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Numero do processo: 10620.000715/2005-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FALTA DE JUNTADA DO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. APROVEITAMENTO DOS ATOS NÃO MACULADOS.
O julgamento de apenas um recurso, ignorando a existência do recurso da outra parte, ocorre em desconformidade com regra de regência do processo administrativo fiscal leva a nulidade do acórdão, possibilitando, no entanto, o aproveitamento dos atos que não foram por ela maculados.
Numero da decisão: 9202-006.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202-00-133, de 18/08/2009, declarar a sua nulidade, bem como determinar a ciência ao contribuinte do Despacho de Admissibilidade de seu Recurso Especial, com posterior retorno à relatora para prosseguimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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FALTA DE JUNTADA DO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. APROVEITAMENTO DOS ATOS NÃO MACULADOS. O julgamento de apenas um recurso, ignorando a existência do recurso da outra parte, ocorre em desconformidade com regra de regência do processo administrativo fiscal leva a nulidade do acórdão, possibilitando, no entanto, o aproveitamento dos atos que não foram por ela maculados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 920200133, de 18/08/2009, declarar a sua nulidade, bem como determinar a ciência ao contribuinte do Despacho de Admissibilidade de seu Recurso Especial, com posterior retorno à relatora para prosseguimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 00 07 15 /2 00 5- 31 Fl. 508DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 30335.544, proferido pela 3ª Câmara / 3ª Conselho de Contribuintes. Tratase de lançamento do ITR/2002, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 30/09/2005, que incide sobre o imóvel rural "Fazenda Mota e outros" (NIRF 5.677.7248) com 4.341,5 ha, localizado no município de Itamarandiba MG. No procedimento de verificação da DITR/2002, a autoridade fiscal lavrou auto de infração, com a glosa das áreas declaradas de preservação permanente (166,5 ha) e de utilização limitada (3.022,5 ha), com consequente aumento das áreas tributável e aproveitável, do VTN tributável e da alíquota de cálculo, pela redução do grau de utilização, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 27.743,46, conforme demonstrativo de fls. 02. O Contribuinte apresentou Impugnação, às fls. 36/89. A DRJ, às fls. 93/101, julgou totalmente procedente o lançamento do crédito. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 105/200. A 3ª Câmara do 3ª Conselho de Contribuintes, às fls. 207/217, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário para excluir da exigência a parcela relativa à glosa da área de preservação permanente. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 Normas gerais de Direito Tributário. Lançamento por homologação. Na vigência da Lei 9,393, de 19 de dezembro de 1996, o contribuinte do ITR está obrigado a apurar e a promover o pagamento do tributo, subordinado o lançamento a posterior homologação pela Secretaria da Receita Federal. É exclusivamente do sujeito passivo da obrigação tributária o ônus da prova da veracidade de suas declaraç6es contraditadas enquanto não consumada a homologação. Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Nãoincidência. Reserva legal. Sobre a área de reserva legal não ha incidência do tributo, mas a legitimidade da reserva legal declarada e controvertida deve ser demonstrada mediante apresentação da matricula do imóvel rural com a dita área averbada a sua margem previamente a ocorrência do fato gerador do tributo. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10620.000715/200531 Acórdão n.º 9202006.570 CSRFT2 Fl. 10 3 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Nãoincidência. Área de preservação permanente. Sobre a área de preservação permanente não ha incidência do tributo. Carece de sustentação jurídica a glosa da área de preservação permanente declarada unicamente motivado na falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) do lbama. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 223 e ss., a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o paradigma trazido para analise, tendo a decisão recorrida o entendimento de que carece de sustentação jurídica a glosa da área de preservação permanente declarada unicamente motivado na falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) do Ibama. Por outro lado, o paradigma apresentado exige a apresentação do ato específico do órgão competente (ADA), protocolizado tempestivamente, para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e utilização limitada. Nos termos do Despacho nº. 009, de 05 de fevereiro de 2009 (fls. 276/278), foi dado seguimento ao apelo da PGFN. O Contribuinte apresentou, em 01 de abril de 2009, contrarrazões às fls. 284/303. Nos termos do Acórdão nº 920200.133, às fls. 305/310, foi NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, em 18 de agosto de 2009. A Fazenda Nacional opôs Embargos Declaratórios contra o Acórdão nº 9202 00.133, em 06/04/2010, consoante fls. 314/319. Na seqüência do julgamento do Recurso Especial da Fazenda consta Despacho subscrito pelo Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior e pelo Presidente da 2ª Turma da CSRF. O ilustre julgador relata informação do Contribuinte acerca da falta de juntada do REcurso ESpecial por ele interposto nos autos. Conforme fl. 317 (numeração manual), o Contribuinte foi intimado a comprovar a interposição de Recurso Especial, o qual restou cumprido às fls. 319/438, contendo AR de envio do Recurso Especial, o próprio Recurso Especial, além dos documentos anexos ao Recurso Especial, no qual buscava a reapreciação da divergência jurisprudencial acerca da desnecessidade da apresentação do Ato Declaratório ambiental ADA e da averbação tempestiva na matrícula do imóvel para fins de exclusão das Áreas de Reserva Legal da área tributável do imóvel, indicando os acórdãos nºs 30131.956, 30333.181 e 303 33.180 como decisões paradigmas a corroborar este entendimento, em divergência da interpretação sustentada no acórdão recorrido. Às fls. 480/483, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso, a fim de que seja rediscutida a exigência de apresentação tempestiva do Ato Declaratório ambiental – ADA para fins de exclusão das Áreas de Preservação permanente da área tributável do imóvel. Fl. 510DF CARF MF 4 Na sequencia, às fls. 484/490, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, NEGANDO SEGUIMENTO ao recurso, tendo em vista que os acórdãos paradigmas trazidos pelo Contribuinte não foram hábeis à demonstração do dissídio interpretativo alegado. Nos termos do Despacho de Encaminhamento de fl. 491, os autos foram devolvidos à unidade de origem para ciência do sujeito passivo do despacho de admissibilidade que negou seguimento ao seu recurso especial, alertando que desta decisão cabe agravo. Às fls. 495, restou verificada a existência de anterior despacho de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, lavrado em 05/02/2009 (fls. 277 a 279). Assim, foi ANULADO o despacho de admissibilidade de efls. 480 a 483, datado de 22/05/2017. O processo restou saneado às fls. 503/507 pela Presidência da 2ª Seção do CARF, considerando que o conjunto de encaminhamentos processuais até aqui efetuados gerou como consequência a prolação de Acórdão sem que houvesse a apreciação, pela 2ª Turma da CSRF deste CARF, do Recurso Especial do Contribuinte anteriormente protocolizado (fls. 386/473) na forma demandada pelos arts. 1º e 64 e seguintes do RICARF, vigentes à época da interposição do recurso, consoante Anexo II à Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Assim, retornaram os autos, objetivando nova apreciação e manifestação sobre a nulidade do Acórdão 920200.133, de fls. 305 a 310, bem como acerca dos atos processuais subsequentes, considerandose a existência de Recurso Especial do Contribuinte devidamente protocolizado à época de prolação do referido Acórdão e não analisado durante o respectivo julgamento. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Tratase de exigência do ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 2002. Tratase de lançamento do ITR/2002, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 30/09/2005, que incide sobre o imóvel rural "Fazenda Mota e outros" (NIRF 5.677.7248) com 4.341,5 ha, localizado no município de Itamarandiba MG. O Recurso Voluntário foi provido em parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial buscando apreciação da divergência jurisprudencial acerca da exigência de apresentação tempestiva do Ato Declaratório ambiental – ADA para fins de exclusão das Áreas de Preservação permanente da área tributável do imóvel. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10620.000715/200531 Acórdão n.º 9202006.570 CSRFT2 Fl. 11 5 Compulsando os autos observase que ao longo do tramite processual houve vício, vez que o Recurso Especial do Contribuinte não havia sido contemporaneamente juntado a estes autos, levando a impropriedade do julgamento do Recurso da Fazenda Nacional em separado sem conhecimento do Contribuinte, procedimento este que macula o bom andamento do processo, levando a outros equívocos como, por exemplo, o contribuinte não ter sido intimado do não seguimento de seu Recurso Especial. Desse modo, considerando que o Contribuinte informou ao Conselheiro Manuel Arruda na data do julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, que o recurso que interpôs não havia sido pautado para o julgamento, este Conselheiro procedeu a informação no processo, conforme relatório: Na seqüência do julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional consta Despacho subscrito pelo Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior e pelo Presidente da 2ª Turma da CSRF. O ilustre julgador relata informação do Contribuinte acerca da falta de juntada do REcurso ESpecial por ele interposto nos autos. Conforme fl. 317 (numeração manual), o Contribuinte foi intimado a comprovar a interposição de Recurso Especial, o qual restou cumprido às fls. 319/438, contendo AR de envio do Recurso Especial, o próprio Recurso Especial, além dos documentos anexos ao Recurso Especial, no qual buscava a reapreciação da divergência jurisprudencial acerca da desnecessidade da apresentação do Ato Declaratório ambiental ADA e da averbação tempestiva na matrícula do imóvel para fins de exclusão das Áreas de Reserva Legal da área tributável do imóvel, indicando os acórdãos nºs 30131.956, 30333.181 e 30333.180 como decisões paradigmas a corroborar este entendimento, em divergência da interpretação sustentada no acórdão recorrido. Às fls. 480/483, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso, a fim de que seja rediscutida a exigência de apresentação tempestiva do Ato Declaratório ambiental – ADA para fins de exclusão das Áreas de Preservação permanente da área tributável do imóvel. Na seqüência, às fls. 484/490, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, NEGANDO SEGUIMENTO ao recurso, tendo em vista que os acórdãos paradigmas trazidos pelo Contribuinte não foram hábeis à demonstração do dissídio interpretativo alegado. Nos termos do Despacho de Encaminhamento de fl. 491, os autos foram devolvidos à unidade de origem para ciência do sujeito passivo do despacho de admissibilidade que negou seguimento ao seu recurso especial, alertando que desta decisão cabe agravo. Fl. 512DF CARF MF 6 Às fls. 495, restou verificada a existência de anterior despacho de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, lavrado em 05/02/2009 (fls. 277 a 279). Assim, foi ANULADO o despacho de admissibilidade de efls. 480 a 483, datado de 22/05/2017. O processo restou saneado às fls. 503/507 pela Presidência da 2ª Seção do CARF, considerando que o conjunto de encaminhamentos processuais até aqui efetuados gerou como consequência a prolação de Acórdão sem que houvesse a apreciação, pela 2ª Turma da CSRF deste CARF, do Recurso Especial do Contribuinte anteriormente protocolizado (fls. 386/473) na forma demandada pelos arts. 1º e 64 e seguintes do RICARF, vigentes à época da interposição do recurso, consoante Anexo II à Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Assim, retornaram os autos, objetivando nova apreciação e manifestação sobre a nulidade do Acórdão 920200.133, de fls. 305 a 310, bem como acerca dos atos processuais subsequentes, considerandose a existência de Recurso Especial do Contribuinte devidamente protocolizado à época de prolação do referido Acórdão e não analisado durante o respectivo julgamento. Deste modo, tendo esteio no despacho saneador constante das fls. 503 e 507, observo que a nulidade do acórdão 920200133 (constante das fls. 305310) é medida que se impõe. Isso ocorre por que o procedimento ordinário não foi respeitado, levando a um possível cerceamento de defesa do Contribuinte, o que por sí só traz a possibilidade deste colegiado, autoridade competente para reformálo ou julgálo, determinar sua nulidade. Em sendo assim, com base no art. 59 do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/72): Das Nulidades Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10620.000715/200531 Acórdão n.º 9202006.570 CSRFT2 Fl. 12 7 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Por questão de economia processual, considerando que os atos anteriores ou posteriores ao ato nulo só seguirão este destino quando maculados pelo vício, considero legitimo os exames de admissibilidade realizados, do recurso da Fazenda Nacional as fls. 276/278, e do Recurso do Contribuinte as às fls. 484/490, portanto, para fim de dar regular prosseguimento ao feito determino a intimação do sujeito passivo a respeito da decisão nele proferida, e após sigase o tramite regular conforme despacho de admissibilidade, voltando posteriormente a esta relatora para julgamento conjunto de ambos os recursos. Observase, portanto, que o acórdão 920200133 padece dos vícios constantes da redação do art. 59 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto conheço e acolho os Embargos para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 920200133, de 18/08/2009, declarar a sua nulidade, bem como determinar a ciência ao contribuinte do Despacho de Admissibilidade de seu Recurso Especial, com posterior retorno à relatora para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora. Fl. 514DF CARF MF
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Numero do processo: 13840.000446/2006-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1993 a 31/10/1995
DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E ETJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE.
A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento.
Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG).
Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da restituição administrativa do indébito.
DECADÊNCIA. PRAZO. DIES A QUO. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. INALTERABILIDADE. CONTAGEM DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO POR PAGAMENTO.
O prazo decadencial do direito ao pleito da restituição de indébito tributário ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento (artigo 165, inciso I, c/c artigo 168, inciso I, c/c artigo 156, inciso I do CTN), inclusive, na hipótese de o indébito ter origem em declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal e com a sua execução suspensa por Resolução doSenado Federal, atribuindo efeito erga omnes ao julgamento.
PIS. PASEP. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CORREÇÃO DE CRÉDITOS. EFEITOS.
