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Numero do processo: 10675.907657/2009-67
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.925
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de PERDCOMP eletrônico (fls. 01/05), transmitido em 23/08/2007, pelo qual pretende a interessada a compensação de débito de estimativa de IRPJ de junho/2006, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL apurada no mês de junho de 2006 (recolhimento em julho/2006), no valor de R$ 16.545,94, baixado para tratamento manual neste processo. Pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl. 06 a compensação pleiteada foi não homologada, ao fundamento de não haver crédito disponível para compensação pois o valor do indébito pleiteado já estaria alocado a outro débito. Na impugnação apresentada (fls. 08/10) a interessada alegou, entre outros aspectos: A empresa recolheu o IRPJ e a Contribuição Social estimado durante o ano de 2006, quando da elaboração do Balanço patrimonial encerrado em 31.12.2006, apurouse Contribuição Social e IRPJ a recolher, a Contribuição Social a pagar, foi totalmente compensada restando ainda valor pago a maior a compensar, o IRPJ foi compensado parcialmente, restando o valor a recolher de R$ 296.888,97 até 31.03.2007, valor este que foi compensado conforme PER/DCOMP apresentado em 23/08/2007 no valor de R$ 16.545,94, alterando o pagamento por estimativa no exercício de 2006. Apreciando o litígio a DRJ em Juiz de Fora/MG indeferiu o pleito ao argumento de que o art. 10 da IN SRF 600/2005 determina que os recolhimentos indevidos ou a maior de estimativa de IRPJ ou de CSLL somente podem ser utilizados ao final do período de apuração como dedução do devido a título de imposto ou contribuição, ou para composição do saldo negativo porventura apurado (fls. 36/38). Cientificada, em 13/09/2011, do acórdão, apresentou a interessada, em 13/10/2011, o recurso voluntário de fls., no qual, após tecer considerações a respeito da legislação que rege o assunto, observa que a não homologação da compensação com fundamento no art. 10 da IN SRF 600/2005, por ser ato infralegal, fere o princípio da legalidade. No mérito alega que houve erro no preenchimento do PERDCOMP na indicação do tipo de crédito. Afirma ter efetuado o recolhimento de estimativas mensais de Fl. 69DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907657/200967 Acórdão n.º 180100.925 S1TE01 Fl. 69 3 CSLL no ano de 2006 no total de R$ 390.315,10 e que de acordo com a Ficha 17 da respectiva DIPJ, depois de deduzidos os valores pagos por estimativa mensal, teria permanecido com um saldo total de R$ 437.492,14 de CSLL a compensar, de modo que haveria crédito suficiente para a homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A primeira questão que se coloca para análise nestes autos referese à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário gerando um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão já foi dirimida nesta Turma de julgamento, como se verifica dos trechos abaixo reproduzidos, extraídos do Acórdão 1801000.486, de relatoria desta mesma Conselheira: “... Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de Fl. 70DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação Fl. 71DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907657/200967 Acórdão n.º 180100.925 S1TE01 Fl. 70 5 mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) Fl. 72DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907657/200967 Acórdão n.º 180100.925 S1TE01 Fl. 71 7 §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ ou da CSLL – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, uma vez que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907657/200967 Acórdão n.º 180100.925 S1TE01 Fl. 72 9 § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de Fl. 77DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907657/200967 Acórdão n.º 180100.925 S1TE01 Fl. 73 11 janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. ...” No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar as estimativas mensais de CSLL do anocalendário 2006. Afirma ter efetuado o recolhimento de estimativas mensais de CSLL no ano de 2006 no total de R$ 390.315,10 e que de acordo com a Ficha 17 da respectiva DIPJ, depois de deduzidos os valores pagos por estimativa mensal, teria permanecido com um saldo total de R$ 437.492,14 de CSLL a compensar. De fato, compulsandose os autos, verificase que na DIPJ do exercício 2007 Ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – foi deduzida, da CSLL apurada como devida, de R$ 182.260,87, estimativas mensais totais recolhidas no mesmo valor de R$ 182.260,87, o que não teria gerado qualquer valor a pagar ou a restituir de CSLL no ano calendário de 2006 (fls. 34/35). Contudo, à fl. 33, encontrase extrato do sistema de pagamentos SINAL 06, que demonstra que houve recolhimentos de estimativa de CSLL (código 2484), no decorrer do anocalendário 2006, que totalizam R$ 302.371,12. Também na cópia do Livro Razão n º 05, apresentado pela interessada, e anexada à fl. 26, encontramse registrados recolhimentos de estimativas mensais de CSLL de janeiro a dezembro de 2006 e na cópia da DCTF à fl. 32, débitos de CSLL declarados e valores vinculados, como se verifica do quadro resumo a seguir: Mês Sinal DCTF Razão Débitos Créditos janeiro 20.471,12 20.471,12 20.471,12 20.471,12 fevereiro 31.152,44 31.152,44 31.152,44 31.152,44 março 23.403,63 23.403,63 23.403,63 23.403,63 abril 25.061,07 25.061,07 25.061,07 25.061,07 maio 37.115,50 37.115,50 0,00 37.115,50 junho 16.545,94 16.545,94 16.545,94 16.545,94 julho 44.442,50 44.442,50 agosto 52.970,42 52.970,42 setembro 51.208,50 51.208,50 outubro 41.315,30 novembro 44.628,68 dezembro 2.000,00 Totais 302.371,12 153.749,70 116.634,20 390.315,10 Verificase, pois, que existe a possibilidade de a contribuinte ter operado com erro, na apuração e pagamento das estimativas de CSLL do ano de 2006. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Entretanto, a autoridade julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. E isto porque, em verdade, o único fundamento da decisão foi a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados. Tal fundamento porém, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. Superada, neste voto, a questão da possibilidade jurídica do pedido, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente quanto aos demais requisitos para homologação da compensação, ainda que o indébito deva ser tratado como saldo negativo de CSLL. Isto porque, dada a grande quantidade de processos formados a partir de PERDCOMP apresentados pela interessada com a indicação de indébitos de estimativas de CSLL de todo o anocalendário 2006 conforme relação ao final do voto todos julgados da mesma forma pela autoridade julgadora de 1a. instância – DRJ – é necessária uma análise conjunta de todos e, se for o caso, da reunião dos processos em único, para melhor controle da administração tributária. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação pleiteada por ausência de análise do mérito pela autoridade julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, bem quanto à homologação ou não das compensações, observandose, se for o caso, a necessidade de reunião dos processos. Relação de Processos PERDCOM CSLL – anocalendário 2006: 10675.907651/200990 10675.907652/200934 10675.907653/200989 10675.907654/200923 10675.907655/200978 10675.907656/200912 10675.907657/200967 10675.907658/200910 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 79DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907657/200967 Acórdão n.º 180100.925 S1TE01 Fl. 74 13 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10830.912317/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.982
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 31 7/ 20 12 -1 3 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.912317/201213 Resolução nº 3402000.982 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912317/201213 Resolução nº 3402000.982 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912317/201213 Resolução nº 3402000.982 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000173/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005
Ementa:
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. PROCEDÊNCIA.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para,
diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido
de perícia formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do
Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a
dispensabilidade do procedimento e a ausência de atendimento aos requisitos
formais exigidos pela legislação de regência, há que se indeferir o pedido
correspondente. Incabível a alegação de cerceamento do direito de defesa, eis
que presentes nos autos elementos suficientes ao exercício pleno do
contraditório.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA
DE PAGAMENTO.
Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC,
de observância
obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial
qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício)
contase
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento
poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento
antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo
inocorre.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. LUCRO PRESUMIDO E
LUCRO ARBITRADO. INCIDÊNCIA. RESULTADO LÍQUIDO.
Não é merecedor de acolhimento o argumento de que, tratando se
de tributação com base em presunção ou arbitramento do lucro, a incidência se dá sobre o patrimônio ou capital, eis que, sendo o resultado tributável decorrente da aplicação de um percentual sobre a receita bruta, a diferença
entre este e o total da receita bruta nada mais representa do que os custos e despesas incorridos no período. No caso vertente, o lucro tributável por
presunção foi de 8% e o decorrente de arbitramento de 9,6%, de modo que
92% e 90,4%, respectivamente, representam custos e despesas incorridos, o
que torna indubitável que a tributação se deu sobre o resultado líquido.
INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO. VIOLAÇÃO.
APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
PIS/COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS.
INOCORRÊNCIA.
Constatado que os lançamentos tributários relativos ao PIS e à COFINS tiveram por suporte valores consignados como RECEITA BRUTA em instrumentos declaratórios apresentados pela própria fiscalizada, descabe falar em incidência sobre receitas financeiras, mormente na situação em que
os campos destinados ao registro de ingressos dessa natureza encontram se
zerados, isto é, sem a indicação de qualquer valor.
Numero da decisão: 1301-001.843
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. PROCEDÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento e a ausência de atendimento aos requisitos formais exigidos pela legislação de regência, há que se indeferir o pedido correspondente. Incabível a alegação de cerceamento do direito de defesa, eis que presentes nos autos elementos suficientes ao exercício pleno do contraditório. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. LUCRO PRESUMIDO E LUCRO ARBITRADO. INCIDÊNCIA. RESULTADO LÍQUIDO. Não é merecedor de acolhimento o argumento de que, tratando se de tributação com base em presunção ou arbitramento do lucro, a incidência se dá sobre o patrimônio ou capital, eis que, sendo o resultado tributável decorrente da aplicação de um percentual sobre a receita bruta, a diferença entre este e o total da receita bruta nada mais representa do que os custos e despesas incorridos no período. No caso vertente, o lucro tributável por presunção foi de 8% e o decorrente de arbitramento de 9,6%, de modo que 92% e 90,4%, respectivamente, representam custos e despesas incorridos, o que torna indubitável que a tributação se deu sobre o resultado líquido. INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PIS/COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS. INOCORRÊNCIA. Constatado que os lançamentos tributários relativos ao PIS e à COFINS tiveram por suporte valores consignados como RECEITA BRUTA em instrumentos declaratórios apresentados pela própria fiscalizada, descabe falar em incidência sobre receitas financeiras, mormente na situação em que os campos destinados ao registro de ingressos dessa natureza encontram se zerados, isto é, sem a indicação de qualquer valor.
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INDEFERIMENTO. PROCEDÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstrada, à evidência, a dispensabilidade do procedimento e a ausência de atendimento aos requisitos formais exigidos pela legislação de regência, há que se indeferir o pedido correspondente. Incabível a alegação de cerceamento do direito de defesa, eis que presentes nos autos elementos suficientes ao exercício pleno do contraditório. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. LUCRO PRESUMIDO E LUCRO ARBITRADO. INCIDÊNCIA. RESULTADO LÍQUIDO. Não é merecedor de acolhimento o argumento de que, tratandose de tributação com base em presunção ou arbitramento do lucro, a incidência se dá sobre o patrimônio ou capital, eis que, sendo o resultado tributável AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 01 73 /2 00 7- 12 Fl. 526DF CARF MF Documento de 12 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14124.EDWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15563.000173/200712 Acórdão n.º 1301001.843 S1C3T1 Fl. 518 2 decorrente da aplicação de um percentual sobre a receita bruta, a diferença entre este e o total da receita bruta nada mais representa do que os custos e despesas incorridos no período. No caso vertente, o lucro tributável por presunção foi de 8% e o decorrente de arbitramento de 9,6%, de modo que 92% e 90,4%, respectivamente, representam custos e despesas incorridos, o que torna indubitável que a tributação se deu sobre o resultado líquido. INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PIS/COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS. INOCORRÊNCIA. Constatado que os lançamentos tributários relativos ao PIS e à COFINS tiveram por suporte valores consignados como RECEITA BRUTA em instrumentos declaratórios apresentados pela própria fiscalizada, descabe falar em incidência sobre receitas financeiras, mormente na situação em que os campos destinados ao registro de ingressos dessa natureza encontramse zerados, isto é, sem a indicação de qualquer valor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). Fl. 527DF CARF MF Documento de 12 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14124.EDWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15563.000173/200712 Acórdão n.º 1301001.843 S1C3T1 Fl. 519 3 Relatório CINATEMA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que manteve, em parte, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) omissão de receitas da atividade, apurada a partir de declaração de informações retificadora relativa ao ano calendário de 2004; e b) omissão de receitas de revenda de mercadorias, apurada conforme declarações de informações relativas aos anos calendário de 2002 e de 2003, com aplicação de multa qualificada de 150%. A apuração do IRPJ e da CSLL foi efetuada por meio do ARBITRAMENTO do LUCRO. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 387/409), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que foi intimada para que fossem apresentados todos os seus livros fiscais, tendo naquele momento apresentado os livros de entrada e de saída de mercadorias, bem como o Livro de Registro de Apuração do ICMS; que, mesmo diante da documentação acima, o Fisco houve por bem desconsiderar as DIPJ retificadoras, passando a analisar tãosomente os seus extratos bancários; que é evidente que ao analisar apenas um lado da operação, qual seja, a venda, a Fiscalização se deparou com grandes entradas de dinheiro nas suas contas bancárias; que, durante o mesmo lapso temporal, realizou compras, as quais obviamente geraram despesas, devidamente contabilizadas; que não poderia o Fisco desconsiderar todas as suas despesas e considerar como receita o valor total das entradas verificadas; que, em razão dessa conduta fiscalizatória, constatouse uma grande diferença entre a sua movimentação financeira e os valores por ela declarados em suas DIPJ de 2002/2004; que, com base nesses dados distorcidos, o Fisco lavrou o auto de infração de IRPJ e seus reflexos; Fl. 528DF CARF MF Documento de 12 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14124.EDWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15563.000173/200712 Acórdão n.º 1301001.843 S1C3T1 Fl. 520 4 que, de acordo com os arts. 145, inciso I, § 1° e 153, inciso III da CF/88, 43 e 44 do CTN, possui direito de ser tributada efetivamente com base na sua riqueza produzida, ou seja, com base na sua renda liquida ou tributável, apurada na forma da legislação, sob pena de ser indevidamente tributado o patrimônio ou capital; que o fato gerador do imposto de renda só pode nascer se houver acréscimo patrimonial em determinado período; que, em linhas gerais, renda é todo valor recebido por alguém, em determinado período, decorrente da remuneração do trabalho, capital e outros rendimentos, ou seja, renda é o acréscimo patrimonial, conforme CTN; que, diante de tais considerações, temse que a renda, entendida como acréscimo patrimonial, somente pode ser auferida para fins de tributação do imposto de renda e contribuição sobre o lucro após a efetiva recomposição do seu patrimônio, com o abatimento dos valores pagos por ela na compra das mercadorias (bebidas), para não se tributar ou atingir o seu capital produtivo da renda, com observância ao princípio e conceito da renda líquida, tributável ou realizada; que a desconsideração dos valores pagos na compra das bebidas, e conseqüentemente, a falta da apuração nos seus livros fiscais e extratos das saídas monetárias, configura verdadeira afronta ou violação ao principio da capacidade contributiva; que, de outro lado, desconsiderar as saídas do seu caixa, além da desnaturação do conceito de renda e violação do principio da capacidade contributiva, o Fisco tributa o seu patrimônio com efeito de confisco; que, por essas razões, fica demonstrado o equivoco dos valores apontados no auto de infração e imposição de multa, ora combatidos, devendo ser determinada a realização de perícia contábil, para que reste demonstrado que os valores que devem compor a base de cálculo do IR e CSLL são aqueles referentes ao acréscimo patrimonial por ela auferido, em razão da diferença verificada entre o valor de compra e o de venda da comercialização, sob pena de violação ao princípio constitucional do nãoconfisco; que não reconhecer os valores pagos na aquisição de mercadorias que comercializa é ferir os ditames que regem o principio da verdade material, o qual deve nortear o processo administrativo, conquanto decorrente do principio da legalidade; que é na busca da verdade real que espera ser apreciada no presente auto de infração, possibilitando, inclusive, a posterior junta de documentos a fim de comprovar todo o alegado; que a base de cálculo do PIS e da COFINS é inconstitucional, pois os valores utilizados pelo autuante como base de cálculo destes tributos não decorreram do faturamento, mas, sim, de receitas financeiras não abrangidas pelas leis instituidoras dessas contribuições (LC n° 07/70 e 70/91); que a modificação do conceito de faturamento pela Lei n° 9.718/98 é nítida, uma vez que se pretendeu cobrar os tributos sobre todas as receitas das empresas; Fl. 529DF CARF MF Documento de 12 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14124.EDWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15563.000173/200712 Acórdão n.º 1301001.843 S1C3T1 Fl. 521 5 que a Emenda Constitucional n° 20/98, posterior à Lei n" 9.718/98, confirma que faturamento não são outras receitas, pois, ao dar nova redação ao inciso I do art. 195 da CF/88, prescreve que as contribuições sociais poderão incidir sobre "a receita ou faturamento"; que a Lei n° 9.718/98 ao revogar a Lei Complementar n°07/70 na parte que trata da base de cálculo do PIS afrontou o art. 239 da CF/88; que havia necessidade de Lei Complementar para instituição destas contribuições; que há um total descabimento da aplicação da multa de 150% por ser confiscatória; que por todos os lados que se analise a questão, fica patente o caráter confiscatório do percentual da multa aplicada, que, se mantida, violará diversos princípios constitucionais, notadamente ao direito de propriedade, da proporcionalidade e da razoabilidade. A já citada 6a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 12 15.886, de 06 de setembro de 2007, pela procedência parcial dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido genérico de perícia, por não atender aos requisitos da lei. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior ou que se refira a fato ou a direito superveniente ou ainda que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A falta de apresentação, por parte da pessoa jurídica, à autoridade tributária, de livros e documentos da sua escrituração contábilfiscal a que estava obrigada enseja o arbitramento do lucro. RECEITA OPERACIONAL OMITIDA. REVENDA DE MERCADORIAS É de se arbitrar o lucro com base na receita bruta declarada quando não há escrituração contábilfiscal do contribuinte a ser auditada. Caracterizase como omissão de receita a falta de contabilização de compras de mercadorias para revenda, tomandose como base de cálculo o simples somatório dos valores das receitas declaradas. OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE Fl. 530DF CARF MF Documento de 12 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14124.EDWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15563.000173/200712 Acórdão n.º 1301001.843 S1C3T1 Fl. 522 6 Cabível o lançamento de oficio se a Fiscalização constata que receitas auferidas não foram submetidas à tributação e a defendente não infirma com apresentação de documentação comprobatória hábil e idônea. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal, declarando a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. MULTA AGRAVADA. FRAUDE. DOLO. ARBITRAMENTO DE LUCRO. OMISSÃO DE RECEITAS. A imprestabilidade ou a falta da escrituração contábilfiscal do contribuinte, por si sós, não justifica o agravamento da multa para 150%, mas fundamenta o arbitramento dos seus lucros . TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. PIS. COFINS. CSLL. A procedência do lançamento do IRPJ implica a manutenção das exigências dele decorrentes, na medida que não há fatos novos a ensejarem conclusões diversas. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 491/514, em que, renovando argumentos expendidos na peça impugnatória, adita que, em virtude da denegação do seu pedido de perícia, houve cerceamento do seu direito de defesa, e que, relativamente aos fatos geradores anteriores a 11 de junho de 2002, a Fazenda já não dispunha do direito para constituir créditos tributários, haja vista a ocorrência de decadência. É o Relatório Fl. 531DF CARF MF Documento de 12 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14124.EDWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15563.000173/200712 Acórdão n.º 1301001.843 S1C3T1 Fl. 523 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas aos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) omissão de receitas da atividade, apurada a partir de declaração de informações retificadora relativa ao ano calendário de 2004; e b) omissão de receitas de revenda de mercadorias, apurada conforme declarações de informações relativas aos anos calendário de 2002 e de 2003, com aplicação de multa qualificada de 150%. Registro inicialmente que a Turma Julgadora de primeiro grau cancelou parte do crédito tributário constituído, vez que, por entender que não foram reunidos aos autos elementos de suporte, reduziu a multa aplicada de 150% para 75%, relativamente às exigências cujos fatos geradores ocorreram nos anos de 2002 e de 2003. Contudo, na medida em que a parcela do crédito tributário cancelada não extrapolou o limite de alçada da autoridade julgadora de primeira instância, não houve interposição de recurso de ofício, de modo que, no que diz respeito à redução da multa em referência, a decisão revelase irreformável administrativamente. Aprecio, pois, as alegações trazidas em sede de recurso voluntário. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não é merecedor de acolhimento o argumento da Recorrente de que, em virtude do indeferimento do pedido de perícia, houve cerceamento do seu direito de defesa. A autoridade julgadora de primeira instância indeferiu o pedido de perícia por considerálo não formulado, haja vista que não houve indicação dos quesitos e a qualificação do perito não foi apresentada. Não é digna de qualquer reparo a decisão atacada, eis que nos termos do § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, tratandose de pedido de perícia, o pedido efetivamente deverá ser considerado como não formulado na circunstância em que o requerente não indicar os quesitos e não apresentar o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A Recorrente, alegando cerceamento do seu direito de defesa, discorre sobre dispositivos constitucionais que tratam da observância ao devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Contudo, ao menos em âmbito administrativo, sua argumentação não pode ser acolhida, eis que é vedada à autoridade julgadora administrativa afastar a aplicação da lei com base em pressuposto da sua inconstitucionalidade. Ademais, o procedimento requerido revelase absolutamente dispensável, visto que foram reunidos ao processo elementos suficientes ao exercício do contraditório e, além disso, inexiste questão de qualquer natureza capaz de demandar exame pericial. Fl. 532DF CARF MF Documento de 12 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14124.EDWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15563.000173/200712 Acórdão n.