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Numero do processo: 10783.724592/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.609
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em admitir parcialmente os embargos de declaração para sanar as omissões/obscuridades relativas às nulidades e apuração do crédito presumido, vencida a Conselheira Lenisa Prado que admitia também em relação à matéria relativa aos créditos extemporâneos e, no mérito, o julgamento foi convertido em diligência para que a recorrente apresente laudo ajustado de acordo com as considerações efetuadas no Termo de Encerramento de Diligência, itens 8.30 a 8.38 (e-fls. 746/748 dos autos eletrônicos), de acordo com as instruções constantes no voto da relatora.
Designada a Conselheira Maria do Socorro Aguiar para redigir o voto vencedor quanto à
rejeição dos embargos na matéria relativa aos créditos extemporâneos.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em admitir parcialmente os embargos de declaração para sanar as omissões/obscuridades relativas às nulidades e apuração do crédito presumido, vencida a Conselheira Lenisa Prado que admitia também em relação à matéria relativa aos créditos extemporâneos e, no mérito, o julgamento foi convertido em diligência para que a recorrente apresente laudo ajustado de acordo com as considerações efetuadas no Termo de Encerramento de Diligência, itens 8.30 a 8.38 (e-fls. 746/748 dos autos eletrônicos), de acordo com as instruções constantes no voto da relatora. Designada a Conselheira Maria do Socorro Aguiar para redigir o voto vencedor quanto à rejeição dos embargos na matéria relativa aos créditos extemporâneos. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora (assinatura digital) Maria do Socorro Aguiar - Redatora designada Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .7 24 59 2/ 20 11 -1 1 Fl. 1.023Fl. 1.023 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .7 24 59 2/ 20 11 -1 1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária julho de 2017 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins ADM DO BRASIL S.A. ADM DO BRASIL S.A. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. parcialmente os embargos de declaração para sanar as omissões/obscuridades relativas às parcialmente os embargos de declaração para sanar as omissões/obscuridades relativas às nulidades e apuração do crédito presumido, vencida a Conselheira Lenisa Prado que admitia nulidades e apuração do crédito presumido, vencida a Conselheira Lenisa Prado que admitia também em relação à matéria relativa aos créditos extemporâneos e, no mérito, o julgamento Fl. 1023DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.024 ___________ Tratam-se de embargos de declaração opostos pela contribuinte ADM do Brasil S.A., com arrimo no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, com a redação aprovada pela Portaria MF n. 343, de 2015, contra o Acórdão n. 3302- 003.014, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. INSUMOS. CRÉDITO. CONCEITO. NÃO-CUMULATIVIDADE. PIS/ COFINS. Somente serão considerados como insumos para apropriação de créditos próprios do sistema não-cumulativo do PIS/COFINS os custos dos serviços e bens que forem utilizados direta ou indiretamente pelo contribuinte na produção/fabricação de produtos/serviços; forem indispensáveis para a formação do produto/serviço final e forem relacionados ao objeto social do contribuinte. INSUMOS. TRANSPORTE. DESLOCAMENTO ENTRE UNIDADES DA PRÓPRIA CONTRIBUINTE. Os gastos com transporte de matérias-prima entre as unidades da própria contribuinte para processamento, são considerados custo de produção, o que resulta em créditos a serem apurados. Direito creditório reconhecido. RATEIO. DESPESAS COMUNS. CONDOMÍNIO PORTUÁRIO. MOVIMENTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO. ÁGUA. Há nos autos reconhecimento da autoridade fiscal que a contribuinte também atua como prestadora de serviços. Diante da comprovação da existência de vinculação entre as despesas incorridas e o embarque das mercadorias de terceiros, é de ser reconhecido o direito creditório. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Diante da expressa previsão legal, não é possível reconhecer como direito a crédito os custos decorrentes da depreciação dos vagões de trens, já que os vagões são utilizados para transporte da mercadoria acabada até o terminal portuário (Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, art. 3º). Créditos não reconhecidos. SOJA. CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATO DE PREÇO A FIXAR. Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.025 3 A Lei n. 10.925/2004 revogou o direito ao crédito presumido previsto nas Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Créditos não reconhecidos. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA DACON. Para a utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste comprovada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação e outra prova inequívoca da não utilização. Créditos não reconhecidos. Em 28/07/2016 foi proferido o juízo positivo de admissibilidade (fls. 1012/1022), oportunidade na qual foi reconhecida a existência das seguintes omissões e contradições no acórdão recorrido: 1) Omissão sobre as preliminares de nulidade da decisão proferida pela instância a quo, bem como sobre o argumento de nulidade do despacho decisório que denegou a apropriação dos créditos reclamados; 2) Contradição/omissão sobre os critérios de apuração dos créditos presumidos da agroindústria; 3) Obscuridade/contradição sobre os fundamentos referentes ao direito de apropriação dos créditos extemporâneos. Diante do teor do despacho acima indicado, os autos do processo foram devolvidos a este Colegiado, para que os vícios apontados sejam sanados através de novo julgamento. É o relatório. VOTO 1. DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO O acórdão embargado foi encaminhado a Caixa Postal eletrônica do contribuinte em 19/05/2016 (fl. 957). O contribuinte acessou o teor do documento em 20/05/2016, conforme atesta o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, acostado à folha 961 dos autos eletrônicos. Os embargos de declaração foram tempestivamente protocolizados em 27/05/2016 (Termo de Solicitação de Juntada, folha 963). Considerando o prazo previsto no § 1º do art. 65 do RICARF1, é de rigor o conhecimento dos embargos. 2. SOBRE O CABIMENTO DOS EMBARGOS A embargante sustenta que o acórdão recorrido está maculado pelos vícios da omissão e contradição, o que enseja o acolhimento dos aclaratórios. Diante do reconhecimento da existência dos vícios apontados pela embargante no despacho de admissibilidade, é de rigor o saneamento do acórdão. 1 § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.026 4 2.1. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DAS PRELIMINARES DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA E DO DESPACHO DECISÓRIO. A embargante afirma que a turma julgadora quedou-se inerte a respeito da nulidade da decisão de primeira instância e do despacho decisório que deu origem ao processo administrativo em tela. Afirma que: "Ressalte-se que, embora conste da ementa do acórdão embargado uma breve e genérica menção ao afastamento da nulidade do despacho decisório, bem como no relatório do acórdão uma alusão ao argumento da nulidade da decisão de primeira instância, tais preliminares não foram objeto de mínima análise fundamentada por parte dos Ilustres Conselheiros" (fls. 5 e 6 da petição dos embargos). Consta no acórdão embargado que, sobre as preliminares apontadas, adotou-se as conclusões apresentadas na assentada que culminou com a resolução. A saber, segue o trecho pertinente: "Na sessão de julgamentos ocorrida no dia 10/09/2014, esta turma julgadora, em preliminar, afastou os argumentos defendidos pela contribuinte sobre a nulidade da decisão de primeira instância, em face da ausência de motivação, bem como a alegada nulidade do despacho decisório diante da ausência de clareza sobre os critérios utilizados para glosar parte dos créditos presumidos (art. 8º da Lei n. 10.925/2004)". É cediço que o julgador - seja na esfera administrativa ou judicial - "não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão"2. No entanto, existe previsão expressa no Regimento Interno deste Conselho no sentido de que as preliminares, ainda que já examinadas, deverão ser reapreciadas na oportunidade do efetivo julgamento do recurso voluntário. Verbis: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificando-se, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 5º No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. (grifos nossos). Diante da expressa previsão regimental, é de rigor a devida apreciação sobre as preliminares argüidas pela recorrente. São elas: 2 EDCL no RESP n. 847.641/RS, Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, Data do Julgamento 24/06/2009, Data de publicação no DJe 03/08/2009. Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.027 5 2.1.1. DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E CONSEQÜENTE PRETERIMENTO DE SEU DIREITO A AMPLA DEFESA. A recorrente sustenta que autoridade que proferiu o despacho decisório valeu-se, unicamente, da letra da lei (art. 3º da Lei n. 10.637/2002; art. 66 da Instrução Normativa n. 247/2002; art. 3º da Lei n. 10.833/2003 e art. 8º da Instrução Normativa n. 404/2004) para decidir a questão posta nos autos. A ausência de avaliação dos fatos e provas constantes dos autos é fator que enseja a nulidade da decisão, sustenta a contribuinte. Apresenta como fundamento de sua indignação manifestação doutrinária de Marcos Vinicius Neder 3 , artigos da Lei n. 9.784/1999, o art. 59 do Decreto n. 70.235/1972, bem com julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Compulsando os autos, verifico que a alegação da contribuinte não procede. Isso porque, apesar de robustamente calcada nas normas pertinentes, a autoridade fiscal ponderou também sobre os aspectos fáticos da atuação da contribuinte. Destaco os excertos do Despacho Decisório como ilustrativos de minha dedução: "18. As despesas relativas a limpeza, laboratório, viagens, entretenimento, hospedagens, uniformes, alimentação, médicas, escritório, telefone, informática, copa/cozinha, etc, apesar de importantes como suporte às atividades da empresa, enquadram-se como insumos indiretos, não relacionados diretamente com a produção de bens destinados à venda, o que não as credencia, no caso concreto, a integrar o rol de insumos que geram créditos na sistemática da não- cumulatividade da Cofins, nos termos do art. 8º, § 4º, I e II da IN SRF n. 404, de 2004, com suporte no art. 3º, II da Lei n. 10.833, de 2003. 19. No que tange especificamente à conta 133020.502, relativa ao suprimento lenha, as glosas referem-se a aquisições de pessoas físicas e a despesa relativa ao corte de madeira. Com relação às aquisições de lenha de pessoas físicas, como se sabe, um dos pressupostos para a obtenção de créditos na sistemática da não-cumulatividade da Cofins é a aquisição de pessoas jurídicas domiciliadas no País, com as exceções prevista na lei (o que não foi o caso do item sob análise), de acordo com o art. 3º, § 3º, I da Lei n. 10.833/2003. Quanto às despesas referentes a corte de madeira, trata-se de serviços prestados na floresta, sem relação direta com o produto em elaboração na indústria. A lenha (obtida a partir do corte da árvore), após o transporte da floresta à indústria, é que vai ser utilizada como fonte de energia térmica no processo de industrialização. Desse modo, a prestação de serviços relacionados ao corte de árvores vincula-se apenas indiretamente com o processo de industrialização, não havendo previsão legal para obtenção de créditos relativos a esses serviços". "24. Com relação a fretes, foram glosados os créditos apropriados sobre as despesas relativas às transferências internas, classificadas pelo contribuinte como fretes sobre transferências. Esses fretes referem-se a deslocamentos entre unidades da própria ADM, relativos ao envio da matéria-prima do armazém para a fábrica. Note-se que 3 NEDER, Marcus Vinícius. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2008, 3ª edição, p. 473. Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.028 6 aqui não há que se falar em frete vinculados à compra, tampouco de frete relacionado à operação de venda de que trata o art. 3º, IX, da Lei n.10.833/2003. Nessas transferências não há vínculos jurídicos estabelecidos entre a ADM e terceiros (compradores ou vendedores da matéria prima/produto). Os produtos são transportados dos armazéns (ADM). Ou seja, não se trata insumos diretos, serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. 25. No que se refere aos créditos apropriados em relação aos serviços utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, cabe o esclarecimento de que a unidade atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior e atende tanto à própria ADM quanto a terceiros (outras empresas que contratam seus serviços em razão de sua estrutura física e de sua expertise). Quando atende a terceiros, a unidade atua efetivamente como prestadora de serviços. Quando atende à própria ADM, as despesas relativas aos serviços portuários caracterizam-se como despesas vinculadas à comercialização, não havendo, neste caso, previsão legal para a apropriação de créditos na sistemática da não- cumulatividade da Cofins". Considerando o teor dos trechos acima colacionados, percebo que a decisão foi tomada, ao que tudo indica, após o cotejo entre a situação fática e o direito a que está submetida a contribuinte. Por esse motivo, não vislumbro motivos para decretar a nulidade pretendida. 2.1.2. SOBRE A NULIDADE DO DESPACHO RECORRIDO, QUE NÃO RECONHECEU PARTE DOS CRÉDITOS DE COFINS PLEITEADO PELA RECORRENTE SOB O ARGUMENTO QUE OS CRÉDITOS PRESUMIDOS RELATIVOS À AQUISIÇÃO DE SOJA TERIAM SIDO APROPRIADOS EM DESACORDO COM A LEI N. 10.925/2004. A recorrente se insurge contra o despacho decisório que, apesar de não ter admitido o cálculo do crédito presumido com base no preço médio de compra, não logrou êxito em demonstrar, de forma clara, qual fora o método eleito pela autoridade para valorar os créditos considerados e os créditos glosados, "tendo apresentado apenas as tabelas constantes do Anexo V do Despacho Decisório, as quais não esclarecem, de forma pormenorizada, a composição dos valores dos créditos presumidos de COFINS". Sobre esta preliminar, também não vislumbro o seu acolhimento. Isso porque, da leitura do Despacho Decisório, é fácil compreender que a metodologia adotada pelo fiscal difere daquela defendida pelo contribuinte exatamente no momento de sua apuração. Enquanto a contribuinte defende que para a apuração do crédito presumido pode valer-se dos valores médios da unidade de soja estocada no ano de 2003, a autoridade fiscal considera que para se chegar ao montante do crédito, dever-se-ia utilizar o valor efetivo das aquisições efetuadas nas respectivas datas de emissão das notas fiscais pelos fornecedores. A justificativa apresentada pela autoridade para essa interpretação do art. 8º, § 2º da Lei n. 10.925/2004 é que: Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.029 7 "Desse modo, seria possível efetuar diretamente as verificações relativas às aquisições, notadamente sua efetiva existência, os preços (se compatíveis com o praticado no mercado naquele momento) e a qualificação dos fornecedores, tópicos sensíveis à validação dos créditos presumidos na sistemática da não-cumulatividade da COFINS. Do modo esdrúxulo e extemporâneo como procedeu o contribuinte, sem previsão legal, tal verificação só seria possível com a análise da composição dos estoques armazenados ao longo do tempo e de sua dinâmica, considerando as entradas e saídas mensais, retroagindo o procedimento fiscal a períodos anteriores aos demonstrativos e aos pedidos de ressarcimento de referência, apresentados pelo próprio contribuinte; implicando, inclusive, em analisar novamente fatos jurídicos já objeto de verificações em procedimentos fiscais anteriores". Demonstrado que o procedimento adotado pela autoridade fiscal foi oportunamente informado no Despacho Decisório, passo ao próximo ponto. 2.2. CONTRADIÇÃO. DAS RAZÕES PARA A GLOSA DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. A embargante sustenta que o acórdão embargado está eivado pela contradição, uma vez que reconhece ser possível o aproveitamento dos créditos extemporâneos sem a retificação dos livros e declarações fiscais (DCTF e DACON), mas exige a comprovação da existência dos mencionados créditos. Aduz, ainda, que o acórdão recorrido alterou completamente a motivação da referida glosa, pois "simplesmente superou a questão da possibilidade do aproveitamento dos créditos sem a retificação dos correspondentes documentos fiscais, para contestar a existência dos referidos créditos, fato que jamais foi objeto de discussão no presente processo administrativo" (pg. 8 da petição dos embargos). Na hipótese dos autos o parecer da KPMG (que tinha por escopo demonstrar a existência de tais créditos) não foi admitido pela autoridade fiscal diante das falhas de metodologia verificadas. Desse modo é evidente que a contribuinte ora recorrente estava ciente sobre a necessidade de comprovar a existência dos créditos que pretende tomar a uso, mas a forma pretendida foi considerada tecnicamente imprestável. Para elucidar melhor o tema, reproduzo trecho do acórdão embargado: "E) Créditos extemporâneos. Necessidade de retificar as declarações fiscais. Pelos documentos apresentados pelo contribuinte, constata-se que os créditos extemporâneos reclamados referem-se a fretes (contratados nas operações de compra, de venda, e nas transferências internas no período de 02/2003 a 08/2006) e créditos presumidos da aquisição de soja para comercialização e industrialização (período de 02/2004 a 08/2006). O contribuinte solicitou a KPMG que efetuasse, a partir dos dados constantes no SINTEGRA, o recálculo do valor dos créditos presumidos, tomando por base tão somente os valores das aquisições de soja no momento da entrada da mercadoria dos silos. O fiscal não Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.030 8 considerou o parecer ofertado pela KPMG diante das falhas de metodologia verificadas" (fl.806). Consta no Relatório de Encerramento de Diligência: '26.22 Ora, o que é facultativo é o exercício do direito creditório. Se a opção for pelo não exercício do direito creditório, é evidente que não tem sentido a exigência de retificações do DACON e da DCTF. Por outro lado, quando há o manifesto desejo de exercício do direito creditório, como no caso em tela, a retificação do DACON e da DCTF impõe- se como medida necessária e obrigatória, como condição indispensável à verificação da efetiva existência desses créditos extemporâneos e se eles, eventualmente, já não foram apropriados nos respectivos períodos de apuração' (grifos no original - fls. 795). A contribuinte sustenta inexistir vedação legal para a apropriação dos créditos extemporâneos quando não apresentada retificação as Dacons referentes aos créditos reclamados. Sobre esse ponto, é interessante conhecer o teor do § 4º do art. 3º da Lei n. 10.637/2002: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º. O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes. Nesse mesmo sentido é a Instrução Normativa RFB n. 1200, publicada em 20/11/2012, que assim dispôs: Art. 12. Os valores retidos na fonte a título de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas Contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos administrativos pela RFB. (...) § 3º A restituição poderá ser requerida à RFB no mês subseqüente àquele em que ficar caracterizada a impossibilidade de dedução de que trata o caput. § 4º A restituição de que trata o caput será requerida à RFB mediante formulário Pedido de Restituição ou Ressarcimento, constante do Anexo I a esta Instrução Normativa. Constata-se que as normas de regência preconizam a possibilidade de apropriação dos créditos, ainda que em período posterior (desde que respeitados os prazos decadenciais), sem atrelar a qualquer necessidade de apresentar documentos retificadores. Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.031 9 No entanto, o direito aos créditos extemporâneos (aqueles que não foram apropriados no mês de sua referência) depende de comprovação sobre a sua existência, o que demanda do contribuinte a apresentação de documentos que afastem quaisquer dúvidas sobre o direito reclamado, especialmente aquelas que indiquem os valores (notas fiscais) e que os créditos ainda não foram utilizados (demonstrativos que apontem não terem sido os créditos utilizados nos meses após a sua aquisição). Mesmo que não seja obrigatória a retificação dos documentos fiscais para a apropriação extemporânea dos créditos, ainda sim é necessária a comprovação da existência dos mesmos. Diante da ausência de provas nos autos, deve ser mantida a glosa efetuada". Realmente há obscuridade/contradição no acórdão, ao tratar concomitantemente o assunto laudo da KPMG para recálculo do crédito presumido e o assunto necessidade de retificação do Dacon e da DCTF. Assim, há ser sanado tal vício. Sobre os créditos extemporâneos, assim se manifestou a autoridade fiscal no Despacho Decisório: "35. Preliminarmente, cabe pontuar que a linha 13 da ficha 16A do Dacon destina-se ao registro de outras operações com direito a crédito não contempladas nas linhas 1 a 12, para fatos jurídicos ocorridos no mês de referência do Dacon. Não se destina a registro de ajustes ou correções relativos a créditos eventualmente não apropriados em períodos pretéritos. Para esse objeto há procedimentos específicos normatizados, de modo a garantir o equilíbrio entre o exercício do direito do contribuinte com o dever/função da Fazenda Pública de promover as verificações necessárias no sentido de validar a operação e promover, se for o caso, as respectivas homologações de crédito. (...) 37. De acordo com as normas expedidas pela RFB, as retificações relativas aos fatos tratados neste tópico, consideradas as condições de admissibilidade, deveriam ser formalizados por meio de Dacon's retificadores, mediante a apresentação de novos demonstrativos elaborados com observância das mesmas normas estabelecidas para os demonstrativos retificados, substituindo-os integralmente. Além disso, caberia ao contribuinte apresentar novas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, relativas ao período retificado. Não foi o que fez o contribuinte. Ignorando as normas estabelecidas pela RFB, reuniu um grande volume de dados, abrangendo recálculos relativos a 43 (quarenta e três) meses, condensou tudo e, extemporaneamente, em 09/2006, lançou o somatório na linha 13, da ficha 16A, do Dacon, a título de outras operações com direito a crédito. 38. Assim, de modo como agiu o contribuinte, não foi possível promover as verificações necessárias à comprovação da existência dos referidos créditos e se esses eventuais créditos já não foram Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.032 10 utilizados para abater as contribuições devidas nos respectivos períodos de apuração". Da leitura do acima exposto conclui-se que o único fundamento apresentado pelo fiscal para a desconsideração dos créditos extemporâneos foi a inexistência de declarações retificadoras (Dacon e DCTF). Importante notar que não há alegação de que os créditos extemporâneos já tenham sido utilizados em outras compensações, ou que tenham sido constatadas incorreções quanto aos valores, já que o direito ao crédito sequer chegou a ser objeto de verificação pela autoridade fiscal. O fiscal afirma que a necessidade de retificação das declarações está expressa no regramento emanado da Receita Federal do Brasil. Porém, os artigos 3º, § 4º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, prevêem a possibilidade de apropriação de crédito de PIS/COFINS em períodos diversos daqueles em que apurados, sem fazer qualquer ressalva ou restrição. Verbis: "Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 4º. O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes". Desse modo, não existindo qualquer restrição de direito no texto da lei, não se pode admitir que tal restrição seja amparada e validada por atos infra-legais, como defende a autoridade fiscal. Assim, não há como se condicionar o direito de crédito à apresentação de declarações retificadoras, pois se a lei não fez tal ressalva, não cabe ao administrador, muito menos ao intérprete promover tal restrição. Não se pode transformar o descumprimento de obrigação acessória em cobrança de obrigação principal, em especial em casos como o presente, em que o contribuinte apresenta as informações necessárias para a apuração do crédito - como reconhece a autoridade-, e não há alegação de utilização em duplicidade, questionamentos sobre sua origem ou dúvidas a respeito da própria existência do crédito. Ademais, o art. 7º da Lei n. 10.426/2002 impõe a sanção devida pelo descumprimento da obrigação acessória e esta não é a rejeição/cancelamento do direito de crédito do contribuinte. Por esse motivo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a instância preparadora verifique a liquidez e certeza do crédito, quantificando-o e para que informe se foi aproveitado em outros períodos, demonstrando a memória de cálculo em relatório fiscal conclusivo. Ultimada a diligência, o contribuinte deverá ser cientificado da conclusão da apuração para que, se assim desejar, apresentar no prazo de 30 (trinta) dias sua manifestação a respeito das informações apresentadas, oportunidade em que poderá apresentar as provas que entender necessárias. 2.2. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. DAS RAZÕES PARA GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO. Sobre os créditos presumidos da agroindústria, transcrevo a lógica adotada pelo fiscal no parecer que fundamentou a lavratura do auto de infração impugnado: "Crédito Presumido Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.033 11 30. O contribuinte, no 3º trimestre de 2006, adquiriu, em grande quantidade, produto in natura de origem vegetal (soja), de produtores rurais pessoas físicas e de pessoas jurídicas que efetuaram vendas com suspensão da Cofins. Essa soja assim adquirida foi utilizada como insumo na fabricação de produtos destinados à alimentação humana e animal (óleo de soja e farelo de soja). Desse modo, apropriou-se o contribuinte de créditos presumidos relativos a essas aquisições, nos termos do art. 8º, da Lei n. 10.925, de 2004, e da IN SRF n. 660, de 2006. 31. Entretanto, verificou-se que, do total do crédito presumido apurado, apenas parte foi relacionada às aquisições realizadas nos respectivos períodos, considerando-se a data da emissão das notas fiscais pelos fornecedores e os valores nelas expressos. Parte significativa do crédito presumido foi apurada (de acordo com informação do contribuinte) com base no preço médio da soja estocada, quando da sua transferência do armazém para a indústria (calculado em relação aos estoques armazenados decorrentes de aquisições pretéritas, que remontariam ao ano de 2003). E o que estabelece o art. 8º, §2º, da Lei n. 10.925. de 2004, é que o 'direito ao crédito presumido' da Cofins, ' só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País". (fls. 36 e 37 - grifos nossos). Por sua vez a contribuinte sustentou em sua impugnação que: "b. Crédito presumido O artigo 8º da Lei n. 10.925/2004 determina que as pessoas jurídicas produtoras de determinados produtos de origem animal e vegetal fazem jus a crédito presumido de PIS e de COFINS sobre aquisições de produtos in natura de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas sujeitas à suspensão dessas contribuições em suas operações. Considerando que adquire soja in natura para a produção de derivados, tais como óleo de soja e farelo de soja, a Defendente registrou, com base no dispositivo legal acima, créditos presumidos de PIS e COFINS sobre as operações realizadas nas condições estabelecidas na legislação. Em tese, mais uma vez, as dd. autoridades fiscais não discordam do direito da Defendente a esses créditos presumidos de PIS e COFINS e até mesmo demonstraram ter compreendido o método adotado pela empresa para apuração desses créditos, como se verifica no seguinte trecho do Parecer SEFIS: (...) Então, com base nos fatos descritos acima, as dd. autoridades fiscais concluíram que a Defendente (i) faria jus aos créditos presumidos de PIS e COFINS apropriados no períodos em que foram realizadas as aquisições de soja e com base nos valores das respectivas Notas Fiscais, mas (ii) não faria jus aos créditos presumidos apropriados no momento da transferência da soja dos armazéns para as fábricas com base no valor médio da soja estocada. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.034 12 (...)Não obstante, a Defendente não pode deixar de rechaçar, mesmo que em tese, o argumento acima, na medida em que o método utilizado pela Defendente para o registro dos créditos presumidos de PIS e COFINS está em plena consonância com a legislação tributária e, acima de tudo, é coerente com sua operação. (...) Em outras palavras, o valor constante da Nota Fiscal emitida pelo produtor pode ser inferior ou superior ao preço do produto, que é fixado depois de sua entrega total, de acordo com um preço médio de compra pela Defendente. Essa forma de contratação é padrão para o mercado de commodities e é decorrente da significativa oscilação do preço desse tipo de produto em curtos espaços de tempo. (...) Nesse contexto, concluiu-se que o valor das Notas Fiscais que acompanham a entrega dos produtos adquiridos pelas filiais comerciais da Defendente, por não refletir o efetivo preço de aquisição desses produtos, não pode servir como base para a apuração dos créditos presumidos de PIS e COFINS".