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Numero do processo: 10480.727728/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Apurado diferença, em procedimento fiscal, entre os tributos declarados em DCTF ou pagos e os tributos devidos com base na escrita contábil de contribuinte, procede-se ao lançamento de ofício para exigir a diferença do tributo não declarado ou não pago, com os encargos legais previstos na legislação.
LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. MATÉRIAS NÃO INCLUÍDAS.
A base de cálculo do lançamento em questão foi apurada com base na diferença entre a receita de venda de mercadorias escriturada no Livro Razão da contribuinte e a receita de venda de mercadorias declarada à Receita Federal do Brasil. Não foi utilizado prova emprestada pelo Fisco Estadual e nem foi incluído na base de cálculo da contribuição qualquer receita acrescida pelo § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/99, declarado inconstitucional pelo STF. Sobre estas matérias não se estabeleceu lide.
INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCARACTERIZAÇÃO.
Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento fundamentado do pedido de perícia contábil que o julgador entenda prescindível para o deslinde da questão.
MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO.
A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, pelo menos um dos crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, a exemplo de omissão reiterada de receita e de impostos e contribuições em declarações prestadas à RFB.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Apurado diferença, em procedimento fiscal, entre os tributos declarados em DCTF ou pagos e os tributos devidos com base na escrita contábil de contribuinte, procedese ao lançamento de ofício para exigir a diferença do tributo não declarado ou não pago, com os encargos legais previstos na legislação. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. MATÉRIAS NÃO INCLUÍDAS. A base de cálculo do lançamento em questão foi apurada com base na diferença entre a receita de venda de mercadorias escriturada no Livro Razão da contribuinte e a receita de venda de mercadorias declarada à Receita Federal do Brasil. Não foi utilizado prova emprestada pelo Fisco Estadual e nem foi incluído na base de cálculo da contribuição qualquer receita acrescida pelo § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/99, declarado inconstitucional pelo STF. Sobre estas matérias não se estabeleceu lide. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCARACTERIZAÇÃO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento fundamentado do pedido de perícia contábil que o julgador entenda prescindível para o deslinde da questão. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, pelo menos um dos crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, a exemplo de omissão reiterada de receita e de impostos e contribuições em declarações prestadas à RFB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 77 28 /2 01 1- 41 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 3 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Apurado diferença, em procedimento fiscal, entre os tributos declarados em DCTF ou pagos e os tributos devidos com base na escrita contábil de contribuinte, procedese ao lançamento de ofício para exigir a diferença do tributo não declarado ou não pago, com os encargos legais previstos na legislação. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. MATÉRIAS NÃO INCLUÍDAS. A base de cálculo do lançamento em questão foi apurada com base na diferença entre a receita de venda de mercadorias escriturada no Livro Razão da contribuinte e a receita de venda de mercadorias declarada à Receita Federal do Brasil. Não foi utilizado prova emprestada pelo Fisco Estadual e nem foi incluído na base de cálculo da contribuição qualquer receita acrescida pelo § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/99, declarado inconstitucional pelo STF. Sobre estas matérias não se estabeleceu lide. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCARACTERIZAÇÃO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento fundamentado do pedido de perícia contábil que o julgador entenda prescindível para o deslinde da questão. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, pelo menos um dos crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, a exemplo de omissão reiterada de receita e de impostos e contribuições em declarações prestadas à RFB. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/08/2013 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 4 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa PAULO SÉRGIO ANDRADE DA SILVA MERCADINHO ME foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, relativos aos períodos de apuração de Janeiro a Dezembro de 2008, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a interessada pagou ou declarou à RFB valores menores do que os apurados com base na sua escrita fiscal e contábil. Não se conformando, a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: 8. Cientificada da exigência aos 13/09/2011 (fls. 334 e 341), a contribuinte, aos 07/10/2011, impugnou a exigência, fls. 363/389, aduzindo, inicialmente, que o autuante, para formalizar os autos de infração, terseia valido de prova emprestada o que, na visão da recorrente, feriu os princípios do contraditório e da ampla defesa, afirmação esta que pretende corroborar com a reprodução de ementa de acórdão do CARF, cujo número ou processo administrativo no qual teria sido proferida a decisão não indicou. 9. Em seguida, reportase ao art. 142, do CTN, e prossegue comentando o princípio da tipicidade, relativamente ao qual vaza ensinamento doutrinário de Cleide Previtalli Cais. 10. Continua discorrendo a respeito do art. 142, do CTN, em função do qual conclui que, conforme seria conceituado pela doutrina, o lançamento tributário é uma atividade vinculada, que não pode se divorciar da legalidade nem quanto ao conteúdo nem quanto à forma, e obrigatória, porquanto a autoridade administrativa tem o dever legal de proceder ao lançamento ao tomar conhecimento do respectivo fato gerador ou do descumprimento de uma norma acessória. 11. Fala que, além da “ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente”, o art. 142, do CTN, também prevê que a autoridade administrativa determine a matéria tributável, o cálculo do tributo devido e, se for o caso, a aplicação da penalidade cabível. 12. Em seguida, sustenta que “o fato de a hipótese estar fundada em possíveis diferenças de faturamento, entre o que foi declarado ao fisco estadual e o que foi declarado ao fisco federal, não pode justificar o lançamento tributário”, pois “em se tratando de escrituração do imposto estadual há operações relativas a isenção, bem como operações sujeitas à antecipação tributária ou a substituição tributária, que podem implicar receitas não tributáveis pelo PIS e pela COFINS, daí implicar numa tipificação de arbitramento da base de cálculo, ou seja, num arbitramento ilegal” e se reporta à opinião de José Souto Maior Borges acerca de defeito do lançamento. 13. Dado o exposto, afirma a recorrente ser necessário, in casu, o deferimento de pedido de perícia e ampara a pretensão no julgamento, que diz proferido em caso Fl. 473DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 5 4 assemelhado, do TRF da 1ª Região na AMS N° 1999.01.00.0435814/DF, cuja ementa e voto condutor transcreve, dizendo a impugnante que neste voto haveria “expressa fundamentação sobre o princípio do cerceamento de defesa e da realização de perícia contábil”. 14. Sustenta, outrossim, que “no auto de infração o autuante ampara a sua pretensão no art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998, cuja ampliação do conceito de faturamento foi refutada pelo Egrégio STJ”, refutação que almeja comprovar por meio da colação de ementa, acórdão e votos proferidos pelo STJ no RESP nº 501.628/SC (fls. 371/381), e, ainda, na ementa da decisão no RESP nº 764.440/SP. 15. Também quanto ao alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS, a contribuinte se remete às decisões proferidas pelo STF nos RE nº 357950 e 390840, dentre outros citados na decisão que transcreve, proferida pelo MM. Juízo da 22ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco na ação nº 2003.83.00.0179890. 16. Ao final da questão particular ora abordada, conclui que: “No caso, sendo a atividade administrativa obrigatória e vinculada, evidente que no presente lançamento tributário foi adotada a base de cálculo prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, relativamente à COFINS e ao PIS, daí ser nulo o auto de infração”. 17. Empós, afirma que “tendo o lançamento tributário como base uma prova emprestada, necessário se torna que sejam comparadas as receitas estaduais com as receitas federais, haja vista que a tributação dos impostos têm base de cálculo diversa, daí porque em relação ao faturamento estadual há de ser expurgado devolução de mercadorias, mercadorias isentas ou mercadorias objeto de substituição tributária ou antecipação tributária” e, para fins da realização da perícia requerida, a defendente apresentou o nome da assistente pericial e os seus quesitos, os quais serão oportunamente detalhados na fundamentação do Voto na ocasião em que se pronunciará acerca do pedido aqui comentado. 18. Quanto à multa de ofício, argúi a autuada que “não tem cabimento a pretensão do autuante em função de possível retardamento no recolhimento dos tributos a majoração da multa para o porcentual de 150% sobre a totalidade do imposto e das contribuições sociais” – afirmação que estriba em decisões do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, cujas ementas foram vazadas. 19. Ao final, a impugnante “Em face do exposto, realizada perícia, requer seja o auto de infração julgado nulo ou improcedente por falta de amparo legal” A DRJ em Recife PE manteve o lançamento, nos termos do Acórdão no 11 36.175, cuja ementa apresenta o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Considerados os créditos atinentes às retenções devidamente comprovadas, as diferenças apuradas entre os valores escriturados no Livro Razão e os declarados em DCTF devem ser lançadas de ofício pela fiscalização. PROVA EMPRESTADA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Os registros contábeis elaborados e fornecidos pelo próprio contribuinte no Fl. 474DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 6 5 curso do procedimento fiscal do qual resultou a autuação impugnada não configuram provas emprestadas, assim entendidas apenas aquelas copiadas ou trasladas de um processo administrativo para outro. INCIDÊNCIA SOBRE OUTRAS RECEITAS INCOMPROVADA. IRRELEVÂNCIA DA DISCUSSÃO DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. Incomprovado que a autuação incidiu sobre outras receitas que não as de venda de mercadorias/prestação de serviços, tornase irrelevante a discussão da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. PRESSUPOSTOS. A prática intencional (dolosa) e reiterada com o objetivo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da Administração Tributária Federal das informações referentes ao fato gerador do tributo, com evidente intuito de esquivarse do pagamento da exação, caracteriza a sonegação e é condição suficiente para a imputação da duplicação multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Considerados os créditos atinentes às retenções devidamente comprovadas, as diferenças apuradas entre os valores escriturados no Livro Razão e os declarados em DCTF devem ser lançadas de ofício pela fiscalização. PROVA EMPRESTADA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Os registros contábeis elaborados e fornecidos pelo próprio contribuinte no curso do procedimento fiscal do qual resultou a autuação impugnada não configuram provas emprestadas, assim entendidas apenas aquelas copiadas ou trasladas de um processo administrativo para outro. INCIDÊNCIA SOBRE OUTRAS RECEITAS INCOMPROVADA. IRRELEVÂNCIA DA DISCUSSÃO DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. Incomprovado que a autuação incidiu sobre outras receitas que não as de venda de mercadorias/prestação de serviços, tornase irrelevante a discussão da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. PRESSUPOSTOS. A prática intencional (dolosa) e reiterada com o objetivo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da Administração Tributária Federal das informações referentes ao fato gerador do tributo, com evidente intuito de esquivarse do pagamento da exação, caracteriza a sonegação e é condição suficiente para a imputação da duplicação multa de ofício prevista no art. 44. I, da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 7 6 Ciente da decisão de primeira instância em 09/03/2012, conforme AR juntado aos autos, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 04/04/2012, no qual alega: 1 nulidade do lançamento por ter utilizado prova emprestada, violando o princípio do contraditório e da ampla defesa. O lançamento está fundado em possíveis diferenças de faturamento entre o que foi declarado ao fisco estadual e o que foi declarado ao fisco federal representa um arbitramento ilegal e, conseqüentemente, um lançamento defeituoso. Cita doutrina e jurisprudência do CARF; 2 nulidade do acórdão recorrido por ter indeferido o pedido de realização de perícia que objetivava provar que deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores relativos à devolução de mercadorias e à venda de mercadorias isentas ou mercadorias objeto de substituição tributária ou antecipação tributária, caracterizando cerceamento do direito de defesa. Cita jurisprudência judicial; 3 o auto de infração foi amparado no art. 3º, da Lei nº 9.718/98, cuja ampliação do conceito de faturamento foi refutado pelo STF, conforme jurisprudência que cita, sendo nulo o auto de infração; 4 contesta a decisão recorrida na parte que não adentrou na discussão sobre a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, para concluir que “não tem cabimento essa conclusão do acórdão recorrido até porque foi negada à recorrente a oportunidade da perícia para comprovar o contrário”; 5 contesta a majoração da multa de ofício, alegando que a jurisprudência do CARF (que cita) não admite a pretensão do Fisco. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa Recorrente deixou de pagar ou de declarar o PIS e a Cofins do período objeto da autuação e, com base na receita de venda escriturada nos livros contábeis e fiscais, foram lavrados os autos de infração objeto deste processo, conforme se pode comprovar na descrição dos fatos constante do Relatório da Auditoria Fiscal, abaixo transcrito: Após analisarmos o Livro Razão, o Livro de Apuração do ICMS, a DIPJ, os DACON, as DCTFs, Original e Retificadora, esta Fl. 476DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 8 7 última entregue após o início desta ação fiscal, e os pagamentos efetuados, elaboramos os demonstrativos intitulados “Receitas Auferidas Apuração Efetuada pela Fiscalização com Base no Livro Razão”, “Cálculo do IRPJ a Lançar”, “Cálculo da CSLL a Lançar”, “Cálculo da COFINS a Lançar” e “Cálculo do PIS/PASEP a Lançar”. A partir desses demonstrativos, pudemos fazer as seguintes constatações: 1. As receita auferidas pelo contribuinte e escrituradas no Livro Razão foram declaradas pelo contribuinte ao fisco estadual (SEFAZPE), mas não foram integralmente declaradas ao fisco federal; 2. Os valores devidos a título de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP não foram totalmente declarados ao fisco federal, nem foram extintos por nenhuma das formas previstas no art. 156 da Lei nº 5.172/66 Código Tributário Nacional. Em vista destes fatos, restounos concluir que o contribuinte ao não declarar seus débitos tributários à Secretaria da Receita Federal do Brasil, nem extinguílos de alguma maneira, infringiu a legislação tributária praticando as infrações especificadas nos respectivos autos de infração. O Relatório de Auditoria Fiscal, integrante dos autos de infração, é absolutamente cristalino ao afirmar que as receitas auferidas pela Recorrente foram apuradas pela Fiscalização com base no Livro Razão e consta do demonstrativo intitulado “Receitas Auferidas Apuração Efetuada pela Fiscalização com Base no Livro Razão”. Por afastarse da verdade, não pode prosperar o argumento da Recorrente de que o lançamento fundase em possíveis diferenças de faturamento entre o que foi declarado ao fisco estadual e o que foi declarado ao fisco federal. Não há uma linha sequer no Relatório de Auditoria Fiscal que aponte neste sentido. Deliberadamente a Recorrente escamoteia a verdade dos fatos com o fito de obter uma eventual e improvável declaração de nulidade dos autos de infração. O fato que levou à autuação é singelo: falta de declaração ou de pagamento das exações, cujo valor foi apurado com base no Livro Razão da empresa. Não há prova emprestada para dar suporte ao lançamento e, mesmo que houvesse, não seria motivo de nulidade. A base de cálculo de cada período de apuração lançado foi apurada com base no Livro Razão da Recorrente e não com base em declaração prestada pela Recorrente ao Fisco Estadual, como alega. Quanto à alegação de que deveria ser excluído da base de cálculo das exações o valor das devoluções de mercadorias e das venda de mercadorias isentas ou objeto de substituição tributária ou antecipação tributária, continua a Recorrente no mundo das hipóteses na medida que não trouxe prova de que efetivamente tais valores foram de fato incluídos na base de cálculo das exações. É dela Recorrente o ônus de apurar a base de cálculo das exações lançadas e, conseqüentemente, bastaria apresentar (no curso da ação fiscal, junto com a Fl. 477DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 9 8 impugnação ou com o recurso voluntário) um demonstrativo de apuração da base de cálculo das exações, devidamente respaldado pela sua escrituração contábil e documentação de suporte, provando suas alegações. Ao invés de assim proceder, solicita a realização de perícia para apurar a base de cálculo das exações, a partir do Livro Razão, fato que não exige conhecimentos técnicos que os auditores da RFB e o contador da Recorrente não possuem. Correto, portanto, a decisão de indeferir o pedido de realização de perícia posto que prescindível para o deslinde da questão, haja vista que não há matéria em julgamento que requeira conhecimentos técnicos especializados que os Auditores da RFB não possuam. Por esses mesmos motivos, deve ser indeferido o pedido de realização de perícia, renovado no recurso voluntário. Também não deve prosperar a alegação da Recorrente de que o lançamento fundase no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF. Isto porque a receita incluída na base de cálculo das exações é exclusivamente a de venda de mercadorias, não havendo receitas que foram excluídas da tributação do PIS e da Cofins pela referida declaração de inconstitucionalidade pelo STF. Por evidente, a alegação da Recorrente é estéril, até porque está desacompanhada da prova de que o lançamento feriu a referida decisão do STF. A citação do art. 3º da Lei nº 9.718/98 nos autos de infração é válida porque nem todo o referido artigo foi declarado inconstitucional. Não há, portanto, nenhuma irregularidade neste particular. Quanto ao lançamento da multa de ofício no percentual de 150%, a Autoridade Lançadora, após transcrever os dispositivos legais de regência, concluiu pelo agravamento da multa de ofício pelas seguintes razões, nas suas palavras: Tendo em vista esses dispositivos legais, CONSIDERANDO que a conduta do contribuinte em omitir, parcialmente, as suas receitas à Secretaria da Receita Federal do Brasil se deu de maneira reiterada, pois as omitiu na DIPJ e nos DACONs, demonstrando assim uma sistematização da prática infratora suficiente para concluir que tinha a intenção de praticála, conclusão essa reforçada pela não omissão de tais receitas ao fisco estadual, CONSIDERANDO também que a conduta do contribuinte em omitir, parcialmente, os seus débitos tributários à Secretaria da Receita Federal do Brasil se deu de maneira reiterada, pois os omitiu nas DCTFs, na DIPJ e nos DACON, demonstrando também uma sistematização da prática infratora suficiente para concluir que tinha a intenção de praticála e CONSIDERANDO que essas omissões acarretaram o retardamento por parte do fisco federal do conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal do IRPJ – Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, da CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, do PIS/PASEP – Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, restounos concluir que o contribuinte incorreu em hipótese de incidência prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64 e, portanto, em cumprimento ao art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, lhe será Fl. 478DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 10 9 aplicada a multa de 150% sobre a totalidade do imposto e contribuições sociais ora lançados. Sobre esse assunto, impende destacar que a multa de ofício qualificada está prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Esse dispositivo legal determina que será aplicada multa de ofício em dobro nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, dizem os referidos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, o seguinte: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72.” De outra banda, o conceito de dolo encontrase no inciso I, do art. 18, do Decretolei nº 2.848/1940 Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. A lei penal brasileira adotou, para a conceituação do dolo, a teoria da vontade. Isso significa que o agente do crime deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrentes. Em outras palavras, podese dizer que os elementos do dolo, de acordo com a teoria da vontade, são: vontade de agir ou de se omitir; consciência da conduta (ação ou omissão) e do seu resultado; e consciência de que essa ação ou omissão vai levar ao resultado (nexo causal). No caso vertente, como bem relatado pela autoridade lançadora, durante todo o ano de 2008 a Recorrente declarou integralmente sua receita de venda de mercadorias para o fisco estadual e declarou parcialmente a mesma receita (e os impostos e contribuições devidos) para a Receita Federal do Brasil. A conduta reiterada não pode ser alegada como erro de declaração. Por evidente, a empresa tinha pleno conhecimento do ato praticado e assumiu o risco de seu resultado, ou seja, da omissão dos tributos e contribuições devidos ao fisco federal. Fica evidente que a Recorrente quis retardar o conhecimento, pela RFB, da ocorrência do fato gerador das exações objeto do lançamento. E, de fato, a Recorrente alcançou o seu intento. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 11 10 Mister salientar que o dolo não se prova por documentos, mas sim, pela finalidade da conduta do agente, uma vez que toda ação humana é desencadeada com o objetivo de atingir um fim determinado. Nesse passo, a mera conduta de a impugnante informar sistematicamente somente uma parcela da sua receita de vendas de mercadorias à Receita Federal do Brasil, está impregnada de dolo, pois o objetivo foi iludir a autoridade fazendária para dissimular a incidência do IRPJ, da CSLL, do PIS/PASEP e da COFINS. Essas informações prestadas pela contribuinte levaram a Receita Federal do Brasil a acreditar que a Recorrente estava em dia com suas obrigações tributárias, mascarando a situação irregular da contribuinte, sendo que apenas após o trabalho de fiscalização as receitas foram devidamente identificadas. Tal conduta tipificase tanto na Lei nº 4.502/1964, art. 71 (sonegação), como na Lei nº 8.137/1990, art. 1º, inc. II (crime contra ordem tributária). Essa conduta está perfeitamente descrita no termo de verificação, sendo claro tratarse de uma ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964). Não há, portanto, reparos a fazer na decisão recorrida, nesta parte. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade dos autos de infração e da decisão recorrida e, no mérito, para negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10480.727728/201141 Acórdão n.º 3302002.269 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10940.900839/2008-49
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3801-001.276
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sidney Eduardo Stahl
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 13/09/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 08 39 /2 00 8- 49 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio De Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso De Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel E Eu Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 50DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900839/200849 Acórdão n.º 3801001.276 S3TE01 Fl. 41 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, transmitida em 20/09/2006 (fls. 16/20), com base em suposto pagamento a maior a título de PIS/PASEP do período de apuração de novembro de 2003, por meio de guia DARF cujo recolhimento se deu em 15/12/2003, com débitos de COFINS do período de apuração de setembro de 2004, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 2.504,27. A DRF de origem proferiu despacho decisório (fls. 02) não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às fls. 01, sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da ausência de dedução da base de cálculo da Contribuição de valores legalmente dedutíveis, conforme supostamente lhe autorizaria a Lei nº 10.833/2003, sendo tais créditos aferíveis das respectivas DACON e DIPJ do período. A DRJ em Curitiba – PR, por sua vez, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte através do acórdão de fls. 23/24, considerando a ausência de comprovação do direito ao credito objeto da compensação materializada na PER/DCOMP, o que se confirmaria, inclusive, a partir inconsistências apuradas conta dos documentos mencionados pelo contribuinte na sua Manifestação de Inconformidade (DACON, DIPJ e DCTF) e planilha apresentada. Devidamente intimado para tanto (fls. 25), interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário de fls. 26 (em 15/12/2003), através do qual sustenta, em síntese, que o argumento trazido em sua Manifestação de Inconformidade foi equivocado, e que em verdade “(...) os valores apropriados em Perd/Comp tem como sua origem o crédito de PIS nas entradas de Produtos e Serviços, como permite o contido no artigo 3º e parágrafos da MP 66/2002.” É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. O argumento recursal fundamental é o de que a Recorrente tem direito a indébitos de PIS/COFINS por recolhimentos foram feitos a maior por conta de não aproveitamento dos créditos que teria direito em decorrência da legislação pertinente. Para tanto a Recorrente juntou as planilhas demonstrativas dos créditos não aproveitados em suas operações. A DRJ com base nas declarações da contribuinte (DACON, DIPJ e DCTF), entendeu não estarem comprovados os créditos requeridos, mantendo o mesmo suporte do despacho decisório. Despacho Decisório este, ressaltese, elaborado eletronicamente, isto é, a partir de um mero confronto de informações realizadas pelos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil (Dacon x DCTF x Darf), do qual exsurgiu a informação de que valor algum havia sido recolhido a maior, e, portanto, crédito algum haveria de ser reconhecido. No caso em concreto, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam Fl. 52DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900839/200849 Acórdão n.º 3801001.276 S3TE01 Fl. 42 5 carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente não apresentou documentos suficientes para demonstrar o seu crédito, juntando mera planilha de valores que pretende compensar de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal, notas fiscais que alega estarem canceladas e dos lançamentos contábeis o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. É como voto. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10166.001621/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PIS NÃO-CUMULATIVO. RECEITAS DE SERVIÇOS METROVIÁRIOS.
