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Numero do processo: 15936.000100/2007-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/08/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PENALIDADE - GFIP - OMISSÕES - INCORREÇÕES - RETROATIVIDADE BENIGNA.
A ausência de apresentação da GFIP, bem como a sua entrega com atraso, com incorreções ou omissões, constitui violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5º, do artigo 32, da Lei nº 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, e Henrique Pinheiro Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Redator-Designado
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/08/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PENALIDADE GFIP OMISSÕES INCORREÇÕES RETROATIVIDADE BENIGNA. A ausência de apresentação da GFIP, bem como a sua entrega com atraso, com incorreções ou omissões, constitui violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5º, do artigo 32, da Lei nº 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, e Henrique Pinheiro Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 93 6. 00 01 00 /2 00 7- 37 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – RedatorDesignado EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Auto de Infração, tendo em vista que a empresa interessada apresentou a GFIP, no período de 01/99 a 08/05, sem os dados correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Foi aplicada a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997 e art. 2184, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Em sessão plenária de 29/09/2009, foi julgado o Recurso Voluntário 144.567, prolatandose o Acórdão 230100.638 (fls. 396 a 404), assim ementado: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. SEGURADOS OBRIGATÓRIOS. GFIP INFORMAÇÕES INCOMPLETAS. APLICAÇÃO PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. 1. Aplicase o prazo decadencial do art. 173, I do CTN ao presente lançamento. 2. A penalidade prevista no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, pede retroagir para beneficiar o contribuinte. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15936.000100/200737 Acórdão n.º 9202002.747 CSRFT2 Fl. 892 3 3.Precedentes dos Conselhos de Contribuintes. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros da 3° Câmara /1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso, vencido o Conselheiro Edgar Silva Vidal que aplicava o artigo 150, §4° e no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para a retroatividade benéfica nos termos do voto do relator. Vencidos a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros e o Conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros que votaram pela aplicação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96.” Cientificada do acórdão em 12/05/2010 (fls. 401), a Fazenda Nacional interpôs, em 13/05/2010, o Recurso Especial de fls. 404 a 427, com fundamento no art. 67, anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a questão do dispositivo legal que deve retroagir na aplicação da penalidade, se o art. 32A, ou o art. 35A, da Lei 8.212, de 1991. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o despacho de fls. 426/427, de 1º/11/2010. O apelo apresenta os seguintes argumentos, em síntese: o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, o que significa que não é legitima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; o que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; antes das inovações da MP nº 449, de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II, da Lei nº 8.212, de 1991, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da mesma lei (multa isolada); com o advento da MP nº 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise dos artigos 32A e 35A, ambos da Lei nº 8.212, de 1991; o primeiro deles assim dispõe: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 "Art. 32A. 0 contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: 1 — de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II — de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo". tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991; o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212, de 1991, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento); assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; contudo, a MP nº 449, de 2008, também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, in verbis: "Art. 35A. Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996". tal dispositivo remete à aplicação do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que dispõe: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" a leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212, de 1991, ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15936.000100/200737 Acórdão n.º 9202002.747 CSRFT2 Fl. 893 5 por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. essa foi a conclusão a que chegou o eminente relator do acórdão paradigma e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; ressaltase que, conforme salientado alhures, houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito, logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a multa prevista no lançamento de oficio (artigo 44 da Lei 9.430, de 1996); nessa linha de raciocínio, a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A, da MP nº 449. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento do recurso e o seu provimento, reformandose o acórdão recorrido, no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica, se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A, da MP nº 449, de 2008. Cientificado do acórdão recorrido, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 03/05/2011 (AR de fls. 435), o Contribuinte quedouse silente (fls. 440). Voto Vencido Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas ContraRazões. Tratase de Auto de Infração, tendo em vista que a empresa interessada apresentou a GFIP, no período de 01/99 a 08/05, sem os dados correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Foi aplicada a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997, e art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Este Auto de Infração está relacionado a NFLD, conforme Termo de Encerramento da Ação Fiscal TEAF de fls. 143. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Na decisão recorrida foi afastada a exigência das competências anteriores a 12/99, determinandose a aplicação da penalidade com base no art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, caso esta seja a forma mais benéfica. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, que orientavam o Auto de Infração e a NFLD tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. §5º. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” (grifei) Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15936.000100/200737 Acórdão n.º 9202002.747 CSRFT2 Fl. 894 7 Assim, no caso em apreço, considerandose que houve exigência por meio de Auto de Infração (descumprimento de obrigação acessória, objeto do presente processo) e de NFLD (descumprimento de obrigação principal, noticiada no TEAF), foram aplicadas duas multas, no contexto de lançamento de ofício. Com efeito, o entendimentos desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e NFLD não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. As alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de unificar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, são as seguintes: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício, envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídica, de duas penalidades para a mesma conduta, o que conduz à interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que, na fase de execução desta decisão, se aplique a situação mais benéfica para o Contribuinte: a soma das duas multas, aplicadas no presente Auto de Infração e na NFLD correspondente; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15936.000100/200737 Acórdão n.º 9202002.747 CSRFT2 Fl. 895 9 Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Lian Haddad,Designado Em que pese o merecido respeito a que faz jus a Ilustre Relatora, peço vênia para dela discordar. Entendo que com o advento da Lei n. 11.941/2009 a multa pelo descumprimento de dever de apresentar corretamente a GFIP passou, por força da irretroatividade benigna, a ser regida pelo artigo 32A da Lei n. 8.212/1991, e não mais pelo antigo parágrafo 5º. Tal entendimento se aplica ainda que tenha havido, como no caso presente, exigência de contribuição previdenciária formalizada em NFLD relativa ao mesmo período. Neste diapasão, não compartilho do entendimento que passei a denominar de “cesta de multas”, segundo o qual a multa por descumprimento de obrigação acessória, lançada no presente auto de infração, deveria ser somada à multa por falta de recolhimento da contribuição, lançada na NFLD, para fins de comparação coma multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n. 9.430. Transcrevo a seguir o voto vencedor do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, nos autos do Processo nº 36378.002129/200615, cujos fundamentos adoto, verbis: “A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituem violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Isso é inquestionável. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, entendo que a penalidade para tal infração, a qual até então constava do § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Segundo penso, ainda que o contribuinte tenha pago integralmente as contribuições previdenciárias devidas, estará sujeito à penalidade pela ausência de apresentação ou pela entrega com omissões ou com incorreções da GFIP (artigo 32A da Lei n° 8.212/91). Por outro lado, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (citada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91) tem outra conotação, qual seja, as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 A redação do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Grifei) Portanto, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 é aplicável apenas na hipótese de haver tributo não pago, ao passo que a multa do artigo 32A da Lei n° 8.212/91 incide ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas. Pareceme ser escorreito afirmar que a DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Sob minha ótica, a penalidade lançada contra a contribuinte (§5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91) restou substituída pela multa prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Diante do exposto, na parte não atingida pela decadência, voto no sentido de que se calcule a penalidade devida pela contribuinte de acordo com a regra do artigo 32A da Lei n° 8.212/91.” Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Recorrente para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 10DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15936.000100/200737 Acórdão n.º 9202002.747 CSRFT2 Fl. 896 11 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11050.001516/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 02/09/2004 a 30/09/2004
ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. INOCORRÊNCIA.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração.
Recurso Voluntário Negado.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
Numero da decisão: 3102-001.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que acolhiam a arguição de ilegitimidade passiva e reconheciam a denúncia espontânea da infração. Fez sustentação oral o advogado Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24968.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/09/2004 a 30/09/2004 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. Recurso Voluntário Negado. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 02/09/2004 a 30/09/2004 MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/09/2004 a 30/09/2004 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 15 16 /2 00 9- 49 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que acolhiam a arguição de ilegitimidade passiva e reconheciam a denúncia espontânea da infração. Fez sustentação oral o advogado Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24968. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2/15), em que formalizada a aplicação da multa regulamentar, no valor de R$ 85.000,00, motivada pela prática de infração por não prestação de informação sobre carga transportada, tipificada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003. O fato motivador da autuação fora o registro extemporâneo, no Siscomex, dos dados de embarques de mercadorias exportadas, após o prazo de sete dias, fixado no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, conforme discriminado no tabela de fls. 5/10. Na peça impugnatória colacionada aos autos (fls. 19/22), a autuada alegou a improcedência da autuação, com base nos argumentos que foram assim resumidos no relatório integrante do acórdão recorrido: Por razões alheias à vontade da impugnante, como o atraso das informações que deveriam ser prestadas pelos exportadores, as referidas DDEs não puderam ser entregues dentro do prazo estabelecido. A conduta da impugnante (atraso) não se encontra tipificada, sendo punível somente a omissão na informação. Argüi denúncia espontânea. Por ser uma agente de navegação, não pode a impugnante ser penalizada com a penalidade em questão por não ser empresa transportadora internacional ou prestadora de serviço de Fl. 72DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 11050.001516/200949 Acórdão n.º 3102001.987 S3C1T2 Fl. 21 3 transporte internacional expresso portaaporta ou agente de carga. Em 19/8/2011, foi proferida a decisão primeira instância (fls. 37/39), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e mantido o crédito tributário exigido, sob o fundamento de que a recorrente havia registrado os dados de embarque fora do prazo determinado na legislação aduaneira, fato punível com a cobrança da multa regulamentar imposta. Em 17/2/2012 (fls. 44/45), a recorrente foi cientificada da decisão primeiro grau. Em 12/3/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 46/53, em que reafirmou as alegações aduzidas na fase impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preliminar de ilegitimidade passiva. Alegou a recorrente que a penalidade prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003, objeto do auto de infração em apreço, não podia serlhe cominada, pois era apenas agência de navegação ou agência marítima, representante da empresa transportadora internacional, mas não era a ela equiparada nem responsável solidária para fins tributários. É fato incontroverso que a recorrente era a representante do transportador estrangeiro, no País, consequentemente, era ela quem detinha a responsabilidade pelo registro, no Siscomex, dos dados das cargas embarcadas nos navios da empresa de navegação por ela representada. Logo, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática em tela, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...). Além disso, não se pode olvidar que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário com infração à lei, segundo determina o inciso II do art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] II os mandatários, prepostos e empregados; [...]. Portanto, na condição de agência marítima e mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter descumprido a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pessoalmente pela infração em apreço. Alem disso, é oportuno ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decretolei n° 37, de 1966, constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Assim, demonstrada a legitimidade passiva da recorrente, rejeitase a alegação de ilegitimidade passiva. Do mérito. No mérito, a controvérsia limitase à questão atinente à subsunção do fato imputado à recorrente à conduta abstrata descrita na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta aporta, ou ao agente de carga; e [...]. (grifos não originais) Tratase de norma penal em branco, cuja aplicação exige a complementação do seu conteúdo por outro diploma normativo de natureza administrativa, a ser expedido pelo Secretário da Receita Federal do Brasil (RFB). No caso, a norma complementar que determina o prazo de registro, no Siscomex, dos dados de embarque de mercadoria é o art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, Fl. 74DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 11050.001516/200949 Acórdão n.º 3102001.987 S3C1T2 Fl. 22 5 de 1994. Na data da infração, o prazo para o transportador registrar os referidos dados era dois dias prazo, contado da data da realização do embarque, conforme (redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005). A partir de 14/12/2010, data da vigência da Instrução Normativa SRF nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010, que deu nova redação ao referido artigo, o citado prazo foi alterado para sete dias e a ter a seguinte redação, in verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. [...] (grifos não originais) No caso, com base nos dados da tabela integrante do auto de infração (fls. 5/10), verificase que o registro dos dados de embarque, objeto da autuação em apreço, foram efetivados após o prazo de sete dias fixado na atual redação do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, o que exclui a possibilidade de aplicação da retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN. Com base nessas considerações, fica demonstrado que o fato imputado a recorrente subsumese perfeitamente à descrição da infração estatuída no art. 107, IV, “e”, do Decretolei nº 37, de 1966, com a nova redação da Lei nº 10.833, de 2003, portanto, não procede a alegação da recorrente de que o fato a ela atribuído era atípico. Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada e vinculação de manifesto à escala, após a atracação dos navios, fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, Fl. 75DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo Fl. 76DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 11050.001516/200949 Acórdão n.º 3102001.987 S3C1T2 Fl. 23 7 que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Da mesma forma, em situação análoga, relacionada ao descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária, caracterizada pelo atraso na entrega de declaração, a jurisprudência deste E. Conselho firmou o entendimento no sentido da inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, nos termos do enunciado da Súmula Carf nº 49, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No mesmo sentido, tem se firmado a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). Fl. 77DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 II Agravo regimental improvido. (STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Portanto, segundo o entendimento do STJ, o cumprimento extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória configura infração formal, não passível do benefício do instituto da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 138 do CTN, por se tratar de responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com esse mesmo entendimento, existem vários julgados do e. Tribunal Superior em que foi declarada a impossibilidade de aplicação dos benefícios da denúncia espontânea aos casos em que configurada a infração por atraso na entrega da declaração (DCTF, DIPJ etc). Com base nessas considerações, fica demonstrado que o efeito da denúncia espontânea da infração, previstos no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, não se aplica às infrações aduaneiras de natureza acessória, caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, em especial, a infração por informação extemporânea da carga descarregada em porto alfandegado do País, objeto da presente autuação. Da conclusão. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 78DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 10880.915903/2008-48
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/1999
PIS/PASEP E COFINS. RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000.
As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (por força do caput do artigo 14 da MP no 1.858-6, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.037-24 com a supressão do termo Zona Franca de Manaus de seu artigo 14, § 2o, inciso I (Medida Provisória 2.037-25, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000).
Recurso ao qual se nega provimento em vista da data do fato gerador objeto da lide.