(fls. 308/313- grifos nossos) A instância de origem rejeita a lógica traçada pela contribuinte em sua impugnação diante dos seguintes termos: "5. Do crédito presumido A fiscalização apurou que do total do crédito presumido apurado, relativo a produto in natura de origem vegetal (soja) adquirido de produtores rurais pessoas físicas e de pessoas jurídicas que efetuaram vendas com suspensão da COFINS, apenas parte foi relacionada às aquisições realizadas nos respectivos períodos, considerando-se a data de emissão das notas fiscais pelos fornecedores e os valores nelas expressos. Parte significativa do crédito presumido foi apurada (de acordo com informação do contribuinte) com base no preço médio da soja estocada, quando de sua transferência do armazém para a indústria (calculado em relação aos estoques armazenados decorrentes de aquisições pretéritas, que remontariam ao ano de 2003). Assim a fiscalização elaborou o Anexo IV, na forma abaixo descrita: 1. Listou as notas fiscais de compra de cada filial; 2. Excluiu os valores das notas de devoluções de compra; 3. O valor apurado do total do item 1 diminuído do item 2 foi aquele considerado pela fiscalização; 4. Ao final, comparou-se o valor informado no DACON com aquele considerado pela fiscalização e a diferença é o valor não considerado; 5. Aplicou-se sobre a diferença, o coeficiente para apuração da base de cálculo do crédito presumido; Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.035 13 6. Aplicou a alíquota do PIS sobre o valor da base de cálculo para apurar o valor a ser glosado do crédito utilizado pelo contribuinte. (...) De fato, conforme afirma a fiscalização, a metodologia utilizada pela interessada, além de não prevista na legislação, não permite a verificação do crédito que só seria possível com a análise da composição dos estoques armazenados ao longo do tempo e de sua dinâmica, considerando as entradas e saídas mensais. (...) Assim, a forma correta de apropriação dos créditos é aquela utilizada pela fiscalização que considerou as notas de aquisição em seus respectivos períodos e as devoluções ocorridas. Desta forma, utiliza-se o valor correto da aquisição dos produtos, já que são consideradas as Notas Fiscais e as complementares e os valores das devoluções são diminuídos" (fls. 417/418 - grifos nossos). Em sede de recurso voluntário, a recorrente mantém a mesma linha de argumentação, reproduzindo o que já havia sido demonstrado na impugnação. Da linha argumentativa acima reproduzida, depreende-se que o ponto central da discussão sobre a glosa dos créditos presumidos sempre foi sobre a forma de apuração desses créditos. Não se questiona o direito a apropriação dos mesmos. A embargante alega que o pedido de ressarcimento por ela apresentado referia- se a créditos relativos a aquisições no mercado interno, vinculados à receita de exportação. Esclarece os seguintes fatos: "E o quanto se afirma sempre esteve claramente evidenciado nestes autos, como se observa através da análise das DACONs da Embargante, já juntadas a estes autos pelas próprias dd. autoridades fiscais. Como se vê nos referidos documentos, o crédito presumido de COFINS foi efetivamente utilizado, exclusivamente para a dedução da COFINS devida nos meses de julho, agosto e setembro de 2006, não havendo qualquer saldo remanescente compondo o valor do crédito pleiteado por meio do pedido de ressarcimento. É por tal motivo que as d. autoridades fiscais nunca acusaram a Embargante de ter pleiteado o ressarcimento dos créditos presumidos e, portanto, esse assunto nunca foi objeto da disputa. O que ocorreu foi que, ao analisar o pedido de ressarcimento apresentado pela Embargante, as dd. autoridades fiscais decidiram também analisar e glosar o crédito presumido, o que implicou, dentre outros motivos, a reapuração da COFINS do período e o indeferimento do crédito pleiteado e, conseqüentemente, a presente disputa. Dessa forma, tendo sido comprovado que a situação fática nestes autos não é aquela mencionada na r. decisão embargada, ainda pende de exame por essa d. Turma julgadora a validade dos créditos presumidos regularmente aproveitados pela Embargante, os quais foram rejeitados não por terem sido objeto de ressarcimento mas, sim, pela discordância do fisco quanto à sua forma de apuração, tal como Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.036 14 minuciosamente abordado em sede de recurso voluntário. E essa omissão deve ser sanada por meio de admissão e provimento destes aclaratórios". (pgs. 6 e 7 da petição dos embargos -grifos no original). Por seu turno, a decisão embargada trilhou um caminho estranho ao debate. Observa-se: "O problema dos autos está em inferir se o crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei n. 10.925/2004 pode ser aproveitado na forma estabelecida pelo art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei n. 10.637/2002 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei n. 10.833/2003, quando decorrente da exportação dos produtos. Em que pese as alegações defendidas nos autos, é imperioso traçar um breve histórico sobre as alterações legislativas recentes sobre o tema. O crédito presumido da agroindústria estava previsto, originariamente, nos §§ 10 e 12 do art. 3º da Lei n. 10.637/20024 e §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei n. 10.833/2003. Até aquele momento, quando o produto era objeto de exportação, gozava do benefício da tríplice forma de aproveitamento. Em 23 de julho de 2004, com a edição da Lei n. 10.925/20045, o crédito presumido até então previsto nas Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, foi expressamente revogado pela Lei n. 10.925/2004 (arts. 8º e 15). A nova lei restringe o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação6. Considerando que os créditos reclamados no processo administrativo em tela são referentes ao período de 07/2006 a 09/2006, ou seja, posteriores a mudança legislativa, é de rigor a manutenção da glosa questionada". Com efeito, a razão acolhida no acórdão embargado não guarda pertinência com os argumentos expendidos na autuação, sequer na decisão recorrida. Isso porque esta Turma 4 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal (...), destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. §12. Ressalvado o disposto no § 2º deste artigo e nos §§ 1º e 3º do art. 2º desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus - SUFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação de 1% (um por cento) e, na situação de que trata a alínea b do inciso II do §4º do art. 2º desta Lei, mediante a aplicação da alíquota de 1,65%. 5 Reduz as alíquotas de PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação e na comercialização do mercaod interno de fertilizantes e defensivos agropecuários e dá outras providências. 6 Julgando situação análoga à dos autos é salutar destacar o entendimento deste Conselho trazido no Acórdão n. 3403-002.763, proferido nos autos do Processo Administrativo n. 15586.720266/2011-77, de relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.037 15 julgadora manteve as glosas sobre os créditos presumidos da agroindústria diante da revogação promovida pela Lei n. 10.925/2004. A apuração dos créditos presumidos parcialmente deferidos pelo auditor fiscal, foram feitos, segundo consta no Despacho Decisório, seguindo os moldes estabelecidos pelo art. 8º, § 2º e § 3º, III da Lei n. 10.925/2004 7 , metodologia esta que resultou nos seguintes valores: TABELA VIII COFINS - INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA CRÉDITOS PRESUMIDOS - ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS (DACON - FICHA 16A, LINHA 26) GLOSAS - 3º TRIMESTRE 2006 Mês DACON Valores Considerados Valores Não Considerados Glosas Base de Cálculo (35%) COFINS (7,6%) 08/2006 63.244.322,40 42.070.233,40 21.174.099,00 7.410.934,65 563.231,03 09/2006 106.857.495,04 59.341.518,52 47.515.976,52 16.630.591,78 1.263.924,98 TOTAL 170.101.817,45 101.411.741,92 68.690.075,53 24.041.526,43 1.827.156,01 Porém, a recorrente afirma que os créditos foram indevidamente recalculados pela autoridade fiscal, já que o crédito presumido referente ao período foi efetivamente utilizado para compensar o saldo de COFINS devida nos meses de julho, agosto e setembro de 2006, e que "não existe saldo remanescente para compor o valor do crédito pleiteado por meio de pedido de ressarcimento". Das informações insertas na tabela acima reproduzida não é possível inferir se houve, efetivamente, a (re)apuração dos créditos já utilizados. Também não é viável saber, exatamente, quais notas fiscais foram consideradas e quais não foram (se a autoridade considerou também as notas de ajuste de preço). É certo e sabido que a adoção do regime de competência na apuração dos créditos próprios do regime da não-cumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória tanto pelo contribuinte quanto pela autoridade fiscal. 7 Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive as cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 e 3, exceto os produtos vivos desse capítulo e (...) todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. §2º. O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. §3º. O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: III - 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, para os demais produtos. Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.038 16 Porém, não pode a autoridade apresentar o texto frio da lei como esclarecimento sobre a metodologia por ela utilizada e valer-se de informações vagas e imprecisas. A contribuinte merece ter seu direito a informação preservado e exercido, de modo que é indispensável a apresentação de memória de cálculo suficientemente detalhada. Conclusão Diante do exposto, restando vencida quanto à omissão/contradição relativa à glosa de créditos extemporâneos, voto por acolher, parcialmente, os embargos de declaração para prestar-lhes efeitos infringentes, de modo a converter o julgamento em diligência para que a contribuinte: 1. Apresente laudo ajustado de acordo com as considerações efetuadas no Termo de Encerramento de Diligência, itens 8.30 a 8.38 (e-fls. 746/748 dos autos eletrônicos), refletindo todos os CFOPs que influenciem no levantamento e justificando a exclusão de CFOPs que não influenciam no levantamento, de acordo com a tabela 7 da e-fl. 746/747; 2. O laudo deverá ser apresentado à autoridade fiscal responsável pela diligência, para que esta, em caso de discordância com o laudo emitido pelo contribuinte, que apresente o cálculo ajustado que entender correto, explicitando as razões para tanto. Após concluídas as etapas acima, elaborar relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. É como voto. (assinatura digital) Lenisa Rodrigues Prado - Relatora Voto Vencedor Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Redatora Designada: Inicialmente cabe esclarecer com a devida vênia, que a divergência a seguir explicitada cinge-se ao suposto vício de omissão/contradição no v. acórdão embargado quanto à glosa dos créditos extemporâneos, apontado pela embargante, nos seguintes termos: (...) contradição no que diz respeito à fundamentação do acórdão embargado para justificar a glosa dos créditos extemporâneos, uma vez que o despacho decisório pautou a referida glosa tão somente na ausência de retificação dos documentos fiscais relativos aos créditos extemporâneos, ao passo que o acórdão embargado reconhece a possibilidade de apropriação destes créditos sem a necessidade de retificação da respectiva documentação fiscal, mas mantém a glosa por suposta falta de comprovação da existência dos referidos créditos extemporâneos, que jamais foi arguida no presente processo administrativo.(grifei) Observa-se dos fundamentos do Parecer SEFIS nº 180/2011, parte integrante do Despacho Decisório, fls.30/41: Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.039 17 De acordo com as normas expedidas pela RFB, as retificações relativas aos fatos tratados neste tópico, consideradas as condições de admissibilidade, deveriam ser formalizados por meio de Dacon's retificadores, mediante a apresentação de novos demonstrativos elaborados com observância das mesmas normas estabelecidas para os demonstrativos retificados, substituindo-os integralmente. Além disso, caberia ao contribuinte apresentar novas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, relativas ao período retificado. Não foi o que fez o contribuinte. Ignorando as normas estabelecidas pela RFB, reuniu um grande volume de dados, abrangendo recálculos relativos a 43 (quarenta e três) meses, condensou tudo e, extemporaneamente, em 09/2006, lançou o somatório na linha 13, da ficha 16A, do Dacon, a título de outras operações com direito a crédito. Assim, do modo como agiu o contribuinte, não foi possível promover as verificações necessárias à comprovação da existência dos referidos créditos e se esses eventuais créditos já não foram utilizados para abater as contribuições devidas nos respectivos períodos de apuração.(grifei). Constata-se que os fundamentos do Despacho Decisório aborda como premissa para a análise comprobatória da origem dos referidos créditos a existência de Dacon's retificadores e Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, relativas ao período retificado. Inconformado com a decisão de primeira instância, dispôs o Recorrente em sua peça recursal: Não obstante, a presente discussão certamente não versa sobre a natureza ou origem dos créditos extemporâneos registrados pela Recorrente, na medida em que as dd. autoridades fiscais sequer chegaram a analisar esse assunto. Com efeito, sob a alegação de que a única forma de reconhecer créditos de PIS e COFINS relativos a períodos anteriores consistiria em retificar os livros e declarações fiscais (especialmente a DCTF e DACON), as dd. autoridades fiscais simplesmente glosaram o valor integral do crédito extemporâneo registrado pela Recorrente. Na tentativa de fundamentar sua alegação, as dd._ autoridades fiscais mencionaram normativos da Receita Federal do Brasil que versam sobre a possibilidade de retificação de declarações fiscais e simplesmente afirmaram que, da forma como foi registrado o crédito extemporâneo, não seria possível comprovar sua existência.(grifei) Estabelecida a dialética processual com relação à apropriação dos créditos extemporâneos, constata-se dos excertos acima que a análise perpassa tanto pela obrigatoriedade ou não de retificação de declarações fiscais como pela comprovação da existência dos referidos créditos extemporâneos. Nesse sentido, destaca o voto embargado, conforme excertos a seguir transcritos: Constata-se que as normas de regência preconizam a possibilidade de apropriação dos créditos, ainda que em período posterior (desde que Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.040 18 respeitados os prazos decadenciais), sem atrelar a qualquer necessidade de apresentar documentos retificadores. (grifei) No entanto, o direito aos créditos extemporâneos (aqueles que não foram apropriados no mês de sua referência) depende de comprovação sobre a sua existência, o que demanda do contribuinte a apresentação de documentos que afastem quaisquer dúvidas sobre o direito reclamado, especialmente aquelas que indiquem os valores (notas fiscais) e que os créditos ainda não foram utilizados (demonstrativos que apontem não terem sido os créditos utilizados nos meses após a sua aquisição). Mesmo que não seja obrigatória a retificação dos documentos fiscais para a apropriação extemporânea dos créditos, ainda sim é necessária a comprovação da existência dos mesmos. Diante da ausência de provas nos autos, deve ser mantida a glosa efetuada.(grifei) Infere-se dos excertos acima que não assiste razão à embargante, haja vista que o raciocínio expresso nas razões de decidir do voto embargado parte da premissa de que a apropriação extemporânea dos créditos independe da "retificação dos documentos fiscais", situação segundo o referido voto que não afasta a necessidade de comprovação dos referidos créditos pleiteados. Assim, não se verifica qualquer omissão/contradição na fundamentação acima, uma vez que se infere das razões decisórias declinadas que a análise do direito creditório, ainda que extemporâneo prende-se tão somente à existência de comprovação deste, mesmo que não tenha havido a retificação da documentação fiscal pertinente. Ante as considerações acima, voto por NÃO ACOLHER os presentes embargos, uma vez que ausente a omissão/contradição apontada no Acórdão embargado. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Redatora designada Fl. 1040DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10245.900292/2009-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte.
Numero da decisão: 9101-002.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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DE SERV. LTDA. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 90 02 92 /2 00 9- 18 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10245.900292/200918 Acórdão n.º 9101002.769 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de despacho de não homologação de compensação efetuada pelo contribuinte em epígrafe. Nos termos do despacho decisório, o pagamento do tributo considerado indevido ou maior foi totalmente utilizado para a quitação de débito do sujeito passivo, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Melhor explicando, em virtude da não retificação da DCTF relativa ao débito pago, não foi identificado valor pago a maior pelo Contribuinte, pois o DARF foi integralmente utilizado para quitação do débito declarado. Inconformado o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, dentre outros argumentos, que efetuou a retificação da DIPJ do período previamente, de modo que o pagamento a maior foi devidamente informado à Receita Federal. A Manifestação de Inconformidade foi julgada totalmente improcedente, sob o fundamento de que é condição necessária para que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a anterior. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso a Turma a quo a ele deu provimento. Cientificada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência. A Autoridade competente pela análise de admissibilidade do Recurso, a ele deu seguimento. Regularmente intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.766, de 06/04/2017, proferido no julgamento do processo 10245.900267/200926, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.766): Não obstante a didática e clara exposição do voto do i. Relator, apresento divergência quanto ao mérito. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10245.900292/200918 Acórdão n.º 9101002.769 CSRFT1 Fl. 4 3 O caso trata de compensação pleiteada pela Contribuinte, em razão de pretenso pagamento a maior de tributo. O despacho eletrônico que apreciou o pedido de reconhecimento de direito creditório atestou que o pagamento do tributo efetuado estava integralmente vinculado a débito do mesmo tributo confessado em DCTF. Ou seja, o pagamento no valor "X" estava confessado na DCTF no qual constava o mesmo valor "X". Nesse sentido, entendeuse que não haveria crédito disponível para a compensação. Discutese se, em razão de retificação de declaração, alterando para menor ("X 1") o valor do tributo apurado, tal fato seria suficiente para demonstrar a ocorrência de pagamento a maior. São os fatos. Passo ao exame. Não obstante o envio de declaração retificadora, alterando o valor do tributo para um valor a menor, o que se mostra relevante é que tal alteração implica em uma revisão no valor do tributo confessado em DCTF. Ocorre que a DCTF tem efeito de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei n.º 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da SRF e RFB que dispõem sobre a DCTF). Os débitos informados podem ser objeto de cobrança administrativa e, caso não liquidados, são enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Nesse contexto, eventual retificação dos valores antes nela informados, procedida pelo interessado ou de ofício devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte e de documentação apta a lastrear os registros contábeis. Ou seja, a mera apresentação de informações prestadas em DIPJ, por si só, não se mostra suficiente para comprovar a efetiva ocorrência de erro no preenchimento do valor do tributo confessado em DCTF. Ademais, cumpre esclarecer que no processo de reconhecimento de direito creditório o ônus da prova é da parte que alega ser detentora do crédito, qual seja, a Contribuinte. Assim, eventual retificação de declaração com efeito de confissão de dívida que tenha repercussão no crédito pleiteado deve estar acompanhada de documentação probatória, que inclusive poderia ter sido apresentada no decorrer da fase contenciosa, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 c/c os §§ 9º, 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse contexto, não tendo a defesa apresentada pelo sujeito passivo trazido conjunto probatório apto a lastrear a retificação da DCTF, necessário para deixar o julgador convicto de que efetivamente ocorreu o erro de preenchimento na declaração, devese reformar a decisão recorrida. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10245.900292/200918 Acórdão n.º 9101002.769 CSRFT1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Não tendo sido apresentada no prazo regimental1, considerase não formulada a declaração de voto. Declaração de Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza Não tendo sido apresentada no prazo regimental2, considerase não formulada a declaração de voto. 1 RICARF, Anexo II: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. 2 RICARF, Anexo II: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.000386/96-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, converter o feito em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, converter o feito em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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Resolvem os membros do Colegiado, converter o feito em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .0 00 38 6/ 96 -1 5 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13896.000386/9615 Resolução nº 2401000.602 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O contribuinte acima identificado insurgese contra o lançamento consubstanciado no espelho de fl. 03, que alterou o resultado de sua declaração relativa ao ano calendário 1993, de saldo do imposto a pagar de 17.059,74 UFIR para saldo de imposto a pagar de 26.875,68 UFIR, em razão de glosa de dedução do imposto pago no exterior, pleiteada na declaração de ajuste anual (fls.10/21), na quantia de 9.815,94 UFIR. Inconformado, o contribuinte requer, por meio de impugnação protocolada em 17/06/1996 (fl. 02), o restabelecimento da referida dedução, apresentando como comprovação o formulário W2 Wage and Tax Statement 1993 (fl. 05), devidamente traduzido para o vernáculo (fl. 05), às cópias de fls. 06/08 atestando a existência nos Estados Unidos de lei que permite a reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil, e a cópia da declaração de ajuste anual relativa ao anocalendário 1993 (fls. 10/21). Tendo em vista que, no caso em comento, não era possível, a partir do simples exame do formulário W2 Wage and Tax Statement 1993 (fl. 05), devidamente traduzido para o vernáculo (fl. 05), e do quadro 2 da declaração (fl. 34) correspondente aos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior, determinar o valor do imposto pago no exterior que pode ser compensado na declaração de ajuste, resolveuse por instruir os autos, mediante intimação ao contribuinte (fls. 44/45 e 49/50). Assim, o contribuinte foi instado a apresentar o demonstrativo contendo, mês a mês os valores dos rendimentos recebidos no exterior e do respectivo imposto pago no exterior (tanto em dólares norte americanos como em cruzeiros/cruzeiros reais e em UFIR) inclusive data de seu recebimento/pagamento, bem como demonstrativo dos rendimentos recebidos de pessoas físicas, discriminados mês a mês (em cruzeiros/cruzeiros reais e UFIR), acompanhados de comprovação quando possível. Em resposta, o contribuinte apresentou, por meio de seu procurador (fl.53) o documento de fl. 52 emitido por seu empregador no exterior. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1.677 da 7ª Turma da DRJ/SP, às fls. 57/61, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Recordese: “Assunto: Imposto sobre a Renda, de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1993 Ementa: IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. DEDUÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. COMPROVAÇÃO. A dedução do imposto pago no exterior não poderá exceder a diferença entre o imposto calculado sem a inclusão dos rendimentos recebidos de Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13896.000386/9615 Resolução nº 2401000.602 S2C4T1 Fl. 4 3 fontes situadas no exterior e o imposto devido com a inclusão dos mesmos rendimentos. Compete ao contribuinte o ônus da prova de que faz jus à dedução do imposto pago no exterior, pleiteada na declaração de ajuste. Lançamento Procedente” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 77/80), no qual o contribuinte alega: a) que a glosa não deve subsistir, uma vez que restou demonstrado, com a análise dos documentos de fls. 4/8, o valor do imposto pago no exterior; b) foi solicitada a apresentação de demonstrativo de valores recebidos no exterior mês a mês e isso foi feito como se depreende dos documentos acostados às fls. 51/52 dos autos; c) o valor retido nos Estados Unidos correspondia a US$ 4.693,38 em 26/01/1994, que correspondia a CR$ 1.790.665,20 equivalente a 9.815,94 UFIRS em dezembro de 1994, como constou na declaração de Ajuste Anual; d) vale dizer que a Receita Federal esclareceu a existência de reciprocidade na legislação dos Estados Unidos. Assim, na reciprocidade não há documento assinado com o país estrangeiro. A prova da reciprocidade é a legislação do imposto de origem dos rendimentos. A legislação americana permite que, ao declarar o rendimento auferido no Brasil, o imposto cobrado aqui seja deduzido lá e viceversa e e) o que se depreende que a glosa não tem qualquer fundamento pelos motivos acima expostos. E mais, o documento traduzido apresentado já era suficiente para comprovar a compensação efetuada, não sendo obrigatória a apresentação de qualquer outra planilha, o que, apesar disso, o Recorrente apresentou posteriormente, após a intimação. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13896.000386/9615 Resolução nº 2401000.602 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 01/10/2008 conforme Avisos de Recebimento às Fl. 66, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 28/10/2008 (fl. 77), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA DILIGÊNCIA A questão objeto do recurso referese, resumidamente, à glosa de dedução de imposto pago no exterior, pleiteada na declaração de ajuste anual atinente ao anocalendário 1993. Importa fazer uma retrospectiva da legislação que permite a compensação do imposto pago no exterior incidente sobre os rendimentos lá auferidos. Dispõe o artigo 5º da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965: “Art 5º As pessoas físicas, residentes ou domiciliadas no território nacional, que declarem rendimentos provenientes de fontes situadas no estrangeiro, poderão deduzir do impôsto progressivo, calculado de acôrdo com o art. 1º importância em cruzeiros equivalente ao impôsto de renda cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos, desde que haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil”. A compensação do imposto pago no exterior do imposto apurado no ajuste anual é ratificada pelo artigo 12, inciso VI, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: [...] VI o imposto pago no exterior de acordo com o previsto no art. 5º da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965”. O artigo 6º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, determina ainda que “os rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, sujeitos a tributação no Brasil, bem como o imposto pago no exterior, serão convertidos em Reais mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para compra pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do recebimento do rendimento”. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13896.000386/9615 Resolução nº 2401000.602 S2C4T1 Fl. 6 5 Consolidando a legislação acima transcrita, o artigo 103 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99, assim dispõe: “Art. 103. As pessoas físicas que declararem rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir, do imposto apurado na forma do art. 86, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos, desde que (Lei nº 4.862, de 1965, art. 5º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 98): I em conformidade com o previsto em acordo ou convenção internacional firmado com o país de origem dos rendimentos, quando não houver sido restituído ou compensado naquele país; ou II haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil. § 1º A dedução não poderá exceder a diferença entre o imposto calculado com a inclusão daqueles rendimentos e o imposto devido sem a inclusão dos mesmos rendimentos. § 2º O imposto pago no exterior será convertido em Reais mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América informado para compra pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do recebimento do rendimento (Lei nº 9.250, de 1995, art. 6º)”. Concluise, assim, que havendo a pessoa física declarados rendimentos percebidos no exterior o imposto cobrado no país de origem poderá ser compensado com o imposto de renda apurado no ajuste anual, desde que exista acordo firmado entre os dois países e o valor não tenha sido restituído ou compensado naquele país. No caso em análise, restou comprovado que o contribuinte trouxe aos autos a prova da existência, nos Estados Unidos da América, de lei que autoriza a reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil (fls. 06/08), bem como a comprovação de recebimento de rendimentos de fonte situada no exterior, com a respectiva retenção do imposto de renda (fls. 04/05). Demais disso, em cumprimento à diligência determinada pela Delegacia da Receita Federal (fl.45), o contribuinte anexou aos autos o documento de fl.52, emitido por seu empregador no exterior. Entretanto, em sede de julgamento de primeira instância, ao analisar o referido documento, a DRJ de origem entendeu que “não se é possível a partir de seu exame estabelecer exatamente o quantum e a data em que os rendimentos em moeda estrangeira foram recebidos pelo contribuinte no anocalendário 1993, para que a partir destes elementos pudesse fazer a conversão em moeda nacional e em seguida, transformar em quantidade de UFIR, para posterior cálculo do limite de dedução do imposto pago no exterior”. (fl.60) Em seguida, concluiu que, “não havendo como determinar os valores de rendimentos recebidos de fonte situada no exterior em dólares, em moeda nacional e depois em UFIR, e inexistindo nos autos informações de por quais valores tais rendimentos foram declarados no quadro 2 da declaração de ajuste anual, fica prejudicado o cálculo do valor do imposto pago no exterior que pode ser compensado na declaração de ajuste”.(fl.61) Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13896.000386/9615 Resolução nº 2401000.602 S2C4T1 Fl. 7 6 Em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente se insurge contra a decisão acima referida e sustenta que a glosa não deve subsistir, uma vez que restou demonstrado, com a análise dos documentos de fls. 4/8, o valor do imposto pago no exterior, bem como o valor retido nos Estados Unidos correspondia a US$ 4.693,38 em 26/01/1994, que correspondia a CR$ 1.790.665,20 equivalente a 9.815,94 UFIRS em dezembro de 1994, como constou na declaração de Ajuste Anual (fls.78/79). Conforme documento emitido pela W2 Wage and Tax Statement 1993 (fls. 05 e 51), devidamente traduzido para o português por tradutor público juramentado (fl.06), o valor do imposto de renda federal retido nos Estados Unidos foi de US$ 4.693,38. Em tese, havendo comprovação de pagamento do imposto pago no exterior, nas hipóteses em que há reciprocidade de tratamento, a compensação mostrase devida. Entretanto, objetivando melhor instruir o feito, e assim formar a convicção necessária para o julgamento da matéria posta em debate, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem para que informe: 1. Qual o valor do imposto devido no Brasil calculado com a inclusão dos rendimentos recebidos no exterior; 2. Qual o valor do imposto devido no Brasil sem a inclusão dos rendimentos recebidos no exterior; 3. Cientifique a Recorrente do resultado da diligência, abrindose prazo para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16306.721016/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. EXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO AO SUJEITO PASSIVO.
Declara-se nulo o despacho decisório, reconhecido o cerceamento do direito de defesa, com retorno à origem dos autos para prolação de novo julgado, por não ter sido previamente intimada a prestar esclarecimentos sobre as razões que levaram ao indeferimentoparcialdopleito.
