no Uruguai, os aparelhos celulares ficavam em depósitos aduaneiros, controlados pela Panelart. · No Uruguai os celulares não sofreram qualquer processo de industrialização. · Os celulares não foram nacionalizados no Uruguai, ficaram depositados em Depósito Aduaneiro, localizado no Aeroporto Internacional de Carrasco. · Em prazo exíguo, eram importados do Uruguai pela Mercocamp, por conta e ordem da empresa SIMM, distribuidora exclusiva da marca BlackBerry no Brasil. · Embora sem alterações físicas, os celulares eram importados pela Mercocamp com valor bastante majorado: · Os celulares exportados pela Flextronics eram desbloqueados, neles contando a expressão "MADE IN BRASIL". Os manuais estavam apenas em português e eram personalizados para as operadoras de telefonia móvel do Brasil (VIVO, TIM, CLARO): cf. fotos anexadas aos autos. Todos os elementos levam à conclusão que os aparelhos já estavam completos e prontos para uso no Brasil desde a etapa inicial de industrialização e venda para a Panelart, pois, no campo "Descrição" das Declarações de Importação constavam a marca, operadora brasileira, modelo, dimensões, manuais em português e números de série. Ao contrário do que alega a Recorrente, os celulares não foram exportados ao Uruguai com o fim específico de serem comercializados nos países da América Latina, portanto a fiscalização demonstrou que o único destino da mercadoria era o mercado interno, tal fato identificado após as pesquisas realizadas no AlicewebMercosul. Além disso, a Flextronics foi a maior exportadora para o Uruguai, no ano de 2010, o número de celulares comercializados foi de 349.500 unidades. Por outro lado, a empresa Panelart estava desobrigada do pagamento dos tributos no Uruguai, por prescrição da Decisão n° 17/03 do Conselho do Mercado Comum Mercosul, verbis: Artigo 1. As mercadorias originárias do MERCOSUL que encontramse sob um regime de depósito aduaneiro em um dos Estados Partes poderão beneficiarse do presente regime. Fl. 32060DF CARF MF Processo nº 16561.720102/201352 Acórdão n.º 3301004.132 S3C3T1 Fl. 32.061 12 Essas mercadorias só poderão ser objeto de operações destinadas a assegurar sua comercialização, conservação, fracionamento em lotes ou volumes, ou outras operações, sempre que não se altere a classificação tarifária nem o caráter originário das mercadorias. Artigo 2. As mercadorias mencionadas no Artigo 1 poderão ser destinadas a qualquer Estado Parte em forma parcial ou total. Artigo 3. As mercadorias que ingressarem para serem armazenadas sob o presente regime poderão estar amparadas pelo correspondente Certificado de Origem MERCOSUL, de acordo as respectivas legislações nacionais. Uma vez que essas mercadorias tenham sido objeto de uma ou mais das operações mencionadas no parágrafo 2° do Artigo 1, os Estados Partes poderão designar entidades autorizadas com a finalidade de emitir Certificados Derivados pela totalidade da mercadoria correspondente ao Certificado de Origem MERCOSUL mencionado no parágrafo anterior, ou por parte dela, dentro do prazo de vigência desse Certificado de Origem. Os Certificados Derivados conterão uma especificação no campo "Observações" nos seguintes termos: "Emitido ao amparo da Decisão CMC N° 17/03". Artigo 4. Os procedimentos de verificação e controle das mercadorias exportadas sob o presente regime deverão estar diretamente relacionados com os Certificados de Origem MERCOSUL que amparam as mercadorias que ingressam aos depósitos aduaneiros. Logo, o retorno dos celulares ao Brasil, sem qualquer alteração em suas propriedades permitiu que a Panelart obtivesse o "Regime de Certificação de Mercadorias Originárias do MERCOSUL Armazenadas em Depósitos Aduaneiros de um de seus Estados Partes", deixando, por conseguinte, de pagar tributos na saída do depósito aduaneiro. Os efeitos foram bem descritos pela autoridade fiscal: Para que os telefones celulares BBs ingressados no depósito aduaneiro da Panelart não pagassem os tributos aduaneiros, só poderiam ser objeto de operações destinadas a assegurar seu reconhecimento, conservação, fracionamento em lotes ou volumes e de qualquer outra operação que não alterasse seu valor nem modificasse sua natureza ou estado; Para que o regime de depósito aduaneiro fosse extinto as mercadorias também poderiam retornar para o exterior; Com o retorno ao exterior, os Telefones celulares BBs sairiam do controle aduaneiro, sem o pagamento dos tributos aduaneiros, se não tivessem sofrido alterações em sua natureza; Fl. 32061DF CARF MF Processo nº 16561.720102/201352 Acórdão n.º 3301004.132 S3C3T1 Fl. 32.062 13 Os telefones celulares BBs, originários do Brasil (Estado Parte do MERCOSUL) e em regime de depósito aduaneiro, poderiam beneficiarse do "Regime de Certificação de Mercadorias Originárias do MERCOSUL Armazenadas em Depósitos Aduaneiros de um de seus Estados Partes"; Essas mercadorias só poderiam ser objeto de operações destinadas a assegurar sua comercialização, conservação, fracionamento em lotes ou volumes, ou outras operações, sempre que não se alterasse sua classificação tarifária nem o seu caráter originário; Os Telefones celulares BBs poderiam ser destinados a qualquer Estado Parte em forma parcial ou total e se beneficiariam dos tratamentos preferenciais. (grifei) O modus operandi industrialização, exportação para o Uruguai, armazenamento em depósito aduaneiro, aquisição por empresa no Brasil e comercialização no mercado interno – não se coaduna com o conceito de elisão fiscal. Isso porque a exportação, neste caso, foi simulada, que resultou exclusivamente em supressão de tributos: os tributos aduaneiros (II, IPI, PISImportação e COFINSImportação) não foram pagos, já que as exportações estavam beneficiadas pelo RECOF. Por esses motivos, deve o lançamento ser mantido. Ressalto que, para o mesmo período de apuração, mesmas operações, em relação a cobrança de PIS e COFINS, o CARF se manifestou, acórdão n° 3302004.618 (julg. 26 de julho de 2017), de Relatoria do Conselheiro Walker Araújo, contrário à pretensão recursal: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2010 TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. Considerase simulação quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado. SIMULAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Estando comprovado nos autos a prática de atos simulados, com o objetivo de eximirse do pagamento dos tributos devidos, mediante fraude, em decorrência do ajuste doloso entre as partes, tornase cabível a aplicação da multa qualificada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2010 Fl. 32062DF CARF MF Processo nº 16561.720102/201352 Acórdão n.