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Numero do processo: 10860.720256/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.574
Decisão: Vistos, relatos e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio De Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa (Suplente Convocado) e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo – Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio De Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurelio De Oliveira Barbosa (Suplente Convocado) e Fabio Brun Goldschmidt. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .7 20 25 6/ 20 10 -4 1 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720256/201041 Resolução nº 2202000.574 S2C2T2 Fl. 409 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A DITR do recorrente incidiu em Malha Fiscal nos parâmetros: Áreas Não Tributáveis e Cálculo do Valor da Terra Nua VTN. Em 22/03/10 o recorrente foi intimado (fls. 1113) a apresentar os seguintes documentos: a) identificação do contribuinte; b) matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprovasse a posse e a inexistência de registro de imóvel rural; c) CCIR do INCRA; d) referentes às DITR/2005, 2006 e 2007: (i) ADA requerido dentro do prazo legal junto ao Ibama; (ii) laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal acompanhado de ART registrado no CREA que comprovasse as APP’s declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão dessas áreas, previstas no termos das alíneas “a” até “h” do art. 2º da Lei nº 4.771/65, e que identificasse a localização do imóvel através de um conjunto de coordenadas geográficas definidoras dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georeferenciadas ao sistema geodésico brasileiro; (iii) certidão de órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele estivesse inserido em área declarada como APP, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.771/65, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; (iv) ato específico de órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele fosse declarado como área de interesse ecológico, que ampliem as restrições de uso para as APP’s e reserva legal; (v) ato específico de órgão competente federal ou estadual que tenha declarado a área do imóvel como área de interesse ecológico, comprovadamente imprestável para a atividade rural; e) referentes à comprovação do VTN: laudo de avaliação do VTN do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NRB 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e precisão II, acompanhado de ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo, preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado, ou, alternativamente, o contribuinte poderia se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, os valores deveriam comprovar o VTN na data de 01/01/05, a preço de mercado. A fiscalização salientou que a falta de comprovação do VTN declarado ensejaria o seu arbitramento com base nas informações do SIPT da RFB, nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393/96: VTN/ha do município de localização do imóvel para 01/01/05 no valor de R$ 6.452,64 (cultura/lavoura), R$ 3.232,86 (pastagem/pecuária), R$ 2.542,70 (terra de campo ou reflorestamento) e R$ 2.052,34 (campos); para 01/01/06 no valor de R$ 8.898,07 (cultura/lavoura – solos superiores planos), R$ 6.234,81 (cultura/lavoura – solos regulares planos ou acidentados), R$ 4.375,30 (pastagem/pecuária), R$ 3.052,34 (terras de campo ou reflorestamento) e R$ 2.517,22 (campos); para 01/01/07 no valor de R$ 7.176,31 (pastagem/pecuária), R$ 9.779,61 (cultura/lavoura – solos superiores planos), R$ 10.192,84 (cultura/lavoura – solos regulares planos ou acidentados), R$ 3.780,99 (campos) e R$ 4.386,52 (terra de campo ou reflorestamento). Fl. 409DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720256/201041 Resolução nº 2202000.574 S2C2T2 Fl. 410 3 Em 07/04/10 foi concedida prorrogação do prazo, por 30 dias, para a apresentação de documentos referentes à Declaração do ITR dos exercícios 2005 a 2007 por parte do recorrente (fl. 17). O recorrente apresentou, em 06/05/10, os seguintes documentos: a) identificação do contribuinte (fls. 2324); b) certidão de óbito (fl. 25); c) identificação do representante legal inventariante (fls. 2627); d) termo de inventariante (fl. 28); e) escritura e matrícula do imóvel (fls. 2933); f) certificado de cadastro de imóvel rural – CCIR (fl. 34); g) ADA 2007 (fl.35); h) Planta de Levantamento Ambiental e ART (fls. 3839 e fl. 81); i) Memorial Descritivo (fls. 4145); j) Requerimento de Certidão do Instituto Floresta – Protocolo (fls. 4648); k) Decreto Estadual nº 10.251/77 (fls. 4950); l) Decreto Estadual nº 49.215/04 (fls. 5157); m) Laudo de Avaliação da Terra Nua (fls. 5880) Na oportunidade, o recorrente destacou que: a) os trabalhos de campo só foram realizados em 2007, o que só então possibilitou a declaração do ADA a partir desse ano; b) foram utilizadas as informações do ADA de 2007 para as declarações de ITR de 2005 e 2006, já que as bases legais ambientais que dão suporte a esse trabalho são anteriores aos exercícios mencionados; c) foi requerida a emissão de certidão que comprova que o imóvel está inserido em área de interesse ecológico e de preservação permanente, Parque Estadual da Serra do Mar, em 04/05/10 junto ao Instituto Florestal (fls. 2021). 2 Notificação do Lançamento Em 04/10/10, a autoridade administrativa efetuou lançamento de ofício (fls. 01 08), embasado na falta de comprovação das informações contidas na DITR/2006. Dentre as informações não comprovadas pelo recorrente, a autoridade fiscal ressaltou as seguintes: a) a isenção da área de preservação permanente no imóvel rural, pois o recorrente não apresentou: (i) laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado ART registrada no CREA que comprovasse as APP’s; (ii) certidão de órgão público competente acompanhado de ato do poder público que declarou a área como APP; b) a isenção da área declarada a título de interesse ecológico no imóvel rural, pois o recorrente não apresentou: (i) ato específico do órgão competente Fl. 410DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720256/201041 Resolução nº 2202000.574 S2C2T2 Fl. 411 4 federal ou estadual que ampliasse as restrições de uso para as APP’s e Reserva Legal; (ii) ato específico do órgão competente federal ou estadual que tenha declarado área do imóvel como área de interesse ecológico, comprovadamente imprestável para a atividade rural; c) o valor da terra nua declarado, pois o não consta do laudo apresentado pelo contribuinte a identificação dos dados de mercado, nem as planilhas de cálculo. No laudo consta somente uma tabela discriminando valores para os anos de 2007 a 2010, não tendo sido apresentada nenhuma fundamentação nem grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e suas planilhas de cálculo o que não levou à convicção do valor atribuído ao imóvel na DIRT/2006. Foi utilizado o VTN para o exercício 2006, em R$ 2.517,22/ha, perfazendo um total de R$ 4.357.307,82. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 815.173,53, incluídos imposto suplementar apurado, multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados até 02/10/10. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls. 84122) tempestiva esgrimindo os seguintes argumentos: a) a nulidade da autuação, pois não há descrição dos fatos que fundamentem a autuação quanto à imposição da multa de ofício, nem dos dispositivos legais que a lastreiam, ou ainda da penalidade aplicável, restando impossível ao contribuinte tomar conhecimento de sua suposta conduta ilícita quanto à legislação tributária. Esse vício importa em afronta ao que dispõe o art. 10, III e IV, do Decreto nº 70.235/72; b) o laudo ambiental elaborado pelo engenheiro agrônomo, devidamente instruído com ART, satisfaz as condições de prova técnica suficiente a comprovar as alegações feitas; c) a gleba objeto da incidência do ITR é composta por 1.016,90 ha de Floresta Nativa Ombrófila Densa, 71,20 ha de Floresta Nativa de Transição Restinga Encosta, 442 ha de Floresta Nativa de Restinga, 93,30 ha de Mangue e 70,10 ha de Área Antropizada. Da extensão total da gleba, constatouse através do laudo técnico que, aproximadamente 988 ha da área estão insertos dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, o que representa cerca de 58,32% da área; d) conforme consta do laudo técnico, na composição vegetal da gleba foi constatada a existência de diversas situações que a legislação (arts. 2º e 3º do Código Florestal) define como sendo APP, independentemente de quaisquer atos do poder público, cuja soma tem a extensão de 1.141,20 ha e representa, aproximadamente, 67,37% da extensão total da área: (i) 12,5 ha de nascente ou olhos d’água – área de preservação permanente (art. 11, “c”, da Lei nº 9.393/96); (ii) 83,60 ha de rios e suas faixas de proteção – área de preservação permanente (art. 11, “a” e incisos, da Lei nº 9.393/96); (iii) 409,30 ha de topos de morro – área de preservação permanente (art. 11, “d”, Fl. 411DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720256/201041 Resolução nº 2202000.574 S2C2T2 Fl. 412 5 da Lei nº 9.393/96); (iv) 93,3 ha de áreas de mangue – área de preservação permanente (art. 11, “b” e incisos da Lei nº 9.393/96); e (v) 442,50 ha de floresta de restinga – área de preservação permanente (art. 11, “f”, da Lei nº 9.393/96); e) a regra da isenção tributária do ITR tem expressa previsão legal de suas hipóteses, cabendo ao contribuinte comprovar sua ocorrência por meio idôneo, que no caso se apresenta pelo laudo técnico definindo as áreas de preservação permanente e de interesse ecológico, o que independe da apresentação do ADA; f) conforme dispõe o art. 10, § 1º, II, “e” são áreas não tributáveis, para efeito de incidência do ITR, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Tal previsão legal se coadune com as informações trazidas pelo laudo técnico acerca da vegetação florestal nativa encontrada na gleba que atesta a existência de: (i) 1.016,90 ha de floresta nativa ombrófila densa em estágio avançado de regeneração; e (ii) 71,20 ha de floresta nativa de transição restinga encosta em estágio avançado de regeneração. g) em se tratando de áreas que se encontram no Bioma Mata Atlântica, como é o caso da gleba objeto do lançamento, o Governo Federal instituiu o Decreto nº 750/93 criou restrições específicas para as áreas de Mata Atlântica, vedando quase que totalmente qualquer tipo de atividade exploratória ou extrativista dessas áreas. Além do mais, da análise sistemática do Código Florestal, arts. 2º e 3º, forçoso se reconhecer que as áreas constantes do Bioma Mata Atlântica são APP’s; h) o laudo técnico atesta que aproximadamente 998 ha do imóvel sobrepõese ao Parque Estadual da Serra do Mar, o equivalente a 58,32% da área total da gleba. A vegetação sobreposta pelo Parque é composta por Floresta Nativa Ombrófila Densa e em estado avançado de regeneração, nela, nos termos do art. 10, §1º, II, “e”, da Lei nº 9.393/96, não há incidência do ITR; i) há declaração lavrada pela Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo – órgão vinculado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente – no sentido de que a área sobrepõe aproximadamente 1.003 ha ao Parque Estadual da Serra do Mar; j) a Lei nº 9.985/00, que instituiu o Sistema Nacional da Unidade de Conservação – SNUC, em seu arts. 7º, I, e 8º, III, define os parques estaduais como áreas de proteção integral que têm por escopo precípuo a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica. O Decreto Estadual que instituiu o Parque Estadual da Serra do Mar como meio de proteger a fauna e a flora locais é ato do Poder Público legítimo para declarar o Parque como APP; k) a legislação do ITR, ao elencar suas hipóteses de não incidência, dispõe expressamente que o tributo não incidirá nas áreas de interesse ecológico, que podem ser definidas como meio de extensão das medidas de proteção imposta às APP’s; Fl. 412DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720256/201041 Resolução nº 2202000.574 S2C2T2 Fl. 413 6 l) o ADA tem por escopo fornecer ao órgão ambiental subsídios para que pratique os atos necessários à preservação, impor a sua apresentação como condição essencial ao reconhecimento da regra de não incidência tributária é desvirtuar a função e a natureza jurídica do ato; m) o valor atribuído à terra pela fiscalização foi de R$ 2.517,22/ha, valor muito superior ao verificado pelo laudo técnico juntado aos autos. Ademais, o VTN atribuído pela autoridade fiscal não foi acompanhado dos dados constantes do SIPIT, nem informa sobre ter havido qualquer procedimento fiscalizatório in loco no imóvel, assim o descumprimento de preceitos expressamente determinados pela lei que permitem a retificação do VTN pelo fisco torna nulo o procedimento; n) não pode ser admitida a simples alegação de que o laudo técnico apresentado pelo contribuinte deve ser desconsiderado por carecer de critérios técnicos sem que se apresente as fontes, e que se dê publicidade aos dados que lastrearam o cálculo feito através do SIPIT; o) parte da área do recorrente encontrase abaixo dos limites do Parque Estadual da Serra do Mar, como perímetro urbano, classificada como zonas urbanas Z6 (zona incompatível com o turismo) e Z10 (zona dos bairros internos, destinada à expansão urbana dos bairros Sertão do Quina, Fundos da Maranduva, Corcovado e Taquaral) com 657,67 ha. Essa área urbana é tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico CONDEPHAAT. Sendo, portanto, a área sujeito ao lançamento do IPTU pelo Município; p) conforme se observa do laudo técnico, a área sem vegetação, sobre a qual haveria incidência do ITR, tem a extensão de 70,10 ha, equivalente ao percentual de 4,14% da área total. Considerando a área de 70,10 ha, a alíquota do ITR aplicável, nos termos do anexo à Lei nº 9.393/96, é aquela prevista para as áreas de perímetro entre 50 ha a 200 ha, com Grau de Utilização de até 30%, que impõe uma alíquota de 2% sobre o VTN; O recorrente requereu a produção de prova técnica pericial, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, em razão da complexidade técnica de definir cada uma das características ambientais encontradas na gleba, bem como de dimensionar a área urbanizada, e ainda valorar o VTN à época dos lançamentos. Indicou como perito técnico o Engenheiro Agrônomo Nirceu Eduardo Vicente (fl. 123). Anexos à impugnação, foram juntados os seguintes documentos: a) notificação de lançamento (fls.124127); b) matrícula do imóvel (fls. 132133); c) laudo técnico ambiental acompanhado de ART (fls. 134148); d) declaração da Fundação para a Conservação e a Produção Floresta do Estado de São Paulo (fl. 149); Fl. 413DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720256/201041 Resolução nº 2202000.574 S2C2T2 Fl. 414 7 e) recibo ADA/2007 (fl. 150); f) laudo VTN (fls. 151181); g) Lei Municipal nº 711/84 (fls. 186214); h) Resolução nº 40/85 (fls. 215223); i) declaração da Prefeitura Municipal da Estância Balneária de Ubatuba – SP (fl. 224); j) mapa (fls. 225226); 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada improcedente pela 1ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade (fls. 246257), mantido o crédito tributário exigido. Os fundamentos foram os seguintes: a) a improcedência e a carência de fundamentação legal do pedido de nulidade do lançamento, pois a Notificação de Lançamento foi lavrada em observâncias aos requisitos legais estabelecidos no art. 11 do Decreto nº 70.235/72, identificando as irregularidades apuradas e motivando cada alteração efetuada na DIRT/2007 de forma clara e em consonância com a ampla defesa e o contraditório, além disso, o contribuinte tomou ciência da notificação de lançamento e exerceu, dentro do prazo, o seu direito de defesa; b) não cabe discussão da constitucionalidade de lei em sede administrativa conforme estabelece o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235/72; c) a perícia não se faz necessária no processo, o ônus da prova documental deve ser do contribuinte, a realização de perícia somente se justifica se o exame das provas apresentadas não puder ser realizado pelo julgador em razão de sua complexidade e/ou da necessidade de conhecimentos técnicos específicos. No caso, a perícia visa apenas suprimir material probatório, que deveria ser apresentado pelo interessado para comprovação dos fatos alegados em sua defesa, vez que cabe a ele o ônus da prova. A apresentação de provas pelo contribuinte deve ser feita no momento da impugnação, sendo possível a junta posterior de documentos; d) na instância administrativa prevalece o entendimento de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96), diz respeito apenas à dispensa de comprovação da efetiva existência de tais áreas no imóvel quando da entrega da declaração, não dispensando o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar com documentos hábeis o cumprimento de exigências legais previstas na legislação ambiental e tributária para justificar a exclusão das áreas ambientais por ele declaradas de incidência do ITR; Fl. 414DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720256/201041 Resolução nº 2202000.574 S2C2T2 Fl. 415 8 e) as ementas do CARF não afetam o lançamento, pois esses julgados não possuem efeitos vinculante, nem constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. Já as jurisprudências dos Tribunais Superiores citadas na impugnação apenas aproveitam às partes integrantes das lides, nos limites dos julgados, em conformidade com o art. 472 do Código de Processo Civil. Não tendo o contribuinte comprovado ter sido parte em ação judicial transitada em julgado e cuja decisão lhe tenha sido favorável quanto à matéria impugnada, não cabe à autoridade administrativa absterse de cumprir a legislação; f) para beneficiarse da redução do ITR deve o contribuinte apresentar o ADA protocolizado tempestivamente no Ibama. No caso, o ADA foi protocolizado no Ibama após o prazo previsto na Instrução Normativa Ibama nº 76/05; g) quanto à área de interesse ecológico, o contribuinte não apresentou ato específico do órgão competente federal ou estatual para comprovar que o imóvel, ou parte dele, foi declarado de interesse ecológico, ampliando as restrições de uso para as APP’s e reserva legal, ou ato específico do órgão competente federal ou estadual que tenha declarado a área como tal, e comprovadamente imprestável para a atividade rural. Ademais, o ADA é intempestivo para o exercício; h) as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, não averbadas como reserva legal ou não enquadradas nas outras definições de áreas afastadas da tributação, somente foram afastadas da tributação pelo ITR com o advento da Lei nº 11.428/06. Referidas áreas estão isentas a partir do Exercício 2007, desde que apresentado ADA protocolado tempestivamente no Ibama; i) não há justificativa para reconhecer que as áreas ocupadas com vegetação primária existente na Mata Atlântica, indicadas no Decreto nº 750/93, estavam isentas de ITR antes da Lei nº 11.428/06. Por isso, as áreas informadas a esse título na documentação apresentada pelo contribuinte somente serão aceitas no lançamento relativo ao exercício 2007 desde que sejam reconhecidas mediante ADA protocolizado tempestivamente junto ao Ibama; j) a alegação de que o imóvel ou parte dele encontrase inserido no Bioma Mata Atlântica sendo APP, não é suficiente para comprovar a isenção; k) o fato de imóvel rural, com posse e domínio útil privados, encontrarse dentro dos limites da área do Parque Estadual não caracteriza condição suficiente para a imunidade/isenção do ITR deste; l) a alíquota de cálculo considerada no lançamento foi a mesma informada pelo contribuinte por não ter declarado nenhuma atividade rural no imóvel; m) o procedimento utilizado pela fiscalização para a apuração do VTN, com base nos valores constantes em sistema da Receita Federal, encontra amparo no art. 14 da Lei nº 9.393/96. O valor do SIPT só é utilizado quando, após Fl. 415DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720256/201041 Resolução nº 2202000.574 S2C2T2 Fl. 416 9 intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma, o valor apurado pela fiscalização fica sujeito a revisão quando o contribuinte comprova o VTN efetivo de seu imóvel; n) o VTN por hectare utilizado para o cálculo do imposto foi extraído do SIPT, conforme consulta à fl. 15, para o exercício 2007, e referese ao menor valor por aptidão agrícola conforme ali previsto; o) o laudo técnico apresentado pelo recorrente não será aceito como grau de fundamentação e precisão II, por apresentar algumas inconsistências como (i) a avaliação do imóvel não se refere a 01/01/07; (ii) consta a data de elaboração do laudo 05/11/10; (iii) não foi usado o número mínimo de 5 dados de mercado efetivamente utilizados (transações efetivas), necessárias para a caracterização do laudo como fundamentação e precisão II, conforme determina o item 9.2.3.5, letra “b”, da NRB 14.6533 da ABNT, tendo sido utilizadas apenas opiniões da Imobiliária SATEPE (Engenharia de Avaliações), anexas ao laudo apresentado. Os dados de mercado coletado (no mínimo cinco) devem, ainda, se referir à data do fato gerador do ITR (01/01/07); p) da análise da documentação apresentada pelo contribuinte, não há como vincular a parte da área do imóvel em que ocorreu a expansão urbana, pois as fichas estão em nome de diversos proprietários, sem especificação da área que deu origem aos terrenos ali especificados; 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 24/04/12, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 293344 do eprocesso) em 24/05/12, repisando as alegações da impugnação, acrescentando os seguintes argumentos: a) a nulidade em decorrência da ausência da correta identificação e assinatura da autoridade fiscal. Não há, na notificação de lançamento, a assinatura do Delegado da RFB, Dr. Hailton de Paula, autoridade fiscal responsável pela notificação, ademais, na notificação consta como sua matrícula o número 00017080, todavia, em consulta ao site governamental “Portal da Transparência”, vêse o mesmo funcionário público com o número de matrícula 00096702; b) a incidência da Súmula nº 21 do CARF; c) a dispensa da instauração do MPF como instrumento de constituição do crédito, implica em flagrante violação à legislação que rege o procedimento administrativo fiscal, impondo a nulidade por vício procedimental insanável; d) o lançamento decorreu da suposta constatação de infração à legislação tributária após análise das informações prestadas pelo recorrente, enquadrandose no § 2º, do art. 2º, da Instrução Normativa RFB nº 958/09, que prevê que em tal situação, será lavrado o competente auto de infração. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720256/201041 Resolução nº 2202000.574 S2C2T2 Fl. 417 10 Em violação ao dispositivo regulamente, foi lavrado, erroneamente, notificação de lançamento, constituindo vício procedimental; e) ausência de comunicação o encerramento da fase instrutória do processo. Tal conduta incorre em violação ao procedimento administrativo, e macula o direito ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte, pois é seu direito, encerrada a instrução, manifestarse no prazo de 10 dias, conforme disposto no art. da Lei nº 9.784/99; f) o entendimento exarado no v. acórdão quanto à produção de prova pericial não se coadune com os fundamentos que rechaçaram os documentos produzidos pelo recorrente, de modo que viola, por via obliqua, o exercício do direito constitucional à ampla defesa; g) a incoerência nos fundamentos do indeferimento da prova pericial atenta contra certos princípios da administração pública (princípios da razoabilidade, proporcionalidade, e do interesse público) garantidos pela Constituição e também expressos no art. 2º da Lei nº 9.784/99; h) a fundamentação da autoridade julgadora para manter o lançamento tributário, tal como originariamente lavrado, foi unicamente a de que não foi apresentado o ADA tempestivamente e nos termos da legislação tributária, o que configura modalidade oblíqua do cerceamento do direito à ampla defesa da recorrente; i) a legislação que institui o ADA, não definiu prazo legal para sua apresentação, sendo certo que a única menção a prazo consta do art. 9º, I. § 3º, da IN SRF nº 256/02, assim, o ADA é mera obrigação acessória que não traz como consequente normativo a incidência ou mensuração do valor do ITR; j) os laudos técnicos e documentos públicos demonstram, inequivocamente, as áreas em que não houve incidência do ITR, e devem ser reconhecidas como meios idôneos de prova; k) conforme se depreende do laudo técnico, e da planta de detalhamento da área, a gleba objeto da incidência do ITR, cuja extensão total é de 1.694,00 ha, é composta pela seguinte vegetação e topografia: (i) a cota de altura mais alta da gleba (100 m), o equivalente a 1.016,90 há, é composta de Floresta Nativa Ombrófila Densa em estágio avançado de regeneração; (ii) na área coberta pela Floresta Nativa, que de per si é isenta da incidência do ITR, estão inseridas na mesma APP’s: 366,39 ha de APP – Topo do Morro; 12,50 ha APP – Nascente do Rio; 101,45 ha de APP – de Curso de Rio; (iii) sobrepostos às áreas cobertas pela Floresta Nativa e as APP’s, 1.003 ha de extensão da propriedade estão inseridos no Parque Estadual da Serra do Mar, sendo que este, por força de expressa disposição legal, goza de especial proteção ambiental, e configurase área com limitação administrativa total e, portanto, imprestável para qualquer atividade; (iv) na cola abaixo da área supra descrita, a propriedade é composta por 71,20 ha de Floresta Nativa de Transição Restinga/Encosta em Estágio Avançado de Regeneração, dos quais 8,89 ha são APP – de Curso de Rio, além de 93,30 ha de mangue, Fl. 417DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720256/201041 Resolução nº 2202000.574 S2C2T2 Fl. 418 11 também legalmente definido como APP (grande parte dessa área tem lançamento de IPTU, conforme documento oficial da Prefeitura Municipal de Ubatuba, o que afasta a incidência do ITR); (v) a área remanescente, que totaliza 53,66 ha, foi transformada em perímetro urbano do município, estando, portanto, totalmente abarcada pela incidência do IPTU, conforme documento oficial da Prefeitura Municipal de Ubatuba, o que afasta a incidência do ITR; (vi) a parte mais baixa da gleba existem 93,30 ha de mangue, que também são consideradas APP’s. l) a área, em sua totalidade, sofre restrições legais e administrativas, não tendo aproveitamento para o contribuinte, o que impõe a não incidência do ITR; m) ao contrário do que consta no acórdão recorrido, a empresa que elaborou o laudo de avaliação de fls. 152/183, Setape Engenharia de Avaliações é especializada em avaliações imobiliárias, amplamente conhecida no mercado, com sede em São Paulo e filial no Rio de Janeiro, e cuja higidez no procedimento e metodologia de avaliação constante do laudo é inequívoca, logo, verificase o equívoco da autoridade julgadora ao informar que a empresa que elaborou o laudo é “apenas uma imobiliária”; Em anexo foram juntados os seguintes documentos: a) impresso do “Portal da Transparência” (fl. 345 do eprocesso); b) relatório fotográfico complementar ao laudo técnico (fls. 346360 do e processo); c) foto aerofotogamétrica da gleba (fls. 363364 do eprocesso); d) notificação de lançamento (fls.366374); e) certidão nº 292/2012, emitida em 10/05/12 pela Prefeitura Municipal da Estância Balneária de Ubatuba (fls. 375395do eprocesso); f) Decreto nº 750/93 (fls. 396398 do eprocesso); É o relatório. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720256/201041 Resolução nº 2202000.574 S2C2T2 Fl. 419 12 Voto O presente recurso voluntário reúne todos os requisitos de admissibilidade exigidos pelo Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual deve ser conhecido. Inicialmente, ressalto que o acórdão recorrido é sentado em dois fundamentos: a) a ausência do ADA; b) sobreposição de áreas. Proponho, portanto, que primeiro seja enfrentada a questão do ADA e, posteriormente, a sobreposição das áreas. 1 Do ADA O recorrente aduz fazer jus a exclusão de parte da base de cálculo do ITR2006 em decorrência da existência, em seu imóvel, de APP, Área de Interesse Ecológico e Zona Urbana. Para tanto, apresenta: a) ADA 2007 requerido junto ao IBAMA em 30/11/07 (fl. 35); b) declaração da Fundação para a Conservação e a Produção Floresta do Estado de São Paulo atestando que 1003 ha do imóvel encontrase sobrepondo aos limites do Parque Estadual da Serra do Mar (fl. 149); c) Laudo Técnico Ambiental, acompanho de ART do engenheiro responsável, mencionando a extensão das APP’s; d) mapas. Todavia, a autoridade julgadora de Primeira Instância entendeu que pela ausência de ADA tempestivo, o recorrente não faria jus a quaisquer das áreas pleiteadas por ele, independente da documentação apresentada aos autos: “(...) Por outro lado, é necessário destacar que se o contribuinte pretende se beneficiar da redução do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR deve apresentar o Ato Declaratório Ambiental – ADA protocolizado tempestivamente no Ibama. A base legal para apresentação do ADA está disposta no art. 17O, § 1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000. O prazo para a entrega do ADA, de acordo com o art. 9º da Instrução Normativa Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, é de 1º de janeiro a 31 de setembro do exercício de 2007. No presente caso, o ADA constante dos autos foi protocolizado no Ibama em 30/11/2007, ou seja, após o prazo previsto na Instrução Normativa ora mencionada. Quanto à área de interesse ecológico o contribuinte não apresentou Ato Específico do órgão competente federal ou estadual, para comprovar que o imóvel ou parte dele tenha sido declarado de interesse ecológico, que ampliem as restrições de uso para as áreas de preservação permanente e reserva legal ou Ato Específico de órgão competente federal ou estadual que tenha declarado a área como tal, comprovadamente imprestável para a atividade rural. Além d que, conforme já visto anteriormente, o Ato Declaratório Ambiental é intempestivo para o exercício. As áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, não averbadas como reserva legal ou não enquadradas em outras definições de áreas afastadas da tributação, somente foram afastadas da tributação pelo ITR com o advento da Lei nº 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea “e” ao art. 10, parágrafo 1º, inciso II, da Lei nº 9.393, de 1996. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720256/201041 Resolução nº 2202000.574 S2C2T2 Fl. 420 13 Referidas áreas estão isentas a partir do Exercício2007, desde que apresentado ADA protocolado tempestivamente no Ibama. Portanto, não há justificativa para se reconhecer que as áreas ocupadas com vegetação primária existente na Mata Atlântica, indicadas no Decreto nº 750, estavam isentas de ITR antes da alteração do artigo citado. Por isso, as áreas informadas a esse título na documentação apresentada (sic) pelo contribuinte somente serão aceitas no lançamento relativo ao exercício de 2007 desde que sejam reconhecidas mediante Ato Declaratório Ambiental – ADA protocolizado tempestivamente junto ao Ibama.(...)” Como mencionado, o ADA apresentado pelo contribuinte encontravase intempestivo, pois referiase ao exercício de 2007 e este também estava intempestivo, pois protocolizado ao Ibama 60 dias após o prazo legal. A partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00, a entrega da ADA tem sido exigida como requisito à redução de imposto a pagar. Para que se compreenda adequadamente a alteração normativa e seu reflexo sistemático dentro do ordenamento, é preciso que se observe que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Noutros termos, a mera inserção de área de reserva legal no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência, que poderá ser confrontada com a descrição contida em laudo técnico – documento elaborado por terceiro que corroborará a situação inserida no ADA. Contudo, a prova de existência de área inexplorada no imóvel do recorrente, deságua na análise do Decreto nº 10.251/77 que institui o Parque Estadual da Serra do Mar e que em seu art. 1º prevê que: “Fica criado o Parque Estadual da Serra do Mar com a finalidade de assegurar integral proteção à flora, à fauna, às belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos.”, e é corroborada pela declaração da Fundação para a Conservação e a Produção Floresta do Estado de São Paulo que atesta que 1003 ha do imóvel encontrase inserido nos limites do Parque Estadual da Serra do Mar, isto é, não podendo ser explorado, pois necessária sua integral proteção, do qual o ADA é mera presunção. Seria ilógico exigirse o atendimento de requisito ligado à presunção quando o fato por ela presumido resta comprovado. A compreensão de que a exigência de ADA pode se sobrepor à realidade acobertada por prova mais eficaz e menos restritiva é incompatível com o princípio da proporcionalidade (subprincípio da necessidade). Sobre a interação entre os subprincípios da necessidade e da adequação, versa o Ministro Gilmar Mendes: O subprincípio da adequação (Geeignetheit) exige que as medidas interventivas adotadas mostremse aptas a atingir os objetivos pretendidos. O subprincípio da necessidade (Notwendigkeit oder Erforderlichkeit) significa que nenhum meio menos gravoso para o indivíduo revelarseia igualmente eficaz na consecução dos objetivos pretendidos. Em outros termos, o meio não será necessário se o objetivo almejado puder ser alcançado com a adoção de medida que se revele a um só tempo adequada e menos onerosa. Ressaltese que, na prática, adequação e necessidade não têm o mesmo peso ou relevância no juízo de ponderação. Assim, apenas o que é adequado pode ser necessário, mas o que é necessário não pode ser inadequado. Pieroth e Schlink Fl. 420DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720256/201041 Resolução nº 2202000.574 S2C2T2 Fl. 421 14 ressaltam que a prova da necessidade tem maior relevância do que o teste da adequação. Positivo o teste da necessidade, não há de ser negativo o teste da adequação. Por outro lado, se o teste quanto à necessidade revelarse negativo, o resultado positivo do teste de adequação não mais poderá afetar o resultado definitivo ou final. (MENDES, Gilmar. O princípio da proporcionalidade na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: novas leituras. Revista Diálogo Jurídico, Salvador, CAJ Centro de Atualização Jurídica, v. 1, nº. 5, agosto, 2001. Disponível em: <http://www.direitopublico.com.br>. Acesso em: 02 de março de 2012.) Ademais, a própria Lei nº 9.784/99, em seu art. 2º, parágrafo único, inciso VI, explicita o princípio da informalidade, ou do formalismo valorativo: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; A exigência do ADA, nos casos em que o laudo confirma a área de preservação permanente, área de floresta e área de interesse ecológico, representa exacerbado formalismo na aplicação do enunciado trazido pela Lei nº 10.165/00. Ou seja, a observância do requisito remanesce impávida desde que a finalidade por ele materializada não seja atingida por outro meio, mais seguro aos próprios interesses fazendários, como o laudo, conclusão reforçada pela alteração normativa engendrada pela Medida Provisória nº 2.16667/01, Diploma que introduziu o §7º ao art. 10 da Lei nº 9.393/96, abaixo transcrito: §7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Ademais, existe jurisprudência da 1ª Turma Ordinária, da Segunda Câmara, da Segunda Seção deste Conselho que embasa tal entendimento: ÁREA DE RESERVA LEGAL COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Fl. 421DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10860.720256/201041 Resolução nº 2202000.574 S2C2T2 Fl. 422 15 (CARF. 2ª Seção. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. 2201002.091. Rel. Gustavo Lian Haddad. Julg. em 17/04/13) Com base no acima exposto, entendo que deve ser afastada a decisão da DRJ, em decorrência da existência de provas que apontam para a existência de áreas de preservação permanente, área de floresta e área de interesse ecológico, sendo a exigência de ADA, formalismo exacerbado. 2 Da Sobreposição de Áreas e da Necessária Diligência O deslinde do presente processo depende da resolução de dois pontos: a) glosa de Áreas de Preservação Permanente; b) glosa da Área de Interesse Ecológico. Das alegações prestadas pelo recorrente e pela documentação acostada aos autos (DIAT, Declaração do Município de São Paulo e Laudo Técnico), temse que o imóvel, que possui 1.731 ha, seria composto da seguinte forma: DIAT ADA 2007 Município SP Laudo Técnico Área de Interesse Ecológico (Serra do Mar) 1.532 ha 1.615 ha 1.003 ha sobre o Parque Estadual da Serra do Mar APP 84,54 ha 84,54 ha 698,7 ha Área de Floresta 1.530,6 ha Área Tributável 114,6 Somandose as diversas áreas de proteção ambiental, encontrase um valor superior ao total da extensão da área, o que torna evidente a existência de sobreposição entre elas, motivo pelo qual somente com a análise dos mapas acostados ao laudo seria possível identificar qual exatamente a extensão das áreas abarcadas por restrições ambientais passíveis de isenção do ITR. Contudo, ao compulsar os autos é possível verificar que os três mapas anexos à impugnação, e que se referem às “Áreas de Preservação Permanente”, à “Cobertura Florestal Nativa” e ao “Parque Estadual da Serra do Mar”, estão incompletos. Ainda, o mapa é necessário à verificação das supostas áreas urbanizadas, e da incidência, ou não do IPTU ao caso. Sendo assim, entendo por bem converter este julgamento em diligência, solicitando à Secretaria desta Turma que envie cópia integral do mapa existente nos autos físicos deste processo, para que seja possível dar resolução à lide. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 422DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 15374.002516/99-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1994
SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. DESCARACTERIZAÇÃO.