º 1301001.843 S1C3T1 Fl. 524 8 Afasto, assim, a preliminar de cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA Sustenta a Recorrente que toda e qualquer exigência anterior a 11/06/2002, em virtude de decadência, não pode subsistir. Embora a matéria não tenha sido suscitada em sede de impugnação, sendo de ordem pública, dela conheço. Perscrutando os autos, verifico que: i) os fatos geradores alcançados pelos lançamentos tributários dizem respeito aos anos de 2002, 2003 e 2004; ii) para os anos de 2002 e de 2003, a contribuinte declarou à Receita Federal que encontravase INATIVA, e, para o ano de 2004, apresentou declaração pelo lucro presumido, porém, com os campos zerados; iii) a ação fiscal na Recorrente foi iniciada em 27/07/2006 (fls. 151), e, em 17/08/2006, após, portanto, a instauração do procedimento, ela apresentou declarações retificadoras, optando pela tributação com base no lucro presumido; iv) a Recorrente tomou ciência dos autos de infração em 11/06/2007 (fls. 310, 322, 334 e 346). Na linha do sustentado pela Recorrente, os tributos e contribuições aqui tratados submetemse ao denominado lançamento por homologação, motivo pelo qual lhes é aplicável, em princípio, o prazo previsto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Contudo, por força do estabelecido no art. 62 A do Regimento Interno deste Colegiado, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito deste Colegiado. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 973.733 – SC, realizado nos termos do art. 543 C do Código de Processo Civil, pronunciouse no sentido de que o art. 173, I, do Código Tributário Nacional se aplica aos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou, quando, a despeito da previsão legal, não há o pagamento. No caso vertente, deve ser registrado em primeiro lugar que as declarações apresentadas após o início do procedimento fiscal, ao menos no que tange aos lançamentos tributários, só serviram para que a Fiscalização tomasse conhecimento acerca das receitas auferidas pela Recorrente, eis que, para os demais fins, ela, a Recorrente, não mais detinha espontaneidade para confessar infrações. Fl. 533DF CARF MF Documento de 12 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14124.EDWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15563.000173/200712 Acórdão n.º 1301001.843 S1C3T1 Fl. 525 9 Tendo declarado que se encontrava INATIVA, resta evidente que a contribuinte, além de não ter apurado as exações eventualmente devidas, não efetuou qualquer pagamento. Assim, considerando que os fatos geradores mais antigos que foram objeto de lançamento referemse ao ano de 2002, e, diante do acima exposto, isto é, aplicação da regra de caducidade estampada no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, haja vista a ausência de pagamento, descabe falar em caducidade, eis que os lançamento tributários poderiam ter sido efetivados até 31 de dezembro de 2007. TRIBUTAÇÃO DA RENDA Entende a Recorrente que a decisão a quo, ao discorrer sobre o tratamento dos custos e despesas na tributação pelo lucro presumido, desconsiderou o conceito constitucional e legal de renda, desvirtuando o princípio da capacidade contributiva. Diz que possui o direito de ser tributada efetivamente com base na sua riqueza produzida, que estaria representada pela renda liquida, sob pena de ser indevidamente tributada em seu patrimônio ou capital. Discorrendo sobre o conceito de renda e citando doutrina, argumenta que a "renda, entendida como acréscimo patrimonial, somente pode ser auferida para fins de tributação do imposto de renda e contribuição sobre o lucro após a efetiva recomposição do patrimônio da Recorrente, com o abatimento dos valores pagos pela empresa na compra das mercadorias (bebidas), para não se tributar ou atingir o seu capital produtivo da renda, em observância ao princípio e conceito da renda líquida, tributável ou realizada". Em conformidade com o Termo de Verificação e Constatação, fls. 307/308, temos que: i) diante do fato de que a fiscalizada declarouse INATIVA nos anos de 2002 e de 2003, com o intuito de avaliar a possibilidade de apurar o LUCRO REAL, a Fiscalização a intimou a apresentar os Livros Diário e Razão e respectiva documentação de suporte, porém, referida documentação não foi apresentada, motivo pelo qual procedeuse ao arbitramento do lucro com fundamento nas disposições do inciso II, alínea "b", do art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99); ii) no que diz ao arbitramento acima referenciado, foi considerada como RECEITA CONHECIDA os valores declarados a esse título pela contribuinte nas declarações apresentadas após o início do procedimento fiscal; iii) para o ano de 2004, em que a contribuinte apresentou declaração optando pelo lucro presumido, embora com valores zerados mas ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL, foi admitida a opção pelo referido regime de tributação, sendo a base de cálculo determinada com base na receita constante da declaração apresentada após o início do procedimento fiscal. A argumentação da Recorrente distanciase por completo da legislação tributária e revela certo grau de desconhecimento acerca das formas de tributação da renda a que se submetem as pessoas jurídicas. Com efeito, em conformidade com o art. 44 do Código Tributário Nacional, a base de cálculo do imposto de renda e proventos de qualquer natureza é o montante REAL, ARBITRADO ou PRESUMIDO, da renda ou dos proventos tributáveis. Fl. 534DF CARF MF Documento de 12 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14124.EDWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15563.000173/200712 Acórdão n.º 1301001.843 S1C3T1 Fl. 526 10 No mesmo sentido, o art. 1º da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece que o imposto de renda das pessoas jurídicas é determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. Como é cediço, o lucro real é aquele determinado com base na escrituração completa do contribuinte, sendo definido pela lei como o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). O lucro presumido, por sua vez, é representado pela soma das seguintes parcelas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25): a) valor resultante da aplicação de percentuais previstos em lei sobre a receita bruta; b) ganhos de capital, rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, e demais receitas. O lucro arbitrado, quando autorizado, é determinado, no caso em que a receita bruta é conhecida, de forma semelhante ao lucro presumido, sendo que no caso dos percentuais aplicados sobre a receita bruta, eles, os percentuais, são acrescido de 20¨% (Lei nº 9.430, de 1996, art. 27). Como visto, na situação sob análise, a fiscalizada simplesmente declarou à Receita Federal que nos anos de 2002 e de 2003 encontravase INATIVA, isto é, que tinha paralisado as suas operações. Surpreendentemente, ao ser instaurado o procedimento fiscalizatório, retifica a informação sobre inatividade e apresenta declarações consignando ter auferido receitas, em todos os meses, no período de março de 2002 a dezembro de 2004. Não tendo exercido qualquer opção pela forma de tributação, visto que se declarou INATIVA, a contribuinte foi intimada a apresentar os Livros Diário e Razão, vez que com base na escrituração de tais livros a Fiscalização poderia ter meios de apurar o lucro real e, com lastro neste, promover o lançamento de ofício. Contudo, a contribuinte simplesmente não apresentou a escrituração exigida. Assim, tomando por base as disposições do inciso II, alínea "b", do art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), que tem como fundamento de validade o art. 47 da Lei nº 8.981, de 1995 e o art. 1º da Lei nº 9.430, de 1996, a autoridade fiscal promoveu o arbitramento do lucro, vez que a escrituração a que a autuada estava obrigada continha deficiências (ausência de escrituração do Livro Diário e do Razão) que a tornava imprestável para determinar o lucro real. Para o ano de 2004, como a contribuinte apresentou declaração fazendo a opção pelo lucro presumido, e essa declaração foi apresentada antes de iniciado o procedimento de fiscalização, a autoridade autuante, acertadamente, aceitou a referida opção, e, como a declaração originalmente entregue encontravase com os campos "zerados", serviuse das informações consignadas na declaração entregue após a instauração do procedimento para promover os lançamentos tributários. Resta evidenciado, assim, que o procedimento adotado pela autoridade fiscal encontrase, todo ele, lastreado na legislação tributária. Absolutamente improcedentes, portanto, os argumentos da Recorrente acerca de uma possível desconsideração do conceito constitucional e legal de renda, pois, como Fl. 535DF CARF MF Documento de 12 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14124.EDWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15563.000173/200712 Acórdão n.º 1301001.843 S1C3T1 Fl. 527 11 parece desconhecer a Recorrente, a tributação por meio de presunção ou arbitramento tem por parcela principal a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para fins de determinação do lucro tributável (no presente caso, 8% e 9,6%, respectivamente). Obviamente, a diferença entre o lucro assim determinado e o total da receita auferida representam, necessariamente, custos e despesas incorridos na obtenção desse total de receita (no caso, 92% e 90,4%, respectivamente). Descabe, assim, falar que, aqui, estaríamos diante de uma possível tributação do patrimônio ou do capital, visto ficar patente que a incidência se deu sobre o resultado líquido, nos exatos termos da lei. PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Adotando a mesma linha de argumentação, qual seja, a de que, no caso, a tributação deveria considerar valores pagos na aquisição de mercadorias, a Recorrente afirma que a autuação viola o princípio da capacidade contributiva. Adiante, alega que "a tributação do IR e CSLL pelo valor total das supostas receitas apuradas pela empresa, já que somente foi considerado para a autoridade fiscal os extratos bancários de "entrada" de valores nas contascorrente da empresa, implica em óbice à recomposição" do seu patrimônio. Diz que, "uma vez impedida de recompor integralmente suas perdas, estará comprometida sua aptidão para arcar com a carga tributária, de forma a afrontar o princípio da capacidade contributiva consagrado no artigo 145, § 1°, da Constituição Federal". Como já demonstrado, equivocase a Recorrente ao afirmar que, tratandose de tributação segundo o regime de tributação pelo lucro presumido ou arbitrado, a incidência se dá sobre o total da receita, Ademais, a Fiscalização, não obstante faça referência a extratos bancários no Termo de Verificação e Constatação, considerou como receita bruta, para fins de aplicação dos percentuais de presunção e arbitramento (8% e 9,6%), exatamente os valores declarados pela contribuinte nos instrumentos apresentados após a instauração do procedimento fiscal. PROIBIÇÃO DE CONFISCO No que tange a essa matéria cabe, apenas, verificar se as normas legais que serviram de suporte para a formalização das exigências gozam de vigência plena. E isso, penso, restou devidamente demonstrado. Nesse diapasão, não identifico mácula capaz de afastar as exigências formalizadas, eis que lastreadas em dispositivos expressos em atos legais em vigor e que foram devidamente declinados nas peças acusatórias. Não é demais ressaltar que, nos termos da súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Cabe destacar ainda que, nos termos do disposto no art. 72 do Regime Interno (ANEXO II), as súmulas são de observância obrigatória pelos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS Fl. 536DF CARF MF Documento de 12 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14124.EDWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15563.000173/200712 Acórdão n.º 1301001.843 S1C3T1 Fl. 528 12 Alega a Recorrente que a autuação não merece prosperar em relação ao PIS e à COFINS, vez que parte dos valores utilizados como base de cálculo dessas contribuições não são faturamento, mas, sim, receitas financeiras não abrangidas pelas suas leis instituidoras. A seguir, discorre sobre o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, e sobre o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal acerca dessa questão. Equivocase, mais uma vez, a Recorrente. Como já dito, a autuação recaiu sobre a receita bruta declarada pela própria contribuinte em instrumentos declaratórios apresentados quando ela já não mais dispunha de espontaneidade para retificar informações anteriormente fornecidas ao Fisco. Nos citados instrumentos declaratórios, a única linha preenchida e que constituiu a fonte para o lançamento de ofício, está representada pela RECEITA BRUTA sujeita ao percentual de presunção ou arbitramento, inexistindo registros de rendimentos financeiros, ganhos de capital ou demais receitas, sejam elas de que natureza for. Nos termos da lei vigente à época da ocorrência dos fatos geradores submetidos aos lançamentos tributários (art. 31 da Lei nº 8.981, de 1995), a receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido na operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente do comprador ou contratante, e dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Portanto, descabe falar em incidência de PIS e COFINS sobre receitas financeiras. Considerado, pois, tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 537DF CARF MF Documento de 12 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0217.14124.EDWR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WILSON FERNANDES GUIMARAES em 17/12/2015 09:08:00. Documento autenticado digitalmente por WILSON FERNANDES GUIMARAES em 17/12/2015. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 21/02/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP21.0217.14124.EDWR Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15563.000173/2007-12. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 19994.000415/2008-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2803-000.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, para que a autoridade fiscal preparadora ou pessoa competente: I- anexe aos autos cópia da decisão de primeira instância administrativa fiscal da autuação em epígrafe e o comprovante de ciência da decisão pelo contribuinte com data legível; II- anexe aos autos cópias das decisões de primeira e segunda instância administrativa fiscal se existentes, bem como, cópias das Notificações Fiscais de Lançamentos de Débitos - NFLD's n°s 35.763.836-0 e 35.763.837-9 e Auto de Infração - AI n° 35.763.839-5, mencionadas nos autos em discussão, por conterem os fatos caracterizadores e os elementos de prova da autuação fiscal; e III- encaminhar os autos para julgamento.
(assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, para que a autoridade fiscal preparadora ou pessoa competente: I- anexe aos autos cópia da decisão de primeira instância administrativa fiscal da autuação em epígrafe e o comprovante de ciência da decisão pelo contribuinte com data legível; II- anexe aos autos cópias das decisões de primeira e segunda instância administrativa fiscal se existentes, bem como, cópias das Notificações Fiscais de Lançamentos de Débitos - NFLD's n°s 35.763.836-0 e 35.763.837-9 e Auto de Infração - AI n° 35.763.839-5, mencionadas nos autos em discussão, por conterem os fatos caracterizadores e os elementos de prova da autuação fiscal; e III- encaminhar os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, para que a autoridade fiscal preparadora ou pessoa competente: I anexe aos autos cópia da decisão de primeira instância administrativa fiscal da autuação em epígrafe e o comprovante de ciência da decisão pelo contribuinte com data legível; II anexe aos autos cópias das decisões de primeira e segunda instância administrativa fiscal se existentes, bem como, cópias das Notificações Fiscais de Lançamentos de Débitos NFLD's n°s 35.763.8360 e 35.763.8379 e Auto de Infração AI n° 35.763.8395, mencionadas nos autos em discussão, por conterem os fatos caracterizadores e os elementos de prova da autuação fiscal; e III encaminhar os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 99 94 .0 00 41 5/ 20 08 -2 1 Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 19994.000415/200821 Resolução nº 2803000.259 S2TE03 Fl. 433 2 Relatório DO LANÇAMENTO O Auto de Infração em pauta (DEBCAD n 35.763.8387/2005) foi lavrado em razão da empresa Malharia Manz Ltda ter infringido o disposto no artigo 33, 2 , da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 232 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, para o período fiscalizado de 01/2000 a 02/2005, de acordo com o relatório fiscal da infração (fls. 6/7). A empresa, regularmente intimada, deixou de apresentar vários documentos e livros relacionados com contribuições para a seguridade social, conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD. O mesmo aconteceu nas empresas cujas personalidades jurídicas foram afastadas. Os seguintes documentos deixaram de ser apresentados: a) Na MANZ: al) Livros Diário, plano de contas e Livros Razão de todo o período; a2) Notas fiscais de entradas (serviços), n°s 073, 074, 075, 078 e 080, emitidas pela CMS entre 10/01/2000 e 10/09/2000; b) Na CMS: bl) Livros Diário e Razão referentes ao período de 2003 e 2004; b2) Livros Caixa de 2003 e 2004; b3) Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho LTCAT de 2001, 2002 e 2004; c) Na FACÇÃO: cl) Livros Diário e Razão de 2001, 2002, 2003 e 2004; c2) Livros Caixa de 2001, 2002, 2003 e 2004; c3) Notas Fiscais emitidas de 2000 a 2001; c4) Registro de entradas e saídas de mercadorias de 2000 e 2001; c5) Declarações à Receita Federai (DIPJ e/ou PJ Simplificadas) de todos os anos; c6) Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho LTCAT de 2000 a 2004; Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 19994.000415/200821 Resolução nº 2803000.259 S2TE03 Fl. 434 3 d) Na JOINTÊXTIL: dl) Livros Diário, plano de contas e Livros Razão de todo o período; d2) Livros Caixa de todo o período; d3) Declarações à Receita Federal (DIPJ e/ou PJ Simplificadas); d4) Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho LTCAT de 2002 e 2004. A fiscalização foi desenvolvida concomitantemente com as de N°s 09.215.321, 09.216.748 e 09.216.415, nas empresas CMS Indústria Têxtil Ltda (CMS), Jointêxtil Ltda (JOINTÊXTIL) e Facção Joinville Ltda (FACÇÃO), respectivamente, uma vez que estão localizadas no mesmo endereço e a fiscalização detectou, de imediato, indícios de que se tratam de uma entidade única, haja vista serem de fato administradas pelas mesmas pessoas e seus documentos se encontrarem arquivados nos mesmos locais. De acordo com a fiscalização, as empresas mencionadas são entidades de fachada, constituídas por empregados, exempregados, colaboradores e parentes do sócio controlador da MALHARIA MANZ LTDA (MANZ), com capital social simbólico, sem sede social, administradas pelas mesmos gestores da MANZ, e sem autonomia patrimonial. Os fatos caracterizadores e os elementos de prova encontramse nas Notificações Fiscais de Lançamentos de Débitos NFLD's N°s 35.763.8360 e 35.763.8379 e no Auto de Infração AI N° 35.763.8395. Diante disto, foi afastada a personalidade jurídica destas empresas, considerandoas partes integrantes da MANZ. Houve registro de circunstância agravante em razão de reincidência de autuações em ações fiscais anteriores. A multa aplicada está prevista o item " j " do inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Houve elevação do valor da multa em doze (12) vezes, por ter sido autuado uma vez pelo mesmo tipo de infração e duas vezes por infrações diversas. O valor foi atualizado pela Portaria MPS n° 479, de 07/05/2004 (inciso V.do art. 8o). conforme relatório fiscal da aplicação da multa (fl. 9). DA CIÊNCIA O contribuinte foi cientificado da autuação fiscal, apresentando impugnação. Compulsando os autos, não possível encontrar a Decisão de primeira Instância Administrativa Fiscal. O contribuinte apresentou recurso voluntário, em 27/09/2005 (fls. 369/405). É o relatório. Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 19994.000415/200821 Resolução nº 2803000.259 S2TE03 Fl. 435 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator Compulsando os autos, não foi possível localizar a Decisão de primeira Instância Administrativa Fiscal, embora o contribuinte tenha apresentado recurso voluntário. É dever da autoridade administrativa zelar pela legalidade de seus atos, de respeitar o princípio da verdade material, o contraditório e a ampla defesa, de que trata o inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, bem como, determinar a produção de prova indispensável à comprovação do fato (artigos 9º e 18, 29, todos do Decreto nº 70.235/72). Os fatos caracterizadores e os elementos de prova encontramse nas Notificações Fiscais de Lançamentos de Débitos NFLD's N°s 35.763.8360 e 35.763.8379 e no Auto de Infração AI N° 35.763.8395. Diante disto, foi afastada a personalidade jurídica das empresas mencionadas anteriormente, considerandoas partes integrantes da MANZ. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal preparadora ou pessoa competente: I anexe aos autos cópia da decisão de primeira instância administrativa fiscal da autuação em epígrafe e o comprovante de ciência da decisão pelo contribuinte com data legível; II anexe aos autos cópias das decisões de primeira e segunda instância administrativa fiscal se existentes, bem como, cópias das Notificações Fiscais de Lançamentos de Débitos NFLD's n°s 35.763.8360 e 35.763.8379 e Auto de Infração AI n° 35.763.839 5, mencionadas nos autos em discussão, por conterem os fatos caracterizadores e os elementos de prova da autuação fiscal; e III encaminhar os autos para julgamento. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 1502DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35368.000037/2007-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1990 a 26/01/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SÚMULA CARF nº 101.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-005.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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SÚMULA CARF N° 101 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DELTA ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1990 a 26/01/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SÚMULA CARF nº 101. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 8. 00 00 37 /2 00 7- 38 Fl. 222DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão em Recurso Voluntário nº 230100.885, de 15 de março de 2011, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF. A seguir, para fins de esclarecimento, encontramse reproduzidas as ementa e decisum do referido acórdão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1990 a 26/01/2004 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. AFERIÇÃO INDIRETA. REGULARIDADE. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante aferição indireta. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido á regra decadencial do I, Art. 173 do CTN – as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do Relator; e b) em negar provimento às demais questões apresentadas pela recorrente, nos termos do voto do Relator. Nos termos da decisão acima, o colegiado, apreciando recurso voluntário contra decisão de primeira instância, referente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, decidiu dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência das contribuições apuradas nas competências anteriores a 01/2001, pelos motivos a seguir apresentados. (a) determinou a aplicação da regra decadencial do art. 173, I, da Lei n° 7.152, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), por entender não ter havido, no caso, recolhimento antecipado da contribuição, nos seguintes termos: Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue6 se em cinco Fl. 223DF CARF MF Processo nº 35368.000037/200738 Acórdão n.º 9202005.148 CSRFT2 Fl. 6 3 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. .... (b) realizou a contagem do prazo do art. 173, I, do CTN, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, por entender ser essa a regra vinculante do Recurso Especial n° 973.733/SC, com efeito repetitivo, nos seguintes termos: Portanto, o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Ressalto que aplicaremos, como é nossa obrigação, a determinação regimental – já que no nosso entendimento o primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado não é contado da ocorrência do fato imponível, mas sim do dia seguinte ao que os valores deveriam ter sido recolhidos – mesmo não concordando com seu teor. Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão, no tocante ao critério de contagem do prazo previsto pelo art. 173, I, do CTN. Alega que o prazo deveria ser contado a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, em detrimento do critério utilizado pela decisão recorrida, de contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. Pede, assim, que seja afastada a decadência do direito de lançar o crédito tributário referente à competência de 12/2000. Foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional pelo Presidente da Câmara. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho que o admitiu, o contribuinte não apresentou contrarrazões nem recurso especial quanto à parte da decisão que lhe foi desfavorável. É o relatório. Fl. 224DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão cingese à determinação do critério jurídico de aplicação da regra decadencial veiculada pelo art. 173, I, do CTN, se: (a) a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao do fato gerador, conforme entendido pela decisão recorrida ou (b) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, conforme defendido pela recorrente. Antes de analisar a questão, porém, é importante esclarecer que não cabe mais aqui perquirir a existência ou não de pagamento antecipado, independentemente do entendimento do colegiado a quo, do que seria pagamento antecipado, porque foi peremptoriamente afirmada sua inexistência, sem qualquer oposição do sujeito passivo em sede de contrarrazões. Ora, fato afirmado por uma parte e não contradito pela outra deve ser considerado como verdadeiro pelo julgador. Feito o esclarecimento acima, volto à análise da questão, cujo deslinde é simples, por se tratar de matéria sumulada a que os conselheiros do CARF estão vinculados. Tratase da Súmula CARF n° 101, cujo enunciado é reproduzido abaixo: Súmula CARF nº 101 : Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, de fato, conforme defendido pela recorrente, na hipótese de aplicação do art. 173, I, do CTN, que é o caso em questão, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 225DF CARF MF Processo nº 35368.000037/200738 Acórdão n.º 9202005.148 CSRFT2 Fl. 7 5 Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000175/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. CONDIÇÃO DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE NÃO COMPROVADA.
Não estando comprovada a condição de portador de moléstia grave à época de percepção dos rendimentos recebidos acumuladamente, único fundamento recursal, não há reparos a fazer no lançamento.
