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Numero do processo: 10580.728732/2009-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
RECURSO ESPECIAL. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Numero da decisão: 9202-008.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata-se de auto de infração (Debcad nº 37.256.970-6 – Fundamentação Legal 38) para cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 87 32 /2 00 9- 84 Fl. 281DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.169 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728732/2009-84 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. O relatório fiscal, na parte que nos interessa, assim resumiu a infração: 5.1 Foi solicitado através do Termo de Informação Fiscal - TIF 01 informação sobre a contabilização dos descontos concedidos em bolsa de estudo para empregados, uma vez que não foram encontrados lançamentos na conta específica e em resposta a empresa expôs, conforme Anexo IV – datado de 10/12/2009, que não registra em sua contabilidade os descontos que são concedidos nas mensalidades escolares dos filhos e/ou dependentes de seus empregados e que contabiliza como receitas apenas os valores que são efetivamente pagos pelos seus empregados pelo estudo de seus filhos/dependentes. Desta forma, concluímos, que ela deixa omisso em sua contabilidade valores de incidência de contribuições previdenciárias e não demonstrando de forma clara estas operações, ou seja: mensalidades, descontos e valores pagos. 5.2 Constam nas Guias de Recolhimentos de FGTS e Informações a Previdência Social - GFIP, campo ocorrência, diversos empregados com código 05 – Múltiplos Vínculos, conforme relacionadas na Planilha de Remuneração e Cálculo de Descontos de Segurados - ANEXO V, e não foram apresentadas a esta fiscalização todas declarações de acordo com a solicitação contida no Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, assim transcrito: ”-Para os empregados que tenha o benefício de bolsa para os filhos e com informação de múltiplos vínculos, código (05), no campo ocorrência da GFIP, apresentar comprovantes de pagamentos ou declaração do empregado referente a outras empresas, conforme art. 78 da IN SRP nr. 03/2005”. Assim sendo, a empresa não apresentou documentos solicitados relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Vale destacar a mesma auditoria fiscal deu origem aos seguintes autos de infração: AI n° 37.256.966-8 (Processo 10580.728727/2009-71) – relativo a contribuições previdenciárias cota patronal e SAT incidentes sobre remunerações pagas a título de bolsas de estudo AI n° 37.256.967-6 (Processo 10580.728729/2009-61) - relativo a contribuições previdenciárias dos segurados que prestaram serviços à empresa incidentes sobre remunerações pagas a título de bolsas de estudo; AI n° 37.256.968-4 (Processo 10580.728730/2009-95) - relativo a contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos incidentes sobre remunerações pagas a titulo de bolsas de estudo. AI n° 37.256.970-6 (CFL 38) (Processo 10580.728732/2009-84) pelos motivos: 1- não registrar em sua contabilidade os descontos que são concedidos nas mensalidades escolares dos filhos e/ou dependentes de seus empregados; 2 - por contabilizar como receitas apenas os valores efetivamente pagos pelos seus empregados pelo estudo de seus filhos/dependentes, desta forma, deixando omisso em sua contabilidade valores de incidência de contribuições previdenciárias, e; 3 - não apresentar declaração relativa a outros vínculos para os empregados que recebem bolsa de estudo e que constam na GFIP com ocorrência 05 – Múltiplos Vínculos. Fl. 282DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.169 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728732/2009-84 AI n° 37.256.969-2 (CFL 30) (Processo nº 10580.728731/2009-30): por ter deixado de incluir nas folhas de pagamento remunerações pagas a titulo de bolsa de estudo; AI n° 37.256.971-4 (CFL 59) (Processo nº 10580.728734/2009-73): por ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos empregadas relativas às bolsas de estudo. Após o trâmite processual, a 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, considerando o resultado do julgamento proferido no processo nº 10580.728731/2009-71 que concluiu pela manutenção da obrigação principal, negou provimento ao Recurso Voluntário para considerar devida a multa aplicada. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. BOLSA DE ESTUDO DE DEPENDENTE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO – Não incidem contribuições previdenciárias nas verbas pagas à título de bolsas de estudo, somente quando estas são destinadas aos empregados e dirigentes, não sendo extensivo tal benefícios aos dependentes destes. Recurso Voluntário Negado Intimado do acórdão e, posteriormente, do despacho que não conheceu dos Embargos de Declarações opostos, o Contribuinte apesentou recurso especial. Citando com paradigmas os acórdãos 2402-003.897 e 2403-002.505, defende o Recorrente que o legislador ordinário, quando editou a norma isentiva, visou atender o direito social à educação, e por isso, sobre as bolsas de estudos concedidas aos dependentes dos empregados também não incidiriam contribuições previdenciárias. Destaca que referidos valores não representam ganho econômico aos empregados e também não cumprem o requisito da habitualidade exigido pela norma. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora Do Conhecimento: Antes de apreciar o mérito do recurso, julgo pertinente tecer comentários acerca do seu conhecimento. Conforme consta do relatório, no presente caso, temos lançamento para exigência da multa prevista nos artigos 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91. Referida penalidade é exigida em razão da empresa autuada ter deixado de registrar em sua contabilidade os descontos que são Fl. 283DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.169 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728732/2009-84 concedidos nas mensalidades escolares dos filhos e/ou dependentes de seus empregados e ainda ter deixado de apresentar declarações que comprovassem os múltiplos vínculos dos segurados. Em sede de recurso especial defende o Contribuinte ser indevida a multa aplicada, afinal não incide contribuições previdenciárias sobre referidas bolsas haja vista a inexistência de ganho econômico para os empregados e ainda pela ausência da caracterização do critério da habitualidade. Embora em um primeiro momento seja possível vislumbrar uma divergência entre os acórdãos recorrido e aqueles citados pelo Contribuinte, situação que levaria ao conhecimento do recurso, ao analisar mais detidamente o argumento do Colegiado recorrido entendo que as decisões eleitas como paradigmas não trazem entendimentos divergentes acerca da multa aplicada. Segundo consta do acórdão recorrido o principal argumento para manutenção da multa foi o fato do Colegiado tem concluído pela manutenção da obrigação principal, obrigação essa julgada na mesma sessão do dia 21.06.2012 e referente ao processo nº 10580.728727/2009- 71. Pela relevância, transcreve-se parte do acórdão recorrido: O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. A presente autuação teve como motivação a entrega de folhas de pagamento sem constar à remuneração indireta concedida na forma de bolsas de estudo (ajuda escolar) a filhos de empregados. Em seu recurso a empresa insurge-se contra a autuação alegando a não incidência de contribuição previdenciária sobre os valores despendidos com bolsas de estudos fornecidas aos dependentes dos empregados. Tal tese foi objeto de análise no levantamento da obrigação principal nos autos do processo 10580.728727/2009-71, julgado nesta assentada onde fora mantido o levantamento nos seguintes termos: (...) E, após transcrever parte do voto proferido no processo nº 10580.728727/2009-71, concluiu o ilustre Relator: Logo, como a obrigação principal foi mantida, resta como procedente a autuação em apreço, em face do contido no art. 32, I da Lei 8.212/91 que assim dispõe: Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I – preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo órgão competente da Seguridade Social; Ante ao exposto voto no sentido de Conhecer do Recurso e no mérito negar-lhe provimento. Observamos, portanto, que a razão de decidir do acórdão recorrido, embora faça menção acerca da interpretação da abrangência do art. 28, §9º, alínea ‘t’ da Lei nº 8.212/91, tem Fl. 284DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.169 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10580.728732/2009-84 como fundamento a premissa de que uma vez mantido o lançamento da obrigação principal também deve ser mantido o lançamento da obrigação acessória correlata. A discussão sobre a tese da incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre as valores correspondes às bolsas de estudos ofertadas pela empresa é discussão afeta apenas aos processos onde se exige a obrigação principal. Neste cenário, entendo que o paradigma apto a comprovar a divergência no presente caso seria acórdão onde se concluísse pelo cancelamento da obrigação acessória independentemente do resultado da obrigação principal, fato não ocorrido nos dois acórdãos trazidos como paradigmas – esses não tratam de obrigações acessórias, tendo a discussão se limitado a enfrentar a tese relativa a exigência da obrigação principal. Considerando que não há como afirmar que os colegiados paradigmáticos ao analisarem uma mesma situação fática – exigência de multa por descumprimento de dever instrumental haja vista manutenção da respectiva obrigação principal – poderiam concluir pela improcedência do lançamento da obrigação acessória, entendo que não foram cumpridos os requisitos formais exigidos pelo RICARF. Diante do exposto, deixo de conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901154/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para a unidade de origem: 1º) solicite ao Recorrente a apresentação de memória de cálculo, acompanhada da documentação contábil-fiscal comprobatória, inclusive da escrita fiscal, se for o caso, demonstrando a apuração do crédito presumido da agroindústria em relação às aquisições junto a pessoas físicas e cooperativas, incluindo as aquisições de ovos e cebola in natura sujeitas a alíquota zero, dados esses que deverão ser objeto de auditoria com vistas a se comprovar a efetiva existência do direito creditório pleiteado em relação a esses itens; 2º) audite planilhas apresentadas pelo Recorrente relativas às aquisições ocorridas no mês de abril de 2006, tendo em vista sua alegação de que teria havido equívoco na informação anteriormente fornecida à Fiscalização relativamente aos valores devidos no mês, inclusive, se for o caso, com novas intimações para o contribuinte prestar esclarecimentos e/ou fornecer provas do direito alegado (OBS: consta de nota do processo que o processo nº 13983.720376/2012-10 possui documento em CD/DVD e a Fiscalização informa no despacho decisório que se organizou o dossiê físico nº 10925.000186/2012-71 para a guarda das mídias digitais que contêm a documentação apresentada pelo contribuinte; contudo, não se consegue acessar nenhum desses processos no E-processo para as verificações devidas); 3º) solicite ao Recorrente a apresentação de memória de cálculo, acompanhada da documentação contábil-fiscal comprobatória, inclusive da escrita fiscal, se for o caso, demonstrando a apuração dos encargos de depreciação decorrentes da ativação de aquisições de bens e serviços utilizados na construção ou reforma de bens do ativo imobilizado, dados esses que deverão ser objeto de auditoria com vistas a se comprovar a efetiva existência do direito creditório pleiteado em relação a esses itens; 4º) solicite ao Recorrente a comprovação de que os bens identificados como "óleo, graxa e gasolina" (e outros similares) foram aplicados em máquinas e equipamentos utilizados no seu processo produtivo; 5º) audite planilha apresentada pelo Recorrente relativa aos insumos importados que, segundo ele, foram considerados como "inflados" na ação fiscal, tendo-se em conta a afirmação de que tais insumos haviam sido devidamente calculados, em valores superiores aos informados, cujo excesso de créditos deveria ser aproveitado nos meses subsequentes; 6º) na oportunidade, tendo-se em conta o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que evidencia o atual entendimento da Receita Federal quanto ao conceito de insumos na não cumulatividade das contribuições, proceda à reanálise do enquadramento como insumos dos bens e serviços adquiridos que haviam sido glosados, precipuamente quanto à sua essencialidade e relevância no processo produtivo, considerando o Parecer técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e o Laudo acerca do processo produtivo apresentados.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Luís Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, substituído pelo conselheiro Luís Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para a unidade de origem: 1º) solicite ao Recorrente a apresentação de memória de cálculo, acompanhada da documentação contábil-fiscal comprobatória, inclusive da escrita fiscal, se for o caso, demonstrando a apuração do crédito presumido da agroindústria em relação às aquisições junto a pessoas físicas e cooperativas, incluindo as aquisições de ovos e cebola in natura sujeitas a alíquota zero, dados esses que deverão ser objeto de auditoria com vistas a se comprovar a efetiva existência do direito creditório pleiteado em relação a esses itens; 2º) audite planilhas apresentadas pelo Recorrente relativas às aquisições ocorridas no mês de abril de 2006, tendo em vista sua alegação de que teria havido equívoco na informação anteriormente fornecida à Fiscalização relativamente aos valores devidos no mês, inclusive, se for o caso, com novas intimações para o contribuinte prestar esclarecimentos e/ou fornecer provas do direito alegado (OBS: consta de nota do processo que o processo nº 13983.720376/2012-10 possui documento em CD/DVD e a Fiscalização informa no despacho decisório que se organizou o dossiê físico nº 10925.000186/2012-71 para a guarda das mídias digitais que contêm a documentação apresentada pelo contribuinte; contudo, não se consegue acessar nenhum desses processos no E-processo para as verificações devidas); 3º) solicite ao Recorrente a apresentação de memória de cálculo, acompanhada da documentação contábil-fiscal comprobatória, inclusive da escrita fiscal, se for o caso, demonstrando a apuração dos encargos de depreciação decorrentes da ativação de aquisições de bens e serviços utilizados na construção ou reforma de bens do ativo imobilizado, dados esses que deverão ser objeto de auditoria com vistas a se comprovar a efetiva existência do direito creditório pleiteado em relação a esses itens; 4º) solicite ao Recorrente a comprovação de que os bens identificados como "óleo, graxa e gasolina" (e outros similares) foram aplicados em máquinas e equipamentos utilizados no seu processo produtivo; 5º) audite planilha apresentada pelo Recorrente relativa aos insumos importados que, segundo ele, foram considerados como "inflados" na ação fiscal, tendo-se em conta a afirmação de que tais insumos haviam sido devidamente calculados, em valores superiores aos informados, cujo excesso de créditos deveria ser aproveitado nos meses subsequentes; 6º) na oportunidade, tendo-se em conta o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que evidencia o atual entendimento da Receita Federal quanto ao conceito de insumos na não cumulatividade das contribuições, proceda à reanálise do enquadramento como insumos dos bens e serviços adquiridos que haviam sido glosados, precipuamente quanto à sua essencialidade e relevância no processo produtivo, considerando o Parecer técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e o Laudo acerca do processo produtivo apresentados. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Luís Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, substituído pelo conselheiro Luís Felipe de Barros Reche.
