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Numero do processo: 13603.720042/2007-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 09/06/2004
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO."EX" TARIFÁRIO. APLICAÇÃO.
Os "ex" tarifários estabelecidos para reduzir o Imposto de Importação têm aplicação restrita aos bens expressamente discriminados no ato ministerial e decorrem de prévio exame da Administração Pública, mormente de similaridade, com o objetivo de proteger a indústria nacional, descabendo a interpretação extensiva de forma a beneficiar bens não especificados no ato ministerial e cujas características e finalidades sejam completamente distintas das que foram contempladas.
ESTAQUE EX. INDICAÇÃO INCORRETA. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO.
Exclui-se a multa de ofício dos créditos tributários lançados e exigidos em decorrência de indicação incorreta do destaque ex, tendo em vista a descrição correta do produto importado, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário, nos casos em que não se constate intuito doloso ou má-fé por parte do declarante.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-001.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Bernardo Motta Moreira. A conselheira Fábia Regina Freitas declarou-se impedida. Fez sustentação pela recorrente o advogado Igor Vasconcelos Saldanha, OAB/DF 20.191.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 09/06/2004 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO."EX" TARIFÁRIO. APLICAÇÃO. Os "ex" tarifários estabelecidos para reduzir o Imposto de Importação têm aplicação restrita aos bens expressamente discriminados no ato ministerial e decorrem de prévio exame da Administração Pública, mormente de similaridade, com o objetivo de proteger a indústria nacional, descabendo a interpretação extensiva de forma a beneficiar bens não especificados no ato ministerial e cujas características e finalidades sejam completamente distintas das que foram contempladas. ESTAQUE EX. INDICAÇÃO INCORRETA. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. Excluise a multa de ofício dos créditos tributários lançados e exigidos em decorrência de indicação incorreta do destaque “ex”, tendo em vista a descrição correta do produto importado, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário, nos casos em que não se constate intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Bernardo Motta Moreira. A conselheira Fábia Regina Freitas declarouse impedida. Fez sustentação pela recorrente o advogado Igor Vasconcelos Saldanha, OAB/DF 20.191. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 00 42 /2 00 7- 06 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Recife que julgou improcedente a impugnação interposta contra os lançamentos dos créditos tributários referentes ao Imposto de Importação, ao Imposto sobre Produtos Industrializados, ao PIS Importação, à Cofins Importação, ao PIS Importação, acrescidos das cominações legais, multa de oficio e juros de mora, e, ainda, multas regulamentares, referentes ao fato gerador ocorrido na data de 9 de junho de 2004. Os lançamentos decorreram da classificação equivocada de produto importado, adotado pela recorrente no “ex” indicado na Subposição 7426.41.00, gerando diferenças de tributos a recolher, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de cada um dos autos de infração e Relatório de Fiscalização Fiscal às fls. 27/51. Cientificada das exações, a interessada impugnou os lançamentos (fls. 143/156), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: Nas Preliminares: 1) Da incompatibilidade com o Tratado de Assunção: Alega que uma alíquota do II de 35% não é compatível com os objetivos traçados pelo Mercosul, cujo Acordo prevê que nas relações com terceiros países, os Estados Partes assegurarão condições eqüitativas de comércio, para tal fim aplicando suas legislações nacionais para inibir importações cujos preços estejam influenciados por subsídios, dumping ou qualquer outra prática desleal. Que por essa razão a exegese defendida no AI caminha em sentido diametralmente oposto aos fins visados pelo Tratado de Assunção, promulgado no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 350, de 1991. Afirma que a tese defendida pela autuação (erro na classificação fiscal da mercadoria importada) “...ultrapassa barreiras intransponíveis, como a da política de comércio exterior assumida no Mercosul ou ainda a inalterabilidade dos conceitos jurídicos informados por nossa legislação (art. 110 CTN)” 2) Da Falta de motivação: Alega que a aplicação da alíquota do II de 35% terseia dado por exclusão, assim se expressando a autoridade lançadora no Relatório Fiscal: “...estará sujeita à alíquota ad valorem normal do Imposto de Importação II devido para classificações fiscais NCM TEC adotadas...”, ou seja, não se enquadrando no “Ex” (alíquota reduzida), enquadrase na alíquota regular prevista na NCM/TEC. No Mérito: 3) Das características e classificação do bem: Fl. 290DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13603.720042/200706 Acórdão n.º 3301001.878 S3C3T1 Fl. 287 3 A autoridade lançadora partiu de suposições irrelevantes, como a do número de cabines e a de velocidade máxima do veículo, esquecendose do fundamental: verificar se tal veículo especial é assim conceituado pela legislação, pois na NCM não se encontra nenhum “caminhãoguindaste”, ultrapassando, pois, a exegese proposta pelo lançamento, o limite traçado pelo Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que “...A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias” (art. 110, CTN). Não obstante esse equívoco da proposta de “...nova conceituação para veículos especiais...”, é de se observar que nem mesmo a exegese com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se mostra convergente à classificação do equipamento importado em “Ex” diverso do utilizada pelo contribuinteimportador. Na tentativa de demonstrar as divergências de classificação, o Relatório Fiscal traz a informação de que a autoridade lançadora partiu das Notas explicativas do SH (NESH) referentes às Posições 8426 e 8705, donde teria resultado a exclusão do Guindaste importado da Posição 8426 e remessa para a Posição 8705. Curioso observar, no entanto, que a Posição 8705 traz notas explicativas em sentido inverso ao proposto pela posição 8426, a saber: “.....Pelo contrário, permanecem classificados, por exemplo, nas posições 84.26, 84.29 e 84.30, os aparelhos e máquinas autopropulsores (guindastes, escavadoras, etc.) em que um ou mais dos mecanismos de propulsão ou de comando acima mencionados se encontram reunidos na cabine da máquina de trabalho montados sobre um chassi com rodas ou lagartas, mesmo que o conjunto seja capaz de circular por estrada ou por seus próprios meios”. A exigência, como visto, é a da reunião em uma só cabine de comando dos mecanismos de propulsão ou de comando, aí não se incluindo, por óbvio, os mecanismos de direção e de movimentação do veículo, como sugere, ao contrário, a interpretação da autoridade lançadora. Houve, portanto, equívoco da autoridade lançadora ao restringir a análise da classificação da mercadoria às RGI nºs 1 e 6 do SH, incorporadas pela NCM e NBM, devendose aplicar ao bem a RGI 3 a), que versa sobre a prevalência da Posição mais específica sobre a mais genérica. Cita as NESH sobre o assunto e afirma que um “Ex” que identifique claramente a mercadoria importada, como é o caso do indicado pelo importador deve ser tido como mais específico. Não obstante, ratifiquese, ter essa interpretação incorrido no erro ainda maior, que foi o de ignorar as limitações impostas pelo artigo 110, do CTN, seguindo em direção contrária à política de comércio exterior determinada pelo Tratado de Assunção (MERCOSUL). Impõese, a conclusão, portanto, que a classificação fiscal com base na “EX” n° 005 (Resolução Camex n° 16/2003) está correta, tornando justo o benefício fiscal de redução de alíquota usufruído pela autuada. A acusação da prática de infrações teve como ponto comum ou núcleo a suposta “inobservância de normas estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo” (art. 602, Decreto n° 4.543/2002). Depreendese que a pretensa não observância resultou de uma Fl. 291DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 interpretação errônea e equivocada do conteúdo de atos administrativos destinados a integrar o Regulamento Aduaneiro. Tendo se tornado incontroverso que não se trata de descumprimento aos literais termos de lei, mas sim de uma inferência de desrespeito de normas extraída da exegese desses termos, já se tem como suficiente o afastamento da prática de ilícito, para efeito de se caracterizar infrações e aplicar sanções, nos moldes pretendidos nos autos. Exame mais cuidadoso da matéria sob as luzes do CTN e do Regulamento Aduaneiro como um todo acaba por revelar, contudo, que a acusação de erro de classificação de fato não ocorreu na espécie. Levandose em consideração que foi esse o fundamento básico para as autuações, a sua exclusão há de levar à constatação de inexistência de tipicidade e, pois, à anulação ou revogação dos Autos de Infração, objeto das objeções veiculadas nessa impugnação. 3) Das multas. Cumulatividade e confisco: A aplicação das multa em duplicidade caracteriza a ilegalidade do lançamento, em primeiro lugar porque são aplicadas sobre a mesma base de cálculo e em segundo lugar porque nos AI lavrados propõese a aplicação de penalidades diversas atribuídas a fontes diversas “...Gatt, Regulamento Aduaneiro...”, o que se configura como confisco, nos termos da Carta magna vigente; também é questionável a aplicação da taxa selic para o cômputo dos juros de mora. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 1136.625, datado de 11/04/2012, às fls. 226/246, sob as seguintes ementas: “Classificação incorreta de mercadoria As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) Tarifa Externa Comum (TEC) e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Caminhãoguindaste, autopropulsado, pneumático, com capacidade máxima de carga de 55 t, com lança telescópica, com alcance de 2,5m., montado em chassi próprio de caminhão, provido de cabines separadas, uma comportando os comandos próprios de locomoção do veículo: motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de marchas (velocidades), órgãos de direção e de travagem, e a outra com os comandos pertinentes às operações da haste, classificase na Subposição 8705.10.00, da NCM/TEC e NBM/TIPI, vigentes à época da ocorrência do fato gerador. Insuficiência de recolhimento do II. Multa de ofício de 75% Constatado o não recolhimento de diferença do II incidente sobre o bem importado, em razão de erro ocorrido em sua classificação fiscal, e consequente não enquadramento em Destaque tarifário previsto pela Resolução Camex nº 13, de 2003, alterada pelo artigo 6º da Resolução Camex nº 16, de 2003. e nº 5, de 2004, cabe o lançamento da diferença desse imposto, acrescida de juros de mora e da multa de ofício de 75%. Classificação incorreta de mercadoria. Multa de 1% sobre o seu valor aduaneiro Fl. 292DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13603.720042/200706 Acórdão n.º 3301001.878 S3C3T1 Fl. 288 5 Pela classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC, cabe a aplicação da multa proporcional ao seu valor aduaneiro (1%). Insuficiência de recolhimento do IPI. Multa de Ofício Em razão do agravamento da alíquota do II, em decorrência da reclassificação fiscal da mercadoria importada, ocorreu alteração na base de cálculo do IPI, além de majoração da alíquota do IPI incidente sobre a mercadoria abrangida pelo novo código (de 3,5% para 5%), cabendo, portanto, o lançamento da diferença do imposto, acrescida de juros de mora e multa de ofício. Insuficiência de recolhimento da Cofins. Multa de Ofício Em razão da reclassificação fiscal da mercadoria importada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa contribuição e o recolhimento de sua diferença, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004, acrescida dos juros de mora e da multa de ofício de 75%, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996. Insuficiência de recolhimento do PIS/PASEP. Multa de Ofício Em razão da reclassificação fiscal da mercadoria importada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa contribuição e o recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004, acrescida dos juros moratórios e da multa de ofício de 75%., nos termos da Lei nº 9.430, de 1996. Revisão de Ofício Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu dever, deve proceder à revisão de ofício e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião do desembaraço da mercadoria, além dos acréscimos legais e regulamentares cabíveis.” Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls.272/276), requerendo a sua a reforma a fim de que se cancele os lançamentos, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na impugnação, e subsidiariamente e por cautela, caso se entenda que houve classificação errônea do bem, sejam excluídas as multas de ofício da composição dos créditos tributários, com base no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 10/02/2002, que declarou não constituir infração punível a indicação indevida de destaque “ex” quando ausentes o dolo e a máfé, como no presente caso. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 As questões opostas nesta fase recursal se restringem à classificação fiscal do produto importado e à exclusão das multas de ofício. I – classificação fiscal A recorrente importou guindaste móvel telescópico, com capacidade máxima de carga de 55 t, alcance de 2,5 m, marca LIEBHERR, Modelo LTM 1055/1, número de série 055626, chassis nº WO93735004ELO5432, PN nº 055626, AFM nº 54073000304, item nº AFM 001, e o classificou na Subposição 8426.41.00 da NCM/TEC, e enquadrando em “Ex”. A classificação fiscal de mercadorias é feita de conformidade com as Regras Gerais Interpretativas (RGI) para o Sistema Harmonizado de Designação de Codificação de Mercadorias (SH) que constam do Anexo à Convenção Internacional de mesmo nome, aprovada, no Brasil, pelo Decreto nº 97.409, de 23/12/1988, alterado pelo Decreto nº 766, de 03/03/1993, e pelas Regras Gerais Complementares à Nomenclatura Comum do Mercosul (RGC/NCM/TEC/TIPI). Assim, a base legal para a classificação de mercadorias na nomenclatura do SH é a RGI1 e na NCM/SH as RCG. Segundo a RGI1 a classificação deve ser feita pelos textos das Posições e das Notas de Seção e de Capítulo, recorrendose às demais RG quando não for possível o enquadramento pela aplicação da RGI1 ou caso de mercadorias com características específicas. Por seu turno, a RG16 aplicase às Subposições enquanto as RCG são utilizadas para a NCM (Item e Subitem). Ressaltamos que, ao citar a NCM, está se reportando apenas à Nomenclatura (código e designação da mercadoria) e, quando for mencionada a NCM/TEC, a referência diz respeito ao código a à designação do produto mais a alíquota do imposto de importação. As Regras Gerais para Interpretação estabelecem uma hierarquia na classificação da mercadoria dentro do SH, de forma que uma mercadoria sempre se classifique primeiramente em uma posição (primeiros quatro dígitos da classificação). Somente após enquadrada em uma posição poderá ser feito o enquadramento nas subposições e posteriormente nos itens, subitens e em último lugar o enquadramento em “Ex” tarifário. Assim, uma mercadoria só faz jus a um “Ex” tarifário se ela for corretamente classificável na posição, subposição e item onde está o referido “Ex”. A Regra n° 1, assim dispõe: “Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes ...” Já Regra nº 6 estabelece: “A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário.” Fl. 294DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13603.720042/200706 Acórdão n.º 3301001.878 S3C3T1 Fl. 289 7 O SH é complementado por Notas Explicativas do próprio Sistema (NESH), concebidas para facilitar sua implementação e, além disso, assegurar sua interpretação uniforme pelos diversos países. As NESH aplicadas, no SH, na versão em língua portuguesa foram aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27/01/1992, que assim dispõe: “Art. 1° São aprovadas as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, do Conselho de Cooperação Aduaneira, com sede em Bruxelas, Bélgica, na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, anexas a este Decreto. Parágrafo único. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome.” Segundo a TIPI, vigente na data do fato gerador dos tributos em discussão, a classificação na NCM 87.05 abrange as seguintes mercadorias (bens/produtos): “Veículos automóveis para usos especiais (por exemplo, autosocorros, caminhõesguindastes, veículos de combate a incêndio, caminhõesbetoneiras, veículos para varrer, veículos para espalhar, veículosoficinas, veículos radiológicos), exceto os concebidos principalmente para transporte de pessoas ou de mercadorias”; a NCM 87.05.10 abrange:“Caminhõesguindastes”; e a NCM 87.05.10.00: “Com haste telescópica de altura máxima superior ou igual a 42 m, capacidade máxima de elevação superior ou igual a 60 toneladas, segundo a Norma DIN 15019, Parte 2, e com 2 ou mais eixos de rodas direcionáveis”. Ressaltamos que, para esta classificação, inexiste “Ex” Ora, a mercadoria (bem) importado pela recorrente e objeto dos lançamentos em discussão, descrito anteriormente, se enquadra na NCM 8705.10.00, então vigente. Portanto, correta as diferenças de tributos apurados em decorrência da classificação fiscal equivocada adotada pela recorrente, objeto dos lançamentos em discussão. II – Multas de Ofício. Além das diferenças de II, IPI, PIS Importação e Cofins Importação, foram também lançadas as respectivas multas de ofício, com fundamento na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...].” Fl. 295DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 No entanto, o Secretário da Receita Federal, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24/08/2001, e considerando o disposto no art. 84. e seu § 2º, da MP nº 2.15835, de 24/08/2001, expediu o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 10/09/2002, declarando: “Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.” No presente caso, o produto foi corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado pela recorrente. Dessa forma, as multas de ofício aplicadas sobre as diferenças de tributos lançadas e exigidas por meio dos lançamentos de ofício em discussão devem ser excluídas dos respectivos totais. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente para excluir as multas de ofício, no percentual de 75,0 %, aplicadas sobre as diferenças dos tributos lançados e exigidos por meio dos lançamentos em discussão (II, IPI, PIS Importação e Cofins Importação). (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 296DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16151.000644/2010-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. PRÓ-LABORE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A Lei n° 8.212/91, ao tratar da incidência de contribuições sobre os valores pagos aos contribuintes individuais, é clara quanto à incidência apenas quando configurada a natureza de remuneração. É o caso do pró-labore. Todavia, para que assim seja classificado o pagamento, necessário que no balanço contábil da empresa estejam os valores lançados como dispêndio em razão de pagamento de remuneração. No caso em comento, o balanço patrimonial da Recorrente demonstra justamente o contrário. Verifica-se que os valores apontados nas contas correntes dos sócios como gastos sofridos pela empresa estão, em sua totalidade, lançados no balanço como sendo parte do ativo circulante realizável a curto prazo. Vale dizer que, o registro desses valores em conta patrimonial (ativo) de curto prazo, embora gere expectativa de realização (recebimento) a curto prazo, não é suficiente para caracterizar pró-labore de sócios, pois não transitou em conta de despesa e tem liquidações parciais no curto prazo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. No mérito, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo, em dar provimento parcial para exclusão dos valores relativos às contas 12.303 e 12.304.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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Recorrente CALZA E SALLES E ADVOGADOS ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. PRÓLABORE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A Lei n° 8.212/91, ao tratar da incidência de contribuições sobre os valores pagos aos contribuintes individuais, é clara quanto à incidência apenas quando configurada a natureza de remuneração. É o caso do prólabore. Todavia, para que assim seja classificado o pagamento, necessário que no balanço contábil da empresa estejam os valores lançados como dispêndio em razão de pagamento de remuneração. No caso em comento, o balanço patrimonial da Recorrente demonstra justamente o contrário. Verificase que os valores apontados nas contas correntes dos sócios como gastos sofridos pela empresa estão, em sua totalidade, lançados no balanço como sendo parte do ativo circulante realizável a curto prazo. Vale dizer que, o registro desses valores em conta patrimonial (ativo) de curto prazo, embora gere expectativa de realização (recebimento) a curto prazo, não é suficiente para caracterizar prólabore de sócios, pois não transitou em conta de despesa e tem liquidações parciais no curto prazo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 00 06 44 /2 01 0- 94 Fl. 920DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. No mérito, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo, em dar provimento parcial para exclusão dos valores relativos às contas 12.303 e 12.304. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 16151.000644/201094 Acórdão n.º 2402003.472 S2C4T2 Fl. 911 3 Relatório Tratase de crédito tributário AI DEBCAD n° 37.275.8410, criado através de desmembramento em razão de equívoco realizado quando do pedido de parcelamento de parte do débito lançado no AI DEBCAD n° 37.230.5555 referente às competências de 06/2004 a 12/2004 do levantamento “autônomos”, que resultou em transferência de valores ao AI DEBCAD n° 37.273.6149 (COMPROT n° 16151.000466/201000). Na ocasião, por equívoco, juntamente aos valores de levantamentos de autônomos, foram também transferidas as competências de 06/2004 a 12/2004 que se referiam ao levantamento de PLB ao novo DEBCAD, sendo necessário um novo desmembramento DEBCAD sob n° 37.275.8410, ora em julgamento, este apensado ao processo de origem (COMPROT n° 19515.001859/200919), devendo acompanhar o seu resultado. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação do Recurso Voluntário (Fls. 858/863). É o relatório. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES 4 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Preliminarmente O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No Mérito A Lei n° 8.212/91, em seu art. 30, II, prevê a incidência da contribuição previdenciária a cargo do contribuinte individual sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês. Em complemento, a Lei n° 10.666/03, em seu art. 4°, atribui à empresa a obrigação de arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. No caso em tela, discutese se os valores verificados nos livros contábeis da Recorrente são decorrentes de pagamento de prólabore. A autoridade fiscal pautou a autuação em levantamento que demonstrou, nas contas da empresa, pagamentos diretos e indiretos aos sócios na forma de transferências bancárias para contas correntes e pagamentos de despesas particulares como cartão de crédito, veículos, contas, liquidação de dívidas, condomínios, seguro residencial, cursos, previdência privada, etc. Da verificação dos documentos apresentados pela fiscalização e dos balanços apresentados pela empresa (às fls. 186/199), entendo de forma diferente. Isto porque, da análise dos balanços fornecidos pela empresa, mais especificamente às fls. 186, é possível verificar que todos os valores pagos aos sócios, direta ou indiretamente, lançados em suas contas correntes (fls. 190/194), em verdade, foram lançados pela empresa como parte de seu ativo, ou seja, à receber. 12303 (CONTAS CORRENTES SÓCIOS FERNANDO CALZA SALLES FREIRE): onde foram verificados pagamentos ao sócio gerente Fernando Calza Salles Freire (depósitos e transferências bancárias para contas corrente particulares) e pagamento de despesas com cartão de crédito, veículos, contas e liquidação de dívidas. 12304 (CONTAS CORRENTES SÓCIOS VICTOR LUIS SALLES FREIRE): onde foram verificados pagamentos efetuados ao sócio gerente Victor Luis Salles Freire (depósitos e transferências bancárias para contas corrente particulares) e pagamentos de despesas particulares diversas: despesas com veículos de familiares e terceiros, depósitos/transferências bancárias para conta corrente de familiares, despesas com empregados pessoais (motorista, domésticos, fazenda), condomínios, cartão de crédito, financiamentos de automóveis, abatimento de contratos pessoais de mútuo, seguro residencial, compras de equipamentos). Por outro lado, existem também valores contabilizados no passivo, são eles: Fl. 923DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 16151.000644/201094 Acórdão n.º 2402003.472 S2C4T2 Fl. 912 5 46220 (CONVENÇÕES, CURSOS E PALESTRAS): foram verificados pagamentos efetuados a Fundação São Paulo Cogeae PUC em benefício de Gisela de Salles Freire. 48007 (IMPOSTO S/PROPR. VEIO AUTOMOTOR), . 462210 (MULTAS NÃO DEDUTÍVEIS), 46230 (DESPESAS COM VEÍCULOS), 46259 (LICENCIAMENTO DE VEÍCULOS), 46276 ( PRÊMIOS DE SEGUROS): onde foram verificadas despesas referentes a veículos diversos que não são de propriedade do contribuinte. Foram verificados pagamentos de multas de trânsito diversas, IPVA, licenciamentos, manutenção, seguros, despesas com despachantes, seguro obrigatório. 46286 (PREVIDÊNCIA PRIVADA): pagamentos referentes à previdência privada para Victor Luis Salles Freire e Thais Calza Freire. A Lei n° 8.212/91, ao tratar da incidência de contribuições sobre os valores pagos aos contribuintes individuais, é clara quanto à incidência apenas quando configurada a natureza de remuneração. É o caso do prólabore. Todavia, para que assim seja classificado o pagamento, necessário que no balanço contábil da empresa estejam os valores lançados como dispêndio em razão de pagamento de remuneração. No caso em comento, o balanço patrimonial da Recorrente demonstra justamente o contrário. Verificase que os valores apontados nas contas correntes dos sócios Fernando Calza Salles Freire (fls. 190) e Victor Luis Salles Freire (191/194) como gastos sofridos pela empresa estão, em sua totalidade, lançados no balanço como sendo parte do ativo circulante realizável a curto prazo. Ainda, os valores registrados nas contas contábeis 12303 e 12304 não transitaram pelo resultado do exercício, nem tampouco em conta de despesa, foram integralmente registrados em conta patrimonial (valores a receber com os sócios). Vale dizer que, o registro desses valores em conta patrimonial (ativo) de curto prazo, embora gere expectativa de realização (recebimento) a curto prazo, não é suficiente para caracterizar prólabore de sócios, pois não transitou em conta de despesa e tem liquidações parciais no curto prazo (vide razão contábil fls 879 a 883). Da mesma forma que a empresa tem registro de valores a receber dos sócios, também apresenta Balanço Patrimonial com obrigação da empresa para com os mesmos sócios, vide Balanço Patrimonial em fls. 878 (saldo do Patrimônio Líquido). Para a contabilidade, “O ativo circulante é o primeiro grupo de contas do Ativo. (...) é o grupo de maior liquidez no ativo da empresa.” (MARION, José Carlos. Contabilidade Empresarial. 13ª Edição. São Paulo: Atlas, 2008. p. 269/270). Portanto, os valores lançados como ativo circulante são, para a empresa, aqueles que ela tem a receber a curto ou longo prazo. Por sua vez, os valores apontados no balanço da empresa como disponíveis para retirada dos sócios por prólabore estão destacados no grupo “Passivo Circulante”, na classificação de contas a pagar (fls. 188) e em valor que nada se relaciona aos valores utilizados pela fiscalização como base de cálculo das contribuições devidas. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES 6 Vale mencionar que, em momento algum, fora demonstrado pela autoridade fiscal a efetiva ocorrência de retirada de prólabore pelos sócios da empresa. Ainda, quanto aos apontamentos referentes ao pagamento de cursos e palestras, da mesma forma não se verifica a natureza remuneratória destes valores, uma vez que jamais compuseram a remuneração dos sócios ou empregados já que pagos diretamente às instituições de ensino. Desta forma, verificado o não pagamento de remuneração aos sócios à título de prólabore no período da fiscalização, necessário o provimento do recurso voluntário e, por conseqüência, o cancelamento do auto de infração. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do recurso e a ele dou provimento parcial para excluir do débito os valores referentes às contas 12303 (CONTAS CORRENTES SÓCIOS FERNANDO CALZA SALLES FREIRE) e 12304 (CONTAS CORRENTES SÓCIOS VICTOR LUIS SALLES FREIRE). É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 925DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/08/201 3 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES
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Numero do processo: 10945.002333/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004
COFINS NÃO-CUMULUTIVA. ISENÇÃO. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO.