Numero da decisão: 2402-005.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recuso. Vencidos Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. CONDIÇÃO DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE NÃO COMPROVADA. Não estando comprovada a condição de portador de moléstia grave à época de percepção dos rendimentos recebidos acumuladamente, único fundamento recursal, não há reparos a fazer no lançamento.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. CONDIÇÃO DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE NÃO COMPROVADA. Não estando comprovada a condição de portador de moléstia grave à época de percepção dos rendimentos recebidos acumuladamente, único fundamento recursal, não há reparos a fazer no lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 01 75 /2 00 7- 01 Fl. 62DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recuso. Vencidos Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci que davam provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13854.000175/200701 Acórdão n.º 2402005.735 S2C4T2 Fl. 42 3 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SPJ) DRJ/SP2, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao ano calendário 2003. Tratandose de retorno de processo, oportuno reproduzir o relatório da Resolução nº 2801000.184, prolatada quando do conhecimento do litígio pela extinta 1ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF: Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6ª Turma da DRJ/SP2, na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração de fl(s).03, relativo ao imposto sobre a renda de pessoas físicas do anocalendário de 2.003, por meio do qual foi constituído o crédito tributário no valor de R$ 64.296,89, sendo: Imposto Suplementar R$ 28.980,84 Multa de Oficio Proporcional R$ 21.735,63 Juros de Mora (calculado até 31/05/2007) R$ 13.580,42 2 Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à(s) fl(s). 05, o procedimento teve origem na omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrentes de Ação Trabalhista, no valor de R$ 105.439,55. 3 O interessado, cientificado em 08/06/2007 (fl. 17), apresentou, em 10/07/2007, impugnação de fl(s). 01/02, em que, discordando da descrição dos fatos, questionou a base de cálculo lançada, considerandoa absurda. Passo adiante, a decisão de primeira instância entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS A comprovação de rendimentos auferidos e não declarados pelo contribuinte caracteriza omissão de rendimentos. Omissão Parcialmente mantida. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado em 03/11/2009 (Fl. 36), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 03/12/2009 (Fls. 37/38), no qual solicita o arquivamento do feito, Fl. 64DF CARF MF 4 com isenção de todos os impostos, até por questão humanitária, por ser de inteira Justiça. Em 24/01/2013 aquela Turma do CARF resolveu, considerando que o Recurso Extraordinário 614.406/RS, o qual versa acerca da matéria, tivera sua repercussão geral reconhecida em 20/10/2010 e ainda se encontrava pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sobrestar o julgamento nos termos do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF então vigente. Com a revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A daquele Regimento Interno pela Portaria Ministério da Fazenda nº 545/2013, sem respaldo quedou o sobrestamento do feito, que foi redistribuído a este Conselheiro. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13854.000175/200701 Acórdão n.º 2402005.735 S2C4T2 Fl. 43 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, razão pela qual passo a sua apreciação. De plano, constatase que o contribuinte inova em sua causa de pedir, pois em momento algum, em sua impugnação, fez alusão a ser portador de moléstia grave para fins embasar seu questionamento acerca do lançamento guerreado, razão essa que é a única a amparar o recurso ora examinado. Nesse contexto, entendese que tal proceder aflige diretamente os arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72, bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil, o que levaria ao não conhecimento do recurso. Porém, como relatado, a 1ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF já o conheceu em 24/1/2013, quando da prolação da Resolução nº 2801000.184. De todo o modo, o argumento em foco não socorre o contribuinte, pois os laudos médicos juntados nesta segunda instância administrativa, ainda que se referissem a moléstia grave nos termos regrados pelos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713/88, salientam que o interessado é portador da enfermidade a partir de abril/2006 (fls. 39/40), ano esse posterior ao da percepção dos rendimentos ora examinados, anocalendário 2003. Dessa maneira, não havendo sido sequer mencionado no recurso, repitase, outro fundamento para contestação do lançamento, deve ser este mantido. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.010659/2006-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.647
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre o valor do crédito pleiteado na Declaração de Compensação, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre o valor do crédito pleiteado na Declaração de Compensação, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente Fl. 135DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 02/06) transmitida eletronicamente em janeiro de 2004, pela qual pretende a interessada a compensação de débito de sua responsabilidade, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL apurada no mês de fevereiro de 2003 (recolhimento em março/2003), no valor de R$ 3.328,31, baixada para tratamento manual neste processo. Analisando o pleito a DRF em Recife/PE, após diligências realizadas, concluiu pela inexistência do crédito apontado, razão pela qual pelo Despacho Decisório de fl. 11 não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, ao fundamento de que, de acordo com o disposto no artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor da CSLL devida ou para compor o saldo negativo porventura apurado. A empresa TIM Nordeste S/A, CNPJ n° 01.009.686/000144, sucessora da Telasa Celular S/A, apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: a) que o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, não tem amparo legal, já que a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não prevê a restrição nele estabelecida e adotada na decisão da DRF/Recife e b) que, quando muito, o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, impediria a compensação do IRPJ e da CSLL pagos a maior com outros tributos, e não com eles próprios, e que esse entendimento está exposto no "perguntas e respostas" do sítio da Receita Federal; c) que quando da realização das compensações ainda não existia a regra do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005; d) se não fosse realizada a compensação da CSLL recolhida a maior haveria saldo negativo ao final do ano. Terseia, então, no máximo um problema de inobservância de exercício, vez que o saldo negativo seria passível de compensação a partir do final do ano de 2003; e) possivelmente a decisão supôs, em virtude do lançamento que deu origem ao processo n° 19647.009690/200699, que não haveria saldo negativo ao final do ano Fl. 136DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010659/200609 Acórdão n.º 180100.647 S1TE01 Fl. 117 3 calendário 2003. Nessa hipótese, o julgamento da manifestação de inconformidade ficaria na dependência da decisão adotada nos autos do mencionado processo; f) que o despacho decisório decorre da revisão de oficio havida nos autos do processo n° 19647.009690/200699 e que dessa revisão teria decorrido aumento do crédito tributário original, em afronta aos arts. 145 a 149 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Apreciando o litígio a 3a. Turma da DRJ em Recife/PE, por meio do Acórdão 1127.249 (fls. 63/72 ) indeferiu a manifestação de inconformidade. Aquela autoridade observou, inicialmente, que as argüições de ilegalidade do art. 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, não poderiam ser apreciadas no âmbito do julgamento administrativo e que a vedação contida no referido comando legal há havia sido consignada na IN SRF n°. 460, de 2004. Apoiandose nas disposições dos artigos 2o. e 6o. da Lei n°. 9.430, de 1996; artigos 3o., 9o. e 10 da IN SRF n°. 93, de 1997 e Ato Declaratório Normativo SRF n°. 003, de 2000, consignou que as estimativas mensais não seriam passíveis de restituição a esse título, pois constituiriam mera antecipação do tributo devido ao final do anocalendário e que somente seria passível de restituição e de aproveitamento em compensações o saldo negativo porventura apurado ao final do período. Assim, o excesso porventura pago a título de estimativas mensais somente poderia ser utilizado na dedução do imposto devido ou na composição do saldo negativo. Rejeitou a afirmação da contribuinte no sentido de que, não fosse realizada a compensação do tributo pago a maior em abril de 2003, haveria saldo negativo ao final do ano, pois, ainda que fosse apurado o saldo negativo, deveria a interessada apresentar DCOMP para sua utilização que seria apreciada pela autoridade administrativa competente para averiguação da efetiva existência do saldo negativo declarado e, sendo caso, reconhecimento do direito creditório reclamado. Tal discussão, contudo, seria estranha aos autos vez que o direito creditório pleiteado se referiria a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL. Esclareceu, ainda, que se o saldo negativo do imposto foi incorretamente declarado a menor em D1PJ, seria da competência do sujeito passivo proceder à sua retificação, observadas as normas pertinentes à matéria. Quanto ao processo n° 19647.0096901200699, esclareceu: 28. Alega a impugnante que a decisão atacada teria sido decorrente da revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. O argumento é equivocado, como passo a expor. 29. Naquele processo, de exigência de crédito tributário, verificouse, entre outras infrações, a dedução indevida das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, que haviam sido objeto de compensação indevida. Em conseqüência das glosas, foram lavrados autos de infração para cobrança dos tributos ao final dos anos calendário e da multa isolada pela falta das antecipações mensais. 30. Ocorre que, como as compensações haviam sido declaradas em DCOMPs que constituíam confissão de dívida, tinhase por aplicável o entendimento esposado pela Coordenação Geral de Tributação através da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006, segundo o qual não cabe a glosa das estimativas, Fl. 137DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 devendo os débitos ser cobrados com base em DCOMP. Como a referida solução de consulta foi posterior à lavratura dos autos de infração, foram os lançamentos revistos de oficio, reduzindo o crédito tributário antes exigido. 31. Portanto, diversamente do que esgrime a defesa, o processo n° 19647.009690/200699 é que foi influenciado por este, e não o contrário. É através do presente processo que os débitos das estimativas não homologadas serão cobrados, razão pela qual reduziuse o lançamento objeto daquele outro processo. O não reconhecimento do direito creditório discutido nestes autos em nada decorreu do processo n° 19647.009690/200699 nem da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 2006, e os débitos que serão cobrados por via do presente processo são rigorosamente aqueles espontaneamente declarados pela contribuinte nas DCOMPs. Não sofreram, por conseguinte, nenhuma modificação em virtude do processo n° 19647.009690/200699, não havendo falar em ofensa aos arts. 145, 146 e 149 do CTN. Intimada da decisão, em 14/10/2009 (AR à fl. 74) a interessada apresentou, em 09/11/2009, o Recurso Voluntário de fls. 75 a 92. Em suas razões de defesa informa, inicialmente, que o presente processo seria decorrente de revisão de ofício em lançamento efetuado no âmbito dos autos n° 19647.009690/200699, especificamente em itens que trataram de (i) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (ii) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal, revisão essa que não teria sido devidamente fundamentada, o que impedia a adequada defesa. Assim, teria sido intimada, em março de 2007, de um Relatório de Informação Fiscal, datado de 13.12.2006, no qual os fiscais responsáveis pela revisão de ofício informaram que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização, razão pela qual alguns valores teriam sido excluídos do processo n° 19647.009690/200699, e passaram a ser tratados em processos específicos, dentre os quais o presente processo de compensação. Nesse sentido, caso se julgue pela independência dos autos, deverá lhe ser reconhecido o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003 pois, em acatandose o posicionamento adotado pela DRJ de que não existiria qualquer influência decorrente do processo administrativo n° 19647.009690/200699 na apuração da CSLL do anocalendário de 2003 a apuração do saldo negativo de CSLL, devidamente escriturado na DIPJ do período, é fato que não poderia ser contraditado pelo julgador administrativo. Reafirma que a previsão contida no artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, não teria amparo legal. Todas as vedações atinentes à compensação teriam sido expressamente previstas no artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, assim como as compensações consideradas não declaradas, não se encontrando, em nenhuma delas, a referência ao recolhimento indevido ou a maior a título de estimativas mensais e que o disciplinamento do instituto pela Receita Federal não poderia levar ao estabelecimento de novas vedações não previstas na Lei. Observou que os comandos normativos citados pela autoridade julgadora da DRJ que tratariam da referida vedação em verdade cuidariam da forma de pagamento do imposto calculado por estimativa e não de compensação, o que foi disciplinado unicamente pelo artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996. Assim, o procedimento adotado guardaria consonância também com o quanto disciplinado pelo § 1°, II, do artigo 6° da Lei n° 9.430/96, na medida em que teria havido o recolhimento a maior de IRPJ em agosto de 2002, portanto, Fl. 138DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010659/200609 Acórdão n.º 180100.647 S1TE01 Fl. 118 5 passível de restituição, e que foi compensado com débitos de tributos federais de períodos posteriores. Reafirmou que ainda que se considere a sua legalidade, à época da formalização das compensações declaradas não vigoravam as disposições do artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005, vigendo, à época, a IN SRF n°. 210, de 2002, que não trazia tal vedação em seu bojo. A DRJ teria, assim, aplicado retroativamente dispositivo normativo a fim de restringir seu direito, violando disposições legais e constitucionais, pois tal comando não teria o escopo de dar interpretação mas unicamente de inserir novas regras restritivas ao sistema de compensação. Reproduz as alegações no sentido de que a Receita Federal aceitaria a compensação de IRPJ e de CSLL recolhidos a maior ou indevidamente, de que haveria saldo negativo ao final do ano, caso não se aceita a compensação, de vinculação destes autos ao processo de n° 19647.009690/200699 e de indevida revisão de ofício no lançamento perpetrado naqueles autos. Ao final pede pela reforma daquele decisum. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminar. LIMITES DO LITÍGIO. Delimitandose o presente litígio cumpre consignar que a DRJ em Recife/PE esclareceu que o presente processo, que trata de Declarações de Compensação, não decorre dos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. Enquanto o processo de n° 19647.009690/200699 trata de lançamento de ofício decorrente de procedimento de fiscalização direta, estes autos tratam de declaração de compensação transmitida eletronicamente e que foi baixada para tratamento manual neste processo e o único fundamento alegado pela DRF para indeferir o pedido de homologação foi a inexistência de crédito do contribuinte que pudesse ser utilizado para compensar com débitos próprios, pois, conforme preceitua o artigo 10 da IN SRF n° 600/05, eventual valor pago a maior a título de estimativa mensal somente poderia vir a ser utilizado ao final do período de apuração, para dedução do valor do tributo afinal devido ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 Portanto, as argüições contra a revisão de ofício praticada no âmbito do processo administrativo n° 19647.009690/200699, que trata de lançamento de ofício para exigência de crédito tributário são alheias ao presente feito e devem ser tratadas unicamente no âmbito daqueles autos, razão pela qual deixo de tomar conhecimento de tais alegações. Mérito A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010659/200609 Acórdão n.º 180100.647 S1TE01 Fl. 119 7 Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação Fl. 141DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 8 tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, Fl. 142DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010659/200609 Acórdão n.º 180100.647 S1TE01 Fl. 120 9 calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Fl. 143DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 10 Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos Fl. 144DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010659/200609 Acórdão n.º 180100.647 S1TE01 Fl. 121 11 desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a Fl. 145DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 12 maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do ano calendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010659/200609 Acórdão n.º 180100.647 S1TE01 Fl. 122 13 § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 14 § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja Fl. 148DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010659/200609 Acórdão n.º 180100.647 S1TE01 Fl. 123 15 pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar a estimativa de CSLL relativa ao mês de fevereiro de 2003, em valor maior que o devido, e assim apontou o indébito de R$ 3.328,31, para compensações com outro tributo, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2003, já que a DCOMP foi formalizada em janeiro de 2004. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 16 Entretanto, há notícias nos autos que os recolhimentos a maior a título de estimativas (de IRPJ e de CSLL), cujo indébito é pleiteado nestes autos a título de direito creditório – especificamente nestes autos o indébito de estimativa de CSLL foram aproveitados como dedução e compuseram o saldo final do tributo – IRPJ ou CSLL – apurado, ao final do período de apuração, em 31/12/2003, em procedimento fiscal de revisão de ofício de lançamento. Dito de outra forma, o valor aqui pleiteado já teria sido reconhecido pela auditoria fiscal, na revisão de ofício, e aproveitado nas antecipações a título de estimativas, servindo como dedução ou compondo o tributo ao final apurado. Por relevante, transcrevo o teor do item “6” do Relatório de Informação Fiscal relativo ao processo n° 19647.009690/200699, cuja cópia encontrase acostada às fls. 97 a 101: “6. Os pagamentos de est imativa mensal de IRPJ e da CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados (nesta revisão) no ajuste anual, respectivamente, para dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos no anocalendário em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, conforme art. 10 da IN N."600/2005. . . .” Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 150DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.010659/200609 Acórdão n.º 180100.647 S1TE01 Fl. 124 17 Fl. 151DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 11330.001151/2007-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 11 51 /2 00 7- 44 Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 9202004.891 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 9202004.891 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 9202004.891 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 9202004.891 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 9202004.891 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 9202004.891 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 9202004.891 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 9202004.891 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 9202004.891 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1457DF CARF MF
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Numero do processo: 15940.720176/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2011
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. REQUISITOS. CUMPRIMENTO.
Cumpridos os requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional não há que se falar em vícios no lançamento tributário.
PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. CONTINUIDADE. AFASTAMENTO DA ESPONTANEIDADE PREVISTA NO CTN.
Comprovada a ciência do sujeito passivo quanto à continuidade do procedimento fiscalizatório regularmente iniciado, há o afastamento da espontaneidade prevista no artigo 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, combinado com o artigo 138 do CTN.
