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Numero do processo: 11516.005429/2007-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003, 2004
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. VALIDADE FORMAL.
Conforme estabelecido no art. 142 do CTN, compete à autoridade
administrativa, no exercício da atividade do lançamento, identificar o sujeito passivo da obrigação tributária. Por outro lado, segundo o art. 121 do mesmo diploma legal, o sujeito passivo pode ser qualificado como contribuinte ou como responsável. Nesse sentido, é formalmente válida a lavratura de termo de sujeição passiva, pois, é por meio dele que o auditor identifica a pessoa que, a seu juízo, mesmo sem revestir a condição de contribuinte, é legalmente responsável pelo cumprimento da obrigação tributária.
Numero da decisão: 1201-000.916
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade do termo de responsabilidade tributária, vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. No mérito, por unanimidade
de votos, NEGARAM provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: João Carlos de Lima Junior
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VALIDADE FORMAL. Conforme estabelecido no art. 142 do CTN, compete à autoridade administrativa, no exercício da atividade do lançamento, identificar o sujeito passivo da obrigação tributária. Por outro lado, segundo o art. 121 do mesmo diploma legal, o sujeito passivo pode ser qualificado como contribuinte ou como responsável. Nesse sentido, é formalmente válida a lavratura de termo de sujeição passiva, pois, é por meio dele que o auditor identifica a pessoa que, a seu juízo, mesmo sem revestir a condição de contribuinte, é legalmente responsável pelo cumprimento da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade do termo de responsabilidade tributária, vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. No mérito, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 54 29 /2 00 7- 84 Fl. 2091DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente substituto), Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Rafael correia Fuso, Luis Fabiano Alves Penteado e Maria Elisa Bruzzi Boechat (Conselheira substituta). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão nº 0720.020 proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS. Pela riqueza de detalhes transcrevo o relatório do acórdão recorrido: “A pessoa jurídica acima qualificada foi submetida a procedimento fiscal do qual resultou formalizada a exigência de IRPJ (fls. 320/330) e da CSLL (fls. 346/356) segundo as regras do Lucro Arbitrado, e ainda, da Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 331/337) e da Cofins (fls. 338/345), todas relativas a fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2003 e 2004, (...) Inicialmente, o procedimento fiscal alcançava apenas o ano calendário de 2003 (fl. 01). Posteriormente, mediante a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar — MPFC (fl. 03), foi incluído o ano calendário de 2004. Conforme as DIPJ apresentadas (fls. 99 a 227 do Anexo I), a pessoa jurídica apurou o IRPJ e a CSLL com base no Lucro Real anual e declarou ter incorrido em prejuízo nos anos de 2003 e 2004. O crédito tributário foi determinado a partir de base de cálculo composta da receita declarada em DIPJ, e de receita omitida apurada em observância ao disposto no art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Foram arrolados como responsáveis solidários pela exigência fiscal formalizada no presente processo, os Srs. Pedro Luiz da Silva Filho (CPF nº 446.480.30915) e Daniel Pedro Morando (CPF nº 003.511.75911). Registrese, a pessoa jurídica, ao tempo da fiscalização, não mais se encontrava no endereço cadastrado junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Destarte, a comunicação à fiscalizada acerca do inicio do procedimento somente se deu quatro meses após a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, com a localização do único sócio remanescente, Sr. Pedro Luiz da Silva Filho (conforme a Quinta Alteração Contratual — fls. 82 a 86 do Anexo I). Paralelamente às diligências para localizar a empresa e o representante legal perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, a fiscalização expediu Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF (fls. 22 a 27 e 86 a 97) aos bancos Unibanco, Real, Bradesco, Itaú, HSBC e Banco do Brasil. Em atendimento As RMF, foram encaminhados à RFB extratos bancários e outros documentos (Anexos X e XI). A fiscalização intimou diversos supermercados a apresentar cópias Fl. 2092DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.005429/200784 Acórdão n.º 1201000.916 S1C2T1 Fl. 268 3 de notas fiscais de mercadorias adquiridas junto a MEAT PLUS, e do Livro Razão onde foram registradas as referidas compras (fls. 36 a 76 e 79 a 84). Os documentos obtidos em resposta às referidas intimações encontramse nos Anexos II e III. Também foi expedida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF a GPA Factoring e Fomento Mercantil Ltda (fls. 98 a 100). Os documentos obtidos em resposta As referidas intimações encontramse nos Anexos VII, VIII e IX. DA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO No Termo de Inicio da Fiscalização (fls. 33 e 34), do qual teve ciência em 09 de maio de 2007, a contribuinte, na pessoa do Sr. Pedro Luiz da Silva Filho, foi intimada a apresentar, dentre outros documentos: a) Atos Constitutivos e Alterações posteriores; b) Livros Diário e Razão; c) Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR; d) extratos de contas bancárias de todas as instituições financeiras onde mantinha movimentação no ano de 2003. Em 24 de maio de 2007, o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho respondeu ao Termo de Inicio da Fiscalização (fls. 77 e 78), declarando que não dispunha da documentação contábil e fiscal da pessoa jurídica, e que nem mesmo havia conseguido obter os extratos bancários. Alegou que a partir de 24 de setembro de 2004 teve seu acesso à empresa impedido pelo Sr. Daniel Pedro Morando, que afirmou ser o proprietário de fato da pessoa jurídica. De posse dos extratos bancários, obtidos através das já referidas RMF, em 27 de agosto de 2007 (fls. 108 a 126) a fiscalização intimou a contribuinte a comprovar, com documentos hábeis e idôneos nos termos do art. 287 do RIR/99, a origem dos recursos utilizados nas operações lançadas a crédito nas contas bancárias de sua titularidade, mantidas nos bancos Unibanco, Real, Bradesco , Itaú e HSBC. Na intimação acima referida, a fiscalização deu ciência à contribuinte de que havia requisitado os extratos bancários diretamente às instituições financeiras, e anexou demonstrativos contendo, de forma individualizada, os lançamentos a crédito nas contas bancárias de sua titularidade, mantidas nos bancos Real, Unibanco, Bradesco, Itaú e HSBC. A fiscalização também informou que nos referidos demonstrativos não foram incluídos os lançamentos que correspondem a estornos, transferências entre contas da própria contribuinte, empréstimos e financiamentos, resgates de aplicações, devoluções de cheques e coberturas de saldo devedor. Em 31 de agosto de 2007 (fls. 145 a 167), o Sr. Daniel Pedro Fl. 2093DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Morando foi informado acerca do procedimento fiscal, das constatações e dos atos até então praticados pela fiscalização. Destacase a seguir, pela relevância, trecho do Termo de Intimação: Neste ato, o Senhor Daniel Pedro Morando, CPF nº 003.511.75911, toma ciência do Mandado de Procedimento Fiscal que determina a presente fiscalização em empresa na qual se CONSTATA ser sócio de fato, com poderes de gestão, utilizando seu filho, Matias Morando, CPF nº 006.193.55905, como sócio de direito, até a quinta alteração contratual, quando restou no quadro societário apenas o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho, que declarou ter deixado a empresa com a respectiva contabilidade em mãos do ora intimado, proprietário do imóvel onde a empresa então operava, conjuntamente com outra empresa, também de propriedade do intimado — "CB Distribuidora de Alimentos Ltda.". No mesmo Termo de Intimação em que foi comunicada a ação fiscal que se encontrava em andamento, o Sr. Daniel Pedro Morando foi intimado a: a) apresentar a escrituração contábil e fiscal da pessoa jurídica; b) apresentar notas fiscais de saídas e entradas; c) comprovar, com documentos hábeis e idôneos nos termos do art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), a origem dos recursos utilizados nas operações relacionadas em demonstrativos anexos, lançadas a crédito nas contas bancárias de titularidade da pessoa jurídica, mantidas nos bancos Unibanco, Real, Bradesco, Itaú e HSBC. Também em 31 de agosto de 2007 (fls. 168 e 169), o Sr. Daniel Pedro Morando recebeu cópias dos seguintes documentos: a) Termo de Inicio da Ação Fiscal, lavrado em 09/05/2007; b) Termo de lavra do Sr. Pedro Luiz da Silva Filho, datado de 10/05/2007, onde presta esclarecimentos sobre fatos relativos fiscalização; c) Cópia do Termo de Declaração e Intimação lavrado em 27/08/2007. Em 14 de setembro de 2007, em resposta à intimação acima mencionada (fls. 214 e 215), o Sr. Daniel Pedro Morando afirmou que em nenhum momento era ou é sócio de direito ou de fato da empresa MEAT PLUS ALIMENTOS LTDA, bem assim que está providenciando a juntada de diversos documentos que corroboram a afirmativa acima. Em 24 de outubro de 2007, o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho solicitou cópia dos extratos bancários da MEAT PLUS (fl. 263). No atendimento da solicitação, a fiscalização concedeu novo prazo para apresentação de esclarecimentos acerca da movimentação bancária (fls. 264 e 265). Nada foi apresentado. DA RECEITA TRIBUTÁVEL Não tendo sido apresentadas quaisquer justificativas acerca da movimentação bancária da contribuinte, a fiscalização considerou como não Fl. 2094DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.005429/200784 Acórdão n.º 1201000.916 S1C2T1 Fl. 269 5 comprovada a origem dos depósitos bancários relacionados nos demonstrativos de fls. 110 a 126. A partir dos depósitos considerados não justificados, e após deduzir os valores declarados pela contribuinte nas DIPJ, a fiscalização considerou as diferenças como sendo receita omitida, com base no art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR199). A demonstração da receita tributável encontrase A fl. 319. DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Conforme relatado acima, a contribuinte não apresentou a escrituração contábil e fiscal relativa aos anos de 2003 e 2004. Diante desse fato, a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro da contribuinte com base no art. 530, inciso III, do RIR199. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA A fiscalização entendeu estarem presentes as circunstancias previstas no art. 957 do RIR199, que ensejam a aplicação da multa de oficio qualificada de 150%. Nas palavras da fiscalização: O contribuinte movimentou de forma continuada recursos sem comprovação de origem nos dois anos fiscalizados, em diversas instituições financeiras, o que caracteriza o evidente intuito de fraude, conforme art. 957 do Regulamento do Imposto de Renda. (...) Mas, há, ainda, a utilização de interpostas pessoas, práticas operacionais ilícitas, flagrante confusão patrimonial entre empresas e seus dirigentes, falsidades nas informações prestadas ao fisco, dissolução irregular das empresas e tantos outros subterfúgios conforme histórico que ora se apresenta. DO QUADRO SOCIETÁRIO DA PESSOA JURÍDICA Antes de descrever a fundamentação adotada pela fiscalização para proceder à responsabilização de Pedro Luiz da Silva Filho e de Daniel Pedro Morando, cumpre reproduzir parte do relato encontrado no Termo de Verificação Fiscal, item I – DO CONTRIBUINTE (fls. 275 a 277), no qual a fiscalização detalha a evolução do quadro societário da pessoa jurídica: Consoante Contrato Social (doc. fls. 52 a 54 do Anexo I), a empresa foi criada em 01 de julho de 2002 no endereço Rod. SC 401 Km 5,5, n. 5.309 — Cacupé — Florianópolis/SC e tinha como sócias Neucy Ferreira e Daniele Ferreira. Em 25 de março de 2003, na primeira alteração contratual (doc. fir. 55 a 60 do Anexo I), retiraramse da sociedade as Sras. Neucy Ferreira e Daniele Ferreira e foram admitidos Alex Sandro Matias Rezende e Rita de Fl. 2095DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Cássia da Silva Rezende. Em 05 de maio de 2003, na segunda alteração contratual (doc. fls. 61 a 69 do Anexo I), retiraramse da sociedade Alex Sandro Matias Rezende e Rita de Cássia da Silva Rezende e foram admitidos Pedro Luiz da Silva Filho e Matias Morando, que é filho do Sr. Daniel Pedro Morando. Destacamos por oportuno que Neucy e Daniele Ferreira não apresentam nas Declarações de IRPF suporte econômico para a necessária subscrição das cotas da MEAT PLUS (doc. fls. 87 a 96 do Anexo I). [..] Ademais, ambas foram noticiadas como parentes da então esposa do Sr. Pedro Luiz da Silva Filho (Sra. Talita Ferreira), constituindose, presumivelmente, interpostas pessoas deste, bem como Alex Sandro Matias Rezende, que depôs na 1º Vara Criminal da Comarca de Criciúma afirmando que seu nome figurou no Contrato Social da Meat Plus a pedido de seu cunhado, Sr. Pedro Luiz da Silva Filho (doc. fls. 97 a 98 do Anexo I). Ademais, a fiscalização constatou que o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho assinava documentos como responsável pela empresa pelo menos desde janeiro de 2003, inicio do período fiscalizado. [..] Em 11 de janeiro de 2004, na Quarta Alteração do Contrato Social, o Sr. Matias Morando transfere 25.000 cotas para o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho. O Sr. Pedro Luiz da Silva Filho passa a deter 99% do capital e o Sr. Matias, 1% (doc. fls. 76 a 81 do Anexo I). Em 31 de março de 2004, o Sr. Matias Morando notificou extrajudicialmente o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho do seu interesse de retirarse das sociedades Meat Plus e CB Distribuidora (doc. fls. 16 do Anexo IV). Em 24 de setembro de 2004, na quinta alteração contratual (doc. fls. 82 a 86), retirouse da sociedade o Sr. Matias Morando, transferindo suas cotas para o único sócio remanescente, Sr. Pedro Luiz da Silva Filho. No mesmo instrumento, a empresa alterou seu endereço para Estrada da Passagem do Massiambu S/N, Município de Palhoça/SC, embora não tenha procedido à alteração do endereço no cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A quinta alteração contratual da MEAT PLUS foi lavrada em 24 de setembro de 2004, apenas quatro dias após o Contrato Social que criou, no mesmo endereço (Rod. SC 401 Km 5,5, nr. 5.309 — bairro Cacupé — Florianópolis), a empresa FLORIGEL DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. Nesta nova empresa, figurava o Senhor Daniel Pedro Morando como sócio, com 94% do capital. O objeto da FLORIGEL era "comércio atacadista e varejista de produtos alimentícios, além de representação, importação e exportação de gêneros alimentícios" (doc. fls. 32 a 34 do Anexo IV). Fl. 2096DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.005429/200784 Acórdão n.º 1201000.916 S1C2T1 Fl. 270 7 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A fiscalização relata ter constatado a ocorrência de infrações à lei, a utilização de interpostas pessoas e a dissolução irregular da pessoa jurídica, além do abuso da personalidade jurídica em razão de desvio de finalidade e de confusão patrimonial. Diante de sua constatação, a fiscalização atribui a condição de responsáveis solidários a PEDRO LUIZ DA SILVA FILHO (único sócio remanescente) e a DANIEL PEDRO MORANDO, que entende tratarse de sócio de fato. A conclusão da fiscalização está demonstrada nas seguintes passagens do Termo de Verificação Fiscal (fls. 306 e 308): Sabido é que o mero inadimplemento tributário não é hábil para justificar, de per si, a responsabilização dos sócios — administradores. Mas, repita se, o inadimplemento da obrigação tributária está acompanhado, no caso sob exame, da comprovação dos poderes dos administradores, do abuso da personalidade jurídica, da dissolução irregular das empresas e de infrações à lei. (...) No presente caso, os atos abusivos sobejam, conforme exaustivamente se historiou e comprovou, bem como a participação de Daniel Pedro Morando na "vida" das duas empresas. Cabe esclarecer que, ao mencionar "duas empresas", a fiscalização faz referência à pessoa jurídica denominada CB Distribuidora de Alimentos Ltda, já mencionada neste relatório. O lançamento tributário contra CB Distribuidora de Alimentos Ltda, resultante de procedimento fiscal conduzido simultaneamente com o discutido no presente processo, encontrase nos autos do processo administrativo nº 11516.005389/200771, também nesta DRJ em fase de julgamento de impugnação ao lançamento. De se registrar que à época dos fatos, conforme destaca a fiscalização (fl. 278), as duas empresas tinham os mesmos sócios, funcionavam no mesmo endereço, no mesmo ramo de atividade e com os mesmos produtos, compartilhando instalações, equipamentos e funcionários, chegando a realizar operações bancárias entre si. DO INTERESSE E DOS PODERES DO SR. DANIEL PEDRO MORANDO Para demonstrar o interesse comum e os poderes de gestão do Sr. Daniel Pedro Morando na MEAT PLUS, a fiscalização elaborou extensa argumentação, relacionando, em síntese, os seguintes documentos, atos ou fatos: a) fornecedor da MEAT PLUS declarou que recebeu cheques emitidos por Pedro Luiz da Silva Filho, e avalizados por Daniel Pedro Morando (fl. 100 Fl. 2097DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 do Anexo VI); b) cartas de endosso de duplicatas da MEAT PLUS abonadas pelo Sr. Daniel Pedro Morando (fls. 58 a 68 do Anexo VI); c) aquisição do imóvel onde funcionava a MEAT PLUS e a CB Distribuidora, pelo Sr. Daniel Pedro Morando, em parte com recursos que saíram de conta bancaria da MEAT PLUS (fl. 290); d) além de proprietário do imóvel onde funcionavam as empresas CB DISTRIBUIDOR e MEAT PLUS, o sr. Daniel Pedro Morando era proprietário desde janeiro de 2004 dos equipamentos utilizados por ambas, como câmaras frias e freezers horizontais, conforme contrato de compra e venda de equipamentos, móveis e utensílios de fls. 173 a179; e) a MEAT PLUS recebeu em 26 de março de 2004, na conta do Unibanco, créditos dos Srs. Damian Anel Morando e Augusto Xavier Morando, parentes do Sr. Daniel Pedro Morando, no valor de R$ 6.700,00 cada (fl. 129 do Anexo X); f) a MEAT PLUS fez em 12 de março de 2003 três transferências da sua conta bancária no Bradesco para Max Blaschke, Helga Blaschke e Friedrich Blaschke, cada uma no valor de R$ 35.000,00 (fl. 129 do Anexo X), na mesma data em que os Blaschke firmaram instrumento público de procuração no qual outorgam ao Sr. Daniel Pedro Morando amplos poderes para negociar um terreno localizado em Florianópolis (fls. 122 e 123 do Anexo XI); g) em 25 de março de 2004, o Sr. Daniel Pedro Morando transferiu, de sua própria conta bancária, R$ 5.000,00 para AP MARTINS (distribuidora da GELOKO) e R$ 10.000,00 diretamente para a GELOKO Marketing e Promoções Ltda, ambas fornecedoras da MEAT PLUS e da CB Distribuidora (fl. 183); h) MEAT PLUS e Daniel Pedro Morando teriam simulado um empréstimo (fls. 184 e 185), deste para aquela, com o real objetivo de aquisição de cotas da sociedade; i) os caminhões de propriedade da CB Distribuidora, utilizados também nas operações comerciais da MEAT PLUS, foram localizados posteriormente na FLORIGEL, pessoa jurídica na qual figurava como sócio o Sr. Daniel Pedro Morando, com 94% do capital, constituída em 20 de setembro de 2004 no mesmo endereço onde funcionavam MEAT PLUS e CB Distribuidora, com mesmo objeto social e distribuição dos mesmos produtos (GELOKO). Por fim, em razão de sua relevância para o esclarecimento de alguns fatos relativos ao presente caso, há que se relatar uma sequência de operações imobiliárias que supostamente teriam como real objetivo a aquisição, por Daniel Pedro Morando, de participação nas empresas CB DISTRIBUIDORA e CHAPOLIN DISTRIBUIDORA, utilizandose de interpostas pessoas. Segundo a Fl. 2098DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.005429/200784 Acórdão n.