Numero da decisão: 3802-001.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000. As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (por força do caput do artigo 14 da MP no 1.8586, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.03724 com a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I (Medida Provisória 2.03725, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000). Recurso ao qual se nega provimento em vista da data do fato gerador objeto da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 03 /2 00 8- 48 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9ª Turma da DRJ São Paulo I (fls. 45/52 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento a maior de COFINS relativo ao fato gerador de 30/06/1999. A DERAT São Paulo não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento apresentado como supedâneo do crédito (no valor de R$ 97.248,28 – código de receita 2172) teria sido utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega: a) que o presente pedido integra outros 90 (noventa) processos da empresa que abordam a mesma matéria, tendo sido apresentadas as mesmas razões de defesa e provas, razão pela qual requer a juntada dos autos de todos os processos, de forma que as defesas e provas sejam conjuntamente analisadas; b) invoca o princípio da verdade material, e afirma haver juntado a documentação necessária à comprovação do direito; e, c) que o crédito objeto da compensação teve origem em recolhimentos indevidos do PIS e da COFINS no período de abril de 1999 a fevereiro de 2004, haja vista que se tratavam de vendas para a Zona Franca de Manaus, e que por isso não geravam a respectiva obrigação ao recolhimento em face das disposições do DecretoLei nº 288/67, que equiparou referidas vendas a operações de exportação. Os argumentos apresentados pela reclamante, contudo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento, que, em síntese, entendeu que o sujeito passivo não apresentou prova suficiente à demonstração do direito creditório reclamado, e ainda, que o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 não albergava a isenção do PIS e da COFINS. Assim, referido colegiado julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada. Cientificada da referida decisão em 27/06/2011 (vide AR de fls. 54), a interessada, em 25/07/2011, apresentou recurso voluntário onde reitera que seu direito está amparado no artigo 4º do DecretoLei nº 288/67, c/c artigo 40 do ADCT. Reclama, também, a nulidade do acórdão vergastado por cerceamento ao seu direito de defesa, isso em vista da falta de clareza do acórdão e da esparsa e lacônica manifestação sobre a documentação juntada pela recorrente. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915903/200848 Acórdão n.º 3802001.991 S3TE02 Fl. 98 3 Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da admissibilidade do recurso e da reclamada nulidade da decisão de primeira instância O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. Inicialmente, analiso a reclamada nulidade do acórdão de primeira instância. A nulidade é embasada na alegada falta de clareza nos motivos que redundaram na negativa do recurso: se o indeferimento do pleito fora decorrente da não comprovação do crédito ou dada a inexistência de amparo legal para o pedido. Contudo, da leitura do acórdão de fls. 45/52, constatase que referida decisão está suficientemente motivada, uma vez que dela consta, explicitamente: a) na hipótese de a empresa se albergar nos institutos da isenção ou da alíquota zero, e a teor da Solução de Divergência COSIT nº 7/2006, que a isenção da COFINS não alcança os fatos geradores entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000 (vedação do inciso I do § 2º do artigo 14 da MP 1.8586, de 1999, e reedições até a MP 2.03724, de 2000); b) ainda com base na Solução de Divergência COSIT nº 7/2006, que somente a partir de 22 de dezembro de 2000, com a publicação da MP 2.037 25, atual MP 2.15835, a isenção da COFINS no caso de vendas para a Zona Franca de Manaus só alcançaria as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do artigo 14 da citada MP 2.15835; c) que, se admitido questionamento com base na imunidade, o mesmo deveria ser direcionado ao Poder Judiciário, a quem compete apreciar alegação de inconstitucionalidade, já que tal instituto é de natureza constitucional; e, d) que não foram apresentadas provas do indébito, não tendo sido, portanto, demonstrada a liquidez e a certeza do crédito necessárias à compensação tributária, a teor do artigo 170 do CTN. Portanto, a meu ver, o acórdão recorrido está devidamente fundamentado, razão pela qual não acolho o argumento em defesa da nulidade da decisão em tela. Do mérito Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 A presente lide é parte de um dos inúmeros processos da interessada em que esta questiona a incidência do PIS e da COFINS sobre a receita de vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Essa questão já foi analisada por esta Turma quando do julgamento do processo no 10920.000462/200350 (acórdão no 380200.312, de 08/12/2010), de onde reproduzo excertos do voto vencedor do Conselheiro Regis Xavier Holanda, abaixo transcrito: [...] A Medida Provisória no 1.8586, de 29/06/1999 e posteriores reedições até a Medida Provisória no 2.03724, de 23/11/2000 trazia as seguintes disposições de interesse: (omissis) Referida Medida Provisória foi então reeditada sob o n° 2.037 25, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000) – atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – apresentando modificação no texto normativo consistente na supressão das receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus do rol de hipóteses de exclusão das isenções conferidas. Vejamos: (omissis) Dessa forma, tenho como claro que o legislador, ao realizar a referida supressão da referência à Zona Franca de Manaus no texto normativo, conferiu sim, às vendas efetuadas a empresas estabelecidas nesta específica região marcada por incentivos fiscais especiais, a isenção tratada no caput e §1º do citado art. 14. Adequouse, então, a presente legislação à disciplina traçada pelo art. 4º do DecretoLei nº 288/67, in verbis: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ademais, é mister ainda destacar que no ínterim entre as Medidas Provisórias no 2.03724, de 23/11/2000 e n° 2.03725, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000), sobreveio, em 07/12/2000, decisão liminar unânime do pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos da ADIN nº 2.3489, deferindo medida cautelar com eficácia ex nunc para suspender a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do artigo 14, §2º, I da Medida Provisória nº 2.03724. Portanto, dada a cronologia em que os fatos aconteceram, pareceme também claro que o legislador teve ainda por intenção adequar o texto normativo à decisão do STF então vigente, só alterada em 10/02/2005 mediante decisão que declarou prejudicado o pedido por perda de objeto diante da ausência de aditamento à inicial por conta das sucessivas reedições da Medida Provisória atacada. Alfim, tendo em vista que a Medida Provisória nº 2.03725 suprimiu a hipótese de afastamento da isenção em relação às receitas de vendas para a ZFM, entendo que essa modificação (supressão de hipótese de afastamento da isenção) conjugada com o art. 4º do DL 288/67, implica a aplicação do art. 14, II (exportação de mercadorias para o exterior) para essas operações. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915903/200848 Acórdão n.º 3802001.991 S3TE02 Fl. 99 5 Em sentido semelhante já decidiram os então Conselhos de Contribuintes: Acórdãos 20216587, de 19/10/2005; 20179407, de 29/06/2006 e 20218132, de 20/06/2007. [...] No mais, voto ainda para, a partir de 22 de dezembro de 2000 – data de publicação da MP nº 2.03725 (atual MP no 2.15835, de 2001), considerar isentas da contribuição para o PIS, as vendas efetuadas a empresa situada na Zona Franca de Manaus. De fato, a real intenção que motivou a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I, do § 2o, do artigo 14 da Medida Provisória no 2.037, foi a de, efetivamente, excluir da incidência do PIS e da COFINS as vendas realizadas para empresas sediadas na referida área de livre comércio. Aliás, considerando que o legislador não emprega expressões inúteis, o fato de a redação original da Medida Provisória no 2.037 contemplar os termos “Zona Franca de Manaus” e “área de livre comércio” revela que o poder legiferante, na ocasião, para fins de tutela pela referida legislação, entendera como distintas as regiões comerciais em tela. Assim, posteriormente, a supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do dispositivo que excluía referida área do âmbito de isenção do PIS e da COFINS demonstra que o legislador, com tal conduta, buscou realmente isentar das contribuições em evidência as vendas realizadas para a referida região. Portanto, deverão ser consideradas como isentas do PIS e da COFINS as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus a partir da publicação da Medida Provisória no 2.03725, ou seja, em 22/12/2000. Contudo, o caso em exame diz respeito a questionamento quanto à isenção da COFINS sobre as receitas de vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus no mês de junho de 1999, período em que não havia amparo legal à isenção em tela. Sobre o problema, comungo com as razões de decidir do conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi nos autos do processo nº 10880.915907/200826, que representa um dos processos da recorrente que tratou da mesma questão abordada na presente lide, julgado em 20/08/2013 (acórdão nº 3802001.942): De todo modo, há normas infraconstitucionais de observância irrefutável pelo CARF que trazem regramento jurídico distinto da imunidade. E, como se sabe, a Súmula nº 2 do CARF impede que se avalie a constitucionalidade dessas normas, que em última análise afetam a permissibilidade de exclusão, ou não, dessas receitas da base de cálculo de PIS e COFINS. Referidas normas estavam contidas, durante o período compreendido pelos casos trazidos à lume, pela Medida Provisória 2037, a qual, em sua redação original e em vinte e quatro reedições posteriores, dispôs que não estavam abarcadas por isenção as receitas oriundas de vendas para a Zona Franca de Manaus, “a partir de 1o de fevereiro de 1999” (redação do § 2o do art. 14). Essa redação somente veio a ser modificada diante de decisão do STF na ADINC 2348, cujo mérito terminou não sendo julgado por perda de objeto da ação direta. A decisão, que afastava com efeitos ex nunc a aplicação da norma acima sobre as receitas decorrentes de vendas para a Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Zona Franca de Manaus, levou o governo federal a, na vigésima quinta reedição da MP 2037, considerar isentas também as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. E a rigor, a interpretação de que a isenção estava concedida à Zona Franca de Manaus se deu por supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do rol de vedações à aplicação da isenção constante do art. 14 da MP 2037. Passavase, então, a reconhecer que a isenção para a ZFM estava compreendida no inciso II do art. 14, o qual dispunha sobre a exportação de mercadorias para o exterior. Esforço interpretativo conjunto com o art. 40 do ADCT, portanto (e que, frisese, remete à imunidade do art. 149 da CRFB, não a isenção). De todo modo, em termos infraconstitucionais o que se tem é: somente se isentaram as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS a partir de dezembro de 2000, pois o início da vigência da MP 203725 ocorreu no dia 21 daquele mês. Importante destacar que não entendo que a isenção tenha sido concedida em caráter retroativo a 1o de fevereiro de 1999, como defendem alguns diante de uma leitura fria do caput do art. 14 da MP 203725. A rigor, a alteração legislativa que suprimiu a vedação à isenção das vendas para a Zona Franca de Manaus deve ser apreciada em conjunto com a própria decisão do STF, que suspendeu a aplicação da MP 2037, em reedição anterior, com efeitos ex nunc na ADINC 2348. A disposição do caput tratando do dia 1o de fevereiro de 1999 existe desde a edição originária da MP 2037. Assim, o fato de reedição posterior da MP permitir uma leitura apriorística de que, desde fevereiro de 1999, não havia vedação à isenção, não significa que ocorra uma exótica “isenção retroativa”. Afinal, tratase da mesma MP 2037, que, pelas regras constitucionais vigentes à época, podia ser reeditada quantas vezes fossem necessárias. De todo modo, ao menos em tese os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório, restando prejudicada a análise de todo o remanescente – inclusive a prova dos autos. Assim, as receitas decorrentes das vendas para a Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (conforme caput do artigo 14 da MP no 1.8586, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da referida Medida Provisória em que houve a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I – MP 2.03725). Consequentemente, como o crédito aduzido diz respeito ao mês de junho de 1999, resta claro que não há fundamento legal que ampare o direito creditório pelo reclamado pagamento da COFINS em vista de vendas para a Zona Franca de Manaus. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915903/200848 Acórdão n.º 3802001.991 S3TE02 Fl. 100 7 Da conclusão Com estas considerações, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 24 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100152/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS ACUMULADOS DE ICMS. TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os valores provenientes do recebimento pela cessão onerosa de créditos de ICMS acumulados em conta gráfica pelo contribuinte exportador, revestem-se da natureza jurídica de recuperação de custos, e, como tal, não podem ser tratados como receita para fins de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS não cumulativas, conforme inclusive, é o entendimento pacificado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em sede de Repercussão Geral (Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, sessão de 22/5/2013). Aplicação do art. 62-A do RI- CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Votou pelas conclusões o conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
(Assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Susbstituto.
(Assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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NÃO CUMULATIVIDADE. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS ACUMULADOS DE ICMS. TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores provenientes do recebimento pela cessão onerosa de créditos de ICMS acumulados em conta gráfica pelo contribuinte exportador, revestem se da natureza jurídica de recuperação de custos, e, como tal, não podem ser tratados como receita para fins de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS não cumulativas, conforme inclusive, é o entendimento pacificado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em sede de Repercussão Geral (Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, sessão de 22/5/2013). Aplicação do art. 62A do RI CARF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Votou pelas conclusões o conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. (Assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Susbstituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 01 52 /2 00 9- 10 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11065.100152/200910 Acórdão n.º 3402002.196 S3C4T2 Fl. 166 3 Relatório Versam estes autos de Pedido de Ressarcimento em relação aos períodos de apuração 01/10/2008 a 31/12/2008, mediante o qual o contribuinte tem a pretensão de reaver o montante, atualizado, de R$1.480.749,76 (um milhão, quatrocentos e oitenta mil, setecentos e quarenta e nove reais e setenta e seis centavos), relativos a valores pagos a título de Cofins dos quais tem direito de crédito sobre as operações de exportação de mercadorias para o exterior. A DRF/Novo Hamburgo RS, com base em planilhas elaboradas pelo próprio sistema do Serviço de Fiscalização, reconheceu parcialmente direito creditório do contribuinte no montante de 1.389.103,18 (um milhão trezentos e oitenta e nove mil, cento e três reais e dezoito centavos) (fls. 84 – n.e.), por meio do Despacho Decisório DRF/NH)/2009 (fls. 85 – n.e.), no qual também glosou o valor de R$91.646,58, referente a cessão de créditos de ICMS acumulados pelo contribuinte, sob o fundamento de que as receitas decorrentes das transferências de créditos do ICMS não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, por falta de previsão legal, lavrando o Auto de Infração de (fls. 82 n.e). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório em 18/09/2009, conforme AR de fls. 98 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 99/110), aduzindo, em síntese, que o montante do ICMS registrado no ativo da Recorrente cujo foi utilizado para pagamento a fornecedores de matériaprima, não se constitui receita, razão pela qual não pode ser mantida a decisão que glosou parcialmente pedido de ressarcimento de créditos da Cofins. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), houve por bem em considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, proferido Acórdão nº. 1024.254, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 Ementa: BASE DE CÁLCULO, TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7º, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em apertada síntese a DRJ competente para o julgamento entendeu que o procedimento realizado pela Recorrente não encontra respaldo na legislação vigente, visto que a operação ora discutida não se enquadra no pequeno rol de hipóteses de exclusão da base de cálculo da contribuição previstas na legislação, pelo que conclui no sentido de que as receitas provenientes de transferências de créditos de ICMS não podem ser excluídas da base de cálculo da Cofins. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 20/07/2010, conforme AR de fls. 148 – n.e., o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 149/161) em 11/08/2010, repisando os mesmos argumentos já levantados em sede de Manifestação de Inconformidade, que por respeito à brevidade, não os repetirei. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 164 (cento e sessenta e quatro), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11065.100152/200910 Acórdão n.º 3402002.196 S3C4T2 Fl. 167 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela Recorrente. A querela discutida nestes autos referese à inclusão dos valores provenientes da cessão onerosa, feita pela Recorrente à terceiros, de créditos acumulados de ICMS que o contribuinte mantinha em sua contabilidade em função de suas receitas decorrerem preponderantemente de operações de exportação. A Administração, ao analisar ao pleito de ressarcimento, glosou parte dos créditos acumulados de COFINS não cumulativa, ao entendimento de que o contribuinte deixar de incluir na respectiva apuração, os valores que recebera em função das transferências de créditos de ICMS que fizera a terceiros, o que no seu sentir seria um procedimento incorreto pois que tratarseia de receita tributável. Por seu turno, a Recorrente sustenta trataremse referidos valores de mera recomposição de custos, e que não deveria compor a base de cálculo do tributo em questão, citando vasta jurisprudência e requerendo o provimento de seu recurso. Adentrando ao mérito da causa, de pronto se vê que não se trata de matéria nova, em que já se debateu profundamente a natureza jurídica do ICMS contido na conta gráfica do sujeito passivo, e sua aptidão de geração de receitas. Posicionome no sentido de que as pessoas jurídicas, quando adquirem seus insumos gravados com o ICMS, e sobre os quais possua direito ao desconto dos créditos, há uma redução do custo real do insumo adquirido, pois que em verdade o preço que está sendo pago, precariamente, está sujeito a sofrer “recuperação” quando o contribuinte efetuar a operação subsequente, de venda, gravada pela incidência do mesmo ICMS, ocasião em que recuperará o valor “antecipado” aos cofres públicos por ocasião da aquisição do insumo. Daí porque as normas contábeis e fiscais são unânimes em determinar o registro contábil do ICMS em conta separada do custo/estoques, pena de “inflar” o custo dos produtos vendidos, reduzindo, consequentemente, o lucro da entidade, base de cálculo dos tributos que sobre essa grandeza – lucro – incidem. Ocorre, no entanto, que as empresas exportadoras acabam não realizando operações de venda gravadas pelo ICMS, por imunidade constitucional, visando com isso, tornar o produto nacional competitivo no mercado internacional, atraindo divisas ao país e positivando nossa “balança comercial”. Em função deste desígnio constitucional, os créditos oriundos das aquisições de insumos feitas pelo exportador, acabam se acumulando em sua “conta gráfica”, submetendo os contribuintes aos procedimentos (normalmente morosos) de obterem junto às Fazendas Estaduais o direito de transferirem referidos saldos credores a terceiros, e, com isso, efetivamente “recuperarem” aqueles custos que tiveram no momento da aquisição dos insumos. Ou seja, não tivessem a opção de transferência onerosa dos créditos acumulados a terceiros, os créditos de ICMS jaziriam em sua escrita, tornandose verdadeiramente em “custo” de produção, transmudando o ICMS em tributo cumulativo, e, como tal, contrariando a Constituição Federal (art. 155). Fl. 169DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 Desta forma, o procedimento de transferência onerosa de ICMS, desde que o seja por valor igual ou menor que o chamado “valor de face” dos créditos, não possui natureza jurídica de receita ou de acréscimo patrimonial a empresa, mas única e tão somente, de recuperação do custo tributário que o contribuinte “antecipou” quando da aquisição dos insumos empregados no processo industrial, não se caracterizando como “receita” da pessoa jurídica, mas de mera recomposição patrimonial a realizar o desígnio constitucional da não cumulatividade. Nesse sentido, aliás, são pertinentes as palavras de Edmar Andrade, que sobre a conceituação de receita, após citar lição de Geraldo Ataliba, posicionase no seguinte modo: "(...) Para Geraldo Ataliba, a receita não se confunde com a mera movimentação de valores (dinheiro), verbis: 'O conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo dinheiro que ingressa nos cofres de entidade. Nem toda entrada é uma receita. Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que o recebe.” O conceito jurídico de 'receita' não destoa daquele adotado no âmbito das Ciências Contábeis, nada obstante, este abrange também as reduções de passivos, ou não há um ingresso em sentido positivo; existe um ingresso em sentido negativo porque os valores não sairão do patrimônio social. De fato, em antigo pronunciamento, o Instituto Brasileiro de Contadores IBRACO estabeleceu que: 'Receita corresponde a acréscimos nos ativos e decréscimos nos passivos, reconhecidos e medidos em conformidade com princípios de contabilidade geralmente aceitos, resultantes dos diversos tipos de atividades e que possam alterar o patrimônio líquido.' Acréscimos nos ativos e decréscimos nos passivos, designados como receita, são relativos a eventos que alteram bens direitos e obrigações. Receita, entretanto, não inclui todos os acréscimos nos ativos ou decréscimos nos passivos. Recebimento de numerário por venda a dinheiro é receita, porque o resultado líquido da venda não implica em alteração do patrimônio líquido. Por outro lado, o recebimento de numerário por empréstimo tomado ou o valor de um ativo comprado a dinheiro não são receita, porque não alteram o patrimônio líquido. Esse conceito de receita não pode ser compreendido em divórcio com o princípio da capacidade contributiva que está submetido ao cânone da supremacia das normas constitucionais e da máxima efetividade, dado que a sua função primordial é a proteção de direitos fundamentais. Pois bem, o adjetivo 'auferida' traduz a idéia de algo que é percebido, ou seja, que é transformado em dinheiro ou bem econômico equivalente, vale dizer, imediatamente conversível em dinheiro. Receita auferida é, portanto, um acréscimo patrimonial juridicamente qualificado; é aquele em que a prestação já está satisfeita. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11065.100152/200910 Acórdão n.º 3402002.196 S3C4T2 Fl. 168 7 Quisesse a lei tomar o termo receita com a significação que ele tem, por exemplo, no contexto da legislação do imposto de renda, não teria feito a qualificação que ostensivamente fez e vem confirmando ao longo do tempo. Em decorrência, para fins de incidência às contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não basta que a pessoa jurídica tenha receita; é imprescindível que aufira os efeitos do negócio jurídico que lhe deu causa. Um dos efeitos das obrigações em geral é o pagamento; para a caracterização da receita auferida é necessário que ocorra o pagamento em dinheiro ou bem com funções imediatas equivalentes.” (ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. PIS COFINS, Questões Atuais e Polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, pág. 219/221). Corroborando a lição de que é essencial à configuração da "receita" a existência de um elemento novo que passe a compor o patrimônio líquido da entidade, também Aliomar Baleeiro, quanto ao conceito de "receita" propriamente dita, assim se manifestou: "(...) Nem todos os valores que entram nos cofres das empresas são receitas. Os valores que transitam pelo caixa das empresas (ou pelos cofres públicos) podem ser duas espécies: os que configuram receitas e os que se caracterizam como meros ingressos (que, na ciência das finanças, caixa). Receitas são entradas que fortificam o patrimônio da empresa incrementandoo." (In uma Introdução à Ciência das Finanças, Forense, 1976, p. 130). Noutras palavras, para que haja a incidência de PIS ou COFINS, não basta que a pessoa jurídica tenha faturamento que lhe reverta as respectivas “receitas”, entendidas estas de acordo com a normatização contábil, ou mesmo que ingressem valores em seu caixa ou na conta contábil “Banco”, mas também é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas pela entidade de modo a incrementar positivamente seu patrimônio líquido. Seria o caso de cessão onerosa de créditos de ICMS com ágio, o que, convenhamos, não é lógico e nem a praxe do “mercado”, que certamente paga “deságio” pelos créditos de ICMS adquiridos de terceiros, até pelos riscos que tais operações naturalmente podem oferecer. Assim, tenho que os ingressos provenientes das cessões onerosas de saldos credores de ICMS a terceiros, auferidos pelo exportados, não possuem natureza jurídica de receita, e, como tal, não compõem a base de calculo da contribuição em análise. Neste sentido, destaco os seguintes excertos deste Conselho: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ALTERAÇÃO NA PARCELA DO DÉBITO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 A cessão de ICMS gerado de operações de exportação anteriormente registrado como encargo tributário não materializa ingresso de elemento novo. O aumento do resultado do exercício da pessoa jurídica no momento da recuperação do custo tributário provem o retorno à situação patrimonial anterior, não reunindo condições de qualificála no conceito de receita.” (CARF – 3ª Turma Especial – 3ª Seção – Acórdão nº 380300.770 – Rel. Designado Cons. Belchior Melo de Souza – j. 30.09.2010) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS PerÍodo de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COFINS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS A TERCEIROS. Não incide Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita.” (CARF – 4ª Câmara – 3ª Turma Ordinária – 3ª Seção – Acórdão nº 340300.707 – Rel. Winderley Morais Pereira – j. 28.10.2010) Esse, aliás, foi o entendimento recentemente sufragado pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, em sessão Plenária de 22 de maio de 2013, ao julgar o RE nº 606.107/RS, de Relatoria da Ministra Rosa Webber, que em procedimento submetido à repercussão geral houve por bem em reconhecer a inconstitucionalidade da incidência da tributação pelo PIS e pela COFINS, sobre os valores oriundos da transferência de créditos de ICMS (publicado no Informativo Semanal do STF de nº 707). Em face do julgamento proferido pelo STF, acabam sendo sepultadas as discussões que a respeito poderiam remanescer sobre a temática, sendo que nos termos do art. 62A, do RICARF, cabe a essa Turma julgadora aplicar o referido entendimento, como, inclusive, já vem decidindo esse Colegiado: “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 31/01/2008, 01/03/2008 a 31/05/2008, 01/07/2008 a 31/07/2008 CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO. É inconstitucional a incidência da contribuição para PIS e Cofins não cumulativas sobre os valores recebidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS (Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, sessão de 22/5/2013). Aplicação do art. 62A do RI CARF.” (CARF – 2ª Câmara – 2ª TO – 3ª Seção Acórdão nº 3202000.779 – Rel. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza – j. 25.06.2013) Cabe ainda mencionar que, não fosse pelo entendimento pacificado sobre a matéria, ainda caberia, segundo entendo, a aplicação retroativa do preceito contido nos arts. 7º, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008, pois que, embora vigente para períodos a partir de janeiro de 2009, tenho que essa normatização aplicase a atos ou fatos pretéritos, não definitivamente julgados (como é o caso em curso), pois que deixou de considerar os valores provenientes da transferência onerosa de créditos de ICMS como de Fl. 172DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11065.100152/200910 Acórdão n.º 3402002.196 S3C4T2 Fl. 169 9 exclusão obrigatória na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, e, portanto, se lhe aplica o preceito da alínea “b”, do inciso II, do art. 106, do CTN. Assim sendo, por todos os ângulos que se aprecia a questão, concluo que os valores glosados pela Administração, provenientes da cessão onerosa de crédito de ICMS acumulados pela Recorrente em sua conta gráfica em virtude das operações de exportações que realizou, não se configuram como receita, e, portanto, merece guarida o pleito do contribuinte. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para afastar a glosa dos créditos decorrentes da inclusão dos valores das cessões onerosas de créditos de ICMS nas bases de cálculo da contribuição em análise. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 173DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
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Numero do processo: 13896.908860/2008-63
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO Trata o presente de Recurso Voluntário contra a cobrança de débitos federais vinculados ao Per/Dcomp objeto de julgamento no processo administrativo fiscal nº 13896.904035/200890, cujo direito creditório pleiteado pela recorrente foi apreciado nesta mesma sessão de julgamento – Acórdão nº 1801001.627 (a ser anexado digitalmente). Consta dos autos despacho para a apensação deste processo àquele, principal, bem como nota digital, às efls. , mas tal procedimento não foi efetuado pelo que o presente foi distribuído por sorteio para a apreciação por esta ConselheiraRelatora. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 08 86 0/ 20 08 -6 3 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.908860/200863 Resolução nº 1801000.290 S1TE01 Fl. 3 2 VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Não havendo direito creditório a ser reconhecido nos autos, foge ao escopo deste órgão julgador pronunciarse sobre o débito tributário, por ser valor confessado pela recorrente, ainda que alegue ser indevido. Tratandose de confissão de dívida realizada de forma unilateral pelo contribuinte, não há que se falar em instauração de litígio, quando o contribuinte se arrepende de valores que espontaneamente confessou como devidos ao fisco. Não há, pois, litígio administrativo, mas solicitação de cancelamento da cobrança dos débitos confessados pela contribuinte – daí que o rito processual não é o previsto pelo Decreto nº 70.235/72 – PAF, mas segue o rito previsto na Lei nº 9.784/99 (processos administrativos em geral). A competência para julgar o cancelamento do Per/Dcomp regularmente emitido eletronicamente, ou cobrança de débitos correspondentes, é da unidade de jurisdição da recorrente. A decisão cabe às autoridades com competência para processar as declarações entregues, ou seja, em primeira instância as unidades de jurisdição do contribuinte (DRF Delegado) e em segunda instância a autoridade hierárquica superior (Superintendência da Região Fiscal – SRRF). Dispõe o artigo 302, inciso XI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012: Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e Inspetores Chefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: [...]XI decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações; O processo de cobrança dos débitos confessados nos Per/Dcomp é decorrente do processo em que se discute o direito creditório pleiteado para a quitação (compensação) destes débitos e deve seguir a sorte do principal, por isso, deve ser apensado àquele. Pelo exposto, voto em converter o julgamento do presente na realização de diligência para apensálo ao processo principal citado no início do relatório. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19839.002092/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.281
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire
Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landin e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landin e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 98 39 .0 02 09 2/ 20 11 -0 7 Fl. 878DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19839.002092/201107 Resolução nº 2401000.281 S2C4T1 Fl. 814 2 Relatório ORGANIZAÇÃO SANTAMARENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em São Paulo/SP Sul, DN nº 21.004/0614/2004, às fls. 463/482, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 08/2000 a 04/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 294/311. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 13/07/2004, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 97.544.219,91 (Noventa e sete milhões, quinhentos e quarenta e quatro mil, duzentos e dezenove reais e noventa e um centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, a contribuinte ao promover o recolhimento das contribuições previdenciárias informava em GFIP o código FPAS relativo de entidades filantrópicas que fazem jus ao benefício da isenção da cota patronal, nos termos do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, quando o correto seria fazer constar das guias de recolhimento os Códigos pertinentes aos estabelecimentos hospitalares, estabelecimentos de ensino e atividades assistenciais, gerando uma diferença entre os tributos devidos e os efetivamente recolhidos, ensejando a constituição do presente crédito previdenciário. Informa, ainda, o fiscal autuante que a contribuinte não detém a isenção da cota patronal, adotando como razões do lançamento o resultado da diligência preliminar determinada pela 4a Caj do CRPS, Despachos n°s 231 e 232/2003, nos autos dos processos NFLD’s n°s 30.891.8622, 31.186.9750, 31.697.8876, 31.697.9090, 31.697.9714, 31.697.9112, 31.697.9120, 32.298.2251, 32.383.5325, 32.383.5333, 32.383.5384, 32.384.3794, 32.384.3824, 32.384.3875, 35.223.2692, 35.223.2714 e 35.223.2722, cujo excerto fora transcrito no Relatório Fiscal, explicitando todo o histórico da contribuinte quanto aos pedidos de isenção formulados e, bem assim, ao não cumprimento dos requisitos de referido benefício legal. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 492/544, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, diante da vinculação do presente lançamento aos recursos submetidos a julgamento perante o então Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, como demonstrado no item 2.1.2 do Relatório Fiscal, requer seja este recurso processado e julgado conjuntamente com aquele supra referido, que encontrase na 4ª CAJ em fase final, vez que ambos giram em torno da isenção que a recorrente goza das contribuições sociais, Fl. 879DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19839.002092/201107 Resolução nº 2401000.281 S2C4T1 Fl. 815 3 relativas a cota patronal, questão esta, repitase, pendente julgamento em última instância administrativa. Após breve relato das fases processuais, das atividades desenvolvidas pela recorrente, além dos conceitos e evolução da legislação que contempla imunidade e/ou isenção, assevera que, na condição de Entidade de Assistência Social, nos termos do artigo 6º da CF, é isenta das contribuições previdenciárias para a seguridade social, conforme preceitos contidos no artigo 195, § 7º, da Carta Magna. Contrapõese ao crédito previdenciário ora combatido, aduzindo para tanto que a entidade goza de imunidade em relação à cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, não sendo possível à constituição do presente débito, mormente quando observados todos os pressupostos legais para usufruto de referida benesse fiscal, tendo em vista ser entidade declarada de utilidade pública municipal e federal, dispondo do Certificado de Inscrição no Conselho Estadual de Assistência Social e do CEBAS. Em defesa de sua pretensão, sustenta que a recorrente preenchia todos os requisitos constantes da legislação de regência para o gozo da isenção contemplada pela Lei n° 3.577/1959, quais sejam, ser portadora do título de utilidade pública e não remunerar diretores, possuindo, portanto, direito adquirido da isenção, na forma que garante o DecretoLei n° 1.572/1977. Opõese ao lançamento, trazendo à colação vasta argumentação a propósito da pretensa isenção da contribuinte, aplicável as entidades que atuam nos ramos da educação e saúde, elencando o histórico de suas atividades, sustentando que a entidade cumpre todos os requisitos exigidos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, como se verifica das razões de fato e de direito transcritas em sua peça recursal, corroborada pela documentação acostada aos autos, sendo totalmente improcedente o lançamento em epígrafe. Infere que, ao contrário do que as autoridades lançadora e julgadora de primeira instância pretendem fazer crer, a recorrente não remunera os seus diretores no exercício deste cargo, mas tão somente, no exercício de serviço específico para a instituição educacional, na entidade mantida. Alega que a contribuinte fora beneficiada pela remissão do crédito tributário, inscrita na Lei n° 9.249/1995, por se tratar de entidade em pleno cumprimento dos requisitos constantes do artigo 55 da Lei n° 8.212/91. A fazer prevalecer seu entendimento, defende que a alegação de que a OSEC não preenchia os requisitos da lei para o gozo do direito adquirido não procede, pois, conforme comprovado possui o CEFF desde 1974, expedido pelo antigo CNSS, tendo sido o mesmo renovado em 3 de janeiro de 1978 e substituído pelo certificado em 4 de agosto de 1992, com o julgamento do processo n° 239.978/74. Neste sentido, restando comprovada a condição de entidade isenta, em face do direito adquirido, somente poderia ser exigido o presente crédito previdenciário na hipótese de emissão de ato cancelatório, consoante prescreve as normas legais que regulamentam a matéria, inclusive atos da própria receita previdenciária. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19839.002092/201107 Resolução nº 2401000.281 S2C4T1 Fl. 816 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19839.002092/201107 Resolução nº 2401000.281 S2C4T1 Fl. 817 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos autos, o presente lançamento encontrase arrimado no reenquadramento do código FPAS da contribuinte, uma vez se autoenquadrar como entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, condição rechaçada pela autoridade lançadora, que a enquadrou no FPAS relativo à atividade preponderante da empresa, ensejando a constituição do crédito previdenciário decorrente da diferença de contribuições apurada. Em outras palavras, por se considerar entidade isenta, a recorrente não vinha recolhendo a cota patronal das contribuições previdenciárias, o que não fora considerado pela fiscalização, lançando, por conseguinte, referidos tributos. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em comento, suscitando deter imunidade da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, c/c artigo 55 da Lei n° 8.212/91, notadamente quando sempre cumpriu os requisitos para concessão e manutenção de referido benefício, estando o procedimento fiscal apoiado em arbitrariedade sem qualquer fundamento legal e/ou motivação. A corroborar esse entendimento, sustenta que a entidade preenchia todos os requisitos constantes da legislação de regência para o gozo da isenção contemplada pela Lei n° 3.577/1959, quais sejam, ser portadora do título de utilidade pública e não remunerar diretores, possuindo, portanto, direito adquirido da isenção, na forma que garante o DecretoLei n° 1.572/1977. Infere que, ao contrário do que as autoridades lançadora e julgadora de primeira instância pretendem fazer crer, a recorrente não remunera os seus diretores no exercício deste cargo, mas tão somente, no exercício de serviço específico para a instituição educacional, na entidade mantida. Alega que a contribuinte fora beneficiada pela remissão do crédito tributário, inscrita na Lei n° 9.249/1995, por se tratar de entidade em pleno cumprimento dos requisitos constantes do artigo 55 da Lei n° 8.212/91. Defende que a alegação de que a OSEC não preenchia os requisitos da lei para o gozo do direito adquirido não procede, pois, conforme comprovado, possui o CEFF desde 1974, expedido pelo antigo CNSS, tendo sido o mesmo renovado em 3 de janeiro de 1978 e substituído pelo certificado em 4 de agosto de 1992, com o julgamento do processo n° 239.978/74. Neste sentido, restando comprovada a condição de entidade isenta, em face do direito adquirido, somente poderia ser exigido o presente crédito previdenciário na hipótese de emissão de ato cancelatório, consoante prescreve as normas legais que regulamentam a matéria, inclusive atos da própria receita previdenciária. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19839.002092/201107 Resolução nº 2401000.281 S2C4T1 Fl. 818 6 Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos se fixa em analisar se a recorrente, de fato e de direito, se caracteriza como entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, na forma que pretende fazer crer. Não obstante as substanciosas alegações de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo processo administrativo fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da demanda nesta oportunidade, senão vejamos. Destarte, a autoridade lançadora ao desconsiderar a condição de isenta da entidade recorrente, adotou como razões do lançamento o resultado da diligência preliminar determinada pela 4a Caj do CRPS, Despachos n°s 231 e 232/2003, nos autos dos processos NFLD’s n°s 30.891.8622, 31.186.9750,31. 697.8876, 31.697.9090, 31.697.9714, 31.697.9112, 31.697.9120, 32.298.2251, 32.383.5325, 32.383.5333, 32.383.5384, 32.384.3794, 32.384.3824, 32.384.3875, 35.223.2692,35.223.2714 e 35.223.2722, cujo excerto fora transcrito no Relatório Fiscal, explicitando todo o histórico da contribuinte quanto aos pedidos de isenção formulados e, bem assim, ao não cumprimento dos requisitos de referido benefício legal. Por sua vez, a própria contribuinte em suas alegações recursais, preliminarmente, suscita que, diante da vinculação do presente lançamento aos recursos submetidos a julgamento perante o então Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, como demonstrado no item 2.1.2 do Relatório Fiscal, seria imperioso este recurso ser processado e julgado conjuntamente com aquele supra referido, que encontrase na 4ª CAJ em fase final, vez que ambos giram em torno da isenção que a recorrente goza das contribuições sociais, relativas a cota patronal, questão esta, repitase, pendente julgamento em última instância administrativa. De fato, o próprio fiscal autuante vinculou os fundamentos da notificação as NFLD’s acima mencionadas, trazendo à colação os argumentos da autoridade fazendária no sentido de manter os créditos previdenciários ali exigidos, escorando a pretensão fiscal no resultado da diligência preliminar determinada naqueles autos, tendo, inclusive, transcrito ipsis litteris os termos de aludida diligência no Relatório Fiscal. Neste sentido, impende esclarecer qual fora o julgamento final, se for o caso, levado a efeito nos autos das NFLD’s n°s 30.891.8622, 31.186.9750, 31.697.8876, 31.697.9090, 31.697.9714, 31.697.9112, 31.697.9120, 32.298.2251, 32.383.5325, 32.383.5333, 32.383.5384, 32.384.3794, 32.384.3824, 32.384.3875, 35.223.2692,35. 223.2714 e 35.223.2722, ou mesmo o andamento processual de cada uma das Notificações Fiscais, de maneira a auxiliar no julgamento da presente demanda, sobretudo por representar, a princípio, os mesmos fatos. Mais a mais, diante da transferência da competência do CRPS para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para julgamento de processos contemplando exigências previdenciárias, com a unificação das Receitas Federal do Brasil com a Receita Previdenciária, não se pode descartar a possibilidade de alguma daquelas NFLD’s estar ainda pendente de julgamento neste Colegiado, o que poderia determinar a conexão com o presente processo para julgamento em conjunto. Por todo o exposto, diante das razões de fato e de direito acima esposadas, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Fl. 883DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19839.002092/201107 Resolução nº 2401000.281 S2C4T1 Fl. 819 7 autoridade fazendária competente informe o andamento das Notificações Fiscais supratranscritas, com o respectivo resultado dos julgamentos administrativos, se for o caso, em face da íntima relação de causa e efeito que vincula este processo àquelas NFLD’s. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10680.012417/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. SUSTENTAÇÃO ORAL.
É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), dentre as quais não se insere o direito à sustentação oral na primeira instância.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. ALCANCE.
A isenção de que trata o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 1988, somente alcança os proventos de aposentadoria e pensão dos portadores de moléstia grave, não se estendendo aos demais rendimentos recebidos pelo portador de moléstia grave.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA.
