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Numero do processo: 13819.900211/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2005
CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
Numero da decisão: 3301-005.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2005 CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159 70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.15970/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 11 /2 00 9- 18 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13819.900211/200918 Acórdão n.º 3301005.144 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito para ser utilizado na compensação em questão. Com isso, decidiu pela não homologação da referida Declaração de Compensação. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva alegando, em suma, que seu direito creditório tem fundamento no artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970/2001, o qual afirma terlhe outorgado o direito de compensar tal crédito com débitos do mesmo tributo, conforme o fez através da Dcomp em tela. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12065.696. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que discorre sobre sua atividade, o contrato de exploração de patente e uso de marca que firmou com empresa estrangeira, as remessas de royalties, o direito ao crédito de CIDE, sob o amparo da MP n° 2.15970/01, e a correção do procedimento adotado utilização do crédito da CIDE para liquidação de débitos vincendos, via PER/DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.136, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.136): Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13819.900211/200918 Acórdão n.º 3301005.144 S3C3T1 Fl. 4 3 "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99, adoto como razão de decidir o voto condutor do Acórdão DRJ n° 1265.687, de 22/05/14, da lavra do i.julgador Bernardo Moraes Fiuza Pequeno: "(. . .) Verificase que o interessado fundamenta sua defesa no art. 4º da MP Nº 2.15970/2001, deste modo, transcrevo o referido dispositivo legal por ser de suma importância para a solução da lide (grifos de minha autoria). 'Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo. § 2o O Comitê Gestor definido no art. 5º da Lei nº 10.168, de 2000, será composto por representantes do Governo Federal, do setor industrial e do segmento acadêmicocientífico.' Percebese na leitura deste artigo, que a MP nº 2.15970/2001 concedeu crédito ao contribuinte nos casos de remessas ao exterior a título de róialties, o qual é calculado com base na contribuição devida. No entanto, o interessado informou na Declaração de Compensação crédito oriundo de pagamento indevido, ou seja, o crédito previsto na MP nº 2.15970/2001 não tem relação com o Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13819.900211/200918 Acórdão n.º 3301005.144 S3C3T1 Fl. 5 4 crédito de pagamento indevido, haja vista que o pagamento só é indevido se a CIDE não é devida. Por outro lado, o crédito da MP nº 2.15970/2001 só é gerado com base na CIDE que é devida. Portanto, percebese que a defesa sustenta um crédito distinto daquele informado na Declaração de Compensação. Ademais, ainda que o interessado obtivesse êxito em comprovar o suposto crédito previsto na MP nº 2.15970, este não poderia ser utilizado através de Declaração de Compensação, mas tão somente por meio de dedução da CIDE de períodos subseqüentes, em conformidade com o art. 4º, § 1º, inciso II, que diz (grifos meus): 'II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo.' Portanto, diante de todo exposto, voto por julgar a manifestação de inconformidade improcedente, mantendose integralmente o Despacho Decisório, a fim de não homologar a Declaração de Compensação." Com base no acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003535/2005-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL.
A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF.
NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO.
O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004. SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, deve ser calculado somente sobre o valor dos bens previstos no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não sobre os serviços prestados por pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA.
Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.
Numero da decisão: 3201-004.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso de Voluntário, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo, nos termos seguintes: I - Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens:(i) ferramentas operacionais e materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de cana-de-açúcar e na destilaria de álcool;(ii) combustíveis utilizados nos bens aplicados na produção, inclusive na fase agrícola;(iii) adubo e produtos químicos utilizados na fase agrícola;(iv) serviços de manutenção, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, empregados nos bens aplicados na produção;(v) arrendamento agrícola. II - Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre a aquisição de combustíveis utilizados no transporte do produto para exportação e com os serviços de capatazia, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao recurso para também reconhecer o crédito sobre os serviços de despacho aduaneiro e assessoria logística, e os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo, que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004. SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, deve ser calculado somente sobre o valor dos bens previstos no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não sobre os serviços prestados por pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso de Voluntário, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo, nos termos seguintes: I - Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens:(i) ferramentas operacionais e materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de cana-de-açúcar e na destilaria de álcool;(ii) combustíveis utilizados nos bens aplicados na produção, inclusive na fase agrícola;(iii) adubo e produtos químicos utilizados na fase agrícola;(iv) serviços de manutenção, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, empregados nos bens aplicados na produção;(v) arrendamento agrícola. II - Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre a aquisição de combustíveis utilizados no transporte do produto para exportação e com os serviços de capatazia, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao recurso para também reconhecer o crédito sobre os serviços de despacho aduaneiro e assessoria logística, e os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo, que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1919; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 607 1 606 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.003535/200569 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.279 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2018 Matéria PIS. RESSARCIMENTO Recorrente FBA FRANCOBRASILEIRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de canadeaçúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004. SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, deve ser calculado somente sobre o valor dos bens previstos no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não sobre os serviços prestados por pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 35 35 /2 00 5- 69 Fl. 607DF CARF MF 2 Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso de Voluntário, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo, nos termos seguintes: I Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens:(i) ferramentas operacionais e materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar e na destilaria de álcool;(ii) combustíveis utilizados nos bens aplicados na produção, inclusive na fase agrícola;(iii) adubo e produtos químicos utilizados na fase agrícola;(iv) serviços de manutenção, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, empregados nos bens aplicados na produção;(v) arrendamento agrícola. II Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre a aquisição de combustíveis utilizados no transporte do produto para exportação e com os serviços de capatazia, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao recurso para também reconhecer o crédito sobre os serviços de despacho aduaneiro e assessoria logística, e os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo, que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento/compensação de créditos oriundos do PIS, apurado no 4º trimestre de 2004. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: O processo epigrafado foi inaugurado para recepcionar formulário de Declaração de Compensação (DCOMP) de fl. 02, protocolada em 21/12/2005, por meio da qual a contribuinte declarou a compensação de débitos de IRPJ (2362) e CSLL (2484), no montante total de R$ 124.743,02, vencidos em 30/12/2005, com créditos de PIS — Não cumulativo (6912), Fl. 608DF CARF MF Processo nº 13888.003535/200569 Acórdão n.º 3201004.279 S3C2T1 Fl. 608 3 apurados no mês de outubro de 2004, conforme demonstrativos de fls. 03/04. Posteriormente, foram anexados ao presente processo os processos de n's 13888.003533/200570 e 13888.003534/2005 14, que igualmente se reportaram a DCOMPs relativas aos créditos do PIS — Não Cumulativo apurados nos demais meses do quarto trimestre de 2004. Segundo relatou a autoridade responsável pela análise das compensações declaradas com suporte no referido crédito (fl. 114), o montante total dos débitos compensados atingiu a cifra de R$ 375.891,02, tendo reportadose apenas a débitos do IRPJ e CSLL relativos ao período de apuração (PA) 11/2005. O procedimento de auditoria dos créditos alegados, realizado em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 08125.2008.00259 (fl. 27), emitido pela DRF Piracicaba, foi relatado no Termo de Informação Fiscal (TIF) de fls. 55/59, concluído nos seguintes termos: "Assim, visto que somente os créditos apurados sobre os custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes de exportação de mercadorias para o exterior podem ser utilizados para a compensação de outros débitos da empresa, após a dedução da contribuição ao PIS/PASEP devida no mês, temos que o valor de crédito disponível para compensação ou ressarcimento no ma 10/2004 é de R$ 96.278,79, em 11/2004 de R$ 99.128,19 e em 12/2004 de R$ 104.824,44." A tabela que segue reproduzida demonstra, para cada mês do trimestre, os valores dos créditos apurados pela contribuinte (cuja razão social mudou para USINA DA BARRA S/A AÇOCAR E ALCOOL, ao tempo da auditoria fiscal), assim como os valores das glosas procedidas pela fiscalização, e a utilização do crédito para fins de amortizar os débitos da própria exação, apurados no mesmo período: (omissis) Segundo relatado no referido TIF, as glosas procedidas pela fiscalização relacionaramse ao seguintes "centros de custos"/contacontábil (conforme classificação contábil adotada pela contribuinte), relativos a aquisições de bens e serviços, cujo creditamento não estava autorizado pela legislação regente: • Armazém de Açúcar • Oficina Caldeiraria • Oficina Mecânica/Manutenção/Automotiva • Oficina Elétrica/Instrumentos • Tonéis de Álcool • Gerência regional IND Fl. 609DF CARF MF 4 • Administração/Planejamento IND • Brigada e Combate Incêndio • Ferramentas operacionais e materiais e utensílios elétricos (para manutenção de imóveis) • Consumo de água (setor agrícola — exceto irrigação) • Manutenção e Conservação Civil • Despesas de Estadias • Despesas com serviços de logística de exportação e supervisão de embarque • Despesas Portuárias • Aluguel de propriedade rural Importa relatar que a fiscalização procedeu a análise de todo o processo produtivo da usina, do plantio da canadeaçúcar até o final do processo industrial, com a produção de açúcar e álcool. Com relação às aquisições de MERCADORIAS E SERVIÇOS UTILIZADOS NO PROCESSO INDUSTRIAL, a fiscalização limitou o reconhecimento do direito creditório ao conceito de insumos prescrito no art. 66, § 5º, inc. I, alíneas "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n° 247, de 2002. A autoridade fiscal informou que as despesas com COMBUSTÍVEIS de veículos do setor industrial foram excluídas, para fins de reconhecimento do crédito, "porque não se referem a veículos que transportam insumos". Com relação às DESPESAS PORTUÁRIAS, a fiscalização considerou "apenas aqueles gastos expressamente discriminados nos documentos como de armazenagem ou frete (art. 8°, II, "e" da IN SRF 404/2004), sendo excluídos os demais serviços", os quais foram discriminados "ao final das planilhas 02/2004 e 03/2004". Quanto às despesas de ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL ("Arrendamento Manacá"), a autoridade fiscal pontuou que foram excluídas porquanto a legislação regente só autorizava crédito de aluguéis de máquinas, prédios e equipamentos (art. 66, II, "b", da IN SRF 247/2002). Por fim, com respeito aos lançamentos do CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA (linha 18 do DACON), a autoridade fiscal informou que "foram excluídos os serviços contabilizados em centros de custo não diretamente relacionados à produção, a seguir identificados, uma vez que somente aqueles conceituados como insumo dão direito ao crédito presumido, nos termos do art. 68 da IN SRF 247/02, na redação da IN SRF 358/03: Setor Industrial : Armazém de Açúcar". E, ainda a respeito destes créditos, a autoridade fiscal pontuou que, em face de alterações legais havidas (e segundo o entendimento esposado Fl. 610DF CARF MF Processo nº 13888.003535/200569 Acórdão n.º 3201004.279 S3C2T1 Fl. 609 5 no Ato Declaratório Interpretativo no 15, de 2005), a partir de 01/08/2004 deixou de ser possível utilizar o crédito presumido da agroindústria para fins de compensação ou ressarcimento, razão pela qual "a Fiscalização transferiu o montante dos créditos calculados sobre bens e serviços adquiridos de pessoas fisicas no mês para o mercado interno". Concluído o trabalho de auditoria dos créditos pleiteados, o processo foi encaminhado ao Seort, "para análise dos processos de Declaração de Compensação", relativas ao crédito analisado (fl. 59). E, com base no trabalho de auditoria realizado pela fiscalização, foi proferido o despacho decisório de fls. 113/120, que concluiu pelo reconhecimento do direito creditório, no valor de R$ 300.231,42, com a consequente homologação das compensações declaradas, até o limite do referido valor. A contribuinte foi cientificada da referida decisão por meio da intimação de fl. 126, que também se prestou a exigir o pagamento dos saldos dos débitos não compensados (IRPJ: R$ 32.549,29; CSLL: R$ 43.110,31). Referida intimação foi recebida pela interessada em 15/10/2009 (fl. 127). Em 16/11/2009 foi protocolada a manifestação de inconformidade, conforme peça de fls. 128/142, firmada por procuradora regularmente estabelecida (fls. 143/144), por meio da qual a recorrente alega, em síntese, que: a) "a nãocumulatividade da contribuição PIS não deve ser equiparada com a nãocumulatividade constitucional do ICMS e do IPI", uma vez que a primeira "tem origem na legislação infraconstitucional (Lei n° 10.637/02)". Neste caso, o sistema legal que da suporte ao creditamento do PIS não traz a vinculação entre os valores incidentes nas etapas anteriores, como ocorre com os referidos impostos. Para o caso do PIS "aos contribuintes foram atribuidas certas hipóteses em que o crédito é assegurado, baseandose na aquisição de bens e serviços, nos custos, nas despesas e demais encargos, além da instituição de créditos presumidos". É esta a lição da melhor doutrina; b) a legislação que instituiu o sistema da nãocumulatividade para as contribuições "não definiu o conceito de insumos e nem obrigou A utilização subsidiária da legislação do IPI para se extrair tal conceito". E, "como é de ampla sabença, o termo insumos, tem o mesmo sentido e significado na linguagem comum dentro de todo o território nacional —e até no estrangeiro (input, em inglês) —, isto 6, representa cada um dos elementos, diretos e indiretos, necessários A produção de produtos e serviços, como, por exemplo, matériasprimas, máquinas, equipamentos, capital, mãodeobra, energia elétrica, etc."; c) entretanto, a Receita Federal, "a pretexto de interpretar e aplicar a legislação federal, maliciosa e ilegalmente, limitou o conceito de insumos nas Instruções Normativas 247/02 e 404/04". Esta restrição representa "manifesto vicio de Fl. 611DF CARF MF 6 ilegalidade". O principio da legalidade está insculpido na Constituição Federal (art. 5°, inc. II) e deve ser observado pela Administração conforme comanda o art. 37 da Carta Magna. Assim também ensina a melhor doutrina, e é este o entendimento prevalecente nos tribunais pátrios; d) nestes termos, "afigurase completamente indevida a glosa dos créditos auferidos pela manifestante, como aguarda e requer seja assim reconhecido por essa isenta instância julgadora"; e) especificamente em relação às glosas relativas aos bens utilizados como insumos, estas não podem prevalecer porquanto "tratamse de ferramentas operacionais, materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar, na destilaria de álcool, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo, razão pelo qual deveriam ter sido admitidos pela autoridade fiscal". Nesse sentido foi formulada a Solução de Divergência n° 12, de 2007, conforme ementa trazida à colação; f) o mesmo vale em relação "aos combustíveis adquiridos para o transporte do produto para exportação e indispensáveis a atividade agroindustrial", assim como "ao transporte da mão de obra que é indispensável em todo o processo de plantio, tratos culturais, colheita e industrialização". Portanto, "sem combustível não há como se conceber o plantio, os tratos culturais, a colheita, o transporte e, por fim, a industrialização da canadeacúcar". E não há que se alegar que os combustíveis não integram o produto final e, por isso, não gerariam direito a créditos de PIS. Isto porque, "consoante a orientação jurisprudencial é legitimo o crédito relativamente aos materiais que a despeito de não integrarem fisicamente o produto final, são consumidos e/ou inutilizados no processo produtivo"; g) "no item de serviços utilizados como insumos, todas as glosas são equivocadas e indevidas, tendo em vista que todos os itens elencados pela fiscalização também estão diretamente ligados ao processo produtivo". Neste sentido, destacamse os serviços de manutenção da mecanização industrial e transporte de resíduos industriais (vinhaça) utilizados nas lavouras; h) são também indevidas as glosas dos custos relacionados com armazenagem e transporte do produto para fins de exportação, inclusive as demais despesas portuárias. "Não há como negar que essas despesas estão diretamente ligadas ao processo produtivo"; i) "não há dúvida de que os serviços de pessoas físicas mencionados (transporte de resíduos industriais — vinhaça — para aplicação na lavoura de canadeaçúcar como fertilizante, armazenagem de açúcar, etc), também se enquadram perfeitamente no conceito de insumos para efeitos de crédito da contribuição não cumulativa"; i) "no amplo conceito de aluguel de prédio deve ser enquadrado também o arrendamento de propriedades rurais, razão pela qual é legitimo o crédito pleiteado". E que, juridicamente, o imóvel rural pode ser considerado um "prédio rústico", como prescreve Fl. 612DF CARF MF Processo nº 13888.003535/200569 Acórdão n.º 3201004.279 S3C2T1 Fl. 610 7 o art. 4° do Estatuto da Terra (Lei n° 4.504/64), conceito este posteriormente incorporado no texto da Lei n° 8.629/93, que tratou da reforma agrária. Neste sentido, aplicase à espécie o disposto no art. 110 do CTN. Conclui a reclamante requerendo a reforma da decisão recorrida, para o fim de lhe ser integralmente reconhecido o direito creditório pleiteado. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RJO n.º 1433.064, de 28/03/2011 (fls. 325 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS Não cumulativo, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Fl. 613DF CARF MF 8 Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento do PIS Não Cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM FRETES NA VENDA DO PRODUTO FINAL E ARMAZENAGEM. CASO CONCRETO. IMPERTINÊNCIA. Revelamse impertinentes à espécie em julgamento os protestos acerca de alegadas glosas relativas as despesas com frete na venda do produto final e armazenagem, que não foram procedidas pela fiscalização, em face de vigência de nornia autorizadora dos créditos para o período analisado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL. No contexto de, interpretação restritiva de norma que implica em renúncia fiscal, não há como reconhecer o direito à apuração de créditos do PIS Não cumulativo em relação as despesas de aluguel de propriedade rural. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 363 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou pedidos de ressarcimento/compensação e, após analisá los, a unidade de origem deferiuos em parte. Interposta manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua improcedente, daí o recurso voluntário. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 13888.003535/200569 Acórdão n.º 3201004.279 S3C2T1 Fl. 611 9 E, em síntese, a Recorrente, grosso modo, repete, no recurso voluntário, os mesmos argumentos já declinados na sua primeira peça de defesa. Conforme relatado, o litígio versa sobre o conceito de insumos para o efeito da apuração do PIS/Cofins não cumulativo, definição que, no entender do Superior Tribunal de Justiça STJ, em decisão proferida na sistemática dos recursos repetitivos (portanto, de observância aqui obrigatória, conforme art. 62 do RICARF/2015), deve atender aos critérios da essencialidade e da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço na atividade econômica realizada pelo contribuinte (Recurso Especial nº 1.221.170/PR): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz Fl. 615DF CARF MF 10 dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. No caso específico, a fiscalização aplicou o conceito mais restritivo de insumos – aquele que se extrai dos atos normativos expedidos pela RFB, também utilizado no acórdão recorrido. E conforme também nele ressaltado, a Recorrente atacou as glosas de maneira genérica, portanto, não se reportou especificamente a uma em determinado, identificando os dados da aquisição do bem glosado (nota fiscal, valor, data, ou mesmo o item destacado nas planilhas elaboradas pela autoridade fiscal), de modo que, assim como no acórdão recorrido, aqui também as glosas serão analisadas nos termos dos recursos. Bens utilizados como insumos Segundo a Recorrente, são eles: ferramentas operacionais, materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de cana deaçúcar, na destilaria de álcool, os quais estariam diretamente ligados ao processo produtivo. Embora a DRJ tenha adotado o entendimento da fiscalização, sabese que a própria Receita Federal do Brasil RFB já admite a apropriação de créditos sobre gastos com a manutenção de bens e veículos empregados na produção. É o que prevê a Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23/08/2016: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; Fl. 616DF CARF MF Processo nº 13888.003535/200569 Acórdão n.