º 1201000.916 S1C2T1 Fl. 271 9 fiscalização (fls. 292 e 293): [..] a despeito do que retratam formalmente os contratos sociais (docs. fls. 191 a 207 do Anexo VI), constatouse que o verdadeiro adquirente das empresas "Chapolin" e "CB" não foram, efetivamente, Pedro Luiz da Silva Filho e Matias Morando, mas Daniel Pedro Morando, pai deste. Assim comprovam as escrituras de imóveis juntadas As fls. 78 a 101 do Anexo XI, através da quais fica evidenciada a triangulação que simulou a aquisição de empresas por interposta pessoa, como se demonstra: [..] A seguir, com base nas escrituras públicas lavradas em 14 de agosto de 2003, a fiscalização explica que: a) Daniel Pedro e esposa vendem a Pedro Luiz da Silva Filho e esposa, uma residência localizada no Loteamento Praia do Jurerê II pelo preço de R$ 350.000,00; b) Pedro Luiz da Silva Filho e esposa permutam a residência citada no item "a" com dois terrenos localizados no Condomínio Puerto Madero, no Cacupé, em Florianópolis, de propriedade de DGV — Empreendimentos Imobiliários Ltda, cujo sócio majoritário é o próprio Sr. Daniel Pedro Morando. Na escritura, a residência foi dada em permuta pelo valor de R$ 350.000,00, e cada terreno foi recebido em permuta por R$ 175.000,00. Aqui a fiscalização destaca que a casa retorna, indiretamente, ao patrimônio de Daniel Pedro Morando; c) Pedro Luiz da Silva Filho e esposa vendem os terrenos, cada um por R$ 175.000,00, para Arnaldo Venicio de Souza e para a empresa T&A Assessoria Financeira e Cobrança Ltda, que tinha como sócio o próprio Arnaldo Venicio de Souza. A fiscalização destaca que, à época, Arnaldo Venicio de Souza era cotista da empresa CHAPOLIN Distribuidora de Alimentos Ltda, marido de uma cotista da CB Distribuidora (Carmem Beatriz Menezes de Souza), e pai do outro sócio da CB (André Menezes de Souza). Segundo consta da Sexta Alteração e Consolidação do Contrato Social da CB Distribuidora (fls. 106 a 211 do Anexo VI), de 1 2 de agosto de 2003, Carmem Beatriz Menezes de Souza e André Menezes de Souza cedem e transferem a totalidade de suas cotas a Pedro Luiz da Silva Filho e a Matias Morando, filho de Daniel Pedro Morando. Pela transferência das cotas, ao que consta do referido documento, Carmem Beatriz Menezes de Souza recebeu, no ato, em moeda corrente, R$ 74.000,00 de Pedro Luiz da Silva Filho e R$ 21.000,00 de Matias Morando; e André Menezes de Souza recebeu, no ato, em moeda corrente, R$ 5.000,00 de Matias Morando. Em resumo, a fiscalização entendeu que as operações imobiliárias não ocorreram da forma como apresentada nos documentos, e as empresas CB e Fl. 2099DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Chapolin foram, na verdade, adquiridas pelo Sr. Daniel Pedro Morando que, para esse fim, teria transferido ao Sr. Arnaldo Venicio de Souza dois terrenos de propriedade de sua empresa (DGV — Empreendimentos Imobiliários Ltda). Essa conclusão é evidenciada ao final da descrição dos fatos. Nas palavras da fiscalização (fl. 293): Indubitavelmente, quem adquiriu as participações societárias foi Daniel Pedro Morando, utilizando como interpostas pessoas Pedro Luiz da Silva Filho e seu próprio filho, .Matias Morando. DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS Além do Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda, foram também lavrados Autos de Infração em que são exigidas a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, relativas a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2003 e 2004. DAS IMPUGNAÇÕES Dos autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal a pessoa jurídica, representada pelo único sócio remanescente, o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho, foi cientificada em 21 de novembro de 2007. Em 20 de dezembro de 2007, a contribuinte (MEAT PLUS) e o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho apresentam a impugnação de fls. 396 a 425, na qual é alegada a ilegitimidade passiva de Pedro Luiz da Silva Filho e a total improcedência do lançamento fiscal. Daniel Pedro Morando foi cientificado dos autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal, através de seu procurador, em 19 de novembro de 2007. Em 19 de dezembro de 2007, apresenta impugnação de fls. 366 a 392, em que requer, dentre outros pedidos, a desconstituição da sujeição passiva solidária que lhe foi atribuída no presente processo. Os argumentos do impugnante serão adiante detalhados. DA IMPUGNAÇÃO AO LANÇAMENTO FISCAL No primeiro item de sua petição (I — DOS AUTOS DE INFRAÇÃO, fl. 396), a impugnante referese a uma exclusão do Simples que, no presente caso, não ocorreu. Menciona, ainda, crédito tributário apurado com base em fatos geradores ocorridos em 2003, 2004 e 2005, quando, em verdade, o lançamento não abrange fatos ocorridos em 2005. No item II — DOS FATOS SUPERVENIENTES (fls. 397 a 399), a impugnante alega que não raras vezes quantias migravam de uma conta bancária para outra, entre as empresas MEAT PLUS, CB DISTRIBUIDORA e as pessoas físicas Pedro Luiz da Silva Filho, Daniel Pedro Morando e Matias Morando, razão pela qual a movimentação financeira não guarda relação com base de cálculo apurada pela fiscalização. Ainda no item II, a impugnante faz menção a planilhas que teriam sido protocoladas em 26 de novembro de 2007 — após, portanto, a ciência do Fl. 2100DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.005429/200784 Acórdão n.º 1201000.916 S1C2T1 Fl. 272 11 lançamento contendo informações sobre movimentações financeiras realizadas sucessivas vezes entre as empresas. PRELIMINARES O item III da petição é destinado a questões preliminares. No item III.I, a impugnante alega que o lançamento é nulo porque não foi fixado prazo máximo para conclusão dos trabalhos de fiscalização, conforme o disposto no art. 196 do Código Tributário Nacional. E, segundo a impugnante, mesmo que tivesse fixado prazo máximo, deixou a autoridade administrativa de lavrar Termo de Prorrogação. A preliminar contida no item III.II diz respeito a responsabilidade solidária de Pedro Luiz da Silva Filho, e será relatada em momento próprio. Na preliminar III.III — DA IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DE MULTA/VÍCIO DO LANÇAMENTO (fls. 404 e 405), alega a nulidade do lançamento ou, ao menos, pugna que seja declarada indevida a aplicação da multa em razão de a autoridade fiscal ter aplicado multa de oficio, quando, no entendimento da impugnante, deveria ter apenas proposto sua aplicação. No seu entender, o fisco deveria se limitar a elaborar um relatório da ocorrência e leválo ao conhecimento da autoridade julgadora, quando então poderia ser efetivamente imposta a penalidade. Ainda no item III.III, citando Ruy Barbosa Nogueira, alega que as leis ordinárias e os regulamentos que atribuem aos agentes fiscais a lavratura de autos de infração com imposição de multas violam o CTN. Na preliminar III.IV, a impugnante alega que a forma de calcular os juros de mora, encargos e atualização monetária não é explicada detalhadamente nos Autos de Infração, nos demonstrativos de multa e juros e nem no Termo de Verificação Fiscal, o que representaria um erro grave. Fundamenta sua afirmação na exigência da necessária observância do aspecto formal do ato administrativo, que viabilize o exercício do contraditório e da ampla defesa. Ainda no mesmo item, a impugnante afirma que deve estar expresso no lançamento o valor originário, os juros que incidem sobre o valor originário (com indicação da data a partir da qual devem ser computados e a forma de calcular), os encargos previstos na lei, a atualização monetária, e o fundamento legal dos elementos acima citados. Para a impugnante, não basta apenas mencionar a legislação e lançar números. Questiona se não haveria, no caso, a incidência de juros sobre juros, ou de multa sobre multa. No item III.V, a impugnante expõe seu entendimento sobre o Fl. 2101DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 instituto do lançamento tributário, para então afirmar que, no presente caso, os aspectos da hipótese de incidência não estão identificados, o que ensejaria sua nulidade. Alega que as razões legais que determinam o lançamento estão postas de forma confusa, o que acarreta cerceamento do seu direito de defesa, tornando difícil a averiguação dos números lançados pelo fisco em seus cálculos matemáticos. No mesmo item, afirma que o Fisco não apresentou elementos que pudessem ensejar o referido ato fiscal e arremata, citando Paulo de Barros Carvalho, dizendo que "o ato jurídico administrativo de lançamento será nulo, de pleno direito, se o motivo nele declarado — a ocorrência de determinado fato jurídico tributário por exemplo — inexistiu." Por fim, em item não numerado denominado DO LANÇAMENTO INSANÁVEL (fls. 408 a 410), a impugnante ataca o fato gerador e a base de cálculo do lançamento, alegando que inexistiu um levantamento correto. Afirma que não são infrequentes as ocasiões em que o profissional do Direito Tributário se depara com autuações nas quais os fatos alegados pelas autoridades fiscais não se enquadram em hipóteses abstratamente escolhidas pelo legislador para a exigência de um tributo. Citando o art. 333 do Código de Processo Civil e ementa de julgado do Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo, de 18/12/1985, afirma que, para a configuração do fato gerador, compete ao poder público, de modo privativo e obrigatório, a comprova cão da existência de todos os elementos componentes do fato, sob pena de mera presunção. Para a impugnante, a contribuinte não pode em hipótese alguma ser apenado por alegações decorrentes de mera presunção simples, sem provas que venham a materializar o dito lançamento tributário. QUESTÕES DE MÉRITO No mérito, a impugnante primeiramente afirma que nada deve ao Fisco, tendo sido registradas e declaradas todas as movimentações financeiras, e comerciais da(s) pessoa(s) jurídicas(s), conforme restará evidenciado no decorrer do presente procedimento administrativo, somado a matéria indicada nos fatos supervenientes, e nas preliminares arguidas. No item IV.I, intitulado DA ILEGALIDADE DO ARBITRAMENTO DO LUCRO, E DO CERCEAMENTO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO (fls. 411 a 413), a impugnante alega que não apresentou a escrituração contábil e fiscal à autoridade fiscal porque a contabilidade era controlada pelo sócio administrador de fato DANIEL MORANDO. A impugnante alega, ainda, que os extratos bancários que foram requeridos pelo Fisco, somados as notas fiscais obtidas junto a clientes, seriam suficientes para ilidir o arbitramento. A impugnante defende que o arbitramento alcançou valores muito elevados porque o "mesmo dinheiro" acabava circulando na conta das pessoas Fl. 2102DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.005429/200784 Acórdão n.º 1201000.916 S1C2T1 Fl. 273 13 físicas e jurídicas apontadas [...] o que gerava grande vulto. Citando o disposto no art. 148 do CTN, afirma que a legislação tributária nacional é clara ao dispor que somente será realizado o arbitramento quanto [sic] forem omissos, ou não mereçam fé os documentos prestados pelo sujeito passivo o que tornaria inviável o arbitramento em exame, pois os documentos colhidos de terceiros [..] são fidedignos. Ainda no item IV.I, novamente afirma que não estando indicados [..] todos os dados e documentos utilizados para aferição dos valores arbitrados, o lançamento coloca também os Impugnantes em evidente hipótese de cerceamento do exercício da ampla defesa e do contraditório. O item IV.II (fls. 413 a 420) destinase a atacar a constitucionalidade e a legalidade da aplicação da taxa SELIC ao caso. Por motivos que serão explicadas no voto, deixo de relatar essa parte da argumentação da impugnante. Da mesma forma, o item IV.III (fls. 420 a 423) destinase a atacar a constitucionalidade das normas legais que cominam as multas fiscais em 150% ou 75%. Por motivos que serão explicadas no voto, deixo também de relatar essa parte da argumentação da impugnante. No item IV.IV a impugnante contesta a qualificação da multa de oficio alegando que não existem elementos probatórios acostados nos autos administrativos capazes de ensejar a aplicação furiosa de percentuais astronômicos. Entende que, caso seja admitida a procedência do crédito em discussão, seria o caso de aplicação da multa de 75%, prevista para a falta ou insuficiência de pagamento. PEDIDOS Por fim, no item V — DOS PEDIDOS, a impugnante requer o acatamento das preliminares arguidas, além de toda a matéria de mérito; pugna pela produção de todos os gêneros de provas admitidas em direito; requer que sejam acostados todos os documentos que constituíram o procedimento que originou o lançamento, dentre eles, os termos de abertura, prorrogação, diligências etc; e requer a juntada de novos documentos tendo em vista as buscas incessantes realizadas pelo Segundo Impugnante/PEDRO LUIZ para comprovar as teses apresentadas. DA IMPUGNAÇÃO À RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA ATRIBUÍDA A PEDRO LUIZ DA SILVA FILHO A impugnação à responsabilidade tributária solidária do Sr. Pedro Luiz da Silva Filho foi apresentada em conjunto com a impugnação da pessoa jurídica ao lançamento. A seguir, portanto, serão relatadas apenas as alegações relativas à responsabilidade tributária. Fl. 2103DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 No item II — DOS FATOS SUPERVENIENTES (fls. 397 a 399), o impugnante alega que: embora conste como sócio administrador da MEAT PLUS, não possuía 110 plenos poderes como indicam formalmente os contratos sociais; era responsável apenas pelas atividades comerciais da MEAT PLUS; atuava subordinado aos comandos do sócio de fato Daniel Pedro Morando; deixou de apresentar a escrituração contábil e os documentos que lhe dão suporte porque teve obstada sua entrada no imóvel onde funcionava a MEAT PLUS; sua ilegitimidade passiva é evidente, tendo sido posto para figurar nos contratos sociais como proprietário e administrador, mas efetuava atos apenas por subordinação aos comandos de Daniel Pedro Morando. No item III.II (fls. 401 a 403) o impugnante aprofundase nas alegações de ilegitimidade passiva decorrente da inexistência de solidariedade, aduzindo que: foi inserido nos contratos sociais como proprietário a administrador, mas nunca ocupou, ou teve proveitos correspondentes as prerrogativas que lhe foram atribuídas formalmente; sua responsabilidade com base no inciso III do art. 135 do CTN exige a evidente prática de atos de direção ou gerência, que, de sua parte, não estiver= presentes; a simples condição de sócio não implica a responsabilidade tributária prevista no inciso III do art. 135 do CTN; o inadimplemento da obrigação tributária não configura violação A. Lei apta a ensejar a responsabilidade dos sócios. No mais, o impugnante reiteradamente alega que a responsabilidade tributária deveria recair, exclusivamente, sobre Daniel Pedro Morando. DA IMPUGNAÇÃO A RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA ATRIBUÍDA A DANIEL PEDRO MORANDO Conforme já mencionado, em 19 de dezembro de 2007, o Sr. Daniel Pedro Morando apresenta impugnação de fls. 366 a 392. O impugnante inicia sua petição afirmando que a fiscalização não foi contundente e investigativa a ponto de demonstrar que era sócio de fato da MEAT PLUS, que praticava atos de gestão na mesma, ou que teria se beneficiado com a movimentação financeira da empresa. Alega que a fiscalização manipulou as informações e datas sobre a saída de Matias Morando, seu filho, numa clara tentativa de induzir a idéia de que Matias Morando preparou de forma prémeditada a dissolução irregular da mesma. Fl. 2104DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.005429/200784 Acórdão n.º 1201000.916 S1C2T1 Fl. 274 15 Passando para outro aspecto do relato fiscal, o impugnante afirma que a fiscalização, numa clara tentativa de caracterizar uma continuidade, uma sucessão da MEAT PLUS, relata que ao mesmo tempo em que Matias Morando saia das sociedades, seu pai Daniel Pedro Morando criava a FLORIGEL, da qual era sócio com 94% do capital e com o mesmo objeto da MEAT PLUS. No entanto, a fiscalização teria omitido o fato de que a FLORIGEL, no período em que Daniel Pedro era detentor de cotas dessa sociedade, não efetuou qualquer movimentação, não atuou no mercado, não tinha inscrição estadual, não tinha talonário de notas fiscais, e que essa informação foi prestada na declaração de inatividade à Receita Federal do Brasil. Fazendo referência a processos criminais, a que teve acesso a fiscalização, em que a suspeita dos juízes é de que Pedro Luiz da Silva Filho roubou da Perdigão e agora usa Daniel Pedro Morando como seu "laranja", o impugnante alega que para a fiscalização é justamente o contrário: Pedro Luiz da Silva Filho é "laranja" de Daniel Pedro Morando. Ou seja, a fiscalização se apóia em processos que até agora apuraram justamente o oposto do que o apurado pela fiscalização. O impugnante alega cerceamento de seu direito de defesa em razão de não lhe terem sido disponibilizados os processos criminais citados pela fiscalização. Contesta a conclusão da fiscalização de que é o verdadeiro proprietário da empresa. Alega que a tese da fiscalização é baseada em declaração de Pedro Luiz da Silva Filho, desconsiderando documentos, particulares e públicos, atos jurídicos perfeitos e distorcendo a realidade para que ela se adequasse a sua tese. O impugnante afirma que durante todo trabalho a fiscalização não se preocupou em apurar a verdade material. Afirma que o fato de ser proprietário e locador de imóvel no qual está estabelecida a sociedade empresarial não o torna sócio da empresa locatária. Afirma que é juridicamente impossível sustentar que o aval torna alguém sócio de outrem. Sobre transferências financeiras identificadas pela fiscalização, da MEAT PLUS para três pessoas físicas que lhe outorgaram poderes para negociar um terreno localizado em Florianópolis, o impugnante assim se manifestou: 32. A inda mais absurda, na folha 16 do Termo de Verificação relativo a Meat Plus, é a seguinte alegação: "A MEAT PLUS fez em 12/03/2003 três transferências da sua conta bancária no Banco Bradesco (ag 1472, C/C 23393) para Max Blaschke, Helga Blaschke e Friedrich Blaschke, cada uma no valor de R$ 35.000,00 (doc. fls 30 do anexo X). Fl. 2105DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 As transferências ocorreram na mesma data em que os Blaschke fizeram instrumento público de procuração no qual outorgaram ao Sr. Daniel Pedro Morando amplos poderes para negociar um terreno de vultuoso valor (19 mil metros quadrados em Ponta das Canas, Florianópolis)." 33. Isto só é indicio para fiscalização porque ela não leu as prestações de esclarecimentos feitas pelo senhor Daniel Pedro Morando, porque desconsiderou os documentos existentes, assinados e corn firmas reconhecidas à época dos contratos. 34. A prestação de esclarecimento, que explica a confissão de divida, inicia descrevendo o inicio da relação entre o senhor Daniel Pedro Morando e Pedro Luiz da Silva Filho. Lá relatamos que o contato iniciou quando Pedro adquiriu a casa de Daniel, localizada na praia de Jurerê. Isto não é uma mera declaração, uma simples prestação de informação, não! Há um contrato assinado e datado de 05 de março de 2003. As assinaturas do contrato foram reconhecidas em 04 de abril de 2003. 