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para a unidade de origem: 1º) solicite ao Recorrente a apresentação de memória de cálculo, acompanhada da documentação contábil-fiscal comprobatória, inclusive da escrita fiscal, se for o caso, demonstrando a apuração do crédito presumido da agroindústria em relação às aquisições junto a pessoas físicas e cooperativas, incluindo as aquisições de ovos e cebola in natura sujeitas a alíquota zero, dados esses que deverão ser objeto de auditoria com vistas a se comprovar a efetiva existência do direito creditório pleiteado em relação a esses itens; 2º) audite planilhas apresentadas pelo Recorrente relativas às aquisições ocorridas no mês de abril de 2006, tendo em vista sua alegação de que teria havido equívoco na informação anteriormente fornecida à Fiscalização relativamente aos valores devidos no mês, inclusive, se for o caso, com novas intimações para o contribuinte prestar esclarecimentos e/ou fornecer provas do direito alegado (OBS: consta de nota do processo que o processo nº 13983.720376/2012-10 possui documento em CD/DVD e a Fiscalização informa no despacho decisório que se organizou o dossiê físico nº 10925.000186/2012-71 para a guarda das mídias digitais que contêm a documentação apresentada pelo contribuinte; contudo, não se consegue acessar nenhum desses processos no E-processo para as verificações devidas); 3º) solicite ao Recorrente a apresentação de memória de cálculo, acompanhada da documentação contábil- fiscal comprobatória, inclusive da escrita fiscal, se for o caso, demonstrando a apuração dos encargos de depreciação decorrentes da ativação de aquisições de bens e serviços utilizados na construção ou reforma de bens do ativo imobilizado, dados esses que deverão ser objeto de auditoria com vistas a se comprovar a efetiva existência do direito creditório pleiteado em relação a esses itens; 4º) solicite ao Recorrente a comprovação de que os bens identificados como "óleo, graxa e gasolina" (e outros similares) foram aplicados em máquinas e equipamentos utilizados no seu processo produtivo; 5º) audite planilha apresentada pelo Recorrente relativa aos insumos importados que, segundo ele, foram considerados como "inflados" na ação fiscal, tendo- se em conta a afirmação de que tais insumos haviam sido devidamente calculados, em valores superiores aos informados, cujo excesso de créditos deveria ser aproveitado nos meses subsequentes; 6º) na oportunidade, tendo-se em conta o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que evidencia o atual entendimento da Receita Federal quanto ao conceito de insumos na não cumulatividade das contribuições, proceda à reanálise do enquadramento como insumos dos bens e serviços adquiridos que haviam sido glosados, precipuamente quanto à sua essencialidade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .9 01 15 4/ 20 12 -9 4 Fl. 412DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.315 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901154/2012-94 e relevância no processo produtivo, considerando o Parecer técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e o Laudo acerca do processo produtivo apresentados. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Luís Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, substituído pelo conselheiro Luís Felipe de Barros Reche. Relatório Trata-se de Pedidos de Ressarcimento, cumulados com declaração de compensação, de créditos da Cofins não cumulativa relativos a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior que não puderam ser deduzidos na forma do inciso I do § 1° do art. 6° da Lei n° 10.833, de 2003. Para a guarda de mídias digitais (CDs) contendo a documentação apresentada pelo contribuinte, além das planilhas em que se encontram registradas as glosas efetuadas pela Fiscalização, a repartição de origem organizou o dossiê físico nº 10925.000186/2012-71, que passou a ser vinculado a este processo. A repartição de origem, após realizar verificações fiscais por amostragem (conferências físicas de notas fiscais, valores, fornecedores, descrição do produto, classificação CFOP e sua relação com o processo produtivo, livros fiscais e Dacon), bem como consultas aos seus sistemas informatizados, decidiu, por meio do Despacho Decisório nº 822, de 01/10/2012, não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar a compensação declarada, com fundamento na Lei nº 10.833/2003, bem como na IN SRF nº 404/2004, em razão das seguintes constatações: a) créditos apropriados indevidamente relativos a bens e serviços que não se enquadram no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003, tratando-se, em verdade, de despesas gerais necessárias às operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao PIS e à Cofins, não se enquadrando, portanto, ao conceito de insumos (inerência direta); b) créditos apropriados indevidamente relativos a insumos adquiridos com suspensão das contribuições sociais (soja em grãos, milho em grãos, boi castrado e boi castrado rastreado, frango vivo para corte, novilha, novilha rastreada, vaca, vaca rastreada, leitão para recria multiplicador, leitão recria, suíno vivo geral para abate, suíno vivo parceria); Fl. 413DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.315 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901154/2012-94 c) créditos apropriados indevidamente relativos a aquisições de insumos sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela tributação (cebola “in natura” da posição NBM 7, produtos químicos orgânicos intermediários de síntese classificados no capitulo 29 da NBM e relacionados no Anexo II do Decreto nº 6.426/2008 e nas posições 30.03, 30.02, 30.04, 38.08, leite em pó, integral e desnatado da posição NBM 4, queijo mozarela, queijo processado tipo gorgonzola, queijo processado tipo pizza, queijo “cream cheese”, queijo cremoso, queijo prato processado, requeijão e ricota fresca do capítulo 4 da NBM, além de ovos fértil, também do capítulo 4 da NBM); d) créditos apropriados indevidamente relativos a materiais que não se enquadram no conceito de insumos por falta de inerência direta (botas, avental, bateria, blusa, calças, camisas, graxa, óleo, lubrificantes, luvas, “pallets”, protetor, sapatos, detergente, toalha de banho, tinta, pincel, etc.); e) créditos apropriados indevidamente relativos a frete entre estabelecimentos da mesma empresa, de produto acabado ou de produto em elaboração, bem como entre parceiros agrícolas no transporte de ovos, ração e frango vivo (produção intermediária); f) falta de comprovação das aquisições de insumos no mês de abril de 2006; g) créditos apropriados indevidamente relativos a bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumos (Madeirit, agregado para piso de alta resistência P600-A, água, aparelho GPS, areia fina, areia média, argamassa, aspirador de pó, arroz pilão, assento para vaso sanitário branco, azulejo branco, balas, bateria, biscoito doce, biscoito salgado, bisteca bovina, bombom, boné com logomarca Sadia, bota descartável de plástico, botina, café, caixa d’água, caixa descarga, cal hidratado, cal virgem, calças, calcinha em malha grande, calcinha em malha média, calcinha em malha tamanho pequeno, calculadora de bolso, câmara de ar, camisa, camiseta, capacete fibra, carrinho de mão, cebola, célula carga, cerâmica, chapa de aço, chocolate, chuveiro elétrico, cimento comum e portland, conjunto de uniforme em TNT tamanho único, concreto, cortina cronômetro, detergente, enxada, espelho, escada, espelho, esponjas brite tradicional, espumadeira, faca, farinha, farinha de trigo, feijão carioca, ferro chato, ferro construção, fórmica, forro, gasolina, graxa, japona, kit dupont, lajota, lanterna, leite desnatado, lençol, lenços de papel, lona plástica, luminária, luva cirúrgica, madeira, chapa, madeira escora, madeira forma, madeira pinho, madeira tábua, mamadeira, medidor de ângulo, meia algodão creme longa, meia algodão curta, memoraria, micro concreto rápido, motor, óleo 10w30, organizador de documento, organizador plástico grande, ovo de galinha, ovos vermelhos, pallet em polietileno, pedra brita, pincel chato, placa de acrílico, pneu, prego, programador, projetor, pulverizador, queijo mozarela, relógio, relógio de parede, rolo de pintura, sagu, sal para churrasco, sal refinado, sandália, sapato, software, solvente tinner, sutiã, telefone sem fio, telha de barro, tesoura poda, tijolo furado, tinta óleo e acrílica, toalha, torneira, touca tecido, vergalhão, verniz, vidro, viga e pagamentos a empresas de engenharia, associação de criadores, exploração floresta, informática, sem a descrição dos serviços correspondentes, serviços ambientais, associação de criadores, contribuições à Apae, Associação de Suinocultores, serviços de engenharia (necessitam ser ativados), pagamentos a empresas de informática, desenvolvimento de pesquisa, limpeza e serviços gerais, etc.; h) glosa de créditos relativos a bens e serviços utilizados em reformas, ampliações ou modernização de instalações que exigem sua incorporação ao ativo fixo, excluídos do conceito de insumo direto (areia fina e média; argamassa, assento para vaso sanitário, azulejo Fl. 414DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.315 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901154/2012-94 branco, bacia sanitária, caixa de descarga, cal hidratado, cerâmica, chapa de alumínio e de ferro, cimento comum, concreto refratário, ferro chato, madeiras, tijolos e tinta, pedra brita, etc.); i) glosa de encargos de depreciação relativos a bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 01/05/2004; j) glosas relativas a valores identificados como insumos importados mas que não guardavam correspondência com essa rubrica (óleo de palmiste, acidificante ração, metionina, metilato de sódio etc.); k) reclassificação da apropriação genérica do percentual de 60% para apuração do crédito presumido da agroindústria, independentemente de se tratar de carnes frescas e congelados (percentual definido em lei de 60%) ou demais insumos (50% para soja e derivados e 30% para demais insumos), e glosa do creditamento integral como insumo, uma vez que tais créditos somente podem ser deduzidos, e não ressarcidos, na apuração da contribuição devida. Cientificado da decisão de origem, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma do despacho decisório, arguindo o seguinte: 1) inaplicabilidade à não cumulatividade das contribuições do conceito de insumos da legislação do IPI, pois, nos casos da espécie, tem-se direito a crédito relativamente a bens, serviços e encargos que se transformam em custos de produção ou em despesas operacionais, mormente quando tais dispêndios encontram-se intrinsecamente vinculados à obtenção das receitas tributáveis, nos termos dos §§ 7º e 8º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 – acepção ampla do conceito de insumos. 2) direito a crédito nas aquisições com suspensão, pois somente com o advento da IN RFB nº 977/2009 que a suspensão passou a ser obrigatória, ou que tais aquisições sejam incluídas no crédito presumido; 3) direito ao crédito presumido da agroindústria em relação a aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas, tendo sido corretamente aplicados os percentuais de 60%, 50% e 35%, pois eles se referem aos insumos adquiridos e não ao produto final, havendo, ainda, direito ao ressarcimento, conforme previsto no art. 36 da Lei nº 12.058/2009; 4) direito a crédito em relação à aquisição de uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização, produtos esses de uso obrigatório por determinação da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde; 5) direito à apropriação das aquisições de ovos e cebola in natura sujeitas a alíquota zero como crédito presumido da agroindústria e das demais aquisições por respeito ao princípio da não cumulatividade; 6) direito a crédito de produtos utilizados na movimentação de cargas e de embalagens para transporte (pallets); 7) direito a crédito em relação às despesas com frete na aquisição e na venda de mercadorias, inclusive nas transferências entre estabelecimentos; Fl. 415DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3201-002.315 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901154/2012-94 8) direito a crédito em relação aos bens adquiridos no mês de abril de 2006, pois ocorrera equívoco na identificação dos valores devidos no mês (apresenta planilha correta); 9) direito a crédito em relação aos demais insumos utilizados em construção e reformas com base nos encargos de depreciação; 10) direito a crédito em relação a óleo, graxa e gasolina aplicados em máquinas e equipamentos utilizados na produção; 11) direito a crédito com base nos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado independentemente das datas de aquisição, pois a limitação temporal imposta pelo art. 31, § 1º, da Lei nº 10.865/2004 foi considerada inconstitucional pelo TRF4, tendo o STF já reconhecido a repercussão geral da matéria; 12) em relação aos insumos importados, considerados como “inflados” pela Fiscalização, eles foram devidamente calculados, mas em valores superiores aos informados, cujo excesso de créditos deverá ser aproveitado nos meses subsequentes, não tendo havido a identificação de que itens foram glosados, configurando-se cerceamento do direito de defesa (nova planilha foi apresentada); 13) necessidade de realização de perícia diante da natureza do seu objeto social. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo o acórdão sido ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferi-las. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. Fl. 416DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3201-002.315 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901154/2012-94 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada pela com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÕES TRIBUTADAS. Somente geram créditos da Cofins passíveis de desconto da contribuição devida os valores das aquisições de bens ou serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. SERVIÇOS DE FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste permissivo legal para tomada de créditos da Cofins a partir de dispêndios com serviços de frete de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da empresa. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. VEDAÇÃO. É vedada, por expressa determinação legal, a apropriação, a partir de 01/08/2004, de créditos da Cofins calculados sobre os encargos de depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos até 30/04/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A DRJ declarou a definitividade das seguintes matérias não contestadas pelo contribuinte: a) linha 02 – a recorrente não contesta a glosa: das aquisição de bens tidos pela fiscalização como aquisições de bens que deveriam ser ativados (item 3.1.3.2 deste voto); Fl. 417DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3201-002.315 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901154/2012-94 b) das aquisições de insumos do mês de abril que foram glosadas por falta de comprovação (ver item 3.1.5 deste voto); c) linha 03 (Serviços utilizados como insumos) da ficha 16A do Dacon. Cientificado da decisão da DRJ em 09/06/2014 (e-fl. 253), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 03/07/2014 (e-fl. 255) e requereu o reconhecimento do direito a créditos a que faz jus e o deferimento de perícia técnica, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo destacados os apontamentos da DRJ relativos a erros de preenchimento do Dacon que, segundo o Recorrente, não poderiam contrariar os princípios da legalidade e da busca da verdade material. Contestou também o contribuinte a afirmativa da DRJ acerca da definitividade de algumas matérias consideradas não contestadas que, segundo ele, foram devidamente enfrentadas em sua Manifestação de Inconformidade. Junto ao recurso, o contribuinte trouxe aos autos Parecer técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) acerca da essencialidade de “serviços de frete e carreto, de abate e processamento, de inspeção sanitária, de carga e descarga (transbordo), de lavagem de uniformes, de transporte interno e de reforma de paletes e, ainda, dos insumos copolímero etileno octano (polietileno), SP Griller, diversos paletes e SP Big Bag” (e-fl. 302 e seguintes). Em julho de 2017, o contribuinte trouxe aos autos laudo técnico acerca do seu processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de Pedido de Restituição da Cofins apurada na sistemática não cumulativa, acompanhado de Declaração de Compensação, formulados com base na Lei nº 10.833, de 2003, em relação aos quais permanecem controvertidas as glosas relativas a determinados bens e serviços que, segundo o Recorrente, se aplicam no processo produtivo e se subsumem no conceito de insumo. Segundo o relatório supra, as glosas de créditos efetuadas pela Fiscalização não decorreram da falta de comprovação das aquisições efetuadas, mas do conceito de insumos por ela adotado ou da falta de previsão legal autorizativa do crédito, tendo sido realizadas conferências físicas de notas fiscais, averiguados valores, fornecedores, descrição do produto, classificação CFOP e sua relação com o processo produtivo, livros fiscais e o Dacon. Em relação à alegação da DRJ de que algumas matérias não haviam sido impugnadas expressamente pelo contribuinte, identificadas no relatório supra, há que se registrar, de pronto, que assiste razão ao Recorrente pois elas haviam sido sim contestadas pelo então Manifestante, ainda que parte delas genericamente. Fl. 418DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 3201-002.315 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901154/2012-94 Feitas essas considerações, registre-se que encontram-se controvertidas neste processo as matérias a seguir identificadas: a) conceito de insumos na não cumulatividade das contribuições; b) direito a crédito nas aquisições com suspensão; c) direito ao crédito presumido da agroindústria em relação a aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas e percentuais aplicáveis; d) direito a crédito em relação à aquisição de uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização, produtos esses de uso obrigatório por determinação da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde; e) direito à apropriação das aquisições de ovos e cebola in natura sujeitas a alíquota zero como crédito presumido da agroindústria e das demais aquisições por respeito ao princípio da não cumulatividade; f) direito a crédito de produtos utilizados na movimentação de cargas e de embalagens para transporte (pallets); g) direito a crédito em relação às despesas com frete na aquisição e na venda de mercadorias, inclusive nas transferências entre estabelecimentos; h) direito a crédito em relação aos bens adquiridos no mês de abril de 2006, pois, segundo o Recorrente, ocorrera equívoco na identificação dos valores devidos no mês (apresenta planilha); i) direito a crédito em relação aos demais insumos utilizados em construção e reformas com base nos encargos de depreciação; j) direito a crédito em relação a óleo, graxa e gasolina aplicados em máquinas e equipamentos utilizados na produção; k) direito a crédito com base nos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado independentemente das datas de aquisição, pois a limitação temporal imposta pelo art. 31, § 1º, da Lei nº 10.865/2004 foi considerada inconstitucional pelo TRF4, tendo o STF já reconhecido a repercussão geral da matéria; l) em relação aos insumos importados, considerados como “inflados” pela Fiscalização, o Recorrente alega que eles foram devidamente calculados, mas em valores superiores aos informados, cujo excesso de créditos deveria ser aproveitado nos meses subsequentes, não tendo havido a identificação de que itens foram glosados, configurando-se cerceamento do direito de defesa (nova planilha foi apresentada); m) necessidade de realização de perícia diante da natureza do seu objeto social. Considerando o rol dos itens acima identificados, é possível concluir que, em relação a parte deles, as matérias já se encontram aptas para o julgamento, havendo, contudo, algumas em relação as quais não há nos autos elementos suficientes à sua apreciação (itens c, e, Fl. 419DF CARF MF Fl. 9 da Resolução n.º 3201-002.315 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901154/2012-94 h, i, j e l), situação a demandar a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para se apurar, esclarecer e tomar as seguintes providências: 1º) solicitar ao Recorrente a apresentação de memória de cálculo, acompanhada da documentação contábil-fiscal comprobatória, inclusive da escrita fiscal, se for o caso, demonstrando a apuração do crédito presumido da agroindústria em relação às aquisições junto a pessoas físicas e cooperativas, incluindo as aquisições de ovos e cebola in natura sujeitas a alíquota zero, dados esses que deverão ser objeto de auditoria com vistas a se comprovar a efetiva existência do direito creditório pleiteado em relação a esses itens; 2º) auditar planilhas apresentadas pelo Recorrente relativas às aquisições ocorridas no mês de abril de 2006, tendo em vista sua alegação de que teria havido equívoco na informação anteriormente fornecida à Fiscalização relativamente aos valores devidos no mês, inclusive, se for o caso, com novas intimações para o contribuinte prestar esclarecimentos e/ou fornecer provas do direito alegado (OBS: consta de nota do processo que o processo nº 13983.720376/2012-10 possui documento em CD/DVD e a Fiscalização informa no despacho decisório que se organizou o dossiê físico nº 10925.000186/2012-71 para a guarda das mídias digitais que contêm a documentação apresentada pelo contribuinte; contudo, não se consegue acessar nenhum desses processos no E-processo para as verificações devidas); 3º) solicitar ao Recorrente a apresentação de memória de cálculo, acompanhada da documentação contábil-fiscal comprobatória, inclusive da escrita fiscal, se for o caso, demonstrando a apuração dos encargos de depreciação decorrentes da ativação de aquisições de bens e serviços utilizados na construção ou reforma de bens do ativo imobilizado, dados esses que deverão ser objeto de auditoria com vistas a se comprovar a efetiva existência do direito creditório pleiteado em relação a esses itens; 4º) solicitar ao Recorrente a comprovação de que os bens identificados como “óleo, graxa e gasolina” (e outros similares) foram aplicados em máquinas e equipamentos utilizados no seu processo produtivo; 5º) auditar planilha apresentada pelo Recorrente relativa aos insumos importados que, segundo ele, foram considerados como “inflados” na ação fiscal, tendo-se em conta a afirmação de que tais insumos haviam sido devidamente calculados, em valores superiores aos informados, cujo excesso de créditos deveria ser aproveitado nos meses subsequentes; 6º) na oportunidade, tendo-se em conta o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que evidencia o atual entendimento da Receita Federal quanto ao conceito de insumos na não cumulatividade das contribuições, proceder à reanálise do enquadramento como insumos dos bens e serviços adquiridos que haviam sido glosados, precipuamente quanto à sua essencialidade e relevância no processo produtivo, considerando o Parecer técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e o Laudo acerca do processo produtivo apresentados. Ao final, deverá ser elaborado relatório fiscal conclusivo quanto à extensão do direito creditório reconhecido, ou não, cientificando-se o Recorrente quanto aos resultados apurados, sendo-lhe oportunizado o prazo de 30 dias para se pronunciar, após o quê os presentes autos deverão retornar a este colegiado para prosseguimento. É como voto. Fl. 420DF CARF MF Fl. 10 da Resolução n.º 3201-002.315 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.901154/2012-94 (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Fl. 421DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.721504/2017-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO PARCIAL.
O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A.
REVISÃO DE DECLARAÇÃO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Afasta-se a glosa de compensação do imposto de renda retido na fonte quando o contribuinte comprova que apresentou declaração retificadora corrigindo o valor declarado antes do início da ação fiscal.