É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1°, itens II e III, da Lei n° 9.430, de 1996).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, reduzir a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas para R$ 161.654,79 e cancelar a multa exigida isoladamente, nos termos do voto da relatora.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 30/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. SUSTENTAÇÃO ORAL. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), dentre as quais não se insere o direito à sustentação oral na primeira instância. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. ALCANCE. A isenção de que trata o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 1988, somente alcança os proventos de aposentadoria e pensão dos portadores de moléstia grave, não se estendendo aos demais rendimentos recebidos pelo portador de moléstia grave. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1°, itens II e III, da Lei n° 9.430, de 1996). JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010) Recurso Voluntário Provido em Parte
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SUSTENTAÇÃO ORAL. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), dentre as quais não se insere o direito à sustentação oral na primeira instância. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. ALCANCE. A isenção de que trata o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 1988, somente alcança os proventos de aposentadoria e pensão dos portadores de moléstia grave, não se estendendo aos demais rendimentos recebidos pelo portador de moléstia grave. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1°, itens II e III, da Lei n° 9.430, de 1996). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 24 17 /2 00 8- 22 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012417/200822 Acórdão n.º 2102002.682 S2C1T2 Fl. 330 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010) Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, reduzir a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas para R$ 161.654,79 e cancelar a multa exigida isoladamente, nos termos do voto da relatora. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 30/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra MURILO BECHARA foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/10, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao ano calendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 103.892,40, incluindo multa de ofício, proporcional e isolada, e juros de mora, estes últimos calculados até 29/08/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 11/17, foram omissão de rendimentos (honorários advocatícios) recebidos de pessoas físicas e falta de recolhimento do IRRF devido a título de carnêleão. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012417/200822 Acórdão n.º 2102002.682 S2C1T2 Fl. 331 3 No Termo de Verificação Fiscal restou consignado que a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas foi identificada mediante cruzamento entre os dados relativos aos pagamentos efetuados a Murilo Bechara, relacionados por pessoas físicas no quadro 7 (Relação de Doações e Pagamentos Efetuados) de suas Declaração de Ajuste Anual (DAA) e os valores oferecidos à tributação pelo sujeito passivo. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 276/285, que foi considerada procedente em parte pela autoridade julgadora de primeira instância, para excluir da tributação a quantia de R$ 477,00 e reduzir a multa isolada para R$ 21.624,23. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 24/08/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 311, o contribuinte apresentou, em 22/09/2011, recurso voluntário, fls. 317/326, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que é nula a decisão recorrida, dado que o contribuinte não foi notificado da data do julgamento da impugnação, fato que o impossibilitou de apresentar defesa oral; que é nulo o lançamento, posto que o Auto de Infração não discrimina as parcelas, os indexadores de correção monetária e da taxa de juros e o percentual da multa; que é ilegal a aplicação da multa isolada cumulada com a multa de ofício, logo deve ser determinada a exclusão da multa de ofício, no valor de R$ 21.690,33 (multa isolada); que deve ser expurgado o valor de R$ 5.641,44 da planilha, fls. 19, (linha 20, coluna de março), posto que não consta recibo de pagamento feito ao recorrente; que o valor de R$ 1.093,49 (recibo, fls. 195) foi recebido de duas vezes, de modo que deve ser retificada a planilha, fls. 18/20. que os honorários advocatícios são considerados alimentares, de modo que devem ser albergados pela isenção tributária, posto que o contribuinte sofre de cardiopatia grave. que o contribuinte não pode ser penalizado com a exigência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, posto que absurda e não fixada em lei. É o Relatório. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012417/200822 Acórdão n.º 2102002.682 S2C1T2 Fl. 332 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O contribuinte diz no recurso que é nula a decisão recorrida, posto que não fora notificado da data do julgamento da impugnação, fato que o impossibilitou de apresentar defesa oral. Ocorre que tanto o Decreto n 70.235, de 6 de março de 1972, quanto a Portaria MF n 341, de 12 de julho de 20011, que dispõe sobre o funcionamento das turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, e a Portaria MF n 203, de 14 de maio de 2012 (Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil) não prevêem tal possibilidade no âmbito das Delegacias de Julgamento. Os artigos 27 a 36 do Decreto n 70.235, de 1972, que regem o julgamento em primeira instância no Processo Administrativa Fiscal (PAF), nada dizem a respeito do direito à sustentação oral, restringindo sua regulamentação aos elementos de prova constantes dos autos, produzidos pela administração tributária, pelo contribuinte ou em decorrência de diligência considerada necessária pela autoridade julgadora. Nesse contexto, afastase a preliminar de nulidade argüida pela defesa. Ainda, preliminarmente, o contribuinte sustenta que é nulo o lançamento, pois entende que o Auto de Infração não discrimina as parcelas, os indexadores de correção monetária e da taxa de juros e o percentual da multa. Também neste aspecto, não assiste razão à defesa, posto que o Auto de Infração discrimina em sua folha de rosto, fls. 03, o total do crédito tributário exigido, fazendo a indicação de cada parcela que compõem a exigência, quais sejam: imposto, juros de mora, multa proporcional e multa exigida isoladamente, sendo certo que também informa que os juros de mora estão calculados até 29/08/2008. Há, ainda, no Auto de Infração os Demonstrativos de Apuração do IRPF, o Demonstrativo de Apuração da Multa Exigida Isoladamente e o Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, nos quais constam todas as informações sobre percentuais e cálculos. Logo, temse que, ao contrário do que afirma a defesa, o Auto de Infração contém todas as informações sobre o quantum devido e formas de apuração, inclusive com farta indicação dos respectivos enquadramentos legais. Vale, ainda dizer que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura do Auto de Infração foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° Fl. 332DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012417/200822 Acórdão n.º 2102002.682 S2C1T2 Fl. 333 5 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo certo que o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Assim, não pode prosperar a argüição de nulidade do lançamento suscitada pelo recorrente. No mérito, o contribuinte afirma que é portador de moléstia grave, de modo que entende que os rendimentos considerados omitidos no Auto de Infração estariam alcançados pelo isenção prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Da leitura do texto legal acima reproduzido resta cristalino que somente são isentos do IRPF os proventos de aposentadoria recebidos pelos portadores de moléstia grave, sendo certo, portanto, que os demais rendimentos, porventura, recebidos pelos contribuintes que são portadores de moléstia grave são tributáveis. Diferentemente do que entende o contribuinte, temse que a isenção concedida pelo texto legal não isenta o portador de moléstia grave do pagamento do IRPF e sim concede a isenção aos proventos de aposentadoria recebidos pelo portador de moléstia grave. Nestes termos, tendo em vista que os rendimentos considerados omitidos pelo contribuinte no lançamento não são proventos de aposentadoria, posto tratarse de honorários advocatícios recebidos em decorrência do trabalho, não há que se falar em isenção em relação a tais rendimentos. Ainda quanto ao mérito da infração de omissão de rendimentos, o contribuinte afirma que deve ser expurgado do montante dos rendimentos omitidos, o valor de R$ 5.641,44, relativo a Magnus Vinícius Mesquita, em razão da inexistência de recibo comprobatório. Na verdade, o contribuinte Magnus Vinícius Mesquita, quando intimado pela autoridade fiscal, confirmou que efetivamente pagou honorários advocatícios ao recorrente, contudo, deixou de apresentar o correspondente recibo, fls. 118/134. Em lugar do recibo, o contribuinte juntou aos autos cópia de TED, no valor de R$ 44.790,38. Referida transferência bancária foi feita para a conta de Magnus Vinícius Mesquita pela advogada Luciene Gonçalves Fl. 333DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012417/200822 Acórdão n.º 2102002.682 S2C1T2 Fl. 334 6 Donato, que atuou, segundo informação prestada por Magnus Vinícius Mesquita juntamente com o recorrente na ação judicial. Contudo, os documentos juntados aos autos, fls. 118/134, são insuficientes para demonstrar de forma inequívoca que o recorrente tenha de fato recebido, a título de honorários advocatícios, de Magnus Vinícius Mesquita, a quantia de R$ 5.641,44. Assim, tal valor deve ser excluída da tributação, no mês de março/2005. O contribuinte diz também que o valor de R$ 1.093,49, documentos, fls. 194/195, foi recebido em duas parcelas, sendo a primeira em maio e a segunda em junho. Do exame dos referidos documentos verificase que assiste razão ao recorrente. Logo, o demonstrativo, fls. 18/20, deve ser ajustado, sendo acrescentado ao mês de maio a quantia de R$ 546,74, a qual deverá ser excluída no mês de junho. Nestes termos, a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, deve ser reduzida para R$ 161.654,79, fazendose as seguintes alterações no demonstrativo, fls. 18/20: excluir em março e em junho, os valores de R$ 5.641,44 e R$ 546,74, respectivamente, e acrescentar em maio o valor de R$ 546,74. Passase a seguir à apreciação da alegação do recorrente de que não cabe a exigência concomitante da multa de ofício proporcional e a multa de ofício isolada. Sobre tal matéria, ao longo dos anos em que estive trabalhando na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza e mais recentemente depois aqui neste CARF, tenho me mantido junto à corrente minoritária de que seria possível a exigência concomitante da multa proporcional e da multa isolada. Ocorre que, lendo um Acórdão da relatoria do ilustre Conselheiro Nelson Mallmann, me convenci de que de fato é incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. Nessa conformidade, peço vênia, para transcrever trecho do voto do Conselheiro Nelson Mallmann, Acórdão nº 10421.762, de 27/07/2006, que me fez mudar de opinião: Quanto ao lançamento da multa de lançamento de oficio exigida de forma isolada pelo recolhimento em atraso do carnêleão, se faz necessário destacar que o lançamento da multa isolada engloba valores recebidos de pessoas físicas (carnêleão), mensalmente, apurados e informados na Declaração de Ajuste Anual, porém, não recolhidos, cujos valores foram lançados de ofício, através da constituição de crédito tributário via Auto de Infração. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: "Art. 43 Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir Fl. 334DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012417/200822 Acórdão n.º 2102002.682 S2C1T2 Fl. 335 7 do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II (omissis). § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8° da Lei n°. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do anocalendário, que deixou de recolher o "carnêleão" que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012417/200822 Acórdão n.º 2102002.682 S2C1T2 Fl. 336 8 É cristalino o texto legal quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal concluise que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de oficio isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de oficio deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (muita de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Por outro lado, quando o lançamento de exigência tributária for aplicação de multa isolada, só há espaço legal para aquelas infrações que não foram levantadas de ofício, a exemplo da apresentação espontânea da declaração de ajuste anual com previsão de pagamento de imposto mensal (carnêleão) sem o devido recolhimento, caso típico da aplicação de multa de lançamento de oficio isolada sem a cobrança de tributo, cabendo neste além da multa isolada a cobrança de juros de mora de forma isolada, entre o vencimento do imposto até a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, já que após esta data o imposto não recolhido está condensado na declaração de ajuste anual. No presente caso, a autoridade fiscal apurou a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas e sobre o mesmo fato fez incidir as duas multas, quais sejam: a multa de ofício proporcional ou normal e a multa de ofício isolada, o que é incabível, por expressa determinação legal. Assim, devese cancelar a exigência da multa de ofício isolada, permanecendo somente a exigência da multa de ofício proporcional, no percentual de 75%. Por fim, no que se refere ás alegações do contribuinte acerca dos juros Selic, devese dizer que a matéria já foi pacificada neste CARF que editou súmula, aplicável ao caso, que cristaliza o entendimento de que é legítima a aplicação dessa taxa, a saber: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso para afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, reduzir a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas para R$ 161.654,79, fazendose as seguintes alterações no demonstrativo, fls. 18/20: excluir em março e em junho, os valores de R$ 5.641,44 e R$ 546,74, respectivamente e acrescentar em maio o valor de R$ 546,74 e cancelar a multa exigida isoladamente. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 336DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.012417/200822 Acórdão n.º 2102002.682 S2C1T2 Fl. 337 9 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 19647.013825/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 06/01/2004 a 12/12/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. RECURSO DE OFÍCIO.
Comprovado por laudo que a mercadoria importada não se trata de lajes de porcelanato, correto o cancelamento do auto de infração.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 23/07/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Daniel Mariz Gudiño e Carlos Alberto Nascimento. Ausente momentaneamente a Conselheira Mercia Helena Trajano DAmorin.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 06/01/2004 a 12/12/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. RECURSO DE OFÍCIO. Comprovado por laudo que a mercadoria importada não se trata de lajes de porcelanato, correto o cancelamento do auto de infração. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 23/07/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Daniel Mariz Gudiño e Carlos Alberto Nascimento. Ausente momentaneamente a Conselheira Mercia Helena Trajano DAmorin. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 38 25 /2 00 8- 82 Fl. 2492DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 201 2 Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Da identificação do crédito Trata o presente processo de cobrança da diferença de crédito tributário apurada em procedimento de revisão aduaneira das Declarações de Importação (DI) do interessado, registradas no período de 06/01/2004 a 12/12/2007, em decorrência, no entendimento da fiscalização, de adoção de classificação equivocada para a mercadoria importada. Conforme demonstrativo consolidado de fl. 1, o crédito e os respectivos consectários legais, acrescido da multa prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24/08/01 (classificação incorreta), perfazem um total de R$ 17.404.181,59 (dezessete milhões, quatrocentos e quatro mil, cento e oitenta e um reais e cinqüenta e nove centavos), assim composto: Identificação Valor (R$) II 2.132.912,28 IPI 5.972.183,62 Pis/PasepImportação 21.683,91 CofinsImportação 99.904,11 Juros e multa de ofício 8.621.281,19 Multa por classificação incorreta 556.216,48 Da autuação No Relatório de Fiscalização, parte integrante dos autos de infração, acostado nas folhas 1469/1472 – vol. VIII, consta, em síntese que: a Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco (SefazPE) solicitou à Superintendência da Receita Federal do Brasil na 4ª Região Fiscal parecer acerca da correta classificação da mercadoria “laje para porcelanato” (fls. 1377/1380 – vol. VII), importada e comercializada pelo interessado; segundo a SefazPE, o contribuinte classificava suas importações no código tarifário da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 6810.19.00, em flagrante contraste com a classificação adotada por outras empresas do setor e, dessa forma, beneficiavase, supostamente de forma indevida, do diferimento do ICMS e da utilização das alíquotas de 8% e 0% para o II e o IPI, respectivamente, enquanto seus concorrentes Fl. 2493DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 202 3 classificando suas mercadorias nos códigos tarifários da NCM 6907.90.00 e 6908.90.00 submetiamse às alíquotas de 12% e 10%, respectivamente. Foram apresentados como anexos à solicitação daquele órgão estadual: o Parecer Técnico nº 11.935, emitido a pedido da SefazPE pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP), em 25/10/05 (fls. 1389/1396 – vol. VII) que indicou como classificação correta para o produto importado pelo autuado o código 6907.90.00; o Parecer Técnico nº 8202, emitido em 19/08/02, a pedido da Alfândega do Porto de Suape, pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT (fls. 1444/1468 – vol. VIII) e que vinha sendo utilizado pela empresa para justificar a classificação adotada; literatura técnica sobre grês porcelanato e matérias primas cerâmicas (fls. 1399/1443 – vols. VII/VIII); em resposta à solicitação, a Divisão de Administração Aduaneira (SRRF04/Diana) emitiu, em 04/07/07, o Parecer nº 01/2007 (fls. 1356/1375 – vol. VII), concluindo que o produto em questão deveria ser classificado no código 6907.90.00, se não vidrado ou esmaltado ou no código 6908.90.90, quando vidrado ou esmaltado. Referido parecer foi submetido à Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana) para manifestação; em 16/08/07, a Coana, por meio da Nota Coana/Cotac/Dinom 2007/0319, ratificou o entendimento exarado pela SRRF04/Diana (fls. 1347/1350 – vol. VII); Da revisão aduaneira o Serviço de Fiscalização Aduaneira (Sefia) recebeu da Seção de Pesquisa e Seleção Aduaneira (Sapel), ambos da Inspetoria da Receita Federal do Brasil de Recife, Relatório de Pesquisa Fiscal para que fosse verificada a regularidade das importações referentes às mercadorias (lajes para porcelanato) importadas e classificadas pelo contribuinte no código da NCM 6810.19.00; na ação fiscal foi verificado que o importador descrevia seus produtos como “granito artificial” e não como “lajes de porcelanato”, produto efetivamente importado (fls. 904/1346 – vols. V/VII). Independentemente da descrição adotada pelo contribuinte, importa, ao Fisco, para fins de classificação, conhecer a constituição do produto; o contribuinte classificou as suas mercadorias na posição 68.10 do Sistema Harmonizado (SH). Caso o produto importado, independentemente da descrição adotada, fosse constituído de cimento, concreto ou pedra artificial, a empresa estaria correta na sua classificação. Contudo, a Fiscalização está afirmando, neste Auto de Infração, que as mercadorias importadas não têm a constituição mencionada: “Informações fornecidas por fabricantes indicam que as lajes de porcelanato são constituídas basicamente de argila, feldspato – composto complexo de silicatos de alumínio e de um metal alcalino ou alcalinoterroso, Fl. 2494DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 203 4 utilizado como fundente na indústria química – e corantes. As peças são submetidas a pressões de compactação acima das utilizadas pelas cerâmicas convencionais e queimadas a mais de 1.250ºC”; de acordo com os laudos anexos ao processo, o produto importado é composto de argila, matérias silicosas e corantes, sendo submetida a cozedura em temperaturas superiores a 800ºC. Sendo assim, tratase, na verdade, de laje para porcelanato e não granito artificial. Tratase, claramente, de artefato cerâmico compreendido pelas posições 69.07 ou 69.08 do SH; conforme o laudo do ITEP, o produto não se apresenta vidrado ou esmaltado. Dessa forma, deve ser classificado no código 6907.90.00 (outros ladrilhos e placas, para pavimentação ou revestimento, não vidrados nem esmaltados, de cerâmica). Da impugnação Cientificado, pessoalmente, em 28/08/08, o interessado apresentou, em 29/09/08 (segundafeira) a impugnação de fls. 1475/1501 – vol. VIII, alegando, em síntese, que: preliminarmente para a consecução de suas atividades, a Impugnante, desde a sua constituição, importa matériasprimas utilizandose da classificação fiscal NCM 6810.19.00, consolidada validamente pela Receita Federal do Brasil, e fundamentada em Laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT – emitido em agosto de 2002, por solicitação da própria Alfândega do Porto de Suape; nada obstante a imposição das autoridades administrativas para adoção da classificação fiscal NCM 6810.19.00 durante anos, foi a Impugnante surpreendida com abrupta alteração da classificação, sem direito à ampla defesa, o que ensejou a propositura de ações judiciais com o fito exclusivo de ver desembaraçadas as mercadorias importadas mediante depósito das diferenças de tributos porventura devidas, enquanto não regularmente intimada do processo administrativo que determinou a nova e equivocada interpretação quanto à classificação do produto importado; foi cientificada do lançamento efetuado no Processo Administrativo nº 11968.000537/200823, o que ensejou a desistência das medidas judiciais propostas e a apresentação de Impugnação Administrativa, por meio da qual além de demonstrar e de comprovar os equívocos cometidos pela Administração, requereu, ainda, a produção de perícia a reforçar os erros da fiscalização, apresentando quesitos e indicando assistente técnico, a fim de que fosse demonstrada definitivamente a regularidade dos procedimentos adotados; Fl. 2495DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 204 5 como se não bastasse a imposição de nova classificação para as importações futuras, decorrente do novo entendimento das autoridades administrativas, a Impugnante foi mais uma vez surpreendida com a