Para ter direito à isenção prevista no art. 6o, inciso III, da Lei nº 10.833/03, é essencial que a venda seja realizada para empresa comercial exportadora com o fim específico de comercialização. Se a venda for realizada a outra pessoa jurídica intermediária entre o vendedor e a empresa comercial exportadora, estará descaracterizada a venda com o fim específico de exportação e o vendedor não terá direito à isenção da COFINS.
CRÉDITO DA COFINS NÃO-CUMULATIVA. RECÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO DESCARACTERIZADAS. POSSIBILIDADE.
Correto o recálculo do rateio proporcional da COFINS não-cumulativa, quando algumas operações de exportação apresentadas pelo contribuinte são devidamente descaracterizadas.
PIS/PASEP E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES. REMESSA PARA ARMAZÉNS E DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Carece de previsão legal a apropriação de créditos, na apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, em relação ao custo do frete arcado com a transferência de mercadorias acabadas ou prontas para consumo a depósitos ou armazéns, próprios ou de terceiros.
CRÉDITO PRESUMIDO DA COFINS. PESSOA SECA, LIMPA, PADRONIZA, ARMAZENA E COMERCIALIZA CEREAIS SEM DEIXÁ-LO PRONTO PARA O CONSUMO ANIMAL OU HUMANO. NATUREZA JURÍDICA DE CEREALISTA. ENQUADRAMENTO NO §11, DO ART. 3º, DA LEI Nº 10.833/03.
As pessoas jurídicas que apenas secam, limpam, padronizam, armazenam e comercializam cereais, sem deixá-los prontos para o consumo humano ou animal, exercem a atividade de cerealista e não de agroindústria. Desse modo, o crédito a que elas tinham direito antes do advento da Lei nº 10.925/04 era o previsto no §11, do art. 3o, da Lei nº 10.833/03, e não o do §5o do mesmo artigo. E, para ter direito a esse crédito, era necessário que venda fosse realizada à agroindústria.
CRÉDITO DA COFINS PREVISTO NO ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04.
O crédito previsto no art. 8o, da Lei nº 10.925/04 é destinado à agroindústria, de modo que as empresas cerealistas não têm direito a ele.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL E POSTERIOR VEDAÇÃO EXPRESSA.
Até 30 de abril de 2004, faltava previsão legal para aplicação da Taxa SELIC na atualização monetária do ressarcimento da COFINS não-cumulativa. Após essa data, a vedação à atualização passou a ser expressa.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3401-002.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori, que davam provimento quanto ao frete. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl (substituto).
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Jean Cleuter Simões Mendonça - Relator.
Robson José Bayerl - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ISENÇÃO. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Para ter direito à isenção prevista no art. 6o, inciso III, da Lei nº 10.833/03, é essencial que a venda seja realizada para empresa comercial exportadora com o fim específico de comercialização. Se a venda for realizada a outra pessoa jurídica intermediária entre o vendedor e a empresa comercial exportadora, estará descaracterizada a venda com o fim específico de exportação e o vendedor não terá direito à isenção da COFINS. CRÉDITO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. RECÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO DESCARACTERIZADAS. POSSIBILIDADE. Correto o recálculo do rateio proporcional da COFINS nãocumulativa, quando algumas operações de exportação apresentadas pelo contribuinte são devidamente descaracterizadas. PIS/PASEP E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES. REMESSA PARA ARMAZÉNS E DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE. Carece de previsão legal a apropriação de créditos, na apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, em relação ao custo do frete arcado com a transferência de mercadorias acabadas ou prontas para consumo a depósitos ou armazéns, próprios ou de terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO DA COFINS. PESSOA SECA, LIMPA, PADRONIZA, ARMAZENA E COMERCIALIZA CEREAIS SEM DEIXÁ LO PRONTO PARA O CONSUMO ANIMAL OU HUMANO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 23 33 /2 00 8- 22 Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL 2 NATUREZA JURÍDICA DE CEREALISTA. ENQUADRAMENTO NO §11, DO ART. 3º, DA LEI Nº 10.833/03. As pessoas jurídicas que apenas secam, limpam, padronizam, armazenam e comercializam cereais, sem deixálos prontos para o consumo humano ou animal, exercem a atividade de cerealista e não de agroindústria. Desse modo, o crédito a que elas tinham direito antes do advento da Lei nº 10.925/04 era o previsto no §11, do art. 3o, da Lei nº 10.833/03, e não o do §5o do mesmo artigo. E, para ter direito a esse crédito, era necessário que venda fosse realizada à agroindústria. CRÉDITO DA COFINS PREVISTO NO ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. O crédito previsto no art. 8o, da Lei nº 10.925/04 é destinado à agroindústria, de modo que as empresas cerealistas não têm direito a ele. COFINS NÃOCUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL E POSTERIOR VEDAÇÃO EXPRESSA. Até 30 de abril de 2004, faltava previsão legal para aplicação da Taxa SELIC na atualização monetária do ressarcimento da COFINS nãocumulativa. Após essa data, a vedação à atualização passou a ser expressa. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori, que davam provimento quanto ao frete. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl (substituto). Júlio César Alves Ramos Presidente. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator. Robson José Bayerl Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.002333/200822 Acórdão n.º 3401002.372 S3C4T1 Fl. 1.452 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMPs transmitidas em 21/09/2007 (fls.04/09, 193/197 e fls.693/696), pelas quais se pede o ressarcimento da COFINS não cumulativa do primeiro ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$507.356,41, para compensar débitos da CSLL e do IRPJ no valor de R$204.738,66, constante na declaração de compensação protocolada em 29/08/2004 (fl.446). A Delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu/PR glosou parte do crédito pelas seguintes razões (fls.1200/1249): 1 Algumas notas fiscais com CFOP 5.502 e 6.502 não estavam caracterizadas como remessas com fim específico de exportação, vez que não ia diretamente para recinto alfandegário. Em vez disso, tinha um terceiro intermediário entre a Contribuinte e a empresa exportadora; 2 A DDE (Declaração de Despacho de Exportação) nº 2040331161/6, referente às notas fiscais de saída de remessa com o fim específico de exportação de fevereiro de 2004 foi cancelada. Além disso, essas notas fiscais também não tinham características de remessa com o fim específico de exportação, em razão da existência de intermediador entre a Contribuinte e a empresa exportadora; 3 Os pesos declarados nas notas fiscais nºs 13542 e 13567 são menores que o peso declarado na DDE n٥ 2040263015/7, o que causa diferença no valor do produto; 4 A nota fiscal nº 13667 não tem informação do número da DDE correspondente, de modo que não há como comprovar a efetiva exportação; 5 Outras notas fiscais complementares não tiveram a exportação confirmada por falta de DDE ou apresentaram divergência de valores, ou, ainda, tiveram o fim específico de exportação descaracterizado. 6 A descaracterização de remessa para fim específico de exportação de algumas notas fiscais levou à modificação do cálculo do rateio proporcional das operações no mercado interno e externo, o que levou a glosa de parte do crédito. 7 Também foram excluídos do cálculo do crédito algumas aquisições que a autoridade fiscal entendeu não serem geradoras de crédito. São eles: 7.a aquisição de serviço de transporte pelo comércio, incluído na rubrica de bens adquiridos para revenda; 7.b – Valores de juros, multas e outros encargos das faturas de energia elétrica; faturas de energia elétrica que não estavam em nome de terceiros; divergência entre o valor de algumas faturas de energia elétrica e o valor declarado na DACON; algumas faturas de energia elétrica não foram apresentadas. 8 Divergência dos valores declarados e dos valores comprovados em relação às despesas financeiras de empréstimos e financiamentos obtidos junto a pessoas jurídicas; Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL 4 9Inclusão indevida no valor do frete das despesas com pedágio, compras, fretes de remessa para depósito fechado ou armazém geral e despesas com estadias; 10 Alguns fretes declarados, mas não comprovados; 11 Vários bens do ativo imobilizados cuja deterioração não gera o crédito da COFINS nãocumulativa, por não serem utilizados na produção de bens para venda; 12 Crédito presumido sobre aquisição de produto in natura. Foram glosados nos meses de agosto e setembro em razão da revogação da norma que dava direito a esse crédito; 13 Glosas em razão de algumas divergências no cálculo do crédito presumido de abertura de estoque; Depois desses ajustes, pelo despacho decisório (fl.1250) foi reconhecido o crédito parcial somente no valor de R$5.962,46, e homologada a declaração de compensação até esse valor. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.1266/1340), mas a DRJ em Curitiba/PR manteve integralmente o despacho decisório, ao prolatar acórdão (fls.1367/1385) com a seguinte ementa: “LEGISLAÇÃO SOBRE ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO. A legislação tributária que dispõe sobre exclusão do crédito tributário e outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. ISENÇÃO. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim especifico de exportação quando remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. FRETES NA VENDA DE MERCADORIAS. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. CEREALISTA. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. No período de vigência do § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, as empresas cerealistas somente podiam apurar credito presumido da Cofins e do PIS em relação aos produtos in natura de origem vegetal indicados nesse dispositivo, adquiridos diretamente de pessoas físicas, quando eles fossem revendidos a agroindústria que os utilizassem como insumos na Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.002333/200822 Acórdão n.º 3401002.372 S3C4T1 Fl. 1.453 5 produção dos produtos especificados na lei e, como decorrência, os produtos adquiridos de pessoas físicas exportados por cerealista não dão direito a crédito presumido das citadas contribuições. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos à Cofins, por falta de previsão legal. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES.JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete a autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, as quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 15/08/2011 (fls.589) e interpôs Recurso Voluntário em 09/09/2011 (fls.1390/1440), com as alegações resumidas abaixo: 1 Para descaracterizar as vendas com fim específico de exportação, o auditorfiscal considerou isoladamente o §1o, do art. 45, do Decreto nº 4.524/02. Contudo, esse dispositivo não pode ser interpretado isoladamente para definir o que é venda com o fim específico de exportação. Além disso, os documentos comprovam que as mercadorias foram efetivamente exportadas; 2 O inciso IX, do art. 14, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 e o inciso IX, do art. 45, do Decreto 4.524/02, definem que não pode haver incidência do PIS e da COFINS nas vendas com fim específico de exportação feitas para empresas exportadoras registradas no SISCOMEX; 3 Quanto às vendas com o fim específico de exportação com DDE canceladas, o art. 9o, da Lei nº 10.833/2003 disciplina que a responsabilidade pela tributação das mercadorias não exportadas é da adquirente. Assim, se a Recorrente vendeu para seu cliente, exportador, com o fim específico de exportação e este não efetivou a Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL 6 exportação, a Recorrente não pode ser penalizada, de modo que as receitas dessas operações devem ser consideradas para fins de cálculo do crédito; 4 A Recorrente não concorda com o recálculo do rateio proporcional, pois as descaracterizações das vendas com o fim específico de exportação foram indevidas; 5 A Recorrente transporta suas mercadorias até armazéns para que possa formar lotes e, então, enviar ao consumidor final. As despesas com fretes para armazéns são necessárias, pois é uma etapa intermediária do processo de venda e, como tal, deve gerar crédito; 6 Em conformidade com a Lei nº 9.972/2000, regulamentada pelo Decreto nº 6.268/2007, a Recorrente desenvolve o processo produtivo/atividade agroindustrial (beneficiamento), no qual se alteram as características originais, aperfeiçoando as mercadorias, para o consumo humano ou animal, resultando os grãos, mercadorias comercializadas, de modo que faz jus ao crédito presumido do IPI; 7 Os produtos agropecuários adquiridos pela Recorrente são insumos que passam pelo processo produtivo. Portanto, geram crédito presumido do PIS e da COFINS; 8 A autoridade entendeu que a Recorrente não faz jus ao crédito na aquisição de produto in natura de pessoa física, por se enquadrar no §11 do art. 3o, da Lei nº 10.833/2003. Contudo a Recorrente se enquadra, na realidade, no § 10, do art. 3o, da Lei nº 10.637/2002; §5o, do art. 3o, da Lei nº 10.833/2003, e Caput do art. 8o, da Lei nº 10.925/2004; 9 A DRJ inovou ao entender que o art. 8o, da Lei nº 10.925/2004 passou, a produzir efeitos somente a partir de 04/04/2006, pois este não foi motivo das glosas dos créditos. Além disso, o art. 17, da referida lei, deixa bem claro que o art. 8o começou a produzir efeitos em 01/08/2004; 10 A Receita Federal do Brasil entende que os créditos de que trata o art. 8o, da Lei nº 10.925/04 somente podem ser usados com débitos do próprio PIS e da COFINS. Ocorre que por esta interpretação, os contribuintes que fazem exportação e que, portanto, não recolhem PIS e COFINS na saída, ficam condenados a acumular créditos infinitamente, sem poder ressarcilos; 11 Tem direito à correção de seus créditos pela taxa SELIC; Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.002333/200822 Acórdão n.º 3401002.372 S3C4T1 Fl. 1.454 7 Ao fim, a Recorrente pediu, em suma, que seja reformado o acórdão da DRJ, a fim de que seja reconhecido integralmente seu crédito, a atualização dele pela taxa SELIC e a homologação de todas as compensações efetuadas. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende o ressarcimento do crédito da COFINS não cumulativa dos três primeiros trimestres de 2004. Contudo, a maior parte do crédito foi indeferida, em razão de ajustes no cálculo e glosas efetuados pela delegacia de origem e mantidos pela DRJ. Em seu recurso voluntário a Recorrente devolveu as seguintes matérias para serem apreciadas: 1 Caracterização das vendas com fim específico de exportação; 2 Impossibilidade de redução de crédito em razão de cancelamento de DDE; 3 Impossibilidade de recálculo do rateio proporcional; 4 Geração de crédito com despesas de frete para transportar mercadorias a armazéns; 5 Geração de crédito presumido na aquisição de produto in natura de pessoa física; 6 Indevida inovação de fundamentação pela DRJ; 7 Possibilidade de ressarcimento dos créditos de que trata o art. 8o, da Lei nº 10.925/04; 8 Direito à correção dos créditos pela taxa SELIC. Delimitadas as matérias, podese passar à análise de cada uma. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL 8 1 Das vendas com o fim específico de exportação A autoridade fiscal descaracterizou algumas vendas com o fim específico de exportação, porque as mercadorias não iam diretamente para recinto alfandegário. Em vez disso, havia um terceiro intermediário entre a Recorrente e a empresa exportadora. A Recorrente não negou que as mercadorias não vão diretamente para o recinto alfedagado, mas alegou que o dispositivo utilizado para fundamentar a descaracterização (§1o, do art. 45, do Decreto nº 4.524/02) foi interpretado isoladamente. Contudo, esse dispositivo não pode ser interpretado isoladamente para definir o que é venda com o fim específico de exportação. Além disso, os documentos comprovam que as mercadorias foram efetivamente exportadas. Nesse caso, o embate consiste em duas teses: a fazendária, no sentido de que para se considerar venda com fim específico de exportação é necessário que a mercadoria saia das instalações da empresa diretamente para um recinto alfandegado; e a da Recorrente, no sentido de que para ser considerada venda com o fim específico de exportação basta que o produto seja efetivamente exportado. Para analisar melhor a situação, cabe transcrever o art. 6o, inciso III, da Lei nº 10.833/03, que assim dispõe: “Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação”. Como é possível verificar, para que a venda seja não tributada, é necessário que ela seja realizada a uma exportadora e que tenha o fim específico de exportação. Por sua vez, a venda com o fim específico de exportação, conforme a autoridade fiscal, é a prevista no §1o, do art. 45, do Decreto nº 4.524/02, isto é, a venda de “produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”. É importante salientar que esta 4a Câmara, em fevereiro deste ano, no julgamento do Processo 13016.000241/200544, de relatoria da Conselheira Ângela Sartori, entendeu, por maioria, que quando a venda é feita a exportador e a exportação é efetivada, o contribuinte tem direito à isenção mesmo que a mercadoria não saia de estabelecimento diretamente para área alfandegada ou para o porto. Contudo, no presente caso, a isenção foi negada por dois motivos: além de a mercadoria não ter ido diretamente para recinto alfandegado, ele não foi vendido a empresa comercial exportadora. Nos documentos juntados nas fls. 164/184; 290/300 e 596/605, é possível observar que realmente o exportador não é a mesma pessoa para quem a Recorrente vendeu o produto. Portanto, correta está a descaracterização de venda com fim específico de exportação daquelas operações cuja venda não foi a empresa comercial exportadora. Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.002333/200822 Acórdão n.º 3401002.372 S3C4T1 Fl. 1.455 9 2 Da redução do crédito em razão do cancelamento da DDE Nesse ponto, a autoridade fiscal fundamentou que a Declaração de Despacho de Exportação nº 2040331161/6, referente às notas fiscais de saída de remessa com fim específico de exportação de fevereiro de 2004, foi cancelada pelo exportador. Para provar, juntou a tela de consulta do SISCOMEX na fl.658. É fato que o art. 9o, da Lei nº 10.833/2003, determina que, se a mercadoria adquirida pela empresa exportadora com fim específico de exportação não tiver sido exportada no prazo de cento e oitenta dias, a exportadora ficará sujeita ao recolhimento dos tributos não recolhidos pela vendedora. Contudo, além do cancelamento da DDE, outro motivo para a descaracterização de venda, para fim específico de exportação das notas fiscais acobertadas pela DDE nº 2040331161/6, foi o fato de a exportadora não ter adquirido diretamente da Recorrente, mas sim de uma terceira empresa. Assim está descrito no relatório fiscal (fl.1205): “Também verificamos nesta operação a descaracterização do fim específico de exportação pois quem figura como destinatário nas notas fiscais de remessa com fim especifico, emitidas pela DISAM (fls. 39/47), não é a empresa comercial exportadora e sim a intermediária ADM do Brasil ltda, CNPJ 02.003.402/005720, que revende, também com fim especifico de exportação, a mercadoria adquirida da DISAM para a Votorantim Comercial Exportadora e Importadora, CNPJ 01.428.233/000152, conforme verificamos no Memorando de Exportação n° 003/04, as folhas 48 a 51; e na nota fiscal n° 7996 (fls. 58). Sendo assim, o montante declarado de receitas de exportação será reduzido em R$ 2.075.529,00 (Dois milhões, setenta e cinco mil, quinhentos e vinte e nove reais) por não ter se confirmado o fim especifico de exportação”. Portanto, como a venda não foi feita à empresa exportadora, deve ser mantida a descaracterizarão de venda com fim específico de exportação. 3 Do recálculo do rateio proporcional Como algumas vendas com fim específico de exportação foram descaracterizadas, as receitas geradas com elas passaram a integrar as receitas das operações com o mercado interno, o que gerou diferença no rateio proporcional para fins de cálculo do crédito. A Recorrente contesta o recálculo do rateio proporcional por entender que foram indevidas as descaracterizações das vendas com fim específico de exportação. Mas Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL 10 como já esmiuçado acima, as descaracterizações foram corretas, de modo que não há reparos a serem feitos no recálculo do rateio proporcional. 4 Das despesas de frete para transportar mercadorias a armazéns; De todas as inconsistências com os valores incluídos como frete em operações de venda, a Recorrente contestou somente a glosa relativa a despesa de fretes para transporte de mercadorias a depósitos fechados ou armazéns. A Recorrente alega que o transporte de mercadoria para armazéns é uma etapa intermediária do processo de venda, vez que ela coloca as mercadorias em armazéns para formar lotes e então transportar para o cliente. Nesse ponto, cabe razão à Recorrente. O direito ao crédito da COFINS não cumulativa em relação às despesas com crédito e armazenagem de mercadorias destinadas a venda está disposto no inciso IX, do art. 3o, da Lei nº 10.833/03, in verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Nesse ponto, entendo que o frete para transportar a mercadoria ao armazém compõe a despesa com armazenamento, de modo que gera crédito da COFINS nãocumulativa. 5 Geração de crédito presumido na aquisição de produto in natura de pessoa física Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.002333/200822 Acórdão n.º 3401002.372 S3C4T1 Fl. 1.456 11 A Recorrente alega que o crédito foi indeferido porque a autoridade fiscal interpretou erroneamente que a Recorrente se enquadra no §11, do art. 3o, da Lei nº 10.833/03, contudo, ela se enquadra, na realidade, no §5o, do mesmo artigo. Vejamos o que dizem os dois dispositivos: “§ 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País”. (grifo nosso) “§ 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5o, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura”.(grifo nosso) Da leitura dos dois parágrafos é possível entender que o §11 está tratando da pessoa jurídica que exerce cumulativamente “as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos” e posteriormente vende o produto à pessoa jurídica do §5o, que são aquelas que produzem as mercadorias de origem animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal. Em outras palavras, o §11 trata das cerealistas, enquanto o §5o trata da agroindústria. Da análise dos autos, da descrição do processo pela qual passam os grãos, descrito pela própria Recorrente nas fls. 1414/1416 notase que ela se enquadra no §11, conforme entendimento do auditorfiscal e não no §5o, como pretende a Recorrente. Isso fica ainda mais claro ao se ler o objeto social da empresa constante na cláusula quarta, do seu contrato social (fls.1344/1346), que assim dispõe: “CLAUSULA QUARTA — OBJETO SOCIAL: CNAE: 46.222/00 Comércio Atacadista de Soja; CNAE 46.834/00 Comércio, Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL 12 importação e exportação de: insumos agrícolas, cereais, sementes e mudas; CNAE 46.613/00: de tratores, máquinas e implementos, pegas e acessórios de uso na agropecuária;CNAE: 46.443/02: de medicamentos veterinários; CNAE 46.711/00: de madeiras brutas e beneficiadas; CNAE 45.111/03: de motos, veículos automotores, pegas e acessórios para veículos; CNAE 46.494/04: de móveis e artigos de colchoaria; CNAE 46.494/01: de equipamentos elétricos de uso pessoal e doméstico; CNAE 46.494/02: de aparelhos eletrônicos de uso pessoal e doméstico; CNAE 46.397/01: de produtos alimentícios em geral; CNAE 46.478/01: de artigos de escritório e de papelaria; CNAE 46.516/01 de equipamentos de informática; CNAE 46..231/08: de matériasprimas agrícolas com atividade de fracionamento e acondicionamento associada; CNAE 46.231/09: de aditivos, concentrados, ingredientes, ração suplementos para alimentação animal; CNAE 46.435/01: de calçados e artigos de couro; CNAE 46.494/99: de outros equipamentos e artigos de uso pessoal e doméstico não especifi cados anteriormente; CNAE 46.419/01 de tecidos e confecções; CNAE 51.411/04 de artigos de armarinho; CNAE 46.451/03: de produtos odontológicos;CNAE 46.46 0/01: de cosméticos e produtos de perfumaria; CNAE 01.415101: produção, re embalagem e comércio de sementes certificadas; CNAE 01.636/00: prestação de serviços a terceiros com secagem,beneficiamento e depósitos de cereais, tratamento fitosanitários, serviço de armazém geral nos termos do Decreto 1102 de 21/01/1903; armazém destinado à atividade de guarda e conservação de produtos agropecuários; CNAE 46.117/00: representantes comerciais e CNAE: 49.302/03: transporte rodoviário de cargas”.(grifo nosso) Em nenhum momento, a Recorrente demonstrou que em seu processo os grãos ficam prontos para consumo humano ou animal. Pelo contrário. O que se percebe é que ela apenas exerce a atividade de cerealista (seca, limpa, padroniza, armazena e comercializa tais produtos) e vende para pessoas jurídicas agroindustriárias que fazem a parte do processo de produção que deixa os cereais prontos para o consumo humano ou animal. Portanto, a Recorrente realmente se enquadra no §11, do art. 3o, da Lei nº 10.833/03 e somente poderia deduzir o crédito da COFINS em relação às vendas efetuadas para a agroindústria. Como no presente caso as vendas foram para exportação, a Recorrente não tem direito ao crédito. 