Sendo constatado que para a prestação dos serviços foi necessária a contratação de profissionais habilitados não pertencentes ao quadro societário, bem como a contratação de empresas para a realização de serviços que deveriam ter sido prestados pelos médicos associados, resta descaracterizada a condição de sociedade civil de prestação de serviços profissionais de profissão regulamentada.
Numero da decisão: 9101-001.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Carlos de Lima Junior, Susy Gomes Hoffmann, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias e Valmir Sandri. O Conselheiro João Carlos de Lima Junior apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Mario Sérgio Fernandes Barroso, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo e Valmar Fonseca de Menezes.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1994 SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. DESCARACTERIZAÇÃO. Sendo constatado que para a prestação dos serviços foi necessária a contratação de profissionais habilitados não pertencentes ao quadro societário, bem como a contratação de empresas para a realização de serviços que deveriam ter sido prestados pelos médicos associados, resta descaracterizada a condição de sociedade civil de prestação de serviços profissionais de profissão regulamentada.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1994 SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. DESCARACTERIZAÇÃO. Sendo constatado que para a prestação dos serviços foi necessária a contratação de profissionais habilitados não pertencentes ao quadro societário, bem como a contratação de empresas para a realização de serviços que deveriam ter sido prestados pelos médicos associados, resta descaracterizada a condição de sociedade civil de prestação de serviços profissionais de profissão regulamentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Carlos de Lima Junior, Susy Gomes Hoffmann, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias e Valmir Sandri. O Conselheiro João Carlos de Lima Junior apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Mario Sérgio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 25 16 /9 9- 21 Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 2 Fernandes Barroso, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo e Valmar Fonseca de Menezes. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN, com espeque no art. 7o., inciso I, do então vigente Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n.º 147, Anexo II, de 25 de junho de 2007, cujo dispositivo dispõe que cabe recurso especial da PFN de decisão não unânime da Câmara quando for contrária à lei ou à evidência de prova, sendo os seguintes os dispositivos que teriam sido contrariados: art. 6° da Lei Complementar n° 70/1991; art. 6° do DecretoLei n° 2.413/88 e o art. 1° do DecretoLei n° 2.397/1987. A matéria que remanesce à apreciação deste Colegiado diz respeito à desconsideração da pessoa jurídica como sociedade civil de prestação de serviços profissionais de profissão regulamentada, que declarara o IRPJ do períodobase 1994 no formulário IV. No ano seguinte, 1995, apresentara DIPJ como sociedade empresarial, optando pelo lucro presumido. A fiscalização considerou que, de fato, também no ano de 1994, suas atividades eram desenvolvidas como sociedade empresarial, consoante Termo de Verificação Fiscal – TVF de fls. 710 a 716, no qual consta que a fiscalizada teria vendido serviços radiológicos prestados por terceiros, através de diversas empresas contratadas para esse fim, serviços esses que, para não ter descaracterizada sua natureza civil, deveriam ter sido prestados pelos próprios associados. Foram juntadas notas fiscais referentes aos serviços prestados por essas empresas, às fls. 28 a 107, acrescentando a autoridade de fiscalização que, percebendo o equívoco, a própria fiscalizada, já no anocalendário seguinte, de 1995, passara a apresentar a DIPJ como sociedade empresarial, optando pela apuração dos seus resultados pelo lucro presumido. O voto condutor da decisão recorrida (fls. 963) considerou que: (...). Na clínica radiológica o exame abrange dois procedimentos: o exame em si, caracterizado pela utilização do equipamento radiológico, e a elaboração de laudo técnico com o diagnóstico feito por médicos especializados. Ao que tudo indica, no caso em tela a interessada optou por terceirizar a parte referente à utilização de equipamento, mantendo consigo a responsabilidade pela elaboração do laudo. Foi exatamente nessa linha que a recorrente se manifestou na peça de defesa dirigida a este Colegiado. Concluindo que: Ainda que o manuseio dos equipamentos radiológicos exija profissionais treinados, não se pode olvidar que o objetivo principal da clínica radiológica é o fornecimento do laudo, com base no qual o médico solicitante vai prescrever o tratamento adequado ao paciente. Se esse laudo é elaborado pela interessada, através de médicos especializados integrantes Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 15374.002516/9921 Acórdão n.º 9101001.595 CSRFT1 Fl. 6 3 do seu corpo societário, penso que a terceirização efetuada não descaracterizaria a sociedade civil como tal. (destaques acrescidos) Por esse motivo, em divergência ao Ilustre Relator voto por cancelar a exigência referente ao anocalendário de 1994. Aduz a recorrente (PFN) que a autoridade fiscal concluíra de forma diversa da sustentada pela decisão recorrida, porquanto as atividades da contribuinte não se restringem a serviços pessoais – conforme entendeu a e. Câmara – mas também a venda de serviços, extraindo do TVF, mediante transcrição, a relação das 11 empresas que teriam sido contratadas para a prestação de serviços que deveriam ter sido por ela realizados (fls. 979). Assevera ainda que, dentre os requisitos para o gozo do beneficio, o item “e” foi mal interpretado na decisão recorrida, ao dispor: "que contratar empregados para a execução de serviços auxiliares não descaracteriza a sociedade civil". Na situação fática dos autos, a contribuinte não se valeu de empregados para a execução de serviços auxiliares, mas de empresas prestadoras de serviço de radiologia para a execução de atividade principal de serviços de radiologia!” Em suas contrarrazões (fls. 988 e seguintes), a recorrida assevera que a decisão recorrida incorrera em equivoco, porquanto: a) Não existem dois serviços, mas apenas um que inclui a radiografia e o laudo. b) Não há terceirização: os médicos são contratados pela suplicante para acompanhar as radiografias que são realizadas unicamente na sede da suplicante e com os equipamentos ali instalados todos de propriedade da suplicante. c) O elemento importante na prestação do serviço que é o fator determinante do preço é o laudo e não a radiografia. d) O cliente não remunera cada um dos médicos ditos terceirizados: o pagamento é feito unicamente à suplicante, pois ela é a única prestadora do serviço que assume em nome próprio a responsabilidade profissional civil e criminal conseqüente da realização do serviço. (destaques acrescidos) É o relatório. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 4 Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, relator. O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos necessários a sua apreciação, devendo ser conhecido. Como visto no relatório, a questão básica se restringe à desconsideração da recorrida da condição de sociedade civil de prestação de serviços de profissão regulamentada, por ser a mesma, na visão da autoridade fiscal, já no ano calendário de 1994, sociedade empresarial, devendo, assim, ter o correspondente tratamento tributário. Conforme relatado, no anocalendário seguinte (1995) a própria sociedade passara a declarar o IRPJ na condição de sociedade empresarial, optando pelo lucro presumido. No seu recurso especial a PFN relaciona 11 empresas que teriam sido contratadas pela recorrida para prestar serviços que deveriam ter sido por ela realizados, anexando notas fiscais de serviços descrevendo a natureza desses serviços. A propósito, entendo não haver dúvida quanto ao fato de o beneficio fiscal regulado pelo Decretolei nº 2.397/1987 destinarse exclusivamente às sociedades civis de prestação de serviços de profissão regulamentada entendidas como sendo aquelas em que os serviços são exclusivamente prestados por profissionais pertencentes ao seu quadro societário, excetuandose os serviços auxiliares. Como via de conseqüência, os serviços vendidos devem ser prestados por esses mesmos profissionais associados, sob pena de, em assim não sendo, desvirtuarse o objetivo colimado pela renúncia fiscal. No presente caso, temos que realmente foram contratadas várias empresas prestadoras de serviços radiológicos, consoante Termo de Verificação Fiscal e de Constatação (fls. 718 e seguintes) e também que foram contratados profissionais (médicos) para a realização dos serviços que, com exclusividade, repitase, deveriam ser prestados pelos médicos associados. Esses são fatos incontestes, consoante se pode extrair da extensa relação de empresas terceirizadas e não infirmadas em qualquer fase do contencioso administrativo, e das próprias contrarrazões apresentadas pela recorrida, ao afirmar que: a) Não existem dois serviços, mas apenas um que inclui a radiografia e o laudo. b) Não há terceirização: os médicos são contratados pela suplicante para acompanhar as radiografias que são realizadas unicamente na sede da suplicante e com os equipamentos ali instalados todos de propriedade da suplicante. c) (...). d) O cliente não remunera cada um dos médicos ditos terceirizados: o pagamento é feito unicamente à suplicante, pois ela é a única prestadora do serviço que assume em nome próprio Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 15374.002516/9921 Acórdão n.º 9101001.595 CSRFT1 Fl. 7 5 a responsabilidade profissional civil e criminal conseqüente da realização do serviço. (destaques acrescidos) Tais assertivas destoam frontalmente dos fundamentos que foram utilizados no voto condutor da decisão recorrida, conforme se pode verificar pela leitura da sua conclusão, a seguir: Ainda que o manuseio dos equipamentos radiológicos exija profissionais treinados, não se pode olvidar que o objetivo principal da clínica radiológica é o fornecimento do laudo, com base no qual o médico solicitante vai prescrever o tratamento adequado ao paciente. Se esse laudo é elaborado pela interessada, através de médicos especializados integrantes do seu corpo societário, penso que a terceirização efetuada não descaracterizaria a sociedade civil como tal. (destaques acrescidos) Vêse, pois, que, diferentemente do entendimento externado pelo redator do voto vencedor da decisão recorrida, o serviço prestado compreende um todo e não duas partes, segundo o qual o manuseio dos equipamentos radiológicos seria realizado por profissionais habilitados e a elaboração dos laudos preparados por médicos especializados, sendo que esses últimos é que fariam parte da sociedade. Ora, o que se depreende é que esses serviços auxiliares, realizados por profissionais habilitados, os quais, na visão questionada, justificariam a terceirização, o foram por médicos que nem sempre compunham o quadro societário da empresa, fato que, por si só, acho suficiente para considerar escorreita a acusação fiscal de que, já no anocalendário de 1994, e não somente a partir do ano seguinte, 1995, a fiscalizada tinha natureza de sociedade empresarial. E mais. Foram contratadas 11 empresas para a realização de serviços que deveriam ter sido prestados pelos médicos associados, condição essa não observada pela recorrida e que se admite como sine qua non para o enquadramento de entidade como sociedade civil de profissionais habilitados. Por essas razões, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 6 Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721335/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2008
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO E DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OU SONEGAÇÃO. REDUÇÃO AO PERCENTUAL NORMAL. POSSIBILIDADE.
1. A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação ou fraude do autuado.
2. Na ausência de comprovação dessas circunstância agravantes, o percentual da multa de ofício qualificada deve ser reduzido ao percentual normal de 75%.
JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) excluir a responsabilidade tributária da recorrente pelo valor do IPI calculado sobre as vendas dos produtos (perfumes e outros produtos de toucador e higiene) adquiridos da empresa industrial interdependente; b) reduzir a multa agravada de 150% para 75%. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé que também afastavam a incidência de imposto sobre vendas canceladas. O advogado Achiles Augustus Cavallo, OAB/SP 98953, fez sustentação oral.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO E DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OU SONEGAÇÃO. REDUÇÃO AO PERCENTUAL NORMAL. POSSIBILIDADE. 1. A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação ou fraude do autuado. 2. Na ausência de comprovação dessas circunstância agravantes, o percentual da multa de ofício qualificada deve ser reduzido ao percentual normal de 75%. JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) excluir a responsabilidade tributária da recorrente pelo valor do IPI calculado sobre as vendas dos produtos (perfumes e outros produtos de toucador e higiene) adquiridos da empresa industrial interdependente; b) reduzir a multa agravada de 150% para 75%. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé que também afastavam a incidência de imposto sobre vendas canceladas. O advogado Achiles Augustus Cavallo, OAB/SP 98953, fez sustentação oral. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2228; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 100 1 99 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721335/201154 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.092 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria IPI AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente TB COMÉRCIO DE PERFUMES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2008 EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. EMPRESA COMERCIAL VAREJISTA. PRODUTOS DE PERFUMARIA E DE TOUCADOR ADQUIRIDOS DE EMPRESA INDUSTRIAL INTERDEPENDENTE. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não se equipara a estabelecimento industrial a empresa comercial varejista que adquirir de empresa industrial interdependente perfumes e outros produtos de toucador e higiene. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. EMPRESA COMERCIAL VAREJISTA. PRODUTOS IMPORTADOS POR SUA CONTA E ORDEM. CABIMENTO. Equiparase a estabelecimento industrial as empresas comerciais varejistas que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO E DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OU SONEGAÇÃO. REDUÇÃO AO PERCENTUAL NORMAL. POSSIBILIDADE. 1. A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação ou fraude do autuado. 2. Na ausência de comprovação dessas circunstância agravantes, o percentual da multa de ofício qualificada deve ser reduzido ao percentual normal de 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 13 35 /2 01 1- 54 Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 JUROS MORATÓRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) excluir a responsabilidade tributária da recorrente pelo valor do IPI calculado sobre as vendas dos produtos (perfumes e outros produtos de toucador e higiene) adquiridos da empresa industrial interdependente; b) reduzir a multa agravada de 150% para 75%. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Andréa Medrado Darzé que também afastavam a incidência de imposto sobre vendas canceladas. O advogado Achiles Augustus Cavallo, OAB/SP 98953, fez sustentação oral. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 212/221), em que formalizada a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 1.203.186,03, sendo R$ 431.021,52 de IPI, R$ 646.532,26 de multa de ofício agravada e R$ 125.632,25 de juros moratórios. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal colacionado aos autos (fls. 191/211), a autuada foi equiparada a estabelecimento industrial por duas condições: a) era adquirente de produtos de procedência estrangeira, importados por conta ordem; e b) era revendedora exclusiva dos produtos de perfumaria e outros produtos de toucador e higiene, fabricados pela pessoa jurídica interdependente VITI Indústria e Comércio de Cosméticos, Perfumes e Presentes Ltda., doravante denominada de VITI. As autoridades fiscais ainda asseveraram que “a existência das duas empresas, VITI e TB Perfumes, traduzem, em tese, um esquema para que se obtenha a produção e venda de artigos de perfumaria sem o devido recolhimento dos tributos e contribuições: IPI, PIS, COFINS.” Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721335/201154 Acórdão n.º 3102002.092 S3C1T2 Fl. 101 3 Em sede de impugnação, em apertada síntese, a autuada alegou, em preliminar: a) fixação de base tributável por presunção; b) indevido enquadramento legal; c) falta de menção de regra legal que impusesse o pagamento do IPI à autuada; d) ilegalidade da autuação; e) ausência de fato gerador do qual decorresse à equiparação a estabelecimento industrial; e f) ilegitimidade passiva. No mérito, a recorrente alegou que: a) não era contribuinte do IPI, porque desenvolvia atividade exclusivamente varejista e não era equipada a estabelecimento industrial nem a empresa encomendante; b) a pessoa jurídica VITI tinha idoneidade fiscal e capacidade operacional e fora constituída regularmente; c) o planejamento tributário realizado dentro dos limites da lei, ainda que com o único objetivo de reduzir a carga tributária, não afrontava o disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN; d) não houve simulação nas operações por ela realizadas; e) no mercado brasileiro da indústria de higiene pessoal e perfumaria o planejamento fiscal já consagrado e aceito; f) a Medida Provisória que objetiva tributar a distribuidora interdependente não foi convalidada, logo não havia legislação que regulasse tal cobrança; g) as notas fiscais canceladas não foram excluídas da base de cálculo do IPI; h) houve mera presunção de que todas as operações de revenda eram de produtos monofásicos, sujeitos à alíquota de incidência única de 22%; i) não foi comprova do evidente intuito de fraude que justificasse o agravamento da multa; j) inaplicabilidade da taxa Selic no cálculo do juros moratórios; e l) a multa aplicada era confiscatória. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a impugnação e mantido o crédito tributário exigido. As preliminares suscitada na peça impugnatória foram rejeitas, com base nos seguintes argumentos de que: a) pesava em desfavor da autuada o fato de a sua sócia majoritária, em Juízo, haver confessado a existência de fraude e prática de ilícitos tributários apurados na denominada operação “Porto Europa”; b) afiguravase correta a equiparação a estabelecimento industrial da autuada; c) intimada a apresentar a escrituração fiscal por meio eletrônico, a autuada apresentou um banco de dados incompleto, o que autorizara a autoridade fiscal, com respaldo no art. 448 do RIPI/2002, a proceder o lançamento utilizando os valores do livro Registro de Saídas da Impugnante. Enquanto que o não acatamento das razões de mérito foi baseado nos seguintes argumentos: a) a tipicidade, no presente caso, era absoluta, pois não se estava a exigir IPI em operações de revenda, como alegara a autuada, mas sim, exigindose IPI sobre as saídas de empresa equiparada a industrial, por ter efetuado importações próprias e por terceiras pessoas interpostas, cujas operações a interessada não apresentou qualquer prova que se tratavam de operações de revenda; b) por força da vinculação a que estava adstrita a autoridade julgadora primeiro grau, os juros de mora sobre tributos não pagos nos prazos previstos na legislação devem ser calculados com base na taxa Selic, conforme determina a legislação vigente; e c) não tinha competência para analisar a alegada inconstitucionalidade do efeito confiscatório da multa aplicada. Em 31/8/2012, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 1.344). Em 24/9/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 1.358/1.512, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, em relação às preliminares, alegou que a decisão de primeira instância não havia adentrado nas particularidades do caso, ou mesmo das provas suscitadas, o Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 que havia ferido de morte o princípio constitucional da motivação do ato administrativo, bem como o direito de ampla defesa. No que tange ao mérito, em síntese, a recorrente alegou que: a) a decisão administrativa não seguiu o seu mister legal de rever o trabalho fiscal e buscar a verdade material dos fatos, visto que negligenciou quanto a apreciação de todos os pontos da defesa, focandose apenas em uma ou outra situação, inclusive com conclusões complessivas e sem o mínimo de fundamentação; b) o acórdão era bastante confuso quanto a identificação da operação da recorrente, que se tratava de aquisição de produtos fabricados por terceiros e sua posterior revenda no varejo; c) a Turma de Julgamento de primeiro grau alegou que a recorrente estava incluída em esquema fiscal fraudulento, entretanto, não existia nos autos qualquer tipo de prova, documento, informação ou ao menos indício que demonstrasse que a recorrente participara de qualquer ilícito, tendo se respaldado apenas em notícias jornalísticas de que sócia majoritária fora condenada em ação criminal, na qual supostamente confessara a prática de crime, isso diante da adesão à chamada delação premiada, mas que essa alegação cairia por terra ante a decisão exarada pelo STJ, no Habeas Corpus nº 142.045, que declarou ilícitas todas as provas colhidas no curso das operações policiais "Porto Europa" e "Dilúvio", o que gerou a extinção do respectivo processo criminal, consequentemente, não poderia ser atribuído qualquer prática de crime a referida sócia; d) a recorrente não era importadora direta, como alegado no acórdão recorrido, mas simples revendedora de produtos importados ou fabricados por terceiros; e) o acórdão era totalmente omisso na indicação da base legal, ou ao menos o fato, que pudesse justificar a equiparação da recorrente a estabelecimento industrial; f) apesar da absurda e não provada alegação da Turma de Julgamento de que pairava “indício de fragilidade operacional” da operação da empresa VITI, era certo que não pesava sobre tal empresa qualquer declaração de sua inidoneidade, pelo contrário, o que se verificava dos autos era que a empresa gozava do "status" de idoneidade fiscal, por ser cumpridora de suas obrigações e com total autorização para exercer seu mister, portanto, impossível a desconsideração das atividades e negócios praticados pela citada empresa. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Inicialmente, é pertinente esclarecer que os fatos objeto da presente autuação não foram apurados no âmbito das denominadas operações “Dilúvio” e “Porto Europa”. Ademais, o fato de ter sido imputada a autuada e as importadoras por sua conta e ordem fraudes em operações de comércio exterior detectadas no âmbito das referidas operações, a meu ver, não tem qualquer implicação sobre o objeto da autuação em apreço. Da mesma forma, Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721335/201154 Acórdão n.º 3102002.092 S3C1T2 Fl. 102 5 o fato de a sócia majoritária da autuada ter confessado ou sido condenada pela prática de crime contra a ordem tributária, relacionados com às citadas operações, também não em nada contribui para o deslinde da presente contenda, que cingese a matéria de natureza meramente tributária. Aliás, no item 7 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 194/195), que integra o auto de infração, foi noticiado que a Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, durante as referida operações havia descoberto operações de ocultação dos reais intervenientes nas operações de aquisição e comercialização do denominado Grupo Tânia Bulhões que, em tese, montara uma estrutura de interposição fraudulenta para obter a redução dolosa dos tributos incidentes sobre as operações de comércio exterior (II, IPI, PIS e Cofins). Entretanto, no item 8 do mesmo Termo (fls. 195/196), consta a informação de que a autuada havia realizado apenas importações por conta e ordem das tradings Socinter Sul Comércio e Vila Porto Internacional. Também não corresponde aos fatos noticiados nos autos, as afirmações do ilustre Relator do voto condutor do julgado recorrido no sentido de que (i) a equiparação da autuada a estabelecimento industrial decorrera da quebra da “cadeia do IPI”, implementar por meio de uma arquitetura tributária fraudulenta, escondendo o real importador e provocando uma redução indevida de diversos tributos, inclusive o IPI; e que (ii) a recorrente fez importações diretas no período fiscalizado, o que reforçaria ainda mais a sua equiparação a estabelecimento industrial sujeito ao pagamento do IPI na saída dos produtos importados. Com esses esclarecimentos, resta demonstrado que os fatos fraudulentos comprovados no âmbito das referidas operações ou até mesmo os imputados à autuada e sua sócia majoritária, induvidosamente, são matérias estranha aos autos. Com efeito, segundo o disposto no MPF n° 08.1.90.002011030371 (fl. 3), a autuação em questão decorreu do trabalho de fiscalização realizado na autuada com objetivo de verificar o correto cumprimento das obrigações tributárias relativa ao IPI, ocorridas no período de janeiro a dezembro de 2008. Além disso, compulsando o Termo de Verificação Fiscal acostado aos autos (fls. 191/211), verificase que foi atribuído à recorrente o fato de ter dado saída a produto do seu estabelecimento sem o lançamento na respectiva nota fiscal do valor do IPI devido na operação. De acordo com citado auto de infração, foi cobrado da recorrente o valor IPI não lançado nas respectivas notas fiscais de saída, acrescido de multa de ofício agravada de 150% sobre o valor do IPI e juros moratórios calculados com base na variação da taxa Selic. Todas essas matérias foram contestadas pela recorrente na peça impugnatória, as quais foram reafirmadas no recurso voluntário em apreço, constituindo, portanto, as questões objeto do litígio posto nos presentes autos. Em sua defesa, a recorrente suscita questões preliminares e de mérito, a seguir analisadas. I DAS PRELIMINARES Em preliminar, a recorrente alegou a nulidade da autuação, porque fora baseada em meros indícios, partindo de presunções e conclusões arbitrárias e injustificadas, e Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 lavrado com diversos erros, vícios e imperfeições, dentre os quais: a) fixação de base tributável por presunção; b) indevido enquadramento legal; c) falta de menção de regra legal que impusesse o pagamento do IPI à autuada; d) ilegalidade da autuação; e) ausência de fato gerador do qual decorresse à equiparação a estabelecimento industrial; e f) ilegitimidade passiva. Da ilegitimidade passiva: ausência de equiparação a estabelecimento industrial. No que concerne a preliminar de ilegitimidade passiva, o ponto fulcral da controvérsia cingese a questão da equiparação da recorrente a estabelecimento industrial. Segundo o Termo de Verificação Fiscal colacionado aos autos, a autuada foi equiparada a estabelecimento industrial por se enquadrar em duas condições: a) era adquirente de produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta ordem; e b) era revendedora exclusiva dos produtos de perfumaria fabricados pela empresa industrial interdependente VITI. Ambas as situações foram enquadras no art. 9º, I a X, do RIPI/2002. Em relação a primeira equiparação, o procedimento fiscal não merece reparo, pois noticiam os autos que, no período da autuação, a recorrente realizou as importações por conta e ordem, por intermédio das empresas importadoras Socinter Sul e Vila Porto, conforme discriminado pela fiscalização na Tabela de fl. 195, equiparandolhe a estabelecimento industrial, nos termos do inciso IX do citado art. 9º, a seguir transcrito: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: [...] IX os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, observado o disposto no § 2º ( Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 79); e [...] (grifos não originais) No que tange à segunda condição de equiparação a estabelecimento industrial, a recorrente alegou que a legislação que disciplinava a operação de compra e venda entre empresas interdependentes impunha, exclusivamente, a observância do preço mínimo tributável, a ser seguido pelo vendedor da mercadoria, no caso a empresa industrial VITI, excluindo o comprador, no caso a recorrente, de qualquer obrigação. Assim, como não existia previsão legal que equiparasse a recorrente a estabelecimento industrial, impossível lhe atribuir a obrigação do pagamento do IPI sobre as operações de revenda dos produtos que adquire com exclusividade da empresa interdependente VITI, logo, era parte ilegítima para compor o polo passivo da autuação. Neste ponto, assiste razão a recorrente. De fato, compulsando o inteiro teor do art. 9º do RIPI/2002 verificase que nenhum dos incisos descreve a aquisição, com exclusividade, de produto industrializado por empresa industrial interdependente, definida no art. 520 do RIPI/2002, como uma situação de equiparação a estabelecimento a industrial. A única hipótese de previsão legal de equiparação da empresa interdependente encontrase prevista no art. 10 do RIPI/2002, que tem a seguinte redação, in verbis: Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721335/201154 Acórdão n.º 3102002.092 S3C1T2 Fl. 103 7 Art. 10. São equiparados a estabelecimento industrial os estabelecimentos atacadistas que adquirirem os produtos relacionados no Anexo III da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, de estabelecimentos industriais ou dos estabelecimentos equiparados a industriais de que tratam os incisos I a V do art. 9º (Lei nº 7.798, de 1989, arts. 7º e 8º). § 1º O disposto neste artigo aplicase nas hipóteses em que o adquirente e o remetente dos produtos sejam empresas controladoras, controladas ou coligadas (Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1.976, art. 243, §1º e §2º), interligadas (Decretolei nº 1.950, de 14 de julho de 1982, art. 10, § 2º) ou interdependentes. § 2º Na relação de que trata o caput deste artigo poderão, mediante decreto, ser excluídos produtos ou grupo de produtos cuja permanência se torne irrelevante para arrecadação do imposto, ou incluídos outros cuja alíquota seja igual ou superior a quinze por cento. (grifos não originais) Da leitura do referido preceito normativo, extraise que a equiparação a estabelecimento industrial do adquirente pela prática de operações de compra e venda entre empresas interdependentes somente ocorre se atendidas, simultaneamente, duas condições: a) o estabelecimento adquirente seja atacadista; e b) os produtos adquiridos estejam relacionados no Anexo III da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989. Em nenhuma dessas condições, certamente, não se inclui a recorrente, haja vista que se trata de empresa comercial varejista, conforme informação da própria fiscalização consignada no citado Termo de Verificação Fiscal (fl. 327), e os produtos adquiridos pela recorrente da empresa industrial interdependente VITI (perfumes e outros produtos de toucador e higiene), discriminados pela fiscalização na Tabela de fls. 329/330, foram expressamente excluídos do citado Anexo III, por meio do Decreto nº 1.217, de 11 de agosto de 1994. Com base nessas considerações, resta demonstrado que, em relação aos produtos adquiridos da empresa interdependente VITI, induvidosamente, a recorrente não se equipara a estabelecimento industrial. Da fixação da base tributável e da alíquota única por presunção. Alegou a recorrente que a fiscalização presumira (i) a base tributável da autuação, dizendo que nela se incluíam todas as receitas da recorrente, e (ii) a alíquota única de 22%, reservada a um pequeno grupo de produtos de higiene pessoal e perfumaria revendidos pela recorrente. Não procede a alegação da recorrente, seja com relação a alegada presunção da base de tributável, seja com relação a alíquota única de 22% aplicada. No primeiro caso, porque os valores das vendas utilizados como base de cálculo foram extraídos dos documentos fiscais (cupom fiscal e nota fiscal) emitidos pelo própria recorrente, conforme discriminado nos Anexo A e B (fls. 200/211), que integram o auto de infração em apreço. No que tange alíquota unificada de 22%, porque ela foi utilizada apenas em relação as vendas por cupom fiscal que a recorrente, embora regularmente intimada, não Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 informou quais os produtos e respectivas classificação fiscal na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Esse foi o real motivo apresentado pela fiscalização para a utilização da alíquota majorada e unificada de 22%. Logo, fica afastada a tentativa da recorrente de, através de jogo de palavras, querer a atribuir um outro motivo para a utilização da referida alíquota, tal como, o de que a fiscalização teria se baseado na premissa de que os produtos não enquadrados na tributação monofásica eram “vendidos sempre acompanhados ao da posição 33”, em kits ou conjuntos. Também a apresentação de livros e documentos fiscais, evidentemente, não era suficiente para separação dos produtos por respectiva classificação fiscal. Portanto, ao contrário do alegou a recorrente, a utilização da alíquota mais elevada do IPI para os produtos não discriminados por NCM foi feita em consonância com o disposto no § 1º do art. 448 do RIPI/2002, a seguir transcrito: Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matérias primas, produtos intermediários e embalagens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). §1º Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento.(Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) [...] (grifos não originais) No caso em tela, em face da precariedade dos documentos fiscais apresentados pela recorrente e da ausência dos livros fiscais obrigatórios exigidos determinados na legislação do IPI, obviamente, era impossível a fiscalização fazer a separação da grande quantidade de produtos vendidos e aplicar a alíquota fixada na TIPI para cada um deles. Dessa forma, fica demonstrado que a base de cálculo, assim como a alíquota única e majorada, que foram utilizadas pela fiscalização na determinação do valor IPI lançado foi baseada em valores reais, fornecidos pela própria recorrente, e alíquota determinada em conformidade com o disposto na legislação vigente. II DO MÉRITO No mérito, a recorrente alegou que: a) não era contribuinte do IPI, porque desenvolvia atividade exclusivamente varejista e não era equipada a estabelecimento industrial nem a empresa encomendante; b) a pessoa jurídica VITI tinha idoneidade fiscal e capacidade operacional e fora constituída regularmente; c) o planejamento tributário realizado dentro dos limites da lei, ainda que com o único objetivo de reduzir a carga tributária, não afrontava o Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721335/201154 Acórdão n.