lavratura dos Autos de Infração ora combatidos que exigem o recolhimento do IPI, II, PIS/Importação e COFINS/Importação, acrescidos de multas e de juros em razão de importações realizadas nos anos de 2004 a 2007; nos termos da descrição dos fatos contida no Relatório de Fiscalização em análise (fls. 1.469/1.472), os produtos importados pela Impugnante seriam classificados como artefatos cerâmicos, uma vez que constituídos basicamente de argila, feldspato — composto complexo de silicatos de alumínio e de um metal alcalino ou alcalinoterroso, utilizado como fundente na indústria química e corantes e que se submetem a cozedura em temperaturas de 1.250° C, em completo descompasso com laudos técnicos anteriormente emitidos que serviram de suporte à classificação que vinha sendo adotada e imposta pela Administração; são manifestamente ilegais os lançamentos formalizados nos Autos de Infração ora combatidos, porquanto, além de adequada a classificação adotada nos anos de 2004 a 2007, a alteração de critério jurídico por parte da Administração não pode dar ensejo à revisão do lançamento para fins de exigência de tributos e imposição de penalidades; sofreu a lavratura dos Autos de Infração em apreço por ter classificado as mercadorias importadas na forma imposta pela autoridade administrativa, ou seja, estava obrigada a adotála, sob pena de não ser possível o desembaraço das mercadorias; a imposição da classificação adotada quando do desembaraço das mercadorias importadas tinha como fundamento laudo técnico realizado por instituição idônea – IPT – e foi alvo de confirmação quando requeridas informações pela Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, o que torna evidente ter havido alteração do critério jurídico até então adotado; os arts. 145 e 146, do Código Tributário Nacional, consagram o princípio da inalterabilidade do lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo e impedem que a mudança nos critérios jurídicos adotados pela Administração tenham reflexos retroativos; é lícito à autoridade fiscal rever por iniciativa própria um lançamento efetuado nas hipóteses expressamente previstas, entretanto, caso haja alteração nos critérios jurídicos, referida revisão apenas ocorrerá em relação a fatos geradores posteriores à sua introdução; no caso em análise, não há mera declaração do contribuinte quanto à classificação fiscal, mas declaração imposta pela Administração, o que torna ainda mais grave a exigência formalizada, sob pena de afronta ao art. 146, do CTN; Fl. 2496DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 205 6 o Conselho de Contribuintes e o Judiciário em diversas oportunidades firmaram o entendimento de que o novo critério jurídico adotado pela Administração só é capaz de produzir efeitos ex nunc; o lançamento dos tributos, cujas diferenças estão sendo ora exigidas, é ato jurídico perfeito, conforme disciplina do art. 6°, da Lei de Introdução ao Código Civil, o que exige a aplicação da regra da imodificabilidade encartada nos artigos 145, 146 e 149, do Código Tributário Nacional; a anterior interpretação, comprovadamente dada pela Administração para impor classificação fiscal não se reveste de ilegalidade, porquanto fundamentada em prova científica requerida diante de dúvida razoável decorrente de ausência de classificação específica de produto relativamente novo, o que exige aplicação dos princípios da razoabilidade e da moralidade administrativa, encartados no art. 37, da Carta Magna e no artigo 2º, da Lei nº 9.784/99; no mérito o produto importado é comercialmente denominado de porcelanato, nome que não existe na nomenclatura científica e em nada se aproxima da porcelana. Justamente por se tratar de produto relativamente "novo", surgiram divergências quanto à classificação fiscal que deveria ser adotada; o porcelanato é um produto composto predominantemente por feldspato (mineral fundente), dolomita (rocha calcária que atua como agente fundente), quartzo e uma pequena quantidade de argila, inferior a 15% (quinze por cento), composição que, consoante restará evidenciado, é diversa da cerâmica e se assemelha mais a um granito, consoante denota laudo técnico emitido pelo IPT, em razão de solicitação do Inspetor da Alfândega do Porto de Suape em 2002; a análise da composição do produto cuja classificação se pretende pacificar deve ser efetuada, porquanto necessário afastar a premissa de que não é o processo produtivo o determinante para a sua definição, mas as matériasprimas que o compõe, daí a necessidade de análise específica do produto importado pela Impugnante; o produto importado pela Impugnante apenas foi submetido a um laudo técnico, que foi justamente o emitido pelo IPT, não tendo havido posterior análise de composição do produto a permitir uma alteração de classificação; em que pese a similaridade do processo produtivo da cerâmica com o do porcelanato, há características fundamentais que diferenciam referidos produtos, assim é que, comercialmente, são tratados como mercadorias que podem se prestar ao mesmo fim, mas são de espécies diferentes. Tanto que, quando se fala em revestimento de pisos ou paredes, temse como principais opções: cerâmica, granito ou porcelanato. Inexiste confusão ou Fl. 2497DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 206 7 dúvidas quanto às características de cada um dos produtos, que são bastante distintos. Entretanto, facilmente, se constata maior similaridade entre o granito e o porcelanato do que entre este e a cerâmica; o que importa é diferençar o porcelanato da cerâmica e comprovar com dados científicos que são produtos distintos e que a classificação que mais se aproxima do porcelanato é a identificada sob o código 6810.19.00; fator relevante é a presença de argila. Enquanto o porcelanato importado utiliza até 15% daquele produto, a cerâmica é basicamente composta por argila, podendo, inclusive, ser feita basicamente com este produto, o que não ocorre com o porcelanato, o que pela diferença gera conseqüências substanciais no resultado do processo industrial; as características técnicas do porcelanato são muito diferentes da cerâmica, posto que 75% do porcelanato é composto de matérias duras. Tratase de produto estável, mais resistente a temperaturas baixas, já a cerâmica sofre mais retração e expansão, com a oscilação de temperatura; podese dizer, sem dúvidas, que o porcelanato é composto de pó de pedra, basicamente de feldspato, substância que não se modifica no processo produtivo, já que seu ponto de fusão é acima de 1400°C, podendo ser submetido a temperaturas que variam de 1210°C a 1250°C, de sorte que seus elementos não chegam ao ponto de fusão, são apenas aglutinados. Não chegando ao ponto de fusão, são mantidas as características químicas dos elementos que compõem o porcelanato, diferentemente do que ocorre quando a cozedura ultrapassa o ponto de fusão; a cerâmica, por sua vez, submetese a temperaturas de até 1150° C, podendo ser fundida à temperatura de 1000°C, o que, para um leigo, seria próximo a temperatura utilizada para o porcelanato, contudo, tecnicamente, há uma grande diferença, justamente em razão do ponto de fusão de cada componente; podese concluir que, quanto à cozedura e ponto de fusão, há uma substancial diferença entre o porcelanato e uma cerâmica, o que demonstra estar fundada em grave equívoco a Nota Coana/Cotac/Dinom nº 2007/0319 que ensejou a lavratura dos autos de infração ora contestados; referida Nota parte do princípio de que o porcelanato seria produto cerâmico em razão de ser obtido por cozedura a uma temperatura de mais de 800°C, quando há outros dados relevantes que demonstram não se tratar de fator definitivo para a classificação e traz o conceito de "pedra artificial" constante das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado — NESH — que se aproxima mais do porcelanato do que o conceito de cerâmica, já que é possível afirmar que ele é composto de pó de pedra. Em seguida, traz a extensão do termo "produtos cerâmicos" Fl. 2498DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 207 8 grifandoo, como se fosse possível utilizar aquelas assertivas em seu favor; as justificativas utilizadas para alterar a classificação fiscal que vinha sendo corretamente imposta à Impugnante apenas ratifica os procedimentos anteriormente adotados, haja vista que, consoante acima exposto, os componentes do porcelanato não chegam ao seu ponto de fusão; uma análise química realizada no porcelanato deixa claro que seus componentes distintivos da cerâmica são preservados, apesar de submetidos a temperaturas mais elevadas do que a cerâmica; uma analogia que permite fácil compreensão das diferenças fundamentais entre a cerâmica e o porcelanato é que este, a exemplo do diamante, necessita de polimento, ou seja, da mesma forma que a lapidação atribui ao diamante o fulgor de jóia, o polimento atribui ao porcelanato a superfície brilhante. Já a cerâmica, se submetida ao mesmo polimento, será destruída, pois mais frágil e não comporta a lapidação necessariamente efetuada no porcelanato; o porcelanato não pode ter a mesma classificação fiscal da cerâmica, assemelhandose a uma imitação de pedra, notadamente se observada a sua composição, conforme laudo anexo (doc. 04); conforme evidencia a Nota/Coana/Dinom nº 2007/0319, a alteração na classificação fiscal até então imposta à Impugnante foi fruto de diversas tentativas da SefazPE, tanto que foram expedidos ofícios para esclarecer que se tratava de imposição da própria Receita Federal do Brasil, conforme cópias anexas (docs. 05 e 06); referida nota, por sua vez, foi baseada em equivocado e superficial parecer do ITEP que não analisou a composição química do produto da Impugnante como feito pelo laudo do IPT, e se baseou em informações de concorrentes que estariam classificando seus produtos de forma diversa; apesar de anos de imposição de uma classificação fiscal com base em laudo técnico, científico, não houve qualquer procedimento para apurar a composição das mercadorias importadas pela Impugnante através de novo laudo; na verdade, as razões utilizadas para afastar a correta classificação fiscal contêm subjetividade, além de não ter a Receita Federal do Brasil solicitado amostras para submissão a novo laudo, ou seja, há um laudo do IPT que jamais foi contestado e um parecer do ITEP preconizando classificações diferentes, situação que deveria necessariamente ensejar pronunciamento de outro órgão científico desempatador antes de formalizado o lançamento; Fl. 2499DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 208 9 inegável que a composição do produto importado continua sendo a mesma, não tendo havido qualquer alteração que implique a mudança da classificação fiscal pretendida, o que constituiria até uma ofensa à regra básica de interpretação do Sistema Harmonizado que utiliza numerações inferiores para os produtos mais primitivos e numeração crescente para os mais artificiais e modernos; o porcelanato, embora produto recente, corresponde efetivamente ao produto primitivo pedra, apenas elaborada a partir do seu pó, enquanto que os produtos cerâmicos até mais antigos são mais artificiais porque transformam diversos produtos em algo pronto e acabado, portanto, com numeração crescente no sistema de codificação harmonizado. A impugnante ainda se insurge com a exigência de multa e juros afirmando que “ainda que fosse possível exigir tributo em decorrência de mercadorias importadas com classificação fiscal imposta pela Administração durante anos, não poderiam ser exigidos juros, multa e correção monetária”, sem afronta ao parágrafo único do artigo 100, do Código Tributário Nacional. Por fim, requer que “seja realizada perícia haja vista estar envolvida no litígio a composição do produto importado”, formula os quesitos referentes aos exames desejados e indica o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, de acordo com o disposto no inc. IV, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. Da diligência Em 07/05/09, por meio da Resolução nº 1.574 esta 2ª Turma da DRJ/FOR decidiu converter o julgamento em diligência. (fls. 1657/1666 – vol. VIII). Convém repetir aqui a justificativa constante daquela Resolução para a realização da diligência: Dos motivos que justificam a realização de diligência I Da data da ciência da alteração do entendimento da Administração quanto à classificação As manifestações da Alfândega do Porto de Suape em resposta às correspondências da SefazPE e do interessado, exaradas, respectivamente, em dezembro de 2004 e novembro de 2006, conforme documentos de folhas 1383/1384 – vol. VII e 1635/1636 – vol. VIII, trazidos aos autos pela impugnante, demonstram que, realmente, após a emissão do laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em agosto de 2002, a classificação adotada pelo interessado (6810.19.00) foi aceita no âmbito daquela unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Assim se expressou o inspetor da Alfândega: [...]. Fl. 2500DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 209 10 A classificação declarada pelo contribuinte em questão para suas importações de ‘LADRILHOS DE GRANITO ARTIFICIAL , PARA USO EXCLUSIVO EM REVESTIMENTO DE PISOS DA CONSTRUÇÃO EM GERAL, PRODUZIDO MAJORITARIAMENTE COM MATÉRIAS PRIMAS NÃO PLÁSTICAS, COM MINERAIS DE FELDSPATOS E QUARTZO, ENTRE OUTROS MINERAIS (CONFORME PARECER TÉCNICO Nr. 8.202 DO IPT/SP) ENDURECIDO ATRAVÉS DE PROCESSO QUÍMICO E TÉRMICO TIPO: GRANITO ARTIFICIAL MÔNACO SATINDAD DIM 40X40, NÃO POLIDA’, conforme sua descrição nos despachos de importação, é a NCM 6810.19.00. A classificação em questão tem sido aceita por esta unidade, já tendo sido a mesma objeto de análise fiscal mediante solicitação de laudo técnico para o Instituto de Pesquisa Técnica de São Paulo – IPT. Em resumo, tratase de granito artificial, para uso exclusivo em revestimento de pisos da construção em geral, produzidas com pó de pedra aglomerado e endurecido através de processo químico e térmico, via sinterização. A mercadoria em questão encontrase prevista nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, conforme cópia em anexo, com a designação de ‘pedra artificial’, e enquadramento no Sistema Harmonizado de identificação fiscal para a posição 6810. [Grifouse] Apesar do exposto, pelo que se fez constar no presente processo, não está claro qual a data exata em que o importador foi oficialmente comunicado da mudança de entendimento da Administração quanto à classificação do produto. O que precisa ser esclarecido. II – Da referência a processos administrativos sobre laudo técnico e retificação de DI Observese, também, que representa mais um ponto a justificar uma diligência, o fato de que nestes autos são feitas referências a outros processos administrativos do mesmo interessado, concernentes a laudo técnico, retificação de DI e restituição de II e IPI (fls. 1382/1383 – vol. VII) que, a depender do seu conteúdo, podem vir a representar importante subsídio para a formação de convicção para a decisão deste caso, tendo em vista as afirmações da impugnante de que a classificação anteriormente adotada na verdade era uma imposição da própria RFB. III Do pedido do interessado para a realização de perícia Conforme relatado, constam dos autos dois laudos técnicos: o 1º, emitido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) em agosto de 2002 a pedido da Alfândega do Porto de Suape, lastreou as importações da autuada no código da NCM 6810.19.00 até o advento de novo entendimento adotado no âmbito da RFB (fls. 1444/1468 – vol. VIII); Fl. 2501DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 210 11 o 2º, emitido pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP) em outubro de 2005 a pedido da Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, indicou 6907.90.00 como código correto da NCM para a classificação dos produtos importados (fls. 1389/1396 – vol. VII). Conforme já mencionado neste relatório, a impugnante alegava, sobre a existência de conclusões distintas nos dois laudos referidos, que: “as razões utilizadas para afastar a correta classificação fiscal contêm subjetividade, além de não ter a Receita Federal do Brasil solicitado amostras para submissão a novo laudo, ou seja, há um laudo do IPT que jamais foi contestado e um parecer do ITEP preconizando classificações diferentes, situação que deveria necessariamente ensejar pronunciamento de outro órgão científico desempatador antes de formalizado o lançamento.” Em vista dos motivos acima expostos e ainda que: 1) pelo que se depreendia dos autos, ao interessado somente fora dada oportunidade de submeter quesitos à avaliação pericial quando da solicitação do laudo ao IPT, justamente aquele que, segundo alegava a impugnante, amparara por algum tempo as importações sob o código 6810.19.00 e, 2) tendo a impugnante apresentado os quesitos referentes aos exames desejados, com a indicação do nome, endereço e a qualificação profissional do seu perito (fls. 1499/1500 – vol. VIII), o julgamento foi convertido em diligência para que a unidade de origem: anexasse: a.1) documento que demonstrasse a exata data em que a interessada fora oficialmente cientificada da reforma do entendimento quanto à classificação do produto no âmbito da RFB, indicando, também, qual o número e a data de registro da DI por meio da qual fora formalizada a primeira importação do interessado sob o código 6810.19.00; a.2) cópia dos processos administrativos nº 11968.001164/0016, 11968.000592/0002, 11968.001189/200135, 11968.001521/200242, 10480.007780/200378, 11968.000116/200479, 11968.000176/200491, 11968.000246/200410, 11968.000906/200454, 11968.000927/200470, citados nas fls. 1382/1383 – vol. VII, e; solicitasse assistência técnica para a identificação do produto importado pelo interessado, objeto da presente lide, com a emissão de laudo técnico que deveria contemplar os quesitos formulados pela impugnante e pela DRJ/FOR, sem prejuízo de outros que a Alfândega do Porto de Suape e a empresa autuada julgassem por bem acrescentar. Como resultado da diligência foram anexados os documentos de fls. 1670/1864 – vol. IX; 1867/2008 – vol. X; 2011/2134 – vol. XI e 2137/2335 – vol. XII. Fl. 2502DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 211 12 Dentre aqueles documentos constam a ciência do contribuinte do Laudo Técnico de Identificação, emitido pelo perito credenciado da RFB e o Parecer Técnico emitido pelo perito designado pela empresa (fls. 2324/2330 – vol. XII). Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE acolheu a impugnação ofertada, conforme Decisão DRJ/FOR nº 21.613, de 26/08/2011: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 06/01/2004 a 12/12/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Classificase no código 6810.19.00, por força das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1 e 6, e, ainda, com subsídio nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, o produto denominado como “artefato de granito artificial'', produzido majoritariamente com matériasprimas não plásticas, como minerais de feldspatos e quartzo (Si02), este com um teor superior a 50% e cujas partículas micronizadas são mantidas aglutinadas pela massa vítrea após a sinterização, caracterizado, ainda, pela presença da argila apenas com a função Impugnação Procedente. Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Como se verifica do processo, tratase de cobrança da diferença de crédito tributário apurada em procedimento de revisão aduaneira das Declarações de Importação (Dl) do interessado, registradas no período de 06/01/2004 a 12/12/2007, em decorrência, no entendimento da fiscalização, de adoção de classificação equivocada para a mercadoria importada. Segundo o relatório fiscal, o motivo foi o seguinte: Foi verificado, a partir da documentação entregue pelo contribuinte, que o mesmo descrevia seus produtos como “granito artificial” (fls. 904 a 1346) e não como “lajes de porcelanato”. Este é o produto efetivamente importado. Fl. 2503DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 212 13 (...) Conforme os laudos anexos ao processo, o produto importado pelo contribuinte é composto de argila, matérias silicosas e corantes, sendo submetida a cozedura em temperaturas superiores a 800°C. Sendo assim, tratase, na verdade, de laje para porcelanato e não granito artificial. A decisão recorrida bem sintetiza a demanda: De acordo com o que foi relatado, verificase que a resolução da lide consiste em determinar se o produto importado, descrito nas Dl em questão como “artefato de granito artificial para uso exclusivo em revestimento de pisos da construção em geral, produzido majoritariamente com matérias primas não plásticas, com minerais de feldspatos e quartzo, entre outros minerais, endurecido através de processo químico e térmico”, é classificado na posição 68.10 do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH), como defende o contribuinte, que pretende enquadrar o produto como “obra de pedra artificial” ou 69.07, como é o entendimento da fiscalização, que considera mais adequado definilo como “placas (lajes) para pavimentação ou revestimento , não vidradas nem esmaltadas, de cerâmica’'. Os textos das posições em epígrafe, na íntegra, são os seguintes: 6810 OBRAS DE CIMENTO, DE CONCRETO (BETÃO) OU DE PEDRA ARTIFICIAL, MESMO ARMADAS 6907 LADRILHOS E PLACAS (LAJES). PARA PAVIMENTAÇÃO OU REVESTIMENTO, NÃO VIDRADOS NEM ESMALTADOS, DE CERÂMICA CUBOS, PASTILHAS E ARTIGOS SEMELHANTES, PARA MOSAICOS, NÃO VIDRADOS NEM ESMALTADOS, DE CERÂMICA, MESMO COM SUPORTE. O laudo realizado a pedido da DRJ neste processo bem solucionou o tema, não dando margem para maiores debates: 4. O produto importado pela empresa autuada pode ser denominado de Artefato de Granilo Artificial? E comercialmente conhecido como Artefato de Granito Artificial? Resposta: [...] Assim, podemos concluir que, o produto importado (visualizado na fotografia 1), é um "artefato de granito Artificiar’, ou pode ser chamado também, por "artefato de granito artificial". (grifo nosso) (...) Tendo em vista as definições (1) e (2) abaixo transcritas, o produto importado, objeto da presente lide, é mais bem definido como (a) PLACAS (LAJES), PARA PAVIMENTAÇÃO OU Fl. 2504DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 19647.013825/200882 Acórdão n.º 3201001.328 S3C2T1 Fl. 213 14 REVESTIMENTO, DE CERÂMICA ou (b) OBRA DE PEDRA ARTIFICIAL? (...) Resposta: Embora alguns componentes da definição (1), estejam presentes na confecção do produto importado, as análises da UFScar, mostram preponderância do quartzo no produto. Tal fato, confirmado pelo laudo UNESP (Difratograma do porcelanato), mostrando também a presença de mulila e albita, além do Quartzo. Por fim, a análise microscópica (laudo Unesp). mostra a presença de aglutinante (massa plástica/cola), aderindo a massa, à pedra calcárea natural, constituindose, num artefato de granito Dessa forma, concluímos que o produto tem mais semelhança, com o descrito na definição (2).(grifo nosso) Foi por este motivo que o lançamento foi afastado, e com razão. Desta feita, não há reparos a ser feito na decisão recorrida, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 2505DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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Numero do processo: 18471.001440/2006-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa:
RECURSO EX-OFFÍCIO. PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE CAIXA.