Numero da decisão: 2201-003.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e no mérito, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) que dava provimento parcial. Realizou sustentação oral o Dr. Eduardo Ferrari Lucena, OAB/DF nº 41.497.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
EDITADO EM: 24/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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REQUISITOS. CUMPRIMENTO. Cumpridos os requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional não há que se falar em vícios no lançamento tributário. PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. CONTINUIDADE. AFASTAMENTO DA ESPONTANEIDADE PREVISTA NO CTN. Comprovada a ciência do sujeito passivo quanto à continuidade do procedimento fiscalizatório regularmente iniciado, há o afastamento da espontaneidade prevista no artigo 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, combinado com o artigo 138 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e no mérito, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) que dava provimento parcial. Realizou sustentação oral o Dr. Eduardo Ferrari Lucena, OAB/DF nº 41.497. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. EDITADO EM: 24/02/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 01 76 /2 01 3- 61 Fl. 1578DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação ao lançamento de descumprimento de obrigação acessória, consubstanciado na apresentação de GFIP com omissões ou dados incorretos. Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 1027 do processo principal, de nº 15940.720174/201372), e no auto de infração que constituiu o presente crédito tributário (fls. 731). Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: · Auto de Infração Debcad n° 51.023.9293, no valor de R$ 13.500,00, atualizado até dezembro de 2013, referente ao descumprimento de obrigação de apresentação da GFIP de forma correta e com todas as informações. · Auto de Infração Debcad n° 51.023.9242, no valor de R$ 14.631.983,26, atualizado até dezembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à quota patronal de contribuição previdenciária, constituído no âmbito do processo administrativo nº 15940.720174/201372. · Auto de Infração Debcad n° 51.023.9250, no valor de R$ 3.440.520,00 atualizado até dezembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição previdenciária devida sobre os valores pagos aos contribuintes individuais, constituído no âmbito do processo administrativo nº 15940.720174/201372. · Auto de Infração Debcad n° 51.023.9269, no valor de R$ 5.051.150,44, atualizado até dezembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição previdenciária retida dos segurados e não repassada, constituído no âmbito do processo administrativo nº 15940.720174/201372. · Auto de Infração Debcad n° 51.023.9277, no valor de R$ 424.776,36, atualizado até dezembro de 2013, devida aos terceiros, constituído no âmbito do processo administrativo nº 15940.720174/201372. · Auto de Infração Debcad n° 51.023.9285, no valor de R$ 11.662.498,88, atualizado até dezembro de 2013, multa isolada sobre a declaração de compensações indevidas, constituído no âmbito do processo administrativo nº 15940.720182/201319. Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 15940.720176/201361 Acórdão n.º 2201003.414 S2C2T1 Fl. 1.580 3 · Auto de Infração Debcad n° 51.023.9307, no valor de R$ 10.886.926,50, atualizado até dezembro de 2013, referente a glosa de compensação indevida, constituído no âmbito do processo administrativo nº 15940.720182/201319. O crédito tributário constituído se refere a período de novembro de 2009 a dezembro de 2011. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência do devedor por via postal (AR fls. 1545), em 26 de dezembro de 2013. Inconformado, o sujeito passivo apresenta impugnação (fls. 1484), tempestivamente. A 5ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, por unanimidade de votos, por meio do Acórdão 0958.251 (fls. 1539), decidiu pela improcedência da impugnação. Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto, por sua clareza e precisão (fls. 1183): "Tratase de processo de Auto de Infração de obrigação acessória, DEBCAD 51.023.9293, lavrado por infração ao disposto no art. 32, IV, da Lei nº 8.212, de 1991, por ter a empresa apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com incorreções e ou omissões, no período de 11/2009 a 13/2011, conforme fls. 731/749. A multa, no valor de R$ 13.500,00 (treze mil e quinhentos reais), foi aplicada com base no art. 32A, “caput”, inciso I, §§2º e 3º da Lei nº 8.212, de 1991. O contribuinte teve ciência da autuação em 26/12/2013, conforme Aviso de Recebimento de fls. 754, e apresentou impugnação em 24/01/2014 (fls. 1515/1516), a qual foi juntada às fls. 1484/1514. Nela, alega cerceamento do direito de defesa e nulidade do lançamento por incompletude e imprecisão da capitulação legal, conforme doutrina e julgados que cita. Em seguida, alega a reaquisição da espontaneidade, visto que, no curso da ação fiscal, foi emitido um termo de ciência de continuidade do procedimento fiscal, com ciência em 19/09/2012, e outro termo com ciência somente em 11/12/2012, em um intervalo maior que os 60 (sessenta) dias, previsto no §2º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972. Em razão da reaquisição da espontaneidade, entende que deveriam ser consideradas as GFIP retificadoras entregues antes de 11/12/2012, nas quais a empresa procurou sanar as irregularidades verificadas. Os autos foram baixados em diligência, através do Despacho nº 22, de 17/03/2015, fls. 1521/1522, para que a autoridade lançadora explicitasse as informações corretas, que deveriam ter sido prestadas em GFIP, e se pronunciasse acerca da reaquisição da espontaneidade e do eventual saneamento das divergências apontadas. Fl. 1580DF CARF MF 4 Foi emitida a Informação Fiscal de fls. 1523/1528, através da qual a autoridade fiscal destaca que os valores não declarados em GFIP foram apurados e lançados em processo cuja impugnação foi julgada improcedente no Acórdão 0954.598, da 5a. Turma de Julgamento, no processo 15940.720174/201372. Esclarece que o período de compensação a ser informado em GFIP para produtos rurais é de 01/2005 a 02/2008 e, no tocante à aposentadoria especial, é de 01/2005 a 10/2009. Tabela valores de compensação indevida, informada nas competências de 11/2009 a 11/2010, e de retenções compensadas indevidamente, nas competências de 11/2009, 01/2011, 06/2011, 11/2011 e 12/2011. Afirma que também o prolabore indireto, no valor de R$6.000.000,00, deve constar da GFIP retificadora, na competência 11/2009. Quanto à reaquisição da espontaneidade, afirma ter emitido Termo de Intimação Fiscal em 09/10/2012, recebido pelo contribuinte em 15/10/2012, para instruir o processo de ressarcimento de PIS NÃO CUMULATIVO e COFINS NÃO CUMULATIVA, tributos albergados pelo mesmo MPFF (08.1.05.002010008100) e auditados conjuntamente com as contribuições previdenciárias. Conclui não ter havido a reaquisição da espontaneidade, pelo que as GFIP enviadas em 25/05/2012, 25 e 26/06/2012, para as competências 08/2010, 01, 03, 06, 11 e 12/2011 não devem ser consideradas. O referido Termo de Intimação Fiscal, de 09/10/2012, e o respectivo AR foram juntados às fls. 1529/1533. Foi dada ciência ao contribuinte em 09/04/2015, conforme AR fls. 1537, da informação fiscal emitida, não tendo havido nova manifestação." Cientificado de decisão que contrariou seus interesses em 02 de setembro de 2015, por meio postal (AR de folhas 1545), o sujeito passivo interpôs, tempestivamente, em 01 de outubro de 2015, recurso voluntário (fls. 1547). Constam do apelo, em síntese, as mesmas alegações constantes da impugnação interposta e acima reproduzida. O processo foi distribuído, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 15940.720176/201361 Acórdão n.º 2201003.414 S2C2T1 Fl. 1.581 5 Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira O presente recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço e passo a apreciálo na ordem de suas alegações. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL Segundo a Recorrente, o lançamento é nulo por vício material uma vez que não houve, por parte da Autoridade Lançadora, a indicação de quais as informações corretas que deveriam ter sido informadas na GFIP. São a síntese dos argumentos recursais (fls " O artigo 142 do Código Tributário Nacional estabelece que a autoridade lançadora tem o dever de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável , calcular o montante do tributo devido, identi ficar o sujei to passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível . .A própria DRJ/JFA, através do despacho de dil igência n.° 22 (termo de ciência n.° 227/2015), confirmou que na autuação NÃO foram indicadas quais as informações corretas que deveriam constar nas declarações, conforme segue: Embora tenham sido indicados, no Auto de Infração, os campos preenchidos incorretamente em GFIP, em cada competência (fls. 732/735), não foram indicadas quais as informações corretas que deveriam constar das declarações, pelo que não foi possível verificar o eventual saneamento arguido pelo impugnante. Desta forma, entendo necessária a determinação de diligência, para que a autoridade fiscal explicite as informações corretas que deveriam ter sido prestadas em GFIP e, além disso, se pronuncie acerca da reaquisição da espontaneidade e do eventual saneamento das divergências apontadas. Ora, se foi lavrado auto de infração de obrigação acessória, in casu, multa por incorreções e/ou omissões na GFIP, por óbvio que o mínimo que se espera é a indicação de quais informações deveriam constar nas declarações, o que, repitase, não ocorreu. A indicação das informações corretas que deveriam constar das declarações não se trata de mera observância formal, pois está l igada à própria materialidade da acusação. Portanto, a ausência dessa indicação implica nulidade material do Auto de Infração." (destaques or igina i s) Fl. 1582DF CARF MF 6 Não cabe a menor razão ao Recorrente. O lançamento tributário decorre do descumprimento de obrigação acessória, dever de informar em GFIP, de maneira escorreita, todos os fatos geradores, bases de cálculo e valores devidos de contribuição previdenciária, além de outras informações de interesse da Receita Federal, do INSS e do Conselho Curador do FGTS, nos termos do artigo 32, IV, da Lei nº 8.212/91. Logo, tipifica a infração a GFIP entregue com qualquer dado faltante ou incorreto. Nesse sentido, cabe à Autoridade Fiscal, quando da imposição da multa prevista no artigo 32A da citada Lei de Custeio da Previdência Social, demonstrar a ocorrência da infração, ou seja, comprovar que houve a ausência alguma informação ou a incorreção desta. Foi esse exatamente procedimento do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pelo lançamento tributário. Observase, das folhas 732 até a 735 do autos, o quadro demonstrativo dos campos com ausência de conteúdo ou com conteúdo incorreto, por competência, inseridos nas GFIP's entregues. Vejamos pequeno excerto: Ora, inegável o cumprimento das disposições constantes do artigo 142 do CTN pela Autoridade Fiscal. Não há vício algum no lançamento, ao reverso, observo o cumprimento de todos os requisitos materiais, previstos no Códex Tributário, além do respeito dos ditames formais, constantes do artigo 10 do Decreto nº 70235/72. Preliminar de nulidade rejeitada. DA REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE Segundo o recurso, por inércia da autoridade fiscal, houve reaquisição da espontaneidade em razão da interrupção do procedimento fiscal iniciado em setembro de 2012, ao qual só foi dado ciência da prorrogação em dezembro de 2012, ou seja, mais de 60 dias depois de iniciada a fiscalização. São os argumentos da Recorrente (fls. 1556) "A recorrente demonstrou que houve reaquisição da espontaneidade porque no curso da ação f iscal foi emitido termo de ciência de continuidade do procedimento f iscal , com ciência em 19/09/2012, e outro termo com ciência somente em 11/12/2012, ou seja, em um intervalo maior que os 60 dias previstos no § 2o , art. 7 o , do Decreto n.° 70.235/72. Em razão da reaquisição da espontaneidade, deveriam ser consideradas as declarações ret i f icadoras entregues em 11/12/2012, nas quais foram sanadas as irregularidades apontadas. Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 15940.720176/201361 Acórdão n.º 2201003.414 S2C2T1 Fl. 1.582 7 O v. acórdão ora recorrido asseverou que "não procede a alegação dereaquisição de espontaneidade, considerando o intervalo de tempotranscorr ido entre a ciência dos termos fiscais em 19/09/2012 e 11/12/2012,ci tado na impugnação, visto que foi emitido o Termo de Intimação Fiscal de09/10/2012, na mesma ação f iscal , o qual foi recebido em 15/10/2012. nãohavendo inobservância do disposto no §2° do art . 7° do Decreto n° 70.235,de 1972". (destacamos)[ 26.No entanto, o Termo de Intimação Fiscal emitido em 09/10/2012 e recebido pelo contribuinte em 15/10/2012. conforme constou da decisão da DRJ/JFA. teve o objet ivo de instruir processos de ressarcimento de contribuição para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Ou seja, não deve ser considerado tal Termo de Intimação, na medida em que não possui qualquer relação com o caso em tela. In casu, a autuação se deu em razão de f iscalização de contribuições prev idenciárias, a qual não possui qualquer relação com a f iscalização do Termo de Intimação recebido em 15/10/2012 pela recorrente. Assim, a recorrente readquiriu sua espontaneidade e com isso deveriam ser processadas as GFIPs entregues em subst i tuição àquelas t idas como incorretas ou com omissões." (destaques constam do recurso) Sobre esse ponto, assim decidiu a 5ª Turma da DRJ Juiz de Fora: "Por sua vez, também não procede a alegação de reaquisição de espontaneidade, considerando o intervalo de tempo transcorrido entre a ciência dos termos fiscais em 19/09/2012 e 11/12/2012, citado na impugnação, visto que foi emitido o Termo de Intimação Fiscal de 09/10/2012, na mesma ação fiscal, o qual foi recebido em 15/10/2012, não havendo inobservância do disposto no §2º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972." Assiste razão ao julgador de piso. Verifico no MPF que a ação fiscal empreendida se destina a verificação do cumprimento de obrigações relativas a diversos tributos, como se pode observar às folhas 757, abaixo parcialmente reproduzida: Fl. 1584DF CARF MF 8 Ora, como reconhece o próprio contribuinte, houve nem 15 de outubro de 2012, a ciência de termo de intimação fiscal referente ao procedimento em curso, o que demonstra cabalmente a continuidade do processo fiscalizatório iniciado com o espectro acima demonstrado. Tal continuidade de procedimento de fiscalização, por óbvio, tem o condão de impedir que se considere que houve reaquisição da espontaneidade pelo contribuinte. Recurso voluntário negado também nessa parte. CONCLUSÃO Por todo o exposto e pelos fundamentos adotados, voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade arguída e, no mérito, negarlhe provimento. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 1585DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001536/2010-80
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
ÁGIO. NECESSÁRIA DEMONSTRAÇÃO. COMPROVANTE DA ESCRITURAÇÃO. INDICAÇÃO DO MONTANTE PRECISO DO ÁGIO A SER APROVEITADO FISCALMENTE. SUPORTE EM DOCUMENTAÇÃO DO FUNDAMENTO ECONÔMICO DO ÁGIO.
A necessária demonstração, a ser arquivada pelo contribuinte, com a indicação do fundamento econômico do ágio seja pelo valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, seja pelo valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros servirá como comprovante da escrituração, devendo conter a indicação do montante preciso do ágio a ser aproveitado fiscalmente e, também, ter suporte em documentação do fundamento econômico do ágio incorrido na aquisição da entidade.
INVESTIDA ADQUIRIDA. INVESTIDORA ADQUIRENTE. INEXISTÊNCIA DE ÁGIO DEDUTÍVEL. INDEDUTIBILIDADE. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES
Nos termos da legislação fiscal, não implica ágio dedutível, conforme a previsão do arts. 7º e 8º da Lei 9.532/1996, os casos em que o patrimônio adquirido via incorporação de ações é quitado mediante a entrega de ações da incorporadora aos ex-titulares das ações incorporadas, quando, em momento subsequente ocorre incorporação da entidade que teve suas ações incorporadas, avaliadas por valor superior de modo a ensejar o suposto ágio dedutível.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008, 2009
ÁGIO NOS CASOS DE INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. AMORTIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste previsão legal que estabeleça poder ser dedutível, da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o ágio deduzido pela investida adquirida, nos casos de incorporação, fusão ou cisão, como sucede propriamente com a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) (art. 386 do RIR/1999).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
MULTA ISOLADA. LEI Nº 11.488, DE 2007. BASE DE CÁLCULO.
O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, preceitua que a multa isolada deve ser calculada sobre o valor do pagamento mensal apurado sob base estimada ao longo do ano, materialidade que não se confunde com a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição.
MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. LEI Nº 11.488, DE 2007. CUMULATIVIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF 105.
Em face da nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, é cabível a exigência cumulativa da multa de ofício sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, não recolhida, e da multa isolada sobre o valor do pagamento mensal apurado sob base estimada ao longo do ano, não efetuado, relativamente aos anos-calendário a partir da vigência MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/07/2007.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ.
Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. (AgRg no REsp 1.335.688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012).
Numero da decisão: 9101-002.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, acordam em negar-lhe provimento (i) por voto de qualidade, quanto às matérias relacionadas ao ágio, à CSLL e aos juros sobre multa, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; e, (ii) por maioria de votos, quanto aos temas relacionados à multa isolada, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões, quanto ao ágio, os Conselheiros Adriana Gomes Rego e Rafael Vidal de Araujo e, quanto à CSLL, apenas Rafael Vidal de Araujo. Solicitaram apresentar declaração de voto os Conselheiros Adriana Gomes Rego, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araujo, José Eduardo Dornelas Souza e Gerson Macedo Guerra. Encerrado o prazo regimental, os Conselheiros Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza não apresentaram declaração de voto.
Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto não votou nesse julgamento, por se tratar de processo originalmente relatado pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que ocupou a posição de presidente, com voto já proferido e consignado.
Conforme Portaria CARF nº 107, de 04/08/2016, alterada pela Portaria CARF nº 07, de 02/03/2017, designada pelo presidente do colegiado, como redatora ad hoc, a Conselheiro Adriana Gomes Rêgo.
Julgamento iniciado em 10/2016, teve continuidade na sessão de 11/2016 e foi concluído em 05/04/2017.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araujo, José Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 ÁGIO. NECESSÁRIA DEMONSTRAÇÃO. COMPROVANTE DA ESCRITURAÇÃO. INDICAÇÃO DO MONTANTE PRECISO DO ÁGIO A SER APROVEITADO FISCALMENTE. SUPORTE EM DOCUMENTAÇÃO DO FUNDAMENTO ECONÔMICO DO ÁGIO. A necessária demonstração, a ser arquivada pelo contribuinte, com a indicação do fundamento econômico do ágio seja pelo valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, seja pelo valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros servirá como comprovante da escrituração, devendo conter a indicação do montante preciso do ágio a ser aproveitado fiscalmente e, também, ter suporte em documentação do fundamento econômico do ágio incorrido na aquisição da entidade. INVESTIDA ADQUIRIDA. INVESTIDORA ADQUIRENTE. INEXISTÊNCIA DE ÁGIO DEDUTÍVEL. INDEDUTIBILIDADE. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES Nos termos da legislação fiscal, não implica ágio dedutível, conforme a previsão do arts. 7º e 8º da Lei 9.532/1996, os casos em que o patrimônio adquirido via incorporação de ações é quitado mediante a entrega de ações da incorporadora aos ex-titulares das ações incorporadas, quando, em momento subsequente ocorre incorporação da entidade que teve suas ações incorporadas, avaliadas por valor superior de modo a ensejar o suposto ágio dedutível. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008, 2009 ÁGIO NOS CASOS DE INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. AMORTIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal que estabeleça poder ser dedutível, da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o ágio deduzido pela investida adquirida, nos casos de incorporação, fusão ou cisão, como sucede propriamente com a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) (art. 386 do RIR/1999). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009 MULTA ISOLADA. LEI Nº 11.488, DE 2007. BASE DE CÁLCULO. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, preceitua que a multa isolada deve ser calculada sobre o valor do pagamento mensal apurado sob base estimada ao longo do ano, materialidade que não se confunde com a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. LEI Nº 11.488, DE 2007. CUMULATIVIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF 105. Em face da nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, é cabível a exigência cumulativa da multa de ofício sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, não recolhida, e da multa isolada sobre o valor do pagamento mensal apurado sob base estimada ao longo do ano, não efetuado, relativamente aos anos-calendário a partir da vigência MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/07/2007. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. (AgRg no REsp 1.335.688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012).