6 Indevida inovação de fundamentação pela DRJ A Recorrente alega que a DRJ inovou ao entender que o art. 8o, da Lei nº 10.925/2004, que também trata de crédito para dedução de PIS e COFINS, passou a produzir efeitos somente a partir de 04/04/2006, pois este não foi motivo das glosas dos créditos. Além disso, o art. 17, da referida lei, deixa bem claro que o art. 8o começou a produzir efeitos em 01/08/2004. Nesse ponto, não tem razão a Recorrente. Quando a DRJ mencionou a Lei nº 10.925/2004 e sua produção de efeitos, ela estava discorrendo acerca da evolução legislativa dos créditos das pessoas jurídicas que exercem atividade de cerealista e das que exercem atividade de agroindústria. Mas a produção de efeitos da mencionada lei não foi o fundamento Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.002333/200822 Acórdão n.º 3401002.372 S3C4T1 Fl. 1.457 13 utilizado pela DRJ para manter o indeferimento do crédito da aquisição de produto in natura. Isso é evidente na leitura das fls. 1382/1384. O fundamento utilizado pela DRJ foi que a Recorrente se enquadra no §11, do art. 3o, da Lei nº 10.833/03 e, como tal, somente poderia apurar o crédito presumido do PIS e da COFINS quando a venda fosse realizada para a agroindústria. Portanto, deve ser desconsiderada a alegação da Recorrente, no sentido de que a DRJ inovou na fundamentação. 7 Possibilidade de ressarcimento dos créditos de que trata o art. 8o, da Lei nº 10.925/04 A Recorrente alega que é incorreta a interpretação de que os créditos previstos no art. 8o, da Lei nº 10.925/04, somente podem ser usados com débitos do próprio PIS e da COFINS. Segundo ela, essa interpretação faz com que os contribuintes que fazem exportação e que, portanto, não recolhem PIS e COFINS na saída, fiquem condenados a acumular créditos infinitamente, sem poder ressarcilos. Nesse ponto, a Recorrente se refere à glosa dos créditos da aquisição de produtos in natura dos meses de agosto e setembro de 2004. A DRF glosou esses créditos sob o fundamento de que o §11, do art. 3o, da Lei nº 10.833/03, produziu efeitos somente até 31/07/2004, quando foi revogado pela Lei nº 10.925/04. Então a Recorrente pretende que os crédito de agosto e de setembro de 2004 sejam deferidos como base no art. 8o, da Lei nº 10.925/04, cuja redação, vigente na época dos fatos geradores, era a seguinte: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física”. Como é possível notar, o conteúdo do caput do art. 8o, da Lei nº 10.925/04, é quase o mesmo do §5o, do art. 3o, da Lei nº 10.833/03, ou seja, é destinado à agroindústria. Como já analisado no tópico, a natureza jurídica da Recorrente não é de agroindústria, mas sim Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL 14 de cerealista. Portanto, o art. 8o, da Lei nº 10.925/04 se não aplica à Recorrente, de modo que ela não tem direito nem à dedução nem ao ressarcimento. 8 Direito à correção dos créditos pela taxa SELIC. O debate acerca da aplicação da Taxa SELIC aos tributos é de longa data, isso porque essa Taxa SELIC tem uma natureza jurídica indefinida, não sendo somente juro, muito menos somente atualização monetária. Nesse contexto, interessante a definição dada por Alexandre Barros Castro (in Procedimento Administrativo Tributário – 2008. p. 201), para quem a Taxa SELIC é “um misto complexo de juros e correção monetária, de características remuneratórias, ora utilizada com características moratórias, ora com caráter compensatório”. Esse misto entre juros moratórios e compensatórios leva ao debate da constitucionalidade da Taxa SELIC, matéria em que não se adentrará, pois não merece delongas no presente caso, além de ser vedada a apreciação de constitucionalidade pelas esferas administrativas. O fato é que a correção monetária dos créditos tributários a favor da União é autorizada pela Súmula nº 04 do CARF. No entanto, a aplicação da Taxa SELIC para corrigir os ressarcimentos dos contribuintes sempre padeceu de falta de previsão legal e, no caso de ressarcimento da COFINS nãocumulativa, a vedação é expressa, conforme o art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores”. Portanto, no presente caso, não cabe a atualização monetária. Ex positis, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para reformar parcialmente o acórdão da DRJ, reconhecendo o direito creditório sobre a despesa com frete no transporte das mercadorias para o armazém, sem a correção pela taxa SELIC. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça – Relator Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.002333/200822 Acórdão n.º 3401002.372 S3C4T1 Fl. 1.458 15 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Respeitante ao reconhecimento dos fretes arcados para transferência das mercadorias a armazéns e depósitos para formação de lotes e posterior comercialização, não acolho a pretensão recursal, com todo o respeito às opiniões dissidentes. Nos termos das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, a única despesa de frete passível de gerar crédito da não cumulativadade é aquela incidente sobre a venda, desde que arcada pelo vendedor (art. 3º). A Receita Federal, por seu turno, entende que a despesa de frete debitada ao adquirente, na nota fiscal de compra e desde que apartada do preço da mercadoria/insumo, compõe o custo de aquisição e deve ser acrescida ao seu montante para apropriação do crédito. Já o CARF, ou pelo menos esta turma julgadora, vem firmando entendimento que o frete incidente sobre a transferência, melhor dizendo, o transporte de produtos em fabricação, isto é, inacabados, entre estabelecimentos da pessoa jurídica, naquelas situações em que o processo industrial seja segmentado entre vários estabelecimentos, gera créditos, caracterizandose como serviços aplicado à produção. Portanto, três são as situações em que o frete pode gerar apropriação de créditos na apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, a saber, i) o frete sobre venda, quando arcado pelo vendedor; ii) o frete como custo de aquisição; e, iii) o frete de produto em elaboração, como serviço aplicado na produção. No caso vertente, o frete de mercadorias para armazém ou depósitos fechados não pode ser enquadrado em nenhumas das hipóteses arroladas, uma vez que não se cuida de aquisição, produto em elaboração ou operação de venda, que sequer ocorreu, cuidandose, isto sim, de etapa intermediária, para o qual inexiste previsão legal para seu reconhecimento. Outrossim, entendo que despesas de frete desta natureza não se confundem com e não podem se qualificar como despesas de armazenagem, salvo se agregada e cobrada pelo armazém ou depósito como parte da prestação do serviço de armazenagem. Assim, por não vislumbrar respaldo em tal pretensão, nego provimento ao recurso quanto ao aproveitamento de créditos relativos ao transporte de mercadorias para armazéns e depósitos, próprios ou de terceiros. Robson José Bayerl Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL 16 Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10980.927109/2009-08
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543-B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.
A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3802-001.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinando-se o retorno dos autos à instância a quo para fins de apreciação do mérito.
(assinado eletronicamente)
FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Paulo Sergio Celani, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 71 09 /2 00 9- 08 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinandose o retorno dos autos à instância “a quo” para fins de apreciação do mérito. (assinado eletronicamente) FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Paulo Sergio Celani, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 33): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese o relatório do acórdão da DRJ (fls. 34): Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 28/07/2009, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp no 23852.85693.271006.1.3.040513, nos termos do despacho decisório emitido em 07/07/2009 pela DRF em Curitiba/PR (rastreamento no 843134426). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 27/10/2006, a contribuinte indicou um crédito de R$ 507,68 (que corresponde a parte de um pagamento efetuado em 15/05/2002, sob o código 2172, no valor de R$ 4.711,31), e um débito de IRPJ (2089), do 3o trimestre de 2006, vencido em 31/10/2006, no valor original de R$ 896,11. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10980.927109/200908 Acórdão n.º 3802001.857 S3TE02 Fl. 49 3 Segundo o despacho decisório, cientificado em 14/07/2009, a compensação não foi homologada porque o crédito indicado para a compensação havia sido totalmente utilizado na extinção, por pagamento, do débito de Cofins de abril de 2002, no valor de R$ 4.711,31. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito e diz estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. A Recorrente, nas razões de fls. 4145, sustenta que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 585.235, na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). Portanto, o entendimento em questão seria obrigatório nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Carf. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 14/05/2012 (fls. 39), interpondo recurso tempestivo em 04/06/2012 (fls. 41). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O exame dos autos mostra que razão assiste ao Recorrente, porque, até o início da vigência do regime nãocumulativo, a hipótese de incidência da contribuição encontravase disciplinada pela Lei no 9.718/1998 e pela Lei Complementar n.o 70/1991. Estas, por sua vez, definiam o “fato gerador” do tributo nos seguintes termos: Lei Complementar no 70/1991: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei no 9.718/1998: Art.2o As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art.3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) A Lei Complementar nº 70/1991, como se vê, restringia a materialidade do tributo ao faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias ou da prestação de serviço de qualquer natureza. Não havia previsão para a incidência sobre receitas financeiras, o que somente ocorreu após a Lei nº 9.718/1998, que, através do seu art. 3º, §1º, ampliou o âmbito normativo da contribuição, de modo a compreender a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. O §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998, porém, foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RS, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10980.927109/200908 Acórdão n.º 3802001.857 S3TE02 Fl. 50 5 Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Não é possível, entretanto, o provimento integral do recurso, porquanto a DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Logo, impõese o afastamento da questão prejudicial acolhida pela DRJ, com o consequente prosseguimento do exame do mérito da compensação realizada pelo Recorrente, o que, por sua vez, deve ser realizado pela instância a quo, sob pena de supressão de instância. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do meŕito. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 13749.720171/2011-18
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2012
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 01 71 /2 01 1- 18 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720171/201118 Acórdão n.º 1801001.665 S1TE01 Fl. 40 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 05, com a exigência do crédito tributário no valor de R$500,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de janeiro do anocalendário de 2011, cujo prazo final era 23.03.2011. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0204, com as alegações a seguir transcritas. O contribuinte em 2009 era empresa optante pelo [Simples Nacional] e mudou seu regime de tributação pata o lucro presumido em janeiro de 2010, e passou a ser obrigado à apresentação de DCTF, haja vista que a partir desta data as empresas com tributação neste regimes [passaram] a ser obrigadas a apresentação mensal. Cumpridora de suas obrigações acessórias tributárias a empresa apresentou a DCTF espontaneamente, para simples regularização de sua situação cadastral na [RFB], uma vez que seus impostos todos foram quitados no período. Referente a multa ora cobrada, vale ressaltar que corre, entretanto, hodiernamente, grande debate em torno do tema, prevalecendo, dentro dos tribunais a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso da confissão espontânea de Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720171/201118 Acórdão n.º 1801001.665 S1TE01 Fl. 41 3 débito tributário, sendo, " in casu", totalmente defesa à imposição, sob qualquer forma de denominação empregada renegando, inclusive, ponto de vista já sedimentado na jurisprudência pátria, até mesmo em tribunais superiores. Ressaltase também que os Estados Federativos não estão aplicando penalidades multas aos contribuinte quando apresentam suas obrigações acessórias fora do prazo espontaneamente. [...] A DCTF foi criada através de instrução normativa baixada pela Secretaria da Receita Federal, que sob p fundamento do art. 5º do Decretolei 2.124/84, foi delegado ao Ministro da Fazenda baixar normas para regulamentar a exigência de declarações de impostos e fixar multas por descumprimento dessas obrigações acessórias. Ocorre que, com o advento da Constituição Federal de 1988, somente por lei podese ser criado o tributo, e suas obrigações acessórias, tal qual o cumprimento da obrigação principal (pagar o tributo) e das obrigações acessórias (fazer ou deixar de fazer uma obrigação. Significa que a somente por lei pode ser instituído o tributo (obrigação de dar) è as obrigações acessórias (obrigação de fazer ou não fazer), criando os instrumentos de controles (declarações) e impondo as penalidades de multa caso|seja descumprida as obrigações acessórias. Assim, somente a lei (poder legislativo) pode instituir as obrigações acessórias, não podendo, ser delegada competência ao poder executivo para baixar normas obrigacionais de caráter tributário que não tenham origem em lei. A instrução normativa (124/86) e suas demais atualizações sobre a DCTF e imposição de multas não jtêm fundamento em lei para sua exigência. Fere, portanto, o princípio da legalidade (art. 5o, II da CF/88) ao qual determina que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei". A DCTF não foi criada por lei A instrução normativa que cria o DCTF não é lei. A multa aplicada por atraso na entrega da DCTF não tem fundamento na lei. Portanto são ilegais. Além disso a instrução normativa que cria a DCTF fere normas da Constituição Federal de 1988, o que é considerada inconstitucional. [...]O argumento expendido na presente verte de modo direto do Código Tributário Nacional, legislação infraconstitucional elevada, portanto, à condição de verdadeira lei complementar] Especificamente no art. 138 da referida legislação é que vamos confrontar a normatização básica para o perfeito entendimento do caso "ore sub examen" [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que o lançamento é nulo, nos seguintes termos: À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total ou parcial do lançamento, requer que seja acolhida a presente Impugnação. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0242.916, de 27.02.2013, fls. 1921: Impugnação Improcedente. Consta no Voto Condutor Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720171/201118 Acórdão n.º 1801001.665 S1TE01 Fl. 42 4 No Direito Tributário, devese observar o princípio da responsabilidade objetiva do sujeito passivo em relação às suas obrigações tributárias e ao cometimento de infrações, ou seja, a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). De acordo com o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, na redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004, o sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, estará sujeito à multa. Esse é o fundamento legal para a aplicação da multa. Os princípios constitucionais invocados norteiam o legislador e não o aplicador da lei. As hipóteses de aplicação da punição, as variações de intensidade em razão do tempo de atraso e de outros critérios, bem como as reduções e dispensas são fixadas de forma categórica na própria legislação, não havendo oportunidade para discricionariedade da autoridade fiscal. Portanto, o lançamento efetuado conforme manda a legislação e com base em fatos e dados cuja veracidade a impugnante não logra abalar, atende, no âmbito de atuação do agente do fisco, os princípios invocados. O argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos seguintes termos: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2011 DCTF. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Notificada em 11.03.2013, fl. 27, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.04.2013, fls. 2931, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720171/201118 Acórdão n.º 1801001.665 S1TE01 Fl. 43 5 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720171/201118 Acórdão n.º 1801001.665 S1TE01 Fl. 44 6 sendo exigida a habilitação profissional de contador2. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. O instituto da denúncia espontânea não abrange a obrigação acessória.3. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 5 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720171/201118 Acórdão n.º 1801001.665 S1TE01 Fl. 45 7 relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Assim, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos6. 6 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720171/201118 Acórdão n.º 1801001.665 S1TE01 Fl. 46 8 Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores7. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 17.08.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de janeiro do anocalendário de 2011, cujo prazo final era 23.03.2011. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13749.720171/201118 Acórdão n.º 1801001.665 S1TE01 Fl. 47 9 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13888.003804/2010-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DO LANÇAMENTO- INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PLR - REGRAS CLARAS E OBJETIVAS - REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 10.101/2000 - LIBERDADE PARA FIXAÇÃO DE CRITÉRIOS E CONDIÇÕES POR MEIO DE NEGOCIAÇÕES
A jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF - Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 9.) aponta no sentido de que a Lei 10.101/2000 não traz regras detalhadas, justamente porque privilegia a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles, dando-lhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. Ademais, nem poderia a autoridade fiscal criar critérios subjetivos no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, caput, da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para no mérito se excluir, na competência 06/2006, o Código de levantamento PL - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PLR. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Fernando Leone Carnavan OAB/SP 158480.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PLR REGRAS CLARAS E OBJETIVAS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 10.101/2000 LIBERDADE PARA FIXAÇÃO DE CRITÉRIOS E CONDIÇÕES POR MEIO DE NEGOCIAÇÕES A jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 38 04 /2 01 0- 54 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 9.) aponta no sentido de que a Lei 10.101/2000 não traz regras detalhadas, justamente porque privilegia a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles, dandolhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. Ademais, nem poderia a autoridade fiscal criar critérios subjetivos no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, caput, da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para no mérito se excluir, na competência 06/2006, o Código de levantamento PL PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PLR. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Fernando Leone Carnavan OAB/SP 158480. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 341 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1244.247 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.225.6503, no montante de R$ 208.609,03. Segundo a AuditoriaFiscal, o lançamento referese às contribuições devidas a Seguridade Social, destinamse aos Terceiros – SalárioEducação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas a título de PLR Programa de Participação nos Lucros e Resultados pagos e/ou creditadas em desacordo com a Lei 10.101 de 19/12/2000. Conforme o Relatório Fiscal, o fato gerador das contribuições sociais apuradas e lançadas foi o pagamento das verbas relativas ao Programa de Participação nos Lucros e ou Resultados PLR durante as competências 06/2005 e 06/2006, conforme planilha demonstrativa constante do Anexo I do Relatório Fiscal. Em relação ao objeto social, destaca o Relatório Fiscal que foi considerado como objeto social o definido conforme a alteração contratual realizada em 19.04.2010: DO OBJETO SOCIAL 2) A empresa tem o objeto social definido conforme a cláusula 3a da 47a. Alteração e Consolidação do Contrato Social, em 19/04/2010, o seguinte: 2.1 "Indústria, comércio, importação, exportação, representação e distribuição de produtos e ingredientes alimentícios e bebidas; 2.2 Indústria, comércio, importação, exportação, representação e distribuição de produtos químicos em geral, produtos para a agricultura, produtos e insumos farmacêuticos e cosméticos; 2.3 Indústria, comércio, importação, exportação, representação e distribuição de ração, ingredientes e aditivos nutricionais para a nutrição animal; 2.4 Prestação de serviços de análises laboratoriais". O Relatório Fiscal demonstra o descumprimento da Lei 10.101/2000: 6. A legislação previdenciária afasta a incidência sobre a remuneração a título de P.L.R somente quando paga ou creditada de acordo com a lei que regulamenta o tema, atualmente a Lei n° 10.101/2000, Assim transcrevemos: Fl. 337DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Lei 8212/91 Art 28 (.....) § 9° Não integram o saláríodecontríbuição para os fins deste Lei, exclusivamente (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/1997): (.....) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a Lei especifica /grifo nosso) 7. Portanto conforme descrição nos subitens seguintes relatamos o descumprimento da Lei 10.101/2000, em seu art.2°, § 1 o , Inc II, ensejando considerar os pagamentos a título d e P.L.R. como salário de contribuição na forma do art. 28, Inc. I, com incidência das contribuições sociais conforme art.22, Inc I e II da Lei 8212/91. 7.1 A empresa apresentou para a fiscalização dois Acordos para Fins de Participação nos Lucros e Resultados, que foram assinados pela empresa, pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins de Capivari, Rafard, Elias Fausto, Mombuca, Conchas, Pereiras, Laranjal Paulista e Cesário Lange e pela Comissão de Trabalhadores em 30 de junho de 2006, para justificar o pagamento do P.L.R para os anos de 2005 e 2006 respectivamente, ficando claro e evidente que os mesmos foram formalizados somente para tentar cumprir a legislação. Veja que no art. 2°, § 1o, Inciso II da Lei 10.101/2000 diz o seguinte: " programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente" (grifo nosso). 7.2 Portanto não era possível que os empregados tivessem conhecimento prévio das metas e dos resultados a serem atingidos cujos recebimentos da participação ocorreram em 06/2005, ou seja um ano antes da formalização do acordo e em 06/2006 no mesmo mês da ocorrência do acordo. No mínimo a previsão do referido programa através dos Acordos estabelecidos deveriam estar pactuados entre as partes no princípio do ano de 2004 para pagamento da participação no exercício seguinte, ou seja em 2005, e no princípio do ano de 2005 para pagamento d a participação no exercício seguinte, o u s e j a em 2006. 7.3 Outrossim consta na Cláusula Terceira dos acordos o seguinte: "Considerando até então, a existência de um plano de metas anteriormente estabelecido, encontrado pela divisão do total da produção vendida/faturada, pela quantidade de horas trabalhadas, atrelada ao índice de absenteísmo " Deve ficar claro também que a finalidade da Lei 10.101/2000 não é " assegurar ao empregado que seu bom desempenho, sua assiduidade e sua produtividade (grifo nosso) serão, futuramente, reconhecidos pela empresa pois a citada Lei não cuida do desempenho de cada trabalhador considerado individualmente, mas sim regula a participação destes nos lucros e resultados da empresa conforme art 1 o . Fl. 338DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 342 5 7.4 Dessa maneira, não se pode considerar também como parâmetro para a participação nos lucros e resultados da empresa a ASSIDUIDADE e ou o ABSENTEÍSMO do empregado, pois, os mesmos necessariamente não correspondem ao resultado, ou ao lucro do empregador. 