No caso de advento julgamento do CARF decidindo pela inexistência de decadência, ocorre a desconstituição da causa original do despacho decisório, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de novo despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado o sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-004.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1993 a 31/10/1995 DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E ETJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE. A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG). Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da restituição administrativa do indébito. DECADÊNCIA. PRAZO. DIES A QUO. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. INALTERABILIDADE. CONTAGEM DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO POR PAGAMENTO. O prazo decadencial do direito ao pleito da restituição de indébito tributário ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento (artigo 165, inciso I, c/c artigo 168, inciso I, c/c artigo 156, inciso I do CTN), inclusive, na hipótese de o indébito ter origem em declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal e com a sua execução suspensa por Resolução doSenado Federal, atribuindo efeito erga omnes ao julgamento. PIS. PASEP. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CORREÇÃO DE CRÉDITOS. EFEITOS. No caso de advento julgamento do CARF decidindo pela inexistência de decadência, ocorre a desconstituição da causa original do despacho decisório, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de novo despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado o sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte
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PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E ETJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE. A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG). Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da restituição administrativa do indébito. DECADÊNCIA. PRAZO. DIES A QUO. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. INALTERABILIDADE. CONTAGEM DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO POR PAGAMENTO. O prazo decadencial do direito ao pleito da restituição de indébito tributário ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 00 04 46 /2 00 6- 98 Fl. 382DF CARF MF 2 pagamento (artigo 165, inciso I, c/c artigo 168, inciso I, c/c artigo 156, inciso I do CTN), inclusive, na hipótese de o indébito ter origem em declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal e com a sua execução suspensa por Resolução doSenado Federal, atribuindo efeito erga omnes ao julgamento. PIS. PASEP. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CORREÇÃO DE CRÉDITOS. EFEITOS. No caso de advento julgamento do CARF decidindo pela inexistência de decadência, ocorre a desconstituição da causa original do despacho decisório, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de novo despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado o sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Trata o presente processo de Pedido de Restituição (fls. 93/95) e Declaração(ões) de Compensação (fls. 96/135) de crédito(s) da Contribuição para o Pasep de agosto de 1993 a setembro de 1995, no valor de R$117.940,09, com débito(s) da mesma contribuição de fevereiro a outubro de 2004. A DRF de Limeira(SP), por meio do despacho decisório de fls. 143/144, indeferiu o pedido de restituição e não homologou a(s) compensação(ões) declarada(s), em razão de decadência do Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13840.000446/200698 Acórdão n.º 3402004.917 S3C4T2 Fl. 112 3 direito à repetição pela fluência de prazo superior a cinco anos entre as datas dos recolhimentos supostamente indevidos e a data do Pedido de Restituição. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 147/214, alegando, em extenso arrazoado, que seu direito creditório é originário da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs. 2.445 e 2.449, que teria resultado em recolhimento a maior, que o prazo para repetição de indébito é de dez anos, conforme entendimento pacificado no STJ. Tratou do direito à compensação, discorrendo sobre seu fundamentos constitucionais e legais. Defendeu a correção monetária sobre o indébito. Transcreveu jurisprudência para embasar suas alegações. No tocante à aplicação da Lei Complementar nº 118, de 2005, no que diz respeito ao prazo de cinco anos para repetição de indébito, argumentou tratarse de inovação cujo retroatividade, prevista em seu art. 4º, foi julgada inconstitucional pelo STJ. Fez considerações sobre suspensão da exigibilidade do crédito e prejuízos decorrentes da não homologação das compensações, requerendo ao final a reforma do despacho decisório. O julgamento da manifestação de inconformidade resultou no Acórdão da DRJ de Ribeirão Preto/SP , cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1993 a 31/10/1995 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO. O prazo para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da data do recolhimento. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS COM MAIS DE CINCO ANOS. O Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação de pagamentos efetuados há mais de cinco anos da data de sua apresentação devem ser formalizados em formulários de papel. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Fl. 384DF CARF MF 4 Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho por meio de petição de fls 316 a 374, repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade a respeito da decadência, bem como esclarecendo a origem do crédito pleiteado (inconstitucionalidade dos Decretos n. 2445 e 2449/88 e Resolução do Senado 49/95). É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Notificada do julgamento a quo em 02 de janeiro de 2013, conforme AR de fls 315, a Contribuinte apresentou seu recurso voluntário em 01 de fevereiro de 2013. Assim, o recurso é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relato acima, as questão fulcral a ser aqui solucionada é a ocorrência ou não de decadência do direito do contribuinte à restituição do indébito. Afinal, foi essa a motivação adotada pela Administração Tributária no despacho decisório, o qual impõe os limites do processo administrativo e a impossibilidade de sua alteração, nos moldes esculpidos pelo artigo 146 do CTN. Nesse sentido, saliento que no que tange à compensação considerada não declarada, tratase de ponto obter dictum pelo julgamento a quo, uma vez que não foi levantada essa questão pelo despacho decisório de não homologação as compensações, de modo que não tem espaço no presente processo. Passando à questão da decadência, é válido lembrar que o tema do prazo para a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação passou por algumas reviravoltas jurisprudenciais. Inicialmente a posição que prevalecia no Superior Tribunal de Justiça (STJ) era a interpretação redacional do artigo 156, VII, do Código Tributário Nacional (CTN), segundo a qual somente com a homologação é que se daria a extinção do crédito tributário e, portanto, o início do computo do prazo para a repetição de indébito do artigo 168. Dessa forma, somandose o prazo de cinco anos para a homologação, com mais cinco anos para a repetição, o contribuinte detinha prazo de dez anos para pleitear a restituição de tributos. Tratavase da conhecida tese dos cinco mais cinco. Contudo, o advento da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005 (LC 118/2005), afirmando que, para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de (artigo 150, § 1º), o STJ reviu a questão. Em seus novos julgamentos (e.g. Recurso Especial 982.985, Relator: Ministro Luiz Fux. Julgamento: 10 jun. 2008. Órgão Julgador: Primeira Turma. Publicação: DJe, 07 ago. 2008), decidiu que não obstante a LC 118/2005 se autointitular interpretativa, evidentemente inovou a ordem jurídica tributária, alterando por completo o entendimento solidificado pelo STJ sobre o prazo prescricional para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação (tese dos cinco mais cinco). Fl. 385DF CARF MF Processo nº 13840.000446/200698 Acórdão n.º 3402004.917 S3C4T2 Fl. 113 5 Dessa forma, foi deliberado que, a partir de sua entrada, passaram a existir dois regimes jurídicos distintos: i) os recolhimentos indevidos feitos a partir da sua entrada em vigor (9 de junho de 2005) passaram a ter como prazo para sua restituição cinco anos contados a partir do instante em que é feito o pagamento antecipado; ii) já os pagamentos indevidos que ocorreram anteriormente à vigência da Lei Complementar 118/05 permanecem sob a disciplina que imperava à época, vale dizer, que a contagem do prazo de cinco anos para a restituição só se inicia a partir da homologação, expressa ou tácita, feita pelo fisco. Este último entendimento apresentado pelo STJ, entretanto, foi parcialmente modificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao analisar a matéria (RE 566.621/RS, Pleno, Relatora Ministra Ellen Gracie. j. 04.08.2011), 1 que entendeu como relevante não a data dos pagamento indevidos, mas sim a dada da formulação dos pedidos de restituição, para a contagem do prazo dos contribuintes. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621, julgado por meio do rito dos recursos repetitivos. Nesse sentido, destaco a ementa do REsp n. 1.269.570/MG: Ementa CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO 1 Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Fl. 386DF CARF MF 6 DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543 B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1269570 / MG, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, Data do Julgamento 23/05/2012, Data da Publicação/Fonte, DJe 04/06/2012 RT vol. 924 p. 802.) Pois bem. No presente caso, a Contribuinte indicou nas compensações que o indébito era referente a pagamentos efetuados entre 09/1993 e 10/1995. Por sua vez, o pedido de restituição da Municipalidade foi formalizados em 15/03/2004 (fls 143). Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13840.000446/200698 Acórdão n.º 3402004.917 S3C4T2 Fl. 114 7 Uma vez que o artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, 2 prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática da repercussão geral e dos recursos repetitivos, respectivamente, concluise que não está completamente decaído o direito da Recorrente. Afinal, o pedido de restituição foi formulado em 15/03/2004, vale dizer, em data anterior a 09/06/2005, que segundo a jurisprudência acima destacada, é data antes da qual se utiliza o prazo decadencial de dez anos. Assim, todos os pagamento posteriores 15/03/1994, não foram atingidos pela decadência, sendo necessária a reforma parcial do Acórdão a quo. Assim vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se depreende de seus recentes julgamento sobre a mesma matéria (e.g. Acórdão 9303005.175, JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator, Sessão de 17 de maio de 2017) No que tange ao argumento da utilização da Resolução do Senado n. 49/95 como dies a quo do prazo decadencial do direito à restituição do indébito, cumpre tecer algumas considerações A Resolução do Senado foi positivada no artigo 52, inciso X da atual Constituição, nos seguintes termos: “compete privativamente ao Senado Federal: […] suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal.” Tal instrumento está presente no direito brasileiro desde a promulgação da Constituição de 1934. Tratase, paralelamente à “súmula vinculante” e à “repercussão geral”, de forma a dar eficácia ampla às decisões proferidas em grau de recurso com caráter definitivo pelo controle de constitucionalidade incidental (difuso e concreto) do STF. Assim, os efeitos que eram somente inter partes passam a ser erga omnes, depois de editada a resolução do Senado. 3 Nesse sentido, a resolução do Senado constitui meio de reconhecimento do indébito tributário, como decorrência da declaração de inconstitucionalidade da lei que institui o tributo, com efeito erga omnes e, por isso, já foi tida pela jurisprudência, tanto judicial (REsp 553.887/RJ; Agravo Regimental no REsp 267.718/DF; REsp 509.897/DF) como administrativa (Acórdão 10246584, Acórdão 201.78172), como marco inicial para a contagem do prazo de do direito à restituição de indébito decorrente da declaração de inconstitucionalidade de lei, nos moldes do artigo 168 do CTN. Contudo, aqui mais uma vez o entendimento das Corte Superiores e do CARF foi alterado. Com efeito, conforme os EmbDiv no Resp 435.835 e Resp 617.536, o STJ passou a entender que a decisão de inconstitucionalidade não tem o condão de renovar prazos 2 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3 Com os novos instrumentos para a expansão dos efeitos da decisão proferida em ações individuais julgada pelo Supremo, atualmente é raro o uso resolução do Senado. Todavia, não foi sempre assim. A Resolução n. 10/2005, citada pela Recorrente, é um exemplo do uso desse instrumento. Fl. 388DF CARF MF 8 extintivos, haja vista que tal efeito geraria enorme insegurança jurídica, contrariando, inclusive, a lógica da própria existência desses tipos de prazo (decadência e prescrição), bem como a literalidade do artigo 168, inciso I do CTN, que fala da "data da extinção do crédito tributário", a qual é justamente o pagamento do tributo (artigo 156, inciso I) e não a sua declaração de inconstitucionalidade. Vejase: RECURSO ESPECIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃOAPLICAÇÃO DO ART. 3º DA LC N. 118/2005 ÀS AÇÕES AJUIZADAS ANTERIORMENTE AO INÍCIO DA VIGÊNCIA DA MENCIONADA LEI COMPLEMENTAR. ENTENDIMENTO DA COLENDA PRIMEIRA SEÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DIVERSOS SOMENTE APÓS O ADVENTO DA LEI N. 10.637/2002. COMPENSAÇÃO COM PARCELAS VENCIDAS E VINCENDAS. CABIMENTO. No entender deste Relator, nas hipóteses de restituição ou compensação de tributos declarados inconstitucionais pelo Excelso Supremo Tribunal Federal, o termo a quo do prazo prescricional é a data do trânsito em julgado da declaração de inconstitucionalidade, em controle concentrado de constitucionalidade, ou a publicação da Resolução do Senado Federal, caso a declaração de inconstitucionalidade tenhase dado em controle difuso de constitucionalidade (vejase, a esse respeito, o REsp 534.986/SC, Relator p/acórdão este Magistrado, DJ 15.3.2004, entre outros). A egrégia Primeira Seção deste colendo Superior Tribunal de Justiça, porém, na assentada de 24 de março de 2004, houve por bem afastar, por maioria, a tese acima esposada, para adotar o entendimento segundo o qual, para as hipóteses de devolução de tributos sujeitos à homologação declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, a prescrição do direito de pleitear a restituição se dá após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita (EREsp 435.835/SC, Rel. p/acórdão Min. José Delgado – cf. Informativo de Jurisprudência do STJ 203, de 22 a 26 de março de 2004). Salientese, outrossim, que é inaplicável à espécie a previsão do artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 9 de fevereiro de 2005, uma vez que a douta Seção de Direito Público deste Sodalício, na sessão de 27.4.2005, sedimentou o posicionamento segundo o qual o mencionado dispositivo legal se aplica apenas às ações ajuizadas posteriormente ao prazo de cento e vinte dias (vacatio legis) da publicação da referida Lei Complementar (EREsp 327.043/DF, Rel. Min. João Otávio de Noronha). Dessarte, na hipótese em exame, em que a ação foi ajuizada anteriormente ao início da vigência da LC n. 118/2005, deve sermantido o entendimento da Corte de origem, que fixou o prazo prescricional qüinqüenal a partir da homologação tácita ou expressado lançamento. […] Recurso especial provido em parte, a fim de afastar a compensação do FINSOCIAL com tributos de natureza diversa.” (Recurso Especial 741.272/PE. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 13840.000446/200698 Acórdão n.º 3402004.917 S3C4T2 Fl. 115 9 Relator: Ministro Franciulli Netto. Julgamento: 09 ago. 2005. Órgão Julgador: Segunda Turma. Publicação: DJ, 21 mar. 2006, p. 119). O CARF também passou a proferir decisões segundo as quais “o direito à restituição de tributos pagos a maior ou indevidamente, seja qual for o motivo (inconstitucionalidade de lei tributária, pagamento indevido por erro do sujeito passivo, etc.) extinguese o prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento, a teor do artigo 168, I do CTN.” (Acórdão 20401422). Inclusive este Colegiado já decidiu por unanimidade de votos nesse sentido, conforme se depreende da ementa do Acórdão a seguir colacionado: Ementa(s) REPETIÇÃO DE INDÉBITO/COMPENSAÇÃO Período de apuração: 01/03/1994 a 31/10/1995 PIS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. A decadência do direito de pleitear o reconhecimento de direito creditório, para fins de restituição/compensação, ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento, inclusive, na hipótese de ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e retirada do mundo jurídico por Resolução do Senado Federal. COMPENSAÇÃO REQUISITOS Só há que se falar em compensação quando os eventuais créditos do contribuinte são certos quanto à sua existência e líquidos quanto ao seu valor. (Processo 10805.000948/200576, Data da Sessão 03/02/2010, Relator(a) Jorge Lock Freire, Acórdão 3402 00.436) Sobre o acerto do citado entendimento, este já foi anteriormente objeto de minha manifestação, a qual reproduzo a seguir4 O dever de o Fisco restituir tributos inconstitucionais está contido no artigo 165, inciso I do Código Tributário, dentre as espécies de “cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido”, o que torna imperiosa a utilização da regra estampada no artigo 168 inciso I do CTN para a contagem do referido prazo, haja vista que este último expressamente impõe sua utilização para as hipóteses de indébito previstas no artigo 165, inciso I. A leitura conjunta dos dispositivos em comento esclarece o ponto. (...) 4 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015, p. 263 a 266. Fl. 390DF CARF MF 10 Em suma: por se tratar de caso de restituição de tributo inconstitucional, constante do artigo 165, inciso I do CTN, imperiosa se faz a utilização do artigo 168, inciso I, do mesmo Codex para a contagem do prazo de prescrição. Por conseguinte, necessariamente há de se contar a partir do extinção do crédito tributário” os cinco anos estabelecidos como limite antes da ocorrência do fenômeno da prescrição. (...) Dentre as causas extintivas do crédito tributário, o “pagamento” foi o marco escolhido pelo sistema jurídico para delimitar o início do prazo prescricional das ações de repetição de indébito, inclusive aquelas advindas de pagamento de exações inconstitucionais. Dessarte, a existência de Resolução do Senado sobre a matéria não altera o prazo decadencial do contribuinte requerer administrativamente a restituição do indébito tributário decorrente de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF, mantendose a conclusão de que somente os pagamento posteriores a 15/03/1994, não foram atingidos pela decadência. Não estando completamente fulminado pela decadência o direito à restituição do indébito in casu única razão adotada pelo despacho decisório para indeferir o pleito de restituição , entendo que este não é o local nem o momento para se averiguar os demais requisitos dos créditos pleiteados. Na realidade, uma vez superada a questão da decadência parcial dos créditos, seus valores devem ser avaliados pela autoridade fiscal certificadora. Dispositivo Ex positis, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo não estarem decaídos os créditos referentes a pagamentos posteriores a 15/03/1994 requeridos neste processo, e determinando o retorno dos autos para que a DRF examine a origem, certeza e liquidez dos créditos constantes dos pedidos de restituição/compensação posteriores a referida data. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 391DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.905410/2008-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.067
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 54 10 /2 00 8- 00 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10120.905410/200800 Acórdão n.º 3401004.067 S3C4T1 Fl. 3 2 de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10120.905410/200800 Acórdão n.º 3401004.067 S3C4T1 Fl. 4 3 Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.722192/2013-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS - CRÉDITO PRESUMIDO. CEREALISTA. VEDAÇÃO
A partir de agosto de 2004 é vedado às pessoas jurídicas cerealistas o aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins sobre aquisições de produtos do art. 8º da Lei 10.925/2004, por comando legal expresso, §4º, inciso I do mesmo artigo.
PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS - CRÉDITO BÁSICO.
