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Numero do processo: 10675.002805/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
LUCRO ARBITRADO. A falta de apresentação pelo contribuinte dos livros e documentos de sua escrituração, autoriza o arbitramento do lucro pela autoridade fiscal.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou juridica não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, mesmo depois de intimada a fazê-lo, dão sustentação à aplicação da presunção legal estampada no art. 42 da Lei n. 9.430/96.
MULTA DE OFICIO. CARÁTER NÃO CONFISCATÓRIO
A penalidade de» 75% (setenta e cinco por cento) não se constitui em multa de caráter confiscatório, porquanto aplicada em procedimento de lançamento de ofício, nos termos do art. 44, inciso I da Lei n° 9.430/96.
Numero da decisão: 1402-002.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das arguições de cunho constitucional e na parte conhecida negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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A falta de apresentação pelo contribuinte dos livros e documentos de sua escrituração, autoriza o arbitramento do lucro pela autoridade fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou juridica não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, mesmo depois de intimada a fazêlo, dão sustentação à aplicação da presunção legal estampada no art. 42 da Lei n. 9.430/96. MULTA DE OFICIO. CARÁTER NÃO CONFISCATÓRIO A penalidade de» 75% (setenta e cinco por cento) não se constitui em multa de caráter confiscatório, porquanto aplicada em procedimento de lançamento de ofício, nos termos do art. 44, inciso I da Lei n° 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das arguições de cunho constitucional e na parte conhecida negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone– Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 28 05 /2 00 6- 11 Fl. 1123DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por INSTITUTO DE EDUCAÇÃO CARLOS DRUMOND DE ANDRADE LTDA no qual se insurge em face de decisão da DRJ de Juiz de Fora/Minas Gerais que por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO à manifestação de inconformidade interposta, para considerar procedente o auto de infração e manter o crédito tributário exigido. Ante ao minucioso relatório da DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: Foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uberlândia/MG, em 04/10/2006, Auto de Infração para exigir da empresa supra identificada o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (fls. ll/19) no valor de R$750.179,90; a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 83.953,07; a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 30/40) no valor de R$ 24.213,87; a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 41/48) no valor de R$ 111.756,34. A estas exigências foram acrescidos os valoresda multa de oficio e os juros de mora, calculados com base na SELIC, totalizando assim, crédito tributário no montante de R$2.487.828,48. A empresa, conforme consta do relatório Fiscal, encontravase omissa na entrega da DIPJ a partir do anocalendário de 2000, assim como na entrega das DCTFs, a partir do ano de 2002. O contribuinte foi intimado a apresentar os livros contábeis e fiscais e os extratos bancários referentes aos anoscalendário de 2001 e 2002 e mesmo após várias dilatações do prazo, não logrou atendêlo. Por fim foi emitida a RMF e solicitando os extratos bancários às instituições financeiras com as quais a empresa mantinha movimentação. “De posse dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, procedemos à análise e consolidação dos mesmos, excluindo para fins de comprovação pelo contribuinte, da origem dos recursos creditados, dentre os depósitos e/ou créditos bancários, aqueles decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica, os empréstimos bancários e demais operações de crédito, exceto operações de desconto de duplicatas as quais decorrem de receitas integrantes da base de cálculo tributável. As devoluções de cheques sem fundos, os estornos de débitos e despesas bancárias, resgates de títulos de capitalização e restituições de quaisquer valores.” Intimado por diversas vezes a comprovar a origem dos depósitos, mediante documentação hábil e idônea e contribuinte pediu sucessivas prorrogações de prazo, que não foram atendidas pelo contribuinte. Face à não comprovação por parte do contribuinte, mediante documentos hábeis e idôneos, da origem de todos os depósitos e/ou créditos em suas contascorrentes, apesar de regulamente intimado, restou caracterizada a omissão de receita de conformidade com art, 42 da Lei 9.430/96. Como o contribuinte estava sujeito ao Lucro Real e não mantinha escrituração na forma das leis comerciais e fiscais foi feito o arbitramento do lucro. Com base nos depósitos bancários não comprovados foi lavrados os Autos de Infração referentes as contribuições para o PIS e para a COFINS, sendo abatidos os débitos confessados em DCTF. Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 10675.002805/200611 Acórdão n.º 1402002.977 S1C4T2 Fl. 3.785 3 A impugnação apresentada às fls. 959/967 contém em síntese os seguintes argumentos: 1) quebra indevida do sigilo bancário; 2) a não ocorrência do fato gerador; 3) pedido da produção de prova pericial e respectivos quesitos; 4) natureza confiscatória da multa. Conclui que o auto de infração e' improcedente por ter sido baseado em extrato bancário obtido sem autorização judicial, dandose a quebra indevida do sigilo bancário. Ter efetuado o lançamento do tributo por presunção sem que tenha efetivamente ocorrido o fato gerador e por exigir penalidade de natureza confiscatória. Pede o cancelamento do auto de infração, a prova pericial e a juntada de documentos a serem acostados antes do julgamento. O acórdão lavrado pela r. DRJ restou assim ementado: Assumo: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 LUCRO ARBITRADO. A falta de apresentação pelo contribuinte dos livros e documentos de sua escrituração, autoriza o arbitramento do lucro pela autoridade fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou juridica não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, mesmo depois de intimada a fazêlo, dão sustentação à aplicação da presunção legal estampada no art. 42 da Lei n. 9.430/96. MULTA DE OFICIO. CARATER NÃO CONFISCATORIO A penalidade de» 75% (setenta e cinco por cento) não se constitui em multa de caráter confiscatório, porquanto aplicada em procedimento de lançamento de ofício, nos termos do art. 44, inciso I da Lei n° 9.430/96 Lançamento Procedente A contribuinte apresentou o presente Recurso Voluntário em que sustenta ter havido quebra indevida do sigilo bancário por ato administrativo, o que violaria o direito inerente à vida, à intimidade e à privacidade, protegidos no art. 5º, XII da CF. Sustenta ainda que meros depósitos bancários não configuram fato gerador do imposto de renda nos termos dos art. 113 e 114 do CTN. Por fim, afirma que a multa de 75% violaria dos princípios constitucionais da igualdade, da proporcionalidade, da legalidade, do não confisco e da razoabilidade jurídica em matéria fiscal. Importante salientar que em relação à prova dos depósitos não contabilizados o contribuinte afirma: Efetivamente, a empresa não logrou localizar e exibir aos auditores fiscais autuantes, para ofender a intimações fiscais, os livros comerciais e fiscais, Fl. 1125DF CARF MF 4 bem como os documentos que pudessem comprovar a origem dos depósitos bancários, relacionados nas referidas intimações fiscais. A ausência da exibição dos livros e documentos de comprovação , no prazo concedido pelos auditores fiscais, deveuse ao fato de a empresa ter sido vítima de ação, possivelmente dolosa, de extravio de livros e de documentos contábeis por parte de servidores que trabalharam no setor de contabilidade da empresa e que, em momento de crise financeira foram demitidos. No intuito de tentar recuperar os livros e documentos tidos como extraviados, dentre os quais estão os que podem comprovar os supostos depósitos feitos em contascorrentes, a impugnante pediu prorrogações sucessivas dos prazos fixados para entrego, até que Mesmo com as dilações, o prazo concedido pelo senhor auditor fiscal para as comprovações, não foi suficiente para que a empresa reunisse a necessárias provas suficientes, mas, pretende, no devido tempo, antes do julgamento por esse Conselho, provar o alegado. É o relatório. Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10675.002805/200611 Acórdão n.º 1402002.977 S1C4T2 Fl. 3.786 5 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. 2. DO MÉRITO: Inicialmente, quanto ao eventual nulidade ante ao pedido administrativo de quebra do sigilo bancário, o E. Supremo Tribunal Federal entendeu por sua constitucionalidade ao julgar os autos do Recurso Extraordinário n. 601.314, relatoria do Ministro Edson Fachin, assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que Fl. 1127DF CARF MF 6 evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Assim, entendo não haver empecilhos legais ao procedimento adotado. Além disso, o reconhecimento de sua inconstitucionalidade, seria vedado pelo art. 62 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No que diz respeito à ocorrência do fato gerador, concordamos que os depósitos bancários em si não constituem fato gerador do Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. Ocorre que o art. 42 da Lei 9.430/1996 instituiu presunção simples, então possível de ser ilidida pelo contribuinte, de que depósitos com origem não comprovada constituiriam receita, transcrevo: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assim sendo, restaria ao contribuinte ilidir a presunção legal, ônus que não se desincumbiu, conforme suas próprias palavras transcritas no relatório. ante a afirmação da própria contribuinte de que não logrou comprovar a origem dos depósitos autuados, entendo justificada a apuração segundo o arbitramento. Assim já julgamos nos autos do processo administrativo n. 19311.720232/201597, acórdão 1402002.600, de relatoria do Conselheiro PAULO MATEUS CICCONE: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira e em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não faça prova de sua origem, com documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. A não existência, disponibilização ou exibição ao Fisco da escrituração exigida pela legislação durante a ação fiscal impõe o arbitramento do lucro na forma do artigo 530, inciso III, do RIR/1999, computandose as receitas omitidas apuradas pela fiscalização na base de cálculo da tributação. Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10675.002805/200611 Acórdão n.º 1402002.977 S1C4T2 Fl. 3.787 7 Por fim, aduz a Recorrente que a multa de 75% seria confiscatória e violaria inúmeros princípios constitucionais. Como já afirmei, fundamentos de índole constitucional não podem ser conhecidos por força do art. 62 do RICARF. Diante do exposto voto por manter o auto de infração em sua totalidade. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 1129DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001051/2008-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/03/2008 a 31/03/2008
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. BASE LEGAL. EXISTÊNCIA.
A multa aplicada à recorrente está amparada sim em dispositivo de lei, mais especificamente no art. 32, inc. IV, e §§ 4º e 5º, da Lei 8212/91, segundo os quais a empresa é obrigada a declarar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições, sob pena de multa de cem por cento do valor da contribuição não declarada, limitada aos valores constantes da tabela em anexo ao referido § 4º.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIAS PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF.
1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo.
2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental.
3. No PAF principal, e no que toca ao mérito do recurso (a legalidade da PLR), este Conselho, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, resultado este a ser replicado no presente julgamento.
