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Numero do processo: 13896.911271/2009-43
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.869
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente). Relatório Tratase de Pedido de Compensação em decorrência de suposto pagamento a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 11 27 1/ 20 09 -4 3 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 12 2 maior de COFINS, o qual não foi homologado sob fundamento de o crédito ser ilegítimo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ Campinas/SP, abaixo transcrito: A Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Como razão da não homologação, a decisão aponta a integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito em outros débitos confessados pela contribuinte. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação assim fundamentado: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 95.822,29 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Notificada do teor do despacho, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que em 2005, à época dos fatos geradores os mesmos foram informados em DCTF e DACON, entretanto a Impugnante procedeu a revisão dos valores de modo que concluiu que os valores recolhidos eram efetivamente maiores do que os devidos, assim procedeu a retificação da DCTF sem contudo retificar a DACON, o que ocasionou a inconsistência e a não homologação da compensação. Demonstrada a legitimidade do crédito utilizado requer a procedência da manifestação de inconformidade e a homologação da compensação. Junta aos autos a DCTF e DACON original e retificadora, DARF e Per/Dcomp. Analisando o litígio, a DRJ de Campinas/SP considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade da ora Recorrente e manteve a decisão pela não homologação da compensação efetivada, sob o argumento de que não houve comprovação com elementos hábeis para desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF. A ementa do acórdão foi assim transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 13 3 DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de oficio, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente, não concordando com a decisão exarada, apresentou Recurso Voluntário, no qual, repisando os argumentos anteriormente apresentados, alega que (i) tributou em duplicidade determinadas receitas; (ii) deixou de tomar créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado; (iii) desconsiderou no cálculo da referida contribuição a pagar retenções realizadas diretamente na fonte; e (iv) retificou a DCTF e a DACON e que, por tais razões, não pode lhe ser retirado o direito creditório, uma vez que pelos documentos contábeis anexados aos autos, é possível identificar o pagamento indevido e o crédito levado à compensação. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 14 4 VOTO Conheço do Recurso Voluntário, uma vez que apresenta os requisitos de admissibilidade e foi apresentado dentro do prazo de 30 dias fixado pela legislação. Como se depreende da leitura dos autos, a matéria devolvida a este Conselho referese, tãosomente, à desconsideração, pela fiscalização, de supostos créditos tributários decorrentes de pagamento a maior de COFINS, na competência de julho de 2005. Tais créditos são oriundos, segundo a ora Recorrente, de tributação em duplicidade de determinadas receitas, não utilização de créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado e desconsideração, no cálculo da referida contribuição a pagar, de retenções realizadas diretamente na fonte. Na decisão recorrida, a douta Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da Recorrente, sob a argumentação de que “no momento da transmissão da DCTF retificadora, a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida, conforme dispõe o art. § 10 do art. 70 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, combinado com o inciso III do § 2° do art. 11 da IN RFB n° 786, de 19 de novembro de 2007”. E, ainda, que “quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF, ou seja, na data da transmissão do PER/ DCOMP, a interessada não era detentora de crédito liquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito à compensação (art. 170 do CTN)”. A conclusão dos Julgadores foi no sentido de negar a existência do crédito pleiteado, sob o argumento de que o interessado não apresentou elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, não existindo razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ocorre que a própria Delegacia da Receita Federal poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir a autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 312DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 15 5 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse).(MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão. Atua, assim, como norte para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devese lembrar de que, nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita; não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está Fl. 313DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 16 6 em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda)PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3 ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara:Quinta Câmara Número do Processo:13877.000442/200269– Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo: 10768.100409/200368– Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, todos os documentos apresentados pela Recorrente. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de origem, é que se poderá ter certeza de que houve a retenção e se os valores retidos são os mesmos que deixaram de ser declarados pela Recorrente, de que foram tributadas receitas em duplicidade e de que não foram utilizados créditos da referida contribuição relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado. Desta forma, na diligência que será realizada, a DRF de origem deve, com base na documentação apresentada pela Recorrente referente ao período de apuração supra mencionado: Fl. 314DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911271/200943 Resolução nº 3801000.869 S3TE01 Fl. 17 7 (i) verificar se houve tributação em duplicidade nas receitas mencionadas pela Recorrente, recompondo, dessa forma, a base de cálculo da contribuição para o COFINS na competência de julho/2005; (ii) verificar a existência de créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado e se estes foram utilizados; (iii) verificar se os valores não declarados são, de fato, aqueles retidos na fonte; (iv) apurar se os valores dos créditos acima mencionados são os mesmos que o contribuinte deixou de declarar. Intimar a Recorrente a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de 30 (trinta) dias de sua ciência; Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 315DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000795/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO - PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA.
Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial.
TAXA SELIC - SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário não provido.
Numero da decisão: 2202-002.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO (Relator), FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTÔNIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente e Redator designado.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lopo Martinez (Presidente), Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Fábio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. TAXA SELIC SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 95 /2 00 8- 40 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 2 Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO (Relator), FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTÔNIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ – Presidente e Redator designado. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lopo Martinez (Presidente), Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Fábio Brun Goldschmidt. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 407 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Após verificar a incompatibilidade entre as informações apresentadas pelo recorrente em sua DIRPF no anocalendário 2002 e os dados de sua movimentação financeira no mesmo período, a Fazenda Nacional iniciou procedimento de verificação em relação ao IRPF do recorrente nesse anocalendário, com o objetivo de esclarecer a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos créditos e depósitos bancários, considerando que existiam evidências de omissão de rendimentos (fl. 0204 do eprocesso). O recorrente, em 27/07/07, tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização (fl. 10 do eprocesso), no qual foi intimado a apresentar os extratos de suas contas correntes, bem como a esclarecer a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos créditos e depósitos bancários. Em 06/07/07, manifestouse alegando que não poderia apresentar, de forma imediata, os documentos solicitados, pois, foram objeto de busca e apreensão pelo Juízo da 5ª Vara Criminal Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, no âmbito do processo nº 2005.51.01.5039300. Salientou que não poderia juntar aos autos os mandados de busca e apreensão, pois o processo judicial corria sob a égide do segredo de justiça, devendo ser requisitados por ofício (fls. 1112 do eprocesso). Na data de 14/08/07, a Fiscalização reintimou o recorrente para o atendimento da solicitação, destacando que a não apresentação dos documentos solicitados, no prazo determinado, caracterizaria Embaraço a Fiscalização nos termos do art. 33, I, da Lei nº 9.430/96 (fl. 13 do eprocesso). Em resposta, o contribuinte reafirmou a impossibilidade de atendimento da solicitação e salientou que enveredou todos os seus esforços para cumprir as intimações recebidas, requisitando acesso aos documentos no Juízo da 5ª Vara Criminal Federal, conforme os documentos juntados (fls. 1522 do eprocesso). Em 11/09/07, a Autoridade Administrativa lavrou Termo de Constatação e de Embaraço à Fiscalização pelo não fornecimento de informações sobre movimentação financeira quando intimado, nos termos art. 33, I, da Lei nº 9.430/96, frisando que os motivos alegados pelo contribuinte não o impossibilitariam de apresentar os extratos bancários objeto da intimação, bastando, para tanto, solicitálos junto aos bancos (fl. 30 do eprocesso). Em virtude do não atendimento da intimação, a Fazenda Nacional expediu Requisição de Movimentação Financeira RMF para as instituições financeiras Banco Itaú (fls. 3243 do eprocesso), Banco Sudameris (fls. 4498 do eprocesso), Banco BCN/Bradesco (fls. 99163), Unibanco (fls. 164193 do eprocesso), Banco Safra (fls. 194216), as quais foram devidamente atendidas. Após, a Fiscalização intimou o contribuinte para comprovar de forma individualizada com documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, a origem e dos recursos creditados, em 2002, nas contas bancárias: BCN C/C nº 1.913.687.6, C/C nº 765.193, Itaú C/C nº 165943, Itaú C/C nº 166305, Sudameris nº 009544200, Sudameris C/C nº Fl. 408DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 4 009549301, Sudameris C/C nº 009549302, Sudameris C/C n. ° 009549328, Unibanco C/C nº 1113499 e Safra C/C nº 0174380, cujos valores constavam do "Anexo ao Termo de Intimação" contendo 03 (três) folhas (fls. 217220 do eprocesso). O recorrente apresentou manifestação, em 07/01/08, afirmando que os valores correspondem à distribuição de lucros da pessoa jurídica Oliveira Neves Advogados Associados, CNPJ nº 68.314.624/000117. Reiterou, contudo, que a documentação comprobatória havia sido objeto de busca e apreensão pelo Juízo da 5ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, situação que impossibilitava a juntada (fls. 222223 do eprocesso). Em 28/01/08, a Fiscalização lavrou Termo de Verificação Fiscal, encerrando o procedimento de fiscalização, pois não comprovada a origem dos depósitos (fls. 224227 do eprocesso). 2 Notificação de lançamento Em 28/01/08, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls. 230231eprocesso), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados – depósitos bancários – em conta corrente, os quais, o recorrente, regularmente intimado, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações, mediante documentação hábil e idônea. O total do crédito tributário constituído foi em R$ 499.583,82, incluídos o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados até 28/01/08. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls. 252291 do eprocesso) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) a nulidade do auto de infração, em razão do Fisco não ter utilizado meios lícitos para a quebra do sigilo bancário; b) os valores autuados correspondem a distribuição dos lucros da pessoa jurídica Oliveira Neves Advogados Associados, sendo todos os valores escriturados no Livro Diário da empresa; c) o lançamento fiscal não pode ser embasado em depósitos bancários, pois eles não caracterizam disponibilidade econômica de renda, conforme Súmula 182 do TFR; d) a inconstitucionalidade do §2º, do art. 11 da Lei nº 9.311/96, devendo ser considerada nula as informações das movimentações financeiras do recorrente que se encontram em posse do Fisco; e) a aplicação de multa em patamares não razoáveis pode levar o contribuinte à subsistência, devendo a mesma ser reduzida para patamares justos e dentro da legalidade; f) a impossibilidade da legislação ordinária estabelecer taxa de juros superiores a 1% ao mês, contrariando o disposto no art. 161, §1º do CTN; g) a inconstitucionalidade da Taxa Selic; Fl. 409DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 408 5 h) natureza remuneratória de títulos, não podendo ser exigida no inadimplemento de tributos, sendo o correto a incidência de juros moratórios; i) a cobrança da multa de ofício, em valor exorbitante, possui caráter confiscatório, infringindo o art. 150, IV, da Constituição; j) a ilegalidade na expedição da RMF, pois o simples fato de efetuar depósitos em um banco não é, por si só, comprobatório do aferimento de rendimentos tributários, sendo necessário o nexo da evidência do recebimento dos rendimentos. Na oportunidade, juntou cópia da DIRPF 2003 (fls. 297300). 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada improcedente pela 10ª Turma da DRJ/SP, por unanimidade, mantido o crédito tributário pelas seguintes razões: a) sendo concedida, na fase impugnatória, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos é improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa, por utilização da RMF; b) a LC nº 105/01 garante a legitimidade da prestação de informações solicitadas pela RFB às instituições financeiras, não constituindo quebra de sigilo bancário; c) com a entrada em vigor da Lei nº 9.430/96, consideramse rendimentos omitidos, os depósitos/créditos efetuados em contas mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais, o contribuinte, regularmente intimado, não logre êxito em comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; d) o art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece a presunção de omissão de rendimentos no lançamento com base em depósitos ou créditos bancários, tratandose de presunção legal. Tal presunção autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento; e) a alegação de recebimento de valores a título de distribuição de lucros não é suficiente para justificar a origem dos depósitos bancários, sem a apresentação de escrituração contábil demonstrando a efetiva transferência do valor, por meio de provas inequívocas; f) não se encontra abrangida pela competência da autoridade administrativa a apreciação de inconstitucionalidade de lei; g) inexistência de ilegalidade da Taxa Selic; Fl. 410DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 6 O recorrente tomou ciência em 16/07/09. 5 Recurso Voluntário Em 27/05/11, o recorrente opôs recurso voluntário (fls. 339380) repisando os argumentos de sua impugnação. Juntou cópia do Contrato Social Oliveira Neves Advogados Associados S/C (fls. 381402 do eprocesso). 6 Sobrestamento Em 18/11/13, este processo foi sobrestado, tendo em vista que, para alcançar o seu desiderato, a fiscalização utilizou RMF, e a constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais – como a RMF – encontravase em análise pelo STF (fls. 243245 do eprocesso). 7 Despacho de Diligência Através do Despacho, em 14/08/14, os presentes autos foram convertidos em diligência, para que fossem encaminhados à Secretaria da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento da 2ª Turma Ordinária deste Conselho, para verificação: a) verificar se houve a intimação do contribuinte quanto à lavratura do Auto de Infração; b) em havendo a intimação, verificar se foi interposto Recurso Voluntário; c) em havendo interposição, digitalizar todos os documentos que não estavam nos autos. Em atendimento à diligência, a Fiscalização constatou a ciência do Auto de Infração por via postal, com aviso de recebimento nos autos (fl. 234 do eprocesso), e que os autos físicos não haviam sido integralmente anexados ao eprocesso durante o processo de digitalização, constando apenas o volume 01. O processo foi devolvido depois de tomadas às providências cabíveis (fls. 249 do eprocesso). É o relatório. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 409 7 Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo 1. PRELIMINAR 1.1 Do sobrestamento O presente processo teve seu julgamento sobrestado devido ao disposto no § 1º do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No presente caso houve utilização, pela Fiscalização, de meios administrativos para quebrar o sigilo bancário do contribuinte (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF), sem o crivo prévio do Poder Judiciário. A análise da regularidade dessa prerrogativa, em sede de repercussão geral, é objeto RE nº 601.314, que está sendo julgado no STF sob o regime do art. 543B, do CPC. Assim, existindo o sobrestamento do tema no STF, o mesmo ocorria no CARF, corolário do dispositivo regimental acima indicado. Ocorre que, os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, acima referidos, foram revogados pelo art. 1º da Portaria nº 545, de 18 de novembro 2013, que abaixo transcrevo: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Dessa forma, foi ordenada a retomada dos julgamentos dos processos que foram sobrestados com fulcro no dispositivo revogado. 1.2 Da Nulidade das Provas Obtidas Através da Quebra do Sigilo Bancário Sem Prévia Autorização do Poder Judiciário e da Interpretação Conforme a Constituição Fl. 412DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 8 O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 3243 do eprocesso), Banco Sudameris (fls. 4498 do e processo), Banco BCN/Bradesco (fls. 99163), Unibanco (fls. 164193 do eprocesso), Banco Safra (fls. 194216), instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento Fl. 413DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 410 9 tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, Fl. 414DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 10 dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 411 11 Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99, é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. No presente caso, somente foi possível a constituição de parte do crédito tributário (referente à conta corrente mantida junto ao Banco Alvorada), tendo como base o art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto à instituição financeira por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria considerado tais valores no momento de lavrar o auto de infração. Assim, entendo que deve ser admitida a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário, para que seja considerado nulo o Auto de Infração no que se refere ao crédito tributário apurado, por existência de vício. 2. MÉRITO Vencido na preliminar suscitada (ilicitude da prova obtida através da quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial), ingresso na análise dos demais créditos tributários, apurados regularmente, e argumentos suscitados pelo recorrente. 1 Da Omissão de Rendimentos O recorrente aduz que todos os depósitos bancários decorrem da distribuição dos lucros líquidos da pessoa jurídica Oliveira Neves Advogados Associados S/C, da qual era sócio (empresa posteriormente sucedida por Inter Rise Assessoria Empresarial LTDA). Ressaltou que a documentação comprobatória foi objeto de busca e apreensão pelo Juízo da 5ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, situação que impossibilitava a juntada (fls. 222223 do eprocesso). Para comprovar suas alegações trouxe aos autos a) Petição à 5ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro requerendo a disponibilização dos documentos para cópia, em 27/08/07 (fls. 2122 do eprocesso) b) DIRPF anocalendário 2002 (fl. 297299 do eprocesso); c) 65ª Alteração de Contrato Social Oliveira Neves Advogados Associados S/C: Transformação de Sociedade de Advogados em Sociedade Mercantil (fls. 381402); Fl. 416DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 12 Não merece prosperar a irresignação do recorrente. Com o advento do art. 42 da Lei n° 9.430/96, autorizouse o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Tratase de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pág. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, principalmente do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Com a novel legislação acima, a jurisprudência administrativa chancelou as autuações que imputavam aos contribuintes o imposto de renda sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, vejase o Acórdão n° CSRF/0400.164 (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, unânime, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). Ressaltese que, como a omissão em tela é apurada com base em depósitos, é necessário comprovar individualmente as origens desses recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação, rendimentos isentos ou não tributáveis. A aplicação da presunção contida no art. 42 da Lei n° 9.430/96, como se observa, não apresenta maiores dificuldades. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 412 13 O contribuinte alega que todos os valores seriam de titularidade da pessoa jurídica Oliveira Neves Advogados Associados, resumindose a apontar todos os valores como de titularidade da empresa, não especificando individualizadamente quais valores seriam de titularidade da pessoa jurídica. Quanto à forma de comprovação individualizada, é a própria Lei nº 9.430/96 que institui este dever, na redação do §3º de seu art. 42: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Nesse sentido é o entendimento desse Conselho: “(...) OMISSÃO DE RENDIMENTOS ORIGEM DE RENDIMENTOS DISCRIMINADA EM EXTRATOS BANCÁRIOS. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Não deve ser considerado como base de cálculo de IRPF o montante de rendimentos bancários cuja origem restar comprovada na descrição do histórico dos extratos bancários que embasaram a autuação, devendo a Fiscalização, para estes, lançar o tributo de acordo com as regras específicas para o rendimento omitido em questão. (...) ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇAO INDIVIDUALIZADA ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2202002.726. Rel. Conselheiro Rafael Pandolfo. Julg. 12/08/14). É necessário, portanto, que o contribuinte comprove individualizadamente a origem de todos os depósitos glosados pelo Fisco, identificandoos como decorrentes de renda Fl. 418DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 14 já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, e, o mesmo ocorre quanto aos valores imputados como de titularidade da pessoa jurídica Oliveira Neves Advogados Associados, o que não ocorreu nos autos. Conquanto possa ser considerada pelo contribuinte como desproporcional a medida, a verdade é que existe diploma normativo válido e vigente que impõe a este dever, não cabendo a este Conselho declarar a inconstitucionalidade e afastar sua aplicação. Dessa forma, entendo que as declarações prestadas pelo contribuinte não são suficientes para comprovar a origem dos depósitos feitos na conta corrente do recorrente, devendo ser mantido o crédito tributário em sua totalidade. 2.2 Aplicação da Taxa SELIC e Multa de Ofício O recorrente defende que o emprego da taxa SELIC a título de juros de mora é ilegal e inconstitucional, e que a aplicação da multa consiste em medida confiscatória. Quanto à ilegalidade, a questão já foi decidida por este Conselho, estando inclusive consolidada em Súmula no sentido da possibilidade da aplicação da Taxa SELIC como o índice dos juros de mora. Versa a súmula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC, a própria jurisprudência do STF vai ao sentido de considerar legítima sua aplicação: 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (RE 582461, Relator: Min. Gilmar Mendes, Julg 18/05/2011, Divulg 17/08/2011, Public 18/08/2011) 4. A isonomia é resguardada, visto que a Lei estadual prevê a aplicação da taxa SELIC, que traduz rigorosa igualdade de tratamento entre o contribuinte e o Fisco. (ADI 2214, Relator: Min. Maurício Corrêa, Julg 06/02/2002, Publ 19/04/2002) Ademais, a este Conselho não cabe a análise da constitucionalidade de lei tributária, conforme entendimento sumular, abaixo reproduzido: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 413 15 Sendo assim, o caráter confiscatório da multa e a inconstitucionalidade da aplicação da SELIC, por se tratarem de temas constitucionais, não podem ser analisados neste julgamento. Ante o exposto, VENCIDO NA PRELIMINAR, voto para que seja NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 420DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 16 Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; Fl. 421DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000795/200840 Acórdão n.º 2202002.909 S2C2T2 Fl. 414 17 IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO 18 Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova, acompanhado o Conselheiro Relator nas demais questões. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Redator designado. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10680.901223/2009-84
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-002.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 12 23 /2 00 9- 84 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10680.901223/200984 Acórdão n.º 1802002.548 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Por meio do Pedido Eletrônico de Restituição PER nº 27838.96483.310105.1.3.048125, a ora Recorrente pretende compensar débitos de estimativa de CSLL de sua responsabilidade referente ao período de dezembro/2004 com crédito de CSLL referente a estimativa de novembro/2004. O crédito pleiteado seria supostamente resultante de um DARF de R$ 598.764,01, que fora pago em 30/12/2004, direcionado ao pagamento de débito de estimativa de IRPJ. Em 18/02/2009, por intermédio do despacho decisório de efl. 29, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte, sob o seguinte fundamento: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedencia do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução, do Imposto de Renda.da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Isto posto, passo a adotar parte do relatório da DRJ: “Cientificado do Despacho Decisório em 04/03/2009, conforme documento de fl. 511, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/07, em 04/04/2009, tendo alegado, em síntese, o seguinte: primeiramente, o impugnante deu destaque à fundamentação legal; no que tange aos dispositivos do CTN, vêse que se limitam a garantir ao contribuinte o direito de haver a restituição do tributo que houver recolhido a maior, direito este que a requerente exerceu por meio da apresentação da DCOMP originária da decisão ora contestada; passandose ao exame da Lei nº 9.430, de 1996, art.74, vêse que o aspecto a que se refere o despacho e que embasou o indeferimento da compensação realizada pela requerente é o inciso IX do § 3°, que só veio a ser incluído na lei pela MP 449/08; Fl. 553DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10680.901223/200984 Acórdão n.º 1802002.548 S1TE02 Fl. 38 3 a compensação realizada pela requerente ocorreu à época em que não havia lei alguma impedindo a prática pelas pessoas jurídicas da compensação mensal entre débitos e créditos resultantes da aplicação do regime de estimativa; claramente impossível, portanto, a aplicação retroativa ao ano em questão de norma legal editada apenas em 2008, a teor dos arts. 105 e 106 do CTN; quanto ao art. 10 da IN/SRF 600/05, sustenta a requerente que: (i) de acordo com o art. 97 do CTN e a própria Constituição Federal, somente lei formal poderá criar obrigações tributárias, ou limitações ao exercício de direito pelos contribuintes. Instruções Normativas são meras normas complementares às leis, não podendo estabelecer imposições ou óbices de natureza tributária não previstos em lei; (ii) a mesma IN/SRF 600 data de 2005, enquanto que a compensação em discussão ocorreu em data anterior. Portanto, ainda que o art. 10 da IN/SRF 600/05 fosse imponível, o que não é, também neste caso aplicarseia a vedação à aplicação retroativa de norma tributária; embora o despacho decisório nada tenha oposto à forma regular com que se operou a compensação, não a tendo homologado exclusivamente com base na tese da impossibilidade de realizações mensais, quer a requerente basearse na jurisprudência do Conselho de Contribuintes que sempre admitiu esta periodicidade, desde que as diferenças se apurassem em balancetes regularmente levantados e lançados no Livro Diário; mais uma vez reiterando não ter havido qualquer reparo à forma como se deu a compensação, mas apenas à sua periodicidade, junta a requerente os balancetes mensais levantados no curso do ano em questão, comprovandose o seu devido lançamento no Livro Diário na conclusão, assim destacou a requerente: • a legislação indicada pelo despacho decisório ora atacado não é aplicável à hipótese sob exame, eis que posterior à compensação realizada pelo contribuinte, não lhe podendo, portanto, ser imposta, em face do princípio da irretroatividade das leis, em geral e, especialmente, das normas tributárias, excetuada a hipótese de retroatividade benigna; • não há, no despacho recorrido, reservas de qualquer ordem à correção da compensação, excetuado no que se refere à sua periodicidade, o que dispensa manifestações da requerente quanto à sua correção; • ainda assim, anexase à presente petição cópias autenticadas de todos os balancetes realizados no curso do ano em questão, originários de compensações mensais, comprovandose o seu devido lançamento no Livro Diário, tudo conforme orientação aceita e constante de jurisprudência do Conselho de Contribuintes; Fl. 554DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10680.901223/200984 Acórdão n.º 1802002.548 S1TE02 Fl. 39 4 • em consequência, espera e requer o contribuinte que seja a presente Manifestação de Inconformidade conhecida e provida, modificandose o Despacho Decisório para que seja homologada a compensação declarada. No despacho de encaminhamento para julgamento do processo, a DRF de origem reconheceu a tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada.” A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR ESTIMATIVA MENSAL De acordo com a norma vigente, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de Contribuição Social a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 14/12/2011, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 12/01/2012 o qual reitera os argumentos de direito e de fato apresentados na menifestaão de inconformidade, colacionando vários julgados. Este é o Relatório. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10680.901223/200984 Acórdão n.º 1802002.548 S1TE02 Fl. 40 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 27838.96483.310105.1.3.048125, com objetivo de ver reconhecida a compensação de crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de estimativa de CSLL, de novembro de 2005, com o mesmo tributo de dezembro do mesmo ano. Sobre a análise do PER/DCOMP pela autoridade administrativa originária da DRF de Belo Horizonte (MG), consta que: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 325.987,60. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. (...) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. O referido decisório está arrimado no artigo 10 da Instrução Normativa SRFn° 460, de 2004, abaixo transcrito: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10680.901223/200984 Acórdão n.º 1802002.548 S1TE02 Fl. 41 6 Pelos mesmos fundamentos expendidos no Despacho Decisório acima mencionado, é a decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 0232.780 2ª Turma da DRJ/BHE, de 14 de junho de 2011, ou seja, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da pessoa jurídica com escora também no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005. Desse modo concluiu que, somente o saldo negativo do CSLL apurado no encerramento do anocalendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do anocalendário. Sobre os mencionados atos normativos a Recorrente alega que nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, deve ser admitida a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Com efeito, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: “Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional Fl. 557DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10680.901223/200984 Acórdão n.º 1802002.548 S1TE02 Fl. 42 7 para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Como visto os fundamentos para o indeferimento do PER/DCOMP, tanto pela DRF quanto pela DRJ, por si só, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN). A motivação para o indeferimento do pleito tanto pela autoridade administrativa da DRF / Belo Horizonte quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9.430/96. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10680.901223/200984 Acórdão n.º 1802002.548 S1TE02 Fl. 43 8 Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PER/DCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem para nova análise do PER/DCOMP em comento e conseqüentemente proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação, se for o caso. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 559DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 13855.721018/2013-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/11/2008
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO ESPECÍFICA.
Para qualificação da multa de ofício, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de ao menos uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. E, no caso de a conduta imputada ser a do art. 73, é preciso que se esclareça a qual dos demais artigos/incisos/verbos está vinculado o objetivo buscado com o conluio.
RECAP. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Comprovado o descumprimento de requisitos do RECAP, deve ser efetuado o correspondente lançamento de ofício, com dispõe o art. 14 da Lei no 11.196/2005.