Numero da decisão: 1401-002.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar-lhe provimento, declarando a nulidade do despacho decisório proferido pela Unidade da Receita Federal de origem e determinando que os autos retornem à mesma para que reaprecie o pedido de restituição/compensação. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. EXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO AO SUJEITO PASSIVO. Declarase nulo o despacho decisório, reconhecido o cerceamento do direito de defesa, com retorno à origem dos autos para prolação de novo julgado, por não ter sido previamente intimada a prestar esclarecimentos sobre as razões que levaram ao indeferimentoparcialdopleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para darlhe provimento, declarando a nulidade do despacho decisório proferido pela Unidade da Receita Federal de origem e determinando que os autos retornem à mesma para que reaprecie o pedido de restituição/compensação. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 72 10 16 /2 01 2- 05 Fl. 931DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 16306.721016/201205 Acórdão n.º 1401002.048 S1C4T1 Fl. 932 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 1648.336 da 2ª Turma da DRJ/SP1, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade manteve o despacho decisório no qual foi homologação PARCIAL das compensações solicitadas no presente processo, todas fundadas no suposto saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2008 (valor pleiteado de R$ 42.038.513,58). A homologação parcial das compensações mencionadas no parágrafo precedente (R$ 15.033.081,07) fundouse, em síntese, nas seguintes constatações deduzidas no Despacho Decisório exarado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SPO (fl. 108/110): • As Estimativas dos Meses de fevereiro e maio de 2008 não foram consideradas, pois de acordo como o Sistema SIEF – Processo, as mesmas não foram homologadas (valor de R$ 7.861.813,21); • Comprovação parcial das retenções de IRRF (R$ 16.556.206,64) bem como não oferecimento integral das receitas respectivas à tributação. Apreciada a manifestação de inconformidade, mantevese a não homologação parcial, pois segundo a autoridade fiscal houve a comprovação apenas parcial das retenções na fonte bem como as estimativas dos meses de fevereiro e maio de 2008 não foram consideradas, pois as mesmas não foram homologadas. Segundo a decisão de piso o saldo negativo de IRPJ na PER/DCOMP ou na DIPJ deveria ser comprovado por meio da escrita fiscal acompanhados de demonstrativos das parcelas e da documentação de suporte. No caso das retenções de IRRF, parcela constituinte do saldo negativo, a contribuinte deveria ter apresentado o informe de rendimentos, demonstrativos de composição das fontes deduzidas na DIPJ bem como das respectivas receitas oferecidas à tributação. Inconformada, interpôs recurso voluntário pleiteando em preliminar: i nulidade do Despacho decisório, em virtude da inobservância, pela autoridade administrativa da regra do art. 65, da IN 900/06 que determinava a estrita observância ao contraditório consistente na falta de intimação do interessado para apresentar a documentação que entendesse necessária para comprovação do crédito pleiteado; ii nulidade da decisão da DRJ pela omissão quanto a análise do conjunto probatório anexado à manifestação de inconformidade (informes de rendimento fls. 335/351); iii julgamento extra petita em relação a matéria não suscitada, relativa à ilegalidade dos juros moratórios e taxa Selic; iv impossibilidade de alteração da apuração realizada pelo contribuinte sem a lavratura do AIIM. Caso ultrapassadas as preliminares, no mérito, aduz a correta apuração do valor adicional do IRPJ e o reconhecimento do direito de crédito em sua integralidade, ou que seja o julgamento convertido em diligência para análise dos documentos acostados em sede da manifestação de inconformidade e inexistência de débito a ser exigido da recorrente. Fl. 933DF CARF MF 4 Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 1648.336, da DRJ/SP1, a qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da homologação parcial de compensações que visavam à utilização de saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário 2008. Desde a Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aponta nulidade do despacho decisório por não ter sido previamente intimada a prestar esclarecimentos sobre as razões que levaram ao indeferimento parcial do pleito. Entendo que assiste razão à Recorrente, há época em que formulado o pedido de restituição vigorava a IN SRF 900/2008, que possuía o seguinte teor: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. § 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, e com utilização de certificado digital válido. Fl. 934DF CARF MF Processo nº 16306.721016/201205 Acórdão n.º 1401002.048 S1C4T1 Fl. 933 5 § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. § 5º Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). Compulsando os autos verificase que, de fato, muito embora os autos tenham sido encaminhados para tratamento manual , antes da decisão que reconheceu apenas parcialmente os créditos pleiteados não existiu qualquer intimação para apresentação de documentos adicionais ou esclarecimentos. Neste contexto, conforme consignado pela Conselheira Lívia De Carli Germano ao julgar caso análogo Acórdão 1401001873: "No caso, tivesse a ora Recorrente tido a oportunidade de esclarecer alguns aspectos tais como o fato de que, por se tratar de receitas e aplicações financeiras, a apropriação contábil ocorre pelo regime de competênciae a tributação na fonte ocorre no regime de caixa (apenas no vencim ento ou cessão do titulo), nos termos do artigo 731 do RIR/99 talvez todo este proce sso administrativo que tramita há anos poderia ter sido evitado". A regulamentação trazida pela INRFB 900/2008 não traz uma mera faculdade à autoridade fiscal, principalmente em casos como este em que o contribuinte poderia ter informações adicionais, hábeis a, pelo menos em tese, inclusive evitar o contencioso administrativo, tivesse a DERAT tido a oportunidade de analisálas antes de exarar seu despacho decisório. Ao contrário, preferiuse o caminho de manter as homologações parciais, invertendose ilegalmente o ônus da prova. Tal circunstância revela que, no presente caso, restou caracterizada a nulidade, eis que foi proferido despacho decisório em cerceamento do direito de defesa do contribuinte (art. 59, II, do Decreto 70.235/1972). Isto porque, consta nos autos que o motivo da negativa do despacho decisório falta de comprovação de parte da retenção na fonte e dos recolhimentos das estimativas dos meses de fevereiro e maio de 2008, mas a contribuinte somente fora intimada a se manifestar após a prolação do despacho decisório, sem que houvesse previamente oportunizado o exercício do contraditório e da ampla defesa. Ademais, verificase a boa fé da Recorrente, vez que quando intimada do despacho decisório, por ocasião da manifestação de inconformidade a Recorrente acostou os informes de rendimentos de fls. 335/351, que também não foram apreciados no julgamento pela DRJ. Fl. 935DF CARF MF 6 Assim, assiste razão à recorrente quando sustenta que o julgador tem o dever de analisar todas as provas trazidas pelas partes, sob pena de nulidade, ainda que para demonstrar que eles não teriam o condão de alterar o lançamento, mas os documentos tem que ser analisados. O artigo 59 do Decreto 70.235/72 é expresso em afirmar que são nulos os despachos e as decisões proferidos com preterição ao direito de defesa. Tal providência, além de prestigiar o duplo grau de jurisdição no âmbito do contencioso administrativo, possibilitará ao contribuinte, caso lhe seja novamente desfavorável o despacho decisório em questão, a interposição de recurso voluntário com os eventuais acréscimos de provas documentais pertinentes à comprovação do que vem alegando. Neste sentido, Acórdão CARF 2401004.389 da 4a. CAM/ 1a. TO/ 2a Seção em 14/06/2016. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. EXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO AO SUJEITO PASSIVO. Declarase nula a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, com retorno à origem dos autos para prolação de novo julgado, quando o acórdão recorrido deixa de avaliar os comprovantes de pagamento anexados pelo impugnante com a finalidade de contraporse à pretensão fiscal de glosa de despesas médicas, acarretando a conduta do julgador "a quo" prejuízo concreto ao sujeito passivo. Decisão anulada Exposto assim, é mister anular o processo a partir da decisão de primeira instância, para que outra seja proferida em seu lugar, apreciando, dessa vez, os documentos contábeis apresentados tempestivamente pela recorrente por ocasião de sua impugnação e que dariam suporte a sua tributação na sistemática do Lucro Real. Conclusão De forma que considerando que no regulamento do processo administrativo consta a necessidade de cumprimento ao exercício do contraditório e ampla defesa, que não foram observados no momento devido, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do despacho decisório proferido pela unidade de origem determinando lhe o retorno dos autos para que ela reaprecie o pedido de restituição/compensação. É como voto Fl. 936DF CARF MF Processo nº 16306.721016/201205 Acórdão n.º 1401002.048 S1C4T1 Fl. 934 7 (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 937DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.005192/2007-46
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2004
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL.
Para fins de apuração de ganho de capital, considera-se custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural, o Valor da Terra Nua-VTN constante do Documento de Informação e Apuração do ITRDIAT,
observado o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, respectivamente, nada há que autorize o provimento do recurso voluntário.
Numero da decisão: 1802-000.806
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. Para fins de apuração de ganho de capital, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural, o Valor da Terra NuaVTN constante do Documento de Informação e Apuração do ITRDIAT, observado o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, respectivamente, nada há que autorize o provimento do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. Fl. 320DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Diniz Raposo e Silva, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Gilberto Baptista.. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG. Depreendese dos autos que contra a recorrente foram lavrados autos de infração para formalização e exigência de crédito tributário relacionado ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas — IRPJ (fls. 97 103), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 104 109), acrescidos de multa de ofício e dos juros de mora. Verificase ainda, que a fiscalização relata na Descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 99 e 106) que em procedimento de revisão da DIPJ verificou que o valor de imposto apurado no 3º trimestre de 2004 era inferior ao valor informado na DCTF e efetivamente recolhido. Devidamente intimada a justificar e comprovar a diferença, a recorrente solicitou prorrogação do prazo para atendimento, porém não logrou fazêlo, sendo lavrado o respectivo auto para exigir a diferença do valor apurado na DIPJ, que não foi declarado, nem pago. Ciente das imputações, a recorrente apresentou Impugnação (fls. 114 120 alegando em síntese que na DIPJ (3° trimestre) e consequentemente no auto de infração a apuração do ganho de capital foi equivocado, porquanto de conformidade com artigo 523 do RIR/99, na alienação de imóvel rural, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o Valor da Terra Nua – VTN, constante do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT. Diante dessas argumentações, juntou documentação comprobatória e requereu perícia, suspensão da cobrança e não sendo deferida a exclusão do crédito tributário, a diminuição da exação mediante a documentação apresentada. A 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, nos termos do acórdão e voto de folhas 284 a 287, julgou parcialmente procedente a autuação, registrando que se prescindia da realização de perícia, porquanto os documentos encartados com a impugnação deslindavam perfeitamente a questão. No mérito registrouse que a recorrente alega erro na apuração do ganho de capital constante da DIPJ e que o equívoco, segundo o contribuinte, deveuse ao fato de não terem utilizado o valor da terra nua constante na declaração do ITR e sim "o valor integral". Dito isso, a decisão recorrida relembrou que a empresa apurava seus resultados na forma do lucro presumido, de sorte que em atenção ao artigo 521 combinado com 523 do RIR/99, os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas Fl. 321DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE Processo nº 10675.005192/200746 Acórdão n.º 180200.806 S1TE02 Fl. 103 3 pelo artigo 519, serão acrescidos à base de cálculo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos artigos 239 e 240 e no § 3º do artigo 243, quando for o caso, e que a partir de 12 de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o Valor da Terra Nua VTN constante do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, observado o disposto no artigo 14 da Lei nº 9.393/96, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, respectivamente (Lei nº 9.393/96, art. 19) e na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente a 12 de janeiro de 1997, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no parágrafo único do artigo 136 e nos incisos I e II do artigo 522 (Lei nº 9.393, de 1996, art. 19, parágrafo único). Feito o cotejo da legislação aplicável, a decisão recorrida considerou que no caso concreto a propriedade alienada em 27 de agosto de 2004 (escritura às fls. 177 – 181) foi adquirida em partes, no ano de 1999, conforme documentos de folhas 149 a 176 e na declaração do ITR entregue em 24 de setembro de 2003 a recorrente informou o valor da terra nua — VTN como sendo de R$ 916.700,00 (fls. 187 193). Registrouse ainda que o VTN informado na declaração de ITR entregue em 30 de setembro de 1999 foi de R$ 81.790,00, portanto, de conformidade com artigo 523 do RIR/99, entendeu a decisão recorrida que o ganho de capital foi de R$ 834.910,00 e não o valor constante da DIPJ (fl. 09). Por essas razões, a decisão recorrida considerou parcialmente procedente a impugnação, mantendo os valores de R$ 203.213,50 e R$ 75. 141,90, excluindo os valores de R$ 34.891,82 e R$ 12.723,06, referentes respectivamente ao Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Devidamente notificada (fl. 290), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 291 – 296), aduzindo que a ação fiscal detectou suposta ausência de recolhimento de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido, referente a operações de ganho de capital da contribuinte, no 3º trimestre de 2004, e que apresentada impugnação, esta foi acolhida em parte, considerando a ocorrência de ganho de capital no valor de R$ 834.910,00. Argumentou a recorrente que a decisão recorrida ainda reconheceu que o lançamento contábil referente ao 3º trimestre de 2004 no Livro Diário, e consequentemente na Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica 2005 (ano calendário 2004) foi equivocado, pois não se atentou para os aspectos de caracterização do ganho de capital, entretanto, a decisão fixou o ganho de capital no valor de R$ 834.910,00 (oitocentos e trinta e quatro mil, novecentos e dez reais), contrariando a apuração correta que seria no máximo de R$ 526.439,79 (quinhentos e vinte e seis mil quatrocentos e trinta e nove reais e setenta e nove centavos). Salientou a recorrente que a hipótese de incidência tributária dos tributos (IRPJ e CSLL) nominada ganho de capital está definida no artigo 521, § 1º, do Decreto 3.000/99, ou seja, é considerado ganho de capital a diferença positiva entre o valor da alienação e o valor contábil. Assim sendo, argumentou que a alienação dos imóveis ocorreu em 2004, conforme Escritura Pública lavrada no livro nº 161 (fls. 70 – 74), da página 01, do 2º Tabelionato de Notas e Registro Geral de Imóveis da Comarca de Monte Alegre de Minas, Fl. 322DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE 4 devendo ser considerado para apuração do ganho de capital o valor constante da DIAT de 2003, referente ao Valor da Terra Nua VTN, nos termos do art. 523, do Decreto 3.000/99. Nessa ordem das ideias, considerou a recorrente que o equívoco da decisão está em considerar o valor lançado na declaração de ITR, sem verificar o valor real lançado na escritura de folhas 177 a 181 e ainda na escritura de folhas 149 a 176, observandose que não é o lançamento contábil que gera a hipótese de incidência tributária do ganho de capital, mas a diferença positiva entre o Valor da Terra Nua (VTN) constante da Declaração de Imposto sobre a Propriedade Rural do ano da aquisição (1999) e o Valor da Terra Nua (VTN) constante da Declaração de Imposto sobre a Propriedade Rural do ano da alienação (2003), nos termos do art. 521, §1.0 c/c art. 523, do Decreto 3.000/99. Dito isso, salientou a recorrente que a exação apresentada baseouse no lançamento contábil puro, confrontando a Declaração de Informações (DCTF) e a DIPJ 2005, sem considerar a real hipótese de incidência tributária que seria a diferença entre o VTN do ano da aquisição do imóvel rural e o VTN do ano de alienação do imóvel e que observado e comprovado o equívoco do lançamento de ofício, se imporia a reforma da decisão administrativa, observado os argumentos, documentos e provas apresentadas. É o relatório. Fl. 323DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE Processo nº 10675.005192/200746 Acórdão n.º 180200.806 S1TE02 Fl. 104 5 Voto Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como se observa do relatório acima lançado cuidase de auto de infração no qual se constatou ausência de recolhimento de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido, referente a operações de ganho de capital da contribuinte, no 3º trimestre de 2004. A decisão recorrida considerou, nos termos do acórdão minudentemente relatado, que para fins de apuração de ganho de capital considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural, o Valor da Terra Nua VTN constante do Documento de Informação e Apuração do ITRDIAT, observado o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393/96, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, respectivamente, reduzindose o patamar da autuação. Temse na espécie, portanto, situação que singelamente reclama a interpretação da legislação de regência, interpretação, aliás, realizada pela decisão recorrida com inarredável acerto. Com efeito, entabula o artigo 521 do RIR/99 que os ganhos de capital serão acrescidos à base de cálculo para fins do imposto e seu adicional, considerandose ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente, a diferença positiva verificada entre o valor da alienação e respectivo valor contábil, confirase nesse propósito o indigitado artigo e seu § 1º, litteris: Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). § 1º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. (...) Verificase, por oportuno, que no caso concreto foi exatamente esse o entendimento adotado pela decisão recorrida, que ainda teve o cuidado de anotar o disposto no artigo 523 do mesmo RIR/99, considerandose custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural, o Valor da Terra Nua constante do documento relativo ao ITR, observese: Fl. 324DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE 6 Art. 523. A partir de 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o Valor da Terra Nua VTN constante do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, observado o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, respectivamente (Lei nº 9.393, de 1996, art. 19). (...) Foi nessa ordem de fundamentação que se observou que na espécie a propriedade alienada em 27 de agosto de 2004 (escritura às fls. 177 – 181) foi adquirida em partes, no ano de 1999, conforme documentos de folhas 149 a 176 e na declaração do ITR entregue em 24 de setembro de 2003 a recorrente informou o valor da terra nua — VTN como sendo de R$ 916.700,00 (fls. 187 193). E o VTN informado na declaração de ITR entregue em 30 de setembro de 1999, época da aquisição, foi de R$ 81.790,00, portanto, de conformidade com artigo 523 do RIR/99, o ganho de capital foi de R$ 834.910,00 e não o valor constante da DIPJ (fl. 09), nada havendo que se modificar. Atestase, portanto, que a parcela a ser excluída da autuação em questão já o foi pela decisão originária, motivo pelo qual, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2011 (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 325DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE
score : 1.0
Numero do processo: 10611.000646/94-98
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2000
Numero da decisão: CSRF/03-00.048
Decisão: RESOLVEM os Membros Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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Numero do processo: 35464.002327/2004-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2004
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PARA FIXAÇÃO DO DIREITO À PERCEPÇÃO.
Os instrumentos decorrentes de negociação deverão conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos de participação nos lucros ou resultados. Para caracterização de regras claras, é necessária a existência de mecanismos de aferição do resultado do esforço inteiramente presentes no acordo já em sua celebração, para que possam ser conhecidos e escrutinados pelos envolvidos na negociação.
Numero da decisão: 9202-005.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram do recurso e, no mérito, lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1604; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 4.936 1 4.935 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35464.002327/200485 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.707 – 2ª Turma Sessão de 29 de agosto de 2017 Matéria 67.643.4192 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SALÁRIO INDIRETO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR) PARA EMPREGADOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COGNIS BRASIL LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2004 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PARA FIXAÇÃO DO DIREITO À PERCEPÇÃO. Os instrumentos decorrentes de negociação deverão conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos de participação nos lucros ou resultados. Para caracterização de regras claras, é necessária a existência de mecanismos de aferição do resultado do esforço inteiramente presentes no acordo já em sua celebração, para que possam ser conhecidos e escrutinados pelos envolvidos na negociação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram do recurso e, no mérito, lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 23 27 /2 00 4- 85 Fl. 4936DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.937 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento de obrigção principal lavrada sob o nº 35.669.7975, à efl. 03 a 37. O lançamento tem por objeto as contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas aos terceiros (SESI, SENAI, SALÁRIO EDUCACAO e INCRA). As contribuições foram apuradas no período compreendido entre 03/1999 a 04/2004, sobre os valores pagos aos segurados empregados a titulo de Participação nos Lucros e Resultados. A fiscalização afirmou que houve empregados de nível de direção, gerência, supervisão e chefia para os quais a empresa utilizou critérios distintos para apuração de PLR. Não foram previstas regras claras e objetivas nos acordos para estes empregados, nenhum anexo aos acordos apresentados indica como foram negociados previamente valores e direitos, nem que houve participação dos sindicatos, ou mesmo a ciência pelos participantes. Isso estaria em desacordo com o art. 2º da Lei nº 10.101/200, o que lhe conferiu àqueles pagamentos a característica de salário de contribuição para fins previdenciários. O lançamento foi consolidado em 07/07/2004, no montante de R$ 2.486.881,56, e cientificado à contribuinte em 12/07/2004, com relatório da notificação fiscal do lançamento de débito às efls. 53 a 63. A contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, em 27/07/2004, às e fls. 349 a 373. O Serviço de Análise de Defesas e Recursos do INSS entendeu pela realização de diligência para verificação de argumentos e documentos trazidos pela contribuinte com sua impugnação, conforme despacho às efls. 1819 a 1827. A diligência foi efetuada conforme despacho às efls. 1833 a 1837. A Unidade Descentralizada da SRP em São Paulo, proferiu Decisão Notificação de nº 21.004.4/0107/2005, em 24/01/2005, às efls. 1840 a 1864, na qual concluiu pela procedência do lançamento, para manter o crédito tributário constituído. Fl. 4937DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.938 3 Inconformada, em 23/03/2005, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 1871 a 1895. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 08/05/2009, resultando no acórdão 240100.235, às efls. 2401 a 2413, que decidiu pela nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa da contribuinte. Tal entendimento decorreu da ausência de ciência ao contribuinte da diligência fiscal realizada. Feita a ciência da diligência à contribuinte, ela apresentou, em 18/11/2009, nova impugnação, agora já à DRJ em São Paulo, como se observa às efls. 2439 a 2471. A DRJ/SP1, em 13/05/2010, exarou o acórdão nº 1624.897, às efls. 2770 a 2822, no qual se concluiu, por unanimidade de votos, pela improcedência da impugnação e manutenção do crédito tributário. Ciente da decisão da DRJ, a contribuinte interpôs novo recurso voluntário, em 03/09/2010, às efls. 4765 a 4774. Nesse documento, além de ratificar todos os argumentos das impugnações anteriores, em resumo, afirma: · protesta pela decadência do lançamento com relação aos créditos vinculados à competência de março de 1999, com fulcro no art. 150, § 4º, do CTN; · existe a definição de critérios e metas claros no Target Dialogue Guideline, critério de metas estabelecido pela matriz da empresa no exterior, adaptados à realidade da empresa no Brasil aprovados pelos interessados e pelo sindicato no país; · o plano de participação nos resultados, ainda que diferenciado para diferentes posições de trabalho na empresa, cumprem os requisitos legais, não desbordando da legislação e nem podendo ser tomado como bônus remuneratório; · a fiscalização não comprovou que os valores pagos o foram com habitualidade, em quantias uniformes que interferissem nos valores de salários ou remunerações, que não tivessem relação com o resultado da empresa ou com o acordo de participação nos resultados, nem tampouco que fossem valores certos e previsíveis (características de verbas salariais); · há provas de que os valores pagos foram apurados conforme critérios predefinidos entre trabalhadores e a empresa, com interveniência do sindicato, adequados aos parâmetros legais, tudo provado através de documentos que não foram infirmados pela fiscalização. Esse recurso voluntário foi então apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 11/03/2015, resultando no acórdão 2403 002.979, às efls. 4836 a 4849, que tem as seguintes ementas: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO ART. 150, § 4º. Fl. 4938DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.939 4 Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS EM DESACORDO COM A LEI 10.101/00. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO VIGENTE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados está de acordo com a Lei n.