O direito de crédito sobre aquisição de bens para revenda não se aplica a vendas com a suspensão prevista no art. 9º, inciso I, da Lei 10.925/2004, cf. art. 8º, §4º, II da mesma Lei.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2011
PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS - CRÉDITO PRESUMIDO. CEREALISTA. VEDAÇÃO
A partir de agosto de 2004 é vedado às pessoas jurídicas cerealistas o aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins sobre aquisições de produtos do art. 8º da Lei 10.925/2004, por comando legal expresso, §4º, inciso I do mesmo artigo.
PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS - CRÉDITO BÁSICO.
O direito de crédito sobre aquisição de bens para revenda não se aplica a vendas com a suspensão prevista no art. 9º, inciso I, da Lei 10.925/2004, cf. art. 8º, §4º, II da mesma Lei.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
MULTA DE OFÍCIO.
A multa de ofício do artigo 44 da Lei 9.430/96 deve ser aplicada quando constatada insuficiência de recolhimento da contribuição, e o contribuinte não dispunha de espontaneidade para corrigir o erro.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, e da parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Peraira - Presidente.
(assiando digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS - CRÉDITO PRESUMIDO. CEREALISTA. VEDAÇÃO A partir de agosto de 2004 é vedado às pessoas jurídicas cerealistas o aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins sobre aquisições de produtos do art. 8º da Lei 10.925/2004, por comando legal expresso, §4º, inciso I do mesmo artigo. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS - CRÉDITO BÁSICO. O direito de crédito sobre aquisição de bens para revenda não se aplica a vendas com a suspensão prevista no art. 9º, inciso I, da Lei 10.925/2004, cf. art. 8º, §4º, II da mesma Lei. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2011 PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS - CRÉDITO PRESUMIDO. CEREALISTA. VEDAÇÃO A partir de agosto de 2004 é vedado às pessoas jurídicas cerealistas o aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins sobre aquisições de produtos do art. 8º da Lei 10.925/2004, por comando legal expresso, §4º, inciso I do mesmo artigo. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS - CRÉDITO BÁSICO. O direito de crédito sobre aquisição de bens para revenda não se aplica a vendas com a suspensão prevista no art. 9º, inciso I, da Lei 10.925/2004, cf. art. 8º, §4º, II da mesma Lei. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício do artigo 44 da Lei 9.430/96 deve ser aplicada quando constatada insuficiência de recolhimento da contribuição, e o contribuinte não dispunha de espontaneidade para corrigir o erro. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, e da parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Peraira - Presidente. (assiando digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
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CEREALISTA. VEDAÇÃO A partir de agosto de 2004 é vedado às pessoas jurídicas cerealistas o aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins sobre aquisições de produtos do art. 8º da Lei 10.925/2004, por comando legal expresso, §4º, inciso I do mesmo artigo. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS CRÉDITO BÁSICO. O direito de crédito sobre aquisição de bens para revenda não se aplica a vendas com a suspensão prevista no art. 9º, inciso I, da Lei 10.925/2004, cf. art. 8º, §4º, II da mesma Lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS CRÉDITO PRESUMIDO. CEREALISTA. VEDAÇÃO A partir de agosto de 2004 é vedado às pessoas jurídicas cerealistas o aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins sobre aquisições de produtos do art. 8º da Lei 10.925/2004, por comando legal expresso, §4º, inciso I do mesmo artigo. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS CRÉDITO BÁSICO. O direito de crédito sobre aquisição de bens para revenda não se aplica a vendas com a suspensão prevista no art. 9º, inciso I, da Lei 10.925/2004, cf. art. 8º, §4º, II da mesma Lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 21 92 /2 01 3- 91 Fl. 686DF CARF MF 2 Anocalendário: 2011 MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício do artigo 44 da Lei 9.430/96 deve ser aplicada quando constatada insuficiência de recolhimento da contribuição, e o contribuinte não dispunha de espontaneidade para corrigir o erro. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, e da parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Peraira Presidente. (assiando digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Autos de Infração de Pis e Cofins, do período de 01/2011 a 12/2011, no valor consolidado original de R$ 1.984.514,27 (um milhão, novecentos e oitenta e quatro reais, quinhentos e quatorze reais e vinte e sete centavos), incluindo as contribuições, multa de ofício e juros de mora. O autuante informa que apurou insuficiência de recolhimento das contribuições, em virtude das seguintes infrações: a empresa realizou vendas de produtos in natura, de origem vegetal, com suspensão de Pis e Cofins, com base no art. 9º, inciso I, da Lei 10.925/20041. Porém, tal 1 Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10140.722192/201391 Acórdão n.º 3201003.257 S3C2T1 Fl. 686 3 suspensão é permitida apenas para vendas a empresas agroindustriais tributadas pelo lucro real, conforme §1º2 do mesmo artigo. Desse modo, as vendas efetuadas a empresas não tributadas pelo lucro real, e as vendas efetuadas para pessoas físicas, foram computadas como base de cálculo das contribuições na apuração fiscal; o autuante apurou que as vendas sem suspensão, conforme item anterior, perfazem 34% do total. Assim, aplicou esse percentual sobre as compras de insumos de Pessoas Jurídicas, para calcular o direito de crédito (inciso II, §4º do art. 8º e §4º do art. 15 da Lei 10.925/2004), no regime da nãocumulatividade, e ainda, glosou as compras oriundas de fornecedores pessoas físicas. Cientificada, a empresa impugnou o lançamento, aduzindo os seguintes motivos, em síntese: teria direito ao crédito presumido, conforme §§5º e 11º, do art. 3º, da Lei 10.833/20033; que a Lei 10.925/2004 teria vindo apenas para disciplinar a referida suspensão; que as Instruções Normativas 636/2006 e 660/2006 não poderiam limitar o direito de suspensão; sobre o direito de crédito sobre aquisições de insumos, no regime da não cumulatividade, argumenta pela abrangência do conceito de insumos, trazendo jurisprudência, doutrina e precedentes que entende pertinentes; pede, caso não seja reconhecido o direito ao crédito presumido, que se reconheçam os créditos básicos sobre a compra de insumos; sustenta que a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/964 não deveria ser aplicada, pois o texto da Lei indicaria como exigência para penalidade a falta de de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; 2 § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e 3 § 5o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (...) § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5o, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. 4 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 688DF CARF MF 4 declaração, e que a impugnante apresentou Dacon´s retificadoras, conforme intimado pelo autuante. A DRJ/Rio de Janeiro/RJ, por meio do acórdão 1268.863, prolatado pela 16ª Turma, decidiu pela improcedência total da impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Copio a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Aplicase a multa de ofício no percentual de 75% por expressa previsão legal, quando a autoridade fiscal apure tributo não declarado e/ou recolhido. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS CRÉDITO PRESUMIDO CEREALISTA VEDAÇÃO A partir de ago/2004 é vedado às pessoas jurídicas cerealistas o aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins não cumulativos relativo à agroindústria. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA DE PESSOA FÍSICA VEDAÇÃO Somente dá direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativos a aquisição de bens para revenda de pessoas jurídicas domiciliadas no país. LANÇAMENTO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO Considerase definitivamente constituído o crédito tributário correspondente às matérias objeto do lançamento não impugnadas pelo sujeito passivo. Ressalto que a matéria não impugnada, conforme a decisão de primeira instância, se refere ao tema da suspensão das vendas efetuadas com base no art. 9º, I, da Lei 10.925/2004. A empresa então interpõe o Recurso Voluntário, onde reitera as razões da Impugnação. Acrescenta o pedido de que sejam consideradas como suspensas as vendas para agroindústrias (empresas e equiparadas), porque seriam estabelecimentos que produzem ração animal ou produtos para alimentação humana; cita precedentes do Carf e jurisprudência do STJ; No mérito, repete os argumentos da Impugnação. É o relatório. I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10140.722192/201391 Acórdão n.º 3201003.257 S3C2T1 Fl. 687 5 Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator Juízo de Conhecimento O Recurso é tempestivo. A preliminar suscitada pela recorrente se refere às vendas com suspensão, de acordo com art. 9º, I, 10.925/2004 A recorrente afirma que todas as vendas foram feitas para “empresas e equiparadas”; apresenta jurisprudência do STJ acerca do prazo de eficácia da referida suspensão, se a partir de agosto de 2004 ou agosto de 2006. Ora, tais argumentações são inócuas. As vendas que não foram consideradas suspensas pelo Fisco se referem a vendas para empresas que não tributam pelo lucro real, e vendas para pessoas físicas. A afirmação da empresa de que as vendas foram para “empresas e equiparadas” não altera o fundamento do lançamento. A argumentação quanto ao termo de início da eficácia da suspensão (se agosto de 2004 ou agosto de 2006) também não é pertinente ao presente caso, posto que o lançamento se refere ao ano de 2011. De qualquer modo, tais temas são matéria de mérito, e não foram arguidos em impugnação, incidindo, portanto, na preclusão material, conforme artigo 17 do PAF5. Desse modo, não tomo conhecimento da matéria. Mérito Créditos admitidos para empresas cerealistas A lide tem solução singela. É que as pretensões da recorrente têm expressas vedações legais. O crédito presumido para cerealistas, previsto no §11 do art. 3º da Lei 10.833/2003, foi revogado pelo artigo 16 da Lei 10.925/20046. A Lei 10.925/2004 dá novo tratamento ao tema, estabelecendo que as vendas de cerealistas para agroindústrias submetidas 5 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 6 Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: a) os §§ 10 e 11 do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e b) os §§ 5o, 6o, 11 e 12 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...) Fl. 690DF CARF MF 6 ao lucro real são feitas com suspensão de Pis e Cofins e as aquisições vinculadas a essas vendas não dão direito a crédito: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. O crédito sobre insumos de revenda foi reconhecido pelo Fisco, porém, somente sobre a parcela vendida sem suspensão. Assim, não é pertinente ao caso a discussão sobre a abrangência do conceito de insumos, porque não foram glosados insumos, mas tão somente aplicada a legislação, no caso, inciso II do §4º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, ou seja, não se calculou o crédito sobre as vendas com suspensão. A exceção foram as glosas sobre aquisições de pessoas físicas, devida a expressa previsão legal, art. 3º, §3º, I7. Multa de ofício A multa de ofício aplicada encontra respaldo legal no art. 44 da Lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 7 § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10140.722192/201391 Acórdão n.º 3201003.257 S3C2T1 Fl. 688 7 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Alega a recorrente que apresentou as retificações de Dacon intimadas pelo autuante, e por esse motivo, entende que não caberia a multa. Duas razões impedem o acatamento desse pedido: 1 – a retificação após intimação não tem o condão de eximir o contribuinte da respectiva multa, porque, então, já não dispõe da espontaneidade, conforme art. 138 do CTN e Súmula Carf 338; 2 – a multa aplicada não teve como fundamento a ausência de declaração, mas a insuficiência de recolhimento, tipificação também abrangida pelo artigo 44. Pelo exposto, voto por não tomar conhecimento da matéria relativa ao termo de início da suspensão, e na parte conhecida, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcelo Giovain Vieira – Relator. 8 Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 692DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721216/2014-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2011
ACÓRDÃO DE 1ª INSTÂNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO DAS ETAPAS DO CÁLCULO DO VALOR TRIBUTÁVEL. ESCLARECIMENTO POR MEIO DE DILIGÊNCIAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO VERIFICADO.
Não se verifica o cerceamento ao direito de defesa na ausência do modo de cálculo no relatório fiscal, mormente quando tal situação foi esclarecida em diligência e não foi alterado o embasamento legal ou circunstâncias fáticas relatadas que concorreram para a autuação.
