Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10840.001077/2002-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/05/1997 a 30/06/1997
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CANCELAMENTO. DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO.
Cancela-se o lançamento de ofício quando a administração reconhece a prévia extinção, por meio de compensação, de valores exigidos em auto de infração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/05/1997 a 30/06/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CANCELAMENTO. DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO. Cancela-se o lançamento de ofício quando a administração reconhece a prévia extinção, por meio de compensação, de valores exigidos em auto de infração. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10840.001077/2002-39
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352416
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.295
nome_arquivo_s : Decisao_10840001077200239.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10840001077200239_5352416.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5483811
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816052740096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 10 1 9 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.001077/200239 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.295 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de abril de 2014 Matéria COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente ELLO CORRENTES COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/05/1997 a 30/06/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CANCELAMENTO. DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO. Cancelase o lançamento de ofício quando a administração reconhece a prévia extinção, por meio de compensação, de valores exigidos em auto de infração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 10 77 /2 00 2- 39 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.001077/200239 Acórdão n.º 3801003.295 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Contra a interessada acima identificada, foi lavrado o auto de infração às fls. 13/24, exigindolhe crédito tributário referente à contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor R$ 4.800,13 (quatro mil e oitocentos reais e treze centavos) (R$4.719,84+R$80,19), e mais as cominações legais incidentes sobre os fatos geradores dos meses de competência de maio e junho de 1997. Segundo o auto de infração, as liquidações indicadas na respectiva DCTF não foram comprovadas, ou seja, as compensações informadas teriam sido efetuadas com amparo em processo administrativo inexistente no Profisc. Inconformada, a interessada impugnou o lançamento, alegando, em síntese, que o processo informado existe e tramitou na DRF em Ribeirão Preto conforme comprovam as cópias reprografadas em anexo (docs. 02 a 08). Ressaltou, ainda, que no demonstrativo de pagamentos cadastrados (doc. nº 08) encontramse mencionados os pagamentos ora exigidos. Por meio do parecer à fl. 34, a Saort em Ribeirão Preto concluiu que os débitos, objeto do auto de infração, não foram abrangidos pela compensação deferida por meio do processo administrativo nº 10840.000482/9784 indicado na DCTF. Assim, o remeteu para a Sacat daquela DRF para prosseguimento. Recebidos os autos, a Sacat proferiu o Parecer/Despacho Decisório às fls. 35/36, determinando o prosseguimento da cobrança do crédito tributário sob o argumento de que efetuou consulta no sistema conta corrente e não encontrou pagamentos que quitassem os débitos, objeto do auto de infração em discussão. Cientificada daquele despacho decisório, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade às fls. 39/44, requerendo o cancelamento do auto de infração, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na impugnação inicial, ou seja, compensação dos débitos exigidos com amparo em processo administrativo e, ainda, que no demonstrativo de pagamentos em anexo (doc. 08) encontramse mencionados os pagamentos dos valores ora exigidos. Os autos foram então baixados em diligência à DRF em Ribeirão Preto, SP, para que ela informasse se os pagamentos efetuados em 30/06/1997, 31/07/1997 e 29/08/1997, estampados na cópia Fl. 157DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.001077/200239 Acórdão n.º 3801003.295 S3TE01 Fl. 12 3 do Demonstrativo de Pagamentos Cadastrados, à fl. 62, e o saldo credor das imputações (fl. 60 e fl. 62), no total de R$ 4.800,13 (quatro mil e oitocentos freais e treze centavos), estão disponíveis no sistema conta corrente e, caso positivo, porque não foram utilizados na compensação do crédito tributário impugnado. Em atendimento à diligência, aquela DRF informou que os referidos pagamentos se encontravam disponíveis e, efetuadas a alocações deles aos débitos do auto de infração em discussão, remanesceram os saldos devedores constantes do extrato de processo à fl. 92, nos valores de R$ 1.257,42 e R$ 80,19 correspondentes ao principal, além da respectiva multa de ofício no percentual de 75,0 %. Cientificada desses saldos e intimada a recolhêlos, decorrido o prazo regulamentar de trinta dias, a interessada não se manifestou. Assim, os autos retornaram a esta 1ª Turma de Julgamento para prosseguimento. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou procedente em parte o lançamento nos termos da ementa abaixo transcrita: DÉBITOS DECLARADOS. DCTF. AUDITORIA INTERNA. PAGAMENTOS VINCULADOS NÃOLOCALIZADOS. Os débitos declarados e vinculados a pagamentos não localizados, mediante auditoria interna na respectiva Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), estão sujeitos a lançamento de ofício. DÉBITOS DECLARADOS PAGAMENTOS PENDENTES. ALOCAÇÃO. Os pagamentos comprovados e pendentes de alocação são passíveis de utilização na liquidação de crédito tributário constituído em face de auditoria interna em (DCTF). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/1997, 30/06/1997 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO. Aplicase retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados as normas legais que beneficiam o sujeito passivo, excluindose a multa no lançamento de ofício do crédito tributário constituído em face da nãoconfirmação dos pagamentos informados em DCTFs. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente apresentou uma petição denominada manifestação de inconformidade com os cálculos. Alega que nos demonstrativos de fls. 109 e 110, foi praticado um equívoco na apuração do saldo a compensar, o qual foi reconhecido no corpo do Acórdão. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.001077/200239 Acórdão n.º 3801003.295 S3TE01 Fl. 13 4 Esclarece que o montante de pagamento reconhecido pelo colegiado no montante de R$ 4.196,38, é inferior ao citado nas razões de voto, ou seja, o crédito da requerente é representada pela quantia de R$ 4.800,13. Pontua que o equívoco foi efetuado nos demonstrativos de fls. 110, no qual estão alocados os valores que a requerente tem direito, ou seja por R$ 246,13, R$ 1.516,00, R$ 1.518,00 e R$ 1.520,00, os quais sem qualquer fundamento ou motivo são alterados, respectivamente, para R$ 246,13, R$ 1.422,14, R$ 1.288,30 e R$ 1.239,81; Insiste que as referidas alterações deram origem as diferenças de valores a recolher, quando, de fato, pelas próprias razões do voto do Acórdão seriam inexistentes. A Delegacia de origem conheceu desta petição como recurso voluntário e encaminhou o processo ao CARF para julgamento. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a DRJ de Ribeirão Preto examinasse a alegação de erro material nos cálculos. A DRJ de Ribeirão Preto analisou o processo e considerando que os cálculos de fls.109/110, foram efetuados pela DRF/POR, encaminhou o processo mediante despacho àquela Delegacia, para as seguintes providências: 1) elaborar demonstrativo onde seja informado o motivo de terem sido amortizados somente os valores de R$1.422,14, R$1.288,30 e R$1.239,81, em vez dos valores constantes no demonstrativo de fl. 62, quais sejam, R$1.516,00; R$1.518,00 e R$1.520,00; 2) dar ciência à Contribuinte; e 3) retornar os autos a esta DRJ, caso necessário. Após idas e vindas entre as citadas Delegacias, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto atendeu o solicitado na Resolução e informou que: na realização das alocações descritas às fls. 95/96 não foi considerada a exclusão da multa de ofício aplicada, conforme acórdão de fls. 110 a 113, daí a diferença apontada pelo contribuinte e pelo CARF às fls. 121 a 123 e 136 a 138, respectivamente. visando a correção do equívoco acima, foram desalocados os pagamentos em questão, corrigidos os débitos no sistema Sief e realocados os pagamentos, o que resultou na suficiência dos mesmos com extinção total dos débitos controlados no presente processo (fls. 149/150). A contribuinte foi cientificada do despacho da Delegacia de origem, não tendo se manifestado no prazo concedido. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.001077/200239 Acórdão n.º 3801003.295 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, foi constituído de ofício o crédito referente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no valor de R$ 4.800,13 (quatro mil, oitocentos reais e treze centavos), acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora. A recorrente desde a impugnação sustenta que os débitos objeto do auto de infração foram extintos pelo instituto da compensação, segundo processo administrativo 10840.000482/9784. Neste ponto, a interessada tem razão. Essa matéria foi objeto da diligência fiscal. É de se ver, portanto, que a delegacia de origem manifestou no sentido de que ocorreu um erro nas alocações, uma vez que não foi considerada a exclusão da multa de ofício aplicada, conforme decidido pela DRJ de Ribeirão Preto. Sanado o erro, constatouse que as compensações foram suficientes para a extinção total dos débitos controlados no presente processo (fls. 149/150). O extrato do sistema SIEF ratifica a extinção dos débitos. Nos termos do disposto no art. 156, IV, do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito, a compensação extingue o crédito tributário. “Art. 156. Extinguem o crédito tributário II – a compensação; (...)” Em remate, o lançamento de ofício deve ser cancelado porque a administração reconheceu a prévia extinção, por meio de compensação, dos valores exigidos em auto de infração. Ante ao exposto, voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário e determinar o cancelamento do auto de infração. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.001077/200239 Acórdão n.º 3801003.295 S3TE01 Fl. 15 6 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.001875/00-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 15/01/2000
IPI - RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO - CRÉDITO PRESUMIDO - DIREITO AO RESSARCIMENTO NÃO RECONHECIDO EM PROCESSO ANTECEDENTE COMPENSAÇÃO IMPOSSIBILIDADE.
Ante a inexistência, iliquidez e incerteza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, já proclamada por decisão no processo administrativo de ressarcimento, inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes últimos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03)
Não se justifica, a reforma da r. decisão recorrida, se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do direito creditório ou da compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3402-002.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negou-se provimento ao Recurso Voluntário.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 15/01/2000 IPI - RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO - CRÉDITO PRESUMIDO - DIREITO AO RESSARCIMENTO NÃO RECONHECIDO EM PROCESSO ANTECEDENTE COMPENSAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Ante a inexistência, iliquidez e incerteza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, já proclamada por decisão no processo administrativo de ressarcimento, inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes últimos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03) Não se justifica, a reforma da r. decisão recorrida, se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do direito creditório ou da compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10380.001875/00-56
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366669
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3402-002.407
nome_arquivo_s : Decisao_103800018750056.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
nome_arquivo_pdf_s : 103800018750056_5366669.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negou-se provimento ao Recurso Voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5560026
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816055885824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2059; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.001875/0056 Recurso nº 127.588 Voluntário Acórdão nº 3402002.407 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria IPI COMPENSAÇÃO DE CRÉDIOS COM DÉBITOS DE TERCEIRO Recorrente BANAS CALÇADOS E COMPONENTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/01/2000 IPI RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO CRÉDITO PRESUMIDO DIREITO AO RESSARCIMENTO NÃO RECONHECIDO EM PROCESSO ANTECEDENTE COMPENSAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Ante a inexistência, iliquidez e incerteza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, já proclamada por decisão no processo administrativo de ressarcimento, inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes últimos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03) Não se justifica, a reforma da r. decisão recorrida, se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do direito creditório ou da compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negouse provimento ao Recurso Voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 18 75 /0 0- 56 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 58/61) contra o Acórdão DRJ/REC nº 08.042 de 07/05/04 constante de fls. 45/54 exarado pela 5ª Turma da DRJ de Recife PE que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente” a Manifestação de Inconformidade de fls. 15/19, mantendo o Despacho Decisório (fls. 13) e respectiva informação fiscal (fls. 12) da DRF de Sobral CE, que indeferiu a compensação de débitos do Pis e da Cofins, vencidos em 15/01/2000, com créditos apurados pela empresa CANINDÉ CALÇADOS LTDA, cujo ressarcimento foi solicitado por intermédio dos processos administrativos n° 13308.000156/9964 e 13308.000174/9946 (pedido de compensação às fls. 01). O r. Despacho Decisório (fls. 12/13) da DRF de Sobral CE, conclui pela glosa do crédito, seguintes fundamentos: “INFORMAÇÃO FISCAL Através do presente processo, a empresa acima identificada pretende compensar débitos do Pis e da Cofins, vencidos em 15/01/2000, com créditos apurados pela empresa CANINDÉ CALÇADOS LTDA, cujo ressarcimento foi solicitado por intermédio dos processos administrativos n° 13308.000156/99 64 e 13308.000174/9946 (pedido de compensação às fls. 01). De acordo com o disposto no art. 74 da Lei na 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a compensação de tributos ou contribuições declarada à Secretaria da Receita Federal, pelo sujeito passivo, extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (tal tratamento foi estendido aos pedidos de compensação que se encontravam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, conforme previsto no § 4° do citado art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996). Assim sendo, cumprenos avaliar a correção do procedimento de compensação informado pela interessada. Com esse objetivo, procedemos à verificação da origem dos créditos utilizados no Pedido de Compensação de fls. 01 e constatamos que: (1) os pedidos de ressarcimento formulados pela empresa CANINDÉ CALÇADOS LIDA foram unificados em decorrência da juntada Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.001875/0056 Acórdão n.º 3402002.407 S3C4T2 Fl. 3 3 do processo n° 13308.000174/9946 ao processo n° 13308.000156/9964 (vejase cópia da informação anexada às fls.11); (2) os referidos pedidos foram indeferidos pela autoridade administrativa competente, conforme se verifica na cópia do Despacho Decisório juntada às fls. 04/07 do presente processo. Diante desses fatos, o procedimento de compensação sub exame não pode ser homologado. Isto posto, só nos resta propor que o sujeito passivo seja comunicado da nãohomologação da compensação informada, bem como intimado a efetuar o pagamento dos débitos correspondentes, no prazo de trinta dias, conforme estabelecido no art. 22 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002. À consideração superior. Sobral 5 de junho de 2003. ... DESPACHO DECISÓRIO Com base na Informação Fiscal supra, que aprovo, e no uso da competência prevista no art. 227, inciso XXI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, declaro não homologada a compensação dos débitos informados no quadro 5 do Pedido de Compensação de fls. 01 (Pis vencido em 15/01/2000, no valor de R$ 3.176,38; e Cofins vencida em 15/01/2000, no valor de R$ 17.664,58). Em cumprimento ao disposto no art. 22 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, intimo a interessada a efetuar o pagamento dos débitos em questão, no prazo de trinta dias, contado da ciência deste Despacho. ORDEM DE INTIMAÇÃO Encaminhese o processo ao Sorat para: a) cientificar a interessada, facultandolhe o direito de apresentar manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, no prazo de trinta dias, contado da ciência deste Despacho; b) demais providências a seu cargo, especialmente no que se refere ao encaminhamento do débito à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em Dívida Ativa da União, caso não ocorra o pagamento ou o parcelamento no prazo acima estipulado (Parágrafo único do art. 22 da INSRF n° 210, de 2002).” Por seu turno, a r. decisão de fls. 45/54 da 5ª Turma da DRJ de Recife PE, houve por bem “julgar improcedente” a Manifestação de Inconformidade de fls. 15/19, Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 mantendo o Despacho Decisório (fls. 13) da DRF de Sobral – CE, aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 31/01/2000. Ementa: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS COM DÉBITOS DE TERCEIROS. Indeferido o pedido de ressarcimento do contribuinte supostamente detentor do crédito, inviabilizase a compensação com débitos de terceiros. Solicitação Indeferida” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 58/61) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista: a) preliminarmente a nulidade da r. decisão pela não apreciação de matéria constitucional, indeferimento de perícia e não apreciação de todos os créditos; b) depois de tecer considerações sobre as diferenças da não cumulatividade no IPI, ICMS e nas contribuições sociais sobre o faturamento e sua aproximação ao conceito de custo e despesas operacionais, que os referidos créditos se enquadrariam perfeitamente no conceito de insumos, na conceituação da legislação do PIS e da COFINS conforme reconhecido nas decisões da própria SRF e do Poder Judiciário que cita;; c) impossibilidade de limitação do crédito, vez que o art. 3°, II, da Lei n° 10.833/2003 não veda o crédito de despesas com serviços terceirizados nem produtos afetos ao processo produtivo dos produtos que fabrica. Submetido o recurso a julgamento, em sessão de 10/08/05, através da Resolução nº 20400.065 (fls. 82/86) a C. 4ª Câmara do antigo 2º CC, acolhendo proposta da ínclita Relatora (Cons. Nayra Bastos Manatta), por unanimidade de votos converteu o julgamento em diligência, para que fossem tomadas as seguintes providências: a) informar se realmente os débitos do processo n° 13308.000156/9964 foram transferidos para o processo n° 13308.000195/200174 e qual o objeto deste processo, se pedido de ressarcimento do crédito objeto do processo anterior; b) em caso afirmativo, informar qual a situação do processo n° 13308.000195/200174 e aguardar a decisão definitiva do referido processo de restituição, anexando cópia da decisão final; c) verificar se, nos moldes definidos pela decisão final proferida no processo n° 13308.000195/200174, existe crédito possível de ser usado na compensação hora pleiteada, elaborando demonstrativo dos cálculos; d) elaborar planilha de cálculos e relatório conclusivo, anexando os documentos que se fizerem necessários; e) intimar a contribuinte para que esta refaça o pedido de compensação indicando como origem dos créditos o processo n° 13308.000195/200174, já que o pedido objeto do presente processo foi formulado em 11/02/2000, o indeferimento do pedido objeto do processo n° 13308.000156/99 64 deu se em 22/08/2001; e a transferência dos débitos daquele processo para o para o de n° 13308.000195/200174 deuse em 08/11/2001; e f) dos resultados das averiguações, seja dado conhecimento ao sujeito passivo, para que, em querendo, manifestese sobre o mesmo. No atendimento à diligência solicitada, a SAORT da DRF de Sobral CE (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) certifica que: “RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA Trata o presente processo de pedido de compensação de créditos com débitos de terceiros. No caso, a Canindé Calçados, CNPJ 00.765.760/000190, autorizou a utilização de créditos Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.001875/0056 Acórdão n.