7.5 O empregado pode faltar diversas vezes no período e, ainda assim o resultado da empresa ser positivo, havendo lucro, como também é perfeitamente possível o empregado não faltar e o empregador ter prejuízo naquele período. Não há correlação necessária entre assiduidade do empregado e resultados e lucros no empregador 7.6 A respeito, o entendimento de Sérgio Pinto Martins: "A participação nos lucros também não se confunde com o pagamento feito a título de assiduidade, pois a participação depende da existência de lucros, posto que, havendo prejuízo, o empregado nada receberá a tal título. Já um pagamento feito a título de assiduidade do empregado dependeria da freqüência do empregado ao serviço ou de não chegar atrasado no emprego, que é coisa diversa e independe do resultado obtido pela empresa" (Direito da Seguridade Social, 13a. edição, editora Atlas, 2000, páginas 160/161). 8 Abaixo os princípios básicos contidos nos art. 1 o . e 2°. da Lei 10.101/2000 (grifos nossos): Art.1° Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7°, inciso XI, da Constituição. Art.2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria: II convenção ou acordo coletivo. § 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade. Qualidade ou lucratividade da empresa: II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 § 2° O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores. §3° Não se " O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 04, é de 06/2005 a 06/2006. A Recorrente teve ciência do AIOP no dia 13.07.2010, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 3. Em 13/08/2010 o contribuinte impugnou a exigência, alegando, em síntese, que (fls. 52/81): DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA 3.1. As filiais 0002, 0003 e 0004 possuíam programas de participação nos lucros e resultados próprios e específicos, os quais foram negociados com as comissões de empregados e sindicatos que os representam nas respectivas bases territoriais, conforme docs. 07 a 12; 34.2. Os mencionados programas não foram solicitados ou examinados pela fiscalização, como se observa no Mandado de Procedimento Fiscal (doc. 13), Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos (doc. 14) e Termo de Início de Procedimento Fiscal (doc. 15); 3.3. Não podem ser invocados os mesmo fundamentos da autuação da matriz para as referidas filiais, uma vez que os programas das mesmas foram assinados em datas distintas e nem sempre utilizam o índice de absenteísmo como parâmetro para pagamento da PLR; 3.4. Desse modo, nos termos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72, requer a conversão do feito em diligência para que sejam respondidos os seguintes quesitos: 3.4.1. quais os instrumentos que suportam o pagamento de participação nos lucros feito às filiais 0002, 0003 e 0004 nos meses de julho de 2005 a junho de 2006? 3.4.2. quais as datas de assinatura desses instrumentos? 3.4.3. independentemente da data de assinatura, houve ciência dos empregados acerca dos parâmetros e metas a serem atingidos? 3.4.4. quais os indicadores ou parâmetros utilizados em cada um deles para fixação do direito à participação? DA PREJUDICIAL DE DECADÊNCIA 3.5. A consolidação do lançamento ocorreu no dia 05 de julho de 2010, motivo pelo qual operouse a decadência das contribuições sociais cujos fatos geradores ocorreram em junho Fl. 340DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 343 7 de 2005, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN, c/c com o enunciado da Súmula Vinculante nº 8 do STF; 3.6. Observese que o objeto da homologação de que trata o art. 150, § 4º, do CTN, não é o pagamento antecipado feito pelo sujeito passivo, mas sim toda a atividade por ele exercida. Assim, mesmo na hipótese de descumprir a sua obrigação de pagar antecipadamente o tributo, o Fisco deverá exercer o seu poderdever de promover o lançamento substitutivo dentro do prazo próprio dessa modalidade de lançamento; 3.7. Não houve no presente caso qualquer afirmação no sentido de que a empresa tenha agido com dolo, fraude ou simulação que pudesse justificar a aplicação do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN; DO MÉRITO Da antecedência dos programas de metas, resultados e prazos 3.8. No que concerne à prévia ciência por parte dos empregados sobre as metas a serem atingidas, em primeiro lugar, a empresa considera como período de apuração de metas aquele compreendido entre o dia 1º de abril de um ano até o dia 31 de março do ano seguinte. O pagamento, por sua vez, é feito no mês de junho do mesmo ano; 3.9. Desse modo, os valores pagos em junho de 2005 se referem às metas do período de abril de 2004 a março de 2005 (anobase 2004), enquanto que os pagos em junho de 2006, por sua vez, decorrem das metas apuradas no período de abril de 2005 a março de 2006 (anobase 2005); 3.10. Verificase, assim, nos acordos examinados pela fiscalização, ambos assinados em 30 de junho de 2006, o seguinte: o “doc. 18”corresponde ao acordo válido para o período de abril de 2005 a março de 2006, anobase 2005, com pagamento da participação em junho de 2006; que o “doc. 19” corresponde ao acordo válido para o período de abril de 2006 a março de 2007, anobase 2006, com pagamento da participação em junho de 2007; 3.11. O pagamento feito em junho de 2005, a título de participação nos lucros ou resultados não é, portanto, justificado por qualquer desses documentos (assinados em junho de 2006), e sim pelo acordo referente ao anobase 2004 (doc. 17), ora anexado, que foi assinado em junho de 2005; 3.12. As mencionadas condições (períodos dos programas de metas e prazos de pagamento) constam expressamente das Cláusulas Segunda e Quinta dos referidos instrumentos; 3.13. Acrescentese que, muito embora os acordos em questão tenham sido assinados no mês de pagamento da correspondente participação (e não um ano após, no caso do pagamento feito em junho de 2005, como constou de forma equivocada do Relatório Fl. 341DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Fiscal), as regras a eles correspondentes foram pactuadas antecipadamente, sendo de prévio conhecimento dos empregados da empresa; 3.14. Nesse particular, observase dos instrumentos dos acordos de 2004 a 2006 (docs. 17 a 19), em especial de suas Cláusulas Terceiras, que em todos esses anos os planos de metas para a fixação do direito à participação foram sempre a “divisão do total de produção vendida/faturada, pela quantidade de horas trabalhadas, atrelada ao índice de absenteísmo". Ademais, as referidas Cláusulas dizem expressamente que o plano a que se refere fora o "anteriormente estabelecido"; 3.15. Ou seja, os planos de 2004 e 2005, que serviram de suporte para o pagamento do PLR de junho de 2005 e junho de 2006, foram previamente negociados e estabelecidos, conforme Cláusulas Terceiras dos acordos, tendo apenas a sua formalização ocorrido posteriormente, o que sugere uma continuidade sem qualquer alteração significativa de um ano para outro, tendo ocorrido apenas a revisão anual das metas a serem atingidas; 3.16. A Lei n° 10.101/2000 não impõe que os instrumentos sejam assinados antes do correspondente período de vigência. Quando muito, podese entender de seu art. 2°, § 1º , inciso II, que se o pagamento desta parcela decorrer de um programa de metas, resultados e prazos, ele deve ter sido pactuado previamente. Nada impede, portanto, que um programa seja negociado num determinado momento e formalizado posteriormente, conforme já decidiu em circunstâncias semelhantes o CARF. Da utilização do índice de absenteísmo como parâmetro para fixação da participação nos resultados 3.17. Do teor do Relatório Fiscal, constatase que a autoridade autuante, ao concluir pelo descumprimento da Lei 10.10/2000, considerou que participação nos resultados equivale à participação nos lucros e que os índices de absenteísmo e de assiduidade não podem ser utilizados como parâmetro para fixação da participação nos lucros; 4.18. No entanto, conforme entendimento doutrinário, existem dois institutos distintos: Participação nos lucros e participação nos resultados. Na participação nos lucros os empregados recebem uma parcela do lucro auferido pela empresa, para cuja obtenção contribuíram. Na participação nos resultados são estipulados indicadores e metas que, uma vez atingidos, conferem ao empregado o direito a uma participação préajustada, independentemente da verificação de lucro pela empresa. A duas modalidades possuem em comum a liberdade de fixação dos objetivos a serem atingidos, bem como o valor da participação; 3.18. A modalidade adotada pela empresa foi a participação nos resultados, caracterizada pela fixação de indicadores e metas a serem atingidos pela empresa e pelos empregados, a livre critério das partes, consoante definido nos Programas relativos aos pagamentos feitos em junho de 2005 e 2006 (Cláusula Terceira dos Acordos dos anos de 2004 e 2005); Fl. 342DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 344 9 3.19. Observase que não houve qualquer correlação entre as metas a serem atingidas e a obtenção de lucro pelo estabelecimento matriz ou pela empresa como um todo, pelo que se mostram totalmente impertinentes as considerações tecidas pela autoridade fiscal acerca da ausência de correlação entre absenteísmo e lucro; 3.20. É entendimento praticamente unânime na doutrina, jurisprudência e no CARF que as partes possuem ampla liberdade para fixação dos indicadores e metas que irão definir o direito à participação dos trabalhadores nos resultados, bastando que o atingimento dos objetivos seja posteriormente aferível, assim como o valor a ser recebido individualmente por cada empregado, o que foi satisfeito na espécie; 3.21. O parágrafo 1º do artigo 2º da Lei 10.101/2000, se restringiu a exemplificar critérios e condições que podem ser utilizados pela partes para a fixação do direito à participação, e, ainda assim, de forma ampla e genérica, conferindolhes liberdade para a fixação de indicadores e metas. Não há no dispositivo qualquer limitação quanto aos tipos de critérios e condições a seres fixados, como concluiu a fiscalização; 3.22. Conforme decisão já prolatada pelo então CRPS, a participação será regular caso esteja sendo distribuído lucro, exista acordo coletivo ou comissão de trabalhadores e a periodicidade da distribuição não seja inferior a um semestre civil, repelindo, por contrários ao princípio da legalidade, quaisquer outras exigências feitas pela fiscalização, por absoluta falta de amparo legal, ressalvada a comprovação de fraude por parte da autoridade lançadora; Da imunidade tributária objetiva instituída pelo artigo 7º, XI, da Constituição Federal 3.23. Releva acrescentar que o artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, ao desvincular a participação nos lucros ou resultados da remuneração, criou uma hipótese de imunidade tributária objetiva, afastando por completo qualquer possibilidade de que esta parcela sofra a incidência de tributos que tenham por fato gerador a remuneração, pelo que se deve interpretar a Lei n° 10.101/2000 de acordo com esta premissa, sob pena de flagrante inconstitucionalidade; A Recorrida, conforme o Acórdão nº 1244.247 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, reconhecendo a extinção do crédito tributário da competência 06/2005, em função da decadência, mantendo, no entanto, o crédito tributário referente à competência 06/2006, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2006 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA JULGADORA. É vedado à autoridade administrativa julgadora afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS PARCIAIS. CINCO ANOS DO FATO GERADOR. No caso dos tributos lançados por homologação, havendo qualquer pagamento parcial por parte do contribuinte, aplicars eá o prazo decadencial de 5 anos contados do fato gerador. DOCUMENTOS NÃO DISPONIBILIZADOS NA AÇÃO FISCAL. APRESENTAÇÃO NA DEFESA. INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO. A apresentação na fase de defesa de documentos exigidos e não disponibilizados na ação fiscal, não terá o condão de alterar o lançamento regularmente efetuado com base nos documentos apresentados, salvo motivo devidamente justificado. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. FORMALIZAÇÃO DO ACORDO APÓS A EXECUÇÃO DO PROGRAMA DE METAS. FALTA DE CIÊNCIA PRÉVIA DOS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Incidirá contribuição social sobre as importâncias pagas a título de participação nos lucros e resultados, caso o instrumento resultante da negociação tenha sido formalizado somente após a execução do programa de metas, impossibilitando a prévia ciência por parte dos empregados dos critérios fixados no acordo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da Turma, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento à impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido, no valor de R$ 56.858,07, acrescido de juros e multa, conforme DADR em anexo. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 345 11 Encaminhese à ARFTIETÊ/ SP, a fim de que seja dada ciência ao sujeito passivo do conteúdo deste acórdão, bem como sejam tomadas as demais providências necessárias ao seu cumprimento. Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, atacando a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Considerações gerais. Da legalidade das participações nos resultados pagas pela Recorrente – do cumprimento de preceito constitucional e de lei ordinária regulamentar – Lei 10.101/2000. A Recorrente adotou nos anos de 2000 a 2006 programas lícitos e consistentes de participação nos resultados, com as seguintes características: pagamento vinculado ao atingimento de metas preestabelecidas; negociação prévia das metas, assim como dos valores a serem recebidos, no âmbito das comissões compostas por representantes do empregador, dos empregados e do sindicato; formalização das regras para recebimento da participação em instrumentos mediante acordos coletivos firmados com o sindicato profissional; respeito à periodicidade semestral mínima para pagamento (ii) Negociação e antecedência dos programas de metas, resultados e prazos X Momento da materialização via acordo coletivo – Precedentes do CARF e do extinto CRPS em favor da Recorrente. A Autoridade Fiscal para concluir pelo descumprimento da lei 10.101/2000 considerou que: os Acordos para Fins de Participação nos Lucros e Resultados celebrados em 30.06.2006 foramlhe apresentados para justificar os pagamentos feitos a este título em junho de 2005 e junho de 2006. em função da assinatura extemporânea (apenas em junho de 2006), os empregados não teriam tido conhecimento prévio das metas e dos resultados a serem atingidos. Tal não corresponde à realidade. Esclarece a Recorrente que, para fins dos programas de participação nos Lucros e Resultados, o período de apuração de metas é delimitado entre Fl. 345DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 1º de abril de um ano e 31 de março do ano seguinte, sendo o pagamento feito em junho. Logo, os quitados em junho de 2006 decorrem dos resultados obtidos no período de abril de 2005 a março de 2006 (anobase 2005), conforme se verifica do doc. 18, anexado aos autos. Conforme os Instrumentos dos Acordos de 2004 a 2006 (docs. 17 a 19 anexados na Impugnação), em especial nas Cláusulas Terceiras, em todos os anos os planos de metas para fixação do direito à participação foram os mesmos “divisão do total de produção vendida/faturada, pela quantidade de horas trabalhadas, atrelada ao índice de absenteísmo”. Os planos de 2004 e 2005 serviram de suporte para o pagamento das participações de junho de 2005 e junho de 2006, foram previamente negociados, como consta expressamente de suas Cláusulas Terceiras. A Lei 10.101/2000 não impõe que os instrumentos que disciplinem a participação nos lucros ou resultados sejam assinados antes do correspondente período de vigência, mas sim devem ter sido pactuados previamente. Precedentes do CARF indicando que a assinatura do instrumento após o início do período de apuração, dos lucros ou resultados, ou mesmo poucos dias antes da distribuição não é motivo para se negar a desvinculação entre esta parcela e a remuneração. Por fim, reitera a Recorrente que adota programas de participação nos resultados diversos da matriz para suas filiais, que não foram solicitados ou examinados pelo AuditorFiscal que lavrou a autuação. (iii) Utilização do índice de absenteísmo como parâmetro para fixação da participação nos resultados – tópico não analisado pelo Acórdão recorrido. O Acórdão recorrido entendeu que o fundamento único adotado ( o acordo deve ser formalizado por escrito e antes da execução do programa de metas) é suficiente para que incida a contribuição previdenciária sobre as importâncias pagas a esse título. Consta no Relatório Fiscal, tópicos 6.3 a 6.5, que a autoridade fiscal considerou que não há correlação necessária entre assiduidade do empregado e resultados e lucros do empregador. Critica o entendimento da autoridade fiscal que confunde o instituto da participação nos lucros com o da participação nos resultados. A Recorrente adotou a modalidade de participação nos resultados, conforme se observa das Cláusulas terceiras dos Acordos (docs. 17 e 18 em anexo na Impugnação), na qual o valor a ser distribuído depende do resultado atingido para a divisão do total de produção vendida / faturada pela quantidade Fl. 346DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 346 13 de horas trabalhadas, não havendo qualquer correlação com o lucro auferido pelo estabelecimento. Considera ainda que a Autoridade Fiscal extrapolou os limites da lei 10.101/2000 impondo uma restrição inexistente ao considerar que não se pode utilizar índice de absenteísmo. Colaciona precedentes do CARF. (iv) Da imunidade tributária objetiva imposta pelo texto constitucional – da correta interpretação da Lei 10.101/2000. O julgador recorrido deixou de realizar uma interpretação sistemática e teleológica da lei 10.101/2000 e de seu fundamento de validade, o art. 7 º , XI, da CRFB/1988. Alega que não se cogita de declaração de inconstitucionalidade, conforme art. 26A, Decreto 70.235/1972. (v) Inexistência de fraude ou dissimulação do pagamento de salários na forma de participação nos resultados. (vi) Realização de diligência. A autuação corresponde à PLR distribuída pela matriz da Recorrente, CNPJ 46.334.354/000154 (Laranjal Paulista) e pelas filiais 46.334.354/000235 (São Paulo – capital), 46.334.354/000316 (Valparaíso/SP) e 46.334.354/000405 (Pederneiras/SP). No entanto, os programas de participação nos lucros ou resultados das filiais não foram solicitados ou examinados pela autoridade fiscal, conforme se observa do Mandado de Procedimento Fiscal (doc. 13), do Termo de Diligência Fiscal / Solicitação de Documentos (doc. 14) e do Termo de Início de Procedimento Fiscal (doc. 15), todos eles elencados quando da Impugnação. De tal forma, requer a nulidade do procedimento em relação às participações das filiais. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DO DEPÓSITO RECURSAL O Supremo Tribunal Federal – STF editou a Súmula Vinculante nº 21 que afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da violação de princípios constitucionais; (iv) Da imunidade tributária objetiva imposta pelo texto constitucional – da correta interpretação da Lei 10.101/2000. O julgador recorrido deixou de realizar uma interpretação sistemática e teleológica da lei 10.101/2000 e de seu fundamento de validade, o art. 7 º , XI, da CRFB/1988. Alega que não se cogita de declaração de inconstitucionalidade, conforme art. 26A, Decreto 70.235/1972. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 347 15 Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1244.247 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.225.6503, no montante de R$ 208.609,03. Segundo a AuditoriaFiscal, o lançamento referese às contribuições devidas a Seguridade Social, destinamse aos Terceiros – SalárioEducação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas a título de PLR Programa de Participação nos Lucros e Resultados pagos e/ou creditadas em desacordo com a Lei 10.101 de 19/12/2000. Conforme o Relatório Fiscal, o fato gerador das contribuições sociais apuradas e lançadas foi o pagamento das verbas relativas ao Programa de Participação nos Lucros e ou Resultados PLR durante as competências 06/2005 e 06/2006, conforme planilha demonstrativa constante do Anexo I do Relatório Fiscal. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.225.6503 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da AIOP nº 37.225.6503) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Fl. 350DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 348 17 · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); e. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); f. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a AIOP nº 37.225.6503, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de Fl. 351DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DO MÉRITO. (iii) Utilização do índice de absenteísmo como parâmetro para fixação da participação nos resultados – tópico não analisado pelo Acórdão recorrido. O Acórdão recorrido entendeu que o fundamento único adotado (o acordo deve ser formalizado por escrito e antes da execução do programa de metas) é suficiente para que incida a contribuição previdenciária sobre as importâncias pagas a esse título. Consta no Relatório Fiscal, tópicos 6.3 a 6.5, que a autoridade fiscal considerou que não há correlação necessária entre assiduidade do empregado e resultados e lucros do empregador. Critica o entendimento da autoridade fiscal que confunde o instituto da participação nos lucros com o da participação nos resultados. A Recorrente adotou a modalidade de participação nos resultados, conforme se observa das Cláusulas terceiras dos Acordos (docs. 17 e 18 em anexo na Impugnação), na qual o valor a ser distribuído depende do resultado atingido para a divisão do total de produção vendida / faturada pela quantidade de horas trabalhadas, não havendo qualquer correlação com o lucro auferido pelo estabelecimento. Considera ainda que a Autoridade Fiscal extrapolou os limites da lei 10.101/2000 impondo uma restrição inexistente ao considerar que não se pode utilizar índice de absenteísmo. Colaciona precedentes do CARF. Analisemos. Segundo a AuditoriaFiscal, o lançamento referese às contribuições devidas a Seguridade Social, correspondentes à diferença da parte dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas a título de PLR Programa de Participação nos Lucros e Resultados pagos e/ou creditadas em desacordo com a Lei 10.101 de 19/12/2000. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 349 19 Conforme o Relatório Fiscal, o fato gerador das contribuições sociais apuradas e lançadas foi o pagamento das verbas relativas ao Programa de Participação nos Lucros e ou Resultados PLR durante as competências 06/2005 e 06/2006, conforme planilha demonstrativa constante do Anexo I do Relatório Fiscal. Vejamos a legislação de pertinência do tema participação nos lucros ou resultados. Lei 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j A participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei especifica. (gn) Lei 10.101/2000 Art 2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; li programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 § 2° O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores." (..) Art 3° A participação de que trata o art. 2° não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1° Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2° É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (g n) Ainda segundo o Relatório Fiscal, às fls. 18 a 31, destacamse, a seguir, os pontos que esta fiscalização entendeu não estarem de acordo com as exigências previstas na Lei 10.101/2000: 6. A legislação previdenciária afasta a incidência sobre a remuneração a título de P.L.R somente quando paga ou creditada de acordo com a lei que regulamenta o tema, atualmente a Lei n° 10.101/2000, Assim transcrevemos: Lei 8212/91 Art 28 (.....) § 9° Não integram o saláríodecontríbuição para os fins deste Lei, exclusivamente (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/1997): (.....) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a Lei especifica /grifo nosso) 7. Portanto conforme descrição nos subitens seguintes relatamos o descumprimento da Lei 10.101/2000, em seu art.2°, § 1 o , Inc II, ensejando considerar os pagamentos a título d e P.L.R. como salário de contribuição na forma do art. 28, Inc. I, com incidência das contribuições sociais conforme art.22, Inc I e II da Lei 8212/91. 7.1 A empresa apresentou para a fiscalização dois Acordos para Fins de Participação nos Lucros e Resultados, que foram assinados pela empresa, pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins de Capivari, Rafard, Elias Fausto, Mombuca, Conchas, Pereiras, Laranjal Paulista e Cesário Lange e pela Comissão de Trabalhadores em 30 de junho de 2006, para justificar o pagamento do P.L.R para os Fl. 354DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 350 21 anos de 2005 e 2006 respectivamente, ficando claro e evidente que os mesmos foram formalizados somente para tentar cumprir a legislação. Veja que no art. 2°, § 1o, Inciso II da Lei 10.101/2000 diz o seguinte: " programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente" (grifo nosso). 7.2 Portanto não era possível que os empregados tivessem conhecimento prévio das metas e dos resultados a serem atingidos cujos recebimentos da participação ocorreram em 06/2005, ou seja um ano antes da formalização do acordo e em 06/2006 no mesmo mês da ocorrência do acordo. No mínimo a previsão do referido programa através dos Acordos estabelecidos deveriam estar pactuados entre as partes no princípio do ano de 2004 para pagamento da participação no exercício seguinte, ou seja em 2005, e no princípio do ano de 2005 para pagamento d a participação no exercício seguinte, o u s e j a em 2006. 