º 3301004.132 S3C3T1 Fl. 32.063 14 TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. Considerase simulação quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado. SIMULAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Estando comprovado nos autos a prática de atos simulados, com o objetivo de eximirse do pagamento dos tributos devidos, mediante fraude, em decorrência do ajuste doloso entre as partes, tornase cabível a aplicação da multa qualificada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido MULTA QUALIFICADA Nos casos de comprovado intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. No caso em exame, configurada a simulação nas operações de exportação, com a supressão de tributos, configurado está o dolo. Ademais, a pluralidade de condutas concatenadas que ocultaram a venda no mercado interno, caracteriza o conluio. Diante disso, deve ser aplicado o determinado pelo § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. No mesmo sentido, o voto da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, no acórdão n° 3302004.618, voto condutor da manutenção da qualificação da multa: Diante das prescrições normativas em destaque, observase pelo lastro probatório da autuação que é inconteste que os fatos relatados se subsumem aos tipos legais acima transcritos, haja vista que como vimos existem dois negócios jurídicos: um real, encoberto, dissimulado, destinado a valer entre as partes, que se materializou com a comercialização dos telefones celulares no mercado brasileiro como resultado do acordo simulatório entre as empresas Panelart, Flextronics e SIMM e um outro: ostensivo, aparente, simulado, destinado a operar perante terceiros, no caso, o fisco, que foi a exportação dos telefones celulares Blackberry. Nesse mister em decorrência do modus operandi praticado, (industrialização dos telefones celulares já preparados para serem usados com operadoras de telefonia móvel brasileiras; exportação formal para o Uruguai; armazenamento em depósito aduaneiro, sob controle da Panelart; aquisição por empresa brasileira e comercialização no mercado interno), visando ocultar o verdadeiro negócio entre as partes envolvidas, fica evidente a fraude e o conluio, na medida em que restaram alteradas, de forma simulada as características materiais da ocorrência do fato gerador, uma vez que o objetivo do acordo simulatório entre as partes era Fl. 32063DF CARF MF Processo nº 16561.720102/201352 Acórdão n.º 3301004.132 S3C3T1 Fl. 32.064 15 efetivamente a comercialização no mercado interno dos telefones celulares sem o recolhimento dos tributos incidentes. Notese que conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 (sonegação) e 72 (fraude), assim a comercialização no mercado interno dos telefones celulares sem o recolhimento dos tributos incidentes, decorreu da triangulação entre as empresas Panelart, Flextronics e SIMM, cuja pluralidade de ações acima destacadas, com vistas a ocultar o verdadeiro negócio entre as partes envolvidas, não seria possível sem o ajuste doloso entre elas. Nesses termos, pontua a fiscalização: A Flextronics, ao efetuar operações de exportação simuladas que nunca tiveram o ânimo e o caráter de definitivos, tinha total conhecimento de que as mercadorias seriam, posteriormente, comercializadas no Brasil. Portanto, agiu com dolo (grifei) O ato formalmente praticado foi a exportação de aparelhos celulares BlackBerry, mas o ato real, verdadeira e efetivamente praticado e desejado, foi a venda no mercado interno, com o objetivo de reduzir o pagamento dos tributos. Essa operação, foi feita em conluio com a empresa adquirente/importadora SIMM que também obteve vantagem tributária de redução do IRPJ e CSL, por meio da majoração de seus custos. Na verdade, a Flextronics não quis exportar os produtos, mas formalizou as operações como tal com o intuito de reduzir o pagamento de tributos federais, lesando assim o Fisco, ou seja, a sociedade brasileira. Considerando que o ato real, verdadeiro, foi a venda no mercado interno, os efeitos tributários também devem incidir sobre as os fatos reais – sobre as vendas no mercado interno. (grifei) Para finalizar, tomo por empréstimo excertos da decisão de piso, que de forma escorreita assim fundamentou: No caso em exame, observase que está presente a caracterização da simulação nas operações de exportação, com o propósito de evitar de maneira fraudulenta a incidência tributária. Os atos externados buscavam modificar as características essenciais do fato gerador, pois abstraindose do ato tido por simulado, no caso a exportação, emerge o desígnio da interessada em comercializar os aparelhos celulares no mercado interno, operação que não apareceu no plano fático, posto o evidente intuito de esquivarse da tributação das contribuições aqui analisadas. 21.2. Verificase que a conduta foi intencional, pois as operações de exportação foram realizadas sem propósito negocial, objetivando a obtenção indevida de vantagens tributárias. Ademais, a conduta não se resumiu a um único ato, mas a pluralidade de condutas conscientes e dispostas em etapas, previamente organizadas (industrialização, venda para o Uruguai, armazenamento em depósito aduaneiro, aquisição por empresa do país de origem e comercialização no mercado interno) visando ocultar o verdadeiro negócio entre as partes envolvidas, o qual, de fato, não seria possível alcançar, sem o ajuste caracterizador do conluio. 21.3. Assim, havendo a comprovação da simulação, com o único propósito de esquivarse das obrigações tributárias, patente estará que a mesma foi obtida Fl. 32064DF CARF MF Processo nº 16561.720102/201352 Acórdão n.º 3301004.132 S3C3T1 Fl. 32.065 16 através de uma fraude perpetrada através de um conluio estabelecido entre as partes envolvidas devendo, pois, ser aplicado o determinado pelo § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (grifei) Restando demonstrado que as operações de exportação foram atos simulados, com o escopo de ocultar o negócio real e efetivamente praticado, que foi a venda no mercado interno dos telefones celulares, sem o recolhimento dos tributos devidos, decorrente de ajuste doloso entre as partes envolvidas, ponto central do conluio, que permitiu a efetividade e operatividade do modus operandi , arquitetado de forma consciente, visando causar prejuízo a outrem, no caso, o fisco, há a subsunção dos fatos aos preceitos normativos prescritos no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 32065DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910657/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 17/07/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.535
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 17/07/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 57 /2 01 1- 03 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910657/201103 Acórdão n.º 3402004.535 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.030, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 17/07/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910657/201103 Acórdão n.º 3402004.535 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910657/201103 Acórdão n.º 3402004.535 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910657/201103 Acórdão n.º 3402004.535 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000992/2003-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO PIS/COFINS. DESPESAS COM INSUMOS. COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, MATERIAL LABORATORIAL.
Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matéria-prima de produto intermediário ou de material de embalagem. Os combustíveis, energia elétrica e materiais laboratoriais não caracterizam matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final (Súmula CARF n.º 19 e Parecer Normativo n.º 65/1979).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVA. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ.
A restrição imposta pela IN/SRF n. 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no Resp n.º 993.164, julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF.
CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS.
O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. A Lei n.º 9.363/1996 não vincula o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída.
CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE REVENDA.
A receita auferida na revenda de mercadorias ao exterior deve ser adicionada à receita de exportação para o fim de apurar-se o coeficiente de exportação.
CRÉDITO PRESUMIDO IPI. COMPROVAÇÃO EXPORTAÇÃO.