º 10.101/2000, pois a lei pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR, e que as regras acordadas sejam claras e objetivas, podendo inclusive estarem escritas em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente; por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência e declarar extinto o crédito tributário da competência 03/1999. No mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fez sustentação oral a Drª Adriana Pastre Ramos OAB/ SP 131584. RE da Fazenda Intimada para ciência do acórdão em 23/09/2015 (efl. 4850), a Procuradoria da Fazenda Nacional, em 06/11/2015, interpôs recurso especial de divergência (efls. 4851 a 4861) àquele acórdão. Fl. 4939DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.940 5 A Procuradora responsável indica divergência do acórdão a quo relativamente ao acórdão paradigma nº 230200.256. Neste, há o entendimento de que devese manter o lançamento tendo em conta que a inexistência de regras claras e objetivas dispostas em acordo coletivo desnatura o programa PLR, razão pela qual caracteriza natureza salarial a incidir a contribuição. Aduz também, que o acórdão paradigma nº 2402002.458 leva à mesma conclusão, e por isso conclui a Procuradora: Procedendose ao cotejo analítico da divergência, resta clara a divergência de entendimentos. O colegiado recorrido decidiu excluir da tributação os valores pagos a título de PLR, em que pese tenha observado que as regras foram estabelecidas em documentação à parte do acordo coletivo (Target Dialogue Guideline). Diversamente, os colegiados prolatores dos acórdãos paradigmas concluíram só ser possível excluir os valores pagos a título de PLR da tributação quando as regras sobre o plano são estipuladas no acordo ou convenção coletiva. Além de demonstrar a adequação dos paradigmas, a Procuradora fundamente seu recurso afirmando: Com efeito, o referido dispositivo legal acima transcrito determina que, NOS INSTRUMENTOS DECORRENTES DA NEGOCIAÇÃO DEVERÃO CONSTAR REGRAS CLARAS E OBJETIVAS QUANTO À FIXAÇÃO DOS DIREITOS, inclusive mecanismos de aferição pertinentes ao cumprimento do acordado. Porém, ressaltese que os acordos coletivos realizados pela empresa não cumpriram este requisito legal. A documentação juntada aos autos pela contribuinte não prova a participação dos empregados, por meio de seus representantes, no estabelecimento dos critérios e avaliações, sequer estas foram devidamente informadas no instrumento do acordo. Sendo assim, a contribuinte impõe UNILATERALMENTE todas as regras e metas no Target Dialogue Guideline, não tendo qualquer participação dos empregados. Por mais que a contribuinte reitere a argumentação no sentido de que este programa teve ampla divulgação e acompanhamento pelos empregados (posterior à elaboração), tal conduta não exime a empresa da constatação de que O ACORDO, QUE É O INSTRUMENTO APTO À DEFINIÇÃO DAS REGRAS PARA O PAGAMENTO DE PLR, foi realizado em desconformidade com os requisitos legais. Em face do cotejo analítico realizado e dos argumentos aduzidos, a Procuradora da Fazenda requereu o conhecimento e o provimento do recurso especial de divergência, para que se reforme o acórdão recorrido, no quesito objeto de insurgência. O recurso especial de divergência da Fazenda foi apreciado pela Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, Fl. 4940DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.941 6 aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho às efls. 4865 a 4870, datado de 11/03/2016, concluindo pelo atendimento de todos os requisitos para que se desse seguimento à matéria: necessidade de fixação de regras claras e objetivas em acordo coletivo. Contrarrazões da contribuinte Intimada (Intimação nº 2245/2016, efl. 4875) do acórdão nº 2403002.979, do recurso especial de divergência e do despacho de sua admissibilidade, em 19/09/2016 (efl. 4877), a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da Fazenda em 03/10/2016 (efl. 4880), às efls. 4922 a 4933. Como preliminar, pleiteia que não se conheça do recurso especial de divergência Procuradora, em face da sua intempestividade, pois a Procuradoria da Fazenda Nacional tivera ciência do acórdão nº 2403002.979 em 23/09/2015, mas só teria interposto seu recurso em 09/11/215. Diversamente do afirmado pela Presidente da 4ª Câmara no seu despacho de admissibilidade, não haveria prova nos autos de que a Procuradoria protocolara seu recurso especial em 06/11/2015. Suporta sua afirmação com base no acompanhamento processual extraído do sítio do CARF, com cópia à efl. 4899. Na sequência, afirma que não foram cumpridos outros requisitos para admissibilidade do recurso especial: divergência do recorrido para com os paradigmas em relação ao art. 1º da Lei nº 10.101/2000, indicada pela Procuradora, bem como instrução do recurso com a íntegra dos acórdãos paradigmas. Ainda nessa seara, afirma a inexistência de similaridade fática entre os paradigmas e o acórdão a quo, o que violaria as regras de admissibilidade do art. 67 do RICARF aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015. São as seguintes as situações fáticas comparadas pela contribuinte para cada paradigma: Fl. 4941DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.942 7 Com base nisso, a contribuinte conclui que nesse contexto, também não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas que, por sua vez, atraem incidências específicas. No mérito, reafirma suas manifestações que sustentariam ter havido a observância das disposições da Lei nº 10.101/2000. Ao final, a contribuinte requer que não seja conhecido o recurso especial por intempestivo, ou que seja julgado improcedente, em face da ausência de argumentos que corroborem a pretensão recursal. É o relatório. 230200.256 Recorrido (...) houve acordo coletivo, porém sem a disciplina quanto à forma de recebimento, os requisitos a serem atendidos e o conhecimento prévio do empregado: inclusive os acordos são posteriores ao resultado obtido. (...) houve acordo coletivo único para todos os empregados, sendo que as metas de determinados empregados e sua aferição foram estabelecidas em documentos próprios, previamente aos resultados, devidamente assinados e com a demonstração da relação do pagamento com o atingimento ou não das regras. Pagamentos excedentes à periodicidade de um semestre civil violam a Lei n 10101 . No caso dos autos, em nenhum momento se questionou a periodicidade dos pagamentos 2402002.458 Recorrido (...) a Recorrente não apresentou os resultados do cumprimento de metas e parâmetros,(...) (...) todos os documentos solicitados pela fiscalização e outros foram apresentados, inclusive e principalmente os documentos comprovando as metas acordadas, os critérios e o atingimento ou não dos mesmos para pagamento do PLR. (...) no acórdão paradigma consta que as regras não são claras "eis que eles fixam percentuais sobre salário ou do piso salarial dos empregados. Isso comprova que, efetivamente, o pagamento de verbas a título de PLR não atendeu os requisitos formais exigidos pela legislação" e que as atas firmadas não constaram dos acordos coletivos. (...) as partes e o sindicato concordaram que as metas a serem atingidas por determinados empregados seriam diversas (dada a responsabilidade de cada um) e constariam dos documentos já referidos (...) Acórdãos Situação fática Situação fática Fl. 4942DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.943 8 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo. Passo a apreciar os questionamentos da contribuinte relativamente à admissibilidade do recurso especial de divergência da Fazenda. Iniciando pelo questionamento quanto à tempestividade, trago a baila a disposição regimental para sua apreciação, que define o prazo para sua formalização como sendo quinze dias contados da data da ciência da decisão (art. 68 do Anexo II do RICARF). Já o art. 79 do mesmo Anexo II, estipula: Art. 79. O Procurador da Fazenda Nacional será considerado intimado pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN, salvo se antes dessa data o Procurador se der por intimado mediante ciência nos autos. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Em se tratando de processo que tramita por meio eletrônico, a Portaria MF nº 527 de 09/11/2010 dispõe: Art. 7º Para fins de cumprimento dos §§ 8º e 9º do art. 23 do Decreto Nº70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) poderá encaminhar à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) os autos do processo integralmente digitalizado ou do processo digital. § 1º A data de entrega do processo à PGFN e a data do retorno do processo ao CARF será atestada em documento de remessa e entrega do processo administrativo, devendo ser posteriormente digitalizado e anexado aos autos do eprocesso. § 2º O documento de remessa e entrega do processo administrativo poderá ter forma digital e ser anexado aos autos do eprocesso, desde que ateste, automaticamente, a data de entrega do processo à PGFN e a data do retorno do processo ao CARF. § 3º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN na forma deste artigo. § 4º Os Procuradores da Fazenda Nacional deverão anexar as petições digitais que produzirem diretamente aos autos do e processo. Fl. 4943DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.944 9 § 5º O prazo para a interposição do recurso será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador da Fazenda Nacional se der por intimado antes da data prevista no § 3° mediante assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo. § 6º A data do retorno do processo ao CARF, atestada no documento de remessa e entrega do processo administrativo, será considerada para fins de aferição da tempestividade do recurso interposto ou da petição protocolada. Tal regra está disposta igualmente no art. 79 do Anexo II do RICARF: Art. 79. O Procurador da Fazenda Nacional será considerado intimado pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN, salvo se antes dessa data o Procurador se der por intimado mediante ciência nos autos. (Negritei.) No caso concreto, havendo envio de despacho eletrônico do processo para Procuradoria da Fazenda Nacional em 23/09/2015, quartafeira, (efl. 4850), ela foi presumidamente intimada em 22/10/2015, quintafeira. A partir do dia seguinte a essa data (útil), realizase a contagem do prazo para interposição do recurso especial, resultando como prazo final 06/11/2015. A contribuinte contesta que exista prova de que o momento da entrega seria efetivamente 06/11 e não 09/11, pois em 06/11 o processo ainda estaria na Procuradoria e deveria ser encaminhado ao CARF, conforme se observaria à efl. 4863. Além disso, o despacho de efl. 4864 informaria o retorno do processo tem 09/11. Por fim, em informação por ela obtida em extrato de andamento processual no sítio do CARF haveria também informação de que o processo somente entrara no órgão em 09/11. O que se pode afirmar, analisando o documento de efl. 4864, com certeza, é que o processo em 09/11/2015, o processo já estava em triagem na SECAM (secretaria de câmara) da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, sendo encaminhado naquela data para análise do recurso especial pela Presidente da 4ª Câmara. O documento de efl. 4863, demonstra, ao final da página, que em 06/11 houve expedição do processo por Eberval Pereira da Cruz, do setor APOIO/COCAT/PGFN/DF/MF para GEPAFSECOJCARFMFDF (SERET), serviço de recepção e triagem do CARF. Sendo o envio eletrônico, dentro do sistema "eprocesso", nada mais lógico que tenha chegado na mesma data. Para confirmar esse entendimento, apresento extrato de consulta ao e processo, de onde extraise a seguinte sequência de eventos: Fl. 4944DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.945 10 Assim, o quadro deixa claro que em 06/11 o processo foi enviado da PGFN para o CARF, sendo recebido para triagem naquela data e em 09/11 ingressou na Secretaria da 4ª Câmara; tempestiva a interposição do recurso, portanto. Em relação a apresentação da íntegra dos acórdãos paradigmas, recordo os dispositivos do art. 67 do Anexo II do RICARF: Art. 67 (...) 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. (...) § 11. As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. (...) Logo, está claro que esse requisito, conforme ao § 11 supra, foi atendido. Com relação aos dispositivos legais interpretados de forma divergente, claramente não foi o art. 1º da Lei nº 10.101/2000 que levou à divergência, uma vez que ele não trata das formas de negociação e seus conteúdos mínimos, mas as disposições do art. 2º da mesma lei, estando ele transcrito de forma contextual no recurso especial à efl. 4860. Além disso, a manifestação da contribuinte em contrarrazões deixa perfeitamente claro que ela sabia de que artigo se tratava e quais seriam os pontos de divergência indicados. Por fim, nas alegações de inexistência de similitude fática entre recorrido e paradigmas, entendo que igualmente se equivoca a contribuinte. A discussão que se entabula nos autos em sede de recurso especial de divergência é a de existência de situação que não atenda aos requisitos da norma que permitira que determinados pagamentos fossem, para fins tributários, efetivamente, participação nos lucros ou resultados. Fl. 4945DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.946 11 O art. 2º da Lei nº 10.101/2000 determina condições e requisitos para que sejam considerados os pagamentos de PLR, os paradigmas indicados contém fatos que descumprem essa norma, não têm que ser fatos idênticos para fins de existência de divergência sobre a aplicação da norma, mas fatos similares que levam ao seu desatendimento. No entendimento deste relator, a ausência de dados no acordo geral, do qual participam os empregados, empresa e sindicato, dados estes colocados em programa celebrado em separado, sem a participação de todas as partes citadas, tem o mesmo efeito da ausência das regras claras contratuais para os envolvidos. A questão fática central, enfrentada tanto pelo recorrido quanto pelos paradigmas é a de um acordo de PLR no qual não constam expressamente as regras que deveriam ser (no momento do acordo e antes do início do período de apuração dos lucros e resultados) de conhecimento de todas as partes envolvidas. Além disso, a firmação de que o sindicato concordaria que existissem regras distintas, sem saber quais seriam, por concordar com a existência de peculiaridades nas atividades de chefia, não deixa de ser similar à ausência de acordo relativamente a essas regras. Assim, entendo que a análise dos vícios dos acordos, que não continham todo o disciplinamento da participação nos resultados para todos os empregados (em face da existência de programas em separado), caracterizam fatos similares à não apresentação dos resultados a serem cumpridos e falta de clareza das regras. Pelo exposto acima, conheço do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional . Vencida a questão do conhecimento, passo à análise de mérito. No acórdão a quo foi esclarecido que o Acordo Coletivo de Trabalho, em sua cláusula IX, letra f), dele afastava os diretores, gerentes, supervisores, chefes e equivalentes, porém salvaguardando a possibilidade de que a eles fosse paga participação nos resultados por critérios próprios. Apesar de as metas constarem de outros documentos (Target Dialogue e Programa de Metas), o relator considerou que o plano de participação era único uma vez que havia previsão no acordo de que existiriam tais critérios distintos, valorizando a liberdade negocial dos envolvidos. Observese que o lançamento tomou por fatos geradores apenas os pagamentos tidos por discricionários, relativos àqueles cargos de liderança, vinculados aos planos Target Dialogue e Programa de Metas. Penso que se poderia considerar um plano único, como afirma o relator do recorrido; contudo, a inexistência de regras para todos, por si só, afasta qualquer clareza nas regras do acordo com relação aos cargos de liderança da empresa. São regras apenas referidas, mas estranhas ao acordo e não são objeto de negociação entre empresa e empregados, como definido pelo art. 2º da Lei nº 10.101/2000. Também penso que a negociação seja ponto fundamental nos acordos visando à PLR, contudo, essa liberdade deve deve ser exercida com aderência à legislação, para que se possa atender aos requisitos e, consequentemente, ter direito ao benefício fiscal. Pois bem, a legislação de regência determina que os acordos ou convenções tenham a participação dos empregados, sindicato e da empresa na estipulação de regras claras e objetivas. Fl. 4946DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.947 12 Ora, ainda que presente no acordo a possibilidade de outros documentos estabelecerem os critérios, a ausência destes documentos na celebração inviabiliza, por decorrência lógica, a existência de tal clareza e objetividade. Além disso, a concordância dos empregados regidos por tais planos e a participação do sindicato (requisito expresso) também não pode existir antes deles serem anexados ao acordo. O relator do voto do acórdão de primeira instância, nº 1624.897 da DRJ/SP1, Edijardo Machado, fez análise da documentação apresentada à época e teceu argumentos (efls. 2810 a 2814) que reforçaram minhas convicções nessa matéria, por isso os reproduzo: Notese que na 1ª impugnação apresentada, As fls. 182, a própria empresa afirma "a empresa autuada junta agora no processo administrativo o TARGET DIALOGUE GUIDELINE, ou seja, o critério de metas estabelecido no exterior pela matriz da empresa ..." reconhecendo que para esses programas TARGET DIALOGUE GUIDELINE e PROGRAMAS DE METAS, o critério de metas é estabelecido no exterior pela matriz da empresa, não é objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, como exige o artigo 2° da Lei 10.101/2000. Ao analisar tais planos, verificase que são planos independentes do PPR negociado, inclusive não obedecendo aos valores de limites máximos estipulados nos acordos, com datas diferentes de pagamento e sem a antecipação prevista nas negociações. Não foram previstas regras claras e objetivas nos acordos para estes empregados, nenhum anexo aos acordos apresentados indica como foram negociados previamente valores e direitos, ou a ciência destes pelos participantes, ratificando o já exposto pela fiscalização em seu relatório fiscal. Salientese que, não existe qualquer participação da comissão de empregados e do sindicato na formulação destes programas, apenas consta dos Acordos do PPR negociado, cláusulas que prevêem tais pagamento, ou seja, resta claro que os acordos apresentados, de acordo com a Lei 10.101, de 12/2000, só comportam o PPR, bem seus anexos só detalham cálculos, critérios e metas para níveis hierárquicos inferiores. (...) Salientese que os formulários de Target Dialogue, exaustivamente incluídos neste processo, após serem examinados pela fiscalização e por este julgador, só confirmam a existência de avaliação do programa de premiação da matriz. Queremos ressaltar que nunca se negou que a empresa possua tal programa; mas comprovouse sim que este é completamente alheio aos acordos e a seus anexos, reais alvos das negociações. .Tais documentos não fazem prova que esses pagamentos preenchem os requisitos da lei 10.101/00 e possam vira a ser considerados como participação nos lucros e resultados. (...) Cabe esclarecer que as fórmulas de cálculo do programa Target/Programas de Metas (...), tais programas não foram Fl. 4947DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.948 13 previamente pactuados nos referidos Acordos, que de acordo com a Lei 10.101 de 12/2000, só comportam o PPR, e seus anexos só detalham cálculos, critérios e metas para níveis hierárquicos inferiores, motivo pelo qual essas fórmulas de cálculo não foram consideradas pela fiscalização, bem como por este julgador, não se tratando de meras irregularidades como alegado pela notificada. Por não atenderem ao disposto na referida lei, os pagamentos a titulo de PLR desses dois programas foram considerados salário de contribuição. (...) ... o fato é que, as participações recebidas pelos empregados intituladas TARGET e PROGRAMA DE METAS, possuem regras completamente estranhas a estes Acordos seguindo discricionariedade e critérios próprios da empresa e, conforme acima exposto, não foram objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. (Destaques do original) É de se ressaltar a passagem abaixo do voto, na qual é citado documento da própria contribuinte (consta à efl. 764) que indica ser a natureza de seu programa remuneratória: Notese ainda que, no documento de fls. 411 [764], em 19/06/2001, a empresa avisa aos empregados em 19/06/2001, já transcorridos 50% do ano base, como será o PROGRAMA DE METAS para o ano de 2001, afirmando que "... um caminho encontrado para reconhecer performances e contribuições tanto individuais como de equipe, é através de um agressivo programa de remuneração variável, onde possibilitará um ganho adicional do funcionário na remuneração total". O texto deste documento apenas vem a comprovar a real natureza da verba paga, complementação salarial, contrariando assim o disposto no art. 3° da lei n° 10.101/00: Art.3º "A participação de que trata o art. 22 não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado..." (...) Desta forma, ao não obedecer aos critérios previstos nos arts. 1º, 2° e 3° da lei n° 10.101/00, o pagamento efetuado aos segurados empregados referentes ao TARGET DIALOGUE E PROGRAMA DE METAS perdeu as características de participação nos lucros e resultados e, assume a característica de prêmio , integrando o conceito de remuneração para fins de incidência da contribuição previdenciária. (Negritei.) Observese que o fato, não negado, de existir um programa, que fora citado no acordo, não faz com que ele o integre para fins de clareza e objetividade necessários à PLR. Fl. 4948DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.949 14 Entendo que não há, nos autos, qualquer elemento que indique que os critérios definidos externamente, pela matriz, pudessem ter sido verificados em sede de acordo com a participação prévia dos envolvidos, visto que eles não estavam presentes quando da celebração do acordo. Minha conclusão é de que o que não está presente no acordo não pode ser considerado claro nem objetivo. Portanto, voto por dar provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional, para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 4949DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.950 15 Fl. 4950DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.900261/2013-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.686
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 61 /2 01 3- 35 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900261/201335 Acórdão n.º 3301003.686 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.720, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900261/201335 Acórdão n.º 3301003.686 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900261/201335 Acórdão n.º 3301003.686 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900261/201335 Acórdão n.º 3301003.686 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900261/201335 Acórdão n.º 3301003.686 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900261/201335 Acórdão n.º 3301003.686 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900261/201335 Acórdão n.º 3301003.686 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900261/201335 Acórdão n.º 3301003.686 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10111.721449/2013-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2008 a 29/11/2012
MULTA POR CESSÃO FRAUDULENTA DE NOME. CONTRATOS DE MÚTUOS FICTÍCIOS.
Constatado que os recursos empregados nas operações de importação eram originários dos reais adquirentes, que se mantiveram ocultos, legítima a aplicação da multa pela cessão fraudulenta de nome na relização de operações de comércio exterior.
INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE.
Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie (artigo 95, I, do Decreto-lei nº 37/1966).
INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE PESSOAL.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172/1966).
Recursos de Ofício e Voluntário Negados.
Numero da decisão: 3201-003.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade negou-se provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cássio Schappo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila, que davam provimento ao recurso. Designado para o voto vencedor do recurso voluntário o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. A Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário se julgou impedida e foi substituída pelo Conselheiro Cássio Schappo.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
(assinatura digital)
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cássio Schappo, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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CONTRATOS DE MÚTUOS FICTÍCIOS. Constatado que os recursos empregados nas operações de importação eram originários dos reais adquirentes, que se mantiveram ocultos, legítima a aplicação da multa pela cessão fraudulenta de nome na relização de operações de comércio exterior. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie (artigo 95, I, do Decretolei nº 37/1966). INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172/1966). Recursos de Ofício e Voluntário Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade negouse provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cássio Schappo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila, que davam provimento ao recurso. Designado para o voto vencedor do recurso voluntário o Conselheiro Paulo Roberto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 14 49 /2 01 3- 34 Fl. 5879DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 3 2 Duarte Moreira. A Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário se julgou impedida e foi substituída pelo Conselheiro Cássio Schappo. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. (assinatura digital) PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cássio Schappo, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri e Renato Vieira de Avila. Relatório Tratamse de Recurso de Ofício e Recursos Voluntários de fls 5247, 5393 e 5539, do contribuinte e de seus sócios (autuados como sujeitos passivos), em face do Acórdão de primeira instância da DRJ/SC de fls. 5177 que deu provimento parcial para as impugnações de fls 4726, 4836, 4946 e 5049, mantendo parcialmente o Auto de Infração de fls 14, por cessão fraudulenta de nome em importações. Como de costume nesta Turma de julgamento, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância para a demonstração e acompanhamento dos fatos do presente procedimento administrativo: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 4.023.213,15 referente a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Depreendese do relatório de auditoria fiscal integrante do auto de infração que a interessada foi submetida ao procedimento especial de fiscalização estabelecido pela Instrução Normativa SRF nº 228/2002 que concluiu por indícios de ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas. Assim, foi determinada fiscalização a fim de se verificar a ocorrência de ocultação do verdadeiro responsável pelas operações e/ou interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior registradas pela interessada. Fl. 5880DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 4 3 Procedida a fiscalização se concluiu que a interessada não possui recursos próprios para realizar as operações de comércio exterior, OU seja, a mesma opera com recursos de terceiros (se não houvesse os “recebimentos de clientes, ou seja, adiantamentos de clientes (através das vendas fictícias e ainda dos mútuos fictícios, não haveria recursos disponíveis para efetuar o pagamento das importações). Resumidamente, foram esses os indícios que levaram à conclusão da fiscalização: • “VISITA À SEDE DA PATER TRADING EM Anápolis, que evidenciou que a empresa não tem estrutura para movimentar as mercadorias por ela importadas na condição de adquirente, ou seja, ela não poderia, de forma alguma, ser a real adquirente daquelas mercadorias (em anexo no Título "Fotografias PATER TRADING" e ainda em anexo no Título '"TERMOS"1 documentos Termos de declaração e Termos de Constatação dos Fatos; • A PATER TRADING não possuí armazéns ou depósitos (em anexo no Título "Documentos Entregues pelo Contribuinte" documento M — e por último em anexo no Título "TERMOS" documento Termo de Constatação dos Fatos; • Da análise dos documentos retidos , entregues e coletados nos sistemas da Receita Federal, a PATER TRADING não comprovou a capacidade econômicofinanceira de um de seus sócios(vide item 4.1); Da análise dos documentos retidos , entregues e coletados nos sistemas da Receita Federal não foi comprovado a origem dos recursos para a integralização do Capital Social da PATER TRADING(vide item 4.1); A PATER TRADING utilizava em geral a forma de adiantamento de clientes através de vendas fictícias e mútuos fictícios para financiar suas importações (vide itens 4.3, 4.4 e 4.5), ou seja, recebia os recursos antes de fazer os pagamentos aos exportadores estrangeiros e ainda pagamentos de despesas aduaneiras; • A análise dos extratos bancários, outros documentos e livros fiscais das empresas PATER TRADING e seus reais adquirentes indicam que a PATER TRADING era financiada pelas reais adquirentes OCULTAS (vide itens 4.3, 4.4 e 4.5); • Vários documentos retidos e ainda as Notas Fiscais que indicam que as mercadorias importadas pela PATER TRADING saíam direto do recinto alfandegado para os reais adquirentes OCULTOS em sua totalidade, e na maioria dos casos no mesmo dia do registro da importação(DI) ou poucos dias após(vide itens 4.3, 4.4 e 4.5); • Vários emails da TREVI e PATER TRADING que indicam o quanto toda a operação de importação da PATER TRADING era na realidade operada indiretamente pela TREVI (vide itens 4.3, 4.4 e 4.5); Todas as vendas efetuadas pela PATER TRADING eram para as mesmas empresas(vide itens 4.3, 4.4 e 4.5); Fl. 5881DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 5 4 4 • Vínculos fortes entre a PATER TRADING e as Reais Adquirentes Ocultas(vide item 4.6); • Quadro de empregados constituído de apenas um funcionário em Anápolis e dois em Maceió(em anexo no Título ''Documentos Entregues pelo Contribuinte" documento W); • Em diligência aberta sobre a empresa Pater Trading ficou evidenciado que quem tinha capacidade econômica, financeira e operacional para suportar as importações promovidas pela PATER TRADING eram as Reais Adquirentes Ocultas; Ante o exposto, fica caracterizada a ocultação por parte da PATER TRADING da condição de real adquirente das empresas abaixo: • Fabramex Comércio Imp. Exp. Ltda, CNPJ n° 05.318.144/0001 04(doravante Fabramex); • Trevi Importação e exportação Ltda, CNPJ n° 60.094.612/0001 12(doravante TREVI); • CPA Distribuidora de Produtos Industriais Ltda, CNPJ n° 49.292.394/000198(doravante CPA); • JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais EIRELI, CNPJ matriz n° 03.309.017/000113 e filial n° 03.309.017/0002 02(doravante serão JP Distribuidora); • MPA Comercial Atacadista Ltda, CNPJ n° 07.090.122/0001 65(doravante MPA); • MM Produtos Alimentícios Ltda, CNPJ n° 06.067.497/0001 41(doravante MM); • JMT Comércio de Tecidos Ltda, CNPJ n° 08.832.139/0001 03(doravante JMT); • Triple Tex Comércio de Tecidos Ltda, CNPJ n° 09.197.529 000111 (doravante Triple); • Capri Dist. E Atacadista de Insumos Industriais Ltda, CNPJ matriz n° 09.116.142/000193, filiais n° 09.116.142/000274 e 09.116.142/000355(doravante serão Capri); • Nova Central Imp. Exp. Ltda, CNPJ n° 11.441.379 0001 91(doravante Nova Central); • Cascade do Brasil Distribuidora de Ganas e Garfos Empilhadeira, CNPJ n° 08.971.259/000191(doravante Cascade do Brasil); • Consórcio Brasileiro de Produção de Óleo de Palma CBOP, CNPJ n° 11.0S4.230/000283(doravante CBOP). Fl. 5882DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 6 5 Isso significa ainda que a PATER TRADING, ao não declarar expressamente o real adquirente das mercadorias, cede seu nome a terceiros que se beneficiam das vantagens expostas acima.” Em relação à comprovação da integralização do capital social da interessada, foram apresentados documentos referentes à integralização do sócio Henrique Signore Sadocco Filho, contudo para o sócio Luiz Otavio Paternostro não foi apresentado documentos que demonstrasse a origem dos recursos da integralização do Capital Social. Há lançamentos contábeis que totalizam R$ 554.166,70 referentes à integralização do Capital Social no ano de 2005 para o sócio Luis Otavio Paternostro. Ocorre que em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física de 2006 não constam bens ou mesmo renda para comprovar a integralização do Capital Social referido., registrando renda auferida no valor de R$ 137.130,20 e variação patrimonial de R$ 34.729,50 para maior. Assim, não há comprovação da origem dos recursos para a integralização do Capital Social pelo sócio Luis Otavio Paternostro. “Informamos ainda que sempre após a integralização do capital, a empresa Pater Trading efetuava um empréstimo de valor semelhante ao sócio Luiz Paternostro, o que totalizou um valor a receber de Luiz Paternostro no final de 2005 de R$ 541.000,00(quinhentos e quarenta e um mil Reais) aproximadamente. Em março de 2006, conforme Diário de 2006 da Pater Trading(Diário em anexo), o sócio Luiz Paternostro liquidou grande parte do empréstimo no total de mais de RS 482.000,00(quatrocentos e oitenta e dois mil Reais) em 10; 15 e 17 de março de 2006 (valores utilizados para pagar as primeiras importações Há fortes indícios que a integralização do capital com o empréstimo a Luiz Patemostro(em seguida) e posterior amortização desses empréstimos pelo mesmo sócio, foram na verdade uma forma de fazer o adiantamento de recursos para as primeiras importações e assim ocultar os reais adquirentes (os quais adiantaram os recursos) e posteriormente com as vendas a prazo(fictícias, pois já haviam sido pagas no adiantamento de recursos) dessas mesmas importações ocultar o adiantamento de recursos para as importações seguintes). CONCLUSÃO: Assim concluímos que o sócio Luiz Otávio Paternostro não tinha recursos com origem comprovada para efetuar a integralização do Capital Social conforme documentos analisados acima. Assim, a empresa não comprova a origem dos recursos empregados para a integralização do Capital social.” De acordo com termos de constatação e de declaração a empresa opera em uma única sala em Anápolis e outra em Maceió; não possui depósitos para armazenar as mercadorias; Fl. 5883DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 7 6 não possui capacidade econômicooperacional para realizar as importações. Em diligência e análise de documentos se constatou que a empresa não possui estrutura para movimentar as mercadorias por ela importadas na condição de adquirente; não possui armazéns ou depósitos; documentos e notas fiscais indicam que as mercadorias importadas pela interessada saíam direto do recinto alfandegado para os reais adquirentes ocultos e, na maioria dos casos no mesmo dia do registro da importação; vário emails da Trevi e Pater Trading indicam que as operações de importação eram operadas indiretamente pela Trevi; todas as vendas efetuadas pela Pater Trading eram na realidade para as mesmas empresas; o quadro de funcionários era constituído por apenas um funcionário em Anápolis e dois em Maceió. “As empresas Capri e Fabramex eram clientes da Pater Trading durante 2008 e 2009. A empresa TREVI ou PATER EMPREENDIMENTOS era cliente em 2009, 2010 e além disso, o sócio Luiz Patemostro foi sócio da TREVI até setembro de 2008(anexo 4.6). Importante salientar que o sócio da Pater Trading, o Sr. Luiz Patemostro havia deixado a sociedade da empresa em julho de 2008(anexo Documentos Entregues Pelo Contribuinte — Item A). Após essas informações iniciais, demonstraremos a atuação dessas empresas. No dia 10 de dezembro de 2012, na sede da empresa Pater Trading em Anápolis dentre vários documentos apreendidos encontramos um extrato bancário da empresa FABRAMEX (Bradesco, Ag. 30899 e cc 124281), datado de 06/11/2008. Ora qual objetivo haveria em um extrato bancário da empresa FABRAMEX na sede da Pater Trading? O mais importante era o seu conteúdo, o qual constava repasse de recursos para Pater Representaçào(TREVI) nos valores de RS 100.000,00; RS 300.000,00 e RS 295.000,00 e ainda para a empresa CAPRI nos valores de RS 98.109,76 e RS 90.582,25(em anexo 4.3.2); analisando esses dados em conjunto com os comunicados entre Pater Empreendimentos(TREVI ou Pater Repres.) e a empresa Pater Trading e ainda os emails e os documentos "Protocolo", demonstraremos a ocultação dos verdadeiros adquirentes. E para demonstrar esse "Modus Operandi” analisaremos a seguir três importações do mês de dezembro de 2008. 