35. O contrato prevê um pagamento de R$ 105 mil a vista. E é justamente a este pagamento que se referem ás transferências no valor de R$ 35 mil cada, e que juntas totalizam exatamente R$ 105 miL Reparem os senhores que, o contrato foi assinado no dia 05 de março de 2003 e as transferências bancárias, conforme a própria fiscalização, ocorreram no dia 12 de março de 2003. Importante destacar, que tal qual todo seu patrimônio, a compra do imóvel dos Blaschkes foi devidamente declaração [sic] no IR. 36. O que ternos aqui é Pedro Luiz da Silva Filho quitando parte do pagamento da casa adquirida do senhor Daniel Pedro Morando. Como na mesma época o senhor Daniel Pedro Morando estava adquirindo imóvel dos Blaschkes, solicitou que Pedro efetuasse o depósito diretamente na conta destes. [...] 65. O contrato prevê um pagamento de R$ 105 mil a vista. E é justamente a este titulo que ocorrem as transferências no valor de R$ 35 mil cada, e que juntas totalizam exatamente R$ 105 miL Reparem os senhores que, o contrato foi assinado no dia 05 de março de 2003 e as transferências bancárias, conforme a própria fiscalização, ocorreram no dia 12 de março de 2003. 66. O que temos aqui é Pedro Luiz da Silva Filho quitando parte do pagamento da casa adquirida do senhor Daniel Pedro Morando. Corno na mesma época o senhor Daniel Pedro Morando estava adquirindo imóvel dos Blaschkes, solicitou que Pedro efetuasse o depósito diretamente lia conta destes. Se Pedro Luiz da Silva Filho fez as transferências das contas da empresa, se utilizou recursos dela para guitar divida pessoal, isto é algo que vai Fl. 2106DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.005429/200784 Acórdão n.º 1201000.916 S1C2T1 Fl. 275 17 além das prerrogativas do senhor Daniel Pedro Morando, na condição de credor, mesmo porque não poderia ter acesso a este tipo de informação. 0 que lhe importava naquele momento, enquanto credor, era que a divida de R$ 105 mil foi quitada. Adiante em sua petição, o impugnante se queixa quanto ao fato de que a fiscalização não teria considerado seus esclarecimentos prestados no curso do procedimento fiscal quanto a empréstimo que fez à empresa MEAT PLUS. Faz considerações sobre o que denominou "triangulação" de terrenos imaginada pela fiscalização, relativa ao que, segundo a autoridade autuante, seriam operações imobiliárias com real objetivo de aquisição, por Daniel Pedro Morando, de participação nas empresas CB Distribuidora e CHAPOLIN Distribuidora, utilizandose de interpostas pessoas: 43. A "triangulação" de terrenos imaginada pela fiscalização nas folhas 14 e 18 são [sic] de uma enorme capacidade criativa e de um total desconhecimento das práticas imobiliárias e registrais. Há [sic] fiscalização alega que se trata de negócio simulado e que tudo ocorreu num único dia (14 de agosto de 2003). 44. Senhores, as escrituras e os respectivos registros foram feitos na mesma data, no entanto há contrato particular lastreando tais documentos públicos. Por exemplo, o contrato de promessa de compra e venda de imóvel, datado de 05 de março de 2003 e com reconhecimento de firma datada de 04 de abril de 2003. 45. 0 que ocorre é que geralmente se procura os cartórios quando há a necessidade de se formalizar tais operações, isto pelos custos envolvidos e pelo fato de o registro público não ser obrigatório. Alega que não há qualquer prova de sua participação na atividade de recompra/falsificacão de duplicatas. Mais adiante afirma que, caso a movimentação financeira da MEAT PLUS tenha se formado a partir do desconto de duplicatas frias, não há dúvida que o responsável tributário é exclusivamente a pessoa responsável pela produção das duplicatas frias e seus descontos, nos termos do artigo 135 do Código Tributário Nacional. Afirma que nunca realizou qualquer ato de administração, gestão, representação ou comércio na MEAT PLUS, não havendo nenhum documento que provasse o contrário. O impugnante afirma que não há prova de que havia confusão patrimonial entre as empresas MEAT PLUS, CB e CHAPOLIN, e seu patrimônio pessoal. Alega, por fim, que a fiscalização não comprovou o uso de recursos da MEAT PLUS para mutação de seu patrimônio.” Fl. 2107DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 O acórdão recorrido foi assim ementado: “ASSUNTO: IM POSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto A instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ONUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade Fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Se as circunstâncias apuradas pelo Fisco, evidenciam a intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA. São responsáveis pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, os diretores, gerentes ou representantes que tenham praticado atos com infração de lei, tais como a dissolução irregular da empresa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 PRORROGAÇÃO DE PRAZO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA FORMAL DO SUJEITO PASSIVO. DESNECESSIDADE. Fl. 2108DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.005429/200784 Acórdão n.º 1201000.916 S1C2T1 Fl. 276 19 O Mandado de Procedimento Fiscal possui código de acesso à internet, permitindo que o sujeito passivo, sempre que necessitar, acesse o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação. Eventual não fornecimento do demonstrativo de prorrogação A. fiscalizada não tem o condão de tornar nulo o procedimento fiscal e, consequentemente, o auto de infração, haja vista que o contribuinte pode acessar a situação do MPF na internet, por meio do código de acesso (indicado no MPF), quantas vezes necessitar, inclusive após o encerramento da ação fiscal. CERCEAMENTO DO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. Tendo sido detalhadamente abordadas pela fiscalização as razões que levaram ao arbitramento dos lucros, não há que se falar em cerceamento do exercício da ampla defesa e do contraditório. Também descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa quando todos os documentos referidos pela fiscalização encontramse devidamente juntados ao processo. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas A. observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguida de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições especificas ou elementos de prova novos. Impugnação Improcedente.” Foi interposto Recurso Voluntário, exclusivamente por Daniel Pedro Morando (fls. 493/525), nos mesmos termos da impugnação apresentada e, em síntese, manifestouse contrário à responsabilidade solidária a ele atribuída, pois a acusação fiscal teve como fundamento meras presunções e nenhuma prova concreta. Nesse contexto, pugnou pela sua exclusão da situação de responsável tributário. E caso não seja o entendimento deste Conselho, pugnou pela exclusão dos débitos da CB dos períodos de 01/2003 a 19/08/2003, pois se a fiscalização considerou que o recorrente passou a ser sócio de fato da empresa em 19/08/2003, sua responsabilidade existiria a partir de tal data. Da mesma forma em relação à MEAT PLUS, seu filho apenas foi admitido como sócio perante terceiros em 09/09/2003, portanto, se a tese da fiscalização é de que o Recorrente teria se utilizado do filho como interposta pessoa, não há como responsabilizálo pelos débitos Fl. 2109DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 20 tributários da empresa no período de 01/2003 a 09/09/2003. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator. O Recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Diante do recurso apresentado, fazse necessária a análise da imputação da responsabilidade solidária do recorrente. O problema colocado em teste é tortuoso e se desmembra em várias facetas. Primeiro é necessário avaliarmos qual é o verdadeiro conteúdo jurídico do “termo de sujeição passiva solidária” lavrado pela autoridade fiscalizatória; logo após, temos que buscar o verdadeiro momento em que o responsável deve ser chamado a responder pelo débito tributário e de quem é a competência para obrigálo a cumprir com o seu dever; feito isso, cabe a nós percorrermos o processo administrativo para concluirmos sobre a possibilidade do responsável se defender na esfera administrativa; por fim, nos restará decretar o destino do termo lavrado e aqui destrinchado. A autoridade fundamentou a caracterização da responsabilidade solidária nos artigos 124, I e 135, III do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Assim, estamos diante de responsabilidade de terceiro (art. 135 do CTN), cabe esmiuçar a natureza jurídica deste instituto. O entrevero ocorre entre aqueles que entendem que os responsáveis tributários tratados nos artigos 128 a 138 do CTN não são sujeitos passivos (apenas poderão ter que pagar o tributo e/ou penalidade pecuniária) e aqueles que entendem que o referido responsável tributário é sujeito passivo (sujeição passiva indireta por transferência). Dentre aqueles que defendem a primeira corrente não posso deixar de citar minha ex companheira de Câmara, a qual tive a sorte de ver atuar como Conselheira deste Egrégio Conselho, a Conselheira Sandra Faroni, que, como sempre, nos esclarece: Fl. 2110DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.005429/200784 Acórdão n.º 1201000.916 S1C2T1 Fl. 277 21 “Os Capítulos IV e V do Título Segundo do Livro Segundo do CTN tratam, respectivamente, do Sujeito Passivo (compreendendo os artigos 121 a 127) e da Responsabilidade Tributária (compreendendo os artigos 128 a 138). Essa sistematização conduz ao entendimento de que as pessoas referidas na responsabilidade tributária tratada nos artigos 128 a 138 não são sujeitos passivos da obrigação tributária, mas poderão ter que pagar o tributo e/ou penalidade pecuniária. Sujeito passivo é tratado no Capítulo IV, que compreende apenas os artigos 121 a 127.” Outrossim, aqueles que defendem a segunda posição se socorrem dos ensinamentos de Rubens Gomes de Souza, o qual, em sua classificação, distingue o sujeito passivo em direto e indireto. O sujeito passivo indireto é desdobrado em Sujeito passivo indireto por substituição e Sujeito passivo indireto por transferência; este último abarca as pessoas referidas a partir do artigo 128 do CTN até o artigo 138 do mesmo Código. Pois bem, se seguirmos o primeiro caminho (art. 135 não define sujeito passivo) estaríamos diante da impossibilidade destes responsáveis fazerem parte do lançamento, pois não faz parte do critério pessoal da obrigação, e igualmente diante da possibilidade de incluílo no pólo passivo da execução fiscal, pois poderá ser responsabilizado pelo pagamento do crédito tributário. Neste caso, a competência para tanto é da Procuradoria Nacional. Outrossim, caso sigamos o segundo bloco, daqueles que entendem ser o responsável do art. 135 do CTN sujeito passivo, ainda assim chegaremos à mesma conclusão. Isto porque a sujeição passiva aqui é a indireta por transferência, a qual depende de um evento para deslocar para um terceiro a condição de devedor, diversamente da responsabilidade por substituição (art. 121, II do CTN), na qual a lei desde logo põe o “terceiro” no lugar do contribuinte. Assim, se a responsabilidade se transfere pela ocorrência de algum evento, o lançamento nestes casos deve ser realizado em nome do contribuinte, pois o responsável não integra o sujeito passivo eleito na norma que descreve a obrigação tributária, somente após, na fase de cobrança, de competência da Procuradoria Nacional, é que o responsável por transferência seria chamado a fazer parte do pólo passivo como sujeito passivo, em razão da ocorrência de algum fato autorizador da transferência. Para coadunar este entendimento, o artigo 128 do CTN, ao tratar das disposições gerais sobre a Responsabilidade Tributária, determina que: “Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” (g/n) Notese que a responsabilidade aqui é pelo crédito tributário, portanto este já deve ter sido constituído anteriormente em nome do contribuinte ou responsável por substituição (art. 121, I e II do CTN). Fl. 2111DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 22 Vale ressaltar que este raciocínio não abrange os casos em que uma terceira pessoa toma o lugar do contribuinte em razão do desaparecimento deste, como é o caso da incorporação, em que a incorporada desaparece e a incorporadora ocupa o lugar daquela como contribuinte. No entanto, não são somente estes os argumentos que levam à conclusão de que é da Procuradoria da Fazenda Nacional a competência para incluir o responsável por transferência no pólo passivo do crédito tributário. Para tomarmos o caminho da conclusão, fazse necessário apurar a natureza da responsabilidade inserta no artigo 135 do CTN. Para alguns doutrinadores, tratase de responsabilidade solidária, ou seja, o fisco pode cobrar seu crédito tributário tanto do contribuinte direto quanto dos responsáveis tributários, sem qualquer benefício de ordem. Entretanto, para outra parte da doutrina e jurisprudência, com a qual coaduno, tratase de responsabilidade subsidiária, isto é, devese primeiro cobrar a obrigação tributária do contribuinte direto e, somente em não havendo o adimplemento por parte deste pode ser intentada a cobrança em face do responsável. Neste sentido, assim dispõe Hugo de Brito Machado em sua obra “Curso de Direito Tributário”, 26ª edição, pág. 169: “Em conclusão, a questão em exame pode ser assim resumida: (a) os sóciosgerentes, diretores e administradores de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, ou anônimas, em princípio não são pessoalmente responsáveis pelas dívidas tributárias destas; (b) em se tratando de IPI, ou de imposto de renda retido na fonte, haverá tal responsabilidade, por força da disposição expressa do Decretolei nº 1.736/79; (c) relativamente aos demais tributos, a responsabilidade em questão só existirá quando a pessoa jurídica tenha ficado sem condições econômicas para responder pela dívida em decorrência de atos praticados com excesso de poderes ou violação da lei, do contrato ou do estatuto; (d) a liquidação irregular da sociedade gera a presunção da prática desses atos abusivos ou ilegais. Em síntese, os atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatutos, aos quais se reporta o art. 135, III, do CTN, são aqueles atos em virtude dos quais a pessoa jurídica tornouse insolvente.” No mesmo sentido acima esposado assim já decidiu o E. STJ: “TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PROCESSUAL CIVIL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO CONFIGURADA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÓCIOGERENTE. SISTEMÁTICA DO ART. 135 DO CTN. FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO. NÃOCONFIGURAÇÃO, POR SI SÓ, NEM EM TESE, DE SITUAÇÃO QUE ACARRETA A RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DOS SÓCIOS. Fl. 2112DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.005429/200784 Acórdão n.º 1201000.916 S1C2T1 Fl. 278 23 (...) 3. Para que se viabilize a responsabilização patrimonial do sóciogerente na execução fiscal, é indispensável que esteja presente uma das situações caracterizadoras da responsabilidade subsidiária do terceiro pela dívida do executado. 4. Segundo a jurisprudência do STJ, a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, situação que acarreta a responsabilidade subsidiária dos sócios (EREsp 374139/RS, Primeira Seção, Min. Castro Meira, DJ de 28.02.2005). 5. Recurso especial a que se nega provimento.” (Resp n.º 833.621/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, DJ em 03/08/2006)(g/n) “TRIBUTÁRIO E PROCESSO CIVIL RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA: SÓCIOGERENTE (ART. 135, III, DO CTN). 1. O sóciogerente de sociedade limitada responde subsidiária e subjetivamente pelo débito da sociedade, se ela ainda não se extinguiu. 2. O artigo 135, III, do CTN, não é impositivo e a jurisprudência do STJ, após controvérsia, vem se inclinando pela predominância da responsabilidade subjetiva. 3. Recurso especial improvido.” (Resp n.º 135.091/PR, Ministra Eliana Calmon, DJ em 09/04/2001)(g/n) Assim, podese concluir que a finalidade do artigo 135 do CTN é de garantir o adimplemento do débito fiscal, através da possibilidade de transferência da responsabilidade quanto ao crédito tributário do sujeito passivo direto a terceira pessoa (sóciogerente e administrador), que passa a responder pela dívida. Contudo, isso deverá ocorrer apenas após esgotadas as possibilidades de recebimento do crédito tributário do sujeito passivo direto, o que se dará na fase de cobrança judicial. Desta forma, resta evidente que a competência para cobrar o crédito tributário é de competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional. Em segundo lugar, a competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional para exigir dos responsáveis tributários o pagamento do débito encontra fundamento na possibilidade da cobrança realizada através da execução fiscal poder ser redirecionada a Fl. 2113DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 24 qualquer momento para atingir o patrimônio daqueles, sem que haja a prévia necessidade da inclusão de seus nomes no título executivo. Quanto à desnecessidade de inclusão do nome do responsável tributário na Certidão de Dívida Ativa assim já se manifestou o E. STJ: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS DE DEVEDOR. NULIDADE DA CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA CDA. REQUISITOS (AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO CORESPONSÁVEL PELO DÉBITO TRIBUTÁRIO E DE DISCRIMINAÇÃO DA DÍVIDA). ART. 2º, § 5º, DA LEI 6.830/80. LITIGÂNCIA DE MÁFÉ. AFASTAMENTO. 1 Segundo remansosa jurisprudência desta Corte e do Colendo STF, a execução fiscal é proposta contra a pessoa jurídica, não sendo exigível fazer constar da CDA o nome dos co responsáveis pelo débito tributário, os quais podem ser chamados supletivamente. Precedentes. (...)” (Resp n.º 271.584/PR, Ministro José Delgado, DJ em 05/02/2001) (g/n) “TRIBUTARIO EXECUÇÃO FISCAL PENHORA DE BENS – RESPONSABILIDADE DO SOCIO ARTIGOS 135 E 136, CTN. 1. O SOCIO RESPONSAVEL PELA ADMINISTRAÇÃO E GERENCIA DE SOCIEDADE LIMITADA, POR SUBSTITUIÇÃO, E OBJETIVAMENTE RESPONSAVEL PELA DIVIDA FISCAL, CONTEMPORANEA AO SEU GERENCIAMENTO OU ADMINISTRAÇÃO, CONSTITUINDO VIOLAÇÃO A LEI O NÃO RECOLHIMENTO DE DIVIDA FISCAL REGULARMENTE CONSTITUIDA E INSCRITA. NÃO EXCLUI A SUA RESPONSABILIDADE O FATO DO SEU NOME NÃO CONSTAR NA CERTIDÃO DE DIVIDA ATIVA. 2. MULTIPLICIDADE DE PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS (STF/STJ). 3. RECURSO PROVIDO.” (Resp n.º 33.731/MG, Ministro Milton Luiz Pereira, DJ em 06/03/95) (g/n) De acordo com o entendimento acima esposado, resta claro que na esfera judicial é pacificamente aceita a inclusão dos responsáveis tributários em qualquer fase da execução fiscal, mesmo que não tenham figurado na respectiva Certidão de Dívida Ativa. Ademais, nem se alegue que o fato de não ter havido procedimento administrativo contra o responsável e nem ter se extraído Certidão de Dívida Ativa contra ele poderia ensejar a impossibilidade da cobrança. Isto porque o CPC, que é aplicado Fl. 2114DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.005429/200784 Acórdão n.