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BOLSA DE VALORES, MERCADORIAS E FUTUROS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 ÁGIO. NECESSÁRIA DEMONSTRAÇÃO. COMPROVANTE DA ESCRITURAÇÃO. INDICAÇÃO DO MONTANTE PRECISO DO ÁGIO A SER APROVEITADO FISCALMENTE. SUPORTE EM DOCUMENTAÇÃO DO FUNDAMENTO ECONÔMICO DO ÁGIO. A necessária demonstração, a ser arquivada pelo contribuinte, com a indicação do fundamento econômico do ágio — seja pelo valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, seja pelo valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros — servirá como comprovante da escrituração, devendo conter a indicação do montante preciso do ágio a ser aproveitado fiscalmente e, também, ter suporte em documentação do fundamento econômico do ágio incorrido na aquisição da entidade. INVESTIDA ADQUIRIDA. INVESTIDORA ADQUIRENTE. INEXISTÊNCIA DE ÁGIO DEDUTÍVEL. INDEDUTIBILIDADE. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES Nos termos da legislação fiscal, não implica ágio dedutível, conforme a previsão do arts. 7º e 8º da Lei 9.532/1996, os casos em que o patrimônio adquirido via incorporação de ações é quitado mediante a entrega de ações da incorporadora aos extitulares das ações incorporadas, quando, em momento subsequente ocorre incorporação da entidade que teve suas ações incorporadas, avaliadas por valor superior de modo a ensejar o suposto ágio dedutível. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 15 36 /2 01 0- 80 Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.004 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009 ÁGIO NOS CASOS DE INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. AMORTIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal que estabeleça poder ser dedutível, da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o ágio deduzido pela investida adquirida, nos casos de incorporação, fusão ou cisão, como sucede propriamente com a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) (art. 386 do RIR/1999). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 MULTA ISOLADA. LEI Nº 11.488, DE 2007. BASE DE CÁLCULO. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, preceitua que a multa isolada deve ser calculada sobre o valor do pagamento mensal apurado sob base estimada ao longo do ano, materialidade que não se confunde com a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. LEI Nº 11.488, DE 2007. CUMULATIVIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF 105. Em face da nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, é cabível a exigência cumulativa da multa de ofício sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, não recolhida, e da multa isolada sobre o valor do pagamento mensal apurado sob base estimada ao longo do ano, não efetuado, relativamente aos anoscalendário a partir da vigência MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/07/2007. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: “É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (AgRg no REsp 1.335.688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, acordam em negarlhe provimento (i) por voto de qualidade, quanto às matérias relacionadas ao ágio, à CSLL e aos juros sobre multa, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; e, (ii) por maioria de votos, quanto Fl. 3004DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.005 3 aos temas relacionados à multa isolada, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões, quanto ao ágio, os Conselheiros Adriana Gomes Rego e Rafael Vidal de Araujo e, quanto à CSLL, apenas Rafael Vidal de Araujo. Solicitaram apresentar declaração de voto os Conselheiros Adriana Gomes Rego, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araujo, José Eduardo Dornelas Souza e Gerson Macedo Guerra. Encerrado o prazo regimental, os Conselheiros Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza não apresentaram declaração de voto. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto não votou nesse julgamento, por se tratar de processo originalmente relatado pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que ocupou a posição de presidente, com voto já proferido e consignado. Conforme Portaria CARF nº 107, de 04/08/2016, alterada pela Portaria CARF nº 07, de 02/03/2017, designada pelo presidente do colegiado, como redatora ad hoc, a Conselheiro Adriana Gomes Rêgo. Julgamento iniciado em 10/2016, teve continuidade na sessão de 11/2016 e foi concluído em 05/04/2017. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Redatora ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araujo, José Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.006 4 Relatório Por meio do despacho de efls. 3001/3002, designoume a Presidência para redigir o acórdão, visto que o relator se afastou provisoriamente por período superior a dois meses após o início da votação. Façoo adotando ementa, relatório e voto elaborados por ele e lidos na primeira sessão em que o recurso foi por ele colocado no sistema eletrônico de votação no dia 18 de outubro de 2016. Passo à transcrição do relatório do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão: Tratase de autos de infração de IRPJ e de CSLL, referentes aos anos calendário 2008 e 2009, decorrentes de glosa de despesas com a amortização de ágio oriundo da incorporação de ações da empresa Bovespa Holding S.A., por parte da Nova Bolsa S.A., posteriormente BM&F BOVESPA S.A. Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros, ocorrida em 08 de maio de 2008. Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório da decisão recorrida: Depreendese do presente Processo Administrativo que a Recorrente teria deduzido despesas com a amortização de ágio oriundo da incorporação de ações da empresa Bovespa Holding S.A. ocorrida em 08 de maio de 2008, tendo a contribuinte, como se verá adiante, alegado que a dedução estaria autorizada pelo artigo 386, inciso III, do RIR/99, ou seja, que o citado ágio teria como fundamento econômico o “valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”, consoante previsto no inciso II, do § 2º, do artigo 385 do RIR/99, cuja base legal é o artigo 20 do Decretolei nº 1.598/77, e o artigo 7º da Lei nº 9.532/97. Colhese do Termo de Verificação Fiscal (fls. 26 – 70), que a Fiscalização analisou a reorganização societária havida entre as pessoas jurídicas BM&F S/A e Bovespa Holding S/A no ano de 2008 e os principais tópicos das constatações fiscais seguem abaixo reproduzidos: (...) 2 DOS FATOS A reorganização societária das empresas BM&F S.A. e Bovespa Holding S.A. poderia ter sido realizada sob as mais diferentes formas de combinação de negócios. Contudo, o caminho adotado para alcançar a reorganização societária almejada pelas partes foi o da utilização de uma terceira companhia, chamada Nova Bolsa S.A., para “encabeçar” as operações. A Nova Bolsa S.A. foi constituída em 14 de dezembro de 2007, com sede em São Paulo, com a denominação social de T.U.T.S.P.E. Empreendimentos e Participações S.A. com o objeto social de participar em outras sociedades, como sócia, acionista ou cotista, no país e no exterior (“holding”). A Companhia não teve atividades operacionais durante o período de 14 de dezembro de 2007 a 8 de maio de 2008. Fl. 3006DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.007 5 Em 8 de abril de 2008, em Assembleia Geral Extraordinária (“AGE”), os acionistas decidiram, entre outros assuntos, sobre a alteração de sua denominação social para “Nova Bolsa S.A.”. Assim, a Nova Bolsa S.A., que era uma companhia que possuía um patrimônio líquido de R$ 500,00 (quinhentos reais) incorporaria a BM&F S.A., que possuía um patrimônio líquido de cerca de R$ 2.600.000.000,00 (dois bilhões e seiscentos milhões de reais) e, em seguida, incorporaria as ações da Bovespa Holding S.A., que possuía um patrimônio líquido contábil de cerca de R$ 1.500.000.000,00 (um bilhão e meio de reais). Notadamente, a BM&F S.A., possuía um valor de mercado de cerca de R$ 17 bilhões e a Bovespa Holding S.A. um valor de mercado de cerca de R$ 20 bilhões, se avaliadas pelos preços de suas ações em 08 de maio de 2008, listada na bolsa de valores de São Paulo sob os códigos “BMEF3” e “BOVH3”, respectivamente. Assim, uma companhia de R$ 500,00 “incorporaria” duas companhias com valor de mercado de cerca de R$ 37.000.000.000,00 (trinta e sete bilhões de reais). Em termos de reorganização societária, é possível afirmar que a união das três companhias “a valores contábeis” levaria a companhia resultante a apresentar um Patrimônio Líquido PL de cerca de R$ 4,2 bilhões, conforme quadro a seguir: (...) Os atos de reorganização societária, realizados em 05 de maio de 2008, resultaram, ao seu término, no Patrimônio Líquido contábil consolidado de R$ 22.214.228.000,00 (vinte e dois bilhões, duzentos e quatorze milhões, duzentos e vinte oito reais) na companhia resultante da “Integração Bovespa BM&F” e Nova Bolsa S.A., conforme se verifica no balanço da companhia “BM&F BOVESPA S.A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros” (Nova Bolsa S.A)., às fls. 758. Porém, o valor das empresas não aumentou somente porque as três companhias se uniram. O acréscimo verificado no patrimônio líquido da Nova Bolsa S.A., excedente ao que resultaria pela soma algébrica dos patrimônios líquidos contábeis das três companhias (R$ 4.172.696.296,47), advém do CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO utilizado pela Nova Bolsa S.A. para avaliar a participação societária então adquirida na Bovespa Holding S.A., a qual foi atribuído o valor de mercado de R$ 17.942.090.162,46 (Dezessete bilhões, novecentos e quarenta e dois milhões, noventa mil, cento e sessenta e dois reais e quarenta e seis centavos). Assim, a diferença entre o valor do somatório dos patrimônios líquidos contábeis das três companhias que passaram a compor a Nova Bolsa S.A. ou BM&F Bovespa S.A. e o seu valor de patrimônio líquido registrado contabilmente referese, exclusivamente, a adoção de critério de avaliação diferente para o “ativo investimento” Bovespa Holding S.A. adquirido pela Nova Bolsa S.A. (...) 2.2 DAS “ETAPAS” DA REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA Antes de passarmos a expor as “etapas” do processo que levariam a “Integração Bovespa BM&F”, cabe destacar que uma das condições para efetivação das operações que levariam a integração das duas companhias era que, ao final da reorganização societária, o grupo de acionistas da Bovespa Holding Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.008 6 S.A. e o grupo de acionistas da BM&F, deveriam ter, cada qual, 50% de participação societária na companhia resultante, no caso a Nova Bolsa S.A., que teve a razão social posteriormente modificada para “BM&F Bovespa S.A.”. A essa participação societária igualitária, as partes denominaramna “Equilíbrio Acionário”, conforme consta no “Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações de Emissão de Ações da Bovespa Holding S.A pela Nova Bolsa S.A.” (fls. 113 a 122), que será adiante analisado. As etapas da reorganização societária envolvendo a Bovespa Holding e a BM&F estão resumidas abaixo e foram extraídas do “PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES DE EMISSÃO DA BOVESPA HOLDING S.A. PELA NOVA BOLSA S.A.” firmado entre as partes, datado de 17 de abril de 2008, doravante denominado “Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações”: ETAPAS (i) Incorporação da BM&F pela Nova Bolsa, a valor contábil, resultando na emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas de BM&F, de ações ordinárias, na proporção de 1:1, e na consequente extinção de BM&F; (ii) Na mesma data, em deliberação distinta e subsequente, Incorporação das Ações da Bovespa Holding, pela Nova Bolsa, nos termos deste Protocolo e Justificação, incluindo a emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas da Bovespa Holding, de ações ordinárias e de ações preferenciais resgatáveis; (iii) Resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding; (iv) Como resultado da Incorporação das Ações da Bovespa Holding e do resgate das ações preferenciais, o conjunto de acionistas da Bovespa Holding passará a ser titular do mesmo número de ações ordinárias da Nova Bolsa de titularidade do conjunto de acionistas da BM&F, assumindo o integral exercício, até a data da assembleia geral da Bovespa Holding que deliberar sobre este Protocolo e Justificação, das opções de compra de ações outorgadas no âmbito do Programa de Reconhecimento do atual Plano de Opções de Compra de Ações da Bovespa Holding e, em data futura, das opções de compra de ações contratadas no âmbito do atual Plano de Opções de Compra de Ações da BM&F; (v) a partir da realização das assembleias que aprovarem as incorporações e o resgate acima referidos, será iniciado processo de registro da Nova Bolsa perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) e a listagem de suas ações no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. BVSP (“BVSP”). Até a obtenção desses registros, as ações da Bovespa Holding e as ações de BM&F continuarão a ser negociadas no Novo Mercado da BVSP sob os atuais códigos BOVH3 e BMEF3, respectivamente, conforme autorização a ser solicitada da BVSP. A reorganização societária foi efetivada com as Assembleias Gerais realizadas em 08 de maio de 2008 que aprovaram os Protocolos e Justificação de Incorporação de Patrimônio da BM&F e Incorporação de Ações da Bovespa Holding S.A. pela Nova Bolsa S.A.(fls. 107 a 122). O “Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações”, relata procedimentos, razões, resultados e consequências da reorganização societária a Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.009 7 ser realizada. Todavia não relata as consequências fiscais dos atos, que serão analisados a seguir, em especial, o suposto surgimento de um ágio e sua dedutibilidade fiscal. Antes de passarmos a análise das e cada uma das etapas é importante que se perceba a adoção dos dois institutos distintos no processo de reorganização societária realizado, mencionados nos itens (i) e (ii) acima. • A Incorporação de Sociedade, realizada na etapa (i) e • A Incorporação de Ações, realizada na etapa (ii) Na “Incorporação de sociedade” o patrimônio da sociedade incorporada é vertido para a incorporadora e a incorporada deixa de existir. Na “Incorporação de Ações” a sociedade que tem suas ações incorporadas continua a existir, seu patrimônio não é vertido e a companhia passa a ser uma subsidiária integral da incorporadora. 3 – DA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES Na operação de reorganização societária, ora sob análise, a Nova Bolsa S.A. adquiriu a “participação societária” na Bovespa Holding S.A. pelo instituto jurídico da “INCORPORAÇÃO DE AÇÕES”, ou seja, a Nova Bolsa S.A. incorporou as ações da Bovespa Holding S.A. A “Incorporação de Ações” é regida pelo artigo 252 da Lei 6.404/76 e, conforme descrito na “Exposição de Motivos” da Lei “é meio de tornar a companhia subsidiária integral, e equivale à incorporação de sociedade sem extinção da personalidade jurídica da incorporada.” Assim, a “Incorporações de Ações” foi o “meio”, ou a forma adotada para tornar a Bovespa Holding S.A. uma subsidiária integral da Nova Bolsa S.A. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a sociedade que teve as ações incorporadas passa a ser subsidiária integral da Incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Na operação de Incorporação de ações observase a existência de três partes envolvidas: • a sociedade investida (no caso a Bovespa Holding S.A), representada por seus sócios, que se torna uma subsidiária integral e, portanto, passará a ter um único acionista; • a sociedade incorporadora das ações (no caso a Nova Bolsa), que terá o seu capital aumentado em decorrência de subscrição de capital feita pela terceira parte; • os sócios ou acionistas da sociedade investida, que substituirão as ações representativas do capital daquela que se tornará subsidiária integral por ações da sociedade incorporadora que terá o seu capital aumentado. Os negócios jurídicos que compõem o instituto da incorporação de ações Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.010 8 ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembleias, nos termos do artigo 252 da Lei nº 6.404/76, definindo os valores do aumento de capital e a relação de substituição de ações, observadas as prescrições legais tendentes a proteger acionistas minoritários. (...) 3.1 RELAÇÃO DE SUBSTITUIÇÃO E “EQUILÍBRIO ACIONÁRIO” (...) Na “Incorporação de Ações”, a “relação de substituição” de Ações é expressa pela quantidade de ações a serem atribuídas aos sócios da companhia que terá suas ações incorporadas em substituição aos seus direitos que se extinguirão. (...) O “Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações” firmado entre os órgãos de administração da Nova Bolsa S.A. e da Bovespa Holding S.A., em seu item “2” trata da relação de substituição de ações, tendo sido “considerada justa e equitativa aos acionistas de ambas as companhias”. 2. Relação de substituição, número e espécie de ações a serem atribuídas aos acionistas da Bovespa Holding e direitos das ações. 2.1. Os acionistas da Bovespa Holding receberão 1,42485643 ações ordinárias para cada ação ordinária e 1 ação preferencial resgatável da Nova Bolsa para cada 10 ações ordinárias de Bovespa Holding de sua propriedade, resultando na emissão total, pela Nova Bolsa, de 1.030.012.191 ações ordinárias e 72.288.840 ações preferenciais resgatáveis (“Novas Ações”). 2.1.1. A relação de substituição de ações de Bovespa Holding por ações de Nova Bolsa ora fixada: (a) considerou a incorporação prévia, à Nova Bolsa, do patrimônio líquido de BM&F, sendo considerada justa e equitativa para os acionistas da Bovespa Holding; (b) tomou como base Relatórios emitidos pelos Bancos de Investimentos referidos no item 8.4 deste Protocolo e Justificação; e (c) considerou (i) o exercício, pelos respectivos beneficiários, de 100% das opções outorgadas no âmbito do Programa de Reconhecimento do Plano de Opção de Compra de Ações da Bovespa Holding, i.e. de 14.618.400 ações ordinárias da Bovespa Holding, passíveis de exercício em razão da reorganização societária ora proposta, cuja emissão será verificada na Assembleia Geral Extraordinária de acionistas da companhia que deliberar sobre o presente Protocolo e Justificação, devendo o número total de ações de Nova Bolsa a serem emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding ser ajustado caso o exercício se dê em número menor, e (ii) o exercício, em data futura, pelos respectivos beneficiários, de 100% das opções contratadas no âmbito do Plano de Opção de Compra de Ações da BM&F, tendo por objeto 19.226.391 ações ordinárias da BM&F. (...) 2.5. Após a Incorporação da BM&F, os atuais acionistas da BM&F deverão, já na qualidade de acionistas da Nova Bolsa, deliberar sobre a Incorporação das Ações da Bovespa Holding, observandose o que segue: Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.011 9 (a) os acionistas da Bovespa Holding receberão ações ordinárias da Nova Bolsa correspondentes a uma participação de 50% do total de ações ordinárias da Nova Bolsa (remanescendo os demais 50% sob a titularidade dos acionistas da atual BM&F), percentuais esses atingidos considerando: i. o exercício integral das opções de compra de ações dos beneficiários do atual Programa de Reconhecimento do Plano de Opção de Compra de Ações da Bovespa Holding, o que deverá ocorrer até a data da Incorporação das Ações da Bovespa Holding; e ii. o exercício integral, em data futura, das 19.226.391 opções de compra de ações já contratadas no âmbito do atual Plano de Opção de Compra de Ações da BM&F, as quais se propõe sejam recepcionadas pelo Plano de Opção de Compra de Ações da Nova Bolsa, mantendose seus termos e condições; e (...) (b) os acionistas da Bovespa Holding receberão 72.288.840 ações preferenciais resgatáveis da Nova Bolsa a serem resgatadas contra o pagamento do valor total de R$1.240 milhões, o que corresponde a R$ 17,15340847 por ação. 2.6. A relação de substituição referida no item 2.1 acima foi negociada entre as administrações da Bovespa Holding e da BM&F, é considerada justa e equitativa aos acionistas de ambas as companhias e foi proposta pelos administradores da Bovespa Holding após a discussão dos Relatórios emitidos pelos Bancos de Investimento referidos no item 8.4 abaixo. Nesse mesmo contexto, a composição e o equilíbrio acionários referidos no item 2.5(a) não serão alterados em função de eventuais etapas subsequentes de consolidação ou simplificação da estrutura societária das companhias cujo patrimônio e ações irão integrar a Nova Bolsa, sendo certo que tais etapas subsequentes, se e quando verificadas, não ensejarão, em qualquer caso (ressalvadas as disposições aqui constantes sobre exercício de opções de compra de ações), a emissão de novas ações da Nova Bolsa para qualquer dos conjuntos de acionistas de tais companhias. 3.1.1 EQUILÍBRIO ACIONÁRIO O item 2.5, (a), do “Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações”, reproduzido acima, trata de “Equilíbrio Acionário”. “Equilíbrio acionário” foi a designação dada pelas partes envolvidas na reorganização das bolsas ao “prérequisito” acordado entre os acionistas das bolsas, estipulandose que ao final do processo cada parte ficaria com 50% do total das ações da nova empresa formada pela união das BM&F S.A e a Bovespa Holding S.A., no caso a Nova Bolsa S.A. “Equilíbrio acionário” foi uma peculiaridade do processo de reorganização sob análise, não exigível pelo instituto da Incorporação de Ações e que nada tem a ver com a equidade buscada na relação de substituição de ações. O capital social da Nova Bolsa S.A., após a incorporação da BM&F S.A., seria representado por 1.030.012.191 ações ordinárias, assim, a forma de se atingir o “equilíbrio acionário” foi a emissão e entrega do mesmo número de ações aos acionistas da Bovespa Holding S.A. Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.012 10 Os acionistas da Bovespa Holding S.A. possuíam, na data da incorporação, 722.888.403 ações ordinárias representativas do capital social da companhia. Assim, a proporção encontrada para se atingir o “equilíbrio acionário” foi de: 1.030.012.191 ações da Nova Bolsa S.A. = 1,424856433 722.888.403 ações da Bovespa Holding S.A. A relação acima (1,424856433) reflete a relação entre o número de ações de cada companhia, mas não reflete ainda a relação de substituição de ações, prevista no artigo 224 da Lei das S.A. A relação de substituição de ações da Lei das S.A. visa atingir uma relação de equidade entre os valores das ações que estão sendo entregues e recebidas por cada uma das partes e a relação de substituição de ações realizada entre as partes, verificada acima, visou atender, tão somente, o “equilíbrio acionário”. Encontrar a relação de substituição de ações é a técnica de se exteriorizar no mundo jurídico a equivalência e a comutatividade da operação e não a igualdade nominal. Em outras palavras, a representação numérica dos títulos de propriedade pode até ser alterada, mas a riqueza econômica não. No caso da reorganização da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A., o “pré requisito” do “equilíbrio acionário” resultou na necessidade de adotarse uma forma de compensação aos acionistas da Bovespa Holding S.A., para que se atingisse uma “relação de substituição de ações” equitativa, tendo em vista que sua empresa possuía um valor (de mercado) superior ao da BM&F. A forma adotada pelas partes foi feita por meio da emissão/resgate de Ações Preferenciais Resgatáveis aos acionistas da Bovespa no valor de R$ 1.240.000,00 (Um bilhão, duzentos e quarenta milhões de reais), como descrito nas etapas de reorganização. (ii) Na mesma data, em deliberação distinta e subsequente, Incorporação das Ações da Bovespa Holding, pela Nova Bolsa, nos termos deste Protocolo e Justificação, incluindo a emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas da Bovespa Holding, de ações ordinárias e de ações preferenciais resgatáveis; (iii) resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding; Essa fiscalização não questiona a relação de substituição de ações encontrada pelas partes, mas ressalta que os critérios de valoração que visam definir a relação de substituição dos direitos de sócios por ações da companhia incorporadora não se confundem com os critérios que servirão para avaliação e registro contábil da participação societária adquirida. 3.2 – DA AVALIAÇÃO DAS AÇÕES INCORPORADAS A avaliação das ações incorporadas é determinada pelo § 1º do artigo 252 da Lei 6.404/76: Art. 252 ... Fl. 3012DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.013 11 § 1º A assembleia geral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; A avaliação das “ações a serem incorporadas” é feita com o propósito de se determinar o valor da companhia que irá se tornar uma subsidiária integral. Embora os termos da norma digam para avaliar as ações, o sentido real é o de se avaliar a companhia cujas ações serão incorporadas. Foi o que fez a Nova Bolsa S.A. A avaliação da companhia Bovespa Holding S. A. foi realizada pela Deloitte, Touche Tohmatsu Consultores Ltda. DTT, que apresentou “Laudo de Avaliação Econômico financeira” (fls.123 a 168) concluindo o seguinte: “... estimamos que, na data base 31 de dezembro de 2007, o valor justo de mercado da totalidade das ações da Companhia se situa no intervalo de R$ 20.724 milhões a R$ 22.319 milhões,...” Reporta o referido laudo de avaliação, dentre outras considerações: “Para se calcular o valor justo de mercado das ações da BOVESPA Holding, adotamos a metodologia de Fluxo de Caixa Futuro Descontado a Valor Presente” “Os fluxos de caixa operacionais foram projetados para o período de 1º de janeiro de 2008 até 31 de dezembro de 2017” “Ativos e passivos não operacionais foram somados ao valor presente dos fluxos de caixa projetados ou deles deduzidos” Por tratarse a companhia avaliada de uma “holding”, que tem como objetivo principal a participação em outras sociedades, devemos destacar que a avaliação feita com base no Fluxo de Caixa Futuro Descontado a Valor Presente referese às atividade de suas subsidiárias integrais CBLC e BVSP, que eram as empresas operacionais pertencentes à Bovespa Holding S.A., como esclareceu o contribuinte em resposta encaminhada a esta fiscalização (fls. 627). “Com relação ao valor de rentabilidade futura da Bovespa Holding S.A., esclarecemos que seus resultados refletiam aqueles de suas controladas, notadamente a Companhia Brasileira de Liquidação e Custodia S.A. (“CBLC S.A.”) e a Bolsa de Valores de São Paulo BVSP S.A.(“BVSP S.A.”), conforme de Avaliação Econômico Financeira elaborado pela DTT” (...) O laudo de avaliação assim se refere às atividades operacionais que gerariam os “fluxos de caixa operacionais projetados” para o período de 2008 a 2017: “A BOVESPA Holding, por meio de suas subsidiárias, abrange toda a cadeia relacionada às operações com títulos mobiliários: (i) negociação; (ii) compensação e liquidação; (iii) empréstimo de títulos e valores mobiliários; (iv) depositária, custódia e atividades; (v) listagem; (vi) comercialização se cotações e informações de mercado; e (vii) licenciamento de software e índices de ações. Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.014 12 As atividades de listagem, negociação, comercialização de cotações e informações de mercado, de processamento de dados, licenciamento de software e índices de ações são desenvolvidas por meio da controlada BVSP, enquanto as demais são exercidas pela controlada CBLC”. Embora a Bovespa Holding S.A., com a incorporação de todas as suas ações, passe a fazer parte, integralmente, do patrimônio da Nova Bolsa S.A., não há obrigatoriedade para que o valor da avaliação da companhia seja utilizado como valor contábil a ser registrado pela incorporadora, nem que seja o “valor da transação” entre as partes. Analogamente ao preconizado pelo artigo 226 da lei 6.404/76, a lei não permite que o aumento do patrimônio da Nova Bolsa S.A. seja maior do que o valor da avaliação, a fim de garantir o direito dos credores da incorporadora, mas a incorporação das ações da incorporada pode ser feita por valor inferior ao da avaliação. Assim, o contribuinte realizou a incorporação das ações da Bovespa Holding S.A. ao seu patrimônio por valor completamente diverso do apontado pelo laudo de avaliação e por critério de avaliação completamente diverso do utilizado pelo laudo de avaliação. É esta a forma disposta na ata da AGE que aprovou a incorporação das referidas ações: 5.5. Registrar que o valor de mercado atribuído às ações de Bovespa Holding a serem incorporadas pela Companhia é de R$17.942.090.162,46, equivalente à média ponderada pelo volume financeiro transacionado das cotações médias, ajustadas pelos proventos distribuídos, observadas nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. BVSP nos últimos 30 dias que antecederam 19.02.08, correspondente a R$ 24,82 por ação, valor este respaldado pelo Laudo de Avaliação. “Respaldado pelo Laudo de Avaliação”, pois o valor utilizado é menor do que o apresentado no laudo de avaliação. 