Numero da decisão: 3403-003.582
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a qualificação da multa de ofício, deixando-a no patamar de 75%. Sustentou pela recorrente o Dr. Rogério Pinto Lima Zanetta, OAB/SP no 253.977.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2008 a 30/11/2008 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO ESPECÍFICA. Para qualificação da multa de ofício, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de ao menos uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. E, no caso de a conduta imputada ser a do art. 73, é preciso que se esclareça a qual dos demais artigos/incisos/verbos está vinculado o objetivo buscado com o conluio. RECAP. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Comprovado o descumprimento de requisitos do RECAP, deve ser efetuado o correspondente lançamento de ofício, com dispõe o art. 14 da Lei no 11.196/2005.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/11/2008 MULTA. VALOR ADUANEIRO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO INSTRUTIVO DE DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. A aplicação da multa prevista no art. 70, II, “b” da Lei no 10.833/2003, por não ter a empresa entregue à fiscalização, quando solicitados, documentos instrutivos de declarações de importação, independe de ter a ausência de apresentação prejudicado o procedimento fiscal. Ademais, na ausência de tais documentos é precipitado concluir que eles não prejudicaram ou prejudicariam o procedimento fiscal. RECAP. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Comprovado o descumprimento de requisitos do RECAP, deve ser efetuado o correspondente lançamento de ofício, com dispõe o art. 14 da Lei no 11.196/2005. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2008 a 30/11/2008 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO ESPECÍFICA. Para qualificação da multa de ofício, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de ao menos uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. E, no caso de a conduta imputada ser a do art. 73, é preciso que se esclareça a qual dos demais artigos/incisos/verbos está vinculado o objetivo buscado com o conluio. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a qualificação da multa de ofício, deixandoa no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 10 18 /2 01 3- 62 Fl. 891DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 patamar de 75%. Sustentou pela recorrente o Dr. Rogério Pinto Lima Zanetta, OAB/SP no 253.977. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre autos de infração, lavrados em 08/04/2013 (fls. 3 a 7, 8 a 21, e 22 a 35, com ciência em 11/04/2013, cf. fls. 3, 9 e 23)1 para exigência de: (a) multa proporcional ao valor aduaneiro, por não apresentar, após intimação e reintimação, os documentos instrutivos de importações solicitados (no valor de R$ 795.163,50), com base no art. 70, II, “b” da Lei no 10.833/2003; (b) COFINSimportação, por falta de recolhimento em importações ao amparo de RECAP (Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras), de agosto a novembro de 2008 (em valor total de R$ 4.534.562,37, já com juros e multa qualificada de 150%), tendo em vista que importou efetivamente para outra empresa que não era beneficiária do regime; e (c) Contribuição para o PIS/PASEP importação, pelos mesmos motivos e nos mesmos períodos (em valor total de R$ 984.477,31, já com juros e multa qualificada de 150%). No Relatório Final de Fiscalização (RFF) de fls. 38 a 88, narrase que: (a) a fiscalização verificou que a empresa MINERVA S.A. importou, com suspensão da exigência da COFINSimportação e da Contribuição para o PIS/PASEPimportação ao amparo do RECAP bens de capital (máquinas e equipamentos) não para si própria (pois sabia que não pertenciam a seu processo produtivo), mas para revenda, que foi efetuada à empresa MINERVA DAWN FARMS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PROTEÍNAS S.A. (MDF), controlada do grupo MINERVA; (b) o RECAP foi instituído pela Lei no 11.196/2005 (arts. 12 a 16), regulamentado pelo Decreto no 5.649/2005, e disciplinado pela Instrução Normativa SRF no 605/2006, sendo condições para fruição do regime a habilitação prévia da empresa e a incorporação dos bens importados ao ativo imobilizado da empresa habilitada; (c) a fiscalização foi iniciada com intimação para que a empresa (MINERVA S.A.) apresentasse 24 Notas Fiscais de entrada, com a documentação referente às importações correspondentes, e 20 Notas Fiscais de saída (em 10/04/2012), e verificação do processo produtivo da empresa (na qual se presenciou abate de bovinos, sangria, retirada de couro, obtenção de carcaças, desossa das carcaças e embalagem a vácuo dos “cortes de açougue obtidos”); (d) na mesma data, foi efetuada diligência nas dependências da empresa MDF, sendo tiradas fotografias das máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo (que compreende processamento de proteína 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 892DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13855.721018/201362 Acórdão n.º 3403003.582 S3C4T3 Fl. 892 3 animal, para produto final cozido e congelado), a maioria delas retratando os bens de capital adquiridos pela MINERVA S.A. ao amparo do RECAP; (e) as empresas estão localizadas em áreas contíguas, próximas uma da outra, com fácil acesso entre elas; (f) em resposta à intimação, foram entregues parte dos documentos solicitados (relacionados às fls. 44 a 48), sendo a empresa reintimada em 28/05/2012 a apresentar os documentos restantes; (g) após esgotado o prazo para apresentação dos documentos demandados na reintimação, são entregues documentos adicionais, ainda restando alguns sem apresentação; (h) ao analisar detalhadamente as 18 declarações de importação (fls. 49 a 76), a fiscalização apura as irregularidades constantes da tabela a seguir, concluindo que vários bens forma revendidos antes da conversão em alíquota zero, descumprindo as condições do RECAP; (i) a multa qualificada se deve ao fato de a empresa saber antecipadamente que os produtos importados não se prestavam ao seu ativo, ou ao seu processo produtivo, mas ao da MDF (que também era habilitada ao RECAP, mas, por estar em início de atividades, não teria, como efetivamente não manteve, receita bruta de exportação em ao menos 70% da receita bruta total de venda), configurando conclui entre as empresas para prejudicar o fisco federal; e (j) tendo em vista a não apresentação dos documentos instrutivos das importações demandados, foi ainda aplicada a multa prevista no art. 70, II, “b” da Lei no 10.833/2003. Declaração de Importação (fls.) Verificações/Irregularidades DI no 08/10789161 (fls. 49/50) Situação 1: DI anterior à habilitação ao RECAP, desembaraçada em canal verde, com recolhimento integral. Mercadoria contabilizada na MINERVA, e vendida à MDF. Não foram apresentadas fatura comercial e romaneio (packing list). No campo “consignatário” do Conhecimento de Carga que “não deixa de ser um contrato de compra e venda de mercadorias” (sic) constava como parte a ser notificada (“NOTIFY”) a empresa MDF. DI no 08/11361840 (fls. 50/51) Idem à situação 1. DI no 08/13043152 (fls. 51/52) Situação 2: DI ao amparo do RECAP, com suspensão das contribuições, desembaraçada em canal verde. Mercadoria contabilizada na MINERVA, e vendida à MDF. Não foram apresentadas fatura comercial e romaneio (packing list). No campo “consignatário” do Conhecimento de Carga constava como parte a ser notificada (“NOTIFY”) a empresa MDF. DI no 08/13051627 (fls. 52/54) Situação 3: DI ao amparo do RECAP, com suspensão das contribuições, desembaraçada em canal verde. Mercadoria contabilizada na MINERVA, e vendida à MDF. Não foi apresentado romaneio (packing list). DI no 08/13771360 (fls. 54/55) Idem à situação 2. Há ainda um conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. DI no 08/13795154 (fls. 55/56) Idem à situação 3, com a diferença de que foi apresentado o romaneio, mas não a fatura, e havia conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. DI no 08/14084669 (fls. 57/58) Idem à situação 3, com a diferença de que não foi apresentado o romaneio nem a fatura, e havia conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. DI no 08/14365820 (fls. 58/59) Idem à situação 3, com a diferença de que foi apresentado o romaneio, mas não a fatura, e havia conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 DI no 08/14368934 (fls. 59/61) Situação 4: DI ao amparo do RECAP, com suspensão das contribuições, desembaraçada em canal amarelo. Mercadoria contabilizada na MINERVA, e vendida à MDF. Na fatura comercial que instruiu o despacho de importação consta como comprador e destinatário a MDF. Não foi apresentado o romaneio. Há ainda um conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. DI no 08/15062090 (fls. 61/63) Idem à situação 3, com a diferença de que não foi apresentado o romaneio nem a fatura, e havia conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF, e fatura proforma indicando a MDF como adquirente. DI no 08/15570001 (fls. 63/65) Idem à situação 4, com a diferença de que não foi apresentada fatura nem romaneio, e não se menciona nenhum indício em conhecimento de transporte. DI no 08/15865532 (fls. 65/67) Idem à situação 3. Há ainda um conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. DI no 08/16665022 (fls. 67/69) Idem à situação 3. Há ainda um conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. DI no 08/16692577 (fls. 69/70) Idem à situação 3, com a diferença de que não foram apresentados nem fatura, nem romaneio, nem conhecimento. DI no 08/16909070 (fls. 70/72) Idem à situação 3, com a diferença de que não foram apresentados nem fatura, nem romaneio, nem conhecimento. Há ainda uma ordem de serviço de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. DI no 08/17110148 (fls. 72/73) Idem à situação 3, com a diferença de que não foram apresentados nem fatura, nem romaneio, nem conhecimento. DI no 08/17121050 (fls. 73/74) Idem à situação 4, com a diferença de que não foram apresentados nem fatura, nem romaneio, nem conhecimento, e não se menciona nenhum indício em conhecimento de transporte. DI no 08/17934264 (fls. 74/76) Idem à situação 3. Há ainda um conhecimento de transporte rodoviário tendo como remetente e destinatário a empresa MDF. A empresa apresenta impugnação em 10/05/2013 (fls. 714 a 723), alegando, em síntese, que: (a) quando da venda à empresa MDF, todos os tributos suspensos na importação foram recolhidos; (b) é incontroverso que a MDF é empresa que pertence ao mesmo grupo empresarial, e não possuía condições de realizar as operações de importação, por não possuir habilitação no SISCOMEX à época; (c) não houve qualquer simulação para diminuição de tributos no âmbito do RECAP (como demonstra o fisco, antes mesmo do RECAP já haviam sido realizadas operações de importação para posterior venda à MDF, com recolhimento integral); (d) é incabível a qualificação da multa, pois a operação foi realizada de forma transparente, e restou ausente a comprovação de fraude; e (e) é improcedente a multa aplicada pela falta de guarda de documentos e não apresentação à fiscalização, pois a fiscalização, com os documentos apresentados, teve plena condição de auferir a verdade material do caso. Em 20/08/2014 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 852 a 861), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, nos seguintes termos: (a) a empresa não contesta o fato de que os bens foram revendidos antes da conversão em alíquota zero; (b) no período em que ocorreram as vendas a empresa não efetuou qualquer recolhimento a título das contribuições, não foram pagas as contribuições devidas, que não se confundem com as contribuições incidentes na venda, conforme DACON juntado ao processo; (c) a qualificação deve ser mantida, pois os bens eram exclusivos ao processo produtivo da MDF, os Fl. 894DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13855.721018/201362 Acórdão n.º 3403003.582 S3C4T3 Fl. 893 5 documentos de importação demonstravam a efetiva destinação, e a MDF não possuía habilitação/limites que lhe permitissem as importações, e a própria empresa reforça tais alegações, tipificandose as hipóteses de “fraude, sonegação e conluio”, previstas na Lei no 4.502/1964; e (d) a multa por não apresentação de documentos é devida independente de a ausência de tais documentos ter prejudicado ou não a ação fiscal. Cientificada da decisão da DRJ em 02/09/2014 (fl. 865), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 01/10/2014 (fls. 868 a 882), basicamente reiterando as considerações externadas em sua impugnação, mas passando a afirmar que nas vendas à MDF os tributos foram recolhidos “mediante compensação” (ao invés de simplesmente recolhidos, como alegava na impugnação), partindo de informação do julgamento de piso, retirando o item 13 da impugnação, que afirmava ter havido “recolhimento integral dos tributos incidentes”. Acrescenta ainda discussão sobre a conduta de conluio imputada, prevista no art. 73 da Lei no 4.502/1964. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. São basicamente três os tópicos controversos: (a) a multa aplicada com base no art. 70, II, “b” da Lei no 10.833/2003; (b) o (des)cumprimento do RECAP; e (c) a qualificação da multa de ofício aplicada. Da multa prevista no art. 70, II, “b” da Lei no 10.833/2003 A fiscalização aplica a multa prevista no art. 70, II, “b” da Lei no 10.833/2003, por não ter a empresa entregue à fiscalização, quando solicitados, documentos instrutivos de declarações de importação. A recorrente, por seu turno, reconhece a não apresentação, mas afirma não ter havido prejuízo à fiscalização, que foi realizada a contento mesmo sem os documentos. Vejase o que dispõe o comando legal referente à multa: “Art. 70. O descumprimento pelo importador, exportador ou adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem, da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, ou Fl. 895DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira quando exigidos, implicará: (...) II se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras: (...) b) a aplicação cumulativa das multas de: 1. 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas; e 2. 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. (...) § 6o A aplicação do disposto neste artigo não prejudica a aplicação das multas previstas no art. 107 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 desta Lei, nem a aplicação de outras penalidades cabíveis.” (grifo nosso) A simples leitura do dispositivo legal basta para que se compreenda a irrelevância de terem ou não os documentos guardados/apresentados prejudicado o procedimento fiscal. Ademais, na ausência de tais documentos é precipitado concluir que eles não prejudicaram ou prejudicariam o procedimento fiscal. A penalidade poderia, inclusive, ser aplicada se a fiscalização obtivesse outra via do documento junto a outro interveniente (por exemplo, o despachante aduaneiro). E poderia inclusive ser aplicada a mais de um interveniente, pela não apresentação de um mesmo documento (caso ambos tivessem a obrigação de guardar diferentes vias do referido documento). A infração e a pena previstas na legislação são claras, e perfeitamente adequadas à situação concreta narrada nos autos, pelo que deve ser mantido o lançamento neste tópico. Do descumprimento do RECAP O RECAP (Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras), foi instituído pelo art. 12 da Lei no 11.196/2005, sendo disciplinado nos arts. 13 (exigência de que o beneficiário seja empresa preponderantemente exportadora), 14 (suspensão da exigência das contribuições), 15 (exigência de regularidade fiscal) e 16 (indicação de que os bens beneficiados seriam relacionados em regulamento). O Decreto no 5.649/2005 regulamentou o regime, tratando ainda da disciplina procedimental a Instrução Normativa SRF no 605/2006. Analisando o art. 13 da Lei no 11.196/2005, percebese que a recorrente não só cumpria os requisitos de empresa preponderantemente exportadora, como era habilitada ao RECAP, ao passo que a empresa MDF não cumpria (por estar ainda em fase embrionária). Fl. 896DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13855.721018/201362 Acórdão n.º 3403003.582 S3C4T3 Fl. 894 7 No que se refere à suspensão, dispõe o art. 14 da Lei no 11.196/2005: “Art. 14. No caso de venda ou de importação de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, fica suspensa a exigência: (...) II da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação, quando os referidos bens forem importados diretamente por pessoa jurídica beneficiária do Recap para incorporação ao seu ativo imobilizado. (...) § 4o A pessoa jurídica que não incorporar o bem ao ativo imobilizado, revender o bem antes da conversão da alíquota a 0 (zero), na forma do § 8o deste artigo, ou não atender às demais condições de que trata o art. 13 desta Lei fica obrigada a recolher juros e multa de mora, na forma da lei, contados a partir da data da aquisição ou do registro da Declaração de Importação DI, referentes às contribuições não pagas em decorrência da suspensão de que trata este artigo, na condição: I de contribuinte, em relação à Contribuição para o PIS/Pasep Importação e à CofinsImportação; (...) § 5o Na hipótese de não ser efetuado o recolhimento na forma do § 4o deste artigo, caberá lançamento de ofício, com aplicação de juros e da multa de que trata o caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 6o Os juros e multa, de mora ou de ofício, de que trata este artigo serão exigidos: (...) II juntamente com as contribuições não pagas, nas hipóteses em que a pessoa jurídica não incorporar o bem ao ativo imobilizado, revender o bem antes da conversão da alíquota a 0 (zero), na forma do § 8o deste artigo, ou desatender as demais condições do art. 13 desta Lei. (...) § 8o A suspensão de que trata este artigo convertese em alíquota 0 (zero) após: I cumpridas as condições de que trata o caput do art. 13, observado o prazo a que se refere o inciso I do § 2o deste artigo; II cumpridas as condições de que trata o § 2o do art. 13 desta Lei, observado o prazo a que se refere o inciso II do § 2o deste artigo; Fl. 897DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 III transcorrido o prazo de 18 (dezoito) meses, contado da data da aquisição, no caso do beneficiário de que trata o inciso II do § 3o do art. 13 desta Lei. (...)” (grifo nosso) Relacionamos, ao início do voto, tópicos controversos. Mas há tópicos incontroversos que são igualmente relevantes para o deslinde do feito. Tanto a empresa como o fisco reconhecem que os bens objeto da autuação foram vendidos à empresa MDF, do mesmo grupo, que estava em fase de construção de seu parque industrial. Também não é objeto de contestação pela recorrente a afirmação do fisco de que os produtos importados não eram para o seu ativo imobilizado (por serem incompatíveis com seu processo produtivo). Pelo contrário, a prévia destinação é atestada por diversos documentos acostados aos autos, como conhecimentos de carga e conhecimentos rodoviários de transporte. Assim, a questão é basicamente pouco controversa no mundo dos fatos: a recorrente realizou 18 importações (16 delas ao amparo do RECAP) de produtos que na verdade se destinavam a terceira empresa, do mesmo grupo: a MDF. E a linha seguida pelo fisco foi de identificar as 16 importações (as outras duas, nas quais houve recolhimento integral, não são objeto da autuação neste tópico), carreando aos autos elementos que revelassem que os bens importados, na verdade, destinavamse à empresa MDF. E nem precisou o fisco deterse muito no tema, porque a própria diferenciação de processo produtivo denota que há flagrante descumprimento dos requisitos para a suspensão de que trata o inciso II do art. 14 da Lei no 11.196/2005: a recorrente, de fato, não importou diretamente mercadorias para incorporação a seu ativo imobilizado. Isso se verifica não só pelos documentos descritos no relatório (na tabela individualizada de declarações de importação), como pela ausência de refutação da defesa em relação ao assunto. Aliás, a empresa destaca em sua defesa (fl. 719): Vejase que não se está a tratar nestes autos de uma empresa beneficiária de RECAP que adquiriu produtos com suspensão para seu ativo imobilizado e, depois de algum tempo, por alguma razão decidiu revendêlos a terceiro. No presente processo claramente se demonstra que no momento das importações já se sabia que os produtos se destinavam a terceiro, e que sequer são compatíveis com o processo industrial da beneficiária do RECAP. E, ainda, que, de fato, a revenda ocorreu antes da conversão em alíquota zero a que se refere o § 8o do art. 14 da Lei no 11.196/2005. E é essa a imputação objetivamente efetuada pelo fisco (irregularidade 6.1 descrita no RFF fls. 76/77). E a recorrente confirma a revenda antes do prazo, mas afirma inicialmente que recolheu todos os tributos devidos. Após a DRJ confirmar que não havia recolhimentos no período, mas verificar descontos de crédito em relação às contribuições, a recorrente passa a alegar que efetuou recolhimentos na modalidade de compensação. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13855.721018/201362 Acórdão n.º 3403003.582 S3C4T3 Fl. 895 9 Retornese ao texto da lei (§ 4o do art. 14 da Lei no 11.196/2005): a empresa, no caso de descumprimento dos requisitos do RECAP, fica obrigada a recolher, na qualidade de contribuinte, a Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação, com acréscimos de juros e multa de mora, na forma da lei, contados a partir do registro da Declaração de Importação DI. E, caso não recolha, está sujeita a lançamento de ofício, como o efetuado no presente processo. Não vejo nos autos nenhuma prova de que efetivamente tenham sido recolhidos a Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação, tributos diversos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre vendas (como se percebe facilmente pelo próprio desmembramento em incisos do art. 14 da Lei no 11.196/2005). As alegações de desconto de créditos, digase, sequer efetuadas na impugnação, foram suscitadas somente pela DRJ, de forma inconclusiva, no julgamento de piso. E, no recurso voluntário, a empresa apegouse a tal informação da DRJ para afirmar que houve “compensação”, sem carrear aos autos qualquer documentação que efetivamente ampare sua tese. Não há como acolher, assim, a alegação de que tenha havido recolhimento ou mesmo “compensação”, diante da ausência de prova do alegado. Cabível, pelo exposto, a manutenção do lançamento também neste tópico. Da qualificação da multa de ofício aplicada A fiscalização trata da qualificação da multa no item 6.2 do RFF (fls. 78 a 82), sustentando ter havido “conluio”, retomando o fato de que a recorrente e a empresa MDF possuem processos produtivos distintos, e os bens importados pela recorrente somente se prestavam ao processo produtivo da empresa MDF. Teria, assim, havido importações pela recorrente de produtos que já se sabia que seriam destinados à MDF, que se situa em área geograficamente contígua. A fiscalização endossa suas conclusões com os conhecimentos de carga e de transporte rodoviário, e ainda com a afirmação de que a recorrente sequer tinha espaço para armazenar os produtos importados em suas instalações. E como é incontroverso que a MDF não possuía habilitação no SISCOMEX e não conseguiria cumprir os requisitos de RECAP, à época, cristalina se encontra a questão da existência de uma simulação para que a MDF, ainda que não pudesse importar nem obter os benefícios do RECAP, lograsse ter em seu parque produtos importados com os benefícios do RECAP. Não há aparas, assim, a fazer à afirmação do fisco (fl. 81) de que: Fl. 899DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 Verificada, assim, a existência de conluio, na acepção em que é utilizada no Direito Penal. No entanto, como a multa aplicada toma por base os arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964, cabe verificar se a conduta se amolda à definição ali estabelecida de conluio (art. 73), atrelada ao ajuste doloso visando à sonegação ou à fraude, tal qual definidas nos art.s 71 e 72 da mesma lei: “Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” (grifo nosso) Acordamos ter havido ajuste doloso entre a recorrente e a empresa MDF, mas há que se verificar se visou o ajuste a algum efeito descrito nos arts. 71 e 72 da Lei no 4.502/1964: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” (grifo nosso) E, neste ponto, deficiente é o trabalho da fiscalização. Sequer se indica em qual verbo ou qual dispositivo (inciso/artigo) incidiu a recorrente. A remissão é genérica a todos, sem detalhamento de qual o impedimento/retardo, restando ausente a subsunção que possibilita a verificação da adequação da norma infracional ao caso concreto. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13855.721018/201362 Acórdão n.º 3403003.582 S3C4T3 Fl. 896 11 A DRJ parece ter aderido à imputação genérica e múltipla a todos os artigos/incisos, afirmando (fl. 859) que: “Diante desse contexto, entendemos que razão assiste ao fisco ao qualificar a multa, uma vez que toda a operação foi conduzida intencionalmente por ambas as empresas de forma a evitar o pagamento de tributos incidentes nas operações, o que tipifica as hipóteses de fraude, sonegação e conluio, tal como previstas pela Lei nº 4.502/64, in verbis:” (grifo nosso) Acrescentese ainda que tanto a argumentação da fiscalização (no RFF) quanto a da DRJ ancoram o dolo no fato de a recorrente saber antecipadamente que os bens importados se destinavam à MDF. Disso não se discorda, mas a conduta imputada sobre a qual se está a exigir a multa é a do item 6.1 do RFF: “revenda antes da conversão em alíquota zero”, e não a própria descaracterização do RECAP, pelo fato de o bem ser diretamente destinado à MDF. Em síntese, parece o fisco desejar qualificar a multa por revenda antes da conversão em alíquota zero com outra conduta igualmente presente no § 4o do art. 14 da Lei no 11.196/2005 (a inexistência de incorporação a seu ativo imobilizado). Para qualificação da multa de ofício, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de ao menos uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. E, no caso de a conduta imputada ser a do art. 73, é preciso que se esclareça a qual dos demais artigos/incisos está vinculado o objetivo buscado com o conluio. Assim já decidiu unanimemente esta Terceira Turma: MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. Para qualificação da multa de ofício em relação ao IPI, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964.” (Acórdão no 3403001.822, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25.out.2012) MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. A qualificação da multa de ofício a que se refere o art. 44 da Lei no 9.430/1996 requer a precisa configuração de uma das situações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. (Acórdão no 3403003.112, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 23.jul.2014) Restaram comprovados o conluio e o dolo (na acepção do Direito Penal), mas faltou ao fisco laborar no sentido de apontar qual a ação (ou omissão) específica tendente a impedir (ou retardar) o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte, ou ainda a ocorrência do fato gerador (ou excluir ou modificar suas características essenciais). Em outras palavras, faltou à fiscalização dar maior atenção ao tipo infracional imputado, narrando como as irregularidades detectadas a eles se amoldam. Assim, afastase a qualificação não por inexistência de dolo ou por ser a operação transparente, como deseja a recorrente, mas pelo simples fato de não ter o fisco vinculado especificamente as irregularidades detectadas a qualquer dos tipos previstos nos arts. 71 e 72 da Lei no 4.502/1964, limitandose a afirmar que houve conluio. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para afastar a qualificação da multa de ofício, deixandoa no patamar de 75%. Rosaldo Trevisan Fl. 902DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 12898.001984/2009-14
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
IRPJ E CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. BASE NEGATIVA DE CSLL. IMPOSSIBILIDADE.
O valor recolhido a título de estimativa constitui antecipação do imposto devido no final do ano. Assim, nos casos em que o contribuinte não apura imposto devido ou nas situações em que os valores recolhidos a título de estimativas superam o valor do imposto devido, resultando saldo negativo em favor do sujeito passivo, como revela a situação dos autos, não há o que se falar em multa isolada sobre estimativas não recolhidas.
Numero da decisão: 1803-002.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Sérgio Rodrigues Mendes.
(Assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Arthur José André Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK RODRIGUES , FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 IRPJ E CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. BASE NEGATIVA DE CSLL. IMPOSSIBILIDADE. O valor recolhido a título de estimativa constitui antecipação do imposto devido no final do ano. Assim, nos casos em que o contribuinte não apura imposto devido ou nas situações em que os valores recolhidos a título de estimativas superam o valor do imposto devido, resultando saldo negativo em favor do sujeito passivo, como revela a situação dos autos, não há o que se falar em multa isolada sobre estimativas não recolhidas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 IRPJ E CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. BASE NEGATIVA DE CSLL. IMPOSSIBILIDADE. O valor recolhido a título de estimativa constitui antecipação do imposto devido no final do ano. Assim, nos casos em que o contribuinte não apura imposto devido ou nas situações em que os valores recolhidos a título de estimativas superam o valor do imposto devido, resultando saldo negativo em favor do sujeito passivo, como revela a situação dos autos, não há o que se falar em multa isolada sobre estimativas não recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Sérgio Rodrigues Mendes. (Assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado digitalmente) Arthur José André Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 19 84 /2 00 9- 14 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK RODRIGUES , FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa TNL PCS SA em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Rio de Janeiro I (RJ) que considerou a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte improcedente em parte. 2. Segundo o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 85/86) o auto de infração referese a cobrança de multa de ofício isolada pela falta de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ e CSLL no anocalendário 2005 (fev/05). 3. A empresa que estava submetida à sistemática de tributação pelo lucro real anual e com base em balanço ou balancete de suspensão, a fiscalização apurou débitos relativos aos Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativos a estimativas. 4. Consta que o contribuinte foi intimado a esclarecer os seguintes fatos apurados durante a revisão interna de suas declarações (DIPJ e DCTF) referentes ao ano calendário 2005: 1) os valores nela informados referentes ao Imposto de Renda a Pagar, bem como os relativos Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, apurados segundo regime de tributação por estimativa, constam como não pagos/recolhidos; 2) os valores referentes ao Imposto de Renda a Pagar, assim como os relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL nela informados, apurados na forma de lucro real anual, não constam como recolhidos integralmente; 3) relativamente à Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, também não foram o referido imposto e contribuição nela declarados integralmente – DIVEGÊNCIA ENTRE DIPJ E DCTF 5. Após a análise da documentação entregue foram ratificados os valores apurados como não declarados em DCTF e não recolhidos durante a referida revisão interna no que concerne ao pagamento mensal por estimativa. 6. Após ter sido cientificada do lançamento em 26/11/2009, a empresa apresentou impugnação tempestiva às fls. 138/154. 7. No entanto, a DRJ do Rio de Janeiro julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela contribuinte, para reduzir as multas isoladas tendo em vista que o Fl. 362DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12898.001984/200914 Acórdão n.º 1803002.509 S1TE03 Fl. 3 3 voto vencedor considerou que devem ser aproveitados os valores recolhidos espontaneamente pela interessada. No entanto manteve o restante do lançamento. A decisão a quo restou ementada nos seguintes termos: IRPJ. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. Cabível o lançamento da multa de ofício, exigida isoladamente, no caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real anual, sujeita ao recolhimento mensal do imposto de renda por estimativa, quando tal obrigação tenha sido inadimplida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. Cabível o lançamento da multa de ofício, exigida isoladamente, no caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real anual, sujeita ao recolhimento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido por estimativa, quando tal obrigação tenha sido inadimplida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 APROVEITAMENTO DOS PAGAMENTOS EFETUADOS ANTERIORMENTE AO PROCEDIMENTO FISCAL. Verificada a existência de pagamentos efetuados anteriormente ao início da ação fiscal, cumpre aproveitálos no lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (fls. 277/287) 8. Cientificado da decisão em 24/08/2012, conforme AR de fl. 465, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente (fls.298/313), o qual em síntese tem como argumentos o que segue: a) sustenta que a apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício de 2005, não há que se falar em insuficiência de valores recolhidos a título de IRPJ e CSLL calculado por mera estimativa, no que se refere ao período de fevereiro daquele ano, tampouco existe qualquer obrigação de multa por infração formal; b) argui que pelo regime de estimativa, apurouse imposto ou contribuição a pagar apenas nos meses de janeiro, fevereiro e agosto, sendo que em todos os demais meses constatouse a base negativa. Assim, podese concluir pela Fl. 363DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 inexistência de recolhimento a ser efetuado ao final do período, tanto no que diz respeito ao IRPJ quanto à CSLL; c) para a contribuinte, não há que se falar em infração tendo em vista que houve recolhimento dos tributos por estimativa e verificouse ao final a absoluta ausência de fato gerador, sendo, inclusive, de se compensar os valores recolhidos indevidamente em março de 2005 (relativo ao mês de fevereiro de 2005); d) quanto a aplicação da multa, sustenta que o Fisco não pode imputar pagamento referente a valores já recolhidos pelo contribuinte e relativos a débitos inexistentes, pois se ao final do exercício de 2005 apurouse prejuízo fiscal, nada de estimativa era devido naquele ano e, assim, o recolhimento exclusivamente da multa objeto do lançamento deve ser apropriado a 100% para o devido fim; 9. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento do Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Arthur José André Neto DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo, bem como preenche todos os requisitos de admissibilidade. Sendo assim, conheço do recurso e passo à análise do mérito. DA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA Tratase de Auto de Infração para exação de Multa Isolada pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL relativos ao mês de fevereiro de 2005. Pretendese, portanto, examinar o cabimento da cobrança da aludida Multa Isolada quando findo o exercício a que se refere. Neste sentido, três teses contrárias à exação têm sido exaustivamente discutidas nesse E. CARF: (i) que a Multa Isolada não poderia ser cobrada de forma concomitante à Multa de Ofício pelo não recolhimento de IR/CSLL, apurado ao final do exercício; (ii) que a Multa Isolada não poderia ser cobrada quando do encerramento do exercício se verificasse recolhimento de estimativas superior ao próprio imposto devido no ano (saldo negativo de IRPJ e/ou base negativa da CSLL); Fl. 364DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12898.001984/200914 Acórdão n.º 1803002.509 S1TE03 Fl. 4 5 (iii) que a Multa Isolada não poderia ser cobrada em hipótese alguma após o encerramento do exercício a que se refere a estimativa não recolhida. A aceitação à primeira tese no CARF tem sido tão relevante que, recentemente, o preceito foi transformado em Súmula Vinculante. As demais ainda estão sob discussão nesse Conselho, sendo possível verificarse decisões contra ou a favor de uma ou de outra. No presente feito, não há cobrança concomitante de Multa Isolada e Multa de Ofício, tendo o auto sido lavrado tãosomente para cobrança da primeira. Desta forma, a primeira tese, objeto de súmula não poderia ser aplicada. Entretanto, verificase que o contribuinte apresentou saldo negativo de IRPJ e base negativa da CSLL, sendo possível enfrentar a exação sob a ótica das duas outras teses – ambas foram suscitadas no Recurso Voluntário a que se enfrenta. Neste sentido, entendo que a existência de saldo negativo de IRPJ e base negativa de CSLL tem o condão de fulminar a pretensão punitiva do Fisco – o que seria a “tese (ii)” acima. Ora, não consigo ver como plausível a cobrança de uma multa sobre meros “adiantamentos” de um tributo que, findo o exercício, não restou devido O valor recolhido a título de estimativa constitui antecipação do imposto devido no final do ano. Assim, nos casos em que o contribuinte não apura imposto devido ou nas situações em que os valores recolhidos a título de estimativas superam o valor do imposto devido, resultando saldo negativo em favor do sujeito passivo, como revela a situação dos autos, não há o que se falar em multa isolada sobre estimativas não recolhidas. A jurisprudência da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais é vasta nesse sentido: CSLL – MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa de ofício seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10680.005834/200312, Relator Marcos Vínícius Neder de Lima, Acórdão 105139794) No mesmo sentido: CSLL – MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se Fl. 365DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a empresa recolhe, ao longo do ano, valor superior ao apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Recurso especial provido. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10665.001042/9948, Ac. 108133750, Rel.: Marcos Vinícius Neder de Lima) Essa Turma já enfrentou a questão sob o prisma das teses (ii) e (iii), tendo decidido da seguinte forma: MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. DESCABIMENTO. Entendendose o recolhimento de estimativas mensais, no caso das empresas tributadas com base no lucro real como simples antecipação do montante devido ao final do exercício, a ausência do seu recolhimento somente importa em atuação sancionável quando verificada ainda dentro do exercício correspondente. Encerrado este, deve então ser apurada a existência de lucro e/ou prejuízo, nascendo aí a obrigação nova que substitui, por completo, aquela anteriormente existente. Sendo assim, após encerramento do exercício descabe falarem lançamento pelo não recolhimento do principal ou mesmo da aponta da multa de ofício, sobretudo ante a verificação de que, naquele exercício, a contribuinte sequer apurou lucro. (Processo nº 10410.004941/200991, Relator Victor Humberto da Silva Maizman). Há ainda a linha de raciocínio que a Multa Isolada somente poderia ser cobrada no exercício a que se refere a estimativa não recolhida. Trago aos autos também um trecho do Voto da C. Conselheira Meigan Sack Rodrigues, no processo nº 11030.720425/201240, que, com propriedade, enfrenta a questão: Contudo, no mérito da demanda, qual seja a autuação por multa isolada, mesmo não sendo a empresa recorrente considerada como cooperativa, não pode prevalecer a imputação. Isso porque a autuação da multa isolada, pela falta de recolhimento das estimativas, se deu após o encerramento do ano calendário em apreço e por se tratar de uma multa coercitiva pela falta da prática de um ato, ela somente pode prevalecer no ano calendário que deveria ter sido praticada. Assim a discussão cingese em saber se a multa pode ser cobrada mesmo após o encerramento do ano calendário. Atentemos para o fato de que o mérito da demanda cingese tão somente à multa isolada, pela falta de recolhimento dos valores a título de estimativa nos anos em comento. E, nesse caminho, a aplicação da multa isolada é descabida, posto que a presente multa tem o condão de disciplinar o contribuinte a recolher as estimativas, durante o ano em que as mesmas devam ser cobras; uma vez ultrapassado, ou seja, uma vez encerrado o ano calendário, entendo que a multa isolada já não pode mais ser cobrada, perdendo por completo a sua aplicação. Ademais, a multa isolada diz respeito aos anos calendários de 2008 e 2009, mas foi lançada em 2012. Ainda, restou esclarecido que tributo algum é devido pela empresa recorrente nos anos calendários em questão, haja vista que apenas a multa isolada foi Fl. 366DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 12898.001984/200914 Acórdão n.º 1803002.509 S1TE03 Fl. 5 7 devidamente computada e nenhum tributo foi lançado, razão pela qual restou incontroversa a questão. Nesse caminho, incontroversa também restou a questão de que a empresa, somente foi fiscalizada nos anos calendários subsequentes aos apurados pelos presentes autos de infração e segundo o meu entendimento a sanção em apreço serve para dar efetividade aos recolhimentos das estimativas durante o ano calendário calculadas sobre o faturamento escriturado. Assim, após o ano calendário, se a fiscalização averiguar omissão de receita, somente poderá exigir a multa proporcional de 75% ou de 150%, e não mais a multa isolada, vez que essa sanção tem a serventia de dar efetividade aos recolhimentos das estimativas no transcurso do ano calendário, calculadas sobre o faturamento escriturado. No presente feito, a fiscalização lançou a multa isolada após o encerramento dos respectivos anos calendários. Certo que no curso do ano calendário a multa é calculada por estimativa com base na receita bruta, que é a sua base de cálculo; porém, encerrado o período base, levantado o balanço e apurado o lucro líquido do período, feita a provisão do imposto, surge o conceito de tributo referido no artigo 44 da Lei 9.430/96. Nesse caminho, temse que é esse o conceito de tributo disciplinado no artigo em referência e que deve prevalecer como limite para a base de cálculo da multa isolada e que não poderá exceder esse valor, mas se aplicada no tramite do ano calendário em que está sendo apreciada e não mais depois do período finalizado. Desse modo, encerrado o ano calendário sem que o fisco tenha lançado a multa isolada e se o balanço do exercício demonstrar prejuízo ou resultado nulo, descabe lançamento da multa isolada com base em estimativa. Também se pode entender pelas razões contrárias, ainda que não seja o exemplo presente deste processo, posto que havendo tributo a ser pago, a multa isolada estará limitada ao valor da provisão do tributo, vez que o lançamento terá de ser feito com base e limite no tributo apurado em balanço e não mais por estimativa. Isso porque não podemos olvidar que a estimativa existe para substituir o imposto durante o ano calendário, quando ainda não se pode conhecer o seu valor. Assim, por entender que a empresa já havia encerrado todos os anos calendários em comento, sem que o fisco tivesse lançado a multa isolada no curso de qualquer ano em discussão é que entendo ser descabida a multa e que portanto o presente auto não pode prosperar. Diante do exposto voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Diante disso, afasto a aplicação da multa isolada no presente caso. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos supramencionados. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 8 É como voto. (assinatura digital) Arthur José André Neto Fl. 368DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10384.901087/2011-91
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). PER/DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 10 87 /2 01 1- 91 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratase de apreciar Manifestação de Inconformidade (fls. 2/20) interposta contra o Despacho Decisório (fl. 30) que não homologou a compensação declarada por meio de PER/DCOMP. O pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, referente ao terceiro trimestre de 2004, com o débito de IRPJ respeitante ao período de apuração 0107/ 2005, no valor de R$ 1.594,23. O Despacho Decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: arts.165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O requerente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que o pagamento de CSLL realizado não foi integralmente utilizado para a quitação do correspondente débito, aduz que “a DIPJ foi retificada e demonstra a existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF”. Ao finalizar a peça de defesa, o contribuinte requer a improcedência do Despacho Decisório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Fortaleza/CE) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901087/201191 Acórdão n.º 1802002.521 S1TE02 Fl. 3 3 proferida no Acórdão nº 0826.090 , de 07 de agosto de 2013, cientificado ao interessado em 19/08/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao manifestante o ônus da prova de liquidez e certeza do crédito pleiteado, principalmente quando há inconsistência entre as informações fornecidas por ele à Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/09/2013. A Recorrente alega, no essencial, que: existe o pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL, código 2372, conforme comprova a sua escrituração contábil acostada nos autos; a DIPJ foi retificada e demonstra à existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF, tudo comprovado com sua escri turação contábil , esses fatos asseguram o direito da requerente; deve ser apresentada DCTF retificadora com o objetivo de liberar o valor pago indevidamente, conforme comprova cópia da DIPJ e escri turação contábil acostada nos autos; uma vez demonstrado que existe o pagamento indevido ou a maior que o devido da CSLL, deve ser reconhecido o crédito e homologado a compensação efetuada pela requerente; os procedimentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância não estão em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Para justificar transcreve os artigos 74 a 76 da Lei nº 9.430/96 bem como os artigos 41 a 46 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de Novembro de 2012; a caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, conforme o artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 4 os esclarecimentos e os documentos apresentados devem ser levados em consideração, uma vez que prova a existência do pagamento indevido ou a maior que o devido a ser reconhecido e compensado com os débitos apresentados no PER/DCOMP; enquanto o fisco não comprovar que os indícios por ele apresentados implicam necessariamente a ocorrência do fato gerador, estaremos diante de mera presunção simples, não de prova. Não terá, pois, o fisco cumprido seu ônus e a conseqüência é o dever do julgador considerar não comprovada a ocorrência do fato gerador e do nascimento da obrigação tributária. Poderseia, pois, afirmar ser inconstitucional toda e qualquer presunção absoluta; o fisco não cumpriu com o ônus de produzir a prova material, e a conseqüência é a não comprovação da ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária; a autoridade administrativa não homologou as compensações efetuadas sob o argumento de que não foi comprovado o pagamento indevido, o que não é verdade, porque de fato existe o pagamento indevido, “logo as PER/DCOMPs devem ser homologadas”. Finalmente requer provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 26094.56184.051007.1.3.040555, transmitido em 05/10/2007, em que a contribuinte pretende compensar débito de sua responsabilidade, com a utilização de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL no valor de R$ 1.594,23, código – 2372, relativo ao Período de Apuração: 30/09/2004; Data de Arrecadação: 27/12/2004, no valor de R$ 1.653,90. Consta do despacho decisório, emitido em 06/06/2011 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos, foi localizado o pagamento no valor de R$ 1.653,90, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico), utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc) na data em que apresentado o PER/DCOMP. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901087/201191 Acórdão n.º 1802002.521 S1TE02 Fl. 4 5 No caso, por se tratar de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado no PER/DCOMP com a informação do débito constante na DCTF na data em que transmitido o PER/DCOMP. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para a compensação indicada. A Recorrente, no essencial, alega que o crédito está comprovado por meio dos valores informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do AnoCalendário de 2004, apresentada em 22/11/2010. E que deve ser apresentada DCTF ret ificadora com o objetivo de liberar o valor pago indevidamente, conforme comprova cópia da DIPJ e escrituração contábil acostada nos autos; Como se vê, o contribuinte informa o crédito a compensar no PER/DCOMP nº . 26094.56184.051007.1.3.040555, sem retificar a DCTF do 3º trimestre de 2004 e procedeu a retificação da DIPJ/2005 somente em 22/11/2010. Portanto, na data da transmissão (05/10/2007) do PER/DCOMP não há falar em crédito a ser compensado com débitos do contribuinte. No entendimento da decisão recorrida não basta a retificação da DCTF e da DIPJ/2005 para comprovar o direito creditório, pois, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil/fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Recorrente alega que a DIPJ foi retificada e demonstra à existência do pagamento indevido, faltando apenas ser retificada a DCTF, tudo comprovado com sua escrituração contábil acostada nos autos e que, esses fatos asseguram o direi to da requerente. Pois bem, aqui não se discute a existência do pagamento da CSLL no valor de R$ 1.653,90, relativo ao 3º trimestre de 2004 mediante o DARF em 27/12/2004, mas se nesse pagamento restou indevido o valor de R$ 1.594,23 como alegado crédito indicado no PER/DCOMP. Para comprovar o crédito relativo ao ano calendário de 2004, a Recorrente juntou aos autos as seguintes cópias: a) Termo de Abertura do Livro Diário nº 021 datado de 01/01/2006 e Termo de Encerramento datado de 31/12/2006, com termo de autenticação na Junta Comercial datado de 16/07/2009; b) Fl.nº 136 do mencionado Livro Diário em que registrado no dia 30/12/2006, “ Vr.ref.CSLL paga a maior no exercício de 2004 ....R$ 11.110,62”; e, c) Fl.nº 129 do Livro Razão com registro em 31/12/2006 do mesmo valor: R$ 11.110,62, apesar de no saldo da conta CSLL a compensar em 01/01/2006 constar como saldo anterior apenas o valor de R$ 9.528,69. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 6 A frágil documentação contábil de 2006 juntada pela Recorrente não demonstra qual o erro na apuração da CSLL e da base de cálculo declarada pela Recorrente na DIPJ/20005 (original), portanto, a Recorrente não traz aos autos qualquer documento produzido em 2004 que demonstre a real base de cálculo da CSLL durante o ano calendário de 2004 em face de suas atividades operacionais, se 32% ou 12% sobre a receita auferida no 3° Trimestre de 2004 ou erro na aplicação da alíquota de 9% sobre o lucro presumido. Enfim, a Recorrente não traz aos autos provas para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), contábil (escrituração) e DIPJ/2005, qual o montante da receita bruta obtida/declarada e CSLL devida e paga, em relação ao ano calendário de 2004. A simples escrituração em 2006 de supostos valores pagos a maior em 2004 não comprova o crédito alegado pela Recorrente. De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que comprove suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; ... A Recorrente, busca transferir ao Fisco sua obrigação de comprovar o direito creditório alegado. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2005 e DCTF. E, demonstrar cabalmente suas atividades operacionais mediante notas fiscais para os fins de apuração do lucro presumido. A Recorrente diz que os procedimentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância não estão em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Para justificar transcreve os artigos 74 a 76 da Lei nº 9.430/96 bem como os artigos 41 a 46 da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de Novembro de 2012; Aduz que a caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, conforme o artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 Não há que se confundir, o ato administrativo do lançamento de ofício quando produzido pelo Fisco, com aquele produzido pelo contribuinte (PER/DCOMP) no qual declara o direito creditório para compensações efetuadas pelo interessado. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10384.901087/201191 Acórdão n.º 1802002.521 S1TE02 Fl. 5 7 Com efeito, o lançamento tributário é ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, a declaração é produzida pelo próprio contribuinte (PERDCOMP), que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação; é dizer, submetese ao poder dever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o artigo 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como registrado acima e, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado pelo interessado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 8 A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 05/10/2007, tomou ciência do despacho decisório expedido em 06/06/2011, e apresentou a manifestação de inconformidade. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 10865.001102/2003-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA SOBRE MATÉRIA VENCIDA NO MÉRITO DA DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL.