Numero da decisão: 2301-006.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar a glosa de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 24.665,42 e a glosa da compensação indevida de imposto de renda retido na fonte de R$ 4.874,11.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO PARCIAL. O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A. REVISÃO DE DECLARAÇÃO. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Afasta-se a glosa de compensação do imposto de renda retido na fonte quando o contribuinte comprova que apresentou declaração retificadora corrigindo o valor declarado antes do início da ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar a glosa de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 24.665,42 e a glosa da compensação indevida de imposto de renda retido na fonte de R$ 4.874,11. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 15 04 /2 01 7- 43 Fl. 138DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.409 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.721504/2017-43 convocado) e João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado. Relatório Autuação Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física (notificação de lançamento e-fls. 11 a 18), referente ao ano-calendário 2016. Em revisão da declaração de Ajuste Anual do contribuinte identificado em epígrafe foi procedida a glosa de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 49.025,62, de despesas médicas R$ 1.995,62 e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor R$ 4.874,11. Impugnação Por bem descreverem as alegações da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância, o qual transcrevo a seguir: Da Impugnação A Notificação de Lançamento foi lavrada em 30/01/2017 e a ciência em 13/02/2017. A contribuinte ingressou com impugnação em 06/03/2017, alegando em síntese: DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E/OU POR ESCRITURA PÚBLICA O valor de Infração é de R$ 49.025,62 e o contribuinte não concorda com este valor. O valor contestado refere-se a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, em decorrência de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, no caso de divórcio consensual. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS O valor da infração é de R$ 1.995,62 e o contribuinte não concorda com essa glosa. O valor refere-se as despesas medicas pagas em benefício de alimentando, glosadas (não aceitas) por falta de apresentação de sentença Judicial, de acordo homologado Judicialmente ou de escritura pública com previsão para pagamento de tais despesas. Apresenta tal documento para fins de comprovação. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Valor da infração é de R$ 4874,11. O contribuinte não concorda com essa infração. Refere-se ao imposto de renda retido na fonte informado no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora e os rendimentos correspondentes foram devidamente oferecido a tributação na declaração de ajuste anual. Fl. 139DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.409 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.721504/2017-43 Acórdão de Primeira Instância Os membros da 11 a Turma da DRJ-SPO, por unanimidade de votos, julgaram a impugnação parcialmente procedente, na forma do relatório e voto (e-fls. 93 a 101) conforme transcrição de ementa seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA. Deve-se comprovar às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Não havendo nos autos elemento de prova demonstrando que de fato ocorreu a retenção do imposto de renda na fonte para o ano-calendário correspondente, não há como ser considerado o imposto de renda na fonte pleiteado na declaração de ajuste anual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão de primeira instância restabeleceu a dedução de despesas médicas no valor de R$ 1.995,62 e de pensão alimentícia no montante de R$ 3.032,69. Recurso Voluntário Cientificado dessa decisão em 24/09/2018 (e-fl. 106), o contribuinte interpôs em 09/10/2018 recurso voluntário (e-fls.125 a 131), no qual alega: - que anexa ao recurso as três decisões judiciais existentes (e-fls 23 a 28 e 113 a 116) para provimento de pensões alimentícias; - que desde dezembro de 2013 recolhe pensão alimentícia para a filha menor, Giulia Linhares ltturriet Ferreira, conforme decisão judicial (e-fl. 113 e 114); - que a decisão judicial (e-fl. 116) fixou pensão alimentícia a Raquel Moreira Linhares, sua ex-esposa, a partir de julho de 2014; - que pela decisão de 09/01/2014(e-fl. 113 e 114) já recolhia 20% dos seus rendimentos para a filha Giulia Linhares Itturriet Ferreira; - que os valores destinados à Giulia eram creditados em nome da responsável - Raquel Moreira Linhares, não sendo cabível o argumento de que poderia deduzir somente 10% de sua renda líquida em favor de Raquel; - que de janeiro a dezembro de 2014 foram retirados 20% dos seus proventos líquidos, e, que, a partir de julho de 2014 a retenção na fonte pagadora alcançou o percentual de 30%; Fl. 140DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.409 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.721504/2017-43 - que enquanto aguardava a sentença de janeiro de 2014 produzir seus efeitos sobre os contra-cheques, fez créditos bancários na conta da representante legal da alimentanda Giulia no montante de R$ 13.553,92, anexa comprovantes bancários (e-fls. 49 a 51) e recibo (e- fls. 122 a 124) ; - que anexa recibo de pagamento da pensão de Raquel de Carvalho Ferreira no valor de R$ 40.800,00 (e-fl. 117 e declaração de imposto de renda (e-fl. 42 a 48); - que no tocante à compensação indevida do IRRF a inconsistência foi corrigida tempestivamente pela declaração retificadora enviada em 17/05/2015 (e-fls. 29 a 41). É o relatório. Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes, Relatora. Conhecimento O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no recurso voluntário. Mérito O litígio recai sobre a glosa de dedução de pensão alimentícia e compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Dedução de Pensão Alimentícia A dedução da pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda está prevista no artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR – Decreto 3.000/99) e no artigo 4º da Lei nº 9.250/1995: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). (...) Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) Fl. 141DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.409 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.721504/2017-43 II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124ª da Lei n o 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, a dedutibilidade do valor pago a título de pensão alimentícia está subordinada à comprovação: 1) da obrigação decorrente de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124ª da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil) 2) dos pagamentos efetuados. Quanto à primeira comprovação, traz o contribuinte três decisões judiciais para provimento de pensões alimentícias à Raquel Carvalho Ferreira, Raquel Moreira Linhares e Giulia Linhares ltturriet Ferreira (e-fls 23 a 28 e 113 a 116). No tocante à comprovação do pagamento, apresenta o recorrente: - comprovantes de rendimentos onde constam os descontos efetuados a título de pensão alimentícia (e-fls. 118 a 121); - declaração de Imposto de Renda (e-fl. 42 a 48) e recibo de pagamento em nome de Raquel de Carvalho Ferreira no valor de R$ 40.800,00 (e-fl. 117); - comprovantes bancários (e-fls. 49 a 51) e recibos de pagamento de pensão à Giulia Linhares ltturriet Ferreira (e-fls. 122 a 124) nos meses de janeiro a março de 2014. A decisão de primeira instância restabeleceu a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 3.032,69, e manteve a glosa de 45.995,93. Pela análise da documentação apresentada, restaram comprovados os seguintes pagamentos de pensão alimentícia, conforme planilha a seguir: PAGAMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA COMPROVADOS VALOR DOCUMENTO COMPROBATÓRIO DO PAGAMENTO 39.713,54 TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO E-FL. 118 10.556,77 MINISTÉRIO DA SAÚDE E- FL. 119 7.113,30 EMPRESA DE TRANSPORTES FLORES LTDA E-FL. 121 40.800,00 DECLARACAO E-FL. 117 E IRPF E-FLS. 42-48 98.183,61 TOTAL DE PAGAMENTOS COMPROVADOS Cabe destacar que os comprovantes bancários (e-fls. 49 a 51) não encontram-se legíveis, e, conforme anotações feitas a mão, alguns pagamentos se referem a conserto de carro, flores e ajuda para festa, despesas que não possuem natureza alimentícia e não foram estipulados na decisão judicial. Ademais, no cálculo apresentado na planilha do recurso voluntário (e-fl. 131), foram acrescidos aos valores de pensão retidos nos contracheques as despesas com saúde das alimentandas. Contudo essas despesas já foram declaradas no imposto de renda como pagamentos a planos de saúde, portanto, se somadas, haveria dupla dedução. Fl. 142DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.409 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.721504/2017-43 Ante ao exposto, voto por restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 24.665,42 e manter a glosa de 21.327,51. 119.511,12 VALOR DECLARADO DEDUÇÃO PENSÃO IRPF 98.183,61 TOTAL DE PAGAMENTOS COMPROVADOS 21.327,51 VALOR MANTIDO APÓS RECURSO VOLUNTÁRIO 49.025,62 VALOR GLOSADO NA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO 3.032,69 VALOR RECONHECIDO PELA DECISÃO DE PISO 24.665,42 VALOR RESTABELECIDO APÓS RECURSO VOLUNTÁRIO Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte A autoridade fiscal apurou divergência de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 4.874,11, ao realizar o cotejo entre a DIRF e a declaração de imposto de renda do recorrente. Conforme descrição dos fatos, consta da DIRF do Tribunal de Justica do Estado do Rio De Janeiro CNPJ/CPF: 28.538.734/0001-48 um IRRF de R$ 60.213,28 e foi declarado o valor de R$ 65.087,39 na DIRPF. O recorrente alega que entregou, tempestivamente, declaração retificadora em 17/05/2015, recibo nº 00.17.21.20.07-11, alterando o imposto retido para o valor de R$ 60.213,28, e, que, portanto, não seria pertinente o lançamento. Compulsando os autos, verifico que assiste razão ao recorrente, pois, consta às e- fls. 29 a 41, declaração retificadora transmitida em 17/05/2015, recibo nº 00.17.21.20.07-11, onde consta o imposto retido pela fonte pagadora Tribunal de Justica do Estado do Rio De Janeiro CNPJ/CPF: 28.538.734/0001-48 o valor de R$ 60.213,28. Voto por cancelar a glosa de R$ 4.874,11. Fl. 143DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.409 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.721504/2017-43 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, e, no mérito dar-lhe provimento parcial para cancelar a glosa de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 24.665,42 e a glosa da compensação indevida de imposto de renda retido na fonte de R$ 4.874,11. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 144DF CARF MF
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Numero do processo: 13907.000277/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002
VEÍCULOS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PROGRESSIVA OU POR ANTECIPAÇÃO.
A substituição tributária progressiva, também conhecida por substituição tributária "por antecipação", ou, em linguagem mais coloquial, substituição tributária "para frente", consiste no regime de tributação caracterizado pela eleição, por lei, de um substituto tributário, o qual será responsável pelo pagamento, além do imposto pelo qual se reveste na condição de contribuinte de jure original, também pelo imposto dos contribuintes ("substituídos") que se encontram na continuação da cadeia econômica, isto é, em relação aos fatos geradores que, no dizer da CF/88, art. 150, § 7º, devam ocorrer posteriormente.
A base de cálculo da Cofins, para efeito do regime de fabricante ou importador, considerado este o prego do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente na operação.
INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 54, DE 19/05/2000. LEGALIDADE.
A IN SRF nº 54/2000 apenas esclareceu situação fática já existente no mundo jurídico, não criando inovação nem mesmo sendo maculada de ilegalidade, a teor do REsp nº 661.526/SC
Numero da decisão: 3301-006.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PROGRESSIVA OU POR ANTECIPAÇÃO. A substituição tributária progressiva, também conhecida por substituição tributária "por antecipação", ou, em linguagem mais coloquial, substituição tributária "para frente", consiste no regime de tributação caracterizado pela eleição, por lei, de um substituto tributário, o qual será responsável pelo pagamento, além do imposto pelo qual se reveste na condição de contribuinte de jure original, também pelo imposto dos contribuintes ("substituídos") que se encontram na continuação da cadeia econômica, isto é, em relação aos fatos geradores que, no dizer da CF/88, art. 150, § 7º, devam ocorrer posteriormente. A base de cálculo da Cofins, para efeito do regime de fabricante ou importador, considerado este o prego do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente na operação. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 54, DE 19/05/2000. LEGALIDADE. A IN SRF nº 54/2000 apenas esclareceu situação fática já existente no mundo jurídico, não criando inovação nem mesmo sendo maculada de ilegalidade, a teor do REsp nº 661.526/SC Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 7. 00 02 77 /2 00 4- 11 Fl. 58DF CARF MF 2 Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratam estes autos de pedido de restituição de valores considerados pagos a maior, a título de Contribuição ao PIS/PASEP e á COFINS, sob a alegação de que a Instrução Normativa SRF nº 54, de 19/05/2000, incluiu indevidamente na base de cálculo destas contribuições o valor do IPI, por força do instituído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2000. 2. A DRF/LONDRINA, fundamentada em Parecer emitido pela sua Seção de orientação e Análise Tributária – SEORT, exarou Despacho Decisório indeferindo o pedido. 3. A requerente, cientificada do Despacho Decisório, apresentou manifestação de inconformidade, que foi encaminhada a DRJ/CURITIBA para análise. 4. Adoto e reproduzo o relatório que compõe o Acórdão nº 0618.459 – 3ª Turma da DRJ/CTA, por bem descrever os fatos : Trata o processo de Pedido de Restituição de PIS e Cofins (fl. 01), nos valores respectivos de R$ 12.252,43 e R$ 56.547,34 (fls. 02/11), protocolizado em 19/11/2004, relativamente à inclusão do IPI na base de cálculo das respectivas contribuições, nos períodos de 06/2000 a 10/2002, nos termos do § 1° art. 3° da Instrução Normativa SRF n° 54, de 19/05/2000. Em 07/03/2008, após análise, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Londrina/PR, conforme Despacho Decisório n° 156/2008 (fls. 28/31), nos termos da IN SRF n° 54/2000, com as alterações da IN SRF no 247/2002. Inconformada com a decisão proferida, a interessada, por intermédio de seu representante legal, interpôs, em 02/04/2008, a tempestiva manifestação de inconformidade, fls. 33/37, alegando que a autoridade recorrida não justificou de forma clara e inequívoca as razões de seu indeferimento. Argumenta que, desde a sua criação, com o advento da Lei Complementar n° 70/91, não se admite a inclusão do IPI em sua base de cálculo, conduzindo a premissa fática da existência de créditos por conta de valores recolhidos a maior, em decorrência da inadequada e Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13907.000277/200411 Acórdão n.º 3301006.834 S3C3T1 Fl. 59 3 impertinente inclusão do IPI na base de cálculo das contribuições. Ressalta que as contribuições do PIS e Cofins tinham sua normatização nas Leis nº 9.715 e 9.718, de 1998, passando a base de cálculo das contribuições ser considerada como a totalidade das efetivas receitas brutas auferidas, excluindo o IPI. Com o advento da Medida Provisória n° 199118, de 2000, reeditada sob n° 2.15835, de 2000, salienta que restou modificada a forma de exigência das contribuições, incumbindo o fabricante/montadora, na condição de fornecedor, cobrar do contribuinte, que no caso é sua rede autorizada, para posterior recolhimentos aos cofres da Unido, calculados sobre o prego de compra dos concessionários. Contudo, a Receita Federal com a edição da IN SRF no 54/2000 onerou de forma ilegal e abusiva a cobrança dessa contribuição, ao incluir na base de cálculo do PIS e da Cofins o valor do IPI, ferindo flagrantemente o principio da legalidade. Por fim, aduz ser genuína e legitima a pretensão de ver restituído esses valores recolhidos a maior, pois o contribuinte, como concessionário que é, quando adquire veículos da montadora/fabricante, o faz mediante seu faturamento e como o ciclo de tal tributo se encerra nesta operação, o concessionário acaba sendo o efetivo contribuinte do IPI (sic), até porque já vem embutido no prego da mercadoria, muito embora não seja ele o consumidor final. É o relatório. 10. A DRJ/CURITIBA que assim ementou o Acórdão : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 VEÍCULOS. SUBSTITUIÇÃO. BASE DE CALCULO. A base de cálculo da Cofins, para efeito do regime de substituição tributária, é o prego de venda do fabricante ou importador, considerado este o prego do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente na operação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 VEÍCULOS. SUBSTITUIÇÃO. BASE DE CALCULO. A base de cálculo do PIS, para efeito do regime de substituição tributária, é o prego de venda do fabricante ou importador, considerado este o prego do produto acrescido do valor do Fl. 60DF CARF MF 4 Imposto sobre Produtos Industrializados incidente na operação. Solicitação Indeferida 11. Irresignado, o requerente apresentou recurso voluntário, dirigido a este CARF, onde alega : I – OS FATOS 1. Pela via administrativa, o Recorrente requereu junto a CAC da SRF na cidade de Londrina, PR, "Pedido de Restituição" de valores atinentes as contribuições do PIS e da COFINS, pagos a maior, em decorrência da ilegal e indevida inclusão do I.P.I. na base de cálculo de tais contribuições, inclusão esta instituída indevidamente através do parágrafo 10 , do artigo 3' da Instrução Normativa de n° 54 de 19/05/2000. 3. Não obstante a patente legalidade do requerimento interposto pelo Recorrente, tudo com pleno respaldo nas legislações acima, sua pretensão restou vencida nos termos do Relatório constante do já citado Acórdão da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de CuritibaPR, sob o fundamento de que, no regime de substituição tributaria, os contribuintes substituidos não podem excluir da base de calculo a parcela do IPI que foi retida e recolhida pelo substituto. Ademais, não há na legislação para o caso em tela, a hipótese de exclusão do IPI da base de cálculo do PIS e da COFINS. E mais, a INSRF n° 54 de 2000, lido alterou a legislação, mas simplesmente deixou expresso algo que já estava subentendido no texto da medida provisória, não havendo que se falar em ofensa ao principio da legalidade. Decisão essa, sobre a qual se insurge através do presente Recurso Voluntário. II – DO DIREITO 1. Preliminarmente, cumpre registrar que o Recorrente em momento algum pleiteou ao longo desse árduo caminho retratado no seu Pedido de Restituição, a inconstitucionalidade de qualquer diploma advindo de lei. 2. AO contrario, o que se pretende efetivamente, é exatamente o cumprimento de toda sorte de legislação sobre o tema, conforme já consignado no item 1.2. acima. 