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Numero do processo: 16327.000370/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
IRPJ - PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS - COMPROVAÇÃO - Exonera-se o crédito tributário relativo aos contratos em relação aos quais foram cumpridas as condições fixadas na lei para que os créditos sejam considerados como perdas, mantendo-se a exigência sobre a parcela não comprovada.
INTITUIÇÕES FINANCEIRAS - ABATIMENTOS CONCEDIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS - DEDUTIBILIDADE - Constituem despesas habituais e normais compreendidas na atividade operacional das instituições financeiras a concessão de descontos e abatimentos ao devedor na liquidação de operações de crédito.
CÁLCULO DO IMPOSTO - ERRO MATERIAL - O adicional do imposto de renda só incide sobre a parcela do lucro real que exceder o valor de R$ 240.000,00 anual, cabendo retificar o demonstrativo do imposto mantido que não considerou essa limitação.
LANÇAMENTO DECORRENTE - CSLL - Tratando-se de infração que repercute igualmente na base de cálculo dos dois tributos, a decisão quanto ao lançamento do IRPJ aplica-se, de igual forma, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1301-001.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de OFÍCIO e DAR provimento PARCIAL ao recurso VOLUNTÁRIO, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, para: (a) excluir da matéria tributável a importância de R$ 125.321,43, correspondente à glosa dos descontos concedidos para recebimento de créditos, e determinar que a alíquota adicional do imposto de renda incida apenas sobre o montante do lucro real recomposto que exceder a R$ 240.000,00.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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INTITUIÇÕES FINANCEIRAS ABATIMENTOS CONCEDIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS DEDUTIBILIDADE Constituem despesas habituais e normais compreendidas na atividade operacional das instituições financeiras a concessão de descontos e abatimentos ao devedor na liquidação de operações de crédito. CÁLCULO DO IMPOSTO ERRO MATERIAL O adicional do imposto de renda só incide sobre a parcela do lucro real que exceder o valor de R$ 240.000,00 anual, cabendo retificar o demonstrativo do imposto mantido que não considerou essa limitação. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Tratandose de infração que repercute igualmente na base de cálculo dos dois tributos, a decisão quanto ao lançamento do IRPJ aplicase, de igual forma, ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de OFÍCIO e DAR provimento PARCIAL ao recurso VOLUNTÁRIO, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator, para: (a) excluir da matéria tributável a importância de R$ 125.321,43, correspondente à glosa dos descontos concedidos para recebimento de créditos, e determinar que a alíquota adicional do imposto de renda incida apenas sobre o montante do lucro real recomposto que exceder a R$ 240.000,00. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 03 70 /2 00 7- 89 Fl. 611DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.000370/200789 Acórdão n.º 1301001.209 S1C3T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Contra Banex S/A. Crédito Financiamento e Investimento foram lavrados autos de infração para exigência de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativos ao anocalendário de 2004. A fiscalização acusou a pessoa jurídica de ter cometido irregularidades relacionadas com a dedução de perdas no recebimento de crédito, a primeira referente à reversão da PDD antes adicionada, e a segunda representada por descontos concedidos para recebimento de créditos. Quanto à reversão da PDD, o Termo de Verificação Fiscal aponta que: (i) a PDD constituída por determinação das normas do BACEN é indedutível para fins de IRPJ e de CSLL; (ii) a dedução das perdas em operações de crédito segue as normas dos arts. 9º a 12 da Lei nº 9.430/96; (iii) os registros fiscais relativos às perdas em operações de crédito devem ser efetuados no LALUR, devendo ser indicados com precisão a identificação do crédito, o valor, a data e o fundamento da dedução; (iv) a contribuinte deixou de cumprir as normas formais e matérias previstas na Lei nº 9.430/96, uma vez que os créditos não foram individualizados de forma a ficarem evidentes as condições objetivas de marcação por perdas temporárias e os registros fiscais não foram feitos antes da fiscalização. Conclui a autoridade fiscal que restou evidenciado no LALUR o registro de R$ 6.330.263,97 a título de reversão da PDD, sem a devida inclusão dessa parcela no lucro líquido do exercício, caracterizando infração ao art. 250, I, do RIR/99. Sobre a dedução de perdas referentes a descontos no recebimento de crédito, relata a fiscalização que a contribuinte deduziu, a título de “outras despesas operacionais”, os seguintes valores: Conta contábil Descrição Valor (R$) 8.1.9.99.99.0037 Descontos sobre CDC 99.160,39 8.1.9.99.99.0075 Desc crédito pessoal 19.210,70 Fl. 612DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.000370/200789 Acórdão n.º 1301001.209 S1C3T1 Fl. 4 3 8.1.9.99.99.0116 Cred pessoal func público 625,16 8.1.9.99.99.0123 Cred pessoal –garantia veic 2.442,61 8.1.9.99.99.0130 CDC veículos 3.882,57 Soma 125.321,43 Informa, ainda, que a análise dos registros contábeis relativos a essas contas constantes do Livro Razão (fls. 38 a 66), revela que se trata de centenas de registros referentes a descontos concedidos sobre o valor principal ou sobre os encargos de operações de crédito. A fiscalização, entendendo que a dedução dessas despesas não se submete à regra geral de dedutibilidade prevista no art. 299 do RIR/99, mas às regras específicas previstas nos arts. 9º a 12 da Lei nº 9.430/96, glosou tais despesas por não atenderem aos requistos da Lei 9.430/96. A matéria tributável apurada pela fiscalização totalizou R$ 6.455.585,40, porém, em razão da existência de saldo de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores, a autoridade autuante efetuou a compensação de R$ 1.899.079,19 (para ambos os tributos), restando o valor tributável de R$ 4.556.506,21. Em impugnação tempestiva a interessada alegou que a maioria das operações de crédito se refere a contratos de valor inferior a R$ 5.000,00, cujas perdas podem ser deduzidas com o decurso de 6 meses, conforme art. 9º, § 1º, II, ‘a’, da Lei nº 9.532/96. Relatou que ao preencher a ficha 09B da DIPJ cometeu o equívoco de lançar o valor em questão na linha 22 “() Reversão dos saldos das provisões não dedutíveis”, quando o correto seria informálo na linha 29 “() Perdas dedutíveis em operações de crédito (Lei 9.430/1996, art. 9º”. Ponderou que a fiscalização glosou a despesa desconsiderando os evidentes indícios de que se tratava de lançamento equivocado, sequer intimando a empresa a apresentar os documentos aptos a demonstrar a regularidade das operações. Juntou à impugnação planilha discriminando os contratos relativos aos valores contabilizados como perdas em 2004, sendo todos de valor inferior a R$ 5.000,00, exceto um de R$ 5.383,76 (vencido há mais de um ano). Insurgiuse também com a glosa dos descontos concedidos para recebimento de créditos, alegando que a inadimplência é alta no seu ramo de atividade, sendo usual e normal a concessão de descontos a fim de receber parcela dos créditos que provavelmente seriam computados como perda. Entre outros documentos, juntou à impugnação relatório da Recuperação de Perdas Dedutíveis, contendo o nº do contrato, nome do cliente, database, data de vencimento da operação, data de vencimento da parcela mais antiga, valor inscrito, data da inscrição, valor recuperado em outros meses, valor recuperado no mês, excesso e saldo atual, totalizando R$ 630.693,00 (fls. 426 a 458), e ainda, o resumo mensal das despesas relativas a perdas em operações de crédito (fls.459). A 10ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, considerando as regras de dedutibilidade de valores inferiores a R$ 5.000,00, converteu o julgamento em diligência para: (a) análise documental dos valores apontados como perdas em operações de crédito (fls. 215 a Fl. 613DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.000370/200789 Acórdão n.º 1301001.209 S1C3T1 Fl. 5 4 378) e como recuperação de créditos (fls. 427 a 458); e (b) elaboração de parecer conclusivo quanto à comprovação desses valores a título de perdas no recebimento de créditos nos termos dos arts. 9º a 12 da Lei nº 9.430, de 1996. As conclusões da diligência fiscal efetuada a partir da análise documental estão assim resumidas nos itens 2.6 e 2.7 Termo de Verificação de fls. 499 a 515: “2.6 Do Resumo da Verificação dos Valores das Perdas em Operações de Crédito: A seguir, foram relatadas, de forma resumida, todas as divergências encontradas nas diferentes verificações realizadas no Relatório de Perdas Dedutíveis, constantes dos itens 2.2 a 2.5: i) Item 2.2 Contratos cujas perdas foram apuradas em 30.06.2005, no valor de R$ 633.303,15, que devem ser substituídos pelos contratos cujas perdas podem ser apuradas em 30.06.2004, no valor de R$ 532.387,387 – diferença a glosar R$ 100.916,10; ii) Item 2.3 Contrato nº 10087202274, com crédito superior a R$ 5.000,00 e vencido há menos de um ano – Valor a glosar R$4.143,44; iii) Item 2.4 Contratos números 1008501676 (Pedro Pinheiro Ramos) e 1007525502 (Suelo Souza Abreu), cujos instrumentos contratuais não foram localizados pelo BANEX – valor a glosar R$ 1.441.37; iv) Item 2.5.6 Divergência entre valores de perdas dos contratos TIPO I e TIPO II informados pela BANEX e os calculados na diligência – valor a glosar R$ 7.481,60. v) Item 2.5.8 Divergência entre os valores de perdas dos cotratos TIPO IV informados pela BANEX e os calculados pela diligência – valor a glosar R$ 2.053,50. O resumo do somatório das glosas acima relatadas totalizou R$ 116.009,01. 2.7. Da Verificação da Recuperação de Perdas Dedutíveis A verificação do arquivo Recuperação de Perdas Dedutíveis foi feita por amostragem. Da análise, podese afirma que os valores de recuperação calculados pela BANEX estão corretos. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte sobre ele não se manifestou. Nos termos do voto da Relatora, a 10ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo julgou procedentes em parte os lançamentos. Quanto à planilha de Recuperação de Perdas Dedutíveis trazida com a impugnação, foi integralmente acolhida a análise feita pela fiscalização no procedimento da Fl. 614DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.000370/200789 Acórdão n.º 1301001.209 S1C3T1 Fl. 6 5 diligência, considerandoa de acordo com as normas que regem a matéria. Assim, do total glosado de R$ 6.330.263,97, a Turma de Julgamento manteve a glosa de R$ 116.009,01, exonerando a diferença (R$ 6.214.254,96). A glosa relativa aos descontos para recebimento de créditos, totalizando R$ 125.321,43, foi mantida. Argumenta o voto condutor do acórdão que “(...) tendo esses descontos sido oferecidos para viabilizar recebimento de dívidas vencidas em operações de crédito, sua dedutibilidade como despesa operacional, para fins fiscais, deve obedecer normatização específica da matéria, inserta nos arts. 9º ao 12 da Lei nº 9.430/96. Esses comandos legais estabelecem critérios de dedutibilidade de despesas com perdas de crédito, levando em conta a situação de insolvência ou falência do devedor, a existência ou não de garantia, o valor da perda, o prazo em que o débito permanece vencido e não pago, medidas administrativas e judiciais de cobrança e relação societária entre credor e devedor.” Considerou, o julgador, que “a impugnante não demonstrou ter atendido a qualquer desses requisitos impostos pelos referidos dispositivos legais, em relação aos quais não faz qualquer referência”, mantendo a glosa. Afinal, considerando a manutenção da glosa, tanto para o IRPJ como para a CSLL, no valor de R$ 241.330,44, e ainda, que a fiscalização efetuou a compensação de ofício de prejuízo fiscal e das bases negativas, o relator elaborou os seguintes demonstrativos do valor de principal mantido, registrando que neles considerou as informações prestadas na última DIPJ retificadora apresentada: Demonstrativo do IRPJ: A Lucro real antes da compensação de prejuízos (DIPJ, ficha 09B, linha 35) 232.868,40 B Compensação de prejuízos fiscais (DIPJ, ficha 09B, linha 36) 69.860,52 C Infrações sujeitas a redução por prejuízo 241.330,44 D Resultado ajustado antes da compensação (A + C) 474.198,84 E Limite de 30% para compensação (0,3 x D) 142.259,65 F Prejuízo compensado de ofício (C – F) 72.399,13 G Base de cálculo do lançamento de ofício (C – F) 168.931,31 H IRPJ + adicional (G x 0,25) 42.232,83 Demonstrativo da CSLL: Fl. 615DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.000370/200789 Acórdão n.º 1301001.209 S1C3T1 Fl. 7 6 A Base de cálculo da CSLL antes da compensação (DIPJ, ficha 17, linha 33) 232.868,40 B Compensação de bases negativas (DIPJ, ficha 17, linha 34) 69.860,52 C Infrações sujeitas a redução por prejuízo 241.330,44 D Resultado ajustado antes da compensação (A + C) 474.198,84 E Limite de 30% para compensação (0,3 x D) 142.259,65 F Base negativa compensada de ofício (C – F) 72.399,13 G Base de cálculo do lançamento de ofício (C – F) 168.931,31 H CSLL (G x 0,09) 15.203,82 Foi interposto recurso de ofício. Ciente da decisão em 22 de março de 2012, a interessada ingressou com recurso em 20 de abril seguinte. Quanto à glosa de R$ 116.009,01, imputa contraditório o entendimento da fiscalização, que ao mesmo tempo em que assegura existência de divergências confirma a correção dos cálculos da Recorrente. Alega, ainda, que para a glosa de R$ 100.916,10 a fiscalização não demonstrou qualquer razão plausível para a suposta incorreção apontada no item 2.2. do Resumo da Verificação dos Valores das Perdas em Operações de Crédito, e que, quanto aos demais itens, a totalidade das perdas se enquadra nas disposições do art. 9º, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.430/1996. Quanto aos descontos concedidos, reedita as razões da impugnação. Aduz ter havido erro material no cálculo dos valores mantidos, primeiro porque na apuração do IRPJ não foi segregada a aplicação da alíquota normal da alíquota adicional, tendo sido aplicada diretamente a alíquota de 25%. Depois, porque, em relação à CSLL, a auditora não considerou a redução de 30% prevista no art. 8º da Medida Provisória 1809/99. É o relatório. Voto Ambos os recursos atendem os requisitos legais que os condicionam. Deles conheço. Como visto do relatório, a fiscalização acusou a interessada de ter infringido as normas previstas nos artigos 9º a 12 da Lei nº 9.430, de 1996, que dispõem: Fl. 616DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.000370/200789 Acórdão n.º 1301001.209 S1C3T1 Fl. 8 7 Perdas no Recebimento de Créditos Dedução Art. 9° As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1° Poderão ser registrados como perda os créditos: I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a RS 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido apagar, observado o disposto no § 5. § 2° No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se referem as alíneas a e b do inciso II do parágrafo anterior serão considerados em relação ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor. § 3º Para os fins desta Lei, considerase crédito garantido o proveniente de vendas coin reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais. § 4° No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.000370/200789 Acórdão n.º 1301001.209 S1C3T1 Fl. 9 8 § 5° A parcela do crédito cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordatária poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo. § 6° Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas. Registro Contábil das Perdas Art. 10. Os registros contábeis das perdas admitidas nesta Lei serão efetuados a débito de conta de resultado e a crédito: I da conta que registra o crédito de que trata a alínea "a" do inciso II do § 1° do artigo anterior; II da conta redutora do crédito, nas demais hipóteses. § 1º Ocorrendo a desistência da cobrança pela via judicial, antes de decorridos cinco anos do vencimento do crédito, a perda eventualmente registrada deverá ser estornada ou adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se der a desistência. § 2° Na hipótese do parágrafo anterior, o imposto será considerado como postergado desde o período de apuração em que tenha sido reconhecida a perda. § 3 0 Se a solução da cobrança se der em virtude de acordo homologado por sentença o valor da perda a ser estornado ou adicionado ao lucro líquido para determinação lucro real será igual à soma da quantia recebida com o saldo a receber renegociado, não sendo aplicável o disposto no parágrafo anterior. 4° Os valores registrados na conta redutora do crédito referida no inciso II do caput poderão ser baixados definitivamente em contrapartida a conta que registre o crédito, a partir do período de apuração em que se completar cinco anos do vencimento do crédito sem que o mesmo tenha sido liquidado pelo devedor. Encargos Financeiros de Créditos Vencidos Art. 11. Após dois meses do vencimento do crédito, sem que tenha havido o seu recebimento, a pessoa jurídica credora poderá excluir do lucro líquido, para determinação do lucro real, o valor dos encargos financeiros incidentes sobre o crédito, contabilizado como receita, auferido a partir do prazo definido neste artigo. § I° Ressalvadas as hipóteses das alíneas a e b do inciso do párag. I° do art. 9º, o disposto neste artigo somente se aplica Fl. 618DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.000370/200789 Acórdão n.º 1301001.209 S1C3T1 Fl. 10 9 quando a pessoa jurídica houver tomado as providências de caráter judicial necessárias ao recebimento do crédito. § 2° Os valores excluídos deverão ser adicionados no período de apuração em que, para os fins legais, se tornarem disponíveis para a pessoa jurídica credora ou em que reconhecida a respectiva perda. ,§ 3° A partir da citação inicial para o pagamento do débito, a pessoa jurídica devedora deverá adicionar ao lucro líquido, para determinação do lucro real, os encargos incidentes sobre débito vencido e lido pago que tenham sido deduzidos como despesa ou custo, incorridos a partir daquela data. § 4° Os valores adicionados a que se refere o parágrafo anterior poderão ser excluídos do lucro líquido, para determinação do lucro real, no período de apuração em que ocorra a quitação do débito por qualquer forma. Créditos Recuperados Art. 12. Deverá ser computado na determinação do lucro real o montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados, em qualquer época ou a qualquer titulo, inclusive nos casos de novação da divida ou do arresto dos bens recebidos em garantia real. Parágrafo único. Os bens recebidos a titulo de quitação do débito serão escriturados pelo valor do crédito ou avaliados pelo valor definido na decisão judicial que tenha determinado sua incorporação ao patrimônio do credor. Como primeira irregularidade, a fiscalização apontou ser indevida a exclusão representada pela reversão da PDD, que fora adicionada quando da sua constituição, ao argumento de que a então fiscalizada não cumpriu as exigências formais ou materiais da disciplina legal prevista na Lei nº 9.430/96. No entender da fiscalização, qualquer que fosse o valor da perda, seria imperioso o controle dos valores para fins fiscais, através da conta redutora de que trata o art. 10 da Lei nº 9.430/96. Contudo, como bem considerou a decisão recorrida, os créditos sem garantia, de valor até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, podem ser registrados como perda a débito da conta que o registra, não havendo determinação legal de registro em conta redutora do crédito de que trata o art. 10 da Lei. Inexistente o óbice apontado pela fiscalização, e uma vez que a redução da matéria tributável tem por base o atestado da fiscalização, a partir da análise documental, de estarem comprovados valores a título de perdas no recebimento de créditos no montante de R$ 6.214.254,96, ao recurso de ofício deve ser negado provimento. No recurso voluntário a interessada contesta as conclusões dos itens do relatório de diligência que apontam as perdas não comprovadas. No primeiro item combatido é o item 2.2, que registra: Fl. 619DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.000370/200789 Acórdão n.º 1301001.209 S1C3T1 Fl. 11 10 2.2 Da Verificação das Datas de Apuração das Perdas Uma primeira análise do Relatório de Perdas Dedutíveis revelou a existência de 823 (oitocentos e vinte e três) contratos que apresentavam o dia 30.06.2005 como data de apuração da perda, ou seja, a data em que uma perda correspondente a uma operação de crédito poderia ser considerada dedutível nos termos do art. 9°, inciso II, alínea 'a', da Lei n0 9.430/96. Vale lembrar que estão sob análise as perdas ocorridas no ano calendário 2004. Questionada a este respeito a BANEX reconheceu que cometera um erro ao incluir as perdas com data de apuração 30.06.2005 em lugar das perdas com data de apuração 30.06.2004 no Relatório de Perdas Dedutíveis. Informou, ainda, que tal erro fora cometido ao rever os dados relativos a perdas em operações de crédito para apresentação de retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica do exercício 2005 DIPJ/2005. A fim de sanar o erro cometido, a BANEX gerou um segundo Relatório de Perdas Dedutíveis, que se encontra na pasta denominada "Resposta 2" (disco ótico de fls. 497), onde incluiu também os seguintes itens: i) 11.157 arquivos em formato PDF, cada um contendo cópia digitalizada de contrato de crédito que gerou perda no cômputo do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário 2004; ii) 11.161 arquivos em formato PDF, cada um contendo ficha financeira relativa a contrato de crédito que gerou perda no cômputo do lucro real e da base de cálculo da CSLL do ano calendário 2004; Ao se comparar o primeiro Relatório de Perdas Dedutíveis com o segundo, verificase que as perdas em operação de crédito com data de apuração em 30.06.2005 totalizam R$ 633.303,15, enquanto que as com data de apuração em 30.06.2004 somam R$ 532.387,05. Há, portanto, uma diferença de R$ 100.916,10 de perdas a maior que devem ser glosadas. Embora intimada a manifestarse sobre a conclusão da diligência, a interessada não o fez. Agora, em recurso, alega contradição no entendimento da fiscalização, bem assim que, para a glosa de R$ 100.916,10, a fiscalização não demonstrou qualquer razão plausível para a suposta incorreção apontada no item 2.2. A alegação de entendimento contraditório não se sustenta, pois as divergências apontadas pela fiscalização foram no Relatório de Perdas Dedutíveis, e a Fl. 620DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.000370/200789 Acórdão n.º 1301001.209 S1C3T1 Fl. 12 11 afirmativa da mesma fiscalização de que os cálculos da Banex estão corretos referese às Perdas Dedutíveis Recuperadas. Incompreensível, também, a alegação de que a fiscalização não demonstrou nenhuma razão para a incorreção apontada. Conforme consta da conclusão da diligência, o contribuinte reconheceu que se equivocara ao apresentar o primeiro relatório de perdas dedutíveis, nele incluindo operações com data de apuração em 30.06.2005, e apresentou um segundo relatório, com data de apuração em 30.06 2004 e foi com base na diferença entre esses dois relatórios que foi determinada o valor da glosa mantida. Portanto, não cabia à fiscalização apontar razão para o equívoco cometido pela própria contribuinte. Quanto aos demais itens, o relatório da diligência descreve pormenorizadamente como foi procedida à análise e como se chegou aos valores não comprovados. A Recorrente não aponta, objetivamente, qualquer inconsistência na análise fiscal, limitandose a afirmar que a totalidade das perdas se enquadra nas disposições do art. 9º, § 1º, inciso II “a” da Lei nº 9.430/96, que permite a dedução de perdas relativas a créditos vencidos há mais de 6 meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para seu recebimento, mas isso foi objeto da verificação na diligência. Se a análise não foi correta, cumpria a contribuinte identificar os equívocos cometidos. Assim, confirmo a glosa de R$ 116.009,01, mantida pela decisão recorrida. No que pertine à glosa relativa aos descontos para recebimento de créditos, totalizando R$ 125.321,43, a fiscalização assentou que essas despesas não se submetem à regra geral de dedutibilidade prevista no art. 299 do RIR/99, mas às regras específicas previstas nos arts. 9º a 12 da Lei nº 9.430/96, entendimento esse confirmado pela decisão recorrida. Essa questão da dedutibilidade dos descontos concedidos para recebimento de créditos foi analisada no Acórdão 10195.469, de 26 de abril de 2006. No voto condutor a Relatora demonstra que a dedutibilidade dos descontos concedidos não se subordina às regras do art. 9º da Lei nº 9.430/96, uma vez que os descontos são perdas definitivas, e o art. 9º da Lei nº 9.430/96 trata de perdas provisórias, isto é, da possibilidade de deduzir perdas ainda não ocorridas. A conferir: Acórdão nº101 95.469, de 26 de abril de 2006: “ O julgador de primeira instância (....) manteve a glosa ao fundamento de que, para serem dedutíveis, as perdas não poderiam caracterizar liberalidade, e deveriam atender as condições previstas na Lei 8.981/95 e na Lei 9.430/96. Quanto à questão da liberalidade, peço vênia para discordar do ilustre Relator. É notório que, para as instituições financeiras, em negociações com os clientes para possibilitar o recebimento dos créditos, a concessão de descontos, mesmo expressivos, não representa liberalidade, caracterizandose como despesa necessária, usual e normal. O segundo fundamento da decisão para manter a glosa também não prospera. Antes da vigência da Lei 9.430/96 a sistemática consistia em constituir uma provisão baseada em estimativas levando em Fl. 621DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.000370/200789 Acórdão n.º 1301001.209 S1C3T1 Fl. 13 12 consideração o estoque de créditos, e deduzir o respectivo valor. Ou seja, a dedução era feita antes que ocorresse qualquer perda. Sobrevindo a perda, o lançamento não era em conta de resultado, uma vez que para tanto fora constituída provisão, e apenas quando esgotada a provisão a diferença era levada a resultado. Essa sistemática mudou com a Lei 9.430/96, que vedou a constituição da provisão, e as perdas (definitivas ou provisórias) passaram a ser contabilizadas diretamente como conta de resultado. As disposições dos §§ 8º e 9º do artigo 43 da Lei 8.981/95 e do art. 9º da Lei 9.430/96 dizem respeito a perdas provisórias, isto é, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, mas que já estejam vencidos há um ou dois anos, ou para os quais tenham sido esgotados os meios legais de cobrança. Não se compreendem, aí, os créditos já liquidados (perdas definitivas). De fato, o § 7º do artigo 43 da Lei 8.981/95 determina que os prejuízos realizados no recebimento de créditos serão obrigatoriamente debitados à provisão e o eventual excesso verificado será debitado a despesas operacionais. Portanto, não há qualquer condição para a dedução das perdas definitivas. Apenas, eram elas debitadas à provisão antecipadamente constituída para suportálas, sendo debitadas a despesas em caso de a provisão ser insuficiente para suportálas. O parágrafo 8º do art. 43 permitia o débito de perdas provisórias, isto é, de créditos vencidos há um ou dois anos (conforme o valor), mas para os quais o credor não deu quitação ao devedor. Da mesma forma, o § 1º do art. 9º da Lei 9.430/96 trata das condições para dedução de perdas não definitivas, mas que, em certas circunstâncias relacionadas com a existência de garantia e o tempo decorrido desde o vencimento, já podem ser consideradas perdas.”. De se registrar que ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão acima mencionado foi negado provimento. Dessa forma, entendo que para este item da autuação, não prospera a glosa lançada pela fiscalização. Afirma ainda a Recorrente ter havido erro material no voto condutor, nos demonstrativos dos valores mantidos. Em relação ao IRPJ, o suposto erro material decorreria da aplicação direta, sobre a matéria tributável, do percentual de 25%, correspondente ao somatório da alíquota normal (15%) com o adicional (10%). De fato, o adicional só incide sobre a parcela do lucro real que exceder o valor de R$ 240.000,00. Como a Recorrente não se encontrava sujeita ao adicional antes do lançamento de ofício, sobre a matéria tributável mantida deve ser aplicada a alíquota de 15%, Fl. 622DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.000370/200789 Acórdão n.º 1301001.209 S1C3T1 Fl. 14 13 incidindo o adicional de 10% apenas sobre o montante da matéria tributável que exceder R$ 240.000,00. Quanto à CSLL, a Recorrente invoca a aplicação do art. 8º da Medida Provisória 1809/99, o que, evidentemente, foi um equívoco, pois na realidade quis se referir ao art. 8º da MP nº 1.807/99, reproduzido no art. 8º da MP 2.15835, de 2001, que dispõe: Art.8o As pessoas jurídicas referidas no art. 1o, que tiverem base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998, poderão optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas. §1oA pessoa jurídica que optar pela forma prevista neste artigo não poderá computar os valores que serviram de base de cálculo do referido crédito na determinação da base de cálculo da CSLL correspondente a qualquer período de apuração posterior a 31 de dezembro de 1998. §2oA compensação do crédito a que se refere este artigo somente poderá ser efetuada com até trinta por cento do saldo da CSLL remanescente, em cada período de apuração, após a compensação de que trata o art. 8o da Lei no 9.718, de 1998, não sendo admitida, em qualquer hipótese, a restituição de seu valor ou sua compensação com outros tributos ou contribuições, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. §3oO direito à compensação de que trata o § 2o limitase, exclusivamente, ao valor original do crédito, não sendo admitido o acréscimo de qualquer valor a título de atualização monetária ou de juros. Além de tratarse de matéria não alegada em impugnação, a Recorrente faz um protesto genérico, sem sequer evidenciar ter exercido a opção referida no caput do artigo 8º. Pelas razões declinadas, nego provimento ao recurso de ofício e dou provimento parcial ao recurso voluntário para: (a) excluir da matéria tributável a importância de R$ 125.321,43, correspondente à glosa dos descontos concedidos para recebimento de créditos, e determinar que a alíquota adicional do imposto de renda incida apenas sobre o montante do lucro real recomposto que exceder a R$ 240.000,00 anual. É como voto. Sala das Sessões, DF, em 08 de maio de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.000370/200789 Acórdão n.º 1301001.209 S1C3T1 Fl. 15 14 Fl. 624DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 11516.002861/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. AUSÊNCIA DO SINDICATO NA NEGOCIAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO.
