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Numero do processo: 11080.011185/2005-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000
SALDO DE LUCRO INFLACIONÁRIO A REALIZAR — OBRIGATORIEDADE DE REALIZAÇÃO ANIMA — É obrigatória a realização mínima anual de 10% do saldo do lucro inflacionário acumulado existente a partir de 1995.
LUCRO INFLACIONÁRIO NÃO REALIZADO — Constatada a realização insuficiente do lucro inflacionário, correto o lançamento para recomposição da exigência.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO COMPENSAÇÃO PREJUÍZO FISCAL. LIMITE DE 30%. Observada a existência de prejuízos acumulados , para fins de determinação do saldo de imposto de renda exigido de oficio, deve ser realizada sua compensação até trinta por cento do valor lançado.
Numero da decisão: 1102-000.405
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso para permitir a compensação dos prejuízos acumulados correspondente à parcela de realização objeto do lançamento.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11080.011185/2005-74 Recurso n° 501901 - Voluntário Acórdão n° 1102-00.405 — ia Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2010 Matéria LUCRO INFLACIONÁRIO E COMPENSAÇÃO PREJUÍZOS Recorrente EWEN ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida 7A.TURMA DRJ/PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 SALDO DE LUCRO INFLACIONÁRIO A REALIZAR — OBRIGATORIEDADE DE REALIZAÇÃO ANIMA — É obrigatória a realização minima anual de 10% do saldo do lucro inflacionário acumulado existente a partir de 1995. LUCRO INFLACIONÁRIO NÃO REALIZADO — Constatada a realização insuficiente do lucro inflacionário, correto o lançamento para recomposição da exigência. LANÇAMENTO DE OFÍCIO COMPENSAÇÃO PREJUÍZO FISCAL. LIMITE DE 30%. Observada a existência de prejuízos acumulados , para fins de determinação do saldo de imposto de renda exigido de oficio, deve ser realizada sua compensação até trinta por cento do valor lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso para permitir a compensação dos prejuízos acumulados correspondente á. parcela de realização objeto do lançamento. ao e urso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), Joao Otavio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Gneira Ba5CttO, •Manoek Mota 'Fonseca (Saylento convocado) Se4,1.o Go'' Sle es (np nto convocado), e 3 dap CatlosIjOla Inlenov(Vice-PTes‘dente) 2 Processo n° 11080.011185/2005-74 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.405 Fl. 2 Relatório Trata-se de lançamento para exigência do IRPJ, ano-calendário 2000, exercício 2001, lavrado em 16/12/2005, para realização em 31 de dezembro de 2000 do Lucro Inflacionário acumulado referente aquele período. Enquadramento legal: Lei n° 8.200/91, art. 3°, inciso II, e Decreto n° 332/91, art. 38 e parágrafo único,art. 8° da Lei n° 9.065/95;arts. 6° e 7 0 , da Lei n° 9.249/95;Arts. 249, inciso I, e 449, do RIR199. Cientificada em 26/12/2005 (fl. 229/230) em 20/01/2006 há impugnação alicerçada nos seguintes argumentos (fl. 198 a 205): a) decadência do lançamento tributário, porque fato gerador ocorrido em 31/12/00, fora formalizado em 02/01/06, data em que já estava decaído do direito de constituição do crédito tributário, por força dos arts. 150, parágrafo 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional; b) o mérito em exame também fundamenta três outros processos de lançamento, além de ter motivado Mandado de Segurança vinculado à causa; c) ausência de lucro inflacionário a diferir, posto que este deveria ter sido integralmente tributado em face da realização dos bens do ativo que lhe originaram , baixados na declaração anual do exercício de 1995. Deste modo, a tributação do lucro inflacionário diferido deveria ter ocorrido integralmente no ano de 1994, configurando-se a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário a partir de 02/01/01; d) antes das alterações promovidas através das Leis n° 9.650/95 e 9.249/95, como já ocorrera com a Lei n° 8.541/92, vigia a lei no 7.799/89, ficando claro de sua interpretação que a realização do lucro inflacionário diferido deveria corresponder, obrigatoriamente, à realização do ativo. Não procedem, assim, os lançamentos efetuados após 31/12/99. Propugna pela improcedência do lançamento. Decisão, de fls.234/237, mantém integralmente a exigência e esta assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário. 2000 Ementa: IRPJ. LUCRO INFLACIONÁRIO. DECADÊNCIA. 0 prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado da sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, cabendo ao contribuinte comprovar a realização alegada. Ausente a prova da realização e demonstrado que o lançamento foi efetuado dentro do prazo qüinqüenal, é improcedente a alegação de decadência. Lançamento Procedente. AR juntado as fls. 240, aponta ciência da decisão em 27/11/2006. Em seguida, as fls.241 é lavrado termo de perempção.iks fls.254, o débito é encaminhado A. Divida Ativa da União, contudo, a inscrição é cancelada As fls.270. Ciência fls.276, em 27/07/2009, razões de recurso as fls.277/282,onde inicia invocando, a DECADÊNCIA ESPECIFICA e a DECADÊNCIA GENÉRICA, que diz respeito a realização da totalidade do Lucro Inflacionário da empresa, em 1994. Aponta que a decisão proferida no acórdão recorrido manteve a exigência como base no pressuposto de que o lançamento se consumou em 26/12/2005, pela intimação do contribuinte. Reclama, quanto h DECADÊNCIA GENÉRICA, que suas alegações sobre a realização do total do ativo que, em tese, gerou a correção monetária e o conseqüente Lucro Inflacionário, não foi considerada na decisão recorrida. Ainda, aguarda o julgamento de 03 processos sobre a mesma matéria, a saber: 13807.008916/2001-63, REC 155935; Proc. 19515.003912/2003-12,REC 157749 e Proc. 19515.001600/2003-74 REC 157483. Em todos, bem como em outros que estão na Primeira Instância, discute-se a ocorrência da DECADÊNCIA acerca da totalidade dos possíveis créditos de Imposto de Renda que poderiam decorrer da realização do Lucro Inflacionário. Sendo o primeiro lançamento do ano de 2001, quando já baixara seu ativo permanente em 1994, por alienação, não havia como prosperar a exigência. A prova apresentada, em todos os casos, fora a própria DIPJ de ajuste anual, em que desponta a baixa do ativo. Reclama que nas ocasiões anteriores os processos foram objeto de Recurso Voluntário e que os julgadores de primeira instancia alegaram ausência de comprovação dos argumentos expendidos e concluíram, sem qualquer aprofundamento na análise da matéria, que o lançamento era tempestivo, sem atacar a necessidade da realização total do Lucro Inflacionário no exercício de 1995. Mais recentemente, em um dos processos em andamento com impugnação, o de 1\1° . 11080.009789/2006-31, a DRJ/POA converteu o julgamento em diligência, intimando- a, a apresentar cópia do Balanço patrimonial de 1993 e da Certidão de Matricula de Registro imobiliário referente aos imóveis baixados em 1994. Por isto acredita que, pela primeira vez, a matéria sobre a decadência deverá ser examinada. Reclama da afirmação dos julgadores, corno neste caso, de que suas alegações restaram incomprovadas. A Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda é documento de caráter oficial o que pressupõe informação correta, verdadeira. Dizê-la insuficiente carece de fundamento jurídico e, até mesmo, de bom senso, fugindo-se dos princípios da racionalidade e da razoabilidade. Menciona a legislação de regência, art. 22 da Lei No. 7.799/89, que firma a regra básica sobe a matéria. E o Regulamento do Imposto de Renda, (Decreto No. 1.041, de 11.01.94), em seu artigo 417, § 1 0 . e incisos, declina que a realização dos bens, pela baixa, alienação etc., devem corresponder h tributação integral do respectivo Lucro Inflacionário, ou seja, daquele que se origina da correção monetária do ativo então realizado. 4 Processo n° 11080.011185/2005-74 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.405 Fl. 3 A partir dessa hipótese legal, e na constatação de que os bens do ativo permanente da empresa foram baixados, por alienação, em junho de 1994, evidentemente que o total do Lucro Inflacionário acumulado deveria ter sido realizado, no exercício de 1995. Deveria se-1o, e até que o foi, nos seus registros contábeis. No Livro de Apuração do Lucro Real registrou a realização, porém coin a compensação integral do lucro, em face dos prejuízos acumulados até aquele exercício. Mas na Declaração de Ajuste assim não foi feito, restando a realização a descoberto. Refere-se a pertinência dos seus argumentos, no sentido de caber o enunciado da súmula 11 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujo teor é o seguinte: "0 prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo ao Lucro Inflacionário é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que cm percentuais mínimos" Informa que mesmo se mantida a Decisão vergastada há que se observar que faltou a compensação , de oficio, como deveria, dos prejuízos acumulados, que existem e são conhecidos do órgão arrecadador/fiscalizador, a RFB, no percentual de 30% (trinta por cento), o que corresponde ao mesmo percentual de redução do crédito lançado, como ocorreu, aliás, em processos precedentes a este. E, por derradeiro, aponta jurisprudência pacifica do Superior Tribunal de Justiça, acerca da matéria, jurisprudência que, se traduz nas seguintes Ementas: "PROCESSO CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL, TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO. BASE DE CÁLCULO. LUCRO REAL. DECISÃO MONOCRÁTICA FUNDAMENTADA EM JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1.jurisprudencia desta Corte pacificada no sentido de que imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro não podem incidir sobe o lucro inflacionário, apenas sobe o lucro real. 2.A decisão monocrática ora agravada baseou-se nesse entendimento pacificado, razão pela qual não merece reforma. 3.Agravo Regimental não provido" (AgRg no Ag. 1019831 / GO, 2. T STJ , DJ 16/04/09). "PROCESSO CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECAIL. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSSL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUS:4 - 0 DO LUCRO INFLACIONÁ R1O.PRECEDENTES. 1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que o Imposto de renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido não podem incidir sobre o Lucro Inflacionário, devendo incidir apenas sobre o lucro reaL 2.. Agravo Regimental desprovido". ( Ag Rg no RE.sp 636344/PB — 1 6. Turma — Min,. Denise Amula— DJ 04.12.2006). Pede acolhimento desta tese. Informa que se houvesse optado pela via da Justiça Federal, para anulação dos débitos ora combatidos, já teria obtido êxito. Comenta que este será o caminho a seguir, ao final, se não for contemplado seu pleito. Despacho de fls.301 encaminha os autos ao CARP ante a interposição regular do recurso voluntário. Recebo o processo para relato, por sorteio. Este é o Relatório. 6 Processo n° 11080.011185/2005-74 S1-C1 1 2 Acórdão n.° 1102-00.405 Fl. 4 Voto Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro , Relator Recurso tempestivo e assente em lei. Trata-se de lançamento para exigência do IRPJ, ano-calendário 2000, exercício 2001, lavrado em 26/12/2005, fls.230, pela falta de realização do lucro inflacionário acumulado, no percentual mínimo (falta de sua adição na apuração do Lucro Real do período). Neste ano-calendário foi informado, na DIPJ, período de apuração anual. O Relatório de ação fiscal de fls.04/08, descreve que através do procedimento de revisão eletrônica das DIPJ dos anos-calendário de 2000, 2001 e 2002, foi constatado que, em cada um dos citados anos-calendário, não havia sido adicionado o valor do Lucro Inflacionário Realizado, na Demonstração do Lucro Real, embora houvesse saldo de Lucro Inflacionário Diferido de Períodos Anteriores, conforme demonstrativo do Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (SAPLI) de fls. 13 a 18. Salienta que o valor do lucro inflacionário da empresa é decorrente do saldo credor de correção monetária pela diferença IPC/BTNF, informado na Declaração de Rendimentos Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIRPJ) do período -base de 1991 (fls. 193 a 196). E nos termos da Lei n° 8.200/91, art. 30, inciso II, esse saldo deveria ser computado na determinação do Lucro Real a partir do ano-calendário de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado. Conforme fls. 55, foram solicitados os esclarecimentos e ou/documentos nos seguintes termos: "2.3.1 justificar o motivo da não realização do SALDO CREDOR DE CORREÇÃO MONETÁRIA PELA DIFERENÇA IPC/BTNF conforme preceitua a Lei n° 8.200/91; 2.3.2 informar se a empresa impetrou mandado de segurança ou ação judicial relativa 41116 ao item questionado. Ern caso afirmativo, apresentar cópia da documentação pertinente; 2.3.3 Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR, partes A e B, compreendendo os anos-calendário de 1991 a 2002;" Em resposta a contribuinte apresentou correspondência (fls. 58 e 59) informando: matéria objeto das indagações Já foi motivo de averiguações e autuações da Delegacia da Receita Federal de Sao Paulo, eis que, até o ano de 2004, a sede da empresa se situava na capital paulista, tendo sido feitos 03 (lançamentos) relativos a realização de Lucro Inflacionário acumulado, os quais se consubstanciam nos processos de Nos. 13807.008916/2001-63, 19515.001600/2003-74 e 19515.003912/2003-12, os quais pendem de julgamento junto á DRJ/SPO; Em conformidade com o que alicerça as Impugnações apresentadas naqueles processos, desde o primeiro lançamento, a empresa alega, em síntese, a questão da decadência, eis que todos os bens patrimoniais que geraram a correção monetária (saldo positivo), e, conseqüentemente, o Lucro Inflacionário, foram baixados (=realizados) já em 1993, assim que a realização integral, deveria ter ocorrido em 1993, ou seja, na Declaração de Ajuste daquele exercício. Ademais, naquele exercício, se a realização houvesse sido consumada, não seria, do mesmo modo, apurado Lucro Real a tributar, em t face de Prejuízos Acumulados, como consta, também, da Impugnação; Há um Mandado de Segurança, acerca dessa matéria, impetrado e771 São Paulo, ref. Ao Processo No. 2003.61.000166895, que já se encontra em segundo grau, no TRF 30, para apreciação de Apelação da União (Fazenda Nacional). Esse MS teve como objeto impedir que a DRF/SP continuasse a realizar lançamentos, ano a ano, sobre a mesma matéria, antes que se procedesse ao julgamento da primeira Impugnação." Ainda apresentou extratos de consultas relativos aos processos que mencionou, ou seja, os autos de infração formalizados na DRF de Sao Paulo e o Mandado de Segurança impetrado contra o Delegado da Receita Federal em Sao Paulo (fls. 60 a 63). Nessa ocasião, não foram apresentados outros documentos. Por seu turno a autoridade autuante informou que, em meados de 2004, a empresa mudou o domicilio fiscal de São Paulo para Porto Alegre (vide extrato de consulta do sistema CNPJ de fls. 56 e 57). Nova intimação,interposta às fls. 64 solicitou: (...) 