Para o ano-calendário de 2006, as receitas decorrentes de serviço de transporte metroviário não se enquadram no regime de incidência não-cumulativa, em virtude da vedação expressa nos arts. 10, inciso XII, e 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-001.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Recorrente COMPANHIA DO METROPOLITANO DO DF METRÔDF Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS NÃOCUMULATIVO. RECEITAS DE SERVIÇOS METROVIÁRIOS. Para o anocalendário de 2006, as receitas decorrentes de serviço de transporte metroviário não se enquadram no regime de incidência não cumulativa, em virtude da vedação expressa nos arts. 10, inciso XII, e 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 16 21 /2 00 7- 56 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.001621/200756 Acórdão n.º 3301001.887 S3C3T1 Fl. 178 2 Relatório Por economia processual transcrevo o relatório elaborado pela DRJ/Brasília, por bem refletir os fatos acontecidos até aquela decisão. Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de Créditos da contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 320.788,83, referente ao 4º trimestre de 2006. Vinculada a esse pedido, o contribuinte apresentou também declaração de compensação em que pleiteia a quitação de débitos de PIS, código de receita 8109, relativos aos períodos de apuração de outubro, novembro e dezembro de 2006. Além disso, encaminhou mais duasDCOMP relacionadas, as quais, no entanto, foram canceladas. Por fim, em 20/04/2007, encaminhou o Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) nº 42113.29482.200407.1.1.100810, referente ao mesmo período de apuração dos presentes autos, o qual permanece ativo nos sistemas da RFB. No Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort, de 07/07/2011, a autoridade tributária decidiu considerar não formulado o Pedido de Ressarcimento de fl. 01, considerar não declarada a compensação de fl. 03 e indeferir o pedido eletrônico de ressarcimento interposto, sob o entendimento de que a receita apresentada pelo contribuinte, decorrente de serviço de transporte metroviário, não se enquadra no regime de incidência nãocumulativa, nos termos dos arts. 10, inciso XII, e 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003. Ressalta, ainda, que, no tocante aos dois primeiros itens, cabe interposição de recurso nos termos dos arts. 56 e 59 da Lei nº 9.784/99, e, no que tange ao indeferimento do PER, cabe a interposição de manifestação de inconformidade, no prazo de 30 dias. Cientificada da decisão proferida pela DRF/Brasília em 12/08/2011, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade em 13/09/2011. Nesta, expressa o entendimento de que o art. 10, XII, da Lei nº 10.833/2003 trata da Cofins e não do PIS/Pasep, que é o objeto de seu pleito, e que o fisco teria estendido a vedação relativa à Cofins à contribuição para o PIS, por analogia, o que é vedado pela legislação tributária. Acrescenta, ainda, que o METRÔ/DF é uma empresa pública, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado, tributada pelo lucro real, que se enquadra, por conseguinte, na hipótese do art. 8º, I, da Lei nº 10.637/2002, o qual permite a incidência da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo. Além disso, alega a requerente que as autoridades competentes da RFB somente poderiam ter indeferido o PER caso o Fl. 178DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.001621/200756 Acórdão n.º 3301001.887 S3C3T1 Fl. 179 3 contribuinte não houvesse utilizado o programa PER/DCOMP, como determinado na legislação de regência. Menciona, também, que a redação confusa e contraditória, além de esparsa, da legislação relativa à contribuição para o PIS e à Cofins, induz o contribuinte de boafé ao erro. Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade interposta, o deferimento do pedido de ressarcimento apresentado e a abstenção de qualquer representação ou inscrição em dívida ativa ou em cadastros administrativos ou, ainda, de execução judical ou extrajudicial do contribuinte. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília, por unanimidade de votos, decidiu pela sua improcedência com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS NÃOCUMULATIVO. RECEITAS DE SERVIÇOS METROVIÁRIOS. As receitas decorrentes de serviço de transporte metroviário não se enquadram no regime de incidência nãocumulativa, em virtude da vedação expressa nos arts. 10, inciso XII, e 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com a citada decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 143/152, no qual repete exatamente os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. Abaixo uma síntese dos argumentos apresentados no recurso voluntário. que o pedido inicial de restituição está fundamentado nos art. 8º, I da Lei 10.637/2002, art. 15, V da Lei 10.833/2003, bem como no art. 60 da IN SRF nº 247/2002 que tratam da cobrança não cumulativa do PIS/Pasep; que os nobres auditores, ao indeferirem o seu pedido, fazem referência ao art. 10, inc. XII da Lei 10.833/2003 que trata da Cofins e não do PIS não cumulativo; que o MetrôDF é uma empresa pública, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado, tributada pelo Lucro Real, enquadrandose assim na hipótese do art. 8º da Lei 10.637/2002 que permite a incidência do PIS/Pasep não cumulativo; que o direito de utilizar os créditos da não cumulatividade está previsto no art. 3º da Lei 10.637/2002 e nos art. 27 e 28 da IN RFB nº 900/2008; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.001621/200756 Acórdão n.º 3301001.887 S3C3T1 Fl. 180 4 que, de acordo com o art. 39 da IN RFB nº 900/2008, a autoridade administrativa só poderia indeferir o seu pedido de ressarcimento caso não tivesse utilizado corretamente o formulário eletrônico do Programa PER/DCOMP; que a grande quantidade de legislação regulamentadora do PIS e da Cofins, induz o contribuinte de boa fé ao erro, sendo que a própria RFB editou dois Atos Declaratórios Interpretativos em 2008, dispondo sobre a não cumulatividade do PIS e da Cofins, ADI nº 23 e 27/2008; que as autoridades administrativas estariam utilizando de analogia para indeferir o pedido de ressarcimento/compensação, pois não mencionam qualquer artigo ou dispositivo da Lei 10.833/2003 que exclua do regime de apuração não cumulativa do PIS incidente sobre os serviços de transporte coletivo metroviário, uma vez que na verdade o art. 15, inc. V, da Lei 10.833/2003 daria suporte à visão do recorrente de que aplicaria o regime da não cumulatividade do PIS aos serviços citados; É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.001621/200756 Acórdão n.º 3301001.887 S3C3T1 Fl. 181 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Da análise do presente processo verificase que a questão crucial está em determinar se a legislação tributária dá amparo ao contribuinte em tributar as receitas decorrentes do transporte coletivo metroviário do Distrito Federal sob a sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS, prevista na Lei 10.637/2002, para as receitas referentes ao período de apuração correspondente ao 4º trimestre de 2006. O contribuinte alega que o seu pedido foi indeferido com base em interpretação analógica, pois a legislação que trata do PIS não cumulativo não prevê expressamente a exclusão das receitas com transporte coletivo metroviário deste regime. Alega especialmente que o art. 15, inc. XII da Lei 10.833/2003 não faz referência ao PIS e sim à Cofins e portanto não poderia servir de fundamento para o indeferimento de seu pedido. Da análise dos dispositivos legais, pode se concluir que a legislação tributária referente à não cumulatividade da Contribuição ao PIS exclui expressamente deste regime de apuração as receitas decorrentes do transporte coletivo metroviário a partir da edição da Lei 11.196/2005. Em princípio quando da edição da Lei 10.637/2002, que instituiu e regulamentou a sistemática de apuração do PIS não cumulativo, não havia efetivamente qualquer previsão de exclusão das receitas decorrentes do transporte coletivo metroviário, conforme exceções previstas no art. 8º abaixo transcrito: Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III – as pessoas jurídicas optantes pelo Simples; IV – as pessoas jurídicas imunes a impostos; V – os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 1988; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.001621/200756 Acórdão n.º 3301001.887 S3C3T1 Fl. 182 6 VI (VETADO) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) b) sujeitas à substituição tributária da contribuição para o PIS/Pasep; c) referidas no art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; IX (VETADO) X as sociedades cooperativas; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) XI as receitas decorrentes de prestação de serviços das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) XII – as receitas decorrentes de operações de comercialização de pedra britada, de areia para construção civil e de areia de brita. (Incluído pela Lei nº 12.693, de 2012) (Vide Lei nº 12.715, de 2012) Quando da edição da Lei 10.833/2003, que instituiu e regulamentou a sistemática de apuração da Cofins não cumulativa, as receitas decorrentes do transporte coletivo metroviário foram expressamente excluídas desta forma de apuração, conforme se vê do disposto no art. 10, inc. XII, abaixo transcrito: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: [...] XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; Por sua vez, o art. 15, inc. V da Lei 10.833/2003, com a redação dada pela Lei 11.196/2005, estendeu ao PIS o mesmo tratamento para a Cofins no que se refere à exclusão da sistemática da não cumulatividade. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3º do art. 1º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 182DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.001621/200756 Acórdão n.º 3301001.887 S3C3T1 Fl. 183 7 II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV nos arts. 7º e 8º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (g.n.) Ao contrário do que alega o contribuinte de que o indeferimento se deu por interpretação analógica e que não existe artigo de lei que prevê expressamente a exclusão das receitas provenientes do transporte coletivo metroviário da sistemática da nãocumulatividade do PIS, o que se vê da leitura dos dispositivos legais acima transcritos é que o art. 43 cc art. 132, inc. II da Lei nº 11.196/2005, estabeleceu, ao dar nova redação ao inc. V do art. 15 da Lei nº 10.833/2003, que a partir de 14 de outubro de 2005, as receitas provenientes do transporte coletivo metroviário de passageiros incide o PIS com base no regime de incidência cumulativa da contribuição, o que afasta a possibilidade do aproveitamento de qualquer crédito referente à sistemática da nãocumulatividade. Não é possível dar outra interpretação ao dispositivo legal acima transcrito. Note que o caput do art. 15 da Lei 10.833/2003 diz que aplica se à Contribuição ao PIS/Pasep nãocumulativa de que trata a Lei 10.637/2002 o disposto nos incisos IX a XXVII do art. 10 desta Lei. Ora, o inciso XII do art. 10 da Lei 10.833/2003 está entre os incisos IX a XXVII. Portanto, cristalino está que foi estendido ao PIS o mesmo tratamento dispensado às receitas provenientes do transporte coletivo metroviário previsto para a Cofins, qual seja, que sobre estas receitas o tratamento tributário previsto é o regime cumulativo destas contribuições. Por outro lado não se sustenta também o argumento, trazido pela recorrente, de que a grande quantidade de legislação regulamentadora do PIS e da Cofins, induz o contribuinte de boa fé ao erro, sendo que a própria RFB editou dois Atos Declaratórios Interpretativos em 2008, dispondo sobre a não cumulatividade do PIS e da Cofins, ADI nº 23 e 27/2008. Porém o contribuinte no item 16 de seu Recurso Voluntário transcreve incorretamente o teor do ADI nº 23/2008, dando uma impressão incorreta de seu conteúdo. Abaixo o conteúdo de seu artigo único transcrito no recurso: “ Conforme disposto no inciso XII do art. 10 da Lei 10.833, de 2003, submetemse ao regime de incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) somente as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros, como aqueles decorrentes do regime de fretamento ou turístico, que se submetem ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições”. Agora, transcrevese abaixo o conteúdo completo do artigo único do ADI nº 23/2008: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.001621/200756 Acórdão n.º 3301001.887 S3C3T1 Fl. 184 8 Artigo Único. Conforme disposto no inciso XII do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, submetemse ao regime de incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) somente as receitas decorrentes da prestação de serviços públicos de transporte coletivo de passageiros, executados sob o regime de concessão ou permissão, em linhas regulares e de caráter essencial, não incluindo outras receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros, como aquelas decorrentes do regime de fretamento ou turístico, que se submetem ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições. (grifos nossos) Veja que o contribuinte omitiu toda a parte acima sublinhada passando a impressão de que em algum momento a RFB teria dado interpretação diversa à questão do transporte coletivo metroviário de passageiros. Da leitura do referido artigo não resta dúvida que naquela oportunidade as receitas decorrentes da prestação de serviços públicos de transporte coletivo de passageiros, executados sob o regime de concessão ou permissão, que é o caso da recorrente, se sujeitam ao regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Já o ADI nº 27/2008, transcrito no item 17 do recurso voluntário, que revogou o citado ADI nº 23/2008, assim dispôs: Art. 1 º As receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros, inclusive na modalidade de fretamento ou para fins turísticos, submetemse ao regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). O ato interpretativo acima citado não alterou em nada o entendimento acerca do regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins sobre as receitas oriundas do transporte coletivo metroviário de passageiros. Portanto os atos normativos citados não trouxe nenhuma confusão ou dúvida a respeito da interpretação dos dispositivos legais já citados, não havendo possibilidade de indução do contribuinte de boa fé ao erro, conforme afirmado pela recorrente. Assim, há que se concluir que, por expressa disposição legal, a partir de 14 de outubro de 2005, não é aplicável as regras da nãocumulatividade da Contribuição ao PIS previsto na Lei 10.637/2002, sobre as receitas de transporte coletivo metroviário, não cabendo qualquer correção ao Acórdão da DRJ/Brasília que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Diante do acima exposto, voto pela improcedência do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.001621/200756 Acórdão n.º 3301001.887 S3C3T1 Fl. 185 9 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005429/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.