º 3402002.407 S3C4T2 Fl. 4 5 requeridos por meio do processo nº 13308.000156/9964 para compensar débitos da interessada (fls. 4/7). Indeferida a compensação pleiteada (fls. 15/16), a interessada interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 18/22), a qual foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (fls. 48/57). Interposto, então, Recurso Voluntário (fls. 61/70), o Segundo Conselho de Contribuintes baixou o processo em diligência, por meio da Resolução nº 20400.065, de 10/08/2005, para que fossem tomadas as seguintes providências (fls. 85/89): 1. informar se realmente os débitos do processo nº 13308.000156/9964 foram transferidos para o processo nº 13308.000195/200174 e qual o objeto deste processo, se pedido de ressarcimento do crédito objeto do processo anterior; 2. em caso afirmativo, informar qual a situação do processo nº 13308.000195/200174 e aguardar a decisão definitiva do referido processo de restituição, anexando cópia da decisão final; 3. verificar se, nos moldes definidos pela decisão final proferida no processo nº13308.000195/200174, existe crédito possível de ser usado na compensação hora pleiteada, elaborando demonstrativo dos cálculos; 4. elaborar planilha de cálculos e relatório conclusivo, anexando os documentos que se fizerem necessários; e 5. intimar a contribuinte para que esta refaça o pedido de compensação indicando como origem dos créditos o processo nº 13308.000195/200174, já que o pedido objeto do presente processo foi formulado em 11/02/2000, o indeferimento do pedido objeto do processo nº 13308.000156/9964 deuse em 22/08/2001; e a transferência dos débitos daquele processo para o de nº 133308.000195/200174. Por meio de Informação Fiscal datada de 03/03/2008 (fls. 97/99), e que passa a integrar o presente Relatório de Diligência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, unidade jurisdicionante do contribuinte Canindé Calçados Ltda, informou que: a) os débitos do processo nº 13308.000156/9964 foram, de fato, transferidos para o processo nº 13308.000195/200174; b) o processo nº 13308.000156/9964 se refere a pedido de ressarcimento de IPI, cujos períodos de apuração estão abrangidos nos pedidos formulados no processo nº 13308.000195/200174, embora em valores diferenciados; e c) o processo nº13308.000195/200174 encontravase em fase de julgamento na DRJ, não tendo, desta feita, decisão administrativa definitiva naquela data. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Isto posto, passo a prestar as informações solicitadas pelo Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF): Item 1 – Informações prestadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, por meio da Informação Fiscal de folhas 97 a 99; Item 2 – Anexei, às folhas 100/103, cópia do Acórdão nº3403001.923 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27/02/2013, prolatado pelo CARF no processo nº 13308.000195/200174, que indeferiu o Recurso Voluntário interposto pela Canindé Calçados Ltda. Portanto, não foi reconhecido crédito algum naquele processo. A interessada naquele processo tomou ciência da decisão em 23/05/2013 e não se manifestou. Assim sendo, referido Acórdão tornouse definitivo na esfera administrativa; Item 3 – Conforme item anterior, não foi reconhecido crédito algum no processo nº 13308.000195/200174; Item 4 – Prejudicado. Item 5 – O contribuinte será intimado para refazer o pedido. É o que temos a informar. Sobral, 25 de novembro de 2013.” É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade mas, no mérito não merece provimento. Realmente, a diligência solicitada, não contraditada pela ora Recorrente certifica que: “(...) Isto posto, passo a prestar as informações solicitadas pelo Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF): Item 1 – Informações prestadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, por meio da Informação Fiscal de folhas 97 a 99; Item 2 – Anexei, às folhas 100/103, cópia do Acórdão nº3403001.923 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27/02/2013, prolatado pelo CARF no processo nº 13308.000195/200174, que indeferiu o Recurso Voluntário Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.001875/0056 Acórdão n.º 3402002.407 S3C4T2 Fl. 5 7 interposto pela Canindé Calçados Ltda. Portanto, não foi reconhecido crédito algum naquele processo. A interessada naquele processo tomou ciência da decisão em 23/05/2013 e não se manifestou. Assim sendo, referido Acórdão tornouse definitivo na esfera administrativa; Item 3 – Conforme item anterior, não foi reconhecido crédito algum no processo nº 13308.000195/200174; Item 4 – Prejudicado.” Diante da inexistência, iliquidez e incerteza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, já proclamada por decisão definitiva no processo administrativo de ressarcimento, inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes últimos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03) Assim não se justifica, a reforma da r. decisão recorrida, se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do direito creditório. Isto posto voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo a r. decisão recorrida. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de julho de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.911542/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se infundado o argumento indicado na lavratura do ato administrativo.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-002.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Fernando Cleto julgou-se impedido.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira e Angela Sartori.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se infundado o argumento indicado na lavratura do ato administrativo. Recurso voluntário provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16327.911542/2009-11
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5359949
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-002.629
nome_arquivo_s : Decisao_16327911542200911.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 16327911542200911_5359949.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Fernando Cleto julgou-se impedido. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira e Angela Sartori.
dt_sessao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5522152
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816087343104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.911542/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.629 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de maio de 2014 Matéria IOF Compensação Recorrente BANCO ITAÚ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostrase infundado o argumento indicado na lavratura do ato administrativo. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Fernando Cleto julgouse impedido. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira e Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 15 42 /2 00 9- 11Fl. 219DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/06/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 19706.26312.161106.1.3.044377, cujo fundamento indicado foi a integral vinculação do crédito informado em outro débito de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou a efetiva existência do crédito utilizado e atribuiu a não homologação da compensação a um equívoco no preenchimento na DCTF, esclarecendo que já havia providenciado a sua retificação para adequação à compensação aviada, asseverando que o direito creditório decorria de indébito de IOF. Foram juntadas cópias do comprovante de arrecadação, PERDCOMP e DCTF retificadora. A DRJ Campinas/SP julgou o recurso improcedente ao argumento que não foram juntados elementos suficientes a demonstrar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, bem assim, que, tratandose de tributo retido pelo contribuinte na condição de responsável, não houve comprovação da assunção do encargo financeiro. Em recurso voluntário o contribuinte esclareceu que o crédito se referia a IOF incidente sobre operações sujeitas a alíquota zero (art. 33, § 2º, II do Decreto nº 4.494/2002) promovidas na conta “Corp Referenciado DI – Fundo de Investimento”, com liquidação de suas operações pela Câmara de Custódia e Liquidação, sendo que os clientes do fundo de investimento, quando do resgate de suas quotas, fizeramno pelo valor bruto, o que demonstraria que o contribuinte requerente arcou com os ônus financeiros da indevida incidência do tributo. Pugnou também pela observância do princípio da verdade material, citando jurisprudência administrativa. Na oportunidade o contribuinte colacionou alguns demonstrativos, extratos e documentos contábeis que, em tese, corroborariam suas alegações. Na sessão de julho/2013, mediante Resolução nº 3401000.736, o julgamento foi convertido em diligência para aferição da procedência do direito creditório invocado. Em 11/11/2013, a DIORT/DEINF/SPO confeccionou despacho relatando a diligência realizada e as conclusões extraídas. O contribuinte, devidamente cientificado, manifestouse ratificando as informações e conclusões lançadas no despacho. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os requisitos de admissibilidade do recurso já foram verificados por ocasião da conversão do julgamento em diligência. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/06/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.911542/200911 Acórdão n.º 3401002.629 S3C4T1 Fl. 11 3 Sem maiores delongas, destacase da diligência realizada que o direito creditório é proveniente de recolhimento a maior de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, relativamente a período de apuração de abril/2005, devido à cobrança do imposto a clientes sujeitos à alíquota zero, nos termos do art. 33, § 2º do Decreto nº 4.494/2002. Pelo que se constata do despacho elaborado pela DIORT/DEINF/SPO não há contestação, por parte da Administração Tributária, acerca do direito pleiteado, do que se pode inferir o reconhecimento do indébito, montando o crédito em discussão, segundo resposta constante do item “d”, em R$ 1.673.831,70 (um milhão, seiscentos e setenta e três mil, oitocentos e trinta e um reais e setenta centavos), consoante Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF retificadora. Também restou consignado, à luz dos elementos coligidos ao processo, que o crédito não fora totalmente absorvido pela vinculação de outras compensações ou mesmo alocado a outras formas de extinção do crédito tributário, como pagamento, por exemplo, resultando a não homologação das compensações de inconsistências dos dados informados pelo contribuinte, ora recorrente, em suas declarações entregues à RFB. O crédito utilizado para compensação, segundo o despacho em comento, é suficiente para liquidar os valores compensados na DCOMP tratada neste processo. Portanto, da análise das provas carreadas aos autos, confirmase a ausência do motivo indicado como fundamento da não homologação da compensação, mostrandose improcedente o despacho decisório eletrônico exarado, como defendeu o recorrente. Inexistindo maiores indagações a respeito da questão levantada, cumpre à unidade preparadora controlar o montante do crédito apurado, considerando que, a partir da planilha apresentada pelo contribuinte, há outras declarações de compensação eletrônicas (DCOMP) atreladas a este mesmo direito creditório, com o escopo de evitar a utilização de crédito em montante superior àquele efetivamente devido. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto. Robson José Bayerl Fl. 221DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/06/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720578/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA.
Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. .
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.720578/2012-56
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363163
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2302-003.225
nome_arquivo_s : Decisao_19515720578201256.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 19515720578201256_5363163.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. .
dt_sessao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5540638
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816116703232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2065; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 281 1 280 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720578/201256 Recurso nº 003.225 Voluntário Acórdão nº 2302003.225 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AIOP + AIOA CFL 78 Recorrente CONTROLE SOLUÇÕES EMPRESARIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 78 /2 01 2- 56 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. . Fl. 283DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.720578/201256 Acórdão n.º 2302003.225 S2C3T2 Fl. 282 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010. Data da lavratura dos Autos de Infração: 19/03/2012. Data da Ciência dos Autos de Infração: 28/03/2012 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em São Paulo I/SP que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 51.000.5241, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços em cada mês, constantes nas folhas de pagamento porém não declaradas nas correspondentes GFIP, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 23/25. Integra ainda o presente lançamento o crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 51.000.5209, CFL 78, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter apresentado GFIP contendo informações incorretas ou omissas. CFL 78 Apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. De acordo com a resenha fiscal, as GPS pagas em período anterior ao início da ação fiscal foram consideradas no caso de declaração prévia em GFIP ou à medida que a empresa declarou os respectivos fatos geradores em atendimento à intimação fiscal. Conforme Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, os valores recolhidos foram aproveitados primeiramente para as contribuições declaradas em GFIP antes do início da ação fiscal. Serviram de base para o levantamento do crédito tributário, dentre outros, os seguintes documentos: folhas de pagamento em meio digital, resumo das folhas de pagamento em meio papel, GFIP, Guias da Previdência Social – GPS e arquivos digitais da contabilidade. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 98/130. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1649.296 – 12ª Turma da DRJ/SP1, a fls. 191/202, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/09/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 205. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 220/262, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Nulidade por cerceamento de defesa. Aduz que a Fiscalização, ao não relacionar pormenorizadamente a origem das supostas remunerações elencadas no Relatório de Lançamentos, inviabilizou toda e qualquer contestação relativa aos valores; · Que o Auto de Infração encontrase fundamentado em mera presunção, eis que se limitou a apurar valores supostamente pagos aos empregados a título de remuneração, sem discriminar a origem e a natureza destes; · Que a Contribuição para o Financiamento dos Benefícios Concedidos em Razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT) é inconstitucional, por violar o art. 150, I, da CF/88; · Que a multa de Ofício tem caráter confiscatório e carecedora de proporcionalidade à conduta praticada pelo Recorrente; · Que a multa moratória deve ser reduzida ao limite de 20% tendo em vista o fenômeno da retroatividade benigna, diante das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009 · Que a aplicação da taxa Selic é inconstitucional; Ao fim, requer a declaração de improcedência dos lançamentos tributários. Relatados sumariamente os fatos ora relevantes. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.720578/201256 Acórdão n.º 2302003.225 S2C3T2 Fl. 283 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20/09/2013. Havendo sido o recurso voluntário postado no correio no dia 17 de outubro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. Aduz que a Fiscalização, ao não relacionar pormenorizadamente a origem das supostas remunerações elencadas no Relatório de Lançamentos, inviabilizou toda e qualquer contestação relativa aos valores. Afirma o Autuado que o Auto de Infração encontrase fundamentado em mera presunção, eis que se limitou a apurar valores supostamente pagos aos empregados a título de remuneração, sem discriminar a origem e a natureza destes. Defende ainda que a multa moratória deve ser reduzida ao limite de 20%, tendo em vista o fenômeno da retroatividade benigna, diante das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009. Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça Impugnatória ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram, nem mesmo indiretamente, abordadas pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.720578/201256 Acórdão n.º 2302003.225 S2C3T2 Fl. 284 7 Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Com efeito, o objeto imediato do Recurso Voluntário é a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, enquanto que o lançamento em si considerado figura, tão somente, como o objeto mediato da insurgência. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, haja vista que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico, além de outras eventualmente dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas por este Colegiado em virtude da preclusão. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE. Pondera o Recorrente que a Contribuição para o Financiamento dos Benefícios Concedidos em Razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT) é inconstitucional, por violar o art. 150, I, da CF/88. De outro eito, afirma o Autuado que a multa de Ofício tem caráter confiscatório e é carecedora de proporcionalidade à conduta praticada pelo Recorrente. Por derradeiro, alega o Recorrente que a aplicação da taxa Selic é inconstitucional. Cumpre inicialmente trazer à balha que todo ato normativo oriundo, em geral, do Poder Legislativo, ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente Fl. 289DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.720578/201256 Acórdão n.º 2302003.225 S2C3T2 Fl. 285 9 Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. Mostrase imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Repisese, por relevante ao deslinde da questão, que as leis e atos normativos produzidos pelos poderes competentes ostentam presunção iuris tantum de constitucionalidade e de legalidade, respectivamente, mesmo que decorrente de uma interpretação conforme da Constituição Federal. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições sociais e seus acréscimos legais ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. De plano, devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 290DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa, seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 291DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.720578/201256 Acórdão n.º 2302003.225 S2C3T2 Fl. 286 11 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar as declarações de inconstitucionalidade, tão veementemente defendida pelo Recorrente, atividade essa que somente poderia aflorar no Poder Judiciário. 4. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10730.900906/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/08/2004
CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado.
Numero da decisão: 3302-002.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto.