º 3102002.092 S3C1T2 Fl. 104 9 disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN; d) não houve simulação nas operações por ela realizadas; e) no mercado brasileiro da indústria de higiene pessoal e perfumaria o planejamento fiscal já consagrado e aceito; f) a Medida Provisória que objetiva tributar a distribuidora interdependente não foi convalidada, logo não havia legislação que regulasse tal cobrança; g) as notas fiscais canceladas não foram excluídas da base de cálculo do IPI; h) houve mera presunção de que todas as operações de revenda eram de produtos monofásicos, sujeitos à alíquota de incidência única de 22%; i) não foi comprova do evidente intuito de fraude que justificasse o agravamento da multa; e j) inaplicabilidade da taxa Selic no cálculo do juros moratórios; l) a multa aplicada era confiscatória. Da falta de equiparação a estabelecimento industrial. A recorrente alegou que não havia incidência do IPI nas operações de venda realizadas no período da autuação, porque não era equiparada a estabelecimento industrial, uma vez que só revendia produto fabricado ou importado por terceiros. A alegação da recorrente procede em relação à revenda dos produtos nacionais fabricados por terceiros, no caso, pela empresa interdependente VITI. Essa questão já foi analisada no tópico anterior atinente às preliminares e ficou demonstrado que, neste caso, não existe previsão legal que ampare a equiparação da recorrente a estabelecimento industrial. Por outro lado, em relação à revenda dos produtos importados, há provas cabais nos autos que demonstram que a recorrente realizou importações por conta e ordem, por intermédio das importadoras Socinter Sul e Vila Porto, o que lhe equipara a estabelecimento industrial, nos termos do inciso IX do art. 9º do RIPI/2002. Das alegações sobre matérias estranhas aos autos. Deixase de apreciar as alegações da recorrente sobre a não realização de industrialização por encomenda, planejamento tributário, simulação, não convalidação da Medida Provisória que objetiva tributar a distribuidora interdependente e falta de capacidade operacional e de inidoneidade da pessoa jurídica VITI, por se tratar matérias estranhas ao objeto da autuação em questão. Das notas fiscais canceladas. Alegou a recorrente que a fiscalização deixou de excluir as notas fiscais canceladas, apesar da expressa menção na lei fiscal de que tais valores deveriam reduzir a base de cálculo do IPI. Não previsão na legislação do IPI, que autorize o contribuinte a excluir o valor das notas fiscais canceladas da base de cálculo do imposto. De fato, no caso de cancelamento da nota fiscal, o que há é previsão para o contribuinte creditarse do valor do imposto já escriturado, porém tal procedimento (i) deverá ser adotado antes da saída da mercadoria do estabelecimento e (ii) o contribuinte ainda deverá, ao registrar o crédito, anotar o motivo do mesmo na coluna "Observações" do livro Registro de Apuração do IPI, conforme determina o art. 178 do RIPI/2002, a seguir transcrito: Art. 178. É ainda admitido ao contribuinte creditarse: I do valor do imposto, já escriturado, no caso de cancelamento da respectiva nota fiscal, antes da saída da mercadoria; e Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 10 II do valor da diferença do imposto em virtude de redução de alíquota, nos casos em que tenha havido lançamento antecipado previsto no art. 128. Parágrafo único. Nas hipóteses previstas neste artigo, o contribuinte deverá, ao registrar o crédito, anotar o motivo do mesmo na coluna "Observações" do livro Registro de Apuração do IPI. (grifos não originais) No caso em tela, como a recorrente não comprovou que cumprira tais requisitos, consequentemente, não há qualquer reparo a ser feito no procedimento da fiscalização em apreço. Da multa agravada. Alegou a recorrente que era inaplicável o agravamento da multa pela fiscalização, haja vista que não ficou comprovado o dolo e o evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio. Por sua vez, a fiscalização asseverou “a existência das duas empresas, VITI e TB Perfumes, traduzem, em tese, um esquema para que se obtenha a produção e venda de artigos de perfumaria sem o devido recolhimento dos tributos e contribuições: IPI, PIS, COFINS”, o que justificava a aplicação da multa agravada de 150%, fixada no art. 80, caput e § 6º, II, da Lei nº 4.502, de 1964, a seguir transcrito: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 6o O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007)(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) [...] II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) [...]. (grifos não originais) O fato relatado pela fiscalização, a meu ver, não se enquadra nas circunstâncias agravantes previstas nos referidos arts. 71, 72 e 731, que tratam, respectivamente, de sonegação, fraude e conluio. 1 "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721335/201154 Acórdão n.º 3102002.092 S3C1T2 Fl. 105 11 De fato, a existência de empresa interdependente, por si só, não é suficiente para configurar esquema de sonegação fiscal ou fraude alegado pela fiscalização, uma vez que a criação de empresa interdependente tem respaldo na legislação. Inclusive, para evitar redução indevida de tributo, a operação de remessa de produtos fica sujeita ao regime de valor tributável mínimo, mediante a fixação de limite mínimo do preço de venda no mercado atacadista da praça do remetente, nos termos do art. 136, I, do RIPI/2002, a seguir transcrito: Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 5ª); [...]. (grifos não originais) A aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150% somente se justifica nas situações em que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio do autuado. No presente caso, o que restou descrito e comprovado nos autos foi a falta de destaque do IPI nos documentos fiscais de venda, nas operações de revenda dos produtos importados por conta e ordem da recorrente, fato que se amolda a hipótese da infração descrita no caput do citado art. 80, o que impõe a redução da multa agravada aplicada ao percentual normal de 75%. Da inaplicabilidade da taxa Selic. No que tange a alegação de inaplicabilidade da taxa Selic, como índice de correção dos créditos tributários federais, a matéria já foi analisada exaustivamente no âmbito deste Conselho e do Poder Judiciário, tendo se firmado entendimento de que era legal e constitucional a cobrança de tal gravame com base na variação da taxa Selic. Tratase de matéria superada há bastante tempo na jurisprudência deste Conselho. Entretanto, não é demais repetir que a cobrança dos juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, está em perfeita consonância com o disposto no § 1º do art. 161 do CTN, que estabelece o seguinte, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 12 [...]. (grifos não originais) Assim, em conformidade com o transcrito preceito legal, o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabeleceu o seguinte regramento, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação ao assunto, cabe esclarecer que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se pronunciou a respeito, reconhecendo a constitucionalidade da cobrança do referido gravame, conforme exposto na enunciado da ementa do Acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 803.707/PR (Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 14.08.2006), a seguir reproduzida: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. BASE DE CÁLCULO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ART. 161, § 1º, DO CTN. 1. Constitui a base de cálculo da multa de mora prevista no art. 61 da Lei n. 9.430/1996 o valor principal da dívida atualizado pela taxa Selic. 2. É lícita, por força do comando contido na Lei n. 9.065/1995, a aplicação da taxa Selic nos casos em que há parcelamento do débito tributário ou em que há quitação total, mas com atraso. Precedentes. 3. Nas ações que tenham por fim a repetição de pagamentos indevidos efetuados antes de 1º.1.96 e cujo trânsito em julgado ainda não tenha ocorrido, incide, na atualização do indébito, a partir dessa data, exclusivamente, a taxa Selic. Desde aquela data, não tem mais aplicação o mandamento inscrito no art. 167, parágrafo único, do CTN, o qual, diante da incompatibilidade com o disposto no art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95, restou derrogado. 4. Recurso especial improvido. No mesmo sentido, firmouse a jurisprudência deste Conselho, nos termos do enunciado da Súmula Carf nº 4, a seguir transcrito: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 19515.721335/201154 Acórdão n.º 3102002.092 S3C1T2 Fl. 106 13 Logo, resta demonstrado que o cálculo dos juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, tem amparo legal e constitucional. Ademais, por se tratar de matéria sumulada por este Conselho, tal entendimento é de obrigatório observância por seus conselheiros, sob pena da sanção prevista no inciso VI do art. 452 Regimento Interno deste Conselho. Do efeito confiscatório da multa aplicada. A recorrente alegou que a multa de ofício agravada cobrada ultrapassava o valor do tributo devido, o que caracterizava verdadeiro confisco e afrontava a regra constitucional que veda a utilização de tributo com efeito confiscatório, bem os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, isonomia e da capacidade contributiva. A análise dessa alegação, necessariamente, implica adentrar no âmbito de questão sobre a constitucionalidade do art. 80, caput e § 6º, II, da Lei nº 4.502, de 1964, norma legal que se encontra plenamente vigente e eficaz. Porém, como de sabença, à instância administrativa de julgamento é vedado apreciar a legalidade e/ou constitucionalidade de norma legal vigente, conforme expressamente determinado no art. 26A3 do Decreto nº 70.235, 06 de março de 1972 (PAF), com redação dada Lei nº 11.941, de 2008. Tal atribuição é reservada, com exclusividade, ao Poder Judiciário. No âmbito deste Conselho, tal vedação encontrase determinada no art. 624 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de 2 "Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: [...] VI deixar de observar, reiteradamente, enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF expedidas, respectivamente na forma dos arts. 73 e 77 72 e 76, bem como o disposto no art. 62; [...]" 3 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" 4 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 14 junho de 2009, e consolidada na sua jurisprudência, conforme disposto no enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por essas razões, por falta de competência, deixase de apreciar o alegada inconstitucionalidade por efeito confistório da multa aplicada. III DA CONCLUSÃO Com base no exposto, votase pelo PARCIAL PROVIMENTO do recurso, para: a) excluir a responsabilidade tributária da recorrente pelo valor do IPI calculado sobre as vendas dos produtos (perfumes e outros produtos de toucador e higiene) adquiridos da empresa industrial interdependente VITI Indústria e Comércio de Cosméticos, Perfumes e Presentes Ltda., em face da ausência de equiparação a estabelecimento industrial, por falta de previsão legal; b) reduzir a multa agravada de 150% para 75%, por falta de comprovação nos autos de ação ou omissão dolosa da autuada, com evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993". Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 10314.720382/2011-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONDIÇÕES. REGULARIDADE FISCAL. REVISÃO ADUANEIRA.
A apuração da regularidade fiscal constitui requisito à fruição de benefícios fiscais como a redução do imposto de importação proporcionada pelo regime automotivo, e pode ser fiscalizada em ato de revisão aduaneira, incumbindo ao beneficiário a guarda dos documentos correspondentes.
DOCUMENTOS. SISTEMAS DA ADMINISTRAÇÃO. AÇÃO DE OFÍCIO.
A partir do art. 37 da Lei no 9.784/1999, quando suscitado pelo interessado, incumbe à RFB prover de ofício dados registrados em sistemas da própria RFB, ou de outros órgãos da Administração.
SUSPENSÃO. IPI-IMPORTAÇÃO. REGIME AUTOMOTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. AUSÊNCIA.
A suspensão do IPI-Importação no chamado Regime Automotivo (Leis no no 9.826/1999 e no 10.182/2001) não constitui um benefício ou incentivo fiscal, restando inaplicável, salvo disposição legal específica, a exigência de regularidade fiscal.
Numero da decisão: 3403-002.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência em relação ao IPI-importação e em relação à parcela das contribuições dele decorrente.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONDIÇÕES. REGULARIDADE FISCAL. REVISÃO ADUANEIRA. A apuração da regularidade fiscal constitui requisito à fruição de benefícios fiscais como a redução do imposto de importação proporcionada pelo regime automotivo, e pode ser fiscalizada em ato de revisão aduaneira, incumbindo ao beneficiário a guarda dos documentos correspondentes. DOCUMENTOS. SISTEMAS DA ADMINISTRAÇÃO. AÇÃO DE OFÍCIO. A partir do art. 37 da Lei no 9.784/1999, quando suscitado pelo interessado, incumbe à RFB prover de ofício dados registrados em sistemas da própria RFB, ou de outros órgãos da Administração. SUSPENSÃO. IPI-IMPORTAÇÃO. REGIME AUTOMOTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. AUSÊNCIA. A suspensão do IPI-Importação no chamado Regime Automotivo (Leis no no 9.826/1999 e no 10.182/2001) não constitui um benefício ou incentivo fiscal, restando inaplicável, salvo disposição legal específica, a exigência de regularidade fiscal.
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REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONDIÇÕES. REGULARIDADE FISCAL. REVISÃO ADUANEIRA. A apuração da regularidade fiscal constitui requisito à fruição de benefícios fiscais como a redução do imposto de importação proporcionada pelo “regime automotivo”, e pode ser fiscalizada em ato de revisão aduaneira, incumbindo ao beneficiário a guarda dos documentos correspondentes. DOCUMENTOS. SISTEMAS DA ADMINISTRAÇÃO. AÇÃO DE OFÍCIO. A partir do art. 37 da Lei no 9.784/1999, quando suscitado pelo interessado, incumbe à RFB prover de ofício dados registrados em sistemas da própria RFB, ou de outros órgãos da Administração. SUSPENSÃO. IPIIMPORTAÇÃO. REGIME AUTOMOTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. AUSÊNCIA. A suspensão do IPIImportação no chamado “Regime Automotivo” (Leis no no 9.826/1999 e no 10.182/2001) não constitui um benefício ou incentivo fiscal, restando inaplicável, salvo disposição legal específica, a exigência de regularidade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência em relação ao IPIimportação e em relação à parcela das contribuições dele decorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 03 82 /2 01 1- 72 Fl. 7970DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 2 a 76691) cientificado à recorrente em 14/06/2011, exigindo imposto de importação, IPIimportação, Contribuição para o PIS/PASEPimportação e COFINSimportação, totalizando R$ 11.344.027,77 (já com multa de ofício e juros de mora). No Relatório Fiscal de fls. 7670 a 7687, anexo à autuação, narrase que: (a) a fiscalização teve por escopo verificar a regularidade da utilização de benefício fiscal veiculado pelas Leis no 10.182, de 12/02/2001, e no 9.826, de 23/08/1999 (regime automotivo), que implica redução do imposto de importação e suspensão do IPIimportação; (b) a fruição da redução do imposto de importação está condicionada a habilitação específica, mediante comprovações de regularidade fiscal, entre outros (cf. art. 6o, I da Lei no 10.182/2001); (c) os benefícios do regime automotivo estão condicionados à comprovação (durante todo o período de gozo) de quitação de tributos e contribuições federais (cf. art. 60 da Lei no 9.069/1995, art. 27 da Lei no 8.036/1990 FGTS, art. 47 da Lei no 8.212/1991 CND), (d) o contribuinte está dispensado de apresentar certidão em relação a tributos administrados pela RFB, mas deve apresentar as certidões em relação a tributos sob administração de outros órgãos (FGTS, com certidão emitida pela CEF; e contribuição previdenciária, antes da vigência da Lei no 11.457/2007, pelo INSS); (e) a falta de recolhimento do imposto de importação e do IPI importação tem reflexo no valor da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINS importação, estas últimas por força do disposto na Lei no 10.865, de 30/04/2004; (f) em pesquisa fiscal, detectouse que a empresa não fazia jus ao benefício no momento do registro e do desembaraço das importações autuadas, no período de 07/2006 a 12/2010; (g) intimado (e reintimado) a apresentar as certidões negativas para os períodos fiscalizados, a empresa não logrou trazêlas ao processo; (h) a partir dos sítios web da RFB e da CEF, foram localizadas certidões previdenciárias e de FGTS para alguns períodos, excluídos da autuação quando ambas as regularidades fiscais restaram comprovadas; (i) chegouse assim à lista de declarações de importação de fls. 7683/7684, registradas quando a empresa se encontrava ao desamparo de comprovação de regularidade fiscal. Em sua impugnação (fls. 7781 a 7800), a empresa alega que: (a) a autuação foi efetuada com base em presunção de irregularidade no cumprimento de obrigações fiscais, em virtude da ausência de certidões negativas; (b) inexistiu descumprimento de obrigações fiscais pela empresa no período citado, tanto que não há ajuizamento de cobrança ou execução; (c) requerse a comprovação de regularidade por perícia contábil; (d) o simples fato de a 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 7971DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10314.720382/201172 Acórdão n.º 3403002.716 S3C4T3 Fl. 7.970 3 empresa não deter ou mesmo não ter solicitado as certidões, até por que não demandadas pelo fisco, não pode ensejar a presunção de não recolhimento; (e) as certidões foram apresentadas por ocasião da concessão do benefício fiscal em questão (na mesma impugnação, fls. 7794, a empresa afirma que as certidões “nunca haviam sido exigidas pelo fisco, nem mesmo por ocasião do registro das declarações de importação ou do desembaraço aduaneiro”); (f) inexiste nos autos uma única prova de irregularidade fiscal da empresa; (g) a exigência de certidões poderia ser efetuada no registro da declaração de importação ou no desembaraço aduaneiro, mas jamais em ato de revisão aduaneira, pois se está exigindo a produção de prova impossível, pois não se pode obter certidão negativa com data retroativa; (h) a empresa apresentou, no ato da revisão aduaneira, prova da inexistência de débitos fiscais em aberto. O órgão julgador de piso baixa então o processo em diligência, para que o próprio fisco solicitasse a apuração de regularidade da situação fiscal junto aos órgãos competentes, em atendimento ao disposto no art. 37 da Lei no 9.784/1999 (fls. 7869 a 7877). Oficiada a CEF, a resposta veio no sentido da impossibilidade de emissão de certidão retroativa, mas com endosso de relação de períodos de regularidade, ressalvando o período de 27/08/2009 a 15/10/2009 (fls. 7882/7883). Sobre a regularidade previdenciária, o Relatório de Diligência (fls. 7884/7885) atesta que a unidade responsável informou que os débitos existentes (decorrentes de divergências, antecediam em 5 anos a data constante da solicitação). Seguese o julgamento de primeira instância, em 24/04/3013 (fls. 7907 a 7921), no qual se mantém a autuação exclusivamente em relação às declarações de importação registradas de 27/08/2009 a 15/10/2009, período ressalvado pela resposta da CEF, indicandose que descabe a exigência de documentos ao sujeito passivo se estes estão disponíveis em outros órgãos da Administração, por força do art. 37 da Lei no 9.784/1999. Em função do valor exonerado (R$ 9.211.886,11), recorrese de ofício a este CARF. Cientificada do julgamento de piso em 28/05/2013 (por decurso de prazo após disponibilização no portal eCAC, cf. fl. 7933), a empresa apresenta recurso voluntário em 10/06/2013 (fls. 7934 a 7951), reiterando a argumentação exposta na impugnação e, em relação ao período de 27/08/2009 a 15/10/2009, sustentando que não estava irregular em relação ao FGTS, tendo efetuado os recolhimentos referentes às competências 08/2009, 09/2009 e 30/2009 (guias anexas às fls. 7964 a 7968). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Do recurso de ofício Como as certidões de regularidade fiscal exigidas pelo fisco são em relação a eventuais débitos da empresa com outros órgãos da Administração, entendeu a DRJ aplicável o art. 37 da Lei no 9.784/1999: Fl. 7972DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 “Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias.” Assim, converteu em diligência o processo para que a unidade local verificasse a regularidade da empresa junto aos órgãos competentes, para os períodos mencionados. Após a verificação, restou não comprovada dívida em relação a contribuições previdenciárias (cabe registrar que somente havia uma declaração de importação no período DI no 07/04464408 com pendência de apresentação do documento referente a tais contribuições). Em relação ao FGTS, a RFB indagou sobre a regularidade para os seguintes períodos: 16/07 a 08/11/2006; 12/01 a 14/02/2007; 03/06 a 24/06/2007; 25/07/2007 a 10/01/2008; 01/11 a 17/11/2008; 04/04 a 08/04/2009; 17/06 a 19/10/2009; 03/01 a 19/01/2010; e 23/06 a 11/07/2010. Na resposta, a CEF informa a regularidade para os períodos sublinhados, afirmando que a empresa encontravase em situação regular nos períodos, “exceção registrada ente o período 27/08/2009 a 15/10/2009”. Atestada a regularidade fiscal pelos órgãos competentes, para todos os períodos, exceto 27/08/2009 a 15/10/2009, a DRJ manteve a autuação somente em relação a tal período. Entender que tal decisão merece reforma seria afirmar que a empresa efetivamente teria descumprido requisitos para fruição da redução do imposto de importação e da suspensão do IPIimportação, por não apresentar as certidões de regularidade, mesmo estando com situação fiscal regular, o que não nos parece consoante a legislação de regência. Seria o mesmo que atribuir a um extravio de documento (v.g. um DARF) pelo interessado o efeito da não existência do documento, à margem da possibilidade de sua checagem pela própria Administração (v.g. registro do pagamento em sistema informatizado). Razão assiste, assim, à decisão de piso, na parte cancelada da autuação, não merecendo prosperar o recurso de ofício. Da (ir)regularidade FGTS Em relação ao período de 27/08/2009 a 15/10/2009, no qual o órgão oficiado (CEF) informou expressamente que a regularidade atestada ficava excepcionada, destacou a decisão de piso que foram registradas cinco declarações de importação: DI no 09/11697653 (02/09/2009); DI no 09/11797851 (03/09/2009); DI no 09/13577302 (06/10/2009); DI no 09/13593979 (06/10/2009); e DI no 09/13686179 (07/10/2009). De fato, o que se vê é a indicação, obtida junto ao sistema informatizado para controle do FGTS, de que a empresa não estava regular no período. E os pagamentos apresentados em sede de recurso voluntários comprovam tão somente a existência de pagamentos, não a quitação de débitos. Por mais que houvesse (ou não) sido comprovada a regularidade no momento da apresentação dos documentos instrutivos da declaração de importação (a recorrente expressamente afirmou que a fiscalização jamais solicitou os documentos nas importações), Fl. 7973DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10314.720382/201172 Acórdão n.º 3403002.716 S3C4T3 Fl. 7.971 5 cabe destacar que a fiscalização invoca o art. 121 do Regulamento Aduaneiro (Decreto no 6.759/2009): “Art. 121. O reconhecimento da isenção ou da redução do imposto será efetivado, em cada caso, pela autoridade aduaneira, com base em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou em contrato para sua concessão (Lei no 5.172, de 1966, art. 179, caput). §1o O reconhecimento referido no caput não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiário não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do benefício, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora (Lei no 5.172, de 1966, arts. 155, caput, e 179, § 2o): I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; ou II sem imposição de penalidade nos demais casos.” (...)” (grifo nosso) Ou seja, a comprovação da regularidade fiscal se dava, caso a caso, com a apresentação da respectiva certidão (no caso de INSS ou FGTS) ou com consulta ao sistema (tributos administrados pela RFB, inclusive contribuição previdenciária, a partir da 11.457/2007). E isso deveria ocorrer quando da apresentação dos documentos instrutivos da declaração de importação, para fins de desembaraço aduaneiro, sem prejuízo da posterior verificação de que “o beneficiário não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do benefício”. No presente processo, não se discute nenhum desvio de finalidade das peças automotivas, nem se afirma que as declarações de importação deixaram de ser desembaraçadas. Tampouco se acusa expressamente a recorrente de ser devedora nos períodos mencionados. O que o fisco faz é tão somente autuar a interessada por esta não ter apresentado a documentação que comprovaria a regularidade fiscal nos períodos mencionados na autuação. Inegável que a empresa tinha o dever de conservar a documentação, conforme apregoam os arts. 70 e 71 da Lei no 10.833/2003 (no art. 70, I, “b” da Lei dispõese inclusive que a não conservação/apresentação dos documentos implica “o nãoreconhecimento de tratamento mais benéfico de natureza tarifária, tributária ou aduaneira eventualmente concedido, com efeito retroativos à data do fato gerador, caso não sejam apresentadas provas do regular cumprimento das condições previstas na legislação específica para obtêlo”). Como aparentemente não se conservou a documentação (em verdade, afirma se no recurso que várias das certidões sequer foram emitidas, pois não foram solicitadas, à época do desembaraço, pelo fisco), havia ainda a possibilidade de atestarse a regularidade por outros meios. Fl. 7974DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 E foi isso que demandou a DRJ, obtendose como resposta que a empresa não tinha regularidade em relação ao FGTS, no período de 27/08/2009 a 15/10/2009. Assim, se há algum órgão junto ao qual a empresa deveria discutir se os pagamentos que agora apresenta são suficientes para quitação dos débitos, esse órgãos não é a RFB, mas o Ministério do Trabalho e Emprego, competente para apuração do montante devido a título de FGTS. O ofício que atesta a falta de regularidade em relação ao FGTS é datado de 28/09/2012 (fls. 7882/7883), e já parece ter transcorrido tempo suficiente para que a empresa buscasse o órgão competente para sanar a irregularidade (ou o erro de sistema), juntando aos presentes autos prova de que tenha levado a cabo tal tarefa. Por óbvio, o presente processo não comporta tal discussão, incumbindo concluirse que não resta afastada a comunicação oficial que atesta irregularidade fiscal em relação ao FGTS, cabendo a exigência do imposto de importação em relação às cinco declarações de importação referidas ao início deste tópico. Da suspensão do IPIimportação Além do imposto de importação (e das contribuições com base de cálculo por ele afetadas), a presente autuação exige ainda o IPIimportação, com base no art. 5o, § 1o da Lei no 9.826, de 23/08/1999. “Art. 5o Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) § 1o Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças, referidos no caput, de origem estrangeira, serão desembaraçados com suspensão do IPI quando importados diretamente por estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei no 10.485, de 3.7.2002) § 2o A suspensão de que trata este artigo é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente: (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) I na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados; (Inciso incluído pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos códigos 8704.10.00, 8704.2 e 8704.3, da TIPI. (Inciso incluído pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002)” (grifo nosso) Cita ainda o Regulamento do IPI (art. 41) que afirma que “quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse”. Até aí, nenhum descumprimento de condição, visto que o fisco não atesta ter havido destinação diversa da prevista em lei para as mercadorias. Fl. 7975DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10314.720382/201172 Acórdão n.º 3403002.716 S3C4T3 Fl. 7.972 7 Contudo, a autuação aponta que constituem ainda requisitos para a suspensão as exigências do art. 60 da Lei no 9.069/1995, do art. 27 da Lei no 8.036/1990 FGTS, e do art. 47 da Lei no 8.212/1991 CND previdenciária. O art. 60 da Lei no 9.069/1995, o art. 27 da Lei no 8.036/1990 e o art. 47 da Lei no 8.212/1991 exigem a comprovação da regularidade, respectivamente, para “concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal”, “obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios”, “recebimento de benefícios ou incentivo fiscal ou creditício”. O fisco não argumenta, no entanto, por que seria a suspensão um benefício fiscal, limitandose a afirmar que “os benefícios do ‘Regime Automotivo’ em análise consistem na suspensão do IPI e na redução do II durante uma importação” (fl. 7679). Recordese que o artigo 121 do Regulamento Aduaneiro, invocado na revisão, referese a “isenção ou redução” do imposto de importação. Fossem as suspensões benefícios fiscais, cabível seria a exigência de certidões de regularidade fiscal para todos os regimes aduaneiros especiais (nos quais há, em regra, suspensão do imposto de importação e do IPIimportação, entre outros). Mas a própria Receita Federal já se encarregou de, normativamente, atestar que os regimes aduaneiros especiais não constituem benefícios fiscais, por meio do Ato Declaratório Normativo COSIT no 22, de 16/09/1997: “COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa SRF No 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o que dispõe o art. 60 da Lei No 9.069, de 29 de junho de 1995, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que a concessão e aplicação dos regimes aduaneiros especiais não está condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, por não se tratar de incentivo ou benefício fiscal.” Apesar de não ser o “Regime Automotivo” um regime aduaneiro especial, é inconcebível e incoerente que a suspensão de IPIimportação seja um benefício fiscal aqui, e acolá não o seja. Devendo a fiscalização alinharse ao entendimento normativo da instituição, não poderia a autuação exigir IPIimportação em função de descumprimento de requisito afeto somente a benefícios ou incentivos fiscais. Reiterese, derradeiramente, que os requisitos para fruição da suspensão (destinação dos bens) sequer são questionados pelo autuante. Deve assim ser afastada a exigência em relação ao IPIimportação, removendose ainda seu reflexo em relação às contribuições (tendo em vista que o IPI compõe a base de cálculo do ICMS, que, por sua vez, integrava a base de cálculo das contribuições, à época ao menos enquanto não restar transitado em julgado o RE no 559.937). Fl. 7976DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a exigência em relação ao IPI importação e em relação à parcela das contribuições dele decorrente. Rosaldo Trevisan Fl. 7977DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10680.912638/2009-83
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011)
Numero da decisão: 1803-002.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1456; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 123 1 122 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.912638/200983 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.051 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de fevereiro de 2014 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO Recorrente MILPLAN ENGENHARIA, CONSTRUÇÕES E MONTAGENS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 26 38 /2 00 9- 83 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.912638/200983 Acórdão n.º 1803002.051 S1TE03 Fl. 124 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.912638/200983 Acórdão n.º 1803002.051 S1TE03 Fl. 125 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 91): DO DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 831223035, emitido eletronicamente em 09 abr09 (fls. 13), referente ao PER/DCOMP nº 30847.97171.290805.1.3.046989 (fls. não anexada). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a IRPJ Pagamento Indevido ou a Maior, recolhido em 29out04, e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30abr09, conforme documento de fl. 88, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1/2, em 22 mai09, alegando que, no mês de 12/2004, a empresa efetuou uma compensação no valor de R$ 630,40, objeto deste despacho, tendo como origem da compensação o crédito deste mesmo valor referente a um DARF pago a maior em setembro deste mesmo ano, no valor de R$ 142.713,70. Posteriormente, verificou que a DCTF de Setembro/2003 ficou errada, pois foi consignado erroneamente o valor de R$ 142.713,70 como IRPJ devido nesse, quando o correto seria o valor de R$ 142.083,30. Desta forma a empresa poderia compensar posteriormente o valor de R$ 630,40. Como prova, apresenta a DIPJ. Diante disso, requer a revisão do despacho, uma vez que não pode mais retificar a DCTF. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 90): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR ESTIMATIVA MENSAL De acordo com a norma vigente, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.912638/200983 Acórdão n.º 1803002.051 S1TE03 Fl. 126 4 Contribuição Social a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 16/11/2011 (fls. 97 numeração digital ND), a tempo, em 16/12/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 99 a 108 ND, acompanhado dos documentos de fls. 109 a 119 – ND, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que vale registrar a ausência de dispositivo legal que autorize a atualização monetária do saldo credor/contribuinte, pois, aguardando a Recorrente viesse a compensar este valor tão somente ao final do período, por certo prejuízos financeiros adviriam, o que se mostra desigual frente aos valores que deve o contribuinte recolher aos cofres federais, nos eventuais atrasos de recolhimento; b) que o encontro de contas entre o fisco e o contribuinte é medida de justiça fiscal; c) que a Lei nº 10.637/02 (que deu nova redação ao art. 74 da Lei 9.430/96) possibilitou a compensação de créditos, passíveis de restituição ou ressarcimento, com quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, independentemente de requerimento do contribuinte; d) que a IN 900/2008 bem disciplinou a matéria, sem obstáculos ao contribuinte; e) que a imputação ora reclamada – no mínimo – espelha diretrizes de justiça fiscal, cabendo aos cofres federais tão somente aqueles valores que lhes são de direito; f) que, nesse sentido, temse por absolutamente legal a compensação realizada ou o pedido de imputação; e g) que qualquer tentativa de indeferimento à compensação dos valores já declarados ao fisco, ou qualquer obstáculo à imputação reclamada, importará absurdo enriquecimento ilícito da Administração Tributária. Em mesa para julgamento. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.912638/200983 Acórdão n.º 1803002.051 S1TE03 Fl. 127 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A decisão recorrida não homologou a compensação declarada mediante Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 5. Observo, contudo, a superveniência do entendimento contido na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. 6. Esse entendimento, porém, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa, não abrangendo a mera mudança de opção (com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços ou balancetes de suspensão ou redução). 7. Claro está, também, que o sujeito passivo, quando do encerramento do ano calendário, deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. 8. Dessa forma, a homologação expressa exige que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10680.912638/200983 Acórdão n.º 1803002.051 S1TE03 Fl. 128 6 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 13807.006965/2004-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 10.276/2001. REGIME ALTERNATIVO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES (COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS). IMPOSSIBILIDADE.