º 1201000.916 S1C2T1 Fl. 279 25 subsidiariamente às questões de direito tributário, assim distinguiu as figuras do devedor e do responsável tributário para fins de sujeição passiva na demanda executiva: “ Art. 568. São sujeitos passivos na execução: I – o devedor, reconhecido como tal no título executivo; (...) V – o responsável tributário, assim definido na legislação própria.” Do dispositivo acima resta claro que se tratando do devedor principal, este deve necessariamente fazer parte do título executivo, porém, inexiste esta exigência em relação ao responsável tributário. De acordo com todo o exposto, a competência para imputar a responsabilidade a terceiro e redirecionar a cobrança através da Execução Fiscal é exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional. Por sua vez, a competência do Conselho de Contribuintes é para rever o ato administrativo de lançamento. Como a imputação da responsabilidade não faz parte do lançamento, conclui se que não seria da competência deste Conselho analisar o mérito da responsabilidade. Logo, a decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não vincularia a Procuradoria da Fazenda Nacional e, diante disso, este órgão administrativo de julgamento estaria meramente opinando e decidindo em caráter precário a questão. Ressaltese que a PGFN, ao indicar os coresponsáveis pelo cumprimento da obrigação tributária na CDA, não está vinculada a qualquer termo de solidariedade elaborado pela fiscalização, podendo concluir pela responsabilização de acordo com as informações coletadas pelo agente fiscalizador durante o procedimento fiscal, bem como de acordo com o andamento da cobrança executiva. Vale elucidar, entretanto, a imprescindível colaboração do agente fiscalizador que, no bojo do processo administrativo fiscal, deverá investigar e demonstrar através de provas e indícios a conduta ilícita dos sócios e administradores, pois é através deste trabalho que a PGFN conseguirá reunir os elementos factuais necessários para decidir pela co responsabilidade ou não dos envolvidos, já que não tem contato direto com os fiscalizados. Por seu turno, do exposto, vale a análise da validade do “Termo de Solidariedade Passiva”. Conforme toda a fundamentação acima aduzida, concluise que a competência para exigir dos responsáveis tributários o adimplemento do crédito do Fisco é exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional, no âmbito do processo judicial de cobrança. Outrossim, o artigo 59 do Decreto n.º 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal assim determina: “Art. 59. São nulos: Fl. 2115DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 26 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; (...)” Logo, podese concluir que os “Termos de Solidariedade Passiva” objetivando a imputação da responsabilidade a terceiros é nulo, vez que lavrado por autoridade incompetente, no caso, o agente fiscal, face à competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional. Diante do exposto, tendo em vista a incompetência do agente fiscalizador para a lavratura do termo de solidariedade, por ser matéria de execução fiscal, de competência da Fazenda Nacional, voto no sentido de declarar a nulidade do ato de imputação de responsabilidade do recorrente. Importante esclarecer que a nulidade do Termo de Verificação Fiscal não impede o conhecimento do Recurso dos sujeitos citados no citado termo, pois a legitimidade advém da letra da lei citada e não da presente decisão, senão vejamos. A Lei n.º 9.784/99, que rege o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, assegura a todos os interessados no processo administrativo o direito ao contraditório e à ampla defesa, senão vejamos: “Art. 2º. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.” “ Art. 9º. São legitimados como interessados no processo administrativo: (...) II – aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser tomada; (...)” Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo: (...) II aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; (...).” No caso em análise, diante do reconhecimento da existência de Solidariedade Passiva, conforme termo de verificação fiscal, pelo agente fiscalizatório em face dos responsáveis tributários, temse que estes têm a legitimidade para atuar como interessado no âmbito do processo administrativo fiscal. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte para anular os termos de sujeição passiva lavrado. (documento assinado digitalmente) Fl. 2116DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.005429/200784 Acórdão n.º 1201000.916 S1C2T1 Fl. 280 27 JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Redator designado. 1) Da Preliminar de Nulidade dos Termos de Responsabilidade Tributária Em que pesem as razões expostas pelo ilustre Relator, peço licença para dele divergir no que toca à afirmada nulidade dos termos de imputação de responsabilidade tributária lavrados pela autoridade lançadora. O motivo da divergência advém do exame das disposições contidas no CTN a esse respeito, em especial em seus abaixo transcritos arts. 121, 142, 145 e 202: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (...) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (...) Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; (...) Art. 202. O termo de inscrição da dívida ativa, autenticado pela autoridade competente, indicará obrigatoriamente: I o nome do devedor e, sendo caso, o dos coresponsáveis, bem como, sempre que possível, o domicílio ou a residência de um e de outros; (...) Ora, o art. 121 é de clareza solar ao distinguir as duas espécies do gênero “sujeito passivo” no âmbito do direito tributário, quais sejam, o “contribuinte” e o “responsável”. Já o art. 142 determina que compete à autoridade fiscal lançadora, dentre outras coisas, identificar o “sujeito passivo”, e não apenas o “contribuinte”. Em outras palavras, se a autoridade entender que também deva figurar no pólo passivo da relação jurídica Fl. 2117DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 28 tributária pessoa que, “sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei” (responsável), deverá fazer constar o nome dessa pessoa já no ato do lançamento. Ademais, conforme lhe assegura o art. 145, tem o “sujeito passivo”, e não somente o contribuinte, o direito de impugnar o lançamento, bem como o de recorrer administrativamente de eventual decisão que lhe seja desfavorável, nos termos das normas que disciplinam o processo administrativo fiscal. Por fim, conforme prescrito no art. 202, se ao término do processo administrativo fiscal restar confirmada a obrigação da pessoa arrolada como “responsável”, deverá ela ter seu nome inscrito em dívida ativa ao lado do devedor principal, que é o contribuinte. Ressaltese que a argumentação acima exposta de modo algum se contrapõe ao afirmado pelo relator sobre da jurisprudência do STJ acerca do redirecionamento da execução fiscal. Notese que a referida jurisprudência, apesar de não exigir que o nome do responsável conste da CDA quando da propositura da execução fiscal, tampouco o proíbe. Assim, se o nome do responsável não constar da CDA, poderá a execução fiscal ser a ele redirecionada, desde que satisfeitas as condições legais para tanto. Por outro lado, caso o nome conste da CDA, não há que se falar em redirecionamento, pois o responsável já estará no pólo passivo da execução fiscal desde a sua propositura. 2) Do Mérito No mérito, adoto os mesmos fundamentos aduzidos pelo relator do processo nº 11516.005389/200771, de interesse de CB DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA., o qual foi julgado por esta Turma nesta mesma sessão de novembro de 2013, in verbis: “Destacase que houve apenas Recurso Voluntário de Daniel Morando, que defendeu também a exclusão de seu filho Matias da responsabilidade solidária. Não está em discussão nestes autos a questão da materialidade do lançamento, visto que a empresa não apresentou Recurso, e o único Recorrente também nada alegou sobre os lançamentos fiscais. Estamos diante apenas da análise da Responsabilidade Solidária de Daniel Pedro Morando, que busca a reforma da decisão nessa parte. A responsabilidade tributária solidária atribuída a Daniel Pedro Morando encontrase no Termo de Verificação Fiscal. Nos termos dos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, a dissolução irregular da sociedade, a ocorrência de infrações à lei, e a utilização de interpostas pessoas justificam a responsabilidade solidária: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 2118DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.005429/200784 Acórdão n.º 1201000.916 S1C2T1 Fl. 281 29 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas e direito privado. O art. 50 do Código Civil é aplicado quando se evidencia abuso de personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, hipótese em que os bens dos administradores ou sócios podem ser atingidos pelas obrigações da pessoa jurídica: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. É fato incontroverso nesses autos que a responsabilidade tributária de Pedro Luiz da Silva Filho foi confirmada, tanto é que não recorreu da decisão de primeira instância administrativa. Contudo, quando tratou da questão, imputou a responsabilidade pela administração da empresa a Daniel Pedro Morando. Vejamos: Em sua impugnação à responsabilidade tributária solidária, o Sr. Pedro Luiz da Silva Filho alega que embora conste como sócio administrador da CB Distribuidora, não possuía plenos poderes como indicam formalmente os contratos sociais, sendo apenas responsável pelas atividades comerciais da empresa. Afirma que atuava subordinado aos comandos do sócio de fato, Sr. Daniel Pedro Morando. Alega, portanto, ilegitimidade passiva. Na decisão da DRJ, quando analisou os fatos e provas dos autos, ficou consignado: Ao contrário do que alega, são vários os elementos trazidos aos autos pela fiscalização que evidenciam um papel do Sr. Pedro Luiz da Silva Filho na administração da CB Distribuidora muito mais ativo do que a mera gerência de suas atividades comerciais. Nesse sentido, podem ser citados os seguintes atos e fatos: a) a abertura de contas bancárias da CB Distribuidora (fls. 107 e 108 do Anexo III); b) os amplos poderes para movimentar contas bancárias da empresa (fls. 65 a 71 e 103 a 105 do Anexo III); c) a assinatura de contrato de promessa de cessão de direitos da empresa ao Unibanco (fls. 84 a 88 do Anexo III); d) a retirada de valores expressivos de conta corrente da empresa, mantida no Banco Bradesco, comprovada pela assinatura em recibo (fl. 114 do Anexo II); Fl. 2119DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 30 e) a assinatura de cheques da empresa, a exemplo dos cheques cujas cópias se encontram às fls. 139 a 152 do Anexo II; f) a transferência de recursos mantidos em conta da empresa, comprovada pelos documentos acostados às fls. 164 a 167 do Anexo II; g) a assinatura de duplicatas da empresa (fls. 36 a 60 do Anexo IV). Se por um lado é ponto pacífico que Pedro gerenciava a empresa, também é fato que o Sr. Daniel possuía interesse comum na empresa: Para demonstrar o interesse comum e os poderes de gestão do Sr. Daniel Pedro Morando na CB Distribuidora, a fiscalização elaborou extensa argumentação, relacionando, em síntese, os seguintes documentos, atos ou fatos: a) a interposição de pessoas já descrita neste voto, viabilizada a partir de uma sequência de operações imobiliárias que teriam como real objetivo a aquisição, por Daniel Pedro Morando, de cotas das empresas CB Distribuidora e CHAPOLIN Distribuidoras de Alimentos; b) o Sr. Daniel Pedro Morando era proprietário desde janeiro de 2004 dos equipamentos utilizados por ambas, como câmaras frias e freezers horizontais, conforme contrato de compra e venda de equipamentos, móveis e utensílios de fls. 307 a 312; c) em 25 de março de 2004, o Sr. Daniel Pedro Morando transferiu, de sua própria conta bancária, R$ 5.000,00 para AP Martins (distribuidora da GELOKO) e R$ 10.000,00 diretamente para a GELOKO Marketing e Promoções Ltda, ambas fornecedoras da MEAT PLUS e da CB Distribuidora (fl. 316); d) os caminhões de propriedade da CB Distribuidora foram localizados posteriormente na FLORIGEL, pessoa jurídica na qual figurava como sócio o Sr. Daniel Pedro Morando, com 94% do capital, constituída em 20 de setembro de 2004 no mesmo endereço onde funcionavam MEAT PLUS e CB Distribuidora, com mesmo objeto social e distribuição dos mesmos produtos (GELOKO). Do que dos autos consta, restou demonstrado mais do que o interesse comum nos negócios da CB Distribuidora, refletido na interposição de pessoas e na confusão entre seu patrimônio e o da empresa. Considerando que o Sr. Daniel Pedro Morando era o verdadeiro proprietário da logística e de equipamentos essenciais à atividade exercida pela empresa, evidente é o seu poder de determinar e influenciar seus rumos. Assim, mais do que sócio de fato, a fiscalização demonstrou que Daniel Pedro Morando era proprietário de fato da CB Distribuidora, senão vejamos. Como se afirmou acima, o interesse e os poderes do Sr. Daniel Pedro Morando nos negócios da CB Distribuidora é evidenciado pela propriedade de importantes equipamentos utilizados na atividade da empresa, como câmaras frias e freezers horizontais, conforme contrato de compra e venda de equipamentos, móveis e Fl. 2120DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.005429/200784 Acórdão n.º 1201000.916 S1C2T1 Fl. 282 31 utensílios de fls. 173 a 179, fato citado pela fiscalização e que não foi contestado na impugnação. Pesa ainda contra o Sr. Daniel Pedro Morando o fato de ter transferido, de sua própria conta bancária, recursos para fornecedoras da CB Distribuidora. O fato de a FLORIGEL não ter realizado qualquer operação no período em que o Sr. Daniel Pedro era detentor de 94% de seu capital em nada altera a constatação da fiscalização de que caminhões ali encontrados eram os mesmos utilizados nas operações comerciais da CB Distribuidora. A conclusão lógica que decorre dessa constatação também não restou prejudicada: caminhões de propriedade (de fato) do Sr. Daniel Pedro eram utilizados nas operações comerciais da CB Distribuidora. No entanto, mais importante é a análise do que seriam operações imobiliárias com real objetivo de aquisição, por Daniel Pedro Morando, de participação nas empresas CB Distribuidora e CHAPOLIN Distribuidora. Com base nas escrituras públicas lavradas em 14 de agosto de 2003 (fls. 18 a 30), percebese que: a) Daniel Pedro e esposa vendem a Pedro Luiz da Silva Filho e esposa, uma residência localizada no Loteamento Praia do Jurerê II pelo preço de R$ 350.000,00, em moeda corrente, recebido do outorgado comprador, antes deste ato; b) Pedro Luiz da Silva Filho e esposa permutam a residência citada noite item "a" com dois terrenos localizados no Condomínio Puerto Madero, no Cacupé, em Florianópolis, de propriedade de DGV — Empreendimentos Imobiliários Ltda, cujo sócio majoritário é o próprio Sr. Daniel Pedro Morando. Na escritura, a residência foi dada em permuta pelo valor de R$ 350.000,00, e cada terreno foi recebido em permuta por R$ 175.000,00. Aqui a fiscalização destaca que a casa retorna, indiretamente, ao patrimônio de Daniel Pedro Morando; c) Pedro Luiz da Silva Filho e esposa vendem os terrenos, cada um por R$ 175.000,00, para Arnaldo Venicio de Souza e para a empresa T&A Assessoria Financeira e Cobrança Ltda, que tinha como sócio o próprio Arnaldo Venicio de Souza. Segundo consta da Sexta Alteração e Consolidação do Contrato Social da CB Distribuidora (fls. 08 a 15), de 1° de agosto de 2003, Carmem Beatriz Menezes de Souza e André Menezes de Souza cedem e transferem a totalidade de suas cotas a Pedro Luiz da Silva Filho e a Matias Morando, filho de Daniel Pedro Morando. Pela transferência das cotas, ao que consta do referido documento, Carmem Beatriz Menezes de Souza recebeu, no ato, em moeda corrente, R$ 74.000,00 de Pedro Luiz da Silva Filho e R$ 21.000,00 de Matias Morando; e André Menezes de Souza recebeu, no ato, em moeda corrente, R$ 5.000,00 de Matias Morando. Fl. 2121DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 32 A fiscalização, após destacar que, à época dos fatos, Arnaldo Venicio de Souza era cotista da empresa CHAPOLIN Distribuidora de Alimentos Ltda, marido de uma cotista da CB Distribuidora (Carmem Beatriz Menezes de Souza), e pai do outro sócio da CB (André Menezes de Souza), conclui que quem adquiriu as participações societárias [das empresas CB Distribuidora e CHAPOL1N Distribuidora] foi Daniel Pedro Morando, utilizando como interpostas pessoas Pedro Luiz da Silva Filho e seu próprio filho, Matias Morando. Sobre o fato o impugnante afirma que a "triangulação" de terrenos imaginada pela fiscalização é de uma enorme capacidade criativa e de um total desconhecimento das práticas imobiliárias e registrais, e tenta desqualificar as conclusões da fiscalização apenas defendendo que não há nada de incomum no fato de que o registro de todas essas operações tenha ocorrido num único dia (14 de agosto de 2003). Portanto, são quatro as operações imobiliárias a serem analisadas (venda da casa; permuta da casa pelos terrenos, e duas vendas de terrenos). Embora tenham a aparência de atos isolados, os documentos acostados ao processo, e as coincidências neles reveladas, permitem concluir que não se trata de atos isolados. As escrituras comprovam que a formalização das operações ocorreu no mesmo dia, no mesmo cartório, e mais ainda, como as operações são registradas em folhas sequenciais do mesmo livro, é licito supor que as pessoas envolvidas juntas se dirigiram ao cartório. Comparando as situações individuais no inicio e ao final dessas operações, é inegável que terrenos de propriedade da empresa do Sr. Daniel Pedro Morando migraram para o patrimônio do Sr. Arnaldo Venicio de Souza. Também é inegável que cotas da empresa "CB" foram adquiridas pela mesma pessoa (Pedro Luiz) que vendeu os terrenos, que eram da empresa do Sr. Daniel Pedro Morando, para Arnaldo Venicio de Souza. Notase que a conclusão da fiscalização é muito convincente, e não foi suficientemente afastada pelo impugnante. Lembro que o impugnante apenas alegou que não haveria qualquer problema no fato de a formalização das operações ter ocorrido no mesmo dia. No entanto, não há nos autos, além das escrituras, qualquer comprovação de que as operações imobiliárias tenham ocorrido, efetivamente, da forma como o impugnante pretende nos fazer crer. Nos autos, não há nenhuma prova do pagamento que Pedro Luiz da Silva Filho teria feito a Daniel Pedro Morando pela compra da casa localizada no Loteamento Praia do Jurerê II, segundo consta da escritura, em moeda corrente, recebido do outorgado comprador, antes deste ato. Não há nos autos nenhuma prova de que o pagamento pelas cotas da CB, aos parentes do Sr. Venicio, tenha efetivamente ocorrido em moeda corrente como consta da Sexta Alteração e Consolidação do Contrato Social da CB Distribuidora (fls. 106 a 211 do Anexo VI). Ao contrário, tudo leva a crer que o Fl. 2122DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.005429/200784 Acórdão n.º 1201000.916 S1C2T1 Fl. 283 33 pagamento pelas cotas se deu mediante a entrega dos terrenos da empresa do Sr. Daniel Pedro Morando. Também não há nos autos nenhuma prova do pagamento feito pelo Sr. Arnaldo Venicio de Souza, e pela sua empresa, em razão da compra dos terrenos. Diante de todas essas coincidências e inconsistências, permanece incólume a conclusão da fiscalização de que Daniel Pedro Morando é o real adquirente da participação societária das empresas CB Distribuidora e CHAPOLIN Distribuidora, utilizandose de seu filho, Matias Morando, e de Pedro Luiz da Silva Filho como interpostas pessoas. Quanto às alegações de que a fiscalização teria manipulado informações, de se dizer apenas que, neste voto, procedeuse a uma análise objetiva dos fatos e dos documentos trazidos aos autos. Portanto, tendo sido demonstrado o interesse comum do Sr. Daniel Pedro Morando sobre os negócios da CB Distribuidora, de ser mantido o impugnante no pólo passivo da obrigação tributária, à luz do que dispõe o art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Outra circunstância contrária A lei, fartamente comprovada pela fiscalização, é a confusão patrimonial entre a empresa e os sócios (de direito e de fato), presente quando se confundem os negócios pessoais dos sócios com os da sociedade, a exemplo, no presente caso: a) do pagamento de dividas junto a fornecedores (Sorvepan e Terre Alimentos) com cheques de conta bancária (pessoa física) do sócio (fls 101 e 102 do Anexo VII); b) dos equipamentos utilizados pela CB Distribuidora, como câmaras frias e freezers horizontais, de propriedade de Daniel Morando, conforme contrato de compra e venda de equipamentos, móveis e utensílios de fls. 307 a 312; c) caminhões de propriedade (de fato) do Sr. Daniel Pedro eram utilizados nas operações comerciais da CB Distribuidora; d) do pagamento efetuado pelo Sr. Daniel Pedro Morando a fornecedoras da CB Distribuidora (fl. 316). Com base no art. 50 do Código Civil, anteriormente reproduzido neste voto, podese afirmar que a confusão patrimonial é contrária à lei e ao principio da autonomia patrimonial, e sua comprovação é elemento fundamental para imputação da responsabilidade tributária prevista no art. 135, inciso III do CTN. De se registrar também que no próprio estatuto civil, em havendo confusão patrimonial, os bens dos administradores ou sócios podem ser atingidos pelas obrigações da pessoa jurídica. Fl. 2123DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 34 Nestes termos, analisando as provas trazidas pelo contribuinte, conforme descritas no relatório, a despeito de buscar esclarecer e realizar um nexo com aquilo que entendeu como confusão patrimonial com a empresa e interesse comum na causa, entendo os argumentos e a retórica trazida pelo recorrente não afasta a imputação de sua responsabilidade fiscal, pois o mesmo tem interesse comum na causa. Para se chegar a essa opinião valhome do completo e profundo trabalho fiscal, enaltecido pela decisão da DRJ, conforme transcrições acima, para fins de valoração de provas trazidas nos autos.” Tendo em vista todo o exposto, voto por considerar formalmente válidos os termos de responsabilidade tributária ora sob exame, e, no mérito, por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 2124DF CARF MF Documento de 34 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1218.11005.Q9BU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCELO CUBA NETTO em 07/01/2014 14:15:00. Documento autenticado digitalmente por MARCELO CUBA NETTO em 07/01/2014. Documento assinado digitalmente por: 28314009881 - NI não encontrado. em 15/01/2014 e MARCELO CUBA NETTO em 07/01/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 13/12/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP13.1218.11005.Q9BU Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: CDA310B8CD95E8FE0D6D205035B1F8441CF58875 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11516.005429/2007-84. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10215.000844/2008-54