EXCLUSÃO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Correta a glosa de exclusão efetuada pelo contribuinte, na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, se intimado reiteradamente, não apresenta justificativa nem comprovação.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Aplica-se ao lançamento decorrente, o decido no principal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
Numero da decisão: 1201-002.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2011 ACÓRDÃO DE 1ª INSTÂNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 OMISSÃO DAS ETAPAS DO CÁLCULO DO VALOR TRIBUTÁVEL. ESCLARECIMENTO POR MEIO DE DILIGÊNCIAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO VERIFICADO. Não se verifica o cerceamento ao direito de defesa na ausência do modo de cálculo no relatório fiscal, mormente quando tal situação foi esclarecida em diligência e não foi alterado o embasamento legal ou circunstâncias fáticas relatadas que concorreram para a autuação. EXCLUSÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Correta a glosa de exclusão efetuada pelo contribuinte, na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, se intimado reiteradamente, não apresenta justificativa nem comprovação. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se ao lançamento decorrente, o decido no principal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2011 ACÓRDÃO DE 1ª INSTÂNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 OMISSÃO DAS ETAPAS DO CÁLCULO DO VALOR TRIBUTÁVEL. ESCLARECIMENTO POR MEIO DE DILIGÊNCIAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO VERIFICADO. Não se verifica o cerceamento ao direito de defesa na ausência do modo de cálculo no relatório fiscal, mormente quando tal situação foi esclarecida em diligência e não foi alterado o embasamento legal ou circunstâncias fáticas relatadas que concorreram para a autuação. EXCLUSÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Correta a glosa de exclusão efetuada pelo contribuinte, na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, se intimado reiteradamente, não apresenta justificativa nem comprovação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento decorrente, o decido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 16 /2 01 4- 44 Fl. 534DF CARF MF Processo nº 19515.721216/201444 Acórdão n.º 1201002.105 S1C2T1 Fl. 3 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo de autos de infração, págs. 306/318, que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$42.753.497,31; e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no montante de R$15.408.521,76; a infração autuada foi: 0001 – Exclusões/Compensações não autorizadas na apuração do Lucro Real, fato gerador 31/12/2011; às págs. 306/311, Termo de Verificação Fiscal TVF que descreve os procedimentos de fiscalização e motivos da autuação; às págs. 330/343, Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais (SAPLI), Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL (SAPLI), FAPLI Formulário de Alteração do Prejuízo Fiscal e do Lucro Inflacionário e FACS Formulário de Alteração da Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social. 2. Cientificado, o contribuinte apresentou a impugnação de págs. 349/360. 3. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO determinou a diligência de págs. 409/411, em essência, a fim de: a) demonstrar o cálculo utilizado pela autoridade fiscal para considerar como exclusão indevida o valor de R$ 122.412.267,45, anexando documentos porventura necessários e atentandose, em especial, ao disposto no § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e que resultou na Informação Fiscal de pág. 422, cientificada ao contribuinte. 4. O Acórdão nº 1462.553, da DRJ/RPO, de 29 de agosto de 2016, págs. 472/467, por unanimidade julgou a impugnação improcedente: Fl. 535DF CARF MF Processo nº 19515.721216/201444 Acórdão n.º 1201002.105 S1C2T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 TRIBUTO INDICADO NO MPF. INCLUSÃO DE TRIBUTOS REFLEXOS. POSSIBILIDADE. Na hipótese em que infrações apuradas também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF. OMISSÃO DAS ETAPAS DO CÁLCULO DO VALOR TRIBUTÁVEL. ESCLARECIMENTO POR MEIO DE DILIGÊNCIAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO VERIFICADO. Não se verifica o cerceamento ao direito de defesa na ausência do modo de cálculo no relatório fiscal, mormente quando tal situação foi esclarecida em diligência e não foi alterado o embasamento legal ou circunstâncias fáticas relatadas que concorreram para a autuação. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e incidem sobre o “crédito tributário definido no CTN. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. 5. O contribuinte foi cientificado em 08/11/2016, pág. 491, e apresentou Recurso Voluntário, de págs. 493/505, tempestivo em 05/12/2016, pág. 492. 6. Pugna, inicialmente, pela nulidade do Acórdão DRJ/RPO: por não ter apreciado o argumento da impugnante de que não foi demonstrado e provado o motivo e o quantum de R$122.412.267,45 de exclusão, glosado; e porque não apreciou o argumento de que não há indicação deste valor no Termo de Verificação Fiscal TVF. 7. Em seguida, argui a nulidade dos autos de infração porque: a. Foi desrespeitado o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização, que designou dois Auditores Fiscais para o procedimento, no entanto, a autuação foi assinada apenas por um deles; b. E também pelo decurso do prazo de validade de 60 (sessenta) dias, sem nova emissão, sendo que, neste caso, deveria ter sido emitido novo Termo de Início de Fiscalização e reiniciado o procedimento (ofensa ao § 2º do art. 7º do DL nº 70.235, de 1972); c. Cerceamento do seu direito de defesa, haja vista a diferença entre o valor autuado e o constante do TVF; d. A fiscalização não se desincumbiu do dever de provar o valor autuado, sendo que lhe cabe o ônus da prova, resultando a autuação em indevido arbitramento e presunção; e. Faltou o autuado ser intimado, quando da conclusão da instrução, conforme determina o art. 44 da Lei nº 9.784, de 1999. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 19515.721216/201444 Acórdão n.º 1201002.105 S1C2T1 Fl. 5 4 8. No mérito, afirma que inexistem os valores devidos, porque não há provas, nem motivos a justificar a glosa da exclusão e as exigências; e contesta a aplicação de juros sobre multa de ofício exigida. 9. Conclui, requerendo o cancelamento do Acórdão DRJ/RPO e o retorno à primeira instância, para apreciação dos argumentos que não foram julgados ou, alternativamente, o cancelamento dos autos de infração. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 1 Nulidade. Acórdão DRJ/RPO. 1.1 DILIGÊNCIA DETERMINADA PELA DRJ/RPO. 10. A DRJ/PRO requereu diligência porque identificou: Informa a autoridade fiscal que o contribuinte foi autuado por ter excluído indevidamente o valor de RS 299.999.400,00 na apuração do lucro real, linha 78 da ficha 09A da DIPJ 2012. Em resposta a termos de intimação e reintimação, a empresa limitouse a informar que "a exclusão no valor de R$299.999.400,00 na apuração do lucro real, referese a venda de investimento cujo recebimento não ocorreu no ato da venda", sem apresentar maiores detalhes ou documentos que suportassem esta exclusão. Assim, conclui o Auditor Fiscal pela glosa do valor de R$ 299.999.400,00 excluído indevidamente da apuração do lucro real, nos seguintes termos: (...) Da análise do termo de Termo de Verificação Fiscal, conclui o Auditor Fiscal pela glosa do valor de RS 299.999.400,00, excluído indevidamente pelo contribuinte da apuração do lucro real do ano calendário 2011. Informa ainda que "A base de cálculo está demonstrada no Auto de Infração, que é parte integrante do processo fiscal n° 19515721.216/201444". Porém, em consulta ao Auto de Infração, o item 0001 EXCLUSÒES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS aponta o valor de RS 122.412.267,45 (fl. 313). Diante dessa divergência, necessário empreender um esforço probatório para verificar o procedimento adotado pela autoridade fiscal para chegar ao valor de R$ 122.412.267,45, motivo pelo qual proponho o retomo dos autos à DEFIS/SÄO PAULO para a realização de diligência, com o fim de que sejam adotadas as seguintes providências: a) demonstrar o cálculo utilizado pela autoridade fiscal para considerar como exclusão indevida o valor de R$ 122.412.267,45, anexando documentos porventura necessários e atentandose, em especial, ao disposto no § 3o do art. 18 do Decreto n° 70.235/72; Fl. 537DF CARF MF Processo nº 19515.721216/201444 Acórdão n.º 1201002.105 S1C2T1 Fl. 6 5 b) intimar o impugnante a manifestarse acerca do cálculo efetuado, eventuais documentos anexados ou conclusões da diligência a que se refere o item "a", conferindolhe prazo de trinta dias para tanto. Após, retomem os autos a esta DRJ/RPO para julgamento da impugnação apresentada pelo sujeito passivo. 11. A Informação Fiscal esclareceu que: 2) A exclusão do valor de R$ 299.999.400,00 (referente ao valor obtido com a venda de bem, conforme discriminado na linha 69 da Ficha 07A da DIPJ/ 2012) na apuração do Lucro Real, de acordo com a linha 78 da Ficha 09 A da DIPJ 2012 (Anexo 2), foi considerada indevida e portanto glosada, pelos motivos a seguir listados, conforme Termo de Verificação Fiscal constante do Auto de Infração lavrado contra o contribuinte: (...) 3) A glosa deste valor implica também em desconsiderar a adição ao Lucro Real, expressa na linha 44 da Ficha 09 A da DIPJ 2012, referente ao valor contábil do bem vendido (conforme discriminado na linha 72 da Ficha 07A da DIPJ 2012). 4) Desta forma, o valor tributável final é o resultado da seguinte operação: RS 87,921,062,52 (Lucro Real antes da glosa, conforme linha 83 da Ficha 09A da DIPJ 2012 mais RS 299.999.400,00 (valor glosado na linha 78 da Ficha 09 A da DIPJ 2012, referente à exclusão do valor obtido com a venda de bem, conforme discriminado na linha 69 da Ficha 07A da DIPJ 2012) é igual a RS 212.078.337\48 menos RS 89.666.070,03 (adição desconsiderada na linha 44 da Ficha 09 A da DIPJ 2012, referente ao valor contábil do bem, conforme discriminado na linha 72 da Ficha 07A da DIPJ 2012, cujo valor de venda foi glosado) é igual a RS 122.412.267.45 12. Consta na última página da Informação Fiscal que o contribuinte foi cientificado em 03/02/2016, do teor dessa Informação Fiscal, tendo sido tomada ciência pelos procuradores Douglas Venturoza de Oliveira e Juliana Jeronymo Jorvino (procuração às págs. 325/326); em 28/03/2016, masi de 30 (trinta) dias depois, sem manifestação do contribuinte, o processo foi encaminhado à DRJ/RPO. 13. Verificase à pág. 440, na Ficha 07A Demonstração de Resultado, linha 69. Outras Receitas Não Relacionadas nas Linhas Anteriores, R$299.999.400,00 (que o contribuinte, intimado, informou ser "venda de investimento cujo recebimento não ocorreu no ato da venda"; e linha 72.()Outras despesas Não relacionadas nas Linhas Anteriores, R$89.666.070,03. 14. E às págs. 441/442, na Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, linha 44. Outras adições, R$89.666.070,03; e na linha 78. Outras Exclusões, R$299.999.400,00. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 19515.721216/201444 Acórdão n.º 1201002.105 S1C2T1 Fl. 7 6 15. Os dados supra evidenciam que o contribuinte excluiu do Lucro Real o valor da alienação (registrada como receita na Demonstração de Resultado) e adicionou o custo do bem alegadamente vendido (registrado como despesa na Demonstração de Resultado). 16. O Autuante, conforme informa em resposta à diligência, estornou ambos registros, tanto o da exclusão da receita, como o da adição do custo, o que é o procedimento correto. 17. O valor líquido excluído na apuração do Lucro real, em função da autuação fiscal foi R$299.999.400,00 () 89.666.070,03=210.333.330,00, que é a autuação, conforme descrito no TVF. 18. Como o contribuinte havia informado na Ficha 09. Demonstração do Lucro Real linha 83. Lucro Real, R$()87.921.062,52, o Lucro Real após a glosa passou a ser R$122.412.267,45. 19. Verificase à pág. 314, que o Autuante efetuou o cálculo do IRPJ a exigir, considerando como Lucro Real (Valor Tributável) justamente os R$122.412,267,45, que é o valor correto; compensou 30% deste lucro com prejuízos de períodos anteriores, apurou a base de cálculo de R$85.688.587,21 e efetuou o cálculo do IRPJ devido. 20. Analogamente, à pág. 321, considerou como Base de Cálculo da CSLL (Valor Tributável) os R$122.412,267,45, haja vista que na Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o contribuinte havia também apurado Base de Cálculo da CSLL o mesmo valor que do Lucro real, isto é R$()87.921.062,52, porque, da mesma forma que na apuração do Lucro Real, havia excluído na linha 61. Outras Exclusões R$299.999.400,00 e adicionado na linha 37. Outras Adições R$89.666.070,03. 