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Numero do processo: 10680.905925/2012-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
JUNTADA INTEMPESTIVA DE DOCUMENTOS.
As hipóteses em que o Decreto n° 70.235, de 1972, admite a juntada intempestiva de documentos são taxativas.
COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE.
Não se admite a compensação de débito com crédito que não se comprova existente.
Numero da decisão: 1202-001.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: por maioria de votos, em não conhecer dos documentos apresentados nesta fase recursal, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Geraldo Valentim Neto; por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório; pelo voto de qualidade, em afastar a preliminar de preclusão da análise do valor do direito creditório, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno; e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 JUNTADA INTEMPESTIVA DE DOCUMENTOS. As hipóteses em que o Decreto n° 70.235, de 1972, admite a juntada intempestiva de documentos são taxativas. COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE. Não se admite a compensação de débito com crédito que não se comprova existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por maioria de votos, em não conhecer dos documentos apresentados nesta fase recursal, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Geraldo Valentim Neto; por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório; pelo voto de qualidade, em afastar a preliminar de preclusão da análise do valor do direito creditório, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno; e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 59 25 /2 01 2- 32 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Conforme o relatado no Acórdão 0239.576 2ª Turma da DRJ/BHE, de 05/06/2012 (Fls. 192 a 207): O despacho decisório de fl. 53 foi emitido contra o interessado acima identificado, para homologar parcialmente a compensação efetuada no PER/DCOMP n.º 05104.10977.160807.1.3.027829. A homologação parcial foi motivada pela insuficiência do crédito utilizado para compensar os débitos informados. Tal crédito decorreria da apuração de saldo negativo de IRPJ referente ao exercício de 2007, anocalendário de 2006. Conforme PER/DCOMP e DIPJ, o valor desse saldo negativo seria igual a R$ 63.924.297,98. As parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP são constituídas imposto pago no exterior, retenções na fonte, pagamentos e compensação de estimativas mensais. No despacho decisório, só não foi confirmado o imposto pago no exterior. As parcelas admitidas somam R$ 155.620.383,84. Considerandose que, conforme DIPJ, o IRPJ anual devido é igual R$ 92.249.863,59, foi reconhecido saldo negativo disponível no valor de R$ 63.370.520,25. Os débitos indevidamente compensados somam R$ 2.821.466,87 (principal). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: art. 168 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN); § 1º do art. 6º e art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996; art. 4º da IN RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008. A ciência do despacho se deu em 16/04/2012 (fl. 56). Em 16/05/2012, foi apresentada a manifestação de inconformidade de fl. 02 a 25. Nela constam os seguintes argumentos: o imposto pago no exterior deverá compor o saldo negativo de IRPJ; não cabe aplicação das multas de mora assim identificadas: Fl. 523DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 4 3 a) Para a PER/Dcomp na. 07959.41618.110707.1.7.024484 (doc. 08, ci t) , a multa de 9,90% sobre o débito corresponde a aplicação proporcional, no percentual de 0,33%/dia pelo período de 30 dias, decorridos entre o vencimento do tributo, ocorrido em 28.02.2007 e o envio da DCOMP realizado em 30 03.2007. b) Para a PER/Dcomp n° 26941.54649.160807.1.7.020709 (doc. 08, ci t) . a multa de 13,53% sobre o débito corresponde a aplicação proporcional, no percentual de 0,33%/dia. pelo período de 41 dias, decorridos entre o vencimento do tributo, ocorrido em 31.05.2007 e o envio da DCOMP original realizado em 11.07.2007. o despacho decisório deve ser anulado, por vício substancial, em face da limitada possibilidade de cognição dos fatos e do direito, decorrente da adoção de cruzamento eletrônico de declaração como única causa de decidir no presente processo: despachos eletrônicos não substituem a inteligência fiscal e não permitem a cognição dos fatos pertinentes ao objeto da exigência tributária, tampouco são aptos ao manejo e aplicação do direito em toda sua extensão e complexidade que a matéria sob apreciação envolve; não há motivo ou motivação movendo o ato administrativo do lançamento; as razões invocadas nos despachos eletrônicos resumemse a cruzamentos de informações prestadas em obediência a um dever instrumental imposto por lei, inaptas a desconstituir o direito material dos contribuintes; a decisão fiscal não se preocupa se os dados da realidade efetivamente correspondem àqueles constantes das declarações cotejadas pelo cruzamento eletrônico e se as mesmas teriam sido retificadas; a autuação fiscal carece de fundamentos válidos, já que se socorre de aspectos meramente formais para negar o direito substantivo à compensação, deixando de averiguar a verdade material; a Receita Federal se furta de seu dever legal de apreciar efetivamente a relação jurídica substantiva estabelecida entre fisco e contribuinte, a pretexto de supostas irregularidades formais, pretendendo que a DRJ, com base nos elementos de prova trazidos pelo contribuinte, sane a falta de fundamentação do seu despacho decisório; o despacho não logrou demonstrar a ocorrência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos hábeis para negar o direito do contribuinte ao exercício da compensação; o despacho decisório deve ser anulado, porque a multa de mora contestada não poderia ser exigida pela via indireta e insidiosa da não homologação: Fl. 524DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 5 4 a prévia constituição do débito por meio de lançamento de ofício é necessária para a cobrança de multa de mora; não houve lavratura de nenhum auto de infração para constituição e cobrança dos referidos encargos moratórios, de modo que jamais poderiam ser exigidos pelo fisco; a imputação do pagamento de tributo, tal como prevista no art. 163 do CTN, é inconstitucional; não se admite que o fisco, pelo artifício da imputação do pagamento, exija do sujeito passivo tributo que ele não deseja pagar; ainda que não fosse inconstitucional, a imputação é instituto incompatível com a compensação; a Receita Federal fere o caput do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, quando quita parte da multa que o contribuinte não deseja pagar, segundo o qual, cabe ao contribuinte dizer qual crédito e qual débito deseja quitar com o instituto da compensação; a aplicação da imputação na compensação leva ao absurdo de que ao contribuinte só cabe declarar o crédito, ficando a identificação do débito a cargo da Receita Federal; em abono de sua tese são invocados acórdãos do CARF e jurisprudência; o direito de o fisco reapurar o saldo negativo de 2006 decaiu em 31/12/2011 e os valores informados em DIPJ devem ser mantidos: o IRPJ é tributo que se sujeita ao lançamento por homologação; aplicase a ele a regra do § 4º do art. 150 do CTN; assim é que, transcorridos cinco anos do fato gerador sem que a autoridade administrativa tenha contestado a regularidade das apurações declaradas pelo contribuinte, estas se consideram homologadas, ainda que tacitamente; se não é mais permitido lançar tributo devido, tampouco poderá ser revista a declaração apresentada pelo contribuinte; os resultados lançados pelo contribuinte em sua declaração tornamse imutáveis com o decurso do prazo decadencial; em abono de sua tese são invocados acórdãos do CARF; a contagem do prazo pelo envio da DCOMP não é adequada porque não há sentido na renovação de prazo decadencial e porque a lei complementar prevalece sobre a lei ordinária que a confronta, por força do art. 146 da CF; o imposto retido no exterior pode ser compensado com o IRPJ devido no Brasil, conforme art. 395 do RIR de 1999: Fl. 525DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 6 5 tratase de imposto de renda retido na fonte decorrente de assessoria técnica prestada pela requerente; os serviços foram prestados no exterior; os valores foram recolhidos no exterior por controlada; os valores retidos podem ser compensados com o IRPJ devido no Brasil, conforme art. 395 do RIR de 1999; o despacho eletrônico não se preocupa se os dados da realidade efetivamente correspondem àqueles das declarações cotejadas pelo cruzamento de informações e se as mesmas teriam sido retificadas; instruem a manifestação de inconformidade informes de rendimentos (Declaracion jurada de retenciones em la fuente), que são documentos aptos a comprovarem a retenção na fonte; pedese prazo de 30 dias para apresentação dos informes traduzidos por tradutor juramentado; a recorrente pugna pela juntada posterior de documentação suporte que seja capaz de comprovar o pagamento do IR no exterior; a aplicação da multa de mora contestada é afastada pela denúncia espontânea: os débitos foram compensados por meio de PER/DCOMP enviado depois do vencimento; não obstante, os débitos foram compensados antes de serem informados em qualquer declaração por parte do contribuinte e antes de qualquer fiscalização por parte da autoridade administrativa; esses fatos afastam a exigência da multa de mora, por força do art. 138 do CTN; o entendimento do STJ sobre tributo declarado e pagos a destempo, expresso na Súmula n.º 360, não se aplica ao caso, uma vez os PER/DCOMP foram transmitidos em momento concomitante ao da transmissão das DCTF em que foram declarados; o débito de estimativa de IRPJ do mês de janeiro de 2007, vencido em 28/02/2007, foi extinto em 30/07/2007, com o PER/DCOMP n.º 25814.40889.300307.1.3.028453, retificado pelo PER/DCOMP n.º 07.959.41618.110707.1.7.024484; o débito de estimativa de IRPJ do mês de abril de 2007, vencido em 31/05/2007, foi extinto em 11/07/2007, com o PER/DCOMP n.º 26941.54649.160807.1.7.020709; Fl. 526DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 7 6 em ambos os PER/DCOMP, o contribuinte deixou de incluir a multa de mora e incluiu os juros de mora, calculados entre o vencimento e a extinção do débito; o preenchimento do PER/DCOMP n.º 11771.41577.140807.1.3.024842 se fez de forma diferente, porque ele foi transmitido em 14/08/2007, depois da entrega da DCTF, em 11/07/2007; nesse caso, foram incluídos juros de mora e multa de mora; por todo o exposto pedese: a homologação da compensação com a extinção do débito compensado; a concessão de prazo de 30 dias para apresentação de informes de rendimentos devidamente traduzidos por tradutor juramentado. O acórdão recorrido apresenta a seguinte ementa: GLOSA DE PARCELAS QUE COMPÕEM O SALDO NEGATIVO DECADÊNCIA. O procedimento de verificação do saldo negativo de IRPJ utilizado em compensação não está limitado pelo prazo decadencial de que trata o § 4º do art. 150 do CTN. COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE. Não se admite a compensação de débito com crédito que não se comprova existente. MULTA DE MORA. A aplicação da multa de mora deve ser afastada, na situação em que o contribuinte efetua o pagamento ou a compensação do débito (tributo, acrescido dos juros de mora), antes ou concomitantemente à apresentação das declarações em que façam a confissão de dívida respectiva (tais como DCTF, DIRPF, GFIP e Dcomp), e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da referida decisão em 20/07/2012 (Fls. 210), a Recorrente interpôs o presente recurso em 20/08/2012 (Fls. 211) requerendo a reforma parcial do acórdão em Fl. 527DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 8 7 primeira instância para que se reconheça a insubsistência do Despacho Decisório n° 020766391, com conseqüente homologação da compensação declarada e a extinção do débito fiscal nesta compensado (Fls. 17). Em 18/09/2012, a Recorrente protocolou tradução juramentada de documentos apresentados junto ao presente recurso (Fls. 480 a 520). Subiram os autos ao CARF com distribuição a este relator em 06/08/2013 por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Relator. Tratase de recurso contra acórdão que homologou parcialmente a compensação efetuada pela Recorrente no PER/DCOMP n° 05104.10977.160807.1.3.027829. Segundo o acórdão recorrido: Os débitos compensados com o saldo negativo de IRPJ do exercício 2007 são os abaixo discriminados: PER/DCOMP Data DCOMP original Código da Receita PA Vencimento Valor do principal 07959.41618.110707.1.7.024484 30/03/2007 2362 jan/07 28/02/2007 12.616.965,91 14677.81815.110707.1.7.026221 30/03/2007 2362 fev/07 30/03/2007 9.642.881,19 36035.34054.140807.1.7.021705 27/04/2007 2362 mar/07 30/04/2007 12.069.347,36 26941.54649.160807.1.7.020709 11/07/2007 2362 abr/07 31/05/2007 6.706.953,50 00240.13341. 160807.1.7.021520 11/07/2007 2362 jun/07 31/07/2007 14.069.035,88 11771.41577.140807.1.3.024842 14/08/2007 2362 mar/07 30/04/2007 3.001.410,09 05104.10977.160807.1.3.027829 16/08/2007 2362 jul/07 31/08/2007 8.161.854,07 66.268.448,00 Excluída a multa de mora incidente sobre os débitos compensados referentes a janeiro e abril, a compensação se faz conforme cálculos que se seguem: Débito compensado Crédito Utilizado Juros de Mora Multa de Mora Crédito original antes da compens. Cód. De Rec. PA Principal compens. % Valor % Valor Selic Crédito original usado na compens. Saldo do crédito original 63.370.520,25 2362 jan/07 12.616.965,91 1,00% 126.169,66 9,90% 2,95% 12.377.985,01 50.992.535,24 50.992.535,24 2362 fev/07 9.642.881,19 2,95% 9.366.567,45 41.625.967,79 41.625.967,79 2362 mar/07 12.069.347,36 4,00% 11.605.141,69 30.020.826,10 30.020.826,10 2362 abr/07 6.706.953,50 1,91% 128.102,81 13,53% 6,88% 6.395.075,14 23.625.750,95 23.625.750,95 2362 jun/07 14.069.035,88 6,88% 13.163.394,35 10.462.356,61 10.462.356,61 2362 mar/07 3.001.410,09 3,91% 117.355,13 20,00% 600.282,02 7,85% 3.448.351,64 7.014.004,97 7.014.004,97 2362 jul/07 5.340.387,20 7,85% 4.951.680,30 2.062.324,67 2.062.324,67 2362 jul/07 2.224.217,16 7,85% 2.062.324,67 Total 65.671.198,29 371.627,61 600.282,02 \\\\\\\\ 63.370.520,25 \\\\\\\\\\\\\ Fl. 528DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 9 8 No demonstrativo acima, o débito de julho de 2007, compensado no PER/DCOMP n.º 05104.10977.160807.1.3.027829, foi desmembrado em duas parcelas, em razão do objeto do litígio. Nesse PER/DCOMP, o contribuinte pretendeu compensar débito no valor de R 8.161.854,07. Desse valor, no despacho decisório, foram considerados compensados R$ 5.340.387,20. Assim sendo, o objeto do litígio é a compensação da diferença, no valor de R$ 2.821.466,87. Mesmo feita a pleiteada exclusão da multas de mora, o crédito reconhecido no despacho decisório não é suficiente para homologar a compensação de todo o valor do débito de julho (R$ 8.161.854,07), mas de apenas R$ 7.564.604,36. Conforme fl. 69, considerouse, no despacho decisório, que, após as compensações anteriores efetuadas, restou crédito original na data da transmissão do PER/DCOMP n.° 05104.10977.160807.1.3.027829 no valor de R$ 4.951.680,30. Excluídas as multas, verificase que o crédito original na data da transmissão do PER/DCOMP n.° 05104.10977.160807.1.3.02 7829 é igual a R$ 7.014.004,97. Após a compensação já homologada no despacho de parte do débito de julho de 2007 no valor de R$ 5.340.387,20, restou crédito original no valor de R$ 2.062.324,67. Esse crédito é suficiente para acobertar parte do débito em litígio, no valor de R$ 2.224.217,16. Restam indevidamente compensados R$ 597.249,71 (2.821.466,87 2.224.217,16). Destarte, o litígio em análise referese ao valor de imposto sobre a renda retido no exterior de R$553.778,13 (Fls. 65) não reconhecido pelo despacho decisório (Fls. 119). Segundo a Recorrente (Fls. 213): Tendo em vista a homologação parcial do crédito compensado, o débito foi reformulado e atualmente encontrase assim decomposto (em jul/2012): Ocorre que a Recorrente não pode concordar com o entendimento da DRJ quanto à parcela do crédito não reconhecida, pelos fatos que passa a expor. Preliminarmente ao conhecimento do presente recurso, cumpre destacar a apresentação de petição incidental em 18/09/2012, requerendose a este colegiado a juntada da tradução pública juramentada dos seguintes documentos: "contrato de assistência técnica e licença de conhecimento knowhow" (doc. 01), e "faturas comerciais" (doc. 02), os quais se prestam a comprovar o vínculo da empresa como beneficiária dos valores pagos no exterior, que sofreram a retenção do Imposto de Renda. Segundo justifica a Recorrente: (...)a juntada posterior dos referidos documentos se deu em razão do prazo necessário para que fosse realizada a tradução juramentada, requisito essencial para que os documentos redigidos em língua estrangeira possam produzir efeitos legais no país e serem apreciados por este órgão julgador. Principal Multa Juros Total 597.249,71 119.449,94 302.745,87 1.019.445,52 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 10 9 Segundo os §§ 4° e 5°, do art. 16, do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As referidas alíneas constituem as exceções, autorizadas pela Lei do Processo Administrativo Fiscal, ao Princípio da preclusão, cujos esclarecimentos de Dionísio Koch (Processo Administrativo Tributário e Lançamento, São Paulo: Malheiros, 2012, 2ed. pp. 65 a 67) : Princípio da Preclusão Dizse que ocorreu a preclusão quando a parte no processo perde uma faculdade de exercer um ato processual, ou o exerceu de forma a não produzir efeitos, por ser intempestivo ou contaminado por outra irregularidade, extinguindose o direito de reproduzir o ato. É a perda da oportunidade processual. A preclusão extingue o direito de praticar um ato processual, sem, entretanto, interferir no direito material nele discutido. Assim, por exemplo, se o contribuinte perdeu o prazo para impetrar a reclamação, preclui o seu direito para essa fase de defesa, e o seu recurso ordinário, ainda que interposto dentro do prazo, não modificará a decisão singular que julgou a reclamação intempestiva. O processo se extingue e o lançamento permanecerá inalterado. Porém, o contribuinte não perderá o direito material e terá duas alternativas para reivindicálo: a) paga o crédito relativo à notificação fiscal e requer a repetição do indébito, considerando que o lançamento era indevido e que à Fazenda Pública não é lícito exigir um tributo que não teve origem num fato gerador respectivo; b) recorre ao Judiciário para discutir o mérito. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 11 10 Para algumas legislações, temse como exemplo de preclusão a impossibilidade de aduzir vícios de nulidades relativas na constituição do crédito tributário na fase de recurso voluntário, na segunda instância, portanto, que não foram suscitadas na primeira oportunidade em que o contribuinte se manifestou no processo, no caso, na impugnação do lançamento. Não é o caso da nulidade absoluta que, por ser de interesse público, pode ser levantada a qualquer tempo, inclusive de ofício. Na lição de Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martínez López, a preclusão tem o seguinte significado: “ Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestála no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior”. O princípio da preclusão não figura em todas as obras que tratam deste tema específico, o que implica dizer que nem todos os autores reconhecem este princípio no processo administrativo tributário ou, pelo menos, não lhe dão a importância que justifique a inclusão neste rol. Todavia, preferimos abordar este princípio, não pelo seu poder de particularização no processo administrativo, mas pela discussão que encerra se confrontado com outros princípios, tais como o da informalidade ou formalidade moderada e o da verdade real, princípios estes informadores do mesmo tipo de processo. Como admitir a coexistência do princípio da preclusão que limita a oportunidade de aduzir razões de defesa com o princípio da verdade real que prima pela busca de informações e provas fora do processo, permitindo até que o julgador levante questões contrárias ao lançamento de ofício? A justificativa do princípio da preclusão está na própria vocação instrumental do processo, de qualquer esfera (administrativa ou judicial). O processo, como instrumento que é, para se obter uma decisão no final, deve ser impulsionado a prosseguir, sem retrocessos, sem voltar a estágios anteriores, considerando os atos processuais praticados definitivos, ressalvados, é claro, os casos de nulidades. Há que se admitir que o reconhecimento da preclusão em processo administrativo abre uma tensão diante de princípios que informam esta espécie de processo, tais como o da verdade real, o da informalidade ou mesmo diante da possibilidade de a Administração Pública poder rever os seus atos quando contrários à lei. A coexistência destes princípios é matéria tormentosa e desafia o exegeta a fazer as mitigações necessárias para que estes não colidam frontalmente, anulandose uns aos outros. Porém, a permissão para introduzir na via administrativa a preclusão decorre da própria essência instrumental do Fl. 531DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 12 11 processo, na medida em que este instrumento representa o caminho em direção a uma conclusão final, dentro de um propósito de irreversibilidade dos atos praticados. Admitir novos argumentos da parte contestatória a cada momento paralisaria o processo, visto que haveria um retrocesso em sua tramitação na necessidade de proferir novos julgamentos neles baseados. A preclusão pode ser traduzida no princípio da eventualidade ou da concentração da defesa na contestação, ao se tratar de processo judicial. Este princípio adaptado ao processo administrativo tributário requer que todas as razões de defesa que o contribuinte pretenda argüir devam ser apresentadas na primeira oportunidade em que ele questionar o lançamento. A não contestação de determinado fato impõe ao julgador presumir verdadeira a acusação fiscal. Portanto, a admissão de inovações nas razões de defesa aniquilaria os fundamentos do processo, pois que a ordem seqüencial dos atos praticados se inverteria e o processo teria o seu ciclo de tramitação tumultuado, só servindo aos interesses daqueles que se utilizam do processo como uma maneira de postergar a solução final. É tradição do Direito considerar não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na primeira oportunidade em que a parte interessada falar no processo. É neste sentido que orienta o art. 302 do CPC, ao afirmar que “Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados (...)”. No mesmo sentido prescreve o art. 58 do Decreto 7.574/2011 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal federal. Eis os seus termos: “Art. 58 Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” O Decreto também delimita a oportunidade da apresentação da prova documental no contencioso administrativo tributário, ao exigir que esta prova seja apresentada junto com a impugnação, reconhecendo a preclusão do direito de fazêlo posteriormente, ressalvadas as seguintes hipóteses: (I) quando se demonstre a impossibilidade da apresentação da prova no momento oportuno por motivo de força maior; (II) que a prova se refira a fato ou direito superveniente; ou (III) que a prova se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos pelas partes processuais (§4o. do art. 57). O duplo grau de jurisdição, que é uma garantia do litigante para julgamento de processo administrativo e judicial, também fornece suporte de admissibilidade da preclusão. No caso do processo administrativo tributário, se a matéria não for apresentada na primeira oportunidade em que o acusado se manifesta no processo, que é a impugnação do lançamento, Fl. 532DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 13 12 sempre haverá supressão de instância, pois o julgador singular não irá apreciar a matéria somente apresentada na fase de recurso. Além disso, não reconhecer a preclusão no direito de recorrer traria como conseqüência a dilação do prazo recursal, visto que o contribuinte poderia apresentar uma petição preliminar, sem conteúdo capaz de atacar o ato fiscal, para cumprir formalmente o prazo protocolar, e, em tempo posterior, produzir e apresentar a defesa de fato, com todos os argumentos de vigor para contraditar o lançamento. Portanto, não estivesse previsto em lei, a ordem normal das coisas induz à conclusão da necessidade de se aduzir todas as razões de defesa e suas respectivas provas, na primeira manifestação no processo. Por outro lado, têmse os argumentos que militam conta a preclusão no processo administrativo. Em primeiro lugar, conforme já mencionado, os princípios da verdade real e da informalidade abrem uma maior liberdade de ação da defesa e uma perspectiva investigatória pelo julgador durante a fase processual para trazer aos autos novas informações, novas provas, novos fatos, para a busca da melhor verdade. E esta conduta ativa do julgador no processo não se compatibiliza com o fenômeno da preclusão. O segundo aspecto que se contrapõe à preclusão é de origem normativa e se verifica na Lei 9.784/1999, que dispõe sobre o processo administrativo federal. Pelo §2o. do art. 63, o não conhecimento do recurso pelas razões expostas no caput do artigo, “não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida a preclusão administrativa”. O mesmo diploma legal, em seu art. 65, prevê que “Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada”. Para concluir, a despeito destas orientações aparentemente contraditórias, parece possível a coexistência dos princípios mencionados no processo administrativo tributário, desde que a sua aplicação seja mitigada a ponto de trazer benefícios à tramitação e à objetividade do processo. A busca da verdade real e o informalismo não podem ser justificativas para tumultuar a tramitação processual nem biombo para dissimular práticas processuais incompatíveis com a prática da dialética, que consistem em trazer aos autos provas e argumentos novos, de forma extemporânea, para surpreender a outra parte, tentando desarmála em sua argumentação. A boafé das partes deve nortear o julgador neste particular. Cabe ao julgador, com seu poder de discernimento, detectar as hipóteses em que as inovações no processo (novas matérias e novas provas) devam ser necessariamente acolhidas, em razão do princípio da verdade real e a partir de que ponto estas inovações devam ser repelidas por representarem medidas protelatórias, ou mesmo litigância de máfé. À preclusão deve ser atribuída esta Fl. 533DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 14 13 importante função de moderar as inovações no processo para que este não se desvie de sua finalidade de solução da lide. A Recorrente incorreu em preclusão por não ter justificado com base em, pelo menos, uma das alíneas do § 4° do referido artigo a falta de apresentação intempestiva dos documentos "contrato de assistência técnica e licença de conhecimento knowhow" (doc. 01), e "faturas comerciais" (doc. 02), acompanhados das correspondentes traduções juramentadas, sem as quais os documentos originais não produzem efeitos, segundo informa a própria petição incidental. Diante do exposto, indefiro o pedido de juntada aos autos da tradução juramentada dos "contrato de assistência técnica e licença de conhecimento knowhow" (doc. 01), e "faturas comerciais" (doc. 02). Quanto ao requisito da tempestividade do art. 33, do Decreto n° 70.235, de 1972, a seguir transcrito, conheço do presente recurso de acordo com o período transcorrido entre a intimação e a interposição mencionado no relatório. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Passo à análise das razões do presente recurso na mesma ordem apresentada pela Recorrente. I Do indeferimento do pedido de juntada posterior de documentos: Segundo as razões recursais: Inicialmente, temse que o acórdão recorrido negou o pedido formulado pela Recorrente de juntada posterior de documentos que comprovem o seu direito, sob o fundamento de que "o momento oportuno para a juntada de provas em que se fundamentem as alegações é quando da apresentação da impugnação (art. 15 do Dec. 70.235/72)". Afirmou ainda que, sem a comprovação da ocorrência das condições expressas nos §§ 4o e 5o do art. 16 do Dec. 70.235/72, "não há falarem juntada de novos documentos". Ocorre que, um dos principais motivos que levaram a Recorrente a solicitar a juntada posterior de documentos foi o fato de que até o prazo fatal para o protocolo da Manifestação de Inconformidade, não havia como apresentar um dos documentos que estavam em língua estrangeira, traduzido por tradutor juramentado, no caso, a declaração de retenção na fonte do IR pago no exterior Declaración jurada de retenciones em la fuente, documento essencial para o correto deslinde do feito e que a Recorrente traz aos autos neste momento (doc. 03). Fl. 534DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 15 14 A importância do referido documento foi inclusive reconhecida pelo próprio acórdão recorrido ao afirmar que "os documentos trazidos aos autos, pelo simples fato de apresentaremse em língua estrangeira sem a correspondente tradução firmada por tradutor juramentado, não podem ser aceitos como comprovação de pagamento válido de tributo no exterior". Ora, desde já é latente a contradição exposta no próprio acórdão recorrido, uma vez que, ao mesmo tempo em que indefere a juntada posterior de documentos, não aceita a comprovação de pagamento válido de tributo no exterior porque o documento encontravase em língua estrangeira. Não admitir a juntada posterior de documentos no processo administrativo tributário, principalmente no presente caso, seria o mesmo que permitir a tributação de fato não tributável. Explicase. Como se sabe, o processo administrativo fiscal serve como instrumento de realização do princípio da legalidade objetiva, na medida em que será feito o controle da legalidade dos atos praticados pelas autoridades administrativas, para confirmação da efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, garantindo a justiça social e a segurança jurídica dos contribuintes. Além disso, temse que do princípio da legalidade tributária decorre outro princípio que rege o processo administrativo tributário, qual seja, o princípio da verdade material. Esse princípio impõe às autoridades administrativas o dever de apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da verdade real, não se limitando a emitir juízo acerca dos documentos analisados a partir da mera presunção, a fim de se evitar a tributação de situação que não configura fato gerador da obrigação tributária. (...) Ante o exposto, desde já a Recorrente requer seja deferida a juntada do informe de rendimentos, anteriormente apresentado em língua estrangeira, traduzido por tradutor juramentado (doc. 03, cit.). A importância do referido documento foi expresso inclusivo no próprio acórdão recorrido, no entanto não foi possível a sua juntada no momento do protocolo da impugnação em razão do prazo requerido para a realização da tradução. A Recorrente, ao longo desta peça, juntará outros documentos, igualmente necessários para refutar as alegações da decisão recorrida. No Sistema Tributário Nacional, não há que se falar em antinomia na interpretação da legislação tributária. Segundo o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1976: Art. 16 (...) Fl. 535DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 16 15 § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5o A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. A norma oriunda do referido artigo não se contrapõe ao Princípio da Verdade Material, como quer fazer crer a Recorrente. Ao elencar as situações em que se admite a apresentação de prova documental em momento posterior à impugnação inicial, a lei compatibiliza a preclusão, de observância obrigatória pela autoridade julgadora administrativa, com a busca das provas que possibilitem a elucidação dos fatos, em conformidade com a verdade a que se refere à Recorrente e com os princípios dispostos no caput do art. 2° da Lei n° 9.784, de 1999: legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. A obediência aos prazos processuais, incluindose os de apresentação tempestiva de documentos, constitui garantia ao próprio administrado de que não haverá supressão de instância e de que a nova decisão tenha suporte nos mesmos fatos. No caso, nem a justificativa do requerimento, no momento da apresentação da manifestação de inconformidade, para a juntada posterior da tradução juramentada (Fls. ) nem a justificativa apresentada por ocasião da impugnação inicial (Fls. ) e do presente recurso (Fls. ) enquadramse nas situações previstas na referida Lei do Processo Administrativo Fiscal. Ao contrário do afirmado pela Recorrente, não houve contradição nos fundamentos do Acórdão recorrido ao justificar o indeferimento do pedido para posterior juntada da tradução juramentada da declaração de retenção na fonte do IR pago no exterior Declaración jurada de retenciones em la fuente. O acórdão recorrido demonstrou que, além da ausência da referida tradução, a Recorrente não cumpriu outros requisitos exigidos por lei, como descrito a seguir (Fls.): Os documentos trazidos, juntados nas fls. 100 a 113, não preenchem os requisitos legais necessários para permitir a dedução de imposto pago no exterior. Inicialmente, qualquer documento redigido em língua estrangeira, para produzir efeitos legais no país e para valer contra terceiros e em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ou em qualquer instância, juízo ou tribunal, deve ser traduzido para o português, por tradutor juramentado. É o que determinam o artigo 224 do atual Fl. 536DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 17 16 Código Civil (Lei n° 10.406, de 2002), o artigo 157 do Código de Processo Civil, os artigos 129, §6°, e 148 da Lei n° 6.015, de 1973 (que dispõe sobre os registros públicos), e o artigo 18 do Decreto n° 13.609, de 1943 (que regulamenta o ofício de tradutor público), a seguir transcritos: Código Civil (Lei n° 10.406/2002): Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. Código de Processo Civil: Art. 157 Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado. Lei n°6.015, de 31/12/1973: Art. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: (...) 6°). todos os documentos de procedência estrangeira, acompanhados das respectivas traduções, para produzirem efeitos em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer instância, juízo ou tribunal; (...) Art. 148. Os títulos, documentos e papéis escritos em língua estrangeira, uma vez adotados os caracteres comuns, poderão ser registrados no original, para o efeito da sua conservação ou perpetuidade. Para produzirem efeitos legais no País e para valerem contra terceiros, deverão, entretanto, ser vertidos em vernáculo e registrada a tradução, o que, também, se observará em relação às procurações lavradas em língua estrangeira. Decreto n° 13.609/1943: Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que for exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartição da União, dos Estados ou dos Municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade desse regulamento. (...). Por conseguinte, os documentos trazidos aos autos, pelo simples fato de apresentaremse em língua estrangeira sem a correspondente tradução firmada por tradutor juramentado, não podem ser aceitos como comprovação de pagamento válido de tributo no exterior. Adiantase que, no caso, a tradução por tradutor juramentado, cuja entrega posterior foi requerida na manifestação de inconformidade, não os tornam aptos para a comprovação pretendida. A dedução de imposto pago no exterior está condicionada, ainda, à apresentação de documento reconhecido pelo órgão arrecadador respectivo e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 18 17 Na manifestação de inconformidade, alegase que o imposto incidiu sobre receita da prestação de serviços efetuada diretamente pela interessada no exterior. Sobre a matéria dispõe o art. 15 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 15. A pessoa jurídica domiciliado no Brasil que auferir, de fonte no exterior, receita decorrente da prestação de serviços efetuada diretamente, poderá compensar o imposto pago no país de domicílio da pessoa física ou jurídica contratante, observado o disposto no art. 26 da Lei n.°9.249, de 26 de dezembro de 1995. Por sua vez, disciplina o § 2° do art. 26 da Lei n.° 9.249, de 1995, abaixo transcrito: "Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. [...] § 2o Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto." Consolidando as matrizes legais acima, o art. 395 do Decreto n.° 3000, de 26 de março de 1999 (Regulamento de Imposto de Renda, RIR, de 1999), assim dispõe: "Art. 395. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente, computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços (Lei n°9.249, de 1995, art. 26 e Lei n°9.430, de 1996, art. 15). [...] §2°Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto (Lei n°9.249, de 1995, art. 26, § 2°) No caso, como se pode verificar, os documentos que instruem a manifestação de inconformidade não trazem os reconhecimentos exigidos para fins de dedução. Assim sendo, a legalização dos referidos documentos não se impõem. Ainda que assim não fosse, eles nada provam em favor da interessada. Aparentemente, tais documentos seriam declarações de retenção na fonte preenchida por terceiros, que o reclamante alega ser pessoa jurídica controlada (fl. 17), em formulário que se pretende do fisco da República da Costa Rica (pais com tributação favorecida). Tais documentos dão conta de supostas remessas ao exterior para pagamento de serviços de assessoramento sobre os quais teria incidido retenção na fonte. Os documentos, contudo, não identificam a interessada como Fl. 538DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 19 18 beneficiária das remessas, nem mesmo esclarecem se as remessas tiveram como destino o Brasil. Ainda que superadas todas essas faltas, os impostos neles referidos não seriam dedutíveis. Pelo que dispõe o caput do artigo 395 do RIR, acima transcrito, outra condição para a dedução é que a receita da prestação de serviços esteja computada no lucro real. Tal condição, no caso, não se confirma. Analisandose a DIPJ do exercício de 2007, verificase que na linha 04 da ficha 06 A, "Receita da Prestação de Serviços'", foi informado valor igual a R$ 0,00 (fl. 144). Nas fichas 29, 30, 43, não foram informadas receitas da prestação de serviços em operações com o exterior (fls. 147 a 155 e 168). Em face do exposto, indefiro o pedido de juntada intempestiva da tradução juramentada da declaração de retenção na fonte do IR pago no exterior. II Da nulidade do despacho decisório eletrônico por vício substancial Segundo as razões recursais: (...) O direito de defesa foi cerceado, o que enseja a nulidade do despacho decisório, conforme expresso pelo inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. Isto posto, em face da limitada possibilidade de cognição dos fatos e do direito decorrente da adoção pelo Fisco, do cruzamento eletrônico de declarações como única causa de decidir no presente processo, deve ser declarado nulo, por vício substancial, o despacho decisório. Adoto nesse ponto os mesmos fundamentos do acórdão recorrido, os quais transcrevo a seguir (Fls. 192 a 207): Quanto à arguição de nulidade do despacho, ela é descabida. A matéria é regida exclusivamente pelos arts. 59 e 60 do Dec. n.° 70.235, de 1972, abaixo transcritos: "Art. 59 São nulos: 1 os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Fl. 539DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 20 19 O despacho contestado não é nulo, porque não observadas as hipóteses do inciso II do art. 59 acima transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente e não houve preterição do direito de defesa. Realmente, o despacho não deixa dúvida: o fundamento de fato para a homologação parcial é a insuficiência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.° 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Portanto, a inexistência de parte do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a homologação parcial. O despacho decisório explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência de parte do saldo negativo de IRPJ utilizado. Consta do despacho decisório que as parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP devem ser suficientes para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo. Lá constam, também, as parcelas de composição do saldo negativo informadas no PER/DCOMP e as confirmadas pelo fisco. Trecho do despacho decisório em que consta a fundamentação é abaixo transcrito: As razões pelas quais o imposto retido no exterior não foi considerado constam da coluna "Justificativa'" da tabela que se encontra no documento fl. 65, intitulado "PER/DCOMP Despacho Decisório Análise de Crédito1", trazido pelo próprio contribuinte junto com a manifestação de inconformidade. Referida tabela é abaixo reproduzida: Imposto de Renda Pago no Exterior Valor Ccrníirm atto Valarítao Justificativa Fl. 540DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 21 20 553.778.13 0,00 Pagamento no exterior não comprovado No documento de fl. 69, intitulado "PER/DCOMP Despacho Decisório Detalhamento da Compensação"", foi demonstrada como foi feita a operacionalização da compensação, com identificação dos valores do principal e dos acréscimos legais considerados compensados. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva. O contribuinte, por sua vez, demonstra que a compreendeu perfeitamente, defendendose de forma coerente. Teve, portanto, a cognição dos fatos e do direito pertinentes ao objeto do ato contestado em toda sua extensão e complexidade. Assim sendo, não houve preterição do direito de defesa Vêse que o despacho contestado foi motivado. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Outras irregularidades, incorreções e omissões não importam nulidade, mas saneamento, quando muito. Entretanto, nada há que demande o saneamento previsto no art. 60 do Dec. n.° 70.235, de 1972, transcrito no item anterior deste voto. No ato contestado não há o que prejudique o próprio processo, ou o estabelecimento da relação jurídica processual, nele constando todas as formalidades exigidas na legislação para que seja considerado válido ou juridicamente perfeito. Em verdade, não se verificam, no despacho decisório, irregularidades, incorreções nem omissões que prejudiquem o reclamante, ou influam na solução do litígio. Na manifestação de inconformidade alegase vício substancial do despacho, porque o cruzamento eletrônico de declaração teria sido única causa de decidir no presente processo. O fato invocado, além de não caracterizar hipótese de nulidade nem de saneamento, não ocorreu, na espécie. A multa de mora cuja incidência o contribuinte discorda decorre da aplicação de disposição expressa da legislação tributária (art. 36 da IN RFB n.° 900, de 2008), e não do cruzamento de declarações. A desconsideração do imposto supostamente pago no exterior, conforme fl. 65, tem por motivação a falta de comprovação. No caso dessa glosa, fica evidente que o fisco, diferente do alegado, se preocupa em verificar se os dados da realidade efetivamente correspondem àqueles constantes das declarações. O contribuinte tenta, na manifestação de inconformidade, suprir a falta de prova que motivou a glosa, mas sem êxito, como se verá na análise do mérito. Não comprovado que o pagamento do imposto no exterior pelo interessado é um fato real, desconsiderase o dado declarado. Fica prejudicada, portanto, toda a argumentação construída a partir da falsa premissa de que a única causa de decidir no presente processo é o cruzamento eletrônico de dados. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 22 21 Ainda que fosse, tal fato não constituiria nenhum vício. É condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que incumbirá a ele o contribuinte – demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, concluise que é lícito à RFB indeferir o pedido ou não homologar a compensação, quando há falta de certeza e liquidez, como ocorre nos casos de contradição do próprio contribuinte em suas declarações. Quando há contradição entre declarações, é dada oportunidade para o contribuinte se esclarecer. O presente processo é exemplo disso. Antes da lavratura do despacho decisório em litígio, foi expedido contra o contribuinte o Termo de Intimação de fl. 142. Por meio dele o fisco comunicou divergências entre PER/DCOMP e DIPJ, solicitando a retificação de uma dessas declarações. Ocorrida a ciência da intimação em 04/12/2008, em 21/12/2008 foi apresentada a DIPJ retificadora de fl. 144. Os dados do despacho são os que constam dessa DIPJ retificadora. Portanto, não é verdade a acusação contida na manifestação de inconformidade de que o fisco não se preocupa se a declaração foi retificada. No caso, a divergência foi sanada pelo contribuinte e, como visto, a motivação do despacho não é o cruzamento de dados. Mas, quando a contradição persiste, é correto que o fisco não reconheça crédito não confirmado em declaração anterior, seja ela DIPJ, DCTF, ou qualquer outra. Referidas declarações presumemse verdadeira em relação ao declarante (art. 131 do CC e art. 368 do CPC). Como essa presunção não é absoluta, admitese que o signatário possa impugnar sua veracidade, alegando serem ideologicamente falsas, isto é, que os seus dizeres são falsos, embora sejam materialmente verdadeiras. Entretanto, a presunção de veracidade faz com que o declarante tenha que provar o que alega e, na falta de prova, prevalece o teor do documento. Noutras palavras, referidas declarações fazem prova em favor do fisco. Para contrariar sua própria palavra, dada como expressão da verdade, deve o interessado comprovar o erro ou a falsidade de sua declaração. (...) Em face do exposto, afasto a preliminar de nulidade do despacho decisório. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 23 22 III Da preclusão do direito do fisco em reapurar as bases de cálculo de IRPJ de 2007 (AnoCalendário 2006). Segundo a Recorrente: O acórdão recorrido afirma que não está precluso o direito do fisco em reapurar as bases de cálculo do IRPJ anocalendário 2006, uma vez que "o direito da Fazenda Pública que se extingue com o decurso do prazo de que trata o §4° do art. 150 do CTN é o de constituir o crédito tributário mediante lançamento" e que "constatar quanto de IRPJ foi efetivamente pago antecipadamente durante o anocalendário de 2006 não constitui lançamento nem exigência de crédito tributário". Desta forma conclui que, "no presente processo, ao se proceder à conferência da origem do crédito utilizado na compensação, verificouse que o pagamento do imposto no exterior não pode ser comprovado pelo declarante [...]. Tal verificação não caracteriza lançamento, mas apenas constata o não pagamento e, conseqüentemente, a inexistência de parte do direito creditório pretendido pelo contribuinte". No lançamento por homologação, como se sabe, o contribuinte fica responsável por apurar e recolher o tributo devido, sem qualquer interferência da autoridade administrativa. Ao Fisco, por sua vez, cabe o dever de analisar as declarações dos contribuintes, fiscalizandoos para efetuar o lançamento de ofício nos casos em que considere incorreta a apuração do sujeito passivo. Ocorre que o Fisco não dispõe de prazo ilimitado para efetuar a revisão da atividade de apuração efetuada pelo contribuinte. Ao contrário, esta reapuração somente poderá ser feita dentro do prazo de que a autoridade administrativa dispõe para efetuar a constituição do crédito tributário, que, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é de cinco anos a contar do fato gerador, nos termos do § 4o do art. 150 do CTN: (...) De fato, transcorrido o prazo decadencial previsto no dispositivo acima, o Fisco não poderá mais pretender a reapuração das bases adotadas pelo contribuinte para apuração originária do débito (devidamente informadas nas declarações fiscais), por uma razão simples: qualquer crédito tributário decorrente de operações realizadas no período já estará extinto pela decadência. Assim, se o Fisco não poderá efetuar o lançamento substitutivo (de ofício) de tributo não declarado ou declarado a menor pelo contribuinte, também não terá ele legitimidade para revisar as bases apuradas pelo sujeito passivo e informadas em sua declaração fiscal. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 24 23 (...) Assim, como a ciência do presente Auto de Infração se deu em 16.04.2012, encontrase invariavelmente atingido pela decadência a possibilidade de reapuração das bases tributáveis referentes ao anocalendário de 2006, conforme procedimento adotado pela fiscalização no presente PTA. Tem razão a Recorrente quanto ao argumento de que o “Fisco não dispõe de prazo ilimitado para efetuar a revisão da atividade de apuração”. Equivocouse, no entanto, quanto à legislação de regência sobre a matéria, pois confundiu a constituição e exigência do crédito tributário, cujo o prazo obedece ao disposto no § 4o do art. 150 do CTN, com a verificação do direito creditório para quitação de débitos que pretende compensar, cujo prazo regese pelo disposto no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação Nesse ponto esclarecem os fundamentos do acórdão recorrido: (...) O contribuinte alega que, quando da emissão do despacho decisório, já se havia extinguido o direito de o fisco alterar o saldo negativo apurado no anocalendário de 2006. O argumento não procede. O direito da Fazenda Pública que se extingue com o decurso do prazo de que trata o § 4° do art. 150 do CTN é o de constituir o crédito tributário mediante lançamento. O art. 150 do CTN assim dispõe: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutoria da ulterior homologação ao lançamento. § 2 ° Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 25 24 § 3° Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." No dispositivo transcrito, o CTN conceitua lançamento por homologação o que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, ressalvado o controle posterior desta. A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo a lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e a eventual imposição de sanção (auto de infração). Portanto, o art. 150 do CTN impõe a obrigatoriedade de recolhimento antecipado pelo sujeito passivo independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, que só agirá para homologar o recolhimento ou para exigir eventuais diferenças mediante o lançamento de ofício. A homologação declara a concordância da administração com os dados levantados pelo contribuinte e com o pagamento por ele efetuado e, exatamente por isso, extingue o crédito como proclama o inciso VII do art. 156 do CTN. A conseqüência da homologação tácita de que trata o § 4° do art. 150 do CTN é a definitividade dos efeitos extintivos que já se vinham operando sob condição resolutória, por força do § 1° do mesmo artigo, desde a data em que o pagamento foi efetuado. Considerado definitivamente extinto o crédito tributário, não pode mais o fisco constituir nenhuma parcela a ele referente. No caso, nenhuma diferença de IRPJ do exercício 2007 foi exigida. O presente processo não trata de determinação e exigência de crédito tributário, mas de "nãohomologação" de compensação. A "nãohomologação" contestada não depende da constituição e exigência de nenhum crédito tributário. A alteração do saldo negativo apurado em DIPJ em decorrência de glosa de dedução de imposto pago no exterior não se confunde com constituição e exigência de crédito tributário. O procedimento fiscal que antecede o despacho de não homologação da compensação compreende verificar se o direito creditório existe e se é suficiente para quitar os débitos que se pretende compensar. A verificação da existência do crédito e sua quantificação consistem em confrontar o valor do débito com os valores efetivamente pagos. A conferência do direito creditório mediante confronto de débito com pagamento não caracteriza lançamento, quando respeitado o valor do débito apurado pelo contribuinte. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 26 25 No caso, o débito de IRPJ anual referente exercício de 2007 que consta do despacho decisório tem valor igual a R$ 92.249.863,59 (fls. 53 e 63). O IRPJ e o adicional apurados em 31/12/2006, nos valores de R$ 58.255.882,64 e 38.813.255,09 (fl. 63), não foram constituídos por nenhum lançamento de ofício, mas foram apurados pelo contribuinte, como é próprio do lançamento por homologação. A não homologação em questão não tem por fundamento a inclusão da receita omitida na base de calculo do IRPJ do exercício 2007, nem a alteração de nenhum de seus elementos constitutivos. Assim sendo, o imposto e respectiva base de cálculo apurados na DIPJ permaneceram imutáveis. O despacho decisório também não nega a extinção do débito de IRPJ referente ao exercício de 2007, no valor de R$ 92.249.963,59, apurado na DIPJ. Ao reconhecer como efetivamente pago o total de R$ 155.620.383,84 (valor maior do que o devido), o despacho reitera a extinção total do débito, já definitiva por força do § 4° do art. 150 do CTN. Portanto, nada do que consta do despacho contraria o invocado dispositivo. Por sua vez, constatar quanto de IRPJ foi efetivamente pago antecipadamente durante o anocalendário de 2006 não constitui lançamento nem exigência de crédito tributário. Conferir as deduções feitas nas fichas 11 e 12 A da DIPJ é verificar o quanto foi antecipadamente pago. No presente processo, ao se proceder à conferência da origem do crédito utilizado na compensação, verificouse que o pagamento do imposto no exterior não pode ser comprovado pelo declarante ("dado da declaração não corresponde a dado da realidade"). Tal verificação não caracteriza lançamento, mas apenas constata o não pagamento e, conseqüentemente, a inexistência de parte do direito creditório pretendido pelo contribuinte. O direito à restituição decorre do efetivo pagamento indevido ou a maior "dado da realidade" e não da formalidade de declarar suposto pagamento. A extinção do direito de o fisco proceder à verificação da compensação e, conseqüentemente, de aferir o direito creditório nela utilizado (no caso, saldo negativo), decorre de dispositivo legal diverso. De acordo com o § 2° do art. 74 da Lei n.° 9.430, 27 de dezembro de 1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Diz o § 5° do mesmo art. 74, que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo, o fisco não pode mais praticar ato de "nãohomologação" da compensação efetuada. Assim sendo, depois de cinco anos da transmissão do PER/DCOMP sem que o fisco tenha se manifestado, considerase definitivamente extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado. No caso, o PER/DCOMP não homologado foi transmitido em 16/08/2007. A ciência do despacho se deu em Fl. 546DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 27 26 16/04/2012, antes de transcorridos os cinco anos da transmissão do PER/DCOMP. Não há, pois, falar em decadência. Como não foi exigida nenhuma diferença de IRPJ referente ao exercício de 2007, a contagem do prazo na forma do § 5° do art. 74 da Lei n.° 9.430 não contraria o disposto no § 4° do art. 150 do CTN. No caso, não há conflito entre lei ordinária e lei complementar, sendo inoportuna a alegação do contribuinte fundada no art. 146 da CF. Não há que se falar, por conseguinte, em preclusão da verificação de direito creditório pelo Fisco, pois, o PER/DCOMP fora entregue em 16/08/2007 e a ciência do despacho decisório ocorreu em 16/04/2012, menos de cinco anos da data de entrega do PER/DCOMP. Em face do exposto, afasto a preliminar de preclusão suscitada no presente recurso. IV DO MÉRITO: DA NECESSIDADE DE RECONHECIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. Segundo a Recorrente: (...) Como demonstrado na Manifestação de Inconformidade, o Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 2006, foi composto, dentre outras parcelas, por Imposto de Renda pago no Exterior. No entanto, essa parcela não foi reconhecida pelo Despacho Decisório e quando analisada pelo órgão julgador de primeira instância, manteve o entendimento baseado em dois principais motivos: (...) (b) Outro argumento levantado pelo acórdão recorrido e que não possui sustentação é o fato de que os documentos trazidos pela Recorrente não a identificam como beneficiária as remessas, nem mesmo esclarecem se as remessas tiveram como destino o Brasil. Os valores se referem a royalties de assistência técnica. Com efeito, a Recorrente adquiriu algumas empresas na Costa Rica, em 2006, e celebrou um contrato de transferência de tecnologia com elas. Assim, quando das remessas de tais valores ao Brasil, o imposto de renda devido era retido no país de origem, tudo conforme os documentos acima mencionados. Acontece que os informes, de fato, não mencionam a empresa beneficiária dos valores pagos, mas para demonstrar a plena vinculação a empresa junta em anexo os contratos de câmbio, o razão contábil, demonstrando que tais valores recebidos foram contabilizados, assim como as invoices, fazendo a plena vinculação desejada pela decisão recorrida. Para facilitar, num Fl. 547DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 28 27 único conjunto junta a Recorrida os contratos de câmbio, invoice e comprovante da retenção (doc. 04). Note que na documentação anexa consta a planilha que faz plena vinculação com os contratos de câmbio, com a devida conversão, nela constando a memória da contabilização da receita de royalties (Assistência técnica) do anocalendário 2006 que compõe a conta contábil 34003001. Esse valor foi informado (R$2.313.971,44 25% = 578.492,86) na ficha 42 da DIPJ/2007 anocalendário 2006. Os comprovantes de retenção na fonte somam R$ 588.594,90. (...) Por fim, mais duas observações da decisão recorrida devem ser rechaçadas: a) diz a decisão recorrida que a empresa não cumpriu o requisito do documento de retenção do imposto de renda no país de origem ser reconhecido pelo Consulado Brasileiro. Contudo, o parágrafo quinto do art. 395 do RIR dispensa tal apresentação quando comprovado que no país de origem a retenção era devida. Ora, a simples declaração do país de que o tributo foi retido já demonstra que a legislação determina tal tributação. Mas ainda assim, de forma a cumprir o requisito do art. 395 do RIR/99, verificase que na legislação do país de origem do lucro, a Costa Rica, há na lei atual que disciplina a tributação sobre a renda (Lei n.° 7.092/88), um capítulo específico acerca da incidência do imposto sobre as remessas ao exterior (TITULO IV Del impuesto sobre las remesas al exterior), no qual em seu artigo 58, disciplina: ARTICULO 58 Base de la imposición. La base de la imposición será el monto total de las rentas remesadas, acreditadas, transferidas, compensadas o puestas a disposición dei beneficiário domiciliado en el exterior. b) quanto a DIPJ, os valores estão declarados como outras receitas, portanto, suprida mais esta questão posta na decisão recorrida. Desta forma, devidamente comprovado o pagamento do Imposto de Renda no exterior, a conseqüência que se impõe é o provimento do presente Recurso Voluntário. Em relação aos argumentos que envolvem os documentos contratos de câmbio, razão contábil, invoice e comprovante da retenção (doc. 04), os motivos do indeferimento, neste voto, da petição de juntada dos referidos documentos fundamentam a manutenção da decisão recorrida. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 29 28 Quanto ao conteúdo da Ficha 42 da DIPJ (Fls. ), o seu preenchimento, de per si, não é suficiente para comprovação do direito creditório da Recorrente, remetendose a análise à questão, já abordada, do conhecimento das provas apresentadas. No que diz respeito ao disposto no o parágrafo quinto do art. 395 do RIR, as provas juntadas aos autos por ocasião da manifestação de conformidade não comprovam a retenção na fonte como quer fazer crer a Recorrente. Segundo dispõe o RIR/99: Art. 395. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente, computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços (Lei n° 9.249, de 1995, art. 26, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 15). (...) § 5o Fica dispensada da obrigação de que trata o § 2o deste artigo a pessoa jurídica que comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado (Lei n° 9.430, de 1996, art. 16, § 2o, inciso II). Mesmo com a previsão de incidência do imposto de renda a que se refere o § 5° do art. 395 do RIR/99, a Recorrente não fez prova do documento de arrecadação correspondente, quer pelo descumprimento da legislação da tradução juramentada, conforme abordagem supra, quer pela seguinte fundamentação da decisão em primeira instância: (...) No caso, como se pode verificar, os documentos que instruem a manifestação de inconformidade não trazem os reconhecimentos exigidos para fins de dedução. Assim sendo, a legalização dos referidos documentos não se impõem. Ainda que assim não fosse, eles nada provam em favor da interessada. Aparentemente, tais documentos seriam declarações de retenção na fonte preenchida por terceiros, que o reclamante alega ser pessoa jurídica controlada (fl. 17), em formulário que se pretende do fisco da República da Costa Rica (pais com tributação favorecida). Tais documentos dão conta de supostas remessas ao exterior para pagamento de serviços de assessoramento sobre os quais teria incidido retenção na fonte. Os documentos, contudo, não identificam a interessada como beneficiária das remessas, nem mesmo esclarecem se as remessas tiveram como destino o Brasil. (...) Destarte, o conjunto probatório apresentado pela recorrente não embasa o direito creditório alegado, faltandolhe a certeza e liquidez exigidas pelo art. 170 do Código Tributário Nacional: Fl. 549DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.905925/201232 Acórdão n.º 1202001.108 S1C2T2 Fl. 30 29 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Em face do exposto e de tudo o mais constante dos autos, nego provimento ao presente recurso. Plínio Rodrigues Lima Fl. 550DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 01/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10830.008227/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
Ementa:
IRPF - TITULARES DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO.
Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição Federal, podem deduzir da receita e/ou rendimentos decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreado em documentos hábeis e idôneos, devidamente escrituradas no respectivo livro caixa. Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade.
DEDUÇÕES. DESPESAS DE CUSTEIO. INDEDUTIBILIDADE DE APLICAÇÕES DE CAPITAL EM BENS DO ATIVO PERMANENTE
O titular de serviços notariais e de registro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Entretanto, não constituem despesas de custeio, não sendo, portanto, dedutíveis, as aquisições consideradas como ativo permanente ou aplicações de capital, tais como reforma do prédio, aquisição de móveis, utensílios e equipamentos eletrônicos.
MULTA ISOLADA - IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL - Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento.
JUROS DE MORA CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 2202-002.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A MULTA ISOLADA: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Fábio Brun Goldschnmidt que negava provimento e apresentará declaração de voto. QUANTO A DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA - GLOSAS DE DESPESAS DA TRANSMAFE NOTIFICAÇÕES E MICROFILMAGENS DE DOCUMENTOS: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, reconhecendo a dedutibilidade das despesas de notificações e de microfilmagem, no valor de R$ 11.715,00 e R$ 1.565,00, respectivamente. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins, que negava provimento nesta parte. QUANTO A DEDUÇÃO DE INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA - DEMAIS GLOSAS MANTIDAS PELA DRJ: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschnmidt, que proviam o recurso nesta parte. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente convocado), Fabio Brun Goldschimidt.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007 Ementa: IRPF - TITULARES DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO. Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição Federal, podem deduzir da receita e/ou rendimentos decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreado em documentos hábeis e idôneos, devidamente escrituradas no respectivo livro caixa. Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. DEDUÇÕES. DESPESAS DE CUSTEIO. INDEDUTIBILIDADE DE APLICAÇÕES DE CAPITAL EM BENS DO ATIVO PERMANENTE O titular de serviços notariais e de registro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Entretanto, não constituem despesas de custeio, não sendo, portanto, dedutíveis, as aquisições consideradas como ativo permanente ou aplicações de capital, tais como reforma do prédio, aquisição de móveis, utensílios e equipamentos eletrônicos. MULTA ISOLADA - IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL - Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento. JUROS DE MORA CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, por absoluta falta de previsão legal.
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LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO. Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição Federal, podem deduzir da receita e/ou rendimentos decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreado em documentos hábeis e idôneos, devidamente escrituradas no respectivo livro caixa. Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. DEDUÇÕES. DESPESAS DE CUSTEIO. INDEDUTIBILIDADE DE APLICAÇÕES DE CAPITAL EM BENS DO ATIVO PERMANENTE O titular de serviços notariais e de registro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Entretanto, não constituem despesas de custeio, não sendo, portanto, dedutíveis, as aquisições consideradas como ativo permanente ou aplicações de capital, tais como reforma do prédio, aquisição de móveis, utensílios e equipamentos eletrônicos. MULTA ISOLADA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento. JUROS DE MORA CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 82 27 /2 00 8- 40 Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A MULTA ISOLADA: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Fábio Brun Goldschnmidt que negava provimento e apresentará declaração de voto. QUANTO A DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA GLOSAS DE DESPESAS DA TRANSMAFE NOTIFICAÇÕES E MICROFILMAGENS DE DOCUMENTOS: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, reconhecendo a dedutibilidade das despesas de notificações e de microfilmagem, no valor de R$ 11.715,00 e R$ 1.565,00, respectivamente. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins, que negava provimento nesta parte. QUANTO A DEDUÇÃO DE INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA DEMAIS GLOSAS MANTIDAS PELA DRJ: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschnmidt, que proviam o recurso nesta parte. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Redator Designado (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente convocado), Fabio Brun Goldschimidt. Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.441 3 Relatório Versa este processo sobre exigência de crédito tributário relativa ao imposto de renda pessoa física, anoscalendários 2005 e 2006, conforme auto de infração de fls. 3/13 e demonstrativos de fls. 14/23. Foi lançado o imposto no valor de R$ 314.126,19, acrescido de juros de mora de R$ 62.206,91 (calculados até 31/07/2008) e de multa de ofício proporcional no valor de R$ 235.594,63, bem como a mula isolada de R$ 164.882,31, resultando no montante de R$ 776.810,04. Trata a autuação de: a) omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoas físicas; b) omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos; c) dedução indevida de despesas de livrocaixa;e, d) multas isoladas por falta de recolhimento de carnêleão. O enquadramento legal é informado às fls. 7, 8, 9, 11, 13 e 23. A descrição dos fatos é apresentada no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 25/35. Ressalto que, tendo o processo sido digitalizado, houve a renumeração automática de todas as suas folhas, sendo essa nova numeração a citada neste Acórdão. O autuado tomou ciência do auto de infração em 18/08/2008 (fl. 5) e apresentou, em 16/09/2008, a impugnação de fls. 1.324/1.348, cujos argumentos são apresentados a seguir O impugnante esclarece inicialmente que providenciou, dentro do prazo para impugnação, o parcelamento do imposto e acréscimos legais correspondentes às seguintes infrações: omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoas físicas, omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, dedução indevida no livrocaixa das despesas com ticket alimentação dos funcionários e das despesas pagas à Unimed. Essas duas despesas estão sendo objeto de parcelamento porque foram pagas pelo cartório, porém foram descontadas dos funcionários, tendo sido, portanto, lançadas indevidamente como dedutíveis no livrocaixa. O art. 11 da Lei n° 7.713/1988, prevê a possibilidade de deduzir todas “as despesas de custeio necessárias à manutenção dos serviços notariais e de registro”, de forma a permitir que se tribute a efetiva renda do titular da serventia, ou seja, só o acréscimo de riqueza Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Embora o dispositivo legal retrocitado dê a aparência de enumerar, taxativamente, as três únicas hipóteses de gastos que considerava dedutíveis na apuração da base tributável, a rigor técnico, as duas primeiras se continham na cláusula geral prevista no inciso III, visto que é indiscutível que a remuneração paga a terceiros, os encargos trabalhistas e previdenciários e também as importâncias dos emolumentos pagos a terceiros só serão dedutíveis quando "necessários à manutenção dos serviços notariais e de registro", que é a regra geral prevista no inciso III. Esse comando é suficiente para uma primeira conclusão: a regra que disciplina a dedutibilidade de gastos lançados no livrocaixa do titular do cartório (pessoa física) tem a mesma configuração da norma que regula a dedutibilidade de gastos registrados a contabilidade da pessoa jurídica, pois as duas estão sustentadas no mesmo pressuposto fático, qual seja, a necessidade dos gastos para manutenção da fonte produtora das receitas. De acordo com o comando contido no artigo 299 do RIR/99, são dedutíveis para as pessoas jurídicas as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora das receitas, entendendose por necessárias as despesas pagas ou incorridas que sejam usuais e normais no tipo de operação ou atividade da empresa. O Parecer Normativo n° 32/81 definiu o conceito de despesa necessária ao dizer que o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais e acessórias, que estejam intrinsecamente ligadas com a fonte geradora do rendimento. Assim, podese concluir que serão sempre dedutíveis os gastos necessários à manutenção da atividade, na busca de receitas, ou seja, receita e despesa devem estar atreladas, o que não poderia ser diferente, visto que a tributação deve incidir sobre a renda, no sentido de acréscimo de riqueza, como concebida no art. 43 do Código Tributário Nacional. Feitos esses necessários registros prévios, passase ao exame de cada uma das glosas efetuadas pela fiscalização para demonstrar que são todas descabidas, uma vez que as despesas indevidamente glosadas se encaixam perfeitamente no conceito da chamada "despesa necessária". Foram nominalmente glosadas as seguintes despesas: i) com assessoria jurídica sob a alegação de que: “o pagamento a titulo de assessoria jurídica diz respeito à remuneração paga a terceiros, sem vinculo empregatício e, portanto, não se enquadra no inciso I do art. 75 do RIR/99”; ii) com a faxineira, sob a seguinte alegação: “seguindo este raciocínio as despesas efetuadas com faxineiras também não podem ser deduzidas uma vez que, como afirmado pelo fiscalizado, não há vinculo empregatício, o mesmo ocorrendo com os pagamentos efetuados a terceiros pela prestação de serviços diversos”. Ora, é óbvio que tais despesas, por serem pagas a profissionais autônomos, ou seja, sem vinculo empregatício, não se encaixam no inciso I do artigo 75, inciso I, do RIR/99, mas é inegável que se encaixam perfeitamente no inciso III do mesmo artigo, como despesas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, e são perfeitamente usuais e normais para o desempenho da atividade do Cartório. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.442 5 O serviço de assessoria jurídica paga ao Dr. Mario Fernandes Braga, no valor mensal de R$ 1.164,00, durante os anos de 2005 e 2006, referese à prestação de serviços necessários à manutenção do Cartório, como também são necessários os serviços de contabilista que não foram questionados pelo Fisco. Os valores foram pagos a profissional de inegável saber jurídico, visto que é Juiz de Direito aposentado e que exerce a função de consultor jurídico das diversas questões que envolvem a complexa atividade de registro de imóveis, registro de loteamentos e registros preparatórios de incorporações imobiliárias. O conhecimento técnico do Tabelião titular não é suficiente para todas as demandas na área do Direito, sendo necessária essa assessoria também na relação interna com seus funcionários (trabalhistas e civis), e nas questões que envolvem o Cartório e os seus clientes (relação de prestação de serviço). O próprio auto de infração vem confirmar essa necessidade de advogado, pois detectou em outro item ação judicial de indenização contra o Cartório (e indevidamente glosou o pagamento), que necessariamente precisou de advogado para acompanhála, assim como diversas rescisões de contratos de funcionários, realizadas com apoio nessa assessoria. Relativamente à despesa com faxineiras, no valor aproximado de R$ 60,00 por quinzena, também não é razoável que seja considerada como desnecessária à atividade do impugnante, pois é essencial que o estabelecimento esteja limpo e organizado para que os clientes sintamse satisfeitos com o serviço prestado pelo Cartório, não havendo necessidade de tecer maiores considerações sobre a infundada glosa. Ademais, a legislação trabalhista não obriga a registrar e manter vinculo empregatício com aquele que presta serviço em caráter eventual e esporádico, sendo, portanto, descabido que a legislação tributária fizesse tal exigência para considerar tal despesa como dedutível. O Fisco glosou despesas com verbas rescisórias e indenizatórias pagas pelo impugnante a exfuncionários, sob a alegação de que “a atitude do fiscalizado em demitir seus funcionários, sem justa causa, revela ato de mera liberalidade”; portanto, tais despesas seriam indedutíveis. Ora, essa visão é totalmente equivocada e desatualizada, demonstrando falta de conhecimento do regime jurídico dos cartórios e de seus funcionários. Aliás, ninguém entende muito bem o que se passa nesse microcosmo dos serviços notariais e registrais brasileiros. Aliese a isso a falta de cultura e o preconceito, velado por alguns, mas escancarado por outros. A Lei n° 8.935/1994 (chamada Lei dos Cartórios), regulamentou o artigo 236 da Constituição Federal e prevê direitos e obrigações dos titulares da serventia. Trata, também, da contratação de escreventes, substitutos, auxiliares empregados, e do regime jurídico de contração, que passou a ser regido pela CLT (chamado regime celetista), conforme se pode verificar da simples leitura de seus artigos 20 e 21. Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 A partir da promulgação dessa lei, os funcionários contratados após 1994 passaram a ter como regime jurídico de trabalho o celetista, passando a contribuir para o INSS. Porém, quem já tinha sido contratado antes de 1994, se não fizesse a opção pelo regime de trabalho celetista, continuaria vinculado ao regime próprio de previdência estadual, conforme dispõe o artigo 48 da mesma lei. A Resolução n° 2/76 do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo regulou o Regime de Serventias Após a Constituição de 1988, os serviços notariais e de registro sofreram grandes modificações, desvinculando o seu regramento das regras relativas ao Poder Judiciário, e os escreventes e auxiliares contratados após essa data ficaram sem direito à estabilidade e ficaram também sujeitos, obrigatoriamente, ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FGTS. Assim, o regime jurídico dos prepostos e auxiliares sofreu diversas alterações, sendo que alguns dos escreventes dispensados pelo impugnante eram do regime estatutário, contratados antes de 1994, e, portanto, receberam suas verbas rescisórias (saldo de salário, férias, 13° salário proporcional, etc..) baseadas naquele regime e de acordo com os cálculos referentes ao reenquadramento realizados pelo Instituto de Previdência do Estado de São Paulo IPESP. Assim, ao contrário do que alega o AFRF, os encargos trabalhistas decorrentes da rescisão desses funcionários foram feitos nos exatos limites da lei de regência do regime jurídico de cada um dos auxiliares dispensados, se encaixando tais verbas perfeitamente na definição contida no inciso I do artigo 75 do RIR/99. Tais pagamentos não podem nunca ser encarados como mera liberalidade do impugnante, até mesmo porque o titular do cartório jamais iria pagar valores acima daqueles devidos por força de lei, tirando do seu próprio patrimônio para dar aos prepostos dispensados, por mera liberalidade! Essa alegação é totalmente despropositada! Ademais, em que pese o regime jurídico da contratação dos prepostos ser híbrido, se celetista ou estatutário, é inexorável a faculdade do titular do cartório de demitir seus auxiliares, funcionários e escreventes, desde que cumpridas as exigências legais, seja em função da má prestação do serviço desses contratados, seja em função de queda na receita do cartório, que foi exatamente o ocorrido no Segundo Oficial de Registro de Imóveis de Campinas, antigo Segundo Serviço de Registro de Imóveis e Segundo Tabelião de Protestos de Letras e Títulos de Campinas, do qual o impugnante é titular. As atividades do referido cartório foram desmembradas, por força do artigo 26 da Lei 8.935/1994 e do Provimento 747/2000 e 750/2001, ambos do Conselho Superior da Magistratura de São Paulo, que determinou a imediata reorganização das atividades dos cartórios no Estado de São Paulo. Assim, o 2° Cartório de Campinas deixou de ter as atividades de protesto, e ainda perdeu a jurisdição sobre algumas regiões imobiliárias de Campinas. Como se pode verificar, de forma alguma, a dispensa de prepostos pelo impugnante significou “mera liberalidade”; é fato que a receita do Cartório diminuiu de forma abrupta, e não podia mais continuar com o mesmo número de auxiliares e prepostos que detinha antes do desmembramento das atividades. Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.443 7 Demonstrada a pertinência da dispensa dos escreventes prepostos, e adequação das verbas rescisórias pagas, nos exatos limites da lei, deve ser de plano afastada a glosa feita pelo AFRF. Indenizações pagas a título de danos morais/materiais determinadas em ação judicial As despesas incorridas pelo impugnante a titulo de indenização por danos morais e materiais foram reconhecidas pelo Auditor Fiscal como gasto “resultante de processo que tramitou perante Vara Cível da Comarca de Campinas” e "resultante do processo n° 825/03, do Juizado Especial Cível”. No entanto, a glosa foi efetivada sob a singela alegação de que “em ambos os casos a dedutibilidade não encontra guarida na legislação de regência”. Qual a legislação de regência que impede a dedutibilidade? Em ambos os casos o cartório foi condenado a pagar danos morais e materiais em ações ingressadas por clientes que, por motivos já discutidos em juízo, que não cabe aqui retratar, se sentiram insatisfeitos com o serviço prestado pelo cartório e obtiveram na justiça o direito de serem indenizados; então qual o motivo pelo qual tal despesa não poderia ser deduzida? Tal despesa se encaixa perfeitamente no inciso III do artigo 75 do RIR/99. Despesas com associações de classe (Anoreg, Irib e Sindicato dos Notários e Registradores) Tais despesas foram glosadas sob a alegação de que “não são despesas de custeio, como ocorre com o material de expediente ou de consumo”. A ANOREG é “uma entidade da classe com legitimidade, pelos poderes constituídos, para representar os titulares de serviços notariais e de registro do Brasil em qualquer instância ou Tribunal, operando em harmonia e cooperação direta com outras associações congêneres, principalmente com os Institutos membros, representativos das especialidades”. (Definição extraída do site: www.anoreg.org.br.) Já o IRIB é “uma entidade sem fins lucrativos, com sede na cidade de São Paulo e atuação em todo o pais. Entre seus principais objetivos estão o estudo e pesquisa de procedimentos e normas jurídicas referentes ao registro de imóveis, e o assessoramento de autoridades públicas e órgãos governamentais no que diz respeito aos temas da especialidade registral imobiliária.” (Definição extraída do site: www.irib.org..br.) Ora, é óbvio que essas despesas com as entidades de classe, que são obrigatórias, são de custeio e totalmente necessárias à percepção da fonte produtora, pois caso o cartório deixe de pagar tais valores, ficará irregular perante essas entidades e deixará de receber a assessoria e a proteção desses órgãos, podendo eventualmente até perder seu registro impossibilitando de exercer suas atividades regularmente. A própria Receita Federal, por meio do manual “Perguntas e Respostas”, no item “Deduções no Livro Caixa”, dispõe: CONTRIBUIÇÃO A SINDICATOS E ASSOCIAÇÕES 396 As contribuições a sindicatos de classe, associações cientificas e outras associações podem ser deduzidas? Essas contribuições são dedutiveis desde que a participação nas entidades seja necessária à percepção do rendimento e as despesas estejam comprovadas com documentação hábil e idônea e escrituradas em livro Caixa. Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 O Fisco glosou as despesas de estacionamento, entendidas pelo AFRF como sendo de locomoção e transporte, por entender que tais despesas só são dedutiveis para os representantes comerciais autônomos. A marca da voracidade fiscal e do extremo rigor da fiscalização transparece, de forma inequívoca, neste tópico. O AuditorFiscal teve o capricho de glosar despesa mensal de aproximadamente R$ 300,00, sob o equivocado fundamento de tratarse de “despesa de locomoção e transporte”. Equivocado porque se trata de gasto com locação de Box de estacionamento (vaga de garagem), para uso por funcionário do cartório, mas também disponível para os clientes que procuram a serventia, visto localizarse na zona central da cidade. Tal despesa, inclusive, está em total consonância com a já noticiada Lei dos Cartórios (8.935/94), art. 4°: Art 4° Os serviços notariais e de registro serão prestados, de modo eficiente e adequado, em dias e horários estabelecidos pelo juizo competente, atendidas as peculiaridades locais, em local de fácil acesso ao público e que ofereça segurança para o arquivamento de livros e documentos. (grifos acrescidos Hoje em dia a maioria das pessoas que utilizam o cartório possui carro e necessita do estacionamento para ter acesso aos seus serviços. A irrisória expressão do montante da glosa frente aos seus rendimentos brutos declarados, ou mesmo frente ao volume dos gastos registrados com sua atividade já apontaria para o desprezo ao principio da materialidade. Todavia, em homenagem ao restabelecimento da verdade, é necessário que se reconheça que essa despesa é inteiramente necessária à obtenção da receita e se enquadra no conceito de gastos com locação (aluguel). Foram glosadas as despesas com combustíveis e lubrificantes, também entendidas como de locomoção e transporte, sob o fundamento de que não são necessárias à atividade do impugnante. O impugnante não localizou nenhuma despesa com combustível e lubrificante relacionada à locomoção e transporte que tenha sido considerada dedutível; não foi possível detectar tais despesas nas planilhas elaboradas pelo AFRF. Assim, não há como se defender de acusação vaga e sem documentação. A fiscalização realizou a glosa das despesas com livros jurídicos, materiais de construção (sem especificar que despesas foram consideradas como sendo materiais de construção) e canetas sob a alegação de que “o dispêndio com aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora, cuja vida ultrapasse o período de um exercício, e que não sejam consumíveis, isto é, não se extingam com sua mera utilização, referemse a aplicação de capital e são indedutíveis da receita”. Aqui se faz necessário dividir a glosa em dois tópicos: i) canetas e livros jurídicos; ii) materiais de construção. O primeiro tópico, caneta e livros, encaixas e perfeitamente no conceito de despesa necessária ao desempenho da já propalada função do impugnante; a própria Receita Federal por meio do manual “Perguntas e Respostas”, no item “Deduções no Livro Caixa” dispõe: Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.444 9 LIVROS, JORNAIS, REVISTAS, ROUPAS ESPECIAIS 395 O profissional autônomo pode deduzir as despesas com aquisição de livros, jornais, revistas, roupas especiais etc.? Sim, caso o profissional exerça funções e atribuições que o obriguem a comprar roupas especiais e publicações necessárias ao desempenho de suas funções e desde que os gastos estejam comprovados com documentação hábil e idônea e escriturados em livro Caixa. (Parecer Normativo CST n2 60, de 20 de junho de 1978) Ora, o impugnante é um serventuário da Justiça e como tal precisa estar constantemente se atualizando por meio de publicações e livros jurídicos para desenvolver suas atividades com adequação. Ademais, só é considerado, para as pessoas jurídicas, como gasto ativável, o bem adquirido com valor unitário superior a R$ 326,61 (art. 301 do RIR/99), o que ocorre com nenhum dos livros adquiridos pelo impugnante (vide todas as notas da Livraria Copola). Já a caneta é ferramenta de trabalho dos cartorários, utilizada para celebração de todos os atos públicos, sendo indiscutível sua dedutibilidade, se encaixando no conceito de despesa necessária à manutenção da receita, sendo pertinente sua dedutibilidade. Com relação ao tópico ii) materiais de construção, o impugnante esclarece que foram gastos com pequenos reparos e manutenção do imóvel ocupado pelo cartório, que é um prédio antigo e que exige constante manutenção para que os serviços sejam prestados com adequação aos clientes. O AFRF glosou parcialmente despesa referente à inscrição para o Seminário “A penhora no processo civil”, por entender dedutível “apenas a inscrição do titular do Cartório, no valor de R$ 528,96”; sendo assim, considerou as outras duas inscrições como indedutíveis. Ora, a glosa de despesa com seminário jurídico reconhecida e atestada pela fiscalização, que foi realizada em beneficio de outros dois funcionários do cartório é totalmente absurda e desarrazoada. Tratase de gasto mais que necessário, pois os funcionários precisam ser treinados constantemente para exercício de atividade de tamanha responsabilidade – registros públicos e protesto de títulos. Demais despesas glosadas sem justificativa Além das despesas glosadas e apontadas individualizadamente no Termo de Verificação Fiscal, pelas planilhas elaboradas pelo AFRF com base nos livroscaixa, foi possível detectar que foram glosadas, sem qualquer justificativa, diversas outras despesas rotineiras, ou ínfimas, todas relacionadas com a atividade do Cartório, tais como: Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 a) “Cemicres, no valor de R$ 1.565,60 mês de maio/2005”, sendo que esse valor foi pago à empresa que faz os serviços de microfilmagens de documentos para o Cartório, atividade inerente e totalmente necessária ao funcionamento da serventia, obrigação decorrente de lei, inclusive. b) “Transmafe Notificações, no valor de R$ 11.715,00 mês de maio/2005”: valor pago à empresa que realizava as notificações de protesto de títulos para o Cartório, gasto imprescindível e inerente ao exercício da especifica atribuição pública conferida ao Tabelião (protesto de títulos). c) IPTU dos imóveis ocupados pelo Cartório: diversos valores, em diversos meses. d) WS Sistema de Segurança, no valor de R$ 536,00 mês de maio/2005: também despesa inerente ao Cartório, que é obrigado a guardar com segurança todos os documentos que ficam sob a sua responsabilidade. Pela falta de razoabilidade no trabalho do Fisco, todas essas glosas sem justificativa devem ser canceladas, inclusive aquelas que por seus valores ínfimos, tais como “Chaveiro Sto. Antonio — R$ 8,00 (set/06)”, “X Camp Informática R$ 27,00 (ago/06)”, desproporcionalidade da autuação. A irrisória expressão do montante das pequenas glosas frente aos rendimentos brutos declarados pelo impugnante, ou mesmo frente ao volume dos gastos registrados com sua atividade, já apontaria para o desprezo frente ao principio da materialidade. Talvez, também pudesse ser razão suficiente para que o impugnante abdicasse da árdua tarefa de contraditar as exigências. Todavia, em homenagem restabelecimento da verdade não pode concordar com tamanha atrocidade, pelo que apela para o bom senso dos nobres julgadores para que seja reconhecida a normalidade dessas despesas, pois além daquelas que são módicas, as demais são inteiramente necessárias à obtenção da receita. Estando todos os gastos devidamente comprovados e compatíveis com a atividade e movimento do Cartório, é imperativo o reconhecimento da dedutibilidade, por estarem enquadrados no conceito de necessários e imprescindíveis à manutenção da fonte produtora. Do descabimento da chamada “multa isolada” A multa introduzida pelo § 1° do art. 44 da Lei 9.430/96 (com redação dada pelo art. 14 da MP 351/07), como ali consignado expressamente, deveria ser aplicada, “isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8° da Lei 7.713, de 22 de dezembro de 1.988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste”. Claro que não é cabível essa multa na hipótese dos autos, pois os fatos apurados pelo Fisco levaram à exigência de diferença de imposto, não sendo o caso de imposição de “multa isolada”, porque contraditório o procedimento. Para que tivesse essa característica o auto de infração não deveria estar exigindo o imposto, só a multa. Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.445 11 A chamada “multa isolada” foi introduzida exatamente para poder sancionar condutas em que, comprovadamente, não havia imposto para ser exigido, como na hipótese de falta de recolhimentos mensais obrigatórios, mas em que o resultado do ajuste anual não revela imposto devido. Nesses casos, como não há imposto devido, mas houve infração pela falta das antecipações, só é cabível a imposição de penalidade, dai a apropriada denominação de “multa isolada”. É um verdadeiro abuso a aplicação dessa penalidade na hipótese dos autos, pois longe de ser “isolada”, operase juntamente com o imposto que supostamente lhe deu causa, porém desconectada do principal, ao arrepio dos princípios estabelecidos no ordenamento jurídico. Por esse motivo deve ser totalmente cancelada. Da indevida aplicação dos juros Selic sobre as multas lançadas Em que pese não estar demonstrada a aplicação de juros Selic sobre as multas, de oficio e isolada, no auto de infração, é sabido que a Secretaria da Receita Federal do Brasil vem reiterando essa prática quando da cobrança de valores remanescentes de eventual autuação mantida. Assim, requer desde já o afastamento dessa repudiosa cobrança, por ser abusiva e por absoluta falta de previsão lega A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – DRJ/SP2 ao analisar a impugnação, deu provimento parcial através do acórdão 1758014, de 06 de março de 2012, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 DEDUÇÃO. LIVROCAIXA NOTÁRIOS. Os notários e oficiais de registro não se equiparam a pessoa jurídica para fins de tributação do imposto de renda, sendo seus rendimentos tributados de acordo com as regras aplicáveis às pessoas físicas que recebem rendimentos do trabalho não assalariado; assim, não são dedutíveis de seus rendimentos os pagamentos efetuados a terceiros, sem vínculo empregatício, que não representem despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. CARNÊLEÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão é devida independentemente de ter sido apurado ou não imposto a pagar na declaração de ajuste anual. Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO E SOBRE AS MULTAS ISOLADAS. A multa de ofício e as multas isoladas integram o crédito tributário, sujeitandose, desta forma, à incidência de juros de mora, quando não pagas integralmente no vencimento. Devidamente cientificado dessa decisão o contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário onde alega em síntese: Descreve as atividades e o regime jurídico que o Recorrente se enquadra; Reforça os argumentos da impugnação que devemos aplicar para deduzir os emolumentos pagos a terceiros o conceito do artigo 299 do RIR/99, ou seja a despesa tem que ser necessária, usual e normal a atividade operacional do contribuinte; Que os pagamentos feitos a terceiros são necessários, portanto dedutíveis do livrocaixa; As indenizações trabalhistas pagas a exfuncionários também são dedutíveis, tendo em vista que não decorrem de mera liberalidade, mas de lei; Que as indenizações pagas a título de danos morais/materiais determinada em ação judicial de clientes do cartório também seriam despesas dedutíveis pois são despesas ; de custeio necessário a manutenção da fonte produtora. As despesas com associações de classe (ANOREG, IRIB e Sindicato dos Notários e Registradores) também são passiveis de dedução, uma vez que a sua filiação é obrigatória e necessária para percepção dos rendimentos do cartório; que as despesas com canetas também são dedutíveis, pois são necessárias ao percepção dos rendimentos do cartório. que não se justifica a glosa com despesas relativas a pequena reforma efetuada no estabelecimento do cartório; que a despesa paga a empresa que realizava as notificações – Transmafe – é gasto imprescindível para sua atividade; assim como o pagamento a empresa Cemicres que realizava o serviço de microfilmagem; as despesas com vigilância, iptu dos imóveis ocupados pelo cartório; a multa isolada não seria aplicável tendo em vista a concomitância; e, incabível a incidência de juros Selic sobre as multa lançadas. É o relatório. Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.446 13 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Deduções do LivroCaixa Consoante o que estabelece os arts 4º e 6º da Lei nº 8.134/90, submete a atividade do RECORRENTE as receitas auferidas com a sua atividade, deduzidas das despesas admitidas, à tributação do Imposto de Renda Pessoa Física, apurado através de escrituração realizada em Livro Caixa e ajustada ao final do anocalendário, através da Declaração de Ajuste Anual. Nos termos dessa legislação a tributação dos rendimentos auferidos se dá pelo regime de caixa e não pelo regime de competência. Podemos verificar que o artigo 6º da Lei nº 8.134 de 27 de dezembro de 1990, permite a dedução das despesas no livrocaixa: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (Vide Lei nº 8.383, de 1991) I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 1º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48 Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 14 Nos termos da legislação que rege a matéria todas a despesas de custeios pagas pelo contribuinte e necessárias à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora, são passíveis de dedução do livrocaixa. Cabe analisarmos qual a extensão desse conceito, se ele é objetivo ou ele é subjetivo. Podemos verificar que não é um conceito objetivo, mas subjetivo que depende da atividade do contribuinte. Algumas despesas são de fácil compreensão, portanto não há dúvidas se são passíveis ou não de dedução do livrocaixa, outras não pois dependem de uma interpretação mais apurada por parte do contribuinte ou da administração tributária, sob pena de violarmos o que está disposto no artigo 43 do CTN, que dispõe sobre o fato gerador do imposto de renda: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001). É muito semelhante ao conceito que as pessoas jurídicas optantes pela apuração do imposto de renda pelo lucro real, devem observar para poder deduzir os custos e despesas de base de cálculo para fins de apuração do IRPJ. Elas devem obedecer aos ditames estabelecidos no artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.447 15 Nos termos da referida norma legal, a despesa para ser dedutível ela tem que ser necessária, usual ou normal para a atividade operacional do contribuinte. Desta forma, podemos concluir que uma despesa, para ser considerada como dedutível, deverá preencher uma série de requisitos cumulativos, a saber: (i) deve ser usual e normal, face às atividades desenvolvidas pelo contribuinte que a suportou; (ii) se não paga, ao menos deve ter sido incorrida por esse contribuinte; e, por fim, (iii) deverá ser necessária a atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Sobre as despesas pagas ou incorridas, dispôs o Parecer Normativo CST nº 58/77, que “tais despesas, se pagas no próprio exercício em que nascerem as respectivas obrigações são tranquilamente dedutíveis neste mesmo exercício e somente nele. São as despesas pagas a que se refere o citado artigo (...) (parágrafo 1º, do artigo 242 do RIR/94). Despesas incorridas, de acordo com o mesmo dispositivo legal, são aquelas que, embora nascida a obrigação correspondente o momento ajustado para pagálas, ou seu vencimento, ou outra circunstância qualquer, determinam que o respectivo pagamento venha a ocorrer no exercício subsequente” (grifamos). Como se vê, a necessidade da despesa é demonstrada na medida em que ela seja indispensável para a realização de quaisquer dos negócios exigidos pela atividade que constitui o objeto da pessoa jurídica; já normal ou usual é a despesa costumeiramente realizada na consecução dessas atividades. Desta forma, o que se vê é que "despesa operacional” é um conceito que decorre da natureza da despesa, é uma definição inerente à atividade e ao gasto realizado, sendo apenas reconhecida pela legislação. Não há como dizer que as despesas relativas aos valores glosados do Recorrente traduzam atos de mera liberalidade, ao contrário, até com base em entendimento fixado pelo Fisco Federal no Parecer Normativo da CST nº 32/81, verificase que os dispêndios com tais pagamentos são essenciais às operações desenvolvidas pela mesma: “4. Segundo o conceito legal transcrito, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. 5. Por outro lado, despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção habitual na espécie de negócio.” Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 16 Não permitir o Recorrente de deduzir tais valores, viola frontalmente o disposto no artigo 43 do CTN, pois não estaríamos tributando renda ou efetivo acréscimo patrimonial, mas sim patrimônio do Recorrente, o que não podemos admitir em momento algum. Desta forma, dou provimento ao recurso apresentado pelo Recorrente reestabelecendo a dedução dos valores glosados pela autoridade lançadora. Multa Isolada Concomitância Devemos analisar a questão da aplicação ou não da multa isolada, prevista no art. 44, § 1°, inciso III da Lei nº 9.430/96,, uma vez que já se aplica ao caso a multa albergada no inciso I do caput do mesmo artigo. Julgados anteriores desse Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, têm reconhecido a improcedência a cobrança simultânea das multas previstas no inciso I e no §1º III do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Dentre os argumentos utilizados para se afastar a incidência da multa isolada, quando já haja sido aplicada a multa do inciso, I, dizse que as hipóteses previstas para ambos são diferentes e excludentes, não comportando interpretação conciliatória. Inicialmente, pelo inciso I do art. 44, a multa de ofício será aplicada juntamente com o tributo, quando não houver sido anteriormente pago (regra geral). O inciso III, por sua vez, ao tratar da multa isolada, dispõe sobre a penalidade para o não recolhimento do imposto mensal, o carnêleão, e havendo saldo de imposto apurado mediante procedimento de ofício, tão somente deve ser aplicada a multa de ofício, ou seja, a prevista no inciso I do art. 44. No julgamento do Recurso Voluntário nº 131.038, o Relator AMAURY MACIEL, em seu voto vencedor, cita excerto do acórdão proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 125.987, de 19 de março de 2002, do Ilustre Conselheiro REMIS ALMEIDA ESTOL, de 19 de março de 2002, que assim resumiu a contenda: “No que tange às multas isoladas, são duas as espécies lançadas contra o contribuinte, uma delas sobre o imposto objeto do lançamento que já está com multa de ofício e, a outra, sobre rendimentos declarados e cuja antecipação não foi realizada, não obstante tenham sido oferecidos à tributação na declaração de ajuste. A primeira hipótese não oferece grandes dificuldades, posto que visivelmente afronta toda nossa construção jurídica que repudia a dupla penalização, sobre um mesmo fato e com a mesma base de cálculo, sendo razão suficiente para recomendar seu cancelamento. Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.448 17 Essa matéria já foi enfrentada por esta Câmara que, em diversas vezes e à unanimidade, tem decidido pelo afastamento da penalidade sob o argumento da impossibilidade de coexistirem a referida multa isolada, concomitantemente com a multa de ofício normal, incidente sobre o tributo objeto do lançamento. A outra mula isolada incide sobe a antecipação devida e não recolhida, relativamente a rendimentos declarados e oferecidos à tributação e prevista no inciso III do art. 44 da Lei n.° 9.430, que diz: (...) Isto significa dizer que, não obstante o contribuinte tenha declarado espontaneamente os rendimentos e recolhido o tributo, ou seja, cumprindo integralmente e antes do procedimentos fiscal a obrigação tributária, é penalizado com a multa de ofício isolada que é calculada com base em crédito tributário inexistente. Minha discordância em relação a essa penalidade repousa em dois aspectos, um de natureza lógica e outro de cunho legal. Pelo lado lógico, porque em situações em que essa multa alcança a hipótese de omissão de rendimentos e, ai sim, há crédito tributário lançado como também é o caso destes autos e já anteriormente decidido, esta mesma Câmara, à unanimidade, decide pelo afastamento da penalidade, como já dito, sob o argumento da impossibilidade de coexistirem a referida multa isolada, concomitantemente, com a multa de ofício normal, incidente sobre o tributo não pago. Em outras palavras, o contribuinte que omite rendimentos e não recolhe o tributo escapa da multa e, aquele que espontaneamente declara o rendimento e oferece à tributação, fica submetido à penalidade. Também à unanimidade e em relação aos casos em que o tributo é recolhido fora do prazo sem a multa de mora, este Colegiado prestigia a espontaneidade e afasta a imposição da multa isolada.” Desta forma, entendo que não é devida a multa isolada sobre os rendimentos omitidos no presente caso. Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 18 Incidência dos Juros Sobre a Multa de Ofício O RECORRENTE também questiona que, após a lavratura dos autos de infração, o fisco não pode exigir juros de mora sobre as multas de ofício lançadas, eis que não há base legal para tanto. Gostaria de destacar que nesse particular, o CTN tratou da incidência de juros de mora no art. 161, transcrito abaixo: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo das imposições das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas previstas nesta lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...)" A partir da leitura do dispositivo acima, percebese que o CTN autorizou o legislador ordinário (seja ele federal, estadual ou municipal) a exigir juros de mora sobre o montante do crédito tributário apurado, o que pode abranger tanto o tributo quanto a multa, estabelecendo como taxa de juros máxima o percentual de 1% ao mês sobre o valor do crédito pendente de pagamento. Nessa esteira, o legislador ordinário editou a Lei nº 9.430/96 a fim de tratar da exigência dos juros de mora: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 2007, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(...)” (grifos nossos) Muito embora o CTN tenha autorizado a cobrança de juros de mora sobre o crédito tributário (que, como salientado acima, inclui tributos e multas), o legislador ordinário federal decidiu exigir juros de mora apenas e tão somente sobre os tributos e contribuições apurados, ou seja, sobre o montante principal. Tal decisão, Ilmos. Srs. Julgadores, faz todo sentido, uma vez que uma multa, por si só, já é penalidade suficientemente pesada ao contribuinte, que não precisa ser onerado ainda mais com a cobrança de juros sobre tal pena, o que geraria inclusive o enriquecimento injustificado do Estado. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.449 19 Desse modo, partilho entendimento de que a partir de 1997, não há base legal para se exigir juros de mora sobre as multas de ofício, de tal modo que, caso alguma parcela dos autos de infração venha a ser mantida, o que se admite apenas por hipótese, não poderão ser exigidos os juros de mora sobre as multas de ofício aplicadas. A esse respeito, cumpre ressaltar que essa foi a interpretação dada pelo Segundo Conselho de Contribuintes no julgamento do recurso nº 125436, (Acórdão nº 202 16397). JUROS DE MORA CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. Ademais, se o legislador ordinário efetivamente pretendesse determinar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, ele teria feito essa determinação de forma clara e por escrito no próprio art. 61, da Lei nº 9.430/96, da mesma maneira como fez com relação às multas impostas isoladamente, nos termos do parágrafo único do art. 43 da mesma lei, abaixo transcrito para pronta referência: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento” Portanto, entendo que não há possibilidade de se exigir juros sobre as multas de ofício por absoluta ausência de previsão legal, tendo em vista que o art. 61 da Lei nº 9430/96 referese somente a tributos e contribuições (e não às multas). Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 20 Desta forma, conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.450 21 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator Designado. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da validade das deduções de despesas indevidas do livro caixa devemos considerar a essencialidade das mesmas para atividade em cotejo, desse modo apenas nesse ponto gostaria de manifestar a divergência. É crucial registra que este voto se concentra apenas na dedução indevida de despesas do livro caixa – demais glosas mantidas pela DRJ, na qual o Conselheiro Relator resultou vencido na votação. Registrese que nas Despesas da Transmafe Notificações e Microfilmagens de Documentos acompanhei a posição do Conselheiro Relator, sendo esta a posição vencedora. O art. 11 da Lei n° 7.713/1988, abaixo transcrito, prevê a possibilidade de deduzir todas “as despesas de custeio necessárias à manutenção dos serviços notariais e de registro”, de forma a permitir que se tribute a efetiva renda do titular da serventia, ou seja, só o acréscimo de riqueza. Art. 11 Os titulares dos serviços notariais e de registro a que se refere o art. 236 da Constituição da República, desde que mantenham escrituração das receitas e as despesas, poderão deduzir dos emolumentos recebidos, para efeito da incidência do imposto: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, inclusive encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio necessárias à manutenção dos serviço notariais e de registro. Isto posto, segundo a legislação serão dedutíveis os gastos necessários à manutenção da atividade, na busca de receitas, ou seja, receita e despesa devem estar atreladas, o que não poderia ser diferente, visto que a tributação deve incidir sobre a renda, no sentido de acréscimo de riqueza, como concebida no art. 43 do Código Tributário Nacional. Para uma completa análise das glosas efetuadas cabe apontar as razões da DRJ para manutenção do lançamento. São apontados a seguir os itens mais relavantes: Da remuneração paga a terceiros sem vínculo empregatício De acordo com a DRJ: O impugnante defende que o rol de despesas dedutíveis relacionadas nos incisos I a III do art. 11 da Lei n° 7.713/1988 não é taxativo. Acrescenta, ainda, que a cláusula geral prevista no inciso III abrange, a rigor, as disposições dos incisos I e II. Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 22 Não vejo como concordar com essa posição, pois isso nos levaria a concluir que o legislador incluiu dois incisos completamente inúteis nesse artigo. E não só nele, mas também no art. 6° da Lei n° 8.134/1990, em que repetiu os mesmos mandamentos. Pareceme certo que, ao relacionar as despesas dedutíveis em três incisos distintos, o legislador procura deixar claro que elas possuem naturezas distintas, de modo que as despesas relacionadas nos incisos I e II não se enquadram entre as despesas de custeio. A leitura atenta do art. 6° da Lei n° 8.134/1990, inclusive de seus parágrafos, nos leva a inferir que as despesas de custeio se relacionam à aquisição de material de consumo e à contratação de serviços essenciais à manutenção da fonte produtora em relação aos quais não faça sentido a existência de vínculo empregatício. Assim, a exemplo do que consta na pergunta n° 385, da publicação IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA 2006 – ANOCALENDÁRIO 2005 PERGUNTAS E RESPOSTAS, por despesa de custeio devemos entender “aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo”. Diante de tais considerações, não há como acolher o argumento do impugnante de que as despesas com faxineiras seriam de custeio. Assim, como tais serviços foram contratados sem vínculo empregatício, está correta a glosa efetuada pela fiscalização. No que se refere à glosa com assessoria jurídica, também combatida expressamente pelo impugnante, também ela está correta. Com efeito, a assessoria jurídica, ainda que possa ser útil, não pode ser considerada necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Isso porque o conhecimento jurídico para o exercício de suas atividades é exigido do próprio titular dos serviços notariais e de registro, selecionado, em regra, por meio de concurso público. Assim, e como tais despesas também não se enquadram no inciso I do art. 11 da Lei n° 7.713/1988, já que não há vínculo empregatício, está correta a glosa efetuada pela fiscalização. Não identifico qualquer reparo nas razões da DRJ, efetivamente da leitura do dispositivo normativa, não me resta dúvida, de que toda a remuneração paga a terceiros sem vínculo empregatício não é passível de ser deduzida. Das indenizações trabalhistas Outro ponto suscitado pelo recorrente é aquele associado as indenizações trabalhista segundo o qual teria negociado com os seus funcionário, sendo no seu entendimento necessárias a atividade do Cartório. Sobre esse ponto assim se manifesta a DRJ: Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.451 23 A fiscalização procedeu à glosa dos seguintes valores relacionados à rescisão do contrato de trabalho de funcionários estatutários do Segundo Serviço de Registro de Imóveis de Campinas: 1) Indenização a José Mauro Coelho: R$ 12.314,92 em janeiro/2005 e R$ 10.000,00 em fevereiro/2005; 2) Ipesp José Mauro Coelho: R$ 5.200,00 em dezembro/2005 e R$ 5.280,00 em janeiro/2006; 3) Ipesp Irineu José Domingos de Moraes: R$ 93.000,00 em agosto/2005; 4) Indenização a Amaury César Magno: R$ 7.000,00 mensais, de fevereiro a dezembro/2006; e 5) Indenização a Antonio Bucater Júnior: R$ 38.853,95 em outubro/2006, R$ 154.000,00 em novembro/2006 e R$ 4.000,00 em dezembro/2006. Os documentos de rescisão do contrato de trabalho desses quatro funcionários, que exerciam a função de preposto escrevente estatutário, foram juntados, respectivamente, às fls. 1274/1275, fl. 1294, fls. 1286/1287 e 1280/1282. O inciso I do art. 6° da Lei n° 8.134/1990 dispõe que é dedutível a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os respectivos encargos trabalhistas e previdenciários. É claro que esses valores somente são dedutíveis quando seu pagamento decorra de obrigação legal, e não de mera liberalidade do empregador. O impugnante alega que os artigos 45 e 45.1 do Regime das Serventias, regulado pela Resolução n° 2/76 do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assegura o pagamento de indenização ao funcionário dispensado, por motivo de sensível diminuição de renda, comprovada perante o Juiz Corregedor Permante. Ocorre que, no presente caso, nenhum desses funcionários foi dispensado pelo empregador. Eles é que solicitaram exoneração, por livre e espontânea vontade, sem qualquer induzimento ou coação, conforme consta nos documentos de rescisão. Ressaltese, ainda, que nesses documentos não há a discriminação da natureza das verbas que compõem as indenizações pagas. Desta forma, devese manter a glosa dos valores de indenização escriturados no livrocaixa. No que se refere às glosas das despesas descritas como Ipesp José Mauro Coelho e Ipesp Irineu José Domingos de Moraes, devem elas ser mantidas, conforme a seguir se explica. Consta na cláusula 3a da Rescisão de Contrato de Trabalho do Sr. José Mauro Coelho (fl. 1274/1275) que o impugnante se Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 24 comprometeu a pagar a contribuição previdenciária (Ipesp) de seu exfuncionário até o término do ano de 2004. Consta ainda, na cláusula 4a, que uma parcela da indenização estipulada entre as partes seria paga por meio de 23 notas promissórias, nos valores de R$ 10.000,00, com vencimentos mensais. Posteriormente, consoante consta no documento de fl. 1276, o documento de rescisão foi aditado, tendo ficado estabelecido que, em decorrência da extinção das obrigações do pagamento das notas promissórias nos valores de R$ 10.000,00 cada uma, o impugnante deveria efetuar a contribuição devida ao Ipesp e Iamspe até dezembro de 2005. Assim, os valores escriturados no livrocaixa decorrem de mero acordo firmado entre o impugnante e o Sr. José Mauro Coelho, e não de obrigação legal. Por conseqüência, tais despesas não são dedutíveis. Na Rescisão do Contrato de Trabalho do Sr. Irineu José Domingos de Moraes (fl. 1294), há a informação de que, dentre outras obrigações assumidas, o impugnante se comprometeu a efetuar o pagamento da diferença para assegurar ao primeiro a aposentadoria pela entrância especial perante o Ipesp, no valor de R$ 93.011,99, apurado até o mês de junho de 2005, mais os meses que forem apurados e informados pelo Ipesp. O cálculo dessa diferença, para assegurar o reenquadramento do regime de aposentadoria, foi solicitado ao próprio Ipesp, que respondeu por meio do documento de fl. 1293. Observo, todavia, que o impugnante não demonstrou que estava obrigado por lei a propiciar esse reenquadramento por ocasião da rescisão do contrato de trabalho. Pelo contrário, o item 3°, letra a, do termo de rescisão demonstra que essa decisão decorreu pura e simplesmente de um acordo feito entre o impugnante e seu então funcionário, e não de lei. Desta forma, o valor pago não se enquadra em nenhuma das hipóteses de dedutibilidade do imposto, devendose manter a glosa. Ainda que o impugnante afirme que jamais pagaria, por mera liberalidade, valores acima daqueles devidos por força de lei, a verdade é que foi exatamente isso o que ocorreu. O impugnante, aliás, em todos esses casos também se comprometeu a pagar o Plano de Saúde da Unimed para esses funcionários por certo período após a rescisão do contrato de trabalho, tendo também, em alguns desses casos, se comprometido a continuar a proceder ao recolhimento do Ipesp. Certamente, a lei não lhe obrigou a conceder esses benefícios. Observo, ainda, que, no item 4.1 do Distrato de Contrato de Trabalho do Sr. Antonio Bucater Júnior (fl. 1.281), há a menção expressa de que a importância de R$ 200.000,00 pagas pelo impugnante decorre de mera liberalidade pelo tempo de serviço prestado. A luz dos elementos presentes nos autos, pessoalmente, não tenho nenhuma dúvida de que os pagamentos aqui discutidos não se enquadram em nenhuma das hipóteses legais de dedução do imposto de renda. Desse modo não vejo qualquer reparo a realizar na decisão da autoridade recorrida, mantendo essa parte do lançamento. Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.452 25 Das despesas com estacionamento, combustíveis e lubrificantes As despesas relativas a estacionamento e combustíveis pleiteadas pela recorrente não podem ser aceitas, por estarem em desacordo com aquilo que prescreve a legislação. A autoridade recorrida manifestou muito bem o seu ponto tal como reproduzimos a seguir: Das despesas com estacionamento Nos termos do art. 6°, § 1°, b, da Lei n° 8.134/1990, somente o representante comercial autônomo pode deduzir as despesas de locomoção e transporte. O impugnante alega, no entanto, que as despesas com estacionamento por ele escrituradas se referem, na verdade, à locação de vagas de garagem para uso por funcionário do Cartório e também por clientes. Não há, todavia, nos autos contrato de locação dessas vagas. Estamos nitidamente diante do pagamento de despesas com estacionamento, conforme o comprova, por exemplo, a nota fiscal de serviço de fl. 188. Deste modo, tais despesas estão, sim, relacionadas à locomoção e transporte, sendo indedutíveis. Vejase a esse respeito a pergunta n° 390 da publicação IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA 2006 – ANOCALENDÁRIO 2005 –PERGUNTAS E RESPOSTAS: 390 As despesas com transporte, locomoção, combustível, estacionamento e manutenção de veículo próprio são consideradas necessárias à percepção da receita e dedutíveis no livro Caixa? Referidas despesas não são dedutíveis, com exceção das efetuadas por representante comercial autônomo quando correrem por conta deste. (Lei nº 9.250, de 1995, art. 34; RIR/1999, art. 75, parágrafo único, II; IN SRF nº 15, de 2001, art. 51, § 1º, “b”) Das despesas com combustíveis e lubrificantes Consta, na fl. 31, no Termo de Verificação Fiscal, que as despesas com combustíveis e lubrificantes foram rejeitadas, por enquadraremse no conceito de despesas com locomoção e transporte, prevalecendo a vedação expressa do art. 75, parágrafo único, inciso II do RIR/1999. O impugnante esclarece que não localizou essas despesas, de modo que não tem como se defender de acusação vaga e sem documentação. Também não localizei na relação de despesas glosadas (planilhas de fls. 36/47), nenhuma despesa dessa natureza. Assim, não há litígio a esse respeito. Deste modo concordo com o arrazoado da autoridade recorrida, acompanhando em sua posição. Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 26 Das despesas com canetas Um dos requisitos para a dedutibilidade é necessidade da despesas. No caso em questão, não se justifica a dedução de canetas suntuosas, pois o luxo e a marca diferenciada não é um requisito necessário para a atividade em questão. A DRJ ao apreciar esse ponto assim se manifestou: A fiscalização glosou as seguintes despesas com a aquisição de canetas da marca Mont Blanc, escrituradas no livrocaixa, respectivamente, nos meses de janeiro, março e maio de 2005: R$ 1.272,00 Nota Fiscal à fl. 230: aquisição de uma caneta. R$ 2.460 Nota Fiscal à fl. 236: aquisição de três canetas. R$ 905,00 Nota Fiscal à fl. 235: aquisição de uma caneta. O impugnante alega que a caneta é ferramenta de trabalho dos cartorários, utilizada para a celebração de todos os atos públicos, sendo indiscutível sua dedutibilidade, encaixandose no conceito de despesa necessária à manutenção da receita. Ele pretende, portanto, enquadrar essas canetas como despesas de custeio. De fato, a grande maioria das canetas se enquadra no conceito de despesas de custeio, por serem materiais de consumo. Todavia, essas quatro canetas adquiridas pelo impugnante não possuem essa natureza. Elas são artigos de luxo, que não se consomem com o uso, sendo adquiridas normalmente em joalherias, como se pode verificar nas notas fiscais de fls. 230 e 236. De forma alguma poderiam se enquadrar no inciso III do art. 6° da Lei n° 8.134/1990, de modo que se deve manter a glosa. Vejase a esse respeito a pergunta n° 391 da publicação IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA 2006 – ANOCALENDÁRIO 2005 – PERGUNTAS E RESPOSTAS: 391 O contribuinte autônomo pode utilizar como despesa dedutível no livro Caixa o valor pago na aquisição de bens ou direitos indispensáveis ao exercício da atividade profissional? Apenas o valor relativo às despesas de consumo é dedutível no livro Caixa. Deve se, portanto, identificar quando se trata de despesa ou de aplicação de capital. São despesas dedutíveis as quantias despendidas na aquisição de bens próprios para o consumo, tais como material de escritório, de conservação, de limpeza e de produtos de qualquer natureza usados e consumidos nos tratamentos, reparos, conservação.Considerase aplicação de capital o dispêndio com aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora, cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício, e que não sejam consumíveis, isto é, não se extingam com sua mera utilização. Por exemplo, os valores despendidos na instalação de escritório ou consultório, na aquisição e instalação de máquinas, equipamentos, instrumentos, mobiliários etc. Tais bens devem ser informados na Declaração de Bens e Direitos da declaração de rendimentos pelo preço de aquisição e, quando alienados, Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.453 27 devese apurar o ganho de capital.(Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, III; RIR/1999, art. 75, III; PN CST nº 60, de 1978) Das despesas com materiais de construção O titular de serviços notariais e de registro podem deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Entretanto, não constituem despesas de custeio, não sendo, portanto, dedutíveis, as aquisições consideradas como ativo permanente ou aplicações de capital, tais como reforma do prédio, aquisição de móveis, utensílios e equipamentos eletrônicos. A DRJ assim se pronunciou nesse ponto: Com relação às despesas com materiais de construção, o impugnante esclarece que se trata de pequenos gastos com reparos e manutenção do imóvel ocupado pelo Cartório. Está correta a glosa. As despesas com a aquisição desses materiais não se enquadram em nenhuma das hipóteses de dedutibilidade. Tais despesas estão vinculadas ao próprio imóvel, e não à atividade nele exercida. Assim, no caso de imóvel próprio, o custo das benfeitorias deve ser acrescido ao valor do próprio imóvel; e, no caso de imóvel alugado, pode ser abatida do valor do aluguel, desde que haja expressa disposição contratual. De qualquer forma, esses gastos jamais podem elas ser considerados despesas de consumo, razão pela qual não são dedutíveis. Não há reparos nesse parte. Mantém se o lançamento. Das despesas com seminário jurídico Consta na Nota Fiscal de Serviços de fl. 206 que o impugnante desembolsou o valor de R$ 1.586,88, em 01/02/2005, para participação no seminário intitulado “Penhora no Processo Civil”, promovido pelo Instituto de Estudos Jurídicos e Econômicos Ltda. Como o valor unitário da inscrição é de R$ 528,96, concluise que foram três os participantes no seminário. A fiscalização aceitou as despesas com a participação do titular da Serventia (R$ 528,96) e glosou as despesas com a participação dos outros dois funcionários (R$ 1.057,92). Se tais despesas são dedutíveis em relação ao titular da Serventia, como realmente o são, por se enquadrarem entre as despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, não vejo razão para considerálas despesas desnecessárias em relação aos outros dois funcionários. Devese, portanto, afastar essa glosa. Das despesas com livros Não foram aceitas como dedutíveis as despesas feitas na Livraria Pergaminho em 24/01/2005, no valor de R$ 215,10, uma vez que, consoante consta na Nota Fiscal de fl. 234, o livro adquirido não tem relação com a atividade do impugnante (“Aprenda em 21 dias a criar páginas Web HTML e IHTM”). Acrescentese, por pertinente, que foi mantida a glosa do valor de R$ 81,00, escriturado em 04/11/2005 como “Boletins Informativos”, por não ter localizado o documento Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 28 probatório de seu pagamento. As despesas deveriam ser portanto comprovadas e com afinidade com a atividade do recorrente. Das despesas com contribuições a sindicatos e associações A DRJ manteve a glosa dos pagamentos feitos ao Sindicato dos Escreventes e Auxiliares Notariais do Estado de São Paulo, uma vez que o impugnante não tinha a obrigação de proceder a tais recolhimentos, já que nem mesmo é filiado a esse sindicato. Nesse ponto não poderia ser de outra forma. O interessado fez, ainda, uma série de pagamentos à Associação dos Notários e Registradores do Estado de São Paulo ANOREG/SP. No entendimento da DRJ, as mensalidades pagas a essa Associação, para que se possa contar com o apoio dado aos associados, constituem despesas necessárias ao exercício da atividade notarial e de registro. Consoante consta nos recibos de fl. 416 e 460, a mensalidade devida a essa entidade era de R$ 262,00. Desse modo os demais pagamentos, todos no valor de R$ 100,00, teriam natureza de contribuição voluntária, consoante se depreende dos documentos probatórios juntados, como, por exemplo, o de fl. 205, em que consta a informação de que “o valor da contribuição é apenas um indicativo”. Entendo que o pagamento como mera liberalidade não pode ser passível de ser deduzido tal como pleiteado pelo recorrente. Das despesas com indenizações por danos morais e materiais. Outro despesa glosada pela autoridade fiscal foi a que o recorrente indicou como sendo uma indenização por danos morais ou materiais: a) R$ 35.109,71, pagos a Lucilene Ap. Georgetti, escriturados em 14/09/2006 (fl. 161); e b) R$ 6.193,02, pagos a Ocimar Denílson Belini, escriturados em 30/11/2006 (fl. 172). Da análise dos autos, constatase que o cartório foi condenado a pagar danos morais e materiais em ações ingressadas por clientes que se sentiram insatisfeitos com o serviço prestado pelo Cartório e obtiveram na justiça o direito de serem indenizados. Para ele, tal despesa se encaixa no inciso III do art. 75 do RIR/99, entanto não há como se considerar essa como uma despesa de custeio, pois não são necessárias à manutenção da fonte produtora e à percepção de receitas. Da alegação de glosa de despesas sem justificativa De maneira genérica o recorrente também apontou vária despesas que entende como necessárias, embora não tenha dado uma justificativa específica. Entre esses cabe destacar, nos dizeres da DRJ: O impugnante alega que, além das despesas glosadas e apontadas individualizadamente no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização relacionou nas planilhas a ele anexas, diversas outras despesas sem nenhuma justificativa, inclusive inúmeras despesas de valores ínfimos, o que demonstraria a falta de razoabilidade no trabalho da fiscalização. Observo, de início, que o impugnante não tem razão ao afirmar que as glosas foram realizadas sem justificativa. A fiscalização apresentou a justificativa dessas glosas na pág. 6 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 30 do processo), no subtítulo “Demais Despesas”, em que se lê: “As demais despesas que, juntamente Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.008227/200840 Acórdão n.º 2202002.566 S2C2T2 Fl. 1.454 29 com as acima relacionadas, compõem a planilha que segue em anexo, foram glosadas por não se enquadrarem em nenhum das hipóteses contidas no art. 75 do RIR”. Saliento, também, que não há nenhum dispositivo legal que estabeleça um valor mínimo para a glosa das despesas escrituradas no livrocaixa. Assim, uma despesa não pode ser considerada dedutível apenas por ser de baixo valor. Independentemente do valor da despesa escriturada, é obrigação do impugnante apresentar os documentos probatórios a ela pertinentes e demonstrar seu enquadramento em uma das hipóteses de dedutibilidade de que trata o art. 6° da Lei n° 8.134/1990. Das despesas pagas a Ws Sistema de Segurança O recorrente almeja deduzir a despesa paga à empresa Ws Sistema de Segurança, em maio de 2005, no valor de R$ 536,00, entendendo ser inerente ao Cartório. Entretanto não foi identificado comprovantes do pagamento dessa despesa. Existe um orçamento feito pela empresa, em 23/05/2005, para a instalação de interfone. Porém registrese que ainda que comprovado, não seria um despesa dedutível por incorporarse no ativo da entidade. Das despesas com IPTU Não há identificação específica do imóvel a que se refere o IPTU. Nenhum dos documentos que constam nos autos comprovam o recolhimento do IPTU identificando claramento o imóvel a que ele se refere. Observar que as despesas devem estar associadas a atividade cartorial. Deste modo não há como reconhecer as despesas mencionadas anteriormente pois os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição Federal, podem deduzir da receita e/ou rendimentos decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreado em documentos hábeis e idôneos, devidamente escrituradas no respectivo livro caixa. Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. Das Despesas da Transmafe Notificações e Microfilmagens de Documentos Nas despesas relativas as notificações e microfilmagens acompanho os termos do voto do conselheiro relator, afastando aquelas mantidas pela DRJ no valor de R$ 11.715,00 e R$ 1.565,00, respectivamente. Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR 30 Ante ao exposto, com exceção das despesas das Transmafe Notificações e a Microfilmagem de documentos no valor de R$ 11.715,00 e R$ 1.565,00, respectivamente, nego provimento ao recurso no que toca a dedução das despesas de livro caixa mantidas pela DRJ. Acompanhando o voto do relator nas demais questões. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/05/2014 po r ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 13819.002924/2002-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.667
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida.
RELATÓRIO
Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis:
Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, lavrado em 09/05/2002 (fls. 12) e cientificado por via postal em 11/06/2002 (fls. 119), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 21.110,74 em virtude de não comprovação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados para os períodos de outubro a dezembro de 1997.
Em oposição à presente exigência, foi apresentada, em 11/07/2002, impugnação de fls. 01/08, acompanhada dos documentos de fls. 09/113, com as razões de defesa a seguir sintetizadas.
De inicio, destaca que os débitos exigidos na presente autuação já foram objeto de impugnação à Carta de Cobrança nº 30/1339/01 e ao Comunicado nº 00313301, emitidos por esta Delegacia da Receita Federal.
Na seqüência reporta-se à amortização dos débitos através do instituto da compensação com crédito de terceiros, na forma do art. 15 da IN SRF nº 21/97, tendo em conta o pedido de restituição formulado por Unigel Participações Serv. Ind. Representação Ltda (13819.001788/97-69, doc 03 fls. 60/61).
Menciona que cometeu alguns equívocos ao preencher os formulários de compensação para pagamento de débitos com créditos de terceiro, mas retificou tais pedidos, substituindo o pedido de compensação com créditos próprios inicialmente apresentado, e corrigindo o CNPJ antes informado, pertencente a outra empresa do grupo. Ainda, foi. retificado o número do processo ao qual se vincula a compensação, de 13819.001866/97-71 (primeiro pedido de compensação apresentado pela impugnante) para 13819.001788/97-69.
Aduz que, além dos pedidos de compensação retificadores, providenciou a retificação das DCTFs dos períodos de outubro, novembro e dezembro de 1997 (doc 05 fls. 69/107), eis que constou a informação de que os valores objeto de compensação tinham como origem o Processo Judicial 93.00068628, quando o correto seria constar os créditos do Pedido de Restituição nº 13819.001788/97-69.
Entende, então, ser descabida a exigência.
Aborda seu direito à compensação na forma do art. 170 do CTN, do art. 66 da Lei nº 8.383/91, do art. 39 da Lei nº 9.250/95 e dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, bem como do então vigente art. 15 da IN SRF nº 21/97.
Finaliza requerendo a improcedência do lançamento. Por meio do despacho de fls. 47, a autoridade preparadora atestou ser tempestiva a impugnação e remeteu o processo para julgamento.
A 5ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas (SP) julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 05-35209, cuja ementa abaixo reproduzo:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Ano-calendário: 1997
DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL NÃO CONFIRMADO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CRÉDITO DE TERCEIRO.
Lançamento anterior a Medida Provisória 66, de 2002. Inexistindo certeza e liquidez acerca dos créditos alegados, à época do lançamento, confirma-se a sua validade, especialmente em vista do que dispunha o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Ademais, mesmo que o lançamento fosse posterior a 30/09/2002, pedido de compensação com crédito de terceiro não está amparado pela sistemática introduzida pela Medida Provisória nº 66, de 2002, a partir da referida data, não se cogitando de sua conversão em DCOMP nem da conseqüente extinção dos débitos.
DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFÍCIO.
Em face do princípio da retroatividade benigna, exonera-se a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005
Impugnação Procedente em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que:
Os débitos exigidos estão controlados no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro n° 13819.001866/97-71, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97-69, ambos pendentes de decisão administrativa. Conforme restou demonstrado nos autos, as compensações foram centralizadas no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro nº 13819.001866/97-71, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97- 69. Naquele processo não houve até o momento, despacho decisório acerca das compensações pleiteadas;
É insubsistente o lançamento tendo cm vista que à época da lavratura do auto de infração sequer havia decisão acerca da compensação pleiteada, portanto, não haveria que se falar em compensação indevida passível de lançamento nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35;
Na época do protocolo dos pedidos de compensação com créditos de terceiros a legislação permitia o feito;
Quando do início da vigência das alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 66/2002 (01/10/2002), não havia sido proferido despacho decisório nos pedidos de compensação, logo, estes foram convertidos em declaração de compensação.
Termina a petição requerendo o provimento do recurso para reconhecer a inadequação do lançamento, a homologação tácita das compensações e o cancelamento integral do auto de infração.
É o Relatório.
VOTO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
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RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, lavrado em 09/05/2002 (fls. 12) e cientificado por via postal em 11/06/2002 (fls. 119), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 21.110,74 em virtude de não comprovação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados para os períodos de outubro a dezembro de 1997. Em oposição à presente exigência, foi apresentada, em 11/07/2002, impugnação de fls. 01/08, acompanhada dos documentos de fls. 09/113, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. De inicio, destaca que os débitos exigidos na presente autuação já foram objeto de impugnação à Carta de Cobrança nº 30/1339/01 e ao Comunicado nº 00313301, emitidos por esta Delegacia da Receita Federal. Na seqüência reporta-se à amortização dos débitos através do instituto da compensação com crédito de terceiros, na forma do art. 15 da IN SRF nº 21/97, tendo em conta o pedido de restituição formulado por Unigel Participações Serv. Ind. Representação Ltda (13819.001788/97-69, doc 03 fls. 60/61). Menciona que cometeu alguns equívocos ao preencher os formulários de compensação para pagamento de débitos com créditos de terceiro, mas retificou tais pedidos, substituindo o pedido de compensação com créditos próprios inicialmente apresentado, e corrigindo o CNPJ antes informado, pertencente a outra empresa do grupo. Ainda, foi. retificado o número do processo ao qual se vincula a compensação, de 13819.001866/97-71 (primeiro pedido de compensação apresentado pela impugnante) para 13819.001788/97-69. Aduz que, além dos pedidos de compensação retificadores, providenciou a retificação das DCTFs dos períodos de outubro, novembro e dezembro de 1997 (doc 05 fls. 69/107), eis que constou a informação de que os valores objeto de compensação tinham como origem o Processo Judicial 93.00068628, quando o correto seria constar os créditos do Pedido de Restituição nº 13819.001788/97-69. Entende, então, ser descabida a exigência. Aborda seu direito à compensação na forma do art. 170 do CTN, do art. 66 da Lei nº 8.383/91, do art. 39 da Lei nº 9.250/95 e dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, bem como do então vigente art. 15 da IN SRF nº 21/97. Finaliza requerendo a improcedência do lançamento. Por meio do despacho de fls. 47, a autoridade preparadora atestou ser tempestiva a impugnação e remeteu o processo para julgamento. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas (SP) julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 05-35209, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano-calendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL NÃO CONFIRMADO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CRÉDITO DE TERCEIRO. Lançamento anterior a Medida Provisória 66, de 2002. Inexistindo certeza e liquidez acerca dos créditos alegados, à época do lançamento, confirma-se a sua validade, especialmente em vista do que dispunha o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Ademais, mesmo que o lançamento fosse posterior a 30/09/2002, pedido de compensação com crédito de terceiro não está amparado pela sistemática introduzida pela Medida Provisória nº 66, de 2002, a partir da referida data, não se cogitando de sua conversão em DCOMP nem da conseqüente extinção dos débitos. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonera-se a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: Os débitos exigidos estão controlados no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro n° 13819.001866/97-71, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97-69, ambos pendentes de decisão administrativa. Conforme restou demonstrado nos autos, as compensações foram centralizadas no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro nº 13819.001866/97-71, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97- 69. Naquele processo não houve até o momento, despacho decisório acerca das compensações pleiteadas; É insubsistente o lançamento tendo cm vista que à época da lavratura do auto de infração sequer havia decisão acerca da compensação pleiteada, portanto, não haveria que se falar em compensação indevida passível de lançamento nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35; Na época do protocolo dos pedidos de compensação com créditos de terceiros a legislação permitia o feito; Quando do início da vigência das alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 66/2002 (01/10/2002), não havia sido proferido despacho decisório nos pedidos de compensação, logo, estes foram convertidos em declaração de compensação. Termina a petição requerendo o provimento do recurso para reconhecer a inadequação do lançamento, a homologação tácita das compensações e o cancelamento integral do auto de infração. É o Relatório. VOTO
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(assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .0 02 92 4/ 20 02 -4 8 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002924/200248 Resolução nº 3402000.667 S3C4T2 Fl. 101 2 RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, lavrado em 09/05/2002 (fls. 12) e cientificado por via postal em 11/06/2002 (fls. 119), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 21.110,74 em virtude de não comprovação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados para os períodos de outubro a dezembro de 1997. Em oposição à presente exigência, foi apresentada, em 11/07/2002, impugnação de fls. 01/08, acompanhada dos documentos de fls. 09/113, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. De inicio, destaca que os débitos exigidos na presente autuação já foram objeto de impugnação à Carta de Cobrança nº 30/1339/01 e ao Comunicado nº 00313301, emitidos por esta Delegacia da Receita Federal. Na seqüência reportase à amortização dos débitos através do instituto da compensação com crédito de terceiros, na forma do art. 15 da IN SRF nº 21/97, tendo em conta o pedido de restituição formulado por Unigel Participações Serv. Ind. Representação Ltda (13819.001788/97 69, doc 03 – fls. 60/61). Menciona que cometeu alguns equívocos ao preencher os formulários de compensação para pagamento de débitos com créditos de terceiro, mas retificou tais pedidos, substituindo o “pedido de compensação” com créditos próprios inicialmente apresentado, e corrigindo o CNPJ antes informado, pertencente a outra empresa do grupo. Ainda, foi. retificado o número do processo ao qual se vincula a compensação, de 13819.001866/9771 (primeiro pedido de compensação apresentado pela impugnante) para 13819.001788/9769. Aduz que, além dos pedidos de compensação retificadores, providenciou a retificação das DCTF’s dos períodos de outubro, novembro e dezembro de 1997 (doc 05 fls. 69/107), eis que constou a informação de que os valores objeto de compensação tinham como origem o Processo Judicial 93.00068628, quando o correto seria constar os créditos do Pedido de Restituição nº 13819.001788/9769. Entende, então, ser descabida a exigência. Aborda seu direito à compensação na forma do art. 170 do CTN, do art. 66 da Lei nº 8.383/91, do art. 39 da Lei nº 9.250/95 e dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, bem como do então vigente art. 15 da IN SRF nº 21/97. Finaliza requerendo a improcedência do lançamento. Por meio do despacho de fls. 47, a autoridade preparadora atestou ser tempestiva a impugnação e remeteu o processo para julgamento. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002924/200248 Resolução nº 3402000.667 S3C4T2 Fl. 102 3 A 5ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas (SP) julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 0535209, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL NÃO CONFIRMADO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CRÉDITO DE TERCEIRO. Lançamento anterior a Medida Provisória 66, de 2002. Inexistindo certeza e liquidez acerca dos créditos alegados, à época do lançamento, confirmase a sua validade, especialmente em vista do que dispunha o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Ademais, mesmo que o lançamento fosse posterior a 30/09/2002, pedido de compensação com crédito de terceiro não está amparado pela sistemática introduzida pela Medida Provisória nº 66, de 2002, a partir da referida data, não se cogitando de sua conversão em DCOMP nem da conseqüente extinção dos débitos. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: a) Os débitos exigidos estão controlados no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro n° 13819.001866/97 71, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97 69, ambos pendentes de decisão administrativa. Conforme restou demonstrado nos autos, as compensações foram centralizadas no Pedido de Compensação com Créditos de Terceiro nº 13819.001866/9771, vinculado ao Pedido de Restituição n° 13819.001788/97 69. Naquele processo não houve até o momento, despacho decisório acerca das compensações pleiteadas; b) É insubsistente o lançamento tendo cm vista que à época da lavratura do auto de infração sequer havia decisão acerca da compensação pleiteada, portanto, não haveria que se falar em compensação indevida passível de lançamento nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13819.002924/200248 Resolução nº 3402000.667 S3C4T2 Fl. 103 4 c) Na época do protocolo dos pedidos de compensação com créditos de terceiros a legislação permitia o feito; d) Quando do início da vigência das alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 66/2002 (01/10/2002), não havia sido proferido despacho decisório nos pedidos de compensação, logo, estes foram convertidos em declaração de compensação. Termina a petição requerendo o provimento do recurso para reconhecer a inadequação do lançamento, a homologação tácita das compensações e o cancelamento integral do auto de infração. É o Relatório. VOTO Como já relatado, a lide posta nos autos diz respeito a constituição de créditos tributários em virtude da compensação pretendida pelo sujeito passivo não estar lastreada com direito creditório líquido e certo, conforme determina o art. 170 do Código Tributário Nacional. Analisando os autos, consto que o direito creditório e o pedido de compensação que sustenta a autuação estão sendo discutidos em processos administrativos próprios de nº 13819.001866/9771 e 13819.001788/9769. Já me posicionei em outras ocasiões no sentido de que processo que trate de compensação, cujo crédito a ser utilizado esteja sendo discutido em outro processo administrativo, deve esperar a decisão do processo conhecido como “mãe”, aquele que contém o crédito pleiteado, para então poder ter seu desfecho final. Mesmo entendimento tenho para os processos de auto de infração, cujo objeto é a compensação discutida em outro processo. Conforme já relatado, o recorrente protocolou pedido de compensação com créditos de terceiros que está sendo decidido nos autos do processo nº 13819.001866/9771. Já o crédito financeiro que poderá contemplar a compensação pretendida é objeto do processo nº 13819.001788/9769. Em face dessas dependências entre os processos citados, voto por converter o julgamento em diligência, determinando que a Unidade Preparadora acoste cópia das decisões definitivas dos processos nº 13819.001866/9771 e nº 13819.001788/9769 e que seja elaborada planilha demonstrativa do valor do crédito a ser restituído. Depois de tomadas as providências requeridas, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, 28/05/2014 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 314DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10073.902524/2012-89
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/07/2008
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/07/2008 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 24 /2 01 2- 89 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902524/201289 Acórdão n.º 3801003.520 S3TE01 Fl. 140 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902524/201289 Acórdão n.º 3801003.520 S3TE01 Fl. 141 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$ 23.238,32. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2008 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902524/201289 Acórdão n.º 3801003.520 S3TE01 Fl. 142 4 Data do fato gerador: 31/07/2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902524/201289 Acórdão n.º 3801003.520 S3TE01 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 31/07/2008 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902524/201289 Acórdão n.º 3801003.520 S3TE01 Fl. 144 6 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902524/201289 Acórdão n.º 3801003.520 S3TE01 Fl. 145 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 35524.000413/2004-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 26/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 26/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 52 4. 00 04 13 /2 00 4- 00 Fl. 839DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 26/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Plantar Planejamentos Agropecuários e Assistência, foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 01/99, relativa às importâncias supostamente não lançadas correspondentes à parte patronal e do financiamento dos benefícios destinados às Entidades Terceiras – SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE e os concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), acrescidos de multa. A Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 2402001.892, que se encontra às fls. 346/354 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva. DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo Fl. 840DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35524.000413/200400 Acórdão n.º 9202003.174 CSRFT2 Fl. 9 3 prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. EXCLUSÃO DO SIMPLES DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA O não conhecimento de Recurso Especial apresentado pelo contribuinte frente à Câmara Superior de Recursos fiscais representa o trânsito em julgado administrativo da decisão de exclusão deste do SIMPLES. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por unanimidade de votos, declarou a decadência das contribuições apuradas até a competência de 03/1999, aplicando a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN por tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação. Intimada do v. acórdão em 16/09/2011 (fl. 355), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 358/376), sustentando divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos n° 230100.158 e 280300.279, no tocante à aplicação do artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional para fins de reconhecimento da decadência das contribuições previdenciárias em situações nas quais não há antecipação de pagamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 495/2011, de 25/10/2011 (fls. 396/399). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões (fls. 703/707). É o Relatório. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como se verifica dos autos, o recurso foi interposto em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nº 230100.158 e 280300.279. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados: Acórdão nº 230100.158 “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. (...)” Acórdão nº 280300.279 "PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO, ART. 105, § 4, E ART, 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art., 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Havendo pagamento antecipado e/ou GFIP sobre os valores lançados aplicase a regra prevista no art. 150, parágrafo 4 ° do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido.” Verifico, ainda, constar do voto condutor que integra o acórdão paradigma 230100.158: "As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarse a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do Fl. 842DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35524.000413/200400 Acórdão n.º 9202003.174 CSRFT2 Fl. 10 5 CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Na hipótese concretizada, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre algumas rubricas, conforme relatório fiscal (DAD). Assim, para os levantamentos FPA, FPI, FPN, aplicase o previsto no art. 150, parágrafo 4° do CTN; desse modo, a contar dos fatos geradores, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento fiscal. Para tais rubricas encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência julho de 2002, inclusive esta. Por seu turno para os levantamentos COP, FPC, VU; não houve pagamento antecipado, logo deve ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para essas competências encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2001, inclusive esta. A competência dezembro de 2001 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, data em que se exigia o pagamento antecipado, ou seja em 2 de janeiro de 2002; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de inicio o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, o dia 10 de janeiro de 2003, a qual findaria em 10 de janeiro de 2008.” No presente caso, o v. acórdão recorrido determinou, para fins de cômputo do prazo decadencial, a aplicação o §4º do art. 150 do CTN, tendo em vista a existência nos autos de guias de pagamento de contribuições previdenciárias para o período entre 12/1998 e 03/1999 (fls. 52/55), motivo pelo qual considerou haver antecipação do pagamento por parte do contribuinte e que se encontra decadente o lançamento até a competência de 03/1999. Os paradigmas colacionados, no entanto, manifestaram o entendimento de que o início do prazo decadencial está intrinsecamente relacionado à existência ou não do pagamento antecipado pelo sujeito passivo em relação à rubrica objeto de lançamento, entendendo que, nas hipóteses de inexistência de pagamento a homologar em relação à rubrica específica, deveria ser aplicado o art. 173, inciso I, do CTN. Destarte, patente a divergência, razão pela qual conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. A discussão no presente recurso é relativa ao termo inicial para contagem do prazo decadencial. Pois bem. Cabe examinar se deve ser aplicado ao caso o §4º do art. 150 ou art. 173, inciso I, do CTN, ambos para se determinar o termo inicial para contagem do prazo de decadência de 5 anos. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Em diversas oportunidades já manifestei o entendimento segundo o qual, para os tributos sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existência de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, a partir de alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 22 de dezembro de 2010, introduziu no artigo 62A do Anexo II dispositivo que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar em 18/09/2009 o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 844DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35524.000413/200400 Acórdão n.º 9202003.174 CSRFT2 Fl. 11 7 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso, da análise das Guias de Recolhimento Registradas é possível inferir que houve o recolhimento de contribuições previdenciárias pelo sujeito passivo (fls. 52/55), ainda que em rubricas diversas das exigidas por meio da NFLD. Diversamente da posição defendida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, tenho me manifestado que o deslocamento da regra de contagem do prazo de decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, I, ambos do CTN, requer a total ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias pelo contribuinte relativamente aos fatos geradores questionados, que no caso em exame envolvem um universo de remunerações e verbas mensalmente pagas aos empregados e contribuintes individuais. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 Tal entendimento, inclusive, foi objeto da Súmula CARF nº 99 a seguir transcrita: “Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Com base no referido raciocínio aplicase ao presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador. Assim, no caso em questão, considerando que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 22/04/2004, deve ser mantida a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 03/1999, nos termos consignados no v. acórdão recorrido. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 846DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10920.721078/2012-85
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO
A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO.
Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico.
Na ausência de elementos fáticos que comprovem a existência dos pressupostos hábeis a caracterizar grupo econômico, não é possível dar ao grupo de empresas gerenciados por pessoas diversas da mesma família o status de tal instituo empresarial.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de não reconhecer a existência de vinculo empresarial advindo da formação de grupo econômico com as empresas SOCELPLAST INDÚSTRIA E PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ALBUNS LTDA. Contudo, nos termos em que a recorrente foi silente quanto ao débito contra ela lançado, manter a decisão da Delegacia Regional de Julgamento, por considerar matéria incontroversa, eis que a empresa apresentou inconformidade somente quanto à suposta caracterização de grupo econômico.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico. Na ausência de elementos fáticos que comprovem a existência dos pressupostos hábeis a caracterizar grupo econômico, não é possível dar ao grupo de empresas gerenciados por pessoas diversas da mesma família o status de tal instituo empresarial. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2339; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 136 1 135 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.721078/201285 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.398 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico. Na ausência de elementos fáticos que comprovem a existência dos pressupostos hábeis a caracterizar grupo econômico, não é possível dar ao grupo de empresas gerenciados por pessoas diversas da mesma família o status de tal instituo empresarial. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de não reconhecer a existência de vinculo empresarial advindo da formação de grupo econômico com as empresas SOCELPLAST INDÚSTRIA E PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ALBUNS LTDA. Contudo, nos termos em que a recorrente foi silente quanto ao débito contra ela lançado, manter a decisão da Delegacia Regional de Julgamento, por considerar matéria incontroversa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 10 78 /2 01 2- 85 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 137 2 eis que a empresa apresentou inconformidade somente quanto à suposta caracterização de grupo econômico. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 138 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA., em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/POR) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento do crédito tributário. 2. De acordo com a descrição dos fatos, a empresa em epígrafe mesmo não sendo optante do regime tributário do Simples Nacional, declarava valores em GFIP como se assim fosse. Segue descrição dos fatos apresentada pela fiscalização: “IV. Contribuições Sociais 3. Este relatório é integrante do Auto de Infração, referente a valores apurados de contribuições normais devidas à Seguridade Social, correspondentes à: Parte patronal e GILRAT(*), que está identificada no DEBCAD n°51.013.8829. 4. Os detalhes do crédito previdenciário encontramse elencados no corpo deste relatório ou em seus anexos com suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas e fundamentação legal. 5. A razão pela qual foi efetuado o presente lançamento, prende se ao fato, de que em análise do batimento da Folha de Pagamento, GFIP e GPS, resultaram valores discrepantes, já que a empresa elaborava a GFIP como sendo do Regime Tributário do Simples Nacional – mesmo não sendo optante por este Regime e desta forma recolhia apenas os valores correspondentes ao desconto dos segurados. V. Fato Gerador 6. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, com relação às diferenças de contribuições delas resultantes, referentes ao período do lançamento, verificadas pela fiscalização através das folhas de pagamento e cujos valores estão descritos no Discriminativo de Débito DD, em anexo, e identificados no levantamento, a saber: FL2 – valores não lançados em GFIP é referente à contribuições apuradas sobre remunerações registradas na folha de pagamento normal de trabalhadores empregados e contribuintes individuais, abrangendo o período de 01/2009 a 12/2009. (fls. 12/13) (...) Fl. 138DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 139 4 VII. Outras Informações 11. Os fatos que ensejaram os lançamentos acima relatados, em tese configuram crimes de sonegação fiscal, razão porque será encaminhada a respectiva Representação Fiscal para Fins Penais à autoridade competente. 12. Tendo em vista que as empresas MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA, SOCELPLAST INDÚSTRIA DE PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ALBUNS LTDA, apresentam os pressupostos caracterizadores do instituto de grupo econômico, foi emitido Termo de Sujeição Passiva Solidária. (fl. 13)”. 3. Após devidamente intimado do lançamento, em 10/04/2012, a contribuinte a apresentou impugnação tempestiva às fls. 43/48. Cientificadas do Termo de Sujeição Passiva, as empresas Socelplast Indústria de Plástico Ltda, Bianchi Álbuns Ltda. e CS Cobrança Ltda, , apresentaram impugnação às fls. 68/70, 77/79 e 85/87. 4. No entanto a Delegacia da Receita manteve o lançamento, a ementa do acórdão de primeira instância restou lavrada nos termos que transcrevo abaixo: “GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas contribuições sociais previdenciárias decorrentes da Lei nº 8.212, de 1991. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (f. 94) 5. Em sede recursal, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 110/122) alegando, em síntese, a inexistência de grupo econômico entre as empresas, sob os seguintes argumentos: (i) o fato de pessoas da mesma família serem sócios de diferentes empresas, por si só, não caracteriza o grupo econômico para qualquer fim; (ii) as empresas funcionam em diferentes galpões, ou seja, endereços diferentes; (iii) não há confusão patrimonial entre as empresas ou compartilhamento do quadro de funcionários; (iv) o julgado de primeira instância se utiliza de entendimento de legislação trabalhista para imputar responsabilidade tributária às empresas, o que inviável, pois aquela mais abrangente e inaplicável no caso em tela; (v) as empresas são autônomas, possuem objeto social diferenciado, empregados próprios e diferentes administradores; Fl. 139DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 140 5 (vi) o corpo diretivo de cada empresa é distinto e autônomo, pois têm administradores diversos; e (vii) o fato de duas empresas possuírem um único sócio em comum também não justifica a caracterização do grupo econômico; 6. Alternativamente, considerando que os argumentos de descaracterização de grupo econômico não sejam aceitos, a recorrente pugna pela inexistência de responsabilidade entre empresas, ainda que reste caracterizada a existência de grupo econômico, sob os seguintes argumentos: (i) não há que se falar em responsabilidade das empresas SOCELPLAST, CS COBRANÇAS e BIANCHO ALBUNS por eventuais débitos da empresa MARÉ INDUSTRIAS; (ii) sustenta que segundo entendimento do STJ seria inviável a compensação de créditos de uma empresa com débitos previdenciários de outra empresa, ainda que sejam do mesmo grupo econômico. Assim, de forma análoga, a recorrente argumenta que, se inviável a compensação, também inviável a cobrança do tributo de empresa que não integrou o polo passivo da relação tributária. 7. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 141 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. BASE DE CÁLCULO E FATOS GERADORES INCONTROVERSO 2. Tendo em vista que a recorrente não apresentou impugnação quanto a ocorrência dos fatos geradores que ensejaram a lavratura do presente auto de infração, da mesma forma que assim se posiciona a respeito dos valores estipulados, resta incontroversa tais matérias no âmbito administrativo. DA CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO 3. A recorrente limitouse a questionar especificamente a caracterização do grupo econômico entre ela e as empresas SOCELPLAST INDÚSTRIA DE PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ALBUNS LTDA. 4. Na peça acusatória, no item 25 (fl. 17), que o auto foi lavrado contra a pessoa jurídica do MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA, sendo as demais empresas cientificadas como sujeitos passivos solidários, (fls. 20/34) nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional (CTN) que identifica a obrigação solidária das pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. 5. O Código Tributário Nacional, de fato, prevê somente dois sujeitos subordinados à solidariedade tributária, quais sejam, as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e aquelas expressamente designadas por lei. 6. Esse interesse comum a que alude o inciso I, do art. 124, do CTN não se confunde com o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação, que constitui o fato gerador da obrigação principal. Tratase de interesse jurídico que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador da obrigação tributária. 7. No caso do grupo econômico, motivo determinante para a autuação da empresa, a Lei nº 8.212/91 em seu art. 30 c/c Regulamento da Previdência Social (RPS), art. 222, cuidaram de delimitar que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias previstas nesses diplomas legais, in verbis: Lei 8.212/91. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 142 7 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...). IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...)”. Regulamento da Previdência Social Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. 8. Incontestável a previsão legal que assegura a solidariedade existente entre empresas do mesmo grupo econômico, sendo, por consequência, considerada como devedora solidária, sem benefício de ordem. 9. No entanto para fins de autuação fiscal a formação de grupo econômico, deve ser claramente comprovada pela fiscalização, ou seja, é função do auditor fiscal, nos casos em que a existência do grupo econômico não é reconhecida pelas empresas, provar a existência fática do grupo econômico. 10. Primeiramente, quanto ao conceito do instituto, a doutrina não é uniforme ao conceituar grupo econômico. No entanto, a ideia que se pode extrair é comum a maioria das definições, como por exemplo: concentração de empresas com obediência de um gerenciamento único e controle, de maneira que, embora cada uma conserve sua identidade jurídica, na prática funcionam como se departamentos fossem da empresa “piloto” ou empresa mãe/controladora, representando assim nada mais nem menos do que uma técnica de gestão, na medida em que geralmente buscase a união de esforços e valores, monetários ou não, para atingir objetivos comuns. 11. A legislação trabalhista interpreta o conceito de grupo econômico, conforme art.2º, § 2º, da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT): como a composição de duas ou mais empresas, submetidas à direção única, a principal, controladora das demais, in verbis: Art.2º. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 2. Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 143 8 12. Essa tem se pautado dos seguintes indícios para identificar grupos de empresas constituídos informalmente: (i) a direção e/ou administração das empresas pelos mesmos sócios e gerentes e o controle de uma pela outra; (ii) a origem comum do capital e do patrimônio das empresas; (iii) a comunhão ou a conexão de negócios; (iv) a utilização da mão de obra comum ou outras situações que indiquem o aproveitamento direto ou indireto por uma empresa da mão de obra contratada por outra. 13. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem considerado como requisito essencial ao reconhecimento de um grupo empresarial a subordinação empresarial (RE 824667/PR) bem como tem reconhecido a solidariedade quanto a débitos tributários, “desse que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente” (REsp 973733/SC). 14. Com tal respaldo verifico que o agente que lavrou o auto de infração bem fundamentou juridicamente a hipótese do grupo econômico e a respectiva obrigação solidária entre os seus integrantes. Não obstante, não consta claramente comprovada a situação fática que identificasse de forma inequívoca a existência de grupo econômico entre as empresas. 15. Isto é, não basta trazer à baila a legislação que trata da responsabilidade solidária entre as pessoas jurídicas que compõem o grupo econômico, é necessário comprovação da hipótese elencada pelo fisco no inciso I, do art. 124 do CTN, pois a ele é imputado o ônus da prova, segundo Fábio Pallaretti Calcini, em Responsabilidade tributária e solidariedade (RDDT 167/36, ago/09): Solidariedade tributária, no caso do grupo econômico, não decorre, simplesmente, da caracterização deste, cujo ônus da prova é do Fisco...É preciso também demonstrar o cumprimento dos requisitos estampados no art. 124, do Código Tributário Nacional... Por fim, o art. 30, inciso IX, da Lei n. 8.212/91 deve ser interpretado, conjuntamente, com o art. 124, do Código Tributário Nacional, em especial, no tocante ao inciso I, o qual há de ser considerado o núcleo fundamental e irradiador das diretrizes essenciais em matéria de responsabilidade tributária, de maneira que todos os requisitos devem ser preenchidos, principalmente, o interesse comum no fato gerador da obrigação principal. 16. Compulsando detidamente os argumentos fiscais para o lançamento, não resta cristalina a formação de grupo econômico pelas empresas envolvidas. Como exposto, a doutrina e a jurisprudência trabalhista e do STJ, são uníssonas no sentido de caracterizar grupo econômico entre empresas quando restar inequivocamente comprovado o compartilhamento de instalações e de funcionários entre as empresas e houver confusão patrimonial, administrativa e contábil entre as empresas, o que denota a ligação e o interesse comum dos contribuintes, entre outros aspectos. 17. In casu, no relatório fiscal dos autos não ficou claro – tampouco se preocupou em especificar – quais foram os pressupostos ponderados pela autoridade fiscal que o levou a considerar as empresas MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA., Fl. 143DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 144 9 SOCELPLAST INDÚSTRIA DE PLÁSTICO LTDA., CS COBRANÇA LTDA. e BIANCHI ÁLBUNS LTDA. grupo econômico de fato. 18. Conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária, são argumentos do auditor fiscal para justificar a solidariedade entre as empresas: “(...) 2. Neste mesmo endereço verificamos que funciona a empresa SOCELPLAST INDÚSTRIA DE PLÁSTICO LTDA., CNPJ – 03.485.170/000100. 3. Em consulta aos sistemas da RFB, verificamos que são sócios da empresa Socelplast, acima referida, Guilherme Nichues, CPF – 008.989.46930 e Maria Vieira, CPF – 548.746.10900. 4. Ainda na consulta aos sistemas da RFB podemos verificar a existência de outras empresas com os mesmos sócios: CS COBRANÇA LTDA, CNPJ – 04.735.236/000127 Sócios: Guilherme Niehues, CPF – 008898.46930 Solenir Terezinha Niehues, CPF – 417.536.58934 BIANCHI ÁLBUNS LTDA, CNPJ – 04.232.326/000103 Sócios: Solenir Terezinha Niehues, CPF – 417.536.58934 Claudemir Paludo, CPF – 884.659.42072 5. Assim, temos várias empresas pertencentes a mesma família, com o que concluímos que existem os pressupostos caracterizadores do instituto de grupo econômico do qual fazem parte as quatro empresas acima referidas. (...) 8. Assim sendo, as empresas SOCELPLAST INDÚSTRIA E PLÁSTICO LTDA, CNPJ – 03.485.170/000100, CS COBRANÇA LTDA, CNPJ – 04.735.236/000127 E BIANCHI ÁLBUNS LTDA, CNPJ – 04.232.326/000103 responderão solidariamente co a empresa MARÉ INDÚSTRIA DE PLÁSTICO LTDA, CNPJ – 09599.573/001158 em relação aos créditos previdenciários ora constituídos, com base no artigo 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário nacional) e art. 30, IX da Lei nº 8.212, de 1991, que assim estabelecem: art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato ferrador da obrigação principal; II – as pessoas expressamente designadas por lei; Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às Fl. 144DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10920.721078/201285 Acórdão n.º 2803003.398 S2TE03 Fl. 145 10 seguintes normas: (redação dada pela Lei n 8.620, de 05.01.1993) (...) IX – as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei (fls. 20/23). 19. Em que pese os argumentos supra mencionados, estes não balizam a realidade fática de grupo econômico entre as empresas, tampouco evidenciam documentalmente a existência dos requisitos de confusão jurídica, contábil ou sequer o compartilhamento de quadro de funcionários entre as pessoas jurídicas, esses sim, elementos robustos que dariam margem a subordinação e unicidade empresarial. 20. Assim, por não terem sido juntados aos autos qualquer documentação capaz de ratificar o lançamento realizado tampouco a explanação clara e precisa no relatório fiscal quanto aos elementos caracterizadores do grupo econômico de fato, voto pelo provimento ao recurso voluntário interposto, para afastar a responsabilidade solidária dessas pessoas jurídicas. CONCLUSÃO 21. Por todo o exposto conheço do recurso voluntário, para no mérito, darlhe provimento parcial, no sentido de não reconhecer a existência de vinculo empresarial advindo da formação de grupo econômico com as empresas SOCELPLAST INDÚSTRIA E PLÁSTICO LTDA, CS COBRANÇA LTDA e BIANCHI ÁLBUNS LTDA. Contudo, nos termos em que a recorrente foi silente quanto ao crédito contra ela lançado, mantenho a decisão da Delegacia Regional de Julgamento, por considerar matéria incontroversa, eis que a empresa apresentou inconformidade somente quanto à suposta caracterização de grupo econômico. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 12897.000210/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2006
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO MENSAL. INOBSERVÂNCIA PELA FISCALIZAÇÃO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXONERAÇÃO.
Correto o entendimento de que o lançamento de ofício deve obedecer ao PERÍODO APURAÇÃO dos tributos. Todavia, uma vez que os dispositivos legais determinam que o Pis (art. 2º da Lei nº 9.715/1998) e a Cofins (art. 2º da Lei Complementar nº 70/1991) sejam apurados mensalmente, a acumulação das receitas apuradas no último mês do trimestre evidencia ERRO no PERÍODO de APURAÇÃO apenas em face das parcelas correspondentes às receitas dos dois primeiros meses do trimestre, ali computadas.
Numero da decisão: 1101-001.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, divergindo o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, que negava provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2006 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO MENSAL. INOBSERVÂNCIA PELA FISCALIZAÇÃO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXONERAÇÃO. Correto o entendimento de que o lançamento de ofício deve obedecer ao PERÍODO APURAÇÃO dos tributos. Todavia, uma vez que os dispositivos legais determinam que o Pis (art. 2º da Lei nº 9.715/1998) e a Cofins (art. 2º da Lei Complementar nº 70/1991) sejam apurados mensalmente, a acumulação das receitas apuradas no último mês do trimestre evidencia ERRO no PERÍODO de APURAÇÃO apenas em face das parcelas correspondentes às receitas dos dois primeiros meses do trimestre, ali computadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, divergindo o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, que negava provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
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BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO MENSAL. INOBSERVÂNCIA PELA FISCALIZAÇÃO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXONERAÇÃO. Correto o entendimento de que o lançamento de ofício deve obedecer ao PERÍODO APURAÇÃO dos tributos. Todavia, uma vez que os dispositivos legais determinam que o Pis (art. 2º da Lei nº 9.715/1998) e a Cofins (art. 2º da Lei Complementar nº 70/1991) sejam apurados mensalmente, a acumulação das receitas apuradas no último mês do trimestre evidencia ERRO no PERÍODO de APURAÇÃO apenas em face das parcelas correspondentes às receitas dos dois primeiros meses do trimestre, ali computadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, divergindo o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, que negava provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 02 10 /2 01 0- 10 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12897.000210/201010 Acórdão n.º 1101001.123 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12897.000210/201010 Acórdão n.º 1101001.123 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório A 5a Turma da DRJ/Rio de JaneiroI submete a reexame necessário decisão na qual, por unanimidade de votos, foi julgada PARCIALMENTE PROCEDENTE impugnação interposta contra lançamento formalizado em 27/04/2010, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 7.130.848,10. As exigências decorrem da constatação de omissão de receitas presumidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. A apuração do IRPJ e da CSLL observou a opção da contribuinte pelo lucro presumido trimestral, e as exigências de Contribuição ao PIS e da COFINS foram calculadas na sistemática cumulativa, mas também reunindo trimestralmente as receitas apuradas. A Turma Julgadora rejeitou as alegações da contribuinte acerca da regular escrituração dos depósitos bancários, mas cancelou as exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS foram as bases de cálculo foram apuradas trimestralmente. O acórdão está assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos bancários de origem não comprovada. CSLL. DECORRÊNCIA. O lançamento reflexo deve seguir o mesmo entendimento aplicado no julgamento do lançamento principal, se têm como fundamento as mesmas infrações, dada a relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2006 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO MENSAL. INOBSERVÂNCIA PELA FISCALIZAÇÃO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXONERAÇÃO. O lançamento de ofício deve obedecer ao PERÍODO APURAÇÃO dos tributos. Uma vez que os dispositivos legais determinam que o Pis (art. 2º da Lei nº 9.715/1998) e a Cofins (art. 2º da Lei Complementar nº 70/1991) sejam apurados mensalmente, e considerando que a fiscalização, sem previsão legal, apurou as bases de cálculo e as contribuições devidas de Pis e Cofins na forma trimestral, devese cancelar os autos de infração de Pis e de Cofins, por ERRO no PERÍODO de APURAÇÃO. As exigências principais exoneradas, acrescidas da correspondente penalidade, totalizaram R$ 1.480.985,80, ultrapassando o limite estabelecido na Portaria MF nº 3/2008. Cientificada da decisão de primeira instância por meio de edital publicado em 22/08/2013 (fl. 402), a contribuinte não interpôs recurso voluntário, e os créditos tributários mantidos foram transferidos para cobrança nos autos do processo administrativo nº 12448.730666/201349. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12897.000210/201010 Acórdão n.º 1101001.123 S1C1T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A exoneração das exigências de Contribuição ao PIS e COFINS está assim fundamentada: [...] Dos lançamentos da Contribuição para o Pis e a Cofins De acordo com os autos de infração lavrados de PIS (fls. 345/9) e de COFINS (fls. 350/4), verificase que a fiscalização apurou as bases de cálculo e as contribuições devidas também na forma trimestral, para o anocalendário de 2006. Entretanto, para estas contribuições, o período de apuração é mensal. Acerca da apuração do crédito tributário, trago parte do voto proferido no Acórdão 1218.412, de 27 de fevereiro de 2008: “Todavia, o lançamento de ofício deve obedecer ao período apuração dos tributos, o que foi inobservado pela fiscalização. O art. 2º da Lei nº 9.715/1998 e o art. 2º da Lei Complementar nº 70/1991 determinam, respectivamente, que o Pis e a Cofins sejam apurados mensalmente e não trimestralmente. Devese registrar que não cabe a esta autoridade julgadora alterar a forma de apuração, já que estaria inovando o lançamento, o que violaria o princípio da legalidade. Neste sentido, cabe citar a autora Mary Elbe Gomes Queiroz Maia, no Livro Do Lançamento Tributário – Execução e Controle, Ed. Dialética, São Paulo, 1999, p.163. “Igualmente é inadmissível que seja alterada a base legal ou a matéria fática objeto do lançamento inicial, inclusive não poderá ser modificada a identificação da infração, pois tais hipóteses implicariam em substituição e, por conseqüência, em novo lançamento diverso daquele inicialmente objeto do processo fiscal em que se está exercendo o controle, para cuja atividade o órgão julgador é inteiramente carente de competência....” No mesmo sentido, citase ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA APERFEIÇOAMENTO DA EXIGÊNCIA INICIAL POR DRJ NULIDADE A competência atribuída às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, nos termos do artigo 2.º da Lei n.º 8.748/93, não contempla a função de lançamento tributário, nos termos do disposto no artigo 142 do CTN, de modo a alterar a exigência impugnada, aperfeiçoando os termos da exigência inicial, sendo, pois, nulo tal procedimento (Acórdão n.º 10704.028, de 15/04/1997, 1.º CC). Portanto, considerando que a fiscalização, sem previsão legal, apurou indevidamente as bases de cálculo e as contribuições devidas de PIS e COFINS na forma diversa da mensal, voto pelo cancelamento dos créditos tributários lançados referentes ao ano calendário de 2006. Conclusão Fl. 422DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12897.000210/201010 Acórdão n.º 1101001.123 S1C1T1 Fl. 6 5 Por todo o exposto, voto no sentido de: 1 se manter integralmente os lançamentos de IRPJ, no valor de R$ 1.839.509,60 e da CSLL, de R$ 667.747,90, acrescidos da multa de 75% e dos juros de mora; 2 exonerar os lançamentos do PIS, de R$ 150.706,90 e da COFINS. de R$ 695.570,70, bem como a multa de ofício de 75% e dos juros de mora, por erro de lançamento. Em verdade, porém, os autos de infração reúnem nos fatos geradores de 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006 e 31/12/2006 as receitas omitidas nos trimestres finalizados naquelas datadas, e a planilha de fl. 252 evidencia as receitas que foram, antes, apuradas mensalmente: REAL BRADESCO HSBC ITAÚ ITAUBANK CEF UNIBANCO TOTAL janeiro 370.011,75 217.085,82 219.424,10 342.438,34 1.148.960,01 fevereiro 1.000,00 45.431,38 127.566,80 51.078,16 171.706,70 13.094,35 20.852,50 430.729,89 março 704.827,25 6.590,15 312.461,88 259.833,53 136.774,14 1.420.486,95 1 Trimestre 1.000,00 1.120.270,38 134.156,95 580.625,86 431.540,23 232.518,45 500.064,98 3.000.176,85 abril 30.117,49 891.876,25 184.959,80 185.171,03 418.769,03 224.532,32 199.659,54 2.135.085,46 maio 800.436,81 308.799,89 266.006,96 88.233,24 61.138,96 162.816,24 1.687.432,10 junho 3.185,00 1.324.340,02 245.410,03 313.822,76 235.996,88 214.822,40 128.245,12 2.465.822,21 2 Trimestre 33.302,49 3.016.653,08 739.169,72 765.000,75 742.999,15 500.493,68 490.720,90 6.288.339,77 julho 76.662,26 1.413.943,34 227.512,84 332.857,79 135.368,64 77.913,89 151.582,66 2.415.841,42 agosto 13.094,73 986.529,19 285.910,67 412.250,52 396.552,15 128.121,99 166.001,67 2.388.460,92 setembro 43.397,27 1.026.525,62 341.006,66 326.038,12 127.186,55 42.360,51 124.393,08 2.030.907,81 3 Trimestre 133.154,26 3.426.998,15 854.430,17 1.071.146,43 659.107,34 248.396,39 441.977,41 6.835.210,15 outubro 183.047,71 1.177.342,87 367.197,76 259.587,69 11.605,57 77.352,21 350.215,41 2.426.349,22 novembro 210.428,26 1.138.895,83 211.662,55 405.681,92 121.500,42 277.424,81 2.365.593,79 dezembro 261.357,06 1.000.643,53 350.474,60 237.630,11 213.999,41 205.918,13 2.270.022,84 4 Trimestre 654.833,03 3.316.882,23 929.334,91 902.899,72 11.605,57 412.852,04 833.558,35 7.061.965,85 O equívoco da autoridade fiscal, portanto, não foi aplicar a periodicidade trimestral para apuração das contribuições exoneradas, mas sim acumular no último mês do trimestre toda a receita do período. Em conseqüência, as exigências apontadas para os vencimentos de 13/04/2006, 15/05/2006, 13/10/2006 e 15/01/2007 apresentamse majoradas com parcelas que deveriam ter sido recolhidas em momento anterior, por corresponderem aos fatos geradores de 31/01/2006, 28/02/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/10/2006 e 30/11/2006. Assim, os valores exigidos podem ser regularizados com a exclusão daquelas parcelas indevidamente lançadas nos períodos de apuração autuados, sem qualquer alteração na forma de apuração adotada pela Fiscalização, a qual, frisese, está apontada com contornos de apuração mensal nos autos de infração. A mencionada alteração na forma de apuração somente se verificaria se as receitas pertinentes aos dois primeiros meses do trimestre foram alocadas, em julgamento, aos períodos de apuração aos quais competem, inovando o lançamento em relação aos fatos geradores autuados, com conseqüente alteração do vencimento do tributo e dos juros de mora sobre eles incidentes. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12897.000210/201010 Acórdão n.º 1101001.123 S1C1T1 Fl. 7 6 Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, para restabelecer as exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS correspondentes às bases de cálculo de R$ 1.420.486,95 em 31/03/2006; R$ 2.465.822,21 em 30/06/2006; R$ 2.030.907,81 em 30/09/2006 e R$ 2.270.022,84 em 31/12/2006. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 424DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10850.900063/2012-52
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 06 3/ 20 12 -5 2 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.900063/201252 Resolução nº 3801000.680 S3TE01 Fl. 137 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de PIS, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração outubro de 2002, no valor de R$ 546,27.. O pedido foi transmitido através do PER nº 31290.28614.170907.1.2.04 0397, fls. 4/6, em 17/09/2007.. O despacho decisório de fls. 7, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 8. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 9/17, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.900063/201252 Resolução nº 3801000.680 S3TE01 Fl. 138 3 Requereu ainda o reconhecimento do direito à restituição e a homologação da Dcomp. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 44/48). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2002 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2002 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.900063/201252 Resolução nº 3801000.680 S3TE01 Fl. 139 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de PIS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência aos princípios da ampla defesa e da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito, vejamos o alegado: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e Fl. 139DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.900063/201252 Resolução nº 3801000.680 S3TE01 Fl. 140 5 faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.900063/201252 Resolução nº 3801000.680 S3TE01 Fl. 141 6 Atentese que em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, essa discussão deixou de ser pertinente, vez que as normas em questão instituíram nova base de cálculo, desta feita com amparo na Constituição Federal, pela redação da Emenda Constitucional 20, de 1998. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição PIS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de PIS no período de apuração apontado no pedido de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, Constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição para o PIS e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 141DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 13603.720274/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
SOLIDARIEDADE. Somente as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador podem ser arroladas como responsáveis pelo crédito tributário apurado. ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com vistas a sonegação e fraude os mandatários e gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. ADMINISTRAÇÃO COM INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. A administração do sujeito passivo com interposição de pessoa jurídica não é suficiente para autoriza a imputação de responsabilidade solidária ou pessoal contra esta.
DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-001.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências principais, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior com referência à exigência de IRRF; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade; 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade; 6) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de decadência; 7) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora (Selic); 8) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à responsabilidade tributária, para exclusão de MVM Empreendimentos e Participações, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Somente as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador podem ser arroladas como responsáveis pelo crédito tributário apurado. ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com vistas a sonegação e fraude os mandatários e gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. ADMINISTRAÇÃO COM INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. A administração do sujeito passivo com interposição de pessoa jurídica não é suficiente para autoriza a imputação de responsabilidade solidária ou pessoal contra esta. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
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Não são dedutíveis na apuração do lucro tributável os custos contabilizados, cujos correspondentes documentos fiscais foram demonstrados inidôneos, por corresponderem a documentos falsos ou se decorrerem de operações comerciais materialmente incomprovadas e vinculadas a procedimentos anormais de pagamento. Subsiste a glosa se o sujeito passivo não apresenta qualquer evidência de sua boafé. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). QUALIFICAÇÃO. Pertinente a qualificação da penalidade se demonstrada a falsidade de documentos fiscais e/ou a inidoneidade de fornecedores associada à ausência de prova do recebimento das mercadorias e providências anormais de pagamento. AGRAVAMENTO. A multa de ofício será agravada se o sujeito passivo, no prazo marcado, deixe de atender intimação fiscal para apresentar os arquivos magnéticos relativos à sua escrita contábil ou fiscal. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 02 74 /2 00 8- 37 Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 3 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 PAGAMENTO SEM IDENTIFICAÇÃO DE BENEFICIÁRIO E RESPECTIVA CAUSA DA OPERAÇÃO. É cabível a tributação exclusiva de fonte nos casos de pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). QUALIFICAÇÃO. Pertinente a qualificação da penalidade se demonstrada a falsidade de documentos fiscais e/ou a inidoneidade de fornecedores associada à ausência de prova do recebimento das mercadorias e providências anormais de pagamento. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Somente as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador podem ser arroladas como responsáveis pelo crédito tributário apurado. ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com vistas a sonegação e fraude os mandatários e gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. ADMINISTRAÇÃO COM INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. A administração do sujeito passivo com interposição de pessoa jurídica não é suficiente para autoriza a imputação de responsabilidade solidária ou pessoal contra esta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências principais, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior com referência à exigência de IRRF; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade; 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 4 3 penalidade; 6) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de decadência; 7) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora (Selic); 8) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à responsabilidade tributária, para exclusão de MVM Empreendimentos e Participações, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório BM COMERCIAL LTDA, Márcio Vilefort Martins, Márcia Vilefort Martins Chernicharo, Antônio Vilefort Martins, Marília Vilefort Martins e MVM Empreendimentos e Participações Ltda, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTES as impugnações interpostas contra lançamento formalizado em 10/11/2008, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 98.795.893,57. A presente exigência decorre da glosa de custos na apuração do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário 2002 a 2004, e foi promovida com acréscimo de multa de ofício no percentual de 225%. Além disso, foram constatados pagamentos sem causa definida e a beneficiários não identificados de 11/06/2003 a 28/12/2006, ensejando existências de IRRF com aplicação de multa de ofício no percentual de 150%. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 276/473 os agentes fiscais, inicialmente, descrevem os procedimentos desenvolvidos para obtenção dos arquivos magnéticos de escrituração contábil e fiscal, sem lograr sucesso apesar de todos os prazos e opções concedidos ao sujeito passivo, o que ensejou o agravamento da multa de ofício na forma do art. 44, §2o, inciso II da Lei nº 9.430/96. Na seqüência, descreveram os demais questionamentos fiscais dirigidos à fiscalizada, noticiando a apreensão de originais de notas fiscais de compras com indícios de serem documentos inidôneos, conforme relação constante de termo específico. A contribuinte foi, então, intimada a comprovar o efetivo fornecimento das mercadorias, tanto sob o aspecto financeiro (pagamento) quanto à efetividade do ingresso da mercadoria, mas apenas apresentou evasivos esclarecimentos consignados no documento de fls. 696/697. As autoridades lançadoras também constataram que os pagamentos destes fornecedores ocorria de forma anormal, fora dos prazos e com grande atraso, sem qualquer questionamento por parte dos fornecedores, e em alguns casos as obrigações eram extintas mediante dação em pagamento. Com exceção dos quatro fornecedores com os quais houve este tipo de transação, as demais aquisições eram pagas através de cheques de pequeno valor, creditados em contas bancos. Na Parte II do Termo de Verificação Fiscal, as autoridades lançadoras descrevem as investigações realizadas para concluir pela inidoneidade da documentação fiscal vinculada aos custos glosados, em suma porque as notas fiscais são frias, por não corresponderem à saída efetiva, dos estabelecimentos emitentes, das mercadorias nelas descritas. Afirmaram que essas notas foram utilizadas pelo sujeito passivo com intuito doloso de esquivarse fraudulentamente do pagamento dos impostos devidos. Houve a simulação de operações comerciais com empresas inexistentes de fato ou de fachada e com empresas verdadeiramente existentes que, no caso, negaram peremptoriamente ter tido relações comerciais com a BM Comercial Ltda. Investigando os pagamentos destes fornecimentos, os agentes fiscais intimaram a contribuinte a apresentar os cheques em regra neles utilizados, e diante de sua Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 6 5 omissão emitiram Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, obtendo cópias dos cheques, a partir das quais constatouse sua destinação a terceiros não identificados, motivando a exigência de IRRF. Isto porque além de a contribuinte não ter comprovado os pagamentos, quanto intimada a fazêlo, as cópias dos cheques evidenciaram que eles foram emitidos nominalmente à própria BM COMERCIAL LTDA e sacados contra os bancos Bradesco e Safra. São todos cheques nominais, à ordem e foram transmitidos por meio de endosso em branco, ou seja, o beneficiário do cheque – a própria BM, no caso – assinou no verso, sem identificar o novo beneficiário, autorizando seu pagamento pelo banco. Em conseqüência, não foi possível identificar os destinatários e as destinações desses recursos. Quanto aos Termos de Dação em Pagamento, com utilização de Títulos da Dívida Pública, as autoridade fiscais constataram que eles foram elaborados unilateralmente e de forma simulada e fraudulenta, ao que tudo indica com o único propósito de cumprir dívida fictícia, lançada no passivo da empresa. Registraram, ainda, a existência de notas fiscais com características de inidôneas, porque não localizadas as empresas ou seus sócios, ou então mantendose silentes aqueles localizados. No mais, as empresas existentes de fato declararam que não emitiram os documentos questionados. Demonstrado que a contribuinte utilizou notas fiscais falsamente atribuídas a vendedores de mercadorias, a exigência decorrente da glosa de custos foi acrescida da multa qualificada prevista no §1o do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, por estar caracterizado o evidente intuito de fraude, revelado no art. 71, I e 72 da Lei nº 4.502/64, na medida em que a conduta dolosa do sujeito passivo visava impedir ou retardar a ocorrência e o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, dos fatos geradores das obrigações tributárias principais, inclusive natureza e circunstâncias materiais. Além disso, a multa foi elevada ao percentual de 225% em razão da falta de apresentação dos arquivos magnéticos, como antes exposto. No caso da exigência de IRRF, como houve a liquidação de uma “obrigação inexistente”, constante do passivo, com efetiva saída de recursos da empresa, de modo que o beneficiário não está identificado e a saída do numerário foi suportada em documentos inidôneos, também se impôs a aplicação da multa qualificada prevista no §1o do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, pois está presente e caracterizado o evidente intuito de fraude. Há no Termo de Verificação Fiscal, ainda, referências às exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS no regime nãocumulativo, em razão de declaração a menor de débitos, bem como em decorrência da glosa de créditos lastreados em documentos inidôneos, e de outros créditos não admissíveis no cálculo das contribuições. Contudo, tais lançamentos foram formalizados nos autos do processo administrativo nº 13603.720275/2008 81. Para imputar responsabilidade tributária aos demais recorrentes, os agentes fiscais observam que Márcia Vilefort Martins Chernicharo e Márcio Vilefort Martins eram sócios quotistas da autuada, e Antônio Vilefort Martins e Marília Vilefort Martins eram seus procuradores, concorrendo solidariamente para ocorrência das infrações destacadas, vez que exerceram conjuntamente poderes de administração da empresa nos períodos sob análise, agindo em conluio, nos termos do previsto no artigo 73 da Lei 4.502/1964. Os dois primeiros atuaram, também, através da pessoa jurídica quotista MVM Empreendimentos e Participações Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 7 6 Ltda, que passou a ser sócia da autuada a partir de 23/06/2000, sob a administração daquelas pessoas físicas. As autoridades lançadoras discorrem sobre as alterações no quadro societário da autuada, bem como enunciam as procurações conferidas a Antônio e Marília Vilefort Martins, e fundamenta a responsabilização nos arts. 124, I e 135, II e III do CTN. A autuada e os responsáveis apresentaram defesa conjunta, na qual argüiram a decadência das exigências referentes aos fatos geradores ocorridos de dezembro/2002 a setembro/2003, bem como a nulidade dos lançamentos de IRPJ e CSLL por cerceamento ao direito de defesa, em razão da falta de ciência dos procedimentos que resultaram na declaração de inidoneidade das notas fiscais glosadas, e do exíguo prazo para impugnação, mormente considerando que o Termo de Verificação Fiscal contava com 198 folhas, e em alguns pontos sem referência às páginas nas quais se localizariam os documentos apontados. No mérito, afirmaram sua incompetência (legal e técnica) para realizar a fiscalização de seus fornecedores e respectivos documentos fiscais, contábeis e societários, mormente tendo em conta que as constatações fiscais foram posteriores às compras realizadas. Reportaramse a laudos contábeis e documentos juntados à impugnação, à habilitação dos fornecedores no Sintegra/ICMS, inclusive afirmando que houve efetiva entrada das mercadorias em seu estabelecimento. Mais à frente, insistiram na indevida retroação da inidoneidade dos documentos fiscais. Destacaram a ausência de diligências tendentes a comprovar que não ocorreu efetiva entrada e pagamento de mercadorias no estabelecimento da autuada, valendose a Fiscalização de meros indícios. Reportaramse a operações específicas com o fornecedor Realmix Comércio e Distribuição, e imputaram ao Fisco o ônus da prova da inocorrência de tais operações. Defenderam a necessidade de se verificar a existência de efetiva saída dos produtos, sob pena de se tributar a receita decorrente de mercadorias que não teriam ingressado no estabelecimento da contribuinte. Afirmaram a fragilidade do feito fiscal reportandose a provas de operações efetivas com MSP Comércio de Mercadorias em Geral Ltda. Questionaram a exigência simultânea de IRPJ/CSLL e IRRF, na medida em que se houve pagamento de uma obrigação constante do passivo, com efetiva saída de recursos, então há custo para a empresa. E discordaram das penalidades aplicadas, por ofenderem princípios constitucionais, porque ausentes os requisitos legais para sua qualificação, e também porque atendidas todas as intimações que lhe foram feitas, inclusive com apresentação de sua escrituração em meios nãoeletrônicos. Por fim, afirmaram ilegal a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora. No que tange à responsabilidade tributária de Márcio e Márcia Vilefort Martins e de MVM Empreendimentos e Participações Ltda, discordaram da fundamentação no art. 124 do CTN, aplicável apenas aos casos de pluraridade de pessoas no pólo passivo da obrigação tributária, também defendendo que o interesse comum somente se verifica na prática conjunta dos negócios jurídicos ensejadores do fato gerador. A condição de sócio revelaria apenas interesse econômico e não interesse comum na dicção legal. Já com referência ao art. 135, III, a autoridade fiscal não provou a prática de atos com excesso de poderes, infração da lei, contrato social ou estatutos, na medida em que não basta a mera gestão para tal imputação, Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 8 7 exigindose culpa subjetiva. Por fim, consignam que a falta de pagamento de tributos não caracteriza infração à lei. Com referência a Antônio e Marília Vilefort Martins, observam que meros instrumentos de procuração não geram responsabilidade tributária, até porque tais pessoas jamais exerceram atos de gestão de cunho fiscal, apenas praticando atos de cunho comercial e gestão empresarial, inexistindo qualquer demonstração de que tenham concorrido para a alegada omissão no recolhimento de tributos. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · Não se verificou qualquer nulidade, porque os lançamentos estão suportadas por provas colhidas durante o procedimento fiscal, e inclusive questionadas por meio de intimações dirigidas à contribuinte. Os autos ficaram à disposição da contribuinte durante o prazo de impugnação, e a extensão deste está definida em lei. · Além da falta de pagamento, o evidente intuito de fraude impõe a aplicação do art. 173, I do CTN, de modo que mesmo para as ocorrências do ano calendário 2002, exercício 2003, a contagem do prazo decadencial tem início em 01/01/2004, autorizando a formalização do lançamento em 10/10/2008. · A Parte II do Termo de Verificação Fiscal revela que a Fiscalização realizou um extenso e vasto trabalho, muito bem arrazoado e sustentado, apontando no TVF, elementos e provas robustas que não deixam quaisquer dúvidas que diversas notas fiscais contabilizadas pelo Impugnante são inidôneas (vide demonstrativos das “Notas Fiscais Inidôneas”, documentos de fls. 182/209). Além de provas diretas, vários e fortes indícios indicam que não houve a entrada, no estabelecimento do Contribuinte, das mercadorias referidas nas notas fiscais declaradas inidôneas pelo órgão competente do Fisco estadual. · As diligências realizadas posteriormente evidenciam provas que não se apagam nunca, e reúnem indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração, razão pela qual os atos declaratórios de inidoneidade têm efeitos retroativos. Demonstrada a inexistência das operações comerciais, é ônus do sujeito passivo provar que a entrada das mercadorias em seu estabelecimento ocorreu. · A operação com Realmix Comércio e Distribuição Ltda, citada pelos interessados, não foi objeto de glosa fiscal. Quanto aos documentos juntados à impugnação (Anexo 5, composto pelos volumes 1 a 6), tratamse de comprovantes de CNPJ (situação cadastral), comprovante de I.E (situação cadastral), certidões, cópias de NF e planilhas de composição de pagamentos, os quais não se prestam a provar o pagamento aos fornecedores ou a regularidade das operações comerciais. Em suma, a documentação juntada, conquanto volumosa, não possui qualidade ou conteúdo para contraporse ao extenso trabalho fiscal, rico em detalhes, indícios e provas diretas que o Contribuinte contabilizou indevidamente operações comerciais inexistentes. · Com referência às operações com MSP Comercio de Mercadorias em Geral Ltda, a importação de mercadorias por esta, e a remessa de mercadorias desta para a filial da autuada em São Paulo, não assegura que estas mesmas Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 9 8 mercadorias tenham sido transferidas para o estabelecimento da contribuinte em Contagem. Quanto aos pagamentos, houve apenas a juntada de um amontoado de transferências bancárias, sem precisar quais notas fiscais da MSP estariam sendo pagas. Ademais, considerando o volume de operações no valor de R$ 21 milhões, exigível seria maior controle contábil e fiscal da fornecedora, mormente tendo em conta a falta de capacidade econômica e financeira de seus sócios, e os indícios de que membros da família Vilefort eram os reais proprietários da MSP, prestandose ela apenas a operações de mercado externo de outubro/2002 a março/2003. · Embora baseadas no mesmo fato, as exigências de IRPJ/CSLL e IRRF coexistem perfeitamente, porque a primeira reflete os efeitos no lucro da empresa que teve custos glosados, e a segunda a incidência sobre os beneficiários não identificados ou envolvidos em operações sem causa. Ausente demonstração dos beneficiários e da causa das operações, a exigência do IRRF subsiste. · O agravamento da penalidade justificase ante a falta de apresentação dos arquivos magnéticos e a qualificação deve ser mantida porque evidenciada soberbamente a conduta dolosa do Impugnante, caracterizadora de sonegação ou fraude, bem como crime contra ordem tributária. Quanto aos juros de mora, há lei determinando seu cálculo com base na taxa SELIC. · Argüições de inconstitucionalidade não têm lugar no contencioso administrativo, e a juntada posterior de documentos ofende o disposto no art. 16, §4o do Decreto Nº 70.235/72. · Os responsáveis tributários conjugaram esforços para a realização das atividades comerciais da autuada, existindo assim o “interesse comum” nas situações que constituíram os fatos geradores tributados, mormente tendo em conta que se utilizaram de notas fiscais inidôneas para reduzir o lucro tributável. Ademais, a falta de recolhimento do tributo constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de leis tributárias, mormente tendo em conta que neste caso houve imputação de sonegação, fraude e conluio. A autuada e os responsáveis tributários foram cientificados da decisão de primeira instância de 07/03/2009 a 10/03/2009 (fls. 1408/1409), interpondo recurso voluntário conjunto, tempestivamente, em 06/04/2009 (fls. 1410/1490), no qual, inicialmente, observam que a autoridade julgadora de 1a instância repetiu ipsis litteris o Termo de Verificação Fiscal, misturando matérias fáticas que dizem respeito a terceiros com as discussões jurídicas trazidas pelos Recorrentes. Reiteram a argüição de decadência do direito de o Fisco constituir crédito tributário referente aos períodos de janeiro a setembro/2003, dada sua homologação tácita, mormente tendo em conta que não houve comprovação de dolo, fraude ou simulação. Abordando a responsabilização dos coobrigados, inicialmente anotam que houve mudança de posicionamento por parte da DRJ/Belo Horizonte, que antes declarava sua incompetência para determinar ou não a responsabilidade dos coobrigados, de modo que a presente apreciação dos argumentos por eles ofertados deve afastar por completo qualquer possibilidade de responsabilização futura das pessoas (físicas e jurídicas) equivocadamente inseridas no pólo passivo do presente processo. Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 10 9 Prosseguem argüindo que a fiscalização simplesmente cuidou de arrolar todas as pessoas supostamente relacionadas com a empresa Autuada como responsáveis solidários do crédito tributário exigido, sem realizar qualquer análise sobre a viabilidade jurídica de tal conduta, e ignorando que somente pode ser designado sujeito passivo o “realizador” da operação tributável, na forma da doutrina que citam. Discorrem sobre as hipóteses de sujeição passiva expressas no Código Tributário Nacional para limitar os casos de responsabilização dos sócios e administradores ao que disposto no art. 134, inciso VII e 135, inciso III, do CTN. Afastada a primeira hipótese, não cogitada pelo Fisco, a segunda é medida excepcionalíssima, que depende de comprovação da prática de atos como excesso de poderes, infração da lei, contrato social ou estatutos, por parte dos representantes legais da pessoa jurídica, impondo a estes responder exclusivamente pelo crédito tributário, não autorizando solidariedade entre os sócios, administradores e a empresa. Transcrevem doutrina neste sentido. Ademais, o Termo de Verificação Fiscal traz uma infinidade de informações sobre irregularidades dos fornecedores da Autuada, mas reportase a uma prova sequer da participação efetiva dos sócios no imaginado “esquema” narrado pelo Fisco, ou mesmo dos ”supostos” administradores (Antônio e Marília Vilefort Martins). Em seu entender, somente poderia se pretender a responsabilização pessoal se ficasse comprovado que essas pessoas físicas foram responsáveis diretas, participando efetivamente nos citados ilícitos, e isso inexiste nos autos. Na medida em que a Autuada não tem competência e nem condições técnicas de fiscalizar seus fornecedores, não há como as condutas destes justificar a responsabilidade pessoal de seus sócios e administradores. Ressaltam que o ônus da prova, neste caso, é de quem acusa. Discordam do entendimento exposto pela autoridade julgadora de 1a instância no sentido de que o mero inadimplemento da obrigação tributária pudesse determinar a responsabilidade pessoal dos sócios por suposta infração à lei, vez que esta interpretação anularia a regra de responsabilidade limitada dos sócios e administradores. Citam doutrina e jurisprudência em favor deste entendimento. Prosseguem reiterando sua defesa contra a aplicação do art. 124 do CTN, na medida em que tal dispositivo legal não visa instituir uma nova espécie de responsabilidade indireta, sendo aplicável apenas nos casos de pluralidade de pessoas no pólo passivo da obrigação tributária, consoante doutrina que transcrevem. Reportamse a jurisprudência administrativa contrária à utilização do referido dispositivo como pelo para incluir todos aqueles que tenham “interesses” nos possíveis negócios da empresa. Necessário seria a prova de que as pessoas praticaram, em conjunto, o mesmo fato gerador, como já exposto em manifestação do Superior Tribunal de Justiça. Acrescentam que a responsabilidade atribuída a Antônio e Marília Vilefort Martins baseiase simplesmente na existência de procurações em seus nomes, sem prova de quais foram, efetivamente, os atos praticados por cada uma dessas partes. Tais pessoas jamais exerceram atos de gestão de cunho fiscal, e os instrumentos de mandato não autorizam a presunção estabelecida pela Fiscalização. Ainda, especificamente no que tange a Marília Vilefort Martins, observam que ela é simples funcionária da empresa, assalariada, com meros poderes de representação da Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 11 10 Autuada junto a bancos, bem como para assinatura de outros documentos ligados ao departamento financeiro da BM Comercial, sem atuar como gerente ou administradora, representar perante órgãos públicos ou assinar cheques e celebrar contratos de trabalho. Abordando a infringência ao princípio da ampla defesa, novamente defendem a necessidade de participação da Recorrente nas diligências que culminaram na constatação de que inidôneas seriam as notas fiscais glosadas. Sendo estes procedimentos a causa do lançamento, sua nulidade é evidente por cerceamento ao direito de defesa dos Recorrrentes. Acrescentam que a simples permissão de vistas dos autos não contribui com a constituição dialética/democrática do crédito tributário, impossibilitando o contraditório nessa importantíssima fase que é propriamente o cerne do lançamento. Até porque, desconhecendo os procedimentos adotados, não tem como verificar a regularidade da declaração de inidoneidade dos documentos. Fazem referência, novamente, à falta de indicação das páginas em que se localizariam documentos citados no Termo de Verificação Fiscal, observando que se o processo administrativo fiscal foi formalizado depois de notificado o contribuinte, há ofensa ao princípio da ampla defesa, por dificultar a defesa dos autuados. Ademais, os arts. 141 e 145 do CTN não autorizariam este proceder, ao impedir a alteração do crédito tributário constituído. No mérito, discordam da inidoneidade atribuída a notas fiscais posteriormente à realização das compras e vendas firmadas e devidamente cumpridas entre a empresa Autuada e seus fornecedores. Os agentes fiscais e a autoridade julgadora de 1a instância se prenderam às ilegalidades apontadas pela fiscalização que ocorreram sem o conhecimento da Autuada e que somente foram verificadas anos depois. Concluíram que as operações inexistiram em razão de ilegalidades praticadas exclusivamente por seus fornecedores, sem demonstrar a ausência de entrada de mercadorias no estabelecimento da Autuada. Classificam de fantasioso o quadro imaginado pelas autoridades fiscais, porque as informações e diligências verificaramse após 5 (cinco) anos da ocorrência das operações comerciais, autorizando apenas conjecturas (nem mesmo presunções) acerca do funcionamento, ou não, da empresa no passado. Por sua vez, a autoridade fiscal não fez qualquer levantamento quantitativo específico que pudesse demonstrar que as mercadorias não ingressaram na empresa autuada, e ainda não permitiu a efetiva participação da empresa nas investigações. Asseveram que rebateram as incoerências do trabalho fiscal, demonstrando sua ausência de liquidez e certeza, e somente não adentrou em searas onde sua prova seria impossível, visto que não tem condições técnicas e nem obrigação legal de fiscalizar seus fornecedores, cumprindolhes observar os requisitos legais (emissão e escrituração de nota, checagem do CNPJ e do SINTEGRA) e efetivamente realizar as operações mercantis. Discordam da inversão do ônus da prova que lhes foi imposta, cabendo ao Fisco provar suas alegações. De toda sorte, entendem que a Autuada apresentou documentos que refutam completamente as informações colhidas pela fiscalização, e defendem o afastamento de qualquer questão que não seja jurídica, integrante dos quadros fantasiosamente catastróficos pintados pela fiscalização. Isso porque a discussão não deve ser centrada na inidoneidade dos fornecedores, mas sim na efetiva ocorrência das operações comerciais, pois aquelas irregularidades não impediram a dedução das despesas ante a real entrada das Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 12 11 mercadorias adquiridas em seu estabelecimento, com o conseqüente pagamento por esses produtos. Aduzem, assim, que a defesa apresentada não é evasiva, mas apenas aborda os aspectos jurídicos da questão que lhe são pertinentes (não referentes a terceiros). De toda sorte, ressaltam que a autuada promoveu, à época das operações mercantis realizadas com cada fornecedor, consulta ao SINTEGRA/ICMS, reiterando que alguns fornecedores permanecem habilitados no referido controle, e outros somente tiveram a habilitação afastada depois da operação realizada com a autuada. Defendem que a autuada agiu de boafé e de forma diligente, exigindo a apresentação de documento comprobatório da inscrição do fornecedor na competente repartição fazendária, não podendo ser, desta forma, penalizada. Acrescenta que fiscalizar seus fornecedores embaraçaria sua atividade, prejudicando o dinamismo das relações comerciais, citando manifestação do Conselho de Contribuintes do Estado de Minas Gerais. Citando jurisprudência administrativa, asseveram que a única forma de atestar inequivocamente a inidoneidade dos documentos fiscais glosados seria a demonstração, pela Fiscalização, de que não houve efetiva entrada das mercadorias no estabelecimento da autuada. Os indícios perfunctórios reunidos pela Fiscalização somente prevaleceriam se não houvesse contestação pela contribuinte. Não há prova direta produzida pelos agentes fiscais e a autuada trouxe aos autos planilhas, documentos e comprovantes de pagamento contradizendo os argumentos do Fisco, motivos pelos quais deve ser reformada a decisão de 1a instância e cancelada a exigência. Esclarecem que as referências às operações com Realmix prestaramse a demonstrar que são falaciosas as alegações de que todos os fornecedores constantes dos autos seriam empresas “de fachada” e que nenhuma das operações comerciais efetivamente ocorreu, e reiteram os argumentos apresentados, a este respeito, em impugnação. Opõemse à utilização, com refeitos retroativos, de Atos Declaratórios de Inidoneidade dos documentos fiscais lavrados pelo Fisco do Estado de Minas Gerais, na medida em que a Autuada não tinha noção desses direitos “préexistentes” e não pode ser penalizada em razão de sua posterior verificação. Citam o CTN em seus arts. 100, inciso I; 103, inciso I; 105 e 106, bem como manifestações do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, afirmando arbitrária a glosa, consoante expresso em julgado do Superior Tribunal de Justiça. Por fim, reportamse a outros julgados administrativos nas esferas federal e estadual. Prosseguem observando que o acórdão recorrido não se manifestou de forma contundente, chegando até mesmo a se omitir quanto à comprovação contábil de que ocorreram todas as entradas de mercadorias e sua conseqüente tributação na saída, suscitando a nulidade da decisão de 1a instância. Não sendo esta declarada, reiteram os argumentos antes apresentados, no sentido de que a desconsideração dos documentos fiscais impediria a tributação da receita apurada com a saída futura das mercadorias. Rebatem a argumentação da autoridade julgadora de 1a instância no sentido de que as vendas estariam vinculadas a itens do estoque da autuada alegando que tal fato somente poderia ocorrer dessa forma se a Autuada tivesse um estoque infinito. E arrematam aduzindo que tal argumentação prestase, apenas, a demonstrar a fragilidade do feito fiscal. Discordam do acórdão recorrido que teria negado validade às planilhas, comprovantes de pagamento, comprovantes de importação, notas fiscais carimbadas pelas Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 13 12 barreiras fiscais e demais documentos anexados aos autos, pois não teria como produzir provas por terceiros, como por exemplo a demonstração de que os cheques foram depositados nas contas dos fornecedores. Argumentam que o extremo formalismo aqui adotado ignora totalmente praticas comerciais lícitas e plenamente utilizadas no país, mormente à época em que a CPMF estava em vigor, com o conseqüente repasse de cheques a terceiros, prática não vedada na legislação, sob pena de desnaturar seu próprio conceito como título de crédito. Quanto à falta de juntada dos cheques na impugnação, tal era desnecessário porque os elementos já haviam sido reunidos pela Fiscalização, e sua existência não foi questionada. Ante a comprovação contábil e de pagamento, não há como prevalecer o lançamento, na linha do que já decidiu o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais. E, quanto às operações com MSP Comércio de Mercadorias em Geral Ltda, dizem que a análise do acórdão recorrido não foi técnica, havendo contradição ao admitir que as importações foram realizadas, mas não as operações com a autuada. Destacam que as notas fiscais de transferência da filial de São Paulo para a matriz em Minas Gerais apresentam carimbos das barreiras fiscais, atestando a circulação de mercadorias, bem como que a equivalência entre as importações e as transferências estão demonstradas nos documentos anexados à impugnação. Concluem que outra prova da efetividade das operações não seria possível, mormente no que tange à demonstração contábil de terceiros. E asseveram que os outros questionamentos contido no acórdão também dizem respeito a problemas de terceiros, mudando o foco da discussão. Abordam os elementos juntados no Anexo 10 à impugnação, enfatizando seu valor probatório acerca de toda a cadeia de circulação das mercadorias cujas operações foram desconsideradas, em relação ao fornecedor MSP. E destacam que este conjunto de operações foi destacado por sua relevância, mas as constatações ora efetuadas não servem somente para os documentos fiscais emitidos por esse fornecedor, o que retira a certeza do trabalho fiscal e impõe a aplicação do art. 112, inciso II do CTN. Questionam, novamente, a coexistência dos lançamentos de IRPJ/CSLL e IRRF, inicialmente apontando que a assertiva de que não é prática comum fazerse o pagamento de aquisição de mercadorias em espécie é argumentação não jurídica, inapta para corroborar, mesmo subsidiariamente, a acusação fiscal. No mais, seria ilógico afirmar que os custos inexistem, e promover sua glosa, e lançar IRRF por alegado pagamento a beneficiário não identificado. Defendem, assim, que as exigências são reciprocamente excludentes, eis que não há como falar que a despesa inexistiu e, ao mesmo tempo, considerar que houve desembolso de numerário. Observam que os pagamentos aos fornecedores são exatamente o montante que serviu de referência para exigência do IRRF. Argumentam que os órgãos administrativos de julgamento podem apreciar o atendimento de normas e princípios constitucionais, especialmente a teor do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e aduzem que a penalidade aplicada infringe o princípio da vedação ao confisco e não observa a capacidade contributiva da recorrente, bem como não observam os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Citam doutrina e jurisprudência em favor de seu entendimento e requerem a redução da penalidade a seu patamar mínimo. Além de não ser devido qualquer tributo, observam que não restou comprovada quaisquer das circunstâncias qualificadoras, sendo que não houve nenhuma ação dos Recorrentes tendentes a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador. Até porque sequer existem indícios da participação direta da Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 14 13 Autuada e dos supostos “coobrigados” nas irregularidades relatadas em seus fornecedores, e não podem ser eles responsabilizados por atos de terceiros, constatados após a realização das operações. Ademais, se houve dolo na ação da contribuinte, não teria ela escriturado as receitas em sua contabilidade, ou prontamente apresentado os livros fiscais e contábeis exigidos, bem como atendido a uma infinidade de intimações fiscais. Inclusive, a própria autoridade fiscal validou a escrita contábilfiscal da empresa, nela se baseando para efetuar o lançamento. Neste sentido seria a jurisprudência administrativa que citam. Limitam a aplicação da multa agravada aos casos em que o contribuinte simplesmente ignora as intimações recebidas, dificultando os trabalhos dos Auditores Fiscais da Receita Federal, argúem que não houve máfé na falta de apresentação dos arquivos magnéticos, mas apenas a impossibilidade de fazêlo, e que a Fiscalização já dispunha de sua escrituração contábil e fiscal em papel. Ademais, todas as intimações foram devidamente respondidas, e se algo não foi cumprido, tal fato não ocorreu por culpa da Autuada, como demonstrado em impugnação. Reportamse a julgados administrativos que afastam o agravamento em tais circunstâncias. Destacam as referências ao art. 5o, inciso LXIII da Constituição Federal, e afirmam ser completamente absurdo apenar a Autuada de forma tão severa diante da ausência de nexo causal entre a suposta conduta (não cumprimento de intimações relacionados à entrega dos arquivos magnéticos mencionados acima) e a autuação por suposto recolhimento a menor do IRPJ, CSLL e, principalmente, IRRF. Restringem o agravamento aos casos de inexistência de escrituração regular ou de impossibilidade de verificação da escrituração e conseqüente arbitramento. Por fim, argúem a ilegalidade da utilização da taxa SELIC para cálculo de juros moratórios, em razão de sua natureza remuneratória. Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 15 14 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Cumpre preliminarmente apreciar as argüições de nulidade da decisão recorrida e do lançamento. Com referência à decisão de 1a instância, os recorrentes asseveram que a Turma Julgadora não se manifestou de forma contundente, chegando até mesmo a se omitir quanto à comprovação contábil de que ocorreram todas as entradas de mercadorias e sua conseqüente tributação na saída. Apontam que esta omissão enseja a nulidade da decisão administrativa, mas embora mencionem que requereriam esta declaração em item específico do recurso, inexiste qualquer abordagem específica a respeito. Em impugnação, os interessados veicularam tais argumentos sob o título IV.1.4 – Da Tributação das Mercadorias em Questão em sua Saída do Estabelecimento da Autuada – Conseqüência Inafastável de sua Entrada – Improcedência do Auto de Infração. Contraditaram, assim, o procedimento fiscal de desconsiderar as despesas decorrentes da entrada de mercadorias e, ainda assim, exigir tributos sobre a receita apurada com a saída dessas mercadorias nas operações futuras realizadas pela Autuada. Afirmaram que, se, na imaginada tese fiscal, inexistiu a entrada de mercadorias, impossível a sua saída para o consumidor (revenda). Concluíram, assim: Em síntese, mesmo que se entenda devida a desconsideração das despesas referentes à entrada das mercadorias, a receita tributável deveria ter sido recomposta não como realizado pelo Fisco, mas deduzindose também as saídas das referidas mercadorias, fato que é admitido apenas para demonstrar a fragilidade do feito fiscal. No recurso voluntário, os interessados aduzem que o acórdão recorrido, sobre a presente alegação, cingese a afirmar que as receitas de vendas decorreriam da comercialização de itens de seu estoque. E refutam tal afirmação argumentando que tal só poderia ocorrer se a Autuada tivesse um estoque infinito. Todavia, a decisão recorrida aborda o tema de forma ampla, ao contrário do alegado pelos recorrentes: Em outro item da defesa, titulado por “Da Tributação das Mercadorias em Questão em sua Saída do Estabelecimento da Autuada – Conseqüência Inafastável de sua Entrada – Improcedência do Auto de Infração”, atacase o lançamento com um sofisma. Ora, é evidente que as receitas de vendas auferidas pelo Impugnante o foram com as mercadorias que realmente compunham o seu estoque regular. E, nessa fiscalização, não se questionou as receitas devidamente escrituradas. Todavia, é deliberadamente enganoso e inconsistente dizer que se considerada inexistente a entrada de algumas das mercadorias contabilizadas, então, caberia verificarse a efetiva saída para que fosse recomposta a receita tributável. Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 16 15 Não existe, no caso, nenhuma relação de causa e efeito entre esses dois fatos. O primeiro, as vendas decorreram dos produtos em estoque; o outro, o custo foi glosado, tãosomente em relação às notas fiscais consideradas inidôneas, porque não houve nenhuma compra nem entrada de mercadoria no estabelecimento comercial do Autuada. A Fiscalização, em momento algum do lançamento, menciona a glosa dos custos reais ou efetivos correspondentes às mercadorias que efetivamente adentraram no estabelecimento da empresa Autuada. Essas, naturalmente, ocasionaram as receitas de vendas (como já se disse, não questionadas no presente lançamento). Evidente, portanto, que não se verifica qualquer omissão, devendo ser REJEITADA a arguição de nulidade da decisão recorrida. Os recorrentes renovam as alegações de nulidade do lançamento, por cerceamento ao seu direito de defesa, mas a decisão recorrida validamente refuta os argumentos que antes já haviam sido apresentados em impugnação: Substancialmente, o Impugnante fala de cerceamento de defesa e acusa que a peça fiscal infringe esse princípio constitucionalmente garantido. Nesse sentido, diz que existem irregularidades no presente processo administrativo fiscal que lhe dificultaram compreender o fato que lhe foi imputado. Salienta, ainda, que o TVF contém um grande volume de páginas que acrescidas dos Auto de Infração constituíramse num montante considerável de documentos a serem analisados, no prazo exíguo da impugnação. Reclama também que não foram indicadas as numerações das páginas de todos os documentos apontados no TVF, tendo em vista que as referências das páginas (em parênteses) encontramse sem preenchimento. Contudo, no caso vertente, de forma alguma houve cerceamento de defesa de qualquer um dos Impugnantes (sujeito passivo e demais responsáveis). Primeiramente, o prazo de impugnação está expressamente previsto em lei, isto é, no “caput” do art. 15, do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, foi a lei quem determinou que o sujeito passivo tem o prazo de 30 (trinta) dias, contados da intimação da exigência, para defenderse. Em segundo lugar, digase que os Autos de Infração contêm todos os requisitos legais necessários à sua validade, previstos tanto no art. 142, do CTN, como no art. 10, do Decreto nº 70.235/1972. Nesse sentido, a ocorrência do fato gerador restou verificada, caracterizado no IRPJ e na CSLL, pela glosa de custos considerados inidôneos, e no IRRF, por pagamentos a beneficiários não identificados ou sem comprovação da causa da operação; consoante essas infrações devidamente identificadas, foram precisamente indicadas as bases legais infringidas, acompanhadas dos elementos de provas indispensáveis à comprovação do ilícito; foi identificado corretamente tanto o sujeito passivo da obrigação tributária como as demais pessoas físicas ou jurídicas arroladas como responsáveis pelo crédito tributário lançado; foi determinada a matéria tributável, pela apuração das bases de cálculo, nos termos da lei, conforme os demonstrativos fiscais constantes dos autos; calculouse o montante devido dos tributos lançados; na descrição dos fatos acompanhada do TVF, esses estão clara e minuciosamente descritos; e, finalmente, como forma de tornar juridicamente perfeito o lançamento, foi feita regularmente a intimação da exigência fiscal lançada, para que, no prazo legal de 30 (trinta) dias, o sujeito passivo ou os demais responsáveis a pagassem ou a impugnassem. Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 17 16 Nos termos do art. 9º, do Decreto nº 70.235, de 1972, a exigência do crédito tributário formalizada em auto de infração deve conter os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Obedecendo a essa determinação legal, a Fiscalização anexou aos autos todas as provas dos ilícitos que apurou. Portanto, não há nenhuma imperfeição que macule as exigências, nem qualquer ilegalidade na consecução do presente lançamento, nem qualquer dificuldade para que o Contribuinte ou os demais responsáveis exercessem, durante o curso normal do procedimento fiscal e no prazo legal de contestação da exigência, o direito de defesa. Em terceiro, ao contrário do alegado, a Fiscalização relatou, de forma pormenorizada, as infrações imputadas ao sujeito passivo. O que justifica plenamente o TVF de 198 folhas, necessário em função da complexidade da matéria, que envolveu, principalmente, um montante considerável de notas fiscais inidôneas, emitidas por 23 (vinte e três) supostos fornecedores, as quais foram registradas nos livros fiscais e comerciais do contribuinte. Tais fatos, acompanhados dos elementos de provas, por evidente, demandam minuciosa análise e relato detalhado. Diante disso, não se pode dizer que nenhuma das linhas do TVF foi demais. Por último, em relação às indicações das referências das páginas, que teriam ficado sem preenchimento no TVF, esclareçase que todas as menções contidas no TVF, sejam a demonstrativos fiscais (remetidos juntamente com o Auto de Infração e o TVF), sejam a documentos, são de pleno conhecimento do Impugnante. Ao longo do procedimento, o Fisco procedeu a diversas intimações, onde solicitava esclarecimentos, informações ou documentos. Ocorre que o TVF é o resultado do procedimento fiscal. Geralmente, indicase as intimações feitas, analisase as provas coletadas e relatase as infrações apuradas. Naturalmente, a sua extensão ou encurtamento dependem diretamente da complexidade da matéria e das respectivas provas. No caso vertente, no TVF, como ato finalizador e esclarecedor da ação fiscal, estão, na parte I: a descrição dos fatos, os lançamentos e as infrações apuradas, as penalidades aplicadas e a responsabilidade pelo crédito tributário lançado; na parte II, foi feito um minucioso relato dos motivos e provas que redundaram nas glosas dos custos, segregadas, uma a uma, as empresas emitentes dos documentos fiscais considerados inidôneos. Ao contribuinte e aos demais responsáveis foi enviado o resultado da presente ação fiscal, ou seja, os Autos de Infração, os demonstrativos fiscais e o TVF. Este foi elaborado pelo Fisco considerando que a ação fiscal redundou em dois processos distintos, o de nº 13603.720274/200837 e o de nº 13603.720275/200881, o primeiro contém os lançamentos do IRPJ, da CSLL e do IRRF; o segundo, do PIS/Pasep e da COFINS. Fundamentalmente, salvo alguns documentos inerentes a determinado tipo de tributo, os mesmos elementos de provas geraram os referidos processos. Normalmente, é após a prova da ciência do auto de infração que a autoridade fiscal monta e formaliza o respectivo processo administrativo fiscal, que acompanha e controla o crédito tributário lançado, seja para seguimento do rito previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, ou mesmo para os procedimentos de cobrança amigável ou judicial. Logo, é nesse momento, de formalização do processo, que se tem a exata numeração das páginas dos autos. Portanto, no TVF original enviado ao contribuinte, não poderiam ser indicados os números das páginas das referências nele contidas, pois ainda não havia nascido nenhum dos dois processos administrativos; e, mais ainda, a numeração seria Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 18 17 variável em razão de cada um dos processos. O importante é que, em cada deles, depois de devidamente montados e formalizados, foram indicadas expressamente as correspondentes páginas dos documentos e provas mencionados no TVF. Salientese, todavia, que o fato de o TVF original, enviado ao Contribuinte, não conter a numeração de alguns documentos e provas descritos pelo Fisco, em nada prejudica a sua ampla defesa, pois, como se viu, tudo, fatos e provas, que está mencionado no TVF era de seu pleno conhecimento. De outro lado, os referidos processos, onde o Fisco identificou, no TVF, as correspondentes páginas de cada uma das referências, ficaram, no órgão preparador, durante o prazo legal de impugnação, à disposição do contribuinte e demais responsáveis para vistas. Sendo assim, a faculdade de ter vistas aos aludidos processos seria, foi ou é suficiente para sanar quaisquer dúvidas, acaso existentes do contribuinte, que poderia conferir ou verificar a composição de cada dos aludidos processos. Entretanto, a mera falta de indicação de páginas do processo, não arranha a ampla defesa, dado que todos os fatos imputados e provas contrárias são muito bem conhecidos pelo sujeito passivo. Em suma, quanto às hipóteses de nulidades previstas no Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, art. 59, incisos I e II, essas não se encontram presentes, haja vista que o lançamento restou formalizado com todos os requisitos legais inerentes a tal atividade. Ou seja, foi devidamente fundamentado, tendo sido efetuado por autoridade competente; e, ainda, a ampla defesa foi plenamente garantida à Contribuinte. Enfim, não prospera a preliminar de nulidade, por cerceamento da ampla defesa. No que tange à suposta falta de indicação das páginas em que se localizariam documentos citados no Termo de Verificação Fiscal, os recorrentes observam que se o processo administrativo fiscal foi formalizado depois de notificado a contribuinte, há ofensa aos arts. 141 e 145 do Código Tributário Nacional – CTN, que não autorizariam este proceder, por impedir a alteração do crédito tributário constituído. Contudo, o que se verificaria depois do lançamento seria, apenas, a organização dos autos que poderão se constituir em veículo do processo administrativo fiscal, a partir de sua instauração com a impugnação do sujeito passivo. O crédito tributário, como objeto da relação jurídica constituída a partir do lançamento, permanece incólume, com os contornos definidos no Auto de Infração e na descrição dos fatos aqui contida no Termo de Verificação Fiscal. Inexiste, pois, ofensa aos mencionados dispositivos do CTN. De toda sorte, vêse no despacho de fl. 1078 que na data de lavratura do lançamento (25/09/2008) a autoridade fiscal declara já ter constituído os autos do processo administrativo principal, com suas 1078 folhas, além dos quatro Anexos na forma do Termo de Juntada de fl. 1067. Assim, desde antes da ciência do lançamento aos recorrentes os autos já se encontravam integralmente formalizados para eventuais vistas dos interessados. Os recorrentes insistem, ainda, que houve infringência ao princípio da ampla defesa, porque teriam o direito de participar nas diligências que culminaram na constatação de que inidôneas seriam as notas fiscais glosadas. E acrescentam que a simples permissão de vistas dos autos não contribui com a constituição dialética/democrática do crédito tributário, impossibilitando o contraditório nessa importantíssima fase que é propriamente o cerne do lançamento. Até porque, desconhecendo os procedimentos adotados, não teriam como verificar a regularidade da declaração de inidoneidade dos documentos. Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 19 18 Não se verifica o alegado desconhecimento dos procedimentos adotados pela Fiscalização. O alargamento do Termo de Verificação Fiscal decorre, precisamente, do detalhamento destes procedimentos. Mediante extensa descrição, a autoridade fiscal indicou todas as investigações realizadas acerca das operações questionadas e juntou os documentos que sustentam suas conclusões acerca da inidoneidade dos documentos fiscais que suportaram os custos glosados. Conseqüência disto é que os autos do processo administrativo contam com 4 (quatro) anexos formados pela Fiscalização, sendo os três primeiros integrados por cerca de 1.000 (mil) páginas e o último por 4.400 (quatro mil e quatrocentas) páginas, assim agrupando os documentos comprobatórios da inidoneidade de notas fiscais (Anexo I), as cópias reprográficas das notas fiscais (Anexo II), as cópias reprográficas de folhas de livros contábeis (Anexo III) e as cópias reprográficas de cheques (Anexo IV). Importante observar que, questionada acerca da comprovação do pagamento e do efetivo ingresso das mercadorias adquiridas para revenda, a contribuinte se esquivou de demonstrar qualquer providências que pudesse atribuir alguma materialidade às aquisições questionadas. De fato, por meio da intimação de fl. 676, a autoridade fiscal exigiu da contribuinte: I) Comprovar o efetivo fornecimento de mercadorias pelas . empresas emitentes das Notas Fiscais relacionadas no demonstrativo anexo, numerado de 01 a 17, tanto sob o aspecto financeiro (pagamento) quanto à efetividade do ingresso da mercadoria, mediante: a) identificação, em relação a cada empresa fornecedora de, mercadorias, das pessoas com as quais foram mantidos os contatos e relacionamentos comerciais; b) identificação, do transportador (nome e endereço), do veículo utilizado (placa) e, quando for o caso, apresentar o respectivo conhecimento de transporte; c) no caso da própria empresa adquirente das mercadorias ter sido responsável pelo transporte das mercadorias, indicação do local onde as mesmas foram retiradas; d) esclarecimento da forma, valor e data efetiva do pagamento de cada nota fiscal relacionada, incluindo indicação do número da conta corrente e do banco sacado. e) apresentação de cópias microfilmadas autenticadas e legíveis, fornecidas pelas instituições financeiras, de todos , os cheques (frente e verso) comprobatórios dos pagamentos das notas fiscais relacionadas. II) Apresentar Livro Diário, devidamente autenticado na JUCEMG, relativamente ao mês de dezembro de 2004. Em resposta, a contribuinte apenas consignou que: Item 1: [...] a) [...] As compras efetuadas pela empresa intimada, são geralmente consumadas através de corretores de mercadorias que são geralmente itinerantes. b) [...] Os transportadores estão identificados individualmente no rodapé de cada documento fiscal. c) [...] Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 20 19 Vide resposta ao item b. d) [...] As respectivas informações estão consignadas nos respectivos livros diário e razão que estiveram em seu poder no período de 31/08/2005 a 03/10/2007 e que foram devolvidos a intimada. e) [...] A empresa não dispõe deste arquivo e não consta nenhuma norma legal que nos obrigue a mantelo salientando que os extratos bancários, bem como os lançamentos que os sustentam estão contemplados no livro diário e razão O trabalho fiscal, neste contexto, prestouse a demonstrar que os fornecedores não poderiam ter emitido as correspondentes notas fiscais; que o transporte das mercadorias foi indicado como de responsabilidade da adquirente, a qual que não poderia desconhecer a impossibilidade das vendas terem sido realizadas; e que a efetivação do pagamento, quando ocorrida, se deu de forma anormal. Em tais circunstâncias, a mencionada “dialética/democrática” se estabelece pela confrontação das acusações fiscais e demonstração da boafé do adquirente, inexistindo qualquer prejuízo à defesa da interessada se a motivação da exigência está claramente exposta no ato de lançamento. Por sua vez, se as aquisições efetivamente ocorreram, sua contratação, consumação e liquidação deixam diversos traços documentais em favor do adquirente que podem ser por ele opostos para desconstituição do lançamento, sem qualquer necessidade de confronto, direto, das diligências fiscais realizadas no estabelecimento dos fornecedores e na Fazenda Estadual. Demais disso, o fato de os sujeitos passivos somente terem tido a oportunidade de se manifestar sobre a exigência fiscal após sua formalização não representa qualquer ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Isto porque não há que se falar em cerceamento de defesa durante o procedimento fiscal, fase em que, mediante aplicação do direito tributário material, se desenvolve a ação de fiscalização da qual poderá redundar a formalização da exigência fiscal. O procedimento fiscalizador é inquisitório e aos particulares cabe colaborar e respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida. Não se formou ainda a relação jurídica processual, e os particulares não atuam como parte. Isto somente acontece com o ato de lançamento ou de imposição de penalidades e a respectiva impugnação. A esse respeito, assim leciona James Marins, em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro: Administrativo e Judicial (São Paulo: Dialética, 2001, p. 222/223): O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, o que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula além do Estado, o contribuinte. Só quando houver vinculação do contribuinte se fará lícito aludir a processo, antes não. Corroborando tal assertiva, basta se atinar para que nem todo procedimento fiscalizatório irá conduzir necessariamente a uma exação, havendo clara separação entre os dois momentos. Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 21 20 Coerentemente com essa interpretação, o art. 14 do Decreto 70.235/72 preceitua que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Com a apresentação da impugnação é estabelecido o conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de crédito tributário, motivando sua pretensão e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de impugnação. É a partir desse momento que, iniciada a fase processual, passa a vigorar, na esfera administrativa, o princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa e ao contraditório, com os meios e recursos a eles inerentes, nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Por todo o exposto, resta concluir que a acusação fiscal está validamente formalizada, não se verificando qualquer cerceamento ao direito de defesa dos interessados, motivo pelo qual deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento. Passando ao mérito, os recorrentes abordam, inicialmente, aspectos pertinentes à decadência e à responsabilidade tributária. Todavia, porque vinculados às características das infrações constatadas, estas matérias serão apreciadas ao final do voto. Os recorrentes discordam da inidoneidade atribuída a notas fiscais posteriormente à realização das compras e vendas firmadas e devidamente cumpridas entre a empresa Autuada e seus fornecedores. Os agentes fiscais e a autoridade julgadora de 1a instância teriam se prendido às ilegalidades apontadas pela fiscalização que ocorreram sem o conhecimento da Autuada e que somente foram verificadas anos depois. Importa, assim, ter em conta quais constatações ensejaram a glosa dos custos correspondentes às notas fiscais apontadas pela Fiscalização. Os fatos apurados pela autoridade lançadora podem ser assim agrupados: 1. Notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas ativas e regulares, que demonstraram não ter emitido os documentos utilizados pela autuada: · Fornecedor nº 3: Casa Nascimento Ltda (aquisições de julho a dezembro/2004, por meio de 30 notas fiscais, no valor total de R$ 1.244.442,05): o Pessoa jurídica ativa, com pagamentos regulares no âmbito do SIMPLES; o Ato Declaratório de Falsidade/Inidoneidade de documentos fiscais por não autorização de emissão (SEFMG) abrangendo as notas fiscais questionadas; o Declaração do fornecedor no sentido de que não emitiu nenhuma nota fiscal de venda ou prestação de serviços para a autuada; o Apresentação das notas fiscais, pelo fornecedor, com a numeração utilizada pela autuada, evidenciando completa divergência formal e material Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 22 21 o Apresentação apenas das terceiras vias destinadas ao Fisco relativamente a algumas operações; o Quitação de parte do débito (R$ 2.602.288,68) com o fornecedor por meio de Termo de Dação em Pagamento de títulos da dívida pública federal sem identificação, datado de 30/09/2006. Além da prescrição e do baixo valor de mercado destes títulos, o Termo de Dação em Pagamento, em consulta ao Cartório que autenticou a assinaturas do representante legal do fornecedor, colheuse declaração em favor da falsidade da etiqueta aplicada no Termo para reconhecimento das firmas; o Mercadorias diferentes daquelas comercializadas pelo fornecedor; o Transporte pelo destinatário a partir do estabelecimento onde o fornecedor declara não ter mantido qualquer relação comercial com a autuada; o Pagamentos de novembro/2004 a dezembro/2006 mediante a emissão de 270 cheques diversos; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 9: Inteagro Comércio, Indústria e Representação Ltda (aquisições em julho/2004, por meio de 10 notas fiscais, no valor total de R$ 447.567,89): o Pessoa jurídica ativa, com pagamentos regulares na sistemática do lucro real; o Declaração do fornecedor no sentido de que não emitiu nenhuma nota fiscal de venda para a autuada, que desconhece a empresa e que não comercializa os produtos indicados nas notas fiscais; o Apresentação das notas fiscais, pelo fornecedor, com a numeração utilizada pela autuada, evidenciando completa divergência formal e material; o Inexistência do número da Autorização de Impressão de Documentos Fiscais – AIDF informado no rodapé das notas fiscais utilizadas pela contribuinte; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Pagamentos de novembro/2004 a janeiro/2005 mediante a emissão de 70 cheques diversos. Uma das notas fiscais foi paga mediante a emissão de 11 cheques sequenciais; Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 23 22 o Em 31/12/2006 subsistia dívida de R$ 170.053,86 (38% do total do débito) sem qualquer cobrança pelo fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 11: MZ3 Comércio de Cereais Ltda (aquisições de dezembro/2002 a fevereiro/2003, por meio de 12 notas fiscais, no valor total de R$ 1.850.548,68): o Pessoa jurídica ativa, com apresentação regular de declarações; o Declaração do fornecedor no sentido de que realizou qualquer operação comercial com a autuada; o Apresentação das notas fiscais, pelo fornecedor, com a numeração utilizada pela autuada, evidenciando completa divergência formal e material; o Ausência de carimbos dos agentes fiscais dos postos estaduais pelo trânsito das mercadorias entre o Rio de Janeiro/RJ e Contagem/MG; o Pagamentos de julho/2003 a junho/2004 mediante a emissão de 373 cheques diversos. Uma das notas fiscais foi paga mediante a emissão de 27 cheques sequenciais; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Em 31/12/2006 subsistia dívida de R$ 1.664.740,40 sem qualquer cobrança pelo fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 16: Rebela Comercial Exportadora Ltda (aquisições de dezembro/2002 a fevereiro/2003, por meio de 13 notas fiscais, no valor total de R$ 1.690.003,40): o Pessoa jurídica ativa, com apresentação regular de declarações; o Apresentação parcial das notas fiscais, pelo fornecedor, restando outras 13 notas fiscais que teriam sido emitidas em 2001 e já destruídas. Estas notas fiscais remanescentes teriam numeração de AIDF diferente daqueles expedidos em favor do fornecedor, inclusive indicando seu CNPJ com erro, sendo emitidas por gráfica inexistente e apresentando aspectos gráficos diferentes; Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 24 23 o Ausência de carimbos dos agentes fiscais dos postos de fiscalização estadual; o Ao contrário das notas fiscais regulares, pagas com 1 ou 2 cheques, as inidôneas foram pagas muitos meses depois, sendo que uma das notas fiscais foi paga mediante emissão de 48 cheques de numeração seqüencial. Em novembro/2003, o débito de R$ 676.178,02 foi pago mediante emissão de 144 cheques; o Questionada acerca da quitação de parte do débito (R$ 1.131.907,98) por meio de Termo de Dação em Pagamento, a contribuinte informou que as operações com o referido fornecedor foram canceladas; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados, com exceção daqueles utilizados para pagamento das notas fiscais correspondentes a reais aquisições de mercadorias. · Fornecedor nº 22: Vicente & Vicente Ltda (aquisições de agosto a dezembro/2004, por meio de 84 notas fiscais, no valor total de R$ 3.434.103,49): o Declarações de rendimento apresentadas na sistemática do lucro real e recolhimentos verificados até 31/01/2005; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) em razão de falsidade de documentos vinculados a determinada AIDF; o Declaração do fornecedor no sentido de que não realizou qualquer operação comercial com a autuada, noticiando o registro de ocorrência policial quando tomou conhecimento, pelo Fisco Estadual, da clonagem de suas notas fiscais; o Apresentação das notas fiscais, pelo fornecedor, com a numeração utilizada pela autuada, evidenciando completa divergência formal e material; o Das 84 notas fiscais apresentadas pela autuada, apenas 21 referemse à 1a via; o Mercadorias valiosas e de origem estrangeira; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Ausência de carimbos dos agentes fiscais dos postos estaduais pelo trânsito das mercadorias entre o Rio de Janeiro/RJ e Contagem/MG; Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 25 24 o Pagamentos de novembro/2004 a dezembro/2006 mediante a emissão de 39 cheques em 2004, 415 cheques em 2005 e 557 cheques em 2006. Uma das notas fiscais foi paga mediante a emissão de 09 cheques; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. 2. Notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas que não mais exerciam atividades à época dos supostos fornecimentos de mercadorias: · Fornecedor nº 1: Arco Transporte e Comércio Ltda (aquisições de dezembro/2003 a abril/2004, por meio de 39 notas fiscais, no valor total de R$ 2.835.927,03): o Omissão ou insuficiência de declaração de rendimentos e de recolhimentos nos períodos de emissão das notas fiscais; o Situação ativa perante o CNPJ, mas bloqueada na Secretaria de Fazenda do Estado de Minas Gerais (SEFMG) por inexistência do estabelecimento inscrito em 04/05/2004; o Atos Declaratórios de Falsidade/Inidoneidade de documentos fiscais por extravio, furto ou danificação de notas fiscais (SEFMG), abrangendo 35 notas dentre as 39 contabilizadas; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) abrangendo todos os documentos fiscais a partir da data de inscrição tendo em vista os elementos falsos utilizados para a obtenção da inscrição estadual; o Inexistência de RAIS (Relatório Anual de Informações Sociais) apresentada em 2003 e 2004, indício de que o fornecedor não possuía empregados ou estava com as atividades paralisadas; o Sócios e representantes legais não localizados; o Declarações do locador desconhecendo locatório do imóvel de 54 m2 que se prestaria a estabelecimento da pessoa jurídica, no qual não houve funcionamento contínuo ou mesmo carga e descarga de mercadorias; o Notas fiscais de numeração baixa e seqüencial; o Ausência de carimbos nos postos de fiscalização estadual; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 26 25 o Carimbos indicando diversos cheques de emissão seqüencial para pagamento para cada nota fiscal, todos emitidos na mesma data e muitos meses depois do vencimento; o As aquisições se encerram em abril/2004 e os pagamentos começam em março/2004, mediante emissão de 253 cheques neste ano; o Em 31/12/2006 resta uma dívida em face do fornecedor no valor de R$ 1.338.816,30, sem qualquer cobrança no período; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 2: Carlos Roberto Reis (aquisições em novembro/2004, por meio de 16 notas fiscais, no valor total de R$ 638.471,81): o Pessoa jurídica baixada por liquidação voluntária, com declaração de inatividade em 2004; o Ato Declaratório de Falsidade/Inidoneidade de documentos fiscais por não autorização de emissão (SEFMG) abrangendo as notas fiscais questionadas; o Inexistência de RAIS (Relatório Anual de Informações Sociais) apresentada em 2003 e 2004, indício de que o fornecedor não possuía empregados ou estava com as atividades paralisadas; o Declaração do administrador da firma individual no sentido de que não praticou qualquer operação comercial com a autuada; o Notas fiscais de numeração baixa e seqüencial; o Apresentação apenas das terceiras vias destinadas ao Fisco; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Transporte pelo destinatário a partir do estabelecimento onde o fornecedor não mais exercia atividades; o Pagamentos de duplicatas no valor de R$ 151.900, mediante a emissão de cheques diversos, a partir de março/2005; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 4: Comercial de Alimentos Aline Ltda (aquisições em outubro/2003, por meio de 5 notas fiscais, no valor total de R$ 500.836,68): o Omissão de declaração de rendimentos e de recolhimentos nos períodos de emissão das notas fiscais; Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 27 26 o Situação ativa perante o CNPJ, mas bloqueada na SEFMG por desaparecimento do contribuinte de 18/11/2002 a 09/01/2003 e a partir de 04/06/2004; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) em razão de falsidade especificamente em relação a conjunto de documentos que abrange os utilizados pela contribuinte; o Inexistência de RAIS apresentada em 2003, sendo seu último empregado contratado até abril/2002; o Empresa, sócios e representantes legais não localizados; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Carimbos indicando diversos cheques para pagamento para cada nota fiscal; o Os pagamentos começam em março/2004, sendo emitidos 27 cheques para pagamento. Uma das notas foi paga mediante emissão de 7 cheques na mesma data, e não a vista como indicado no documento; o Em duas notas fiscais não houve o destaque do comprovante de recebimento das mercadorias; o Em 31/12/2006 resta uma dívida em face do fornecedor no valor de R$ 134.035,00 (27% do débito total), sem qualquer cobrança no período; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 5: Comercial WME Ltda (aquisições em julho/2004, por meio de 27 notas fiscais, no valor total de R$ 1.038.363,72): o Omissão de declaração de rendimentos e de recolhimentos nos períodos de emissão das notas fiscais; o Situação ativa perante o CNPJ, mas bloqueada na SEFMG por desaparecimento do contribuinte desde 31/08/2002; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) em razão de falsidade especificamente em relação a conjunto de documentos que abrange os utilizados pela contribuinte; o Inexistência de RAIS apresentada em 2004; Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 28 27 o Empresa, sócios e representantes legais não localizados; o Apresentação, pela fiscalizada, da 3a via das notas fiscais, e não a 1a via; o Notas fiscais de numeração baixa, seqüencial e de valor elevado; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Pagamentos de julho/2005 a setembro/2006 mediante a emissão de 276 cheques; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 6: Comércio de Cereais Izabela Ltda (aquisições em junho/2004, por meio de 9 notas fiscais, no valor total de R$ 413.970,80): o Omissão de declaração de rendimentos e de recolhimentos nos períodos de emissão das notas fiscais; o Situação ativa perante o CNPJ, mas bloqueada na SEFMG por inexistência do estabelecimento em 28/07/2004; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) porque emitidos por contribuinte inscrito, mas sem estabelecimento, abrangendo os documentos utilizados pela contribuinte; o Cancelamento do registro mercantil da empresa pela JUCEMG em 10/02/2004, em razão de inatividade; o Inexistência de RAIS apresentada em 2004; o Empresa, sócios e representantes legais não localizados; o Declaração de vizinho do suposto estabelecimento do fornecedor, no sentido de que nunca viu movimento atacadista no local; o Notas fiscais de valor elevado, próximo do final do mês e do fechamento da apuração de ICMS, Contribuição ao PIS e COFINS; o Mercadoria de origem estrangeira; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 29 28 o Notas fiscais sem referência às condições de pagamento e uma delas sem o destaque do comprovante de recebimento; o Pagamentos quatro meses depois da aquisição mediante utilização de diversos cheques de baixo valor. Uma das notas fiscais foi paga com 12 cheques seqüenciais; o Em 31/12/2006 subsistia dívida de R$ 318.864,20 (77% do débito), sem qualquer ação de cobrança pelo fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 7: Gildan Comercial Ltda ME (aquisições em fevereiro e março/2004, por meio de 13 notas fiscais, no valor total de R$ 663.993,66): o Omissão de declaração de rendimentos e de recolhimentos nos períodos de emissão das notas fiscais; o Situação ativa perante o CNPJ, mas bloqueada na SEFMG por desaparecimento do contribuinte em 16/06/2004; o Inexistência de RAIS apresentada em 2004; o Intimação ao sócio e administrador da empresa respondida por sua curadora, que apresentou documentos denunciando sua inclusão como sócio administrador de uma firma fantasma; o Diligência ao local e constatação da existência de um pequeno barracão (cujo tamanho e local confirma a impossibilidade de armazenagem e manuseio de mercadorias) e de uma residência ao fundo sem moradores presentes; o Notas fiscais de numeração baixa, seqüencial e de valor elevado; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Em três notas fiscais não foi preenchido ou destacado o comprovante de recebimento das mercadorias; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Pagamentos de julho/2004 a dezembro/2004 mediante a emissão de 132 cheques, sendo que uma das notas fiscais foi paga com 11 cheques de numeração sequencial; o Em 31/12/2006 subsistia dívida de R$ 179.835,20 (27%) do débito, sem qualquer cobrança pelo fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 30 29 · Fornecedor nº 8: Guia Transporte e Comércio Ltda (aquisições em agosto/2004, por meio de 6 notas fiscais, no valor total de R$ 269.428,86): o Omissão de declaração de rendimentos e de recolhimentos nos períodos de emissão das notas fiscais; o Situação ativa perante o CNPJ, mas bloqueada na SEFMG por desaparecimento do contribuinte em 30/07/2004; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) a partir de 30/07/2004 porque emitidos por contribuinte que encerrou irregularmente suas atividades; o Inexistência de RAIS apresentada em 2004; o Empresa, sócios e representantes legais não localizados; o Ausência de carimbo dos agentes fiscais dos postos de fiscalização estaduais; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Notas fiscais de valor elevado, próximo do final do mês e do fechamento da apuração de ICMS, Contribuição ao PIS e COFINS; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Ausência de referências às condições de pagamento nas notas fiscais; o Pagamentos de novembro/2004 a abril/2005 mediante a emissão de 16 cheques; o Em 31/12/2006 subsistia dívida de R$ 122.000,00 (45% do débito), sem qualquer cobrança pelo fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 12: Nutricom Alimentos Ltda (aquisições em dezembro/2003, por meio de 5 notas fiscais, no valor total de R$ 409.149,00): o Omissão de declaração de rendimentos e recolhimentos esparsos no período de emissão das notas fiscais; o Inscrição estadual na SEFMG bloqueada por desaparecimento do contribuinte em 12/01/2004; Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 31 30 o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) a partir de 12/01/2004 porque emitidos por contribuinte que encerrou irregularmente suas atividades; o Objeto social extenso, transferência da sede para São Paulo, admissão de sócio uruguaio e administração por procurador deste a partir de 03/12/2003, muito embora este procurador seja empregado desde 1975 e trabalhe como motorista de veículos de carga; o Apresentação de RAIS com empregado até setembro/2003; o Empresa, sócios e representantes legais não localizados; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Transporte não especificado nas notas fiscais, e em duas notas fiscais o comprovante de recebimento das mercadorias não foi destacado; o Pagamentos de maio e julho/2004 mediante a emissão de 9 cheques. Uma das notas fiscais foi paga com a emissão de 5 cheques; o Em 31/12/2006 subsistia dívida de R$ 385.000,00 (94% do débito), sem qualquer cobrança pelo fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 13: Nutrilínea Produtos Alimentícios Ltda (aquisições em dezembro/2003, por meio de 17 notas fiscais, no valor total de R$ 1.298.330,50): o Declaração de inatividade e três recolhimentos esparsos de 2003 a 2007; o Inscrição estadual na SEFMG bloqueada em 27/02/2004 por obtenção de inscrição com elementos falsos; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) a partir de 25/03/2002 por encerramento irregular e obtenção de inscrição com elementos falsos; o Objeto social extenso, admissão de sócio uruguaio e administração por procurador deste a partir de 07/01/2004. Um dos antigos sócios é trabalhador rural, e o outro não demonstra capacidade financeira para ser sócioadministrador do fornecedor. o Empresa, sócios e representantes legais não localizados; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 32 31 o Transporte não especificado nas notas fiscais, e em doze notas fiscais o comprovante de recebimento das mercadorias não foi destacado; o Pagamentos de maio a outubro/2004 mediante a emissão de 196 cheques. Uma das notas fiscais foi paga com a emissão de 16 cheques; o Em 31/12/2006 subsistia dívida de R$ 618.600,00 (48% do débito), sem qualquer cobrança pelo fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 14: Patmus Comercial Ltda (aquisições de dezembro/2003 a abril/2004, por meio de 18 notas fiscais, no valor total de R$ 972.380,43): o Omissão de declaração de rendimentos a partir de 2004 e inexistência de recolhimentos no período de emissão das notas fiscais; o Ativa perante o CNPJ, mas inscrição estadual na SEFMG bloqueada por inexistência do estabelecimento, em 12/05/2004; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) em 28/04/2004 porque emitidos por contribuinte inscrito, mas sem estabelecimento; o Ausência de RAIS nos anos de 2003 e 2004; o Empresa, sócios e representantes legais não localizados; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Ausência de carimbo dos agentes fiscais dos postos de fiscalização estadual; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor, sendo que de 4 notas fiscais não foi preenchido e destacado o comprovante de recebimento; o Pagamentos de maio e julho/2004 a outubro/2004 mediante a emissão de 38 cheques. Uma das notas fiscais foi paga com a emissão de 9 cheques; o Em 31/12/2006 subsistia dívida de R$ 835.175,05 (86% do débito), sem qualquer cobrança pelo fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 33 32 · Fornecedor nº 15: Realmix Comércio e Distribuição Ltda (aquisições de dezembro/2003 a junho/2004, por meio de 122 notas fiscais, no valor total de R$ 5.939.208,60): o Omissão de declaração de rendimentos e de recolhimentos no período de emissão das notas fiscais; o Inscrição estadual na SEFMG bloqueada por desaparecimento do contribuinte em 14/06/2004; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) a partir de 01/05/2004 porque emitidos por contribuinte que encerrou irregularmente suas atividades, bem como de documentos fiscais sem autorização para impressão, dentre os quais se incluem as notas fiscais utilizadas pela autuada; o Ausência de RAIS em 2003 e 2004; o Empresa, sócios e representantes legais não localizados; o Declaração da locadora do imóvel onde o fornecedor teria ocupado a sala por aproximadamente dois meses, sem movimentação de mercadorias; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Transporte pelo destinatário a partir do suposto estabelecimento do fornecedor, sendo que em algumas notas não foi preenchido ou destacado o comprovante de recebimento; o Pagamentos de maio a dezembro/2004 mediante a emissão de 262 cheques, e de janeiro a abril/2005 por meio de 14 cheques. Uma das notas fiscais foi paga com a emissão de 18 cheques; o Quitação de parte do débito (R$ 4.390.631,88) com o fornecedor por meio de Termo de Dação em Pagamento de títulos da dívida pública federal sem identificação, datado de 20/12/2005 (haveria também um outro termo de 13/01/2006, não apresentado). Além da prescrição e do baixo valor de mercado destes títulos, o Termo de Dação em Pagamento foi assinado por pessoa que não era sócio do fornecedor naquele momento, e cujo nome assemelhase ao de um sócio que se desligou da sociedade em 03/05/2004. Em consulta ao Cartório que autenticou a assinatura, colheuse declaração em favor da falsidade da etiqueta aplicada no Termo para reconhecimento da firma; o Versão da dívida de R$ 409.919,01, mediante cisão, em favor de Comercial Valmig Ltda Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 34 33 o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 17: Sandro Roberto Figueiredo Ventura (aquisições em novembro e dezembro/2004, por meio de 40 notas fiscais, no valor total de R$ 1.507.369,60): o Ausência de recolhimentos no período de emissão das notas fiscais e declaração de inatividade a partir de 2004; o Pessoa jurídica ativa, mas com inscrição estadual na SEFMG bloqueada por desaparecimento do contribuinte em 01/11/2004; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) a partir de 01/11/2004 porque emitidos por contribuinte que encerrou irregularmente suas atividades; o Ausência de RAIS em 2003 e 2004; o Empresa, sócios e representantes legais não localizados. Declaração de moradora do andar de cima do imóvel onde se localizaria o estabelecimento do fornecedor afirma que lá houve um depósito de feijão, desativado seis meses antes da instalação do atual comércio que lá existe desde 30/04/2004; o Notas fiscais indicando número de AIDF que não corresponderiam a outra numeração de notas fiscais; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Ausência de carimbo dos agentes fiscais dos postos de fiscalização estadual; o Transporte pelo próprio adquirente a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Das 40 notas fiscais, apenas 07 correspondem às primeiras vias; o Pagamentos de abril/2005 a dezembro/2006 mediante a emissão de 225 cheques em 2005 e 235 cheques em 2006. Uma das notas fiscais foi paga com a emissão de 8 cheques; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 18: Serra do Ouro Comercial Ltda (aquisições em dezembro/2002, por meio de 10 notas fiscais, no valor total de R$ 1.383.999,60): o Omissão de declaração de rendimentos a partir de 2002.; o Empresa e sócios não localizados; Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 35 34 o Informações da Secretaria de Fazenda de São Paulo (SEFSP) no sentido de que a contribuinte teria encerrado atividades aproximadamente em 27/12/2002; de que determinadas notas fiscais seriam inidôneas porque emitidas por gráfica inexistente; e de que os sócios desconheceriam quem teria emitido tais notas fiscais. As notas fiscais utilizadas pela autuada fazem parte deste conjunto; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Ausência de carimbo dos agentes fiscais em postos estaduais entre São Paulo/SP e Contagem/MG; o Transporte pelo próprio adquirente a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Pagamentos de junho/2003 a dezembro/2006 mediante a emissão de 503 cheques. Uma das notas fiscais foi paga com a emissão de 14 cheques; o Em 31/12/2006 subsistia dívida sem qualquer cobrança pelo fornecedor, no valor de R$ 1.426.874,79, assim incorporando, também, aquisições anteriores ao período fiscalizado; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; · Fornecedor nº 19: Stone River Comércio, Importação e Exportação Ltda (aquisições de setembro a dezembro/2004, por meio de 74 notas fiscais, no valor total de R$ 2.728.245,51): o Ausência de recolhimentos no período de emissão das notas fiscais e declaração de inatividade em 2004; o Pessoa jurídica ativa, mas com inscrição estadual na SEFMG bloqueada por desaparecimento do contribuinte em 29/07/2005; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) a partir de 01/09/2004 porque emitidos por contribuinte que encerrou irregularmente suas atividades; o Apresentação de RAIS em 2004, sendo que todos os contratos de trabalho foram rescindidos até junho/2004; o O sócio localizado não respondeu à intimação; o Diligências no local do estabelecimento resultaram na obtenção de contrato de locação firmado entre o fornecedor e outra pessoa jurídica, mas sem identificação das pessoas que o assinaram, e declarações no sentido de que o fornecedor Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 36 35 ocupou o imóvel por 10 meses a partir de junho/2004, até seu desaparecimento; o Apenas uma nota fiscal foi emitida antes de 01/09/2004; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Ausência de carimbo dos agentes fiscais dos postos de fiscalização estadual; o Transporte pelo próprio adquirente a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Das 40 notas fiscais, apenas 07 correspondem às primeiras vias; o Pagamentos de dezembro/2004 a dezembro/2006 mediante a emissão de 50 cheques em 2004, 455 cheques em 2005 e 304 cheques em 2006. Uma das notas fiscais foi paga com a emissão de 19 cheques sequenciais; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 20: Transporte e Comércio KL Ltda (aquisições em março/2004, por meio de 2 notas fiscais, no valor total de R$ 91.615,50): o Ausência de recolhimentos no período de emissão das notas fiscais e declaração apenas de inatividade em 2003; o Pessoa jurídica ativa, mas com inscrição estadual na SEFMG bloqueada por inexistência de estabelecimento no endereço inscrito em 30/04/2004; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) de 28/07/2004 porque emitidos por contribuinte que encerrou irregularmente suas atividades; o Ausência de RAIS em 2003 e 2004; o Empresa e sócios não localizados. Moradores vizinhos ao estabelecimento declararam não conhecer o fornecedor; o Mercadorias valiosas e de origem estrangeira; o Ausência de carimbo dos agentes fiscais dos postos de fiscalização estadual; o Transporte pelo próprio adquirente a partir do suposto estabelecimento do fornecedor, sendo que em uma das notas o comprovante de recebimento não foi preenchido ou destacado; Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 37 36 o Pagamentos em agosto e setembro/2004 mediante a emissão de 20 cheques. Uma das notas fiscais foi paga com a emissão de 11 cheques; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 21: Varmil Indústria e Comércio Ltda (aquisições de julho e agosto/2004, por meio de 26 notas fiscais, no valor total de R$ 971.484,54): o Ausência de recolhimentos no período de emissão das notas fiscais e apresentação de declaração simplificada até 2003; o Pessoa jurídica ativa, mas com inscrição estadual na SEFMG bloqueada por inexistência de estabelecimento no endereço inscrito em 03/11/2004; o Notas fiscais indicando numeração falsa de AIDF, bem como gráfica inexistente; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) vinculados ao mencionado AIDF, autorizada para outro contribuinte; o Ausência de RAIS em 2004; o Sócios não localizados; o Diligências no local do estabelecimento resultaram em declaração de vizinhos que desconhecem qualquer atividade no imóvel indicado como endereço do fornecedor; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Transporte pelo próprio adquirente a partir do suposto estabelecimento do fornecedor. Em 8 notas fiscais há indicação do responsável pelo transporte, mas a placa não corresponde a um veículo, ou indica veículo incompatível com a carga transportada; o Pagamentos de dezembro/2004 a maio/2005, mediante a utilização de 66 cheques; o Em 31/12/2006 subsistia débito de R$ 126.000,00 (13% do débito), sem qualquer ação de cobrança por parte do fornecedor; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. · Fornecedor nº 23: WR Comercial de Alimentos Ltda (aquisições de novembro e dezembro/2004, por meio de 29 notas fiscais, no valor total de R$ 1.162.903,11): Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 38 37 o Ausência de recolhimentos no período de emissão das notas fiscais e apresentação de declaração com movimento até o 2o trimestre de 2004; o Pessoa jurídica ativa, mas com inscrição estadual na SEFMG bloqueada por inexistência de estabelecimento no endereço inscrito em 11/05/2005; o Ato Declaratório de Inidoneidade de documentos fiscais (SEF MG) vinculados a AIDF específica, com indicações de falsidade nas informações de seu rodapé; o Ausência de RAIS em 2003 e apresentação do documento em 2004 com apenas um empregado que teve o contrato rescindido em 31/10/2004; o Sócios não localizados ou que não atenderam a intimação fiscal; o Diligências no local do estabelecimento resultaram em declaração de vizinhos que atestaram o funcionamento da empresa por menos de um ano, para armazenamento de farinha de trigo, ficando mais aberto que fechado o estabelecimento; o Mercadorias variadas, valiosas e de origem estrangeira; o Das 29 notas fiscais utilizadas, apenas 8 são em 1a via; o Transporte pelo próprio adquirente a partir do suposto estabelecimento do fornecedor; o Pagamentos de fevereiro/2005 a setembro/2006, mediante a utilização de 235 cheques; o Pagamentos destinados a terceiros não identificados. 