Tendo sido julgado improcedente o lançamento quanto ao mérito, com a rejeição da preliminar de decadência, pela decisão de primeiro grau, carece a interessada de interesse recursal perante a segunda instância administrativa no que concerne à questão da decadência.
AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. DÉBITOS DECLARADOS COMO SUSPENSOS POR AÇÃO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ. AUTO DE INFRAÇÃO.
Improcede o lançamento formalizado sob o fundamento de que o processo judicial, no âmbito do qual haveria medida judicial suspensiva da exigibilidade dos créditos, refere-se a outro CNPJ, quando essa circunstância não se verificou concretamente.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3402-002.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator, sendo que votaram pelas conclusões os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e João Carlos Cassuli Junior. Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso de ofício, sendo que votaram pelas conclusões Alexandre kern, Gilson Macedo Rosenburg Filho e João Carlos Cassuli Junior. Apresentou declaração de voto o Conselheiro Alexandre Kern.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama D'Eça.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA SOBRE MATÉRIA VENCIDA NO MÉRITO DA DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Tendo sido julgado improcedente o lançamento quanto ao mérito, com a rejeição da preliminar de decadência, pela decisão de primeiro grau, carece a interessada de interesse recursal perante a segunda instância administrativa no que concerne à questão da decadência. AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. DÉBITOS DECLARADOS COMO SUSPENSOS POR AÇÃO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ. AUTO DE INFRAÇÃO. Improcede o lançamento formalizado sob o fundamento de que o processo judicial, no âmbito do qual haveria medida judicial suspensiva da exigibilidade dos créditos, referese a outro CNPJ, quando essa circunstância não se verificou concretamente. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator, sendo que votaram pelas conclusões os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e João Carlos Cassuli Junior. Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso de ofício, sendo que votaram pelas conclusões AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 11 02 /2 00 3- 87 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 2 Alexandre kern, Gilson Macedo Rosenburg Filho e João Carlos Cassuli Junior. Apresentou declaração de voto o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama D'Eça. Relatório Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento/Ribeirão Preto que julgou procedente a impugnação, exonerando integralmente o crédito tributário de IPI objeto do auto de infração. Por retratar os fatos que sucederam no processo até a apresentação da impugnação, adotase aqui o relatório da decisão recorrida, que abaixo se transcreve: Tratase de impugnação de lançamento (efls. 2 a 12) apresentada em 26 de agosto de 2003 contra auto de infração de IPI (efls. 16 a 25), lavrado em 07 de agosto de 2003, relativamente aos períodos de abril a dezembro de 1998. O processo foi trazido a julgamento após a aprovação da Resolução n° 2.792, cujos relatório e voto são a seguir reproduzidos: RELATÓRIO Tratase de impugnação de lançamento (efls. 4 a 13) apresentada em 23 de agosto de 2003 contra auto de infração de revisão de DCTF de IPI (efls. 16 a 21) relativo a períodos dos segundo ao quarto trimestres de 1998. Segundo o auto de infração, cientificado em 08 de agosto de 2003, o processo judicial (9700069710) indicado pelo contribuinte como razão da suspensão da exigibilidade dos créditos não teria a empresa como autora (“Proc jud de outro CNPJ”). Na efl. 3, foi informado o seguinte: “Trata o processo acima de auto de infração do IPI, contestado pelo contribuinte, por intermédio de impugnação que acompanha esta representação, bem como cópia do auto de infração. “Assim, represento V.Sa. no sentido de formalizar novo procedimento administrativo com a finalidade de apartar os débitos que estejam contemplados pela alegação de decadência.” Fl. 354DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10865.001102/200387 Acórdão n.º 3402002.622 S3C4T2 Fl. 354 3 Na efl. 24, foi informado que o presente processo resultou de “apartação de débitos do auto de infração eletrônico do IPI, contestado no procedimento n° 10865.001102/200387, por intermédio de impugnação cuja cópia se vê de fls. 02 a 11.” O mencionado processo foi encaminhado em abril de 2012 à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional de Piracicaba/SP. Em sua impugnação, a Interessada alegou inicialmente que os valores relativos a débitos cujos fatos geradores ocorreram até 07 de agosto de 1998 estariam decaídos e, “quanto ao período restante, há medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, de modo que, quando muito, poderseia admitir a lavratura do Auto sem a imposição de acréscimos punitivos e/ou moratórios.” A seguir, alegou que o auto de infração seria nulo, pois teria sido lavrado de forma arbitrária, sem a realização de diligência. Tratarseia “de procedimento prematuro e ilegal, que deixou de obedecer ao disposto no art. 142 do CTN (não buscando a verdade material, tampouco apurando corretamente os fatos envolvidos), o que autoriza a decretação, de plano, da nulidade da peça fiscal.” A seguir, passou a tratar da decadência, alegando aplicarse ao caso o disposto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Alegou, ainda, que todo o período abrangido pelo auto de infração estaria amparado por medida suspensiva, razão pela qual deveriam ser excluídos “os acréscimos punitivos e moratórios”. Acrescentou o seguinte: “Com efeito, em que pese a "ocorrência" que supostamente justifica a lavratura do Auto "PROC. JUD. DE OUTRO CNPJ" a simples leitura das petições iniciais de todos os Mandados de Segurança citados no Anexo I (cópias anexas) demonstra que os writs foram impetrados em nome de vários estabelecimentos da impugnante que operam no Estado de São Paulo, inclusive aquele autuado. “Sendo assim, uma vez suspensa a exigibilidade do tributo, conforme comprovam os documentos anexos observandose que o próprio Auto não elide (como se possível fosse) a plena vigência das medidas suspensivas a lavratura de Auto de Infração com imposição de penalidades e acréscimos moratórios configura frontal desobediência à ordem judicial e ao CTN (art. 151, IV). “Realmente, ainda que se admita a possibilidade de lavratura de Auto de Infração nesta hipótese, para prevenir os efeitos da decadência, jamais poderia se imputar à impugnante multa de 75% e juros de mora.” Citou decisões judiciais e do antigo 2º Conselho de Contribuintes sobre a incidência dos acréscimos. Por fim, alegou ser ilegítima a taxa Selic. É o relatório. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 4 VOTO A impugnação de lançamento é tempestiva e merece apreciação. Há duas questões preliminares que impedem o julgamento do processo. Conforme esclarecido no relatório, o auto de infração referiuse aos períodos do segundo ao quarto trimestres de 1998. Entendeu a Delegacia de origem que a Interessada teria impugnado apenas os períodos anteriores a 07 de agosto de 1998, em razão da decadência. Entretanto, segundo a impugnação apresentada, a Interessada apresentou ao menos três outras alegações que se referem, indistintamente, aos períodos anteriores e posteriores à data citada: nulidade da autuação, existência da ação judicial e impossibilidade de incidência de multa de ofício ou de mora e de juros de mora. Portanto, segundo o que consta dos autos, houve impugnação de todo o lançamento e não apenas dos períodos alegadamente decaídos. Ademais, a Interessada mencionou em sua impugnação haver apresentado documentos que comprovariam suas alegações quanto à ação judicial. Entretanto, somente cópia da impugnação foi juntada aos presentes autos, não podendo ser apreciada sem os documentos mencionados, sob pena de cerceamento do direito de defesa. À vista do exposto, voto por converter o julgamento da impugnação em diligência, para que 1) a Secat/DRF Limeira informe se há outra informação que comprove que a Interessada desistiu da impugnação em relação aos períodos a partir de 07 de agosto de 1998; 2) caso contrário, tome as providências para reunir novamente os processos para que se possa julgar todo o auto de infração; 3) no caso de ter havido, efetivamente, apenas impugnação parcial, sejam juntados aos presentes autos os documentos apresentados pela Interessada na impugnação. Inicialmente, segundo informação de efls. 126 e 127, haviamse apartado alguns débitos à vista da apresentação da ação judicial. Nas efls. 181 e 182, decidiuse, em revisão de ofício, excluir a multa de ofício do lançamento, à vista da suspensão da exigibilidade vigente à época do lançamento: Em 05/10/2010, foi homologada a renúncia parcial ao direito sobre o qual se funda a ação, relativamente à safra 1999 (fls. 118 e 119). Não há, nos presentes autos, nenhuma hipótese de suspensão da exigibilidade, nos termos do artigo 151 do CTN. Entretanto, como o auto de infração foi lavrado no período em [que] vigia a medida liminar, deve ser excluída a multa de Fl. 356DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10865.001102/200387 Acórdão n.º 3402002.622 S3C4T2 Fl. 355 5 ofício, nos termos do artigo 63 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, e do artigo 149, inciso VIII, do CTN. Portanto, considerando tudo mais que destes autos consta; determino o prosseguimento da cobrança do saldo remanescente. Frisese que o presente despacho decisório vale também como cartacobrança. TERMINATIVO NA ESFERA ADMINISTRATIVA, O PRESENTE DESPACHO NÃO COMPORTA A INSURGÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO, QUER PERANTE A DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RIBEIRÃO PRETOSP, QUER PERANTE O SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES EM BRASÍLIADF. Em caso de insatisfação relativa ao presente despacho decisório, caberá o somente a busca de tutela jurisdicional, através da ação judicial adequada. À vista da resolução mencionada, a DRF emitiu o despacho decisório de fls. 287 a 290, submetendo a proposta de cancelamento da inscrição da dívida ativa à PSFN: Por meio do despacho de fl. 209,foi prestado relatório sobre menciona da ação mandamental, propondose a continuidade da cobrança. Assim, foi enviada a carta cobrança de fl. 210. Foi enviada nova carta cobrança (fls. 218 e 219), recebida no endereço da pessoa jurídica em 08/02/2012 (fl. 219verso). Em 17/02/2012, o advogado da empresa tomou vistas dos autos (fl. 220frente e verso). Com o silêncio da contribuinte, o presente processo foi enviado para inscrição em Dívida Ativa da União perante a PSFN/Piracicaba (fls. 225 e 226). A dívida foi inscrita em 18/04/2012 (fl. 228). A execução fiscal foi ajuizada em 19/07/2012 (fl. 257). [...]De fato, a impugnação tem alegações que não se confundem com o mérito, posto que há questionamentos relativos à decadência, à multa de ofício, aos juros moratórios e de nulidade do auto de infração. Não há qualquer documento expresso que comprove a desistência parcial da impugnação. Entretanto, a contribuinte nada questionou relativamente aos procedimentos adotados por esta SECAT, no que se refere ao desmembramento do processo. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 6 [...]Em função dos fatos e das razões acima expostas e da Resolução n. 2.792 – 8ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, proferida às fls. 49 a 51 do Processo Administrativo Fiscal n. 10865.000485/201186, resolvo restituir o presente processo à Douta PSFN/Piracicaba, para que, caso haja concordância com a determinação contida na resolução acima mencionada, de reunir novamente todos dos débitos em um mesmo processo, proceda ao cancelamento da inscrição em Dívida Ativa da União representada por estes autos. Na efl. 291, a PSFN decidiu o seguinte: Vistos, Recebo a conclusão. Acolho o proposta de cancelamento da R. inscrição da DAU 80 3 12 000443 23 pelos seus próprios fundamentos fls. 26 8 a27 1 portanto: determino o cancelamento da inscrição da Dívida Ativa, remetase ao Setor Administrativo responsável para tanto. Após, diante da falta de informações quanto à respectiva execução fiscal, o expediente deve ser remetido ao d. PFN responsável pelo feito judicial para providências, especialmente pedido de extinção, se o caso. Remeto o d. PFN à declaração de inexistência de discussão judicial e/ou desistência de defesa, retro, para uso na execução fiscal, especialmente no que diz respeito a pleito de honorários advocatícios, se o caso. É o relatório. Mediante o Acórdão nº 1452.456, de 29 de julho de 2014, a 8ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro II, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 IPI. DECADÊNCIA. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. AUSÊNCIA. Ausentes os pagamentos antecipados, o prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. ABRANGÊNCIA. Não estão abrangidas pela renúncia às instâncias administrativas as alegações, apresentadas somente na impugnação de lançamento, relativas à validade do auto de infração. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10865.001102/200387 Acórdão n.º 3402002.622 S3C4T2 Fl. 356 7 MULTA DE OFÍCIO. REVISÃO DE LANÇAMENTO. LITÍGIO. LIMITES. Os valores da multa de ofício lançados que tenham sido cancelados pela Delegacia de origem em revisão de lançamento não integram o litígio a partir da revisão, pois passam a ser incontroversamente indevidos. AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DE DCTF. AÇÃO FISCAL DE OUTRO CNPJ. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Ainda que equivocada, a constatação de que o contribuinte não se incluía na ação fiscal vinculada à suspensão de exigibilidade do crédito tributário, é motivação idônea para validar o lançamento sob o ponto de vista formal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. DÉBITOS DECLARADOS COMO SUSPENSOS POR AÇÃO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ. AUTO DE INFRAÇÃO. Improcede o lançamento formalizado sob o fundamento de que o processo judicial, no âmbito do qual haveria medida judicial suspensiva da exigibilidade dos créditos, referese a outro CNPJ, quando, faticamente, essa circunstância não se verificou. A contribuinte foi regularmente cientificada, por via postal, da decisão de primeira instância em 19/09/2014. Em 20/10/2014, foi apresentado recurso voluntário, em nome da Cooperativa de Produtores de Canadeaçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Copersucar, mediante o qual se alega, em síntese, que: O v. acórdão recorrido, embora tenha julgado improcedente o Auto em razão de deficiência na sua motivação (entendeu que não haveria medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário quando, pelo contrário, havia decisão judicial vigente, à época, a favor da Recorrente), rejeitou o argumento da decadência parcial, por entender que, não tendo havido o pagamento antecipado do imposto, aplicarseia a contagem do prazo na forma do art. 173, I do CTN, em detrimento do art. 150, §4°. Considerando que o v. acórdão foi submetido a recurso de ofício e, ainda, o trecho final da r. decisão que afirma ser possível a cobrança dos valores com base na DCTF, tem a Recorrente legítimo interesse em recorrer relativamente à decadência, para fins de reconhecimento definitivo de que nenhum valor pode ser cobrado relativamente ao período de abril a agosto (07/08) de 1998. Em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como ocorre com o IPI, o prazo para o Fisco lançar é de 5 anos contados a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, §4° do CTN, independentemente de ter havido o pagamento da exação. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 8 A expressão "se o caso" indica que, na atividade prevista no art. 150, §4° do CTN, não necessariamente haverá o recolhimento do tributo, tal como se deu no caso presente, em que o pagamento não ocorreu por força da existência de medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, conforme reconhecido pela própria decisão recorrida. Tal constatação implica a impossibilidade do deslocamento do prazo do art. 150, §4° (contagem a partir do fato gerador) para o art. 173, I do mesmo Código (primeiro dia do exercício seguinte). Cumpre observar que, nada obstante tenha havido, no passado, divergência jurisprudencial acerca do tema, a E. CSRF, no acórdão CSRF/0103.888, já decidiu a matéria em questão no sentido de que, independentemente do pagamento prévio, o prazo decadencial aplicável é do art. 150, §4° do CTN. De qualquer modo, não seria aplicável ao caso o entendimento de que a ausência de pagamento deslocaria o prazo para o art. 173, I, do CTN. Esse entendimento, quando muito (e admitindose apenas para argumentar sua aplicação), teria cabimento nos casos de efetiva falta omissão do contribuinte. Apenas quando o contribuinte é totalmente omisso (sequer declara o débito), justificarseia a concessão de um prazo mais longo à Administração. No caso, a Recorrente declarou normalmente o tributo, conforme indicado no próprio Auto de Infração (e mesmo no v. acórdão recorrido fl. 305, parágrafo final), além de o Fisco ter sido cientificado das medidas judiciais ajuizadas, por ocasião da intimação para a autoridade indicada como impetrada prestar as informações no Mandado de Segurança. Logo, o Fisco poderia perfeitamente ter se insurgido a partir do vencimento da obrigação, não se justificando a concessão do prazo mais amplo previsto no art. 173, I do CTN, aplicável aos tributos lançados de ofício ou, quando muito, também aos sujeitos ao autolançamento, mas apenas nos casos de efetiva omissão do contribuinte quanto ao cumprimento da obrigação tributária. Nesse sentido o acórdão CSRF 9101001.353 (PA nº 13819.005008/200260, Cons. Suzy Gomes Hoffmann, j. 15/05/2012) destaca que: Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve pagamento antecipado nem declaração prévia do débito, o respectivo prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo. Necessária observância dessa decisão, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. (destaque da recorrente) Do voto proferido, destacase o seguinte trecho, bem aplicável ao caso em exame: Este detalhe do acórdão do STJ leva à conclusão de que ao pagamento antecipado do tributo equiparouse, cuidandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a declaração prévia do débito prestada pelo contribuinte. A inexistência de ambos leva à aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN. Isto é, mesmo não tendo ocorrido o pagamento antecipado do tributo, se houve declaração prévia do débito, incide o artigo 150, §4°, ao CTN. (destaque da recorrente) Finalmente, quanto ao fato de ter havido declaração prévia, em nada afasta o dever de o Fisco lavrar o Auto de Infração (como, de fato, lavrou). O próprio Auto aponta que a justificativa da lavratura constava da IN SRF nº 77/1998, no sentido de que competia à autoridade fiscal lavrar Auto de Infração quando verificada divergência de dados na DCTF. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10865.001102/200387 Acórdão n.º 3402002.622 S3C4T2 Fl. 357 9 Conclui a recorrente que, por qualquer ângulo que se examine a questão, a conclusão é de ter havido a decadência parcial do direito à constituição do crédito tributário. Pelo que requer o provimento do recurso para o fim de reconhecer a decadência parcial apontada. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Analisemos primeiramente os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário. O recurso voluntário foi interposto, tempestivamente, por pessoa jurídica diversa da autuada, Cooperativa de Produtores de Canadeaçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Copersucar, embora o signatário da petição seja legítimo representante da própria ARREPAR PARTICIPAÇÕES S.A. Não consta nos autos qualquer informação ou comprovação no sentido de que a recorrente seria substituto processual da autuada. A irregularidade processual acima poderia, eventualmente, ser saneada com a confirmação de que houve erro na identificação da recorrente como pessoa jurídica distinta da autuada, ou, se fosse o caso, com a comprovação de que a recorrente seria o substituto processual da autuada. No entanto, entendo desnecessária tal providência, vez que, de todo o modo, o recurso voluntário não pode mesmo ser conhecido por ausência de interesse recursal. Como é consabido, o interesse recursal constituise em pressuposto do recurso, que deve ser analisado à luz da presença de dois requisitos: a necessidade (utilidade) e a adequação. Conforme bem esclareceu Daniel Amorim Assumpção1, para a verificação da utilidade, devese observar, no caso concreto, se o recurso reúne condições de gerar uma melhora na situação fática do recorrente; e da adequação, se há, na prática, a aptidão de reverter a sucumbência suportada pela recorrente. O fato de o acórdão recorrido ter rejeitado o argumento da decadência parcial, afirmando ser possível a cobrança dos valores com base na DCTF, bem como ter sido submetido a recurso de ofício, não socorre a contribuinte no que concerne ao interesse recursal. O recurso de ofício em nada afeta a ausência de sucumbência da contribuinte neste momento processual, embora pudesse, se fosse provido, ensejar o surgimento do seu interesse recursal na fase processual seguinte. Ademais, a eventual melhoria de situação da contribuinte, no que concerne à declaração de decadência parcial dos débitos, não poderia ter aproveitamento nos créditos tributários já declarados pelo contribuinte na DCTF, que é matéria externa à presente lide, que trata do crédito tributário constituído em auto de infração. 1 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Método, 3ª edição, p. 620. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 10 Não é demais lembrar que a DCTF é um documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência do crédito tributário, constituindo, portanto, confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84. De forma que, obviamente, não há que se falar em decadência de parte dos créditos já constituídos em DCTF à época da autuação. Desta forma, o recurso voluntário, caso acolhido, não seria útil, nem tampouco adequado à pretensão da contribuinte. Esse mesmo entendimento foi aplicado pela 1ª Seção de Julgamento (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) deste Carf, no Acórdão nº 130200.917, cuja ementa abaixo se transcreve, em situação semelhante ao presente caso, em que outra recorrente se insurgiu contra o não reconhecimento da decadência do lançamento, sendo que a decisão de primeira instância tinha rejeitado tal preliminar, mas, no mérito, tinha reconhecido a improcedência do lançamento: ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA SOBRE MATÉRIA VENCIDA NO MÉRITO DA DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL. Tendo sido julgado improcedente, pela decisão de primeiro grau, o lançamento das reduções de prejuízos fiscais do 1º e 2º trimestre, vinculadas à realização mínima do saldo do lucro inflacionário acumulado de cuja decadência insiste a recorrente em reclamar, não subsiste matéria litigiosa a ser apreciada, carecendo a interessada de interesse processual nesta matéria perante esta instância recursal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS COMPENSÁVEIS NÃO INDICADOS. Não há somo prosperar pedido de compensação se a recorrente sequer indica os créditos que julga compensáveis no âmbito do processo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ESTRANHOS AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CABIMENTO. A compensação de tributos federais deve ser feita mediante a apresentação de declaração própria perante a unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a interessada, nos termos do § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Assim, tendo em vista a ausência de interesse recursal da contribuinte, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário. Passemos à análise do recurso de ofício. O acórdão de primeira instância, ao concluir pelo cancelamento integral do lançamento, exonerou crédito tributário valor superior ao previsto na Portaria MF nº 3/2008, sendo, por isso, correta a interposição de recurso de ofício, na forma do art. 34, I do Decreto nº 70.235/72. Por esta razão, conheço do recurso de ofício. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10865.001102/200387 Acórdão n.º 3402002.622 S3C4T2 Fl. 358 11 O lançamento decorreu de Auditoria Interna nas DCTF's, realizada com fundamento legal no art. 90 da Medida Provisória nº 2.158/20012, mediante a qual se constatou que estavam cadastradas em CNPJ de outro contribuinte ("Proc jud de outro CNPJ") as ações judiciais informadas, de números 97.00069710 e 98.00173960, para os débitos declarados como suspensos por medida judicial. Consta na fl. 119, cópia da liminar, concedida em 07/05/1998 pelo Excelentíssimo Juiz da 12ª Vara Federal em São Paulo, no mandado de segurança nº 98.00173960, cuja cópia da petição inicial consta nas fls. 97/118, impetrado pela contribuinte e pela Cooperativa de Produtores de Canadeaçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Copersucar, para que "as entidades coatoras [dentre elas a autoridade da DRF Limeira/SP] se abstenham de promover a lavratura do auto de infração ou quaisquer medidas tendentes à exigibilidade dos impostos" relativamente à safra de 98/99, que foi objeto do pedido. Consta também nos autos (fls. 192/201) a cópia da sentença nesse mesmo mandado de segurança, proferida em 16/04/2004, que julgou procedente o pedido, somente em relação à contribuinte, para que não se sujeite à incidência do IPI sobre a produção de açúcar relativa à safra de 1998/99. Com relação ao mandado de segurança nº 97.00069710, impetrado pela contribuinte e pela Cooperativa de Produtores de Canadeaçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Copersucar (cópia da petição inicial nas fls. 47/61), consta (fls. 63/91) que foi concedida a segurança para, em relação a Copersucar Cooperativa dos Produtores de Cana, Açúcar e Álcool, obstar a exigibilidade do tributo pelo seu valor total e quanto a Cia. União dos Refinadores de Açúcar e Café, ora autuada, pelo saldo apurado, relativamente à safra de 97/98. Em 17.7.2000, foi interposta Medida Cautelar n° 2000.03.00.0386532, objetivando a atribuição de efeito suspensivo ao recurso de apelação interposto contra a sentença proferida em mandado de segurança, sendo julgada procedente em 9.5.2001, conforme Acórdão das fls. 91/96, atribuindose o efeito suspensivo à apelação no referido mandado de segurança. Desta forma, em 16/06/2003, quando foi lavrado o auto de infração, a contribuinte estava, efetivamente, beneficiada com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em virtude dos mandados de segurança nºs 97.00069710 e 98.00173960 e da Medida Cautelar n° 2000.03.00.0386532. Desta forma, independentemente da situação atual das referidas ações judiciais ou da eventual existência de outra medida judicial que favoreça a contribuinte, deve restar fixado que, na data da lavratura do auto de infração, havia, sim, medida judicial para a suspensão do crédito tributário objeto do presente processo. Razão pela qual nada há a reparar na decisão de primeira instância que decidiu pela improcedência do lançamento, o qual fora lavrado exclusivamente sob a acusação de que o estabelecimento autuado não faria parte da ação judicial. Conforme, já mencionado, ao contrário do que constou na autuação, a contribuinte integrava as lides judiciais juntamente com outra pessoa jurídica e estava favorecida com a medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário à época da autuação. 2 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 12 Também, acertadamente, o Acórdão recorrido decidiu nas questões relativas aos juros de mora, multa de mora ou de ofício, eis que a matéria restou superada pela improcedência do auto de infração. Desta forma, diante da improcedência do lançamento decorrente da revisão das DCTF´s, as quais estavam corretas no que concerne às informações sobre as medidas judiciais, entendo que os autos devem retornar à DRFLimeira, para ciência da presente decisão e prosseguimento, caso não haja nenhum óbice judicial, nas providências atinentes à cobrança dos créditos tributários declarados em DCTF. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e de não conhecer o recurso voluntário. MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relator Declaração de Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Destaco inicialmente, que, conforme relatado, o lançamento de ofício de que se trata ocorreu, pura e simplesmente, porque os computadores do SERPRO consideraram que “PROC. JUD. DE OUTRO CNPJ”. Infiro que essa lacônica afirmação queira significar que a o computador do SERPRO entendeu que a autuada não figurava no pólo ativo do processo judicial informado na DCTF. Ora, está fartamente comprovado e reconhecido nos autos que o processo judicial indicado existe e que o ora recorrente figura entre as partes proponentes, fato que lança por terra o fundamento da autuação – PROC. JUD. DE OUTRO CNPJ. O recorrente logrou comprovar, desde a impugnação, a existência do processo judicial referenciado na DCTF e de que dele foi parte ativa. O auto de infração foi lavrado sobre o motivo, “declaração inexata”, prestada na DCTF consubstanciada na ocorrência “PROC. JUD. DE OUTRO CNPJ”, configurando falso o motivo que ensejou o auto de infração, ferindo o que dispõe o art. 50, II, da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e cujos preceitos devem ser utilizados subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF. No caso o que se constata é que a decisão recorrida, ao manter o lançamento, pretextando que o mesmo se destinava à prevenção contra os efeitos da decadência, claramente promoveu alteração na motivação do lançamento, circunstância que macula de nulidade por completo a decisão proferida pelo julgador de primeira instância. Isso porque, a autoridade administrativa não pode alterar o motivo inicial apresentado pela decisão que não homologou a compensação efetuada, haja vista que a Administração fica vinculada ao motivo anteriormente dado, ficando vedada motivação superveniente. Nesse sentido, já se pronunciou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no julgamento da Apelação Cível nº 2007.71.11.0018976/RS, cujo voto condutor, por sua maestria merece transcrição: Fl. 364DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10865.001102/200387 Acórdão n.º 3402002.622 S3C4T2 Fl. 359 13 "(...) a mudança de motivo para o indeferimento é causa de nulidade do ato administrativo, haja vista que a Administração fica vinculada ao motivo anteriormente dado, ficando vedada motivação superveniente. O motivo determinante para o indeferimento, portanto, não pode ser alterado ao arbítrio do administrador. A teoria dos motivos determinantes é assim definida pela doutrina: De acordo com esta teoria, os motivos que determinaram a vontade do agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a validade do ato. Sendo assim, a invocação de "motivos de fato" falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato mesmo quando, conforme já se disse, a lei não haja estabelecido, antecipadamente, os motivos que ensejariam a prática do ato. Uma vez enunciados pelo agente os motivos em que se calçou, ainda quando a lei não haja expressamente imposto a obrigação de enunciálos, o ato só será válido se estes realmente ocorreram o e o justificavam. (DE MELLO, Celso Antônio Bandeira, Curso de Direito Administrativo, 19 ed., Malheiros, p. 376) A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. [...] Havendo desconformidade entre os motivos determinantes e a realidade, o ato é inválido. (MEIRELLES, Hely Lopes, Direito Administrativo Brasileiro, 31 ed., Malheiros, p. 197) No mesmo sentido: DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella, Direito Administrativo, 15 ed., Atlas, p. 204. Nesse sentido, precedente de minha relatoria quando integrei a 3a Turma desta Corte: ADMINISTRATIVO. MILITAR. PUNIÇÃO DISCIPLINAR. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. INVALIDEZ DO ATO ADMINISTRATIVO. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. Agravo retido não conhecido, tendo em vista a ausência de requerimento expresso quando da apresentação das razões de apelo, a teor do art. 523, caput e § 1.°, do Código de Processo Civil. Aplicase a teoria dos motivos determinantes, os quais limitam o espectro da litigância apenas aos fundamentos administrativos. Qualquer descompasso entre os motivos determinantes (decisão administrativa) e a realidade fática importa na invalidade do ato administrativo. In casu, o ato administrativo fundouse na circunstância de ter sido o autor encontrado dormindo dentro de seu automóvel. Ora, em verdade, não é esta a realidade do apelado que, embora realmente tenha abandonado seu posto sem autorização, não estava dormindo no interior de seu veículo, situação que, na prática, equivaleria à Fl. 365DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 14 prática de crime, previsto no art. 203 do Código Penal Militar (DecretoLei n.° 1.001/69). É de verse, portanto, que a punição está fundamentada em motivo inexistente, resultando na invalidez do ato administrativo ora impugnado. (TRF4, AC 2004.70.00.0012630, Terceira Turma, Relatora Vânia Hack de Almeida, D.E. 23/05/2007)". Disso exsurge que, sendo o motivo um requisito tão necessário à prática de um ato administrativo, a ele permanecendo intimamente ligado de maneira que se integra à sua validade, uma vez demonstrada a sua falsidade ou inexistência, deve o ato ser anulado, sendo desnecessário, para tanto, adentrar o mérito das tutelas judiciais eventualmente deferidos nos processos judiciais, como feito pela ínclita relatora, Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, motivo pelo qual acompanhei seu voto por sua conclusão. Sala de sessões, em 29 de janeiro de 2015 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 09/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FIL HO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Numero do processo: 11516.722769/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Deixa-se de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 2301-004.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator que integra o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente
(Assinado digitalmente)