Nega-se provimento ao recurso interposto pela autoridade julgadora a quo, quando a decisão recorrida identificou, corretamente, a não subsunção dos fatos à norma legal que estipula a presunção da omissão de receitas.
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN.
PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTOS DE CAIXA/BANCOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS INGRESSADOS.
Para elidir a presunção da omissão de receitas constante no art. 282 do RIR/99, incumbe ao contribuinte a comprovação de que a origem dos recursos ingressados para o suprimento de caixa, creditados em conta a favor do acionista controlador, pertenciam a este. Necessário, pois, que esteja comprovadamente demonstradas a efetiva entrega e a origem dos recursos, condições imprescindíveis para elidir a presunção legalmente estabelecida.
Numero da decisão: 1202-001.030
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, em não conhecer do documento apresentado na fase de julgamento do recurso, vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Orlando José Gonçalves Bueno, e em não conhecer da matéria incidência dos juros sobre a multa de ofício, por não ter sido contestada expressamente no recurso, vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Plínio Rodrigues Lima, que apreciavam a matéria por entenderem arguida pela recorrente e, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade dos lançamentos fiscais e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para, pelo voto de qualidade, manter da tributação o valor da omissão de receitas de R$ 199.240,00, vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno e, por unanimidade de votos, afastar da tributação o valor da omissão de receitas de R$ 64.667,00, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Meigan Sack Rodrigues, Plínio Rodrigues Lima, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: RECURSO EX-OFFÍCIO. PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE CAIXA. Nega-se provimento ao recurso interposto pela autoridade julgadora a quo, quando a decisão recorrida identificou, corretamente, a não subsunção dos fatos à norma legal que estipula a presunção da omissão de receitas. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN. PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTOS DE CAIXA/BANCOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS INGRESSADOS. Para elidir a presunção da omissão de receitas constante no art. 282 do RIR/99, incumbe ao contribuinte a comprovação de que a origem dos recursos ingressados para o suprimento de caixa, creditados em conta a favor do acionista controlador, pertenciam a este. Necessário, pois, que esteja comprovadamente demonstradas a efetiva entrega e a origem dos recursos, condições imprescindíveis para elidir a presunção legalmente estabelecida.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2053; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 472 1 471 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001440/200605 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1202001.030 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrentes RIQUE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES SA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: RECURSO EXOFFÍCIO. PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE CAIXA. Negase provimento ao recurso interposto pela autoridade julgadora “a quo”, quando a decisão recorrida identificou, corretamente, a não subsunção dos fatos à norma legal que estipula a presunção da omissão de receitas. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade do auto de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN. PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTOS DE CAIXA/BANCOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS INGRESSADOS. Para elidir a presunção da omissão de receitas constante no art. 282 do RIR/99, incumbe ao contribuinte a comprovação de que a origem dos recursos ingressados para o suprimento de caixa, creditados em conta a favor do acionista controlador, pertenciam a este. Necessário, pois, que esteja comprovadamente demonstradas a efetiva entrega e a origem dos recursos, condições imprescindíveis para elidir a presunção legalmente estabelecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 14 40 /2 00 6- 05 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.001440/200605 Acórdão n.º 1202001.030 S1C2T2 Fl. 473 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, em não conhecer do documento apresentado na fase de julgamento do recurso, vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Orlando José Gonçalves Bueno, e em não conhecer da matéria incidência dos juros sobre a multa de ofício, por não ter sido contestada expressamente no recurso, vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Plínio Rodrigues Lima, que apreciavam a matéria por entenderem arguida pela recorrente e, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade dos lançamentos fiscais e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para, pelo voto de qualidade, manter da tributação o valor da omissão de receitas de R$ 199.240,00, vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno e, por unanimidade de votos, afastar da tributação o valor da omissão de receitas de R$ 64.667,00, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Meigan Sack Rodrigues, Plínio Rodrigues Lima, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Contra a interessada foi lavrado Auto de Infração do IRPJ e reflexos na CSLL, PIS e Cofins, relativo ao anocalendário de 2002, acrescido de multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora, com base na taxa Selic, pela ocorrência da presunção da omissão de receitas, com enquadramento no art. 282 do RIR/99. De acordo com o relatado pela fiscalização, de fls. 63/64, a autoridade administrativa assim descreveu a irregularidade: “ A análise dos elementos apresentados revelou que o saldo da conta "Créditos de pessoas Ligadas (Físicas e Jurídicas) informado na DIRPJ 2003, ano calendário de 2002, e igual a R$ 9.875.577,55, divergia do somatório dos créditos com pessoas ligadas extraídos das fls. do Razão Contábil n ° 18, apresentadas: Conta: 2.2.02.007 Rique Empreendimentos S/A 6.013.626,30 Conta: 2.2.02.013 SCGR 578.997,10 Conta: 2.2.02.015 Nacional Iguatemi Empr.S/A 1.571.485,00 A diferença de R$ 1.711.469,15, foi esclarecida verbalmente e representava o saldo da conta do Razão Contábil nº 2.2.02.001 Crédito do sócio Renato Feitosa apresentada no ato à fiscalização. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.001440/200605 Acórdão n.º 1202001.030 S1C2T2 Fl. 474 3 [...] Em 31/10/2006 o contribuinte apresentou o contrato de mútuo, sem registro em cartório e assinado por uma só pessoa, como representante da pessoa jurídica mutuária de um lado e de outro como sócio pessoa física mutuante, o que por si só não comporta a presunção de omissão de receita por falta de comprovação do passivo. No entanto, os mútuos contratados só podem ser aceitos como válidos quando comprovados, mediante documentos, hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, o efetivo trânsito do numerário. Dessa forma, intimado e reintimado a provar a improcedência da presunção de omissão de receita de que trata o art. 281 e 282 do RIR/99 o contribuinte não logrou fazêlo até o fechamento do presente relatório (Art. 925 do RIR/99).” A infração ficou assim descrita no Auto de Infração, fls. 65: “001 OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADA A ORIGEM E/OU A EFETIVIDADE DA ENTREGA Omissão de Receita caracterizada pela não comprovação da origem e/ou de efetividade da entrega do numerário, conforme relatado em Termo de Constatação Fiscal lavrado junto com o presente para deste fazer parte integrante e inseparável.” Cientificada da exigência, a interessada apresentou impugnação, mediante arrazoado, de fls. 95 a 107, instruída com documentos, de fls. 108 a 299, cujos principais argumentos estão sintetizados no relatório do Acórdão nº 1222.915da DRJ/RJO I, de fls. 304 a 316, que adoto e passo a transcrever na parte que interessa: “QUE o auto de infração padece de nulidade; QUE a Fiscalização afirmou ter havido omissão de receitas, com base em suprimentos de caixa cuja origem e efetividade não foram comprovadas, mas não indicou os valores que supostamente teriam ingressado na contabancária ou no caixa da impugnante, tendo se referido apenas ao saldo da conta de passivo n° 2.2.02.001 — "Crédito do Sócio Renato Feitosa Rique", no montante de R$ 1.711.469,15; QUE a exigência fiscal, por outro lado, não se deu pelo saldo da referida conta em 31/12/2002, mas sim pelo somatório dos valores creditados ao longo do ano, no valor total de R$ 1.842.532,97; QUE se está diante, portanto, de uma acusação de omissão de receitas que a Fiscalização ora pretende enquadrar como passivo fictício, ora como suprimento de numerário não comprovado; QUE a Fiscalização não realizou, tampouco, qualquer diligência para apurar a correção dos créditos existentes em favor do controlador Renato Feitosa Rique; QUE a Fiscalização se limitou a pedir à impugnante os extratos bancários de seu controlador, quando deveria saber que tais informações dizem respeito apenas à pessoa fisica, estando resguardadas por sigilo bancário; QUE a presunção de omissão de receitas deve sempre estar baseada em fortes indícios de irregularidade e, no caso concreto, as circunstâncias apontam justamente em sentido contrário; QUE os valores emprestados à impugnante são absolutamente compatíveis com as condições econômicofinanceiras do Sr. Renato Feitosa Rique; QUE os referidos empréstimos encontramse, ademais, devidamente respaldados por um contrato de mútuo (fls. 140/142); [...] QUE, no tocante ao mérito, o auto de infração é improcedente; [...]; Fl. 474DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.001440/200605 Acórdão n.º 1202001.030 S1C2T2 Fl. 475 4 QUE o valor de R$ 8.600,00, creditado em 08/02/2002, corresponde a um depósito em cheque (cfr. cópia, fls. 295/296; e comprovante, fl. 293), efetuado pelo acionista controlador Renato Feitosa Rique, diretamente na contacorrente da impugnante mantida junto ao Banco Safra S.A. (cfr. extrato bancário, fl. 291); QUE se trata de valor relativamente pequeno, que o acionista controlador tinha disponível em sua conta bancária, e que foi emprestado à impugnante com base no já mencionado contrato de mútuo celebrado entre as partes; QUE o valor de R$ 212.419,03, creditado em 31/03/2002, resulta do fato de o acionista controlador Renato Feitosa Rique haver assumido uma dívida da impugnante junto à empresa Nacional Iguatemi Bahia Participações S.A. (NIBASA); QUE em 31/03/2002, a NIBASA, na qualidade de única adquirente das debêntures emitidas pela impugnante (cfr. Escritura de emissão, fls. 257/263), passou a ter direito ao recebimento de uma remuneração liquida de R$ 302.997,92, já descontado o imposto de renda na fonte (cfr. comprovante de arrecadação, fl. 265); QUE, pelo fato de o Sr. Renato Feitosa Rique ser credor da NIBASA, esta solicitou à impugnante que pagasse uma parte do prêmio das debêntures, no valor de R$ 212.419,03, diretamente ao referido acionista controlador; QUE as operações em apreço encontramse devidamente registradas nos livros contábeis da impugnante (cfr. Diário, fl. 268) e também nos da NIBASA (cfr. Diário, fl. 272); QUE o valor de R$ 1.876,60, creditado em 15/04/2002, corresponde a um depósito em cheque efetuado pelo acionista controlador Renato Feitosa Rique na contacorrente da impugnante mantida junto ao Banco Safra S.A. (cfr. extrato bancário, fl. 298); QUE o montante em questão, relativamente pequeno, estava disponível na contacorrente do acionista controlador (cfr. extrato bancário, fl. 299), e foi emprestado à impugnante com base no já mencionado contrato de mútuo celebrado entre as partes; QUE o crédito de R$ 199.240,00, lançado em 10/10/2002, é a contrapartida de uma transferência de recursos efetuada pela Sra. Gilda Marinho Amado, em favor de seu exmarido, o acionista controlador Renato Feitosa Rique (cfr. certidão, fl. 276), fruto do que ficou estipulado nos acordos pósseparação; QUE a transferência em questão foi feita diretamente da contacorrente da Sra. Gilda Marinho Amado para a contacorrente da impugnante mantida junto ao Banco ABC Brasil (cfr. ordem de transferência, fl. 279; e extrato bancário, fl. 278); QUE os referidos recursos, por sua vez, têm origem em um empréstimo que foi feito pela Sra. Gilda Marinho Amado junto ao Banco ABC Brasil (cfr. contrato, fls. 281/284); QUE o crédito de R$ 64.667,00, registrado em 03/12/2002, representa o valor emprestado pelo Sr. Renato Feitosa Rique à impugnante para que esta adquirisse ações de sua controlada Nacional Iguatemi Empreendimentos S.A. (NIESA), nova denominação de Nacional Empreendimentos Imobiliários S.A.; QUE a cifra em questão corresponde à diferença entre o valor patrimonial do investimento, que era de R$ 1.329.107,23, e o seu valor de aquisição com deságio, que acabou sendo de R$ 1.264.440,23; QUE a referida operação encontrase devidamente registrada nos livros contábeis da impugnante (cfr. Diário, fl. 286); QUE o crédito de R$ 469.100,00, registrado em 05/12/2002, resulta do fato de a impugnante haver assumido uma dívida da sociedade Rique Empreendimentos S.A. (RIQUEMP) junto ao Sr. Renato Feitosa Rique; QUE em 05/12/2002, o Sr. Renato Feitosa Rique recebeu da empresa NIESA, da qual também é controlador, a quantia de R$ 469.100,00 (cfr. recibo, fl. 244), sendo que R$ 361.670,20 a título de liquidação de saldo de contacorrente (cfr. Lançamento contábil, fl. 245), e R$ 107.429,80 a título de reembolso de valores; QUE, por ordem do Sr. Renato Feitosa Fl. 475DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.001440/200605 Acórdão n.º 1202001.030 S1C2T2 Fl. 476 5 Rique, a referida quantia foi transferida pela NIESA diretamente para a conta bancária do Sr. Reinaldo Feitosa Rique, seu irmão; QUE, como outros valores foram pagos conjuntamente pela NIESA, o montante global creditado na conta do Sr. Reinaldo Feitosa Rique foi de R$ 1.750.000,00 (cfr. extratos bancários, fls. 247/248; ordem de transferência, fl. 249; e lançamentos contábeis, fl. 250); QUE, como contrapartida desta operação, o Sr. Reinaldo Feitosa Rique cedeu para o Sr. Renato Feitosa Rique um crédito que detinha contra a RIQUEMP, no mesmo valor de R$ 469.100,00; QUE, logo em seguida, a impugnante assumiu a obrigação da RIQUEMP junto ao Sr. Renato Feitosa Rique, amortizando, em contrapartida, sua própria divida para com aquela companhia; QUE a amortização da referida divida encontrase devidamente registrada nos livros contábeis da impugnante (cfr. Diário, fl. 252), bem assim nos da RIQUEMP (cfr. Diário, fl. 254), cabendo observar que os R$ 469.100,00 estão contidos no valor total liquidado naquela data, que era de R$ 1.281.190,84; QUE o crédito de R$ 886.633,34, lançado em 31/12/2002, resulta do fato de a impugnante haver assumido uma divida da NIBASA junto ao Sr. Renato Feitosa Rique; QUE, ao longo do ano de 2002, a NIBASA, sociedade da qual o Sr. Renato Feitosa também é acionista controlador, emprestou recursos à impugnante, estando seus créditos registrados na conta de passivo 2.2.02.006 — "Crédito de Pessoas Ligadas — Nacional Iguatemi Bahia Partic. S/A"; QUE, no fim do ano de 2002, a divida da impugnante junto à NIBASA era de R$ 886.633,34 (cfr. Razão, fl. 166); QUE, em 31/12/2002, a NIBASA creditou dividendos em favor do Sr. Renato Feitosa Rique, no montante de R$ 886.633,34 (cfr. lançamento contábil, fl. 238); QUE, nesta mesma data, e sem maiores formalidades, o Sr. Renato Feitosa Rique transferiu à. Impugnante o seu crédito decorrente dos dividendos; QUE, em virtude de tal transferência, a impugnante e a NIBASA liquidaram obrigações no mesmo montante, reciprocamente, restando, afinal, apenas um crédito do Sr. Renato Feitosa Rique junto impugnante, no valor de R$ 886.633,34. Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1222.915 da DRJ/RJO I, de fls. 304 a 316, julgando parcialmente procedente o lançamento fiscal, com o seguinte ementário: ARGÜIÇÃO DE NULIDADE POR CONTA DE DEFICIÊNCIAS NA PEÇA ACUSATÓRIA. Estando a peça acusatória instruída com os elementos de prova que a autoridade lançadora entendeu suficientes para a comprovação do ilícito, e tendo sido a descrição dos fatos clara o bastante para que o sujeito passivo pudesse exercer o seu direito de defesa, é de se rejeitar a argüição de nulidade. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE NUMERÁRIO ATRIBUÍDOS A ACIONISTA CONTROLADOR. Serão considerados receitas omitidas os suprimentos de numerário atribuídos ao acionista controlador, se a companhia deixar de comprovar a origem e a efetiva entrega dos recursos (art. 282 do RIR199). A apresentação do contrato de mútuo, por si só, não basta para elidir a presunção de omissão de receitas, porque não prova nem a origem nem a efetiva entrega dos recursos. A mera demonstração da capacidade econômicofinanceira do alegado supridor não prova a origem nem a efetiva entrega do Fl. 476DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.001440/200605 Acórdão n.º 1202001.030 S1C2T2 Fl. 477 6 suprimento. Apenas indica que aquela pessoa teria condições, em tese, de fornecer os recursos. A presunção legal referida no art. 282 do RIR/99 dispensa a autoridade fiscal de apresentar a prova direta da omissão de receitas, mas não a exime de apontar, na contabilidade da pessoa jurídica, os suprimentos atribuídos àquelas pessoas que a lei menciona. Inexistindo o registro contábil do suprimento, a presunção de omissão de receitas não se sustenta. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. O que ficou decidido em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica aplicase, no que couber, As contribuições sociais dele decorrentes. Lançamento Procedente em Parte Os principais fundamentos utilizados no Acórdão recorrido, podem ser assim resumidos: Em Preliminar: inexiste ambigüidade na tipificação do ilícito. Muito embora o termo de constatação de fls. 63/64 estabeleça algumas conjecturas a respeito de uma possível caracterização de passivo fictício, fica claro, pela leitura do termo subseqüente de fl. 65, que tal hipótese acabou sendo descartada pelo AuditorFiscal autuante, estando, afinal, a acusação de omissão de receitas fundamentada apenas na constatação de suprimentos de caixa não comprovados. não procede a alegação de que a peça acusatória teria deixado de indicar as datas e os valores das receitas omitidas. As informações contidas no termo de constatação de fls. 63/64 e no termo de descrição de fl. 65 possibilitam concluir, sem dificuldade, que os suprimentos questionados pela Fiscalização representam as contrapartidas dos valores creditados, ao longo do ano de 2002, na conta de passivo n° 2.2.02.001 – "Crédito do Sócio Renato Feitosa Rique" — cfr. razão analítico, fl. 62. a autoridade fiscal é livre para eleger os meios de prova que lhe pareçam suficientes para a comprovação do ilícito. Caso as provas se revelem frágeis ou insuficientes, caberá a autoridade julgadora declarar a improcedência do lançamento por razões de mérito, não havendo que se falar em vicio procedimental. No Mérito, foram confrontados os registros contábeis da conta de passivo n° 2.2.02.001 – "Crédito do Sócio Renato Feitosa Rique" com os argumentos/documentos apresentados, e assim concluiu o voto condutor do acórdão recorrido: Valor R$ 8.600,00 – Data 08/02/2002 Valor R$ 1.876,60 – Data 15/04/2002 O ingresso de numerário, em ambos os casos, encontrase comprovado pelos extratos da contacorrente da empresa junto ao Banco Safra , fls. 291 e 298; Fl. 477DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.001440/200605 Acórdão n.