21. Também compensou 30% desta Base de Cálculo com prejuízos de períodos anteriores, apurou a base de cálculo de R$85.688.587,21 e efetuou o cálculo da CSLL devida. 22. Enfim, no caso da CSLL, seguiu a legislação, citada no Auto de Infração, art. 57 da Lei n° 8.981, de 1995, com as alterações do art. 1º da Lei n° 9.065, de 1995: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) 1.2 NULIDADE ACÓRDÃO DRJ/RPO. 23. Como se evidencia, o argumento do impugnante de que o valor R$122.412.267,45 não havia sido demonstrado, nem citado no TVF, foi levado em conta pela DRJ, e a diligência determinada por esta esclareceu satisfatoriamente a questão; e a DRJ proferiu o Acórdão, em conformidade. 24. Por outro lado, o contribuinte, devidamente cientificado, nada argumentou ou contradisse. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 19515.721216/201444 Acórdão n.º 1201002.105 S1C2T1 Fl. 8 7 25. A nulidade do Acórdão, que se trata de decisão, poderia eventualmente ser decretada, por cerceamento no direito de defesa do contribuinte, conforme os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 26. Mas os fatos descrito evidenciam que a falha foi sanada, o contribuinte devidamente cientificado, tendolhe sido concedido prazo para apresentar defesa, o que não fez. 27. Não há nulidade no Acórdão proferido pela DRJ/RPO. 2 Nulidade. Autos de Infração. 28. Inicialmente, cabe destacar que o já citado art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, só estabelece nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I). 29. A Recorrente reclama que apenas um dos dois AFRF designados no MPFF formalizou os Autos de Infração. 30. Este argumento de nulidade, assim como os demais que apresenta no recurso voluntário, são os mesmos que os da impugnação, já respondidos pelo julgador da DRJ, razão pela qual, cabe reiterar as conclusões no julgamento da DRJ, por concordar com os mesmos: A alegação do Impugnante de que o MPF outorgou poderes a dois AFRFB, não permitindo assim a assinatura dos autos por apenas 1 deles, não encontra amparo legal. A Portaria RFB n° 3.014/11 (o Impugnante citou a Portaria RFB n° 3.074/11 de modo equivocado), vigente à época da fiscalização, dispôs sobre o planejamento das atividades fiscais e estabeleceu normais para a execução desses procedimentos, e em seus arts. 7o e 8o assim determinou: (transcritos às págs. 475/476) Como se verifica do dispositivos acima, o MPF conterá os dados do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do mandado e do responsável pela equipe (denominado Supervisor) a que está vinculado esse Auditor responsável. No caso do MPF em questão (fls. 70 e 71), o Auditor responsável pelos procedimentos de fiscalização é o Sr. Marcelo, e a supervisão cabe à Sra. Beatriz. Em momento algum a Portaria exige a assinatura de ambos para a validade do auto de infração, mesmo porque o Supervisor tem tarefa de orientação, a quem não se atribui a responsabilidade pelos valores eventualmente lançados contra contribuinte. Quanto à não abrangência do tributo CSLL, verificase que o art. 8o acima transcrito é cristalino dispensar menção no MPF quando, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos forem verificadas. E o que chamamos de apuração de reflexos do autos de infração matriz ou incidência de tributos reflexos. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 19515.721216/201444 Acórdão n.º 1201002.105 S1C2T1 Fl. 9 8 Também não se verificou no procedimento de fiscalização a sua perda de eficácia, como alega o Impugnante, não sendo necessário a emissão de novo termo de início de procedimento fiscal. A perda de eficácia a que se refere o parág. 2o do art. 7o do do Decretolei n° 70.235/72 atinge a espontaneidade, e não o procedimento de fiscalização. Os efeitos próprios do MPF (atual TDPF) e o instituto da espontaneidade são distintos. O início da ação fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação à matéria objeto do procedimento de ofício, conforme parág. Io do art. 7o do Decretolei n° 70.265/72. Nos termos do parág. 2o do mesmo artigo, também citado pelo Impugnante, a espontaneidade será readquirida se a autoridade fiscal, por 60 dias consecutivos, deixar de praticar qualquer ato que indique o prosseguimento dos trabalhos, conforme transcrito abaixo: (transcrito á pág. 477) Assim, pode ser que mesmo dentro da vigência de um MPF readquira o contribuinte a espontaneidade, bastando que no curso do prazo de 120 dias nele consignado, deixe a autoridade fiscal de praticar qualquer ato por sessenta dias. O AFRFB continuará competente para prosseguir os trabalhos até o termo final do MPF, mas depois dos 60 dias de inércia, e antes de qualquer outro ato fiscal, poderá o contribuinte valerse do procedimento espontâneo. Ou seja, poderia o contribuinte pagar os tributos devidos, acrescidos de juros e multa de mora. Contudo, não foi isso o que aconteceu: o contribuinte não recolheu quaisquer tributos objeto do auto de infração aqui analisado. Na realidade, o Impugnante sequer indicou os atos da autoridade fiscal caracterizados como inerciais e que levassem a conclusão pela extrapolação do prazo de sessenta dias. De qualquer modo, como se viu acima, a alegação do Impugnante relacionase à espontaneidade, não à perda de eficácia de termo de início de procedimento fiscal. Em relação ao cerceamento do direito de defesa, por não restarem demonstradas e provadas as circunstâncias envolvendo o valor de R$ 122.412.267,45 e sua vinculação ao Termo de Verificação Fiscal, considero que a forma de cálculo do valor tributável (R$ 122.412.267,45) não interferiu na defesa da Impugnante. De fato, não foi demonstrado no Termo de Verificação Fiscal MPF n° 2013050248, lavrado em 29/10/2014 (fls. 306 a 311), como se chegou ao valor tributável, havendo necessidade de diligência para sua compreensão por parte deste julgador. Porém, veja que a diligência respondida pela autoridade fiscal (fls. 409 a 411) apenas explicitou o procedimento de cálculo, onde se adicionou o valor de venda do bem que foi considerado indevido e glosado (R$ 299.999.400,00) e desconsiderou a adição referente ao valor contábil desse bem (R$ 89.666.070,03). O motivos de fato e de direito para penalidade Fl. 541DF CARF MF Processo nº 19515.721216/201444 Acórdão n.º 1201002.105 S1C2T1 Fl. 10 9 pecuniária aplicada ao contribuinte continuaram os mesmos: a dedução indevida de despesas na apuração do lucro real. Ademais, o Impugnante foi intimado da diligência efetuada pela autoridade fiscal, onde foi demonstrado o modo pelo qual chegou ao valor de R$ 122.412.267,45, considerado como valor tributável. Ressaltese que, se o valor de R$ 89.666.070,03 não houvesse sido subtraído do total, o valor tributável seria superior ao constatado. A jurisprudência do CARF não é destoante desse entendimento, já que sequer considera anulável um auto de infração se houve erro na apuração da base de cálculo, preocupandose mais com o mérito da infração. No presente caso, não houve erro no cálculo do valor tributável, mas sim omissão de sua forma. Vejamos alguns acórdãos nesse sentido: (transcrito à pág. 478) Devidamente intimado para manifestarse sobre a demonstração do modo pelo qual a autoridade obteve o valor tributável, em 03/02/2016 (fl. 425), preferiu a Impugnante manter o silêncio. Considerase, assim, não verificado o cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, especialmente porque o modo de cálculo não alterou o embasamento legal ou circunstâncias fáticas relatadas que concorreram para a autuação, e a contribuinte foi intimada do resultado da diligência fiscal solicitada pela DRJ. Com isso, não há que se falar em presunção de valor não recolhido ou lançamento sem motivação. Quanto à alegação de falta da intimação para a Impugnante se manifestar sobre o fim da instrução, conforme art. 44 da Lei n° 9.784/99, não há razão ao Impugnante. Basta dizer que o Decreto n° 70.235/72 regula o processo administrativo fiscal e não prevê tal procedimento, ao passo que a Lei n° 9.784/99 regula o processo administrativo comum. Ademais, o art. 69 desta última dispõe que os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandose apenas subsidiariamente os seus preceitos. 31. Com relação à intimação para o Impugnante se manifestar, cabe adicionar que, depois de ter sido intimado e reintimado a fornecer "explicações detalhadas e discriminação dos embasamentos legais da exclusão do valor de R$299.999.40,00, na apuração do Lucro Real, conforme discriminado na linha 78 da Ficha 09A da DIPJ 2012", sem ter oferecido as justificativas e documentação comprobatória, foi o contribuinte, em 04/07/2014, págs. 45/49, intimado do Termo de Constatação Fiscal nº 01, em que é alertado de que: As comprovações deverão ser feitas com documentação hábil c idônea. (...) Fica o contribuinte cientificado que o não atendimento no prazo marcado, à presente intimação para prestar esclarecimentos sujeitao no caso de lançamento de ofício ao agravamento em Fl. 542DF CARF MF Processo nº 19515.721216/201444 Acórdão n.º 1201002.105 S1C2T1 Fl. 11 10 50% das multas a que se referem os incisos I e II do caput do artigo 44 da Lei nr. 9.430* de 27 de dezembro de 1996. (...) Ressaltamos que o não atendimento, ensejará lançamento com as informações de que se dispuser (artigo 845 do RIR/99). 32. Em 12/09/2014, págs. 53/56, foi reintimado nos mesmos termos; e ainda em 07/10/2014, págs. 59/63. 33. Evidenciase ser apenas procrastinatória a reclamação de que não foi cientificado ao término da instrução. 3 Mérito. 3.1 VALOR DEVIDOS INEXISTENTES, POR FALTA DE PROVAS. ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. INDEVIDO ARBITRAMENTO E PRESUNÇÃO. 34. O contribuinte efetuou a exclusão de montante em valor considerável, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, resultando na apuração de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL. 35. Intimado a justificar e apresentar provas, nada apresentou. 36. Eis que exclusões que reduzem a base tributável, devem ser comprovadas documentalmente e constar da legislação como autorizadas. 37. Nada disso foi evidenciado, sendo que o contribuinte foi seguidamente intimado e reintimado, num procedimento de fiscalização que se iniciou em 27/11/2013, com o Termo de Início, e concluiu em 08/12/2014, com a ciência dos autos de infração; teve oportunidade de comprovar a exclusão junto com a impugnação apresentada, e posteriormente, no recurso voluntário, porém não o fez, limitandose a apresentar argumentos desprovidos de base de nulidade. 38. A fiscalização deixou evidente que não havia base alguma para o litigante excluir uma "venda de investimento cujo recebimento não ocorreu no ato da venda"; dado que reiteramente ofereceu prazos e alertouo para que apresentasse a documentação, o que o contribuinte não fez. 39. Portanto, o procedimento fiscal provou que não havia base alguma para a exclusão efetuada, que se evidenciou fictícia. 40. Quanto a arbitramento e presunção, tratamse de conceitos que não foram aplicados na presente autuação; se o contribuinte consultar a legislação e o Regulamento do Imposto de Renda, poderá se informar a respeito. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 19515.721216/201444 Acórdão n.º 1201002.105 S1C2T1 Fl. 12 11 3.2 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. 3. A jurisprudência do CARF vem convergindo no sentido de considerar procedente a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, depois de vencido o prazo para pagamento, uma vez que passa a integrar o crédito tributário. Acórdão nº 1401001.578 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de abril de 2016 Ementa: (...) JUROS SOBRE MULTA Sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. Acórdão nº 9303003.476 – 3ª Turma Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Ano calendário:2007 Ementa: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Selic exigida nos termos da lei. Acórdão nº 1401001.573– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2016 Matéria IRPJ. Glosa de participação nos lucros e resultados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. 4. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 5. Notese que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos para todas as situações. Fl. 544DF CARF MF Processo nº 19515.721216/201444 Acórdão n.º 1201002.105 S1C2T1 Fl. 13 12 6. Finalmente a Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. 7. E o CTN determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 8. Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. Conclusão. Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 545DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.003053/2004-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/03/1999, 30/06/1999, 30/09/1999, 31/12/1999
INTIMAÇÃO ENVIADA AO DOMICÍLIO FISCAL. REGULARIDADE.