Integra o conceito legal de Salário de Contribuição a parcela auferida pelos segurados empregados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, cuja negociação entre empresa e empregados não contou com a participação de representante do sindicato da categoria.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO.
Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA.
Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.
CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE
Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55.
A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural.
SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO.
A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelando-se constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Juliana Campos Carvalho Cruz, Fabio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes acompanharam pelas conclusões.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. AUSÊNCIA DO SINDICATO NA NEGOCIAÇÃO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito legal de Salário de Contribuição a parcela auferida pelos segurados empregados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, cuja negociação entre empresa e empregados não contou com a participação de representante do sindicato da categoria. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 28 61 /2 01 0- 19 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelandose constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Juliana Campos Carvalho Cruz, Fabio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes acompanharam pelas conclusões. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2007 Data de lavratura do Auto de Infração: 16/08/2010. Data da Ciência do Auto de Infração: 16/08/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a impugnação oferecidas pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.285.8724, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as rubricas pagas a segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados, concedidas em desacordo com a legislação de regência, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 10/16. Informa a Autoridade Lançadora que ao serem analisados os documentos fornecidos pela empresa, verificouse que o sindicato da categoria (Sindicato dos Empregados Fl. 222DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002861/201019 Acórdão n.º 2302002.503 S2C3T2 Fl. 222 3 de Empresas de Processamento de Dados de Santa Catarina), embora citado no teor do acordo, não o homologou (documento sem assinatura por parte do sindicato). Inexiste, igualmente, registro da participação de representante sindical nas atas das reuniões de negociação, coordenadas pela representante da empresa, Ana Claudia de Brito. O sindicato da categoria (Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados de Santa Catarina) foi então intimado a apresentar eventuais convenções ou acordos coletivos, ou ainda, comprovar a efetiva participação de representante sindical no programa de participação dos lucros ou resultados com a empresa Suntech S/A. Em resposta à intimação, através do ofício n° 145/2010, de 26 de julho de 2010, informou que, verificando em seus arquivos, identificou que participou efetivamente do processo negocial e efetivou acordo coletivo, somente referente aos períodos de 2007 e 2008. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 21/50. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 188/198, julgando procedente a presente autuação, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 09/02/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 201. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 202/218, deduzindo seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que a parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados não possui natureza salarial, uma vez que é completamente dissociada da efetiva prestação de serviço; · Que a participação do sindicato é uma formalidade que em nada modifica a natureza do pagamento; · Inconstitucionalidade da contribuição para o INCRA; · Inconstitucionalidade da contribuição para o SEBRAE; · Inconstitucionalidade da Contribuição ao Seguro de Acidente do Trabalho – SAT; Ao fim, requer o cancelamento integral do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 09/02/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 07/03/2012, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Pondera o Recorrente que a Contribuição ao Seguro de Acidente do Trabalho é inconstitucional porque a Lei nº 8.212/91 não descreve de forma exaustiva todos os aspectos da hipótese de incidência. Tal alegação, todavia, não poderá ser apreciada no vertente Processo Administrativo Fiscal uma vez que tal contribuição social não se encontra contida no lançamento ora em apreciação, o qual é constituído, tão somente, por contribuições sociais a cargo da empresa destinadas ao FNDE, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE. A matéria aventada pelo Recorrente atinente à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho não integra o vertente litígio, havendo sido trazida à balha unicamente pelo Autuado, motivo pelo qual não será conhecida por este Colegiado nos autos do presente processo. O Recorrente aproveitou a oportunidade concedida pela lei para se manifestar nos autos para deduzir extenso arrazoado a respeito de questões inerentes a outros Lançamentos Tributários lavrados na mesma ação fiscal, as quais somente poderão ser apreciadas e decidas nos autos dos Processos Administrativos Fiscais correspondentes, não detendo este Conselho competência para, nestes autos, proferir decisão sobre matéria que não lhe é atávica. Registrese que, no rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal contida em cada demanda administrativa, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002861/201019 Acórdão n.º 2302002.503 S2C3T2 Fl. 223 5 Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo Impugnante e que não tenham sido objeto da exigência fiscal contida na contenda de per se considerada, ou que não guardem relação direta com os fundamentos do lançamento em debate, como se consubstanciam, exatamente, as alegações deduzidas pelo Recorrente nos parágrafos preambulares deste tópico. Por tais motivos, esquivamonos de apreciar as questões acima ventiladas, eis que em seu obséquio não se houve por instaurado, nos vertentes autos, qualquer controvérsia ou litígio a ser dirimida por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. O Recorrente advoga a inconstitucionalidade da contribuição para o INCRA. Sem razão. Merece ser enaltecido, de plano, que uma contribuição pode ser conceituada como uma espécie de tributo, de natureza autônoma, caracterizada por uma destinação social particularizada em lei, desvinculada de atuação estatal específica, com hipótese de incidência própria, e não restituível. A doutrina elege três modalidades de contribuições: Sociais; coorporativas e interventivas. A investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA tem sido por demais tormentosa ao longo dos últimos anos. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Ag. Regimental no Agravo de Instrumento de despacho que inadmitiu Rec. Extraordinário contra Acórdão do TRF da 3ª Região, ementado como se segue : TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AO INCRA E AO FUNRURAL – EMPREGADOR URBANO – CONSTITUCIONALIDADE. A exação de que trata o artigo 15, II da Lei Complementar nº 11/71, destinada parte ao FUNRURAL (2,4%) e parte ao INCRA (0,2%), pode ser exigida de empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55, em benefício do então criado Serviço Social Rural. Constitucionalidade. Precedentes Jurisprudenciais desta Corte. Apelação Improvida. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 pacificou o entendimento no sentido da inexistência de qualquer empecilho constitucional que obste a cobrança das contribuições para o INCRA e para o FUNRURAL, consoante se depreende da ementa da decisão exarada: EMENTA: Contribuição para o FUNRURAL: empresas urbanas: acórdão recorrido que se harmoniza com o entendimento do STF, no sentido de não haver óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a referida contribuição, destinada a cobrir os riscos a que se sujeita toda a coletividade de trabalhadores: precedentes. (STF, AIAgRg nº 334.360/SP; Rel. Min. Sepúlveda Pertence; 1ª Turma; DJ 25.02.2005) O Superior Tribunal de Justiça, por seu turno, após um longo período em que oscilou sua jurisprudência, pacificou o entendimento de que a contribuição destinada ao INCRA ostenta natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, no adorno moldado pelo art. 149 da CF/88, não sendo tal contribuição sujeita às normas inscritas nas Leis nº 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91. VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.789/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) TRIBUTÁRIO. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. INAPLICABILIDADE. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002861/201019 Acórdão n.º 2302002.503 S2C3T2 Fl. 224 7 1. O INCRA foi criado pelo DL 1.110/70 com a missão de promover e executar a reforma agrária, a colonização e o desenvolvimento rural no País, tendolhe sido destinada, para a consecução de seus objetivos, a receita advinda da contribuição incidente sobre a folha de salários no percentual de 0,2% fixada no art. 15, II, da LC n.º 11/71. 2. Essa autarquia nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão porque a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis 7.789/89 e 8.212/91 ambas de natureza previdenciária , permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico. 3. Como a contribuição não se destina a financiar a Seguridade Social, os valores recolhidos indevidamente a esse título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. 4. Nos termos do art. 66, § 1º, da Lei nº 8.383/91, somente se admite a compensação com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 5. Embargos de divergência improvidos. STJ; EREsp 770.451/SC; R.P/ACÓRDÃO Min. CASTRO MEIRA; DJ: 11/06/2007) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliane Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicandose, assim, os recursos arrecadados na consecução dos objetivos Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Tratase de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. Cumpre neste comenos destacar que escapa à competência deste Colegiado a sindicância relativa à adequação da norma legal aos princípios norteadores do ordenamento jurídicos que permeiam a Constituição Federal, eis que tal tarefa foi outorgada, por Ulisses et alli, ao Poder Judiciário, exclusivamente. A esta 2ª Seção foi deferida, tão somente, a competência para perscrutar a conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal à legislação tributária vigente e eficaz, em honra ao Princípio Constitucional da estrita legalidade. Assentado que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituemse prerrogativas outorgadas pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podem os agentes da Administração Pública imiscuíremse sponte propria nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002861/201019 Acórdão n.º 2302002.503 S2C3T2 Fl. 225 9 Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Devese atentar para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilhando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não se deve olvidar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar declarações de inconstitucionalidade, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.2. DA CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE O Recorrente também alega a inconstitucionalidade da contribuição para o SEBRAE. Sem razão, igualmente. A Contribuição para o SEBRAE foi instituída pelo §3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90 com o objetivo exclusivo de atender a execução da política governamental de apoio às micro e às pequenas empresas, sendo exigida como tributo complementar às Contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, para o Serviço Social da Indústria SESI e para o Serviço Social do Comércio SESC, nos seguintes termos: Lei nº 8.029/90 de 12 de abril de 1990 Art. 8° É o Poder Executivo autorizado a desvincular, da Administração Pública Federal, o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo. (...) §3º. Para atender à execução da política de Apoio às Micro e às Pequenas Empresas, é instituído adicional às alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o artigo 1º do DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, de: (redação dada pela Lei nº 8.154/90) a) 0,1% (um décimo por cento) no exercício de 1991; b) 0,2% (dois décimos por cento) em 1992; e c) 0,3% (três décimos por cento) a partir de 1993. §4º. O adicional da contribuição a que se refere o parágrafo anterior será arrecadado e repassado mensalmente pelo órgão competente da Previdência e Assistência Social ao CEBRAE. DECRETOLEI Nº 2.318 DE 30 DE DEZEMBRO DE 1986 Art. 1º Fica mantida a cobrança, fiscalização, arrecadação e repasse às entidades beneficiárias das contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, para o Serviço Nacional de aprendizagem Comercial SENAC, para o Serviço Social da Indústria SESI, e para o Serviço Social do Comércio SESC, ficam revogados: I o tetolimite a que se referem os artigos 1º e 2º do decretoLei nº 1.861, de 25 de fevereiro de 1981, com a redação dada pelo artigo 1º do DecretoLei nº 1.867, de 25 de março de 1981; Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002861/201019 Acórdão n.º 2302002.503 S2C3T2 Fl. 226 11 II o artigo 3º do DecretoLei nº 1.861, de 25 de fevereiro de 1981, com a redação dada pelo artigo 1º do DecretoLei nº 1.867, de 25 de março de 1981. Assim, a partir de janeiro de 1991, foi criada a contribuição destinada ao SEBRAE, a cargo das empresas que já contribuíam para o SESC, SENAC, SESI e SENAI (Lei nº 8029/90 e Lei nº 8154/90 e OS/INSS/DAF05/9l) mediante às alíquotas de 0,1% (1991), 0,2% (1992) e 0.3% (a partir de 1993) para cada uma das entidades acima citadas. No caso do Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS 0515, ao qual se vincula o Recorrente, a empresa passou a contribuir para o SEBRAE, em 1991 com adicional de 0,2% (0,1 % referente ao SESC e 0,1% referente ao SENAC); em 1992 com o adicional de 0,4% (0,2 % referente ao SESC e 0,2% referente ao SENAC) e a partir de 1993, com o adicional de 0,6% (0,3 % referente ao SESC e 0,3% referente ao SENAC). O debate em torno desse assunto já incitou o pronunciamento da Suprema Corte de Justiça, que irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação da matéria ora tratada, conforme dessai do seguinte julgado assim ementado: REsp 892084/RJ Relator(a) Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 07/05/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 18/05/2009 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO SESC/SENAC E SESI/SENAI. CABIMENTO. 1. A falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial, a despeito da oposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial (Súmula 211 do STJ). 2. A controvérsia acerca da exigibilidade da contribuição para o SEBRAE, imposta pela Lei 8.029/90, foi decidida por fundamentos de natureza eminentemente constitucional, insuscetíveis de exame em recurso especial. 3. É devido o pagamento efetuado com base no adicional de 0,3% sobre cada uma das contribuições sociais devidas ao SESC/SENAC e ao SESI/SENAI. Precedentes: AgRg no REsp 500.634/SC, 2ª Turma, Min. Herman Benjamin, DJe de 31.10.2008; REsp 491.105/SC, 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJ de 13.12.2004. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 É de sabença universal que o título nominativo de um instituto de Direito não tem o condão de lhe modificar a natureza jurídica. Nessa perspectiva, nada obstante a lei supramencionada têla rotulado como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais repassadas ao SESI, SENAI, SESC e SENAC, o Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que a contribuição para o SEBRAE consubstanciase numa contribuição de intervenção no domínio econômico, na concepção plasmada no art. 149, caput, da Constituição Federal, conforme consignado definitivamente no julgamento do Recurso Extraordinário RE 396.266/SC, cuja ementa pedimos a devida vênia para transcrevêla: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEI 8.029, DE 12.4.1990, ART. 8o, §3o. LEI 8.154, DE 28.12.1990. LEI 10.668, DE 14.5.2003. CF, ART. 146, III; ART. 149; ART. 154, I; ART. 195, §4º. I – As contribuições do art. 149, CF – contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas – posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isto não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, §4º, CF, decorrente de ‘outras fontes’, é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, §4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. (grifos nossos) II – A contribuição do SEBRAE – Lei 8.029/90, art. 8º, §3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 – é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do D.L. 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, CF. III – Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do §3º, do art. 8º, da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. IV – RE conhecido, mas improvido. (STF, RE 396266/SC, Tribunal Pleno, Rel. Min. Carlos Velloso, j. em 26112003, DJU de 27/2/2004, p. 22) Por esse motivo, a contribuição ao SEBRAE não se inclui no rol do art. 240 da Constituição Federal, uma vez que se mostra totalmente autônoma e desvinculada das contribuições ao SESI/SENAI e ao SESC/SENAC, e não destas um mero adicional, conclusão que não discrepa do entendimento firmado no Excelso Pretório, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002861/201019 Acórdão n.º 2302002.503 S2C3T2 Fl. 227 13 12.4.1990, art. 8º, §3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, §4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, §3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Acrescentese, ainda, que o SEBRAE não presta serviços somente às micro e pequenas empresas, mas a todas as atividades empresariais conexas, atendendo ao bem comum de toda a sociedade. Assim, considerandose o princípio da solidariedade social que permeia o art. 195, caput, da CF/88, por se tratar de contribuição de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao SEBRAE deve ser recolhida por todas as empresas, e não apenas pelas micro e pequenas empresas, não existindo, necessariamente, correspondência entre contribuição e prestação, nem tampouco entre o contribuinte e os benefícios decorrentes da exação. As vozes dimanadas do STF também produzem eco no Plenário da Corte Superior de Justiça, cuja consolidada jurisprudência não se mostra dissonante, consoante ressai do julgado referente ao Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 840.946/RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007, assim ementado: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. De toda essa exposição deflui não proceder o argumento do Recorrente de que a contribuição para o SEBRAE deveria ter sido instituída mediante Lei Complementar, nos termos do art. 149 da CF/88. Constituição Federal de 1988 Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Isto porque tal contribuição, conforme exaustivamente demonstrado, possui natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, e não de contribuição previdenciária, não lhe alcançando, pois, o preceito estampado no §4º do art. 195 da CF/88. Assim, não exige nossa Lei Soberana Lei Complementar para sua instituição e exigência, mas mera lei ordinária, conforme art. 5º, II da Carta. Tal controvérsia já foi bater às portas do Excelso Pretório, que sedimentou o entendimento no sentido da não exigência de Lei Complementar para a sua instituição, tampouco para a definição de sua hipótese de incidência, base imponível e contribuintes, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, §3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, §4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002861/201019 Acórdão n.º 2302002.503 S2C3T2 Fl. 228 15 para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, §4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. (grifos nossos) III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, §3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Apreciando a questão da constitucionalidade das contribuições destacadas pelo Recorrente sob um outro prisma, aditese que o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, estabelece óbice intransponível aos órgãos de julgamento deste Conselho Administrativo para afastar a aplicação ou deixar de observar normas tributárias inseridas no ordenamento jurídico mediante leis, decretos, tratado ou acordos internacionais sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Não fosse o bastante, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante para as Turmas de Julgamento, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Corretíssimos, portanto, a Autoridade Lançadora, na estipulação da alíquota destinada ao SEBRAE, bem como o órgão julgador a quo, por não dar provimento à impugnação ofertada pelo sujeito passivo em foco, inexistindo, ao nosso sentir, na decisão recorrida, arestas a serem aparadas. Vencidas as Preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DOS FATOS GERADORES O Recorrente concentra seu inconformismo na alegação de que a parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados não possui natureza salarial, uma vez que é completamente dissociada da efetiva prestação de serviço. Propala que a participação do sindicato constituise mera uma formalidade, que em nada modifica a natureza do pagamento. Tais argumentos, contudo, não têm o condão de ilidir o lançamento tributário que ora se opera. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002861/201019 Acórdão n.º 2302002.503 S2C3T2 Fl. 229 17 Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei n.º 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002861/201019 Acórdão n.º 2302002.503 S2C3T2 Fl. 230 19 “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez Fl. 240DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002861/201019 Acórdão n.º 2302002.503 S2C3T2 Fl. 231 21 incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; Fl. 242DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002861/201019 Acórdão n.º 2302002.503 S2C3T2 Fl. 232 23 c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifos nossos) l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em Fl. 243DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002861/201019 Acórdão n.º 2302002.503 S2C3T2 Fl. 233 25 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, O Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR consubstancia se numa ferramenta de gestão que visa ao alinhamento das estratégias organizacionais com as atitudes e desempenho dos empregados dentro do ambiente de trabalho. Tratase de um instrumento gerencial bastante utilizado pelas empresas, mundialmente disseminado, que auxilia no cumprimento das metas e diretrizes das organizações, permitindo uma maior participação e empenho dos empregados na produtividade da empresa, proporcionando, dessarte, atração, retenção, motivação e comprometimento dos funcionários na busca de melhores resultados empresariais. Constituise o PLR num tipo de remuneração variável a ser oferecida àqueles que efetivamente colaboraram na obtenção de lucros e/ou no atingimento das metas pré estabelecidas pelo empregador. Tratase de um Direito Social de matriz constitucional, tendo o Constituinte Originário, taxativamente, outorgado à lei ordinária a competência para a estipulação dos parâmetros legais da conformação do Direito dos trabalhadores, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Nesse sentido dispõe o Parecer CJ/MPAS nº 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, ad litteris et verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Tais diretivas não atritam com entendimento esposado no Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99, cujo teor transcrevemos na sequência: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita, portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos preestabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a Fl. 246DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002861/201019 Acórdão n.º 2302002.503 S2C3T2 Fl. 234 27 perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Tratandose de norma constitucional de eficácia limitada, esta depende da integração de documento normativo editado pelo órgão legislativo competente para que suas disposições possam produzir os efeitos jurídicos colimados pelo Constituinte. A polêmica que envolve tal matéria já exigiu a manifestação formal da Suprema Corte, cuja Segunda Turma, no julgamento do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n° 505.597, pacificou o entendimento que deve prevalecer nas situações desse jaez. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifos nossos) Deflui dos termos do julgado suso transcrito que o direito social em debate é dirigido à classe de trabalhadores que laboram mediante o vínculo jurídico de uma relação de Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 emprego, não abraçando as pessoas físicas que, assumindo o risco da atividade econômica, exercem por conta própria, determinada atividade profissional de natureza urbana, como é o caso dos Diretores não empregados, eis que entre estes e as respectivas empresas, não se formaliza vínculo de relação de emprego. Atentese, por relevante, que os direitos sociais estampados no art. 7º da CF/88 são dirigidos àquela categoria de trabalhadores que realizam seu labor profissional sob a égide de um vínculo empregatício, e não para aqueles que, por sua própria conta e risco, exercem atividade econômica de natureza urbana. A assertiva ora alinhada encontra amparo, igualmente, nas disposições insculpidas no §4º do art. 218 de nossa Lei Soberana, cuja norma de caráter programático prevê o apoio e estímulo às empresas que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Constituição Federal de 1988 Art. 218 O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas. (...) §4° A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. (grifos nossos) A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, honrou estatuir na alínea “j” do §9º do seu art. 28, hipótese de não incidência tributária sempre que verbas rotuladas de PLR forem pagas de acordo com a lei própria de regência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28 – (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794/94 veio ao atendimento do comando constitucional em tela, introduzindo no Ordenamento Jurídico os primeiros traços definidores do direito social ora em debate, vindo a sofrer, ao longo do tempo, em suas reedições e renumerações, um volume pouco expressivo de modificações legislativas, até a sua definitiva conversão na Lei nº 10.101/2000. Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002861/201019 Acórdão n.º 2302002.503 S2C3T2 Fl. 235 29 Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifos nossos) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (grifos nossos) II convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (grifos nossos) (...) Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. §1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Das disposições plasmadas no inciso I e no §2º do art. 2º do Diploma Legal acima desfiado erguese como fato incontroverso que para a fruição do direito social ora em relevo a lei regulamentadora exige a participação efetiva de um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria dos empregados na negociação entre estes e a empresa, e que o instrumento de acordo celebrado seja arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. As formalidades acima mencionadas não se configuram facultativas na negociação, mas, sim, obrigatórias, por força de lei formal. Não procede a alegação da empresa de que a parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados não possui natureza salarial, uma vez que é completamente dissociada da efetiva prestação de serviço. A regularidade da participação nos lucros e resultados está intimamente associada à efetiva participação dos empregados nos resultados da empresa, tanto que a Lei de regência indica como critério e condição para a sua concessão índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, programas de metas, resultados e prazos. Não alcançadas as metas previamente fixadas no acordo, não haverá que se falar em PLR. Por tais razões, nos instrumentos decorrentes da negociação coletiva devem constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos dos empregados nos resultados da empresa, além de regras adjetivas, tais como periodicidade da distribuição, período de vigência, prazo para revisão do acordo e, principalmente, mecanismos de aferição do cumprimento dos termos do acordo, não só no que se refere à participação do empregado, mas, também, às obrigações assumidas pela empresa. Não resta dúvida que a verba auferida pelos empregados beneficiários decorre de sua efetiva e individual participação laboral no sucesso do empreendimento. Trata se, pois, de uma rubrica paga pelo trabalho, e não para o trabalho. Anotese, por relevante, que na expressão constitucional aviada no Inciso XI do art. 7º da CF/88, a participação nos lucros ou resultados é desvinculada da remuneração, sendo paga como uma parcela distinta desta, e decorrente não do labor diário ordinário cumprido pelo empregado, mas, sim, da excelência da sua efetiva e individual participação nos lucros obtidos pela empresa, de acordo com os critérios e condições definidos no Instrumento de negociação entre empresa e empregados. Por isso é desvinculada da remuneração ordinária. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002861/201019 Acórdão n.º 2302002.503 S2C3T2 Fl. 236 31 Tal circunstância, todavia, não implica sua exclusão automática da base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que, nos termos do art. 28 da Lei nº 8.212/91, o conceito jurídico de Salário de Contribuição abraça todas as verbas pagas pela empresa aos empregados A QUALQUER TÍTULO, não somente pelos serviços efetivamente prestados, mas, até mesmo, pelo tempo à disposição do empregador. Não procede, portanto, a alegação do Recorrente de que o Salário de Contribuição seja somente aquele destinado a retribuir o trabalho. Nos rigores da lei, até mesmo a verba auferida relativa ao tempo ocioso do trabalhador à disposição do empregador configurase inserida no conceito legal de Salário de Contribuição. Registrese, igualmente, que a Lei nº 10.101/2000 apenas exclui a PLR do campo de incidência de encargos trabalhista, não das contribuições previdenciárias. Avulta de maneira cristalina que a exclusão das rubricas pagas a título de PLR da base de incidência das contribuições previdenciárias não advém, de maneira alguma, da natureza jurídica da verba, tampouco de determinação constitucional, mas, sim, de determinação expressa no Direito Positivo, nos termos assinalados na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, sempre condicionada à observância estrita dos termos da lei de regência, porém. Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Nessa perspectiva, em virtude da exegese oclusiva exigida pelo CTN, somente serão extirpadas da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas pagas sob o rótulo de participação nos lucros e resultados (PLR) que forem pagas ou creditadas a segurados empregados, e em estreita e inafastável consonância com a lei específica que rege o benefício em pauta. Do contrário, não. Permanecerão como parcelas integrantes do conceito jurídico de Salário de Contribuição, consoante definição legal estampado no inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Revelase carente de razoabilidade a alegação de que a participação do sindicato na negociação entre empresa e empregados é uma formalidade que em nada modifica a natureza do pagamento. Negligenciada não pode ser a forma dos atos jurídicos, quando a legislação tributária assim o exige, sob pena de ineficácia e, até mesmo, de nulidade. Da áurea pena da Fl. 251DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 Ministra Carmen Lúcia Antunes Rocha colhemos o ensinamento que reza: “A civilização é formal. As formas desempenham um papel essencial na convivência civilizada dos homens; elas delimitam espaços de ação e modos inteligíveis de comportamento para que a surpresa permanente não seja um elemento de tensão constante do homem em seu contato com o outro em sua busca de equilíbrio na vivência com o outro e, inclusive, consigo mesmo". Não por acaso já prelecionava Ihering: "Inimiga jurada do arbítrio, a forma é a irmã gêmea da liberdade". Um piloto de Fórmula 1 ou de Stock Car sem CNH (mera formalidade) impedido se encontra, legalmente, de dirigir veículos automotores neste país. Um bacharel em Direito, formado na melhor Universidade, com mestrado, Doutorado, Livre Docência, Notório Saber, etc., mas sem a aprovação formal no Exame da OAB (mera formalidade), também impedido se encontra de atuar no processo judicial. O respeito incondicionado às formalidades fixadas na Lei nº 10.101/2000 configurase como condição sine qua non para a exclusão da rubrica paga sob o rótulo de PLR da base de incidência das contribuições sociais previdenciárias, por determinação taxativa insculpida na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 111 do CTN. No caso sobre o qual nos debruçamos, a Fiscalização apurou que o sindicato da categoria (Sindicato dos Empregados de Empresas de Processamento de Dados de Santa Catarina) não participou das negociações entre empresa e empregados relativas à participação nos lucros e resultados dos exercícios de 2005 e 2006, tampouco mantém arquivado os respectivos instrumentos dos acordos celebrados. Nesse contexto, não restando integralmente adimplidas as condições e formalidades consignadas na lei específica, excluídas da hipótese de não incidência legal tributária se encontram as verbas pagas pelo Recorrente a seus empregados a título de participação nos lucros e resultados. A competência outorgada a esta 2ª Seção do CARF circunscrevese à perscrutação da sintonia da Decisão Recorrida com os termos dos autos, nos limites cercos da impugnação, e da conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal à legislação tributária vigente e eficaz, em honra ao Princípio Constitucional da estrita legalidade. Não pode este Conselho fechar os olhos às exigências legais e regulamentares, nem mesmo se, intimamente, consideralas inconstitucionais, como assim determina o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de primeira instância não demanda, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE provimento. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002861/201019 Acórdão n.º 2302002.503 S2C3T2 Fl. 237 33 É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 253DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10580.722243/2011-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2008
MULTA AGRAVADA. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS DA INFRAÇÃO. COMPROVAÇÃO. ALTERAÇÕES CONTRATUAIS DA SOCIEDADE.
A simulação em atos constitutivos da sociedade ou em suas alterações não constitui fraude na definição da lei tributária, não se justificando o agravamento da penalidade aplicada. A qualificação da infração só se caracteriza com ato doloso diretamente relacionado com os aspectos da hipótese de incidência tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3403-002.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício reduzindo-a ao patamar de 75%., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CLÍNICA MÉDICA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A imunidade à Contribuição prevista na Constituição Federal dirigese somente às entidades cujo objeto social seja de assistência social. Clínica médica, prestadora de serviço a particulares conveniados, mediante a correspondente contraprestação, não se subsume no conceito de entidade de assistência social. ISENÇÃO. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. DESCABIMENTO A receita da atividade própria de uma clínica médica, recebida em caráter contraprestacional direto de seus clientela particular e conveniada, incluise no conceito de faturamento e tem tributação normal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 TRIBUTAÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. DESCABIMENTO. A receita da atividade própria de uma clínica médica, recebida em caráter contraprestacional direto de seus clientela particular e conveniada, incluise no conceito de faturamento e tem tributação normal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 22 43 /2 01 1- 33 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 2 MULTA AGRAVADA. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS DA INFRAÇÃO. COMPROVAÇÃO. ALTERAÇÕES CONTRATUAIS DA SOCIEDADE. A simulação em atos constitutivos da sociedade ou em suas alterações não constitui fraude na definição da lei tributária, não se justificando o agravamento da penalidade aplicada. A qualificação da infração só se caracteriza com ato doloso diretamente relacionado com os aspectos da hipótese de incidência tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício reduzindoa ao patamar de 75%., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório PROBABY CLÍNICA INFANTIL E URGÊNCIAS LTDA. teve contra si lavrados os autos de infração de fls. 119 a 121 e 127 a 129, para fins de determinação e exigência de crédito tributário relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, respectivamente, relativas a períodos de apuração de 2007 e 2008. De acordo com o Termo de Descrição dos Fatos constantes dos referidos autos, foi constatada a falta de recolhimento das contribuições nos períodos verificados, já que o autuado, que se intitula entidade sem fins lucrativos , se considerava imune/isenta das contribuições. Intimada a comprovar seu caráter de entidade beneficente de assistência social, a fiscalizada não o fez. Em exame da escrituração contábil do sujeito passivo, a Fiscalização teria constatado que a fonte de suas receitas está restrita às entidades conveniadas e a particulares e, em seus custos e despesas, não há qualquer registro contábil que se possa vincular à prestação de serviços à população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, de caráter beneficente de assistência social, sem a finalidade lucrativa. A multa de lançamento de ofício foi exasperada porque a Fiscalização julgou presente circunstância qualificativa prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. O feito foi impugnado, fls. 311 a 318. Transcrevo a síntese constante do Relatório da decisão recorrida: Fl. 397DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10580.722243/201133 Acórdão n.º 3403002.269 S3C4T3 Fl. 397 3 • A impugnante formalizou processos de Consulta à Receita Federal pretendendo obter esclarecimento acerca da isenção da Cofins e do direito de recolher o PIS sobre a folha de salários apenas. As Consultas foram consideradas ineficazes. Ainda assim, a tentativa de consulta descaracteriza qualquer indício de fraude. • Seria no mínimo estranho o Fisco alegar agora que existiu fraude por nunca ter existido a imunidade, se ele mesmo determinou a suspensão da imunidade. É um procedimento contraditório. • Para embasar a suspensão da imunidade a DRF terminou fazendo confusão entre os conceitos de entidade de assistência social sem fins lucrativos e as entidades beneficentes de assistência social . • Como é cediço, para o gozo da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, c , da Constituição Federal, o legislador determinou que as entidades prestem assistência social (educação, cultura, lazer, saúde, desporto, etc.) e sem fins lucrativos, ou seja, aquelas que apresentem superávit destine esses valores para a própria sociedade, não havendo distribuição dos resultados positivos entre os sócios. • A impugnante atende aos requisitos estabelecidos no art. 14 do CTN, assim como no art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, ou seja, requisitos legais para as entidades de assistência social sem fins lucrativos . • Nos termos dos arts. 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a impugnante faz jus à isenção da Cofins e ao PIS sobre a folha de salários. Não há prova nos autos de que a impugnante tenha descumprido os requisitos legais da imunidade. Resta patente a nulidade dos autos de infração. A 4ª Turma da DRJ/SDR julgou a impugnação improcedente. O Acórdão nº 1529.845, de 15 de fevereiro de 2012, fls. 348 a 359, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 ISENÇÃO (IMUNIDADE) A isenção, na verdade imunidade, se destina exclusivamente às entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2007 a 31/12/2008 ISENÇÃO (IMUNIDADE) A isenção, na verdade imunidade, se destina exclusivamente às entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 4 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do auto de infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CABIMENTO. As circunstâncias específicas do caso, ao permitirem identificar o evidente intuito de fraude, justificam a aplicação da multa qualificada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/SDR. o arrazoado de fls. 365 a 376, após síntese dos fatos relacionados com a lide, repisa os mesmos argumentos de defesa já expedidos por ocasião da impugnação. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 365 a 376 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJSDR4ª Turma nº 1529.845, de 15 de fevereiro de 2012. Imunidade à Cofins Liminarmente, afasto a incidência da norma do art. 150, inc. VI, alínea “c” da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/88, que trata da imunidade aos impostos das instituições de educação e assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Cuidase, no caso concreto, de contribuições sociais, não alcançadas pelo referido dispositivo constitucional. A imunidade à Cofins está prevista no art. 195, § 7º, da CF/88 e destinase, exclusivamente, às entidades beneficentes de assistência social. O recorrente certamente sabe, a Autoridade Administrativa não cometeu qualquer ‘confusão” conceitual quando analisou o seu direito à imunidade pretendida sob o prisma dessas entidades, pois são as únicas que podem gozar de tal benefício. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10580.722243/201133 Acórdão n.º 3403002.269 S3C4T3 Fl. 398 5 Toca portanto saber se a Probaby Clínica Infantil e Urgências Ltda subsume se no conceito de entidade beneficente de assistência SOCIAL, para daí, se for o caso, verificar a satisfação dos requisitos estabelecidos em lei. No capítulo relativo à seguridade social, a Constituição trata da saúde na Seção II (arts. 196 a 200), da previdência social na Seção III (arts. 201 e 202) e da assistência social na Seção IV (arts. 203 e 204). Segundo o art. 203, compreendem a assistência social as ações que tenham por objetivo: "1 a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice, 11 o amparo às crianças e adolescentes carentes; III a promoção da integração ao mercado de trabalho, IV a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária, V a garantia de um salário mínimo de beneficio mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de têla provida por sua família, conforme dispuser a lei " Em principio, o dispositivo não afasta a possibilidade de uma clínica médica pediátrica ser considerada beneficente de assistência social. Entretanto, não se vislumbra que a prestação desse tipo de serviços, mediante pagamento, se enquadre em qualquer dos itens acima mencionados. As instituições de assistência social, que trazem ínsito em suas finalidades a observância ao princípio da universalidade, da generalidade e concede benefícios a toda coletividade, independentemente de contraprestação, não se confundem e não podem ser comparadas com as clínicas médicas particulares que, em decorrência da relação contratual firmada, apenas contempla uma segmento exclusivo da população. Ainda que eventualmente alguma das ações da recorrente se caracterizasse como de assistência social, como no caso de eventual atendimento a necessitados, não se poderia entender que fosse ela entidade de assistência social, uma vez que seu objeto social não é esse. A entidade beneficente de assistência social é aquela que se volta para esse fim, e, efetivamente, o exerce. Somente seria admissível a inclusão da prestação de serviços médicos no conceito de assistência social, na hipótese de o objeto social da entidade dirigirse precipuamente aos beneficiários previstos no art. 203 da Constituição, independentemente de pagamento de contraprestação, o que, obviamente, não é o caso da recorrente, que expressamente rechaçou a prática de gratuidade (recurso voluntário, fl. 367). Ademais, muito embora o seu objeto social estabelecido na Primeira Alteração da 9ª Alteração e Consolidação do Contrato Social, arquivado no Cartório do 1º Ofício de Registro Civil de Pessoas Jurídicas de SalvadorBA, tenha previsto a “prestação de serviços à população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, de caráter beneficente de assistência social, sem finalidade lucrativa, de atendimento médicohospitalares em geral...”, o fato é que Probaby Fl. 400DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Clínica Infantil e Urgências Ltda. não logrou comprovar sequer a prática de um único atendimento veiculado pelo Sistema Único de Saúde1. Decididamente, a recorrente não é entidade beneficente de assistência social, não tendo direito ao goza da imunidade à Cofins. Nesse contexto, resta prejudicado o exame dos requisitos legais para a fruição da imunidade. Isenção à Cofins e recolhimento da Contribuição para o PIS sobre a folha de pagamentos Relativamente à isenção da Cofins a partir de fevereiro de 1999, em vista da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, cabe esclarecer que esta prevê em seu artigo 14 a isenção da Contribuição apenas em relação às receitas obtidas nas atividades próprias das entidades relacionadas no artigo 13, assim entendidas suas receitas típicas, como as contribuições, doações, anuidades ou mensalidades de seus associados e mantenedores, destinadas ao custeio e manutenção da instituição e execução de seus objetivos estatutários, mas que não tenham cunho contraprestacional. Tal conclusão deflui tal conclusão da análise da evolução da legislação sobre a Cofins, procedida pelo Conselheiro Antônio Carlos Atulim, no julgamento do RV nº 233.217 para o Acórdão nº 340300.101, de 17 de setembro de 2009, que transcrevo por sua clareza e concisão: A Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, foi instituída pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que estabeleceu como contribuintes as pessoas jurídicas em geral, inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda (art. 1°), e isentou as sociedades cooperativas, as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada e as entidades beneficentes de assistência social (art. 6°). De sua base de cálculo tratava o art. 2°, assim redigido: "Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de 2% (dois por cento) e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". (grifei) Com base nesse dispositivo, foi publicado o Parecer Normativo CST nº 5, de 22 de abril de 1992, a respeito da incidência da Cofins sobre a receita das associações, sindicatos, federações e demais entidades classistas, e do qual destaco: "Quando da vigência da contribuição ao Finsocial, criada pelo Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, o Regulamento baixado pelo Decreto nº 92.698, de 21 de maio de 1986, colocou fora do campo de incidência do Finsocial, as receitas ou os resultados das operações próprias daquelas entidades, posto que as mesmas não se situam no conceito de empresa a que se referia a citada matriz legal do FINSOCIAL. 1 Tampiuco juntou aos autos qualquer Ato reconhecendoa de utilidade pública federal, nem o Certificado de Registro fornecido pelo CNSS. Ao contrário, quedou incontroverso, nos autos, a partir do exame da escrituração contábil do sujeito passivo, que sua fonte de receitas está restrita a entidades conveniadas e a particulares e, em seus custos e despesas, não há qualquer registro contábil que se possa vincular à prestação deserviços à população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, de caráter beneficente de assistência social, sem finalidade lucrativa. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10580.722243/201133 Acórdão n.º 3403002.269 S3C4T3 Fl. 399 7 Outra é porém, a situação proposta pela Lei Complementar n° 70, de 1991, que erigiu à condição de contribuinte não as empresas (públicas ou privadas) como o fez o Decretolei nº 1.940, de 1982, mas sim as pessoas jurídicas, inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda. Desse modo, não só as empresas, como todas as outras entidades com personalidade de direito privado serão atendidas p. ela nova contribuição. Portanto, é de se concluir que os pressupostos para a nãoincidência do FINSOCIAL sobre as receitas das entidades retrocitadas não estão presentes na recém instituída contribuição social para financiamento da seguridade social. Por outro lado, é de atentar para o fato de que a contribuição em foco incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza (art. 2° da Lei Complementar nº 70, de 1991). Nesse ponto, deve ser destacado que é extravagante à base de cálculo da contribuição (faturamento mensal) as receitas auferidas pelas entidades em comento, porquanto não se pode cogitar tratarse de faturamento a contribuição, anuidade ou mensalidade fixada por lei, assembléia ou estatutos daquelas entidades e destinada ao custeio do sistema confederativo (Constituição de 1988, art. 8°, inciso ou de suas atividades essenciais.Entretanto, quando as entidades aqui tratadas auferirem receitas decorrentes da prestação de serviços ou da venda de mercadorias, mesmo que exclusivamente para seus associados, incidirá a contribuição de dois por cento sobre essas receitas, posto que aquelas entidades não estão isentas da mesma." (grifei) Da leitura desse texto inferese que, em relação às entidades mencionadas no PNCST nº 5/1992, as receitas obtidas por meio de contribuições pagas pelos associados, que tivessem por finalidade exclusivamente a manutenção da entidade e o alcance de suas finalidades estatutárias, uma vez que não poderiam ser consideradas "faturamento", estariam fora do campo de incidência desse tributo. Outra seria, contudo, a situação das receitas oriundas da prestação de serviços e da comercialização de mercadorias, que deveriam ser oferecidas à tributação. Posteriormente, com a edição da Lei nº 9.718 5 de 27 de novembro de 1998 ampliouse a base de cálculo da Cofins que passou a incidir sobre a receita bruta da pessoa jurídica, assim considerada a totalidade das receitas por ela auferidas, independentemente do tipo de atividade exercida ou da classificação contábil adotada para suas receitas. Em função disso, entidades e receitas anteriormente não alcançadas pela Cofins passaram a sofrer a incidência desse tributo. Essa alteração legislativa trouxe insegurança quanto à situação das entidades sem fins lucrativos que, no regime legal anterior, sujeitavamse a esta exação apenas quando auferissem receitas que tivessem cunho contraprestacional (decorrentes da prestação de serviços e/ou venda de bens, por exemplo). Com a acepção de faturamento veiculada pelo artigo 3° da Lei Fl. 402DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 8 nº 9.718, de 1998 as receitas próprias de suas atividades como contribuições, anuidades ou mensalidades fixadas por assembléia ou destinadas ao custeio de suas atividades essenciais deveriam ser incluídas na base de cálculo da Cofins. Contudo, cumpre observar que os artigos desta lei referente à Cofins só produziram efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 10 de fevereiro de 1999. Acontece que logo em seguida foi editada a Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de julho de 1999 (reeditada sucessivas vezes), a qual, em seu art. 14, X, isentou da Cofins, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999, as receitas relativas às atividades próprias das entidades relacionadas no art. 13 do mesmo diploma normativo. Observese, entretanto, que a isenção não abrange todas as receitas das entidades beneficiadas, mas tão somente as receitas das atividades próprias. Dessa forma, o legislador quis excluir da tributação apenas as receitas típicas dessas entidades, ou seja, exatamente aquelas que não eram alcançadas pela legislação anterior. Dessa maneira, receitas que não são consideradas típicas das entidades beneficiadas, tais como as provenientes de prestações de serviços, vendas de mercadorias e aplicações financeiras, continuavam sujeitas à Cofins, pois se o legislador quisesse excluir da incidência dessa contribuição todas as receitas obtidas pelas entidades elencadas no art. 13, teria concedido isenção subjetiva, e não restringido o beneficio apenas a certas receitas. Desse modo, não sendo imune à Cofins e não preenchendo os requisitos para a isenção prevista no art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001, a recorrente não pode se valer do beneficio previsto no art. 13 da referida MP (recolhimento do PIS com base na folha de salários) e deve recolher o PIS com base no faturamento mensal. Agravamento da penalidade A exasperação da multa de lançamento de ofício tem previsão no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II – [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 403DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10580.722243/201133 Acórdão n.