º 1202001.030 S1C2T2 Fl. 478 7 Valor R$ 199.240,00 – Data 10/10/2002 Embora seja indiscutível o ingresso de numerário, extrato de contacorrente de fls. 278, inexiste documento que vincule o referido ingresso ao Sr. Renato Feitosa Rique. A única certeza que se tem é que os recursos vieram da contacorrente da Sra. Gilda Marinho Amado (cfr. extrato, ti. 278), exesposa do Sr. Renato Feitosa Rique (cfr. certidão, fl. 276). A transferência teria sido feita em favor do Sr. Renato Feitosa Rique, fruto do que teria sido estipulado em "acordos pósseparação". Entretanto, não há nenhum documento idôneo que comprove a suposta divida da Sra. Gilda Marinho Amado junto ao seu exmarido, por conta de "acordos pósseparação". Valor: R$ 64.667,00 — Data: 03/12/2002 A interessada não trouxe nenhum elemento de prova capaz de infirmar a presunção de omissão de receitas. Examinandose a página 157 do seu livro Diário n° 18 (fl. 286), verificase que o montante de R$ 64.667,00 creditado na conta de passivo n° 2.2.02.001 — "Credito do Sócio Renato Feitosa Rique" corresponde, realmente, a um suprimento de numerário que teria sido utilizado na compra de ações da empresa Nacional Iguatemi Empreendimentos S.A. (NIESA). Uma vez que a impugnante não logrou comprovar nem a origem nem a efetiva entrega dos recursos, a exigência fiscal deve ser mantida. Valor: R$ 212.419,03 — Data: 31/03/2002 Valor: R$ 469.100,00 — Data: 05/12/2002 Valor: R$ 886.633,34 — Data: 31/12/2002 Com relação aos itens acima referidos, a presunção de omissão de receitas não se sustenta, em razão da própria inexistência de contabilização do suprimento. A presunção legal estampada no art. 282 do RIR/99 dispensa o Fisco de apresentar a prova direta da omissão de receitas, mas não o exime de apontar, nos registros contábeis da pessoa jurídica, os suprimentos atribuídos ao sócio, administrador, acionista controlador ou titular da empresa individual. A contabilização do suprimento constitui premissa inafastável do raciocínio presuntivo, sem a qual não se pode validar a conclusão silogística. Nos três casos acima referidos, não se tem conhecimento de nenhum lançamento contábil, a débito de caixa ou bancos, que indique a transferência de recursos do acionista controlador para a companhia. A autoridade fiscal lançadora simplesmente inferiu que as contrapartidas dos valores creditados na conta n° 2.2.02.001 — "Crédito do Sócio Renato Feitosa Rique" foram suprimentos de numerário. Tal inferência, todavia, não parece correta. Tratase de uma presunção dentro da presunção. O fato de ter havido um crédito na conta de passivo n° 2.2.02.001 — "Crédito do Sócio Renato Feitosa Rique" não autoriza presumir que a contrapartida tenha sido, obrigatoriamente, um suprimento de caixa. É perfeitamente possível que a obrigação contraída junto ao Sr. Renato Feitosa Rique tenha sido decorrente de uma “assunção de divida”, sem qualquer transferência de numerário. Examinandose os registros contábeis da Interessada, verificase que, nos três casos, os lançamentos a crédito da conta de passivo n° 2.2.02.001 — "Credito do Sócio Renato Feitosa Rique" tiveram, como contrapartida, débitos em outras contas de passivo, representativas de mútuos com coligadas (fls. 167, 252 e 268). Se a contabilidade da empresa Fl. 478DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.001440/200605 Acórdão n.º 1202001.030 S1C2T2 Fl. 479 8 não evidencia o registro contábil do suprimento, não vejo como se possa exigir da mesma a comprovação da origem e da efetiva entrega do numerário. A utilização do art. 282 do RIR199, como fundamento da presunção de omissão de receitas, decididamente, não se sustenta no presente caso. Das conclusões A vista de tais considerações, excluiuse da base tributável os montantes de R$ 8.600,00, R$ 212.419,03, R$ 1.876,60, R$ 469.100,00 e R$ 886.633,34. Dessa decisão, a DRJ/RJOI recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, na forma do art. 34, inciso I, do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações, e Portaria do Ministro da Fazenda n° 3, de 03 de janeiro de 2008. Não satisfeito com a decisão proferida, o contribuinte impetrou recurso voluntário, de fls. 281 a 332, repisando praticamente os mesmos argumentos apresentados na impugnação em relação às preliminares e, no mérito, em relação aos valores das omissões de receitas mantidos, de R$ 199.240,00 e R$ 64.667,00. Adicionalmente, reforça os argumentos quanto ao valor de R$ 199.240,00, “que foram creditados na contacorrente da RECORRENTE mantida junto ao Banco ABC Brasil, como fazem prova o extrato bancário e a ordem de transferência de recursos expedida em favor da RECORRENTE, anexados por ocasião da IMPUGNAÇÃO (DOC. 27 da IMPUGNAÇÃO). A Sra. Gilda transferiu esses recursos A RECORRENTE por conta e ordem, e em beneficio, do Sr. Renato Feitosa Rique, fruto de seus acordos pósseparação. Dai a RECORRENTE ter registrado o crédito em favor do Sr. Renato, e não da Sra. Gilda. A RECORRENTE juntou, ainda, cópia do contrato de empréstimo assinado entre a Sra. Gilda e o Banco ABC Brasil em 10.10.2002 (DOC. 28 da IMPUGNAÇÃO), de forma a comprovar a origem dos recursos transferidos A RECORRENTE naquela mesma data”. Quanto ao valor de R$ 64.667,00, alega, em síntese, que “os R$ 64.667,00 foram lançados a crédito do Sr. Renato Feitosa Rique como contrapartida do aumento da participação da RECORRENTE no capital da NIESA. Na IMPUGNAÇÃO, a RECORRENTE juntou os lançamentos contábeis que demonstram esse aumento do ativo da RECORRENTE como contrapartida do referido crédito em favor do seu sócio controlador, considerandose que R$ 64.667,00 é a diferença entre R$ 1.329.107,23, o valor patrimonial do investimento, e os R$ 1.264.440,23 lançados em razão do deságio, tudo conforme os Livros Diário e Razão n ° 18 da RECORRENTE (cf. DOC. 29 da IMPUGNAÇÃO). Ou seja, em razão de reorganização societária havida à época, os R$ 64.667,00 correspondem ao preço de aquisição de participação na NIESA, que, como a RECORRENTE não pagou à vista, foram lançados a crédito do acionista controlador para posterior pagamento”. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.001440/200605 Acórdão n.º 1202001.030 S1C2T2 Fl. 480 9 Recurso de Ofício O recurso de ofício atende aos requisitos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972, combinado com o estabelecido na Portaria MF n.° 03, de 2008, porque o acórdão recorrido exonerou valores de tributo e de multa em montante superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) estabelecido na referida Portaria, portanto, dele conheço. A infração imputada à interessada diz respeito à omissão de receitas baseada na falta de comprovação da origem e da efetiva entrega dos suprimentos atribuídos ao seu acionista controlador. A infração está fundamentada no art. 282 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Art. 282. Provada a omissão de receitas, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base nos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 1.2, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). (destaques meus) No caso em análise, o órgão julgador de primeira instância considerou como inexistente a presunção da omissão de receitas, nos termos do que exige o art. 282 do RIR/99, as contrapartidas dos valores creditados na conta de passivo n° 2.2.02.001 – "Crédito do Sócio Renato Feitosa Rique", a saber: R$ 8.600,00, em 08/02/2002; R$ 212.419,03, em 31/03/2002; R$ 1.876,60, em 15/04/2002; R$ 469.100,00, em 05/12/2002; e R$ 886.633,34, em 31/12/2002. Os fundamentos utilizados na decisão recorrida fazem menção à importância que deve ser dada à comprovação da origem e da efetiva entrega dos recursos pelo seu acionista controlador, Sr. Renato Feitosa Rique. Em trecho do voto condutor, faz referência ao contrato de mútuo entendendo que “O contrato de mútuo, por si só, não prova nem a origem nem a efetiva entrega dos recursos”. De fato, o art. 282 do RIR/99 não faz qualquer menção à necessidade de comprovação de contrato de mútuo entre o sócio controlador e a empresa autuada. No entanto, o dispositivo legal estipula que a prova da omissão de receitas se dará por indícios da escrituração do contribuinte (ou qualquer outro elemento de prova) quando os recursos de caixa fornecidos à empresa não forem comprovadamente demonstradas a sua efetiva entrega e a sua origem. Assim, a fiscalização inicialmente identificou discrepâncias entre os valores da conta "Créditos de pessoas Ligadas (Físicas e Jurídicas) informado na DIPJ 2003, de R$ 9.875.577,55, e do somatório dos créditos com pessoas ligadas extraídos das fls. do Razão Contábil n ° 18, de R$ 8.164.108,40. A diferença, de R$ 1.711.469,15, foi esclarecida e representava o saldo da conta do Razão Contábil nº 2.2.02.001 – “Crédito do sócio Renato Feitosa Rique” apresentada no ato à fiscalização. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.001440/200605 Acórdão n.º 1202001.030 S1C2T2 Fl. 481 10 No entanto, a apresentação do contrato de mútuo (entre o Sr. Renato e a autuada), fls. 59 a 61, se mostrava imprescindível para a fiscalização, pois o enquadramento legal da infração, acaso não apresentado o contrato de mútuo, seria o art. 281, III do RIR/99 (passivo fictício) e não o fundamento utilizado da autuação, art. 282 do RIR/99 (suprimentos de caixa). Assim, em que pese discordar do voto condutor do acórdão de primeira instância, quanto à importância da existência de um contrato de mútuo que lastreasse os registros contábeis da “conta do passivo” da autuada, essa constatação não prejudicará os fundamentos do voto que será apresentado na seqüência. Feito esse registro, passo à análise dos valores considerados como omissão de receita. O art. 282 do RIR/99 considera ocorrida a presunção de omissão de receitas, dentre outras hipóteses, naquela em que o acionista controlador aporta recursos de caixa à empresa e que não forem comprovadamente demonstrados a sua efetiva entrega e a sua origem. Em síntese, a presunção referida decorre do fato do legislador ter considerado que, se a origem do numerário não for comprovadamente do acionista controlador (dentre outros), evidentemente a fonte do dinheiro utilizado é a própria empresa. Vejase que para considerar ocorrida a presunção de receita omitida, a lei exige o cumprimento de três requisitos: i) recursos de caixa fornecidos pelo acionista controlador (dentre outros); ii) não comprovação da origem dos recursos; iii) não comprovação da efetiva entrega dos recursos; Assim, para se afastar a presunção da omissão de receitas necessário que o suprimento externo de numerário no caixa/bancos, originado do acionista controlador, sejam devidamente comprovadas a sua origem e a efetividade da entrega. No presente caso, o Sr. Renato Feitosa Rique é o acionista controlador da autuada, conforme demonstra os documentos de fls. 131 a 138, fato não contestado nos autos. Para afastar a presunção, necessário que se faça, ainda, a comprovação da efetividade da entrega e da origem dos recursos. O acórdão da DRJ/RJO I excluiu da tributação os valores de R$ 8.600,00 e R$ 1.876,60, porque teria restado comprovado a efetividade da entrega e a origem dos recursos, mediante apresentação dos respectivos documentos/depósitos bancários, com os devidos registros contábeis. De fato, verificase dos documentos das fls. 291 a 299 que a origem dos depósitos na contacorrente da autuada do Banco Safra provêm do Sr. Renato Feitosa Rique, estando devidamente registrados na contabilidade (fls.62). Portanto, comprovada a efetiva entrega dos recursos e a sua origem, a presunção de omissão de receitas não se sustenta. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.001440/200605 Acórdão n.º 1202001.030 S1C2T2 Fl. 482 11 Quanto aos valores de R$ 212.419,03, R$ 469.100,00 e R$ 886.633,34, o acórdão assim fundamentou a desoneração da omissão de receitas: “O fato de ter havido um crédito na conta de passivo n° 2.2.02.001 — "Crédito do Sócio Renato Feitosa Rique" não autoriza presumir que a contrapartida tenha sido, obrigatoriamente, um suprimento de caixa. É perfeitamente possível que a obrigação contraída junto ao Sr. Renato Feitosa Rique tenha sido decorrente de uma “assunção de divida”, sem qualquer transferência de numerário. Examinandose os registros contábeis da Interessada, verificase que, nos três casos, os lançamentos a crédito da conta de passivo n° 2.2.02.001 — "Credito do Sócio Renato Feitosa Rique" tiveram, como contrapartida, débitos em outras contas de passivo, representativas de mútuos com coligadas (fls. 167, 252 e 268). Se a contabilidade da empresa não evidencia o registro contábil do suprimento, não vejo como se possa exigir da mesma a comprovação da origem e da efetiva entrega do numerário. A utilização do art. 282 do RIR199, como fundamento da presunção de omissão de receitas, decididamente, não se sustenta no presente caso.” Percebese que existe lógica no raciocínio exposto pelo acórdão recorrido. Como já mencionado, a presunção contida no art. 282 pressupõe uma fonte externa de recursos suprindo o caixa da empresa, não comprovados. Os valores de R$ 212.419,03, R$ 469.100,00 e R$ 886.633,34 foram lançados a crédito da conta de passivo n° 2.2.02.001 — "Credito do Sócio Renato Feitosa Rique" e tiveram, como contrapartida, débitos em outras contas de passivo da empresa, sem qualquer transferência de numerário e sem transitar pela conta caixa como exige o art. 282 do RIR/99. O valor de R$ 212.419,03 teve como contrapartida a conta do passivo nº 2.1.05.025 – Prêmios de Debêntures à Pagar, fls. 268; O valor de R$ 469.100,00 teve como contrapartida a conta do passivo nº 2.2.02.006 Nacional Iguatemi Bahia Partic. S/A – contrato de mútuo, fls. 252; O valor de R$ 886.633,34 teve como contrapartida a conta do passivo nº 2.2.02.006 Nacional Iguatemi Bahia Partic. S/A, fls. 167. Dessa forma, sem maiores análises, verificase que não ocorreu o suprimento de recursos no caixa da empresa pelo acionista controlador, condição exigida para a presunção da omissão de receitas contida no art. 282 do RIR/99, estando correta a decisão de primeira instância. Em face do exposto, voto no sentido de que seja negado provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.001440/200605 Acórdão n.º 1202001.030 S1C2T2 Fl. 483 12 Como já abordado no exame do recurso de ofício, o lançamento fiscal tributou a omissão de receitas apurada na forma de presunção, com fundamento no art. 282 do RIR/99. O acórdão recorrido manteve parcialmente o lançamento fiscal, mantendo a tributação das parcelas relativas aos valores de R$ 199.240,00 e R$ 64.667,00. Em preliminar, o recorrente postula pela nulidade do auto de infração por conta de supostos vícios na peça acusatória, apontando que a descrição dos fatos é imprecisa, nem permite saber se a caracterização do ilícito se deu em razão de passivo fictício (art. 281 do RIR/99) ou de suprimentos de caixa não comprovados (art. 282 do RIR/99) e que toda presunção de omissão de receitas deve estar fundada em indícios fortes de irregularidades, e que tais indícios não estão presentes no caso concreto. Em relação à preliminar de nulidade dos lançamentos fiscais verificase que o mesma inocorreu. O auto de infração contém todos os elementos previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações. A autuada teve a oportunidade de se defender do lançamento efetuado pela fiscalização, ao apresentar as suas razões de defesa na impugnação e no recurso ora examinado, demonstrando estar plenamente ciente dos motivos da autuação. As nulidades dos atos administrativos somente ocorrem se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, fatos que definitivamente não ocorreram no presente caso: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Assim, uma vez que os autos de infração foram lavrados por autoridade competente e contêm todos os elementos previstos nos arts. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e 142 do CTN, e não provada violação das disposições contidas no art. 59 do mesmo Decreto 70.235, de 1972, é de se rejeitar a preliminar de nulidade levantada. Ademais, a questão ficou muito bem resolvida no acórdão recorrido, cujas razões de decidir também acolho. No mérito, alega a recorrente, quanto ao valor de R$ 199.240,00, que o mesmo foi creditado na contacorrente da autuada junto ao Banco ABC Brasil (fls. 278/279) pela Sra. Gilda Marinho Amado, por conta e ordem, e em beneficio, do Sr. Renato Feitosa Rique, fruto de seus acordos pósseparação, de modo que a recorrente registrou um crédito a favor do Sr. Renato, e não da Sra. Gilda. Em relação a esse valor cabe registrar que não há nos autos qualquer documento que comprove a existência de acordo pósseparação celebrado entre a Sra. Gilda e o Sr. Renato. Para elidir a presunção da omissão de receitas constante no art. 282 do RIR/99, incumbe ao contribuinte a comprovação de que a origem dos recursos ingressados no Fl. 483DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.001440/200605 Acórdão n.º 1202001.030 S1C2T2 Fl. 484 13 patrimônio da empresa (caixa/bancos), e creditados em favor do acionista controlador, pertenciam a este. Os documentos acostados nas fls. 279 e seguintes não fazem prova da origem dos recursos como sendo do Sr. Renato Feitosa Rique. No entanto, a contrapartida do ingresso dos recursos na empresa ocorreu a favor do Sr. Renato, em conta do passivo n° 2.2.02.001 — "Crédito do Sócio Renato Feitosa Rique". Assim, constatado que a origem dos recursos ingressados no patrimônio da autuada (caixa/bancos) não foram comprovadamente demonstrados como sendo do Sr. Renato Feitosa Rique, acionista controlador, incorre na hipótese o disposto no art. 282 do RIR/99, devendose manter a presunção da omissão de receitas quanto ao valor de R$ 199.240,00. A jurisprudência administrativa do CARF é pacifica nesse sentido, como se pode verificar na ementa do Acórdão 180300728, processo nº 13807.002675/0060, sessão de 15/12/2010: OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS NÃO COMPROVADOS. Para elidir a presunção de omissão de receitas, necessária a comprovação da origem dos recursos utilizados pelos sócios administradores para o suprimento de caixa decorrente de mútuo não oneroso. Necessária pois, a efetiva comprovação da origem e da entrega dos recursos, elementos indissociáveis para elidir a presunção legalmente estabelecida. Em relação à “declaração” prestada pela Sra. Gilda, e apresentada pela defesa na fase de julgamento do presente recurso, cumpre esclarecer que a mesma não pode ser conhecida. Primeiramente, porque encontrase precluso o direito de trazer novos documentos ao processo nesse momento processual, consoante disposição contida no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Em segundo lugar, porque o documento foi elaborado recentemente, em 19/08/2013, não tendo o condão de comprovar algo que aconteceu no ano da autuação, em 2002. Por fim, quanto ao valor de R$ 64.667,00, a recorrente alega que dito valor foi lançado a crédito do Sr. Renato Feitosa Rique como contrapartida do aumento da participação da recorrente no capital da empresa Nacional Iguatemi Empreendimentos SA NIESA. O valor de R$ 64.667,00 é a diferença entre R$ 1.329.107,23, valor patrimonial do investimento, e R$ 1.264.440,23, lançados em razão de deságio, conforme os Livros Diário e Razão n ° 18 da recorrente (doc. 29 da impugnação). Ou seja, em razão de reorganização societária havida à época, os R$ 64.667,00 correspondem ao preço de aquisição de participação na NIESA que pertenciam ao Sr. Renato Feitosa Rique (fls. 286) que, como a recorrente não teria pago à vista, foram lançados a crédito do acionista controlador (Sr. Renato) para posterior pagamento. De fato, no livro Diário n° 18 (fls. 286), verificase que o montante de R$ 64.667,00 foi creditado na conta de passivo n° 2.2.02.001 — "Credito do Sócio Renato Feitosa Rique" e corresponde à venda à autuada de 10,74% das ações da NIESA pertencentes ao Sr. Renato, para posterior liquidação. No caso, verificase que não ocorreu o suprimento de recursos no caixa/bancos da empresa, condição exigida pelo art. 282 do RIR/99 para a presunção da Fl. 484DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.001440/200605 Acórdão n.º 1202001.030 S1C2T2 Fl. 485 14 omissão de receitas. Não se subsumindo a hipótese legal aos fatos, impõese o cancelamento da exigência fiscal quanto ao valor da omissão de receitas de R$ 64.667,00 antes mencionado. Em face do exposto, voto no sentido de que seja negado provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, de que não seja conhecido do documento apresentado na fase de julgamento do recurso, de que seja rejeitada a preliminar de nulidade e, no mérito, que seja dado provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência fiscal quanto ao valor da omissão de receita de R$ 64.667,00. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 485DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/09/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 11065.000607/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2302-000.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em converter o julgamento em diligência. Os Conselheiros Andre Luis Marsico Lombardi e Liege Lacroix Thomasi divergiram porque entenderam dispensável a diligência para o julgamento do recurso.