7.3 Outrossim consta na Cláusula Terceira dos acordos o seguinte: "Considerando até então, a existência de um plano de metas anteriormente estabelecido, encontrado pela divisão do total da produção vendida/faturada, pela quantidade de horas trabalhadas, atrelada ao índice de absenteísmo " Deve ficar claro também que a finalidade da Lei 10.101/2000 não é " assegurar ao empregado que seu bom desempenho, sua assiduidade e sua produtividade (grifo nosso) serão, futuramente, reconhecidos pela empresa pois a citada Lei não cuida do desempenho de cada trabalhador considerado individualmente, mas sim regula a participação destes nos lucros e resultados da empresa conforme art 1 o . 7.4 Dessa maneira, não se pode considerar também como parâmetro para a participação nos lucros e resultados da empresa a ASSIDUIDADE e ou o ABSENTEÍSMO do empregado, pois, os mesmos necessariamente não correspondem ao resultado, ou ao lucro do empregador. 7.5 O empregado pode faltar diversas vezes no período e, ainda assim o resultado da empresa ser positivo, havendo lucro, como também é perfeitamente possível o empregado não faltar e o empregador ter prejuízo naquele período. Não há correlação necessária entre assiduidade do empregado e resultados e lucros no empregador 7.6 A respeito, o entendimento de Sérgio Pinto Martins: "A participação nos lucros também não se confunde com o pagamento feito a título de assiduidade, pois a participação depende da existência de lucros, posto que, havendo prejuízo, o empregado nada receberá a tal título. Já um pagamento feito a título de assiduidade do empregado dependeria da freqüência do empregado ao serviço ou de não chegar atrasado no emprego, que é coisa diversa e independe do resultado obtido pela empresa" (Direito da Seguridade Social, 13a. edição, editora Atlas, 2000, páginas 160/161). Fl. 355DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 8 Abaixo os princípios básicos contidos nos art. 1 o . e 2°. da Lei 10.101/2000 (grifos nossos): Art.1° Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7°, inciso XI, da Constituição. Art.2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria: II convenção ou acordo coletivo. § 1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade. Qualidade ou lucratividade da empresa: II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2° O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores. §3° Não se " A questão central é se definir se há ou não regras claras e objetivas, posto que um dos fundamentos para a autuação fiscal é a hipótese de ausência dessas regras assim delimitas pelo art. 28, § 9º, j, Lei 8.212/1991 c/c art. 2º, § 1°, Lei 10101/2000. Neste sentido, a AuditoriaFiscal, nos tópicos 6.3 e 6.4 do Relatório Fiscal, considerou que o absenteísmo não pode ser parâmetro para aferição da participação nos lucros ou resultados: 6.3 Outrossim consta na Cláusula Terceira dos acordos o seguinte: "Considerando até então, a existência de um plano de metas anteriormente estabelecido, encontrado pela divisão do total da produção vendida/faturada, pela quantidade de horas trabalhadas, atrelada ao índice de absenteísmo " Deve ficar claro também que a finalidade da Lei 10.101/2000 não é " assegurar ao empregado que seu bom desempenho, sua assiduidade e sua produtividade (grifo nosso) serão, futuramente, reconhecidos pela empresa pois a citada Lei não cuida do desempenho de cada trabalhador considerado individualmente, mas sim regula a participação destes nos lucros e resultados da empresa conforme art 1 o . Fl. 356DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 351 23 6.4 Dessa maneira, não se pode considerar também como parâmetro para a participação nos lucros e resultados da empresa a ASSIDUIDADE e ou o ABSENTEÍSMO do empregado, pois, os mesmos necessariamente não correspondem ao resultado, ou ao lucro do empregador. Não obstante tal posicionamento da AuditoriaFiscal, a jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 9.) aponta no sentido de que: “ a Lei 10.101/2000 – assim como a MP 794/1994 e suas reedições não trazem regras detalhadas, justamente porque privilegiam a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles, dandolhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. De modo que reportome a excertos do voto condutor do Acórdão 20501.331, da 5ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, de 05/11/2008, da relatoria da Conselheira Liege Lacroix: (...) Afora os parâmetros estabelecidos pela lei, não foi intenção do legislador ou mesmo do Poder Executivo regulamentar com maior detalhamento e precisão as normas de participação nos lucros ou resultados. Toda a regulamentação se esgota com os três artigos da Lei 10.101/2000 acima transcritos. (...)Não há nenhuma restrição na lei pra que assim proceda a empresa. E nem poderia a autoridade fiscal criálas no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, caput, da Constituição Federal.” Ora, observemos nos autos as Cláusulas dos Acordos pactuados de Participação nos Resultados colacionadas aos autos em sede de Impugnação (a numeração das páginas dos Programas de Participação nos Resultados será a constante no conexo processo principal AIOP 37.225.6490): (a) às fls. 142 a 152, Programa de Participação nos Resultados (ano fiscal de 2004) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000135 Cláusula Terceira Critérios de Avaliação e Limites de Pagamento Os empregados elegíveis serão avaliados em função do atingimento da Meta Global da EMPRESA, assim como do atingimento de suas metas individuais e de competências (AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO), segundo as condições determinadas nos ANEXOS I e ll, que são parte integrante do presente instrumento para todos os efeitos Fl. 357DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 Parágrafo Primeiro A Meta Global será definida pelo parâmetro Faturamento. O grau de atingimento da Meta Global (%PPR) determinará o Valor Máximo VM que poderá ser pago a título de participação nos resultados, expresso em número de salários nominais. Parágrafo Segundo As metas individuais serão determinadas em conformidade com os procedimentos normais da EMPRESA nos processos de AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Cláusula Quarta Valores da Participação O Valor da ParticipaçãoVP a ser recebido pelo empregado elegível dependerá do grau de atingimento da Meta Global da EMPRESA e de suas metas individuais, conforme definido nos ANEXOS I e II. Parágrafo Primeiro O grau de atingimento da Meta Global (%PPR) definirá a verba que poderá ser distribuída a título de participação nos resultados e, por conseqüência, o Valor MáximoVM que poderá ser recebido pelo empregado elegível, de acordo com o ANEXO I, expresso em número de salários nominais. Parágrafo Segundo De acordo com o número de pontos obtidos em sua avaliação individual, o desempenho do empregado terá as seguintes classificações: • Excepcional 4 • Satisfaz Plenamente 3 • Satisfaz Parcialmente 2 • Insatisfatório 1 O número de pontos e a classificação obtida determinarão o percentual do Valor MáximoVM que será/recebido pelo empregado elegível, conforme definido no ANEXO II e, conseqüentemente, o Valor da ParticipaçãoVP Cláusula Quinta Período de Apuração dos Resultados Os resultados serão apurados durante o período compreendido entre os meses de abril de 2004 e março de 2005. (...) Por estarem justas e acertadas, para que produza os seus jurídicos e legais efeitos, assinam as partes acordantes o presente PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS em 4 (quatro) vias de igual teor, na presença das testemunhas a seguir qualificadas. São Paulo, 03 de Maio de 2004. AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. COMISSÃO DE EMPREGADOS SINDICATO DOS EMPREGADOS EM EMPRESAS DE INDUSTRIALIZAÇÃO ALIMENTÍCIA DE SÃO PAULO E REGIÃO: Fl. 358DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 352 25 (b) às fls. 153 a 164, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 2005) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000235 Cláusula Terceira Critérios de Avaliação e Limites de Pagamento Os empregados elegíveis serão avaliados em função do atingimento da Meta Global da EMPRESA, assim como do atingimento de suas metas individuais e de competências (AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO), segundo as condições determinadas nos ANEXOS I e II, que são parte integrante do presente instrumento para todos os efeitos. Parágrafo Primeiro A Meta Global será definida pelo parâmetro Faturamento. O grau de atingimento da Meta Global (%PPR) determinará o Valor Máximo VM que poderá ser pago a título de participação nos resultados, expresso em número de salários nominais. Parágrafo Segundo As metas individuais serão determinadas em conformidade com os procedimentos normais da EMPRESA nos processos de AVALIAÇÃO DE O DESEMPENHO Cláusula Quarta Valores da Participação O Valor da Participação VP a ser recebido pelo empregado elegível dependerá do grau de atingimento da Meta Global da EMPRESA e de suas metas individuais, conforme definido nos ANEXOS I e II. Parágrafo Primeiro O grau de atingimento da Meta Global (%PPR) definirá a verba que poderá ser distribuída a título de participação nos resultados e, por conseqüência, o Valor MáximoVM que poderá ser recebido pelo empregado elegível, de acordo com o ANEXO I, expresso em número de salários nominais. Parágrafo Segundo De acordo com o número de pontos obtidos em sua avaliação individual, o desempenho do empregado terá as seguintes classificações: • Excepcional 4 • Satisfaz Plenamente 3 • Satisfaz Parcialmente 2 • Insatisfatório 1 O número de pontos e a classificação obtida determinarão o percentual do Valor MáximoVM que será recebido pelo empregado elegível, conforme definido no ANEXO II e, conseqüentemente, o Valor da Participação VP. Parágrafo Terceiro Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 O Valor da Participação VP dependerá do nível hierárquico e do saláriobase relativos ao mês de março de 2006, independentemente do empregado elegível ser enquadrado em novo nível posteriormente, podendo haver pagamentos complementares a este título sem que este fato comprometa a freqüência máxima definida em Lei para a concessão de Participação. Cláusula Quinta Período de Apuração dos Resultados Os resultados serão apurados durante o período compreendido entre os meses de abril de 2005 e março de 2006. (...) Por estarem justas e acertadas, para que produza os seus jurídicos e legais efeitos, assinam as partes acordantes o presente PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS em 4 (quatro) vias de igual teor, na presença das testemunhas a seguir qualificadas. São Paulo, 02 de Maio de 2005. AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. COMISSÃO DE EMPREGADOS SINDICATO DOS EMPREGADOS EM EMPRESAS DE INDUSTRIALIZAÇÃO ALIMENTÍCIA DE SÃO PAULO E REGIÃO: (c) às fls. 165 a 175, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 2004) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000316 semelhante ao tópico (a), sendo assinado em 28.03.2005. (d) às fls. 176 a 186, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 20052006) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000316 semelhante ao tópico (b), sendo assinado em 19.06.2006. (e) às fls. 187 a 190, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 20052006) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000405 CLÁUSULA TERCEIRA Considerando até então, a existência de um plano de metas anteriormente estabelecido, encontrado pela divisão do total de Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 353 27 produção vendida/faturada, pela quantidade de horas trabalhadas, atrelada ao índice de absenteísmo, e nos termos do que fica consignado na cláusula seguinte, para a Participação nos Lucros/Resultados do ano de 2005, será atendido o critério abaixo. CLÁUSULA QUARTA Atingida a meta previamente estabelecida, e de comum acordo com o que fora pactuado no início de referência, fica estabelecido entre as partes acordantes, que o pagamento da P.L.R. será feito cm parcela única, com base nos critérios das avaliações de desempenho realizadas no corrente ano de 2005. CLÁUSULA QUINTA Em decorrência do que ficou estabelecido e ora ratificado, o valor encontrado a favor dos TRABALHADORES, dentro do critério acima, para fins de participação nos lucros e resultados, será pago aos mesmos pela EMPRESA no dia 03 de julho de 2006, respeitandose sempre a proporcionalidade de 1/12 (um doze avos) por mês trabalhado no ano de 2005, ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias, que será considerada mês completo para esse fim. (...) E, por assim, estarem de comum acordo, assinam o presente instrumento particular de acordo, e três vias de igual teor, frente às testemunhas presentes, para uma só finalidade legal. Pederneiras, 20 de junho de 2006. AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. COMISSÃO DE TRABALHADORES SINDICATO DOS EMPREGADOS EM EMPRESAS DE INDUSTRIALIZAÇÃO ALIMENTÍCIA DE BAURU E REGIÃO (f) às fls. 191 a 194, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 20062007) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000405 semelhante ao tópico (e), sendo assinado em 04.07.2006. (g) às fls. 236 a 240, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 20042005) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000154 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 28 CLÁUSULA PRIMEIRA Através do presente instrumento de acordo, EMPREGADORA, SINDICATO e TRABALHADORES, estabelecem o sistema de participação nos resultados, destes últimos, atendendo as normas legais vigentes e aquilo que ficar aqui estabelecido. CLÁUSULA SEGUNDA O presente acordo está direta e estritamente vinculado ao programa de metas estabelecido para o ano de 2004, conforme cláusulas, itens e condições abaixo estabelecidos. CLÁUSULA TERCEIRA Considerando até então, a existência de um plano de metas anteriormente estabelecido, encontrado pela divisão do total de produção vendida/faturada, pela quantidade de horas trabalhadas, atrelada ao índice de absenteísmo, e nos termos do que fica consignado na cláusula seguinte, para o presente ano de 2004, será atendido o critério abaixo. CLÁUSULA QUARTA Atingida a meta previamente estabelecida, e de comum acordo com o que fora pactuado, fica estabelecido entre as partes acordantes, que o pagamento da P.L.R. será feito em uma parcela, com base nos critérios das avaliações de desempenho realizadas no corrente ano. CLÁUSULA QUINTA Em decorrência do que ficou estabelecido e ora ratificado, o valor encontrado a favor dos TRABALHADORES, dentro do critério acima, para fins de participação nos lucros e resultados, será pago aos mesmos pela EMPRESA no dia 30 de junho de 2005, respeitandose sempre a proporcionalidade dé 1/12 (um doze avos) por mês trabalhado no ano de 2004, ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias, que será considerada mês completo para esse fim. (...) E, por assim, estarem de comum acordo, assinam o presente instrumento particular de acordo, e três vias de igual teor, frente às testemunhas presentes, para uma só finalidade legal. Laranjal Paulista, junho de 2005. AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. COMISSÃO DE TRABALHADORES SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DE ALIMENTAÇÃO E AFINS DE CAPIVARI, RAFARD, ELIAS FAUSTO, MOMBUCA, CONCHAS, PEREIRAS, LARANJAL PAULISTA E CESÁRIO LANGE. (h) às fls. 241 a 244, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 20052006) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000154 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 354 29 semelhante ao tópico (g), sendo assinado em 30.06.2006. (i) às fls. 245 a 248, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 20062007) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000154 semelhante ao tópico (g), sendo assinado em 30.06.2006. Ora, devese observar que nos Acordos firmados nos tópicos (a), (b), (c) e (d) não há qualquer referência ao absenteísmo a ser utilizado como critério de aferição, conforme se depreende das Cláusulas Terceira: (a) às fls. 142 a 152, Programa de Participação nos Resultados (ano fiscal de 2004) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000135 (b) às fls. 153 a 164, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 2005) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000235 (c) às fls. 165 a 175, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 2004) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000316 (d) às fls. 176 a 186, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 20052006) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000316 Cláusula Terceira Critérios de Avaliação e Limites de Pagamento Os empregados elegíveis serão avaliados em função do atingimento da Meta Global da EMPRESA, assim como do atingimento de suas metas individuais e de competências (AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO), segundo as condições determinadas nos ANEXOS I e ll, que são parte integrante do presente instrumento para todos os efeitos. Outrossim, a Cláusula contendo no critério de aferição o absenteísmo, consta dos tópicos (e), (f), (g), (h) e (i): (e) às fls. 187 a 190, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 20052006) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000405 (f) às fls. 191 a 194, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 20062007) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000405 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 30 (g) às fls. 236 a 240, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 20042005) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000154 (h) às fls. 241 a 244, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 20052006) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000154 (i) às fls. 245 a 248, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 20062007) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000154 (...) CLÁUSULA TERCEIRA Considerando até então, a existência de um plano de metas anteriormente estabelecido, encontrado pela divisão do total de produção vendida/faturada, pela quantidade de horas trabalhadas, atrelada ao índice de absenteísmo, e nos termos do que fica consignado na cláusula seguinte, para o presente ano de 2004, será atendido o critério abaixo. CLÁUSULA QUARTA Atingida a meta previamente estabelecida, e de comum acordo com o que fora pactuado, fica estabelecido entre as partes acordantes, que o pagamento da P.L.R. será feito em uma parcela, com base nos critérios das avaliações de desempenho realizadas no corrente ano. Ora, o Pacto firmado pelas partes em nenhum momento estipula o absenteísmo como única condicionante para o atingimento de resultado, mas sim sendo atrelado a uma fórmula clara e objetiva que é a “divisão do total de produção vendida/faturada, pela quantidade de horas trabalhadas, atrelada ao índice de absenteísmo”. Portanto, com fundamento na jurisprudência do CARF acima explicitada, considero que na aferição dos requisitos previstos no § 9°, j, do artigo 28 da Lei 8.212/1991 c/c artigo 2°, § 1º, Lei 10.101/2000, evidenciase regras claras e objetivas instrumentalizadas nos Acordos pactuados. Diante do exposto, dou provimento à alegação da Recorrente no sentido de que evidenciase a presença de regras claras e objetivas e, de qualquer forma, afasto a fundamentação da autuação no tocante à falta de regras claras e objetivas pela utilização do absenteísmo.. Para efeitos explicativos, do lançamento efetuado de desconsideração dos pagamentos efetuados a título de PLR no sentido de se incidir contribuição social previdenciária, após se afastar a fundamentação da AuditoriaFiscal no tocante à ausência de regras claras e precisas em função do critério de absenteísmo para o pagamento da PLR, restou ainda analisar apenas o fundamento do não atendimento da pactuação prévia dos Acordos para que afaste, ou não, a tributação nesses pagamentos efetuados a título de PLR. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 355 31 (ii) Negociação e antecedência dos programas de metas, resultados e prazos X Momento da materialização via acordo coletivo – Precedentes do CARF e do extinto CRPS em favor da Recorrente. A Autoridade Fiscal para concluir pelo descumprimento da lei 10.101/2000 considerou que: os Acordos para Fins de Participação nos Lucros e Resultados celebrados em 30.06.2006 foramlhe apresentados para justificar os pagamentos feitos a este título em junho de 2005 e junho de 2006. em função da assinatura extemporânea (apenas em junho de 2006), os empregados não teriam tido conhecimento prévio das metas e dos resultados a serem atingidos. Tal não corresponde à realidade. Esclarece a Recorrente que, para fins dos programas de participação nos Lucros e Resultados, o período de apuração de metas é delimitado entre 1º de abril de um ano e 31 de março do ano seguinte, sendo o pagamento feito em junho. Logo, os quitados em junho de 2006 decorrem dos resultados obtidos no período de abril de 2005 a março de 2006 (anobase 2005), conforme se verifica do doc. 18, anexado aos autos. Conforme os Instrumentos dos Acordos de 2004 a 2006 (docs. 17 a 19 anexados na Impugnação), em especial nas Cláusulas Terceiras, em todos os anos os planos de metas para fixação do direito à participação foram os mesmos “divisão do total de produção vendida/faturada, pela quantidade de horas trabalhadas, atrelada ao índice de absenteísmo”. Os planos de 2004 e 2005 serviram de suporte para o pagamento das participações de junho de 2005 e junho de 2006, foram previamente negociados, como consta expressamente de suas Cláusulas Terceiras. A Lei 10.101/2000 não impõe que os instrumentos que disciplinem a participação nos lucros ou resultados sejam assinados antes do correspondente período de vigência, mas sim devem ter sido pactuados previamente. Precedentes do CARF indicando que a assinatura do instrumento após o início do período de apuração, dos lucros ou resultados, ou mesmo poucos dias antes da distribuição não é motivo para se negar a desvinculação entre esta parcela e a remuneração. Por fim, reitera a Recorrente que adota programas de participação nos resultados diversos da matriz para suas filiais, Fl. 365DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 32 que não foram solicitados ou examinados pelo AuditorFiscal que lavrou a autuação. Analisemos. Em relação às alegações de inconstitucionalidade, estas já foram analisadas no tópico (A). Em relação à questão da prévia pactuação, o art. 2o, § 1o ,II da Lei 10.101/2000 dispõe que os programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente Não obstante tal posicionamento da AuditoriaFiscal, a jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 2627.) aponta no sentido de que há divergência de posicionamento acerca de quando de estar concluído o instrumento de negociação: “Ainda, sobre o instrumento de negociação entre a empresa e seus empregados, ponto que tem gerado grande oscilação na interpretação administrativa, diz respeito ao momento em que deve ser estabelecida esta negociação. Há entendimentos no sentido de que esses instrumento de negociação deva estar concluído até o início do período a que se referirá a sua apuração. (...) Por outro lado, há entendimento menos restritivo, que aceita a formalização dessa negociação mesmo após o início do período de apuração dos critérios pertinentes ao programa de PLR.” Observandose o que foi pactuado no Programa de Participação nos Resultados para a matriz, CNPJ 46.344.354/000154, temos que tanto o Programa para o Fl. 366DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 356 33 período 20042005,às fls. 236 a 240 assinado em junho de 2005, quanto o Programa para o período 20052006,às fls. 236 a 240 assinado em 30 de junho de 2006, possuem o mesmo critério de aferição para a participação nos Resultados, conforme se depreende abaixo dos tópicos (g) e (h): (g) às fls. 236 a 240, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 20042005) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000154 CLÁUSULA PRIMEIRA Através do presente instrumento de acordo, EMPREGADORA, SINDICATO e TRABALHADORES, estabelecem o sistema de participação nos resultados, destes últimos, atendendo as normas legais vigentes e aquilo que ficar aqui estabelecido. CLÁUSULA SEGUNDA O presente acordo está direta e estritamente vinculado ao programa de metas estabelecido para o ano de 2004, conforme cláusulas, itens e condições abaixo estabelecidos. CLÁUSULA TERCEIRA Considerando até então, a existência de um plano de metas anteriormente estabelecido, encontrado pela divisão do total de produção vendida/faturada, pela quantidade de horas trabalhadas, atrelada ao índice de absenteísmo, e nos termos do que fica consignado na cláusula seguinte, para o presente ano de 2004, será atendido o critério abaixo. CLÁUSULA QUARTA Atingida a meta previamente estabelecida, e de comum acordo com o que fora pactuado, fica estabelecido entre as partes acordantes, que o pagamento da P.L.R. será feito em uma parcela, com base nos critérios das avaliações de desempenho realizadas no corrente ano. CLÁUSULA QUINTA Em decorrência do que ficou estabelecido e ora ratificado, o valor encontrado a favor dos TRABALHADORES, dentro do critério acima, para fins de participação nos lucros e resultados, será pago aos mesmos pela EMPRESA no dia 30 de junho de 2005, respeitandose sempre a proporcionalidade dé 1/12 (um doze avos) por mês trabalhado no ano de 2004, ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias, que será considerada mês completo para esse fim. (...) E, por assim, estarem de comum acordo, assinam o presente instrumento particular de acordo, e três vias de igual teor, frente às testemunhas presentes, para uma só finalidade legal. Laranjal Paulista, junho de 2005. AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 34 COMISSÃO DE TRABALHADORES SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DE ALIMENTAÇÃO E AFINS DE CAPIVARI, RAFARD, ELIAS FAUSTO, MOMBUCA, CONCHAS, PEREIRAS, LARANJAL PAULISTA E CESÁRIO LANGE. (h) às fls. 241 a 244, Programa de Participação nos Resultados ( ano fiscal de 20052006) AJINOMOTO BIOLATINA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., empresa inscrita no CNPJ/MF sob o número 46.344.354/000154 semelhante ao tópico (g), sendo assinado em 30.06.2006. Em que pese a AuditoriaFiscal ter considerado, em relação ao Programa 20052006 que foi pago em junho de 2006, que não houve um prévio conhecimento dos empregados quanto aos critérios de aferição, entretanto, se depreende que era do conhecimento dos empregados, desde o Programa 20042005, o critério de aferição para o Programa de Participação nos Resultados que foi mantido para o Programa 20052006, assinado em 30.06.2005. Desta forma, por me filiar a um dos entendimentos do CARF na qual se aceita a formalização da negociação do PLR após o início do período de apuração, além de considerar os elementos documentais trazidos aos autos e a par de uma interpretação sistemática da legislação, considero que não houve o descumprimento da questão da prévia pactuação, insculpida no o art. 2o, § 1o ,II da Lei 10.101/2000. Portanto, considerandose os tópicos (ii) e (iii), devese afastar a tributação em relação aos pagamentos feitos a título de PLR, ou seja, se excluir na competência 06/2006, o Código de levantamento PL PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PLR. (v) Inexistência de fraude ou dissimulação do pagamento de salários na forma de participação nos resultados. Analisemos. Tal tópico não foi abordado no Relatório Fiscal, não sendo objeto do presente a discussão acerca de fraude ou dissimulação. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vi) Realização de diligência. A autuação corresponde à PLR distribuída pela matriz da Recorrente, CNPJ 46.334.354/000154 (Laranjal Paulista) e pelas filiais 46.334.354/000235 (São Paulo – capital), 46.334.354/000316 (Valparaíso/SP) e 46.334.354/000405 (Pederneiras/SP). Fl. 368DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 2403002.116 S2C4T3 Fl. 357 35 No entanto, os programas de participação nos lucros ou resultados das filiais não foram solicitados ou examinados pela autoridade fiscal, conforme se observa do Mandado de Procedimento Fiscal (doc. 13), do Termo de Diligência Fiscal / Solicitação de Documentos (doc. 14) e do Termo de Início de Procedimento Fiscal (doc. 15), todos eles elencados quando da Impugnação. De tal forma, requer a nulidade do procedimento em relação às participações das filiais. Analisemos. Os documentos relativos ao Programas de Participação nos Resultados trazidos aos autos pela Recorrente foram apreciados nesta instância em função do princípio da verdade material, um dos pilares do processo administrativofiscal.. Diante do exposto, não se faz necessário a requisição de diligência. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para se excluir, na competência 06/2006, o Código de levantamento PL PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PLR. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 369DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11686.000022/2009-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação Retificadora.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de produtos que não são aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-001.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I - Pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao direito de descontar créditos em relação às aquisições de: Vapor de 15kgf/cm2, Vapor de 42kgf/cm2, nitrogênio líquido, nitrogênio gasoso, água desmineralizada, contêiners, big bags, mag bags e tintas. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento integral ao recurso. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para elaborar o voto vencedor. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP 195.564.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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NÃO OCORRÊNCIA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação Retificadora. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de produtos que não são aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao direito de descontar créditos em relação às aquisições de: Vapor de 15kgf/cm2, Vapor de 42kgf/cm2, nitrogênio líquido, nitrogênio gasoso, água desmineralizada, contêiners, big bags, mag bags e tintas. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento integral ao recurso. Designado o Conselheiro Flávio de Castro Pontes para elaborar o voto vencedor. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP 195.564. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 22 /2 00 9- 71 Fl. 852DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DRJSalvador (BA), fls. 305310 que transcrevo a seguir: “Tratase de Manifestação de Inconformidade da interessada contra o Despacho Decisório n° 0023/2011 (fl. 234), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari (DRF/CCI), que homologou apenas parcialmente a compensação pretendida através de PER/DCOMP (fls. 0106 e 4550). A interessada pretendeu utilizar um crédito oriundo de ressarcimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, apurado no regime nãocumulativo e relativo ao período de apuração de janeiro de 2006, para compensar débito próprio de tributo administrado pela Receita Federal. A autoridade fiscal, após a análise do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon, bem como dos documentos entregues pela contribuinte em resposta às intimações, reconheceu apenas em parte o direito creditório em favor da interessada, conforme apontado no Parecer DRF/CCI/Saort n° 003/2011 (fls. 206219). Forram realizadas, pela autoridade fiscal, glosas de créditos relacionados com insumos diversos e materiais de embalagem que não atenderiam aos preceitos da legislação da Cofins cumulativa, em especial a Instrução Normativa SRF n° 404, de 2004. Cientificada do despacho decisório em 23/03/11, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade em 25/04/11 (fls. 249289), sendo esses os pontos de, sua irresignação, em síntese: O débito objeto do presente PAF encontrase extinto nos termos do art. 156, II, do CTN, haja vista ter transcorrido mais de cinco anos entre o protocolo da Declaração de Compensação e o Despacho Decisório, tendo se operado sua homologação tácita. É inaplicável o conceito de insumo albergado na legislação do IPI, tomado por empréstimo pela IN n° 404/04, para operacionalizar a sistemática não cumulativa da Cofins. É inegável a ilegalidade dessa instrução normativa, ao recepcionar conceito restritivo de insumos, não veiculado pela própria Lei n° 10.833, de 2003, em nítida usurpação de competência. Assim, afiguramse como efetivos insumos do processo produtivo, dentre outros: 1) Vapor, utilizado como força motriz de diversos maquinários e equipamentos; 2) Nitrogênio Líquido, Fl. 854DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 5 4 que possui diversas funções, como alimentação dos sistemas de reação Je de purga, atuando como diluente, transportador, dispersor de oxigênio, e, embora não integrando o produto final, é imprescindível para a produção de polietileno; 3) Nitrogênio Gasoso, utilizado. como fluido de selagem na tancagem dos produtos finais; 4) Água Clarificada, utilizada nas torres de resfriamento da planta industrial; 5) Materiais de Embalagem, utilizadas para identificação e transporte do produto final. Registrese que, em face da grande quantidade de produtos listados pela autoridade fiscal na relação de insumos glosados, a requerente priorizou aqueles cujas glosas montam maior expressão monetária, razão pela qual requer, desde já, a realização de diligência fiscal para que auditor estranho ao feito possa aferir que os demais produtos satisfazem aos mesmos requisitos Ainda quanto aos materiais de embalagem, é importante pontuar que a distinção entre "embalagem incorporada ao produto" e "embalagem de transporte", engendrada pela fiscalização, não encontra amparo legal na legislação. Caso não se entenda pela ilegalidade da IN n° 404/04, cumpre então à ora requerente demonstrar, nessa hipótese, a única interpretação possível de tal norma regulamentar, que consiste em entender que a "ação direta" do insumo não está adstrita ao contato físico deste com o produto, mas sim à sua afetação direta ao processo produtivo.” A Delegacia de Julgamento em Salvador (BA) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo de cinco anos será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente geram créditos da Cofins as despesas com matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 6 5 O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. É inócuo suscitar na esfera administrativa alegação de ilegalidade de ato normativo editado pela Receita Federal. MATERIAL DE EMBALAGEM. Na sistemática não cumulativa de apuração da Cofins, o desconto de créditos apurados sobre a aquisição de insumos vinculados à produção de bens para venda não se estende aos materiais utilizados para permitir ou facilitar o transporte dos produtos, uma vez que essa operação não integra o processo produtivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso apresentado. Em suas razões alega que “não restam dúvidas de que a compensação realizada pela ora Recorrente se encontra integralmente homologada, por força da sistemática normativa do instituto da compensação, em especial, do quanto expressamente preconizado pelo comando emanado do §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/96, que estabelece a figura da homologação tácita”. Argumenta “glosa indevida dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, notadamente por não guardar consonância com o objetivo perseguido pelo legislador ao instituir o regime nãocumulativo da COFINS”. Refere que conforme o dispositivo normativo IN SRF n. 404, restringe o alcance do conceito do vocábulo “insumos” previsto no inc. II do art. 3º da Lei n. 10.833/03, restando este maculado pelo vício insanável da ilegalidade. Por fim, “pugna a Recorrente para que essa Egrégia Câmara dê provimento ao presente Recurso Voluntário, reformando a decisão recorrida para que seja integralmente reconhecido o direito creditório pleiteado pela Recorrente e homologada a compensação declarada que se encontra sob discussão nos autos deste processo administrativo”. Feito isto, vieram redistribuídos os autos à minha Relatoria, para julgamento conforme a determinação acima transcrita. É o relatório. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. i) homologação tácita da compensação efetuada; Não assiste razão ao contribuinte sobre a alegação de homologação tácita da compensação efetuada. Nesse sentido tem entendido a jurisprudência do CARF que: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo de cinco anos será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005. AÇÃO AJUIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA NORMA. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Precedentes: RE 566.621/RS, Rel. Min. Ellen Gracie, no rito do artigo 543B do CPC; REsp 1.269.570/MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, no rito do artigo 543C do CPC. 2. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos casos em que a ação é ajuizada antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, aplicase a tese dos "cinco mais cinco" ao prazo para repetição ou compensação de indébito, de forma que a prescrição quinquenal tem início com a homologação tácita do lançamento, que se dá após cinco anos do fato gerador. 3. Na espécie em análise, a demanda foi proposta antes da vigência da Lei Complementar 118/05. Não se aplica, portanto, a nova regra de contagem do prazo prescricional de indébito tributário instituída pela Lei Complementar 118/2005. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 8 7 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg no REsp 1120539/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/08/2012, DJe 24/08/2012). ii) glosa indevida dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços utilizados como insumos A jurisprudência do CARF é polêmica em relação ao tema, existindo posicionamentos divergentes sobre a matéria. Três posicionamentos sobressaem sobre o conceito de insumo: como integrados ao produto ou serviço, como necessários à atividade ou como conceito autônomo. O primeiro conceito aparece em diversas decisões do CARF, dentre as quais podemos citar: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente geram créditos da Cofins as despesas com matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Em sentido diverso podemos citar a seguinte decisão: Acórdão 3402001.661 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária COFINS NÃO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO CONCEITO DE INSUMO CRÉDITOS RELATIVOS A AQUISIÇÕES DE PEÇAS COM DESGASTE NO PROCESSO PRODUTIVO LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. O princípio da não cumulatividade da COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo Fl. 858DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 9 8 produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos. Créditos autorizados: a aquisições de óleo combustível, e de peças com desgaste no processo produtivo tais como peneiras, chapas perfuradas, correias, telas, capas perfuradas e martelos tipicamente integrantes dos maquinários do processo produtivo, e material de embalagem (containeres flexíveis). Atividade da empresa: setor de alimento. Por último, partilhamos do entendimento de que o conceito de insumo de ser buscado de modo autônomo ao preceituado no IPI, no ICMS e mesmo no IRPJ, visto que os tributos mencionados possuem materialidade distinta da PIS e COFINS. Diferenciase do IPI porque não abrange somente atividades de industrialização, não se dirigese apenas a comercialização, pois envolve outras atividades de produção (industrialização) e não se submete ao IRPF porque não procura verificar a renda (disponibilidade econômica ou jurídica ) do contribuinte, nem tampouco aferir a sua capacidade contributiva. Tampouco se admitiria a utilização do conceito de insumo previsto no IPI, ICMS ou IR sob pena de se constituir na utilização indevida de analogia, pelo uso de vedada ampliação da base de cálculo do tributo. Determina o art. 108 do CTN que: “(...) § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei“. O conceito de insumo diferenciase dos gastos necessários à industrialização (IPI), consumidos ou integrados à mercadoria ou necessários à atividade (IR) e deve estar coerentemente ligado à essência do tributo em questão, ou seja, na produção. Os gastos de materiais de escritório não são usualmente necessários à produção e portanto não geram créditos de PIS/Cofins, apesar de necessários à atividade, abatendo da base de cálculo do IR. O conceito de insumo não está claramente delimitado na legislação, sendo que o art. 3º determina que: “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Inexistindo limitação por parte da legislação, não cogita tal limitação por normas infralegais, de tal modo que toda a despesa necessária à produção ou prestação de serviços permitirá o seu aproveitamento em prol do princípio da nãocumulatividade. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 10 9 Da leitura do pedido da recorrente verificase que todos os insumos citados são necessários à produção: 1) Vapor, utilizado como força motriz de diversos maquinários e equipamentos; 2) Nitrogênio Líquido, que possui diversas funções, como alimentação dos sistemas de reação de purga, atuando como diluente, transportador, dispersor de oxigênio, e, embora não integrando o produto final, é imprescindível para a produção de polietileno; 3) Nitrogênio Gasoso, utilizado. como fluido de selagem na tancagem dos produtos finais; 4) Água Clarificada, utilizada nas torres de resfriamento da planta industrial; 5) Materiais de Embalagem, utilizadas para identificação e transporte do produto final. Notese que não se tratam de meras despesas necessárias à atividade, tais como gastos de materiais de escritório, mas de despesas absolutamente necessárias à atividade. iii) interpretação da IN SRF n. 404 conforme a Lei n. 10.833/03; A confusão sobre o conceito de insumo empregado no texto da lei que regem o PIS e a COFINS surge com a edição da Instrução Normativa 247/02, na redação da pela IN SRF 358/03, que limitou a extensão do referido termo a interpretação conferida pela legislação do IPI, como se verifica no artigo 66, parágrafo 5o, segundo o qual: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 5o Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: Fl. 860DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 11 10 a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A impropriedade do conceito de insumo adotado pela Instrução Normativa 247/02 se destaca, na medido que o mesmo, inegavelmente, encontrase associado à materialidade do IPI que é o produto industrializado, e não a receita do contribuinte, como se impõe, tratandose de contribuições incidentes sobre esta realidade e não sobre aquela. Vejase que nos termos da referida Instrução são insumos, geradores de créditos, tão somente os bens que venham a sofrer “alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação”. Entendo, pelo PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reformar o acórdão da DRJ. É o meu voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 12 11 Voto Vencedor Flávio de Castro Pontes – Presidente e Redator Designado. Ainda que respeitáveis as razões do ilustre relator, discordase do seu entendimento acerca do conceito de insumo. De plano registro que o colegiado reconheceu de forma unânime o direito de descontar créditos em relação às aquisições de: Vapor de 15kgf/cm2, Vapor de 42kgf/cm2, nitrogênio líquido, nitrogênio gasoso, água desmineralizada, contêiners, big bags, mag bags e tintas. Ademais, não reconheceu as homologações tácitas. Assim, a divergência consiste em relação as aquisições de: água clarificada, caixas de papelão, paletes, filmes flexíveis e cola. Como relatado, nesta matéria a controvérsia é se determinadas aquisições enquadramse no conceito de insumo. De sorte que a controvérsia tem por objeto o conceito de insumo. A legislação de regência, Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, disciplinava: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 862DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 13 12 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) (grifouse) Destarte, o ponto central da questão é compreender o conceito de insumo estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Há diversas exegeses a respeito desse dispositivo, tais como: definição de insumo segundo a legislação do IPI, aplicação de custos e despesas de acordo com a legislação do IRPJ, custos de produção, etc. Para o deslinde da questão, é despiciendo examinar o método indireto subtrativo que, em regra, foi adotado para o exercício da nãocumulatividade da contribuição PIS. A respeito da interpretação das leis, Carlos Maximiliano em Hermenêutica e Aplicação do Direito, 19ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 162, ensina: Por mais opulenta que seja a língua e mais hábil quem a maneja, não é possível cristalizar numa fórmula perfeita tudo o que se deva enquadrar em determinada norma jurídica: ora o verdadeiro significado é mais estrito do que se deveria concluir do exame exclusivo das palavras ou frases interpretáveis; ora sucede o inverso, vai mais longe do que parece indicar o invólucro visível da regra em apreço. A relação lógica entre a expressão e o pensamento faz discernir se a lei contém algo de mais ou de menos do que a letra parece exprimir: as circunstâncias extrínsecas revelam uma idéia fundamental mais ampla ou mais estreita e põem em realce o dever de estender ou restringir o alcance do preceito. Mais do que regras fixas influem no modo de aplicar uma norma, se ampla, se estritamente, o fim colimado, os valores jurídico sociais que lhe presidiram à elaboração e lhe condicionaram a aplicabilidade. (grifouse) A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Instrução Normativa (IN) nº 404/2004, regulamentou o assunto a partir da concepção tradicional da Fl. 863DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 14 13 legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e adotou uma interpretação restritiva para o conceito de insumo, conforme excerto a seguir transcrito: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (..). § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação da nãocumulatividade da Cofins. Essas normas complementares não atentaram contra a legalidade, além de não terem extrapolados os limites traçados na respectiva lei. Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a especificação dos serviços que geram crédito. Posto isso, ao sujeito passivo somente é permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 15 14 Caso o legislador tivesse outra intenção, de tal forma que os direitos de descontar os créditos abrangeriam o maior número de gastos possíveis, teria feito constar na lei uma referência explícita ao direito de descontar créditos em conformidade com custos e as despesas necessárias segundo a legislação do IRPJ. Da mesma maneira, caso quisesse adotar o conceito de custos de produção, não teria utilizado a expressão insumos. Além disso, a lei que instituiu a nãocumulatividade da Cofins especificou outros custos de produção e despesas operacionais que geram direto ao crédito, tais como: aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica; máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direto tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumos corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 16 15 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...)(rgifouse) Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de produção, não faria sentido o legislador ordinário enumerar uma série de outros custos passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adotase como solução deste litígio o conceito de insumo segundo o disposto na IN 404/2004. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 17 16 Superada essa fase conceitual, passase ao exame deste caso concreto. Deste modo, nos termos da posição adotada anteriormente, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os insumos utilizados na fabricação de bens destinados à venda sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Assim sendo, dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que as seguintes aquisições que foram objeto de glosa fiscal (água clarificada, caixas de papelão, paletes, filmes flexíveis e cola) não podem ser consideradas insumos porque não foram aplicadas diretamente na atividade fabril. Destarte, após o confronto das posições da fiscalização e da interessada, é forçoso concluir que as embalagens que foram glosadas (caixas de papelão, paletes, filmes flexíveis e cola ) caracterizamse como acondicionamento para transporte e não se enquadram no conceito de insumo, uma vez que estes produtos foram aplicados quando o processo produtivo já havia sido encerrado. Como visto, a água clarificada também não é consumida diretamente no processo produtivo. Segundo a recorrente, ela é utilizada nas torres de resfriamento da planta industrial, ou seja, não sofre alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre os produtos em fabricação. Em remate, não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de: caixas de papelão, paletes, filmes flexíveis e cola. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Declaração de Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Em que pese concordar com o entendimento do Ilustre Relator no sentido de que todos os bens e serviços indispensáveis à produção e fabricação de bens asseguram o crédito de PIS e COFINS na não cumulatividade, peço vênia para explicitar meu ponto de vista especificamente quanto ao direito ao crédito sobre os materiais de embalagem. Com efeito, o direito ao crédito de PIS e Cofins sobre materiais de embalagem encontra respaldo legal no inciso II, do artigo 3º, da Lei nº 10.833/03, que dispõe: Fl. 867DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 18 17 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) A Câmara Superior de Recursos Fiscais já firmou o entendimento de que a melhor interpretação para o inciso segundo acima citado não é nem aquele que permite a tomada de crédito apenas dos bens que integram ou se desgastam no processo de produção (conceito aplicado apenas ao IPI), nem tampouco todos os gastos incorridos pela empresa (conceito aplicado ao IRPJ), mas sim aqueles bens e serviços que são indispensáveis à produção. Neste sentido são os acórdãos nº 930301.035 de relatoria do Dr. Henrique Pinheiro Torres, e nº 930301.740 de relatoria da Dra. Nanci Gama. As decisões antes referidas firmaram o entendimento, ainda, de que o direito ao crédito das contribuições ao PIS e a COFINS devem ser analisada a luz das provas dos autos. Ouso divergir, em parte, do entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, não por não concordar com a posição firmada, mas por entender que a solução para se delimitar, com maior precisão, os bens e serviços que geram direito a crédito de PIS e COFINS está no próprio conceito de “insumo”, já que este possui o mesmo sentido de “custo de produção”. Peço vênia para citar o voto proferido pela Dra. Maria Teresa Martinez López, proferido nos autos do PA nº 13502.900391/201035, que tratou do tema com muita propriedade e bem demonstrou a conceituação do termo insumo. Vejamos: “...entendo que à vista da previsão contida no artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS), o direito ao crédito supõe que o dispêndio tenha sido feito em relação a: a) um bem ou serviço; b) utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) assim considerados inclusive os combustíveis, quando consumidos em atividade ligada ao processo produtivo. Na medida em que não há um significado único atrelado à palavra, ao nos depararmos com o termo “insumo” em tais dispositivos não podemos, a priori, afirmar ter o mesmo sentido que se encontra no âmbito de outras incidências, como o ICMS ou IPI (como registram algumas DRFs), apesar da compreensível tendência em querer transplantar para PIS/COFINS a experiência de várias décadas no âmbito daqueles impostos. O sentido do termo “insumo” está diretamente vinculado ao contexto em que o dispositivo se insere. Não apenas o contexto Fl. 868DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 19 18 imediato da frase em que aparece (inciso II das mencionadas leis), mas principalmente o contexto mediato da não cumulatividade das contribuições que é definido pelo seu pressuposto de fato (receita/faturamento). “Insumo” não é palavra de origem latina que faça parte do arcabouço básico de nossa língua. Tratase de vocábulo aqui introduzido por influência da língua inglesa ao se referir a “input” como algo que se introduz a determinado processo ou composição e, por isso, está ligado à respectiva existência. O Dicionário de Direito Tributário de Eduardo Marcial Ferreira Jardim conceitua insumo da seguinte forma: “situase no plano de economia e indica os elementos destinados à industrialização, comercialização e prestação de serviços, a exemplo de matériaprima, equipamentos, capital, mão de obra e energia, entre outros componentes ligados à produção de bens ou serviços.” (ed. Noeses, p. 224). Acontece que este é o mesmo sentido de custo. Com efeito, para o Dicionário Houaiss custo é o “esforço, trabalho empr. na produção de bens e serviços”. Para o Dicionário Caldas Aulete custo é o “trabalho, tempo, dinheiro gastos na produção de bens e serviços (custodo material/da viagem). Por estes conceitos, depreendese que insumo é a coisa e o custo é o valor despendido por esta mesma coisa. Insumo e custo são termos que representam a mesma realidade. Todo o bem ou serviço adquirido pela empresa que seja um insumo, isto é, que seja empregado na produção de novos bens e serviços, é necessariamente um custo. Se determinado bem ou serviço adquirido não for empregado na produção, este não será um custo. Daí a diferença entre “custo” e “despesa”, dois termos técnicos que possuem sentidos diversos, segundo a própria legislação comercial, mais precisamente, para o artigo 187 da Lei nº 6.404/76. Eliseu Martins ensina que custo é o “gasto relativo à bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços”, e despesa o gasto com “bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas”. Enquanto os custos são todos os gastos relativos a bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou serviços, as despesas são gastos em “bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas”, são as despesas administrativas, financeiras e de venda, dentre outras, que não estão ligadas à produção do bem ou do serviço. As despesas são efetivadas não para a obtenção do produto ou serviço destinado à venda, mas sim para comercialização ou a realização deste produto. Penso ainda que quando a lei (neste caso, art. 3º, II, da lei nº. 10.833/03) trata dos créditos calculados sobre os “bens e Fl. 869DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 20 19 serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens e produtos destinados à venda”, utiliza o termo insumo com o mesmo sentido de custo. Ambos refletem a mesma realidade, como dito acima, mas que cabe novamente ressaltar, qual seja, os gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços utilizados na produção de bem ou serviços. O verbo “utilizar” possui o sentido de “empregar” (algo) em ou para determinado fim (dicionário Houaiss). Tal verbo no particípio (forma nominal) expressa uma ação plenamente concluída. Ou seja, o crédito somente pode ser calculado em relação aos bens e serviços que foram efetivamente empregados em determinada finalidade. No contexto legal do dispositivo “bens e serviços, utilizados como insumo” o termo “como” expressa uma equivalência, uma semelhança, tratandose de uma conjunção comparativa. Isto quer dizer, no contexto, que o bem ou serviço não são necessariamente insumos, mas utilizados como insumos. Em suma, todos os custos, por estarem sempre ligados à bens, serviços e utilidades deles decorrentes que se apresentem como necessários para a obtenção ou o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configure conditio sine qua non da própria existência do produto e ou do respectivo processo produtivo estão abrangidos pela regra de dedutibilidade. Veja que este entendimento está em sintonia com a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Isto porque, se é verdade que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem entendendo que insumo é o gasto necessário à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado, não é menos verdade que todos os custos da empresa se enquadram nesta delimitação, pelo próprio conceito de custo, que são sempre necessários ao produto ou à produção. Certamente que determinados insumos ou custos não conferem o crédito, como, por exemplo, os custos com os empregados ligados à produção. A despeito deste dispêndio ser um custo de produção, ele encontrase dentre as exceções compreendidas nos §§ 2ºe 3ºdo artigo 3ºda Lei nº10.833/03. Outros exemplos podem ser citados, como a aquisição de bens e serviços adquiridos de pessoas não domiciliadas no País. Há um elemento de identidade nestas exceções taxativamente previstas no referido normativo, qual seja, o fato de a negativa ao crédito não afetar o princípio da nãocumulatividade. A pessoa física ou a empresa estrangeira não paga PIS e COFINS, razão pela qual não haveria que se falar em cumulatividade em face do não crédito nestas hipóteses. Por outro lado, lembrando do brocardo exceptio declarat regulam (a exceção declara a regra) e exceptio firmat regulam in contrarium (a exceção firma a regra em contrário), estas hipóteses excepcionais de não Fl. 870DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 21 20 crédito, confirmam a regra de que em havendo a cumulatividade, há de se interpretar a norma de forma mas ampla possível para nestes situações conceder se o crédito do PIS e da COFINS, em homenagem à não cumulatividade constitucional.” Como se depreende das razões acima, o termo insumo possui o mesmo sentido de custo de produção. Portanto, para verificar se determinado bem gera direito a crédito de PIS e COFINS na nãocumulatividade, necessário avaliar se este compõe um custo de produção. Especificamente quanto aos materiais de embalagem, não há dúvida de que sejam aqueles utilizados para acomodar o produto, sejam aqueles utilizados para o seu transporte, representam custos de produção a luz das regras contábeis vigentes, na medida em que constituem gastos necessários a colocação do bem no ponto de venda, razão pela qual todos os bens com essa classificação devem gerar direito a crédito das contribuições. Mesmo que se adote o conceito firmado pela Câmara Superior, todos os materiais de embalagem, seja para transporte ou acomodação do produto, caracterizamse como indispensáveis ao processo produtivo, razão pela qual, sob qualquer ângulo que se analise a questão, imprescindível o reconhecimento do crédito de PIS e COFINS sobre materiais de embalagem, especialmente no presente caso, considerando a especialidade do produto e as necessidades especiais de embalagem para sua conservação e manuseio. Não é outro, aliás, o entendimento que se firma na jurisprudência deste E. Conselho, como se verifica do acórdão 330101.491, de Relatoria do Dr. José Adão Vitorino de Morais, bem como acórdão 3802001.424, de Relatoria do Dr. Francisco José Barroso Rios, cuja ementa desse último transcrevo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. O regime da não cumulatividade do PIS/PASEP admite o desconto de créditos calculados em relação a embalagens (pallets, cantoneiras e demais produtos) utilizados para acomodação de caixas de frutas frescas destinadas ao mercado exterior, uma vez que tais embalagens, necessárias à preservação da carga, se enquadram no conceito de insumo estabelecido pelo art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS QUANDO DA VENDA, NO MERCADO INTERNO, DE PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. AUTORIZAÇÃO LEGAL SOMENTE A PARTIR DE 09/08/2004. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep, apurado na forma do artigo 3o da Lei no 10.637, de 2002, em virtude de vendas para o mercado interno de produtos sujeitos à alíquota zero, poderá ser aproveitado para compensação com débitos próprios ou para ressarcimento somente a partir de 09/08/2004. Base legal: artigos 16 e 17, inciso III, da Medida Provisória no 206, de 06/08/2004, c/c parágrafo único do artigo 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005. Recurso a que se dá provimento em parte. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11686.000022/200971 Acórdão n.º 3801001.836 S3TE01 Fl. 22 21 (PA nº 10380.723552/201004 – Relator FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Acórdão 3802001.424) Cumpre, por fim, destacar que no caso concreto da Recorrente, o laudo elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), apresentado com os memoriais, atesta que todos os materiais de embalagem, quais sejam, contêineres, big bags, mag bags, caixas de papelão, paletes, filmes flexíveis, tinta de impressão e braçadeiras são necessários e imprescindíveis à produção e venda de polietileno. Em relação aos contêineres, big bags, mag bags, caixas de papelão e tintas de impressão sobre essas embalagens, entendo que não há maiores dúvidas, já que mesmo para os que adotam para o PIS e COFINS o conceito utilizado pelo IPI, tais bens gerariam direito a crédito por comporem o produto final. Já quanto aos paletes e os filmes flexíveis, no caso específico da Recorrente, o laudo do IPT apresentado demonstra que eles compõem o produto final (conforme fotos que foram apresentadas), já que os big bags, mag bags precisam estar unidos aos paletes e envolvidos em filmes flexíveis para que o bem produzido fique devidamente embalado. Portanto, no caso concreto, mesmo para que adote um conceito restritivo como no IPI para análise do direito ao crédito de PIS e COFINS, há que se reconhecer o direito ao creditamento. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 872DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL
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Numero do processo: 10935.003896/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE NÃO CARACTERIZADAS. REJEIÇÃO.
Rejeitam-se os embargos apresentados por não restarem configuradas as alegações de existência de contradição e obscuridade no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1302-001.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos, e no mérito, rejeitar as alegações de contradição e obscuridade no acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Interessado ASGEL ASSIS GURGACZ EMPREENDIMENTOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE NÃO CARACTERIZADAS. REJEIÇÃO. Rejeitamse os embargos apresentados por não restarem configuradas as alegações de existência de contradição e obscuridade no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos, e no mérito, rejeitar as alegações de contradição e obscuridade no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 38 96 /2 00 9- 38 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 10935.003896/200938 Acórdão n.º 1302001.148 S1C3T2 Fl. 355 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por ASGEL ASSIS GURGACZ EMPREENDIMENTOS LTDA., em face do Acórdão nº 130200.845, proferido por esta 2a Turma Ordinária da 3a Câmara, em 15/03/2012, com a seguinte ementa: Inconstitucionalidade. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nulidade. Não há nulidade no fato da ciência das prorrogações do MPF ser feita através da internet. Multa regulamentar. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de imposto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão dar ou distribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; O colegiado negou provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. Cientificada em 06/08/2012, a interessada, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs embargos de declaração em 13/08/2012, sustentando que o relator do acórdão embargado incorreu em contradição e obscuridade ao proferir o seu voto, sustentando, in verbis: A Embargante entende que o acórdão padece do vício de contradição e obscuridade, na forma do art. 535, inciso I e deve ser reformado nos termos a seguir. A contradição repousa no fato de que suas conclusões estão inteiramente de acordo com o julgado recorrido, muito embora tenha assinalado parcial divergência. Já a obscuridade decorre da conclusão a que chegou o nobre relator, de que o débito seria exigível antes mesmo da sua efetiva constituição. Com efeito, a norma extraída da leitura conjunta dos arts. 141, 142 e 150 do CTN, é óbice instransponível para o raciocínio empregado no voto do Ilmo. Sr. Relator. Bem ao contrário do afirmado no voto vencedor, o LEGISLADOR NÃO PODE DAR AO VOCÁBULO "débito" outra conotação ou sentido diverso daquele empregado no Código Tributário Nacional. (negrito cfe. original) E assim é por força do disposto no art. 146, inciso III, "b" da CF/88, que atribui à lei complementar a tarefa de estabelecer normas gerais em matéria de obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 10935.003896/200938 Acórdão n.º 1302001.148 S1C3T2 Fl. 356 3 Se a teor do Código Tributário Nacional, que faz as vezes da Lei Complementar reclamada na Constituição, é certo que ANTES DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO, SEJA POR LANÇAMENTO OU POR CONFISSÃO DE DÍVIDA, NÃO SE PODERIA FALAR EM DÉBITO, o legislador ordinário não pode, data máxima vénia, dar ao vocábulo "débito" um sentido diverso daquele estabelecido na norma geral. No caso dos autos, a distribuição de lucros foi realizada ANTES da constituição do crédito por confissão em DCTF e, a rigor do disposto nos arts. 141, 142 e 150 do CTN, não havia nem sequer débito, e, ainda menos, o dever de garantir o crédito tributário antes de distribuir lucros, o que afasta a incidência da norma impositiva da multa. [...] Assim, temse que o acórdão padece de obscuridade na parte em que admite interpretação da legislação ordinária de modo destoante da regra extraída dos arts. 141, 142 e 150 do CTN, tolerando a cobrança de multa em razão da distribuição de lucros num período em que os débitos nem sequer existiam por falta de regular constituição através do lançamento. Ao final, a embargante requer que “sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração e, atribuindolhes, excepcionalmente, os efeitos modificativos, seja sanada a obscuridade do julgado, para fins de afastar a incidência da multa, pelo fato de que a distribuição de lucros foi feita em período anterior a regular constituição do crédito tributário (ex vi o disposto nos arts. 141, 142 e 150 do CTN), alinhando o acórdão ao pronunciamento da Egrégia 4a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no PAF n° 10980.006208/200431, acórdão 10421.178, determinandose o integral cancelamento do Auto de Infração”. É o relatório. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 10935.003896/200938 Acórdão n.º 1302001.148 S1C3T2 Fl. 357 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. Assim, deles conheço. Alega a interessada, ora embargante, que a decisão recorrida contém contradição e obscuridade a serem sanadas. A embargante alega contradição no fato do relator, em suas conclusões, estar inteiramente de acordo com o julgado recorrido, muito embora tenha declarado parcial divergência com a decisão da DRJ. A embargante destaca o seguinte trecho do acórdão em seu recurso: O r. acórdão embargado transcreveu uma parte do julgado da DRJCTA (itens 6 a 8), onde restou expressamente consignado, verbis: ..."É lícito concluir, portanto, que, à (SIC) despeito de, à época da distribuição dos lucros, a empresa ainda não tinha confessado seus débitos, mediante apresentação da DCTF, estava ela impedida de assim proceder em face do decurso do prazo para pagamento de seus tributos. A corroborar essa interpretação, na já citada Nota Técnica Cosit nº 2/2006, o órgão central da RFB prestou os seguintes esclarecimentos: 7. Resta definir se o nãopagamento do tributo no prazo legal sem que este débito esteja sequer confessado, respaldaria a aplicação da penalidade, tendo em vista a expressão constante do caput do art. 32 retrocitado: débito não garantido, por falta de recolhimento de imposto.(...). 8. Cumpre ressaltar que a questão relativa à proibição de distribuir rendimentos de participações de que trata o dispositivo em comento já foi enfrentada pelo Primeiro Conselho de Contribuintes por meio do Acórdão l.5O.496, de 17.04.75. Originouse o respectivo processo da falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamento de dividendo de ações nominativas e ao portador não identificado. Argumentou o sujeito passivo, em sua defesa, que para a existência de débito seria necessário a existência de crédito tributário e este só se constitui por meio do lançamento do imposto, conforme art. 142 do CTN. (v. fls. 337) Antes de transcrever esses fundamentos da decisão recorrida, o Relator consignou, verbis: "Reproduzo a argumentação da decisão recorrida, com a qual tenho parcial divergência" (f. 336). Fl. 358DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 10935.003896/200938 Acórdão n.º 1302001.148 S1C3T2 Fl. 358 5 Logo em seguida, o ínclito Relator, Conselheiro Marcos Rodrigues de Melo, julgador lança a indagação: "O vocábulo 'débito' é utilizado de forma ambígua pelo legislador. Em sentido amplo, significa a contrapartida do crédito tributário, sendo este último o direito subjetivo do Estado de exigir o cumprimento da obrigação tributária de natureza pecuniária e o primeiro o dever jurídico do contribuinte de entregar ao Estado o valor em pecúnia. Em um primeiro momento podese pensar que apenas no momento da constituição do crédito tributário se poderia pensar na existência do débito, que nasceriam concomitantemente. Portanto, antes da constituição do crédito, seja por lançamento ou por confissão de dívida, não se poderia falar em débito. No entanto, o legislador pode dar ao vocábulo outro sentido, desde que o faça de forma expressa, como entendo que o fez neste caso. A Lei 4357 prescreveu: As pessoas jurídicas enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de imposto, taxa ou contribuição, no prazo legal. Observase no texto legal que, para os objetivos desta lei, débito é a falta de recolhimento de imposto, taxa ou contribuição no prazo legal. Tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo para pagamento do tributo independe do crédito tributário estar constituído, bastando a ocorrência do fato gerador e o prazo estabelecido para pagamento para considerar que o contribuinte está em mora, submetendoo, em caso de atraso aos encargos moratórios " (f. 339) Examinando o acórdão embargado, no ponto em que discute a matéria embargada, não vislumbro a contradição apontada. De fato, pode existir alguma obscuridade concernente a qual seria o ponto de divergência que o relator do acórdão embargado teria em relação aos fundamentos da decisão de primeira instância, por ele não externado. Tal fato, porém, não invalida, nem muito menos torna contraditórios os fundamentos por ele adotados no voto. Assim, entendo que os embargos devem ser rejeitados quanto a este ponto. Na sequência, a embargante alega que o acórdão também conteria obscuridade na parte de seus fundamentos em que o relator teria concluído que o débito seria exigível antes mesmo da sua efetiva constituição. Sustenta que “a norma extraída da leitura conjunta dos arts. 141, 142 e 150 do CTN, é óbice instransponível para o raciocínio empregado no voto do ilmo. Sr. Relator. Bem ao contrário do afirmado no voto vencedor, o LEGISLADOR NÃO PODE DAR AO VOCÁBULO "débito" outra conotação ou sentido diverso daquele empregado no Código Tributário Nacional.” Fl. 359DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 10935.003896/200938 Acórdão n.º 1302001.148 S1C3T2 Fl. 359 6 À toda evidência, não se trata de obscuridade a questão arguida pela embargante, mas sim de discussão quanto à interpretação dada pelo relator à legislação discutida nos autos, o que não tem amparo para ser admitido em sede de recurso de embargos. De fato, o que a embargante pretende com esta parte dos embargos é rediscutir a interpretação da legislação tributária dada pelo acórdão embargado, o que resta evidenciado quando a embargante cita a interpretação divergente que teria sido dada pela 4a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao proferir o Acórdão 10421.178 e pede o alinhamento ao entendimento contido naquela decisão. Desta feita, a via eleita pela embargante resta inadequada para as suas pretensões, impondose a rejeição dos embargos quanto à obscuridade alegada. Ante ao exposto, voto por conhecer dos embargos e, no mérito, rejeitar as alegações de contradição e obscuridade no acórdão embargado. Sala de Sessões, em 06 de Agosto de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 360DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E
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Numero do processo: 10680.925799/2009-37