A Lei nº 10.276/2001 instituiu regime alternativo de apuração do crédito presumido de IPI, com critérios diferentes daqueles previstos na Lei nº 9.363/96 - uma das diferenças reside em que a própria Lei passou a dispor que a composição da base de cálculo deve ser feita pelo somatório de custos sobre os quais tenham incidido as contribuições (art. 1º, § 1º) - razão pela qual não há como transportar o entendimento firmado em recurso repetitivo e sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010 e Súmula STJ 494) de que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins -, porquanto baseados na interpretação da Lei nº 9.363/96, sem levar em conta o texto da Lei nº 10.276/2001.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
Entende o Superior Tribunal de Justiça que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data na qual se concretizar o seu efetivo pagamento, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Trata-se de entendimento judicial uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010), de modo que tem de ser reproduzido no âmbito do CARF por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-002.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em, (a) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à atualização do ressarcimento pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido, em relação à parcela deferida pela DRF. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern; e (b) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto ao direito de incluir as aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido no regime alternativo. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Marcos Tranchesi Ortiz.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Esteve presente ao julgamento o Dr. Amador Outerelo, OAB/DF Nº 7.100.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 10.276/2001. REGIME ALTERNATIVO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES (COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS). IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 10.276/2001 instituiu regime alternativo de apuração do crédito presumido de IPI, com critérios diferentes daqueles previstos na Lei nº 9.363/96 uma das diferenças reside em que a própria Lei passou a dispor que a composição da base de cálculo deve ser feita pelo somatório de custos sobre os quais tenham incidido as contribuições (art. 1º, § 1º) razão pela qual não há como transportar o entendimento firmado em recurso repetitivo e sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010 e Súmula STJ 494) de que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins , porquanto baseados na interpretação da Lei nº 9.363/96, sem levar em conta o texto da Lei nº 10.276/2001. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Entende o Superior Tribunal de Justiça que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data na qual se concretizar o seu efetivo pagamento, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Tratase de entendimento judicial uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010), de modo que tem de ser reproduzido no âmbito do CARF por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 69 65 /2 00 4- 12 Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em, (a) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à atualização do ressarcimento pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido, em relação à parcela deferida pela DRF. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern; e (b) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto ao direito de incluir as aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido no regime alternativo. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Marcos Tranchesi Ortiz. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Esteve presente ao julgamento o Dr. Amador Outerelo, OAB/DF Nº 7.100. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento (fls. 1/7) correspondente a crédito presumido de IPI do 2º trimestre de 2013 (01/04 a 30/06/2013), com fundamento na Lei nº 10.276/2001. A Delegacia da Receita Federal de São Paulo/SP (DRF) deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento (fls. 852/864), resumindo seu entendimento na seguinte ementa: IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO Contribuinte faz jus a incentivo fiscal com o título de crédito presumido do IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, incidentes sobre matériasprimas, produto intermediário e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados ao exterior, instituído pelas Leis 9.363/96 e 10.276/2001. Entretanto, quando se tratar de compra de insumos não contemplados pela legislação regente do Crédito Presumido (não contribuintes – pessoas físicas e cooperativas – insumos importados, fretes), esses não geram direito ao crédito presumido – IN SRF 23/97 e 103/97. Em se tratando de produtos não tributáveis, sua exportação deve ser excluída do montante dos produtos exportados, para fins de cálculo de coeficiente a ser aplicado sobre a base de cálculo do crédito presumido – IN SRF 69/2001 e 315/2003, §1º, art. 21. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13807.006965/200412 Acórdão n.º 3403002.683 S3C4T3 Fl. 2.604 3 É incabível a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa SELIC por ausência de autorização legal. DIREITO CREDITÓRIO PARCIALMENTE RECONHECIDO. A DRF entendeu que a contribuinte teria direito ao crédito presumido de IPI em razão da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de mercadorias destinadas à exportação. Todavia, deveriam ser excluídos do cálculo do benefício pleiteado os valores referentes a insumos adquiridos de cooperativas de produtores e de pessoas físicas, pois neles não estão inclusos os custos representados pela contribuição de PIS/Cofins. Por esse motivo deveria ser aplicado o art. 2, §2º da IN SRF 23/97 combinado com o art. 2 da IN SRF 103/97. Instrução Normativa SRF nº 23, de 13 de março de 1997 Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. Instrução Normativa SRF Nº 103, de 30 de Dezembro de 1997 Art. 2° As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido. Outrossim, a Fiscalização identificou que além de outros produtos, a contribuinte produz e comercializa com o mercado externo “óleo destilado de soja (Tocopherol) e outros grãos de soja, mesmo triturados” (fl. 836), mercadorias que embora sejam exportadas, deveriam ser excluídas do cálculo do crédito presumido, uma vez que não são tributáveis segundo a tabela TIPI. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 1.486/1.544) sustentando, em síntese, que: a) pela leitura conjunta das Leis 9.363/96 e 10.276/2001 não é necessário que haja aquisição tributada dos insumos adquiridos no mercado interno para que seus valores de compra integrem o cálculo do crédito presumido, uma vez que no custo desses insumos estariam inclusos ônus tributários que teriam incidido “em cascata” sobre todas as etapas anteriores do processo produtivo. Por esse motivo não deveria ser excluída da base de cálculo do incentivo os insumos adquiridos de fornecedores de pessoas físicas e rurais; b) a legislação que institui o crédito presumido de IPI determina que somente empresas produtoras e exportadoras são beneficiárias, todavia, Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 não exclui as receitas de exportação de produtos NT da receita operacional bruta, que compõe a base de cálculo; c) a demora da Fiscalização em homologar o Pedido de Ressarcimento teria comprometido o auxílio financeiro que o crédito de IPI proporciona ao beneficiário, portanto, a aplicação da taxa SELIC ao valor que deve ser ressarcido seria medida que se impõe; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1421.127, de 22/10/2008 (fls. 1.612/1.628), negou provimento à manifestação de inconformidade, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre produtos industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. No cálculo do crédito presumido são glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas, nãocontribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido, a legislação tributária de regência não contempla a inclusão das exportações de produtos NT, no valor da Receita de Exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É incabível a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa SELIC, por ausência de autorização legal. Solicitação indeferida. A DRJ entendeu que (i) não restou provado se as cooperativas e pessoas físicas que fornecem insumos para a recorrente seriam contribuintes do PIS/Pasep ou da Cofins; que (ii) as mercadorias comercializadas pela recorrente classificadas como NT devem ser excluídas da base de cálculo do benefício, porque são condições indispensáveis para gerar direito ao crédito presumido que o produto exportado seja industrializado e tributado pelo IPI; e que (iii) estando a Fazenda Nacional na posse de quantia recebida licitamente, não há analogia possível entre ressarcimento e repetição de indébito, sendo incabível a incidência da taxa Selic; O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1.632/1.714) reiterando os mesmos argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13807.006965/200412 Acórdão n.º 3403002.683 S3C4T3 Fl. 2.605 5 Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 12/12/2008, dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 01/12/2008. Por ser tempestivo e por conter fundamentos de reforma do acórdão da DRJ, conheço do recurso. Divido o enfrentamento do recurso em dois temas: a) O crédito na aquisição de não contribuintes. A Lei nº 10.276/2001 instituiu regime alternativo de apuração do crédito presumido de IPI, com critérios diferentes daqueles previstos na Lei nº 9.363/96. Uma das diferenças reside em que a própria Lei passou a dispor que a composição da base de cálculo deve ser feita pelo somatório de custos sobre os quais tenham incidido as contribuições (art. 1º, § 1º). Sabese que o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, em recurso repetitivo e depois em súmula (REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010 e Súmula STJ 494) de que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins. Ocorre que o referido entendimento baseouse na interpretação do texto da Lei nº 9.363/96. Não levou em conta o texto da Lei nº 10.276/2001. Em especial, não levou em conta o texto do parágrafo 1º do art. 1º da Lei nº 10.276/2001 que, a meu ver, introduziu textualmente este novo critério, qual seja, de que a base de cálculo para a apuração do crédito apenas é formada por custos que tenham sofrido a oneração das contribuições. Na Lei nº 9.636/96, a definição da base de cálculo é feita nos termos do art. 2º, o qual dispõe que “A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador” (grifo editado). Na Lei nº 10.276/2001, a base de cálculo é estabelecida da seguinte forma (art. 1º, § 1º): § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. Entendo, por isso, que sob o regime da Lei nº 10.276/2001 não há direito ao crédito presumido em relação ‘a aquisição de nãocontribuintes. b) A atualização pela Taxa Selic A atualização, no caso dos pedido de ressarcimento, tem como causa a demora do Fisco no reconhecimento e efetiva satisfação do direito pleiteado pelo contribuinte. Apenas no momento em que o contribuinte toma conhecimento de que lhe não houve a atualização do seu direito de crédito, ou que tenha sido recusado o direito à atualização, é que pode, então, insurgirse para assegurar o direito de que o crédito seja atualizado. Não se pode falar, portanto, na contagem de prazo prescricional contra o contribuinte em relação a momento anterior, pretendendo que o início deste prazo seja o mesmo do exercício do direito de crédito. Quanto ao mérito do direito de atualização, o Superior Tribunal de Justiça firmou em recurso repetitivo o seguinte entendimento: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13807.006965/200412 Acórdão n.º 3403002.683 S3C4T3 Fl. 2.606 7 Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) O mesmo entendimento foi reiterado pelo STJ em relação ao crédito presumido de IPI, também em recurso repetitivo, do qual se transcreve apenas o trecho pertinente da ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) No âmbito do IPI, portanto, a aplicação da correção pela taxa Selic em razão da demora causada pelo Fisco no ressarcimento do direito do contribuinte é matéria definida em recurso repetitivo, pelo STJ, o que exige a reprodução deste mesmo entendimento no âmbito do CARF, por força do art. 62A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que estabelece o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF A atualização pela Taxa Selic, como visto, apenas se aplica se houver mora, aplicandose em relação ao período decorrido entre o protocolo do pedido e o seu efetivo pagamento pelo Fisco, ou aproveitamento pelo contribuinte, por meio de compensação. c) Conclusão Pelas razões expostas, voto pelo provimento parcial do recurso, para reconhecer ao contribuinte o direito de atualização do crédito pela aplicação da taxa Selic em relação ao período compreendido entre a apresentação do pedido de ressarcimento e o efetivo pagamento ao contribuinte. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10730.009127/2007-88
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
Deduz-se do rendimento considerado omitido o valor honorários advocatícios desembolsados em face da ação judicial que propiciou o respectivo recebimento.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributada o valor de R$9.438,04 (nove mil, quatrocentos e trinta e oito reais e quatro centavos), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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Deduzse do rendimento considerado omitido o valor honorários advocatícios desembolsados em face da ação judicial que propiciou o respectivo recebimento. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributada o valor de R$9.438,04 (nove mil, quatrocentos e trinta e oito reais e quatro centavos), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 91 27 /2 00 7- 88 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório da Resolução nº 2202000.424, proferida pela 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção deste CARF, fls. 144 a 149, que reproduzo a seguir: “DERMEVAL ESQUETINO DE BARCELOS, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº (...), inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 67/69, prolatada pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 81/95. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 11/09/2007, a Notificação Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 03/05), com ciência através de AR, em 26/09/2007 (fl. 18), na qual houve redução do imposto de renda a restituir de R$12.199,72 para R$ 1.952,50, relativo ao exercício de 2005, correspondente ao anocalendário de 2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização em revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2005, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver a omissão de rendimento do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 38.637,15, recebidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. arts. 1° ao 3° e §§, e 8°, da Lei n.° 7.713 de 1988; arts. 1° ao 4°, da Lei n° 8.134, de 1990; arts. 1° e 15, da Lei n.° 10.451, de 2002; arts. 43 e 45 do Decreto n.° 3000, de 1999 (RIR/99). Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 22/10/2007, a sua peça impugnatória de fls.01/02, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que, com efeito, não houve omissão de rendimentos, pois, na verdade, o que ocorreu é que o Ilustre Auditorfiscal não deduziu do total dos rendimentos o valor de R$20.336,37, que foi pago a titulo de honorários advocatícios ao profissional que patrocinou a referida Reclamação Trabalhista, o qual é dedutível uma vez que se trata de despesas necessárias à ação judicial; que, não obstante, não foi observado que, do total do credito recebido através da Justiça do Trabalho, 23,8251% correspondem a verbas de natureza indenizatória que estão isentas de tributação. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro RJ, concluíram pela procedência [parcial] do lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, o interessado contesta o lançamento alegando que o valor considerado pela fiscalização como omissão de rendimentos consiste em honorários advocatícios referentes à Reclamação Trabalhista n° 883/01 (R$ 20.336,37) e em verbas indenizatórias, isenta de tributação; que, cumpre ressaltar que somente pode ser deduzido da base de calculo do imposto de renda o valor das despesas com ação judicial que tenha sido efetivamente suportadas pelo reclamante e desde que devidamente comprovadas pelo mesmo; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.009127/200788 Acórdão n.º 2802002.863 S2TE02 Fl. 151 3 que, a fim de comprovar os honorários pagos, o Contribuinte apresentou, inicialmente, os recibos de fls. 07 e 08. Nelas, os senhores José Guillherme Batista Pereira e Oswaldo Oliveira de Freitas afirmam ter recebido as quantias de R$6.778,79 e RS 13.557,58, respectivamente, a titulo de honorários advocatícios, sem especificar as ações em que atuaram; que, em relação ao senhor José Guilherme B. Pereira, a petição anexada à fl. 56 referese, a outro processo (processo n° 2005.001.1145843), que não corre na esfera trabalhista. Assim, considerando que o Contribuinte não logrou comprovar a atuação desse advogado na ação em comento, incabível a dedução dos honorários pagos do total recebido; que, também não é possível aceitar a dedução do valor pago ao senhor Oswaldo Oliveira de Freitas. Isto porque, para comprovar sua atuação, o Contribuinte limitouse a apresentar planilhas de fls. 50/53 com o carimbo desse advogado aposto, que não supre o requerido a ele na diligencia efetuada; [que a parcela isenta do imposto de renda corresponde ao FGTS no valor de R$16.272,48]; que, portanto, caberia ao contribuinte oferecer à tributação na Declaração de Ajuste o valor de R$ 51.807,76, relativo à Bradesco Vida e Previdência. Como o rendimento informado foi de R$ 29.150,75, cabe neste voto manter a omissão de rendimentos no valor de R$ 22.657,01, alterando o lançamento na forma do demonstrativo abaixo. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, em razão de ação judicial, poderá ser deduzido da base de cálculos do imposto de renda o valor das despesas com a ação judicial correspondente, que tenham sido suportadas pelo reclamante, incluindo os honorários advocatícios, desde que devidamente comprovadas, e proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos. Impugnação Procedente em Parte. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 17/02/2011, conforme Termo constante a fl.76, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (14/03/2011), o recurso voluntário de fls. 81/95, com instrução de documentos adicionais fls. 96/128, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, todas estas circunstancias são possíveis e se fundamentam no principio da verdade material, pois o que se busca, durante todo o processo administrativo, é a verdade real dos fatos em contenda, e isto pode acontecer em qualquer fase ou instancia processual; que, não obstante a formalidades advindas da tipicidade tributaria, o que se deve perquirir e a verdade real dos fatos uma vez que o principio da verdade material e Fl. 152DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 o fundamento basilar da imposição tributaria e tem o escopo de o contribuinte fazer prova de fato e de direito em razão de comprovar que os honorários, conforme se vem demonstrado foram pagos aos advogados; que, alega autoridade fiscal que o contribuinte apresentou e (volta a apresentar) os recibos de honorários, com Firmas Devidamente Reconhecidas dos Advogados, honorários estes pagos ao advogado José Guilherme Batista Pereira que afirma ter recebido o valor de R$6.778,79 e o advogado de nome Oswaldo Oliveira de Freitas que recebeu efetivamente a quantia de R$ 13.557,58; que, é bem verdade que a Secretaria da Receita Federal tem, nos dias de hoje, meios hábeis, apetrechos tecnológicos e eficiência de cruzamento de informações para apurar a veracidade dos fatos alegados pelos contribuintes de boafé. Não pode na incerteza a autoridade fiscal tributar o contribuinte, uma vez que o CTN veda a utilização do tributo como sanção.” O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 23 de janeiro de 2013, tendo 2ª Câmara, da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Seção proferido a Resolução nº 2802 000.424, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 144 a 149. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi novamente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. De acordo com a Notificação de Lançamento, fls. 5, a matéria tributada nos presentes autos se refere à “Omissão de Rendimentos do Trabalho com ou sem Vínculo Empregatício”, apurada a partir das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes dos sistemas de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A decisão de primeira instância acolheu parcialmente a impugnação apresentada para excluir da base de cálculo tributada a importância de R$16.272,48 considerada isenta do imposto de renda pessoa física. Conforme se depreende da impugnação apresentada e do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, resta em discussão neste julgamento somente a questão relacionada à possibilidade da dedução das despesas desembolsadas para pagamento dos honorários advocatícios em razão do processo judicial que ensejou o rendimento considerado omitido pelo lançamento fiscal. Com o intuito de demonstrar a improcedência das razões pelas quais a decisão de primeira instância deixou de acolher os recibos emitidos pelo advogado José Guilherme Batista Pereira, no valor de R$6.778,79, e pelo advogado Oswaldo Oliveira de Fl. 153DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.009127/200788 Acórdão n.º 2802002.863 S2TE02 Fl. 152 5 Freitas, no valor de R$ 13.557,58, fls. 7 e 8, o recorrente juntou cópia de algumas peças do processo judicial trabalhista, fls. 105 a 131 do processo digital. Nesse caso, forçoso concluir pela necessidade do exame desses novos elementos juntados aos autos pelo recorrente, extraídos do processo judicial nº 883/01, tendo em vista, inclusive, que prevalece no âmbito do contencioso administrativo a observância dos princípios da verdade material e da informalidade dos processos administrativos fiscais. Do exame desses elementos, constatase que o primeiro advogado citado como patrono da causa trabalhista foi quem firmou a petição inicial e demais requerimentos juntados aos autos do processo judicial, fls. 105 a 122 do processo digital. Já o segundo advogado, aparece como a pessoa que firmou as contestações juntados àqueles autos, conforme se vê das petições de fls. 123/124, bem como do substabelecimento de procuração 125. Por sua vez, as declarações que instruíram a impugnação apresentada pelo contribuinte, fls. 7 e 8, descrevem que os respectivos honorários advocatícios (totalizados em R$20.336,37) foram pagos pelo contribuinte no ano de 2004. Diante desse conjunto probatório, impõese a dedução da parcela de R$20.336,37, uma vez comprovado que o pagamento em referência possui relação com o recebimento do rendimento tributado pela Notificação de Lançamento, consoante autorização expressa no parágrafo único do art. 56, do Decreto nº 3.000, de 1999, RIR/1999. Por outro lado, conforme mencionado anteriormente, tendo em vista que uma parte do total dos rendimentos recebidos acumuladamente (no valor de R$16.272,48) foi considerada isenta do imposto de renda pela decisão de primeira instância, somente se considera para fins de dedução das despesas judiciais a parte diretamente proporcional aos rendimentos tributáveis. Isto porque, nos termos da legislação de regência, os honorários advocatícios são dedutíveis na proporção dos rendimentos tributáveis da ação, devendo esses honorários, pois, serem rateados entre os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e os rendimentos de tributação exclusiva na fonte. Nesse sentido, considerando que o rendimento tributado originalmente pela Notificação de Lançamento correspondeu a R$38.637,15 e considerando que o valor tributável, remanescente, após o cômputo da parcela isenta considerada pela decisão de primeira instância, corresponder a R$22.657,11, há que se considerar dedutível somente os honorários advocatícios no valor de R$ 9.438,04, equivalentes a 58% (cinquenta e oito por cento) do rendimento tributável remanescente. Portanto, resta tributável o valor de R$ 13.219,07 (R$22.657,11 menos R$9.438,04). Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributada o valor de R$9.438,04 (nove mil, quatrocentos e trinta e oito reais e quatro centavos). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 154DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10830.721437/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A prática reiterada de omissão de receitas da atividade, culminando com a não-declaração do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos conforme informações prestadas pela própria contribuinte à Fazenda Estadual e a órgão regulador da atividade (ANP) e corroboradas pela expressiva movimentação financeira e por informações de compras prestadas pelos adquirentes de seus produtos, caracteriza o evidente intuito de fraude, com intenção de impedir ou retardar o conhecimento dos fatos por parte da Fazenda Nacional, sujeitando a autuada à multa de ofício qualificada, de 150 % do crédito tributário apurado em ação fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR.
Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MANDATÁRIO. SÓCIOS ADMINISTRADORES.
São solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
Numero da decisão: 1402-001.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A prática reiterada de omissão de receitas da atividade, culminando com a nãodeclaração do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos conforme informações prestadas pela própria contribuinte à Fazenda Estadual e a órgão regulador da atividade (ANP) e corroboradas pela expressiva movimentação financeira e por informações de compras prestadas pelos adquirentes de seus produtos, caracteriza o evidente intuito de fraude, com intenção de impedir ou retardar o conhecimento dos fatos por parte da Fazenda Nacional, sujeitando a autuada à multa de ofício qualificada, de 150 % do crédito tributário apurado em ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MANDATÁRIO. SÓCIOS ADMINISTRADORES. São solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 14 37 /2 01 2- 11 Fl. 842DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 816 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 817 3 Relatório Shin Hasegawa, Tieko Fukuda Hasegawa (espólio) e Carlos Sussumu Hasegawa, arrolados como responsáveis solidários da empresa Petromarte – Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda recorrem a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ Campinas/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase dos Autos de Infração lavrados em 14/03/2012, abrangendo o ano calendário de 2007, e relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição para o PIS/Pasep, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, com lançamento no valor total de R$ 92.497.646,78, aí incluídos principal, multa de ofício aplicada no percentual de 150% e juros de mora calculados até 03/2012. ... As circunstâncias que ensejaram a autuação estão consubstanciadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 507/538, formalizado com indicação, na qualidade de contribuinte, da pessoa jurídica fiscalizada Petromarte Distribuidora de Derivados de Petróleo S/A. CNPJ nº 03.632.191/000100 e, na qualidade de sujeito passivo (responsáveis tributários) as pessoas físicas (1) Tieko Fukuda Hasegawa, CPF/MF nº 063.038.60800, (2) Shin Hasegawa CPF/MF nº 137.685.49887 e (3) Carlos Sussumu Hasegawa, CPF/MF nº 100.332.84822, e descrevendo o que segue: Tratase de ação fiscal levada a efeito na empresa PETROMARTE DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO LTDA., CNPJ 03.632.191/000100, doravante denominada fiscalizada. I A EMPRESA 1. A fiscalizada é sociedade por cotas de responsabilidade Ltda., e tem por atividade, o comércio atacadista de álcool carburante, gasolina e demais derivados de petróleo, exceto lubrificantes não realizados por transportador retalhista. 2. Seu quadro societário é formado pelo Sr. Shin Hasegawa, CPF 137.685.49887, com 50% das cotas e Sra. Tieko Fukuda Hasegawa, CPF 063.038.60800, com 50% das cotas remanescentes. 3. Possui como procurador principal, o Sr. Carlos Sussumo Hasegawa, CPF 100.332.84822, médico, filho dos sócios. 4. Apresentou a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), no ano calendário em questão, pela sistemática do Lucro Real Anual, com valores zerados para o anocalendário 2007. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 818 4 5. Também, apresentou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), também com valores zerados para o ano calendário 2007. 6. Declarou para Fisco do Estado de São Paulo um faturamento de R$ 372.377.319,15 para o anocalendário 2007. 7. Através de alterações efetuadas na JUCESP, em 10/04/2008 a fiscalizada foi transformada de LTDA para S/A e em 20/07/2011 seu domicilio fiscal foi alterado para o endereço: Av Antônio Fadim, 751, Cascata, Paulínia, SP. II A AÇÃO FISCAL 8. A ação fiscal iniciouse em 16/07/2010, através da afixação na repartição do Edital SEFIS n° 238/2010, para ciência do Termo de Constatação e Início de Fiscalização, tendo em vista o contribuinte se encontrar em lugar incerto e ignorado. 9. Com efeito, conforme o aludido Termo de Constatação e Início de Fiscalização, lavrado em 16/07/2010, quando do comparecimento ao domicílio fiscal do contribuinte, conforme cadastro na RFB, verificouse que no local estava instalada outra empresa, qual seja: Tercom Terminal de Armazenagem de Combustível Ltda, CNPJ 09.361.622/000110, portanto, não se logrou êxito em localizála. 10. Também, visando conceder aos sócios a ampla defesa, o referido Termo foi encaminhado ao sócio Sr. Shin Hasegawa, tendo sido recebido por AR em 22/07/2010, porém, o mesmo até a presente data não se manifestou, não outorgou mandato a um procurador, preferindo permanecer oculto durante toda auditoria. 11. O exame descrito neste Termo de Verificação Fiscal foi direcionado única e exclusivamente ao Imposto de Renda PJ e seus reflexos, no ano calendário 2007. 12. Em conformidade com o disposto no artigo 173, I combinado com o artigo 150 e parágrafo quarto, ambos do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66) procedemos ao lançamento de ofício, na forma do artigo 142 do mesmo diploma legal, relativo aos fatos apurados, por este Serviço de Fiscalização concernente exclusivamente ao anocalendário 2007. 13. Visando à correta apuração do Lucro Real, a fiscalizada foi intimada várias vezes a apresentar os Livros Diário e Razão, através dos seguintes Editais afixados na repartição: a) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/353/2010 DE 01/10/2010; b) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/457/2010 DE 01/12/2010; c) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/054/2011 DE 28/01/2011; d) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/139/2011 DE 29/03/2011; e) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/232/2011 DE 27/05/2011; f) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/305/2011 DE 25/07/2011; g) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/393/2011 DE 30/09/2011; h) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/485/2011 DE 12/12/2011; i) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/34/2012 DE 15/02/2012 Fl. 845DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 819 5 14. Até a presente data, a fiscalizada não apresentou os Livros Diário e o Razão, nem, tampouco, justificou a sua não apresentação, inviabilizando a apuração através do lucro Real, motivo pelo qual o Lucro será apurado através do arbitramento. 15. Após tomarmos conhecimento da alteração de endereço na JUCESP, em 20/07/2011, foi lavrado novo Termo e encaminhado ao novo domicílio fiscal da fiscalizada, para ciência via postal mediante ARAviso de Recebimento. 16. A referida correspondência foi devolvida pelos correios com a indicação "Mudouse". 17. Por oportuno, esclarecemos que em 10/11/2010, foi encaminhado o Ofício 10.535/SEFIS/DRFCPS à Agência Nacional de Petróleo ANP (Diretor Regional em São Paulo), entidade reguladora do setor de combustíveis no país, solicitando à mesma que enviasse a esta fiscalização informações referente à fiscalizada, a saber: a) Dados cadastrais; b) Volume de comercialização da empresa, especificando o produto (gasolina, óleo diesel, álcool), por litro e por mês, de janeiro de 2007 a dezembro de 2007. 18. Em 01/12/2010, a ANP, por meio do Oficio n° 2865/2010/SAB, respondeu o Ofício mencionado no item anterior, encaminhando os documentos requeridos. 19. Mediante o exame da documentação analisada, chegouse às seguintes constatações: III DOS FATOS CONSTATADOS III.I DA AÇÃO FISCAL EM FACE DA FISCALIZADA NOS ANOSCALENDÁRIO 2004/2005/2006 20. Inicialmente cumpre esclarecer que a fiscalizada foi objeto de autuação nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006 nas mesmas infrações objeto do presente lançamento, quais sejam, omissões de receita da atividade. 21. Numa prática sistematizada, a mesma vem fraudando o fisco, deixando de recolher os valores dos tributos devidos, conforme quadro sintético à fl. 511. 22. Portanto, analisandose o quadro anterior, verificase que a fiscalizada, num flagrante desprezo para com a Fazenda Pública, nem ao menos se deu trabalho de apresentar impugnação dos Autos de maior valor, estando na Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança. III.II – DOS DOCUMENTOS ENCAMINHADOS PELO FISCO ESTADUAL 23. Em outubro de 2007, a DEAT COMBUSTÍVEIS, Diretoria Executiva da Administração Tributária da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo, encaminhou cópias Fl. 846DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 820 6 reprográficas do procedimento administrativo de cassação da inscrição estadual da fiscalizada (cadastro de contribuintes no ICMS) por diversas irregularidades constatadas, conforme Despacho exarado em 09/03/2007. 24. Dos documentos acostados, foram encontrados os depoimentos prestados ao Fisco Estadual pelos sócios Shin Hasegawa, Tieko Hasegawa e pelo procurador, Sr. Carlos Hasegawa, confirmandose que administravam conjuntamente a fiscalizada, sendo o principal administrador, o procurador Sr. Carlos. 25. Também, o Fisco Estadual constatou diversas discrepâncias fiscais e contábeis, não apenas com o ICMS, mas, também, com as DIPJ apresentadas (2004, 2005 e 2006). 26. O Fisco Estadual constatou que a fiscalizada prestou várias informações falsas acerca da integralização do capital social, tendo declarado o montante de R$ 30.000.000,00 para a JUCESP. 27. A função principal do Capital Social de uma empresa é a garantia dos credores e, é evidente que, quanto maior for o capital social integralizado, maior é a proteção destes. 28. Em síntese, para formação do capital social, a fiscalizada prestou informações inverídicas em relação a uma suposta Reserva de Reavaliação no montante de R$ 28.900.000,00 não declarada nas DIPJs. 29. Os Laudos de Avaliação apresentados que embasariam a Reserva de Reavaliação foram efetuados em data posterior ao da Alteração Contratual em que constava a informação da Reserva. 30. Portanto, o Fisco Estadual constatou que era inverídico o Capital de R$ 30.000.000,00, situação que denota que a mesma prestou informações falsas quanto à sua capacidade financeira de satisfazer os eventuais interesses de credores (Fazenda Pública). III DOS DOCUMENTOS ENCAMINHADOS PELA ANP 31. Também, verificamos que a Agência Nacional de Petróleo ANP, através do Ofício 2329/2008/SAB de 01/10/2008, prestou vários esclarecimentos, dentre os quais, que a fiscalizada somente foi autorizada a operar no mercado de combustíveis, de 2002 a 01/07/2008, através de medidas judiciais (Mandado de Segurança). 32. Assim, numa prática delituosa, a mesma também fraudou Fisco Federal em 2007, causando grave lesão aos cofres públicos. IV DA IRREGULARIDADE CONSTATADA OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE 33. É mister relembrar que a fiscalizada DECLAROU para o Fisco Federal valores ZERADOS de tributos a pagar nas DCTFs e na DIPJ, incidindo em omissão de receitas da atividade, eis que declarou vultosos valores para o Fisco Estadual (ICMS) e para a ANP. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 821 7 34. Todas as distribuidoras de combustíveis são obrigadas a apresentar mensalmente à ANP uma declaração denominada "DCP Demonstrativo de Controle de Produtos" indicando o volume, em litros, transacionado de gasolina, óleo diesel, álcool anidro e álcool hidratado. 35. De acordo com a Portaria CNPDIPLAN n 221, de 25/06/1981, as empresas misturadoras e envasilhadoras, produtoras e distribuidoras de produtos derivados de petróleo, misturadoras e distribuidoras de AEAC (álcool etílico anidro combustível) e AEHC (álcool etílico hidratado combustível) grifo nosso, são obrigadas a preencher mensalmente o formulário denominado "Demonstrativo de Controle de Produtos DCP", no qual, são inseridos todos dados sobre produção, distribuição e consumo dos combustíveis retromencionados. 36. Este é um dos prérequisitos da ANP para que as distribuidoras sejam autorizadas a operar no mercado de combustíveis. 37. A Agência Nacional de Petróleo ANP encaminhou a esta fiscalização, em 01/12/2010, demonstrativos contendo volume em litros dos combustíveis transacionados, bem como outros documentos referentes à fiscalizada, inclusive informou que o registro da empresa estava "CANCELADO". 38. Assim, para a apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, levouse em consideração apenas o volume de álcool hidratado transacionado no período, tendo em vista que, a teor do artigo 42 da Medida Provisória 2.15835/01, as alíquotas das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da Venda de gasolinas exceto de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas, ficam reduzidas a zero a partir de julho de 2000. 39. Com base no volume de vendas informado no demonstrativo enviado pela ANP, bem como, consulta ao "site" da ANP, os quais indicam os preços praticados, separados por região, elaborouse o demonstrativo analítico que segue anexo a este Termo, cujos totais apresentamos a seguir. 40. Informamos que foram utilizados os valores médios dos produtos praticados no estado de São Paulo, os quais, por oportuno, são, na média, os menores valores do país. 41. Assim, não tendo sido possível a obtenção dos valores reais de vendas dos produtos, tendo em vista a omissão da fiscalizada, optouse, em benefício da mesma, em alocar os valores mínimos dos preços das distribuidoras, conforme quadros à fl. 515: 42. Também, através do Convênio de Cooperação Técnica RFB/GAB n° 02337/2008, celebrado em 30/05/2008 pela União (Secretaria da Receita Federal do Brasil) e o Estado de São Paulo (Secretaria da Fazenda), publicado no DOU em 03/06/2008, extraímos os dados de apuração do ICMS (Nova GIA), tendo constatado um expressivo faturamento anual de R$ 372.377.319.15 (saída de combustíveis CFOP 5.651 a 5.666 e 6.651 a 6.666), cujos valores a seguir relacionados servirão de base de cálculo para a apuração do IRPJ e da CSLL: Fl. 848DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 822 8 Mês Vendas R$ jan/07 41.621.356,75 fey/07 32.013.509,39 mar/07 32.727.698,55 abr/07 39.498.559,47 mai/07 23.925.779,38 jun/07 32.533.238,41 jul/07 44.116.977,64 ago/07 45.761.793,89 set/07 32.233.906,33 out/07 2.049.427,41 nov/07 20.347.990,50 dez/07 25.547.082,13 Total 372.377.319,85 43. Os valores de apuração se encontram discriminados nas folhas em anexo do Presente Auto de Infração e suas folhas de continuação, juntamente com o demonstrativo de multa e juros de mora. V DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA V.I DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA EM FACE DO PROCURADOR 44. Conforme já explanado anteriormente, a DEAT – Diretoria Executiva da Administração Tributária Combustíveis, encaminhou vasta documentação contendo elementos que embasaram a cassação em 2007 das atividades da fiscalizada como distribuidora de combustível. 45. Conforme documentação acostada pela DEAT, verificouse que a administração da fiscalizada foi efetuada principalmente pelo procurador, mas conjuntamente com os dois sócios, conforme declarações prestadas pelo Sr Carlos e pela Sra Tieko: Sr. Carlos Sussumu Hasegawa (procurador): "Que administra a empresa conjuntamente com seus pais. Que seus pais (sócios da empresa) não participam diariamente das atividades da empresa, tendo participações somente nas tomadas de decisões importantes" Sra. Tieko Fukuda Haseçiawa (sócia): "Que participa das tomadas de decisão, juntamente com seu filho, Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, e seu marido, o Sr. Shin Hasegawa". 46. Visando elucidar dúvidas quanto à administração da fiscalizada no anocalendário 2007, foi encaminhada ao Banco Bradesco S/A, a RMF 08104002010001175, solicitando informações sobre eventuais procuradores da empresa, bem como a movimentação financeira do ano calendário de 2007. 47. Constatouse a hipótese de indispensabilidade, prevista no art. 3° do Decreto 3.724/2001, inciso XI, tendo em vista que a fiscalizada declarou Fl. 849DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 823 9 receitas zeradas em suas declarações, mas efetuou uma movimentação financeira de R$ 65.129.219,74 em 2007, havendo indícios de interpostas pessoas. 48. Da análise dos documentos, encaminhados pelo Banco Bradesco, constatamos, procuração pública datada de 30/03/2000, por meio da qual a Petromarte Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda. nomeou e constituiu o Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, inscrito no CPF sob o n° 100.332.84822, seu procurador, outorgadolhe amplos e gerais poderes para o fim especial de gerir e administrar os negócios da firma outorgante no tocante a todo o ramo de atividade em que possa representála, assinar e requerer todos os documentos necessários para a referida administração (...) representando os outorgantes perante todas as repartições públicas, (...) comprar e comercializar mercadorias, assinando e emitindo notas fiscais; (...) contratar e dispensar funcionários, etc. 49. Na seqüência, com base nos extratos bancários, foram solicitados ao Banco Bradesco RMF 08104002011001632, cerca de 30 cópias de diversos cheques, com os valores mais expressivos, a fim de conferir quem os assinava. 50. Novamente, constatouse a hipótese de indispensabilidade, prevista no art. 3° do Decreto 3.724/2001, inciso XI, tendo em vista que a fiscalizada declarou receitas zeradas em suas declarações, mas efetuou uma movimentação financeira de R$ 65.129.219,74 em 2007, havendo indícios de interpostas pessoas, sendo necessário buscar os eventuais beneficiários. 51. Em 04/07/2011, o Banco Bradesco encaminhou os referidos documentos solicitados. 52. De posse das cópias dos cheques, verificamos que os mesmos foram assinados pelo Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, o que corrobora que ele cumpria cabalmente a outorga da procuração, e, por conseguinte, administrava a empresa conjuntamente com os seus sócios. 53. Diante dos elementos e fatos apurados no curso do procedimento fiscal, verificamos que a empresa Petromarte atuou no ano de 2007 no comércio atacadista de combustíveis. 54. As atividades da Petromarte, como constatado, foram realizadas sob a gestão de seu administrador principal (mandatário): Carlos Sussumu Hasegawa que atuou efetivamente na sua administração, praticando atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, prestação de falsas informações ao Fisco Federal, bem como, deixou de efetuar os procedimentos obrigatórios de encerramento da pessoa jurídica perante os órgãos competentes (vide tópico IV. I). 55. Assim nos termos do inciso II do artigo 135 do Código Tributário Nacional é cabível a sujeição passiva solidária em face do contribuinte Carlos Sussumu Hasegawa. 56. Por oportuno transcrevemos a seguir os aludidos dispositivos legais acompanhados de jurisprudência federal: Fl. 850DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 824 10 [....] V.II DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA EM FACE DOS SÓCIOS 57. A dissolução irregular da sociedade restou caracterizada em virtude de a mesma não ter sido localizada em seu domicílio fiscal e não ter havido qualquer comunicação à Secretaria da Receita Federal deste fato. 58. Tal situação foi corroborada pela informação prestada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a esta fiscalização (item acima), acerca do cancelamento do registro para distribuição de combustíveis da empresa Petromarte. 59. Também, foi corroborada pela cassação da inscrição estadual efetuada pelo Fisco do Estado de São Paulo em 09/03/2007. 60. Sem autorização para comercialização, a sociedade cessou suas atividades e não adotou as devidas providências junto aos órgãos de registro, simplesmente foi abandonada. 61. Conforme já explanado anteriormente, a DEAT – Diretoria Executiva da Administração Tributária Combustíveis, encaminhou vasta documentação contendo elementos que embasaram a cassação em 2007 das atividades da fiscalizada como distribuidora de combustível. 62. Na documentação acostada pela DEAT, verificouse que a administração da fiscalizada foi efetuada principalmente pelo procurador, mas conjuntamente com os dois sócios, conforme declarações prestadas pelo Sr Carlos e pela Sra Tieko: Sr. Carlos: "Que administra a empresa conjuntamente com seus pais. Que seus pais (sócios da empresa) não participam diariamente das atividades da empresa, tendo participações somente nas tomadas de decisões importantes" Sra Tieko: "Que participa das tomadas de decisão, juntamente com seu filho, Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, e seu marido, o Sr. Shin Hasegawa". 63. Com efeito, na qualidade de sócios administradores atuando na sua administração, praticaram atos com excesso de poderes ou infração à lei, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, prestação de falsas informações ao Fisco Federal e deixaram de efetuar os procedimentos obrigatórios de encerramento da pessoa jurídica perante os órgãos competentes. 64. A adoção dessas condutas configuram infração à lei societária, infração à lei ou excesso de poderes e implicam a responsabilização dos sócios administradores, com base no disposto no art. ,135, inciso III, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Fl. 851DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 825 11 65. Ademais, de acordo com a Súmula 435 do Superior Tribunal de Justiça, "Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio gerente." 66. Desta forma, entendemos que deve atribuída ao Sr. Shin Hasegawa e Sra. Tieko Fukuda Haseqawa, sóciosgerentes e administradores da fiscalizada, responsabilidade tributária solidária pelo crédito tributário apurado, bem como ao seu administrador Sr. Carlos Sussumu Hasegawa. 67. Pois bem. Efetuados os registros concernentes à administração da empresa e à responsabilidade dos sócios administradores, passemos à apuração dos tributos devidos. VI DO DIREITO 68. Para o anocalendário 2007, tendo em vista o lançamento, aplicouse os dispositivos legais constantes da Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais dos Autos de Infração, o qual por oportuno, transcrevemos a seguir alguns dispositivos legais. VII DO ARBITRAMENTO DO LUCRO 69. O Lucro da fiscalizada será arbitrado tendo em vista que a empresa não apresentou escrituração contábil e fiscal necessária à apuração de suas receitas e à identificação da efetiva movimentação financeira da empresa que não permitem a apuração do Lucro Real Trimestral. 70. A base de cálculo do IRPJ deverá ser apurada em conformidade com a sistemática do Lucro Arbitrado, seguindo os mandamentos contidos no inciso III do artigo 530 do RIR/99, transcritos a seguir: [...] 71. O lançamento farseá de acordo com o artigo 532 do RIR/99, sendo o lucro arbitrado tomandose por base as receitas de revenda de combustíveis de acordo com os valores declarados para o Fisco do Estado de São Paulo, extraídos da Nova GIA: [...] VIII DA AUTUAÇÃO 72. A empresa está sendo autuada no anocalendário 2007, tendo em vista que declarou valores zerados dos tributos comprovadamente devidos, para o Fisco Federal. 73. Conforme item "41", a base de cálculo do PIS e da COFINS é somente sobre a venda de álcool hidratado, cujos valores foram obtidos multiplicando o volume de litragem mensal vezes o menor valor de álcool verificado no mês, em benefício da fiscalizada. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 826 12 74. Dos valores mensais aplicamse as alíquotas de 1,46% para o PIS e 6,74% para a COFINS, para o álcool hidratado, de acordo com o disposto no artigo 3° da Lei 9.990/2000. 75. Para uma melhor visualização, elaboramos o quadro a seguir contendo os valores apurados de PIS e COFINS, sendo oportuno esclarecer que não foram localizados recolhimentos dessas contribuições: Mês/Ano BASE DE CÁLCULO COFINS 6,74% PIS 1,46% jan/07 21.794.199,65 1.468.929,06 318.195,31 fev/07 14.944.008,00 1.007.226,14 218.182,52 mar/07 17.312.366,00 1.166.853,47 252.760,54 abr/07 24.265.912,25 1.635.522,49 354.282,32 mai/07 12.618.444,48 850.483,16 184.229,29 jun/07 20.298.378,20 1.368.110,69 296.356,32 ju!/07 27.821.535,30 1.875.171,48 406.194,42 ago/07 31.475.050,50 2.121.418,40 459.535,74 set/07 22.521.940,24 1.517.978,77 328.820,33 out/07 1.499.712,29 101.080,61 21.895,80 nov/07 11.965.322,86 806.462,76 174.693,71 dez/07 13.703.115,57 923.589,99 200.065,49 Total 220.219.985,34 14.842.827,01 3.215.211,79 76. A base de cálculo do IRPJ e da CSLL é sobre a venda de todos os produtos, conforme GlAs apresentadas pela fiscalizada ao Fisco do Estado de São Paulo, conforme quadro a seguir, sendo oportuno esclarecer que não foram localizados recolhimentos desses tributos: Vendas 1° Trimestre 106.362.564,69 2° Trimestre 95.957.577,26 3° Trimestre 122.112.677,86 4° Trimestre 47.944.500,04 Total 372.377.319,85 IX DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO 77. A fiscalizada não declarou o IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos no anocalendário 2007 incidindo na multa qualificada tipificada no artigo 44 da Lei 9.430/96. 78. Com efeito, a mesma já havia sido autuada nos anos calendário 2004, 2005 e 2006 pela mesma infracão: omissão de receitas da atividade. 79. Portanto, a mesma vem reiteradamente fraudando o Fisco Federal desde 2004. 80. Frisese que mesmo tendo a sua inscrição estadual cassada em marco de 2007 continuou operando normalmente. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 827 13 81. Também, não apresentou sua escrituração (Livros Diário/Razão) referente ao anocalendário 2007, nem tampouco, justificou a sua não apresentação. 82. Em verdade, encaminhamos o Termo de Início para o endereço dos sócios, via postal, cujo Aviso de Recebimento AR retornou à repartição devidamente assinado. 83. Entretanto, não houve qualquer manifestação por parte dos sócios até a presente data, preferindo permanecerem ocultos. 84. Conforme já explanado anteriormente, a fiscalizada declarou como receitas tributáveis GIA (CFOP Saídas Base de cálculo do ICMS) o montante de R$ 372.377.319,15, a qual inclui a venda de todos os combustíveis. 85. Com efeito, a fiscalizada apresentou mensalmente à ANP a aludida declaração denominada "DCP Demonstrativo de Controle de Produtos" indicando o volume, em litros, transacionado de gasolina, óleo diesel, álcool anidro e álcool hidratado, com expressivos valores, conforme quadro do item "37", totalizando o montante de R$ 220.626.498,00 (pelos valores mínimos em favor da mesma). 86. Entretanto, para a Receita Federal do Brasil, apresentou a DIPJ e as DCTF com valores zerados. 87. A sua movimentação bancária no anocalendário 2007 alcançou o montante de R$ 65.129.219,74, e as informações de terceiros (DIPJ Compras de terceiros) que adquiriram combustíveis da fiscalizada alcançou o montante de R$ 139.641.513,66. 88. Conforme já explanado anteriormente, o Fisco Estadual constatou que a fiscalizada prestou informações falsas quanto á sua capacidade financeira de satisfazer os eventuais credores, dentre os quais, a Fazenda Pública. 89. Também, verificamos que a fiscalizada somente foi autorizada pela ANP a operar no mercado de combustíveis, de 2002 a 01/07/2008, através de medidas judiciais (Mandado de Segurança). 90. A combinação de tais fatos afastam a possibilidade de um mero erro escusável, eis que, apenas para a Fazenda Nacional a fiscalizada declarou receitas zeradas. 91. Não seria plausível que a fiscalizada declarasse para o Fisco Estadual o montante de R$ 372.377.319,15, para a ANP uma expressiva litragem de produtos vendidos (R$ 220.626.498,00 pelos preços mínimos), empresas adquirentes de seus produtos declarassem para o Fisco um montante de compras de R$ 139.641,513,66, e a mesma declarasse receitas zeradas para a Receita Federal do Brasil, com se estivesse inoperante. 92. O fato de a fiscalizada ter declarado ao Fisco Federal ZERO DE RECEITAS AUFERIDAS, mas declarado vultosas receitas para o Fisco Estadual, bem como para a ANP, denotam a evidente intenção de impedir ou retardar o conhecimento dos fatos por parte da Fazenda Nacional. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 828 14 93. Oportuno se faz a transcrição do art. 44 da Lei nº 9.430/96 e dos artigos nela mencionados da Lei nº 4.502/64: [...] 94. Ocorre, porém, que nos tipos penais acima transcritos há necessariamente um componente doloso, sem o qual não é possível a caracterização do ilícito. 95. Em outras palavras, para a ocorrência do crime, é necessário que a ação perpetrada tenha como finalidade prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre um fato juridicamente relevante. 96. Adentramos, assim, no campo das infrações subjetivas, em contraposição à regra geral da responsabilidade objetiva que impera no campo das infrações à legislação tributária. 97. Sobre os conceitos de infração objetiva e subjetiva, Paulo de Barros Carvalho ("Curso de Direito Tributário", Ed. Saraiva, 14a ed., p. 504 e ss) pontifica, in verbis: [...] 98. Cristalino, portanto, que para a configuração do crime no caso sob comento é preciso restar caracterizado que o autor do ilícito agiu com a intenção de impedir ou retardar o conhecimento, pela Fazenda Pública, do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS devidos no período sob ação fiscal. 99. É mister esclarecer que a caracterização do intuito doloso, na maioria das vezes, configura uma difícil tarefa, tendo em vista que a sua comprovação só pode ser evidenciada quando temos um determinado padrão da conduta delitiva associada a atos comissivos ou omissivos praticados de maneira inafastável. 100. O intuito doloso foi caracterizado pela prática de uma única infração: Prática reiterada de Omissão de Receitas da Atividade culminando com a não declaração do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos conforme informações prestadas pela mesma à Fazenda Estadual, à ANP corroboradas com sua expressiva movimentação financeira e as informações de compras prestadas pelos adquirentes de seus produtos. 101. Portanto, a comprovação de que a prática delituosa deuse de forma consistente denota o intuito doloso pela fiscalizada. 102. A magnitude desta prática delituosa promoveu grave lesão aos cofres públicos nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007. 103. Assim, diante das definições anteriormente transcritas e da análise dos fatos e documentos apurados por esta fiscalização, constatamos que a PRÁTICA REITERADA SISTEMÁTICA da fiscalizada, materializada pela omissão de declarar ou recolher ao Fisco o IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos no anocalendário 2007, se subsumem perfeitamente aos tipos previstos nos arts. 71, inciso I, e 72 da Lei n.° 4.502/1964. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 829 15 104. Para corroborar tais assertivas trazemos à presente lume algumas jurisprudências, iniciandose pelo brilhante voto aquilatado pelo ilustre julgador José Tarcísio Januário, Acórdão n° 38, de 28 de setembro de 2001, da 5a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas, SP: [...] 105. Portanto, demonstrado de maneira clarividente, é imperativo a aplicação da Multa Qualificada de 150%, no anocalendário 2007, a teor no disposto do artigo 44 da Lei 9.430/96. X DA AUTUAÇÃO DO IRPJ/CSLL/PIS/COFINS 106. Isto posto e, tendo em vista que os elementos apresentados são suficientes para formação de convicção no que tange a infração à legislação tributária, lavramos o presente Auto de Infração, do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em face da fiscalizada, encerrando nesta data a fiscalização levada a efeito no anocalendário 2007. 107. O presente Termo de Verificação Fiscal é parte integrante e indissociável deste auto de infração. 108. Ressaltese que a Fazenda Nacional poderá, obedecido ao prazo decadencial, efetuar novos lançamentos suplementares, em períodos ainda que já fiscalizados, quando detectar novos elementos que comprovem a prática de ilícito fiscal. 