É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
MATÉRIA NÃO VENTILADA NA IMPUGNAÇÃO.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, a matéria não expressamente contestada na impugnação é considerada não impugnada, não podendo dela conhecer o colegiado de segunda instância.
Numero da decisão: 1302-001.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Márcio Frizzo.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. A conselheira Cristiane Silva Costa declarou-se impedida de votar.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. MATÉRIA NÃO VENTILADA NA IMPUGNAÇÃO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, a matéria não expressamente contestada na impugnação é considerada não impugnada, não podendo dela conhecer o colegiado de segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Márcio Frizzo. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. A conselheira Cristiane Silva Costa declarouse impedida de votar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 54 29 /2 01 0- 54 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/CPS, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. A fiscalização lavrou auto de infração para cobrança de multa por falta de entrega de Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) mensais em 2006, conforme quadro abaixo: Na impugnação, a recorrente alegou que a multa imposta, por ser percentual do valor declarado em DCTF, ofende ao princípio da proporcionalidade. Pede a nulidade ou o cancelamento da exação. Na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou as alegações expendidas na impugnação quanto à suposta violação ao princípio da proporcionalidade e postulou, em síntese, também, pela violação dos princípios do não confisco, da Eficiência, da Razoabilidade e da Legalidade. É o relatório. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10830.005429/201054 Acórdão n.º 1302001.171 S1C3T2 Fl. 328 3 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Argüição de inconstitucionalidade de lei O recorrente se insurgiu contra parte da decisão da DRJ que não conheceu de matéria que questionava inconstitucionalidade de lei, a saber, a violação ao princípio da proporcionalidade. Não lhe assiste razão neste ponto. Ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Tal restrição não elimina a possibilidade de que, inconformado, deduza o contribuinte sua pretensão em juízo, assegurandose do conteúdo prescritivo do art. 5º, XXXV, da CF. O direito positivou tal restrição no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e, ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas pelo Colegiado no mesmo sentido, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Matéria não ventilada na impugnação A alegação de violação aos princípios da razoabilidade, eficiência e legalidade foi apresentada somente no Recurso Voluntário, não tendo sido ventilada na impugnação. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, a matéria não expressamente contestada na impugnação é considerada não impugnada, não podendo dela conhecer o colegiado de segunda instância. Desta forma, deixo de apreciála. Demais, ainda que pudessem ser apreciadas, a elas caberia a ponderação do item anterior. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 11 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 330DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10280.905871/2009-12
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011).
APLICAÇAO DA SÚMULA CARF N° 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1803-001.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011). APLICAÇAO DA SÚMULA CARF N° 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Victor Humberto da Silva Maizman.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011). APLICAÇAO DA SÚMULA CARF N° 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 58 71 /2 00 9- 12 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.905871/200912 Acórdão n.º 1803001.666 S1TE03 Fl. 112 2 (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de declaração de compensação transmitida em 07/06/2010 (em retificação de PER/DCOMP transmitida anteriormente em 25/01/2006), na qual indicou crédito de R$ 35.506,05 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 01/2005, no valor originário de R$ 392.008,29. A Delegacia de origem, em análise, asseverou que “analisadas as informações prestadas no documento (...), foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Assim, não homologou a compensação declarada. Devidamente cientificada da decisão, a empresa recorrente apresentou tempestivamente suas razões de impugnação, alegando que embora tenha indicado em sua DCTF o montante de R$ 355.160,74, como valor devido a título de estimativa de IRPJ no mês de janeiro de 2005, a empresa equivocadamente efetuou o recolhimento, via DARF, no valor de R$ 392.008,29, gerando um crédito em seu favor, o qual se pretende compensar, sendo que o montante a título de estimativa de IRPJ do mês de janeiro de 2005 foi expressamente indicado não apenas em DCTF, como também na DIPJ 2006. Prossegue referindo que a sistemática do recolhimento do IRPJ sob o regime de estimativa encontrase definida pela Lei 9.430/96, art 2º, do qual se extrai que se considera como valor devido a título de estimativa de IRPJ o resultado da aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previamente estabelecidos. O resultado deste cálculo deve ser recolhido pelo Contribuinte, e comporá, no final do ano calendário, o ajuste anual, Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.905871/200912 Acórdão n.º 1803001.666 S1TE03 Fl. 113 3 ocasião em que se verificará se há valor remanescente a ser recolhido ou saldo negativo passível de restituição/compensação. Tomando em conta o disposto, a empresa recorrente considera que o valor devido a título de estimativa mensal não é arbitrariamente estipulado pelo Contribuinte, sendo, na verdade, resultado de um cálculo realizado mediante aplicação de critérios definidos em lei. Ademais temse que apenas o valor obtido após a realização do referido cálculo pode ser utilizado para composição quando do ajuste anual. Por essa razão, entende a recorrente que quaisquer valores recolhidos por ela a maior dos valores indicados como estimativa mensal em suas Declarações ao Fisco, devem ser tratados como verdadeiro crédito contra o fisco. Cita a IN 600/05, art.10, porquanto que entende que esse dispositivo permite a compensação entre os valores indevidamente recolhidos a título de estimativa mensal e o eventual valor a recolher apurado quando do ajuste. No caso em tela, atenta para o fato de que a recorrente quando da apuração do ajuste anual, verificou a existência de um valo remanescente devido a título de IRPJ e optou por utilizar o pagamento a maior realizado a título de estimativa do mês de janeiro de 2005 a fim de deduzir, mediante compensação, do valor devido a título de IRPJ quando do ajuste anual. A empresa recorrente cita jurisprudência administrativa e conclui que diante da clara origem do crédito e da correição da compensação realizada pela mesma, mostrase imperiosa a sua homologação. Atenta para o fato de ser inequívoco o crédito que se pretende ver compensado e legítimo o procedimento adotado. A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento e sua integralidade. Aduz que as jurisprudências listadas pela empresa recorrente não constituem normas complementares e cita o art. 100, II do CTN e o Parecer Normativo CST nº 390, de 1971. Em ato contínuo, o julgador a quo refere, quanto à declaração de compensação, que a Lei 10.637/2002 atribui à compensação efeito extintivo do crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. Já a lei 10.833/2003 fixou o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da DCOMP para a Receita Federal do Brasil homologar compensação declarada pelo contribuinte, reconhecendo a homologação tácita das compensações que, após cinco anos da data do protocolo respectivo, não tenham sido objeto de despacho decisório proferido pela autoridade competente, independentemente da existência e do montante do crédito alegado pelo sujeito passivo. Assim, salienta o julgador de primeira instância que com a referida mudança da sistemática, a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose antes de procedimento efetivo pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação do fisco, de forma expressa ou tácita. No caso presente, temse que ao efetivar sua compensação a recorrente indicou como crédito pagamento correspondente a estimativas mensais. Ocorre que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei nº 9.430/19962, os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário, proceder à apuração do tributo devido, Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.905871/200912 Acórdão n.º 1803001.666 S1TE03 Fl. 114 4 oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa. Cita o RIR a esse respeito. Explica o julgador que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, que opte pelo recolhimento de estimativas, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, por intermédio de balanços ou balancetes mensais transcritos no Livro Diário, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete (comparandose o tributo calculado com base no lucro real do período de referência – de janeiro até o mês de levantamento do balanço/balancete – com o tributo já recolhido). Atenta que ao final do ano calendário, acaso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, poderá pleitear a restituição ou a compensação deste mesmo saldo, nos termos e condições constantes do art. 6º, § 1º, da Lei nº 9.430/19963. Constatase, pois, que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei nº 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição). Cita Instruções Normativas. Observa o julgador que excepcionalmente e exclusivamente para aqueles períodos em que não há ou houve vedação pela legislação tributária é que a repetição pretendida poderá recair diretamente sobre créditos decorrentes de estimativas mensais, mas que para tanto deverá a empresa provar o efetivo recolhimento da estimativa, bem como que as receitas que a ensejaram foram levadas à composição da base de cálculo do tributo anual, que o valor recolhido a título de estimativa, em sendo o caso, excedeu o determinado pela legislação aplicável e, ainda, que tal valor não foi levado à composição do saldo do tributo apurado ao final do ano calendário. Assim, em tais hipóteses refere o julgador de primeira instância ser indispensável a exibição dos registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, a demonstração do resultado do exercício, a devida contabilização das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os lançamentos de eventuais compensações, os registros pertinentes do livro “LALUR” etc, haja vista que a Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ, por si só, não exprime nem materializa o indébito fiscal. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta, de forma tempestiva, suas razões de inconformidade em seara de recurso voluntário. Alega em sua defesa o já disposto em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.905871/200912 Acórdão n.º 1803001.666 S1TE03 Fl. 115 5 Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de declaração de compensação transmitida em 07/06/2010 (em retificação de PER/DCOMP transmitida anteriormente em 25/01/2006), na qual indicou crédito de R$ 35.506,05 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 01/2005, no valor originário de R$ 392.008,29. A empresa recorrente contrapõese à decisão de primeira instância de forma tempestiva. De fato, entendo que a decisão proferida pela instância a quo deve ser revista, vez que levou em consideração as Instruções Normativas 460/2004 e 600/2005, que restaram prejudicadas com a superveniência da Instrução Normativa 900/2008, conforme entendimento sintetizado na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. A empresa entende que os valores recolhidos a maior indicados como estimativa, devem ser tratados como verdadeiro crédito, tal como possibilita a IN 900 e também a Súmula CARF n°84: “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Diante do exposto voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para que a DRF de origem aprecie o direito creditório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.905871/200912 Acórdão n.º 1803001.666 S1TE03 Fl. 116 6 (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 10855.911832/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. A documentação juntada ao Recurso Voluntário deve ser analisada pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível.
Numero da decisão: 1802-001.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O crédito pleiteado deve ser analisado à luz de elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. A documentação juntada ao Recurso Voluntário deve ser analisada pela origem a fim de determinar a disponibilidade ou não do direito creditório, permitindo a homologação até o limite de crédito que estiver disponível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 91 18 32 /2 00 9- 01 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.911832/200901 Acórdão n.º 1802001.839 S1TE02 Fl. 224 3 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, cujo crédito está em suposto recolhimento a maior de CSLL Estimativa do período de apuração relativo a 02/2005 de empresa incorporada e cujo débito é de CSLL Estimativa relativo ao período de apuração de 02/2006. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente recurso voluntário, adoto o relatório proferido pela 5a Turma da DRJ/RPO, através do Acórdão n° 14 35.854, constante às efls. 96/97: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito do tipo “pagamento indevido ou a maior” de CSLLestimativa mensal (código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 02/2005. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado “por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contendo alegações nos termos seguintes: que “ano base de 2005, a empresa incorporada (CNPJ N° 03.334.055/000126) recolheu a importância de R$ 407.313,03 (Quatrocentos e sete mil,trezentos e treze reais e três centavos) como estimativa mensal da CSLL, conforme cópias dos DARF's, que ora se junta e demonstra abaixo. Ocorre que ao apurar o valor final devido nesse período constatou que seu saldo credor era de R$ 374.039,15 (Trezentos e setenta e quatro mil,trinta e nove reais e quinze centavos ) resultando o recolhimento a maior de R$ 33.273,88 (Trinta e três mil, duzentos e setenta e três reais e oitenta e oito centavos)”; que “julgando estar correta, a Incorporada declarou na DIPJ e na DCTF somente os valores que deveriam ser os recolhimentos devidos, NÃO COMPUTANDO OS VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS A MAIOR E NÃO RETIFICANDO A DCTF.”; que “ao amparo da DIPJ e dos DARFs de recolhimento se conclui que realmente houve o pagamento a maior, ainda que a DCTF não tenha sido retificada.”; Fl. 225DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 que “os Sistemas da Receita Federal do Brasil NÃO PERMITEM, por falta de ferramentas, que a RECORRENTE Incorporadora, ZF DO BRASIL LTDA CNPJ 59.280.685/000110, efetue a retificação da DCTF da empresa incorporada, razão pela qual anexa segue SIMULAÇÃO do que seria a DCTF retificada com a apuração do tributo Código da Receita 2484”; que “a partir da simulação da DCTF retificada, da DIPJ e dos DARFs fica claro que de fato a RECORRENTE Incorporadora é detentora de saldo credor no valor de R$ 33.273,88 (diferença entre o valor recolhido R$ 407.313,01 e o valor correto de R$ 374.039,15) restando incorreta a conclusão do Despacho Decisório (n° de rastreamento 849906429) de que o crédito é inexistente, sendo considerada, por conseguinte, improcedente a compensação efetuada no PER/DCOMP 08443.66651.300407.1.3.046009 valor do crédito original informado: 22.596,61”. Ao final requer reforma do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da peça impugnatória, conforme sintetiza a seguinte ementa (efls. 95): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos de CSLL por estimativa são meras antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após a apuração de saldo negativo ao final do anocalendário. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 226DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.911832/200901 Acórdão n.º 1802001.839 S1TE02 Fl. 225 5 Intimada do Acórdão em 10/01/2012 (efls 108) mostrouse irresignada, pelo que apresentou recurso voluntário em 09/02/2012, suscitando em apertada síntese que: a) a colação de provas no momento recursal é valida à luz do princípio da verdade material, sobretudo quando atrelada a uma decisão que vincula essa necessidade e; b) o crédito pleiteado, seja considerado como pagamento a maior ou saldo negativo está devidamente comprovado pela documentação acostada. É o relato do essencial. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, discutese nos presentes autos sobre a existência de um crédito tributário passível de compensação, na condição de pagamento a maior/saldo negativo, de empresa incorporada à recorrente (ZF LEMFORDER DO BRASIL LTDA.). Preliminarmente, a recorrente pede que sejam analisadas as provas acostadas à peça recursal, em apreço à verdade material. Ora, em que pese o art. 16 do Decreto n° 70.235/72 determinar a apresentação da prova no momento da impugnação (correspondente momento da Manifestação de Inconformidade), está claro na exposição do Acórdão atacado que tais documentos são necessários neste momento para a comprovação do crédito, motivo pelo qual devem ser aceitos e analisados. Já no que tange à compensação (mérito), o Código Tributário Nacional – Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – condiciona a hipótese de compensação, à existência de créditos líquidos e certos, senão vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. [...] À luz desse dispositivo, fica evidente que o contribuinte que apresenta um pedido de compensação deve demonstrar de plano a existência desse crédito. Neste sentido, as obrigações acessórias devem refletir seu pedido, de forma a consolidar sua existência e permitir a homologação da compensação. O presente caso remete ao suposto recolhimento a maior da estimativa de CSLL do período de 02/2005 da Incorporada, pela apresentação da Declaração de Compensação de n° 08443.66651.300407.1.3.046009. A turma julgadora a quo selou entendimento no sentido de que as estimativas recolhidas têm cunho antecipatório, o que caracterizaria uma “flagrante impropriedade”, e portanto, “não se concebe extinção de obrigação tributária que ainda não existe, vez que o átimo do fato imponível da CSLL dáse em 31 de dezembro do anobase” e por isso, julgou incabível seu pleito na modalidade de pagamento a maior. Ora, em que pese a natureza antecipatória do recolhimento da estimativa, não há óbice ao pleito na modalidade de pagamento indevido ou a maior quando resta demonstrada Fl. 228DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.911832/200901 Acórdão n.º 1802001.839 S1TE02 Fl. 226 7 por meio de documentação idônea sua existência, não podendo seu direito ao crédito ser negado por este motivo. Neste sentido, este Conselho já pacificou o entendimento através de Súmula: Súmula CARF n° 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Sob a ótica da recorrente, denotase imprecisão no seu recurso voluntário, quando em relação à origem do crédito, colocase o seguinte: 20. Para aqueles que entendem que se trata de pagamento indevido ou a maior, seguem os fundamentos que garantem o direito à restituição: [...] 21. Para aqueles que entendem que se trata de saldo negativo, o artigo 2° da Lei n° 9.430/96, complementado pelo artigo 230 do Regulamento do IR/99, garante a compensação do saldo negativo, seja em virtude da natureza da sistemática de recolhimento, seja em relação ao disposto no artigo 11 da IN n° 900/2008. Vejamos os textos legais abaixo transcritos: [...] (Grifouse) Como se observa, não há determinação se o crédito supostamente existente é decorrente de pagamento a maior da estimativa, ou se ele é decorrente de um saldo negativo do período. Dos documentos juntados que guardam relação ao pleito, consta às efls 37 e 142/145 páginas da DIPJ que demonstram a existência de um saldo negativo no anocalendário de 2005 no montante de R$ 374.039,15 para a Incorporada. Tal constatação é um indício da existência de saldo negativo, hipótese que daria direito à recorrente ao indébito nesse montante. A DCTF relativa ao período consta nos autos às efls 52/71, contudo, sem a comprovação através do Recibo de entrega. Assim, ainda que hajam indícios de que o saldo negativo é existente, carecem questões de direito a serem analisadas, como o ato de incorporação com a determinação da transferência dos saldos existentes à empresa incorporadora e a legitimidade do crédito à luz os elementos colacionados aos autos pelo Recurso Voluntário. Cabe registrar que o fato de a recorrente ter indicado na Declaração de Compensação o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do Fl. 229DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, evidenciase que a recorrente efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período e esse excedente deve configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Este colegiado normalmente desconsidera o erro formal no caso do contribuinte indicar nos PER/DCOMP recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. No que tange à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pela recorrente, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a recorrente, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. É este o caso. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.911832/200901 Acórdão n.º 1802001.839 S1TE02 Fl. 227 9 Contudo, devido a não determinação pela origem da validade das provas juntadas neste recurso, bem como, da possível necessidade de outros elementos para sua configuração, é de se encaminhar os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sorocaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela recorrente e de outros que se entenda necessários apure, seu direito ao crédito e homologue a compensação até o limite da disponibilidade do crédito. Portanto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso interposto, determinando a remessa dos autos à origem (DRF de Sorocaba/SP). É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 231DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10240.720195/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS.
