Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 16004.720517/2011-80
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2009 a 31/03/2011
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA NO STF EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO - SOBRESTAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO NO CARF - REVOGAÇÃO DE NORMA
Anteriormente previa-se o sobrestamento dos julgamentos dos recursos voluntários no CARF sempre que o STF também sobrestasse o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que fosse proferida decisão nos termos do art. 543-B, CPC. No entanto, a Portaria CARF nº 545, de 18.11.2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62- A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF que previam o procedimento de tal sobrestamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COMPENSAÇÃO INDEVIDA - GLOSA.
As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo.
MULTA. ART. 89. LEI 8.212/91. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO SUJEITO PASSIVO.
O dispositivo do art. 89, parágrafo dez da Lei 8.212/91 que trata de falsidade na declaração deve ser analisado atentamente, não podendo se estender ao mero erro procedimental.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
Em relação à emissão da Representação Fiscal para Fins Penais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre as controvérsias referentes a esta Representação, nos termos da Súmula nº 28 do CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para não conhecer do recurso voluntário na matéria de mesmo objeto dos mandados de seguranças impetrados e, por maioria de votos, determinar a exclusão da multa isolada, vencidos o Relator e conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Freitas. Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2009 a 31/03/2011 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA NO STF EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO - SOBRESTAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO NO CARF - REVOGAÇÃO DE NORMA Anteriormente previa-se o sobrestamento dos julgamentos dos recursos voluntários no CARF sempre que o STF também sobrestasse o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que fosse proferida decisão nos termos do art. 543-B, CPC. No entanto, a Portaria CARF nº 545, de 18.11.2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62- A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF que previam o procedimento de tal sobrestamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COMPENSAÇÃO INDEVIDA - GLOSA. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. MULTA. ART. 89. LEI 8.212/91. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO SUJEITO PASSIVO. O dispositivo do art. 89, parágrafo dez da Lei 8.212/91 que trata de falsidade na declaração deve ser analisado atentamente, não podendo se estender ao mero erro procedimental. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Em relação à emissão da Representação Fiscal para Fins Penais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre as controvérsias referentes a esta Representação, nos termos da Súmula nº 28 do CARF. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16004.720517/2011-80
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5386216
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2403-002.500
nome_arquivo_s : Decisao_16004720517201180.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 16004720517201180_5386216.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para não conhecer do recurso voluntário na matéria de mesmo objeto dos mandados de seguranças impetrados e, por maioria de votos, determinar a exclusão da multa isolada, vencidos o Relator e conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Freitas. Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5649934
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252158644224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2461; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2.086 1 2.085 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720517/201180 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403002.500 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente COSMORAMA PREFEITURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2009 a 31/03/2011 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 05 17 /2 01 1- 80 Fl. 2086DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA NO STF EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO SOBRESTAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO NO CARF REVOGAÇÃO DE NORMA Anteriormente previase o sobrestamento dos julgamentos dos recursos voluntários no CARF sempre que o STF também sobrestasse o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que fosse proferida decisão nos termos do art. 543B, CPC. No entanto, a Portaria CARF nº 545, de 18.11.2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF que previam o procedimento de tal sobrestamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COMPENSAÇÃO INDEVIDA GLOSA. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. MULTA. ART. 89. LEI 8.212/91. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO SUJEITO PASSIVO. O dispositivo do art. 89, parágrafo dez da Lei 8.212/91 que trata de falsidade na declaração deve ser analisado atentamente, não podendo se estender ao mero erro procedimental. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Em relação à emissão da Representação Fiscal para Fins Penais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre as controvérsias referentes a esta Representação, nos termos da Súmula nº 28 do CARF. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2087DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720517/201180 Acórdão n.º 2403002.500 S2C4T3 Fl. 2.087 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para não conhecer do recurso voluntário na matéria de mesmo objeto dos mandados de seguranças impetrados e, por maioria de votos, determinar a exclusão da multa isolada, vencidos o Relator e conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Freitas. Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 2088DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE COSMORAMA contra Acórdão nº 1437.602 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP que julgou procedente em parte o Auto de Infração – AIOP nº 51.013.4319, no valor de R$ 1.544.037,49, referente aos códigos de levantamento: (i) GL – GLOSA VRS COMPENSADOS MS contendo contribuições consideradas declaradas em GFIP e glosadas pela fiscalização, relativos a rubricas constantes de processos judiciais, de 10/2010 a 02/2011, competências 10/2010 a 02/2011; (ii) MI – MULTA ISOLADA multa isolada no percentual de 150%, aplicada sobre valores compensados, com falsidade, relativos a processo judicial mandado de segurança, competências 10/2010 a 03/2011; (iii) OU – GLOSA DE COMPENSAÇÃO NÃO JUSTI glosa de compensações não justificadas, competências 04/2009 a 09/2010. Em relação às ações judiciais, aponta o Relatório Fiscal: Mandado de Segurança n° 000850002.2010.4.03.6106, no qual a impetrante/Prefeitura Municipal de Cosmorama requereu declaração de inexistência de relação jurídica entre o município e a União/Receita Federal do Brasil, referente à contribuição previdenciária patronal incidente sobre as importâncias pagas aos segurados empregados a título de horas extras e terço constitucional de férias, alegando tratarse de valores com natureza indenizatória e, pois, compensatória, posto que não integram o salário do segurado para fins de aposentadoria. Requereu, ainda, a impetrante a suspensão de exigibilidade da referida contribuição relativa ao período de 11/2005 a 11/2010 e subseqüentes, até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança, e determinação de que a União se abstivesse de impor sanções administrativas ao Município. Mandado de Segurança n° 000201986.2011.4.03.6106. Neste, o Município de Cosmorama, requereu as mesmas seguranças, porém, no que tange a verbas recebidas pelos segurados a título de aviso prévio indenizado, férias indenizadas e férias em pecúnia, salário educação, auxílio creche, auxílio doença e auxílio acidente (15 dias de afastamento), abono assiduidade, abono único anual, vale transporte, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno; desta feita, relativos ao período de 03/2006 a 03/2011 e subseqüentes. Fl. 2089DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720517/201180 Acórdão n.º 2403002.500 S2C4T3 Fl. 2.088 5 Ocorre, porém, que o pedido para concessão de MEDIDA LIMINAR relativo ao processo 000850002.2010.4.03.6106, foi DEFERIDO PARCIALMENTE, suspendendo a exigibilidade das contribuições previdenciárias apenas sobre o terço constitucional de férias. Inconformado, o órgão público em pauta impetrou AGRAVO DE INSTRUMENTO solicitando a extensão da decisão inicialmente proferida a seu favor, também para a rubrica de HORAS EXTRAS, objetivando, assim, o deferimento total do Mandado de Segurança em questão. Em 01/02/2011, foi NEGADO SEGUIMENTO ao recurso. Quanto ao processo 000201986.2011.4.03.6106, nos termos da Certidão datada de 08/08/2011, foi postergada a apreciação do pedido liminar para a sentença. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: E apontou a fiscalização os seguintes tópicos: 1) não foi requerida, nas iniciais, autorização para que se compensassem as verbas sob discussão judicial; 2) foi concedida liminar para o primeiro dos MS, suspendendo a exigibilidade apenas sobre o terço constitucional de férias, não lhe assegurando o direito de compensarse; e 3) não se está descumprindo liminar judicial, pois o lançamento não está a exigir as contribuições referidas, mas sim glosando valores compensados sem justificativa; 4) a impugnante compensouse também a título de outras verbas além daquela contemplada com o deferimento parcial liminar; e 5) inexistia sentença definitiva transitada em julgado a favor do município Em relação às glosas de compensação, o Relatório da decisão de primeira instância mostra: Prossegue a fiscalização apontando que, para comprovar o alegado crédito, o contribuinte apresentou diversas planilhas e tabela com valores – a compensar por rubricas, a saber, “1/3 de férias”, “horas extras”, “abono insalubridade”, “abono noturno”, “abono função gratificação”, “abono gratificação” e “abono assiduidade”, totalizando R$ 538.900,89 para o período de 10/2005 a 08/2010, e efetuou a compensação nas GFIP dos meses de 10/2010 a 02/2011. Menciona ainda valores compensados que não se referem aos MS supracitados, quais sejam: 1) em 04/2009, R$ 163,83 relativo a recolhimento em duplicidade de retenção de 11%, que foram efetuados – corretamente – no CNPJ da prestadora, não sendo assim passíveis de compensação com valores devidos pelo Município (tomador); e 2) em 09/2010, R$ 668,42 relativo a Fl. 2090DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 valor deduzido na rubrica “14.º salário” a título de salário maternidade pago à empregada, sendo indevida a compensação efetuada por falta de previsão legal. Assim, quanto ao mérito da compensação realizada, a fiscalização motivou a glosa integral das referidas compensações, nos termos do art. 89 da Lei nº 8.212/91, e a partir das definições legais das basesdecálculo das contribuições previdenciárias e respectivas parcelas não integrantes (art. 28 e § 9.º da Lei nº 8.212/91), constituindo o crédito correspondente; pois nenhuma das verbas compensadas pelo contribuinte estaria excluída da incidência previdenciária. No contexto dos MS impetrados pela impugnante, tampouco havia crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado em seu favor. Em relação ainda à aplicação da multa isolada de 150%, resume o Relatório da decisão de primeira instância: O Relatório Fiscal descreve as condições gerais e legais para a efetivação da compensação de contribuições previdenciárias (art. 170 e 170A do CTN), bem como as respectivas penalidades caso sejam indevidas (art. 89 e parágrafos da Lei nº 8.212/91 e art. 44 a 48 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008). Menciona ainda a necessidade, para a compensação, de habilitação prévia (art. 71 da IN RFB nº 900/2008) do crédito atinente às verbas discutidas judicialmente, após o trânsito em julgado da decisão. E que a autuada, ao inserir nas GFIP tal informação de compensação a que sabidamente não teria direito, reduziu, deliberadamente, o valor devido e o subseqüente recolhimento de sua obrigação tributária, configurando a conduta ilegal do mesmo, já que prestou uma informação em sua GFIP que não era verdadeira. Por ser vedada a utilização de supostos créditos, isto é, créditos inexistentes, sem o devido respaldo judicial, no intuito de reduzir o pagamento do tributo, sua conduta enseja a aplicação da multa do § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, de 150% sobre o valor da compensação indevida, além de enquadrála como fraudulenta nos termos do art. 72 da lei nº 4.502/64. Menciona, em tópico específico do Relatório Fiscal, a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), haja vista o delito de sonegação fiscal. Os valores indevidamente compensados nas GFIP da autuada (glosas) estão demonstrados no relatório Discriminativo do Débito (DD) e Relatório de Lançamentos (RL), anexos ao AI. Os juros e multas (de mora – 20% e isolada – 150%) aplicados sobre o presente crédito e a legislação correspondente estão discriminados no DD e no relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD). Também constam os fundamentos legais das contribuições exigidas. Foram examinadas Guia de Recolhimento da Previdência Social (GPS), GFIP, planilhas de cálculo e demonstrativos das compensações realizadas. Fl. 2091DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720517/201180 Acórdão n.º 2403002.500 S2C4T3 Fl. 2.089 7 A Recorrente teve ciência do AIOP em 28.11.2011, conforme informação nos autos. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal, é de 04/2009 a 03/2011. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Do direito à compensação administrativa e da suspensão da exigibilidade (dos mandados de segurança) com base em julgados do STF e STJ [junta vasta jurisprudência], não incide contribuição previdenciária patronal sobre verbas de caráter indenizatório ou compensatório e eventual, tais como o terço constitucional de férias, horas extras, abono assiduidade, adicional noturno, adicional de insalubridade, periculosidade, vale transporte, auxíliodoença, dentre várias outras. que cabe à Receita Federal do Brasil (RFB) interpretar o art. 28 da Lei nº 8.212/91 de acordo com o art. 201 e § 11 da Constituição Federal, de maneira a só incidir a contribuição previdenciária se a verba tiver repercussão na aposentadoria futura. que efetuou recolhimentos sobre tais verbas, caracterizandose como pagamentos indevidos e sendo passíveis de compensação, nos termos do art. 170 do CTN e legislação federal e previdenciária (cita dispositivos legais – art. 66 da lei nº 8.393/91, art. 89 da Lei nº 8.212/91, art. 44 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, além de jurisprudência), independentemente de prévia anuência administrativa ou judicial, sujeitandose à posterior verificação dos cálculos e procedimentos por parte da autoridade fiscal. que não pode ter vedado o exercício do direito de realizar a compensação das contribuições que entende serem indevidas, sendo assim inaplicável o art. 170A do CTN. que o mandado de segurança (MS) nº 0008500 02.2010.4.03.6106 objetiva a declaração da inexistência da relação jurídica entre as partes, de forma a desobrigálo do recolhimento das contribuições patronais sobre as remunerações, relativas ao terço constitucional de férias e adicional de horas extras, bem assim a suspensão da exigibilidade, tendo obtido liminar para suspender a exigibilidade das contribuições sobre o terço de férias. que outro MS, de nº 000201986.2011.4.03.6106, objetiva, com base em extensa jurisprudência, a declaração da inexistência da relação jurídica entre as partes, de forma a desobrigálo do recolhimento das contribuições patronais sobre as remunerações de seus empregados, relativas a várias rubricas especificadas (aviso prévio indenizado, férias indenizadas e em pecúnia, Fl. 2092DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Salário Educação, auxíliocreche, primeiros 15 dias do auxílio doença, abono assiduidade, abono único anual, vale transporte, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno) e a suspensão da exigibilidade, tendo sido por concedida parcialmente a segurança por sentença (24/10/2011). que deve ser suspensa a exigibilidade das contribuições sobre as verbas ora em discussão. Da inaplicabilidade da multa isolada de 150% que a fiscalização, ao glosar as compensações efetuadas pela impugnante (na peça impugnatória referese ao Município de Rincão), ignorando o entendimento de tribunais superiores (STF e STJ), ainda aplicou multa isolada de 150%, sem a respectiva fundamentação ou prova que a corroborasse, pois tal multa exige a comprovação, por parte do fisco, da falsidade da declaração da compensação, isto é, a demonstração do dolo e máfé da conduta. que a discussão sobre a incidência tributária ou não sobre as rubricas compensadas, objeto de divergência jurídica no judiciário, não configura hipótese de falsidade; e, assim como vários outros municípios, a impugnante interpôs mandado de segurança (MS), versando sobre o tema, em que se obteve êxito – parcial ou total (junta vasta jurisprudência). que não pode ser falsa a declaração de compensação oriunda de remunerações não tributáveis, assim pacificada por tribunais superiores, desde que se identifiquem corretamente tais remunerações quanto a seus elementos fáticos. que, nos casos de compensação, cabe ao fisco demonstrar e diferenciar os que contam com a presença subjetiva do dolo, isto é, equívocos intencionais, daquelas situações decorrentes de meros equívocos no preenchimento de obrigações acessórias (declaração inexata em GFIP) em relação ao crédito compensado, pois a “falsidade não se presume”. Junta jurisprudência administrativa. que não se pode transferir o ônus da prova ao contribuinte, pois o dispositivo legal impõe a comprovação de falsidade, fraude, erro ou omissão dolosas, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da lei nº 4.502/64, não restando comprovada nenhuma dessas hipóteses. que não houve artifícios ou engodos, já que as remunerações e créditos apurados a compensar foram declaradas, de boafé, em GFIP – constituindo confissão de dívida – e submetemse à homologação das autoridades fiscais. que deve, assim, ser cancelada a multa isolada de 150%. Da inaplicabilidade da Representação Fiscal que a Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) emitida pela fiscalização o foi sem critérios jurídicos e fáticos que caracterizem o ilícito imputado. Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720517/201180 Acórdão n.º 2403002.500 S2C4T3 Fl. 2.090 9 que foram legítimas as compensações declaradas em GFIP, não se podendo presumir a fraude imputada; requer o cancelamento e arquivamento da RFFP apensa a este Auto de Infração. Da prescrição (art. 168, I do CTN e LC nº 118/2005) que a jurisprudência do STJ e do STF (RE n.º 566.621, com repercussão geral) já pacificou o entendimento acerca do prazo de dez anos para pedir a restituição ou realizar a compensação de indébitos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, implicando a regularidade das compensação efetuadas com os débitos previdenciários. Dos Pedidos Pelas razões expostas, pede: 1) o cancelamento total deste AI, referente à glosa das compensações efetuadas; 2) o descabimento da multa isolada imposta, por falta de comprovação de alegada falsidade, dolo e máfé; 3) o reconhecimento da suspensão da exigibilidade da contribuição patronal, sobre as verbas objeto da compensação e a homologação desta. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 1437.602 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, conforme Ementa a seguir: Acórdão 1437.602 7ª Turma da DRJ/POR Sessão de 17 de maio de 2012 Processo 16004.720517/201180 Interessado MUNICÍPIO DE COSMORAMA PREFEITURA MUNICIPAL CNPJ/CPF 45.162.054/000191 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2009 a 31/03/2011 COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. LIMITES E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. BASESDE CÁLCULO PREVIDENCIÁRIAS. DISCUSSÃO JUDICIAL PENDENTE. GLOSA. Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo é ressarcido das próprias contribuições recolhidas ou pagas indevidamente, deduzindoas das contribuições devidas à Previdência Social. Não constitui direito subjetivo do contribuinte, podendo a lei editada pela pessoa política competente estabelecer limites e condições ao seu exercício. Fl. 2094DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 É vedada a compensação da contribuição devida com créditos não comprovados (ilíquidos e incertos), em especial aqueles oriundos de verbas que constituem, perante a legislação, bases decálculo de contribuições previdenciárias; mormente quando sua exigibilidade está sendo questionada judicialmente e ainda não se operou o transito em julgado, caracterizando a situação prevista no art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN). Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no CTN, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o conseqüente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a legalidade ou constitucionalidade de atos normativos com plena vigência. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. NÃO COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. FALSIDADE. ELEMENTO SUBJETIVO (DOLO) NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. COMPROVAÇÃO. DECISÃO LIMINAR. RESPALDO JUDICIAL. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A conduta do sujeito passivo, ao declarar a existência de créditos sem existência jurídica válida, porque notoriamente discutíveis e em confronto direto com a legislação tributária vigente, ainda pendentes de apreciação judicial definitiva, enseja a caracterização da presença circunstancial de elemento subjetivo; isto é, de uma intencionalidade dolosa, artificiosamente construída para o propósito de diminuir ou suprimir recolhimentos previdenciários correntes, a qual maculou de inverdades as declarações de compensações em GFIP. As circunstâncias demonstradas nos autos são capazes de justificar a aplicação da multa isolada no percentual de 150% prevista no § 10 do art. 89, a incidir sobre os valores indevidamente compensados. Existindo decisão judicial, ainda que precária, que autorize o entendimento quanto à inexigibilidade das contribuições previdenciárias sobre determinada verba, elidese o caráter de intencionalidade dolosa ou fraudulenta da conduta da autuada quanto à compensação, não cabendo a imputação da multa isolada para a parcela favorecida judicialmente. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (RFFP). DEVER FUNCIONAL. LEGALIDADE. A emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), dirigida a autoridade competente, constitui dever funcional dos AuditoresFiscais, não cabendo, no julgamento administrativo, a apreciação do conteúdo dessa peça enviada às autoridades competentes. Fl. 2095DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720517/201180 Acórdão n.º 2403002.500 S2C4T3 Fl. 2.091 11 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação apresentada, MANTENDO EM PARTE o crédito tributário exigido, no valor de R$1.428.092,26 (um milhão, quatrocentos e vinte e oito mil e noventa e dois reais e vinte e seis centavos), nos termos do relatório e voto proferidos. Recomendase ao setor de acompanhamento tributário na Unidade de Origem, caso entenda cabível, realizar as atividades de controle do presente crédito tributário, notadamente quanto à caracterização da eventual identidade de objetos em relação às ações judiciais citadas no relatório e voto e conseqüente suspensão ou não da exigibilidade do mesmo, determinada na esfera judicial. Dispensada a interposição de Recurso de Ofício desta decisão, nos termos da Portaria MF n.º 3, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). À Unidade de Origem, para cientificar o Contribuinte, nos termos da legislação em vigor. Sala de Sessões, em 17 de maio de 2012. Observase que a decisão de primeira instância, às fls. 2034 e 2035, retificou o débito em relação à multa isolada correspondente ao terço constitucional de férias na competência 11/2010 Fazse mais uma observação, neste ponto. Especificamente para o MS n.º 000850002.2010.4.03.6106, no qual a impugnante obteve liminar suspendendo a exigibilidade apenas sobre o terço constitucional de férias, entendese não ser cabível a imputação da multa isolada, uma vez que a compensação encontrarseia respaldada por decisão judicial (ainda que precária), que lhe reconheceu a nãoincidência tributária, circunstância esta que retiraria o caráter de intencionalidade dolosa ou fraudulenta da conduta da autuada. Procede parcialmente, assim, o pedido de cancelamento da multa isolada de 150%, devendo ser excluída tãosomente a parcela incidente sobre o terço de férias (R$ 77.296,82), que se constituiu em basedecálculo para a mencionada multa, de 10/2010 a 03/2011. (...) Do exposto, com a redução do montante da multa isolada de R$ 827.631,24 para R$ 711.686,01 (competência 11/2010; retificação de R$150.000,00 para R$34.054,77 isto é, redução de R$ 115.945,23), fica o presente crédito tributário retificado para Fl. 2096DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 o valor final mantido de R$ 1.428.092,26 (um milhão, quatrocentos e vinte e oito mil e noventa e dois reais e vinte e seis centavos), consolidado em 23/11/2011. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, acrescentando uma Preliminar, em apertada síntese: (i) Em Preliminar do sobrestamento do Recurso Voluntário STF Repercussão Geral em RE 593.068 Portaria CARF nº 01/2012 sobrestamento COMO PODE SER EVIDENCIADO NO PRESENTE "REN°593.068" RECONHECEUSE A REPERCUSSÃO GERAL SOBRE AS VERBAS DE NATUREZA JURÍDICA INDENIZATÓRIA/ COMPENSATÓRIA QUE NÃO IRÃO INTEGRAR OS PROVENTOS DE APOSENTADORIA DO SERVIDOR, AS QUAIS SEJAM: "ADICIONAIS E GRATIFICAÇÕES TEMPORÁRIOS; TERÇO DE FÉRIAS; SERVIÇOS EXTRAORDINÁRIOS; ADICIONAL NOTURNO E ADICIONAL DE INSALUBRIDADE". DE ACORDO COM O "ART. 543B" DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, OS RECURSOS INTERPOSTOS QUE VERSEM SOBRE AS MATÉRIAS DISCUTIDAS, CONSTANTES DO "RE N° 593.068 REPERCUSSÃO GERAL" DEVERÃO FICAR SOBRESTADOS, RETORNANDO A ORIGEM PARA AGUARDAR O JULGAMENTO DO MÉRITO, O QUE APÓS DECISÃO DEVERÁ SER OBSERVADO O CONTIDO NO "ART. 543B DO CPC". COM BASE NO REFERIDO ARTIGO, O "STF SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL" TEM DE FORMA INCONTINENTI OBSERVADO O QUE ASSEVERA A REGULAMENTAÇÃO, PRATICANDO O ATO DE "SOBRESTAR" TODOS OS RECURSOS ATINENTES A MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL NO "RE N° 593.068". (...) DIANTE DESSE NOVO INSTRUMENTO JURÍDICO, O "CARF CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS", EM 06 DE JANEIRO DE 2012, PUBLICOU A "PORTARIA CARF N° 001", QUE VISA UNIFORMIZAR OS PROCEDIMENTOS A SEREM ADOTADOS PARA O SOBRESTAMENTO DE JULGAMENTO DE RECURSOS EM TRAMITAÇÃO, CONFORME PREVISTO NO § I º, ARTIGO 62 A, ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO DO ÓRGÃO. A REFERIDA PORTARIA DISPÕE QUE O PROCEDIMENTO DE SOBRESTAMENTO DOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS EM TRÂMITE NO CARF, SERÁ APLICADO NAS HIPÓTESES EM QUE HOUVER SIDO DETERMINADO PELO "STF SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL", O SOBRESTAMENTO DE RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS QUE VERSEM SOBRE MATÉRIA IDÊNTICA ÀQUELA DEBATIDA NA SUPREMA CORTE. Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720517/201180 Acórdão n.º 2403002.500 S2C4T3 Fl. 2.092 13 POR FIM, A PORTARIA ESCLARECE QUE OS PROCESSOS QUE FOREM MANTIDOS SOBRESTADOS SOMENTE PODERÃO SER APRECIADOS PELO CARF APÓS DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO NO ÂMBITO DO STF. OU SEJA, OS JULGAMENTOS NÃO PODERÃO SER RETOMADOS, APENAS, COM O JULGAMENTO OU PUBLICAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NOS RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS PELO STF, MAS TÃOSOMENTE COM O TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO. ASSIM A MEDIDA EVITA QUE PROCESSOS SEJAM JULGADOS DE FORMA PRECIPITADA ANTES DE UMA DECISÃO FINAL NA JUSTIÇA. A POSIÇÃO ADOTADA PELO CARF EM ACOMPANHAR O STF NO SOBRESTAMENTO DE MATÉRIAS, DEMONSTRA TOTAL CONSONÂNCIA COM A RACIONALIZAÇÃO DO TRÂMITE PROCESSUAL E AS DECISÕES PROFERIDAS (ii) DO MÉRITO O Recorrente aduz que as provas que corroboram o direito alegado estão contidas nos documentos apresentados em sede de Impugnação e que devem ser mantidas neste Recurso Voluntário. (iii) CONCLUSÃO À VISTA DE TODO EXPOSTO, DEMONSTRADA A INSUBSISTÊNCIA E PROCEDÊNCIA PARCIAL DA AÇÃO FISCAL, ESPERA E REQUER A RECORRENTE SEJA ACOLHIDO O PRESENTE RECURSO PARA FIM DE ASSIM SER DECIDIDO, CANCELANDOSE O DÉBITO FISCAL RECLAMADO E O SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO DO PROCESSO NOS TERMOS DA PORTARIA CARF N° 001/2012, TENDO EM VISTA A REPERCUSSÃO GERAL DO RE 593.068. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Voto Vencido Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE COSMORAMA contra Acórdão nº 1437.602 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP que julgou procedente em parte o Auto de Infração – AIOP nº 51.013.4319, no valor de R$ 1.544.037,49, referente aos códigos de levantmento: (i) GL – GLOSA VRS COMPENSADOS MS contendo contribuições consideradas declaradas em GFIP e glosadas pela fiscalização, relativos a rubricas constantes de processos judiciais, de 10/2010 a 02/2011, competências 10/2010 a 02/2011; (ii) MI – MULTA ISOLADA multa isolada no percentual de 150%, aplicada sobre valores compensados, com falsidade, relativos a processo judicial mandado de segurança, competências 10/2010 a 03/2011; (iii) OU – GLOSA DE COMPENSAÇÃO NÃO JUSTI glosa de compensações não justificadas, competências 04/2009 a 09/2010. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP que, conforme definido no inciso III do artigo 460 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP) Lei n° 8.212/91 Fl. 2099DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720517/201180 Acórdão n.º 2403002.500 S2C4T3 Fl. 2.093 15 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); lk. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos Fl. 2101DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720517/201180 Acórdão n.º 2403002.500 S2C4T3 Fl. 2.094 17 geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (B) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Fl. 2102DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (i) Em Preliminar do sobrestamento do Recurso Voluntário STF Repercussão Geral em RE 593.068 Portaria CARF nº 01/2012 sobrestamento Analisemos. A Recorrente requer o sobrestamento do Recurso Voluntário em função do Recurso Extraordinário nº 593.068 tramitando no STF que ensejaria a aplicação do art. 62A, § 1º, Anexo II do RICARF. De plano, em consulta à página do STF, em 14.03.2014, (http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente =2639193&numeroProcesso=593068&classeProcesso=RE&numeroTema=163#) temos que o RE 593.068 (Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 40, §§ 2º e 12; 150, IV; 195, § 5º; e 201, § 11, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, da exigibilidade de contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade, tendo em vista a natureza jurídica de tais verbas) teve como último andamento processual estar concluso, em 14.01.2014, ao Relator Min. Roberto Barroso. Ademais, além de ainda não ter havido o julgamento deste RE 593.068 no STF, a Portaria CARF nº 545, de 18.11.2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: GABINETE DO MINISTRO PORTARIA No 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 Altera o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, Fl. 2103DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720517/201180 Acórdão n.º 2403002.500 S2C4T3 Fl. 2.095 19 que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA Diante do exposto, não há que se sobrestar o presente Recurso Voluntário com fulcro no RE 593.068 do STF porque houve a revogação expressa dos parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II do regimento Interno do CARF. DO MÉRITO (ii) DO MÉRITO O Recorrente aduz que as provas que corroboram o direito alegado estão contidas nos documentos apresentados em sede de Impugnação e que devem ser mantidas neste Recurso Voluntário. Analisemos. De plano, a Recorrente não produz qualquer argumentação nova ou fato novo em relação ao anteriormente apresentado em sede de Impugnação, tampouco combate a decisão de primeira instância, apenas reitera o que foi deduzido em sede de Impugnação. Neste sentido, a Recorrente, em sua CONCLUSÃO no Recurso Voluntário, apenas requer o sobrestamento do presente Recurso sem adentrar no Mérito, se atendo apenas aos argumentos deduzidos em Preliminar: À VISTA DE TODO EXPOSTO, DEMONSTRADA A INSUBSISTÊNCIA E PROCEDÊNCIA PARCIAL DA AÇÃO FISCAL, ESPERA E REQUER A RECORRENTE SEJA ACOLHIDO O PRESENTE RECURSO PARA FIM DE ASSIM SER DECIDIDO, CANCELANDOSE O DÉBITO FISCAL RECLAMADO E O SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO DO PROCESSO NOS TERMOS DA PORTARIA CARF N° 001/2012, TENDO EM VISTA A REPERCUSSÃO GERAL DO RE 593.068. Não obstante o requerimento da Recorrente se centrar expressamente apenas no sobrestamento do Recurso Voluntário, iremos enfrentar os principais argumentos reiterados da Impugnação que são suficientes para que se decida a controvérsia: (ii.1) Da compensação Fl. 2104DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 A compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional. O mesmo diploma legal, artigos 170 e 170A, prevê regras gerais sobre a matéria; as regras específicas são objeto de lei ordinária. Transcrevemos abaixo os artigos do CTN que tratam da compensação: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação;” “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) O Plano de Custeio da Seguridade Social, Lei n. 8.212/91, art. 89, que ora transcrevemos, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 5o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 6o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 2105DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720517/201180 Acórdão n.º 2403002.500 S2C4T3 Fl. 2.096 21 § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e saláriomaternidade o rito previsto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Os valores indevidamente compensados devem ser recolhidos pelo contribuinte, sobre os quais incidirão juros e multa de mora, conforme o art. 89, § 4º, Lei 8.212/1991, o qual remete ao art. 35, Lei 8212/1991 e ao art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Lei 8.212/1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430/1996 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 2106DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Ademais, o Código Tributário Nacional, no art. 170A, expressamente veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) No entanto, temse nos autos a informação de que o sujeito passivo impetrou dois mandados de segurança cujo objeto é a discussão da incidência de contribuições previdenciárias em verbas pagas pela Recorrente aos segurados empregados, aponta o Relatório Fiscal: Mandado de Segurança n° 000850002.2010.4.03.6106, no qual a impetrante/Prefeitura Municipal de Cosmorama requereu declaração de inexistência de relação jurídica entre o município e a União/Receita Federal do Brasil, referente à contribuição previdenciária patronal incidente sobre as importâncias pagas aos segurados empregados a título de horas extras e terço constitucional de férias, alegando tratarse de valores com natureza indenizatória e, pois, compensatória, posto que não integram o salário do segurado para fins de aposentadoria. Requereu, ainda, a impetrante a suspensão de exigibilidade da referida contribuição relativa ao período de 11/2005 a 11/2010 e subseqüentes, até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança, e determinação de que a União se abstivesse de impor sanções administrativas ao Município. Mandado de Segurança n° 000201986.2011.4.03.6106. Neste, o Município de Cosmorama, requereu as mesmas seguranças, porém, no que tange a verbas recebidas pelos segurados a título de aviso prévio indenizado, férias indenizadas e férias em pecúnia, salário educação, auxílio creche, auxílio doença e auxílio acidente (15 dias de afastamento), abono assiduidade, abono único anual, vale transporte, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno; desta feita, relativos ao período de 03/2006 a 03/2011 e subseqüentes. Ocorre, porém, que o pedido para concessão de MEDIDA LIMINAR relativo ao processo 000850002.2010.4.03.6106, foi DEFERIDO PARCIALMENTE, suspendendo a exigibilidade das contribuições previdenciárias apenas sobre o terço constitucional de férias. Inconformado, o órgão público em pauta impetrou AGRAVO DE INSTRUMENTO solicitando a extensão da decisão inicialmente proferida a seu favor, também para a rubrica de HORAS EXTRAS, objetivando, assim, o deferimento total do Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720517/201180 Acórdão n.º 2403002.500 S2C4T3 Fl. 2.097 23 Mandado de Segurança em questão. Em 01/02/2011, foi NEGADO SEGUIMENTO ao recurso. Quanto ao processo 000201986.2011.4.03.6106, nos termos da Certidão datada de 08/08/2011, foi postergada a apreciação do pedido liminar para a sentença. Além do que a Fiscalização comprovou nos autos, vide o Relatório Fiscal, que o sujeito passivo realizou as compensações sem o trânsito em julgado dos mandados de segurança impetrados, em violação a dispositivo expresso do Código Tributário Nacional, art. 170A, CTN. Outrossim, examinandose o andamento processual dos Mandados de Segurança, em 14.03.2014, no site do TRF 3 (http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/): MS nº 000850002.2010.4.03.6106 se encontra no TRF 3 para processar e julgar o Recurso em 05/04/2013; MS nº 000201986.2011.4.03.6106 se encontra no TRF 3 para redistribuição por sucessão em 24/10/2013; Diante do exposto, deve ser mantida a glosa de compensação em função da violação ao disposto expresso no art. 170A, CTN. (ii.2) Das verbas indenizatórias Analisemos. Em relação ao requerimento da Recorrente de que as provas que corroboram o direito elencado estarem contidas nos documentos apresentados em sede de Impugnação, essas questões no Recurso Voluntário de que se os valores pagos pela Recorrente aos segurados empregados integram ou não o salário de contribuição, estas não serão conhecidas pois possuem o mesmo objeto dos mandados de segurança impetrados pela Recorrente, exsurgindo a aplicação da Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente. (ii.3) Da inaplicabilidade da multa isolada de 150% Analisemos. Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 Surge a controvérsia em função da aplicação da multa isolada com base na compensação indevida sendo comprovada a falsidade, nos termos do art. 89, § 10, Lei 8.212/1991. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Em relação à aplicação da multa isolada de 150%, esclarece o Relatório da decisão de primeira instância, além de todo o amparo legal citado no Relatório Fiscal, que: O Relatório Fiscal descreve as condições gerais e legais para a efetivação da compensação de contribuições previdenciárias (art. 170 e 170A do CTN), bem como as respectivas penalidades caso sejam indevidas (art. 89 e parágrafos da Lei nº 8.212/91 e art. 44 a 48 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008). Menciona ainda a necessidade, para a compensação, de habilitação prévia (art. 71 da IN RFB nº 900/2008) do crédito atinente às verbas discutidas judicialmente, após o trânsito em julgado da decisão. E que a autuada, ao inserir nas GFIP tal informação de compensação a que sabidamente não teria direito, reduziu, deliberadamente, o valor devido e o subseqüente recolhimento de sua obrigação tributária, configurando a conduta ilegal do mesmo, já que prestou uma informação em sua GFIP que não era verdadeira. Por ser vedada a utilização de supostos créditos, isto é, créditos inexistentes, sem o devido respaldo judicial, no intuito de reduzir o pagamento do tributo, sua conduta enseja a aplicação da multa do § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, de 150% sobre o valor da compensação indevida, além de enquadrála como fraudulenta nos termos do art. 72 da lei nº 4.502/64. Ou seja, o Relatório Fiscal aponta que a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, uma vez que não estava legal e judicialmente amparado para tal procedimento, ocorreu em função da inserção de informações falsa e/ou inexatas nas GFIPs do período citado. Ainda, aponta que essas informações culminaram por reduzir o valor devido das contribuições previdenciárias em detrimento do erário público, concluímos pela aplicação da multa estabelecida no art. 89, § 10, Lei 8212/1991 em consonância com o art. 46, IN RFB 900/2008, ou seja, multa isolada de 150% sobre o valor da compensação indevida. Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720517/201180 Acórdão n.º 2403002.500 S2C4T3 Fl. 2.098 25 Então, restou evidenciado nos autos que a conduta da Recorrente foi a de apresentar GFIP com informação de valores a compensar mesmo ciente de que as ações judiciais por ele propostas não haviam ainda transitado em julgado, em afronta clara ao disposto expressamente no art. 170A, CTN. Em outras palavras, na presente hipótese de compensação indevida, em função da conduta da Recorrente em afronta ao disposto no art. 170A, CTN, ficou materializada a falsidade da GFIP apresentada, ensejando a aplicação da multa isolada insculpida no art. 89, § 10, Lei 8212/1991. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii.4) Da prescrição art. 168, I, CTN e LC nº 118/2005 Analisemos. A decisão de primeira instância neste aspecto, assim se posicionou às fls. 2035: A impugnante pretende a aplicação do prazo de dez anos para pedir a restituição ou realizar a compensação de indébitos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, baseada em jurisprudência do STJ e STF (RE nº 566.621, com repercussão geral), implicando a regularidade das compensação efetuadas com os débitos previdenciários. A rigor, este tópico revelase prejudicado, diante da fundamentação já exposta anteriormente, quanto à decisão pela improcedência das compensações realizadas e pela conseqüente glosa integral. Se não havia o que compensar, nem se examina a prescrição. Ora, a Recorrente não se insurgiu contra esta decisão de primeira instância, a qual também considero a discussão da prescrição prejudicada pelo fato de que não restava nada a compensar em função da decisão dos tópicos anteriores. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii.5) Da Representação Fiscal para Fins Penais RFFP Analisemos. Em relação à emissão da Representação Fiscal para Fins Penais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre as controvérsias referentes a esta Representação, nos termos da Súmula nº 28 do CARF: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de: (i) NÃO CONHECER do Recurso Voluntário na matéria de mesmo objeto dos mandados de segurança impetrados; (ii) CONHECER do Recurso Voluntário nas demais questões, rejeitar a Preliminar de sobrestamento do Recurso Voluntário e, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Não obstante a plausibilidade dos argumentos expedidos pelo Ilmo. Conselheiro relator, tenho por discordar no ponto que toca à aplicação da multa de 150%. Conforme consta no relatório fiscal, aplicouse a multa de ofício prevista no art. 89, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 11.941/09. Há de se ter em mente que a penalidade disposta no art. 89, parágrafo 10, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei n. 11.941/09, não pode ser aplicada como regra de presunção de falsidade na declaração, da forma que ocorreu. O artigo fala que na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, esse dispositivo deve ser observado com parcimônia. A falsidade da declaração deve ser entendida quando não haja qualquer fundamento ao pleito do contribuinte, principalmente no que concerne à inexistência do fato gerador, total ou parcial. Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720517/201180 Acórdão n.º 2403002.500 S2C4T3 Fl. 2.099 27 No caso dos autos observase uma peculiaridade, o contribuinte já era possuidor de uma decisão que confirmava, mesmo que parcialmente, sua tese exposta nos Mandados de Segurança. É desproporcional e nada razoável a interpretação do dispositivo do art. 89 da Lei 8.212/91 como mero erro ou omissão. Repitase deve ser entendido como falsidade da materialidade do crédito a ser compensado, o que in casu, não ocorreu e demanda análise do mérito da causa. Outrossim, toda a operação fora realizada de forma transparente, sem ter ocorrido qualquer embaraço à fiscalização. Este é o entendimento da doutrina, conforme se percebe das lições de Karem Jureidini Dias, in verbis: Não podemos ignorar, também, que existem situações impeditivas da qualificação da conduta fraudulenta do contribuinte. Ou seja, ainda que haja provas da fraude, existem contraprovas suficientes a descaracterizála. Vislumbramos esta situação quando há adequada contabilização das operações do contribuinte, e a respectiva demonstração de todos os lançamentos contábeis relacionados à suposta infração, que são colocados à disposição do Fisco, por meio de disponibilização dos livros e registros contábeis do contribuinte, que contêm tais informações. (DIAS, Karem Jureidini. A prova da Fraude. A prova no processo tributário. NEDER, Marcus Vinicius; SANTI, Eurico Marcos Diniz de. FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). São Paulo: Dialética, 2010, p. 331.) Nesse mesmo sentido é a jurisprudência deste Conselho em casos similares: (...) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. (...) (CARF. Primeira Seção. Processo 16561.000222/200872. Sessão de 21/10/2011. Relator(a) Antonio José Praga de Souza, Acórdão 1402000.802) **************************************************** (...) SIMULAÇÃO E MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A simulação, por si só, não é causa autorizadora da aplicação da multa qualificada, nos termos do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9430, de 1996, para o qual é necessária a caracterização de Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 sonegação, fraude ou conluio com a identificação de evidente intuito de fraude. O elemento doloso não está contido na caracterização da simulação, para efeitos penaistributários. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.Primeiro Conselho de Contribuinte, Processo 11080.009150/200494, Sessão de 23/04/2008, Relatora Heloísa Guarita Souza, Acórdão 10423129) Destarte, repitase, não há como falar em falsidade na declaração, em razão do contexto fático ora analisado. CONCLUSÃO Nestes termos, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a aplicação da multa isolada. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por MARCELO M AGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904196/2012-95
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10746.904196/2012-95
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5401893
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-000.570
nome_arquivo_s : Decisao_10746904196201295.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10746904196201295_5401893.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5738191
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252183810048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1911; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 8 1 7 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10746.904196/201295 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.570 – 3ª Turma Especial Data 15 de outubro de 2014 Assunto Compensação Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 19 6/ 20 12 -9 5 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904196/201295 Resolução nº 3803000.570 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.845, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano Calendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904196/201295 Resolução nº 3803000.570 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 158DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904196/201295 Resolução nº 3803000.570 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 159DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904196/201295 Resolução nº 3803000.570 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904196/201295 Resolução nº 3803000.570 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904196/201295 Resolução nº 3803000.570 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904196/201295 Resolução nº 3803000.570 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000106/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria da Conceição Arnaldo Jacó- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas Paulo, Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16327.000106/2009-15
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5393725
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-000.436
nome_arquivo_s : Decisao_16327000106200915.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
nome_arquivo_pdf_s : 16327000106200915_5393725.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas Paulo, Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5688761
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252201635840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.064 1 1.063 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000106/200915 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.436 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 19 de agosto de 2014 Assunto COFINS DCOMP GLOSA INSUMOS COMISSÕES DE INTERMEDIAÇÃO E PROSPECÇÃO Recorrente UNIBANCO SEGUROS S/A (anterior UNIBANCO AIG) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas Paulo, Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1623.550 – 8ª Turma da DRJ/SP1, prolatado em 19 de novembro de 2009, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos da ementa e dispositivo a seguir transcritos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM COMISSÕES DE INTERMEDIAÇÃO E PROSPECÇÃO. CRÉDITOS DE INSUMOS. INEXISTÊNCIA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 10 6/ 20 09 -1 5 Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000106/200915 Resolução nº 3302000.436 S3C3T2 Fl. 1.065 2 0 termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. In casu, as despesas efetuadas com a aquisição de serviços de redes varejistas para realização das atividades de venda de Garantia Complementar, qualificadas como "Comissão de Intermediação" e "Comissão de Prospecção", não podem ser admitidas como geradoras de créditos de COFINS, pois que não possuem natureza de insumo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, por unanimidade de votos, CONSIDERAR IMPROCEDENTE A MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, nos termos do voto do relator.” Na origem, o presente processo foi formalizado em face de Representação para análise manual de Declarações de Compensação formalizadas com a utilização do programa PERD/COMP e encaminhadas .por meio da internet. Transcrevese a seguir a fundamentação consignada no Despacho Decisório exarado pela DEINF/SPO, em 12/02/2009, com homologação parcial das compensações declaradas pelo interessado (fls. 02 a 85), em razão de insuficiência do direito creditório pleiteado, consoante se extrai do relatório do Acórdão ora recorrido, ressaltando que a numeração das folhas ali citadas referemse à numeração original, tendo em vista que o processo foi formulado em papel e, posteriormente, digitalizado para inserção no “eprocesso”: “i) as Declarações de Compensações foram apresentadas por UNIBANCO AIG SEGUROS S.A., por sua sucedida, por incorporação, UNIBANCO AIG WARRANT S.A., CNPJ 03.051.290/000190, e pela sucedida desta, também por incorporação, GARANTECH GARANTIAS E SERVIÇOS S/C LTDA, CNPJ 02.730.821/000109, utilizandose de alegados pagamentos a maior de COFINS realizados por esta última empresa, no anocalendário de 2004; ii) para o período de 02/2004 a 12/2004 a GARANTEM declarou na DIPJ e DCTF (fls. 238 a 247) valores devidos de COFINS apurados pelo regime nãocumulativo, sendo que pelo exame dos registros contábeis, Razão e balancetes de verificação (fls. 159 a 162 e 164 a 23 1) , em conjunto com a DIPJ/2005 (fls. 232 a 237) e pela análise dos documentos apresentados pelo interessado (fls. 94 a 157) em atendimento a intimação (fl. 89), constatouse que houve irregularidade nos cálculos dos créditos descontados para apurar a COFINS a pagar do referido período: a GARANTEM considerou como "Serviços Utilizados como Insumos", para fins dos descontos, os valores de "Comissão de Intermediação" e "Comissão de Prospecção', o que desrespeita as regras legais, em específico os artigos 2° e 3º da Lei 10.833/2003; iii) os termos do "Contrato de Prestação de Serviços de Contratação Garantias Complementares" (fls. 128 a 137) comprovam que os serviços prestados para a GARANTEM pelas redes varejistas são de Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000106/200915 Resolução nº 3302000.436 S3C3T2 Fl. 1.066 3 intermediação, sendo irregular considerar as referidas despesas como insumos para apuração do crédito descontado da COFINS a Pagar, iv) conforme a IN SRF 404/2004, seguindo o sentido dado pela IN SRF 247/2002, alterada pela IN SRF 358/2003, o termo insumo não pode ser interpretado como todo bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas sim apenas aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, são aplicados diretamente na prestação de serviço; V) os serviços de intermediação e prospecção, embora passíveis de serem considerados necessários à atividade da GARANTECH, não são consumidos nos serviços que presta, de garantia complementar, constituindo apenas instrumentos facilitadores da relação "fornecedor x consumidor"; vi) a classificação indevida dos valores pagos por esses serviços redundou em apuração a maior do valor a ser descontado e, por conseqüência, em apuração a menor do valor da COFINS a Pagar para os meses de 02/2004 a 12/2004; vii) com base no Razão e nos Balancetes de Verificação (fls. 159 a 162 e 164 a 23 1) e na Ficha 24, linha 03, da DIPJ/2005 (fls. 232 a 237), a autoridade elaborou planilha com a nova composição da rubrica "Serviços Utilizados como Insumos" (fls. 248 e 249), com a exclusão dos valores das Comissões de Intermediação e de Prospecção; viii) com os novos valores de "Serviços Utilizados como Insumos", a autoridade efetuou a apuração correta dos créditos da COFINS, demonstrada na planilhas que preparou (fls. 250 a 253), bem como a apuração dos valores corretos a pagar da COFINS — Regime Não cumulativo constante também de planilhas que elaborou (fls. 254 a 259); ix) confrontados os valores de COFINS a Pagar com os pagamento realizados (fls. 260 e 261), constatouse existência de excessos de pagamentos, mas em valores inferiores aos pleiteados, dos recolhimentos datados de 15/04/2004, 14/05/2004, 15/06/2004, 15/07/2004, 13/08/2004 e 15/12/2004; X) efetuados os cálculos das compensações com base no Sistema de Apoio Operacional — SAPO (fls. 262 a 304), constatouse que os créditos foram insuficientes para as compensações declaradas, conforme demonstrativo que apresenta (fls. 312 a 316); xi) assim, apenas parte das compensações declaradas (fls. 02 a 85) foi homologada.”. Ainda segundo o relatório do Acórdão recorrido, a interessada apresentou Manifestação de inconformidade contra a Decisão da Delegacia jurisdicionante, em 22/04/2009 na qual apresenta as seguintes informações e razões, em resumo: “i) a decisão não merece prosperar porque se mostra dissociada da melhor aplicação ao caso concreto das normas relativas à sistemática nãocumulativa da COFINS, bem como porque erroneamente Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000106/200915 Resolução nº 3302000.436 S3C3T2 Fl. 1.067 4 aproximou, para o caso, o conceito de inumo, próprio das legislações do IPI e do ICMS, redundando em flagrante ilegalidade; ii) as despesas assumidas com a remuneração das redes varejistas, parceiras para a viabilidade do modelo de negócio de Garantia Complementar adotado pelo autuado, são verdadeiros insumos, porque, ao contrário do que entendeu a DIORT/DEINF/SPO, essas redes não se comportam como meras facilitadoras da relação adquirente contratante e o autuado, mas como único meio pelo qual o autuado poderia exercer sua atividade de prestar garantia complementar: são elas que vendem o produto e firmam o certificado de garantia complementar, executando todos os atos necessários para sua formalização e estabelecendo o valor da remuneração do serviço contratado, conforme emos do Contrato de Prestação de Serviços na Contratação de Garantias Complementares, itens 2.1 e 2.2 ( fls. 129 e 130); iii) para que a GARANTECH possa contratar com o consumidor é necessário primeiro que o varejista parceiro (intermediário) e o consumidor (adquirente contratante) ajustem e aperfeiçoem a venda do produto, para que, ato contínuo, seja oferecida e contratada a Garantia Complementar pelo varejista parceiro que se incumbe de preencher e emitir o "Recibo de Garantia Complementar" ao consumidor, juntamente com uma cópia do "Termo de Condições Gerais de Garantia Complementar", em nome da GARANTECH; assim, caso não tivesse a interferência dessas redes varejistas, a GARANTEM não contrataria sequer uma garantia complementar, deixando evidente a imperiosidade de se considerar como insumo todas as despesas assumidas com a remuneração dessas redes varejistas; iv) diferentemente do afirmado pela autoridade fiscal, para a qual, com base no artigo 8% inciso II, b, da IN SRF 404/2004, os serviços prestados pelas redes varejistas deveriam ser aplicados ou consumidos nos serviços de garantia complementar , deve ser entendido como "insumo" qualquer outro serviço essencial que contribui para um resultado ou para a consecução do serviço final prestado; esse serviço essencial deve ser considerado como custo do serviço prestado, não • como despesa normal da atividade da pessoa jurídica; V) o mencionado normativo, a pretexto de interpretar o artigo 3°, inciso II, da Lei 10.833/2003, extrapolou sua vocação normativa interna corporis da RFB e feriu o princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, inciso 1, da CF, definindo "insumo", utilizado na prestação de serviço, como o aplicado ou consumido na prestação de serviço, aproximandoo de forma ilegal do conceito próprio do IPI e do ICMS, consoante entendimento de doutrinador manifestado em excerto que colaciona; vi) o conceito de "insumo" para o IPI está estritamente relacionado a cada produto industrializado resultante da aplicação de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, enquanto, para PIS e COFINS, referese a totalidade das receitas auferidas, faturamento, as quais, para serem obtidas, exigem que se incorra numa gama de custos e despesas, em conformidade com entendimento de doutrinador manifestado em excerto que colaciona; Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000106/200915 Resolução nº 3302000.436 S3C3T2 Fl. 1.068 5 vii) a Lei 10.833/2003 não conceitua "insumos", nem remete a busca de seu conceito à utilização subsidiária da legislação do IPI, como ocorreu quando da instituição do crédito presumido de IPI em ressarcimento ao PIS e à COFINS, de que trata a Lei 9.363/96; viii) não existindo, assim, um sentido técnico conceitual para "insumos" no campo legal de incidência do PIS e COFINS, depreende se que o legislador quis utilizar o sentido comum deste vocábulo na linguagem, consoante se pode extrair do artigo 11, inciso I, alínea a, da Lei Complementar 95/98; seu sentido em linguagem comum seria cada um dos elementos, diretos e indiretos, necessários à produção de produtos e serviços, como, por exemplo, matériasprimas, máquinas, equipamentos, capital, mãodeobra, energia elétrica e outros, conforme consta do dicionário Houaiss da língua portuguesa e em consonância com o Dicionário Jurídico da Professora Maria Helena Diniz; ix) o próprio Fisco Federal tem acatado como custos passíveis de creditamento certas despesas necessárias à viabilização da própria atividade do serviço prestado, a exemplo das Soluções de Consulta 104/2004, 179/2003 e 143/2003, cujas ementas colaciona; X) a doutrina admite a possibilidade de crédito sobre despesas viabilizadoras da atividade do serviço prestado, consoante excerto que colaciona; xi) pensar de outra forma seria negar vigência a nãocumulatividade positivada no parágrafo 12, do artigo 195, da CF, pois que é vedado ao legislador ordinário estabelecer regra que torne o PIS e a COFINS cumulativos, consoante entendimento de doutrinador cujo excerto colaciona; xii) portanto, reconhecendose a acepção comum do termo ‘insumo’ dentro da legislação do PIS e COFINS, pela sua relação direta com o faturamento, devese admitir que todos os custos incorridos pelo contribuinte com a prestação de serviços são "insumos"; xiii) pelo exposto, requer a declaração de insubsistência do Despacho Decisório em questão. 4. É o relatório.” Cientificada do Acórdão em 17/12/2009 (AR anexo à efl. 968), por meio do COMUNICADO DeinUSPO/Diort No 64212009, a contribuinte (ITAÚ SEGUROS S/A (sucessora por incorporação de UNIBANCO SEGUROS S.A, anteriormente denominada UNIBANCO AIG SEGUROS S/A)), igualmente inconformada com a decisão proferida pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, quando da análise de sua Manifestação de Inconformidade, apresenta recurso voluntário (efls. 970 a 1004) em 18/01/2010, na qual afirma “que o presente decisum in totum não merece prosperar, notadamente porque passou ao largo, com o devido acatamento, de questões de fato e de direito (premissas, conceitos e questões de legalidade) que não foram corretamente enfrentas pelo vergastado aresto”, reprisando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e rechaçando as premissas utilizadas no Acórdão DRJ nº 1623.550 – 8ª Turma da DRJ/SP1 para sustentar a decisão da Autoridade Administrativa da RFB. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000106/200915 Resolução nº 3302000.436 S3C3T2 Fl. 1.069 6 Por entender relevante, esclarece qual era à época dos fatos a efetiva "prestação de serviços" (objeto social) da Garantech, com base no "Contrato de Prestação de Serviços na Contratação de Garantias Complementares” firmado entre a seguradora Garantech e sua principal rede varejista parceira, visando com isso, segundo suas palavras, obter deste colegiado o acatamento de que as despesas glosadas verdadeiramente se enquadram perfeitamente como efetivo "insumo" da atividade empresarial da Recorrente, que, segundo defende, deve ser compreendido como toda e qualquer despesa essencial para a atividade da Recorrente, e, portanto, passível de apropriação do crédito outrora glosado. Argúi ainda que: “As 1N/SRF 247/02 e 404/04 interpretaram o termo "insumos" em seu sentido estrito, amoldandoo à forma prevista no Regulamento do IPI (art. 164, 1), o que as torna viciadas de ilegalidade, pois o conteúdo e o alcance dos decretos, e de quaisquer outros atos normativos infra legais , restringem se aos das leis em função dos quais sejam expedidos (art. 99 e 100, I, do CTN). Logo, a toda evidência, não se pode simplesmente emprestar ao conceito de "insumos", para fins da legislação do PIS e da COFINS, a mesma conceituação dada pela legislação do IPI. Posto que "insumos", para esse imposto, têm um significado técnico próprio e específico à atividade industrial (sentido estrito), enquanto para o PIS e COFINS "insumos" têm um significado comum (sentido lato), haja vista, reitere se, o claro silêncio das Leis 10.637/02 e 10.833/03 neste tocante. Devese levar em consideração que o conceito de insumo para o IPI está • estritamente relacionado a cada produto industrializado, resultante da aplicação de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem . Ao passo que, com relação ao PIS e COFINS, o conceito de "insumos" se refere com a totalidade das receitas auferidas (faturamento) pelo contribuinte, as quais, inexoravelmente, para serem obtidas, exigem que o contribuinte incorra num conjunto de custos e despesas. (...) Ademais, se a tributação deve recair sobre o valor agregado ao preço dos seus produtos, é porque está assegurado o direito de se tomar créditos em relação aos bens, serviços e encargos que, se transformam em custos de produção ou em despesas operacionais, mormente quando tais custos e despesas estão intrinsecamente vinculados à obtenção das receitas tributáveis por tal contribuição social. Eis que pensar de outra forma é o mesmo que negar vigência a não cumulatividade positivada no §12, do art. 195, da Carta Magna, pois é vedado ao legislador ordinário estabelecer qualquer regra que torne o _ PIS e COFINS cumulativos. (...) Portanto, reconhecendose a acepção ampla do termo "insumos" dentro da legislação do PIS e COFINS, pela sua direta relação com o faturamento deve se então admitir que todos os custos incorridos pelo contribuinte com a prestação do serviço são "insumos". Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000106/200915 Resolução nº 3302000.436 S3C3T2 Fl. 1.070 7 Desta feita, o acatamento das razões aqui lançadas para reforma do decisum recorrido é medida que se impõe, pois restou plenamente caracterizada como "insumo", na sua concepção ampla e comum, todas as despesas assumidas pelo Recorrente com a remuneração das redes varejistas pela prestação do serviço de intermediação, especialmente, porque tais se amoldam perfeitamente aos requisitos implicitamente impostos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, afastandose as ilegais restrições trazidas a lume pelas malfadadas Instruções Normativas SRF n° 247/02 e 404/04.” E, requer que seja dado integral provimento ao seu recurso voluntário, de tal sorte que seja b totalmente a decisão recorrida. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. Assim, o presente processo foi pautado para ser julgado na sessão de 26/03/2014, quando naquela ocasião foi concedido vista ao conselheiro Gileno Gurjão Barreto, retornando a julgamento na Sessão de 23/04/2014. Nesta, o patrono, quando de sua defesa oral na Tribuna, traz ao conhecimento do Colegiado questão de prejudicialidade em face, segundo alega, de decisão superveniente e favorável à contribuinte proferida no processo nº 16327. 000635/200919 que se refere à Auto de Infração de COFINS nãocumulativa recolhida insuficientemente, dos fatos geradores ocorridos entre junho e dezembro de 2004, decorrente de glosa de insumos, tendo em vista que a contribuinte teria registrado como crédito, em seus registros contábeis, as despesas relativas aos serviços de intermediação de venda de garantia, o qual era prestado por terceiros e que, na visão do autuante, seriam indevidos. Em face dessa questão de prejudicialidade foi concedido vistas ao Conselheiro Alexandre Gomes, retornando a Julgamento nesta Sessão. É o relatório. VOTO Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ 0 Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual poderseia dele tomar conhecimento. Entretanto, face à arguição de prejudicialidade trazida pelo o patrono na Tribuna, passase a efetuar preliminarmente a análise dessa questão. Como relatado, o presente processo nº 16327.000106/200915 foi formalizado em face de Representação para análise manual de Declarações de Compensação formalizadas com a utilização do programa PERD/COMP e encaminhadas .por meio da internet.e referese à créditos de COFINS apurados pelo regime nãocumulativo, abrangendo o Período de Apuração de 01/02/2004 a 31/12/2004. 0 cerne da questão consiste em saber se as despesas da Seguradora com serviços de intermediação de venda de garantia estendida, lançadas em sua contabilidade sob as rubricas "comissão de intermediação" e "comissão de prospecção” podem ser classificadas como insumos para fins de creditamento, no caso, da COFINS nãocumulativa. Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000106/200915 Resolução nº 3302000.436 S3C3T2 Fl. 1.071 8 Por sua vez, em face de apuração de saldo devedor em decorrência de tais glosas, foram lavrados Autos de Infração de PIS e COFINS no processo nº 16327. 000635/200919, em 26/06/2009 (Portanto, posterior ao Despacho Decisório proferido no processo ora sob análise). Neste, foi iniciado litígio, tendo sido o Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ I, em São Paulo/SP, ali proferido, votado no CARF, por meio do AC 3401002.213, em 23/04/2013, onde o relator, na verdade, julgou a questão das glosas de créditos dos serviços de vendas de garantia complementar e prospecção, dando provimento ao Recurso Voluntário, conforme ementa que a seguir se transcreve: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/06/2004 a 31/12/2004 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVA. SEGURADORA DE GARANTIA ESTENDIDA. SERVIÇO DE VENDA DO SEGURO. GERAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Devese considerar como insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS nãocumulativos, todo bem ou serviço essencial à atividade da empresa. In casu, a terceirização do serviço de prospecção e de venda do seguro é imprescindível à atividade da Recorrente, motivo pelo qual se classifica como insumo e gera crédito do PIS e da COFINS nãocumulativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara /1ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.” Em pesquisa ao Sistema “ eprocesso”, constatase que referido processo encontrase na atividade “Analisar Recurso Especial”, sob a responsabilidade do Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Denotase, pois, que há coincidência de questão para fins de crédito da COFINS nãocumulativos (glosa de insumos atinentes a serviços de vendas de garantia complementar, a título de "Comissão de Intermediação" e "Comissão de Prospecção"), e de alguns dos períodos de apuração (Junho/2004 a dez/2004) entre os dois processos. De modo que, já tendo sido julgado o Recurso Voluntário no Processo nº 16327. 000635/200919, tornase necessário aguardar a decisão definitiva daquele processo, em face da coincidência de fatos e de alguns dos períodos constantes deste processo, o que, a princípio, causa vinculação deste ao que for julgado naquele processo, no mínimo, quanto aos períodos de apuração coincidentes. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, conduzo o meu voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, com o envio deste processo à unidade de origem para que se aguarde o trânsito em julgado do processo nº 16327. 000635/200919, após o que, seja Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000106/200915 Resolução nº 3302000.436 S3C3T2 Fl. 1.072 9 anexada cópia da decisão definitiva do referido processo, com a posterior devolução deste para que seja dada seqüência ao julgamento neste colegiado. É como voto. (Assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 07/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904181/2012-27
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10746.904181/2012-27
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5401877
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-000.555
nome_arquivo_s : Decisao_10746904181201227.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10746904181201227_5401877.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5738159
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252251967488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1911; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 8 1 7 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10746.904181/201227 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.555 – 3ª Turma Especial Data 15 de outubro de 2014 Assunto Compensação Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 18 1/ 20 12 -2 7 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904181/201227 Resolução nº 3803000.555 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.830, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano Calendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904181/201227 Resolução nº 3803000.555 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904181/201227 Resolução nº 3803000.555 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904181/201227 Resolução nº 3803000.555 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904181/201227 Resolução nº 3803000.555 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904181/201227 Resolução nº 3803000.555 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 171DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904181/201227 Resolução nº 3803000.555 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000154/2007-91
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo é fato gerador de contribuição previdenciária.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é necessária previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.808
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é necessária previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 17883.000154/2007-91
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5398192
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.808
nome_arquivo_s : Decisao_17883000154200791.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 17883000154200791_5398192.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
id : 5709465
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252257210368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1753; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17883.000154/200791 Recurso nº 17.883.000154200791 Voluntário Acórdão nº 2803003.808 – 3ª Turma Especial Sessão de 05 de novembro de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente UNIMED DE VOLTA REDONDA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo é fato gerador de contribuição previdenciária. 2. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é necessária previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 54 /2 00 7- 91 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 17883.000154/200791 Acórdão n.º 2803003.808 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 17883.000154/200791 Acórdão n.º 2803003.808 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei nº 8.212, de 1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II e parágrafos 13 a 17 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 14 de novembro de 2007 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA – OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO. Constitui infração deixar a empresa de lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais, a teor do artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Que deve ser declarada a nulidade do acórdão nº. 1217.054 proferido pela 14° Turma da "DRJ/RJ", com a consequente remessa dos autos àquele órgão para que seja proferida nova decisão, em razão de não ter o mesmo sequer enfrentado a questão suscitada pela RECORRENTE no tocante à relação de prejudicialidade, entre o julgamento do Auto de Infração n° 37.098.7390 e àquele referente à NFLD n° 37.098.7349, em flagrante ofensa ao principio da motivação das decisões; Determinar o sobrestamento do presente feito até que seja proferido posicionamento definitivo acerca da NFLD n° 37.098.7349, ante a prejudicialidade existente entre este Auto de Infração e aquela NFLD; Determinar o cancelamento da presente autuação, em razão de a mesma exigir o lançamento de valores que não possuem natureza salarial e, portanto, não estaria sujeitos a incidência de contribuições previdenciárias. Não apresentadas as contrarrazões. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 17883.000154/200791 Acórdão n.º 2803003.808 S2TE03 Fl. 5 4 É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 17883.000154/200791 Acórdão n.º 2803003.808 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A autuação ocorreu por ter o contribuinte cometido infração ao art. 32, II, da Lei nº 8.212, de 1991. De acordo com o Relatório Fiscal da Autuação, a empresa não lançou em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, as contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre os valores pagos aos seus empregados, a título de prêmio, valores esses pagos por intermédio da empresa SALLES, ADM & ASSOCIADOS MARKETING DE INCENTIVOS S/A. Em seu recurso, o contribuinte aduz a nulidade do acórdão recorrido, tendo em vista que o julgador a quo sequer enfrentou questão de Prejudicialidade suscitada, situação que caracterizou flagrante ofensa ao princípio da motivação das decisões. Além do pedido de nulidade, o contribuinte requereu o sobrestamento do feito até que seja proferido posicionamento definitivo acerca da NFLD nº 37.098.7349, ante a prejudicialidade entre este Auto de Infração e aquela NFLD. Afirma, ao final, que o AI em discussão deve ser cancelado, em virtude de o lançamento exigir valores que não possuem natureza salarial e, portanto, não estaria sujeitos a incidência de contribuições previdenciárias. Sem razão o contribuinte, tendo em vista que a premiação de incentivo, como é o caso dos autos, não tem respaldo legal que lhe dê amparo. Ou seja, o pagamento desse tipo de verba é considerado saláriodecontribuição nos termos do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. O ponto controvertido, relativo ao mérito, reside na incidência ou não de contribuições sobre os valores pagos aos segurados, por meio da utilização da sociedade empresária SALLES, ADM & ASSOCIADOS MARKETING DE INCENTIVOS S/A. Para o deslinde da questão é imprescindível a análise do campo de incidência das contribuições previdenciárias. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que Fl. 227DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 17883.000154/200791 Acórdão n.º 2803003.808 S2TE03 Fl. 7 6 seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97.) Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar, nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730. O salário pode ser pago em dinheiro, bem como em utilidades, como alimentação, vestuário, habitação, ou outras prestações in natura. Logo, a verba paga no presente caso não se enquadra no conceito de ganhos eventuais, como alega a recorrente. Os pagamentos não podem ser tratados como verdadeira recompensa. Os prêmios, em verdade, foram concedidos em retribuição do trabalho, integrando, portanto, o salário do trabalhador. Por sua vez, há que se destacar que o pagamento deuse para execução do trabalho e não pela execução. O pagamento para o trabalho não acarreta um rendimento para o trabalhador, um ganho ou uma vantagem para o mesmo. São valores despendidos pelo empregador e utilizados pelo trabalhador como imprescindíveis para a realização do trabalho. Não há provas nos autos de que os valores foram pagos para que o trabalho fosse possível. Pelo contrário, há provas de que os segurados receberam os valores, obtendo assim um ganho econômico, uma vantagem financeira, em função de serviços que foram prestados à recorrente. Portanto, foram valores pagos pelo trabalho realizado, sendo uma retribuição pelos mesmos. O critério que a sociedade utilizou para pagar a verba a seus segurados é irrelevante para o deslinde da questão. Os prêmios se caracterizam por atendimento a determinadas condições impostas pelo empregador, possuindo natureza remuneratória, integrando o saláriodecontribuição. Agora, caso a empresa tenha pagado os valores sem observar as condições, tais verbas não deixam de ter natureza remuneratória, passando a ser indenizatória. Como já analisado a empresa não demonstrou que as verbas foram pagas para o trabalho e não pelo trabalho. Além do mais, o nome dado à verba é irrelevante, o que interessa é saber se a mesma remunerou ou não o trabalho realizado. Estou convencido, a partir das provas colacionadas, de que a verba foi paga pelo trabalho. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 17883.000154/200791 Acórdão n.º 2803003.808 S2TE03 Fl. 8 7 No presente caso, não resta dúvida que houve prestação de serviços à sociedade pelos segurados, e os valores pagos pela prestação de serviços estão no campo de incidência tributária, por remunerarem tal serviço. Uma vez que a recorrente remunerou segurados, deveria efetuar o recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a recorrente passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. O fato de os valores serem repassados a uma interposta empresa, no caso a SALLES, ADM & ASSOCIADOS MARKETING DE INCENTIVOS S/A, não desnatura o fato gerador de contribuições previdenciárias em relação à recorrente. O encargo financeiro foi suportado pela recorrente, conforme demonstram as notas fiscais juntadas pela fiscalização; a empresa SALLES, ADM & ASSOCIADOS MARKETING DE INCENTIVOS S/A simplesmente cumpria as determinações da recorrente, que informava os valores que deveriam ser disponibilizados aos segurados, bem como a relação nominal dos mesmos. Os valores percebidos pelos segurados surgiram em função do vínculo com a recorrente e não de vinculação com a SALLES, ADM & ASSOCIADOS MARKETING DE INCENTIVOS S/A. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é necessária previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001456/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2007
Consolidado em 14/12/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO,. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
A empresa é obrigada a I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social.