LIEGE LACROIX THOMASI - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 20/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ADRIANA SATO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1613; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 11 1 10 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.000607/200906 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2302000.198 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de janeiro de 2013 Assunto Solicitação de diligência Recorrente LUCACUCA CALÇADOS LTDA. Recorrida DRJ EM PORTO ALEGRE/RS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em converter o julgamento em diligência. Os Conselheiros Andre Luis Marsico Lombardi e Liege Lacroix Thomasi divergiram porque entenderam dispensável a diligência para o julgamento do recurso. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 20/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ADRIANA SATO. Adoto o relatório constante do Acórdão n. 1033.176 – 7ª Turma da DRJ/POA, de 20/07/2011 [fls. 562/570]: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 00 60 7/ 20 09 -0 6 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.000607/200906 Resolução nº 2302000.198 S2C3T2 Fl. 12 2 O presente lançamento decorre do Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 10.1.07.00200800441 e prorrogações que determinou a ação fiscal na Lucacuca Calçados Ltda, CNPJ n° 05.880.843/000143. Na mesma ação fiscal foram emitidos os seguintes Autos de Infração A I : 1) AI Debcad n° 37.169.7514 relativo as contribuições devipas a terceiros: INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE; 2) AI Debcad n° 37.169.7492 relativo as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais; 3) AI Debcad n° 37.169.7387 relativo ao descumprimento de obrigação acessória: deixar de apresentar a GFIP com os dados correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. O crédito previdenciário constituído no presente AI, no valor de R$1.604.888,21 (um milhão seiscentos e quatro mil oitocentos e oitenta e oito reais e vinte e um centavos), consolidado em 08/09/2009, refere se a contribuição a cargo da empresa, inclusive a destinada ao financiamento do Grau de Incidência de Incapacidade Laboratíva de Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Segundo o Relatório da Atividade Fiscal RAF foram omitidas as remunerações de segurados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, além de informada a alíquota incorreta do GILRAT. Através da análise dos contratos sociais da Lucacuca Calçados Ltda (CNPJ n° 05.880.843/000143), Calçados Star Jader Ltda (CNPJ n° 94.144.979/000115) e Calçados Carvelli Ltda (CNPJ n° 08.721.787/000192), doravante também denominadas Lucacuca, Star Jader e Carvelli, foi identificado que na composição societária destas três empresas os sócios possuem grau de parentesco muito próximo. A Sra. Santa Alvete da Silva, sócia da Lucacuca e da Star Jader, é esposa de Clébio A. da Silva, irmão de Angelita da Silva e cunhado de Arlete Teresinha Freotas dos Santos, ambas sócias da Lucacuca. A Sra. Eveni da Silva é mãe de Vanda Maria da Silva (sócias da Carvelli), Clébio Antônio da Silva e Angelita da Silva (sócios da Lucacuca). Informa, ainda, o RAF que o Sr. Clébio Antônio da Silva possui procuração da Star Jader que lhe confere amplos poderes de gestão sobre a empresa outorgante. A Sr3 Santa Alvete da Silva é responsável pela administração da Lucacuca e da Star Jader, exercendo suas funções na Seção Administrativa, comum às duas empresas. Conclui, a auditoria fiscal, que as decisões sobre os negócios das três empresas são tomadas pelas mesmas pessoas, ligadas por laços familiares. A auditoria constatou que as três empresas funcionam no mesmo endereço da autuada, ou seja, na Rua Espírito Santo n° 122 em Sapiranga RS. Embora a Carvelli, tenha registrado no contrato de fundação a sede na Rua Major Bento Alves n° 3260, sala 02, Bairro Amaral Ribeiro, SapirangaRS, através da alteração contratual de Fl. 346DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.000607/200906 Resolução nº 2302000.198 S2C3T2 Fl. 13 3 28/07/2008 passou a ter sede na Rua Espírito Santo n° 122, Sapiranga RS. A auditoria informa que foram verificados os responsáveis pela energia e IPTU, no endereço de fundação da Carvelli Calçados Ltda, constatando que os responsáveis nunca tiveram vínculo com a empresa. Informa a fiscalização que da análise da escrituração contábil da autuada detectou que as três empresas estão sendo utilizadas de tal forma que desaparece a individualidade dos objetivos das pessoas jurídicas, assim como se confundem os objetivos sociais. A Carvelli Calçados Ltda presta serviços somente à autuada e sua receita depende integralmente desta. Não há qualquer patrimônio imobilizado informado no Balanço Patrimonial da Carvelli. Conclui que a Carvelli utiliza máquinas e equipamentos da Lucacuca e/ou Star Jader, para atingir seu objetivo social, cujos custos de depreciação e matéria prima são suportados pela Lucacuca e Star Jader. Não há registros na contabilidade da Carvelli Calçados Ltda de despesas com aluguéis, energia ou qualquer outro custo fabril, necessário à atividade industrial. Informa que a Carvelli desenvolve suas atividades no endereço da Lucacuca e que os repasses desta àquela são para saldar compromissos decorrentes de salarios e encargos. Infere, com base no Demonstrativo de Resultados do Exercício de 2007, que 97,27% do custo da Carvelli corresponde a pessoal, evidenciando total dependência da autuada. Também informa que, com base no Demonstrativo de Resultados do Exercício de 2007, a receita bruta da Star Jader Ltda é oriunda de atos comerciais praticados com a Lucacuca Calçados Ltda. Quanto as relações trabalhistas, informa que houve transferência da mãode obra da Star Jader e da Lucacuca para a Carvelli (04/2007) e que, em 12/2007, a folha de pagamentos estava concentrada nesta última (121 segurados), enquanto a Star Jader tinha 14 segurados e a Lucacuca 41. Também foi verificado, no inicio do procedimento fiscal, que os segurados da linha de produção da autuada vestiam uniformes da Carvelli, embora exercendo suas atividades nas dependências da Lucacuca Calçados Ltda. Ao entrevistar operários no endereço da autuada, o auditor defrontouse com segurados empregados das outras empresas, prestando serviços na Lucacuca. Menciona o caso do Sr. Célio Rogério Muller que se identifica como Gerente Comercial do Grupo Lucacuca e, no seu cartão de apresentação, consta o telefone da Calçados Star Jader Ltda. Tal situação se repete com os segurados da seção administrativa que ocupam espaço no prédio da Calçados Star Jader Ltda. A segurada Caroline Bu ttenbender é responsável pela emissão de notas de saída das três empresas, embora registrada na Calçados Star Jader Ltda., Valdivia Luiza Fáber é responsável pela administração dos recursos humanos das três empresas, mas está registrada na Star Jader: data de admissão em 07/06/2004 e demissão em 02/07/2007. Descreve outras situações que comprovam a mistura de empregados entre as empresas Lucacuca Calçados Ltda., Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda. Aduz, ainda, que decisões importantes, como as ordens de produção para o mercado externo da autuada, eram tomadas por empregados da Star Jader. Por fim, informa Fl. 347DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.000607/200906 Resolução nº 2302000.198 S2C3T2 Fl. 14 4 que a Carvelli Calçados paralisou suas Adoto o relatório constante do Acórdão n. 1033.187 – 7ª Turma da DRJ/POA, de 20/07/2011 [fls. 300 e ss]: O presente lançamento decorre do Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 10.1.07.00200800441 e prorrogações que determinou a ação fiscal na Lucacuca Calçados Ltda, CNPJ n° 05.880.843/000143. Na mesma ação fiscal foram emitidos os seguintes Autos de Infração AI: 1) AI Debcad n° 37.169.7484 relativo as contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquelas para financiamento dos benefícios em razão de incapacidade laboratíva (principal); 2) AI Debcad n° 37.169.7514 relativo as contribuições devidas a terceiros: INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE; 3) AI Debcad n° 37.169.7492 relativo as contribuições d o s s e g u r a d o empregados e contribuintes individuais. O crédito previdenciário constituído no presente AI, no valor de R$152.855,70 (cento e cinqu enta e dois mil oitocentos e cinqu enta e cinco reais e setenta centavos), referese ao descumprimento da obrigação acessória de declarar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias.Segundo o Relatório da Atividade Fiscal RAF foram omitidas remunerações de segurados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl.92) foram omitidas remunerações pagas, devidas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e contribuintes individuais na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Informa que o presente AI decorre da aplicação da multa de 24% somada a multa da infração (CFL 68) ser mais benéfica que a da MP 449/2008 (75%). A autuada apresentou impugnação tempestiva em 28/10/2009 alegando que é pessoa jurídica de direito privado e tem por objeto a indústria, comércio, importação e exportação de calçados em geral, componentes de couro, etc, e que sua atividade preponderante é a atividade exportadora e que começou a exercêla em 01/10/2003. Presume pelo lançamento que foram omitidos segurados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações para a Previdência Social – GFIP vinculados aos Autos de Infrações Debcad n°s 37.169.7484, 37.169.7492 e 37.169.7514 que considerou os segurados das prestadoras Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda como seus segurados por desconsiderar os atos negociais realizados. Argumenta que não foi descrito no Relatório Fiscal da Multa a infração praticada. Aduz que não há fato, somente transcrição da legislação. Alega que não havendo descrição da infração, foi cerceado Fl. 348DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.000607/200906 Resolução nº 2302000.198 S2C3T2 Fl. 15 5 em seu direito de defesa. Afirma que não há indicação da infração e sua extensão, consoante os artigos 10, inciso III e 11 inciso III, do Decreto n° 70.235/72, razão de requerer sua nulidade. Alega que o Auto de Infração é nulo por não observar o previsto no parágrafo único do artigo 15 da Portaria RFB n° 11.371/2007, publicada no Diário Oficial da União D.O.U. de 20/12/2007, ou seja, extinto o Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 10.1.07.002008 00369 em 08/04/2008, este não poderia ser fundamento para o lançamento e, tampouco, terem sido indicados os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil — AFRFB Eduardo Godoy Correa e Paulo Fernando Aprato Reuse no MPF n° 10.1.07.00200800441, expedido em 09/05/2008, não citado no relatório fiscal, por terem executado o primeiro MPF. Logo, considera nulos os atos praticados por estes auditores por estarem impedidos pelo artigo 15 da Portaria RFB n° 11.371/2007, combinado com o artigo 10 do Decreto n° 70.235/72 e inciso I do artigo 59 do CTN. Afirma que o lançamento não observou o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador da obrigação, por estar sujeito a homologação, conforme previsão do parágrafo 4 o do artigo 150 do CTN. Conclui que o fisco não poderia lançar valores anteriores a 30/09/2004, não sendo passíveis de lançamento as competências 01/2004 a 09/2004. Quanto a multa aplicada no lançamento, insurge se a autuada, com o argumento de que a Medida Provisória n° 449 de 03.12.2008, convertida na Lei n° 11.941/2009 revogou o parágrafo 5 o do artigo 32 da Lei n° 8.212/91, e, portanto, equivocado o presente lançamento fiscal. Conclui que em 02/09/2009, o fundamento da multa aplicada havia sido revogado, não podendo servir de base legal ao lançamento. Alega que o presente AI depende do julgamento dos demais processos porque decorre da desconsideração da relação de emprego entre segurados e as prestadoras Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda, eis que refutada a terceirização entre a autuada e as prestadoras. Considera incabível a autuação pois decorre de descaracterização de segurados das prestadoras, logo, deveriam constar na GFIP destas. Insurgese contra a multa aplicada, alegando critério desproporcional e efeito confiscatório, violando princípios constitucionais de razoabilidade e proporcionalidade. Discorre sobre os conceitos de razoabilidade e proporcionalidade e sua aplicação para mostrar a inconstitucionalidade e ilegalidade da multa aplicada. Requer, caso mantido o AI, seja aplicada a multa prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212/91 com base na alínea "c", inciso II do artigo 106 do CTN. Frente a todo o exposto requer: a) que seja reconhecida a presente impugnação; b) seja declarado nulo o AI n° 37.169.7387, tendo em vista o parágrafo 3 o do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72; c) retificação do lançamento observando a aplicação da multa menos gravosa; d) produção de todos os meios de prova , no que tange a Fl. 349DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.000607/200906 Resolução nº 2302000.198 S2C3T2 Fl. 16 6 diligências e perícias, eventualmente necessárias; e d) seja dada ciência de todo e qualquer ato referente ao presente, ao contribuinte e seus advogados, no endereço constante na procuração. Em 20/07/2011, foi prolatado decisum administrativo que julgou procedente a autuação. No dia 05/08/2011, o representante do sujeito passivo foi cientificado do Acórdão acima numerado, tendo interposto recurso voluntário em 01/09/2011. Ressaltese que o objeto do recurso foi o mesmo da defesa apresentada junto a DRF. É o relatório. O recurso foi interposto tempestivamente; pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. IDILIGÊNCIA Após realizar a leitura e revisão dos documentos juntados pela RFB e pelo sujeito passivo ao logo desta marcha processual, verificase que a fiscalização desconsiderou os atos negociais praticados entre a autuada e as pessoas jurídicas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda. por concluir que as empresas Lucacuca, Star Jader e Carvelli não são três empresas independentes mas mera simulação com o objetivo de usufruir de tratamento tributário diferenciado e favorecido dado às microempresas e empresas de pequeno porte, denominado "SIMPLES", a que estiveram submetidas as empresas Calçados Star Jader Ltda e Calçados Carvelli Ltda, tendo como objetivo, não recolher contribuições previdenciárias patronais. Segundo consta do relatório fiscal, a RFB utilizouse também das informações colhidas em outro processo [n. 11065.100498/200675] para afastar a identidade das pessoas jurídicas, conforme se observa abaixo: Fl. 136 […] Através de informações obtidas do relatório constante do processo 11065.100498/200675 (anexo III) e cópia dos documentos de identidade (RG) e CPF, relaciono abaixo o grau de parentesco entre os sócios componentes das empresas: Lucacuca, Star Jader e Carvelli. Em contraponto, a ora Recorrente suscitou – em sua impugnação cerceamento do direito de defesa: Fl. 868 [...] A autoridade fiscal afirma, em fl. 4 do seu relatório, ter obtido informações no processo n.° 11065.100498/200675, bem como em fl. 9 e 10 afirma ter entrevistado várias pessoas. O processo citado a impugnante desconhece e, as entrevistas, se efetivamente foram feitas, não houve o acompanhamento da impugnante. Ou seja, houve alegação de cerceamento de defesa sob o argumento de que, no relatório fiscal, consta que a autoridade lançadora obteve informações no processo n° 11065.100498/200675 e entrevistou várias pessoas, cujo processo é desconhecido pela Recorrente, bem como o teor das entrevistas que, se efetivamente feitas, não foram acompanhadas pela autuada. Dito, conclui que foi cerceado no seu direito de defesa, pois não teve como se manifestar em relação a tais provas de convencimento. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.000607/200906 Resolução nº 2302000.198 S2C3T2 Fl. 17 7 Analisando o Relatório da Ação Fiscal do processo n. 11065.100498/200675 verifico que os elementos daquela acusação se assemelham aos que aqui serão analisados [fls. 306]: […] Reunindo os fatos expostos, é flagrante a inexistência de separação entre fiscalizada e Calçados Star Jader como unidades empresariais, ficando evidente a existência daquela como mero órgão desta, ou seja, as duas constituem uma única entidade. Assim sendo, uma vez provado que o contribuinte não constitui uma entidade distinta da empresamãe, a fiscalizada não pode se creditar de PIS e COFINS em relação aos serviços de mãodeobra adquiridos deste fornecedor por expressa vedação legal ao creditamento sobre a folha de salários (Leis 10.637/02 e 10.833/03, artigo 3o , § 2o : "não dará direito a crédito (...) o valor de mãode obra paga a pessoa física"). Isto posto, consideramos necessário desconsiderar os serviços de industrialização por encomenda prestados por Calçados Star Jader Ltda para Lucacuca Calçado Artesanal Ltda (notas fiscais 3035, 3054, 3076, 3090, 3103, 3111, 3128, 3148 e 3159 cujas cópias se encontram as para efeitos de gerar créditos de PIS e COFINS. Dito isso e diante da necessidade de esclarecer o desfecho do processo n. 11065.100498/200675 – não consta dos autos o resultado final – com o objetivo de permitir a formação do convencimento deste julgador, CONVERTO o julgamento em diligência para que a Receita Federal do BrasilRFB faça juntar ao presente cópia integral dos autos do processo n. 11065.100498/200675 e informação quanto ao resultado final do referido. Após o cumprimento, deverá o sujeito passivo ser intimado para, querendo, manifestarse no prazo de 15 [quinze] dias em face dos documentos juntados. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Fl. 351DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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