3.3 – DO AUMENTO DE CAPITAL Art. 224. As condições da incorporação,... constarão de protocolo..., que incluirá: V – o valor do capital das sociedades a serem criadas ou do aumento ou redução do capital das sociedades que forem parte na operação; O valor do aumento de capital da sociedade incorporadora é determinado pelo artigo 252 da lei 6.404/76 ao estabelecer que seja realizado pelo valor das ações incorporadas e que deverá constar no protocolo de incorporação. Art. 252 .... § 1º A assembleia geral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas... Fl. 3014DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.015 13 § 2º A assembleia geral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas;... Cabe esclarecer, contudo, que o legislador, ao determinar a subscrição do aumento de capital com as ações a serem incorporadas, não quis dizer que as ações incorporadas fossem registradas na conta contábil do “capital”. As ações incorporadas representam o investimento da companhia em sua subsidiária integral e, obviamente, essa “participação societária” será registrada em conta do “ativo” da companhia incorporadora. O valor das ações é que deve ir para o aumento de capital, com visto na exposição de motivos da Lei 6.404/76, ao definir o “capital”: “O Projeto reserva a expressão “capital social”, ou simplesmente “capital”, para significar o montante de capital financeiro de propriedade da companhia que os acionistas vinculam ao seu patrimônio, como recursos próprios destinados, de modo permanente, à realização do objeto social”. Assim, a assembleia geral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, com o valor das ações a serem incorporadas, que contabilmente serão registradas no “ativo” da companhia incorporadora como “investimentos em participações societárias”. A conta contábil que deveria registrar o valor do aumento de capital, em contrapartida ao investimento adquirido (ações ou participação societária), por determinação das normas do artigo 252, seria a conta “capital social”, prevista na estrutura do balanço de uma companhia, no “Patrimônio Líquido”, definido no artigo 182 da Lei 6.404/76, que define, também, a natureza dos eventos que serão classificados e registrados em cada uma das contas: “capital social”, “reservas de capital”, “ajustes de avaliação patrimonial”, “reservas de lucros' e “ações em tesouraria”. Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; (revogada); d) as doações e as subvenções para investimento, (revogada) § 2º Será ainda registrado como reserva de capital o resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto não capitalizado. § 3º Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos do ativo (§ 5º do art. 177. inciso I do caput do art. 183 e § 3º do art. 226 desta Lei) e do Fl. 3015DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.016 14 passivo, em decorrência da sua avaliação a preço de mercado. (Redação dada pela Lei nº11.638, de 2007) § 4º Serão classificados como reservas de lucros as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia. § 5º As ações em tesouraria deverão ser destacadas no balanço como dedução da conta do patrimônio liquido que registrar a origem dos recursos aplicados na sua aquisição. O item “4.” do “Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações”, trata do “Aumento do patrimônio líquido da Nova Bolsa. Composição do Capital Social e ações da Nova Bolsa após a incorporação das Ações da Bovespa Holding”: 4.1. O valor de mercado das ações de Bovespa Holding a ser incorporado pela Nova Bolsa, é de R$ 17.942.090.162,46, equivalente à média ponderada pelo volume financeiro transacionado das cotações médias, ajustadas pelos proventos distribuídos, observadas nos pregões da BVSP nos últimos 30 dias que antecederam a divulgação do Fato Relevante de 19/02/2008, que corresponde a R$ 24,82 por ação. Propõese, assim, que as 722.888.403 ações ordinárias de Bovespa Holding sejam incorporadas por Nova Bolsa pelo valor de R$ 17.942.090.162,46, valor este suportado pelo laudo da DTT, responsável pela avaliação. Deste valor, R$ 16.415.853.198,58 seriam destinados à constituição de reserva de capital e R$ 1.526.236.963,88 ao capital da Nova Bolsa, com a emissão de 1.030.012.191 ações ordinárias e 72.288.840 ações preferenciais resgatáveis, a serem subscritas pelos administradores da Bovespa Holding, por conta e ordem de seus acionistas, nos termos do artigo 252, parágrafo 2º, da Lei nº 6.404/76, e integralizadas mediante a versão das ações de emissão da Bovespa Holding ao patrimônio da Nova Bolsa. Modesto Carvalhosa referese da seguinte forma ao aumento de capital, quando realizado por “Incorporação de Ações”: “Isto porque, se trata, no seu âmbito, de negócio de aumento de capital por conferência de bens (ações da incorporada)” ou ainda: “No mais, tratase de um aumento de capital da incorporadora, mediante a conferência de todas as ações de emissão da incorporada.” 3.4 – DA EMISSÃO DE AÇÕES SEU VALOR E SEU PREÇO Complementando o presente tópico, que trata da aquisição da participação societária Bovespa Holding S.A pela Nova Bolsa S.A., realizada por meio da “Incorporação de Ações”, cabenos falar da “Emissão de Ações”. É do instituto da “Incorporação de Ações” que o seu termo se efetive com a “emissão de ações” pela companhia incorporadora e entrega aos titulares das ações incorporadas (antigos sócios) da companhia incorporada, que se torna subsidiária integral daquela. Art. 252 (...) § 3º Aprovado o laudo de avaliação pela assembleia geral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. Fl. 3016DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.017 15 Foi o que aconteceu na Incorporação de Ações da Bovespa Holding S.A. pela Nova Bolsa S.A. quando, ao seu término, os antigos sócios da Bovespa Holding S.A receberam 1.030.012.191 ações ordinárias e 72.288.840 ações preferenciais resgatáveis emitidas pela Nova Bolsa S.A. O artigo 252 da Lei 6.404/76 não contempla o elemento “preço de emissão” para as ações da companhia incorporadora entregues aos titulares das “ações incorporadas” tendo em vista que não é o preço que irá determinar a justeza da operação. O próprio contribuinte ao referirse a operação de “Incorporação de Ações”, em carta endereçada a esta fiscalização, afirma: “Como em qualquer operação de incorporação de ações, a emissão das novas ações da Nova Bolsa S. A. se opera, de forma automática, como efeito da aprovação da referida operação pela assembleia geral da Bovespa Holding S.A., com a simultânea subscrição, pelos administradores da Bovespa Holding S. A., das novas ações da Nova Bolsa S.A. e integralização dessas novas ações mediante versão das ações da companhia incorporada. Nessa operação não é aplicável o conceito de preço de emissão, com os critérios individualizadas no parágrafo 1º artigo 170, da Lei nº 6.404/76. Assim, é lícito à assembleia geral fixar, com fundamento nos artigos 14 e 182 da Lei nº 6.404/76 anteriormente citados, que uma parte do valor integralizado seja destinada à formação de reserva de capital e outra parte ao capital social.” Realmente, “nessa operação não é aplicável o conceito de preço de emissão, com os critérios individualizadas no parágrafo 1º artigo 170, da Lei nº 6.404/76”, visto que, na operação de “Incorporação de Ações”, o artigo 252 prevê, como elemento valorativo, o “aumento de capital”. Tanto na “Incorporação de Sociedades”, quanto na “Incorporação de Ações” não há que se falar em “Preço de Emissão das Ações”, uma vez que, as normas relativas as duas formas de incorporação determinam a adoção da “relação de substituição” dos direitos dos sócios por ações representativas do capital social da incorporadora como garantia a equitatividade econômica a ser preservada para as partes envolvidas. 3.5 – CONCLUSÕES ACERCA DA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES Assim, da análise do instituto da “Incorporação de Ações”, no que se refere aos aspectos que possam trazer consequências tributárias, concluise o seguinte: • O instituto da “Incorporação de Ações” é “meio” a tornar uma companhia subsidiária integral de outra e pode ser utilizado como forma de reorganização societária; • O artigo 252 da Lei 6.404/76 é completo ao tratar da “Incorporação de Ações” estipulando as regras e procedimentos que devem ser obedecidos em sua plenitude; • A determinação da “relação de substituição” de ações é ato que antecede a “Incorporação de Ações” e utiliza critérios estabelecidos entre as partes para sua definição (não questionados por esta fiscalização); Fl. 3017DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.018 16 • Na “Incorporação de Ações” as ações incorporadas são classificadas como “participações societárias” no ativo da companhia incorporadora e o valor da contrapartida deve ser classificado na conta contábil que registre o valor do aumento do capital social; • À “Incorporação de Ações” não se aplicam as normas da Lei 6.404/76 relativas a “preço de emissão”; • Na “Incorporação de Ações” o elemento de mensuração da operação é o valor do aumento de capital; • A “Incorporação de Ações”, se realizada na forma prevista no artigo 252 da Lei 6.404/76, resulta em um acréscimo patrimonial no exato valor do aumento do capital social autorizado; Pondera, ainda, a autoridade fiscal: • segundo o § 2º do art. 177, da Lei nº 6.404/76, as disposições da lei tributária que prescrevam, conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem registros, lançamentos ou ajustes ou elaboração de outras demonstrações financeiras devem ser observados exclusivamente em livros ou registros auxiliares; • sendo assim, os fatos econômicos ou jurídicos que gerem fluxos de recursos e geração de riqueza para as sociedades devem ser observados sob seus aspectos fiscais e não sob aspectos contábeis, que são influenciados, inclusive, por normas da CVM e padrões internacionais de contabilização; • no que tange ao tratamento fiscal das participações societárias em subsidiárias integrais, a Lei nº 6.404/76 instituiu o denominado “Método da Equivalência Patrimonial” (MEP), regulamentado pelo direito tributário nos artigos 20 a 26 do Decretolei nº 1.598/77; • A contabilização de um ativo adquirido por uma companhia requer a verificação de pelo menos dois critérios: o critério de classificação e o critério de avaliação, ambos normatizados pela Ciência Contábil; • a classificação, tratada no art. 179 da Lei nº 6.404/76, serve para determinar em que conta contábil o ativo será registrado circulante ou permanente e suas subcontas investimentos, imobilizado, intangível ou diferido; • a avaliação, por sua vez, determina o valor pelo qual o ativo deve ser registrado contabilmente e é tratada no art. 183 da referida Lei; • no caso da aquisição da Bovespa Holding S.A. pela Nova Bolsa S.A., quanto à classificação, a conta do ativo permanente “investimentos” é a conta reservada às participações permanentes em outras sociedades e aos direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da empresa (Lei 6.404/76, art. 179, III) e, quanto à avaliação, devese observar o disposto no inciso III, do artigo 183, que remete a avaliação de participações societárias em controladas aos artigos 248 a 250 da Lei 6.404/76; • no tocante às regras fiscais, o Método da Equivalência Patrimonial MEP trata da “Avaliação do Investimento no Balanço” no artigo 21 e da classificação ou Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.019 17 “Desdobramento do Custo de Aquisição”, para registro contábil, no artigo 20 do Decretolei nº 1.598/77; • o MEP, por sua vez, é aplicável em duas situações distintas: (1) por ocasião da aquisição da participação societária e (2) por ocasião da elaboração de cada balanço patrimonial; • na aquisição da participação, o ativo deverá ser registrado pelo “custo de aquisição do investimento” (art. 21), devendo ser classificados em duas subcontas contábeis do investimento: uma para registrar o valor do patrimônio líquido, determinado segundo as regras do MEP, e outra para registrar o valor do ágio ou deságio, se houver; • o ágio, portanto, corresponde à diferença entre o custo de aquisição e o correspondente valor do patrimônio líquido da controlada (equivalência patrimonial); • no caso em tela, primeiramente foi empregado o critério de avaliação econômico financeira, com base no “Fluxo de Caixa Futuro Descontado a Valor Presente”, tendo sido encontrado um valor econômico da Bovespa Holding S.A. entre R$ 20,7 bilhões e R$ 22,3 bilhões; • em seguida, a assembleia geral da Nova Bolsa S.A. aprovou que o valor de mercado atribuído às ações a serem incorporadas seria de R$ 17.942.090.162,46, valoradas pelo critério de avaliação econômico pelo valor de mercado, obtido pela média de 30 dias de seus preços no pregão da bolsa de valores; • o valor de R$ 17.942.090.162,46, resultante de uma avaliação econômica da companhia Bovespa Holding S.A., foi atribuído como valor da operação e para registro contábil da participação societária então adquirida, tendo sido este o valor considerado como “custo de aquisição do investimento”, para todos os efeitos, conforme entendimento exposto em correspondência endereçada a esta fiscalização; • desta forma, o valor contábil do “custo de aquisição do investimento” foi atribuído por um critério de avaliação econômico da “empresa” Bovespa Holding S.A. e não por um critério contábil; • no MEP, o critério de avaliação econômico da “empresa” Bovespa Holding S.A foi utilizado para determinar o valor do “custo de aquisição do investimento” e não o valor do ágio na aquisição do investimento; • por seu turno, as normas do MEP (art. 21, inc. II, do DL nº 1.598/77) estabelecem que, para a determinação do valor do patrimônio líquido da controlada ou coligada, é necessário verificar se há uniformidade entre os critérios contábeis adotados pela controlada ou coligada e os critérios adotados pelo contribuinte, devendose proceder aos devidos ajustes caso os critérios não sejam uniformes; • a Nova Bolsa S.A. ao adquirir a participação societária na Bovespa Holding S.A., por ocasião do registro contábil inicial de seu ativo (investimentos em participações societárias), adotou o critério contábil de avaliação pelo valor de mercado (média de 30 dias do preço das ações em bolsa de valores); • o “Balanço Patrimonial” da Bovespa Holding S.A., utilizado para o MEP, não foi elaborado com base no valor de mercado, e sim com base nos critérios Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.020 18 contábeis dos elementos do ativo e passivo valorados pelos seus “custos históricos” e as subsidiárias integrais, CBLC e BVSP, avaliadas pelo MEP; • logo, a diversidade de critérios contábeis entre a Nova Bolsa S.A e a Bovespa Holding S.A. é evidente, mormente porque o elemento de discrepância se verifica justamente nos critérios de avaliação relativos à empresa Bovespa Holding S.A.; • dada essa divergência de critérios, deveria a participação societária na Bovespa Holding S.A. adotar como patrimônio líquido ajustado, nos termos do art. 21 do DL nº 1.598/77, exatamente o mesmo valor utilizado pela Nova Bolsa S.A., apurado segundo o seu valor de mercado, ou seja, o equivalente a R$ 17.942.162,46; • as regras do MEP determinam a adoção de critérios contábeis uniformes na avaliação dos elementos patrimoniais, inclusive dos investimentos em participação societária; assim, a avaliação do elemento que foi utilizado para determinar o valor do “custo de aquisição do investimento” para o MEP não pode ser diferente da avaliação do mesmo elemento, quando este servir para determinar o valor do “patrimônio líquido”, a ser utilizado pelo Método e que servirá para avaliar e classificar o investimento; • além disso, o § 2º, do art. 20, do DL nº 1.598/77 estabelece que o ágio escriturado deve indicar o seu respectivo fundamento econômico, dentre os seguintes: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; e c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas; • contudo, apenas a hipótese prevista na letra b pode ser objeto de amortização para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; • consoante ensinamentos do Professor Marco Aurélio Greco, nos casos de “aquisição em razão de operação que suponha a avaliação da participação societária para fins de versão desta participação” se “existir alguma expectativa de rentabilidade futura ela já estará inserida no conjunto de bens e direitos titularizados, vale dizer, estará integrada em algum intangível identificado ou no fundo de comércio ali existente”, previstos nas letras “a” e/ou “c”, do artigo 20, § 2º, do DL nº 1.598/77; • e, no caso de aquisição em razão de “compra” de participação societária celebrada entre pessoas jurídicas não vinculadas, o ágio deve ser residual, o termo “compra”, neste caso, corresponde à hipótese de alguém não vinculado que paga para se tornar titular daquela participação societária; • assim, se existir ágio na aquisição de uma participação societária, devese alocar primeiro a parcela do ágio referente ao disposto na letra “a”, do § 2º do artigo 20, do DL 1.598/77, em seguida alocase a parcela referente a letra “c” e, por último, se ainda restar, alocase a parcela do ágio relativa à rentabilidade futura (entidade autônoma), prevista na letra “b”; • segundo normas da CVM, apenas poderia ser considerado “ágio por rentabilidade futura” aquele que ultrapassar o valor de mercado dos ativos e passivos da controlada; Fl. 3020DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.021 19 • por ser a controlada da Nova Bolsa S.A. uma holding, os seus ativos eram as participações societárias na BVSP e na CBLC, suas subsidiárias integrais; • pelo laudo de avaliação da Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda. DTT, o valor de mercado de seus ativos (BVSP e CBLC) foi determinado com base no “valor presente dos fluxos de caixa líquidos gerados pelas operações da empresa no futuro”, haja vista que os fluxos de caixa considerados foram os das empresas CBLC e BVSP; • concluise assim que o ágio não poderia ter sido registrado com fundamento na rentabilidade futura pois, conforme demonstrado, o fundamento do ágio em questão é o valor de mercado dos ativos do contribuinte, ou seja, tratase da hipótese prevista na letra a, do § 2º, do art. 20 do Decretolei nº 1.598/77. (...) Verificadas as constatações da Fiscalização acima reproduzidas, identificouse valores referentes a despesas de “ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS” registrados na conta contábil 1.3.4.02.00019 nos anoscalendário 2008 e 2009, considerados indevidamente deduzidas na apuração anual das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, os quais foram computados para a lavratura dos correspondentes autos de infração (fls. 03/13 e 14/25), bem como apurouse os valores mensais que não foram considerados para fins de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ e de CSLL, no curso do anocalendário 2009, e que ensejaram a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, inc. II, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Cientificada das imputações fiscais (fls. 04 e 15), a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 821 – 896), alegando em síntese: “(...) • que são nulos os autos de infração, por ser ilíquido e incerto o valor do crédito tributário lançado, haja vista que a autoridade fiscal equivocouse na apuração do tributo devido relativamente ao anocalendário 2008; • a fiscalização não considerou que na DIPJ de incorporação, relativa ao período de apuração encerrado em 28/11/2008, ouve a efetiva adição do valor de R$ 283.868.588,48; • sendo assim, a base de cálculo correta para o anocalendário de 2008 é de R$ 36.597.379,44, consoante nota técnica emitida pela PricewaterhouseCoopers Auditores Independentes (fls. 1425 1446); • quanto à falta critérios contábeis uniformes apontada, entende ser descabida a conclusão da fiscalização, pois há que se diferenciar o critério de mensuração do ativo para fins de precificação do critério de mensuração de ativo para fins de reconhecimento contábil; • na operação de incorporação de ações da Bovespa Holding S/A, a sua aquisição se deu pelo valor de rentabilidade futura (apurada com base em laudo de avaliação), limitada pelo valor de mercado (R$ 17.942.090.162,46); Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.022 20 • o critério de avaliação e registro contábil, por seu turno, consta na Resolução CFC nº 750/93, que estabelece o Princípio do Registro pelo Valor Original; • no caso, o valor original de aquisição das ações incorporadas é o valor das ações da sociedade, devidamente amparado por laudo de avaliação aprovado pela assembleia geral da incorporadora, nos termos do § 3º, do art. 252, da Lei nº 6.404/76 (Lei das S/A); • ou seja, o ativo tem como custo de aquisição (custo histórico) o valor de R$ 17,94 bilhões, ainda que não tenha havido desembolso financeiro pelo adquirente, conforme conclusão contida em parecer elaborado pelo Prof. Eliseu Martins (fls. 1124 1135); • sendo assim, os critérios contábeis são uniformes, pois tanto o impugnante como a Bovespa Holding adotam o mesmo critério (custo histórico segundo o preço pago) de reconhecimento e mensuração para registrar, contabilmente, a aquisição dos investimentos; • por seu turno, tendo em vista a necessidade de avaliar os seus investimentos pelo Método da Equivalência Patrimonial (MEP), nos termos do art. 248 da Lei nº 6.404/76, dos arts. 20 e 21 do Decretolei nº 1.598/77 e da Instrução CVM nº 247/96, o custo de aquisição deve ser desdobrado em valor de patrimônio líquido e ágio, critério este utilizado tanto pela incorporadora como pela incorporada, no caso em questão; • por não haver adoção de critérios contábeis distintos, como afirmado pela fiscalização, deverá ser cancelada a autuação em questão; • o agente fiscal, bem assim o jurista Marco Aurélio Greco, equivocamse ao fazer distinção entre a aquisição de participação societária por força de incorporação de ações e a aquisição de ações por meio de compra e venda, supostamente porque somente nesta última haveria pagamento; • no caso de subscrição com integralização de bens (ações), ocorre uma aquisição de uma participação societária, em que as ações adquiridas (da Bovespa Holding) seriam “pagas” com o capital subscrito (os acionistas da Bovespa Holding receberiam ações do impugnante como pagamento), e este custo deveria ser desmembrado em valor do investimento pela equivalência patrimonial e ágio; • a operação escolhida pelo impugnante foi o negócio jurídico de incorporação de ações, previsto no art. 252 da Lei das S/A, que estabelece que o valor do custo de aquisição seja suportado por laudo de avaliação; • nesse caso, não há que se falar em “pagamento em dinheiro”, pois este elemento não faz parte do negócio jurídico de incorporação de ações; • sendo assim, os atos praticados pelo impugnante estão em total conformidade com o Direito Contábil Societário; • com relação às formas de aquisição da participação societária, o art. 20 do Decretolei nº 1.598/77 não traz nenhuma referência a um negócio jurídico específico; o direito privado traz diversas formas jurídicas possíveis de aquisição, todas elas válidas para fins do Direito Contábil Tributário; Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.023 21 • portanto, não há justificativa para se exigir o pagamento em dinheiro para que seja válido o custo de aquisição da participação societária com base na expectativa de rentabilidade futura; • não se pode confundir “pagamento em dinheiro” com “custo de aquisição”; • ainda que se admita a tese da fiscalização de que o ágio fundamentado em valor de rentabilidade futura seja residual em relação aos outros dois fundamentos previstos no § 2º, do art. 20, do DL 1598/77, fato é que o impugnante efetivamente discriminou os valores com base nesses dois fundamentos, tendo amortizado apenas o valor efetivamente residual do ágio, conforme a tese construída pelo autuante; • o valor total do custo de aquisição das ações da Bovespa Holding (R$ 17,942 bilhões) foi desmembrado em valor do investimento pela equivalência patrimonial e ágio (R$ 16,388 bilhões); • embora não tenha ocorrido a classificação do ágio para fins societários, com base no seu fundamento econômico, o impugnante efetuou a referida classificação para fins de amortização fiscal do ágio (regra do Direito Contábil Tributário); • o valor do ágio foi classificado pelo seu fundamento econômico em: (i) valor de mercado de bens do ativo superior ao custo registrado na contabilidade, nos valores de R$ 1.226 mil (valor de mercado de obras de arte acima do valor contábil), R$ 488 mil (valor de mercado de bens do ativo imobilizado acima do valor contábil) e (R$ 5.534 mil) (menos valia de softwares) conforme relatórios de avaliação específicos (fls. 1137 1201); e (ii) intangíveis individualizáveis, no valor de R$ 2,929 bilhões (com base em laudo de avaliação elaborado por empresa de consultoria especializada – fls. 1252 1311); • a Nota Técnica elaborada para o presente caso demonstra como foi obtido o exato valor do ágio amortizável, que totaliza R$ 13,459 bilhões; • o montante que vem sendo efetivamente amortizado pelo impugnante com base na rentabilidade futura já é o valor residual, apurado após a segregação das parcelas referentes aos dois outros fundamentos previstos em lei, consoante avaliação do prof. Eliseu Martins no citado parecer, e foi devidamente informado na nota explicativa nº 20 referente às demonstrações financeiras de 31/12/2008 (fls. 1410 1411); • em nenhum momento a autoridade fiscal questionou a divergência entre o ágio que está sendo amortizado para fins fiscais e o valor total do ágio; • ao contrário, o Sr. Agente Fiscal preferiu apenas transcrever um singelo “capítulo de um livro” elaborado pelo jurista Marco Aurélio Greco, de forma totalmente acrítica, sem o devido cotejamento com (i) a legislação pertinente e, especialmente, com (ii) os presentes atos concretos praticados pelo Impugnante, que demonstram cabalmente que o ágio que está sendo amortizado é residual, exatamente nos termos da “tese” por ele adotada, ou seja, tratase de ágio com fundamento na expectativa de rentabilidade futura; • além disso, a autuação relativa à CSLL afronta o princípio da legalidade, haja vista que inexiste previsão legal para a adição à base de cálculo da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização; Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.024 22 • a base de cálculo da CSLL foi definida pelo legislador no art. 2º e seus §§, da Lei nº 7.689/88, que não elenca como hipótese de adição ao lucro líquido o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial; tanto é assim, que a fiscalização não citou nenhum dispositivo legal específico que preveja referida adição; • devem ser canceladas, ainda, as multas isoladas lançadas pela autoridade fiscal, nos valores de R$ 150.374.388,02 (IRPJ) e de R$ 49.863.671,30 (CSLL), que somente podem ser exigidas caso o Fisco verifique a falta de recolhimento dos tributos, ou recolhimento insuficiente, com base em estimativas mensais, antes do término do anobase; • uma vez encerrados os anosbase de 