É válida a intimação por via postal quando o AR tenha sido encaminhado para o domicílio fiscal do contribuinte, ainda que recebido por preposto.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Diante da ausência de argumentação específica relativa à autuação reflexa, o entendimento adotado no respectivo lançamento acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
Sendo a multa de ofício e os juros de mora lançados em estrita observância da legislação constante da fundamentação do auto de infração, não há que se cogitar de seu cancelamento.
Numero da decisão: 1402-000.623
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade sucitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/1999, 30/06/1999, 30/09/1999, 31/12/1999 INTIMAÇÃO ENVIADA AO DOMICÍLIO FISCAL. REGULARIDADE. É válida a intimação por via postal quando o AR tenha sido encaminhado para o domicílio fiscal do contribuinte, ainda que recebido por preposto. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Diante da ausência de argumentação específica relativa à autuação reflexa, o entendimento adotado no respectivo lançamento acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Sendo a multa de ofício e os juros de mora lançados em estrita observância da legislação constante da fundamentação do auto de infração, não há que se cogitar de seu cancelamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade sucitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 537DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.003053/200490 Acórdão n.º 140200.623 S1C4T2 Fl. 265 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Roge Distribuidora e Tecnologia S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Campinas/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de auto de infração à legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 140/146) e autuação reflexa relativa à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 147/153), contra a contribuinte acima qualificada, que resultou na exigência do crédito tributário no valor total de R$ 289.055,56, já incluídos o principal, multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/11/2004. Consoante discriminado no “Termo de Verificação Fiscal”, de fls. 135/139, foi verificado o que segue: “(...) Apropriação indevida de custos devolução de compras Inicialmente se fazem necessárias algumas explicações acerca da contabilização e apropriação dos custos por parte da contribuinte. Os custos são calculados contabilmente com base no grupo de contas transitórias 1.4.1.01 Mercadorias, através da fórmula: Estoque Inicial + Compras ICMS Compras Devolução de Compras + ICMS s/ Devoluções de Compras Estoque Final. Sendo as contas contábeis onde são feitos os lançamentos discriminados na Tabela 1, abaixo. Tabela I Contas de apropriação dos custos Cod. Contábil Descrição da Conta 1.4.1.01.0001 Estoque Inicial 1.4.1.01.0002 Compras 1.4.1.01.0003 ICMS S/ Compras 1.4.1.01.0004 Devolução de Compras 1.4.1.01.0005 ICMS Devol Compras 1.4.1.01.0010 Estoque Final O resultado da apropriação dos custos é debitado na conta de resultado 4.1.1.01.0001 COMPRAS DE MERCADORIA, integrante do grupo 4 CUSTOS, subgrupo 4.1 CUSTOS DAS MERCADORIAS VENDIDAS. Fl. 538DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.003053/200490 Acórdão n.º 140200.623 S1C4T2 Fl. 266 3 Esses procedimentos podem ser inferidos dos balancetes trimestrais (fls. 108 a 123), onde as contas transitórias de apropriação dos custos aparecem integrando o grupo de contas do Ativo, 1.4 CONTAS AUXILIARES, tendo o seu saldo zerado a cada trimestre, pelo crédito do valor do custo apurado, tendo como contrapartida devedora a já citada conta 4.1.1.01.0001 COMPRAS DE MERCADORIA, integrante das Demonstrações de Resultado (fls. 124 a 131). Na conferência efetuada na transposição dos valores constantes nos Livros de Registros de Saídas (fls. 25 a 86), foi verificada divergência entre a somatória dos valores escriturados nos CFOPs 5.32 e 6.32, referentes às devoluções de compras efetuadas, respectivamente dentro do Estado e fora dele, e os valores lançados nas contas 1.4.01.0004 Devolução de Compras e 1.4.01.0005 ICMS s/ Devolução de Compras. As Tabela II e III, abaixo, a fim de facilitar a compreensão do presente trabalho, foram elaboradas com os valores extraídos dos Livros de Registro de Saídas (fls. 25 a 86), lançados sob as rubricas 5.32 e 6.32. Tabela II Devolução de Compras Coluna V. Contábil Matriz Filial 0004 Filial 0005 Total jan/99 168.894,00 247.649,37 234.936,79 651.480,16 fev/99 171.708,90 218.514,15 192.221,01 582.444,06 mar/99 244.333,33 183.551,88 162.319,96 590.205,17 abr/99 264.882,10 157.330,19 209.307,32 631.519,61 mai/99 260.096,77 218.514,15 243.479,94 722.090, 86 jun/99 248.274,19 241.822,32 260.566,26 750.662,77 jul/99 191.976,18 247.649,37 477.562,42 917.187,97 ago/99 218.999,23 256.389,93 449.370,00 924.759,16 set/99 248.555,68 265.130,50 576.663,03 1.090.349,21 out/99 252.496,54 192.292,45 533.947,25 978.736,24 nov/99 316.895,15 372.930,81 448.515,69 1.138.341,65 dez/99 247.008,01 311.746,85 482.688,31 1.041.443,17 Tabela III Devolução de Compras Coluna Imposto (ICMS) Matriz Filial 0004 Filial 0005 TOTAL jan/99 18.518,97 25.841,67 27.110,17 71.470,81 fev/99 18.679,26 22.801,48 27.175,41 68.656,15 mar/99 26.396,38 19.153,24 38.304,77 83.854,39 abr/99 28.124,62 16.417,06 41.789,48 86.331,16 mai/99 27.612,68 23.510,01 41.185,44 92.308,13 jun/99 26.589,44 25.867,43 39.313,38 91.770,25 jul/99 21.157,82 26.814,38 30.908,05 78.880,25 ago/99 23.730,50 27.728,96 34.782,09 86.241,55 set/99 26.597,34 28.912,54 40.273,97 95.783,85 out/99 26.858,91 20.744,79 40.502,14 88.105,84 nov/99 33.655,38 39.723,83 33.719,67 107.098,88 dez/99 26.233,12 33.358,07 53.626,78 113.217,97 Fl. 539DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.003053/200490 Acórdão n.º 140200.623 S1C4T2 Fl. 267 4 As Tabela IV e V, abaixo foram elaboradas com os valores consolidados trimestralmente os valores constantes nas Tabelas II e III e os valores lançados nas contas contábeis 1.4.1.01.0004 Devolução de Compras e 1.4.1.01.0005 ICMS s/ Devolução de Compras, as quais, como já exposto, compuseram a apropriação contábil do custo das mercadorias vendidas pela contribuinte. Tabela IV Devolução de Compras: Livro de Saídas x Conta Contábil 1.4.1.01.0004 Livro de Saídas Conta 1.4.1.01.0004 Diferença 1° Trimestre 1.824.129,39 1.778.577,27 45.552,12 2° Trimestre 2.104.273,24 2.044.064,99 60.208,25 3° Trimestre 2.932.296,34 2.775.399,93 156.896,41 4° Trimestre 3.158.521,06 3.055.975,28 102.545,78 Tabela V Devolução de Compras: Livro de Saídas x Conta Contábil 1.4.1.01.0005 Livro de Saídas Conta 1.4.1.01.0005 Diferença 1º Trimestre 223.981,35 223.981,35 2º Trimestre 270.409,54 270.409,54 3º Trimestre 260.905,65 260.905,65 4º Trimestre 308.422,69 308.422,69 Na Tabela IV ficaram evidenciadas as diferenças observadas por esta fiscalização na transcrição dos valores das devoluções de compras dos Livros de Registro de Saídas para a apropriação contábil dos custos. Essas diferenças, deveriam ter sido creditadas na conta 1.4.1.01.0004 Devolução de Compras, cuja contrapartida se daria na conta Custo da Mercadoria Vendida. Portanto, a transposição a menor destes valores para a conta 1.4.1.01.0004, acarretou uma apropriação a maior na composição do custo das mercadorias vendidas, e conseqüentemente uma redução do Lucro Real apurado nos trimestres. Observese que não foram encontradas diferenças na transposição dos valores do ICMS sobre as Devoluções de Compras lançados nos Livros de Registros de Saída para a conta contábil 1.4.1.01.0005 ICMS s/ Devolução de Compras, conforme demonstrado pela Tabela V. Em 03/11/2004, a contribuinte foi intimada a esclarecer as diferenças constatadas (fl. 132). Em 19/11/2004 respondeu à Intimação Fiscal, informando que se deviam a erro na transcrição destes valores, ocasionado pela falta de preparo da pessoa encarregada (fl. 133). Diante do exposto, em vista da falta de justificativas que pudesse esclarecer o equívoco praticado e, no intuito de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, lavro o presente Termo para exigência, através de Auto de Infração, do Imposto de Renda da Fl. 540DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.003053/200490 Acórdão n.º 140200.623 S1C4T2 Fl. 268 5 Pessoa Jurídica, tendo como reflexo a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido.” Inconformada com as exigências fiscais, das quais tomou ciência em 21/12/2004, a Impugnante, por meio de seu bastante procurador, procuração de fl.198, interpôs, em 19/01/2005, a impugnação de fls. 157/168, acompanhada dos documentos de fls. 169/199, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos de fato e de direito: preliminarmente, alega a decadência de parte do lançamento efetuado, nos termos do art. 150, §4º do CTN, tendo em vista sua opção pela tributação na forma do Lucro Real com apuração trimestral, no anocalendário de 1999; no mérito, alega que além de comerciar produtos presta serviços na área de automação comercial e rotineiramente recebe mercadorias para exposição e máquinas e equipamentos para demonstração, as quais após cumprirem as finalidades para as quais foram recepcionadas, são devolvidas aos respectivos fornecedores; alega que por se tratar de devolução de mercadorias não destinadas à comercialização, a devolução deveria ter sido mediante o uso dos códigos 5.99 e 6.99 e não 5.32 e 6.32, tendo ocorrido erro material na indicação dos códigos CFOPs nas Notas Fiscais de devolução dessas mercadorias; pugna para que seja realizada diligência em seu estabelecimento para que se confirmem as alegações acima expostas; que a utilização da taxa SELIC sobre os valores objeto da autuação é inconstitucional pois ultrapassa o limite legal de 1% ao mês, e ilegal por ferir os princípio da legalidade. Cita jurisprudência do STJ, de lavra do MM. Min. Franciulli Neto.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 05 17.465 (fls. 204221) de 26/04/2007, por maioria de votos, julgou procedente em parte o lançamento, reconhecendo a decadência do lançamento quanto ao IRPJ para os fatos geradores com vencimento em 31/03/1999, 30/06/1999 e 30/09/1999. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/1999, 30/06/1999, 30/09/1999, 31/12/1999 DECADÊNCIA. IRPJ. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No entendimento majoritário desta Turma de julgamento, por tratarse o IRPJ de tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 § 4º do CTN, quando, no período base o sujeito passivo efetua apuração e pagamento do imposto objetos de revisão pelo fisco, a contagem do prazo decadencial de cinco anos tem como marco inicial a data do fato gerador que, no caso de apuração trimestral, corresponde ao último dia de cada trimestre. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/1999, 30/06/1999, 30/09/1999, 31/12/1999 Fl. 541DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.003053/200490 Acórdão n.º 140200.623 S1C4T2 Fl. 269 6 IMPUGNAÇÃO. PROVAS. Não restando comprovadas as alegações de defesa pela impugnante, mantémse o lançamento efetuado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Diante da ausência de argumentação específica relativa à autuação reflexa, o entendimento adotado no respectivo lançamento acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/1999, 30/06/1999, 30/09/1999, 31/12/1999 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE / LEGALIDADE DE LEI. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade ou legalidade das leis exorbitam a competência das autoridades administrativas, às quais cumpre aplicar as determinações da legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. TAXA SELIC. CABIMENTO. Procede a cobrança de juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), por expressa previsão legal.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 19/05/2009 (A.R. de fl. 229), a interessada interpôs recurso voluntário em 10/06/2009 (fls. 233258) É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. De se destacar, inicialmente, que a interessada não ataca os fundamentos do lançamento, restringindose a alegações de cunho genérico, conforme se depreende do pedido ao final de sua peça recursal: “... Diante do exposto, com fulcro no sobredito e na inarredável plausibilidade jurídica das teses postuladas, fundamentada na doutrina, entendimento Fl. 542DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.003053/200490 Acórdão n.º 140200.623 S1C4T2 Fl. 270 7 jurisprudencial, liminares concedidas, sentenças, Constituição Federal e legislação vigente, requerse de Vossa Senhoria: 1) Preliminarmente, sejam declarados nulos todos os atos posteriores a decisão da impugnação, devido a falta de conhecimento legal e válido das respectivas intimações e notificações, determinandose, pois, o seguimento do feito para a próxima instância administrativa, no caso, para o Conselho do Contribuinte, ou, ainda, a devolução de prazo recursal, após, legitima intimação e publicidade do teor da referida decisão, para que siga o trâmite legal do recurso, tudo, nos termos da legislação vigente e como de Direito; 2) Sejam acatados os fundamentos argüidos nesta impugnação, cancelando as multas exigidas e suspendendo o trâmite administrativo do presente auto de infração, pelas flagrantes ilegalidades e inconstitucionalidades (evidente, que mesmo com a exclusão da multa isolada, ainda sim, o fisco obtêm resultados absurdamente positivos, podendo, se for o caso, receber juros, multas de mora e demais encargos, sendo, jamais, prejudicado), ressaltandose, que tais valores, encontramse suspensos conforme dispõe o artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional e legislação pertinente; 3) a abstenção de qualquer prática de natureza repressiva em desfavor da Requerente, sendo forçoso a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários envolvidos (Receita Federal) até decisão final (artigo 151, III do CTN e legislação pertinente), sob pena de decisões conflitantes e da consolidação do indigitado solve et repete; 4) a abstenção de inscrever e cobrar os referidos créditos (insubsistentes e com a exigibilidade suspensa) em favor da União; 5) cancelamento e/ou suspensão da cobrança referente aos débitos declarados, uma vez que tais valores estão sob discussão administrativa; 6) não inclusão do nome da Requerente no CADIN até que se verifique a eficácia preclusiva da coisa julgada administrativa, mormente do processo de compensação; Quanto à preliminar de nulidade do lançamento por falta de ciência formal da decisão de primeira instância, alegada pela recorrente, é de se observar que o aviso de recebimento de fls. 229 comprova a entrega da referida decisão no endereço do domicilio fiscal da recorrente. Nesse sentido, considerase que e interessada foi regularmente cientificada daquela decisão. A jurisprudência é pacífica nessa direção, vejase: PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL – INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL – O inc. II do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72 autoriza a intimação por via postal, com prova do recebimento. Entregue a correspondência no endereço do domicílio fiscal do sujeito passivo, é perfeitamente válida a intimação, mesmo que o aviso de recebimento tenha sido firmado por pessoa da família do devedor. Para afastar a presunção de legalidade da intimação, indispensável a prova irrefutável de que o recebedor não deu ciência ao devedor. Considerase feita a intimação na data do recebimento, conforme o § 2.º, II, do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72. (Tribunal Regional Federal da 4a. Região (TRF 4a REGIÃO, AI n.º 1999.04.01.0060232/SC – 2a. Turma – DJU de 23/06/1999). Fl. 543DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10882.003053/200490 Acórdão n.º 140200.623 S1C4T2 Fl. 271 8 INTIMAÇÃO ENVIADA AO DOMICÍLIO FISCAL – REGULARIDADE. A intimação por via postal considerase perfeita quando o AR tenha sido encaminhado para o domicílio fiscal do contribuinte, ainda que recebido pelo porteiro. (Acórdão n.º 10806.254, Sessão de 18/10/2000). Rejeito, pois, a preliminar de nulidade argüida pela recorrente. Quanto a multa de ofício e juros de mora, há que se destacar que foram lançados em estrita observância da legislação constante da fundamentação do auto de infração, não havendo que se cogitar de seu cancelamento. Esclareçase, por fim, que a impugnação apresentada, além de instaurar a fase contenciosa da relação jurídica entre o fisco e o sujeito passivo, suspende a exigibilidade do crédito tributário lançado. Dessa forma, é desnecessário o pedido da interessada nessa direção, uma vez que a exigibilidade do crédito encontrase suspensa por toda a fase contenciosa. Da mesma forma, desnecessários os pedidos nos itens 3 a 6, pois a fase contenciosa em que se encontra o presente processo já alberga a pretensão da recorrente naqueles tópicos. Por todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade argüida para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 1 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 544DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10580.904807/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.287
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 04 80 7/ 20 11 -5 4 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.904807/201154 Resolução nº 3402001.287 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0256.942, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.904807/201154 Resolução nº 3402001.287 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.904807/201154 Resolução nº 3402001.287 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.904807/201154 Resolução nº 3402001.287 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.904807/201154 Resolução nº 3402001.287 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679536/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento de IRPJ a maior que o devido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 79 53 6/ 20 09 -9 4 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.679536/200994 Resolução nº 1201000.362 S1C2T1 Fl. 3 2 Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelo seguinte fundamento: "a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração". Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: a) houve um equívoco da contribuinte ao indicar o crédito como decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido; b) o valor do "pagamento indevido" é exatamente o mesmo do saldo negativo apurado ao final do período de apuração; c) houve retificação da DIPJ para que esta espelhasse com exatidão o valor do saldo negativo; d) não foi possível retificar a Dcomp após a emissão do Despacho Decisório, por impedimento imposto pelo próprio sistema da Receita Federal; É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. O crédito indicado é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Consultandose a DIPJ retificadora correspondente ao anocalendário em questão, verificase que, dentre as estimativas de IRPJ a pagar declaradas, não se vê nenhum valor igual ao do crédito pleiteado. Nessa mesma declaração foi apurado saldo negativo de IRPJ, em face da dedução de estimativas pagas e IRRF durante o anocalendário. Ocorre que o total das estimativas a pagar apuradas mensalmente nas fichas próprias da DIPJ é menor que o indicado para fins de apuração do saldo negativo. Também, o total do IRRF aproveitado para fins de dedução das estimativas mensais devidas tem valor maior que aquele declarado na ficha da apuração anual (saldo negativo). Nas DCOMPs com que a recorrente pretendeu retificar as originariamente entregues, há informações quanto a estimativas pagas, compensadas e de IRRF. Ocorre que esses valores também não são consentâneos com os declarados na DIPJ. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10880.679536/200994 Resolução nº 1201000.362 S1C2T1 Fl. 4 3 Vêse, assim, que não há certeza quanto ao valor do saldo negativo apurado. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique qual é o real montante do saldo negativo do período, em face das estimativas efetivamente pagas, compensadas e do IRRF; b) relacione todas as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ do ano calendário em questão, discriminando todos os créditos e débitos indicados para compensação, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência do saldo negativo apurado, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 225DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.000831/2009-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto Sobre a Renda De Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 e 2005 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCEDIMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIO QUE NÃO GERA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF se constitui em elemento de transparência, planejamento, limitação e controle da Administração Tributária. Eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando se constituir em meio ilícito para obtenção de provas, não gera nulidade do lançamento contido no auto de infração. EXTRATOS BANCÁRIOS. REQUISIÇÃO SEM ORDEM JUDICIAL. DOCUMENTOS DESCONSIDERADOS PELA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA, NO CASO CONCRETO, DE CONTAMINAÇÃO DAS PROVAS SUBSEQUENTES. Para fiscalizar, no caso concreto, a autoridade fiscal podia recorrer a dois procedimentos: a) fiscalizar com base nos depósitos bancários; b) fiscalizar a partir de informações fornecidas pelos clientes da recorrente. Tratam-se de procedimentos autônomos, independentes e não decorrentes entre si. Assim, não se pode dizer que tendo a autoridade fiscal abandonado a fiscalização a partir dos depósitos bancários, prosseguindo-a com base nas notas fiscais emitidas pela recorrente, estaria ela valendo-se de informações protegidas pelo sigilo bancário. DECADÊNCIA. PIS E COFINS. FATO GERADOR MENSAL. DOLO. ART. 173 DO CTN. O PIS e a Cofins têm fatos geradores mensais. Para estes tributos o lançamento pode dar-se a partir do mês seguinte ao do fato gerador. Nestas circunstâncias, para os fatos geradores ocorridos entre 31 de janeiro e 30 de Fl. 2203 DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/2009-17 Acórdão n.º 1402-00.915 S1-C4T2 Fl. 0
Numero da decisão: 1402-000.915
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, acolher parcialmente a alegação de decadência para os fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2003 em relação ao PIS e a Cofins, e até 30 de setembro de 2003 em relação ao IRPJ e CSLL, e no mérito, dar parcial provimento ao recurso somente para excluir do imposto a pagar o valor de R$ 1.578,60 do IRPJ do quarto trimestre de 2003.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : Imposto Sobre a Renda De Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 e 2005 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCEDIMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIO QUE NÃO GERA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF se constitui em elemento de transparência, planejamento, limitação e controle da Administração Tributária. Eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando se constituir em meio ilícito para obtenção de provas, não gera nulidade do lançamento contido no auto de infração. EXTRATOS BANCÁRIOS. REQUISIÇÃO SEM ORDEM JUDICIAL. DOCUMENTOS DESCONSIDERADOS PELA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA, NO CASO CONCRETO, DE CONTAMINAÇÃO DAS PROVAS SUBSEQUENTES. Para fiscalizar, no caso concreto, a autoridade fiscal podia recorrer a dois procedimentos: a) fiscalizar com base nos depósitos bancários; b) fiscalizar a partir de informações fornecidas pelos clientes da recorrente. Tratam-se de procedimentos autônomos, independentes e não decorrentes entre si. Assim, não se pode dizer que tendo a autoridade fiscal abandonado a fiscalização a partir dos depósitos bancários, prosseguindo-a com base nas notas fiscais emitidas pela recorrente, estaria ela valendo-se de informações protegidas pelo sigilo bancário. DECADÊNCIA. PIS E COFINS. FATO GERADOR MENSAL. DOLO. ART. 173 DO CTN. O PIS e a Cofins têm fatos geradores mensais. Para estes tributos o lançamento pode dar-se a partir do mês seguinte ao do fato gerador. Nestas circunstâncias, para os fatos geradores ocorridos entre 31 de janeiro e 30 de Fl. 2203 DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/2009-17 Acórdão n.º 1402-00.915 S1-C4T2 Fl. 0
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, acolher parcialmente a alegação de decadência para os fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2003 em relação ao PIS e a Cofins, e até 30 de setembro de 2003 em relação ao IRPJ e CSLL, e no mérito, dar parcial provimento ao recurso somente para excluir do imposto a pagar o valor de R$ 1.578,60 do IRPJ do quarto trimestre de 2003.