º 3403002.269 S3C4T3 Fl. 400 9 § 2º [...] A mudança introduzida pela MP nº 351, de 2007, foi significativa: a exclusão da expressão “evidente intuito de fraude” indica que cabe às autoridades fiscais individualizar, em cada caso, qual dentre as três circunstâncias qualificativas da infração justifica a aplicação da pena agravada. Não basta para o agravamento a mera indicação de ter agido o faltoso com evidente intuito de fraude: será necessário indicar quais são os elementos de prova da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Com a mudança ficou claro que o pressuposto de aplicação em concreto da norma jurídica citada é a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, consoante definição contida na Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Em decorrência, é indispensável e necessária a produção de provas inequívocas de que tenha ocorrido pelo menos uma das condutas referidas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502, de 64. A indicação, pura e simples do antigo preceito normativo, sem a correspondente prova, sem a sua qualificação e individualização da conduta, torna ilegítimo o agravamento da penalidade. No entendimento da Fiscalização, o fato de o contribuinte “...se considerar como entidade imune/isenta da Cofins, ignorando por completo a adoção das medidas previstas em lei para que pudesse efetivamente ser considerada como entidade imune/isenta, aliada ao fato de que não logrou comprovar sequer a prática um único atendimento à população carente, caracterizou falsidade ideológica”. Ainda segundo a Fiscalização, ao assim proceder, “...o contribuinte pretendeu impedir a ocorrência do fato gerador e , consequentemente, deixar de recolher a Cofins, o que denota o emprego de fraude, coadunandose com o previsto no inciso I, art. 2o, da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de1990 e com o art. 72 da Lei n° 4.502 de 30 de novembro de 1964” (fl. 120). O agente autuante repete tais considerações, mutatis mutandis, no Auto de Infração relativo à Contribuição para o PIS. (fl. 128). Em síntese, o agravamento da multa para 150% foi motivado pela percepção do autuante de que o ato constitutivo da sociedade e suas alterações estariam viciados por falsidade ideológica, uma vez que a sociedade não adotou qualquer medida para que fizesse jus à imunidade almejada. Assim, o artifício doloso, conforme descrito na Notificação de fls. 2 a 10 e no Termo de Qualificação dos Fatos, fls. 120 e 128, configurouse pelo vício dos atos constitutivos da sociedade. A fraude penalmente2 relevante “ é o expediente utilizado pelo agente para levar alguém a erro a fim de que este atue com falsa representação da realidade.” 3 No âmbito do direito tributário penal4, no entanto, a fraude tem conceituação específica, dada pelo art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Não há como afirmar que a ocorrência da simulação na Primeira Alteração da 9ª Alteração e Consolidação do Contrato Social, que incluiu no objetivo social a “prestação de 2 O inc. I do art. 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, a que faz referência o Auto de Infração prevê que tmabém constitui crime contra a ordem tributária fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo. 3 MIRABETE, Júlio Fabbrini. Manual de direito penal. 13ª ed. São Paulo: Atlas, 1998, p.54. 4 "Parte sancionatória ínsita ao Direito Tributário, provido de sanções da vária natureza, desde que nãopenais,...", cf. SILVA, Juary C. Elementos de direito penal tributário. São Paulo: Saraiva, 1998, p. 13. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 10 serviços à população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, de caráter beneficente de assistência social, sem finalidade lucrativa, de atendimento médico hospitalares em geral...”, como fraude, segundo a definição do art. 72, acima reproduzida. Entendo que, para caracterizála, a ação ou omissão dolosa deve relacionarse diretamente com os aspectos da hipótese de incidência (ou fato gerador), a saber, os seus aspectos materiais, temporais, espaciais e pessoais, o que não é o caso. A existência de vicio nos atos constitutivos da sociedade e a ocorrência do artifício doloso de falsidade ideológica – aqui admitidos ad argumentandum haja vista que seu julgamento desborda das competências desse tribunal administrativo não tem relação com o fato gerador das contribuições de que aqui se trata, não teve por objetivo impedir a ocorrência do fato gerador ou o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária, ou ainda modificar suas características essenciais. Que a majoração da multa só é aplicável quando o ato doloso foi praticado para a configuração do ilícito fiscal nos dá exemplo a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais: INTUITO FRAUDULENTO NA DEFESA — A qualificação da multa é aplicável quando o ato doloso foi praticado para a configuração do ilícito fiscal, não ocorrendo, em conseqüência, o seu cabimento quanto a intuito fraudulento em peça de defesa (Ac.1º CC 1053.922/1990). DOCUMENTO FALSO NA IMPUGNAÇÃO — Não se justifica o agravamento da multa de 50% para 150% em razão da apresentação de documento falso na fase de impugnação, quando já definida a obrigação tributária e constituído o respectivo crédito, sem embargo da tipificação da respectiva infração penal (Ac. CSRF/01721/1987 DOU de 12/04/1990). A exasperação da multa só é cabível quando exaustivamente provado que a ação ou omissão dolosa foi praticada com o intuito de produzir os efeitos referidos no .art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Qualquer outro ilícito, não relacionado com o fato gerador, ainda que eventualmente tipificado na lei penal, não acarreta a imposição da multa agravada de 150%. Por essa razão, julgo que a penalidade deve ser desagravada para a multa básica, sem prejuízo do prosseguimento da representação criminal ao Ministério Público. Conclusões Com tais considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso, apenas para desqualificar a infração e reduzir o percentual da penalidade aplicada para 75%. Sala das Sessões, em 25 de junho de 2013 Alexandre Kern Fl. 405DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10580.722243/201133 Acórdão n.º 3403002.269 S3C4T3 Fl. 401 11 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10865.001857/99-61
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1989 a 30/09/1995
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.
Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante.
Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
Numero da decisão: 9900-000.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
EDITADO EM: 06/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1989 a 30/09/1995 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 18 57 /9 9- 61 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator EDITADO EM: 06/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, versando sobre a contagem do prazo prescricional do direito à repetição de indébitos tributários. A recorrente assevera que referido prazo seria de 5 (cinco) anos a contar da data em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior que o devido, consoante interpretação a ser dada ao inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN, interpretação essa que teria sido referendada pela Lei Complementar nº 118/2005. A discussão em causa, portanto, reportase exclusivamente ao prazo prescricional para requerer a repetição de indébito tributário, sendo importante ressaltar que o presente pedido foi formalizado anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 118/2005, que passou a viger a partir do dia 09/06/2005. No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 31/11/1999, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 12/89 e 09/95. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10865.001857/9961 Acórdão n.º 9900000.709 CSRFPL Fl. 11 3 Voto Conselheiro Francisco Sales Ribeiro de Queiroz Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, consoante atesta o despacho competente, devendo ser conhecido. Conforme relatado, a questão que se põe à apreciação deste Colegiado diz respeito exclusivamente à preliminar de prescrição do direito à repetição de indébitos fiscais, merecendo ressaltar que o acórdão paradigma considerou irrelevante que o indébito tenha por fundamento a declaração de inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo quinquenal a partir da extinção do crédito tributário, conforme se extrai da leitura da ementa transcrita no recurso extraordinário, a seguir: ACÓRDÃO PARADIGMA "Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido." (grifo nosso). (Recurso n° 102147786. Processo n° 10183.003219/200293. Acórdão CSRF/0400.810. Quarta Turma. Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). Os dispositivos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, citados na ementa acima transcrita, estão assim redigidos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ......................................................................................................... Fl. 298DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (vide art. 3º da LC. nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. ......................................................................................................... A modalidade de extinção do crédito tributário a que se refere o supra transcrito dispositivo do inciso I, do art. 168 é o definido no inciso I, do art. 156, também do CTN, a seguir: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...). Assim, contado da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, teria o contribuinte cinco anos para fazer valer o seu direito à restituição, entendimento que mereceu intermináveis discussões no âmbito do contencioso administrativo tributário e nos Tribunais Superiores do Poder Judiciário pátrio. Dessa forma, em face da interminável batalha judicial estabelecida sobre o tema, e com a pretensão de pacificar e tornar definitivo um entendimento a respeito, sobreveio a Lei Complementar LC nº 118/2005, cujos artigos 3º e 4º alteraram e acrescentaram dispositivos ao Código Tributário Nacional CTN, dispondo ainda sobre a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 da mesma Lei, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por seu turno, o mencionado inciso I, do art. 106, do CTN, estabelece que: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...). Fl. 299DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10865.001857/9961 Acórdão n.º 9900000.709 CSRFPL Fl. 12 5 Assim, a questão já teria sido definitivamente resolvida com a edição dos suso transcritos dispositivos da LC nº 118/2005, segundo o qual a interpretação a ser dada ao inciso I, do art.168, do CTN, é a de que “a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.” (Lei nº 5.172/1966 – CTN) Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça STJ declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da LC nº 118/2005, ao entender que não se trata de lei meramente interpretativa, já que inova o ordenamento jurídico no tocante ao momento em que o crédito tornase extinto, e que, portanto, não pode retroagir nos moldes do artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de ofender o princípio da segurança jurídica, de respeitável proteção em nosso ordenamento. Referida matéria, até a sessão de 04/08/2011 do Supremo Tribunal Federal – STF, encontravase submetida ao regime de repercussão geral, oportunidade em que foi negado provimento ao RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, declarando a inconstitucionalidade do acima transcrito art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005, tendo referida decisão Suprema sido assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts . 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a Fl. 300DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça STJ, em recentíssima decisão (sessão de 02/08/2012), ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp nº 1.269.570 MG, entre muitas outras mais antigas, seguiu a referida posição jurisprudencial proferida do Tribunal Maior, consoante se extrai da leitura da ementa do REsp 1089356/PR, assim disposta: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09/06/2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI Nº. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10865.001857/9961 Acórdão n.º 9900000.709 CSRFPL Fl. 13 7 entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei nº. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Nessa mesma linha, transcrevo ementa de outros julgados do STJ, nos quais o prazo prescricional é contado, em se tratando de pagamentos indevidos cuja repetição fora requerida anteriormente à vigência da LC nº 118∕2005 (09/06/2005), da data do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos REsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] Fl. 303DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10865.001857/9961 Acórdão n.º 9900000.709 CSRFPL Fl. 14 9 autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si". (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) Através da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, diante dessas decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores, outra não poderia ser minha posição a respeito da matéria, senão a de aplicar ao caso os estritos termos das sobreditas decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 9 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), valeria o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseia a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 31/11/1999, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 12/89 e 09/95. Sendo assim, o direito à repetição não foi alcançado pela prescrição. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, devendo o processo retornar à repartição de origem para que seja analisada a viabilidade do pedido quanto às questões de mérito, sua liquidez, demais matérias não examinadas e adoção das providências que considerar cabíveis, devendo o processo, posteriormente, seguir seu trâmite de acordo com o Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. É assim que voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 305DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 19515.002017/2004-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
ADMISSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Holcim Brasil S/A inadmitiu a observância da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 em face de decisão judicial.
PIS. DECADÊNCIA.
O art. 45 da Lei nº 8.212/91 foi alvejado pela Súmula Vinculante nº 8 por ser eivado de inconstitucionalidade.
CORREÇÃO MONETÁRIA.
A correção monetária integra as receitas auferidas pela pessoa jurídica.
PIS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS.
As variações cambiais integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS. A partir de janeiro de 2000 devem ser submetidas à tributação pelo regime de caixa desde que o mesmo critério seja seguido para efeito de apuração das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL e da COFINS.
PIS. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS OBTIDOS.
Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta na conformidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não.
REP Provido em Parte e REC Negado.
Numero da decisão: 9303-002.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade: I) em dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reconhecer a correção monetária e os descontos obtidos na base de cálculo do tributo; e II) em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Antônio Lisboa Cardoso, que reconheciam que a variação cambial é tributável apenas em regime de caixa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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O Recurso Especial da Holcim Brasil S/A inadmitiu a observância da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 em face de decisão judicial. PIS. DECADÊNCIA. O art. 45 da Lei nº 8.212/91 foi alvejado pela Súmula Vinculante nº 8 por ser eivado de inconstitucionalidade. CORREÇÃO MONETÁRIA. A correção monetária integra as receitas auferidas pela pessoa jurídica. PIS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. As variações cambiais integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS. A partir de janeiro de 2000 devem ser submetidas à tributação pelo regime de caixa desde que o mesmo critério seja seguido para efeito de apuração das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL e da COFINS. PIS. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS OBTIDOS. Os descontos obtidos sobre os preços praticados pelo fornecedor estão contidos na receita bruta na conformidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, sendo irrelevante, para o comprador, se eles foram concedidos de forma condicional ou não. REP Provido em Parte e REC Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 17 /2 00 4- 61 Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade: I) em dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reconhecer a correção monetária e os descontos obtidos na base de cálculo do tributo; e II) em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Antônio Lisboa Cardoso, que reconheciam que a variação cambial é tributável apenas em regime de caixa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recursos Especiais intentados pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte, relativamente à Contribuição para o PIS em razão do decidido no Acórdão de fls. 1.241/1.279, que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário de fl. 1.091, declarando a decadência do lançamento em relação aos períodos de apuração fevereiro, março, abril e agosto de 1999 e para excluir da base tributável além dos valores referentes à correção monetária correspondentes às contas 907020, de fevereiro de 99 a julho de 2001, e 45403240, de agosto de 2001 a janeiro de 2004, os descontos incondicionais. Na fl. 1.283, Recurso Especial da Fazenda Nacional insurgindose contra a decadência com base na Lei nº 8.212/91, que concede o prazo de 10 anos para a constituição de créditos da Seguridade Social. Alega que o art. 150, § 4º, do CTN, prevê a edição de norma específica para estipulação de prazo decadencial para homologação do pagamento. Quanto à correção monetária considerada pelo Acórdão recorrido, mera recomposição patrimonial não ensejando tributação nos termos da Lei nº 9.718 rechaça tal entendimento, afirmando que o conceito de receita dado pela lei não é restrito e sim muito amplo e transcreve o art. 1º da Lei nº 10.637/02, que se refere ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Transcreve o art. 375 do RIR/1999, verbis: Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.002017/200461 Acórdão n.º 9303002.017 CSRFT3 Fl. 1.550 3 variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações. Desenvolve argumentos originados no direito financeiro para estabelecer o que venha a ser receita pública argüindo que os fatos meramente permutativos são considerados receitas, utilizandose, assim, desse ramo do direito para justificar que a variação cambial seria receita. Transcreve nas fls. 1300/1301 Acórdão do E. STJ no Resp 674.449, da relatoria do Ministro Herman Benjamin que adota a obrigação de oferecer à tributação os valores recebidos a título de correção monetária das vendas a prazo. Quanto aos descontos incondicionais, a Fazenda Nacional posicionase contrariamente em face da inexistência de prova material que ampare os referidos abatimentos. Requer, afinal, que seja reformado o Acórdão quanto à decadência para a utilização do prazo de 10 anos constante do art. 45 da Lei nº 8.212/91 e reinserido na base de cálculo do PIS as receitas oriundas dos descontos incondicionais e a correção monetária de seus ativos. Na fl. 1.314 RESP da Contribuinte insurgindose contra a incidência do PIS sobre a variação cambial decorrente de ativos financeiros de propriedade de controlada estrangeira denominada Ciminas Investment Ltda. Quanto a isto, argumenta que não existe razão para tributar essa base pelo fato de não implicar em ingresso de recursos e assim não podendo ser tratada como receita tributável pelo PIS somente sendo admissível como base legal após a liquidação das obrigações posto que durante o transcurso do investimento não é possível determinar se houve ou não redução da dívida registrada no passivo da Recorrente. Registra que apesar dos argumentos apresentados o Acórdão recorrido manteve o lançamento com relação à variação cambial ativa por considerar que integraria a base de cálculo do PIS nos termos do artigo 3º, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.7818/98, e que os fundamentos lançados relativamente a inconstitucionalidade dessa norma não poderiam ser apreciados na esfera administrativa. Diz ainda que mesmo sendo possível a redução do passivo contabilizado, essa redução não pode ser considerada receita financeira por não configurar acréscimo do patrimônio líquido, e sobre o tema oferece lição de Hélio de Paula Leite. Chama ao texto argumentos teciturados por Marco Aurélio Greco e Cláudio Camargto Fabretti para fundamentar que os eventos redutores de despesas não configuram receitas e assim, não integram a base de cálculo do PIS. Como exemplificação da operacionalidade do câmbio no caso que se cuida, diz haver meses em que o Real se valoriza frente ao Dólar decorrendo daí uma expectativa de que a Recorrente venha a desembolsar valor menor e, em contrapartida, se a moeda nacional se desvaloriza frente a estrangeira, surge a expectativa de desembolso maior, tudo caracterizando um ambiente de futuro incerto, até a liquidação. Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Transcreve excertos dos Acórdãos 640.059/CE e 320.455/RJ, na fl. 1335, nos quais resta confirmado o entendimento de que as contribuições para o PIS e a COFINS somente são devidas quando da liquidação das operações. Na fl. 1.336 transcreve Acórdão do Conselho de Contribuintes de nº 201 78.721, considerando como receita financeira a variação cambial ativa apurada na data da liquidação do contrato independentemente do regime de escrituração adotado pelo Contribuinte. Registra que três dos empréstimos em moeda estrangeira contratados tinham data de vencimento posterior a julho de 2004 e que desde agosto de 2004 a variação cambial positiva não esteve sujeita à tributação pelo PIS, uma vez que o Decreto nº 5.164/2004 reduziu a zero a alíquota dessa Contribuição sobre receitas financeiras. Registra também que o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, foi declarado inconstitucional pelo E. STF sob o fundamento de que o termo faturamento deve ser entendido como o produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços nos Rex’s 346.084/PR, 357.90/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, que transitaram em julgado na data de 29.09.2006, tudo retornando aos moldes da LC nº 7/70. Com base nesses fundamentos, alega que o conceito de faturamento não pode abranger outras receitas, como as de variação cambial ativa, por não se tratar de venda de mercadoria ou de prestação de serviço. Transcreve o art. 4º do Decreto nº 2.346/97 para se insurgir contra o Acórdão recorrido, pois, quando do seu julgamento, a decisão do STF já havia transitado em julgado e, assim, esse dispositivo foi desobedecido porque não foi afastada a aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Desenvolve argumentos sobre a impossibilidade de exigência do PIS sobre rendimentos decorrentes de ativos financeiros de titularidade de controlada estrangeira. Nas fls. 1472/1491 contrarrazões da Contribuinte onde sustenta que nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, a exigência do PIS sobre fatos geradores ocorridos em período anterior a 5.10.1999 foi atingido pela decadência, não sendo aplicáveis os arts. 45 e 46 da Lei nº 8,212/91 em face da Súmula Vinculante nº 8 e que as correções monetárias não devem integrar a base de cálculo do PIS por não se enquadrarem no conceito de faturamento. Nas fls. 1.527/1.539 contrarrazões da Fazenda Nacional exercitando fundamentos para requerer a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator Tratase de Recursos Especiais sobre a Contribuição para o PIS, intentados pela Fazenda Nacional (fls. 1.283/1.302) defendendo a adoção do art. 45 Lei nº 8.212/91; a incidência sobre descontos incondicionais e correção monetária, cuja admissibilidade se deu por via do Despacho 20400017 (fl. 1.307), com a qual concordo; e pela Contribuinte Holcim Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.002017/200461 Acórdão n.