2008 e 2009, eventuais insuficiências de recolhimento do IRPJ e da CSLL não mais poderão ser punidas pela exigência de multa isolada, conforme já decidiu reiteradas vezes o antigo Conselho de Contribuintes; • ademais, não pode haver, sobre a mesma base de cálculo, acumulação da multa isolada de 50% com a multa de ofício de 75%, tal como ocorre no presente caso; • também devem ser cancelados os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício lançada, pois o art. 84 da Lei nº 8.981/95 prevê a incidência de juros tão somente sobre tributos, e não sobre multa, não sendo o caso, ainda, de se considerar amparada a exigência pelo art. 43, da Lei nº 9.430/96, que permite a cobrança dos juros apenas em relação à multa isolada; • por fim, requer o impugnante seja realizada perícia, “notadamente quanto à apuração de todos os lançamentos contábeis e ajustes feitos para a amortização fiscal do ágio pago na aquisição da Bovespa Holding, demonstrandose que o valor amortizado fiscalmente do ágio corresponde à parcela residual, após a segregação (i) do valor de mercado dos bens do ativo que supere o custo registrado na contabilidade; e (ii) o valor dos intangíveis identificáveis”; • para a perícia, indica seu perito às fls. 895, formulando os respectivos quesitos. A 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 1733 a 1774, julgou o lançamento PARCIALMENTE PROCEDENTE, assentando os fundamentos abaixo reproduzidos: • afastouse a preliminar de nulidade, assentando que o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, disciplina as duas hipóteses de decretação de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal, sendo certo que não se verificou tratarse o lançamento de despacho ou de decisão, e nem tampouco houve preterição do direito de defesa, pois a contribuinte apresentou na peça impugnatória os valores que entende corretos para o anocalendário de 2008, a demonstrar que o seu direito de defesa pôde ser exercido em sua plenitude; • no tocante à necessidade de perícia, destacouse que “os quesitos formulados à folha 895 são todos no sentido de apurar, quantificar e qualificar com maior detalhe os valores amortizados para fins fiscais. Tais elementos, contudo, já foram levantados pela autoridade fiscal e juntados aos presentes autos. O interessado, por sua vez, acostou diversos laudos, alguns especificamente Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.025 23 elaborados para subsidiar a sua peça impugnatória, e poderia ainda ter juntado outras informações que considerasse esclarecedoras”. Superadas as questões formais de nulidade e desnecessidade de perícia, passou a decisão recorrida a se manifestar acerca do mérito, cujos principais tópicos colaciono abaixo: (...) Tratase, no presente caso, da amortização do ágio que fora escriturado pelo interessado por ocasião da incorporação da totalidade das ações da Bovespa Holding S.A., ocorrida em 08/05/2008. Pela incorporação de ações, a Bovespa Holding passou a ser subsidiária integral da autuada, consoante prevê o art. 252 da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações). Com base em seu valor de mercado, as ações recebidas foram avaliadas em aproximadamente R$ 17,94 bilhões e a participação societária foi registrada no ativo de forma desmembrada, sendo R$ 1,54 bilhão escriturado como valor de patrimônio líquido, pelo método da equivalência patrimonial (MEP), e os demais R$ 16,39 bilhões foram registrados como ágio. Como contrapartida, foi lançado a crédito o valor de R$ 1,53 bilhão, na conta de capital social, e o montante de R$ 16,41 na conta de reserva de capital. Posteriormente, em 28/11/2008, o contribuinte absorveu o patrimônio da sua subsidiária integral mediante a transformação societária prevista no art. 227 da Lei nº 6.404/76, ou seja, a controladora incorporou a sociedade controlada, com a extinção da personalidade jurídica desta última. (...) (...) No entendimento do impugnante, a amortização mensal do ágio estaria autorizada pelo inciso III, do art. 386, do RIR/99, por corresponder a ágio com fundamento em valor de rentabilidade da controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, referido no inciso II, § 2º, do art. 385 do mesmo Regulamento. Alega que os laudos juntados às fls. 1137 a 1311 demonstram que o valor amortizado atende aos citados requisitos legais. Pelo laudo de fls. 1137/1201, a Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda. avalia na database de 08/05/2008, a valores de mercado, os imóveis de propriedade da Bolsa de Valores de São Paulo e da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia, que eram empresas controladas pela Bovespa Holding S/A. Com o laudo acostado às fls. 1252/1311, a mesma Deloitte Consultores avalia os ativos intangíveis da Bovespa Holding. Por fim, no laudo às fls. 1205/1250, a Deloitte avalia o valor justo de mercado da totalidade das ações a serem incorporadas, chegando à conclusão de que referido valor se situa no intervalo de R$ 20,724 bilhões a R$ 22,319 bilhões. A metodologia utilizada no laudo foi a de calcular o valor presente dos fluxos de caixa líquidos gerados pelas operações futuras de suas subsidiárias. Conforme explicado no laudo (fls. 1218), a Bovespa Holding, por meio de suas subsidiárias, abrangia toda a cadeia relacionada às operações com títulos e valores mobiliários: (i) negociação; (ii) compensação e liquidação; (iii) empréstimos de títulos e valores mobiliários; (iv) depositária, custódia e atividades afins; (v) listagem; (vi) comercialização de cotações e informações de mercado; e (vii) licenciamento de software e índices de ações. Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.026 24 Com os três laudos acima descritos, afirma o interessado que estaria devidamente comprovado que o valor amortizado para fins fiscais se refere única e exclusivamente à parcela do ágio com fundamento na rentabilidade futura, consoante os valores reproduzidos em sua peça impugnatória às fls. 877/878. Tais valores estariam confirmados pela Nota Técnica produzida pela PricewaterhouseCoopers (fls. 1425/1446). A fiscalização, por sua vez, não admite como provado o fundamento do ágio em rentabilidade futura. De fato, ao analisarmos pormenorizadamente o laudo de fls. 1205/1250, verificase que o objeto da avaliação, em realidade, é o fluxo de caixa produzido pelas operações das empresas controladas pela Bovespa Holding, e não pelas suas próprias operações. Isto equivale a dizer que a avaliação deste laudo diz respeito ao valor econômico e, portanto, ao valor de mercado das suas subsidiárias, que são seus ativos. Sendo assim, revelase irrepreensível a conclusão da autoridade fiscal no sentido de enquadrar o ágio em questão na hipótese prevista no inciso I, do § 2º, do art. 385 do RIR/99, qual seja, ágio com fundamento em valor de mercado de bens do ativo da Bovespa Holding superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade. Nem se diga que, por se tratar de subsidiárias integrais da Bovespa Holding S/A, tudo se passaria como se fosse um patrimônio só, uma pessoa jurídica única, e que, por consequência, a avaliação do conjunto das operações das subsidiárias equivaleria a avaliar as operações da controladora. É consabido que o Direito Pátrio adota a autonomia de cada pessoa jurídica, da controladora e de suas subsidiárias, que têm personalidades jurídicas distintas. Também nas Normas Contábeis adotadas nacional e internacionalmente, há a separação dos patrimônios de cada entidade, segundo o Princípio da Entidade (art. 4º da Res. CFC nº 750/93). A despeito da longa digressão em sua peça impugnatória acerca da relação entre a Ciência Contábil e o Direito, bem assim do esforço do contribuinte em demonstrar a sua pretensa uniformidade de critérios contábeis, resta evidenciado que o valor do ágio ora amortizado tem como fundamento o valor de mercado de suas subsidiárias BVSP e CBLC, que revelouse superior ao respectivo valor registrado na sua escrituração contábil, conforme se depreende da análise contida no laudo de fls. 1205/1250 produzido pela Deloitte. Se a análise tivesse por finalidade a determinação do Valor Presente do Fluxo de Caixa Futuro Descontado da Bovespa Holding, como proposto às fls. 1213, então necessariamente haveria de se fazer projeções quanto ao fluxo de dividendos e de juros sobre o capital próprio a receber de suas subsidiárias, a previsão de aportes de recursos nas empresas controladas, as estimativas das futuras despesas de titularidade da própria Bovespa Holding, etc. Nada consta no referido laudo, quanto a esta matéria. Em vez disso, o laudo traz projeções de receitas e de custos de titularidade de suas subsidiárias, a demonstrar que o objeto de avaliação é, em realidade, o valor de mercado das empresas controladas pela Bovespa Holding. Enfim, foi avaliado o valor de mercado dos seus ativos, como bem concluiu a autoridade fiscal. É nesse exato sentido que a fiscalização considera, com acerto, ter havido falta de uniformidade de critério pois, se de um lado o interessado avalia o valor de mercado das subsidiárias da incorporada para justificar o ágio, de outro, registra para fins societários estas mesmas subsidiárias pelo valor do patrimônio líquido (MEP). Fl. 3026DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.027 25 De forma análoga, outra irregularidade que se verifica nas avaliações e justificativas apresentadas pelo contribuinte está no fato de o laudo de fls. 1137/1201 ter como finalidade a avaliação de imóveis de propriedade das suas controladas, e não dos imóveis da própria Bovespa Holding. Se os imóveis não são de propriedade da incorporada, não podem servir de base para a determinação do ágio de que trata o inciso I, do §2º, do art. 385 do RIR/99, que é o ágio com fundamento em “valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade”. Por corolário, toda a argumentação expendida pelo impugnante no sentido de que o valor do ágio amortizado corresponderia ao valor residual, após a exclusão das parcelas referentes aos valores de mercado de bens do ativo e aos valores dos intangíveis, não se sustenta à luz dos elementos apresentados. As constatações acima, apoiadas diretamente nos laudos apresentados, já são suficientes para justificar a glosa das despesas deduzidas pelo contribuinte, por restar evidenciado que o valor amortizado não corresponde à hipótese do inciso II, do § 2º, do art. 385 do RIR/99. Ocorre que há um outro motivo, muito mais importante, que irremediavelmente macula a pretendida amortização do ágio, conforme se verá a seguir. DA INEXISTÊNCIA DE ÁGIO AMORTIZÁVEL PARA FINS FISCAIS O ágio foi escriturado pelo contribuinte por ocasião da incorporação das ações da Bovespa Holding, ocorrida em 08/05/2008. A incorporação de ações está prevista na Lei nº 6.404/76, nos seguintes termos: Incorporação de Ações Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembleia geral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º A assembleia geral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirar se da companhia, observado o disposto no artigo 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do artigo 230.(redação dada pela Lei nº 9.457/1997) § 2º A assembleia geral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do artigo 230. (redação dada pela Lei nº 9.457/1997) § 3º Aprovado o laudo de avaliação pela assembleia geral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. (...) Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.028 26 (...) Assim, na incorporação de ações os acionistas da sociedade a ser “incorporada” (que se tornará subsidiária integral) entregam todas as suas ações como pagamento na subscrição de aumento de capital da sociedade incorporadora, e desta recebem novas ações de sua emissão. Consoante assevera Modesto Carvalhosa, tratase de “incorporação ficta” pois a sociedade não é incorporada (e nem tampouco extinta) nos moldes previstos no art. 227 da Lei nº 6.404/76, havendo apenas a transferência de seu controle para a sociedade incorporadora. Segundo consta nos documentos acostados aos autos, o contribuinte promoveu, em 2008, a denominada “Integração” entre a BM&F S.A. e a Bovespa Holding utilizandose de dois institutos distintos: a incorporação de sociedade, prevista no art. 227 da Lei 6.404/76, e a incorporação de ações, prevista no art. 252 do mesmo diploma legal. Primeiramente, em 08/05/2008, a fiscalizada, então denominada Nova Bolsa S.A., incorporou pelo valor contábil a sociedade BM&F S.A., cujos acionistas receberam ações de emissão da incorporadora à proporção de 1:1, isto é, receberam uma ação ordinária da Nova Bolsa S.A. para cada ação ordinária que detinham junto à incorporada BM&F S.A., que por sua vez foi extinta em decorrência dessa transformação societária. O valor do patrimônio líquido da incorporada era de aproximadamente R$ 2,62 bilhões, mas seu valor de mercado era aproximadamente de R$ 17 bilhões, pela cotação das suas ações naquela época, conforme apurado pelo agente fiscal. Logo em seguida, ainda no mesmo dia 08/05/2008, o contribuinte incorporou a integralidade das ações da Bovespa Holding S.A., que se tornou sua subsidiária integral. Nessa incorporação de ações, os exacionistas da Bovespa Holding entregaram todas as suas ações ordinárias e receberam, por cada ação entregue, 1,42485643 ação ordinária e 0,1 ação preferencial resgatável de emissão da Nova Bolsa S.A.. Logo em seguida, as ações preferenciais foram resgatadas, tendo sido pago o valor de R$ 17,15340847 por ação. Conforme consignado de forma expressa no seu Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal não questiona a relação de substituição de ações determinada pelos acionistas das sociedades. A irregularidade apurada pelo Fisco relacionase com outro aspecto da operação, vez que a discordância diz respeito aos critérios de avaliação e escrituração contábil da participação societária adquirida. No presente processo, inexistem divergências relativamente ao ingresso das ações da Bovespa Holding no ativo do interessado, no sentido de que, por corresponder à efetiva aquisição de participação societária, há que se escriturar as ações recebidas segundo o seu custo de aquisição. Sendo assim, aplicase plenamente a norma contida no art. 385 do RIR/99, ou seja, o desdobramento do custo de aquisição em valor patrimonial e ágio, quando for o caso. Também não se nega vigência ao Princípio do Registro pelo Valor Original (Resolução CFC nº 750/93). A divergência se estabelece, no entanto, no tocante à avaliação do custo de aquisição a ser considerado para fins fiscais, o que repercute na determinação do ágio amortizável. Alega a autuada que a autoridade fiscal equivocadamente confunde valor do pagamento com custo de aquisição e que, no seu entendimento, deve ser considerado como custo de aquisição (custo histórico) o montante de R$ 17,94 Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.029 27 bilhões, calculado com base no valor de mercado das ações, ainda que não tenha havido desembolso financeiro pelo adquirente. É bem verdade que, nos termos dos §§ 1º e 3º, do art. 252 da Lei nº 6.404/76, a operação de incorporação de ações requer que seja efetuada a avaliação das ações a serem incorporadas. Tal providência foi inserida na legislação societária por reconhecer o legislador a natureza negocial da operação, bem como para resguardar os interesses dos acionistas minoritários. Isto não significa dizer que, pelo simples fato de ter efetuado a avaliação (prevista em lei) dessas ações pela cotação de mercado, a fiscalizada estaria apta a utilizar o valor assim obtido como base para a determinação do ágio dedutível. Ao contrário, o custo de aquisição da participação societária há de refletir o efetivo negócio celebrado entre os acionistas da BM&F S.A. e da Bovespa Holding. Em geral, quando um negócio é liquidado mediante pagamento em dinheiro, o valor da transação (e, portanto, o custo de aquisição da participação societária) pode ser diretamente determinado pelo montante pago, ressalvada a constatação de eventuais vícios no negócio jurídico (como, por exemplo, na hipótese em que as partes forem pessoas ligadas). Na incorporação de ações em apreço, como contrapartida à aquisição do investimento na Bovespa Holding que passou a integrar o seu ativo, o contribuinte escriturou uma parcela como aumento, subscrição e integralização de seu capital social, com a subsequente entrega das ações emitidas aos subscritores (os acionistas anteriores da Bovespa Holding). Uma outra parcela foi lançada como reserva de capital. Alega o impugnante que o evento societário teria ocorrido sem desembolso financeiro, devendo ser escriturado pelo valor de R$ 17,94 bilhões, que é o valor atribuído às ações incorporadas na Assembleia Geral Extraordinária, ocorrida em 08/05/2008, com base em recentes cotações de mercado. Entretanto, pelo que consta nos presentes autos, verificase que o negócio celebrado entre as partes não foi devidamente qualificado pelo contribuinte e não está apropriadamente registrado na escrituração apresentada à fiscalização. Nunca é demais lembrar que, na aplicação da norma tributária, a essência do negócio deve prevalecer sobre a sua forma, sobre a sua aparência. Nesse diapasão, impende ressaltar que, em essência, o efetivo negócio jurídico ocorreu entre os acionistas da BM&F S.A. e os da Bovespa Holding. Por seu turno, a Nova Bolsa S.A., que figurou como incorporadora, havia sido recentemente constituída em 21/12/2007, mas até 08/05/2008 (data do evento) não teve atividades operacionais, não escriturou receitas ou despesas e tinha um capital social de apenas R$ 500,00. Inicialmente os seus únicos sócios eram apenas duas pessoas físicas, que deixaram a sociedade em 29/04/2008 (fls. 1721/1728), e até então nenhum fato ou negócio ocorreu no seio da sociedade. Esses dois sócios foram substituídos por outros dois sócios, também pessoas físicas, que se retiraram em 13/06/2008, permanecendo apenas 46 dias na sociedade. Tais fatos, acrescidos dos demais elementos que foram juntados aos autos (relatórios, apresentações, laudos, comunicados e informações de fatos relevantes, atas de assembleias, protocolo e justificação de incorporação de ações, etc.), demonstram a falta de substância econômica e a artificialidade daquilo que se denominava Nova Bolsa S.A., na data de 08/05/2008. Esse mesmo conjunto de fatos revela ainda que os exsócios da Nova Bolsa S.A. não tiveram papel negocial ativo ou relevante durante toda a reestruturação societária denominada “Integração Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.030 28 Bovespa BM&F”. Tudo indica que a Nova Bolsa S.A., que logo em seguida teve sua denominação alterada para “BM&F BOVESPA S.A. – Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros”, não foi protagonista nos eventos de incorporação acima narrados. Ao contrário, a Nova Bolsa S.A. é, na realidade, apenas o verdadeiro resultado final, o produto obtido com a reestruturação societária ocorrida mediante uma sequência de operações concatenadas e supostamente válidas. É neste contexto que a incorporação das ações da Bovespa Holding, tal como registrado e escriturado pela fiscalizada, aparenta ser um evento societário que não corresponde ao negócio efetivamente ocorrido em 08/05/2008. Consoante se extrai das atas e comunicados ao mercado publicados no decorrer do ano de 2008, ficou estabelecido que após a “Integração” os antigos sócios da BM&F S.A. e da Bovespa Holding passariam a ter participações idênticas na nova sociedade resultante da soma dos seus dois patrimônios, ou seja, que ao final da sequência de operações o conjunto dos exacionistas da BM&F S.A. e o dos exacionistas da Bovespa Holding ficariam, cada um dos dois conjuntos, com o mesmo número de ações. Anteriormente à “Integração”, o patrimônio líquido da BM&F S.A. era maior que o da Bovespa Holding, muito embora o valor de mercado daquela empresa fosse menor que o desta última, conforme relatou a autoridade fiscal. Não é por outro motivo que a forma de quitação estipulada entre as partes, com o fim de “equilibrar” as suas participações na sociedade resultante da reestruturação, foi mediante a entrega de ações resgatáveis aos sócios da Bovespa Holding (a empresa de maior valor) e o seu subsequente resgate, com um desembolso no valor total de R$ 1,24 bilhão (vide, por exemplo, fls. 85). Esse pagamento revela inegável natureza negocial, haja vista que se coaduna com o ajuste patrimonial havido na “Integração”, bem assim com a ordem de grandeza dos montantes envolvidos na transação. Ao proceder assim, resta demonstrado que as partes fizeram as devidas ponderações quanto aos valores de mercado de seus patrimônios e ajustaram o pagamento da diferença encontrada à parte que detinha maior patrimônio. Porém, a avaliação e escrituração do montante de R$ 17,94 bilhões, valor este atribuído às ações recebidas dos exacionistas da Bovespa Holding, não revela propósito negocial algum. Inexiste justificativa para tal registro. Não se questiona aqui, vale ressaltar, se referido valor corresponde ou não ao valor de mercado das ações, tampouco se subsiste ou não conteúdo econômico relativamente ao ativo. Pelo que consta no laudo da Deloitte, bem como no relato feito pela fiscalização, o valor de mercado das ações da Bovespa Holding era, de fato, próximo daquele valor. Sendo assim, em tese, não seria absurdo se as partes fizessem algum negócio com base no valor indicado. Cumpre lembrar que, como já descrito neste Voto, o contribuinte escriturou no ativo a participação societária na Bovespa Holding desmembrada em R$ 1,54 bilhão, calculado pelo MEP, e R$ 16,39 bilhões, como ágio. Como contrapartida, lançou em seu patrimônio líquido os valores de R$ 1,53 bilhão, na conta de capital, e de R$ 16,41 bilhões, em reserva de capital. Contudo, pela análise das sucessivas etapas da estruturação societária, devidamente cotejada com os valores econômicos envolvidos na transação, não se vislumbra propósito negocial na avaliação da participação societária na Bovespa Holding e no seu registro pelo valor de R$ 17,94 bilhões. Se os sócios da BM&F Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.031 29 S.A. hipoteticamente aceitassem a incorporação das ações com base nesse valor, da ordem de dezenas de bilhões de reais, então certamente exigiriam que o seu patrimônio também fosse avaliado com base no mesmo critério, para fins de determinação da sua participação na nova sociedade surgida com a operação societária. Em outras palavras, não é verossímil a situação em que, de um lado, um patrimônio com valor de mercado de dezenas de bilhões de reais é negociado e vertido pelo seu valor contábil de R$ 2,6 bilhão e, de outro lado, um segundo patrimônio, cujo valor contábil é de R$ 1,5 bilhão, seja tratado diferentemente e negociado pelo seu valor de mercado, também da ordem de dezenas de bilhões de reais. Repisese que as considerações pertinentes aos montantes dos patrimônios vertidos na nova sociedade e às eventuais diferenças de valores já haviam sido feitas pelas partes e culminaram por repercutir no resgate das ações preferenciais, no montante de R$ 1,24 bilhão, consoante analisado acima. Os termos contidos no item 4.1 da comunicação de Fato Relevante ocorrida em 17/04/2008 (fls. 96), bem assim no item 2.6 do Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações (fls. 117), da mesma data, evidenciam que o efetivo negócio celebrado entre as partes foi realizado mediante a pactuação das relações de substituição de ações. A avaliação das ações pelo preço de mercado, por sua vez, figurou como mera formalidade, sem qualquer relevância sob o aspecto negocial. Ao escriturar o valor de R$ 16,41 bilhões na conta de reserva de capital, o respectivo acréscimo patrimonial aproveitou a todos os sócios da nova sociedade. Não reflete, como aparenta, um eventual ajuste havido com os sócios da Bovespa Holding, pois não implicou em nenhuma compensação financeira, em nenhum acréscimo na participação societária destes sócios. Ao contrário, fez apenas inflar o patrimônio líquido na mesma medida em que artificialmente aumentava o “custo de aquisição” do ativo. Sendo assim, não há que se falar em “aquisição” e, portanto, não se justifica o correspondente “custo de aquisição” escriturado com supedâneo no indigitado valor de R$ 17,94 bilhões. Ainda que este valor esteja amparado pela cotação de mercado das ações, respaldado por laudo, e mesmo que formalmente “atribuído” em Assembleia Geral Extraordinária (vide Ata às fls. 108, item 5.5), faltalhe o mais importante: a efetiva ocorrência de um negócio com base nesse valor. Observe, por exemplo, que, na apresentação datada de Março/2008 (slides às fls. 77/90), não há referência alguma à avaliação das ações da Bovespa Holding. Ao contrário, pelo que se verifica a partir de seu teor, o verdadeiro negócio previa o resgate, pelos exacionistas da Bovespa Holding, de ações no valor de R$ 1,24 bilhão (fls. 85), a demonstrar que o efetivo ajuste pactuado entre as partes tomou este último valor como base para a transformação societária proposta. Apenas em documentos posteriores é que surge a avaliação a preço de mercado das ações, culminando com a “aprovação” do valor de R$ 17.942.090.162,46. Contudo, todos os laudos, protocolos, atas, enfim, todos os elementos acostados aos autos indicam que a apuração do valor de mercado de R$ 17,94 bilhões não teve repercussão de ordem econômica para os acionistas da BM&F S.A. e da Bovespa Holding, pois não houve desembolso (pagamento), não implicou em criação ou extinção de direitos ou obrigações entre as partes e não alterou a participação dos acionistas no patrimônio resultante do evento societário. A única consequência do registro das ações pelo valor de mercado, tal como levado Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.032 30 a efeito na sua escrituração contábil, foi a redução de tributo obtida pela empresa por via da amortização do ágio. Na sequência, por via indireta, essa redução de tributo favoreceu igualmente os exacionistas da BM&F S.A. e da Bovespa Holding. Em realidade, abstraindose de alguns aspectos de ordem meramente formal, o ágio escriturado pelo contribuinte no contexto desta específica transformação societária muito se aproxima da figura do “ágio gerado internamente”, tão condenado na prática contábil (v. item 20.1.7 