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Numero do processo: 15374.917021/2009-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2003
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Fez sustentação oral o Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 70 21 /2 00 9- 31 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Fez sustentação oral o Dr. Arlyson George Gann Horta, OAB/DF nº 24.613. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Rio de Janeiro I (fls. 92/99), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação da interessada formalizada contra a não homologação de compensação de reclamados créditos pelo pagamento a maior de IOF (código de receita 7893), no valor de R$ 7.032,00, recolhido em 29/12/2003. A compensação não foi homologada sob o fundamento de que, inerente ao pagamento em tela, não havia nenhum crédito disponível para compensação, pois o recolhimento já havia sido integralmente utilizado na quitação de débito outrora existente. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde afirmou ser entidade fechada de previdência complementar e que se equivocara no cálculo do IOF do período referente a operações de empréstimo, nos termos de laudo técnico apresentado, equívoco este repetido na DCTF correspondente, onde fora declarado como débito o valor indevidamente recolhido a maior. Ressaltou, ainda que os equívocos nas declarações não criam tributos, não podendo, comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária. Apresentou planilha demonstrativa do aduzido erro cometido. A manifestação de inconformidade, contudo, não foi acolhida pela primeira instância, a qual, como ressaltado, indeferiu o pleito em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IOF. ANOCALENDÁRIO DE 2003. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. IOF. ANOCALENDÁRIO 2003. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 16/09/2011 (uma sextafeira) (fls. 103). Inconformada, a autuada apresentou, em 19/10/2011 (v. fls. 113 e 115), Fl. 120DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.917021/200931 Acórdão n.º 3802002.049 S3TE02 Fl. 118 3 o recurso voluntário de fls. 105/112, onde reafirma a existência de direito creditório por conta do pagamento a maior do imposto, ressaltado ainda: a) que, no preenchimento da última DCTF entregue à Receita Federal, a manifestante equivocouse em seu preenchimento e não demonstrou a existência de crédito de IOF em dezembro de 2003; contudo, referido crédito poderia ser comprovado pela simples comparação entre os valores apresentados como devidos no período e a guia de recolhimento que instruíram a manifestação de inconformidade; b) cita respeitáveis entendimentos doutrinários para defender que os equívocos nas declarações do contribuinte não geram obrigação tributária, não podendo ser considerada receita do Estado; e, c) ressalta que se a confissão do débito pelo contribuinte se deu em virtude de erro, a mesma poderia ser revogada, a teor do disposto no artigo 352 do CPC. O sujeito passivo também pleiteia seja o julgamento convertido em diligência para apuração do indébito e comprovação da regularidade da compensação acaso as provas acostadas aos autos sejam consideradas insuficientes para a demonstração do direito reclamado, como lhe asseguram os artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao recurso, com a conseqüente homologação da compensação pretendida ou, alternativamente, seja o processo baixado em diligência, nos termos acima propostos. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 16/09/2011 (uma sextafeira) (fls. 103). Por sua vez, o recurso voluntário foi postado nos Correios em 19/10/2011 (v. fls. 113 e 115), tempestivamente, portanto. Além disso, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento do tributo devido no período, e que o débito declarado em DCTF não corresponderia à realidade fática. Assevera ainda que a natureza do erro em que teria incorrido seria insuficiente para criar obrigação tributária, e que o artigo 352 do CPC autorizaria a revogação da confissão da dívida em tal condição. De fato, o processo administrativo tributário não pode deixar de homenagear o princípio da verdade material. Exatamente por isso é que esta Turma, ao analisar pedidos de compensação como o presente, admite, em alguns casos, a dispensa de apresentação de DCTF retificadora, mas sempre se caracterizado o erro em que incorreu o sujeito passivo, ou, em outras palavras, se comprovado o indébito declarado na DCOMP, ressalvados os casos em que o contribuinte deliberadamente se recusa ao cumprimento de suas obrigações acessórias. Isso Fl. 121DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 se dá em virtude da possibilidade de retificação de ofício da DCTF, admitida unicamente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como bem destacado na primeira instância. Com efeito, a título comprobatório do direito aduzido o sujeito passivo acostou aos autos parecer contábil de empresa de consultoria privada acompanhado de uma planilha de cálculo. Tal documentação não pode substituir a escrituração contábil e os documentos em que esta se embasa, como, no caso específico dos autos, os contratos dos empréstimos relacionados na citada planilha que deram origem ao IOF, bem como a prova da escrituração dos lançamentos contábeis correspondentes. Mesmo ciente da necessidade de comprovação documental do direito – questão muito transparente na decisão de primeira instância –, a interessada comparece novamente aos autos sem apresentar prova suficiente do reclamado indébito, e requer seja o processo baixado em diligência para a comprovação do seu direito, o que não se pode admitir, uma vez que é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor. É este quem detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito impossível homologar a compensação. A verdade material, tão invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. No caso presente, como já dito, a recorrente não trouxe a documentação minimamente necessária à comprovação de seu reclamado direito, não sendo razoável admitir a inversão do ônus da prova para o Fisco. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido a apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Assim, manifestome no sentido de rejeitar a diligência pretendida. Especificamente em relação aos pedidos de reconhecimento de indébitos relativos ao IOF há ainda uma particularidade: a restituição ou compensação desse imposto, em sintonia com o disposto no artigo 61 do Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007 (Regulamento do IOF), deve vir acompanhada da comprovação das exigências estabelecidas no do artigo 8º da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, a seguir transcrito: Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º, ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15374.917021/200931 Acórdão n.º 3802002.049 S3TE02 Fl. 119 5 II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 34. Assim, em face da natureza do crédito pleiteado, além da necessidade de comprovação da certeza e da liquidez do crédito informado, a recorrente deveria também demonstrar que devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, bem como que providenciou, juntamente com a contribuinte que sofreu a retenção, os estornos dos lançamentos contábeis e as retificações nas declarações entregues à Receita Federal, o que o não ocorreu, conforme anteriormente explicitado. Tudo isso está em sintonia com o disposto no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 8.894/94, segundo o qual o contribuinte do IOF é a pessoa física ou jurídica tomadora do crédito, combinado com o artigo 166 do CTN, que exige que a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, a transferência do respectivo encargo financeiro, seja instruída com a prova de que o pleiteante assumiu o referido encargo, ou de que este está expressamente autorizado por quem efetivamente suportou o imposto. No mais, resta claro que o indébito reclamado carece dos necessários pressupostos de liquidez e de certeza como requisitos indispensáveis à liquidação de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Nesse ponto, a Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 24 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 15374.917137/2008-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVO INEXISTENTE. PROVA. INSUBSISTÊNCIA.
Mostrando-se improcedente a motivação da não homologação da compensação realizada pelo contribuinte, mediante prova inequívoca neste sentido, deve ser acolhida a pretensão de tornar insubsistente o despacho decisório assim lavrado.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-002.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVO INEXISTENTE. PROVA. INSUBSISTÊNCIA. Mostrando-se improcedente a motivação da não homologação da compensação realizada pelo contribuinte, mediante prova inequívoca neste sentido, deve ser acolhida a pretensão de tornar insubsistente o despacho decisório assim lavrado. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVO INEXISTENTE. PROVA. INSUBSISTÊNCIA. Mostrandose improcedente a motivação da não homologação da compensação realizada pelo contribuinte, mediante prova inequívoca neste sentido, deve ser acolhida a pretensão de tornar insubsistente o despacho decisório assim lavrado. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 71 37 /2 00 8- 90Fl. 122DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Versa o presente processo sobre despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 06882.43369.291104.1.3.040709, em virtude de direito de crédito integralmente alocado a outro débito. Em manifestação de inconformidade o contribuinte asseverou que recolheu indevidamente PIS/Pasep e Cofins sobre receitas isentas e que a legislação vigente permitia a retratação de confissão de dívida, citando doutrina e jurisprudência. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ indeferiu o pleito por entender não comprovado o crédito alegado. O recurso voluntário reprisou a manifestação de inconformidade. Na oportunidade foram juntadas cópias de documentos contábeis e fiscais que, em tese, demonstrariam a procedência do crédito vindicado. Na sessão de 28/10/2010 o julgamento foi convertido em diligência, por intermédio da Resolução nº 340100.207, para certificação e aferição do direito postulado. Realizada a diligência determinada, conforme relatório fiscal de fls. 101/107, retornaram os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O exame e julgamento dos requisitos intrínsecos e extrínsecos do recurso, bem assim, as questões meritórias, já foi realizado por ocasião da decisão que converteu o julgamento em diligência, motivo pelo qual peço vênia para reproduzir o voto condutor proferido naquela assentada: “A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 14/01/2010, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 02/02/2010. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Como visto acima a própria decisão recorrida admitiu que as receitas de serviços prestadas pela interessada a empresas situadas no exterior foram contempladas com regras expressas no sentido de serem isentas das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins, daí, em tese e, em princípio, parecer ter havido mesmo um recolhimento a maior. Porém, invocando as regras do artigo 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, a DRJ manteve os termos do despacho decisório eletrônico. Assim, a questão aqui posta é se os documentos trazidos pela Recorrente apenas em sede de apresentação do Recurso Voluntário, os quais, digase de passagem, aparentam ser suficientes para a definição do valor devido e do valor Fl. 123DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15374.917137/200890 Acórdão n.º 3401002.371 S3C4T1 Fl. 11 3 eventualmente recolhido a maior, podem ser aproveitados neste julgamento, ou se devemos obedecer rigorosamente ao que estabelecem os referidos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, nos quais se apegou a DRJ para decidir. Pois bem! Primeiramente, de se lembrar que, não obstante as inúmeras vantagens e benefícios proporcionados à Administração Tributária e aos contribuintes pela utilização dos sistemas informatizados para a operacionalização dos procedimentos de compensação, o fato é que, em situações tais quais a com que nos deparamos, em que o crédito no qual se funda a compensação não pôde ser explicitado ou detalhado no aplicativo PER/Dcomp em face da limitação dos campos disponibilizados, e em que a sua análise é feita eletronicamente, isto é, sem a intervenção manual e sem o crivo visual de um servidor, dáse que os sistemas de batimento de informações da Receita Federal não conseguem visualizar o crédito e, portanto, reconhecêlo. Assim, de pronto, perdem os contribuintes a oportunidade de, já na primeira ocasião em que se dirigem ao Fisco, esmiuçarlhes a origem do crédito alegado, o que somente ocorre quando da interposição de manifestação de inconformidade em face do indeferimento do pleito. É certo que, neste caso, bem que poderia a ora interessada ter feito isso, ou seja, quando da apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, ter carreado para o processo naquela ocasião os documentos que somente agora, em sede de Recurso Voluntário, traz. Todavia, não me parece, até em observância aos princípios da moralidade, da eficiência, da finalidade, da verdade material e do informalismo moderado, que o aparente direito da interessada possa ser sumariamente negado por conta de um apego excessivo às formalidades dos referidos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Não estou, ao dizer isso, desprezando tais regras. Apenas considero que o julgador deve, sempre que possível, empreender esforços no sentido de buscar a verdade material, até em decorrência do princípio da legalidade. Neste ponto, estou de acordo com os Marcus Vinicius Neder de Lima e Maria Tereza López Martinez, que, em sua obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, dizem: "O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente do alegado e provado.Odete Medauar preceitua que 'o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos.' Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir Fl. 124DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. A verdade material é o princípio específico do processo administrativo e se contrapõe ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil. O processo desenvolvido no Judiciário busca a verdade forma, que é obtida apenas do exame dos fatos e provas trazidas aos autos pelas partes (art. 128 do CPC). Como regra geral, o juiz se mantém neutro na pesquisa da verdade, devendo cingirse ao alegado pelas partes no devido tempo já que elas têm o ônus da prova. Contudo, mesmo no processo administrativo fiscal, não se pretende obter a verdade absoluta, quase sempre inatingível. Obtémse apenas um juízo de verossimilhança ou probabilidade da ocorrência dos fatos, valendose da discussão de forma dialética no processo. As partes trazem suas provas e o julgados as examina, podendo requerer outras se julgar necessário. As regras processuais vem no sentido de auxiliar o julgador na condução do processo e na obtenção do grau de certeza que lhe permita solucionar o litígio. São regras de fixação formal da prova. No processo administrativo, há uma maior liberdade na busca das provas necessárias à formação da convicção do julgador sobre os fatos alegados no processo. Essa busca, no entanto, não pode transformálo num inquisidor sob pena de prejudicar a imparcialidade. O poder instrutório do julgador é definido pelos limites da lide formada nos autos. Essa maior liberdade no processo administrativo decorre do próprio fim visado com o controle administrativo da legalidade, eis que não havendo interesse subjetivo da Administração na solução do litígio, é possível o cancelamento do lançamento baseado em evidências trazidas aos atos após a inicial. Nesse sentido, é, por exemplo, a decisão no Acórdão nº 10319.789 do Primeiro Conselho de Contribuintes, DOU de 29/1/99, a saber: 'Processo Administrativo Fiscal – Princípio da Verdade Material – Nulidade. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que esta em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Preliminar acolhida. Recurso Provido.' (...) “. Além disso, está lá no artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: ‘Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias’.” Ultrapassadas as matérias eminentemente de direito, resta tão somente se manifestar acerca do resultado da diligência realizada. Neste diapasão, a conclusão estampada pela autoridade administrativa é no sentido de reconhecer a procedência do direito creditório invocado e pelo cabimento da homologação da compensação aviada através do PERDCOMP 06882.43369.291104.1.3.04 0709. Portanto, mostramse improcedentes as razões apresentadas no despacho decisório eletrônico para justificar a não homologação da compensação. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 15374.917137/200890 Acórdão n.º 3401002.371 S3C4T1 Fl. 12 5 Robson José Bayerl Fl. 126DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13962.000472/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2008
SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.. A Auditoria Fiscal dispõe de instrumentos normativos para caracterizar o trabalhador como segurado empregado quando presentes na prestação de serviço os elementos caracterizadores da relação de emprego, mesmo quando a prestação se dê mediante interposta empresa.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INCLUSÃO DE RUBRICAS NÃO COMPONENTES DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. INOCORRÊNCIA. A apuração dos valores de contribuições previdenciárias sobre rubricas as quais a recorrente entende não devam compô-la, não enseja declaração de nulidade do lançamento, somente, se for o caso, poderá ser determinada sua exclusão do valor tributável.
SIMULAÇÃO. EMPRESAS INTERPOSTAS OPTANTES PELO SIMPLES. DEMONSTRAÇÃO DO VÍNCULO EM RELAÇÃO AO CONTRIBUINTE PRINCIPAL. LANÇAMENTO, POSSIBILIDADE. Tendo em vista que restou devidamente comprovado que os funcionários empregados segurados registrados nas empresas tidas por interpostas, em verdade, possuem seu vínculo em relação a outra empresa, esta a principal em relação às demais, merece ser mantido o lançamento que entendeu pela prática de simulação para o não pagamento das contribuições previdenciárias patronais e destinadas a terceiros.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2008 SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.. A Auditoria Fiscal dispõe de instrumentos normativos para caracterizar o trabalhador como segurado empregado quando presentes na prestação de serviço os elementos caracterizadores da relação de emprego, mesmo quando a prestação se dê mediante interposta empresa. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INCLUSÃO DE RUBRICAS NÃO COMPONENTES DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. INOCORRÊNCIA. A apuração dos valores de contribuições previdenciárias sobre rubricas as quais a recorrente entende não devam compô-la, não enseja declaração de nulidade do lançamento, somente, se for o caso, poderá ser determinada sua exclusão do valor tributável. SIMULAÇÃO. EMPRESAS INTERPOSTAS OPTANTES PELO SIMPLES. DEMONSTRAÇÃO DO VÍNCULO EM RELAÇÃO AO CONTRIBUINTE PRINCIPAL. LANÇAMENTO, POSSIBILIDADE. Tendo em vista que restou devidamente comprovado que os funcionários empregados segurados registrados nas empresas tidas por interpostas, em verdade, possuem seu vínculo em relação a outra empresa, esta a principal em relação às demais, merece ser mantido o lançamento que entendeu pela prática de simulação para o não pagamento das contribuições previdenciárias patronais e destinadas a terceiros. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
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SIMULAÇÃO Recorrente JULIANO SCHIMDT CALCADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2008 SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.. A Auditoria Fiscal dispõe de instrumentos normativos para caracterizar o trabalhador como segurado empregado quando presentes na prestação de serviço os elementos caracterizadores da relação de emprego, mesmo quando a prestação se dê mediante interposta empresa. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INCLUSÃO DE RUBRICAS NÃO COMPONENTES DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. INOCORRÊNCIA. A apuração dos valores de contribuições previdenciárias sobre rubricas as quais a recorrente entende não devam compôla, não enseja declaração de nulidade do lançamento, somente, se for o caso, poderá ser determinada sua exclusão do valor tributável. SIMULAÇÃO. EMPRESAS INTERPOSTAS OPTANTES PELO SIMPLES. DEMONSTRAÇÃO DO VÍNCULO EM RELAÇÃO AO CONTRIBUINTE PRINCIPAL. LANÇAMENTO, POSSIBILIDADE. Tendo em vista que restou devidamente comprovado que os funcionários empregados segurados registrados nas empresas tidas por interpostas, em verdade, possuem seu vínculo em relação a outra empresa, esta a principal em relação às demais, merece ser mantido o lançamento que entendeu pela prática de simulação para o não pagamento das contribuições previdenciárias patronais e destinadas a terceiros. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 04 72 /2 00 9- 82 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13962.000472/200982 Acórdão n.º 2402003.711 S2C4T2 Fl. 428 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por JULIANO SCHIMDT CALÇADOS LTDA, em face do acórdão que manteve parcialmente o Auto de Infração n. 37.238.9678, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias destinada a terceiros e incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados. Consta do relatório fiscal que foram lançadas contribuições de segurados empregados que prestaram serviços a empresa STUDIO ANA PAULA LTDA, CNPJ 04.338.551/000110, integrante do grupo JULIANO SCHIDMT, e considerada pela fiscalização em novembro/2009. Às fls. 148 fora juntada a representação fiscal para inaptidão do CNPJ da empresas STUDIO ANA PAULA LTDA E ANA PAULA LTDA, bem como da própria recorrente, tendo em vista que as pessoas jurídicas consideradas como interpostas não possuíam patrimônio ou capacidade operacional para realização de suas atividades, tendo sido constituídas como optantes do SIMPLES exclusivamente com a finalidade de furtarse a recorrente ao recolhimento das contribuições previdenciárias parte patronal e terceiros. O lançamento compreende o período de 10/2004 a 13/2008, tendo sido o contribuinte cientificado em 07/12/2009 (fls. 01). O acórdão de primeira instância declarou a decadência em relação a competência de 10 e 11/2004, com base no art. 150, § 4o do CTN. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a Receita Federal não tem competência para declarar relação de emprego; 2. que é no mínimo temerário que se permita aos agentes fiscais do INSS/Receita Federal, por conta própria, considerarem uma determinada relação jurídica como uma relação de emprego, competência esta da Justiça do Trabalho; 3. que as conclusões adotadas pela fiscalização não se caracterizam em prova cabal e irrefutável de que o vínculo empregatício, efetiva e concretamente, se dava diretamente com a empresa notificada; 4. que em sendo as empresas, todas elas, pessoas jurídicas autônomas, distintas e independentes uma das outras, estando todas elas em plena atividade, cada qual possuindo contrato, quadro social, faturamento e quadro de funcionários próprios, estando ainda devidamente Fl. 429DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 registradas nos órgãos competentes, inclusive INSS e Secretaria da Receita Federal, e arcando em dia, e em nome próprio, com todas as obrigações comerciais, fiscais e trabalhistas assumidas, inferese, data venia, que as conclusões emanadas pela fiscalização não passam de meros indícios e presunções. 5. que o fato das empresas possuírem as mesmas pessoas físicas, no caso parentes, como sócios, não tem o condão de ensejar o reconhecimento do grupo econômico de fato, afastando a incidência, a incidência ao caso em tela seja dos arts. 2 o , § 2o , da CLT, e 30, IV, da Lei n. 8.212/91 6. que nada impede o desligamento de funcionários de uma empresa e a contratação por outra, pois com as transferências todos os gravames e encargos decorrentes da relação empregatícia passaram a ser arcados pelas novéis contratantes, pelo que não há de se falar permanência da pessoalidade, subordinação e muito menos em onerosidade dos anteriores pactos laborais; 7. que a empresa ANA PAULA era mera locadora do galpão onde o grupo exercia as atividades, exercendo atividade de forma independente e por sua conta e risco, conforme apontam as declarações de funcionários juntadas aos autos; 8. que na base de cálculo dos valores notificados, certamente foram incluídas diversas verbas indevidas (auxíliodoença/acidente, saláriomaternidade, etc), motivo que enseja a nulidade do Auto de Infração lavrado por absoluta iliquidez; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13962.000472/200982 Acórdão n.º 2402003.711 S2C4T2 Fl. 429 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES São duas as preliminares a serem enfrentadas no presente julgamento. Quanto à alegação no sentido de que a Receita Federal não detém competência para declarar relação de emprego, não confiro razão ao recorrente. Essa autorização é garantida ao auditor fiscaldada pelo Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, que no § 2.º do art. 229 dispõe: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) Por outro lado, a constituição do crédito tributário sobre as parcelas em questão é autorizada ao Fisco, conforme dispõe a Lei n.º 11.457/2007: “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (...) Pois que, diante do surgimento da obrigação tributária, fato sobre o qual nos debruçaremos ao tratar do mérito da contenda, tem a Auditoria Fiscal autorização legal para constituir o crédito tributário, não se verificando na espécie qualquer invasão da competência da Justiça Laboral, até porque todos os segurados já eram tidos como efetivos empregados das empresas interpostas no presente caso. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 No que se refere ao pedido de reconhecimento de nulidade do Auto de Infração pela ausência de liquidez, melhor sorte não aufere a recorrente. Sob esta ótica, suas alegações se resumem na tentativa de demonstrar que o lançamento não possui liquidez, tendo em vista que foram consideradas verbas em sua base de cálculo sob as quais não incidem as contribuições previdenciárias, no caso auxílioacidente, salário maternidade. Todavia, ao analisar o relatório fiscal da infração e mesmo o próprio DAD, não verifico que ali foram incluídas tais parcelas. Ao analisar a documentação trazida pelo contribuinte em sua impugnação, também não vislumbrei que o mesmo caracterizou de forma cabal terem sido consideradas pela fiscalização no lançamento parcelas sobre as quais não deveriam incidir as contribuições previdenciárias. E mesmo que assim não o fosse, a alegação de que a impossibilidade de destaque de tais parcelas do total da base tributável, por si só, não possui o condão de invalidar o lançamento, até porque tal ação é plenamente possível, se tivesse sido apurada no caso ora sob análise. Ademais, no que se refere ao lançamento, verificase que a fiscalização levou a efeito o seu dever legal, de acordo com as disposições do art. 142 do CTN, trazendo aos autos todas as informações necessárias ao lançamento, de modo a permitir ao contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa e ao contraditório. Ante todo o exposto, rejeito as preliminares. MÉRITO A recorrente sustenta, ainda, que as conclusões da fiscalização não teriam o condão de demonstrar a efetiva ocorrência do vínculo de emprego entre a recorrente e os funcionários das empresas tidas por interpostas, já que estas possuíam movimentação financeira, eram independentes, bem como que arcavam em dia e em nome próprio com todas as obrigações tributárias a seu cargo. No entanto, uma vez já demonstrada a possibilidade da fiscalização levar a efeito a caracterização de segurados como empregados de determinada pessoa jurídica, ao analisar os fundamentos expostos pela auditora em seu arrazoado, entendo que mais uma vez deve ser afastada a tese de defesa constante no recurso voluntário. Esclareço, por oportuno, que segundo a fiscalização, as três pessoas jurídicas empreenderam verdadeira simulação na condução de seus negócios. A constatação que se faz é que de fato tratase de uma empresa apenas, com uma só administração, mediante o fracionamento de suas atividades, obtendose redução da carga tributária, na medida em que duas partes dela encontravamse inseridas no regime de tributação SIMPLES. O caso ora sob exame, portanto, não é caso de formação de grupo econômico de fato. Diante disso, inicialmente friso que diferentemente dos argumentos recursais, não fora somente a participação societária nas empresas, considerado como único elemento de caracterização da simulação ocorrida e do vínculo com a recorrente, mas sim, outras constatações que levaram a tais conclusões. Vejamos, a propósito, o que bem consignou o v. acórdão de primeira instância, ao reproduzir, em síntese as conclusões adotadas pela fiscalização para levara e feito a caracterização do vínculo com a recorrente, as quais adoto como razões de decidir: Fl. 432DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13962.000472/200982 Acórdão n.º 2402003.711 S2C4T2 Fl. 430 7 Segundo diligência fiscal realizada nas instalações das empresas, foi verificada a seguinte situação: As três empresas funcionam no mesmo local; Existe uma única recepção tendo como recepcionista a funcionária FERNANDA TORRES, que atende as três empresas e é formalmente registrada na STÚDIO ANA PAULA LTDAEPP; A marca dos calçados é "Ana Paula"; Os empregados das três empresas usam o uniforme "Ana Paula"; As empresas possuem o mesmo setor financeiro e o mesmo setor de recursos humanos; A funcionária da JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA, PERLA KÁTIA SILVA SERPA, administra o setor de pessoal das três empresas, conforme procurações às fls. 129/131 e consulta ao CNIS fl. 128 do processo 13962.000473/2009 27. Conforme registro no livro caixa da empresa ANA PAULA INDÚSTRIA DE CALÇADOS E BOLSAS LTDAME (fls. 270/271 do processo 13962.000473/200927) existem lançamentos de dois empréstimos feitos pela empresa JULIANO SCHMIDT CALÇADOS no mês de maio de 2008. Esses empréstimos foram feitos para cobrir despesas da empresa ANA PAULA. Esta prática parece ser comum também com relação à empresa STÚDIO ANA PAULA LTDA. A fiscalização informa haver constatado, por meio da contabilidade, empréstimos da empresa JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA para a empresa e que segundo declaração do chefe do setor financeiro (sócio administrador da Stúdio Ana Paula), o Sr. ADRIANO CIPRIANI, estes empréstimos não passaram de um simples repasse financeiro para cobrir as despesas da empresa STÚDIO ANA PAULA LTDA (fl. 60 do processo 13962.000473/200927). Consta dos autos documentos que comprovam ser a empresa JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA a empresa que controla todas as operações do empreendimento, como exemplo citamos Notas Fiscais emitidas em nome de JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA (fls. 186/189 do processo 13962.000473/200927), onde consta o endereço da empresa STÚDIO ANA PAULA LTDA(contrato fl. 108/111 do processo 13962.000473/200927), sendo que no corpo das Notas Fiscais consta "comissões sobre vendas bolsas" (o objeto social da empresa STÚDIO). Constam diversos fretes em nome das empresas ANA PAULA INDÚSTRIA DE CALÇADOS E BOLSAS LTDAME Fl. 433DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 e STÚDIO ANA PAULA LTDA, com carimbo da empresa JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA e pagos por esta última (fls. 177/181 e 261/265 do processo 13962.000473/200927). Foram juntados aos autos diversos comprovantes de pagamento e Guias de Recolhimento do FGTSGRFGTS, que demonstram haver uma confusão patrimonial e que de fato existe uma única empresa, sob o comando único de ADRIANA ZONTA. Constam GRFGTS da empresa STÚDIO ANA PAULA LTDAEPP debitados da conta de ADRIANA ZONTA onde consta o nome da mesma empresa (fls. 190/201 do processo 13962.000473/200927); constam ainda dos autos GRFGTS em nome da STÚDIO ANA PAULA LTDAEPP debitados da conta de ADRIANA ZONTA onde consta o nome da empresa ANA PAULA BOLSAS E ACES. LTDAME (fls. 202/204 do processo 13962.000473/200927); por fim registrase a existência de GRFGTS em nome da empresa JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA debitados da conta de ADRIANA ZONTA onde consta o nome da empresa STÚDIO ANA PAULA LTDAEPP (fls. 205/213 e 217/223 do processo 13962.000473/200927). Outros pagamentos referentes à documentos das três empresas (Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais; Documento de Arrecadação de Receitas Federais; Guia de Recolhimento da Contribuição Sindical Urbana e taxa do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de São João Batista) foram debitados da mesma conta, demonstrando existir uma única conta para movimentação bancária das três empresas (does. às fls. 214/216 e 224/235 do processo 13962.000473/2009 27). E de se notar que em todos os comprovantes de pagamento embora conste ora o nome da empresa STÚDIO ANA PAULA LTDAEPP, ora o nome da empresa ANA PAULA BOLSAS E ACES. LTDAME, todos são referentes à conta 26298 do Banco do Brasil em nome de ADRIANA ZONTA. O que comprova que de fato existe uma única empresa comandada por ADRIANA ZONTA. Ressaltese que ADRIANA ZONTA não consta do contrato social das empresas STÚDIO ANA PAULA LTDA EPP e ANA PAULA INDÚSTRIA DE CALÇADOS E BOLSAS LTDAME, figurando apenas como sócia majoritária da JULIANO SCHMIDT, onde detém 99% do capital social da empresa, (conforme contratos sociais juntados aos autos às fls. 93 a 119 do processo 13962.000473/200927), possuindo procuração para atuar em nome das duas empresas jutamente com JULIANO SCHMIDT (fls. 280/295 do processo 13962.000473/200927). Verificase que às fls. 278/279 do processo 13962.000473/200927 consta procuração conferida por ADRIANA ZONTA à JULIANO SCHMIDT, concedendolhe Fl. 434DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13962.000472/200982 Acórdão n.º 2402003.711 S2C4T2 Fl. 431 9 plenos poderes para atuar em nome da JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA. Corrobora a conclusão de que existe apenas uma empresa sob o comando de ADRIANA ZONTA e JULIANO SCHMIDT a entrevista realizada com o sócio gerente da STÚDIO ANA PAULA LTDA, O Sr. ADRIANO CIPRIANI (fl. 277 do processo 13962.000473/200927). Diversos documentos confirmam que a empresa JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA é na verdade a empresa existente de fato e de direito, bem como a real empregadora dos funcionários das três empresas. Para exemplificar citamos as fichas cadastrais de ADILSON RAITZ, ILDO GUIOMAR DOS SANTOS MARTINS e PEDRO GERCINO REGIS onde constam como empregados da JULIANO SCHMIDT CALÇADOS LTDA e os avisos de férias dos três empregados emitidos em nome da STÚDIO ANA PAULA LTDA (fls. 247/253 do processo 13962.000473/200927). A empregada GEOVANI REIS ALVES, registrada na STÚDIO ANA PAULA LTDA tem uma solicitação de laudo assinada por funcionária de Recursos Humanos da JULIANO SCHMIDT (fls. 254/255 do processo 13962.000473/200927). O empregado EUCLIDES JOÃO ALEXANDRE tem recibos de férias do mesmo ano assinados pela STÚDIO ANA PAULA LTDA e pela JULIANO SCHMIDT (fls. 256/257 do processo 13962.000473/200927). A empregada MÁRCIA CRISTINA DA SILVA, registrada na JULIANO SCHMIDT, tem o termo de rescisão e recibo de férias assinados pela STÚDIO ANA PAULA (fls. 258/260 do processo 13962.000473/200927). Para corroborar todas essas informações, na auditoria fiscal foi efetuado o procedimento de verificação física (fls. 272/276 do processo 13962.000473/200927), onde todos os empregados ao serem indagados sobre quem é o dono da empresa responderam ser ADRIANA ZONTA e JULIANO SCHMIDT. Ou seja, diante de tais afirmações, devidamente esclarecidas e constantes do Relatório Fiscal, que inclusive foram obtidas mediante entrevistas com funcionários considerados como segurados da recorrente, verificase que de fato as empresas envolvidas tratamse de uma única empresa, tripartida de modo a deixar os seus funcionários vinculados a pessoa jurídica optante do SIMPLES, exclusivamente com a finalidade de furtarse ao pagamento das contribuições patronais, situação esta que de acordo com outros julgados desta Eg. Turma, justifica o lançamento ora sob exame. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 A meu ver, o lançamento merece ser mantido. Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares, e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso . É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10120.011376/2009-83
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/08/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - AFERIÇÃO INDIRETA.
Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-001.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Carolina Wanderley Landim.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/08/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta. Recurso Voluntário Negado
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 13 76 /2 00 9- 83 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Carolina Wanderley Landim. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.011376/200983 Acórdão n.º 2403001.887 S2C4T3 Fl. 176 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – SERCA CONSTRUTORA LTDA. contra Acórdão nº 0347.439 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, fls. 128 a 134, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.229.9024, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 238.941,57. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias correspondentes à parte de segurados destinadas a Seguridade Social incidentes sobre a base de cálculo apurada por aferição indireta do valor da mãodeobra necessária na execução das obras de construção civil: matricula CEI 50.013.42127/78 e CEI 50.019.89804/72, de responsabilidade da empresa em referência, situadas a Rua T49 c/ T30 Qd 50 Ltd 12/13/14/15A — Edifício Residencial Villagio, Setor Bueno — Goiania — GO, e Rua Natal Qd 12 Lts 5/6/7/8/22/23/24 — Edifício Residencial Gloria Hills, Setor Alto da Gloria — Goiania — Go, respectivamente. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 10 a 22, a competência utilizada para fins de aferição indireta (agosto/2009) é devido ao fato de que o Centro de Atendimento ao Contribuinte – CAC, emitiu, em 31/08/2009, o Aviso de Regularização de Obra – ARO, tendo sido utilizada como referência, portanto, a competência de emissão do ARO: 0 débito constante no presente Al foi apurado por meio de aferição indireta do valor do salário de contribuição necessário à execução da obra, como previsto nos §§ 4° e 6°, do artigo 33, da Lei 8.212/91. 0 procedimento de aferição indireta do salário de contribuição, devido em razão da execução de obra de construção civil, com base na área construída e no padrão de execução, encontrase disciplinado no art. 234 do Decreto 3.048 de 06/05/1999 e Instrução Normativa /SRP 03, de 14/07/2005, com as alterações introduzidas pelas Instruções Normativas MPS/SRP n° 24, de 29 de abril de 2007, Instrução Normativa MF/RFB n° 774, de 29 de agosto de 2007, e Instrução Normativa RFB n° 910, de 29 de janeiro de 2009. A competência adotada para apuração do débito, encontrase definida no art. 435, da IN/SRP n.° 03/2005, que trata da apuração do valor da mão de obra empregada na execução de obra de construção civil, utilizando as tabelas do Custo Unitário Básico — CUB, divulgados pelos sindicatos da Indústria da Construção Civil — SINDUSCON, que em seu parágrafo 3°, estabelece que, em relação A obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas na competência da emissão do ARO, ou em qualquer competência no prazo de vigência do Mandado de Procedimento Fiscal, quando a Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 apuração se der em AuditoriaFiscal de obra para a qual não houve a emissão do ARO. Em razão da necessidade de emissão de novo ARO, em 31/08/2009, em virtude inclusive da constatação de dados não informados em DISO, e portanto não considerados no cálculo realizado pelo Centro de Atendimento do Contribuinte da Receita Federal do Brasil, a competência adotada para o debito foi agosto de 2009, em observação à norma acima citada. A seguir, o Relatório Fiscal, às fls. 10 a 22, informa acerca da análise contábil feita nas duas obras de construção civil: matricula CEI 50.013.42127/78 e CEI 50.019.89804/72, onde conclui que não se encontram devidamente escriturados todos os segurados empregados envolvidos na execução das obras de construção civil, de responsabilidade da empresa, que de acordo com a Lei n° 8.212/91, representam a base de cálculo das contribuições previdenciárias, motivo pelo qual, esta fiscalização desconsiderou a escrituração contábil apresentada pela empresa e aferiu o débito nos moldes previstos no art. 433 e seguintes, da IN n° 3/2005: DA ANÁLISE CONTÁBIL CEI 50.013.42127/78 OBRA RESIDENCIAL VILLAGIO – PERÍODO: 06/2004 A 01/2007: Em análise da contabilidade apresentada, verificouse que os custos da obra fiscalizada, foram lançados em contas analíticas, vinculadas às seguintes contas sintéticas: 33.192.1 Mão de Obra e Encargos; 33.192.2 Materiais Aplicados; 33.192.3 Serviços de Terceiros; 33.192.4 Operação de Equipamentos; 33.192.5 Despesas Gerais Diretas; 33.192.7 Outras Despesas e finalmente 33.192.8 Despesas Tributárias, pertencentes ao grupo 3 Custos de Despesas, 33 Custo de Obras por incorporação, 33.19 Obra 19 Villagio Bueno. Sendo verificadas incoerências na documentação e contabilização dos fatos econômicos, aquisições e despesas da obra em comento, em virtude de elementos poucos confiáveis apresentados pela empresa durante a fiscalização, como a seguir relataremos. Considerando os valores lançados a titulo de remuneração para a obra citada, especificamente as contas 33.192.101.4 Mão de Obra Direta, 33.192.103.0 Aviso Prévio, 33.192.104.9 13° Salário e 33.192.106.5 Férias Gozadas; e a remuneração declarada em GFIP Guia de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social relativa a mesma obra, verificase que os mesmos encontravamse divergentes. Intimada a prestar esclarecimentos, a empresa justifica que ocorreram vários lançamentos de férias pela competência do pagamento, sendo que o valor destas eram declaradas na GFIP no mês de gozo e então pagos os encargos previdenciários. Desta forma a empresa deixou de atender ao principio contábil do registro em regime de competência, ou seja, as despesas realizadas em um determinado mês, mesmo que pagas em competências seguintes, devem ser registradas no mês de efetiva realização, no caso das férias gozadas, a competência de lançamento é o período de gozo das mesmas Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.011376/200983 Acórdão n.º 2403001.887 S2C4T3 Fl. 177 5 O período declarado pela empresa em DISO para execução da obra de construção civil, não é confirmado em sua escrituração contábil. A data de inicio declarada consta como 06/2004, competência em que ocorreu o registro de mão de obra direta empregada, comprovada ainda pela declaração de GFIP Guia de Recolhimento de FGTS e Informações Previdência Social para a obra. Entretanto houve lançamentos na conta 33.192.301.7 Serviços de Sub Empreitadas na obra, referentes a aquisição de concreto usinado um mês antes de seu inicio, o que comprova as notas fiscais fatura de serviços emitidas em 20/05/2004 NF 6509; em 21/05/2004 NF 6519; em 31/05/2004 NF 6552 e em 30//05/2004 NF da empresa Geral de Concretos S.A., sem registro de um único trabalhador para aplicação imediata do mesmo. Está claro que não existem condições de utilização deste material, de natureza altamente perecível, sem emprego imediato de mãodeobra (própria ou terceirizada). 0 volume adquirido, totalizado em 165 m3 de concreto bombeado, nos indica que já haviam ocorrido a execução de serviços com fundações e de execução de formas com a utilização de profissionais com conhecimentos necessários para isso. Também o término da mesma, declarada pela empresa como 01/2007, também não se confirma na escrituração contábil apresentada para os meses de fevereiro, março, abril, maio, junho e julho de 2007 desta mesma obra. Na conta 33.192.201.0 Material Aplicado, ocorreram lançamentos no período de 01/02/2007 a 05/07/2007 com aquisição de material aplicado na obra no montante de R$ 203.001,20. A empresa ainda permanece contabilizando nos meses de fevereiro a maio de 2007 pagamentos a titulo de Refeições conta 33.192.501.0 e Vale transporte conta 33.192.517.6, até 12/02/2007(planilhas extraídas da contabilidade das contas citadas em anexo). Os lançamentos contábeis referentes aos custos de execução da obra de construção civil em questão evidenciam a continuidade da mesma após a data declarada como de encerramento, e o registro de valores relativos a fatos que ensejam, sem sombra de dúvidas, a utilização de mãodeobra As notas fiscais de n° 0942, de 28/02/2007, 0967, de 31/03/2007, 0981, de 30/04/2007, emitidas pela empresa Uberaba Marmitex e a de n° 1556, de 01/02/2007, da empresa G Dallas Restaurante Ltda de fornecimento de refeições (cópias anexas), não deixam dúvidas quanto a ocorrência de despesas com alimentação de trabalhadores na obra do edifício Residencial Villagio ainda nos meses de fevereiro, março e abril de 2007, todas contabilizadas pela data de pagamento, ou seja, pelo regime de caixa. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 CEI 50.019.89804172 OBRA RESIDENCIAL GLORIA HILLS – PERÍODO: 05/2006 A 12/2008: Com relação a outra obra acima fiscalizada, verificouse que os custos da mesma foram lançados em contas analíticas, vinculadas às seguintes contas sintéticas: 33.212.1 Mão de Obra e Encargos; 33.212.2 Materiais Aplicados; 33.212.3 Serviços de Terceiros; 33.212.4 Operação de Equipamentos; 33.212.5 Despesas Gerais Diretas; 33.212.7 Outras Despesas e 33.212.8 Despesas Tributárias, pertencentes ao grupo 3 Custos de Despesas, 33 Custo de Obras por incorporação, 33.21 Obra 21 Gloria Hills. Também para este empreendimento o período declarado pela empresa em DISO para execução da obra de construção civil, não é confirmado em sua escrituração contábil. Em 052006 ocorreu o inicio de registro de mão de obra direta empregada, comprovada pela declaração de GFIP Guia de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social para a obra, entretanto da mesma forma relatada para a obra anterior, houve lançamentos com aquisição de material aplicado na obra, a partir de 20/01/2006. A aquisição de material especialmente perecível sem qualquer condição de ser estocado, como o concreto usinado, ocorreu a partir de 31/03/2006, sendo adquirido o volume correspondente de 84,50 m3 de concreto usinado bombeado nos meses de março e abril de 2006, sem que nos mesmos meses tenha havido qualquer registro de mãodeobra. Não há como um edifício ser erguido, utilizando concreto usinado, por exemplo, sem registro de um único trabalhador para aplicação imediata do mesmo uma vez que o material adquirido necessita de trabalhadores para emprego imediato, por tratarse de material altamente perecível. A prática da existência de mão de obra sem o devido registro em seu centro de custo é reforçado ainda pela contabilização de pagamentos com alimentação de trabalhadores na obra no período de janeiro a abril de 2006, quatro meses antes de seu inicio, é o que comprovam as notas fiscais n° 0662 de 31/01/2006, a de n° 0685, de 28/02/2006, a de n° 0707, de 31/03/2006, e a de n° 0724, de 29/04/2006, emitidos pela empresa Uberaba Marmitex Ltda, com a descrição de fornecimento de até 226 unidades de cafés da manha por mês para a obra. Os elementos até aqui registrados conferem à escrituração contábil o retrato da incoerência e comprovam que a mesma não registra de forma real a mãodeobra utilizada na execução das suas obras de construção civil. 0 lançamento no centro de custo da obra, de aquisições de materiais, pagamentos de vale transporte e despesas com alimentação realizadas via de regra com pessoal permanente durante os meses em que não houve registro de pagamento de remuneração nas obras citadas, evidencia que houve remuneração relativa a mão de obra não escriturada em títulos Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.011376/200983 Acórdão n.º 2403001.887 S2C4T3 Fl. 178 7 próprios de sua contabilidade, não cabendo qualquer argumentação que tais lançamentos referem se a competências anteriores, tendo em vista a obrigação de atender ao principio contábil do regime de competência. Ressaltese que nas contas para lançamento de Custos com Terceiros, não houve nenhum lançamento que pudesse justificar o possível emprego de contratação de mão de obra terceirizada nos períodos especificados acima. A fiscalização ainda identificou vários documentos registrados incorretamente no centro de custo das obras fiscalizadas. No item 4) do relatório de justificativas apresentadas pela empresa com relação a obra Villagio Bueno, a mesma admite que contabilizou na competência 102004, as férias no valor de R$ 682,99 do empregado Vanderlino S. Santos, na realidade pertencente a obra de n° 20 Edifício Veneza. Na competência 112004 foram as férias de José Edilson Ferreira da Costa, no valor de R$ 874,33, que foram lançadas no centro de custo da obra n.° 20 Edifício Veneza, sendo que o empregado havia laborado na obra de n.° 19 do Residencial Villagio Bueno. Registrese que no cálculo do montante devido, conforme o Relatório Fiscal às fls. 20, a Fiscalização excluiu as competências 06/2004 a 09/2004 em função da Súmula Vinculante STF nº 8 / STF, aplicando o critério do art. 150, § 4º, CTN. A Recorrente teve ciência do AIOP em 30.10.2009. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal, é de 10/2004 a 08/2009. A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 25 a 47, resumidamente conforme o relatório da decisão de primeira instância: (i) que o relatório fiscal não definiu com exatidão qual era o fato gerador da obrigação tributária, uma vez que, conforme a legislação, o fato gerador somente poderia ser “a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregado, trabalhador avulso contribuinte individual e cooperado intermediado por cooperativa de trabalho”, porém, a Auditora, em seu relatório, assim define o fato gerador: “Constituem fatos geradores das Obrigações Lançadas O valor originário do débito apurado corresponde assim, o montante das contribuições sociais, calculadas mediante aplicação da alíquota devida sobre o total da base de cálculo correspondente à remuneração aferida utilizandose do sistema DISOWEB, o qual encontrase discriminado no Relatório e Lançamento em anexo.” (ii) que a contabilidade da empresa foi realizada em obediência aos Princípios Fundamentais de Contabilidade; (iii) que erros na escrita contábil podem ocorrer, mas que esses, por serem involuntários, são diferentes de fraudes e, por isso, não pode a autoridade lançadora desconsiderar a contabilidade com base em alguns erros; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 (iv) que no início de uma edificação, para a adequação do canteiro de obras, a empresa adquire concreto e outros materiais, e trabalhadores são deslocados de outras obras (outros centros de custos) para preparar a infraestrutura mínima necessária e, por isso, não há mão de obra própria refletida na contabilidade neste momento inicial. Informa, também, que embora não tenham sido lançadas as remunerações nos centros de custos dessas edificações, as refeições e vales transportes desses trabalhadores assim o foram. (v) que a empresa reformou todas as calçadas que margeiam o terreno onde foi construído o edifício Gloria Hills, motivo pelo qual se deu a utilização de concreto sem a aplicação de mão de obra direta nessa edificação; (vi) que, por certo, a remuneração da mão de obra relativa aos custos de implantação necessários ao início da edificação deve ser apropriada ao custo da obra, mas que a pouca mão de obra utilizada é insignificante, e não é capaz de modificar o custo final da obra. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0347.439 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, fls. 128 a 134, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2009 AIOP DEBCAD n.º 37.229.9024 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA. ARBITRAMENTO. O montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica poderá ser obtido com base na área construída, e no padrão da obra, quando a empresa não apresentar a contabilidade, ou apresentá la de forma deficiente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em igual prazo, conforme facultado pelo artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, às fls. 141 a 165, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.011376/200983 Acórdão n.º 2403001.887 S2C4T3 Fl. 179 9 (i) o relatório fiscal não definiu com exatidão qual era o fato gerador da obrigação tributária; (ii) a contabilidade da empresa foi realizada em obediência aos Princípios Fundamentais de Contabilidade; (iii) que erros na escrita contábil podem ocorrer, mas que esses, por serem involuntários, são diferentes de fraudes e, por isso, não pode a autoridade lançadora desconsiderar a contabilidade com base em alguns erros; (iv) – da aplicação de concreto no início de uma edificação, para a adequação do canteiro de obras, a empresa adquire concreto e outros materiais, e trabalhadores são deslocados de outras obras (outros centros de custos) para preparar a infra estrutura mínima necessária e, por isso, não há mão de obra própria refletida na contabilidade neste momento inicial. A empresa reformou todas as calçadas que margeiam o terreno onde foi construído o edifício Gloria Hills, motivo pelo qual se deu a utilização de concreto sem a aplicação de mão de obra direta nessa edificação; (vi) – do pagamento de lanches – pagamento para manter uma pequena equipe de trabalhadores à disposição do condomínio que foi debitado no custo da obra já encerrada para ser transferida no final do ano para o custo da empresa. Também se utilizou de trabalhadores para montagem de refeitórios, colocação de isolamento da área etc., antes do início da obra. (vii) – férias pelo regime de caixa – houve erro na apropriação contábil das férias dos trabalhadores; (viii) – requer perícia – base mensal tributável e auditoria nos registros contábeis. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 172. É o Relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 172. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.011376/200983 Acórdão n.º 2403001.887 S2C4T3 Fl. 180 11 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – SERCA CONSTRUTORA LTDA. contra Acórdão nº 0347.439 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, fls. 128 a 134, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.229.9024, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 238.941,57. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias correspondentes à parte de segurados destinadas a Seguridade Social incidentes sobre a base de cálculo apurada por aferição indireta do valor da mãodeobra necessária na execução das obras de construção civil: matricula CEI 50.013.42127/78 e CEI 50.019.89804/72, de responsabilidade da empresa em referência, situadas a Rua T49 c/ T30 Qd 50 Ltd 12/13/14/15A — Edifício Residencial Villagio, Setor Bueno — Goiania — GO, e Rua Natal Qd 12 Lts 5/6/7/8/22/23/24 — Edifício Residencial Gloria Hills, Setor Alto da Gloria — Goiania — Go, respectivamente. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 10 a 22, a competência utilizada para fins de aferição indireta (agosto/2009) é devido ao fato de que o Centro de Atendimento ao Contribuinte – CAC, emitiu, em 31/08/2009, o Aviso de Regularização de Obra – ARO, tendo sido utilizada como referência, portanto, a competência de emissão do ARO. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.229.9024 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.229.9024) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito (Este relatório lista, em suas paginas iniciais, todas as características que compõem o Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.011376/200983 Acórdão n.º 2403001.887 S2C4T3 Fl. 181 13 levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o debito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de calculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado.); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (Este relatório informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (Este relatório lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vinculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vinculo existente e o período correspondente.); e. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.229.9024, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DO MÉRITO (i) o relatório fiscal não definiu com exatidão qual era o fato gerador da obrigação tributária; Analisemos. Em relação à regularidade do lançamento, este ponto foi visto no tópico (B). Em que pese a argumentação da Recorrente, inclusive conforme o já debatido em sede de decisão de primeira instância, o Relatório Fiscal, às fls. 10 a 22, apresenta sim o fato gerador da obrigação tributária: Embora o Contribuinte discorde do modo como foi descrito o fato gerador, o inteiro teor do Relatório não deixa dúvidas quanto ao fato gerador que ensejou o lançamento, tanto que o próprio contribuinte, em sua defesa, deixa claro que o entendeu, ao mencionar que a descrição correta teria de ser “a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual e cooperado intermediado por cooperativa de trabalho”. Além disso, no Relatório Fiscal consta claramente no tópico “Objeto do Lançamento do Crédito Previdenciário”, fls. 12/13, que a contribuição ora exigida é a contribuição patronal, de “vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços...” Ademais, o Relatório Fiscal, ás fls. 10 a 22, apresenta como foram calculados os valores devidos: Esclarecemos uma vez mais que, em razão da constatação de dados não informados em DISO relativos às notas fiscais de concreto usinados conforme planilhas anexas, e a existência de áreas redutoras observadas nos projetos arquitetônicos, portanto não considerados no cálculo realizado pelo Centro de Atendimento do Contribuinte da Receita Federal do Brasil, os Avisos para Regularização de Obra, tiveram que ser retificado nesta ação fiscal, para complementar os anteriormente emitidos. Esclarecemos ainda que, quando da solicitação da CND para as obras em referência e regularização das obras no CAC pela empresa, foi efetuado apenas simulação dos cálculos através do sistema DISOWEB, razão pelo qual esta auditoria ao registrar o novo cálculo, no sistema DISOWEB, teve que adotar a competência da realização do mesmo, ou seja, agosto de 2009 Como Salário de Contribuição foram considerados os valores calculados a partir de informações verificadas pela fiscalização na documentação arquivada na empresa, Notas Fiscais de Fl. 186DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.011376/200983 Acórdão n.º 2403001.887 S2C4T3 Fl. 182 15 aquisição de materiais e de serviços de construção, Notas Fiscais de Serviço, GFIP, GPS, projetos arquitetônicos e Declaração e Informação sobre Obra — DISO, que é de preenchimento e responsabilidade do próprio contribuinte, onde foram pesquisados os dados necessários para o correto enquadramento das obras, sendo utilizada a tabela CUB do SINDUSCON publicada no mês de cálculo dos ARO's, em agosto de 2009, para apuração do valor da base de cálculo da contribuição previdencidria devida de uma obra de um edifício residencial, com duas unidades, 21 pavimentos, com 72 unidades com mais de quatro banheiros, para a matricula CEI 50.013.42127/78, ARO 368673, de 31 108/2009, e um edifício residencial multifamiliar de 24 pavimentos e com 156 unidades com até dois banheiros, para a matricula CEI 50.019.89804/72, ARO 370519, de 31/08/2009 —enquadramento R16, padrão alto, valor do CUB R$ 919,31 e R16, padrão normal, valor do CUB R$ 694,48, respectivamente. É importante ressaltar que, no cálculo realizado em ARO, e considerado para levantamento do débito, foram abatidos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte através de Guia da Previdência Social — GPS, sendo apropriados no cálculo os valores recolhidos referente a pagamentos realizados com remunerações dos trabalhadores envolvidos diretamente na execução das obras de construção civil, e declarados em GFIP a partir de 05/2004 para cada matricula CEI, e ainda o percentual de 5% das NFS de Concreto Usinado contabilizados, sendo constituído o crédito relativo As respectivas diferenças a recolher, conforme demonstrado nos cálculos do CUB anexados. Os recolhimentos correspondentes As remunerações dos empregados cuja atividade não compõe o CUB, como mestre de obra, apontador, motorista, vigias, não puderam ser considerados em atendimento ao § 2° do artigo 106 e Anexo I da IN/INSS/DC n°.69102 com redação dada pela IN/INSS/DC n'.80 de 27.08.02, artigo 467 e Anexo XVII da IN/INSS/DC n°.100/03, e artigo 453 e Anexo XIV da IN/SRP n°.03/2005. ( Planilhas demonstrativas dos valores apropriados anexas) As áreas redutoras informadas nos projetos arquitetônicos, em quadros de áreas, e considerados nos cálculos realizados, de acordo com o Art. 449 da IN/SRP 03/2005, que estipula que, será aplicado redutor de cinqüenta por cento para áreas cobertas e de setenta e cinco por cento para áreas descobertas, desde que constatado que as mesmas integram a área total da edificação foram: Matricula CEI 50.019.89804172 — Residencial Gloria Hills AREA COBERTA SEMI ABERTA = 4.064,38m2 Pay Tipo varanda 8.73 x4 = 34,92 x39 = 1.361,88m2 Térreo 33 vagas individuais c/ 12,12,50m2 = 412,50m2 22 vagas duplas c/ 12,50m2 = 275,00m2 total = 687,50m2 Subsolo I 45 vagas individuais c/ 12,50m2 = 562,50 m2 11, 34 vagas duplas c/ 12,50 m2 = 425,00 m2 4 vagas duplas d 11,50 m2 = 46,00 m2 total = 1.033,50 m2 Subsolo II 27 vagas individuais c/ 12,50 m2 = 337,50m2 40 vagas duplas c/ 12,50m2 = 500,00m2 6 vagas duplas c/ 11,50m2 = 69,00m2 6 vagas triplas Cl 12,50m2 = 75,00m2 total = 981,50m2 AREA Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 DESCOBERTA = 657,10m2 Mezanino = 657,10m2 Matricula CEI 50.013.4212127/78 — Residencial Villagio Bueno AREA COBERTA SEMI ABERTA = 3.650,02m2 Pay Tipo Térreo 45 vagas normais c/ 12,50m2 = 562,50m2 9 vagas pequenas c/ 11,50m2 = 103,50m2 total = 666,00m2 Subsolo 82 vagas normais c/ 12,50m2 = 1025,00m2 9 vagas pequenas c/ 11,50m2 = 103,50m2 total = 1.128,50m2 Mezanino 43 vagas normais c/ 12.50m2 = 537,50m2 410 15 vagas pequenas c/ 11,50m2 = 172,50m2 total = 710,00m2 De acordo com o § 10, inciso I, do art. 449 da IN 03/2005, compete exclusivamente à SRFB, a aplicação de percentuais de redução e a verificação das áreas reais de construção, as quais serão apuradas com base nas informações prestadas na DISO, confrontadas com as áreas discriminadas no projeto arquitetônico aprovado pelo órgão municipal. Ainda segundo o § 30 do mesmo artigo, não havendo discriminação das áreas passíveis de redução no projeto arquitetônico, o cálculo será efetuado pela área total, sem utilização de redutores. Até a consolidação do débito em 10/2009 pela auditoria fiscal, e tendo em vista o que dispõe a Súmula Vinculante STF n° 8, de 20 de junho de 2008, quanto ao período alcançado pela decadência realizado no ARO 368673 — matricula CEI 50.013.42127/78, temos: Valor do débito já retificado dividido pelo número total de meses (período da obra não decadente considerado no ARO) Resultado da operação multiplicado pelo número de meses não decadentes até a data do levantamento do débito, em 1012009 Exclusão dos meses decadentes. Aplicando o procedimento acima exposto, concluímos: Valor do débito apurado conforme retificação acima procedida = R$ 385.107,66 Período da obra apurado no ARO 368673 (de 31/08/2009) — de 05/2004 a 01/2007 = 33 meses Valor mensal apurado (R$ 385.107,66 / 33) = R$ 11.669,92 Número de meses decadentes — excluídos (de 06/2004 a 09/2004) = 5 meses Número de meses não decadentes — mantidos (de 10/2004 a 01/2007) = 28 meses Novo valor do débito (11.669,92 x 28) = R$ 326.758,01 DAS ALIQUOTAS APLICADAS As aliquotas aplicadas encontramse descritas no "Discriminativo de Débito — DD", em anexo. 0 cálculo dos valores devidos foi efetuado pelo Sistema de Auditoria Fiscal (SAFIS) a partir da base de cálculo apurada no ARO. De modo que não vislumbro na argumentação da Recorrente elementos que possam alterar este ponto já decidido em sede de primeira instância. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) a contabilidade da empresa foi realizada em obediência aos Princípios Fundamentais de Contabilidade; Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.011376/200983 Acórdão n.º 2403001.887 S2C4T3 Fl. 183 17 (iii) que erros na escrita contábil podem ocorrer, mas que esses, por serem involuntários, são diferentes de fraudes e, por isso, não pode a autoridade lançadora desconsiderar a contabilidade com base em alguns erros; Analisemos os tópicos (ii) e (iii). Em relação à aferição indireta das contribuições lançadas, o Relatório Fiscal, às fls. 10 a 22, aponta os motivos determinantes para tal, qual seja: DA ANÁLISE CONTÁBIL CEI 50.013.42127/78 OBRA RESIDENCIAL VILLAGIO – PERÍODO: 06/2004 A 01/2007: Em análise da contabilidade apresentada, verificouse que os custos da obra fiscalizada, foram lançados em contas analíticas, vinculadas às seguintes contas sintéticas: 33.192.1 Mão de Obra e Encargos; 33.192.2 Materiais Aplicados; 33.192.3 Serviços de Terceiros; 33.192.4 Operação de Equipamentos; 33.192.5 Despesas Gerais Diretas; 33.192.7 Outras Despesas e finalmente 33.192.8 Despesas Tributárias, pertencentes ao grupo 3 Custos de Despesas, 33 Custo de Obras por incorporação, 33.19 Obra 19 Villagio Bueno. Sendo verificadas incoerências na documentação e contabilização dos fatos econômicos, aquisições e despesas da obra em comento, em virtude de elementos poucos confiáveis apresentados pela empresa durante a fiscalização, como a seguir relataremos. Considerando os valores lançados a titulo de remuneração para a obra citada, especificamente as contas 33.192.101.4 Mão de Obra Direta, 33.192.103.0 Aviso Prévio, 33.192.104.9 13° Salário e 33.192.106.5 Férias Gozadas; e a remuneração declarada em GFIP Guia de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social relativa a mesma obra, verificase que os mesmos encontravamse divergentes. Intimada a prestar esclarecimentos, a empresa justifica que ocorreram vários lançamentos de férias pela competência do pagamento, sendo que o valor destas eram declaradas na GFIP no mês de gozo e então pagos os encargos previdenciários. Desta forma a empresa deixou de atender ao principio contábil do registro em regime de competência, ou seja, as despesas realizadas em um determinado mês, mesmo que pagas em competências seguintes, devem ser registradas no mês de efetiva realização, no caso das férias gozadas, a competência de lançamento é o período de gozo das mesmas O período declarado pela empresa em DISO para execução da obra de construção civil, não é confirmado em sua escrituração contábil. A data de inicio declarada consta como 06/2004, competência em que ocorreu o registro de mão de obra direta empregada, comprovada ainda pela declaração de GFIP Guia Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 de Recolhimento de FGTS e Informações Previdência Social para a obra. Entretanto houve lançamentos na conta 33.192.301.7 Serviços de Sub Empreitadas na obra, referentes a aquisição de concreto usinado um mês antes de seu inicio, o que comprova as notas fiscais fatura de serviços emitidas em 20/05/2004 NF 6509; em 21/05/2004 NF 6519; em 31/05/2004 NF 6552 e em 30//05/2004 NF da empresa Geral de Concretos S.A., sem registro de um único trabalhador para aplicação imediata do mesmo. Está claro que não existem condições de utilização deste material, de natureza altamente perecível, sem emprego imediato de mãodeobra (própria ou terceirizada). 0 volume adquirido, totalizado em 165 m3 de concreto bombeado, nos indica que já haviam ocorrido a execução de serviços com fundações e de execução de formas com a utilização de profissionais com conhecimentos necessários para isso. Também o término da mesma, declarada pela empresa como 01/2007, também não se confirma na escrituração contábil apresentada para os meses de fevereiro, março, abril, maio, junho e julho de 2007 desta mesma obra. Na conta 33.192.201.0 Material Aplicado, ocorreram lançamentos no período de 01/02/2007 a 05/07/2007 com aquisição de material aplicado na obra no montante de R$ 203.001,20. A empresa ainda permanece contabilizando nos meses de fevereiro a maio de 2007 pagamentos a titulo de Refeições conta 33.192.501.0 e Vale transporte conta 33.192.517.6, até 12/02/2007(planilhas extraídas da contabilidade das contas citadas em anexo). Os lançamentos contábeis referentes aos custos de execução da obra de construção civil em questão evidenciam a continuidade da mesma após a data declarada como de encerramento, e o registro de valores relativos a fatos que ensejam, sem sombra de dúvidas, a utilização de mãodeobra As notas fiscais de n° 0942, de 28/02/2007, 0967, de 31/03/2007, 0981, de 30/04/2007, emitidas pela empresa Uberaba Marmitex e a de n° 1556, de 01/02/2007, da empresa G Dallas Restaurante Ltda de fornecimento de refeições (cópias anexas), não deixam dúvidas quanto a ocorrência de despesas com alimentação de trabalhadores na obra do edifício Residencial Villagio ainda nos meses de fevereiro, março e abril de 2007, todas contabilizadas pela data de pagamento, ou seja, pelo regime de caixa. CEI 50.019.89804172 OBRA RESIDENCIAL GLORIA HILLS – PERÍODO: 05/2006 A 12/2008: Com relação a outra obra acima fiscalizada, verificouse que os custos da mesma foram lançados em contas analíticas, vinculadas às seguintes contas sintéticas: 33.212.1 Mão de Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.011376/200983 Acórdão n.º 2403001.887 S2C4T3 Fl. 184 19 Obra e Encargos; 33.212.2 Materiais Aplicados; 33.212.3 Serviços de Terceiros; 33.212.4 Operação de Equipamentos; 33.212.5 Despesas Gerais Diretas; 33.212.7 Outras Despesas e 33.212.8 Despesas Tributárias, pertencentes ao grupo 3 Custos de Despesas, 33 Custo de Obras por incorporação, 33.21 Obra 21 Gloria Hills. Também para este empreendimento o período declarado pela empresa em DISO para execução da obra de construção civil, não é confirmado em sua escrituração contábil. Em 052006 ocorreu o inicio de registro de mão de obra direta empregada, comprovada pela declaração de GFIP Guia de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social para a obra, entretanto da mesma forma relatada para a obra anterior, houve lançamentos com aquisição de material aplicado na obra, a partir de 20/01/2006. A aquisição de material especialmente perecível sem qualquer condição de ser estocado, como o concreto usinado, ocorreu a partir de 31/03/2006, sendo adquirido o volume correspondente de 84,50 m3 de concreto usinado bombeado nos meses de março e abril de 2006, sem que nos mesmos meses tenha havido qualquer registro de mãodeobra. Não há como um edifício ser erguido, utilizando concreto usinado, por exemplo, sem registro de um único trabalhador para aplicação imediata do mesmo uma vez que o material adquirido necessita de trabalhadores para emprego imediato, por tratarse de material altamente perecível. A prática da existência de mão de obra sem o devido registro em seu centro de custo é reforçado ainda pela contabilização de pagamentos com alimentação de trabalhadores na obra no período de janeiro a abril de 2006, quatro meses antes de seu inicio, é o que comprovam as notas fiscais n° 0662 de 31/01/2006, a de n° 0685, de 28/02/2006, a de n° 0707, de 31/03/2006, e a de n° 0724, de 29/04/2006, emitidos pela empresa Uberaba Marmitex Ltda, com a descrição de fornecimento de até 226 unidades de cafés da manha por mês para a obra. Os elementos até aqui registrados conferem à escrituração contábil o retrato da incoerência e comprovam que a mesma não registra de forma real a mãodeobra utilizada na execução das suas obras de construção civil. 0 lançamento no centro de custo da obra, de aquisições de materiais, pagamentos de vale transporte e despesas com alimentação realizadas via de regra com pessoal permanente durante os meses em que não houve registro de pagamento de remuneração nas obras citadas, evidencia que houve remuneração relativa a mão de obra não escriturada em títulos próprios de sua contabilidade, não cabendo qualquer argumentação que tais lançamentos referem se a competências Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 anteriores, tendo em vista a obrigação de atender ao principio contábil do regime de competência. Ressaltese que nas contas para lançamento de Custos com Terceiros, não houve nenhum lançamento que pudesse justificar o possível emprego de contratação de mão de obra terceirizada nos períodos especificados acima. A fiscalização ainda identificou vários documentos registrados incorretamente no centro de custo das obras fiscalizadas. No item 4) do relatório de justificativas apresentadas pela empresa com relação a obra Villagio Bueno, a mesma admite que contabilizou na competência 102004, as férias no valor de R$ 682,99 do empregado Vanderlino S. Santos, na realidade pertencente a obra de n° 20 Edifício Veneza. Na competência 112004 foram as férias de José Edilson Ferreira da Costa, no valor de R$ 874,33, que foram lançadas no centro de custo da obra n.° 20 Edifício Veneza, sendo que o empregado havia laborado na obra de n.° 19 do Residencial Villagio Bueno. O Relatório Fiscal, às fls. 10 a 22, também informa que o crédito foi lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta, na forma da legislação, tomando por base a área total constante na planta apresentada, sendo enquadrada conforme os art. 436 a 441, da IN MPS n° 03/2005; o valor da remuneração foi calculado conforme os art. 433 a 435, 442 a 444, 472 e 473, e 486 da citada IN; e afirma que a remuneração foi calculada com base na área construída e no padrão da obra e teve como custo por metro quadrado o CUB. Outrossim, observemos as regras normativas a respeito do procedimento de aferição indireta, constantes da Lei 8.212/1991, do Decreto 3.048/1999 e da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005: Lei 8.212/1991 Art. 33.. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (gn) Fl. 192DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.011376/200983 Acórdão n.º 2403001.887 S2C4T3 Fl. 185 21 Decreto 3.048/1999 Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;(gn) (...) §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: Iatender ao princípio contábil do regime de competência; e IIregistrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Decreto 3.048/1999 Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Considerase deficiente o documento ou informação Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (gn) Decreto 3.048/1999 Art. 235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (gn) Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 Art. 60. A empresa e o equiparado, sem prejuízo do cumprimento de outras obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, estão obrigados a: Fl. 193DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 (...) IV lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições sociais a cargo da empresa, as contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as decorrentes de subrogação, as retenções e os totais recolhidos, observado o disposto nos § § 4º, 5º e 7º e ressalvado o previsto no § 6º, todos deste artigo; (...) § 4º Os lançamentos de que trata o inciso IV do caput, escriturados nos Livros Diário e Razão, são exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições sociais, devendo: I atender ao princípio contábil do regime de competência; II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições sociais de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e as nãointegrantes do salário de contribuição, bem como as contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as contribuições sociais a cargo da empresa, os valores retidos de empresas prestadoras de serviços, os valores pagos a cooperativas de trabalho e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. § 5º As exigências previstas no inciso IV do caput e no § 4º não desobrigam a empresa do cumprimento das demais normas legais e regulamentares referentes à escrituração contábil. (...) § 7º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput, a empresa deve manter à disposição da fiscalização da SRP os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração das folhas de pagamento, bem como as utilizados na escrituração contábil. (gn) Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 Art. 429. A aferição indireta da remuneração dos segurados despendida em obra de construção civil sob responsabilidade de pessoa jurídica ou de pessoa física, com base na área construída e no padrão da obra, será efetuada de acordo com os procedimentos estabelecidos no Capítulo IV deste Título. Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 Art. 596. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a SRP para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Art. 597. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusar se a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.011376/200983 Acórdão n.º 2403001.887 S2C4T3 Fl. 186 23 III faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, Secretaria da Receita Federal ou junto a outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para o fim do inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme previsto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 60 desta IN. (gn) Diante do amparo legal exposto, além do exposto no Relatório Fiscal, às fls. 10 a 22 e no Recurso Voluntário, às fls. 414 a 437, há que se concluir que não prosperam as alegações da Recorrente posto que a desconsideração da contabilidade e a aferição indireta, com fulcro no art. 33, § 4º, Lei 8.212/1991, das contribuições previdenciárias incidentes na obra de construção civil em questão encontram respaldo na legislação vigente. De modo que não vislumbro na argumentação da Recorrente elementos que possam alterar este ponto já decidido em sede de primeira instância. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) – da aplicação de concreto no início de uma edificação, para a adequação do canteiro de obras, a empresa adquire concreto e outros materiais, e trabalhadores são deslocados de outras obras (outros centros de custos) para preparar a infra estrutura mínima necessária e, por isso, não há mão de obra própria refletida na contabilidade neste momento inicial. A empresa reformou todas as calçadas que margeiam o terreno onde foi construído o edifício Gloria Hills, motivo pelo qual se Fl. 195DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 deu a utilização de concreto sem a aplicação de mão de obra direta nessa edificação. Analisemos. De plano, constatase que a utilização de trabalhadores no início da edificação, bem como para se efetuar a reforma de calçadas, sem que houvesse a devida contabilização, indica que a contabilidade deixou de refletir o real custo da obra de construção civil, ora mãodeobra direta ou indireta (no caso, por exemplo, de terceirizados). Neste ponto, repetese que a desconsideração da contabilidade e a aferição indireta, com fulcro no art. 33, § 4º, Lei 8.212/1991, das contribuições previdenciárias incidentes na obra de construção civil em questão encontram respaldo na legislação vigente. De modo que não vislumbro na argumentação da Recorrente elementos que possam alterar este ponto já decidido em sede de primeira instância. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vi) – do pagamento de lanches – pagamento para manter uma pequena equipe de trabalhadores à disposição do condomínio que foi debitado no custo da obra já encerrada para ser transferida no final do ano para o custo da empresa. Também se utilizou de trabalhadores para montagem de refeitórios, colocação de isolamento da área etc., antes do início da obra. Analisemos. De plano, constatase que a utilização de trabalhadores no início da edificação, bem como o pagamento de lanches a trabalhadores para manutenção dos condomínios, sem que houvesse a devida contabilização, indica que a contabilidade deixou de refletir o real custo da obra de construção civil, ora mãodeobra direta ou indireta (no caso, por exemplo, de terceirizados). Neste ponto, repetese que a desconsideração da contabilidade e a aferição indireta, com fulcro no art. 33, § 4º, Lei 8.212/1991, das contribuições previdenciárias incidentes na obra de construção civil em questão encontram respaldo na legislação vigente. De modo que não vislumbro na argumentação da Recorrente elementos que possam alterar este ponto já decidido em sede de primeira instância. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vii) – férias pelo regime de caixa – houve erro na apropriação contábil das férias dos trabalhadores; Analisemos. Este ponto já restou esclarecido, com a Recorrente admitindo que procedeu de forma errônea ao contabilizar as férias dos empregados sem ser pelo regime de competência. De modo que não vislumbro na argumentação da Recorrente elementos que possam alterar este ponto já decidido em sede de primeira instância. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.011376/200983 Acórdão n.º 2403001.887 S2C4T3 Fl. 187 25 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (viii) – requer perícia – base mensal tributável e auditoria nos registros contábeis. Analisemos. Da mesma forma que o decidido em sede de primeira instância, também não vislumbro peças documentais que necessitem de comprovação pericial haja vista que, por serem os documentos acostados aos autos pertencentes à empresa, denotase a presença de elementos suficientes nos autos para que se possa decidir o presente processo, na forma do disciplinados nos art. 35 e art. 36 do Decreto 7574/2011. Art.35.A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o). Parágrafo único.O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação (Lei no 9.784, de 1999, art. 28). Art.36.A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). §1oDeferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). §2oIndeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas prescindíveis ou impraticáveis, deverá o indeferimento, devidamente fundamentado, constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). Fl. 197DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 198DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13896.722865/2011-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE VALOR DAS NOTAS FISCAIS E DIPJ.