109. Fazem parte integrante do presente Auto de Infração os seguintes documentos: · Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo; · Este Termo de Verificação Fiscal; · Folha de Rosto dos Autos de Infração e folhas de continuação; · Base de Cálculo (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS); · Demonstrativos de Multa e Juros de Mora; · Demonstrativos da ANP e página da internet, "site" da ANP Agencia Nacional de Petróleo, onde constam os valores dos produtos no período sob ação fiscal; · Demonstrativos de Apuração do ICMS. [...] Instruem os autos, entre outros documentos: Termo de Constatação e Início de Fiscalização, datado de 16/7/2010, fls. 2; RMF (requisição de informação de movimentação financeira), fls. 12 e 29; informações do Banco Bradesco, fls. 13 e 32/103 (cópias de cheques) Termo de Continuidade de Fiscalização e ciência dos atos até então praticados, dirigido ao endereço alterado na JUCESP (fls. 104); Ofício da Secretaria da Fazenda do Estado (fls. 113/145); GIAs (fls. 146/157), Ficha Cadastral na Jucesp (fls. 158/161); Fl. 856DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 830 16 documentos Jucesp (fls. 178/223); documentos ANP (fls. 224/237) relação das operações (fls. 238/459); Representação Fiscal para Fins de Inaptidão (fls. 460/461) Ato Declaratório de Inaptidão e publicação em DOU (fls. 462/463); pesquisas DCTF / DIPJ (fls. 464//489); pesquisas SINAL08 (fls. 490/504); Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 582/590); Como consignado às fls. 597, a ciência à pessoa jurídica do auto de infração (fls.539/581) foi efetuada por meio de Edital, afixado em 20/03/2012 conforme fls. 591. Os sujeitos passivos solidários foram cientificados por via postal, conforme Avisos de Recebimento, a saber: Shin Hasegawa fls. 582/584 ciência em 20/03/2012 fls. 592; Tieko Fukuda Hasegawa fls. 585/587 ciência em 20/03/212 fls. 593; e Carlos Sussumo Hasegawa fls. 588/590 ciência em 20/03/2012 fls. 594. Impugnação Carlos Sussumo Hasegawa Em 12/04/2012 foi protocolizada impugnação de fls. 599/616 em nome de Carlos Sussumo Hasegawa, com as razões de defesa a seguir sintetizadas: De início expõe os fatos e, na seqüência, discorda da atribuição de sujeição passiva solidária, argumentando que o fato de uma determinada pessoa exercer poderes de gerência de uma sociedade, isto não implica dizer que o procurador ou mandatário de uma determinada empresa será sempre responsabilizado pessoalmente pelos débitos tributários contraídos pela pessoa jurídica, isto porque, segundo preceito estatuído na redação do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, é indispensável que no exercício desta gerência tenha o administrador agido dolosamente, com a intenção de praticar atos com excesso de poderes de forma a violar a lei ou contrato social. Transcreve o art. 135, inciso III, do CTN, para alegar que o Termo de Sujeição Passiva Solidária expedido ao ora impugnante se deu no mais total alvedrio a norma acima transcrita, pois dos autos emerge ausência de provas no sentido de que o impugnante tenha agido com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, indispensável para a caracterização da responsabilidade solidária. Aduz que a jurisprudência mais recente do E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, já pacificou o entendimento segundo o qual a existência de dívida tributária não é motivo ensejador da responsabilidade pessoal do sócio ou administrador, posto que para a atribuição da responsabilidade pessoal a terceiros é necessário a comprovação de que o sócio, com poderes de gerência da sociedade, tenha incorrido nas transgressões a que alude o inciso III, do art. 135, do CTN. Cita ementas de dois acórdãos do STJ que entende corroborar sua tese e complementa: Ainda que o impugnante assinasse cheques em nome da empresa Petromarte e detivesse poderes para representála, via procuração, o certo é que tais circunstâncias apenas não comprovam o efetivo exercício da administração da Fl. 857DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 831 17 sociedade empresária, e muito menos que tenha este administrado a pessoa jurídica de forma fraudulenta que pudesse a ensejar na sua responsabilidade pessoal; Embora o impugnante detivesse procuração outorgada pela Petromarte, o certo é que a representação por parte do impugnante na empresa era bastante diminuta, competindolhe apenas assinar cheques em nome da empresa, efetuar pagamentos, ou seja, gerir a parte financeira da empresa. Isto porquê, o impugnante, morando na cidade de São Paulo, está geograficamente mais próximo da sede da empresa que seus sócios, residentes na cidade de Pacaembu, que dista mais de 500 quilômetros da cidade de Paulínia; A bem da verdade, as grandes decisões, os balanços, as negociações em torno das vendas da empresa, ou seja, toda a parte comercial da empresa era administrada pela sócia Sra. TIEKO FUKUDA HASEGAWA, conforme esta própria chegou a reconhecer no Termo de Verificação Fiscal. O impugnante não tinha conhecimento de que a empresa tenha declarado ao Fisco Federal faturamento zero no ano calendário de 2007, eis que a representação do impugnante era por demais diminuta, sendo que o departamento comercial e fiscal da empresa era todo controlado pela sócia Tieko; Noutro ponto da defesa ofertada assevera: o fato de uma determinada empresa ter encerrado suas atividades sem promover a baixa de seus registros não é causa para a despersonalização da pessoa jurídica, conforme já decidiu a 4ª Turma do E. TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL da 3ª REGIÃO, conforme ementa que cita; é ilegal o ato administrativo tendente a sujeição passiva solidária do ora impugnante, visto a mais ampla inexistência de provas a comprovar que o requerente agiu dolosamente frente a representação da sociedade para praticar atos com excessos de poderes e contrário as leis tributárias, o que por certo inviabiliza a atribuição de responsabilidade pessoal dos sócios. Reportase, ainda, a julgado da 4ª Turma do TRF3ª Região que entende corroborar seu entendimento. Acrescenta ainda que: é incabível a responsabilização solidária dos gerentes e administradores quanto aos débitos de natureza previdenciária prevista com base no art. 13, da Lei 8.620/93, ... em razão da revogação desta norma, conforme art. 79, VII, da Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009; a responsabilidade dos sócios e administradores por débitos contraídos pela pessoa jurídica é subjetiva e não objetiva o que implica reconhecer que o sócio ou a pessoa a qual tenha poderes de gerência da sociedade responderá pelo tributo na qualidade de responsável solidário, somente quando devidamente comprovado pelo Fisco ter este sócio/gerente incorrido em uma das condutas previstas no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional; Argumenta, ainda, não ter a Fiscalização logrado comprovar que a empresa Petromarte tenha encerrado suas atividades, pois o simples fato de uma correspondência ter retornado com a informação “Mudouse” não implica dizer que tenha encerrado suas atividades Fl. 858DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 832 18 Considera extremamente temerário condicionar a existência de uma empresa ao fato de receber correspondência em seu endereço, pois conforme apontou o Auditor Fiscal a Petromarte havia promovido regularmente a alteração de seu endereço na JUCESP, mas, no entanto, não tinha o Fisco conhecimento desta mudança. E continua: conforme visto houve apenas alteração do endereço da sede, não implicando com isso no encerramento de suas atividades; a presunção de dissolução irregular não milita em favor do Fisco no caso em exame, ante a inexistência de elementos probatórios dando conta do fechamento da empresa. Multa agravada Discorda da aplicação da multa qualificada, alegando que: a multa agravada somente pode ser aplicada nos casos de fraude quando a fiscalização comprove ter o contribuinte agido dolosamente; a “prática sistemática reiterada” expressão exaustivamente utilizada pela fiscalização não está por si só a comprovar a conduta dolosa do contribuinte prevista nos artigos 72 e 73 da Lei 4.502, tão indispensável para aplicação da multa exasperada. a Fiscalização fundamenta a aplicação da multa qualificada no fato da empresa Petromarte ter supostamente omitido receitas e rendimentos, mas, está pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes da União que, para aplicação da multa prevista no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, há de estar devidamente comprovado o intuito de fraude do sujeito passivo, através do elemento dolo, a teor das Súmulas 14 e 25 do CARF. em vista da conseqüente representação para fins penais, para aplicação da penalidade mais gravosa, o tipo deve estar devidamente descrito e exaustivamente comprovado por parte de quem acusa. os atos devem estar devidamente registrados, comprovados e formalizados nos autos; o princípio da presunção de inocência prevalece na seara penal, de maneira que não se pode por presunção aplicar multa qualificada com caráter penal no presente caso. Reportase a julgados do Conselho de Contribuintes. Questiona como aplicar a multa exasperada a quem, comprovadamente, não teve envolvimento com os fatos geradores, considerando que pelo princípio da individualização da pena, esta não pode ultrapassar a figura do transgressor? E conclui ser inaplicável a multa de 150%. Arbitramento Fl. 859DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 833 19 Opõese ao lançamento por arbitramento, invocando seu caráter de excepcionalidade e sua utilização restrita aos casos de impossibilidade de utilização da base de cálculo originária, para defender que: debalde não tenha a empresa Petromarte disponibilizado toda a documentação solicitada, é certo que o descumprimento dessa obrigação acessória não dá ao Fisco o direito de proceder ao lançamento a seu bel prazer, sem critérios, ensejando créditos de valores estratosféricos, totalmente destoante da realidade do faturamento, traduzindose num verdadeiro confisco; é inaplicável o arbitramento, uma vez que ao Fisco Federal foram repassadas todas as informações necessárias para a apuração do Lucro Real, seja pelas informações prestadas pelo Fisco Estadual, as prestadas pela Agência Nacional do Petróleo, ou, ainda, prestadas pelas empresas adquirentes de seus produtos. Expõe que o Conselho de Contribuinte já assentou o entendimento no sentido da impossibilidade da desconsideração total, por parte da fiscalização, quanto as despesas relacionadas a atividade do contribuinte, e, nesse compasso, alega irregularidade do lançamento em razão de a fiscalização não deduzir do valor do lucro arbitrado, todas as despesas relacionadas a atividade da empresa Petromarte. Entende ser desarrazoada a exigência no montante em que formalizada, reportandose à vedação constitucional da tributação confiscatória e alegando ofensa a princípios constitucionais da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Assevera pretender o impugnante provar o alegado por todos os meios de prova e formula pedido de improcedência do Termo de Sujeição Passiva Solidária e também do Auto de Infração relativos ao IRPJ e decorrentes, de CSLL, PIS e Cofins. Impugnação Shin Hasegawa Também em 12/04/2012, foi apresentada Impugnação de fls. 622/641, em nome do sócio Shin Hasegawa, com as razões a seguir sintetizadas: De início expõe os fatos e, na seqüência, discorda da atribuição de sujeição passiva solidária, argumentando que a responsabilidade solidária do sócio contemplada na redação do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, não deriva do fato dele ser sócio, mas sim pelo fato dele exercer poderes de gerência da empresa. Transcreve o art. 135, inciso III, do CTN, para alegar que o Termo de Sujeição Passiva Solidária expedido ao ora impugnante se deu no mais total alvedrio da norma acima transcrita, pois dos autos emerge ausência de provas no sentido de que o impugnante detinha poderes de gerência da sociedade em questão e, tampouco, fez o Fisco a prova de ter o impugnante agido com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, indispensável para a caracterização da responsabilidade solidária. Aduz que a jurisprudência mais recente do E. Superior Tribunal de Justiça, já pacificou o entendimento segundo o qual mero inadimplemento da obrigação tributária não é motivo ensejador da responsabilidade pessoal do sócio, e para que possa ocorrer o redirecionamento, necessário a comprovação de que o sócio, com poderes de gerência da sociedade, tenha incorrido nas transgressões a que alude o Fl. 860DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 834 20 inciso III, do art. 135, do CTN. Cita ementas de dois acórdãos do STJ que entende corroborar sua tese e complementa: no caso em apreço, a própria fiscalização informa haver indícios de que a empresa Petromarte Distribuidora de Derivados de Petróleo S A , não era administrada pelo sócio ora impugnante, reportandose a constatação de outorga de procuração; o próprio Fisco Federal se encarrega de comprovar que o sócio ora impugnante não detinha poderes de gerência da sociedade, ante a existência de provas irrefutáveis dando conta de que a administração da empresa era exercida por terceiros mediante procuração. na verdade, o procurador Carlos Sussumo Hasegawa respondia pela parte financeira da empresa, ao passo que toda parte comercial e fiscal da empresa era toda ela administrada pela sócia Tieko Fukuda Hasegawa, administradora principal e responsável pelas decisões mais relevantes da empresa. Sujeição Passiva Solidária Entende restar comprovada a total impossibilidade de atribuir ao sócio impugnante a sujeição passiva solidária porque : o Fisco não logrou êxito em comprovar que o sócio em questão detenha poderes de gerência da sociedade à época da ocorrência do fato gerador do tributo, ou então à época da dissolução irregular da sociedade, e de igual modo, de ter este sócio incorrido numa das transgressões previstas no artigo 135, III, do CTN. Acrescenta conforme julgados que menciona: o mero inadimplemento da obrigação tributária não constituiu hipótese que autoriza o redirecionamento da ação de execução contra os sócios, sendo necessária a prova de ter este agido com excesso de poderes, violação ao contrato ou estatuto, ou ter havido a dissolução irregular, e que este sócios tinha poderes de gerência da sociedade, fato que não restou demonstrado nos autos; a eventual ausência de patrimônio, de igual modo, não enseja a despersonalização da pessoa jurídica Reportase, ainda, a julgado da 4ª Turma do TRF3ª Região que entende corroborar seu entendimento. Acrescenta que: é incabível a responsabilização solidária dos sócios quanto aos débitos de natureza previdenciária prevista com base no art. 13, da Lei 8.620/93, ... em razão da revogação desta norma, conforme art. 79, VII, da Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009; a responsabilidade dos sócios e administradores por débitos contraídos pela pessoa jurídica é subjetiva e não objetiva o que implica reconhecer que o sócio ou a pessoa a qual tenha poderes de gerência da sociedade responderá pelo tributo na qualidade de responsável solidário, somente quando devidamente comprovado pelo Fisco ter este sócio/gerente incorrido em uma das condutas previstas no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional; Fl. 861DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 835 21 Argumenta, ainda, não ter a Fiscalização logrado comprovar que a empresa Petromarte tenha encerrado suas atividades, pois o simples fato de uma correspondência ter retornado com a informação “Mudouse” não implica dizer que tenha encerrado suas atividades Considera extremamente temerário condicionar a existência de uma empresa ao fato desta receber correspondência em seu endereço, pois conforme apontou o Auditor Fiscal a Petromarte havia promovido regularmente a alteração de seu endereço na JUCESP, mas, no entanto, não tinha o Fisco conhecimento desta mudança. E continua: conforme visto houve apenas alteração do endereço da sede, não implicando com isso no encerramento de suas atividades; a presunção de dissolução irregular não milita em favor do Fisco no caso em exame, ante a inexistência de elementos probatórios dando conta do fechamento da empresa. Multa qualificada Discorda da aplicação da multa qualificada, alegando que: a imposição da multa qualificada não constitui regra, mas sim exceção, podendo somente ser aplicada nos casos de fraude quando a fiscalização comprove ter o contribuinte agido dolosamente. a “prática sistemática reiterada” expressão exaustivamente utilizada pela fiscalização não está por si só a comprovar a conduta dolosa do contribuinte prevista nos artigos 72 e 73 da Lei 4.502, tão indispensável para aplicação da multa exasperada. a Fiscalização fundamenta a aplicação da multa qualificada no fato da empresa Petromarte ter supostamente omitido receitas e rendimentos, mas, está pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes da União que, para aplicação da multa prevista no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, há de estar devidamente comprovado o intuito de fraude do sujeito passivo, através do elemento dolo, a teor das Súmulas 14 e 25 do CARF. em vista da conseqüente representação para fins penais, para aplicação da penalidade mais gravosa, o tipo deve estar devidamente descrito e exaustivamente comprovado por parte de quem acusa. os atos devem estar devidamente registrados, comprovados e formalizados nos autos; o princípio constitucional da presunção de inocência prevalece na seara penal, de maneira que não se pode por presunção aplicar multa qualificada com caráter penal no presente caso. Reportase a julgados do Conselho de Contribuintes. Questiona como aplicar a multa exasperada a quem, comprovadamente, não teve envolvimento com os fatos geradores, considerando que pelo princípio da individualização da pena, esta não pode ultrapassar a figura do transgressor? E, diante disso, conclui ser inaplicável a multa de 150%. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 836 22 Arbitramento Opõese ao lançamento por arbitramento, invocando seu caráter de excepcionalidade e sua utilização restrita aos casos de impossibilidade de utilização da base de cálculo originária, para defender que: debalde não tenha a empresa Petromarte disponibilizado toda a documentação solicitada, é certo que o descumprimento dessa obrigação acessória não dá ao Fisco o direito de proceder ao lançamento a seu bel prazer, sem critérios, ensejando créditos de valores estratosféricos, totalmente destoante da realidade do faturamento, traduzindose num verdadeiro confisco; é inaplicável o arbitramento, uma vez que ao Fico Federal foram repassadas todas as informações necessárias para a apuração do Lucro Real, seja pelas informações prestadas pelo Fisco Estadual, as prestadas pela Agência Nacional do Petróleo, ou, ainda, prestadas pelas empresas adquirentes de seus produtos. Expõe que o Conselho de Contribuinte já assentou o entendimento no sentido da impossibilidade da desconsideração total, por parte da fiscalização, quanto as despesas relacionadas a atividade do contribuinte, e alega irregularidade do lançamento em razão de a fiscalização não deduzir do lucro arbitrado, todas as despesas relacionadas a atividade da empresa Petromarte Entende ser desarrazoada a exigência no montante em que formalizada, reportandose à vedação constitucional da tributação confiscatória e alegando ofensa a princípios constitucionais da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Assevera pretender o impugnante provar o alegado por todos os meios de prova e formula pedido de improcedência do Termo de Sujeição Passiva Solidária e também do Auto de Infração relativos ao IRPJ e decorrentes, de CSLL, PIS e Cofins. Impugnação Espólio de Tieko Fukuda Hasegawa Termo de Sujeição Passiva de fls. 585/587 Ainda em 12/04/2012, foi apresentada Impugnação de fls. 646/652, em nome do Espólio de Tieko Fukuda Hasegawa, representado por seu inventariante Sr. Shin Hasegawa, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. De início expõe os fatos e, na seqüência, discorda da atribuição de sujeição passiva solidária, argumentando que embora a impugnante exercesse a administração da empresa, o certo é que o Fisco Federal não trouxe provas a embasar ter a impugnante agido com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, indispensável para a caracterização da responsabilidade solidária. Aduz que a jurisprudência mais recente do E. Superior Tribunal de Justiça, já pacificou o entendimento segundo o qual a mera existência de débito tributário não é motivo ensejador da responsabilidade pessoal do sócio, e para que possa ocorrer o redirecionamento, necessário a comprovação de ter o sócio gerente incorrido nas transgressões a que alude o inciso III, do art. 135, do CTN. Cita jurisprudência. Fl. 863DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 837 23 Acrescenta que o Erário Público ao determinar a sujeição passiva solidária do sócio, não trouxe a imprescindível prova de ter este sócio incorrido em algumas das condutas previstas no artigo 135, III, do CTN. Alega que, segundo julgado do TRF 3ª Região que menciona, o encerramento das atividades de determinada empresa sem a baixa de sua inscrição, não caracteriza por si só sua dissolução irregular. Diz que, a responsabilidade dos sócios por débitos contraídos pela pessoa jurídica é subjetiva e não objetiva, o que implica reconhecer que o sócio responderá pelo tributo na qualidade de responsável solidário, somente quando devidamente comprovado pelo Fisco ter este sócio incorrido em uma das condutas previstas no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional. Assevera pretender a impugnante provar o alegado por todos os meios de prova e formula pedido de improcedência do Termo de Sujeição Passiva Solidária, em razão da fiscalização não ter se desincumbido de seu dever de provar ter a sócia com poderes de gerência, haver praticado dolosamente atos irregulares na gestão da empresa. Finaliza formulando pedido no sentido de improcedência do Termo de Sujeição Passiva. Por meio da Intimação SECAT nº 929/2012, de 10 de maio de 2012 (fl. 659), a autoridade preparadora intimou o interessado – Espólio de Tieko Fukuda Hasegawa a apresentar, sob pena de ser negado seguimento ao recurso, o seguinte: 1. documento que comprove a nomeação do inventariante (Shim Hasegawa) e 2. Cópia do documento de identificação do signatário da impugnação (inventariante). Em atendimento, foi apresentada resposta de fls. 665/666, em nome de Tieko Fukuda Hasegawa, representada pelo viúvomeeiro, Sr. Shin Hasegawa, encaminhando cópia da carteira de identidade do subscritor da impugnação e informando que não houve a abertura de processo judicial de inventário, que, por inexistir herdeiros menores, o procedimento será por escritura pública lavrado em Cartório, conforme permite a atual legislação. Na seqüência, por meio do despacho de fls. 676 a autoridade preparadora encaminhou o processo para julgamento das Impugnações interpostas.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 05 39.193 (fls. 677732) de 23/10/2012, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento apenas para excluir a responsabilidade solidária do espólio de Tieko Fukuka Hasegawa quanto à multa de ofício lançada. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 RECEITAS NÃO OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO. Caracteriza se omissão de receitas da atividade a apresentação de declarações a RFB com valores zerados em contradição com vultosos valores declarados pela própria pessoa jurídica para o Fisco Estadual e a órgão regulador da atividade Agência Nacional do Petróleo, valores estes não refutados no presente processo. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 838 24 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ARBITRAMENTO. IRPJ. CSLL. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, apesar de regularmente intimada, deixa de exibir livros e documentos da escrituração, que a amparariam em outra modalidade de tributação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS. Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõese a adoção de igual orientação decisória. MULTA DE OFÍCIO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Caracteriza evidente intuito de fraude, com intenção de impedir ou retardar o conhecimento dos fatos por parte da Fazenda Nacional, a prática reiterada de omissão de receitas da atividade culminando com a não declaração do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos conforme informações prestadas pela própria contribuinte à Fazenda Estadual e a órgão regulador da atividade (ANP) corroboradas pela expressiva movimentação financeira e por informações de compras prestadas pelos adquirentes de seus produtos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MANDATÁRIO. SÓCIOS ADMINISTRADORES. São solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. SÓCIO FALECIDO. A responsabilidade do sucessor a qualquer título, do cônjuge meeiro e do espólio é pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha, da adjudicação ou da abertura da sucessão, não havendo dispositivo legal que autorize a exigência de multa de ofício quando a ciência do auto de infração se deu em momento posterior à morte do de cujus.” Da aludida decisão foram cientificados a empresa e os coobrigados nas seguintes datas: Petromarte, em 04/01/2013 (edital de fl. 785), Tieko Fukuda Hasegawa Espólio, em 28/11/2012 (A.R. de fl. 774), Shin Hasegawa, em 28/11/2012 (A.R. de fl. 772), Carlos Sussumo Hasegawa, em 27/11/2012 (A.R. de fl. 770). Apenas os coobrigados apresentaram recursos voluntários em 27/12/2012 (fls. 788 a 801), onde questionam exclusivamente a responsabilização solidária, repisando os argumentos trazidos em sede de impugnação, e a multa qualificada, aventando argumentos acerca de sua ilegalidade e de seu caráter confiscatório, características essas, no entender dos Recorrentes, afrontosas aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. É o relatório. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 839 25 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. De início, há que se delimitar o escopo do presente Voto à análise acerca da qualificação da multa de ofício aplicada e suas conseqüências, bem assim da responsabilização solidária dos arrolados (já excluída a responsabilidade do Espólio da Sra. Tieko Fukuda Hasegawa sobre a multa de ofício lançada), porquanto somente essas matérias é que foram trazidas no recurso voluntário apresentado. Da multa de ofício qualificada Conforme registra o autuante no Termo de Verificação e Demonstrativos de Multa e Juros de Mora, a multa de ofício foi aplicada com qualificação, no percentual de 150%, a teor do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, na redação vigente à época dos fatos geradores (de janeiro a 14/06/2007: no art. 14 da MP nº 351/07 e a partir de 15/06/2007: no art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007), conforme dispositivos adiante reproduzidos [destaques acrescidos]: Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Nova Redação da Lei nº 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007); II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). (...) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 866DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 840 26 ... Já os citados arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, assim dispõem: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. No caso em análise, a Fiscalização, além de reunir provas diretas da caracterização da omissão de receitas, constatou também que: a pessoa jurídica, representada por seus sócios e seu procurador, agiu de forma reiterada, deixando de informar receitas em suas declarações à Receita Federal apresentou a Receita Federal declarações com valores zerados; declarou ao Fisco Estadual, mediante GIA, o montante de receitas tributáveis de R$ 372.377.319,15; sua movimentação bancária verificada pela autoridade fiscal em apenas uma instituição financeira alcançou em 2007 o montante de R$ 65.129.219,74 e as compras de terceiros que adquiriram combustíveis da fiscalizada alcançou R$ 139.641.513,66; teve sua inscrição estadual cassada em março de 2007 e continuou operando normalmente neste ano; apresentou mensalmente, à Agência Nacional de Petróleo, declaração indicando volume em litros de combustíveis transacionados, que, pelos valores mínimos, totalizam o montante de R$ 220.626.498,00 prestou informações falsas quanto à capacidade financeira de satisfazer credores (capital social); Considero, nesse sentido, que os trabalhos fiscais resultaram na formação de um consistente conjunto de procedimentos que autorizaram a constatação da fraude, Fl. 867DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 841 27 demonstrando a intenção de impedir ou retardar o conhecimento dos fatos por parte da Fazenda Nacional, mediante a prática reiterada de omissão de receitas da atividade culminando com a falsa declaração do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos conforme informações prestadas pela própria contribuinte à Fazenda Estadual e a órgão regulador da atividade (ANP) corroboradas pela expressiva movimentação financeira e por informações de compras prestadas pelos adquirentes de seus produtos. Evidenciou, assim, a autoridade fiscal a existência de prova direta de reiterada omissão de receitas, com deliberada alteração da natureza dos fatos efetivamente ocorridos (falseandoos nas declarações prestadas à receita Federal), com vistas a esquivarse da incidência tributária sobre as operações realizadas, razão pela qual não há como afastar a imputação de fraude a ensejar a aplicação da multa de ofício de 150% prevista legalmente conforme norma acima transcrita. Por fim, quanto às alegações de que a multa aplicada seria ilegal e de caráter confiscatório, características essas que afrontariam princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e do nãoconfisco, há que se ponderar que a multa de ofício aplicada teve por base norma legal válida e regularmente inserida no ordenamento jurídico pátrio. Neste contexto, observadas as previsões legais acerca da imposição da multa qualificada, incabíveis as alegações de ofensa a princípios constitucionais de vedação ao confisco, razoabilidade e capacidade contributiva. De fato, os questionamentos dessa natureza dirigemse à atividade do legislador, sendo, portanto, impertinente à presente causa. Ademais, quaisquer alegações de descumprimento de princípios constitucionais por parte de dispositivos legais que respaldam a autuação, não podem ser oponíveis na esfera administrativa. Estando o lançamento de conformidade com a legislação tributária vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, não cabe qualquer alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade no contencioso administrativo, vez que não compete à autoridade administrativa examinar a validade de dispositivo regularmente inserido no sistema tributário nacional, sendo tal atribuição do Poder Judiciário. Isto porque a apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, estando fora de seu alcance o debate sobre aspectos da validade, constitucionalidade ou legalidade da legislação, vez que o controle da constitucionalidade das normas é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102, I, “a”, III da CF de 1988. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é eliminada do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Consignese que atualmente se encontra em vigor o artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal PAF, introduzido pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, que dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 868DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 842 28 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. Logo, resta prejudicada a análise no contencioso administrativo das argüições da Recorrente de afronta da legislação tributária aos princípios constitucionais, visto que a exigência fiscal fundamentase em leis regularmente inseridas no sistema tributário nacional. Tal entendimento encontrase pacificado inclusive na segunda instância do contencioso administrativo, conforme ementa da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, a seguir reproduzida: SÚMULA Nº 2 : O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nego provimento aos recursos quanto a essa matéria. Da responsabilidade solidária dos coobrigados Quanto à atribuição de responsabilidade solidária ao procurador Carlos Sussumo Hasegawa, além dos motivos constantes do Termo de Verificação mencionado no Relatório, a sujeição passiva foi a ele atribuída por meio do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 03, de fls. 588, do qual se extrai: ... O Sr. Carlos Sussumo Hasegawa é o procurador da Petromarte desde 30/03/2000, através de escritura pública, com amplos poderes para gerir e administrar os negócios da firma outorgante. Conforme documentação encaminhada pelo Fisco do Estado de São Paulo, verificouse que a administração da Petromarte foi efetuada principalmente pelo procurador, Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, mas conjuntamente com os dois sócios conforme declaração prestada pelo Sr. Carlos e a Sra Tieko Fukuda Hasegawa: Sr. Carlos Sussumu Hasegawa (procurador): Fl. 869DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 843 29 "Que administra a empresa conjuntamente com seus pais. Que seus pais (sócios da empresa) não participam diariamente das atividades da empresa, tendo participações somente nas tomadas de decisões importantes" Sra Tieko Fukuda Haseoawa (sócia): "Que participa das tomadas de decisão, juntamente com seu filho, Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, e seu marido, o Sr. Shin Hasegawa". Também, conforme o Termo de Verificação Fiscal, verificamos que o Sr. Carlos assinou os cheques emitidos pela Petromarte no anocalendário 2007, confirmando que o mesmo gerenciou a empresa neste ano. Com efeito, na qualidade de administrador atuando na sua administração, praticou atos com excesso de poderes ou infração à lei, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, prestação de falsas informações ao Fisco Federal e deixou de efetuar os procedimentos obrigatórios de encerramento da pessoa jurídica perante os órgãos competentes, A adoção dessas condutas representam infrações à lei societária, infração à lei ou excesso de poderes e implicam na responsabilização dos mandatários, com base no disposto no art. 135, inciso III, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Assim, nos termos do artigo 135 do Código Tributário Nacional (Lei n 5.172/1966) restou caracterizada a sujeição passiva solidária em face do contribuinte Carlos Sussumu Hasegawa, tendo em vista a infração à legislação tributária, conforme Termo de Verificação Fiscal. ... Quanto à atribuição de responsabilidade solidária aos sócios Shin Hasegawa e Tieko Fukuda Hasegawa, além dos motivos constantes do Termo de Verificação mencionado no Relatório, a sujeição passiva foi a eles atribuída por meio dos Termos de Sujeição Passiva Solidária nº 01 e 02, de fls. 582 e 585 dos quais se extraem: A Sra. Tieko Fukuda Hasegawa é sóciaadminstradora da empresa Petromarte Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda. ... O Sr. Shin Hasegawa é sócioproprietário da empresa Petromarte Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, constatouse que a Fazenda Pública Estadual cassou em 09/03/2007 a inscrição estadual da Petromarte, bem como, a ANP cancelou o registro para distribuição de combustíveis em 01/07/2008 Sem autorização para comercialização, a sociedade cessou suas atividades e não adotou as devidas providências junto aos órgãos de registro, simplesmente foi abandonada. A dissolução irregular da sociedade restou caracterizada em virtude de a mesma não ter sido localizada em seu domicílio fiscal. Conforme documentação encaminhada pelo Fisco do Estado de São Paulo, verificouse que a administração da Petromarte foi efetuada principalmente pelo Fl. 870DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 844 30 procurador, Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, mas conjuntamente com os dois sócios, conforme declaração prestada pelo Sr. Carlos e a Sra Tieko Fukuda Hasegawa: Sr Carlos Sussumu Hasegawa (procurador): "Que administra a empresa conjuntamente com seus pais. Que seus pais (sócios da empresa) não participam diariamente das atividades da empresa, tendo participações somente nas tomadas de decisões importantes" Sra Tieko Fukuda Haseçjawa (sócia): “Que participa das tomadas de decisão, juntamente com seu filho, Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, e seu marido, o Sr. Shin Hasegawa". Com efeito, na qualidade de sócios administradores atuando na sua administração, praticaram atos com excesso de poderes ou infração à lei, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, prestação de falsas informações ao Fisco Federal e deixaram de efetuar os procedimentos obrigatórios de encerramento da pessoa jurídica perante os órgãos competentes. A adoção dessas condutas representam infrações à lei societária, infração à lei ou excesso de poderes e implicam na responsabilização dos sócios administradores, com base no disposto no art. 135, inciso III, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Ademais, de acordo com a Súmula 435 do Superior Tribunal de Justiça, "Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio gerente." Assim, nos termos do artigo 135 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966) restou caracterizada a sujeição passiva solidária em face do contribuinte Shin Hasegawa, tendo em vista a dissolução irregular da empresa. .... Referido art. 135 estabelece: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: l as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Na defesa apresentada, argumentam os Recorrentes que para atribuição de responsabilidade solidária não basta dispor de poderes de gerência, sendo necessária a comprovação da ação dolosa, com a intenção de praticar atos com excesso de poderes de forma a violar a lei. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 845 31 Quanto ao Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, é indiscutível sua participação na gerência da empresa e considero sua atuação como exercida com excesso de poderes e infração à lei, como se verá a seguir. Como demonstrado pela Fiscalização, ao Sr. Carlos foram outorgados, por procuração pública, amplos e gerais poderes para o fim especial de gerir e administrar os negócios da firma outorgante no tocante a todo o ramo de atividade em que possa representála, assinar e requerer todos os documentos necessários para a referida administração (...) representando os outorgantes perante todas as repartições públicas, (...) comprar e comercializar mercadorias, assinando e emitindo notas fiscais; (...) contratar e dispensar funcionários, etc. E esses poderes foram de fato exercidos pelo Sr. Carlos como comprovam os diversos cheques da pessoa jurídica por ele assinados. Além disso, consoante informações obtidas junto ao Fisco Estadual o próprio Sr. Carlos declarou que administrava a empresa juntamente com seus pais (sócios constantes do Contrato Social). Ora, a administração da empresa pressupõe, inclusive, o cumprimento de suas obrigações perante órgãos públicos, o que, no caso, somente teria ocorrido perante o Fisco Estadual, já que para a Fazenda Pública Federal foram apresentadas declarações zeradas, sem que nada tivesse sido oferecido à tributação, apesar das vultosas receitas auferidas e reconhecidas pelos representantes da pessoa jurídica (sócios e procurador) tanto que informadas ao Fisco Estadual. A alegação de desconhecimento das grandes decisões da empresa e de que declarações teriam sido apresentadas zeradas em nada socorre o Sr. Carlos, pois, na qualidade de procurador com amplos poderes de representação e administração, competia a ele acompanhar, juntamente com os sócios, o fiel cumprimento das obrigações da pessoa jurídica perante a Fazenda Pública. Os atos com excesso de poderes ou infração à lei foram expressamente identificados pela Fiscalização como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, prestação de falsas informações ao Fisco Federal, bem como, ter deixado de efetuar os procedimentos obrigatórios de encerramento da pessoa jurídica perante os órgãos competentes. Como se vê, distintamente do que alega, não se trata, apenas, de descumprimento da obrigação de recolher os tributos. Na verdade, demonstrou a Fiscalização a ocorrência de infração à lei, com conseqüências tributárias: auferimento de receitas em valores expressivos, sem que nada tivesse sido oferecido a tributação federal, com apresentação de declarações zeradas, caracterizando falsidade, violando disposições legais que determinam o pagamento de tributos e a apresentação de declarações refletindo as atividades da empresa. E não se pode alegar que tais receitas não seriam de conhecimento do procurador da empresa e de seus sócios, pois, além da movimentação financeira em conta de titularidade da pessoa jurídica, os valores das receitas foram informados ao Fisco Estadual. Ademais, também configura hipótese de que trata o art. 135 do CTN, a dissolução irregular, por configurarse infração a lei. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 846 32 Em que pese a alegação da Defendente de que o retorno da correspondência com a informação “mudouse” não permite concluir pela dissolução da empresa, o fato é que a Fiscalização elencou uma série de outros fatos que culminaram, inclusive, com a declaração de inaptidão da empresa, quais sejam: 57. A dissolução irregular da sociedade restou caracterizada em virtude de a mesma não ter sido localizada em seu domicílio fiscal e não ter havido qualquer'comunicação à Secretaria da Receita Federal deste fato. 58. Tal situação foi corroborada pela informação prestada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a esta fiscalização (item acima), acerca do cancelamento do registro para distribuição de combustíveis da empresa Petromarte. 59. Também, foi corroborada pela cassação da inscrição estadual efetuada pelo Fisco do Estado de São Paulo em 09/03/2007. 60. Sem autorização para comercialização, a sociedade cessou suas atividades e não adotou as devidas providências junto aos órgãos de registro, simplesmente foi abandonada. 61.. Conforme já explanado anteriormente, a DEAT – Diretoria Executiva da Administração Tributária Combustíveis, encaminhou vasta documentação contendo elementos que embasaram a cassação em 2007 das atividades da fiscalizada como distribuidora de combustível. Além disso, também instruem os autos documento da ANP informando o cancelamento do registro da pessoa jurídica e o fechamento de suas instalações (SP e PE) desde 01/07/2008 (fls. 223/225). Tais constatações redundaram, inclusive, na declaração de inaptidão da empresa, conforme Ato Declaratório Executivo nº 36, de 07/11/2011, do Serviço de Fiscalização da DRF/Campinas, que instrui os autos às fls. 462. E, nessas circunstâncias, nada há que afaste a aplicação da Súmula 435 do Superior Tribunal de Justiça, a qual já pacificou entendimento no tocante à pessoa jurídica não localizada caracterizar dissolução irregular: Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. Assim, injustificável a objeção do Recorrente à conclusão fiscal de dissolução irregular da empresa, mesmo porque não comprovam os interessados sua efetiva existência, quer no endereço fornecido para fins cadastrais à Receita Federal, quer em outro endereço e, sequer, apresentam impugnação ou recurso voluntário em nome da Pessoa Jurídica. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 847 33 Dissolvida a empresa, mais uma razão para o arrolamento dos sócios responsáveis e do procuradorgerente como responsáveis solidários pelo crédito tributário apurado. E, quanto aos sócios Sr. Shin Hasegawa e do espólio da Sra. Tieko Fukuda Hasegawa, nem se alegue ausência de provas de que não detinham poderes de gerência da sociedade em questão. Tal argumento cai por terra face as constatações e documentos trazidos pelo Fisco. Tanto o Sr. Shim Hasegawa como a Sra. Tieko Fukuda Hasegawa figuravam, desde antes da época dos fatos, como sócios formais da empresa, com poderes de administração e gerência. É o que se extrai da documentação obtida pela Fiscalização junto à JUCESP (fls. 158 e 189). Além disso, pela análise das declarações prestadas junto ao Fisco Estadual pelos interessados, confirmase a participação dos sócios Sr. Shin e Sra. Tieko na administração da empresa. O fato de os sócios terem constituído seu filho, Sr. Carlos Sussumo Hasegawa, como procurador, com poderes de administração, não lhes retira os poderes de representação e administração da pessoa jurídica que são próprios de sua condição de sócios, o que já foi afirmado e confirmado perante o Fisco Estadual, como já visto acima. De todo modo, a obrigação de acompanhar o cumprimento das obrigações da pessoa jurídica junto a Fazenda Pública é inerente à condição de sócios, com poderes de administração e gerência, não sendo afastada pela constituição de procurador, no caso, filho dos sócios. E, nesse sentido, conforme mencionado no Termo de Verificação, já decidiu o STJ ao firmar entendimento de que o sócio que recolhe os bônus lucrativos da sociedade mas não verifica o adimplemento dos tributos, locupletase e a fortiori comete o ilícito que faz surgir a sua responsabilidade." (STJ. AGA 472260/SC. Rei.: Min. Luiz Fux. 1ª Turma. Decisão: 20/05/03. DJ de 02/06/03, p. 195). Lembrese que no presente caso tanto o procurador, Sr. Carlos Sussumo Hasegawa, como os sócios Sr. Shin Hasegawa e Sra. Tieko Fukuda Hasegawa (seus pais) detinham poderes de administração e gerência por ocasião do vencimento dos tributos ora lançados, inclusive de movimentação de contas bancárias, de utilização dos recursos gerados pela atividade que proporcionou o auferimento de receitas integralmente subtraídas da tributação, bem como de representação da pessoa jurídica junto a órgãos públicos cabendolhes zelar tanto pelo cumprimento de obrigações principais (pagamentos dos tributos devidos) como de obrigações acessórias (tais como apresentação de declarações refletindo as reais operações da empresa e atualização de cadastro com indicação de endereço e informação de sua eventual inatividade ou dissolução). Nestas circunstâncias, não há como afastar a conclusão fiscal de que, na qualidade de sócios administradores atuando na sua administração, também o Sr. Shin Hasegawa e a Sra. Tieko Fukuda Hasegawa praticaram atos com excesso de poderes ou infração à lei, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, prestação de falsas informações ao Fisco Federal e deixaram de efetuar os procedimentos obrigatórios de encerramento da pessoa jurídica perante os órgãos competentes. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 848 34 Nego provimento aos recursos nesse ponto. Conclusão Diante do exposto, Voto no sentido de negar provimento aos Recursos Voluntários apresentados. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 875DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10580.732653/2010-10
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.260
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco – Relator Editado em 30/11/2012 Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.843 2 RELATÓRIO Tratase de recurso de ofício e recurso voluntário (fls. 1682 a 1751, 1759 a 1762 e 1763 a 1832) este último apresentado em 15 de fevereiro de 2012 contra o Acórdão no 15 29.446, de 17 de janeiro de 2012, da 4ª Turma da DRJ/SDR (fls. 1659 a 1681), cientificado em 02 de fevereiro de 2012, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS nãocumulativos dos períodos de janeiro a dezembro de 2008, considerou a impugnação procedente em parte, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2008 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser negada a solicitação de diligência considerada desnecessária à solução do litígio. NULIDADE. As argüições de nulidade do auto de infração só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. INCONSTITUCIONALIDADE. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2008 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMOS UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. Não geram crédito para efeito do regime nãocumulativo da Cofins os gastos relativos a rastreamento de veículos e cargas e a seguros de qualquer espécie, uma vez que estes itens não configuram serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviço de transporte rodoviário de carga. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. A base de cálculo da Cofins é o faturamento, admitidas apenas as exclusões previstas em lei. Inexistindo autorização expressa da lei para exclusão do valor do ICMS, deve esse imposto compor a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2008 MULTA QUALIFICADA. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA AUTORIDADE LANÇADORA. Incabível o lançamento de multa qualificada sem a demonstração das condutas típicas previstas nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O auto de infração foi lavrado em 07 de dezembro de 2010, de acordo com o termo de fls. 44 a 47. Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.844 3 A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins relativa aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2008. No “Termo de Verificação Fiscal”, a autuante informa que a empresa fiscalizada exerce a atividade operacional de administração logística de estoque de terceiros, armazenagem, distribuição e transporte multimodal de cargas em geral, de produtos farmacêuticos e farmoquímicos, municipal, intermunicipal, interestadual e internacional, franquia empresarial e consultoria e gestão empresarial nas áreas comercial e de esportes em geral. A partir dos documentos apresentados pela empresa em atendimento às diversas intimações feitas pela fiscalização, constatouse que os lançamentos contábeis efetuados em contas de resultado possuem o mesmo histórico, qual seja, “Lançto. Nessa Data”, e ante a impossibilidade de identificação dos beneficiários dos desembolsos feitos, foram solicitados relatórios auxiliares identificando os lançamentos do razão, os beneficiários dos pagamentos, segregação dos pagamentos feitos a pessoa física, bem como os pagamentos efetuados que guardam relação direta com a atividade operacional da fiscalizada, acompanhados dos respectivos comprovantes (documentos de pagamentos). A análise dos documentos apresentados pela contribuinte ensejou as seguintes constatações pela fiscalização: a) DIPJ 2009 A fiscalizada adotou como forma de tributação o Lucro Real, estando, assim, sujeita à apuração e recolhimento da Cofins e do PIS com base na não cumulatividade; b) DACON 2008 A RFB recepcionou em 21/07/2010 demonstrativos retificadores correspondentes ao período fiscalizado, quando a contribuinte já se encontrava sob ação fiscal; c) DCTF 2008 Também quando a contribuinte já se encontrava sob ação fiscal, foram recepcionadas declarações retificadoras relativas ao período de janeiro a maio de 2008 e declarações originais relativas ao período de junho a dezembro de 2008: em 02/07/2010, relativas a janeiro e fevereiro de 2008; em 05/07/2010, relativas ao período de março a agosto de 2008; e em 06/07/2010, relativas ao período de setembro a dezembro de 2008. d) Demonstrativos de apuração dos créditos de PIS e Cofins de 2008 Os demonstrativos apresentados revelam que a fiscalizada utilizou a integralidade dos seus gastos, mês a mês, como base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS no período, ignorando os dispositivos legais que estabelecem normas e critérios para o cálculo dos referidos créditos. Desta forma, segundo a autuante, a fiscalizada, em total desatenção aos dispositivos legais de regência do PIS e da Cofins não cumulativos, (i) creditouse de gastos com remuneração aos seus funcionários, remuneração a contador, advogado, pagamentos diversos a pessoas físicas, dentre outros gastos não sujeitos ao crédito do PIS e da Cofins; (ii) ignorou o que preceitua o artigo 31 da Lei nº 10.865, de 30 de abril Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.845 4 de 2004, que estabelece que o crédito do PIS e da Cofins só pode ser calculado sobre a depreciação/amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos a partir de 30 de abril de 2004; (iii) também não procedeu ao cálculo do crédito presumido do PIS e da Cofins em relação aos pagamentos efetuados aos carreteiros pessoa física, tendo se apropriado integralmente dos gastos. Diante dos inúmeros créditos indevidos de PIS e Cofins utilizados pela fiscalizada no ano calendário de 2008, a autuante elaborou planilha demonstrativa de glosa de créditos, mês a mês, partindo dos valores informados pela fiscalizada nos DACON entregues e abatendo aqueles indevidamente considerados. Com base nos novos números apurados de créditos do PIS e da Cofins, verificouse insuficiência de recolhimento e declaração das contribuições, ensejando, assim, a lavratura do Auto de Infração ora em litígio. Sobre os valores lançados no Auto de Infração, a autuante aplicou a multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), em face do que preceitua o artigo 44, I e §1° da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, por entender ser incontestável que a contribuinte, a despeito de toda a assessoria jurídicocontábil que dispõe, ignorou os dispositivos legais de regência da matéria com a intenção de se eximir da tributação a ela imposta pela legislação fiscal, deixando de declarar e recolher a Cofins e a contribuição para o PIS devidas no período fiscalizado. Por fim, informa a autuante que foi efetuada Representação Fiscal para Fins Penais, considerando o que determina o art. 1º da Lei nº 8.137, de 1990, que trata de crimes contra a ordem tributária. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresenta impugnação, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: 1. Não se consegue entender exatamente a razão da autuação, pois o Auto de Infração em tela, além de totalmente lacônico em termos de motivação e fundamentação, foi lavrado sem o necessário Relatório Fiscal, mínimo ou exíguo que fosse, configurando o inexorável cerceamento do direito de defesa; 2. Chocada com a ausência do Relatório Fiscal, a impugnante ainda procurou, nos outros itens do Auto de Infração, qualquer descrição, explicação ou indicação, ainda que mínima, acerca dos motivos da autuação em tela, ou ainda de seus eventuais fundamentos técnicojurídicos, mas sem sucesso, não sabendo, até o presente momento, os motivos que levaram a auditora fiscal a lavrar o Auto de Infração, sendo nítida, portanto, a sua nulidade, por faltarlhe elemento essencial; 3. De qualquer forma, fazendo um grande cerebrino, ou melhor, um esforço criativo, a impugnante pode apenas imaginar, mas não saber ao certo, que a falta/insuficiência de recolhimento da Cofins aludida no Auto de Infração decorreria da suposta glosa de créditos que haviam sido legitimamente tomados pela empresa; 4. Mesmo que venha a se revelar correta a adivinhação feita pela impugnante, e que realmente se trate da glosa de créditos que a fiscalização entendeu serem indevidos, ainda assim essa assertiva não é, nem de longe, suficiente para constituir a motivação de um ato administrativo, especialmente de um Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.846 5 Auto de Infração, pois, ainda que no Auto de Infração constasse (e não consta!) a afirmação de que se trataria da glosa de créditos indevidos, essa mera alegação não tem o condão de explicar os motivos fáticos e as razões técnicojurídicas que levaram a essa suposta glosa de créditos; 5. As planilhas elaboradas pela autuante apresentam somente cálculos matemáticos, e nelas constam apenas os nomes das contas contábeis, com a indicação numérica dos valores utilizados pela empresa como crédito e se tais valores foram glosados ou "acatados" pela fiscalização; 6. Tomandose como exemplo a conta 4.3.1.06.099 (comunicação externa), há na planilha simplesmente a indicação da conta, a informação de que a impugnante utilizouse de R$64.920,45 como crédito, integralmente glosado pela fiscalização, mas o porquê da glosa não se sabe, por qual razão e por qual motivo todos os créditos utilizados teriam sido considerados indevidos, não havendo qualquer explicação ou motivação e nem mesmo indicação de dispositivo de lei; 7. Há situações em que o cerceamento de defesa é ainda mais grave, como, por exemplo, quanto à conta 4.1.2.04.001, em que apenas parte dos créditos foi glosada, mas considerandose que nessa mesma conta há inúmeros lançamentos contábeis, não pode a impugnante saber quais desses lançamentos foram glosados e quais foram acatados; 8. Há, inclusive, mais de uma conta em que a fiscalização, ao que parece, aceitou, para alguns meses, a integralidade dos créditos tomados pela impugnante e, em outros, glosou totalmente créditos de mesmíssima origem; 9. Também é importante destacar que, intimada em 07/12/2010 acerca da lavratura do Auto de Infração, a impugnante, na desesperada tentativa de encontrar os subsídios que teriam, em tese, embasado a autuação, diligenciou perante a Receita Federal do Brasil RFB em Salvador/BA visando ter acesso aos autos do respectivo Processo Administrativo Fiscal –PAF; 10. Em um primeiro momento, poucos dias após o recebimento do Auto de Infração, o escritório de advocacia que defende a impugnante, situado em São Paulo/SP, enviou estagiário de Direito, devidamente identificado e portador de substabelecimento com poderes específicos para acesso aos autos e obtenção de cópias, e embora o funcionário da RFB tivesse em mãos um CD com a cópia completa do PAF, o seu fornecimento ao mencionado estagiário foi vedado, sob a alegação de que seria necessária a apresentação de procuração firmada por instrumento público, nos termos do art. 5º, caput, da Medida Provisória nº 507, de 2010, e do art. 7º da Portaria RFB nº 2.166, de 2010, exigência essa inaplicável aos advogados por força de liminar conferida em Mandado de Segurança impetrado pelo Conselho Federal da OAB; 11. Embora discordasse dessa esdrúxula exigência, em especial no presente caso, em que corria o prazo para apresentação de impugnação, não lhe restou alternativa senão enviar um advogado, de São Paulo para Salvador, a fim de ter acesso ao Processo Administrativo, diligência, entretanto, mais uma vez frustrada, pois o advogado esteve na Receita Federal no dia 23/12/2010 e foi surpreendido com a informação de que seria necessário o "agendamento de vista", devendo aguardar até o dia 30/12/2010 para ter acesso aos autos, como se nota do anexo "Protocolo do Contribuinte"; 12. Ora, se já existia cópia digital do PAF, disponível instantaneamente aos funcionários com acesso ao sistema da RFB, qual teria sido a razão para se impedir a entrega de Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.847 6 um CD ao advogado representante da impugnante, no próprio dia 23/12/2010?; 13. Assim sendo, somente em 30/12/2010 a impugnante conseguiu ter efetivo acesso ao Processo Administrativo que tramita contra si, ou seja, sete dias antes do término do prazo para apresentação da impugnação, o que, sem dúvidas, prejudicou enormemente a sua defesa; 14. Não há qualquer justificativa para que tenha sido postergado o acesso da impugnante às cópias do PAF em questão, parecendolhe que a RFB, deliberadamente, dificultou o seu acesso no intuito de restringir a sua defesa, tratandose, portanto, de típica, porém inadmissível, arbitrariedade e violação dos Princípios Constitucionais aplicados à Administração Pública, previstos no caput do art. 37 da Carta, em especial o da publicidade, o da moralidade e os da ampla defesa e do contraditório, previstos no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, bem como no art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999; 15. Pelo exposto, percebese que não foi apenas reprovável, mas também absolutamente ilegal e inconstitucional, a restrição ao direito da impugnante de ter acesso ao Processo Administrativo e obter cópias dos seus termos, transcrevendo doutrina e jurisprudência que corroborariam seus argumentos; 16. Por essas razões, há de se devolver o prazo de 30 dias para que a impugnante apresente nova impugnação, havendo, no mínimo, de se reabrir o mencionado prazo por 23 dias, número de dias durante os quais à impugnante não foi permitido ter acesso aos autos, caso contrário restará cristalizada insanável nulidade do Processo Administrativo, que certamente será declarada pelo Poder Judiciário, o que fará todo o procedimento voltar ao seu início; 17. Quanto ao mérito, a legislação federal brasileira obriga que as empresas transportadoras façam contratos de seguro em relação a toda a sua operação, e conforme dispõe o art. 21 da Lei nº 11.442, de 2007, de forma clara e expressa, o não cumprimento dessa determinação implica até mesmo no cancelamento da inscrição da empresa; 18. Como consequência dessa obrigação legal, temse que a contratação de seguros por parte das transportadoras é um "custo obrigatório", sendo que as seguradoras, para considerarem a celebração de contrato, exigem das transportadoras, por exemplo, a contratação de serviços de rastreamento de veículos, de escolta para transporte de determinadas mercadorias, contratação de vigilantes, etc.; 19. Logo, para que uma transportadora possa dar integral cumprimento aos ditames da Lei nº 11.442, de 2007, necessariamente tem que arcar não só com os custos diretamente decorrentes dos contratos que terá de firmar com as seguradoras, mas também cumprir todas as exigências complementares, que implicam em custos adicionais e obrigatórios; 20. Por conseguinte, em se configurando que tais custos não são opcionais, e por fazerem parte daqueles custos direta e indissociavelmente ligados à operação da empresa, temse que eles deveriam, sem sombra de dúvidas, gerar créditos de PIS e de Cofins para tais empresas, mas pelo que se pode perceber do incompleto, desmotivado e confuso Auto de Infração, teria a fiscalização glosado todos os créditos utilizados pela impugnante, entre outros, de "Seguro de Cargas Responsabilidade Civil", "Desvio de Cargas", "Seguro de Transporte Aéreo de Carga", "Seguro de Cargas em Terminal", "Seguro da Frota contra Terceiros", etc., e todos os Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.848 7 custos inerentes ao cumprimento das exigências feitas pelas seguradoras; 21. Os custos com tais seguros estão inseridos diretamente no preço do frete e destacados nos próprios Conhecimentos de Transporte emitidos pela impugnante, o que demonstra que tais valores sequer poderiam ser considerados como receita pura e simples da autuada; 22. Dentre os custos decorrentes de exigências dos contratos de seguros e de gerenciamento de riscos impostos pelas seguradoras como parte do contrato de seguro, a impugnante destaca não só os rastreadores dos veículos instalados em toda a frota, como também escolta armada e vigilantes e porteiros especialmente treinados, mostrandose sem nenhum fundamento jurídico a aparente e injustificada glosa de créditos relativos aos lançamentos a título de "Escolta de Cargas", "Rastreamento Rodoviário de Cargas", "Manutenção de Equipamento de Rastreamento", "Mão de Obra Rastreamento", "Rastreamento Urbano de Cargas", etc., os quais também são destacados no Conhecimento de Transporte como custos que compõem o valor do frete cobrado; 23. A partir de verdadeira "sessão de clarividência", foi possível imaginar que talvez até mesmo créditos de PIS e Cofins relativos a despesas flagrantemente operacionais, ou de insumos, foram indevidamente glosadas, como, por exemplo, as contas contábeis de leasing, em que, nos meses de abril, maio e junho de 2008, todos os créditos tomados pela impugnante em suas 8 contas foram acatados, com exceção da conta "4.31.08.015 Leasing Computadores"; 24. Por meio da análise da já mencionada e malsinada "tabela de glosas" acostada ao presente feito, imaginase que a fiscalização acatou a integralidade dos créditos tomados pela impugnante em relação aos "Transportes Fluviais", mas os créditos tomados em relação a "Balsas e Pedágios" teriam sido aparentemente glosados pela fiscalização, sem nenhuma explicação, embora as razões para uso de balsas sejam exatamente as mesmas para uso do transporte fluvial, estando os créditos de PIS/COFINS a eles referentes contabilizados separadamente apenas por questões de controle interno da empresa; 25. Em relação às despesas com pedágios, a impugnante entende que sequer haveria o que ser discutido quanto à inafastável conclusão de que tais despesas devem gerar créditos de PIS/COFINS para as transportadoras, pois são essenciais, obrigatórias e impossíveis de serem contornadas ou não pagas; 26. Fazendose um hercúleo esforço interpretativo, podese perceber a glosa de créditos tomados em relação às despesas com manutenção da sua frota de caminhões, conforme inúmeras "contas contábeis" mencionadas na suposta "tabela de glosas", como, por exemplo, a de "Pneus e Câmaras Col/Ent", "Manutenção e Equipamento de Rastreamento Rodoviário", "Manutenção Preventiva de Frota Operacional", "Manutenção Corretiva de Frota Operacional", "Material de consumo da Oficina", etc., as quais, bem como as assemelhadas a elas que também tiveram os créditos de PIS e Cofins glosados, se referem às despesas que a empresa incorre para conseguir manter em operação seus veículos; 27. Outra glosa que parece ter sido feita sem maiores explicações por parte da fiscalização foi a de créditos referentes aos “Impressos Legais”, que são documentos cuja emissão é obrigatória por lei, como, por exemplo, formulários de Conhecimento de Transporte, Manifestos de Carga e Ordem de Coleta, que têm que acompanhar todo e qualquer frete feito pela impugnante, tratandose de documentação legalmente exigida e sem a qual o Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.849 8 transporte não pode ser feito; 28. Se a emissão de documentos é feita em cumprimento à rigorosíssima legislação aplicável à hipótese, é decorrência lógica que a impugnante incorre em despesas para viabilizar sua operação, que não são opção da impugnante e, portanto, geram créditos de PIS e Cofins, não se podendo admitir que tais créditos sejam glosados pelo Fisco Federal de forma arbitrária, injustificada e desmotivada; 29. A impugnante imagina, ainda, que a fiscalização tenha incluído na base de cálculo da Cofins supostas receitas que, na verdade, se referiram a “descontos incondicionais” concedidos a seus clientes, o que pode ter ocorrido, talvez, por terem sido contabilizados sob a nomenclatura “Desconto sobre Duplicatas”, por uma questão operacional