3. Notas fiscais emitidas por pessoa jurídica administrada por responsáveis pela autuada e declarada inapta em razão das evidências de interposição fraudulenta para importação de mercadorias: · Fornecedor nº 10: MSP Comércio de Mercadorias em Geral Ltda (aquisições em dezembro/2002 a outubro/2003, por meio de 272 notas fiscais, no valor total de R$ 21.839.634,10): o Pessoa jurídica declarada inapta em 25/03/2004, com efeitos a partir de 27/08/2003, em razão da constatação de evidências acerca de sua incapacidade econômico e financeira para atuar na importação de mercadorias, em razão do volume de aquisições no 4o trimestre/2002, incompatível com as declarações de rendimento de seus sócios, restando Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 39 38 incomprovada a origem dos recursos empregados, e constatada a inexistência de fato da matriz (em São Paulo) e a precariedade do estabelecimento filial (em Osasco). o Nenhuma DIPJ entregue desde sua constituição em julho/2002; o AIDF apenas para as notas fiscais até o número 1.000 e inscrição estadual bloqueada, com declaração de inidoneidade dos documentos fiscais a partir de 16/12/2003, em razão da não localização dos sócios, de o estabelecimento estar fechado, e de um dos sócios ter afirmado a utilização indevida de seu nome para constituição da pessoa jurídica; o Inexistência de RAIS apresentada de 2002 a 2004; o Intimação dirigida a empresa e sócios administradores foi respondida por um deles, que: § apresentou as vias fixas das notas fiscais emitidas em favor da autuada; § declarou não mais dispor dos controles de estoque para comprovação da posse das mercadorias vendidas à autuada; que as operações estavam acobertadas por notas fiscais regulares e que a forma de transporte estava identificada no documento fiscal; o Um dos sócios administrador era empregado de óticas, mercearias e supermercados no estado de Minas Gerais, com remuneração inferior a dois salários mínimos, e ao se tentar contato pessoal com ele no supermercado onde atuava como repositor, constatouse seu pedido de demissão no mesmo dia e a comunicação de que se mudaria para São Paulo/SP, bem como observouse que seus pais figuravam como sócios administradores de outra empresa da família Vilefort, após a saída dos sócios originais integrantes desta família. Outro foi empregado de outras empresas da família Vilefort e passou a ser empregado da autuada em abril/2004, retirandose do quadro social do fornecedor para ingresso de sócio que declarou em boletim de ocorrência a utilização indevida de seu nome para constituição da pessoa jurídica do fornecedor. Outra ingressou na sociedade adquirindo a participação deste terceiro sócio, mas sempre trabalhou empregada como operadora de caixa ou de telemarketing; o Procurações outorgadas a Antonio Vilefort Martins para administração do fornecedor a partir de 28/10/2002 e a Marilia Vilefort Martins para operações bancárias a partir de 04/09/2002. Ambas foram revogadas em 05/05/2004. As mesmas pessoas administravam a autuada neste período; Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 40 39 o Diligência pela DRF/Osasco colheu depoimento da locadora do imóvel onde deveria estar funcionando o fornecedor, atestando que o intermediário da contratação foi o sócio do fornecedor que se revelou empregado de empresas da família Vilefort, e apresentando outros detalhes do período de locação; o Fornecedor realizando 48 importações de 10/10/2002 a 18/03/2003, alcançado o peso líquido de 1.153.120 kg de mercadorias. A quase totalidade foi objeto de nota fiscal de entrada. Em março/2003 as importações foram paralisadas e as atividades encerradas irregularmente; o Descontada a importação que não foi objeto de nota fiscal de entrada (peso líquido de 22.498 kg), as saídas de mercadorias deste fornecedor superaram em 2.804.887 kg as entradas, sendo destas 94% destinadas à autuada. Em termos de valor, as importações de R$ 6.612.675,68 elevaramse para R$ 21.839.634,10; o Incompatibilidade entre a movimentação financeira do fornecedor e as vendas supostamente promovidas à autuada; o Ausência de prova das mercadorias adquiridas pela autuada, especialmente tendo em conta as notas graciosas emitidas pelo fornecedor; o Quitação de parte do débito (R$ 17.893.761,80) com o fornecedor por meio de Termos de Dação em Pagamento de títulos da dívida pública federal sem identificação, datados de 23/10/2005 a 30/06/2005, além de uma operação de janeiro/2006 não demonstrada. Além da prescrição e do baixo valor de mercado destes títulos, os Termos de Dação em Pagamento foram assinados pelo sócio do fornecedor que exercia as funções de repositor em supermercado, sendo assim classificados como falsos; o Liquidação de débitos ao longo de 2003 no valor de R$ 3.125.398,65 sem comprovação do pagamento, e outros pagamentos em 2004, no valor de R$ 187.421,00, mediante emissão de 9 cheques. Em todos os casos, além dos tópicos sintetizados acima, a autoridade fiscal traça um comparativo entre o capital social do fornecedor e o valor das mercadorias supostamente negociadas, bem como destaca, em relação à maioria dos casos, que a contribuinte não poderia desconhecer a inexistência do estabelecimento fornecedor na medida em que seu representante teria transportado as supostas mercadorias. E, quanto aos pagamentos com múltiplos cheques, indicariam pagamento a diversas pessoas ou de diversas despesas, não o pagamento a um único credor, até porque não seria prática usual no comércio o pagamento de notas fiscais de maneira fracionada, com emissão de vários cheques de emissão da própria empresa que efetua o pagamento, sacados contra um mesmo banco. Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 41 40 Como se vê, os agentes fiscais não se limitaram a invocar atos declaratórios de inidoneidade dos documentos emitidos posteriormente às operações questionadas. Para o primeiro grupo acima apontando, reunindo 5 (cinco) dos 23 (vinte e três) fornecedores questionados, a autoridade lançadora demonstrou que as notas fiscais apresentadas pela contribuinte (algumas delas apenas 3as vias) eram falsas, formal e materialmente diferentes daquelas efetivamente emitidas pelos fornecedores. De outro lado, as notas fiscais indicavam a autuada (destinatário das mercadorias) como responsável pelo transporte, e durante o procedimento fiscal a contribuinte apontou que aquelas seriam as informações reais vinculadas ao fornecimento das mercadorias, em implícito reconhecimento de que seus representantes teriam comparecido no estabelecimento do fornecedor e ali retirado as mercadorias adquiridas, muito embora os fornecedores neguem, peremptoriamente, terem promovido quaisquer das vendas mencionadas. Eventualmente a contribuinte poderia ter sido ludibriada por um outro vendedor que se apresentasse sob a identificação daqueles antes citados. Todavia, o volume de mercadorias adquiridas e o representativo valor das operações certamente deixariam rastros documentais de sua ocorrência e, ao menos, os pagamentos se verificariam dentro da normalidade das operações comerciais. Neste sentido, porém, a autoridade lançadora identificou que os pagamentos nunca se verificaram em datas próximas às de aquisição, mas sim meses depois, e até anos depois, muitas vezes restando saldos a pagar ao final do segundo ano posterior às operações, sem que nada fosse questionado pelos supostos fornecedores. Ademais, quando promovido algum pagamento, este se dava por meio de diversos cheques, por vezes emitidos em uma mesma data e com numeração sequencial, afastando qualquer possibilidade de se destinarem a um mesmo beneficiário e, por conseqüência, à operação questionada. Notese que a contribuinte chegou a emitir, num período de 26 meses, mais de 1.000 cheques para o pagamento de dívida decorrente de supostos fornecimentos por uma mesma empresa, representados por 84 notas fiscais (Fornecedor nº 22: Vicente & Vicente Ltda). E, para deixar claro o procedimento anormal adotado pela contribuinte nos pagamentos, tomese como exemplo uma das notas fiscais referenciadas pela contribuinte em sua defesa, na qual sintetiza, sem qualquer oposição, os pagamentos identificados pela Fiscalização (fl. 1444 do Anexo V destes autos): Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 42 41 Referida nota fiscal teria sido emitida em 06/12/2002, apontando como vencimento no dia 06/01/2003 (fl. 1443 do Anexo V destes autos). Todavia, a conta contábil nº 2.1.01.01.0004986, representativa da obrigação perante o fornecedor “Rebela Coml. Exp. Ltda”, apresenta, até junho/2003, saldo crescente de modo a alcançar o valor de R$ 3.815.615,87, quando então passa a ser liquidada mediante pagamentos de formato semelhante aos acima evidenciados para a nota fiscal nº 369. Por sua vez, os cheques em referência, de numeração seqüencial de 14.806 a 14.849, somente são emitidos em 10/11/2013, como se vê na própria contabilidade da autuada (fl. 271 do Anexo III destes autos). Ou seja, além do atraso de mais de 10 (dez) meses no pagamento da suposta compra, sem qualquer acréscimo em favor do fornecedor (o somatório do valor dos cheques equivale ao da nota fiscal), a contribuinte promoveu referido pagamento mediante a emissão de 42 (quarenta) e dois cheques no mesmo dia e para alegada entrega ao mesmo fornecedor! E nenhum esclarecimento veio aos autos para justificar esta anormalidade, amplamente apontada pela acusação fiscal. Destaquese que referido fornecedor (Rebela Comercial Exportadora Ltda) demonstrou não ter emitido as notas fiscais utilizadas pela interessada e, questionada acerca da quitação de parte do débito remanescente por meio de Termo de Dação em Pagamento, a contribuinte informou que as operações com o referido fornecedor foram canceladas. Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 43 42 A recorrente insiste em desqualificar as diligências que, no seu entender, teriam se verificado após 5 (cinco) anos da ocorrência das operações comerciais, para qualificar como meras conjecturas (nem mesmo presunções) as referências trazidas pela Fiscalização acerca do funcionamento dos estabelecimentos dos fornecedores no passado. Omitese, especialmente, a respeito das glosas que dizem respeito a fornecedores ativos e regulares, que expressamente declararam e demonstraram não ter emitido as notas fiscais apresentadas pela contribuinte à Fiscalização. Por sua vez, quando se observa o segundo grupo de operações questionadas, em que pese as constatações acerca da inidoneidade dos documentos se vincularem, muitas vezes, a atos declaratórios de inidoneidade emitidos posteriormente às operações questionadas, e a constatações de que a empresa não mais operava em seu estabelecimento, e pouco ou nada operou no passado, repetemse os mesmos procedimentos antes mencionados acerca do transporte das mercadorias e dos correspondentes pagamentos. Logo, apesar de as irregularidades em relação a alguns fornecedores somente terem sido declaradas após as operações aqui questionadas, tais indícios não podem ser analisados isoladamente, mas sim no contexto construído pela Fiscalização, que também reúne evidências de que os supostos fornecedores não exerciam atividade comercial nos períodos de fornecimento (ausência de declarações, de empregados informados em RAIS, de atividade em seus estabelecimentos, etc) e a demonstração da ausência de prova do transporte das mercadorias e de efetivo pagamento aos fornecedores, alguns deles, inclusive, permanecendo credores de até 94% da correspondente dívida, depois de transcorridos quase 2 (dois) anos do fornecimento. Assim como não é crível que a empresa tenha pago fornecedores reais com múltiplos cheques seqüenciais, emitidos em uma mesma data, sem qualquer conexão com o vencimento das obrigações daí decorrentes, também não se pode acreditar que a grande maioria destes fornecedores não se interessassem por qualquer cobrança dos valores que teriam direito a receber, anos depois do fornecimento, Não há dúvida que a boafé do adquirente deve ser privilegiada no caso de ilegalidades praticadas exclusivamente por fornecedores. Mas nada aqui permite concluir que a contribuinte reúne aquela qualificação. Ao contrário, todas as evidências reunidas pela Fiscalização operam em seu desfavor, e nada por ela apresentado aponta para a existência de alguma operação comercial efetiva dentre as glosadas. Em verdade, a única prova documental dos recorrentes que poderia ter algum relevo diz respeito a uma operação com o fornecedor Realmix Comércio e Distribuição, objeto de nota fiscal de devolução parcial, e paga por meio de boletos bancários. Argumentam os recorrentes que este documento fiscal é idêntico aos demais glosados, e assim a autuada não teria como verificar se havia alguma irregularidade em relação a este fornecedor. As glosas correspondentes a este fornecedor englobam aquisições de dezembro/2003 a junho/2004, por meio de 122 notas fiscais, no valor total de R$ 5.939.208,60. A autoridade fiscal constatou que o Fisco Estadual já havia apurado o encerramento irregular da atividade do contribuinte a partir de 01/05/2004, bem como a impressão de documentos fiscais sem autorização. E, associando estas ocorrências à ausência de RAIS, à não localização da empresa e de seus sócios, ao testemunho de que a empresa teria permanecido por apenas dois meses no estabelecimento locado, às irregularidades no transporte e pagamento das notas fiscais como antes abordado, a autoridade fiscal concluiu pela glosa as operações indicadas no lançamento, também porque o débito correspondente a R$ 4.390.631,88 teria sido quitado por termos de dação em pagamento que, para além das inconsistências verificadas nos demais Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 44 43 casos, foram assinados por quem não era sócio do fornecedor, e apresentavam etiquetas de reconhecimento de firma identificadas como falsas pelo correspondente Cartório. Analisando os documentos juntados pelos interessados, a autoridade julgadora de 1a instância disse: O Impugnante, tentando descaracterizar o feito fiscal, citou, como exemplo, o caso da nota fiscal de devolução nº 649, emitida, em 12/05/2004, pela empresa Realmix Comércio e Distribuição Ltda, no valor de R$ 6.684,00, em razão da devolução de mercadorias (557 caixas de “maçãs gala”). No Volume 5, do Anexo 5, às fls. 1379, consta cópia da referida nota fiscal, tratandose, realmente, da operação citada pela defesa. Todavia, esse documento fiscal não foi objeto de glosa pelo Fisco, pois não consta do demonstrativo fiscal que consolidou todas as notas fiscais inidôneas, indevidamente contabilizadas. Nesse sentido, verificase do aludido demonstrativo, às fls. 197, onde os documentos fiscais estão dispostos em ordem seqüencial, por data de emissão, que foram objeto de glosa da citada empresa as notas fiscais nº 647, emitida em 12/05/2004, e logo a seguir a de nº 663, de 13/05/2004. Ou seja, a nota fiscal mencionada pela defesa, como se fosse um suposto equívoco do Fisco, não consta do demonstrativo fiscal, portanto, não tendo sido glosada. Logo, no caso, como se vê, não há nenhuma irregularidade no trabalho da Fiscalização. É, pois, sem razão a alegação do Impugnante. A autoridade julgadora, porém, não atentou que a referida nota fiscal não representa aquisição de mercadoria, mas sim, uma operação devolução do fornecedor Realmix Comércio e Distribuição Ltda em favor da autuada. Os recorrentes alegam que a autuada teria vendido para o referido fornecedor 1.450 caixas de maçãs tipo “gala” por meio da nota fiscal nº 21.608, e que Realmix Comércio e Distribuição Ltda teria optado por ficar apenas com parte do fornecimento. Aduzem que toda a operação foi realizada via bancos, com pagamento de boletos bancários em nome das próprias empresa e acrescentam que o documento fiscal de devolução é IDÊNTICO aos demais emitidos por esse fornecedor. Em que pese a semelhança deste documento com os demais glosados, os recorrentes apresentaram a 4a via da nota fiscal, destinada ao Fisco/Remetente, não juntou os mencionados boletos bancários de pagamento e nem mesmo apresentou a nota fiscal de venda em favor de Realmix Comércio e Distribuição Ltda que teria ensejado referida devolução. Tratase, portanto, de uma argumentação por demais precária para a pretendida demonstração da fragilidade do feito fiscal e a impossibilidade de se tomar as declarações firmadas pelos fornecedores da Autuada constantes dos Autos como verdades absolutas. Recordese, por oportuno, que a acusação fiscal está calcada, dentre outros aspectos, na liquidação da parcela de R$ 4.390.631,88 (do total de R$ 5.939.208,60 supostamente adquirido) por meio de Termo de Dação em Pagamento apresentando assinatura de pessoa que, além de não ser representante legal do fornecedor, foi autenticada por meio da aposição falsa de etiquetas do Cartório do 5o Ofício de Notas de Belo Horizonte, conforme fls. 727/728. Nestes termos, os recorrentes não lograram demonstrar que são falaciosas as alegações de que todos os fornecedores constantes dos autos seriam empresas “de fachada” e que nenhuma das operações comerciais efetivamente ocorreu. A 4a via de nota fiscal de devolução supostamente emitida por Realmix Comércio e Distribuição Ltda em nada Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 45 44 desmerece os indícios e provas reunidos pela Fiscalização acerca da inexistência das compras registradas pela autuada. Os recorrentes asseveram que a autuada trouxe aos autos planilhas, documentos e comprovantes de pagamento contradizendo os argumentos do Fisco, mas os elementos que integram o Anexo V juntado por ocasião da impugnação apenas apresentam planilhas reunindo os cheques, já identificados pela Fiscalização, vinculados a cada nota fiscal; documentos correspondentes às notas fiscais glosadas, a outras operações de fretes, à aquisição de combustível e à propriedade de veículos; e comprovantes de pagamento que, para além do carimbo de “Pago” nas notas fiscais, devem estar representados por pagamentos feitos em razão das outras operações de frete e de aquisição de combustível. Em verdade, os documentos por ela juntados em sua impugnação, apenas operam em seu desfavor, especialmente porque em vistas às cópias de notas fiscais que passaram a integrar o Anexo V destes autos, é possível verificar às suas fls. 137 e 223 que distintos fornecedores situados em Caratinga/MG e Belo Horizonte/MG emitiram notas fiscais com idêntica grafia manuscrita, o mesmo se verificando às fls. 274 e 1687, relativamente a fornecedores situados em Itaúna/MG e Carmo da Mata/MG. Além disso, há significativa semelhança na datilografia das notas fiscais juntadas às fls. 320, 1516, 1697 e 1759, muito embora os fornecedores estivessem situados em Ituiutaba/MG, Governador Valadares/MG, Elói Mendes/MG e Araxá/MG, o mesmo se verificado às fls. 1753 e 1925, por parte de fornecedores situados em Araxá/MG e Contagem/MG, e às fls. 1104 e 1119, por parte de diferentes fornecedores situados em Belo Horizonte/MG. Para além disso, em que pese a multiplicidade de fornecedores, a descrição dos produtos é, praticamente, padronizada, inclusive no que tange às abreviações e espaçamentos entre as palavras. A contribuinte não foi capaz de trazer aos autos um único recibo dos pagamentos referentes a tais fornecimentos. A associação dos cheques às notas fiscais feita pela Fiscalização, e utilizada pela contribuinte ao apresentar os documentos que compõem o Anexo V destes autos, tem por referência, basicamente, os carimbos de pagamento apostos pela adquirente nas notas fiscais de compra. Por sua vez, se as mercadorias foram transportadas em veículo próprio, a intensa movimentação de mercadorias representada pelas notas fiscais glosadas exigiria um representativo controle interno dos veículos e dos representantes destinados a este transporte. Contudo, a recorrente procura demonstrar, apenas, que incorreu em fretes ao longo do período fiscalizado e que dispunha de veículos próprios para movimentação de mercadorias, também arcando com gastos de combustíveis, mas isto em nada desqualifica a glosa promovida que, por sinal, alcançou apenas parte dos custos verificados no período. A mera juntada dos documentos em referência, sem qualquer correlação específica com as operações glosadas, em nada afeta a exigência. De fato, vejase que o lançamento reporta glosa de custos nos valores de R$ 8.669.182,20 em 2002, R$ 22.680.370,66 em 2003 e R$ 21.532.385,70 em 2004, ao passo que a contribuinte contabilizou compras de R$ 39.575.948,42 em 2002, R$ 42.073.824,39 em 2003 e de R$ 50.371.431,20 em 2004. De outro lado, declarou receitas de vendas nos valores de R$ 49.227.591,44 em 2002, R$ 48.979.320,27 em 2003 e R$ 67.640.919,66, apurando singelos lucros líquidos de R$ 44.037,98 em 2002, R$ 69.664,79 em 2003 e R$ 180.516,36 (fls. 748/859). Daí, também, a impropriedade das alegações da recorrente no sentido de que caberia ao Fisco demonstrar a ausência de entrada de mercadorias no estabelecimento da Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 46 45 autuada. A Fiscalização desenvolveu extenso trabalho para infirmar os documentos de suporte da escrituração de custos pela contribuinte, e também evidenciou que os cheques destinados aos pagamentos destas supostas aquisições não teriam beneficiado os emitentes dos documentos fiscais. Se, acaso, houve ingresso de mercadorias por origem outra que não aquelas apontadas nas notas fiscais desqualificadas pela Fiscalização, cumpre à contribuinte demonstrála. Até o momento existe, apenas, a afirmação da contribuinte de que as mercadorias teriam origem nos documentos fiscais invalidados pela autoridade lançadora. A recorrente prossegue questionando a ausência de sua participação nas investigações, afirmando a impossibilidade de fiscalizar seus fornecedores, e limitando sua obrigação à verificação dos requisitos legais (emissão e escrituração de nota, checagem do CNPJ e do SINTEGRA) e à efetiva realização das operações mercantis. Olvidase, novamente, que a acusação fiscal não se limita às irregularidades cadastrais e fiscais dos fornecedores, mas sim à impossibilidade de as aquisições efetivamente terem ocorrido, a partir de fornecedores que negaram as vendas ou não teriam operado no momento de sua realização, sem qualquer demonstração documental do efetivo trânsito ou do ingresso das mercadorias no estabelecimento da contribuinte, bem como do pagamento àqueles supostos beneficiários, não obstante as mercadorias fossem volumosas, valiosas e de origem estrangeira, como bem destacou a Fiscalização. São estas evidências materiais das operações que a contribuinte, desde o início do procedimento fiscal, recusase a apresentar, pretendendo que seus custos sejam validados com base em documentos fiscais falsos ou ao menos suspeitos, associados a procedimentos totalmente anormais de transporte e pagamento. Vejase que, neste contexto, não há a questionada inversão do ônus da prova. O Fisco provou suas alegações, por meio de amplo processo investigativo que desqualificou os documentos fiscais apresentados. A prova das aquisições, assim, permanece sendo da interessada. Logo, tem razão a recorrente quando defende que a discussão não deve ser centrada na inidoneidade dos fornecedores, mas sim na efetiva ocorrência das operações comerciais. Como dito, tais irregularidades não impediram a dedução das despesas ante a real entrada das mercadorias adquiridas em seu estabelecimento, com o conseqüente pagamento por esses produtos. Todavia, esta prova incumbe à recorrente. Irrelevante, assim, a oposição da interessada aos efeitos retroativos, de Atos Declaratórios de Inidoneidade dos documentos fiscais lavrados pelo Fisco do Estado de Minas Gerais, ou se a autuada promoveu, à época das operações mercantis realizadas com cada fornecedor, consulta ao SINTEGRA/ICMS, ou mesmo se alguns fornecedores permanecem habilitados no referido controle – situação esperada em relação aos fornecedores regulares que negaram a efetivação de operações comerciais com a autuada –, e outros somente tiveram a habilitação afastada depois da operação realizada com a autuada. A alegada diligência da autuada ao supostamente exigir a apresentação de documento comprobatório da inscrição do fornecedor na competente repartição fazendária não merece qualquer crédito frente às demais anormalidades constatadas pela Fiscalização. Como dito, sua boafé deveria ser demonstrada pela prova do transporte e efetivo ingresso das mercadorias e regular pagamento aos fornecedores. Em momento algum está sendo exigido que a autuada fiscalize seus fornecedores, mas sim que tenha o controle exercido por qualquer adquirente na normalidade dos casos, quanto mais em relação a mercadorias de elevado valor, como as aqui tratadas. Por todo o exposto, não assiste razão à recorrente em suas alegações no sentido de que a única forma de atestar inequivocamente a inidoneidade dos documentos fiscais glosados seria a demonstração, pela Fiscalização, de que não houve efetiva entrada das Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 47 46 mercadorias no estabelecimento da autuada. Os indícios aqui reunidos não podem ser classificados como perfunctórios porque são evidências convergentes e coerentes no sentido de que as operações comerciais não foram realizadas com os fornecedores indicados nos documentos fiscais e, demais disso, os recorrentes apenas as contestaram formalmente, sem nada provar em contrário. Quanto à impossibilidade de tributação da saída correspondente aos custos glosados, não há qualquer prova neste sentido apresentada pela recorrente. Desde o início dos questionamentos fiscais, exigiuse da contribuinte a prova do efetivo ingresso, em seu estabelecimento, das mercadorias indicadas nas notas fiscais glosadas, nada tendo sido apresentado. Em suas defesas, os recorrentes tratam esta matéria como fato incontroverso, afirmando que as saídas somente poderiam ter se verificado com a entrada das mercadorias glosadas. Como já dito pela autoridade julgadora de 1a instância, as vendas correspondem a mercadorias mantidas em estoque, incumbindo à interessada provar que neste estoque foram computadas as mercadorias indicadas nas notas glosadas. Mas isto, também, para validar a dedutibilidade dos custos, porque se as vendas efetivamente existiram, sua tributação é devida, sendo imprópria a defesa dos recorrentes no sentido de que a desconsideração dos documentos fiscais impediria a tributação da receita apurada com a saída futura das mercadorias. Em verdade, diante da impossibilidade de os recorrentes demonstrarem a efetividade dos custos glosados pela Fiscalização, sua defesa dirigese para um campo hipotético, na tentativa de erigir um argumento aparentemente lógico, mas dissociado de qualquer razoabilidade prática, para desconstituir a exigência. Quanto à afirmação de que a vinculação das vendas aos demais itens em estoque somente seria possível se a Autuada tivesse um estoque infinito, já se demonstrou, neste voto, que as compras registradas pela autuada são significativamente superiores aos custos glosados, de modo que, em termos de valores, poderiam sustentar as vendas realizadas, mesmo depois das exclusões realizadas pelo Fisco. De outro lado, se as saídas, em termos de quantidades, não seriam possíveis sem o registro das compras estampadas nas notas glosadas, esta demonstração em momento algum veio aos autos, embora desde o procedimento fiscal exijase da contribuinte a demonstração da efetiva entrega das mercadorias em seu estabelecimento, o que se faz mediante os controles documentais de estoque, representativos, também, da correspondência entre as entradas e saídas. Ademais, não é crível que uma empresa com volumes anuais de receita da ordem de R$ 50 milhões de reais, opere com controle periódico anual de estoques, estampado apenas em seu registro de inventário ao final do ano calendário, sem saber quais produtos dispõe em estoque para revenda, quais deve adquirir e qual a origem daqueles adquiridos, mormente tratandose de produtos alimentícios de origem estrangeira e de alto valor de revenda. Os recorrentes discordam do acórdão recorrido por ter negado validade às planilhas, comprovantes de pagamento, comprovantes de importação, notas fiscais carimbadas pelas barreiras fiscais e demais documentos anexados aos autos. Neste ponto, disse a autoridade julgadora de 1a instância: No Anexo 5, do presente processo, composto pelos volumes de 1 a 6, estão os documentos anexados pelo Impugnante, que, por sua vez, também os segregou em anexos numerados de 1 a 23. A numeração da defesa segue aquela feita pelo Fisco, na parte II, do TVF, relativamente às empresas cujos documentos fiscais foram Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 48 47 considerados inidôneos. Cada um desses anexos corresponde a documentos e planilhas das aludidas empresas. Substancialmente, a citada documentação compõese de comprovantes de CNPJ (situação cadastral), comprovante de I.E (situação cadastral), certidões, cópias de NF e planilhas de composição de pagamentos. Primeiramente, digase que as planilhas não comprovam nenhum pagamento. O que se fez foi simplesmente segregar, por documento fiscal, quais teriam sido os cheques dos alegados pagamentos. Não há comprovação de que os respectivos cheques tenham sido utilizados para quitação das compras. O que somente seria possível com a prova de que foram emitidos nominalmente aos supostos fornecedores, que, por sua vez, os tiveram depositados em contascorrentes bancárias próprias ou que efetivamente receberam os numerários. Os cheques foram relacionados, mas sem cópias deles ou de que tenham sido utilizados para quitar a obrigação contraída com a operação mercantil. Por oportuno, como mencionado no TVF, a Fiscalização constatou, em relação aos pagamentos contabilizados como feito por cheques (débito de “fornecedores” a crédito de “bancos”), que esses foram emitidos nominalmente à própria BM COMERCIAL LTDA e sacados contra os bancos Bradesco e Safra. Em todos eles, ocorreu a transmissão por endosso em branco, isto é, a BM, como beneficiária, assinou no verso, sem identificar o real beneficiário, o que autorizou que o banco efetuasse o pagamento. Ademais, vale destacar o que frisou o Fisco em pontos da parte II, do TVF (acima integralmente transcrita): o pagamento de notas fiscais com emissão seqüencial de diversos cheques em um mesmo dia, conforme indicado nesses documentos, indicaria o pagamento a diversas pessoas ou de diversas despesas, não o pagamento a um único credor. Afinal, não é prática usual no comércio o pagamento de notas fiscais de maneira fracionada, com emissão de vários cheques de emissão da própria empresa que efetua o pagamento, sacados contra um mesmo banco”. Mais ainda, foram emitidas intimações ao contribuinte para que ele comprovasse o efetivo fornecimento das mercadorias constantes dos documentos fiscais considerados inidôneos, tanto sob o aspecto financeiro (pagamento) quanto à efetividade do ingresso da mercadoria, mediante, entre outros: a) esclarecimento da forma, valor e data efetiva do pagamento de cada nota fiscal relacionada, incluindo indicação do número da conta corrente e do banco sacado; b) apresentação de cópias microfilmadas, autenticadas e legíveis, fornecidas pelas instituições financeiras, de todos os cheques (frente e verso) comprobatórios dos pagamentos das notas fiscais. As respostas do Contribuinte foram evasivas e singelas, em nada esclarecendo as indagações feitas pelo Fisco. Ou seja, não foi comprovada a veracidade das operações comerciais contabilizadas pelo Impugnante. E, tampouco, os documentos apresentados, agora na defesa (que se restringem às cópias das NF, situação cadastral e meras planilhas, sem a respectiva documentação que lhe dê respaldo), comprovam a regularidade das supostas operações comerciais. Em suma, a documentação juntada, conquanto volumosa, não possui qualidade ou conteúdo para contraporse ao extenso trabalho fiscal, rico em detalhes, indícios e provas diretas que o Contribuinte contabilizou indevidamente operações comerciais inexistentes. Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 49 48 Por fim, contrariamente ao que alega o Impugnante, não restou nenhuma dúvida sobre a materialização do fato tributável, não cabendo a aplicação do art. 112 do CTN. Não há reparos à decisão recorrida. A descrição dos documentos juntados pela contribuinte correspondem precisamente ao que contido no Anexo V, e os argumentos da defesa estão validamente refutados. Em acréscimo, somente poderseia inferir que, ao mencionar a juntada de comprovantes de importação, notas fiscais carimbadas pelas barreiras fiscais, a defesa estivesse se reportando, especificamente, às operações realizadas com MSP Comércio de Mercadorias em Geral Ltda (Anexo 10 da impugnação, fls. 348/1069 do Anexo V destes autos), na medida em que apenas em relação a este fornecedor se verificam tais documentos. Todavia, no que tange a este fornecedor, que representa o terceiro grupo de operações desqualificadas pelo Fisco, como demonstrado no início desta abordagem, o trabalho fiscal reuniu evidências suficientes para inviabilizar a dedução de qualquer parcela de custos representados pelas notas fiscais por ele emitidas. Como antes resumido, a autoridade fiscal se reportou a procedimentos fiscais anteriores que demonstraram a interposição fraudulenta deste fornecedor em importações, e a conseqüente declaração de sua inaptidão, mormente porque constatado que seus sócios eram interpostas pessoas, que o estabelecimento matriz não existia e o estabelecimento filial era precário. Apurou, ainda, que Antonio Vilefort Martins e Marilia Vilefort Martins tinham procurações para administrar aquele fornecedor, ao mesmo tempo que administravam a autuada. Para além disso, reuniu uma vasta gama de evidências acerca das interferências da família Vilefort nas irregularidades vinculadas a este fornecedor. No âmbito material, a Fiscalização reconheceu a existência das importações às quais os recorrentes se referem. Mas também demonstrou que as mercadorias adquiridas (peso líquido de 1.153.120 kg) mostravamse inferiores às entradas pretendidas pela autuada, revelando uma diferença de 2.804.887 kg cuja origem era desconhecida. Em termos de valor, as importações de R$ 6.612.675,68 se prestariam a justificar compras pela autuada de R$ 21.839.634,10, muito embora a ligação evidenciada entre as empresas, e a completa ausência de recolhimentos, ou mesmo de declarações, por parte do suposto fornecedor. Diante destas evidências, a autoridade lançadora agiu corretamente ao promover a glosa integral das aquisições, porque não teria como identificar qual parcela teria vínculo com as importações e qual representaria notas fiscais graciosas emitidas pelo fornecedor administrado pela família Vilefort. Recordese, ainda, que a parcela de R$ 17.893.761,80 da suposta dívida decorrente destes fornecimentos foi “quitada” mediante Termos de Dação em Pagamento de títulos da dívida pública federal aceitos pelo fornecedor quando representando pela interposta pessoa que figurava em seu quadro social e exercia a função de repositor em um supermercado. Aliás, esta mesma pessoa, que segundo a Fiscalização teria pedido demissão e não mais comparecido ao seu local de trabalho quando procurada para prestar depoimento em 14/09/2007, assina a correspondência enviada à autuada, quando esta lhe requer documentos que seriam necessários para a formação da prova apresentada nestes autos (fls. 349/350 do Anexo V destes autos). Inexiste, portanto, qualquer contradição na decisão recorrida ao admitir que as importações foram realizadas, mas não as operações com a autuada. Os recorrentes não tecem um parágrafo contra as evidências de ligação entre a autuada e aquele fornecedor ou Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 50 49 sobre os administradores de ambas, e ainda assim pretendem que as notas fiscais em referência sejam admitidas como prova de custos porque apresentam carimbos das barreiras fiscais, atestando a circulação de mercadorias. A autoridade fiscal desqualificou a pretendida equivalência entre as importações e as transferências, e aos recorrentes cumpria além de distinguir as compras escrituradas que estariam vinculadas às importações, demonstrar como se processaram os pagamentos destas parcelas, também invalidados pelo Fisco. A defesa, porém, limitase a juntar notas fiscais e outros documentos que já eram de conhecimento da autoridade lançadora e fundamentaram a apuração das divergências antes mencionadas. Apresenta, também, comprovantes de transferência bancária entre as empresa, novamente ignorando a demonstração fiscal no sentido de que parcela significativa das obrigações foi pretensamente quitada por meio de Termos de Dação em pagamento revestidos de todas as irregularidades aqui já apontadas. Assim, ao contrário do que defendem os recorrentes, não se está exigindo demonstração contábil de terceiros, bem como não se verifica, na decisão recorrida, a mudança de foco da discussão para abordar problemas de terceiros. Está provado nos autos que MSP Comércio de Mercadorias em Geral Ltda não era um terceiro, mas sim pessoa jurídica ligada, administrada pelos mesmos administradores da autuada, e constituída com a finalidade de realizar importações sob a fachada de interpostas pessoas. Por fim, no que se refere à abordagem da defesa acerca da impossibilidade de produzir provas de terceiros, especialmente no que tange ao depósito dos cheques nas contas dos fornecedores, novamente vislumbrase a pretensão de, apenas, distorcer a acusação fiscal. As conclusões da Fiscalização e da autoridade julgadora de 1a instância jamais poderiam ser classificadas como extremo formalismo, afinal é justamente porque não se ignora totalmente praticas comerciais lícitas e plenamente utilizadas no país que elas se mostram pertinentes. Em momento algum os questionamentos ficaram restritos à possibilidade de repasse dos cheques pelos fornecedores a terceiros. Ficou provado, sim, que a contribuinte não emitia cheques em valores correspondentes às notas fiscais supostamente pagas, mas sim os fracionava em cheques de menor valor, embora se destinassem, em tese, a um mesmo fornecedor numa mesma data. Além disso, os pagamentos não eram feitos em datas próximas aos vencimentos, mas sim meses depois, sem qualquer acréscimo ou cobrança por parte do suposto beneficiário. Logo, a Fiscalização não apresentaria qualquer objeção se o pagamento fosse realizado no valor da dívida e em data próxima ao vencimento, mesmo se o cheque fosse nominal ao emitente e restasse depositado em conta de outro beneficiário que não o fornecedor. Este fato isolado, diante de uma dívida vinculada a operação comercial regular, nenhum prejuízo pode impor ao emitente do pagamento. Aqui, porém, está evidente o uso impróprio e anormal do cheque como meio de pagamento, e ainda em um contexto no qual o sujeito passivo tem todo o interesse de dar uma aparência de efetividade a operações que reduziriam suas base tributáveis, ao mesmo tempo em que destina recursos a finalidades que pretende manter ocultas. Inócua, portanto, qualquer comparação com julgados tendo em conta adquirentes de boa fé que logram provar o pagamento promovido a seus fornecedores. Por fim, não prosperam os questionamentos à coexistência dos lançamentos de IRPJ/CSLL e IRRF, pois: 1) a assertiva de que não é prática comum fazerse o pagamento de aquisição de mercadorias em espécie surge num contexto em que a contribuinte emitiu milhares de cheques nominais a si mesmo, e os vinculou como parcelas de pagamento de notas Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 51 50 fiscais de compras no precário contexto extensamente antes abordado; 2) é perfeitamente lógico afirmar que os custos inexistem, promover sua glosa, e lançar IRRF por alegado pagamento a beneficiário não identificado, porque a causa do pagamento é uma operação comercial não confirmada, e o art. 61 da Lei nº 8.981/95 firma a presunção legal de que os pagamentos sem causa e a beneficiário não identificado sujeitamse à incidência do imposto lançado contra a fonte pagadora, em substituição ao que poderia ser devido pelo beneficiário não identificado; e 3) é válido falar que a despesa inexistiu e, ao mesmo tempo, considerar que houve desembolso de numerário porque os cheques existiram, foram emitidos e sacados em desfavor da autuada, mas a causa que os teria motivado restou infirmada. Assim, diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências principais de IRPJ, CSLL e IRRF. Quanto à penalidade aplicada, os recorrentes inicialmente invocam a possibilidade de os órgãos administrativos de julgamento apreciarem o atendimento de normas e princípios constitucionais, e argúem ofensa ao o princípio da vedação ao confisco e a inobservância da capacidade contributiva da recorrente, bem como dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, pleiteando a redução da penalidade a seu patamar mínimo, de 20%. Nos termos da Súmula nº 2 do CARF, este órgão de julgamento não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não é possível aqui discutir os percentuais de multa estabelecidos pelo legislador, mas apenas avaliar a adequação da acusação fiscal aos dispositivos legais, e isto no âmbito do lançamento de ofício, tratado no art. 44 da Lei nº 9.430/96, que tem penalidade mínima fixada em 75%, restando o percentual invocado aplicável, apenas, aos tributos declarados e não pagos pelo sujeito passivo, na forma do art. 61 da mesma lei. No que tange ao agravamento da multa, os recorrentes inicialmente direcionam sua defesa à inocorrência da hipótese prevista art. 44, §2o, inciso I da Lei nº 9.430/96, de modo a limitar sua aplicação aos casos em que o contribuinte simplesmente ignora as intimações recebidas, dificultando os trabalhos dos Auditores Fiscais da Receita Federal, mas o fundamento legal da exigência é o inciso II do referido dispositivo, como bem demonstrou a autoridade julgadora de 1a instância: O agravamento da penalidade foi feito para os lançamentos do IRPJ e da CSLL. Esse seguiu estritamente a legislação acima transcrita, pois, conforme narrou o Fisco no TVF, a não apresentação de arquivos magnéticos, cuja obrigatoriedade de manutenção e apresentação está regulada pelo art. 265, do RIR/1999, que tem por matriz legal o art. 11, da Lei nº 8.218, de 1991, enseja o agravamento da penalidade. Nesse sentido, narrou a Fiscalização no TVF que intimou o Contribuinte, por quatro vezes, a apresentar os referidos arquivos magnéticos, dandolhe, inclusive, a oportunidade de entregálos sem a obrigatoriedade de adequálos ao “layout” previsto na IN/SRF nº 86, de 2001. Contudo, esses não foram apresentados. Ademais, a defesa, como um todo, não conseguiu rebater os fatos demonstrados nem as evidências expostas no trabalho fiscal. Portanto, é cabível a aplicação da penalidade qualificada e agravada, ao mesmo tempo, no percentual total de 225%. Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 52 51 Os recorrentes alegam que não houve máfé na falta de apresentação dos arquivos magnéticos, mas apenas a impossibilidade de fazêlo, e que a Fiscalização já dispunha de sua escrituração contábil e fiscal em papel. O agravamento, porém, prestase, justamente, a compensar o ônus imposto à Fiscalização de analisar esta escrituração contábil e fiscal quando apresentada em papel, em desrespeito à obrigação imposta àqueles que, em razão do volume de suas operações comerciais, certamente mantêm controles informatizados de suas operações, mas sem adequálos aos parâmetros há muito estabelecidos pela Administração Tributária. Vejase que tal obrigação de manutenção de arquivos magnéticos existe desde a edição da Lei nº 8.218/91, de modo que nenhuma surpresa pode ser alegada em razão das exigências ao longo do procedimento fiscal, assim como em nada lhe favorece o seu empenho em tentar resolver as irregularidades que desde sua apuração original não deveriam existir. Deste modo, não há dúvida que a falta de apresentação dos arquivos magnéticos ocorreu por culpa da Autuada, justificando o agravamento conforme procedido. Reportandose ao art. 5o, inciso LXIII da Constituição Federal, os recorrentes observam que ninguém pode ser obrigado a produzir prova contra si mesmo, mas reproduzindo entendimento da CSRF neste sentido frente a agravamento de penalidade por não atendimento de intimações para a apresentação de documentos que o fiscalizado afirmou não possuir. Aqui, como já dito, o agravamento decorre da falta de apresentação de arquivos magnéticos, e sua justificativa prática é distinta daquela reportada pelos recorrentes. De outro lado, a Constituição Federal apenas veda a coerção para produção de provas contra o próprio indivíduo, e não impede outras conseqüências legais, como as presunções e inversões do ônus da prova, e penalidades como as previstas no §2o do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Por fim, os recorrentes diz ser completamente absurdo apenar a Autuada de forma tão severa diante da ausência de nexo causal entre a suposta conduta (não cumprimento de intimações relacionados à entrega dos arquivos magnéticos “Mestre” e “Itens de Mercadorias”) e a autuação por suposto recolhimento a menor do IRPJ, CSLL e, principalmente, IRRF. Todavia, como disse a autoridade lançadora, tendo em vista o porte da empresa e diversidade de produtos comercializados, a apresentação destes arquivos magnéticos é de suma importância para apuração dos tributos e contribuições devidas, principalmente quanto à conferência da efetiva receita de vendas e das exclusões da base de cálculo, em especial, a título de mercadorias isentas, não tributadas, sujeitas às aliquotas zero e especiais. E, como se observou ao longo da defesa, o argumento de que a Fiscalização não questionou a regularidade das vendas escrituradas foi reiteradamente utilizado para tentar desconstituir a exigência, não podendo o agravamento ficar limitado aos casos de inexistência de escrituração regular ou de impossibilidade de verificação da escrituração e conseqüente arbitramento, como querem os recorrentes. De outro lado, o agravamento não alcançou as exigências de IRRF, sendo impróprias as alegações acerca da inexistência de nexo causal neste ponto. Por tais razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade. Com referência à qualificação da penalidade, os recorrentes asseveram que não restou comprovada quaisquer das circunstâncias qualificadoras, sendo que não houve nenhuma ação dos Recorrentes tendentes a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 53 52 tributária da ocorrência do fato gerador. Até porque sequer existem indícios da participação direta da Autuada e dos supostos “coobrigados” nas irregularidades relatadas em seus fornecedores, e não podem ser eles responsabilizados por atos de terceiros, constatados após a realização das operações. Como exposto ao longo de toda a abordagem de mérito, o trabalho fiscal trouxe evidências suficientes para concluir pela conduta dolosa do sujeito passivo em reduzir seu lucro tributável e ainda promover pagamentos a beneficiários não identificados. Além de custos vinculados a notas fiscais que reconhecidamente não foram emitidas pelos fornecedores, a Fiscalização demonstrou o registro de custos lastreados em documentos inidôneos associados a outras evidências de que as operações comerciais não teriam ocorrido e, por fim, identificou significativo volume de aquisições vinculadas a empresa que, em interposição fraudulenta, promoveu importações sob a administração das mesmas pessoas que administravam a autuada, e multiplicou significativamente as mercadorias importadas para majorar os custos da autuada e inviabilizar a identificação das operações que, eventualmente, poderiam decorrer de reais aquisições de produtos do exterior. De outro lado, parcelas destas aquisições ensejaram dívidas supostamente pagas mediante a emissão de milhares de cheques, sem qualquer justificativa material para sua efetivação ou real vinculação aos destinatários indicados na contabilidade, a evidenciar a intenção de ocultar, do Fisco, os reais destinatário e causa destes pagamentos. Correta, portanto, a acusação fiscal no sentido de que ficou demonstrado o dolo dos agentes e a ocorrência de sonegação e fraude, até porque estas constatações em nada são afetadas pelo fato de a contribuinte, como alegam os recorrentes, ter escriturado as receitas em sua contabilidade, ou prontamente apresentado os livros fiscais e contábeis exigidos, bem como atendido a uma “infinidade” de intimações fiscais. O procedimento fiscal foi mais amplo que o relato aqui exposto, na medida em que resultou em outros lançamentos afetos à sistemática nãocumulativa da COFINS e da Contribuição ao PIS não juntados a estes autos, e no que importa à presente exigência a contribuinte não fez qualquer esforço em demonstrar, materialmente, as aquisições questionadas, direcionando unicamente para os documentos fiscais viciados a prova das operações. De outro lado, a escrituração das receitas, e a eventual impossibilidade de omitilas, pode ser mais uma justificativa para a contribuinte ter se valido de notas frias e inidôneas para majorar seus custos. O presente voto, assim, é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade. E, como visto no início da abordagem de mérito, os recorrentes argüiam a decadência parcial da exigência. Em síntese, pretendiam a homologação tácita dos créditos tributários pertinentes aos fatos geradores verificados até setembro/2003. Todavia, uma vez presente a hipótese de fraude e sonegação, o art. 150, §4o do CTN afasta a possibilidade de homologação tácita da apuração do sujeito passivo: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 54 53 § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (negrejouse) Em tais condições, o prazo decadencial observa o disposto no art. 173, inciso I do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por sua vez, o fato gerador mais remoto autuado corresponde a 31/12/2002, data da apuração anual do IRPJ e da CSLL no anocalendário 2002. Considerando a possibilidade de lançamento do crédito tributário correspondente a partir de 01/01/2003, o prazo decadencial tem sua contagem iniciada no primeiro dia do exercício seguinte, qual seja, 01/01/2004, e finda cinco anos depois, ou seja, em 31/12/2008. Deste modo, integralmente válido se mostra o lançamento promovido em 10/11/2008. Importante observar que não interfere nesta interpretação o entendimento expresso pelo Superior Tribunal de Justiça ao decidir, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 55 54 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (negrejouse) O Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF nº 586/2010, passou a conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, nestes termos, o referido julgado é comumente utilizado para evidenciar que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 56 55 Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal Superior. De fato, o relatório daquele julgado expressa que em debate estava o lançamento formalizado em 26/03/2001, de valores devidos em 01/01/92 e 01/01/95. Por sua vez, a autarquia previdenciária, além de invocar o art. 45 da Lei nº 8.212/91, pretendeu que o prazo para constituição do crédito tributário tivesse início após a homologação do lançamento, momento que reputava ser o primeiro dia seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Em resposta a esta arguição, o Ministro Relator Luiz Fux assim se posicionou: Outrossim, impende assinalar que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Esta é a única referência ao entendimento de que primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado significaria primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, equivalência que poderia representar a exclusão, por aquele Tribunal, dos efeitos da expressão em que o lançamento poderia ser efetuado na contagem do prazo decadencial. Contudo, a ausência de maiores digressões a respeito do tema é perfeitamente justificável no contexto, pois ali somente se decidia, como antes se destacou, a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173. Em outras palavras, no caso ali em debate o resultado obtido seria o mesmo, quer se adotasse como termo inicial: 1) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 2) o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ou 3) o primeiro dia do mês seguinte à ocorrência do fato imponível. Considerando o fato imponível mais recente ali sob análise (01/01/95), o termo final do prazo decadencial, nas três possibilidades interpretativas antes citadas seria: 1) 31/12/2000, iniciado em 01/01/96; 2) 31/12/2000, iniciado em 01/01/96, e 3) 28/02/2000, iniciado em 01/02/1995, todos anteriores à data em que o lançamento foi formalizado (26/03/2001). Observese, ainda, que o voto do Ministro Relator Luiz Fux, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, faz referência a outros três julgados daquele Tribunal Superior, que também trataram da aplicação do art. 173 do CTN, mas em outras circunstâncias: 1) REsp nº 766.050/PR, tratando da interrupção do prazo decadencial ante medida preparatória indispensável ao lançamento; 2) AgRg nos EResp nº 216.758/SP, tratando da contagem do prazo decadencial no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, mas sem Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 57 56 antecipação do pagamento; e 3) EREsp nº 276.142/SP, tratando da aplicação concomitante dos arts. 150 e 173 do CTN. Mas o entendimento que permeia estes três julgados é, novamente, apenas a aplicação cumulada dos prazos veiculados nos arts. 150 e 173 do CTN, o que reafirma as conclusões até aqui expressas. Por estas razões, concluise que não há, naquele julgado, maior aprofundamento acerca de qual seria a interpretação válida dos termos do art. 173, I do CTN, permitindose aqui a livre convicção acerca de sua definição. E, diante deste contexto, o entendimento aqui esposado é no de manter os efeitos da expressão em que o lançamento poderia ser efetuado e interpretar que exercício é um conceito extraído do Direito Financeiro, correspondente ao ano civil, consoante dispõe a Lei nº 4.320/64: Do Exercício Financeiro Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil. Art. 35. Pertencem ao exercício financeiro: I as receitas nêle arrecadadas; II as despesas nêle legalmente empenhadas. (grifos não dispostos no original) Aliás, esta mesma interpretação é encontrada nos arts. 9o e 104 do CTN, bem como no art. 150, III, “a” e “b”, da Constituição Federal: Código Tributário Nacional (CTN) Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda; [...] Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: I que instituem ou majoram tais impostos; II que definem novas hipóteses de incidência; III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Constituição Federal Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; (negrejouse) Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 58 57 Estas as premissas, portanto, para concluir que mesmo para o fato gerador mais remoto lançado (31/12/2002), o prazo decadencial somente começaria a ser contado em 01/01/2004, autorizando o lançamento, como efetuado, em 10/11/2008. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR a argüição de decadência. Finalizando o mérito da exigência, os recorrentes argúem a ilegalidade da utilização da taxa SELIC para cálculo de juros moratórios, em razão de sua natureza remuneratória. Todavia, nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Passando aos argumentos dos recorrentes acerca da responsabilização dos coobrigados, cumpre, inicialmente, registrar que não compete a este órgão de julgamento manifestarse acerca da possibilidade de responsabilização futura de pessoas equivocadamente inseridas no pólo passivo do lançamento. A competência deste Colegiado limitase a avaliar a relação jurídicotributária estabelecida por meio do lançamento e dos Termos de Sujeição Passiva Solidária aqui lavrados, e não alcança juízos hipotéticos sobre outros atos que eventualmente venham a ser formalizados, os quais deverão se sujeitar aos recursos previstos em lei para eventual discussão administrativa ou judicial de seu conteúdo. De outro lado, a discussão administrativa da responsabilidade tributária, antes não admitida por alguns Colegiados, está atualmente legitimada pela Súmula CARF nº 71 (Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade) e pela Portaria RFB nº 2.284/2010: Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. Os recorrentes limitam a imputação de responsabilidade solidária ao “realizador” da operação tributável, e somente cogitam da responsabilização de sócios e administradores na forma do art. 134, VII e 135, III do CTN. Quanto a esta segunda hipótese, asseveram tratarse de medida excepcionalíssima, que depende de comprovação da prática de atos como excesso de poderes, infração da lei, contrato social ou estatutos, por parte dos representantes legais da pessoa jurídica, impondo a estes responder exclusivamente pelo crédito tributário, não autorizando solidariedade entre os sócios, administradores e a empresa. Inicialmente no que tange à acusação com fundamento no art. 124, I do CTN, têm razão os recorrentes. Referido dispositivo permite classificar como responsável solidário pelo crédito tributário aquele que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. E esta condição pode ser imputada aos sócios de fato, que não figuram no quadro Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 59 58 social da pessoa jurídica, e assim não desfrutam da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. Referido dispositivo legal pode ser utilizado como forma de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas desde que presente prova de sua atuação ao lado da pessoa jurídica, e fora de seu quadro social, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Neste sentido, inclusive, é o entendimento expresso por Marcos Vinícius Neder, no artigo Solidariedade de Direito e de Fato – Reflexões acerca de seu Conceito (in FERRAGUT, Maria Rita e NEDER, Marcos Vinícius (coords.). Responsabilidade Tributária, Dialética, São Paulo: 2007, p. 46). Depois de abordar a hipótese de interposição de pessoas na prática de fatos jurídicos tributários, e ressaltar que a simulação dos atos constitutivos impõe o afastamento do sujeito passivo aparente para alcançar os reais titulares da renda, o autor observa: Outra situação completamente distinta é quando o ilícito é promovido por pessoa jurídica ativa e operacional, que, comprovadamente, tenha ocultado ou registrado indevidamente negócios jurídicos realizados em parcela com terceiros (sócios ocultos) para benefício comum. Nessa hipótese, não há falar em fictícia interposição de pessoas, mas em sociedade comum de fato, pois não é possível distinguir a sociedade de fato de seus integrantes (pessoas físicas e jurídicas). Diante dessas condições, é perfeitamente possível evidenciar solidariedade entre as pessoas que compõem a sociedade de fato, eis que, além do patrimônio comum amealhado em razão do ilícito, há interesse comum nos negócios jurídicos realizados em benefício dos envolvidos. Todavia, a autoridade lançadora também fundamentou a responsabilidade tributária no art. 135, III do CTN, por vislumbrar que Márcia Vilefort Chernicharo, Márcio Vilefort Martins, Antonio Vilefort Martins e Marília Vilefort Martins concorreram solidariamente para ocorrência das infrações destacadas, vez que exerceram conjuntamente poderes de administração da empresa nos períodos sob análise, agindo em conluio, nos termos do previsto no art. 73 da Lei 4.502/64. E, ao contrário do que defendem os recorrentes, o art. 135, III do CTN não estabelece a responsabilidade exclusiva dos administradores, mas sim firma a responsabilidade pessoal de tais administradores pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos por eles praticados, no caso, com infração de lei, assim afastando a proteção patrimonial conferida aos mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes e representantes legais que atuam dentro dos limites da lei e dos contratos. Significa dizer, portanto, que o indivíduo, em tais circunstâncias, responde com seu patrimônio pessoal pelas dívidas daí decorrentes, de forma ilimitada. Por sua vez, a prática de infração de lei cogitada em referido dispositivo, como amplamente fixado na jurisprudência e invocado pelos recorrentes em oposição ao que dito pela autoridade julgadora de 1a instância, deve corresponder a uma prática para além da falta de recolhimento do tributo devido. E, no presente caso, restou demonstrada a sonegação e a fraude para qual os referidos administradores evidentemente concorreram, na medida em que, na condição de sóciosadministradores e procuradores com poderes para gerir a movimentação financeira da autuada, não poderiam alegar desconhecer os fatos constatados pela Fiscalização, mormente o volume de pagamentos fraudulentamente associados às compras glosadas e a formalização de termos de dação em pagamento com elementos falsos. Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 60 59 Desnecessária a prova da participação direta dos administradores, in casu, na obtenção e registro das notas fiscais frias ou na simulação de pagamentos vinculados a estas operações. O volume e a representatividade do valor das operações permitem afirmar que seria impossível estas ocorrências terem se verificado sem o conhecimento dos administradores da pessoa jurídica. De toda sorte, cumpre recordar que a Fiscalização identificou a atuação de Antonio Vilefort Martins e Marilia Vilefort Martins como procuradores que administravam a pessoa jurídica MSP Comércio de Mercadorias em Geral Ltda, constituída para interposição fraudulenta em importações que beneficiaram a autuada de forma obscura como extensamente abordado neste voto. Como demonstrado pela Fiscalização, ao lado dos sócios administradores da pessoa jurídica Márcia Vilefort Chernicharo e Márcio Vilefort Martins, Antonio Vilefort Martins possuía procuração concedendolhe amplos poderes de administração da pessoa jurídica, e Marília Vilefort Martins detinham procuração para representar a pessoa jurídica perante instituições financeiras. Por sua vez, a fraude que conduziu à sonegação estava fundada, basicamente, na escrituração de notas fiscais frias ou indôneas que deram azo não só à redução do lucro tributável, como também à emissão de milhares de cheques para pagamentos a beneficiários não identificados, sendo que estes pagamentos prestaramse como meio de atribuir às operações aparência de efetividade. Irrelevante, portanto, se não foram conferidos poderes de cunho fiscal a Antônio e Marília Vilefort Martins, ou se esta deteria apenas poderes de representação da Autuada junto a bancos. A fraude foi praticada mediante a escrituração das operações comerciais e bancárias antes descritas, cujo conhecimento não pode ser negado por quem administrava a empresa e tinha poderes para representála perante instituições financeiras. Inócuas, assim, mais uma vez, as alegações dos recorrentes no sentido de que a Autuada não tem competência e nem condições técnicas de fiscalizar seus fornecedores. A acusação fiscal vai muito além da irregularidade cadastral dos fornecedores, como antes demonstrado. De outro lado, porém, estas circunstâncias não podem ser opostas em face de MVM Empreendimentos e Participações Ltda. A autoridade fiscal arrola esta pessoa jurídica como responsável porque, por meio dela, Márcia Vilefort Chernicharo e Márcio Vilefort Martins administraram a autuada. A responsabilização pessoal, porém, está vinculada à conduta do agente nas operações que ensejaram a falta de recolhimento do crédito tributário devido, e deve ser, assim, dirigida a estes administradores, ainda que tenham atuado sob a fachada da pessoa jurídica constituída para abarcar os seus investimentos. Eventualmente referida pessoa jurídica, porque suas quotas integram o patrimônio pessoal dos mencionados administradores responsáveis, pode sofrer efeitos da execução do crédito tributário contra estes. Mas para figurar como responsável tributário, nas hipóteses previstas no Código Tributário Nacional, deveria ser evidenciada como sucessora ou parceira da pessoa jurídica autuada, na prática dos fatos geradores ou no aproveitamento de seus resultados. A administração de Márcia Vilefort Chernicharo e Márcio Vilefort Martins com a interposição de referida pessoa jurídica não autoriza sua inclusão como responsável tributário na forma do art. 135, III do CTN e não reúne elementos fáticos para a caracterização do art. 124, I do CTN. Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.720274/200837 Acórdão n.º 1101001.039 S1C1T1 Fl. 61 60 Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário no que tange à responsabilidade tributária, para excluir do pólo passivo do lançamento a pessoa jurídica MVM Empreendimentos e Participações. Assim, por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para excluir do pólo passivo do lançamento a pessoa jurídica MVM Empreendimentos e Participações. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13770.000389/2004-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Tratase no presente processo de exame das declarações de compensação do interessado acima identificado (Dcomp's às fls. 02, 36, 42, 45, 48, 51, 54, 57, 60, 63, 66, 69, 72, 75, 78, 80, 82, 89 e 96), por intermédio das quais se pleiteia o reconhecimento da existência de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS referente ao 2° trimestre de 2004 (períodos de apuração de abril a junho de 2004; valor: R$ 27.114.973,53, v. fl. 03), apurado segundo o regime da nãocumulatividade, a ser compensado com débitos de outros tributos e contribuições federais. Inicialmente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES (DR/VIT/ES) exarou o Parecer SEORT/DRF/VIT/ES n° 2.942/2008 e Despacho Decisório (fls. 210/241), reconhecendo apenas parcialmente (valor: R$ 15.613.858,29) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 70 .0 00 38 9/ 20 04 -5 6 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13770.000389/200456 Resolução nº 3202000.258 S3C2T2 Fl. 514 2 o direito creditório pleiteado pelo interessado, e homologando também parcialmente, até o limite do crédito reconhecido, a compensação de que tratam as Dcomp's acima citadas, sob os seguintes fundamentos: · na apuração do valor devido a título da COFINS nãocumulativa (cf..planilha de fls. 207/208) , e no que tange às variações cambiais, foram tomadas apenas as operações ativas, sem qualquer espécie de abatimento, considerando a adoção do regime de competência para tal contabilização, nos termos do art. 30 da MP n°2.158 35/2001; · já no que concerne aos créditos da nãocumulatividade (ajustados conforme planilhas demonstrativas de fls. 150/209), e no que se refere à rubrica "Bens utilizados como insumos", as exclusões ficaram por conta: dos insumos importados registrados no cálculo (art. 67 da IN SRF n° 247/02), à época não alcançados pela incidência do PIS/Pasep e COFINS; da gasolina e óleo diesel utilizados como combustíveis nos veículos da empresa, por não se enquadrarem no conceito de insumo; dos serviços aduaneiros e logísticos computados como custo de aquisição dos produtos importados, eis que, na condição de serviços, não guardam qualquer pertinência com o conceito de insumo admitido pela Administração Tributária (planilha analítica das notas fiscais excluídas do cálculo às fls. 150/151); · ainda na rubrica "Bens utilizados como insumos", providenciouse a exclusão, para fins de aproveitamento de créditos do PIS nãocumulativo, das aquisições de madeira efetivadas junto à Associação Indígena Tupiniquim e Guarani, CNPJ 02.551.517/000102 (fls. 144/145), que, segundo informam os cadastros da Receita Federal do Brasil (RFB), é associação civil de defesa de direitos sociais sem fins lucrativos de caráter filantrópico e, portanto, sujeita ao PIS/Pasep e COFINS sobre a folha de salários, sendo que, no caso da associação indígena em comento, não houve qualquer indicação de incidência do PIS/Pasep e/ou COFINS no exercício de 2004, o que leva a crer que sequer possui pessoas com vínculo trabalhista, e, assim, o caso é análogo àquelas operações não alcançadas pela tributação, isentas ou tributadas com alíquota zero que, como tais, não geram direito de crédito por não onerarem as aquisições realizadas; · já em relação ao item "Serviços utilizados como insumos", foram expurgadas as despesas de manutenção de equipamentos de comunicação, a manutenção e conservação de imóveis e escritórios, programas de formação profissional, serviços de consultoria e planejamento, bem assim daqueles outros prestados em áreas vinculadas à produção/industrialização, mas que não se enquadram como insumos, devido à influência indireta que exercem sobre os bens produzidos/industrializados, podendose exemplificar a manutenção e conservação de estradas, as despesas administrativas, os serviços realizados no âmbito do almoxarifado, as despesas com meioambiente, segurança industrial e patrimonial, a limpeza de áreas de produção, o monitoramento e inventário florestal, enfim, um sem número de serviços nesta situação, o que motivou a fiscalização a elaborar uma planilha demonstrativa das glosas realizadas (fls. 152/177); · houve a comprovação apenas parcial das despesas apropriadas com energia elétrica consumida nos estabelecimentos do contribuinte, o que levou a fiscalização a intimálo a justificar as divergências (fls. 137/139, porém, este não logrou êxito em demonstrar aludidos valores, e, para evidenciar tal alegação, a fiscalização juntou as cópias das faturas que lhe foram apresentadas relativas aos meses em que houve diferença (abril e junho), documentos de fls. 146/149, devendo ser ainda esclarecido que há uma fatura de energia elétrica no valor de R$ 1.763.455,32, que, nada obstante a sua apresentação, não está anexada a este processo, mas sim ao PAF 13770.000541/200409, onde foi analisado o saldo credor do PIS/Pasep Fl. 519DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13770.000389/200456 Resolução nº 3202000.258 S3C2T2 Fl. 515 3 nãocumulativo, no entanto, seu cômputo foi feito normalmente no cálculo da diferença não justificada; · no item "Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas", foram glosados os lançamentos relativos à locação de veículos e ambulâncias, o arrendamento de veículos para transporte de pessoal, o conserto de ferramentas elétricas, serviços de agências de viagens, aluguel de cilindros de gases, dentre outros, por não se enquadrarem tais despesas no conceito estreito de aluguel de máquinas e equipamentos (fls. 178/180); · na rubrica "Encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado", circunscrevendose o direito creditório à depreciação/amortização dos bens componentes do ativo imobilizado e não do ativo permanente, a amortização das despesas préoperacionais registradas no ativo diferido não podem ser admitidas no cálculo do crédito, bem assim as despesas atreladas a bens utilizados em áreas "não operacionais" como tesouraria, jurídico, administrativo, vendas, etc., ou mesmo que registrados no ativo imobilizado e localizados nas áreas de produção, não são empregados diretamente no processo produtivo, como é o caso de mesas, cadeiras, armários, aparelhos de arcondicionado, entre outros (os demonstrativos de glosa encontramse às fls. 181/199); · os valores apropriados pelo interessado na rubrica "Outros valores com direito a crédito", tais como despesas com hospedagem de empregados, viagens nacionais, serviços gráficos e fotográficos, serviços de táxis, assistência à saúde e funerais e serviços artísticos, despesas de mensalidades e anuidades de associações ou órgãos de classe, despesas estas realizadas no âmbito de programas de formação profissional e eventos para empregados, propaganda e publicidade e viagens nacionais e internacionais devem ser expurgadas, porquanto as despesas do gênero não são passíveis de inclusão por inexistência de permissivo legal (demonstrativos de glosa às fls. 202/206). Outrossim, e em face do exposto, propôs a autoridade administrativa local, por intermédio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES n° 2.942/2008 e Despacho Decisório (fls. 210/241), o reconhecimento apenas parcial (valor: R$ 15.613.858,29) do direito creditório pleiteado pelo interessado, homologandose, também parcialmente, até o limite do crédito reconhecido, as compensações declaradas nas Dcomp's às fls. 02, 36, 42, 45, 48, 51, 54, 57, 60, 63, 66, 69, 72, 75, 78, 80, 82, 89 e 96. Cientificado da decisão da autoridade administrativa local acima mencionada em 23/12/2008 (v. fl. 271), o contribuinte, irresignado, apresentou, em 21/01/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 272/288 e demais documentos a ela anexados às fls. 289/368, alegando, em síntese, que: a) com o advento da COFINS nãocumulativa, a partir da vigência da Lei n° 10.833/2003, o impugnante passou a ter em sua escritura fiscal valores acumulados que foram expressamente informados na competente DACON referentes aos saldos de 2003, que não foram considerados pelo auditor fiscal; b) a Lei n° 10.833/2003 estipulou a nãocumulatividade da COFINS e, como garantia desse instituto, determinou que o saldo de tributo não aproveitado no mês em que tiver sido apurado deverá ser acumulado para aproveitamento no exercício seguinte, sendo que, seguindo a risca esse preceito legal e no intuito de manter coerência com o princípio da nãocumulatividade, o impugnante apurou o saldo de COFINS em fevereiro de 2004 e o acumulou com o saldo de março de 2004 e assim sucessivamente, mês a mês, até o pedido de compensação de parte do valor acumulado por ora em debate; Fl. 520DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13770.000389/200456 Resolução nº 3202000.258 S3C2T2 Fl. 516 4 c) além do mais, na qualidade de empresa exportadora, faz jus ao beneficio instituído pela Lei n° 9.363/96, a qual prevê a hipótese de crédito presumido de IPI como meio de ressarcimento à COFINS, colocandoa na posição de empresa acumuladora de créditos de COFINS, causa do saldo constante dos seus registros contábeis/fiscais até a data de hoje, e assim, não há como existir igualdade entre os valores informados pelo impugnante como créditos acumulados de COFINS desde fevereiro/2004, para uso na compensação de COFINS em junho/2004, com os valores apurados pelo Fisco repleto de falhas de apuração como as acima evidenciadas; d) tal situação, de inconsistências entre os dados apresentados pelo contribuinte e o resultado da apuração feita pela fiscalização enseja, no mínimo, a imediata revisão do procedimento fiscal realizado através de diligência, a ser realizada por fiscal estranho ao feito, quando não se optar pela sua imediata anulação; e) o impugnante apurou base tributável da COFINS sobre variações cambiais nos exatos moldes utilizados pela fiscalização, porém utilizando os valores coretos e a efetiva valorização/desvalorização do Real, conforme planilhas de movimentação e apuração da COFINS nãocumulativa sobre as variações cambiais (doc. 4 e 5, fls. 313/368); f) o conceito de insumo deve ser entendido como toda e qualquer matériaprima, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, sendo que, no ciclo produtivo do impugnante, ocorre o consumo de combustíveis em veículos, máquinas e equipamentos próprios e arrendados ou locados, ou ainda de propriedade e operados por terceiros que são contratados para a prestação de serviços intrinsecamente ligados à produção, além do que todos os itens ligados a peças de manutenção, itens de reposição e os imprescindíveis equipamentos de segurança são consumidos em significativo valor durante todo o processo produtivo da empresa; g) o combustível, bem como as peças de reposição e de manutenção adquiridos pelo impugnante são totalmente consumidos em máquinas e veículos próprios, locados, arrendados e de propriedade de terceiros quando da execução dos serviços contratados na área do impugnante e exclusivamente para o impugnante, sendo que, sem eles não há como produzir a celulose, revestindo dessa forma não apenas o combustível, mas também todos os demais insumos equivocadamente glosados pela fiscalização de indiscutível essencialidade no processo produtivo da empresa, conforme Solução de Consulta n° 260, de 26/09/2008, Solução de Consulta n° 85, de 07/04/2008, Solução de Consulta n° 72, de 04/09/2006; h) também não há que se falar em glosa de créditos da COFINS, decorrentes da aquisição de insumos de pessoas supostamente tributadas pela COFINS pela sistemática da cumulatividade, conforme entendimento do STJ para fins de crédito presumido de IPI (Resp n° 1008021/CE; Resp n° 617.733/CE; Resp n° 813.280/SC), conceito posto para insumo que o impugnante toma emprestado para a apuração da COFINS; i) ante o exposto, requerse a reforma do Parecer SEORT/DRFNIT/ES n° 2.792/2008, para que seja homologada na integralidade a compensação constante deste processo n° 13770.000389/200456, ou, caso não seja esse o entendimento, que o referido processo seja convertido em diligência, para que todos os equívocos cometidos ao longo do procedimento de fiscalização sejam sanados. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte (efls. 468/487), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 521DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13770.000389/200456 Resolução nº 3202000.258 S3C2T2 Fl. 517 5 Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES MONETÁRIAS DOS DIREITOS DE CRÉDITO E DAS OBRIGAÇÕES EM FUNÇÃO DA TAXA DE CÂMBIO. As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações em função da taxa de câmbio, auferidas a partir de 10 de fevereiro de 1999, deverão ser computadas, na condição de receitas financeiras, na determinação das bases de cálculo da COFINS, até 01/08/2004, com o advento do Decreto n° 5.164, de 30/07/2004, que reduziu a zero a alíquota da contribuição a incidir sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa. COFINS. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Na aquisição de bens e serviços, não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de produtos destinados à venda, na prestação de serviços, ou, ainda, fornecidos por pessoas jurídicas não domiciliadas no País, é cabível a manutenção da glosa promovida na base de cálculo de créditos da COFINS. COFINS. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Inexiste vedação no regime da nãocumulatividade à apropriação de créditos originados de aquisições junto à associação civil sem fins lucrativos, sujeita à COFINS sobre suas operações que revelem nítido caráter econômicofinanceiro. COFINS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a matéria não contestada expressamente pelo contribuinte. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado, reproduzindo idênticos argumentos expendidos na impugnação (efls. 468/487). Ao final, requereu a reforma do decisum, para que fosse reconhecido o direito creditório em sua integralidade. Subsidiariamente, requerer a realização de diligência, para que sejam sanados os equívocos na apuração dos créditos pela Fiscalização. É o Relatório. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13770.000389/200456 Resolução nº 3202000.258 S3C2T2 Fl. 518 6 Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Tratase de PER/DCOMP por meio das quais a contribuinte pretende compensar débitos próprios referentes a diversos tributos com créditos que alega possuir relativo à COFINS, referente aos meses de abril a junho/2004, no valor total de R$ 27.114.973,53. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº. 2.942/2008, reconheceu o direito creditório da contribuinte, no montante de R$ 15.613.858,29, e homologou as compensações efetuadas até o limite do crédito reconhecido (efls. 241/271). Por sua vez, a DRJRio de Janeiro II/RJ reconheceu, ainda, o direito creditório originado das aquisições de madeira junto à Associação Indígena Tupiniquim e Guarani, determinando fosse adicionado o valor de R$ 26.173,17 àquele já reconhecido pela autoridade administrativa, perfazendo um montante de R$ 15.640.031,46. Demais disso, as glosas referentes às “despesas de energia elétrica” e “encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado” não foram objeto de contestação por parte da contribuinte, ao que aquela autoridade julgadora administrativo declarou definitivos os valores correspondentes glosados. Temse, entretanto, que a solução da lide passa, necessariamente, pela discussão referente ao conceito de insumos, para fins de tributação da Cofins. Defende a recorrente que, para fins do benefício previsto na Lei nº. 10.833/2003, deve ser entendido como insumo toda e qualquer matériaprima cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final. Às efls. 180/207 consta uma extensa relação de bens e serviços que foram considerados pela recorrente como insumos e que, entretanto, foram objeto de glosa pela Fiscalização, por não estarem relacionados diretamente à produção. Constam ali, por exemplo, gastos administrativos, com manutenção de estrada, com serviços de consultoria trabalhista, relógios de ponto, limpeza de fossa, enfim, uma infinidade de gastos que, de fato, não se relacionam às atividades inerentes ao processo produtivo, representando apenas gastos efetuados pela empresa no seu funcionamento cotidiano. Por outro lado, outros gastos há que parecem relacionarse diretamente ao processo produtivo, indicados naquelas relações como “industrial”, tal como transporte de cloro líquido e serviços de manutenção de detector de gases. Para o deslinde da questão entendo, assim, necessária a realização de diligência, a fim de se determinar se os insumos objeto de glosa pela fiscalização relacionamse ou não ao processo produtivo da Recorrente, devendo ser considerados como insumos todos os bens e serviços utilizados, direta ou indiretamente, exclusivamente no processo produtivo e cuja subtração importe na impossibilidade da produção. Diante disso, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que unidade preparadora providencie o que segue: 1) Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição, credenciada perante a Receita Federal, consignando o que segue: Fl. 523DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13770.000389/200456 Resolução nº 3202000.258 S3C2T2 Fl. 519 7 a) descreva detalhadamente o processo produtivo da recorrente, identificando, discriminadamente, os insumos ora glosados em relação à sua utilização na produção dos bens destinados à venda; b) indique se tais insumos são de aplicação direta ou indireta na produção; e c) informe se tais insumos possuem natureza essencial diretamente relacionada à produção, ou seja, se a sua exclusão importaria na impossibilidade direta da produção. 2) Ao término dos procedimentos, após a juntada do Laudo, deve ser elaborado Relatório Fiscal conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que as manifestações devemse limitar à apreciação do resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário ou quando da lavratura do Auto de Infração Finalizada a instrução processuaL, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 524DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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