2.6.1 apresentar doctunentação pertinente ao Mandado de Segurança: copias da petição inicial e das decisões proferidas no processo; 2.6.2 certidão narratória atualizada relativa ao processo; Na resposta fls. 66 e 67 constam as seguintes informações: "Conforme é de seu conhecimento, o processo em questão tramita na Comarca de São Paulo. Também conforme já informado, nos termos das informações extraídas do andamento 8 Processo n° 11080.011185/2005-74 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.405 Fl. 5 do processo e anexadas em nosso esclarecimento anterior, o processo é bastante antigo e o advogado responsável pelo mesmo se vale dos serviços de um outro profissional daquela cidade. Dessa forma, é impossível obter as cópias solicitadas no exíguo prazo de cinco dias. Além do mais, a Receita Federal tem conhecimento do processo, tanto que já se manifestou no mesmo e, portanto, possui a petição inicial e as decisões proferidas pelo juizo. Se no entanto, ainda assim, V.Sas. tiverem dificuldade de obter esses elementos junto a sua Procuradoria, solicitamos a concessão de um prazo adequado á. obtenção de tais documentos. (.) Posteriormente, a empresa apresentou dois requerimentos (fls. 68 e 78), solicitando prorrogações do prazo concedido na Intimação. Juntamente com o segundo requerimento, foram apresentadas cópias da impugnação relativa ao processo n° 19515.003912/2003-12 (fls. 79 a 85) e a petição inicial do processo de Mandado de Segurança n° 2003.61000166895 (fls. 86 a 100). As duas prorrogações requeridas foram concedidas, entretanto, a empresa não apresentou a documentação solicitada relativa ao citado mandado de segurança (entregou apenas cópia da petição inicial); Em 07.11.2005, o autor da ação enviou o Memorando n° 142/05/DRF/P0A/Sefis, fl. 101, à chefe da EQIJU/DICAT da DERAT/Sdo Paulo, pedindo o empréstimo do processo administrativo n° 10880.004716/2003-22, o qual acompanha o andamento do Mandado de Segurança n° 2003.61000166895. Anexamos as fls. 103 a 156, cópia do citado processo. 0 último documento constante deste processo é a cópia do despacho que indeferiu a liminar pleiteada pela contribuinte (fls. 155 e 156). 0 agente do fisco encerrou a fiscalização referente ao ano calendário de 2000, para prevenir a decadência. As razões de recurso oferecem preliminar quanto à suposta decadência do lançamento, assim versando: a) Decadência Especifica e a b) Decadência Genérica, que diz respeito à realização da totalidade do Lucro Inflacionário da empresa, em z 1994. Quanto a. decadência dita especifica, ou seja, que o lançamento, na sua constituição já se fizera a destempo, o argumento não avança. Como se trata de fato gerador anual seu aperfeiçoamento se deu em 31/12/2005, conforme aponta extrato de entrega de DIPJ de fls.18, enquanto a ciência ocorreu em data anterior, 26/12/2006, conforme AR de fls.230, portanto afasta-se esta preliminar. Quanto ao argumento de que realizara todo o saldo diferido na baixa do seu ativo, na declaração de 2005, a matéria já foi objeto de análise por este colegiado, processo 19515.003912/2003-12, acórdão 1102-00.230, de 05 de julho de 2010, do qual transcrevo as razões de decidir, por se aplicarem ao presente caso, se diferenciando apenas em relação ao período. O Sistema SAPLI da SRF aponta que o valor do saldo credor da diferença 1PC/BTNF para o ano-calendário de 1991 da Contribuinte era de Cr$ 7.026.374.446,00 (fl.14), que atualizado até o ano-calendário de 2000 resulta em um valor de Lucro Inflacionário Diferido de períodos anteriores corrigido de R$ 7.899.449,87, fls.17 A exigência fiscal parte do valor original do ano-calendário de 1991 corrigido até o ano-calendário de 2000 de acordo com os indices estabelecidos na lei. As correções dos valores efetuados pelo Fisco , o BTN, a partir de junho de 1989 ate janeiro de 1991, BTN Fiscal tem apoio na Lei 7.799/89, art.10 e 30, de fevereiro de 1991 ate dezembro de 1991. A correção monetária foi efetuada com base no Fator de Atualização Patrimonial — FAP (Lei rf 8.177/91, art.3°, Lei 8.200/91, art.1° e Lei 8.383/91, art.2°, Parágrafos 1° e 6° e decreto 332/91, art.2°); a partir de janeiro de 1992 até agosto de 1994, UFIR diária, e a partir de setembro de 1994 até dezembro de 1995, UFIR (Lei n°8.83/91, art.1" e 48 e Lei 9.069/95, art.43 e art.47 e parágrafo). Com a extinção do indexador a partir de janeiro de 1996 (Lei n° 9.249/95, art.4°, 5° e 36, II) os valores sujeitos à correção monetária, controlados na parte B do LALUR, existentes em 31/12/95, atualizados até essa data pela UFIR vigente em 01/01/96 (Lei n° 9.249/95, art.6°). No que tange a correção monetária do Lucro Inflacionário, a base legal se ancora no Decreto-Lei n° 1.598/77, art.52 e parágrafos 1' e 3"; Decreto-Lei n° 2.341/87, art.21, parágrafo 3°; Lei n° 7.799/89, art.21, parágrafo 3°; Lei no 8.200/91, Decreto n° 332/91, art.21 e Lei n° 9.249/95, art.7°, parágrafo 2°. Para a correção monetária do Saldo do Lucro Inflacionário existente em 31/12/89, pela diferença IPC/BTNF, vigora a Lei n°8.200/91, art.3°, Decreto n°332/91, art.48 e IN SRF n° 125/91, item 5. 0 saldo de lucro inflacionário diferido de períodos anteriores no ano- calendário de 2000, montava R$ R$ 7.899.449,87, fls.17,e não há registro de realização voluntária da parcela obrigatória para o referido ano-calendário. Deste modo, a realização do lucro inflacionário para o ano-calendário de 2000, conforme proposto pelo Sistema da SRF é obrigatória, estando, de pleno acordo, com a legislação em vigor na época, o procedimento efetuado pela Fiscalização. Quanto à alegação de que os bens responsáveis pela origem do lucro inflacionário teriam sido baixados no ano-calendário de 1994, e, portanto, a sua tributação já ocorrera integralmente no exercício de 1995, não procede, ante a falta de provas da baixa. (0 Relatório de ação fiscal de fls.04/08, acima reproduzido, bem explica o procedimento da Recorrente). Também, como reconhecido pela própria Recorrente, na D1PJ1995 não consta informação da suposta baixa dos bens que geraram o lucro inflacionário, nos quadros próprios de sua Declaração de Rendimentos do exercício de 1.995, como seria esperado em cumprimento de suas obrigações tributárias acessórias. Desta forma ocorreu a tácita homologação do lançamento referente àquele exercício, com ausência de tal realização, permanecendo o montante do saldo diferido de períodos anteriores, corrigido, convalidado. E da mesma forma que não pode a administração tributaria lançar após o transcurso do prazo decadencial, igualmente não há permissão legal A. Contribuinte para alterar dados constantes de declaração tacitamente homologada. Ao argumento de que os lançamentos realizados nos anos calendários anteriores, para exigência da mesma matéria, impactasse no julgamento deste processo, destaca-se o equivoco do raciocínio. 1 0 Process() n° 11080.011185/2005-74 SI-CIT2 Acórao n.' 1102-00.405 Fl. 6 Pois na exigência ora examinada já foram excluídas as parcelas passíveis de compensação pela autoridade de primeiro grau, referentes às quota de realização própria dos anos calendários anteriores, em procedimentos específicos. Cabe relembrar que os princípios constitucionais que norteiam a atividade de lançamento são as diretrizes que devem ser observadas pelo administrador tributário, não havendo poder discricionário em seu bojo. Sua atividade é obrigatória e vinculado sob pena de responsabilidade funcional. Todavia vejo uma questão favorável a Recorrente, no que tange a necessidade se ajustar o lançamento observando-se a compensação legal dos prejuízos acumulados, nos termos da legislação de regência, providência que deverá ser tomada pela autoridade executora do acórdão. Nessa ordem de juizos, dou parcial provimento ao recurso, para permitir a compensação dos prejuízos a \cumulados correspondente à parcela de realização objeto do lançamento, no percentual d 30%. Malaquias Pessoa Monteiro. 11 Processo n° 11080.011185/2005-74 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.405 Fl. 7 Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, 10/03/2011 JOSE ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da 1 0 Camara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; ] 13
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Numero do processo: 13816.000016/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIAAno-calendário: 2004Pedido de Restituição. IRPJ. Base de Cálculo. Ajuste do Lucro Liquida. Exclusão de Créditos de Pis e Cofins Não Cabimento.O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime não cumulativo, não constitui hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1301-000.499
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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IRPJ. Base de Cálculo. Ajustes do Lucro Liquido. Exclusão de Créditos de Pis e Cofins Não Cabimento. O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo, não constitui hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 15/03/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de fls. 01, protocolizado em 19/01/2007, em formulário aprovado pela Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, no qual a interessada requer a restituição do IRPJ sobre crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo, relativo ao exercício 2005, anocalendário 2004, no valor original de R$ 2.107.689,36, tendo sido apresentadas as justificativas de fls. 02/03 para fundamentar a não utilização do meio eletrônico. Conforme o Despacho Decisório DRF/SBC/SEORT n° 166/2007, aprovado em 16/04/2007, foi indeferido o direito creditório, mediante o seguinte fundamento (fls. 17/21): "Com o preenchimento do formulário de Pedidos de Restituição de fls. 01 e a apresentação de justificativa de fls. 02 e 03, solicita, a interessada, restituição de CSLL (sic), referente ao exercício de 2005, ano calendário de 2004, no montante originário de R$ 2.107.689,36, argüindo, em síntese: a) que a destinação dos créditos fiscais concedidos, por meio da sistemática da não cumulatividade da contribuição para o PIS e para a COFINS que foi adotada pelas Leis n's 10.637/2003 e 10.833/2004, somente podem ser utilizados para compensar débitos dessas contribuições, dado o seu caráter não cumulativo; b) Diante disso, a orientação do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON), quanto aos registros, contábeis dos créditos fiscais referentes a essas contribuições prejudicou a sistemática da não cumulatividade, ao gerar uma tributação direta sobre tais créditos; c) Uma vez registrado como redução do custo ou de despesa, os créditos fiscais correspondentes a mencionadas contribuições provocam um aumento artificial do lucro — artificial porque não se trata de resultados operacionais; d) Aumentandose o lucro, a consequência fiscal principal será a sujeição dos respectivos valores ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, o que representa a redução do crédito da Contribuição ao PIS e a COFINS em aproximadamente 34%; e) Sendo assim, conquanto as receitas estejam sujeitas à alíquota conjunta de PIS e COFINS de 9,25%, as aquisições de bens e serviços geradoras de créditos fiscal, que, em princípio, deveriam acompanhar essa proporção, por conta da tributação direta acima comentada, na prática têm gerado crédito fiscal de 6,145%; Em conclusão, para que se mantenha a não cumulatividade das contribuições em comento, é imperioso que o montante dos créditos fiscais correspondentes, lançados contabilmente como redução do custo e de despesa seja excluído da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; Formaliza o presente processo em razão da impossibilidade de efetuar o pedido de restituição via PER/DCOMP. O pedido não está instruído com demonstrativo do cálculo da restituição e tampouco apresenta comprovação dos valores recolhidos a maior a título de IRPJ. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 15/03/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO Processo nº 13816.000016/200754 Acórdão n.º 1301000.499 S1C3T1 Fl. 2 3 A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a questão por meio do Acórdão 0527.963, de 18/01/2010, (fl. 83), não reconhecendo o direito creditório, prolatando a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 Pedido de Restituição. IRPJ. Base de Cálculo. Ajustes do Lucro Liquido. Exclusão de Créditos de Pis e Cofins Não Cabimento. O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo, não constitui hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. Passo ao voto. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 15/03/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Inconformado com a decisão de primeira instância a contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls.83/107), ratificando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Presentes os requisitos de admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a questão se restringe em saber se os valores descontáveis previstos na legislação do Pis e da Cofins, com incidência nãocumulativa, são receitas tributáveis ou não pelo IRPJ e CSLL. Inicialmente, cabe esclarecer que tratase de pedido de restituição protocolado por insistência da contribuinte, pois sem previsão legal nas normativas da SRF, conforme atesta documento de fls. 16. Esclareçase mais: em que pese a contribuinte alegar, tanto na Manifestação de Inconformidade quanto no Recurso Voluntário, ter apresentado todos os documentos necessários para a demonstração dos valores objeto do pedido de restituição, tais como a DIPJ e a DACON, compulsando os autos constatase que o pedido foi instruído, tão somente, com o formulário “Pedido de Restituição” e “Fundamentação Jurídica do Pedido de Restituição”. Como bem assentado no voto recorrido a Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, disciplinou a cobrança nãocumulativa da Cofins, estendendo suas regras também para a Contribuição ao Pis nãocumulativo, de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, nos seguintes termos: "Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3o. do art. 1°, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1°, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3°, nos §§ 3° e 4° do art. 6°, e nos arts. 7°, 8°, 10, incisos XI a XIV, e 13. Art. 16. O disposto no art. 4° e no § 4° do art. 12 aplicase, a partir de 1° de janeiro de 2003, à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com observância das alíquotas de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) em relação à apuração na forma dos referidos artigos, respectivamente. Parágrafo único. O tratamento previsto no inciso II do caput do art. 3° e nos §§ 5o. e 6° do art. 12 aplicase também à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativo na forma e a partir da data prevista no caput." Prossegue, acerca do tratamento do crédito fiscal, a Lei n° 10.833, de 2003, com efeitos a partir de 1°/fevereiro/2004, estipulou, expressamente, que o crédito apurado não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para a dedução do valor devido da contribuição (art. 3o., § 10). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 15/03/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO Processo nº 13816.000016/200754 Acórdão n.º 1301000.499 S1C3T1 Fl. 3 5 Por força de tal dispositivo, inclusive, entende a contribuinte possuir o direito de deduzir referidos créditos na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, contrapondo se às orientações do Ibracon, constantes da Interpretação Técnica n° 1,de 2004, quanto ao registro contábil recomendado para tais créditos. Corrobora seu entendimento com jurisprudência do STJ acerca de assunto semelhante, dizendo que o crédito em comento trata de subvenção governamental, bem como com Solução de Consulta da SRRF/7 a RF. Sobre a jurisprudência trazida pela Recorrente, esclareçase que a Administração não está jungida à observância das decisões prolatadas em outros julgados nos tribunais judiciais, uma vez que somente se faz coisa julgada em relação às partes do processo. Quanto à Solução de Consulta trazida na defesa, cumpre esclarecer que, em razão da divergência de entendimentos dos órgãos regionais da RFB acerca do tema, a COSIT se posicionou a respeito do tratamento fiscal a ser dado ao crédito de Pis/Cofins, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mediante a Solução de Divergência n° 9, de 5 de dezembro de 2006, cujos excertos, por oportuno, transcrevemse abaixo: "9. A solução da divergência instaurada requer, antes mesmo de saber se tais valores são ou não tributáveis, o deslinde de duas questões fundamentais, quais sejam: se os valores descontáveis das contribuições podem se constituir em custo e em direito de crédito ao mesmo tempo, como também, se podem ser lançados em contrapartida de uma conta de receita. 10. Inicialmente, analisemos se um determinado valor pago pelo contribuinte na aquisição de insumos, mercadorias e ativos permanentes podem se constituir em custo do bem e em direito de crédito ao mesmo tempo. 11. Ora, um valor pago por mercadoria, insumo ou ativo permanente pode sim se dividir em dois valores: custo (valor total pago menos o tributo recuperável) e direito de crédito (valor do tributo recuperável), mas é inconcebível que a parcela correspondente ao tributo recuperável se multiplique em dois valores: em direito de crédito — a ser descontado da Cofins mensal devida; e também em custo do bem — a reduzir o lucro. 12. Há que se entender que a sistemática da nãocumulatividade não pode se transformar, por mero equívoco interpretativo, em incentivo fiscal do IRPJ e da CSLL. A nãocumulatividade visa apenas garantir que a incidência tributária se dê sobre o valor agregado em cada etapa da cadeia produtiva, de forma que a alíquota efetiva tenda a se manter a mesma durante todo o fenômeno econômico. Para tanto, basta que seja permitido ao contribuinte descontar do tributo devido na saída, o tributo pago na entrada dos insumos e das mercadorias. 13. Ainda que o sistema nãocumulativo criado para a Cofins e para a Contribuição para o PIS/Pasep não seja exclusivamente um sistema de crédito contra crédito nem de base contra base e, em algumas hipóteses, seja permitido o aproveitamento de créditos presumidos, quando não há a incidência tributária na entrada do bem, nada disso modifica o que acima sustentamos, pois, indiferentemente se o valor a ser descontado do tributo é um crédito real ou presumido, não pode ele se constituir em custo e em direito de crédito ao mesmo tempo. 14. Assim, haveria um duplo beneficio que desbordaria dos propósitos da não cumulatividade, instituída pelas Leis n° 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, se fosse autorizada a manutenção do valor recuperável nos custos dos bens vendidos, além de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 15/03/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO 6 permitir que o contribuinte descontasse na saída os tributos pagos na entrada ou os créditos presumidos. 15. Para ilustrar, vejamos o seguinte exemplo numérico: um contribuinte adquire R$ 100,00 em mercadorias, gerando um crédito de R$ 7,60 a descontar da Cofins mensal. No final do mês, apura R$ 17,60 de Cofins devida. Pela sistemática da nãocumulatividade, vai pagar efetivamente apenas R$ 10,00 de Cofins (R$ 17,60 — R$ 7,60), porém vai lançar em resultado a despesa de Cofins de R$ 17,60. Assim, se o contribuinte mantém no custo os R$ 7,60, haverá um impacto na base tributável do IRPJ e a CSLL de R$ 117,60 (R$ 100,00 do custo mais R$ 17,60 despesa para com a Cofins), quando deveria ser apenas de R$ 110,00 (R$ 92,40 do custo mais R$ 17,60 de despesa com a Cofins). Posteriormente, a Secretaria da Receita Federal editou o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 03, de 29 de março de 2007, dispondo especificamente sobre o tratamento dos créditos do PIS e da Cofins, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no mesmo sentido da Solução de Divergência COSIT n° 9, de 2006, acima transcrita. Deixar claro que o Conselho Federal de Contabilidade, através do Comunicado Técnico 01/2003, externou o mesmo entendimento esposado pela Cosit. À vista do exposto, concluise que não há previsão legal para se excluir do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o valor relativo aos créditos de PIS e de Cofins. Portanto, forçoso concluir, para o caso, não haver créditos a ser reconhecido. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, 15/03/2011 por LEONARDO DE ANDR ADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10410.003245/2004-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTO SUJEITO À INCIDÊNCIA NA FONTE Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à
incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.142
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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RENDIMENTO SUJEITO À INCIDÊNCIA NA FONTE Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 08/06/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório RIVALDO COUTO DOS SANTOS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRECIFE/PE (fls. 58) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 09/13, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2001, no valor de R$ 15.057,61, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 34.793,61. As infrações que ensejaram a autuação estão assim descritas no auto de infração: 1) Omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Banco Bilbao Viscaya Brasil S/A, decorrente de trabalho com vinculo empregatício, indevidamente informados como rendimentos isentos e não tributáveis. 2) Dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, excluído o valor correspondente a tributação sobre o 13º salário – tributação exclusiva, pago pelo Banco Bilbao Viscaya Brasil S/A. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que os valores considerados omitidos referemse a verbas indenizatórias pagas pelo Banco Bilbao Viscaya, por determinação judicial; que recebeu a importância (saldo) de R$ 90.000,00, sobre o qual houve retenção de imposto na fonte de R$ 2.133,57. Argumenta que se houve insuficiência de pagamento do imposto, a responsabilidade é da fonte pagadora. A DRJRECIFE/PE julgou procedente em parte o lançamento para considerar como omissão de rendimentos o valor de R$ 48.116,50, e não os R$ 56.520,74, apurados pela Fiscalização. A DRJ rejeitou a argumentação de que as verbas seriam nãotributáveis por terem natureza indenizatória, ressaltando que se trata de verbas trabalhistas e relaciona uma a uma as parcelas recebidas pelo Contribuinte, identificando a natureza da verba como isenta, não tributável ou tributável exclusivamente na fonte, etc. para chegar ao valor acima referido. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 28/11/2007 (fls. 71) e, em 27/12/2007, apresentou o recurso voluntário de fls. 72/74, que ora se examina e no qual reafirma que o valor recebido corresponde a acordo trabalhista no qual a fonte pagadora assumiu a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Argumenta que, por erro da Contadoria Judiciária, foi feita a retenção de imposto em valor menor que o que era devido, e concluiu que, se houve tal erro, a responsabilidade pelo imposto seria da fonte pagadora. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10410.003245/200452 Acórdão n.º 220101.142 S2C2T1 Fl. 2 3 Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorreu da apuração de omissão de rendimentos e da compensação indevida de imposto de renda na fonte. Na fase recursal resta em discussão apenas a omissão de rendimentos. A DRJRECIFE/PE deu parcial provimento ao recurso para considerar como omissão de rendimentos o valor de R$ 48.116,50, correspondente a verbas recebidas por determinação judicial a título de Gratificação Especial, R$ 36.698,55; Horas Extras, R$ 12.000,00 e Férias proporcionais, R$ 193,43, Adicional 1/3 de férias, deduzido dos valores referentes a Assistência Médico Hospitalar (R$ 783,67) e Salário pago a maior (R$ 56,24), tudo conforme planilha constante do voto condutor do acórdão recorrido que detalha todas as verbas recebidas por conta da referida ação judicial. Na fase recursal o Recorrente não contesta os valores apurados pela decisão de primeira instância, mas insiste na argumentação de que as verbas foram recebidas em decorrência de acordo judicial que previa, entre outras coisas, que a fonte pagadora se responsabilizaria pela retenção e recolhimento do imposto, e daí conclui que, se a fonte pagadora reteve e recolheu imposto a menor, a diferença deveria ser exigida dela e não do beneficiário. A alegação da defesa, contudo, não merece acolhida. Inicialmente devese esclarecer que a responsabilidade da fonte pagadora de reter e recolher o imposto de renda na fonte não exclui o dever do contribuinte de oferecer os rendimentos à tributação, quando do ajuste anual, compensandose o imposto eventualmente retido na fonte. E, no caso de omissão, é do beneficiário dos rendimentos que deve ser exigido o imposto, conforme entendimento deste Conselho, consolidado na Súmula nº 14, a SABER: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Assim, ao se fixar na decisão judicial, a responsabilidade da fonte pagadora em proceder a retenção e o recolhimento do imposto, isto em momento algum afastou a responsabilidade do contribuinte de, quando da apresentação da declaração, apurar o imposto devido. Ainda que se considerasse que o acordo previa a transferência da responsabilidade pelo imposto integralmente à fonte pagadora, este acordo não seria oponível ao Fisco pelo que dispõe o art. 123 do Código Tributário Nacional, a saber: Art. 123. Salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Mas, vale repetir, seque é disso que se trata. O que consta do acordo, conforme trecho citado pelo recorrente, é que a fonte pagadora faria a retenção e o recolhimento do imposto devido como antecipação, na fonte, o que não guarda nenhuma relação com a apuração e pagamento do imposto quando do ajuste anual; até porque as bases de apuração do imposto são outras. Fl. 85DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Nessas condições, penso que não merece reparos a decisão recorrida. Conclusão Ante o exposto, acompanho meu voto no sentido e negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 86DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000292/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/01/2001
Ementa:CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA
Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e, por se tratar de contribuições incidentes apenas sobre parte das remunerações dos segurados, entende-se que houve antecipação de pagamento, aplica-se, portanto, a regra do art. 150 § 4º do CTN.