específica do ramo de atuação da impugnante; 30. Sempre que é contratada por algum cliente para efetuar a entrega de determinado bem, a empresa tem, necessariamente, que expedir o “Conhecimento de Transporte”, no qual estará descrito o valor do frete contratado, o peso e/ou a cubagem da mercadoria a ser entregue, etc., mas ocorre que, por vezes, o cálculo desse peso/cubagem é feito ou lançado de forma equivocada, acabando por gerar no Conhecimento de Transporte um valor de frete superior àquele que efetivamente seria devido pelo contratante do serviço, equívoco somente constatado no momento da entrega da mercadoria, após a checagem do peso/cubagem, quando se verifica que, de fato, o valor do frete foi lançado a maior no Conhecimento de Transporte, não havendo outra forma de ajustar tal valor senão pela concessão de “desconto incondicional”, que, na verdade, é um ajuste de preço concedido ao contratante na própria duplicata, até porque o cálculo do frete fora indicado erroneamente e não pode o cliente pagar além do que realmente seria devido; 31. Essa especificidade atinente ao ramo de negócio da impugnante não pode, de forma alguma, tornar inaplicável a ela o disposto no art. 1º, §3º, inciso V, alínea “a”, da Lei nº 10.833, de 2003; 32. Para comprovar a situação aqui descrita, a impugnante anexa documentos que demonstram toda a troca de correspondências e informações, bem como de todo o processo interno que leva à conclusão de que o valor do frete consignado no Conhecimento de Transporte foi lançado a maior do que o devido, sendo necessária a concessão de um abatimento em função da correção do valor final do frete; 33. Assim sendo, também os valores referentes aos descontos incondicionais concedidos pela impugnante, ainda que sob a classificação contábil de “Descontos sobre Duplicatas”, devem ser excluídos da base de cálculo da Cofins que está sendo cobrada nestes autos; 34. A multa punitiva aplicada pela auditorafiscal, em função provavelmente dessa divergência de interpretação que a impugnante está a imaginar, foi fixada no absurdo percentual agravado de 150%, para o qual, entretanto, somente há autorização legal quando houver fraude ou sonegação fiscal, o que definitivamente não se configurou no presente caso; 35. Uma vez não provada a existência de dolo no ato supostamente sonegatório praticado, não há configuração do elemento típico que justifique a aplicação da multa “dobrada” prevista pela Lei nº 9.430, de 1996, c/c a Lei nº 4.502, de 1964, pois, no máximo, a autuação fiscal caso não seja anulada, como de fato deve ser decorreria de interpretação divergente entre a contribuinte e o Fisco, em relação à legislação aplicável à matéria, notadamente no tocante às despesas de empresas transportadoras que podem gerar créditos de PIS e Cofins; 36. Se um Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.850 9 agente do Fisco entende que determinado contribuinte deixou de recolher um tributo com a intenção de fraudálo ou sonegalo, tem que demonstrar, por meio de provas cabais e inequívocas, que esta foi a sua intenção, mas no presente caso não há uma única palavra descrevendo as razões pelas quais foi aplicada a multa agravada de 150%; 37. Ainda que se reduza a multa de 150% para o percentual de 75% previsto na Lei nº 9.430, de 1996, em razão do reconhecimento da inexistência de qualquer fundamento para o agravamento da multa, temse que esse percentual de 75% ainda se revela total e absurdamente confiscatório; 38. Conforme doutrina e jurisprudência do Tribunal Regional Federal – TRF da 5ª Região, que transcreve, entende a impugnante que o Fisco Federal vem aplicando multas em valores grotesca e notadamente confiscatórios, ferindo de forma patente as garantias constitucionais do contribuinte, notadamente as expressas nos artigos 145, § 1° (Princípio da Capacidade Contributiva) e 150, IV (Princípio da Vedação ao Confisco) da Constituição Federal de 1988, bem como os Princípios Constitucionais da Razoabilidade e da Proporcionalidade; 39. Desta forma, demonstrada a inconstitucionalidade dos tributos confiscatórios, cumpre ressaltar que não só estes estão sujeitos às regras elencadas nos arts. 145, § 1º, e 150, IV, CF, mas também a penalização tributária, pois esta é instituída visando apenas e tão somente sancionar os eventuais ilícitos cometidos pelo contribuinte, não podendo ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado, face à exorbitância do seu valor, bem como à sua desproporcionalidade; 40. Mesmo que a autoridade administrativa julgadora não venha a reconhecer a procedência dos fundamentos levantados pela impugnante, é certeza que, com a intervenção do Poder Judiciário, ficarão afastadas as arbitrariedades cometidas pelos órgãos de arrecadação tributários, ao instituir multas de caráter nitidamente confiscatório, como o é no presente caso; 41. Uma vez que a Cofins, conforme previsão do art. 195, inciso I, alínea “b” da Constituição Federal, incide sobre a receita ou o faturamento, impossível a inclusão do ICMS em sua base de cálculo, pois não há disposição expressa que determine a incidência da Cofins e do PIS sobre os valores pagos a título de ICMS; 42. Tal assertiva restou devidamente comprovada quando se tratou da inconstitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998, pois no julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.084PR restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal, entre outras coisas, a impossibilidade de a referida lei alterar a base de cálculo constitucionalmente definida da Cofins e do PIS; 43. O caput do art. 2º da Lei Complementar nº 70, de 1991, define a materialidade da Cofins em sintonia com a disposição constitucional, e o seu parágrafo único traz mera declaração ad cautelam para deixar claro que, por exemplo, o IPI não deve ser incluído na base de cálculo, o que não significa que, automaticamente, o ICMS estaria incluso na base de cálculo, mesmo porque se isso fosse verdade, tal assertiva seria incluída na redação do texto legal; 44. Encontrase sob julgamento do STF o Recurso Extraordinário n° 240.785MG, no qual se discute exatamente a constitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, com óbvias consequências para a mesma discussão no que tange ao PIS, sendo importante ressaltar que, até o presente momento, está prevalecendo a tese dos contribuintes, o que, certamente será também o resultado final deste julgamento; 45. O I. Ministro não Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.851 10 declarou a inconstitucionalidade do art. 2°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70, de 1991, ou seja, não foi necessária a declaração abstrata da inconstitucionalidade da lei para que o Ministro Relator verificasse a impossibilidade de que o ICMS integrasse a base de cálculo da Cofins, tendo sido realizada simples interpretação de acordo com os ditames constitucionais vigentes, o que já demonstra que os julgadores da RFB podem apreciar a matéria, por não se fazer necessária a declaração de inconstitucionalidade de nenhum dispositivo de lei; 46. No mínimo, os autos devem ser baixados em diligência para que a fiscalização refaça todo o cálculo do tributo lançado, excluindo o ICMS da base de cálculo da Cofins; 47. Resta patente o equívoco da fiscalização na forma de calcular o tributo, pois no cálculo anterior realizado pela contribuinte, quando os créditos utilizados são maiores do que a própria receita auferida no período, há uma “base de cálculo negativa” da contribuição, não considerada pela auditora ao glosar os créditos tomados pela impugnante, sendo necessária a realização pela fiscalização do cálculo completo da contribuição, considerando a receita auferida pela empresa, descontados os créditos que a própria fiscalização entendeu como válidos (“acatados”, na terminologia da planilha anexa ao Auto de Infração); 48. Mas assim não procedeu a fiscalização, pois parece que a agente fiscal simplesmente aplicou a alíquota da contribuição sobre os créditos glosados, o que resultou em enormes diferenças no cálculo do tributo; 49. Em termos práticos, podese dizer que foram desconsiderados créditos que a própria fiscalização entendeu como devidos, tributandose uma receita fictícia, e, como exemplo, citese o período de janeiro de 2008, em que a fiscalização apurou o total das receitas auferidas de R$23.584.081,96, e, segundo as planilhas da própria autuante, a empresa utilizou nesse período créditos no valor total de R$24.890.084,10 e efetuou “deduções sobre a receita” no valor total de R$1.265.246,46; 50. Pelos cálculos originais da impugnante, os créditos e as deduções totalizavam R$26.155.330,56, excedendo o valor da receita auferida no período (R$23.584.081,96), considerados, entretanto, equivocados pela fiscalização, em virtude da suposta utilização indevida de créditos; 51. Com efeito, foram glosados R$9.567.276,04 de créditos que haviam sido utilizados pela empresa em janeiro de 2008 e as “deduções sobre a receita” de R$ 1.265.246,46, totalizando R$10.832.522,50, conforme apontado na planilha elaborada pela própria auditora; 52. Entende a impugnante que a fiscalização deveria ter subtraído a quantia de R$10.832.522,50 do total de créditos e deduções utilizados pela empresa (R$26.155.330,56), para chegar ao total de créditos efetivamente devidos (R$15.322.808,06), que foram acatados pela própria fiscalização, e subtrair esse número da receita auferida no período (R$23.584.081,96), procedimento com o qual a fiscalização chegaria, no entender da autuante, à efetiva base de cálculo da contribuição; 53. Se a própria fiscalização parece ter concluído que a impugnante auferiu receitas no total de R$23.584.081.96, e que utilizou créditos válidos (acatados pela própria fiscalização) no total de R$15.322.808.07, basta subtrair este montante daquele para se chegar à correta base de cálculo da Contribuição, que é de R$ 8.261.273,89, sobre a qual, em se aplicando a alíquota de 7,6%, chegase ao valor de R$627.856,82 a título de Cofins, o que seria devido pela impugnante. Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.852 11 54. Contudo, a auditora fiscal simplesmente aplicou a alíquota de 7,6% sobre o total dos créditos e deduções glosados (R$10.832.522,50), chegando ao valor de R$823.271.71 lançado de ofício; 55. Logo, somente para o período de janeiro de 2008, há uma relevante diferença de R$195.414,89 indevidamente lançada contra a impugnante, diferença verificada em todos os períodos autuados, de janeiro a dezembro de 2008; 56. No mínimo, é necessário realizar novo cálculo da contribuição, tomandose por base as receitas auferidas, deduzidos os créditos que a fiscalização expressamente acatou, sendo imprescindível a realização de prova pericial contábil nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, indicando, assim, o nome do seu perito e formulando quesitos que pretende ver respondidos. E continua a DRJ: Em face das alegações da impugnante, por meio do Despacho DRJ/SDR nº 43/2011 (fls. 1199/1200) foi determinada a realização de diligência visando: “1) Identificar os lançamentos contábeis dos créditos não considerados no Auto de Infração e os motivos das glosas parciais efetuadas nas contas contábeis “pneus e câmaras col/ent”, “transporte fluvial”, “material consumo ope”, “balsa col/ent”, “lavagem de veículos col/ent”, “pedágio e balsa col/ent”, manutenção preventiva e corretiva, “manutenção de equipamentos ope”, “mão de obra carga/descarga PJ”, “aluguel semireboque” ; “2) Informar os valores das receitas mensais auferidas, em confronto com a linha “Total de Receitas Conforme Fiscalização” da planilha anexada pela impugnante, confirmando se as receitas informadas no DACON já se encontram subtraídas das “deduções sobra a Receita” constantes do demonstrativo elaborado pela autuante; “3) À luz do disposto no inciso V do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, esclarecer as razões de ter sido glosado, em relação aos períodos de apuração de abril a junho de 2008, apenas o crédito da conta “4.31.08.015 Leasing Computadores”, enquanto que para os demais períodos de apuração autuados foram glosados créditos de todas as 8 (oito) contas contábeis relativas às operações de leasing; “4) Cientificar a contribuinte acerca da diligência realizada, reabrindolhe novo prazo para que possa aditar sua impugnação, caso seja de seu interesse.” Desta forma, foram anexados os documentos de folhas 1201/1622, sendo que as conclusões da auditora fiscal constam do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal às folhas 1588/1593, do qual a contribuinte foi cientificada em 19/09/2011, apresentando às folhas 1595/1619 aditamento à sua impugnação. No relatório de diligência, a Fiscalização esclareceu o seguinte, em ordem respectiva aos itens acima enumerados: [...]Resposta: As glosas parciais efetuadas nas contas contábeis abaixo relacionadas são em decorrência de pagamentos de gastos a pessoas físicas, identificados e apurados através dos relatórios auxiliares fornecidos pela fiscalizada, durante a execução do procedimento de fiscalização, que ora estão sendo anexados a este Relatório de Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.853 12 Diligencia. Convém registrar que os relatórios auxiliares recebidos foram compostos por: razão, pagamentos a pessoas físicas e pagamentos a pessoas jurídicas para as contas aqui relacionadas. [...]Já com relação à conta contábil “mão de obra carga/descarga PJ”, as glosas contemplam não só os pagamentos efetuados a pessoas físicas como também pagamentos relativos à mão de obra tomadas de sindicatos e cooperativas, conforme relatório auxiliar fornecido pela fiscalizada e anexado a este relatório. [...] [...]Resposta: Cumpre registrar que a fiscalização não procedeu a levantamentos de Receitas nem tão pouco elaborou planilha com este objetivo, conforme faz crer a linha “Total de Receitas Conforme Fiscalização" da planilha anexada pela impugnante a pagina 1.195 do processo em questão. Visando responder ao questionamento proposto foi elaborado, durante este procedimento de diligencia, um demonstrativo de receitas baseado nas informações contidas nos balancetes e nas DACON's “retificadoras" entregues pela diligenciada em 21072010 a SRFB (paginas 170 a 362 do processo). [...]Verificase, através dos levantamentos acima apontados, que a base de calculo da COFINS constante na Ficha 17 A Linha 1 dos DACONs entregues pela diligenciada em 21072010 a SRFB, estão subtraídas dos montantes apurados nos, grupo “Deduções da Receita Bruta', que por sua vez contempla os valores glosados a titulo de "Deduções sobre a Receita" constantes no demonstrativo elaborado pela fiscalização. Nos meses de janeiro, fevereiro, marco, julho, agosto e novembro de 2008, constatase que a diferença entre a receita bruta nos balancetes e a base de calculo da COFINS nos DACON S e exatamente o montante do grupo "Deduções da Receita Bruta". Quanto aos demais meses, embora os valores não estejam tão evidentes, já que as deduções feitas foram superiores aos montantes do grupo "Deduções da Receita Bruta”, é possível, em virtude da metodologia aplicada, afirmar que as bases de cálculos da COFINS apuradas, pela diligenciada, no ano calendário de 2008 estão subtraídas das “deduções sobre receita" glosadas pela fiscalização. [...] [...]Resposta: A fiscalizada, ora diligenciada, no decorrer da fiscalização realizada não logrou êxito em apresentar os documentos, solicitados através de Termo de Intimação Fiscal lavrado, relativos as contas contábeis de Leasing. Não apresentou nenhum documento de pagamento nem mesmo nenhum dos contratos de Leasing celebrados e em vigência no ano calendário de 2008, tendo tão somente apresentados os mencionados documentos já na fase de impugnação. A análise dos razões (em anexo) das contas contábeis relativas a Leasing (41201015, 41204004, 41205007, 41206007, 43102013, 43108005 e 43108015) possibilita identificar os lançamentos tão somente em relação ao período de apuração de abril a junho de 2008, para os demais períodos o histórico lançado inviabiliza a identificação, razão pela qual não foram considerados. Os documentos acostados na impugnação pela diligenciada revelam as seguintes constatações: Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.854 13 [...] [...]No aditamento, a Interessada alegou que a Fiscalização não teria conseguido suprir as omissões do lançamento original, afirmando não terem sido considerados os custos obrigatórios e diretamente relacionados às atividades da empresa. Várias glosas sequer teriam sido mencionadas pela Fiscalização no relatório. Reiterou os argumentos apresentados na impugnação, discorrendo sobre a não cumulatividade das contribuições. A DRJ, primeiramente, exarou o acórdão de fls. 1623 a 1653, em que decidiu o seguinte, a respeito de cada item discriminado abaixo: Nulidade do auto de infração: afastou a nulidade, considerando que houve descrição suficiente dos fatos; Perícia contábil: afastou a necessidade de sua realização, uma vez que a Fiscalização adotou os valores constantes da escrituração; Créditos da nãocumulatividade: fez diversas considerações sobre as operações que geram direito a crédito, ressaltando a impossibilidade de admitir créditos relativos a mão deobra e de apreciar questões de inconstitucionalidade de lei; Rastreamento e contratos de seguros: considerou que tais custos não poderiam ser admitidos como insumos de produção; Exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: considerou não ser possível afastar a incidência da contribuição sob fundamento de inconstitucionalidade de lei e indeferiu a realização da diligência requerida; Arrendamento mercantil: foram admitidos os “valores informados pela contribuinte a título de “Despesas de Contraprestação de Arrendamento Mercantil”; Desconto sobre duplicatas: considerouse não comprovada a alegação; Cálculo da Cofins lançada de ofício (base de cálculo negativa): considerou que “às bases de cálculo informadas pela contribuinte serão acrescidas as ‘Deduções sobra a Receita’ glosadas pela autuante, identificadas no ‘Mapa Demonstrativo’ que compõe o Auto de Infração; Multa de ofício no percentual de 150%: considerouse não demonstrado o evidente intuito de fraude; Multa confiscatória no percentual de 75%: não apreciou a matéria à vista de se tratar de alegação de inconstitucionalidade de lei. Posteriormente, foi constatado erro material no acórdão (fl. 1658), tendo sido, então, exarado o acórdão mencionado no início do relatório, apenas para corrigir a tabela demonstrativa dos valores relativos aos meses de janeiro a março de 2008. No recurso, a interessada alegou, preliminarmente, a nulidade do auto de infração por falta de motivação. Afirmou que haveria “pontos que ainda precisam de complementações e observações, o que, por si só, já configura vício de motivação [...]”. Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.855 14 Contestou a Primeira Instância, afirmando ter tido “sim grandes dificuldades em analisar o Auto de Infração ora guerreado, justamente pela presença de lacunas diversas na sua fundamentação e descrição pormenorizada dos fatos”. Citou lições da Doutrina e ementas de decisões judiciais e administrativas que trataram do assunto. Iniciou a defesa de mérito afirmando que não seria possível glosar os créditos utilizados, contestando a definição do temo “insumo” adotado pela Primeira Instância. Segundo a Recorrente, que citou também doutrina e jurisprudência, análise sistemática da Constituição e legislação permitiria concluir que o art. 3º da Lei n. 10.833. de 2003, não seria taxativo, “mas meramente exemplificativo”. Defendeu o direito de crédito em relação aos custos obrigatórios com contratação de seguros e a emissão de apólices. Em relação à multa, alegou ser confiscatória, tendo já sido afastada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região em julgamento citado. Por fim, alegou não ser possível incluir o ICMS na base de cálculo da Cofins. É o relatório. Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.856 15 VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Preliminarmente, analisese a questão do sobrestamento do julgamento do recurso, com base no art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do Carf. É que parte das alegações da Interessada diz respeito à inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins/PIS, matéria de repercussão geral reconhecida no âmbito do Recurso Extraordinário n. 574.706 pelo Supremo Tribunal Federal. No âmbito do referido RE, foi determinado o sobrestamento dos processos “nos quais o recurso foi interposto antes da regulamentação da repercussão”, hipótese que demonstra a condição prevista na Portaria Carf n. 1, de 2012. No referido RE, mencionase o fato de que a matéria teve sua discussão iniciada no RE 240.785. Mas o recurso foi retirado de pauta e o julgamento será reiniciado, desconsiderandose o voto do relator original. Nesses processos, conforme esclarecido no Informativo STF n. 437 (http://www.stf.jus.br/portal/informativo/verInformativo.asp?s1=240785&numero=437&pagin a=1&base=INFO), discutese a autorização contida no art. 2º, parágrafo único, da Lei Complementar n. 70, de 1991: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Embora os autos tratem da contribuição nãocumulativa criada pela Lei n. 10.833, de 2003, cujo art. 1º é que define a base de cálculo e suas exclusões (§ 3º), a repercussão geral trata da base de cálculo da contribuição de forma geral, conforme prevista na Constituição. À vista do exposto, voto por sobrestar o julgamento do recurso, até que o STF tenha julgado o RE mencionado. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11040.900885/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
TRIBUTÁRIO. DCTF. PAGAMENTO POSTERIOR AO VENCIMENTO. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO.
Se o contribuinte transmite a DCTF confessando o tributo devido, mas não realiza o pagamento prazo legal, estará em mora, sendo devido, portanto, o pagamento de multa e juros em virtude do seu atraso, que não é ilidida por pagamento realizado posteriormente ao vencimento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-002.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINATEL (SUBSTITUTA) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 TRIBUTÁRIO. DCTF. PAGAMENTO POSTERIOR AO VENCIMENTO. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Se o contribuinte transmite a DCTF confessando o tributo devido, mas não realiza o pagamento prazo legal, estará em mora, sendo devido, portanto, o pagamento de multa e juros em virtude do seu atraso, que não é ilidida por pagamento realizado posteriormente ao vencimento. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINATEL (SUBSTITUTA) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA.
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DCTF. PAGAMENTO POSTERIOR AO VENCIMENTO. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Se o contribuinte transmite a DCTF confessando o tributo devido, mas não realiza o pagamento prazo legal, estará em mora, sendo devido, portanto, o pagamento de multa e juros em virtude do seu atraso, que não é ilidida por pagamento realizado posteriormente ao vencimento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 08 85 /2 00 8- 54 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINATEL (SUBSTITUTA) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900885/200854 Acórdão n.º 3402002.310 S3C4T2 Fl. 101 3 Relatório Tratamse os autos de Declaração de compensação realizada pelo contribuinte, que objetivou parte do pagamento de CSLL do período de Dez/2003, no valor de R$ 935,94 (novecentos e trinta e cinco reais, e noventa e quatro centavos), com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior relativo à multa de mora em débito de COFINS (confessado espontaneamente), do período de Junho/2004, no valor de R$1.044,15 (hum mil e quarenta e quatro reais e quinze centavos). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório em 26/06/2008, conforme Consulta de Postagem de fls, 10 (numeração eletrônica) o contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade às fls. 1124 (numeração eletrônica), alegando que efetuou o recolhimento em atraso de valor devido a título de Cofins com acréscimo de multa moratória, antes de qualquer notificação por parte do Fisco, bem como antes da entrega da DCTF (31/08/2004), portanto, a multa não seria devida, uma vez que o pagamento equivaleria a uma denúncia espontânea. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa,a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS, através do Acórdão nº. 1020.828 houve por bem em considerar Improcedente o pleito do contribuinte, ementando seu julgamento nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF PAGAMENTO A DESTEMPO IMPROCEDÊNCIA Pacífico o entendimento tanto no âmbito do Poder Judiciário como na esfera administrativa de que não constitui denúncia espontânea o pagamento de valores declarados em DCTF, sendo devida multa de mora pelo pagamento em atraso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Resumidamente a DRJ POA/RS entendeu que valores declarados em DCTF recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea, uma vez que tais débitos já eram de conhecimento do Fisco. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Entendeu, ainda, que o mesmo pode ser dito para os casos em que o recolhimento decorre de pedido de parcelamento. A denúncia seguida de pedido de parcelamento obviamente não está sendo acompanhada de pagamento, como requer a leitura do artigo 138 do CTN. Em se tratando de favor, sujeitase a condições estabelecidas em lei, e estas condições prevêem que o beneficiário do parcelamento fica sujeito aos encargos legais cabíveis, conforme entendimento pacífico do STJ. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão de 1ª Instancia em 28/09/2009, conforme AR de fls. 45 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 19/10/2009, seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade os quais, por brevidade, não os repetirei. DO JULGAMENTO EM 2ª INSTANCIA Distribuído ao CARF, o processo foi a julgamento em sessão datada de 10/08/2011, tendo a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, convertido o julgamento do mesmo em diligência para “que a unidade preparadora esclareça se: a) o débito a que o recolhimento foi vinculado consta em DCTF; b) caso afirmativo, se ela foi entregue antes do recolhimento; c) em caso negativo, qual o instrumento que permitiu a sua vinculação ao pagamento realizado, indicando no caso “processo” a sua natureza, isto é, se o processo referese a parcelamento, lançamento de ofício ou outro.”. DA DILIGÊNCIA Cientificada da Resolução nº 3401000.290, da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, de relatoria do Conselheiro Júlio César Alves Ramos retro descrita, a unidade preparadora acostou à estes autos, às fls. 66/72 – n.e., os seguintes esclarecimentos/documentos: 1) Item “a” confissão do débito em DCTF. O débito de Cofins extinto pelo recolhimento (valor original:R$ 5.220,74 + multa moratória objeto do presente pedido: R$ 1.044,15 + juros) referese ao fato gerador: março/2004, no valor de R$ 5.220,74. Conforme consultas anexadas às fls. 64/66, constatase que o débito está confessado em DCTF, de forma o item “b” requer resposta, ao passo que o item “c” fica prejudicado. 2) Item “b” DCTF foi entregue antes do recolhimento. As consultas informam que a declaração original foi transmitida em 14/05/2004, retificada em 29/04/2008 (DCTF ativa), sendo que em ambas consta o valor já mencionado (fls. 64/66). O pagamento foi realizado em 14/06/2004 (fls. 67), portanto em data que a declaração original estava ativa. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900885/200854 Acórdão n.º 3402002.310 S3C4T2 Fl. 102 5 DO 2º JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA Distribuído ao CARF, o processo foi a julgamento em sessão datada de 20/03/2013, tendo a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, convertido o julgamento do mesmo em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que o sujeito passivo seja cientificado do resultado da diligência realizada, intimandoo para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias, após o que devem os autos retornar à este Colegiado para prosseguimento do julgamento DA 2ª DILIGENCIA Cientificado da Resolução acima mencionada em 02/08/2013, conforme AR de fls. 84 – numeração eletrônica, o contribuinte acostou aos autos a petição de fls. 87– n.e., confirmando a ciência da diligencia efetuada em 30/05/2012, bem como para requerer o provimento do Recurso Voluntário. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 volume, numerados até a folha 99 (noventa e nove), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo, portanto, atendendo aos demais pressupostos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Retornam os autos de diligências determinadas pelas Resoluções nº. 3401 000.290 e nº 3402000.514, nas quais, na primeira Resolução, em sessão de julgamento ocorrida em 10/08/2011, foi determinado à Autoridade Preparadora o esclarecimento de fatos que possibilitam o julgador à efetiva análise e deslinde da causa. Conforme se extrai da diligência promovida pela autoridade preparadora, as consultas informam que a declaração original foi transmitida em 14/05/2004, retificada em 29/04/2008 (DCTF ativa), sendo que em ambas consta o valor já mencionado (fls. 64/66). O pagamento foi realizado em 14/06/2004 (fls. 67), portanto em data que a declaração original estava ativa. Tratase nestes autos acerca da possibilidade de aplicação de multa de mora e juros de mora sobre tributos declarados por meio de DCTF e pagos após o seu vencimento. A DCTF é meio de confissão de dívida, remetida pelo contribuinte à autoridade administrativa, pelo qual é o ato de lançamento transferido para o contribuinte. Após transmitido, a Autoridade Administrativa poderá homologar, expressa ou tacitamente o “autolançamento” realizado pelo contribuinte, ou então, constatando divergências entre os valores declarados e os demais elementos da regra de incidência tributária, efetuará então o lançamento de ofício das diferentes porventura constatadas. Portanto, a partir da transmissão da DCTF, assume o contribuinte a dívida para com a Fazenda Pública, devendo, portanto, realizar o pagamento do tributo dentro do prazo estabelecido pela norma regulamentadora, igualmente conforme a legislação de regência. Se, porventura, não efetivar o recolhimento do tributo declarado em DCTF dentro do prazo legal, incide nos encargos moratórios legalmente previstos, quais seja, os juros de mora pela incidência da SELIC, e a multa moratória de 0,33% ao dia de atraso, limitado a 20%, nos termos da Lei nº 9.430/96, e suas alterações posteriores. Acerca de ser a DCTF instrumento suficiente para a constituição do crédito tributário, permitindo desde logo a inscrição do crédito tributário não pago em dívida ativa para execução fiscal, sem que seja necessário que a Fazenda Pública proceda ao lançamento de juros e multa, assim como, dando os limites do cabimento da denúncia espontânea, é plenamente aplicável ao caso em concreto, o julgamento assentado pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900885/200854 Acórdão n.º 3402002.310 S3C4T2 Fl. 103 7 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, [...] (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Desta forma, se o contribuinte transmite a DCTF confessando o tributo devido, mas não realiza o pagamento do tributo no prazo previsto, estará em mora com seus deveres de contribuinte, sendo devido, portanto, o pagamento de multa e juros em virtude do seu atraso, como forma de retaliação em virtude do seu ato de ingerência, não havendo que se falar em espontaneidade na quitação do tributo, após a referida transmissão de DCTF. Assim sendo, não fosse pelo fato de haver “autolançamento” com a transmissão da DCTF, que por si só constitui o crédito tributário tanto com relação ao principal quanto com relação aos encargos (que estão) legalmente previstos, não há como afastar a exigência da multa e juros de mora. Portanto, estando o tributo declarado em DCTF transmitida, e não tendo o mesmo sido pago no prazo legalmente previsto, temse que é plenamente cabível a imposição de multa e juros de mora sobre os tributos compensados após a sua data de vencimento. Essa matéria já foi pacificada com a aprovação da Súmula STJ nº 360, publicada no DJe de 08/09/2008, in verbis: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Assim sendo, aplico o art. 62A d Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, a fim de acolher o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Na esteira das considerações acima, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantenho a decisão recorrida na sua íntegra. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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