CLEBERSON ALEX FRIESS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Bruno Rodrigues Pena e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Deixase de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator que integra o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente (Assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Bruno Rodrigues Pena e Theodoro Vicente Agostinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 27 69 /2 01 3- 11 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), por meio do Acórdão nº 1452.732, cujo dispositivo tratou de julgar improcedente a impugnação do contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 275/285): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO DEPENDENTE DE DISPOSIÇÃO LEGAL EXPRESSA. As decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. SIMPLES NACIONAL. SERVIÇO DE VIGILÂNCIA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA NÃO INCLUÍDA NO REGIME SIMPLIFICADO. O contribuinte optante pelo Simples Nacional que tenha por objeto a prestação de serviço de vigilância não está dispensado do recolhimento da contribuição patronal previdenciária, pois tal contribuição não é incluída no regime simplificado no caso dessa atividade. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. APRESENTAÇÃO CONCISA. NULIDADE NÃO CARACTERIZADA. A apresentação dos fundamentos legais do lançamento reunidos em relatório próprio e conciso não representa cerceamento de defesa ou elemento que caracterize a nulidade do ato administrativo. CONTRIBUIÇÃO AO SAT/RAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. É devida a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, em relação à atividade preponderante da empresa, conforme o risco da referida atividade. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.722769/201311 Acórdão n.º 2301004.338 S2C3T1 Fl. 324 3 CONTRIBUIÇÃO AO SAT/RAT. PROGRESSIVIDADE DA ALÍQUOTA EM FUNÇÃO DO FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO. A alíquota para custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho deve ser ajustada pelo Fator Acidentário de Prevenção FAP a partir de 01/01/2010. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. A multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado é aplicada no percentual determinado expressamente em lei. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. 2. Conforme se extrai do relatório fiscal, às fls. 211/240, o processo administrativo é composto por dois autos de infração (AI), relativos a obrigação principal, nesses termos: a) AI nº 51.046.3770, referente às contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, previstas nos arts. 20 e 21 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, nas competências março, abril, junho e julho de 2009 e fevereiro, maio e agosto de 2010; e a) AI nº 51.046.3789, relativo às contribuições previdenciárias patronais, constantes do art. 22, incisos I a III, da Lei nº 8.212, de 1991, compreendendo as competências de jan/2009 a dez/2012. 2.1. Em síntese, o Fisco aponta, em relação ao AI nº 51.046.3770, que o sujeito passivo deixou de recolher valores descontados dos segurados, apurados em folhas e recibos de pagamento. 2.2 Por sua vez, no que tange ao AI nº 51.046.3789, a acusação fiscal registra que o autuado, optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e tendo por atividade econômica a prestação de serviços de vigilância, deixou de recolher as contribuições previdenciárias patronais, consoante previsto no art. 13, inciso VI, c/c art. 18, § 5º C, inciso VI, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 3. Cientificado pessoalmente da autuação em 23/9/2013, às fls. 181 e 187, o contribuinte impugnou a exigência fiscal somente quanto ao AI nº 51.046.3789 (fls. 245/266). 3.1 No que diz respeito ao teor da impugnação, reproduzo as palavras do relator "a quo", pois bem sintetizam os argumentos deduzidos na petição (fls. 277/278): (...) A impugnação apresentou as considerações a seguir consolidadas. 1. De início, esclarece que a empresa optou por parcelar os valores relativos à contribuição previdenciária dos segurados e que a impugnação apresentada referese somente à contribuição previdenciária da empresa, que entende inconstitucional quando exigida de empresa optante pelo Simples Nacional. 2. Sustenta a nulidade do auto de infração por erro na identificação do fato gerador e na determinação da matéria tributável, o qual não seria passível de revisão. Fundamenta tal posição no argumento de que a empresa seria optante pelo Simples Nacional e se enquadraria no Anexo III da Lei Complementar nº 123, de 2006, estando dispensada do pagamento da contribuição previdenciária patronal prevista no art. 13, inciso VI, daquela lei. Traz doutrina, julgados administrativos e jurisprudência. 3. Alega a nulidade do auto de infração por imprecisão da fundamentação legal e indeterminação da matéria tributável, com cerceamento do direito de defesa, articulando que a fiscalização terseia limitado a tãosomente anexar relação confusa, genérica e imprecisa da legislação, sob o título de FLD – Fundamentos Legais do Débito, não correlacionando dispositivos e matéria objeto da autuação. Traz julgados administrativos. 4. No mérito, sustenta não ser devedora da contribuição lançada, por ser empresa optante pelo Simples Nacional. Traz julgados administrativos. 5. Contesta o lançamento do SAT – Seguro Acidente de Trabalho nos percentuais aplicados, pois entende que a lei utilizou conceitos indeterminados, ou “tipos abertos”, ao se referir a atividade preponderante e a risco de acidente de trabalho leve, médio e grave, os quais dependeriam de lei para determinar sua abrangência. Refuta antecipadamente o possível argumento de que o Decreto regulamentador da lei teria resolvido a questão, pois não seria possível o Poder Executivo suprir lacuna legal. Sustenta ainda que o pagamento do seguro deve considerar a probabilidade do acidente no efetivo local onde o sinistro possa acontecer, portanto estimado em cada local de trabalho da empresa. Em face do exposto, clama pelo cancelamento da imposição ou, alternativamente, pelo seu recálculo no percentual de 1%, correspondente ao risco leve. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.722769/201311 Acórdão n.º 2301004.338 S2C3T1 Fl. 325 5 6. Defende a inconstitucionalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas por serviços prestados sem vínculo de emprego, por incidir sobre fato gerador e sobre base de cálculo próprios de impostos. Daí a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 84/1996 que criou tal contribuição. Traz doutrina. 7. Reclama do efeito confiscatório da multa cominada, admitindo apenas a multa de mora de 20% como aquela que mais se coaduna com a situação de fato. Aduz que não é concebível a imposição de multa se o contribuinte atuou com a convicção de que o sistema simplificado o dispensava do pagamento da contribuição previdenciária. Traz jurisprudência. 8. Posicionase pela inconstitucionalidade e pela inaplicabilidade da taxa SELIC como índice de cobrança dos juros de mora, por se tratar de instrumento típico de política monetária, sendo inadequado para reparação da mora por incluir na sua apuração elementos que lhe são estranhos. Requer o contribuinte, ao final, o reconhecimento da nulidade do lançamento, o cancelamento integral dos lançamentos relativos à contribuição patronal, ao SAT e sobre prólabore, e, caso não seja cancelada integralmente a exigência, pede o cancelamento da multa lançada ou a sua redução para o percentual de 20%, bem como o cancelamento dos juros SELIC. 4. Intimada em 2/9/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 290/291, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 6/10/2014, em que repete os mesmos argumentos expendidos em sua impugnação e requer a reforma do Acórdão nº 1452.732 (fls. 293/314). 5. É o relatório. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator TEMPESTIVIDADE 6. Das decisões de primeira instância, cabe recurso voluntário. Nesse sentido, prescreve o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, "in verbis": Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 7. Constatase que recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 2/9/2014, terçafeira, por via postal, sendolhe conferido prazo de trinta dias para interposição de recurso. Com isso, o termo do prazo recursal iniciouse no dia 3/9, quartafeira, e finalizou no dia 2/10, quintafeira. 8. Todavia, a recorrente protocolou seu recurso em 6/10/2014, ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto em lei para sua apresentação. 9. Suplantado o permissivo legal, ausente o requisito extrínseco da tempestividade. Portanto, reputo inadmissível o recurso voluntário de fls. 293/314 e dele não tomo conhecimento. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, por intempestivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 328DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13312.000841/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 33 12 .0 00 84 1/ 20 07 -2 0 Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.217 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 1806 a 1810, integrado pelos demonstrativos de fls. 1811 a 1814, pelo qual se exige a importância de R$613.846,30, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 150% e juros de mora, em virtude da apuração das seguintes infrações: 1. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, anocalendário 2004; 2. Omissão de rendimentos da atividade rural, anoscalendário 2002, 2003 e 2004; 3. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, anoscalendário 2002, 2003 e 2004. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1844 a 1859, instruída com os documentos de fls. 1860 a 1940, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 1944 a 1948): Examinando o Auto de Infração, a Impugnante chegou a conclusão que ele é totalmente incabível, portanto, apresenta pelas razões que expõe, respaldado na documentação que já faz parte do processo ora impugnado e as que neste ato faz anexação, para ficar fazendo parte integrante e inseparável do mesmo, no final requerer Impugnação Total, tempestivamente, de conformidade com a INTIMAÇÃO, devidamente cientificada na data de 30.10.2007 e, portanto, rigorosamente dentro dos 30 (trinta) dias regulamentares. O que se depreende dos fatos, é que o Auto de Infração foi lavrado em conseqüência e com base unicamente em meras deduções falaciosas, e contra as provas que foram por essa mesma Autoridade solicitadas e encaminhadas pelo autuado, em função de que os argumentos utilizados são totalmente inadequados e irreais para se chegar às absurdas deduções emanadas pelo Douto Fiscal Autuante, desprezando, surpreendentemente, tanto as provas reais carreadas aos autos, como também, os argumentos apresentados do realmente acontecido, fazendo simplórias conclusões com o fito único de multar, multar a qualquer custo, portanto, exclusivamente calcado em pressupostos irreais. Desta maneira, em tendo sido lavrado esse malfadado Auto de Infração, advindo de um TERMO DE VERIFICAÇÃO, que não expressa de maneira alguma os reais acontecimentos, resulta numa excrescência fiscal, que por este ato se insurge a autuada, conforme a seguir comprova devidamente: De plano, é imprescindível se afirmar, que não poderá de maneira alguma resultar em qualquer dúvida, o fato concreto de ser a autuada, até certo ponto uma pessoa humilde, que sempre residiu no interior do Estado do Ceará, em zona rural, desenvolvendo desde longas datas as atividades de pequena produtora rural nos estritos termos do Regulamento do Imposto de Renda RIR, atuando particularmente no ramo Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.218 3 de pescados (lagosta e camarão), e desde 2001, com 5 (cinco) embarcações, sendo (1 própria e 4 arrendadas), em anexo DOC II, encaminhamos fotocópias da documentação oficial e comprobatória da embarcação de sua propriedade particular (Título de Inscrição da Embarcação na Marinha do Brasil e Autorização Provisória para praticar a pesca e captura de Lagostas), bem como, fotocópia do competente CONTRATO DE ARRENDAMENTO DE EMBARCAÇÃO PESQUEIRA, firmado em 16/04/2001, das outras 4 (quatro) embarcações pesqueiras com suas respectivas documentações, sem no entanto, nunca dispor de uma assessoria e/ou consultoria técnica abalizada, possuindo igualmente, participação e cargo de dirigente em empresas familiares de pequeno e médio porte, principalmente na denominada M M MONTEIRO PESCA E EXPORTAÇÃO LTDA., sendo portanto, imaginável, que se possa assacar contra essa pessoa um Auto de Infração de valores estratosféricos e irreais, que para ela não se amolda, tratandose de um mero absurdo. Vejam V.Sas., Doutos Julgadores, que o Dr. Fiscal autuante, desenvolveu fiscalização na pessoa física da ora impugnante desde o início do ano de 2007, solicitando em seus inúmeros "Termos de Intimação" lavrados ininterruptamente, uma infinidade de informações e documentações, que a deixaram completamente desnorteada e apavorada, mesmo na medida do possível foram todas elas atendidas, por envidar esforços sobre humanos, esclarecendo em grande parte, mesmo que em algumas vezes atordoadamente e atabalhoadamente os questionamentos requeridos, inclusive, anexando grande parte da documentação comprobatória que se fazia necessário, conforme documentação original que já se encontra anexada ao processo ora vergastado. De plano, o Dr. Fiscal autuante inicia as tidas "oníricas" infrações que pretendeu imputar a autuada, multando indevidamente e acodadamente, sem qualquer critério, conforme se segue: "001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA" (conforme está escrito) Inusitadamente e por absurdo, para esse fim, atribui um "salário" à autuada, simplesmente por "achar" que deveria ter recebido de uma empresa em que era sócia, pelo mero fato de não admitir que sendo sócia e administradora não recebesse salários (rendimento do trabalho assalariado), afirmando que litters: "e como sócia administradora afirmou que não recebeu salário no anocalendário de 2004, fato este confirmado pelas duas empresas. Mas isso foge do senso comum, pois a MM Monteiro Pesca e Exportação Ltda. é uma das grandes contribuintes da circunscrição da DRF de Sobral e sua sócia administradora nada receberia?" (Apenas o grifo é nosso). Ora pois, o que tem a ver uma coisa (ser empresa grande contribuinte de impostos), com outra (não remunerar com salário um seu dirigente), especificamente em se tratando de rendimento salarial, ou mesmo prólabores, quando a legislação permite a opção em receber distribuição de lucros, ou dividendos, etc. Nesse caso, mais se parece com fiscalização do INSS e não da SRF, não se pode imputar renda quando inexiste qualquer recebimento (normas do RIR), diferentemente da Previdência Social que para fins de pagamento da contribuição previdenciária (quando obrigatória não para o caso de produtores rurais) seja definido um valor para incidir essa contribuição, que pode ser o equivalente a um salário mínimo. Afirma ademais, que isto posta, apenas por informação (ou seria por ouvir dizer) constante de um simplório "cadastro bancário" efetivado quando da abertura de uma conta corrente no banco BRADESCO (tentativa de obter um financiamento agrícola) e informara essa pretensa renda mensal, que se obtido o financiamento, posteriormente, Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.219 4 poderia até mesmo solicitar da empresa uma "retirada fixa mensal", não como rendimento assalariado, e sim "por conta de lucros", entretanto, isso não se concretizou de modo algum. Dessa forma, como restou comprovado, inexiste qualquer prova, ou mesmo indício, por mais singelo que seja, para se afirmar que a autuada recebeu qualquer valor a título de "rendimento do trabalho" de pessoas jurídicas, pelo contrário, restou comprovado inquestionavelmente que não recebeu esse e qualquer outro valor à esse título. Agora o mais estranho e inconcebível, é o que se contém no item imediatamente posterior, confirase: "002 ATIVIDADE RURAL OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL" Nesse item, a ação fiscal, mesmo tendo admitido irremediavelmente ser a autuada uma pequena PRODUTORA RURAL (enquadrandoo devidamente nos termos das leis e normas do RIR em vigor), como realmente e indiscutivelmente é a pura realidade, surpreendentemente, "glosa" a maioria absoluta desses rendimentos comprovadamente percebidos pelo impugnante na sua atividade rural, alegando como sendo "Depósitos Bancários Não Comprovados", simplesmente por que, não coincidem com os valores dos "depósitos bancários", recebidos oficialmente através de TED, Transferência Bancária, ou outro método usual qualquer, utilizado pela rede bancária do país e práticas comerciais normais de movimentação, nem poderiam coincidir. Permitanos Senhores Eméritos Julgadores, que se faça uma rápida digressão ao derredor do tema de como se desenvolve esse tipo de atividade de PRODUTOR RURAL em toda a orla marítima do Estado do Ceará (em diversos outros estados da federação que desenvolvem essa atividade econômica também assim se processa), referente a todos os tipos de "PESCADOS", e desta maneira, no caso específico da ora impugnante. Assim é que, as grandes firmas produtoras e exportadoras de pecados (lagosta, camarão, peixes, etc), através de pessoas sérias e conhecidas que atuam no ramo, como pequenos produtores rurais (que possuem embarcações próprias ou arrendadas de terceiros e/ou compradores de outros pequenos produtores pescadores sindicalizados), recebem importâncias em espécie através de qualquer meio legal possível (geralmente por intermédio da rede bancária), para aquisição desses pescados, no caso específico da autuada, lagostas (caudas) e camarões (com casca, e com ou sem cabeça), entregando em uma empresa mais próxima para beneficiamento ou semibeneficiamento (frigorificação), para em seguida serem remetidas para a localidade daquelas pessoas que remeterem os recursos (antecipadamente). É de se registrar, que jamais esses valores poderão ser casados, isto é, o valor remetido para esse fim (ordens de transferências e/ou depósitos bancários) com as remessas ou fornecimento (notas fiscais de "ENTRADA"). Pelo simples fato de que, o valor recebido como "adiantamento", para essas pessoas físicas com o fim de aquisição dos pescados, não pode (a não ser por, mera coincidência) coincidirem com os valores das remessas dos produtos, que variam de tamanho (valor), quantidade, peso, etc, e por conseguinte, no quantum de cada remessa, diferentemente do valor recebido, que tanto pode ser a menor, como a maior, e assim sucessivamente, para somente ir sendo feito um controle particular de débito e crédito. Como prova irrefutável do afirmado, nesse caso particular da autuada, fazemos anexar nessa ocasião, em DOC III, 31 (trinta e uma) fotocópias de "COMPROVANTE DE TRANSFERÊNCIA" emitidas somente no período de 2003 e 2004, pelo BANCO DO BRASIL S/A, provenientes de remessas de uma única empresa. NETUNO Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.220 5 ALIMENTOS S/A (uma das maiores empresas do ramo de pescados do país Conta Corrente 23.3331 Agência 34347), para a Conta Corrente da autuada 16.1519. igualmente naquele estabelecimento bancário, agência 38814. totalizando em 2003 R$ 490.000,00 e em 2004 R$ 255.000,00, para o fim exclusivo de aquisição de pescados, conforme Quadro 1, a seguir: [...] Em Anexo DOC IV, fazemos anexar 22 (vinte e duas) fotocópias das NOTAS FISCAIS DE ENTRADA na empresa MM MONTEIRO PESCA E EXPORTAÇÃO LTDA. / NOTAS FISCAIS AVULSA, todas igualmente referentes ao período de 2002, 2003 e 2004, de mercadorias (lagosta e camarão) comprovando a entrega no período dos produtos adquiridos, conforme relação a seguir descriminada no Quadro 2: [...] Todos esses valores, se encontram devidamente contabilizados oficialmente nos apontamentos contábeis e fiscais dessas empresas envolvidas, portanto, não pode pairar qualquer dúvida quanto a expressão da verdade. E não se venha alegar que somente agora, por ocasião da impugnação e que foram dados conhecimento a SRF de toda essa documentação, pelo contrário, a fiscalização não somente esteve de posse dos mesmos, como comprovou a sua legalidade (escrituração nos livros contábeis e fiscais das empresas), por afirmação taxativa no próprio abominável documento denominado de TERMO DE VERIFICAÇÃO, não os acatando, por simplesmente concluir que os valores neles constantes não coincidiam entre si, isto é, que os valores depositados em sua conta corrente para aquisição de pescados, não coincidiam com os valores dos produtos que foram entregues pela autuada (pescados), impossível de se acreditar que fosse possível alguém chegar a essa conclusão absurda. O que pudemos afirmar e declarar sem embargos, é que se esses valores coincidissem, aí sim, seria motivo de desconfiança, e até mesmo de glosa. E ainda, por oportuno, deve ser esclarecido a V.Sas., que nos arredores das praias, somente se transaciona com os pequenos e médios pescadores, através de dinheiro vivo, por lá não se aceitam cheques, que eles denominam comumente de "papel velho", já que a sua maioria absoluta é analfabeta e não possuem conta bancária. Agora a maior digressão fiscal que se pode ter conhecimento, foi perpetrado pela ação fiscal, no item imediatamente posterior, confirase litters: "003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA" A partir de então, o Douto Fiscal autuante, passa como um "trator", arrolando uma a uma toda a sua movimentação bancária, constante no período fiscalizado na conta corrente do Banco do Brasil S/A, de titularidade da ora impugnante, NÃO EXCLUINDO sequer os valores por ele mesmo arrolados e tributados no item anterior "002 ATIVIDADE RURAL OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL", praticando sem sombra de dúvidas o vedado pela legislação vigente denominado BIS IN IDEM, e para complementar esse seu desiderato de nada excluir, inclui ainda, alguns lançamentos de estornos, desbloqueios, transferências, depósitos de distribuição de lucro recebidos, e ainda, pasmem os Senhores, inclui em seu delírio de multar, pequenos valores repetidamente inúmeras vezes nos diversos meses auditados, de R$ 50,00; R$ 58,00; R$ 100,00; R$ 200,00; R$ 245,98; R$ 280,00; R$ 300,00; R$ Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.221 6 305,33; R$ 350,00; R$ 450,00; R$ 500,00; R$ 550,00 e daí por diante, como se não fossem esses valores provenientes da movimentação normal e legal, inerente a sobrevivência de qualquer pessoa humana, mesmo porque, são pequenos valores do dia a dia, que já foram devidamente declarados, fazendo parte dos rendimentos constantes em suas DIRPF nos períodos sob exame. Esse absurdo perpetrado pelo Dr. Fiscal num verdadeiro "delírio", tributando a autuada pelos "depósitos bancários" de sua conta corrente, em sua totalidade tidos como "por falta de comprovação de suas origens", entretanto, encontrou "origem de recursos de atividade rural", tributando esses valores, para logo em seguida, inimaginavelmente, desconsiderar esses mesmos recursos já tributados, tributandoos indevidamente e em duplicidade sob esta rubrica de "depósitos bancários de origem não comprovada". Agora, como entender tamanho disparate Senhores Julgadores, com certeza trata se de um lamentável engano da fiscalização, por ser inadmissível que em condições normais de plena razão, alguém possa QUALIFICAR A MULTA (AGRAVANDO PARA 150%), imputando "conduta de intenção dolosa" da autuada quando da fiscalização, por em primeiro lugar, afirmar que "o contribuinte não informou em suas DIRPF's 2003, 2004 e 2005" algumas informações, como: um simples veículo Volkswagen financiado (financiamento obtido no próprio Banco do Brasil no valor de R$ 47.000,00, fotocópia do documento em anexo DOC V) e outras informações, que a própria autuada não mais se recordava de sua existência, a não ser a fiscalização com a "quebra de seu sigilo bancário e fiscal" poderia descobrir, assim, meras inconsistências e omissões nas DIRPF de qualquer contribuinte, jamais poderá ensejar a pecha de "crime contra a ordem tributária" por qualquer incursão que se possa imputar. Bem como, por ter afirmado que os recursos que transitaram em sua conta corrente "não lhe pertenciam", ora é clara e nítida expressão da verdade, que a maioria absoluta desses recursos não pertencia a autuada, e sim de seus clientes (como restou neste ato devidamente comprovado, a luz da documentação idônea anexada, toda ela revestida das formalidades legais implícitas e explícitas), repetimos, para a aquisição de pescados (lagostas e camarões). Ademais, a afirmação da fiscalização de que alguns cheques foram emitidos "em seu favor e de seus familiares" citando o nome de alguns deles, ora pois, como já explicitado anteriormente, e poderão ser comprovados perfeitamente por V.Sas., os valores transferidos para sua conta corrente no Banco do Brasil S/A (depositados), eram logo em seguida sacados, e como as normas bancárias emanadas pelo Banco Central do Brasil, órgão competente regulador dessa matéria, não permite cheques ao "portador", eram os mesmos (quando não sacados pela própria autuada), nomeados para pessoas de sua inteira confiança, a fim de sacarem pessoalmente em moeda corrente, uma vez que o numerário em espécie (mesmo com o risco de assaltos) se torna imprescindível para a compra de pescados na praia (lagosta e camarão), como também, para pagamento a vista e em espécie, de toda a tripulação das embarcações (comandante mestre, contra mestre, pescadores, etc) referente a adiantamentos pagos antes de iniciar as viagens e quando das atracações, ocasião em que são efetivadas às suas participações na produção, e ainda, pagamentos exclusivamente "a vista", de valores bastante elevados para aquisição de óleo diesel (combustível das embarcações), aquisição a terceiros (pessoas físicas) de apetrechos de pesca (manzuás ou covos), redes, etc, manutenção constante das embarcações, sem se falar, na aquisição de mantimentos para a tributação, e inúmeros outros dispêndios. Outrossim, nunca é demais, reiterar a assertiva de que nesse ramo de atividade da autuada (compra e venda de produtos do mar pescados), mesmo envolvendo volumes de dinheiro em elevados montantes, sempre são efetivados "em espécie", comumente Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.222 7 denominado de "dinheiro vivo", não se aceitando "cheques", uma vez que as pessoas envolvidas, em sua maioria, são de nível popular (analfabetas e semianalfabetas), não possuem contas bancárias, como já foi anteriormente declinado nesse mesmo arrazoado impugnatório. Em segundo lugar, dizer a fiscalização que houve litters "declaração falsa sobre a origem dos depósitos/créditos bancários" nas contas correntes da autuada, isto tanto não é verdade, em função de todas as provas que neste ato foram carreadas ao processo e as que já se encontram fazendo parte integrante do mesmo, comprovando irremediavelmente e inquestionavelmente que é a única verdade o fato da impugnante desenvolver as atividades de pequena PRODUTORA RURAL, e que os valores depositados em sua conta corrente possuíam identificação clara dos depositantes e ao fim a que se destinavam, ou seja, aquisição da produção da impugnante e a compra de pescados de terceiros. O que se verifica, ademais, é que existiu açodamento e precipitação perigosa da fiscalização, por afirmar, sem qualquer prova que houve litters "ajuste doloso (conluio) entre a fiscalizada e as pessoas de seu vínculo (MM Monteiro Pesca e Exportação Ltda. e Elizeu Charles Monteiro)." Como assim, com certeza isso é um onirismo sem igual, um delírio de loucura, os documentos que compõem o processo neste ato guerreado, são todos reais e inquestionáveis, sem qualquer inidoneidade, comprovam exatamente o contrário do afirmado pela fiscalização. Por outro lado, será que o Doutor Fiscal autuante, não tem a certeza absoluta, que quando expede uma "intimação" fiscal oficial a quem quer que seja, principalmente ininterruptamente, insistentemente, e em grande profusão para pessoas sem qualquer experiência no ramo tributário/fiscal, deixa o destinatário bastante nervoso e em certas ocasiões chega até mesmo a perder um pouco a razão, isto posta, quando não possui também, uma assessoria normal nessa área tributária/fiscal, não por maldade ou má fé, mas por simples desconhecimento, levandoas inclusive a prestar informações muitas das vezes conflitantes ou desencontradas, até mesmo com incorreções, que podem e devem, perfeitamente, serem sanadas, entretanto, jamais poderão ser qualificadas de "criminosas", como é o caso ora vergastado da autuada. Desta maneira, Senhores Julgadores, restou comprovado, que a autuada pessoa física, simplesmente, deixou de prestar algumas informações ao Fisco Federal, pelo simples fato de não possuir escrita fiscal e por não ter escriturado o "livro caixa", decorrendo daí, muitas das vezes, pelo lapso de tempo decorrido, olvidar alguns fatos, agora, lhe imputar crime de sonegação fiscal isto é de uma tremenda e deliberada arrogância e injustiça, pois a autuada simplesmente tentou apenas exercer sua atividade econômica de produtora rural, portanto, jamais cometeu qualquer irregularidade criminal (falsificações, dolo, má fé, conluio, etc.) contra a ordem tributária, a não ser na imaginação fértil e desvirtuada da Ação Fiscal. De outro, é de se afirmar, por fim, que a autuada sempre possuiu um único veículo, e que se o DETRAN em seu cadastro apontava outros veículos que não o de sua propriedade, isto posta, se apresentou por conta de que os seus novos proprietários não ultimavam as providencias junto aquele órgão para oficializar as devidas transferências que se faziam necessárias. Assim, resta comprovado, que o comando fiscal ao enquadrar, totalmente equivocado, nas normas legais que caracterizam "crime de sonegação fiscal", imputando ilegalmente e irresponsavelmente a Impugnante, tamanho disparate, somente demonstra um perfeito ato de arbitrariedade e desvirtuamento proposital das normas legais. Ainda bem, que esse Auditor Fiscal não têm poder de Magistrado, pois se assim Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.223 8 fosse, estaria disseminando ainda mais o desmando, a ilegalidade e a injustiça fiscal no país, aí seria o caos. Finalmente, i. Julgadores, a fiscalização, nesse caso específico da impugnante, quando da lavratura desse indigitado Auto de Infração, sequer efetivou, como é obrigação imposta pelo RIR e de toda a legislação incidente em vigor, de recompor as novas posições constantes das DIRPF da autuada (pelo menos pretendidas pela fiscalização), tendo em vista que foram declarados rendimentos nessas declarações do período fiscalizado, incorrendo a fiscalização em um erro crasso, que deverá ser irremediavelmente sanado, segundo o Processo Administrativo Fiscal PAF. CONCLUSÃO / REQUERIMENTO Por todo o exposto, espera convicto o Autuado ter demonstrado, nesta peça, a improcedência total do Auto de Infração, portanto, requer mui respeitosamente a V.Sas, após o julgamento de praxe, determinar a extinção do débito tributário e o conseqüente trâmite que lhe ordena o P. A. F., por ser de Justiça. Nestes Termos, Pede Deferimento. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza (CE) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0820.726 (fls. 1942 a 1956), de 29/04/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002,2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo Fisco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento lhe pertencem, sendo incabível a aplicação dessa regra quando ausente no processo qualquer indício de que o titular de fato da conta bancária não seja o Contribuinte. PRINCÍPIO DA ENTIDADE. Há que se distinguir o titular de conta corrente/pessoa física e a pessoa jurídica da qual o Contribuinte é sócio, dado o Princípio da Entidade Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.224 9 que professa que a pessoa jurídica não se confunde com a pessoa física de seus sócios. ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO DAS RECEITAS. A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO. Para que sejam submetidos à tributação mais favorecida, prevista para os rendimentos da atividade rural, o contribuinte precisa comprovar que os rendimentos tiveram origem nessa atividade. DEPÓSITOS. DATAS E VALORES. ANÁLISE INDIVIDUALIZADA. Para efeito de determinação da receita omitida, os depósitos serão analisados individualizadamente, na forma do artigo 42, § 3º, da Lei n° 9.430/1996. Logo, na hipótese de contribuinte atuando como intermediário na compra e venda de pescado, para que ele seja tributado somente em relação à comissão percebida por tais operações, deve apresentar não só documentação comprobatória desse negócio jurídico, mas correlacionála com os depósitos efetuados, de modo que possa ser tributado apenas na quantia relativa à comissão fruto da aludida intermediação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos. MULTA QUALIFICADA. Se as provas carreadas aos autos pelo fisco evidenciam a intenção dolosa de evitar a ocorrência do fato gerador, por três anos consecutivos de forma reiterada, cabe a aplicação da multa qualificada, ainda que o dispositivo legal utilizado para fundamentar o lançamento seja uma presunção legal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 07/06/2011 (vide AR de fl. 2244), o contribuinte interpôs, em 06/07/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 2160 a 2210, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 2211), expondo as razões de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.225 10 DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 03, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 12/03/2012, veio digitalizado até à fl. 22151. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. O processo físico foi numerado até a fl. 1957 (fl. 2159 da digitalização). Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.226 11 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontrase prejudicada por uma questão prejudicial, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Tratase de lançamento no qual foram apuradas as seguintes infrações: (a) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, anocalendário 2004; (b) omissão de rendimentos da atividade rural, anoscalendário 2002, 2003 e 2004; e (c) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, anoscalendário 2002, 2003 e 2004. Numa análise preliminar dos autos, observase que parte das infrações apuradas originaramse do exame de extratos bancários que foram entregues diretamente pela instituição financeira, em atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, com base no art. 3o do Decreto no 3.724, de 10 de janeiro de 2001, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 1815 a 1840, do qual se extrai o seguinte excerto (fls. 1815 e 1816): Por meio do Termo de Início de Fiscalização, de 13/11/2007, este o marco inicial desta fiscalização, o sujeito passivo foi intimado a apresentar: 1 Extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas pelo declarante, cônjuge e seus dependentes Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.227 12 junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao período acima especificado. 2 Relação do(s) nome(s) dos bancos, n° de agência e n° de conta corrente, de todas as instituições financeiras que mantém ou manteve conta, no(s) período(s) acima especificado(s). Diante da omissão da fiscalizada, ligouse para a empresa Monteiro Indústria e Pescados Ltda (vide Termo de Constatação Fiscal de 10/01/2007), local de trabalho da contribuinte, mas a funcionária informou que ela estava ausente. Ligouse ainda para o telefone 36671184 que consta na base CPF como sendo da Sra. Rosa Virginia Monteiro, mas este número, segundo quem atendeu a chamada, é de um telefone público.Conseqüentemente, em 11/01/2007, foram elaboradas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), de forma a possibilitar a coleta de elementos probatórios indispensáveis à mensuração de eventual material tributável a ser lançada contra a fiscalizada, nos termos dos arts. 2º e 4º do Decreto n° 3.724, de 10/01/2001, Foi enviado à fiscalizada o Termo de Solicitação de Esclarecimento lavrado em 23/01/2007, para que esta entrasse em contato com a DRF Sobral, o que foi feito por telefone, quando se prestaram esclarecimentos sobre o procedimento fiscal que estava em andamento. De posse de todos os extratos bancários procedeuse à análise das informações, excluindose os depósitos/créditos: decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários. Concluída tal conciliação bancária, foi encaminhada ao sujeito passivo a planilha anexa ao Termo de Intimação de 08/03/2007, para que este comprovasse a origem dos recursos utilizados naquelas operações (depósitos/créditos), informandoo que a comprovação dos recursos deveria ser feita com documentação hábil e idônea e que a não comprovação ensejaria lançamento de ofício por omissão de rendimentos com fundamento legal no art. 849 do RIR/99. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, em que o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1o, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, §1o, do Regimento interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6o da Lei Complementar no 105, de 2001, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que alterou o art. 11, §3o da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontramse sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, por força do disposto no art. 543B, §1o, do Código de Processo Civil. Concluise, assim, que parte da discussão no presente processo referese à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal e, portanto, o julgamento do mesmo deve ser sobrestado, nos termos do art. 62, §1o, do RICARF. Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.228 13 Com o resultado do julgamento do RE no 389.808, de 15/12/2010, em que o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de a Receita Federal ter acesso aos dados bancários do contribuinte, sem prévia autorização judicial, gerando, para alguns, dúvidas quanto ao rito processual a ser adotado nos casos em que a matéria objeto de recurso no CARF tivesse sido reconhecida como de repercussão geral, sem que a decisão de mérito tivesse sido proferida pelo STF. Convém ressaltar que o RE no 389.808 tratase de uma situação excepcional, pois o próprio relator do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, que reconheceu a existência de repercussão geral, no que diz respeito ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, mencionou expressamente em seu voto que o tema era objeto de discussão em diversos processos, dentre eles, a “AC 33/PR, esta com julgamento já iniciado pelo Plenário, e por meio da qual se que busca dar efeito suspensivo ao RE 389.808/PR.” (grifei). Além disso, conforme consulta ao site do STF, a PFN embargou o RE no 389.808/PR, encontrando o processo “conclusos ao(à) Relator(a)”, desde 09/11/2011. Entendo que o reconhecimento da repercussão geral pelo STF tem como conseqüência direta o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários que versem sobre a mesma matéria, sendo oportuno transcrever orientação contida no site da Suprema Corte nesse sentido2 (grifos nossos): PROCEDIMENTO NOS TRIBUNAIS E TURMAS RECURSAIS DE ORIGEM [...] RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS [...] II) Proferida a decisão sobre repercussão geral, surgem duas possibilidades: a) Se o STF decidir pela inexistência de repercussão geral, consideramse não admitidos os recursos extraordinários e eventuais agravos interpostos de acórdãos publicados após 3 de maio de 2007 (§ 2º do art. 543B do CPC); b) Se o STF decidir pela existência de repercussão geral, aguardase a decisão do Plenário sobre o assunto, sobrestandose recursos extraordinários anteriores ou posteriores ao marco temporal estabelecido: b.1) Se o acórdão de origem estiver em conformidade com a decisão que vier a ser proferida, consideramse prejudicados os recursos extraordinários, anteriores e posteriores (§3º do art. 543B do CPC); 2 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeral&pagina=processamento Multiplo acessado em 13/08/2012 Fl. 2228DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.229 14 b.2) Se o acórdão de origem contrariar a decisão do STF, encaminha se o recurso extraordinário, anterior ou posterior, para retratação (§3º do art. 543B do CPC). Ressaltese que o STF tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no tocante ao tema em discussão, citandose como exemplo o RE 488993, julgado em 09/02/2011, e o RE 602945, julgado em 01/08/2011. Concluise, assim, que o no caso de controvérsias sobre o acesso direto do fisco às informações bancárias do contribuinte, sem prévia autorização judicial e a retroatividade da Lei no 10.174, de 2001, os julgamentos dos processos administrativos no âmbito do CARF devem ser sobrestados. Por fim, cabe trazer a colação a Resolução no 220200.200, de 17/04/2012, em que este Colegiado, por unanimidade, decidiu pelo sobrestamento do julgamento de caso semelhante, cujo relator foi o Conselheiro Rafael Pandolfo, a quem peço vênia para parte do voto condutor em que ele trata aborda com muita propriedade a matéria: Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua conseqüência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as conseqüências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal. Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.230 15 (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO –AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em Dje213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificasse que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA –RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 13312.000841/200720 Resolução nº 2202000.376 S2C2T2 Fl. 2.231 16 origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em Dje158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em Dje100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 2231DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 29/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 10830.001319/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO COMPATÍVEL COM A OPERAÇÃO DE VENDA DE VEÍCULOS USADOS. Não há incompatibilidade entre a presunção legal de omissão de receitas, decorrente da apuração de depósitos bancários de origem não identificada, e a sistemática de tributação da venda de veículos usados, na medida em que: (i) nenhuma pessoa, física ou jurídica, está desobrigada de comprovar as operações que teriam originado os depósitos efetuados em suas contas correntes, devendo manter os adequados controles para comprovar a regularidade fiscal dos recursos assim recebidos, e (ii) as empresas dedicadas à venda de veículos usados devem emitir as correspondentes notas fiscais de entrada e de saídas/vendas a respaldar a comprovação da operação. As planilhas preenchidas e apresentadas pela empresa em cumprimento às intimações fiscais, isoladamente, não são instrumentos hábeis a comprovar as operações que teriam dado causa aos depósitos/créditos efetuados nas contas correntes.
OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS DE VEÍCULOS USADOS. Sujeita-se à tributação a diferença verificada entre base tributável, apurada ex-officio, na documentação apresentada (notas fiscais de entrada e saída de veículos usados), e a base de cálculo informada pela contribuinte na DIPJ. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO DO LUCRO. Na revenda de veículos automotores usados, de que trata o art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, aplica-se o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta, correspondente à diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos (Súmula CARF nº 85).
OMISSÃO DE RECEITAS. COMISSÃO DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. Configura omissão de receitas de comissão na intermediação dos contratos de financiamento, a divergência verificada entre base tributável, apurada ex-officio, nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte - Dirf, apresentadas pelas fontes pagadoras, e a base de cálculo informada pela contribuinte na DIPJ, e que teria respaldado a constituição dos débitos correspondentes nas DCTF.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA DE RECEITAS DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. A prática reiterada de deixar de declarar receitas sabidamente auferidas, acerca das quais sequer é demonstrada a emissão das correspondentes notas fiscais, justifica a imposição de multa qualificada. REITERAÇÃO DE PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INTUITO DE FRAUDE NÃO DEMONSTRADO. A falta de escrituração de depósitos bancários e de comprovação de sua origem autorizam a presunção de omissão de receitas, mas o intuito de fraude somente é caracterizado se reunidas evidências de que os créditos decorreriam de receitas de atividade, de modo a provar, ainda que por presunção, a intenção do sujeito passivo de deixar de recolher os tributos que sabia devidos.
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizado o evidente intuito de fraude na falta de recolhimento do crédito tributário lançado, o prazo para sua constituição, por meio do lançamento, é regido pelo art. 173, I do CTN. EXERCÍCIO. DEFINIÇÃO. Segundo as normas de direito financeiro, o exercício corresponde ao ano civil (de 1o de janeiro a 31 de dezembro). FORMA DE CONTAGEM DO PRAZO ESTIPULADO NO ART. 173, I DO CTN. O prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN tem início no primeiro dia do ano civil posterior ao ano civil no qual o lançamento do tributo devido pode ser efetuado, e o lançamento somente pode ser efetuado depois de encerrado o período de apuração do tributo correspondente.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-001.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal exigido; 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, divergindo a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negavam provimento ao recurso, e votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO aos recursos de ofício e voluntário relativamente à arguição de decadência; e 5) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO COMPATÍVEL COM A OPERAÇÃO DE VENDA DE VEÍCULOS USADOS. Não há incompatibilidade entre a presunção legal de omissão de receitas, decorrente da apuração de depósitos bancários de origem não identificada, e a sistemática de tributação da venda de veículos usados, na medida em que: (i) nenhuma pessoa, física ou jurídica, está desobrigada de comprovar as operações que teriam originado os depósitos efetuados em suas contas correntes, devendo manter os adequados controles para comprovar a regularidade fiscal dos recursos assim recebidos, e (ii) as empresas dedicadas à venda de veículos usados devem emitir as correspondentes notas fiscais de entrada e de saídas/vendas a respaldar a comprovação da operação. As planilhas preenchidas e apresentadas pela empresa em cumprimento às intimações fiscais, isoladamente, não são instrumentos hábeis a comprovar as operações que teriam dado causa aos depósitos/créditos efetuados nas contas correntes. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS DE VEÍCULOS USADOS. Sujeitase à tributação a diferença verificada entre base tributável, apurada exofficio, na documentação apresentada (notas fiscais de entrada e saída de veículos usados), e a base de cálculo informada pela contribuinte na DIPJ. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO DO LUCRO. Na revenda de veículos automotores usados, de que trata o art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, aplicase o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta, correspondente à diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos (Súmula CARF nº 85). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 13 19 /2 01 0- 13 Fl. 3041DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 3 2 OMISSÃO DE RECEITAS. COMISSÃO DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. Configura omissão de receitas de comissão na intermediação dos contratos de financiamento, a divergência verificada entre base tributável, apurada exofficio, nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf, apresentadas pelas fontes pagadoras, e a base de cálculo informada pela contribuinte na DIPJ, e que teria respaldado a constituição dos débitos correspondentes nas DCTF. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA DE RECEITAS DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. A prática reiterada de deixar de declarar receitas sabidamente auferidas, acerca das quais sequer é demonstrada a emissão das correspondentes notas fiscais, justifica a imposição de multa qualificada. REITERAÇÃO DE PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INTUITO DE FRAUDE NÃO DEMONSTRADO. A falta de escrituração de depósitos bancários e de comprovação de sua origem autorizam a presunção de omissão de receitas, mas o intuito de fraude somente é caracterizado se reunidas evidências de que os créditos decorreriam de receitas de atividade, de modo a provar, ainda que por presunção, a intenção do sujeito passivo de deixar de recolher os tributos que sabia devidos. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizado o evidente intuito de fraude na falta de recolhimento do crédito tributário lançado, o prazo para sua constituição, por meio do lançamento, é regido pelo art. 173, I do CTN. EXERCÍCIO. DEFINIÇÃO. Segundo as normas de direito financeiro, o exercício corresponde ao ano civil (de 1o de janeiro a 31 de dezembro). FORMA DE CONTAGEM DO PRAZO ESTIPULADO NO ART. 173, I DO CTN. O prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN tem início no primeiro dia do ano civil posterior ao ano civil no qual o lançamento do tributo devido pode ser efetuado, e o lançamento somente pode ser efetuado depois de encerrado o período de apuração do tributo correspondente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal exigido; 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, divergindo a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negavam provimento ao recurso, e votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO aos recursos de ofício e voluntário relativamente à arguição de decadência; e 5) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Fl. 3042DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 4 3 Júnior, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 3043DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório MANTOVA COMÉRCIO DE VEÍCULOS, PEÇAS E SERVIÇOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP que, por maioria de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 29/01/2010, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 28.165.505,59. A investigação fiscal resultou de expressivas divergências entre a movimentação financeira com base na CPMF e as receitas efetivamente declaradas nas respectivas DIPJ, apresentadas na sistemática do lucro presumido para os anoscalendário 2004, 2005 e 2006. O exame da escrituração fiscal revelou que a totalidade da movimentação financeira consignada nos extratos bancários exibidos pela fiscalizada, não estava devidamente registrada nos Livros Razão apresentados, fato que levou a imediata desconsideração desta escrita. Durante os 500 (quinhentos) dias subsequentes a Fiscalização informa ter orientado a contribuinte a reconstituir sua escrituração fiscal e contábil, mas ao final a contribuinte conseguiu comprovar apenas parte de suas transações comerciais. Em razão destas análises constatouse: · Omissão de Receita Apurada em relação à Receita Declarada em DIPJ/DCTF o Com base nas Notas Fiscais de Venda equiparada a consignação, apresentadas pela contribuinte durante o procedimento fiscal, as quais foram admitidas como origem de parte dos depósitos bancários creditados ao sujeito passivo. A partir destes documentos foi possível determinar o lucro obtido na comercialização de veículos usados, submetidos a tributação na forma da Instrução Normativa SRF nº 152/98; o Com base nas receitas de prestação de serviços de comissão de intermediação financeira apurada a partir das DIRF entregues pelas instituições financeiras/crédito: as fontes pagadoras informaram receitais anuais de R$ 1.688.569,00 (2004), R$ 3.554.563,00 (2005) e R$ 4.010.943,00 (2006), e estes montantes foram considerados como origem de parte dos depósitos bancários creditados ao sujeito passivo; · Omissão de Receita Depósitos/Créditos de Origem Não Comprovada: selecionados os depósitos bancários passíveis de comprovação, nos totais anuais de R$ 30.547.773,00 (2004), R$ 64.919.786,00 (2005), R$ 88.143.990,00 (2006), restaram sem comprovação as parcelas que não foram correlacionadas com as operações antes descritas. As exigências de IRPJ e CSLL no anocalendário 2006 foram determinadas mediante arbitramento dos lucros, tendo em conta a ausência de escrituração de depósitos bancários em livro caixa e/ou razão consistente, bem como pela impossibilidade de se comprovar o lucro efetivo obtido. Sobre as receitas presumidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada foi aplicado o coeficiente de 9,6% para apuração do lucro Fl. 3044DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 6 5 tributável, e sobre as demais receitas auferidas foi aplicado o coeficiente de 38,4% para arbitramento do lucro. Nos anoscalendário 2004 e 2005 foi respeitada a opção da contribuinte pelo lucro presumido. Além disso, foram exigidas a Contribuição ao PIS e a Cofins sobre as receitas omitidas. A multa de ofício foi qualificada em razão de evidente intuito de fraude, revelado pela falta de declaração reiterada e sistemática de receitas auferidas, além de a contribuinte tentar ludibriar o fisco ao inserir elementos inexatos em sua contabilidade visando dolosamente não recolher os tributos devidos. Impugnando a exigência, a contribuinte arguiu a decadência do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2004, discordou da imputação de omissão de receitas, questionou o procedimento fiscal e a metodologia adotada, argumentou que o lucro também deveria ter sido arbitrado nos anoscalendário 2004 e 2005, reportouse aos esclarecimentos apresentados no curso da fiscalização e defendeu o cancelamento das exigências. Questionou a equiparação da venda de veículos usados a prestação de serviços e o regime de reconhecimento de receitas adotado pela Fiscalização, opôsse à presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, asseverou que a Fiscalização tinha meios para apurar sua real receita, criticou a forma de demonstração das infrações e pediu o cancelamento dos lançamentos por falta de liquidez e certeza. Discordou da qualificação da penalidade e da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. A Turma Julgadora acolheu parcialmente a arguição de decadência relativamente aos créditos tributários cujo lançamento era possível no próprio anocalendário de 2004. No mais, rejeitou os argumentos da impugnante em acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Diligência. Indeferimento. Indeferese a produção de prova diligencial, por se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a mera juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. Nulidade. Inocorrência. Observados os requisitos essenciais de validade, prescritos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não tendo se configurado qualquer das hipóteses de nulidade do art. 59 deste último decreto regulamentar, deve ser declarada a validade formal dos lançamentos em apreço. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Omissão de Receitas. Depósito Bancário. Falta de Comprovação da Origem. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Omissão de Receitas. Depósito Bancário. Falta de Comprovação da Origem. Presunção Compatível com a Operação Venda de Veículos Usados. Fl. 3045DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 7 6 Não há incompatibilidade entre a presunção legal de omissão de receitas, decorrente da apuração de depósitos bancários de origem não identificada, e a sistemática de tributação da venda de veículos usados, na medida em que: (i) nenhuma pessoa, física ou jurídica , está desobrigada de comprovar as operações que teriam originado os depósitos efetuados em suas contas correntes, devendo manter os adequados controles para comprovar a regularidade fiscal dos recursos assim recebidos, e (ii) as empresas dedicadas à venda de veículos usados devem emitir as correspondentes notas fiscais de entrada e de saídas/vendas a respaldar a comprovação da operação. Omissão de Receitas. Depósito Bancário. Falta de Comprovação da Origem. Operação Venda de Veículos Usados. Prova Hábil. As planilhas preenchidas e apresentadas pela empresa em cumprimento às intimações fiscais, isoladamente, não são instrumentos hábeis a comprovar as operações que teriam dado causa aos depósitos/créditos efetuados nas contas correntes. Para afastar a imputação de omissão de receitas, por falta de comprovação da origem dos recursos, deveria a empresa ter apresentado as competentes notas fiscais de entrada e de saída/venda relativas às operações de venda de veículos usados, estas últimas em valores compatíveis aos depósitos consignados nos extratos das contas correntes. Omissão de Lucros. Vendas de Veículos Usados. Notas Fiscais de Saídas/Vendas. Configura omissão de lucros, nas vendas de veículos usados, a divergência verificada entre base tributável, apurada exofficio, na documentação apresentada (notas fiscais de entrada e saída de veículos usados), e a base de cálculo informada pela contribuinte na DIPJ, e que teria respaldado a constituição dos débitos correspondentes nas DCTF. Omissão de Receitas. Comissão de Intermediação Financeira. DIRF. Configura omissão de receitas de comissão na intermediação dos contratos de financiamento, a divergência verificada entre base tributável, apurada exofficio, nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf, apresentadas pelas fontes pagadoras, e a base de cálculo informada pela contribuinte na DIPJ, e que teria respaldado a constituição dos débitos correspondentes nas DCTF. Regime de Reconhecimento das Receitas. Na ausência de prova em contrário a ser ofertada pela contribuinte, admitese a tributação das receitas comprovadamente auferidas nas operações de venda, corroboradas pelas notas fiscais emitidas, e nas operações de intermediação de negócios, consignadas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras. Apenas se apresentada a contraprova hábil a desconstituir a prova construída pelo Fisco, é que a exigência poderia ser afastada por inconsistência no regime de reconhecimento das receitas. Lucro Presumido. AnosCalendário 2004 e 2005. Erro na Sistemática de Tributação. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária deve determinar o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. O erro na sistemática de tributação adotada somente pode comprometer irrevogavelmente o lançamento quando: (i) comprometida a base de cálculo apurada por exemplo, nas hipóteses legais de arbitramento dos lucros, em que indevidamente é mantido o Lucro Real, de forma que a tributação incida sobre a Fl. 3046DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 8 7 receita e não sobre o lucro; ou (ii) quando a adoção da sistemática de tributação válida impõe uma fundamentação específica não referida no lançamento. A manutenção, no lançamento, da sistemática de tributação já adotada pela empresa impede que se reconheça a possibilidade de ter sido subtraído da contribuinte o conhecimento de qualquer fato. Coeficiente de Determinação do Lucro Presumido/Arbitrado. Venda de Veículos Usados. Equiparação à Consignação. Ao equiparar, para fins tributários, a venda de veículos usados às operações de consignação, a Lei, jurídica e tributariamente, descaracterizou a natureza propriamente mercantil de tais operações, ao permitir que fosse considerada como receita bruta apenas a diferença entre a venda e a compra do veículo usado, fazendo incidir a tributação exatamente sobre o lucro auferido nas operações de consignação. Não é possível juridicamente afetar a base de cálculo de uma incidência sem devido efeito sobre a natureza da operação, pelo menos para fins tributários. Lucro Arbitrado. Anocalendário 2006. O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, deve ser determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para a determinação do Lucro Presumido, acrescidos de vinte por cento. Apesar de ter sido conhecida, mediante prova indireta, por presunção, instituída em Lei, a receita omitida é a receita conhecida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Multa Qualificada. Omissão de Receita. Expressiva, Sistemática e Reiterada. Inaplicável ao caso a Súmula nº 14 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, na medida em que não se trata de simples apuração de omissão de receitas, mas de apuração de omissão de receitas com circunstâncias (quais sejam: informação sistemática e reiterada à RFB de bases de cálculo e de tributos devidos em valores expressivamente menores do que os efetivamente apurados) que autorizam a qualificação da multa de ofício, porque comprovado o evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Multa Qualificada. Omissão de Receita. Presunção Legal. A qualificação da multa de ofício não é incompatível com a imputação de omissão de receitas por presunção legal. Na verdade, a presunção legal é apenas um meio indireto de provar o fato (omissão de receitas), e não tem o condão de comprometer o juízo acerca do dolo da conduta, principalmente quando: (i) não se trata de uma operação isolada, mas de praticamente toda a movimentação financeira da empresa de três anos; (ii) a escrituração mantida não faz prova da regularidade fiscal da movimentação financeira; e (iii) a informação prestada à RFB acerca das receitas auferidas ao longo do ano é comprovadamente falsa, não apenas em face da presunção legal, mas das notas fiscais emitidas pela própria empresa autuada e das DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras. Decadência. Lançamento por Homologação. Fl. 3047DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 9 8 Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo a apuração e o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Decadência. Dolo. Fraude. Simulação. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Juros de Mora. Incidência sobre a Multa de Ofício. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela SRF, configurandose regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. A exoneração de parte do crédito tributário lançado foi submetida a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 06/07/2010 (fl. 2032), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 02/08/2010 (fls. 2036/2088), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Inicialmente observa que embora tenha apresentado à d. fiscalização farta documentação comprobatória de sua atividade, foi submetida a exacerbada autuação, apenas parcialmente cancelada na decisão de 1ª instância. Na sequência, defende a decadência, também, dos créditos tributários de IRPJ e CSLL exigidos no 4º trimestre/2004, bem como da Contribuição ao PIS e da COFINS lançadas em dezembro/2004, dada a formalização do lançamento em 29/01/2010. Subsidiariamente argumenta que mesmo aplicando o art. 173, I do CTN, as exigências pertinentes ao anocalendário 2004 estariam alcançadas pela decadência porque o trimestre/mês do fato gerador representaria o "exercício em curso" e o 1º dia do próximo ano materializa o "início do exercício seguinte". Aborda a precariedade do trabalho fiscal, reportandose à metotologia equivocada, visto que há legislação específica que deve ser aplicada na apuração do lucro da atividade de compra e venda de veículos, e à conclusão contraditória se comparada com as premissas adotadas. Primeiramente observa que a Fiscalização, desconsiderou imediatamente a escrita da Recorrente por entender que a movimentação consignada nos extratos bancários não estava registrada no Livro Razão em sua totalidade, e na sequência pretendeu comparar as receitas escrituradas/declaradas pela Recorrente com a sua movimentação financeira, sem observar que sua receita corresponde apenas à diferença entre o custo da compra e o valor da venda do veículo, que é sempre muito inferior ao valor da nota fiscal de venda emitida e ao valor dos depósitos bancários registrados em sua movimentação financeira. Discorre sobre os efeitos da Lei nº 9.716/98, reportase aos relatórios apresentados no curso do procedimento fiscal, e aponta contradição entre a postura fiscal que afirma consistentes os dados apresentados, em relação às notas fiscais de vendas e compras exibidas, e ignora esta metodologia diferenciada de apuração ao afirmar que o relatório apresenta montante incompatíveis com a movimentação financeira. Transcreve outros excertos da acusação fiscal para enfatizar que a Fiscalização procurou comparar o incomparável. Fl. 3048DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 10 9 Na sequência, afirma que a forma de tributação adotada para apuração do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário 2004 e 2005 é incompatível com a desconsideração de sua escrituração, pois em tais circunstâncias o lucro deveria ter sido arbitrado, com majoração dos percentuais de presunção do lucro e adoção dos relatórios "demonstrativo detalhado da apuração do lucro por placa de veículo, validado pela própria fiscalização, como já assinalado anteriormente. Cita jurisprudência em favor de seu entendimento, observa que tais contradições dificultaram sua defesa, e pede a declaração de nulidade dos lançamentos. Acrescenta, ainda, que há outras impropriedades/contradições no trabalho fiscal, ante a aplicação da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 mesmo frente a documentos, demonstrativos e relatórios que contêm elementos mais que suficientes para se apurar o lucro efetivo da atividade de compra e venda de veículos. Contrapondose a afirmação fiscal específica, diz que a fiscalização primou pelo aproveitamento somente dos extratos bancários, desconsiderando todos os demais elementos capazes de evidenciar o efetivo lucro auferido na compra e venda de veículos. Enfatiza que, embora discordando da metodologia adotada pelo Fisco, para não ser acusada de embaraço à fiscalização, apresentou relatórios no modelo sugerido pela Fiscalização para comprovação da origem dos depósitos bancários, ocasião em que não era obrigada a demonstrar o ganho/lucro obtido nas operações, porque a Fiscalização teria os meios para apurálo, sem optar pelo trabalho mais cômodo de lançar com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, apesar de conhecer a tributação diferenciada de suas atividades. Menciona, ainda, a existência de contradição no título da última coluna do Anexo 2 do Termo de Verificação fiscal, reportandose à abordagem acerca deste ponto na decisão recorrida e reafirmando que a dupla negativa ali consignada resulta na confirmação de que a origem dos depósitos foi comprovada, e não poderiam ter sido considerados como base de cálculo dos tributos lançados. Conclui que os equívocos, contradições, inconsistências e impropriedades demonstradas acima são mais que suficientes para cancelar os Autos de Infração ora refutados, vez que maculam o trabalho fiscal retratado no Termo de Verificação Fiscal e demonstrativos que o acompanham (fls. 98/123), que, à evidência, não podem servir de sustentação para a apuração das bases tributáveis lançadas nos autos de infração combatidos. A recorrente reitera a alegação de imprestabilidade do demonstrativo/listagem de depósitos bancários com origem não comprovada, reproduzindo a abordagem da matéria na decisão recorrida e observando que como o referido demonstrativo fundamenta os lançamentos decorrentes da presunção de omissão de receitas, a falta de totalização dos depósitos bancários ao final de cada mês, sem sombra de dúvidas, cerceia o direito de defesa da Recorrente, vez que impossibilita a correta identificação da matéria tributável e do tributo devido. Acrescenta que o §1º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 situa a omissão de receitas no mês do crédito efetuado, a evidenciar a importância desta identificação, e assevera que a ausência de totalização mensal impede a correlação deste demonstrativo com o Anexo 5 elaborado pela Fiscalização, e que a própria autoridade julgadora de 1ª instância reconheceu ser muito grande o volume de depósitos, sendo impossível para a Recorrente ratificar se o valor registrado em um demonstrativo corresponde exatamente à soma dos depósitos listados no outro relatório. Ademais, não lhe foi disponibilizado o arquivo eletrônico da "Relação Detalhada", feito provavelmente em arquivo tipo xls (Excel) e utilizado pela fiscalização. Fl. 3049DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 11 10 Relaciona 10 (dez) depósitos bancários considerados sem comprovação da origem, e diz que foram elaborados demonstrativos detalhados contendo a data e o valor do depósito, os dados da venda (placa, tipo de carro, data da venda, valor da venda), dados da transferência financeira e identificação do vendedor e do comprador (nome e CPF), para comprovar sua origem. Faz referência à fl. 270 e à fl. 1997v dos autos, e descreve uma das operações para afirmar imprestável o demonstrativo elaborado pela Fiscalização, defendendo o cancelamento das exigências decorrentes de supostos depósitos bancários de origem não comprovada. Reportase às impropriedades na apuração da suposta "omissão de receita de serviço" e "omissão de receita de venda" notas fiscais de venda (lucro bruto) x valor da receita extraída da DIRF x receita declarada DIPJ, inicialmente defendendo que a equiparação promovida pela Lei nº 9.716/98 não autoriza concluir que as operações de compra e venda de veículos se equiparam a prestação de serviços, pois elas subsistem como atividade comercial de compra e venda de veículos. Neste sentido, diz ser impróprio o confronto entre as notas fiscais de vendas (lucro bruto) e o valor das receitas extraídas da DIRF, posto que é ilógico e sem sentido tomar essas duas grandezas para se apurar a suposta receita omitida, além de as duas bases de comparação observarem diferentes regimes de reconhecimento de receitas. Afirma a impossibilidade de aplicação da presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 em atividade na qual o depósito não caracteriza receita, qual seja, de compra e venda de veículos usados. Reportase a julgado administrativo que exige prova da utilização dos valores depositados, capaz de caracterizar a disponibilidade econômica da renda. Diz que a autoridade administrativa tinha elementos mais que suficientes para apurar o lucro efetivo da atividade da Recorrente, como os demonstrativos que lhe foram apresentados, e ainda assim os ignorou, com vistas a aplicar a tributação máxima, muito mais gravosa ao contribuinte, não sendo temerária a alegação da Recorrente, como alega a d. 2ª Turma da DRJ/Campinas. Para demonstrar os equívocos da Fiscalização, indica as apurações pertinentes ao 1º trimestre/2004, mencionando que ao admitir que depósitos bancários no valor de R$ 524.822,00 corresponderiam a notas fiscais de venda emitidas em janeiro/2004, a Fiscalização tributou daquelas operações apenas o lucro de R$ 36.891,00, equivalente a 7,02% da receita de vendas, percentual semelhante ao verificado em fevereiro/2004 (8,7%) e março/2004 (7,4%). Conclui, assim, ser possível asseverar que apenas 7,02 % dos depósitos bancários representariam "receita" da atividade de compra e venda de veículos, passível de tributação, metodologia que refletiria de forma mais próxima o que ocorre na realidade. Invoca metodologia semelhante aplicada por este Conselho em caso de empresas de factoring, cuja atividade pressupõe volumosa movimentação bancária, e também submetese a legislação específica que determina que a receita da atividade corresponde a determinado percentual sobre o valor da operação. Cita caso semelhante no qual a própria Delegacia da Receita Federal do Brasil, em sede de procedimento de fiscalização, reconhece que não se pode tomar a soma dos depósitos bancário pura e simplesmente como base de cálculo da suposta receita omitida, devendo os depósitos serem tomados como indícios, início de investigação. Considerando que a Fiscalização dispunha de elementos para determinação da base tributável, e a regência específica da matéria pela Lei nº 9.716/98, entende que a presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 deve ser prontamente afastada. Fl. 3050DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 12 11 Observa, ainda, que apresentou todas as notas fiscais que conseguiu cruzar com os depósitos bancários, mas que não esgotou este cruzamento em razão do grande volume de operações, inclusive requerendo ajuda às instituições financeiras acerca dos veículos vendidos, mas sem ter obtido ainda estas informações, de modo que não pode ser prejudicada por esta razão, consoante julgado administrativo ao qual se reporta. Entende, assim, que ao deixar de acolher as provas apresentadas, e fiandose na presunção legal, o Fisco abdicou da descoberta da verdade material, transferindo toda carga probatória para a Recorrente, procedimento esse que deve ser rechaçado por este Conselho. De toda sorte, defende que a presunção legal estaria elidida pela comprovação da origem dos depósitos a partir da identificação das instituições financeiras remetentes dos numerários em razão dos financiamentos de veículos usados vendidos pela empresa autuada. Aduz que a própria Fiscalização comprovou e atestou que o volume de depósitos bancários referese a créditos efetuados por instituições financeiras em conta bancária da Recorrente, todos provenientes de contratos de financiamento de veículos usados vendidos pela empresa autuada, operações de financiamento só concretizadas mediante a apresentação das respectivas notas fiscais de vendas, tempestivamente emitidas, porque imprescindíveis para a obtenção do financiamento do comprador. Em tais circunstâncias, a receita corresponderia unicamente à diferença entre o valor de venda e o custo da compra, procedimento não observado pela Fiscalização, a despeito da descrição "autoexplicativa" contida nos extratos bancários da Recorrente. Invoca o art. 42, §2º da Lei nº 9.430/96, e pede o cancelamento da exigência. Observa que alguns valores lançados decorrem da suposta aplicação indevida do coeficiente de determinação do lucro presumido para apuração do IRPJ (8%) e reitera sua discordância quanto à classificação, pela Fiscalização de sua atividade de venda de veículos usados como prestação de serviços. Diz que ficções jurídicas como as previstas no art. 5º da Lei nº 9.716/98 não permitem interpretações extensivas, e que a lei, ao equiparar as operações de compra e venda de veículos usados a operações de consignação, apenas estipulou que a tributação incide sobre a diferença verificada entre as notas fiscais de venda e aquisição, sendo equivocada a equiparação de "consignação" a prestação de serviços, para fins de aplicação do coeficiente de 32%, como defendido na decisão recorrida. A atividade da pessoa jurídica continua a ser comercial, e a equiparação a prestação de serviços foi afastada pelo TRF/4a Região ao apreciar mandado de segurança coletivo impetrado pela Associação de Revendedores de Veículos Automotores no Estado de Santa Catarina, consoante excertos do julgado que transcreve. Discorda também o arbitramento dos lucros no anocalendário 2006, vez que a aplicação do art. 532 do RIR/99 pressupõe receita bruta conhecida, à qual não se equipara a omissão de receita caracterizada por presunção legal. Cita julgados administrativos neste sentido. Afirma imprópria, ainda, a tributação isolada do lucro cumulada com arbitramento com base em depósito bancário, no anocalendário 2006. Isto porque a Fiscalização classificou sua contabilidade como imprestável, e ainda assim verificou a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pela Recorrente em sua escrituração contábil, comprovados no Demonstrativo de Lucro por Placa de Veículo exibido pela empresa autuada. Este procedimento revela a adoção de critérios contraditórios e excludentes e evidenciam excesso de subjetividade na apreciação dos documentos Fl. 3051DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 13 12 disponibilizados pela Recorrente, assim como mudança aleatória de metodologia, de cunho exclusivamente arrecadatório. Conclui, assim, que por qualquer ângulo de análise, os autos de infração relativos ao anocalendário não podem prosperar. Opõese à qualificação da penalidade, vez que não restou comprovada a prática de quaisquer das infrações previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Defende que depósito bancário não é motivo para agravamento de penalidade, mormente tendo em conta que todos os rendimentos tributáveis foram devidamente registrados na contabilidade, de acordo com a sistemática prevista na Lei nº 9.716/98, e em algumas operações sofreu prejuízos. Invoca a Súmula nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuinte e discorda da acusação fiscal no sentido de que o suposto "intuito doloso" da Recorrente seria resultante da prática reiterada de "uma única infração", qual seja, "a omissão de rendimentos". Ademais, a acusação de omissão de rendimentos em mais de um anocalendário não justifica o agravamento da penalidade, especialmente na situação em análise, quando a Fiscalização admite como válida a escrituração apresentada pelo contribuinte em determinados períodos, como aconteceu no presente caso em relação aos anoscalendário de 2004 e 2005. Cita, ainda, julgados administrativos em abono ao seu entendimento de que inexiste no ordenamento jurídico presunção legal no sentido de exigir a aplicação de multa agravada na hipótese de autuação calcada na presunção legal de omissão de rendimentos apurada em mais de um anocalendário consecutivo. Diz que a retórica invocada pelo julgador não é compatível com os critérios por ele adotados na apreciação da impugnação apresentada pela Recorrente, pois da leitura do acórdão recorrido observase que a manutenção da multa agravada está fundamentada na malfadada presunção hominis, inaceitável no âmbito do Direito Tributário, assim como na aplicação de raciocínio destituído de qualquer respaldo na legislação em vigor, consubstanciado, por exemplo, na adoção de suposta "prática reiterada" para caracterizar evidente intuito de fraude. E assevera ser absurdo agravar a penalidade da exigência fiscal em relação a períodos nos quais a escrituração contábil foi considerada apta e idônea pela fiscalização. Acrescenta que a fundamentação adotada pela autoridade fiscal para agravar a penalidade foi reproduzida de auto de infração lavrado contra ouro contribuinte, em situação absolutamente distinta da que se verifica nos presentes autos, dada as referências reiteradas ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e conclui que houve aplicação de argumentos e dispositivos de legislação notoriamente inaplicáveis à situação em exame, a exemplo da menção ao inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que prevê a aplicação de multa isolada, para justificar o agravamento da penalidade. Afirma, também, a ausência de convicção da autoridade autuante para agravar a penalidade, em razão de vícios no auto de infração reconhecidos pela própria DRJ/CPS (agravamento da penalidade apenas de maio a dezembro, no anocalendário 2006). Discorda da afirmação da autoridade julgadora no sentido de que foi beneficiada pelo erro perpetrado, dada a eleição de critérios subjetivos e destituídos de previsão legal que inquina de incerteza a autuação, e prejudica em muito a Recorrente. E entende que o art. 112 do CTN é plenamente aplicável em tais circunstâncias. Defende, ainda, ser equivocado o agravamento da penalidade com base no art. 71 da Lei nº 4.502/64, vez que não praticou a infração ali descrita, mas sim realizou Fl. 3052DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 14 13 operações de maneira clara, explícita, e delas a fiscalização teve fácil conhecimento, sem qualquer embaraço ou tentativa da Recorrente de ocultar as operações de venda de veículos praticadas durante o período fiscalizado. Descreve os documentos apresentados à Fiscalização, reportase à constatação fiscal de que o relatório apresentado no curso do procedimento era consistente com as notas fiscais de vendas e compras exibidas, e afirma não ser digna de confiança a ilação no sentido de que a Recorrente "não foi capaz de apresentar a documentação fiscal das operações". Reitera que a presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 não enseja a criação de novas presunções, cita doutrina e destaca que cabe ao Fisco a incumbência de comprovar o dolo do contribuinte nas denominadas "infrações subjetivas", o que não se faz com mera alegação de prática reiterada. E acrescenta que não mediu esforços para atender prontamente às incontáveis exigências feitas pelo d. agente fiscal, a quem cumpria questionar e/ou desconstituir as provas juntadas pela Recorrente e que por si só evidencia a origem das operações , mediante o emprego de outros mecanismos disponibilizados pelo ordenamento jurídico. Finaliza asseverando que a autoridade fiscal aplicou a multa agravada tãosomente com o objeto de contornar a sua desídia, para desta forma, tentar alcançar período já extinto pela decadência. Por fim, discorda da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, ante a ausência de previsão legal, ou ao menos enquanto a acusação estiver pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Argumenta que a lei somente cogita da aplicação de juros de mora sobre a multa moratória exigida mediante a lavratura de auto de infração. Fl. 3053DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 15 14 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A preliminar de decadência renovada em recurso voluntário, bem como o recurso de ofício decorrente de exoneração motivada pelo reconhecimento parcial da decadência arguida em impugnação, porque afetados pela acusação de fraude, serão apreciados ao final. A recorrente afirma precário o trabalho fiscal, em razão da metodologia adotada, não só em razão da legislação específica que rege a apuração do lucro da atividade de compra e venda de veículos usados, como também em decorrência da desconsideração preliminar de sua escrita e posterior arbitramento dos lucros apenas no anocalendário 2006. Tais aspectos, porque poderiam ensejar a declaração de nulidade dos lançamentos, serão apreciados preliminarmente. Com referência à alegada comparação das receitas escrituradas/declaradas pela Recorrente com a sua movimentação financeira, promovida pela Fiscalização supostamente sem observar que sua receita corresponde apenas à diferença entre o custo da compra e o valor da venda do veículo, que é sempre muito inferior ao valor da nota fiscal de venda emitida e ao valor dos depósitos bancários registrados em sua movimentação financeira, cumpre esclarecer que não foi este o procedimento aqui adotado, como bem exposto na decisão recorrida: II DDAA CCOOMMPPAATTIIBBIILLIIDDAADDEE EENNTTRREE AA PPRREESSUUNNÇÇÃÃOO LLEEGGAALL DDEE OOMMIISSSSÃÃOO DDEE RREECCEEIITTAASS PPOORR FFAALLTTAA DDEE CCOOMMPPRROOVVAAÇÇÃÃOO DDAA OORRIIGGEEMM DDOOSS DDEEPPÓÓSSIITTOOSS BBAANNCCÁÁRRIIOOSS EE AA TTRRIIBBUUTTAAÇÇÃÃOO DDIIFFEERREENNCCIIAADDAA DDAASS OOPPEERRAAÇÇÕÕEESS DDEE VVEENNDDAA DDEE VVEEÍÍCCUULLOOSS UUSSAADDOOSS A presente fiscalização foi instaurada em função das expressivas divergências apuradas entre a movimentação financeira de recursos nas contas correntes de titularidade da empresa e as receitas efetivamente declaradas nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, e que teriam servido de suporte aos recolhimentos de tributos, efetivados nos anoscalendário de 2004 a 2006. Nos termos da legislação em vigor, os titulares das contas de depósitos ou de investimentos, mantidas junto a instituições financeiras, têm o ônus de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem de todos os valores ali individualizadamente creditados, sob pena de tais recursos serem reputados como oriundos de receitas omitidas da atividade empresarial. Consta também expressamente da legislação que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submetemse às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Quanto ao tratamento diferenciado dado às operações de venda de veículos usados, convém fazer referência às determinações da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, in verbis: Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos Fl. 3054DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 16 15 tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículo s usados , adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída , sujeitando se ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. De acordo com as disposições legais acima, já é possível inferir que apenas as operações de venda de veículos usados estão abrangidas pelo tratamento diferenciado, e que para a fruição do benefício é necessária a observância de controles (obrigações acessórias) a corroborarem a operação, mediante a emissão da competente documentação fiscal de suporte, quais sejam, as notas fiscais de entrada e de saída/venda dos veículos usados. Para aprofundar a regulamentação do preceito legal, foram também editadas as Instruções Normativas SRF nº 152, de 16 de dezembro de 1998, e nº 247, de 21 de novembro de 2002, com o seguinte disciplinamento: Instrução Normat iva SRF nº 152 , de 16 de dezembro de 1998 DOU de 17 /12/1998, pág . 