Necessário reconhecer o crédito para a qual houve a comprovação da exportação, confirmada na diligência realizada.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
É legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, no pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-004.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para garantir a validade do crédito presumido de IPI na aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas, garantir a inclusão na definição das receitas de exportação dos valores de revendas de mercadorias de terceiros, reconhecer a exportação das mercadorias constantes da NF 1684, de 15/10/2002, e garantir a inclusão da taxa SELIC desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Por maioria de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, garantir a inclusão na definição das receitas de exportação dos valores das mercadorias vendidas para o exterior não tributadas (NT) pelo IPI. Vencida neste ponto a Conselheira Larissa Nunes Girard.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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Recorrente ADM DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO PIS/COFINS. DESPESAS COM INSUMOS. COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, MATERIAL LABORATORIAL. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima de produto intermediário ou de material de embalagem. Os combustíveis, energia elétrica e materiais laboratoriais não caracterizam matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final (Súmula CARF n.º 19 e Parecer Normativo n.º 65/1979). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVA. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF n. 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no Resp n.º 993.164, julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. A Lei n.º AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 09 92 /2 00 3- 13 Fl. 854DF CARF MF 2 9.363/1996 não vincula o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE REVENDA. A receita auferida na revenda de mercadorias ao exterior deve ser adicionada à receita de exportação para o fim de apurarse o coeficiente de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. COMPROVAÇÃO EXPORTAÇÃO. Necessário reconhecer o crédito para a qual houve a comprovação da exportação, confirmada na diligência realizada. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. É legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, no pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para garantir a validade do crédito presumido de IPI na aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas, garantir a inclusão na definição das receitas de exportação dos valores de revendas de mercadorias de terceiros, reconhecer a exportação das mercadorias constantes da NF 1684, de 15/10/2002, e garantir a inclusão da taxa SELIC desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Por maioria de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, garantir a inclusão na definição das receitas de exportação dos valores das mercadorias vendidas para o exterior não tributadas (NT) pelo IPI. Vencida neste ponto a Conselheira Larissa Nunes Girard. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Fl. 855DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 855 3 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento do PIS e da COFINS respaldado em crédito presumido de IPI relativo ao 4º Trimestre de 2002, formulado em 31/03/2003, com fulcro na Lei n.º 9.363/1996. Ao referido pedido foram vinculados Declarações de Compensação de débitos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL. Os créditos pleiteados foram parcialmente reconhecidos no Despacho Decisório, sendo excluídos do montante de crédito os valores correspondentes a: (i) insumos que não se caracterizavam como matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem, nos moldes do Parecer Normativo CST nº 65/1979; (ii) aquisições realizadas por intermédio de pessoas físicas e cooperativas e de insumos importados; e (iii) receita de exportação daquelas decorrentes de produtos nãotributados, revendidos ou cuja exportação não foi comprovada. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora, em acórdão ementado nos seguintes termos: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Dessa maneira, a energia elétrica, os combustíveis, o ácido clorídrico, etc, elementos que não atuam diretamente sobre o produto, não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário (PN CST, nº 65, de 1979; Lei nº 9.363, de 1996). CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. O crédito presumindo do IPI é calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condiciona a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício os produtos nãotributados (NT). RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. As receitas de exportação utilizadas na apuração do crédito presumido são aquelas sobre as quais a contribuinte comprova a efetividade das exportações, mediante Fl. 856DF CARF MF 4 anexação de documentos hábeis e legíveis, capazes de refutar a glosa efetuada pela fiscalização. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Art. 15 da Lei 9.779, de 19/01/1999. A apuração centralizada do crédito presumido de IPI impõe o cálculo centralizado da receita operacional bruta pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica, conforme determina a legislação regulamentadora da matéria, independentemente de a receita provir da industrialização, comercialização ou prestação de serviços. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade e constitucionalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais do IPI, bem como sobre o saldo credor trimestral acumulado, sejam eles decorrentes dos chamados créditos básicos ou de incentivos fiscais. Solicitação Indeferida." (efls. 335/336) Intimada desta decisão em 20/11/2008, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 09/12/2008 requerendo a reforma do acórdão recorrido e a subsistência da compensação efetivada, alegando, em síntese: (i) o direito ao crédito presumido de IPI da Lei n.º 9.363/96 e a ilegitimidade das glosas dos créditos de: (i.1) insumos tais como energia elétrica, lenha, bagaço de cana e óleo, combustíveis, lubrificantes, materiais para análise laboratorial, para tratamento de água e efluentes do processo industrial, gás e outros insumos que, embora não consumidos diretamente na produção do produto fabricado, são essenciais ao processo de industrialização do produto como um todo; (i.2) de aquisições de insumos de pessoas físicas, de cooperativas e de sociedades comerciais (insumos importados), sendo que as Instruções Normativas RFB nº 67/92, 23/97 e 103/97 alteraram a previsão da Lei nº 9.363/96, tendo restringido a lei; (i.3) de produtos classificados como não tributados NT, vez que a Lei n° 9.363/96, em momento algum, restringiu o direito à fruição do crédito presumido do IPI nessas hipóteses. (i.4) das operações de exportação realizadas por empresas comerciais exportadoras, cuja validade do crédito se respalda no art. 1°, parágrafo único, da Lei n° 9.363/96. Neste ponto acrescenta que a ausência de comprovação de exportações no SISCOMEX não procede, porquanto os números das Declarações de Despacho de Exportação e dos Registros de Exportação bastam para que sejam devidamente comprovadas as exportações tratadas neste processo administrativo; (ii) sustenta que o cálculo do percentual entre a receita de exportação e receita operacional bruta está incorreto, em desconformidade com a Portaria MF n.º 93/2004; Fl. 857DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 856 5 (iii) requer a atualização monetária de seus créditos, pela taxa SELIC. Especificamente quanto à comprovação de exportações no SISCOMEX, este CARF entendeu por converter o julgamento em diligência na Resolução n.