No presente caso, está demonstrado nos autos que o sujeito passivo não preparava as folhas de pagamento conforme determinado na legislação, motivo da negativa de provimento do recurso.
NORMAS GERAIS. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA.
Não se deve confundir a determinação legal para o cumprimento de obrigação tributária acessória com o fundamento para valoração da multa.
Numero da decisão: 2301-003.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento ao Recurso. Redator: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA Presidente/Redator Designado
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Arruda Coelho Júnior, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Luciana de Souza Espindola Reis e Fabio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2007 Consolidado em 14/12/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO,. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. A empresa é obrigada a I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. No presente caso, está demonstrado nos autos que o sujeito passivo não preparava as folhas de pagamento conforme determinado na legislação, motivo da negativa de provimento do recurso. NORMAS GERAIS. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Não se deve confundir a determinação legal para o cumprimento de obrigação tributária acessória com o fundamento para valoração da multa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15586.001456/2009-77
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5395106
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-003.881
nome_arquivo_s : Decisao_15586001456200977.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 15586001456200977_5395106.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento ao Recurso. Redator: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente/Redator Designado (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Arruda Coelho Júnior, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Luciana de Souza Espindola Reis e Fabio Pallaretti Calcini.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5695024
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252271890432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1921; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001456/200977 Recurso nº . Voluntário Acórdão nº 2301003.881 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente AMERICAN GLOBAL GRANITES S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2007 Consolidado em 14/12/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO,. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. A empresa é obrigada a I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. No presente caso, está demonstrado nos autos que o sujeito passivo não preparava as folhas de pagamento conforme determinado na legislação, motivo da negativa de provimento do recurso. NORMAS GERAIS. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Não se deve confundir a determinação legal para o cumprimento de obrigação tributária acessória com o fundamento para valoração da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento ao Recurso. Redator: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 14 56 /2 00 9- 77 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 2 (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente/Redator Designado (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Arruda Coelho Júnior, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Luciana de Souza Espindola Reis e Fabio Pallaretti Calcini. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001456/200977 Acórdão n.º 2301003.881 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto lavrado por infração ao artigo 32, inciso I da Lei 8.212/1991, c/c artigo 225, inciso I e parágrafo 9°do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. A Recorrente deixou de incluir em folhas de pagamento as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (autônomos), identificados pela fiscalização através dos recibos de pagamentos. Segundo a Fiscalização a Multa Aplicada a penalidade foi imposta seguindo o disposto nos artigos 92 e 102 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, e atualizada pela Portaria MPS/MF n° 48, de 12/02/2009, no valor de R$ 1.329,18. Não foras relatadas circunstancias agravantes ou atenuantes. Impugnou com suas razoes, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. Em 22.03.2010 teve notícia da decisão de piso e no dia 22 do mês seguinte do mesmo ano interpôs o presente Recurso Voluntário alegando a tempestividade e que aderiu ao parcelamento moldado pela Lei 11.941/2009, sem contudo, juntar comprovante. É a síntese do necessário. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 4 Voto Vencido Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço, passando à análise requerida, com a final decisão. TEMPESTIVIDADE Sem maiores delongas, como a Recorrente alega tempestividade do seu recurso, mister que seja analisado, de forma simples e objetiva. Assiste razão, eis que o vencimento do trintídio para interposição do recurso seria o dia 21.ABR.2010, se não fosse feriado nacional, como de fato foi, o que compele o adiamento do vencimento do prazo para o primeiro dia útil seguinte, como ocorreu. Com razão a Recorrente. MULTA IMPOSTA PELOS ARTIGO 92 E 102 DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL Diz a Fiscalização que aplicou ao caso em exame a multa do artigo 32, inciso I da Lei 8.212/91, por conta da expressa determinação legal contida nos artigos 92 e 102 do Regulamento da Previdência Social. “In verbis”: “Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento” Ocorre que o teor dos dispositivos de lei acima mencionado, em síntese, revela que haverão de os mesmos serem aplicados, caso não exista dispositivo que defina o ato praticado transgressor legal. A Lei 8.212/01 tem dispositivo que defina o ato praticado pela Recorrente como sendo transgressor legal, mormente o artigo 32. Tanto é verdade que nesta mesma ação fiscal foi aplicada a multa do mencionado artigo, em AI próprio, impondolhe a multa. Desta feita, com a autuação em tela há de se reconhecer a existência do ‘bis in iden’, e não permissível em nosso ordenamento jurídico. Assim, tenho que não procede a multa imposta no presente Auto de Infração, porque há multa que defina o ato como ilegal. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001456/200977 Acórdão n.º 2301003.881 S2C3T1 Fl. 4 5 CONCLUSÃO: Estando regular o presente Recurso Voluntário, acudindo as exigências processuais, dele conheço, para no mérito DAR LHE PROVIMENTO. É o voto. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 6 Voto Vencedor Marcelo Oliveira, conselheiro redator. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de sua conclusão sobre a existência de “bis in idem”. A obrigação acessória, comprovadamente descumprida, pelas provas dos autos, fls. 025 a 032, está determinada na legislação. Lei 8.212/1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Para o nobre relator, os arts. 92 e 102 colidiram com o disposto no art. 32, I. Equivocado o raciocínio. Os arts. 92 e 102 não determinam a conduta do agente, mas sim a gradação da multa. Lei 8.212/1991: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. ... Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Para a infração ao artigo 32 (preparar corretamente folha de pagamento, em síntese) não há penalidade expressamente imposta, sendo aplicada à multa o determinado no art. 92, corrigido o valor pela determinação do art. 102. Assim, não se confunde valor de multa com obrigação tributária acessória. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15586.001456/200977 Acórdão n.º 2301003.881 S2C3T1 Fl. 5 7 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em negar provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001697/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO QUE EXTRAPOLA OS LIMITES DO AUTO DE INFRAÇÃO. MANIFESTAÇÃO SOBRE O CONTEÚDO IMPUTADO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Não há falar em nulidade se a decisão recorrida, ainda que extrapole os limites objetivos da imputação, se manifesta também sobre o conteúdo do auto de infração.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO. CONSTATAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 1.
Nos termos da Súmula CARF nº 1 importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
IRPJ/CSLL. DESPESAS COM ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Não comprovado o fundamento do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, por ocasião de sua formação, impõe-se a sua glosa.
IRPJ. JUROS DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA JUDICIAL. PROVISÃO NÃO DEDUTÍVEL.
Os juros de tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa por medida judicial são indedutíveis para efeito de determinação do lucro real, visto que se referem a situação de solução indefinida, apresentando nítido caráter de provisão.
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SUCESSORES.
É cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Aplicação da Súmula CARF nº 47Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Numero da decisão: 1301-001.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em rejeitar as alegações preliminares. No mérito, acordam, por voto de qualidade, em manter a indedutibilidade do ágio, vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, (Relator), Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às demais matérias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
(assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Redator designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (substituto convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), substituído no colegiado pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (substituto convocado) e na presidência pelo Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO QUE EXTRAPOLA OS LIMITES DO AUTO DE INFRAÇÃO. MANIFESTAÇÃO SOBRE O CONTEÚDO IMPUTADO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade se a decisão recorrida, ainda que extrapole os limites objetivos da imputação, se manifesta também sobre o conteúdo do auto de infração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO. CONSTATAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 1. Nos termos da Súmula CARF nº 1 importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. IRPJ/CSLL. DESPESAS COM ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovado o fundamento do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, por ocasião de sua formação, impõe-se a sua glosa. IRPJ. JUROS DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA JUDICIAL. PROVISÃO NÃO DEDUTÍVEL. Os juros de tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa por medida judicial são indedutíveis para efeito de determinação do lucro real, visto que se referem a situação de solução indefinida, apresentando nítido caráter de provisão. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SUCESSORES. É cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Aplicação da Súmula CARF nº 47Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16327.001697/2010-73
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5387369
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1301-001.474
nome_arquivo_s : Decisao_16327001697201073.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16327001697201073_5387369.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em rejeitar as alegações preliminares. No mérito, acordam, por voto de qualidade, em manter a indedutibilidade do ágio, vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, (Relator), Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às demais matérias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. (assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR - Relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (substituto convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), substituído no colegiado pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (substituto convocado) e na presidência pelo Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
id : 5654404
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252287619072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 49; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2410; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.748 1 1.747 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001697/201073 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.474 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de abril de 2014 Matéria Amortização de ágio. Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO QUE EXTRAPOLA OS LIMITES DO AUTO DE INFRAÇÃO. MANIFESTAÇÃO SOBRE O CONTEÚDO IMPUTADO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade se a decisão recorrida, ainda que extrapole os limites objetivos da imputação, se manifesta também sobre o conteúdo do auto de infração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO. CONSTATAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 1. Nos termos da Súmula CARF nº 1 importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. IRPJ/CSLL. DESPESAS COM ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovado o fundamento do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, por ocasião de sua formação, impõese a sua glosa. IRPJ. JUROS DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA JUDICIAL. PROVISÃO NÃO DEDUTÍVEL. Os juros de tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa por medida judicial são indedutíveis para efeito de determinação do lucro real, visto que se referem a situação de solução indefinida, apresentando nítido caráter de provisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 97 /2 01 0- 73 Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.749 2 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SUCESSORES. É cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Aplicação da Súmula CARF nº 47Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em rejeitar as alegações preliminares. No mérito, acordam, por voto de qualidade, em manter a indedutibilidade do ágio, vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, (Relator), Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às demais matérias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. (assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (substituto convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), substituído no colegiado pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (substituto convocado) e na presidência pelo Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.750 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 10ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. De acordo com o conteúdo disposto no Termo de Verificação Fiscal (fls. 441 – 489), em fiscalização empreendida no Banco ABN AMRO Real S/A (Banco ABN AMRO), CNPJ 33.066.408/000115, constataramse as infrações que ensejaram a lavratura dos atos de infração aqui discutidos. Com efeito, as infrações descritas no precitado TVF foram apuradas no Banco ABN AMRO, incorporado em 30/04/2009 pelo Banco Santander (Brasil) S/A, CNPJ 90.400.888/000142 (atas de assembleias gerais extraordinárias AGE às fls. 17 18), razão pela qual os autos de infração foram lavrados em nome do incorporador e sucessor: Banco Santander (Brasil) S/A. Resumidamente as infrações apuradas podem ser assim sintetizadas: i) IRPJ/CSLL Exclusão indevida de amortização de ágio gerado internamente; ii) IRPJ/CSLL Insuficiência de adição da provisão de encargos moratórios de tributos com exigibilidade suspensa; iii) CSLL Falta de adição da provisão de tributos com exigibilidade suspensa; iv) CSLL Falta de adição de provisão de ISS s/ aval e fiança; v) CSLL Falta de recolhimento da CSLL decorrente de alteração de alíquota e vi) IRPJ/CSLL BRIPAR Falta de adição da provisão de tributos com exigibilidade suspensa na base de cálculo da CSLL e da provisão dos encargos moratórios no lucro real e na base de cálculo da CSLL. Tratandose especificadamente de cada infração apurada, relatou a Fiscalização que em 2006, o ABN AMRO BANK N.V., CNPJ 05.489.634/000173, com sede na Holanda, efetuou duas capitalizações na empresa BRIPAR DOIS PARTICIPAÇÕES S/A (BRIPAR), CNPJ 02.665.984/000155, mediante conferência de ações de emissão do Banco ABN AMRO, acima do valor patrimonial dessas ações, registrando a diferença como ágio. As capitalizações da BRIPAR foram aprovadas conforme assembléias gerais extraordinárias a seguir: a) AGE de 28/06/2006 (fls.324327): aumento de capital de R$ 1.192.790.021,00, representado pela emissão de 112.983.504 ações, mediante conferência de 141.277.778 ações de emissão do Banco ABN AMRO cujo valor patrimonial era de R$ 4,9958838/ação, resultando em um investimento de R$ 705.807.361,87. Conforme deliberado no item 3 da ata da AGE, foi adotado como referência, para definição do valor capitalizado, o valor em euros pago pelo ABN AMRO BANK N.V. quando da aquisição das referidas ações. A diferença de R$ 486.982.659,13 foi considerada ágio na conferência dessas ações, sendo esse ágio amortizado mensalmente à razão de 1/60 (R$ 8.116.377,65). b) AGE de 28/09/2006 (fls.319322): aumento de capital de R$ 650.033.801,00, representado pela emissão de 61.924,784 ações, com a conferência de 70.638.890 ações de emissão do Banco ABN AMRO cujo valor patrimonial era de R$ 5,0255094/ação, resultando em um investimento de R$ 354.996.406,88. Conforme deliberado Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.751 4 no item 3 da ata da AGE, foi adotado como referência, para definição do valor capitalizado, o valor em euros pago pelo ABN AMRO BANK N.V. quando da aquisição das referidas ações. A diferença de R$ 295.037.394,12 foi considerada ágio na conferência dessas ações, sendo esse ágio amortizado mensalmente à razão de 1/60 (R$ 4.917.289,90). O ágio total contabilizado nessas duas conferências foi de R$ 782.020.053,25, resultando em uma amortização mensal de R$ 13.033.667,55. Em 16/02/2007 foi aprovado outro aumento de capital na BRIPAR no valor de R$ 255.600.000,00 passando de R$ 1.934.719.189.00 para R$ 2.190.319.189,00, com a emissão de 23.494.375 ações, subscritas e integralizadas pelo ABN AMRO BANK N.V. (fls.242243). Após as três capitalizações, o capital social da BRIPAR passou de R$ 91.895.367,00 para R$ 2.190.319.189.00 e as ações passaram de 91.895.367 para 290.298.030 ações. Ainda de acordo com a Fiscalização, em 31/12/2005, a BRIPAR detinha 193.931.126 ações (10,596698%) de emissão do Banco ABN AMRO. Com as duas capitalizações em 2006, mediante conferência de ações do mesmo banco, a BRIPAR passou a deter 405.847.794 ações. Em 2006, a BRIPAR adquiriu ações de emissão do Banco ABN AMRO de acionistas minoritários, possuindo 405.855.591 ações (21,978947%) em 31/12/2006 (fls. 405). Em 2007 a BRIPAR efetuou novas aquisições, com isso detendo um total de 419.745.569 ações (22,52%) em 31/08/2007 (incorporação da BRIPAR pelo Banco ABN AMRO). Registouse também, que o ágio foi contabilizado na BRIPAR na conta de investimento, participações em coligadas (conta 21210051) e sua amortização (conta 81620007) se iniciou no próprio mês de constituição, sendo que a BRIPAR iniciou suas atividades em 05/08/98, tendo como atividade principal a "Gestão de Participações Societárias" e ao final de 2006 sua atividade foi alterada para "Holdings de Instituições Financeiras", e os resultados contabilizados provêm da participação societária no Banco ABN AMRO; da receita de juros sobre capital próprio, e da receita de aplicações financeiras. Mencionou a Fiscalização que desde sua constituição, a BRIPAR sempre teve o domicílio fiscal no mesmo endereço das outras empresas do grupo ABM AMRO, sendo este instituição financeira holandesa, que detinha à época de todo o processo, o controle direto e indireto do Banco ABN AMRO, da BRIPAR, do ABN AMRO Brasil Participações Financeiras S/A e do ABN AMRO Brasil Dois Participações S/A. Tratandose especificamente da incorporação reversa da BRIPAR pelo Banco ABN AMRO em 31/08/2007, a Fiscalização atestou que as AGE de 31/08/2007 aprovaram a incorporação da ABN AMRO Brasil Participações Financeiras S/A e da BRIPAR pelo Banco ABN AMRO (incorporação reversa), conforme Instrumento Particular de Protocolo e Justificação de 21/08/2007 (fls. 249267). A incorporação foi aprovada com base nos balanços patrimoniais das sociedades levantados em 30/06/2007 e no caso do acervo líquido da BRIPAR, de R$ 3.079.545.325,78, foi descontada a participação da BRIPAR no Banco ABN AMRO, no valor de R$ 2.268.920.566,67, e efetuada a provisão de ágio no valor Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.752 5 de R$ 800.017.267,82 (a diferença para R$ 782.020.053.25 referese ao ágio pago pela BRI PAR aos acionistas minoritários não dependentes), conforme IN CVM n° 319/99 e 349/2001. Diante deste expediente, o valor do acervo líquido da BRIPAR vertido ao Banco ABN AMRO, após os descontos e provisões, foi de apenas R$ 10.607.491,29. Acerca da incorporação da BRIPAR e da ABN AMRO Brasil Participações Financeiras S/A pelo Banco ABN AMRO, em 31/08/2007, registrou a Fiscalização que no item 6.5 "Principais eventos societários ocorridos no emissor, controladas ou coligadas'", do Formulário de Referência 2010, do Banco Santander Brasil S/A, disponível em www.ri.santander.com.br, consta: (...) E do ponto de vista tributário, a incorporação permitiu o aproveitamento fiscal do ágio existente no investimento da Bri Par Dois Participações S/A no incorporador e a tributação do deságio existente no investimento da ABN AMRO Brasil Participações Financeiras S/A também no incorporador. (...) Em decorrência da incorporação (...) as 419.745.569 ações detidas por BriPar Dois Participações S/A no capital social do incorporador foram transferidas ao ABN AMRO Bank N. V. A incorporação resultou em um aumento do capital social do Banco Real (...) mediante a emissão de 48.902.142 novas ações ordinárias, escriturais, sem valor nominal, integralmente atribuídas aos acionistas das sociedades incorporadas, ABN AMRO Bank N.V. e Tebema B.V. (...) Seguiu a Fiscalização aduzindo que no processo de incorporação, a transferência das ações de emissão do Banco ABN AMRO (detidas pela incorporada) ao controlador do grupo (ABN AMRO BANK N.V.) foi registrada nos itens 4.1. e 4.2 da ata da AGE da BRTPAR de 31/08/2007 que aprovou a incorporação pelo Banco ABN AMRO (fls. 249 252) transcritos a seguir: 4.1. REGISTRADO que, segundo consta dos referidos Laudos de Avaliação a Mercado, uma ação ordinária de emissão da Bri Par Dois. após a eliminação do valor referente à participação de BriPar Dois no Banco ABN, participação essa que será transferida diretamente ao acionista ABN AMRO BANK N. V. conforme mencionado no item "4.2,". (...) ABN AMRO BANK N.V. receberá S63.853 (...) ações ordinárias, escriturais, sem valor nominal, do capital social do Banco ABN, em substituição às ações atualmente por ele detidas no capital social de BriPar Dois.(...) 4.2. CONSIGNADO em Ata que as 419.745.569 (...) ações detidas por BriPar Dois no capital social do Banco ABN, na database de 30 de junho de 2007, serão, com a incorporação da BriPar Dois pelo Banco ABN, transferidas ao ABN AMRO BANK N. V.:(...) Mencionouse assim, que as ações de emissão do Banco ABN AMRO utilizadas pelo ABN AMRO BANK N.V. nas duas subscrições de capital na BRIPAR em 2006, mediante ágio gerado internamente, '"retornaram" ao próprio subscritor no processo de incorporação, em 08/2007 e que na realidade, houve apenas transferências internas, tendo em Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.753 6 vista que o ABN AMRO BANK N.V. sempre manteve o controle, direto ou indireto, de todas as empresas do grupo ABN AMRO e com a incorporação reversa, o ágio gerado na BRIPAR foi contabilizado no incorporador Banco ABN AMRO, sendo também constituída uma provisão de 100% do ágio. Assentouse ainda que a amortização do ágio e da respectiva provisão não afetou o resultado contábil e societário, pois a amortização de uma conta compensava a da outra. Na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o Banco ABN AMRO adicionou a amortização do ágio e excluiu a amortização da provisão, não afetando o resultado tributável. Entretanto, conforme o Lalur e o demonstrativo de apuração da base de cálculo da CSLL, o Banco ABN AMRO efetuou outra exclusão no mesmo montante do ágio amortizado, aproveitandose de suposta dedutibilidade sendo este procedimento objetivo da reorganização societária que visava ao benefício da amortização de ágio em 60 parcelas mensais de que tratam os artigos 385, § 2º, II e 386, III do Decreto n° 3.000/99 (artigos 7° e 8º da Lei n° 9.532/97 e art.10 da Lei n° 9.718/98), concluindose, porém, que a dedutibilidade prevista na legislação fiscal citada condicionase a ágio pago na aquisição de ações em função da expectativa da rentabilidade da coligada/controlada, com base em previsão dos resultados de exercícios futuros. Para a Fiscalização, no entanto, no caso presente, conforme as atas das AGE que aprovaram o aumento de capital da BRIPAR (fls.326 e 331), para a definição do valor das ações de emissão do Banco ABN AMRO utilizadas na subscrição de capital, adotouse como referência o valor pago em euros pelo ABN AMRO N.V. quando da aquisição dessas ações em processos anteriores, o que não se confunde com o processo realizado entre as empresas do grupo ABN AMRO: subscrição de capital da BRIPAR mediante conferência de ações de emissão do Banco ABN AMRO com ágio pelo ABN AMRO BANK N.V., e posterior incorporação da BRIPAR pelo Banco ABN AMRO com o retorno das ações ao próprio subscritor, sublinhando que não houve pagamentos nem recebimentos, pois eram operações de reorganização societária, cujo ágio, gerado internamente, não tem nenhuma fundamentação econômica ou contábil. O ágio, determinado discricionariamente pelo ABN AMRO N.V., foi fixado, segundo a Fiscalização, pela diferença entre o valor das ações de processos anteriores e o seu valor patrimonial, quando da subscrição de capital na BRIPAR. Portanto, verificase que inicialmente o ágio contabilizado não foi determinado por uma avaliação econômica e financeira do Banco ABN AMRO, nem em função de expectativa de rentabilidade da controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, sendo que a fundamentação do ágio baseado em laudo de avaliação não seria suficiente para caracterizar, nos termos da legislação fiscal citada, a dedutibilidade da amortização do ágio contabilizado, pois esse ágio é uma ficção contábil, eis que se trata de operações entre empresas do mesmo grupo econômico, e ninguém paga ágio para si mesmo. Arrazoou a Fiscalização diante destes fatos, que o surgimento do ágio, assim como o lucro, pressupõe uma transação onerosa com terceiros. No caso em exame, o ágio gerado contabilmente não comporta tal qualificação por não ter substância econômica e as ações de emissão do Banco ABN AMRO, detidas inicialmente pelo ABN AMRO BANK N.V., foram utilizadas nas duas subscrições de capital na BRIPAR em 2006, com a contabilização de ágio, cujos valores, conforme AGE que aprovaram as subscrições, ficaram limitados ao valor de processos anteriores de aquisição daquelas ações pelo ABN AMRO BANK N.V. Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.754 7 De acordo com o TVF, os processos anteriores foram utilizados apenas como parâmetro e não se confundem com as operações de subscrição de capital na BRIPAR, entre empresas do mesmo grupo econômico, relatadas aqui. As diferenças entre os valores de processos anteriores e os valores patrimoniais das ações, quando das subscrições de capital na BRIPAR, foram consideradas ágio e, posteriormente, o Banco ABN AMRO incorporou a BRIPAR, momento em que as ações de emissão do Banco ABN AMRO, detidas pela BRI PAR, retornaram ao próprio ABN AMRO BANK N.V. Registrouse que todas essas empresas pertencem a um mesmo grupo econômico, sendo partes relacionadas e dependentes cujo controlador, direta ou indiretamente, era o próprio ABN AMRO BANK N.V. Em suma, as ações de emissão do Banco ABN AMRO, objeto das operações, nunca saíram do controle do ABN AMRO BANK N.V. Não houve efetiva entrada e saída de ativos no patrimônio consolidado do grupo; não houve pagamentos e nem recebimentos, tampouco redução ou aumento do patrimônio; não houve envolvimento de terceiras pessoas independentes. Concluiuse, portanto, tratarse de ágio gerado internamente, sem nenhuma substância econômica, cuja amortização vem produzindo, indevidamente, efeitos fiscais no Banco ABN AMRO, após a incorporação da BRIPAR e que a contabilização do ágio é cabível apenas quando ocorrer efetiva operação de aquisição entre terceiros. Transcreveu o entendimento da CVM exposto no Ofício Circular CVM/SNC/SEP n° 01, de 14/02/2007, item 20.1.7 "Ágio gerado em operações internas" e ressaltou que na elaboração desse ofício a CVM teve a colaboração de sua Comissão Consultiva de Normas Contábeis, apoiada por entidades da classe contábil, sendo contrária ao registro contábil de ágio gerado internamente, porque as transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, mencionando que em operações de incorporação reversa de empresas de mesmo grupo econômico com ágio gerado internamente (ágio de si mesmo), quando consolidadas as demonstrações financeiras desse grupo, antes e depois da contabilização do ágio gerado internamente, elas permanecem idênticas, não havendo geração de riqueza com essa operação. O ágio gerado internamente não tem substância econômica e, portanto, as operações que, mesmo com algum outro objetivo que não tributário, expresso nos atos formais, resultarem na criação de ágio interno, como o caso em exame, não são oponíveis ao Fisco por se tratar de ficção contábil, eis que não se paga ágio para si mesmo, concluindo assim que o ágio gerado internamente não se enquadra nos artigos 385 e 386. inciso III, § 6º , do Decreto n° 3.000/99 (artigos 7o e 8o da Lei n° 9.532/97), sendo incabível a dedutibilidade da amortização do referido ágio na incorporadora Banco ABN AMRO. Após estas constatações, assentou a Fiscalização que as infrações ocorreram no Banco ABN AMRO a partir de 09/2007 até 04/2009, sendo objeto de recomposição do lucro real e da base de cálculo da CSLL para o lançamento do IRPJ e da CSLL (fls. 487). Na sequência abordouse as constatações relativas à “Provisão com encargos moratórios de tributos com exigibilidade suspensa e de outras provisões”, atestandose que a contribuinte não adicionou na determinação do lucro real os encargos moratórios contabilizados e que acompanham o principal, referente a tributos e contribuições com exigibilidade suspensa e outras provisões. Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.755 8 Segunda reputou a Fiscalização, os lançamentos contábeis de tributos com exigibilidade suspensa caracterizamse como provisões, pois são lançamentos cautelares que não refletem obrigações fiscais constituídas, sujeitas a decisões futuras e incertas. Nesta medida, as provisões são expectativas de obrigações ou de perdas de ativos resultantes da aplicação do princípio contábil da prudência. São efetuadas com o objetivo de apropriar no resultado de um período de apuração, segundo o regime de competência, custos ou despesas que provavelmente ocorrerão no futuro e os tributos com exigibilidade suspensa, e os encargos moratórios, não podem ser considerados despesas incorridas, pois a própria contribuinte reconhece que sua cobrança é ilegal. Para a Fiscalização, despesa incorrida é a que independe de evento futuro, sendo líquida e certa, enquanto que a provisão pode resultar em despesa incorrida ou não, dependendo de decisão futura. Nesta medida, considerouse que os encargos moratórios dos tributos com exigibilidade suspensa se caracterizam como provisões não dedutíveis, conforme dispõe o artigo 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95. O detalhamento dos valores glosados consta às fls. 487. Em continuidade às constatações fiscais, cuidou a Fiscalização de se manifestar acerca da “Provisão com tributos com exigibilidade suspensa”, mencionando nesse quesito que a contribuinte não adicionou os tributos com exigibilidade suspensa à base de cálculo da CSLL. Todavia, os lançamentos dos tributos com exigibilidade suspensa têm o nítido caráter de provisão, devendo ser adicionados à base de cálculo da CSLL. Segundo aduziu, na determinação da base de cálculo da CSLL, devem ser adicionadas as provisões de tributos com exigibilidade suspensa conforme artigo 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95 e as provisões dos respectivos encargos moratórios dos tributos suspensos, acessórios, foram tratadas em item anterior. Relembrou que sobre o assunto, as Soluções de Consulta contidas na Decisão Disit/8ªRF n° 186 e 187, de 11/08/2000, determinam a adição dos tributos com exigibilidade suspensa na base de cálculo da CSLL, por se tratar de provisões. O detalhamento dos valores consta às fls. 487. No mais, constatouse que a conta de PROV. PARA RISCOS FISCAIS ISS AVAL E FIANÇA (conta de passivo Cosif/intema passivo 49450903 764552/82042 e conta de resultado Cosif/interna conta 81925001 0082245 DESP. ISS CONTING PRINCIPAL), não foi adicionada na determinação da base de cálculo da CSLL de 2008 e de 04/2009, sendo ajustada apenas no lucro real. Essa provisão foi constituída em 2008 e se manteve em 2009. Portanto, a Fiscalização procedeu aos ajustes nos valores de R$ 15.461.240,38 em 2008 e de R$ 1.040.202,54 em 30/04/2009, conforme dispõe o artigo 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95. O detalhamento dos valores consta do demonstrativo de fls. 487. Apurouse ainda, insuficiência de pagamento da CSLL de 2008, decorrente de alteração de alíquota, porquanto para as instituições financeiras, a base de cálculo da CSLL no anocalendário 2008 era de 9% até abril e de 15% a partir de maio, conforme o art.17 da Medida Provisória (MP) n° 413/2008, convertida n° 11.727/2008, sem alterações de alíquota e vigência. No caso do Banco ABN AMRO, houve cisão parcial em fevereiro, de modo que o período anual compreende março a dezembro. O Banco ABN AMRO apresentou Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.756 9 planilha de apuração da proporcionalidade da base de cálculo da CSLL de 2008 (fls. 154), para aplicação das alíquotas diferenciadas, na qual se constatou que a base de cálculo do período de março a abril foi apurada com base em balanço ou balancete e que o procedimento adotado pelo Banco ABN AMRO não possui respaldo na legislação tributária, pois em caso de ajuste anual (pagamento por estimativa), a empresa deve utilizar a proporcionalidade da receita bruta de cada período em relação à receita bruta total. Ainda segundo a Fiscalização, a Instrução Normativa (IN) SRF n° 810, de 21/01/2008, estabeleceu os critérios de apuração da proporcionalidade da base de cálculo da CSLL das pessoas jurídicas elencadas no § 1º do artigo 1º da Lei Complementar (LC) n° 105/2001 (instituições financeiras), para fins de aplicação das alíquotas diferenciadas com base na receita bruta de cada período em relação à receita bruta total. Relembrou a legislação que alterou as alíquotas e assentou a Instrução Normativa (IN) SRF n° 810, de 21/01/2008, estabeleceu os critérios de apuração da proporcionalidade da base de cálculo da CSLL das pessoas jurídicas elencadas no § I o do art. 1º da Lei Complementar (LC) n° 105/2001 (instituições financeiras), para fins de aplicação das alíquotas diferenciadas com base na receita bruta de cada período em relação à receita bruta total, mencionando que o art.3°, parágrafo único, da IN 810/2008 dispõe que, nos balanços encerrados a partir de 01/05/2008, será adotada a proporcionalidade entre o total das receitas brutas dos meses de maio até o último mês abrangido pelo período de apuração e o total das receitas brutas computadas no balanço desse período, cujo percentual será aplicado sobre a base de cálculo da CSLL (de todo período) para apuração da base sujeita à incidência do diferencial de alíquota de 6%. Assim, a base de cálculo da CSLL do ajuste anual sujeitase à determinação da proporcionalidade com base na receita bruta de cada período para fins de aplicação das alíquotas diferenciadas. O art.40, por sua vez, trata somente das opções de apuração da estimativa durante o período, ressaltando que a situação é análoga à alteração de alíquota da CSLL ocorrida em 1999, quando o percentual aumentou de 8% para 12%. Na ocasião foi editada a IN SRF n° 81/99, cujo texto é igual ao da IN SRF n° 810/2008. Assim verificado, a Fiscalização apurou as receitas brutas do ano de 2008, considerando dados obtidos no Sisbacen, notando que, no caso do Banco ABN AMRO, o período total compreende os meses de março a dezembro e como a CSLL declarada pela empresa foi de R$ 161.656.368,13, e a CSLL devida apurada pelo Fisco foi de RS 174.966.962,70, houve insuficiência de pagamento de R$ 13.310.594,57 para a CSLL devida no período de março a dezembro de 2008. Em tópico subsequente, a Fiscalização abordou a questão da “Falta de adição da provisão de tributos com exigibilidade suspensa na base de cálculo da CSLL e da provisão dos encargos moratórios no lucro real e na base de cálculo da CSLL”, registrando nesse mister que conforme o Lalur os demonstrativos da base de cálculo da CSLL, as DIPJ e os balancetes contábeis acostados aos autos, constatouse que a BRIPAR (incorporada pelo Banco ABN AMRO) não adicionou na base de cálculo da CSLL a provisão de tributos com exigibilidade suspensa dos anoscalendário de 2005 a 08/2007 (incorporação). Por sua vez, a provisão dos encargos moratórios desses tributos não foi adicionada nem ao lucro real nem à base de cálculo da CSLL e conforme o art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95, a Fiscalização procedeu aos ajustes no lucro real e na base de cálculo da CSLL (demonstrativo de fl. 488). Por fim, quanto às “Medidas judiciais impetradas contra o aumento da alíquota da CSLL de 9% para 15% em 2008”, assentou a Fiscalização que o Banco ABN Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.757 10 AMRO REAL impetrou o Mandado de Segurança (MS) n° 2008.61.00.0143110 pretendendo ver declarada a inexistência de relação jurídica que o obrigasse a pagar a CSLL à alíquota de 15% estabelecida no art. 17 da MP n° 413/2008, destacando que a liminar foi indeferida em 18/06/2008 (fls. 4750) e no Agravo de Instrumento n° 2008.03.00.0229292, o TRF da 3ª Região concedeu em 27/06/2008 a autorização requerida pela empresa para depositar judicialmente os valores discutidos da CSLL, suspendendo a exigibilidade de tais créditos (fls. 5254) e em 11/07/2008 foi prolatada sentença julgando improcedente o pedido da contribuinte, denegando a segurança pleiteada pela impetrante (fls. 6066) e em 29/08/2008, nos autos da Medida Cautelar n° 2008.03.00.0334348, o TRF da 3ª Região concedeu o pleito da contribuinte quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por meio de depósito judicial dos valores discutidos, nos termos do art. 151, inciso II, do CTN, até o julgamento do recurso pela Corte Federal e, portanto, a contribuinte obteve concessão judicial de suspensão da exigibilidade da CSLL apenas em relação aos depósitos judiciais, na forma do art. 151, inciso II, do CTN, não havendo liminar ou decisão judicial que afaste a exigibilidade do crédito tributário lançado por meio de auto de infração decorrente de infrações apuradas pelo Fisco. Tornou a mencionar que o Banco ABN AMRO impetrou o MS n° 2001.61.00.0223742, no qual requereu a concessão de medida liminar para suspender a exigibilidade da CSLL na parcela relacionada aos tributos com exigibilidade suspensa e conforme documentação de folhas 29 a 44 o pedido de medida liminar foi indeferido pela Justiça Federal em 05/09/2001. A sentença de 19/11/2001 julgou improcedente o pedido da contribuinte. A empresa apelou da sentença e também interpôs agravo de instrumento ao TRF da 3ª Região, o qual julgou prejudicado o recurso em 06/02/2002, sendo que em 29/04/2002 a contribuinte requereu a Medida Cautelar n° 2002.03.00.0148320 ao TRF da 3ª Região para obter, em síntese e liminarmente, efeito suspensivo ao recurso interposto contra a sentença, tendo o TRF indeferido o pedido da autora. Em 06/06/2002, foi interposto agravo regimental contra decisão em medida cautelar, concluindose, portanto, que não houve nenhuma liminar ou decisão favorável à impetrante. Em conclusão, reputou que em 01/11/2007, de acordo com o item 6.3 do Formulário de Referência 2010, do Banco Santander (Brasil) S/A. disponível em www.ri.santander.com.br, o RFS Holding B.V., com sede na Holanda (consórcio formado por Santander Espanha, com sede na Espanha, The Royai Bank of Scotland Group plc, com sede no Reino Unido, Fortis SA/NV, com sede na Bélgica, e Fortis N.V., com sede na Holanda), concretizou a aquisição de 96,95% do capital social do ABN AMRO Holding N. F., com sede na Holanda. O ABN AMRO Holding N.V. por sua vez. era o acionista controlador indireto do Banco ABN AMRO e demais sociedades do grupo ABN AMRO. Em 29/08/2008 foi aprovada a incorporação pelo Banco Santander (Brasil) S.A. das ações de emissão do Banco ABN AMRO, que passou a ser uma subsidiária integral. Em 30/04/2009. o Banco ABN AMRO foi incorporado pelo Banco Santander (Brasil) S.A. e extinto como pessoa jurídica independente. Segundo a Fiscalização, portanto, as infrações apuradas são as seguintes: 1 IRPJ/CSLL: exclusão indevida de amortização de ágio gerado internamente; 2 IRPJ/CSLL: insuficiência de adição da provisão de encargos moratórios de tributos com exigibilidade suspensa; 3 CSLL: falta de adição da provisão de tributos com exigibilidade suspensa; Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.758 11 4 CSLL: falta de adição de provisão de ISS, aval e fiança; 5 CSLL: falta de recolhimento da CSLL decorrente de alteração de alíquota em 2008; 6 IRPJ/CSLL BRIPAR: falta de adição da provisão de tributos com exigibilidade suspensa na base de cálculo da CSLL e insuficiência de adição da provisão dos encargos moratórios no lucro real e na base de cálculo da CSLL. Os tributos apurados foram discriminados no demonstrativos de folhas 487 a 488. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 508 – 584), instruída com documentos (fls. 585 – 1.226), alegando em síntese a inexistência de ágio interno, aduzindo que para a correta análise econômica dos fatos questionados, deve ser analisado o conjunto ('"filme"') das operações realizadas pela impugnante, porquanto cada passo das operações possui fundamentação e propósito negocial próprio relacionado à aquisição do controle societário do Banco Sudameris Brasil S/A. Argumentou que o Intesa, grupo econômico distinto (independente) do grupo ABN, era composto pela Banca Intesa SpA (Intesa) e pelo Banco Sudameris Brasil S/A (Banco Sudameris). Por sua vez, o grupo ABN era composto por: ABN AMR O Holding N.V (ABN Holding) ABN AMRO Bank N.V. (ABN Bank) ABN AMRO Brasil Dois Participações S/A (ABN Dois) ABN AMRO Brasil Participações Financeiras S/A (ABN Brasil) BriPar Dois Participações S/A (BR1PAR) Banco ABN AMRO Real S/A (Banco ABN AMRO). Segundo a recorrente em 13/06/2003 a ABN Brasil celebrou Contrato de Compra e Venda de Ações {Stock Purchase Agreeinenl fls. 729 812) com a Intesa para adquirir 94,57% do Banco Sudameris ao preço contratual de R$ 2.292.965.000,00 e que o dito preço foi reduzido para R$ 2.189.665.000,00 em 22/09/2003, conforme Acordo sobre Ajuste de Preço {Trice Settlement Adjustment Agreement fls. 815 821), sendo R$ 526.754.900,00 pagos em dinheiro e R$ 1.662.910.100,00 em ações do Banco ABN AMRO, representativas de 11,58% do capital social do banco (fls. 1.027 – 1.069). Aduziu também que o valor de R$ 1.662.910.100,00 (ágio pago como expectativa de rentabilidade futura) corresponde ao valor de patrimônio líquido das ações do Banco ABN AMRO entregues como parte do pagamento, multiplicadas por 1,82 (coeficiente utilizado como multiplicador do patrimônio líquido contábil do Banco ABN AMRO para o pagamento de parte do preço de aquisição das ações do Banco Sudameris fls. 815 821), sendo que em 24/10/2003, conforme previsão estabelecida no contrato de Compra e Venda de Ações (fls. 729 812, item 3.2) o ABN Holding e a lntesa celebraram Contrato de Opção de Permuta (fls. 883 900, tradução do Swap Option Agreement de fls. 901 910) no qual regulamentouse o exercício, pela lntesa, do direito de permuta de ações do Banco ABN AMRO pelas ações do ABN Holding e de conformidade com os referidos contratos, essa permuta deveria ocorrer nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007. Afirmou, nesta mesma ordem de ideias, que o preço das ações do Banco ABN AMRO para fins de permuta foi estipulado como sendo 1,82 vezes o valor de seu patrimônio líquido contábil e que esse valor seria pago com ações do ABN Holding mensuradas pelo preço de mercado médio ponderado na Bolsa de Valores de Amsterdã Euronext, vigente no fechamento dos últimos 5 dias úteis anteriores ao aviso de exercício da Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.759 12 opção de permuta. Em 27/05/2005 foram realizadas alterações no Contrato de Opção de Permuta para que o ABN Holding pudesse oferecer dinheiro em troca da aquisição das ações do Banco ABN AMRO pertencentes à lntesa, caso esta exercesse a opção de permuta (fls.917 923, tradução às fls. 911 916). Segundo a recorrente, em 06/06/2005 a lntesa exerceu sua primeira opção de permuta para um terço das ações que detinha no Banco ABN AMRO, 70.638.889 ações, recebendo em troca ações do ABN Holding (correspondência de 16/06/2005, fls. 926 927, tradução às fls. 924 925), sendo que nessa operação, concluída em 20/06/2005, houve o pagamento de ágio pela aquisição das ações do Banco ABN AMRO, pois o preço de troca, EUR 202.037.953,50, era 1,82 vezes maior que seu valor patrimonial. Em 20/06/2005, o ABN Holding vendeu as ações do Banco ABN AMRO para o ABN Bank, por EUR202.037.953.50 (instrumento de Venda e Transferência Deed of Sale and Transfer às fls. 933 937, tradução às íls.928932), mesmo valor da permuta feita com a lntesa. Mencionou que a lntesa exerceu, em 19/06/2006, a segunda opção de permuta, porém, o ABN Holding optou por pagar em dinheiro o 2º terço das ações do Banco ABN AMRO detidas pela lntesa (70.638.889 ações), pagando EUR223.964.568,51. correspondente ao ágio proporcional a 1,82 vezes o valor patrimonial (correspondência de fls.945946). Na mesma data o ABN Holding vendeu as ações do Banco ABN AMRO adquiridas para o ABN Bank, pelo mesmo valor pago em dinheiro à Intesa (EUR223.964.568,31, Deed of Sale and Transfer fls. 949 953). Em 28/06/2006 a BRIPAR aumentou seu capital social em R$ 1.192.790.021.00, passando para R$ 1.284.685.388,00, com a emissão de 112.983.504 novas ações, sendo que essas novas ações foram todas subscritas e integralizadas pelo ABN Bank mediante conferência de 141.277.778 ações de sua propriedade, de emissão do Banco ABN AMRO (7,72% do capital social do Banco fls. 954 956). Para a definição do valor integralizado ao capital social da BRIPAR adotouse como referência o valor pago em euros pelo ABN Holding na aquisição das referidas ações da lntesa (EUR 202.037.953,50 e EUR 223.964.568,51). Neste momento, segundo a recorrente, ocorreu a aquisição de ações do Banco ABN AMRO pela BRIPAR, com ágio baseado em laudo de expectativa de rentabilidade futura, limitado ao valor objeto de negociação entre partes independentes, conforme Contrato de Compra e Venda, seguido de Contrato de Opção de Permuta, entre os grupos ABN e lntesa (fls. 729 812 e 883 900). Argumentou que em 18/06/2006, a ABN Dois reduziu seu capital social em R$ 759.358.858,00, passando para R$ 865.376.245.00, correspondente à participação detida na BRIPAR, a qual foi entregue ao ABN Bank (fls. 1.008 – 1.010). O objetivo dessa etapa foi permitir a consolidação da participação estrangeira indireta no capital do Banco ABN AMRO na sociedade BRIPAR e na ABN Brasil, sendo certo que o ABN Holding exerceu, em 20/09/2006 a opção de compra prevista no contrato de compra e venda celebrado em 13/06/2003, pagando em dinheiro o valor correspondente à compra das 70.638.890 ações restantes do Banco ABN AMRO que ainda estavam sob titularidade da lntesa, pagando o ágio proporcional a 1,82 vezes o valor patrimonial (EUR232.975.334,96, fls. 1.011 – 1.013) e na mesma data, o ABN Holding vendeu essas ações do Banco ABN AMRO para o ABN Bank pelo mesmo valor pago à lntesa (fls. 1.016 – 1.020). Mencionou ainda que em 28/09/2006, a BRIPAR aumentou seu capital social em R$ 650.033.801,00, passando para R$ 1.934.719.189,00, com a emissão de Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.760 13 61.924.784 ações, que foram todas subscritas e integralizadas pelo ABN Bank, mediante a conferência de 70.638.890 ações de emissão do Banco ABN AMRO (fls. 1.023 – 1.025). Para a definição do valor integralizado ao capital social da BRIPAR adotouse como referência o valor pago em euros pelo ABN Holding na aquisição das referidas ações da lntesa (EUR232.975.334,96), e de acordo com a recorrente, neste momento ocorreu a aquisição de ações do Banco ABN AMRO pela BRIPAR, com ágio baseado em laudo de expectativa de rentabilidade futura, limitado ao valor objeto de negociação entre partes independentes, conforme Contrato de Compra e Venda, seguido de Contrato de Opção de Permuta, entre os grupos ABN e lntesa (fls. 729 812 e 883 900). Ainda relembrando os fatos, aduziu que em 28/12/2006 foi celebrado Instrumento Particular de Transação com acionistas minoritários do Banco Sudameris, cumulado com Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de Ações, nos quais ficou acordada a incorporação de ações do Banco Sudameris pelo Banco ABN AMRO, e que a BRIPAR compraria a totalidade das ações do Banco ABN AMRO atribuídas aos acionistas minoritários (fls. 1.076 – 1.096 e 1.097 – 1.118). Tal aquisição de ações com ágio pela BRIPAR, segundo a contribuinte, não foi questionada pela fiscalização, e torna evidente que a BRIPAR representava papel importante na estrutura societária do grupo ABN, sendo a entidade que possibilitou a consolidação societária das empresas após a aquisição do Banco Sudameris. Em 31/08/2007 foi aprovada a incorporação da ABN Brasil e da BRIPAR pelo Banco ABN AMRO, passando a amortizar o ágio gerado na aquisição de suas ações (fls. 1.182 – 1.193). Na mesma data, o Banco Sudameris foi incorporado pelo Banco ABN AMRO (fls. 1.155 – 1.167), consolidando assim os investimentos em uma única instituição financeira (Banco ABN AMRO), racionalizando a estrutura societária do grupo ABN no Brasil e viabilizando a sinergia e eficiências administrativas e operacionais nos negócios do grupo. Concluiu a recorrente afirmando que a análise dos fatos ocorridos demonstra que houve uma "compra e venda" tendo por objeto o Banco Sudameris, e na qual eram partes independentes os grupos ABN e Intesa e, portanto, o valor pago nessa transação foi negociado em mercado, fundamentado em laudos de expectativa de rentabilidade futura elaborados por empresa especializada independente e no processo de consolidação do grupo ABN, após a aquisição do Banco Sudameris, esse "custo de aquisição" foi aportado em subscrição e integralização de capital feita pelo ABN Bank na BRIPAR. O valor atribuído às ações do Banco ABN AMRO detidas pelo ABN Bank na integralização de capital correspondia ao valor originado no Contrato de Compra e Venda (integralização pelo custo de aquisição). Tal informação foi apresentada à Fiscalização, permitindo compreender que o ágio gerado originouse em uma negociação de mercado entre partes independentes. Apesar disso, a fiscalização preferiu analisar uma "fotografia” isolada e afirmar que se tratava de ágio interno (TVF, fls.450). Ressaltou o nominado equívoco da Fiscalização ao analisar apenas um passo (integralização de ações da BRIPAR com conferência das ações do Banco ABN AMRO), sem analisar o conjunto de operações e a negociação entre as partes independentes IntesaItália e ABNHolanda, por entender que tais operações não se confundem (TVF fls. 455), justificando que toda operação deve ser analisada em conjunto com as demais operações relacionadas. No caso, as operações societárias que culminaram com o aproveitamento do ágio pela recorrente visavam à simplificação da estrutura societária do grupo ABN após a aquisição do Banco Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.761 14 Sudameris, bem como viabilizar sinergias e eficiências relacionadas à aquisição de instituição financeira do grupo Intesa, sendo o ágio resultado econômico obtido em processo de compra e venda entre partes independentes. Ressaltou, destarte, que no caso presente, a Fiscalização não analisou o processo de compra e venda das ações do Banco Sudameris, que culminou com a conferência de ações do Banco ABN AMRO com ágio na BRIPAR, limitandose a analisar apenas essa última etapa isoladamente, não restando qualquer argumento para se qualificar a operação como planejamento tributário inválido, pois a Fiscalização reconhece que o único elemento questionável nessa operação seria o “ágio interno”, inexistindo outras operações preocupantes, como sociedades veículo e o elemento tempo (TVF, fls. 464). Defendeu assim, que não houve ágio interno no presente caso, pois o valor utilizado pelo ABN Bank para conferência das ações do Banco ABN AMRO na integralização de ações da BRIPAR foi definido no processo de compra e venda de ações do Banco Sudameris (valor de mercado definido entre partes independentes), motivo pelo qual devem ser cancelados os autos de infração em comento. Em argumento alternativo, passou a recorrente a discorrer acerca da valide do aproveitamento do denominado “ágio interno”, porquanto respaldado pela legislação tributária e societária. Prosseguiu de acordo com as imputações feitas pela Fiscalização, reputando inexistir previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização porquanto a referida adição não consta do art. 2°, e §§, da Lei n° 7.689/88, que fixa os ajustes aplicáveis à base de cálculo da CSLL, sendo que eventual despesa que tenha integrado o lucro líquido somente será considerada indedutível da base de cálculo da CSLL caso haja previsão legal para tanto, o que não ocorre neste caso. Assim, o lançamento de CSLL não possui fundamento legal, afrontando o princípio da legalidade, motivo pelo qual deve ser cancelado. Na sequência passou a arrazoar acerca da “dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa e de seus respectivos encargos moratórios”, relembrando que a fiscalização entendeu que as despesas de tributos com exigibilidade suspensa, e respectivos juros, teriam natureza de provisões, implicando a adição desses valores à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, defendendo a contribuinte que tais valores, no entanto, têm a natureza de despesas efetivas, devendo ser cancelada a autuação combatida. Mencionou que não questiona o fato de que as provisões são indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Contudo, as deduções em tela constituem despesas reconhecidas no resultado em razão da constituição de um passivo efetivo, decorrente de uma obrigação legal com prazo certo e valor determinado, gerada pelo dever de recolher tributos e seus acréscimos moratórios e que por ser uma instituição financeira, deve observar as definições dadas pelo BC e CVM para a interpretação da natureza dos lançamentos contábeis, sendo que nesse sentido o Parecer Normativo CST n° 78/78, que expressou o entendimento da REB sobre a necessidade das pessoas jurídicas observarem as normas e manifestações do BC e da CVM e a Deliberação CVM n° 489/2005 aprovou o Pronunciamento do Ibracon NPC n° 22 sobre provisões, passivos e contingências, podendose entender que: a) a provisão é um passivo de prazo ou valor incerto; b) passivo é uma obrigação presente de uma entidade, decorrente de eventos já ocorridos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos; c) obrigação legal é aquela derivada de um contrato, de lei ou de outro instrumento fundamentado em lei; d) Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.762 15 contingência passiva é uma possível obrigação presente cuja existência será confirmada somente pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros, que não estejam totalmente sob o controle da entidade. Aduziu que o Item 8 do Pronunciamento evidencia que "provisões" não são "contingências passivas" e estas, por sua vez se diferenciam dos passivos, pois são apenas "passivos não reconhecidos", sendo que a recorrente, no exercício de seu objeto social, está obrigada ao recolhimento de diversos tributos previstos em lei, reconhecendo essa efetiva obrigação legal (de pagamento dos tributos devidos) em suas demonstrações contábeis a partir da ocorrência do fato gerador e que o fato de existir suspensão de exigibilidade não desnatura a obrigação tributária que surgiu com a ocorrência concreta da hipótese normativa prevista na regra matriz de incidência dos tributos em questão, nos termos do art. l13 do CTN. Concluiu assim, que a obrigação tributária surgida com o fato gerador não é provisão, mas sim uma obrigação decorrente de lei vigente, caracterizando um passivo circulante efetivo, ainda que com exigibilidade suspensa. Nesse sentido o entendimento da CVM descrito no item 4 do Anexo II da Deliberação n° 489/2005. Essa despesa foi deduzida do lucro real e da base de cálculo da CSLL conforme a legislação tributária e as normas da CVM. O mesmo se aplica aos juros, visto que decorrem de lei (art. l61 do CTN, art.84 da Lei n° 8.981/95 c art.13 da Lei n° 9.065/95). Em argumento alternativo reputou que inexiste dispositivo legal que determine a adição das despesas de tributos com exigibilidade suspensa, e dos juros, na base de cálculo da CSLL, sendo que o art.41, § 1º, da Lei n° 8.981/95, é expresso em dizer que as regras de dedutibilidade ali contidas aplicam apenas na determinação do lucro real. Por sua vez, a Lei n° 9.249/95, ao dispor sobre os ajustes obrigatórios na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, não menciona a dedutibilidade ou não cios tributos e contribuições, concluindo assim, que que o lançamento de CSLL em tela não possui fundamento legal, afrontando os princípios da legalidade e da tipicidade tributária, devendo ser declarado nulo pela turma julgadora, salientando por outro turno, que não haveria previsão legal para se exigir a adição, às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, dos juros incidentes sobre tributos com exigibilidade suspensa, devendo ser canceladas as exigências daí decorrentes. Relativamente ao tópico respeitante às “adições das despesas com tributos e juros com a exigibilidade suspensa no anobase de 2009”, aduziu a recorrente que na recomposição feita pela fiscalização para os meses de janeiro a abril de 2009, foram adicionados os valores de R$ 50.452.400,00 na base de cálculo do IRPJ, e de R$ 127.665.353,35; R$ 50.452.400,00 e R$ 1.040.202,54 na base de cálculo da CSLL, contudo, tais valores já haviam sido adicionados na DIPJ do anobase 2009 pela recorrente conforme planilha de folha 565, documentos às folhas 1.197 a 1.220 e DIPJ de folhas 1.221 a 1.226, de sorte que, face à cobrança em duplicidade (glosa de despesas que já foram adicionadas na DIPJ), devem ser cancelados os autos de infração. Na sequência passou a questionar a “constitucionalidade da instituição de alíquota mais gravosa, pela MP n° 413/2008 (convertida na Lei n° 11.727/2008), às instituições financeiras”, defendendo que a fiscalização apontou insuficiência de pagamento de CSLL no anocalendário 2008, porém, a majoração da alíquota de CSLL das instituições financeiras pela MP n° 413/2008 ofende o princípio da referibilidade e o Poder Executivo buscou como fundamento para essa distinção de tratamento entre instituições financeiras e empresas em geral o § 9º do art.195 da CF, que só legitima essa diferença se os contribuintes onerados de Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.763 16 forma diversa demandarem benefícios da seguridade social distintos das demais empresas em razão de atividade econômica, utilização intensiva de mãodeobra, porte da empresa ou condição estrutural do mercado de trabalho. Arrazoou que no caso em tela, todavia, a distinção de tratamento ocorreu para aumentar a arrecadação da União, face à perda decorrente da impossibilidade de exigência da CPMF a partir de 2008, conforme exposição de motivos da MP n° 413/2008, a qual asseverou que "a relevância das medidas propostas (...) está configurada na necessidade de preservação do equilíbrio fiscal levado a efeito pelo Governo Federal (...)”, propugnando fosse reconhecida a inconstitucionalidade da majoração de alíquota da CSLL pela turma julgadora. Quanto ao “erro na aplicação da alíquota da CSLL no anobase de 2008”, defendeu a recorrente que houve equívoco da fiscalização ao apurar a diferença de CSLL em 2008 pela alteração de alíquota de 9% para 15%, porquanto a contribuinte não teria adotado o método da relação percentual de receita bruta para aplicação da alíquota majorada de CSLL (art.3º da IN RFB n° 810/2008), mas sim o método dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução, nos termos do art. 4° dessa IN. Diante disso, segundo a recorrente, os lançamentos padecem de liquidez e certeza, pois não mensuram corretamente as diferenças de IRPJ e CSLL a recolher, acrescentando o equívoco da fiscalização na imputação dos juros Selic para o IRPJ do período encerrado em 30/04/2009 (DIPJ da incorporação), pois foi considerada data inicial de 30/04/2009, sendo correta a data de 29/05/2009 (como aplicado à CSLL), o que reforçaria a falta de liquidez da autuação, devendo ser cancelados os lançamentos. No tocante à “impossibilidade de sucessão da multa de ofício sobre fatos geradores ocorridos antes da incorporação”, aduziu que no Direito Tributário, a sucessão abrange apenas os tributos devidos pela empresa extinta, nunca as multas respectivas, sobretudo quando imputadas após a sucessão. Segundo o art. 132 do CTN, o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão e a multa apenas será transferida ao sucessor se lançada antes do ato sucessório. Neste caso, defende que a multa foi lançada em 21/12/2010, enquanto que a incorporação do Banco ABN AMRO pela impugnante se deu em 30/04/2009, não havendo, portanto, que se manter a multa lançada, mesmo se os administradores da sucessora fossem os mesmos da sucedida. A imposição das multas à incorporadora também não poderia ter ocorrido, em razão do caráter personalíssimo das multas, pelo que devem ser canceladas. Em argumento alternativo, assentou a não renúncia da esfera administrativa e da correta interpretação do art. 38 da Lei n° 6.830/80, mencionando que em relação aos MS n° 2008.61.00.0143110, no qual se questiona o aumento da alíquota da CSLL, e nº 2001.61.00.0223742 impetrado para questionar a dedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL, a turma julgadora não poderia alegar eventual renúncia à discussão administrativa dessas matérias, pois não se aplicam ao caso o art. 38 da Lei n° 6.830/80 e o art. l0, § 2°, do DecretoLei n° 1.737/79. Defendeu que a propositura de ação judicial pela contribuinte, mesmo anteriormente à ação fiscal, não implica renúncia à esfera administrativa. O legislador pretendeu considerar apenas as hipóteses em que ocorre a interposição de medida judicial pela contribuinte após a lavratura do auto de infração, e somente quando se pretenda que ele ou seus efeitos sejam desconsiderados (ação anulatória de débito fiscal, ação de repetição de indébito, mandado de segurança contra ato coator da autoridade autuante) e situação diversa seria a lavratura de auto de infração após a contribuinte ter ajuizado medida judicial para discutir a Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.764 