3. É certo que o parágrafo l', do artigo 3° da Instrução Normativa de n' 54 de 19/05/2000, encontrase eivado de inconstitucionalidade, porem, igualmente é sabido que essa norma jurídica não atinge os particulares, a exemplo do Recorrente, razão pela qual, o que se pretende, é exatamente o cumprimento da legislação a que o contribuinte se sujeita. Nesse particular, a devolução dos valores atinentes as contribuições do PIS e da COFINS, pagos a maior, em decorrência da ilegal e indevida inclusão do I.P.I. na base de cálculo de tais contribuigeies, é medida que se impõe, uma vez que, os efeitos de mera Instrução Normativa não atinge particulares. II.2 – MÉRITO 1. De rigor o cerne da questão, está na adequada e acurada interpretação do amplo espectro de normas e dispositivos legais reguladores do PIS e da COFINS, fartamente citado pelo Recorrente, os quais, desde sua criação, ou seja, cam o advento da Lei Complementar 70/91, não admitem a inclusão do IPI em sua base de cálculo, conduzindo indubitavelmente a premissa tática irretorquivel de existir em favor da manifestante, crédito por conta Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13907.000277/200411 Acórdão n.º 3301006.834 S3C3T1 Fl. 60 5 de valores recolhidos á maior, em decorrência da inadequada e impertinente inclusão do na base de cálculo de tais contribviçOes no período compreendido entre 11 de junho de 90,N, a 31 de outubro de 20, (32, conform ventilado por ocasião do Demonstrativo de COloula, acostado ao "Pedido de Restituição", e isto porque: Consoante já consignado, as contribuições do PIS e da COFINS, tinham sua normatização nas Leis 9.715/98 e 9.178/98, diplomas legais estes os quais introduziram alterações quanto a suas respectivas bases de calculo e aliquotas, passando desde então, a base de cálculo, a ser considerada pare a incidência de tais tributos, como a totalidade das efetivas receitas brutas auferidas, excluindo por evidente, o que não representa receita a exemplo do I.P.I.. É. o que se depreende dos enunciados constantes do parágrafo único do artigo 3° da Lei n°9.715, bem como do parágrafo segundo do artigo 3' da Lei 9.718/98. 3. Com o advento da Medida Provisória de n° 199118 de 09/06/2000, posteriormente reeditada sob o n° 215835 de 24/08/2000, restou modificada a forma de exigência do PIS e da COFINS, através do enunciado constante do parágrafo único de seu artigo 43, de onde se extrai a premissa de incumbir ao Fabricante/Montadora na condição de fornecedor do produto, cobrar do contribuinte, que no caso sua rede autorizada, para posterior recolhimento aos cofres da Receita Federal, em procedimento conhecido como "Substituto Tributário". Assim, tanto o PIS como a COFINS, passaram a ser previamente calculados sobre o prego de compra dos concessionários, conforme determinação expressa aludida ein shteditf3 arti(3 de lei. Contudo, o recolhimento das contribuições em comento, sofreu significativa mudança, com graves prejuízos ao bolso do Recorrente, quando a Receita Federal editou a Instrução normativa de n' 54/2000, em especial no seu artigo 3 0 , parágrafo 1 0 , onerando de forma ilegal e abusiva, a cobrança dessa contribuição pois incluiu na base de cálculo do PIS e da COFINS, o valor do I.P.I., distorcendo assim o conceito contábil e legal do prego de venda de um veiculo componente do faturamento, posto que, tal imposto já se mostra agregado ao custo do veiculo adquirido pela manifestante para futura comercialização. (…) 6. Uma Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal tem seu campo de ietr Ar3s limifes da admiaLF,tr_Ar não podendo atingir as contribuintes que, coma particulares que são, só fazem, ou deixam de fazer em virtude de lei. E nessa questão, é bom frisar que o próprio Governo Federal, por ocasio da edipão da Medida Provisória 215835, não akItizvo, a II ,aa base de cAlcuIc para efeito de recolhimento das contribuições em tela, não podendo assim, mera Instrução Normativa criar essa obrigação junto ao contribuinte vez que, não está legalmente vinculado a esta. 7. Mais não é só isso, para espancar de vez com qualquer dúvida que ainda exista a cerca da legitimidade/legalidade do pleito visando a restituição desse valor recolhido a maior, cumpre registrar que, com a edição da Lei n' 10.485/02, também conhecida como PIS e COFINS não cumulativa, em vigor desde 01 de novembro de 2002, o legislador, em seu artigo l' reconheceu o abuso daquela Instrução Normativa, voltando a excluir o IPI para efeito do recolhimento da base de calculo do PIS e da COFINS. II.3 – A LEGITIMIDADE DO CONTRIBUINTE Fl. 62DF CARF MF 6 1. Ademais a pretensão da Recorrente em ver restituído esses valores pecuniários recolhidos a maior por conta desta esdrúxula e ilegal inclusão do I.P.I., mostrase ainda mais genuína e legitima, dada a pacifica natureza indireta do tributo I.P.I., pois o contribuinte, como concessionário que 6, quando adquire veículos da Montadora/Fabricante, o faz mediante seu faturamento, o que equivale a dizer, haver uma nítida operação de compra e venda entre as partes. 2. Como o ciclo de tal tributo se encerra nesta operação, é evidente que o concessionário acaba sendo o efetivo contribuinte de fato do I.P.I., ate porque é ele quem acaba arcando com o valor de tal tributo, que já vem embutido no prego da mercadoria, muito embora não seja ele o consumidor final. IV – CONCLUSÃO IV — A CONCLUSÃO Á vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do r. Acórdão 0618.459 da E. Terceira Turma da Delegacia Da Receita de Julgamento de CuritibaPR, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de ver autorizado seu Pedido de Restituição de valores a titulo de Pis e Cofins em face da indevida inclusão do IPI na base do calculo. 12. Os autos foram então a mim distribuídos. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini 13. A questão central do recurso é a discussão da legitimidade da Instrução Normativa nº 54, de 19/05/2000, a qual a recorrente pretende seja declarada inválida. 14. Com o presente pedido de restituição a contribuinte buscou a recuperação de valores supostamente pagos a maior a título de PIS e de Cofins, sob o argumento de que a IN SRF n" 54/2000 alterou a base de cálculo dos tributos, o que fere o principio da legalidade e a hierarquia das leis. Muito embora a contribuinte tenha tentado dar outra denominação à sua pretensão, o fato é que tenciona que a administração ignore legislação vigente, à qual está vinculada. 14. O Ilustre Julgador da DRJ/CTA sintetizou muito bem a questão, ao comentar a substituição tributária em exame ; Cabe inicialmente destacar que não há nada contestável na decisão da DRF que indeferiu o seu pleito, uma vez que a justificativa do indeferimento, ao contrário do que afirma a interessada, é clara e inequívoca. Conforme citado pela autoridade administrativa de origem, tanto a IN SRF n° 54/2000, quanto a IN SRF n° 247/2002, é de total clareza acerca da composição do prego de venda, para o fabricante ou importador dos produtos relacionados no art. 44 da MP no 199116, de 2000, relativamente às vendas desses produtos, realizadas a partir de 11 de junho de 2000, que ficam obrigados a cobrar e recolher, na condição de contribuintes substitutos, Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13907.000277/200411 Acórdão n.º 3301006.834 S3C3T1 Fl. 61 7 considerando o prego do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI incidente na operação. Resta mencionar que essa sistemática de recolhimento vigorou até 31/10/2002, quando entrou em vigor a Lei n° 10.485, de 2002, que manteve a substituição tributária tão somente em relação aos veículos autopropulsados descritos nos códigos 8432.30 e 87.11 da TIPI. Ao analisar historicamente a legislação dessas contribuições, é preciso ter em mente que se está diante de duas situações distintas. A primeira diz respeito A contribuição devida na qualidade de contribuinte, situação em que a legislação sempre permitiu a exclusão do IPI na apuração da base de cálculo tanto do PIS quanto da Cofins. A segunda se refere contribuição devida pelo substituto, que comporia a base de cálculo não dele próprio, mas sim do substituído, e é exatamente o caso aqui tratado, que deve ser considerado o prego do produto acrescido do valor do IPI. Essa situação fica bastante clara ao verificar a legislação instituidora da substituição tributária, no caso de veículos, ou seja a Medida Provisória no 1.99115, de 2000: "Art. 44. As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores dos veículos classificados nas posições 8432, 8433, 8701, 8702, 8703, e 8711, e nas subposições 8704.2 e 8704.3, da TIPI, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelos comerciantes varejistas. Parágrafo único. Na hipótese de que trata este artigo, as contribuições serão calculadas sobre o prep de venda da pessoa jurídica fabricante." (destaques acrescidos). Pela leitura desse dispositivo, resta evidente que a base de cálculo do PIS e da Cofins devida pelas pessoas jurídicas fabricantes e importadores de veículos na condição de contribuintes substitutos é o prego de venda As concessionárias ou, como queira, o prego de compra das concessionárias, sendo certo que o IPI devido pelo fabricante ou importador compõe esse preço. 15. A substituição tributária progressiva, também conhecida por substituição tributária "por antecipação", ou, em linguagem mais coloquial, substituição tributária "para frente", consiste no regime de tributação caracterizado pela eleição, por lei, de um substituto tributário, o qual será responsável pelo pagamento, além do imposto pelo qual se reveste na condição de contribuinte de jure original, também pelo imposto dos contribuintes ("substituídos") que se encontram na continuação da cadeia econômica, isto é, em relação aos fatos geradores que, no dizer da CF/88, art. 150, § 7º, devam ocorrer posteriormente. 16. A Instrução Normativa SRF nº 54, de 19/05/2000, estava assim redigida : "Art. 1° A substituição tributária da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS de que trata o art. 44 da Medida Provisória n° 1.99116, Fl. 64DF CARF MF 8 de 11 de abril de 2000, obedecerá ao disposto na presente Instrução Normativa. Art. 20 Os fabricantes e os importadores dos produtos relacionados no art. 44 da Medida Provisória n° 199116, de 2000, relativamente as vendas desses produtos realizadas a partir de 11 de junho de 2000, ficam obrigados a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Ptiblico PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas desses produtos. Art. 3 0 Para efeito do disposto no artigo anterior, as contribuições serão calculadas com base no prego de venda do fabricante ou importador. § 1° Considerase preço de venda do fabricante ou importador o preço do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI incidente na operação." 17. Como se vê, o ato normativo não incluiu o IPI na base de cálculo das contribuições, apenas esclareceu que, as contribuições serão calculadas sobre o preço de venda e que considerase o preço de venda o preço do fabricante ou importador o preço do produto acrescido do valor do IPI. 18. O Superior Tribunal de Justiça analisou e pacificou tal questão, no REsp nº 665.126/SC, cuja relatoria coube ao Min. Luiz Fux, assim redigido : "TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FABRICANTES E IMPORTADORES DE VEÍCULOS (SUBSTITUTOS) E COMERCIANTES VAREJISTAS (SUBSTITUÍDOS). BASE DE CÁLCULO. VALORES DEVIDOS A TÍTULO DE IPI DESTACADOS NA NOTA FISCAL. INCLUSÃO NO CONCEITO DE "PREÇO DE VENDA" EX VI DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 54/2000. LEGALIDADE. LEI 9.718/98 (ARTIGO 3", § 2", I. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. I. A Instrução Normativa SRF n" 54/2000, revogado pela IN SRF n" 247, de 21.11.2002, dispunha sobre o recolhimento do contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas pelos fabricantes (limitadoras) e importadores de veículos, na condição de substitutos dos comerciantes varejistas (regime de substituição tributária instituído pela Medida Provisória n" 1.99115/2000, atual MP n" 2.15835/2001, editada antes da Emenda Constitucional n"32,). 2. A base de cálculo das aludidas contribuições, cujos contribuintes de fato são os comerciantes varejistas, é o preço de venda da pessoa jurídica fabricante ou do importador (artigo 44, parágrafo único, da MP 1.99115/2000, e artigo 3", capta, da IN S'RF 54/2000), sendo certo que o ato normativo impugnado Processo n" 10805.002008/200431 S2CITI Acórdão n.° 210100.011 Fl. 100 § 2" Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2 0, excluemse da receita bruta; 1 as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13907.000277/200411 Acórdão n.º 3301006.834 S3C3T1 Fl. 62 9 Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e hztennunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário;" 4.A base de cálculo da COFINS e do PIS restou analisada pelo Eg. STF que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.`5. 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, e n." 346.0846/PR, do Ministro limar Ga/vão, consolidou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § I", cio artigo 30, da Lei n." 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou 'aturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de niercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. 5. Na mesnza assentada, afastouse a argüição de inconstitucionalidade do artigo 80, da Lei n." 9.718/98, mantendose a 'rigidez das deduções da base de cálculo das contribuições em tela, delicadas em seu § 20, 6. Deveras, à luz do supracitado dispositivo legal, as "vendas canceladas", Os "descontos incondicionais", o "IPI" e o "ICMS" cobrado pelo vendedor do bem ou pelo prestador do serviço, na condição de substituto tributário, não integram a base de cálculo da COFINS e cia contribuição destinada ao PIS. 7.Entrementes, as informações prestadas pelo órgão local da Secretaria da Receita Federal, coerenteniente, elucidam z a quaestio iuris: "... o regime de substituição tributária envolve uma presunção cie fato gerador. O . fato gerador presumido diz respeito às contribuições devidas pela concessionária, não se confundindo, pois, com as contribuições do próprio fabricante, a que alude o art. 30, § 2", I, da Lei n°9.718/98, especialmente no que diz respeito à exclusão do IPL Este dispositivo trata da base de cálculo usual do PIS e da COFINS vinculada a fato gerador praticado pelo fabricante ou importador, na condição de contribuinte do IN. Exemplificando: o fabricante, contribuinte do IPI, tem de apurar o que ele . fabricante deve a titulo de PIS e COFINS. Para isso, ele fabricante deve determinar o valor do seu faturamento, que é a base de cálculo dessas contribuições. Ora, por certo que o IPI devido pelo . fabricante não poderia ser considerado para fins de determinação do .faturamento dele (o valor destacado em nota fiscal é repassado aos cofres públicos), donde a exclusão ).‘)7 Processo n° 10805.002008/200431 S2Cut Acórdão n.° 210100.011 Fl. 101 prevista pelo tal dispositivo da Lei 9.718/98 que, repito, é comando dirigido ao fabricante (contribuinte do (..) tanto é verdade que o IPI está incluído no preço de venda do fabricante que o legislador teve de expressamente excluílo, para fins de determinar o .fituraniento do fabricante, pois, de outra forma, estarseia a considerar o IPI destacado na nota fiscal pelo .fabricante como se fosse receita dele. Situação totalmente diversa Ó a apuração do "'aturamento do revendedor, que não é contribuinte do IPI (não há destaque na nota fiscal). Assim, esqueçamos, por ora, o regime de substituição tributária. Na Fl. 66DF CARF MF 10 situação acima proposta (sem substituição), o revendedor de automóveis não tem nem de pensar no IPI, que está embutido no custo da mercadoria e, ademais, será integralmente repassado ao consumidor final, Logo, quando se pergunta qual o .faturamento do revendedor (base de cálculo do que ele revendedor deve a título de PIS e COFINS), é obvio que a resposta somente poderá ser o preço de venda do veículo ao consumidor . final. Dizer, ou reclamar, que nesse preço está incluído o IPI é algo de tão esclarecedor quanto dizer que nele está incluído o custo do motor do carro e de todas as demais peças que o compõe. Ou seja, não é preciso dizer, É óbvio que todo o custo do produto, somado à margem de lucro do revendedor, integra o seu preço final, pago pelo consumidor. O que parece ocorrer é que existe uma enorme dificuldade, por parte das impetrantes, em perceber a diferença entre as situações, deveras díspares, do fabricante (contribuinte do IPI) e do revendedor (não contribuinte do IPI), para fins de determinar o fituramento (base de cálculo) de cada 11171 deles. Nesse sentido, considerando o disposto no art. 3", § I", I, da Lei 9.718/98, é importante, no caso em tela, ter em mente dois pontos básicos, a saber: 1. Os revendedores varejistas de veículos não são contribuintes de IPI, quer dizer, não destacam o valor do mesmo nas notas fiscais de venda; e 2. A exclusão do valor do IPI prevista no art. 3", § I", I, referese apenas a pessoas jurídicas que são contribuintes do IPI, posto que apenas pode ser excluído o valor do IPI quando destacado em separado 110 documento . fiscal." (fls. 71/73). 8. Destarte, a exclusão do IPI da base de cálculo do PIS e da COFIN,S. somente aproveita o contribuinte do aludido imposto (o .fabricante), quando da apuração de seu próprio .faturamento, a fim de efetuar o recolhimento das contribuições devidas pelo mesmo. 9.Consectariamente, a referida dedução, prevista no artigo 3"„' 2", I, da Lei 9.718/98, não se aplica aos comerciantes varejistas, ( 8 Processo rf 10805.002008/200431 S2C1T1 Acórdão n.° 210100.011 Fl. 102 não contribuintes rlo IPI, donde se dessume a legalidade da IN SRF 54/2000. (negrito não do original) 10. Recurso especial a que se nega provimento." 17. Portanto, com relação á discussão da constitucionalidade, aplicase a Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 18. Quanto á ilegalidade do dispositivo inserido na IN SRF nº 54, de 19/05/2000, adoto como razões de decidir o magistério exposto no REsp nº 665.126/SC. Conclusão 19. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13907.000277/200411 Acórdão n.º 3301006.834 S3C3T1 Fl. 63 11 É como voto Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 68DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.001228/2006-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Oct 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2002
DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO.
Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda esta sujeitas à comprovação ou justificação a juízo da autoridade administrativa.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
A simples apresentação de recibos por si só não autoriza a dedução de despesas médicas, mormente quando, intimado, o contribuinte não faz prova do efetivo pagamento e da prestação dos serviços
Numero da decisão: 2301-006.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda esta sujeitas à comprovação ou justificação a juízo da autoridade administrativa. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A simples apresentação de recibos por si só não autoriza a dedução de despesas médicas, mormente quando, intimado, o contribuinte não faz prova do efetivo pagamento e da prestação dos serviços Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 86/88) interposto em face do Acórdão nº 03-28.399 (e-fls 76/81) prolatado pela DRJ/BSA em sessão de julgamento realizada em 5 de dezembro de 2008. 2. Faz-se a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 12 28 /2 00 6- 96 Fl. 111DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.449 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10882.001228/2006-96 início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 03-28.399 Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração referente ao Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, exercício 2002, ano-calendário 2001, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário conforme demonstrativo abaixo: Demonstrativo do IRPF - Exercício 2002 (em R$) Imposto 1.375,00 Multa de Ofício (75%) 1.031,25 Juros de Mora (calculados até o lançamento) 1.009,66 Total do crédito tributário apurado 3.415,91 A autuação decorreu da constatação De dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 5.000,00. No termo de verificação fiscal 1 integrante do lançamento a autoridade fiscal informa que solicitou ao contribuinte a apresentação de documentação hábil e idônea comprobatória dos recibos emitidos por Adriana Paula Sartori Fusano e Paulo Eduardo Sartori, tais como comprovantes da efetiva prestação do serviço e/ou comprovantes do efetivo pagamento da despesa. Cientificado do termo, o contribuinte informou à fiscalização que não possuía qualquer documentação que comprovasse o efetivo pagamento. Como não apresentou nenhum outro documento, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento em questão. Os enquadramentos legais encontram-se às fls. 37 e 38 dos autos. O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 19/07/2006, conforme documento de fls. 40. Em 04/08/2006, o contribuinte protocolou a impugnação de fls. 45/47 2 , insurgindo-se contra o lançamento sob os argumentos a seguir resumidos. Alega que de fato realizou tratamento dentário e fonoaudiológico, conforme recibos apresentados. Que os pagamentos das despesas foram realizados em dinheiro, tenho em vista que residia em Londrina, mas sua conta bancária era de São Paulo e os doutores solicitaram o pagamento em dinheiro em virtude da demora na compensação dos cheques. Afirma também que a autoridade fiscal informou que os emitentes dos recibos declararam não terem prestado o serviço e estavam sendo investigados pelo Ministério Público. Quanto a essas informações, o contribuinte alega que não teve acesso a nenhum documento comprobatório. Alega que o auto de infração prejudica sua pessoa e beneficia o profissional emitente do recibo. Argumenta ainda que os recibos apresentados são idôneos. Por fim, requer o deferimento da impugnação. final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 03-28.399 1 Termo de Verificação Fiscal: e-fls. 33/36. 2 Impugnação: e-fls. 47/49. Fl. 112DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.449 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10882.001228/2006-96 2.1. Ao julgar o lançamento procedente, o acórdão recorrido tem a ementa que se segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda esta sujeitas à comprovação ou justificação a juízo da autoridade administrativa. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A simples apresentação de recibos por si só não autoriza a dedução de despesas médicas, mormente quando, intimado, o contribuinte não faz prova do efetivo pagamento e da prestação dos serviços. 3. Ao interpor o recurso voluntário (e-fls 86/88), o Recorrente deduz, inconformismo pelo fato da decisão de primeira instância ter se fundamentado na falta de documentação comprobatória, e afirma que a documentação apresentada atende a enunciado extraído da página eletrônica da Receita Federal (e-fls. 86/87). Sustenta que os recibos apresentados estão de acordo com os requisitos legais, referindo-se ao § 2º do artigo 8º da Lei nº 9.250/1995, e que as despesas médicas apresentadas são compatíveis com a renda. Pede que seja cancelado o débito fiscal (e-fls. 88). 3.1. O conjunto documental apresentado (e/fls89/111) constitui réplica de peças e documentos já anexados aos autos, de que se destacam: impugnação (e-fls 89/91); cópia da DIRPF Ex 2002 (e-fls 96/100); recibos (e-fls 101/111) É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 4. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. 5. Não obstante o recurso tenha suscitado questões em sede preliminar (e-fls 86/87), relacionada à fundamentação da decisão de primeira instância, entendo que o questionamento se refere à questão de mérito, não se constituindo em causa determinante para a decretação de nulidade, uma vez que não se verifica nos autos nenhuma das circunstâncias estabelecidas nos incisos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. 6. O litígio devolvido a este Colegiado diz respeito à pretensão de dedutibilidade de despesas médicas informadas na Declaração de Ajuste do Exercício 2002 3 , glosadas pela fiscalização por falta da comprovação do pagamento e da efetividade da prestação de serviços. 7. Ao examinar os elementos dos autos, formo convicção no mesmo sentido daquela a que chegou a Relatora da decisão de primeira instância, acerca da manutenção das glosas. Adoto, pois, como razões de decidir, a mesma fundamentação apresentada no voto da decisão recorrida, que se passa a transcrever: 3 Declaração de Ajuste Anual - 2002: e-fls. 27/30. Fl. 113DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.449 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10882.001228/2006-96 início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 03-28.399 Conforme consignado no relatório, trata-se o presente processo de glosa de despesas médicas por falta de comprovação da efetividade da prestação dos serviços ou do seu efetivo pagamento, impugnado pelo interessado, sob as razões já resumidas. Antes de se passar à análise dos argumentos de defesa, veja-se o disposto na Lei nº 9.250, de 1995, verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: (...). II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas -CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por outro lado, o artigo 73 e § 1º do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, estabelece, verbis: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Como se depreende da legislação transcrita acima, a comprovação das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora e compreende basicamente: Comprovação da prestação dos serviços; Comprovação de que os beneficiários dos serviços foram o contribuinte ou seus dependentes; Comprovação do pagamento dos serviços médicos prestados, a ser feito pelas formas indicadas no inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/1999. Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se por pessoa jurídica. O sujeito passivo em sua impugnação alega que o fisco não poderia deixar de considerar os recibos como documentação hábil e idônea. Fl. 114DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.449 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10882.001228/2006-96 No entanto, a autoridade fiscal, em caso de dúvidas ou suspeição quanto à idoneidade da documentação apresentada, pode e deve perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, e se foram efetivamente pagos, rejeitando de pronto àqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam na forma da lei os prestadores de serviços ou quando esses não são considerados como dedução pela legislação. Neste sentido o decidido pela 4ª Câmara do Conselho de Contribuintes, Acórdão 104-22781, proferido em 18/10/2007: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS - COMPROVAÇÃO - A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou da prestação dos serviços. No presente caso, a Autoridade solicitou também ao contribuinte a comprovação do efetivo pagamento ou da efetividade da prestação dos serviços (fl. 22). O contribuinte não apresentou qualquer documento adicional durante a ação fiscal, nem tampouco na fase impugnatória. Assim, mantêm-se as glosas das despesas médicas, por falta de comprovação do efetivo pagamento e prestação dos serviços. As demais alegações do contribuinte, de que a autuação favorece os prestadores de serviço, de que a declaração deles não torna inidôneos seus recibos também não podem prosperar pelo fato de que é lícito à autoridade fiscal exigir outros documentos que atestem a despesa médica. Ademais, o contribuinte poderia ter trazido aos autos comprovação dos saques ou transferências bancárias efetuadas em datas e valores coincidentes com os recibos apresentados. Há também na impugnação alegações que o contribuinte não comprova, tais como a que residia em Londrina e que suas contas bancárias eram de São Paulo. Essas alegações são rechaçadas por falta de comprovação. Assim, diante da falta de comprovação das despesas médicas de forma satisfatória, fica claro que a glosa foi correta e atendeu à legislação de regência. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 03-28.399 CONCLUSÃO 8. Em vista do exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10923.720007/2015-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 25/10/2010 a 25/04/2011
LANÇAMENTO. REALIZAÇÃO EM DUPLICIDADE. CANCELAMENTO.
Cancela-se o lançamento de multa isolada realizado em duplicidade, para a mesma penalidade, por intermédio de outro anteriormente formalizado.
Numero da decisão: 3201-005.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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REALIZAÇÃO EM DUPLICIDADE. CANCELAMENTO. Cancela-se o lançamento de multa isolada realizado em duplicidade, para a mesma penalidade, por intermédio de outro anteriormente formalizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Para bem relatar os fatos, transcreve-se o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo no Acórdão nº 11-51.269: Trata-se de Impugnações, fls. 68/81 e 112/125 (protocolizadas aos 14/05/2015 e 15/05/2015, respectivamente), de idênticos teores e interpostas contra o Auto de Infração de fls. 54/61, do qual a contribuinte tomou conhecimento aos 17/04/2015 (fls. 63/64), por intermédio qual é exigida multa em razão de “COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO”, no valor total de R$ 19.516.165,66. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 3. 72 00 07 /2 01 5- 88 Fl. 228DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.790 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10923.720007/2015-88 2. Expõe o Termo de Verificação Fiscal – TVF de fls. 51/53 que “O presente procedimento fiscal teve origem nos Pedidos de ressarcimento de IPI, nº 13819- 904.873/2012-62, 13819.904.874/2012-15 e 13819.904.875/2012-51, referentes ao primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2010, e pleitearam créditos no montante de R$ 82.857.584,47; R$ 49.310.650,56 e R$ 39.032.331,32 respectivamente. Nos referidos processos foram proferidos os Despachos Decisórios DRF/Camacari n°076091956 de 07/02/2014, nº 074916134 de 13/01/2014 e nº 074916148 de 13/01/2014 respectivamente, os quais não homologaram totalmente as compensações transmitidas à RFB pela não comprovação do crédito pleiteado” e que “A não homologação das compensações acima (Dcomps) enseja o lançamento de multa isolada”. 3. O mencionado TVF, após transcrever o art. 74, §17, da Lei nº 9.430/96, pondera que “A base de cálculo para a aplicação da multa também resta clara na dicção do § 17 do Art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, acima transcrito, qual seja o ‘o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada’. Quanto ao percentual de multa a ser aplicado, será de 50% conforme dispõe o mesmo dispositivo legal”. 4. Comenta que as declarações de compensação transmitidas a partir de 14/06/2010 (data da publicação da Lei 12.249 de 2010) que restarem não homologadas estarão sujeitas ao lançamento de multa isolada. 5. A tabela contida na terceira lauda, do TVF, evidencia que, no presente processo administrativo, a multa isolada se relaciona à não homologação da compensação tratada no processo administrativo nº 13819.904875/2012-5 e que o valor total aqui exigido é de R$ 19.516.165,66. 6. No documento de fl. 62 há o detalhamento, por período autuado (25/10/2010 e 25/04/2011) de quais compensações não homologadas ensejaram a autuação. 7. Nos recursos interpostos, a contribuinte alega, inicialmente, duplicidade da autuação em relação àquela objeto do processo administrativo n° 10580.722358/2015-04. 8. Na sequencia, articula que, como os débitos cujas compensações foram não homologadas estão sendo exigidos com multa de mora ao percentual de 20%, a multa cobrada nos presentes autos estaria sendo cobrada de modo cumulativo sobre a mesma infração, o que não admite o ordenamento jurídico brasileiro. 9. Pondera que, apesar de a multa punitiva, relacionada a certas condutas dolosas do agente, distinguir-se da mora, vinculada à coação por inadimplência, aqui ambas teriam caráter punitivo, pois quando compensado débito no seu prazo recolhimento, há adimplemento a termo e inexiste mora, mas, não homologada a compensação, passar a ser exigida a multa de mora, que deixa de ter caráter de adimplemento e passa ao de penalidade (sanção). 10. Conjectura que, neste contexto, a aplicação da multa de mora decorre da não- homologação da compensação, assim como ocorre em relação à multa isolada, pelo que seria patente a ocorrência de “bis in idem”, o que conduziria à improcedência da autuação. 11. Reproduz ementas de decisões do CARF para amparar suas alegações. 12. Após, articula que a Lei nº 12.249, de 11/06/2010, previu originariamente, ao incluir os §§15 a 17 ao art. 74, da Lei nº 9.430/96, que “Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido” e que “Aplica-se a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo” – e, na compreensão da Fl. 229DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.790 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10923.720007/2015-88 recorrente, a intenção do legislador foi a de apenar, especificamente, o pedido de restituição em si, caso ele fosse considerado indevido, e de estender a sanção para as hipóteses de compensação não homologada. 13. Advoga que, como só há compensação se houver reconhecimento de direito a crédito, a legislação ampliou, subsidiariamente, a aplicação da multa para alcançar as DCOMP. 14. Sustenta, assim, que a conduta típica inicialmente prevista como passível de apenação é o pedido de restituição de crédito indevido ou indeferido, sendo que, desde a edição da Medida Provisória nº 656, de 07/10/2014, foi revogado, ao que alega a impugnante em razão de inconstitucionalidade, o §15, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, pelo que a multa deixou de ser aplicada aos pedidos de restituição. Critica que, apesar do §17 decorrer, única e expressamente, da previsão do §15 (dada a expressão “também”), aquele parágrafo não fora revogado, mas teve sua redação alterada para retirar a locução. 15. Aduz que da revogação do §15, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, decorreria a revogação de todas as penalidades dali decorrentes, não sendo razoável a revogação da penalidade apenas para o pedido de ressarcimento e sua manutenção no tangente ao ‘pedido de compensação” (sic), eis que a intenção do legislador fora, sempre, punir “o pedido indevido”. E adita: o fato típico da conduta punível era o de requerer crédito ao qual não se detinha direito. 16. Diz que, ao ser retirada a expressão “também” do §17, teria sido alterado o tipo penal, que deixou de ser o pedido de reconhecimento de direito creditório e passou a ser a realização, em si, da compensação, desvirtuando-se a intenção do legislador. 17. Reflete que “manter a multa apenas para os casos de Pedidos de Compensação não homologados, nada mais é do que manter a tipicidade, manter o enquadramento legal de um e excluir-lhe para outro, mesmo em se tratando de casos idênticos”. 18. Fala que a compensação é consequencia do pedido de restituição e, se o pedido de reconhecimento a crédito deixou de ser considerado conduta típica, não se pode desvirtuar a tipicidade da multa sem lei específica que considere a compensação conduta punível. 19. Assim, por mais esta razão, reputa improcedente a autuação. 20. Avante, alega que a questionada multa desrespeitaria os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, pois a aplicação indiscriminada de multa de 50% a todo e qualquer compensação não homologada enseja enorme insegurança jurídica aos contribuintes de boa-fé, submetidos à penalidade sempre que a compensação não for acatada, o que, por vias transversas, conduziria à extinção das compensações, pois o contribuinte, receoso da absurda e desproporcional multa, passaria a somente solicitar restituição e, apenas depois de reconhecido seu direito creditório, poderiam efetuar compensação, situação que a impugnante reputa ofensiva aos art. 74, da Lei nº 9.430/96, e ao art. 170, do CTN, 21. Outrossim, ventila violação aos constitucionais direitos de petição, do devido processo legal e do contraditório e da ampla defesa e sustenta que a multa em altercação apenas poderia ser exigida quando comprovada má-fé do sujeito passivo. 22. Ampara suas alegações em precedente do TRF da 4ª Região. 23. Finalizando, a contribuinte requereu, mesmo que mantida a glosa após o julgamento do processo administrativo nº 13819.904875/2012-51, que o lançamento em testilha fosse julgado improcedente. Fl. 230DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.790 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10923.720007/2015-88 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 11-51.269, sessão de 21/10/2015, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação do contribuinte, com a ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 25/10/2010 a 25/04/2011 LANÇAMENTO. REALIZAÇÃO EM DUPLICIDADE. CANCELAMENTO. Cancela-se o lançamento de multa isolada realizado em duplicidade, para a mesma penalidade, por intermédio de outro anteriormente formalizado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O recurso de ofício atende ao requisito de admissibilidade previsto no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 10/02/2017 1 , pois exonerou crédito tributário no montante de R$ 19.516.165,66. Tratam os autos do exigência de multa isolada prevista no § 17 do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 em decorrência da não homologação de compensação versada no processo nº 13819.904875/2012-51. Sem reparos na decisão de 1ª Instância. Corretamente, os julgadores a quo acolheram o argumento da contribuinte no tocante à duplicidade de autuação fiscal em relação a um mesmo objeto: o lançamento da multa isolada em decorrência da não homologação de compensação de que trata o processo nº 13819.904875/2012-51, no valor de R$ 19.516.165,66 tanto neste processo nº 10923.720007/2015-88, bem como no de nº 10580.722359/2015-04. E a razão do cancelamento do auto de infração formalizado neste processo nº 10923.720007/2015-88 (e a consequente manutenção do auto de infração no PAF nº 10580.722359/2015-04, lavrado em 31/03/2015) é a sua data de sua lavratura - 14/04/2015, às 12:00 (fl. 54) quando já anteriormente formalizado auto de infração de igual teor. Ou seja, acertadamente, diante de dois autos de infração, de mesmo objeto, cancelou-se o lavrado em data posterior ao do primeiro. 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 231DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.790 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10923.720007/2015-88 Dispositivo Diante do exposto, voto para negar provimento ao Recurso de Ofício que cancelou o lançamento fiscal. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 232DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.007664/2010-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
NULIDADE. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. IMPROCEDÊNCIA
O Auto de Infração contém todos os elementos e requisitos necessários de formação válida, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, art. 10 do Decreto nº 70.235/72, observado o art. 142 e seu parágrafo único, da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), não havendo, portanto, que se falar de nulidade do lançamento.
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula CARF nº 108)
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1402-004.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sérgio Abelson (Suplente Convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente o conselheiro Murillo Lo Visco.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 NULIDADE. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. IMPROCEDÊNCIA O Auto de Infração contém todos os elementos e requisitos necessários de formação válida, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, art. 10 do Decreto nº 70.235/72, observado o art. 142 e seu parágrafo único, da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), não havendo, portanto, que se falar de nulidade do lançamento. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula CARF nº 108) ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sérgio Abelson (Suplente Convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente o conselheiro Murillo Lo Visco.