105 Dispõe sobre a determinação da base de cálculo de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente às operações com veículos usados. Alterada pela IN SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002. (*) O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 5° da Lei n° 9.716, de 26 de novembro de 1998, resolve: Art. 1° A pessoa jurídica sujeita à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real, presumido ou arbitrado, que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, deverá observar, quanto à apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal – SRF, o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 2° Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1° Na determinação das bases de cá lculo de que trata este art igo será computada a diferença entre o va lor pelo qual o ve ículo usado houver sido a l ienado, constante da nota f iscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota f iscal de entrada . § 2° O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. Art. 3° A pessoa jurídica deverá manter em boa guarda, à di sposição da Secretaria da Receita Federal , os demonstrativos de apuração das bases de cálculo a que se refere o artigo anter ior . Art. 4° As disposições desta Instrução Normat iva apl icamse exclusivamente para efe itos tr ibutários . Art. 5° Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 30 de outubro de 1998. Instrução Normat iva SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 DOU de 26 .11 .2002 Dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral. Fl. 3055DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 17 16 Art. 10. [...] § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido a l ienado, constante da nota f iscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota f iscal de entrada . § 6º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que tratam os §§ 4º e 5º, é o preço ajustado entre as partes. Decorre dos atos normativos acima transcritos, que a pessoa jurídica dedicada à venda de veículos usados, além da emissão da documentação fiscal de suporte das operações de aquisição e venda dos veículos usados, essencial para a determinação das bases de cálculo diferenciadas dos tributos devidos, deve manter em boa guarda, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os demonstrativos de apuração das bases de cálculo dos tributos nas operações em apreço , tendo em conta que a especificidade de tratamento prevista em Lei, não deve afetar a escrituração comercial das empresas. Nesse contexto, oportuno dizer que não há qualquer incompatibilidade entre a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e a sistemática de tributação prevista no art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, na medida em que: (i) nenhuma pessoa, física ou jurídica1, está desobrigada de comprovar as operações que teriam originado os depósitos efetuados em suas contas correntes, devendo manter os adequados controles para comprovar a regularidade fiscal dos recursos assim recebidos, e que (ii) as empresas dedicadas à venda de veículos usados devem emitir as correspondentes notas fiscais de entrada e de saídas/vendas a respaldar a comprovação da operação. Assim sendo, para corroborar a argumentação da Impugnante de que toda a movimentação financeira, detectada nas contas correntes de sua titularidade, teria tido por origem operações de venda de veículos usados, bastaria que a empresa tivesse apresentado as competentes notas fiscais de entrada e de saída/venda relativas às operações, estas últimas em valores correspondentes aos depósitos consignados nos extratos das contas correntes. Notese que todas as notas f iscais de saídas/vendas de veículos usados, disponibil izadas pela empresa , foram consideradas como origem de parte dos recursos depositados nas contas correntes de titularidade da empresa, conforme Anexo 4 ao termo de constatação e intimação de fls. 1855/1857. É de se ressaltar que, seguindo os critérios adotados pela fiscalização no lançamento, se a empresa tivesse apresentado notas fiscais de saídas/vendas de veículos usados a suportar toda a movimentação financeira verificada em suas contas correntes, não teria remanescido qualquer exigência a ser formulada com 1 Podese dizer que mesmo as pessoas jurídicas imunes ou isentas devem fazer a prova hábil e idônea da origem dos recursos depositados em suas contas correntes, para a verificação da observância dos requisitos legais previstos no art. 14 do CTN: I – não distribuição de qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicação integralmente, no País, dos seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; e III manutenção de escrituração de receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Na falta de cumprimento de tais requisitos, deve a autoridade competente suspender a aplicação do benefício. Fl. 3056DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 18 17 base na falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Foi justamente porque não apresentada a comprovação das operações que teriam dado causa à maioria dos depósitos, que os recursos foram tributados como omissão de receitas da atividade. Talvez seja importante esclarecer que as relações denominadas “Planilha Modelo – Mantova Veículos Comprovação de Depósitos/Créditos Bancários e Comprovação de Lucro Por Operação”, de fls. 264/306, apresentadas pela empresa em cumprimento às intimações fiscais, isoladamente, não são instrumentos hábeis a comprovar as operações que teriam dado causa aos depósitos. Para a comprovação da operação que teria dado causa aos depósitos/créditos efetuados nas contas correntes, impõese a apresentação da documentação hábil e idônea, qual seja, as notas f iscais de saída/venda de veículos usados, acompanhadas das correspondentes notas f iscais de entrada . Diante da ausência de tal documentação, completamente inapropriada a afirmação da defesa de que “a autoridade administrativa tinha elementos mais que suficientes para apurar o lucro efetivo da atividade da Impugnante”. Nesse aspecto, também, revelase, no mínimo, temerária a alegação da Impugnante de que “a conduta de aplicar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 teve como único propósito aplicar a tributação máxima, muito mais gravosa ao contribuinte”. Na verdade, diante da falta de comprovação, com documentação hábil e idônea, da maior parte dos recursos depositados nas contas correntes de titularidade da empresa, a imputação de omissão de receitas não poderia deixar de ser feita pelo agente fiscal, por dever de ofício, sob pena de responsabilidade funcional. Para confirmar que a autoridade dispunha de elementos para apurar a efetiva receita da atividade da empresa, ainda sugere a contribuinte, que deveria a fiscalização ter tributado os valores depositados nas contas correntes de origem não identificada , com base nas seguintes presunções: (i) de que se trataria de recursos originados da atividade de venda de veículos usados; e (ii) que, em média2, apenas 7,02% dos depósitos bancários (valor da nota fiscal de venda) representariam ‘receita’ (lucro) da atividade de compra e venda de veículos, passível de tributação. Conforme já assinalado anteriormente, o ônus da prova de que os depósitos bancários, tributados conforme Anexo 2 ao termo de verificação fiscal de 29/01/2010 (fls. 119/121), tiveram por origem as operações de venda de veículos usados é da própria empresa. Não integram os presentes autos as notas fiscais de entrada e, principalmente, de saída/venda de veículos usados, prova hábil a validar a argumentação da defesa, até agora sem fundamento fático, de que toda a movimentação financeira seria decorrente da venda de veículos usados. Ademais, conforme assinalado pela própria Impugnante, na defesa apresentada, e ratificado pela Consolidação das Alterações Contratuais, datada de 01/08/2003, em vigor, portanto, na data dos eventos objeto de fiscalização (fls. 161/165), a empresa não se dedicava exclusivamente à venda de veículos usados, mas também ao comércio de veículos novos, nacionais e estrangeiros . É a seguinte a redação da Cláusula Segunda: “O objeto social será: 1. Compra e venda de veículos, novos e usados, nacionais e estrangeiros; 2. Compra e venda de acessórios para veículos; 3. Conserto, reparação, lubrificação e regulagem eletrônica de veículos; 4. Estacionamento para veículos; 2 Média apurada a partir do Anexo 4 ao termo de constatação e intimação de 20/01/2010 (fls. 1855/1857). Fl. 3057DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 19 18 5. Importação de veículos e peças”. Diante de tais elementos, a maior parte das alegações da empresa de não ter sido observada a sistemática de tributação específica prevista para a venda de veículos usados decorreu do simples fato de não ter sido feita a prova da origem do recurso depositado na conta corrente da empresa, ou seja, de não haver apresentado a interessada a emissão das notas f iscais de saída/venda de veículos usados para respaldar toda a movimentação f inanceira consignada nos extratos bancários . Convém reiterar que a previsão contida no art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, abrange exclusivamente as receitas auferidas na atividade de venda de veículos usados , que para receberem tal tratamento, tributariamente menos oneroso, devem estar comprovadas pela documentação hábil e idônea definida pela legislação tributária: notas fiscais de entrada, notas fiscais de saída, demonstrativos de apuração das bases de cálculo, e se for o caso, escrituração comercial. In casu, ainda que se tratasse de empresa dedicada, exclusivamente, à compra e venda de veículos usados, o que não é o caso da Impugnante, deveria ser feita a prova da vinculação entre os depósitos/créditos efetuados nas contas corrente e as operações de venda de veículos usados. Somente a partir da construção desta prova, é que seria possível a aplicação da legislação específica quanto à determinação das bases de cálculo e dos tributos devidos. Ainda para ratificar que todos os recursos depositados em suas contas correntes teriam origem na atividade empresarial exercida na venda de veículos usados, assevera a Impugnante que a maior parte dos recursos, conforme comprovado e atestado pela própria fiscalização, seria advinda das instituições financeiras que teriam feito transferências, em razão dos financiamentos de veículos usados vendidos pela autuada. Assevera ainda que operações de financiamento só seriam concretizadas mediante apresentação das respectivas notas fiscais de venda, tempestivamente emitidas, porque imprescindíveis para obtenção do financiamento pelo comprador. Nesse aspecto, não se pode confundir o fato de a maior parte dos recursos depositados ser advinda de instituições financeiras, provavelmente em função de contratos de financiamento celebrados entre as instituições financeiras e os adquirentes dos veículos, com o fato de não estar provada a operação praticada pela autuada e que teria dado causa aos depósitos . Noutras palavras: ainda que tais depósitos tenham sido feitos em função de contratos de financiamentos, celebrados entre as instituições financeiras e os adquirentes dos veículos, resta a contribuinte provar a operação por ela praticada e que subjaz a tais contratos de financiamento, principalmente, se se trata de venda de veículos usados ou de venda de veículos novos, tendo em conta que a incidência de tributação diferenciada somente é aplicável àquelas operações e não a estas últimas. Na verdade, diante da dificuldade da empresa, em fazer a prova relativamente a cada um dos valores depositados nas contas correntes de sua titularidade, a fiscalização, em seu favor, acatou como origem de parte dos recursos depositados: (i) as vendas de veículos usados, comprovadas nas notas fiscais de vendas apresentadas, e (ii) as receitas de comissão, auferidas na prestação de serviços de intermediação financeira, apuradas nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, receitas/lucros que foram tributados em separado, quando omitidos. Os valores depositados remanescentes permaneceram sem origem identificada. Às fls. 119/121, consta o Anexo 2 ao Termo de Verificação de 29/01/2010, no qual foram consolidados, mensal e trimestralmente, os valores depositados nas 27 (vinte Fl. 3058DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 20 19 e sete) contas correntes de titularidade da empresa, e excluídas as receitas comprovadamente auferidas na venda de veículos usados e na intermediação financeira, resultando em valores depositados sem origem identificada, nos valores de R$ 19,1 milhões, R$ 44,1 milhões e R$ 31,3 milhões, respectivamente, nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, fato a ensejar a imputação de omissão de receitas. (destaques do original) Era obrigação da contribuinte manter os demonstrativos de apuração das bases de cálculo dos tributos nas operações em apreço, e na parte em que suportado por documentação hábil, todas as notas fiscais de saídas/vendas de veículos usados, disponibilizadas pela empresa, foram consideradas como origem de parte dos recursos depositados nas contas correntes de sua titularidade. Além disso, a empresa apresentava em seu objeto social, também, o comércio de veículos novos, nacionais e estrangeiros, dentre outras atividades de prestação de serviços. Assim, excluídos os depósitos bancários correspondentes às notas fiscais de venda de veículos usados, submetidas à tributação segundo a legislação específica, bem como as demais receitas de prestação de serviços auferidas em atividades de intermediação financeira, os depósitos remanescentes prestamse validamente como indícios da presunção legal de omissão de receitas se não comprovada sua origem. A autoridade fiscal, por sua vez, não está obrigada a tributálos como se decorrentes da compra e venda de veículos usados se o sujeito passivo não demonstra ser esta sua origem. A título de exemplo, tomese nos demonstrativos de apuração das infrações (fls. 1850/1862) as referências a janeiro/2005, mês em que a contribuinte foi beneficiada com depósitos bancários no total de R$ 4.211.581,00. Deste montante, admitiuse comprovada a origem da parcela de R$ 783.319,00 equivalente ao faturamento apurado com base nas notas fiscais de venda, além da parcela de R$ 273.156,00, correspondente à receita de omissão de intermediação financeira apurada com base em DIRF. Já o lucro apurado na venda de veículos usados neste mesmo período foi de R$ 16.256,00, reduzido por estorno decorrente de devoluções no montante de R$ 15.640,00, sendo classificada como tributável apenas a parcela de R$ 619,00, do total de R$ 783.319,00 de depósitos bancários vinculados a esta origem. De outro lado, nas planilhas apresentadas pela contribuinte confirmase que apenas parte das operações descritas foram vinculadas a notas fiscais de venda (fl. 221 e 233) Inexiste, portanto, qualquer contradição na postura fiscal que afirma consistentes os dados apresentados, em relação às notas fiscais de vendas e compras exibidas, e ignora esta metodologia diferenciada de apuração em relação aos demais créditos, por entender que o relatório apresenta montante incompatíveis com a movimentação financeira, isto simplesmente porque o demonstrativo de apuração das bases de cálculo não foi acompanhado de todas as notas fiscais de saída esperadas em razão das operações ali descritas, e reportava operações de valor significativamente inferior à movimentação financeira do período, como dito pela Fiscalização: 23. Em análise ao relatório demonstrativo do lucro apresentado pela fiscalizada em relação a 2004 e 2005, ficou constatado que embora com dados consistentes em relação às notas fiscais de vendas e compras exibidas, os montantes mensais/anuais apurados (2004 R$ 9,6 milhões e 2005 R$ 17,7 milhões) estão muito inferiores a movimentação financeira verificado a partir de seus extratos bancários; É indispensável a apresentação das notas fiscais de saídas/vendas para validação dos demonstrativos de apuração das bases de cálculo dos tributos nas operações de compra e venda de veículos usados. Não basta que o demonstrativo seja compatível com notas fiscais apresentadas e com a movimentação financeira verificada no período fiscalizado. Para Fl. 3059DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 21 20 se prestar como origem dos depósitos bancários, e impor a observância da sistemática de apuração específica, o demonstrativo de base de cálculo deve se reportar a operações suportadas por documentação hábil, na forma da legislação. Assim, são impróprias as alegações da recorrente no sentido de que a Fiscalização, mesmo frente a documentos, demonstrativos e relatórios que contêm elementos mais que suficientes para se apurar o lucro efetivo da atividade de compra e venda de veículos, optou pelo trabalho mais cômodo de lançar com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. A contribuinte não mantinha, ou deixou de apresentar à Fiscalização, controle documental da grande parte de suas operações, subsistindo significativo descompasso entre aquelas demonstradas e os depósitos bancários verificados no período fiscalizado. Conforme consta dos autos, foram lavradas diversas intimações cientificando a contribuinte das irregularidades constatadas e concedendolhe prazos, reiteradamente, para comprovação da origem dos depósitos por meio de documentação hábil e idônea. Ultrapassados quase 500 (quinhentos) dias sem obter estes esclarecimentos, a presunção legal é o meio posto à disposição da Fiscalização para superar os impedimentos à constituição do crédito tributário, mas antes disso a autoridade lançadora logrou distinguir os depósitos bancários que poderiam ser vinculados a operações de compra e venda de veículos usados e a atividades de intermediação financeira, desconsiderando os demais elementos, que no entender da recorrente seriam capazes de evidenciar o efetivo lucro auferido na compra e venda de veículos, porque correspondentes a mero demonstrativos sem documentação de suporte a lhes conferir validade. Em tais condições, o Fisco não está obrigado a buscar com terceiros informações para apuração do ganho/lucro obtido nas operações, porque a lei impõe ao sujeito passivo esta obrigação acessória, caso pretenda se beneficiar da tributação diferenciada, reduzindo a presunção legal de 8% de lucro em operações de revenda de mercadorias. Inexiste, portanto, qualquer prejuízo à validade do lançamento em razão de precariedade do trabalho fiscal por inobservância da legislação específica que deve ser aplicada na apuração do lucro da atividade de compra e venda de veículos, ou por conclusão contraditória se comparada com as premissas adotadas. A recorrente também assevera que a forma de tributação adotada para apuração do IRPJ e da CSLL lançados nos anoscalendário 2004 e 2005 é incompatível com a desconsideração de sua escrituração, pois em tais circunstâncias o lucro deveria ter sido arbitrado. A autoridade julgadora de 1ª instância firmou a desnecessidade de qualquer justificativa específica para formalização do lançamento segundo a opção do sujeito passivo, e acrescentou que a tributação na sistemática do lucro presumido difere do arbitramento apenas em razão do agravamento dos coeficientes de apuração do lucro, e assim seria mais benéfica ao sujeito passivo: IIIIII –– DDAA SSIISSTTEEMMÁÁTTIICCAA DDEE TTRRIIBBUUTTAAÇÇÃÃOO AA)) AAnnoossccaalleennddáárriioo ddee 22000044 ee 22000055 Quanto à sistemática de tributação adotada, apesar das menções genéricas feitas no termo de verificação acerca da imprestabilidade da escrituração apresentada, para a comprovação da movimentação financeira consignada nos extratos bancários, o relevante é que, no lançamento de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 2004 e 2005, foram observadas as normas previstas no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, com a seguinte redação em vigor à data dos fatos, in verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o reg ime de Fl. 3060DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 22 21 tr ibutação a que est iver submet ida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão . § 1º No caso de pessoa jurídica com at iv idades d iversif icadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. [...] Desta forma, verificada a omissão de receitas, o valor do IRPJ e da CSLL foram determinados de acordo com o Lucro Presumido, regime de tributação ao qual estava submetida a pessoa jurídica nos anoscalendário de 2004 e 2005. É esta a fundamentação legal contida no enquadramento legal do lançamento, consolidado no art. 528 do RIR/99 (fls. 21). E não se reconhece aqui qualquer prejuízo à defesa quanto à existência de contrariedade entre a sistemática de tributação adotada no lançamento e a descrição dos fatos, contida no termo de verificação de fls. 98/115. Pelo contrário, a contribuinte somente teria sido beneficiada com uma tributação mais benéfica, haja vista que atualmente a única divergência legal entre a determinação do Lucro Arbitrado e do Lucro Presumido é o agravamento dos mesmos percentuais de presunção da base de cálculo . Transcrevemse as disposições do Regulamento do Imposto de Renda – RIR para confronto das sistemáticas de tributação: Subt ítulo IV Lucro Presumido Base de Cálculo Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, § 1º): [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza. [...] § 3º No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, § 2o). [...] Subt ítulo V Lucro Arbitrado CAPÍTULO II BASE DE CÁLCULO Base de Cálculo quando conhecida a Receita Bruta Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais f ixados no art . 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Fl. 3061DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 23 22 Adotase assim o entendimento de que o erro na sistemática de tributação adotada somente pode comprometer irrevogavelmente o lançamento quando: (i) comprometida a base de cálculo apurada – por exemplo, nas hipóteses legais de arbitramento dos lucros, em que indevidamente é mantido o Lucro Real, de forma que a tributação incida sobre a receita e não sobre o lucro; ou (ii) quando a adoção da sistemática de tributação válida impõe uma fundamentação específica não referida no lançamento. A manutenção, no lançamento, da sistemática de tributação já adotada pela empresa impede que se reconheça a possibilidade de ter sido subtraído da contribuinte o conhecimento de qualquer fato. Cumpre acrescentar que as irregularidades constatadas nos anoscalendário 2004 e 2005 não são idênticas àquelas verificadas no anocalendário 2006, quando o lucro foi arbitrado. Isto porque o procedimento fiscal esteve inicialmente concentrado nos anos calendário 2004 e 2005, e nesta primeira fase foram apresentados os Livros Razão daqueles períodos, desprezados pela Fiscalização ante a falta de registro da totalidade da movimentação financeira neste período, oportunizandose à contribuinte a apresentação de outros elementos comprobatórios de suas atividades, com vistas a evitar o arbitramento dos lucros. Já para o ano calendário 2006, embora intimada, a contribuinte não apresentou o Livro Caixa ou o Livro Razão, limitandose a entregar à Fiscalização, além de notas fiscais e demonstrativos referentes às operações com veículos usados, os Livros de Registro de Entrada e Saída e de Apuração de ICMS. É neste contexto que a autoridade lançadora promoveu o arbitramento dos lucros apenas no anocalendário 2006, com fundamento no art. 530, inciso III do RIR/99, que assim dispõe: Art 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; [...] Os depósitos bancários de origem não comprovada apresentam montantes significativos em todos os anoscalendário fiscalizados (R$ 19.182.441,00 em 2004, R$ 44.153.368,00 em 2005 e R$ 31.355.972,00), sendo certo que as operações demonstradas pela contribuinte e aferidas a partir das informações em DIRF representaram menos de 50% dos ingressos totais em cada anocalendário. Todavia, ante a opção da contribuinte pela apuração do IRPJ e da CSLL na sistemática do lucro presumido, a falta de escrituração da integralidade da movimentação bancária não se mostrou motivo suficiente para o arbitramento dos lucros, até porque a Fiscalização apenas precisava determinar as receitas tributáveis, e logrou identificálas nos elementos apresentados pela contribuinte (extratos bancários, notas fiscais de venda, demonstrativos de operações com veículos usados) e por terceiros (DIRF), ainda que se valendo de prova presuntiva em boa parte desta apuração. Contudo, no anocalendário 2006 agregouse às irregularidades constatadas a falta de apresentação do Livro Caixa ou de escrituração equivalente, motivo suficiente para arbitramento do lucro, na forma do dispositivo legal antes transcrito. Assim, a desconsideração inicial da escrita do sujeito passivo nos anos calendário 2004 e 2005 foi minimizada pela associação dos Livros Razão originalmente apresentados à documentação posteriormente apresentada à Fiscalização. Já no anocalendário 2006, embora documentos semelhantes tenham sido apresentados à autoridade lançadora, resta Fl. 3062DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 24 23 inconteste que o Livro Caixa, ou equivalente, não foi apresentado, o que autoriza o procedimento diferenciado adotado para este último período de apuração. Ressaltese que estas constatações foram extraídas do extenso relato fiscal acerca das intimações e respostas apresentadas pela contribuinte, consignado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 98/115), bem como da fundamentação legal para o arbitramento dos lucros consignada no mesmo Termo e no Auto de Infração (fls. 19/29), inexistindo qualquer deficiência na motivação do lançamento ou o cerceamento ao direito de defesa, como alegado pela recorrente. Por fim, a recorrente questiona a demonstração dos depósitos bancários de origem não comprovada. Inicialmente, reportase a contradição presente no título da última coluna do Anexo 2 do Termo de Verificação Fiscal, a seguir reproduzida: Também afirma imprestáveis os demonstrativos de depósitos bancários de origem não comprovada porque ausente totalização mensal dos valores ali consignados. Discorda da abordagem destas matérias, assim exposta na decisão recorrida: II –– DDAA NNUULLIIDDAADDEE PPOORR CCEERRCCEEAAMMEENNTTOO AAOO DDIIRREEIITTOO DDEE DDEEFFEESSAA Deve ser declarada a validade formal dos lançamentos em apreço por preencherem todos os requisitos essenciais, prescritos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não estar configurada qualquer das hipóteses de nulidade prescritas no art. 59 também do decreto regulamentador do processo administrativo fiscal federal. Também não se reconhece qualquer comprometimento ao direito de defesa decorrente da contradição na nomenclatura da coluna (5) do Anexo 2 ao Termo de Verificação Fiscal, que consigna: ‘Saldo NÃO de Origem NÃO Comprovada’. É evidente que os valores que integram tal rubrica decorrem da diferença positiva entre (1) os depósitos apurados nas contas correntes, e a soma entre (2) o faturamento, comprovado mediante as notas fiscais de vendas, e (3) a receita de comissão, comprovada nas DIRF. Ademais, foi regularmente esclarecido no termo de verificação que “os montantes mensais apurados a part ir das notas fiscais de vendas (2) e os montantes mensais de comissões de intermediação apurados a part ir da DIRF (3) , foram considerados para f ins de comprovação de origem dos depósitos”. Na verdade, detectado o erro na consignação da dupla negativa, falaciosa a argüição lógica de que dupla negativa enseja uma afirmação. Quanto ao Anexo 2 ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 20/01/2010 (fls. 1697/1850) questionou a defesa também a falta de totalização mensal, o que teria cerceado o direito de defesa, por impossibilitar a correlação com o “Resumo dos Fl. 3063DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 25 24 Saldos Mensais de Depósitos Pendentes de Comprovação de Origem”, Anexo 5 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 20/01/2010 (fls. 1858/1862). No que tange à relação detalhada dos depósitos, individualizadamente, apurados nos extratos das contas correntes da empresa, tal se impõe em decorrência do preceito legal da presunção de omissão de receitas prevista no art. 42, §3º da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente [...]: ............................................................................................................................... Observese que, na relação, cada depósito foi identificado por instituição financeira, agência, conta corrente, valor e histórico constante do extrato, tendo ainda a fiscalização tomado o cuidado de relacionálos em ordem cronológica. Por amostragem, não se verificou qualquer erro na totalização efetuada no Anexo 5 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 20/01/2010 (fls. 1858/1862) denominado “Resumo dos Saldos Mensais de Depósitos Pendentes de Comprovação de Origem”. Compete à defesa, apontar, especificamente, o erro na consolidação mensal efetuada pelo Fisco, devendo ser afastada a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que, apesar de trabalhoso, é perfeitamente possível verificar se o valor consolidado no Anexo 5 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 20/01/2010 (fls. 1858/1862) corresponde exatamente à soma dos depósitos listados no Anexo 2 ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 20/01/2010 (fls. 1697/1850). Não há reparos a estas conclusões. A dupla negativa no título da última coluna do Anexo 2 é mera incorreção que não demanda saneamento por não resultar em prejuízo para o sujeito passivo, dada a descrição dos critérios de apuração da base tributável, contida no Termo do Verificação Fiscal. Quanto à falta de totalização mensal dos depósitos, a lei exige apenas sua individualização, e isto foi feito pela Fiscalização, mediante referência ao Anexo 2 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal lavrado em 20/01/2010, juntado às fls. 1697/2691. De toda sorte, tal demonstrativo foi apresentado à contribuinte com resumo de seus valores mensais no corpo da intimação referida (fls. 1689/1692), em valores idênticos àqueles consignados no Anexo 2 do Termo de Verificação Fiscal. Assim, os depósitos bancários foram totalizados mensalmente, embora a autoridade lançadora não tenha aberto uma linha específica para esta informação no demonstrativo questionado pela recorrente. Para além disso, a recorrente não logrou identificar qualquer erro na totalização mensal promovida pela Fiscalização, sendo certo que a dificuldade nesta conferência seria a mesma se os totais mensais estivessem inseridos no corpo do demonstrativo individualizado dos depósitos bancários, e não pode ser invocada como motivo suficiente para se presumir que houve erro no trabalho fiscal, ou eventual inobservância do art. 42, §1º da Lei nº 9.430/96. Por fim, a autoridade lançadora não está obrigada a entregar ao sujeito passivo os arquivos eletrônicos de suas apurações, mas nada impediria que a contribuinte os solicitasse ao agente fiscal, ao invés de alegar apenas em defesa que não lhe foi disponibilizado o arquivo eletrônico da "Relação Detalhada", feito provavelmente em arquivo tipo xls (Excel) e utilizado pela fiscalização. Fl. 3064DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 26 25 A recorrente também questiona a validade dos referidos demonstrativos indicando, a título exemplificativo, 10 (dez) depósitos bancários considerados sem comprovação da origem, e consignando que foram elaborados demonstrativos detalhados contendo a data e o valor do depósito, os dados da venda (placa, tipo de carro, data da venda, valor da