Numero da decisão: 2402-006.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/03/2008 a 31/03/2008 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. BASE LEGAL. EXISTÊNCIA. A multa aplicada à recorrente está amparada sim em dispositivo de lei, mais especificamente no art. 32, inc. IV, e §§ 4º e 5º, da Lei 8212/91, segundo os quais a empresa é obrigada a declarar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições, sob pena de multa de cem por cento do valor da contribuição não declarada, limitada aos valores constantes da tabela em anexo ao referido § 4º. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIAS PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. 3. No PAF principal, e no que toca ao mérito do recurso (a legalidade da PLR), este Conselho, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, resultado este a ser replicado no presente julgamento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 31/03/2008 a 31/03/2008 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. BASE LEGAL. EXISTÊNCIA. A multa aplicada à recorrente está amparada sim em dispositivo de lei, mais especificamente no art. 32, inc. IV, e §§ 4º e 5º, da Lei 8212/91, segundo os quais a empresa é obrigada a declarar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições, sob pena de multa de cem por cento do valor da contribuição não declarada, limitada aos valores constantes da tabela em anexo ao referido § 4º. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIAS PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. 3. No PAF principal, e no que toca ao mérito do recurso (a legalidade da PLR), este Conselho, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, resultado este a ser replicado no presente julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 51 /2 00 8- 42 Fl. 269DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A DRJ/SP1 fez um relato preciso do lançamento e da impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: 1. Tratase de crédito tributário lançado através do Auto de Infração n° 37.130.8623, de 31/03/2008, lavrado por infração ao disposto no art. 32, inc. IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 225, inc. IV, § 4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por ter o contribuinte epigrafado apresentado Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP do período 03/2002 a 04/2006 com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. [...] 2.2. A empresa apresentou acordos para os anos de 2001 a 2005 (pagamentos de 2002 a 2006) com os títulos PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DAS EMPRESAS DOW. Referidos acordos especificam que o valor da participação do empregado é definido como sendo um percentual aplicado sobre o valor anualizado do salário. Este percentual é composto, dentre outros, por dois fatores básicos, comuns a todos os acordos: a) LUCRO ECONÔMICO GLOBAL DA DOW QUÍMICA: alcançado pela empresa em nível global, mediante critérios de apuração previamente definidos. Para que o trabalhador faça jus ao recebimento da parcela do PLR referente a este item (lucro global) é preciso que a empresa na qual ele trabalhe tenha contribuído com este lucro, levando em consideração o Fl. 270DF CARF MF Processo nº 19515.001051/200842 Acórdão n.º 2402006.518 S2C4T2 Fl. 3 3 volume de vendas líquidas, conforme metas específicas para cada empresa. As metas do Volume de Vendas Líquidas a serem alcançadas pelas empresas individualmente não estão especificadas nos acordos; b) DESEMPENHO INDIVIDUAL OU DA EQUIPE: as cláusulas referentes a este item determinam que para que os empregados recebam qualquer participação em função do desempenho individual, ou da equipe, é necessário que o seu supervisor compare as metas individuais com o resultado obtido pelo empregado. A empresa também não demonstrou de que forma os trabalhadores eram formalmente informados ou comunicados de quais são as metas individuais que os mesmos devem atingir para fazer jus a esta parcela do PLR; 2.3. para que a empresa tivesse a oportunidade de esclarecer estes dois pontos foi emitido um TIAD (Termo e Intimação para Apresentação de Documentos), anexo a este relatório, solicitando esclarecimentos. Os esclarecimentos feitos por escrito não demonstraram como os empregados tomavam conhecimento das metas; 2.4. os fatos expostos impossibilitam afastar tais pagamentos da base de incidência da contribuição previdenciária, em virtude do disposto no §9°, alínea “j”, do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, que diz não integrar o salário de contribuição exclusivamente a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; 2.5. para que os valores a título de PLR não integrassem o salário de contribuição dos empregados, deveriam ter sido cumpridas rigorosamente todas as exigências previstas na Medida Provisória n° 794/94 e suas reedições, e na Lei n° 10.101/00, dentre as quais destacase as do §1° do art. 2°; 2.6. desta forma os valores pagos a título de PLR, por integrarem o salário de contribuição deveriam § 5° da Lei n° 8.212/91. 3. Conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa e planilhas de cálculo, às fls. 3 e 31/119, foi aplicada multa no montante de RS 110.102,48 (cento e dez mil, cento e dois Reais e quarenta e nove centavos), correspondente a cem por cento das contribuições não declaradas, limitada a um valor por competência, em função do número de segurados [...]. [...] 5. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 01/04/2008 (fls. 1), interpondo aos 30/04/2008, a defesa, de fls. 124;131, acompanhada de cópia de peças do presente Auto de Infração, instrumento de Procuração, Ata de Reunião do Conselho de Administração, Ata de Assembléia, e cópia do Relatório Fiscal da NFLD n° 37.130.8640 (fls. 132/156). Em resumo, alega a defesa: Fl. 271DF CARF MF 4 5.1. preliminarmente, argumenta a Impugnante que multa a e sua atualização é desprovida de instrumento legal hábil que a suporte, padecendo de ilegalidade; [...] 5.4. no mérito, ainda que as preliminares não sejam acatadas, esclarece que foi autuada através da NFLD n° 37.130.8640 por ter supostamente deixado de recolher contribuições referentes a pagamento de participação nos lucros ou resultados da empresa, sendo referida notificação defendida pela Impugnante nos autos do processo 19515.001048/200829. No mérito tal notificação não deverá prosperar, pois os pagamentos a título de PLR estão de acordo com a Lei n° 10.101/00; 5.5. tendo em vista que a notificação ora impugnada é reflexiva e decorrente da NFLD n° 37.130.8640, processo 195l5.001048/200829, a decisão exarada no processo principal surtirá efeitos junto a estes autos, conforme a jurisprudência, razão pela qual pede a Impugnante que a decisão naquele processo tenha repercussão neste; 5.6 pelo exposto, a Impugnante pede o total acolhimento das preliminares, cancelandose a multa imposta, bem como seja reconhecida sua defesa principal, com a declaração de total improcedência da presente NFLD. A DRJ/SP1 reconheceu a decadência de parte do lançamento, conforme se vê, respectivamente, na conclusão, no resultado e na ementa a seguir transcritos: Conclusão 40. Considerando que o presente lançamento fiscal encontrase corretamente constituído, visto que foram cumpridos todos os requisitos à sua correta formalização de modo a permitir o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. 41. Considerando que em face da exclusão da competência atingida pela decadência, o crédito tributário decorrente da multa aplicada fica retificado de R$ 110.102,48 (cento e dez mil, cento e dois Reais e quarenta e oito centavos), para RS 107.714,85 (cento e sete mil, setecentos e catorze Reais e oitenta e cinco centavos). 42. Assim sendo, VOTO no sentido de considerar IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado. ......................................................................................................... Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros da 12” Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, mantendo parcialmente a multa aplicada, no montante de R$ 107.714,85 (cento e sete mil, setecentos e catorze Reais e oitenta e cinco centavos), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, respeitada, quanto à multa aplicada, a legislação de regência no que tange à retroatividade benigna, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c” do Código Fl. 272DF CARF MF Processo nº 19515.001051/200842 Acórdão n.º 2402006.518 S2C4T2 Fl. 4 5 Tributário Nacional, por força das alterações realizadas na Lei n° 8.212/91 pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Tendo em vista que o valor exonerado não atinge o limite de que trata o art. 1°, da Portaria MPS n° 03/2008, não cabe recurso de oficio desta decisão. ......................................................................................................... CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Declarada pelo STF, por meio de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. Às obrigações acessórias aplicase o prazo decadencial previsto no inciso I, do artigo 173 do Código Tributário Nacional. VALOR DA MULTA. ATUALIZAÇÃO VIA DECRETO. PORTARIA. LEGALIDADE. Constatada infração ao disposto no inciso IV, do artigo 32 da Lei n° 8.212/91, aplicase a multa prevista no § 5° do referido artigo, dentro dos critérios estabelecidos pelo artigo 92 do mesmo diploma legal, regulamentado pelo Decreto n° 3.048/99. A legalidade do procedimento encontra respaldo na necessária interpretação sistemática da legislação previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM DESACORDO COM LEI ESPECIFICA. Integram o saláriodecontribuição para os fins da Lei n° 8.212/91 a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada em desacordo com a Lei n° 10.101/2000. O montante exonerado não implicou a interposição de recurso de ofício. A contribuinte foi intimada da decisão em 20/09/2010, através de aviso de recebimento (fl. 185) e interpôs recurso voluntário em 19/10/2010 (fls. 186 e seguintes), no qual reafirmou os argumentos da impugnação relativos à (i) ausência de suporte legal para a aplicação da multa e (ii) acerca da lançamento havido no PAF principal. Sem manifestação ou contrarrazões pela Procuradoria. É o relatório. Voto Fl. 273DF CARF MF 6 Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da ausência de suporte legal para a aplicação da multa Reafirmando os fundamentos de sua impugnação, a recorrente assevera que a multa, sua gradação e sua atualização estariam desprovidas de suporte legal. Todavia, e conforme consta do próprio relatório fiscal, a multa aplicada à recorrente está amparada sim em dispositivo de lei, mais especificamente no art. 32, inc. IV, e §§ 4º e 5º, da Lei 8212/91, segundo os quais a empresa é obrigada a declarar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições, sob pena de multa de cem por cento do valor da contribuição não declarada, limitada aos valores constantes da tabela em anexo ao referido § 4º. Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do Fl. 274DF CARF MF Processo nº 19515.001051/200842 Acórdão n.º 2402006.518 S2C4T2 Fl. 5 7 valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) As questões relativas à ilegalidade do Decreto 3048/99 e da Portaria Interministerial MPS/MF 77/08 não devem ser acolhidas, pois o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de norma tributária, como explicita a sua Súmula nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, rejeitase a preliminar aventada pelo sujeito passivo, cabendo, pois, analisar o mérito recursal. 3 No mérito do resultado do PAF principal Conforme relatado, este lançamento decorre do descumprimento de obrigação acessória vinculada ao descumprimento de obrigação tributária principal (o pagamento de PLR em desacordo com lei específica), inclusive o valor lançado corresponde ao valor das contribuições devidas à seguridade social. Expressandose de outra forma, caso fossem insubsistentes as contribuições lançadas, seria igualmente insubsistente a multa aplicada neste Auto de Infração, tanto porque não haveria fatos geradores a serem informados em GFIP, quanto porque não haveria base de cálculo para a aplicação da sanção pecuniária, a qual incide sobre o valor relativo à contribuição. Pois bem. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o RICARF preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. Entre os processos reflexos incluemse os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies (vide § 8º do art. 6º do Regimento), como é o caso sob apreço. Muito embora o PAF principal já tenha sido julgado (vide fls. 234 e seguintes), e conquanto tal julgamento tenha sido levado a cabo por um colegiado com uma composição totalmente diferente, deve ser prestigiado o espírito condutor da norma do art. 6º encimado e o próprio princípio da segurança jurídica, devendo ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do PAF principal, no qual houve o lançamento das contribuições. Deve ser assinalado, aliás, que a única matéria distinta deste PAF (a violação ao princípio da reserva legal) foi julgada no tópico anterior. No PAF principal, e no que toca ao mérito do recurso (a legalidade da PLR), este Conselho, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, fazendoo nos seguintes termos: ACORDAM os membros do Colegiado, nas Preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência das competências até 03/2003, com base no S 4°, do artigo 150, do CTN. No mérito, por Fl. 275DF CARF MF 8 maioria de votos em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mess Stringari. Como o PAF principal não está em apenso, cabe transcrever o voto condutor do acórdão: DO MÉRITO DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR A Recorrente foi autuada por não ter incluído na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR, aos funcionários (referentes a cota pratronal de 20%, RAT 3% e Terceiros SESI, SENAI, SEBRAE, INCRA 3,3%), nos termos do art. 28, § 9°, "j" da Lei n. 8.112/91, que assim dispõe, verbis: [...] Da supracitada transcrição, constatase que o legislador visou a proteção não só do trabalhador, como também da Previdência Social, para que sejam excluídas da base de cálculo da Contribuição Previdenciária aqueles valores que de fato constituam Participação nos Lucros e Resultados PLR, pagos aos empregados a estimular o trabalho desenvolvido. A solução do litígio se resume em verificar se os pagamentos feitos pela Recorrente, a título de PLR, atenderam ou não às supracitadas normas, bem como à luz da hodierna jurisprudência. O STJ trouxe, de forma didática, os critérios a serem observados para aplicação da referida isenção, verbis: [...] Da análise da supracitada legislação, cumulada com as lições extraídas dos referidos julgados, abstraise que, no âmbito Judicial, para as verbas pagas a título de PLR serem excluídas da base de cálculo da Contribuição Previdenciária, deve atender, simultaneamente, ao que segue: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. No âmbito Administrativo, analisando caso análogo ao discutido nos autos, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 09 de março de 2010, julgando o Proc. n. 10680.009628/200705, prolatou o Acórdão n. 920200.503, de Relataria do Dr. Elias Sampaio Freire. Desse julgamento, mister se faz destacar as lições que embasaram o voto do Conselheiro Relator, verbis: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 19515.001051/200842 Acórdão n.º 2402006.518 S2C4T2 Fl. 6 9 "Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação específica deve, cumulativamente: a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também,por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regas claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos e quanto a fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais." (grifo nosso) Conforme esclarecimento prestado pela fiscalização na fl. 215, especificamente no item "3", subitens "10.1" e "10.2", respectivamente, constatase a presença das supracitadas letra "a" e "b". Da análise das fls. 04/19, verificase que não houve mais de dois pagamentos num mesmo ano, logo, presente a letra "e". Como a letra "f" trata sobre a resolução de litígio, a mesma se faz presente quando o mesmo ocorrer. Conforme fls. 36/37, cumulada com as fls. 165/200 dos autos, verificase a presença de regras claras e objetivas, além da ausência de complementação à remuneração, presente, portanto, as letras "b" e "d". Nesse aspecto, mister se faz destacar trechos do "ACORDO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DAS EMPRESAS DOW PARA O EXERCÍCIO DE 2003", constante na página 4, verbis: "A meta de participação fica baseada nos seguintes percentuais: • Lucro Econômico corresponderá a 50% da meta de participação, • Redução Global de Despesas Controláveis corresponderá a 25% da meta de participação e Fl. 277DF CARF MF 10 • Desempenho individual ou da equipe corresponderá a 25% da meta de participação. " Ademais, na mesma página 4 há todas as definições e conceitos relacionados ao PLR que a Recorrente paga aos seus funcionários. A fiscalização e DRJ entenderam que a Convenção Coletiva de Trabalho não trouxe regras claras e objetivas em relação às metas, razão pela qual, no que tange à letra "b", mister se faz trazer à baila os pontos de convencimento deste Julgador: Conforme destacado alhures, especificamente nas fls. 36/37, o próprio Relatório Fiscal destacou que consta na CCT, como critérios os seguintes: LUCRO ECONÔMICO GLOBAL DA DOW QUÍMICA x DESEMPENHO INDIVIDUAL OU DA EQUIPE. Este Julgador não constata nenhum problema em utilizar como parâmetro o "Lucro Global" da empresa, até porque, como destacou a Recorrente, por se tratar de uma multinacional, evita a disparidade entre os lucros recebidos pelos funcionários nos diversos países. A Recorrente sustenta e comprova que as metas eram traçadas pela equipe, juntamente com o supervisor. Sendo esse o ponto principal do caso em tela, tendo em vista que a DRJ entendeu haver um aspecto subjetivo, bem como ausência de regras claras e objetivas, razão pela qual manteve o lançamento. Da análise do supracitado Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, o mesmo transcreve trecho da CCT, que traz a mesma situação acima, conforme se extrai abaixo, verbis: [...] Logo, diante do exposto, verificase que o caso em tela é análogo ao ensejador da jurisprudência oriunda da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, que tem o condão de uniformizar a Jurisprudência Administrativa. Portanto, comprovado que os pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados estão em consonância com os critérios estabelecidos na legislação, não deve incidir Contribuição Previdenciária. Desta forma, este mesmo resultado deve ser replicado ao presente julgamento. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 278DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.911301/2009-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/09/2004
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA.