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. IMPROCEDÊNCIA O Auto de Infração contém todos os elementos e requisitos necessários de formação válida, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, art. 10 do Decreto nº 70.235/72, observado o art. 142 e seu parágrafo único, da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), não havendo, portanto, que se falar de nulidade do lançamento. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula CARF nº 108) ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 76 64 /2 01 0- 77 Fl. 223DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Sérgio Abelson (Suplente Convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausente o conselheiro Murillo Lo Visco. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (fls. 62): Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 27/39, formalizando lançamento de ofício do crédito tributário abaixo discriminado, relativo ao anocalendário de 2006, inclusive juros de mora e multa de ofício totalizando R$ 296.780,83; (...) De acordo com a descrição dos fatos, a fiscalização constatou divergências entre os valores do DIPJ e da CSLL apurados na DIPJ e os informados em DCTF, conforme demonstrativos anexados às fls. 25/26, integrantes dos autos, o que motivou o lançamento de ofício das diferenças apuradas, com juros de mora e multa de ofício de 75%. Cientificada pessoalmente das exigências em 08/09/2010 (fls. 28 e 34), a autuada apresentou em 06/10/2010 a petição impugnativa acostada às fls. 43/49, pugnando pela nulidade ex tunc do procedimento, sob a alegação de que a liquidez e a certeza do crédito exigido estariam comprometidas, primeiro pelo fato de que a multa aplicada é nitidamente inconstitucional, por ferir os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, propriedade e vedação do confisco e, segundo, por não caber sua aplicação cumulativa com a taxa de juros Selic, que também reputa inconstitucional. Levado a julgamento a 2a Turma da DRJ em Brasília considerou procedente o lançamento em decisão que recebeu a seguinte ementa (fls. 61): JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. A incidência dos juros de mora não prejudica a aplicação da multa de ofício, nos termos do art. 161, caput, do CTN. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. É defeso aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de inconstitucionalidade. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao lançamento da CSLL estendese o decidido em relação ao IRPJ exigido com base na mesma matéria fática, uma vez impugnada com argumentos idênticos. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10120.007664/201077 Acórdão n.º 1402004.072 S1C4T2 Fl. 224 3 Cientificada (AR fls. 72), em 03/12/2010, a contribuinte apresenta o Recurso Voluntário de fls. 73/79 no qual reproduz, ipsis litteris, as alegações já suscitadas quando da impugnação. É o relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Em relação ao mérito da incidência a Recorrente se limita a afirmar que "o suposto crédito tributário lançado no presente Auto de Infração não condiz com a realidade da empresa recorrente, carecendo de liquidez e certeza", não tecendo uma linha sequer sobre o que seria a mencionada "realidade da empresa", tampouco apontando em que ponto o lançamento careceria de liquidez e certeza. O Auto de Infração contém todos os elementos e requisitos necessários de formação válida, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, art. 10 do Decreto nº 70.235/72, observado o art. 142 e seu parágrafo único, da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), não havendo, portanto, que se falar de nulidade do lançamento. 2) DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75% Alega a Recorrente que mesmo que se conclua pela procedência do lançamento a multa de 75% possui caráter confiscatório o que seria vedado pelo artigo 150, IV, da CF/88. Referida alegação não deve ser conhecida, uma vez que, conforme exposto na súmula nº 2 deste conselho "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária ". 3) DA ILEGALIDADE A INCIDÊNCIA JUROS SOBRE MULTA E DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC Quanto às alegações de ilegalidade da incidência de juros sobre multa e da aplicação da taxa SELIC, ambas as questões já se encontram definidas no âmbito do CARF conforme se verifica pelas Súmulas nº 4 e 108 abaixo transcritas: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 225DF CARF MF 4 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. 4) CONCLUSÃO Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário (Assinado digitalmente). Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.902117/2017-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 01/01/1980
IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE. LIVROS. PROVA
Nos termos do artigo 14 inciso III do Código Tributário Nacional para o reconhecimento da imunidade de entidade beneficente necessária a apresentação de escrituração fiscal.
IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do artigo 14 inciso II do Código Tributário Nacional para o reconhecimento de imunidade beneficente é necessário que todos os recursos sejam aplicados nos objetivos institucionais.
Numero da decisão: 3401-006.984
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, João Paulo Mendes Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ENTIDADE BENEFICENTE. LIVROS. PROVA Nos termos do artigo 14 inciso III do Código Tributário Nacional para o reconhecimento da imunidade de entidade beneficente necessária a apresentação de escrituração fiscal. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do artigo 14 inciso II do Código Tributário Nacional para o reconhecimento de imunidade beneficente é necessário que todos os recursos sejam aplicados nos objetivos institucionais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, João Paulo Mendes Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 21 17 /2 01 7- 48 Fl. 216DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.984 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.902117/2017-48 Relatório Trata-se de indeferimento de pedido de restituição de PIS/PASEP com fundamento no RE 636.941/RS que reconheceu a imunidade da exação em questão para as entidades beneficentes de assistência social. A DRJ de Curitiba manteve o indeferimento do pedido eis que inexistem provas do cumprimento dos requisitos legais descritos “nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212,de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009)”. Intimada, a Recorrente busca guarida neste Conselho trazendo aos autos documentos que, em seu entender, comprovam o cumprimento dos requisitos legais. Fl. 217DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.984 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.902117/2017-48 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 3401-006.952, de 26 de setembro de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10840.902084/2017-36. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401-006.952): “2.1. A controvérsia a decidir pertine aos REQUISITOS PARA RECONHECIMENTO DE IMUNIDADE PARA ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Fisco e Recorrente concordam que os requisitos a serem cumpridos para exercício do favor Constitucional são os descritos no Código Tributário Nacional e na Lei Ordinária 12.101/09 (que sucedeu em vigência a Lei 8.212/91). 2.1.1. Todavia a Corte Constitucional em sede de Repercussão Geral (RE 566.622/RS) vinculou o exercício da imunidade em voga ao cumprimento dos requisitos descritos apenas em Lei Complementar (leia-se CTN e outra LC que vier a sucedê-lo): “Os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei complementar” 2.1.2. Nos termos do voto condutor do Ministro Marco Aurélio, em sede de imunidade para entidades beneficentes de assistência social, a Lei Ordinária tem lugar apenas e tão somente para regulamentar o descrito nos artigos 9° e 14 do CTN bem como para estabelecer condições para que uma pessoa jurídica possa ser considerada como entidade beneficente de assistência social: Cabe à lei ordinária apenas prever requisitos que não extrapolem os estabelecidos no Código Tributário Nacional ou em lei complementar superveniente, sendo-lhe vedado criar obstáculos novos, adicionais aos já previstos em ato complementar. Caso isso ocorra, incumbe proclamar a inconstitucionalidade formal. 2.1.3. O artigo 14 do Código Tributário Nacional elenca três condições para o exercício da imunidade em questão: I) não distribuição do patrimônio, II) aplicar integralmente os recursos na manutenção dos objetivos patrimoniais e, III) manterem a escrituração fiscal e contábil regular. 2.1.4. Os incisos II, IV e V do artigo 29 da Lei 12.101/09 regulamentam, especificamente, os incisos I, III e II do artigo 14 do CTN: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos; (...) II - aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; (...) Fl. 218DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-006.984 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10840.902117/2017-48 IV - mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V - não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; 2.1.5. Pois bem. Embora afirme ter toda a escrituração contábil e fiscal em boa ordem, a Recorrente não traz aos autos qualquer dos livros obrigatórios. Em verdade, a Recorrente colige apenas balanços analíticos dos anos de 2013 e 2014 e Parecer de Auditoria Contábil – documentos insuficientes para aferir a não distribuição do patrimônio e a aplicação dos recursos nos objetivos patrimoniais. Aliás, o Relatório da Auditoria trazido aos autos pela Recorrente dá conta de que parte de seu patrimônio está em aplicações financeiras, fora objetivos patrimoniais, portanto: 2.1.6. Descumpridos os requisitos legais, de rigor o indeferimento do pedido. 3. Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e a ele nego provimento.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário e a ele negar provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.005172/2005-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2000
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EXTEMPORÂNEA. NÃO CONHECIMENTO.
Manifestação de Inconformidade fora do prazo legal de 30 dias, correto o seu não conhecimento.
Numero da decisão: 1401-003.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso apenas para analisar a intempestividade da manifestação de inconformidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano (Presidente Substituto), Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada) e Wilson Kazumi Nakayama (Suplente Convocado). Ausente o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EXTEMPORÂNEA. NÃO CONHECIMENTO. Manifestação de Inconformidade fora do prazo legal de 30 dias, correto o seu não conhecimento.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EXTEMPORÂNEA. NÃO CONHECIMENTO. Manifestação de Inconformidade fora do prazo legal de 30 dias, correto o seu não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso apenas para analisar a intempestividade da manifestação de inconformidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano – Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano (Presidente Substituto), Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada) e Wilson Kazumi Nakayama (Suplente Convocado). Ausente o Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 155 a 166) interposto contra o Acórdão nº 07- 39.048, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS (fls. 142 a 145), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 51 72 /2 00 5- 66 Fl. 255DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.852 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.005172/2005-66 "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE-SIMPLES 410 Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 NÃO INCLUSÃO RETROATIVA. Manifestação de Inconformidade não conhecida. Não ocorrência dos requisitos de admissibilidade. Intempestividade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Indústria de Bolsas Becker Ltda, solicitou, em 14/07/2005, inclusão retroativa no SIMPLES a partir de 01/01/2000. Alega que foi excluída da sistemática simplificada em 05/05/2005, com efeitos a partir de 01/03/1999, ano em que teria levado a efeito importações que estavam proibidas, fls. 01 a 03. Em face da postulação da contribuinte, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário —SECAT, da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre — DRF/POÁ, manifestou-se através de fundamentado despacho datado de 06/06/2006, fls. 123 e 124 através do qual, em síntese, argui que: a empresa apresentou SRS —Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão à Opção pelo SIMPLES, especificando que não comercializa produtos importados e que os insumos que adquiriu foram empregados no processo produtivo; - não foi dado provimento à aludida SRS tendo em vista que o contribuinte não comprovou que o material importado destinava-se ao ativo permanente da empresa; - o contribuinte tomou ciência de tal decisão em 04/08/1999 assistindo-lhe a direito de impugná-la, no prazo de trinta dias; - em 06/09/1999, logo intempestivamente, foi apresentada impugnação que gerou o processo n° 11080.014022/99-61, o qual foi devolvido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre —DRJ/P0A, com o objetivo de que fosse declarada a revelia da contribuinte pela DRF/POA, com posterior ciência à contribuinte; - em 30/03/2000 a empresa tomou ciência através da comunicação n° 04/129/2000; - o contribuinte deverá fazer sua opção pelo SIMPLES , via CNPJ, de acordo com o que preceitua a Instrução Normativa —IN- n° 608/2006, arts. 16 e 17; - em derradeiro, conclui pelo indeferimento do pedido de inclusão retroativa no SIMPLES manifestando, também, que deverá ser mantida a decisão exarada no processo n° 11080.014022/99-61, que é definitiva na via administrativa. (grifei). Fl. 256DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.852 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.005172/2005-66 A contribuinte tomou ciência do parecer SECAT/DRF/POÁ, de 06/06/2006, retro aludido, em 14/06/2006, fls. 124, contra o qual se insurge em 12/07/2006, fls 126 a 132. Em sua impugnação colaciona, em síntese, os seguintes argumentos: - que a impugnante sempre agiu de boa fé, praticando todos os atos e observando todas as formalidades inerentes a sua manutenção no SIMPLES e que, por inexistir qualquer recusa por parte da Administração, considerava-se optante por este sistema; - que somente no momento em que os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB- rejeitaram a entrega de sua Declaração Simplificada referente ao exercício de 2005, é que a impugnante efetivamente tomou conhecimento que teria sido excluída do SIMPLES. Aduz, ainda que, anteriormente, quando da realização de qualquer transação com a RFB, sempre recebia extratos onde constava que era optante do sistema simplificado desde 01/01/1997; - que o marco inicial para a contagem do prazo para que a impugnante apresentasse sua Manifestação de Inconformidade deveria fluir somente a partir do momento em que a RFB rejeitou a entrega de sua Declaração Simplificada ou seja, quando a contribuinte tomou ciência da dita exclusão; - que o fundamento para a exclusão da impugnante do SIMPLES foi revogado com a publicação da MP n° 1.991-15, de 13/03/2000, que revogou o inciso XI e a alínea "a" do inciso XII do art. 9° da Lei n°9.317/96; - colaciona jurisprudência com a finalidade de embasar sua postulação; - por fim, requer seja reformado o despacho que confirmou a exclusão da impugnante do SIMPLES." Inconformada com a decisão de primeiro grau que não conheceu da Manifestação de Inconformidade por intempestividade, a Recorrente apresenta seu recurso requerendo, ex officio, a sua permanência no regime simplificado em termos semelhantes aos expostos em primeira instância. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.852 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.005172/2005-66 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, contudo, deve ser conhecido apenas parcialmente. Explico. Conforme narrado, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pelo julgador a quo por ter sido reconhecida a sua intempestividade. Desta forma, uma vez que as questões de mérito não foram conhecidas e apreciadas na instância inferior, não podem, por regra, serem diretamente conhecidas neste segundo grau. De outra forma se estaria pondo em risco o necessário duplo grau de jurisdição. Portanto, entendo que apenas as questões atinentes ao conhecimento da Manifestação de Inconformidade trazidas pelo Recurso Voluntário podem ser analisadas neste julgamento. Assim, conheço parcialmente do presente Recurso Voluntário, limitando o mérito à tempestividade da Manifestação de Inconformidade. Isto posto, passo a análise da parte conhecida. Às fls. 09 dos autos em anexos tem-se o Ato Declaratório Executivo excluindo a Recorrente do regime simplificado datado de 09/01/1999. Às fls. 05 e 06 tem-se o resultado da análise do pedido de reconsideração interposto pela Recorrente naquele feito, o qual foi indeferido. Tendo o contribuinte sido notificado do resultado em 04/08/1999, conforme carimbo acostado. Às fls 02 a 04 dos autos apensados tem-se a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, cujo protocolo deu-se em 06/09/1999, conforme timbre protocolar. Ora, cotejando a ciência da negativa da reconsideração com a data de protocolo da Manifestação tem-se que esta superou o prazo legalmente previsto de 30 dias, estando portanto intempestiva. Estando, portanto, correta a decisão de primeira instância. Outrossim, há que se dizer que a ora Recorrente apresentou uma segunda Manifestação de Inconformidade, no bojo destes autos, sobre a matéria que já havia sido discutida nos autos em anexo, situação clara de preclusão consumativa. Por fim, cai por terra a argumentação da Recorrente de que só teria tomado ciência de sua exclusão do SIMPLES no ano de 2005, afinal, tanto tinha conhecimento como, ainda que extemporaneamente, Manifestação de Inconformidade a respeito. Por todo o exposto, VOTO por CONHECER PARCIALMENTE, apenas quanto a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter in totum a decisão de primeiro grau que não conheceu da Manifestação de Inconformidade. Fl. 258DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.852 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.005172/2005-66 É como voto. (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 259DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003983/2007-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004
RENDIMENTOS RECEBIDOS DECORRENTES DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. CARGO DE DIREÇÃO. NATUREZA JURÍDICA INDENIZATÓRIA NÃO CONFIGURADA. VERBA EX GRATIA. INCIDÊNCIA DE IRPF.
Incide imposto de renda pessoa física sobre verbas recebidas por ocasião da rescisão de contrato de trabalho, seja a título de indenização especial, de gratificação espontânea, de compromisso de não aliciamento ou de confidencialidade, ou sob outra qualquer denominação que denote a liberalidade do pagamento, ainda que sob a rubrica de indenização. Inteligência do artigo 43 e §1º do CTN.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. APURAÇÃO MENSAL.
São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
A apuração do acréscimo patrimonial deve ser feita confrontando-se os ingressos e os dispêndios realizados mensalmente pelo contribuinte, com aproveitamento das sobras de recursos nos meses seguintes, desde que dentro do mesmo ano-calendário.