Todavia, independentemente de qual tese seja adotada, se a do artigo 150 § 4º ou 173 do CTN, em qualquer hipótese, já estará decaído o direito do lançamento das contribuições objeto da presente NFLD
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-001.724
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/01/2001 Ementa:CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e, por se tratar de contribuições incidentes apenas sobre parte das remunerações dos segurados, entende-se que houve antecipação de pagamento, aplica-se, portanto, a regra do art. 150 § 4º do CTN. Todavia, independentemente de qual tese seja adotada, se a do artigo 150 § 4º ou 173 do CTN, em qualquer hipótese, já estará decaído o direito do lançamento das contribuições objeto da presente NFLD Recurso Voluntário Provido
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DECADÊNCIA Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e, por se tratar de contribuições incidentes apenas sobre parte das remunerações dos segurados, entendese que houve antecipação de pagamento, aplicase, portanto, a regra do art. 150 § 4º do CTN. Todavia, independentemente de qual tese seja adotada, se a do artigo 150 § 4º ou 173 do CTN, em qualquer hipótese, já estará decaído o direito do lançamento das contribuições objeto da presente NFLD Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 44021.000292/200792 Acórdão n.º 240101.724 S2C4T1 Fl. 436 3 Relatório Tratase de Crédito Previdenciário lançado contra o contribuinte acima identificado, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito –NFLD nº 37.066.616 0 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 26/28, referese a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte e dos segurados empregados, da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — SAT/RAT e aquelas destinadas às outras entidades (SalárioEducação/FNDE, Incra), incidentes sobre prêmios de desempenho e incentivo pagos ou creditados aos empregados através de cartões eletrônicos de premiação, no período compreendido entre 05/1999 a 01/2001. Consoante o referido relatório fiscal, constituemse fatos geradores das importâncias ora lançadas os pagamentos feitos aos segurados empregados por intermédio da empresa contratada Incentive House S/A — CNPJ: 00.416.126/000141, que é fornecedora do cartão de premiação denominado "FLEXCARD", onde através dele, o premiado, empregado da contratante, pôde realizar saques nos terminais eletrônicos de agências bancárias. Informa, o citado relatório, que os valores das contribuições foram apurados com base nos lançamentos contábeis das notas fiscais de serviço emitidas pela empresa contratada. Dos valores brutos lançados foi excluída a comissão de serviços, fixada em 7%, de acordo com a cláusula 04 (quatro) do contrato de prestação de serviços, resultando nos salários de contribuição apontados no "anexo das notificações fiscais de lançamento de débito", planilha de fls. 29 a 31 e parte integrante do Relatório Fiscal. Embasa tal procedimento o art. 33, parágrafo 3° da Lei 8.212/91 eis que face recusa ou apresentação deficiente de documentos, cabe à fiscalização promover o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas. Salientese que as referidas notas fiscais de serviços encontramse escrituradas nos Livros Diário n° 17 a 19. A Notificada não apresentou as notas fiscais referentes ao presente lançamento como também não apresentou a relação nominal dos beneficiários, impossibilitando assim o correto enquadramento na tabela de contribuição, tendo sido aplicada a alíquota mínima de 8% para a apuração de sua contribuição. Em razão da não apresentação de tais documentos foi lavrado o Auto de Infração Debcad n° 37.066.6135. A empresa não informou em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP , os valores pagos a título de premiação, o que, em tese, configura a prática do Crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no art. 337A, inciso I, do Código Penal, com a redação dada pela Lei 9.983/2000, motivo pelo qual será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais. Tempestivamente o contribuinte apresentou sua impugnação, acompanhada de documentos juntados às fls. 38 a 324, alegando, em síntese: O período que compreende a presente NFLD foi atingido pela decadência qüinqüenal do direito do fisco efetuar o lançamento tributário, uma vez que o disposto na Lei 8.212/91, por se tratar de lei ordinária, não tem o condão de modificar o determinado no C'TN, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 recepcionado pela nova ordem constitucional com status de Lei Complementar. Portanto, o prazo que deve prevalecer é o prescrito no CTN conforme inúmeras decisões de nossos tribunais. Assim, entende que se operou a decadência do direito do INSS efetuar o lançamento dos valores referente a todo o período apurado. Quanto às atividades desenvolvidas pela Impugnante, assevera que ela foi contratada pelo Bradesco Seguros S/A para a realização das atividades, dentre outras, de prestação de serviços de administração de planos de seguros, administração de produção e coordenação geral de vendas, marketing, assessoramento da divulgação, promoção e publicidade e a corretagem, em cuja execução caberia executar campanhas e concursos de estímulos a todas as pessoas envolvidas na operação. Que a relação jurídica instaurada entre a Impugnante e o Bradesco tem por escopo o fomento das vendas de produtos tais como: seguros pessoais diversos, seguro saúde e previdência privada. Ela estava obrigada, por intermédio do contrato firmado, a fomentar as vendas destes produtos em todo o território nacional. Destaca que eles são vendidos por corretores autônomos, pessoas físicas e/ou jurídicas, que não se dedicam à venda de um único produto, mas de vários, referentes a instituições financeiras distintas. Que, os corretores "autônomos" não tem relação jurídica com a Impugnante eis que vendem produtos do Bradesco S/A e desta instituição financeira recebem a comissão. Os prêmios ofertados, em caráter eventual e esporádico pela Impugnante aos corretores do Bradesco decorrem do estrito cumprimento do contrato firmado entre ela e o Bradesco. Tais corretores jamais firmaram qualquer contrato com a impugnante, tampouco são seus empregados. Que visando incrementar as vendas dos produtos, a impugnante, desenvolveu inúmeras campanhas promocionais, para estimular os corretores e adotou, por fim, o cartão de premiação, utilizado para aquisição de prêmios por atingimento de metas, visando maior agilidade na entrega da premiação. A utilização do cartão de premiação nunca teve por objetivo o pagamento de quaisquer remunerações a funcionários, mesmo porque, quando eles recebiam comissões e/ou gratificações, tais valores eram submetidos à tributação, por via das contribuições sociais, conforme demonstram os holleriths que anexa ao presente. Aduz que os prêmios recebidos não têm natureza de salário ou remuneração e, portanto, não estão sujeitos às contribuições previdenciárias. Ainda que se admita que eles tenham sido pagos a funcionários, tais valores não fazem parte das remunerações habituais destinadas a retribuir o trabalho, sua natureza jurídica é diversa da natureza jurídica da remuneração, por se tratar de ganho eventual. Que o prêmio não possui a característica da retributividade, eis que sua finalidade não é a de retribuir qualquer espécie de trabalho prestado. Não se trata de contraprestação, mas de recompensa pelo cumprimento de metas preestabelecidas, de um incentivo para o aumento da produtividade. Após transcrever posicionamentos de Tribunais Regionais do Trabalho, conclui que os prêmios pagos não se subsumem ao conceito de remuneração e, portanto, jamais poderiam constituir base de cálculo para as contribuições ora cobradas. Assevera que a prática de Marketing de incentivo constitui "Promessa de Recompensa", conforme estatui o art. 854 do Código Civil e consiste em obrigação contraída por meio de manifestação unilateral de vontade, mediante a qual a declarante obrigase a gratificar o indivíduo que se encontrar em certa situação ou executar determinado serviço. Nesta esteira, é imprescindível que o indivíduo contemplado com o prêmio tenha realizado a Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 44021.000292/200792 Acórdão n.º 240101.724 S2C4T1 Fl. 437 5 tarefa com a intenção de ser recompensado. Assim posto, resta evidente que o marketing de incentivo, essencialmente caracterizado como promessa de recompensa, não guarda qualquer relação com o conceito de remuneração. Aduz, mais, que foi fiscalizada no ano de 2002, sendo que do resultado da referida fiscalização foi exarado o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, o qual se constitui em homologação expressa dos recolhimentos por parte da Impugnante, não se podendo imputar qualquer cobrança das contribuições destinadas ao custeio da seguridade social, inclusive as constantes da presente NFLD até o período em que se verificou a lavratura do TEAF, configurando a homologação expressa do pagamento realizado pelo contribuinte. Que, após a análise de documentos pela Auditoria Fiscal e ela conclui que os tributos foram recolhidos devidamente, por que não reconhecer que a obrigação tributária está extinta, além do que, no presente caso, não ocorreu nenhum ato administrativo de lançamento tributário complementar. Consigna que caso o TEAF não pudesse traduzir uma homologação expressa, estarseia afrontando o princípio da moralidade administrativa. Em suma, com a homologação expressa realizada pelo fisco, verificouse a extinção definitiva da obrigação tributária, desta forma entende que não deve prevalecer a presente notificação. Salienta que há total falta de motivação para incluir os sóciosgerentes e sócios na condição de coresponsáveis pelo débito. Não há sequer a invocação do dispositivo legal que fundamentaria tal inclusão, o que impõe a declaração de invalidade deste ato administrativo por carência de motivação. Por outro lado, o art. 134 do CTN estabelece a responsabilidade pessoal do sócio quando se verificar a dissolução irregular da sociedade, o que não ocorreu, no caso em tela. Por sua vez, o art. 135 estabelece a responsabilidade quando os administradores e dirigentes agirem com infração à lei, o que também não ocorreu. Que o enquadramento da coresponsabilidade no art. 13 da Lei 8.620/93 e no art. 268 do Decreto 3.048/99 é descabido, porque é vedado à Lei Ordinária versar sobre matéria de responsabilidade na esfera tributária, na forma do art. 146, III da CF. Logo, somente o CTN atua neste campo, sendo que seus arts. 134 e 135 são inaplicáveis à questão. Pede pela exclusão dos sócios da relação de coresponsáveis. Que a multa imposta é despropositada vez que o percentual não obedece ao princípio da proporcionalidade. É desproporcional à capacidade contributiva e consagra confisco, sendo imperiosa sua redução. Insurge contra a aplicação de SELIC na apuração dos juros, tendo em vista tratarse de taxas remuneratórias e não de forma de cálculo de juros moratórios, portanto incabível sua aplicação. Neste sentido cita decisão proferida pelo E. STJ que reconheceu a inconstitucionalidade, in Resp n° 215.881PR — Relator Min. Franciulli Neto. Ao final, pleiteia pela declaração de improcedência do lançamento e protesta por todos os meios de prova em direito admitido, em especial pela juntada de novos documentos. A 10ª Turma da DRJ/SP011, por meio do Acórdão n° 1720.654/2007, julgou procedente o lançamento. Inconformada com a Decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, conforme razões expendidas às fls. 349/416, reproduzindo as razões aduzidas em sua Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 impugnação, em que, alega a decadência crédito em face do transcurso de mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador. Segue alegando a inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC, por ofensa ao princípio da legalidade. Conclui requerendo a reforma da decisão de primeira instância, no sentido de que seja desconstituída a NFLD em discussão. Sem contrarrazões vêm os autos a este Conselho. É o relatório Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 44021.000292/200792 Acórdão n.º 240101.724 S2C4T1 Fl. 438 7 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso merece ser conhecido. Antes de proceder à análise de mérito das razões do presente recurso, cumpre apreciar, como preliminar, a decadência suscitada Com relação à qual, vale esclarecer que até a Seção do mês de maio/2008, esta Câmara de julgamento, bem como esta Conselheira mantinha o entendimento de que à constituição do crédito previdenciário, aplicavase as disposições contidas na Lei nº 8212/91, art. 45 que determina: ”o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese em após dez anos a contar do 1º dia do exercício seguinte àquele que o crédito poderia ter sido constituído”. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1ª Turma do STJ pronunciouse nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º).PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '. 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.922/SC, DJ 11.10.2007, a 1ª Turma do STJ, mais uma vez, pronunciouse nos temos da ementa colacionada: “EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplicase também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp nº 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 44021.000292/200792 Acórdão n.º 240101.724 S2C4T1 Fl. 439 9 do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa " e "operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, tratase de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento. É a orientação também defendida em doutrina: “Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4º tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4º deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos.” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência , Ed. Livraria do Advogado, 6ª ed., p. 1011) “Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência –homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada” (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404) No caso em exame, tratase de lançamento por homologação e, por se tratar de contribuições incidentes sobre parte da remuneração recebida pelos segurados, há que se entender que houve antecipação de pagamento, devendo ser aplicada a regra do art. 150 § 4º do CTN. Portanto, na data da ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que se deu em 30/04/2007 (fls.1), todas as contribuições (período de 05/1999 a 01/2001), já se encontravam fulminadas pela decadência. Esclareçase, por oportuno, que independentemente de qual tese seja adotada, se a do artigo 150 § 4º ou 173 do CTN, em qualquer hipótese, já estará decaído o direito do lançamento das contribuições objeto da presente NFLD Pelo exposto; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para no mérito DAR LHE PROVIMENTO, para reconhecer a decadência de todo o período a que se refere o presente lançamento. Cleusa Vieira de Souza Fl. 10DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10245.900262/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do Fato Gerador: 31/03/2002
OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade.
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF
VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não homologação de compensação
que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo
sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado
na DCOMP.