º 9303002.017 CSRFT3 Fl. 1.551 5 Brasil S/A (fls. 1.314/1.467) sustentando a aplicação da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e a não inclusão de receitas decorrentes de variações monetárias antes do encerramento do contrato de empréstimo com zero cupon bonds do Tesouro Americano, cujo Exame de Admissibilidade de fl. 1.521 foi alvo de reexame na fl. 1522 e concedeu seguimento parcial ao recurso afastando o exame do alcance da Lei nº 9.718/98. Afastado o alcance da Lei nº 9.718/98 para repercutir no Recurso da Contribuinte e iniciando o julgamento pelo Recurso Especial da Fazenda Nacional, admito a inclusão da correção monetária na base de cálculo da contribuição para o PIS, considerando que a recuperação do nível aquisicional da moeda e não admito submissão ao comando do art. 45 da Lei nº 8.212/91, em face da Súmula Sinculante nº 8. Relativamente aos descontos incondicionais cujas ocorrências não foram comprovadas nos autos pela Representante da Fazenda Nacional, louvome nos argumentos constantes da fl.1002, onde a Delegacia de Julgamento de FortalezaCE registra que estão demonstrados nas faturas e, assim sendo, resta claro que tais supressões de fato ocorreram e ainda que, não integram a base de incidência do PIS por não acarretarem entradas de quaisquer espécies. Como o foco do insurgimento se deu – exclusivamente – com lastro na ausência de provas, curvome a afirmativa da DRJ/FOR porque afirma inequivocamente a existência de faturas conforme trecho lançado na fl. 1002, segundo e terceiro parágrafos, verbis: “As diferenças apontadas pela fiscalização referemse a contas cujos valores não devem ser computados na base de cálculo do PIS, seja porque não constituem receitas (como as contas de variação cambial e correção monetária), seja porque não correspondem ao conceito de faturamento. Confiramse as contas listadas pela fiscalização: Descontos Financeiros, Juros Recebidos, Clientes, Juros Diversos, Juros Selic s/ Impostos, Receita Financeira — Aplicação Renda Variável, Receita Financeira — Aplicação Renda Fixa, Correção Monetária, Receitas de Aluguéis, Outras Receitas, Resultado de Swap, Juros Ganhos de Terceiros, Fundos Diversos, Fundos sobre Impostos, Fundos de Investimentos, Outras Receitas Financeiras, Receita Financeira— Aplicação Financeira, Descontos de Fornecedores, Ganho Realizado Disponível c/ Títulos, Ganho Realizado, Contas a Receber, Correção Monetária — Outros Ativos, Variação Cambial Ativa, Aluguel de Imóvel, Receitas Extraordinárias, Receita de Aluguel, Receita por Direito. Uma das contas indicadas pela fiscalização referese a descontos incondicionais concedidos pelos fornecedores da requerente. A legislação do PIS é clara ao estabelecer que tais valores não integram a base de cálculo da contribuição. No caso em questão, os descontos concedidos pelos fornecedores da requerente estão demonstrados nas faturas, e não dependem de atos futuros e incertos. Portanto, são descontos incondicionais que não se incluem na base de cálculo do PIS.” Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Acompanho o entendimento da DRJ/FOR de que os descontos tratados aqui independem de atos futuros e incertos, sendo indiscutivelmente incondicionais, e, mesmo sob o alcance da Lei nº 9.718, no § 2º do art. 3º, tal ocorrência é de ser afastada da receita bruta considerada por esse dispositivo. Exauridos os temas constantes do Recurso da Fazenda Nacional, passo a examinar a incidência ou não das variações cambiais ativas na base de cálculo do PIS e, para tanto, admito razão aos fundamentos da Contribuinte por entender que a base de cálculo da Contribuição para o PIS somente desponta e se materializa pela adoção do regime de caixa em razão de intercorrências nos valores das moedas acontecidas ao longo da vigência do contrato. Em face de todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para admitir a inclusão da correção monetária e conceder parcial provimento ao Recurso Especial da Contribuinte para afastar os descontos incondicionais e reconhecer o regime de caixa para as variações cambiais. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Fui designado para redigir o acórdão quanto às duas matérias em que o ilustre relator restou vencido: que a variação cambial fosse oferecida à tributação sob o regime de caixa, objeto do recurso do contribuinte, e que os descontos obtidos pela empresa junto a seus fornecedores, tratados como descontos incondicionais, não constituiriam receita e, portanto, não integrariam a base de cálculo da contribuição, matéria questionada pela Fazenda Nacional porquanto deferida na decisão objurgada. Vale inicialmente reforçar que foram, mesmo, ambas as matérias votadas e ainda que da decisão prolatada conste que o relator restou vencido apenas com respeito às variações cambiais. Que assim não o foi, provao o seu voto acima em que claramente está negando provimento ao recurso fazendário no tocante aos descontos. Enfrento, pois, ambas as matérias. Em primeiro lugar, as variações cambiais, que a empresa deseja sejam computadas na base de cálculo da contribuição à medida em que os direitos que as originam sejam liquidados. Na decisão recorrida, o i. relator, exConselheiro Jorge Freire, com a costumeira sapiência, assim se pronunciou: VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA Após longa meditação, já manifestei minha posição no sentido de que ela integra a base de cálculo da Cofins uma vez incidindo a Lei n°9.718, a partir de fevereiro de 1999. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.002017/200461 Acórdão n.º 9303002.017 CSRFT3 Fl. 1.552 7 E o fundamento é simples. O § 1º do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 aduz que "Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica". E o legislador, artigo 9° da citada Lei, conceituou "as variações monetárias dos direitos de crédito" como receita financeira. Os pressupostos para incidência do PIS e da Cofins, como costumo asseverar, é ser receita e própria. E este é o caso, pois a lei define que a variação monetária ativa é receita e o direito dela decorrente é da autuada. Também nesse sentido rumou o Ato Declaratório SRF nº 73/1999, averbando que, a partir de 01/02/1999, as variações monetárias ativas, das quais as variações cambiais são espécies, deveriam ser computadas na determinação da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, eis que representam o ingresso de receitas financeiras. O artigo único do citado ato administrativo dispõe: "Artigo Único. As variações monetárias ativas auferidas a partir de 1º de fevereiro de 1999 deverão ser computadas, na condição de receitas financeiras, na determinação das bases de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COF1NS. " Nada obstante, quanto ao momento do auferimento da referida receita, e a conseqüente incidência da norma impositiva, na espécie é por período de apuração, uma vez que a recorrente, no período sob exação, optou pela tributação no regime de competência. E aqui me valho das bem lançadas razões da decisão objurgada, quando consignou que: O regime de competência consiste no reconhecimento da receita da empresa no período a que a mesma se referir, independentemente de seu efetivo recebimento. Tratandose de tributação do PIS e da Cofins, em que os fatos geradores ocorrem mensalmente, as receitas devem ser reconhecidas e tributadas em cada período mensal. Tal regime é adotado por força de determinação legal e a sua substituição só pode ocorrer no caso de haver legislação específica autorizativa. No caso das variações monetárias em função de índices e coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual não há previsão legal que permita a adoção do regime de caixa para efeitos de tributação pelo PIS e Cofins. Entretanto, algumas diferenças são observadas no tratamento fiscal dado às receitas de variação cambial, como veremos a seguir. Até dezembro de 1999, o regime de competência era utilizado como regra geral de tributação pela Cofins e pelo PIS/Pasep sobre as receitas provenientes de variações monetárias, seja em função da taxa de câmbio, seja em função de outros índices aplicáveis por disposição legal ou contratual Em relação às variações cambiais, . contudo, essa regra foi alterada com a edição da Medida Provisória n° 1.85810, de 26 de outubro de 1999, e reedições, com as alterações da Medida Provisória Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 n°2.15835, de 24 de agosto de 2001, contendo no artigo 30 a seguinte redação: "Art. 30. A partir de 1° de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, da contribuição para o P1S/PASEP e da COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § I° À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2°A opção prevista no § 1° aplicarseá a todo o ano calendário. 3° No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal." (grifos não são do original). A partir de janeiro de 2000, portanto, por determinação legal, a regra foi alterada apenas em relação às variações monetárias em função da taxa de câmbio. A norma permitiu a apropriação das referidas receitas pelo regime de caixa, facultando à pessoa jurídica o direito de optar pelo regime de competência na determinação do IRRI, CSLL, PIS e da Cotins, observandose, neste caso, que a opção prevalecerá para todo o anocalendário. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 2000, objeto do presente lançamento a lei facultava ao contribuinte o direito de optar pelo regime de apropriação das receitas cambiais. Conforme demonstrado, neste período a regra geral passou a ser a adoção do regime de caixa para efeito de tributação da variação cambial, podendo ser adotado o regime de competência a critério do contribuinte. Cabe ao sujeito passivo, portanto, analisar a conveniência da adoção de um ou outro regime, levando em conta os efeitos fiscais decorrentes de sua opção. (grifei) Se por um lado a adoção do regime de competência pode representar uma desvantagem ao contribuinte para efeito de apuração da Cofins e do PIS, como alega o impugnante, por outro lado, tal sistemática pode ser mais conveniente na apuração de tributos calculados sobre o resultado como o IRPJ e a CSLL, em razão da possibilidade de considerar as despesas financeiras na determinação do lucro operacional, de acordo com os arts. 375 e 377 do RIR/99. Se o autuado tinha o direito garantido por lei de apurar o IR, a CSLL, o PIS e a Cofins incidentes sobre as variações cambiais quando da efetiva liquidação, ou seja, pelo regime de caixa e optou pelo regime de competência, não cabe agora vir contestar a sistemática por ele mesmo escolhida, pretendendo modificar a Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.002017/200461 Acórdão n.º 9303002.017 CSRFT3 Fl. 1.553 9 base de cálculo utilizada no auto de infração, levantada com base nos demonstrativos e registros contábeis da empresa. Pelo exposto concluise que as variações monetárias ativas verificadas na contabilidade da empresa em função da taxa de câmbio ou em função de outros índices aplicáveis, devem ser computadas de acordo com o regime de competência para fins de incidência da Cofins, seja por opção do contribuinte, no caso das variações cambiais, seja por falta de previsão legal para utilização de outro regime de apuração, no caso das variações monetárias em função de outros índices. E não há que se falar em um terceiro regime de tributação, como nos ensina o Dr. Júlio César Alves Ramos no recurso 123.809. Não existe, na ciência contábil, um terceiro regime segundo o qual as variações monetárias só poderiam ser tributadas quando do vencimento do direito ou obrigação, por somente ai se tornarem "certas". Tal critério, baseado em doutrina de duvidoso valor, além de não ser previsto na boa técnica contábil, carece de toda lógica. De fato, numa transação com moeda estrangeira, o único valor certo é aquele nela expresso, objeto do contrato entre as partes. O valor em moeda nacional dependerá sempre da taxa cambial. O exportador não tem como saber quantos reais receberá pela venda até que haja o efetivo pagamento e sua conversão em moeda nacional junto à Autoridade Monetária. No momento do vencimento o que se torna exigível é aquele valor em moeda estrangeira.. Essa exigibilidade não é, de modo algum, garantia de recebimento e, se este não ocorre, o crédito poderá ainda tomar um novo valor, inclusive menor, por força de eventual variação na taxa de câmbio. No caso de uma venda a prazo no mercado interno não é diferente (lembremse a propósito os acordos entre credor e devedor que muitas _ vezes importam renuncia ao recebimento de uma pane do crédito já reconhecido contabilmente). . Utilizome, igualmente, das doutas observações do Dr. Júlio César Ramos, no referido recurso, para refutar o argumento que se põe quanto à aplicação do principio contábil da prudência para o reconhecimento das receitas para fins de tributação da Cofins na hipótese da tributação pelo regime de competência. Aqui, vale mencionar que o principio da prudência ou conservadorismo que alguns pretendem aplicar ao caso das variações cambiais, não tem aplicação à situação abordada. Isto porque, tal princípio determina que se avaliem os itens do ativo pelo menor valor sempre que, no momento da elaboração da demonstração, haja dúvida quanto ao correto valor a considerar, ou haja mais de uma possibilidade de avaliação. Ora, na presente situação, como já se disse, o valor, no momento da elaboração da demonstração, é perfeitamente determinado, não cabendo igualmente dúvida de que o valor em moeda estrangeira é já de direito crédito da empresa. Logo, há de ser reconhecido em moeda nacional na exata medida determinada Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 pelo valor daquela moeda na data de elaboração da demonstração. E, com efeito, não há que se falar em compensação das variações monetárias passivas, pois no caso das variações monetárias de direitos e obrigações do contribuinte, o art. 9° da Lei n° 9.718/98 não deixa antever qualquer possibilidade de que as variações monetárias passivas sejam consideradas despesas financeiras e que os ganhos sejam compensados com as perdas tributandose apenas o ganho liquido das variações cambiais. Os ingressos positivos hão de ser tributados, ainda que haja perdas no mesmo período. Diante dessas considerações, entendo que sobre as variações monetárias ativas, nos termos da Lei n°9.718, incide o PIS. Desnecessário, a meu sentir, qualquer acréscimo Já no que respeita aos descontos obtidos, tive que divergir do dr. Jorge quando daquela votação na antiga Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes de cuja composição orgulhome de ter feito parte. Fiquei, naquela ocasião, vencido. É que se trata aqui de valores que a empresa registrara em sua contabilidade como uma obrigação a saldar junto a fornecedores, mas que efetivamente saldou por um valor menor do que estava contabilmente registrado. Para essa hipótese, a ciência contábil também não diverge: dado que o valor desembolsado não corresponderá à obrigação – ficará registrado ainda um saldo devedor, incorreto, pois a dívida foi mesmo integralmente quitada – determinam os princípios contábeis seja feito um lançamento a débito daquela conta de Passivo cuja contrapartida será a crédito de uma segunda conta, normalmente intitulada de “descontos obtidos”. Por representar um aumento do Patrimônio Líquido (redução do Passivo sem correspondente redução do Ativo) esse lançamento tem a natureza de uma receita (receita financeira), ainda que seja forçoso reconhecer que nenhum ingresso novo ocorreu. Exatamente este último aspecto – ausência de ingresso de direito novo – fez o dr. Jorge votar pela sua não inclusão na base de cálculo. Ocorre que diante do comando legal taxativo do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, repetido, ipsis literis, na Lei 10.637/2002 e na Lei 10.833/2003, não vejo como possa essa receita deixar de compor a base de cálculo da contribuição senão considerando ditos comandos inconstitucionais. Desnecessário dizer que, como regra, não o podemos fazer, além do que, no caso concreto, há decisão judicial afirmando que até mesmo o primeiro deles é constitucional, embora já haja inúmeras decisões que afirmam exatamente o contrário. Para finalizar, vale repetir aqui o que já disse alhures: em se tratando de desconto obtido, é totalmente irrelevante a investigação de se ele foi concedido incondicionalmente ou não. É que a Lei 9.718, ao tratar dos descontos incondicionais, estava a beneficiar o concedente do desconto, isto é, aquele que está vendendo o produto ou prestando o serviço. Para maior clareza, reproduzo o artigo destacando o que interessa: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.002017/200461 Acórdão n.º 9303002.017 CSRFT3 Fl. 1.554 11 § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; No caso de que nos ocupamos, a tributação está sendo discutida no comprador. Não há que se aplicar ao caso, pois, a figura tratada no artigo acima. Notese que no caso de desconto incondicional, isto é, aquele que já e concedido no momento da celebração do contrato de venda ou prestação de serviço, nada obriga ou recomenda que o adquirente registre a sua obrigação por um valor maior do que, já sabe, irá desembolsar em seu vencimento. Tudo ao contrário, deve fazêlo pelo valor efetivo, o que leva a que não surja a figura aqui discutida. Ela, ao contrário, surge quando o vendedor somente concede o desconto em razão de o comprador quitar, antes do prazo, a dívida. Nesse caso, ela estará corretamente registrada em sua contabilidade pelo valor inicialmente pactuado. E por isso de incondicional nada tem: ele é um desconto condicionado à antecipação do pagamento. Esse é, aliás, o motivo para que sua contrapartida tenha a natureza de receita financeira. Com essas considerações, votou a maioria qualificada, eu incluído, por negar provimento ao recurso do contribuinte também quanto a esses dois pontos. E esse é o acórdão que me coube redigir. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS REDATOR PARA O ACÓRDÃO Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/05/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005178/2010-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES – NULIDADE
O ato de exclusão do Simples é declaratório, e não constitutivo. A concreção
da hipótese de exclusão e o efeito prescrito se dão ope legis. O pressuposto de
fato para a exclusão do Simples foi a apuração de receita bruta superior a R$
2.400.000,00 no ano-calendário imediatamente anterior ao da exclusão. O
efeito prescrito pela lei é a exclusão do Simples a partir do ano seguinte
àquele em que ultrapassado o limite previsto. Inexistência de efeito
retroativo. Só houve emprego de um critério jurídico, não havendo lugar para
aplicação do art. 146 do CTN. Exclusão que não merece rechaço.
NULIDADE – LANÇAMENTOS DE IRPJ, CSLL, PIS, COFINS –
AUSÊNCIA DE EFEITO DEFINITIVO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES
O CTN prevê as hipóteses de suspensão de exigibilidade do crédito tributário.
O ato de exclusão do Simples não é de exigência do crédito tributário.
Descabe cogitar de suspensão de eficácia da exclusão do Simples a interditar
os lançamentos dos créditos tributários consequentes à exclusão. O que se
impõe é o julgamento conjunto dos feitos relativos à exclusão e às exigências
tributárias consequentes.
NULIDADE – OMISSÃO DE RECEITAS POR CRÉDITOS BANCÁRIOS
DE ORIGEM INCOMPROVADA – AUSÊNCIA DE CERTEZA
A partir da vigência do art. 42 da Lei 9.430/96, houve o estabelecimento de
presunção legal de omissão de receitas, com inversão do ônus da prova ao
sujeito passivo. Isso, desde que a autoridade fiscal demonstre adequada e
cuidadosamente a individualização dos créditos e intime o contribuinte para
que ele os esclareça e comprove sua origem. Requisitos cumpridos no caso
vertente. Não se trata mais de presunção hominis ou facti. Na presunção legal
em questão, o nexo lógico e causal entre o fato conhecido (créditos bancários
sem origem comprovada ou não levados à tributação) e o fato desconhecido
(receitas auferidas) são estabelecidos pela lei. Questão diversa é se a referida
presunção legal passa ou não pelo teste de constitucionalidade e em que
limites. Porém, isso é matéria que não pode ser enfrentada por este juízo,
conforme o art. 26A
do Decreto 70.235/72 c/ a redação da Lei 11.941/09, o
art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria
MF 256/09, e a Súmula CARF nº 2.
IRPJ, CSLL – ARBITRAMENTO DO LUCRO
Uma vez não tendo optado pela forma de tributação, e não tendo o LALUR
correto o procedimento fiscal do arbitramento.
PIS, COFINS – RECEITAS OMITIDAS POR PRESUNÇÃO LEGAL –
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA
Presumese
que as receitas omitidas sejam decorrentes da atividade ordinária
da recorrente – no caso, da prestação de serviços, o que representa
faturamento: é corolário da presunção de omissão de receitas por créditos
bancários de origem incomprovada. Prova se impõe para reconhecimento de
que as receitas são de atividades extraordinárias da recorrente ou de que não
fossem representativas do faturamento. Exigências de PIS e de COFINS que
cabem ser mantidas.
Numero da decisão: 1103-000.577
Decisão: Acordam os membros do colegiado, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata (Relator) e Hugo Correia Sotero que deram provimento parcial ao recurso para exclusão da parte da exigência relativa ao IRPJ e à CSLL do ano-calendário de 2007. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES – NULIDADE O ato de exclusão do Simples é declaratório, e não constitutivo. A concreção da hipótese de exclusão e o efeito prescrito se dão ope legis. O pressuposto de fato para a exclusão do Simples foi a apuração de receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 no ano-calendário imediatamente anterior ao da exclusão. O efeito prescrito pela lei é a exclusão do Simples a partir do ano seguinte àquele em que ultrapassado o limite previsto. Inexistência de efeito retroativo. Só houve emprego de um critério jurídico, não havendo lugar para aplicação do art. 146 do CTN. Exclusão que não merece rechaço. NULIDADE – LANÇAMENTOS DE IRPJ, CSLL, PIS, COFINS – AUSÊNCIA DE EFEITO DEFINITIVO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES O CTN prevê as hipóteses de suspensão de exigibilidade do crédito tributário. O ato de exclusão do Simples não é de exigência do crédito tributário. Descabe cogitar de suspensão de eficácia da exclusão do Simples a interditar os lançamentos dos créditos tributários consequentes à exclusão. O que se impõe é o julgamento conjunto dos feitos relativos à exclusão e às exigências tributárias consequentes. NULIDADE – OMISSÃO DE RECEITAS POR CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA – AUSÊNCIA DE CERTEZA A partir da vigência do art. 42 da Lei 9.430/96, houve o estabelecimento de presunção legal de omissão de receitas, com inversão do ônus da prova ao sujeito passivo. Isso, desde que a autoridade fiscal demonstre adequada e cuidadosamente a individualização dos créditos e intime o contribuinte para que ele os esclareça e comprove sua origem. Requisitos cumpridos no caso vertente. Não se trata mais de presunção hominis ou facti. Na presunção legal em questão, o nexo lógico e causal entre o fato conhecido (créditos bancários sem origem comprovada ou não levados à tributação) e o fato desconhecido (receitas auferidas) são estabelecidos pela lei. Questão diversa é se a referida presunção legal passa ou não pelo teste de constitucionalidade e em que limites. Porém, isso é matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme o art. 26A do Decreto 70.235/72 c/ a redação da Lei 11.941/09, o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, e a Súmula CARF nº 2. IRPJ, CSLL – ARBITRAMENTO DO LUCRO Uma vez não tendo optado pela forma de tributação, e não tendo o LALUR correto o procedimento fiscal do arbitramento. PIS, COFINS – RECEITAS OMITIDAS POR PRESUNÇÃO LEGAL – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA Presumese que as receitas omitidas sejam decorrentes da atividade ordinária da recorrente – no caso, da prestação de serviços, o que representa faturamento: é corolário da presunção de omissão de receitas por créditos bancários de origem incomprovada. Prova se impõe para reconhecimento de que as receitas são de atividades extraordinárias da recorrente ou de que não fossem representativas do faturamento. Exigências de PIS e de COFINS que cabem ser mantidas.