º 3101000.140, nos seguintes termos: "Diante desse quadro, concluo ser necessário aprofundar o exame da matéria atinente à ausência de comprovação de exportações no SISCOMEX, e voto pela conversão deste julgamento em diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente providencie o seguinte: 1) verifique a existência, de fato, das Declarações de Despacho de Exportação e dos Registros de Operações de Exportação que devem corresponder às notas fiscais relacionadas na tabela do início deste voto; 2) se existentes os documentos apontados no item 1, supra, verificar se os produtos indicados nas notas fiscais correspondem aos produtos relacionados nos documentos apontados como comprovantes de exportação, notadamente no que diz com suas descrições, classificações fiscais, quantidades, valores, CFOP, etc; 3) se houver discrepância entre os produtos indicados nas notas fiscais e os produtos relacionados nos documentos, intimar a recorrente e as empresas comerciais exportadoras para trazer aos autos os demonstrativos instituídos pelas Portarias do Ministério da Fazenda para a fruição do benefício, acompanhados das notas fiscais, das Declarações de Despacho de Exportação e dos despachos correspondentes à cada nota fiscal; 4) elaborar Relatório Fiscal conclusivo e sucinto que contenha quadro pormenorizado, por nota fiscal, acerca da comprovação das exportações por parte da recorrente, acompanhado dos documentos encontrados. Após a juntada do Relatório Fiscal aos autos, dêse ciência desse à recorrente, em prestígio da ampla defesa e do contraditório, para manifestarse, querendo, no prazo de trinta dias." (efls. 653/654) Em cumprimento desta diligência foi elaborado o Relatório Fiscal das efls. 691/698, trazendo esclarecimentos quanto aos itens da diligência. Naquela oportunidade, foi elaborado o seguinte quadro resumo das informações prestadas: Fl. 858DF CARF MF 6 Por entender que a diligência realizada foi insuficiente, especialmente em razão da necessidade de se intimar as empresas comerciais exportadoras, esta turma, em sua composição anterior, por meio da Resolução n.º 3402000.793, entendeu por converter novamente o processo em diligência nos seguintes termos: "Ocorre, que a diligência foi realizada, mas não de forma satisfatória pela fiscalização. Assim, tem razão a recorrente em sua última manifestação: “a diligência não foi concluída” e digo mais, não foi conclusiva. Efetivamente, no termo de conclusão da diligência foi afirmado que as ‘ DDE informadas pelo contribuinte, elas se referem a produtos com descrição idêntica as constantes ... ‘ acabou por responder de forma lacônica os itens “a” “b” e “c”, afirmando, em suma, que os DDE e RE informados efetivamente existem. Que as vendas foram indiretas, que em geral, as notas possuem a mesma descrição, quantidade e classificação fiscal. Que diferente de produtos eletrônicos, que tem código de barras, não se tem como afirmar que os produtos comercializados foram efetivamente exportados para o mercado internacional, já que à época que Receita Federal não normatizou a forma de apresentação dessas informações até o advento da PERD/Dcomp. Também, concordo com a Recorrente, que o relatório de diligência informa que no item “d”, o I. Auditor Fiscal discorre quanto a legislação sobre a fruição do benefício fiscal, afirmando que somente a Receita Federal poderia controlar a efetiva exportação das mercadorias, já que navios, aviões, e automóveis são plenamente controlados pela Receita Federal, que o envio do produto deve se dar para local com controle alfandegário. Que este é o raciocínio que pode ser usado para as declarações a que estão obrigadas a apresentar as empresas comerciais exportadoras, e reiterou que a Receita Federal NUNCA normatizou a forma de apresentação de informações até o advento da PERD/Dcomp. Porém, a diligência foi sim para apurar justamente a comprovação da regular exportação dos produtos constantes nas notas fiscais e que a Recorrente não tem o poder de intimar outras empresas a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos como a Receita Federal. Assim, consta expressamente na determinação de diligência, que a empresa fiscalizada e a comercial exportadora fossem intimadas para apresentar os documentos cabíveis, o que não foi feito. Com tudo isso, considero não concluída a determinação do colegiado e, portanto, voto no sentido de converter o julgamento novamente em diligência para conclusão nos mesmos termos da diligência anterior, acrescentando a análise dos documentos juntados pela Recorrente em sua manifestação e inclusão na conclusão da diligência. Finalmente, concluída a diligência intime novamente a Recorrente para se manifestar no prazo de 30 dias. Manifestando ou não a partir desse prazo retorne os autos a esse conselho para julgamento." (efl. 763) Esta segunda diligência foi cumprida pelo Relatório Fiscal às efls. 814/820, no qual a fiscalização afirmou: "Na informação apresentada, verificamos que a nota fiscal nº 113.254, única para a qual a recorrente apresentaria alguma documentação, não consta dos Memorandos de Exportação da empresa comercial exportadora apresentados. Nestes Memorandos de Exportação consta informações para a NF 113.250, que, apesar da recorrente alegar ter sido substituída pela nota fiscal nº 113.254, não há na nota fiscal apresentada nenhuma indicação de que tenha havido esta substituição. Em suma, a recorrente não apresentou nenhum dos documentos solicitados, apesar de ter requisitado de forma contundente que fosse cumprida integralmente pela fiscalização a diligência solicitada pelo CARF, inclusive em relação ao item Fl. 859DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 857 7 “c”. Ressaltamos, uma vez mais, que uma das solicitações do item “c” era a apresentação por parte da recorrente do demonstrativo instituído pelas Portarias do Ministério da Fazenda para a fruição do benefício. Na verdade, a recorrente sequer mencionou em sua resposta este demonstrativo que deveria ter sido apresentado por ela à Receita Federal. A alegação apresentada pela recorrente de que isto se deve ao longo prazo decorrido desde a realização das operações é incabível, uma vez que a fiscalização do pedido de ressarcimento ocorreu em 2007, ou seja, desde aquela época o contribuinte já sabia que os créditos embasados nestas notas fiscais foram indeferidos e deveria, inclusive, ter apresentado estes documentos comprobatórios desde a sua impugnação, ou, pelo menos, têlos em boa guarda para comprovar suas alegações, caso fosse solicitado. Tanto é assim, que ela possuía alguns documentos referentes a estas exportações e os apresentou apesar de todo o tempo decorrido. (...) Desta forma, fica claro que os documentos solicitados no item “c” da diligência solicitada pelo CARF não foram apresentados nem pela recorrente nem pela empresa que seria a comercial exportadora. Por fim, quanto ao item “d” da solicitação de diligência, considerando tudo o que já havia sido exposto na diligência anterior e as intimações feitas e respostas apresentadas nesta diligência, concluímos que houve a comprovação somente da exportação feita através da Nota Fiscal nº 1684, de 15/10/2002, feita pela própria empresa ADM através do DDE 2020798640/1 e RE 02/10379250001. Quanto às demais Notas Fiscais objeto desta diligência, ou seja, as Notas Fiscais nº 2.574, 202.954 e 113.254: a) Considerando tudo o que foi informado no relatório da diligência anterior, ou seja, que por não ter sido enviada para recinto alfandegado ou porto não tem como o contribuinte comprovar que os produtos exportados pela suposta comercial exportadora foram os mesmos que haviam sido comercializados através de suas notas fiscais nº 2.574, 202.954 e 113.254, havendo inclusive divergência em relação as quantidades exportadas nas DDE e as quantidades vendidas através destas notas fiscais; b) Considerando tudo o que foi informado neste relatório, ou seja, que além de tudo, nem o contribuinte nem a suposta comercial exportadora apresentaram documentos obrigatórios para a fruição do benefício quando houvesse venda de produtos para empresas comerciais exportadoras, com fim específico de exportação; c) Considerando tudo o mais que consta do processo, fica evidente que não há comprovação das exportações indiretas solicitadas pelo contribuinte que teriam sido feitas através destas Notas Fiscais." (efls. 819/821 grifei). Após manifestação da Recorrente (efls. 827/283), os autos retornaram para este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, adentrando em suas razões. Fl. 860DF CARF MF 8 I CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI E OS INSUMOS O crédito presumido sob análise foi instituído pela Lei n.º 9.363/1996 com a finalidade de incentivar as exportações, em prol das empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, nos seguintes termos: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." (grifei) Tratase de crédito para ressarcimento do valor do PIS e da COFINS devidos pelas empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. A forma de apuração e aproveitamento deste crédito foi relacionado ao IPI, cuja legislação foi adotada de forma subsidiária quanto aos conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nos termos da lei: "Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Art. 4o Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente." (grifei) Adotase, portanto, o conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem tratado na legislação do IPI. Especificamente quanto ao produto intermediário, considerase as o entendimento firmado no Parecer Normativo n.