Numero da decisão: 1101-000.531
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez
declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do Fato Gerador: 31/03/2002 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do Fato Gerador: 31/03/2002 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 67 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 68 3 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 03901.18015.060906.1.7.045801, na qual foi utilizado crédito de R$ 2.222,22, apurado em recolhimento de IRPJ (código 2089), realizado em 30/04/2002 e relativo à apuração de 31/03/2002. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2089, do período de apuração de 31/03/2002. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 34/36) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 68DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 69 4 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 43 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 44/57 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 70 5 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 70DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 71 6 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 72 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte juntou, à sua impugnação, cópia da ficha de apuração de IRPJ incidente sobre o Lucro Presumido, constante de sua DIPJ do anocalendário correspondente à apuração do crédito alegado, e nela consta a declaração de tributo no valor de R$ 45.070,47, inferior ao recolhimento de R$ 47.325,84, confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 03901.18015.060906.1.7.045801. Nos sistemas informatizados da Receita Federal verificase que esta informação provém de declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, e processada sob nº 1249635. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de IRPJ no valor de R$ 2.255,37, utilizado parcialmente na compensação aqui tratada. Relevante anotar que tal indébito foi também utilizado na DCOMP nº 29957.85156.060906.1.7.043391 (processo administrativo nº 10245.900304/200904), pelo valor de R$ 33,16, o qual, somado ao indébito aqui utilizado (R$ 2.222,22), não supera o pagamento a maior verificado pela diferença entre o débito informado na DIPJ Retificadora (R$ 45.070,47) e o valor principal recolhido (1 quota(s) de R$ 47.325,84). Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 73 8 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 74 9 quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.189 49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 75 10 Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 76 11 §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 77 12 expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 78 13 apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 79 14 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Quando a Administração pratica algum ato que tem por base apenas declaração do próprio contribuinte e o contribuinte refuta ou retifica a declaração, o ato deve ser reformado, pois perde sua base fática. Isso porque, se é verdade que a Administração pode praticar seus atos considerando apenas as próprias declarações do contribuinte, também é verdade que as declarações podem ser retificadas ou infirmadas. Assim, se a Administração se acomoda em adotar como único elemento de convicção uma declaração, fica sujeita a ver seu ato reformado, quando o conteúdo desta declaração é alterado por quem a declarou, quer pela negativa do conteúdo, quer por uma retificação, quer por outra declaração com conteúdo divergente. Já manifestei meu entendimento sobre a questão em voto sobre situação semelhante, que transcrevo abaixo (negritei): ... Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita com base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornemse verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, como qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. O texto é o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 79DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 80 15 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em dívida ativa, e mudança do órgão que administra o título executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e referese a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer Fl. 80DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 81 16 tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. O Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazêlo, conformouse em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas um instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veículo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veículo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. ... Dentro dos poderes atribuídos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. ... Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Além disso, no presente caso, o ato da Administração foi praticado tendo por base a DCTF, mas desconsiderando a DIPJ, embora ambas as declarações estivessem disponíveis. Deste modo, mesmo antes do ato, o contribuinte já apresentava elementos divergentes de sorte que era absolutamente impróprio que a Administração considerasse apenas uma das declarações, em detrimento da outra. Essa situação de divergência, por sí só já obrigava que a Administração aprofundasse suas investigações, para analisar a divergência entre as declarações e para buscar elementos que entendesse corroborar sua convicção sobre os fatos. Mas, não foi este o caminho trilhado. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900262/200901 Acórdão n.º 110100.531 S1C1T1 Fl. 82 17 O ato administrativo foi praticado e foi impugnado. Para demonstrar a impertinência do conteúdo da DCTF o contribuinte alega o conteúdo de sua DIPJ. Dessa forma o contribuinte infirma a sua DCTF e, com isso, retira as bases fáticas do despacho. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 82DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10840.003490/2005-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
Prejuízo fiscal.
Como o acórdão embargado considerou decaído o lançamento referente a 1999, o saldo de prejuízo declarado deve ser restituído , inclusive no seus reflexos em 2001, com as devidas alterações no SAPLI, ressalvado o direito da fazenda de verificar se tal prejuízo não foi utilizado em outro período.
Numero da decisão: 1302-000.568
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento aos embargos, dando-lhe efeitos infringentes e restaurando o prejuízo fiscal decorrente da exoneração do crédito tributário lançado referente o ano de 1999.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Como o acórdão embargado considerou decaído o lançamento referente a 1999, o saldo de prejuízo declarado deve ser restituído , inclusive no seus reflexos em 2001, com as devidas alterações no SAPLI, ressalvado o direito da fazenda de verificar se tal prejuízo não foi utilizado em outro período Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos, dandolhe efeitos infringentes e restaurando o prejuízo fiscal decorrente da exoneração do crédito tributário lançado referente o ano de 1999 (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello , Luiz Tadeu Matosinho Machado, Andre Ricardo Lemes da Silva, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi Relatório Fl. 1207DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10840.003490/200581 Acórdão n.º 130200.568 S1C3T2 Fl. 3.129 2 Tratase de embargos de declaração interpostos por COMPANHIA ENERGÉTICA SANTA ELISA em relação ao acórdão 130100.087, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 14/05/2009. A embargante tomou ciência dos embargos em 27/12/2010 e apresentou emabrgos em 04/01/2011. Afirma a embargante: O acórdão embargado deu provimento parcial ao Recurso voluntário interposto pela ora embargante, dentre outras razões, para cancelar a exigência do IRPJ e da CSL relativamente ao ano calendário de 1999. Daí porque, nos termos do acórdão ora embargado, os saldos do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL relativos a 1999, voltaram a ser compostos também pelo valor de R$ 4.789.440,44, deles revertidos por ocasião da autuação. Desta forma, por conseqüência, uma vez recompostos os saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSL com o valor de R$ 4.789.440,,44, tornouse igualmente insubsistente a reflexa exigência de IRPJ e CSL atinente ao ano calendário de 2001 (item 3 do auto de infração), dado que a compensação relativa a esse montante tornouse devida, legítima, não tendo remanescido insuficiência de saldo para sua realização em 2001. Ocorre que, uma vez que o acórdão ora embargado não foi expresso em relação ao integral cancelamento da exigência de IRPJ e CSL também relativa a 2001, como conseqüência do cancelamento da autuação relativa a 1999, as autoridades fiscais, quando da elaboração dos cálculos para pagamento do valor mantido da autuação, consideraram os créditos de IRPJ e CSL de 2001 como sendo devidos. Face ao que precede, a embargante requer seja suprida a omissão em questão, de modo que conste expressamente do acórdão ora embargado a insubsistência da exigência do IRPJ e CSL relativos a 2001, como reflexo do cancelamento do auto de infração relativamente ao ano calendário de 1999. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO Os embargos são tempestivos e devem ser conhecidos. Assiste razão à recorrente. O acórdão recorrido, embora tenha reconhecido a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 31/12/1999 em relação ao IRPJ e CSLL deixou de se manifestar Fl. 1208DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10840.003490/200581 Acórdão n.º 130200.568 S1C3T2 Fl. 4.129 3 sobre o reflexo desta decisão sobre o item 3do auto de infração (tributação da compensação indevida do valor de R$ 4.789.440,44) . Observo no termo de conclusão fiscal de fls. 733 a seguinte afirmação da fiscalização: “relativamente ao IRPJ/CSLL do ano • calendário 1999, 2000 e 2001 (a/c 2001 foi examinado, apenas e tão somente, a compensação indevida de prejuízos fiscais e compensação indevida de CSLL) e, ainda, PIS e COFINS reflexo no anocalendário de 1999, em cumprimento a ordem expressa do MPF nr. 0810900.2004.004733 (doc. de fls.03/05), tendo sido constatado/apurado o que segue” E) AJUSTES NO LIVRO DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL El — PREJUÍZO FISCAL Conforme escrituração do LALUR, em 31/12/99, a contribuinte apresentava um saldo de prejuízo fiscal compensável com o Lucro Real no montante de R$ 52.378.392,16. • No períodobase 1999 apurou Lucro Real no valor de R$ 10.860.203,86 (Atividade Geral) e prejuízo de R$ 25.653.240,96 (Atividade Rural). Devidamente compensado, resultou em saldo de prejuízo da Atividade Rural em R$ 14.793.037,14. Uma vez apurado por esta fiscalização a não contabilização de receitas de variações cambias ativa, no montante de R$ 4.789.440,44, procederemos a devida recomposição, a saber: Prejuízo apurado: R$ 14.793.037,14 Variações cambiais ativas: R$ 4.789.440,44 Ajuste e Saldo do Prejuízo Atividade Rural : R$ 10.003.596,70 PREJUÍZO FISCAL APURADO A SER AJUSTADO NO LALUR EM DATA DE 31/12/99: Atividade Geral R$ 52.378.392,16. Atividade Rural R$ 10.003.596,70 No períodobase 2000. Uma vez apurado por esta fiscalização o indevido lançamento • em conta representativa de despesas operacionais no montante de R$ 7.875.768.85 em data de 31/03/00, procederemos a devida recomposição do Lucro Real, a saber: Atividade Geral: Saldo Anterior de Prejuízo : R$ 52.378.392,16 Valores indevidamente contabilizados como despesas: R$ 7.875.768.85 Limite de 30%: R$ 3.772.207,41 (30% 12.574.024,71 correspondente a somatória do Lucro Real apurado pela contribuinte: R$ 4.698.255,86 acrescido de R$ 7.875.768.85) Atividade Rural: Apurado Lucro Real no valor de R$ 5.281.699,99. Saldo anterior de prejuízo: R$ 10.003.596,70. Fl. 1209DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10840.003490/200581 Acórdão n.º 130200.568 S1C3T2 Fl. 5.129 4 31/12/00: Atividade Geral : R$ 48.606.184,75. Atividade Rural : R$ 4.721.896,71 F — AJUSTES NA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL a SALDO DE BASES NEGATIVAS ANTES DA COMPENSAÇÃO: R$ 52.404.443,50 INFRAÇÕES APURADAS NO PERÍODOBASE 1999: R$ 4.789.440,44 LIMITE DE 30% : R$ 1.438.832,13. OBS. A base de cálculo antes da compensação no valor de — R$ 16.454.765,65, apurada no anocalendário de 1999, foi considerada pela contribuinte como sendo da Atividade Rural, razão pela Qual não houve compensação de valores de infrações apuradas na Atividade Geral. BASE DE CÁLCULO A SER AJUSTADA PELA CONTRIBUINTE EM 1999: R$ 50.967.611,37. VALOR AJUSTADO SALDO DO PERÍODO 1999: R$ 50.967.611,37. INFRAÇÕES APURADAS NO PERÍODO 2000: R$ 7.875.768,85 LIMITE DE 30%: R$ 2.705.408,24 (30% de R$ 9018.027,48 correspondente a BC apurada pela contribuinte R$ 1.142.258,63 acrescida de R$ 7.875.768,85) BASE DE CÁLCULO A SER AJUSTADA PELA CONTRIBUINTE EM 2000: R$ 48.262.203,13. G — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL NO ANO CALENDÁRIO DE 2001. Tendo em vista que no anocalendário de 2001 a contribuinte compensou integralmente o saldo de prejuízo e base de cálculo negativa da CSLL relativamente a Atividade Rural e uma vez que teria sido admitido pela fiscalização a compensação de prejuízos e base de cálculo negativa no montante de R$ 4.789.440,44 no ano calendário de 1999, procedemos a devida recomposição de valores e a exigência do crédito tributário por compensação indevida do citado valor Verificase acima que o valor objeto de lançamento no anocalendário 2001 referese exclusivamente ao valor de prejuízo fiscal e saldo negativo de CSL no montante de R$ 4.784.440,44, que foi gerado no ano calendário de 1999 e que o saldo de prejuízo tinha sido reconstituído pela fiscalização naquele valor, alterando o saldo em 2001 e gerando a denominada compensação indevida. Como o acórdão embargado considerou decaído o lançamento referente a 1999, o saldo de prejuízo declarado deve ser restituído , inclusive no seus reflexos em 2001, com as devidas alterações no SAPLI, ressalvado o direito da fazenda de verificar se tal prejuízo não foi utilizado em outro período. (documento assinado digitalmente) Fl. 1210DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10840.003490/200581 Acórdão n.º 130200.568 S1C3T2 Fl. 6.129 5 MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 1211DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10283.000287/2007-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Compensação de IRRF com IRPJ — saldo negativo
Ano-calendário: 2004
Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DÉBITOS PROPOSTOS PARA LIQUIDAÇÃO POR COMPENSAÇÃO, VENCIDOS - Os débitos, quando vencidos na data da apresentação da DCOMP originaria, devem ser acrescidos, quando for o caso, com juros de mora e multa de mora, nos termos da legislação de regência.