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
EXCLUSÃO, DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA.
A empresa que possui débitos inscritos em dívida ativa, e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode permanecer no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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A empresa que possui débitos inscritos em dívida ativa, e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode permanecer no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 08 44 /2 00 8- 54 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10215.000844/200854 Acórdão n.º 1001000.857 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 126 a 129) interposto contra o Acórdão nº 0118.986, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 121 a 123), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 Ementa Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de manifestação de inconfonnidade ao ato declaratório (fl. 16) de exclusão do Simples Nacional Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) , de que trata o artigo 12 da Lei Complementar n° 123/2006, com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2009. O motivo de exclusão da empresa da sistemática do Simples Nacional ocorreu pela existência de débitos no âmbito da Fazenda Pública Federal com exigibilidade não suspensa (fls. 106/108). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 01/03, de 17 de outubro de 2008, em que aduz: a) Os débitos relacionados e que deram causa para a exclusão de nossa empresa do Simples Nacional foram originados pelo fato de nossa empresa ter optado pelo lucro presumido no inicio de 2004, sem solicitarmos a nossa exclusão do Simples; .b) Tivemos que apresentar PJ Sl (Simples) _e_DCTFs (lucro presumido) para o Exercicio 2005; . Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10215.000844/200854 Acórdão n.º 1001000.857 S1C0T1 Fl. 4 3 c) Além disso recolhemos o IRPJ e a CSLL mensalmente, e não trimestralmente, conforme DCTFS; d) Apresentamos DCOMPs para tentarmos regularizarmos esta situação; e) Reconhecemos serem devidas as diferenças do Simples referente às competências 02/2005, 03/2005, 04/2005, 07/2005, 11/2005 e 12/2005,já pagas;" Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando, reiterando que agiu de boafé e que já teria promovido a regularização dos débitos que deram causa à sua exclusão do Simples. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, devese estabelecer que é responsabilidade exclusiva de cada contribuinte o controle de seus negócios e o cuidado com o fiel cumprimento de todas as normas tributárias em suas atividades cotidianas. Outrossim, ainda que se acredite na boa fé da Recorrente, é obrigação, deste julgador zelar pela aplicação das normas vigentes, não cabendo a ele abertura de exceções não previstas pela lei, sob pena de descumprimento do princípio maior da legalidade. Isto posto, se faz importante ressaltar que o Simples Nacional se trata de um Regime Especial de tributação e, como tal, possuí seus prérequisitos legais para adesão, elencados na LC 123/06 e regulados à época dos fatos pela Resolução CGSN nº 04/07. Assim, como já dito anteriormente, uma vez estabelecida as regras para adesão e manutenção do Regime, é responsabilidade da aderente garantir o atendimento aos requisitos. É vedado a este julgador fazer qualquer julgamento de ordem subjetiva tendente a criar exceções à regra onde a lei não o fez. Conforme consignado na decisão de piso, o contribuinte, mesmo com as compensações realizadas, ainda detinha o débito inscrito em dívida ativa sob nº 20.4.05.00279438 pendente. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10215.000844/200854 Acórdão n.º 1001000.857 S1C0T1 Fl. 5 4 Embora em seu Recurso Voluntário alegue que autorizou a compensação do mesmo, a documentação acostada aos autos apenas comprova a efetiva compensação dos demais débitos restando incomprovada a regularização deste. Desta sorte, me atenho à analisar a correição da decisão que ratificou a exclusão, sob o argumento do não cumprimento dos requisitos. Assim, por economia processual, peço licença para adotar e transcrever os fundamentos já exarados na decisão de primeira instância: "(...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7” A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1°A Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (incluído pela Resolução CGSN n° S6, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeítandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN n° 56, de 23 de março de 2009). Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei n° 123/2006, inciso V: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com 0 Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (destaquei) Quanto aos débitos geradores do Ato Declaratório (fls. 106/108), concluise que o contribuinte não os sanou, pois, além dos débitos que cita na Impugnação existe pendência referente ao ano calendário 2003, cuja cobrança encontrase inscrita em dívida ativa (inscrição 2040500279438), conforme relação dos débitos de fls. 106/108 e Demonstrativo da Inscrição, fls. 1 15/ 1 17. (...)" Conforme apontando, havia débitos sem exigibilidade suspensa que justificaram a Exclusão do Simples. Desta forma, deve ser confirmado o ato praticado pela autoridade administrativa. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10215.000844/200854 Acórdão n.º 1001000.857 S1C0T1 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13732.000221/2004-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CARNÊ-LEÃO.
Mantém-se a compensação indevida quando não restar comprovado o recolhimento de carnê-leão correspondente ao valor informado na Declaração de Ajuste Anual.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE. TROCA DE MODELO.
Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Numero da decisão: 2002-000.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CARNÊ-LEÃO. Mantém-se a compensação indevida quando não restar comprovado o recolhimento de carnê-leão correspondente ao valor informado na Declaração de Ajuste Anual. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE. TROCA DE MODELO. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
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Mantémse a compensação indevida quando não restar comprovado o recolhimento de carnêleão correspondente ao valor informado na Declaração de Ajuste Anual. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE. TROCA DE MODELO. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 2. 00 02 21 /2 00 4- 05 Fl. 101DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 28/35) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2002 (efls. 63/66), onde se apurou: Dedução Indevida a Título de Carnê Leão no valor de R$ 18.289,77 por falta de comprovação. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 03/07), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 85/86): 1) apresentou sua DIRPF/2002 no último dia do prazo estabelecido e de "cabeça quente", pela hora já avançada, 16:09 horas, cometeu o equívoco de informar despesas de livro caixa como carnêleão; mesmo revisando o preenchimento não foi possível detectar o lapso ocorrido; 2) no momento de gravar a declaração apareceu a pergunta: "Mudar para simplificado?" e a afirmação: "De acordo com os dados digitados, a tributação simplificada lhe é mais favorável"; como a restituição era maior pela forma simplificada optou pela troca de modelo; "o erro foi cometido no preencher, mas a indução à substituição do modelo completo pelo simplificado, foi do programa fornecido pela Secretaria da Receita Federal, sem qualquer aviso no programa de gravidade que a troca poderia causar, como causou no presente caso, que implica no aumento substancial do imposto que realmente devia, numa armadilha, onde não é permitido errar, o que é absurdo" 3) apenas três meses depois revisou sua declaração e observou o equívoco cometido, providenciando sua retificação com a troca de modelo, que era sua intenção inicial;"apesar de ninguém poder alegar desconhecer a lei, este frito específico não Jbi divulgado como deveria ser e nem alertado sobre os perigos que uma simples troca de modelo poderia ocasionar ao contribuinte, o que deveria ter acontecido, para não haver justificativa válida do impugnante de que desconhecia o fato, e tanto desconhecia, que efetuou a troca de modelo poucos dias depois"; 4) ao receber a intimação, quase dois anos depois, para comprovar o que havia preenchido com erro, encaminhou esclarecimento à RF relatando o acontecido, juntando inclusive a cópia da retificadora apresentada; poucos dias antes de receber o Auto de Infração foi surpreendido com a notificação da nãoaceitação de sua declaração retificadora. 5) na retificadora apresentada apurou, com ajuda de um profissional, o saldo de imposto a pagar no valor de R$4.721,47, que é o correto, não o exigido no AI questionado, quase o dobro. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13732.000221/200405 Acórdão n.º 2002000.611 S2C0T2 Fl. 102 3 Ao final, solicita a aceitação de sua retificadora para que a diferença entre o exigido e o efetivamente devido seja considerada improcedente. O lançamento foi julgado procedente pela 4ª Turma da DRJ/JFA (efls. 84/88), conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO. TROCA DE MODELO. A legislação tributária somente permite a retificação da declaração de ajuste anual do IRPF, com troca do modelo apresentado originalmente, quando efetuada até o prazo final previsto para a entrega da declaração para o respectivo exercício financeiro. DEDUÇÃO DO IMPOSTO. CARNÊLEÃO/MENSALÃO. Mantémse a infração de dedução indevida do imposto quando o contribuinte não apresentar na fase impugnatória provas que invalidem o feito fiscal. Cientificado do acórdão de primeira instância em 18/02/2008 (efls. 91), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 18/03/2008 (efls. 92/98) basicamente reiterando os argumentos de sua impugnação, conforme sintetizado a seguir. Expõe que, em 30/04/2002, ao preencher sua DIRPF do exercício 2002 no modelo completo, lançou por engano na coluna valor pago de carnêleão as despesas de livro caixa referentes à sua profissão de médico. Por conseguinte, ao fechar sua DIRPF, em vista do erro de preenchimento, o programa da Receita Federal informou que seria mais vantajosa a utilização do modelo simplificado. Informa que em 29/07/2002 o erro foi verificado e devidamente corrigido, sem qualquer interferência do fisco, ou seja, espontaneamente, já que o mais favorável era lançar as despesas do livro caixa no modelo completo, que somadas às demais despesas dedutíveis ultrapassariam o desconto padrão de 20%. Insurgese contra a decisão da DRJ, que não considerou o engano cometido no preenchimento de sua declaração e não permitiu a retificação para o modelo completo. Discorre genericamente sobre a legislação mais benéfica para o contribuinte, o principio da proporcionalidade, as punições nas leis tributárias e a denúncia espontânea. Assevera que a autoridade fiscal só verificou o erro do contribuinte após notificálo para apresentar os pagamentos do carnêleão, o que ocorreu em 2004, quando a declaração já havia sido devidamente corrigida. A notificação de não aceitação e o Auto de Infração também datam de 2004, o que não pode prosperar. Fl. 103DF CARF MF 4 Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do exame do Auto de Infração verificase que a autoridade fiscal considerou indevida a dedução de R$ 18.289,77 declarada pelo contribuinte a titulo de carnêleão pela não apresentação dos comprovantes de pagamento. Em sua defesa o interessado alega que houve erro no preenchimento de sua Declaração de Ajuste, uma vez que informou equivocadamente o valor das despesas com livro caixa no campo de carnêleão e, por conseguinte, foi induzido pelo programa da Receita Federal a alterar o modelo da mesma de completo para simplificado. O julgamento de primeira instância manteve a infração apurada com base nas razões de decidir sintetizadas através dos excertos a seguir reproduzidos, as quais acompanho: A alegação do contribuinte de que o programa de preenchimento da DIRPF/2002 o induziu a entregála no modelo simplificado, quando sua intenção era pelo formulário completo, não tem razão de ser. Se ocorreram as questões levantadas pelo impugnante durante o preenchimento de sua DIRPF ; o que não ficou evidenciado nos autos, o fato é que a suposta indução deveuse por ter ele, certamente, informado deduções no total inferior ao desconto simplificado, uma vez que o valor de R$18.289,77 foi equivocadamente informado no campo referente ao carnêleão ao invés de ter sido no espaço reservado à dedução de livro caixa; isso sem dúvida é que teria influenciado no possível aparecimento da pergunta para troca de formulário e na orientação de lhe ser mais favorável o modelo simplificado. Sobre as condições em que se encontrava o contribuinte na hora do preenchimento da citada DIRPF descabe qualquer comentário. É certo que a responsabilidade do preenchimento da DIRPF e do seu resultado é exclusivamente do contribuinte, mesmo por que é ele quem deve digitar seus dados conferir os cálculos e optar pela melhor forma de tributação de seus rendimentos; o programa apenas lhe dá as opções, mas quem toma a decisão é o próprio interessado. Portanto, é sem propósito querer transferir para o programa fornecido pela RF sua responsabilidade pela apresentação da DIRPF/2002 no modelo escolhido. É descabida também a argumentação de que não há divulgação dos perigos que uma simples troca de modelo poderia acarretar aos contribuintes. Sobre isso, cabe comentar tãosomente que tanto o programa, na pasta "Ajuda", quanto o Manual para Preenchimento da DIRPF/2002, este na página 7, atenta para o fato de que a opção do modelo tomase definitiva em 30/04/2002, Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13732.000221/200405 Acórdão n.º 2002000.611 S2C0T2 Fl. 103 5 não sendo não mais permitida sua troca a partir dai ou seja, qualquer retificadora a ser apresentada teria que ser no mesmo modelo utilizado para a última declaração entregue até aquela data. Ao optar pela forma de apresentação de sua DIRPF/2002 deveria estar ciente disso. Esclarecese que tal imposição foi originalmente expressa na IN SRF n° 165, de 23 de dezembro de 1999, que ao tratar da retificação da declaração de rendimentos das pessoas físicas, estabeleceu: [...] Com o advento da IN SRF n° 19, de 23 de fevereiro de 2000, ocorreu, a seguinte alteração, relativamente à troca de formulário: [...] A partir da norma supracitada, então, passouse a permitir que a retificação da declaração alcançasse inclusive a alteração do modelo apresentado originalmente, desde que a retificação fosse efetuada antes do prazo final para a entrega da declaração de rendimentos previsto para o exercício financeiro a ela correspondente. Essa alteração foi confirmada pela IN SRF n° 15/2001, art. 57, ainda em vigor, com a seguinte redação: [...] Em seu Recurso Voluntário o contribuinte reitera que houve erro no preenchimento de sua declaração e defende que teria direito à retificação da mesma. Nesse ponto, impõese observar o disposto no art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 15 de 2001, vigente à época: Art. 57. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Assim, tendo em vista que o recorrente apresentou Declaração de Ajuste no modelo simplificado para o ano calendário 2001 em 30/04/2002 (efls. 63/66) e que o envio da Declaração Retificadora no modelo completo só ocorreu em 29/07/2002, após o prazo para a entrega estipulado pela Receita Federal (efls. 67/71), não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Cumpre ressaltar que a responsabilidade pelas informações consignadas na Declaração de Ajuste Anual pertence exclusivamente ao titular da mesma, e que o fato deste não ter conferido com a devida atenção os valores ali contidos antes de sua entrega não tem o condão de afastar o presente lançamento. Em se tratando de matéria tributária, não importa se o contribuinte cometeu a infração por puro descuido ou desconhecimento da legislação. De acordo com o art. 136 do Código Tributário Nacional CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Além disso, segundo o art. 142 do mesmo dispositivo legal, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicabilidade ou não das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. As Fl. 105DF CARF MF 6 normas devem ser seguidas nos estritos limites do seu conteúdo, independentemente das razões de cunho pessoal apresentadas pelo interessado. Quanto a alegação de que seria inadmissível o cancelamento da Declaração Retificadora e a lavratura do Auto de Infração apenas em 2004, devese esclarecer ao recorrente que não há nenhum irregularidade no procedimento realizado pela autoridade fiscal. Nos lançamentos por homologação, como é o caso do Imposto de Renda, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese em 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, desde que tenha sido efetuado o pagamento antecipado do imposto e que não tenha sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Nas hipóteses de ausência de pagamento ou nos casos de dolo, fraude e simulação, a contagem do prazo quinquenal iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no art. 173, I, do CTN. No caso em exame, em que se examina o ano calendário 2001, não há que se falar em decadência seja com base no art. 150 ou com base no art. 173, I, do CTN. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.912935/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. CANCELAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO.