As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3302-002.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 01 95 /2 01 0- 19 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatório Trata o processo de PERELETRÔNICO RESSARCIMENTO DE IPI, fls. 01, e DCOMP fls 06, cujo PARECER SAORT/DRF/PVO N° 092/2010 (fls. 25/28), aprovado pelo Despacho Decisório de fls. 29, não reconheceu o crédito e não homologou as compensações declaradas, sob a justificativa de que a interessada, usuária de sistema de processamento eletrônico de dados para registro de negócios e atividades econômicas e financeiras, deixou de apresentar, após sucessivos pedidos de prorrogação, os arquivos digitais dentro das especificações técnicas do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15, de 2001, alterado pelo ADE Cofis n° 55, de 2009, contendo as informações contábeis e fiscais necessárias à apreciação do pleito, na forma prevista na Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001. Discordando do Despacho Decisório, o interessado ingressou com manifestação de inconformidade em 23/07/2010 (fls. 33/46), acompanhada dos documentos (fls. 47/58), comprovado pelo carimbo de Recebimento do protocolo da ARF/CHAPECO/SC, fls. 33. Em 27/07/2010 apresenta requerimento dirigido ao delegado da DRJ/Belém solicitando que sejam recebidas e processadas as informações que seguem em CD anexo.que, segundo alega, referese aos dados das exportações e memória de cálculo do crédito presumido de IPI referente ao processo em epígrafe, eis que não foram incluídas no CD originalmente apresentado por erro de gravação, conforme documentos fls. 60/86. As alegações apresentadas, em síntese, conforme relatório do Acórdão recorrido: “a) Tece comentários sobre o crédito presumido, afirmando ser empresa industrial dedicada ao beneficiamento, comercialização e exportação de madeira; b) Informa haver cumprido todas as normas estabelecidas pelos atos que regulam o crédito presumido, tendo apresentado os arquivos fiscais e contábeis solicitados em conformidade com a capacidade de seu sistema operacional; c) Não dispõe de programas de processamento de dados com capacidade e tecnologia para gerar arquivos no leiaut exigidos pelos atos da Receita Federal; d) ‘É lamentável que o direito do contribuinte exportador, fixado em Lei Federal seja simplesmente negado por que o Fisco não se dispõe a verificar os dados fornecidos pela empresa ou o que é pior, não se dispõe a conceder prazos para que a recorrente efetue os ajustes necessários à geração de dados aos critérios e parâmetros dos programas utilizados pela Receita Federal’; Fl. 137DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720195/201019 Acórdão n.º 3302002.254 S3C3T2 Fl. 137 3 e) A Receita Federal não considerou os sistemas e formatos utilizados pelas empresas, impondo de forma arbitrária a forma a ser utilizada; f) Requer que sejam acolhidos os arquivos anexados em CD, na forma fixada pelo ADE n° 15/2001; g) Contesta a não homologação da compensação, tendo em vista haver atendido as exigências relativas ao crédito; h) Solicita a suspensão da cobrança dos débitos envolvidos; i) Ao final, requer o acolhimento de seus argumentos e a reforma do Despacho, conforme fls. 45/46.” No relatório do Acórdão recorrido consta a seguinte informação acerca do conteúdo do CD apresentado depois da peça impugnatória: “5. Verificandose o conteúdo do referido CD, foram encontradas três planilhas em Microsoft Excel denominadas: "Relação das Notas Fiscais de Exportação", "Estoques" e "Análise Final", na qual foram apresentados quadros demonstrativos do crédito presumido.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), por meio do Acórdão nº 0120.289– 3ª Turma da DRJ/BEL (doc. fls 96/102), proferido na Sessão de 11 de janeiro de 2011, por unanimidade de votos, decidiu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, consoante se constata pela ementa e dispositivos postos a seguir: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE DADOS. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, sendo que, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, na forma prevista pelo órgão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade”. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Cientificada do Acórdão nº 0120.289 – 3ª Turma da DRJ/BEL em 23/03/2011 (fl. 103), ainda irresignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 106/123), em 25/04/2011, no qual repisa os argumentos da impugnação, complementandoos, em face do acórdão proferido, elaborando a seguinte ressalva: “Apesar das tentativas de gerar os arquivos nos termos solicitados, a Recorrente novamente incorreu em erro ao tentar gerar os dados para o segundo CD juntado à Manifestação de Inconformidade. Assim, novamente a Recorrente requer que seu pedido seja avaliado a partir dos arquivos e documentos que dispõe, mas que infelizmente, por diversos problemas de ordem tecnológica, não consegue hoje gerar informações de 2006 nos parâmetros hoje em vigor. Assim, o que se requer de imediato é que seja reformado o Acórdão em debate e que seja analisado o pedido da Recorrente com base nos preceitos fixados pelas leis que regulam o crédito presumido de IPI e para tanto sejam verificadas as operações de exportações realizadas, o valor dos insumos, matériasprimas e embalagens aplicados nestes produtos e todas as demais informações pertinentes. Também se requer que seja verificado o DCP Demonstrativo de Crédito Presumido de IPI, bem como as informações constantes no Pedido Eletrônico Perdcomp protocolado para o trimestre. O pedido acima toma por base as Leis 9.363/96 e 10.276/2001, bem como as Instruções Normativas relativas ao crédito presumido de IPI e as demais informações necessárias a realização do pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI. Assim, sendo esta a norma prescrita, por que estes documentos e informações não foram verificados??” Sobre a compensação requerida e não homologada, argúi: “A decisão ora guerreada por qualquer ângulo que se verifica é infundada, incorreta e fere duplamente os direitos da Recorrente, pois ao não reconhecer as compensações efetuadas o agente julgador tenta, por via indireta, ratificar a despacho decisório de indeferimento do crédito, fato este que não pode prosperar, já que as compensações só poderão ser julgadas após decisão em relação ao crédito.” Ao final, elabora o seu requerimento nos seguintes termos: “a. Seja recebido e processado o presente Recurso Voluntário; b. Seja reformado o Despacho Decisório proferido no processo ora guerreado para o fim de reconhecer a atividade industrial exercida pela Recorrente e como tal reconhecer o direito da ora Recorrente ao Crédito Presumido do IPI relativo 4º trimestre de 2007, pelas razões de fato e de direito acima ofertados, em homenagem ao Direito e como medida da mais elevada Justiça; c. Que sejam considerados para a análise do processo da Recorrente os documentos ficais e contábeis que comprovam as operações realizadas, bem como sejam verificados os dados já apresentados, as memórias de cálculo, o DCP e o PERDCOMP já apresentados neste processo, eis que contém os dados Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720195/201019 Acórdão n.º 3302002.254 S3C3T2 Fl. 138 5 necessários para analise do pleito, independentemente da linguagem tecnológica aos mesmos; d. Reconhecido o direito crédito da Recorrente na forma dos itens b e c, acima, sejam homologadas as compensações de débitos vinculadas ao processo, eis que foram efetuadas na forma prescrita em lei; e. Se assim não entender este Egrégio Conselho que seja determinado o retorno deste processo à Delegacia da Receita Federal de origem e disponibilizada a reabertura de prazo para que a Recorrente passa adequar as informações do período de 2007 aos parâmetros tecnológicos fixados e exigidos no MPF de origem. f. Se acolhido o pedido da Recorrente na forma do item e acima, que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho novo decisório definitivo.” Na forma regimental, os autos foram a mim distribuídos. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Por isso, acolhoo. A empresa industrial, dedicada ao beneficiamento, comercialização e exportação de madeira, apresentou PerRessarcimento de IPI, conforme folha 01, cujo pleito consubstanciase no crédito presumido do IPI do período de apuração do 4º trim/07. Constatase que a lide resumese à questão comprobatória do crédito pleiteado, haja vista a contribuinte, ora recorrente, não ter apresentado os arquivos digitais dentro das especificações técnicas previstas no Anexo Único do Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15, de 2001, alterado pelo ADE Cofis n° 55, de 2009, contendo as informações contábeis e fiscais necessárias à apreciação do pleito, na forma prevista na Instrução Normativa SRF n° 86, de 2001. É que a empresa é usuária de sistema de processamento eletrônico de dados para registro de negócios e atividades econômicas e financeiras e nesta condição encontravase obrigada a manter e apresentar, quando solicitada pelos agentes da RFB, os respectivo arquivos digitais e sistemas, em conformidade com a legislação específica, que foi bem demonstrada e analisada no Acórdão ora recorrido, cujo trecho se reproduz a seguir: “8. O art. 11 da Lei 8.218, de 29 de agosto de 1991, prescreve: ‘Art 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 atividades econômicas ou Financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, peio prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória n° 215835, de 2001) ... §3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória n° 2158 35, de 2001) §4º Os atos a que se refere o § 3a poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal .(Incluído pela Medida Provisória n° 215835, de 2001)’ (grifouse) 9. Com base no dispositivo acima, a Receita Federal expediu a Instrução Normativa SRF n° 86, de 22.10.2001, conforme abaixo: ‘Art. 1º As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Parágrafo único. As empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), de que trata a Lei n 9.317, de 5 de dezembro de 1996, ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo. Art. 2 As pessoas jurídicas especificadas no art. 1, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras. Art. 3° Incumbe ao CoordenadorGeral de Fiscalização, mediante Ato Declaratório Executivo (ADE), estabelecer a forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas de que trata o art. 2º. § 1° Os arquivos digitais referentes a períodos anteriores a 1º de janeiro de 2002 poderão, por opção da pessoa jurídica, ser apresentados na forma estabelecida no caput. § 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais poderão ser recebidos em forma diferente da estabelecida pelo Coordenador Geral de Fiscalização, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. § 3° Fica a critério da pessoa jurídica a opção pela forma de armazenamento das informações.’ (grifouse) 10. Como consequência, foram baixadas as regras para apresentação dos arquivos através do ADE Cofis n° 15, de 2001, que segue transcrito: ‘Art. 1° As pessoas jurídicas de que trata o art. 1 da Instrução Normativa SRF n286, de 2001, quando intimadas por AuditorFiscal da Receita Federal (AFRF), deverão apresentar, a partir de 1º de janeiro Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720195/201019 Acórdão n.º 3302002.254 S3C3T2 Fl. 139 7 de 2002, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, observadas as orientações contidas no Anexo único. §1º As informações de que trata o caput deverão ser apresentadas em arquivos padronizados, no que se refere a: I registros contábeis; II fornecedores e clientes; III documentos fiscais; IV comércio exterior; V controle de estoque e registro de inventário; VI relação insumo/produto; VII controle patrimonial; VIII folha de pagamento. §2º As informações que não se enquadrarem no parágrafo anterior deverão ser apresentadas pelas pessoas jurídicas, atendido o disposto nos itens "Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos" e "Documentação de Acompanhamento" do Anexo único. Art. 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais de que trata §1º do artigo anterior poderão ser apresentados em forma diferente da estabelecida neste Ato, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos.’ 11. O que se extrai dos dispositivos acima transcritos é que a utilização de sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal é facultativo para as pessoas jurídicas que, caso optem por essa forma de controle, ficam sujeitas às exigências previstas no art. 11 da Lei n° 8.212, de 1991, e legislação correlata. Os arquivos digitais são validados através do Sistema Integrado de Coleta — SINCO — Arquivos Contábeis, disponível para "download" no "site" www. receita. fazenda. gov. br. A exigência de tais especificações técnicas se dá pela necessidade de padronização de arquivos, pelo o fato de a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, buscando cumprir seus objetivos estratégicos, adotar sistemas eletrônicos para análise e manipulação dos dados fornecidos pelos contribuintes. A própria contribuinte demonstrou ter consciência dessa necessidade, quando assim manifestouse em sua impugnação e recurso: “Considerando as inúmeras empresas do país e os milhares de processos que precisam ser analisados é compreensível que se estabeleçam regras e critérios.” Pois bem, a Instrução Normativa SRF n° 86, de 22 de outubro de 2001, publicada no DOU de 23.10.2001 , teve vigência a partir da data da sua publicação, produzindo Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 efeitos a partir de 1 º de janeiro de 2002, consoante disposto no seu art.5º. Portanto, quando da apresentação, pela contribuinte, do PER Ressarcimento nº 27565.77 992.310108.1.1.015956, em 31/01/2008, já havia decorrido cerca de seis (6) anos da efetividade da referida regra, tempo suficiente para que a contribuinte tomasse as medidas cabíveis para a devida adaptação dos seus sistemas, principalmente, tendo em vista, o seu interesse em ser ressarcida de créditos presumidos de IPI. Não obstante tal fato, quando solicitou, sucessivamente, no decorrer da auditoria, a prorrogação de prazo para que pudesse atender às intimações, de acordo com as exigências legais, ao contrário do que alega, teve, sim, o deferimento dessas prorrogações, consoante se vê pelas anotações expressas constantes nos documentos de fls.19 e 20 e pelas prorrogações tácitas que se deram em seguida, tendo em vista que a última solicitação de prorrogação de prazo, dita final e definitiva pela requerente, se deu em 12/05/2010 (doc. fl. 23), e o Despacho Decisório de fl. 29 foi somente emitido em 10/06/2010, sem que a contribuinte tivesse apresentado os arquivos nas especificações exigidas na legislação atinente, para bem demonstrar o direito ao ressarcimento do crédito presumido alegado. Ressaltese, inclusive, que a auditoria só teve início em 24/11/2009 (doc. fl. 10). Portanto, cerca de dois (2) anos depois da apresentação de seu pedido de ressarcimento. Assim, lá se vão quase oito anos da vigência da norma. O que demonstra total desinteresse da contribuinte. Da mesma forma, quando da impugnação, a contribuinte apresenta dois “CD”, que, também, não atendiam às especificações exigidas, consoante registra a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, no trecho a seguir transcrito: “12. No caso presente, a empresa apresenta dois CD's onde estariam os arquivos requeridos pela Fiscalização, juntamente com recibo emitido pelo sistema de validação de arquivos digitais (fl. 47) no qual estão relacionados nove arquivos de texto (extensão TXT), sem conteúdo informado. Além disso o referido recibo não identifica a empresa, o responsável, o responsável técnico, estando assinada, aparentemente (comparouse a assinatura com a da fl. 73), pelo procurador da empresa, Sr. Edson Monteiro, que também fez as vezes de técnico responsável pela geração dos arquivos. 13. No primeiro CD (fl. 48) não foi possível a verificação dos arquivos contidos. Considerando que estão sendo apreciados em conjunto vários processos da interessada, referentes a outros trimestres, procurouse nos demais processos um CD no qual pudesse ser verificado o conteúdo, localizandose o pertencente ao processo 10240.720193/201020. 14. Nele, observouse a presença de três pastas, referentes aos anos de 2006, 2007 e 2008 (períodos envolvidos nos processos apreciados), estando cada uma dessas pastas subdivididas em outras três pastas denominadas "Contábil", "Fiscal" e "Folha", sendo que somente os arquivos constantes da pasta "Fiscal" estão relacionados no recibo, do qual não consta a validação dos demais. 15. Dos nove arquivos constantes da pasta Fiscal/2007, dois estão zerados e os demais, apesar de serem arquivos de texto, contém caracteres desconexos. Apenas em dois deles podem ser Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720195/201019 Acórdão n.º 3302002.254 S3C3T2 Fl. 140 9 lidos nomes de pessoas jurídicas e materiais, sem a possibilidade de se extrair nenhuma informação dos mesmos. 16. No segundo CD foram encontradas três planilhas em Microsoft Excel denominadas: "Relação das Notas Fiscais de Exportação", "Estoques" e "Análise Final", na qual foram apresentados quadros demonstrativos do crédito presumido. 17. Acerca da apresentação dos arquivos, o Anexo do ADE n° 15, de 2001, prescreve: ‘2. Autenticação Os arquivos digitais, entregues na forma do item 1.3, deverão ser autenticados utilizandose aplicativo a ser disponibilizado na pásina da RFB na internet, o qual, mediante varredura nos arquivos eletrônicos, irá qerur um códiso de identificação utilizando o algoritmo MD5 – ‘MessageDigest algorithm 5’, ou superior, podendo ser utilizado a qualquer tempo para verificação da autenticidade dos arquivos fornecidos. No documento a que se refere o item 3.2, constarão os códisos gerados, que identificarão de forma única os arquivos digitais entregues. 3. Documentação de Acompanhamento Os documentos mencionados no item 3.1 devem, também, ser gravados como arquivo texto denominado LEIAME. TXT e entregue juntamente com o arquivo a que se refere. 3.1 Descrição Detalhada do Arquivo Descrição completa dos campos de cada registro do arquivo, incluindo sua seqüência e formato (tipo, posição inicial, tamanho e quantidade de casas decimais), seu significado, valores possíveis, com a descrição dos conceitos envolvidos na especificação deste valor, definição de seus componentes, incluindo fórmulas de cálculo e eventual relação com o conteúdo de outros campos. Quando, para manter a integridade e correção da informação, for necessária a apresentação de dados não previstos nos arquivos padronizados, eles deverão ser incluídos nos arquivos correspondentes, mediante acréscimo de campos ao final do registro. Caso qualquer campo seja de tamanho superior ao previsto neste Ato, prevalecerá o tamanho utilizado pela pessoa jurídica. Em ambas as situações, exige se, como parte da documentação de acompanhamento, a apresentação do leiaute correspondente aos arquivos. 3.2 Recibo de entrega Os arquivos digitais serão entregues acompanhados do Recibo de entrega que conterá a identificação dos arquivos e os códigos gerados pelo sistema mencionado no item 2± dentre outras informações. Esse documento deverá ser assinado pelo AFRFB requisitante, após a conferência do respectivo código de autenticação, pelo técnico/empresa responsável pela geração dos arquivos e pelo contribuinte/preposto. ....’ (grifouse) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 18. Ou seja, percebese da análise feita nos documentos e mídias apresentados na manifestação, em confronto com a legislação que rege a matéria, que a empresa, diferentemente do afirmado, não atendeu à intimação para apresentação dos dados necessários à apreciação do seu pleito, tendo trazido ao processo arquivos sem autenticação e sem o cumprimento das regras exigidas pelo ADE. Ademais, os poucos arquivos autenticados possuem extensão de texto, o que leva à conclusão da inexistência do arquivo principal.” A contribuinte, em seu recurso voluntário, nada traz de novo, de modo a infirmar as conclusões do acórdão recorrido. Apenas reprisa seus argumentos e requer, principalmente: a) “Que sejam considerados para a análise do processo da Recorrente os documentos ficais e contábeis que comprovam as operações realizadas, bem como sejam verificados os dados já apresentados, as memórias de cálculo, o DCP e o PERDCOMP já apresentados neste processo, eis que contém os dados necessários para analise do pleito, independentemente da linguagem tecnológica aos mesmos; b) Se assim não entender este Egrégio Conselho que seja determinado o retorno deste processo à Delegacia da Receita Federal de origem e disponibilizada a reabertura de prazo para que a Recorrente passa adequar as informações do período de 2005 aos parâmetros tecnológicos fixados e exigidos no MPF de origem.” Nenhuma das solicitações requeridas e acima mencionadas é possível de atendimento. A primeira delas, porque, consoante já demonstrado, tratase de exigência legal que vincula a administração e, a segunda, porque é na manifestação de inconformidade/impugnação que a contribuinte deve trazer todos os meios de prova que dispõe para comprovar seus argumentos. E, ademais, a contribuinte já teve tempo suficiente para adaptarse às regras e não o fez, inclusive, já manifestou sobre a dificuldade de fazêlo, segundo o trecho destacado: “Assim, apesar das mudanças que foram necessárias para atender a Intimação 579/2009 e de acordo com o informado nas solicitações de prorrogação de prazos, a Recorrente tentou adequar seu sistema operacional para gerar os arquivos e dados solicitados nos parâmetros fixados pelo ADE cofis 15/2001, alterado pelo ADE Cofis 55/2009. Apesar das tentativas de gerar os arquivos nos termos solicitados, a Recorrente novamente incorreu em erro ao tentar gerar os dados para o segundo CD juntado à Manifestação de Inconformidade. Assim, novamente a Recorrente requer que seu pedido seja avaliado a partir dos arquivos e documentos que dispõe, mas que infelizmente, por diversos problemas de ordem tecnológica, não consegue hoje gerar informações de 2006 nos parâmetros hoje em vigor.” Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10240.720195/201019 Acórdão n.º 3302002.254 S3C3T2 Fl. 141 11 Poderseia até entender que, não havendo a análise do mérito nos presentes autos, face a indisponibilidade dos arquivos, e não havendo nenhum impedimento legal, a contribuinte, conseguindo adequar os seus arquivos às especificações técnicas exigidas na legislação de regência, pudesse efetuar novo pedido de ressarcimento, caso o fizesse dentro do prazo prescricional, o que não mais é possível, para o período sob análise. DA COMPENSAÇÃO Tem razão a contribuinte quando afirma que o pedido de compensação fica vinculado ao reconhecimento do pedido de ressarcimento. Contudo, tendo sido ambos os pedidos submetidos à julgamento da Administração Tributária por meio do mesmo processo, nada obsta que a decisão sobre o reconhecimento, ou não, do direito de ressarcimento e a homologação, ou não, da compensação requeridos seja efetuada num mesmo ato administrativo. Não havendo, ao contrário do alegado, nenhuma irregularidade na decisão assim proferida e nenhum prejuízo à contribuinte. Pelo o contrário, tal procedimento atende aos princípios da celeridade do Processo Administrativo e ao da Economia Processual. SUSPENSÃO DA COBRANÇA DOS DÉBITOS E, sobre a suspensão da cobrança dos débitos, a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa já esclareceu que o Código Tributário Nacional (CTN) Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, e a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, já garantem a suspensão dos débitos compensados na hipótese de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, não havendo, portanto, litígio neste sentido. CONCLUSÃO Por tudo o que acima foi exposto, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para manter a decisão proferida no Acórdão ora recorrido e, em conseqüência, não reconhecer o crédito presumido de IPI pleiteado e não homologar as compensações declaradas. É como voto. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10830.720246/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.352
Decisão: Acordam os membros do colegiado da , por maioria de votos, em converter o julgamento dos recursos em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani, que dava provimento ao recurso de ofício e negava provimento ao recurso
voluntário.