Caracteriza-se como receita omitida a diferença entre o valor total das notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo e o valor de receita informado na DIPJ.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. INAPLICABILIDADE.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. ( Súmula CARF nº 14)
Numero da decisão: 1402-001.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. No mérito, por unanimidade de votos: i) dar provimento ao recurso dos coobrigados; ii) dar provimento parcial ao recurso da pessoa jurídica para: a) excluir da exigência concernente aos depósitos bancários não comprovados os valores de R$ 560.025,86 (1º trimestre); R$ 1.075.182,08 (2º trimestre); R$ 850.958,76 (3º trimestre) e R$ 207.658,51 (4º trimestre); e b) cancelar a qualificação da multa.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto de Araújo, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE VALOR DAS NOTAS FISCAIS E DIPJ. Caracteriza-se como receita omitida a diferença entre o valor total das notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo e o valor de receita informado na DIPJ. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. ( Súmula CARF nº 14)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Incabível a argüição de cerceamento do direito de defesa e nulidade da decisão de primeira instância que denegou pedido de diligência e perícia quando não demonstrada a necessidade desses procedimentos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE VALOR DAS NOTAS FISCAIS E DIPJ. Caracterizase como receita omitida a diferença entre o valor total das notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo e o valor de receita informado na DIPJ. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. ( Súmula CARF nº 14) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 28 65 /2 01 1- 04 Fl. 5778DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. No mérito, por unanimidade de votos: i) dar provimento ao recurso dos coobrigados; ii) dar provimento parcial ao recurso da pessoa jurídica para: a) excluir da exigência concernente aos depósitos bancários não comprovados os valores de R$ 560.025,86 (1º trimestre); R$ 1.075.182,08 (2º trimestre); R$ 850.958,76 (3º trimestre) e R$ 207.658,51 (4º trimestre); e b) cancelar a qualificação da multa. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto de Araújo, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto Fl. 5779DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722865/201104 Acórdão n.º 1402001.434 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase dos autos de infração, lavrados em 12/12/2011, na sistemática do Lucro Arbitrado, abrangendo o anocalendário de 2007, e relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição para o PIS/Pasep, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, e à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, cientificados à contribuinte em 12/12/2011, para constituição do crédito tributário no valor total de R$ 6.738.910,10, com juros de mora calculados até 30/11/2011 e multa de ofício aplicada no percentual de 150%, devido às irregularidades assim descritas resumidamente: Omissão de receitas de prestação de serviços apurada pela diferença entre os valores das notas fiscais emitidas pela fiscalizada em 2007 referentes aos destinatários: Banco Cruzeiro do Sul S/A., Banco Cacique S/A. e CREFISA S/A. CRÉDITO FINANCEIRO E INVESTIMENTO; e o valor da receita declarada na DIPJ, conforme detalhadamente descrito no item 2.1 do Termo de Verificação; Omissão de receitas decorrente de créditos bancários não comprovados, referente aos depósitos efetuados através de TEDs pelo Banco Cruzeiro do Sul em conta bancária de titularidade da interessada, sem apresentação de documentação hábil e idônea coincidente e datas e valores que os justificassem. conforme item 2.2 do Termo de Verificação; Omissão de receitas de prestação de serviços conforme valores de rendimentos tributáveis do anocalendário 2007, informados à Receita Federal do Brasil através de DIRF´s pelas fontes pagadoras BV FINANCEIRA S/A., CNPJ 01.149.953/000189 e BANCRED S/A. CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO – CNPJ 60.898.608/000207, conforme detalhadamente descrito no item 2.3 do Termo de Verificação; e: Diferença de imposto na alteração de Lucro Presumido declarado pelo contribuinte para Lucro Arbitrado. Foi imputada multa de 150% tendo em vista que, no entendimento da autoridade lançadora, caracterizouse a prática de sonegação evidenciada no seguintes procedimentos: apresentação da DIPJ com informação da receita bruta em montante muito inferior àquele auferido através das notas fiscais de saída apresentadas pelo sujeito passivo; omissão de receita referente aos valores depositados em conta corrente da interessada, por ela reconhecidos como recebimento de serviços prestados ao Banco Cruzeiro do Sul. A autoridade lançadora entendeu que, caracterizada a sonegação, caberia a responsabilização pessoal dos sócios da pessoa jurídica pelo crédito tributário constituído. Na impugnação à sujeição passiva solidária, os coobrigados sustentam que o artigo 135, III, no qual a autoridade fiscal fundamentou os respectivos Termos de Sujeição Fl. 5780DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Passiva ora combatidos, reclama a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que não teria ocorrido no caso presente, posto que os defendentes jamais teriam praticado ato doloso visando lesar o fisco ou mesmo que pudesse impedir ou retardar o conhecimento da Autoridade Fazendária quanto à ocorrência de fato imponível. Acrescentam que é o patrimônio social que deve responder, sempre e integralmente, pelas dívidas sociais, jamais o dos sócios, disso concluindo ser nula a pretensão da Administração Pública em apropriarse do patrimônio particular dos sócios. Citam jurisprudência. Aduzem, ainda, terem sido declarados devedores solidários, sem sequer terem tido oportunidade de se defender, fato que vai de encontro ao Princípio Constitucional do devido processo legal, e mais, o Código Civil dá guarida à pessoa física dos sócios, ao determinar que estes (sócios) só serão demandados após a pessoa jurídica e ainda assim quando comprovada a prática de atos com abuso de poder, desvio de finalidade e/ou confusão patrimonial. Na impugnação contra a autuação, afirma que a legislação desobriga de escrituração fiscal as empresas tributadas pelo lucro presumido. Prossegue alegando duplicidade na formação da base de cálculo tendo em vista que as notas fiscais emitidas pela impugnante foram consideradas duas vezes. Afirma que não teria ocorrido a omissão de receita referente às notas fiscais, tendo em vista que foram emitidas de boafé e eventuais diferenças devem ser imputadas ao contador. Assevera que, a conclusão fiscal que rejeitou a alegação da defendente de que os valores eram apenas repassados pelo Banco Cruzeiro do Sul S/A., para aquisição de dívidas, não representando receita bruta, ou seja, seriam meros ingressos financeiros sem qualquer alteração do patrimônio líquido, e que a impugnante jamais fora titular destes valores, jurídica ou economicamente, merece anulação de ofício, pois que feriu tanto a princípios da administração pública, como a garantias constitucionais, tais como a da razoabilidade, a da ampla defesa e do contraditório. Assevera que a não coincidência entre os valores dos créditos na conta bancária da defendente, realizados pelo Banco Cruzeiro do Sul S/A., para pagamento dos serviços prestados e aqueles constantes nas correspondentes notas fiscais relativas a tais serviços, decorre de questões operacionais, tendo sido sempre depositado um valor menor. Noutro ponto diz que tais divergências se devem por conta de descontos aplicados pelo Banco, ou ainda, revela a impugnante que houve descontos efetuados pelo destinatário das notas em virtude do adiantamento de comissão. Defende a inaplicabilidade do arbitramento do lucro tendo em vista a inexistência de qualquer das hipóteses previstas no art. 530, do RIR/99. Diz que não se justifica a aplicação da multa lançada no percentual de 150%, fundamentada nas disposições legais contidas no art. 71, I, da Lei 4.502, de 1964, posto que teria a fiscalizada, mesmo diante da divergência apurada entre os valores constantes nas notas fiscais e aqueles prestados ao fisco, ofertado tais quantias à tributação, tanto que sofreu a retenção do imposto de renda, não ocorrendo, desta maneira, conduta omissiva ou comissiva de forma dolosa com o intuito de retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da Fl. 5781DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722865/201104 Acórdão n.º 1402001.434 S1C4T2 Fl. 4 5 ocorrência do fato imponível, o que, argumenta a defendente, só restaria evidente se não tivessem sido emitidas as referidas notas fiscais. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas prolatou o Acórdão 0538.275 dando provimento parcial à impugnação exclusivamente para excluir da exigência uma parcela do PIS e da Cofins que foram informados em DCTF. Devidamente cientificada, a interessada e os coobrigados apresentaram recurso voluntário a este Colegiado ratificando em essência as razões expedidas nas peças impugnatórias. É o Relatório. Fl. 5782DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Os recursos são tempestivos e preenchem as demais condições de admissibilidade, motivo pelo qual deles conheço. Em preliminar, a interessada suscita a nulidade da decisão de primeira instância por ter indeferido o pedido de prova pericial contábil e diligencial requeridas tempestivamente, o que caracterizaria cerceamento do direito de defesa. Nessa questão, não vislumbro qualquer mácula no posicionamento da decisão recorrida. Em primeiro lugar porque inexiste escrituração a ser periciada. Em segundo lugar porque todos os documentos apresentados pela recorrente nas peças de defesa foram sim analisados e sobre eles a decisão hostilizada manifestouse sem qualquer omissão. Nessa atividade, exerceu o juízo de valoração probante que lhe competia e decidiu que não seriam hábeis a demonstrar as alegações apresentadas. Tal entendimento pode ser objeto de contestação em termos de mérito mas não em sede de preliminar. Especificamente quanto à diligência para solicitar ao Banco Cruzeiro do Sul os contratos firmados por essa instituição e as pessoas físicas dos clientes, o que alegadamente permitiria comprovar a denominada compra de dívida, a primeira instância julgadora entendeu que não seriam esses os documentos relevantes no caso. Como já afirmado, tratase de juízo de valor exercido no âmbito do art. 63, do Decreto nº 7.574/2011. Rejeitase a preliminar. Nas questões de mérito, seguindo a ordem do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal temse: 1) Omissão de receita pela diferença entre o valor das notas fiscais emitidas e a receita informada na DIPJ: Aqui a Fiscalização efetuou um batimento entre os valores das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela interessada em cada trimestre e o valor das receitas informadas na DIPJ, e tributou a diferença como omissão de receitas. A primeira e importante circunstância a ser mencionada é que nenhuma informação bancária foi utilizada na apuração da irregularidade concernente a esse item. Não cabe, portanto, a menção a qualquer dispositivo relativo a tributação de depósitos bancários como suscitado pela recorrente. Na peça recursal, a interessada limitase a argumentar que “o fato de haver discrepância com o valor indicado na DIPJ não permite considerar a totalidade dos valores apurados como omissão de receita......., de vez que foram emitidas notas fiscais de todas as operações, inclusive com retenção do IRPJ pelas fontes pagadoras devidamente indicadas em suas DIRF’s.”. Fl. 5783DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722865/201104 Acórdão n.º 1402001.434 S1C4T2 Fl. 5 7 Não foi considerada a totalidade dos valores apurados como omissão de receita , mas apenas a diferença entre as notas e o valor informado em DIPJ até porque, como suscitado, se realmente foram emitidas notas de todas operações todos esses valores deveriam ter sido declarados. Quando à retenção na fonte, a apuração fiscal considerou os valores líquidos desse imposto. Em relação à suposta responsabilidade do contador pelas informações prestadas na DIPJ, tal fato não teria qualquer relevância na apuração do tributo devido. Do até aqui exposto, voto por manter a exigência nesse item. 2) Omissão de receita decorrente de depósitos bancários não comprovados: Nesse item foram auditados os extratos bancários apresentados pelo sujeito passivo onde constavam vários depósitos efetuados pelo Banco Cruzeiro do Sul, os quais foram objeto de intimação específica para comprovação da origem dos recursos a eles referentes. Tendo em vista que as receitas correspondentes às notas fiscais emitidas pela interessada já teriam sido tributadas, parte na DIPJ e o restante pela apuração do item anterior, a demonstração de que o depósito corresponderia a uma nota fiscal seria suficiente para atender ao solicitado. Aqui, não há que se falar em bitributação. A exigência teve como base depósitos bancários não albergados pelas notas fiscais e não o valor das notas em si, este sim já incluído na exigência. A interessada apresentou uma planilha de conciliação entre as notas fiscais e o montante de depósitos identificado como referente ao pagamento de comissões. A maior parte foi vinculada à respectiva nota fiscal pela identidade de datas e valores e tidos como comprovados. Foram tributados os depósitos que não coincidiram com as notas fiscais a eles associadas, sem que a recorrente apresentasse justificativa documentalmente corroborada para as diferenças encontradas. Pelo exame dos autos constatase que essas diferenças não seguem um padrão mas são dos mais variados montantes. Assim, não há como simplesmente atribuílas a determinado fator – por exemplo devolução de comissões – sem prova documental. Importa lembrar que a coincidência entre datas e valores, para efeito de comprovação da origem dos valores depositados, não é um preciosismo da autoridade tributária mas uma disposição literal do texto legal. O mesmo raciocínio aplicarseia aos depósitos que alegadamente representariam mera transferência de valores no procedimento de compra de dívidas. Por outro lado, não vejo como desprezar o aditivo contratual firmado com o Banco Cruzeiro do Sul indicando o exercício dessa atividade. Em termos gerais, meu entendimento caminha no sentido de considerar planilhas e mapas demonstrativos como elementos auxiliares na formação da convicção do julgador, mas sem força probante quando não vinculados a documentos formais que lhes deram origem. Fl. 5784DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Entretanto, no que se refere à compra de dívida, a conciliação feita pela interessada entre a movimentação bancária e os borderôs guarda consonância com as alegações suscitadas. Além disso, foi trazido aos autos um grande volume de documentos indicando a realização dessas operações. Sob essa ótica, acolho a defesa nessa parte e excluo da exigência os valores abaixo indicados (item 002 do auto de infração): MÊS Valor autuado Valor aceito (borderô) Valor remanescente Janeiro 82.032,30 82.032,30 fevereiro 265.358,30 75.755,97 189.602,33 março 522.041,23 402.237,59 119.803,64 Total 1º trim. 869.431,83 560.025,86 309.405,97 abril 854.099,39 382.281,84 471.817,55 maio 258.379,94 (*) 258.379,94 (*) junho 481.323,41 434.520,30 46.803,11 Total 2º trim. 1.593.802,74 1.075.182,08 518.620,66 julho 816.838,73 202.102,76 614.735,97 agosto 701.113,58 470.718,39 230.395,19 setembro 942.705,03 178.137,61 764.567,42 Total 3º trim. 2.460.657,34 850.958,76 1.609.698,58 outubro 1.116.896,82 126.450,77 990.446,05 novembro 585.911,74 77.394,96 508.516,78 dezembro 352.148,61 3.812,78 348.335,83 Total 4º trim. 2.054.957,17 207.658,51 1.847.298,66 (*) A Fiscalização deixou de tributar o depósito de R$ 69.051,40 no mês de maio, ainda que tal valor não tenha sido associado a qualquer nota fiscal. Assim, o valor tributável a ser considerado pelo Fisco deveria ter sido R$ 327.431,34 ( R$ 258.379,94 + R$ 69.051,40). Como a autuação não pode ser modificada para tornarse mais onerosa, o valor a ser aceito informado no borderô deve ser limitado ao montante autuado. 3) Diferença de imposto na alteração de Lucro Presumido declarado pelo contribuinte para Lucro Arbitrado. Não foi apresentada contestação em relação a esse item. No que se refere ao lucro arbitrado a interessada menciona e transcreve o art. 530 do Regulamento do Imposto de Fl. 5785DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722865/201104 Acórdão n.º 1402001.434 S1C4T2 Fl. 6 9 Renda (RIR), que trata das hipóteses que justificariam o arbitramento do lucro, para sustentar que se enquadraria em nenhuma delas não se justificando assim a apuração efetuada. Enganase a recorrente. A questão foi bem enfrentada pela decisão recorrida. De acordo com o inciso I, do art. 45, da Lei nº 8.981/95 ( matriz legal do art. 527 do RIR) ali transcrito, a pessoa jurídica habilitada à opção pelo lucro presumido deve manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial (ao contrário do defendido pelas interessada). Nos termos do parágrafo único desse artigo (correspondente ao parágrafo único do art. 527, do RIR) essa obrigatoriedade deixa de existir para a pessoa jurídica que mantiver livro Caixa com escrituração de toda movimentação financeira inclusive bancária. No caso, a interessada nem apresentou escrituração nem livro Caixa. Assim, enquadrouse na hipótese prevista no inciso III, do art. 530 do RIR. Negase provimento nesse item. 4) Multa qualificada: Na imputação da multa qualificada a Fiscalização não fez distinção entre os itens da autuação, tratandoos indistintamente como sonegação. Como os fatos que implicaram no lançamento não são os mesmos para todos os itens, penso que a análise quanto à aplicabilidade da multa qualificada deve ser feita para cada um deles individualmente. Em relação ao primeiro item, a autoridade lançadora assim descreveu a sonegação: A descrição tipifica a omissão de receita mas não vislumbro a circunstância que caracterizaria o dolo. Se o Fisco atribui a sonegação ao fato da receita declarada ser expressivamente inferior as notas fiscais, tratase de circunstância com alto nível de subjetividade pois dependeria do juízo pessoal do julgador. A não apresentação da escrituração poderia significar a intenção de evitar o conhecimento do fato gerador pela autoridade tributária. Mas poderia também demonstrar uma desorganização administrativa da pessoa jurídica que se refletiria em equívocos no preenchimento da DIPJ. Nesse caso, o ônus da prova é do Fisco não do sujeito passivo. Daí porque entendo não ser cabível a qualificação da multa nesse item. O mesmo raciocínio se aplicaria na questão dos depósitos bancários não comprovados. A tributação decorreu de duas formas: A primeira, pela não coincidência em datas e valores entre os depósitos admitidos pelo sujeito passivo como referentes a comissão e as notas fiscais; a segunda, caracterizada pela ausência de comprovação documental de que os Fl. 5786DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 valores que teriam sido recebidos no procedimento de compra de dívidas tinham efetivamente essa origem. Na ausência de comprovação, a presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo art. 42, da Lei nº 9.430/96 autoriza o Fisco a não acatar as explicações do sujeito passivo ainda que eventualmente tenham certa dose de razoabilidade. Entretanto, nesse ponto encerrase a inversão do ônus da prova. Caracterizada a omissão, compete à Fiscalização trazer elementos adicionais que corroborem a acusação da prática fraudulenta. Na ausência de tais elementos, como foi o caso, não cabe a imputação da multa qualificada. Como decorrência lógica, o cancelamento da exasperadora atinge também o item 3. 5) Recurso dos coobrigados: A Fiscalização responsabilizou pessoalmente os sócios da pessoa jurídica pelo único motivo de que teria sido evidenciada a prática de sonegação. Mesmo que se possa entender pela necessidade de especificação da conduta individual para fins de responsabilização pessoal fato é que, descaracterizada a prática de sonegação, não há como prosperar a imputação efetuada. Dáse provimento ao recurso dos coobrigados. 5) Resumo do voto: De todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de: · Rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; · dar provimento ao recurso dos coobrigados; e: · dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica para: i) excluir da exigência referente aos depósitos bancários não comprovados os valores indicados na tabela acima; eii) cancelar a multa qualificada; · Aplicar essa decisão às autuações decorrentes. É como voto. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 5787DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13896.722865/201104 Acórdão n.º 1402001.434 S1C4T2 Fl. 7 11 Fl. 5788DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10480.915728/2009-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006
PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. REJEIÇÃO.