Não deve ser conhecido recurso especial quando ausente a necessária similitude fática entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas
Numero da decisão: 9303-007.259
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Não deve ser conhecido recurso especial quando ausente a necessária similitude fática entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 13 01 /2 00 9- 78 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10166.911301/200978 Acórdão n.º 9303007.259 CSRFT3 Fl. 213 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3802001.277, de 25 de setembro de 2012 (fls. 80 a 85 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada. Cuidase o presente processo de DCOMP – Declaração de Compensação, débito próprio, com crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. Inconformado com a homologação parcial da compensação pela instância "a quo", o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: o crédito não foi suficiente para quitar o débito informado porque a autoridade fiscal cobrou indevidamente multa de mora; é evidente a improcedência da penalidade, pois a multa a que se refere o art. 61 da Lei 9.430/96 somente se aplica na ocorrência de inadimplemento do tributo por culpa ou dolo do contribuinte e está claro que não houve atraso na quitação do tributo, vez que o Contribuinte, de boafé, cumpriu rigorosamente as normas emanadas do Legislativo Federal e SRF, ao tempo em que foram editadas as Lei nº 10.833/03 e 11.196/05 e as Instruções Normativas Nºs 468/2004 e 658/2006; não há que se falar em atraso de pagamento de tributo em função da compensação realizada, já que o recolhimento indevidamente a maior decorreu de incorreta interpretação dada pela SRF ao comando legal em comento, pois, à época do recolhimento, Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10166.911301/200978 Acórdão n.º 9303007.259 CSRFT3 Fl. 214 3 que sempre ocorreu nos seus respectivos vencimentos, a SRF houvesse interpretado corretamente o disposto na alínea “c” do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, não restaria crédito da contribuinte a compensar via PER/DCOMP e não teria levado o Contribuinte a refazer os cálculos, decorrendo daí novos valores de débitos e créditos, gerando, consequentemente, a compensação em questão; as normas tributárias de caráter interpretativo não podem retroagir para prejudicar, abrangendo aí a aplicação de multa, nos termos do art. 106 I do CTN (a lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados). Por fim, requereu que fosse homologada a compensação em sua integralidade e declarada nula a imposição de multa de mora decorrente do suposto recolhimento em atraso. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/09/2004 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). COMPROVADA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO REMANESCENTE. HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL. Uma vez comprovada a certeza e liquidez do crédito do crédito passível de restituição e que o valor do débito é igual ao valor crédito utilizado, homologase integralmente a compensação declarada. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10166.911301/200978 Acórdão n.º 9303007.259 CSRFT3 Fl. 215 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/09/2004 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NORMA INTERPRETATIVA. EFEITO RETROATIVO. EXCLUSÃO DA PENALIDADE. CABIMENTO. Em qualquer caso, deve ser excluída a penalidade por infração à norma tributária expressamente interpretativa e, portanto, com efeito retroativo, incluída, a multa de mora referente ao pagamento ou compensação realizada após o prazo de vencimento do tributo (art. 106, I, do CTN). Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 87 a 106) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao afastamento da multa de mora pela decisão recorrida, com o entendimento de que haveria no caso a incidência da retroatividade benigna, nos termos do art. 106 do CTN, aplicandose então o disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2005. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números 20219.497 e 210200.001. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos paradigmas, documento de fls. 107 a 150. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 166 a 170, sob o argumento que o acórdão recorrido decidiu por dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, com o entendimento de que seria cabível a incidência da retroatividade benigna, nos termos do art. 106 do CTN, para então aplicar o disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2005. A decisão recorrida ainda destaca que tal procedimento estaria em conformidade com o que determinava a Instrução Normativa SRF nº 658, de 04 de julho de 2006. Por sua vez, o acórdão paradigma de nº 20219.497 entendeu que a forma como é praticado o reajuste do preço da energia elétrica, não se enquadra nas regras do art. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10166.911301/200978 Acórdão n.º 9303007.259 CSRFT3 Fl. 216 5 109 da Lei n° 11.196, de 2005, e tampouco nas disposições do § 3° do art. 3° da IN SRF n° 658, de 2006. Com essas considerações, concluiuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 176 a 188, em que manifestou pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A controvérsia posta nos autos cingese à exigência de multa de mora aplicada a compensação em atraso. Vale ressaltar que o presente processo trata de DCOMP – Declaração de Compensação, débito próprio, com crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. Onde o contribuinte teve uma homologação parcial da compensação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 Compensação em Atraso – Exigência de Multa de Mora. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10166.911301/200978 Acórdão n.º 9303007.259 CSRFT3 Fl. 217 6 O débito para com a União, decorrente de tributo e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não compensado no prazo previsto na legislação específica, será acrescido de multa de mora. Também, vale ressaltar que no âmbito dos autos da Ação Anulatória n° 74185720104.01.3400, em curso na 21ª Vara Federal do DF, (fls 75) havia sido proferido sentença afastando a incidência da multa moratória em compensação de débitos/créditos da Cofins, em situação semelhante ao presente recurso. Desta maneira, no julgamento do recurso voluntário, o Colegiado a quo deu provimento total ao recurso para excluir a penalidade por infração à norma tributária expressamente interpretativa e, portanto, com efeito retroativo, incluída, a multa de mora referente ao pagamento ou compensação realizada após o prazo de vencimento do tributo (art. 106, I, do CTN) A fundamentação do acórdão recorrido, nessa parte, deuse nos seguintes termos: [...] Da leitura do Despacho Decisório colacionado aos autos, extraise que a causa do presente litígio foi a homologação parcial do presente procedimento compensatório, em face do valor do crédito utilizado ter sido inferior ao valor do débito compensado, acrescido da multa de mora, não incluída no computo do valor total do débito informado na DComp em apreço. A Turma de Julgamento de primeira instância manteve o referido Despacho Decisório, sob o argumento de que era devida a cobrança multa mora, porque a compensação fora realizada após o prazo de vencimento do débito e não havia previsão legal para aplicação, ao presente caso, dos efeitos da retroatividade benigna previstos no art. 106, I, do CTN, alegado pela Interessada. No presente Recurso, reafirmou a Recorrente a alegação de que, em face da retroatividade benigna prevista no art. 106, I, do CTN, no caso em tela, era indevida a cobrança da multa de mora sobre o valor do débito compensado, com base no argumento de que tinham natureza interpretativa as normas que introduziram modificação nos critérios de apuração da Contribuição Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10166.911301/200978 Acórdão n.º 9303007.259 CSRFT3 Fl. 218 7 para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas relativas aos contratos de longo prazo firmados, por preço determinado, anteriormente a 31 de outubro de 2003. De fato, por força dos esclarecimentos explicitados no art. 1091 da Lei 11.196, de novembro de 2005, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Instrução Normativa SRF nº 638, de 04 de julho de 2006, alterou o critério de apuração das referidas Contribuições incidentes sobre as receitas relativas aos citados contratos, nos casos de reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, para determinar, com efeito retroativo, que fosse adotado o regime da cumulatividade, ao invés do regime da não cumulatividade, estabelecido na Instrução Normativa SRF nº 468, de 08 de novembro de 2004. Em atendimento a essa nova orientação, a Recorrente refez os cálculos dos valores das Contribuições devidos e realizou a compensação dos novos débitos apurados com os pagamentos indevidos anteriormente realizados dos débitos apurados com base no regime de apuração anteriormente determinado, ou seja, na presente DComp, a Recorrente declarou a compensação do valor do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de julho de 2004, calculo segundo os critério do regime cumulativo, com o crédito do pagamento indevido da referida Contribuição do mesmo mês, apurado de acordo com o regime não cumulativo. Com base no conteúdo do art. 109 da Lei 11.196, de 2005, entendo que ele inequivocamente introduziu no ordenamento jurídico brasileiro norma tributária de natureza interpretativa, portanto, deve ser aplicada em consonância com o disposto no art. 106, I, do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicasse a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; [...]. No presente caso, o valor do débito compensado pela Recorrente foi apurado segundo o regime de incidência cumulativa, portanto, em conformidade com a nova orientação estabelecida no referido preceito legal e em cumprimento Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10166.911301/200978 Acórdão n.º 9303007.259 CSRFT3 Fl. 219 8 ao que determinava a Instrução Normativa SRF nº 638, de 04 de julho de 2006. Assim, em face dessa peculiaridade, a multa de mora devida em decorrência da compensação extemporânea do referido débito deve ser excluída, sob pena de afronta ao disposto no art. 106, I, do CTN. É oportuno esclarecer que, no caso em tela, não está em discussão a legalidade da cobrança da multa de mora nos casos de compensação de débito após o prazo de vencimento, em que, em situação normal, tanto o atraso no pagamento quanto a compensação realizada após o prazo de vencimento do tributo, obviamente, configura a mora do sujeito passivo, dando ensejo a aplicação da referida penalidade, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No entanto, a situação objeto da presente lide é distinta, ou seja, aqui se discute a legalidade da cobrança da multa de mora, na hipótese em que o sujeito passivo agiu em consonância com a orientação determinada por norma tributária expedida por autoridade competente da RFB e com efeito retroativo. Veja que, no presente caso, em decorrência do efeito retroativo da novel legislação, um critério diverso de apuração das Contribuições incidentes sobre as referidas receitas foi determinado pela própria Administração Tributária, consequentemente, o cálculo dos novos valores dos débitos atinentes aos períodos anteriores a edição das referidas normas, evidentemente, só poderia ser realizado após a data do vencimento das referidas Contribuições, logo, por impossibilidade material de retroceder no tempo, obviamente, não havia como a Recorrente proceder a quitação dos novos valores no prazo de vencimento originariamente estabelecido. Assim, resta demonstrada a necessidade de obediência ao mandamento estabelecido no inciso I do art. 106 do CTN, devendo ser excluída qualquer tipo penalidade decorrente da infração à norma interpretada, inclusive, a penalidade de natureza moratório. [...] Por fim, entendo oportuno ainda destacar que, no presente procedimento compensatório, o valor do crédito utilizado foi igual ao valor do débito Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10166.911301/200978 Acórdão n.º 9303007.259 CSRFT3 Fl. 220 9 compensado, ou seja, com a compensação em tela não houve qualquer prejuízo ou benefício à Fazenda Nacional nem tampouco à Interessada. De fato, a compensação em apreço teve o condão de restabelecer o mesmo efeito econômico financeiro decorrente do pagamento realizado na data de vencimento do tributo, fazendo com que a compensação não agravasse nem minorasse a situação de qualquer das partes, conferindo neutralidade ao procedimento compensatório. Com base nessas considerações, estou plenamente convencido que, no caso em tela, não cabe a aplicação da multa de mora sobre o valor do débito compensado na presente DComp, em consequência, inexiste o saldo remanescente do respectivo débito a ser compensado, conforme disposto no presente Despacho Decisório. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao presente Recurso, para homologar a compensação declarada. Depreendese da análise do acórdão recorrido que o objeto de discussão foi em torno sobre a legalidade da cobrança da multa de mora, na hipótese em que o sujeito passivo agiu em consonância com a orientação determinada por norma tributária expedida por autoridade competente da RFB e com efeito retroativo. Nesse aspecto encontrase diferença fática substancial, pois enquanto o aresto recorrido tratou da aplicação da multa, os acórdãos indicados como paradigmas tratam da questão acerca de descaracterização da condição de preço predeterminado, que as receitas decorrentes de contratos do setor elétrico não se aplicaria o disposto no art. 109 da Lei n° 11196/2005, pois cláusula de reajuste descaracterizaria o preço predeterminado que menciona o dispositivo. Ademais, o acordão recorrido trata de compensação, enquanto os acórdãos paradigmas tratam de auto de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, senão vejamos: ACÓRDÃO Nº 202-19.497 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10166.911301/200978 Acórdão n.º 9303007.259 CSRFT3 Fl. 221 10 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. Inocorrendo os vícios que caracterizariam a nulidade, é de se afastar as preliminares, prosseguindo-se na apreciação do mérito. PREÇO PREDETERMINADO. CONTRATOS FIRMADOS ANTES DE 31 DE OUTUBRO DE 2003. Consideram-se contratos com preço predeterminado aqueles com preço fixado em moeda nacional, como remuneração pela totalidade do objeto do contrato, por unidade de produto ou por período de execução. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, permanecem sujeitas à incidência cumulativa da Cofins até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n° 8.666, de 1993. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, só não descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art. 10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art. 109 da Lei 11.196, de 2005, e do art. 3°, §3°, da IN SRF 658/2006, se efetivado apenas em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1° do art. 27 da Lei n° 9.069, de 1995. Não sendo esta a situação, as receitas advindas destes contratos sujeitam-se, a partir da data do reajuste, ao regime de não-cumulatividade da contribuição para o PIS e da COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2004 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10166.911301/200978 Acórdão n.º 9303007.259 CSRFT3 Fl. 222 11 DECORRÊNCIA. Se questão especifica não foi impugnada, ao lançamento da contribuição para o PIS aplica-se o decidido em relação à Cofins, formalizada com base na mesma motivação. Recurso negado. (Processo nº 10380.001225/2007-94, Acórdão nº 202-19.497, 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, sessão de 02/12/2008) ACÓRDÃO Nº 2102-00.001 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2005 PIS E COFINS. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. A partir de 01/02/2004, para fins de apuração do PIS e da Cofins, o preço predeterminado não é descaracterizado apenas quando o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Recurso voluntário negado. (Processo nº 18471.000851/2006-75, Acórdão nº 2102-00.001, 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, sessão de 03/03/2009) Ressalta ainda que a matéria alegada em Recurso Especial da Fazenda sequer foi tratada na manifestação de inconformidade, senão vejamos: Compensação em Atraso – Exigência de Multa de Mora. O débito para com a União, decorrente de tributo e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não compensado no prazo previsto na legislação específica, será acrescido de multa de mora. Compensação – Observância das Condições da Lei. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10166.911301/200978 Acórdão n.º 9303007.259 CSRFT3 Fl. 223 12 A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, mas nas condições estipuladas pela lei. Fundamento de Inconstitucionalidade – Processo Administrativo Fiscal – Vedação Entendimento da SRF Expresso em Atos Normativos. É vedado ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. O julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Ora como se depreendese da análise acima, a matéria tratada no Recurso Especial da Fazenda sequer foi mencionada em etapas anteriores ou no acórdão recorrido, tornandose até preclusa essa matéria na fase recursal. Pois, o mérito da questão de descaracterização do preço predeterminado não foi abordado no acórdão recorrido, não cabendo sua 'discussão' em face de Recurso Especial. Verificase no acordão recorrido que foi aplicado a multa de mora de acordo com o art. 61 da Lei 9.430/1996, c/c art. 28 da IN SRF 460/2004. Diante disto, o crédito não foi suficiente para quitar o débito informado porque a autoridade fiscal cobrou a multa de mora. Essa é a questão basilar do presente processo. Os acórdãos paradigmas sequer trataram do assunto. Assim, havendo situação fática diversa entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas não se pode reconhecer a existência da divergência jurisprudencial, razão pela qual não deve ter prosseguimento o recurso especial da Fazenda Nacional. Diante do exposto, negase seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional por ausência de similitude fática. É o Voto. (assinado digitalmente) Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10166.911301/200978 Acórdão n.º 9303007.259 CSRFT3 Fl. 224 13 Érika Costa Camargos Autran Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723219/2012-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
A análise de conexão entre processos diversos quando não suscitada pelas partes e não confirmada não deve constar do julgado sob pena de gerar dúvidas quanto a sua interpretação, o que implica em obscuridade que deve ser corrigida através da exclusão do referido ponto, eis que desnecessário e estranho ao lide.