Numero da decisão: 1103-000.422
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Gervasio Nicolau Recketenvald
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TOLEDO DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Compensação de IRRF com IRPJ — saldo negativo Ano-calendário: 2004 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DÉBITOS PROPOSTOS PARA LIQUIDAÇÃO POR COMPENSAÇÃO, VENCIDOS - Os débitos, quando vencidos na data da apresentação da DCOMP originaria, devem ser acrescidos, quando for o caso, corn juros de mora e multa de mora, nos termos da legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. HUGO CORY. A SOT/ER° — Vice Presidente em exercício da Presidência) GERVÁSIO I ICOLAU REeKTE VALD - Relator EDITADO EM: U • PIER 1 1 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hugo Correia Sotero (Vice presidente em exercício da Presidência), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Gervasio Nicolau Recketenvald, Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva, Jose Sergio Gomes (suplente Convocado). Relatório A empresa J. Toledo da Amazônia Indústria e Comércio de Veículos Ltda., CNPJ 84.447.804/0001-23, veio perante este Conselho para, através do competente recurso voluntário, demonstrar sua não conformidade com o decidido pela 1 8 Turma da DRJ de Belém, que negou, parcialmente, a liquidação, por compensação, de débito que a recorrente pretendia extinguir corn aproveitamento de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2003. Segundo a DRJ, a compensação foi negada, em parte, por pretensa insuficiência de crédito, pois o débito apresentado, apesar de vencido na data da entrega da DCOMP, não foi onerado por multa de mora. Segundo o Parecer SEORT, que iniciou a controvérsia, o direito creditório originário, de R$ 2.548.873,26, é incontroverso, razão pela qual foi deferido. Valorando esse montante para a data da DCOMP considerada (22.09.2004), ainda segundo o SEORT, o crédito alcançou o total de R$ 2.827.974,88 (R$ 2.548.873,26 x 1,1095). Por outro lado, ainda conforme o despacho decisório do SEORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Manaus (ff. 131), o débito infonnado na DCOMP, decorrente de IRRF sobre "Juros Sobre o Capital Próprio", correspondente ao 1° semestre de 2004, e de R$ 2.574.361,99, com vencimento em 07.01.2004 (fl. 132). Ajustando esse valor até a data da DCOMP considerada pelo SEORT (22.09.2004), com juros de mora de 9,68% e multa de mora de 20%, o debito assumiu um total de R$ 3.338.432,63. Conforme inferiu o SEORT, o valor originário do debito estaria a maior em R$ 393.628,74, pois: R$ 2.574.361,99 — R$ 393.628,74 = R$ 2.180.733,25. E R$ 2.180.733,25, mais juros de mora de 9,68% e mais multa de mora de 20%, equivaleriam a R$ 2.827.974,88 (R$ 2.180.733,25 + R$ 211.094,98 + R$ 436.146,65), o que corresponderia ao crédito atualizado, acima demonstrado. Inconformada, a recorrente apresentou "manifestação de inconformidade" ao parecer SEORT (fl. 154), alegando não haver insuficiência de crédito, pois a compensação teria ocorrido "em 01/2004 conforme PerdComp n" 413893 7268 e posteriormente em 09/2004 foi retificada pela PerdComp n" 1086010168, inclusive com redução do valor do débito" (11. 155). Nesse pensamento, o demonstrativo e a conclusão do SEORT, de insuficiência de credito de R$ 393.628,74, estaria completamente equivocado. Ao analisar a manifestação de inconformidade, a DRJ/Belém, recorrida, através da la Turma, conforme acórdão 01-10.689, de 13/03/2008 (fl. 180), reconheceu que a compensação deveria se dar na data da apresentação da Declaração de Compensação original (22/01/2004), conforme alegou a recorrente, e não pela data da entrega de DCOMP retificadora, em 22/09/2004, conforme raciocinou, equivocadamente, o SEORT. Entretanto, apesar de reconhecida razão parcial à recorrente quanto à data, a DRJ concluiu persistirem divergências, pois o débito, na Declaração Retificadora, apesar de diminuído em relação h DCOMP originária, teria sido informado sem os acréscimos de multa moratória, de R$ 128.405,87, devidos em vista de o débito ter vencido em 07/01/2004 e a DCOMP original ter sido apresentada em 22/01/2004. Não conformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, dizendo haver equivoco na decisão recorrida, pois no pedido de retificação da DCOMP, efetuado em 09/2004, Processo n° 10283.000287/2007-87 SI-C1T3 Acórdão n." 1103-00.422 Fl. 2 teria diminuído o valor do débito, o que, segundo ela, "não gera encargos corno multa ou juros" (fl. 185). Diante disso, requer se cancele o debito fiscal reclamado. o Relatório. 3 Voto Conselheiro GERVASIO NICOLAU RECKTENVALD, 0 recurso voluntário interposto é tempestivo e foi apresentado por parte legitima. Assim, por reunir os pressupostos de admissibilidade, é conhecido. Conforme relatado, segundo o Acórdão a quo, o direito creditório reconhecido à interessada não foi suficiente para amparar o débito apresentado para compensação. Inicialmente, segundo o Parecer SEORT, teria se verificado uma insuficiência de R$ 393.628,74. Essa diferença, entretanto, foi parcialmente desfeita pela DRJ, pois o SEORT considerou como data de compensação o dia 22/09/2004, data da entrega de DCOMP retificadora, quando, segundo decidiu a DRJ, a data que deveria ter sido considerada é a data de entrega da DCOMP original, apresentada em 22/01/2004. Com isto, evidentemente, a situação se modificou, mas segundo a DRJ persistia débito, que ela não quantificou. Revisando os cálculos, segundo o raciocínio inicial da recorrente, conforme se observa na DCOMP original (if 159), o valor do crédito informado era de R$ 2.722.463,83 (originário), que, acrescido de juros para a data da entrega da DCOMP (22.01.2004) (1%), somou R$ 2.749.688,47. Deste total, ainda segundo a DCOMP original (fl. 159), somente parcela originária do crédito, de R$ 2.695.508,74, que atualizados por juros de 1%, alcançou R$ 2.722.463,83, foi utilizada na liquidação do débito proposto. De outra parte, ainda conforme a DCOMP original, o valor do debito a compensar montava R$ 2.594.057,96 (originário). Este, por vencido desde 07.01.2004, considerando que a DCOMP originária foi apresentada em 22/01/2004, foi acrescido de multa de mora (0,33% x 15 dias = 4,95%), de R$ 128.405,87, elevando-se o debito total a compensar para R$ 2.722.463,83 (fl. 162/163). Essa aparente exatidão na compensação foi quebrada com a apresentação de DCOMP retificadora, entregue em 22.09.2004. Segundo essa retificadora (fl. 166), o valor do crédito originário, concernente ao IRPJ negativo do ano de 2003, é de R$ 2.548.873,26, que confere com o informado na ficha 12 A, linha 19, da DIPJ/2004. Esse montante, acrescido de juros de 1%, alcança um total de R$ 2.574.316,99. O débito, por outro lado, informado na DCOMP retificadora, é de R$ 2.574.361,99, originário, o que equivaleria ao credito atualizado. Observa-se, porém, conforme já advertiu a DRJ, que o débito informado na retificadora não veio acompanhado da correspondente multa de mora de 4,95%, embora estivesse vencido desde 07/01/2004 (fi. 168) e a compensação foi efetuada em 22/01/2004 (fl. 168). 4 Processo n° 10283.00028712007-87 S 1 -CIT3 Acórdão n.° 1103-00.422 Fl. 3 Diante disso, é correta a decisão recorrida, que, mesmo tendo acatado, acertadamente, o pleito da recorrente de deslocar a data da compensação do dia 22/09/2004 (fl. 164), conforme pretendia o SEORT, para o dia 22/01/2004 (fl. 157) - data da entrega da DCOMP originária, ainda assim concluiu persistir débito não compensado, por ausente a multa de mora de 4,95% que deve incidir sobre o débito originário. Assim, o crédito atualizado, de R$ 2.574.361,99, somente suporta parcialmente o débito, no limite originário de R$ 2.452.941,39, pois este valor, de R$ 2.452.941,39, somado a uma multa de mora de R$ 121.420,60 (4,95% sobre RS 2.452.941,39), equivale a R$ 2.574.361,99. Nesse raciocínio, ainda é exigível urn debito originário, vencido em 07/01/2004, de R$ 121.420,60 (R$2.574.361,99 - R$ 2.452.941,39). E isso, se considerado um IRRF originário sobre "Juros sobre Capital Próprio" de R$ 2.574.361,99, informado na DCOMP retificadora, pois o débito efetivo desse IRRF, aparentemente, é de R$ 3.289.500,00 (15% sobre R$ 21.930.000,00) (fl. 78). Ante o exposto, NEGO provimento ao ree so voluntário. - GERVA:SIO NICOL U RECKTENVALD 5
score : 1.0
Numero do processo: 16366.003267/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO.Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais.BASE DE CÁLCULO. INDENIZAÇÃO DE SEGUROS.Tratando-se de ingressos eventuais relativos a recuperação de valores que integram o ativo, não se pode considerar as indenizações de seguros ora discutidas como receitas para fins de incidência da contribuição em comento.RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de PIS e Cofins não cumulativos.Recurso Voluntário Provido em Parte.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.871
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé reconhecem o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. BASE DE CÁLCULO. INDENIZAÇÃO DE SEGUROS. Tratandose de ingressos eventuais relativos a recuperação de valores que integram o ativo, não se pode considerar as indenizações de seguros ora discutidas como receitas para fins de incidência da contribuição em comento. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de PIS e Cofins não cumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé reconhecem o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 EDITADO EM: 02/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep Mercado Externo (fl. 01), transmitido no dia 17/05/2007, relativo ao 1º trimestre de 2007, apurado no regime de incidência nãocumulativa, com fundamento na Lei n° 10.637/2002. Posteriormente, a recorrente apresentou declarações de compensação vinculadas ao seu pedido de ressarcimento. A DRF em Londrina/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 375, deferiu parcialmente o pedido da recorrente, tendo efetuado a glosa de créditos concernentes aos custos/despesas com serviços e produtos relacionados às fls. 365 e considerou, para efeitos de base de cálculo da contribuição, outras receitas operacionais (Grupo 81) não computadas pela recorrente. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 403/417, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR deferiu em parte a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0621.048, de 18/02/2009, cuja ementa abaixo transcrevo: BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do PIS, o sujeito passivo poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO. PIS NÃO CUMULATIVO. Constatado que a autoridade fiscal deixou de computar créditos, por ela reconhecidos de PIS nãocumulativo, conforme prevê a legislação aplicável à época, deve ser deferido o ressarcimento da parcela complementar do correspondente crédito. TRIBUTAÇÃO. RECEITAS AUFERIDAS. A contribuição para o PIS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. As exclusões permitidas da base de cálculo são apenas as listadas de forma taxativa na legislação de regência. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16366.003267/200724 Acórdão n.º 330200.871 S3C3T2 Fl. 484 3 INDENIZAÇÃO DE SEGUROS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. Integra a receita bruta para efeito de cálculo do PIS/Pasep o valor recebido, pela Pessoa Jurídica, a título de indenização de seguro pela perda ou sinistro de seus bens do Ativo Permanente e do Circulante RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos ao PIS, por falta de previsão legal. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 13/03/2010, conforme AR de fl. 452, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 13/04/2010, com o recurso voluntário de fls. 453/467, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade, que abaixo resumo no essencial. 1 insumo é uma combinação dos fatores de produção (matériasprimas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço. Portanto, o conceito de insumo alcança tudo aquilo que é consumido em um processo, seja para fabricação de bens ou prestação de serviços e/ou aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social. Por este conceito, são dispêndios financeiros (gastos) com insumos os gastos realizados com a aquisição dos seguintes bens e serviços: Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Individual; Materiais Químicos e de Laboratórios; Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Outros Materiais de Consumo; Serviços de Segurança e Vigilância; Serviços de Conservação e Limpeza; Outros Serviços de Terceiros; Exportação e Gastos Gerais. 2 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR reconhece o direito ao crédito da contribuição ao PIS/Pasep sobre os valores dos custos/despesas das seguintes rubricas: Materiais de manutenção, serviços de industrialização, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes (Processo nº 16366.003268/200779); 3 o valor das indenizações de seguro incluído pela DRF na base de cálculo do PIS não é receita e, portanto, não deve integrar a base de cálculo; 4 o valor a ressarcir deve ser atualizado pela Taxa Selic, conforme previsto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95. Cita decisão da CSRF sobre aplicação da taxa Selic no ressarcimento de crédito presumido de IPI (art. 1º da lei nº 9.363/96); Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial Voto Conselheiro Walber José da Silva Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de PIS não cumulativo, cujo crédito pleiteado foi aproveitado para efetuar a compensação com débitos também da recorrente, devidamente declarados à RFB. A RFB deferiu parte do crédito pleiteado por ter efetuado a glosa de créditos sobre despesas que não se enquadram no conceito de insumo e/ou que não existe previsão legal, além de incluir receita financeiras na base de cálculo da exação. Com relação aos créditos, a RFB efetuou a glosa em relação aos seguintes gastos da recorrente: 1. Alimentação; 2. Cesta básica; 3. Vale transporte; 4. Assistência médica/odontológica; 5. Uniforme e vestuário; 6. Equipamento de proteção individual; 7. Materiais químicos e de laboratórios; 8. Materiais de limpeza; 9. Materiais de expediente; 10. Outros materiais de consumo; 11. Serviços de segurança e vigilância; 12. Serviços de conservação e limpeza; 13. Outros serviços de terceiros; 14. Exportação 15. Gastos gerais. Adoto integralmente os fundamentos da decisão recorrida quando à legitimidade das glosas efetuadas pela RFB, aos quais acrescento os argumentos abaixo. Em sua defesa, a recorrente parte de um equivocado conceito de insumo, tanto do ponto de vista fiscal, como econômico ou fabril. Em termos fiscais, a Lei nº 10.637/2002, em seu artigo 3º, afirma que o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Não precisa muito esforço de hermenêutica jurídica para concluir que equivocase a recorrente quando afirma que insumo é tudo “aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social”. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16366.003267/200724 Acórdão n.º 330200.871 S3C3T2 Fl. 485 5 Como bem disse a decisão recorrida, os insumos são consumidos ou aplicados diretamente na produção ou fabricação de bens e produtos. Os outros dispêndios não relacionados diretamente com a produção dos bens são custos indiretos e somente geram direito a crédito se houver expressa previsão legal. Nesse passo, as despesas realizadas com os bens e serviços acima listados não geram direito a crédito ou por não se constituírem em insumo ou por existir expressa vedação legal, quando forem insumos, como é o caso de mãodeobra adquirida de pessoa física, inclusive via sindicato de trabalhadores. Esclareçase que não foi realizado glosa de gastos com materiais de manutenção de máquinas industriais, com serviços de industrialização prestado por pessoa jurídica, com serviços de manutenção de máquinas industriais prestado por pessoa jurídica e com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Portanto, não há que se falar em mudança de entendimento da DRF Londrina. Quanto às indenizações de seguro recebidas pela recorrente, conforme ficou demonstrado no recurso voluntário, tais valores não afetaram o patrimônio da recorrente e nem seu resultado operacional. Para ser receita, há que afetar o patrimônio da pessoa jurídica. A indenização de seguro tem a mesma natureza do bem sinistrado, já integrante do patrimônio do segurado, e não se confunde com alienação de bens porque o segurado não realizou operação mercantil alguma. Deve, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS o valor R$ 7.996,37, lançado na contabilidade da recorrente, na conta 811044001 Indenizações de Seguros, no mês de fevereiro de 2007. Por fim, pretende a recorrente que incida a taxa Selic no valor do ressarcimento pleiteado, pelos fundamentos que cita. Ratifico o entendimento da decisão recorrida de que o artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003, este último com a redação do art. 21 da Lei nº 10.865/2004, vedam expressamente a atualização monetária ou a incidência de juros sobre os valores objeto de ressarcimento. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] VI no art. 13 desta Lei. Portanto, ao contrário do entendimento da recorrente, há proibição legal para a incidência de juros, calculado pela selic ou por outro índice qualquer, no ressarcimento de PIS nãocumulativo. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do PIS o valor da indenização de seguro recebida pela recorrente no mês de fevereiro de 2007, no valor de R$ 7.996,37. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000092/2005-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2000
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE OBJETO. A impugnação
instaura a fase litigiosa do procedimento, tornando-se
definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matérias não impugnadas. Assim, não se conhece do recurso, por falta de objeto, quando este se limita discutir matéria
em relação às quais não se instaurou o litígio, por falta de impugnação.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2201-000.986
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso por falta de objeto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE OBJETO. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento, tornando-se definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matérias não impugnadas. Assim, não se conhece do recurso, por falta de objeto, quando este se limita discutir matéria em relação às quais não se instaurou o litígio, por falta de impugnação. Recurso não conhecido.