Não há que se falar em ausência de fundamentação quando o despacho decisório, embora contrário ao que foi pleiteado pelo interessado, contém indicação sumária dos dispositivos legais pertinentes e dos fatos que ensejaram a não-homologação. Tampouco houve violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, porquanto o Requerente, ciente do ato proferido pela Administração Fazendária, teve assegurado o direito de apresentação de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário na forma do Decreto nº 70.235/1972.
DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO.
No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis. Pedido de diligência negado.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, c, do Decreto nº 70.235/1972. Se a prova é insuficiente, inviável a homologação da compensação. O contribuinte deve instruir o pedido com a prova da liquidez e da certeza do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Bruno Mauricio Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. REJEIÇÃO. Não há que se falar em ausência de fundamentação quando o despacho decisório, embora contrário ao que foi pleiteado pelo interessado, contém indicação sumária dos dispositivos legais pertinentes e dos fatos que ensejaram a não-homologação. Tampouco houve violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, porquanto o Requerente, ciente do ato proferido pela Administração Fazendária, teve assegurado o direito de apresentação de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário na forma do Decreto nº 70.235/1972. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis. Pedido de diligência negado. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, c, do Decreto nº 70.235/1972. Se a prova é insuficiente, inviável a homologação da compensação. O contribuinte deve instruir o pedido com a prova da liquidez e da certeza do direito creditório. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. REJEIÇÃO. Não há que se falar em ausência de fundamentação quando o despacho decisório, embora contrário ao que foi pleiteado pelo interessado, contém indicação sumária dos dispositivos legais pertinentes e dos fatos que ensejaram a nãohomologação. Tampouco houve violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, porquanto o Requerente, ciente do ato proferido pela Administração Fazendária, teve assegurado o direito de apresentação de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário na forma do Decreto nº 70.235/1972. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. Pedido de diligência negado. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Se a prova é insuficiente, inviável a homologação da compensação. O contribuinte deve instruir o pedido com a prova da liquidez e da certeza do direito creditório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 57 28 /2 00 9- 82 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Bruno Mauricio Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sergio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 77): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. Não se cogita da nulidade do despacho decisório quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação processual fiscal. ESPONTANEIDADE O primeiro ato por escrito de servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária, implica a perda da espontaneidade para retificar as declarações apresentadas. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10480.915728/200982 Acórdão n.º 3802001.733 S3TE02 Fl. 125 3 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. A compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), como em qualquer outra compensação dessa natureza, só poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIAS. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O direito creditório, por sua vez, decorre de suposto pagamento indevido de contribuição de intervenção no domínio econômico incidente sobre “royalties” pela cessão de direitos de uso de programa de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. A Dctf foi retificada somente após o despacho decisório, o que, de acordo com o acórdão recorrido, seria vedado pelo art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972 e pelo art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), devido à perda da espontaneidade. A decisão também foi assentada na falta de apresentação de prova do direito creditório. A Recorrente, nas razões de fls. 86 e ss., sustenta preliminarmente a nulidade do despacho decisório, por ausência de fundamentação e violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. No mérito, alega violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, porquanto a não homologação teria resultado de mero equívoco nas Dctfs originais apresentadas e da incapacidade do sistema da Receita Federal em fazer o “cruzamento” das informações destas com o PER/Dcomp, o que, por sua vez, poderia ter sido constatado mediante conversão do julgamento em diligência. Aduz que a Dctf retificadora e os demais documentos apresentados afastam qualquer dúvida acerca da liquidez do direito creditório. Requer, assim, a anulação do despacho decisório e, sucessivamente, a conversão do feito em diligência e a confirmação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 127DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 A interessada teve ciência da decisão no dia 02/09/2011 (fls. 85), interpondo recurso tempestivo em 03/10/2011 (fls. 86). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. I. DA PRELIMINAR DE NULIDADE: A Recorrente sustenta preliminarmente a nulidade do despacho decisório, por ausência de fundamentação e violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Entendese, contudo, que a mesma deve ser rejeitada porque, ainda que contrário ao pleiteado pelo Recorrente, o despacho decisório foi devidamente fundamentado, com indicação dos dispositivos legais pertinentes e dos fatos que ensejaram a nãohomologação. Tampouco houve violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, porquanto o interessado, ciente do ato proferido pela Administração Fazendária, teve assegurado o direito de apresentação de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário na forma do Decreto nº 70.235/1972. II. DO MÉRITO: Inicialmente, cumpre destacar que, no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferindoas, quando prescindíveis ou impraticáveis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” No presente caso, por sua vez, é prescindível a realização da diligência, porquanto o feito pode ser decidido à luz das regras de distribuição do ônus da prova. Com efeito, notase que o PER/Dcomp, consoante destacado, foi transmitido sem a retificação da Dctf, o que, por sua vez, fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em casos dessa natureza, diversamente do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem reconhecido o direito à compensação, desde que o contribuinte comprove a existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes acórdãos: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova Fl. 128DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10480.915728/200982 Acórdão n.º 3802001.733 S3TE02 Fl. 126 5 da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012. No mesmo sentido, cf.: Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.125. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 28/07/2012; “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório Fl. 129DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) O Recorrente, entretanto, instruiu a manifestação de inconformidade apenas com a Dctf retificadora, desacompanhada de qualquer outra prova da liquidez e da certeza do direito creditório, mesmo após a decisão contrária da DRJ. Votase, assim, pelo conhecimento do recurso, rejeição das preliminares e, no mérito, pelo seu integral desprovimento. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10830.008723/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeita-se à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a informação prestada, pelo sujeito passivo, de que não apurou base tributável no período. Contudo, as informações prestadas em DIPJ não se prestam à homologação quando o sujeito passivo, intimado, deixa de apresentar a escrituração que suporta a apuração ali declarada e sujeita-se ao arbitramento dos lucros.
ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO LIVRO RAZÃO. No âmbito tributário, o livro Razão é de escrituração obrigatória pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, e a falta de sua apresentação é suficiente para justificar o arbitramento dos lucros. RECEITA BRUTA NÃO CONHECIDA. Nos períodos em que não conhecida a receita bruta, o arbitramento dos lucros pode tomar por referência quaisquer das outras hipóteses previstas na lei. AUSÊNCIA DE ATIVIDADE OPERACIONAL. ÔNUS DA PROVA. A pessoa jurídica que interrompe suas atividades e não promove regular liquidação, bem como deixa de apresentar declaração de inatividade, sujeita-se ao arbitramento dos lucros enquanto tais circunstâncias perdurarem, salvo se provar sua inatividade no período autuado.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Afasta-se a qualificação da penalidade quando a acusação fiscal, e as provas que a suportam, não permitem afirmar o intuito de fraude na forma dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. AGRAVAMENTO. Reconhecido nos autos que o procedimento fiscal foi deflagrado por representação de outra Unidade da Receita Federal, na qual estariam retidos os livros e documentos exigidos nas intimações não atendidas pelo sujeito passivo, resta injustificada o agravamento da penalidade, mormente se a única justificativa suplementar apresentada pelo Fisco foi a falta de apresentação do Livro Razão, que ensejou o arbitramento dos lucros. EFEITO CONFISCATÓRIO. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1101-000.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, em REJEITAR a argüição de decadência; 2) por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício relativamente às exigências principais; 3) por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício relativamente à qualificação da penalidade; 4) por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício relativamente ao agravamento da penalidade, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; e 5) por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício relativamente à multa de ofício de 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeita-se à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a informação prestada, pelo sujeito passivo, de que não apurou base tributável no período. Contudo, as informações prestadas em DIPJ não se prestam à homologação quando o sujeito passivo, intimado, deixa de apresentar a escrituração que suporta a apuração ali declarada e sujeita-se ao arbitramento dos lucros. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO LIVRO RAZÃO. No âmbito tributário, o livro Razão é de escrituração obrigatória pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, e a falta de sua apresentação é suficiente para justificar o arbitramento dos lucros. RECEITA BRUTA NÃO CONHECIDA. Nos períodos em que não conhecida a receita bruta, o arbitramento dos lucros pode tomar por referência quaisquer das outras hipóteses previstas na lei. AUSÊNCIA DE ATIVIDADE OPERACIONAL. ÔNUS DA PROVA. A pessoa jurídica que interrompe suas atividades e não promove regular liquidação, bem como deixa de apresentar declaração de inatividade, sujeita-se ao arbitramento dos lucros enquanto tais circunstâncias perdurarem, salvo se provar sua inatividade no período autuado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Afasta-se a qualificação da penalidade quando a acusação fiscal, e as provas que a suportam, não permitem afirmar o intuito de fraude na forma dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. AGRAVAMENTO. Reconhecido nos autos que o procedimento fiscal foi deflagrado por representação de outra Unidade da Receita Federal, na qual estariam retidos os livros e documentos exigidos nas intimações não atendidas pelo sujeito passivo, resta injustificada o agravamento da penalidade, mormente se a única justificativa suplementar apresentada pelo Fisco foi a falta de apresentação do Livro Razão, que ensejou o arbitramento dos lucros. EFEITO CONFISCATÓRIO. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, em REJEITAR a argüição de decadência; 2) por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício relativamente às exigências principais; 3) por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício relativamente à qualificação da penalidade; 4) por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício relativamente ao agravamento da penalidade, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; e 5) por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício relativamente à multa de ofício de 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra.
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MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeitase à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a informação prestada, pelo sujeito passivo, de que não apurou base tributável no período. Contudo, as informações prestadas em DIPJ não se prestam à homologação quando o sujeito passivo, intimado, deixa de apresentar a escrituração que suporta a apuração ali declarada e sujeitase ao arbitramento dos lucros. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO LIVRO RAZÃO. No âmbito tributário, o livro Razão é de escrituração obrigatória pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, e a falta de sua apresentação é suficiente para justificar o arbitramento dos lucros. RECEITA BRUTA NÃO CONHECIDA. Nos períodos em que não conhecida a receita bruta, o arbitramento dos lucros pode tomar por referência quaisquer das outras hipóteses previstas na lei. AUSÊNCIA DE ATIVIDADE OPERACIONAL. ÔNUS DA PROVA. A pessoa jurídica que interrompe suas atividades e não promove regular liquidação, bem como deixa de apresentar declaração de inatividade, sujeitase ao arbitramento dos lucros enquanto tais circunstâncias perdurarem, salvo se provar sua inatividade no período autuado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 87 23 /2 00 8- 01 Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 3 2 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Afastase a qualificação da penalidade quando a acusação fiscal, e as provas que a suportam, não permitem afirmar o intuito de fraude na forma dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. AGRAVAMENTO. Reconhecido nos autos que o procedimento fiscal foi deflagrado por representação de outra Unidade da Receita Federal, na qual estariam retidos os livros e documentos exigidos nas intimações não atendidas pelo sujeito passivo, resta injustificada o agravamento da penalidade, mormente se a única justificativa suplementar apresentada pelo Fisco foi a falta de apresentação do Livro Razão, que ensejou o arbitramento dos lucros. EFEITO CONFISCATÓRIO. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, em REJEITAR a argüição de decadência; 2) por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício relativamente às exigências principais; 3) por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício relativamente à qualificação da penalidade; 4) por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício relativamente ao agravamento da penalidade, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; e 5) por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício relativamente à multa de ofício de 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório COMPET INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 17/09/2008, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 54.335.675,94. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, e às Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, cientificados à contribuinte em 17 de setembro de 2008, por meio do AR Aviso de Recebimento de fl. 392, no valor total de R$ 54.335.675,94, devido às irregularidades assim descritas no auto de infração do IRPJ, fls. 03/23: “Razão do arbitramento nos períodos (...).Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte não manteve em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizadas para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no diário. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999. Art. 530, inciso VI, do RIR/99. 001 – Receitas Operacionais (Atividade Não Imobiliária) Revenda de Mercadorias Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, de 30/06/2003 a 31/12/2007, valor tributável e multa no percentual de 225%] Enquadramento Legal: Art. 532, do RIR/99 002 – Receita Bruta não Conhecida. Arbitramento com base no valor do Ativo Valor arbitrado e soma dos valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente, existente no início do períodobase, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, de 31/03/2007 a 30/06/2008, valor tributável e multa no percentual de 225%]. Enquadramento legal: Art. 535, inciso II, do RIR/99.” 2. A autoridade fiscal elaborou o “Termo de Verificação e Constatação Fiscal”, fls. 75/86, que se transcreve: “6. A ação fiscal teve como motivação representação da ALF/VIRACOPOS, cópia anexa, que levantou suspeição sobre as atividades da empresa ora fiscalizada. 7. Na tentativa de dar ciência pessoal do Termo de Início de Fiscalização, encontramos, no endereço mencionado, um condomínio industrial, onde fomos informados, na portaria, que a citada empresa ocupava apenas uma pequena sala, contígua ao restaurante do condomínio e que apenas um funcionário desta trabalhava no local, sendo que naquele momento este se encontrava ausente do condomínio. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 5 4 8. Foi então enviado o citado Termo de Início de Fiscalização pelos correios e a ação fiscal teve início em 18/12/2007, com ciência por via postal do MPF e do Termo de Início de Fiscalização. Nessa ocasião foi solicitada ao contribuinte a apresentação, no prazo de 20 (vinte) dias, dos livros fiscais e contábeis, referentes aos 5 últimos anos, do contrato social e dos demonstrativos de apuração do PIS e da COFINS. 9. Sem atendimento, em 31/01/2008, a “fiscalizada” foi reintimada a apresentar os elementos já solicitados no Termo de Início de Fiscalização. 10. Novamente sem atendimento, em 24/04/2008 a fiscalizada foi novamente reintimada a apresentar os mesmos elementos. 11. Em 14052008, a fiscalizada apresenta resposta, por seu procurador, alegando que não poderia atender a intimação, pois os livros e documentos solicitados encontravamse retidos pela fiscalização da ALF/VIRACOPOS, em função do MPF 08177002007005641, em curso naquela unidade. 12. Cumpre esclarecer que os livros e documentos retidos pela ALF/VIRACOPOS são referentes às atividades do período de 2003 a 2006 e a fiscalizada silenciouse totalmente em relação aos períodos posteriores. 13. Conforme Relatório Preliminar elaborado pela ALF/VIRACOPOS, datado de 01/04/2008, item 11, (cópia anexa), verificamos que dentre os livros e documentos apreendidos, estavam os de registro de entradas e saídas de mercadorias, apuração do IPI e diários não encadernados e sem registro no órgão competente, não se encontrando os livros razão da fiscalizada, dentre esses. 14. Em 04062008 foram solicitados à fiscalização da ALF/VIRACOPOS, os livros fiscais e contábeis apreendidos e demais documentos de interesse desta fiscalização. 15. A solicitação foi atendida em 11082008, quando a ALF/VIRACOPOS deixou claro que os livros razão não foram objeto de apresentação e retenção por aquela unidade. 16. Os livros “Diário Geral” referentes aos anoscalendário 2003 a 2006, apreendidos, estavam sem encadernação e sem os registros exigidos pela legislação de regência. 17. Foram também apresentados os livros de apuração do IPI e registros de saída de mercadorias e registro de entradas de mercadorias, referentes ao período 2.003 a 2.006. 18. Em 04072008, considerando que os livros razão não constavam do rol de livros e documentos apreendidos, a fiscalizada foi intimada, no prazo de 10 dias, a apresentar tais livros, sob pena de arbitramento do lucro. 19. Passado o prazo estipulado, a fiscalizada não apresentou os livros razão e nem sequer se manifestou sobre o fato. 20. Nesta última tentativa de obter tais livros, comparecemos pessoalmente no endereço da fiscalizada, no dia 20 de agosto de 2008, onde, na portaria do condomínio, fomos informados pelo Sr. Márcio Júnior, responsável pela portaria, que a empresa não mais estava utilizando a sala alugada naquele condomínio há um bom tempo, não sabendo informar o paradeiro dos responsáveis pela empresa (relatório anexo). DAS IRREGULARIDADES ENCONTRADAS 21. Analisando as DIPJ apresentadas, encontramos inconsistências entre os valores informados, pelo próprio contribuinte, nas DIPJ referentes aos anos Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 6 5 calendário 2.003 e 2.006, onde o PIS e a COFINS apuradas não foram declarados nas DCTF apresentadas e tampouco recolhidos; em muitos meses as fichas de apuração do PIS e da COFINS estavam em branco nas DIPJ, sendo que nestes mesmos meses a fiscalizada teve comprovadamente receitas brutas em volume significativo. 22. Para os anoscalendário 2006 e 2007, o contribuinte estava omisso com relação à entrega das DIPJ. 23. Conforme acima, a fiscalizada foi intimada e reintimada por diversas vezes a apresentar seus livros fiscais contábeis, em especial os livros razão, sem que esta atendesse a fiscalização ou sequer se manifestasse a respeito ou mesmo solicitasse prazo adicional para atendimento. 24. Pelo exposto e à vista da falta de apresentação de livros e documentos essenciais para que se pudesse verificar a regularidade fiscal da fiscalizada, só restou o caminho do arbitramento do lucro. DO ARBITRAMENTO DO LUCRO 25. O artigo 258 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/1999 – RIR/99, determina que as empresas tributadas com base no Lucro Real devem escriturar o livro diário, que será encadernado e registrado na Junta Comercial. 26. Tendo em vista que, regularmente intimada, a fiscalizada não apresentou os livros Razão e que os livros diário apresentados não atendiam as condições impostas pela lei, conforme acima e ainda não apresentou os livros e documentos referentes aos anoscalendário 2007 e 2008, entendemos que esta não atendeu aos requisitos mínimos para a apuração pelo Lucro Real, ficando, portanto, a fiscalizada enquadrada nos incisos I; III e VI, do art. 530, do RIR/99, a saber: (...) LUCRO ARBITRADO COM BASE NA RECEITA CONHECIDA 27. Conforme visto acima, foram apreendidos, dentre outros, os livros fiscais Registro de Saídas e Apuração do IPI. 28. Com suporte nos valores escriturados pelo próprio contribuinte, nos livros de registro de saídas e de entradas, apuramos o total das vendas mensais e deduzimos o valor das devoluções e do IPI, na forma do artigo 279 do RIR/99, para a apuração da receita conhecida no período 2003 a 2006, conforme tabela abaixo e planilha anexa. RECEITA CONHECIDA [Demonstrativos de fls. 79/80, onde constam os períodos de apuração (mês a mês, de janeiro de 2003 a dezembro de 2006); faturamento bruto; devoluções e vendas; IPI lançado; Receita Conhecida (Base de cálculo)] LUCRO ARBITRADO. Base de Cálculo Quando não Conhecida a Receita Bruta 29. Conforme relatado acima, o contribuinte não apresentou livros ou documentos relativos aos períodos de apuração relativos aos anoscalendário 2007 e 2008. 30. Tais livros não foram objeto de apreensão pela citada ação fiscal empreendida pela ALF/VIRACOPOS. 31. Pelo exposto, não tivemos condições de apurar a receita do contribuinte neste período. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 7 6 32. O artigo 535 do RIR/99 diz: “Art. 535. O lucro arbitrado, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51): I – um inteiro e cinco décimos do lucro real referente ao último período em que a pessoa jurídica manteve escrituração de acordo com as leis comerciais e fiscais; II – quatro centésimos da soma dos valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente, existentes no último balanço patrimonial conhecido; (...) § 3º No caso dos incisos I a IV, deverá ser efetuada atualização monetária até 31 de dezembro de 1995 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51, § 3º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). § 4º No caso deste artigo, os coeficientes de que tratam os incisos II, III e IV, deverão ser multiplicados pelo número de meses do período de apuração (Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, § 1º). (...)” 33. A fiscalizada iniciou suas atividades em 2003 e desde então não manteve escrituração de acordo com as leis comerciais e fiscais, portanto inaplicável a primeira regra para arbitramento do lucro quando não conhecida a receita bruta. 34. Estamos aplicando, então, a segunda regra prevista, utilizando para tanto os valores do ativo informados pelo próprio contribuinte, na última DIPJ apresentada. 35. A última DIPJ apresentada, referente ao anocalendário de 2005, aponta os seguintes números: a Total do ativo circulante....R$ 25.697.921,31 b Realizável a longo prazo...R$ 0,00 c Total do Permanente..........R$ 40.186,10 d TOTAL R$ 25.738.107,41 36. Tomando a regra do inciso II, temos que o lucro arbitrado monta a R$ 1.029.524,29 (4/100 x 25.738.107,41), que deverá ser multiplicado pelo número de meses do período de apuração, conforme § 4º, do artigo 535, do RIR/99. PIS E COFINS 37. Tendo em vista que o contribuinte não atendeu aos requisitos para a apuração do IRPJ, pela forma do Lucro Real, esta não poderia optar pelo PIS e COFINS não cumulativo previstos pelas leis 10.637/2002 e 10.833/2002, ficando obrigada à apuração pelos moldes da Lei 9.718, de 27/11/1998, pelas alíquotas de 0,65% e 3%, respectivamente. 38. Estamos considerando a receita bruta conhecida, conforme tabela acima, para os anoscalendário 2003 a 2006, para cálculo e lançamento destas contribuições. 39. Deixamos de apurar e lançar as contribuições para os anoscalendário 2007 e 2008, por não termos elementos para apuração da receita bruta. IPI APURADO E NÃO DECLARADO (...) DO AUTO DE INFRAÇÃO Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 8 7 42. A fiscalizada está sendo autuada no período de apuração 01/01/2003 a 30/06/2008, pela sistemática do lucro arbitrado, conforme já explicado acima, tendo em vista que não apresentou os documentos/livros obrigatórios. 