Nome do relator: Daniel Mariz Gudiño
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Acordam os membros do colegiado da , por maioria de votos, em converter o julgamento dos recursos em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani, que dava provimento ao recurso de ofício e negava provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 06/01/2013 Participaram do presente julgamento: os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorin, Daniel Mariz Gudiño, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 20 24 6/ 20 09 -2 9 Fl. 5740DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 5.744 ___________ Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões dos recursos voluntários apresentados pelas Recorrentes: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em função do descumprimento dos compromissos assumidos em relação às mercadorias importadas ao amparo do RECOF (Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado), abrangendo Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação, COFINS e PIS/PASEP, tudo conforme tabela abaixo, no valor total de R$ 97.490.192,99 (noventa e sete milhões, quatrocentos e noventa mil, cento e noventa e dois reais e noventa e nove centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Basicamente, o contribuinte entende que o regime foi adequadamente extinto, mas o auditor entende que não. As exportações foram feitas, porém através de uma empresa comercial exportadora (exportação indireta) . O auditor acha que só cabe extinção do regime com exportação direta. Em fiscalização de tributos incidentes sobre o comércio exterior levada a feito no contribuinte acima identificado, para fins de verificação da destinação de bens admitidos no Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado RECOF), constatou se, conforme afirma a autoridade fiscal no Termo de Verificação, o descumprimento do regime em decorrência da adoção de providência extintiva não prevista na regulamentação (venda a empresa comercial exportadora, com fins específicos de exportação). O Auto de Infração referese às Declarações de Importação registradas no ano 2007/2008, compreendendo saídas realizadas à Comercial Exportadora SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA MERCADO MÓVEL BRASIL LTDA., CNPJ: 06.964.587/000135, e também para a COTIA TRADING S/A. Foram coletados dados indicando que a MOTOROLA realizou vendas / transferências de mercadorias admitidas no regime especial (RECOF) às empresas acima referidas, com fins específicos de exportação, considerando essa saída como forma extintiva do RECOF. Conforme dados constantes no Relatório Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, o crédito tributário ora discutido pode ser distribuído entre as duas empresas da seguinte forma: Fl. 5741DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.745 3 O contribuinte entendeu que vendas realizadas no mercado interno a empresa comercial exportadora, é forma ou modalidade de extinção do regime especial. Alegou ter por base dispositivos da legislação tributária e aduaneira que permitem concluir que tais operações se equiparam à exportação, com consonância com a própria definição do RECOF contida no art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 417/2004, que estabelece que o regime especial em comento “permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou ao mercado interno”. Entende o contribuinte que: “Neste sentido e levandose em conta a própria redação do dispositivo legal que define o RECOF, uma venda à comercial exportadora com o fim específico de exportação nada mais é que uma operação cuja finalidade exclusiva é destinar um produto à exportação, tal qual previsto na norma regulamentadora do RECOF”. Com fundamento no entendimento acima, a baixa dos insumos admitidos no RECOF foram efetivadas em decorrência da emissão das notas fiscais de saída relativas às vendas realizadas à empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, não havendo, por conseqüência, o recolhimento de tributos incidentes nas importações e que estavam suspensos em vista da aplicação do regime especial. Tratouse a venda como equivalente à exportação, para fins de extinção do RECOF. A autoridade fiscal não concordou com a tese de que venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação é uma das providências para extinção do regime, pelas razões expostas em seu Relatório Fiscal (parte integrante do Auto de Infração). Podem ser assim resumidas as razões da autuação: 01) A enumeração do art. 31 da IN SRF n°417/2004 (bem como o art. 29 da IN SRF n° 757/2007) não é exemplificativa e sim taxativa, pois a Fl. 5742DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.746 4 palavra "uma" tem a função de restringir as hipóteses aceitas para fins de extinção do regime àquelas expressamente referidas; 02) Por sua vez, a exportação a que se refere o inciso I do mesmo art. 31 da IN SRF n° 417/2004 (ou o inciso I do art. 20 da IN SRF n° 757/2007) é a direta, isto é, aquela realizada pelo próprio beneficiário, na medida em que toda a estruturação do RECOF foi pensada não contemplando a participação de empresa comercial exportadora e de trading company na operacionalização do regime, salvo, quanto a esta última natureza de empresa, para fins de cômputo do compromisso de exportação que todo beneficiário deve cumprir (IN SRF n°417/2004, art. 6°, § 4°, inciso II — IN SRF n° 657/2007, art. 6°,§ 4°, inciso II); 03) Reafirmando a assertiva contida no item precedente, observase que a legislação tributária e aduaneira, quando prevê a participação de empresa comercial exportadora ou de trading company em qualquer situação específica, expressa e explicitamente referese a esse tipo de empresa, estabelecendo a extensão e os efeitos pretendidos com essa participação, fato não existente na normatização do RECOF; 04) O RECOF é um regime aduaneiro especial isencional (a suspensão dos tributos incidentes na importação configurase como uma isenção condicional); nesse sentido, a interpretação dos dispositivos que normatizam e regulamentam o regime deve ser realizada com observância do ditame contido no art. 111 do CTN; sob tal orientação, inaceitável a exportação indireta como meio extintivo do regime em questão, pelo simples fato da norma não contemplar tal hipótese. Ciente do teor do Auto de Infração em análise em 04/05/2009 (ciência pessoal .7 fls. 03 216 402 e 690), e inconformada com o mesmo, o impugnante apresentou seu arrazoado de defesa, tempestivamente, às fls. 1038/1050. Seus principais argumentos podem ser assim resumidos: 1) Que, de acordo com as condições onerosas do RECOF, a suspensão dos tributos devidos na importação tornase definitiva quando a mercadoria é exportada, seja no estado em que foi importada, seja compondo novo produto, resultante da incorporação das mercadorias, nacionais ou importadas pelo regime. Apenas nos casos em que as mercadorias são destinadas ao mercado interno ou permanecem no regime até esgotar o prazo do RECOF que os tributos suspensos por ocasião da importação deverão ser pagos com os devidos acréscimos legais, conforme dispõe o art. 37 da IN RFB n° 757/2007. 2) Que a grande maioria das exportações da impugnante é efetuada diretamente. Uma pequena parte dessas exportações passou a ser realizada por meio de empresas comerciais exportadoras, sendo que tais exportações tem o seguinte tratamento: as mercadorias são vendidas com o fim específico de exportação e são efetivamente exportadas dentro dos prazos de permanência dos produtos no regime, o que gera o cumprimento, com êxito, de todas às condições onerosas do RECOF. Quando a impugnante verifica que algum produto Fl. 5743DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.747 5 admitido no RECOF não foi utilizado no processo produtivo dentro do prazo do regime, ela recolhe todos os tributos devidos na importação. 03) O objeto do Auto de Infração ora impugnado foi justamente as exportações efetivadas por meio de empresas comerciais exportadoras, por ter a autoridade fiscal partido de premissas totalmente equivocadas e que inclusive desvirtuam por completo finalidade do RECOF. 4) O presente lançamento foi lavrado considerando situações hipotéticas que, em tese, poderiam ter acontecido, mas que a própria autoridade fiscal declara que não ocorreram. Embora uma das modalidades inequívocas de extinção do RECOF seja a exportação, o Sr. Fiscal sustenta que a exportação indireta (uma das modalidades de exportação) não seria hipótese de extinção do RECOF, já que, nela, a exportação efetiva poderia não vir a ocorrer (mesmo tendo ficado comprovado que, na prática, todas as exportações ocorreram, e dentro do prazo de permanência das mercadorias importadas no regime). 5) Que a exportação indireta, via empresa comercial exportadora, tanto é modalidade de extinção do RECOF prevista em normas legais, que o art. 6° da Instrução Normativa SRF n° 417/04, em seu parágrafo 4°, inciso II (bem como no mesmo artigo, parágrafo e inciso da IN SRF n° 757/2007), dispõe que: "Para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos poderão ser computados os valores das vendas: II— realizadas a empresa comercial exportadora (...)". 6) Que no art. 31 da Instrução Normativa SRF n° 417/04 (bem como o art. 29 da Instrução Normativa SRF n° 757/2007), ao listar as providências que implicam na extinção do RECOF, o legislador colocou no inciso I a EXPORTAÇÃO, sem especificar se estava se referindo à exportação direta ou indireta. Porém, no artigo 6° da mesma norma, já deixara claro que a venda de mercadorias para empresa comercial exportadora poderia ser aceita para comprovação do adimplemento do regime. Portanto, a Instrução Normativa acata a exportação indireta como espécie do gênero "exportação", para fins de extinção do regime. 7) Que, da mesma forma que na exportação direta, as vendas para comerciais exportadoras precisam vir acompanhadas, após a saída da mercadoria com o fim especifico da exportação, da prova de que a mesma efetivou a transposição de fronteira. Se comprovado ter a mercadoria transposto a fronteira dentro do prazo do RECOF, não há que se falar em pagamento dos tributos suspensos, por total falta de previsão legal. 8) Que, de acordo com os artigos 37 e 38 da Instrução Normativa SRF n° 417/04, o recolhimento dos tributos deve ocorrer em apenas duas hipóteses: (i) destinação das mercadorias para o mercado interno; ou (ii) extinção do regime pelo decurso de prazo, sem que a mercadoria tenha sido exportada, reexportada, .destruída ou transferida para outro beneficiário. No caso concreto não se concretizou nenhuma das hipóteses de recolhimento dos tributos suspensos quando da admissão das mercadorias no regime, pelo que pleiteia o cancelamento da autuação. Fl. 5744DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.748 6 Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 18/03/2010, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou parcialmente procedente a impugnação da Recorrente, conforme Acórdão n° 17 39.278 (fls. 4.559/4.575): ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 02/01/2007 a 24/06/2008 RECOF. EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. Para fins de comprovação de cumprimento dos compromissos de exportação assumidos no RECOF, podem ser computadas as vendas realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972 (exportações indiretas). As saídas de produtos industrializados efetuadas para empresas que atuem no comércio exterior, mas que não se enquadrem nas condições estabelecidas nesse diploma legal, não podem ser computadas para efeito de comprovação do adimplemento do regime, conforme disposto na Instrução Normativa SRF n° 417/2004, em seu art. 6°, parágrafo 4°, inciso II, mesmo artigo, parágrafo e inciso da Instrução Normativa SRF n° 757/2007. Cabível a cobrança dos tributos / contribuições suspensos, além dos juros de mora e multa de ofício, quando descumpridas as condições e os requisitos exigidos pela legislação de regência, relativos ao regime especial de Entreposto Sob Controle Informatizado – RECOF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Como o crédito tributário foi mantido apenas em parte, o presidente do colegiado de 1ª instância recorreu de ofício (fls. 4.559/4.575), nos termos do art. 25, § 1º, do Decreto nº 70.235 de 1972 e da Portaria MF nº 375 de 2001. Por outro lado, a Recorrente tomou ciência do teor do acórdão pessoalmente, em 15/04/2010 (f1. 4.580), tendo protocolado seu recurso voluntário em 14/05/2010 (fls. 4.581/4.598), o qual, em síntese, reitera os argumentos de sua impugnação (fls. 1.038/1.050). Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 15/09/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, conheço ambos os recursos e passo a analisálos. A discussão encerrada nos recursos de ofício e voluntário se resume nos seguintes desdobramentos: (i) saber se a aplicação do RECOF se restringe a exportações diretas; (ii) caso não se restrinja, saber se a fundamentação do lançamento pode ser alterada pela instância a quo; e (iii) admitindose a aplicação do RECOF para exportações indiretas, Fl. 5745DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.749 7 saber se essa aplicação abrange qualquer empresa comercial exportadora ou apenas aquela modalidade regida pelo DecretoLei nº 1.248 de 1972 (trading company). Registro, por oportuno, que não se questionou em momento algum o fato de o contribuinte ter exportado as mercadorias no prazo fixado no RECOF. Houve – repitase –o reconhecimento, por parte da instância a quo, de que houve a exportação com base em suporte documental (fl. 4.561). Recurso de Ofício O recurso de ofício foi interposto na forma legal pelo fato de a instância a quo ter decidido pela aplicação do RECOF nas exportações indiretas, desde que realizadas por trading company. Com efeito, pretendese reformar a decisão recorrida para que seja reconhecida a aplicação do RECOF apenas para exportações diretas. Como bem ressaltou a instância a quo, a legislação que trata do RECOF nada dispõe sobre a exportação direta como hipótese de extinção do regime, referindose apenas à exportação lato sensu. Não há adjetivos que restrinjam essa exportação. A propósito, confirase o art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004, que contém a mesma redação do art. 29 da Instrução Normativa RFB nº 757 de 2007: Art. 31. A aplicação do regime se extingue com a adoção, pelo beneficiário, de uma das seguintes providências: I exportação: a) de produto no qual a mercadoria, nacional ou estrangeira, admitida no regime tenha sido incorporada; b) da mercadoria no estado em que foi importada; c) da mercadoria nacional no estado em que foi admitida; ou d) de produto ao qual a mercadoria estrangeira admitida no regime, sem cobertura cambial, tenha sido incorporada; II reexportação da mercadoria estrangeira admitida no regime sem cobertura cambial; III transferência de mercadoria para outro beneficiário, a qualquer título; IV despacho para consumo: a) das mercadorias estrangeiras admitidas no regime e incorporadas a produto acabado; ou b) da mercadoria no estado em que foi importada; V destruição, às expensas do interessado e sob controle aduaneiro; ou VI retorno ao mercado interno de mercadoria nacional, no estado em que foi admitida no regime, ou após incorporação a produto acabado, obedecido ao disposto na legislação específica. A partir da transcrição do dispositivo que prevê as hipóteses em que o RECOF se extingue, percebese que não há qualquer referência à exportação direta. Com efeito, não pode a autoridade fiscal interpretar a norma, restringindolhe o âmbito da sua eficácia. No caso Fl. 5746DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.750 8 concreto, a autoridade preparadora supostamente interpretou o referido dispositivo literalmente, alegando que, por se tratar de norma que versa sobre exclusão de crédito tributário, aplicarseia o art. 111 do Código Tributário Nacional. De fato, o seu pensamento está correto na medida em que o dispositivo em questão deve ser interpretado literalmente. Contudo, tenho duas ponderações a fazer sobre a aplicação desse dispositivo: a primeira é que a interpretação somente é cabível quando a norma assim exige, vale dizer, se a norma é clara, não há espaço para interpretála; a segunda é que interpretação literal não quer dizer interpretação restritiva, e sim que o único método cabível para tanto é aquele que persegue o significado das palavras. Considerando isso, entendo que o art. 31, I, da Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004 e o art. 29, I, da Instrução Normativa RFB nº 757 de 2007 não precisam ser interpretados, mas, ainda que se discorde desse entendimento, a interpretação há de buscar o conteúdo das palavras empregadas na norma, não podendo ser uma interpretação criativa comparável ao ativismo judicial. Condutas como esta poriam em risco a separação dos poderes do Estado e o sistema de freios e contrapesos, os quais visam a garantir o equilíbrio do Estado Democrático de Direito. Os dispositivos supracitados empregam a palavra exportação isoladamente. Quando as palavras são empregadas dessa forma, o seu conteúdo revela a sua amplitude máxima. Por outro lado, se estão acompanhadas de adjetivos, a palavra assumirá um novo conteúdo com amplitude geralmente mais restrita. Nesse contexto, é válido rememorar as lições de gramática da nossa língua: Quanto à sua função como determinante, o adjetivo pode se comportar basicamente de duas maneiras: 1. ele pode servir para restringir o substantivo, tornandoo único entre um grupo: O aluno foi suspenso por três dias. O aluno paulista foi suspenso por três dias. 2. o adjetivo pode ainda explicar o substantivo, destacando características inerentes ao substantivos: O fogo foi o causador da queimadura. O fogo quente foi o causador da queimadura. A faca representa perigo. A faca afiada representa perigo. Sendo assim, os adjetivos podem ser classificados de duas maneiras, considerando as características acima: ADJETIVOS RESTRITIVOS ou ADJETIVOS EXPLICATIVOS. Conceituando… ADJETIVO RESTRITIVO: particulariza o significado do substantivo a que se refere, uma qualidade que não é própria do ser: fruta madura, homem baixo, céu alaranjado, etc. Fl. 5747DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.751 9 ADJETIVO EXPLICATIVO: exprime características inerentes ao substantivo a que se refere, uma qualidade própria do ser: fogo quente, neve fria, céu azul, etc. (Disponível em <http://www.infoescola.com/portugues/adjetivo restritivoeexplicativo/>. Acesso em 11 Ago. 2012) E nem se diga – como o fez a autoridade preparadora em seu Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 976/1.004) – que a estruturação do RECOF foi pensada não contemplando a participação de empresa comercial exportadora e de trading company na operacionalização do regime, salvo, quanto a esta última, para fins de cômputo do compromisso de exportação que todo beneficiário deve cumprir. Isso porque não há qualquer referência na legislação do RECOF que ampare essa afirmação. Ora, se realmente fosse a intenção do legislador fazer a distinção entre exportação direta e exportação indireta, deveria têlo feito de forma clara e inequívoca. Se não o fez expressamente, o intérprete da norma jamais poderia fazêla, sobretudo para excluir a exportação indireta da aplicação do RECOF. Além disso, é interessante notar que a doutrina pátria faz uma comparação entre o RECOF e o Drawback, que prevê expressamente a exportação indireta como forma de aperfeiçoamento da condição imposta pelo regime para que a suspensão dos tributos se converta em isenção. O RECOF seria um Drawback de larga escala. É o que se lê no excerto abaixo transcrito: 8.1.3.5. Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (RECOF) 8.1.3.5.1. Conceito O RECOF é um regime jurídico aduaneiro especial definido no artigo 2º da IN RFB 757, de 25 de julho de 2007: (...) A partir do artigo transcrito, surge a inevitável comparação: o Drawback não tem as mesmas características, ou seja, suspensão dos tributos, industrialização e posterior exportação? Sim. A diferença é que o Drawback é um regime concedido no “varejo”, ou seja, concedido pelo DECEX para cada plano de exportação apresentado. Para grandes indústrias, que muito exportam, é contraproducente ter que solicitar o regime a cada plano de exportação. Para estas, o Governo brasileiro, interessado em incentivar as exportações e desburocratizar a concessão da suspensão dos tributos para as matériasprimas importadas, criou o RECOF. Este regime é, por este motivo, conhecido como um “Drawback de grandes proporções” ou “Drawback continuado”. (...) 8.1.3.5.3. Algumas Diferenças em Relação ao Drawback Além da diferença em relação à concessão – o Drawback é concedido pelo DECEX a cada plano de exportação e o RECOF, concedido pela Receita Federal para todas as importações da pessoa jurídica – este regime difere do Drawback no que tange à destinação das mercadorias. Fl. 5748DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.752 10 Como se pode constatar no art. 2º da IN RFB nº 757/2007, transcrito anteriormente, parte das matériasprimas poderá ser despachada para consumo, bastando que se recolham os tributos incidentes na importação. Já no Drawback, como a concessão é para um compromisso de exportação assumido pelo exportador (para justamente obter os benefícios do Drawback), ele é obrigado a exportar. Se colocar no mercado interno mercadoria que está no regime de Drawback, serão cobrados os tributos acrescidos de multa e juros, como vimos no tópico 8.1.3.3.3. Uma outra diferença entre os regimes é acerca da cobertura cambial. No Drawback, vimos que existe uma operação especial conhecida como “Drawback sem Cobertura Cambial”, ou seja, o Drawback é concedido para mercadorias com cobertura cambial, somente sendo permitida uma exceção. Em relação ao RECOF, o art. 3º da IN nº 757/2007 expressamente permite importações com ou sem cobertura cambial. De acordo com o art. 22 da IN RFB nº 757/2007, “as importações ao amparo do regime promovidas por pessoa jurídica habilitada estarão sujeitas ao tratamento de Linha Azul...”, ou seja, o despacho sofrerá o rito acelerado estudado no tópico 5.3.2. No Drawback, não existe esta facilitação. No Drawback, qualquer mercadoria que se destine a industrialização é passível de obtenção do regime. Mas, no RECOF, a IN SRF (sic) nº 757/2007 relaciona as espécies de bens que podem ser importadas. São bens da indústria aeronáutica, automotiva, de informática ou de telecomunicações e de semicondutores e de componentes de alta tecnologia para eletrônica, informática ou telecomunicações. (LUZ, Rodrigo. Comércio internacional e legislação aduaneira: teoria e questões. 3ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010, PP.300/302) A partir da leitura dessa citação, depreendese que a exportação indireta não é apontada como uma das distinções entre o RECOF e o Drawback. Logo, se a exportação indireta é admitida no Drawback, com muito mais razão deve ser admitida no RECOF, eis que este é um regime que aproveita a grandes indústrias, que, por sua vez, ajudam a balança comercial brasileira a se manter positiva. Recurso Voluntário O recurso voluntário contém preliminar de cerceamento de defesa sob o argumento de que a autoridade julgadora de 1ª instância não teria analisado a documentação que o contribuinte forneceu para demonstrar o adimplemento do regime do RECOF durante todo o período autuado, ainda que por meio de exportação indireta realizada sem a participação de trading company. Sobre essa preliminar, entendo que não assiste razão ao contribuinte na medida em que a fundamentação da decisão recorrida demonstra ser irrelevante o fato de ter ou não havido exportação indireta sem a participação de trading company. Em outras palavras, ainda que ficasse comprovada a exportação indireta sem a participação de trading company, tal fato não mudaria o curso do julgamento. Fl. 5749DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.753 11 Da mesma forma, entendo que não é o caso de converter este julgamento em diligência para apurar se o contribuinte realmente realizou exportações indiretas no prazo legal do RECOF. Isso porque, conforme já mencionei anteriormente, não há neste processo quem tenha argüido a ausência de exportação dos produtos do contribuinte. A questão a ser dirimida é outra, a saber: as exportações indiretas realizadas pelo contribuinte precisariam ter a participação de trading company para que pudessem ser admitidas no RECOF? As questões que pretendo julgar nesse recurso são concernentes a matérias de direito exclusivamente, razão pela qual entendo ser desnecessária a realização de diligência para confirmar a realização da exportação indireta no prazo previsto no RECOF. O primeiro aspecto merecedor de exame mais aprofundado diz respeito à possibilidade de a instância a quo lançar mão de fundamento diverso daquele utilizado pela autoridade preparadora, com o claro intuito de “salvar” o lançamento. Pois bem, no caso concreto, a instância a quo reconheceu que a legislação do RECOF admitiu a exportação indireta como forma de adimplemento das condições para a fruição do regime, sendo certo que o fundamento do auto de infração foi o descumprimento do regime em razão da adoção de providência extintiva não prevista na regulamentação (venda a empresa comercial exportadora, com fins específicos de exportação). Sobre o assunto, o art. 146 do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Com base nesse dispositivo legal, verificase que a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa não poderia manter o crédito tributário em discussão com base em fundamento diverso daquele que foi utilizado no auto de infração. No mesmo sentido, transcrevo abaixo as ementas de alguns julgamentos bastante elucidativos deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotandose um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. (Acórdão nº 9303001.501, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 31/05/2011) ......................................................................................................... ADOÇÃO NO JULGAMENTO DE CÓDIGO NCM DIVERSO DO QUE FOI ADOTADO PELO FISCO. DESCABIDA A EXIGÊNCIA DA MULTA DE 1% POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A praxe do Carf é a improcedência do lançamento quando for adotado no julgamento Fl. 5750DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.754 12 código NCM diverso daquele que serviu de base para a ação fiscal. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado (Acórdão nº 3202000.407, Rel. Cons. José Luiz Novo Rossari, Sessão de 21/11/2011) ......................................................................................................... RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PREMISSAS FÁTICAS DIFERENTES. FUNDAMENTO NÃO VEICULADO NO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO DO AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 146 DO CTN. Além das premissas fáticas adotadas no recurso especial divergirem das premissas da r. decisão recorrida, o que impede a admissibilidade do recurso pela divergência, a matéria veiculada não foi fundamento do auto de infração, não podendo, desta feita, ser tratada em sede de julgamento recursal. Tratar desta matéria e, eventualmente, reformar a r. decisão recorrida com fundamento em matéria que não foi fundamento do auto de infração, em última análise, configuraria inovação e aperfeiçoamento do lançamento, bem como modificação do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN. (Acórdão nº 930301.069, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 24/08/2010) ......................................................................................................... AUTO DE INFRAÇÃO. ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. MULTA. PENA DE PERDIMENTO, ILEGITIMIDADE DE CRITÉRIO, ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE I a INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE, MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. O reconhecimento da ilegitimidade do arbitramento do valor aduaneiro para fins de aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento não autoriza que, em julgamento de 1 instância, seja adotado um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Fazse necessário, assim, para apuração de unia nova base de cálculo, a lavratura de novo auto de infração, o que não é da competência das instâncias julgadoras. Afigurase incabível, portanto, o lançamento lastreado em arbitramento ilegítimo. (Acórdão nº 320200.115, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 25/05/2010) Portanto, ao reconhecer a fragilidade dos motivos que levaram a autoridade preparadora a lavrar o auto de infração que ora se discute, a instância a quo deveria ter dado provimento à impugnação e cancelado o auto de infração, não sendo lícito decotar o auto de infração apenas para manter a parte que entendeu ser devida. Esse fundamento já seria suficiente para anular a decisão recorrida, porém, sintome compelido a analisar o segundo argumento do contribuinte, qual seja a impossibilidade de excluir do RECOF as exportações indiretas sem a participação de trading company. Fl. 5751DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.755 13 Sobre esse segundo aspecto do recurso voluntário, entendo que a questão é mais complexa. Com efeito, a decisão recorrida adota um entendimento restritivo quanto à amplitude das exportações indiretas que se beneficiam do RECOF. Seguem abaixo trechos do voto da relatora do acórdão proferido pela instância a quo em que essa posição fica clara (fls. 4.569/4.571): O Regulamento Aduaneiro trata da trading company nos arts. 228 a 232, em seção denominada "Das Empresas Comerciais Exportadoras", que, em conjunto com a situação de exportação com saída ficta (mercadoria exportada que permanece no país ) (arts. 233 e 234), integram o capítulo intitulado "Dos incentivos fiscais na exportação". Podese verificar que os arts. 228 a 232 do decreto prestaramse a regulamentar operações envolvendo essa natureza jurídica de empresa, na medida em que as matrizes legais foram todas do Decretolei n° 1.248/1972. (...) Portanto, notase que o referido dispositivo prevê, como forma de comprovação de adimplemento do RECOF (cumprimento dos compromissos de exportação assumidos) a venda de mercadorias a empresa comercial exportadora, desde que a mesma tenha sido instituída nos termos do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972. Existe na Instrução Normativa em comento uma alusão clara à aceitação de exportações indiretas, mas somente através de empresa comercial exportadora com características bastante precisas. A referência, na legislação tributária e aduaneira, a "empresa exportadora", ou "empresa comercial exportadora", sem qualificação ou restrição específica, abrange qualquer empresa exportadora registrada na Secex; somente quando o legislador restringe uma norma explicitamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos do DecretoLei n° 1.248, de 1972, ficam excluídas as demais empresas exportadoras. Para os trechos transcritos, destaco dois aspectos, a saber: o primeiro diz respeito às matrizes legais utilizadas pelo Regulamento Aduaneiro de 2002; e o segundo diz respeito ao cumprimento dos compromissos de exportação assumidos no âmbito do RECOF, segundo a Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004 e a Instrução Normativa RFB nº 757 de 2007. Quanto a esse primeiro aspecto, a instância a quo alega que o RECOF somente se aplicaria às exportações indiretas com a participação de trading companies, tendo em vista que o Regulamento Aduaneiro de 2002, na parte que trata de empresas comerciais exportadoras, referese ao DecretoLei nº 1.248 de 1972 como sua matriz legal. Por outro lado, o RECOF também está disciplinado no Regulamento Aduaneiro de 2002, sendo que os dispositivos que versam sobre o regime nada dispõem sobre as empresas comerciais exportadoras ou o referido decretolei. Com efeito, entendo que os conceitos empregados pela legislação não podem ser descontextualizados. Assim, para efeito de fruição de incentivos fiscais na exportação, empresa comercial exportadora é aquela constituída na forma do DecretoLei nº 1.248 de 1972. Entretanto, para os fins do RECOF, empresa comercial exportadora não precisa ser necessariamente uma trading company, muito embora o RECOF seja um incentivo fiscal Fl. 5752DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.756 14 voltado também para a exportação. Pelo menos é isso o que se depreende do art. 89 do DecretoLei nº 37 de 1966, que é a matriz legal dos dispositivos do Regulamento Aduaneiro de 2002 que versam sobre esse regime. Superado esse primeiro aspecto da discussão de mérito suscitada no recurso voluntário, é importante entender o contexto do art. 6º, § 4º, II, da Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004, que é reproduzido pelo mesmo dispositivo da Instrução Normativa RFB nº 757 de 2007, in verbis: Art. 6º (omissis) § 4º Para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos poderão ser computados os valores das vendas: (...) II realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972. Esse dispositivo pode ser interpretado de duas maneiras diferentes. Em uma primeira abordagem, o seguinte raciocínio poderia ser estabelecido: se para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos no âmbito do RECOF o estabelecimento industrial somente pode considerar as exportações indiretas com a participação de trading companies, é porque o RECOF não se aplica a outros tipos de exportação indireta. Essa é a interpretação dada pela instância a quo. Aliás, essa interpretação também já foi objeto de solução de consulta proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal – 6ª Região Fiscal. Confirase: Processo de Consulta nº 33/10 Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 6ª. Região Fiscal Assunto: REGIMES ADUANEIROS Ementa: RECOF. COMPROMISSO DE EXPORTAR. VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. A empresa beneficiária do Recof que vender produtos que industrializou com a utilização de mercadorias estrangeiras admitidas no regime para empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei Nº 1.248, de 1972, poderá computar os valores dessa venda para efeito de comprovação do cumprimento da obrigação de exportar, se o desembaraço da declaração de exportação dos produtos, cujo embarque tenha sido averbado ou que tenha transposto fronteira, ocorrer antes de esgotarse o prazo fixado para a permanência no Recof das mercadorias importadas utilizadas na industrialização do produto vendido. COMPROVANTE DE EXPORTAÇÃO. O documento que comprova a exportação de produto industrializado com a utilização de mercadorias estrangeiras admitidas no Recof, vendido para empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei Nº 1.248, de 1972, é o emitido pelo Siscomex. DISPOSITIVOS LEGAIS: Regulamento Aduaneiro (Decreto Nº 6.759, de 2009 RA/2009), artigos 420 a 426; Instrução Normativa RFB Nº 757, de 2007, artigos 6º e 29; Instrução Normativa SRF Nº 28, de 1994, artigos 50, 51 e 66. Fl. 5753DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.757 15 SANDRO LUIZ DE AGUILAR Chefe (Data da Decisão: 