venda), dados da transferência financeira e identificação do vendedor e do comprador (nome e CPF), para comprovar sua origem. Faz referência à fl. 270 e à fl. 1997v dos autos, e descreve uma das operações para afirmar imprestável o demonstrativo elaborado pela Fiscalização, defendendo o cancelamento das exigências decorrentes de supostos depósitos bancários de origem não comprovada. Ocorre que, como se observa à fl. 270, poucas operações foram vinculadas a notas fiscais de venda, circunstância já abordada neste voto, e constatada, inclusive, em relação à operação especificamente descrita no recurso voluntário, nos seguintes termos: No caso, por exemplo, do depósito feito no dia 02.07.2004, no valor de R$ 2.000,00, no Banco Itaú, tem origem na venda do veiculo Corsa Sedan Super, Placa CTB 7224, vendido em 24.06.2004, pelo valor de R$ 16.200,00, tendo como vendedor Osmar Aparecido Donizete Pedro e comprador Melva Damielli Conde Franz, sendo que nesta operação o lucro bruto da Recorrente foi de R$ 300,00. É certo que dentre os depósitos relacionados pela recorrente constatase que os créditos de R$ 22.300,00 e R$ 13.200,00, verificados em 02/07/2004, corresponderiam às notas fiscais de venda nº 5134 e 1438. Tais depósitos, porém, computados no montante apurado em julho/2004 (R$ 3.073.046,00), conforme fl. 1721v, não se prestaram integralmente como indícios da presunção de omissão de receitas, sendo antes reduzidos pelo faturamento comprovado pela contribuinte à Fiscalização, no valor de R$ 1.345.974,00, além de decotados pelas receitas de intermediação financeira apuradas em DIRF (R$ 146.054,00). Aliás, a autoridade fiscal demonstra, no Termo de Verificação Fiscal, que previamente cientificou a contribuinte das consequências da falta de escrituração completa de sua movimentação financeira, reportandose ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal lavrado em 20/01/2010, do qual são colhidos os seguintes excertos: DAS CONSTATAÇÕES 2. Tendo sido saneadas as pendências relativas aos anoscalendário 2004 a 2007, haja vista que os livros contábeis razão e diário foram considerados imprestáveis por não contemplarem a totalidade da movimentação bancária no período, foram efetuados os seguintes procedimentos em relação a este período para obtenção da base de cálculo passível de tributação: Auditoria Contas Bancárias • Cotejo em todas contas bancárias relacionadas acima, considerado de interesse fiscal, sendo elaborado uma lista detalhada de todos os créditos passiveis de comprovação (Anexo 2 do presente Termo); • Não foram considerados no Anexo 2 retro citado, os créditos relativos a transferência de mesma titularidade estornos de débitos devoluções de cheques resgates de aplicações captação empréstimos e financiamentos Resumos dos Depósitos Apurados Passíveis de Comprovação de Origem Fl. 3065DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 27 26 [...] (*) Os montantes acima resumidos encontramse devidamente detalhados nos Anexos a seguir: Anexo 1 Resumo dos Depósitos/Créditos Apurados Passíveis de Comprovação de Origem Anexo 2 Relação Detalhada Depósitos/Créditos Apurados Passíveis de Comprovação de Origem Ordem Cronológica Auditoria do Demonstrativo de Lucro das Vendas de Veículos Usados 3. Cotejo das notas fiscais de compra e venda averiguação dos dados. Auditoria das Receitas Apuradas de Prestação de Serviços Base DIRF (cód 8045) 4. Em consulta as bases de dados relacionadas ã Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, foi constatado expressivos montantes de receita de prestação de serviços junto a diversas instituições financeiras/crédito a titulo de comissão de intermediação sobre operações de financiamento de veículos, em tese, não declarados nas respectivas DIPJ/DCTF conforme demonstrado no quadro resumo a seguir Quadro Resumo Receita de Comissão de Intermediação Financeira Base DIRF cód 8045 [...] Sistemática de Apuração da Base de Cálculo Devida 5. Tendo em vista a impossibilidade/dificuldade demonstrada pelo contribuinte em conseguir comprovar de forma origem/motivação dos créditos de forma individualizada esta fiscalização, visando se aproximar ao máximo do crédito devido e aproveitando ao máximo todas informações, documentos/relatórios apresentados pelo contribuinte adotou o seguinte critério. Montante Mensal de Depósitos de Créditos Apurados (1) ( ) Montante Mensal de Notas Fiscais de Venda Contidas no Relatório por Placas (2) ( ) Montante mensal de Comissões Apuradas Base DIRF (3) ( = ) Montante Mensal de Depósitos Apurados Pendentes de Comprovação de Origem (4) 6. Tendo em vista que a fiscalizada não mantém escrituração contábil/fiscal e/ou Livro Caixa contemplando toda movimentação financeira do período, passa a incorrer na obrigatoriedade de comprovar a origem/motivação dos todos depósitos/créditos apurados em seus extratos bancários; 7. A comprovação/identificação da origem do crédito tem como objetivo o afastamento da presunção legal seca, prevista no artigo 42 da Lei 9430/96 OMISSÃO DE RECEITAS DEPOSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADAS; 8. Conforme pode ser verificado na fórmula acima os montantes mensais apurados a partir das notas fiscais de vendas (2) e os montantes mensais de comissões de intermediação apurados a partir da DIRF(3), foram considerados para fins de comprovação de origem dos depósitos; 9. Uma vez quantificadas os volumes mensais de vendas a partir das notas fiscais apresentadas e os volume mensal de comissões recebidas, o saldo remanescente (4) corresponde exatamente o montante de depósitos/créditos em relação aos quais não foram apresentadas quaisquer comprovações que possam esclarecer sua origem, Fl. 3066DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 28 27 portanto, pendentes de comprovação, estando ainda, por conseguinte, passiveis de tributação por presunção legal prevista no art 42 da Lei 9430/96; 10. Portanto, elaborado, neste momento apenas para os anoscalendário 2004 a 2006, Resumo dos Saldos Mensais de Depósitos Pendentes de Comprovação de Origem (Anexo 5 do presente Termo); 11. Tendo em vista que esta fiscalização já esgotou todos documentos, notas fiscais e informações disponibilizadas, em tese, os saldos mensais pendentes de comprovação (4), somente de poderão ser reduzidos ou extintos, se forem identificados pelo contribuinte no Anexo 2, créditos/depósitos que por equivoco foram mantidos por esta fiscalização nesta lista, mas comprovadamente referese a créditos não sujeitas a tributação tais como: resgate de aplicações, transferência de mesma titularidade, empréstimos/financiamentos, estornos de débitos etc; [...] DA INTIMAÇÃO Em relação aos anos 2004 a 2006 14. Fica o contribuinte intimado no prazo de 7(sete) dias improrrogáveis, a contar da ciência do presente Termo, analisar os dados contidos nos Anexos 1,2,3,4 e 5 e apresentar: • Se for o caso, manifestação de discordância dos dados apresentados/apurados; • Comprovação de origem dos saldos mensais de depósitos/créditos de cada ano calendário conforme demonstrados na coluna 5 do Resumo consignado no Anexo 5 do presente Termo ou, se for o caso, identificar quais depósitos/créditos que se encontram incluídos indevidamente na Relação de Depósitos/ Créditos consignadas no Anexo 2 do presente Termo; 15 Fica alertado ao contribuinte que, a falta de comprovação de origem dos saldos remanescente de créditos/depósitos consignados na coluna 5 do Anexo 5 do presente Termo, não restará alternativa a esta fiscalização sendo a de considerálos por presunção legal, como OMISSÃO DE RECEITA DE SERVIÇOS, conforme rege o artigo 42 da Lei 9.430/96 cujos as bases de cálculos na apuração IRPJ e CSLL devidos, serão apuradas pelo artifício extremo de Arbitramento de Lucro, ou seja, utilizandose o coeficiente majorado de 38% aplicado integramente sobre os montantes retro citados; [...] A contribuinte não respondeu a esta intimação e, ao longo dos 18 (dezoito) meses anteriores nos quais se desenvolveu o procedimento fiscal, foi cientificada das deficiências de sua escrituração, com a concessão de sucessivos prazos para regularização, bem como para indicação da origem de cada depósito bancário identificado pela autoridade lançadora. Contudo, os únicos elementos apresentados foram as planilhas referentes a vendas de veículos, as notas fiscais de compra e venda de algumas operações ali consignadas e os Livros de Registro de Saída e de Apuração de ICMS. Frente à precariedade da escrituração do Livro Razão nos anos 2004 e 2005, e da ausência deste livro ou do Livro Caixa no ano calendário 2006, a autoridade fiscal se valeu dos meios possíveis para admitir a origem de parte dos depósitos bancários, ao passo que a recorrente direcionou sua defesa na busca de deficiências formais nesta investigação significativamente prejudicada por sua desídia na escrituração e guarda dos documentos pertinentes a suas operações comerciais, sem agregar qualquer prova documental que, desconsiderada pela Fiscalização, pudesse justificar a origem dos demais créditos bancários autuados, e assim, eventualmente, reduzir a incidência, por atrair Fl. 3067DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 29 28 a incidência da sistemática prevista na Lei nº 9.716/98, ou excluíla por inteiro, por não se tratar de recursos advindos de terceiros. Resta evidente, por todo o exposto que os equívocos, contradições, inconsistências e impropriedades apontados pela recorrente não se prestam a invalidar as exigências, razão pela qual deve ser REJEITADA a arguição de nulidade dos lançamentos. No mérito, a recorrente argumenta que a equiparação promovida pela Lei nº 9.716/98 não autoriza concluir que as operações de compra e venda de veículos se equiparam a prestação de serviços, pois elas subsistiriam como atividade comercial de compra e venda de veículos. Diz também ser impróprio o confronto entre as notas fiscais de vendas (lucro bruto) e o valor das receitas extraídas da DIRF, posto que é ilógico e sem sentido tomar essas duas grandezas para se apurar a suposta receita omitida, além de as duas bases de comparação observarem diferentes regimes de reconhecimento de receitas. Mais à frente acrescenta que ficções jurídicas como as previstas no art. 5º da Lei nº 9.716/98 não permitem interpretações extensivas, e que a lei, ao equiparar as operações de compra e venda de veículos usados a operações de consignação, apenas estipulou que a tributação incide sobre a diferença verificada entre as notas fiscais de venda e aquisição, sendo equivocada a equiparação de "consignação" a prestação de serviços, para fins de aplicação do coeficiente de 32%, como defendido na decisão recorrida. Fez referências, ainda, a decisão do TRF/4ª Região ao apreciar mandado de segurança coletivo impetrado pela Associação de Revendedores de Veículos Automotores no Estado de Santa Catarina. Tais argumentos foram validamente refutados na decisão recorrida, cujos excertos são aqui transcritos em razão da pertinência de seus argumentos: IIII –– DDAA IIMMPPUUTTAAÇÇÃÃOO DDEE OOMMIISSSSÃÃOO DDEE LLUUCCRROO NNAASS VVEENNDDAASS DDEE VVEEÍÍCCUULLOOSS UUSSAADDOOSS EE DDEE OOMMIISSSSÃÃOO DDEE RREECCEEIITTAASS DDEE PPRREESSTTAAÇÇÃÃOO DDEE SSEERRVVIIÇÇOOSS DDEE IINNTTEERRMMEEDDIIAAÇÇÃÃOO FFIINNAANNCCEEIIRRAA Conforme assinalado no termo de verificação fiscal acima transcrito, os lançamentos em apreço fundamentaramse também na apuração de omissão de lucros , nas vendas de veículos usados, com base nas notas fiscais de entrada e saídas/vendas de veículos usados apresentadas, e de omissão de receitas de prestação de serviços de intermediação financeira, apurada a partir das DIRF entregues pelas instituições financeiras. No tocante aos lucros auferidos nas operações de vendas de veículos usados, a fiscalização a partir das notas fiscais de entrada e saída/vendas de veículos usados apresentadas, teria determinado o lucro, mensal e trimestralmente, passível de tributação , conforme Anexo 4 do termo de constatação de 20/01/2010 (fls. 1855/1857). Tais valores teriam sido confrontados com aqueles informados pela contribuinte na DIPJ para a determinação da receita omitida. Já as receitas de comissão decorrentes da prestação de serviço de intermediação financeira, comprovadas nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf apresentadas pelas instituições financeiras, encontramse consolidadas, mensal e trimestralmente, no “Anexo 3 – Demonstrativo de Receita de Comissão de Intermediação Financeira – Base DIRF” do mesmo termo acima referido (fls. 1851/1854). Para a efetivação da autuação e de determinação da omissão de lucros/receitas da atividade, tais informações foram novamente consolidadas, agora, no Anexo 1 do Termo de Verificação Fiscal de 29/01/2010 (fls. 116/118), no qual foram Fl. 3068DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 30 29 confrontados os lucros, auferidos nas vendas de veículos usados, e as receitas de comissão, auferidas na intermediação financeira, com as receitas, informadas na DIPJ, mensal e trimestralmente. Diante dos protestos levantados pela defesa, registrese que o fato de a escrituração ser imprestável para a validação da base de cálculo apurada pela pessoa jurídica (Lucro Real ou Presumido), sujeita à verificação pela autoridade fiscal, não tem o condão de desconstituir a omissão de receita porventura apurada na escrituração e/ou nas declarações prestadas pela empresa ao Fisco. [...] IIVV –– DDOO PPEERRCCEENNTTUUAALL DDEE PPRREESSUUNNÇÇÃÃOO DDOO LLUUCCRROO PPRREESSUUMMIIDDOO//AARRBBIITTRRAADDOO AAPPLLIICCÁÁVVEELL AAOO LLUUCCRROO DDAASS OOPPEERRAAÇÇÕÕEESS DDEE VVEENNDDAA DDEE VVEEÍÍCCUULLOOSS UUSSAADDOOSS No que tange aos percentuais de presunção do lucro, foram adotados os seguintes critérios, no lançamento: (i) 32% e 38,4% para as receitas auferidas na atividade de venda de veículos usados, porque equiparada à consignação, e para as receitas auferidas na atividade de intermediação financeira; e (ii) 8% e 9,6% para as receitas omitidas e comprovadas mediante os depósitos de origem não identificada, por se tratar da regra geral prevista no caput do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Contesta a defesa ainda a aplicação do percentual de 32% na compra e venda de veículos usados, porque a equiparação legal à operação de consignação, somente teria o condão de reduzir a receita bruta da atividade, sem alterar a natureza jurídica da compra e venda. Contrariamente ao defendido pela Impugnante, não é possível juridicamente afetar a base de cálculo de uma incidência sem devido efeito sobre a natureza da operação . Dito por outras palavras: ao equiparar, para fins tributários, a venda de veículos usados às operações de consignação, a Lei nº 9.716, de 1998, jurídica e tributariamente, descaracterizou a natureza propriamente mercantil de tais operações, ao permitir que fosse considerada como receita bruta apenas a diferença entre a venda e a compra do veículo usado, fazendo incidir a tributação exatamente sobre o lucro auferido nas operações de consignação. Destaquese a existência de notícia recente sobre o julgamento da matéria na 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, Acórdão ainda não formalizado nº CSRF/910100017, de 09/03/2009, no qual, por unanimidade, foi dado provimento ao recurso da PGFN para reformar o Acórdão nº 10808.865, em que a exigência teria sido excluída, sob o fundamento da natureza comercial da operação de compra e venda de veículos. Quanto à decisão judicial do TRF da 4ª Região no Mandado de Segurança Coletivo nº 2006.72.05.0043362/SC, impetrado pela Associação dos Revendedores de Veículos Automotores no Estado de Santa Catarina – ASSOVESC, apenas registre se que não é vinculante, e não se coaduna com a interpretação dada pela Administração Tributária à norma jurídica contida no art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998. Cumpre observar a existência do Recurso Especial nº 1.160.907, contra tal decisão, pendente de apreciação no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Protesta ainda a defesa no sentido de que “se há omissão de receitas, não seria decorrente de prestação de serviços, mas da atividade comercial exercida pela Impugnante, de compra e venda de veículos”. Além do esclarecimento acima, oportuno que se diga que a omissão de receitas, imputada com base nos depósitos bancários de origem não identificada, e que representa a maior parte da base tributável das autuações, foi tributada nos percentuais de 8%, nos anoscalendário de 2004 e 2005, e de 9,6%, no ano Fl. 3069DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 31 30 calendário de 2006. Conforme já acima relatado, tal procedimento é consentâneo com a regra geral de tributação prevista no caput do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Oportuno que se diga que também foi exigida da autuada a diferença de IRPJ e CSLL em função da utilização do percentual de 8% para a tributação do lucro auferido na venda de veículos usados, quando deveria ter utilizado o percentual de 32%. VV DDAASS DDEEMMAAIISS MMAATTÉÉRRIIAASS IIMMPPUUGGNNAADDAASS Não tem razão a defesa, também, quando afirma a impropriedade no confronto entre o lucro bruto apurado na venda de veículos usados e os rendimentos de comissão de intermediação de operações financeiras, apurados nas DIRF. Na verdade, ambos os valores foram utilizados como prova da origem dos recursos depositados, e confrontados não entre si, mas com as informações contidas na DIPJ acerca da receita bruta da atividade. Quanto à inconsistência no regime de reconhecimento das receitas, salientese que, na ausência de prova em contrário a ser ofertada pela contribuinte, é perfeitamente admitida a tributação das receitas comprovadamente auferidas nas operações de venda, com base na data da emissão da nota fiscal, e nas operações de intermediação de negócios, com base nas informações prestadas nas DIRF pelas fontes pagadoras. Apenas se apresentada a contraprova hábil a desconstituir a prova construída pelo Fisco, e não com base em meras alegações, é que a exigência poderia ser afastada. Acrescentese que a aplicação do coeficiente de 32% (ou de 38,4% em caso de arbitramento dos lucros) é matéria já pacificada neste Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 85: Na revenda de veículos automotores usados, de que trata o art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, aplicase o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta, correspondente à diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos. É certo que o Superior Tribunal de Justiça tem se manifestado reiteradamente em sentido contrário, como bem expressa a ementa da decisão proferida em 10/12/2014, nos autos do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.462.321/SC: TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSLL. COEFICIENTES PARA COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS. CONSIGNAÇÃO. OPERAÇÃO MERCANTIL. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INAPLICABILIDADE DO DISPOSTO NO ART. 15, § 1º, III, DA LEI N. 9.249/95. DA AUSÊNCIA DE AFRONTA AO ARTIGO 97 DA CF. 1. Discutese na presente ação mandamental a possibilidade de aplicação, nas operações de compra e venda de veículos, do coeficiente de presunção fiscal de 8% e 12% respectivamente, na composição da base de cálculo do IRPJ e CSLL. 2. Defende a Fazenda Nacional que o acórdão recorrido malferiu o art. 5º da Lei n. 9.716/98, com o argumento de que a operação de venda de veículos usados mediante consignação configura prestação de serviços, sujeitando a empresa prestadora à respectiva alíquota. 3. É assente na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que as empresas concessionárias de veículos, nas vendas a consumidor final, não atuam por consignação, mas realizam negócios em nome e por conta própria, de modo que a Cofins deve ser recolhida sobre a receita bruta, e não sobre a eventual margem de lucro. Fl. 3070DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 32 31 4. As Turmas que compõem a Seção de Direito Público desta Corte já enfrentaram a controvérsia e concluíram que a existência de autorização legal contida no art. 5º da Lei n. 9.716/98, destinada ao contribuinte, para que equipare as vendas de veículos usados às operações de consignação não significa que estas atividades devem ser consideradas como prestação de serviço, para fins de definição da alíquota do IRPJ e da CSLL (arts. 15, III, "a", e 20 da Lei n. 9.249/95). 5. Não há falar em afronta ao artigo 97 da Constituição Federal, nos termos em que foi editada a Súmula Vinculante 10 do STF. A violação à cláusula de reserva de plenário só ocorre quando a decisão, embora sem explicitar, afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide, para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição. Agravo regimental improvido. Todavia, a recorrente não alega ter sido favorecida em qualquer processo judicial neste sentido, e somente as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil são de reprodução obrigatória pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, a aplicação do entendimento esposado na Súmula CARF nº 85 se impõe, nos termos do art. 45, inciso VI e 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, alterada pela Portaria MF nº 586/2010: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: [...] VI deixar de observar, reiteradamente, enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF expedidas, respectivamente na forma dos arts. 73 e 77 72 e 76, bem como o disposto no art. 62; [...] Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] A recorrente prossegue afirmando a impossibilidade de aplicação da presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 em atividade na qual o depósito não caracteriza receita, qual seja, de compra e venda de veículos usados. Diz que a autoridade administrativa tinha elementos mais que suficientes para apurar o lucro efetivo da atividade da Recorrente, como os demonstrativos que lhe foram apresentados, e ainda assim os ignorou, com vistas a aplicar a tributação máxima, muito mais gravosa ao contribuinte, não sendo temerária a alegação da Recorrente, como alega a d. 2ª Turma da DRJ/Campinas. Como já extensamente abordado na preliminar de nulidade, a contribuinte não fez prova durante o procedimento fiscal, e nem mesmo no curso do processo administrativo, de que outros depósitos bancários poderiam corresponder a operações de compra e venda de veículos usados, e lhes atribuiu esta natureza apenas em razão de demonstrativos apresentados à Fiscalização, em sua maior parte dissociados dos documentos de suporte das operações, especialmente as notas fiscais de venda. Em sua defesa, a recorrente limitase a estimar a "receita" da atividade de compra e venda de veículos a partir do confronto entre os depósitos bancários e o resultado das operações admitidas como comprovadas pela Fiscalização, invocando a aplicação de metodologia semelhante aplicada por este Conselho em caso de empresas de factoring. Ocorre Fl. 3071DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 33 32 que instituições financeiras desta espécie, por exercerem atividade específica e uniforme, podem apresentar circunstâncias fáticas favoráveis à conclusão de que sua movimentação bancária não autoriza a presunção de omissão de receitas a partir, apenas, dos depósitos bancários de origem não comprovada. Já a contribuinte aqui autuada, como demonstrado, apresenta objeto social diversificado, o qual abrange outras atividades não regidas pelo art. 5º da Lei nº 9.716/98, como a venda de veículos novos e a prestação de serviços diversos. Acrescentese, ainda, que também neste caso a própria Delegacia da Receita Federal do Brasil, em sede de procedimento de fiscalização, reconhece que não se pode tomar a soma dos depósitos bancário pura e simplesmente como base de cálculo da suposta receita omitida, devendo os depósitos serem tomados como indícios, início de investigação. E neste sentido, a autoridade lançadora se empenhou em alcançar a realidade das operações do sujeito passivo, facultandolhe a comprovação da origem dos depósitos por vários meios, para além de sua precária escrituração contábil, ao final excluindo da tributação significativa parcela dos depósitos bancários verificados nos períodos autuados, identificados como decorrentes de operações de compra e venda de veículos usados. A recorrente também se reporta a julgado administrativo que exige prova da utilização dos valores depositados, capaz de caracterizar a disponibilidade econômica da renda, mas tratase ali de decisão em face de exigência a título de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, e de tese superada pela Súmula CARF nº 26 (A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada). Aduz que em razão do grande volume de operações ainda não esgotou o cruzamento de suas notas fiscais com os depósitos bancários, e que requereu ajuda às instituições financeiras acerca dos veículos vendidos, mas sem ter obtido, ainda, estas informações. Contudo, como já dito, quando iniciada a fiscalização, depois de já transcorridos mais de 3 (três) anos do encerramento do primeiro período investigado, a contribuinte não dispunha de escrituração completa de sua movimentação financeira, e não logrou reconstituíla nos 18 (dezoito) meses que se seguiram, nem mesmo complementála nestes 4 (quatro) anos em que se desenvolve o processo administrativo fiscal. Frente a tais circunstâncias, resta claro que a desídia é da contribuinte, e não da Fiscalização que, no entender da recorrente, ao se fiar na presunção legal, teria abdicado da descoberta da verdade material, transferindo toda carga probatória para a Recorrente. Nos termos do art. 264 do RIR/99, era obrigação da autuada conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, de modo que o grande volume de operações, e a dificuldade de sua prova, não pode ser oposto para desconstituir a exigência. Imprópria, também, a pretensão de elidir presunção legal em razão da identificação, nos extratos bancários, das instituições financeiras remetentes dos numerários em razão dos financiamentos de veículos usados vendidos pela empresa autuada. A Fiscalização somente confirmou parcialmente que o volume de depósitos bancários referese a créditos efetuados por instituições financeiras em conta bancária da Recorrente, e isto porque apresentadas as notas fiscais correspondentes a operações de compra e venda de veículos usados, eventualmente financiados por aquelas instituições. A alegada descrição "auto explicativa" contida nos extratos bancários da Recorrente somente evidencia que os depósitos bancários decorriam de atividades comerciais realizadas sem emissão de nota fiscal, e de forma Fl. 3072DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 34 33 alguma permitem distinguir se o financiamento decorreria da venda de um veículo usado ou novo. Incorreta, assim, a conclusão de que em tais circunstâncias, a receita corresponderia unicamente à diferença entre o valor de venda e o custo da compra, restando inaplicável o art. 42, §2º da Lei nº 9.430/96, porque não comprovada a origem dos depósitos bancários e consequente submissão da receita a norma de tributação específica. A recorrente discorda, ainda, do arbitramento dos lucros no anocalendário 2006, vez que a aplicação do art. 532 do RIR/99 pressupõe receita bruta conhecida, à qual não se equipara a omissão de receita caracterizada por presunção legal. Questiona, também, a tributação isolada do lucro cumulada com arbitramento com base em depósito bancário, no anocalendário 2006, dado que a Fiscalização classificou sua contabilidade como imprestável, e ainda assim verificou a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pela Recorrente em sua escrituração contábil, comprovados no Demonstrativo de Lucro por Placa de Veículo exibido pela empresa autuada. Este procedimento revelaria a adoção de critérios contraditórios e excludentes e evidenciariam excesso de subjetividade na apreciação dos documentos disponibilizados pela Recorrente, assim como mudança aleatória de metodologia, de cunho exclusivamente arrecadatório. A decisão recorrida, mais uma vez, merece transcrição, por bem ter refutado estas alegações, e inclusive contraditado os julgados administrativos invocados em impugnação com outras decisões deste Conselho em sentido diverso: Configurada a hipótese de aplicação das normas de arbitramento dos lucros, prescrevem os atos legais que, quando conhecida a receita bruta , o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, deve ser determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para a determinação do Lucro Presumido, acrescidos de vinte por cento (art. 532 do RIR/99 – matriz legal: Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Questiona a defesa a compatibilidade entre o arbitramento dos lucros, com base na receita bruta conhecida, e a tributação da omissão de receitas, com base em depósitos bancários de origem não identificada. Em seu entender, a omissão de receitas, apurada em decorrência de presunção legal, não poderia ser equiparada à receita conhecida. Contrariando o entendimento da Impugnante, cumpre esclarecer que apesar de ter sido conhecida, mediante prova indireta, por presunção, instituída em Lei, a receita omitida é exatamente a receita conhecida . A referendar tal interpretação, a jurisprudência administrativa é unânime acerca da compatibilidade entre a sistemática de tributação com base no Lucro Arbitrado e a presunção legal de omissão de receitas, construída a partir dos depósitos bancários sem comprovação da origem, conforme ementas dos julgados abaixo: Nº Acórdão 10323640 Turma 3ª Câmara Data da Sessão 17/12/2008 Relator(a) Leonardo de Andrade Couto Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO O resultado da pessoa jurídica deve ser apurado mediante arbitramento do lucro quando não são apresentados elementos que permitam o levantamento sob outra forma nem a efetiva movimentação financeira realizada pela pessoa jurídica. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Fl. 3073DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 35 34 Nº Acórdão 10323506 Turma 3ª Câmara Data da Sessão 26/06/2008 Relator(a) Antonio Bezerra Neto Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 Ementa: ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO A falta de apresentação de livros e documentos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro real dá ensejo ao arbitramento de seus lucros. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nº Acórdão 10517304 Turma 5ª Câmara Data da Sessão 12/11/2008 Relator(a) Marcos Rodrigues de Mello Ementa: Assunto: DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RECEITAS Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO COM BASE NA RECEITA BRUTA CONHECIDA IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CUSTOS DE MERCADORIAS VENDIDAS Se o regime de apuração do lucro aplicado ao sujeito passivo é o do arbitramento com base na receita bruta conhecida, não há que se falar em aproveitar os custos das mercadorias vendidas, pois estes somente são considerados na apuração do lucro real. Nº Acórdão 10809780 Turma 8ª Câmara Data da Sessão 17/12/2008 Relator(a) Valéria Cabral Géo Verçoza Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃOCOMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DO REGISTRO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de registro de receitas os valores creditados em conta corrente de depósitos ou investimentos, mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL COM VÍCIOS OU INEXISTENTE. A falta de regular escrituração comercial e fiscal, ou a escrita que contenha vícios e não reflita toda a movimentação financeira da empresa, inclusive bancária, implica o arbitramento do lucro. Também não haveria qualquer incompatibilidade entre o arbitramento dos lucros e a comparação entre os valores escriturados e informados nas declarações apresentadas pela empresa, porque não se confunde a sistemática de tributação a abranger todas receitas auferidas em todas as atividades, inclusive aquelas informadas nas declarações prestadas à RFB, com a determinação da receita omitida, para a qual é imprescindível a comparação entre a receita apurada e a declarada. Inexiste, também, qualquer impedimento à tributação dos resultados auferidos em operações de compra e venda de veículos usados quando imprestável a escrituração comercial. A lei autoriza a equiparação destas operações a consignação desde que os veículos usados sejam objeto de notas fiscais de compra e de venda, e esta comprovação documental foi considerada suficiente pela Fiscalização para, em benefício do sujeito passivo, reduzir o montante de depósitos bancários de origem não comprovada, e dele destacar como receita apenas o resultado das operações correspondentes. O lucro tributável decorrente desta receita permanece passível de determinação por arbitramento em razão da falta de apresentação, especialmente, no Livro Caixa, inexistindo qualquer contradição entre tais critérios de apuração. Fl. 3074DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 36 35 Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos créditos tributários principais exigidos, ressalvandose a postergação da análise da preliminar de decadência, como inicialmente exposto. Com referência à qualificação da penalidade, cumpre ter em conta os exatos termos da acusação fiscal: 46. Não resta dúvida e está convicta esta fiscalização que o contribuinte em relação a todos os anoscalendário omitiu do Fisco Federal de forma sistemática e reiterada grande volume de rendimentos tributáveis, quando deixou de informar, através das declarações entregues Receita Federal, os efetivos montantes auferidos de receita no período de jan/2004 a dez/2006 ; 47. A fiscalizada deixou de declarar, REITERADAMENTE E DE FORMA CONSECUTIVA, nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006 , incidindo na multa qualificada tipificada no artigo 44 da Lei 9.430/96 (art. 461 do RIPI/98 e art. 488 do RIPI/2002) 48. Conforme explanado anteriormente, a fiscalizada sistematicamente declarou a menor os tributos devidos, tentou ludibriar o fisco ao inserir elementos inexatos em sua contabilidade visando dolosamente não recolher os tributos devidos. 49. Da análise dos documentos coletados, verificouse que as receitas reais da fiscalizada, nos quatro anos fiscalizados, é expressivamente superior ao declarado em todos os anos sob ação fiscal. 50. Oportuno se faz a transcrição do art. 44 da Lei nº 9.430/96 e dos artigos nela mencionados da Lei nº 4.502/64: "Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de of/c/a, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n9 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifo nosso) Lei 4.502/64 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." 51. Ocorre, porém, que nos tipos penais acima transcritos há necessariamente um componente doloso, sem o qual não é possível a caracterização do ilícito. Em outras palavras, para a ocorrência do crime, é necessário que a ação perpetrada tenha Fl. 3075DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 37 36 como finalidade prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre um fato juridicamente relevante; 52. Adentramos, assim, no campo das infrações subjetivas, em contraposição regra geral da responsabilidade objetiva que impera no campo das infrações legislação tributária; 53. Sobre os conceitos de infração objetiva e subjetiva, Paulo de Barros Carvalho (" Curso de Direito Tributário" , Ed. Saraiva, 14a ed., p. 504 e ss) pontifica, in verbis; 54. Infração subjetiva é aquela para a configuração de que exige a lei que o autor do ilícito tenha operado com dolo ou culpa (esta em qualquer um dos seus graus). Caso de infração subjetiva é o comportamento do contribuinte do imposto sobre a renda que, ao prestar sua declaração de rendimentos, omite, propositadamente, algumas receitas, com o objetivo de recolher quantia menor do que a devida. As infrações objetivas, de outra parte, são aquelas em que não é preciso apurarse a vontade do infrator. Havendo o resultado previsto na descrição normativa, qualquer que seja a intenção do agente, dáse por configurado o ilícito. Situação típica é a do nãopagamento de determinada quantia, a titulo de imposto predial e territorial urbano, nos prazos fixados na notificação de lançamento. Sendo irrelevante o ânimo do devedor, não realizado o recolhimento até o limite final do prazo, incorrerá ele em juros de mora e multa de mora. Ainda que o principio geral, no campo das infrações tributárias, seja o da responsabilidade objetiva, o legislador não está tolhido de criar figuras típicas de infrações subjetivas. São elas a sonegação, a fraude e o conluio, além daquelas em que se eleger a culpa (nos aspectos da negligência, imprudência ou imperícia), como ingrediente necessário do tipo legal" (negritamos) Cristalino, portanto, que para a configuração do crime no caso sob comento é preciso restar caracterizado que o autor do ilícito agiu com a intenção de impedir ou retardar o conhecimento, pela Fazenda Pública, do IPI devido no período sob ação fiscal. 