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Recorrida 2ª TURMA DA DRJ/CURITIBA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES – NULIDADE O ato de exclusão do Simples é declaratório, e não constitutivo. A concreção da hipótese de exclusão e o efeito prescrito se dão ope legis. O pressuposto de fato para a exclusão do Simples foi a apuração de receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 no anocalendário imediatamente anterior ao da exclusão. O efeito prescrito pela lei é a exclusão do Simples a partir do ano seguinte àquele em que ultrapassado o limite previsto. Inexistência de efeito retroativo. Só houve emprego de um critério jurídico, não havendo lugar para aplicação do art. 146 do CTN. Exclusão que não merece rechaço. NULIDADE – LANÇAMENTOS DE IRPJ, CSLL, PIS, COFINS – AUSÊNCIA DE EFEITO DEFINITIVO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES O CTN prevê as hipóteses de suspensão de exigibilidade do crédito tributário. O ato de exclusão do Simples não é de exigência do crédito tributário. Descabe cogitar de suspensão de eficácia da exclusão do Simples a interditar os lançamentos dos créditos tributários consequentes à exclusão. O que se impõe é o julgamento conjunto dos feitos relativos à exclusão e às exigências tributárias consequentes. NULIDADE – OMISSÃO DE RECEITAS POR CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA – AUSÊNCIA DE CERTEZA A partir da vigência do art. 42 da Lei 9.430/96, houve o estabelecimento de presunção legal de omissão de receitas, com inversão do ônus da prova ao sujeito passivo. Isso, desde que a autoridade fiscal demonstre adequada e cuidadosamente a individualização dos créditos e intime o contribuinte para que ele os esclareça e comprove sua origem. Requisitos cumpridos no caso vertente. Não se trata mais de presunção hominis ou facti. Na presunção legal em questão, o nexo lógico e causal entre o fato conhecido (créditos bancários sem origem comprovada ou não levados à tributação) e o fato desconhecido Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10950.005178/201041 Acórdão n.º 110300.577 S1C1T3 Fl. 2 2 (receitas auferidas) são estabelecidos pela lei. Questão diversa é se a referida presunção legal passa ou não pelo teste de constitucionalidade e em que limites. Porém, isso é matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme o art. 26A do Decreto 70.235/72 c/ a redação da Lei 11.941/09, o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, e a Súmula CARF nº 2. IRPJ, CSLL – ARBITRAMENTO DO LUCRO Uma vez não tendo optado pela forma de tributação, e não tendo o LALUR correto o procedimento fiscal do arbitramento. PIS, COFINS – RECEITAS OMITIDAS POR PRESUNÇÃO LEGAL – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA Presumese que as receitas omitidas sejam decorrentes da atividade ordinária da recorrente – no caso, da prestação de serviços, o que representa faturamento: é corolário da presunção de omissão de receitas por créditos bancários de origem incomprovada. Prova se impõe para reconhecimento de que as receitas são de atividades extraordinárias da recorrente ou de que não fossem representativas do faturamento. Exigências de PIS e de COFINS que cabem ser mantidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata (Relator) e Hugo Correia Sotero que deram provimento parcial ao recurso para exclusão da parte da exigência relativa ao IRPJ e à CSLL do anocalendário de 2007. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso – Redator desdignado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes e Eric Moraes de Castro e Silva. Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10950.005178/201041 Acórdão n.º 110300.577 S1C1T3 Fl. 3 3 Relatório DO LANÇAMENTO Trata o presente processo dos seguintes atos a serem analisados: a) recurso contra conteúdo do Ato Declaratório Executivo nº 91 (fl. 11), de 21/11/2010, que determinou a exclusão da recorrente ao Simples Federal, desde 1º/01/2007; b) recurso contra os autos de infração lavrados na sistemática do Simples, relativos aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2006, fls. 1.169 a 1.199 e 1.202 a 1.243, onde se exige o crédito tributário de R$ 123.819,36 de IRPJSimples (fl. 1.189), R$ 90.452,44 de PISSimples (fl. 1.202). R$ 123.819,36 de CSLSimples (fl. 1.213), R$ 363.477,21 de COFINSSimples (fl. 1.224), R$ 1.052.352,52 de INSSSimples (fl. 1.235), além de multa de 75% e juros; c) recurso contra os autos de infração lavrados pela sistemática do Lucro Arbitrado, relativos aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007, fls. 1.245 a 1.289, onde se exige o crédito tributário de R$ 457.321,12 de IRPJ (fl. 1.249), R$ 209.698,93 de CSL (fl. 1.257), R$ 125.791,32 de PIS (fl. 1.270) e, R$ 581.750,97 de COFINS (fl. 1.282), além de multa de 75% e juros. O ADE nº 91/2010 foi expedido em face da Representação Fiscal de fls. 1 a 4, onde restou comprovado que a recorrente auferiu no anocalendário de 2006 receita no importe de R$ 10.533.886,57, com base na escrituração por ela mantida e na movimentação bancária, sendo que deste montante, ofereceu à tributação apenas R$ 443.626,83, tendo sido omitido o importe de R$ 10.090.259,74. Conforme consta do Termo de Verificação da Ação Fiscal de fls. 1.155 a 1.168, em face da divergência apurada entre os valores constantes da escrituração apresentada e a receita declarada nas declarações apresentadas para o Simples, a autoridade fiscal constatou ter ela auferido, no anocalendário de 2006, receitas no importe de R$ 10.533.886,57, tendo sido oferecido à tributação apenas 4,2% deste valor. Caracterizada a omissão de receitas, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento para exigir os tributos que deixaram de adentrar aos cofres públicos. As infrações imputadas à recorrente são: omissão de receitas por depósitos bancários não escriturados, além de valores a título de insuficiência de recolhimento, decorrente da mudança de faixa de tributação. Em decorrência do Ato de Exclusão, para o anocalendário de 2007, a autoridade fiscal efetuou o lançamento pelo Lucro Arbitrado, posto que intimado e reintimado a refazer a contabilidade, nos termos da legislação comercial em vigor, que pudesse sustentar toda a movimentação financeira, não apresentou. Está sendo imputada a omissão de receitas caracterizada pela falta de contabilização e de comprovação da origem dos valores creditados/depositados em contas correntes bancárias, sendo que em decorrência da exclusão da recorrente ao Simples, foi realizada a realocação dos valores considerados na apuração da base de cálculo daquela sistemática. DA IMPUGNAÇÃO Do Ato Declaratório Executivo nº 91, de 22/11/2010 Cientificada do Ato Declaratório, apresentou manifestação de inconformidade às fls. 1.118 a 1.127, atacando o Ato de Exclusão dizendo não se tratar de ato declaratório, mas de ato desconstitutivo de direito líquido e certo, razão pela qual não pode produzir efeitos retroativos. Estabelece a diferença entre o ato declaratório e o ato constitutivo e salienta que o evento que ensejou sua exclusão é superveniente à sua adesão, diferentemente seria se a situação excludente fosse preexistente à opção. Entende ter havido inobservância do princípio da irretroatividade, posto que a autoridade fiscal declarou que sua situação era irregular desde 1°/01/2007 e, em função disto, está a lhe exigir tributos (Contribuição para a Seguridade Social) desde então; que tal atitude é terminantemente proibida em nosso ordenamento jurídico. A presente exclusão também, ofendeu o inciso I do art. 15 da Lei 9.317/96, por entender que o mês em que ocorreu a situação excludente não pode ser outro, senão aquele em que recebeu a notificação do fisco, a quem cabe apurar e fiscalizar as opções de ingresso ao Simples. Assim, o ADE possui ilegalidades, principalmente no que concerne à data em que os efeitos da exclusão devem se operar, posto que optou pelo Simples por meio do preenchimento de todos os requisitos legais e, no entanto, a autoridade fiscal, através da edição de um ato administrativo, atingiu este ato jurídico perfeito. Alega ter havido mudança de critério jurídico, o que não autorizaria o fisco a efetivar o lançamento relativo a fatos geradores anteriores à sua introdução, nos termos do art. 146 do CTN. Afirma que a única hipótese em que a exclusão pode retroagir à data do início das atividades é quando “ultrapassado, no anocalendário de início de atividades, o limite de receita bruta correspondente ao teto Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10950.005178/201041 Acórdão n.º 110300.577 S1C1T3 Fl. 4 4 estabelecido para o ano, e, multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse período”(art. 15, III, c/c 13, II, “b”). Ao final, pede que seja decretada a nulidade do ADE, estendendose os efeitos da nulidade aos lançamentos advindos do mesmo. Do lançamento pelo Simples – anocalendário 2006 e do Lançamento pelo Lucro Arbitrado – anocalendário 2007 Cientificada dos autos de infração em 29/11/2010, apresentou impugnação às fls. 1.321 a 1.336, abrangendo o lançamento pelo Simples, bem como o efetuado pelo Lucro Arbitrado. Inicia a impugnação com conteúdo idêntico ao da manifestação de inconformidade ao Ato Declaratório Executivo 91/2010. Alega em preliminar a nulidade, que o lançamento é nulo, visto que a exclusão do Simples não é definitiva, não produz efeitos, e tampouco dá ensejo à cobrança de eventuais diferenças apuradas em virtude de mudança do regime de tributação, pois houve manifestação tempestiva da recorrente acerca desta exclusão. Afirma que o ato de exclusão foi imotivado, em afronta aos princípios inerentes à Administração Pública, o que o torna carente de validade. Entende que a Administração iniciou o procedimento baseado em indícios de que, em virtude de movimentação financeira em valores diferentes dos valores declarados pela recorrente, teria havido omissão de receitas passíveis de tributação. Alega que a autoridade fiscal requereu extratos bancários, livros contábeis, notas fiscais, livros de entrada e de saída, registro de funcionários, folha de salários, enfim toda a documentação necessária para aferir o faturamento da recorrente, contudo, entende que não houve a análise de documentos, tendo ocorrido, apenas, o cruzamento das informações bancárias com os valores efetivamente recolhidos. Sustenta que mesmo tendo esclarecido alguns lançamentos, isso não retira o dever de a fiscalização proceder a comprovação das omissões alegadas. Argumenta que lhe foi solicitada a comprovação da totalidade dos créditos havidos em suas contas correntes, sem individualização das operações que estivessem em desacordo com os documentos fiscais da empresa; diz que é impossível, mesmo com dilação de prazo, esclarecer centenas de lançamentos ocorridos em diversos bancos, há tanto tempo atrás. Ataca os percentuais aplicados no cálculo da CSL e do IRPJ, os quais no seu entender teriam sido alterados sem qualquer justificativa. Contesta a inversão do ônus da prova e afirma que os depósitos bancários única e exclusivamente servem à demonstração de indícios que permitam à fiscalização aprofundar as pesquisas e, cabe a ela identificar por meios de provas robustas se tais indícios se confirmam ou não, conforme manifestação jurisprudencial transcrita. Invoca a Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, e afirma que tanto a Lei 8.021/90, revogada pela Lei 9.430/96, possuem a mesma estrutura de hipótese de incidência, razão pela qual ela pode ser aqui aplicada. Alega que o pedido de comprovação de todos os créditos efetuados em sua contas correntes bancárias foge à exegese do disposto no art. 42 da Lei 9.430/96. Ataca o arbitramento do lucro e sustenta que a jurisprudência vem firmando entendimento de que a presunção de omissão de receitas por si só não serve de fundamento para o lançamento de tributos, confirme ementa que transcreve, razão pela qual o lançamento é improcedente. Pede a improcedência da autuação. Juntou os documentos de fls. 1.338 a 1.345. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 10/02/2011 acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares levantadas e, no mérito, julgar improcedentes a manifestação de inconformidade contra o ADE de Exclusão do Simples Federal, e a impugnação ao lançamento feito pela sistemática do Simples, para os fatos ocorridos em 2006 bem como aos auto de infração de IRPJ, CSL, PIS e COFINS, para os fatos ocorridos em 2007, mantendo em sua totalidade, o crédito tributário exigido. A seguir, os fundamentos sintetizados. Da nulidade Preliminar de nulidade rejeitada, pois o caso concreto não se enquadra no art. 59, I, do Decreto 70.235/72. Não houve atos insanáveis e a autoridade autuante observou os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação tributária. A Representação Fiscal de fls. 1 a 4 descreve minuciosamente a situação impeditiva em que se encontrava a recorrente, mencionando, inclusive, o montante da receita bruta auferida no anocalendário de 2006, a qual foi extraída do Livro Diário, preenchido pela ora recorrente (fls. 5 a 10), fato que justificou a emissão do ato de exclusão, tendo em vista que a própria recorrente deixou de adotar a conduta prevista na alínea “a” do § 3º do art. 13 da lei 9.317/96, para promover sua exclusão por opção. Das decisões judiciais e administrativas Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10950.005178/201041 Acórdão n.º 110300.577 S1C1T3 Fl. 5 5 Conforme os art. 102, § 2º, e 103A da CF, com redação dada pela EC 45/04, além do art. 8º desta Emenda, somente as Súmulas Vinculantes deverão ser observadas pela Administração Pública e as decisões judiciais em que o contribuinte se figure como parte. Mesmo em relação ao entendimento e às Súmulas (não vinculantes) dos Tribunais Superiores, data vênia sua respeitabilidade, não submete o administrados em seus julgados, já que não faz parte da legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100, do CTN. Da afronta a dispositivo constitucional A recorrente, em sua manifestação de inconformidade, invocou que teria havido afronta a princípios constitucionais e que tornaria o Ato Declaratório Executivo nulo. Afastase de pronto qualquer irregularidade na emissão do ato, vez que observa os dispositivos legais que regem a sistemática. Por outro lado, as autoridades administrativas carecem de competência para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade, ilegalidade ou de injustiça de atos legais e infralegais, legitimamente inscritos no ordenamento jurídico nacional. O controle de constitucionalidade cabe exclusivamente ao Poder Judiciário. Do ato de exclusão Antes da autoridade fiscal ter procedido a exclusão, nos termos do inciso I do art. 13 da norma reguladora, caberia à recorrente renunciar ao benefício do Simples, já em 1º/01/2007, contudo, ela optou por ocultar do fisco sua receita real e, assim, sujeitarse à uma exclusão de ofício como se processou. A lei já estipulava o poder/dever de a recorrente renunciar ao Simples, caso preenchesse qualquer das hipóteses de vedação, sem qualquer ação por parte da autoridade fiscal. Como a recorrente não argumentou em sentido contrário ao da exclusão, nem logrou descaracterizar a hipótese impeditiva que lhe está sento imputada, é de se confirmar os termos do Ato Declaratório Executivo nº 91/2010. Dos lançamentos Importante ressaltar que a recorrente não contestou os valores da omissão apurada pelo Fisco, limitandose a discutir matéria de direito. Não merece acolhido o pleito de suspensão dos efeitos da exclusão, tendo em conta que a impugnação contra o ato declaratório de exclusão não se sujeita ao efeito suspensivo, por ausência de previsão para tanto. O art. 151 do CTN arrola determinados casos de suspensão da exigibilidade, mas não é a hipótese aqui analisada. Além disso, deve ser levado em conta que o efeito suspensivo não se presume ele só existe quando o legislador manifesta a intenção de conferir esse efeito, conforme o disposto no art. 61 da Lei 9.784/99. Assim, diante da falta expressa previsão na legislação tributária, temse que a manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples não provoca a suspensão dos efeitos da decisão. Os efeitos da exclusão também foram corretamente fixados pela autoridade fiscal, como sendo a partir do ano subsequente ao ano em que for constatado o excesso de receitas, nos termos do art. 15, IV, da mesma lei. A propósito dos efeitos retroativos da exclusão do Simples, não há qualquer irregularidade. A decisão simplesmente reconhece que a empresa não cumpria os requisitos para ingresso no regime simplificado desde o anocalendário de 2006, e que, por consequência, já estava sujeita às normas de tributação incidentes às demais pessoas jurídicas. Logo, correto o ADE, ao declarar que os efeitos emanam desde 1º/01/2007. Em relação ao mérito, quanto à alegação de que a autoridade fiscal teria deixado de analisar os documentos apresentados, a fim de aferir o seu faturamento não merece guarida. Pois, a recorrente foi chamada diversas vezes a se manifestar e apresentar justificativas aos questionamentos do fisco, fato que demonstra que toda a documentação foi analisada. Questiona a forma como a autoridade fiscal se utilizou dos depósitos bancários para presumir omissão de receitas, bem como o questionamento acerca da origem de cada depósito. Entretanto, de acordo com a legislação, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas, quando o titular da conta de depósito ou de investimento, apesar de regularmente intimado, não conseguir comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea. Assim, de acordo com a Lei 9.430/96, é do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas, ou que foram devidamente oferecidos à tributação. A tributação por omissão de receitas decorrente de uma presunção legal em nada fere o conceito legal de fato gerador a que se refere o art. 43 do CTN. Ao revés, tal presunção, como fez a fiscalização no caso vertente, vem no sentido de reforçar o fato de que o sujeito passivo adquiriu a disponibilidade econômica ou jurídica dos valores movimentados (creditados) em conta corrente bancária por ele mantida. Pelo que a verdade (seja material ou formal) que dimana dos autos é a de que a recorrente teve a disponibilidade de um acréscimo patrimonial, como decorrência direta de uma movimentação bancária cuja origem dos depósitos não foi comprovada. Portanto, carentes de fundamentação os argumentos levantados pela defesa. Do arbitramento Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10950.005178/201041 Acórdão n.º 110300.577 S1C1T3 Fl. 6 6 Segundo a letra da lei, o arbitramento não é uma penalidade, e sim a única consequência possível a uma situação consumada, que é a exclusão do Simples e o descumprimento dos requisitos para enquadramento no regime tanto do lucro real quanto do lucro presumido. Quanto a este ponto, os autos de infração estão corretos, não cabendo razão à recorrente. Em relação à base de cálculo do IRPJ e da CSL para as empresas optantes do regime de tributação com base no lucro presumido ou sujeitas ao arbitramento do lucro, podem ser destacados os arts. 15, 16 e 20, da Lei 9.249/95 e o art. 40 da Lei 9.250/95, que fixam os percentuais devidos em relação às atividades especificadas. Portanto, o percentual para determinação do lucro arbitrado, no caso da prestação de serviços em geral, é de 32%, não cabendo qualquer reparo aos autos. Quanto aos lançamentos da COFINS, PIS e CSL, relativos ao anocalendário de 2007, em sendo reflexos das mesmas irregularidades apuradas no IRPJ, cumpre que se dê o mesmo tratamento dado ao lançamento principal referente ao IRPJ. Cientificada da decisão em 9/03/2011, e inconformada com a decisão, apresentou recurso voluntário em 7/04/2011 de fls. 1.369 a 1.393, reiterando, em sua maioria, as alegações contidas na impugnação. Entretanto, acrescenta, em síntese, o que segue. Em relação ao ADE, afirma que este ato não é um ato declaratório, mas sim um ato desconstitutivo de direito líquido e certo, pois já havia uma situação consolidada, não podendo, assim, produzir efeitos retroativos. Portanto, este ato é incabível, já que modifica o regime de tributação a que a empresa optou, dando ensejo a eventuais lançamentos por parte da Administração. Sobre o arbitramento, cita jurisprudência administrativa, com o entendimento de que a presunção de omissão de receitas, por si só, não serve de fundamento para o arbitramento dos tributos. É o relatório. Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10950.005178/201041 Acórdão n.º 110300.577 S1C1T3 Fl. 7 7 Voto Vencido Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. A recorrente se insurge quanto ao termo a quo da exclusão do Simples federal sob os seguintes argumentos, em síntese. O ato de exclusão é desconstitutivo de direito, e não declaratório. Outrossim, ofende o princípio da irretroatividade e o da anterioridade a operação de efeitos a partir de 15/10/11, data da ciência do ato de exclusão, e não a partir de 1º/01/07. O art. 15, II, da Lei 9.317/96 dispõe que a exclusão opera a partir do mês subsequente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses dos incisos III a XVIII do art. 9º da mesma lei. Por mês de ocorrência da situação excludente se deve entender o da notificação do ato descontitutivo de exclusão. Ademais teria havido mudança de critério jurídico, para se proceder à exclusão do Simples, de modo que houve ofensa ao art. 146 do CTN, segundo o qual, havendo mudança de critério jurídico, só aos fatos geradores ocorridos a partir da data da introdução desse novo critério este pode ser aplicado. De início, não diviso caráter constitutivo no ato de exclusão do Simples. A concreção da hipótese de exclusão do Simples e o efeito prescrito (exclusão) se dão ope legis. O ato vinculado é de exigibilidade dos efeitos irradiados ex vi legis, tal como se dá com o lançamento tributário. De todo modo, no caso vertente, o pressuposto de fato para a exclusão do Simples federal foi a apuração de receita bruta superior ao limite de R$ 2.400.000,00 no ano calendário imediatamente anterior, conforme o art. 9º, II, da Lei 9.317/961. O suposto de fato para exclusão do Simples não informa as hipóteses dos incisos III a XVII do art. 9º da Lei 9.317/96, como quer a recorrente. Ora, o efeito prescrito para a concreção da hipótese do art. 9º, II, da Lei 9.317/96 é a exclusão do Simples somente a partir do anocalendário seguinte àquele em que foi ultrapassado o limite previsto, como prevê o art. art. 15, IV, da Lei 9.317/96: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: 1 Art. 9º. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); (Redação dada pela Lei no 11.307, de 2006) Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10950.005178/201041 Acórdão n.º 110300.577 S1C1T3 Fl. 8 8 (...) IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; Nenhum efeito retroativo há, ao se aplicar a lei que prevê o efeito da exclusão a partir do anocalendário seguinte àquele em que se ultrapassou o limite legal de receita bruta. E, isso, digo, ainda que se admitisse o caráter constitutivo do ato de exclusão do regime. Também não se há de cogitar do principio da anterioridade (art. 150, II, “a”, da CF), no ato de exclusão do Simples. Tampouco houve mudança de critério jurídico, no caso vertente, a ensejar a aplicação do art. 146 do CTN2. Dessa forma, nego provimento ao recurso sobre a questão da exclusão do Simples federal. Invoca a recorrente a nulidade dos lançamentos de IRPJ, CSL, PIS e COFINS, fora do regime simplificado, sob arguição de que a exclusão do Simples não operou ainda seu efeito definitivo. Vale dizer, com a impugnação ao ato de exclusão, este se encontra com eficácia suspensa de molde a fulminar de nulidade dos lançamentos fora do regime. Sobre a questão observo o seguinte. O art. 151, III, do CTN prevê a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, diante de reclamações e recursos nos termos das leis reguladoras do processo administrativo fiscal3. O ato de exclusão do Simples não é de exigência do crédito tributário. Ademais disso, não caberia se cogitar de suspensão da eficácia da exclusão do Simples a interditar os lançamentos dos créditos tributários consequentes a tal exclusão. Suponhase que o contribuinte tenha ingressado com ação judicial questionando a legalidade ou constitucionalidade sobre determinado tributo, e tenha obtido liminar, sentença ou tutela antecipada. Mesmo em tal situação, ao fisco não é defeso o lançamento do crédito tributário. Pelo contrário, deveo fazer justamente para previnir a decadência. Mutatis mutandis, o fato de a exclusão do Simples se encontrar ainda em discussão em processo administrativo não tem o condão de impedir os lançamentos dos créditos tributários consequentes a tal exclusão. Se aquela vier a ser, a final, derruída, igualmente fulminados restarão os lançamentos. 