Numero da decisão: 2402-006.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos para que seja excluído do voto originário o trecho que trata da conexão entre o presente processo e o processo de número 10665.720.345/2013-46.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mario Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. A análise de conexão entre processos diversos quando não suscitada pelas partes e não confirmada não deve constar do julgado sob pena de gerar dúvidas quanto a sua interpretação, o que implica em obscuridade que deve ser corrigida através da exclusão do referido ponto, eis que desnecessário e estranho ao lide.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos para que seja excluído do voto originário o trecho que trata da conexão entre o presente processo e o processo de número 10665.720.345/2013-46. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mario Pereira de Pinho Filho.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. A análise de conexão entre processos diversos quando não suscitada pelas partes e não confirmada não deve constar do julgado sob pena de gerar dúvidas quanto a sua interpretação, o que implica em obscuridade que deve ser corrigida através da exclusão do referido ponto, eis que desnecessário e estranho ao lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos para que seja excluído do voto originário o trecho que trata da conexão entre o presente processo e o processo de número 10665.720.345/201346. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mario Pereira de Pinho Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 32 19 /2 01 2- 04 Fl. 688DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração, de fls 658/659 , opostos contra o v. Acórdão de fls. 598/603, que, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso do Contribuinte, para que os valores referentes a CPP Contribuição Previdenciária Patronal, eventualmente recolhido na sistemática do Simples no período autuado seja devidamente abatida para aferição do montante efetivamente devido. O referido julgado restou assim ementado: "EXCLUSÃO DO SIMPLES. Com a exclusão do SIMPLES a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado à lei. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Em seu recurso, a embargante afirma que não suscitou, nem implícita, nem explicitamente, interesse de conexão com o Processo 10665.720.345/201346 e que a menção a suposta conexão do presente feito com o caso alienígena implica em obscuridade do acórdão, visto que torna incompreensível o motivo da invocação desse fundamento pelo julgador. Assim, ao argumento de que "todas as decisões devem apresentar fundamentação lógica e coerente com os fatos do processo", requer o provimento dos embargos para sanarse a contradição apontada. Em seguida, observa que todos os débitos relativos ao presente AI estavam, à época da exclusão, parcelados, o que seria fato impeditivo para a ocorrência da sua retirada do Simples Nacional. Às fls. 659, prescreve: "Contudo, como a impugnação e pretensão recursal da Embargante se baseiam na regularidade da empresa e impossibilidade de sua exclusão do regime do Simples Nacional, evidentemente, demonstrase o vício de origem no nascimento da obrigação tributária vergastada, bem como de sua posterior constituição e lançamento." Fl. 689DF CARF MF Processo nº 11080.723219/201204 Acórdão n.º 2402006.462 S2C4T2 Fl. 742 3 Requer o provimento dos Embargos para, ao final, darse provimento total à defesa apresentada, com o reconhecimento da ilegal exclusão da empresa do Simples Nacional, sendo, portanto, desconstituída sua responsabilidade pelo débito perseguido. Às fls. 685 usque 687, os embargos declaratórios foram admitidos pelo em. Presidente da 2ª Seção de Julgamento, da seguinte maneira: "De fato, a exposição da embargante, revela pontos do acórdão que não estão claros, comprometendo o entendimento do decisum. Dessa forma, verificase que as questões apontadas necessitam de maior elucidação ou correção, se for o caso. Diante disso, admito os presentes embargos de declaração." Com isso, vieram os Embargos para julgamento. É o relatório. Fl. 690DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O Contribuinte foi intimado da referida decisão em 05/08/2016 (fl. 656). Dessa forma, o prazo de 05 dias para interposição dos embargos1 teve como termo final o dia 12/08/2016. Considerandose que os embargos foram protocolados no dia 12/08/2016 (fl. 657), verificase que são tempestivos. Tratase de embargos de declaração do contribuinte (fl. 658 e ss) opostos em face do acórdão de Recurso Voluntário 2803003.907, de 03 de dezembro de 2014 (fl. 598 e ss). O embargante afirma que não suscitou, nem implícita, nem explicitamente, interesse de conexão com o Processo 10665.720.345/201346 e que a menção a suposta conexão do presente feito com o caso alienígena implica em obscuridade do acórdão, visto que torna incompreensível o motivo da invocação desse fundamento pelo julgador. E cita o seguinte trecho da decisão: A contribuinte foi excluída no Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo, sendo que não se vislumbra a necessidade de apreciação do presente feito com o Processo 10665.720.345/201346, sem, contudo, trazer aos autos qualquer demonstração da necessidade de conexão. Ora, a conexão somente se deve operar quando há a necessidade de decisão uniforme, evitando, por consectário, julgamentos conflitantes. De fato, é possível que o julgador avalie a conexão entre processos e, de oficio, caso não seja o relator do mesmo, requeira a referida conexão ou, caso as regras de competência assim determinem, decline a relatoria a outro Conselheiro ou mesmo outra Turma, eis que tal proceder compõe suas funções no exercício do mandato no que se refere a triagem dos lotes e análise dos caso, conforme se pode ver em diversas disposições do RICARF. Entretanto, não verificando a necessidade de conexão e não havendo qualquer manifestação por parte do Recorrente ou da Fazenda Nacional a esse respeito, não se faz necessário tratar da questão no voto. Assim, acolho os Embargos neste ponto para excluir do Acórdão o trecho anteriormente transcrito. Quanto a alegação do Embargante de que o fundamento recursal foi o de que todos os débitos encontravamse parcelados, com exigibilidade suspensa, impedindo a referida exclusão, fazendo referência a documentos comprobatórios apresentados sobre a questão e que, como a impugnação e a pretensão recursal da embargante tem por base a regularidade da empresa e impossibilidade de sua exclusão do regime do Simples Nacional, evidentemente, demonstrase o vício de origem no nascimento da obrigação tributária vergastada, bem como de sua posterior constituição e lançamento. A decisão, no entanto, não merece retoques. O Relator abordou os tópicos recursais de modo sucinto, porém alinhando ao contexto da discussão recursal. A leitura da peça de insurgência deixa claro que a construção argumentativa do recorrente consistia na alegação de que este não poderia ter sido excluído do Simples eis que os débitos que fundamentaram o Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº Fl. 691DF CARF MF Processo nº 11080.723219/201204 Acórdão n.º 2402006.462 S2C4T2 Fl. 743 5 331873, de 22 de agosto de 2008 (fls. 120), com efeitos a partir de 01/01/2009 estavam parcelados. Em que pese a tratase de uma consequência lógica, onde a impossibilidade de exclusão do Simples impediria a constituição do presente crédito, tais discussões, como já amplamente tratado nos Acórdãos de Impugnação e Recursal não integram a mesma lide. O presente lançamento foi realizando em momento onde o direito ao regime especial de apuração simplificada e com alíquotas favorecidas estava sem efeito, a manutenção dos efeitos de tal regime deveria ter sido objeto de discussão própria e que não foi realizada, portanto, a eventual ilegalidade de exclusão do recorrente do Simples ante ao fato dos tributos que outrora fundamentaram o referido Ato Declaratório estarem parcelados não teriam o condão de inviabilizar o lançamento de que o presente processo. Assim, não vislumbro equívoco da decisão embargada neste ponto. CONCLUSÃO. Por todo exposto, voto por acolher parcialmente os referidos embargos para excluir do voto o trecho que trata da conexão entre o presente processo e o processo de número 10665.720.345/201346. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 692DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.013964/96-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/1996 a 31/07/1996
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF N.º 1.
A teor da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/1996 a 31/07/1996 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF N.º 1. A teor da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF N.º 1. A teor da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 01 39 64 /9 6- 74 Fl. 370DF CARF MF 2 Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Por buscar trazer uma síntese do processo desde a lavratura do Auto de Infração, transcrevo o relatório da Resolução nº 1101000.038, de 01/02/2012, por meio da qual o presente processo foi redirecionado para esta 3ª Seção de Julgamento: "HSBC FINANCE (BRASIL) S/A BANCO MÚLTIPLO (ANTIGA RAZÃO SOCIAL BANCO CCF BRASIL S/A, contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob nº 33.254.319/000100 com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, à Rua Jorge Coelho, nº 16 – 1º ao 5º andares – Bairro Itaim Bibi, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls.231/238, prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP I, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 244/265. Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo SP, em 16/12/1996, Auto de Infração de Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 01/07), com ciência pessoal, em 16/12/1996 (fl. 01), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 2.586.351,77, a título de contribuição para o PIS/PASEP, acrescidos da multa de ofício normal de 100% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor da contribuição referente ao exercício de 1997, correspondente ao anocalendário de 1996. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora constatou que a instituição financeira autuada deixou de efetuar o recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referente aos fatos geradores a seguir indicados, considerandose amparada na liminar obtida no Mandado de Segurança no. 94.03.0852658, impetrado junto ao E. Tribunal Regional Federal da 3ª. Região, em face do insucesso colhido na impetração do M.S. no. 94.00204329, junto à 17ª. Vara da Justiça Federal em São Paulo. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do próprio Auto de Infração que não procede a pretensão, de vez que as ações judiciais acima referidas, impetradas em face da Emenda Constitucional de Revisão nº. 01/94, que deu nova redação ao artigo 72, inciso V, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, dizia respeito a Contribuição para o PIS estabelecida para os fatos geradores de junho/94 a dezembro/95, enquanto que os fatos geradores objeto deste auto de infração (janeiro/96 a julho/96), que decorrem do disposto na Emenda Constitucional no. 10/96, não se encontram amparados na liminar obtida. Em sua peça impugnatória de fls.13/29, instruída pelos documentos de fls. 30/72, apresentada, tempestivamente, em 15/01/1997, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13805.013964/9674 Acórdão n.º 3402005.555 S3C4T2 Fl. 371 3 que com a suspensão dos DecretosLeis 2445/88 e 2449/88, em virtude da edição pelo Senado Federal da resolução n° 49, face à declaração de inconstitucionalidade destes diplomas legais pelo Supremo Tribunal Federal, a Lei Complementar n° 07/70, já definida em diversas decisões como sendo a norma reguladora do PIS, passou a regular, novamente, a sistemática de recolhimento da referida contribuição; que, entretanto, em relação às instituições financeiras, tais como a Impugnante, os efeitos da referida Lei Complementar encontravamse suspensos pela Emenda Constitucional de Revisão n° 01/94, que criou o Fundo Social de Emergência, estabelecendo, especificamente para as referidas instituições e equiparadas, uma sistemática distinta de recolhimento do PIS, relativamente à sua base de cálculo e alíquota e que vigoraria por 18 (dezoito) meses, ou seja, de julho de 1994 a dezembro de 1995; que resta claro, portanto, que a Emenda Constitucional de Revisão n° 01/94 tratavase de norma de vigência temporária que não revogou a norma anterior (Lei Complementar n° 07/70), mas tão somente suspendeu sua eficácia pelo período a que se destinava produzir efeitos; que a liminar deferida afastou a aplicação da MP 517/94, e todas as outras que lhe substituíram, inclusive a MP 1.353/96, publicada no DOU de 13103/96, razão pela qual improcede a exigência contida no auto ora impugnado; que sendolhe deferida a liminar, a Impugnante recolheu o PIS na forma prevista pela Emenda Constitucional de Revisão n° 1/94, ou seja, 0,75% sobre a receita bruta operacional, até dezembro de 1995, quando a, referida Emenda perdeu sua eficácia e a contribuição voltou a ser devida na forma como prevista na Lei Complementar n° 07/70; que importante ressaltar que a Medida Provisória n° 517/94 está sendo reeditada até a presente data, e continuará sendo até que seja convertida em lei, como uma forma a assegurar a sua efetividade, razão pela qual seus efeitos alcançam tão somente a contribuição do PIS devido no período de vigência da Emenda Constitucional de Revisão n° 1/94, padecendo de fundamentação jurídica a cobrança do referido tributo relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1996, com base na referida Medida Provisória; que a liminar concedida à Impugnante afastou a aplicação da Medida Provisória que modificou o conceito de receita bruta operacional. Assim quer em relação aos fatos geradores ocorrido até dezembro de 1995, na vigência da EC 1/94, ou ocorridos a partir de 1996, na vigência da EC 10/96, não está a Impugnante obrigada a acatar as modificações na base de cálculo do PIS contidas na referida Medida Provisória, posto que amparada por liminar; que possuindo a Impugnante liminar concedida em Ação de Mandado de Segurança, na qual se discute a Inconstitucionalidade da Medida Provisória n° 517/94 e suas reedições, é de se estender os efeitos da medida obtida aos fatos geradores posteriores a janeiro de 1996; que, portanto, absolutamente demonstrado pela Impugnante que a Medida Provisória n° 1.353/96 não pode ser aplicada sendo certo que os valores recolhidos a título de PIS, a partir do fato gerador de janeiro de 1996 estão corretos, eis que calculados de acordo com a base de cálculo definida na Emenda Constitucional n° 10/96. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, em 22/11/2007, os membros da Oitava Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP I concluíram pelo indeferimento da solicitação, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 231/238): Fl. 372DF CARF MF 4 que, para usufruir do beneficio fiscal previsto na Lei n° 9.779/99, o pagamento deve ser integral, ressalvada a hipótese prevista em seu § 6°. Não se sustenta, portanto, o argumento apresentado pelo interessado; que cabe observar que a IN SRF n° 204/2002, mencionada pela reclamante, não há de ser aqui considerada, pois referido ato normativo aplicase apenas às entidades referidas no art. 5° da MP n° 2.222/2002 (entidades abertas ou fechadas de previdência complementar, sociedades seguradoras e administradores do Fundo de Aposentadoria Programada Individual FAPI que optaram pelo regime especial de tributação); que tratase, portanto, de verificar se o pagamento efetuado pelo contribuinte é integral ou não, ou seja, se contempla a totalidade dos débitos discutidos na ação judicial; que, embora a matéria não seja objeto dos MS 94.00204329 e 94.03.0852658, cujas desistências foram requeridas pelas petições de fls. 82 e 93, constatamos que a questão é objeto de discussão em outras ações judiciais intentadas pelo contribuinte. Conforme os documentos juntados às fls. 211/222, pertinentes ao Agravo de Instrumento n° 2003.03.00.0546780, a Sexta Turma do TRF 3º Região, por unanimidade, deu parcial provimento ao agravo de instrumento, julgando prejudicado o agravo regimental, consoante voto da Desembargadora Federal Consuelo Yoshida (fls. 641), para determinar o recolhimento do PIS, nos termos da Lei ° 7/70, nos períodos de 1° de janeiro de 1996 a 06 de junho de 1996 e de 1° de julho de 1997 a 23 de fevereiro de 1998; que de fato, em consulta junto ao site do TRF 3ª Região (http://www.trf3.gov.bk), localizamos a Ação Ordinária n° 2003.61.00.0130761 (fls. 224/230) em que foi prolata a sentença procedente "para garantir ao autor o direito de recolher as contribuições para Programa de Integração Social — PIS, relativas ao período de janeiro de 1996 a dezembro de 1999, com a base de cálculo prevista na Lei Complementar n° 07, de setembro de 1.970" (fls. 230). A União foi condenada a restituir os valores recolhidos a maior a título de PIS, nos moldes da Lei n° 9.701/98 e na MP n° 1.807/99; que sendo assim, a determinação do débito relativo ao período autuado, seja ele apurado nos termos da EC n° 10/96, seja ele calculado com base na LC n° 7/70, é matéria sub judice, como acima demonstrado, e, conseqüentemente, não há de ser apreciada na instância administrativa em razão da concomitância de ação judicial; que configura entendimento pacífico no âmbito das Delegacias de Julgamento (DRJ) que a propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Tal entendimento, aliás, está expresso no ADN COSIT n° 3/96, que dispõe sobre o tratamento a ser dispensado ao processo fiscal que esteja tramitando na fase administrativa quando o contribuinte opta pela via judicial; que destarte, e considerando o que determina o ADN COSIT n° 3/96, entendo que a manifestação de inconformidade não deve ser conhecida na parte em que discute a apuração do débito do período autuado (janeiro/1996 a julho/1996), se pela EC n° 10/96 ou pela LC n° 7/70, haja vista a constatação de concomitância de ação judicial; que como corolário da discussão judicial, é de se ressaltar que a parcela do crédito tributário lançado que se encontra sub judice deve se considerada como lançamento destinado a prevenir a decadência, cuja procedência ou não há de aguardar o trânsito em julgado da sentença no respectivo processo judicial; que a discussão de mérito quanto à integralidade ou não do pagamento efetuado em 26.02.1999 pelo contribuinte, requisito essencial para o reconhecimento do beneficio fiscal consoante abordado na parte inicial deste Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13805.013964/9674 Acórdão n.