17 exigência de determinado tributo, como no caso em tela. Nessa situação é inaplicável o disposto nos referidos dispositivos. Além disso, o art.51 da Lei n° 9.784/99 determina que qualquer renúncia à esfera administrativa não pode ser presumida, devendo ser requerida mediante manifestação escrita da contribuinte. Tal dispositivo revogou o parágrafo único do art.38 da Lei n° 6.830/80, não sendo possível presumir a renúncia à via administrativa. Alega que no julgamento de uma ação judicial pode ocorrer de o processo ser extinto sem julgamento de mérito. Nesse caso, estaria a contribuinte desprovida de um dever do Estado, o da ampla defesa. Estado tem o dever de analisar e julgar as lides em que estão envolvidos os contribuintes, com independência entre as esferas administrativa e judicial. Não tendo a impugnante renunciado expressamente à via administrativa, requereu a apreciação das questões de mérito trazidas na presente defesa, para se determinar o cancelamento dos autos. Defendeu a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa, alegando que o art. l3 da Lei n° 9.065/95 remete ao art. 84 da Lei n° 8.981/95, que estabelece a cobrança de juros apenas sobre tributos. A multa tem natureza de sanção, não se confundindo com tributo, conforme definição do art.3° do CTN. O art. l13 do CTN ratifica essa tese e o art.43 da Lei n° 9.430/96 autoriza apenas a cobrança de juros em relação à multa isolada, hipótese diversa dos autos. Portanto, a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio da legalidade (artigos 5o , inciso II, e 37 da CF), pelo que deve ser cancelada. A 10ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 1.338 a 1.404, julgou o lançamento parcialmente procedente, assentando em estreito resumo que numa operação de integralização de capital efetivada por meio de conferência de ações deve ser considerado o valor real das ações fixado em relação ao patrimônio líquido da companhia, ressaltando que tal operação societária não possui o condão de produzir ágio, nem mesmo comporta a transferência de ágio eventualmente apurado na aquisição originária das ações e que em função da expressa previsão legal do art. 7°, inciso III, da Lei n° 9.532/97, deve ser comprovado que o ágio a ser amortizado decorre de expectativa de rentabilidade da coligada/controlada com base em previsão de resultados de exercícios futuros, atestandose não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo (amortização de ágio) a incorporação de pessoa jurídica adquirida com suposto ágio, sem qualquer finalidade negocial ou societária, a exemplo do que se deu nos autos. Quanto aos demais tópicos concluiu a decisão recorrida que os juros de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa por medida judicial constituem acessórios em relação a esses tributos e contribuições, seguindo a mesma norma de dedutibilidade destes e, portanto, tais juros não podem ser deduzidos para fins de apuração do lucro real. Decidiuse ainda, que os juros de tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa por medida judicial são indedutíveis para efeito de determinação do lucro real, visto que se referem à situação de solução indefinida, apresentando nítido caráter de provisão. Mencionouse que se aplica à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e que a amortização do ágio será incluída na determinação da base de cálculo da CSLL, constituindo adição prevista na legislação tributária. No mais, firmouse o entendimento de que os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais não podem ser deduzidos para fins Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.765 18 de apuração da base de cálculo da CSLL e que os juros de mora incidentes sobre tais tributos e contribuições, acessórios a estes, seguem a mesma norma de dedutibilidade. Para a decisão recorrida o tributo ou contribuição cuja exigibilidade estiver suspensa por medida judicial, e respectivos juros, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, visto que se referem à situação de solução indefinida, apresentando nítido caráter de provisão. No tocante à elevação da alíquota de CSLL, entendeuse que na apuração da CSLL relativa ao balanço encerrado a partir de 01/05/2008 até 31/12/2008, deve ser calculada a proporcionalidade entre o total das receitas brutas dos meses de maio até o último mês abrangido pelo período de apuração, e o total das receitas brutas computadas no balanço desse período, sendo tal percentual aplicado sobre a base de cálculo da CSLL de todo o período, para apuração da base sujeita à incidência do diferencial de alíquota. Por fim, registrouse que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, atestando ainda que a pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária, mormente se incorporadora e incorporada encontravamse sob controle comum, mantevese os juros sobre as multas e deuse provimento à impugnação no tocante à alegação de incorreção na data de vencimento do IRPJ fato gerador 30/04/2009, devendo essa data ser retificada para 29/05/2009. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, versando conteúdo coincidente à Impugnação já relatada e pugnando pela reforma da decisão objetada. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas bem articuladas Contrarrazões. É o relatório. Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.766 19 Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. I – DAS PRELIMINARES Considerando que a contribuinte em sua peça recursal aventou preliminar para insurgirse contra a declaração, pela decisão recorrida, de definitividade na esfera administrativa das matérias coincidentemente levadas ao Poder Judiciário, de bom alvitre analisarse o argumento da recorrente de que a despeito das medidas judiciais tomadas não houve qualquer renúncia à esfera administrativa. Nesta ordem de intenções, extraise do argumento preliminar da contribuinte que a decisão recorrida teria pronunciado parte do lançamento como definitivo ao equivocado fundamento de concomitância acerca de temas que não foram objeto de duplo questionamento (na esfera administrativa e na judicial), negandolhe o enfretamento de temas que necessitavam ser analisados. A proposta de enfretamento sugerida pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao abordar o pleito da contribuinte em Contrarrazões ao Recurso Voluntário pareceme de fato suficiente a verificar a referida concomitância entre o que pretendido em processo judicial e a intenção das defesas administrativas aqui discutidas. Com efeito, para aferir a dita concomitância quanto aos temas que a contribuinte reputa indevidamente não abordados pela decisão recorrida devese proceder à análise comparativa entre o pedido apresentado pelo BANCO ABN (sucedido) nos Mandados de Segurança nºs 2008.61.000143110 e 2001.61.00223742, e o que tencionado na impugnação constante do presente processo, marcando a partir daí, alcance do verbete da Súmula CARF nº 01. Como bem se registrou nestes autos, com relação ao MS nº 2008.61.000143110, compulsando a decisão da 8ª Vara Federal em São Paulo que indeferiu o pedido de liminar, observase que o BANCO ABN submeteu ao crivo do Poder Judiciário o seguinte pedido: ser declarada a inexistência de relação jurídica de natureza tributária que o obrigue a pagar a CSLL à alíquota estabelecida no artigo 17 da MP nº 413/2008 (ou estabelecida por dispositivo de lei em que venha a ser convertida), a fim de recolher esta contribuição á alíquota de 9% prevista no artigo 37 da Lei nº 10.637/2002. Já em relação ao MS nº 2001.61.00223742, a sentença proferida pelo Juízo da 3ª Vara Federal em São Paulo, ao julgar o pedido improcedente, revelanos que o pleito judicial do BANCO ABN era: excluir da base de cálculo do lucro real, para fins de apuração da CSLL, os custos e despesas com provisões de tributos com sua exigibilidade suspensa. Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.767 20 Ora, a conclusão da decisão recorrida e da zelosa Procuradoria é irretorquível ao assinalar qualquer discussão acerca do pagamento pelo BANCO ABN da CSLL pela alíquota de 15%, estabelecida pela MP nº 413/2008, e da dedutibilidade dos custos e despesas com provisões de tributos com a sua exigibilidade suspensa na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, não deve ser analisada pela Administração Tributária, porquanto submetida ao Poder Judiciário. Sendo assim, verificado o conteúdo dos pedidos judiciais, para aferir a concomitância cumprenos relembrar que em defesa administrativa a contribuinte manifestou inconformismo, entre outros tópicos, com a inconstitucionalidade da instituição pela MP nº 413/2008 da alíquota de 15% da CSLL, bem como erro na aplicação da alíquota de 15% da CSLL no anobase de 2008, a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa e de seus respectivos encargos moratórios, defendeu a dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL (falta de previsão legal em sentido contrário) e considerou indevida adição das despesas com tributos e juros com exigibilidade suspensa no ano de 2009, entre outros tópicos aventados. Como tenho me pronunciado em diversas ocasiões, o reconhecimento da concomitância, toda vez que verificável, para além de proteger a jurisdição e a supremacia das decisões do Poder Judiciário enquanto Poder Republicano independente, tutela o interesse do próprio contribuinte, assegurandolhe a que a administração pública não tergiversará quanto ao que decidido pelo Poder Judiciário evitando que novas contendas se instaurem para cumprimento da decisão judicial. Verificada a identidade entre os pleitos (judicial e administrativo), quer me parecer que subsiste a decisão recorrida ao prestigiar o verbete da Súmula CARF nº 1, motivo pelo qual rejeito a preliminar invocada para determinar que todas as questões alusivas à aplicação da alíquota de 15% da CSLL prevista na MP nº 413/2008 (posteriormente convertida na Lei nº 11.727/2008) e à dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa e seus consectários, com relação ao BANCO ABN, não devem ser conhecidas por este CARF, haja vista que estes temas já são objeto de apreciação pelo Poder Judiciário. Na sequência dos argumentos manuseados pela recorrente, impende analisar a segunda preliminar invocada, consagradora de que a decisão recorrida teria inovado o fundamento da autuação relativa ao aproveitamento do ágio, porquanto a Fiscalização teria baseado a autuação na ausência de partes independentes na relação que originou o ágio (ágio interno), enquanto a decisão recorrida, a despeito de reconhecer que o ágio em questão não foi gerado internamente, inovou para questionar seu fundamento econômico. Com efeito, segundo a recorrente, o pronunciamento da decisão recorrida constituiuse em inovação no critério jurídico do lançamento, porquanto no TVF não se questionou o fundamento econômico do ágio, limitandose a Fiscalização, nas imputações, a afirmar que se tratava de ágio gerado intragrupo, ignorando, ou melhor, superando a questão atinente à rentabilidade futura. Não se pode negar razão à recorrente ao evidenciar ser fato que a Fiscalização pautouse na ocorrência de ágio interno para impor a glosa, sendo oportuno reproduzir trecho do TVF, coincidente ao citado pela própria recorrente: Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.768 21 Também é fato que a decisão recorrida, em sua fundamentação, abordou de forma extensiva outros elementos pelos quais entendeu ser pertinente a autuação, referindose, por exemplo, que o ágio em questão teria fundamento econômico e não lastro em previsão de rentabilidade futura, hipótese que lhe autorizaria a dedutibilidade. Confirase o entendimento sufragado pelo trecho abaixo reproduzido, também citado pela contribuinte: (...) Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.769 22 A despeito deste cenário traçado pela recorrente em suas alegações preliminares, novamente me parece que a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta proposições que encerrem melhor análise do enfrentamento da decisão recorrida e levamme a concluir pela ausência da nulidade invocada. Com efeito, muito embora o cerne da autuação relativa à dedutibilidade de despesas com ágio seja mesmo sua geração intragrupo, a Fiscalização fez menção à necessidade comprovação dos requisitos legais da dedutibilidade. Ademais, como a questão alusiva ao fundamento do ágio traduzido na perspectiva de rentabilidade futura é condição inarredável para sua dedutibilidade, condição inserida na legislação de regência, diversamente do que ocorre com o denominado ágio interno, que reclama interpretação do agente fiscalizador, quer me parecer legítimo o enfrentamento pela decisão recorrida, ainda que o tenha feito de maneira factual equivocada, não me parece que lhe fosse vedado perquirir as condicionantes legais de dedutibilidade de determinada despesa, sem com isso, esbarrar na vedação à inovação do critério de lançamento, tampouco em cerceamento ao direito de defesa da recorrente. Como tenho proclamado em casos semelhantes, se a decisão recorrida cometeu mero excesso de linguagem ao citar tais fundamentos, sem inquinar de nulidade seu pronunciamento, não se configura inovação alguma, sem com isso deixar de reconhecer que o enfrentamento da decisão administrativa, de fato deve estar adstrito ao que versado no auto de infração. É que o excesso de fundamentação, sempre que o mínimo for contemplado, não encerra, por si só, qualquer nulidade. Ou seja, se a decisão recorrida enfrentar o que disposto no auto de infração, não será nula se também lançar fundamentos alternativos, desde que – repito – aprecie o conteúdo versado na autuação e que dos fundamentos ditos alternativos não se verifique qualquer prejuízo ao sujeito passivo. Tenho para mim que este é o preciso caso dos autos. Muito embora a decisão recorrida de fato tenha apreciado a questão por vertentes ignoradas ou superadas pela Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.770 23 Fiscalização, também apreciou as imputações à luz do que tratado pelo autuante e, portanto, não implicou em cerceamento de defesa. II – DO MÉRITO Superadas as questões preliminares, verificada a concomitância e a incidência da Sumula CARF nº 01 em relação ao aumento de alíquota de CSLL e a parcela desta contribuição sobre os tributos com exigibilidade suspensa, subsiste para apreciação deste colegiado os demais temas objeto da autuação, de sorte que serão adiante enfrentados. II.1 – Do considerado Ágio Interno. Neste tópico específico, como bem delineado no relatório que acompanha o presente voto, para a Fiscalização a amortização do ágio gerado na aquisição de ações do BANCO ABN AMRO REAL S/A pela BRI PAR DOIS PARTICIPAÇÕES S/A seria indevida, por se tratar de ágio gerado internamente, ou seja, decorrente de operações levadas a efeito dentro de um mesmo grupo econômico. Seguramente o assunto tratado nestes autos é controvertido e pendente, em âmbito genérico, de uma pacificação dos precedentes administrativos. Eu mesmo tenho oscilado, em cada caso, minha posição no tocante ao aproveitamento de despesas com ágio transferido por meio de empresa veículo, ou gerado no mesmo grupo econômico, procurando observar cada operação e partir daí definir concretamente. Acompanhando os diversos julgamentos de casos semelhantes, bem como ponderando as questões puramente jurídicas que implicam nas conclusões de inadmissão das tais despesas, unicamente porque transferidas por empresa veículo ou geradas internamente, penso que a matéria precisa ser pacificada, em âmbito genérico – torno a dizer – favoravelmente à dedutibilidade das despesas com ágio. A decisão recorrida, como também relatado, firmou entendimento segundo qual para além do ágio gerado internamenta, ou como afirmando em certa altura do seu voto o ágio gerado de si mesmo, também faleceu à recorrente demonstrar o fundamento do ágio que lhe autorizasse a dedutibilidade. Em sede preliminar atestei a ausência de nulidade da decisão recorrida por ter alegadamente transbordado seu limite de enfrentamento, ao não se pronunciar unicamente quanto à formulação intragrupo do ágio, porém, o fiz apenas para atestar a ausência de nulidade e a possibilidade de a decisão recorrida lançar fundamento subsidiário ao seu convencimento, de fato reconheço que o cerne da autuação baseouse na ocorrência do denominado ágio interno, como, aliás, se colhe do seguinte trecho do TVF (fl. 465): (...) Dessa forma, as subscrições de capital na BRI PAR DOIS mediante conferência de ações de emissão do BANCO ABN AMRO, com ágio, pelo controlador ABN AMRO BANK N.V., em empresa de mesmo grupo econômico (BRI PAR DOIS), e posterior incorporação dessa empresa por sua controlada (BANCO ABN AMRO), demonstram que as operações objetivaram, principalmente, o aspecto tributário, ou seja, a intenção de obter economia de tributos, supostamente elisivos, mediante a contabilização de ágio para fins de aproveitamento fiscal da amortização no incorporador, consoante a legislação Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.771 24 tributária (arts. 385, § 2o , II, e 386, III, do Decreto n° 3.000/1999; arts. 7 o e 8 o da Lei n° 9.532/97 e art. 10 da Lei n° 9.718/1998). Dessa forma, mesmo que a incorporação tenha sido realizada em função dos diversos motivos elencados nos documentos societários, aprovados pelas assembleias das empresas envolvidas, fica claro que as subscrições de capital na BRI PAR DOIS, mediante ações do BANCO ABN AMRO, com criação de ágio interno, tinham um propósito meramente fiscal, na medida em que todas as ações de emissão do BANCO ABN AMRO "retornaram" ao ABN AMRO BANK N.V., quando da incorporação da BRI PAR DOIS, sem que se revelassem outros motivos que justificassem tais subscrições, além da criação do ágio para efeitos fiscais. (...) Verificado que a Fiscalização glosou o surgimento do ágio por considerálo gerado internamente, muito embora a recorrente assevere não se tratar de ágio interno, porquanto gerado em operação realizada entre partes absolutamente independentes (Grupo ABN e Intesa), antes de aferir estes argumentos da contribuinte, considero imperioso traçar algumas breves notas acerca do denominado ágio intragrupo. Sabidamente, o ágio corresponde à diferença entre o custo de aquisição de determinado investimento e o seu valor patrimonial, de sorte que ele, falo do ágio, se apresenta sempre que uma das partes, munida de desígnios variados, a exemplo da expectativa de rentabilidade futura, propõese a pagar pelo investimento um valor maior do que aquele que corresponde ao seu patrimônio líquido. A celeuma se instala justamente quando se pretende atribuir que esta precificação superior ao valor patrimonial somente seria legítima se avençada por partes totalmente independentes entre si, ou seja, que não pertençam ao mesmo conglomerado econômico. Os precedentes que se formaram neste âmbito administrativo, nos quais se inadmitiu o chamado “ágio interno”, sempre louvaram o bem fundamentado magistério de Jorge Vieira da Costa Jr. e Eliseu Martins, segundo os quais, ao menos àquela época, o ágio somente poderia existir validamente se as partes envolvidas fossem independentes e não relacionadas, isso porque, segundo sustentase nestes casos, à luz da teoria da contabilidade não seria admissível a geração de ágio em uma operação ocorrida dentro de um mesmo grupo econômico. Tal como citado nos muitos casos em que as semelhantes glosas subsistiram, este mesmo entendimento é prestigiado pela Comissão de Valores Mobiliários, nos precisos termos do Ofíciocircular CVM SNC/SEP nº 01/2007, segundo o qual “... é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método de equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo...”. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.772 25 Necessário, todavia, tratandose de lançamento tributário no qual se ventile glosa a dedutibilidade das despesas com amortização de ágio, perquirir se os conceitos acima citados, que embasaram os precedentes conhecidos, hospedam a compreensão tributária sobre o tema. Luís Eduardo Schoueri, em obra intitulada “Ágio em Reorganizações Societárias, Ed. Dialética”, ao fazer coincidente esforço investigativo, exemplifica na página 105 em diante, que estes conceitos encerram bom exemplo acerca da divergência entre as disciplinas contábil e tributária, porquanto embora contabilmente o ágio exija uma participação de terceiros, no âmbito da legislação tributária, que rege o lançamento, não existe semelhante imposição. Para o apontado professor, para os fins tributários, o investidor deve sempre registrar um ágio que corresponda à diferença positiva entre o valor patrimonial e o preço efetivamente pago, concluindo que o pressuposto contábil de “precificação com terceiro”, não fora contemplado pelo legislador tributário. Nessa ordem de ideias, apresentase conveniente reproduzir o que dispõem os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, verbis: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; IIIpoderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.773 26 incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Ora, pela leitura dos dispositivos acima reproduzidos, verificado que de fato não há na legislação de regência qualquer óbice ao “ágio interno”, situação que se referenda pelo fato de o próprio artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977, que respaldo o artigo 385 do RIR/99, já prever a necessidade, em caso de aquisição de investimento em sociedade coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido, o custo de aquisição ser desdobrado entre o valor do patrimônio líquido e a diferença entre o custo de aquisição do investimento e este valor, que resultariam em ágio ou deságio, de sorte que a única questão que pode obstar a Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.774 27 dedutibilidade é aferir o conteúdo econômico e contemplálo à luz de eventual abuso de direito, que tem me levado em cada caso concreto a analisar a operação, mas que na espécie, sequer foi aventado, presente o conteúdo negocial robusto e concreto celebrado na hipótese dos autos. Vêse assim, que a Fiscalização estipula que as justificativas dadas pela recorrente para o implemento da transação não hospedariam a legitimidade para deduzirse a despesas, eis que as operações revelariam o intuito preponderante, senão único, de criarse o ágio. Mas, se como vimos acima, a lei tributária não traz vedação ao ágio interno e a questão do abuso de direito ou simulação sequer foi aventada, a questão, para além da formação ágio, passa pelo enfrentamento da questão da elisão fiscal, porquanto, segundo premissa estabelecida nos precedentes em que glosas semelhantes subsistiram, o condenável não é a alienação “intragrupo” de determinado investimento com ágio, o que se repugna é a simulação e o abuso de direito. Com tais premissas estabelecidas, quer me parecer possível afirmar de pronto que minha análise dos autos afasta por completo qualquer abuso de direito praticado pela recorrente, bem como, na legislação de regência, não encontro fundamento válido para impor se a glosa unicamente porque o contribuinte realizou estruturação societária de forma menos onerosa do ponto de vista tributário, contrário disso, observo legítimos os procedimentos regulares de elisão fiscal. Tanto é assim, que Celso Ribeiro Bastos, in Comentários ao Código Tributário Nacional, Ed. Saraiva, pág. 193, ao descortinar o parágrafo único, do artigo 116, do Código Tributário Nacional, assim arremata: “(...) o parágrafo único do dispositivo posto à análise ainda é, não obstante seu tempo de vigência no ordenamento, bastante debatido na doutrina. E isso porque instituiu no país o que muitos denominam equivocadamente norma geral antielisiva. Para explicar melhor, é importante mencionar que, antes do referido dispositivo, prevalecia a ideia de plena liberdade de planejamento tributário, sendo a [única barreira posta a este os casos de simulação. O contribuinte tinha plena liberdade de reestruturar seus negócios e de economizar o tributo] (...) A norma em tela, no entanto, não inibe o planejamento tributário, que é aquilo que não ofende as leis vigentes, o ordenamento. O planejamento, ou melhor, elisão tributária, continua válida no país. O que a nova norma dispõe é acerca das hipóteses de dissimulação, um ato que omite a ocorrência do fato gerador ou oculta a natureza de um negócio, de uma transação tributável. A norma, portanto, é antievasão. Apenas deixou mais claro aquilo que já constituía o ilícito tributário. (...)” Não parece legítimo, destarte, concluir que a simples intenção da recorrente em proceder de forma a gerar economia de tributo possa desnaturar e invalidar os efeitos da transação, mesmo que tais efeitos tenham implicado na geração de um ágio interno, por absoluta falta de previsão legal para esta conclusão. Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.775 28 A respeito do tema, aliás, em recente julgamento ocorrido no âmbito 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção de Julgamento, o eminente Conselheiro Alberto Pinto de Souza Junior, trouxe ponderações acerca da matéria que ao meu sentir encerram a celeuma e fixam balizas sólidas para o enfrentamento de autuações semelhantes, oportuna a transcrição de trechos do voto levado a efeito no Processo Administrativo nº 16682.720880/201111: (...) Os julgadores do CARF prestarão um grande serviço ao Estado e a sociedade brasileiras se imprimirem segurança jurídica e isonomia ao sistema, evitando que suas decisões fiquem ao sabor lotérico do entendimento de cada conselheiro sobre conceitos vagos não positivados como, por exemplo, “falta de propósito negocial”, que não passa de uma construção jurisprudencial alienígena sem respaldo no ordenamento jurídico pátrio. Da mesma forma, não me impressiona os efeitos tributários que se tenta dar a um mero pronunciamento técnico da CVM sobre ágio gerado em operações internas, se não vejamos o teor do item 20.1.7 do OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 01/2007, in verbis: A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.776 29 aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade.] Notase, hoje, que alguns tentam elevar tal pronunciamento da CVM a um status de norma tributária proibitiva do reconhecimento do chamado ágio interno ao grupo econômico, o que, por si só, já seria absurdo. A análise feita pela CVM é de cunho estritamente econômico, pois sequer embasa seu entendimento em qualquer norma jurídica, muito pelo contrário, afirma que, ainda que respeitada a Lei, economicamente é inconcebível o reconhecimento do ágio interno. Como já dito anteriormente, “falta de substância econômica” assim como “falta de propósito negocial” não são institutos jurídicos nacionais, logo não maculam o ato jurídico seja lá qual for o conceito que os seus aplicadores lhes deem, logicamente, desde que não se configurem como um vício do negócio jurídico, segundo o nosso ordenamento legal. (...) Tratase aqui de aplicação direta do disposto nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97 sem utilização de empresa veículo, pois a autoridade fiscal se insurge contra o fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com ágio. Por certo, entendeu a autoridade fiscal que estaria obrigado o investidor a optar por adquirir diretamente as ações da recorrente com ágio, pois aí não teria como se valer das referidas normas – caminho mais oneroso. No que tange ao enquadramento da conduta da recorrente como simulação, inicialmente, ressalto que a simulação em matéria fiscal foi bem enfrentada no Parecer CST 46/87, do qual retiro duas conclusões, quais sejam, que as operações simuladas são: ilícitas na medida em que pretendem encobrir ato de natureza jurídica com efeitos tributários mais onerosos para o contribuinte; devem prevalecer os efeitos do negócio dissimulado. O referido parecer analisou uma situação em que o contribuinte remetia dividendos travestidos de devoluções de capital, para escapar da tributação que havia à época sobre a remessa de Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.777 30 dividendos. Notese, assim, que estávamos diante de um caso de simulação relativa, pois havia o ato simulado – devolução de capital – e o ato dissimulado –remessa de dividendos (simulação sobre a causa do negócio jurídico). Como bem sustenta Beleza dos Santos (A Simulação em Direito Civil, ed. Lejus, p. 211): “Para que exista a simulação relativa é portanto necessário que, em virtude de um conluio das partes, se simule um ato aparente para enganar terceiro e que sob essa aparência se dissimule outro correspondente à vontade real e séria das partes”. Qual o conluio demonstrado nos autos? Será que fazer jus aos benefícios dos arts. 7º e 8 º da Lei 9.532/97 podem ser tomados como enganar o Fisco? Qual o ato dissimulado? Todas as respostas são negativas, pois a contribuinte quis transferir o ágio para a operacional, o que encontrou amparo no art. 8º da Lei 9.532/97. Veja que, sob qualquer prisma, a existência do ágio era indiscutível, pois sequer se enquadrava na débil definição de ágio interno adotada por alguns. Ademais, não resta demonstrado no TVF qual o ato dissimulado nem a autoridade fiscal demonstra o pacto simulatório, o que, por si só, já seria suficiente para afastarmos a acusação de simulação. Notese que os efeitos buscados pela recorrente eram os efeitos próprios do atos praticados (...) O conceito de propósito negocial é vago e não se enquadra em qualquer dos incisos, nem mesmo no inciso II, pois ainda que os sócios não tivessem a intenção de perpetuar a empresa, isso não torna a sua cláusula de constituição menos verdadeira. O propósito negocial pode ser, exatamente, o de realizar uma reorganização societária para se valer das normas permissivas criadas pelo Estado. O entendimento de que o contribuinte pode se reorganizar desde que não seja exclusivamente para reduzir carga tributária (causa extratributária) é apenas uma teoria sem amparo no Direito posto. A finalidade da sociedade empresária é maximizar seus lucros, pelo aumento do faturamento e redução de custo, o que é legítimo desde que suas condutas sejam lícitas. (...) Teria então a recorrente fraudado o espírito da norma (art. 8º da Lei 9.532/97), ou seja, a conduta da recorrente se enquadra na fraude à lei? De plano afasto essa hipótese, pois, diante de dois caminhos legais, não estaria obrigado o investidor estrangeiro a optar pelo mais oneroso tributariamente, ou seja, aquele em que ele adquirisse diretamente as ações de MTE com ágio e depois não pudesse realizar o evento (incorporação, fusão ou cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento. Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.778 31 Ressalto que o art. 8º da Lei 9.532/97 teve como finalidade o processo de privatização, pois, por tal norma, permitiuse que a despesa com amortização do ágio continuasse a ser dedutível das bases tributáveis, mesmo que a empresa veículo (controladora da empresa operacional estatal privatizada) fosse incorporada por sua controlada. Isso era fundamental para preservação dos intangíveis da empresa adquirida com ágio. Em suma: o controle da empresa privatizada era adquirida com ágio; o controle e o ágio eram transferidos, em integralização de capital, para uma empresa veículo; por último, a empresa veículo (controladora) era incorporada por sua controlada (empresa privatizada), a qual passava a amortizar o ágio, por força dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Conforme retro tratado, no presente caso sequer estamos diante de empresa veículo, mas a recorrente se valeu do art. 8º para incorporar a sua coligadainvestidora e passar a amortizar o ágio. Notese então que não há falar que a conduta da recorrente tenha sido em fraude à lei, pois foi justamente para possibilitar tal operação que a norma foi editada. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para cancelar os autos de infração do IRPJ e da CSLL em tela. (...) (meus os grifos e as supressões) Como referi acima, me parece que o citado voto que estampa o rigor científico típico do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, eliminam qualquer dúvida que o intérprete possa ter diante de semelhantes imputações, porquanto traça premissas singelas, mas inarredáveis: não há base para tergiversarse acerca de propósito negocial, ausente esta figura no regramento da espécie; não estão os contribuintes sujeitados a promoverem reorganizações societárias do ponto de vista mais oneroso; não há vedação na legislação de regência para o aproveitamento do ágio gerado internamente. Com tais premissas estabelecidas, também eu não vejo como subsistir a autuação relacionada ao aproveitamento do ágio interno. Nada foi feito em contrariedade à legislação de regência, tampouco simuladas ou dissimuladas as operações. Aliás, para que se configure a simulação, imprescindível seja demonstrado um descompasso entre a intentio facti e o intentio júris, sem os quais, não se pode falar em simulação, já que esta pressupõe operação que não existe, falseiase a realidade do que efetivamente ocorreu, ou seja, ocorre a desconformidade consciente e querida da declaração com a vontade, mas é preordenada com a parte à qual a declaração se dirige e acordado com ela, a fim de enganar terceiros. In casu, os fatos ocorridos não foram fingidos nem simulados e tampouco dissimularam outro fato. Todas as circunstâncias fáticas levantadas no auto de infração realmente aconteceram na realidade negocial e não tiveram o objetivo de encobrir outros fatos, não sendo legítimo deixar de reconhecer que é dever das autoridades fiscais coibir práticas de utilização do ordenamento jurídico por meio de estratagemas, formadas como negócios Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.779 32 simulados, com fraude à lei ou com dolo que causem prejuízo ao Erário. Bem assim, não pode se negar que os contribuintes utilizam formas simuladas para esconder dolosamente fatos geradores. Contudo, não se pode admitir que considerações ou interpretações subjetivas da autoridade fiscal, possam descaracterizar operações legítimas e revestidas de licitude praticadas pelos contribuintes com total amparo no ordenamento jurídico vigente e qualificá las como simuladas. Com efeito, acerca do tema esta Turma decidiu, por ocasião do julgamento do PA nº 18471.000999/200529 de Relatoria do Eminente Conselheiro Valmir Sandri: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: SIMULAÇÃO Configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. (...) ABUSO DE DIREITO A figura de “abuso de direito” pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deuse, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. (...) Ora, se a própria Fiscalização à folha 465 reconhece que a intenção da recorrente sempre foi realizar a operação da forma menos onerosa, nada há de simulado ou abusivo nisso, de sorte que não vejo no caso em exame a dissimulação de qualquer aspecto da legislação de regência, já que inexistiu abuso do direito, da forma jurídica ou da interpretação da mens legis, eis que os negócios jurídicos praticados pela recorrente tiveram evidente motivação no plano societário, como notoriamente conhecido, e não se resumiram apenas a provocar a economia do imposto. Portanto, analisando todas as etapas do negócio jurídico levado a efeito, até os resultados concretos que redundaram no aproveitamento do ágio não vejo como enquadrar esta operação como sendo um planejamento tributário abusivo, e não encontrando fundamento legal que impossibilite o aproveitamento do ágio interno, a glosa levada a efeito não pode subsistir. Ademais, o artigo 7º da Lei nº 9.532/97, estabelece apenas o termo “a quo” para o exercício do direito de deduzir o ágio (opção fiscal), ao condicionar a dedutibilidade do Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.780 33 ágio a partir do evento incorporação, fusão ou cisão, consoante explicitado no dispositivo, sendo imperioso extrairse daí que a decisão sobre o evento de incorporação, fusão ou cisão compete exclusivamente aos acionistas das empresas, a ninguém mais, razão pela qual não vejo como atribuir mácula de abusividade nas operações praticadas pela contribuinte com o intuito de aproveitar a despesa com ágio. Rejeito, portanto, o fundamento da Fiscalização e da decisão recorrida segundo o qual a geração de ágio interno, por si só, impossibilitaria a dedutibilidade de tais despesas. Superados estes fundamentos, a despeito de considerálos suficientes à reforma deste tópico da decisão recorrida, conveniente o enfretamento das razões da recorrente de que na espécie não houve geração de ágio intragrupo, tratandose, contrário disso, de operação realizada entre partes absolutamente independentes (Grupo ABN e Intesa). Com efeito, em 13/06/2003, o Grupo ABN adquiriu o Banco Sudameris, realizando o “pagamento” da seguinte forma: i) 1ª Parcela paga em dinheiro, ii) 2ª Parcela paga temporariamente mediante 11,58% das ações do Banco ABN AMRO Real S/A, de sorte que a Intesa passou a ser detentora de 11,58% das ações do ABN Real, quando em 2005 e 2006, os 11,58% das ações do ABN Real foram recompradas pelo Grupo ABN, com ágio de 1,82 vezes o valor do seu patrimônio líquido, de sorte que esta operação se deu por meio de: i) entrega de ações do ABN Holding Holanda (dação em pagamento) e ii) de pagamento em dinheiro. Portanto, mesmo que se supere o fundamento que aduzi acima em relação ao ágio interno, pareceme acertado o pleito da contribuinte ao estabelecer que de fato houve justificado fundamento para a reaquisição das ações do ABN Real, lastreado na sua expectativa de rentabilidade futura, ratificado i) por Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira do Banco Sudameris, que deu suporte para a definição do múltiplo de 1,82 previsto no Contrato de Compra e Venda e pago à Intesa e ii) por Laudos de Avaliação do Banco ABN AMRO Real S/A, de sorte que, como aduz a contribuinte, um relato simplificado da sequência de fatos ocorridos no presente caso, dáse conta verificase que o conjunto de operações demonstra que houve uma “Compra e Venda” entre partes independentes, Grupo ABN (comprador Holanda) e o Grupo Intesa (vendedor Itália), que teve como objeto as ações do Banco ABN Real recebidas pelo Grupo Intesa quando da venda do Banco Sudameris, não havendo falar, portanto, em ágio interno. No que toca ao fundamento do ágio glosado, entendo que equivocouse a decisão recorrida ao estabelecer que o ágio aqui discutido não disporia de fundamento lastreado em expectativa de rentabilidade futura, com efeito, a retrospectiva dos eventos sucedidos, dão conta de que a definição do preço das ações do Banco ABN Real foi definido a partir da sua expectativa de rentabilidade futura, por ocasião do contrato firmado entre a Intesa e o Grupo ABN, ratificado por Laudo de Avaliação apresentado no ato de integralização de ações na Bri Par Dois. Para tal conclusão, a exemplo do que fez a contribuinte em sua peça recursal, de bom alvitre segregar as partes envolvidas nas negociações que redundaram na formulação da despesa com ágio, confirase: Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.781 34 Separadas as partes envolvidas, tal como evidenciou a contribuinte, em 13/06/2003 a ABN Brasil Participações Financeiras celebrou contrato de Compra e Venda de Ações com a Banca Intesa para adquirir 94,57% do Banco Sudameris, ao valor de R$ 2.292.965,000,00, sendo que nos termos do Acordo sobre o Ajuste de Preço, firmado em 22/09/2003, reduziuse o valor para R$ 2.189.665.000,00, sendo pagos R$ 526.754.900,00 em dinheiro e R$ 1.662.910.100,00 em ações do Banco ABN AMRO Real S.A., que representavam 11,58% do seu capital social, sendo que o valor de patrimônio líquido das ações do Banco ABN AMRO Real S.A. dadas como forma de pagamento, multiplicado por 1,82, equivalia ao valor de R$ 1.662.910.100,00, que como explicou a recorrente foi o preço de referência ao ágio gerado no caso em apreço. Ainda na esteira da recapitulação dos eventos sucedidos, que a meu ver demonstram o fundamento do ágio, relembrou a recorrente que em 24/10/2003, a ABN Holding e a Intesa firmaram Contrato de Opção de Permuta, disciplinadose a forma pela qual a Intesa poderia exercer seu direito permutar as ações do ABN Real pelas ações da ABN Holding Holanda, sendo que o preço das ações do ABN Real para os fins da citada permuta foi avençado como 1,82 vezes o valor do seu patrimônio líquido contábil, valor a ser pago com ações da ABN Holding Holanda, mensurados pelo seu preço de mercado médio ponderado na Bolsa de Valores de Amsterdã Euronext vigente no fechamento dos últimos 5 dias úteis anteriores à data de aviso da opção de permuta, estando o valor atribuído às ações do ABN Real fundamentado na expectativa de rentabilidade futura atestada por laudos de avaliação econômicofinaceira. Em 27/05/2005 foram realizadas alterações no Contrato de Opção de Permuta, permitindo que a ABN Holding Holanda oferecesse dinheiro em troca da aquisição das ações do ABN Real detidas pela Intesa, caso ela exercesse a opção de permuta, o que ocorreu, pela primeira vez, em 06/06/2005, em relação a um terço das ações que detinha no ABN Real (70.638.889 de ações), recebendo em troca ações da ABN Holding Holanda, havendo nesta operação, pagamento de ágio pela aquisição das ações do ABN Real, porquanto o preço de troca era 1,82 vezes maior que o seu valor patrimonial, ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura apoiado em laudo de avaliação econômicofinanceira. Posteriormente, em 20/06/2005, a ABN Holding Holanda vendeu as ações do ABN Real para o ABN Bank Holanda, ao valor coincidente ao da permuta feita com a Intesa (EUR 202.037.953,50). Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.782 35 A segunda opção de permuta foi exercida pela Intesa em 19/06/2006, sendo que a ABN Holding Holanda pagou em dinheiro o 2º terço das ações do ABN Real detidas pela Intesa (70.638.889 ações), pagando novamente o ágio proporcional a 1,82 vezes o valor patrimonial (EUR 223.964.568,51), outra vez apoiado no laudo de avaliação que estatuia a expectativa de rentabilidade futura, ocorrendo que a ABN Holding Holanda novamente vendeu as tais ações para o ABN Bank Holanda pelo mesmo valor pago em dinheiro à Intesa. Na continuidade dos eventos narrados nestes autos, temse que a Bri Par Dois, em 28/06/2006, aumentou seu capital social no valor de R$ 1.192.790.021,00, passando de R$ 91.895.366,00 para 1.284.685.388,00, com a emissão de 112.983.504 novas ações, subscritas e integralizadas, na sua totalidade, pelo ABN Bank Holanda, mediante a conferência de 141.277.778 ações ordinárias, de sua propriedade, de emissão do ABN Amro Real, correspondente a 7,72% de seu capital social, tendo a contribuinte justificado desde a impugnação, que para definição do valor de R$ $ 1.192.790.021,00 que foi integralizada ao capital social da Bri Par Dois, adotouse como referência o valor pago em Euros pelo ABN Holding Holanda quando da aquisição das ações que pertenciam à Intesa. Diante disso, assiste razão à recorrente ao afirmar que no momento da aquisição de ações do ABN Real pela Bri Par Dois estava presente o ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura equivalente ao valor objeto de negociação entre os Grupos ABN e Intesa, tal como demonstrado no laudo de avaliação econômicofinanceira. Ainda na sequência dos atos, a ABN Dois Participações reduziu seu capital social em R$ 759.358.858,00, correspondente à participação detida na Bri Par Dois, as quais foram entregues ao ABN Bank Holanda, permitindo assim a consolidação da participação estrangeira indireta no capital do ABN Real na sociedade Bri Par Dois e na ABN Participações Financeiras. Temse ainda, que em 20/09/2006 o ABN Holding Holanda exerceu sua opção de compra e pagou em dinheiro o valor correspondente às 70.638.890 ações restantes do ABN Real que remanesciam na titularidade da Intesa, tornando a pagar ágio proporcional a 1,82 vezes o valor patrimonial e novamente fundamentado no laudo de avaliação econômico financeira, sendo que na referida data a ABN Holding Holanda vendeu as ações do ABN AMRO Real adquiridas na terceira parcela para o ABN Bank Holanda, pelo mesmo valor pago em dinheiro à Intesa. Já em 28/09/2006, a Bri Par Dois aumentou seu capital social no valor de R$ 650.033.801,00, emitindo 61.924.798 ações ordinárias, subscritas e integralizadas pelo ABN Bank Holanda, mediante a conferência de 70.639.890 ações ordinárias do ABN real que lhe pertenciam, sendo certo que para definição do valor de R$ 650.033.801,00, adotouse como referência o valor pago em Euros pelo ABN Holding Holanda quando da aquisição das mencionadas ações da Intesa, como também o valor pago pelo ABN Bank Holanda foi equivalente ao pago pela ABN Holding. Ocorreu, portanto, nova aquisição de ações do ABN Real pela Bri Par Dois, com ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura correspondente ao valor que negociaram os grupos ABN e Intesa. Devese considerar ainda, que em 28/12/2006, foi celebrado instrumento Particular de Transação com sócios minoritários do Banco Sudameris, e Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de Ações, ficando estabelecido que haveria a incorporação de Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.783 36 ações do Banco Sudameris pelo ABN Real e que a Bri Par Dois compraria todas as ações do ABN Real atribuídas aos minoritários, de sorte que a aquisição de ações com ágio pela Bri Par Dois foi que viabilizou a consolidação societária das empresas após a aquisição o Banco Sudameris. Por fim, em 31/08/2007 aprovouse a incorporação da ABN Brasil Participações Financeiras e da Bri Par Dois pelo ABN Real, passando este a amortizar o valor das despesas com ágio gerado na aquisição de suas ações e o Banco Sudameris foi incorporado pelo ABN Real, consolidandose os investimentos no ABN Real. Torno a dizer, portanto, que equivocouse a decisão recorrida ao estabelecer que o ágio aqui discutido não disporia de fundamento lastreado em expectativa de rentabilidade futura, com efeito, a retrospectiva dos eventos sucedidos, dão conta de que a definição do preço das ações do Banco ABN Real foi definido a partir da sua expectativa de rentabilidade futura, por ocasião do contrato firmado entre a Intesa e o Grupo ABN, ratificado por Laudo de Avaliação apresentado no ato de integralização de ações na Bri Par Dois. Verificados estes fundamentos, que torno a dizer, já encerram a impertinência da autuação e necessidade de reforma da decisão recorrida, a questão também não subsiste ao argumento de que se teria amortização de “ágio de si mesmo”, como a certa altura aduza a decisão recorrida. Muito embora a Fiscalização não tenha apresentado qualquer fundamento semelhante, versando apenas glosa ao denominado “ágio interno”, figuras que sabidamente não se confundem, nos termos do artigo 8º da Lei nº 9.532/97, admitese a amortização fiscal do ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura nas hipóteses de incorporação, fusão ou cisão, mesmo quando a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Tornando a verificar a operação, minudentemente descrita acima, temse que a integralização de capital de Bri Par Dois, pelo ABN Holanda, com ações do ABN Real é típico e inequívoco caso de “transferência” do ágio, irrefutável do ponto de vista da permissão da dedutibilidade do ágio, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, nada mais é do que o reconhecimento de que o ágio deverá, sempre, acompanhar o investimento que lhe é subjacente – o qual justificou seu pagamento. Portanto, se verificado por esta vertente, tenho a “transferência” do ágio trata se de uma exigência lógica e necessária do próprio conceito de ágio e registro que a chamada “transferência do ágio” tem sido admitida, como fez ver a recorrente nos seguintes precedentes exemplificativos: Acórdão nº 140200.802); Acórdão nº 120100.689; Acórdão nº 1101 00.354; Acórdão n° 10516.774; Acórdão nº 140200.993; Acórdão nº 1301000.711). Com estas ponderações, merece reforma este tópico da decisão recorrida, tanto para a autuação relativa ao IRPJ como o corolário óbvio da CSLL, ficando prejudicado o argumento secundário da contribuinte no que toca especificamente à CSLL. II.2 – Da dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa – natureza de provisão: Reconhecida a concomitância entre as matérias levadas ao Poder Judiciário e aquelas objeto do questionamento administrativo, a exemplo do que fez a decisão recorrida, Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.784 37 cumpre analisar neste tópico no que respeita à empresa BRI Par, porquanto não participou das medidas judiciais verificadas. Sendo assim, relembro que a contribuinte defende, em síntese, que possui registrados i) valores decorrente de despesas com tributos que se encontravam com a exigibilidade suspensa nos termos do artigo 151 do CTN e ii) valores relativos aos juros incidentes sobre o principal dos tributos que se encontram com exigibilidade suspensa, de sorte que contabilizandose os juros, as demonstrações financeiras teriam a capacidade de refletir as despesas decorrentes de obrigações tributárias no valor que efetivamente são exigíveis, a justificar sua dedutibilidade, pois não nutrem o caráter de provisões, mas de efetivas despesas. O argumento da contribuinte, todavia, não empolga. Com efeito, a despeito de poder quantificar com exatidão os valores, tal medida não desnatura o fato de que o tributo com exigibilidade suspensa, ou seja, sem que tenha havido o pagamento efetivo ao ente tributante, não assume feição de despesa passível de dedução, ao contrário, toda a narrativa da própria contribuinte, leva à inarredável conclusão de tratarse de mera provisão. Assiste razão à decisão recorrida neste tópico, ora, estando os tributos com exigibilidade suspensa sem prazo certo e/ou determinado para recolhimento, enquanto vigente a causa de suspensão da exigibilidade, não há como atribuir feição de despesa a tais valores. Em conclusão, portanto, reafirmo o posicionamento da decisão recorrida segundo o qual, pelo regime de competência, que exige uma avaliação prudente da variação patrimonial da pessoa, os tributos e os correspondentes juros com exigibilidade suspensa devem ser reconhecidos contabilmente como provisões, haja vista que, desde a interposição da medida judicial, o contribuinte já é capaz de antecipar eventual perda que poderá sofrer com o não atendimento do seu pleito levado à Justiça, de sorte que possuindo natureza de provisão, não há como olvidar sua indedutibilidade. Tornese a lembrar o disposto no artigo 41, parágrafo 1º, da Lei nº 8.981/1995: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. Concluise, portanto, não haver reparos a serem feitos na conclusão da decisão recorrida quanto a este tópico. II.3 – Da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL dos meses de janeiro a abril de 2009. Neste tópico específico a recorrente alega que a Fiscalização, nos meses de janeiro a abril de 2009, adicionou os valores de R$ 50.452.400,00 "Provisão de encargos de tributos suspensos e de complementos'' na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e de R$ 127.665.353,35 "Provisão de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa" e R$ 1.040.202.54 "Provisão P/ riscos ISS Aval e Fiança" na base de cálculo da CSLL, a despeito de tais valores terem sido adicionados na DIPJ do anobase 2009, conforme planilha Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.785 38 apresentada com Impugnação (fls.565) de documentos (fls. 1.197 – 1.220 e DIPJ de fls. 1.221 – 1.226). A decisão recorrida, por seu turno, firmou entendimento de que os valores de R$ 50.452.400,00, R$ 127.665.353,35 e R$ 1.040.202.54 não se encontravam entre as adições à base de cálculo da CSLL informada pela contribuinte na DIPJ (fls. 1.225), porquanto a recorrente informou um valor de R$ 3.764.457.691,40 como "Outras Adições", sem que este valor constasse em da planilha apresentada pela contribuinte, nem das listagens de folhas 1.197 – 1.220, situação que impossibilitaria a comprovação da alegação em comento. Entendeuse ainda, que em relação ao valor de R$ 50.452.400,00, adicionado ao lucro real, também não constaria das adições ao lucro líquido informada na DIPJ pela empresa (fls. 1.224), sendo que o valor assinalado no campo Adições, R$ 127.665.353,31, não foi objeto de adição ao lucro real pela fiscalização e a planilha de fls. 565 e as listagens de fls. 1.197 – 1.220 não permitiam comprovar que o valor de R$ 50.452.400,00 estaria no campo "Outras Adições", registrando por fim, que a própria contribuinte, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 353/2010, confirmou que os encargos moratórios das contingências fiscais com exigibilidade suspensa não foram adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (fls. 97). Em sede de Recurso Voluntário, a contribuinte reitera que o entendimento firmado pela Fiscalização e pela decisão recorrida não merecem prosperar na medida em que os valores em referência, quando da lavratura do auto de infração, já haviam sido adicionados pela recorrente na sua DIPJ, apresentando planilha demonstrativa e ressaltando que a demonstração da composição dos valores adicionados na DIPJ já fora apresentada à própria Fiscalização, nos quais se evidenciariam os seguintes valores: Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.786 39 Após elaborar o quadro comparativo acima reproduzido, a contribuinte aduz que dá análise das fichas da DIPJ e das Folhas do livro contábil anexas, podese verificar a tributação de: i) R$ 61.465.798,38, no qual estaria inserido o montante de R$ R$ 50.452.400,00; ii) R$ 4.835.406,88, que compreenderia o montante de R$ 1.040.202.54 e iii) de R$ 127.665.353,35, composto pelos valores de R$ 109.818.658,77 e R$ 17.845.694,54, reputando que seria evidente a cobrança em duplicidade. Com efeito, a decisão recorrida reputou que o quadro demonstrativo acima citado, cujo teor fora coincidentemente elaborado em Impugnação (fl. 556) e da documentação de 1.197 a 1.220, reproduzidas com o Recurso Voluntário, não permitiam concluir que na DIPJ do período (fls. 1.221 – 1.226), os valores acima mencionados foram adicionados ao cálculo da CSLL e do IRPJ. Assiste razão à decisão recorrida, ao fazer coincidente esforço não verifico de pronto que tais valores tenham de fato sido oferecidos à tributação, a exemplo do que registrou a decisão recorrida, os valores de R$ 50.452.400,00, R$ 127.665.353,35 e R$ 1.040.202.54 não se encontram entre as adições à base de cálculo da CSLL informada pela contribuinte na DIPJ (fls. 1.225), ao menos numericamente coincidentes, como, aliás, reputa a própria contribuinte, demais disso, a recorrente informou um valor de R$ 3.764.457.691,40 como "Outras Adições", que não consta em nenhuma das suas planilhas demonstrativas, impedindo a comprovação. O mesmo se diga dos demais valores, que também não constam das adições ao lucro líquido informada na DIPJ pela empresa (fls.1.224), sendo que o demonstrativo da recorrente e os documentos apresentados com a Impugnação (fls. 1.197 – 1.220) não permitem comprovar que os valores estariam no campo "Outras Adições". Sendo assim, neste tópico específico não merece reparos a decisão recorrida. II.4 – Da apuração da diferença de CSLL no ano de 2008 em virtude da elevação de alíquota – IN/RFB nº 810/2008. Neste item da autuação e da decisão recorrida a contribuinte tem sustentado que houve evidente equívoco ao apurar a diferença de CSLL em 2008 pela alteração de alíquota de 9% para 15%, porquanto adotou o método dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução, nos termos do artigo 4° da IN RFB n° 810/2008, o que ocasionaria falta de liquidez e certeza ao lançamento, tornandoos nulos. Outra vez não merece reparos a decisão impugnada. Com efeito, concluiuse que a referida IN RFB nº 810/2008, estabelece em seu artigo 4º, que a recorrente reputa incidente e pelo qual foi feita a análise da DRJ, aplicase apenas à apuração da CSLL mensal por estimativa, não havendo que ser usado no cálculo da CSLL para o balanço encerrado (ajuste anual), confirase: Art. 4ºAs pessoas jurídicas de que trata o inciso I do art. 1º optantes pelo regime de estimativa, que apurarem resultados mensais a partir de maio de 2008 mediante balanços ou balancetes de suspensão ou redução, poderão calcular a CSLL devida, referente ao mêscalendário de cada balanço ou balancete, à alíquota de 15% (quinze por cento), aplicada sobre a diferença entre a base de cálculo ajustada relativa a esse balanço e a do balanço do mêscalendário imediatamente anterior. Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.787 40 (...) Sendo assim, sufragouse o correto entendimento de que para os balanços encerrados a partir de 01/05/2008 até 31/12/2008 deve ser aplicada na determinação da base de cálculo da CSLL, conforme artigo 3º da IN aventada, a proporcionalidade entre o total das receitas brutas dos meses de maio até o último mês abrangido pelo período de apuração, e o total das receitas brutas computadas no balanço desse período, sendo que tal percentual será aplicado sobre a base de cálculo da CSLL de todo o período, para apuração da base sujeita à incidência do diferencial de alíquota de 6%, exatamente como constante no Anexo C do Termo de Verificação Fiscal (fls.489). Confirase o teor do artigo 3º: Art. 3ºAs pessoas jurídicas de que trata o inciso I do art. 1º, tributadas pelo lucro real, que estiverem efetuando o pagamento da CSLL por estimativa, com base noart. 30 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deverão apurar a CSLL devida mensalmente a partir de 1º maio até 31 de dezembro de 2008 mediante a utilização da alíquota de 15% (quinze por cento). Parágrafo único. Relativamente aos balanços ou balancetes encerrados a partir de 1º de maio até 31 de dezembro de 2008, serão adotados os seguintes procedimentos: I verificar a relação percentual entre o total das receitas brutas dos meses de maio até o último mês abrangido pelo período de apuração e o total das receitas brutas computadas no balanço desse período; II aplicar o percentual encontrado no inciso I sobre a base de cálculo da contribuição apurada no balanço ou balancete do período, ajustada na forma da legislação; III sobre o valor apurado na forma do inciso II, aplicar o diferencial de 6% (seis por cento); IV adicionar o valor encontrado na forma do inciso III à contribuição social apurada pela aplicação da alíquota de 9% (nove por cento) sobre a base de cálculo ajustada do período abrangido pelo balanço ou balancete, determinando assim o valor da CSLL. Correta a decisão recorrida, portanto, ao dispor que nenhum reparo há a fazer no lançamento de CSLL eis que de acordo com o previsto na legislação citada. II.5 – Da aplicação do artigo 132 do CTN Sustenta a recorrente em argumento alternativo que por força do disposto no artigo 132, caput, do CTN, não podem subsistir as multas lançadas contra si, porquanto na condição de incorporadora responde apenas pelos tributos devidos pela incorporada (mas não pelas multas de lançamento). Para tanto, reportandose aos fatos sucedidos, insiste que não ser aplicável a Súmula CARF nº 47, pois houve incorporação e efetiva troca de controle acionário, Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.788 41 reafirmando que a Súmula CARF nº 47, ao determinar ser cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico, ressalta, em sentido contrário, que o cancelamento das multas de ofício impõese quando há incorporação e troca de controle entre grupos econômicos distintos e não relacionados. Esta questão tem sido bastante discutida quer no âmbito doutrinário, quer no campo jurisprudencial. Não desconheço, aliás, que em 2011 foi publicado o acórdão CSRF/910101.195, veiculando decisão que estabelece entendimento contrário à tese sustentada pela contribuinte, assim, entendo que tem razão a decisão recorrida e deve ser aplicada a Súmula CARF nº 47. Sendo assim, quanto a este tópico da autuação que entendo remanescente, voto no sentido da manutenção. Com as ponderações até aqui articuladas, merece reforma a decisão recorrida, tanto para a autuação relativa ao IRPJ como o corolário óbvio da CSLL, ficando prejudicados os demais argumentos secundários, inclusive no que toca especificamente à CSLL. Em vista de tudo que acima se aduziu, encaminho meu voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 09 de abril de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.789 42 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator designado Tratase de voto de divergência, acolhido por voto de qualidade, em relação ao posicionamento dado pelo relator do presente acórdão no sentido de dar provimento ao recurso voluntário no tocante ao lançamento de glosa de amortização de ágio, com reflexos no IRPJ e CSLL. A recorrente alega que o fundamento da atuação foi a glosa de despesas com ágio que teriam sido gerados internamente, o que não procede pois o ágio foi gerado em operação realizada entre partes absolutamente independentes (Grupo ABN e Intesa). Informa que o ágio em questão foi gerado em 2005 e 2006, com a recompra de 11,58% das ações do ABN Real pelo Grupo ABN, com ágio de 1,82 vezes o valor de seu patrimônio Líquido e que esta se deu mediante entrega de ações do ABN Holding Holanda (dação em pagamento) e de pagamento em dinheiro. Alega ainda que o fundamento econômico para a recompra das ações do ABN Real foi a sua expectativa de rentabilidade futura, ratificado (I) por Laudo de Avaliação Econômico Financeira do Banco Sudameris (documento que deu suporte para a definição do múltiplo de 1,82 previsto no Contrato de Compra e Venda e pago à Intesa); e ii) por Laudos de Avaliação do Banco ABN AMRO Real S/A. O relator do voto, vencido nesta matéria, acolheu os argumentos da recorrente de que no momento da aquisição de ações do ABN Real pela Bri Par Dois estava presente o ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura equivalente ao valor objeto de negociação entre os Grupos ABN e Intesa, demonstrado em laudo de avaliação econômicofinanceira. Conclui que “equivocouse a decisão recorrida ao estabelecer que o ágio aqui discutido não disporia de fundamento lastreado em expectativa de rentabilidade futura, com efeito, a retrospectiva dos eventos sucedidos, dão conta de que a definição do preço das ações do Banco ABN Real foi definido a partir da sua expectativa de rentabilidade futura, por ocasião do contrato firmado entre a Intesa e o Grupo ABN, ratificado por Laudo de Avaliação apresentado no ato de integralização de ações na Bri Par Dois”. Em que pesem os respeitáveis argumentos do Relator, entendeu o colegiado, por voto de qualidade, que não restou comprovada a fundamentação econômica do ágio na rentabilidade futura do Banco ABN Real, posto que o valor pago foi baseado no preço fixado por ocasião da operação de aquisição do Banco Sudameris junto a Banca Intesa, sem qualquer correlação com a expectativa de rentabilidade futura do Banco ABN Real. Tendo sido incumbido de proferir o voto vencedor quanto à matéria, entendo ser necessário, antes de adentrar o mérito da exigência fiscal, tecer algumas considerações acerca da questão da amortização do ágio em face de reorganizações societárias, que vem sendo largamente utilizado e discutido enquanto mecanismo de planejamento tributário das empresas. Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.790 43 Tal discussão é bastante tormentosa, o que se revela na própria jurisprudência administrativa, e não está imune a algum grau de subjetividade por parte dos intérpretes e aplicadores do direito. A primeira observação que faço referese à liberdade de autoorganização do contribuinte, tida como absoluta pelos intérpretes e doutrinadores liberais, que defendem que “o Fisco só pode cobrar (tributos) mediante tipicidade fechada e legalidade estrita” enquanto que o contribuinte pode fazer tudo que não está restringido pela lei. Desta visão decorre o entendimento de que atendidos os aspectos puramente formais dos atos e operações do contribuinte, independente de seu conteúdo real, nenhuma objeção pode ser feita pelo Fisco. Tal visão desconsidera o aspecto finalístico da lei e sua interpretação sistêmica. Não há dúvidas de que o contribuinte tem ampla liberdade de autoorganizar se, inclusive no sentido de adotar as opções negociais que lhe propiciem a menor carga tributária possível. Esta liberdade de autoorganização, no entanto, não é absoluta; está sujeita a restrições, como o respeito à livre concorrência, à boa fé, à função social da empresa, etc. Tampouco se aplica às hipóteses de simulação, fraude à lei e abuso de direito. Desta feita, não há que se falar em liberdade de autoorganização quando o ato praticado visa única e exclusivamente a reduzir o tributo devido, pois “a carga tributária decorre da lei e não pode ficar ao sabor da ‘criatividade’ do contribuinte. Nem se diga que o ordenamento autoriza estas condutas, pois a opção fiscal (desejada ou induzida pelo ordenamento) é diferente da ‘montagem fiscal” (construção de um modelo apenas formal para atingir um redução do tributo)”. 1 Portanto, a liberdade de autoorganização do contribuinte perante o Fisco e a sociedade não é absoluta; está sujeita a restrições, como o respeito à livre concorrência, à boa fé, à função social da empresa e não se coaduna com as práticas de simulação, abuso de direito ou fraude à lei. O segundo aspecto a ser observado referese ao fundamentos da existência ágio e das condições para sua amortização. A questão do ágio com fundamento econômico na rentabilidade futura da empresa investida, ganhou relevância em meados da década de 1990 no âmbito do Programa Nacional de Desestatização, com a edição da Lei nº 9.532, de 1997, mais especificamente dos seus artigos com base nos artigos 7º, inciso III, e 8º. Antes da edição da Lei nº 9.532/1997, o ágio na aquisição de investimento somente tinha efeitos fiscais na tributação do ganho ou perda de capital quando de sua alienação (DL nº 1.598/77, art. 33), sendo sua amortização fiscalmente neutra (era adicionada no LALUR). 1 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3a. ed.São Paulo: Dialética, 2011. p 246 Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.791 44 Muitos doutrinadores e estudiosos do direito enxergam os dispositivos da Lei nº 9.532/97 como um incentivo fiscal às privatizações, visando a aumentar a participação nos leilões de privatização de estatais Em sentido contrário, Luiz Eduardo Shoueri enxerga a norma como uma restrição “da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição de óbices à amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio às hipóteses em que fossem acarretados efeitos econômico tributários que o justificassem” 2 Qualquer que fosse o objetivo, é certo que o legislador baseouse em um motivo econômico da maior relevância quando tratou da possibilidade fiscal de dedução do ágio pago na aquisição de investimentos, com fundamento na expectativa de rentabilidade futura, na Lei nº 9.532/1997. Independente da premissa ou pressuposto para a instituição da previsão legal de dedução do ágio, verificase que a lei não cuidou de restringir o seu alcance apenas para as operações de aquisições de participações visando o programa nacional de desestatização, de sorte que é correta a sua extensão a toda e qualquer operação de aquisição de investimentos, inclusive naquelas ocorridas entre particulares, desde que seja equivalente às da previsão legal. Assim é que, em uma operação de aquisição de investimentos entre duas empresas independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses, havendo o pagamento de ágio com fundamento na expectativa de rentabilidade futura e, cumpridos os requisitos legais, o Fisco não pode opor qualquer óbice à sua amortização. Por outro lado, a lei não ampara as reorganizações societárias em que não existe uma efetiva aquisição de investimentos; quando há uma mera simulação de negócios societários visando unicamente a cria um ágio artificial para reduzir a carga tributária do contribuinte. São os casos em que ainda que formalmente regulares, os negócios societários não tem substância ou existência real, caracterizandose a simulação em sua vertente absoluta, pois sequer existe um negócio (verdadeiro) dissimulado. As principais características desses arranjos societários simulados são: reorganização societária dentro de um grupo de empresa sob controle comum ; a criação ou aquisição de empresas sem atividade econômica real (empresas veículos); subscrição de capital na empresa veículo, integralizada com quotas ou ações da empresa operacional do grupo (ou outra holding intermediária), avaliadas “a valor de mercado” com base na expectativa de rentabilidade futura; ausência de pagamento efetivo (não há qualquer dispêndio ou sacrifício patrimonial); inexistência de qualquer outra finalidade nas operações, que não a geração do ágio; operações formais realizadas em curto espaço de tempo (geralmente menos de um ano); incorporação reversa da investidora pela investida, que passa a adotar a razão social ou marca daquela; controle societário da empresa operacional (direto ou indireto) resulta inalterado ao final da reorganização societária. 2 SCHOUERI, Luis Eduardo. ÁGIO EM REORGANIZAÇÕES SOCIETÁRIAS (ASPECTOS TRIBTÁRIOS). São Paulo: Dialétic, 2012, p. 67. Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.792 45 Assim, no exame das operações societárias visando a aferir a efetividade da existência do ágio, no meu entendimento, há que se levar em consideração, principalmente: a existência de motivação econômica para a operação; a independência entre as partes na formação do preço pago pela participação; a existência de efetivo pagamento (mesmo que com bens ou direitos); modificação da participação no controle (direto ou indireto) da empresa operacional após a reorganização. Ainda deve ser observado que a lei exige que o contribuinte demonstre documentalmente os fundamentos do ágio pago, valendose os interessados, geralmente, de laudos técnicos de empresas especializadas que avaliam o investimento a preço de mercado. Outro aspecto que costuma aparecer nas operações de envolvendo o pagamento de ágio, é a compra ou criação, pela empresa investidora, de outra empresa, que sob seu controle direto recebe o aporte de capital e efetua a aquisição das quotas ou ações da empresa investida. Em momento posterior, essas empresas geralmente são incorporadas (incorporação reversa) pela investida visando ao aproveitamento (amortização) do ágio. A justificação econômica, na maioria das vezes, é de que as investidoras não têm interesse em fundirse diretamente com a empresa investida, seja por motivos estratégicos, financeiros ou mesmo operacionais, como por exemplo a necessidade de separação por ramos de negócio ou manutenção da marca. Assim, para viabilizar a amortização do ágio constituem estas empresas intermediárias para a aquisição do investimento. Entendo que havendo justificação econômica para o ágio originalmente pago não exista óbice para tal operação, pois se não há vício na formação do ágio o seu aproveitamento posterior, nos termos da previsão legal, deve ser respeitado pelo Fisco. Aqui, segundo entendo, encontrase o espaço legal para que o contribuinte, dentro de sua liberdade negocial e de autoorganização, realizar a operação nos moldes que melhor atendam os seus interesses, inclusive levando em conta a que lhe propicie maior economia fiscal. Feitas estas breves considerações, passo a analisar o caso concreto. Do exame das operações realizadas, entendo que não ficou comprovada a fundamentação econômica do ágio, baseada na rentabilidade futura do Banco ABN Real. Importante mencionar, desde logo, que embora a fiscalização tenha focado na existência de ágio interno, face à transferência do ágio pago para uma empresa controlada, com posterior incorporação reversa, esta questionou expressamente a falta de fundamentação econômica do ágio com base na rentabilidade futura, como se extrai do seguinte trecho TVF (fls. 688): O ágio, determinado discricionariamente pelo ABN AMRO BANK N.V., foi fixado pela diferença entre o valor das ações de processos anteriores e o seu valor patrimonial, quando da subscrição de capital na BRI PAR DOIS. Portanto, vêse que, inicialmente, o ágio contabilizado não foi determinado por uma avaliação econômica e financeira do BANCO ABN AMRO, ou seja, em função de uma expectativa de rentabilidade da controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.793 46 No presente caso a operação que teria dado ensejo ao ágio decorreu inicialmente da recompra de ações do Banco ABN AMRO Real por parte de empresas do grupo ABN, que anteriormente haviam sido cedidas à Banca Intesa como parte de pagamento da aquisição do controle societário do Banco Sudameris. De acordo com as informações e documentos apresentados pela recorrente, a ABN Brasil Participações Financeiras adquiriu, em 13/06/2003, 94,57% das ações do Banco Sudameris junto à Banca Intesa, pelo valor de R$ 2.292.965.000,00, tendo pago R$ 526.754.900,00 em dinheiro e R$ 1.662.910.100,00 em ações do Banco ABN Real S/A, representativas de 11.58% do seu capital social. De acordo com o Contrato de Compra e Venda das Ações (Stock Purchase Agreement), o valor patrimonial das ações foi multiplicado pelo índice de 1,82 de forma a corresponder ao valor de R$ 1.662.910.100,00. Em 24/10/2003, a ABN Holding Holanda e a Intesa celebraram um contrato de Opção de Permuta (Swap Option Agreement), em aditamento ao Contrato de Compra e Venda das Ações, pelo qual a Banca Intesa poderia exercer o seu direito de permuta de ações do Banco ABN Real por ações da ABN Holding Holanda, nos anos de 2005, 2006 e 2007, mantendose, para fins de permuta, o valor estipulado para o preço das ações do Banco ABN Real equivalente ao valor patrimonial das ações multiplicado pelo índice de 1,82, aplicado por ocasião da entrega das ações em pagamento do controle do Banco Sudameris. O preço das ações do ABVN Holding Holanda seria mensurado pelo preço médio ponderado negociado na Bolsa de Valores de Amsterdã nos últimos cinco dias antes da permuta. Em 27/05/2005 foram feitos novas alterações no Contrato de Opção de Permuta para que o ABN Holding Holanda pudesse pagar em dinheiro pela troca das ações do Banco ABN Real, caso a Intesa exercesse a opção de permuta. Em 06/06/2005 a Banca Intesa exerceu a sua primeira opção de permuta, entregando 70.638.889 ações do Banco ABN Real em troca de ações da ABN Holding Holanda, pelo valor de EUR 202.037.953,40, que correspondiam ao valor patrimonial das ações, multiplicado pelo coeficiente 1,82 previsto no contrato. Em 20/06/2005, a ABN Holding Holanda vendeu estas ações do Banco ABN Real para o ABN Bank Holanda, pelo mesmo valor da permuta feita com a Intesa. Em 19/06/2006 a Banca Intesa exerceu a sua segunda opção de permuta, só que desta feita entregou 70.638.889 ações do Banco ABN Real e ao invés de receber em troca de ações da ABN Holding Holanda, recebeu o pagamento em dinheiro no valor de EUR 223.964.568,51 que correspondiam ao valor patrimonial das ações, multiplicado pelo coeficiente 1,82 previsto no contrato. Na mesma data, a ABN Holding Holanda vendeu estas ações do Banco ABN Real para o ABN Bank Holanda, pelo mesmo valor da compra pago a Intesa. Em 28/06/2006 o ABN Bank Holanda aumentou o capital da empresa Bri Par Dois mediante a conferência das 141.277.778 ações do Banco ABN Real adquiridas nas operações acima relatadas, pelo mesmo valor pago. Nesta operação a Bri Par Dois registrou um ágio na aquisição das ações do ABN Real, baseado em laudo de expectativa de rentabilidade futura, limitado ao valor objeto de negociação fixado no Contrato de Compra e Venda (do Banco Sudameris) e de Opção de Permuta, celebrado entre as empresas do Grupo ABN e Grupo Intesa. A recorrente apresentou um laudo de avaliação elaborado em 28/09/2006 da consultoria Deloitte (fls. 960) na qual a participação acionária no Banco ABN Real S/A, detida pelo ABN Bank Holanda, equivalente a 141.277.778 ações (7,72% do capital total), equivaleriam em 31/05/2006 ao valor de R$ 1.447,77 milhões, com base na sua estimativa de mercado baseada em expectativa de rentabilidade futura. No entanto, para fins de integralização do capital na Bri Par Dois adotouse o valor de R$ 1.192.790.121,00, equivalente ao valor pago em Euros, pelo ABN Bank Holanda, convertido à taxa de câmbio vigente em 26/06/2006, conforme Ata da AGE, realizada em 28/06/2006 (fls. 954/957). Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.794 47 Em 20/09/2006 a Banca Intesa exerceu a sua terceira opção de permuta, entregando 70.638.889 ações do Banco ABN Real e, novamente, ao invés de receber em troca de ações da ABN Holding Holanda, recebeu o pagamento em dinheiro no valor de EUR 232.975.334,06, que correspondiam ao valor patrimonial das ações, multiplicado pelo coeficiente 1,82 previsto no contrato. Na mesma data, a ABN Holding Holanda vendeu estas ações do Banco ABN Real para o ABN Bank Holanda, pelo mesmo valor da compra pago a Intesa. Em 28/09/2006 o ABN Bank Holanda aumentou o capital da empresa Bri Par Dois mediante a conferência das 70.638.889 ações do Banco ABN Real adquiridas nesta última operação, pelo mesmo valor pago. Nesta operação a Bri Par Dois registrou um ágio na aquisição das ações do ABN Real, baseado em laudo de expectativa de rentabilidade futura, limitado ao valor objeto de negociação fixado no Contrato de Compra e Venda (do Banco Sudameris) e de Opção de Permuta, celebrado entre as empresas do Grupo ABN e Grupo Intesa. A recorrente apresentou um laudo de avaliação elaborado em 28/09/2006 da consultoria Deloitte (fls. 1029) na qual a participação acionária no Banco ABN Real S/A, detida pelo ABN Bank Holanda, equivalente a 70.639.890 ações (3,86% do capital total), equivaleriam em 31/08/2006 ao valor de R$ 727,35 milhões, com base na sua estimativa de mercado baseada em expectativa de rentabilidade futura. No entanto, para fins de integralização do capital na Bri Par Dois adotouse o valor de R$ 650.033.801,00, equivalente ao valor pago em Euros, pelo ABN Bank Holanda, convertido à taxa de câmbio vigente em 26/09/2006, conforme Ata da AGE, realizada em 28/09/2006 (fls. 1023/1026). Em 31/08/2007, foi aprovada a incorporação da Bri Par Dois pelo ABN Real, passando este a amortizar o valor do ágio gerado na recompra de suas próprias ações. Analisando o conjunto de operações realizadas, iniciadas em 24/10/2003 com a aquisição do controle do Banco Sudameris pelo Grupo ABN, verificase que o ágio efetivamente pago (equivalente a 0,82 do valor patrimonial das ações) pela recompra das ações do Banco ABN Real SA não foi determinado com base na expectativa de rentabilidade futura daquela empresa do grupo ABN, mas sim foi determinado em face das avenças realizadas com a Banca Intesa no processo de aquisição do Sudameris. Desde o início das operações contratadas restou fixado o índice de 1,82 (por convenção entre as partes) a ser aplicado sobre o valor patrimonial das ações do ABN Real, inicialmente como parte do pagamento pela aquisição do Sudameris, depois na possibilidade de permuta das ações do ABN Real por ações da ABN Holding, na sequência para fins de substituição da permuta por pagamento em dinheiro pela ABN Holding e na venda das ações ao ABN Bank Holanda e, finalmente, no aumento e integralização do capital da empresa Bri Par Dois. O que a recorrente buscou, por meio de laudos de avaliação elaborados quase três anos após a fixação do índice de precificação das ações do ABN Real no negócio original, foi validar o ágio como se tivesse sido pago com base na expectativa de rentabilidade futura, o que não se pode admitir. De fato, o negócio relativo á recompra das ações foi realizado entre partes livres e independentes, que estipularam desde logo um preço pelas ações do Banco ABN Real que norteou toda a negociação posterior. Porém, em nenhum momento da negociação, realizada entre esta partes independentes, aflorou a informação relativa à fundamentação econômica que determinou a estipulação do valor das ações do Banco ABN Real com base no seu valor patrimonial, multiplicado pelo fator de 1,82. Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.795 48 Somente por ocasião da entrega dessas ações, para a capitalização da empresa Bri Par Dois, operação interna ao grupo, é que nasceu a discussão sobre a natureza do ágio pago. Notese que, ainda assim, o ágio ficou limitado ao mesmo valor estipulado nos negócios anteriores. A recorrente sustenta toda a sua tese no sentido de que o ágio foi efetivamente pago e que, portanto, é suscetível de transferência e aproveitamento nas operações posteriores. Como afirmei anteriormente, havendo a justificação econômica para o ágio originalmente pago não existe óbice para sua dedutibilidade. Ocorre que, no presente caso, não restou demonstrado e comprovado o fundamento econômico que justificou a formação do ágio em sua origem, o que inviabiliza o seu aproveitamento posterior. Os laudos apresentados reportamse a momento posterior à formação do ágio, assim, não podem, à toda evidência, fundamentar um valor fixado em negócio que começou a realizarse cerca de três anos antes de sua elaboração. Não é descabido relembrar que as ações não foram entregues pelo valor apurado nos laudos de avaliação elaborados por ocasião da capitalização da empresa Bri Par Dois, mais sim pelo valor pago nas negociações anteriores nas quais não há qualquer documento a comprovar o fundamento econômico que determinou a fixação do preço das ações do Banco ABN Real equivalente a 1,82 vezes o seu valor patrimonial. Ora, se a própria recorrente sustenta que o ágio foi efetivamente pago e o valor fixado entre partes independentes incumbialhe demonstrar o fundamento econômico do ágio no seu nascimento e não por ocasião de sua transferência na capitalização da empresa Bri Par Dois. E, não se diga, como sustenta a recorrente em relação à decisão recorrida que se está inovando no fundamento do lançamento, pois como já demonstrado, embora a fiscalização tenha recusado a validade do ágio relativo à operação interna ao grupo (capitalização da empresa Bri Par Dois), apontou também que “O ágio, determinado discricionariamente pelo ABN AMRO BANK N.V., foi fixado pela diferença entre o valor das ações de processos anteriores e o seu valor patrimonial, quando da subscrição de capital na BRI PAR DOIS. Portanto, (...) o ágio contabilizado não foi determinado por uma avaliação econômica e financeira do BANCO ABN AMRO, ou seja, em função de uma expectativa de rentabilidade da controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”. Além disso, como bem apontou o conselheiro relator ao rejeitar a alegação de nulidade, a comprovação da fundamentação econômica do ágio é requisito legal essencial à sua dedutibilidade. Ao rejeitar a alegação de nulidade do acórdão recorrido, assinalou o relator: Ademais, como a questão alusiva ao fundamento do ágio traduzido na perspectiva de rentabilidade futura é condição inarredável para sua dedutibilidade, condição inserida na legislação de regência, diversamente do que ocorre com o denominado ágio interno, que reclama interpretação do agente fiscalizador, quer me parecer legítimo o enfrentamento pela decisão recorrida, ainda que o tenha feito de maneira factual equivocada, não me parece que lhe fosse vedado perquirir as condicionantes legais de dedutibilidade de determinada despesa, sem com isso, esbarrar na vedação à inovação do critério de lançamento, tampouco em cerceamento ao direito de defesa da recorrente. (grifei) Ou seja, a comprovação do fundamento econômico do ágio é condição essencial aa sua dedutibilidade e disso estava ciente a recorrente, tanto que intentou fazêla por meio dos laudos Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16327.001697/201073 Acórdão n.º 1301001.474 S1C3T1 Fl. 1.796 49 elaborados pela empresa de consultoria que, conforme já exaustivamente analisados, não têm o condão de validar as operações realizadas preteritamente. Com efeito, entendeu o colegiado que tais fundamentos eram suficientes para a glosa da despesa e a manutenção do lançamento. Com relação à CSLL o colegiado concluiu que devem aplicarse as mesmas conclusões em relação ao IRPJ, na medida em que não tendo sido comprovado o fundamento econômico do ágio resta prejudicado o seu reconhecimento contábil e suas conseqüências no próprio resultado líquido, de sorte que é despicienda a discussão quanto à existência ou não de previsão legal que determine a realização de ajustes, mediante adição, à sua base de cálculo. Por estas razões, acordaram os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 09 de Abril de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /10/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006907/2008-54
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11516.006907/2008-54
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5391992
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-000.116
nome_arquivo_s : Decisao_11516006907200854.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 11516006907200854_5391992.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
id : 5678533
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252315930624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2307; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 93 1 92 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.006907/200854 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2201000.116 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 16 de outubro de 2012 Assunto Sobrestamento Rendimentos Recebidos Acumuladamente Recorrente ELADIO SOARES MARTINS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física, exercício 2005, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 26/33, em decorrência da constatação de omissão de rendimentos tributáveis recebidos da Justiça Federal, relativo a Processo Judicial n.° 97.00.038254/SC — Precatório n.° 2003.04.02.0053710/TRF da 4a Região. Na apuração do imposto devido foi compensado o valor de R$ 9.669,45, a título de imposto de renda retido na fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos. Cientificado do lançamento, o interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando que cálculo do imposto de renda deveria ter sido elaborado tomandose por base o salário percebido mês a mês e não sobre o montante total auferido, excluindose o valor correspondente aos juros e correção monetária. A 6ª Turma da DRJ de Florianópolis/SC, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, em decisão assim ementada (fls.55/57): RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 06 90 7/ 20 08 -5 4 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 11516.006907/200854 Resolução nº 2201000.116 S2C2T1 Fl. 94 2 RENDIMENTOS RECEBIDOS EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. Submetemse ao ajuste anual os rendimentos recebidos em decorrência de ação judicial que não sejam isentos, não tributados ou de tributação exclusiva, observadas as deduções permitidas em lei. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. JUROS. TRIBUTAÇÃO. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda incide sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária. Intimado da decisão de primeira instância em 13/09/2011 (fl. 69 do PDF), o contribuinte apresentou em 11/10/2011, Recurso Voluntário de fls. 70/71, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O contribuinte, desde sua impugnação, alega que versando o lançamento sobre rendimentos recebidos acumuladamente, deveria ter sido aplicado o regime de competência, considerando o salário percebido mês a mês e não o montante total auferido quando da sentença judicial, bem como ser excluído o valor correspondente aos juros e correção monetária. Ocorre que a matéria, relativa a rendimentos de pessoa física percebidos acumuladamente, em períodos diversos daquele de sua competência, é reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Vejase a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 11516.006907/200854 Resolução nº 2201000.116 S2C2T1 Fl. 95 3 inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL0247601 PP 00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 ).(Grifei.) Nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil CPC. Transcrevese o art. 62A do RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifei) Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 001, de 03 de janeiro de 2012, dispõe: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Assim sendo, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral do tema em questão, qual seja, incidência de imposto de renda sobre rendimentos da pessoa física pagos acumuladamente e determinou o sobrestamento na origem dos recursos extraordinários (Recurso Extraordinário n. 614.406/RS). Ante a todo o exposto, voto no sentido de sobrestar os autos até decisão definitiva do STF. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721524/2012-30
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DO MÉRITO DO LANÇAMENTO NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Face à ausência de contestação do mérito do lançamento no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar nas razões de pedir em sede recursal, mormente quando nenhuma justificativa traz para assim proceder. Não conhecimento do recurso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2802-003.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DO MÉRITO DO LANÇAMENTO NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Face à ausência de contestação do mérito do lançamento no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar nas razões de pedir em sede recursal, mormente quando nenhuma justificativa traz para assim proceder. Não conhecimento do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10825.721524/2012-30
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5390094
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-003.175
nome_arquivo_s : Decisao_10825721524201230.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10825721524201230_5390094.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5668315
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252319076352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 83 1 82 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.721524/201230 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.175 – 2ª Turma Especial Sessão de 08 de outubro de 2014 Matéria IRPF Recorrente JÚLIO ROSA DE OLIVEIRA FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DO MÉRITO DO LANÇAMENTO NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Face à ausência de contestação do mérito do lançamento no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar nas razões de pedir em sede recursal, mormente quando nenhuma justificativa traz para assim proceder. Não conhecimento do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 15 24 /2 01 2- 30 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que julgou procedente em parte Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 2.981,34 relativo ao anocalendário 2008. Passo a reproduzir, com a devida vênia, o relatório da decisão recorrida, por bem descrever os fatos sob exame: Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 6, o procedimento resultou na apuração de “Omissão de Rendimentos Do Trabalho e/ou sem Vínculo Empregatício”, no importe de R$ 38.044,75, provenientes do Banco Nossa Caixa S/A, com o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 3.200,72, em decorrência de o valor ter sido informado em DIRF pela referida fonte pagadora e de ter o contribuinte deixado de consignálo em sua declaração retificadora. O lançamento originouse do indeferimento parcial da Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL (fl. 4), que foi deferida parcialmente, ensejando a emissão da presente Notificação de Lançamento (fls. 5/8), com apuração do valor omitido acima referenciado (fl. 5). Em sua impugnação de fl. 2, o contribuinte faz menção à omissão de rendimentos no importe de R$ 38.044,75 e alega que o imposto já foi recolhido, conforme documentos anexos. A instância a quo manteve parcialmente o lançamento, frisando que em sua impugnação o contribuinte não se insurge contra a matéria autuada, limitandose a afirmar que já efetuou o pagamento do imposto de renda lançado. Foi afastada parte da multa de ofício lançada, devido ao pagamento espontâneo de parcelas de imposto de renda devido, sobre os quais se orientou a Delegacia de origem proceder a alocação na autuação mantida. Irresignado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 22/10/2012, aduzindo, em apertada síntese, que o INSS enviou informações errôneas à Receita Federal do Brasil e que é portador de moléstia grave, motivo pelo qual é isento do imposto de renda em caráter permanente, demandando ao final a improcedência total da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo, porém inova o contribuinte em suas razões recursais, trazendo em sede de recurso voluntário razões de pedir não formuladas na impugnação. Consoante fl.2, o contribuinte em sua irresignação original alegou tão somente que o "Imposto já foi recolhido como prova [sic] os documentos em anexo". As razões da autuação, a saber, a omissão de rendimentos do trabalho assalariado (fl. 6), não foram contestadas. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10825.721524/201230 Acórdão n.º 2802003.175 S2TE02 Fl. 84 3 Notese que o contribuinte não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da congruência e ofensa ao art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, bem como aos arts. 128, 183, 264 e 460 do Código de Processo Civil. E, em que pese meu convencimento de que o instituto da preclusão não deve ser visto como um dogma, mas sim como instrumento para que o processo melhor atinja seu objeto último, a composição dos litígios, na espécie não vislumbro razões para sua eventual ponderação frente a outras normas do ordenamento jurídico, pois nenhuma justificativa trouxe o autuado para só agora verter sua inconformidade quanto ao mérito do lançamento. Mesmo que no exame desse mérito se adentrasse, o que se admite apenas a título argumentativo (ad argumentandum tantum), vale observar que a autuação decorreu não em função da falta de reconhecimento da condição de portador de moléstia grave do contribuinte, como parece este entender, mas sim de que os rendimentos que pretende serem isentos são, na verdade, oriundos de trabalho assalariado (fl. 40), não havendo supedâneo legal, portanto, para a isenção demandada. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001612/2007-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
PROCESSO DE PRODUÇÃO. FASES DE LAVRA, BRITAGEM E MOAGEM. ATIVIDIDADE INTEGRADAS DE PRODUÇÃO DE MINÉRIO. DEFINIÇÃO.
As fases de lavra, britagem e moagem integram o processo de produção da empresa mineradora e produtra de concentrado de cobre, produto final destinado à venda.
CRÉDITO DO REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO APLICADO NO PROCESSO DE PRODUÇÃO. DEDUÇÃO DO CRÉDITO CALCULADO SOBRE O VALOR DE AQUISIÇÃO. CABIMENTO.
Os valores das aquisições dos insumos, aplicados em todas as fases do processo produtivo de produto final destinado à venda, integram a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, por expressa previsão legal.
CRÉDITO DO REGIME NÃO CUMULATIVO. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTULIZADOS NA PRODUÇÃO DE BEM DESTINADO À VENDA. POSSIBILIDADE.
1. Por opção do contribuinte, a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa sobre o valor mensal da depreciação acelerada, equivalente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição, somente é permitida para as máquinas e os equipamentos do ativo imobilizado, utilizados no processo de produção de bens destinados à venda.