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 05173.34580.071008.1.7.029664, fls. 4174, utilizandose do saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$51.915,38 do quarto trimestre do anocalendário de 2003 apurado pelo regime do lucro real, para compensação dos débitos confessados nos Per/DComp nºs RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 25 79 9/ 20 09 -3 7 Fl. 586DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.925799/200937 Resolução nº 1801000.293 S1TE01 Fl. 585 2 31431.00907.280108.1.3.024018, 11460.70730.060208.1.3.028511, 19311.43393.180208.1.3.027118 e 32102.93242.071008.1.7.023967. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 8486, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo Informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo Informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$51.915,38 Valor do crédito na DIPJ: R$0,00. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 05173.34580.071008.1.7.029664 31431.00907.280108.1.3.024018 11460.70730.060208.1.3.028511 19311.43393.180208.1.3.027118 32102.93242.071008.1.7.023967. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 29.06.2009, fl. 79, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 22.07.2001, fls. 0103, com os argumentos a seguir transcritos. Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da Receita Federal do Brasil que não homologou a compensação procedida pela Impugnante, de crédito decorrente de saldo negativo do Imposto de Renda por tributos administrados pela Receita Federal, tal como PIS, COFINS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL RETIDA NA FONTE, IRPJ, CSLL, IRRF, conforme demonstrados nos PER/DCOMP anexos. E isso porque, conforme entendimento fiscal "a empresa não dispunha do crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP no valor original de R$51.915,38 (cinquenta e um mil, novecentos e quinze reais e trinta e oito centavos). Ocorre que, ao contrário do que supõe a fiscalização, a Impugnante dispõe do crédito de R$51.915,38 (cinquenta e um mil, novecentos e quinze reais e trinta e oito centavos), conforme demonstrados no informe de rendimento anexo e na ficha 54 da DIPJ onde se encontram descritos os valores retidos. Assim sendo, considerando que não foram realizadas compensações durante o ano no referido crédito, a Impugnante procedeu regularmente à compensação dos débitos referentes aos PER/DCOMP nºs: 05173.34580.071008.1.7.029664, 31431.00907.280108.1.3.024018, 11460.70730.060.208.1.3.028511, 19311.43393.180208.1.3.027118, 32102.93242.071008.1.7.023967. É nesse ponto, essencial esclarecer que o procedimento adotado pela Impugnante atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito Fl. 587DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.925799/200937 Resolução nº 1801000.293 S1TE01 Fl. 586 3 pleiteado no equivocado entendimento fiscal de que a Impugnante teria pleiteado a compensação de crédito que não existia. Demonstrada documentalmente a existência do crédito a compensar (alvo de questionamento pela Receita Federal) e considerandose a incontroversa regularidade do procedimento compensatório adotado pela Impugnante, extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 156, II do Código Tributário Nacional, não havendo diferenças a recolher. [...] Estes os argumentos que demonstram o direito creditório pleiteado e demonstrado desde a entrega da declaração de compensação objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida pela Impugnante, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal. Conclui Assim ante a todo exposto, requer seja homologado o direito de compensação da Impugnante, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, sejalhe garantindo o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, deferindo assim o pedido de diligência fiscal para a apresentação das provas necessárias para que se comprove a existência do crédito. Termos em que Pede Deferimento Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 02 34.957, de 28.09.2012, fls. 99104: “Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte”, que assim decidiu Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência ou de posterior juntada de provas e, no mérito, em julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do relator, para: • reconhecer saldo negativo de IRPJ do 4° trimestre de 2003, no valor original de R$39.301,14 (trinta e nove mil, trezentos e um reais e quatorze centavos); • homologar as compensações efetuadas por meio do PER/DCOMP n.° 05173.34580.071008.1.7.029664; • homologar parte das compensações efetuadas por meio do PER/DCOMP n.° 31431.00907.280108.1.3.024018, até o limite do crédito remanescente após as compensações de que trata o PER/DCOMP n.° 05173.34580.071008.1.7.029664; • não homologar as compensações efetuadas nos seguintes PER/DCOMP: 11460.70730.060208.1.3.028511, 32102.93242.071008.1.7.023967, 19311.43393.180208.1.3.027118. No Voto condutor está registrado que o valor das retenções confirmado em DIRF é igual ao da parcela que compõe o crédito informado no PER/DCOMP, qual seja R$51.915,38. Entretanto, só parte desse valor é dedutível. Além da efetiva retenção, a dedução da linha 13 da ficha 12 A está condicionada a que as receitas sobre as quais incide o IRRF integrem a base de cálculo do imposto devido no período de apuração. No caso, só parte dos rendimentos de aplicações financeiras auferidos no 4° trimestre integra a base de cálculo do IRPJ nele apurado. A receita da qual foram retidos os R$51.915,38 tem valor igual a R$259.576,96 (fl. 93). Verificase na linha 24 da ficha 06 A da DIPJ, que o valor das receitas financeiras oferecidos à tributação no 4° trimestre se limita a R$230.558,31 (fl. 87). Conseqüentemente, só se admite dedutível parte da retenção sofrida, no valor de R$46.111,65. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.925799/200937 Resolução nº 1801000.293 S1TE01 Fl. 587 4 Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO. Constitui crédito passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo apurado. Notificada em 27.12.2011, fl. 117, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.01.2012, fls. 118125, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera alguns argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que a decisão de primeira instância Desconsiderou, no entanto, que nos rendimentos provenientes de aplicação financeira de renda fixa (que não confundem com fundos de investimento em renda fixa), o momento da ocorrência do fato gerador da retenção se dá em momento distinto ao da aferição dos rendimentos periódicos de aplicação não vencida e não resgatada, ou seja, os rendimentos totais contidos no informe de outubro de 2003 e não se referem integralmente àquele mês, sendo apenas referência para retenção que deveria ocorrer sobre a totalidade dos rendimentos, inclusive de competências anteriores. [...]Temse o equívoco da premissa da qual parte da decisão de que o mero cruzamento com a linha 24 seria suficiente para atestar o suposto descompasso detectado. Isso porque, como sabe a mencionada linha não se refere exclusivamente a rendimentos de aplicações financeiras [...]. A competência para retenção do tributo [...] por ocasião do resgate ocorreu em outubro de 2003 e [...] a competência a qual se refere o rendimento auferido periodicamente em diversas competências anteriores à retenção, inclusive em 2002, mas sem resgate que ensejasse a retenção na fonte pela fonte pagadora. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante todo exposto, requer seja dado provimento ao presente recurso para reforma parcial [da decisão de primeira instância de julgamento], homologandose integralmente a compensação procedida em face: i) dos rendimentos de aplicações financeiras contidos no informe do [Banco Mercantil do Brasil S/A] se referirem a competências distintas daquela em que se procedeu a retenção [...] sendo equivocada a premissa de que a linha 24 da Ficha 6A deveria conter a integralidade daqueles rendimentos, já que aqueles não se referem integralmente ao 4º trimestre de 2003 e que a mencionada linha engloba outras receitas financeiras (não apenas provenientes de aplicação); ii) subsidiariamente, em não entendendo pela suficiência do mencionado crédito [Banco Mercantil do Brasil S/A], que se considere na composição do saldo negativo a ser compensado, a retenção sofrida na mesma competência, pelo [Banco Santos S/A], cujos rendimentos tampouco se referem integralmente ao 4º trimestre de 2003, ao contrário da retenção. Termos em que, Pede deferimento. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.925799/200937 Resolução nº 1801000.293 S1TE01 Fl. 588 5 Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.204, de 10.04.2012, fls. 283289 para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente a apresentar, referente ao suposto saldo negativo de IRPJ no valor remanescente original de R$12.614,24 do quarto trimestre do anocalendário de 2003 apurado pelo regime do lucro real anual para que a Recorrente seja intimada a: a) decompor analiticamente os valores informados nas DIPJ dos anoscalendário de 2002 e 2003 a título de aplicações financeiras e a dedução do IRRF utilizados para a dedução do IRPJ devido e que identifique claramente as quantias pleiteadas contidas nestes montantes, e a planilha descritiva da composição dos valores referentes aos saldos negativos dos anoscalendário em referência e eventuais períodos que tiveram efeitos nesses valores; b) juntar aos autos as cópias do Livro Razão e do Livro Diário em que foram registradas as quantias pleiteadas, identificando inclusive quais os valores de IRRF de aplicações financeiras utilizados nos anoscalendário de 2002 e 2003, a receita de aplicações financeiras oferecidas à tributação no período; c) identificar inequivocamente o montante de IRRF de aplicações financeiras remanescente e disponível nos anoscalendário de 2002 e de 2003 para ser utilizado no quarto trimestre do anocalendário de 2003. Foi proferido o Relatório Fiscal, fls. 581582, do qual a Recorrente não foi regularmente notificada. Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Letícia Fernandes de Barros, OAB/MG 79.562. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.925799/200937 Resolução nº 1801000.293 S1TE01 Fl. 589 6 A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O regime de tributação com base no lucro real, trimestral ou anual, prevê que a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. O pressuposto é de que a escrituração mantida com observância das disposições legais que faz prova em favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados se estes estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais. Tendo em vista o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos para oferecer a oportunidade de a Recorrente demonstrar sua alegação. Ademais, para que haja direito à homologação da compensação, deve restar comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição. Por esta razão, para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal1. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRRF incidente sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente2. Os rendimentos de aplicações financeiras devem ser incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, podem ser rateados pelos períodos a que competirem, ou seja, podem ser rateados segundo o regime de competência. Ademais, os rendimentos da pessoa jurídica ficam sujeitos ao IRRF quando ocorrer o pagamento ou o crédito contábil da fonte pagadora3. A pessoa jurídica está obrigada a prestar à RFB informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ das pessoas que o receberam, bem como valor do imposto de renda retido da fonte. Também a pessoas jurídica que efetuar pagamento ou crédito de rendimentos sujeitos à retenção do imposto na 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal: art. 17 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 65 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 11 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.925799/200937 Resolução nº 1801000.293 S1TE01 Fl. 590 7 fonte devem fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte4. Ademais, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir da do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). A legislação prevê que o valor do IRRF é considerado como antecipação do IRPJ devido referente ao código de arrecadação nº 3426 a título de aplicações financeiras em renda fixa (art.65 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. A Recorrente afirma que “a competência para retenção do tributo [...] por ocasião do resgate ocorreu em outubro de 2003 e [...] a competência a qual se refere o rendimento auferido periodicamente em diversas competências anteriores à retenção, inclusive em 2002, mas sem resgate que ensejasse a retenção na fonte pela fonte pagadora”. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal, fls. 581582, para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes5 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 13 da Lei nº 4.154, de 28 de novembro de1962 e art. 1º da Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979. 5 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13408.000067/2009-50
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005, 2006, 2007
ITR. IMÓVEL LOCALIZADO INTEGRALMENTE NO INTERIOR DE PARQUE NACIONAL. PERDA DA POSSE ANTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DECRETO AUTORIZADOR DA DESAPROPRIAÇÃO. PROPRIETÁRIO. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Comprovado nos autos que a área total do imóvel está dentro dos limites de Parque Nacional criado antes da data de ocorrência do fato gerador do qual decorreu a perda da posse e esvaziamento do conteúdo econômico inerente à exploração do direito de propriedade, deve-se cancelar o lançamento por ilegitimidade passiva do proprietário.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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IMÓVEL LOCALIZADO INTEGRALMENTE NO INTERIOR DE PARQUE NACIONAL. PERDA DA POSSE ANTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DECRETO AUTORIZADOR DA DESAPROPRIAÇÃO. PROPRIETÁRIO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Comprovado nos autos que a área total do imóvel está dentro dos limites de Parque Nacional criado antes da data de ocorrência do fato gerador do qual decorreu a perda da posse e esvaziamento do conteúdo econômico inerente à exploração do direito de propriedade, devese cancelar o lançamento por ilegitimidade passiva do proprietário. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 8. 00 00 67 /2 00 9- 50 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/16, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercícios 2005, 2006 e 2007, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Angico", localizado no município de Buique PE, com área total de 3.200,0 ha. Consta do lançamento: a) esclarecimento acerca da condição do intimado contribuinte do ITR; b) glosas de áreas e de valores conforme discriminado abaixo: Discriminação Área DITR2005 Fls. 17/20 Auto DITR2006 Fls. 17/24 Auto DITR2007 Fls. 25/28 Auto Áreas de Preservação Permanente Zero Zero 3.200,0 Zero 3.200,0 Zero Reserva Legal 610,0 Zero Zero Zero Produtos vegetais 50,0 Zero Pastagens 2.000,0 Zero Discriminação R$/ha DITR2005 Fls. 17/20 Auto DITR2006 Fls. 17/24 Auto DITR2007 Fls. 25/28 Auto Valor total do imóvel 300.000,00 100.000,00 100.000,00 Valor das benfeitorias 30.000,00 Zero Zero Zero Zero Zero Valor culturas e pastagens 170.000,00 Zero Zero Zero Zero Zero Valor da Terra Nua 100.000,00 679.296,00 100.000,00 792.416,00 100.000,00 841.088,00 Na impugnação constou o seguinte arrazoado, em síntese dos pontos essenciais: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13408.000067/200950 Acórdão n.º 2802002.548 S2TE02 Fl. 204 3 I a propriedade, em sua totalidade de 3.200 hectares esta inserida no Parque Nacional do Catimbau criado para preservar os ecossistemas naturais, conforme e reconhecido pelo IBAMA e Decreto do Presidente da República que especificam a área e a administração da mesma; II Na DITR exercício 2005 o contador informou, erroneamente, a utilização da Fazenda Angico, tendo em vista que naquela data já vigorava o ato de criação do parque e a administração do mesmo COM a inclusão da Fazenda Angico em seu território total; e III entregou ao IBAMA, nos prazos regulamentares, os Ato Declaratório Ambiental ADA 2006 e 2007 que fazem menção à área de preservação permanente. A impugnação foi indeferida, em resumo, pela seguinte fundamentação: a) o imóvel foi declarado de utilidade pública para fins de desapropriação por estar situado dentro da área do Parque Nacional do Catimbau, quando há desapropriação, o ITR incide sobre o imóvel até a perda da posse pela imissão prévia ou provisória do Poder Público na posse; ou até a data da perda do direito de propriedade pela transferência ou pela incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público; b) não consta dos autos comprovação de que haja declaração em caráter específico para o imóvel e ampliação das restrições de uso previstas para as Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, para efeito de exclusão de área da tributação do ITR deve haver declaração específica, ainda que o imóvel esteja inserido em área declarada em caráter geral como de interesse ecológico; c) não há proibição de uso da terra em ares de preservação permanente e de reserva legal, a exemplo dos planos de manejos sustentável; d) não há comprovação das restrições de uso previstas para Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal; e) faltou o laudo técnico para comprovar que existem as Áreas de Preservação Permanente declaradas; e f) não foram contestadas as alterações da áreas ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias nem em relação ao valor total do imóvel e ao VTN, matéria que foi objeto de preclusão. Ciência pessoal em 02/02/2012. Recurso Voluntário protocolado em 02/03/2012 (fls. 167). Em síntese, as alegações recursais foram: a) o Decreto Presidencial que criou o Parque Nacional, seguido das duas Declarações do IBAMA, a primeira informando que a propriedade com seus 3.200 ha integra a área do Parque e a segunda que informa que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio faz a gestão administrativa do Parque desde sua criação comprova que o imóvel não está mais na posse do recorrente, o que desautoriza que o Estado cobre o ITR do recorrente, ainda que não tenha expressamente se referido à área utilizada com produtos vegetais, utilizada com pastagens ou VTN ou mesmo cometido erro ao preencher a DITR; Fl. 205DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 c) itens 9, 11/13, 23 sem contestação a declaração do IBAMA advinda de petição do contribuinte e que indica que a área total do imóvel está situada no Parque nacional do Catimbau demonstra que a área não deve ser tributada pelo ITR; o acórdão recorrido fundamentouse no entendimento referente à declaração de interesse social para fins de desapropriação para reforma agrária, que possui rito específico, entretanto o caso em questão não foi de declaração para fins de reforma agrária; embora não discorde que tenha afirmado na impugnação ser contribuinte do ITR, a apuração e pagamento decorrente da situação jurídica do imóvel devem ser feitos conforme art. 10 da Lei 9.393/1996 e Manual do ITR; as declarações do IBAMA decorrentes de petição do contribuinte são específicas para o imóvel e a ampliação das restrições de uso, citadas pela DRJ, decorrem da própria existência do Parque, conforme legislação própria; a declaração do IBAMA afirma que toda a área está dentro do Parque é suficiente para comprovar que há declaração específica do interesse ecológico as proibições ao uso da terra decorrem da submissão do imóvel ao Decreto nº 84.017/1979, que regulamenta os Parques Nacionais Brasileiros, e à Lei 9.605/1998, que define crimes ambientais, ao passo que o manejo sustentável, mencionado pela DRJ, é vedado quando se trata de Parques Nacionais e quem define o interesse ecológico é o Decreto Presidencial que criou o Parque; embora as áreas tenham sido informadas erroneamente na DITR, no ADA2006, entregue em 31/10/2006, e no ADA2007, entregue em 22/09/2007, foi informado que toda a área do imóvel (3.200ha) é Área de Preservação Permanente e o Decreto Presidencial e a Declaração do IBAMA são provas irrefutáveis de que a Área de Preservação Permanente existe; o recorrente anexa mapa do Centro Nordestino de Informações sobre Plantas para corroborar a proteção integral do governo federal; não se trata de reserva legal, e sim de área de preservação permanente, que não pode ser explorada, consoante legislação ambiental, do contrário incorrese em crime ambiental aponta precedentes que amparam sua defesa, independente de procedimento acessório como emissão de ADA ou averbação no Registro de Imóveis. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13408.000067/200950 Acórdão n.º 2802002.548 S2TE02 Fl. 205 5 O cerne do litígio é a legitimidade para constar como sujeito passivo da relação jurídico tributária. A Declaração expedida pelo IBAMA (fls. 74) atesta que o imóvel está situado integral dentro do Parque Nacional de Catimbau, ao passo que a declaração firmada pelo chefe do referido Parque Nacional informa que, desde a criação do Parque, o IBAMA e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, que o sucedeu na atribuição em comento, vem exercendo a gestão administrativa, proteção e fiscalização do Parque Nacional do Catimbau e que o recorrente não mantém qualquer atividade econômica nesse imóvel desde a criação da unidade de conservação. A natureza da intervenção na propriedade decorrente da criação do Parque Nacional deve ser compreendida a partir da exegese do §1º e do caput do art. 11 da Lei nº 9.985/2000. Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1o O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. O Fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel rural. Não obstante, o direito de propriedade sem posse, uso ou fruição, na essência deixa de ser direito de propriedade, o que é denominado de “uma casca vazia à procura de seu conteúdo e sentido, uma formalidade negada pela realidade dos fatos” (RESP 963499/PR). É incontroverso que o imóvel em questão está integralmente situado dentro da área do Parque Nacional do Catimbau, instituído pelo Decreto de 13/12/2002, com vigência desde 16/12/2002 e que antes da data definida para marcar a ocorrência do fato gerador o proprietário não detinha a posse do imóvel, posto que o Parque Nacional transforma a posse particular em posse pública. Com a perda da posse e à espera do ato formal de desapropriação, o recorrente não pode ser sujeito passivo da relação jurídicotributária de exigência do ITR. Nesse sentido, colhemse os seguintes precedentes: Ementa IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA FORNECIDO PELA SECRETARIA ESTADUAL DE AGRICULTURA. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE NULIDADE. Não está inquinada de nulidade a constituição de crédito tributário baseado no arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), utilizando o Sistema de Preços de Terras (SIPT) baseado no VTN médio por aptidão agrícola fornecido pela Fl. 207DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Secretaria Estadual de Agricultura, lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO POR VÍCIO FORMAL. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. MALHA FISCAL. INDICAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA RESPONSÁVEL. FALTA DE ASSINATURA. Nos casos em que ficar caracterizado infração à legislação tributária exclusivamente por meio de informações constantes das bases de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), será expedida notificação de lançamento eletrônica, da qual será dada ciência ao contribuinte, sendo que a falta de assinatura da autoridade administrativa fiscal, indicada na respectiva notificação de lançamento, não caracteriza vício formal e, muito menos, material. Assim, a notificação de lançamento, com origem na seleção eletrônica de declaração para verificação efetuada pela Malha da Receita Federal, prescinde de assinatura (parágrafo único, do artigo 11, do Decreto n° 70.235, de 1972). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO TÉCNICO. DIVERGÊNCIA ENTRE ÁREA APURADA E ÁREA DECLARADA. PREVALÊNCIA DO LAUDO. Se o contribuinte apresentar documentos hábeis, revestidos das formalidades legais, que comprovam que as áreas questionadas estão inseridas no Parque Estadual da Serra do Mar e apresenta, de forma tempestiva, o Ato Declaratório Ambiental ADA, corroborando a informação prestada pelo recorrente, é de se reformar o lançamento. Assim, comprovada a existência de áreas de Preservação Permanente por meio de apresentação de Laudo Técnico elaborado por empresa especializada, tais áreas devem ser excluídas da incidência do ITR. Existindo divergência entre a área de Preservação Permanente declarada e a área efetivamente apurada pelo Laudo Técnico, há de prevalecer a área comprovada. (...) (Acórdão 2202001.756) Ementa IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. INTERESSE ECOLÓGICO. TRIBUTAÇÃO. ADA. Comprovado por meios firmes de provas, não contrariados de imóvel possuir restrição de uso pela instituição de Parque Nacional, com exigência da preservação permanente ou mesmo de utilização limitada, reserva legal e de interesse ecológico, assim declarado por ato do Poder Público Federal ou Estadual, deve haver exclusão do ITR. O Ato Declaratório Ambiental – ADA comprova a exclusão das referidas áreas da tributação, mas sua exigência não é condição para essa exclusão, podendo a comprovação ser realizada outros meios de prova, notadamente laudo técnico elaborado por profissional habilitado e não contrariado nos autos. A tributação incide sobre o aspecto material, fatos reais praticados ou realizados pelo sujeito passivo, ou presuntivos, quando a lei assim determinar. A exigência do ADA constituise em ato meramente declaratório ao direito a isenção do ITR, jamais em ato constitutivos do direito, para permitir à exclusão das referidas áreas da tributação do ITR. DETENÇÃO. LIMITAÇÃO DA PROPRIEDADE. NUA PROPRIEDADE. O ITR incide sobre a propriedade, o domínio útil e a posse. Propriedade corresponde ao domínio ao pleno de usar, gozar, dispor e reivindicar a propriedade. Domínio útil corresponde ao domínio limitado pelo uso. A posse sujeita ao imposto corresponde à posse aquisitiva ou ad usucapionem, posse com os poderes e os atributos da propriedade. Posse sem os poderes e atributos da propriedade corresponde a mera detenção de coisa alheia. A área de preservação permanente ao restringir e limitar o direito de propriedade, causa a expropriação indireta do imóvel. O titular do domínio pleno detém ou passa a passa a deter apenas a nua propriedade Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13408.000067/200950 Acórdão n.º 2802002.548 S2TE02 Fl. 206 7 ou o domínio direito, que não se sujeita ao tributo. (...) (Acórdão nº Acórdão 2202 001.742) Ementa Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 CRIAÇÃO DE PARQUE ESTADUAL. UNIDADE DE PROTEÇÃO INTEGRAL. ÁREA DA PROPRIEDADE INSERIDA NO PARQUE. DESCABIMENTO DE COBRANÇA DO ITR. Nos termos da Lei n° 9.985, de 2000, não são admitidas atividades que envolvam consumo e coleta ou provoquem dano aos recursos naturais de parque nacional, estadual ou municipal, portanto, após a criação do Parque, cabe excluir a tributação do ITR do imóvel localizado em área de proteção integral, até ocorrer a sua desapropriação. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2102001.781) Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 DA AREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Comprovado nos autos que o imóvel está inserido em Area de Parque, Unidades de Proteção Integral, para as quais só é admitido o uso indireto dos seus atributos naturais, por força da Lei n° 9.985, de 18 de julho de 2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza SNUC, cabe acatar a exclusão da Area correspondente da área tributável do imóvel. (...) (Acórdão nº 2801000.822) Ementa ITR. Não incide o imposto sobre imóvel inteiramente localizado em área de preservação permanente transformada em Parque Nacional instituído por Decreto presidencial (Acórdão nº 30332067) Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 209DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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