Existe impedimento para o cancelamento do pedido de compensação (PER/DCOMP), após o respectivo despacho decisório. Entretanto, haverá a revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), quando comprovada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real, mediante documentos hábeis e idôneos.
OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IRRETRATABILIDADE.
A opção pelo regime de tributação é irretratável para todo ano-calendário, prevalecendo a primeira pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES.
Numero da decisão: 1201-002.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.911556/2009-63, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. CANCELAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. Existe impedimento para o cancelamento do pedido de compensação (PER/DCOMP), após o respectivo despacho decisório. Entretanto, haverá a revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), quando comprovada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real, mediante documentos hábeis e idôneos. OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IRRETRATABILIDADE. A opção pelo regime de tributação é irretratável para todo ano-calendário, prevalecendo a primeira pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.911556/2009-63, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1856; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.912935/200971 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.614 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO VALOR INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente CHAMPAGNAT PRAIA HOTEL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. CANCELAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. Existe impedimento para o cancelamento do pedido de compensação (PER/DCOMP), após o respectivo despacho decisório. Entretanto, haverá a revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), quando comprovada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real, mediante documentos hábeis e idôneos. OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IRRETRATABILIDADE. A opção pelo regime de tributação é irretratável para todo anocalendário, prevalecendo a primeira pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10783.911556/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 29 35 /2 00 9- 71 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10783.912935/200971 Acórdão n.º 1201002.614 S1C2T1 Fl. 3 2 (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães. Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão recorrido, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o Despacho Decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de pagamento indevido (código: 6106 SIMPLES). De acordo com referido Despacho Decisório,"a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Entretanto, o contribuinte argumenta que mencionado PER/DCOMP não proporcionou qualquer efeito, requerendo seu cancelamento, não havendo tributo devido pelo regime do Lucro Real, em síntese, considerando: (i) Em janeiro de 2005, o contribuinte formalizou sua opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, inclusive recolhendo o valor devido sobre esse regime simplificado; (ii) Em maio de 2006, data prevista para transmissão da declaração anual simplificada, a Receita Federal do Brasil ainda não havia se pronunciado sobre o pedido do contribuinte, permanecendo no seu cadastrado como "NÃO OPTANTE" do regime diferenciado; (iii) Receando a imposição de multa pela falta de entrega da declaração simplificada, o contribuinte modificou sua escrituração contábil para o regime do Lucro Real, possibilitando a transmissão da respectiva Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); (iv) O pagamento indevido originou dos recolhimentos dos Simples Federal (código: 6106), enquanto não confirmada a opção pela Receita Federal do Brasil, efetivando as respectivas compensações (PER/DCOMPs) com IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, apurados pelo Lucro Real; (v) Em julho de 2006, a Receita Federal do Brasil deferiu o pedido do contribuinte de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, com vigência a partir de janeiro de 2005; (vi) Assim sendo, confirmada a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, retroagindo a janeiro de 2005, não houve pagamento indevido (código: 6106), nem qualquer tributo devido pela apuração do Lucro Real, prevalecendo a sistemática do regime simplificado e determinando o cancelamento dos referidas PER/DCOMPs. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10783.912935/200971 Acórdão n.º 1201002.614 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.608, de 16/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.911556/2009 63, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.608): O acórdão recorrido identificou "que a interessada não manifesta inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório e faz pleito de cancelamento de compensação à DRJ/RJO1, bem como da consequente anulação do débito constante do respectivo despacho decisório, sendo que, como adiante será demonstrado, não seria a DRJ a esfera competente para apreciação da respectiva demanda." prosseguindo que "tendo em vista suas idas e vindas pelas sistemáticas de apuração do lucro, é meu dever esclarecer que, de acordo com a legislação a que esta Relatora está submissa e que rege a matéria, adotada a forma de apuração do IRPJ com base no lucro real, anual ou trimestral, esta será irretratável (definitiva) para todo anocalendário, conforme o art. 3º, caput, da Lei nº 9.430, de 1996 ("A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário")." Todavia, a primeira e irretratável opção do contribuinte foi pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, conforme o artigo 8º, § 2º, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996: Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) § 2° A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10783.912935/200971 Acórdão n.º 1201002.614 S1C2T1 Fl. 5 4 Posteriormente, a Receita Federal do Brasil convalidou a opção do contribuinte pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, retroagindo a janeiro de 2005. Adicionalmente, o contribuinte ressaltou que não realizou qualquer pagamento no anocalendário de 2005, inerente ao lucro real, nem foi transmitida a Declaração de Débito e Créditos Tributários Federais (DCTF), demonstrando a modificação do regime simplificado. Embora a atual redação do artigo 74, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, preceitue que a "declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil o suficiente para exigência do débitos indevidamente compensados", vemos que prevaleceu a opção do contribuinte pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, impossibilitando qualquer exigência tributária oriunda da apuração do lucro real. O cancelamento da declaração de compensação, requerida pelo sujeito passivo, limitarseá enquanto não sobrevier a respectiva decisão administrativa, segundo o artigo 82 da Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 900/2008, reiterando a previsão da antecedente Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (RFB) nº 600/2005. Entretanto, não haverá impedimento para revisão da citada declaração compensação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), sobretudo, quando evidenciada a inexistência do débito, apurado pelo regime do lucro real. Portanto, retroagindo a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES para janeiro de 2005, consoante decisão da própria Receita Federal do Brasil, ineficazes as declarações de compensação (PER/DCOMP) para liquidação de tributos devidos pelo regime do Lucro Real. Isto posto, voto pelo conhecimento e DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, determinando o cancelamento dos PER/DCOMPs e a alocação dos pagamentos (código: 6106 SIMPLES) no correspondente regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10783.912935/200971 Acórdão n.º 1201002.614 S1C2T1 Fl. 6 5 Fl. 53DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.720152/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Inicialmente é necessário esclarecer que o presente feito compreende um lote de 36 processos conexos, todos eles relativos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade nos anos calendários de 2003 a 2008. Tratamse dos seguintes processos: PROCESSO ACÓRDÃO DRJ TRIBUTO PERÍODO 10320.720149/201020 0830.513 PIS 2ª Trim 2003 10320.720150/201054 0831.407 PIS 3ª Trim 2003 13338.000103/200441 0831.247 PIS 1ª Trim 2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .7 20 15 2/ 20 10 -4 3 Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10320.720152/201043 Resolução nº 3201001.424 S3C2T1 Fl. 3 2 10320.720152/201043 0830.749 PIS 2ª Trim 2004 13338.000011/200542 0831.246 PIS 3ª Trim 2004 10320.720169/201009 0831.237 COFINS 4ª Trim 2004 10320.720047/201012 0830.748 COFINS 1ª Trim 2005 10320.720155/201087 0830.750 PIS 1º Trim 2005 19647.012516/200542 0825.611 COFINS Abril/2005 13338.000155/200680 0830.757 COFINS 2ª Trim 2005 10320.720156/201021 0830.751 PIS 2º Trim 2005 19647.007420/200562 0822.687 PIS 3ª Trim 2005 10320.720157/201076 0830.752 PIS 3º Trim 2005 10320.720170/201025 0830.755 COFINS 3º Trim 2005 10320.720158/201011 0830.753 PIS 4ª Trim 2005 10320.720171/201070 0830.931 COFINS 4º Trim 2005 10320.720159/201065 0830.936 PIS 1º Trim 2006 10320.720172/201014 0831.238 COFINS 1º Trim 2006 10320.720160/201090 0830.927 PIS 2º Trim 2006 10320.720161/201034 0830.928 PIS 3ª Trim 2006 10320.720174/201011 0830.933 COFINS 3º Trim 2006 10320.720162/201089 0830.929 PIS 4º Trim 2006 10320.720175/201058 0830.934 COFINS 4º Trim 2006 10320.720163/201023 0830.930 PIS 1º Trim 2007 10320.720164/201078 0830.937 PIS 2º Trim 2007 10320.720177/201047 0830.938 COFINS 2º Trim 2007 10320.720165/201012 0831.233 PIS 3º Trim 2007 10320.720178/201091 0831.239 COFINS 3º Trim 2007 10320.720166/201067 0831.234 PIS 4º Trim 2007 10320.720179/201036 0831.240 COFINS 4º Trim 2007 10320.720167/201010 0831.235 PIS 1º Trim 2008 10320.720180/201061 0831.241 COFINS 1º Trim 2008 10320.720168/201056 0831.236 PIS 2º Trim 2008 10320.720181/201013 0831.242 COFINS 2º Trim 2008 10320.720182/201050 0831.243 COFINS 3º Trim 2008 10320.720183/201002 0831.408 COFINS 4ª Trim 2008 Desse modo, a presente Resolução será replicada em todos os processos acima referidos, devendose, na execução do julgado, observarse aquilo que se aplica a cada um dos fatos geradores abrangidos. Como dito, tratamse de diversos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS oriundos da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, apurados trimestralmente, além de um Auto de Infração. Conforme Relatório Fiscal integrante do Despacho Decisório: (...) o não reconhecimento do crédito se deu em virtude de vários fatores, compreendendo cômputo de outras receitas registradas na escrituração contábil (livro razão) e fiscal (livros registro de entrada, registro de saída, apuração de IPI, inventário etc) não informadas pelo Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10320.720152/201043 Resolução nº 3201001.424 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuinte no Dacon, bem como glosa de créditos informados no Dacon, mas não respaldados na contabilidade, incidentes sobre gastos ou despesas: Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10320.720152/201043 Resolução nº 3201001.424 S3C2T1 Fl. 5 4 A Recorrente apresentou Manifestações de Inconformidade e Impugnação solicitando o reconhecimento integral do crédito postulado. Após exame, a DRJ proferiu acórdão assim ementado (ajustandose, apenas, para cada processo, o tributo PIS ou COFINS e o período de apuração): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10320.720152/201043 Resolução nº 3201001.424 S3C2T1 Fl. 6 5 processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo. As receitas submetidas à alíquota zero não integram a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Quando adquiridos, os bens e serviços utilizados como insumo geram direito ao crédito na incidência nãocumulativa da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. O fato de a pessoa jurídica fornecedora do bem enquadrado como insumo ser optante pelo Simples não obsta o direito de crédito do adquirente, relativamente ao valor pago. INSUMO. FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OU PRESTADOR. SITUAÇÃO FISCAL IRREGULAR. A situação fiscal irregular do fornecedor ou prestador não constitui obstáculo ao creditamento sobre o valor de bens e serviços. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10320.720152/201043 Resolução nº 3201001.424 S3C2T1 Fl. 7 6 RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA. Podem ser descontados créditos da Cofins e do PIS/Pasep Nãocumulativos sobre os gastos totais com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. RESSARCIMENTO. COMBUSTÍVEIS. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep Não Cumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS. Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em ParteA O acórdão recorrido, portanto, afastou as seguintes glosas: (i) receitas financeiras (determinou a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições); (ii) bens adquiridos e não integralmente pagos aos fornecedores no mesmo trimestre de apuração (aplicação do regime de competência); (iii) bens adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10320.720152/201043 Resolução nº 3201001.424 S3C2T1 Fl. 8 7 (iv) créditos adquiridos de pessoas jurídicas com irregularidades, posto que não comprovado pela Fiscalização a inaptidão do respectivos CNPJs; As glosas mantidas foram as seguintes: (v) receitas de recuperação de despesas (manteve as receitas de recuperação de despesas na base de cálculo das contribuições) (vi) carvão adquirido de produtores rurais pessoas físicas, portanto, não sujeitos à incidência do PIS e da COFINS; (vii) serviços utilizados como insumos, em razão destes não estarem devidamente escriturados em DACON e, também, pela ausência de demonstração da sua inserção no "conceito funcional de insumo"; (viii) aquisição de energia elétrica em razão de divergências entre os livros fiscais e os balancetes de verificação; (ix) frete sobre operações de compra, por ausência de previsão legal; (x) "outros valores com direito a crédito", por ausência de comprovação da natureza de tais créditos Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, requerendo: (a) o afastamento da declaração de preclusão do direito à apresentação de documentos probatórios; (b) o afastamento do critério físico na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, com a utilização dos conceitos de custos necessários à obtenção de receita, conforme legislação do Imposto de Renda; (c) a autorização para a apropriação de créditos sobre a aquisição de carvão de pessoas físicas, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (d) a autorização para apropriação de créditos decorrentes da aquisição de insumos, ainda que não escriturados corretamente em DACON (erro material), bem como pela negativa imposta de comprovação da sua essencialidade; (e) a autorização para apropriação de créditos em decorrência da aquisição de energia elétrica, consumida no processo produtivo, devendo ser afastadas eventuais inconsistências verificadas em DACON; (f) a legitimidade da apropriação de créditos sobre quisição de fretes, seja nas operações de venda, seja nas aquisições; (g) autorização para a apropriação de créditos diversos decorrentes da aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo; Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10320.720152/201043 Resolução nº 3201001.424 S3C2T1 Fl. 9 8 (h) requer a conversão do feito em diligência para a realização de perícia contábil para a verificação dos alegados erros de declaração e, também, da essencialidade dos insumos adquiridos; (i) por fim, requer seja determinada a aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário a ser ressarcido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio ou por redistribuição em razão de conexão. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme se verifica pelo relato dos fatos, o presente feito abrange tanto discussões exclusivamente de direito, como aspectos relacionados à materialidade do crédito tributário, quanto questões relativas aos cálculos de apuração do crédito tributário. Nesse aspecto, 2 (duas) questões sobressaltam e, a meu ver, demandam melhor análise dos fatos: (i) existência de divergências entre valores declarados em DACON e escriturados em documentos contábeis; (ii) essencialidade de itens ao processo produtivo da Recorrente. Quanto ao primeiro, tenho que deve se observar, na hipótese dos autos, o princípio da verdade material a ser perseguido no curso do procedimento administrativo de constituição do crédito tributário. Por óbvio, a aplicação de tal princípio deve estar calcada na necessária observância ao ônus da prova. Tratandose de apuração de créditos de PIS e COFINS, cabe ao contribuinte demonstrar a existência do seu direito. Verifico que a Recorrente, em sua defesa e em seu Recurso Voluntário, apresentou alegações e documentos pelos quais busca legitimar os valores dos créditos considerados em sua apuração, especialmente com relação aos seguintes pontos, conforme redação utilizada pelo Acórdão recorrido: "(...)despesas incorridas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas pelo contribuinte no Dacon como utilizados como insumo, mas não verificadas na sua escrituração (...)". "(...) despesas com energia elétrica, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas não integralmente comprovadas na escrituração (...)" Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10320.720152/201043 Resolução nº 3201001.424 S3C2T1 Fl. 10 9 "(...) despesas com armazenagem e frete, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas em valores significativamente inferiores aos comprovados na escrituração (...)" "(...) crédito relativo a outras operações com direito a crédito, identificada na linha 13 da ficha 6 do Dacon (...)" Embora o acórdão proferido tenha se manifestado acerca das alegações de erros cometidos pela Recorrente, não adentrou acerca da análise específica dos documentos apresentados, limitandose a concluir que competia ao contribuinte, ao prestar suas informações, trazer maiores especificações e detalhamentos. Assim, ainda sem concluir pela prestabilidade ou não dos esclarecimentos e documentos apresentados pela Recorrente, entendo que tais demonstrações não restaram devidamente examinadas pelo acórdão recorrido, merecendo melhor análise. Quanto ao segundo aspecto, atinente aos insumos aplicados ao processo produtivo da Recorrente, sabese que, há muito, a jurisprudência deste CARF vinha se firmando no conceito da essencialidade como critério autorizador à tomada de créditos no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Tal entendimento foi recentemente chancelado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de controvérsia, portanto, de observância obrigatória por este órgão julgador: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10320.720152/201043 Resolução nº 3201001.424 S3C2T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Assim, para a análise acerca da legitimidade das glosas efetuadas pela Fiscalização, necessário perquirir acerca da natureza de tais insumos e a sua essencialidade ao processo produtivo, aspecto não adentrado, seja em sede de lançamento, seja pela decisão de primeiro grau. Pelo exposto, voto por converter o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora intime o contribuinte para, no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias: (i) apresentar, de forma detalhada, quais os erros de declaração existentes em suas DACONs, indicando, com o devido lastro probatório, os corretos valores a serem observado, podendo a Autoridade lançadora solicitar especificamente os documentos que entenda necessários para tal comprovação; (ii) apresentar laudo descritivo da sua atividade operacional, indicando, para cada um dos itens (insumos) objeto de glosa, sua aplicação e essencialidade ao seu processo produtivo. Após, deverá a Autoridade Lançadora se manifestar acerca das informações e documentos apresentados pela Contribuinte, notadamente no que se refere aos alegados erros de preenchimento das DACONs e respectivos documentos probatórios, apresentando relatório conclusivo. Concluído, abrase novo prazo de (30) trinta dias para que a Recorrente se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Ao final, retornemse os autos para julgamento. Esclareço que o prazo concedido é único e aplicase a todos os processos objeto da presente Resolução. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 433DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.720774/2014-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO.