(Assinado Digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 16/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Sustentação Oral: Luis Felipe Krieger Moura Bueno OAB/RJ 117908.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 13/08/2004 CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10730.900906/2009-81
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363014
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-002.601
nome_arquivo_s : Decisao_10730900906200981.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GILENO GURJAO BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10730900906200981_5363014.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Sustentação Oral: Luis Felipe Krieger Moura Bueno OAB/RJ 117908.
dt_sessao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5540489
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816124043264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1825; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.900906/200981 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.601 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente CIEN COMPANHIA DE INTERCONEXÃO ENERGÉTICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/08/2004 CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 09 06 /2 00 9- 81 Fl. 456DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Sustentação Oral: Luis Felipe Krieger Moura Bueno – OAB/RJ 117908. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. “Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada de débito de Cofins (cód. 217201), relativo ao período de apuração de dez/05, com crédito oriundo de pagamento considerado indevido, a título de Cofins (cód. 2172) do período de 07/04, recepcionada pela RFB em 13/01/2006, tudo conforme se verifica na cópia da Perd/Comp constante dos autos (fls. 266 e seguintes). A autoridade fiscal decidiu não homologar a compensação efetuada, pois entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 271). Cientificada da decisão (fl. 275), em 04/03/09, a contribuinte apresentou, em 03/04/09, Manifestação de Inconformidade (fls. 03/10) alegando, em resumo, que: 1. reconhece que parte da compensação que efetuou foi indevida, pois usou Taxa SELIC acumulada em percentual incorreto, por este motivo recolherá a diferença; 2. quanto ao restante da compensação declarada, a incorreção é do despacho decisório; 3. contribuiu involuntariamente para o equívoco do despacho decisório, pois prestou informações incorretas em documentos fiscais; 4. firmou contratos a preços predeterminados, antes de 31/10/03, com FURNAS, GERASUL/TRACTEBEL, CERJ/AMPLA e SAMARCO, aprovados pela ANEEL, e com prazo de duração superior a um ano; 5. as receitas decorrentes de tais contratos estavam sujeitas ao Pis e a Cofins cumulativa (art. 10, Lei nº 10.833/03); 6. na mesma direção opinou a ANEEL pelo ofício nº 1.431/2006SFF/ ANEEL, juntado ao presente recurso; Fl. 457DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900906/200981 Acórdão n.º 3302002.601 S3C3T2 Fl. 3 3 7. equivocadamente, as referidas receitas foram declaradas como sujeitas ao Pis/Cofins nãocumulativa; 8. ao perceber a falha retificou a contabilidade, mas olvidou de retificar a DCTF; 9. ao não retificar a DCTF, induziu a Autoridade a quo a supor que inexistia crédito a restituir/compensar; 10. não obstante os erros que estão sendo corrigidos, é indubitável seu direito de reaver o valor recolhido a maior. A contribuinte requer reconhecimento de direito creditório no valor de R$345.344,28 e a homologação da compensação declarada. Em 20/04/10, a contribuinte, em Aditamento à Manifestação de Inconformidade, solicita juntada de novas peças aos autos (fls. 279/287). Os autos foram baixados em diligência (fls. 298/299) para a Autoridade a quo: (1) confirmar as receitas decorrentes de cada contrato no período de apuração do crédito;(2) discriminar e quantificar em tabela específica, quando houver, o crédito relativo a cada contrato. A Delegacia de origem, então, informou (fl. 392 e seguintes) que a receita bruta somada à receita recebida no mês em exame (07/04) diminuída da receita diferida resultava no total de R$ 46.658.671,83, equivalendo ao que fora informado pela contribuinte como submetida ao regime cumulativo. A Delegacia, porém, registrou que o valor retido efetivo não correspondia ao considerado pela contribuinte. Cientificada, a contribuinte aditou sua Manifestação de Inconformidade, onde alegou, em resumo, que: 1. a diligência constatou que as receitas vinculadas aos contratos no período equivalem ao valor das receitas consideradas no regime cumulativo; 2. divergiu, porém, do total retido, pois a requerente não conseguiu localizar os documentos comprobatórios; 3. optou por desprezar a citada diferença na composição do seu direito creditório. Pede o reconhecimento do direito creditório no valor remanescente, homologando sua compensação.” Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade e reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado. Intimada do acórdão supra em 11.06.2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 11.07.2012. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Inicialmente, faço referência às duas causas de nulidade invocadas pelo contribuinte. A primeira, quanto aos termos da IN no. 21/79, conquanto interessante a observação do conceito de contrato prédeterminado com entidades governamentais, não creio que afete esse julgamento, posto que a questão aqui decidida o será por força da própria Lei. A segunda, quanto à inobservância do art. 30 do RPAF, não creio também ser aplicável in casu, uma vez que os pareceres mencionados e que são de vinculação obrigatória são os proferidos pelo Ministério da Fazenda e seus órgãos, e ainda assim dentro de certos parâmetros. Afasto portanto as preliminares de nulidade. Quanto ao mérito, a recorrente alega que, equivocadamente apurou a contribuição do PIS/COFINS com incidência nãocumulativa, quando o correto, segundo seu entendimento, seria com incidência cumulativa. Ao ser julgada sua manifestação, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu de forma contrária, ou seja, que estava correta a apuração da base de cálculo do PIS/COFINS com incidência não cumulativa, e manteve a não homologação da compensação do débito fiscal, inexistindo, portanto, o direito creditório da Recorrente. Nos termos do artigo 10 da Lei nº 10.833/03, combinado com o artigo 109 da Lei nº 11.196/05, as receitas provenientes de contratos predeterminados estão sujeitas ao regime cumulativo, no seguinte sentido: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos Fl. 459DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900906/200981 Acórdão n.º 3302002.601 S3C3T2 Fl. 4 5 posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; (...)” Lei nº 11.196/05 “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003”. Tal determinação aplicase ao PIS, conforme redação dada pela Lei nº 10.865/04: “Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (...)” No mesmo sentido, são as prerrogativas prescritas nos artigos 2º e 3º da IN/SRF nº 658/2006: “Do Regime de Incidência Art. 2 º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: I com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; III de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa Fl. 460DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data; e IV com prazo superior a 1 (um) ano, de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda. Do Preço Predeterminado Art. 3 º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 º Ressalvado o disposto no § 3 º , o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2 º , da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.” Pois bem, conforme exposto no acórdão recorrido, para ser possível a adoção do regime cumulativo, devese preencher alguns requisitos, sendo dentre eles os seguintes: 1. receita auferida com o fornecimento de bens e/ou serviços; 2. o contrato tenha sido firmado antes de 31/10/03; 3. contrato para um período superior a 1(um) ano; 4. o preço dos bens e/ou serviços fornecidos seja predeterminado. Também, conforme relatado no acórdão proferido pela DRF do Rio de Janeiro, consta dos autos que o Recorrente firmou contratos de fornecimentos de energia elétrica com 05 (cinco) empresas, sendo que da análise desses contratos os i. julgadores elaboraram o seguinte quadro: Fl. 461DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900906/200981 Acórdão n.º 3302002.601 S3C3T2 Fl. 5 7 CONTRATO FURNAS GERASUL (Tractebel) CERJ (Ampla) SAMARCO COELCE (fl. dos autos) (43) (101) (160) (240) (254) Bem / serviço En. elétrica En. elétrica En. elétrica En. elétrica En. elétrica Data 05/05/98 20/10/99 26/06/02 30/09/03 14/10/02 Prazo 20 anos 20 anos 20 anos 30/09/03 a 31/12/06 01/01/03 a 31/12/04 Preço PRÉ p/u PRÉ p/u PRÉ p/u PRÉ p/u PRÉ p/u De todo exposto, o ponto crucial para dirimir a controvérsia, provém da definição de contrato a preço predeterminado. O parágrafo 3º do art. 3º da IN 658/2006, supracitado prescreve que “O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado”. Nesse mesmo sentido é o artigo 109 da Lei n 11.196/06 acima mencionada. Vimos que dispor acerca dos “reajustes de preços” o legislador referese, apenas a reajustes comuns aplicados a quaisquer contratos, de forma genérica, de forma a melhor refletir a variação dos custos de produção e custos dos insumos utilizados. Assim, aplicandose os índices do mercado, caracterizado está o atendimento da exigência do parágrafo 3º da IN nº 658/06, onde está determinado que o reajustes não pode ultrapassar essa variação prescrita na legislação. Todavia, de forma equivocada ao julgar a manifestação de inconformidade da ora Recorrente, os i. julgadores entenderam que, devido aos contratos serem ajustados anualmente, pelos reais índices inflacionários, no caso o IGPM, a partir desse reajuste a Recorrente deveria computar suas receitas através do regime da nãocumulatividade, pois teria ocorrido neste caso a alteração no preço do fornecimento, o que impõe a exclusão do regime cumulativo. Não compartilho desse entendimento, pois o reajuste de preços realizados anualmente, não descaracteriza os contratos a “preço predeterminado”. Conforme exposto pelo i. Conselheiro relator Ivan Allegretti, em seu voto proferido no acórdão nº 3403002.248: “Quanto ao cerne da aplicação do parágrafo 3º do art. 3º da IN 658/2006 e do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, entendo que se destinam deliberadamente a impedir que se possa interpretar a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a “preço predeterminado”. Isto, aliás, justifica a determinação do parágrafo único do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, de que tal interpretação deve ser Fl. 462DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 tomada em conta desde 1º novembro de 2003, ou seja, tal como se imprimisse efeito declaratório à interpretação do que seja contrato por preço predeterminado, previsto no art. 10, XI, da Lei nº 10.833/03. Esta nova Lei, portanto, teve a finalidade de integrar o sentido da Lei anterior. A intenção, ao que tudo indica, foi a de alinharse à interpretação que os Tribunais já vinham pronunciando para o dispositivo da Lei nº 10.833/05, antes da Lei nº 11.196/05 ter vindo à lume.” (CARF – Acórdão nº 3403002.248. Rel. Ivan Allegretti. Sessão 23.05.2013) Neste sentido, o Judiciário sem exceção, tem reconhecido o direito dos contribuintes nessa situação. Citemos os seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. LEI 10833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. EXCEÇÃO À REGRA ESTABELECIDA PELO ARTIGO 10, INCISO XI, CC. ARTIGO 15, INCISO V, DA LEI N° 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/04. ILEGALIDADE. REVOGADA PELA LEI No 11.196, DE 21 DE NOVEMBRO DE 2005. 1. Discutese a validade da tributação na forma preconizada pelo artigo 10, inciso XI, cc. artigo 15, inciso V, da Lei n° 10.833/03, diante do contrato de concessão firmado com o Poder Público, antes de 31 de outubro de 2003, por período certo, superior a um ano, e a preço determinado, não se sujeitando a ilegal INSRF n° 468/04, que, desbordando do texto legal e alterando os critérios de tributação traçados pela lei, definiu o que vem a ser preço determinado. 2. A INSRF n° 468/04 conferiu interpretação equivocada ao inciso XI, alínea “c” do artigo 10 da Lei 10.833/03. 3. A Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, tratou de dissipar eventual dúvida de interpretação nesse sentido, dispondo sobre o tema, em seu artigo 109, que: “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” 4. Apelação e remessa oficial improvidas.” (TRF 3ª Região. Rel. ELIANA MARCELO. MAS 200561000030246. DJ 06/12/2007) “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. COFINS. PERMANÊNCIA NO REGIME DA CUMULATIVIDADE. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900906/200981 Acórdão n.º 3302002.601 S3C3T2 Fl. 6 9 CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO. CLÁUSULA DE REAJUSTE. REQUISITOS DO ART. 10, XI, B, DA LEI 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 658/06. INADEQUAÇÃO. COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. 1. A Secretaria da Receita Federal, ao editar as INs SRF 468/04 e 658/06, impediu que contratos, embora se subsumindo as hipóteses previstas na Lei 10.833/03, usufruam o regime da cumulatividade, uma vez que alterou o conceito de preço predeterminado, ao entender que a mera atualização monetária acarreta mudança no preço. 2. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. 3. Essa desclassificação da natureza jurídica dos contratos com preço preestabelecido pela Receita Federal encontra óbice na inadequação do veículo utilizado: a instrução normativa. 4. Diante da evolução da legislação reguladora da compensação tributária, resta autorizada a compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido a título de PIS e COFINS na sistemática da nãocumulatividade, corrigidos monetariamente pela taxa SELIC, com qualquer tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, ainda que o destino das arrecadações seja outro, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96. 5. Remessa oficial a que se nega provimento.” (TRF 1ª Região. Rel. Des. Fed. MARIA DO CARMO CARDOSO. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007) grifos nossos A Secretaria da Receita Federal, de forma equivocada, bem como utilizando se de norma inadequada para a alteração da legislação, no caso a Instrução Normativa, tentou impedir que os contratos por preços predeterminados usufruíssem do regime da cumulatividade, por entender que a mera atualização monetária acarretaria a mudança no preço, entendimento do qual não compartilho. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Ademais, conforme exposto pela Recorrente, a APINE – Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica – protocolou consulta com fins de averiguar a possibilidade do “enquadramento dos índices utilizados para reajuste de preços Fl. 464DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 dos contratos de compra e venda de energia elétrica celebrados anteriormente a 31/10/2003, nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da IN SRF nº 658/06, sejam eles o IGPM ou quaisquer previstos nos contratos padronizados, nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL ou contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época”, cuja resposta provém do Ofício nº 1431/2006SFF/ANEEL, no seguinte sentido: “ (...) Resta, portanto, hialino que o IGPM é índice que se amolda ao comando legal do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da instrução Normativa SRF nº 658, de 04 de julho de 2006. (...)” De outra parte, resta ainda esclarecer que, conquanto tais fatos não tenham sido objeto da Nota Técnica nº 224/2006 – SFF/ANEEL, de 16 de junho de 2006, os demais índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, na medida em que visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, mantendo o poder de compra da moeda, enquadramse nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e consequentemente, nas disposições do art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/06. Assim, a correção do preço por índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, não descaracteriza o preço predeterminado. Por fim, salientamos que o Ofício supracitado foi expedido pela ANEEL que é agência do governo competente para homologar as tarifas e seus reajustes, segundo as respectivas naturezas e fundamentos econômicos, sendo que, uma resposta oficial proveniente dessa agência do Governo sobre a natureza do reajuste não pode ser descartada por outro órgão do governo, em face da segurança jurídica que sustenta o direito pátrio. Finalizando, considerando que o Despacho Decisório na sua origem não analisou os valores dos créditos, importante que a Delegacia de origem apure os respectivos, e que lhe seja concedido o direito sobre os valores ao final calculados. Por todo exposto, conheço do recurso, e doulhe provimento parcial para autorizar a compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido a título de PIS e COFINS na sistemática da nãocumulatividade, sujeita à devida valoração do crédito efetivamente existente. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de maio de 2014. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator Fl. 465DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900906/200981 Acórdão n.º 3302002.601 S3C3T2 Fl. 7 11 Declaração de Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA Como relatado, a empresa Recorrente apresentou Pedido Eletrônico de Restituição de valor tido por ela como pagamento indevido ou a maior de PIS, efetuado no dia 15/03/04. Processado o pedido, o Delegado da DRF em Niterói constatou que o DARF informado no PER foi integralmente utilizado para liquidar débito regularmente declarado em DCTF, não existindo pagamento indevido. Por esta razão, e somente por esta razão, o pedido de restituição foi indeferido. Portanto, o Delegado da DRF em Niterói, única autoridade competente para reconhecer originalmente o direito ao crédito pleiteado, fundamentou sua decisão exclusivamente no fato do DARF estar integralmente alocado a débito declarado em DCTF. Para tomar essa decisão, a autoridade competente da RFB não precisou conhecer das razões que levaram a empresa Recorrente a pleitear a restituição. O fato de não existir pagamento disponível para restituição foi o suficiente para a autoridade competente tomar a sua decisão. E assim o fez. Não se conformando com a decisão, a empresa interessada apresentou manifestação de inconformidade reconhecendo que não efetuara a retificação da DCTF. Expõe as razões que a levaram a cometer referido erro. Além disso, e principalmente, aduz a empresa interessada as razões que a levaram a efetuar recolhimento a maior de PIS. Diz a recorrente que o pagamento indevido ocorreu porque foi incluído, indevidamente, na base de cálculo do PIS não cumulativo, receitas sujeitas à tributação cumulativa do PIS, pelas razões que cita. Tendo em vista as razões que levaram ao indeferimento do pedido, essas alegações da recorrente não podem integrar a lide porque o Despacho Decisório atacado pela Manifestação de Inconformidade nada disse sobre esta matéria e nela não se fundamentou. Sendo único o fundamento fático para o indeferimento do pedido (Darf alocado a débito regularmente declarado), qualquer outro fato que eventualmente tenha acontecido com a Recorrente não pode integrar a lide estabelecida neste processo. Portanto, enganase a decisão recorrida quando afirma que a questão central do contencioso é a definição do regime (cumulativo ou nãocumulativo) a que se submetem as receitas apuradas. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 12 O resultado da diligência, com o qual concorda a Manifestante, limitouse apenas a apurar as receitas vinculadas aos contratos no PA (do crédito), mas nada informou quanto ao segundo item da diligência pedida relativo ao crédito. Tal item basicamente traduziase em enfrentar a questão central do contencioso, a de definir o regime (cumulativo ou nãocumulativo) a que se submetem as receitas apuradas Tal matéria não foi apreciada e nem decidida pelo Delegado da DRF em Niterói, autoridade da RFB competente para decidir pedido de restituição. Ao apreciar e decidir tal matéria, que foi alegada em sede de Manifestação de Inconformidade, a Turma de Julgamento da DRJ ultrapassou os limites de sua competência. Além de ter decidido, originalmente, pedido de restituição, a Turma de Julgamento deixou de apreciar as razões da empresa interessada sobre os motivos que a levaram a pedir a restituição sem antes retificar a DCTF. Deveria a Turma de Julgamento ter decidido se é possível ou não apresentar pedido eletrônico de restituição sem retificar a DCTF onde consta o débito que o pagamento foi alocado. Porventura entendesse a Turma de Julgamento da DRJ que o pedido poderia ser realizado sem a prévia retificação da DCTF, o processo deveria retornar à DRF de Niterói para o Delegado apurar a existência de indébito, à luz das alegações trazidas pela empresa interessada e das providencias que entendesse necessárias. Ou seja, afastado o óbice do Despacho Decisório, apurarseia a eventual existência de pagamento indevido. Alias, esse entendimento é pacífico nesta Turma de Julgamento, a exemplo dos Acórdãos nº 3302002.365, de 26/11/2013 (Processo nº 10650.900486/200923) e 3302 002.210, de 27/06/2013 (Processo nº 10166.908050/200944). Portanto, o entendo que deverseia afastar o motivo de indeferimento do pedido de restituição (DARF alocado a débito declarado em DCTF) e determinar que a DRF apure a eventual existência de pagamento indevido. Havendo pagamento indevido, seria o mesmo restituído à empresa interessada ou utilizado em compensação regularmente declarada, conforme o caso. Estas são as razões pelas quais não posso acompanhar o Ilustre Relator, já que conduzo meu voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a razão do indeferimento do pedido de restituição e determinar que o Delegado da DRF em Niterói apure a existência de indébito e, se for o caso, proceda a restituição. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.902238/2012-82
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2002
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11030.902238/2012-82
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352686
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.170
nome_arquivo_s : Decisao_11030902238201282.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 11030902238201282_5352686.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5488695
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816136626176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1884; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 61 1 60 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.902238/201282 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801003.170 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de março de 2014 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente LATICINIOS BOM GOSTO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 22 38 /2 01 2- 82 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902238/201282 Acórdão n.º 3801003.170 S3TE01 Fl. 62 2 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902238/201282 Acórdão n.º 3801003.170 S3TE01 Fl. 63 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de análise de Pedido Eletrônico de Restituição, transmitido em 27/02/2007, sendo o crédito pretendido correspondente à Contribuição para o PIS/Pasep cujo pagamento ocorreu em 15/07/2002, relativo ao período 01/06/2002 a 30/06/2002. De acordo com o Despacho Decisório emitido eletronicamente, o crédito pleiteado pelo interessada não foi reconhecido, uma vez que o pagamento indicado já estava totalmente alocado para quitação de débito do contribuinte. A ciência do Despacho Decisório ocorreu mediante AR em 15/08/2012. A interessada por sua vez, alega basicamente a existência de direito creditório oriundos de pagamentos de Pis e Cofins, apurados com a inclusão do ICMS na base de cálculo, parcela esta incluída indevidamente quando do cálculo do pagamento do tributo em questão. Aduz argumentação em favor de sua tese. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 Ementa: RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo da Cofins e do Pis por se tratar de tributo que integra o preço de venda de mercadorias e serviços e por não haver previsão legal para a sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902238/201282 Acórdão n.º 3801003.170 S3TE01 Fl. 64 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902238/201282 Acórdão n.º 3801003.170 S3TE01 Fl. 65 5 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 65DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902238/201282 Acórdão n.º 3801003.170 S3TE01 Fl. 66 6 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 66DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000739/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime dos Recursos Representativos da Controvérsia (art. 543C do Código de Processo Civil), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre (hipótese dos autos), o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes.
DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL.
A decadência de IRPF relativo ao ganho de capital, quando inexistente pagamento antecipado relacionado ao ganho de capital em específico, é regida pelo prazo do art. 173, I, do CTN. Precedentes.
CERCEAMENTO DE DEFESA.
Tendo o contribuinte sido intimado diversas vezes para comprovar as insconsistências apontadas em sua DIRPF, sem que tivesse apresentado documentação que corroborasse suas alegações, não há de se falar em cerceamento de defesa. Preliminar afastada. Precedentes.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Não tendo o contribuinte comprovado a origem de recursos que justifique acréscimo patrimonial devidamente apurado e demonstrado pela fiscalização, resta caracterizado o acréscimo patrimonial a descoberto. Precedentes.
GANHO DE CAPITAL DECORRENTE DE ALIENAÇÃO DE IMÓVEL.
Não tendo sido declarada pelo contribuinte a alienação de bem imóvel e tendo sido identificado ganho de capital na operação, calculado nos termos da IN 84/01, é devida a tributação definitiva a título de imposto de renda. Precedentes.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996.
Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes.
MULTA QUALIFICADA.
Não tendo sido comprovado pela fiscalização o evidente intuito de fraude à ordem tributária, não resta autorizada a aplicação de multa de ofício qualificada. Precedentes
Numero da decisão: 2202-002.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO ÀS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por maioria de votos, dar provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a a 75% no Item 2 do Auto de Infração (Ganho de Capital de Bens e Direitos). Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins, que negava provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 07/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime dos Recursos Representativos da Controvérsia (art. 543C do Código de Processo Civil), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre (hipótese dos autos), o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. A decadência de IRPF relativo ao ganho de capital, quando inexistente pagamento antecipado relacionado ao ganho de capital em específico, é regida pelo prazo do art. 173, I, do CTN. Precedentes. CERCEAMENTO DE DEFESA. Tendo o contribuinte sido intimado diversas vezes para comprovar as insconsistências apontadas em sua DIRPF, sem que tivesse apresentado documentação que corroborasse suas alegações, não há de se falar em cerceamento de defesa. Preliminar afastada. Precedentes. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Não tendo o contribuinte comprovado a origem de recursos que justifique acréscimo patrimonial devidamente apurado e demonstrado pela fiscalização, resta caracterizado o acréscimo patrimonial a descoberto. Precedentes. GANHO DE CAPITAL DECORRENTE DE ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Não tendo sido declarada pelo contribuinte a alienação de bem imóvel e tendo sido identificado ganho de capital na operação, calculado nos termos da IN 84/01, é devida a tributação definitiva a título de imposto de renda. Precedentes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes. MULTA QUALIFICADA. Não tendo sido comprovado pela fiscalização o evidente intuito de fraude à ordem tributária, não resta autorizada a aplicação de multa de ofício qualificada. Precedentes
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 14041.000739/2007-24
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5356179
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-002.668
nome_arquivo_s : Decisao_14041000739200724.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
nome_arquivo_pdf_s : 14041000739200724_5356179.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO ÀS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por maioria de votos, dar provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a a 75% no Item 2 do Auto de Infração (Ganho de Capital de Bens e Direitos). Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins, que negava provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator. EDITADO EM: 07/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
dt_sessao_tdt : Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5503543
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816156549120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2532; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 24 1 23 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000739/200724 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.668 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2014 Matéria IRPF Recorrente GETULIO AMERICO MOREIRA LOPES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime dos Recursos Representativos da Controvérsia (art. 543C do Código de Processo Civil), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre (hipótese dos autos), o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. A decadência de IRPF relativo ao ganho de capital, quando inexistente pagamento antecipado relacionado ao ganho de capital em específico, é regida pelo prazo do art. 173, I, do CTN. Precedentes. CERCEAMENTO DE DEFESA. Tendo o contribuinte sido intimado diversas vezes para comprovar as insconsistências apontadas em sua DIRPF, sem que tivesse apresentado documentação que corroborasse suas alegações, não há de se falar em cerceamento de defesa. Preliminar afastada. Precedentes. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Não tendo o contribuinte comprovado a origem de recursos que justifique acréscimo patrimonial devidamente apurado e demonstrado pela fiscalização, resta caracterizado o acréscimo patrimonial a descoberto. Precedentes. GANHO DE CAPITAL DECORRENTE DE ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Não tendo sido declarada pelo contribuinte a alienação de bem imóvel e tendo sido identificado ganho de capital na operação, calculado nos termos da IN 84/01, é devida a tributação definitiva a título de imposto de renda. Precedentes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 07 39 /2 00 7- 24 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 25 2 Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes. MULTA QUALIFICADA. Não tendo sido comprovado pela fiscalização o evidente intuito de fraude à ordem tributária, não resta autorizada a aplicação de multa de ofício qualificada. Precedentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO ÀS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por maioria de votos, dar provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa a 75% no Item 2 do Auto de Infração (Ganho de Capital de Bens e Direitos). Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins, que negava provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 07/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Procedimento Fiscal Fl. 106DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 26 3 O recorrente foi intimado em 29/12/2006 (fl.21, vide fls. 11 do processo em arquivo PDF), 09/03/2007 (fl. 24 vide fls. 14 do processo em arquivo PDF), reintimado em 08/06/2007 (fl.26 vide fls. 16 do processo em arquivo PDF) e 16/06/2007 (fl.30, vide fls. 20 do processo em arquivo PDF), por Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 19/20, 22/24, 26/27 e 29, vide fls. 9/10, 13/14; 16/17 e 19 do processo em arquivo PDF), para prestar informações, a fim de se verificar a omissão de rendimentos tributáveis relacionado (i) a variação patrimonial a descoberto, (ii) a depósitos bancários sem comprovação de origem e (iii) a ganho de capital na alienação de bens imóveis, no exercício de 2003, anocalendário de 2002. Diante das intimações, o contribuinte prestou esclarecimentos (fls.36 – 149, vide fls. 26/139 do processo em arquivo PDF) em 20/07/2007, encaminhando a documentação que embasou às DIRPF dos anoscalendário 2002 e 2005, a saber: alguns comprovantes de rendimentos (fls. 37 – 43 / 51 56, vide fls.27 33; 4146 do processo em arquivo PDF) e de despesas médicas (fls.45, vide fls.35 do processo em arquivo PDF), recibos de doação que teria feito a sua filha (fls. 50, vide fls. 40 do processo em arquivo PDF), empréstimo que teria tomado de sua irmã (fl. 48, vide fls. 38 do processo em arquivo PDF), contrato de financiamento de Imóvel do Banco Itaú (fl. 5657, vide fls. 46/47 do processo em arquivo PDF), Escritura Pública de aquisição de bem imóvel (fl. 43 – 44, vide fls. 33/34 do processo em arquivo PDF) e cópia de inventário de seu pai (fls. 108 149, vide fls. 98/139 do processo em arquivo PDF). A fim de comprovar as alegações do contribuinte e confirmar a legitimidade dos documentos apresentado, foi determinada a intimação da irmã do contribuinte (Sra. Mônica Patrícia Moreira Lopes), fls.153 e fl.155 (vide fls. 143/145 do processo em arquivo PDF), para se manifestar e comprovar informações acerca do alegado empréstimo que teria feito a seu irmão. Em resposta no dia 28/05/2007 (fl. 156, vide fls. 146 do processo em arquivo PDF), encaminhou à administração tributária (fls. 159 180, vide fls. 149/170 do processo em arquivo PDF) ‘recibos’ que justificariam a operação. Também, a filha do contribuinte (Sra. Adriana Mallab Moreira Lopes – fls. 181/185, vide fls. 171/175 do processo em arquivo PDF) foi intimada para prestar esclarecimentos quanto às doações que teria recebido, com o intuito de subsidiar o procedimento de fiscalização junto ao contribuinte, não havendo manifestação. A partir de acesso à Declaração de Operações Imobiliárias (DOI), conforme informado à fl. 273 (vide fls. 263 do processo em arquivo PDF), foi encontrado registro de alienação de imóvel pelo contribuinte em março de 2012, cuja propriedade jamais foi declarada em DIRPF. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 27 4 Assim, para confirmar as informações constantes na DIRPF e na DOI, foi diligenciada a intimação de Paulo Octávio Investimentos Imobiliárioa Ltda. (fls. 186/188, vide fls. 176/178 do processo em arquivo PDF), da Sra. Maria Cristina Boner Leo (fl. 213/215, vide fls. 203/205 do processo em arquivo PDF) e do Sr. Antonio Bruno di Giovanni Basso (fls. 216/217, vide fls. 206/207 do processo em arquivo PDF), a fim de se verificar a situação do imóvel adquirido pelo contribuinte em 2002 (apto 606 da SQN 311 – Bloco F – Brasília; informado na DIRPF de fl. 18, vide fls. 08 do processo em arquivo PDF) e do imóvel por ele alienado no mesmo ano (apto 202 da SQN 316 Bloco F Asa Norte Brasília/DF; não informado em DIRPF), tendo sido apresentado: (i) matrícula do imóvel e outros documentos, referente ao imóvel adquirido pelo contribuinte em 21/08/2002 (fls. 201/212 e 224/238, vide fls. 191/202 e 214/228 do processo em arquivo PDF), e (ii) escritura de pública de compra e venda referente ao imóvel alienado pelo contribuinte, em 15/03/2002 (fls. 218/225, vide fls. 208/215 do processo em arquivo PDF trazida novamente às fls. 253/254, vide fls. 243/245 do processo em arquivo PDF), pelo valor de R$ 180.000,00. Em 18/05/2013 (fl. 239, vide fls. 229 do processo em arquivo PDF), a RFB oficiou a Sra. Oficiala do 2° Ofício de Registro de Imóveis do DF para encaminhar cópia autenticada da matrícula do imóvel alienado pelo contribuinte (apto 202 da SQN 316 Bloco F Asa Norte Brasília/DF), trazida às fls. 241/244 (vide fls. 231/234 do processo em arquivo PDF), e, cópia autenticada da escritura pública de permuta, datada de 29/05/1991, trazida às 247/249 (vide fls. 237/239 do processo em arquivo PDF), constando em ambos os documentos como valor do imóvel quando da aquisição “Cr$ 6.500.000,00”. Auto de Infração Após análise da documentação encaminhada à RFB e os esclarecimentos apresentados, o Auditor Fiscal entendeu por bem lavrar auto de infração (fls. 265/276, vide fls. 255/266 do processo em arquivo PDF), constituindo crédito tributário total de R$ 606.919,43, pois em 2002, houve: (i) acréscimo patrimonial a descoberto no mês de julho/02 decorrente do “excesso de aplicação sobre origens, não respaldados por rendimentos declarados e/ou comprovados” (fl. 266, vide fls. 256 do processo em arquivo PDF); (ii) ganho de capital e sonegação de imposto decorrente da alienação de imóvel (situado à SQN 316, bloco F, apto. 202 na Asa Norte, Brasília/DF) em março/02; e (iii) depósitos em conta bancária em nome do contribuinte e movimentada por ele, sem que tenha apresentado documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos recursos utilizados nessas operações (fl. 267, vide fls. 257 do processo em arquivo PDF). Sobre os valores do imposto devido a título de IRPF foram acrescidas multas de (a) 75% em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto e os depósitos com origem não comprovada e (b) 150% em relação ao ganho de capital A explicação detalhada dos fatos apurados e critérios utilizados no lançamento estão presentes no Termo de Verificação Fiscal que acompanha o auto (fls. 270/276 vide fls. 260/266 do processo em arquivo PDF). A justificativa para a autuação, de acordo com o TVF foi: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 28 5 Em 2002 foram efetuados depósitos em conta bancária em nome do contribuinte e movimentada por ele, para os quais o Sr. Getúlio Américo Moreira Lopes não apresentou documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos depósitos; Houve variação patrimonial a descoberto no mês de julho de 2002; Houve sonegação de imposto sobre o ganho de capital na alienação do imóvel à SQN 316, bloco F, apto. 202 na Asa Norte, Brasília/DF no mês de março de 2002. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Foi extraída dos extratos do Itaú, banco no qual o contribuinte fez movimentações bancárias consideráveis em 2002, a relação de depósitos anexa ao termo de intimação n° 003. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou qualquer resposta, foram considerados todos os depósitos constantes do anexo do termo de intimação n° 003 como de origem não comprovada foi efetuado o respectivo lançamento de oficio. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Com o objetivo de verificar se houve variação patrimonial a descoberto durante o ano 2002, a tabela às folhas 169 a 178 DEMONSTRATIVO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL foi preenchida com as informações que foram obtidas, ou pela declaração anual de ajuste do contribuinte, ou por documentos entregues pelo fiscalizado, ou por terceiros, ou por consulta aos sistemas da SRF. Da análise da tabela, a fiscalização não considerou como origens, e que com isso poderiam justificar a variação patrimonial no mês de julho de 2002, os valores consignados na declaração anual de ajuste do Sr. Getulio Américo Moreira Lopes (folhas 05 A 07), já que apesar de intimado e reintimado, o mesmo não apresentou qualquer documento que viesse a comprovar tais origens: LUCROS E DIVIDENDOS RECEBIDOS R$ 238.287,60 IRPF/2002 RESTITUIÇÃO/RESIDUO NA DECLAR.2002/EMPREST. R$ 1.249.539,78 Da mesma forma, foi desconsiderado o valor de R$ 785.360,35, proveniente de empréstimo declarado, feito junto à irmã do fiscalizado, MONICA PATRICIA MOREIRA LOPES, pois: Os documentos que ambos apresentaram como comprovação do empréstimo e dos pagamentos do empréstimo foram os recibos As folhas 32, 45 a 50, 94 a 99 e 101 a 105. Ambos foram intimados e reintimados a apresentar provas do efetivo fluxo de recursos entre o tomador e o emprestador, mas não o fizeram; Ao se consultar a DCPMF (declaração sobre movimentação financeira) da Sra. Mônica Patricia, podese verificar que a movimentação bancária anual da mesma sequer se aproxima do valor supostamente emprestado R$ 785.360,35; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 29 6 Nos extratos bancários apresentados pelo fiscalizado não consta nenhum deposito ou pagamento que coincide com valores e datas declarados nos recibos. tomador e o emprestador não concordam quanto A data do suposto empréstimo, pois na declaração de bens e direitos da DIRPF exercício 2003, a Sra. Mônica Patricia informa que o empréstimo foi efetivado em 30/06/2002 enquanto o Sr. Getúlio informa em sua DIRPF exercício 2003, que o empréstimo se consumou em 30/12/2002. Além disso, ambos afirmam haver um contrato, que não foi apresentado a esta fiscalização. No recibo de empréstimo apresentado por ambos, quem assina é o emprestador, e não o tomador como é esperado, e além disso, é informado que os pagamentos serão conforme cronograma anexo, cronograma esse, que não foi apresentado nem pelo tomador, nem pelo emprestador dos recursos. No recibo é informado que o empréstimo foi feito "durante" o ano de 2002, sem especificar em que data, e é datado de "dezembro de 2002". Mesmo que considerado o empréstimo como efetivamente realizado na data em que o fiscalizado declara em sua DIRPF exercício 2003 e no recibo assinado pela Sra. Mônica Patricia, o excesso de aplicações sobre os recursos no mês de julho se manteria. Em relação à doação que o fiscalizado afirma em sua DIRPF exercício 2003, ter feito em favor de sua filha Adriana Mallab Moreira Lopes, não há nenhum documento que comprove a efetiva realização da doação, a não ser um recibo de doação assinado pelo próprio doador. Por esse motivo também não foi considerada tal doação na confecção da tabela de variação patrimonial As folhas 169 a 178. Pelos fatos expostos, lançamos o valor de R$ 226.206,16 como rendimento omitido, caracterizado por variação patrimonial a descoberto. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS Da análise da documentação obtida, ficou claro para esta fiscalização que ocorreu o fato gerador para a apuração de imposto alienação de bem imóvel com ganho de capital. (...) Ganho de Capital Apurado = 180.000,00 28.496,81 = R$ 151.503,19 (...) Portanto, o valor utilizado como base para a apuração do imposto sobre ganho de capital na alienação de bens e direitos no auto de infração foi o calculado acima. DAS MULTAS DE LANÇAMENTO DE OFICIO Em relação á omissão de rendimentos na alienação de bens e direitos, implicaram na aplicação da multa de oficio com o percentual de 150% , pois o contribuinte propositalmente ocultou ao fisco a posse do imóvel à SQN 316, bloco F, Apto 202, Asa Norte em Brasília/DF, já que em nenhuma das DIRPF que o mesmo entregou e que estão atualmente disponíveis para consulta tal imóvel é declarado. Da mesma forma, quando da alienação do mesmo, se absteve de recolher o imposto sobre o ganho de capital auferido com a venda. No curso desta fiscalização, questionado de forma direta e objetiva sobre tal alienação no termo de intimação fiscal n° 001 (folhas 11 e 12) e termo de reintimação fiscal n° 002 (folha 14), preferiu não fornecer qualquer informação, o Fl. 110DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 30 7 que acaba por caracterizar embaraço à fiscalização e sonegação fiscal (artigo 71 da lei 4.502 de 1964). Para os demais lançamentos, a multa de ofício aplicada é de 75 % sobre o imposto apurado. Impugnação Intimado em 26/09/2007, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento do crédito tributário nas fls. 212/234 (vide fls. 276/289 do processo em arquivo PDF), em 23/10/07. Aduziu em síntese, preliminarmente a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa e decadência. No mérito alegou a ausência de acréscimo patrimonial a descoberto, tendo em vista que comprovado documentalmente, assim como restou comprovado o grau de parentesco das pessoas envolvidas, sustentanto a informalidade de permeia negócios feitos com parentes próximos. Ainda, suscitou a vedação do lançamento do crédito tributário, única e exclusiva com base em depósitos bancários, em vista da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e do artigo 9º, do Decreto – Lei 2.471/88. Por fim, postulou, ainda, o cancelamento de “multas de lançamento de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), juros de mora SELIC, bem como quaisquer outras exigências fiscais decorrentes do lançamento principal (sic)” (fl. 234; vide fl. 298 do processos em arquivo PDF) não foi juntado qualquer documento com a impugnação. Decisão da DRJ A DRJ (fls. 237 – 258, vide fls. 301/322 do processo em arquivo PDF), por maioria de votos, rejeitou as preliminares arguidas e, no mérito julgou procedente o lançamento. Os fundamentos alinhados pelos julgadores foram: a) quanto à decadência, pela aplicação do artigo 173, I do CTN, pois não houve antecipação de pagamento do IR durante o anocalendário de 2002, conforme a DIRPF do contribuinte. Portanto, rejeitouse a preliminar arguida; b) no que toca ao cerceamento de defesa, não merecem prosperar as alegações do contribuinte, pois teve em todos os momentos acesso aos elementos da autuação, tal como foi oportunizado tempo hábil para impugnar todas as manifestações e alegações da fiscalização, estando em perfeita consonância com o processo administrativo fiscal; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 31 8 c) em referência à posterior juntada de documentos e perícia, será somente admitida nos casos excepcionados pelo § 4º do art. 16, do Decreto 70.235, consequentemente, não estando corroboradas nenhumas das situações postas, foi indeferido o pedido; c) relativamente ao mérito, no Termo de Verificação Fiscal elaborado pela autoridade lançadora, está registrado que não foram considerados como origens os valores de R$ 238.287,60, R$ 1.249.549,78 e R$ 785.360,35, os quais, respectivamente, corresponderiam a “lucros e dividendos recebidos” e “restituição/resíduos na DIRPF/2002 e empréstimo” obtido com a irmã do autuado. Todavia, uma vez que não comprovadas as alegações pelo contribuinte, não houve reparo no lançamento efetuado; d) no que diz respeito ao ganho de capital a autoridade lançadora, ao constatar a alienação de bem adquirido em 1991 e não declarado pelo contribuinte, aplicou corretamente a legislação de regência para corrigir o custo de aquisição até a data da alienação do imóvel, e, em consequência, apurar o Ganho de Capital na operação. Por isso, mantida a infração; e) alusivo aos depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o depósito bancário cujo titular da movimentação, pessoa Física ou Jurídica, regularmente intimado, não comprovar a origem, mediante documentação hábil e idônea, tornase sujeito à tributação, por presunção legal de omissão de rendimentos, enquadrandose perfeitamente na situação que configura ocorrência de fato gerador do IRPF, conforme o art. 43 do CTN, portanto não assiste razão ao contribuinte; f) por fim, quanto à multa de ofício de 75% e juros aplicados, a legislação permite sua incidência, não havendo amparo legal a pretensão do contribuinte. Recurso Voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 27/04/09 (fl. 269; vide fl. 333 do processo em arquivo PDF), o recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 274 292; vide fls. 338/356 do processo em arquivo PDF), reiterando os argumentos apresentados anteriormente. É o relatório. Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 32 9 O recurso é tempestivo e atende todos os requisitos de admissibilidade. Decadência Como se sabe, o Imposto de Renda da Pessoa Física, efetivamente, é tributo cujo lançamento se dá por homologação, conforme pressupõe o artigo 150 do CTN. “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Sendo assim, a autoridade fiscal, nos termos do § 4º do referido artigo, goza de cinco anos para efetuar o lançamento do crédito tributário. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” No que diz respeito ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 973.733/SC, de 12/08/2009, recurso este representativo da controvérsia (art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ), que “o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre” (grifo nosso): EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do Fl. 113DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 33 10 contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como visto, entendeu o STJ que, para as hipóteses de tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que não houve qualquer antecipação de pagamento, aplicase o art. 173, I, do CTN. A contrário sensu, nos casos em que houver qualquer antecipação de pagamento, a regra a ser aplicada é a do art. 150, § 4º, do CTN, contandose o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, que, em relação ao IRPF, ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 34 11 Diante do advento da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A1 Sendo assim, a partir do julgamento do RESP nº 973.733/SC, a orientação por ele dada passou a ser de observância obrigatória também por esse Conselho e apenas confirmou o entendimento que já vinha sendo adotado pela Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se verifica no julgado abaixo: Ementa: DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – TERMO INICIAL – PRAZO – No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extinguese no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considerasse ocorrido em 31 de dezembro do ano calendário. Recurso especial provido. Acórdão: CSRF/0400.586. (Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo, Sessão de 19/06/2007, CSRF). No mesmo sentido, aplicando a orientação agora pacificada pelo STJ, já vinha asism se manifestando a 1ª Turma da 2ª Câmara: Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto Retido na Fonte e saldo a restituir apurado na declaração de ajuste do exercício de 1999, valor compensado no auto de infração, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 35 12 anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano calendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1999 e terminado em 31/12/2004. Como a notificação do lançamento se deu apenas em 30/08/2005, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Acórdão 2201001.859. (Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe, Sessão de 16/10/2012, 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária). No caso dos autos, como bem destacado pela decisão da DRJ e como se verifica da DIRPF juntada pelo recorrente às fls. 16/18, não houve, no anocalendário de 2002, qualquer antecipação a título de imposto de renda, quanto ao IRPF sujeito ao ajuste anual . Neste caso, consoante os julgados acima, para fins de verificação de decadência, aplicase a regra prevista no art. 173, I, do CTN, o qual determina que “o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Assim, referindose a autuação ao IRPF exercício de 2003, ano calendário 2002, e tendo o contribuinte sido notificado em 26/09/2007 (fl. 277; vide fl. 267 do processo em arquivo PDF), verificase não ter se operado a decadência, não prosperando, portanto, a preliminar suscitada, quanto ao IRPF sujeito ao ajuste anual. Passase agora à análise do ganho de capital que, como bem se sabe, é sujeito à tributação exclusiva (até o último dia do mês seguinte à data do recebimento do ganho de capital), em regime separado dos demais rendimentos oferecidos ao ajuste anual. Conforme se conclui do auto, não houve por parte do recorrente qualquer comprovação no sentido de antecipação, mesmo que parcial, do tributo devido, sendo que nem mesmo houve a declaração da venda do imóvel, não sendo possível, portanto, aplicar a regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN, em vista da inexistência de pagamento antecipado. Diante disso, imperioso se faz a aplicação, também no caso do ganho de capital, da regra prevista no já referido art. 173, I, do CTN. Esse é o entendimento deste Conselho, conforme se percebe da decisão abaixo transcrita: DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. O fato gerador relativo ao ganho de capital ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do ano calendário. Assim, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplicase a regra de decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN. Para os ganhos de capital omitidos, em que não houve pagamento algum a esse título, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (CARF. 1ª Turma Especial. Segunda Fl. 116DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 36 13 Seção de Julgamento. Acórdão 280102.958. Rel. Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Julg. 13/03/13) Como o ganho de capital in casu foi apurado em 15/03/2002, o prazo para recolhimento encerraria em 30/04/2002, podendo o tributo ser lançado a partir de 01/05/2002, tendo, portanto, se iniciado a contagem do prazo decadêncial em 01/01/2003 (primeiro dia do exercício subsequente àquele no qual ele poderia ter sido lançado). Logo, o prazo final para o lançamento se encerraria em 31/12/2007, não havendo que se falar em decadência, no caso, quanto ao lançamento do IR devido em face do ganho de capital, haja vista que a notificação ocorreu em 26/09/2007. Diante disso, afasto a preliminar suscitada. Cerceamento de Defesa O contribuinte pretende a nulidade do lançamento, em vista do alegado cerceamento de defesa, uma vez que, no seu entender, tendo apresentado toda a documentação solicitada a RFB, seria responsabilidade da autoridade fiscalizadora averiguar junto às instituições financeiras mantenedoras das contascorrente do fiscalizado, as informações que achar necessárias. O artigo 15 do Decreto 70.235/72 prevê que a impugnação será “formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar”, sendo dever do contribuinte apresentar as provas necessárias para ilidir as dúvidas da fiscalização. Diante do referido, no que toca à alegação de cerceamento de defesa, a prova cabal de que tal não se verificou no caso dos autos advém: de três intimações do contribuinte para se manifestar acerca das solicitações de informações por parte da fiscalização (fls. 21, vide fls. 11 do processo em arquivo PDF, fl. 24 vide fls. 14 do processo em arquivo PDF e fl.26 vide fls. 16 do processo em arquivo PDF); bem como da apresentação tempestiva da impugnação conhecida e analisada, na qual o recorrente revela conhecer plenamente a infração que lhe foi imputada, rebatendoa, sem, contudo, ter juntado qualquer documento novo, o mesmo ocorrendo quando da interposição do recurso voluntário. Além do mais, desde a notificação do contribuinte até a data do presente julgamento já se passaram mais de 6 anos, tempo suficiente para o levantamento de informações e juntada de documentos. Em casos como este, em que é dado ao contribuinte amplo conhecimento dos fatos que lhes estão sendo imputada, assim como acesso aos autos e prazo suficiente para comprovar suas alegações, é cediço o entendimento desse Conselho no sentido de que não há de se falar em cerceamento de defesa, juntandose, por amostragem, o julgado abaixo: Processo nº 10640.004075/200843 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 37 14 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.278 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria IRPF Recorrente ALTAMIR DE SOUZA GONÇALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Seguidas todas as formalidades legalmente exigidas e lavrado auto de infração claro que não impossibilite a compreensão da infração imputada, não há que se falar em cerceamento de defesa. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A diligência é medida excepcional, que deve ser deferida somente quando demonstrada pelo requerente a necessidade, o cabimento e os quesitos necessários a sua realização. IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). EXAÇÃO CONFISCATÓRIA. APLICAÇÃO DE SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. SÚMULA CARF Nº 4. Arguição de confisco, inaplicabilidade da Taxa SELIC e demais pontos que demandem a declaração de inconstitucionalidade de dispositivo vigente e válido não cabem a este Conselho. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta forma, não há que se falar nem em cerceamento de defesa, nem na necessidade de quaisquer outras diligências no presente caso, não merecendo prosperar tal alegação em sede preliminar. Acréscimo Patrimonial a Descoberto Fl. 118DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 38 15 Como muito bem referido pela DRJ, são tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não tiver sua origem justificada. Para esclarecer as imprecisões das declarações do contribuinte, o art. 806 do Decreto 3.000/99 autoriza a autoridade fiscal a “exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio”. Diante disso, como já relatado, foi intimado o recorrente, por diversas vezes, para que comprovasse as inconsistências verificadas em sua DIRPF. Contudo não logrou êxito em comprovar o acréscimo patrimonial a descoberto, sujeitandose, na forma do artigo 807 do mesmo Decreto 3.000/992. Com base na análise da documentação apresentada pelo contribuinte e demais provas carreadas aos autos, foi elaborado pela fiscalização demonstrativo mensal de variação patrimonial a descoberto, tendo sido verificado acréscimo patrominial de “R$ 226.206,16” no mês de julho/02 (fl. 256; vide fl. 246 do processo em arquivo PDF). Diante das informações constantes na DIRPF do exercício de 2003 (fls. 16/18), acerca de recebimentos de valores a título de (i) “lucros e dividendos”, no total de R$ 238.287,60, (ii) “IRPF 2002 restituição/resíduo na declar 2002/emprest”, no total de R$ 1.249.549,78, e (iii) empréstimo tomado de sua irmã (Sra. Mônica), no total de R$ 785.360,35, foi o recorrente intimado e reintimado para comprovar as origens de tais valores. Entretanto, para não dizer que não houve qualquer mínima comprovação, o máximo que o recorrente fez foi trazer um documento firmado por sua irmã (Sra. Mônica Patricia Moreira Lopes), sem qualquer elemento dotado de fé pública que comprovasse a data de assinatura de tal documento, no qual resta referido, simplesmente, que (i) se trataria de “Empréstimo”, (ii) no valor de “R$ 785.360,35”, (iii) “no ano de 2002 a ser quitada conforme cronograma anexo” (fl. 48; vide fl. 38 do processo em arquivo PDF), cabendo destacar que não foi juntado nem o referido ‘cronograma’, nem qualquer comprovação da transferência do valor dito emprestado. Ora, quanto à efetiva comprovação do referido empréstimo, obviamente que, por se tratar de hipótese de recursos transferidos entre familiares, não há de se exigir um 2 Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 39 16 formalismo contratual, por exemplo. Todavia, as informações prestadas pelo contribuinte devem ser suficientemente hábeis a demonstrar que a operação ocorreu. Na declaração do recorrente consta que o empréstimo teria sido tomado em 30/12/2002, mas na demonstração dos extratos da sua conta corrente não foi possível vislumbrar a entrada deste valor, seja na data informada, seja no período da aquisição de novo imóvel (em meados daquele ano), a qual teria justificado o empréstimo em questão. Ainda, para que não pairem dúvidas, no que toca ao empréstimo, mais especificamente, foi constatado pela fiscalização, ao consultar a DCPMF (declaração sobre movimentação financeira) da Sra. Mônica Patricia, que a movimentação bancária anual da mesma sequer se aproxima do valor supostamente emprestado R$ 785.360,35; Inclusive, nos extratos bancários apresentados pelo fiscalizado não consta nenhum deposito ou pagamento que coincide com valores e datas declarados nos recibos tomador. Além disso, a emprestadora não concorda, nem mesmo, quanto a data do suposto empréstimo, pois na declaração de bens e direitos da DIRPF exercício 2003, a Sra. Mônica Patricia informa que o empréstimo foi efetivado em 30/06/2002 enquanto o Sr. Getúlio informa em sua DIRPF exercício 2003, que o empréstimo se consumou em 30/12/2002, como já referido. Por fim, ambos afirmam haver um contrato, que não foi apresentado a esta fiscalização. De outra parte, quanto aos “lucros e dividendos” e aos valores declarados como decorrentes de “IRPF 2002 restituição/resíduo na declar 2002/emprest” não houve sequer referência a eles pelo contribuinte, em qualquer de suas manifestações, quanto mais comprovação de suas origens. Por conta disso, acertadamente, no meu ver, os valores informados na DIRPF, cujas origens não foram minimante comprovadas, não podem ser considerados como justificativa para o expressivo acréscimo patrimonial do contribuinte apurado em julho/02, devendo ser mantida a tributação sobre tais valores. Em casos como o dos autos, em que devidamente apurado e comprovada a existência de acréscimo patrominial, sem que o contribuinte tenha comprovado a sua origem, há reitarados julgados desse Conselho no sentido da tributação de tais valores a título de IRPF, citandose, por amostragem, o seguinte e recente julgado: ACÓRDÃO 2102002.510 2ª SEÇÃO – 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA MATÉRIA: IRPF, ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Fl. 120DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 40 17 DATA DA PUBLICAÇÃO: 14/10/2013 Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Em razão da negativa de recebimento da correspondência encaminhada ao contribuinte (e recusada por um preposto seu), correta é a sua intimação através de edital, diante da falta de êxito na intimação via Correios. MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, conforme jurisprudência reiterada da Camara Superior de Recursos Fiscais. O MPF é elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, razão pela qual eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração. IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, em regra, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. O lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas deve considerar valores que tenham sido efetivamente pagos à pessoa física autuada, sob pena de não restar comprovada a omissão, e por isso mesmo não poder prevalecer o lançamento assim fundamentado. IRPF. OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Para que se possa contraditar um lançamento fundado em omissão decorrente de variação patrimonial a descoberto, é necessário que o contribuinte demonstre, documentalmente, a origem dos recursos utilizados nas aplicações efetuadas. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento assim apurado. Sendo assim, quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto, entendo que deve ser mantida a autuação. Ganho de Capital na Alienação de Bens Imóveis Relativamente à alienação de bens e direitos, prevê o art. 21 da Lei nº 8.981/95 que “o ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeita se à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento”. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 41 18 A fim de verificar as transações imobiliárias envolvendo o contribuinte em questão no ano de 2002, foi realizada pela fiscalização pesquisa junto à Declaração de Operações Imobiliárias (DOI), conforme informado à fl. 273 (vide fl. 227 do arquivo em PDF), tendo sido identificada a alienação de imóvel que esta em seu nome desde 1991, o qual, contudo, não constava em qualquer das suas últimas DIRPF, não tendo, igualmente, sido declarada tal operação na DIRPF em questão. A partir de informações acerca (i) do valor pelo qual o contribuinte adquiriu o referido imóvel em 1991 – Cr$ 6.500.000,00 , conforme contrato de permuta, em que tal lhe foi transferido (fls. 248 249, vide folha 238 – 239 do arquivo em PDF) e na matrícula do imóvel (fls. 242, vide fl. 232 do arquivo em anexo) –, e (ii) do valor pelo qual o imóvel foi alienado em 2002 – R$ 180.000,00, conforme contrato de compra e venda (fl. 253 – 254, vide fls. 243 244 do arquivo em PDF) –, a fiscalização, após a atualização do valor do bem pelos critérios previstos na IN 84/2001, verificou um ganho de capital na alienação equivalente a R$ 151.503.19 (fl. 274, vide fls. 264 do processo em arquivo PDF). Em sua defesa, limitandose a referir que não teria informado a alienação por entender que não houve ganho de capital na operação, suscita, inicialmente, a decadência para o lançamento do tributo, eis que o ganho de capital seria submetido à tributação exclusiva de IR e teria decorrido mais de 5 anos entre a data da alienação (em março de 2002) e a notificação (em setembro de 2007). Ainda que assim não seja, alega o recorrente a improcedência da autuação e a ausência de ganho de capital, pelo fato de o cálculo da fiscalização não ter considerado o valor atualizado do bem. Quanto à suscitada decadência, digase que, embora, de fato, a operação seja submetida à tributação exclusiva, no caso em tela, justamente por não ter havido qualquer pagamento/antecipação de tributo em relação à tal operação, aplicase, também aqui, a regra do art. 173, I, do CTN, contandose o prazo decadencial “do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, nos termos fundamentados anteriormente. Em caso idêntico, assim já decidiu esse Conselho: ACÓRDÃO 280101.562 2ª Seção – 2ª Câmara – 1ª Turma Especial Julgado em 12/05/2011 Publicado em 27.03.2012 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EMENTA Exercício: 2000 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). EVENTUAIS IRREGULARIDADES. O MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no MPF não são causa de nulidade do auto de infração. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 42 19 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário (Súmula CARF nº 38). DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. O fato gerador relativo ao ganho de capital ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do anocalendário. Assim, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplicase a regra de decadência prevista no art. 150, §4o, do CTN. Para os ganhos de capital omitidos, em que não houve pagamento algum a esse título, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/ 96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. Considerando que os rendimentos declarados e omitidos transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, é plausível que os rendimentos que restaram confessados sejam excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Preliminares rejeitadas. Pedido de diligência indeferido. Recurso voluntário provido em parte. Superada a alegação de decadência, merece ser analisado o argumento de que os valor do imóvel alienado não teria sido devidamente atualizado pela fiscalização. Neste ponto, como bem destacado pela decisão da DRJ, e diversamente do alegado pelo contribuinte, para fins de verificação de efetivo ganho de capital na alienação em questão, por se tratar de imóvel adquirido antes de 31/12/1991, foi adotada pela fiscalização a “Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos”, trazida no anexo único da IN 84/2001, que tem justamente a função de evitar distorções e tributação indevida. Entendendo pela legitimidade e possibilidade de adoção do critério de atualização previsto na IN 84/2001 e seu anexo único, assim já se manifestou a Receita Federal, no Processo de Consulta nº43/08, emanado da Superintendência Regional da Receita Federal da 8ª Região Fiscal, em 01/02/2008: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 43 20 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF. Ementa: CUSTO DE AQUISIÇÃO Mercado de Renda Variável. Ações Adquiridas em Dezembro de 1985. Considerase custo de aquisição das ações adquiridas em dezembro de 1985, o valor de mercado em 31 de dezembro de 1991, constante da declaração de bens relativa ao exercício de 1992. Para os bens adquiridos até 31 de dezembro de 1991, não avaliados a valor de mercado, e os bens adquiridos entre 1º de janeiro de 1992 e 31 de dezembro de 1995, o custo de aquisição corresponde ao valor de aquisição até 31 de dezembro de 1995, atualizado mediante a aplicação da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, constante do Anexo Único à Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001. Bonificações No caso de ações recebidas em bonificação, em virtude de incorporação, ao capital social da pessoa jurídica, de lucros ou reservas, considerase custo de aquisição da participação o valor do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista, independentemente da forma de tributação adotada pela empresa, exceto em relação aos lucros apurados nos anoscalendário de 1994 e 1995, caso em que as ações bonificadas terão custo zero. Apuração do Ganho Na apuração do ganho líquido auferido na alienação de ações negociadas em bolsa de valores, o custo de aquisição corresponde à média ponderada dos custos unitários. Pelos fundamentos acima, também quanto à apuração de ganho de capital decorrente de alienação de imóvel, não informado pelo contribuinte, entendo que deva ser mantida a autuação. Omissão de Rendimento Decorrente de Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada No que toca à alegação de omissão de rendimentos em face de depósitos bancários em contas do contribuinte com origem não comprovada, verificase que a autuação está respaldada no art. 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96, que dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Como se verificou no caso em questão, diante dos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte, foram identificados diversos depósitos em montantes consideráveis (conforme totais mensais detalhados à fl. 267), os quais, contudo, não foram Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 44 21 declarados na DIRPF, e, menos ainda, tiveram sua origem minimamente comprovada ou justificada. Em sua defesa, o recorrente limitase a sustentar que, tão somente os depósitos bancários não poderiam representar rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda, pois não teria sido demonstrado cabalmente pela fiscalização o acréscimo patrimonial que justificaria a incidência do tributo. Em impugnação o contribuinte referiu, ainda, que o TFR sumulou (Súmula 182) entendimento com esta exata interpretação e determinava o arquivamento de processos administrativos relativos a débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Ocorre que, esquecese o contribuinte de referir que a aludida súmula foi editada antes de 1996, quando ainda não estava em vigor o art. 42 da Lei n° 9.430/96 acima transcrito, com incidência sobre os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97. Dessa forma, como bem sustentado no acórdão da DRJ, a partir da edição da Lei 9.430/96 dúvidas mais não há acerca da possibilidade, sim, de ser determinada a incidência de IR toda vez que a fiscalização se deparar com a existência de “valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. No caso dos autos, a aplicação de tal dispositivo é inquestionável, pois, como já dito, sequer houve mínima justificativa ou rasa comprovação quanto à origem do considerado valor de depósitos realizados na conta do contribuinte no ano de 2002, sendo correta a tributação, como, aliás, vem entendendo essa Turma: Processo nº 16004.000110/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.331 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria IRPF Recorrente ALFEU CROZATO MOZAQUATRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. ART. 42, LEI N. 9.430/96. LEGITIMIDADE. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 45 22 É legítimo o lançamento de imposto de renda com base em omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários sem origem comprovada tendo como fundamento o art. 42 da Lei nº 9.430/96, desde que sejam seguidos todos os procedimentos nela presentes. MULTA QUALIFICADA. DOLO COMPROVADO. É devida a qualificação de omissão de rendimentos quando comprovada omissão dolosa. Considerase a omissão como dolosa quando a renda for decorrente de esquemas fraudulentos. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. É inaplicável o agravamento de multa quando o não atendimento a intimação da Fiscalização não inviabilizar o lançamento do tributo. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todos estes motivos, não merece reparos a decisão da DRJ também no tocante à tributação dos rendimentos omitidos, apurados a partir de depósito em contas bancárias sem comprovação de origem. Quanto às Multas Aplicadas Em face da autuação lavrada, foram aplicadas multas de ofício a ordem de 75% em relação à variação patrimonial e aos depósitos sem comprovação de origem, e de 150% em relação ao ganho de capital na venda de imóvel, por entender ter havido, neste caso, embaraço à fiscalização e sonegação, diante da ausência de prestação de informações pelo recorrente. Em seu recurso, pugna o contribuinte pelo cancelamento de “multas de lançamento de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), juros de mora SELIC, bem como quaisquer outras exigências fiscais decorrentes do lançamento principal (sic)” (fl. 292; vide fl. 356 do processo em arquivo PDF). Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 46 23 De plano antecipo meu entendimento, no sentido de manutenção da multa de ofício no patamar de 75%, pois tal é a multa mínima prevista para caso como o dos autos, não cabendo a esse Conselho analisar se tal é abusiva ou confiscatória, conforme reiterados julgados, dos quais se colhe o exemplo abaixo: MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de oficio, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos.Contudo, entendo que deva ser analisado pelo Colegiado a aplicação de multa qualificada, fixada pela fiscalização relativamente ao ganho de capital decorrente da alienação do imóvel informada.(19515.002955/200461, Conselheiro Pedro Anana Jr., 1º Conselho de Contribuintes Quarta Câmara) Por outro lado, como já sumulado por esse Conselho, “a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” (súmula 14). A aplicação duplicada da multa prevista no art. 44, I da Lei no 9.430/96, justificada em “sonegação fiscal” (como ocorreu no caso em questão), somente tem lugar quando a conduta do contribuinte estiver assim tipificada. E, no tocante à sonegação, sua tipificação está no art. 71, da Lei 4.502/64 que determina ser sonegação “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.”. No caso dos autos, embora não tenha, de fato, declarado a existência de tal em suas DIRPFs, nem a sua alienação, o recorrente sustenta que tal agir se deu por entender que, na operação, de fato, não teria sido apurado tal ganho e, inclusive, suscita erro no cálculo da fiscalização, pois esta não teria atualizado o valor do imóvel devidamente. (fls. 350, 353). Dessa forma, não vislumbro, a rigor, evidente intuito de sonegação ou fraude na conduta adotada do contribuinte, que desde o início justificou (ainda que de maneira rasa) o motivo pelo qual havia deixado de declarar a venda do imóvel em comento. Ademais, entendo que a autoridade fiscalizadora se furtou de demonstrar o dolo do contribuinte, apenas presumindoo baseada na sua omissão frente ao conhecimento de fato relevante. (fls. 264, 265). Sendo assim, compreendo que deve ser parcialmente provido o recurso voluntário, para que a multa aplicada seja reduzida ao patamar de 75% também em relação ao ganho de capital decorrente da alienação de imóvel. Isso posto, voto pela PARCIAL PROVIMENTO do recurso voluntário, tão somente, para reduzir ao patamar de 75% a multa de ofício aplicada. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 14041.000739/200724 Acórdão n.º 2202002.668 S2C2T2 Fl. 47 24 (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/06/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 37324.002545/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 37324.002545/2007-92