4.3.2 ANÁLISE DAS IMPORTAÇÕES DE DEZEMBRO DE 2008: 4.3.2.1 Importação . Declaração de Importação n° 08/1926842 3, de 01/12/2008: Fl. 5884DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 8 7 A empresa PATER TRADING registrou em 01 (primeiro) de dezembro de 2008, a Declaração de Importação(DI) n° 08/19268423 como importação própria, porém analisemos a documentação apreendida em 10 de dezembro de 2012 em Anápolis. Analisaremos em ordem cronológica a documentação referente a esta importação. A seguir a cronologia: 1 Primeiro em 18 e 19 de novembro de 2008 temos um comunicado entre a Pater Empreendimemos(TREVI) através da Fernanda para Pater Trading tratando a armazenagem do produto soda cáustica, fornecedor Basic, Pedido antecipado n° 14 e os dados bancários para transferência e valor de RS 89.699,99; nesse conjunto temos ainda uma cópia de email da Karina da Pater Empreendimento para Fernanda da Pater Empreendimentos tratando também do pagamento dessa mesma armazenagem e citando o número da nota fiscal de prestação de serviços para Pater Trading relativamente a essa armazenagem(26386). Existe ainda uma "Autorização de Pagamento" e cópia de TED bancário da transferência da Pater Trading para a empresa União que fez a armazenagem do produto. No diário de 2008 da Pater Trading, na data de 19 de novembro temos o lançamento de R$ 89.699,99 como pagamento de armazenagem a fornecedor. Temos ainda nessa data no livro diário a origem do recurso para pagamento desta despesa de armazenagem e a mesma vem de transferência da FABRAMEX no valor total de R$ 335.887,75(foi utilizado para pagar esta despesa e um contrato de câmbio de uma outra importação). No extrato bancário de novembro de 2008 da Pater Trading (banco Bradesco ag 33804, cc 906) temos no dia 19 de novembro o crédito de depósito em dinheiro originário da FABRAMEX no valor de RS 335.887,75 e a transferência para União em pagamento da despesa de armazenagem no valor de RS 89.699,99. Existe ainda um documento chamado "Protocolo" da Pater Trading de novembro de 2008 onde consta em 19 de novembro de 2008 uma linha referindo ao comunicado da TREVI e o valor de RS 89.699,99. 2 Segundo em 27 de novembro de 2008, temos uma cópia de documento(relatório) da empresa Asset (Comissária de despacho aduaneiro) para Fernanda da Pater Empreendimentos(TREVI) tratando desta importação e solicitando recursos para pagamento de despesas aduaneiras no valor de R$ 107.493,85; existe ainda unia cópia de TED bancário no valor de R$ 107.493,85 da Pater Trading para Asset. No diário de 2008 da Pater Trading, na data de 27 de novembro temos o lançamento de R$ 107.493,85 como pagamento de despesas à Asset. Temos ainda nessa data no livro diário a origem do recurso para pagamento desta despesa e a mesma vem de transferência da FABRAMEX no valor total de RS 120.334,00(foi utilizado para pagar esta despesa e uma outra para Asset(outra importação)). No extrato bancário de novembro de 2008 da Pater Trading (banco Bradesco ag 33804, cc 906) temos no dia 27 de Fl. 5885DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 9 8 novembro o crédito de depósito em dinheiro originário da FABRAMEX no valor de R$ 120.334,00 e a transferência para Asset em pagamento da despesa no valor de RS 107.493,85. Existe ainda um documento chamado "Protocolo" da Pater Trading de novembro de 2008 onde consta em 27 de novembro de 2008 uma linha referindo ao documento(relatório) da Asset para Fernanda(TREVI) e o valor de R$ 107.493,85. 3 Terceiro em 28 de novembro de 2008, temos uma cópia de e mail de Fernanda Sampaio da Pater Empreendimentos(TREVI) para Beth e Chiu da Pater com cópia para o sócio Henrique da Pater Trading tratando de provisionamento de recursos para pagamento de tributos aduaneiros na data de 01 de dezembro de 2008(dia do registro da DI) no valor de RS 375.200,00 referente ao pedido n° 14 da Basic/Soda. No diário de 2008 da Pater Trading, na data de 01 de dezembro temos o lançamento de RS 383.204,20 como pagamento de impostos e taxas aduaneiras. Temos ainda nessa data no livro diário a origem do recurso para pagamento desta despesa e a mesma vem de transferência da FABRAMEX no valor total de RS 391.111,50. No extrato bancário de dezembro de 2008 da Pater Trading (banco Bradesco ag 33804, cc 906) temos no dia 01 de dezembro o crédito de depósito em dinheiro originário da FABRAMEX no valor de RS 391.111,50 e os pagamentos das taxas e impostos. Existe ainda um documento chamado "Protocolo" da Pater Trading de dezembro de 2008 onde consta em 01 de dezembro de 2008 uma linha referindo ao email(comunicado) da Fernanda e o valor de RS 383.204,18 e ainda ImpostosBasic. Existe ainda uma outra cópia de email de Fernanda para os mesmos interessados do outro email com os valores que foram debitados no total de RS 383.204,18 da Basic/Soda pedido n° 14, datado de 02 de dezembro de 2008. 4 Quarto em 03 e 04 de dezembro de 2008, temos um comunicado da Pater Empreendimentos(TREVI) de Fernanda para Pater Trading tratando de despesa de armazenagem no valor de RS 8.656,05. Existe ainda uma cópia de email da empresa Ultracargo'União para Fernanda da Pater Empreendimentos(TREVI) tratando desta mesma armazenagem. Existe também uma cópia de TED bancário transferindo recursos de RS8.656,05 da Pater Trading para União em relação a despesa de armazenagem. Temos também uma cópia da nota fiscal de prestação de serviços relativo a essa armazenagem n° 26427. Existe também uma cópia de documento onde consta os títulos pagos e o mesmo nos informa que no dia 4 de dezembro de 2008 foi baixado um título no valor de RS 8.656,05 relativo ao fornecedor Basic Chemical. No diário de 2008 da Pater Trading, na data de 04 de dezembro temos o lançamento de RS 8.656,05 como pagamento de fornecedor União. Temos ainda na data de 3 de dezembro no livro diário a origem do recurso para pagamento desta despesa e a mesma vem de transferência da FABRAMEX no valor total de RS 50.000,00(Consta como recebimento de vendas a prazo da NF Fl. 5886DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 10 9 65, porém conforme análise da DI 08/19264681 este valor deve ser excluído vide análise da respectiva DI abaixo 4.3.2.3). No extrato bancário de dezembro de 2008 da Pater Trading (banco Bradesco ag 33804, cc 906) temos no dia 03 de dezembro o crédito de depósito em dinheiro originário da FABRAMEX no valor de RS 50.000,00 e os pagamentos da armazenagem no valor de S S 56.05 em 4 de dezembro. Existe ainda um documento chamado "Protocolo" da Pater Trading de dezembro de 2008 onde consta em 04 de dezembro de 2008 uma linha referindo ao comunicado da Fernanda e o valor de RS 8.656,05 para pagamento à empresa União. 5 Quinto em 10 de dezembro de 2008, temos uma cópia de e mail de Fernanda da Pater Empreendimentos(TREVI) para Beth da Pater e ainda cópia para o sócio Henrique da Pater Trading tratando de provisionamento de recursos para pagar uma multa ocorrida no despacho aduaneiro desta DI e outros onde Fernanda está tratando direto com os despachantes, o valor da multa era de RS 18.738,88. No diário de 2008 da Pater Trading, na data de 11 de dezembro temos o lançamento de RS 18.738,88 como pagamento de multas aduaneiras. Temos ainda na data de 10 de dezembro no livro diário a origem do recurso para pagamento desta despesa e a mesma vem de transferência da FABRAMEX no valor total de RS 17.402,32 ( A falta de recursos na conta bancária da Pater Trading obrigou a FABRAMEX a adiantar este recurso para poder pagar a multa). No extrato bancário de dezembro de 2008 da Pater Trading (banco Bradesco ag 33804, cc 906) temos no dia 10 de dezembro o crédito de transferência originário da FABRAMEX no valor de RS 17.402,32 e os pagamentos das multas no valor de RS 18.738,88 em 11 de dezembro de 2008. Existe ainda um documento chamado "Protocolo'' da Pater Trading de dezembro de 2008 onde consta em 10 de dezembro de 2008 uma linha referindo ao comunicado da Fernanda e o valor de RS 18.738,88 e ainda Impostos Basic. 6 Sexto, vamos agora analisar a venda da mercadoria e verificar a agregação de valor entre compra e venda. Inicialmente antes da análise daremos algumas informações. Intimamos a empresa através do Termo de Intimação n° 033 2013 a apresentar o contrato de câmbio desta importação, o mesmo verbalmente disse que devido aos problemas financeiros e cambiais ocasionados pela Crise Financeira Internacional de 2008, só foi possível fechar o câmbio ao longo de 2009 e que devido ainda a essa crise o exportador concedeu posteriormente um desconto. A empresa Pater entregou quatro cópias de contrato de câmbio (março, junho, julho e agosto de 2009 em anexo) totalizando o valor total de US$ 677.000,00 (seiscentos e setenta e sete mil dólares aproximadamente) somados com o frete internacional no valor de US$132.000,00(cento e trinta e dois mil dólares) somam o valor de USS 809.000,00(oitocentos e nove mil dólares aproximadamente) contabilizaremos o valor faltante de USS 18.000,00 a título de desconto. Ora a venda da mercadoria em grande parte (83%) do total foi efetuada para Fabramex em 15/12/2008 e 08/01/2009(Notas Fiscais 70 e 71 em Fl. 5887DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 11 10 anexo). O valor da taxa cambial nestas datas era maior que no dia do registro da DI, assim consideraremos para agregação de valor entre a compra e a venda a taxa menor de 2.265". Assim faremos a análise de agregação entre compra e venda abaixo: (...) Agregação de valor entre compra e venda, valor percentual (%) 4,7% (nào considerando o ICMS e ainda as demais despesas de funcionamento da empresa, portanto a agregação é praticamente zero). Ora concluindo este item 6, a agregação de valor entre a compra e a venda foi praticamente ZERO. Portanto esse é mais um indício de interposição da empresa Pater Trading com a finalidade de ocultar o real adquirente, ou seja, a empresa FABRAMEX Observação: Os valores de RS 335.887,75; RS 120.334,00 e R$ 391.111,50 foram analisados mais a frente no item 4.3.3.2, e ali está demonstrado a origem desses recursos e que o mesmo deve ser excluído(glosado) Nota Fiscal 49. CONCLUSÃO: Primeiro temos um extrato bancário da FABRAMEX apreendido na Pater Trading demonstrando repasse de recursos para TREVI e vínculo entre as mesmas. Segundo por tudo que foi demonstrado pelos documentos e e mails nos itens 1 a 6 acima, fica claro a função de intermediação da empresa TREVI, que serve como mais um nível na cadeia de interposição para ocultar ainda mais o real adquirente, ou seja, FABRAMEX e ainda os valores necessários para cobrir a importação vem da empresa Fabramex, apesar de na contabilidade esse recurso estar declarado como recebimento de venda anterior, por tudo que está nos emails e documentos existe fortes indícios de que essas vendas a prazo anteriores serem na verdade fictícias e que os recursos como neste caso eram antecipados pela empresa Fabramex, pois antes mesmo do registro da DI a empresa TREVI já fazia toda a negociação das despesas aduaneiras e ainda orientava sobre pagamento e transferência de recursos para impostos, taxas e outras despesas e ainda ocorria a transferência às vezes de valores exatos apenas para cobrir o déficit no banco Bradesco da Pater Trading, efetuadas essas transferências pela empresa Fabramex, como no caso da multa aduaneira em que não havia recurso se quer para pagála e a empresa Fabramex transferiu recurso suficiente para a sua liquidação. No item 6 ainda temos a demonstração que a agregação de valor entre a compra e a venda ser praticamente zero e a mercadoria ser repassada para a empresa FABRAMEX (NF 69, 70 e 71). Por tudo isso fica demonstrado para essa importação que houve antecipação de recursos da empresa Fabramex para a empresa Pater Trading e que a empresa Trevi funcionava como intermediadora, o que enquadra a operação como interposição da Pater Trading, pois a mesma declarava na DI que a importação era própria. A empresa Pater Trading assim cedeu o seu nome para ocultar o Fl. 5888DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 12 11 real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei n° 11.488/07, transcrita abaixo: (...) Neste caso esta DI foi objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. Portanto, os valores a serem recebidos posteriormente como Vendas a Prazo desta importação (na verdade vendas a prazo fictícias, pois a empresa FABRAMEX já havia antecipado os recursos para esta importação como demonstrado, assim esses valores serão usados para as próximas importações em 2009 e assim sucessivamente, ou seja, o recebimento de uma venda a prazo fictícia sendo usada para antecipar recursos para a importação seguinte) serão glosados (excluídos). Construiremos um fluxo financeiro com essas exclusões mais à frente(NF 70 e 71).” Análise equivalente foi realizada em relação à Declaração de Importação nº 08/1926469, registrada em 01/12/2008. Concluiu se que a margem de lucro foi de 12,9% e que: “Ora concluindo este item 4, a agregação de valor entre a compra e a venda foi muito BAIXA (sem considerar que falta ICMS e outras despesas, o que implicaria em uma agregação praticamente zero). Portanto esse é mais um indício de interposição da empresa Pater Trading com a finalidade de ocultar os reais adquirentes, ou seja, as empresa FABRAMEX e CAPRI. (...) “Portanto, os valores a serem recebidos posteriormente como Vendas a Prazo desta importação (na verdade vendas a prazo fictícias, pois as empresas FABRAMEX e CAPRI já haviam antecipado os recursos para esta importação como demonstrado, assim esses valores serão usados para antecipar recursos para as próximas importações em 2009 e assim sucessivamente, ou seja, o recebimento de uma venda a prazo fictícia sendo usada para antecipar recursos para a importação seguinte) serão glosados (excluídos). Construiremos um fluxo financeiro com essas exclusões mais à frente(NF 66, 67 e 68).” Da mesma forma em relação à Declaração de Importação nº 08/19264681, registrada em 01/12/2008. Foi realizada análise semelhante e concluiuse que a margem de lucro foi de 10,1% e que: “Ora concluindo este item 4, a agregação de valor entre a compra e a venda foi muito BAIXA(sem considerar que falta ICMS e outras despesas, o que implicaria em uma agregação praticamente zero). Portanto esse é mais um indício de interposição da empresa Pater Trading com a finalidade de ocultar o real adquirente, ou seja, a empresa FABRAMEX. Fl. 5889DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 13 12 (...) Portanto, os valores a serem recebidos posteriormente como Vendas a Prazo desta importação (na verdade vendas a prazo fictícias, pois a empresa FABRAMEX já havia antecipado os recursos para esta importação como demonstrado, assim esses valores serão usados para antecipar recursos para as próximas importações em 2009 e assim sucessivamente, ou seja, o recebimento de uma venda a prazo fictícia sendo usada para antecipar recursos para a importação seguinte) serão glosados (excluídos). Construiremos um fluxo financeiro com essas exclusões mais à frente(NF 65), para as importações de 2009 em diante. Análise da Declaração de Importação nº 08/05328372, registrada em 11/04/2008 e da Nota Fiscal de Saída nº35, conclui que a margem de lucro foi de 10,5% e que: “CONCLUSÃO: Por tudo que foi demonstrado pelos documentos nos itens 1 a 4 acima, fica claro a função de intermediação da empresa TREVI, que serve como mais um nível na cadeia de interposição para ocultar ainda mais o real adquirente, ou seja, FABRAMEX e CAPRI, a documentação apreendida não deixa dúvidas que o negociador da importação, quem gerencia todo os termos é a empresa TREVI, como no exemplo do documento em que a mesma acerta a transferência de recursos para a ASSET e também o documento da ASSET acertando os termos com a Fernanda da TREVI. Importante observar ainda que os valores necessários para cobrir a importação vem da empresa PATER REPRESENTAÇÃO(TREVI), apesar de na contabilidade esse recurso estar declarado como recebimento de empréstimo anterior, por tudo que está nos documentos e ainda da análise final do item 4.1 acima existem fortes indícios de que esses empréstimos foram fictícios( Mais uma forma de adiantar recursos dos reais adquirentes para futuras importações e facilitar ainda mais a ocultação dos mesmos), ora vejamos, conforme item 4.1 acima demonstramos que a integralização de grande parte do capital não teve sua origem comprovada e esses recursos foram utilizados para pagar as primeiras importações, ou seja, as primeiras importações foram com recursos de terceiros e portanto as vendas a prazo dessas importações foram fictícias(pois o pagamento já havia sido feito no adiantamento dos recursos disfarçados) e seriam usadas para adiantar recursos para as importações seguintes e assim sucessivamente; ora os recursos para os empréstimos fornecidos à Pater Representação(TREVI) em julho e agosto de 2007(conforme Diário da Pater Trading) foram com recursos dessas vendas a prazo e assim temos fortes indícios de serem fictícios. No item 4 ainda temos a demonstração que a agregação de valor entre a compra e a venda ser praticamente zero e a mercadoria ser repassada para a empresa FABRAMEX(NF 34) e CAPRI(NF 35). Fl. 5890DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 14 13 Portanto, os valores a serem recebidos posteriormente como Vendas a Prazo desta importação serão glosados (excluídos). Construiremos um fluxo financeiro com essas exclusões mais à frente.” Da mesma forma em relação à Declaração de Importação nº 08/06230767, registrada em 29/04/2008 e à Nota Fiscal de Saída nº 49, que concluiu que a margem de lucro foi de 14,9% e que: “CONCLUSÃO: Por tudo que foi demonstrado pelos documentos nos itens 1 a 7 acima, fica claro a função de intermediação da empresa TREVI, que serve como mais um nível na cadeia de interposição para ocultar ainda mais o real adquirente, ou seja, FABRAMEX e JP, a documentação apreendida não deixa duvidas que o negociador da importação, quem gerencia todo os termos é a empresa TREVI, como no exemplo do documento em que a mesma acerta a transferência de recursos para a ASSET e também o documento da ASSET acertando os termos com a Fernanda da TREVI. Importante observar ainda que os valores necessários para cobrir a importação vem da empresa Fabramex em sua grande parte e também é esta a empresa para qual a Pater Trading vende a maior parte do produto. No item 7 ainda temos a demonstração que a agregação de valor entre a compra e a venda ser praticamente zero e a mercadoria ser repassada para a empresa FABRAMEX(NF 43 e 49) e JP(NF 44, 48 e 55).” Em relação à Declaração de Importação nº 08/13701818, registrada em 02/09/2008, e a Nota Fiscal de Saída nº 59, concluiuse que a margem de lucro foi de 12,5% e que: “CONCLUSÃO: Por tudo que foi demonstrado pelos documentos nos itens 1 a 6 acima, fica claro a função de intermediação da empresa TREVI, que serve como mais um nível na cadeia de interposição para ocultar ainda mais o real adquirente, ou seja, a empresa CAPRI, a documentação apreendida não deixa dúvidas que o negociador da importação, quem gerencia todo os termos é a empresa TREVI, como no exemplo dos documentos em que a mesma acerta a transferência de recursos para pagamento dos impostos e fechamento de câmbio. No item 6 ainda temos a demonstração que a agregação de valor entre a compra e a venda ser praticamente zero e a mercadoria ser repassada para a empresa CAPRI(NF 59).” Foram anexados aos autos documentos que comprovam a intermediação da empresa Trevi na interposição fraudulenta efetuada pela empresa Pater Trading e que oculta as empresasa Fabramex e CPA Distribuidora de Produtos Industriais Ltda. Todavia, em razão de não fazerem parte do período fiscalizado e não afetarem diretamente as importações a partir de 2009 não serão analisadas em detalhe, restando o registro da fraude perpetrada pela interessada. Fl. 5891DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 15 14 Diversos documentos retidos comprovam que a empresa Pater Trading funciona como uma empresa subordinada da empresa TREVI, tais como: • “Temos um comunicado de Henrique da Pater Trading, de 20 de julho de 2005, para Beth da TREVI informando os dados bancários para pagar o aluguel da Pater Trading em Anápolis; • Temos uma cópia de email de Rúbia(funcionária da Pater Trading) para Beth da TREVI, de abril de 2008, solicitando que a TREVI efetue o pagamento do aluguel de Anápolis de RS 420,00; • Temos um documento em que Rúbia da Pater Trading solicita para Beth da TREVI que envie mais recursos para a caixinha da Pater Trading, pois a mesma está no fim(abril de 2008); • Temos uma cópia de email de Leila da TREVI para Edimar da Agenda (Contabilidade da Pater Trading) tratando de nota fiscal de serviços de uma empresa que presta serviços para a Pater Trading, empresa Meinberg, de maio de 2008; • Outro email da Leila da TREVI para Edimar da Agenda tratando dos movimentos bancários da Pater Trading, ora a empresa TREVI gerenciando as contas bancárias da Pater Tradins, junho de 2008; • Documento de controle dos Títulos à Receber da Pater Trading, especial atenção para os clientes, CAPRI é um deles, o nome do responsável pela emissão do documento está no alto do mesmo e é a Senhora Leila da TREVI, maio de 2008; Outro documento emitido por Leila da TREVI, de maio de 2008, com os títulos pago .... empresa Pater Trading aos seus fornecedores(inclusive os exportadores estrangeiros); • Outro documento emitido por Leila da TREVI, de maio de 2008, com os títulos baixados pela empresa Pater Trading referente aos seus clientes(Fabramex e Capri); Temos um comunicado de Henrique da Pater Trading, de 20 de julho de 2005, para Beth da TREVI informando os dados bancários para pagar o aluguel da Pater Trading em Anápolis; • Cópia de email de Rúbia da Pater Trading para Beth da TREVI cobrando o pagamento de aluguel da Pater Trading de abril de 2008; • Outro documento emitido por Leila da TREVI, de abril de 2008, com os títulos pagos pela empresa Pater Trading aos seus fornecedores e prestadores de serviço, e IMPORTANTE, janto com o nome de Leila temos o nome da empresa MPA Comercia! Atacadista Ltda que será futura adquirente de mercadorias da Pater Trading; • Outro documento emitido por Leila da TREVI, de abril de 2008, com os títulos baixados pela empresa Pater Trading aos seus fornecedores e prestadores de serviço, e IMPORTANTE, Fl. 5892DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 16 15 junto com o nome de Leila temos o nome da empresa MPA Comercial Atacadista Ltda que será futura adquirente de mercadorias da Pater Trading; • Cópia de email de Leila da TREVI para Edimar da Agenda Contabilidade tratando de movimentação bancária de julho de 2008 da empresa Pater Trading; Documento emitido por Leila da TREVI em novembro de 2008 sobre o estoque da empresa Pater Trading; • Documento emitido por Leila da TREVI em novembro de 2008 sobre o faturamento da empresa Pater Trading; • Documentos emitidos por Leila da TREVI em novembro de 2008 sobre títulos pagos, à pagar, à receber e baixados da empresa Pater Trading; • Cópia de extrato bancário da Pater Trading emitido por Leila, de setembro de 2008; • Cópia de extrato bancário da Pater Trading emitido por Elizabeth A F Ramos da Silva, de setembro de 2008; • Documento emitido por Leila da TREVI tratando de movimentação bancária da Pater Trading de 01 à 31 de julho de 2008.” Análise da importação realizada por meio da Declaração de Importação nº 09/00489550, registrada em 13/01/2009 conclui que a margem de lucro foi de 11,1% e que: “Conforme lançamentos no livro Razão da Pater Trading de dezembro de 2008, abaixo, temos o pagamento de câmbio desta importação no dia 18 de dezembro de 2008, porém conforme os mesmos lançamentos abaixo, podemos observar que os recursos para o pagamento deste câmbio foram efetuados com recursos vindos da empresa Fabramex no mesmo dia 18 de dezembro. Importante observar que esses recursos seriam de recebimento de vendas a prazo das notas fiscais de número 66 e 70, porém conforme demonstrado nos itens 4.3.2.1 e 4.3.2.2 deste relatório, tais vendas a prazo foram ficticias e portanto esses valores na verdade foram adiantamento de recursos da Fabramex para a Pater Trading para que a mesma efetuasse a importação, conforme ainda o extrato bancário de dezembro de 2008(anexo 4.3.2) sem esse recurso da Fabramex não seria possível o pagamento do câmbio(Este câmbio consta no anexo Câmbio 2009). (...) Por tudo isso fica demonstrado para essa importação que houve antecipação de recursos da empresa Fabramex para a empresa Pater Trading e que a empresa Trevi funcionava como intermediadora, o que enquadra a operação como interposição da Pater Trading, pois a mesma declarava na DI que a Fl. 5893DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 17 16 importação era própria. A empresa Pater Trading assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei n° 11.488/07, transcrita abaixo: (...) Portanto, os valores a serem recebidos posteriormente como Vendas a Prazo desta importação (na verdade vendas a prazo fictícias, pois a empresa FABRAMEX já havia antecipado os recursos para esta importação como demonstrado; assim essas vendas serão usadas para antecipar(JUSTIFICAR) recursos para as próximas importações em 2009 e assim sucessivamente, ou seja, o recebimento de uma venda a prazo fictícia sendo usada para antecipar recursos para a importação seguinte) serão glosados (excluídos). Construiremos um fluxo financeiro com essas exclusões mais à frente(Notas Fiscais 73(Fabramex), 74 e 75(CAPRI), de 13/01/2009), para as importações diretamente vinculadas.” A importação realizada por meio da Declaração de Importação nº 09/01123220, registrada em 28/01/2009, teve margem de lucro de 10,5 % e: “Conforme lançamentos no livro Razão da Pater Trading de janeiro de 2009, abaixo, temos o pagamento de câmbio desta importação no dia 22 de janeiro de 2008, porém conforme os mesmos lançamentos abaixo, podemos observar que os recursos para o pagamento deste câmbio foram efetuados com recursos vindos da empresa Fabramex no dia 21 de janeiro. Importante observar que esses recursos seriam de recebimento de vendas a prazo da nota fiscal de número 73(Diário da Pater Trading de 2009, folha 6 do Diário 