2. Os outros bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda, bem como as edificações utilizadas na atividade da empresa, devem ser depreciados com base no valor do encargo normal de depreciação incorrido no mês, determinado na forma da legislação específica.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de crédito dos valores correspondentes à depreciação acelerada de equipamentos e depreciação normal de instalações e edificações e reconhecer os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep vinculados à receita exportação informados nos Dacon dos 1º e 2º semestres de 2007; e por maioria de votos, reconhecer os créditos na aquisição de insumos utilizados na lavra, britagem e moagem. Vencido o Conselheiro José Paulo Puiatti.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007 PROCESSO DE PRODUÇÃO. FASES DE LAVRA, BRITAGEM E MOAGEM. ATIVIDIDADE INTEGRADAS DE PRODUÇÃO DE MINÉRIO. DEFINIÇÃO. As fases de lavra, britagem e moagem integram o processo de produção da empresa mineradora e produtra de concentrado de cobre, produto final destinado à venda. CRÉDITO DO REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO APLICADO NO PROCESSO DE PRODUÇÃO. DEDUÇÃO DO CRÉDITO CALCULADO SOBRE O VALOR DE AQUISIÇÃO. CABIMENTO. Os valores das aquisições dos insumos, aplicados em todas as fases do processo produtivo de produto final destinado à venda, integram a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, por expressa previsão legal. CRÉDITO DO REGIME NÃO CUMULATIVO. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTULIZADOS NA PRODUÇÃO DE BEM DESTINADO À VENDA. POSSIBILIDADE. 1. Por opção do contribuinte, a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa sobre o valor mensal da depreciação acelerada, equivalente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição, somente é permitida para as máquinas e os equipamentos do ativo imobilizado, utilizados no processo de produção de bens destinados à venda. 2. Os outros bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda, bem como as edificações utilizadas na atividade da empresa, devem ser depreciados com base no valor do encargo normal de depreciação incorrido no mês, determinado na forma da legislação específica. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13116.001612/2007-49
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5395097
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-002.167
nome_arquivo_s : Decisao_13116001612200749.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 13116001612200749_5395097.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de crédito dos valores correspondentes à depreciação acelerada de equipamentos e depreciação normal de instalações e edificações e reconhecer os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep vinculados à receita exportação informados nos Dacon dos 1º e 2º semestres de 2007; e por maioria de votos, reconhecer os créditos na aquisição de insumos utilizados na lavra, britagem e moagem. Vencido o Conselheiro José Paulo Puiatti. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5694961
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252322222080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2242; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 100 1 99 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.001612/200749 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.167 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2014 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente MINERAÇÃO MARACÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOCORRÊNCIA CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não é passível de nulidade por ofensa ao direito de defesa, a decisão do órgão de julgamento de primeiro grau que se pronuncia de forma clara e suficiente sobre as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. 2. A autoridade julgadora de primeira instância não está obrigada a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelo contribuinte em sua defesa, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão proferida. ERRO DE PREENCHIMENTO DE DOCUMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À ATIVIDADE DE CONTROLE. MOTIVO PARA NÃO RECONHECIMENTO DE DIREITO CERTO E LÍQUIDO. IMPOSSIBILIDADE. Os erros materiais cometidos no preenchimento de documento fiscal que não tenha prejudicado a atividade de controle da fiscalização devem ser retificados, de ofício, pela autoridade fiscal competente, jamais utilizado como motivo para indeferir direito certo e líquido do contribuinte ao ressarcimento e compensação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, vincualdo à receita de exportação, legitimamente apurado na sua escrituração fiscal e contábil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 PROCESSO DE PRODUÇÃO. FASES DE LAVRA, BRITAGEM E MOAGEM. ATIVIDIDADE INTEGRADAS DE PRODUÇÃO DE MINÉRIO. DEFINIÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 16 12 /2 00 7- 49 Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 As fases de lavra, britagem e moagem integram o processo de produção da empresa mineradora e produtra de concentrado de cobre, produto final destinado à venda. CRÉDITO DO REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO APLICADO NO PROCESSO DE PRODUÇÃO. DEDUÇÃO DO CRÉDITO CALCULADO SOBRE O VALOR DE AQUISIÇÃO. CABIMENTO. Os valores das aquisições dos insumos, aplicados em todas as fases do processo produtivo de produto final destinado à venda, integram a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, por expressa previsão legal. CRÉDITO DO REGIME NÃO CUMULATIVO. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTULIZADOS NA PRODUÇÃO DE BEM DESTINADO À VENDA. POSSIBILIDADE. 1. Por opção do contribuinte, a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa sobre o valor mensal da depreciação acelerada, equivalente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição, somente é permitida para as máquinas e os equipamentos do ativo imobilizado, utilizados no processo de produção de bens destinados à venda. 2. Os outros bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda, bem como as edificações utilizadas na atividade da empresa, devem ser depreciados com base no valor do encargo normal de depreciação incorrido no mês, determinado na forma da legislação específica. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de crédito dos valores correspondentes à depreciação acelerada de equipamentos e depreciação normal de instalações e edificações e reconhecer os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep vinculados à receita exportação informados nos Dacon dos 1º e 2º semestres de 2007; e por maioria de votos, reconhecer os créditos na aquisição de insumos utilizados na lavra, britagem e moagem. Vencido o Conselheiro José Paulo Puiatti. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13116.001612/200749 Acórdão n.º 3102002.167 S3C1T2 Fl. 101 3 Por bem descrever os fatos, adotase e passase a transcrever o relatório encartado na decisão de primeiro grau, ipsis litteris: Cuidam os autos de Per/Dcomp, débitos diversos com créditos de PIS NãoCumulativo – Exportação apurados nos trimestres de 2007. Irresignada com a não homologação da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, requerendo, em síntese, que: A contribuinte reconhece que ao informar os valores em sua PER não apontou os valores compensados através das Dcomp, contudo, esse erro não causou qualquer prejuízo à União, na medida em que os créditos de fato existiam à época; Admitir o contrário: que o crédito não restasse comprovado nos autos nos termos exigidos por esta administração, é afrontar o princípio da verdade material que deve prevalecer, haja vista que o crédito efetivamente existe e deve ser reconhecido; Ademais, devese analisar que não existe infração tãosó um erro formal de sua parte no preenchimento de sua declaração; Os créditos apurados não foram utilizados para dedução de débitos da contribuição devida porque recolheu os valores devidos a título de PIS do período em referência, fato que impediu o aproveitamento dos créditos apurados com os débitos referentes à mesma contribuição. Não é razoável exigir que fique impossibilitado ao aproveitamento de tais créditos em razão de tal fato; De outra forma a IN SRF 600/2005, art. 21, contém vício de legalidade, pois a Lei 10.833/2003 não condiciona o aproveitamento do crédito de Cofins apenas com esta contribuição para posterior uso com os demais tributos; Não existe qualquer legislação que impede a utilização de créditos referente a janeiro/2007; O conceito de insumo da IN SRF 404/2004, art. 8º, I, “b”, “b.1”, parágrafo 4º, I está divergente do art. 110 do CTN, fato que implica em ilegalidade. O processo produtivo da empresa é complexo, abrange todas as etapas para a fabricação do concentrado de cobre; Quanto aos créditos oriundos do ativo imobilizado, houve erro relativamente aos bens informados como passíveis de ensejar créditos, traz nova lista de bens que integram seu ativo imobilizado e essenciais ao processo produtivo na fabricação do concentrado de cobre na mina em Alto Horizonte; Por último, requer perícia contábil para apurar a verdade dos fatos. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 Sobreveio a decisão primeiro grau (fls. 1.038/1.042), em que, por unanimidade de votos, foi indeferida a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: Restituição/Compensação Contribuição para o PIS/Pasep PIS NãoCumulativoExportação A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, e que a compensação pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Ilegalidade/Inconstitucionalidade de Normas Legais Compete ao Judiciário a discussão da legalidade e/ou inconstitucionalidade das normas legais. A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza. Em 17/9/2009, a interessada foi cientificada da referida decisão. Irresignada, em 19/10/2009, apresentou o recurso voluntário de fls. 1.046/1.068, em que reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou nulidade da decisão recorrida por ausência de fundamentação legal e cerceamento ao direito de defesa, sob o argumento de que as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade sequer foram analisadas pelo julgador da instância a quo. Reiterou o pedido de realização de perícia contábil, apresentado na primeira instância, sob o argumento de que a produção da prova pericial era imprescindível para a comprovação do valor do crédito informado, em conformidade com princípio da verdade real. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. I DA PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO PRIMEIRA INSTÂNCIA Em preliminar, a recorrente alegou nulidade da decisão primeiro grau por ausência de fundamentação legal e cerceamento ao direito de defesa, sob o argumento de que a Turma de Julgamento a quo não confrontara devidamente a sua fundamentação, tendo simplesmente utilizado da mesma fundamentação anteriormente alegada no Despacho Decisório para indeferir seu pleito. Não assiste razão à recorrente quanto à alegação de falta de fundamentação, pois, se o relator do voto condutor do julgado recorrido utilizou os mesmos fundamentos explicitados no vergastado despacho decisório, tal circunstância ratifica que houve fundamentação da decisão. O julgador é livre para decidir, segundo as suas convicções. Logo, o fato dele ter optado pelos mesmos fundamentos aduzidos pela da autoridade fiscal de origem, obviamente, não configura ausência de fundamentação, mas o exercício regular das prerrogativas conferidas ao julgador, conforme expressamente previsto no § 1º do art. 50 da Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13116.001612/200749 Acórdão n.º 3102002.167 S3C1T2 Fl. 102 5 Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, a seguir transcrito: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. [...] (grifos não originais) No exercício regular da atividade de julgamento do despacho decisório em apreço, ao Órgão julgador de primeiro grau restavam duas alternativas, a saber: (i) adotar os fundamentos aduzidos na decisão originária e mantêla; ou (ii) acatar os fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade ou outro fundamento diferente do aduzido pela autoridade fiscal e, neste caso, reformar questionada decisão. No caso, o fato de o Órgão julgador de primeiro grau ter optado pelos fundamentos apresentados no despacho decisório, obviamente, não significa que não houve fundamento. Entretanto, se esta opção foi exercida de forma correta ou não, é uma questão de mérito a seguir analisada. Também não inquina acórdão recorrido, o fato de a Turma de Julgamento de primeiro grau não ter se pronunicado de forma exaustiva sobre todos os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, desde que a decisão tenha sido adequadamente motivada, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos suficientes para embasar a decisão. No mesmo sentido, tem se manifestado a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme explicitado nos trechos do enunciado da ementa que seguem transcritos: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535, DO CPC. NÃO CONFIGURADA. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO SOBRE COMBUSTÍVEL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO IMPLÍCITO . JUROS DE MORA. TERMO A QUO. 1. Inexiste ofensa ao art. 535, CPC, quando o Tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos, cujo decisum revelase devidamente fundamentado. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Precedente desta Corte: RESP 658.859/RS, publicado no DJ de 09.05.2005. [...] 6. Recurso especial a que se nega seguimento.(CPC, art. 557, caput). (STJ. REsp 779.680, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 19/12/2005) Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 Compulsando o questionado Despacho Decório, extraise que o principal motivo para o não reconhecimento do direito creditório informado e a não homologação das compensações declaradas foi a inobservância, por parte da recorrente, dos requisitos estabelecidos no art. 22 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente na data da apresentação dos PER/DCOMP, a seguir transcrito: Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4º do art. 21, acumulados ao final de cada trimestrecalendário, poderão ser objeto de ressarcimento. § 1º O pedido de ressarcimento a que se refere este artigo será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 2º O pedido de ressarcimento dos créditos acumulados na forma do inciso II e do § 4º do art. 21, referente ao saldo credor acumulado no período de 9 de agosto de 2004 até o final do primeiro trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser efetuado a partir de 19 de maio de 2005. § 3º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário. II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. Para espancar qualquer dúvida, reproduzse o excerto do mencionado Despacho Decisório em que autoridade fiscal apresenta sua conclusão a respeito da questão: Do exposto, fica claro que o contribuinte não observou o art. 22 da IN SRF n° 600/2005, referente à forma como deveria proceder ao solicitar os créditos do PIS/PASEP Não Cumulativo Exportação, ou seja, referirse a um único trimestrecalendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. Assim, já se pode concluir que os PER/DCOMPs transmitidos pelo contribuinte com base em créditos do PIS/PASEP Não Cumulativo do 1°, 2°, 3º e 4° trim/2007 não guardam qualquer relação com os DACONs do 1° e 2º semestres de 2007, devendo não ser reconhecidos os direitos creditórios do contribuinte e conseqüentemente não homologadas as compensações. Logo, fica demonstrado que a autoridade fiscal de origem considerou o descumprimento das questões formais suficientes para o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação objeto dos presentes autos. Entretanto, apesar do entendimento de que a questão formal era suficiente para embasar a decisão exarada, a dita autoridade também se pronunciou sobre as seguintes questões de mérito: a) antes do primeiro faturamento o contribuinte não tinha direito a apropriação de créditos, mas mera expectativa de direito que só se concretizaria com a Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13116.001612/200749 Acórdão n.º 3102002.167 S3C1T2 Fl. 103 7 obtenção da primeira receita. Dessa forma, o contribuinte não fazia jus ao valor do crédito do mês de janeiro de 2007; b) não gerava direito a créditos as aquisições de insumos utilizados nas fases de lavra, britagem e moagem, como os explosivos, detonadores, biodiesel (combustível) e esferas de moinho, pois tais bens não sofreram desgaste, dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da sua ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, no caso, o concentrado de cobre; e c) não tinha direito aos encargos de depreciação acelerada calculado sobre os bens ativo imobilizado, sob o argumento de que apuração dos créditos fora feita em desconformidade com a legislação, pois não se tratava de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda, ou seja, (i) não eram máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda, (ii) não eram máquinas e equipamentos, mas aquisições de bens e serviços para construção da planta industrial e (iii) eram máquinas e equipamentos utilizados nas fases de lavra, britagem e moagem, logo não estavam vinculados diretamente à produção de bens destinados à venda Como essas questões de mérito foram suscitadas apenas em caráter subsidiário, a fiscalização pronunciouse, em tese, sobre o direito ao crédito sobre tais operações sem, contudo, especificar os itens e valores dos créditos glosados. No mesmo sentido, também decidiu a Turma de Julgamento de primeiro grau. Assim, se o referido Órgão colegiado de primeiro grau não superou a questão preliminar atinente aos erros formais de apuração do crédito, obviamente, as citadas questões de mérito foram abordadas de forma superficial, pois não representava o principal fundamento do Acórdão recorrido, para manutenção da decisão exarada no vergastado Despacho Decisório. É oportuno ressaltar que se a Turma de Julgamento a quo tivesse superada a questão formal, induvidosamente, as questões de mérito deveriam ser exautivamente analisadas, inclusive, com a especificação e quantificação dos valores dos créditos glosados, para que fosse oportunizado a recorrente o pleno conhecimento da parcela do crédito glosada, sob pena de afronta ao direito de defesa, situação que não se vislumbra no caso em tela, pelas razões anteriormente explicitadas. Dessa forma, resta demonstrado que houve fundamentação do decisum em questão, haja vista que o Órgão julgador de primeiro grau pronunciouse de forma clara e suficiente sobre as questões formais objeto da controvérsia e que consiste na motivação suficiente da decisão recorrida. Também não restou demonstrado o alegado cerceamento do direito de defesa, pois, ao contrário do alegado, a robusta peça recursal colacionado aos autos evidencia que a recorrente teve pleno conhecimento das razões de decidir consignada no acórdão recorrido. Por todas essas razões, rejeitase a preliminar de nulidade suscitada. II DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA CONTÁBIL A recorrente reiterou o pedido de realização de perícia contábil apresentado na primeira instância, sob o argumento de que a produção da prova pericial era imprescindível Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 para a comprovação do valor do crédito informado, em conformidade com o princípio da verdade real. A produção de prova pericial só se justifica quando a matéria probatória a ser examinada apresenta elevado grau de complexidade que demanda o exame por parte de pessoas especializadas. Por outro lado, se o exame da prova prescinde de conhecimentos técnicos ou científicos especializados, evidentemente, a realização da prova pericial é inteiramente dispensável. No caso em tela, os quesitos apresentados pela recorrente podem ser facilmente respondidos com base na simples análise de prova documental que, certamente, não exige nenhum conhecimento especializado. Com efeito, para saber se um bem descrito no documento de aquisição (nota fiscal, por exemplo) é uma máquina ou equipamento utilizado na produção de bens destinados à venda não há necessidade da partipação de especialistas. Da mesma forma, para saber se um insumo foi aplicado em um determida etapa do processo produtivo não é necessário o concurso de especialista. No Despacho Decisório em apreço, no que tange ao mérito, a autoridade fiscal não acatou o desconto dos créditos relativos (i) às aquisições de insumos utilizados nas fases de lavra, britagem e moagem, por não atender o conceito de insumo (matéria estritamente de direito) e (ii) os valores de depreciação acelerada calculados sobre os valores dos bens do ativo imobilizado, porque nem todos os bens eram máquinas e equipamentos utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda (matéria fáticoprobatória). No recurso em apreço, a recorrente alegou, em relação ao primeiro item, que o seu processo produtivo era completo, ou seja, abrangia todas as etapas para a fabricação do concentrado de cobre, produto final destinado à venda, logo os insumos glosados pela fiscalização (explosivos, detonadores, biodiesel e esferas de moinho) eram todos essenciais à sua produção e, portanto, passíveis de gerar créditos. Em relação ao segundo item, reconheceu a recorrente que houve erro na apuração dos créditos calculados sobre os encargos de depreciação acelerada dos bens do ativo imobilizado, porém tal equívoco fora corrigido na fase de manifestação de inconformidade, com a apresentação da relação dos bens de fls. 612/1.035. Dessa forma, fica demonstrado que, no mérito, a controvérsia cingese ao plano da interpretação da norma, no caso dos insumos, e a característica do bem utilizado no processo produtivo do bem final destinado à venda, no caso do encargro de depreciação acelerada. Portanto, questões que, certamente, prescindem da produção da prova pericial requerida, sendo adequadamente suprida com a mera apresentação de documentos hábeis e idôneos. Com base nessas considerações, com respaldo no caput do art. 181 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), indeferese o pedido de perícia contábil em questão, por entender que tal prova é prescindível para o deslinde da controvérsia em comento. III DA ANÁLISE DO MÉRITO Previamente, é oportuno esclarecer que, com base nos valores dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo – exportação, extraídos dos PER/DCOMP colacionados aos autos, a autoridade fiscal elaborou o Demonstrativo de fls. 470/471, em que consignado os valores totais dos créditos dos 4 (quatro) trimestres de 2007 e os valores dos 1 "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine". (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13116.001612/200749 Acórdão n.º 3102002.167 S3C1T2 Fl. 104 9 débitos compensados. Analisando o referido Demonstrativo, verifica que a autoridade fiscal adicionou aos valores totais dos créditos informados nos PER, os valores dos créditos dos recpetivos trimestres compensados antes da entrega dos respectivos PER. Segundo a autoridade fiscal, essa inclusão fora feita porque a recorrente não havia deduzido dos valores totais dos créditos informados nos respectivos PER os valores anteriormente compensados. Por sua vez, segunda a recorrente, os valores dos créditos corretos seriam aqueles utilizados na compensação dos débitos informados no citado Demonstrativo, que coincidem com os valores dos créditos compensados. Ademais, esclareceu a recorrente que incluídos nos valores informados nos respectivos PER os valores declarados nas respectivas DComp, sendo equivocado o somatório realizado pela autoridade fiscal. Também os novos valores dos créditos da Contribuição para PIS/Pasep vinculados à receita de exportação, relativos aos quatro trimestes de 2007, objeto da compensação em apreço, encontramse consolidados no Demonstrativo de fl. 474, a partir das informações prestadas pela própria recorrente, nos Dacon retificadores do 1º e 2º semestres de 2007 (fls. 278/361 e 362/447), apresentados, respectivamente, em 4/8/2008 e 8/8/2008. Tendo em conta que estes novos valores, apurados e declarados pela própria recorrente, são inferiores aos valores anteriormente informados pela recorrente nos respectivos PER/DCOMP, consequentmente, eles devem prevalecer sobre os valores dos créditos anteriormente informados. Por sua vez, na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente colacionou aos autos a Planilha de fl. 575, em que discriminou os valores dos créditos pleiteados (extraídos dos PER), dos créditos compensados (extraídos das DCOMP), dos créditos declarados nos Dacon e dos créditos apurados na “Memória de Cálculo do Crédito do PIS/COFINS” de fls. 573, onde fica evidenciado que os valores dos créditos compensados são superiores aos valores dos crédios apurados e declarados nos respectivos Dacon. Neste caso, obviamente, deve prevalecer os valores informados no Dacon, que consiste no documento hábil e idôneo, pois determinado pela legislação, para declaração dos valores créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa apurados mensalmente. É pertinente esclarecer que, por falta de previsão na legislação tributária, o documento denominado de “Memória de Cálculo do Crédito do PIS/COFINS” serve apenas para comprovar os valores informados no Dacon, conforme expressamente determina o art. 3º2 2 "Art. 3º O sujeito passivo deverá manter controle de todas operações que influenciem a apuraçãodo valor devido das contribuições referidas no art. 2º e dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos, na forma dos arts. 2º, 3º, 5º, 5ºA, 7º e 11 da Lei nº 10.637, de 2002, dos arts. 2º, 3º, 4º, 6º, 9º e 12 da Lei nº 10.833, de 2003, especialmente quanto: I às receitas sujeitas à apuração da contribuição em conformidade com o art 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; II às aquisições e aos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas domiciliadas no País; III aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no inciso I; IV aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação e de vendas a empresas comerciais exportadoras com fim especifico de exportação, que estariam sujeitas à apuração das contribuições em conformidade com o art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, caso as vendas fossem destinadas ao mercado interno; e V ao estoque de abertura, nas hipóteses previstas no art. 11 daLei nº 10.637, de 2002, e no art. 12 daLei nº 10.833, de 2003. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput deverá abranger as informações necessárias para a segregação de receitas referida no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, observado o disposto no art. 100 da Instrução Normativa nº 247, de 21 de novembro de 2002." Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 da Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004. Por conseguinte, se o contribuinte apurou crédito em valor superior ao declarado no Dacon, conforme consignado na citada Planilha, deveria ter procedido a retificação do Dacon na forma e segundo os prazo fixados na legislação tributária. Se tal correção não foi feita, induvidosamente, deve prevalecer os valores informados nos correspondentes Dacon. III.1. Do Não Reconhecimento do Direito Creditório e da Não Homologação das Compensações em Face de Erro Material. O motivo principal e suficiente apresentado no questionado Despacho Decisório, para o não reconhecimento do direito creditório informado e a não homologação das compensações declaradas em apreço integralmente foi a inobservância, por parte da recorrente, dos requisitos estabelecidos no art. 22 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente na data da apresentação dos PER/DCOMP, a seguir transcrito: Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4º do art. 21, acumulados ao final de cada trimestrecalendário, poderão ser objeto de ressarcimento. § 1º O pedido de ressarcimento a que se refere este artigo será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 2º O pedido de ressarcimento dos créditos acumulados na forma do inciso II e do § 4º do art. 21, referente ao saldo credor acumulado no período de 9 de agosto de 2004 até o final do primeiro trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser efetuado a partir de 19 de maio de 2005. § 3º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário. II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. Para facilitar análise da questão e a compreensão das conclusões aqui exaradas, reproduz novamente o excerto extraído do mencionado Despacho Decisório, em que autoridade fiscal deixa expressamente consignado as razões da decisão denegatória proferida: Do exposto, fica claro que o contribuinte não observou o art. 22 da IN SRF n° 600/2005, referente à forma como deveria proceder ao solicitar os créditos do PIS/PASEP Não Cumulativo Exportação, ou seja, referirse a um único trimestrecalendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. Assim, já se pode concluir que os PER/DCOMPs transmitidos pelo contribuinte com base em créditos do PIS/PASEP Não Cumulativo do 1°, 2°, 3º e 4° trim/2007 não guardam qualquer relação com os DACONs do 1° e 2º semestres de 2007, devendo não ser reconhecidos os direitos creditórios do contribuinte e Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13116.001612/200749 Acórdão n.º 3102002.167 S3C1T2 Fl. 105 11 conseqüentemente não homologadas as compensações. (grifos não originais) A alegação de que não foi apresentado um único PER por trimestre não procede, posto que os PER colacionados aos autos e o Demonstrativo de fls. 470/471, elaborado pela própria autoridade fiscal, evidenciam que os pedidos de ressarcimento em referência foram apresentados, separadamente, para cada trimestrecalendário do ano de 2007. No que tange à alegação de que não foi feita a dedução da parcela dos créditos anteriormente compensados, com base nas cópias dos PER de fls. 34/35, 49/51 e 57/58, constatase que ela procede apenas em relação aos PER do 2º e 3º trimestre de 2007. Entretanto, especificamente, em relação a esse ponto, a recorrente reconhece o erro no preenchimento dos respectivos PER/DCOMP, mas, em razão dos princípios da economia processual e da eficiência da administração pública, propugnou pela correção de tais informações, e que prevaleça o princípio da verdade material que rege o processo administrativo fiscal, o que, a meu ver, deve ser atendido, pelas razões a seguir declinadas. Por fim, procede a alegação da autoridade fiscal de origem de que não houve a dedução da parcela da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa a pagar apurada em alguns meses dos respectivos trimestres. Porém, em relação a esse ponto, alegou a recorrente que não fez a alegada dedução porque tais valores a pagar foram recolhidos por meio dos Darf de fls. 577/598. De fato, compulsando os citados documentos de arrecadação, constatase que a recorrente recolheu os valores a pagar da referida Contribuição, apurados nos respectivos trimestres. Com base nos referidos Darf e nos dados apresentados na “Demonstração de Desembolso Tributário” de fl. 574, constatase que apenas valores ínfimos não foram recolhidos. Na fase de exame de verificação dos créditos, de ofício, a autoridade fiscal poderia ter feito tais deduções, entretanto, injustificadamente, não o fez, o que não impede que tal procedimento possa ser realizado na fase de liquidação deste julgado, conforme a seguir determinado. Dessa forma, se a recorrente recolheu a quase totalidade dos valores da Contribuição para o PIS/Pasep a pagar, certamente, não havia o que ser deduzido. Entretanto, ainda que assim não fosse, em procedimento de ofício, a autoridade fiscal de origem tinha a prerrogativa e o poderdever de fazer a dedução pertinente, corrigindo os erros cometidos pela contribuinte. No caso, analisando os PER/DCOMP colacionados aos autos, confirmase que, de forma estabanada, a recorrente cometeu erros grosseiros no preenchimento dos citados documentos e nos correspondentes Dacon, inclusive dos documentos retificadores. Porém, ainda assim tenha procedido, em razão do princípio da estrita legalidade, que norteia o agir do agente público, a autoridade fiscal, certamente, não poderia se fundamentar apenas nos erros da contribuinte para negarlhe direito certo e líquido ao ressarcimento e compensação em apreço. Diante de situações desse jaez, uma vez demonstrado que não houve qualquer prejuízo ao erário e tampouco que os equívocos tenham sido praticados de modo doloso, com o evidente intuito de fraude ou com finalidade de burlar atividade de controle exercido pela fiscalização, em cumprimento ao princípio da legalidade e da eficiência, que, no âmbito do processo administrativo fiscal federal, deve ser obedecido pela Administração Pública, conforme expressamente consignado no art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, deve a autoridade Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 12 fiscal, em consonância com o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal, verificar a exatidão das informações prestadas, mediante exame da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, conforme, na época determinava, o art. 243 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Se demonstrado que os erros materiais formais cometidos pela interessada não implicaram qualquer prejuízo à atividade de controle exercida pela fiscalização, por conseguinte, não havia motivo plausível para que autoridade fiscal se omisse em determinar o valor da parcela do crédito a que fazia jus a recorrente e, se fosse o caso, procedesse as correções devidas no valor do crédito pleiteado, conforme determinava o citado preceito normativo. O que não podia era a contribuinte ser penalizada por um mero erro de preenchimento de documento fiscal, procedimento que, inequivocamente, agride princípios basilares que norteiam o processo administrativo fiscal. Por todas essas razões, fica demonstrado que os erros materiais, de natureza formal, cometidos pela recorrente não deve ser obstáculo para análise do mérito dos créditos por ela informados e utilizados no procedimento de compensação em apreço. III.1. Das Outras Irregularidades Apontadas no Despacho Decisório Segundo a autoridade fiscal, além do descumprimento dos procedimentos determinados no art. 22 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, anteriormente analisado, durante a analise dos PER/DCOMP foi constatado que a recorrente cometera outras irregularidades que também influenciariam na apuração dos créditos da Contribuição para PIS/Pasep não cumulativa dos 4 (quatro) trimestres de 2007, demonstrando que no mérito o contribuinte também não possuía o montante dos créditos solicitados em cada trimestre. Pela relevância, segue transcrito o excerto em que autoridade fiscal apresenta tal conclusão: Durante a analise dos PER/DCOMPs constatamos ainda outras situações que também influenciariam na apuração dos créditos do PIS/PASEP NãoCumulativo nos 04 trimestres de 2007, demonstrando que no mérito o contribuinte também não possui o montante dos créditos do PIS/PASEP NãoCumulativo solicitados em cada trimestre. (grifos não originais) Da leitura do texto transcrito, de forma implícita, concluiu a autoridade fiscal que as situações a seguir analisadas influenciariam na apuração dos créditos e que, no mérito, o contribuinte não possuía o montante dos créditos solicitados em cada trimestre. Em outras palavras, se tivesse sido cumprido os requisitos estabelecidos no referido preceito normativo, a recorrente não teria direito ao valor integral do crédito solicitado. Além disso, fica evidenciado que a recorrente reconheceu, expressamente, que os pedidos de ressarcimento foram apresentados, separadamente, por trimestrecalendário, conforme exigência do inciso I do § 3º do art. 22 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, o que contraria as conclusões exaradas anteriormente para negar o direito creditório e não homologar as compensações. Ademais, detre as demais situações referenciadas pela recorrente, encontrase a falta de dedução dos débitos da Contribuição apurados a partir do 2º trimestre, requisito estabelecido no inciso II do citado § 3º do art. 22. Ou seja, o erro formal que motivou 3 "Art. 24. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos da pessoa jurídica a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas." Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13116.001612/200749 Acórdão n.º 3102002.167 S3C1T2 Fl. 106 13 a decisão exarada também implicava na redução do valor do montante do crédito pleiteado, questão que foi analisada no tópico anterior. Segundo a autoridade fiscal, as demais situações, elencadas como passíveis de redução do montante do crédito informado, foram os casos de não reconhecimento dos créditos relativos a: a) insumos, custos, despesas e encargos de depreciação apurados no mês de janeiro de 2007, porque não houve faturamento neste mês; b) aquisição dos insumos aplicados na fase de “Lavra, Britagem e Moagem”, porque não se enquadrava no conceito de insumo de produção; e c) encargos de depreciação acelerada calculados sobre bens ativo imobilizado em desconformidade com a legislação. Dos créditos apurados no mês de janeiro. Seguno a autoridade fiscal, o contribuinte podia apurar os créditos no mês de janeiro de 2007 em sua contabilidade, independentemente, do auferimento de receitas, porém a utilização desses créditos estava condicionada à obtenção das respectivas receitas a que eles estavam vinculados. Tais créditos, segundo a autoridade fiscal, representavam meras expectativas de direito, condicionados a obtenção de receitas, o que somente ocorrera no mês de fevereiro de 2007, momento da real conquista do direito aos referidos créditos. Com base nas Fichas do Dacon dos meses de janeiro e fevereiro de 2007 (fls. 280/307), verificase que a contribuinte procedeu conforme preconizado pela autoridade fiscal e em conformidade com a legislação, ou seja, os créditos apurados durante a fase pré operacional somente foram alocados como crédito vinculados à receita exportação no mês de fevereiro de 2007, conforme explicitado na Ficha “Crédito de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação” (fl. 301). É pertinente esclarecer que, de acordo com disposto nos §§ 1º e 3º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa devem ser apropriados no mês (i) da aquisição dos insumos e (ii) em que incorridos, pagos ou creditados os custos, as despesas e engargos de depreciação e amortização à pessoa jurídica domiciliada no País. Ademais, assegura o § 4º do citado art. 3º que “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes.” No caso em tela, não há qualquer elemento nos autos que comprove que a recorrente tenha procedido de forma distinta do determinado nos referidos preceitos legais, portanto faz jus aos créditos correspondentes. Por essas razões, os valores dos créditos legitimamente apurados até o mês de janeito de 2007 devem ser integralmente reconhecidos como créditos vinculados à receita de exportação, conforme demonstrado no Ficha “Crédito de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação” de fl. 301. Dos créditos calculados sobre os insumos aplicados na fase de lavra, britagem e moagem. Segundo a autoridade fiscal, o contribuinte utilizara indevidamente de insumos vinculados às fases de “Lavra, Britagem e Moagem”, tais como explosivos, detonadores, biodiesel (combustível) e esferas de moinho, que não estavam vinculados diretamente à produção do bem destinado à venda (o concentrado de cobre), mas somente ao Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 14 manejo das rochas em seu estado bruto, para extração do minério utilizado como matériaprima na produção do concentrado de cobre. Diferentemente do alegado pela autoridade fiscal, a documentação colacionada aos autos pela recorrente (fls. 137/138 e 599/611), contendo a descrição do seu processo de produção, comprova que as fases de “Lavra, Britagem e Moagem” integra o seu produtivo, logo todos os insumos utilizados nessas fases devem ser incluídos na base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, conforme procedera a recorrente. Com essas considerações, fica demonstrado o direito da recorrente a totalidade dos créditos calculados sobre os insumos utiizados nas fases de “Lavra, Britagem e Moagem”. Dos créditos calculados sobre a aquisição de bens do ativo imobilizado. De acordo com a autoridade fiscal, a contribuinte incluíra, indevidamente, na base de cálculo dos créditos de depreciação acelerada da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa o valor mensal equivalente a 1/48 (um quarenla e oito avos) do valor de aquisição todos os bens do ativo imobilizado, quando a permissão legal restringiase apenas às máquinas e aos equipamentos do ativo imobilizado utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda. Para a autoridade fiscal, não integra a base cálculo dos créditos da depreciação acelerada, equivalente a 1/48 (um quarenla e oito avos) do valor de aquisição, o valor de aquisição: a) dos bens do ativo imobilizado não utilizados na fabricação de produtos destinados à venda; b) dos bens do ativo imobilizado que não eram máquinas ou equipamentos; e c) das máquinas e dos equipamentos utilizados nas fases de Lavra, Britagem e Moagem, porque não estavam vinculados diretamente à produção do bem destinado à venda (o concentrado de cobre). Assiste razão a autoridade fiscal, compulsando as Fichas 6A dos Dacon acostados aos autos (fls. 280/449), verificase que a recorrente inclui na Linha 10 “Bens do Ativo Imobilizado (Com Base no Valor de Aquisição)” de cada mês, os valores de aquisição de todos os bens do ativo imobilizado, o que contraria o disposto no § 14 do art. 3º da Lei n° 10.833, de 2003, que restringe a opção pelo benefício da depreciação acelerada apenas às máquinas e aos equipamentos do ativo imobilizado utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda. Para facilitar a compreensão, seguem reproduzidos os preceitos legais da Lei n° 10.833, de 2003, que tratam da matéria em comento: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei n2 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; [...] § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1º do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13116.001612/200749 Acórdão n.º 3102002.167 S3C1T2 Fl. 107 15 da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei n ° 10.925, de 2004) [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput incorridos no mês; [...] § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trala o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor correspondenle a 1/48 (um quarenla e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei n' 10.865, de 2004) [...] (grifos não originais) Com base nos referidos preceitos legais, concluise que há duas formas de apuração dos créditos de depreciação de bens registrados no ativo imobilizado. Uma geral, com base no valor do encargo de depreciação mensal, aplicável a qualquer bem sujeito a depreciação, e outro especial ou opcional, com base no valor de aquisição do bem, restrito apenas às máquinas e aos equipamentos do ativo imobilizado utilizados na fabricação de bens destinados à venda. No recurso em tela, a recorrente reconheceu, expressamente, que errara na apuração dos créditos relativos aos bens depreciados, mas que corrigira tal equívoco, tendo, inclusive, apurado novos valores dos créditos relativos à depreciação acelerada, que se encontram discriminados nos demonstrativos e documentos de fls. 613/750, colacionados aos autos na fase de manifestação de inconformidade. Esclareceu ainda a recorrente que todos os equipamentos do seu ativo imobilizado localizavamse na mina, em Alto Horizonte/GO, e que todos eles essenciais ao processo de fabricação do concentrado de cobre, não sendo possível o seu uso em lugar diverso, uma vez que adquiridos sob encomenda, em face das especificidades das propriedades físicoquímicas do minério localizado naquela região. Por fim, a recorrente pleiteou o reconhecimento dos novos valores dos créditos apurados, decorrentes da depreciação acelerada, pois todos eles eram máquinas e equipamentos do ativo imobilizado utilizados no seu processo produtivo. Assiste parcial razão à recorrente. Com base na descrição dos bens consingadas nos referidos documentos, é possível vislumbrar que atendem o requisito de máquinas e equipamentos utilizados na produção, para fim do benefício da depreciação acelerada, calculada com base no valor de aquisição, apenas os bens descritos nas seguintes contas patrimoniais: a) Equipamentos de Mineração (fls. 613/619), b) Outras Máquinas e Equipamentos (fls. 620/630); c) Equipamentos de Processamento (fls. 631/637); d) Equipamentos Elétricos (fls. 638/645); e) Caminhões (fls. 646/650); e f) Ferramentas (fls. 651/661), inclusive as máquinas e equipamentos utilizados nas fases “Lavra, Britagem e Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A 16 Moagem”. Neste caso, a manutençao dos valores dos créditos informados fica condicionada a confirmação por parte da autoriade fiscal de origem. Em relação aos demais bens descritos nas contas patrimoniais relacionadas nos documentos de fls. 662/750, verificase que parte deles, embora seja máquinas e equipamentos, não são utilizados no processo produtivo, portanto, não geram créditos de depreciação de espécie alguma, por falta de previsão legal. A parte restante não são máquinas e equipamentos, mas edificações utilizadas na atividade da empresa. Estes, por expressa previsão legal (art. 3º, VII, e seu § 1º, III, da Lei nº 10.833, de 2003), estão sujeitos apenas à depreciação normal, calculada com base no valor do encargo de depreciação mensal, segundo os percentuais fixados em legislação específica, e compreende as seguintes contas patrimoniais: a) Edificações Administrativas (fls. 662/669); b) Instalações Ambientais (fls. 674/676); c) Edificações Operacionais (fls. 677/686); e d) Instalações Operacionais (fls. 700/744), cujos valores deverão ser apurados pela interessada e submetidos à verificação e confirmação da autoridade fiscal de origem. IV DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, votase por conhecer do recurso, para, em sede de preliminar, rejeitar o pedido de nulidade da decisão de primeiro grau e indeferir o pedido de realização de perícia contábil; e no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para: 1) reconhecer o direito de descontar os valores dos créditos de depreciação acelerada, calculados sobre o valor mensal equivalente a 1/48 (um quarenla e oito avos) do valor de aquisição apenas em relação às máquinas e equipamentos descritos nas seguintes contas patrimoniais: a) Equipamentos de Mineração (fls. 613/619), b) Outras Máquinas e Equipamentos (fls. 620/630); c) Equipamentos de Processamento (fls. 631/637); d) Equipamentos Elétricos (fls. 638/645); e) Caminhões (fls. 646/650); e f) Ferramentas (fls. 651/661), condicionada a confirmação dos valores informados por parte da autoriade fiscal de origem; 2) reconhecer o direito de descontar os valores dos créditos sobre os encargos mensais de depreciação normal, segundo os percentuais fixados em legislação específica, em relação aos bens descritos nas seguintes contas patrimoniais: a) Edificações Administrativas (fls. 662/669); b) Instalações Ambientais (fls. 674/676); c) Edificações Operacionais (fls. 677/686); e d) Instalações Operacionais (fls. 700/744), cujos valores deverão ser apurados pela interessada e submetidos à verificação e confirmação da autoridade fiscal de origem; 3) reconhecer o direito de descontar os valores dos créditos calculados sobre os insumos utiizados nas fases de “Lavra, Britagem e Moagem”; 4) reconhecer o direito da recorrente aos valores dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa vinculados à receita exportação, informados nos Dacon dos 1º e 2º semestres de 2007 de fls. 280/449 e discriminados nos Demonstrativos de fls. 474 e 575, com os ajustes determinados nos itens precedentes; e 5) homologar as compensações declaradas até o limite do valor do saldo de créditos remanescentes a ser apurado, conforme determinado no item precedente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13116.001612/200749 Acórdão n.º 3102002.167 S3C1T2 Fl. 108 17 Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