º 3402005.555 S3C4T2 Fl. 372 5 voto, também está a depender da decisão judicial definitiva, porquanto o montante do débito devido apenas será conhecido após terminada referida discussão judicial. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1996 Ementa: CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece da manifestação de inconformidade quanto às matérias discutidas em ações judiciais. LEI N° 9.779/99. ANISTIA. Para usufruir do beneficio fiscal é necessário que haja o pagamento integral do débito correspondente. Solicitação Indeferida. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 28/12/2007, conforme Termo constante à fl. 243, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (24/01/2008), o recurso voluntário de fls. 244/265, instruído pelos documentos de fls. 266/272, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. Na Sessão de Julgamento de 19 de outubro de 2009, resolveram os membros da 1ª TO – 3ª Câmara – 3ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, declinandose da competência para a Primeira Seção do CARF, em conformidade com o RICARF, anexo II, art. 2º, inciso VII." (efls. 336/339) Após a prolação da referida Resolução, foram anexados aos presentes autos, em agosto de 2013, a inicial e o acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região referente à mencionada ação ordinária n.º 2003.61.00.0130761/SP (efls. 344/368). O referido acórdão deu provimento à Apelação da União Federal nos seguintes termos (efl. 365): Em consulta ao andamento processual do referido processo1, observase que ele se encontra sobrestado desde 19/03/2015 para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal FederaL STF do Recurso Extraordinário RE 578.846/SP2. 1 Consulta ao extrato de andamentos do processo realizada no endereço eletrônico do TRF3, disponível em http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=00130760320034036100. Acesso em 10/08/2018. 2 Cumpre mencionar que referido processo foi julgado em 06/06/2018, em acórdão ainda pendente de publicação, assim sintetizado no endereço eletrônico do Supremo Tribunal Federal: "O Tribunal, por maioria e nos termos do Fl. 374DF CARF MF 6 É o relatório. voto do Relator, apreciando o tema 665 da repercussão geral, negou provimento aos recursos, vencido parcialmente o Ministro Marco Aurélio, que dava provimento ao recurso de Santos Corretora de Câmbio e Valores S/A. Ao final, o Tribunal, por maioria, fixou a seguinte tese: "São constitucionais a alíquota e a base de cálculo da contribuição ao PIS, previstas no art. 72, V, do ADCT, destinada à composição do Fundo Social de Emergência, nas redações da ECR 1/94 e das EC 10/96 e 17/97, observados os princípios da anterioridade nonagesimal e da irretroatividade tributária". Vencido o Ministro Marco Aurélio na fixação da tese. Ausentes, justificadamente, os Ministros Celso de Mello, Luiz Fux e Roberto Barroso, e, neste julgamento, o Ministro Gilmar Mendes. Presidiu o julgamento a Ministra Cármen Lúcia. Plenário, 6.6.2018." (Disponível em http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=2597075. Acesso em 10/08/2018) Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Pela simples leitura das razões do Recurso Voluntário às efls. 259/269, observase que o seu mérito é integralmente discutido na ação judicial n.º 2003.61.00.013076 1/SP, cuja inicial indica expressamente o presente processo dentre aqueles envolvidos naquela demanda. Vejamos, primeiramente, os tópicos aventados no mérito do Recurso: III.1 — Da Inexigibilidade do PIS nos termos da Emenda Constitucional no 10/96 e das Medidas Provisórias que a regulamentaram III.1.a. — As Medidas Provisórias regulamentadoras da Emenda Constitucional no 10/96 — Modificação da base de cálculo da Contribuição ao PIS III.1.b. — Vedação expressa na utilização de Medida Provisória III.1.c. Dos Princípios Constitucionais da Irretroatividade e Anterioridade III.2 Da Competênca deste E. Conselho para não aplicar Lei que afrontam Constituição Federal Vejamos, agora, a exata reprodução do pedido veiculado naquela ação judicial, conforme inicial acostada às efls. 357/358 destes autos: Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13805.013964/9674 Acórdão n.º 3402005.555 S3C4T2 Fl. 373 7 Nesse sentido, não cabe ser conhecida a discussão de mérito veiculada pela Recorrente, vez que coincidente com aquela já travada em sede judicial, caracterizando a concomitância e a correspondente renúncia às instâncias administrativas, em conformidade com a Súmula CARF n.º 1: Fl. 376DF CARF MF 8 "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." A única discussão que caberia ser analisada no presente processo, como admitido pela própria Recorrente em seu Recurso (efl. 257), seria a discussão em torno da suposta inaplicabilidade da taxa SELIC aos débitos (item III.3 do Recurso Voluntário), discussão essa já sedimentada na Súmula CARF n.º 4, que expressa: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Assim, cabe conhecer em parte o Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720007/2016-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Carmen Ferreira Saraiva, que lhe negaram provimento, e Eva Maria Los, que não concordou com os termos da diligência. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Eva Maria Los.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição a conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício).
Relatório
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Carmen Ferreira Saraiva, que lhe negaram provimento, e Eva Maria Los, que não concordou com os termos da diligência. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Eva Maria Los. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição a conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 00 7/ 20 16 -4 5 Fl. 9185DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório 1. O presente processo trata de Autos de Infração emitidos para exigência de IRPJ, CSLL, PIS E COFINS DO ANO DE 2011. 2. A descrição dos fatos e o enquadramento legal constam dos Autos de Infração anexados ao processo, de onde se extrai: INFRAÇÕES APURADAS 3. IRPJ – IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA ARBITRAMENTO DO LUCRO Foi efetuado arbitramento do lucro, tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo de intimação em anexo, deixou de apresentálos; não manteve escrituração na forma das leis comerciais e fiscais; revelou indícios de fraude e deficiências que tornou a contabilidade imprestável para a determinação do lucro real. 3.1 OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL INFRAÇÃO: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto à instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme relatório fiscal em anexo. O lançamento foi efetuado com aplicação de multa de ofício de 150% e juros de mora regulamentares. 4. CSLL – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 4.1 OMISSÃO DE RECEITA INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA SOBRE RECEITAS DA ATIVIDADE OMITIDAS Valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto à instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme relatório fiscal em anexo. O lançamento foi efetuado com aplicação de multa de ofício de 150% e juros de mora regulamentares. 5. PIS – CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP 5.1 INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto à instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme relatório fiscal em anexo. O lançamento foi efetuado com aplicação de multa de ofício de 150% e juros de mora regulamentares. 6. COFINS – CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL 6.1 INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À COFINS Valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme relatório fiscal em anexo. Fl. 9186DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 4 3 O lançamento foi efetuado com aplicação de multa de ofício de 150% e juros de mora regulamentares. TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Descrição dos fatos – Detalhamento 7. O procedimento administrativo fiscal foi iniciado em virtude de MPF, para verificações regulamentares. Intimado o contribuinte, apresentados diversos documentos, constatouse: 7.1. O contribuinte utilizava o nome empresarial NBA GESTAO DE NEGOCIOS E COMERCIO LTDA. Aos 09/08/2010 alterou o nome para PLATINA GESTAO DE NEGOCIOS LTDA. No AC de 2010 a forma de tributação adotada pelo contribuinte foi a do Lucro Real. Para o período de 2011 a 2013, o contribuinte optou pela forma de tributação pelo Lucro Presumido. O período em análise neste relatório reportase unicamente ao AC de 2011. 7.2. Foi requisitada a movimentação financeira da empresa, considerando a incompatibilidade desta com os valores declarados em DIPJ. Apresentados os extratos bancários pela fiscalizada, constatouse uma movimentação financeira declarada em DIMOF da ordem de R$ 45.000.000,00, enquanto a receita declarada em DIPJ importou em R$309.500,00. 7.2.1. Intimado a esclarecer tal discrepância, a fiscalizada declara que recebe valores de terceiros e os segrega em sua contabilidade. O contribuinte não apresentou documentos hábeis a comprovar o alegado, nem tampouco sua contabilidade reflete as operações mencionadas. 7.2.2. Foi elaborada planilha contendo os recebimentos bancários e alguns pagamentos, apresentada ao contribuinte para identificação da origem dos recursos, com comprovação documental. Em síntese, a fiscalizada informa tratarse, em alguns casos de recebimentos “procoop” e outros, argumenta tratarse provavelmente de estornos (não localizados pela auditoria). 7.2.2.1. Como comprovação documental, a fiscalizada apresentou contrato celebrado entre ALSARAIVA COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E PARTICIPCAÇÕES E NBA GESTÃO DE NEGÓCIOS E COMÉRCIO (antiga denominação da PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA). Reza tal contrato que a auditada deverá reter em seu favor o valor correspondente a 10% da quantia mensal arrecadada a título de “procoop”; o contribuinte não efetuou tais lançamentos contábeis nem levou ao resultado do exercício e consequentemente à tributação tais valores. Intimada a esclarecer acerca da composição do resultado em comento, a empresa se contradiz, apresentando outra forma de cálculo de suas receitas. Dos esclarecimentos prestados pela fiscalizada, concluiuse que a autuada não se utilizou de nenhuma das diversas formas de apuração de receita por ela apontadas. 7.2.2.2. Acrescenta que a fiscalizada não demonstrou de qual maneira apuraria, controlaria ou conferiria sua própria receita. Ressalta que nunca foram apresentados à fiscalização documentos hábeis e idôneos que comprovassem a origem e natureza dos recebimentos. 7.3 Instada a esclarecer acerca das notas fiscais de faturamento à empresa ALSARAIVA, admitiu que, à época, faturava apenas proporcionalmente a seus custos e despesas contábeis. Nesse momento entendeuse como a empresa declarou na DIPJ sua receita Fl. 9187DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 5 4 para fazer frente às suas despesas e custos, espelhou um valor na receita e apresentou sua declaração. 7.4. Da análise dos lançamentos contábeis, da Demonstração de Resultado do Exercício e da declaração de IRPJ da autuada, notese todas compatíveis entre si, observouse que os valores levados a efeito como receita não se referem nem a 10% dos valores supostamente recebidos a título de “procoop”, como consignado no contrato apresentado, nem à diferença entre os valores recebidos e os gastos, conforme declarado, nem ao custo de administração pela gestão da propaganda previsto no contrato entre a franqueadora e a franqueada, 5%. 7.5. Além de todo o exposto, conforme artigo 246, inciso VI, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº. 3.000, de 26/03/1999 c/c artigo 14 da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, estão obrigadas a apuração do lucro real as pessoas jurídicas que, entre outras, explorem as atividades de gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber. Apesar de alterar seu objetivo social em dezembro/2010, a empresa manteve a atividade em sua denominação social: PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA. 7.5.1. Se a empresa realmente era a gestora do fundo de propaganda do grupo Habib’s não poderia ter optado pelo regime de lucro presumido e deveria ter continuado a entregar sua escrituração contábil por meio do sistema público de escrituração digital SPED. No entanto, não foi possível confirmar a real atividade da empresa, uma vez que a mesma não apresentou os documentos que pudessem confirmála. 8. Em complementação ao já apurado, o fisco traz ao processo informações obtidas em diligência anterior, efetuada junto à ALSARAIVA COMÉRCIO E EMPREENDIMENTOS. Em Síntese: 8.1 A sistemática para a cobrança das taxas de royalties e propaganda foi muito bem arquitetada e busca, propositadamente, dificultar o entendimento de algum eventual fiscal da receita que examine a operação, deixando até contadores mais experientes um pouco confusos. 8.2. Os softwares HABIB`s utilizados nas lojas só podem ser acessados por intermédio da internet, com a utilização de um arquivo executável instalado em um pendrive, que fica em poder da secretária financeira de cada loja. O software de gestão da rede, instalado nos restaurantes subfranqueados e na cozinha central recebe diariamente todas as receitas e despesas e, portanto, registra os valores exatos da performance financeira de cada estabelecimento, e CONVERTE automaticamente estes valores de modo que, nos relatórios emitidos apareça somente 50% dos valores efetivamente realizados pelas subfranqueadas. A forma operacional da empresa é utilizada em toda a rede no Brasil permite que todas as informações que trafegam em meio eletrônico entre franqueados e franqueador jamais demonstrem os valores em sua íntegra, dificultando sobremaneira uma eventual autuação. 9. Tendo em vista o apurado, foi efetuado o lançamento de ofício para exigência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes aos valores creditados em contas correntes do contribuinte cujas origens não foram comprovadas, acrescidos de multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora regulamentares e efetuada representação fiscal para fins penais. Fl. 9188DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 6 5 10. Foi efetuada sujeição passiva solidária para os contribuintes JOÃO AUGUSTO RIBEIRO PENNA – sócio administrador da autuada, BELCHIOR SARAIVA NETO administrador não sócio e BELSARAIVA COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Ciência 11. A ciência dos Autos de Infração aos interessados: i) PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA, via postal, aos 29/01/2016, conforme AR à fl. 4175. ii)BELSARAIVA COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, via postal, em 01/02/2016, conforme AR à fl. 4185 iii) JOÃO AUGUSTO RIBEIRO PENNA, via postal, aos 01/02/2016, conforme AR à fl. 4195. iv) BELCHIOR SARAIVA NETO, via postal, aos 01/02/2016, conforme AR à fl. 4206. 12. Cientificados dos lançamentos, os sujeitos apresentaram as seguintes impugnações: PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA – Impugnação 13. A tempestividade da impugnação. 14. A impugnante é a agência de publicidade que gere o fundo de propaganda e marketing cooperado da rede HABIB’s. Assim, a movimentação bancária da impugnante é caracterizada pela intermediação de valores de terceiros, que possuem tratamento tributário específico, vinculado aos repasses realizados às diversas campanhas publicitárias. 