2009 em anexo), porém conforme demonstrado acima neste relatório, tais vendas a prazo foram fictícias, e portanto esses valores na verdade foram recursos da Fabramex pari a Pater Trading para que a mesma efetuasse a importação, conforme ainda o extrato bancári» de janeiro de 2009(anexo Extratos Bancários 2009) sem esse recurso da Fabramex não seria possível o pagamento do câmbio(Este câmbio consta no anexo Câmbio 2009). (...) No livro Diário da Pater Trading de janeiro de 2009, temos o pagamento de impostos e taxas aduaneiras no dia 28 de janeiro de 2009 e conforme lançamentos abaixo, o recurso para efetuar tais pagamentos foram oriundos mais uma vez da Fabramex(Nota Fiscal n° 65, Diário da Pater Trading, folha 8 Diário 2009 em anexo vide também item 4.3.2.3). (...) Por tudo isso fica demonstrado para essa importação que houve origem de recursos da empresa Fabramex(e que as notas fiscais Fl. 5894DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 18 17 65 e 73 foram de vendas fictícias, assim o recurso para pagamento dessa importação não teve origem na empresa importadora) para a empresa Pater Trading e que a empresa Trevi funcionava como intermediadora, o que enquadra a operação como interposição da Pater Trading, pois a mesma declarava na DI que a importação era própria. A empresa Pater Trading assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei n° 11.488/07, transcrita abaixo: (...) Assim, os valores a serem recebidos posteriormente como Vendas a Prazo desta importação (na verdade vendas a prazo fictícias, pois a empresa FABRAMEX já havia fornecido irregularmente os recursos para esta importação como demonstrado; assim esses valores serão usados para antecipar(JUSTEFICAR) recursos para as próximas importações em 2009 e assim sucessivamente, ou seja, o recebimento de uma venda a prazo fictícia sendo usada para fornecer(JUSTIFICAR) recursos irregularmente para a importação seguinte) serão glosados (excluídos). Construiremos um fluxo financeiro com essas exclusões mais à frente(Nota Fiscal 77(CAPRI), de 28/01/2009), para as importações diretamente vinculadas. Para as demais Declarações de Importação de 2009 (a partir de fevereiro) 2010, 2011 e 2012(até novembro) foi construída uma tabela com o fluxo de recebimentos, pagamentos, origem do recurso e destino do produto importado, além dos motivos de exclusão dos recursos utilizados nos pagamentos. Os motivos que levaram à exclusão do recurso, considerado como adiantamento de terceiros, foram os seguintes: Baixa agregação de valor para venda; Venda das mercadorias às mesmas empresas, muitas vezes na sua totalidade; Emissão de notas fiscais de saída no dia ou em data muito próxima ao do desembaraço; Sem o recebimento dos recursos adiantados a empresa Pater Trading não possuiria recursos suficientes para o pagamento das importações. Fortes vínculos entre as empresas envolvidas. Importações realizadas no período entre junho de 2011 e dezembro de 2012 tiveram o adiantamento dos recursos nelas empregados simulado por meio de contratos de mútuo entre as empresas Pater Trading e Kolovec do Brasil Distribuidora de Produtos Químicos Ltda. A empresa Kolovec tinha fortes vínculos com as empresa Trevi e JP Distribuidora. Fl. 5895DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 19 18 O modus operandi dessas importações consistia em, basicamente, a empresa JP Distribuidora transferir recursos à empresa Kolovec que, por sua vez, os transferia á empresa Pater Trading por meio de empréstimos simulados. Depois de entregues as mercadorias importadas, a empresa JP Distribuidora simulava pagamento transferindo recursos à Pater Trading que os transferia à Kolovec simulando pagamento do empréstimo. A empresa Kolovec, por sua vez, repassava os recursos à JP Distribuidora, comprovando assim a simulação do mútuo, utilizado para ocultar os verdadeiros adquirentes da mercadoria. Em algumas operações de importação também estavam envolvidas as empresas CPA, MPA, TREVI, Novaq Central e Cascade do Brasil Declarações de Importação Análise detalhada das importações realizadas por meio das Declarações de Importação nº 11/11146782, 11/11762246, 11/12010698, 11/12736133, 11/13869242, 11/14706398, 11/17302808 e 11/19003743, especialmente os valores constantes dos contratos de mútuo, das transferências bancárias e dos registros contábeis demonstram com clareza esse modus operandi de adiantamento de recursos para a realização dessas importações. (fls. 169 a 185) Depois de apresentar tabela que detalha todas as Declarações de Importação registradas pela interessada e o modo como foram adiantados os recursos nelas empregados, a fiscalização conclui que: “Por tudo isso fica demonstrado para as importações da tabela acima(Linhas 1 até 140 ITEM 4.5.2 deste relatório) que houve origem de recursos das empresas ali citadas (e que as notas fiscais ciladas foram de vendas fictícias, assim o recurso para pagamento dessas importações não tiveram origem na empresa importadora) para a empresa Pater Trading. o que enquadra a operação como interposição da Pater Trading. pois a mesma declarava nas D.I.s que a importação era própria. A empresa Pater Trading assim cedeu o seu nome para ocultar o reais adquirentes nessas D.I.s incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado nas respectivas D.I.s conforme o Artigo 33 da Lei n° 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a RS 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso essas D.I.s foram objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima.” Fl. 5896DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 20 19 Com relação ao estreito relacionamento que possuem as empresas envolvidas, assim demonstrou a fiscalização: A empresa Kolovec do Brasil Distribuidora de Produtos Químicos Ltda tem como sócios o Sr. Sergio Luiz Battaglin, CPF n° 751.566.28834 e a empresa Kolovec Trading Sociedade Anônima com sede no Uruguai, CNPJ n° 07.075.199 000166. Ocorre que o sócio Sergio Luiz Battaglin foi também sócio da empresa Trevi Importação e Exportação Ltda de 2008 até 2010. O sócio Kolovec Trading Sociedade Anônima com sede no Uruguai tem como sócio responsável, o Sr. João Paulo de Oliveira, CPF n° 107.863.72885, e o Sr. João Paulo também foi sócio da empresa JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais EIRELI de 1999 até 2006. A empresa Trevi Importação e Exportação Ltda, já teve vários nomes como: Pater Empreendimentos, Pater Representação Comercial, Trevi Importação e Exportação. Tem como sócios o Sr. José Rubens Coutinho Romano, CPF n° 423.283.30800 desde 2009 e Fabramex Comercial Importação e Exportação Ltda desde 07/2009. O Sr. Luiz Otávio Paternostro, CPF n° 935.939.61849 foi sócio da TREVI até setembro de 2008 e o mesmo havia sido sócio da Pater Trading(empresa selecionada para esta auditoria) também até 2008. A empresa MPA Comercial Atacadista Ltda também foi sócia da TREVI até setembro de 2008. A empresa JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais EIRELI tem como sócio o Sr. André Lira da Silva, CPF n° 271.418.368 96, o mesmo já foi sócio da empresa CAPRI Atacadista de Insumos Industriais EIRELI de 2009 à 2011; também teve como sócia a empresa CPA Distribuidora de Produtos Industriais Ltda em 2011. A empresa CAPRI Atacadista de Insumos Industriais EIRELI como acima citado teve como sócio de 2009 a 2011, o Sr. André Lira da Silva, CPF n° 271.418.36896. A empresa Fabramex Com Imp. Export. Ltda é sócia da empresa TREVI. A empresa CPA Distribuidora de Produtos Industriais Ltda foi sócia da empresa JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais EIRELI em 2011. A empresa MPA Comercial Atacadista Ltda tem como sócio administrador, o Sr. Luiz Otávio Paternostro CPF n° 935.939.61849, e este último foi sócio da empresa Pater Trading (selecionada para esta fiscalização) até 2008. A empresa TREVI foi sócia da MPA de 2007 até 2008. Portanto as empresas deste grupo têm fortes vínculos entre si. Os documentos relativos ao histórico dos quadros societários (de onde surgem os vínculos) citados acima estão no ANEXO 4.6.” Fl. 5897DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 21 20 Com relação ao crédito tributário: “De acordo com as penalidades e considerações descritas no item anterior (6.1 e 6.2), as importações realizadas pela empresa PATER TRADING. nos períodos abrangidos por esta fiscalização (anos de 2008(dezembro), 2009, 2010, 2011 e 2012), serão agrupadas nos seguintes grupos, gerando os respectivos créditos tributários. A — Multa por cessão do nome (art. 33 da Lei 11.488/2007), objeto deste Auto de Infração. B Perdimento convertido em pecunia (art. 23, inciso V e §1° e § 3o do DecretoLei 1.455/1976) ou Perdimento das mercadorias encontradas no depósito físico das empresas, a serem lavradas em outros processos em desfavor das empresas OCULTAS, em solidariedade com a empresa PATER TRADING caso seja aplicada a multa.” A solidariedade entre os acusados está embasada nos artigos 124, inciso I e 135, inciso II, do Código tributário Nacional – Lei º 5.172/1966 e no art. 95, inciso I, do Decretolei nº 37/1966. Foram autuados em conjunto com a interessada, Pater Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda, seus sócios: Empresa Santa Elvira Indústria e Comércio Ltda; Henrique Signore Sadocco Filho; e Luiz Otávio Paternostro, sócioadministrador entre 2005 e 2008. Cientificados do auto de infração, os autuados apresentaram impugnação nas quais alegam, em síntese, que: Apresentou todos os documentos e informações solicitados pela fiscalização, tais como: comprovantes de integralização do capital social, planos de contas e livros diário/razão, livros de registro de entrada e saída de mercadorias e registro de inventário e de apuração de IPI, extratos bancários, demonstrativos de resultado e balanços patrimoniais, contratos comerciais com fornecedores estrangeiros. “Não obstante, a Fiscalização houve por entender que estaria caracterizada a ausência de recursos financeiros próprios para suportar as operações de comércio exterior razão pela qual presumiu que teria acorrido acobertamento dos supostos adquirentes reais das mercadorias. Entretanto, desde o primeiro momento, é necessário ressaltar que NÃO HÁ NENHUMA PROVA de que a Impugnante teria operado com recursos de terceiros Verificase, na verdade, que os próprios trabalhos fiscais apresentam elementos que reforçam a idoneidade das operações realizadas pela Impugnante. Tais elemento, efetivamente, apontam para o fato de que as operações eram reais e lucrativas e não meras operações de "fachada", simuladas e deficitárias, com único propósito de ocultar os reais adquirentes das mercadorias. Fl. 5898DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 22 21 Toda a acusação baseiase, na verdade, em uma ÚNICA E EQUIVOCADA PREMISSA inicial, qual seja, a de que os pagamentos efetuados por um cliente da Impugnante ("FABRAMEX COMÉRCIO IMP. E EXP. CNPJ 15.318.144/000104) nos montantes de R$ 335.887,75 (19.11.2008). RS 120.334,00 (27.11.2008), e RS 391.111,50 (01.12.2008) não teriam se revestido de meros pagamentos de vendas a prazo, realizadas pela Impugnante em 08/05/2008 e 13/06/2008. Tais vendas, contudo, estão suportadas pelas Notas Fiscais de Venda (NF) n°s 43 e 49, e correspondentes extratos bancários e registros nos livros diário da Impugnante. Frisese que todos os lançamentos contábeis efetuados pela Impugnante indicam que tais pagamentos se referem às NFs de venda n°s 43 e49 (Hidróxido de Sódio, ou soda cáustica). Entretanto, segundo interpretou a Fiscalização, tais pagamentos consistiriam em supostos adiantamentos para financiar importações futuras e não meros pagamentos de venda a prazo, tal como contabilizou a Impugnante. Em outras palavras, a Fiscalização presumiu, por sua conta e risco, que as vendas da Impugnante à FABRAMEX (NFs n°s 43 e 49) seriam fictícias, e que, por conseguinte, os pagamentos realizados pela FABRAMEX em favor da Impugnante teriam o objetivo de financiar importações futuras. Ocorre que a Fiscalização não apresentou NENHUM elemento de prova para descaracterizar a efetividade das vendas realizadas pela Impugnante. Para assim concluir, a Fiscalização baseiase, essencialmente, em comunicações internas entre a então TREVI IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (60.094.612/000112) e a Impugnante. O conteúdo de tais comunicações referese à solicitação, por parte da TREVI, de antecipações de despesas aduaneiras e de armazenagem pela Impugnante a empresas que atuam como despachantes aduaneiros ou armazéns gerais (tais como ASSET CONSULTORIA E ASS. E REPR. LTDA. e UNIÃO TERMINAIS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA.). Frisese que tais despesas encontramse amparadas por Notas Fiscais, e ioram devidamente contabilizadas pela Impugnante. Esclareçase que a TREVI é uma empresa que presta serviços de transporte o local do desembaraço até o local de armazenamento das mercadorias, conforme consta inclusive de seu site na internet4. Por outro lado, a ASSET é uma empresa que tem, em seu portfólio, serviços de assessoria em comércio exterior, tais como estudos de viabilidade e orçamentos de projetos de importação, bem como serviços de contratação de intervenientes logísticos e de desembaraço aduaneiro5. Considerando que a filial da Impugnante que realizou essa importação se localiza em Maceió/AL, e as importações foram Fl. 5899DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 23 22 realizadas por meio do Porto de Santos/SP e que, portanto, a Impugnante operava tais importações de forma remota as despesas com serviços de assessoria aduaneira e logística, tais como despesas com desembaraço aduaneiro, transporte apos o desembaraço e armazenagem, são perfeitamente coerentes, e estão amparadas por contrato celebrado entre a TREVI e a Impugnante (doe. 3). É importante notar que os valores de tais despesas não correspondem, exatamente, aos pagamentos efetuados pela FABRAMEX à Impugnante fato evidenciado pelo próprio relatório da Fiscalização. Além disso a própria Fiscalização atesta que a operação foi lucrativa embora procure descaracterizar a operacionalidade das vendas ao afirmar que a agregação de valor entre a compra e venda teria sido muito baixa, dada a não contabilização do ICMS e "outras despesas'' as quais não foram sequer especificadas pela Fiscalização. Ainda, a Fiscalização desconsiderou benefícios de ICMS concedidos pela legislação do Estado de Alagoas, nos termos do nos termos da Lei n° 6.410/03, regulamentada pelo Decreto n° 1738/036, bem como do art. 600, §1°. Decreto do Estado de Alagoas 35.245/917 informação que constou das respectivas NFs de venda (43 e 49). Ademais, a presunção da Fiscalização, de que a operação da Impugnante demandaria uma estrutura maior e portanto mais custosa, simplesmente, não corresponde à realidade. Embora as operações de importação realizadas pela Impugnante envolvam valores expressivos, a verdade é que a as operações são em pequena quantidade. Em 2008 por exemplo, foram 12 (Dis), que, na verdade, se resumem a 7 operações ou seja, uma média inferior a uma operação por mês. Consideradas as 146 DIs realizadas em todo o período autuado (isto é, de dezembro/08 a dezembro/12), nota se que a média mensal é próxima de 3 operações. A atividade da Impugnante, basicamente, se limita a compra de bens no exterior e revenda no Brasil. Como as importações ocorrem de forma remota, os bens. após o seu desembaraço, são armazenados em armazéns gerais, ; contiguos aos portos pelos quais as mercadorias são escoadas. Observese, a esse respeito, que, ato continuo às importações, a Impugnante emitia NFs de remessa aos armazéns gerais (CFOP 6.905). As mercadorias, portanto, não chegam a ingressar, fisicamente, no estabelecimento da Impugnante, sendo remetidas diretamente dos armazéns gerais para os clientes da Impugnante, com emissão de NFs de "Vendas 5em Circulação pelo Estabelecimento" (CFOP 6.106). O ingresso no estabelecimento da Impugnante acontecia para meros fins fiscais, com o registro das respectivas NFs no competente Livro de Registro de Entradas. Fl. 5900DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 24 23 Vale ressaltar que a Impugnante realiza, previamente às operações, estudos de mercado que visam identificar as demandas por bens importados, o que tem por objetivo, exatamente, a otimização dos lotes importados, fazendo com que as mercadorias importadas sejam facilmente desovadas. Esta, na verdade, é a atuação típica de uma empresa que atua neste ramo de mercado tal como se demonstrará. Assim. a estrutura necessária para a operação brevemente descrita acima, é na verdade muito simples, permitindo que os contatos comerciais sejam feitos pela pessoa do próprio sócio gerente, que se dedica com exclusividade à empresa, por meio de telefone e internet. Resta saber, portanto, qual seria o elemento do prova apontado pela fiscalização para descaracterizar as vendas registradas pelas NFs n°s 43 e 49 como fictícias? Qual seria a pretensa "lógica" que permitiria transformar pagamentos registrados a titulo de vendas de mercadorias em supostas "antecipações de importações futuras"? E, isso, quando se tem: i) pagamentos via TED, devidamente identificados, em nome da FABRAMEX, conforme demonstram os respectivos extratos; ii) Notas Fiscais de venda e contabilização dos recebimentos como resultantes de vendas; iv) pagamentos de despesas aduaneiras e de armazenagem que se caracterizam como operacionais; e principalmente v) operações lucrativas fato atestado pela própria Fiscalização. Observase, assim, que o raciocínio da Fiscalização é nitidamente circular: Para concluir que não havia recursos próprios, a Fiscalização desconsidera os recursos provenientes das vendas efetuadas pela Impugnante. Porém, as vendas em questão foram consideradas pela Fiscalização como "fictícias" porque, sem elas, não seria possível o pagamento de despesas inerentes ao processo. A esse respeito, vejase o seguinte trecho do relatório tecido pela Fiscalização "Ou seja, a mesma opera com recursos do terceiros (se não houvesse os "recebimentos de clientes, ou seja, adiantamentos de clientes (através das vendas fictícias e ainda dos mútuos fictícios (...), não haveria recursos disponíveis para efetuar o pagamento disponíveis para efetuar o pagamento das importações", (cf. Item 2.6 "Do Enquadramento da Forma de Operação da Pater Trading'). No entanto, qual empresa conseguiria manterse, e suportar despesas, se não possuísse receitas oriundas, por óbvio, de pagamentos de seus clientes ou seja, de vendas? Fl. 5901DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 25 24 A partir de um raciocínio de rigor duvidoso e de uma premissa equivocada, a Fiscalização passou a interpretar todos os pagamentos posteriores dos clientes da Impugnante não mais como simples pagamentos de vendas de mercadorias a prazo situação de todo regular mas sim, como supostas antecipações de pagamento para importações futuras. Neste relato inicial, a Impugnante chama a atenção para as vendas realizadas, a prazo, em maio e junho de 2008 (DI 08/06230767, de 19/04/2008) que sequer são objeto da penalidade cominada pela Fiscalização porque os pagamentos realizados pela FABRAMEX em relação àquelas vendas se espraiaram ao longo do ano de 2008, por se tratar de ima venda a prazo. Logo, como a Fiscalização descaracterizou essas vendas, os pagamentos realizados nos meses seguintes inclusive, em novembro e dezembro de 2008 foram, também, considerados como supostas "antecipações" de importações futuras. Com isso, a Fiscalização considerou insuficientes os recursos para as operações de importação realizadas em dezembro/08 (DIs n°s 08/19264690, 08/19264681, 08/19268423) período inicial objeto do Auto de Infração. Tal elemento pagamentos realizados por clientes da Impugnante deveria ser considerado, no mínimo, com parcimônia pela Fiscalização, pois, considerada a continuidade regular das relações comerciais entre fornecedores/consumidores, é perfeitamente típica e razoável a existência de pagamentos habituais das mesmas empresas à Impugnante. O acurado exame dos fatos é que diferenciará aquilo que pode ser considerado o mero pagamento por uma venda e a suposta antecipação para financiamento de uma operação futura. É nesse ponto que a autuação falhou, conforme a Impugnante descreverá ao longo da presente defesa. Efetivamente, apegandose a uma única e equivocada premissa, de que a Impugnante não teria recursos próprios na data da primeira operação em dezembro de 2008 a Fiscalização constrói sua tese de que se estaria diante e antecipações, e não vendas. Apegandose a tal tese preconcebida, a Fiscalização interpreta todas as outras circunstâncias de acordo com este fio condutor, desprezando, ou não destacando deliberadamente elementos que não confirmam a sua teoria, e que militam em favor da Impugnante, tais como: (1) Existência do markup para as operações fato que a Fiscalização busca interpretar de forma contrária à Impugnante, ao alegar que as margens de lucro seriam baixas considerando o "ICMS e os custos de manutenção da operação". Fl. 5902DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 26 25 Observase que a Fiscalização não logrou demonstrar quais "custos" seriam estes. Tratase de uma grande suposição, baseada na premissa de que a Impugnante deveria contar com uma estrutura maior, e, portanto, mais custosa porém, esta estrutura não é necessária, como descrito acima. Ou seja: a Fiscalização abandona o único fato, efetivamente, comprovado a existência de saldo positivo (lucro) nas operações e se apega à uma mera suposição, destituída aliás de qualquer rigor. Em alguns casos, a Fiscalização chega a chamar de "baixas" margens de lucro de mais de 20, ou até 30%. Qual seria o critério para assim concluir? Ainda que as operações fossem deficitárias, esse dado isoladamente não poderia suportar a presunção de fraude, pois o risco de perdas é inerente ao mercado. O que dizer, então, de situação em que a própria Fiscalização atesta a existência de saldo positivo nas importações o que, aliás, guarda coerência com os Balanços Patrimoniais, que indicavam lucros? (ii) Os tributos devidos nas operações de importação foram devidamente recolhidos pela Impugnante; Outros elementos levantados pela própria Fiscalização no relatório anexo aos AIIMs, apesar da conotação conferida, trazem dados que, isoladamente, em nada relevam para a acusação de que a Impugnante não possuiria recursos próprios para arcar com as importações, ou ainda que reforçam a idoneidade das operações. Vejase, a esse respeito, a alegação de que as empresas CAPRI e FABRAMEX eram clientes da Pater Trading (Impugnante) durante 2008 e 2009, ou o fato de que o Sr. Luiz Patemostro sócio da Impugnante até julho/2008 teria sido sócio da TREVI até setembro de 2008. tendo então deixado a sociedade. Como o período autuado abrange fatos de dezembro/08 a dezembro/12, a alegação da Fiscalização somente reforça a independência entre a TREVI. a FABRAMEX e a Impugnante. Além disso, a própria Fiscalização registra a existência de vários clientes da Impugnante como FABRAMEX. CPA Distr. De Produtos Industriais. JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais, MPA Comercial Atacadista. MM Drodutos Alimentícios, JMT Comércio de Tecidos Ltda., Triple Tex Com. de Tecidos, Capri Distribuidora e Atacadista, Nova Central Imp. E Exp., Cascade ío Brasil, entre outras e não apenas uma única empresa. Verificase, inclusive, que a lista de supostos "adquirentes" verdadeiros inclui empresas notoriamente idôneas, como o Consórcio Brasileiro de Produção de Óleo, uma empresa que pertence à VALE S.A8. A Fiscalização, ainda, sustenta que a Impugnante teria observado movimentação financeira da ordem de R$ 7.8 milhões em 2008. ao passo que as Importações realizadas no período somariam R$ 9,2 milhões. Este dado citado pela Fiscalização Fl. 5903DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 27 26 está equivocado, uma vez que o somatório do valor das Dis registradas em 20089 é R$ 6.248.070,07 e não R$ 9.2 milhões, como referido pela Fiscalização (doc. 04). Isso porque, quanto à última DI registrada em 2008 (08/19268423, de J1/12/2008), no valor de R$ 1.873.888,81, a Impugnante obteve uma moratória e desconto de seu fornecedor no exterior, tendo realizado o pagamento em questão somente ao longo de 2009, fato comprovado por contratos de câmbio vinculados à DI em questão (08/19268423). Ou seja, ao atestar uma movimentação da ordem financeira de RS 7,8 milhões em 2008, a Fiscalização acaba por produzir prova que ressalta a existência le recursos próprios da Impugnante naquele ano (2008). Por outro lado, a Impugnante observou um Capital Circulante Líquido de R$ .342.181,85 em 2008 Nos demais períodos alcançados pela autuação (entre Í009 e 2012), a Impugnante manteve capitais circulantes líquidos de ordem semelhante, superiores a R$ 1.296.507,90 (cf. "DEMONSTRAÇÃO DE ORIGEM E APLICAÇÃO DE RECURSOS APURAÇÃO DA VARIAÇÃO DO CAPITAL CIRCULANTE" fls. 01099). Salientese, ainda, que a Impugnante junta, à presente defesa, declarações de seus fornecedores no exterior tais como LOTUS OIL REPRESENTAÇÕES LTDA. representante comercial de CONTINENTAL OIL & FATS (Malásia) no Brasil e UNIMIX, representante de KEMPAS EDIBLE OIL (Malásia), no Brasil | nas quais atestam que, de fato, negociavam com a Impugnante em seu rio nome (doe. 05). Não mais bastasse, parte das mercadorias importadas pela Impugnante consiste em fitas de led vide, por exemplo, NFs n°s 470 e 471, de 17/12/2012 cuja marca ("MUNDIAL LED") foi registrada pela Impugnante perante o Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI) dado que reforça o fato de que a Impugnante operou em nome próprio, assumindo os riscos comerciais e econômicos de sua atuação (do~c. 06). Em suma, NÃO HÁ ELEMENTOS SUFICIENTES para caracterizar as vendas ia Impugnante como "fictícias'', e por conseguinte — para concluir que a Impugnante estaria operando com recursos de terceiros ao contrário do que concluiu a Fiscalização. Ao contrário, quando analisadas criteriosamente, de forma desapegada de insinuações e teses préconcebidas, as provas dos lutos atestam a operacionalidade da Impugnante e idoneidade das operações em exame. Tais razões, e outras que serão melhor expostas ao longo da presente impugnação, devem levar à necessária IMPROCEDÊNCIA dos AIIMs. bem ao CANCELAMENTO INTEGRAL do crédito tributário por eles constituídos, tanto no que se refere à penalidade por cessão do nome a supostas e sequer existentes operações de comércio exterior em nome de Fl. 5904DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 28 27 terceiros, como no que se refere à pena de perdimento infligida peta Fiscalização.” Há contradição entre os dois autos de infração lavrados pela fiscalização, pois não poderia ser responsabilizada pela pena de perdimento, já que lhe foi imputada a penalidade prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Se a fiscalização entende que a impugnante apenas atuou para ocultar os reais adquirentes das mercadorias, a pena de perdimento deveria ser cominada a tais empresas e não à impugnante, nem mesmo como empresa solidária. Há impossibilidade de se restringir atividade econômica além do prazo previsto no art. 9º da IN SRF nº 228/2002 (90 dias), que não se confunde com o prazo estabelecido no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Algumas Declarações de Importação foram liberadas mediante apresentação de garantia, sendo que a fiscalização entendeu que houve revenda das mercadorias e, portanto, aplicou a pena de perdimento convertida em multa pecuniária. Porém parte das vendas apontada pela fiscalização teria sido realizada após o prazo de 90 dias de que trata a IN SRF nº 228/2002, sem que a impugnante fosse cientificada da prorrogação das restrições. Portanto a pena de perdimento deve ser considerada nula. A configuração das operações realizadas pela impugnante está de acordo com as informações do site oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio exterior (MDIC) que registra que as trading companies necessitam menor capital de giro devido às “operações casadas”, sendo essas caracterizadas pela comercialização imediatamente após a importação, sem trânsito físico das mercadorias pela importadora. Conforme Parecer da CoordenaçãoGeral de Assuntos Tributários da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – parecer PGFN/CAT nº 2.042/97 (doc. 07) a única exigência, quando de contribuinte situado em Estado diverso do porto de importação, é a emissão de Notas Fiscais “simbólicas” de entrada e de saída, como foi o caso das operações no caso presente. Portanto, não há a necessidade de entrada “física” da mercadoria como alega a fiscalização, bastando a emissão de notas fiscais com os códigos CFOP próprios. Ao contrário do que alega a fiscalização diversas importações somente foram vendidas e entregues aos clientes muitos dias ou mesmo semanas depois de desembaraçadas, como por exemplo, aquelas amparadas pelas notas fiscais nº 48, 49 e 55. Mesmo no caso de proximidade de datas de desembaraço e vendas das mercadorias não há qualquer vedação legal a que a negociação ocorra antes do desembaraço aduaneiro, pois entre a contratação com os fornecedores no exterior e todo o procedimento burocrático de importação e o desembaraço das mercadorias decorrem cerca de 40 a 60 dias. Fl. 5905DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 29 28 Não há qualquer motivo para se aguardar o desembaraço para só então iniciar as negociações de venda. Apesar de as operações autuadas terem sido realizadas em 2008 a fiscalização inicia a análise retornando à época da integralização do Capital Social da empresa em 2005. Os comprovantes de depósito bancário e registros no Livro Diário comprovam que em 07/06/2006 e 30/06/2006 os sócios Henrique Signore Sadocco Filho e Luiz Otávio Paternostro, junto, fizeram aportes no montante de R$ 1.000.000,00. Ainda que a fiscalização acuse a falta de capacidade financeira do sócio Luiz Henrique Paternostro demonstradas pela sua declaração de renda, há que se observar que esse sócio deixou a sociedade em julho de 2008, cedendo sua 950.000 cotas no valor de R$ 950.000,00 – valor paga por Henrique Signore Sadocco Filho em 24 vezes – conforme alteração contratual da empresa (fls. 891/1017). Posteriormente 10.000 cotas foram cedidas por R$ 10.000,00 a Santa Elvira Indústria e Comércio Ltda. Portanto, “Considerando que o Sr. Henrique Saddoco