º 65/1979, que entende a expressão consumidos na produção “em sentido amplo abrangendo exemplificativamente o desgaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida”, fazendo jus ao crédito “as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem Fl. 861DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 858 9 como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas independentemente de suas qualificações tecnológicas”. Esta interpretação do produto intermediário consta, igualmente, no art. 226, I, do RIPI, que expressa: "Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;" (grifei) Sustenta a Recorrente que caberia a tomada de crédito sobre insumos que, embora não consumidos diretamente na produção do produto fabricado, são essenciais ao processo de industrialização do produto como um todo, tais como energia elétrica, lenha, bagaço de cana e óleo, combustíveis, lubrificantes, materiais para análise laboratorial, para tratamento de água e efluentes do processo industrial e gás. Contudo, descabida a pretensão da Recorrente neste ponto. Busca a Recorrente a utilização de um conceito de insumo amplo que não se coaduna com o entendimento para a tomada de crédito de IPI, admitido, como visto, apenas para as matérias primas, materiais de embalagem e produtos intermediários que se desgastem diretamente no processo de fabricação, com uma ação direta sobre o produto final. Ainda que sejam relevantes para a produção, a energia elétrica, a lenha, o bagaço de cana e óleo, os combustíveis, os lubrificantes, os materiais para análise laboratorial, para tratamento de água e efluentes do processo industrial e o gás não integram o produto final ou são desgastados/consumidos em decorrência de ação direta sobre o produto final, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. Este foi o entendimento veiculado na Súmula CARF n.º 19 em especial quanto aos combustíveis e a energia elétrica objeto do pleito da Recorrente, segundo a qual: "Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário." Nesse sentido, cabe ser mantida a glosa de créditos neste ponto. II CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NAS AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS Esta turma já debateu essa questão em distintas oportunidades, com a devida aplicação do precedente firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo no Recurso especial n.º 993.164, que ensejou na edição da súmula n.º 494 daquele tribunal. Fl. 862DF CARF MF 10 Por ter tratado bem a questão, transcrevo abaixo as considerações trazidas em uma destas oportunidades, no Acórdão 3402003.664 de 13/12/2016, de relatoria do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro: "I. Do ressarcimento de IPI e do crédito oriundo de pessoas físicas 6. De forma muito objetiva, o que se discute aqui é se o contribuinte Recorrente possui ou não direito a crédito presumido do IPI na hipótese de aquisições de pessoas físicas, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no seu processo produtivo. 7. E a referida discussão decorre do disposto no §2° do art. 2º. da Instrução Normativa n. 23/971 vis a vis do que prevê o art. 1º. da lei n. 9.363/96. Isso porque a referida Instrução Normativa, ao pretexto de regulamentar a sobredita lei, criou uma restrição ao crédito em comento, o qual estaria limitado à hipótese de aquisição de insumos de pessoas jurídicas sujeitas à incidência de PIS e COFINS. 8. Acontece que, ao proceder dessa forma, a Receita Federal do Brasil não se limitou a regulamentar a aludida lei, mas implicou verdadeira restrição ao uso do crédito conformado legalmente, extrapolando, portanto, suas funções2. Registrese, por oportuno, que essa discussão já foi travada no âmbito do contencioso judicial, sendo objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial julgado sob o rito de recursos repetitivos, oportunidade em que o referido Tribunal assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes 1 "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 2 Isso porque "a Administração possui função executiva e não legislativa, o que proíbe que os funcionários públicos coloquem em dúvida a validade da lei.". (ÁVILA, Humberto. 'Sistema constitucional tributário'. 3ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 123.). Em outros termos, não compete ao Poder Executivo qualquer modificação no conteúdo da lei, seja ampliando ou reduzindo seu teor. Compete a ele apenas dispor sobre a operacionalização e a perfeita execução dos mandamentos previstos na lei. Fl. 863DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 859 11 sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Fl. 864DF CARF MF 12 Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) (g.n.). 9. Referido precedente redundou na súmula 494 do STJ, in verbis: Fl. 865DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 860 13 "O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." 10. O sobredito julgado tido como precedente é análogo ao caso aqui tratado, uma vez que lá também se discutiu a possibilidade de empresa exportadora se valer de crédito presumido de IPI (art. 1º. da lei n. 9.363/96) na hipótese de adquirir insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas, afastando, por conseguinte, a restrição indevidamente imposta pelo §2° do art. 2º. da Instrução Normativa n. 23/97, exatamente como ocorre no caso em tela. 11. Nesse esteio, referido precedente pretoriano tem força vinculativa para este julgador, nos exatos termos do que prevê o art. 62, §2° do Regimento Interno do CARF, razão pela qual mister se faz dar provimento ao recurso voluntário em análise." (grifei e mantive os grifos do original) Nesse sentido,com fulcro no art. 62, §2º, do RICARF, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto para admitir a validade do crédito presumido de IPI na aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas. III CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA VENDA DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS E NAS REVENDAS DE PRODUTOS DE TERCEIROS Neste tópico, adentraremos nas considerações da Recorrente que foram levadas à apreciação da decisão de primeira instância quanto à base de cálculo do crédito presumido, especificamente nas seguintes alegações: (i) inclusão na definição das receitas de exportação dos valores das mercadorias vendidas para o exterior não tributadas (NT) pelo IPI; e (ii) exclusão das receitas de exportação das vendas de mercadorias de terceiros (revendas). Como já tratado acima, o crédito presumido sob análise foi instituído pela Lei n.º 9.363/1996 com a finalidade de incentivar as exportações, em prol das empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, nos seguintes termos: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." (grifei) Ao fazer menção à garantia do crédito sobre mercadorias nacionais, a lei conseguiu englobar todas as mercadorias produzidas, sejam elas tributadas ou não pelo IPI. A condição de incidência sobre as aquisições foi feita, apenas, para o PIS e a COFINS, contribuições de que tratam as Leis Complementares 7 e 8/703. 3 Cumpre mencionar que como sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial Repetitivo n.