43. Os valores que servirão para determinação do lucro arbitrado estão acima explicitados. 44. Estamos lançando o IPI apurado e não declarado, conforme acima. 45. De tudo que foi exposto, lavramos o competente auto de infração para exigência do crédito tributário do IRPJ; CSLL; COFINS; PIS e IPI, juntamente com seus acréscimos legais. DO AGRAVAMENTO DAS MULTAS 46. Sobre os tributos apurados foram aplicadas as multas previstas no artigo 957, II, por entendermos que a fiscalizada agiu com dolo e simulação ao, repetidamente, ter preenchido suas DCTF sem declarar os valores apurados, pelo próprio contribuinte, e informados em DIPJ. 47. Além disto, nas DIPJ, a fiscalizada deixou vários meses de apuração do PIS e da COFINS em branco, em meses em que, comprovadamente esta havia obtido significativas receitas brutas. 48. Agravamos a multa acima, na forma do artigo 959, do RIR/99, por não ter a fiscalizada atendido as intimações, nos prazos ali determinados. (...) DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS 50. Por entendermos que a fiscalizada agiu com dolo e simulação, conforme exposto acima, o que configuraria, em tese, crime contra a ordem tributária, estamos protocolando em processo apartado, que deverá ser apensado a este, a representação fiscal para fins penais. DA INAPTIDÃO 51. Estamos protocolando também representação fiscal para fins de declarar a inaptidão da fiscalizada, uma vez que entendemos que esta não dispunha de capacidade física para desenvolver suas atividades e pelo fato de, ao final da fiscalização, não termos encontrado a empresa em seu endereço cadastrado na RFB e tampouco termos condições de localizar seus sócios, que são pessoas jurídicas domiciliadas no exterior.” 3. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls. 407/475, em 16 de outubro de 2008, com as seguintes razões de defesa. 3.1. Afirma que suas sócias, Jewkes S.A. e Davgar S.A. são sociedades regularmente constituídas perante a legislação da República Oriental do Uruguai, com CNPJ ativo na Receita Federal do Brasil, bem como investimentos registrados no Banco Central. 3.2. Exerceu durante o período de março de 2003 a dezembro de 2007 intensa atividade econômica em galpão industrial, conforme comprova contrato de locação que anexa, preenchendo todos os atos previstos em seu contrato social. 3.3. Com o decréscimo de sua atividade, seu ativo circulante sofreu diminuições importantes, com consta nos Livros Saída, cessando suas operações em 2008, mas preservando sua personalidade jurídica. 3.4. Dessa forma, atualmente está instalada em uma sala comercial, cujo endereço é de conhecimento do Fisco, para onde a fiscalização se dirigiu. Ressalta que a Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 9 8 transferência de uma sociedade inoperante para uma sala comercial não constitui nenhuma infração à legislação comercial e tributária. 3.5. Assevera que improcedem as alegações da fiscalização de que não teria apresentado os documentos solicitados, fato que justificaria o arbitramento dos lucros. Pois tais documentos encontravamse em poder da própria Receita Federal, na Alfândega de Viracopos, órgão que deu impulso à fiscalização. 3.6. Ademais, a autoridade fiscal não teria efetuado a análise completa dos documentos fornecidos, assumindo presunções sobre uma série de questões cuja comprovação em sentido diverso encontravase espelhada nos documentos apresentados. 3.7. Pleiteia a decadência de parte do crédito formalizado, no que se refere aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 17 de setembro de 2003, tendo em vista que foi cientificada do lançamento em 17 de setembro de 2008 e tratase de autos de infração referentes a tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, a teor do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Menciona jurisprudência. 3.8. Disserta sobre as modalidades de apuração da base de cálculo do IRPJ, concluindo que: “(...) o lucro arbitrado tem a natureza jurídica de uma base de cálculo materialmente considerada, que admite, em condições excepcionais e de maneira subsidiária às demais bases de cálculo previstas em lei, a apuração do lucro por meio de índices que revelam indiretamente a manifestação de capacidade contributiva “renda”, permitindo que seja tributado o lucro normal, médio, potencial. (...) Portanto, o lucro arbitrado só tem legitimidade constitucional se sua aplicação for condicionada à demonstração da impossibilidade de apuração do lucro real ou do lucro presumido, sendo aplicável somente em casos excepcionais.” 3.9. Reafirma que se encontrava impossibilitada de apresentar seus livros contábeis e fiscais, eis que estavam de posse da Alfândega de Viracopos. Tanto que, intimada a apresentar os documentos requeridos, imediata e expressamente informou tal fato. Assim, diante de seus argumentos, não se encontra na norma jurídica referente ao arbitramento nenhuma hipótese aplicável ao caso concreto. Em suas palavras: “A impugnada deixou plasmado no Termo de Verificação Fiscal que elaborou, que a impugnante deveria ter escriturado o Livro Razão. A Impugnante não os apresentou, tendo contudo consignado os Livros Diário, que foram escriturados conforme as determinações legais.” 3.10. Entende que o artigo 47, da Lei n.º 8.981, de 1995 (art. 530, do RIR/99), ao prever o arbitramento quando a pessoa jurídica não mantiver, em boa ordem, livro Razão ou fichas utilizadas para resumir os lançamentos efetuados no Diário, deve ser interpretada de forma coordenada com o art. 1.180, do Código Civil, o qual dispõe que somente o livro diário é indispensável na escrituração de toda e qualquer sociedade empresária, além do que o Livro Razão seria somente um detalhamento por conta do Diário. 3.11. Acrescenta que a falta de encadernação e de registro no órgão competente do livro Diário tratase de meras formalidades praticadas pela Junta Comercial, cuja ausência não retira o valor probante daqueles, aliado ao fato de que a autoridade fiscal poderia confrontar as informações ali presentes com os Livros de Registro de Entrada, Saída e apuração do IPI. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 10 9 3.12. Aduz que a autoridade fiscal tinha meios à disposição para efetuar a apuração do lucro real, entre os quais: livros Diário; livros do IPI e do ICMS; DCTF e declarações de rendimentos. Menciona jurisprudência. 3.13. Especificamente em relação aos anoscalendário de 2007 e 2008, afirma que o procedimento adotado pela autoridade fiscal, que arbitrou o lucro com base nos valores do ativo, não pode prosperar, pois em dissonância com o princípio da verdade material, eis que no anocalendário de 2008 não exerceu atividades, não tendo como auferir receitas. 3.14. Argumenta que em conseqüência do arbitramento do lucro e da conseqüente desconsideração da sistemática de tributação nãocumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, considerouse uma base de cálculo muito mais ampla e gravosa, o que não pode prosperar, em vista da possibilidade de se aferir o lucro real. 3.15. No que se refere ao agravamento da multa de ofício, considera que tanto na fraude fiscal, quanto na sonegação ou conluio, é imperioso que o contribuinte ou responsável utilizese, intencionalmente, de expedientes ardilosos tendentes a evitar ou ocultar fatos ou informações relevantes para o lançamento do tributo, o que não ocorreu, posto que não resta devidamente caracterizado o elemento subjetivo da ação delituosa pela autoridade fiscal. 3.16. Da mesma forma, não prospera a majoração da multa em decorrência do alegado desatendimento às intimações nos prazos determinados, tendo em conta que a empresa encontravase impossibilitada de apresentar a documentação solicitada, a qual encontravase apreendida pela Alfândega de Viracopos. 3.17. Nesse sentido, afirma que os sistemas informatizados da Receita Federal são capazes de identificar quaisquer procedimentos fiscalizatórios em curso e, em conseqüência, permitir a troca de informações sobre documentos e livros fiscais apreendidos. 3.18. Faz ampla dissertação sobre os princípios constitucionais aplicáveis à tributação, que entende lesados, entre os quais o da razoabilidade; proporcionalidade; devido processo legal; do nãoconfisco, entre outros, corroborando seus argumentos em ampla doutrina e jurisprudência, fls. 448/470. 3.19. Em relação à representação fiscal para que seja declarada a inaptidão da empresa para o exercício de suas atividades, assevera que a legislação nacional, em nenhum momento, veda a sociedade estrangeira de possuir empresa em território nacional. 3.20. Por outro lado, a Instrução Normativa n.º 748, de 28 de junho de 2007, estabelece claramente as hipóteses de declaração de inaptidão, dispondo em seu inciso II sobre a não localização da contribuinte. No entanto, tal dispositivo legal não se aplica à empresa, uma vez que respondeu a intimação para que apresentasse os documentos fiscais solicitados, o que descaracteriza as alegações da autoridade fiscal. 3.21. Quanto à nãoapresentação dos documentos, como já sobejamente esclarecido, estes se encontravam apreendidos pela Alfândega de Viracopos. 3.22. Visando comprovar suas alegações, junta cópia de contrato de locação elaborado em 2003, referente ao prédio industrial onde exercia suas atividades industriais, contrato de fornecimento de energia elétrica celebrado com a Companhia Jaguari de Energia e documentos que comprovariam a contratação de empregados e demonstrariam cabalmente o regular exercício de suas operações. 3.23. Conclui, pleiteando a improcedência do lançamento. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 11 10 A Turma julgadora apenas cancelou as exigências pertinentes ao ano calendário 2008 porque a autoridade lançadora não teria reunido evidências do efetivo exercício de atividades operacionais pela empresa naquele período, ao passo que a impugnante alegar somente ter exercido atividades até dezembro de 2007. No mais, rejeitou os outros argumentos apresentados, aduzindo que: · O prazo decadencial não pode ser regido pelo art. 150, §4o do CTN na medida em que a contribuinte não recolheu, nem declarou, qualquer parcela a título de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS ou COFINS ao longo dos períodos de apuração ocorridos até setembro/2003; · O arbitramento decorreu, validamente, da falta de apresentação de livros e documentos da escrituração da contribuinte, especialmente o Livro Razão de 2003 a 2006, e toda a escrituração de 2007; · A qualificação da penalidade encontra fundamento na prática reiterada de sonegar os tributos devidos; · O agravamento da penalidade justificase porque a contribuinte omitiuse a respeito do que lhe foi requerido, impedindo que o agente fiscal, desde logo, desse prosseguimento aos trabalhos fiscais, mediante a busca imediata de outros procedimentos tendentes a verificar a correta apuração do lucro auferido pela empresa auditada. · Questões que versem sobre constitucionalidade ou legalidade de leis validamente editadas exorbitam da competência das autoridades administrativas; · A representação fiscal para fins de declaração de inaptidão integra procedimento administrativo próprio, e não é passível de discussão nestes autos. O crédito tributário exonerado correspondeu ao principal de R$ 1.532.286,42 a título de IRPJ, e de R$ 555.943,12 a título de CSLL, ambos acrescidos de multa de ofício de 225% e juros de mora. Em 25/06/2009 o representante legal do sujeito passivo teve vistas dos autos, extraindo cópia das fls. 626/788, correspondentes a todos os elementos juntados depois da impugnação (fls. 789/792). Às fls. 793/794 estão juntados os documentos que demonstram ter sido improfícua a tentativa de ciência postal da decisão de 1a instância, na medida em que a contribuinte teria se mudado de seu domicílio fiscal. Diante deste contexto, em 07/07/2009 foi afixado edital para ciência da referida decisão (fl. 795). Despacho de fl. 796 relata estas ocorrências de declara a contribuinte cientificada em 25/06/2009, quando o representante legal da empresa acima qualificada, tomou vistas do processo. Em 23/07/2009 a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 799/874), no qual inicialmente afirma que a sociedade fiscalizada existe e encontrase perfeitamente regular, assim como suas sócias uruguaias possuem CNPJ ativo concedido pela Receita Federal, bem como investimentos registrados perante o Banco Central. Suas atividades foram exercidas de março/2003 a dezembro/2007, e então descontinuadas porque a zona urbana em que se encontrava o referido galpão não permitia o exercício de sua atividade econômica. Seu ativo circulante decresceu por saídas registradas em seus livros, e a partir de 2008 parou de exercer atividades industriais, mas preservando sua personalidade jurídica. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 12 11 Com o fim de sua atividade industrial, inicialmente instalouse em sala comercial na cidade de Jaguariúna, em endereço de conhecimento do Fisco Federal, e atualmente está instalada em uma sala comercial na cidade de São Paulo. Estas transferências não configuram qualquer infração, mas mera adequação ao espaço para as necessidades atuais da empresa, até porque a atividade industrial foi retirada de seu objeto social. Comunica que impetrou mandado de segurança contra a declaração de sua inaptidão, inclusive obtendo temporariamente decisão liminar favorável perante o Tribunal Regional Federal da 3a Região. Relata os fatos da acusação, a defesa apresentada em 1a instância e a decisão recorrida, e pleiteia sua reforma parcial de modo a anular integralmente o lançamento. Preliminarmente pede a declaração da decadência dos créditos tributários devidos até 17/09/2003, dada a formalização do lançamento apenas em 17/09/2008. Argumenta que lei não exige a presença de pagamento ou declaração para caracterizar um tributo como sujeito a lançamento por homologação, cita julgados administrativos deste Conselho neste sentido, bem como decisões judiciais. Acrescenta que a Fiscalização não logrou demonstrar a ocorrência de dolo, como demonstrará adiante. Ao arrematar sua argumentação, diz que estariam decaídos os lançamentos efetuados pela Recorrente entre o período de junho de 2003 a 15 de setembro de 2004. No mérito, inicialmente observa que o lucro arbitrado é aplicável e se justifica somente em situações nas quais o contribuinte descumpriu os deveres instrumentais prescritos em lei, de modo que a Administração, em face da ausência de prova préconstituída, enfrenta especiais dificuldades para aferir a capacidade contributiva manifestada no caso concreto. No presente caso, a recorrente somente estava impedida de apresentar os livros contábeis e fiscais, os quais se encontravam na Alfândega de Viracopos, e neste sentido de imediato informou à autoridade lançadora, que pôde ter acesso aos elementos que serviram de base ao indevido arbitramento. Reproduz o art. 47, inciso III da Lei nº 8.981/95, bem como o art. 530, inciso III, do RIR/99, e diz que a hipótese neles expressa não se verificou, dado que os livros exigidos não estavam na sua posse, sendo prematuro o arbitramento com base nesse fato. Destaca que o arbitramento não constitui sanção, mas sim é aplicado com a finalidade de aferir, com o maior grau de aproximação possível a capacidade contributiva, ante a inexistência de elementos diretos de prova da base de cálculo. Entende que o lucro arbitrado não tem natureza processual probatória, e não se caracteriza como presunção ou ficção, tendo a natureza jurídica de uma base de cálculo materialmente considerada, que admite a apuração do lucro, em casos excepcionais, por meio de índices que revelam a capacidade contributiva. Desta forma, sua aplicação só é legítima se demonstrada a impossibilidade de apuração do lucro real ou presumido. E como apresentou, por indicação, os livros e documentos contábilfiscais às autoridades tributárias, não seria correto tomar o arbitramento como o único meio possível para o lançamento. Opõese à interpretação literal da lei que determina o arbitramento na ausência do Livro Razão, especialmente porque o Código Civil de 2002 apenas elege o Livro Diário como indispensável à escrituração da sociedade empresária, consoante doutrina que cita. Arremata que o Livro Razão nada mais é do que o detalhamento por conta do livro Diário, e como o Livro Diário foi apresentado, o Fisco teria meios de apurar o lucro real. Até porque as Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 13 12 irregularidades de encadernação e registro apontadas pelo Fisco não tornam o livro imprestável, não lhes retira o valor probante, mormente se era possível confirmar suas informações a partir dos livros de registro de entrada, saída e apuração de IPI. Invoca o princípio da legalidade e enfatiza a busca da verdade material pelos julgadores administrativos, inclusive como reconhecido pela Turma Julgadora de 1a instância, ao afastar o arbitramento promovido no anocalendário 2008. Cita doutrina e julgados administrativos em favor da busca da verdade material. Questiona, também, a base de cálculo adotada para o arbitramento em 2007, que resultou de método mais gravoso, em desrespeito à busca da verdade material, especialmente porque os documentos apresentados evidenciam decréscimo de seu ativo, culminando com a transferência da sede para uma sala comercial. Deveria o Fisco avaliar detidamente a existência ou não de atividades no período e não se resumir na mera aplicação dos critérios legais. Ainda, porque aplicado indevidamente o arbitramento nos anoscalendário 2003 a 2007, as exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS somente se sustentariam na sistemática nãocumulativa. Uma vez que a autoridade fiscal possuía pela capacidade de aferir o lucro real no presente caso, não há como se admitir a desconsideração da aplicação da não cumulatividade dos tributos ora em discussão. Entende que a qualificação da penalidade somente é possível quando o contribuinte ou responsável utilizese, intencionalmente, de expedientes ardilosos tendentes a evitar ou ocultar fatos ou informações relevantes para o lançamento do tributo devido. Cita doutrina neste sentido, aborda os conceitos doutrinários de sonegação, fraude e conluio, e assevera que afirmar que a Recorrente deixou de pagar os tributos a que deu causa, por si só, não pode ser entendido como uma ação fraudulenta. Ademais, a apresentação de todos os livros contábeis e fiscais que estavam em seu poder exclui qualquer atitude fraudulenta. Diz que nada autoriza a constatação de sonegação, fraude ou conluio, e que não restou evidentemente caracterizado o intuito de fraude, o elemento subjetivo da ação delituosa. Transcreve doutrina e jurisprudência administrativa em sua defesa, e conclui que a Fiscalização se limitou a afirmar que a Recorrente operara com dolo e simulação. Quanto ao agravamento da penalidade, reitera que estava impossibilitada de atender ás intimações, sendo desatenção da fiscalização a formulação ao contribuinte de nova exigência dos mesmos documentos apreendidos pela indigitada Agência Alfandegária de Viracopos, da qual se originaram os documentos que motivaram a fiscalização pela DRF/Campinas. Disse que respondeu às intimações que lhe foram apresentadas, comparecendo pessoalmente à Receita Federal nas primeiras exigências, e respondendo por escrito à último. E somente após esta resposta escrita a Fiscalização buscou as informações junto à Alfândega de Viracopos, muito embora os sistemas da Receita Federal permitam identificar a existência de outros procedimentos fiscalizatórios e de documentação apreendida. Transcreve jurisprudência contrária ao agravamento da penalidade, e destaca o entendimento de que o atendimento insatisfatório ou parcial, com a falta da apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, motiva o arbitramento do lucro, não o agravamento da multa de ofício. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 14 13 Discorre sobre a lesão a princípios constitucionais decorrente das penalidades que lhe foram impostas, defende a possibilidade de apreciação destes argumentos no contencioso administrativo, e assim pretende a aplicação dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade na forma da doutrina e jurisprudência que cita, de modo a reduzir os valores exigidos, que superam o principal lançado, com claro efeito confiscatório. Reportase também à equidade, cita o art. 108 do CTN, e transcreve doutrina e jurisprudência judicial neste particular. Arremata abordado a aptidão da Recorrente para exercer suas atividades, observando que discute judicialmente a declaração de sua inaptidão perante o CNPJ, mas deixar inconteste este aspecto nestes autos poderia prejudicar sua defesa contra o presente lançamento. Contesta a afirmação de sua inaptidão por ter sócias estrangeiras, vez que a legislação não traz proibição neste sentido, e quanto ao fato de ser omissa não localizada, teria respondido às intimações fiscais, efetivamente operando no passado, mantendo contrato de locação e empregados contratados, como demonstrado nos autos. Informa que alterou seu endereço para a cidade de São Paulo, e que somente não registrou seu novo endereço perante a Receita Federal porque sua inaptidão foi ilegalmente declarada pelo Fisco. Nestes termos, entende estar comprovado que a Recorrente encontrase em situação ativa, possuindo endereço fixo, pelo que a alegação que a sociedade não mais existe e, portanto, pode ser mais encontrada, não condiz com a realidade. Os autos do presente recurso voluntário foram sorteados para relatoria desta Conselheira, que constatou a ausência de interposição de recurso de ofício em face da exoneração de crédito tributário superior ao limite previsto na Portaria MF nº 3/2008. Considerando que, constatada a ausência desta interposição, mediante declaração na própria decisão, o art. 34 do Decreto nº 70.235/72 determina, em seu § 2º, que se represente à autoridade julgadora no sentido de que seja observada aquela formalidade, os autos foram encaminhados à 4a Turma da DRJ/Campinas (fl. 943), que retificou o erro, registrando o recurso de ofício e determinando os ajustes necessários nos sistemas de controle do crédito tributário lançado (fls. 945/946). Após restar improfícua a tentativa de ciência deste ato à contribuinte, por via postal (fls. 990/991), foi afixado edital neste sentido em 29/11/2012, verificandose a ciência ficta em 14/12/2012 (fl. 994). Ausente manifestação da interessada, os autos retornaram a este Conselho para apreciação dos recursos voluntário e de ofício (fls. 1007/1008). Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 15 14 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminarmente a recorrente argúi a decadência do crédito tributário lançado depois de transcorridos mais de cinco anos do que seria a ocorrência do fato gerador. Inicialmente reportase aos créditos tributários devidos até 17/09/2003, e ao finalizar sua defesa diz que estariam decaídos os lançamentos efetuados pela Recorrente entre o período de junho de 2003 a 15 de setembro de 2004. Os lançamentos foram formalizados em 17/09/2008. As exigências de IRPJ e CSLL foram calculadas mediante arbitramento dos lucros do 2o trimestre/2003 ao 4o trimestre/2006 a partir da receita bruta conhecida, e nos anoscalendário 2007 e 2008 com base nos ativos constantes do último balanço patrimonial conhecido. Houve também exigência de Contribuição ao PIS e de COFINS sobre as receitas verificadas de abril/2003 a dezembro/2006. A autoridade fiscal demonstra que a contribuinte não manteve em ordem sua escrituração comercial, deixando de encadernar os Livros Diários de 2003 a 2006 e de apresentar o Livro Razão. Consignou que a Contribuição ao PIS e a COFINS devidas de 2003 a 2006 não foram declaradas em DCTF e tampouco recolhidas. Por sua vez, na DIPJ do ano calendário 2003 somente consta a apuração de COFINS devida a partir de abril/2003 (fls. 269/292). A matéria em questão é afetada pelas disposições do Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF nº 586/2010, para passar a conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 16 15 pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Extraise deste julgado que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Superada, assim, a jurisprudência administrativa invocada pela recorrente neste sentido. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como já se infere a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito. Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 17 16 Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão, os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Em conseqüência não há, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, permitindose aqui a livre convicção acerca de sua definição. Referido dispositivo, por sua vez, assim estabelece: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Indispensável, portanto, o exercício da atividade que a lei atribui ao sujeito passivo, a qual não se limita ao pagamento, mas também à apuração do crédito tributário devido, assim estampada em sua escrituração comercial e fiscal. No presente caso, porém, a autoridade lançadora recorreu ao arbitramento dos lucros porque a interessada não dispunha de escrituração regular para apuração do IRPJ e da CSLL. Quanto à Contribuição ao PIS e a COFINS, não houve declaração em DCTF ou recolhimento, e a informação parcial dos débitos de COFINS em DIPJ não foi suportado pela escrituração comercial que deixou de ser integralmente apresentada. Portanto, sem adentrar aos efeitos do §4o do art. 150 do CTN em razão da multa qualificada imposta ao sujeito passivo, a falta de apresentação do Livro Razão e a manutenção do Livro Diário sem encadernação nos períodos autuados é suficiente para afastar a possibilidade de homologação tácita de qualquer apuração promovida pelo sujeito passivo, remetendo a contagem do prazo decadencial para o art. 173 do CTN, cujo inciso I estabelece o início do prazo decadencial no primeiro dia exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como as exigências de abril/2003 a novembro/2003 poderiam ter sido formalizadas no próprio anocalendário de 2003, o prazo decadencial tem início em 01/01/2004 Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 18 17 e término em 31/12/2008, mostrandose válido o lançamento cientificado à contribuinte em 17/09/2008 até mesmo para os mais remotos períodos autuados. Por estas razões, deve ser REJEITADA a argüição de decadência apresentada pela recorrente. Quanto ao arbitramento promovido pela autoridade lançadora, cumpre reafirmar sua procedência, na medida em que não se confirma a justificativa apresentada pela recorrente para não apresentação dos livros à Fiscalização. Seus argumentos acerca de sua regular constituição e funcionamento apenas reforçam a exigência de que sua operações estivessem escrituradas na forma prevista na legislação. Irrelevante, também, a declaração de sua inaptidão e a eventual suspensão de seus efeitos em razão de decisão judicial, se caracterizada a hipótese legal inserida no art. 530, inciso VI do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, apontada pela Fiscalização para adotar aquela forma de apuração do lucro: Art 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. A legislação assim dispõe porque desde a alteração da Lei nº 8.218/91 pela Lei nº 8.383/91, a escrituração do Livro Razão passou a ser condição para apuração do lucro real. Vejase: Art. 14 A tributação com base no lucro real somente será admitida para as pessoas jurídicas que mantiverem, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário (Livro Razão), mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 8.383, de 1991) Parágrafo único. A nãomanutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 8.383, de 1991) Nestes termos, ainda que o sujeito passivo disponha do Livro Diário e da documentação de suporte, a falta de escrituração do Livro Razão não autoriza a Fiscalização a substituílo no cumprimento desta obrigação acessória, resumindo e totalizando por contas os lançamentos contábeis, de modo a confirmar os componentes do resultado período e a necessidade/possibilidade de ajustes ao lucro líquido para determinação do lucro real. O arbitramento, em tais condições, é uma imposição legal, a ser observada pela autoridade fiscal no momento do lançamento. A recorrente alega que não descumpriu os deveres instrumentais prescritos em lei porque estava impedida de apresentar os livros contábeis e fiscais, os quais se encontravam na Alfândega de Viracopos, e neste sentido de imediato informou à autoridade lançadora, que pôde ter acesso aos elementos que serviram de base ao indevido arbitramento. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 19 18 Verificase nos autos que a contribuinte foi por duas vezes reintimada a apresentar seus livros contábeis e fiscais, e tendo em conta o início do procedimento fiscal em 18/12/2007, somente em 12/05/2008 informou que a documentação solicitada estaria em poder da Alfândega de Viracopos, sequer apresentando a ato administrativo lavrado para esta retenção (fls. 85/102). E, além de a intimação ter por objeto também a escrituração dos anos calendário 2007 e 2008, documento elaborado pela Alfândega de Viracopos em 01/04/2008 dava conta da apreensão, apenas, dos livros de registro de entradas e saídas de mercadorias, apuração do IPI e diários não encadernados e sem registro no órgão competente, pertinentes aos anoscalendário 2003 a 2006. Em outro documento firmado em 11/08/2008, a Alfândega de Viracopos enfatizou que os Livros Razão não foram objeto de retenção ou apreensão (fl. 105). Outra intimação, então, foi lavrada em 04/07/2008 exigindo a apresentação dos Livros Razão, a qual não foi atendida. Tentativa de visita ao estabelecimento da autuada restou infrutífera, porque a empresa não mais estava utilizando a sala alugada no endereço informado à Receita Federal (fls. 103/104 e 106/107) Não há dúvida, portanto, que o contribuinte descumpriu os deveres instrumentais prescritos em lei, não havendo que se falar em ausência de prova préconstituída desta inobservância pela Fiscalização. Vejase, inclusive, que a recorrente invoca as disposições do art. 47, inciso III da Lei nº 8.981/95, bem como o art. 530, inciso III, do RIR/99, e não atenta que a acusação fiscal fundase no inciso VII e VI daqueles artigos, respectivamente. Impróprio, também afirmar que o arbitramento foi prematuro, porque a autoridade fiscal, mesmo em face da desídia da fiscalizada, insistiu na apresentação dos Livros Razão, novamente não sendo atendida. Pertinente, assim, o arbitramento justamente com a finalidade de aferir, com o maior grau de aproximação possível a capacidade contributiva, ante a inexistência de elementos diretos de prova da base de cálculo. A recorrente limita a utilização do lucro arbitrado a casos excepcionais, quando demonstrada a impossibilidade de apuração do lucro real ou presumido, e este é precisamente o caso em tela, no qual nenhum elemento de sua escrituração foi apresentado relativamente aos anoscalendário 2007 e 2008, e com referência aos anoscalendário 2003 a 2006, não houve escrituração do Livro Razão, essencial para manutenção da opção da contribuinte pelo lucro real. Irrelevante o fato de o Código Civil eleger apenas o Livro Diário como indispensável à escrituração da sociedade empresária, frente à determinação específica no âmbito tributário acerca da indispensabilidade do Livro Razão. Por certo o Livro Razão nada mais é do que o detalhamento por conta do livro Diário, mas é este detalhamento que permite conferir os itens da apuração do resultado, bem como visualizar quais os ajustes necessários ao lucro líquido para apuração do lucro real, como antes já mencionado. Irrelevantes, portanto, os efeitos da falta de encadernação do livro Diário, bem como os fatos escriturados nos Livros de registro de entrada, saída e apuração de IPI, mormente tendo em conta que estes não incorporam diversas outras mutações patrimoniais que não envolvem movimentação de mercadorias. E, mostrandose válido o arbitramento, também não subiste qualquer justificativa para a pretendida apuração das Contribuições ao PIS e da COFINS na sistemática nãocumulativa, dado que nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.637/2002 e do artigo 10 da Lei Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 20 19 nº 10.833/2003, as pessoas jurídicas que apuram o IRPJ pelo lucro arbitrado permanecem sujeitas à sistemática cumulativa. Por tais razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO relativamente ao recurso voluntário interposto contra as exigências principais de IRPJ e CSLL formuladas do 2o trimestre/2003 ao 4o trimestre/2006 com base no lucro arbitrado a partir da receita bruta conhecida, bem como de Contribuição ao PIS e COFINS em sistemática cumulativa, de abril/2003 a dezembro/2006. A recorrente questiona, também, a base de cálculo adotada para o arbitramento em 2007, que resultou de método mais gravoso, em desrespeito à busca da verdade material, especialmente porque os documentos apresentados evidenciam decréscimo de seu ativo, culminando com a transferência da sede para uma sala comercial. Deveria o Fisco avaliar detidamente a existência ou não de atividades no período e não se resumir na mera aplicação dos critérios legais. Defende a observância do princípio da legalidade, e enfatiza sua aplicação na exoneração do crédito tributário pertinente ao anocalendário 2008, promovida na decisão de 1a instância, nesta parte sob reexame. A apuração do lucro arbitrado do 1o trimestre/2007 ao 2o trimestre/2008 está fundamentada no art. 535, inciso II do RIR/99, vez que não conhecida a receita bruta, ante a inexistência de qualquer livro ou documento apresentado pela contribuinte ou apreendido pela Alfândega de Viracopos. O dispositivo regulamentar está assim expresso: Art. 535. O lucro arbitrado, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51): I um inteiro e cinco décimos do lucro real referente ao último período em que a pessoa jurídica manteve escrituração de acordo com as leis comerciais e fiscais; II quatro centésimos da soma dos valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente, existentes no último balanço patrimonial conhecido; III sete centésimos do valor do capital, inclusive a sua correção monetária contabilizada como reserva de capital, constante do último balanço patrimonial conhecido ou registrado nos atos de constituição ou alteração da sociedade; IV cinco centésimos do valor do patrimônio líquido constante do último balanço patrimonial conhecido; V quatro décimos do valor das compras de mercadorias efetuadas no mês; VI quatro décimos da soma, em cada mês, dos valores da folha de pagamento dos empregados e das compras de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem; VII oito décimos da soma dos valores devidos no mês a empregados; VIII nove décimos do valor mensal do aluguel devido. § 1º As alternativas previstas nos incisos V, VI e VII, a critério da autoridade lançadora, poderão ter sua aplicação limitada, respectivamente, às atividades comerciais, industriais e de prestação de serviços e, no caso de empresas com atividade mista, ser adotados isoladamente em cada atividade (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51, § 1º). § 2º Para os efeitos da aplicação do disposto no inciso I, quando o lucro real for decorrente de período de apuração anual, o valor que servirá de base ao Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 21 20 arbitramento será proporcional ao número de meses do período de apuração considerado (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). § 3º No caso dos incisos I a IV, deverá ser efetuada atualização monetária até 31 de dezembro de 1995 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51, § 3º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). § 4º No caso deste artigo, os coeficientes de que tratam os incisos II, III e IV, deverão ser multiplicados pelo número de meses do período de apuração (Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, § 1º). § 5º Na hipótese de utilização das alternativas de cálculo previstas nos incisos V a VIII, o lucro arbitrado será o valor resultante da soma dos valores apurados para cada mês do período de apuração (Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, 2º). A lei estabelece alternativas de cálculo do lucro arbitrado e não impõe ao Fisco uma ordem para seleção da hipótese a ser aplicada, nem confere ao sujeito passivo o direito de desqualificar a escolha da autoridade lançadora. O único critério que prevalece em relação aos demais é aquele fundado na receita bruta conhecida. Neste sentido são as lições de Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, São Paulo: Dialética, 2001, p. 138/139) Parecenos inequívoca a existência de vinculação na função administrativa de constatar de forma direta ou indireta a ocorrência do fato jurídico tributário. Vinculado, também, é o dever de arbitrar, ao passo que discricionário é o procedimento administrativo que, com base em juízo próprio, elege como base de cálculo uma das grandezas possíveis previstas na Lei. [negrejouse]. Vejase, aliás, que a autoridade fiscal adotou como referência os valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente, existentes no último balanço patrimonial conhecido, os quais se amoldam com perfeição ao contexto fático alegado pela recorrente: decréscimo de seu ativo, culminando com a transferência da sede para uma sala comercial. Significa dizer que ao descontinuar sua atividade, a contribuinte passou a liquidar seu ativo, assim praticando fatos jurídicos eventualmente reveladores de renda auferida, a qual não pode ser efetivamente dimensionada nem alcançada pelo Fisco porque não mantida sua regular escrituração como exige a lei. Impróprio, assim, pretender que o Fisco deveria avaliar detidamente a existência ou não de atividades no período e não se resumir na mera aplicação dos critérios legais. Para exonerar a exigência pertinente ao anocalendário 2008, a autoridade julgadora de 1a instância consignou que: 67. Especificamente em relação aos anoscalendário de 2007 e 2008, a forma de apuração adotada pela autoridade fiscal está, em princípio, condizente com a legislação aplicável, em vista da impossibilidade da aplicação do inciso I, que prevê a utilização de um percentual sobre o lucro real do último período em que a pessoa jurídica manteve escrituração de acordo com as leis comerciais e fiscais, posto que no período de 2003 a 2006 também houve o arbitramento do lucro. 68. Destaquese que a própria contribuinte afirma em sua impugnação que “exerceu durante o período de março de 2003 a dezembro de 2007 intensa atividade econômica, preenchendo todos os atos previstos em seu contrato social. Durante esse período, a impugnante funcionava em galpão industrial, como comprova o contrato de locação que acompanha a presente impugnação (doc. n.º 7)”. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 22 21 69. No entanto, diante da ausência de entrega de declaração de rendimentos e da falta de qualquer escrituração referente ao anocalendário de 2008, bem como da contestação apresentada pela empresa, deveria a autoridade fiscal justificar o arbitramento efetuado naquele período de apuração, coletando indícios ou fatos que demonstrassem o efetivo exercício de atividades operacionais pela empresa e, conseqüentemente, o auferimento de receitas que justificassem o arbitramento do lucro, para dar fundamento às exigências do IRPJ e da CSLL, naquele ano. 70. Diante da ausência de tais indícios ou fatos, não há como manter as exigências do IRPJ e da CSLL formalizadas para o anocalendário de 2008, motivo pelo qual são julgadas improcedentes, conforme consolidação que se faz ao final deste acórdão. Ocorre que a legislação fixa procedimentos para dissolução regular das pessoas jurídicas. Inicialmente, dispõe o Código Civil: Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua. § 1o Farseá, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a averbação de sua dissolução. § 2o As disposições para a liquidação das sociedades aplicamse, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado. § 3o Encerrada a liquidação, promoverseá o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. E, ainda que a pessoa jurídica promova a liquidação mas não cancele sua inscrição, desde o anocalendário 1996 a Receita Federal disponibiliza aos contribuintes a possibilidade de informarem, por meio de declaração, sua inatividade, assim conceituada na Instrução Normativa SRF nº 145/2002: Art. 2º Considerase pessoa jurídica inativa aquela que não tenha efetuado qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial, durante todo o anocalendário. Parágrafo único. A pessoa jurídica que tenha feito qualquer tipo de aplicação no mercado financeiro não será considerada inativa. Em tais condições, a pessoa jurídica não dispõe mais de patrimônio, e assim, em tese, não pratica qualquer fato jurídico tributário, inclusive estando dispensada da apresentação de DIPJ e de DCTF. Já se a pessoa jurídica simplesmente interrompe suas atividade operacionais, não promove a liquidação de seu patrimônio, altera seu endereço para local diverso daquele locado para suas atividades, e não apresenta declaração de inatividade, a Fiscalização está desobrigada de constituir prova da prática de atos jurídicos tributáveis para imputarlhe o arbitramento na forma do art. 535 do RIR/99. A prova de atividade operacional ou não operacional somente é necessária quando o sujeito passivo promove a liquidação ou declarase inativo no período fiscalizado. Por sua vez, o inciso II do art. 535 do RIR/99 permite o arbitramento a partir da soma dos valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente, existentes no Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 23 22 último balanço patrimonial conhecido, e o critério a partir daí concebido pode ser aplicado repetidamente até que a pessoa jurídica não liquidada prove a sua inatividade. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências principais de IRPJ e CSLL formalizadas no ano calendário 2007 e DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, restabelecendo as exigências principais de IRPJ e CSLL do anocalendário 2008 e correspondentes juros de mora. Na seqüência, a contribuinte discorda da qualificação da penalidade, que somente entende possível quando o contribuinte ou responsável utilizese, intencionalmente, de expedientes ardilosos tendentes a evitar ou ocultar fatos ou informações relevantes para o lançamento do tributo devido, defendendo que o fato de ter deixado de pagar os tributos a que deu causa, por si só, não pode ser entendido como uma ação fraudulenta. A autoridade fiscal aplicou penalidade qualificada em todos os períodos de apuração autuados, e em relação a todos os tributos exigidos. Entendeu que a contribuinte agiu com dolo e simulação ao, repetidamente, ter preenchido suas DCTF sem declarar os valores apurados, pelo próprio contribuinte, e informados em DIPJ. Acrescentou que, nas DIPJ, a fiscalizada deixou vários meses de apuração do PIS e da COFINS em branco, em meses em que comprovadamente esta havia obtido significativas receitas brutas. Quanto às exigências de IRPJ e CSLL do 1o trimestre/2007 ao 2o trimestre/2008, o lançamento foi formalizado a partir da presunção legal de auferimento de lucro a partir de um dos referenciais estabelecidos pela lei em face das pessoas jurídicas contra as quais não se pode afirmar a existência de receita bruta conhecida. Apenas a partir desta evidência não é possível dizer que o sujeito passivo agiu com intuito de fraude para não recolher os tributos que assim restaram devidos. Portanto, deve ser afastada a qualificação da penalidade no que tange a estas exigências, devendo ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto, e NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício, na parte em que exonerou, também, a parcela qualificada da multa aplicada sobre os débitos do anocalendário 2008. Com referência às exigências do 2o trimestre/2003 ao 4o trimestre/2006, a autoridade lançadora, no preâmbulo do Termo de Verificação Fiscal, faz referência ao fato de a empresa estar instalada em uma sala de 31m2, ter como sócios empresas uruguaias, e apresentar livros contábeis assinados por representante legal distinto daquele apontado em seu contrato social. Disse que a ação fiscal foi motivada por representação da Alfândega de Viracopos, que levantou suspeição sobre as atividades da empresa, contudo, para além disso, somente descreveu a falta de atendimento às intimações, a não localização da empresa em seu domicílio fiscal, a falta de declaração dos débitos em DCTF e a falta de apresentação de DIPJ nos anos calendário 2006 e 2007. Eventuais irregularidades praticadas no âmbito do comércio exterior não foram incorporadas a estes autos, nem sequer referenciadas na acusação para justificar a qualificação da penalidade. Até mesmo a inaptidão, contra a qual a recorrente se manifesta, não foi mencionada pela autoridade lançadora, e assim dispensa a apreciação da defesa correspondente. As irregularidades em sua escrituração justificam o arbitramento dos lucros, e a falta de atendimento a intimações tem conseqüências específicas previstas na legislação, que serão mais à frente abordadas. A falta de recolhimento e de declaração em DCTF integram a hipótese de aplicação da multa de 75% prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 24 23 Eventualmente a reiteração da conduta poderia conduzir à hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502/64, mas como dizer que o sujeito agiu para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazendária quando é apresentada DIPJ revelando sua apuração e sua receita bruta à Administração Tributária? Vejase, porém, o destaque feito pela autoridade lançadora acerca de vários meses de apuração do PIS e da COFINS estarem em branco na DIPJ, o que se confirma nos meses de janeiro/2003 a dezembro/2003, relativamente à Contribuição ao PIS (fls. 269/280), e de janeiro/2003 a março/2003, relativamente à COFINS. Contudo, os livros fiscais da contribuinte não revelaram atividade de janeiro/2003 a março/2003 (fls. 281/292), de modo que a omissão, na DIPJ, restringese à apuração da Contribuição ao PIS de abril/2003 a dezembro/2003. E, à primeira vista, a classificação das receitas da atividade como provenientes de exportação, no âmbito do IRPJ, como fez a recorrente (fl. 257), poderia ser uma forma de ocultar da autoridade fazendária a existência de receitas tributáveis no âmbito da Contribuição ao PIS. Todavia, ao indicar a existência de receitas decorrentes de revenda de mercadorias na mesma DIPJ, mas no âmbito da COFINS, o intuito de fraude na forma dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 resta descaracterizado. Acrescentese, por oportuno, que os valores dos débitos de Contribuição ao PIS e de COFINS informados na DIPJ em vários períodos de apuração superam aqueles exigidos nestes autos, evidenciando que as operações reveladas em sua DIPJ guardam grande proximidade do que estava registrado em seus livros fiscais. Somente destoa deste contexto a conduta da contribuinte ao longo do ano calendário 2006, quando não apresentou DIPJ, nem DCTF, embora os registros nos livros fiscais evidenciassem seu conhecimento de que auferiu receita tributável. Contudo, a acusação fiscal não distingue tal circunstância, como resta claro na reprodução dos dois parágrafos do Termo de Verificação Fiscal que sustentam a qualificação da penalidade: 46. Sobre os tributos apurados foram aplicadas as multas previstas no artigo 957, II, por entendermos que a fiscalizada agiu com dolo e simulação ao, repetidamente, ter preenchido suas DCTF sem declarar os valores apurados pelo próprio contribuinte, e informados em DIPJ. 47. Além disto, nas DIPJ, a fiscalizada deixou vários meses de apuração do PIS e da COFINS em branco, em meses em que, comprovadamente esta havia obtido significativas receitas brutas. Não sendo possível inovar a exigência sem prejuízo ao direito de defesa da interessada, mormente quando já transcorrido o prazo decadencial para tanto, resta concluir que a acusação fiscal não reúne evidências suficientes para qualificação da penalidade nos demais períodos autuados de abril/2003 a dezembro/2006. Por tais razões, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para afastar a qualificação da penalidade sobre as exigências de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS nos períodos de abril/2003 a dezembro/2006. A recorrente também questiona o agravamento da penalidade, reiterando que estava impossibilitada de atender às intimações, sendo desatenção da fiscalização a formulação ao contribuinte de nova exigência dos mesmos documentos apreendidos pela indigitada Agência Alfandegária de Viracopos, da qual se originaram os documentos que motivaram a fiscalização pela DRF/Campinas. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 25 24 A autoridade lançadora expressamente reconhece que a ação fiscal teve como motivação, representação da ALF/VIRACOPOS, cópia anexa, que levantou suspeição sobre as atividades da empresa ora fiscalizada. Contudo, referido documento não consta dos autos. Neles constatase, apenas, memorando enviado pela Alfândega de Viracopos, acompanhado dos documentos apreendidos na auditoria sobre comércio exterior (fl. 105), depois de iniciado o procedimento fiscal. Assim, não é possível afirmar que por meio da representação citada foi dado conhecimento à autoridade lançadora de que outro procedimento já teria sido iniciado pela Alfândega de Viracopos. Mas também não é possível negar que o agente fiscal teria conhecimento da apreensão de livros fiscais e do Livro Diário referentes aos anoscalendário 2003 a 2006, apresentados àquela outra Unidade. A dúvida impede a imputação de conseqüências ao sujeito passivo, pois no âmbito das penalidades o Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. (negrejouse) É certo que o Livro Razão foi objeto de intimação específica também não atendida pela contribuinte. Contudo, é preciso ter em conta que a Lei nº 9.430/96 assim trata o agravamento de penalidades: · Redação anterior: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) [...] § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 26 25 c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) · Redação vigente a partir da Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] (negrejouse) E a jurisprudência deste Conselho é forte no sentido de que a falta de atendimento a intimação fiscal para apresentação de livro, cuja conseqüência é o arbitramento dos lucros, não pode ensejar o agravamento da multa de ofício. Isto porque a exigência legal é no sentido de que não seja atendida, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos, e também porque a falta de apresentação, no caso, do Livro Razão, não impede o lançamento, vez que autoriza o arbitramento dos lucros. Neste sentido as recentes manifestações da Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA AGRAVADA E ARBITRAMENTO O que determina a aplicação da multa agravada é o não atendimento, no prazo assinalado, a intimação para prestar esclarecimentos. O não atendimento a intimação para apresentação de livros e documentos constitui hipótese legal de arbitramento dos lucros, não ensejando, por si só, o agravamento da penalidade. (Acórdão nº 9101000.766, sessão de 13 de dezembro de 2010) MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APRESENTAÇÃO PARCIAL DA DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVRO DIÁRIO E RAZÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para apresentação dos livros contábeis e documentação fiscal, já que estas omissões têm conseqüências específicas previstas na legislação de regência, que no caso foi o arbitramento do Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.008723/200801 Acórdão n.º 1101000.949 S1C1T1 Fl. 27 26 lucro em razão da falta da apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. (Acórdão nº 9101001.468, sessão de 16 de agosto de 2012). Considerando que as exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS de abril/2003 a dezembro/2006 poderiam ser formalizadas a partir dos elementos apreendidos pela Alfândega de Viracopos; que o arbitramento dos lucros do 2o trimestre/2003 ao 4o trimestre/2006 também tomou como referência as receitas conhecidas ali informadas; e que o arbitramento dos lucros do 1o trimestre/2007 ao 2o trimestre/2008, embora não se valendo daquelas informações, decorreu exclusivamente da falta de apresentação do livro Razão, diante de todo o exposto, não subsiste justificativa para o agravamento da penalidade. Imperioso, portanto, que seja DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para afastar o agravamento da penalidade aplicada sobre o crédito tributário mantido na decisão recorrida, bem como NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício na parte em que afastou, também, o agravamento da penalidade aplicada às exigências de IRPJ e CSLL no ano calendário 2008. Por fim, subsiste a aplicação da multa de 75% sobre o crédito tributário lançado, na medida em que os questionamentos acerca de seu caráter confiscatório, a pretensão de aplicação dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, e o reconhecimento de equidade não podem ser opostos à determinação legal expressa no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, na medida em que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Assim, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação da multa de 75% sobre o crédito tributário mantido na decisão recorrida, e DADO PROVIMENTO ao recurso de ofício para restabelecer a penalidade de 75% exonerada juntamente com as exigências principais de IRPJ e CSLL no anocalendário 2008. Diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR a argüição de decadência, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a qualificação e o agravamento da penalidade aplicada sobre as exigências mantidas na decisão recorrida e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer as exigências principais de IRPJ e CSLL pertinentes ao 1o e 2o trimestres de 2008, acompanhadas apenas da multa de ofício de 75% e juros de mora. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10320.001589/2010-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. REMUMERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. APLICAÇÃO. TAXA SELIC. MULTA
Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
No presente caso, a multa que mais beneficia a Recorrente é a do Artigo 61 da Lei 9.430 de 1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. REMUMERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. APLICAÇÃO. TAXA SELIC. MULTA Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No presente caso, a multa que mais beneficia a Recorrente é a do Artigo 61 da Lei 9.430 de 1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 15 89 /2 01 0- 84 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE BARRA DO CORDA/MA em face da decisão que manteve o lançamento do crédito tributário referente ao descumprimento de obrigação principal no período de 01/2006 a 12/2008. 2. De acordo com o relatório fiscal da infração (ff. 61/64), o crédito lançado referese às contribuições devidas à Seguridade Social parte da empresa e SAT, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e segurados contribuintes individuais constantes em folhas de pagamento e em recibos/notas de empenho, conforme transcrito abaixo: “2. O crédito ora lançado referese às diferenças de contribuições sociais devidas à Seguridade Social apuradas neste procedimento fiscalizatório, incidentes sobre a remuneração dos segurados acima mencionados, correspondentes à parte patronal dos segurados empregados (20%), à parte patronal dos segurados contribuintes individuais (20%), às contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados condutores autônomos de veículos automotores (base de cálculo de 20% sobre a remuneração, com alíquota de 20% sobre a base de cálculo) e às contribuições para o seguro acidente – RAT (1% até 05/2007 e 2% a partir de 06/2007), conforme descrito no ‘Discriminativo do Débito – DD’. (...) 4. Analisando as folhas de pagamento, notas de empenho e recibos de pagamento, foram encontrados, para todo o período fiscalizado, pagamentos a segurados contratados e a segurados contribuintes individuais que não constavam nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período.(...) 9. O fato de não informar em GFIP as remunerações apuradas e citadas nos parágrafos acima acarreta a não declaração da contribuição a cargo do Ente Público (patronal) de 20% sobre a remuneração dos segurados e às contribuições para o seguro acidente – RAT (1% até 05/2007 e 2% a partir de 06/2007). 10. Como pode ser comprovado, por amostragem são mostrados Folhas de Pagamento e Recibos de Pagamento onde pode ser constatado que a Prefeitura não efetuou os devidos descontos a cargo dos segurados acima especificados. Os fatos descritos incrementa por demais os Encargos Previdenciários da Prefeitura, devido ao fato de não terem sido contabilizados em GFIP e nem recolhidos através da Guia da Previdência Social (GPS) todas as contribuições descritas.(...) 15. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias foram constatados através de folhas de pagamento, notas de empenho e recibos de pagamento do Município, relativos às competências indicadas, cujos valores encontramse relacionados, por competência, nas planilhas “Servidores Empregados (total por secretaria)”, “Servidores Contribuintes Individuais Fl. 466DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10320.001589/201084 Acórdão n.º 2301003.504 S2C3T1 Fl. 466 3 não Informados em GFIP (geral)”, “Transportadores Rodoviários Autônomos não Informados em GFIP (geral)”, “Servidores Empregados não Informados em GFIP (total)” e “Servidores Contribuintes Individuais não Informados em GFIP (total)”, “Transportadores Rodoviários Autônomos (total)”. 3. Após ser devidamente intimado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva (ff. 357/381). Ao analisar os argumentos colacionados pelo contribuinte, o Colegiado de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constituído. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais. As contribuições previdenciárias incidentes estão previstas nos arts. 22, incisos I e II (parte da empresa e SAT sobre as remunerações dos empregados), e inciso III (parte da empresa sobre as remunerações dos contribuintes individuais) da Lei 8.212/91. Também foi incluída a contribuição decorrente do recolhimento em atraso de Guias da Previdência Social (GPS), consoante dispunham os arts. 34 e 35 da Lei 8.212/91. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Nenhum dos fatos jurídicos relevantes (competência para fiscalizar, arrecadar e cobrar; fundamentação legal de todas as rubricas etc) foi olvidado nos relatórios integrantes do presente crédito, ao contrário, sobre todos os fatos relevantes existe a fundamentação legal aplicável durante todo o período para o qual houve crédito constituído. TAXA DE JUROS. SELIC. A taxa de juros aplicada para atualização das contribuições sociais até novembro de 2008 é a taxa SELIC, consoante disposição do art. 34 da Lei 8.212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 4. Inconformado com a decisão proferida, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo (ff. 78/87), no qual alega em síntese que: a) não houve clareza na fundamentação legal da multa para explicar a constituição do crédito tributário, tendo sido utilizadas diversas alíquotas a título de multa, o que afronta os princípios da fundamentação e do contraditório, uma vez que impossibilita a apresentação de defesa específica; b) impõese a nulidade do auto de infração lavrado pela fiscalização, posto que aponta os dispositivos legais que regulamentam o caso de forma genérica, cabendo ao contribuinte descobrir qual dispositivo da norma indicada deu origem à infração, à penalidade e ao valor aplicável; e Fl. 467DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 c) a correção do crédito tributário não deve ser feita à base da taxa SELIC, pois esta é, ao mesmo tempo, inconstitucional e ilegal, vez que cria a figura do tributo rentável. 6. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual CONHEÇO do recurso. DO CERCEAMENTO DE DEFESA 2. O contribuinte sustenta que “não houve a clareza de fundamentação para explicar a constituição do crédito tributário”, isto porque foram utilizadas as diversas alíquotas a título de multa. com isso busca a nulidade do auto de infração por afronta ao princípio do contraditório e ao direito de defesa do contribuinte. 3. Como afirma o contribuinte, de fato, ao analisar detidamente os documentos que compõem o auto de infração, vêse que no relatório fiscal do lançamento, no que se refere à penalidade, há tão somente remissão aos “Fundamentos Legais de Débito – FLD”: 9. O crédito lançado, compreendendo valor originário, encontrase fundamentado na legislação constante do anexo de “Fundamentos Legais do Débito – FLS”, especialmente a Lei 8.212/91 e seu Regulamento, e descrito no “Discriminativo de Débito – DD”. 4. No entanto, ao contrário do que conclui o patrono, esse fato não nos leva a identificar qualquer irregularidade, até por que ao analisar o anexo de Fundamentos Legais do Débito – FLD, não foi encontrada nenhum vício, ou tampouco desrespeito ao que preleciona o art. 10 do Decreto 70.235/1972, o qual descreve os requisitos primordiais da constituição do auto de infração, qual seja, in verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; 5. In casu, nenhum dos elementos citados acima foram preteridos pela fiscalização, pelo contrário, o relatório é organizado por assunto e período de apuração, possibilitando a identificação clara do fato gerador e da penalidade correspondente, conforme trecho que transcrevo a seguir: 601 ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências : 02/2007 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35,1, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Fl. 468DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10320.001589/201084 Acórdão n.º 2301003.504 S2C3T1 Fl. 467 5 Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, "a", "b" e "c", parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NAO INCLUIDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUIDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO; 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificação; 40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA; 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não a tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcelamento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERA A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQUENTA POR CENTO). 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.07 Competências : 01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redação dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedições posteriores ate a MP n. 1.523 8, de 28.05.97, e reedições, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organização do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 , 1 , "á", "b", "c", parágrafos 1., 4. e 5. e art. 6 1 , paragrafo único; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, "a", "b" e "c", parágrafos 1., 4. e 7. e art. 242, paragrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINARIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MES SUBSEQUENTE AO DA COMPETENCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERIODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MES DO PAGAMENTO. 602.08 Competências: 12/2008 a 13/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP n. 449, de 04.12 2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINARIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE Fl. 469DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 CUSTODIA SELIC, A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SUBSEQUENTE AO VENCIMENTO DO PRAZO ATE O MES ANTERIOR AO DO PAGAMENTO B) 1% (UM POR CENTO) NO MES DO PAGAMENTO. 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências : 12/2008 a 13/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de Ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 9430/96, art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; 6. Dessa forma, cumpre ressaltar que tanto o auto de infração quanto o decisum recorrido encontramse devidamente fundamentados e motivados, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação do lançamento. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SAT 7. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente de riscos ambientais do trabalho, encontrase prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestes termos: a) “Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: b) (...) c) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) d) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; e) b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; f) c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave.” 8. Quanto a aposentadoria especial o Decreto 3.048/99 determina: Fl. 470DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10320.001589/201084 Acórdão n.º 2301003.504 S2C3T1 Fl. 468 7 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: (...) § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. 9. Conforme define Maria Helena Ribeiro em sua obra “Aposentadoria Especial: Regime Geral da Previdência Social” (2ª Edição: Curitiba: Juruá Editora, 2006) define o benefício como aquele destinado a garantir ao segurado do regime geral da Previdência Social, uma compensação pelo desgaste resultante do tempo de serviço prestado em condições prejudiciais à sua saúde ou integridade física. 10. E sobre a questão, o Judiciário vem se manifestando no sentido de que a cobrança para o SAT deve ser feita com base na consideração do grau de risco da atividade de cada estabelecimento da pessoa jurídica, desde que individualizado por CNPJ próprio, ou, quando houver apenas um registro, tomando por base o grau de risco da atividade preponderante. 11. Esse entendimento foi consolidado com a publicação da Súmula n.º 351 do STJ, verbis: “A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” 12. Nesse contexto, com o intuito de uniformizar, também no âmbito da Administração Pública, o entendimento já pacificado pelo Poder Judiciário, evitando que a discussão da matéria tenha de ser levada aos tribunais, foi publicado o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120/2011, em novembro de 2011, que restou ementada nos seguintes termos: “Contribuição Previdenciária. Alíquota. Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houve apenas um registro. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto n.º 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda.” Fl. 471DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 13. No presente caso a fiscalização ao analisar as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações À Previdência Social – GFIP’s do período, constatou que a prefeitura considerou para a citada contribuição a alíquota de 0%, no entanto conforme determinado no anexo V, CNAE 8411/00, do Decreto nº 3.148, alterado elo Decreto nº 6.042 de 12/02/2007, a referida alíquota foi alterada para 2% a partir da competência 06/2007. 14. No relatório fiscal o auditor ainda descreve que os fatos geradores das contribuições previdenciárias foram constatados através das GFIP’s, relativas às competências indicadas, cujos valores encontramse relacionados por competência, nas planilhas “Servidores Empregados não informados em GFIP (total)” o que combate de pronto o argumento suscitado pela recorrente de que a fiscalização não indicou os trabalhadores, tendo em vista que foi feito o devido batimento entre as Guias apresentadas e a folha de pagamento apresentada pela empresa. 15. Ademais, compulsando os autos, entendo que o Município, por sua vez, não carreou ao processo documentação apta a desqualificar o enquadramento apontado pelo fisco na presente ação fiscal. 16. Dessa forma, não vejo como retificar a decisão de primeira instância no tocante à alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC 17. A utilização da taxa SELIC não é indevida no caso em análise. À época do fato gerador, a utilização da referida taxa era expressamente autorizada pelo art. 34 da Lei 8.212/91. 18. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 19. No mesmo sentido, devese ressaltar que a utilização da taxa SELIC no caso em análise não ocorreu por determinação do Banco Central, e sim em face do art. 34 da Lei 8.212/91, vigente à época do lançamento, e da súmula nº 04 deste Conselho. DA APLICAÇÃO DA MULTA 20. No que se refere à aplicação da multa, caso o Fisco identifique benefício penalidade nova ao contribuinte, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei 8.212/1991, assim disposto: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 21. E o citado art. 61, da Lei 9.430/96, por sua vez, assevera: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores Fl. 472DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10320.001589/201084 Acórdão n.º 2301003.504 S2C3T1 Fl. 469 9 ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 22. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 23. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, se mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 24. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que seja aplicada a multa prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 473DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 13830.900180/2006-02
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO E DÉBITO DE MESMO PERÍODO. REEXAME DO PLEITO.
Restando incoerente a suposta tentativa de compensação de valores relativos ao mesmo período, admitem-se os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, a evidenciar a existência de erro de fato, devendo, superada a ilogicidade, ser reexaminado o pleito pelo órgão de origem.
Numero da decisão: 1803-001.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Marcos Antônio Pires.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO E DÉBITO DE MESMO PERÍODO. REEXAME DO PLEITO. Restando incoerente a suposta tentativa de compensação de valores relativos ao mesmo período, admitem-se os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, a evidenciar a existência de erro de fato, devendo, superada a ilogicidade, ser reexaminado o pleito pelo órgão de origem.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Marcos Antônio Pires.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1220; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 110 1 109 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.900180/200602 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.839 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de setembro de 2013 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO Recorrente COMÉRCIO DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO CICALTU LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO E DÉBITO DE MESMO PERÍODO. REEXAME DO PLEITO. Restando incoerente a suposta tentativa de compensação de valores relativos ao mesmo período, admitemse os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, a evidenciar a existência de erro de fato, devendo, superada a ilogicidade, ser reexaminado o pleito pelo órgão de origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 01 80 /2 00 6- 02 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13830.900180/200602 Acórdão n.º 1803001.839 S1TE03 Fl. 111 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Marcos Antônio Pires. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13830.900180/200602 Acórdão n.º 1803001.839 S1TE03 Fl. 112 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 34): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ (código de receita: 2362) de sua responsabilidade, período de apuração de abril a junho de 2003, com crédito decorrente de Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao 2º trimestre de 2003, no valor de R$ 5.255,47 (fl. 05). Por intermédio do despacho decisório de fl. 07, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologadas as compensações declaradas na PER/Dcomp de nº 28363.73988.150803.1.3.026834, ao fundamento de que “não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/Dcomp”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 12/14, na qual alega, em síntese, que: a) a exigência dos autos decorre da não confirmação do crédito referente ao imposto de renda pessoa jurídica, correspondente ao período de 01/04/2003 a 30/06/2003, no valor de R$ 5.255,47, acrescida de multa e juros; b) a quitação do referido imposto foi efetuado mediante compensação com valores recolhidos a maior em exercícios anteriores (anosbase 1995, 1996, 1997 e 1998); c) nos anosbase de 1996, 1997 e 1998, a empresa apresentou prejuízo fiscal, conforme demonstrado nas fichas de Demonstração do Lucro Real, bem como apresentou saldo de pagamento de IRPJ, passível de compensação em períodos posteriores, conforme fichas de Cálculo do Imposto de Renda, pertencentes às declarações de rendimentos da pessoa jurídica, entregues em épocas oportunas; d) como nos anosbase subsequentes a 1996, a empresa apresentou prejuízo fiscal, com exceção do anobase de 2000, os recolhimentos devidos referentes ao imposto a ser recolhido mensalmente por estimativa foram sendo compensados, de conformidade com as DIPJ apresentadas nas épocas oportunas; e) o crédito relativo ao anobase de 2002, a ser compensado em 2003, foi de R$ 26.670,91, conforme DIPJ/2003, entregue em 28/06/2003; f) o valor original do saldo negativo informado na PER/Dcomp diverge do valor do saldo negativo informado na DIPJ, em razão do programa exigir informação de valores iguais, ou seja, o valor do pedido a ser compensado e o valor do crédito de saldo negativo tem que ser idênticos; g) o direito de compensar o valor do imposto de renda pago a maior em exercícios anteriores é perfeitamente legal. Ao final, requer que seja acolhida a presente impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 33): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13830.900180/200602 Acórdão n.º 1803001.839 S1TE03 Fl. 113 4 O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PERANTE A AUTORIDADE JULGADORA. Caracteriza novo pedido, a exigir os trâmites próprios, a pretensão de reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, formulado na manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 12/04/2011 (fls. 41), a tempo, em 09/05/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 42 a 55, instruído com os documentos de fls. 56 a 107, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13830.900180/200602 Acórdão n.º 1803001.839 S1TE03 Fl. 114 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Cumpre destacar, de início, que se está diante de suposta tentativa de compensação de valores relativos ao mesmo período (01/04/2003 a 31/07/2003), apenas que atinentes, o débito, a estimativas a pagar de IRPJ, e o crédito, a IRPJ trimestral, ambos de mesmos valores, o que se mostra incoerente (fls. 5): Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13830.900180/200602 Acórdão n.º 1803001.839 S1TE03 Fl. 115 6 5. A própria decisão recorrida reconhece esse fato, ao afirmar que (fls. 35): Nesse sentido, ressaltese que, no caso em tela, a interessada pleiteia compensação de débitos de IRPJ dos meses de abril, maio e junho, todos de 2003, com suposto direito creditório relativo ao mesmo período, isto é, apurado no 2º trimestre do anocalendário de 2003, pela sistemática do lucro real trimestral. Tal constatação evidencia a inconsistência lógica do pedido, por evidente impossibilidade de apuração simultânea de débito e crédito do imposto no mesmo período. 6. Em suas manifestação de inconformidade e Recurso, afirma a Recorrente que o crédito seria atinente a saldo negativo do anocalendário de 2002, e não a do segundo trimestre de 2003, como declarado, o que evidencia a existência de erro de fato, devendo, superada a ilogicidade, ser reexaminado o pleito pelo órgão de origem. Conclusão 7. Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine o pleito de compensação, considerando, como direito creditório requerido, o saldo negativo do anocalendário de 2002, e não o do segundo trimestre de 2003. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10980.726398/2011-36
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 98 /2 01 1- 36 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COTRANS LOCAÇÃO DE VEICULOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Curitiba (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de notificação eletrônica de lançamento (fl. 36) emitida em virtude de entrega intempestiva da DCTF. Alega a impugnante a nulidade da ação fiscal e do auto de infração, capitulação legal equivocada, decadência e cobrança abusiva dos juros de mora. A DRJ CuritibaPR , através do acórdão nº 0640.030, de 27 de março de 2013 (fls. 47/51), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na apresentação da DCTF é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da respectiva declaração. Ciente da decisão em 25/04/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 55), apresentou o recurso voluntário em 21/05/2013, onde pugna pela improcedência do lançamento alegando estar albergada pelo instituto da denúncia espontânea e o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.726398/201136 Acórdão n.º 1803001.872 S1TE03 Fl. 84 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de DCTF. Alega a recorrente que estaria albergada pelo instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, pois entregou a DCTF antes de qualquer procedimento fiscal. Alude também quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, o que ensejaria a sua inconstitucionalidade e conseqüente desconstituição do lançamento. Não assiste razão à interessada. As matérias alegadas no recurso voluntário não foram objeto de prequestionamento na impugnação, mas em homenagem ao amplo direito de defesa serão apreciadas no presente voto. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que é defeso ao colegiado julgador administrativo enveredar na análise da constitucionalidade da lei tributária, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não colhe a recorrente no que tange ao instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Com efeito, o acolhimento da tese da denúncia espontânea quando presentes seus pressupostos, somente se aplica em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias (multa pelo atraso na entrega de declarações por exemplo). Neste sentido, a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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