23.03.2010 26.03.2010) 828731 A outra interpretação possível se expressa pela seguinte lógica: uma coisa é o compromisso de exportação e a sua comprovação; outra totalmente diferente é o cumprimento das condições para a extinção do regime, nos termos do art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004 e do art. 29 da Instrução Normativa RFB nº 757 de 2007. Desse modo, a exportação indireta sem participação de trading company, desde que realizada no prazo previsto no RECOF, seria suficiente para converter em isenção a suspensão dos tributos aduaneiros incidentes na importação dos insumos aplicados no processo de produção dos produtos exportados, ainda que tais operações não fossem computadas para fins de comprovação do cumprimento do compromisso de exportação assumido pelo beneficiário do regime. Essa é a interpretação do contribuinte, que, todavia, carece de fundamentação mais detalhada. Neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o RECOF já foi analisado sob outros primas, não havendo, contudo, qualquer precedente que verse sobre os aspectos aqui enfrentados. Tomei conhecimento de um julgamento convertido em diligência no Processo nº 10830.720227/200901, que está sob a relatoria do Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, integrante da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. Entretanto, conforme se depreende da leitura da Resolução nº 3102000.184 (fl. 8.688), a referida diligência tem por objetivo atestar a efetiva exportação das mercadorias, independentemente do veículo de exportação, vale dizer, trading company ou empresa comercial exportadora comum. Para os fins da abordagem aqui empreendida, entretanto, penso que qualquer diligência é dispensável, conforme justificado anteriormente. As questões a serem analisadas para dirimir esse desdobramento do recurso voluntário são de direito. Nesse sentido, é preciso entender se a lei que instituiu o RECOF outorga o disciplinamento do regime a normas infralegais, bem como se tais normas infralegais foram editadas em conformidade com a referida lei. Outro aspecto importante a ser analisado diz respeito à já mencionada equiparação entre o RECOF e o Drawback. Analisando o RECOF como um Drawback de larga escala, penso que é relevante verificar se há no Drawback alguma restrição às exportações indiretas sem a participação de trading companies. É o que passo a fazer. Conforme já mencionado, a base legal do RECOF são os arts. 89 a 91 do DecretoLei nº 37 de 1966, que assim dispõem: Art.89 O regime de entreposto industrial permite, a empresa que importe mercadoria na conformidade dos regimes previstos no art.78, transformála, sob controle aduaneiro, em produtos destinados a exportação e, se for o caso, também ao mercado interno. Art.90 A aplicação do regime de entreposto industrial será autorizada pelo Ministro da Fazenda, observadas as seguintes condições básicas, conforme dispuser o regulamento: I prazo da concessão; II quantidade máxima de mercadoria importada a ser depositada no entreposto e prazo de sua utilização; Fl. 5754DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.758 16 III percentagem mínima da produção total a ser obrigatoriamente exportada. § 1º O regime de entreposto industrial será aplicado a título precário, podendo ser cancelado a qualquer tempo, no caso de descumprimento das normas legais e regulamentares. (...) § 4º Aplicamse a este capítulo, no que couber, as disposições dos Capítulos III e IV. Como se percebe, os dispositivos transcritos fazem várias referências a outras normas legais e regulamentares, demonstrando claramente a necessidade do disciplinamento do RECOF. Da mesma forma, as disposições dos Capítulos III e IV da referida lei também fazem referências reiteradas ao “regulamento”. À época dos fatos, conforme também já mencionado, vigorava o Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543 de 2002, que disciplinava o RECOF em seus arts. 372 a 380. Tal regulamento outorgou à Secretaria da Receita Federal o poderdever de expedir atos normativos para a habilitação do beneficiário do regime, bem como outras normas complementares para tratar da aplicação do regime. Confirase: Art. 373. A autorização para operar no regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, e poderá ser cancelada ou suspensa a qualquer tempo, nos casos de descumprimento das condições estabelecidas, ou de infringência de disposições legais ou regulamentares, sem prejuízo da aplicação de penalidades específicas (Decretolei no 37, de 1966, art. 90, § 1o). Art. 374. Poderão habilitarse a operar no regime as empresas que atendam aos termos, limites e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, em ato normativo, do qual constarão (Decretolei no 37, de 1966, art. 90): I as mercadorias que poderão ser admitidas no regime; II as operações de industrialização autorizadas; III o percentual de tolerância, para efeito de exclusão da responsabilidade tributária do beneficiário, no caso de perda inevitável no processo produtivo; IV o percentual mínimo da produção destinada ao mercado externo; V o percentual máximo de mercadorias importadas destinadas ao mercado interno no estado em que foram importadas; e VI o valor mínimo de exportações anuais. (...) Art. 376. A normatização da aplicação do regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, que disporá quanto aos controles a serem exercidos (Decretolei no 37, de 1966, art. 90, § 3o). Fl. 5755DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.759 17 Pareceme interessante ressaltar que tanto a lei quanto o regulamento nada dispõem sobre o tipo de exportação necessário para comprovar o atendimento ao compromisso de exportação. O disciplinamento surgiu apenas com a edição da Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004, que, em seu art. 6º, § 4º, I, restringiu as exportações indiretas àquelas realizadas por intermédio de trading companies. Não havendo, pois, qualquer base legal que sustente a restrição contida no dispositivo da referida instrução normativa, entendo que a Secretaria da Receita Federal extrapolou a competência que lhe foi outorgada diretamente pelo Regulamento Aduaneiro de 2002 e indiretamente pelo DecretoLei nº 37 de 1966. Apenas para fins de ratificação do entendimento acima, retomo a comparação entre o RECOF e o Drawback, salientando como a questão da comprovação do compromisso de exportação do Drawback era tratada pela Secretaria de Comércio Exterior no período compreendido pela autuação: De 02/01/2007 a 25/11/2007: Portaria SECEX nº 35 de 2006 Art.125. Além das exportações realizadas diretamente por empresa beneficiária do Regime de Drawback, poderão ser consideradas, também, para fins de comprovação: I vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, a empresa comercial exportadora constituída na forma do DecretoLei nº 1.248, de 1972; II vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, a empresa de fins comerciais habilitada a operar em comércio exterior; III vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, no caso de Drawback Intermediário, realizada por empresa industrial para: a) empresa comercial exportadora, nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972; b) empresa de fins comerciais habilitada a operar em comércio exterior. IV vendas, nos casos de fornecimento no mercado interno, de que tratam os incisos VIII e IX do art. 52. De 26/11/2007 a 24/06/2008: Portaria SECEX nº 36 de 2007 Art. 119. Além das exportações realizadas diretamente por empresa beneficiária do Regime de Drawback, poderão ser consideradas, também, para fins de comprovação: I vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, a empresa comercial exportadora constituída na forma do DecretoLei nº 1.248, de 1972; II vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, a empresa de fins comerciais habilitada a operar em comércio exterior; Fl. 5756DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.760 18 III vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, no caso de Drawback Intermediário, realizada por empresa industrial para: a) empresa comercial exportadora, nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972; b) empresa de fins comerciais habilitada a operar em comércio exterior. IV vendas, nos casos de fornecimento no mercado interno, de que tratam os incisos VIII e IX do art. 53. Ora, considerando que o RECOF foi criado para facilitar o cotidiano de estabelecimentos industriais que dependiam de inúmeros requerimentos de habilitação no regime de Drawback, não é razoável admitir a criação de uma restrição sem amparo legal, veiculada por meio de instrução normativa, quando a própria regulamentação do Drawback admite que o compromisso de exportação seja comprovado por meio de exportações indiretas realizadas sem a participação de trading companies. Diligência Apesar de estar convencido que o recurso de ofício não deve ser provido e que o recurso voluntário deve ser provido independentemente de qualquer diligência, curvome ao entendimento majoritário do colegiado no sentido de converter o julgamento em diligência para que seja verificada a efetiva exportação relativamente às operações que foram abrangidas pela autuação que deu ensejo ao presente contencioso administrativo. Realizada a diligência, deverá ser dada vista aos Recorrentes para se manifestarem, se assim entenderem necessário, no prazo de 30 (trinta) dias. Realizados os procedimentos, devem os autos retornar a este Conselheiro – ou quem lhe fizer as vezes – para fins de julgamento. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 5757DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13888.912047/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
ERRO NO PER/DCOMP.
O mero erro no PER/DCOMP do número do CNPJ de empresa não invalida, por si só o direito creditório. Comprovado materialmente o direito creditório mediante diligência e através das DIs juntadas no Recurso Voluntário ilegítima a glosa.
Numero da decisão: 3401-002.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 ERRO NO PER/DCOMP. O mero erro no PER/DCOMP do número do CNPJ de empresa não invalida, por si só o direito creditório. Comprovado materialmente o direito creditório mediante diligência e através das DIs juntadas no Recurso Voluntário ilegítima a glosa.
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O mero erro no PER/DCOMP do número do CNPJ de empresa não invalida, por si só o direito creditório. Comprovado materialmente o direito creditório mediante diligência e através das DIs juntadas no Recurso Voluntário ilegítima a glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 20 47 /2 00 9- 78 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI 2 Relatório [Clique aqui para iniciar o Relatório] Em 28/10/2009, foi emitido o Despacho Decisório eletrônico que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 99.065,93 referente ao 3° trimestrecalendário de 2007, reconheceu a parcela de R$ 89.401,39, e, conseqüentemente, homologou parcialmente a compensação declarada em PER/DCOMP. Motivos da redução do valor pleiteado: a) ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos; b) constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. A Recorrente inconformada com a decisão administrativa apresentou manifestação de inconformidade em que, em síntese, sustenta, que a glosa teve como motivação a inexistência de cadastro no CNPJ do estabelecimento emitente das notas fiscais, sendo que as notas fiscais glosadas têm por natureza de operação o CFOP_ 3.101, relativo a "compras para industrialização importação", ou seja, tratase de fornecedor não residente no Brasil e que, portanto, não possui cadastro no CNPJ; no preenchimento do PER/DCOMP o número informado do CNPJ foi "00.000.000/000000", rejeitado pelo programa, e, então, foi adotado o seguinte número: "99.999.997/000100"; na DIPJ, ficha 23, os fornecedores residentes no exterior são informados com o CNPJ "00.000.000/000000". Por fim, alega que tem direito ao crédito de IPI referente ao CFOP 3.101 e a compensação em DCOMP. A DRJ decidiu em síntese: “A S S U N T O : I M P O S T O S O B R E P R O D U T O S I N D U S T R I A L I Z A D O S IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 P E R / D C O M P . D E S P A C H O D E C I S Ó R I O E L E T R Ô N I C O . G L O S A DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS E M I T I D A S POR EMPRESAS NÃO C A D A S T R A D A S NO CNPJ. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes, a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresas não cadastradas no CNPJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Na decisão acima, além de apreciar a matéria referente ao CNPJ a DRJ decidiu necessário a apresentação de DIs para comprovação de que se trata de créditos vinculados a importação, nos seguintes termos: “Apesar das cópias de notas fiscais de entrada, a manifestante não trouxe aos autos cópias das DIs para comprovação cabal da alegação de que trata de créditos referentes ao IPI vinculado às importações, ou seja, pago no desembaraço aduaneiro dos insumos” . A Recorrente apresentou Recurso Voluntário onde alega, em síntese, que a sua pretensão está de absoluto acordo com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico, em especial o Regulamento do IPI e que seu direito creditório não pode ser excluído em razão da rejeição do sistema quando da inclusão do CNPJ 00.000.000/00000 e junta cópias das DIS Fl. 291DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI Processo nº 13888.912047/200978 Acórdão n.º 3401002.304 S3C4T1 Fl. 6 3 requeridas somente pela DRJ, de nº s 07/07147004, 07/11835580 e 07/12220008 para assegurar seu direito. A 3 Seção, 4 Camara, 1 turma converteu o julgamento em diligência conforme Resolução 3401000.634, nos seguintes termos: “Dos fatos narrados acima aceitamos as DIs juntadas no Recurso Voluntário e convertemos o presente julgamento em diligência para que sejam verificados os créditos de acordo com as DIs apresentadas, juntamente com as NFs.” A referida diligência voltou da DRF de origem com o seguinte despacho: Constam no processo as notas fiscais referentes às importações, bem como as Dis correspondentes, as quais conferem com os registros da RFB. Consulta aos Sistemas da RFB comprovam os pagamentos do IPI vinculados as importações em comento (código 1038). Desta forma, resta claro que o que ocorreu foi um erro do contribuinte ao prestar as informações na PerDcomp. Se a mesma tivesse sido apresentada de forma correta, o SCC não glosaria tais créditos, motivo pelo qual a presente análise está restrita a falha cometida. É o relatório. Voto Conselheiro Angela Sartori O recurso é tempestivo e segue os demais requisitos de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Da narrativa dos fatos e do acórdão da DRJ percebese que dois foram os motivos alegados para manutenção da autuação em sede de acórdão na DRJ: 1) o erro no preenchimento de CNPJ na declaração e 2) ausência da Declaração de Importação para comprovação da alegação de que se trata de créditos referentes ao IPI vinculados às importações (observase que este item somente foi levantado na decisão da DRJ não constando do AUTO DE INFRAÇÃO). Fl. 292DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI 4 Primeiramente, no que concerne ao erro no preenchimento do CNPJ no PER/DCOMP, cumpre observar que não pode ser esse mero erro formal como idôneo a indeferir um pleito de ressarcimento devidamente justificado posteriormente à auditoria fiscal. Não há qualquer prejuízo à fiscalização se constar ao invés do CNPJ 00.000.000/000000 ou 99.999.997/000100. Com relação à ausência de Declaração de Importação para comprovação da materialidade do crédito do IPI apurado a Recorrente juntou no Recurso Voluntário as DIs para comprovação cabal de que se trata de créditos referentes ao IPI vinculados a importação. Neste contexto a própria DRF de origem comprovou que ocorreu um mero erro do contribuinte ao preencher a PER/DCOMP, não invalidando com isto seu direito creditório, conforme despacho em retorno de diligência: Desta forma, resta claro que o que ocorreu foi um erro do contribuinte ao prestar as informações na PerDcomp. Se a mesma tivesse sido apresentada de forma correta, o SCC não glosaria tais créditos, motivo pelo qual a presente análise está restrita a falha cometida. Deve ser aplicado o princípio da razoabilidade, de observância obrigatória, nos termos do art. 2º da Lei 9.784/99, nesse sentido é a doutrina: O princípio da razoabilidade é corolário do princípio do devido processo legal em sua vertente material, uma vez que o princípio da razoabilidade tem por finalidade a proteção de direitos fundamentais em face de condutas administrativas e legislativas arbitrárias, que fogem ao bom senso. O princípio da razoabilidade consiste na busca da congruência do comando da norma com os fins da justiça social que ela colima, mediante a persecução das condutas razoáveis e racionais. (Figueiredo, Leonardo Vizeu, Direito Administrativo. São Paulo: MP Ed., 2008 Coleção Didática Jurídica, p. 58) O contribuinte juntou aos autos, quando de sua impugnação, notas fiscais de entrada assim como as PER/DCOMP, e no Recurso Voluntário as DIs para comprovar a materialidade do crédito. Diante do exposto dou provimento ao recurso voluntário Angela Sartori Relator Fl. 293DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI
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Numero do processo: 12898.000596/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA SOBRE LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE FUNCIONÁRIO. CONTRATO DE ALUGUEL. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO.