º 3201004.279 S3C2T1 Fl. 612 11 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Fl. 617DF CARF MF 12 Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e Fl. 618DF CARF MF Processo nº 13888.003535/200569 Acórdão n.º 3201004.279 S3C2T1 Fl. 613 13 reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, art. 8º; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Não obstante ausente, nos autos, maiores detalhes sobre o que são as tais "ferramentas operacionais", a razão para o indeferimento, juntamente com o indeferimento dos materiais de manutenção, foi a de que não se enquadrariam no conceito de insumo. A Fl. 619DF CARF MF 14 Recorrente, porém, sustenta a sua utilização no processo produtivo, o que o só adjetivo que acompanha o termo "ferramentas" parece, com efeito, indicar. Assim, na falta de maiores detalhes, máxime por parte da fiscalização, entendemos que as ferramentas operacionais e os materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar e na destilaria de álcool devem ser considerados insumos para o efeito de creditamento do PIS/Cofins. Defendese também os créditos sobre as aquisições de combustíveis utilizados no "transporte do produto para exportação e indispensáveis à atividade agroindustrial". Os gastos com os combustíveis e lubrificantes utilizados na produção devem ser considerados insumos, nos termos do art. 3º, II, das Lei nº 10.637, de 2002, inclusive aqueles despendidos no transporte de matériaprima – no caso, da canadeaçúcar – do local em que é colhida para a produção do açúcar e do álcool, porque se incorporam ao valor daquela, mas não os gastos com combustíveis utilizados no transporte do produto após encerrada a sua produção, hipótese para a qual a legislação, especificamente, prevê a possibilidade de creditamento apenas sobre o frete pago pelo vendedor (inciso IX do mesmo dispositivo). Todavia, ensejam o creditamento os gastos com os combustíveis utilizados em bens aplicados na produção, inclusive na fase agrícola. Cumpre ressaltar, a propósito do tema, que, conforme já expusemos noutros votos, os bens e serviços utilizados na fase agrícola, assim como a depreciação de tais bens, não ensejam, a nosso juízo – mas não para os demais integrantes desta Turma –, o creditamento de PIS/Cofins. É que, segundo o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente geram o direito ao crédito, no regime não cumulativo, os bens e serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vejam: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 620DF CARF MF Processo nº 13888.003535/200569 Acórdão n.º 3201004.279 S3C2T1 Fl. 614 15 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Notese que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Se se pretendesse abarcar todos as despesas realizadas para a obtenção da receita, não veríamos o elenco de hipóteses que vemos na norma. Ademais, consoante deixou cristalino o legislador na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, um dos principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. 1 1 Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 2003: 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. Fl. 621DF CARF MF 16 Admitir que, no cálculo dos créditos, se incluam os dispêndios na aquisição daqueles bens ou serviços só remotamente empregados na produção do produto final ou no serviço prestado – os chamados "insumos dos insumos" – é não apenas permitir o que o legislador pretendeu desestimular, mas é também legislar. Afinal, os diplomas legais aqui referidos delimitaram os insumos àqueles bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, é dizer, aqueles insumos efetivamente empregados no produto final do processo de industrialização ou no serviço prestado ao tomador, não aqueles bens ou serviços consumidos, pela próprio contribuinte, em etapas anteriores, aqueles, enfim, só remotamente empregados. É como vem entendendo a 3ª Turma da CSRF. Exemplificativamente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes para o maquinário agrícola e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de canadeaçúcar. (Redator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.541, de 16/08/2017) Esse, contudo, não é, como todos sabemos, o entendimento dos demais integrantes desta Turma2, de modo que, somente por economia processual e apreço ao princípio da colegialidade, também passamos a adotar aqui aquele que entende que os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de canadeaçúcar a ser utilizado na produção do açúcar e do álcool também podem ser levados em consideração para fins de apuração de créditos para o PIS/Cofins. No caso, os combustíveis utilizados em bens aplicados na fase agrícola (v.g., tratores, colheitadeiras), inclusive o adubo e os produtos químicos nela utilizados. Os gastos com mãodeobra própria, porém, não podem ser considerados insumos utilizados na produção (não equivalem à aquisição dos serviços a que se refere o art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002), exceto quando há a contratação de empresa de trabalho temporário (Solução de Divergência Cosit nº 29, de 26 de outubro de 2017). 2 PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de pertinência, emprego e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. (Rel. Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Acórdão nº 3201003.411, 02/02/2018) Fl. 622DF CARF MF Processo nº 13888.003535/200569 Acórdão n.º 3201004.279 S3C2T1 Fl. 615 17 Serviços utilizados como insumos Ao contestar as glosas, a Recorrente afirma que, para a industrialização do açúcar e do álcool, é imprescindível a constante manutenção dos equipamentos industriais, constituindose serviços especializados essenciais e inerentes ao processo de produção. Irresignase, também, com a glosa dos custos relacionados à armazenagem de álcool e açúcar, com o transporte das referidas mercadorias para fins de exportação e demais despesas portuárias, afirmando que estão diretamente ligadas ao processo produtivo. Como já assentado na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23/08/2016, os serviços de manutenção, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, empregados em bens aplicados na produção ensejam o creditamento, Não houve glosa, porém, em relação às despesas com armazenagem e frete na operação de venda, ao menos segundo o Termo de Informação Fiscal já aqui mencionado. É o que se comprova nos seus parágrafos 7 e 7.1: As despesas glosadas, bem se vê, referemse a despesas realizadas no porto onde exportados os produtos industrializados, como os serviços de despacho aduaneiro, assessoria logística e capatazia. No concernente a este último, a legislação não prevê o creditamento, tal como decidiu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF: PIS. SERVIÇOS DE CAPATAZIA E ESTIVAS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Os serviços de capatazia e estivas por não serem utilizados no processo produtivo, não geram créditos de PIS no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão nº 9303004.383, de 08/11/2016) Bens adquiridos para revenda Rateio e receita financeira Benfeitoria em Imóveis Aluguéis de Máquinas, equipamentos e prédios Bens do Ativo Imobilizado Fl. 623DF CARF MF 18 Nestes tópicos do recurso, a Recorrente traz matérias novas, as quais, portanto, não foram objeto de expressa contestação na manifestação de inconformidade, de modo que precluso o seu direito de vêlas apreciadas neste Colegiado. Despesas de arrendamento agrícola Entendemos correta a posição – considerando, enfatizese, a possibilidade de considerar os gastos realizados na etapa agrícola na apuração de créditos para o PIS/Cofins – que compreende que os gastos com esta modalidade de arrendamento também devem ser computados para a mesma finalidade. A própria RFB já admite o creditamento, consoante comprova a ementa da Solução de Consulta Cosit nº 331, de 21 de junho de 2017 (Publicada no DOU de 30/06/2017, seção 1, página 46): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. A pessoa jurídica submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS/Pasep pode descontar créditos sobre aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, desde que obedecidos todos os requisitos e as condições previstos na legislação. A remuneração paga pelo arrendatário em relação ao bem arrendado é denominada de aluguel, representando a retribuição pelo uso e gozo do bem imóvel. A Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964 (Estatuto da Terra), e a Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, definem "imóvel rural" como sendo o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada. É princípio geral de hermenêutica que onde a lei não distingue não cabe ao intérprete distinguir. Desta forma, o conceito de prédio contido no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, engloba tanto o prédio urbano construído como o prédio rústico não edificado. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso IV; Lei nº 4.504, de 1964 (Estatuto da Terra); Lei nº 8.629, de 1993; Decreto nº 59.566, de 1966, art. 3º; e Decreto nº 4.382, de 2002, art. 9º. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. A pessoa jurídica submetida ao regime de apuração não cumulativa da Cofins pode descontar créditos sobre aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, desde que obedecidos todos os requisitos e as condições previstos na legislação. A remuneração paga pelo arrendatário em relação ao bem arrendado é denominada de aluguel, representando a retribuição pelo uso e gozo do bem imóvel. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 13888.003535/200569 Acórdão n.º 3201004.279 S3C2T1 Fl. 616 19 A Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964 (Estatuto da Terra), e a Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, definem "imóvel rural" como sendo o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada. É princípio geral de hermenêutica que onde a lei não distingue não cabe ao intérprete distinguir. Desta forma, o conceito de prédio contido no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, engloba tanto o prédio urbano construído como o prédio rústico não edificado. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso IV; Lei nº 4.504, de 1964 (Estatuto da Terra); Lei nº 8.629, de 1993; Decreto nº 59.566, de 1966, art. 3º; e Decreto nº 4.382, de 2002, art. 9º. Há que se fazer, porém, duas observações: a) somente quando o arrendador for pessoa jurídica, é que se afigura possível o crédito respectivo, haja vista que o art. 3º, inciso IV, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, assim o exigem; b) a parcela reconhecida deve limitarse ao percentual que a Recorrente tem direito no resultado da parceria (p. ex., 90%). Na concessão do crédito, devese observar, outrossim, o disposto no art. 31, § 3º, da Lei nº 10.865, de 2004. Bens e serviços adquiridos de pessoas físicas Aqui, a Recorrente defende o creditamento, ao fundamento de que os serviços prestados por pessoas físicas (transporte de resíduos industriais – vinhaça – para aplicação na lavoura de canadeaçúcar como fertilizante, armazenagem de açúcar etc.) também se enquadram perfeitamente no conceito de insumos para efeitos de crédito de PIS não cumulativo, devendo referido crédito ser realizado de forma integral para não ferir a regra da não cumulatividade da contribuição. Não é, contudo, o que prevê o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23/07/20043, que estabeleceu que o crédito presumido de que trata, para as pessoas jurídicas, cooperativas e nas condições que especifica, deve ser calculado somente sobre o valor dos bens previstos no art. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não sobre os serviços prestados por pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física. A restrição é legal e, de conseguinte, não pode ser afastada por esta instância administrativa (Súmula CARF nº 2). Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados apenas sobre os seguintes itens: 3 Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Fl. 625DF CARF MF 20 (i) ferramentas operacionais e materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar e na destilaria de álcool; (ii) combustíveis utilizados nos bens aplicados na produção, inclusive na fase agrícola; (iii) adubo e produtos químicos utilizados na fase agrícola; (iv) serviços de manutenção, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, empregados nos bens aplicados na produção; (v) arrendamento agrícola. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 626DF CARF MF Processo nº 13888.003535/200569 Acórdão n.º 3201004.279 S3C2T1 Fl. 617 21 Fl. 627DF CARF MF 22 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado O presidente incumbiume de redigir o acórdão na parte pertinente aos gastos de capatazia e estiva. Os gastos com logística, na operação de aquisição de insumos, geram direito a crédito por comporem o conceito contábil de custo de aquisição de mercadoria4. Os gastos logísticos para movimentação de insumos, internamente ou entre estabelecimentos da mesma empresa, inseremse no contexto de produção do bem, porque inerentes e relevantes ao respectivo processo produtivo. Desse modo, devem gerar direito de crédito, na esteira do Resp 1.221.170/PR, que tramitou sob o regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), e que vincula o Carf (art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno). No caso dos gastos logísticos na venda, entendo que estão abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos cuja semântica abrange a movimentação das cargas na operação de venda. Assim, tais dispêndios logísticos estão inseridos no direito de crédito, respeitados os demais requisitos da Lei, como, por exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas pelo Pis e Cofins. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado. 4 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.273/10) Fl. 628DF CARF MF
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Numero do processo: 13433.720230/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com a Súmula CARF nº 124, a produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996.
Numero da decisão: 3201-004.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 124, a produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 02 30 /2 01 0- 21 Fl. 191DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 130 em face da decisão de primeira instância proferida no âmbito da DRJ/SP de fls. 117 que manteve o Despacho Decisório de fls. 49 e, consequentemente, não reconheceu o crédito de presumido de IPI pleiteado. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que indeferiu o pedido de ressarcimento de créditos do IPI e não homologou as compensações declaradas. A empresa em epígrafe peticionou ressarcimento de crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n° 9.363/96, e relativo ao 1º trimestre de 1999, por meio do PerDcomp n° 04665.16510.151204.1.1.011143, a serem compensados com débitos contidos nos Per/Dcomp relacionados no processo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil indeferiu o ressarcimento, considerando o fato de que a empresa produz e exporta castanha de caju sem casca, produto classificado na TIPI com NCM 0801.32.00, como não tributado (NT). Explicitou que mesmo havendo um EX tarifário com alíquota zero (0%) de IPI, este somente poderia ser aplicado quando o produto fosse acondicionado em embalagens de apresentação, que não é o caso dos produtos exportados pela manifestante, por se encontrarem embalados em caixas para transporte. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual alegou, em suma, que a exportação do produto industrializado, ainda que sob a rubrica NT, foi examinada em Recurso Repetitivo, em vista do que pedese que o mesmo entendimento seja "reproduzido neste processo", na forma do art 62 A do Regimento do “CARF”, porque, em matéria infraconstitucional, o RR do Superior Tribunal de Justiça constitui a última palavra no ordenamento jurídico do Brasil. Por outra, informa que o CARF afastou, por unanimidade, qualquer restrição ao produto NT. Solicitou também que fosse reconhecido, porque assim também foi decidido no Recurso Repetitivo, o direito à correção do crédito pelaTaxa Selic." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/SP de fls. foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13433.720230/201021 Acórdão n.º 3201004.356 S3C2T1 Fl. 192 3 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). DECISÕES PROFERIDAS PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. APLICABILIDADE. MESMO OBJETO. A controvérsia submetida ao rito do artigo 543C, do CPC, cingese sobre a legalidade da Instrução Normativa 23/97 que restringiu o direito ao crédito presumido do IPI às pessoas jurídicas efetivamente sujeitas à incidência da contribuição destinada ao PIS/PASEP e da COFINS, à luz do disposto na Lei n° 9.363/96 e não ao Direito ao crédito presumido nas operações de exportação de produtos Não Tributados NT. Não possuindo o mesmo objeto, não pode ser aplicada ao caso concreto. CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃOTRIBUTÁVEL (N/T). A castanha de caju sem casca, quando não acondicionada em embalagem de apresentação, é classificada na TIPI, no código NCM 0801.32.00, com a notação “NT”, correspondente a produto nãotributável. Nesse caso, em vista de que a exportação de produto classificado como nãotributável pela legislação do IPI não dá direito a crédito presumido do imposto, não se confirma o direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Em seguida, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conforme Regimento Interno deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Fl. 193DF CARF MF 4 Pessoalmente entendo que é possível o creditamento nas operações do contribuinte, contudo, a matéria possui a recente Súmula n.º 124, que deve ser aplicada ao presente litígio administrativo fiscal, por ser obrigatória, em acordo com o regimento interno deste Conselho: "Súmula CARF nº 124 A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996." Não reconhecido o crédito, resta prejudicado o argumento do contribuinte a respeito da aplicação da taxa Selic. Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.913636/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 13 63 6/ 20 09 -4 1 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10830.913636/200941 Resolução nº 3302000.851 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos comprobatórios (peças judiciais de mandado de segurança por ele impetrado, partes da DIPJ, DCTF e da Demonstração do Resultado do Exercício) e requereu a reforma da decisão de origem, alegando que o crédito pleiteado era decorrente de receitas financeiras auferidas por empresa sucedida, tendo a incidência da contribuição (PIS/Cofins) se dado sob amparo do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, que promoveu o alargamento de sua base de cálculo, para além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias e serviços, alargamento esse declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de demonstração da composição e da existência do crédito e de provas hábeis a comprovar sua liquidez e certeza. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, trouxe aos autos cópias de planilhas identificadas como Balancete, Balanço, Lalur e Razão e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10830.913636/200941 Resolução nº 3302000.851 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.833, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10830.913618/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.833 Voto vencedor): Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto ao fato de estar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em seu voto, o i. relator entendeu que os documentos acostados aos autos demonstram a existência do crédito pleiteado pela recorrente, possibilitando a compensação requerida. Todavia, não constam, no processo, documentos necessários à demonstração da natureza de algumas receitas no caso, atinentes à participação em outras sociedades , as quais poderiam servir de base de incidência de PIS/COFINS e, assim, influenciar na apuração do crédito alegado pela recorrente. Nesse sentido, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10830.913636/200941 Resolução nº 3302000.851 S3C3T2 Fl. 5 4 Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16024.720004/2017-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012, 2013
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG.
No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no art. 62, § 2º, do RICARF-Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 1.118.893/MG, descabe sua aplicação ao caso.
CSLL. BASE DE CÁLCULO. ADIÇÕES. MULTAS PUNITIVAS.
As multas punitivas devem ser objeto de adições ao lucro líquido ou contábil para a apuração da base de cálculo da CSLL.
CSLL. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO.
Do ano-calendário 2007 em diante, se não efetuado o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada sobre a totalidade ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do ano-calendário, mesmo que lançada a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA SELIC. INCIDÊNCIA.
Sobre a multa de ofício lançada incidem, nos termos da lei, juros de mora à taxa SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 108.