As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
Numero da decisão: 3201-004.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em dar-lhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente LIDER ALIMENTOS DO BRASIL S.A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 07 74 /2 01 4- 03 Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 10835.720774/201403 Acórdão n.º 3201004.308 S3C2T1 Fl. 3 2 Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em darlhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de contribuição não cumulativa, que foi objeto de ação fiscal por parte da DRF/Presidente Prudente. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, merecem transcrição fragmentos do relatório da decisão de primeira instância, que resumem o entendimento da autoridade fiscal manifestado no Despacho Decisório: De acordo com o despacho decisório, foram apuradas glosas de vários itens relativos aos créditos da não cumulatividade utilizados pela autuada que tem como principal objeto social a fabricação e comercialização de laticínios relativos a itens não considerados insumos pela fiscalização com base na definição contida nas Instruções Normativas (IN) SRF nºs 247, de 2002, e 404, de 2004, ou seja, que não foram consumidos no processo produtivo em função da ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação. Abaixo discriminados: a.2) PLANILHA 02: GLOSAS de créditos relativos a Materiais de uso e consumo, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1556 e 2556, referentes Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 10835.720774/201403 Acórdão n.º 3201004.308 S3C2T1 Fl. 4 3 Peças e serviços de manutenção de frotas, cestas básicas e despesas de refeitórios, materiais de limpeza, materiais de higiene, uniformes e equipamento de proteção, materiais de manutenção consertos e reparos, lubrificantes, óleo diesel, óleo de motor, álcool, gasolina, pneus, e outros materiais relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Estes bens e serviços não correspondem a matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, que exerçam ação diretamente sobre os produtos fabricados, não sendo, portanto, caracterizados como insumos. a.3 PLANILHA 03: Glosas de créditos relativos a aquisição de outras mercadorias e serviços, conforme notas fiscais de entrada enquadradas no CFOP: 1949 e 2949, referentes:materiais e serviços de manutenção, mão de obra de manutenção de Frotas, Pneus /Empilhadeira e RECAP, serviço de carga e descarga, serviços de análise, serviços de tratamento de afluentes, serviços de Lavagem, combustíveis como óleos de motor, diesel, álcool, gasolina e lubrificantes, serviços de consultoria e outros relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Conforme a legislação e observações acima não geram direito a crédito os valores relativos às aquisição dos referidos bens/serviços não diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda a.4) PLANILHA 04: Glosas de créditos relativos a mercadorias e serviços, de uso e consumo, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1407, 1653, 1933, 2407 e 2653, referentes: Álcool, Gasolina, Lubrificante, Óleo Diesel, Óleo de Motor, Peças e serviços de manutenção de frota, Pneus, serviços de lavagem e outros materiais e serviços relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Conforme observações acima não geram direito a crédito valores relativos a aquisição dos referidos bens/serviços não diretamente utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, assim entendidos aqueles que sejam consumidos, desgastados ou tenham suas propriedades físicoquímicas alteradas no processo produtivo. a.5) PLANILHA 05: Glosas de créditos relativos a material de embalagem para transporte “não insumos”, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1101 e 2101. Referentes embalagens que não incorporam diretamente ao produto no processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão somente a facilitar o transporte dos produtos acabados, portanto, conforme legislação acima, não geram direito a creditamento as relativas aquisições. Além das glosas dos bens e serviços não considerados insumos pela fiscalização, também foram glosados créditos referentes às seguinte despesas: a.1) – PLANILHA 01: GLOSAS de créditos relativos a Serviço de Transporte (FRETE), referentes notas fiscais de entrada, CFOP 1352, 2352, 1360,1353, 2353, 1949 e 2949 (...) As notas fiscais glosadas foram relacionadas pela empresa como sendo notas fiscais de entrada referentes aquisição de leite ou outras mercadorias adquiridas de pessoa jurídica (conforme planilhas de Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 10835.720774/201403 Acórdão n.º 3201004.308 S3C2T1 Fl. 5 4 Notas fiscais de entrada PJ constantes dos arquivos não pagináveis anexados ao presente processo), quando “de fato”, referemse à “conhecimentos de transporte” relativos a aquisição de serviço de frete, sendo em sua maioria fretes entre estabelecimentos da empresa, conforme comprova o arquivo anexo..., b) Glosas de créditos referentes Locações/alugueis, relacionados no ANEXO III (...). do presente processo: Relativos a Locação/aluguel de bens/serviços não inclusos no conceito legal de insumos, ou seja, não são utilizados especificamente no processo produtivo da empresa. c) – Glosas de créditos referentes arrendamentos mercantis relativos aos bens/veículos relacionados no ANEXO IV (...) do presente processo: Relativos a arrendamentos mercantis de bens/serviços não inclusos no conceito legal de insumos, ou seja, não são utilizados especificamente no processo produtivo da empresa. d) – Glosas de Créditos Presumido, relativos a aquisição de Lenha de Eucalipto e outros materiais adquiridas de pessoas físicas relacionados no ANEXO V (...) do presente processo. No caso em questão a lenha de eucalipto é utilizada como combustível no processo de produção/fabricação. Entretanto, conforme legislação acima citada, o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica (art. 3º, § 3º, I a Lei nº 10.637/2002 e art.3º, § 3º, I a Lei nº 10.833/2003). Observada a legislação, foram glosados os créditos relativos ás aquisições de lenha de eucalipto e outros produtos adquiridos de pessoa física. e.) Anexo VI – (...) RECLASSIFICAÇÃO DE CRÉDITO: Cálculo de crédito integral sobre aquisições de leite efetuadas com benefício da suspensão Crédito Presumido. Inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos da Lei nº 10.925/2004 (Art.8º §§ 1º ao 9º e Art. 9º) e Instrução Normativa SRF nº 660/2006 (Arts. 2º a 6º), em razão disso foram reclassificados os créditos referentes aquisições de leite, considerados pela empresa como ressarcíveis, para créditos presumidos nos termos da legislação. Observase que o fato de não constar na nota fiscal que a operação está ocorrendo com benefício da suspensão não pode ser utilizado como argumento para o creditamento nos termos do disposto no art. 3º, II das Leis nº 10.637/2003 e 10.833/2003. O Intuito do ressarcimento é o de ressarcir, de devolver à empresa um valor que foi recolhido aos cofres públicos. No caso da suspensão, como não houve recolhimento a título de PIS e de COFINS pelos fornecedores de leite não é devido qualquer valor a título de ressarcimento. Há previsão legal apenas para o cálculo de crédito presumido sobre essas aquisições, nos termos do disposto no art. 8 º da Lei 10.925/2004, valor que poderá apenas ser deduzido dos débitos da própria contribuição. O valor da base de cálculo constante do Anexo VI, foi lançado no Anexo I, com o título “Reclassificação de Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 10835.720774/201403 Acórdão n.º 3201004.308 S3C2T1 Fl. 6 5 Créditos”, e deduzido da base de cálculo dos créditos apurados sobre aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, e após a aplicação das alíquotas de 0,99% (PIS) e 4,56%(Cofins) sobre a respectiva base de cálculo, os valores apurados, foram lançados como acréscimos aos créditos presumidos calculados sobre insumos de origem animal. Foi informado ainda pela fiscalização o seguinte quanto a decisões judiciais obtidas pela contribuinte: Observase que em relação a empresa consta as ações judiciais Mandado de Segurança nº 2006.61.12.0085437/SP e nº 2006.61.12.0045543/SP, reconhecendo o direito da empresa à utilização do saldo credor da contribuição de PIS e COFINS, decorrente do crédito presumido instituído pela Lei nº 10925/2004, no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei nº 11.116/2005, salvo quanto às operações de venda (eventuais) de leite a granel realizada na forma prevista no inciso II do parágrafo 1º do art.8º da Lei nº 10.925/04, afastando qualquer ato restritivo da autoridade impetrada. Porém, referidas decisões ainda não transitaram em julgado em razão de apelação da União Federal, encontrandose os autos no Tribunal Regional Federal da 3º Região Consta ainda a ação judicial Mandado de Segurança nº 000538802.2013.403.6112, proposta pela empresa, onde foi deferido parcialmente liminar para que a autoridade impetrada (Delegado da Receita Federal do Brasil em Presidente PrudenteSP)abstenhase de imporlhe multa em decorrência do simples indeferimento de seus pedidos de ressarcimento de crédito pendentes de julgamento, sem que realize análise prévia da máfé (ou não) do contribuinte em relação ao pedido formulado. Ficando a multa, portanto, condicionada a verificação da máfé por parte do contribuinte (...). No presente processo não foi constatado máfé da contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório que deferiu parcialmente o seu pleito, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14063.416, de 16/12/2006, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 10835.720774/201403 Acórdão n.º 3201004.308 S3C2T1 Fl. 7 6 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. ARRENDAMENTO. ALUGUÉIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. São passíveis de aproveitamento os gastos com aluguéis e arrendamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. São passíveis de aproveitamento os créditos presumidos da agroindústria quando o contribuinte atende às exigências contidas na Lei nº 10.925, de 2004. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa os gastos com frete na operação de venda quando suportados pelo vendedor. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O saldo credor referente a crédito presumido da agroindústria, instituído pela Lei nº 10.925/2004, somente pode ser descontado da própria contribuição, mas não compensado com outros tributos ou ressarcido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em apertada síntese, o seguinte: a) Reclassificação dos créditos básicos para crédito presumido relativos à aquisição de leite in natura: os créditos oriundos de aquisição de leite in natura devem ser considerados como créditos básicos, nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois tratase de insumo principal da produção. Acresce, no tópico seguinte (Do crédito presumido oriundo decorrente de atividades agroindustriais Aquisição de Leite in natura e Lenha de Eucalipto), que a empresa tem por objeto social, dentre outros, a atuação no ramo de produtos do laticínio. Assim, faz jus à utilização do benefício do crédito presumido de PIS/Cofins para as agroindústrias, disposto no ordenamento jurídico por meio da Lei n.º 10.925, de 2004. Contudo, restringiramse as possibilidades de utilização do saldo credor das contribuições em referência, ao firmar entendimento de que o crédito presumido, instituído justamente para o equilíbrio das contas daquelas empresas adquirentes de insumos, não poderia ser objeto de compensação ou ressarcimento; Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 10835.720774/201403 Acórdão n.º 3201004.308 S3C2T1 Fl. 8 7 b) Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos: transfere de uma unidade para outra sua matéria prima ou subproduto dele para devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após devido tratamento o torna apto ao consumo e acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade; c) Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados: os gastos relativos à higienização na produção de alimentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois pertinentes e viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, direta ou indiretamente empregados, cuja subtração importa na impossibilidade da mesma prestação de serviço ou produção, implicando substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes; d) Materiais de Embalagem: os materiais de embalagem glosados pela Fiscalização e mantidos pelo Acórdão recorrido são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado. Todos os materiais utilizados para a embalagem acabam compondo o produto final da empresa, sendo de suma importância que o produto comercializado tenha sua integridade garantida até sua entrega definitiva. Convém esclarecer que todas as embalagens estão em contato direto com o produto e nenhuma delas retorna para a empresa. Assim, é evidente que a sua utilização é indispensável para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, o que lhe assegura direito ao crédito pretendido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.306, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 10835.720775/201440, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.306): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. (...) Deferido em parte o pedido e apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, daí o recurso voluntário, ora apreciado. Da Reclassificação dos créditos básicos para crédito presumido (sic) Inicialmente, a Recorrente defende que os créditos presumidos de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, sejam considerados como se créditos básicos fossem (como se vê, o contrário do que está no título deste tópico do recurso). Registra o voto condutor do acórdão recorrido que, não obstante tenha tentado viabilizar a compensação do valor a ser ressarcido com outros tributos administrados pela RFB, não mais havia decisão judicial autorizando o que pleiteara. Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 10835.720774/201403 Acórdão n.º 3201004.308 S3C2T1 Fl. 9 8 A matéria, com efeito, é, nesta parte, idêntica a que ora enfrentamos, conforme facilmente se percebe do dispositivo da sentença transcrito no mesmo voto: DISPOSITIVO DA R. SENTENÇA: "Por todo o exposto: a) no que concerne ao pedido de afastamento do Ato Declaratório Interpretativo nº 15/2005, JULGO EXTINTO o presente feito, sem resolução do mérito, com amparo no artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil, em razão da ausência de interesse de agir. b) No tocante ao pleito remanescente, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido e CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA para reconhecer o direito líquido e certo da impetrante à utilização do saldo credor da contribuição para o PIS e da COFINS, decorrente do crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004, no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 16, inciso I, da Lei nº 11.116/2005, salvo quanto às operações de vendas (eventuais) de leite a granel realizadas na forma prevista no inciso II do 1º do art. 8º da Lei 10.925/04, afastando qualquer ato restritivo da autoridade impetrada no sentido de impedir a aplicação do disposto no art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05, em especial a Instrução Normativa SRF nº 636, de 24 de março de 2006. Em conseqüência, julgo extinto o processo, com resolução do mérito, a teor do que dispõe o art.269, I, do Código de Processo Civil. Incabível a condenação em honorários advocatícios na quadra do mandado de segurança (Súmula 512 do Supremo Tribunal Federal). Sentença sujeita ao reexame necessário. Custas ex lege. P.R.I.O" Publicação D. Oficial de sentença em 27/11/2007, pag 83 (grifos do original) Portanto, não obstante não tenha reconhecido a concomitância, os processos judicial e administrativo apresentamse, ao menos em parte, com objetos idênticos. Afinal, considerar o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, como se crédito básico fosse equivale a permitir o seu ressarcimento, não a sua utilização exclusiva para deduzir do PIS/Cofins em cada período de apuração (conforme o caput do mesmo dispositivo). Incide, na hipótese, a nosso juízo, a Súmula Vinculante CARF nº 1, segundo a qual "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Esse cenário, sublinhese, não se altera em face da introdução do art. 9ºA na Lei nº 10.925, de 2004, pela Lei nº 13.317, de 2015. 1 Dos Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos A Recorrente sustenta que transfere de um dos seus estabelecimento para outro matéria prima ou subproduto dela para o devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após o devido tratamento, tornaa apta ao consumo e a acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade 1 Art. 9oA. A pessoa jurídica poderá utilizar o saldo de créditos presumidos de que trata o art. 8o apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite, acumulado até o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8o deste artigo ou acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário a partir da referida data, para: (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação aplicável à matéria; ou (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II ressarcimento em dinheiro, observada a legislação aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 10835.720774/201403 Acórdão n.º 3201004.308 S3C2T1 Fl. 10 9 Ora, a própria RFB consolidou o entendimento de que as despesas com frete no transporte de insumos incorporamse ao custo do produto adquirido, tal como prevê a Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de agosto de 2016: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 10835.720774/201403 Acórdão n.º 3201004.308 S3C2T1 Fl. 11 10 pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Como deixa cristalino a Solução de Divergência e mesmo se extrai do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para que se permita a apropriação do créditos sobre o frete pago no transporte do insumo adquirido, há que se ter a aquisição do insumo, operação a que não corresponde a mera transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. No caso, há a remessa de produtos em elaboração de um para outro estabelecimento da mesma empresa, no qual será submetido a um processo de industrialização – a um custo específico, que, portanto, incorporase ao produto final – , tornandoos aptos ao consumo e os acondicionando para posterior revenda. Nesse contexto, temos entendido possível o creditamento, em sintonia com o que decidido pela 3ª Turma da CSRF: DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303007.285, de 15/08/2018) Dos Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados Aqui, a Recorrente contesta o acórdão recorrido, ao fundamento de que os gastos relativos à higienização na produção de alimentos – no seu caso, a fabricação de laticínios – podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois, além de pertinentes, viabilizam o processo produtivo e cuja subtração implicando substancial perda de qualidade do produto. Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 10835.720774/201403 Acórdão n.º 3201004.308 S3C2T1 Fl. 12 11 É evidente que, sendo a Recorrente fabricante de produtos laticínios, submetese a rigoroso controle de higienização e limpeza durante todo o seu processo produtivo. Assim, faz jus aos créditos sobre os produtos ou serviços que adquire para viabilizálo. A jurisprudência administrativa é remansosa a respeito do tema. Entre outras: REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. (Acórdão nº 3401004.896, de 21/05/2018) PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito. (Acórdão nº 9303005.652, de 19/09/2017) Dos Materiais de Embalagem Dizse que os materiais de embalagem glosados são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. A glosa teve por fundamento o fato de que os gastos com embalagem somente poderiam ser considerados insumos quando incorporada ao produto em fabricação ou quando sofre alteração em suas propriedades, de modo que as embalagens destinadas a apenas proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito de PIS/Cofins. A propósito do tema, a 3ª Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode torná lo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 10835.720774/201403 Acórdão n.º 3201004.308 S3C2T1 Fl. 13 12 PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Ressaltamos, também, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluemse os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confirase: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 10835.720774/201403 Acórdão n.º 3201004.308 S3C2T1 Fl. 14 13 b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Ademais, e parecenos isso de fundamental importância, não obstante o conceito de insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, a legislação deste imposto faz uma expressa distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de forma que a permitir o crédito apenas sobre a aquisição da primeira, mas não da segunda, consoante preconiza do art. 3º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964 (regra matriz do IPI): Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (g.n.) Norma semelhante, contudo, não existe nos diplomas legais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo. Assim sendo, devem ser considerados insumos na sistemática não cumulativa do PIS/Cofins os materiais de embalagem utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, quanto às demais matérias, DOULHE PROVIMENTO, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do recurso Voluntário quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, quanto às demais matérias, deulhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 10835.720774/201403 Acórdão n.º 3201004.308 S3C2T1 Fl. 15 14 b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1770DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662592/2012-95
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2008
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam pelo interessado comprovadas.