As verbas pagas pela empresa a seus empregados advindas de contratos de locação de veículos não estão sujeitas a incidência de contribuição social previdenciária, desde que devidamente comprovado nos autos tal natureza jurídica.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes a locação de veículos, onde há apresentação de contratos, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA SOBRE LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE FUNCIONÁRIO. CONTRATO DE ALUGUEL. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. As verbas pagas pela empresa a seus empregados advindas de contratos de locação de veículos não estão sujeitas a incidência de contribuição social previdenciária, desde que devidamente comprovado nos autos tal natureza jurídica. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes a locação de veículos, onde há apresentação de contratos, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 05 96 /2 00 9- 16 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa CONCREMAT ENGENHARIA E TECNOLOGIA S/A contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito referente ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004. 2. Conforme consta no relatório fiscal ff.31/34, o auto de infração foi lavrado por falta de recolhimento de contribuições sociais destinadas à seguridade social, contribuição dos segurados, incidentes sobre a remuneração paga aos empregados do estabelecimento matriz a título de salários, prolabore e contribuintes individuais (autônomos): “1) O presente Relatório Fiscal de Débito é parte integrante do Auto de Infração em referência e tem por objeto a narrativa dos fatos ocorridos e verificados na Ação Fiscal desenvolvida junto à Empresa CONCREMAT ENGENHARIA E TECNOLOGIA S/A, em cumprimento ao MPF Mandado de Procedimento Fiscal N° 07.19000.2008.028031, expedido em 16/06/2008 e prorrogações posteriores, arrolando contribuições previdenciárias, incidentes sobre as remunerações efetuadas aos empregados do estabelecimento matriz a título de salários, prolabore e contribuintes individuais (autônomos) que lhes prestaram serviços no período, apurado com base nos seguintes elementos: 1.1) Valores pagos a diversas Pessoas Físicas, Contribuintes Individuais, não relacionadas nas Folhas de Pagamento e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP's apresentadas, cujas importâncias pagas foram apuradas com base na escrita contábil da Empresa sob o titulo da Conta N° 311203012 OUTROS SERVIÇOS DIVERSOS, estando tais valores nominalmente identificados no Relatório de Lançamentos RL, partes integrantes do presente Auto de Infração. 1.2) Pagamento efetuado a diversos segurados, contribuinte individual, autônomos, apurados através da DIRF Declaração de Imposto de Renda Na Fonte, declarados sob o Código 588 – Pessoas Físicas Sem Vínculo Empregatício e cujos valores não constam das Folhas de Pagamento e, tampouco das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFJP's apresentadas, como também das demais contas mencionadas neste Relatório Fiscal Inicial. Tais valores estão nominalmente discriminados no Demonstrativo Do Débito Anexo III, parte integrante deste relatório de débito. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.000596/200916 Acórdão n.º 2301003.432 S2C3T1 Fl. 431 3 1.3) Pagamento efetuado a diversos segurados: empregados, diretores e autônomos, cujos valores estão contabilizados nas: Conta N° 311303001 LOCAÇÃO DE MAQUINAS/EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS no valor de R$ 499.990,06 (Quatrocentos e noventa e nove mil novecentos e novena e seis reais e seis centavos) e Conta N° 311303002 CONSERVAÇÃO DE MAQ./EQUJP E VEÍCULOS com valor de R$ 309.560,82 (Trezentos e nove mil quinhentos e sessenta reais e oitenta e dois centavos), totalizando R$ 809.550,88 (Oitocentos e nove mil quinhentos e cinqüenta reais e oitenta e oito centavos). Os beneficiários dos respectivos valores estão, por competência, nominalmente relacionados no Demonstrativo do Débito Anexo Ao Presente Auto de Infração DEBCAD N° 37.205.9368, onde está informado, dentre outros elementos: Nome do Segurado, Categoria, Função, Data de Admissão, Data de Demissão e Valor Pago. Não obstante a negativa Empresa de que tais verbas tinham suas origens em valores pagos a empregados e diretores pelo aluguel de seus veículos, nada mais é do que a forma engendrada por ela com o fito de iludir a Previdência Social, tentando afastar tais valores, erradamente, do campo de incidência contributiva previdenciária, fato esse não aceito pelas razões a seguir alinhadas: 13.1) Os valores lançados dizem respeito a uma universalidade de categorias funcionais tais como: ANALISTA TEC ADM PL, ARQUITETO, ASSIST ADMINISTRATIVO, ASSISTENTE TÉCNICO, AUX LABORATÓRIO, AUX SERV TÉCNICO, CONSULTOR NV MED II, COORDENADOR, DIGITADOR, DIRETOR, DIRETOR ADJUNTO, ENC LABORATÓRIO, ENCARREGADO, ENGENHEIRO, ENGENHEIRO CIVIL, ENGENHEIRO CIVIL SR., ENGENHEIRO FISCAL, ENGENHEIRO JR, GERENTE CONTRATO II, INSPETOR CAMPO II, LABORATORISTA, LABORATORISTA I, LABORATORISTA II, MOLDADOR, MOTORISTA, MOTORISTA I, PROFISSIONAL PL I, PROFISSIONAL SR, PROFISSIONAL SR II, PROFISSIONAL SR III, TEC EDIFICAÇÕES, TÉCNICO, TÉCNICO FISCAL, TÉCNICO I, TÉCNICO PL, TÉCNICO SR, TÉCNICO SR II, TECNOLOGISTA, TECNOLOGISTA I, TOPOGRAFO e VICE PRESIDENTE. 1.3.2) O Anexo IV, inserido neste Relatório Fiscal Inicial como parte integrante do Auto de Infração, tem por finalidade demonstrar de forma clara e cristalina que a pseudo denominação dada pela Empresas às verbas em questão, nada mais é de uma forma produzida para tentar desvencilharse do campo de incidência contributiva previdenciária, haja vista seus valores, em muito superam o percentual de 100% (cem por cento) a remuneração registrada nas folhas de pagamentos e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFJP's.” 3. A empresa, após ter sido devidamente intimada (f. 70), apresentou a impugnação do lançamento tempestivamente às ff.74/88. 4. Ao analisar os argumentos constantes na peça impugnatória, a primeira instância administrativa converteu o julgamento em diligência fiscal (ff. 183/186) a fim de que fossem esclarecidos os pontos seguintes: “6. Desta forma, levandose em consideração que o lançamento 12898.000593/200982 AI 37.205.9335 já foi julgado procedente em parte por esta Turma de Julgamento, tendo em vista apenas a decadência quanto às competências 01.2004 a 04.2004, deverão ser levadas em consideração as contribuições cobradas no lançamento 12898.000593/200982 AI 37.205.9335 para o cálculo das contribuições de um mesmo segurado na mesma competência no Fl. 447DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 presente lançamento, a fim de respeitar o limite máximo do salário de contribuição de cada segurado. 7. Portanto, o agente fiscal deverá considerar as contribuições previdenciárias de determinado segurado já cobradas no 12898.000593/200982 Al 37.205.9335 no presente lançamento 12898.000596/200916 AI 37.205.9368, para se observar o limite máximo do salário de contribuição, procedendo às retificações cabíveis. O mesmo procedimento deverá ser adotado no lançamento 12898.000599/200950 AI 37.205.9392, agora levandose em consideração as contribuições já cobradas de um mesmo segurado nos lançamentos 12898.000593/200982 AI 37.205.9335 e 12898.000596/200916 AI 37.205.9368, para se respeitar o limite máximo do salário de contribuição, procedendo às retificações cabíveis.” 5. No relatório fiscal que atendeu a diligência solicitada pela primeira instância, o auditor fiscal levou em consideração as questões suscitadas e reduziu o valor do lançamento, de R$ 130.317,84 (cento e trinta mil trezentos e dezessete reais e quatorze centavos) para R$ 42.020,00 (quarenta e dois mil e vinte reais). 6. O contribuinte foi devidamente cientificado (f.386) para apresentar nova impugnação, oportunidade que destacou a dúvida que foi sanada e reiterou a improcedência do lançamento relativo à natureza indenizatória das despesas com quilometragem e aluguel de veículos dos empregados. 7. Após a apresentação da impugnação, em nova apreciação pelo Colegiado de primeira instância, a decadência foi reconhecida nas competências de 01/2004 até 04/2004, uma vez que o auto de infração foi lavrado em 14 de maio de 2009, com a respectiva ciência do contribuinte em 29 de maio daquele ano. 8. Ademais, entendeu serem incontroversos os fatos geradores relacionados ao pagamento da remuneração a pessoas físicas, como segurados contribuintes individuais e os referentes ao pagamento da remuneração a trabalhadores autônomos, ff. 414 e 415, por falta de questionamento da contribuinte em sua impugnação. 9. Assim, o Colegiado a quo julgou parcialmente procedente e manteve o crédito tributário em parte, acrescido de juros e multa, cuja decisão restou ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA PARCIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos, inclusive os referentes as contribuições destinadas às entidades e fundos paraestatais, no lançamento por homologação, extinguese após 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. GANHOS HABITUAIS EM UTILIDADES. O salário de contribuição é a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais soba forma de utilidades. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.000596/200916 Acórdão n.º 2301003.432 S2C3T1 Fl. 432 5 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. VEÍCULOS. Os valores pagos ao empregado a título de ressarcimento pelas despesas decorrentes do uso de seu veículo particular em trabalho, quando não devidamente comprovados, serão considerados como salário de contribuição para fins de incidência das contribuições devidas à Seguridade Social. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. LIMITE DO SALÁRIODECONTR1BUIÇÃO. RETIFICAÇÃO. Excluemse do lançamento os valores relativos às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais que excedem o limite do salàrio decontribuição. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” 10. Irresignada, a empresa interpôs o recurso voluntário tempestivo às ffs. 415/420, nos termos semelhantes aos de sua impugnação cuja síntese descrevo a seguir: a) preliminarmente, solicitou que fossem julgados no mesmo processo as ações administrativas que exigiram, no mesmo ano calendário de 2004, contribuição social previdenciária sobre aluguéis de veículos, correspondentes à parcela da pessoa jurídica DEBCAD 37.205.9350, parcela devida por empregados/autônomos DEBCAD 37.205.9368; e a destinada a terceiros DEBCAD 37.205.9376; b) a decisão não levou em consideração o conceito cível de locação e fez confusão entre conceitos de locação de bens fungíveis e trabalho assalariado. Não há impedimento legal quanto à locação de veículos dos próprios funcionários da empresa, uma vez se tratar de contrato e não de contraprestação de cunho empregatício; e c) arguiu silêncio a respeito do posicionamento do Judiciário sobre os valores pagos a título de aluguel de veículos dos empregados não terem natureza salarial; e 11. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA PRELIMINAR DE CONEXÃO 2. Em sede de preliminar a recorrente suscita a conexão de todos os processos resultantes da fiscalização, uma vez que esses possuem o mesmo fato gerador e mesma base de cálculo. 3. No entanto, em que pese o bom arrazoado trazido pela recorrente, não merece guarida a sua alegação. Isso por que o Decreto 70.235, que rege o Processo Administrativo Fiscal (PAF) em seu artigo 9º, é categórico ao determinar que “a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. 4. Ademais, o recente Decreto 7.574, de 29 de setembro de 2011, manteve a necessidade de que cada processo (autos de infração ou notificações) seja instruído de maneira que possa ser analisado separadamente: “Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). §1º Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência.” 5. A conexão é o fenômeno processual que determina a reunião de duas ou mais ações, para o julgamento em conjunto, a fim de evitar a existência de sentenças conflitantes. Em processo civil, consideramse conexas aquelas ações que possuem o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. 6. É importante ressaltar que a conexão dos processos não implica necessariamente em vantagem para o contribuinte, pois ela somente irá garantir que as ações tenham o mesmo julgamento. 7. E, conforme venho me posicionando, os dados constantes dos processos devem ser suficientes para o deslinde da controvérsia, o que afasta a necessidade de apreciação conjunta com outros lavrados contra o mesmo sujeito passivo. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.000596/200916 Acórdão n.º 2301003.432 S2C3T1 Fl. 433 7 8. Tornase necessário, ainda, que seja observado o princípio da celeridade processual trazido pelo inciso LXXVIII, do artigo 5º, da Constituição Federal, de 1998, o qual dispõe que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. 9. Assim, com base no referido princípio, devese buscar a solução dos conflitos suscitados no processo da forma mais breve possível, evitando, assim, as dilações indevidas. E, como os processos já se encontram distribuídos à relatoria de diferentes Conselheiros, a pausa em seus julgamentos para a redistribuição dos autos poderia acarretar em um atraso desnecessário. 10. Evidentemente que em alguns casos a conexão será necessária, por considerar fato importante para o deslinde da controvérsia constante em processo diverso, contudo a análise será delimitada pelo julgador, caso a caso. 11. Ademais, compulsando os autos, não se verifica qualquer vício quanto a lavratura do auto de infração que tenha cerceado a defesa do contribuinte de alguma maneira, tendo em vista que todos os preceitos exigidos pela legislação para a validade do ato administrativo foram atendidos. 12. Portanto, rejeito a preliminar suscitada pelo contribuinte tendo em vista que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. 13. Afasto, portanto, esta preliminar. DA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA 14. Conforme consta no relatório fiscal da autuação fiscal o contribuinte foi notificado a recolher ao erário previdenciário débito referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre as bases de cálculo das remunerações pagas a diversos empregados segurados e diretores. Segundo a empresa tais pagamentos foram realizados a título de aluguel dos veículos dos empregados à empresa. 15. Em síntese, a empresa, que tem como objeto social a prestação de serviços de consultoria na área de arquitetura, meio ambiente, engenharia civil, elétrica e mecânica, elaboração de planos diretores, estudos de viabilidade entre outros serviços, alega que não possuía veículos próprios para executar suas atividades celebrando, portanto, contratos de locação de veículo com os seus empregados. 16. Ocorre que ao proceder à fiscalização, o auditor fiscal entendeu que tais valores desembolsados pela recorrente não passavam de uma “forma engendrada por ela com o fito de iludir a Previdência Social, tentando afastar tais valores, erradamente, do campo de incidência contributiva previdenciária” (f. 37) e assim, lavrou auto de infração referente às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social e aos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, já que considerou que os valores pagos a título de aluguel estariam inclusos no saláriodecontribuição. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 17. A recorrente argumenta que não deve incidir contribuições previdenciárias sobre as quantias pagas a título de aluguel de veículos porque “uma coisa é o funcionário que recebe salário pelos serviços prestados, decorrentes de seu próprio labor. de outro lado, absolutamente distinta da remuneração do trabalho, a locação de veículo à pessoa jurídica que não dispõe de transporte suficiente ao pleno desenvolvimento de suas atividades” (f. 221) 18. Como é cediço, a contribuição social previdenciária do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada está baseada na folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. A base jurídica originária para a incidência do tributo está na Constituição Federal: Constituição Federal Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; 19. Dessa forma, a remuneração percebida em razão do trabalho prestado pelo trabalhador será a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É imperioso que haja um perfeito enquadramento dos valores que se pretende lançar, em “salário” para, em seguida, concluir sobre a incidência, ou não, do tributo. 20. A respeito do modo como deve ser interpretado os dispositivos constitucionais o Supremo Tribunal Federal – STF no julgamento do RE 166.772/RS firmou entendimento no sentido de que as definições postas no art. 195, I, da Constituição Federal devem ser interpretadas de forma restritiva e em conformidade com a dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho, mesmo para fins previdenciários. Pois devese evitar admitir um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o trabalhista. 21. Nesse sentido, transcrevo abaixo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Mello e Moreira Alves: a) Celso de Mello: "a locução constitucional "folha de salários", inscrita no art. 195, I, da Carta Política, há de ser definida em função de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exata e usual dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho."; b) Moreira Alves: "(...) realmente já foi demonstrado, desde o voto do eminente Ministro Relator e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressão "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de salário trabalhista. Mesmo para fins previdenciários – como se vê do art. 201 Fl. 452DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.000596/200916 Acórdão n.º 2301003.432 S2C3T1 Fl. 434 9 , "salário" está empregado no sentido de remuneração em decorrência de vínculo empregatício." c) Marco Aurélio: “Descabe dar a uma mesma expressão – salário – utilizada pela Carta relativamente a matérias diversas, sentidos diferentes, conforme os interesses em questão. Salário, tal como mencionado no inciso I do art. 195, não pode se configurar como algo que discrepe do conceito que se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irredutibilidade salarial, inciso VI do artigo 7º da Carta.” 22. Como ressalta a Corte, o termo “salário” não é próprio do direito tributário. O salário nasce de uma relação privada, ou seja, de um contrato de trabalho, sendo regulado pela esfera trabalhista. Em vista disso, as exigências que tenham por base de cálculo o valor do salário pago ao empregado deverão fundarse nas prescrições de direito do trabalho, que delimitam sua abrangência. 23. Com isso entendo que o conceito de salário e remuneração utilizado na Constituição e na legislação trabalhista é unívoco e deve expressar a mesma ideia, de maneira que não se deve admitir em matéria de vinculação tributária, como no caso de cobrança de contribuição previdenciária, que possa o lançamento de tributo incidir sobre os valores que a justiça trabalhista não considere como salário. 24. Insta mencionar que segundo a legislação trabalhista, salário é a contraprestação devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado em função da relação empregatícia. Assim, somente deve ser caracterizado como salário aquele que estiver remunerando uma prestação de serviço. 25. In casu não é identificável a prestação de serviços, o que se percebe é a existência de um contrato de locação regido por normas do direito privado, no qual empregado e empregador se obrigam a manter um contrato de locação de determinado veículo por um período limitado. Tal situação por sua vez é regida pelo art. 565 do Código Civil e não há qualquer relação trabalhista, ou contraprestação de trabalho. Tanto é que, caso o empregado queira pedir demissão da empresa, os efeitos desse instrumento contratual continuam válidos e eficazes. 26. Dessa forma, tratandose de contrato bilateral regido por normas do direito privado e não trabalhistas e por não haver retribuição pelo trabalho, tampouco estarem presentes os elementos essenciais da relação de emprego, assiste razão à recorrente, pois nesse caso não vislumbro a hipótese de incidência da contribuição social previdenciária, qual seja a percepção de salário pelo empregado. 27. Ocorre que, um dos princípios inerentes ao Processo Administrativo Fiscal (PAF) vincula o julgador a buscar a verdade substancial dos fatos que reclamam o seu julgamento, tratase do princípio da verdade material. Quanto a esse preceito, Celso Antonio Bandeira de Mello já alertou: “nada importa que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é, ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento Fl. 453DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte, ou pelas partes, a Administração deve sempre buscar a verdade substancial” 28. Assim, para que o julgador se sinta confortável ao proferir sua decisão a respeito de dado assunto, tornase necessário que haja nos autos provas contundentes que o levem a crer que determinado fato realmente ocorreu no universo jurídico. 29. Digo isso por que, como é cediço, o ônus de provar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do fisco cabe ao contribuinte, conforme interpretação do art. 333, inc. II do CPC e a empresa tem a oportunidade de apresentar tais provas no momento da impugnação, conforme determina o art. 16 do Decreto n. 70.235/72. 30. Assim, caberia a recorrente, no mínimo, apresentar os contratos referentes aos pagamentos que o fisco considerou salário indireto, comprovando que os pagamentos somente foram efetuados porque existia um contrato firmado entre as partes. 31. Todavia, compulsando os autos não é isso que se constata, tendo em vista que os documentos trazidos pela recorrente não são hábeis para retirar a exigibilidade do crédito tributário, isso porque, não obstante o fisco ter lançado o débito baseado em centenas de pagamentos, a recorrente juntou aos autos apenas cinco contratos de locação com os seus empregados, conforme ff. 153/181. 32. A justiça do trabalho assim já se manifestou a respeito de caso semelhante, em que não conheceu o recurso de revista por falta de apresentação de documentos pertinentes à locação de veículos: RECURSOS DE REVISTA INTERPOSTOS PELA RECLAMADA TELEMONT E TELEMAR. ANÁLISE CONJUNTA. NULIDADE.NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL (MATÉRIA EXCLUSIVA DO RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA RECLAMADA TELEMONT) (...) PAGAMENTO DEVIDO PELO ALUGUEL DO VEÍCULO DO EMPREGADO. NATUREZA SALARIAL (MATÉRIA EXCLUSIVA DO RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA RECLAMADA TELEMONT). A Corte Regional manteve o reconhecimento da natureza salarial da parcela paga a título de aluguel do veículo do empregado. Entendeu que a parcela teve caráter de contraprestação, porque seu valor variava segundo a produtividade do empregado. Também consignou que a Reclamada Telemont não exibiu em juízo os documentos que diziam respeito ao aluguel do veículo do Reclamante. (...) (573004020075030106 5730040.2007.5.03.0106, Relator: Fernando Eizo Ono, Data de Julgamento: 25/05/2011, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 03/06/2011) 33. Sendo assim, apesar de reconhecer que os valores pagos mediante contrato de locação de veículos não se tratam de salário, ainda que esse instrumento particular seja celebrado com os seus próprios empregados e, por consequência, não serem considerados como saláriodecontribuição, não acolho os fundamentos trazidos pela recorrente em sua Fl. 454DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.000596/200916 Acórdão n.º 2301003.432 S2C3T1 Fl. 435 11 totalidade, por considerar que a produção de provas quanto aos efetivos contratos, foi deficiente. 34. Assim excluo a incidência de contribuição previdenciária apenas daqueles empregados segurados os quais os contratos de locação foram devidamente apresentados, comprovandose assim que se tratava de locação de veículos e não de pagamento de verbas salariais. DA MULTA APLICADA 35. Sobre a questão da multa, trazida pelo contribuinte em seu recurso, cabe ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 36. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: a) “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 37. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: b) “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. c) (...) d) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 38. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 39. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 40. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir da base de cálculo somente aqueles segurados empregados que tiveram o contrato de locação de veículo apresentado nos autos referente ao período lançado e reduzir a multa aplicada conforme determina o artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 456DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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