15. A descrição dos atos fiscalizatórios, as motivações para as exigências e as convicções arbitrariamente formalizadas pelo fisco não se sustentam e não guardam qualquer correlação lógica. 15.1 A exigência se baseia na presunção de omissão de receita a partir de depósitos bancários não comprovados, se demonstrou todas as lojas/franquias depositantes, de modo que, a exigência tem origem na desqualificação das atividades desenvolvidas pela autuada. Em verdade, houve uma discordância quanto ao critério de apuração do faturamento da impugnante, e não uma impossibilidade de sua apuração, o que, de antemão, torna o arbitramento insustentável. 15.2 Houve a distorcida dedução dos respectivos valores de IRPJ. CSLL, PIS e COFINS declarados em DCTF, bem como não houve a dedução do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e CSLL. 15.3 A discordância quanto à contabilização da movimentação bancária fundamentou o arbitramento, que foi apurado a partir dos depósitos bancários; estes mesmos fatos foram utilizados na qualificação da multa de ofício. 16. Apesar da inexistência de correlacionamento específico, influenciaram decisivamente as conclusões do fisco: Fl. 9189DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 7 6 Diligência fiscal realizada em outro contribuinte 16.1 O fisco menciona a transferência de contratos entre a franqueadora e as franquias, obtidas no curso de uma diligência, na qual a impugnante não participou e não teve oportunidade de apresentar qualquer manifestação ou defesa. Tratase de vício grave e insanável, capaz, por si só, de nulificar a exigência. 16.1.1 Os contratos de franquia obtidos foram grosseiramente mal vinculados ao contrato de prestação de serviços firmado entre a impugnante e a franqueadora. O fato da autuada não figurar no site institucional do HABIB`s não significa que não desenvolvam as suas respectivas atividades de publicidade das franquias. Denúncia formulada em ação indenizatória em Porto Alegre 16.2 Da mesma forma, não foi apresentado à impugnante qualquer documento relacionado à ação indenizatória ajuizada em Porto Alegre, nem mesmo os trâmites administrativos que levaram a efeito tal compartilhamento. O “esquema de sonegação” denunciado pela demandante foi ocasionado por insatisfações comerciais que intentaram série de medidas judiciais com vistas obter vantagens indevidas. 16.2.1 A ação impetrada não chegou a decisão de mérito, sendo arquivada sem o prosseguimento com o contraditório e a ampla defesa. Em contrapartida, importa consignar como fato notório o prestígio da marca HABIB’s construído durante 27 anos de existência. Auto de Infração lavrado em 2010 17. Na fiscalização anterior, mesmo sem a regularidade documental que ora se ponta, a fiscalização entendeu não ser o caso de desconsideração da contabilidade da impugnante, muito menos do desprezo dos repasses realizados às diversas mídias. 18. O Termo de Verificação Fiscal relaciona documentos que supostamente estariam sendo apresentados com o auto de infração, contudo estes não foram disponibilizados. 18.1 A própria estruturação e fundamentação do TVF é por demais confusa, obscura e incongruente, dificultando sua compreensão. 18.2 Nenhum dos documentos apresentados pela impugnante foram suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários. Fato é que a fiscalização fez uma completa confusão dos instrumentos contratuais e ignorou a essência da composição da receita da impugnante, desprezando qualquer comprovação das saídas bancárias. 18.3. Em síntese, a falta de instrução probatória da exigência, somada à confusa e surpreendente exposição e motivação do lançamento impede a devida compreensão da imposição fiscal e com isso, o exercício do contraditório e do amplo exercício do direito de defesa, tornando nulo de pleno direito os Autos de Infração ora impugnados. Dos critérios jurídicos vinculados ao lançamento correspondente ao ac 2010 19. A presente exigência introduziu autêntica modificação nos critérios interpretativos adotados no lançamento referente ao AC de 2010. A autoridade ignorou as saídas bancárias da impugnante, destinadas ao pagamento das diversas mídias e campanhas publicitárias, com nítida intermediação de verbas de terceiros. Conclui argumentando que é inaceitável a pretendida alteração dos critérios interpretativos. Ilustra com jurisprudência do CARF. Fl. 9190DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 8 7 Do Mérito Do indevido arbitramento e inconsistente cumulação com fórmula presuntiva de omissão de receitas 20 . Registra a absoluta insustentabilidade tanto do arbitramento como na cumulação da fórmula presuntiva de omissão a partir dos depósitos bancários. 20.1 Não foram esclarecidos os artifícios contábeis que impediriam o conhecimento da movimentação bancária e a apuração do faturamento da impugnante. O instituto do arbitramento foi claramente banalizado, transformandose numa inadmissível regra de tributação complementar. Ilustra com jurisprudência do CARF. Da indevida presunção de omissão 21. Concordando ou não com a contabilização da empresa, não se pode negar é que sua contabilidade não é imprestável e não há que se falar em falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. 21.1 O trabalho realizado pela auditoria independente especialmente contratada para este fim foi extremamente minucioso, tendo vinculado cada depósito bancário com cada depositante e o lançamento contábil correspondente. Menciona anexação do relatório, inclusive mais detalhado. Tributação específica das agências de publicidade 22. Existe regime de tributação próprio para as agências de publicidade, a Lei no 7.450, de 1985. Ilustra com Soluções de Consulta da RFB. 22.1 As receitas da impugnante estão intrinsecamente relacionadas com os repasses de propaganda, pois excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais, revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora, motivo pelo qual, mantida a exigência, deve ser requantificada, de modo a excluir os repasses realizados. Indevida distorção causada pela dedução dos tributos declarados em DCTF 23. A fiscalização sequer considerou e excluiu, na apuração do lucro arbitrado as receitas já declaradas e tributadas em DIPJ e DCTF, distorcidamente deduzindo os tributos declarados em DCTF. A receita bruta conhecida já sofreu tributação e não pode ser objeto de arbitramento. Insustentabilidade da multa qualificada 24. As condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964 precisam ser demonstradas e comprovadas. Os mesmos fundamentos e argumentos que embasaram o arbitramento e a presunção legal de omissão igualmente justificaram a qualificação da multa, havendo indevida cumulação de fatos. Ilustra com jurisprudência do CARF. Necessidade da conversão do julgamento em diligência 25. Se, ainda permanecerem dúvidas acerca da origem dos depósitos bancários, mostrase necessária a realização de diligência para que se busque e analise os fluxos financeiros das lojas franqueadas e se ateste a conciliação contábil da impugnante. Indica perito assistente e os quesitos a esclarecer. Conclusão 26. O impugnante requer o conhecimento e processamento da impugnação, para que seja julgada procedente, extinguindo o crédito tributário em discussão, ou, subsidiariamente, seja refeita a base de cálculo considerada e a redução da multa para 75%. Fl. 9191DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 9 8 26.1 Protesta ainda pela juntada de eventual documentação complementar, e a realização de diligência. 27. Requer a remessa da correspondência referente ao processo para o endereço do advogado constituído. BELSARAIVA COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI – Impugnação 28. A tempestividade da impugnação. 29. A autuada – PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA é a agência de publicidade que gere o fundo de propaganda e marketing cooperado da rede HABIB`s. Tanto seu objetivo social, seu CNAE e seu fluxo financeiro deixam isso claro e fora de dúvidas. 29.1 Em resumo, a PLATINA recebe valores de terceiros e os segrega em sua contabilidade, individualizando em seu passivo os montantes repassados aos projetos publicitários, fato este ignorado e desconsiderado pela fiscalização. 29.2 Divergências ou discordâncias interpretativas em torno da forma de contabilização ou apuração das receitas da PLATINA não implicam em falta de comprovação das origens dos depósitos bancários, muito menos das atividades por ela desenvolvidas. Fundamentos da responsabilização 30. A impugnante foi responsabilizada com o suposto fundamento do inciso I do art. 124 do CTN; contudo, a impugnante não pode concordar com tal enquadramento, na medida em que, embora compondo o quadro societário da autuada, não há que se confundir o conceito legal de interesse comum, não havendo confusão entre as distintas personalidades jurídicas. 30.1 A responsabilização se deu com base apenas numa teoria de sonegação fiscal, desprovida de qualquer prova. Do direito – Decadência 31. Aplicandose ao caso concreto o raciocínio pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça e acolhido pela Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, temse que está decaído o direito de responsabilizar a Impugnante pelo crédito tributário de IRP,I e CSLL, PIS e COFINS, apurado sobre os depósitos bancários ocorridos entre os dias 1° e 31 de janeiro de 2011, visto que a notificação do lançamento ocorreu apenas em 01/02/2016, ou seja, após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos desde os respectivos fatos geradores. Ilustra com jurisprudência administrativa e judicial. No mérito 32. Mesmo que fosse possível fundamentar a responsabilização com base em mero interesse econômico, devese ressaltar que ainda assim não se poderia alcançar a Impugnante, pois como visto, a empresa autuada PLATINA não detinha finalidade lucrativa, senão de forma indireta, na gestão das verbas de propaganda cooperada. Ilustra com jurisprudência judicial. 32.1 São responsáveis solidárias pelo pagamento do crédito tributário duas ou mais pessoas físicas ou jurídicas parceiras dentro de uma mesma empreitada econômica, que praticam em conjunto um mesmo fato gerador, cuja riqueza gerada e tributada beneficia ambas as partes responsabilizadas solidariamente pelo pagamento do débito tributário. 32.1.1 Ocorre que, a relação entre a Impugnante e a autuada PLATINA — duas pessoas jurídicas de direito privado autônomas — sempre foi apenas societária, sem apuração e Fl. 9192DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 10 9 distribuição de lucros, ou confusão patrimonial, já que a autuada foi constituída com o fim específico de administração do fundo de propaganda da rede HABIB's. 32.2 Como o suposto e não comprovado beneficiamento econômico da Impugnante sobre o fluxo financeiro da autuada foi o único fundamento utilizado para a imputação da responsabilidade solidária, é obrigatório concluirse pela ilegalidade de tal imputação. 33. O fato de a Impugnante ser sócia da autuada principal não comprova, sequer indiciariamente, a relação da Impugnante com os supostos fatos geradores dos tributos autuados. 33.1 Não existindo nos autos documentos que comprovem a necessária relação entre a Impugnante e a situação que deu ensejo ao fato gerador, verificase que a imputação de responsabilidade trazida no presente lançamento é carecedora de motivação, requisito este imprescindível para a validade dos atos da administração pública, sendo que o ato administrativo destituído de motivação é nulo, bem como nulo o lançamento dele decorrente. Ilustra com jurisprudência administrativa. 34. Por fim, requer o provimento da impugnação, para a exclusão da impugnante do pólo passivo da suposta obrigação tributária, visto que não comprovado seu interesse comum da prática dos fatos geradores. JOÃO AUGUSTO RIBEIRO PENNA – Impugnação 35. A tempestividade da impugnação. 36. A autuada – PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA é a agência de publicidade que gere o fundo de propaganda e marketing cooperado da rede HABIB`s. Tanto seu objetivo social, seu CNAE e seu fluxo financeiro deixam isso claro e fora de dúvidas. 36.1 Em resumo, a PLATINA recebe valores de terceiros e os segrega em sua contabilidade, individualizando em seu passivo os montantes repassados aos projetos publicitários, fato este ignorado e desconsiderado pela fiscalização. 36.2 Divergências ou discordâncias interpretativas em torno da forma de contabilização ou apuração das receitas da PLATINA não implicam em falta de comprovação das origens dos depósitos bancários, muito menos das atividades por ela desenvolvidas. Fundamentos da responsabilização 37. O impugnante, no passado, foi sócio e administrador da empresa PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA até 06/09/2013, quando alienou a totalidade de suas ações em 29/01/2015, desligouse completamente da empresa, deixando também o cargo de administrador. 37.1 O Impugnante, não obstante constasse como sócio administrador da Platina durante o ano base 2011, era mero preposto que recebia apenas um prólabore para exercer e atender os interesses e determinações publicitárias em benefício da rede HABIB's, no que se refere à cobrança e administração do seu fundo de propaganda e à promoção de suas ações de marketing. Fl. 9193DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 11 10 38. Sem intimar o Impugnante no curso do procedimento fiscal para que esclarecesse a suposta conduta dolosa que lhe foi atribuída, houve a lavratura de auto de infração contra a empresa Platina, embasado em arbitramento de lucro e em presunção de omissão de receita por não comprovação da origem de depósitos bancários, com responsabilização solidária do Impugnante pelo art. 135, III, do CTN. 38.1 Para justificar sua responsabilização tributária pelo art. 135, inc. III, do CTN, a fiscalização asseverou que o Impugnante determinou, com dolo de sonegação, a não contabilização dos depósitos ocorridos nas contas bancárias da empresa Platina, sem que nenhuma prova dessa conduta dolosa fosse produzida nesse sentido. 38.2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Súmula vinculante n° 292, deixa claro seu entendimento de que todos os ditos responsáveis pela movimentação financeira auditada devem ser intimados para a comprovação de sua origem, sob pena de nulidade do auto de infração fundamentado na presunção de omissão de receita qualificada no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Do direito – Decadência 39. Aplicandose ao caso concreto o raciocínio pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça e acolhido pela Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, temse que está decaído o direito de responsabilizar a Impugnante pelo crédito tributário de IRP,I e CSLL, PIS e COFINS, apurado sobre os depósitos bancários ocorridos entre os dias 1° e 31 de janeiro de 2011, visto que a notificação do lançamento ocorreu apenas em 01/02/2016, ou seja, após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos desde os respectivos fatos geradores. Ilustra com jurisprudência administrativa e judicial. No mérito 40. Observa que, em relação à acusação, o Impugnante não estava na empresa no curso desta fiscalização, não sendo responsável por seu atendimento, e ainda, o próprio Termo de Verificação Fiscal atesta a contabilização de todos os depósitos e a compatibilidade com os deveres instrumentais da PLATINA. 41. O que se verifica é que a PLATINA, no período em que administrada pelo Impugnante, entregou todos os livros contábeis solicitados; que todas as suas obrigações acessórias são compatíveis; e que a sua movimentação financeira foi, desde o início da fiscalização, conhecida pelo acesso direto aos extratos bancários, sendo toda ela identificada na contabilidade, mas ainda assim a fiscalização responsabilizou o Impugnante pelo crédito tributário lançado, alegando infração à lei civil que determina o zelo do administrador pela escrituração contábil. 41.1 Cabe à autoridade administrativa, no procedimento de lançamento, averiguar e comprovar o ato lesivo e doloso praticado pelo diretor/administrador com excesso de poderes ou infração à lei, capaz de lhe atribuir a responsabilidade pelo adimplemento da obrigação tributária. Ou seja: somente mediante demonstração clara e precisa pela fiscalização de que o Impugnante incorreu em alguma das hipóteses mencionadas, e que teria condições de praticar fatos que configurem desvio de finalidade ou confusão patrimonial, é que poderia ser imputada a responsabilidade aqui abordada. 41.2 Por outro lado, quando intimada, a empresa autuada submeteu à fiscalização todos os livros contábeis do ano base 2011 devidamente escriturados e revestidos de todas as formalidades legais, não havendo o que se falar em falta de zelo do Impugnante para com a escrituração contábil/fiscal. Fl. 9194DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 12 11 41.3 Conforme termo de sujeição passiva, a fiscalização chegou ao absurdo de asseverar que o Impugnante era responsável pela apresentação de documentos que comprovassem a origem dos créditos bancários auditados, sendo que desde Janeiro/2015 não é mais administrador da empresa fiscalizada e que sequer foi intimado sobre o início dos trabalhos ficais, para se defender das acusações que lhe foram imputadas. 