pagou pelas 950.000 cotas da sociedade em 2008, o fato é que houve aporte de recursos financeiros comprovados no período a que se referem as operações autuadas (isto é, a partir de dezembro de 2008).” Não há obrigação do sócio remanescente de fazer auditoria em declarações de renda do sócio que se retira da sociedade, portanto não pode ser responsabilizado por eventuais irregularidades daquele. A própria fiscalização registra que, embora o sócio Paternostro tenha realizado aportes no valor de R$ 554.166,70, naquele ano, a impugnante realizou empréstimos ao então sócio, em 31/08/2005, 24/10/2005 e 09/12/2005 no montante de R$ 541.720,31, conforme contratos de mútuo. Os empréstimos se justificaram pelo fato de a empresa estar aguardando a concessão do Regime Especial Tributário de que trata a Lei nº 6.410/03, do Estado de Alagoas. Assim, na realidade não houve suporte financeiro pelo sócio Paternostro, no período, que não declarou as cotas, mas também não declarou o contrato de mútuo. Portanto, o fluxo de recursos que se discute na presente autuação teve saldo econômico praticamente nulo. A acusação da fiscalização apensa permitiria discutir eventual erro na declaração de rendas da pessoa física de Paternostro, mas não afastam a existência dos recursos quando do início das operações, muito menos à época dos fatos (2008). E os comprovantes de depósito e registros contábeis demonstram que os empréstimos foram devidamente pagos pelo sócio. Com relação às importações realizadas em 2088 e analisadas pela fiscalização: Fl. 5906DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 30 29 “3. DAS IMPORTAÇÕES REALIZADAS NO ANO DE 2008: Conforme explicado anteriormente no tópico IDOS FATOS" acima, toda a presunção da Fiscalização deriva, essencialmente, da descaracterização e vendas a prazo efetuadas pela Impugnante, e sua requalificação como supostos "adiantamentos" de recursos para financiar importações futuras. Considerando que os pagamentos decorrentes das vendas em questão foram contabilizados como vendas a prazo, e que portanto os pagamentos se espraiam em períodos posteriores às vendas, a descaracterização de uma venda acaba por repercutir quanto aos períodos subsequentes. Isso porque. como consequência lógica de seu entendimento, a Fiscalização passa a desconsiderar os respectivos recursos como provenientes de vendas, e logo como recursos próprios da Impugnante. Contudo, como já ressaltado, fato é que a Fiscalização não apresenta provas concretas para descaracterizar os recursos como provenientes de vendas tal como contabilizado pela Impugnante. Além disso, a Fiscalização se baseia em dados equivocados, bem como desconsidera fatos relevantes ocorridos no período de inicio das operações tratadas no AIIM isto é, o ano de 2008 os quais tiveram grande impacto no setor de atuação da Impugnante. Vale lembrar que, em decorrência da crise internacional do último trimestre de 2008, a cotação do dólar americano variou de RS 1,80, em setembro/2008, para R$ 2,394, em dezembro/200812. Esse fato provocou impacto óbvio no mercado de importados. A Impugnante teve que conceder crédito a seus clientes e. ao mesmo tempo, negociar prazos de pagamento com seus fornecedores no exterior. Não por coincidência, a Fiscalização confere destaque às operações ocorridas em 2008. Não se pode perder de vista que, dadas as características peculiares de sua atividade, e a já descrita configuração jurídica das operações circunstâncias ignoradas pela Fiscalização a Impugnante opera com uma pequena quantidade de operações por ano, e um capital circulante relativamente pequeno. Em 2008, como já dito, as operações de importação se resumem a 7 (sete). Não obstante, os valores envolvidos são relativamente altos, e, como se pode imaginar, o cenário da crise de 2008 colocou a Impugnante em situação delicada. As compras efetuadas antes da disparada do dólar acompanharam a subida da moeda, impactando, inclusive, os Fl. 5907DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 31 30 tributos devidos sobre as importações, que como se sabe são calculados no momento do desembaraço aduaneiro, com base na cotação corrente. A Fiscalização baseia sua presunção no fato de que há, no período, ingresso de recursos registrados nas contas da Impugnante, contabilizados como pagamentos de vendas a prazo de períodos anteriores, e, concomitantemente, a sua quase imediata saída para pagamento de despesas e fornecedores. Porém, no lugar em que a Fiscalização enxerga "antecipações" para o financiamento de vendas futuras, o que estava ocorrendo de fato era que a Impugnante se via pressionada entre cobrar seus clientes para ao mesmo tempo arcar com suas obrigações junto aos seus fornecedores no exterior. No que se refere à última DI registrada pela Impugnante no ano de 2008, no valor de RS 1.873.888.81, ou USS 827.068.37, (DI n° 08/19268423), a Impugnante obteve moratória e desconto de seu fornecedor, sendo que o pagamento dessa aquisição somente foi efetuado no ano seguinte (2009), )or meio de quatro contratos de câmbio, liquidados em 06/03/2009, 9/06/2009, 20/07/2009 8 18/08/2009. (...) Observese que todos os Contratos de Câmbio em referência indicam, como beneficiária dos pagamentos, a "BASIC CHEMICAL SOLUTIONS LLC", bem como possuem expressa vinculação à DI n° 08/19268423, Portanto, os valores importados pela Impugnante em 2008 não montam R$ 9,2 milhões, ao contrário do que leva a crer a Fiscalização. De fato, quando desconsiderada a DI n° 08/19268423, cujo pagamento somente foi efetuado ao longo de 2009, e com desconto, temse que o valor das importações pagas pela Impugnante em 2008 é de RS 6.247.070.07. conforme demonstra a Tabela nº 03 abaixo: (...) Ou seja, ao atestar uma movimentação financeira de R$ 7,8 milhões, a Fiscalização, na verdade, produz prova que milita em favor da Impugnante, reforçando que a empresa, efetivamente, possuía recursos próprios para arcar com as importações realizadas no ano de 2008. A seguir, a Impugnante passará a abordar cada uma das operações de importação realizadas em 2008, bem como enfrentará cada uma das alegações trazidas pela Fiscalização. Ao final, sobressairá a total falta de subsídios para apoiar a presunção fiscal, uma vez que a Impugnante, efetivamente, possuía recursos próprios para arcar com essas operações. A análise das operações será realizada de forma cronológica e não como aprecem no relatório fiscal. Fl. 5908DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 32 31 A DI nº 08/053283702 foi registrada em 11/04/2008 e corresponde à NF nº 33, emitida com a informação de que o ICMS foi diferido. A venda das mercadorias foi realizada em 14/04/2008 para as empresas Fabramex e Capri, conforme Notas Fiscais nº 34 e 35, com código CFOP nº 6.106 – venda sem circulação pela estabelecimento. Os pagamentos foram realizados em 29/04/2008 (Fabramex) e em 01/12/2008 (Capri), conforme se verifica dos extratos bancários identificados e dos lançamentos no Livro Diário/2008 e nos razões das Contas específicas. Ou seja, os pagamentos das NF de venda nº 34 e 35 foram devidamente contabilizadas como vendas e os recursos provieram das contas bancárias das empresas adquirentes Fabramex e Capri. Por outro lado a fiscalização não apresentou nenhum elemento de prova para descaracterizar as vendas em questão. A fiscalização alega que a impugnante recebeu recurso da Trevi e que os teria usado para o pagamento de operações de câmbio da DI nº 08/05328372. Todavia os valores recebidos foram muito superiores ao da importação e o pagamento foi contabilizado como recebimento de empréstimos a terceiros, pois se tratou de pagamento de mútuo que tinha com aquela empresa. O motivo das comunicações entre a impugnante e a Trevi já foram esclarecidas anteriormente e não suportam a conclusão pela descaraterização das vendas registradas nas NFs nº 34 a 35. E a própria fiscalização aponta que houve margem de lucro de 10,5% na operação, que procura desqualificar como “baixa”, porém sem apresentar nenhum fundamento concreto. “Ressaltese que, embora a referida operação, ocorrida em abril/2008, não seja objeto da autuação, fato é que, por se tratar de vendas a prazo, os respectivos pagamentos realizados ao longo de 2008 foram glosados pela Fiscalização, repercutindo quanto a períodos tratados na autuação. Entretanto, como demonstrado, não há nenhum fundamento jurídico para se desconsiderar os pagamentos efetuados pela FABRAMEX e CAPRI, quanto às vendas realizadas nas NFs de Venda n°s 34 e 35.” No caso da DI nº 08/06230767, de 29/04/2008, as mercadorias foram vendidas à Fabramex e à JP Distribuidora de Insumos Industriais, conforme Notas Fiscais nº 43, 44, 48,49 e 55. Nesse caso, a fiscalização sequer se deu ao trabalho de indicar em seu relatório a quais operações de venda se referiam e tampouco de fornecer os motivos pelos quais tais pagamentos deveriam ser desconsiderados. Os pagamentos da Fabramex remontam a um total de R$ 5.388.261,35, amparados por depósitos identificados e registrados na contabilidade como vendas. “A única alegação trazida pela Fiscalização para tanto é, novamente, a existência de comunicações (emails) entre a TREVI" e a Impugnante. O objeto dessa comunicação é o Fl. 5909DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 33 32 pagamento de honorários de despachante aduaneiro (ASSET) despesas com impostos e prêmios de seguro, e, ainda, despesas com armazenagem de mercadorias despesas estas registradas por Notas Fiscais da empresa UNIÃO TERMINAIS E ARMAZÉNS GERAIS. NOTESE, TODAVIA. QUE OS PAGAMENTOS ERAM FEITOS PELA DIRETAMENTE IMPUGNANTE À "ASSET" NÃO POR MEIO DA "TREVI".” As vendas das mercadorias objeto dessa Declaração de Importação ocorreram em momentos diversos. A DI foi desembaraçada em 29/04/2088 e as vendas ocorreram em 08/05/2008, 06/06/2008 e 02/07/2008, sendo que os pagamentos da Fabramex foram contabilizados em datas iniciadas em 20/05/2008 até 01/12/2008. A margem de lucro calculada pela fiscalização foi de 14,9% e considerada baixa sem apresentar nenhuma fundamentação. A fiscalização inicia seu relato tratando da DI nº 08/13701818, de 02/09/2008, dando a entender que não havia recursos para seu financiamento. Todavia omite o recebimento pela impugnante de um valor de R$ 434.971,38 recebido de CPA Dist. Prodts. Ltda proveniente da venda registrada pela NF nº 47, conforme registro do Livro Diário. Com esse valor o saldo bancário da impugnante foi mais que suficiente para suportar as operações de importação de setembro de 2008 que foram em valor de R$ 101.374,78. A fiscalização omite a existência desse pagamento e novamente não fundamente a razão pela qual a teria desconsiderado. Se limita a analisar comunicações com a Trevi, já justificadas pela relação contratual que existe entre as empresas. Não houve intermediação no pagamento do câmbio, que foi suportado pela impugnante. As mercadorias importadas por esta DI foram vendidas à empresa Capri por meio da nota fiscal de venda nº 59, emitida com código CFOP 6.106 e contabilizada em 04/09/2008. Em razão de a mercadoria ser proveniente da China, o tempo de 60 dias de viagem foi usado para negociar a mercadoria enquanto esta se encontrava em viagem. A “margem de lucro” calculada pela fiscalização foi de 12,5%. Não há fundamento jurídico para descaracterizar os recursos contabilizados da venda registrada na NF nº 59. As Declarações de Importação até então analisadas não foram objeto de autuação pela fiscalização, todavia tiveram os recursos provenientes das vendas das mercadorias importadas a seu amparo desconsideradas, fato estabelecido como premissa para demonstrar que as demais Declarações de Importação foram registradas mediante o adiantamento de recursos, especialmente da empresa Fabramex. Analisandose as importações realizadas por meio das Declarações de Importação (DI) nº 08/19268423, de 01/12/2008 (Notas Fiscais de Saída nº 70 e 71); DI nº Fl. 5910DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 34 33 08/19264690, de 01/12/2008 (notas Fiscais de Saída nº 66, 67 e 68) e DI nº 08/19264681, de 01/12/2008 (Nota Fiscal de Saída nº 65) o que se conclui é que: • “Resta demonstrado que não há fundamentos para afastar a existência e efetividade das vendas realizadas pela Impugnante. Em todos os casos, houve pagamentos posteriores às vendas, bem como entrega efetiva de mercadorias (tradição), pagamentos referentes à armazenagem, impostos, seguro, etc; • Em todos os casos sem exceção houve margem positiva nas operações, fato apontado pela própria Fiscalização; • Em alguns casos, a margem é ainda maior do que aquela considerada pela Fiscalização, dada a desconsideração de benefícios fiscais incidentes nas operações; • Em parcela considerável das operações, as vendas não ocorreram ato continuo ao desembaraço ao contrário do que quer fazer parecera Fiscalização que, oportunisticamente, esconde exemplos que não suportam sua tese; • Ainda nos casos em que isso se verifica, não é possível extrair, deste dado, uma presunção de ocultação de real adquirente. A uma, porque esta prática é plenamente lícita, sendo, inclusive, abordada pelo Parecer PGFN/CAT/N0 2.042/97. A duas, porque, uma vez considerado o tempo de duração de frete marítimo de países distantes como China e Taiwan é de cerca de 60 dias, não sendo razoável exigir que o comerciante aguardo todo este tempo e mais todos os procedimentos burocráticos de desembaraço, para, somente então, negociar as revendas; • Assim, a Fiscalização não poderia ter desconsiderado os pagamentos das NFs de Venda n°s 34, 35 (FABRAMEX e CAPRI), 43, 44, 48, 49 e 55 (FABRAMEX e JP DISTRIBUIDORA). 47 (CPA DIST. PRODS. LTDA.), 59 (CAPRI), 70 e 71 (FABRAMEX), 66, 67 e 68 (FABRAMEX e CAPRI) e 65 (FABRAMEX). • A indevida desconsideração de tais pagamentos, que se espraiam em outros períodos, repercutirá nos anos seguintes sob autuação, conforme verá.” Importações realizadas a partir de 2009: “A partir do ano de 2009, a Fiscalização deixa de realizar uma análise detalhada das operações, valendose exclusivamente da desconsideração dos pagamentos efetuados em períodos anteriores, conforme descrito no tópico anterior ("3. DAS IMPORTAÇÕES REALIZADAS NO ANO DE 2008"). Tendo em vista que os pagamentos desconsiderados foram exaustivamente alisados no tópico anterior, a Impugnante se valerá de uma descrição mais sintética quanto aos motivos pelos Fl. 5911DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 35 34 quais as revendas realizadas de 2009 em ante não podem ser consideradas fictícias ao contrário do que presumiu fiscalização. De um modo geral, a Fiscalização comete a mesma falha de raciocínio já demonstrada: a de se basear, exclusivamente, em proximidade de datas de entrada e saída de recursos para concluir que se trataria de adiantamento de despesas para financiar as importações. Porém, para suportar sua presunção, a Fiscalização deveria ter ido além. Uma venda fictícia é uma venda em que (i) o pagamento não foi feito, ou (ii) não houve entrega de mercadoria. No presente caso, houve pagamento, devidamente contabilizado, e a mercadoria foi entregue a quem de direito. A existência de margem de lucro em todas as operações também milita em favor da existência e efetividade das operações. Não há, em suma, nenhum elemento capaz de infirmar estas vendas, conforme se demonstrará.” Análise específica das Declarações de Importação (DI) nº 09/00489550, de 13/01/2009 (NFs de Venda nº 73, 74 e 75) e DI nº 09/01123220, de 08/01/2009 (NF nº 77), leva á seguinte conclusão: • “Resta demonstrado que não há fundamentos para afastar a existência e efetividade das vendas realizadas pela Impugnante. Em todos os casos, houve pagamentos posteriores às vendas, bem como entrega efetiva de mercadorias (tradição), pagamentos referentes à armazenagem, impostos, seguro, etc; • Observase que, em 2009, a quantidade de operações pagas a prazo diminui consideravelmente, sendo que os recursos pagos por clientes como FABRAMEX e CAPRI se referem a vendas realizadas no próprio mês, ou no mês imediatamente anterior. Assim, o raciocínio da Fiscalização se torna ainda mais insustentável, pois presume que os recursos que ingressaram na Impugnante teriam se revestido de "antecipações", quando foram contabilizados como vendas realizadas no próprio mês (com provas de despesas de armazenagem, entrega de mercadorias, etc); • A indevida desconsideração de pagamentos registrados como "vendas" repercute quanto aos períodos posteriores.’ Sobre as Importações realizadas nos períodos seguintes (após janeiro de 2009 e de 2010 a 2012: “A partir de janeiro de 2009, a Fiscalização deixou de analisar, Fl. 5912DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 36 35 individualmente, cada uma das operações, tendo construído um quadro com os supostos motivos que deveriam levar a concluir que a Impugnante não dispunha de recursos próprios sempre se valendo do mesmo raciocínio até aqui exposto, isto é: descaracterizando indevidamente receitas de vendas anteriores e as requalificando como supostas "antecipações'. Corno, evidentemente, não seria possível enfrentar todas as 146 operações, uma a uma, a Impugnante destacará, abaixo, os principais pontos que saltam aos olhos no aludido quadro construído pela Fiscalização: • Em vários casos, as supostas "antecipações" foram feitas por uma empresa, porém, a mercadoria entregue a outra empresa; • Houve margens de lucro em todas as 146 operações. Destaca se os casos das Dls 09/02162203 (18/02/2009), Dl 09/0763140 6 (17/06/2009), Dl 09/167873646 (30/11/2009), Di 09/1720063 7 (04/12/2009). Dl 09/12152502 (10/09/2009), Dl 11/04607800 (15/03/2011), Dl 11/06265434 (06/04/2011), em que as margens observadas foram de 21, 24%, 25,6%, 26.4%, 28%, 36,4% e 38,4% respectivamente; • A venda das mercadorias na mesma data do desembaraço não pode sustentar a operação de simulação, uma vez que a Impugnante dispõe de tempo para negociar a venda enquanto a mercadoria está em trânsito (fretes marítimos de países distantes, como China e Taiwan). Porém, essa sequer é uma constante, uma vez que a própria Fiscalização aponta vários casos em que decorrem dias entre o desembaraço e a venda; • Entre os supostos "adquirentes reais" das mercadorias, figura o \\\\Consórcio Brasileiro de Produção de Óleo de Palma CBOP, uma empresa que pertence à VALE S.A. (vide, por exemplo, Dl n° 1C/22269870, de 14/12/2010); • Quanto aos empréstimos da empresa KOLOVEC (2011), há que se ressaltar que foram registrados e adimplidos pela Impugnante, e que, por outro lado, esta empresa não adquiriu mercadorias. Além disso, houve recolhimento de IOF sobre tais empréstimos. Assim, não se sustenta a presunção de que a Impugnante teria se valido de tais empréstimos para ocultar adquirentes das mercadorias; • Em suma, o quadro todo não suporta a presunção de que a Impugnante teria operado com recursos de terceiros nesses períodos;” Requer seja julgado nulo ou improcedente o auto de infração. Henrique Signore Sadocco Filho, Santa Elvira Indústria e Comércio Ltda e Luiz Otávio Paternostro, apresentaram impugnação com teor semelhante à impugnação apresentada por Pater Trading Comércio Importação e Exportação Ltda, apenas Fl. 5913DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 37 36 alegando, suplementarmente, que não há fundamento legal para suas responsabilizações pessoais pois a autuação se reporta a fatos anteriores a seus ingressos na sociedade e porque a empresa Pater Trading não teria operado com recursos alheios. O autuado Luiz Otávio Paternostro alega, ainda, que a autuação se reporta a fatos ocorridos entre dezembro de 2008 e dezembro de 2012, todavia havia se retirado da sociedade em julho de 2008. As alegações da fiscalização sobe a integralização do capital social, no ano de 2005, não guardam relação direta com as operações discutidas nos autos, sendo que os empréstimos realizados pela Pater Trading foram devidamente pagos à sociedade, com os juros pactuados. Os depósitos, extratos bancários e registros contábeis comprovam a alegação. Requer, adicionalmente, seja afastado do polo passivo da autuação. É o relatório." A decisão de primeira instância proferida pela DRJ/RJ foi publicada com a seguinte Ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2008 a 29/11/2012 INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A subsunção dos fatos à norma legal que prevê a infração determina sua caracterização com conseqüente aplicação da penalidade prevista. INFRAÇÃO. PROVAS. PENALIDADE. A imputação de cometimento de infração deve estar acompanhada de provas que determinem a responsabilidade da autuada, sem as quais a penalidade respectiva não pode ser aplicada. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie (artigo 95, I, do Decretolei nº 37/1966). INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172/1966). Fl. 5914DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 38 37 Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte." O Recursos Voluntários reforçaram as argumentações preliminares da impugnação e adicionaram a alegação de ilegitimidade passiva. No mérito, alegaram a licitude das operações em que o lançamento foi mantido em decisão de primeira instância. Ao apreciar a lide esta Turma de julgamento resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse juntado aos autos o Aviso de Recebimento AR, da intimação da decisão de primeira instância do sujeito passivo Santa Elvira, conforme Resolução de fls. 5713. Foi cumprida a diligência e o Aviso de Recebimento foi juntado, assim como, por precaução dos contribuintes, todos os Recursos Voluntários foram novamente juntados. A União, por sua Procuradora, após cumprida a diligência, foi cientificada da diligência e concordou com o prosseguimento do julgamento. O processo digitalizado foi distribuído, encaminhado a este Conselheiro e pautado em acordo com o regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Vencido Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. DO RECURSO DE OFÍCIO. Quanto ao Recurso de Ofício, constante no dispositivo da decisão de primeira instância proferida pela DRJ/SC, em fls. 5177, por estar dentro do valor de alçada estabelecido em recente Portaria do Ministério da Fazenda de n.º 63/17 e presentes os requisitos de admissibilidade, este deve ser conhecido. Inicialmente é importante registrar que, tanto a exoneração quanto a exclusão do pólo passivo do sócio Luiz Otávio, realizadas na decisão de primeira instância, devem ser mantidas pelos mesmos fundamentos, uma vez que os débitos e créditos entre as empresas permaneceram lícitos, sem a comprovação da fraude, assim como não foi comprovado o excesso de poder nos atos do sócio Luiz Otávio. Destacase que este entendimento, com relação aos sócios, é obrigatório aos conselheiros visto que o Art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho determina Fl. 5915DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 39 38 que sejam aplicadas as decisões proferidas pelo STJ em sede de recurso repetitivo, que é exatamente o caso do RESP 1101728/SP, publicado no site do STJ com a seguinte tese: "A simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa." Pelo exposto, deve ser negado provimento ao Recurso de Ofício e mantida a decisão de primeira instância nos mesmos moldes. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS. Por conterem matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, os tempestivos Recursos Voluntários devem ser conhecidos. DA PRELIMINAR. Com relação à alegação preliminar de nulidade do Auto de Infração, por haverem dois lançamentos sobre os mesmo fatos, um com a aplicação da pena de perdimento e este com a aplicação da multa de 10% por cessão de nome, não há razão aos contribuintes, porque o §3.º, do Art. 727 do RA/09, estabelece expressamente que a aplicação da multa por cessão de nome não impede a aplicação da pena de perdimento. Portanto, não merece a nulidade o presente lançamento em razão do lançamento ter sido fundamentado no Art. 33, da Lei 11.488/07 e não possuir vício grave de materialidade ou formalidade. DO MÉRITO. A burocracia, a alta carga tributária, as exigências e requisitos, as responsabilidades e as conseqüências tributárias e criminais atribuídas solidariamente a todos os envolvidos nas operações legais de importação por conta e ordem de terceiro, conforme DL 37/96, IN SRF 225/02 e 247/02 e 650/06, levaram muitas empresas a ocultar o sujeito passivo real adquirente das mercadorias. Fl. 5916DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 40 39 A fraude no setor é uma realidade, principalmente porque a legislação ou não corresponde aos formatos comerciais de negócios internacionais ou propositadamente, foram criadas para determinar limitações de cunho protetivo à indústria nacional. Esquemas fraudulentos de cessão de nome e interposição de terceiros atingiram diversos países e se tornaram operações nocivas ao erário público uma vez que menos tributos são recolhidos, além de interferir e criar competitividade desleal com os produtos internos (nacionais). Por muitos motivos se justifica a atuação das fiscalizações em casos aduaneiros, mas é importante lembrar que a livre iniciativa é direito consagrado e pilar de um Estado Democrático de Direito, sob o regime Capitalista e, em observação a esta regra, assim como em preservação da segurança jurídica do contribuinte, toda situação apresentada como fraude ou crime tributário deve ser analisada de forma concreta e individualizada. Portanto, este voto pretende traçar pontos fundamentados nos fatos e na estrita legalidade, de forma que tanto o crédito da União quanto o direito à livre iniciativa sejam prestigiados. A decisão de primeira instância manteve uma pequena parcela do auto de infração, com referência às operações constante no Relatório Fiscal em fls. 169, conforme trecho reproduzido a seguir: "A exceção são algumas importações realizadas no período entre junho de 2011 e outubro de 2011 que foram autuadas por ter sido identificado que os recursos nelas empregados tiveram por origem os reais adquirentes das mercadorias que realizavam empréstimos fictícios por meio do uso de empresa intermediária. O modus operandi básico nessas operações foi o de a interessada, Pater Trading, formalizar contratos de mútuo com a empresa “Kolovec do Brasil Distribuidora de Produtos Químicos Ltda”, com a qual possuía fortes vínculos. Também possuía fortes vínculos com a empresa “JP Distribuidora”. A empresa “Kolovec” recebia recursos das reais adquirentes (principalmente da empresa “JP Distribuidora”) e, no mesmo dia, os transferia à empresa “Pater Trading”, sob a justificativa de serem “empréstimos” amparados pelos contratos de mútuo. A Pater Trading, por sua vez, utilizava esses recursos para o pagamento de câmbio das importações. Na sequência a “Pater Trading” entregava as mercadorias às reais adquirentes e emitia notas fiscais de venda. Quando do “pagamento” dessas notas fiscais por parte das reais adquirentes à Pater Trading, esta transferia os recursos à Kolovec sob a rubrica de “pagamento de empréstimo” que, por sua vez, imediatamente os transferia às reais adquirentes. Assim, os recursos empregados nessas importações foram recursos adiantados pelas reais adquirentes das mercadorias, por intermédio da empresa “Kolovec do Brasil”, que ficaram ocultas nas operações. Fl. 5917DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 41 40 O fluxo desses recursos ficou evidenciado pelos registros contábeis das intervenientes, bem como pelas suas movimentações bancárias. A sincronia dos procedimentos, aliada à exatidão dos valores transacionados não deixam margem de dúvida em relação à intermediação da empresa Kolovec e à simulação das operações por parte das intervenientes. Assim, as operações de importação realizadas comprovadamente sob esse modus operandi caracterizaram a cessão do nome da Pater Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda com vistas ao acobertamento de operações de importação de terceiros, fato que se subsume à norma que tipifica a infração imputada pela fiscalização. Decorre dessa conclusão a aplicação da multa lavrada por meio do auto de infração do presente processo em relação às Declarações de Importação abaixo relacionadas e que perfaz o valor de R$ 560.066,35: 11/11146782, de 16/06/2011, multa de R$ 153.316,06 11/11762246, de 27/06/2011, multa de R$ 195.532,03 11/12010698, de 30/06/2011, multa de R$ 5.000,00 11/12736133, de 11/07/2011, multa de R$ 10.241,49 11/13869242, de 26/07/2011, multa de R$ 8.529,41 11/14706398, de 08/08/2011, multa de R$ 5.000,00 11/17302808, de 13/09/2011, multa de R$ 162.416,03 11/19003743, de 06/10/2011, multa de R$ 20.031,33." Desta forma, esta é a lide que foi submetida ao Recurso Voluntário. Em uma primeira análise dos autos, em sessão de junho de 2017, votei por acompanhar a decisão de primeira instância, mas alterei meu voto para dar provimento ao Recurso Voluntário, em razão das motivações e apontamentos trazidos pelo conselheiro Cassio Schappo em sessão de julgamento em 25 de julho de 2017, após seu pedido de vista. Na oportunidade, foi possível concluir que não houve a triangulação fraudulenta entre a Pater Trading, a Kolovez e a JP Distribuidora O contrato de mútuo não foi celebrado para atender um real adquirente porque não havia um real adquirente e porque haviam diferentes adquirentes. A Pater Trading foi a real importadora. Não há nos autos a comprovação da fraude, da infração na operação de importação da Pater Trading, com posterior revenda à JP Distribuidora e à CPA (Notas Fiscais 255 e Doc 07 do RV), e outras empresas. Fl. 5918DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 42 41 É necessário que a mencionada troca de recursos tenha acontecido de forma fraudulenta, consciente e dolosa e, somente a verdadeira necessidade econômica e documentos como uma correspondência, confissão e interceptação telefônica, por exemplo, comprovaria isto. Assim, apesar de haver contrato de mútuo entre Kolovec e Pater Trading, não há a comprovação de que o real adquirente seria a JP distribuidora (a própria fiscalização aponta diferentes reais adquirentes), visto que se tratou de lícitas operações de compra e venda de mercadoria, comprovadas na escrita fiscal do contribuinte, sem qualquer comprovação de mútuo fraudulento triangular. Alías, este foi o entendimento aplicado na decisão de primeira instância. Dessas 8 DIs mantidas como fraudulentas na decisão de primeira instância, é possível verificar que, conforme