55. É mister esclarecer que a caracterização do intuito doloso, na maioria das vezes, configura uma difícil tarefa, tendo em vista que a sua comprovação só pode ser evidenciada quando temos um determinado padrão da conduta delitiva associada a atos comissivos ou omissivos praticados de maneira reiterada. 56. Quando se pratica uma determinada conduta delitiva, de forma não reiterada, até poderíamos considerála como um erro escusável, dependendo, é claro, de uma análise do conjunto fático probatório. 57. Mas quando se pratica a mesma conduta delitiva consecutivamente por vários anos (três) aí adentramos no campo volitivo da conduta humana, não podendo se aceitar que tal evento seja meramente um erro escusável. 58. O intuito doloso foi caracterizado pela prática reiterada de uma única infração: Omissão de Receitas. 59. A comprovação de que a prática delituosa deuse de forma consistente e reiterada ao longo do tempo denota o intuito doloso pela fiscalizada. 60. Portanto, concluise pelo dolo não a partir de uma única ação delituosa, mas pela repetição desta conduta no decorrer de um longo lapso temporal: três anos consecutivos. 61. Assim, diante das definições anteriormente transcritas e da análise dos fatos e documentos apurados por esta fiscalização, constatamos que a PRATICA SISTEMÁTICA da fiscalizada, materializada pela omissão de declarar se subsumem perfeitamente ao tipo previsto no art. 71 da Lei n.° 4.502/1964. Fl. 3076DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 38 37 62. Para corroborar tais assertivas trazemos à presente lume algumas jurisprudências, iniciandose pelo brilhante voto aquilatado pelo ilustre julgador José Tarcísio Januário, Acórdão n° 38, de 28 de setembro de 2001, da 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas, SP: " Divirjo do Relator no concernente à caracterização do" evidente intuito de fraude", que da azo a aplicação da multa qualificada prevista no inciso II do Art. 44, da Lei 9.430/96, e, por conseqüência, da repercussão no presente processo. 46. Aludido artigo 44 vem assim vazado: " Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I se setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n"4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." (grifei) 47. Vejase que para os casos de falta de declaração ou de declaração inexata, e outros listados no inciso I, será aplicada a multa de 75%, a menos que o Fisco detecte e aponte o evidente intuito de fraude, ou seja que se demonstre tratarse de conduta dolosa. 48. Evidente intuito de fraude, como bem lembrou o Relator, é conceito amplo no qual se inserem aquelas condutas dolosas definidas como sonegação, fraude ou conluio, consoante a Lei n°4.502, de 1964 (in verbis): " Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ago ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." (grifei) 49. Não se olvide, outrossim, que, pela Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, no âmbito do Direito Penal e, portanto, com inflexão sobre este caso (aplicação de penalidade com representação para fins penais), a sonegação vem definida, de forma genérica, como qualquer conduta dolosa que ofenda a ordem tributária, entre as quais coloco em relevo as que colaciono abaixo: " Art. 1º. Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa As autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; [...] Art. 2º. Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; [...]" Fl. 3077DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 39 38 50. Assim, no exame dos dois dispositivos legais supra transcritos verificase que sonegação, para fins de Direito Tributário Penal ou, como não poderia deixar de ser, para o Direito Penal Tributário, não necessita do falso material, contentase apenas com a omissão de informações na declaração ou omissão da própria declaração a que está sujeito o contribuinte. 51. É bem verdade que a falsidade material deixa exposto o evidente intuito de fraude, porém, o dolo, elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal, também está presente quando a consciência e a vontade do agente para prática da conduta (positiva ou omissiva) exsurge da reiteração de atos que tenham por escopo, iniludivelmente, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração. 52. De fato, a conduta ardilosa de declarar sistematicamente ao Fisco valores menores do que aqueles que de fato seriam os verdadeiros, sem que nenhuma justificativa plausível para tanto seja apresentada, além de retardar o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade administrativa, ainda faz essa supor, pelo principio da boafé, que aquele contribuinte está cumprindo com suas obrigações, desviando seu foco pare aqueloutros que nem mesmo apresentaram as devidas declarações. (grifo nosso) [...] 55. A jurisprudência administrativa dá guarida ao entendimento aqui esposado, consoante se denota dos recentes acórdãos do Prime iro Conselho de Contribuintes, cujas ementas transcrevo: "QUINTA TURMA ACÓRDÃO: 10513289 SESSÃO: 13/09/2000 Negado provimento ao recurso pelo voto de qualidade. Ementa: COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS A compensação de tributos e contribuições, em atenção a legislação, normatizada através da IN na 21/97, deverá observar as suas normas e disposições estipuladas. MULTA AGRAVADA: Cabível a multa agravada, quando o autor do procedimento fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, que os envolvidos na prática da infração tributária conseguiram o objetivo de, reiteradamente, além de omitirem a informação em suas declarações de rendimentos, deixar de recolher os tributos devidos. A prática de reduzir indevidamente receita oferecida à tributação, por força de erro de soma ou outro artificio, é forte indicio de prática fraudulenta, merecendo a imposição da multa agravada de 150 % .(grifo nosso) TERCEIRA TURMA ACÓRDÃO: 10320.469 SESSÃO: 06/12/2000 Ementa: MULTA MAJORADA. OMISSÃO SISTEMÁTICA E REITERADA NA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DE RECEITAS OPERACIONAIS TRIBUTA VEIS. PERTINÊNCIA ACUSATÓRIA.. Restando provada a manifesta intenção de se ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos com o objetivo de se obter vantagens indevidas em matéria tributá ria, mormente quando se omite nos elementos formais acessórios receitas tributáveis de forma sistemática e reiterada ao longo de vários exercícios sociais, sob o primado e ao sabor da clandestinidade impõese a multa majorada consentânea com a tipicidade que se apresenta viciada. (grifo nosso) Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso." Fl. 3078DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 40 39 56. Também no judiciário a omissão na declaração vem sofrendo a devida reprimenda, como nos mostra a emenda de recente decisão do Tribunal Regional Federal da 4a região: "TRF 4 ACR APELAÇÃO CRIMINAL 4897 SEGUNDA TURMA Data da Decisão: 21/09/2000 SONEGAÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. ADEQUAÇÃO FIXAÇÃO DA PENA. CRIME CONTINUADO. PENA DE MULTA. SUBSTITUIÇÃO DA PENA. PARCIAL PROVIMENTO. 1. Inocorre cerceamento de defesa, pelo indeferimento de prova pericial, quando esta se revela desnecessária para elucidação da verdade real. 2. O traço distintivo entre os tipos penais previstos no artigo 1°, I, e artigo 2°, I, ambos da Lei no 8137/90 reside na existência, ou não, respectivamente, de supressão ou redução de tributos. O primeiro crime é, portanto, material, dependendo para sua consumação do resultado naturalistico, ao passo que o segundo é crime formal, de consumação antecipada... 4. A sonegação fiscal, decorrente da omissão de declaração do ajuste anual do imposto de renda, é crime que somente se repete de 12 em 12 meses. Este lapso temporal, por si só, não impede o reconhecimento da continuidade delitiva, quando os seus demais elementos se acham preenchidos. (grifei)." 57. No mesmo sentido do até aqui esposado, o Tribunal Regional da 1° região já teve oportunidade de deixar assentado que a sonegação fiscal independe de fraude material anterior à conduta omissiva ou comissiva que ocultou os rendimentos do Fisco, nos termos seguintes: "TRF 1 ACR APELAÇÃO CRIMINAL 01398910 QUARTA TURMA Data da Decisão: 01/12/1998 PENAL. SONEGAÇÃO FISCAL. ELEMENTARES DO TIPO. CIRCUNSTANCIAS ATENUANTES. INAPLICABILIDADE 1. Não integra o tipo do art. 1°, I, da Lei n°8.137/90, a falsificação de recibo destinado a comprovar, fraudulentamente, o conteúdo da declaração do imposto de renda sonegado. 2. Não se aplicam as circunstâncias atenuantes do art. 65, III, do Código Penal, quando a penabase é fixada, na sentença, no mínimo legal. 3. lmprovimento do recurso [...]" 61. Resta patente o ardil, a manha da contribuinte, inclusive por não restar dúvida a qualquer pessoa de senso comum de que ela, contribuinte, sabia perfeitamente o quanto devia a titulo de contribuição, porém assumiu o risco de declarar e recolher apenas parte diminuta da divida. 62. Portanto, está caracterizado aquele plus subjetivo que leva a aplicação da multa de oficio para o percentual agravado de 150 %, conforme inciso II, do art. 44, da Lei 9.430/96. [...] 39. Revelado, portanto, o ardil do contribuinte em declarar valores in verídicos ao Fisco, sem a apresentação de qualquer justificativa plausível para tanto, cabível é a exigência dos valores devidos com a aplicação da penalidade agravada, no patamar de 225%, porque também presente a recusa na apresentação da documentação necessária durante a ação fiscal. (grifo nosso) 56. No mesmo sentido, a Delegacia de Julgamento de Brasília/DF, no Acórdão n° 1.111, de 21 de fevereiro de 2002, decidiu: " Multa Majorada A prática sistemática, adotada durante anos consecutivos, de reduzir indevidamente a receita em suas declarações, forma o elemento subjetivo da conduta Fl. 3079DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 41 40 dolosa, justificando a penalidade agravada. Tal situação fática se subsume perfeitamente ao tipo previsto no art. 71, inciso /, e 72 da Lei n.° 4.502/1964." (Grifo nosso) 2. Do voto do relator, extraise: " Os fatos que autorizaram a qualificação da multa de oficio estão descritos as fls. 62 a 72 (Volume I do processo n° 10166.014820/200139) e folhas 10 do presente processo, "in fine". Dali se extrai que: ` Receita Escriturada Não Declarada' a prática de reduzir indevidamente a receita oferecida a tributação em suas declarações (DIRPJ, DIPJ e DCTF), reiteradamente, é forte indicio de prática fraudulenta, pois visa não recolher ou recolher a menor tributo devido. A multa exasperada de 150% tem fundamento legal no art. 44, inciso II, da Lei n.° 9.430/1996. Dispõe o dispositivo que a multa é devida nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por seu turno, os arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/1964, assim rezam: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Ora, agindo como anteriormente exposto, e de forma sistemática durante anos consecutivos, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Essa prática sistemática, durante anos consecutivos, forma o elemento subjetivo da conduta dolosa. Tal situação fática se subsume perfeitamente aos tipos previstos nos arts. 71, inciso I, e 72 da Lei n.°4.502/1964. (grifo nosso) Como já se disse alhures, deixando de informar suas receitas e de declarar ou declarar a menor o imposto devido, a contribuinte aposta na consumação do prazo decadencial. Não se efetuando o lançamento dos tributos nas Declarações, ficaria a Fazenda Pública, se não efetuado o lançamento de oficio no prazo decadencial, impossibilitada de promover a inscrição na Divida Ativa e propor a competente ação de execução. Pelo exposto, é de se manter a exasperação da multa." 3. Ao recurso voluntário interposto contra essa decisão, junto ao Primeiro Conselho de Contribuintes, não foi dado provimento, por unanimidade, sendo proferido o acórdão: " IRPJ/CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de infrações definidas como falta de recolhimento e/ou de declaração inexata, por diversos anos seguidos, caracteriza indicio veemente da ocorrência de irregularidades definidas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64 e justifica a aplicação da multa qualificada." (Acórdão n° 10194095; Sessão de 26/02/2003; Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; relator Kazuki Shiobara) 63. Portanto, demonstrado de maneira clarividente, é imperativo a aplicação da Multa Qualificada de 150%, nos anoscalendário 2004 a 2006, a teor no disposto do artigo 44 da Lei 9.430/96; Fl. 3080DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 42 41 64. Os expressivos valores consideravelmente superiores aos valores efetivamente declarados, por si só, afastam quaisquer possíveis alegações de erro, estando o contribuinte enquadrado na situação prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96. (grifos do original, negritos acrescentados) Claro está, nestes termos, que a autoridade lançadora entendeu presente o evidente intuito de fraude em razão da reiterada omissão de receitas constatada nos três períodos fiscalizados. No início da abordagem há também referência ao grande volume de rendimentos tributáveis omitidos. Observase nos autos de infração que a Fiscalização não qualificou a penalidade nas exigências decorrentes de resultado na venda de veículos usados não declarados, bem como da diferença de coeficiente de presunção/arbitramento do lucro aplicada sobre os resultados declarados. De fato, no Anexo 1 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 116/118) é possível verificar que a receita declarada em DIPJ aproximavase daquela apurada pela Fiscalização em razão das operações de venda de veículos usados até junho/2005, sendo que a autoridade lançadora não entendeu dolosa a conduta de deixar de declarar qualquer receita daquela natureza em DIPJ no 3º e no 4º trimestres de 2005, ou omitilas em valores mais representativos nos trimestres de 2006. A multa qualificada, assim, restou aplicada sobre os créditos tributários decorrentes de omissão de receitas de prestação de serviços de intermediação financeira, acerca das quais não foi identificada qualquer nota fiscal emitida como indicado no Anexo 1 do Termo de Verificação Fiscal, bem como para a omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. A reiterada omissão de receitas decorrentes de intermediação financeira é indiscutível. A recorrente sequer se manifesta diretamente contra os créditos tributários exigidos em razão desta infração. Apenas tangencia o tema em argumentação que confunde esta omissão com a outra receita também classificada pela Fiscalização como decorrente de prestação de serviços, qual seja, o resultado auferido nas operações de venda de veículos usados, e não apresenta qualquer justificativa para a falta de emissão de notas fiscais correspondente a estas receitas. Quanto a este ponto, não há qualquer reparo à acusação fiscal: a PRÁTICA SISTEMÁTICA da fiscalizada, materializada pela omissão de declarar se subsume perfeitamente ao tipo previsto no art. 71 da Lei n.° 4.502/1964. A defesa da recorrente, por sua vez, dirigese, em sua maior parte, à outra infração punida com a multa qualificada, e no que tange à omissão em destaque aproveitase apenas suas referências acerca da impossibilidade de qualificação frente à validação de sua escrituração nos anoscalendário 2004 e 2005, e do uso da presunção hominis para configuração do dolo, além das críticas às referências, contidas na acusação fiscal, a matéria não tratada nestes autos, das quais resultaria a aplicação de argumentos e dispositivos de legislação notoriamente inaplicáveis à situação em exame, e da alegada ausência de convicção da autoridade autuante para agravar a penalidade, em razão de vícios no auto de infração reconhecidos pela própria DRJ/CPS (agravamento da penalidade na infração de omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários apenas de maio a dezembro, no anocalendário 2006). Como extensamente demonstrado neste voto, a adoção da sistemática do lucro presumido para cálculo das exigências de IRPJ e CSLL nos anoscalendário 2004 e 2005 não decorre da validade da escrituração apresentada pelo sujeito passivo, mas sim da Fl. 3081DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 43 42 apresentação, mesmo com irregularidades, do Livro Razão para estes períodos. A documentação apresentada ao Fisco, e seu confronto com a DIPJ apresentada, permitiu à autoridade lançadora identificar que a contribuinte não emitiu nota fiscal e omitiu as receitas decorrentes de intermediação financeira, e em momento algum a defesa desconstituiu esta acusação. Como dito nos excertos da acusação fiscal antes reproduzidos, a omissão ocasional destas receitas poderia caracterizar erro escusável, mas sua reiteração nos 3 (três) anos fiscalizados, ou seja, na apuração do IRPJ e da CSLL dos 12 (doze) trimestres fiscalizados, e na apuração da COFINS e da Contribuição ao PIS nos 36 (trinta e seis) meses fiscalizados, deixa patente a intenção de sonegar os tributos sobre elas incidentes. Há muito os colegiados desta instância administrativa, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais admitem a punição, com gravidade, daqueles que têm conhecimento da dimensão do fato gerador ocorrido, e optam reiteradamente por ocultálo, para ostentar aparente regularidade no cumprimento das obrigações acessórias e principais. Neste sentido os julgados cujas ementas são, a seguir, transcritas: Acórdão nº 910100.140, sessão de 12/05/2009, 1a Turma da CSRF MULTA AGRAVADA – CONDUTA REITERADA – Nos termos da jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco. Acórdão nº 910100.172, sessão de 15/06/2009, 1a Turma da CSRF MULTA QUALIFICADA DE 150% A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96. O fato de o contribuinte ter apresentado Declaração de Rendimentos de forma reiterada e com valores significativamente menores do que o apurado, legitima a aplicação da multa qualificada. Acórdão nº 910100.320, sessão de 25/08/2009, 1a Turma da CSRF MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de ofício qualificada de 150 %, naqueles casos em que restar constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. Acórdão nº 910100.417, sessão de 03/11/2009, 1a Turma da CSRF MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível quando o Contribuinte presta declaração, em três anos consecutivos, com os valores zerados, não apresenta DCTF nem realiza qualquer pagamento. Este conjunto de fatos demonstra a materialidade da conduta, configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. De fato, a conduta ardilosa de declarar sistematicamente ao Fisco valores menores do que aqueles que de fato seriam os verdadeiros, ou mesmo afirmar que nada deve, sem que nenhuma justificativa plausível para tanto seja apresentada, além de retardar o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade administrativa, ainda faz essa supor, pelo princípio da boafé, que aquele contribuinte está cumprindo com suas obrigações, desviando seu foco para outros que nem mesmo apresentaram as devidas declarações. Quanto ao uso da presunção hominis, talvez a recorrente pretenda que se imponha ao Fisco o dever da prova direta da intenção de sonegar, subjacente às evidências reunidas nestes autos, desmerecendo a validade da prova presuntiva defendida com sólidos argumentos por Maria Rita Ferragut (in Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN Fl. 3082DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 44 43 e os limites de sua aplicação, Revista Dialética de Direito Tributário nº 67, Dialética, São Paulo, 2001, p. 119/120): Por outro lado, insistimos que a preservação dos interesses públicos em causa não só requer, mas impõe, a utilização da presunção no caso de dissimulação, já que a arrecadação pública não pode ser prejudicada com a alegação de que a segurança jurídica, a legalidade, a tipicidade, dentre outros princípios, estariam sendo desrespeitados. Dentre as possíveis acepções do termo, definimos presunção como sendo norma jurídica lato sensu, de natureza probatória (prova indiciária), que a partir da comprovação do fato diretamente provado (fato indiciário), implica juridicamente o fato indiretamente provado (fato indiciado), descritor de evento de ocorrência fenomênica provável, e passível de refutação probatória. É a comprovação indireta que distingue a presunção dos demais meios de prova (exceção feita ao arbitramento, que também é meio de prova indireta), e não o conhecimento ou não do evento. Com isso, não se trata de considerar que a prova direta veicula um fato conhecido, ao passo que a presunção um fato meramente presumido. Só a manifestação do evento é atingida pelo direito e, portanto, o real não tem como ser alcançado de forma objetiva: independentemente da prova ser direta ou indireta, o fato que se quer provar será ao máximo jurídica certo e fenomenicamente provável. É a realidade impondo limites ao conhecimento. Com base nessas premissas, entendemos que as presunções nada “presumem” juridicamente, mas prescrevem o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Faticamente, tanto elas quanto as provas diretas (perícias, documentos, depoimentos pessoais etc.) apenas “presumem”. Mais à frente, abordando diretamente a questão da prova da fraude, a mesma autora acrescenta: As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfe em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa. Em tais circunstâncias, é perfeitamente possível provar, por meio de presunção, que a conduta reiterada do sujeito passivo não poderia ser justificada por outra intenção, que não a de sonegar os tributos devidos em razão das receitas de intermediação financeira auferidas nos três anoscalendário fiscalizados. Daí a inaplicabilidade da Súmula nº 14 (A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo), na medida em que restou evidenciado o referido intuito de fraude na conduta do sujeito passivo. No mais, são irrelevantes as referências equivocadas, na acusação fiscal, à legislação do IPI, na medida em que os dispositivos legais que efetivamente fundamentam a qualificação da penalidade foram corretamente expostos pela Fiscalização, inclusive no que tange à menção ao inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não apenas citado, mas reproduzido no corpo da acusação fiscal em sua redação original, vigente à época dos fatos, e não naquela alterada pela Lei nº 11.438/2007, quando passou a prever a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. Quanto à aplicação da multa de ofício de 75% nos primeiros Fl. 3083DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 45 44 meses de 2006, tratase de inconsistência verificada apenas em relação à outra infração que será, na sequência, abordada. Inexiste, portanto, qualquer dúvida que possa ensejar a aplicação do art. 112 do CTN. Em consequência, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade vinculada à omissão de receitas de intermediação financeira. Com referência à qualificação da penalidade em razão da omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, é certo que a contribuinte não contabilizou integralmente sua movimentação financeira, assim como a presunção de omissão de receitas se verificou em todos os períodos fiscalizados. Todavia, para se afirmar que os depósitos bancários correspondem a receitas da atividade é necessário que a Fiscalização reúna outras evidências, como por exemplo o creditamento bancário a título de cobrança ou desconto, ou indícios outros que vinculem os depósitos bancários a clientes da contribuinte, de modo a demonstrar que o sujeito passivo, ao deixar de escriturálos e de comprovar sua origem no curso do procedimento fiscal, tinha a intenção de não recolher os tributos decorrentes daquelas bases de cálculo sabidamente tributáveis. A presunção legal permite que o Fisco promova a exigência ainda que o sujeito passivo não se desincumba de seu dever de escriturar, porém a reiterada constatação de receitas presumidamente omitidas não é suficiente para qualificação da penalidade, pois não permite concluir que o sujeito passivo agiu ou se omitiu dolosamente para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador, ou mesmo para impedir ou retardar sua ocorrência. Ainda que por indícios esta intenção deve estar, ao menos, presumida, de modo que a sua reiteração a ocorrência conduza à caracterização do intuito de fraude presente nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, como exige o art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. Se a presunção de omissão de receitas não está associada a outros elementos que a vinculem a receitas sabidamente tributáveis, a jurisprudência deste Conselho já está consolidada no seguinte sentido: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73. Esclareçase que, como consignado neste voto, a recorrente invocou a descrição "auto explicativa" contida nos extratos bancários para vincular outros depósitos bancários a operações de compra e venda de veículos usados, evidência de vendas sem emissão de nota fiscal, na medida em que as operações assim comprovadas foram admitidas pela Fiscalização como origem de parte dos depósitos bancários. Ocorre que esta circunstância não foi integrada à acusação fiscal acima exposta, acrescida apenas por referências ao significativo descompasso entre a movimentação financeira e as receitas declaradas pelo sujeito passivo, e pela menção ao grande volume de rendimentos tributáveis omitidos, mas aí tendo em conta, também, a significativa parcela de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Assim, além da reiteração, a acusação fiscal apenas afirma que a omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada apresenta valores expressivos, constatações que não se prestam como indícios da intenção de omitir receitas sabidamente tributáveis. Fl. 3084DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 46 45 Em tais circunstâncias, a presunção legal de omissão de receitas subsiste, mas a qualificação da penalidade não se sustenta. Desnecessário, portanto, apreciar as demais alegações da recorrente acerca da ausência de embaraços à investigação fiscal, da validade da documentação apresentada e necessária desconstituição por parte da Fiscalização, do regular registro contábil dos rendimentos tributáveis, do indevido uso da presunção hominis para qualificação da penalidade e das inconsistências verificadas na acusação de sonegação, pois tais argumentos já foram antes refutados no que importa à caracterização da omissão de receitas, bem como para manutenção da multa qualificada sobre a omissão de receitas de intermediação financeira. Por estas razões, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a qualificação da penalidade aplicada sobre os créditos tributários decorrentes da presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. E, com respeito à arguição de decadência relativamente aos créditos tributários exigidos no anocalendário 2004, a maioria da Turma Julgadora de 1ª instância entendeu que: De fato, a regra constante do citado art. 150, § 4º, do CTN, deve ser afastada nos casos de comprovação de dolo, fraude ou simulação, consoante expressamente previsto no normativo em questão. Confirmada referida hipótese, diante de absoluta falta de outra previsão legal, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra geral, prevista no art. 173, inciso I, do CTN, por obediência ao princípio da segurança jurídica, inclusive, conforme esposado na jurisprudência que abaixo se reproduz: “PRAZO DE DECADÊNCIA Inexistindo regra específica para contagem do prazo em que se opera a decadência nos casos de fraude, dolo, simulação ou conluio, deverá ser adotada a regra geral de contagem prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista que nenhuma relação jurídicotributária poderá protelarse indefinidamente no tempo, sob pena de insegurança jurídica. (Ac. 10320.512, de 21 02/2001).Assim, relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1995, em 05072001 a Fazenda Pública encontravase em pleno gozo de sua prerrogativa de constituir o lançamento.” (grifouse e negrejouse) [Ac. 1º CC nº 10194.230, de 11/06/2003, DOU de 05/11/03] Paulo de Barros Carvalho, em “Curso de Direito Tributário”, Ed. Saraiva, 16ª edição, pág. 429, comunga de mesmo entendimento: “Para nós, diante da lacuna causada pela omissão do legislador ordinário em disciplinar esse prazo, entendemos que a regra que mais condiz com o espírito do sistema é a do art. 173, I, do Código Tributário Nacional, isto é, havendo dolo, fraude ou simulação, adequadamente comprovados pelo fisco, o tempo de que dispõe para efetuar o lançamento de oficio é de cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter praticado o lançamento.”(negrejouse) Divergese quanto à aplicação do comando previsto no art. 173, parágrafo único, do CTN, a fim de dilatar o início da contagem do prazo decadencial, como pretendido pela ilustre relatora, por se entender que referido normativo trata, em verdade, de regra excepcional, a qual visa, ao contrário, antecipar o início da contagem do prazo decadencial expresso no dispositivo como regra geral, diante de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, notificada pela autoridade administrativa à contribuinte. Posto isto, no presente caso, considerando a ciência dos autos de infração em 29/01/2010, aplicandose a regra de contagem prevista no art. 173, inciso I, do CTN, concluise ter se operado o transcurso do prazo decadencial, relativamente ao Fl. 3085DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 47 46 crédito tributário correspondente aos fatos geradores mensais de jan/04 a nov/04 do Pis e da Cofins, e aos fatos geradores ocorridos no 1º ao 3º trimestre do ano calendário de 2004, do IRPJ e da CSLL, porque o lançamento relativo aos meses de jan/04 a nov/04 e ao 1º ao 3º trim/04 poderia ter sido efetuado ainda ao longo do ano de 2004, iniciandose, assim, a contagem do prazo decadencial, em 1º/jan/2005; o mesmo não se concluindo com relação aos fatos geradores do Pis e da Cofins do mês de dez/04 e do IRPJ e da CSLL do 4º trimestre/04, dado o início da contagem do prazo decadencial em 1º/jan/2006. Restou vencida a Relatora, Julgadora Maria Lucia Aguilera, que vislumbrou no termo de intimação fiscal de 17/02/2009 a notificação ao sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, que na forma do art. 173, parágrafo único do CTN, configuraria termo inicial da contagem do prazo decadencial para formalização do lançamento. A recorrente argumenta que mesmo os créditos tributários de IRPJ e CSLL exigidos no 4º trimestre/2004, assim como da Contribuição ao PIS e da COFINS lançadas em dezembro/2004, estariam alcançados pela decadência, dada a formalização do lançamento em 29/01/2010. Subsidiariamente argumenta que mesmo aplicando o art. 173, I do CTN, as exigências pertinentes ao anocalendário 2004 não subsistiriam porque o trimestre/mês do fato gerador representaria o "exercício em curso" e o 1º dia do próximo ano materializa o "início do exercício seguinte". A contagem do prazo decadencial é afetada pela decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, expressa no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 3086DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 48 47 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O referido julgado é comumente utilizado para evidenciar que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal Superior. De fato, o relatório daquele julgado expressa que em debate estava o lançamento formalizado em 26/03/2001, de valores devidos em 01/01/92 e 01/01/95. Por sua vez, a autarquia previdenciária, além de invocar o art. 45 da Lei nº 8.212/91, pretendeu que o prazo para constituição do crédito tributário tivesse início após a homologação do lançamento, momento que reputava ser o primeiro dia seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Em resposta a esta arguição, o Ministro Relator Luiz Fux assim se posicionou: Outrossim, impende assinalar que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao Fl. 3087DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 49 48 primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Como se vê, não houve qualquer argumentação no sentido de se retirar os efeitos da expressão em que o lançamento poderia ser efetuado. Aliás, neste sentido, recentemente foi aprovada a Súmula CARF nº 101 (Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). De outro lado, a expressão exercício deve ser interpretada como um conceito extraído do Direito Financeiro, correspondente ao ano civil, consoante dispõe a Lei nº 4.320/64: Do Exercício Financeiro Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil. Art. 35. Pertencem ao exercício financeiro: I as receitas nêle arrecadadas; II as despesas nêle legalmente empenhadas. (grifos não dispostos no original) Aliás, esta mesma interpretação é encontrada nos arts. 9o e 104 do CTN, bem como no art. 150, III, “a” e “b”, da Constituição Federal: Código Tributário Nacional (CTN) Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda; [...] Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: I que instituem ou majoram tais impostos; II que definem novas hipóteses de incidência; III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Constituição Federal Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] Fl. 3088DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 50 49 III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; (negrejouse) Aplicando esta interpretação ao caso concreto, considerandose o disposto no art. 173, I do CTN em relação ao IRPJ e reflexos em 31/12/2004, na medida em que somente passíveis de lançamento a partir de 01/01/2005 (depois de encerrado o período de apuração), o primeiro dia do ano civil seguinte seria 01/01/2006, o que permitiria a constituição de crédito tributário pelo Fisco até 31/12/2010, e revelaria que o lançamento formalizado em 29/01/2010 poderia alcançálos validamente, infirmando a alegação da recorrente em favor da decadência destas exigências mesmo se considerado o disposto no art. 173, I do CTN. Com referência à arguição de decadência das exigências de IRPJ e reflexos tendo como termo final do período de apuração a data de 31/12/2004, em razão da ciência do lançamento em 29/01/2010, ela somente prosperaria se admitida a homologação tácita prevista no art. 150, §4º do CTN. Ocorre que, embora afastada parcialmente a acusação de dolo, no que tange à omissão de receitas presumidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, e apesar de parte das exigências terem sido originalmente formalizadas sem a qualificação da penalidade, o fato é que em todos os períodos autuados foram mantidas infrações praticadas com dolo específico de sonegação, de modo que não se poderia cogitar da homologação tácita de qualquer parcela do crédito tributário devido. Em tais circunstâncias, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN, como antes exposto, de modo que apenas as parcelas indicadas na decisão de 1ª instância estão alcançadas pela decadência. E, quanto ao entendimento esposado no voto vencido da decisão recorrida, sua aplicação encontra impedimento na Súmula CARF nº 72 (Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN), pois o entendimento assim consolidado afasta a aplicação do art. 173, parágrafo único, do CTN. Logo, deve subsistir a exoneração dos créditos tributários passíveis de lançamento no próprio anocalendário 2004. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recursos de ofício e voluntário, e confirmar a decadência apenas do IRPJ e da CSLL lançados do 1º ao 3º trimestres de 2004, bem como da Contribuição ao PIS e da COFINS lançados de janeiro a novembro/2004. Por fim, a recorrente discorda da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, ante a ausência de previsão legal, ou ao menos enquanto a acusação estiver pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Argumenta que a lei somente cogita da aplicação de juros de mora sobre a multa moratória exigida mediante a lavratura de auto de infração. Contudo, a aplicação de juros de mora incidentes sobre a multa de ofício se impõe consoante as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. Fl. 3089DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 51 50 De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. Fl. 3090DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 52 51 A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Fl. 3091DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 53 52 Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Ademais, recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça manifestouse neste sentido, como exposto na ementa do acórdão proferido em sede de AgRg no REsp 1.335.688PR (Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Fl. 3092DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 54 53 Colhese do respectivo voto condutor: [...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Assim, também deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a qualificação da penalidade aplicada sobre os créditos tributários decorrentes da presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 3093DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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