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FALTA DE OBJETO. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento, tornandose definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matérias não impugnadas. Assim, não se conhece do recurso, por falta de objeto, quando este se limita discutir matéria em relação às quais não se instaurou o litígio, por falta de impugnação. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso por falta de objeto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator EDITADO EM: 14/02/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório AURAZIL APARECIDO GIANSANTE interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJCAMPO GRANDE/MS (fls. 52) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 05/13, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, referente ao exercício de 2000, no valor de R$ 18.688,00, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 46.486,40. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2000 da qual foram glosados os valores declarados como área de utilização limitada (48,0ha) e área de pastagens (152,8ha). Eis a descrição dos fatos do auto de infração: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL] ITR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL Em procedimento de analise dos dados constantes da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural exercício 2000 DITR/2000 o contribuinte Aurazil Aparecido Giansante, CPF 383.005.40849 fui intimado a fornecer: a) Cert. Ibama/órgãos ligados a Preserv. Ambiental b) Mat. do Imóvel com Averbação da Reserva Legal c) Ate Declaratório do Ibama Os itens solicitados, foram para que o contribuinte pudesse deduzir da área total do imóvel sua reserva legal de 48,00 hectares. Apesar do contribuinte ter recebido a intimação com as solicitações acima descritas, este não atendeu a nenhuma, o que de imediato esta fiscalização não considerara a área de 48,00 ha como reserva legal pelo não atendimento as exigências legais para que esta área fosse excluída da tributação. O contribuinte declarou em sua DITR/00 que não possuía qualquer animal de grande ou médio porte ocupando os 152,8ha de pastagem declarada, devido a isto esta fiscalização deduziu sua pastagem calculada em função da ocupação para zero, o que por conseqüência reduz o grau de utilização do Imóvel, e eleva a alíquota resultando em um aumento do ITR. Assim diante dos fatos acima descritos foi elaborado um formulário de alteração e retificação da DITR/2000, resultando em uma diferença de imposto cobrado através deste auto de infração. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 20/21 na qual limitouse a pedir que fossem corrigidos os valores referentes à movimentação de rebanhos e, Fl. 85DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13851.000092/200571 Acórdão n.º 220100.986 S2C2T1 Fl. 2 3 consequentemente, a área de pastagem, nada tendo sido dito quanto à área de utilização limitada. A DRJCAMPO GRANDE/MS julgou procedente em parte o lançamento para acolher o novo valor informado pelo Contribuinte quanto ao movimento de gado, alterando o valor referente à área de pastagens para 130ha. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 14/03/2008 (fls. 61) e, em 11/04/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 63 no qual afirma que na propriedade há uma mata de aproximadamente 94,0 ha, a qual está toda cercada e nela vivem muitos animais silvestres. Pede que se considere esta área. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso foi interposto tempestivamente. Passo a examinar outros pressupostos de sua admissibilidade. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento que deu origem a este processo decorreu das glosas dos valores declarados como área de utilização limitada e área ocupada com pastagem. O Contribuinte impugnou a exigência apenas quanto à área de pastagem, tendo sido acolhida sua alegação neste ponto. Agora, na fase recursal o Recorrente limitase a se referir à existência na propriedade de uma área de mata de 94,0ha e pede que a mesma seja considerada. Embora sem que o Recorrente tenha explicitado a forma como espera que seja considerada a ta área de mata, considerando que o lançamento decorreu da glosa de área de utilização limitada, somente se pode entender que a pretensão do Recorrente seja a de que a tal área seja considerada como tal. Ocorre que, como ressaltado pela decisão de primeira instância, o Recorrente não impugnou o lançamento quanto à área de utilização limitada e, portanto, não se instaurou o litígio quanto a este ponto. Isso significa que, em relação a esta matéria, a exigência tornouse definitiva. Dela, portanto, não cabe recurso. De qualquer forma, apenas a título de esclarecimento, cumpre anotar que o Contribuinte apenas se refere à área de mata, sem ter apresentação nenhum comprovante da sua existência efetiva, nem da averbação da reserva à margem da matrícula do imóvel. Assim, considerando que o Contribuinte se limita a argüir no recurso matéria não impugnada e, portanto, em relação à qual não se instaurou o litígio, não há questão a ser examinada na fase recursal. Fl. 86DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Conclusão Ante o exposto, não conheço do recurso, por falta de objeto. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 87DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 25/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002170/2004-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PIS. CRÉDITOS EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. REDUÇÃO PELO
AUMENTO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE.
No âmbito de pedido de ressarcimento de créditos da contribuição não
cumulativa, é legítima a redução do valor objeto do pedido de ressarcimento
pela inclusão na base de cálculo de valor desconsiderado pelo sujeito passivo,
uma vez que o objeto do procedimento é a apuração do saldo passível de
ressarcimento e não a exigência de tributo.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. TAXA SELIC.
Por vedação legal expressa, é incabível a incidência da taxa SELIC no
ressarcimento de crédito de PIS vinculado a receita de exportação.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PIS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NATUREZA
DE RECEITA.
O crédito presumido de IPI, para ressarcimento do PIS e da COFINS
incidentes sobre insumos da produção de mercadoria importada representa
receita para o contribuinte e, portanto, sujeitase
à incidência do PIS.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.053
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os
conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Leonardo Mussi da
Silva. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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CRÉDITOS EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. REDUÇÃO PELO AUMENTO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. No âmbito de pedido de ressarcimento de créditos da contribuição não cumulativa, é legítima a redução do valor objeto do pedido de ressarcimento pela inclusão na base de cálculo de valor desconsiderado pelo sujeito passivo, uma vez que o objeto do procedimento é a apuração do saldo passível de ressarcimento e não a exigência de tributo. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. TAXA SELIC. Por vedação legal expressa, é incabível a incidência da taxa SELIC no ressarcimento de crédito de PIS vinculado a receita de exportação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PIS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NATUREZA DE RECEITA. O crédito presumido de IPI, para ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes sobre insumos da produção de mercadoria importada representa receita para o contribuinte e, portanto, sujeitase à incidência do PIS. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Fl. 156DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 2 conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Leonardo Mussi da Silva. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Relatora (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Leonardo Mussi da Silva. Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento de PIS, derivado de créditos acumulados na apuração não cumulativa, em razão de exportações de mercadorias para o exterior do País (artigo 5º, §1º da Lei nº 10.637/02), não aproveitados integralmente na apuração da contribuição devida no período. O crédito é relativo ao 1º Trimestre de 2004, no valor total de R$ 140.322,37, conforme pedido de retificação apresentado (fls. 28). 2. Cumpre de início ressaltar que uma Declaração de Compensação foi juntada aos autos por equívoco (fls. 12/13), pois não se refere ao crédito objeto destes autos – conforme a própria autoridade fiscal reconhece, por meio de anotações nos formulários (o crédito utilizado na compensação em questão referese ao 3º Trimestre de 2003 que, segundo informação aposta pela autoridade fiscal, é objeto do processo nº 11065.003164/200492). 3. Constam nos autos cópias de processo judicial no qual a Recorrente obteve decisão favorável (sentença – fls. 64/67) que reconheceu a não incidência do PIS ou da COFINS sobre valores recebidos por transferência pela contribuinte, relativos a créditos de ICMS. 4. No curso da fiscalização, em resposta a Termo de Intimação recebido a Recorrente manifestouse (fls. 56/57) apresentando uma série de informações, dentre elas a de que não incluiu na base de cálculo do PIS e da COFINS os valores de créditos de IPI apurados, o que é objeto de discussão em processo administrativo próprio (PIS 11065.005041/200313; COFINS – 11065.005040/200361). Fl. 157DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11065.002170/200422 Acórdão n.º 330201.053 S3C3T2 Fl. 2 3 5. A autoridade fiscal manifestouse (fls. 68/71) pela glosa de parte dos créditos, em razão de a Recorrente ter deixado de incluir na base de cálculo do PIS (débito) os valores de créditos de IPI para ressarcimento de PIS e COFINS sobre suas exportações, apurados de acordo com a Lei nº 10.276/01. Informa, ainda, que é objeto de outro processo administrativo, o lançamento com exigibilidade suspensa dos valores de PIS e COFINS sobre créditos de ICMS recebidos em transferência. 6. O Despacho Decisório proferido (fls. 73) adotou as conclusões do Relatório da Ação Fiscal e manteve a glosa de parte dos créditos que a Recorrente pediu ressarcimento. 7. Na sequência, foi apresentada Manifestação de Inconformidade (fls. 97/112), na qual a Recorrente insurgese contra a inclusão na base de cálculo do PIS de (i) créditos de ICMS transferidos e (ii) créditos de IPI conferidos para ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes sobre aquisições no mercado interno de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos exportados ou destinados à empresa comercial exportadora. 8. Segundo argumentos apresentados pela Recorrente o benefício de IPI foi criado para incrementar a exportação, de modo que os créditos de IPI assemelhamse à recuperação de custos e não espécie de receita. Segundo a contribuinte os créditos outorgados pela sistemática da Lei n° 9.363/96 jamais poderiam ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, seja por serem recuperação de custos, seja porque seria totalmente anacrônico conceder um crédito para ressarcir o PIS e COFINS incidente sobre a cadeia exportadora e, por outro lado, determinar a incidência das mesmas contribuições sobre tal crédito. Apresenta decisões do Conselho de Contribuinte que corroboram seu entendimento. 9. Argumenta ainda a Recorrente que, mesmo se entendido como receita, tal crédito seria proveniente de exportação, e como tal, desonerada de tributação. Considera que o inciso I, § 2° do artigo 149 da Constituição Federal introduzido pela Emenda Constitucional n° 33, de 11 de dezembro de 2001. 10. Pleiteia reforma do Despacho Decisório para o fim de reconhecer o direito ao ressarcimento integral dos valores pleiteados, corrigidos monetariamente pela SELIC até a data do efetivo ressarcimento. 11. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal de Porto Alegre/RS,indeferiu a manifestação de inconformidade, mantendo a glosa realizada e o Despacho Decisório atacado (fls. 123/127), por entender que o crédito de IPI em questão seria uma receita, não abarcada por quaisquer das hipóteses de isenção ou exclusão expressamente tratadas pela legislação do PIS e da COFINS. 12. Inconformada a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 130/145), no qual reitera os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade e requer a reforma total da decisão da DRJ. 13. Vieramme, então, os autos para decidir. 