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5357350
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-000.430
nome_arquivo_s : Decisao_37324002545200792.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ADRIANO GONZALES SILVERIO
nome_arquivo_pdf_s : 37324002545200792_5357350.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5509552
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816165986304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 649 1 648 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37324.002545/200792 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2301000.430 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de fevereiro de 2014 Assunto Conversão em Diligência. Recorrente SOCIEDADE CAMPINEIRA DE EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior. Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, correspondendo à contribuição destinada ao FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias os valores pagos ou creditados aos contribuintes individuais (autônomos) que lhe prestaram serviços no período de 01/1996 a 12/2004. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 73 24 .0 02 54 5/ 20 07 -9 2 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 37324.002545/200792 Resolução nº 2301000.430 S2C3T1 Fl. 650 2 O Relatório Fiscal aduz que a Sociedade Campineira de Educação e Instrução (SCEI) dirige, supervisiona e administra a Pontifícia Universidade Católica de Campinas e o Hospital e Maternidade Celso Pierro. Assegura que a isenção foi cancelada por descumprimento ao disciplinado nos incisos IV e V do artigo 55 da Lei 8.212/91, que transitou em julgado no âmbito administrativo em 28/03/2006, quando o CRPS emitiu o Acórdão 240/2006 mantendo o cancelamento da isenção de cota patronal a partir de 01/01/1994; O sujeito passivo apresentou impugnação sustentando o direito à isenção. Em 07 de fevereiro de 2007, foi emitida a DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 21424.4/129/2007, considerando o lançamento procedente. Foi interposto recurso voluntário, o qual foi acolhido pela 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária/2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para anular a citada decisão, já que não havia se manifestado sobre aspectos fundamentais trazidos em impugnação. A DRJ de Campinas acolheu parcialmente a impugnação para reconhecer a decadência nos moldes do artigo 173, inciso I, conforme ementa abaixo: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. REMUNERAÇÃO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais, na forma da Lei. DIREITO ADQUIRIDO À MANUTENÇÃO DE REGIME JURÍDICO. INEXISTÊNCIA Inexiste direito adquirido em regime jurídico, motivo pelo qual não há razão para se falar em direito à imunidade por prazo indeterminado. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, julgar a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio. DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias estão sujeitas ao prazo decadencial de cinco anos e havendo pagamento a menor, o prazo de decadência é de cinco anos contados da data do fato gerador, na forma da legislação. Foi interposto recurso voluntário pela recorrente sustentando que: i) nos autos da ação ordinária 1999.61.05.0095167 foi confirmado o direito à imunidade da recorrente; a entidade atendeu os requisitos da Lei 8.212/91; ainda que assim não fosse a entidade está submetida a Lei nº 3577/59. É o relatório. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 37324.002545/200792 Resolução nº 2301000.430 S2C3T1 Fl. 651 3 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério. A r. decisão recorrida, ao tratar das questões suscitadas pelo sujeito passivo acerca do direito à isenção prevista na Lei 3.577/79 e de que não houve remuneração ao Monsenhor José Machado Couto, matéria essa repisada em recurso voluntária, não poderia ser analisada nesses autos, uma vez que essa matéria já foi apreciada pelo CRPS nos autos originados do Ato Cancelatório 21.727.1/002/2004. Considerando que nesses autos não há cópia referente ao processo cancelatório de modo que esse E. CARF possa averiguar se há identidade de matéria versada no recurso voluntário e naqueles autos, VOTO no sentido de converter em diligência, a fim de que sejam anexados a esses autos o Ato Cancelatório 21.727.1/003/2004, defesas e recursos contra este apresentado, bem como Acórdão nº 240, de 28/03/2006 do Conselho de Recursos da Previdência Social. Após, intimese o sujeito passivo a se manifestar no trintídio legal. Ultrapassado o prazo retornem os autos ao CARF para processamento e julgamento do recurso. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 651DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.004546/2008-10
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 17/12/2007, 11/01/2008, 23/01/2008, 20/02/2008
17/03/2008, 16/04/2008, 24/04/2008, 15/05/2008, 30/05/2008, 19/06/2008,
18107/2008, 30/07/2008.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS ORIUNDOS DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO ELETROBRÁS. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre pedido de compensação cujos créditos são oriundos de empréstimo compulsório da ELETROBRÁS.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2801-002.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente na data da formalização da decisão.(Ordem de Serviço n° 01, de 8 de março de 2013)
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 17/12/2007, 11/01/2008, 23/01/2008, 20/02/2008 17/03/2008, 16/04/2008, 24/04/2008, 15/05/2008, 30/05/2008, 19/06/2008, 18107/2008, 30/07/2008. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS ORIUNDOS DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO ELETROBRÁS. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre pedido de compensação cujos créditos são oriundos de empréstimo compulsório da ELETROBRÁS. Recurso Voluntário Não Conhecido
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10950.004546/2008-10
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366341
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-002.962
nome_arquivo_s : Decisao_10950004546200810.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
nome_arquivo_pdf_s : 10950004546200810_5366341.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente na data da formalização da decisão.(Ordem de Serviço n° 01, de 8 de março de 2013) Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
id : 5558007
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816168083456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1951; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 322 1 321 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.004546/200810 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.962 – 1ª Turma Especial Sessão de 13 de março de 2013 Matéria NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Recorrente DILELI & DILELI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 17/12/2007, 11/01/2008, 23/01/2008, 20/02/2008 17/03/2008, 16/04/2008, 24/04/2008, 15/05/2008, 30/05/2008, 19/06/2008, 18107/2008, 30/07/2008. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS ORIUNDOS DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO ELETROBRÁS. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre pedido de compensação cujos créditos são oriundos de empréstimo compulsório da ELETROBRÁS. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente na data da formalização da decisão.(Ordem de Serviço n° 01, de 8 de março de 2013) Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 45 46 /2 00 8- 10 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10950.004546/200810 Acórdão n.º 2801002.962 S2TE01 Fl. 323 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/CTA (Fls. 128), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o processo de lançamento de R$ 205.413,49 de multa de 75%, exigida isoladamente, por meio do auto de infração de fls. 1001105, em virtude de compensações consideradas não declaradas, conforme Despacho Decisório da DRF/Maringá, emitido no Processo Administrativo n ° 13956.000927/200787 (fls. 87/93), decorrente de crédito que adviria de cautela de obrigações das Centrais Elétricas Brasileiras S/A, cuja restituição foi solicitada em processo administrativo distinto (nº 13956.000170/200641); o fundamento legal da autuação encontrase descrito às fls. 103/104. Cientificada em 04/09/2008 (fl. 10.7), a interessada apresentou, em 02/10/2008, a impugnação de fls. 108/125, trazendo os argumentos sintetizados a seguir. Após falar, sinteticamente, sobre os fatos que levaram à autuação, no item "III.1 Empréstimo Compulsório sobre Energia Elétrica, Receita da União, Competência para a Administração de Tributos Federais (SRF)" (fls. 110/120), contesta o entendimento do fisco de ser indevida a compensação declarada, tecendo considerações, com menções à doutrina e à jurisprudência, sobre ser a Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB competente para administrar, e, portanto, para restituir empréstimo compulsório, dizendo que não há como dissociar esse órgão, a RFB, da pessoa jurídica União Federal. Por seu turno, no título "Da alegada compensação indevida", argúi que não pode ser `penalizada' com a imposição de multa isolada de 75%, sob o pretexto de compensação indevida, uma vez que não haveria dolo em sua conduta, além de que o fisco não estaria inibido, após o exaurimento da discussão administrativa, de exigir os valores que lhe são devidos, sustentando, ainda, que sua compensação não se amoldaria às hipóteses arroladas no art. 18 da Lei n ° 10.833, de 2003, pois, primeiro, inexistiria disposição legal expressa impossibilitando a compensação com obrigações da eletrobrás; segundo, o crédito é de natureza tributária; e, terceiro, não teria omitido nenhum Fl. 323DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10950.004546/200810 Acórdão n.º 2801002.962 S2TE01 Fl. 324 3 dos elementos do fato gerador, fracionando ou retardando o pagamento do tributo. Prosseguindo, no item "Da vedação ao confisco", faz breves considerações sobre o princípio constitucional do nãoconfisco (art. 150, IV, CF/1988), depois do que diz: "a cobrança de multa no valor de 750lo, demonstra a ilegalidade e a abusividade na cobrança de eventual crédito tributário, impondo ao contribuinte excessiva carga econômica que pode ser traduzido como a implicância do indesejado efeito confiscatório. "; fala, ainda, que a redução da multa em até 50% no caso de "pagamento até o vencimento da intimação", evidenciaria que "a mensuração da alíquota sobre a multa administrativa foi estabelecida por um critério amoral, ou seja, sem qualquer correlação econômico financeira pela falta de pagamento no momento oportuno". Por fim, requer que: (a) seja considerado improcedente o lançamento da multa isolada de ofício, posto que o crédito utilizado na compensação declarada possuiria natureza tributária (empréstimo compulsório sobre energia elétrica, instituído pela União); (b) alternativamente, caso seja mantida a multa, "sua minoração em razão da inexistência de ato detende (sic) a impedir o fato gerador do tributo, uma vez que a compensação tributária é causa extintiva da obrigação tributária, e não causa impeditiva do fato gerador dos tributos compensação, razão da inaplicabilidade do disposto no art. 72 da Lei 4.502164'; (c) caso seja diverso o entendimento, se considere improcedente o lançamento, com espeque no art. 100, parágrafo único do CTN, uma vez que seu procedimento seria consentâneo com as normas complementares da RFB; (d) a decisão seja prolatada nos moldes do art. 31 do Decreto nº 70.235, de 1972, devendo, dentre outros requisitos, referirse expressamente às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências, sob pena de se incorrer em cerceamento do direito de defesa. À fl. 126, despacho da ARF/Umuarama atestando a tempestividade da impugnação. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. CAUTELAS ELETROBRÁS. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. Considerada nãodeclarada a compensação em face da pretensão de utilização de crédito nãoadministrado pela Secretaria da Receita Federal, aplicável a multa isolada na forma prevista na legislação. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10950.004546/200810 Acórdão n.º 2801002.962 S2TE01 Fl. 325 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 08/12/2009 (Fls. 138), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08/01/2010 (fls. 139 140), reiterando os argumentos apresentados quando da impugnação. Acrescentando ainda que diferentemente do que prega o acórdão recorrido, à Administração é possível verificar a constitucionalidade e legalidade de seus atos: O Relator, ao proferir seu voto, anunciou que não cabe à administração pública verificar a constitucional idade das leis e nem de seus atos. Afirma estar a fazenda vinculada somente à legalidade Ledo engano. O Supremo Tribunal Federal em dois momentos já pronunciou de forma sumulada a possibilidade da administração verificar a constitucionalidade e legalidade de seus atos, analise: "Súmula 346: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos." "Súmula 473: A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos, ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial". Isto quer dizer que toda a sua atuação pode ser pautada pelos princípios constitucionais, retirando a força normativa infraconstitucional quando verificado contraposição aos nortes magnos definidos na carta maior. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. De início, verifico que o objeto do presente processo versa sobre não homologação de declarações de compensações de tributos federais com créditos oriundos de empréstimos compulsórios para as Centrais Elétricas Brasileiras S/A –ELETROBRÁS. Ocorre que o Regimento Interno do CARF, m seu Anexo II, Art. 7, § 1, assim preconiza: Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10950.004546/200810 Acórdão n.º 2801002.962 S2TE01 Fl. 326 5 § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Por sua vez, o Inciso VII do Art. 2 do Anexo II, do mesmo Regimento Interno do CARF, estabelece que: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Do exposto acima, em razão do crédito alegado na compensação ser decorrente de empréstimo compulsório para a ELETROBRÁS, concluíse que cabe à Primeira Seção processar e julgar o recurso objeto deste processo. Ante o acima exposto, e o que mais constam nos autos, voto por não conhecer o recurso em tela, declinando da competência para julgálo, e o devolvendo para a Secretaria da Primeira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para as providências a seu cargo, tendo em vista que a competência para o julgamento da presente lide pertence a 1ª seção, não podendo ser apreciada por esta Turma Especial da 2ª Seção, nos termos do art. 2°, inciso VII, do Anexo II, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 326DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
score : 1.0
Numero do processo: 10935.003146/2006-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO.
Afora as exceções legais, a defesa deve estar instruída com os respectivos elementos que sustentem o direito afirmado.
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. SÚMULA CARF Nº 14.
O caso sob análise, relativo à presunção de omissão de receitas decorrente da não comprovação da origem de depósitos bancários, assemelha-se a precedentes que justificaram a edição da Súmula CARF nº 14 (A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo), de observância obrigatória pelos membros do CARF, sendo de rigor a redução da multa de ofício ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS
Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõe-se a adoção de igual orientação decisória.