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Matéria Imposto de Renta Pessoa Jurídica IRPJ Recorrente Laticínios Manolo Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: Imposto Sobre a Renda De Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 e 2005 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCEDIMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIO QUE NÃO GERA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF se constitui em elemento de transparência, planejamento, limitação e controle da Administração Tributária. Eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando se constituir em meio ilícito para obtenção de provas, não gera nulidade do lançamento contido no auto de infração. EXTRATOS BANCÁRIOS. REQUISIÇÃO SEM ORDEM JUDICIAL. DOCUMENTOS DESCONSIDERADOS PELA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA, NO CASO CONCRETO, DE CONTAMINAÇÃO DAS PROVAS SUBSEQUENTES. Para fiscalizar, no caso concreto, a autoridade fiscal podia recorrer a dois procedimentos: a) fiscalizar com base nos depósitos bancários; b) fiscalizar a partir de informações fornecidas pelos clientes da recorrente. Tratamse de procedimentos autônomos, independentes e não decorrentes entre si. Assim, não se pode dizer que tendo a autoridade fiscal abandonado a fiscalização a partir dos depósitos bancários, prosseguindoa com base nas notas fiscais emitidas pela recorrente, estaria ela valendose de informações protegidas pelo sigilo bancário. DECADÊNCIA. PIS E COFINS. FATO GERADOR MENSAL. DOLO. ART. 173 DO CTN. O PIS e a Cofins têm fatos geradores mensais. Para estes tributos o lançamento pode darse a partir do mês seguinte ao do fato gerador. Nestas circunstâncias, para os fatos geradores ocorridos entre 31 de janeiro e 30 de Fl. 2203DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/200917 Acórdão n.º 140200.915 S1C4T2 Fl. 0 2 novembro de cada ano o lançamento pode se efetivar no curso do mesmo anocalendário, iniciandose o prazo decadencial, em caso de dolo, em 1° de janeiro do ano seguinte aquele em que o lançamento poderia ter ocorrido. Em assim sendo, para os fatos geradores do PIS e da Cofins que ocorreram entre 31 de janeiro de 2003 e 30 de novembro do mesmo ano, o início do prazo decadencial deuse em 1o de janeiro de 2004, findando em 1o. de janeiro de 2009. Desta forma, tendo a notificação do lançamento, no caso concreto, se efetivado em 31 de janeiro de 2009, é de se reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2003. DECADÊNCIA. IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. FATOS GERADORES TRIMESTRAIS. DOLO. ART. 173, I, DO CTN. Nas empresas tributadas pela sistemática do lucro presumido o fato gerador do IRPJ e da CSLL ocorre no último dia de cada trimestre. Nestas circunstâncias, para os fatos geradores ocorridos em 31 de março, 30 de junho e 30 de novembro, de cada ano, o lançamento pode se efetivar no curso do mesmo anocalendário, iniciandose o prazo decadencial, em caso de dolo, em 1° de janeiro do ano seguinte aquele em que o lançamento poderia ter ocorrido. Em assim sendo, para os fatos geradores da CSLL e do IRPJ que ocorreram em 31 de março, 30 de junho e 30 de novembro de 2003 o início do prazo decadencial deuse em 1o de janeiro de 2004, findando em 1o. de janeiro de 2009. Desta forma, tendo a notificação do lançamento se efetivado em 31 de janeiro de 2009, é de se reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorridos até 30 de setembro de 2003. OMISSÃO DE RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. Existe omissão de receita sempre que o sujeito passivo realizar ato em relação ao qual há incidência de norma de exigência tributária, sem que o valor integral da receita ou dos rendimentos seja oferecido à tributação. A não emissão de documento fiscal é apenas um dos elementos que pode caracterizar omissão de receita. A omissão de receita também se caracteriza nos casos de regular emissão de nota fiscal, com recebimento de valor tributável, sem oferecêlo à tributação. OMISSÃO REITERADA. PROCEDIMENTO DE NÃO REGISTRAR NOTAS FISCAIS DE MAIOR VALOR. MULTA QUALIFICADA. A conduta de não contabilizar as notas fiscais de valor mais elevado, que se constituem na maior parte da receita, caracteriza procedimento doloso tipificado pela intenção de ocultar a obrigação de pagar os tributos devidos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, acolher parcialmente a alegação de decadência para os fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2003 em relação ao PIS e a Cofins, e até 30 de setembro de 2003 em relação ao IRPJ e CSLL, e no mérito, dar parcial provimento ao recurso somente para excluir do imposto a pagar o valor de R$ 1.578,60 do IRPJ do quarto trimestre de 2003. Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/200917 Acórdão n.º 140200.915 S1C4T2 Fl. 0 3 (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2205DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/200917 Acórdão n.º 140200.915 S1C4T2 Fl. 0 4 Relatório Laticínios Manolo Ltda, já qualificada nos autos, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência. Pelo que se depreende das fls. 19 e 21 dos autos, temse duas infrações aplicadas por fatos ocorridos nos anoscalendário de 2003 a 2005. As infrações assim estão descritas: 001 RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA)REVENDA DE MERCADORIAS Omissão de receitas da revenda de mercadorias, apuradas a partir de notas fiscais obtidas junto aos clientes do contribuinte, o qual manteve as mesmas à margem da escrita fiscal/contábil, bem como deixou de declarar seus montantes nas respectivas DIPJs. 002 RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA)REVENDA DE MERCADORIAS Valor apurado conforme receitas de revendas de mercadorias declaradas pelo contribuinte nas respectivas DIPJ/DCTF e/ou nos respectivos Livros de Registro de Saídas. Por não registrar a movimentação financeira, a escrituração mantida pelo contribuinte foi desclassificada e o lucro foi arbitrado. Quanto às receitas não contabilizadas, especificadas na infração descrita no item 001, foi aplicado multa qualificada. Em relação aos valores já informados na DIJP e DCTF foi aplicado multa de 75%. Contudo, do valor devido foi abatido os valores do IRPJ e da CSLL. Para o IRPJ e a CSLL, considerouse como data dos fatos geradores o último dia dos respectivos trimestres do período fiscalizado, isto 01012003 a 31122005. Pelo que se extrai do item 13 do Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 75 e 76), a contribuinte foi intimada para apresentar a totalidade dos extratos bancários e re escriturar o livro caixa ou razão dos anoscalendário 2003 a 2005, fazendo contemplar e espelhar toda a movimentação financeira ocorrida nos anoscalendário de 2003 a 2005. Não tendo a contribuinte, no prazo fixado, atendido ao pedido acima referido, foi expedido Requisição de Movimentação Financeira RMF, permitindo que a autoridade fiscal tivesse acesso às contas bancárias relacionadas à fl. 77, cujos extratos constam do anexo V. No item 17 do TVF (fl. 77) consta que em 09/10/2008 a contribuinte foi intimada para comprovar a origem dos depósitos bancários, sendo advertida de que a sua Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/200917 Acórdão n.º 140200.915 S1C4T2 Fl. 0 5 omissão resultaria na presunção de omissão de receita, conforme previsto no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Apesar da advertência contida no item 17 do TFV, no item 19 do referido termo, à fl. 79 dos autos, verificase que a autoridade fiscal decidiu por fazer diligências junto aos principais clientes da fiscalizada solicitando que estes apresentassem a relação das notas fiscais correspondentes às mercadorias adquiridas da empresa Laticínio Manolo, no período de 01012003 a 31122005. De posse de tais documentos, concluiu a fiscalização que no período a fiscalizada emitiu aproximadamente 35.000 notas ficais, sendo que deixou de registrar em sua contabilidade pelo menos 948. Destaca a fiscalização que apesar destas notas representarem apenas 3% dos documentos emitidos, em termos de valores correspondem a quase 90% da receita. No item 27 do TFV, está destacado que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL foi apurada através da sistemática do Lucro Arbitrado (coeficiente 9,6% aplicado sobre a receita conhecida notas fiscais), “sendo que foram compensados os montantes já confessados espontaneamente nas respectivas DCTF;” Em relação à tributação da COFINS e do PIS, a base de cálculo referese aos montantes mensais apurados de Omissão de Receita de Revenda de Mercadoria, conforme documentos que constam dos anexos 1, 2 e 3. A multa em relação à receita das 948 notas fiscais foi qualificada com base nos seguintes fundamentos que extraio do item 32 do TFV: 32. Embora a quantidade de notas fiscais omitidas (948) represente 3% do universo de notas fiscais emitidas no período, afasta quaisquer possíveis alegações de erro ou de esquecimento, uma vez que os valores de face das notas fiscais (R$ 86.000 em média), por 'si só, confirmam a estratégica de omissão, pois representam 90% da receita total apurada no indigitado período, estando sem dúvidas enquadrada na situação prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, pela prática prevista no art. 71 da Lei n° 4.502164, portanto, suas penalidades majoradas em 100%. O valor do crédito tributário acrescido importou em R$ 17.841.281,67 e foi notificado à fiscalizada em 31012009 (fl. 86), sendo que esta, tempestivamente, apresentou impugnação expondo os motivos de fato e de direito pelos quais requereu a insubsistência da autuação. A DRJ julgou procedente o lançamento sendo que do acórdão recorrido consta a seguinte ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. NULIDADE. 0 Mandado de Procedimento Fiscal, independentemente de sua modalidade (fiscalização ou diligência), é mero instrumento de controle administrativo. Eventual irregularidade em sua emissão não acarreta nulidade de lançamento. Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/200917 Acórdão n.º 140200.915 S1C4T2 Fl. 0 6 SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUSÊNCIA DE RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS. NULIDADE. Além de infundados para fins de desconstituição do lançamento, inócuos se mostram os questionamentos relacionados a violação de sigilo bancário e a requisição de movimentação financeira, se as exigências foram formalizadas com base em provas diretas de omissão de receita obtidas junto a clientes da empresa autuada. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE NOTAS FISCAIS. A falta de escrituração de notas fiscais emitidas, e sua conseqüente supressão da base tributável, caracteriza a ocorrência de omissão de receitas. PROVA DIRETA. Cabível o lançamento de oficio fundado na caracterização de receitas omitidas apuradas com base em notas fiscais obtidas junto a clientes do contribuinte, cuja emissão não foi por ele refutada. DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO. Explicitados pela fiscalização os procedimentos para obtenção dos valores exigidos, por meio de demonstrativos e anexos que integram os autos de infração e dos quais o contribuinte foi cientificado e recebeu cópia, dispondo do prazo legal para apresentar sua impugnação, injustificável a alegação de cerceamento de defesa. ARBITRAMENTO. Demonstrada a imprestabilidade da escrituração apresentada, o arbitramento é o único método possível para determinação das bases tributáveis, ensejando, 'inclusive, exigência de diferenças de IRPJ e CSLL Sobre o' lucro decorrente das receitas declaradas, com aplicação da multa de oficio de 75%. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EXIGÊNCIAS DECORRENTES DE RECEITAS OMITIDAS. Evidenciadas pela fiscalização circunstâncias que caracterizam sonegação, regular a qualificação da multa. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APURAÇÃO IRREGULAR. Nas hipóteses de apuração irregular e de evidente intuito de fraude, a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária é regida pelo disposto no art. 173 do CTN. INTERRUPÇÃO. MEDIDA PREPARATÓRIA. Presente notificação preparatória do lançamento ulterior, hábil a interromper a fluência do prazo decadencial, válido é o lançamento formalizado antes do decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado a partir daquele ato. Fl. 2208DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/200917 Acórdão n.º 140200.915 S1C4T2 Fl. 0 7 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. Lançamento Procedente Em 18052008 (fl. 360) a parte interessada foi cientificada da decisão da DRJ e em 16062008, ingressou com o recurso de fls. 362 a 293, alegando, em síntese: a) nulidade em face da inobservância das disposições constantes no art. 4º da Portaria nº 11.371, de 2007, visto que em momento algum a recorrente conseguiu acessar ao MPF e, se a ciência do contribuinte inexistente, é insubsistente o ato administrativo consubstanciado no Mandado de Procedimento Fiscal; b) que é requisito essencial para expedição de MPF a prévia intimação do contribuinte, fato que não ocorreu no caso concreto; c) impossibilidade de autuação com 75% sobre os valores já declarados; d) sob item intitulado “dúvida quanto à correta apuração da base de cálculo”, à fl. 380, a recorrente alega que nos itens 27 e 28 do TFV o auditor tratou sucintamente da base de cálculo do lançamento esclarecendo que a base para tributação do IRPJ e CSLL foi apurada através da sistemática do Lucro Arbitrado (coeficiente 9,6% aplicado sobre a receita conhecida notas fiscais), e que em relação à tributação da COFINS e do PIS, a base de cálculo referese aos montantes mensais apurados de Omissão de Receita de Revenda de Mercadoria. Contudo, segundo a recorrente, não houve o cotejo notafiscal por notafiscal que indicasse quais das notas verificadas em diligências já teriam sido declaradas pela impugnante. e) argumenta a recorrente que a DRJ, para manter o lançamento, limitouse a dizer que os cálculos foram realizados corretamente. Contudo, tanto não estão corretos que nos 3° e 4° trimestres do anocalendário de 2003 ao invés de considerar para compensação os valores declarados do imposto mais o adicional, considerou somente o adicional, conforme segue: f) À fl. 386 a recorrente trata da infração de omissão de receita que lhe foi imputada argumentando textualmente: Conforme já foi dito para realização dos lançamentos tributários ora impugnados, a Autoridade Administrativa realizou circularização com base em informações de clientes da Recorrente. Em outras palavras, para lavratura do Auto de Infração o Fiscal valeuse de notas fiscais apresentadas por clientes da Recorrente. Fl. 2209DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/200917 Acórdão n.º 140200.915 S1C4T2 Fl. 0 8 Ora, se as Notas Fiscais foram emitidas não há que se cogitar da ocorrência da omissão de receita; Como se sabe, "omissão de receita" se conceitua como sendo a venda deliberada levada a efeito pelo empresário, sem a correspondente emissão de Nota Fiscal ou documento equivalente; Toda a documentação hábil para lastrear a saída da mercadoria foi regularmente emitida e consequentemente não houve omissão de receita; g) que no caso concreto não cabe multa qualificada; h) Por fim, a partir da fl. 398, a recorrente faz extenso arrazoado acerca da impossibilidade de utilização, no caso concreto, dos dados da CPMF como meio de prova para efeitos de lançamento tributário e que o sigilo bancário constituise em garantia constitucional. É o relatório. Fl. 2210DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/200917 Acórdão n.º 140200.915 S1C4T2 Fl. 0 9 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. O recurso da autuada reclama o exame dos seguintes pontos: Em preliminar: a) preliminar de nulidade por irregularidade na ciência do MPF; b) preliminar de nulidade em face do acesso aos dados bancários sem ordem judicial. No mérito: a) a recorrente alega inexistência de omissão de receita com base no entendimento de que emitidas as notas fiscais não há como se cogitar da ocorrência de omissão de receita, pois esta se tipifica como sendo a venda levada a efeito, sem a correspondente emissão de nota fiscal ou documento equivalente; b) imprecisão quanto à apuração da base de cálculo; c) impossibilidade de efetuar lançamento em relação à receita já declarada em DIPJ e DCTF; d) inexistência de circunstância que justifique a qualificação da multa; e) decadência em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 31 de janeiro de 2004. DA PRELIMINAR DE NULIDADE POR VÍCIO INERENTE AO MPF Aportaria da RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007, dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo que os artigos 1º, e 4º, cujas normas que interessam ao presente julgamento assim dispõem: Art. 1º O planejamento das atividades de fiscalização dos tributos federais, a serem executadas no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano, será elaborado pela CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis), pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana) e pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), no âmbito de suas respectivas áreas de competência, considerando as propostas das unidades descentralizadas da RFB, observados os princípios do interesse público, da impessoalidade, da imparcialidade, da finalidade, da razoabilidade e da justiça fiscal. .... Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/200917 Acórdão n.º 140200.915 S1C4T2 Fl. 0 10 Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). ... Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Das normas acima referidas depreendese que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF se constitui em elemento de transparência, planejamento, limitação e controle das atividades da Administração Tributária. A eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando se constituir em meio ilícito para obtenção de prova, não geram nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte e que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar determinada ação. Assim, se ocorrerem problemas com a emissão, prorrogação, comunicação do MPF, não resulta invalido os atos praticados pela fiscalização. Salvo se utilizado como meio ilícito na obtenção de provas, as irregularidades administrativas relacionadas à emissão, comunicação e prorrogação do MPF não tornam imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributário. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada e, detectada a ocorrência da situação descrita em lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada ao autor ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática daquele ato. Assim, legitimado o AFRF para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por vício relacionado ao MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. Tem razão o recorrente ao afirmar nos termos do artigo 4º da citada Portaria há necessidade de lhe ser dado ciência da existência do MPF ou de suas prorrogações. Porém, a norma aqui referida tem sua razão de ser. O contribuinte somente esta obrigado a prestar esclarecimentos ao AFRF que estiver devidamente munido de MPF. Assim, em havendo dúvidas quanto à existência ou vigência do MPF, em não constando ou não sendo possível o acesso por meio eletrônico, cabe ao auditor fiscal provar a existência deste para, só então, prosseguir formalizando exigência de documentos. Por tais razões, desacolho a alegação de nulidade do lançamento sustentada com base em vícios inerentes ao MPF. Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/200917 Acórdão n.