Numero da decisão: 2301-006.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar, indeferir pedido de perícia, e no mérito, negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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CARGO DE DIREÇÃO. NATUREZA JURÍDICA INDENIZATÓRIA NÃO CONFIGURADA. VERBA EX GRATIA. INCIDÊNCIA DE IRPF. Incide imposto de renda pessoa física sobre verbas recebidas por ocasião da rescisão de contrato de trabalho, seja a título de indenização especial, de gratificação espontânea, de compromisso de não aliciamento ou de confidencialidade, ou sob outra qualquer denominação que denote a liberalidade do pagamento, ainda que sob a rubrica de indenização. Inteligência do artigo 43 e §1º do CTN. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. APURAÇÃO MENSAL. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 83 /2 00 7- 49 Fl. 1222DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 1067/1157) interposto em face do Acórdão nº 17-29.920 (e-fls 1023/1057) prolatado pela DRJ/SPOII em sessão de julgamento realizada em 9 de fevereiro de 2009. 2. Faz-se a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida: início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 17-29.920 Do Lançamento O processo refere-se à auto de infração de fl. 387/393 1 lavrado em face do contribuinte acima identificado, originado de procedimento fiscal instaurado por meio de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF de n.º 08.1.90.00-2007-01250-0 anexado às fls. 01, relativo ao imposto de renda pessoa física do exercício 2004, por meio do qual foi exigido crédito tributário apurado no valor de R$ 437.725,70, sendo imposto apurado no valor de R$ 192.550,79, juros de mora (calculados até 30/11/2007) no valor de R$ 100.761,82 e multa proporcional no valor de R$ 144.413,09. O autuado teve ciência em 10/05/2007 do Termo de Início de Fiscalização (fls. 14), tendo este sido intimado a apresentar esclarecimentos sobre os rendimentos isentos e não tributáveis bem como aquisições que influenciaram a sua variação patrimonial no exercício 2004, ano – calendário 2003. Após análise pela Fiscalização de toda a documentação apresentada pelo contribuinte, concluiu-se que os rendimentos isentos e não tributáveis declarados pelo contribuinte em sua DIRPF 2004 não foram comprovados na sua integralidade. A Fiscalização procedeu à elaboração de planilha anexada às fls. 377 para conciliar os valores líquidos recebidos, conforme documentos apresentados pelo contribuinte às fls. 338/343 e 252/376 e os valores por este declarado em sua Declaração do Imposto de Renda ano – calendário 2003, juntada às fls. 11/13 Nesse demonstrativo, constatou-se que há valores recebidos da Eletropaulo que foram tributados (valor bruto R$ 349.203,03 e líquido R$ 255.075,39) e outros classificados como rendimentos isentos (R$ 505.401,75). Esses valores juntados com o valor de R$ 81.560,00 sem identificação de origem, mais a diferença entre o valor pago no mês de maio pela Eletropaulo (R$ 118.061,54), e o demonstrado como recebido (R$ 23.911,93) totalizam R$ 681.111,36 de valores não tributados, portanto, muito próximo dos R$ 667.555,66 classificados como isentos pelo fiscalizado. O valor recebido da Eletropaulo a título de gratificação em 08/07/2003 foi reclassificado como rendimento tributável, visto não se enquadrar em qualquer item referente aos rendimentos isentos e não tributáveis no RIR/99 em seu artigo 39, bem como os outros valores citados que foram classificados pelo contribuinte como isentos. 1 E-fls. 780/786. Fl. 1223DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 Os valores de ofício foram incluídos como rendimentos omitidos no Quadro Demonstrativo de Apuração da Variação Patrimonial, além de lançamentos de despesas baseadas em documentação apresentada pelo fiscalizado, sendo que se obteve acréscimo patrimonial a descoberto no mês de janeiro de 2003, o que configura rendimento tributável, segundo o artigo 55, XIII, do RIR/99, objeto também de lançamento de ofício. Da Impugnação Transcorrido o prazo regulamentar para apresentação de defesa ou pagamento do débito em epígrafe, o contribuinte apresentou manifestação tempestiva às fls. 408/449 2 através de advogado, anexando procuração com poderes específicos às fls. 452 e documentos às fls. 451 e 455/507, alegando em síntese que: É nula a presente autuação posto que os dados bancários que embasam o mesmo não podem ser aceitos como válidos, posto que ferem os princípios constitucionais contemplados pelos incisos X e XII do artigo 5º da Constituição federal de 1988. Apresenta doutrina e jurisprudência farta para embasar seu posicionamento; O auto de infração não contém um dos elementos necessários arrolados no artigo 10, III e V do Decreto n.º 70.235/72, qual seja, a descrição do fato que serve de fundamento para o lançamento ex ofício, nos moldes do artigo 142 do CTN. Não há identificação numérica nem explanação/demonstração no Termo de Verificação Fiscal do raciocínio ou dedução lógica que levou a autoridade fiscal a concluir pelo (i) acréscimo patrimonial a descoberto e (ii) classificação indevida de rendimentos da DIRPF 2004. Tal fato acarreta nulidade da autuação nos termos do artigo 59, II, do Decreto n.º 70.235/72, posto que violados os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa previstos no artigo 5º, LV, da CF/88; O auto de infração deve ser julgado improcedente uma vez que foi realizado sem a devida ocorrência do fato gerador, em afronta ao disposto no artigo 142 do CTN; Não se pode afirmar que houve omissão de rendimentos tributáveis tendo em vista unicamente os pagamentos (despesas) efetuados pelo impugnante, eis que a variação patrimonial (R$ 506.424,82) encontra-se devidamente coberta pelos rendimentos auferidos e declarados (R$ 1.016.758,69 – R$ 349.203,03 tributáveis e R$ 667.555,66 isentos); Os depósitos bancários detectados pela fiscalização não constituem rendimentos e trata-se de recursos advindos de suas próprias contas bancárias e fruto de rendimentos já declarados; O valor de R$ 567.000,00 (R$ 372.000,00 a vista mais 6 parcelas de R$ 32.500,00 no ano calendário de 2003) são rendimentos isentos de IR nos 2 Impugnação: e-fls. 819/901. Fl. 1224DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 termos do inciso XX do artigo 39 do RIR/99, posto que possui natureza indenizatória, percebido pela destituição antecipada do autuado do cargo de Diretor Executivo da Eletropaulo, conforme comprova Acordo de Renúncia e Exoneração Mútua em anexo; Ainda que não seja reconhecida a natureza indenizatória, não se pode negar que dentro do valor percebido sempre haverá verbas indenizatórias, que no caso, devem ser consideradas pela Fiscalização; Embutido no valor declarado como isento ou não tributável está o valor recebido com a venda de veículo Porshe 911 Carrera, ano 91, placa FJC 0508, adquirido em 2002 por R$ 120.000,00 e vendido em 2003 por R$ 100.000,00, não considerado pela Fiscalização; Dentre valores declarados como isentos também não foi considerado a importância de R$ 555,66 referente a rendimentos de poupança junto ao Banco Sudameris, conforme se comprova pela Declaração de Rendimentos anexa; Requer com fundamento no artigo 16, IV, do Decreto n.º 70.235/72 a realização de diligência fiscal para revisão dos extratos bancários e rastreamento dos cheques cujos depósitos serviram para o lançamento fiscal. Indica assistente técnico com qualificação deste às fls. 446/447. Requer, ainda, a intimação da empresa Eletropaulo para prestar esclarecimentos bem como seja solicitado ao Detran histórico do veículo Porshe Carrera, placa FJC 0508, a fim de comprovação de sua alienação no ano de 2003; final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 17-29.920 2.1. Ao julgar procedente o lançamento, o acórdão recorrido tem a ementa que se segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Não há de se falar em nulidade da autuação fiscal por vício formal se restaram cumpridos todos os requisitos essenciais previstos pelo artigo 10 do Decreto n.º 70.235/72. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Aos litigantes em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do inciso LV do artigo 5º da CF/1988. SIGILO BANCÁRIO. INFORMAÇÕES DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Fl. 1225DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 Não configura violação de direitos constitucionais fundamentais a prestação pelas instituições financeiras de informações a que estas estão obrigadas, dentro de parâmetros pré-determinados, acerca da movimentação financeira dos usuários dos seus serviços. As informações permanecerão sob sigilo fiscal. Inteligência da Lei Complementar 105/2001. RENDIMENTOS RECEBIDOS DECORRENTES DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. CARGO DE DIREÇÃO. NATUREZA JURÍDICA INDENIZATÓRIA NÃO CONFIGURADA. VERBA EX GRATIA. INCIDÊNCIA DE IRPF. Incide imposto de renda pessoa física sobre verbas recebidas por ocasião da rescisão de contrato de trabalho, seja a título de indenização especial, de gratificação espontânea, de compromisso de não aliciamento ou de confidencialidade, ou sob outra qualquer denominação que denote a liberalidade do pagamento, ainda que sob a rubrica de indenização. Inteligência do artigo 43 e §1º do CTN. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. APURAÇÃO MENSAL. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. A apuração do acréscimo patrimonial deve ser feita confrontando-se os ingressos e os dispêndios realizados mensalmente pelo contribuinte, com aproveitamento das sobras de recursos nos meses seguintes, desde que dentro do mesmo ano- calendário. DILIGÊNCIA FISCAL. CABIMENTO. A diligência fiscal deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendê-la necessária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquele objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Inteligência do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988. 3. Ao interpor o recurso voluntário (e-fls 1067/1157), o Recorrente deduz as mesmas alegações ofertadas ao tempo da impugnação. 3.1. As razões recursais estão subdivididas nos tópicos relacionados como se segue: Fl. 1226DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 Recurso Voluntário 1067/1157 Razões 1071 I — DA TEMPESTIVIDADE 1071 II— DO CRÉDITO CONSTITUÍDO 1071/1075 III — DOS FATOS 1075/1087 IV — DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO FISCAL 1087 IV. a) Da prova obtida ilicitamente: inviolabilidade dos dados bancários ("sigilo bancário") 1087/1101 IV. b) Do não preenchimento dos requisitos formais do Auto de Infração 1101/1113 V — DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO FISCAL: ausência de ocorrência do fato gerador 1113 V. a) Da inocorrência de acréscimo patrimonial "a descoberto" 1115 V. b) Da indevida presunção de rendimentos sobre os depósitos bancários 1125 V. c) Da natureza dos rendimentos auferidos: rendimentos isentos 1129 V. c) 1. Verbas rescisórias (indenização): R$ 567.000,00 (372.000,00 + 195.000,00) 1131/1143 V. c) 2. Alienação de bens (veículo): R$ 100.000,00 1145 V. c) 3. Rendimentos de poupança: R$ 555,66 (Banco Sudameris) 1145/1147 VI— DA DILIGÊNCIA FISCAL 1149/1153 VII — DA UTILIZAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA E DA DOUTRINA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO 1153/1155 VI— DOS PEDIDOS 1155/1157 3.2. Destaque-se a longa argumentação sobre as verbas pagas em decorrência de rescisão contratual antecipada, por liberalidade do empregador que o Recorrente considera como rendimentos isentos (e-fls. 1131/1143) 3.3. Faz-se a transcrição do pedido (e-fls 1155/1157) VI— DOS PEDIDOS Em face de todo exposto, serve-se da presente para fins de requerer o seguinte: i) a intimação pessoal dos procuradores da Recorrente para realizar sustentação oral das razões do presente recurso, sob pena de nulidade; ii) a realização das seguintes diligências: a) a intimação da empresa .ELETROPAULO para prestar esclarecimentos, confirmando as informações ora trazidas pelo contribuinte autuado; Fl. 1227DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 b) a revisão dos extratos bancários das contas mencionadas, referente ao período fiscalizado, a fim de promover a conciliação das informações constantes nos referidos extratos, para o que indica como seu assistente técnico o Sr. Sr. SILVIO KLEBER PACHECO, contador, portador da Carteira de Identidade Civil n.° 19.204.877— SSP/SP, inscrito no CPF/MF sob o n.° 055.313.598-88, inscrito no CRC (SP) sob o n° 1SP185994/0-4, podendo ser localizado/intimado no Edifício CAMBÉ TRADE CENTER, à Rua Emília Marengo, 260 - 10 andar, Tatuapé — São Paulo/SP, para fins de comprovação: i. dos depósitos referentes ao pagamento pela venda do automóvel referido; ii. das movimentações bancárias (créditos e/ou depósitos) decorrentes de empréstimos tomados no exercício 2003; iii. das transferências entre contas bancárias, de mesma titularidade; c) o rastreamento dos cheques depositados nas contas bancárias do autuado, que compõem a base de cálculo ora quantificada; iii) que o presente recurso voluntário seja conhecido e provido, a fim de reformar a decisão da DRJ de origem, no sentido de julgar nulo e/ou improcedente o lançamento fiscal, pelas razões expostas; iv) Por fim, requer que todas as intimações referentes ao processo em tela sejam feitas via postal e enviadas ao endereço de sua residência, na Rua Tuim, n° 484, apartamento 152, Moema, São Paulo (SP). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 4. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. 5. Verificada a coincidência entre a argumentação deduzida no recurso e aquela oferecida ao tempo da impugnação, e por concordar com a análise feita pela decisão de primeira instância, em todas as questões submetidas a julgamento, faz-se uso da prerrogativa conferida pelo artigo 57, § 3º do Regimento Interno do CARF, e adoto como razões de decidir a mesma fundamentação contida no acórdão recorrido. início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-29.920 Inicialmente, quanto aos requisitos específicos do auto de infração, destaque-se que houve o regular lançamento às fls. 387/393, procedimento administrativo por meio do qual o servidor competente qualificou o sujeito passivo, descreveu os fatos, apontou as disposições legais infringidas e a penalidade aplicável, e determinou a exigência com a respectiva intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo legal (art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores). Fl. 1228DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 No tocante aos aspectos relativos à nulidade dos atos que compõem o processo fiscal, destaque-se o estabelecido pelo artigo 59, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Verifica-se pelo exame do processo que não ocorreram os pressupostos supracitados, uma vez que o Auto de Infração foi lavrado por Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil - servidora competente para efetuar o lançamento nos termos da alínea “a” do inciso I do artigo 6º da Lei n.º 10.593/2002 - perfeitamente identificada pelo nome, matrícula e assinatura em todos os atos emitidos pela mesma no decorrer do procedimento fiscal, conforme designação pelo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº MPF 08.1.90.00-2007-01250-0. O autuado, por outro lado, teve conhecimento da existência do citado procedimento fiscal, tendo sido concedido ao mesmo o mais amplo direito pela oportunidade de apresentar, já na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Por fim, o contribuinte teve ciência do mesmo, exercendo amplamente o seu direito de defesa, conforme impugnação recebida e conhecida de fls. 408/449. Pelo exposto, tem-se que a autoridade lançadora agiu com estrita observância das normas legais que regem a matéria, sendo que todos os elementos essenciais do procedimento fiscal constam do auto, dos quais foi regularmente cientificado o contribuinte de modo a lhe permitir conhecer o inteiro teor do lançamento que lhe foi imputado, não tendo como prosperar as alegações de nulidade do lançamento. Dos Princípios Constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa No que concerne ao argumento de ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa (artigo 5º, inciso LV da CF/88), o mesmo não pode ser acatado. Ao contrário do entendimento demonstrado pelo autuado, deve-se esclarecer que o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório assegurado pela Constituição de 1988 tem por escopo oferecer aos litigantes, seja em processo judicial ou administrativo, o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista a demonstrar a sua razão no litígio. Desta forma, quando a Administração Pública antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa dá à parte contrária à oportunidade de impugná-la da forma mais ampla que entender, o que aconteceu no processo em epígrafe, não está infringindo, nem de longe, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Da alegação da Quebra de Sigilo Fl. 1229DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 A afirmação de que os dados bancários que embasam a autuação não podem ser aceitos posto que ferem os princípios constitucionais contemplados pelos incisos X e XII do artigo 5º da Constituição Federal de 1988 não se sustenta. Primeiramente, os extratos bancários anexados ao presente processo administrativos foram apresentados pelo próprio fiscalizado durante o desenvolvimento da ação fiscal. O procedimento adotado nos casos em que se verifica omissão de rendimentos tributáveis classificados indevidamente como isentos na DIRPF prescinde de medida judicial para quebra de sigilo bancário, visto que as instituições financeiras são obrigadas, dentro de parâmetros estipulados, a informar à administração tributária da União as movimentações financeiras dos usuários de seus serviços. Citada movimentação financeira encontra-se no Dossiê Integrado anexado às fls. 03/10. Assim se procedeu no uso das prerrogativas da Lei Complementar n.º 105 de 10 de Janeiro de 2001 que ao dispor sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, determinou: “Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: [...] III – o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; [...] Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços [...] § 4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5º As informações a que se refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor.” Pelo disposto acima, o acesso às informações bancárias independe de autorização e não constitui quebra de sigilo. Aliás, não se pode olvidar que as informações obtidas permanecem protegidas como ressalva o §5º da referida norma. Obedecendo ao mandamento do artigo 5°, inciso X, da CF, da inviolabilidade da intimidade, a legislação obriga um sério comportamento ético-profissional dos servidores que tenham conhecimento destas informações. Portanto, aí sim, está o sigilo bancário pleiteado na impugnação, e não na transferência de informações bancárias de instituições privadas para um órgão de Estado, que possui a Fl. 1230DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 responsabilidade de sigilo em um espectro maior que é o sigilo fiscal que ao bancário absorve. Rendimentos Tributáveis X Rendimentos Isentos A matéria em exame consiste na verificação da natureza jurídica dos valores recebidos pelo autuado através do Acordo de Renúncia e Exoneração Mútua (fls. 493/502) 3 , decorrente de sua destituição antecipada do cargo de Diretor Executivo da Eletropaulo. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 394/396 4 ), dos Demonstrativos de Apuração e da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 387/392) e Planilha de fls. 377 5 em conjunto, é possível inferir que o fiscalizado recebeu no ano calendário de 2003 valores da Eletropaulo que foram tributados (valor bruto R$ 349.203,03 e líquido R$ 255.075,39) e outros que não o foram, classificados por este como isentos em sua DIRPF exercício 2004 (R$ 505.401,75). Esses valores classificados como isentos somados com o montante de R$ 81.560,00 sem identificação de origem, mais a diferença entre o valor pago no mês de maio pela Eletropaulo (R$ 118.061,54) e o demonstrado como recebido (R$ 23.911,93), totalizam R$ 681.111,36 de valores não tributados no ano base de 2004. Neste sentido, não pode ser acatado de nenhuma forma o argumento de que não há descrição dos valores e dos motivos que ensejaram o lançamento em exame. De conformidade com o disposto no artigo 114 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional – CTN, “fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente a sua ocorrência”, e, no caso do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, foi eleito como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e/ou de proventos, consoante o artigo 43, incisos I e II, do mesmo diploma legal: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.” E o §1º desse mesmo artigo 43, que foi acrescentado pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, dispõe: “§1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção.” Em exame do instrumento “Acordo de Renúncia e Exoneração Mútua” que ensejou o recebimento dos valores objeto de contestação nestes autos, infere-se do item 2, fls. 493: 3 Acordo de Renúncia e Exoneração Mútua: e-fls 989/1007. 4 E-fls. 790/794. 