Numero da decisão: 1103-001.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado dar provimento parcial para afastar a qualificação da multa, reduzindo-a ao percentual de 75%, por maioria, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura e Aloysio José Percínio da Silva, que negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. Afora as exceções legais, a defesa deve estar instruída com os respectivos elementos que sustentem o direito afirmado. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. SÚMULA CARF Nº 14. O caso sob análise, relativo à presunção de omissão de receitas decorrente da não comprovação da origem de depósitos bancários, assemelha-se a precedentes que justificaram a edição da Súmula CARF nº 14 (A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo), de observância obrigatória pelos membros do CARF, sendo de rigor a redução da multa de ofício ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõe-se a adoção de igual orientação decisória.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10935.003146/2006-13
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363060
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1103-001.054
nome_arquivo_s : Decisao_10935003146200613.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10935003146200613_5363060.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado dar provimento parcial para afastar a qualificação da multa, reduzindo-a ao percentual de 75%, por maioria, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura e Aloysio José Percínio da Silva, que negaram provimento. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
id : 5540535
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816191152128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2478; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 385 1 384 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.003146/200613 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103001.054 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 7 de maio de 2014 Matéria Auto de infração de IRPJ e reflexos. Omissão de receitas Recorrente ROADICLANE INDÚSTRIA E EMPACOTAMENTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida perante instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizamse como omissão de receitas. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. SÚMULA CARF Nº 14. O caso sob análise, relativo à presunção de omissão de receitas decorrente da não comprovação da origem de depósitos bancários, assemelhase a precedentes que justificaram a edição da Súmula CARF nº 14 (“A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”), de observância obrigatória pelos membros do CARF, sendo de rigor a redução da multa de ofício ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõese a adoção de igual orientação decisória. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 31 46 /2 00 6- 13 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 386 2 Anocalendário: 2003 PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. Afora as exceções legais, a defesa deve estar instruída com os respectivos elementos que sustentem o direito afirmado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado dar provimento parcial para afastar a qualificação da multa, reduzindoa ao percentual de 75%, por maioria, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura e Aloysio José Percínio da Silva, que negaram provimento. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, anocalendário 2003, no valor total original de R$ 162.392,76 (cento e sessenta e dois mil, trezentos e noventa e dois reais e setenta e seis centavos), sobre o qual incidem multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora (fls.288/315). As infrações, quanto ao IRPJ, foram assim descritas no campo “Descrição do Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”: 001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. Valor referente a depósitos e créditos, realizados junto a instituições financeiras, em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 002 – RECEITAS DA ATIVIDADE – A PARTIR DO AC 93 – RECEITAS DA ATIVIDADE. Receita da atividade, escriturada e não declarada, apurada conforme relatório em anexo. A ciência do contribuinte efetivouse em 20/7/06 (fls.288, 294, 301 e 308). No “Termo de Verificação Fiscal” (fls.281/287), a fiscalização consignou: Fl. 471DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 387 3 “1 OMISSÃO DE RECEITAS 1.1 — RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS (DEPÓSITOS BANCÁRIOS). Juntamente com mandado de procedimento fiscal acima, recebemos o Dossiê da fiscalizada onde continha informações dos sistemas da Receita Federal, em que constava que a fiscalizada manteve nos anos de 2002 e 2003, contas correntes em 02 (duas) instituições financeiras. Em 31 de janeiro de 2006, demos ciência ao contribuinte do termo de inicio da ação fiscal onde através de intimação solicitamos a documentação necessária à realização dos trabalhos (Fls.005). Em 06 de fevereiro de 2006 o contribuinte apresenta os documentos solicitados (Fls.006). Em confronto com a contabilidade da fiscalizada constatamos que a mesma registrou apenas a conta bancária mantida junto ao Banco Sudameris, S.A., (Fls.061 a 109), deixando de registrar as contas mantidas junto ao Banco Real S.A. Diante da não apresentação dos referidos extratos por parte da fiscalizada, em fevereiro de 2006, intimamos a instituição financeira a nos fornecer os extratos referentes aos anos de 2002 e 2003, (Fls.110 a 111). Em março de 2006, em atendimento a intimação, a instituição financeira nos enviou os referidos extratos, (Fls.125 a 206). Em, 12 de abril de 2006 intimamos a investigada a comprovar mediante apresentação de documentação hábil e idônea as origens dos recursos financeiros ingressados nas contas bancárias em nome da fiscalizada (Fls.207 a 238). Em 19 de abril de 2006 a fiscalizada apresenta pedido de prorrogação de prazo para atendimento da intimação alegando que se tratava de um volume muito grande de informações a serem fornecidas (Fls.278). Em 20 de junho de 2006 a investigada apresenta resposta firmada por seu sócio administrador informando que os valores originase de vendas realizadas, cujos valores foram contabilmente registrados à débito da conta ‘caixa’, (Fls. 279). Na justificativa da investigada, ela alega que os valores das movimentações financeiras sob investigação foram registrados a débito da conta caixa, isso não procede, pois, como se pode observar nos quadros abaixo, os valores registrados de receitas na sua contabilidade totalizou no ano de 2003 o montante de, R$2.493.722,65, enquanto que os valores das movimentações financeiras totalizaram para o mesmo período o montante de R$7.144.117,60, além do mais, no razão contábil da conta caixa apresentado a esta fiscalização, não contempla tais valores que a investigada alega estar contabilizado, (Fls.067 a 091), portanto fica provado que os valores que a investigada movimentou nas instituições financeiras são provenientes de suas atividades operacionais, e, que a diferença entre os valores registrados em sua contabilidade e os movimentados nas contas bancárias mantidas em nome da investigada constituem omissão de receita. Nas intimações para a investigada a comprovar as origens dos recursos financeiros ingressados nas contas bancárias mantidas Fl. 472DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 388 4 em nome da mesma junto as instituições financeiras (Fls.207 e 208), já foram excluídos os valores dos lançamentos a créditos que não representam efetiva entrada de recursos e que foram possíveis de identificação pelo próprio histórico dos extratos bancários, conforme demonstrado abaixo: ..... Os depósitos bancários, sem comprovação de origem, passaram a constituir presunção legal de omissão de receita, com o advento do art. 42 da referida Lei n° 9.430, de 1996 [...]”. A autoridade fazendária fundamentou a qualificação da multa de ofício nos termos abaixo: “[...] 2 – MULTAS Foi aplicada a multa de 150%, tomandose por base o artigo 44 da Lei 9.430/96. Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I — De setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte: II — cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1.964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Não vislumbra, esta fiscalização, outra possibilidade de omissão das informações por parte do contribuinte, senão com a finalidade de esquivarse do pagamento de tributos, pois o mesmo omitiu 51,85% de suas movimentações das receitas totais, ou seja, 1 por 1, a cada um real declarado um foi omitido. O artigo 44 da Lei 9.430/96, acima transcrito, é claro quando trata da aplicação de multa de 150% nos casos de evidente intuito de fraude. Interessante neste caso é vermos o conceito de fraude constante da Lei 4.502/94 em seu artigo 72. Artigo 71 da Lei 4.502/94 — Sonegação é toda a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária. Art. 72 — Fraude é toda a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir seu pagamento. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 389 5 Art. 73 — Conluio é o ajuste dolosamente entre duas ou mais pessoas, naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos Arts. 354 e 355. Aqui podemos nos socorrer do dicionário Aurélio para aprofundarmos o entendimento do legislador acerca do assunto, quando trata da fraude como uma omissão dolosa. ‘dolo’ 1. Qualquer ato consciente com que alguém induz, mantém ou confirma outrem em erro; máfé, logro, fraude, astúcia; maquinação. 2. Jur. Vontade conscientemente dirigida ao fim de obter um resultado criminoso ou de assumir o risco de o produzir. Entende esta fiscalização, ter restado comprovado, de forma inequívoca, que o contribuinte agiu conscientemente, na tentativa de ocultar da autoridade tributária, resultado que deveriam ser oferecidos à tributação e não o foram.”. Os lançamentos foram considerados parcialmente procedentes pela Segunda Turma da DRJ – Curitiba (PR), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.332/346): PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas, em nome dos sócios, junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. A parcela da receita bruta, com prestação de serviços, escriturada e não declarada na DIPJ 2004 deve ser objeto de lançamento de oficio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. MULTA DE OFICIO. QUALIFICADA. Aplicável a multa qualificada de 150% por restar caracterizada a ocorrência de dolo em face da constatação de créditos bancários cuja origem dos recursos deixou de ser comprovada. MULTA DE OFICIO DE 75%. Reduzse o percentual da multa de oficio de 150% para 75% sobre a receita bruta escriturada e Fl. 474DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 390 6 não declarada em face de não restar caracterizada a ocorrência de dolo. DECORRÊNCIA. PIS. COFINS E CSLL. Tratandose de tributações reflexas de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constantes do mesmo processo, e dada a relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao Pis, Cofins e CSLL. Na oportunidade, afastouse a qualificação da multa de ofício relativamente à omissão de receita decorrente da não declaração das receitas escrituradas (IRPJ e CSLL). Devidamente cientificado de tal decisão em 10/1/07 (fl.361), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 9/2/07 (fls.362/372), em que alega, em síntese: desde a impugnação, já havia informado que para comprovar suas afirmações necessitaria realizar minuciosa apuração nos documentos contábeis, de maneira que “...pretendia comprovar que, no mínimo, estão incorretos os valores consignados pela autoridade fiscal como sendo relativos à diferença (R$2.686.384,76) entre a receita declarada (R$2.493.722,65) e a movimentação financeira (R$5.180.107,41) da empresa apurada pela autoridade fiscal”; poderia comprovar que “...dentro da aludida diferença compreendemse os valores declarados (se não em sua totalidade, ao menos em sua grande maioria)”; “estaria realizando nova conferência em sua documentação, para a demonstração do erro da fiscalização ou, quando menos, para atestar que houve verdadeiro equívoco de valores”; seria inaplicável a taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Resp 205375SP); quanto à multa de ofício, “...não restou comprovado nenhum dos elementos capazes de justificar a imposição da multa em sua forma qualificada. Nesse sentido, vale ressaltar que para a configuração de um daqueles elementos (sonegação, fraude ou conluio) é indispensável que se comprove de forma cabal a intenção do autuado de praticar condutas que caracterizariam ilícitos. Porém, no caso dos presentes autos, a autoridade fiscal limitouse a tipificar a multa em sua forma qualificada, não informando no auto de infração as razões que o levaram a assim agir”; na hipótese de presunção de omissão de receitas com base em movimentação financeira, “...a fraude strictu sensu estaria configurada se a ora Recorrente se utilizasse de contas frias e/ou em nome de interposta pessoa, ou caso se configurasse outra situação que visasse dar vestes de veracidade onde esta não existisse”; a autoridade fiscal apenas presumira a fraude; conforme jurisprudência administrativa, a constatação de omissão de receitas, por si só, não autorizaria a aplicação da multa qualificada, sendo indispensável a comprovação inequívoca da prática de atos ilícitos. Ainda em suas razões de defesa o Recorrente solicitou autorização para apresentar “...a documentação tendente a comprovar suas alegações, mesmo em fase de recurso, sendo, em razão disso, equivocado o entendimento exarado no acórdão proferido pela DRJ de Curitiba”. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 391 7 Em 6/8/13, esta Terceira Turma Ordinária resolveu sobrestar o julgamento com base no art.62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, nos termos da Resolução nº 1103000.100 (fls.376/383). Com a revogação de tal dispositivo regimental pela Portaria MF nº 545, de 28/11/13, os autos foram disponibilizados para julgamento, conforme despacho de fl.384. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Presentes requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Um dos fundamentos das autuações foi exatamente o art.42, caput, da Lei nº 9.430, de 27/12/96, que dispõe: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os valores depositados nas contas correntes do contribuinte foram descortinados, conforme “Termo de Verificação Fiscal”, por meio de informações obtidas diretamente de instituição financeira. Senão, vejamos: “[...] Diante da não apresentação dos referidos extratos por parte da fiscalizada, em fevereiro de 2006, intimamos a instituição financeira a nos fornecer os extratos referentes aos anos de 2002 e 2003, (Fls. 110 a 111). Em março de 2006, em atendimento a intimação, a instituição financeira nos enviou os referidos extratos, (Fls.125 a 206).” Quanto à comprovação da origem dos depósitos bancários, o Recorrente limitouse a afirmar que estaria providenciando a documentação pertinente, tendo solicitado autorização em tal sentido. O rito do processo administrativo tributário federal não comporta, em regra, instrução probatória posterior à entrega da impugnação, pois este é o momento em que as provas devem ser apresentadas, consoante artigos 15, caput, e art.16, III, do Decreto nº 70.235/72: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. ..... Fl. 476DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 392 8 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. ..... §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. ”(destaquei) A anexação posterior de documentos é possibilidade excepcional. O supracitado art.16, §5º, admitea, porém, desde que o contribuinte demonstre a ocorrência de ao menos uma das situações contempladas nas alíneas do §4º daquele mesmo artigo, o que, concretamente, não ocorreu. Cabe ainda observar que em julgamentos no âmbito deste Conselho, inclusive nesta Terceira Turma Ordinária, prestigiase a apreciação de documentos trazidos aos autos apenas com o recurso voluntário, o que não é o caso. O Recorrente deseja, na verdade, uma nova oportunidade para apresentar provas, à margem do que dispõe a legislação processual administrativa tributária. Decorridos mais de sete anos da ciência do acórdão a quo, e considerando que o Recorrente não carreou aos autos mínima prova de suas alegações, o caso sequer reclama a conversão de julgamento em diligência. Quanto à multa de ofício, justificouse a qualificação no fato de se ter apurado no anocalendário 2003, com base na presunção de omissão de receitas decorrente de Fl. 477DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 393 9 depósitos bancários de origem não comprovada, o montante de R$ 5.180.107,41, enquanto o contribuinte declarou R$ 2.493.722,65. Sobre a matéria, a súmula de jurisprudência dominante no CARF contempla o Enunciado nº 14, com o seguinte teor: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Analisando os paradigmas que justificaram a aprovação de tal verbete, é possível concluir que trataram de caso semelhante ao ora analisado. Primeiramente, citese o acórdão nº 10194.351, de 10/9/03, que tratou também de omissão de receitas, tendo o contribuinte sido intimado a comprovar a origem de determinados depósitos bancários quanto a três meses (novembro/95, dezembro/95 e janeiro/96). O respectivo voto condutor restou assim formalizado: “[...] De plano podemos afirmar não haver como qualificar a penalidade ex officio, sem se atentar para o fato de que, em matéria de penalidades, é imperioso encontrarse evidenciado nos autos o intuito de fraude. No caso sob exame, várias são as circunstâncias que devem ser ponderadas, analisadas e consideradas para efeito de se ter como comprovado o requisito legal exigido, qual seja, que tenha havido evidente intuito de fraude, no mínimo, para o que é necessário seja comprovado, como alegado pela Fiscalização, que a recorrente tenha agido com dolo, fraude e conluio. Como visto, nos exercícios em questão, a contribuinte ofereceu à tributação seus resultados por meio do lucro presumido, tendo a autoridade autuante procedido ao lançamento tributário a título de omissão de receita com base na falta de comprovação de depósitos bancários. Entendo que para que a multa de lançamento de ofício seja transformada de 75% para 150%, é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Nesse caso, devese ter como princípio o brocado de direito que prevê que ‘fraude não de presume’, ‘se prova’. Ou seja, há que se ter provas sobre o evidente intuito de fraude praticado pela empresa. Não é razoável se querer, simplesmente, presumir a ocorrência de fraude, ainda mais que se trata de exigência constituída a partir de receitas tempestivamente declaradas ao fisco. Para que fosse provada a intenção de fraudar o fisco, seria necessário, antes de tudo, provar que os depósitos bancários são de fato, receitas omitidas. Pois, antes disso, a simples existência de depósitos bancários não escriturados tratamse de simples indício de omissão de receitas. A norma legal estabelece que, no caso da existência de indício de omissão de receitas pela falta de escrituração de depósitos bancários, presumese omissão de receitas, sendo possível o lançamento do tributo. Essa presunção tem respaldo na lei, porém, não se pode provar, por via indireta, o evidente intuito de fraude. Essa prova tem de ser direta, como se pode dar por exemplo, o caso da utilização de documentos inidôneos, ou notas fiscais frias, ou mesmo notas Fl. 478DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 394 10 calçadas, ou ainda, contacorrente bancária em nome de interposta pessoa, entre tantos outros. Nessas situações, não existe a necessidade de outro prova da intenção de sonegar, pois a comprovação se dá pela ocorrência do fato irregular e pela utilização dos citados documentos, os quais já fazem a prova necessária da fraude.” No mesmo sentido, têmse os acórdãos nº 10419.384, de 11/6/03, e 104 19.806, de 18/2/04, relativos a autos de infração de IRPF, que se referiram a um único ano calendário (1998). Vejamos as respectivas ementas: “MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. A falta de inclusão na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, cuja origem não comprove, caracterizam falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994.” “SANÇÕES TRIBUTÁRIAS MULTA QUALIFICADA — JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. A não inclusão como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores depositados em contas correntes ou de investimentos pertencentes ao contribuinte fiscalizado, sem comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994.” Por fim, mencionese o acórdão nº 10419.855, de 17/3/04, também relativo a lançamento de IRPF, sendo uma das infrações a presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários sem comprovação da origem, tendo o julgado recebido a seguinte ementa, no que importa reproduzir: “[...] IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS Presumem omissão de rendimento os valores creditados em conta bancária cuja origem não restar comprovada, mormente quando a base tributável foi Fl. 479DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 395 11 tida como recurso na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. IRPF MULTA QUALIFICADA FRAUDE A simples omissão de receitas não representa, por si só, fato relevante para a caracterização de fraude, que não se presume, devendo ser comprovada conduta material suficiente para sua caracterização.” Vale lembrar que no anocalendário 2003, a redação do art.44, II, da Lei nº 9.430, de 27/12/96, ainda exigia a comprovação do evidente intuito de fraude. Considerando que os membros do CARF devem, por força do art.72 do Anexo II do Regimento Interno, observar os entendimentos sumulados, não resta outra solução, à vista dos precedentes que levaram à aprovação do Enunciado nº 14, senão acolher, ainda que outro seja o meu pessoal entendimento, as alegações do Recorrente para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Nesse contexto, cabe ressaltar que apesar de no Termo de Verificação Fiscal ter sido mencionado que o contribuinte não escriturou contas correntes mantidas perante o Banco Real S.A, tal particularidade não foi imputada especificamente para qualificar a multa de ofício, que se fundamentou no fato de a omissão total, considerados os depósitos em todas as contas mantidas no Banco Sudameris S.A e no Banco Real S.A, ter representado 51,85% das receitas. Quanto ao cálculo dos juros moratórios, a Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejamos: Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ..... §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A legalidade do cálculo pela taxa SELIC já se consolidou no âmbito administrativo, sendo, inclusive, objeto de enunciado da súmula de jurisprudência dominante do CARF, de observância obrigatória por seus membros: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Por fim, aplicamse as conclusões acima aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, haja vista a íntima relação de causa e efeito. Dispõe a Lei nº 9.249/95: Fl. 480DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Acórdão n.º 1103001.054 S1C1T3 Fl. 396 12 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ..... §2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. No mesmo sentido, mencionese, ainda o Decreto nº 4.524/02, que regulamenta a contribuição para o PIS/PASEP e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral: Art. 91. Verificada a omissão de receita ou a necessidade de seu arbitramento, a autoridade tributária determinará o valor das contribuições, dos acréscimos a serem lançados, em conformidade com a legislação do Imposto de Renda (Lei n° 8.212, de 1991, art. 33, Caput e §§ 3° e 6º, Lei Complementar n° 70, de 1991, art. 10, parágrafo único, Lei n° 9.715, de 1998, arts. 9° e 11, e Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24). Pelo exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 481DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