43. O auto de infração foi lavrado com base em simples presunção de depósitos de origem não comprovada, e todos os depósitos estavam regularmente contabilizados, em que pese a fiscalização não tenha concordado com seus registros em contrapartida do passivo, não do resultado. 44. Por fim, requer o provimento da impugnação, para a exclusão da impugnante do pólo passivo da suposta obrigação tributária, visto que não comprovado qualquer fato praticado com excesso de poderes, infração à lei ou do contrato social. BELCHIOR SARAIVA NETO – Impugnação 45. A tempestividade da impugnação. 46. Na "demonstração" da responsabilidade solidária do Impugnante, o fisco intitula o "diretor" da devedora principal, afirmando que na "gestão do Sr. Belchior Saraiva Neto" a devedora principal não teria apresentado documentos que comprovassem a natureza e a origem de seus créditos bancários e, em decorrência disto, o Impugnante excedeu os poderes a ele conferidos nos atos constitutivos da sociedade empresária que esteve sob sua administração, com infração à lei, em evidente intuito de sonegação. 46.1 Contudo, o impugnante não é, e não era DIRETOR, GERENTE ou REPRESENTANTE da empresa. Se houvesse alguma vantagem econômica decorrente da suposta sonegação praticada pela "PLATINA", quem poderia dela se beneficiar seriam seus sócios e administradores, e não o Impugnante. 47. A empresa de publicidade interna da rede, não visa auferir lucros e, menos ainda, sua distribuição para sócios e administradores, sendo seu faturamento composto apenas pela proporção dos custos e despesas necessárias à consecução do seu objeto social. 48. Destaca que, diferentemente do que ocorreu nestes autos, quando da lavratura dos Autos de Infração objeto do Processo Administrativo n.º 19515.721.124/201545 (AC 2010), menos de 2 meses antes, o Impugnante não foi responsabilizado solidariamente, o que, mais uma vez, comprova a total falta de nexo e coerência dos trabalhos da r. fiscalização. Do direito – Decadência 49. Aplicandose ao caso concreto o raciocínio pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça e acolhido pela Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, temse que está decaído o direito de responsabilizar a Impugnante pelo crédito tributário de IRP,I e CSLL, PIS e COFINS, apurado sobre os depósitos bancários ocorridos entre os dias 1° e 31 de janeiro de 2011, visto que a notificação do lançamento ocorreu apenas em 01/02/2016, ou seja, após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos desde os respectivos fatos geradores. Ilustra com jurisprudência administrativa e judicial. No mérito 50. Para que haja a solidariedade do art. 124, I, do CTN, todas as pessoas envolvidas devem ser contribuintes na mesma relação tributária, em relação à parte da obrigação, sendo que suas responsabilidades solidárias decorrem de suas efetivas participações na realização do fato gerador, concomitantemente. O mero interesse financeiro de um sócio Fl. 9195DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 13 12 não o torna solidário pelos tributos devidos com supedâneo no art. 124, I, posto que o seu interesse na realização da situação que constitua fato gerador tributário não é jurídico, mas apenas financeiro. Ilustra com jurisprudência judicial. 51. No existindo nos autos documentos que comprovem a necessária relação entre o Impugnante e a situação que deu ensejo ao fato gerador, a imputação de responsabilidade trazida no presente lançamento é carecedora de motivação, requisito imprescindível para a validade dos atos da administração pública, sendo que o ato administrativo destituído de motivação é nulo, bem como nulo o lançamento dele decorrente. 52. Por outro lado, o Impugnante não era sócio, administrador ou gestor da "PLATINA", contribuinte devedora principal destes autos, o que torna simplesmente impossível seu enquadramento como responsável tributário do art. 135, III, do CTN. 53. Por fim, requer o provimento da impugnação, para a exclusão da impugnante do pólo passivo da suposta obrigação tributária, protestando pela juntada de eventual documentação complementar que se fizer necessária. 54. Considerando os documentos apresentados, o processo foi encaminhado à DRJ para apreciação do litígio. Decisão da DRJ Em decisão de 29/03/2017, a DRJ/BHE julgou a Impugnação improcedente conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentados com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses do § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. DILIGÊNCIA/PERÍCIA.PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência ou perícia só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento, após regular intimação, autoriza o lançamento do imposto correspondente, por presunção legal de omissão de rendimentos, transferindo o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ CONTRATO DE FRANQUIA. FUNDO DE PUBLICIDADE. TRANSFERÊNCIA DE VALORES. TRATAMENTO. Fl. 9196DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 14 13 Valores transferidos por empresas franqueadas à centralizadora, por força obrigatória de cláusula prevista em contrato de franquia, objetivando compor fundo de publicidade destinado a cobrir despesas de propaganda, constituem receita da centralizadora em virtude de estar configurada a prestação de serviço, e integram a base de cálculo do IRPJ. LUCRO ARBITRADO. O imposto devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, e ocorrerá, dentre outras, quando o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou a escrituração a que estiver obrigado revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para apuração do lucro real. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os administradores são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE DOLO OU SIMULAÇÃO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase daquele previsto no artigo 150 para o estabelecido no artigo 173 (ambos do CTN), começando a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos em que restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Recursos Voluntários Foram apresentados Recursos Voluntários por: i) Belsaraiva Comércio, Empreendimentos Imobiliários e Participações Eireli; ii) João Augusto Ribeiro Penna; iii) Belchior Saraiva Neto e iv) Platina Gestão de Negócios Ltda. Tais recursos ratificam os termos levantados em sede de Impugnação. Fl. 9197DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 15 14 É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade Todos os Recursos Voluntários apresentado são tempestiveis e preenchem os demais requisitos legais, portanto, merecem ser apreciados. Preliminar Da intimação no domicílio tributário da Recorrente Em primeiro súbito, é medida tranquila a manutenção do acórdão no sentido de que as intimações deverão continuar a ser direcionadas ao domicílio tributário eleito pelo contribuinte, ora Recorrente, conforme art. 23. do Decreto nº 70.235, de 1972, desse modo deve ser desprovido o pedido (“questão de ordem”) de direcionamento das intimações aos patronos da causa, à míngua de amparo legal. Mérito Conforme já bem delineado no relatório ao norte, a discussão travada nesses autos referese à movimentação bancária cuja origem não fora comprovada pela Recorrente, segundo a fiscalização. Para melhor entendimento do escopo deste lançamento fiscal, cabe aqui transcrever os exatos termos do Auto de Infração: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente lançamento de ofício, nos termos dos arts. 904 e 926 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), em face da apuração das infrações abaixo descritas aos dispositivos legais mencionados. Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2011 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Não manteve escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. O contribuinte revelou indícios de fraude e deficiências que tornou a contabilidade imprestável para a determinação do lucro real. Fl. 9198DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 16 15 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999: Art. 530, inciso III, do RIR/99. Razão do arbitramento no(s) período(s): 06/2011, 09/2011 e 12/2011 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999: Art. 530, inciso III, do RIR/99. OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL INFRAÇÃO: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme relatório fiscal em anexo. Vejase que não obstante toda a batalha argumentativa travada nos autos acerca da real operação da ora Recorrente, se agência de propaganda e publicidade com regras de tributação próprias, conforme defende a Recorrente ou empresa de "Gestão Financeira" segundo afirma a fiscalização, temos que a espinha dorsal do lançamento fiscal que deve ser avaliada é a comprovação da origem da movimentação bancária da Recorrente. Digo isso, pois, ainda que sejam aceitos os argumentos da Recorrente de que sua atividade se resume à criação e produção de campanha de publicidade conforme demonstra a 6°alteração contratual de seu Contrato Social cujo registro deuse em 27/12/2010, restará ainda uma dúvida sobre qual deveria ter sido o montante reconhecido como receita e levado à tributação dentro do universo de movimentações bancárias identificadas pela fiscalização. A Recorrente traz uma infinidade de documentos (notas fiscais, cheques e comprovante de depósito) e planilhas que segundo seu entendimento, demonstram que a movimentação bancária referese ao montante total recebido de toda a cadeia de franqueadas a título de Propaganda Cooperada, vez que a autuada atuava como entidade responsável por gerir tais recursos e aplicálas nas ações de propaganda e publicidade da rede Habib's. Assim, argumenta a Recorrente durante todo o processo que sua receita efetiva e que é objeto das notas fiscais que emite referese tão somente aos custos e despesas diretas que possui,sendo que todo o restante relacionase aos valores que serão dispendidos junto à agências, mídias e prestadores de serviços para desenvolvimento das ações de propaganda e publicidade. Em alguns momento, a Recorrente chega a alegar que não possuía finalidade lucrativa. Por outro lado, a Fiscalização defende que a verdadeira atividade da Recorrente é de Gestão Financeira, tanto que o a própria denominação social "PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA" reflete exatamente isso. Assim, independentemente das despesas que teria Fl. 9199DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 17 16 junto às agências mídias e prestadores de serviços, é certo que todo o caixa que recebeu deveria ser reconhecido como receita, pois, é parte integrante de sua prestação de serviços. Desta forma, para que se alcance a decisão de melhor exatidão técnica e maior proximidade à verdade material, julgo imprescindível que fique claro aos presentes julgadores a origem e o destino dos recursos financeiros movimentados pela Recorrente em suas contas bancárias. Além dos documentos acima mencionados, a Recorrente juntou aos autos 02 trabalhos de auditoria: o primeiro elaborado pela empresa MAZARS e o segundo pela empresa Ernst & Young (E&Y), cujo objetivo foi demonstrar a aplicação dos valores recebidos em ações de propaganda e publicidade. Transcrevo abaixo a conclusão do laudo preparado pela empresa E&Y: 4. Conclusão Visto as análise efetuadas, podemos concluir que: Foram contabilizadas as entradas dos recursos, a título de "Procoop", nas contas de ativo n. 110180 e n. 110373 e passivo 200739, o montante de R$ 29.109.276,91 e R$ 114.329,70 a maior em relação ao montante apurado pelo escritório Mazars; e Foram contabilizadas as saídas dos recursos, a título de gastos com publicidade e marketing, nas contas de ativo n. 110180 e n. 110373 e passivo n. 200739, o montante total de R$ 22.209.441,68, R$ 1.944.667,73, a menor com relação aos montante apurado pelo escritório Mazars. Assim, ainda que não tenha ficado claro a origem e destinações dos recursos movimentados pela Recorrente, entendo que foram trazidos documentos que trazem indícios razoáveis das alegações por ela trazidas. Vejam, não digo aqui que os argumentos jurídicos trazidos pela Recorrente devam ser aceitos, mas que para que seja alcançado o efetivo efeito prático de eventual aceitação dos argumentos de defesa, fazse necessária uma análise mais detida dos documentos que foram juntados. Desta sorte, considerando todo o acima exposto, julgo necessária diligência fiscal para que se apure com base em toda a documentação juntada aos autos, a origem dos depósitos bancários efetuados, bem como, o destino dado a tais recursos pela Recorrente em despesas de propaganda e publicidade, com apontamento de datas, valores e natureza das despesas efetuadas de forma que seja possível aos presentes julgadores verificar se a autuada apurou despesas próprias de uma empresa de propaganda e publicidade ou de gestora de recursos financeiros. Além disso, a diligência deve apontar se existe correlação entre os montantes apurados conforme acima explanado e os valores objeto das notas fiscais emitidas e que era reconhecidas como receita tributável. Conclusão Diante do exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade fiscal proceda às devidas verificações e apresente Relatório Conclusivo que: Fl. 9200DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 18 17 i) aponte a origem (depositante, valor e data) dos depósitos efetuados nas contas bancárias da Recorrente e demonstre a correlação com os valores contabilizados nos livros da Recorrente; ii) aponte o destino dado aos recursos financeiros recebidos relação de repasses feitos aos veículos de comunicação e demais empresas relacionadas às ações de propaganda e publicidade e faça o devido cotejo com a contabilização efetuada; iii) demonstre em períodos mensais o total de receitas e despesas apuradas conforme movimentação bancária identificada e o respectivo cotejo com a contabilidade e os valores objeto das notas fiscais emitidas e efetivamente declaradas como receita tributável. Após, intimese os Recorrentes para que se manifestem sobre o resultado da diligência e retornem os autos à esta Turma para julgamento. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Declaração de voto, Conselheira Eva Maria Los A autuação fiscal se deu por arbitramento de lucro, porque o contribuinte, optante pelo lucro presumido, intimado, deixou de apresentar os livros e documentos da sua escrituração e tampouco o LivroCaixa; a infração autuada é omissão de receitas, por presunção legal, com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Consta da descrição dos fatos, entre outros: 7.2. Foi requisitada a movimentação financeira da empresa, considerando a incompatibilidade desta com os valores declarados em DIPJ. Apresentados os extratos bancários pela fiscalizada, constatouse uma movimentação financeira declarada em DIMOF da ordem de R$ 45.000.000,00, enquanto a receita declarada em DIPJ importou em R$309.500,00. 7.2.1. Intimado a esclarecer tal discrepância, a fiscalizada declara que recebe valores de terceiros e os segrega em sua contabilidade. O contribuinte não apresentou documentos hábeis a comprovar o alegado, nem tampouco sua contabilidade reflete as operações mencionadas. 7.2.2. Foi elaborada planilha contendo os recebimentos bancários e alguns pagamentos, apresentada ao contribuinte para identificação da origem dos recursos, com comprovação documental. Em síntese, a fiscalizada informa tratarse, em alguns casos de recebimentos “procoop” e outros, argumenta tratarse provavelmente de estornos (não localizados pela auditoria). Fl. 9201DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 19 18 7.2.2.1. Como comprovação documental, a fiscalizada apresentou contrato celebrado entre ALSARAIVA COMÉRCIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E PARTICIPAÇÕES E NBA GESTÃO DE NEGÓCIOS E COMÉRCIO (antiga denominação da PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA). Reza tal contrato que a auditada deverá reter em seu favor o valor correspondente a 10% da quantia mensal arrecadada a título de “procoop”; o contribuinte não efetuou tais lançamentos contábeis nem levou ao resultado do exercício e consequentemente à tributação tais valores. Intimada a esclarecer acerca da composição do resultado em comento, a empresa se contradiz, apresentando outra forma de cálculo de suas receitas. Dos esclarecimentos prestados pela fiscalizada, concluiuse que a autuada não se utilizou de nenhuma das diversas formas de apuração de receita por ela apontadas. 7.2.2.2. Acrescenta que a fiscalizada não demonstrou de qual maneira apuraria, controlaria ou conferiria sua própria receita. Ressalta que nunca foram apresentados à fiscalização documentos hábeis e idôneos que comprovassem a origem e natureza dos recebimentos. 