14. É o relatório. Voto Vencido Fl. 158DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 4 Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas Tratase de Recurso Voluntário tempestivo, que atende os demais requisitos de admissibilidade. Primeiramente esclareço que conheço apenas parcialmente do Recurso apresentado, pois, de fato, a questão da cobrança do PIS sobre valores de créditos de ICMS recebidos em transferência não é objeto destes autos, mas sim de auto de infração de que trata o Processo Administrativo nº 11065.002504/200549 (segundo consta do Relatório da Ação Fiscal). Assim, não conheço do Recurso no que se refere a esta questão. Importa também ressaltar que embora o Relatório da Ação Fiscal e a decisão da DRJ façam menção a declarações de compensação que teriam sido apresentadas pela Recorrente, não é objeto dos autos nenhum procedimento de compensação. A única DCOMP que consta dos autos, conforme anotação promovida pela própria Autoridade Fiscal, no formulário, se refere a outro Pedido de Ressarcimento e, portanto, a outro processo administrativo (11065.003164/200492), pois utiliza crédito apurado no 3º Trimestre de 2003, enquanto os créditos do 1º Trimestre de 2004 é que são objeto destes autos. Feitos estes esclarecimentos ressalto que a controvérsia destes autos gira em torno de glosa (parcial) de valores de créditos de PIS, por ter entendido a Autoridade Fiscal que um suposto débito (também de PIS) que a contribuinte deveria ter apurado, e não o fez, poderia ser descontado do valor dos créditos cujo ressarcimento foi requerido. Necessário frisar que a glosa que foi efetuada relacionase com créditos presumidos de IPI, cuja finalidade era o ressarcimento do PIS e COFINS incidentes sobre insumos utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas (Lei nº 9.363/96). Segundo informações da própria Recorrente, ela apurou tais créditos e não os submeteu à incidência do PIS e da COFINS (fls. 56/57). Ou seja, tais valores jamais foram constituídos e/ou tributados pela Recorrente. Ao constatar que tais valores não integraram a base de cálculo das contribuições, apurada pela Recorrente, a Autoridade Fiscal aponta em seu Relatório de Ação Fiscal que tais quantias deveriam ter sido tributadas pelo PIS e pela COFINS. Tendo o Fisco constatado que a Recorrente não apurou (não lançou e não pagou) tais débitos, ao manifestarse sobre o direito ao ressarcimento de créditos que a Recorrente apurou (objeto do Pedido de Ressarcimento ora sob análise), houve por bem em glosar parte dos créditos pleiteados. Ou seja, na análise da procedência ou não dos créditos apurados pela Recorrente, cujo ressarcimento pleiteou, o Fisco lhe negou o direito a parte de tais créditos, porque “descontou”, do total de créditos pleiteados, o débito de PIS que não foi anteriormente apurado pela Recorrente (sobre os créditos presumidos de IPI, acima referidos). Pareceme, evidente, que o Agente Fiscal incorreu em grave erro. Afinal, confundiu a análise do crédito de PIS – cujo pedido de ressarcimento pleiteado é objeto dos autos – com um débito de PIS que deixou de ser apurado pelo contribuinte. Promoveu verdadeira compensação de ofício sem que, contudo, o valor do débito tivesse sido antes constituído. Realizou, portanto, cobrança de tributo sem o respectivo lançamento! Fl. 159DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11065.002170/200422 Acórdão n.º 330201.053 S3C3T2 Fl. 3 5 Ora, o Agente Fiscal concluiu através de suas verificações, que a Recorrente deixou de incluir determinado valor na base de cálculo do PIS (correspondente ao crédito presumido de IPI). Deveria, então, promover, em primeiro lugar, o lançamento de tais valores, para que fosse possível estabelecer sua cobrança (ou compensação de ofício). Afinal, é cediço que para que seja possível cobrar quaisquer valores, a título de tributo, estes devem estar definitivamente constituídos – seja através de lançamento por homologação (Art. 150, §4º do CTN), seja através de lançamento de oficio (Art. 142 do CTN). Entretanto, no presente caso, considerando que a Recorrente não ofereceu tais valores à tributação – daí, inclusive que surgiu o questionamento fiscal – e que nestes autos não foi efetuado nenhum lançamento de ofício, os valores em questão jamais foram constituídos definitivamente. Assim, faltalhes requisito essencial para a pretensa cobrança, por parte da Autoridade Fiscal. Por esta razão já é inconcebível e improcedente a glosa em comento. Vale destacar, ainda, que mesmo que tais valores tivessem sido adequadamente constituídos – o que, repito, não ocorreu o procedimento correto que o Fisco deveria ter adotado seria o de (i) verificar a procedência (e deferimento) do crédito pleiteado e, posteriormente, (ii) avaliar se existiam débitos do contribuinte em aberto, (iii) para então promover a compensação de ofício (que deveria seguir o rito estabelecido pela IN nº 900/08). Ou seja, estaria de toda forma equivocado o procedimento que foi adotado no presente caso, de glosar o “crédito” a que o contribuinte tem direito, em razão de ter sido constatada a apuração e manutenção em aberto de “débitos” da contribuição. Afinal, na análise da procedência do direito ao “crédito” o Fisco deveria ter deferido integralmente o direito do contribuinte e, em momento posterior, se fosse o caso (ou seja, se houvesse crédito constituído e aberto), promover a quitação de eventual “débito” (constituído e em aberto) com o “crédito” reconhecido, efetuando, nestes termos, a compensação de oficio e a restituição do valor (crédito) remanescente. Assim, também sob esse prisma está inadequado o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal. De todo modo, considerando que o débito em questão não foi sequer constituído, não haveria também condições de se promover a compensação de ofício nos moldes referidos. Além destes motivos, também deve ser julgada improcedente a glosa porque, segundo informações apresentadas pela Recorrente em sua manifestação de fls. 56/57, os valores de crédito presumido de IPI que não foram oferecidos à tributação do PIS e da COFINS já são objeto de outros processos administrativos específicos: PIS 11065.005041/200313; COFINS – 11065.005040/200361. Esta informação parece ter sido sumariamente ignorada pelos Agentes Fiscais em seu Relatório, bem como pela DRJ. Contudo, se existe processo em que a tributação em comento é analisada, a questão deve a ele restringirse. Ademais, não fossem suficientes as razões acima apresentadas para cancelar a glosa dos créditos promovida pelo Despacho Decisório e chanceladas pela DRJ, também não Fl. 160DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 6 merece prosperar a glosa, se analisarmos as razões que levaram a Autoridade Fiscal a promovêla, ou seja, o “débito” (não constituído, mas) cobrado pela Autoridade Fiscal não tem fundamento legal. Vejamos. Os créditos presumidos de IPI, que segundo a Autoridade Fiscal deveriam ter sido tributados pelo PIS e pela COFINS, são concedidos aos contribuintes justamente para compensar, de alguma forma (daí serem meramente presumidos), os dispêndios dos contribuintes com o PIS e a COFINS incidentes sobre insumos utilizados na produção de mercadorias exportadas. Tais créditos, portanto, não têm natureza de receita, pois são verdadeiros créditos escriturais de IPI, a serem utilizados na apuração regular do imposto. Não se trata de novo ingresso ou fluxo de novas riquezas no patrimônio do contribuinte. A forma de concessão de tais créditos – como créditos escriturais e não como ressarcimento, por exemplo – evidencia não se tratar de receita ou ingresso para o contribuinte que os aproveita. Neste sentido, cito trecho de Acórdão proferido pela 1º Turma da 4º Câmara desta 3ª Seção do CARF, no qual se decidiu justamente pela não incidência do PIS e da COFINS sobre os valores de créditos presumidos de IPI, em caso semelhante ao ora analisado, verbis: “Todavia, a classificação mais específica e que melhor define a sua natureza jurídica é a que o enquadra como crédito escritural incentivado do IN. Na forma da Lei n° 9.363/96, o incentivo é, essencialmente, crédito do IPI, a ser escriturado e compensado com débitos desse imposto, também lançados na escrita fiscal, sendo passível de ressarcimento ou compensação com outros tributos somente quando do confronto entre débitos e créditos do IPI resultar saldo credor. (...) Como estatuído pela Lei n° 9.363/96, o crédito presumido assume a natureza jurídica de crédito incentivado do IPI, independentemente da forma como fora concebido antes e da vontade do legislador. Se antes, por ocasião da MP n° 905/95, possuía natureza diversa, posto que assumia a forma de ressarcimento em espécie e nada tinha a ver com créditos escriturais incentivados doIPI, ao final foi estabelecido conforme a natureza jurídica dos últimos. (...) Destarte, por considerar que a natureza jurídica do incentivo instituído pela Lei n° 9.363/96 é de crédito escriturai incentivado do IPI, entendo deva ser excluído da base da Cofins, mesmo após a Lei n°9.718/98.” Concluise que o crédito presumido de IPI, sob analise, não representa efetivamente uma receita do contribuinte, pois não representa nenhum ingresso de valores em sua contabilidade. Ao contrário, é mera operação patrimonial, visando recomposição, ainda que parcial, do patrimônio do contribuinte, que foi onerado em razão da incidência do PIS e da COFINS sobre insumos da cadeia produtiva exportadora, atividade esta que se pretende incentivar. Ademais foge a qualquer lógica a tributação – justamente pelo PIS e COFINS – de créditos que foram conferidos como forma de incentivar as exportações, visando a Fl. 161DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11065.002170/200422 Acórdão n.º 330201.053 S3C3T2 Fl. 4 7 recuperação (parcial/presumida) de custos com as próprias contribuições, nos quais incorreu o contribuinte para fabricar produtos exportados. Admitir a tributação de tais créditos presumidos, pelo próprio PIS e COFINS, seria praticamente anular o efeito do benefício fiscal e negar vigência – ainda que por via transversa – ao incentivo conferido às exportações. Pareceme, portanto, que por diversas razões não pode prosperar a glosa dos créditos pleiteados pelo contribuinte. Por fim, com relação à incidência da taxa SELIC no ressarcimento de créditos de PIS e COFINS nãocumulativos, ratifico o entendimento da decisão recorrida de que não há previsão legal para o pleito da Recorrente. Ao contrário, há vedação expressa dos artigos 13 e 14 da Lei nº 10.833/03. Desta forma, por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para garantir o direito à restituição integral do crédito de PIS, objeto deste processo. É como voto. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco É bastante relevante a questão preliminar contida no recurso, que diz respeito à necessidade de lançamento para constituição do crédito da Fazenda, relativamente a valor não incluído na base de cálculo pelo contribuinte. Em regra, o crédito tributário não constituído por meio de declaração do sujeito passivo tem que ser objeto de lançamento, atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. Entretanto, no presente caso, embora não tenha havido um lançamento sob o ponto de vista formal (não há ato administrativo denominado de lançamento nos presentes autos), houve lavratura de atos administrativos que contêm todos os requisitos de um lançamento. Houve autorização para reexame (fl. 52); termo de início de fiscalização (fl. 53); relatório que descreveu as infrações, apurou a base de cálculo o valor devido (fls. 68 e seguintes), efetuado por auditorfiscal; ciência de todo o procedimento com direito ao processo previsto no Decreto no 70.235, de 1972, satisfazendo o procedimento ao disposto no art. 11 do referido decreto. Fl. 162DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 8 Portanto, devese considerar que o procedimento adotado foi hábil e idôneo para o efeito de constituir o crédito do fisco, tornandoo líquido e certo, sujeito à impugnação. Ademais, ainda que não fosse legítima a interpretação acima exposta, devese considerar que o procedimento, desde seu início, foi o de apuração do saldo passível de ressarcimento, conforme requerimento do sujeito passivo. Nas verificações que se seguiram, o fisco apurou irregularidade na apuração dos débitos. Como o saldo a ser ressarcido é a diferença positiva entre os créditos e os débitos, tanto a majoração irregular de créditos como a redução indevida dos débitos influem o resultado apurado. Assim, da mesma forma como é possível, por meio do procedimento adotado nos presentes autos, reduzir o montante de créditos do sujeito passivo, também é possível a majoração de débitos, independentemente de lançamento, uma vez que o objetivo não é exigir tributo, mas apenas apurar o montante de ressarcimento devido ao sujeito passivo. Em relação à matéria de mérito, também descabe razão à Interessada, uma vez que os créditos presumidos representam claramente aumento de patrimônio. Não se trata de mero crédito escritural preexistente e não se caracteriza como indébito de PIS e Cofins anteriormente pago, conforme já decidiu o antigo 2º Conselho de Contribuintes no Acórdão no 20178.700. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 163DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 28/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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