2 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 3 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10950.005178/201041 Acórdão n.º 110300.577 S1C1T3 Fl. 9 9 A diferença com a hipótese de suspensão de exigibilidade por liminar, sentença ou tutela antecipada é a de que aí descabe, com toda razão, a aplicação de multa de ofício – justamente porque o não cumprimento do suposto débito tributário não se dá por descumprimento à legislação, mas com amparo em medida judicial. Apenas obter dictum, observo que se trata, no caso em dissídio, de aplicação do chamado princípio da praticidade, que não desborda os limites legais e constitucionais, a meu ver – sem ofensa ao direito de ampla defesa e ao contraditório, à segurança jurídica e à igualdade. Enfim, não vejo eiva de ilegalidade e tampouco prejuízo à recorrente, por ofensa a direito constitucional de ampla defesa e contraditório, nos lançamentos de IRPJ, CSL, PIS e COFINS, consequentes à exclusão do Simples, antes que se dê o trânsito em julgado administrativo do processo relativo à exclusão. O que se impõe é o julgamento conjunto dos feitos relativos à exclusão do regime simplificado e à exigência de IRPJ, CSL, PIS e COFINS consequentes a tal exclusão. Por conseguinte, nego provimento ao recurso sobre essa questão. A recorrente articula que o lançamento feito tão somente com base em extratos bancários o inquina por falta de certeza dele, vez que não há comprovação categórica do nexo causal entre os depósitos bancários e a omissão de receitas. Cita a Súmula 182 do antigo TFR. A Súmula 182 do antigo TFR foi editada antes da criação da hipótese legal de presunção de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/96. Sucede que essa presunção era rechaçada quando era empregada pela autoridade fiscal como se fosse uma presunção hominis ou facti ou comum, com base no id quod plerumque fit (naquilo que geralmente acontece), sem o aprofundamento da investigação para estabelecer o nexo causal entre os depósitos bancários e a receita omitida. Aí eram meros indícios, insuficientes para dar amparo a presunção de omissão de receitas. Isso mudou com a superveniência da Lei 9.430/96, que, em seu art. 42, guindou em presunção legal, juris tantum, de omissão de receitas os depósitos ou créditos bancários sem comprovação de origem, devidamente individualizados, mediante prévia e regular intimação da pessoa física ou jurídica. A partir da vigência do art. 42 da Lei 9.430/96, desde que cumpridos os requisitos previstos nesse preceito, houve o estabelecimento de presunção legal de omissão de receitas, com inversão do ônus da prova ao sujeito passivo. Não se trata mais de presunção que resulte de iniciativa criativa e original do fisco. Sequer se cuida de presunção hominis ou facti. Questão diversa é se a referida presunção legal passa ou não pelo teste de constitucionalidade e em que limites. Porém, isso é matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme o art. 26A do Decreto 70.235/72 com a redação da Lei 11.941/09, o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, e a Súmula CARF nº 24 4 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10950.005178/201041 Acórdão n.º 110300.577 S1C1T3 Fl. 10 10 (conforme consolidação das Súmulas do antigo Conselho de Contribuintes e do atual CARF, dada no Anexo II da Portaria CARF 49/10). Sobre o nexo entre depósitos bancários de origem incomprovada e receitas auferidas, de certo modo, isso já foi adiantado quando tratei da questão dos indícios e da suposta presunção hominis ou facti extraída a partir daqueles. Mas convém realçar que, na presunção legal (e não facti) em comentário, o nexo lógico e causal entre o fato conhecido (créditos bancários sem origem comprovada ou não levados à tributação) e o fato desconhecido (receitas auferidas) são estabelecidos pela lei. À autoridade fiscal compete demonstrar adequada e cuidadosamente o suporte fático da hipótese legal presuntiva, com a individualização dos créditos e intimar o contribuinte para que ele os esclareça e comprove sua origem. Daí se cuidar de presunção legal de omissão de receitas, ilidível diante de contraprova do contribuinte (inversão do ônus da prova). Para a concreção da hipótese legal presuntiva, é imperativo que haja a devida individualização dos créditos ou depósitos bancários, com a prévia e regular intimação para a comprovação da origem dos créditos individualizados, sob pena de resultar fulminada a referida presunção. Compulsando os autos, vejo que houve a devida individualização dos créditos, discriminados em Anexos I a IV, além da prévia e regular intimação para a comprovação de sua origem (fls. 1.021 a 1.046), bem como reintimação para tal comprovação (fls. 1.047 a 1.073). Sem razão o inconformismo da recorrente, ao alegar que o relatório é mera cópia integral de todos os créditos efetuados nas contas bancárias, com a simples exclusão dos débitos. De seu turno, a recorrente não se dignou a carrear contraprova a ilidir a presunção legal de omissão de receitas. Observo que não houve nem na peça inaugural, nem na peça recursiva alguma alusão a ofensa a direito fundamental ao sigilo, na aplicação do art. 6º da Lei Complementar (LC) 105/01. Ou seja, não houve alegação de inconstitucionalidade do art. 6º da LC 105/01. Deduzidas essas considerações, nego provimento ao recuso sobre a questão da omissão de receitas por créditos bancários de origem incomprovada. A recorrente articula ser descabido o arbitramento do lucro na hipótese em dissídio. Nesse sentido, acentua que não há imprestabilidade de sua escrituração contábil, sendo que a presunção de omissão de receitas, por si, não revela tal imprestabilidade, a ensejar o arbitramento do lucro, que é medida extrema. Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10950.005178/201041 Acórdão n.º 110300.577 S1C1T3 Fl. 11 11 Notase que o autuante concedeu prazo para a recorrente refazer sua contabilidade para incluir toda a movimentação financeira, com consequente escrituração do Lalur e apresentação da Dacon (fls. 1.047 a 1.050, 1.075 a 1.078). Em que pesem tais intimações, vêse que a recorrente havia apresentado os Livros Diário e Razão não só relativos ao anocalendário de 2006, como ao de 2007, como é constatado no próprio Termo de Verificação Fiscal – TVF (fl. 1.156). No mesmo TVF, é elaborado quadro discriminando, mensalmente, o valor da receita escriturada, o valor das receitas omitidas (presunção legal de omissão de receitas por créditos bancários), o valor da receita bruta total (conhecida) – fl. 1.165. Verificando o total das receitas omitidas (presunção legal) e o total de receita bruta, vejo que, no anocalendário de 2007, as receitas omitidas representam 16,14% da receita bruta total. Lembro que o arbitramento do lucro se deu somente para 2007. Segregandose trimestralmente o total das receitas omitidas (presunção legal) e o total de receita bruta, noto que: as receitas omitidas representam 3,83% da receita bruta total no 1º trimestre de 2007; as receitas omitidas representam 32,64% da receita bruta total, no 2º trimestre de 2007; as receitas omitidas representam 7,24% da receita bruta total, no 3º trimestre de 2007; as receitas omitidas representam 26,20% da receita bruta total, no 4º trimestre de 2007. Diante desses patamares de omissão de receitas, não vejo a imprestabilidade da escrituração contábil para quantificação do lucro real, a se exigir o arbitramento do lucro, que, como se sabe, é medida extrema. Máxime no caso de omissão de receitas por presunção legal, o arbitramento do lucro só tem cabimento quando aquelas representem valor bem significativo em relação à receita total. Do contrário, havendo a escrituração contábil, impõese reconhecerem os custos e despesas escrituradas – a menos que estas também sejam rechaçadas, o que não foi o caso – descabendo a medida de se arbitrar o lucro. Cito, a propósito, por ser exemplar e elucidativa sobre essa questão, a ementa do Acórdão 110100.114, da sessão de 17/06/2009, da 1ª Turma Ordinária da 1º Câmara da 1ª Seção do CARF, de relatoria do nobre Conselheiro José Ricardo Silva, pelo que resultou derruído o arbitramento do lucro: Processo n° 10380.012180/200511 Acórdão n° 110100.114 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCRO FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10950.005178/201041 Acórdão n.º 110300.577 S1C1T3 Fl. 12 12 INAPLICABILIDADE Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das conseqüências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o conseqüente arbitramento dos lucros. (grifamos) Entre outras, cito também as ementas do Acórdão nº 1053.510 e nº 105 7.025, da antiga 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes: ARBITRAMENTO DO LUCRO Tratase de mero instrumento que objetiva determinar o lucro tributável, sem qualquer conotação penal, por se tratar de medida extrema, somente se justifica quando impraticável o aproveitamento da escrita. ARBITRAMENTO DE LUCROS Não deve prevalecer o arbitramento dos lucros se não está bem demonstrada a inexistência ou a imprestabilidade da escrita contábil. Recurso provido. Posto isso, dou provimento ao recurso sobre a questão do arbitramento do lucro, para fins de IRPJ e de CSL. No que pertine ao PIS e à COFINS, observo o seguinte. A presunção legal de omissão de receitas não resulta inquinada de nulidade, porquanto os requisitos legais para sua aplicação foram preenchidos. E tal presunção não foi derruída por contraprova da recorrente. É de se supor que as receitas omitidas por presunção legal sejam decorrentes da atividade ordinária da recorrente, i.e., da prestação de serviços. Tais receitas se presumem decorrentes da atividade ordinária da recorrente: é corolário da presunção de omissão de receitas por depósitos bancários de origem incomprovada. Demandaria aprofundamento da investigação se a conclusão fosse contrária: que tais receitas fossem derivadas de atividade extraordinária da recorrente – de atividade diversa à de prestação de serviços, do que não represente faturamento. Outrossim, nego provimento ao recurso sobre a questão de PIS e de COFINS. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso para afastar a exigência de IRPJ e de CSL com base no lucro arbitrado dos trimestres do ano calendário de 2007. É o meu voto. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10950.005178/201041 Acórdão n.º 110300.577 S1C1T3 Fl. 13 13 Sala das Sessões, em 23 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10950.005178/201041 Acórdão n.º 110300.577 S1C1T3 Fl. 14 14 Voto Vencedor Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso – Redator designado Do minucioso voto do ilustre relator discordo apenas quanto à questão do arbitramento, assim, adoto as mesmas razões quanto aos demais tópicos. Quanto ao procedimento da exclusão do SIMPLES no caso em questão, a fiscalização para o ano excluído precisa dar oportunidade para o contribuinte optar pela forma de tributação que mais lhe seja conveniente. No caso de a contribuinte não optar, ou de não ser possível a opção, a fiscalização deverá arbitrar o lucro. Isto como já sabido não e procedimento de punição. O autuante concedeu prazo para a recorrente refazer sua contabilidade para incluir toda a movimentação financeira, com consequente escrituração do Lalur e apresentação da Dacon (fls. 1.047 a 1.050, 1.075 a 1.078), contudo, a recorrente não logrou em escriturar o Lalur. No caso, houve arbitramento não por causa dos valores omitidos serem muito superiores aos valores declarados, tornando sua escrita imprestável. O arbitramento foi realizado pelo fato de a fiscalização ter dado prazo para a contribuinte refazer sua escrita, e mesmo assim, a contribuinte não fez. Assim, sem o Lalur não poderia a fiscalização refazer o Lucro Real da contribuinte, pois a contribuinte não o fizera/optara, e, porque não é papel da fiscalização optar ou fazer o lucro real quando não foi esta a forma de tributação da contribuinte. Por tudo isso, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de novembro de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso – Redator desdignado. Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/12/2011 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 11080.000367/2008-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/03/2002
RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Em relação aos pedidos administrativos protocolados a partir da vigência da LC 118/2005, art. 3º, em 09/06/2005, aplica-se o prazo decadencial disposto na LC 118, ou seja, 5 (anos) da data do pagamento.
Numero da decisão: 2403-001.859
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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PRAZO. Em relação aos pedidos administrativos protocolados a partir da vigência da LC 118/2005, art. 3º, em 09/06/2005, aplicase o prazo decadencial disposto na LC 118, ou seja, 5 (anos) da data do pagamento. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 03 67 /2 00 8- 62 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.000367/200862 Acórdão n.º 2403001.859 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre , Acórdão 1031.141 da 6ª Turma, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Serviços foram executados pelo titular da empresa. · Empresa é optante pelo SIMPLES. · Não possuía empregados. · Em 14/01/2008 protocolizou pedido de restituição. · Não concorda com a intempestividade. É o relatório Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O processo referese a pedido de restituição protocolizado em 14/01/2008, onde a recorrente requereu restituições referentes às competências 10 e 11/2000, 02 a 05 e 11/2001 e 03/2002. Em primeira instância decidiuse pela improcedência da manifestação de inconformidade em razão da preclusão do direito de pleitear a restituição por considerar que o prazo era de 5 anos. Concordo com o acórdão recorrido pelas razões abaixo. Conforme julgado no Recurso Extraordinário RE nº 566.621, de acordo com voto condutor, de lavra da Min. Ellen Gracie, a tese dos 5 + 5 somente se aplica às ações ajuizadas antes de 08/06/2005, quando se completou a vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005. Para melhor ilustrar o entendimento firmado no acórdão prolatado em sede de repercussão geral, transcrevo o voto no seguinte trecho: 8. (...) Reconheço, pois, a inconstitucionalidade da aplicação retroativa da redução de prazo que alcance prazos já interrompidos, bem como da aplicação, imediatamente após a publicação da lei, às novas ações ajuizadas, sem assegurar aos contribuintes nenhum prazo para que, deduzindo suas pretensões em Juízo, pudessem evitar o perecimento do seu direito, considerando violado pelo art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, o princípio da segurança jurídica nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à Justiça, que repousam implícita e expressamente nos arts. 1º e 5º, inciso XXXV, da Constituição. 9. Diante da inconstitucionalidade reconhecida, cabe, ainda, verificar a partir de quando e com que efeito o novo prazo pode ser validamente aplicado. Importa que haja manifestação expressa desta Corte sobre a transição entre o prazo anterior de 10 anos para o prazo novo de 5 anos, porquanto significa definir o limite da inconstitucionalidade que se afasta. Sem uma definição clara quanto a tal ponto, a análise restaria incompleta e não Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.000367/200862 Acórdão n.º 2403001.859 S2C4T3 Fl. 4 5 cumpriria a função pacificadora que se espera do mecanismo da repercussão geral. ... Tenho que o art. 4º da LC 118/05, na parte em que estabeleceu vacatio legis alargada de 120 dias, cumpriu tal função, concedendo prazo suficiente para que os contribuintes não apenas tomassem conhecimento do novo prazo, como para que pudessem agir, ajuizando as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Notese que foi significativa a avalanche de ações ajuizadas perante a primeira instância em tal prazo, até 8 de junho de 2005, sinal, aliás, de que tal prazo cumpriu sua finalidade, não havendo fundamento constitucional para proteger o contribuinte da sua própria inércia, cabendo dar aplicação ao velho brocardo latino: Dormientibus non sucurrit jus. Assim, vencida a vacatio legis de 120 dias, é válida a aplicação do prazo de cinco anos às ações ajuizadas a partir de então, restando inconstitucional apenas sua aplicação às ações ajuizadas anteriormente a esta data. A partir do exposto, sigo o entendimento que, em relação aos pedidos administrativos protocolados antes da vigência da LC 118/2005, art. 3º, em 09/06/2005, o prazo decadencial para a restituição do indébito é de 10 (dez) anos (tese dos “5 + 5”), já em relação aos pedidos administrativos protocolados a partir da vigência da LC 118/2005, art. 3º, em 09/06/2005, aplicase o prazo decadencial disposto na LC 118, ou seja, 5 (anos) da data do pagamento. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.725706/2011-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
MULTA APLICADA COM ESTEIO EM DISPOSITIVOS LEGAIS VIGENTES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Ao contrário do que afirmou-se no recurso, o fisco invocou, para fundamentar a imposição da multa por descumprimento de obrigação acessória, dispositivos legais vigentes, não devendo ser acatada a alegação de nulidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ao contrário do que afirmouse no recurso, o fisco invocou, para fundamentar a imposição da multa por descumprimento de obrigação acessória, dispositivos legais vigentes, não devendo ser acatada a alegação de nulidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 57 06 /2 01 1- 20 Fl. 456DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra o Acórdão n.º 0537.716 da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ em Campinas (SP), que declarou improcedente a impugnação em face de dois Autos de Infração – AI, aos quais passamos a nos reportar: a) AI n.º 51.011.5756: aplicação de multa pelo fato da empresa haver deixado de lançar em folhas de pagamento as remunerações de segurados contribuintes individuais, ofendendo, assim, ao art. 32, I; da Lei n.º 8.212/1991; e b) AI n.º 51.0 11.5764: aplicação de multa pela fato da empresa haver deixado de lançar em títulos próprios de sua contabilidade fatos geradores de contribuições sociais, descumprindo a determinação do art. 32, II; da Lei n.º 8.212/1991. O relatório fiscal, fls. 07/15, esclarece que as folhas de pagamento relativas aos exercícios de 2007 e 2008 não discriminam as remunerações percebidas pelos segurados contribuintes individuais. Acrescentase que os pagamentos foram verificados mediante análise da Declaração de Imposto de Renda Retida na Fonte – DIRF e de planilhas preparadas pela autuada, a qual sequer destacou nas folhas de pagamento todas as remunerações declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Afirmase ainda que as quantias repassadas aos ocupantes de cargos de gerência a título de participação nos resultados não foram lançadas nas folhas de pagamento. Quanto à infração concernente a falhas contábeis, o fisco afirmou que lançou em uma mesma contas serviços prestados por pessoas físicas e serviços prestados por pessoas jurídicas, impossibilitando a segregação das bases de cálculo de contribuições previdenciárias pela natureza do prestador. Na decisão recorrida, afastouse a alegação de que os dispositivos legais utilizados para imposição da multa estariam revogados pela Lei n.º 11.941/2009. Também não foi acatado o argumento de que as lavraturas seriam nulas, em razão da falta de demonstrativo do cálculo da penalidade. No recurso de fls. 413/419, a autuada apenas alegou que as normas invocadas pelo fisco para aplicação da multa no AI n.º 51.011.5756, § 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 c/c inciso II do art. 284 e art. 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, encontramse revogadas, merecendo ser anulada a lavratura. É o relatório. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10830.725706/201120 Acórdão n.º 2401002.962 S2C4T1 Fl. 456 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A suscitada nulidade Não deve ser acolhida a alegada utilização pelo fisco de fundamentação legal revogada, para sustentar a aplicação da multa no AI n.º 51.011.5756. A referida lavratura foi tratada no relatório fiscal, nos seguintes termos: “13. Lavrado o Auto de Infração por descumprimento ao disposto no art. 32,inciso II, da Lei n.º 8.212, de 24/07/91, combinado com o art. 225, inciso III, §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/99. 14. No desenvolvimento da ação fiscal foi verificado que o sujeito passivo deixou de lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Descumpriu assim, a obrigação acessória prevista na legislação (item anterior). (...) 16. Para essa infração é aplicada multa, prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212, de 24/07/91, e nos artigos 283, inciso II, alínea “a” e artigo 373, ambos do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/99, no valor de R$ 15.244,14 (Quinze mil duzentos e quarenta e quatro reais e quatorze centavos). O valor da pena encontrase atualizado, em conformidade com a Portaria MPS/MF n.º 407 de 14 de julho de 2011.” Verificase que a recorrente equivocouse quando citou que o fisco haveria invocado, para fundamentar a aplicação da multa, o § 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 c/c inciso II do art. 284 e art. 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999. Como vimos da excerto do relatório fiscal, a base legal utilizada foi outra, a qual encontrase plenamente vigente até o presente. Os dispositivos citados no recurso de fato Fl. 458DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 encontramse revogados, no entanto, não coincidem com os que o fisco lançou mão para fundamentar lavratura. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 459DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10380.012956/2006-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2002 a 31/01/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO EXISTENTE.
Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando presente a omissão apontada.
COFINS FATURAMENTO. RECEITAS FINANCEIRAS BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL.
Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, a COFINS tributada na forma da Lei nº 9.718/98 não incide sobre as receitas financeiras.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO.
A partir do dia 2 de agosto de 2004, a alíquota da COFINS não-cumulativa incidente sobre receitas financeiras, com exceção das oriundas de operação de hedge, foi reduzida a zero. A partir de 1o de abril de 2005, a alíquota zero passou a ser aplicada também às receitas oriundas de operação de hedge.