7.3 Instada a esclarecer acerca das notas fiscais de faturamento à empresa ALSARAIVA, admitiu que, à época, faturava apenas proporcionalmente a seus custos e despesas contábeis. Nesse momento entendeuse como a empresa declarou na DIPJ sua receita para fazer frente às suas despesas e custos, espelhou um valor na receita e apresentou sua declaração. 7.4. Da análise dos lançamentos contábeis, da Demonstração de Resultado do Exercício e da declaração de IRPJ da autuada, notese todas compatíveis entre si, observouse que os valores levados a efeito como receita não se referem nem a 10% dos valores supostamente recebidos a título de “procoop”, como consignado no contrato apresentado, nem à diferença entre os valores recebidos e os gastos, conforme declarado, nem ao custo de administração pela gestão da propaganda previsto no contrato entre a franqueadora e a franqueada, 5%. 7.5. Além de todo o exposto, conforme artigo 246, inciso VI, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº. 3.000, de 26/03/1999 c/c artigo 14 da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, estão obrigadas a apuração do lucro real as pessoas jurídicas que, entre outras, explorem as atividades de gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber. Apesar de alterar seu objetivo social em dezembro/2010, a empresa manteve a atividade em sua denominação social: PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA. O contribuinte apresentou impugnação acompanhada de documentos de págs. 4.740/5.830, constituídos de Notas Fiscais NFe, e Recibos Procoop. Porém, a DRJ/BHE, julgoua improcedente, indeferiu o pedido de juntada de novos documentos e realização de perícia, entendendo que: PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser Fl. 9202DF CARF MF Processo nº 19515.720007/201645 Resolução nº 1201000.516 S1C2T1 Fl. 20 19 apresentados com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses do § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando o argumento de que: 14. A impugnante é a agência de publicidade que gere o fundo de propaganda e marketing cooperado da rede HABIB’s. Assim, a movimentação bancária da impugnante é caracterizada pela intermediação de valores de terceiros, que possuem tratamento tributário específico, vinculado aos repasses realizados às diversas campanhas publicitárias. E anexou cópia de diligência determinada pela mesma DRJ/BHE, relativa ao processo nº 19515.721124/201545, no qual a litigante também foi autuada, em relação a outros anoscalendário, com base na mesma presunção legal. Esta conselheira concordou com o relator no que tange à realização de diligência, porém, discorda dos termos dessa diligência, na forma como foi apresentada na sessão de julgamento, por entender que atribuiu a responsabilidade por comprovar a origem dos depósitos/créditos recebidos, à Autoridade Fiscal diligenciante, enquanto que o ônus da prova é do Contribuinte. É como voto. Eva Maria Los Fl. 9203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903870/2013-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 38 70 /2 01 3- 78 Fl. 152DF CARF MF 2 Relatório 1. Por bem retratar o caso em questão, emprego o relatório desenvolvido no acórdão n. 0133.547 (fls. 135/140), desenvolvido pela DRJ de Belém/PA, o que passo a fazer nos seguintes termos: Cuida o presente da Pedido de Restituição 10394.31157.280613.1.2.043585, em face de pagamento indevido ou a maior relativo ao Programa de Integração Social PIS, código de receita 8301, período de apuração 30/09/2008, data de arrecadação 20/10/2008, sendo o valor do crédito pleiteado, R$ 782,03. Através do despacho decisório de fl. 130, aludida restituição restou indeferida, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada em 21 de janeiro de 2014, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, em 19 de fevereiro de 2014, por meio da qual alega: I DOS FATOS 1) Em 28 de Junho de 2013, 19 de Julho de 2013, 22 de Julho de 2013 e, 21 de Agosto de 2013 respectivamente, a Unimed Pato Branco Cooperativa de Trabalho Médico encaminhou "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO" através de envio de PER/DCQMP Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação, referente a contribuições de PIS sobre Folha de Pagamento recolhidas no período Julho de 2008 a Dezembro de 2012, por pagamento indevido ou a maior. 2) Em 27 de Junho de 2013 e, 19 de Julho de 2013 respectivamente, a Unimed Pato Branco Cooperativa de Trabalho Médico encaminhou "retificação" do DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociaisr das competências: Julho/2008 a Dezembro/2012; 3) Em 20 de Janeiro de 2014, a Cooperativa foi cientificada através dos Despachos Decisórios em epígrafe, nos quais está relatado que fora "INDEFERIDO" o pedido de restituição pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com fundamento no Art. 165 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). 4) A Unimed Pato Branco Cooperativa de Trabalho Médico, não se conformando com as decisões proferidas nos referidos Despachos Decisórios pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel, efetuou visita a Agência da Receita Federal em Pato Branco onde foi orientada pelo servidor desta de que, além dos procedimentos declarados nos itens 2 e 3 supra mencionado, seria necessário efetuar também, a retificação das DCTF's do mesmo período. Assim, a Unimed Pato Branco, reconhecendo a omissão deste procedimento quando do pedido Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10935.903870/201378 Acórdão n.º 3402005.616 S3C4T2 Fl. 153 3 inicial, na data de 18 de Fevereiro de 2014/ efetuou a retificação de todas as DCTF — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, do período de Julho de 2008 a Dezembro de 2012. Na tentativa de retificação da DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais do 2o Semestre/2008 o sistema não aceitou a retificação da mesma, todavia, como o processo está sob judice, estamos anexando ao presente cópia da referida Declaração. Anexa extrato da DCTF do 2º trimestre de 2008 e recibo de entrega das DCTF´s retificadas. Ao final, requer que o cancelamento do Despacho Decisório e a ratificação e homologação do Pedido de Restituição. (...). 2. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo sobredito acórdão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE PROVA. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. DACON. RETIFICAÇÃO.PROVA. A retificação da Dacon, por si só, não demonstra a improcedência do despacho decisório, devendo ser acompanhada da comprovação do erro em que se funde. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 146/147, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sede de impugnação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto Fl. 154DF CARF MF 4 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o recorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta pelo contribuinte em 06 (seis) de março de 2017 (segundafeira) (fl. 143). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 07 (sete) de março de 2017 (terçafeira), vencendo, por sua vez, no dia 05 (cinco) de abril de 2017 (quartafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 12 (doze) de abril de 2017 (quartafeira) (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. A intempestividade, inclusive, é atestada pela unidade preparadora, conforme se observa da informação de fl. 150. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. Dispositivo 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo. 10. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662123/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 21 23 /2 01 2- 76 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10880.662123/201276 Acórdão n.º 1201002.518 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de IRPJ referente ao 3º trimestre/2007. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 8% para IRPJ, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 8%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 8%, e não 32%. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10880.662123/201276 Acórdão n.º 1201002.518 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10880.662123/201276 Acórdão n.º 1201002.518 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10880.662123/201276 Acórdão n.º 1201002.518 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13708.001246/2005-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/05/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
É considerada intempestiva a petição protocolada fora do prazo legal, obstando o exame das razões de defesa aduzidas pelo sujeito passivo, exceto quanto à preliminar de tempestividade.
Numero da decisão: 3302-005.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 11/05/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. É considerada intempestiva a petição protocolada fora do prazo legal, obstando o exame das razões de defesa aduzidas pelo sujeito passivo, exceto quanto à preliminar de tempestividade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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INTEMPESTIVIDADE. É considerada intempestiva a petição protocolada fora do prazo legal, obstando o exame das razões de defesa aduzidas pelo sujeito passivo, exceto quanto à preliminar de tempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de pedido de restituição de créditos de PIS/Pasep, relativos a recolhimentos efetuados no período de janeiro/1996 a setembro/1998, cumulados com declarações de compensação, com supedâneo em declaração de inconstitucionalidade do artigo 18 da Lei nº 9.715/1998, indeferido por extinção do direito de pleitear a restituição, por força do artigo 168, I, do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 12 46 /2 00 5- 04 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13708.001246/200504 Acórdão n.º 3302005.931 S3C3T2 Fl. 241 2 O pedido foi formulado em 13/07/2005, tendo sido considerado extinto o direito relativo a restituições de pagamentos efetuados até 15/10/1998. Em manifestação de inconformidade, a recorrente pugnou pela contagem do prazo decadencial de cinco anos a partir da publicação da Resolução nº 10 do Senado Federal, em 07/06/2005, retirando a eficácia do artigo 18 da Lei nº 9.715/1998. A DRJ/RJ II proferiu o Acórdão nº 1322.427, julgando a impugnação improcedente, nos termos da ementa que abaixo transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1996 a 30/09/1998 PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO TERMO INICIAL 0 prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de tributos lançados por homologação, conforme preceitua o art 150, § 1° do CTN. Solicitação Indeferida. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando preliminar de tempestividade e reiterando as razões deduzidas em manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Em preliminar de tempestividade, a recorrente alega que a intimação foi recebida em 09/04/2010, levando o termo final para interposição da peça recursal para 11/05/2010, data de protocolo do recurso. Porém, à efl. 226, constatase que o AR fora assinado em 08/04/2010, o que desloca o termo final para 10/05/2010, nos termos do artigo 15 e §2º, II do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcritos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13708.001246/200504 Acórdão n.º 3302005.931 S3C3T2 Fl. 242 3 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Destarte, o recurso voluntário é intempestivo. Diante do exposto, voto para conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920084/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS.
Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
Numero da decisão: 1401-002.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
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PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 00 84 /2 00 9- 31 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.920084/200931 Acórdão n.º 1401002.859 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ/SP1 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado o valor confessado na DCTF não é o correto, mediante prova material da existência do direito pleiteado. Conforme despacho decisório mantido DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado no valor de R$ 6.271,48 e, conseqüentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n° 17493.48046.020606.1.3.042286, uma vez que o pagamento discriminado como indébito, de Imposto de Renda sobre Lucro Presumido, no valor de R$ 8.361,97, código 2089, recolhido em 31/07/2003, encontravase integralmente utilizado para quitação de débito correspondente. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade com o objetivo de ver convalidadas as compensações realizadas. É o relatório do essencial. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.920084/200931 Acórdão n.º 1401002.859 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.851, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.693171/2009 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.851): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Temos que o acórdão recorrido indeferiu o pleito da recorrente considerando que ela não apresentou esclarecimento ou justificativa para a retificação da DIPJ, porém analisando as declarações entregues, constatouse a retificação da DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%. De acordo com as declarações originais, a receita bruta da contribuinte auferida no período em questão seria oriunda unicamente de prestação de serviços, sem o emprego de materiais. A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais. Na decisão de piso foi considerado que tão somente a discriminação do objeto social constante do Contrato Social da empresa construtora ("ramo da construção civil, reformas, execução de projetos e atividades afins") não é suficiente para identificar a(s) atividade(s) que originara auferidas no período alcançado pelas declarações retificadoras, posto que era necessária apresentação de documentos que pudessem demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 8%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2° do artigo 15 da Lei n° 9.249/95. Em sede de Voluntário, a Recorrente aduz ser sua faculdade a compensar crédito que possuía junto ao Fisco decorrente de pagamento a maior com débitos a recolher que autorizavam nos moldes previstos no art. 170 do CTN e que a necessidade de reforma do Despacho Decisório está justamente no fato de que não homologação da compensação se deu por conta da análise pela Secretaria da Receita Federal do Brasil das informações constantes da DIPJ e DCTF ORIGINAIS e não Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.920084/200931 Acórdão n.º 1401002.859 S1C4T1 Fl. 5 4 das informações constantes nas declarações RETIFICADORAS, tendo o breve entendimento de que o sistema do referido órgão não havia processado as informações retificadas. Esclarece a Recorrente que preocupouse em relatar que as informações relativas ao cálculo do IRPJ em questão foram retificadas, sem detalhar com precisão o cálculo utilizado por entender que não era o objeto questionado no Despacho Decisório, que digase de passagem foi processado de modo eletrônico. A DRJ, reconheceu que a justificativa da alteração do cálculo foi a verificação de que foi utilizado percentual INCORRETO de presunção de lucro, visto que, como a Recorrente emprega materiais em TODAS as obras que realiza, o percentual correto de presunção de lucro é de 8% em conformidade com o Ato Declaratório Normativo Cosit n.° 6 de 13 de janeiro de 1997 e não de 32% como efetuado anteriormente por contabilista que prestava serviços Recorrente na época, contudo indeferiu o crédito pleiteado, dada a ausência de comprovação por parte da Recorrente de que fazia jus ao percentual de presunção de lucro de 8%. Notase que a Recorrente só foi possível saber o real motivo do indeferimento da compensação do crédito pleiteado, após ciência do resultado do julgamento da DRJ, tendo apresentado Recurso Voluntário precisamente para demonstrar a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, trazendo para os autos os seguintes elementos de prova, que permitiram verifica que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Com base na análise dos documentos juntados, resta demonstrado que a Recorrente, atendeu ao critérios para que pudesse ter sua base de cálculo para o imposto de renda determinada pela aplicação do percentual de 8% sobre sua receita bruta, especificamente em relação ao ramo da construção civil, atendeu ao Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997 e seus critérios: "I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais." A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais, razão pela qual lhe era possível refazer o cálculo do IRPJ levando em Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.920084/200931 Acórdão n.º 1401002.859 S1C4T1 Fl. 6 5 consideração a base de cálculo de presunção de 8%, bem como de compensar o valor do tributo recolhido a maior, adotando os procedimentos legais de retificação das obrigações acessórias e apresentação de PER/DCOMP. Por estas razões, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 132DF CARF MF
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