º 993.164/MG (Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010), "sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de Fl. 866DF CARF MF 14 Com efeito, o crédito presumido é para ressarcimento do valor do PIS e da COFINS devidos pelas empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. A forma de apuração e aproveitamento deste crédito foi relacionado ao IPI, cuja legislação foi adotada de forma subsidiária quanto aos conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nos termos da lei, novamente reproduzida abaixo: "Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Art. 4o Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente." Contudo, e ao contrário do que entendeu o Despacho Decisório no presente caso, a lei não faz qualquer exigência de tributação pelo IPI para o gozo do crédito, sendo certo que basta que sejam adquiridos matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem (nos termos da legislação do IPI, sejam eles tributados ou não por este imposto) para a produção de mercadorias nacionais (tributadas ou não pelo IPI). Com efeito, não há qualquer exigência legal no sentido de que: (i) as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção dos produtos a serem exportados sejam tributados pelo IPI, vez que "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN), ou mesmo que (ii) o produto exportado pela beneficiária do crédito presumido seja um produto tributado pelo IPI. Esse raciocínio vem sendo traçado, há muito, por este Conselho, como se depreende do julgamento do Câmara Superior exarado em 2003: "IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da Lei nº 9.363/96 prevê crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e da COFINS em favor da empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Referindose a lei a “mercadorias” foi dado o benefício cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS". Fl. 867DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 861 15 fiscal ao gênero, não cabendo ao intérprete restringilo apenas aos “produtos industrializados”, que são espécie do gênero “mercadorias”. (...) Recurso ao qual se dá parcial provimento. (...) VOTO DO CONSELHEIRO DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA RELATORDESIGNADO (...) Creio, ainda, abrindo aqui parênteses a bem ilustrar o debate, que do exame do Regulamento do IPI , (Decreto n° 2.637/98), que trata dos conceitos de industrialização (transformação; beneficiamento; montagem; acondicionamento; e renovação e recondicionamento), entendo possível afirmar que as "mercadorias" exportadas pela interessada (produtos de origem animal impróprios para o consumo humano, utilizados na preparação de produtos farmacêuticos — fl. 143) sobre os quais houve incidência de PIS e COFINS , são sim objeto ou resultante de um processo produtivo, mesmo que classificados como NT. Neste sentido, vale citar trechos de artigo de Júlio M. de Oliveira, intitulado "A Constituição, A Lei e o Regulamento do IPI — Hipóteses de Conflito": "(..) Ao nosso ver, o objeto do imposto não consiste meramente no ato de produzir acima delineado, pelo contrário, a materialidade da hipótese de incidência reside no resultadáfinal deste ato — o produto. . Assim não fosse, estaríamos diante de um imposto sobre industrialização e não sobre o produto industrializado. Neste sentido, cabe lembrar as sempre lúcidas considerações do mestre Geraldo Ataliba, verbis: "... Pela sua utilização (desse conjunto de componentes) é que se obtém, afinal, um produto. Se, portanto, a produção ou industrialização for posta na materialidade da hipótese de incidência do imposto, já não se estará diante do IPI, mas de tributo diverso."8 Porém, esgotarse na existência de produtos industrializados a materialidade da hipótese de incidência do IPI, em outras palavras, o mero surgimento de um produto industrializado é suficiente para caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto? Quer nos parecer que não. (.)." Feitas essas considerações, é possível afirmar que as "mercadorias" exportadas pela interessada são sim "produtos industrializados", mesmo que não tributados Mas, a meu entender, não é essa a questão central que se encontra em debate. E a propósito da discussão central travada nestes autos, necessária se faz reafirmar que o beneficio do crédito presumido está expressamente direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O artigo de lei é abrangente, portanto, daí não ser possível restringir o debate entre a distinção entre "produto industrializado não tributado" e "produto industrializado tributado", pois tanto um como outro são "mercadorias" e, conseqüentemente, abrangidos pela Lei n° 9.363/96. Daí, sim, se autorizado o pleito de ressarcimento para produtores de produtos NTs, como na hipótese dos autos. Aliás, o crédito presumido em análise tem por objetivo o ressarcimento das contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, no caso o PIS e a COFINS, não importando se o produto é ou não tributado pelo IPI na saída final" (CSRF, Processo 13005.000689/9861, Data da Sessão 13/08/2003 Relator Henrique Pinheiro Torres Nº Acórdão 20215016 grifei) Em consonância com o entendimento do voto acima transcrito, entendo que não importa para fins de aferição do crédito presumido da Lei n.º 9.363/1996 a tributação pelo IPI seja na entrada para a produção, seja na saída para exportação. Fl. 868DF CARF MF 16 E analisando as posições atuais deste E. CARF, em especial no âmbito do CSRF, vislumbrase que esse entendimento no sentido da desnecessidade de tributação pelo IPI para o gozo do crédito presumido (ainda que com posições dissonantes), persiste. Vejamos a título de exemplo "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da Lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Decisão Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que negavam provimento. (...) Nesse sentido, restase evidente o entendimento de que, tendo o crédito presumido em análise o objetivo de ressarcir as contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, não é relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na sua saída final. " (CSRF, Número do Processo 11077.000253/200367 Data da Sessão 30/05/2011 Relatora Nanci Gama Acórdão n.º 9303001.438 grifei) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES. VINCULAÇÃO AOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROVEITAMENTO. De se permitir na formação do cálculo presumido de IPI a inclusão dos gastos com fretes pagos e destacados nas notas fiscais por ocasião de insumos utilizados no processo produtivo. TAXA SELIC. SÚMULA nº 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Procurador Negado. Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Relator), Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento parcial quanto à exportação de produtos NT. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama." (CSRF, Fl. 869DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 862 17 Processo 11610.021746/200265 Data da Sessão 31/05/2011. Relator Gilson Macedo Rosenburg Filho Nº Acórdão 9303001.469 grifei) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Exercício: 2000 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise o valor correspondente à exportação de produtos NT. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. ART. 62A do RI do CARF. REPETITIVO DO STJ. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Antecedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais e Recurso Repetitivo do STJ. Além disso, deve ser aplicada a taxa Selic aos valores a serem ressarcidos à título de incentivo fiscal, sob risco de se afrontar à própria lei instituidora do benefício, se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. Com efeito, a não aplicação de qualquer índice para recompor o valor de compra da moeda revestese em violação aos princípios da razoabilidade e da isonomia. Portanto, aplicase a taxa Selic desde o protocolo do pedido até seu efetivo pagamento ou até a data da consolidação das compensações a ele vinculadas. REP Negado e REC Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, : I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dava provimento; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (...) No entanto, no tocante ao mérito, o mesmo, a meu ver, não merece provimento, e para tanto peça vênia para reproduzir as razões do voto do ilustre conselheiro Henrique Pinheiro Torres, acórdão no. 930301.606, da sessão de 30 de agosto de 2011, que adoto como razão de decidir: No tocante à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Explico: a Lei 9.363/1996, ao instituir o benefício, mesclou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica “emprestados” às contribuições, senão vejamos: (...) Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afeitos ao impost o de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de matéria prima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem (...) Fl. 870DF CARF MF 18 Por outro lado, a Portaria MF 129/1995, de 05 de abril de 1995, em seu art. 2º, § 2º, inc. II definiu, para efeito de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação como o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Com essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção no tocante à tributação dos produtos, ao contrário, trataos de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Em termos econômicos, também não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estarseia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições desses produtos, que, sem qualquer industrialização adicional efetuada pelo adquirente, são por ele exportados. Uma coisa é estabelecerse o coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta, outra bem diferente é definir os insumos em que predito coeficiente será aplicado para determinação das “aquisições incentivadas”." (CSRF, Processo n.