Numero da decisão: 1201-002.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor, vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (relator), Rafael Gasparello Lima, Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012, 2013 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG. No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no art. 62, § 2º, do RICARF-Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 1.118.893/MG, descabe sua aplicação ao caso. CSLL. BASE DE CÁLCULO. ADIÇÕES. MULTAS PUNITIVAS. As multas punitivas devem ser objeto de adições ao lucro líquido ou contábil para a apuração da base de cálculo da CSLL. CSLL. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. Do ano-calendário 2007 em diante, se não efetuado o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada sobre a totalidade ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do ano-calendário, mesmo que lançada a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA SELIC. INCIDÊNCIA. Sobre a multa de ofício lançada incidem, nos termos da lei, juros de mora à taxa SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 108.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2131; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16024.720004/201726 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.635 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2018 Matéria CSLL COISA JULGADA Recorrente METSO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012, 2013 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG. No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 1.118.893/MG, descabe sua aplicação ao caso. CSLL. BASE DE CÁLCULO. ADIÇÕES. MULTAS PUNITIVAS. As multas punitivas devem ser objeto de adições ao lucro líquido ou contábil para a apuração da base de cálculo da CSLL. CSLL. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. Do anocalendário 2007 em diante, se não efetuado o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada sobre a totalidade ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário, mesmo que lançada a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 72 00 04 /2 01 7- 26 Fl. 638DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA SELIC. INCIDÊNCIA. Sobre a multa de ofício lançada incidem, nos termos da lei, juros de mora à taxa SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 108. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor, vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (relator), Rafael Gasparello Lima, Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Auto de Infração (fls. 409/422) que exige CSLL, referente aos anoscalendário de 2012 e 2013, acrescida de juros, multa de ofício de 75% e multa isolada (50%) em face da ausência de recolhimento de estimativas apuradas de ofício. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 400/408) que motivou o lançamento: Verificamos as seguintes divergências, nas DIPJ relativas aos anoscalendário 2012 e 2013: 1) DIPJ anocalendário 2012: ficha 09A (IRPJ) – linha 88 – soma das exclusões: R$ 148.688.654,73 Fl. 639DF CARF MF Processo nº 16024.720004/201726 Acórdão n.º 1201002.635 S1C2T1 Fl. 3 3 ficha 17 (CSLL) – linha 64 – soma das exclusões: R$ 277.608.102,06 diferença entre as exclusões = R$ 128.919.447,33 (linha 63, ficha 17) [...] 2) DIPJ anocalendário 2013: ficha 09A (IRPJ) – linha 88 – soma das exclusões: R$ 7.667.128,34 ficha 17 (CSLL) – linha 64 – soma das exclusões: R$ 137.882.978,82 diferença entre as exclusões = R$ 130.215.850,48 (linha 67, ficha 17) [...] Na resposta ao termo de início, a fiscalizada alegou que é beneficiária de decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança 001452839.1989.4.03.6100 (90.00145282), onde teria sido reconhecido o direito de “não recolher a Contribuição Social de que tratam a Medida Provisória n. 22/88 e a Lei n. 7.689/88, não só a relativa ao balanço encerrado em 31/12/88, como também quanto aos balanços futuros que por elas vierem a ser alcançados”. A fiscalizada apresentou cópia dos seguintes julgados: Mandado de Segurança nº 90.03.192758, Sentença do Mandado de Segurança nº 89.00145282 e Agravo Regimental em Recurso Extraordinário nº 1613123. Também alegou que as despesas com “multas punitivas” foram adicionadas para fim de determinação da base de cálculo do IRPJ, porém, não foram adicionadas para a composição da base de cálculo da CSLL, por falta de previsão legal. Após verificações na escrituração fiscal nas DIPJ referentes aos anoscalendário 2012 e 2013, restou constatado que a fiscalizada deixou de demonstrar a apuração da CSLL e, quando o fez nas declarações, constituiu exclusões no mesmo valor da contribuição para tornar o saldo a pagar nulo e, consequentemente, deixar de recolher tal tributo; Verificamos que não há declarações de débito em DCTF relativos à CSLL no período de 01/01/2012 a 31/12/2013, bem como informações de recolhimento na base RFB para esse tributo. I DA FUNDAMENTAÇÃO: O Senado Federal, através da Resolução n° 11, de 04 de abril de 1995, suspendeu, apenas, a execução do art. 8° da Lei nº Fl. 640DF CARF MF 4 7.689/88, que instituiu a contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas. Em 14/06/2007, o STF julgou a ADI nº 15/DF, reconhecendo a constitucionalidade da cobrança da CSLL e limitando os efeitos da coisa julgada. Portanto, os fatos posteriores a essa decisão não são alcançados pela coisa julgada. II DAS INFRAÇÕES: II.1 – DA FALTA DE PAGAMENTO DA CSLL DEVIDA Na apuração da CSLL, na DIPJ anocalendário 2012 (ficha 17), a fiscalizada excluiu indevidamente o valor de R$ 128.919.447,33, a título de “outras exclusões” (linha 61). Repetiu o procedimento, na DIPJ anocalendário 2013, excluindo R$ 130.215.850,48. A fiscalizada entendia estar amparada por medida judicial que a desvinculava da exigibilidade de recolhimento da CSLL. Desta forma, estamos lançando de ofício, tais exclusões indevidas. Tratamse de fatos geradores da CSLL ocorridos em 31/12/2012 e 31/12/2013, posteriores a decisão do STF, citada no item I. II.2 – DAS MULTAS FISCAIS NÃO DEDUTÍVEIS Conforme o LALUR, anocalendário 2012, na demonstração do lucro real, foi adicionado o valor de R$ 6.418.219,96, relativo a conta 778000 – multas fiscais não dedutíveis. [...] Conforme o LALUR, anocalendário 2013, na demonstração do lucro real, foi adicionado o valor de R$ 288.343,80, relativo a conta 778000 – multas fiscais não dedutíveis. [...] Desta forma, estamos lançando de ofício tais despesas não dedutíveis. III DA MULTA ISOLADA Reconhecida a exigibilidade do lançamento da CSLL anual devida, tornouse exigível também a apuração da CSLL incidente sobre as bases de cálculo estimadas em função de balanço de suspensão ou redução. Calculouse os valores a partir do lucro líquido mensal ajustado, com a aplicação da alíquota de 9%. Foram deduzidos da CSLL apurada os valores da contribuição retidos na fonte (código 5987), conforme anexo “CSLL retida na fonte”. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 16024.720004/201726 Acórdão n.º 1201002.635 S1C2T1 Fl. 4 5 O anexo “CSLL retida na fonte B” contém a relação os valores retidos por declarante (DIRF – código 5987). Da CSLL a pagar aplicouse o percentual de 50%, relativo a multa de ofício em questão sobre a diferença de CSLL a pagar, em cada período. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 437/455). Alega, em síntese, que: (i) não houve adequada motivação no Auto de Infração; (ii) houve violação ao instituto da coisa julgada, que torna imutável e indiscutível a sentença que, transitada em julgado, reconheceu o direito da Recorrente de não recolher a CSLL em períodos futuros; (iii) a posição fixada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo (REsp 1.118.893/MG DJe 06/04/2011), garante os efeitos da coisa julgada frente à declaração de constitucionalidade da ADI 15/DF; (iv) despesas com multas são dedutíveis da base de cálculo da CSLL em razão da ausência de previsão legal em sentido contrário; (v) não é legítima a cobrança de multa isolada em concomitância com a multa de ofício; e (vi) é indevida a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Em Sessão de 28 de agosto de 2017, a 2a Turma da DRJ/RJO julgou a impugnação improcedente, por meio de decisão (fls. 582/601) que restou assim ementada: AÇÃO RESCISÓRIA. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO LEGAL. DESCABIMENTO. A constitucionalidade de dispositivo legal, reconhecida pelo STF, afasta o cabimento de ação rescisória quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais inferiores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012, 2013 BASE DE CÁLCULO. ADIÇÕES. PREVISÃO LEGAL. As adições à base de cálculo da CSLL, lucro líquido, devem ser expressamente prescritas em lei, inadmitidas quaisquer outras. MULTA ISOLADA. EXIGIBILIDADE. Fl. 642DF CARF MF 6 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas pode ser exigida ao mesmo tempo da multa ex officio. PENALIDADE DE OFÍCIO. ENCARGOS DE MORA. INCIDÊNCIA. Por constituírem crédito tributário não se afasta a incidência de encargos moratórios sobre penalidades pecuniárias aplicadas juntamente com tributo devido apurado de ofício. Cientificado da decisão de piso em 08/11/17 (fls. 608), o contribuinte, em 07/12/17 (fls. 610), interpôs recurso voluntário (fls. 612/635). Reitera os argumentos de defesa, sustenta que o Acórdão da DRJ é nulo em face da ausência de fundamentação e rebate pontos específicos da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. Nulidade Da leitura do recurso voluntário, notase que a Recorrente invoca argumento de nulidade da autuação por falta de motivação no lançamento. Razão, porém, não lhe assiste. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, dispõem os artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 643DF CARF MF Processo nº 16024.720004/201726 Acórdão n.º 1201002.635 S1C2T1 Fl. 5 7 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º acima, bem como não se faz presente nenhuma das nulidades previstas no art. 59. O Auto de Infração foi emitido com observância de seus requisitos formais e essenciais, como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional, verbis: “Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. A fiscalização, após instauração de regular procedimento fiscalizatório, pretendeu relativizar a coisa julgada, sob a premissa de que a alteração do posicionamento pelo STF, em controle de constitucionalidade concentrado em momento posterior ao do controle difuso, cessaria os efeitos da sentença até então favorável ao contribuinte. Questiona o fisco, ainda, a dedutibilidade de multas punitivas para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, por entender que o mesmo tratamento conferido ao IRPJ (ou seja, de adicionar tais dispêndios) deve ser conferido à aludida contribuição. Como se percebe, o caso envolve matérias de direito principal efeitos da coisa julgada e subsidiária (dedutibilidade de multa), que foram sim devidamente motivadas. Não se vislumbra, ademais, nenhum prejuízo ao contribuinte, que notoriamente compreendeu a imputação e teve assegurado seu direito de defesa. Fl. 644DF CARF MF 8 Não existe, portanto, qualquer incorreção no fundamento ou disposição legal do Auto de Infração, razão pela qual rejeito a preliminar de nulidade e de cerceamento de defesa. Da coisa julgada Restou comprovado que a Recorrente é titular de sentença judicial (fls. 382/386), transitada em julgado em 27 de março de 1996 (fl. 392), sentença esta que lhe conferiu o direito de não recolher a CSLL em face do reconhecimento de sua inconstitucionalidade. A fiscalização, porém, entendeu que os efeitos dessa decisão judicial, mesmo tendo sido transitada em julgado e não objeto de ação rescisória, teriam sido cessados em 14 de junho de 2007, por força do julgamento, pelo STF, da ADI nº 15/DF, que, ao contrário da referida "coisa julgada", reconheceu a constitucionalidade da CSLL. Aos olhos da autoridade fiscal responsável pelo presente lançamento, o posterior controle concentrado de constitucionalidade limitaria os efeitos da coisa julgada no tempo, razão pela qual os fatos geradores posteriores a "nova" orientação jurisprudencial caso dos anos de 2012 e 2013 ora autuados não mais estariam sob a vigência daquela sentença. Nesse mesmo sentido se posicionou a DRJ. Nas suas palavras: 5.1 Ao contrário da proposição impugnatória, a decisão mitigada do STF não alterou preteritamente a coisa julgada. Sim, a posteriore, uma vez que decisões do STF acerca da constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei prevalecem sobre qualquer decisão judicial de instâncias inferiores. Uma vez mitigadas seus efeitos são ex nunc ou pro futuro no âmbito do controle difuso, ante fundadas razões de segurança jurídica que justifiquem que tal efeito seja conferido à decisão. O contribuinte, por sua vez, insiste no argumento de que o instituto da coisa julgada deve ser preservado, conforme, aliás, já teria se posicionado o STJ1 em julgamento proferido sob o rito de recursos repetitivos (art. 543C do CPC) e cuja ementa ora transcrevo: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL 1 Resp 1.118.893. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 16024.720004/201726 Acórdão n.º 1201002.635 S1C2T1 Fl. 6 9 CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da Fl. 646DF CARF MF 10 contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ.” (G.N) Do julgamentos em questão, é possível concluir que: (i) a decisão judicial transitada em julgado produz efeitos enquanto permanecer a situação de fato e de direito declarada na sentença, restando afastada a súmula 239 do STF2; (ii) alterações na lei que não mudem as características essenciais do tributo não significam alteração na situação de direito, caso a sentença invalide o tributo como um todo; e (iii) as alterações promovidas na Lei 7.689/88 base de incidência da CSLL pelas Leis 7.856/89, 8.034/90, 8.383/91 e 8.541/92 não implicam em nova relação jurídico tributária, razão pela qual não podem alterar a coisa julgada. Segundo penso, e ao contrário do que aduz a DRJ, os efeitos vinculantes do referido julgamento do STJ não estão restritos aos fatos geradores de 1991 e 1992, devendo ser aplicados também para fatos geradores posteriores, como no caso. Vale dizer, considerando o teor do julgado, e por força do art. 62A do RICARF, o provimento jurisdicional do recurso repetitivo em questão deve ser aplicado nesse caso concreto. Por bem elucidar os argumentos favoráveis à preservação da coisa julgada, invoco os fundamentos do Acórdão 1301002.580 (Sessão de 16/08/2017), da lavra do Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, vazados nos seguintes termos: De acordo com a melhor doutrina, coisa julgada material, em síntese, significa a qualidade que torna imutável e indiscutível o comando originado da parte dispositiva da sentença de mérito, e em relação à qual não caiba mais recurso ordinário ou extraordinário, nem sujeição à remessa necessária. A coisa julgada não é oponível em relação a todas e quaisquer situações que guardam grau de relação com a demanda originalmente proposta ou, ainda, em face de toda e qualquer pessoa. No particular, necessária a percepção dos limites subjetivos e objetivos (inclusive no aspecto temporal) da res iudicata. 2 Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 16024.720004/201726 Acórdão n.º 1201002.635 S1C2T1 Fl. 7 11 Sinteticamente, os limites subjetivos da coisa julgada consistem na adequada determinação das pessoas sujeitas à imutabilidade e indiscutibilidade decorrentes do trânsito em julgado da sentença de mérito proferida na demanda judicial. Por sua vez, os limites objetivos dizem respeito à determinação da matéria que não mais poderá ser revista ou discutida perante os órgãos judiciários ou administrativos. Sob o aspecto temporal, os limites objetivos relacionamse ao contexto "espaçotempo" em que a sentença é proferida, melhor dizendo: mantida a situação de fato e de direito verificada entre as partes no tempo da propositura da demanda, mantida a autoridade da coisa julgada. No caso, o contribuinte aduziu pretensão (e obteve decisão judicial) em termos amplos, tomando em conta a perspectiva de repetição periódica da incidência do tributo, razão pela qual a decisão judicial definitiva que a acolheu (tal como formulada) produz efeitos em relação a mais de um exercício fiscal e até que sejam alteradas as situações fáticas e normativas que foram submetidas à apreciação do Poder Judiciário. As reformas legislativas implementadas até a presente data, modificaram apenas a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicatributária da sentença que transitou em julgado em 12/12/1991. Nenhuma delas foi substancial Ora, desde a sua criação até os tempos atuais, não foi alterada a hipótese de incidência da CSLL: a pessoa jurídica domiciliada no Brasil (e as que lhe forem equiparadas) que vier a auferir lucro deverá apurar e recolher a contribuição social. Nem sequer uma única reforma foi realizada no art. 1º da Lei 7.689/88, que prescreve o aspecto material da hipótese de incidência da CSLL, qual seja, auferir lucro (“Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social”.) Nenhuma alteração tampouco foi realizada no caput do art. 2º da Lei 7.689/88, segundo o qual " A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda". Em especial, o §1º, "c", embora tenha ganho nova redação em 1989, 1990 e 2014, mantevese essencialmente inalterado. Mais evidente ainda é a insignificância, ao presente caso, das alterações de natureza meramente procedimental, atinentes à data ou à forma de recolhimento do tributo. À essa mesma conclusão, segundo minha ótica, chegou o E. Superior Tribunal de Justiça, quando analisou o Resp nº 1.118.893MG, submetido ao no regime de recursos repetitivos previsto no art. 543C do antigo CPC, onde assentou o entendimento de que a edição de legislação superveniente (Leis nºs 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91, 8.383/91, 8.542/91 e Lei Complementar n. 70/91) e posterior declaração de constitucionalidade do tributo pela C. Suprema, não retiram os Fl. 648DF CARF MF 12 efeitos da sentença de mérito transitada em julgado em favor do contribuinte. Vejase, nesse sentido, ementa do citado precedente jurisprudencial, verbis: [...] Segundo às razões descritas no voto vencido do presente acórdão (PAF nº 10670.002503/200927), entendeu a I. Relatora inaplicável o entendimento do E. STJ, manifestado no Resp. nº 1.118.893/MG, em face da matéria fática analisada naquele precedente está relacionada à CSLL dos exercícios de 1991 e 1992. De fato, na referida decisão, o E. STJ entendeu que as Leis nºs 7.856/89, 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92, não estabeleceram nova relação jurídicotributária com a União, tendo em vista que apenas dispuseram sobre alíquota e base de cálculo da CSLL, motivo pelo qual assegurou a impossibilidade de cobrança da referida exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992, em respeito à coisa julgada material. Ocorre que, em que pese o E. STJ ter analisado as alterações legislativas posteriores à edição da Lei 7.689/88 até 1992, da mesma forma, os diplomas legais posteriores ao anocalendário de 1992 também não estabeleceram nova relação jurídica tributária capaz de ensejar a cobrança da CSLL, tendo em vista que dispuseram apenas sobre (i) alíquota; (ii) base de cálculo; e (iii) normas de apuração e recolhimento. Sendo assim, penso que as alterações legislativas que ocorreram após o anocalendário de 1992, possuem a mesma natureza daquelas analisadas pelo STJ, quando do julgamento do Recurso Especial nº 1.118.893MG, mesmo porque tais mudanças não introduziram nova contribuição social. Ademais, e a mero título informativo, o próprio STF já deu sinais acerca da impossibilidade de relativização da coisa julgada, salvo na hipótese de ação rescisória, na linha do precedente abaixo colacionado: COISA JULGADA EM SENTIDO MATERIAL – INDISCUTIBILIDADE, IMUTABILIDADE E COERCIBILIDADE: ATRIBUTOS ESPECIAIS QUE QUALIFICAM OS EFEITOS RESULTANTES DO COMANDO SENTENCIAL – PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL QUE AMPARA E PRESERVA A AUTORIDADE DA COISA JULGADA – EXIGÊNCIA DE CERTEZA E DE SEGURANÇA JURÍDICAS – VALORES FUNDAMENTAIS INERENTES AO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO – EFICÁCIA PRECLUSIVA DA“RES JUDICATA” – “TANTUM JUDICATUM QUANTUM DISPUTATUM VEL DISPUTARI DEBEBAT” – CONSEQUENTE IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DE CONTROVÉRSIA JÁ APRECIADA EM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO, AINDA QUE Fl. 649DF CARF MF Processo nº 16024.720004/201726 Acórdão n.º 1201002.635 S1C2T1 Fl. 8 13 PROFERIDA EM CONFRONTO COM A JURISPRUDÊNCIA PREDOMINANTE NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – A QUESTÃO DO ALCANCE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 741 DO CPC – MAGISTÉRIO DA DOUTRINA – RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. – A sentença de mérito transitada em julgado só pode ser desconstituída mediante ajuizamento de específica ação autônoma de impugnação (ação rescisória) que haja sido proposta na fluência do prazo decadencial previsto em lei, pois, com o exaurimento de referido lapso temporal, estarse á diante da coisa soberanamente julgada, insuscetível de ulterior modificação, ainda que o ato sentencial encontre fundamento em legislação que, em momento posterior, tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, quer em sede de controle abstrato, quer no âmbito de fiscalização incidental de constitucionalidade. – A superveniência de decisão do Supremo Tribunal Federal, declaratória de inconstitucionalidade de diploma normativo utilizado como fundamento do título judicial questionado, ainda que impregnada de eficácia “ex tunc” – como sucede, ordinariamente, com os julgamentos proferidos em sede de fiscalização concentrada (RTJ 87/758 – RTJ 164/506509 – RTJ 201/765) –, não se revela apta, só por si, a desconstituir a autoridade da coisa julgada, que traduz, em nosso sistema jurídico, limite insuperável à força retroativa resultante dos pronunciamentos que emanam, “in abstracto”, da Suprema Corte. Doutrina. Precedentes. – O significado do instituto da coisa julgada material como expressão da própria supremacia do ordenamento constitucional e como elemento inerente à existência do Estado Democrático de Direito. Feitas essas considerações, a minha opinião é a de que os contribuintes que possuem a seu favor decisão judicial transitada em julgado, declarando a inconstitucionalidade da CSLL, não podem ser compelidos a pagar tal contribuição, ainda que o STF, em controle concentrado feito em momento posterior à referida decisão, declare a constitucionalidade da exação. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. Por restar vencido quanto à matéria acima (Coisa julgada), passo a apreciar as demais questões de mérito. Base de cálculo da CSLL despesas com multas A manutenção da exigência da CSLL sobre as multas fiscais foi assim motivada pela decisão de piso: 6. Quanto à glosa de despesas indedutíveis, multas fiscais, para efeitos de incidência do IRPJ, tem razão o sujeito passivo. Pelo singelo e elementar motivo de que as bases de incidência do Fl. 650DF CARF MF 14 imposto e da CSLL são distintas, conforme prescrições legais pertinentes. 6.1. Na hipótese, se a Carta Constitucional de 1988, em seu artigo 37 dispõe: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte; 6.2. e, se, quanto ao princípio da legalidade, o artigo 150 da mesma Carta, formaliza: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem que a lei estabeleça; 6.3. o artigo 97 da Lei n° 5.172/66, Código Tributário Nacional, legislação infraconstitucional, expressamente prescreve: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: ... III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3° do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; ... § 1° Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. (grifos não do original). 7. Nos termos da legislação aplicável à matéria, no caso da CSLL sua incidência se processa sobre é o lucro comercial, ou lucro líquido da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, com os ajustes expressamente prescritos na Lei n° 7689/89 e alterações posteriores. A saber: Art. 2° A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1° Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; ... c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada _pela Lei n°8.034, de 1990) Fl. 651DF CARF MF Processo nº 16024.720004/201726 Acórdão n.º 1201002.635 S1C2T1 Fl. 9 15 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido 5. exclusão dos lucro e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita; (nota: Vigência até os efeitos da Lei n° 12.973/2014) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. 7.1. Evidentemente o art. 6° do mesmo diploma legal não afeta a base imponível da contribuição: Art. 6° A administração e fiscalização da contribuição social de que trata esta lei compete à Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. Aplicamse à contribuição social, no que couber, as disposições da legislação do imposto de renda referente à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo 7.2. Por pertinente, a Lei n° 8981/95, em seu Capítulo III, ao tratar das alterações vinculadas à apuração do imposto de renda com base no lucro real, em sua Seção III, subseção I, formalizou: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 5° Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. 