5 E-fls. 756 Fl. 1231DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 “Acordo de Quitação. A Sociedade acorda: (a) Imediatamente após a assinatura deste acordo, e em reconhecimento aos serviços prestados como diretor da Sociedade, efetuar um pagamento ex gratia ao Sr Meirelles do valor discricionário bruto de R$ 372.000,00 (trezentos e setenta e dois mil reais); (b) Em contraprestação ao aceite do Sr. Meirelles da Obrigação de Não Concorrência (conforme definida e prevista na Cláusula 4), pagar um valor em 12 (doze) parcelas mensais de R$ 32.500,00 (trinta e dois mil e quinhentos reais), sendo que tal valor deverá ser pago no último dia de cada mês em que os bancos comerciais estiverem operando no estado de São Paulo, com início imediato a partir do último dia do mês após a Data de Entrada em Vigor, em que os bancos comerciais estiverem operando no estado de São Paulo.” (negritamos) A expressão latina 'ex gratia' significa gratuitamente, atitude movida por boa vontade e não com o sentimento de se cumprir uma obrigação jurídica. Consta do “Acordo de Renúncia e Exoneração Mútua” que o pagamento foi efetuado ao fiscalizado em reconhecimento aos serviços prestados durante o período em que este atuou como Diretor Estatutário da Entidade. Indenização é uma prestação destinada a reparar ou recompensar o dano causado a um bem jurídico por ato ou omissão ilícita. Os bens jurídicos lesados podem ser (a) de natureza patrimonial ou (b) de natureza não – patrimonial. Em qualquer das hipóteses, quando não recompostos in natura, obrigam o causador do dano a uma prestação substitutiva em dinheiro. Não tem natureza indenizatória, sob esse aspecto, o pagamento correspondente a uma prestação que originalmente era devida em dinheiro, pois em tal caso, há simples adimplemento in natura da obrigação. Igualmente não tem natureza indenizatória o pagamento em dinheiro que não tenha como pressuposto a existência de um dano causado por ato ilícito. O pagamento de indenização pode ou não acarretar acréscimo patrimonial, dependendo da natureza do bem jurídico a que se refere. Quando se indeniza dano efetivamente verificado no patrimônio material (dano emergente), o pagamento em dinheiro simplesmente reconstitui a perda patrimonial ocorrida em virtude da lesão, e, portanto, não acarreta qualquer aumento de patrimônio. Todavia, ocorre acréscimo patrimonial quando a indenização (a) ultrapassar o valor do dano material verificado (dano emergente), (b) se destinar a compensar o ganho que deixou de ser auferido (lucro cessante) ou (c) se referir a dano causado a um bem o patrimônio imaterial (dano que não importou redução do patrimônio material). Pela hipótese em exame, não se pode acatar que os valores percebidos pelo fiscalizado tenham cunho indenizatório, mas sim, decorrem de mera liberalidade de seu empregador, concedido graciosamente e voluntariamente, em virtude e “reconhecimento aos serviços prestados durante o período em que este atuou como Diretor Estatutário da Entidade”. Conforme disposto no artigo 150, §6º, da Constituição Federal, e nos artigos 97, VI, 111, II, e 176 do Código Tributário Nacional - CTN, a isenção, forma de exclusão do crédito tributário, é sempre decorrente de disposição expressa de lei específica, disposição essa que deve ser sempre interpretada literalmente. Fl. 1232DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 Nessa esteira, as verbas recebidas pelo impugnante geraram um aumento de riqueza e conseqüentemente de seu patrimônio. Inexiste dispositivo legal expresso que favoreça mencionada verba, sujeita à incidência do imposto de renda, com o benefício da isenção, sendo inaplicável para esse fim o disposto no inciso XX do artigo 39 do RIR/99, posto que a hipótese destes autos não se subsume à prevista pelo citado dispositivo do Regulamento. Neste sentido, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça: AgRg nos EDcl no REsp 1050032 / SP AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL2008/0083130-5. Ministro FRANCISCO FALCÃO. 1ª TURMA. Julgamento em 11/11/2008. DJe 17/11/2008. TRIBUTÁRIO. DEMISSÃO SEM JUSTA CAUSA. VERBAS RESCISÓRIAS. GRATIFICAÇÕES. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. I - O imposto de renda tem como fato gerador à aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, e os proventos de qualquer natureza que caracterizem acréscimo patrimonial (CTN, art. 43, incisos I e II). Dentro desta definição se enquadram as verbas recebidas pelo empregado por ocasião da rescisão do contrato de trabalho por iniciativa do empregador, seja a título de indenização especial, de gratificação espontânea, de compromisso de não aliciamento ou de confidencialidade, ou sob outra qualquer denominação que denote a liberalidade do pagamento, ainda que sob a rubrica de indenização. Precedentes: EREsp nº 646.874/SP, Rel. Minª DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, DJ de 29.10.2007; EREsp nº 765.076/SP, Rel. Minª ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO, DJ de 29.06.2007; AgRg nos EREsp nº 916.304/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, DJ de 08.10.2007; AgRg no REsp nº 911.526/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJ de 23/08/2007; REsp nº 644.840/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 01/07/2005. II - Agravo regimental improvido. REsp 637623 / PRRECURSO ESPECIAL 2004/0003124-6. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI. 1ª TURMA. Julgamento em 24/05/2005. DJ 06/06/2005 p. 191RSTJ vol. 192 p. 187. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PAGAMENTO DE GRATIFICAÇÃO A EMPREGADO, POR OCASIÃO DA RESCISÃO DO CONTRATO, A TÍTULO ESPONTÂNEO, EM RECONHECIMENTO A RELEVANTES SERVIÇOS PRESTADOS AO EMPREGADOR. NATUREZA. REGIME TRIBUTÁRIO DAS INDENIZAÇÕES. DISTINÇÃO ENTRE INDENIZAÇÃO POR DANOS AO PATRIMÔNIO MATERIAL E AO PATRIMÔNIO IMATERIAL. 1. O imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador, nos termos do art. 43 e seus parágrafos do CTN, os “acréscimos patrimoniais”, assim entendidos os acréscimos ao patrimônio material do contribuinte. (..) 6. No caso, o pagamento feito pelo empregador a seu empregado, a título de gratificação, em reconhecimento por relevantes serviços prestados à empresa, não tem natureza indenizatória. E, mesmo que tivesse, estaria sujeito à tributação do imposto de renda, já que (a) importou acréscimo patrimonial e (b) não está Fl. 1233DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 beneficiado por isenção. A lei isenta de imposto de renda "a indenização (...) por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho" (art. 39 do RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/99). 7. Recurso especial provido. Pelos mesmos motivos, não pode ser acatado o argumento que inserida nas verbas recebidas constam valores pertinentes a “verbas indenizatórias”. Incorreto, portanto, o entendimento do contribuinte de que os valores percebidos não seriam tributáveis. Porche Carrera 911 Aduz o impugnante que o valor pertinente à alienação do veículo Porshe Carrera 911 não foi considerado pela Fiscalização, posto que o mesmo integrou o montante dos rendimentos isentos declarados pelo mesmo em sua DIRPF do exercício 2004. Nos termos do artigo 37 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n.º 3.000/99, constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Conforme informações fornecidas pelo próprio autuado, o citado veículo foi adquirido no ano de 2002 por R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e vendido no ano calendário objeto de fiscalização por R$ 100.000,00 (cem mil reais). Desta operação podemos concluir que houve um saldo negativo no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), não importando em ganho de capital, representado pela diferença positiva entre o valor de aquisição e o valor de transferência do bem, passível de tributação pelo imposto de renda. Portanto, não se pode falar que o fiscalizado auferiu rendimentos, tampouco rendimentos isentos decorrentes da citada alienação. Pelos mesmos motivos, não cabia a este informar o produto da alienação do veículo no campo rendimentos isentos, posto que o resultado da operação foi negativo. É o que se infere do Manual de Preenchimento da DIRPF Exercício 2004, fls. 27: LUCRO NA ALIENAÇÃO DE BENS/DIREITOS DE PEQUENO VALOR OU DO ÚNICO IMÓVEL; REDUÇÃO DO GANHO DE CAPITAL - linha 02 Informe: a) o resultado, se positivo, do valor de alienação de até R$ 20.000,00 de bens ou direitos menos o valor do custo de aquisição, constante na declaração do exercício de 2003, acrescido, se for o caso, das parcelas pagas em 2003. No caso de alienação de diversos bens da mesma natureza, em um mesmo mês, deve ser observado o limite para o conjunto dos bens alienados; Fl. 1234DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 Rendimentos de Poupança Argumenta também o contribuinte que não foram considerados pela fiscalização a importância de R$ 555,66 (quinhentos e cinqüenta e cinco reais e sessenta e seis centavos) referentes a rendimentos de poupança, isentos por força do disposto no inciso VIII do artigo 39 do RIR/99, conforme se comprova pela Declaração de Rendimentos fornecida pela instituição bancária em anexo. Em exame do Demonstrativo anexado pelo impugnante às fls. 506/507, verifica- se que para o ano calendário de 2003 consta R$ 0,00 como rendimentos líquidos isentos de tributação auferidos por caderneta de poupança. Desta forma, descabida a citada pretensão. Acréscimo Patrimonial a Descoberto 6 O acréscimo patrimonial é uma das formas colocadas à disposição do Fisco para detectar omissão de rendimentos, edificando-se aí, uma presunção legal do tipo condicional ou relativa (juris tantum), que, embora estabelecida em lei, não tem caráter absoluto de verdade, impondo ao contribuinte a comprovação da origem dos rendimentos determinantes do descompasso patrimonial. Nesse sentido, dispõe a legislação sobre o assunto: Código Tributário Nacional: “Art. 43 - O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: (...) II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.” (grifo nosso) Lei nº 7.713, de 1988: “Art. 3° - O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos artigos 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (grifo nosso) (...) § 4º - A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas e proventos, bastando para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma ou título.” Da leitura das normas acima reproduzidas, verifica-se que a própria lei definiu que a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível caracteriza omissão de receita ou de rendimentos. Trata-se de presunção legal relativa, impondo ao agente público o lançamento de ofício do imposto correspondente sempre que o contribuinte 6 Demonstrativo de Variação Patrimonial: e-fls. 758/760. Fl. 1235DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 não justifique, por meio de documentação hábil e idônea, o acréscimo patrimonial a descoberto. Trata-se de uma presunção que, além de legal, é perfeitamente lógica, posto que ninguém realiza gasto desprovido de disponibilidade financeira. Assim, muito embora admitam prova em contrário, as presunções juris tantum dispensam do ônus da prova aquele a favor de quem se estabeleceram, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário no sentido de refutá-las. Atente-se que há uma distinção entre presumir a ocorrência do fato e presumir a natureza de determinado fato. A existência do fato jurídico (acréscimo patrimonial a descoberto) foi comprovada pela Fiscalização através da planilha Demonstrativo de Variação Patrimonial de fls. 378/379, elaborada de acordo com os dados contidos nos documentos anexados ao processo durante o desenvolvimento do procedimento fiscalizatório. Portanto, não há presunção. O que a autoridade fiscal presume, com base em lei e em razão do contribuinte não se desincumbir de seu ônus, é a natureza de tal fato, ou seja, presumir que tal fato (o fato cuja ocorrência foi provada – acréscimo patrimonial a descoberto) seja gerador de rendimentos ou proventos de qualquer natureza. A jurisprudência administrativa é mansa e pacífica no tocante à necessidade de provas concretas com o fim de se elidir a tributação erigida por acréscimo patrimonial injustificado: “VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - PROVA DOS RECURSOS - O afastamento da variação patrimonial a descoberto somente é possível se há prova inequívoca do ingresso dos recursos.” (Ac. 106-12203, sessão de 19/09/2001) "IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - A tributação de acréscimo patrimonial não compatível com os rendimentos declarados, tributáveis ou não, só pode ser elidida mediante prova em contrário.” (Ac. 102-42582, sessão de 12/12/1997) "PROVA – A prova da origem do acréscimo patrimonial deve ser adequada ou hábil para o fim a que se destina, isto é, sujeitar-se à forma prevista em lei para a sua produção, sendo inaceitável a sua substituição por outra forma, salvo motivo relevante que impeça a produção adequada.” (Ac. CSRF 01-0145/81) Sobre o tema, pontifica José Luiz Bulhões Pedreira ("Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas", JUSTEC - RJ, 1979, pág. 806): "O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso." (grifo nosso) É oportuno citar também o Código de Processo Civil, art. 333, que, assim, preceitua: “O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Fl. 1236DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto está especificada, ainda, no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/1999), art. 55, XIII, e arts. 806 e 807: "Art. 55. São também tributáveis (Lei n° 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIII - as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não-tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.” (...) “Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei n° 4.069/1962, art. 51, § 1°). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte.”(grifamos) Assim, pode-se dizer que o levantamento de acréscimo patrimonial não justificado é forma indireta de apuração de rendimentos omitidos, posto que à autoridade lançadora cabe somente comprovar a sua existência que, uma vez ocorrido, a lei permite presumir a omissão de rendimentos. À Fazenda Pública cabe tornar evidente o fato constitutivo do seu direito. Desta forma, a autoridade administrativa, em procedimento fiscal, utiliza-se de planilhas de cálculo com o fito de apurar se houve ou não a ocorrência de inconformidades entre a renda informada e os dispêndios e aplicações realizados pelo contribuinte. Ocorrendo diferenças negativas, quando são verificadas despesas e/ou aplicações, sem cobertura dos rendimentos declarados, cabe ao contribuinte provar os fatos modificativos ou extintivos desse direito, ou seja, justificar o acréscimo patrimonial com rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. O objetivo da análise patrimonial é verificar a situação do contribuinte, pela comparação, em determinado período, dos valores que ingressaram no seu patrimônio (origens de recursos) com aqueles efetivamente saídos (aplicações de recursos); a metodologia permite detectar se houve excesso de aplicações com relação às origens de recursos, situação que somente pode ser explicada pela omissão de rendimentos por parte do contribuinte; em outras palavras, a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto pressupõe a disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Apuração Mensal X Apuração Anual Não pode ser acatado o argumento do contribuinte que a variação patrimonial (R$ 506.424,82) encontra-se devidamente coberta pelos rendimentos auferidos e declarados (R$ 1.016.758,69 – R$ 349.209,03 tributáveis e R$ 667.555,66 isentos) no período fiscalizado. Fl. 1237DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 A definição do momento da incidência do imposto consta no artigo 2º, §2º, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo RIR/99, nos seguintes termos: “O imposto será devido mensalmente à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85”. O ajuste de que trata o artigo 85 do RIR/1999 refere-se à apuração anual do imposto de renda, na declaração de ajuste anual. As disposições relativas à tributação dos demais rendimentos sujeitos ao ajuste anual vêm corroborar o mesmo princípio, pois, embora sujeitos à tributação no mês da sua percepção com base na tabela mensal, estão sujeitos ao ajuste anual, na forma do art. 85, do RIR/1999. O imposto de renda de pessoa física é um exemplo clássico de tributo que se enquadra na classificação de fato gerador complexivo, apurado no ajuste anual, ou seja, somente se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, seriam destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Ressalte-se que nenhum dos dispositivos legais transcritos menciona que a tributação dos rendimentos apurados por acréscimo patrimonial a descoberto configura-se como de tributação exclusiva de fonte ou tributação definitiva, a exemplo dos rendimentos das aplicações financeiras, 13º salário e ganho de capital. Dessa forma, essa omissão deve ter o mesmo tratamento dispensado aos demais rendimentos tributáveis recebidos por pessoas físicas, devendo ser consignados e tributados na declaração de ajuste anual, motivo que ensejou a elaboração do Demonstrativo de fls. 378/379 mês a mês, com utilização da tabela de ajuste anual. Neste sentido, já se manifestou o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Acórdão 102-48670 - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - CRITÉRIOS DE APURAÇÃO - A variação patrimonial do contribuinte deve, necessariamente, ser levantada através de fluxo financeiro onde se discriminem, mês a mês, as origens e as aplicações de recursos. Tributam-se na declaração de ajuste anual os acréscimos patrimoniais encontrados através da apuração mensal. Interpretação sistemática das Leis nos 7.713/88 e 8.134/90. Exigência cancelada Por estes motivos não podem ser considerados os cálculos realizados pelo fiscalizado simplesmente subtraindo-se da variação patrimonial anual os rendimentos auferidos e declarados no exercício (tributáveis e isentos), sendo procedente o valor de R$ 19.073,32 lançado para a competência janeiro de 2003 apurado pela Fiscalização. Quanto à passagem de recursos de um exercício para outro, salientamos que só é admitida na hipótese de haver provas da efetiva disponibilidade desses valores e a conseqüente aplicação dos recursos nos eventos que deram origem à variação patrimonial no exercício seguinte, visto que prevalece a presunção de que a renda foi consumida dentro do próprio ano. Nesse sentido o interessado não juntou qualquer elemento de prova que justificasse a retificação do lançamento em exame. Depósitos em Cheques e Dinheiro No tocante aos depósitos detectados pela fiscalização durante ação fiscal, cumpre-nos salientar que para que seja acatado o argumento do contribuinte e caracterizado a transferência do numerário entre contas do mesmo titular, se faz necessário à comprovação de operações a débito, no mesmo valor e data, para cada Fl. 1238DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 uma dos depósitos constantes na planilha de fls. 377 em outra conta onde fiscalizado também seja o titular. Tal circunstância não restou caracterizada nestes autos, tampouco os mesmos serem fruto de rendimentos já declarados em exercícios anteriores. Diligência Fiscal Nos termos do artigo 18 do Decreto n.º 70.235/72 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, “a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Somente justifica-se a formulação de pedidos de diligências pelo autuado quanto à matéria de fato, ou em razão da natureza técnica do assunto, cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos, quer pelo volume de papéis envolvidos na verificação, quer pela impossibilidade de deslocar os elementos materiais examináveis, quer seja pela localização da prova, que, por exemplo, pode encontrar-se em poder de terceiros, ou em outros procedimentos fiscais existentes. No caso em exame, indefere-se o pedido formulado por considerá-la completamente prescindível para a formação de convicção, porquanto os documentos acostados aos autos são suficientes para tal. Não há de se falar em intimação da empresa Eletropaulo, posto que a matéria objeto de análise é puramente interpretação jurídica de uma determinada situação de fato. Desnecessária a expedição de ofício ao Detran para comprovação da alienação do veículo Porshe Carrera 911, posto que a operação não importou em acréscimo patrimonial do fiscalizado, tampouco em incremento de rendimentos isentos para o período conforme anteriormente exposto. Quanto ao reexame dos documentos anexados ao processo, citado pedido possui caráter nitidamente protelatório, posto que não há necessidade de realização de diligência para reexame, por terceiros, de mesma matéria que já foi objeto de auditoria pela Fiscalização da RFB. A jurisprudência administrativa, de forma reiterada e pacífica, chancela este entendimento, como exemplificam os acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim ementados: DILIGÊNCIA - LIVRE CONVENCIMENTO DO JULGADOR - O simples fato de ter o contribuinte, com alegações de mérito estranhas ao lançamento, solicitado o cancelamento do auto não é suficiente para que se promova diligência. A diligência pode ser promovida para o melhor convencimento do julgador, se remanescer dúvida diante dos fatos presentes nos autos. (1º Conselho de Contribuintes / 8a. Câmara / ACÓRDÃO n.º 108-06.561 de 19/06/2001, publicado no D.O.U de 28/08/001) DILIGÊNCIA - O recebimento do pedido de diligência para ser acatado, requer a exposição dos motivos em que se fundamenta demonstre sua absoluta necessidade, visando fornecer ao julgador informações que não possam ser obtidas nos autos do processo fiscal. Preliminares rejeitadas. Recurso a que se nega provimento. (2.º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO n.º 203-06834 de 17/10/2000, publicado no DOU de 24/01/2001. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 17-29.920 Fl. 1239DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 2301-006.364 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003983/2007-49 6. Em vista do exposto, voto por rejeitar a preliminar, indeferir pedido de perícia, e no mérito, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 1240DF CARF MF
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