º 13811.005178/200214 Data da Sessão 20/02/2014 Relatora Nanci Gama Acórdão n.º 9303002.889) O último voto acima transcrito igualmente evidencia que a legislação não traz restrição para se considerar como Receita de Exportação os valores referentes às exportações de mercadorias nacionais de terceiros (revendas). Ainda que a aquisição desses bens não seja considerada para o cálculo, os valores de mercadorias de terceiros devem ser computados como receitas de exportação. Especificamente nesse sentido: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE. DIVERSIDADE DE PREMISSAS. PARADIGMA INSERVÍVEL PARA COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Quando as premissas específicas do caso não foram abordadas nos paradigmas colacionados, eles se mostram inservíveis para comprovação da divergência. IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS PARA REVENDA. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do beneficio fiscal atribuiu ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir "receita de exportação". Anteriormente a 26 de março de 2003, a "receita de exportação" alcançava, indistintamente, todas as mercadorias nacionais. Recurso Especial do Procurador Negado" (Número do Processo 13052.000022/200367 Data da Sessão 03/02/2015 Relator Rodrigo Cardozo Miranda Nº Acórdão 9303003.238 grifei) "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1995 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. A receita auferida na revenda de mercadorias ao exterior deve ser adicionada à receita de exportação para o fim de apurarse o coeficiente de exportação. (...) Recurso Especial do Procurador Provido em Parte." (Número do Processo 13054.000130/9963 Data da Sessão 06/12/2010 Relator Antonio Carlos Atulim Redator ad hoc Nº Acórdão 9303001.271 grifei) Fl. 871DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 863 19 Nesse sentido, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto para garantir a validade da inclusão na Receita de Exportação dos valores relativos (i) às vendas de produtos Não Tributados NT excluídos pela fiscalização (dentre os quais a soja, indicado expressamente pela Recorrente em sua defesa e pela fiscalização no Parecer SEFIS n.º 38/2007), vez que Lei n.º 9.363/1996 não vincula o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída; (ii) às vendas de mercadorias de terceiros (revenda). Neste ponto, cumpre ainda analisar a questão da comprovação da exportação, uma vez que o crédito presumido sob análise se relaciona com a exportação. Com efeito, não é viável garantir o aproveitamento do crédito quando não comprovada a venda para o exterior. Tratandose de questão que foi objeto das diligências realizadas neste processo, ela será abordada no tópico seguinte. IV RECEITA DE EXPORTAÇÃO E A CONFIRMAÇÃO DA EXPORTAÇÃO DAS MERCADORIAS Este ponto foi objeto de duas diligências realizadas nos presentes autos. Em cumprimento desta diligência foi elaborado o Relatório Fiscal das efls. 691/698, confirmando a exportação das Notas Fiscais identificadas na Resolução e trazendo esclarecimentos quanto aos itens da diligência. Naquela oportunidade, foi elaborado o seguinte quadro resumo das informações prestadas: Por entender que a diligência realizada foi insuficiente, especialmente em razão da necessidade de se intimar as empresas comerciais exportadoras, esta turma, em sua composição anterior, por meio da Resolução n.º 3402000.793, entendeu por converter novamente o processo em diligência nos seguintes termos: "Ocorre, que a diligência foi realizada, mas não de forma satisfatória pela fiscalização. Assim, tem razão a recorrente em sua última manifestação: “a diligência não foi concluída” e digo mais, não foi conclusiva. Fl. 872DF CARF MF 20 Efetivamente, no termo de conclusão da diligência foi afirmado que as ‘ DDE informadas pelo contribuinte, elas se referem a produtos com descrição idêntica as constantes ... ‘ acabou por responder de forma lacônica os itens “a” “b” e “c”, afirmando, em suma, que os DDE e RE informados efetivamente existem. Que as vendas foram indiretas, que em geral, as notas possuem a mesma descrição, quantidade e classificação fiscal. Que diferente de produtos eletrônicos, que tem código de barras, não se tem como afirmar que os produtos comercializados foram efetivamente exportados para o mercado internacional, já que à época que Receita Federal não normatizou a forma de apresentação dessas informações até o advento da PERD/Dcomp. Também, concordo com a Recorrente, que o relatório de diligência informa que no item “d”, o I. Auditor Fiscal discorre quanto a legislação sobre a fruição do benefício fiscal, afirmando que somente a Receita Federal poderia controlar a efetiva exportação das mercadorias, já que navios, aviões, e automóveis são plenamente controlados pela Receita Federal, que o envio do produto deve se dar para local com controle alfandegário. Que este é o raciocínio que pode ser usado para as declarações a que estão obrigadas a apresentar as empresas comerciais exportadoras, e reiterou que a Receita Federal NUNCA normatizou a forma de apresentação de informações até o advento da PERD/Dcomp. Porém, a diligência foi sim para apurar justamente a comprovação da regular exportação dos produtos constantes nas notas fiscais e que a Recorrente não tem o poder de intimar outras empresas a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos como a Receita Federal. Assim, consta expressamente na determinação de diligência, que a empresa fiscalizada e a comercial exportadora fossem intimadas para apresentar os documentos cabíveis, o que não foi feito. Com tudo isso, considero não concluída a determinação do colegiado e, portanto, voto no sentido de converter o julgamento novamente em diligência para conclusão nos mesmos termos da diligência anterior, acrescentando a análise dos documentos juntados pela Recorrente em sua manifestação e inclusão na conclusão da diligência. Finalmente, concluída a diligência intime novamente a Recorrente para se manifestar no prazo de 30 dias. Manifestando ou não a partir desse prazo retorne os autos a esse conselho para julgamento." (efl. 763) Esta segunda diligência foi cumprida pelo Relatório Fiscal às efls. 814/820, no qual a fiscalização afirmou: "Na informação apresentada, verificamos que a nota fiscal nº 113.254, única para a qual a recorrente apresentaria alguma documentação, não consta dos Memorandos de Exportação da empresa comercial exportadora apresentados. Nestes Memorandos de Exportação consta informações para a NF 113.250, que, apesar da recorrente alegar ter sido substituída pela nota fiscal nº 113.254, não há na nota fiscal apresentada nenhuma indicação de que tenha havido esta substituição. Em suma, a recorrente não apresentou nenhum dos documentos solicitados, apesar de ter requisitado de forma contundente que fosse cumprida integralmente pela fiscalização a diligência solicitada pelo CARF, inclusive em relação ao item “c”. Ressaltamos, uma vez mais, que uma das solicitações do item “c” era a apresentação por parte da recorrente do demonstrativo instituído pelas Portarias do Ministério da Fazenda para a fruição do benefício. Na verdade, a recorrente sequer mencionou em sua resposta este demonstrativo que deveria ter sido apresentado por ela à Receita Federal. A alegação apresentada pela recorrente de que isto se deve ao longo prazo decorrido desde a realização das operações é incabível, uma vez que a fiscalização do pedido de ressarcimento ocorreu em 2007, ou seja, desde aquela época o contribuinte já sabia que os créditos embasados nestas notas fiscais foram Fl. 873DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 864 21 indeferidos e deveria, inclusive, ter apresentado estes documentos comprobatórios desde a sua impugnação, ou, pelo menos, têlos em boa guarda para comprovar suas alegações, caso fosse solicitado. Tanto é assim, que ela possuía alguns documentos referentes a estas exportações e os apresentou apesar de todo o tempo decorrido. (...) Desta forma, fica claro que os documentos solicitados no item “c” da diligência solicitada pelo CARF não foram apresentados nem pela recorrente nem pela empresa que seria a comercial exportadora. Por fim, quanto ao item “d” da solicitação de diligência, considerando tudo o que já havia sido exposto na diligência anterior e as intimações feitas e respostas apresentadas nesta diligência, concluímos que houve a comprovação somente da exportação feita através da Nota Fiscal