7.2.1. No Capítulo IV do mesmo diploma legal, que trata especificamente da CSLL, o art. 57 da Lei n° 8981/95, com a redação da Lei n° 9065/95, ressalva a incidência da contribuição sobre a base de cálculo apurada conforme disposto no art. 2° da Lei n° 7.689/89, transcrito no inciso 6 deste arrazoado: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, Fl. 652DF CARF MF 16 inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (grifos não do original) ... § 3° A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. (grifos não do original). 7.2.2. Ressaltese que as alterações introduzidas pela Lei n° 8981/95, com a redação da Lei n° 9065/95, reportadas no art. 57, foram discriminadas no próprio art. e nos arts. 58 e 59 da mesma lei. Evidente à ressalva quanto à base imponível da CSLL previstas na legislação em vigor, com as alterações trazidas pelo próprio capítulo IV, dentre as quis não se inclui a não dedutibilidade ora examinada. 7.3. Para efeitos da incidência da CSLL, mesmo o art. 13 da Lei n° 9249/95 não considerou outras adições ao lucro líquido, exceto aquelas nele expressamente mencionadas: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964: de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; VI das doações, exceto as referidas no § 2°; VII das despesas com brindes. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 16024.720004/201726 Acórdão n.º 1201002.635 S1C2T1 Fl. 10 17 VIII de despesas de depreciação, amortização e exaustão geradas por bem objeto de arrendamento mercantil pela arrendatária, na hipótese em que esta reconheça contabilmente o encargo. (Incluído pela Lei n° 12.973, de 2014) 7.4. Finalmente, nem o art. 49 da Lei n° 12.715/12, ao alterar o art. 28 da Lei n° 9430/96, não discriminou, como adição à base de cálculo da CSLL, as multas fiscais, objetos destes autos. 7.5. A Lei n° 12.973/2014 por sua vez estendeu à dedução da base imponível da CSLL, os juros reportados no art. 9° da Lei n° 9249/95: Art. 9° A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. ... §11 . O disposto neste artigo aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. (Incluído pela Lei n° 12.973, de 2014). 7.6. Apesar do aparado legal antes reportado a IN RFB n° 1700/2017, em seu art. 132, reproduz o art. 56 da IN SRF n° 390/04, o qual, quiçá por lapso, formalizou que: 7.6.1. IN SRF n° 390/04: Art. 1° Esta Instrução Normativa dispõe sobre a determinação e o pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Art. 56. Não são dedutíveis, como custo ou despesas operacionais, as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infração de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. 7.6.2. IN RFB n° 1700/2017: Art. 132. Não são dedutíveis na apuração do lucro real e do resultado ajustado as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. 8. Isto posto, conforme artigo 100, I, do CTN, apesar de Instruções Normativas serem definidas como: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: 1 os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; 8.1. evidentemente, à semelhança de decretos, atos do Poder Executivo de maior hierarquia, devem ser lastreadas nos mesmos limites destes, consoante dispõe o artigo 99 do CTN: Fl. 654DF CARF MF 18 Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. 9. Do exposto, fácil concluir que o art. 56 da IN SRF n° 390/04, ratificado pelo artigo 132 da IN RFB n° 1700/2017, extrapolando limites tão somente instituiu desnecessários conflitos administrativos, em prejuízo da estabilidade das relações Estado/Contribuinte. Conflitos somente sanáveis em instâncias administrativas superiores, acaso questões que tais não adentrem sede judicial, quando a União se quede a igualmente desnecessários honorários de sucumbência. 9.1. Entretanto, em sede de instância administrativa da RFB a autoridade julgadora é vinculada a atos que tais, razão da manutenção da exigência sobre multas fiscais, consignada nestes autos. Como se percebe, a própria autoridade julgadora reconhece que a adição de despesas incorridas a título de multas fiscais não possui base legal, mas fundamentou a procedência desse item da autuação por estar vinculada à Instrução Normativa 390/2004, que tratou tais despesas como indedutíveis não só para o lucro real, mas também para a CSLL. Ocorre que, diferentemente da DRJ, o CARF não está vinculado à Instrução Normativa, devendo aplicar a lei. Tendo isso em vista, e entendendo que nenhum reparo cabe à fundamentação da referida decisão, afasto a adição das multas fiscais da base de cálculo da CSLL. Da multa isolada A discussão sobre a legitimidade ou não da cobrança cumulativa de multa isolada e multa de ofício não é recente, mas é tema que ainda demanda atenção. Com a aprovação da Súmula CARF nº 105, restou sedimentado que: “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Na prática, a Súmula aplicase indubitavelmente para os fatos compreendidos até 31/12/2006. Dizemos indubitavelmente porque há corrente doutrinária e jurisprudencial que sustenta que, após a nova redação dada pela Lei nº 11.488/2007 ao art. 44 da Lei nº 9.430/96 (que passou a produzir efeitos a partir de 2007), não haveria mais espaço para interpretação diversa daquela que afirma a possibilidade da exigência de multa isolada, mesmo nos casos em que houver sido imposta a multa de ofício pela falta de pagamento anual do IRPJ e da CSLL. Vejamos, então, o que dispõe o art. 44 da Lei 9.430/96, com a redadação dada pela Lei nº 11.488/2007: Fl. 655DF CARF MF Processo nº 16024.720004/201726 Acórdão n.º 1201002.635 S1C2T1 Fl. 11 19 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Da leitura desses dispositivos, verificase que a multa do inciso I é aplicável nos casos de totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. A multa prevista no inciso II, porém, é passível de exigência sobre o valor do pagamento mensal de estimativa que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física e ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Adotando uma interpretação sistemática, me parece que o mais razoável é não admitir a cumulação das multas, devendo a infração prevista no inciso II ser absorvida quando o caso concreto também se enquadrar na hipótese de multa mais onerosa (inciso I). Com efeito, aplicar a multa de ofício de 75% sobre o valor apurado de IRPJ, juntamente com o principal, e, ao mesmo tempo, pretender exigir a multa de 50% sobre o IRPJ não antecipado no mesmo período de apuração, representa uma violação à razoabilidade e proporcionalidade. Vale dizer, a cobrança de multa de ofício de 75% sobre o tributo não pago supre a exigência da multa isolada de 50% sobre eventual estimativa (antecipação do tributo devido) não recolhida. Admitir o contrário permite que duas penalidades incidam sobre uma mesma base de cálculo (bis in idem), o que é vedado no sistema jurídico. Fl. 656DF CARF MF 20 Ao analisar essa matéria, destacase a seguinte passagem do voto condutor proferido pelo Ministro Humberto Martins, da 2ª Turma do STJ (Resp 1.496.354PR. Dje 24/03/2015): "Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais , ainda que configurem obrigações a pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, “a” e “b”, em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos casos ali decritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas “multas isoladas”, portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativo tributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta.” Em decisão mais recente, a C. 2ª Turma do STJ ratificou seu posicionamento, conforme atesta a ementa do seguinte julgado: TRIBUTÁRIO. [...]. CUMULAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE. [...] 2. Nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos casos de declaração inexata, seria cabível a multa de ofício ou no percentual de 75% (inciso I), ou aumentada de metade (parágrafo 2º), não se cogitando da sua cumulação.” (Resp 1.567.289RS. Dje 27/05/2016). Nesse sentido, afasto a aplicação da multa isolada. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 16024.720004/201726 Acórdão n.º 1201002.635 S1C2T1 Fl. 12 21 Da incidência de juros Selic sobre a multa de ofício A previsão de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício está configurada no bojo do artigo 161, do CTN: “Artigo 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” A análise desse dispositivo, notadamente a palavra “crédito”, deve ser feita levando em conta que o lançamento é ato que formaliza a exigência do valor do principal, juros e multa de ofício, passando esses valores a compor a obrigação tributária. O crédito tributário, pois, tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias. Isso não significa dizer que a referida norma equipare tributo a multa, afinal, por definição, tributo não tem natureza de sanção. A circunstância de o contribuinte ser imputado ao pagamento de multa não dispensa o pagamento do tributo apurado. Tanto o tributo quanto a multa decorrem de fatos previstos na lei e, por integrarem o crédito, estão sujeitos aos juros de mora. Esse é também o entendimento das duas Turmas do STJ, conforme se observa das ementas transcritas a seguir. “TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido.” (STJ. 2ª Turma. REsp 1.129.990/PR. Dje 01/09/09). “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO PARA TRIBUTOS ESTADUAIS DIANTE DA EXISTÊNCIA DE LEI AUTORIZADORA. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 879844/MG, DJE DE 25/11/2009, JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ESPECIAL EFICÁCIA VINCULATIVA DESSE PRECEDENTE (CPC, ART. 543C, § 7º), QUE IMPÕE A ADOÇÃO EM CASOS ANÁLOGOS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. Fl. 658DF CARF MF 22 PRECEDENTE DA 2ª TURMA DO STJ. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.” (STJ. 1ª Turma. REsp 834.681/MG. Dje 02/06/10). Nesse sentido, é pacífica a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A título ilustrativo, veja os seguintes julgados: “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Acórdão CSRF 9101000.539. Sessão de 02/07/14). “Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício”. (Acórdão CSRF 9101001.474 Sessão de 26/09/12). “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento (Acórdão CSRF 9303002.399. Sessão de 15/08/13). Recentemente, aliás, foi aprovada a Súmula CARF nº 108, que assim dispõe: "incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício". Adotando essa linha jurisprudencial, considero legal a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, conforme artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Pelo exposto, e como fui vencido na questão relativa à coisa julgada, em face da qual DAVA TOTAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para: (i) afastar a cobrança decorrente da adição da base de cálculo, de R$ 6.418.219,96, relativo à conta 778000 – multas fiscais não dedutíveis; e (ii) afastar a multa isolada. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 659DF CARF MF Processo nº 16024.720004/201726 Acórdão n.º 1201002.635 S1C2T1 Fl. 13 23 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Redator designado. Peço vênia para discordar do i. relator, no que tange à questão relativa à decisão judicial transitada em julgado, declarando a inconstitucionalidade da CSLL, quanto à adição à base de cálculo da contribuição as multas punitivas, assim como relativamente à concomitância da aplicação da multa de ofício (sobre o montante apurado no período anual) e isolada pelo não pagamento de estimativas mensais. Da coisa julgada. Relativamente ao assunto, assim se pronunciou a recorrente: 13. Segundo se depreende do acórdão recorrido, o presente caso diz respeito aos efeitos da decisão transitada em julgado a favor da Recorrente, que afastou a incidência da CSLL, com base na MP n. 22/88 e na Lei n. 7.689/88. 14. Diante do cenário em questão, o acórdão recorrido manifestou o entendimento de que a decisão do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado, exarada na ADIN n. 15, Relator Ministro Sepúlveda Pertence, publicada no DJU em 01.08.2007, posterior à decisão favorável à empresa, possuiria o condão de alterarlhe os efeitos, sendo possível, na hipótese, tributar exercícios posteriores ao entendimento firmado em controle concentrado. Em seguida, tece considerações sobre o instituto da coisa julgada, apresentando suas razões no sentido de o acórdão recorrido não encontrar guarida no ordenamento jurídico pátrio. No Acórdão nº 9101002.530, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, emitido na sessão de 18 de janeiro de 2017, o i. Cons. Marcos Aurélio Pereira Valadão enfrentou a questão com maestria, pelo que os fundamentos ali aduzidos são usados aqui com razões de decidir: A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese à adequada aplicação a ser dada ao decidido no Recurso Especial (REsp) do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de nº 1.118.893/MG, proferido na sistemática de Recursos Repetitivos. Primeiramente destaco que, em casos deste tipo, volto meu olhar com muita atenção ao que foi decidido judicialmente, pois o que deve ser cumprido é o que se contém na decisão que transitou em julgado para o contribuinte, para que não se confunda a aplicação dos aspectos materiais do caso específico à subsunção da decisão do STJ em que se sustenta a fundamentação do contribuinte, pois se estendem apenas os seus efeitos processuais em relação aos limites decididos no repetitivo, no caso o REsp. nº 1.118.893/MG, especificamente no que diz respeito à extensão e limites da coisa julgada. Fl. 660DF CARF MF 24 Para o caso presente, esta metodologia, este cuidado específico, nos remete ao teor da decisão em que se baseia o contribuinte para deixar de recolher a CSLL e, também, aos seus fundamentos. Conforme se extrai dos autos, a decisão transitada em julgado foi proferida em 10 de fevereiro de 1992, sendo que os anoscalendário em que se questiona a cobrança da CSLL são 2007 e 2008. No presente caso, a decisão de primeira instância em sede de MS foi proferida em 26 de outubro de 1989. O trânsito em julgado em 27 de março de 1996 referese ao Agravo Regimental em Recurso Extraordinário. Os lançamentos se reportam aos anos calendário 2012 e 2013. O pedido veiculado nesse Mandado de Segurança foi o seguinte: Seja, ao final, julgada procedente a presente ação mandamental, concedendose a segurança, reconhecendo o direito da Impetrante em não se recolher a Contribuição Social de que tratam a Medida Provisória nº 22/88 e a Lei nº 7689/88, não só a relativa ao balanço encerrado em 31.12.88, como também quanto aos balanços futuros que por elas vierem a ser alcançados. Caso porém, por hipótese, V. Exa. entenda que aqueles normativos não contêm as inconstitucionalidades alegadas, pede, ainda a Impetrante sejalhe reconhecido o direito de não pagamento da correção monetária das parcelas de recolhimento dessa Contribuição social, relativas ao presente exercício, nos termos em que foi exigida, essa correção, pela Medida Provisória nº 38/89 e respectiva Lei nº 7733/89. Continuandose a transcrição do acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: A questão que se coloca é a determinação dos efeitos do REsp. 1.118.893/MG sobre esta decisão acima transcrita. Este ponto é central, pois o argumento de que se aplicaria o REsp. 1.118.893/MG por força do art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II, nos levaria a aceitar uma eternização da coisa julgada, seja ela qual for. Contudo, há que se considerar outros aspectos da questão, como segue. Vejase que a legislação analisada pelo STJ no REsp. 1.118.893/MG (que remete a outras decisões na argumentação do relator) e que teria alterado a incidência da CSLL a partir da Lei 7.689/1988 corresponde à LC nº 70/1991 e Leis nºs 7.856/1989, 8.034/1990, 8.212/1991, 8.383/1991 e 8.541/1992 (citadas no julgado, ainda que nem todas tenham sido objeto de análise específica). Ora, considerando o teor da decisão transitada em julgado e o teor da decisão do STJ, resta claro que nenhuma das outras alterações posteriores que impactaram a CSLL, foram consideradas na decisão do STJ. Ou seja, a decisão só vale para os casos em que as leis mencionadas na decisão foram aplicadas ou utilizadas e, portanto, a superveniência legislativa que atinge a formatação da CSLL tem o condão de afastar a incidência do REsp. 1.118.893/MG, sem implicar em desobediência ao art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II, ainda que se tenha que enfrentar a discussão de qual o grau modificativo dessas leis supervenientes àquelas mencionadas no REsp. 1.118.893/MG, no que diz respeito à afetação do fato gerador da CSLL. Ou seja, a questão se resolve de maneira simples: o art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II só se aplica a lançamentos feitos relativamente a períodos até 1992, data da última lei mencionada naquele julgamento. Para os lançamento feitos em relação a períodos posteriores, sob a égide de novas leis, não se aplica necessariamente o REsp. 1.118.893/MG. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 16024.720004/201726 Acórdão n.º 1201002.635 S1C2T1 Fl. 14 25 Ocorre que mais incisivo ainda é o argumento expendido no acórdão em tela, quando se refere aos efeitos Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) nº 152/ DF, de 2007. Vejase: Ademais, há um argumento contundente no presente caso, que são os efeitos os efeitos futuros ou prospectivos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) nº 152/DF, de 2007, do STF, transitada em julgado, devem, também, ser respeitados, sob pena de se negar validade — o que é ainda pior — ao próprio controle concentrado de constitucionalidade!!! Esse aspecto foi muito bem captado pelo Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, do STJ, nos Embargos de Divergência em Agravo nº 991.788–DF e nos Embargos de Declaração nos Embargos de Divergência em Agravo nº 991.788–DF, ao anotar que, respectivamente (destaques do original): 13. Anotese que o egrégio STJ já assentara, em paradigmáticas decisões, [...] que a declaração de inconstitucionalidade não elimina os efeitos já consumados ao abrigo de sua eficácia (REsp 1.118.893MG, Rel. Min. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 06.04.11), assim abrindo o caminho para se harmonizar os dois modos de controle (difuso e concentrado) de verificação de adequação das leis à Constituição: [...]. 28. No STJ, essa matéria já foi objeto de recurso repetitivo, em julgamento relatado pelo eminente Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, que assim pronunciou a preservação dos efeitos da coisa julgada difusa, até que a sua eficácia fosse eliminada por decisão do STF em sede de controle concentrado de constitucionalidade. Dessa forma, o julgamento posterior pelo STF, em controle concentrado de constitucionalidade, não afasta, retroativamente, a eficácia da coisa julgada — ou seja, não afasta “a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada”, nas palavras do próprio STJ —, mas afasta, sim, essa eficácia, posteriormente, em face de sua força normativa e executiva. Para o passado, portanto — e apenas para ele —, fazse necessária a interposição de ação rescisória, se se pretender desfazer os efeitos da coisa julgada nesse período. E nem poderia ser diferente, pois do contrário (cf. Embargos de Divergência em Agravo nº 991.788–DF, do STJ) (destaques do original): [...], se não se der pronta prevalência à decisão do STF, terseá de afirmar invertendose a hierarquia das decisões judiciais que a supremidade seria atributo do decisum anterior, em detrimento do julgado do Pretório Máximo. Ao julgar a ADIn nº 152/DF, o STF decidiu pela constitucionalidade da Lei nº 7.689/1988 (exceto seus arts. 8º e 9º que não afetam o lançamento em debate no presente processo). A decisão tem o seguinte teor, no que importa especificamente para o presente debate: EMENTA: [...] Fl. 662DF CARF MF 26 IV. ADIn: L 7.689/88, que instituiu contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, resultante da transformação da Medida Provisória 22, de 1988. [...] 3. Improcedência das alegações de inconstitucionalidade formal e material do restante da mesma lei, que foram rebatidas, à exaustão, pelo Supremo tribunal federal, nos julgamentos dos RREE 146.733 e 150.764, ambos recebidos pela análise do permissivo constitucional que devolve ao STF o conhecimento de toda questão da constitucionalidade da lei. Considerando que a decisão da ADIn nº 15 foi proferida pelo STF em 14/06/2007 e publicada em 31/08/2007, com trânsito em julgado em 12/09/2007, restou afastada a coisa julgada alegada pelo contribuinte, que tinha sob fundamento a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, o que atinge os anoscalendário de 2007 e 2008, objeto destes autos. Tal lançamento, em nosso entendimento está em perfeita consonância com o Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 2011, pelos motivos acima alegados, especialmente o que se contém em seus §§ 51, 52 e 99. Destaco, por fim, que o presente entendimento vem sendo reiteradamente sufragado por esta Câmara Superior, por meio dos Acórdãos nºs 9101002.013, de 7 de outubro de 2014, 9101002.044, de 11 de novembro de 2014, 9101002.287, 9101002.288, 9101002.289 e 9101002.291, de 5 de abril de 2016, e 9101 002.353, de 14 de junho de 2016, entre outros. Tendose em vista os anoscalendário a que se refere o presente processo, 2012 e 2013, esse entendimento é indubitavelmente aplicável. Base de cálculo da CSLL despesas com multas. Relativamente à exigência da CSLL, temse que não são dedutíveis como custo ou despesa operacional as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resulta falta ou insuficiência de pagamento de tributo (art. 344, § 5º, do RIR/99). A decisão de primeira instância traz os dispositivos de atos da Receita Federal do Brasil em que a indedutibilidade das multas punitivas da base de cálculo da CSLL está expressa: 7.6.1. IN SRF n° 390/04: Art. 1° Esta Instrução Normativa dispõe sobre a determinação e o pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Art. 56. Não são dedutíveis, como custo ou despesas operacionais, as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infração de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. 7.6.2. IN RFB n° 1700/2017: Art. 132. Não são dedutíveis na apuração do lucro real e do resultado ajustado as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 16024.720004/201726 Acórdão n.º 1201002.635 S1C2T1 Fl. 15 27 No Anexo I a essa Instrução Normativa, consta de forma taxativa que a regra da nãodedutibilidade é aplicável, tanto ao IRPJ, quanto à CSLL: ANEXO I TABELA DE ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO Nº Assunto Descrição do Ajuste Aplicase ao IRPJ? Aplicase à CSLL? Dispositivo na IN 77 Multas por Infrações Fiscais O valor das multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Sim Sim Art. 132 E esse entendimento está baseado na lógica de que, "ao afastar a qualificação das multas por infrações fiscais como custo ou despesas operacionais, o § 5º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, repercute não só no IRPJ, mas também na CSLL, não se podendo falar em dissonância do art. 56 da Instrução Normativa com a lei", conforme Acórdão nº 9101003.002 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 8 de agosto de 2017, cuja ementa, parte pertinente ao presente julgado, se transcreve abaixo: MULTAS INDEDUTÍVEIS. Necessidade, usualidade e normalidade são conceitos que devem ser observados no registro contábil de despesas, evidenciandose correta a interpretação de que multas por infrações são indedutíveis, também, na apuração da base de cálculo da CSLL. No voto vencedor constou: 2. Dedutibilidade das multas por infrações fiscais O Relator afirma que "o art. 41 da Lei n. 8.981/95 é aplicável apenas ao IRPJ (“lucro real”), não se dirigindo também à CSLL", de forma que "a restrição presente em cálculo da CSLL". Aduz também que "a autoridade fiscal sequer fez referência ao art. 41 da Lei n. 8.981/94 (refletido no art. 344 do RIR/99), o que por si só seria determinante". Ocorre que consta no enquadramento legal do auto de infração, como antes se viu, a Instrução Normativa SRF nº 390, de 2004, norma que dispõe sobre a apuração e o pagamento da CSLL e que traz em seu art. 56 comando que praticamente reproduz o vertido no § 5º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995. Confirase (sublinhouse): IN SRF nº 390, de 2004: Art. 56. Não são dedutíveis, como custo ou despesas operacionais, as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Lei nº 8.981, de 1995: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. Fl. 664DF CARF MF 28 (...) § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. A lógica aqui é de que, ao afastar a qualificação das multas por infrações fiscais como custo ou despesas operacionais, o § 5º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, repercute não só no IRPJ, mas também na CSLL, não se podendo falar em dissonância do art. 56 da Instrução Normativa com a lei. Ora, como registrou o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo no acórdão nº 9101002.336 (de 05 de maio de 2016), o conceito de despesa operacional diz respeito tanto ao lucro real, quanto à base de cálculo da CSLL, nos termos do que dispõe o artigo 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, a despeito de este artigo ter sido introduzido no sistema jurídico muito antes da criação da CSLL. Acrescenta o Conselheiro no julgado em questão que o art. 2° da Lei n° 7.689, de 1988 explicita que a base de cálculo da CSLL é o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, com os ajustes lá definidos, sendo que a Lei nº 6.404, de 1976, em seu art. 187, § 1º, estabelece que na determinação do resultado do exercício serão computados os custos, despesas, encargos e perdas correspondentes às receitas e aos rendimentos da sociedade. E não se pode entender como necessária, normal e usual despesa com multa por infração fiscal. Além disso, o art. 13 da Lei 9.249/1995, citado no auto de infração e que por referência expressa atinge não apenas a apuração do lucro real mas também da base de cálculo da CSLL, estabelece vínculo com as disposições do art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964, não deixando dúvidas de que o conceito de despesa operacional para fins tributários também se aplica à CSLL. Multa de ofício e multa isolada. Inicialmente, como já visto, é majoritário o entendimento de que, para períodos anteriores a 2006, inclusive, aplicase indubitavelmente a Súmula nº 105 do CARF: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas , lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Contudo, em relação ao lançamento de multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa mensal do anocalendário de 2007 em diante, inclusive, aplicase o artigo 44, inciso II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96 (redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007), verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 665DF CARF MF Processo nº 16024.720004/201726 Acórdão n.º 1201002.635 S1C2T1 Fl. 16 29 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (grifei). A legislação que instituiu a sanção é clara: não efetivado ou efetuado em parte o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nenhum valor a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário. A imputação é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. E a nova redação, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário 2007 (parte do lançamento referese a esse período), afastou qualquer dúvida sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício pelo não pagamento do tributo apurado anualmente e das multas isoladas por insuficiência de estimativa mensal. As hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades (multa de ofício e multa isolada) estão insertas em incisos próprios no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Observase que os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração que têm por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário. Por sua vez, a multa isolada é apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou, ainda, mediante receita bruta acumulada mensalmente. Ou seja, são materialidades independentes, não havendo que se falar em concomitância. Conclusão. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 666DF CARF MF