exposto nas peças de defesa e sustentação oral realizada pelo patrono do contribuinte, a empresa JP comprava mercadorias da Kolovec, que recebia o pagamento dessas vendas conforme Doc. 03 do RV. Por sua vez, a Kolovec emprestava dinheiro para a Pater Trading, por meio desse contrato de mútuo (fls 59 item E do Relatório Fiscal). Com esse dinheiro, a Pater Trading importou as mercadorias constantes nestas 8 DIs e as vendeu tanto para a JP quanto para a CPA (Notas Fiscais 236, 248 e 255 e Doc 07 do Recurso) e outras empresas, com possível obtenção de lucro nas operações. Caso fosse uma fraude, não estariam comprovadas nos autos as vendas para a CPA, por exemplo. Logo, não é possível concluir que a JP era a real adquirente das mercadorias. Segundo a fiscalização, esse contrato mútuo foi simulado, de modo que a JP era a real adquirente dos produtos e a Kolovec e Pater Trading, meras interpostas. Mas como colocado, não há nos autos qualquer indício, prova do conluio entre as três empresas, correspondência, investigação policial, propósito negocial com fim ilícito ou troca de email ou comprovação de que o contrato de mútuo entre Kolovec e Pater Trading foi simulado. Ao contrário, o contribuinte juntou aos autos Declarações dos exportadores que confirmam terem realizados as negociações com a própria Pater Trading, conforme fls. 4823 dos autos, com trecho reproduzido a seguir: Fl. 5919DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 43 42 Meros débitos e créditos não são suficientes para descaracterizar o princípio da pacta sunt servanda, a autonomia da vontade das partes em celebrar contratos e negócios. Necessariamente, em razão do tipo legal, a cessão fraudulenta de nome prevista no Art. 33, da Lei 11.488/07, exige o conluio, ou seja, o elemento subjetivo de ambas as partes. Não há qualquer limitação em receber "transferências" bancárias de terceiro. Necessariamente o lançamento teria de ter demonstrado a falta de Patrimônio Líquido da interposta, falta de capacidade financeira e estrutural para importar as mercadorias ou origem ilícita dos valores utilizados na operação, mas assim não procedeu a autoridade lançadora. Necessariamente, todos os indícios comerciais apresentados neste caso, como o adiantamento de recursos, a carteira de clientes e as vendas adiantadas, terão de compor o rol de requisitos de indícios e provas que levam à configuração da fraude levantada, de modo que, isoladamente são insuficientes para a configuração do tipo legal. É neste ponto que existe o limite legal entre a atuação da consagrada da autonomia da vontade civil e o limite do poder do Estado em punir os contribuintes. E a partir deste ponto, a avaliação de casos em concreto dependerá da posição doutrinária e jurisprudencial do julgador ou da autoridade de origem, e a exata linha que estabelece para este limite. No presente caso, sem considerar margem de lucro e sem avaliar os demais aspectos comerciais e de contabilidade da empresa, o fiscal argumenta e fundamenta o seu lançamento a partir de uma premissa equivocada, a premissa de que os contribuintes não têm liberdade para empregar seus recursos ou recursos recebidos de terceiros da forma que melhor atender seus negócios. Mesmo na modalidade de importação direta, existe uma flexibilidade nos detalhes financeiros e comerciais e o contribuinte tem a posse e o direito sobre estes recursos e qualquer limitação determinada na modalidade de importação, dependerá de expressa previsão em lei ou acordo celebrado entre as partes, sob a garantia consagrada da máxima pacta sunt servanda, representada pela autonomia da vontade civil. E dentro desta linha de raciocínio está uma das principais razões pela qual o contribuinte merece interpretação favorável: não há nos autos uma prova comercial mais contundente de que estaria se tratando de outra modalidade que não a da importação direta, a prova de que o real adquirente realmente tenha encomendado a mercadoria. Neste contexto, a operação comercial e a estrutura societária teria de causar ilusão e ter exagerada distinção entre a realidade e a aparência, ou seja, o interposto (Kolovec) não teria real interesse nas importações e o reais adquirentes não poderiam "aparecer" nas operações. Aos reais adquirentes são destinadas as mercadorias e o interposto nada mais faz do que ser interposto, uma proteção aos reais adquirentes, uma empresa ou pessoa que suportaria todas as persecuções patrimoniais e penais. Os principais fatos que motivam a fraude, além do ganho econômico, costumam ser a proteção do patrimônio e da integridade do real adquirente de possível execução fiscal, a proteção contra eventuais processos criminais decorrentes das importações e Fl. 5920DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 44 43 da venda de produtos importados sem nota fiscal, sem recolhimento do tributo ou lavagem de dinheiro. No presente processo, todos estes encargos estariam apontados aos sócios da Kolovec, os possíveis laranjas da operação, que seriam os interpostos entre a União e os reais adquirentes. Neste procedimento administrativo, ao final, é possível concluir que os fatos não subsumem à norma supostamente infringida, elencada pela fiscalização (Art. 33, da Lei 11488/07). Logo, em razão do exposto no Art. 113 do CTN, não restou concretizada a obrigação principal. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É muito importante diferenciar a constituição do crédito tributário da ocorrência de crime e a responsabilidade solidária nestas situações. É de conhecimento que tanto o Direito Tributário quanto o Direito Penal possuem caráter disciplinar e sancionatório, com arcabouço legislativo proveniente de princípios em comum. Contudo, de forma pragmática, verificase que o procedimento administrativo não possui o mesmo rigor do processo penal, talvez em razão de não haver um Código de Processo Administrativo como existe no Direito Penal o Código de Processo Penal. Logo, desta constatação surge a preocupação de que, em processo penais, os Juízes de Direito possam se utilizar unicamente da constituição definitiva do crédito para concluir que há materialidade e autoria. Em se tratando de justiça, não há nada mais perigoso e injusto para a sociedade e para o contribuinte do que a condenação “automática” de cidadãos e contribuintes. É sobre o tema em litígio que o nobre doutrinador, Juiz Federal aposentado, Doutor Hugo de Brito Machado, lançou o livre “Crime Contra a Ordem Tributária”. Verifica se inclusive na contra capa de seu livro que o autor identificou uma lacuna no conhecimento jurídico, o fato de que “... os penalistas geralmente pouco conhecem do Direito Tributário, e os tributaristas quase nada sabem do Direito Penal”. Com algumas ressalvas às generalizações feitas pelo autor em desfavor às autoridades fiscais, porque muitas autoridades realizam seu trabalho com ética e qualidade, cito a preocupação do nobre autor em fls. 21 desta mencionada obra, no sub capitulo “O Direito Penal e o combate ao crime”, conforme segue: “O melhor instrumento para o combate ao crime, no que concerne especificamente aos crimes contra a ordem tributária, é o respeito ao contribuinte. Respeito que começa pela redução da enorme carga tributária a ele imposta. Passa pelo atendimento desatencioso e absolutamente inadequado e insuficiente a ele dispensado nas repartições da Administração Tributária. Vai até Fl. 5921DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 45 44 mesmo às interpretações inteiramente inadmissíveis, visivelmente distorcidas, das normas da legislação tributária, tendentes a lhes negar os direitos mais elementares. Enfim, a total falta de respeito na relação tributária, que induz no contribuinte o sentimento de que a lei só existe contra ele, ou pelo menos só é aplicada contra ele, posto que as disposições a ele favoráveis são sempre ignoradas pelas autoridades da Administração tributária. A pretensão de arrecadar tributos indevidos somada às emaças levianas do uso da lei penal contra contribuintes somente degradam a relação tributária e terminam por banalizar o Direito Penal. E não obstante seja o Direito Penal de grande importância como elemento de controle social, realmente a sua utilização não poder ser banalizada. Na medida em que ilícitos de menor importância social, e sobretudo aqueles que menos afetam os sentimentos éticos das pessoas, e por isto mesmo despertam menor censura da opinião pública, são definidos como crime, o Direito Penal se banaliza e perde a eficácia.” A autoridade de origem teria de ter instruído o processo de forma não existisse dúvida se o contribuinte e os responsáveis solidários teriam participado das diversas aquisições fraudulentas e de quais, não sendo possível a presunção de que o contribuinte e os responsáveis solidários tinham conhecimento de que em todas as operações havia fraude ou ilegalidade. Em observação ao disposto no Art. 124, inciso I do CTN, a princípio sempre poderá ser concluído que há interesse em comum, porque todos os empreendedores desejam prosperar e desenvolver o negócio, gerar emprego, aquecer a economia, ter mais lucro e aquecer o mercado, este é o objetivo de toda empresa. Mas tal interesse é comum não só para os empreendedores envolvidos nos trabalhos da Pater Trading, é comum para todos em um regime capitalista e, portanto, lícito e legal. Ademais, mesmo considerando o que foi disposto no Art. 135 do CTN, não está comprovado nos autos o excesso nos atos dos sócios. É importante lembrar que este entendimento, com relação aos sócios, é obrigatório aos conselheiros visto que o Art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho determina que sejam aplicadas as decisões proferidas pelo STJ em sede de recurso repetitivo, que é exatamente o caso do RESP 1101728/SP, publicado no site do STJ com a seguinte tese: "A simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa." Dessa forma, com fundamento no Art. 112, 113 e 142 do CTN, os responsáveis solidários também devem ser excluídos do lançamento. Fl. 5922DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 46 45 Assim, as alegações de ilegitimidade passiva acompanharão o entendimento de que não restou comprovada a fraude, de forma que os contribuintes Santa Elvira e Henrique Signore, do quadro de sócios da Pater Trading, não serão responsabilizados pelo lançamento. CONCLUSÃO. Em face do exposto, com fundamento no Art. 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 112, 113, 142 e 145 do Código Tributário Nacional e Art. 4.º, I, Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, votase para DAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários, restando improcedente o lançamento, exonerados todos os créditos tributários, multas e responsabilidades solidárias. Voto proferido. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Voto Vencedor Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Redator designado. A autuação tratou da aplicação da multa por cessão de nome e teve por fundamento a premissa de que os recursos utilizados nas operações foram adiantados pela reais adquirentes das mercadorias, que teriam ficado ocultas nessas operações. Segundo a fiscalização, os valores registrados na contabilidade da interessada como pagamentos de vendas anteriores seriam, em verdade, adiantamentos de recursos “disfarçados” de pagamentos, ou seja, seriam operações registradas fraudulentamente na contabilidade de forma a simular o recebimento de pagamentos e encobrir a verdadeira antecipação de recursos para o pagamento das importações de terceiros. Contudo, assentou a DRJ em sua decisão que não constam dos autos provas de que os registros contábeis que informam que as entradas de recursos dizem respeito a pagamentos de vendas anteriores e especificam a quais notas fiscais se referem. Na decisão recorrida excluiuse parte significativa da autuação fiscal, no período de 2008 e 2012. O excerto do voto explicitou o entendimento e a decisão quanto pá parte exonerada: Assim, as Declarações de Importação que foram autuadas com base na premissa de que os recursos nelas empregados foram provenientes de adiantamento de recursos de terceiros, resultado do procedimento fiscal de descaracterização da origem desses recursos que foram contabilizados como provenientes de Fl. 5923DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 47 46 pagamentos de vendas, não podem ser consideradas irregulares, sob esse ponto de vista. (...) Assim, o auto de infração referente às Declarações de Importação registradas no período entre 2008 e 2012, com as exceções a seguir analisadas, não pode ser mantido nos termos como lavrado. Com relação às DIs nºs. 11/11146782, 11/11762246, 11/12010698, 11/12736133, 11/13869242, 11/14706398, 11/17302808 e 11/19003743, registradas no período de junho a outubro de 2011, demonstrou e comprovou o Fisco que os recursos nelas empregados tiveram por origem os reais adquirentes das mercadorias que realizavam empréstimos fictícios por meio do uso de empresa intermediária. Nas folhas 169 a 185 do Relatório Fiscal encontramse demonstrado, para as DIs relacionadas, o modus operandi do fluxo de recurso financeiro a partir da empresa JP DISTRIBUIDORA, passando pela KOLOVEC até chegar na PATER TRADING. Constatase a coincidência exata nas data e nos valores transferidos da JP DISTRIBUIDORA, a real adquirente das mercadorias importadas, para a PATER TRADING a importadora ostensiva. Somente após o recebimento do valor transferido, por intermédio da KOLOVEC, é que a PATER TRADING liquidava o contrato de câmbio relativo à aquisição da mercadoria ser importada e transferida à oculta JP DISTRIBUIDORA. Ou seja, sem o recurso financeiro oriundo da real adquirente não haveria a compra internacional pela PATER TRADING. A título de exemplo o quadro a seguir demonstra o fluxo das operações envolvendo as empresas: Fl. 5924DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 48 47 Por óbvio que a operação imprescindia de uma configuração que lhe desse a aparência de regularidade; dái porque a simulação tanto dos contratos de Mútuos entre KOLOVEC e PATER TRADING como os de pagamentos pelas mercadorias após entrega à JP DISTRIBUIDORA que, em verdade, procedia aos adiantamentos dos recursos necessários aos pagamentos do câmbio. Os registros contábeis foram efetuados para convalidar tal simulação; contudo, a evidência dá margem a uma única interpretação: não é crível que repasses de numerários com coincidência de valores e datas, que envolveu três empresas distintas, não sejam relacionados ao adiantamento da JP DISTRIBUIDORA para que a PATER TRADING efetuasse o pagamento referente à aquisição de mercadorias no mercado internacional, que após importadas seriam "revendidas" ao provedor do recurso financeiro. Entendo que restou plenamente comprovado a cessão do nome da PATER TRADING para que, por intermédio da KOLOVEC, a JP DISTRIBUIDORA adquirisse mercadorias importadas. Os fundamentos que comprovam o ilícito foram bem apontados pela decisão recorrida, os quais adoto e reproduzo neste voto: Fl. 5925DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 49 48 O modus operandi básico nessas operações foi o de a interessada, Pater Trading, formalizar contratos de mútuo com a empresa “Kolovec do Brasil Distribuidora de Produtos Químicos Ltda”, com a qual possuía fortes vínculos. Também possuía fortes vínculos com a empresa “JP Distribuidora”. A empresa “Kolovec” recebia recursos das reais adquirentes (principalmente da empresa “JP Distribuidora”) e, no mesmo dia, os transferia à empresa “Pater Trading”, sob a justificativa de serem “empréstimos” amparados pelos contratos de mútuo. A Pater Trading, por sua vez, utilizava esses recursos para o pagamento de câmbio das importações. Na sequência a “Pater Trading” entregava as mercadorias às reais adquirentes e emitia notas fiscais de venda. Quando do “pagamento” dessas notas fiscais por parte das reais adquirentes à Pater Trading, esta transferia os recursos à Kolovec sob a rubrica de “pagamento de empréstimo” que, por sua vez, imediatamente os transferia às reais adquirentes. Assim, os recursos empregados nessas importações foram recursos adiantados pelas reais adquirentes das mercadorias, por intermédio da empresa “Kolovec do rasil”, que ficaram ocultas nas operações. O fluxo desses recursos ficou evidenciado pelos registros contábeis das intervenientes, bem como pelas suas movimentações bancárias. A sincronia dos procedimentos, aliada à exatidão dos valores transacionados não deixam margem de dúvida em relação à intermediação da empresa Kolovec e à simulação das operações por parte das intervenientes. Assim, as operações de importação realizadas comprovadamente sob esse modus operandi caracterizaram a cessão do nome da Pater Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda com vistas ao acobertamento de operações de importação de terceiros, fato que se subsume à norma que tipifica a infração imputada pela fiscalização. Quanto à responsabilidade solidária da sócia pessoa jurídica Santa Elvira Indústria e Comércio Ltda e do sócio administrador Henrique Signore Sadocco Filho acertada a decisão recorrida. A pessoa jurídica ingressou na sociedade no início de 2009 e permaneceu até o momento da autuação, período no qual houve o registro da Declarações de Importação consideradas irregulares. Sua responsabilidade decorre da prática e do benefício proporcionado pelas infrações à legislação aduaneira e tributária, descritas no Relatório Fiscal deste processo, conforme prescrito pelo inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37/66. O sócio administrador da PATER TRADING é o agente direto da prática de atos ilícitos em nome da pessoa jurídica considerados infrações às leis aduaneiras e tributárias Fl. 5926DF CARF MF Processo nº 10111.721449/201334 Acórdão n.º 3201003.133 S3C2T1 Fl. 50 49 descritos na autuação fiscal. Assim, responde pelos crédito tributário lançado nos termos do art. 135, III do CTN. Conclusão Diante de tudo exposto, entendo acertada a decisão recorrida que manteve o crédito tributário em relação às DIs nºs. 11/11146782, 11/11762246, 11/12010698, 11/12736133, 11/13869242, 11/14706398, 11/17302808 e 11/19003743 e a responsabilidade solidária de Santa Elvira Indústria e Comércio Ltda e do sócio administrador Henrique Signore Sadocco Filho e voto para negar provimento ao recurso voluntário. Acompanho o Relator para negar provimento ao recurso de ofício. Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 5927DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.732449/2013-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.
Não vislumbrando a necessidade de qualquer diligência para elucidação dos fatos, o julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PAGAMENTO DO BENEFÍCIO ATRAVÉS DO SINDICATO DOS EMPREGADOS.
O fato de o plano de assistência médica ter sido contratado diretamente pelo sindicato dos empregados, em virtude de acordo coletivo de trabalho, mas custeado pela empresa, não altera a natureza jurídica da verba paga, que continua sendo pagamento de assistência médica dos empregados.
Numero da decisão: 2301-005.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para negar-lhe provimento pela não extensão do plano de assistência médica a todos os empregados da recorrente. Votou pelas conclusões a Conselheira Andrea Brose Adolfo.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício).
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Não vislumbrando a necessidade de qualquer diligência para elucidação dos fatos, o julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PAGAMENTO DO BENEFÍCIO ATRAVÉS DO SINDICATO DOS EMPREGADOS. O fato de o plano de assistência médica ter sido contratado diretamente pelo sindicato dos empregados, em virtude de acordo coletivo de trabalho, mas custeado pela empresa, não altera a natureza jurídica da verba paga, que continua sendo pagamento de assistência médica dos empregados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para negarlhe provimento pela não extensão do plano de assistência médica a todos os empregados da recorrente. Votou pelas conclusões a Conselheira Andrea Brose Adolfo. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 24 49 /2 01 3- 60 Fl. 897DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício). Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Tratase de recurso voluntário interposto pela UNISERV – União Serviços de Vigilância Ltda. contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (DRJ/Recife), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. A fiscalização lavrou autos de infração com o intuito de exigir da ora Recorrente o recolhimento de contribuições previdenciárias e de terceiro, além de multas e de juros de mora, incidente sobre: – remunerações de empregados apuradas em folha não declaradas em GFIP; – plano de saúde odontológico, não oferecido a todos os empregados, conforme os seguintes trechos do relatório fiscal (fls. 51): Não importa a forma de contratação dos benefícios ou mesmo se eles são fruto de obrigação convencional, contratual, ou liberalidade do empregador. A empresa não apresentou os contratos correspondentes aos planos, mas não resta qualquer dúvida de que ela é a responsável pela liquidação dos serviços contratados, conforme se verifica nas notas fiscais emitidas em seu nome e devidamente escrituradas nas contas de obrigação da sua contabilidade. O que a empresa deve comprovar é se os benefícios se enquadram no disposto no art. 28, parágrafo 9o., inciso “q” da Lei 8.212 de 24/07/1991: (...) A empresa não comprovou que a cobertura dos benefícios ofertados abrange a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não atendendo portanto a legislação acima. Dessa forma os valores correspondentes aos benefícios devem compor o salário de contribuição dos segurados da empresa para fins de incidência da contribuição previdenciária. – diversos serviços prestados por contribuintes individuais apurados na contabilidade; – remunerações de administradores, a título de “pro labore”, apurada nas folhas de pagamento. A ciência da autuação ocorreu em 18/12/2013. Fl. 898DF CARF MF Processo nº 15504.732449/201360 Acórdão n.º 2301005.064 S2C3T1 Fl. 898 3 As multas por descumprimento de obrigações acessórias foram parceladas. Irresignada, a Recorrente apresentou impugnação apenas quanto à exigência envolvendo o plano de saúde, deixando de contestar as demais. A DRJ/Recife julgou improcedente a impugnação e manteve a exigência fiscal, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO DE INCIDÊNCIA. PREVISÃO EXPRESSA. O salário de contribuição, tanto para o segurado empregado quanto para o segurado contribuinte individual, corresponde, na forma da lei, à remuneração total por eles auferida junto à empresa. Em conseqüência, para que determinada vantagem decorrente da relação laboral não componha o salário de contribuição respectivo, há a necessidade de expressa previsão legal. ASSISTÊNCIA MÉDICO/ODONTOLÓGICA A EMPREGADOS. EXCLUSÃO. REQUISITO. A exclusão do valor do plano de saúde pago pelo empregador/tomador do conceito de salário de contribuição, apenas se admite diante da comprovação de que o referido benefício se encontra disponível para a totalidade de seus segurados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DILAÇÃO PROBATÓRIA. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, salvo as exceções previstas na legislação. EFEITO SUSPENSIVO. IMPUGNAÇÃO. A impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário, independentemente de manifestação específica do sujeito passivo. Ainda irresignada, a Recorrente apresenta recurso voluntário, arguindo: (a) o pagamento de assistência médica exclusivamente para vigilantes decorre da situação atípica fixada pelas entidades representativas de patrões e empregados do setor, tendo agido a atuada como mera mantenedora dos benefícios contratados pelo sindicato laboral; Fl. 899DF CARF MF 4 (b) de acordo com a convecção coletiva de trabalho assinada, o plano de saúde era contratado diretamente pelas entidades sindicais, cabendo à empresa exclusivamente o custeio; (c) o benefício concedido não tem natureza salarial, nem se integra ao contrato de trabalho para quaisquer efeitos legais; (d) reitera pedido de produção de provas, em especial as provas pericial, documental e testemunhal. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 19/03/2015 e o recurso voluntário foi interposto em 15/04/2015. Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Diligência para Produção de Provas Quanto ao pedido de realização de diligência para apuração de fatos, não há dúvida de que o ordenamento jurídico brasileiro, a começar pela Constituição Federal de 1988, consagra o respeito ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, aos litigantes em processo judicial ou administrativo. Isso não significa, entretanto, que toda e qualquer diligência requerida pela parte deva ser automaticamente deferida pelo julgador. Nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, a possibilidade de realização de diligências para apuração dos fatos é uma faculdade do julgador, devendo ser exercida quando houver dúvida acerca dos aspectos fáticos constantes nos autos, sem violação de qualquer direito constitucionalmente assegurado. Na espécie, não há qualquer questão fática a ser dirimida por diligência. Rejeito, portanto, tal pedido. Assistência Médica A exigência fiscal assentase na ausência de oferecimento do plano de assistência médica a todos os empregados da Recorrente, exigida pelo art. 28, §9º, alínea “q” da Lei nº 8.212/91: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; Fl. 900DF CARF MF Processo nº 15504.732449/201360 Acórdão n.º 2301005.064 S2C3T1 Fl. 899 5 As autoridades fiscais lastrearam o lançamento no fato de a folha de salários da Recorrente constar descontos relativo ao benefício de assistência médica apenas para parte dos empregados. O art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91 elenca verbas que não integram a base de cálculo e, em algumas situações, impõe condições para a fruição da desoneração (por exemplo, a extensão do benefício a todos os empregados). Considero que tal dispositivo não encerra uma norma de isenção, mas sim uma norma declaratória de nãoincidência tributária, tal como revela a exposição de motivo de uma das leis que o alterou1. Tais verbas não podem ser consideradas “a priori” como salário indireto, porque sua concessão não tem por finalidade remunerar o trabalho, mas proporcionar o sustento e a vitalidade do indivíduo para o desempenho do labor, aumentando sua produtividade e eficiência. Assim, a concessão de auxíliotransporte, auxílioalimentação e assistência médica podem ser considerados como benefícios instituídos diretamente em favor do empregador (e apenas indiretamente em favor do empregado). As condições existentes em algumas alíneas do §9º (por exemplo, a extensão do benefício a todos os empregados) não prejudicam tal conclusão e podem ser vistas como normas específicas antievasão, impostas pelo legislador com o objetivo de evitar que verbas tributáveis sejam pagas travestidas de verbas não tributáveis. Ou seja, a condição imposta na parte final da alínea “q” deve ser analisada pelo seu viés finalístico de evitar que a concessão do benefício com assistência médica possa figurar pagamento de salário indireto em favor de determinado empregado ou grupo de empregados. O caso concreto apresenta uma situação peculiar: a concessão de assistência médica aos empregados da Recorrente foi pactuada no âmbito da convenção coletiva de trabalho, assinada entre os sindicatos patronal e dos empregados (fls. 698, cláusula 52). O plano de assistência médica foi contratado pelo sindicato dos empregados, mas era custeado pela Recorrente, conforme atestam as cópias do respectivo contrato celebrado com Promed Assistência Médica Ltda. (fls. 702). Tal configuração contratual poderia servir para reforçar a universalidade do benefício entre os empregados da Recorrente, já que pactuado diretamente pela entidade sindical em favor dos empregados. No entanto, o fato de a Recorrente realizar pagamentos ao sindicato, e não à empresa de assistência médica, não altera a natureza jurídica da verba paga, que continua sendo pagamento de assistência médica dos empregados. Se isso possível, estaria legitimada a fraude 1 “19. A alteração do art. 28 da Lei nº 8.212 de 1991, fazse necessária para melhor caracterizar o saláriode contribuição, identificando, detalhadamente, as parcelas que o integram e as que não sofrem a incidência de contribuições previdenciárias, possibilitando maior segurança ao contribuinte nessa obrigação que ora se lhe pretende imputar, além de reunir num só ato legal diversas disposições esparsas em várias leis. Por outro lado, é antecipada, no âmbito da Previdência Social, a alteração do conceito de remuneração, para fins de incidência de contribuição previdenciária, visando à unificação com o Fundo de Garantia do Tempos de Serviço – FGTS, que, em breve, darseá na área trabalhista” (exposição de motivos da Medida Provisória nº 1.59614, convertida na Lei nº 9.528/97, publicada no Diário do Congresso Nacional de 02/12/1997, p. 17834). Fl. 901DF CARF MF 6 à lei, a burla ao requisito que obriga a empresa a estender o benefício a todos os seus empregados. Adicionalmente – e mais importante – percebo que o benefício de assistência médica não era oferecido a todos os empregados da Recorrente, consoante esclarecimento contido no recurso voluntário (fls. 886): A análise do rol de funcionários constantes do ANEXO 03 traz algumas informações importantes a serem cotejadas, senão vejamos: (...) a relação do anexo 03 não exclui do cômputo dos valores relativos a funcionários que trabalhavam em cidades que, à época, não eram cobertas pelo plano de saúde contratado pelo Sindicato junto à Promed e, por esta razão, não integravam o rol de custeio (V.g. Juiz de Fora, Riachinho, Brasilândia de Minas, Santo Antônio do Monte, Pains, Iraí de Minas, Estrela do Sul, Morada Nova de Minas, Pompéu, Buritis, Vazante, Lagamar, Bonfinópolis de Minas, Araújos etc.) Tal situação atesta que o benefício de assistência médica não era oferecido a todos os empregados da Recorrente, mas apenas àqueles vinculados ao sindicato. Por essa razão, a exigência fiscal deve ser mantida. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer e negar dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 902DF CARF MF
score : 1.0