nº 1684, de 15/10/2002, feita pela própria empresa ADM através do DDE 2020798640/1 e RE 02/10379250001. Quanto às demais Notas Fiscais objeto desta diligência, ou seja, as Notas Fiscais nº 2.574, 202.954 e 113.254: a) Considerando tudo o que foi informado no relatório da diligência anterior, ou seja, que por não ter sido enviada para recinto alfandegado ou porto não tem como o contribuinte comprovar que os produtos exportados pela suposta comercial exportadora foram os mesmos que haviam sido comercializados através de suas notas fiscais nº 2.574, 202.954 e 113.254, havendo inclusive divergência em relação as quantidades exportadas nas DDE e as quantidades vendidas através destas notas fiscais; b) Considerando tudo o que foi informado neste relatório, ou seja, que além de tudo, nem o contribuinte nem a suposta comercial exportadora apresentaram documentos obrigatórios para a fruição do benefício quando houvesse venda de produtos para empresas comerciais exportadoras, com fim específico de exportação; c) Considerando tudo o mais que consta do processo, fica evidente que não há comprovação das exportações indiretas solicitadas pelo contribuinte que teriam sido feitas através destas Notas Fiscais." (efls. 819/821 grifei). Desta forma, com base na diligência realizada, necessário reconhecer o crédito para a qual houve a comprovação da exportação, confirmada na diligência realizada (feita através da Nota Fiscal nº 1684, de 15/10/2002, feita pela própria empresa ADM através do DDE 2020798640/1 e RE 02/10379250001). Especificamente quanto às vendas realizadas para empresas comerciais exportadoras, a diligência identificou que não foram apresentados os documentos necessários para a comprovação das exportações indiretas, sendo que, mesmo após a segunda diligência, o contribuinte não comprovou que "os produtos exportados pela suposta comercial exportadora foram os mesmos que haviam sido comercializados através de suas notas fiscais nº 2.574, 202.954 e 113.254, havendo inclusive divergência em relação as quantidades exportadas nas DDE e as quantidades vendidas através destas notas fiscais" (efl. 821) Especificamente quanto à NF 113.254, a única referência de que esta nota corresponderia à substituição à NF 113.250 (constante do único Memorando de exportação trazido pela comercial exportadora no curso da diligência) é uma rasura na nota fiscal 113.250 (com a indicação do número 4 ao final, nos cantos superior e inferior direito da nota fiscal e fl. 783), não constando qualquer indício formal da substituição afirmada pelo contribuinte. Fl. 874DF CARF MF 22 Importante salientar que, diante da diferença entre as quantidades constantes dos Despachos de Exportação e dos Registros de Exportação em relação às quantidades indicadas nas notas fiscais, a simples indicação dos DDEs e dos REs nas notas fiscais mostrou se insuficiente para demonstrar a exportação, ao contrário do que aduziu a Recorrente em sua defesa. Seria necessário demonstrar que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora o que, segundo a diligência, não foi confirmado na hipótese face a ausência dos Memorandos de Exportação correspondentes. Dessa forma, considerando as informações apresentadas na diligência, em especial a ausência das notas fiscais nos memorandos de exportação apresentados pelas empresas apontadas como comerciais exportadoras, reconhecese a validade do crédito apenas quanto à nota fiscal para a qual foi confirmada a exportação (NF 1684, de 15/10/2002), mantida a glosa quanto às demais. V CÁLCULO DO PERCENTUAL RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA Sustenta ainda a Recorrente que o cálculo do percentual entre a receita de exportação e receita operacional bruta está incorreto. Neste ponto, essencial primeiramente salientar que o que foi desenvolvido nos tópicos III e IV terá reflexo na apuração do coeficiente de exportação, vez que reconhecida a validade da inclusão na Receita de Exportação do valor relativo à venda de produtos Não Tributados NT e das revendas de terceiro excluídos pela fiscalização, inclusive daqueles cuja exportação foi confirmada em sede de diligência. Não vislumbramos nenhuma inconformidade adicional neste ponto. Com efeito, como se depreende da leitura do Parecer SEFIS n.º 38/2007 (efls. 602/603 e 605), as únicas incongruências apontadas pela fiscalização no cálculo pelo contribuinte da Receita Operacional Bruta ROB e do Receita de Exportação RE foi a inclusão das exportações de produtos não tributáveis (NT) e as exportações de mercadorias de terceiros (revendas), pontos enfrentados nos tópicos III e IV acima. Vejamos os termos do trabalho fiscal: Fl. 875DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 865 23 (...) Assim, as inconsistências nas considerações dos valores de receita de exportação já foram enfrentadas nos tópicos anteriores, não sendo vislumbradas outras divergências específicas na apuração do coeficiente de exportação. VI DO ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC NO RESSARCIMENTO Por fim, pleiteia a Recorrente, de forma geral, que é necessário o acréscimo da taxa SELIC sobre os créditos objeto de ressarcimento. Neste ponto, tem razão a Recorrente apenas quanto a inclusão da SELIC a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento. Isso porque, ainda que não seja possível a correção a partir da data da geração do crédito por ausência de previsão legal, com o impedimento da utilização do crédito com a emissão do despacho decisório relativo ao pedido de ressarcimento, passou a ser necessária a Fl. 876DF CARF MF 24 sua correção desde a data do protocolo do pedido por ter ocorrido uma oposição do fisco ao legítimo aproveitamento do crédito. Este entendimento está em conformidade com o entendimento sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.035.847/RS, em sede de recursos repetitivos, que deve ser aplicado por este CARF na forma do art. 62, §2º, do Regimento Interno: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) A aplicação analógica deste julgamento tem sido feita de forma reiterada pelo Conselho Superior deste CARF, como se depreende dos julgados já trazidas acima, e dos seguintes julgados apenas a título de exemplo: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente Fl. 877DF CARF MF Processo nº 11543.000992/200313 Acórdão n.º 3402004.778 S3C4T2 Fl. 866 25 da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...) Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte." (CSRF, Processo 10675.001666/200195 Data da Sessão 04/04/2011 Relator Rodrigo Cardozo Miranda. Redator designado Antônio Carlos Atulim. Acórdão n.º 9303001.407 grifei) "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/01/2000 (...) NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DE DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES PROFERIDAS NA SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC Dispõe o art. 62A do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI. OPOSIÇÃO INJUSTIFICADA DA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Nos termos da decisão proferida pelo STJ no RE 993.164: 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). NORMAS REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. Não se admite recurso especial cuja divergência não esteja comprovada nos termos do artigo 67 do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009." (CSRF, Processo 13971.001062/0040 Data da Sessão 23/02/2016 Relator Julio Cesar Alves Ramos. Acórdão n.º 9303003.460 grifei) Como se depreende dos julgados acima colacionados, não se cabe falar em correção desde a data da geração do crédito vez que o crédito presumido é um crédito escritural para o qual não há previsão legal de atualização. Uma vez emitido o despacho decisório com a Fl. 878DF CARF MF 26 oposição à utilização do crédito presumido, cabível a inclusão da SELIC desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, para evitar o locupletamento ilícito do fisco. III CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: a) garantir a validade do crédito presumido de IPI na aquisição de insumos de pessoas físicas e cooperativas; b) garantir a inclusão na definição das receitas de exportação dos valores das mercadorias vendidas para o exterior não tributadas (NT) pelo IPI e de revendas de mercadorias de terceiros; c) reconhecer a exportação das mercadorias constantes da NF 1684, de 15/10/2002, em conformidade com a diligência realizada nestes autos; e d) garantir a inclusão da taxa SELIC desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 879DF CARF MF
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