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Numero do processo: 11618.002710/2001-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998
DESAPROPRIAÇÃO. INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide o tributo sobre valores recebidos em decorrência de desapropriação, sob pena de descaracterizar o conceito de "justa indenização em dinheiro", que condiciona o ato do poder expropriante.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1202-000.047
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e Nelson Lósso Filho que negavam
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIA
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS • ....b.:44 1 ,‘,,,A,,, PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO _ . . Processo a° 11618.002710/2001-21 Recurso n° 159.820 Voluntário Acórdão n° 1202-00.047 — 2' Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2009 Matéria IRPJ Recorrente COMPANHIA DE TECIDOS RIO TINTO Recorrida 5' TURMA/DRJ-RECIFE/PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 DESAPROPRIAÇÃO. INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide o tributo sobre valores recebidos em decorrência de desapropriação, sob pena de descaracterizar o conceito de "justa indenização em dinheiro", que condiciona o ato do poder expropriante. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e Nelson Lósso Filho que negavam. NELSON L 5.-- I6 O - Presidente.2/1 .--- CV:rett"...21-------.ICAREM ' . 9 II s IAS — Relaiora. EDITADO EM: 27 AGO 2009 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho (presidente da turma), Cândido Rodrigues Neuber, Orlando José Gonçalves Bueno, Irineu Bianchi, Mário Sérgio Fernandes Barroso e ICarem Jureidini Dias. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos Teixeira da Fonseca e Valéria Cabral Géo Verçoza. Relatório Trata-se de Auto de Infração para a exigência de multa isolada decorrente da falta de recolhimento do Imposto sobre Renda de Pessoa Jurídica sobre base de cálculo estimada, referente aos períodos de abril, maio e dezembro do ano-calendário de 1997. A ciência foi dada ao contribuinte em 10/08/2001 (fls. 04/09). A autuação foi feita mediante Mandado de Procedimento Fiscal Complementar n°0430100.2000.0074813 (fls. 01/02). Impugnado o lançamento (fls. 154/155), o contribuinte apresentou documentação relativa a retificação da Declaração do Imposto de Renda do ano-calendário de 1997. Argumenta na declaração anterior que deixou de ser excluída a desapropriação de imóveis. Requer, ainda, que o fRPJ, parcelado por meio do REFIS, seja diminuído de R$ 41.835,20 para R$ 27.519,13. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte (fls. 234/239), entendendo que (i) a declaração retificadora não surte qualquer efeito, podendo somente prestar-se como demonstrativo das questões alegadas; (ii) assiste razão ao contribuinte quanto à redução do lucro liquido acumulado decorrente da ocorrência de lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição; (iii) não assiste razão ao contribuinte quanto à exclusão de valores relativo à desapropriação, uma vez que se trata de desapropriação urbana, não havendo como excluir os valores alegados. Assim, decidiu-se pela manutenção parcial do lançamento, declarando devida a Multa Exigida Isoladamente. Quanto a parte em que a decisão restou desfavorável ao contribuinte, o voto condutor do acórdão entendeu o seguinte: "Quanto à pretendida exclusão, nos meses de maio e dezembro, do valor de R$ 537.988,00, relativo a desapropriação para fins de reforma agrária, nos termos do artigo 184, g 5°, da Constituição Federal e do artigo 26 da Lei n° 8.629/93, a Prefeitura Municipal de Rio Tinto informa, à fi 188, que a operação em questão se refere a desapropriações de áreas urbanas, e não para fins de reforma agrária, informação essa corroborada pela contribuinte à fl. 288. Nessas circunstâncias, não há como excluir o valor da base de cálculo do IRPJ". -A decisão restou assim ementada: "IRPJ - LUCRO REAL ANUAL - ESTIMATIVA - FALTA DE RECOLHIMENTO - PENALIDADE. A falta de recolhimento do Imposto apurado sobre a base estimada ou com base em balancete de redução enseja a aplicação d e multa exigida isoladamente, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal, ao final do Ano-calendário. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO - RETROATIVIDADE BENIGNA - A norma legal se aplica a fatos pretéritos quando prevê penalidade menos severa ao contribuinte que a vigente à época de ocorrência dos fatos que ensejaram o lançamento de oficio. Data do fato gerador: 30/04/1997 a 30/04/1991 31/05/1997 a 31/05/1997, 1/12/1997 a 31/12/1997.". \ 2 • Processo n° 11618.002710/2001-21 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.047 Fl. 2 Sobreveio, então, Recurso Voluntário ((ls. 247/262), no qual o contribuinte recorre da parte em que a DRJ não acolheu sua pretensão, qual seja, a exclusão da base de cálculo do Imposto de Renda (para aplicação da multa isolada) no valor de RS 537.988,00, valor recebido em decorrência de desapropriação. Argumenta o Recorrente que a decisão contrariou o artigo 5°, inciso XXIV da Constituição Federal, que prevê a justa e prévia indenização nos casos de desapropriação, sendo que os valores recebidos não seria, portanto, renda, nos termos do artigo 43 e 110 do Código Tributário Nacional, bem como nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Cita, ainda, a Súmula 39 do antigo Tribunal Federal de Recursos ("Não está sujeita ao Imposto de Renda a indenização recebida por pessoa jurídica, em decorrência de desapropriação amigável ou judicial"), jurisprudência do 1° Conselho de Contribuintes no sentido de que não incide o IRPF nos valores recebidos a titulo de indenização decorrente de desapropriação por utilidade pública, bem como jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 5' Região. Por fim, conclui que uma vez que não pode incidir o IRPJ sobre indenização decorrente de desapropriação, tampouco deve incidir multa aplicada sobre o referido valor. Em 04/02/2009 os autos foram a esta Relatora distribuídos para análise do Recurso Voluntário interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. 7P0 3 _ _ Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso versa exclusivamente sobre a exclusão da base de cálculo do UtPJ de verbas recebidas a título de indenização decorrente de desapropriação urbana. Primeiramente, cumpre dizer que é matéria ultrapassada o fato de que houve desapropriação e que de que se trata de desapropriação urbana e não de desapropriação para fins de reforma agrária. A questão é, portanto, se as verbas recebidas a título de indenização decorrente de reforma urbana estão sujeitas à incidência do IREI. Desta forma, argumenta a recorrente que somente os valores recebidos à título de indenização por desapropriação para reforma agrária não estão sujeitas à incidência do IRPJ. Veja-se que a desapropriação por necessidade ou utilidade pública, como é a do presente caso, dá o direito constitucional ajusta e prévia indenização em dinheiro, tal como estabelece o artigo 5°, inciso XXIV da Constituição Federal de 1988: "Artigo 5°. (.) XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante Justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" Não há dúvidas que o valor recebido em decorrência de desapropriação por necessidade ou utilidade pública é indenizatório, sendo certo que tal valor é apenas forma de reposição do patrimônio do titular da propriedade objeto da desapropriação. De outra parte, o Imposto de Renda tem como fato gerador, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais (...). Ou seja, é certo que os valores recebidos a título de indenização decorrente da desapropriação em comento, não constituem acréscimo patrimonial, já que, como dito, são apenas reposição do patrimônio do expropriado. Também não há que se falar em eventual interpretação extensiva da norma de isenção, já que sequer de isenção se trata. A justa indenização decorrente da expropriação procedida pelo Poder Público é mera recomposição do status quo anterior, não se tratando de acréscimo patrimonial ou renda. Nesse caso, estamos diante da situação em que o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido não incidem. Nesse sentido é o acórdão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 960407, publicado em 15/09/2008, Relator Ministro Luiz Fux., no qual é exarado o entendimento de que a indenização por desapropriação não representa acréscimo patrimonial, não estando sujeito à incidência do Imposto sobre a Renda, citando, ainda, diversos precedentes do próprio tribunal, verbis: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA Processo n° 11618.002710/2001-21 SI-C2T2 Acórdão m° 1202-00.047 Fl. 3 INDENIZA TÓRIA. NÃO-INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1.A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CT7s9, sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5°, assim disciplina o instituto da desapropriação: "MV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" 3. Destarte, a interpretação mais consentánea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder publico por valor justo e determinado pela justiça a titulo de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. In casu, os ora recorridos perceberam verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual não pode ser objeto de incidência do imposto sobre a renda. 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido da não-incidência da exação sobre as verbas auferidas a titulo de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6.Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, ReL Ministro CARLOS FERNANDO MATHL4S, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE Rel. Ministra DENISE ARRUDA, W 31.05.2007; REsp 673273M4 ReL Ministro LUIZ FLLY, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RI, ReL Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/AS, ReL Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7. Ad argumentandum tcmtum, ainda que se considerasse a alegação da recorrente, de que o imposto de renda deveria incidir não sobre a própria indenização, mas sobre o ganho de capital apurado quando da operação que importasse a desapropriação, nos termos do art. 3°, § 3°, da Lei 7.713/89, o recurso não mereceria prosperar, porquanto o voto condutor do acórdão recorrido consignou o malogro da União em comprovar o efetivo ganho de capital decorrente da indenização por desapropriação do imóvel, in verbis: 75 _ "Evidentemente, cabe à União apurar e provar que, no procedimento desapropriatório, houve acréscimo patrimonial, apurado a partir do cotejo entre o valor do imóvel desapropriado e o valor fixado em sentença a título de indenização. Eventualmente, se a União lograr obter tal prova, haverá efetivo ganho de capital, realizando-se, então, o fato gerador do imposto. No caso, não houve tal prova, de modo que não incide imposto de renda sobre a indenização recebida pelos impetrantes." 8. Destarte, reformar a decisão do Tribunal a quo implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos, insindicável em sede de recurso especial, em face do óbice contido na Súmula 07/STI 9. O art. 535 do CPC resta incólume .se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 10. Recurso especial a que se nega provimento." Também no mesmo sentido é o Acórdão n° 101-94.541, de 14/04/2004: "PRELIMINAR DE NULIDADE — Somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CSLL — AJUSTES À BASE DE CÁLCULO — A base de cálculo da contribuição social é o valor do resultado do exercício, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação de regência à época dos fatos geradores. CSLL — ADIÇÕES AO RESULTADO DO PERÍODO-BASE — PROVISÃO — Devem ser adicionadas ao resultado do exercício, para determinação da base de cálculo da CSLL, as importâncias antes deduzidas, referentes aos tributos ou contribuições provisionados e não pagos. DESAPROPRIAÇÃO DE IMÓVEIS. Segundo jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, na desapropriação não se opera uma venda, não havendo que se cogitar da existência de lucro, havendo, sim, um ato jurídico complexo de direito público, um ato de soberania, por força do qual se dá a perda da propriedade de pessoa fisica ou jurídica, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, mediante prévia e justa indenização em dinheiro. MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO — Vedação constitucional à instituição de tributo com efeito de confisco não pode ser estendida às multas, já que estas não têm a mesma natureza daqueles. JUROS DE MORA — TAXA SELIC — A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deliberar sobre a sua aplicação. 8 . _ Processo u° 11618.002710/2001-21 S1-C2T2 Atclito n.° 1202-00.047 Fl. 4 Recurso parcialmente provido." O voto condutor do citado acórdão, com base na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, entendeu que "a indenização decorrente de desapropriação não é ganho de capital, nem acréscimo dele, pois não se trata de uma venda, mais sim, um ato jurídico de direito público, por força do qual se dá a perda da propriedade de pessoa física ou jurídica em favor do ente público pelo seu justo valor". Ainda, esse entendimento também tem se firmado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Cite-se, por exemplo, os acórdãos CSRF/04-00.114 e CSRF/01- 04.918: . "GANHO DE CAPITAL - DESAPROPRIAÇÃO - INDENIZAÇÃO - NÃO INCIDENCL4 - Não incide o tributo sobre valores recebidos em decorrência de desapropriação, sob pena de descaracterizar o conceito de "justa indenização em dinheiro 'Ç que condiciona e dá validade ao ato do poder expropriante. Recurso especial provido" Cite-se, ainda, a Súmula 39 do antigo Tribunal Federal de Recursos, o qual estabelece: "Não está sujeita ao Imposto de Renda a indenização recebida por pessoa jurídica, em decorrência de desapropriação amigável ou judicial" . Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, a fim de excluir o IIZPJ incidentes sobre os valores recebidos à título de indenização decorrente de desapropriação. Karem Jurei - Relatora. 7 Processo n° 11618.002710/2001-21 SI-C27f2 Ac6rdilo 6.° 1202-00.047 il. 5 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 17 de agosto de 2009. José Roberto Franca — Secretário da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; E] com Recurso Especial; E] com Embargos de Declaração. E] 9
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Numero do processo: 13888.722012/2014-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.521
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RECOF. SUSPENSÃO DO PIS/COFINS. Recorrente WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). RELATÓRIO Por bem descrever os fatos do presente processo, reproduzo fragmentos do relatório da DRJ: Tratase de Pedido de Restituição de suposto pagamento indevido ou a maior formalizado em papel. Na apreciação do Pedido de Restituição, por meio do Despacho Decisório (...), a autoridade fiscal disse que, na inicial, a contribuinte destacou que um de seus principais clientes é a empresa Caterpillar Brasil Ltda, a qual, consoante Ato Declaratório Executivo ADE SRF nº 8, de 18/03/2004, é pessoa jurídica homologada no RECOF –Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 22 01 2/ 20 14 -1 4 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13888.722012/201414 Resolução nº 3201001.521 S3C2T1 Fl. 3 2 Explicou que, a Caterpillar, por ser homologada no RECOF, seu cliente usufrui, além da não incidência do IPI e ICMS, da suspensão do PIS e COFINS e ainda, informou que a peticionante, como fornecedor da Caterpillar, não aplicou a suspensão prevista em relação ao PIS e COFINS, apurando tais tributos a maior e os extinguindo por meio de compensação (Declaração de Compensação – DCOMP) com saldo de crédito proveniente de ressarcimento de IPI. O Auditorfiscal observou que no presente processo a interessada não pagou ou recolheu qualquer débito por meio de DARF ou GPS, mas, sim, realizou a declaração de compensação de débito de COFINS com crédito de ressarcimento de IPI, por meio de apresentação de DCOMP com crédito de ressarcimento de IPI e ainda: Embora tanto o pagamento como a compensação sejam modalidades de extinção do crédito tributário – conforme incisos I e II, do artigo 156 do CTN –, tais modalidades possuem institutos jurídicos distintos, não sendo possível a aplicação de um em outro. Tanto é assim que a compensação tem seu regramento fundamentado nos artigos 170 e 170A, os quais estão disciplinados, na esfera federal, no artigo 74 da Lei 9.430/96. Quanto ao pagamento, o regramento está disciplinado nos artigos 157 a 164 do CTN, e a restituição de eventual pagamento indevido encontrase nos artigos 165 a 169 do aludido diploma legal. A autoridade administrativa explicou que o crédito utilizado na compensação de débitos não se originou de pagamento indevido ou a maior, mas, sim, de ressarcimento de IPI e que ressarcimento não é sinônimo de restituição, uma vez que o ressarcimento tem natureza de beneficio fiscal, o qual decorre de política estatal, não havendo um prévio pagamento indevido ou a maior. Já a restituição pressupõe a existência de um prévio pagamento indevido, que foi, de fato, recolhido pelo contribuinte e completou: Portanto, além de a pretensão do contribuinte não se tratar de restituição de pagamento indevido ou a maior, tampouco a DCOMP, declarada pelo contribuinte, estava amparada em crédito de pagamento indevido ou a maior. Observou, também, que embora a contribuinte tenha solicitado a restituição do crédito (ressarcimento) informado sem amparo legal, não caberia atualização por falta de previsão legal. Situação diferente de quando o crédito é originado de pagamento indevido ou a maior, hipótese em que há previsão legal de atualização. O Auditorfiscal entendeu que outro óbice ao pedido seria o pedido ter sido protocolizado após a homologação da DComp pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, fato jurídico que não permitiria a retificação da DComp e a consequente redução do valor do débito, isto porque, a compensação declarada só poderá ser retificada na hipótese de a mesma se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. (...) Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade (...), tecendo seus argumentos conforme segue: Inicialmente informa que a RKM Equipamentos Hidráulicos S/A passou a se denominar WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A. Após narrar os fatos contidos no processo, faz a abertura de sua argumentação em fase preliminar: Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13888.722012/201414 Resolução nº 3201001.521 S3C2T1 Fl. 4 3 Da possibilidade de deferimento do pedido de restituição no formato realizado 1) Quitação dos tributos por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI – crédito oriundo do princípio da nãocumulatividade que pressupõe o pagamento antecipado pelo contribuinte 2) Artigo 165 do CTN que não contempla a restrição proposta – 3) Prevalência do direito material sobre o rigor formal – 4) Violação dos princípios que regem a Administração Pública (artigo 2º e seguintes da Lei nº 9.784/99) Explica que a negativa preliminar proposta pela autoridade fiscal se pauta no sentido da impossibilidade de deferimento do pedido de restituição formulado, uma vez que o indébito sustentado decorreu de uma compensação a maior realizada com crédito de ressarcimento de IPI e não por meio de recolhimento em DARF ou GPS. Para basear sua tese, sustenta que a IN RFB nº 1300/2012 apenas permite a restituição de valores pagos pelos contribuintes por meio de DARF ou GPS. Ainda, que a liquidação por meio de compensação de crédito de ressarcimento de IPI não permitiria aludido pleito, uma vez que o ressarcimento teria natureza de benefício fiscal decorrente de política estatal, enquanto que a restituição pressupõe um prévio pagamento indevido, seu cliente (Caterpillar) está habilitado no regime do RECOF, ele, como fornecedor, deveria ter efetuado a venda com suspensão do PIS e COFINS. (...). Entende que os créditos originados dos pedidos de ressarcimento de IPI não decorrem de benefício fiscal, mas sim do estrito atendimento ao princípio da nãocumulatividade previsto na Constituição Federal, que visa evitar o efeito cascata da incidência tributária e não possui qualquer caráter de benesse estatal. Argúi que o caso em comento não guarda qualquer relação com o processo de ressarcimento de IPI, mas com pedido de restituição da COFINS que foi quitada por meio de PER/DCOMP com origem no ressarcimento de IPI. Sob essa premissa, o que foi pugnado junto à União Federal é a devolução de valor efetivamente quitado da COFINS, cujo montante restou reduzido após a recomposição de sua base de cálculo. Discorda do contido no Despacho Decisório, pois o Código Tributário Nacional não impõe qualquer restrição e/ou formato de quitação do tributo objeto do indébito: E nem se alegue que a limitação ao pleito se baseia exclusivamente no disposto pela IN RFB nº 1300/2012. Isto porque, é insuscetível a aplicação isolada de ato administrativo em desacordo com o contido no Código Tributário Nacional. Extraise do texto da lei, que de forma ampla estabeleceu regra geral quanto à possibilidade de restituição, não destacando nenhuma hipótese de exceção e/ou restrição, concernente ao formato de pagamento. Esposa o entendimento de que se o Código Tributário Nacional não pretendeu restringir os direitos dos contribuintes no exercício do direito de restituição dos valores indevidamente recolhidos aos cofres públicos, não poderia a Receita Federal, por meio de interpretação isolada em Instrução Normativa, sob o pretexto de regulamentação, impor limites à previsão legal e: O objetivo da lei sempre foi fornecer aos contribuintes mecanismos de reaver os valores indevidamente cobrados pela administração pública ou objeto de equívoco por parte dos sujeitos passivos. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13888.722012/201414 Resolução nº 3201001.521 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar, que na hipótese em comento, conforme já consignado no pleito de restituição, a única forma da Manifestante reaver o que lhe é de direito consistia no deferimento do pedido de restituição, sob pena de esvaziamento do direito legalmente assegurado. Isto porque, uma vez homologada a compensação que liquidou o débito a maior da COFINS, insuscetível de qualquer retificação/cancelamento, sendo de rigor o único formato adotado pela Manifestante, que, inclusive, se baseou em orientação verbal da própria Receita Federal em atendimento no plantão fiscal. Cita a os princípios constitucionais (artigo 37, da CF) que regem a relação entre fisco e contribuintes e a Lei nº 9.784/99, afirmando que tais comandos devem ser seguidos, pois são os pilares do ordenamento jurídico. Entende que em nenhum momento o texto da lei estabelece que somente será passível de restituição os valores pagos em DARF ou GPS, tal como fez crer a autoridade fiscal em seus fundamentos e também: Na hipótese tratada, a violação ao princípio da legalidade potencializase na medida em que o pedido de restituição era a única forma da Manifestante buscar seu direito em face da União Federal, uma vez não previsto na legislação qualquer outro formato para as circunstâncias narradas. Entende cabíveis os princípios da proporcionalidade, razoabilidade, oficialidade e da verdade material e que não podem ser mitigados pelo formalismo: Para que o formalismo não se torne um instrumento que restringe a observância da forma e distancia a verdade material, deve a administração alcançar a função social do processo para que haja a prevalência da justiça sobre a forma, uma vez que está submissa ao princípio da legalidade, sendolhe imposto, inclusive, para o alcance da norma, o poderdever de revisão de ofício seus próprios atos. Em outras palavras, não deve o formalismo se sobrepor à matéria e à verdade dos fatos e a autoridade tem o dever de buscar a verdade material, não devendo se satisfazer com as informações trazidas pelas partes. Cita doutrina e jurisprudência que entende aplicáveis ao caso e conclui: Diante dos argumentos traçados, com amparo na melhor doutrina e jurisprudência pátrias, inconteste a possibilidade da administração pública analisar os pleitos dos contribuintes evitandose o formalismo excessivo e considerando a boafé das relações, tudo em busca ao alcance da verdade material e respeito aos preceitos estampados no artigo 37, da Constituição Federal e artigo 2º, da Lei nº 9.784/99. Após ou argumentos preliminares, a interessada continua sua defesa com o título "Do direito": Do efetivo amparo legal para suspensão de PIS e COFINS objeto de venda realizada à empresa habilitada no RECOF – Inexistência de obrigatoriedade de cohabilitação para fornecimento – Benefícios legais destinados à compradora que produzem efeitos automáticos – Direito material que pode ser aferido com base nos elementos probatórios ainda que existente erro formal no preenchimento das Notas Fiscais. Inicialmente a interessada explica que no exercício de suas atividades dentro dos períodos de 2007 a 2011, a Manifestante realizou diversas vendas em favor da Caterpillar Brasil Ltda, inscrita no CNPJ sob nº. 61.064.911/000177, que, por sua vez, consoante Ato Declaratório Executivo SRF nº 8, de 18 de março de Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13888.722012/201414 Resolução nº 3201001.521 S3C2T1 Fl. 6 5 2004 e Ato Declaratório Executivo SRF nº 53, de 24 de julho de 2006 é homologada no RECOF (Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado) (doc. anexo aos autos) instituído através do Decreto n° 2.412 de 3 de Dezembro de 1997. Expõe sua compreensão do funcionamento do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado (RECOF), o qual permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou mercado interno. É também permitido que Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, seja despachada para consumo. A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá também ser exportada, reexportada ou destruída. Desta feita, informa os benefícios: Na época dos fatos em exame, o RECOF era regulamentado pela Instrução Normativa SRF 757/2007, que, além de estabelecer todos os requisitos impostos às empresas habilitadas, dentre vários benefícios oferecidos pelo regime é de que a empresa homologada goza da permissão de importar todos os insumos com suspensão de II, IPI e PIS/COFINS, bem como efetuar compras nacionais com a suspensão do IPI e PIS/COFINS, conforme estabelecido em seu artigo 28. Diante dos benefícios contidos nas normas citadas, a interessada defende que em que pese ter fornecido para empresa homologada no RECOF – Caterpillar do Brasil Ltda, não excluiu de sua base de cálculo tributável a suspensão de PIS e COFINS previstas na legislação, mas sim, equivocadamente, apurou e recolheu A MAIOR os citados tributos. Em outras palavras, ao constituir sua base de cálculo de PIS e do COFINS não desconsiderou as vendas para a Caterpillar Brasil Ltda, portanto, a empresa recolheu mais do que deveria. É certo, que os valores das vendas com suspensão de PIS e COFINS não podem contemplar a base de cálculo para fins de tributação dessas contribuições, sob pena de esvaziamento da benesse legal/normativa do RECOF. A interessada cita a SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 28 de 26 de Setembro de 2007 ASSUNTO: Regimes Aduaneiros EMENTA: Regime Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado Recof. Somente as mercadorias de origem nacional remetidas às empresas autorizadas a operar o regime Recof poderão sair do estabelecimento do fornecedor nacional com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A venda de mercadorias de origem nacional à empresas que estão no regime Recof, com suspensão do IPI e das Contribuição para o PIS/Pasep e da cofins, não geram direito à manutenção dos créditos. E conclui que diante do equívoco no cômputo na base de cálculo das contribuições das vendas a Caterpillar com suspensão de PIS e COFINS, a Manifestante reconstituiu sua escrita suprimindo essas operações da base tributável, o que motivou a redução dos valores devidos na competência objeto dos presentes autos. Informa que retificou a Dacon e a DCTF do período e ainda que: Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13888.722012/201414 Resolução nº 3201001.521 S3C2T1 Fl. 7 6 Por outro lado, a fim de complementar as informações e documentos anexados aos autos, que por si só comprovariam o direito sustentado, a Manifestante apresenta “Laudo Técnico Contábil”, assinado por profissional devidamente habilitado no Conselho Regional de Contabilidade – CRC/SP, contratado para fins de corroborar as questões trazidas à julgamento, que, além das informações constantes do seu corpo, contempla documentação anexa que permite essa conclusão, com o fito de exaustivamente comprovar a origem e procedência do direito creditório. Entende que os fornecedores de mercadorias às empresas habilitadas no RECOF não necessitam de cohabilitação no regime, uma vez que nessa hipótese os únicos beneficiados da operação são as adquirentes dos bens: A cohabilitação prevista pelos artigos 8º e seguintes, da IN RFB nº 757/2007, além de facultativa, permite aos fornecedores industriais das empresas habilitadas se beneficiarem conjuntamente dos benefícios do regime do RECOF, com a aquisição/importação de partes, peças e componentes necessários à produção dos bens que industrializar também com suspensão tributária prevista na legislação. (...) A interpretação contida no despacho decisório impugnado é deveras equivocada, uma vez ausente a imposição de cohabilitação em toda a legislação do RECOF para os casos de simples fornecimento às empresas habilitadas. Até porque, caso a legislação exigisse a cohabilitação de todos os fornecedores das empresas habilitadas, o RECOF não sairia do papel, uma vez que dificilmente as empresas de porte inferior que fornecem os bens contemplariam todos os requisitos impostos pelos artigos 4º e 5º, da IN RFB 757/2007. Argumenta que a falta de registro nas notas fiscais de saída dos produtos com suspensão das referidas contribuições, seria somente formalidade, confirase: Por sua vez, é sabido que também existe a exigência do artigo 28, do mesmo texto normativo, que indica as informações a serem imprimidas nas Notas Fiscais de saída dos fornecedores (“Saída com suspensão do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, para estabelecimento habilitado ao Recof ADE SRRF nº xxx, de xx/xx/xxxx"), as quais de fato não compuseram as notas emitidas pela Manifestante. Porém, consoante já sustentado nesta peça, a formalidade de informação em Nota Fiscal não pode se sobrepor ao direito material decorrente do RECOF, haja vista inequívoca comprovação de que a destinação das mercadorias objeto de análise foram à empresa devidamente habilitada no regime (Caterpillar), a qual é a efetiva destinatária da norma e não pode ser prejudicada por eventual lapso de informação na Nota Fiscal de compra. É certo, portanto, que eventual equívoco formal não deve prevalecer sobre a verdade material consubstanciada nos demais meios probatórios existentes no processo administrativo fiscal, sobretudo quando não há prejuízo a fazenda nacional. Cita jurisprudência administrativa na qual consta que demonstrados nos autos os erros nos procedimentos adotados pelo contribuinte, há que ser reapreciado o pleito desconsiderandose tais equívocos, haja vista inexistir prejuízo à fazenda nacional e conclui: Fl. 351DF CARF MF Processo nº 13888.722012/201414 Resolução nº 3201001.521 S3C2T1 Fl. 8 7 Nesse sentido, em que pese as Notas Fiscais emitidas à Caterpillar não terem feito menção à saída com suspensão de PIS e COFINS, restando comprovada a destinação das mercadorias no formato da legislação à empresa habilitada no RECOF, é de rigor seja admitido o lançamento da suspensão prevista na legislação, que, conforme parágrafo único, do artigo 27, da IN RFB 757/2007 se consuma automaticamente. Por fim, solicita: Preliminarmente: 1) Considerando todas as premissas adotadas, com convicção acerca da possibilidade de análise material do direito de restituição pleiteado pela Manifestante, ainda que sob outra roupagem ou mesmo sobre o formato de revisão da compensação que liquidou a maior o valor objeto do pedido, em como a busca pela verdade material e formalismo moderado, é de rigor seja admitida a aferição material do pleito realizado. No mérito: 1) Diante da inexistência de obrigatoriedade da Manifestante se cohabilitar no regime do RECOF para fornecimento à empresa habilitada, sem prejuízo da insofismável viabilidade de mitigação de erro formal no preenchimento das Notas Fiscais de saída, prestigiandose a verdade material, necessário se faz o reconhecimento do direito creditório sustentado, com o consequente deferimento da restituição pleiteada. Seguindo a marcha processual normal, irresignado com r. decisão proferida pela DRJ/Ribeirão Preto, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, requerendo total reforma do julgado. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.492, de 24/10/2018, proferida no processo 13888.721005/201497, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.492): "O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. No caso em tela reclama o Contribuinte que efetuava venda de produtos para empresa Caterpillar Brasil, qual era detentora do RECOF. Que a Caterpillar como adquirente de produtos da Contribuinte, a saída dos produtos teria isenção tributária. Em caso idêntico, o assunto foi enfrentado por esse CARF no acórdão no. 3401001.275, com o seguinte fundamento: Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13888.722012/201414 Resolução nº 3201001.521 S3C2T1 Fl. 9 8 "(...) observo que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração cabal dos argumentos deduzidos, através de documentação hábil suficiente a amparálos. Todavia, entendo draconiano impor ao sujeito passivo a intuição de qual acervo probatório deveria dispor para atender suficientemente as expectativas do julgador administrativo. É inconteste que, tratandose de restituição de tributos, é do contribuinte o encargo de provar o direito vindicado, ex vi do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art. 373, I, do novo Código de Processo Civil, de tal sorte que deveria haver uma prova mínima das razões aventadas, não sendo suficiente a tal desiderato a mera juntada de declarações retificadoras, pois, como adrede exposto, não amparam direito à restituição de tributo pago indevidamente. No caso vertente, entretanto, constam dos elementos coligidos aos autos, ainda na manifestação de inconformidade, cópias das notas fiscais de venda à CATERPILLAR, empresa beneficiária do RECOF e, por conseqüência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, com discriminação dos documentos e a pretensa demonstração que essas faturas compuseram a base de cálculo daquelas exações. Como pontuado alhures, não é possível exigir que o sujeito passivo traga, de imediato, toda a documentação, que reputa o julgador necessária à demonstração do indébito, em um extremado exercício de predição. Nessa toada, à luz dos termos do despacho decisório eletrônico, parecialhe suficiente a justificativa da retificação, a demonstração dos cálculos e as notas fiscais respectivas, agregandose, após decisão de primeiro grau administrativo, o extrato do livro Registro de Saídas. Poderseia indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental complementar, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, como fez a decisão recorrida, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que, em situações como a deste processo, onde há um robusto princípio de prova, formado não apenas por declarações ou debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito postulado. (...) Com isso, adoto nos exatos termos como fundamento os argumentos exteriorizado pelo Conselheiro Robson José Bayerl, para converter o feito em diligência para a unidade preparadora realize: Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13888.722012/201414 Resolução nº 3201001.521 S3C2T1 Fl. 10 9 Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Após, vista ao contribuinte se manifestar pelo prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos a este Conselho." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem realize: a) aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas; e) após, vista ao contribuinte para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência, os autos devem retornar a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 354DF CARF MF
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Numero do processo: 16692.720059/2013-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que sejam julgados e prolatados acórdãos definitivos no âmbito administrativo dos processos nºs 12585.000378/2010-49, 12585.000383/2010-51, 12585.000384/2010-04 e 12585.000385/2010-41.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Relatório
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que sejam julgados e prolatados acórdãos definitivos no âmbito administrativo dos processos nºs 12585.000378/201049, 12585.000383/201051, 12585.000384/201004 e 12585.000385/201041. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 92 .7 20 05 9/ 20 13 -3 0 Fl. 733DF CARF MF Processo nº 16692.720059/201330 Resolução nº 1402000.728 S1C4T2 Fl. 734 2 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Trata o presente processo do pedido de restituição PER/DCOMP nº 31030.71372.140612.1.2.030571 (fls. 03 a 8) meio da qual o contribuinte pretende a restituição de crédito de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 12.934.141,67 referente ao exercício de 2011, anocalendário de 2010. O contribuinte impetrou Mandado de Segurança visando que a autoridade administrativa procedesse à análise, dentre outros, do pedido de restituição nº 31030.71372.140612.1.2.030571, e a liminar foi concedida (fls. 01 a 11). Assim, por meio do despacho decisório de fls.119 a 126, a análise foi efetuada pela autoridade administrativa, sendo reconhecido apenas o direito creditório a favor do contribuinte no importe de R$ 3.331.703,87, sob o fundamento de que as estimativas mensais de CSLL compensadas, cujas compensações ainda não foram analisadas ou que já foram analisadas mas não foram homologadas, não gozam de certeza e liquidez, e portanto não podem compor o saldo negativo do exercício. Como a Recorrente tinha CSLL apurada para o período de R$ 86.100,98 e foi reconhecido pelo r. Despacho Decisório o crédito de estimativa de CSLL de R$ 3.417.804,85, restou o valor de saldo negativo de CSLL de R$ 3.331.703,87. Os quadros a seguir, extraídos do despacho decisório, detalham os valores confirmados: Fl. 734DF CARF MF Processo nº 16692.720059/201330 Resolução nº 1402000.728 S1C4T2 Fl. 735 3 Cientificada do despacho decisório em 05/10/2013 (comprovante fl. 128), a interessada apresentou em 21/10/2013 a manifestação de inconformidade de fls. 132 a 141, acompanhada dos documentos de fls. 142 a 155, onde alega, em síntese: (i) não pode haver glosa das estimativas compensadas vez que ainda não teria havido prolação de despacho decisório; (ii) da ilegalidade da glosa das estimativas cujas decisões das compensações se encontram com efeito suspenso por força de recurso administrativo; (iii) da ilegalidade da diminuição do saldo negativo sob pena de dúplice cobrança do crédito tributário; e (iv) da prejudicialidade do julgamento em razão da pendencia de decisão definitiva acerca da compensação das estimativas. Em seguida, a DRJ decidiu converte o julgamento em diligência para que a Derat/SP (fls. 190/208) para que informasse se existiam mais compensações de estimativas homologadas e juntasse os extratos indicando tais informações. Ato contínuo, a DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de conformidade, reconhecendo mais estimativas cujas compensações foram homologadas em parte no importe de R$ 74.202,68, conforme quadro abaixo. Portanto, conforme quadro acima, foram extintas por compensação as estimativas mensais e a DRJ reconheceu o valor adicional de R$ 74.202,68. Sendo assim, somandose o valor de R$ 3.417.804,85 reconhecido no r. Despacho Decisório, com o montante reconhecido pelo v. acórdão da DRJ de R$ 74.202,68, chegase ao valor total do crédito de Saldo Negativo de CSLL de R$ 3.492.007,53, menos o valor de R$ 86.100,98 de CSLL apurada no período, restando crédito reconhecido para Recorrente até o momento de R$ 3.405.906,55. O v. acórdão que reconheceu o valor de R$ 74.202,85 referente a uma parte da estimativa de julho do anocalendário de 2012 cuja compensação foi parcialmente homologada e registrou a seguinte ementa: Fl. 735DF CARF MF Processo nº 16692.720059/201330 Resolução nº 1402000.728 S1C4T2 Fl. 736 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2011 ESTIMATIVAS COMPENSADAS. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. A restituição e/ou compensação de saldo negativo condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito. A estimativa é antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, constituindo dedução, somente quando comprovada a sua extinção mediante pagamento ou compensação homologada. DUPLICIDADE DE COBRANÇA. NÃO OCORRÊNCIA. Somente fica caracterizada a duplicidade de cobrança se houver coincidência entre os tributos, períodos de apurações e valores, o que não ocorre no presente caso, o qual trata apenas de pedido de restituição, sem declaração de compensação vinculada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 736DF CARF MF Processo nº 16692.720059/201330 Resolução nº 1402000.728 S1C4T2 Fl. 737 5 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Do sobrestamento do feito devido a pendência de decisão dos demais processos que tratam das compensação das estimativas que compões o saldo negativo que se pretende compensar neste processo: O presente processo encontrase dependendo do julgamento dos processos abaixo indicados, que estão julgando as estimativas que compõe o saldo negativo que se pretende compensar com o IRPJ dos autos do processo em epígrafe. Os PER/DCOMPs que controlam as estimativas cujos processos ainda não terminaram são os seguintes: Processos nºs. 12585.000378/201049, 12585.000383/201051, 12585.000384/201004 e 12585.000385/201041, nos quais os despachos decisórios não homologaram parte das estimativas mensais de julho, agosto, setembro, outubro e dezembro de 2010. As DCOMP´s tratadas nos processos acima indicados ainda não foram objeto de decisão administrativa definitiva, uma vez que aguardam julgamento pela DRJ ou pelo CARF/MF acerca das manifestações de inconformidade e recursos apresentados, nos processos acima indicados. Ou seja, caso sobrevenha decisão administrativa definitiva no sentido da homologação das estimativas compensadas, tal decisão implicará necessariamente no reconhecimento integral do crédito de Saldo Negativo pleiteado nos presentes autos, mostrandose cristalina a relação de prejudicialidade mantida entre este processo e os processos acima indicados. Vejam nobres Conselheiro, notese que o sobrestamento do presente processo até que haja julgamento definitivo das estimativas que compõem o crédito pleiteado é decorrência lógica do próprio raciocínio traçado no acórdão ora atacado. Isto porque, reconhecidamente, o valor revertido por meio do provimento da manifestação de Fl. 737DF CARF MF Processo nº 16692.720059/201330 Resolução nº 1402000.728 S1C4T2 Fl. 738 6 inconformidade (ou em sede de recurso) deverá ser devidamente computado no saldo negativo, implicando na necessidade de se aguardar o desfecho dos processos que controlam as estimativas. O entendimento para sobrestar os processos que acarretam prejudicialidade ao presente julgamento dos autos do processo em epígrafe, pode ser visto, em recente decisão, onde o CARF determinou o sobrestamento do processo referente a saldo negativo até o julgamento definitivo dos processos referentes as estimativas, conforme atesta a Resolução nº 1402000.348, proferida no PA 10880.902342/201112, cujas linhas conclusivas transcrevemos: “Isso porque na composição do saldo negativo há estimativas que foram compensadas. A parcela de estimativa compensada no processo 10880.900202/2011 18 foi homologada por meio do Acórdão 1801002.015, não sendo óbice para a continuidade da presente análise. Contudo, o restante da estimativa de janeiro de 2005 foi compensada e, até o momento, não homologada. A discussão a esse respeito se dá no bojo do processo nº 10880.673243/200901, sobrestado por meio da Resolução nº 1402000.347. Entendo, portanto, que o presente processo deva ser sobrestado até que seja proferida decisão, no âmbito do CARF (recurso voluntário), no processo nº 10880.673243/200901. 3 CONCLUSÃO Assim sendo, voto no sentido de sobrestar o julgamento até que seja apreciado o recurso voluntário relativo ao processo nº 10880.673243/200901, devendo tal processo ser vinculado ao presente. Os autos deverão ser remetidos à unidade de origem para ciência do contribuinte da presente Resolução, retornando em seguida ao CARF até que se encontre em condição de julgamento.” (2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF; Resoluçao nº 1402000.348; PA 10880.902342/201112; julgado em 20.01.2016; Relator Fernando Brasil de Oliveira Pinto) Por fim, insta ressaltar que o argumento constate no acórdão de que inexiste norma que autorize a suspensão do trâmite processual não se encontra em consonância com o Regulamento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015), uma vez que o art. 6º, §§4 e 6º do Anexo II determinam o sobrestamento do processo quando dependente de decisão de processos vinculados por decorrência, assim como foi decidido no julgado acima transcrito. Vejamos o texto do dispositivo citado: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: Fl. 738DF CARF MF Processo nº 16692.720059/201330 Resolução nº 1402000.728 S1C4T2 Fl. 739 7 I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; (...) § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. (...) § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. Desta forma, ante a nítida correlação existente entre o crédito pleiteado nestes autos e os Processos Administrativos indicados acima, impõese ao menos o sobrestamento deste feito até o julgamento definitivo no CARF/MF dos processos nº 12585.000378/201049, 12585.000383/201051, 12585.000384/201004 e 12585.000385/201041. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 739DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720012/2016-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade afastar a arguição de nulidade por não atendimento ao artigo 20A da Lei nº 9.430/1996 e, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone.