º 140200.915 S1C4T2 Fl. 0 11 Da questão referente ao sigilo bancário Diferentemente dos argumentos articulados no acórdão recorrido, sempre entendi que o acesso pelo Fisco, à movimentação financeira do contribuinte, depende de ordem judicial. Porém, tal entendimento importaria em reconhecer a inconstitucionalidade da Lei Complementar 105, de 2001, fato que esbarra no enunciado da Súmula nº 02 do Carf, que dispõe que este órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Após a votação da Súmula nº 02, inseriuse o artigo 62A no Regimento Interno deste órgão dispondo que as “decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, “deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Declinei os fundamentos acima para evitar alegação de que o relator foi omisso em relação à análise do tema. Contudo, no caso concreto, apesar de ter iniciado o procedimento com base nos extratos bancários, requisitados às instituições financeiras sem ordem judicial, o lançamento, ao final, se deu com base nas informações prestadas pelos clientes da recorrente. Ainda que o colegiado viesse a seguir a tese deste relator que é voto vencido em relação ao sigilo bancário, o que deveria ser analisado no caso concreto é se os extratos, obtidos de forma alegadamente indevida, deram causa a outras provas chamadas pela doutrina americana como “frutos da árvore envenenada”. Se sem a prova obtida por meios ilícitos não se chegaria às demais provas, estas seriam imprestáveis em face da contaminação na origem. Tenho que não é o caso concreto. A autoridade fiscal podia recorrer a dois procedimentos: a) fiscalizar com base nos depósitos bancários; b) fiscalizar a partir de informações fornecidas pelos clientes da recorrente. Tratamse de procedimentos autônomos e independentes, não decorrentes entre si. Assim, não se pode dizer que no momento em que a autoridade fiscal decidiu abandonar a fiscalização a partir dos depósitos bancários para levála a efeito com base nas notas fiscais emitidas pela recorrente e não contabilizadas estaria ela valendose de procedimento decorrente da obtenção de informações com base em depósitos bancários. Com tais considerações, rejeito a preliminar de nulidade em relação ao sigilo bancário. No mérito Da alegação de inexistência de omissão de receita A recorrente alega inexistência de omissão de receita com base no entendimento de que emitidas as notas fiscais não há como se cogitar da ocorrência de omissão de receita, pois esta se tipifica como sendo a venda levada a efeito, sem a correspondente emissão de nota fiscal ou documento equivalente. Sem razão. Omissão de receita não é algo subjetivo e, dado o princípio da legalidade que fundamenta o direito tributário, não é possível ao intérprete ou a autoridade fiscal caracterizar omissão de receita a partir de deduções subjetivas. Fl. 2213DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/200917 Acórdão n.º 140200.915 S1C4T2 Fl. 0 12 O conceito legal de omissão de receita encontrase no artigo 2º da Lei nº 8.846, de 1992, repetido no artigo 283 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, a seguir transcrito: “Art. 2º. Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital para efeito do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e das contribuições sociais, incidentes sobre o lucro e o faturamento, a falta de emissão da nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações a que se refere o artigo anterior, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação.” Da norma acima transcrita, extraise os seguintes elementos cuja prova concomitante é necessária para que se caracterize a omissão de receita: a) recebimento de um valor; b) não emissão de nota fiscal referente a este valor, ou a sua emissão por um valor inferior; c) não escrituração deste valor; d) não tributação deste valor. Merece ênfase, neste ponto, o primeiro item, qual seja, a necessidade de recebimento de um valor. Tratase de parcela ‘por fora’, que é recebida e não escriturada pelo contribuinte. Tal atitude enseja a incidência da regra de omissão de receitas. No caso concreto, é fato incontroverso de que a recorrente emitiu as 948 notas fiscais relacionadas a partir da fl. 208 dos autos. Porém, os valores recebidos em relação às transações não foram oferecidos à tributação. Existe omissão de receita sempre que o sujeito passivo realizar ato em relação ao qual há incidência de norma de exigência tributária, sem que o valor integral seja oferecido à tributação. A não emissão de documento fiscal é apenas um dos elementos inerentes à caracterização de omissão de receita. Esta também se caracteriza pelo recebimento de valor tributável, sem oferecêlo à tributação. No caso concreto não há dúvidas quanto à emissão das notas fiscais constantes da planilha de fls. 208 a 217. Os valores correspondentes a tais notas fiscais não foram oferecidos à tributação. Assim, resta caracterizada a omissão de receita. Quanto ao argumento da recorrente de que não foi feito o confronto nota por nota para que fossem identificadas quais das notas não foram objeto de declaração, esclareço que as notas fiscais assim consideradas são as 948 relacionadas ao item 001 do auto de infração, relacionadas a partir da fl. 208 dos autos. Da alegação de imprecisão quanto à apuração da base de cálculo; A alegação de imprecisão quanto à apuração da base de cálculo pode ser analisada em conjunto com a alegação de impossibilidade de efetuar lançamento em relação à receita já declarada em DIPJ e DCTF. Fl. 2214DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/200917 Acórdão n.º 140200.915 S1C4T2 Fl. 0 13 Tanto ao descrever a infração, quanto ao elaborar o demonstrativo constantes nos anexos 1, 2 e 3, às fls. 87, 88 e 89, a autoridade fiscal deixa claro que adotou os seguintes procedimentos: a) em relação ao PIS e a Cofins, a autoridade fiscal adotou como base de calculo o produto da diferença entre receita apurada menos receita declarada, exigindo o PIS e a Cofins com multa de 150%. Em outras palavras, exigiuse PIS e Cofins somente sobre as notas fiscais não escrituradas; b) no que diz respeito ao IRPJ e à CSLL, a autoridade fiscal esclarece que arbitrou o lucro e para tal somou a receita omitida com a receita declarada e tributada exigindo imposto de ambas, da primeira com multa de 75% e da última com multa de 150%. Neste sentido, observase o seguinte quadro a título exemplificativo, mas que também se aplica aos demais períodos: Anocalendário 2003 – Apuração do IRPJ Lucro Presumido – DIPJ – ficha 14A FL 231 a 233 Período Valor declarado DIPJ Fl. Valor lançado multa 75% item 002 do AI* Fl. Valor lançado multa 150% item 001 AI** Fl. 1º Trimestre 700.488,42 231 700.488,42 2 7.568.434,00 2 2º Trimestre 1.051.651,85 232 1.051.651,85 2 6.176.277,00 2 3º Trimestre 1.160.865,65 233 1.160.865,65 2 8.474.486,00 2 4º Trimestre 947.325,45 234 947.325,45 2 5.330.379,00 2 * apurado conforme receitas de revendas mercadorias declaradas pelo contribuinte nas respectivas DIPJ/DCTF **apuradas a partir de notas fiscais obtidas junto aos clientes do contribuinte, o qual manteve as mesmas a margem da escrita. Conforme já dito, a análise do quadro acima e do confronto deste com a DIPJ do anocandedário de 2003 e com o auto de infração (fl. 02), constatase que os valores em cada um dos respectivos trimestres lançados com multa de 75%, que a fiscalização indicou ter apurado conforme receitas de revendas de mercadorias declaradas pelo contribuinte nas respectivas DIPJ/DCTF, é o valor que já fora declarado na DIPJ. Seguindo na análise do auto de infração, no que diz respeito aos lançamentos de valores já declarados na DIPJ e informados em DCTF, em relação ao ano de 2003, aqui citado como exemplo, verificase que a autoridade fiscal adotou o seguinte procedimento: Exemplo em relação ao ano de 2003 Trime mestre Receita declarada DIPJ e também lançada com multa 75% Lucro arbitrado – fl. 02 Imposto apurado 15% Adicional do imposto pela fiscalização Total devido () imposto a compensar – fl. 4 1º 700.488,42 67.246,85 10.087,02 6.724,68 16.811,70 8.405,86 2º 1.051.651,85 100.958,40 15.143,76 10.095,84 25.239,60 6.724,68 3º 1.160.865,65 111.443,04 16.716,45 11.144,30 27.860,75 15.033,33 4º 947.325,45 90.943,10 13.641,46 9.094,31 22.735,77 1.578,60 A última coluna do quadro acima que indica o imposto a compensar corresponde com o montante apurado pela autoridade fiscal. Observemos exemplo referente ao primeiro trimestre de 2003, sendo que a sistemática em relação aos cálculos aqui explicitados vale em relação aos demais períodos de apuração. Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/200917 Acórdão n.º 140200.915 S1C4T2 Fl. 0 14 Ex.: Receita declarada R$ 700.488,42 Lucro presumido declarado 8% R$ 56.039,07 IR devido 15% R$ 8.405,86 (este o valor que a fiscalização subtrai do imposto devido). No caso concreto, ao calcular o imposto devido e, antes de aplicar multa e juros, subtrair dele o imposto pago, não há o que se falar em exigência de imposto sobre receita declarada. Finalmente, observo, ainda, que no segundo, terceiro e quarto trimestres de 2003, foi amortizado somente o imposto apurado com alíquota de 15%, sem considerar adicional de 10% verificado, respectivamente, nos valores de R$ 2.413,22 (fl. 232); R$ 3.286,93 (fl. 233) e R$ 1.578,60 (fl. 234). Assim, para os períodos aqui apontados, por equívoco, a autoridade fiscal deixou de amortizar o valor integral do imposto pago. Quanto aos demais trimestres, pelo que examinei das fls. 250/251 e 267/268, confrontando com os documentos de fls. 08 e seguintes, em análise rápida, verifiquei que a compensação considerou, também, o adicional de 15%. Em relação ao PIS, conferindo a receita declarada, em relação ao ano calendário de 2003, que novamente uso como exemplo, da ficha 22A, da DIPJ, a partir da fl. 234, extraio os seguintes valores: Exemplo de demonstrativo em relação ao PIS usando como base ano de 2003 – fl. 234 seguintes MÊS Receita declarada Contribuição apurada (cumulativa) MÊS Receita declarada Contribuição apurada janeiro 223.319,07 1.451,57 julho 360.322,16 2.342,09 fevereiro 220.797,03 1.435,18 agosto 374.325,29 2.433,11 março 256.372,32 1.666,42 setembro 426.218,20 2.770,42 abril 341.160,28 2.217,54 outubro 371.416,45 2.414,21 maio 335.465,65 2.180,53 novembro 276.770,80 1.799,01 junho 375.025,92 2.437,67 dezembro 299.138,20 1.944,40 Confrontando a apuração de fl. 25, com a descrição da receita omitida contida no item 001 do auto de infração, verifico que sobre a base de cálculo já declarada e tributada não se exigiu o valor do PIS. Assim, correto o lançamento neste sentido. Quanto à Cofins, examinando a apuração contida à partir da fl. 39 dos autos e confrontando os aludidos valores com as receitas omitidas especificadas no item 001 do auto de infração (fl. 19), omissão esta correspondente às 948 notas fiscais não declaradas, verifico que em relação à receita declarada também não se exigiu Cofins. Da multa qualificada Não subsiste o argumento da recorrente de que no caso concreto, em relação à exigência do item 001 do auto de infração, não houve intenção de sonegar. Não é crível que a recorrente tenha registrado regularmente mais de 34.000 notas fiscais de menor valor e se equivocado em 3% das notas que representam 90% de sua receita. Neste sentido, o auto de infração foi preciso efetuar o lançamento com multa qualificada em relação ao item 001. Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/200917 Acórdão n.º 140200.915 S1C4T2 Fl. 0 15 Da alegação de decadência em relação ao PIS e a Cofins Nos termos do artigo 2º da Lei Complementar nº 70 de 1991, o PIS e a Cofins têm têm fatos geradores mensais. Para estes tributos o lançamento pode darse a partir do mês seguinte ao do fato gerador. Nestas circunstâncias, para os fatos geradores ocorridos entre 31 de janeiro e 30 de novembro de cada ano o lançamento pode se efetivar no curso do mesmo anocalendário, iniciandose o prazo decadencial, em caso de dolo, em 1° de janeiro do ano seguinte aquele em que o lançamento poderia ter ocorrido. Em assim sendo, para os fatos geradores do PIS de da Cofins que ocorreram entre 31 de janeiro e 30 de novembro de 2003 o lançamento podia ser realizado no curso do mês de dezembro de 2003. Desta forma, temse o início do prazo decadencial em 1o de janeiro de 2004, findando em 1o. de janeiro de 2009. Desta forma, tendo a notificação do lançamento, no caso concreto, se efetivado em 31 de janeiro de 2009, é de se reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2003. Da alegação de decadência em relação ao IRPJ e a CSLL Cabe ao legislador definir o aspecto temporal em relação ao qual apurarseá a base de cálculo e a ocorrência do fato gerador que poderá ser diário, mensal, trimestral, anual ou entre a data de um evento e outro, como se dá, por exemplo, no caso do imposto de renda em relação a ganho de capital decorrente de alienação de patrimônio por pessoa física. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrido o fato gerador, há que se definir o início do prazo decandencial que pode darse na forma do artigo 150, § 4º, do CTN, iniciandose na dada do fato gerador, ou na forma prevista no artigo 173, I, isto é, ocorrido o fato gerador o prazo decadencial somente se inicia no primeiro dia do exercício seguinte. A discussão que ainda necessita melhor estudo é o alcance da expressão exercício. Por ora, fiquemos com a noção de exercício como sendo anocalendário. Ao tratar do aspecto temporal do imposto de renda das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, o artigo 1º da Lei nº 9.430, de 1996, assim dispõe: Art. 1º. A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Da norma acima transcrita depreendese de que durante o anocalendário, para as pessoas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, temse a ocorrência de quatro períodos de apuração e de ocorrência dos respectivos fatos geradores do IRPJ e da CSLL. Para os fatos geradores que ocorrerem em 31 de março, 30 de junho e 30 de novembro, de cada ano, o lançamento pode se efetivar no curso do mesmo anocalendário, iniciandose o prazo decadencial, em caso de dolo, em 1° de janeiro do ano seguinte aquele em que o lançamento poderia ter ocorrido. Em assim sendo, para os fatos geradores da CSLL e do IRPJ que ocorreram em 31 de março, 30 de junho e 30 de novembro de 2003 o início do prazo decadencial deuse em 1o de janeiro de 2004, findando em 1o. de janeiro de 2009. Desta forma, tendo a notificação do lançamento, no caso concreto, se efetivado em 31 de janeiro de 2009, é Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000831/200917 Acórdão n.º 140200.915 S1C4T2 Fl. 0 16 de se reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorridos até 30 de setembro de 2003. Por oportuno, observo que em relação a determinadas exigências não houve qualificação da multa. Assim, para os tributos em relação aos quais não foi considerado a existência de dolo o prazo decadencial dáse a contar dos respectivos fatos geradores. ISSO POSTO, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade, acolher parcialmente a alegação de decadência para os fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2003 em relação ao PIS e a Cofins, e até 30 de setembro de 2003 em relação ao IRPJ e CSLL e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso somente para excluir do imposto a pagar o valor de R$ 1.578,60 do IRPJ do quarto trimestre de 2003. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 28/03/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10283.101099/2007-75
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
Numero da decisão: 1002-000.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vice-presidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: Relator
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MULTA POR ATRASO NA DCTF Recorrente TROPICAL SERVICOS EMPRESARIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. RESPONSABILIDADE OBJETIVA A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 10 10 99 /2 00 7- 75 Fl. 53DF CARF MF 2 Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vicepresidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 36 à 41) interposto contra o Acórdão n° 0113.615, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 29 à 31), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa ementada nos seguintes termos: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional Lançamento Procedente Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário. Neste, a Contribuinte requer a declaração de total improcedência e inexigibilidade do crédito tributário consignado no auto de infração. Utiliza como fundamento a inaplicabilidade da multa em face da denúncia espontânea, verbis: Face ao exposto, considerando a clareza, a objetividade e a precisão da lei ao definir o que é obrigação acessória, perfeitamente caracterizada na matéria em questão, considerando a clareza e a precisão da lei ao definir a extinção da responsabilidade pela espontaneidade da denúncia configurada cristalinamente na atitude da Recursante em apresentar a denúncia na forma como o fez, esperase por conseqüência que este Colendo Conselho tome conhecimento destas razões recursais, da supremacia do comando legal prevalente, e decida por declarar totalmente improcedente o Auto de Infração em questão determinando a sua extinção. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator .O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Quanto ao mérito, observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. De igual modo, não há qualquer contestação quanto ao cálculo do valor da multa exigida. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10283.101099/200775 Acórdão n.º 1002000.006 S1C0T2 Fl. 5 3 Os argumentos da Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se baseiam na denúncia espontânea, haja vista ter efetuado a entrega das declarações antes de qualquer procedimento fiscal. Não vejo como acolher os pleitos da Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF: De início, é de se registrar que o atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si só e, enquanto tal, desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. Ademais, tratase de procedimento sumário de revisão intema da declaração, permitido pela legislação. No caso, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Portanto, havêla entregue, tão só, não exime o contribuinte da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Qualquer entendimento em contrário implicaria tomar letra morta os dispositivos legais em apreço, o que viria, inclusive, a desestimular o cumprimento da obrigação acessória no prazo legal. Quanto à figura da denúncia espontânea, contemplada no art. 138 do CTN, frisese a sua inaplicabilidade ao fato, porque, juridicamente, só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, 0 que não é o caso do atraso na entrega da declaração, que se toma ostensivo com o decurso do prazo fixado para a sua entrega tempestiva. Sobre o assunto, foi o seguinte o posicionamento do STJ em decisão unânime de sua Primeira Turma provendo o RE da Fazenda Nacional n° 246.963/PR (acórdão publicado em 05/06/2000 no Diário da Justiça da União DJU e): Tributário. Denúncia espontânea. Entrega com atraso de declaração de contribuições e tributos federais DCTF. 1. A entidade “denúncia espontânea " não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Recurso especial provido. A extemporaneidade na entrega de declaração do tributo é considerada como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não Fl. 55DF CARF MF 4 pagamento do tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento.A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. No que cinge às ilegalidades levantadas pela Recorrente, tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. Destaco, ainda, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). De arremate, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Por fim, consigno que o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 56DF CARF MF
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