Numero da decisão: 1003-000.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam pelo interessado comprovadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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REQUISITOS. Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam pelo interessado comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 25 92 /2 01 2- 95 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.662592/201295 Acórdão n.º 1003000.322 S1C0T3 Fl. 79 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 35/38) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 07, que não homologou a compensação constante da DCOMP 02735.78580.300710.1.7.049188 (folhas 02/06), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, por ausência de crédito disponível no DARF informado. A recorrente, às folhas 45/51, faz menção ao acórdão recorrido e repete, ipsis litteris, os argumentos de sua impugnação, razão pela qual transcrevese aqui a síntese constante do relatório do acórdão a quo: O manifestante fez uma síntese dos fatos, tendo salientado que vinha acumulando créditos decorrentes da retenção dos 11% a título de “antecipação”, instituída pela Lei nº 9.711, de 1998, cuja constitucionalidade foi proclamada pela Corte Suprema. Assevera que, com a mudança da legislação, foi possível ao sujeito passivo compensar, indiretamente, o seu crédito referente aos tributos da União com o seu débito referente à contribuição previdenciária, cujo titular é o INSS, e créditos desta com tributos administrados pela Receita Federal. Como se sabe, voluntariamente, não seria possível ao sujeito passivo compensar a contribuição previdenciária retida na fonte, nem obter seu parcelamento. Porém, aqui se trata de compensação por iniciativa oficial. Faz menção à legislação pertinente ao assunto em pauta, além de citar entendimentos doutrinários e jurisprudência. Conclui o manifestante destacando a perfeita condição fática e jurídica que permite a compensação de contribuições previdenciárias com os demais débitos tributários administrados pela Receita Federal. Ao final, requer seja "recebida o presente Recurso Voluntário, julgandoo procedente e homologando a compensação, procedendo a devida manutenção dos créditos requeridos nos processos de ressarcimento com o débitos já informados". É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.662592/201295 Acórdão n.º 1003000.322 S1C0T3 Fl. 80 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator Na ausência de qualquer informação no processo acerca das datas de ciência do acórdão a quo e de apresentação do Recurso Voluntário (envelope de postagem às folhas 74/75 sequer faz menção ao processo), considero, em benefício da contribuinte, ser este tempestivo, portanto dele conheço. Tendo a contribuinte repetido seus argumentos da impugnação, sem apresentar qualquer comprovação de suas alegações, resta, ao concordar com as razões de decidir do acórdão de piso, transcrevêlas no que se considera relevante e adotandoas no presente voto: Segundo o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Por outro lado, conforme disposto no art. 36 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, da mesma forma como incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito, de acordo com o disposto no inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte – , na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), concluise que deve a RFB não homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.662592/201295 Acórdão n.º 1003000.322 S1C0T3 Fl. 81 4 desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. A apuração de IRPJ é consolidada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração, apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior no valor postulado pelo contribuinte. Também a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue antes do referido despacho não confirma o valor do crédito pretendido. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples menção à existência de supostos créditos “relativos à retenção de 11% do INSS” (sic), não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas na DIPJ e DCTF pertinentes à apuração do IRPJ relativo ao período de apuração de 30/06/2009, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior e atestar a certeza e liquidez do crédito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16624.000613/2008-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 06 13 /2 00 8- 13 Fl. 66DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2004, anocalendário de 2003, onde foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 30.000,00. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ SÃO PAULO II, de f. 43/46. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 51/53. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de documentação do efetivo pagamento para comprovação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de Fl. 67DF CARF MF Processo nº 16624.000613/200813 Acórdão n.º 2001000.240 S2C0T1 Fl. 3 3 mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Além disso, não foram apresentadas notas fiscais, nos casos de serviços prestados por pessoas jurídicas. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Também não há razão na insurgência à multa de ofício de 75%. Tratase de multa decorrente de previsão legal (Lei 9.430/96, art. 44), de aplicação obrigatória. Em decorrência do princípio da legalidade, não cabe ao servidor público deixar de aplicar a multa, ou aplicala em percentual diverso do previsto na legislação. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância. Fl. 68DF CARF MF 4 CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira Fl. 69DF CARF MF Processo nº 16624.000613/200813 Acórdão n.º 2001000.240 S2C0T1 Fl. 4 5 mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14479.000767/2007-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nª1. NÃO CONHECIMENTO
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 9202-007.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nª1. NÃO CONHECIMENTO Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nª1. NÃO CONHECIMENTO Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 07 67 /2 00 7- 10 Fl. 1666DF CARF MF 2 Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 35.865.8640, consolidado em 05/12/2005, lavrado contra a empresa supra identificada, no valor total de R$ 37.476.841,66 (trinta e sete milhões, quatrocentos e setenta e seis mil, oitocentos e quarenta e um reais e sessenta e seis centavos), referente a contribuições sociais devidas pelos empregadores produtores rurais pessoas físicas, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, e não repassadas à Seguridade Social, no período de 01/2002 a 12/2004. Conforme relatório do acórdão recorrido que resume de forma objetiva o lançamento: Observese que a razão social da empresa autuada, vinculada ao CNPJ 02.916.265/001131, era FRIBOI LTDA, a qual posteriormente foi alterada para JBS S/A. O lançamento em questão trata da exigência das contribuições previdenciárias, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além da contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR. Os fatos geradores contemplados na NFLD foram as aquisições de produtos rurais (gado para abate) de produtores rurais pessoas físicas pela empresa autuada, a qual estava obrigada ao recolhimento das contribuições decorrentes, por força da subrogação prevista no inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Os valores que serviram como base de cálculo da apuração foram extraídos das notas fiscais de entrada, conforme discriminativo anexado à NFLD. Informase que a empresa procedia ao desconto das contribuições dos produtores rurais, todavia, na via da nota fiscal destinada ao fisco não constava esse desconto. Tendose verificado a posteriori que a empresa lançava mão do artifício de "calçar" as notas fiscais, fato que pode ser constatado mediante a solicitação dos documentos “Acerto de Compra de Gado” e das vias das notas fiscais entregues aos produtores. Noticiase ainda que a fiscalizada impetrou o Mandado de Segurança – MS n. 2001.61.00.0000509 na 18.ª Vara Federal de São Paulo, com pedido de liminar, requerendo a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes da obrigação prevista nos incisos II e IV do art. 30 da n.º 8.212/1991 e art. 25, § 4. , da Lei n. 8.870/1994. Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 14479.000767/200710 Acórdão n.º 9202007.210 CSRFT2 Fl. 3 3 Continuando relatase que em 30/01/2001 foi deferida liminar para suspender a exigibilidade conforme pedido do autor e, em 16/12/2004, o Judiciário determinou à impetrante que procedesse ao depósito judicial de todos os valores que reteve e que viesse a reter dos produtores rurais a titulo de "Funrural", não repassados ao INSS, sob pena de revogação da liminar. A autuada apresentou recurso/impugnação, e a Delegacia da Receita Previdenciária em Araçatuba/SP considerou o lançamento procedente (fls. 869/887). Com ordem de intimação do contribuinte datada de 29/05/2006. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 21/01/2015, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401003.823 (fls. 1.091/1.110), com o seguinte resultado: “ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) conhecer em parte do recurso, face concomitância de ação judicial; b) rejeitar as preliminares de nulidade. II) Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que acolhiam a ilegitimidade. III) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para: a) excluir a multa aplicada, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que mantinham a multa; e a conselheira Carolina Wanderley Landim que também excluía os juros dos valores eventualmente depositados parcialmente”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 FALTA DE REPASSE DE CONTRIBUIÇÕES RETIDAS. COMPROVAÇÃO NOS AUTOS. MENÇÃO NO RELATÓRIO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tem o fisco, ao efetuar o lançamento, a obrigação de relatar as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, assim, os seus agentes, ao se depararem com documentos que comprovam a prática de apropriação indébita, devem relatar o fato no termo de verificação fiscal, ainda que o Judiciário tenha determinado providências do sujeito passivo no sentido de repassar as quantias indevidamente retidas. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE PESSOAS FÍSICAS. DECISÃO JUDICIAL AFASTANDO A OBRIGAÇÃO DE RETER DO ADQUIRENTE. LEGITIMIDADE PASSIVA DESTE. A legitimidade para figurar no polo passivo do lançamento para prevenir a decadência é da empresa adquirente de produtos rurais de pessoas físicas, quando esta é a detentora, no momento do lançamento, de provimento judicial provisório para se livrar da obrigação de reter e recolher a contribuição dos seus fornecedores. Fl. 1668DF CARF MF 4 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS / CORRESPONSÁVEIS. INEXISTÊNCIA. A relação apresentada no anexo “Relatório de Vínculos ou “Relatório de Corresponsáveis” não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. CONTRIBUIÇÕES DESCONTADAS E NÃO REPASSADAS. A responsabilidade do adquirente para recolhimento das contribuições dos produtores rurais pessoas físicas que foram retidas e não recolhidas à Seguridade Social é integral e não subsidiária. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Não cabe aplicação de multa de ofício nos lançamentos para prevenir a decadência em face de suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente das causas previstas nos incisos IV e V do art. 151 do CTN. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 14479.000767/200710 Acórdão n.º 9202007.210 CSRFT2 Fl. 4 5 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato que pudesse acarretar na sua nulidade, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. UTILIZAÇÃO DE EXPRESSÕES INADEQUADAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há previsão legal para que as decisões tomadas no processo administrativo sejam declaradas nulas, quando o julgador utiliza expressão inadequada para se referir à tese apresentada pelo sujeito passivo, a menos que reste comprovado nos autos a ocorrência de atropelo ao princípio da impessoalidade. AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA. É competente a Autoridade Fiscal vinculada a Delegacia da Receita Federal situada em lugar diferente do domicílio do sujeito passivo, desde que devidamente autorizada. AUTORIDADE FISCAL. COMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DE REGISTROS CONTÁBEIS. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. O processo foi encaminhado à PGFN em 27/02/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.111), para ciência do acórdão em até trinta dias, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010. A intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria em 29/03/2015, mas ainda em 26/03/2015, a Fazenda Nacional juntou despacho (fl. 1.112) informando que não haveria interposição de Recurso Especial. Cientificado do Acórdão nº 2401003.823 em 23/11//2015 (Cópia do Aviso de Recebimento AR fl. 1.139), o contribuinte apresentou Embargos de Declaração (fls. 1.141/1.253) tempestivos em 23/11/2015. Os embargos foram conhecidos e prolatado, em sessão de 09/03/2016, o Acórdão de Embargos nº 2402005.126 (fls. 1.314/1.320), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Declarouse impedido o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo (presidente da Turma)”. O contribuinte JBS S/A foi cientificado do Acórdão de Embargos em 05/04/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem – fl. 1.326) e apresentou Recurso Especial (fls. 1.328/1.455) em 20/04/2016. O contribuinte J&F Investimentos S/A (solidário), Fl. 1670DF CARF MF 6 por sua vez, foi cientificado do Acórdão de Embargos em 08/04/2016 (fl. 1.457) e apresentou seu Recurso Especial em 25/04/2016 (fls. 1.459/1.586). Portanto, ambos tempestivos. Aos Recursos Especiais foi dado seguimento parcial para rediscussão da matéria: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Conhecimento do Recurso Voluntário: concomitância de PAF e ação judicial. Súmula CARF nº 1”, conforme despacho s/nº, da 4ª Câmara, de 15/08/2016 (fls. 1.594/1.611), considerado o acórdão paradigma nº 2301004.040. Tendo apresentado agravo contra o despacho que negou seguimento a parte do recurso, o mesmo restou rejeitado por meio do despacho 1640. A Fazenda Nacional apresenta contrarrazões em que argumenta: O lançamento foi realizado para prevenir a decadência, considerando o Mandado de Segurança de n°2001.61.00.0000509. · O acórdão recorrido aplicou a Súmula CARF nº 1 entendendo que a ação judicial trata da inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias dos produtores rurais que a Recorrente teria obrigação de reter e recolher. · A Recorrente alega que inexiste concomitância entre o Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0000509 e este processo, uma vez que naquele mandamus judicial tenta a Impetrante/Recorrente afastar recolhimento do adquirente de produtor rural pessoa física fulcrado em legislação anterior à Lei nº 10.256/2001. · Cumpre salientar que a alegação do Recorrente de que não há concomitância entre os processos administrativo e judicial encontrase em completa contradição com a alegação do mesmo constante no recurso voluntário apresentado no processo de nº 10314.720052/201772, a respeito do mesmo mandado de segurança. “Frisese, ainda, que até 26/06/2012, em razão da sentença proferida nos autos do referido Mandado de Segurança, favorável os interesses da Recorrente, o Auto de Infração poderia ser lavrado apenas para evitar a decadência...” · Ora, foi exatamente o que a autoridade fiscal fez no presente processo. Diante da ação judicial, lavrou o auto de infração para prevenir decadência. · A Câmara Superior, em junho de 2017, decidiu, em caso idêntico, que há concomitância negando provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Como o acórdão ainda não se encontra formalizado, colacionase o resultado constante da ata de julgamento. É o relatório. Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 14479.000767/200710 Acórdão n.º 9202007.210 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 1594. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito Quanto ao mérito entendo que não há qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido. TRatase de expressa existência de concomitância na via judicial e administrativa, razão pela qual adota a decisão recorrida como razões de decidir, já seguinte o mesmo entendimento lá adotado que: Da concomitância com a ação judicial Conforme já frisei, a ação judicial proposta trata da inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias dos produtores rurais que a recorrente teria a obrigação de reter e recolher. Sobre esses aspectos, trazidos também no recurso, abstenhome de lançar pronunciamento, uma vez que é matéria que já está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário. Adoto esse proceder com esteio na súmula n.º 1 do CARF, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nessa toada, ao ingressar no judiciário para discutir as mencionadas matérias, o sujeito passivo renunciou ao direito de vêlas apreciadas nas instâncias administrativas. Acrescentese, no entanto, que não há permissivo legal para que se tranque o curso do processo administrativo fiscal ante a existência de discussão judicial da matéria. Inexiste no ordenamento pátrio norma prevendo tal restrição. Observese que em relação ao presente feito havia determinação do Judiciário nesse sentido, todavia, esse efeito foi revogado, conforme mencionado no relatório deste voto. Fl. 1672DF CARF MF 8 Quanto à preliminar levantada em sede recursal pelo contribuinte acerca da necessidade de sobrestamento do feito, acedo integralmente ao posicionamento esposado pelo recorrido, no sentido de que não há permissivo legal para que se tranque o curso do processo administrativo fiscal ante a existência de discussão judicial da matéria. Inexiste no ordenamento pátrio norma prevendo tal restrição. Ao contrário do argumentado pelo contribuinte, é de se notar que no Regimento em vigor deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também não existe qualquer dispositivo que permita a este Colegiado considerar da possibilidade de sobrestamento de julgamento, de forma que reste observado, de forma plena, o caput do art. 37 do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972. Em relação ao RE 718.874, motivador do pleito de sobrestamento, teve seu julgamento concluído pela Suprema Corte em 30 de março de 2017, em sede de Repercussão Geral, pela constitucionalidade da cobrança das contribuições previdenciárias objeto de lançamento (assim de forma contrária às alegações e interesses da Recorrente), inexistindo, neste momento, qualquer óbice oriunda da Suprema Corte à exigibilidade e/ou apreciação em sede de julgamento de lançamento, seja das contribuições previdenciárias objeto da subrrogação em análise, seja da contribuição ao SENAR daí decorrente. Assim, rejeito a preliminar arguída e prossigo na apreciação do mérito do feito. Aliás, assim como citado em sede de contrarrazões essa posição não é nova nesse colegiado, inclusive em relação ao mesmo contribuinte dada as diversas ações judiciais que envolvem a matéria. Acórdão 9202007.042, de 24/07/2018 Processo nº 15868.720151/201388 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Acórdão 9202005.549de 27/06/2017 Processo nº 14479.000769/200709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 14479.000767/200710 Acórdão n.º 9202007.210 CSRFT2 Fl. 6 9 órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL do Contribuinte, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1674DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660628/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 06 28 /2 01 2- 04 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.660628/201204 Acórdão n.º 3201004.621 S3C2T1 Fl. 150 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 42053052, emitido eletronicamente em 03/01/2013, referente ao PER/DCOMP nº 29236.54784.241012.1.3.043020. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 6912, no valor de R$24.039,70, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/07/2012. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não homologou sua compensação. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2012 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.660628/201204 Acórdão n.º 3201004.621 S3C2T1 Fl. 151 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório e a homologação de sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.660628/201204 Acórdão n.º 3201004.621 S3C2T1 Fl. 152 4 Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.660628/201204 Acórdão n.º 3201004.621 S3C2T1 Fl. 153 5 A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.660628/201204 Acórdão n.º 3201004.621 S3C2T1 Fl. 154 6 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.660628/201204 Acórdão n.º 3201004.621 S3C2T1 Fl. 155 7 pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 155DF CARF MF
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