Numero da decisão: 3401-002.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para suprir a omissão, negando provimento ao recurso de ofício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2002 a 31/01/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO EXISTENTE. Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando presente a omissão apontada. COFINS FATURAMENTO. RECEITAS FINANCEIRAS BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL. Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, a COFINS tributada na forma da Lei nº 9.718/98 não incide sobre as receitas financeiras. COFINS NÃO-CUMULATIVA. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. A partir do dia 2 de agosto de 2004, a alíquota da COFINS não-cumulativa incidente sobre receitas financeiras, com exceção das oriundas de operação de hedge, foi reduzida a zero. A partir de 1o de abril de 2005, a alíquota zero passou a ser aplicada também às receitas oriundas de operação de hedge.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida INVESTLUZ S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2002 a 31/01/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO EXISTENTE. Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração quando presente a omissão apontada. COFINS FATURAMENTO. RECEITAS FINANCEIRAS BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL. Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, a COFINS tributada na forma da Lei nº 9.718/98 não incide sobre as receitas financeiras. COFINS NÃOCUMULATIVA. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. A partir do dia 2 de agosto de 2004, a alíquota da COFINS nãocumulativa incidente sobre receitas financeiras, com exceção das oriundas de operação de hedge, foi reduzida a zero. A partir de 1o de abril de 2005, a alíquota zero passou a ser aplicada também às receitas oriundas de operação de hedge. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para suprir a omissão, negando provimento ao recurso de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 29 56 /2 00 6- 84 Fl. 751DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Relatório Tratase de Embargos Declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE (fl.749) ao Acórdão nº 3401001.838 (fls. 742/744), o qual julgou intempestivo o Recurso Voluntário interposto. A Embargante alega que o acórdão foi omisso, pois não tratou do Recurso Ofício interposto pela DRJ, haja vista a exoneração de crédito superior a um milhão de reais. Ao fim, a Embargante propôs o Retorno dos Autos ao CARF para providências necessárias. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça Os Embargos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento. Tem razão a Embargante ao argüir a falta de apreciação do Recurso de Ofício. Por essa razão, para sanar a omissão, passase a apreciálo. Trata o presente processo de auto de infração lavrado em 21/12/2006 (fls. 04/18), pelo qual foi lançada a COFINS relativa à diferença entre o valor escriturado e o valor pago, nos períodos compreendidos entre janeiro de 2002 e dezembro de 2005. Após análise da Impugnação, a DRJ em Fortaleza/CE julgou a Impugnação parcialmente procedente (fls.540/553), pelas seguintes razões: 1 As receitas financeiras não fazem parte da base de cálculo da COFINS dos fatos geradores ocorridos até Fl. 752DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10380.012956/200684 Acórdão n.º 3401002.234 S3C4T1 Fl. 752 3 janeiro de 2004, em razão da inconstitucionalidade do §1o, do art. 3o, da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF; 2 De janeiro de 2004 até agosto de 2004, as receitas financeiras faziam parte da base de cálculo em razão do advento da Lei nº 10.833/03; 3 A partir de 2 de agosto de 2002, as receitas financeiras, com exceção daquelas oriundas de juros sobre capital próprio e de operações de hedge, passaram a ter alíquota zero em razão do art. 27, §2o, da Lei nº 10.865/04 e do Decreto nº 5.164, de 2004; 4 A partir de 9 de maio de 2005, em razão do Decreto nº 5.442, também passaram a ter alíquota zero as receitas oriundas de operações de hedge; Depois dessas considerações, o acórdão passa a tratar do que compõe e do que não compõe a base de cálculo da COFINS da Contribuinte da seguinte forma: “38. Na espécie, a contribuinte se dedica a participar do capital social de outros empresários, na condição de sócio cotista ou acionista, auferindo receitas de dividendos, resgate de ações, juros sobre o capital próprio etc. 39. Tendo em vista a definição adotada, integram o faturamento dessa modalidade de empresário: (i) os dividendos recebidos em função de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial, sendo excluídos apenas aqueles decorrentes de investimentos avaliados pelo custo de aquisição (art. 3o, §2°, 11, da Lei 9.718, de 1998, com redação dada pela Medida Provisória 2.15835, de 24 de agosto de 2001); (ii) por ocasião da liquidação da correspondente operação, ressalvada a opção do contribuinte pelo regime de competência, as variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual (art. 30 da MP n° 2.15835/2001 e art. 13 da IN SRF n." 247, de 2002); (iii) o valor recebido pelo resgate de ações, após procedimento de desdobramento, por ter a natureza de dividendo (Acórdão DRJ 0819.568, de 6 de dezembro de 2010); (iv) os juros sobre capital próprio (art. 27, §2o, da Lei n° 10.865, de 2004, Decreto n° 5.164, de 2004, Decreto n° 5.442, de 2005). 40. Por outro lado, não compõem a base de cálculo da contribuição, por transbordarem o conceito de faturamento sob a égide da Lei n° 9.718, de 1998, já considerada a inconstitucionalidade da ampliação promovida pelo §1° do art. 3o, as receitas financeiras definidas no art. 373 do RIR/99: (i) os juros recebidos; (ii) os descontos obtidos; (iii) o lucro na operação de reporte; (iv) o prêmio de resgate de títulos ou Fl. 753DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 debêntures; (v) os rendimentos relativos a aplicações financeiras, nos mercados de renda fixa e variável. 41. A partir de 1o de janeiro de 1999, foram também consideradas receitas financeiras as variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual (Lei n° 9.718, de 1998, arts. 9o e 17, inc. II). 42. Já sob a vigência da Lei n° 10.833, de 2003, art. 1o , tanto as receitas decorrentes da atividade econômica do objeto social quanto as receitas financeiras integram a base de cálculo da Cofins. 43. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2002 e janeiro de 2004, não compõem a base de cálculo da contribuição, os lançamentos a crédito nas seguintes contas: (i) ‘Variação Cambial’ (631.04.1.3), que registra a atualização cambial, com base no regime de competência (fl. 268), das contas Dividendos e Empréstimos a Receber da controlada Luz de Panamá; 44. Como se verifica às lis 25, 256, 271, as amortizações do empréstimo ocorreram em agosto e novembro de 2002, maio e dezembro de 2003, de modo que as atualizações cambiais foram computadas na base de cálculo da contribuição antes do efetivo recebimento do empréstimo (janeiro a abril e setembro a outubro de 2002; fevereiro e março de 2003). Dessa forma, devem ser glosadas da base de cálculo as atualizações computadas pela Fiscalização. 45. Quanto à conta Dividendos a Receber, igualmente não se constata o recebimento de dividendos da Luz de Panamá no ano de 2002 (11 273). de modo que descabida a tributação das atualizações cambiais. (ii) ‘Rendas a Receber’ (112.21.1), que registra Dividendos a Receber (Luz de Panamá, Coelce); 46. A Fiscalização inseriu, na base de cálculo da contribuinte, lançamentos a título de atualização cambial sobre os dividendos a receber da controlada Luz de Panamá, computados igualmente antes do efetivo recebimento dos dividendos, como se verifica à fls. 256 e 273. Portanto, deve também ser excluída da tributação a atualização cambial registrada nessa conta. (iii) ‘Outras Despesas Financeiras’ (635.04.1.9), que registra lançamentos a débito e a crédito decorrentes de operações com instituições financeiras (fls. 257/261); (v) ‘Juros de Aplicação Financeira’ (631.04.1.1) nos Bancos Citibank, BEC, Votorantim (fls 24/25). 47. A esse respeito, cabe registrar também que, em 14.05.2009, transitou em julgado decisão judicial no Mandado de Segurança 2003.81.00.0092481, em que se reconhece ao interessado o direito de compensar a contribuição recolhida indevidamente à Fl. 754DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10380.012956/200684 Acórdão n.º 3401002.234 S3C4T1 Fl. 753 5 luz do §1° do art. 3o da Lei n° 9.718, de 1998, declarado inconstitucional pelo STF (fl 472). 48. Por sua vez, integram a base de cálculo da contribuição os lançamentos a crédito na conta ‘Outras Receitas Financeiras’ (631.04.1.9), que registra juros sobre o capital próprio, dividendos recebidos e regaste de ações da Coelce (fls 28). 49. No que concerne aos fatos geradores ocorridos a partir de fevereiro de 2004, os lançamentos a crédito na conta ‘Juros de Aplicação Financeira’ ingressaram na base de cálculo da contribuição, mas passaram a ser tributados a alíquota zero a partir de agosto de 2004. 50. De outra parte, integram a base de cálculo da contribuição os lançamentos a crédito na conta "Outras Receitas Financeiras" (631.04.1.9), que registra juros sobre o capital próprio, dividendos recebidos c resgate de ações da Coclcc (lis 28, 40 e 52). Depois dessas considerações, a DRJ refez os cálculos, mantendo parte do lançamento do principal conforme a planilha elaborada nas fls.551/552 e interpôs o Recurso de Ofício. Apenas a título de esclarecimento, a Autuada tem como objeto social, conforme art. 4o do seu Contrato Social (fl. 611) “participar do capital da Companhia Energética do Ceará Coelce e em outras sociedades, no Brasil e no exterior, na qualidade de sócia, quotista ou acionista”. Esclarecido isso, notase que a Contribuinte não se enquadra no conceito de Instituição Financeira, disposto no art. 1o, da Lei nº 7.492, de 16 de junho de 1986. Portanto a apreciação, pelo STF, do Recurso Especial nº 609.096, na sistemática do art. 543B, do CPC, não impede a apreciação desta matéria, haja vista que a Suprema Corte está apreciando somente as receitas financeiras das instituições financeiras. Como a Contribuinte não é instituição financeira, neste processo não há a obrigatoriedade de sobrestamento estabelecido no § 1o, do art. 62A, do Regimento Interno do CARF. Esclarecida essa questão, passase à análise do mérito. Como verificado acima, no período do lançamento houve diversas alterações na legislação tributária, assim, para melhor análise, os períodos serão divididos conforme a legislação vigente na época do fato gerador. A) Janeiro de 2002 a Janeiro de 2004 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 No período compreendido entre janeiro de 2002 e janeiro de 2004, a lei que se aplicava ao caso era a Lei nº 9.718/98, cuja base de cálculo era a determinada nos arts. 2o e 3o, da seguinte forma: “Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre que o STF, em 10/09/2008, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, com Repercussão Geral reconhecida, prolatou a seguinte decisão: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) (grifo nosso) Um dos precedentes utilizados pelo Supremo para chegar ao julgamento do RE 585.235 e reconhecêlo na sistemática de repercussão Geral foi o seguinte: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10380.012956/200684 Acórdão n.º 3401002.234 S3C4T1 Fl. 754 7 Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator (a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator (a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 01092006 PP00019 EMENT VOL0224506 PP01170) (grifos nosso) Em suma, o STF julgou que o PIS e a COFINS tributada na forma da Lei nº 9.718/98 incidem somente sobre as receitas operacionais, ou seja, aquelas oriundas de venda e de prestação de serviço, não estando incluídas, dessa forma, as receitas de bônus, créditos, desconto ou qualquer outra que não faça parte da atividade principal da empresa. Portanto, seguindo a linha do STF, o correto seria excluir todas as receitas financeiras do período compreendido entre janeiro de 2002 e janeiro de 2004. Contudo, como aqui cabe avaliar somente as receitais excluídas pela DRJ, devese manter a exclusão da base de cálculo dos valores: (i) os juros recebidos; (ii) os descontos obtidos; (iii) o lucro na operação de reporte; (iv) o prêmio de resgate de títulos ou debêntures; (v) os rendimentos relativos a aplicações financeiras, nos mercados de renda fixa e variável. B) Janeiro de 2004 a agosto de 2004 No final de 2003, foi publicada a Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a qual instituiu a COFINS nãocumulativa. Em seu art. 1o, §2o, essa lei determina que a base de cálculo da COFINS nãocumulativa é o faturamento, assim entendido “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Essa nova base de cálculo passou a ter eficácia a partir do 1o de fevereiro de 2004, nos termos no art. 93, inciso I, da Lei nº 10.833/03. Assim, as receitas financeiras somente passaram a incidir sobre a COFINS da Contribuinte a partir de fevereiro de 2004 e não a partir de janeiro de 2004, como consta do Acórdão recorrido. Contudo, ao que parece, tratouse apenas de erro material, pois na tabela de fl.552 a DRJ não incluiu nenhum lançamento para o mês de janeiro de 2004. É certo que o STF já reconheceu a repercussão geral do debate acerca da ampliação da base de cálculo da COFINS nãocumulativa, no RE 570.122, mas ainda não julgou o mérito. Desse modo, seria o caso de sobrestamento dos presentes autos, até a decisão Fl. 757DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 8 definitiva do STF, nos termos do art. 62A, § 2º, do Regimento Interno do CARF. Todavia, o Recurso Voluntário não foi conhecido de modo que não cabe a reforma desse ponto do Acordo ora apreciado. Por esse motivo, seria improfícuo o sobrestamento deste julgado. Por essa razão, continuo a apreciação das demais matérias. C) agosto de 2004 a 9 de maio de 2005 e de 9 de maio de 2005 a dezembro de 2005 Em 30 de julho de 2004, foi publicado o Decreto nº 5.164, pelo qual a alíquota do PIS e da COFINS nãocumulativos sobre receitas financeiras ficou reduzida a zero, da seguinte forma: “Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge”. A redução da alíquota a zero passou a produzir efeitos a partir de do dia 2 de agosto de 2004, conforme art. 3o, também do Decreto 5.164/2004. Em 9 de maio de 2005, foi publicado o Decreto nº 5.442, que estendeu a redução da alíquota zero do PIS e da COFINS nãocumulativos às receitas oriundas de operações de hedge. Todavia, esse decreto teve produção de efeitos retroativos, a 1o de abril de 2005, conforme o determinado pelo seu art. 2o. Portanto, diversamente do que foi afirmado pela DRJ, as operações de hedge não tiveram redução da alíquota zero a partir de 9 de maio de 2005, mas sim a partir de 1o de abril de 2005. Não obstante, essa pequena divergência não gera conseqüências práticas, pois, conforme tabela de fls. 552, em abril e maio 2005 foram excluídos todos os lançamentos. Em suma, não há reformas a serem feitas no acórdão recorrido. Ex positis, acolho os Embargos Declaratórios para suprir a omissão e analisar o Recurso de Ofício. No mérito, nego provimento ao Recurso de Ofício, mantendo o Acórdão da DRJ em sua integralidade. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 758DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10380.012956/200684 Acórdão n.º 3401002.234 S3C4T1 Fl. 755 9 Fl. 759DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 11686.000088/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1483; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11686.000088/200880 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.328 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de junho de 2013 Assunto RESSARCIMENTO COFINS Recorrente SLC ALIMENTOS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 86 .0 00 08 8/ 20 08 -8 0 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000088/200880 Resolução nº 3302000.328 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de COFINS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/04/2006 a 30/06/2006 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas no mercado interno. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por ele constatadas: I.1 o contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dos incentivos fiscais "PRODEPE", crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual PE) n° 23.504, de 27 de agosto de 2001, e "PROARROZ", crédito fiscal de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual MT) n° 4.366, de 21 de maio de 2002. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS é o valor do faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente das atividades por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, admitidas as exclusões e deduções expressamente previstas em lei. Integram o faturamento os valores contabilizados como incentivos fiscais "PRODEPE" e "PROARROZ", inexistindo previsão legal para que sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. I.2 O contribuinte incluiu indevidamente na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS fretes sobre transferências e fretes sobre devoluções. O valor do frete contratado de pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de simples transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores e filiais não integra a operação de venda a ser realizada posteriormente, não podendo ser utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Da mesma forma, o valor do frete sobre devoluções não integra a base de cálculo de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Dará direito ao crédito o frete contratado para entrega de mercadorias diretamente aos clientes, na venda do produto, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme arts. 3o , inciso IX, e 15 da Lei n° 10.833/2003. I.3 A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da Fl. 365DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000088/200880 Resolução nº 3302000.328 S3C3T2 Fl. 4 3 NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6º , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito resumido de atividades agroindustriais referente a estas compras. I I . C O N C L U S Ã O Em função dos fatos anteriormente descritos e das irregularidades fiscais constatadas, após efetuados os ajustes necessários e outras correções obrigatórias demonstrados em planilhas anexas, que obedeceram ao disposto na legislação da Cofins não cumulativo, concluo que os direitos creditórios da fiscalizada, relativamente aos créditos da Contribuição para a Cofins devem ser reconhecidos apenas de forma parcial. (...) Em consequência, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao pedido de ressarcimento de COFINS NãoCumulativo Receita no mercado interno, referente ao 2º trimestre de 2006. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando, preliminarmente, a nulidade da decisão pela ofensa à constituição federal e aos princípios do processo administrativo fiscal – PAF, em face de ausência de fundamentação expressa, e no mérito: · Discorda sobre a inclusão dos créditos de ICMS, oriundos de programas de benefícios fiscais ("PRODEPE" e "PROARROZ"), na base de cálculo do PIS e da COFINS como receita, na medida em que as leis instituidoras desses benefícios objetivariam o fomento da competitividade e sustentabilidade das empresas situadas nos estados do MT e PE. Entende que tais valores não poderiam ser considerados como receita da empresa, pois não representariam um ingresso de novo valor ao seu patrimônio, sendo apenas abatidos de seus débitos de ICMS, de forma a reduzir o saldo devedor de imposto estadual devido. · Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes de transferências entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica e devoluções, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações de venda. Discorre sobre sua necessidade de possuir centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Entende que tais fretes deveriam também ser enquadrados como custo ou despesas da empresa, sujeitos à apuração dos respectivos créditos das contribuições. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da isonomia e do nãoconfisco. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000088/200880 Resolução nº 3302000.328 S3C3T2 Fl. 5 4 · Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei n° 10.925/2004 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela Instrução Normativa SRF n° 660/2006, portanto não estaria sujeita a observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Considera que teria a faculdade de escolher, ou não, a suspensão da exigibilidade, cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que nas Notas Fiscais de aquisição emitidas por seus fornecedores não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art.2º, §2º da IN 660/06. Acrescenta que seus fornecedores também não lhe pediram declaração de que apuraria seu IRPJ pelo Lucro Real, em face da ausência destas solicitações, inferiu que não teria sido utilizada a suspensão da exigibilidade nas correspondentes operações de compra e venda. Contesta a intimação recebida para que apresentasse declarações de seus fornecedores informando se as vendas haviam ocorrido com ou sem a suspensão, pois entende que não lhe caberia exigir tal informação de seus parceiros comerciais. Aponta que inclusive adquiriria arroz em casca de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, portanto fora dos requisitos previstos na IN 660/06. · pede a realização de perícia para o esclarecimento de quesitos que define como necessários para demonstrar a origem e a composição dos créditos em litígio. Relativamente à questão da inclusão, como receita, na base de cálculo do PIS e da COFINS, de valores referentes a créditos de ICMS, concedidos por programas estaduais de benefícios fiscais ('"PRODEPE" e "PROARROZ") a contribuinte impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.71.00.0323140 junto à Justiça Federal Tributária de Porto AlegreRS, que teve liminar favorável em 27 de fevereiro de 2009 (publicado em 04/03/2009). Mas, a sentença proferida em 1ª instância de 27/07/2009 denegou a segurança. E, em decorrência de apelações e embargos interpostos pelas partes, a Sentença judicial de 1ª instância foi reformada pelo o TRF4 para conceder a segurança pleiteada, determinando a incidência de correção monetária, pela taxa SELIC, pelo fato de que a demora no ressarcimento dos créditos presumidos se deu por óbice indevido do Fisco. A contribuinte foi cientificada do cumprimento da sentença do Mandado de Segurança 2008.71.00.0323140, por meio da INTIMAÇÃO DRF/SEORT/COMP/REST 2.180/2010. Portanto, tal questão não faz mais parte do litígio. Em julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por unanimidade de votos, por desconhecer da manifestação de inconformidade na parte que contesta a inclusão de créditos de ICMS oriundos de incentivos fiscais estaduais na base de cálculo das contribuições, tendo em vista a identidade de objeto com questões levadas ao crivo do Poder Judiciário. E, nas matérias controversas restantes, também por unanimidade de votos, acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000088/200880 Resolução nº 3302000.328 S3C3T2 Fl. 6 5 Ementa: NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as irregularidades que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CRÉDITOS DE ICMS CONCEDIDOS POR INCENTIVOS FISCAIS. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado o preenchimento de todos os requisitos para a suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DA PRELIMINAR II. I. 1 DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM FACE DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO MOTIVACIONAL; II. I. 1.1 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA CERCEAMENTO DE DEFESA II. I. 1. 2 DA ILEGALIDADE II. II DA PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EM FACE DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL III DO DIREITO Fl. 368DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000088/200880 Resolução nº 3302000.328 S3C3T2 Fl. 7 6 III. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS III. II DO FRETE DE TRANSFERÊNCIA III. II. 1 DA NÃOCUMULATIVIDADE III. III DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO PE ARROZ EM CASCA III. III. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 III. III. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 977/09 III. III. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 5 EQUÍVOCO REFERENTE À GLOSA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA DE PESSOAS JURÍDICAS REVENDEDORAS III. III. 6 DA PERÍCIA IV DO PEDIDO Formula o seu pedido nos seguintes termos: “Diante do exposto, a ora Recorrente requer que seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim de que seja reconhecida a nulidade do despacho decisório combatido. Sucessivamente, caso não seja este o entendimento, requer que o presente recurso seja acolhido por Vossas Senhorias para determinar a reforma do r.acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legitimidade”. Na forma regimental, o processo foi distribuído para a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó relatar. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000088/200880 Resolução nº 3302000.328 S3C3T2 Fl. 8 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins. Uma das questões suscitadas pela Recorrente diz respeito à possibilidade de escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04. A DRF considerou que todas as aquisições de arroz em casca saíram do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal: A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6o , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito presumido de atividades agroindustriais referente a estas compras Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas fiscais de compra de arroz em casca, emitidas no período em questão, não contém a informação de que as vendas foram efetuadas com suspensão da contribuições e, também, que adquire arroz em casca de Pessoas Jurídicas revendedoras, que não atendem aos requisitos normativos para efetuar venda com suspensão do PIS e da Cofins. Junta notas fiscais de aquisição de arroz em casca junto às empresas PURO GRÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARROZ E SOJA LTDA e SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA, . Para a realização da venda de arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins, no período de 04/04/2006 (data da publicação da IN SRF 636/2006) a 24/07/2006 (dia anterior à publicação da IN SRF nº 660/2006), a pessoa jurídica (autorizada) vendedora deveria solicitar (e o adquirente fornecer) a declaração prevista no § 3º, do art. 2º da IN SRF nº 636/2006. A partir do dia 25/07/2006, além da referida declaração, a pessoa jurídica vendedora deveria consignar na nota fiscal que a venda estava sendo realizada com a suspensão do PIS e da Cofins (§ 2º, do art.2º, da IN SRF nº 660/2006). Fl. 370DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000088/200880 Resolução nº 3302000.328 S3C3T2 Fl. 9 8 Em caso semelhante, este Colegiado entendeu que é necessário a comprovação de que a operação atendia às condições legais para dar saída com suspensão do PIS e da Cofins., conforme Acórdão nº 330201.982, de 28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/200980. Na oportunidade, o Colegiado entendeu que, não havendo o Fisco logrado provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente o direito de escriturar o crédito normal e não o crédito presumido, cabendo à Administração avaliar a necessidade e oportunidade de efetuar o lançamento da exação que deixou de ser recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso. Portanto, ao contrário do entendimento da Fiscalização, naquele julgado o Colegiado entendeu que a suspensão somente se opera se forem cumpridos os requisitos formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei nº 10.925/04. Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento, junto aos fornecedores da Recorrente, com o objetivo de identificar quem efetivamente cumpriu os requisitos exigidos pela IN nº 660/06 nas vendas de arroz em casca para a Recorrente, ou seja, possui a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A (para as vendas realizadas a partir 05/04/2006) e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins (para as vendas realizadas a partir 25/07/2006). Há, portanto, nos autos incerteza quanto ao cumprimento das obrigações acessórias para a saída do arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores da Recorrente, nos termos determinados pelas IN SRF nº 636/06 e 660/06. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente, cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 1.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 2 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 2.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 3 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na Fl. 371DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000088/200880 Resolução nº 3302000.328 S3C3T2 Fl. 10 9 nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 3.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 4 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 4.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 5 No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos itens anteriores; 6 Opinar sobre a procedência (ou não) do direito ao crédito normal em cada uma das situações descritas nos itens 1 a 4; 7 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4; 8 dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 372DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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