Relatório
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade afastar a arguição de nulidade por não atendimento ao artigo 20A da Lei nº 9.430/1996 e, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 01 2/ 20 16 -1 2 Fl. 479DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 480 2 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a defesa da Recorrente. A presente acusação trata de fatos geradores do anocalendário de 2011 (lucro real anual), onde em 14 produtos auditados foram aplicados para alguns o PRL20, para outros o PRL60, bem como o cálculo da media ponderada para produtos cujos quais se aplicam os dois PRLs. Foi aplicada multa de oficio de 75%. Para evitar repetições, adoto o relatório do v. acórdão da DRJ: Relatório: Tratase de Termo de Verificação FiscalTVF (fls.124/143) e dos Autos de InfraçãoAI correspondentes, lavrados em 28.07.2016 pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes em São Paulo – Demac, relativos a fatos geradores do anocalendário de 2011 (lucro real): [...] Do TVF (fls.124/143), extraise: a) em 2011, o interessado, indústria de pneumáticos e artigos de borracha em geral, importou de pessoas vinculadas R$ 696 milhões sujeitos ao controle de preços de transferência; nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, o interessado efetuou ajustes no valor de R$ 7.521.555,92, oriundos de importações (ficha 9A da DIPJ); b) “a fiscalização de preços de transferência consiste basicamente em se comparar os preços aplicados na importação com pessoas vinculadas (preço praticado) com um preço chamado “preço parâmetro”, obtido através de alguns dos métodos: PICPreços Independentes Comparados; PRLPreço de Revenda Menos Lucro; ou CPLCusto de Produção mais Lucro), descritos na legislação, conforme opção do contribuinte”; c) “a legislação vigente no anocalendário de 2011 era os artigos 18 a 24 e 28 da Lei nº 9.430/96, regulamentados pela Instrução Normativa SRFnº 243/02, cujos pontos principais serão abordados a seguir (...)”; d) “no manual de Perguntas e Respostas da DIPJ 2011, são apresentados todos os passos percorridos para a obtenção do preçoparâmetro (...)”; Fl. 480DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 481 3 e) “a principal divergência entre o fisco e os contribuintes é a aplicação da metodologia PRL60, descrita na IN SRF 243/02, para importação de insumos utilizados em processos produtivos”; f) “a sexta turma do TRF3ª Região deu provimento integral ao apelo fazendário para, nos autos do processo nº 2003.61.00.0061258SP, reconhecer que o cálculo da Instrução Normativa SRF 243/2002, previsto para o método de Preço de Revenda menos Lucro (PRL60) coadunase com a redação do art.18, II, da Lei 9.430/96, in verbis (...)”; g) “o Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF também vem tendo o entendimento de que a IN 243/2002 não afronta o princípio da legalidade. Vejamos alguns julgados (...)”; h) “já na resposta da 1ª intimação, o contribuinte nos forneceu uma tabela sintética de seus preços de transferência”; no dia 29.04.2015, “nos forneceu outra planilha (um pouco diferente da anterior), com outras quantidades e outros preços praticados”; i) a fiscalização utilizou os dados das planilhas enviadas pelo interessado nos dias 17 e 22 de julho de 2015, das quais selecionou “os 14 (catorze) produtos mais relevantes para a auditoria”, com os quais avaliou “mais de 85% das importações do contribuinte (em valores) com partes vinculadas. Para os demais produtos, aceitamos as informações fornecidas pelo contribuinte”; j) os 14 (catorze) produtos selecionados para aplicação de procedimentos de auditoria foram: TA091, TA062, TA077, TA039, EA045, WH023, EC140, TB037, WH073, 30222, 80592, EC071, 80368, 80271; k) para cálculo dos preços praticados, a fiscalização fez “o levantamento no Siscomex das importações efetuadas pelo contribuinte no ano de 2011”; l) a fiscalização concluiu que “os valores obtidos dos novos preços praticados são bem próximos aos valores apresentados pelo contribuinte”; m) para os produtos auditados, a fiscalização utilizou os preços praticados que calculou; para os demais produtos, adotou os preços apresentados pelo interessado; n) “o contribuinte usou o método PRL para elaboração de seus preços parâmetro”; o) “foram utilizadas as duas modalidades de PRL: o PRL 20, para mercadorias revendidas, e o PRL60 para mercadorias que sofreram algum tipo de processo produtivo”; p) a fiscalização utilizou os valores de vendas fornecidos pelo interessado, porque não encontrou “diferenças significativas” entre estes e os constantes do SPEDFiscal; Fl. 481DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 482 4 q) na análise das planilhas de cálculos pelo método PRL60, a fiscalização constatou que “o contribuinte não efetuou os cálculos nos moldes da legislação vigente: a IN SRF 243/02”; r) o interessado tomou ciência, em 16.06.2015 (intimação 04/2015, às fls.95/96), de intimação para refazer os cálculos de apurações dos preços de transferência; a fiscalização solicitou esclarecimentos adicionais acerca do insumo TB037, que “apresentava enormes distorções em relação aos dados de que a RF dispunha”; s) “somente após a intimação de 16.06.2015 é que o contribuinte refez seus cálculos e apresentou, nos moldes da legislação vigente, os valores corretos a serem ajustados nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL”; t) a fiscalização, “ainda assim, efetuou pequenos ajustes nos preços praticados dos 14 (catorze) produtos (as planilhas, com os pequenos ajustes, estão anexas a este relatório)”; u) o valor referente às operações de importação com partes vinculadas totalizou R$ 290.808.494,86 (na DIPJ2012 constou R$ 7.521.555,92); v) o ajuste adicional na base de cálculo do IRPJ e da CSLL foi de R$ 283.286.938,94 (290.808.494,86 – 7.521.555,92 = 283.286.938,94). 3 No Auto de InfraçãoAI de IRPJ, a infração está descrita e capitulada assim: [...] 4 Iniciada em 30.01.2014 (fls.6), a ação fiscal foi encerrada em 19.09.2016 (fls.147), com a lavratura dos Autos de Infração de IRPJ e de CSLL (item 1), tendo sido instruída com os documentos de fls.1/152. 5 O interessado tomou ciência pessoal dos Autos de Infração em 14.09.2016 (fls.149). 6 Irresignado, em petição juntada em 14.10.2016, às fls.152/237, o interessado diz: a) alegações de nulidade 7 O interessado pede, preliminarmente, que se reconheça a nulidade do auto de infração, por vício material, por motivação insuficiente e cerceamento de defesa, alegando que: a) não foram indicados, de maneira clara e precisa, os motivos da rejeição dos preços praticados e dos preçosparâmetros, nem quais e porque foram feitos “pequenos ajustes”; b) o fato de a fiscalização “ter exposto os seus critérios de cálculo para obtenção dos preços praticados não é providência bastante”; Fl. 482DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 483 5 c) as planilhas de preços parâmetros, elaboradas pela fiscalização, apresentam valores divergentes, “sem que tenha explicação no TVF capaz de permitir que “a Impugnante compreenda quais foram as divergências constatadas”; d) a fiscalização não esclarece porque os critérios de cálculo poderiam ser aceitos para os produtos não auditados e rejeitados para os auditados, “incorrendo em grave contradição”; e) além de ter desqualificado os critérios de escrituração, a fiscalização não apontou o critério adequado; f) “não tem meios de compreender o que seriam os tais pequenos ajustes”; “como saber se esses “pequenos ajustes” são de fato pequenos, já que a discrepância entre os valores da d.autoridade fiscal e da impugnante são relevantes?”; g) os “pequenos ajustes realizados no produto TA091 geraram uma diferença nada pequena, de R$ 9.122.918,79, o mesmo se verificando no produto TA062, cuja diferença perfaz R$ 8.456.871,12” (fls.167): [...] 8 O interessado reproduz ementas e excertos de acórdãos administrativos. b) alegação de descumprimento do art.20A da Lei n° 9.430, de 1996 9 No mérito, o interessado diz que os Autos de Infração devem ser imediatamente cancelados porque a fiscalização não o intimou a apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias, novo cálculo com base em método mais favorável, como dispõe o “art.20A da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido neste diploma pela Lei nº 12.715, promulgada em 17 de setembro de 2012”. Aduz que: a) o citado artigo 20A é norma de caráter eminentemente procedimental e de aplicação imediata, porque instituiu novos critérios de apuração/processos de fiscalização, aplicandose a todas as fiscalizações concluídas após a sua vigência; b) quando encerrada a fiscalização, em 28.07.2016, a Lei nº 12.715, de 2012, já estava em vigor, e a ela as autoridades fiscais já se encontravam adstritas; c) o Termo de Intimação Fiscal nº 04/2015 “não permitiu que a Impugnante apresentasse novos cálculos de acordo com outro método previsto na legislação, mas apenas determinou a adequação dos cálculos do PRL 60 à IN SRF 243/2002; d) a inobservância do art.20A impede que se apure o maior valor dedutível. 10 O interessado reproduz excertos de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. c) alegação acerca da sistemática do PRL60, na IN SRF 243/2002 Fl. 483DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 484 6 11 O interessado diz que os ajustes devem ser cancelados de plano, porque “realizados com base na IN SRF nº 243/2002, de hialina ilegalidade, que inova a Lei nº 9.430/96”. Aduz que: a) a IN SRF 243/2002 já foi afastada pelo Carf e por tribunais judiciais em diferentes oportunidades; deve ser considerada ilegal porque não se mostra compatível com a lei; b) no cálculo do preçoparâmetro, a Lei determina que o percentual de 60%, incidente sobre o preço líquido de venda, seja deduzido do valor líquido de venda integral, enquanto a IN determina que seja excluído de uma base menor (parcela do preço líquido de venda referente à participação na importação), e, disso, decorre um “resultado invariavelmente menor”; c) as diferenças entre as sistemáticas da Lei e da IN acabam por gerar resultados distintos para o mesmo cálculo de preço de transferência segundo o PRL 60 local, de forma que “despesas que são dedutíveis segundo uma sistemática, passam a ser indedutíveis segundo outra”; d) a subtração, do preço líquido de venda, de uma parcela diferente do valor agregado não encontra amparo na lei; a sistemática da IN 243/2002 conduz a resultados absurdos e impõe ao contribuinte a margem de lucro de 150%; e) a IN SRF 243/2002 exige que se apure, em primeiro lugar, a participação, no produto vendido, do item importado, partindo “do custo do bem importado para descobrir ele próprio, gerando o erro crasso de petição de princípios, com resultados desastrosos, já que por ele se prova o que se quiser”; f) a interpretação de que, para cálculo do preço parâmetro, o valor agregado deve ser deduzido da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos” não pode prevalecer, pois subverte a própria literalidade do artigo 18 da Lei nº 9.430/1996, torna a norma contraditória e depõe contra o efeito indutor da lei; g) a metodologia prevista na IN SRF 243/2002 não encontrava respaldo no texto legal, e só poderia prevalecer se a Medida Provisória 478/2009 tivesse sido aprovada pelo Congresso, e, ainda assim, para fatos ocorridos após a sua edição; h) a metodologia de cálculo prevista na IN SRF nº 243/2002 somente veio a possuir respaldo legal com a publicação da MP nº 563/2012, convertida na Lei nº 12.715/2012, sendo inquestionável a sua ilegalidade até o referido marco legislativo; i) precedentes jurisprudenciais demonstram que a sistemática trazida pela IN SRF 243/2002 presume o valor agregado no país, por um critério de proporcionalidade e, ao assim fazer, exige, à revelia do que dispõe a Lei, margem de 60% do preço para o produto nacional (ou 150% do custo nacional para o produto nacional); j) “faz jus à apuração dos preçosparâmetro, segundo a interpretação fixada na IN SRF 32/2001, uma vez que a IN SRF 243/2002 carece de base legal”. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 485 7 12 O interessado reproduz excertos de decisões do Judiciário e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. d) alegações sobre PRL Ponderado 13 O interessado sustenta que o PRL60 e o PRL20 são métodos distintos, e, na hipótese de aplicação de ambos, deve ser considerado aquele que ensejar o menor ajuste fiscal, não podendo, por isso, prevalecer o cálculo da média ponderada dos preçosparâmetro. Aduz que: a) o art.18, § 4º, da Lei nº 9.430, de 1996, prevê a opção pelo método mais favorável ao contribuinte; b) embora tenham a mesma denominação, o PRL 60 e o PRL20 se caracterizam, matematicamente, por métodos distintos, e, por isso, deve ser aplicado o mais favorável; c) “a autoridade fiscal falhou ao combinar os preçosparâmetros e utilizálos de forma pretensamente ponderada”; d) ademais, no “Perguntas e Respostas 2005”, na questão 655, a própria Receita Federal reconhece que os métodos são distintos: e) “prova eloquente da diferença entre os métodos é o fato de a Medida Provisória nº 472/09 ter intentado criar um único método para substituir o PRL20 e o PRL60”. e) alegações sobre inclusão de frete, seguro e impostos 14 O interessado diz que é ilegal a inclusão, com base na IN SRF nº 243/2002, no preço praticado (FOB), das parcelas relativas às Fl. 485DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 486 8 despesas com frete, seguro e tributos incidentes na importação. Aduz que: a) adicionou espontaneamente as sobreditas parcelas, obtendo o valor CIF de importação, mas que, ante a possibilidade de a IN SRF 243/2002 vir a ser confirmada, o preço CIF ganhará importância econômica; b) cabe aos órgãos julgadores zelar pela legalidade do lançamento tributário, ainda que “ele não tenha sido objeto de acusação fiscal”; c) o frete (que adquiriu no exterior) e os seguros (contratados e adquiridos no Brasil) não foram pagos à pessoa vinculada; os tributos devidos na importação não correspondem à contraprestação por nenhum benefício, “quer advindo do exterior, quer proveniente daqui”; d) “os custos com frete, seguros e tributos na importação, por não se tratarem de valores despendidos em importação, ou por não haverem sido pagos a pessoa vinculada, não se sujeitam aos limites de dedutibilidade previstos pelo art.18 da Lei nº 9.430/1996, e, assim, não podem gerar qualquer ajuste, devendo ser neutros para fins de aplicação da legislação de preço de transferência”; e) o que se chama “preçopraticado” é a despesa abrangida que se controla, que se submete aos limites decorrentes das regras de preços de transferência; “se um encargo não se insere no campo de incidência do art.18 da Lei nº 9.430, como é o caso do frete, seguros e tributos, então, por decorrência lógica, não integra o preçopraticado”; f) deve ser reconhecida a impossibilidade de se justificar a inclusão dos valores de frete, seguro e impostos no preço praticado, para fins de apuração do PRL, com base na ilegal IN 243/2002; g) a IN SRF 243/2002: excluiu a expressão legal “para efeitos de dedutibilidade”; incluiu mecanismo de cálculo do preçoparâmetro; procedeu à mudança mais sutil, mas igualmente proposital e nociva, ao substituir a expressão “custo” por “preço praticado”; h) “na lógica da fiscalização, o método PRL tem apenas 2 componentes: custo e lucro; uma vez que frete, seguro e II não compõem o lucro, então são parte do custo”; i) tal raciocínio se revela equivocado, quando se considera que a margem de lucro a que a lei se refere é a bruta, não a líquida; a margem de 20% do preço de venda não é o lucro do importador; com ela, este deve pagar seus gastos com propaganda, aluguel, garantia e todos os encargos que venha a sofrer; se houver sobra, aí sim, será lucro; j) o método PRL se opera mediante a contraposição de um dado econômico real (o preço praticado) com uma grandeza presumida; o que se compara com o preço praticado não é o preço de revenda, mas o preço de revenda menos o lucro, ou seja, o preçoparâmetro; k) frete, seguro e tributos, juntamente com todas as demais despesas do importador, compõem parcela que, agregada ao lucro líquido do importador, deverão formar o mark up legal; Fl. 486DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 487 9 l) “não se trata de aumentar a margem de lucro, o fato é que o legislador já aumentou essa margem, exatamente para englobar frete, seguro, tributo e todos os outros custos”. 15 O interessado reproduz excertos de decisão do CARF. f) Método PCI Método do Preço sob Cotação na Importação 16 O interessado requer que, não sendo afastada a autuação, sejam aceitos os ajustes determinados a partir do sobredito método, em substituição ao PRL60, para 6 (seis) dos 14 (catorze) produtos auditados (EA045, TA062, TA012, TA039, TA091 e TA077), uma vez que aquele método lhe é mais favorável. 17 Aduz que o fato de o dito método “ter sido inserido apenas para 2013, não impede seja utilizada a commodities em BMF para 2011, que é preço uniformemente determinado pela oferta e procura internacional”. 18 O interessado afirma que “se esforçou para finalizar as planilhas de cálculo, de modo a apresentálas com a impugnação. Ocorre que, além da complexidade inerente ao cálculo pelo método PIC, a Impugnante precisa obter junto à SICOM, a relação das cotações registradas no período autuado”. 19 O interessado pede “desde já a substituição do PRL pelo PIC”, protestando pela posterior juntada dos documentos correspondentes, por motivo de força maior, dado que “no exíguo prazo de 30 dias, não foi possível coletar as cotações da SICOM do período autuado”. 20 Alega que, no que tange às importações, o § 4º do art.18 da Lei nº 9.430, de 1996, “é claro ao prescrever a possibilidade de ser empregado mais de um método e a obrigatoriedade de prevalecer o resultado mais conveniente ao contribuinte”. 21 Sustenta que a sobredita norma não só permite a utilização de qualquer um dos métodos previstos, como também permitiu a aplicação simultânea deles, “exigindo, exclusivamente, que prevalecesse aquele que apresentasse melhores resultados ao contribuinte, isto é, o menor ajuste”. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 488 10 22 Argumenta que o objetivo da norma, ao determinar a obrigatoriedade de prevalecer o resultado mais conveniente ao contribuinte, foi o de coibir a discricionariedade, não se tratando de um simples direito do contribuinte, mas de uma regra que disciplina o lançamento decorrente de preços de transferência. “Se é o contribuinte que efetua o lançamento, ele podese valer da liberdade que a regra traz; se é a autoridade fiscal, esta não se pode valer do método que bem entender”. 23 O interessado alega que a indicação de um método na DIPJ só passou a vincular o contribuinte a partir da Lei nº 12.715/2012, e que, antes, prevalecia a regra do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, de forma que, ou bem se entende que a norma inscrita no art.20A tem aplicação imediata (o que ensejaria a nulidade da autuação), ou se reconhece que para todos os fatos geradores ocorridos antes da Lei 12.715/2012, “não há qualquer limitação quanto ao momento de escolha do método de apuração dos ajustes previstos das regras de controle dos prelos de transferência, devendo prevalecer, sempre, o melhor método”. g) alegações sobre voto de qualidade 24 O interessado pede que, em caso de voto de qualidade, lhe seja aplicada a posição mais favorável, no que se refere à aplicação de penalidades, porque o voto de qualidade deixa claro que o “órgão está em dúvida”. 25 Alega que, “havendo empate, o voto de qualidade deve dar aplicação ao artigo 112 do CTN, garantindo que a decisão do colegiado interprete a legislação tributária da maneira mais favorável ao contribuinte”. 26 Aduz que, “para conciliar o instituto do voto de qualidade com o princípio constitucional da presunção de inocência, bem como com o artigo 112 do CTN, tornase mandatório o cancelamento da multa de ofício veiculada no presente auto de infração”. 27 O interessado reproduz trecho de decisão judicial. h) alegação sobre juros de mora sobre multa de ofício 28 O interessado pede que, caso a autuação não seja cancelada, “deverão os Srs. Julgadores, ao menos, excluir a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do art.161 do CTN e 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996”. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 489 11 i) alegação sobre fluência de juros 29 O interessado pede que, caso ultrapassado o prazo legal de 360 (trezentos e sessenta) dias até que seja apreciada a impugnação, os juros de mora tenham sua fluência suspensa. 30 Diz que o “descumprimento do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, implica consequências jurídicas, como não poderia deixar de ser, dentre elas, a necessária cessação dos juros de mora”. Aduz que, transcorrido tal prazo, “não há mais que se falar em mora do contribuinte, mas, sim, da Fazenda Pública, que não pode tirar proveito de sua inércia”. j) pedidos 31 O interessado conclui a impugnação, pedindo: a) a nulidade da autuação, porque a fiscalização não motivou a rejeição dos preços praticados e dos preços parâmetros; b) o cancelamento do crédito tributário, em face da inobservância do 20A da Lei nº 9.430, de 1996, e da ilegalidade da fórmula de cálculo do PRL60; c) o reconhecimento da ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, quanto à inclusão do seguro, frete e tributos incidentes na importação; d) a aceitação do método PIC, em substituição ao PRL 60, para 6 (seis) produtos auditados; e) o cancelamento da multa, em caso de voto de qualidade; f) a exclusão da cobrança de juros sobre a multa de ofício; g) a cessação da fluência de juros, no caso em que especifica; h) o encaminhamento das intimações ao procurador, com “cópias ao impugnante”; i) a produção de todos os meios de prova, notadamente a juntada de novos documentos e a sustentação oral. A DRJ decidiu pelo não provimento da impugnação e registrou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 Fl. 489DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 490 12 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o auto de infração lavrado por autoridade competente, em consonância com a legislação de regência. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de ser apresentada em outro momento processual. SUSTENTAÇÃO ORAL. PREVISÃO LEGAL INEXISTENTE. Não existe previsão normativa autorizando sustentação oral em sede de primeira instância administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 INSTRUÇÃO NORMATIVA. LEGALIDADE. APRECIAÇÃO. NÃO CABIMENTO. A primeira instância administrativa não pode apreciar a legalidade de ato a cuja observância está obrigada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. PONDERAÇÃO. É válido o cálculo do preço parâmetro ponderado, na hipótese de aplicação das duas modalidades de cálculo do método do Preço de Revenda Menos Lucro PRL. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MUDANÇA DE MÉTODO. IMPOSSIBILIDADE. Iniciado o procedimento fiscal, o interessado não pode alterar o método utilizado na DIPJ para determinação dos ajustes decorrentes de preços de transferência. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO ELEITO. ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O método do preço de transferência não pode ser alterado em sede de julgamento. MÉTODO PRL. FRETE, SEGURO E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. No método PRL, o frete e o seguro, cujos ônus tenham sido do importador, e os tributos incidentes na importação integram o cálculo do preço praticado. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTE DE CÁLCULOS. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 491 13 Não apontados erros nos ajustes efetuados pela fiscalização no cálculo dos preços de transferência, a exigência deve ser mantida. JUROS. CESSAÇÃO DE EFEITOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal para suspensão da fluência de juros de mora se a decisão de primeira instância administrativa não for proferida no prazo de trezentos e sessenta dias da impugnação. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício não paga no vencimento. VOTO DE QUALIDADE. CANCELAMENTO DE MULTA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não existe previsão legal para cancelamento de multa de ofício em caso de voto de qualidade. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido no julgamento do IRPJ se aplica à tributação dele decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os argumentos postos na impugnação e junto aos autos Laudo Técnico visando demonstrar os erros cometidos no cálculo da fiscalização. O Laudo Técnico elaborado pela KPMG fez o recalculou dos preços parâmetros das borrachas E045, TA062, TA062, TA077, TA091, TA012 e TA039 pelo método PIC. É o relatório. Fl. 491DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 492 14 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Como fui vencido em relação a preliminar de nulidade devido a Fiscalização não ter atendido aos requisitos do artigo 20A da Lei 9.430/96, bem como esta C. Turma decidiu manter a inclusão no preço praticado do frete, seguro e impostos incidente na importação, entendo que ser necessário analisar outra matéria levantada pela Recorrente em seu recurso sobre o método PIC ser mais benéfico que o PRL60 aplicado no ajuste do preço de transferência exigido nos Autos de Infração. Vejamos. A Recorrente juntou Laudo Técnico (fls.446/473) elaborado por empresa de auditoria que analisou as operações objeto do Auto de Infração e aplicou o método PIC. Tal estudo foi feito para que na hipótese de a Recorrente ser obrigada a incluir o frete, o seguro e os impostos de importação no preço praticado, o método mais benéfico para a maioria das operações seria o PIC e não mais o PRL60, conforme restou demonstrado no Laudo Técnico. No meu entendimento, foi correto o trabalho elaborado no Laudo Técnico, eis que na hipótese de a Recorrente ser obrigada a incluir tais custos ao juste do preço de transferência, a contribuinte terá direito a optar pelo método mais benéfico, conforme previsto nos parágrafos quarto e quinto do artigo 18 da Lei 9.430/89. Ou seja, o Laudo Técnico aplicou a alternativa prevista na lei, conforme alegado pela Recorrente nos autos, que na hipótese de ser compelida a incluir o frete, o seguro e o imposto de importação no preço praticado, o método mais benéfico seria o PIC e não o PRL. Assim, devido ao Laudo Técnico ter a aplicado o método PIC, os valores encontrados referentes ao ajuste do preço de transferência serão totalmente diferentes dos que estão sendo exigidos no Autos de Infração. Corroborando com meu raciocínio, a Solução de Consulta COSITE numero 13, de 16/09/20103 trata sobre a força probante de Laudos Técnicos elaborados por empresas de auditorias independentes para fins de comprovação de preços de mercadorias importadas, assim como o Laudo que foi juntado aos autos deste processo em epígrafe. Vejamos. ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ EMENTA: Para fins de comprovação de preços de mercadorias Fl. 492DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 493 15 importadas, admitese a apresentação de relatório de auditores externos independente, em que for observado que o valor do custo de aquisição das mercadorias foi registrado de acordo com a legislação brasileira, juntamente com relatório enumerativo das faturas comerciais de aquisição dos produtos pela empresa fornecedora vinculada. Quaisquer relatórios de procedência estrangeira deverão ser traduzidos, notarizados, consularizados e registrados em Cartório de Registro de Títulos e Documentos, em substituição das cópias de faturas comerciais. A apresentação do relatório de auditores externos independentes para fins de comprovação de preços não afasta a possibilidade de serem requeridos, durante procedimento de fiscalização, quaisquer outros documentos, tais como faturas comerciais de entrada de mercadorias, previstos pela legislação brasileira.DISPOSITIVOS LEGAIS: art. 43 da Instrução Normativa SRF nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012. Assim, entendo que tal estudo da empresa de auditoria foi feito para comprovar que com a inclusão do frete, seguro e impostos de importação no preço praticado, o método mais benéfico para as operações objeto do Auto de Infração seria o PIC e não mais o PRL60 adotado pela fiscalização, conforme restou demonstrado no Laudo Técnico. Frente a esta constatação e seguindo minha linha de raciocínio, entendo que foi correto o trabalho elaborado por meio do Laudo Técnico, eis que na hipótese de a Recorrente ser obrigada a produzir o ajuste do preço de transferência, terá direito a optar pelo método mais benéfico, conforme previsto nos parágrafos quarto e quinto do artigo 18 da Lei 9.430/89. Ou seja, o Laudo Técnico aplicou a alternativa prevista na lei, conforme alegado pela Recorrente nos autos e durante a fiscalização, que na hipótese de ser compelida a refazer o ajuste do preço de transferência com a inclusão no preço praticado do frete, seguro e impostos de importação de produtos/mercadorias, aplicando a formula indicada na IN243/02 para o PRL60, o método mais benéfico seria o PIC e não mais o PRL. Assim, devido ao Laudo Técnico ter a aplicado o método PIC, os valores encontrados referentes ao ajuste do preço de transferência serão totalmente diferentes dos que estão sendo exigidos no Autos de Infração com base no método PRL60. Sendo assim, como meus pares decidiram no sentido de que a Recorrente deve incluir no cálculo do preço praticado, o frete, o seguro e os impostos de importação, entendo que nos termos dos parágrafos quarto e quinto do artigo 18 da Lei 9.430/89 deve ser aplicado para o presente caso o método mais benéfico, ou seja, o método PIC. Este entendimento pode ser visto no voto proferido pelo D. Conselheiro Lucas Bevilacqua os quais colaciono as partes que interessam ao presente julgamento. Vejamos o voto Conselheiro Lucas no processo 16561.720092/201517: 3.3 Subsidiariamente: Adoção do método PIC Fl. 493DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 494 16 A Recorrente aduz que caso prevaleça o cálculo segundo a IN SRF 243/02, principalmente com a inclusão dos valores de frete e seguros no valor praticado, deverá ser aplicado o método PIC a algumas de suas operações. Isto porque se o método PRL calculado segundo o que prescrevia a Lei 9.430/96 antes da alteração da Lei 12.715/12, o mesmo não pode ser dito se o método PRL for calculado conforme a fórmula prescrita na IN SRF 243/02. A utilização do método PIC neste caso estaria em linha com o que prescreve o §4 º do art. 18 da Lei 9.430/96: Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. Entendo ser claro nesse caso que, caso seja mantido o cálculo da fiscalização em sua inteireza (PRL 60%, segundo a fórmula da IN SRF 243/02 + inclusão de frete e seguro), entendo que seja impositivo a utilização do método PIC para os casos em que este seja mais vantajoso. Pode se verificar este entendimento também no processo 16561.000179/200889: Antes de passar a análise da pretensão da contribuinte de reforma da decisão quanto à vedação da alteração para método mais benéfico enquanto já em curso o procedimento importante esclarecer que não se trata de discussão sobre a obrigação da fiscalização fazer prova método mais benéfico, nem mesmo da possibilidade do contribuinte proceder alteração de método indicado na DIPJ em sede de impugnação. A discussão nos presentes autos é acerca da possibilidade da contribuinte no curso da fiscalização que fixa diretriz no sentido de novo critério de agrupamento (de catálogocatálogo para modelo a modelo) reelaborar o controle de preço de transferência com a apresentação integral de documentos para exame da adequação do método da fiscalização, na medida em que o PIC tornarase mais benéfico. Alega o contribuinte que, em conformidade com a própria orientação do auditor durante a fiscalização, apresentou planilha de cálculo utilizando método PIC, tendo por base agrupamento “modelo a modelo”, ao invés de catálogo a catálogo, que vinha utilizado. Não obstante apresentação e seleção de novo método a fiscalização não só ignorou toda documentação apresentada, mas procedeu ao recálculo das operações submetidas ao PRL para incluir os valores referentes ao frete, seguros e impostos do preço praticado e deduzir os valores do PIS e da COFINS como se impostos sobre venda para alcançar o preçoparâmetro. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 495 17 O respeitável acórdão recorrido pautase na falsa premissa de que a alteração só era possível em momento anterior a qualquer ato de fiscalização e mediante retificação da DIPJ. Inicialmente cumpre ressaltar que deve ser aplicado ao caso a legislação vigente a época dos fatos, segundo art. 144, §1º do CTN, in casu, a Lei 9.430/96 com as alterações introduzidas pela Lei. 9.959/2000. Vale lembrar que há época não havia a restrição temporal para alteração do método após o início da fiscalização; o que somente foi introduzido pela MP 563/12, convertida na Lei n. 12.715/12. Portanto, a previsão expressa da restrição temporal ao direito de escolha do método mais vantajoso passou a vigorar apenas a partir de 2012. Considerando que as regras de controle de preço de transferência tem por fito alcançar maior refinamento da capacidade contributiva do contribuinte constatase que a possibilidade de se adotar o método mais benéfico corresponde a direito do contribuinte ao que qualquer restrição desse somente pode vigorar com efeitos ex nunc, logo, anteriormente era possível a alteração mesmo quando já inaugurada fiscalização. É justamente esse o entendimento de Luís Eduardo Schoueri, vejamos: Portanto, parece correto afirmar que, até o advento das alterações promovidas pela Medida Provisória 563/2012, havia a possibilidade de o contribuinte utilizarse do direito à escolha do método a qualquer momento posterior à declaração, mesmo que na sua impugnação. O que mudou, apenas, foi a restrição à mudança do método, após o início da fiscalização, permanecendo, entretanto, a regra do menor ajuste; e (...)Ainda no que concerne a escolha do método, entendese que até as alterações levadas a cabo pela Lei n° 12.715/2012, o contribuinte podia utilizarse deste direito a qualquer momento posterior à declaração, mesmo que na impugnação, aplicando sempre o método que lhe for mais conveniente. A partir de 2013, existe procedimento próprio para a desqualificação do método escolhido pelo contribuinte.” (Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro. Dialética: São Paulo. 2013. p.450) Em descompasso com a lei vigente há época, conforme o entendimento doutrinário acima transcrito, a DRJ teve para si a imutabilidade da opção de método indicada na DIPJ nos termos do que consta do item c, do parágrafo 7.21 do acórdão: "c) conforme entendimento da RFB, uma vez iniciado o procedimento fiscal, não cabe ao contribuinte requerer a aplicação de outro método que não seja aquele que ele tenha adotado, exceção feita aos casos de evidente erro no preenchimento da DIPJ, ou de ser necessário desqualificar o método adotado, seja por ser imprestável a documentação de suporte apresentada, seja por outro motivo previsto em lei, situação esta que autoriza a Fiscalização a utilizar, dentre os métodos previstos, aquele que se mostre possível de ser aplicado ao caso em concreto." Fl. 495DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 496 18 Fácil notar que a restrição temporal a alteração do método advém de entendimento da própria autoridade fiscalizadora na medida em que não havia na época impedimento legal, e como sabido em não havendo lei que proibitiva, o comportamento da contribuinte era lícito até mesmo como exercício de um direito que fora outorgado pela própria Lei n.9430/1996 (art.18, §4º). Isso implica em que a apresentação de novo método de cálculo, independentemente do momento em que foi realizada, não pode ser ignorada pela fiscalização. O fato de o auditor apontar o critério agrupamento "modelo a modelo" como mais adequado, ainda que estivesse se referindo aos bens submetidos ao modelo PIC, possibilitou que a Recorrente realizasse novos cálculos em relação a todos seus bens, que levaram a um método mais benéfico, lembro, direito do contribuinte, garantido pelo art. 18, §4 da Lei 9.430/96. O agrupamento "modelo a modelo" estaria em consonância com o conceito de similaridade prescrito no art. 28 da IN 243/02 cuja transcrição se faz por oportuna: "Para efeito desta Instrução Normativa, dois ou mais bens, em condições de uso na finalidade a que se destinam, serão considerados similares quando, simultaneamente: I tiverem a mesma natureza e a mesma função; II puderem substituir se mutuamente, na função a que se destinem; III tiverem especificações equivalentes." Foi justamente com vistas a atender a orientação da fiscalização que a recorrente empreendeu, durante a fiscalização e antes da lavratura de qualquer auto de infração, a alteração do método PRL para o método PIC que sob o critério de agrupamento "modelo a modelo" revelarase mais benéfico. O fato da fiscalização já se encontrar em curso não afasta a espontaneidade da opção pelo contribuinte pelo novo método na medida em que o contribuinte assim procedeu em função da orientação de critério de agrupamento que deveria adotar, qual seja: "modelo a modelo" no qual o método mais benéfico foi o PIC. Não se ignora que, a despeito da posição doutrinária antes transcrita, este CARF tem orientação no sentido de que a opção pelo método mais benéfico deve ocorrer antes do procedimento de fiscalização, porém, a situação ora em exame diverge de todas as demais na medida em que a opção a posteriori de alteração do método realizada nos presentes autos se realizou em função de diretriz da própria RFB quanto ao critério de agrupamento para "modelo a modelo" o que conduziu a uma (re)avaliação do contribuinte de qual seria o método mais benéfico: PIC! Há algum tempo se reconhece a aplicação do princípio da boafé objetiva no Direito Tributário brasileiro. Diferentemente da boafé subjetiva na qual perquirese estado anímico do contribuinte, portanto, de difícil aplicação na seara tributária considerando tratarse obrigação ex lege, a boafé objetiva estabelecer um padrão ético de colaboração recíproca entre contribuinte e fisco. A fixação de uma nova diretriz de agrupamento pela fiscalização não pode implicar na supressão do direito do contribuinte de escolha do Fl. 496DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 497 19 método que lhe seja mais benéfico ainda que anteriormente tenha indicado método outro na DIPJ. Vale notar que tal indicação anterior deuse sob a premissa de que deveria proceder ao agrupamento "catálogo a catálogo" que, inclusive, permite maior precisão de classificação dos automóveis, portanto, maior colaboração com a Administração Tributária que houve por bem entender que o critério "modelo a modelo" era suficiente transmitindo, assim, tal diretriz a contribuinte que procedeu, no exercício da prerrogativa legal conferida, a alteração do método. Vedar ao contribuição a opção de alteração do método ante a diretriz fixada é romper com dever de colaboração do fisco para o contribuinte que regularmente exerceu seu direito de escolha do método mais benéfico. Ainda no curso da fiscalização a contribuinte não só informou a alteração do método, mas apresentou todos cálculos e justificativas do exercício de seu direito de alteração nos termos do art.18, §4º, Lei n.9.430/1996; o que não pode serlhe suprimido pelo mero fato de ter informado método diverso quando da indicação na DIPJ. Reiterase que a alteração do método deuse em função da mudança do critério da agrupamento de "catálogocatálogo" para "modelo a modelo" por diretriz da própria Administração Tributária que certamente não tem por propósito sancionar o contribuinte com a permanência em método que lhe é mais prejudicial, enquanto, a própria lei prevê a prerrogativa de escolha do método mais benéfico mesmo durante a fiscalização conforme facultadolhe na lei anterior vigente há época dos fatos. Nessa perspectiva, entendemos por legítima a alteração do método nesse caso em particular ainda que já iniciado o procedimento de fiscalização ao que em homenagem ao princípio da boafé objetiva no Direito Tributário que estabelece um dever de colaboração entre Fisco e contribuinte devem prosperar os argumentos da contribuinte pela escolha do método mais benéfico (PIC). Desta forma, voto por converter o julgamento em diligência para que o Auditor Fiscal analise o Laudo Técnico por inteiro e se manifeste conclusivamente se o valor apontado no Laudo Técnico está correto quando aplicado o método PIC para comparação com o preço praticado e apuração do preço de transferência. Em seguida elabore Relatório de Diligência informando se concorda ou não com o valor apontado no Laudo Técnico e, na hipótese de não concordar com o valor informado pela empresa de auditoria, informar o valor que entende correto para ajustar a base do preço de transferência a ser exigido no presente Auto de Infração. Ato contínuo, notificar a Recorrente para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias sobre o Relatório de Diligência. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201612 Resolução nº 1402000.693 S1C4T2 Fl. 498 20 Terminados os trabalhoso e manifestações, retornem os autos para o E. CARF/MF dar andamento ao julgamento do Recurso Voluntário. Desta forma, voto para converter o julgamento em diligência nos termos dos fundamentos expostos acima neste tópico do meu voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 498DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15471.003313/2008-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC.
O artigo 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil.
IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. PNUD. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA.
Conforme decisão prolatada no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ confirmou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD.
Numero da decisão: 2002-000.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O artigo 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. PNUD. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA. Conforme decisão prolatada no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ confirmou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD.
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MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O artigo 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. PNUD. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA. Conforme decisão prolatada no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ confirmou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que “são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 33 13 /2 00 8- 14 Fl. 71DF CARF MF 2 Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 07 a 11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e do exterior. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 11.357,96, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 01 a 23 dos autos, que conforme decisão da DRJ: Inconformado(a) com a exigência, o(a) contribuinte apresentou impugnação em 25/09/2008, fls. 02, alegando, em síntese, que os rendimentos recebidos da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) estão isentos de tributação e foram equivocadamente lançados como omissão de rendimentos. A impugnação foi apreciada na 9ª Turma da DRJ/RJ1 que, por unanimidade, em 25/06/2012, no acórdão 1247.724, às efls. 29 a 37, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 25/04/2013 às efls. 24 a 59 no qual alega, em síntese, que não houve omissão de rendimentos, vez que declarouos como isentos, pois prestou serviços para a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) conforme contratos anexados. Menciona a Portaria PGFN nº 294/2010 e parecer PGFN/CDA nº 2025/2011. Às efls. 63 a 70 apresenta requerimento solicitando a celeridade no julgamento do processo vez que conexo com outros tantos que tratam da mesma matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Fl. 72DF CARF MF Processo nº 15471.003313/200814 Acórdão n.º 2002000.424 S2C0T2 Fl. 72 3 Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 18/09/2017, efls. 60, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 26/09/2016, efls. 64, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e do exterior, pois prestou serviços a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Alega em sua defesa, que tais rendimentos seriam isentos, pois, conforme contrato juntado de efls. 12 a 19, se enquadram na hipótese do Decreto 27.784/50. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), quando do julgamento do REsp. nº 1.306.393/DF (relator Ministro Mauro Campbell Marques) submetido ao regime de recurso repetitivo, proferiu a seguinte decisão TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional , e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08”. (STJ, 1ª Seção, REsp 1306393/DF, rel. Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 24/10/2012, DJe 07/11/2012) Fl. 73DF CARF MF 4 A Conselheira deste CARF, Luciana Matos Pereira Barbosa, relatora no acórdão 2401004.813 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 11/05/2017, destacou trecho importante do voto do Ministro relator: (...) No entanto, na assentada do dia 8 de junho de 2011, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, a Primeira Seção desta Corte, por maioria de quatro votos a três, firmou o entendimento no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Transcrevo trechos de relevo do voto do Min. Teori Zavascki, in verbis: (...) Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. (...) Desde a decisão do STJ este CARF vem decidindo a matéria, conforme excertos colacionados: IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ ratificou o entendimento firmado pela 1ª Seção, no REsp n.º 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que “são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD”. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, Fl. 74DF CARF MF Processo nº 15471.003313/200814 Acórdão n.º 2002000.424 S2C0T2 Fl. 73 5 mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. Recurso Provido”. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, relatora Conselheira Alice Grecchi, Acórdão nº 2102003.265, Sessão de 11 de fevereiro de 2015). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. ISENÇÃO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ ratificou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que “são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD”. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. Caso em que a hipótese dos autos (consultor independente) se subsume à situação tratada no recurso repetitivo. Recurso Voluntário Provido”. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, relator Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho, Acórdão nº 2102002.799, Sessão de 21 de janeiro de 2014) Feitos estes esclarecimentos, como a decisão do STJ se deu em sede de recurso repetitivo, aplicase o §2º do artigo 62 do RICARF, cuja redação é: Fl. 75DF CARF MF 6 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julg amento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Nestes termos, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 76DF CARF MF
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