do Ofício Circular/ CVM/SNC/SEP nº 01/2007; itens 48 a 50 do Pronunciamento Técnico CPC 04 – Ativo Intangível – do Comitê de Pronunciamentos Contábeis; e item 120, da Resolução nº 1.110/2007 do Conselho Federal de Contabilidade). O ágio gerado internamente surge em transformações societárias em que a transação é feita entre pessoas ligadas, no âmbito de um mesmo grupo econômico, e sem que haja o respectivo desembolso financeiro. Conforme já exposto, o efetivo negócio de “Integração” das bolsas ocorreu entre os acionistas da Bovespa Holding e os acionistas da BMF S/A, que passaram a ser sócios da Nova Bolsa S.A., com participações idênticas no capital da nova sociedade, mediante a entrega de ações preferenciais ao primeiro grupo de acionistas. Ato contínuo, foi efetuada a avaliação das ações incorporadas pelo seu valor de mercado e o registro contábil com base no valor obtido. Em termos formais, essa sequência de atos foi efetivada na mesma data (08/05/2007) durante a Assembleia Geral Extraordinária (ata às fls. 107/112), que aprovou os termos do Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações da Bovespa Holding (fls 113/122). Observese que o ágio escriturado pelo contribuinte é oriundo de pretenso negócio havido entre os citados grupos de exacionistas, sem contudo ter havido o desembolso do valor das ações recebidas (R$ 17,94 bilhões). Releva também notar que estes dois grupos de exsócios tornaramse sócios da nova sociedade e passaram a ter interesses comuns no novo empreendimento, ou seja, passaram a ser pessoas ligadas. (...) (...) A situação abordada no pronunciamento da CVM em muito se assemelha ao caso sub examine, em que fica igualmente evidenciada a falta de substância econômica do ágio escriturado pelo contribuinte. Não se trata de considerar nulo o negócio jurídico atinente à avaliação das ações. Tratase, no presente caso, de concluir pela inexistência do negócio jurídico anotado na escrituração do contribuinte, correspondente à pretensa “aquisição” das ações pelo seu preço de mercado. Os valores considerados para fins fiscais devem decorrer de atos reais e efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil. Consoante os elementos colacionados aos autos, e conforme extensamente analisado no presente Voto, o registro do valor de R$ 17.942.090.162,46 como “custo de aquisição” não encontra suporte no mundo fático, de sorte que a amortização do ágio dele decorrente há de ser glosada pelo Fisco. DA APURAÇÃO DAS PARCELAS DO ÁGIO SEGUNDO O SEU FUNDAMENTO Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.033 31 Estando demonstrado que a dedução do ágio é indevida, resta desnecessária a reclamada apuração dos valores pertinentes aos fundamentos previstos nos incisos I e III, do § 2º, do art. 385, do RIR/99, ou seja, do ágio com fundamento em valor de mercado de ativo da controlada e do ágio relativo a fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Se, como ora evidenciado, nenhuma parcela do ágio seria passível de dedução fiscal, há de ser glosada integralmente qualquer despesa de tal espécie. DA INDEDUTIBILIDADE DA DESPESA NA APURAÇÃO DA CSLL Conforme se concluiu acima, a amortização do ágio escriturado pelo contribuinte é indedutível para fins de apuração do IRPJ, por não estar amparada pelos arts. 385 e 386 do RIR/99. Argumenta o interessado, por seu turno, que a exigência fiscal não pode prosperar no tocante à CSLL, por inexistir previsão legal para a adição da despesa para fins de apuração da base de cálculo da contribuição. É de se observar, por assaz curioso, que a alegação milita contra a reclamante. Toda a discussão travada nos presentes autos, relativamente ao IRPJ, diz respeito ao cumprimento ou não dos requisitos exigidos pela norma tributária que autoriza a amortização do ágio à razão de um sessenta avos, no máximo, por mês do período de apuração. Ora, se o interessado não reconhece a validade da norma para fins de incidência da CSLL, forçoso seria então admitir, de plano, que inexiste autorização legal para dedução de qualquer amortização. Vale lembrar que a glosa procedida pela autoridade fiscal tem fulcro no art. 7º da Lei nº 9.532/97 e no art. 10 da Lei nº 9.718/98, que, por sua vez, compõem a base legal do art. 386 do RIR/99, este último já transcrito alhures. Referidos dispositivos legais, embora integrantes da legislação tributária, também são normas de natureza contábil, consoante se deduz a partir do seu texto, de sorte que a sua repercussão ocorre por via da apuração do lucro contábil, que é o ponto de partida para a determinação de ambas as bases de cálculo, tanto a do IRPJ como a da CSLL. Não se está a afirmar, aqui, que as bases de cálculo são idênticas. É cediço que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL são definidas em legislação própria e específica de cada tributo. Por outro lado, há inúmeras normas que dizem respeito aos dois tributos, tais como os Princípios Contábeis, a legislação comercial relativa à escrituração e apuração do lucro contábil, etc. No caso dos indigitados dispositivos legais, por tratarem de normas contábeis que regem a apuração do resultado da pessoa jurídica, prevê a Lei nº 8.981/95, com a redação dada pela Lei nº 9.065/95: (...) Ou seja, a apuração do resultado nos moldes do que dispõe o art. 7º da Lei nº 9.532/97, com a redação dada pela Lei nº 9.718/98, aplicase de idêntica maneira à apuração da base de cálculo da CSLL. Tanto é assim, que a IN SRF nº 390, de 2004, que consolidou a legislação atinente à CSLL, descreve em seu art. 75 todo o tratamento a ser dispensado à amortização do ágio de participações societárias extintas por incorporação de forma idêntica ao tratamento previsto para o IRPJ nos precitados dispositivos do RIR/99. Acresçase ainda que, conforme já analisado no presente Voto, o ágio escriturado pelo contribuinte revelouse inexistente, e, portanto imprestável, para Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.034 32 fins fiscais. Destarte, também por este motivo há de ser glosado o ágio em questão, indevidamente deduzido na determinação da base de cálculo da CSLL. Portanto, é plenamente cabível a exigência fiscal relativa à CSLL. (...) No mais, mantevese a aplicação da multa isolada, pelos fundamentos sobejamente conhecidos, passandose, na sequência, a analisar a base de cálculo do anocalendário 2008, fundamentos que convém reproduzir: DA BASE DE CÁLCULO DO ANOCALENDÁRIO DE 2008 (...) O impugnante afirma que está incorreta a base de cálculo apurada pela autoridade fiscal referente ao anocalendário de 2008, no montante de R$ 328.244.850,82. Assistelhe razão, nesta matéria. A autoridade fiscal não considerou que, no LALUR (fls. 452) e na DIPJ de incorporação (fls. 1481 e 1715/1717 – original e retificadoras), relativa ao período de apuração encerrado em 28/11/2008, houve a efetiva adição do valor de R$ 283.868.588,48 (Ficha 09A, Linha 11), que corresponde à soma exata das amortizações escrituradas na conta 3.2.1.14.00010 no período de maio a novembro de 2008 (fls. 196/197). Na apuração da CSLL, também houve a adição de idêntico valor na apuração da sua base de cálculo, conforme se verifica às fls. 569, 1489 e 1718/1720. Ou seja, no período anterior à incorporação da Bovespa Holding, ocorrida em 28/11/2008, não consta que tenha havido dedução para fins fiscais da amortização do ágio. É de se observar que, se houvesse qualquer dedução de tal natureza naquele período, não estaria o contribuinte amparado pelo art. 386, inc. III, do RIR/99, haja vista que a absorção do patrimônio da incorporada ainda não havia ocorrido até aquela data. Somente após a incorporação da sociedade é que haveria previsão legal para amortizar o ágio, desde que atendidas as demais condições previstas pela legislação tributária (não é o caso da situação em comento, consoante já exposto anteriormente). Portanto, relativamente ao período de apuração de 29/11/2008 a 31/12/2008, cabe a tributação tão somente sobre a amortização de dezembro de 2008. Conforme escriturado na conta 3.2.1.14.00010 (fls. 197), em 30/12/2008 o contribuinte deduziu contabilmente o valor de R$40.552.655,54 a título de amortização de ágio. Além disso, excluiu indevidamente no LALUR o valor de R$3.823.606,80 (fls. 469). Essas duas parcelas estão contidas na matéria tributada pela autoridade fiscal. No entanto, consta na mesma Demonstração do Lucro Real (fls. 468) uma adição no montante de R$ 7.778.882,73 que não foi deduzida na apuração levada a efeito por ocasião da lavratura do auto de infração. Na apuração da base de cálculo da CSLL, os mesmos ajustes constam às fls. 572/573. Assim sendo, excluindose da base de cálculo autuada os montantes de R$ 283.868.588,48 e de R$ 7.778.882,73, temos que o valor correto da amortização do ágio a ser considerado para o fato gerador ocorrido em 31/12/2008 é de R$ 36.597.379,61. A redução da base de cálculo repercute ainda na exigência fiscal relativa ao anocalendário de 2009, conforme demonstrado abaixo. Por importar em alteração nas compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, acostamos aos autos os respectivos formulários FAPLI e FACS de Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.035 33 atualização do sistema SAPLI – Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL (fls. 1729/1733). (...) Além de fazer os ajustes acima, referentes ao IRPJ e à CSLL devidos, há que se fazer ainda o respectivo ajuste na multa isolada relativa ao dezembro de 2008. Conforme exposto acima, a amortização indevidamente deduzida nesse período foi de R$36.597.379,61, e não de R$328.244.850,82 como apurado pela fiscalização. Considerando o valor correto da infração, e tendo em vista os cálculos efetuados pela fiscalização nos demonstrativos às fls. 71/72, a multa isolada referente ao mês de dezembro de 2008 deve ser integralmente cancelada, haja vista que a base de cálculo para apuração da estimativa mensal, calculada com base em balanço de suspensão, permanece negativa. As bases de cálculo das estimativas declaradas pelo contribuinte no mês de dezembro de 2008 eram negativas, nos montantes de − R$ 104.679.981,66, para o IRPJ (fls. 728), e de −R$ 105.684.133,02, para a CSLL (fls. 730). Por conseguinte, se o valor autuado é de R$ 36.597.397,61, não haveria estimativa a ser recolhida naquele mês. Destarte, as multas isoladas devem ser parcialmente canceladas nos montantes de R$ 27.933.608,65, no tocante ao IRPJ, e de R$ 10.060.419,11, quanto à CSLL. (...) Por fim, mantevese os juros sobre multa, concluindose pela parcial procedência do lançamento. A contribuinte interpõe Recurso Voluntário versando, substancialmente, as mesmas razões de Impugnação, defendendo a nulidade da decisão recorrida em vista da inovação dos fundamentos da imputação ou no mérito sua reforma absoluta. Há, nos autos, Contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, dispondo o acerto e correção tanto do procedimento fiscalizatório quanto da decisão recorrida. Ao julgar o recurso, a Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF proferiu o Acórdão nº 1301001.360, de 5 de dezembro de 2013, cujas ementa e decisão transcrevo, respectivamente, no que interessa à presente lide: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 [...]. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CONDIÇÃO. INOBSERVÂNCIA. A amortização de ágio, nos termos da autorização trazida pelo inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, impõe que a pessoa jurídica beneficiária observe as condições previstas na legislação de regência. No caso vertente, ainda que se abstraia fatos relacionados às operações que deram causa ao sobrepreço, resta fora de dúvida que a ausência da demonstração a que alude o parágrafo 3º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/77 revela evidente violação à condição explicitada na norma Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.036 34 referenciada, tornando indedutível a despesa apropriada no resultado, vez que inexistente a comprovação do seu fundamento econômico. [...]. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, relator, Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Do voto vencedor desse aresto, transcrevo os seguintes trechos: Com base nessas informações e em outras que aqui tornase irrelevante mencionálas, a Autoridade Fiscal concluiu, primeiro, pela inexistência de ágio, e, em segundo, se existente o ágio, que ele não teria fundamentação econômica que autorizasse a sua dedução. Ou seja, para a Fiscalização, na medida em que a contribuinte não lhe apresentou documento (“demonstração”) capaz de explicar o montante apropriado a título de ágio, eis que o valor de avaliação das ações não guardou relação com o LAUDO DE AVALIAÇÃO ECONÔMICOFINANCEIRA elaborado pela DELOITTE, a conclusão lógica foi de que, se existente tal ágio, ele não teria por fundamento a rentabilidade futura dos ativos envolvidos. Para o Colegiado, tal conclusão não é digna de reparo, vez que, efetivamente, o LAUDO de fls. 123/168 não traz elementos que possibilitem aferir o montante de ágio apropriado pela fiscalizada, não representando, assim, a “demonstração” a que faz referência a legislação de regência. [...]. Os demonstrativos trazidos nas peças de contestação e nos memoriais, na mesma linha, por estarem desprovidos de elementos de comprovação efetiva dos elementos que contribuíram para a determinação dos valores neles consignados, acabam por revelar meras operações aritméticas. A ilação que se extrai de tudo que foi trazido ao processo é a de que inexistia, em um primeiro momento, qualquer intenção da autuada em obter vantagens fiscais a partir da reorganização societária engendrada. Em ocasião posterior, entretanto, vislumbrandose a possibilidade de se reduzir a incidência tributária, buscouse emprestar, à documentação já existente, caráter de comprovação para o valor apropriado a título de ágio com base em rentabilidade futura. Ausente, pois, a DEMONSTRAÇÃO exigida pela lei, bem como a correspondente documentação de suporte, e considerados ainda os pronunciamentos e documentos aportados aos autos no curso do procedimento fiscal, decidiu o Colegiado pela manutenção da glosa de despesa de ágio, na parcela mantida pela Turma Julgadora de primeira instância. Foram interpostos embargos de declaração pelo contribuinte, acolhidos parcialmente, conforme Acórdão nº 1301001.834, de 25 de março de 2015, da Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.037 35 Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF, assim ementado e decidido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. PROCEDÊNCIA. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, com base na taxa selic, encontra lastro na legislação de regência. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. No caso de aplicação de multa de ofício sobre os tributos e contribuições lançados de ofício e de multa isolada em virtude da falta ou insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas), não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência, visto que resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Inexiste, também, fator temporal limitador da aplicação da multa isolada, eis que a lei prevê a sua exigência mesmo na situação em que as bases de cálculo das exações são negativas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos de declaração interpostos para, também por unanimidade, negarlhe provimento em relação à incidência de juros sobre a multa e, relativamente à multa isolada, também negarlhe provimento, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior (Relator), Valmir Sandri e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor, no que diz respeito à MULTA ISOLADA, o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Inconformado, o contribuinte apresenta recurso especial por divergência, em referência às matérias constantes dos Acórdãos nºs 1301001.360 e 1301001.834 (embargos que complementaram o 1º Acórdão) argumentando contrariamente às decisões em relação aos às seguintes matérias: 1. indevida alteração de critério jurídico pela Turma Julgadora; 2. desnecessidade de indicação do montante preciso do ágio a ser aproveitado fiscalmente; 3. desnecessidade de apresentação de documentação de suporte do fundamento econômico do ágio; 4. possibilidade de apresentação de laudo posterior à aquisição; 5. supressão de instância de julgamento; 6. inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização; Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.038 36 7. inaplicabilidade da multa isolada em razão do encerramento do anobase de 2009; 8. impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício; e 9. ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. O recurso foi admitido, em parte, pela presidente da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF, exceto com relação às matérias arguidas nos primeiro e quarto pontos, cujas divergências não restaram caracterizadas, e no quinto ponto, devido à falta de prequestionamento. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, basicamente reiterando os argumentos já apresentados nas contrarrazões ao recurso voluntário. É o Relatório. Esse foi o relatório apresentado pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Redatora ad hoc designada Reproduzo a seguir o voto proferido pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão: O recurso é tempestivo, entendo que as divergências restaram, em parte, comprovadas, no que concordo com a análise prévia de admissibilidade e, por isso, conheço, em parte, do especial. As matérias postas à apreciação desta Câmara Superior referemse à (desconsiderando as matérias não admitidas, e procedendo à renumeração dos pontos em debate): 1. desnecessidade de indicação do montante preciso do ágio a ser aproveitado fiscalmente. 2. desnecessidade de apresentação de documentação de suporte do fundamento econômico do ágio; 3. inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização; Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.039 37 4. inaplicabilidade da multa isolada em razão do encerramento do anobase de 2009; 5. impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício; e 6. ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Passo ao julgamento do mérito. 1. Desnecessidade de indicação do montante preciso do ágio a ser aproveitado fiscalmente. De início, cumpre destacar que o voto vencedor da decisão recorrida considerou ausente a necessária demonstração, na qual se devem basear os lançamentos contábeis relativos ao ágio: Com base nessas informações e em outras que aqui tornase irrelevante mencionálas, a Autoridade Fiscal concluiu, primeiro, pela inexistência de ágio, e, em segundo, se existente o ágio, que ele não teria fundamentação econômica que autorizasse a sua dedução. Ou seja, para a Fiscalização, na medida em que a contribuinte não lhe apresentou documento (“demonstração”) capaz de explicar o montante apropriado a título de ágio, eis que o valor de avaliação das ações não guardou relação com o LAUDO DE AVALIAÇÃO ECONÔMICOFINANCEIRA elaborado pela DELOITTE, a conclusão lógica foi de que, se existente tal ágio, ele não teria por fundamento a rentabilidade futura dos ativos envolvidos. Para o Colegiado, tal conclusão não é digna de reparo, vez que, efetivamente, o LAUDO de fls. 123/168 não traz elementos que possibilitem aferir o montante de ágio apropriado pela fiscalizada, não representando, assim, a “demonstração” a que faz referência a legislação de regência. [...]. Os demonstrativos trazidos nas peças de contestação e nos memoriais, na mesma linha, por estarem desprovidos de elementos de comprovação efetiva dos elementos que contribuíram para a determinação dos valores neles consignados, acabam por revelar meras operações aritméticas. A ilação que se extrai de tudo que foi trazido ao processo é a de que inexistia, em um primeiro momento, qualquer intenção da autuada em obter vantagens fiscais a partir da reorganização societária engendrada. Em ocasião posterior, entretanto, vislumbrandose a possibilidade de se reduzir a incidência tributária, buscouse emprestar, à documentação já existente, caráter de comprovação para o valor apropriado a título de ágio com base em rentabilidade futura. Ausente, pois, a DEMONSTRAÇÃO exigida pela lei, bem como a correspondente documentação de suporte, e considerados ainda os pronunciamentos e documentos aportados aos autos no curso do procedimento fiscal, decidiu o Colegiado pela manutenção da glosa de despesa de ágio, na parcela mantida pela Turma Julgadora de primeira instância. Que o ágio que se pretende amortizar deve ser devidamente demonstrado, não há nenhuma dúvida (§ 3º do art. art. 385 do RIR/99), pois que esta é a única Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.040 38 forma de se atender às exigências legais de necessidade, normalidade e usualidade, às quais possibilitam a dedutibilidade de quaisquer despesas que se pretenda considerar. Por outro lado, se algum dos requisitos dessa demonstração (v.g., falta de indicação precisa do montante do ágio e falta de documentação de suporte) estão ausentes, ausente também é a própria demonstração. Daí correta a ementa do acórdão recorrido, abaixo transcrita (fls. e2.173): AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CONDIÇÃO. INOBSERVÂNCIA. A amortização de ágio, nos termos da autorização trazida pelo inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, impõe que a pessoa jurídica beneficiária observe as condições previstas na legislação de regência. No caso vertente, ainda que se abstraia fatos relacionados às operações que deram causa ao sobrepreço, resta fora de dúvida de que a ausência da demonstração a que alude o parágrafo 3º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/77 revela evidente violação à condição explicitada na norma referenciada, tornando indedutível a despesa apropriada no resultado, vez que inexistente a comprovação do seu fundamento econômico. Devendo ser, portanto, mantida a decisão recorrida, por este fundamento. 2. Desnecessidade de apresentação de documentação de suporte do fundamento econômico do ágio. Há que se notar que a primeira e segunda matérias estão imbricadas, e são, na verdade, aspectos de um mesmo fundamento (comprovação do ágio). Vejase que assim quanto às assertivas da Recorrente em relação à “desnecessidade de indicação do montante preciso do ágio a ser aproveitado fiscalmente” e de “desnecessidade de apresentação de documentação de suporte do fundamento econômico do ágio”, pois, em princípio, não há como indicar o montante preciso do ágio sem documentação de suporte que subsidie as conclusões da referida indicação. Ademais, creio os argumentos do recorrente não se sustentam, por força, inclusive, do que dispõe o art. 385, § 3º, in fine, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999): Art. 385. [...]. [...]. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). (Neritouse). Ora, se a demonstração, a ser arquivada pelo contribuinte, com a indicação do fundamento econômico do ágio — seja pelo valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, seja pelo valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros —, servirá como comprovante da escrituração, pareceme evidente que deva essa demonstração conter a indicação do Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.041 39 montante preciso do ágio a ser aproveitado fiscalmente e, também, ter suporte em documentação do fundamento econômico do ágio. Do contrário, não se trataria de um verdadeiro comprovante da escrituração, mas de uma mera memória de cálculos. Observese que este ponto, explicitamente sustentado _as fls. E2233 do acórdão recorrido (pelo voto vencedor) é coincidente com o decido pela DRJ, que deu pela manutenção do lançamento nesta parte, quando sustenta que (fls. e1.826 1.927): De fato, ao analisarmos pormenorizadamente o laudo de fls. 1205/1250, verificase que o objeto da avaliação, em realidade, é o fluxo de caixa produzido pelas operações das empresas controladas pela Bovespa Holding, e não pelas suas próprias operações. Isto equivale a dizer que a avaliação deste laudo diz respeito ao valor econômico e, portanto, ao valor de mercado das suas subsidiárias, que são seus ativos. Sendo assim, revelase irrepreensível a conclusão da autoridade fiscal no sentido de enquadrar o ágio em questão na hipótese prevista no inciso I, do §2º, do art. 385 do RIR/99, qual seja, ágio com fundamento em valor de mercado de bens do ativo da Bovespa Holding superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade. Nem se diga que, por se tratar de subsidiárias integrais da Bovespa Holding S/A, tudo se passaria como se fosse um patrimônio só, uma pessoa jurídica única, e que, por consequência, a avaliação do conjunto das operações das subsidiárias equivaleria a avaliar as operações da controladora. É consabido que o Direito Pátrio adota a autonomia de cada pessoa jurídica, da controladora e de suas subsidiárias, que têm personalidades jurídicas distintas. Também nas Normas Contábeis adotadas nacional e internacionalmente, há a separação dos patrimônios de cada entidade, segundo o Princípio da Entidade (art. 4º da Res. CFC nº 750/93). [...] [...} Em vez disso, o laudo traz projeções de receitas e de custos de titularidade de suas subsidiárias, a demonstrar que o objeto de avaliação é, em realidade, o valor de mercado das empresas controladas pela Bovespa Holding. Enfim, foi avaliado o valor de mercado dos seus ativos, como bem concluiu a autoridade fiscal. Posição, que embora não seja exatamente o mesmo fundamento, coincide, in casu, com a posição de Marco Aurélio Greco, que serviu de base à autuação, conforme transcrição do TVF abaixo (fls e62): A segunda hipótese [que é a que se adequa ao quadro presente] de aquisição de participação societária apresentada no estudo de Marco Aurélio Greco trata da "aquisição em razão de operação que suponha a avaliação da participação societária para fins de versão dessa participação", onde conclui que não há espaço para identificar como fundamento econômico de ágio eventualmente existente a expectativa de rentabilidade futura como entidade autônoma (letra 13' do § 2° do artigo 20 do DL n° 1.598/77). À mesma conclusão se chega (em linha parecida com a da decisão da DRJ, que foi mantida na decisão recorrida, no que respeito ao tema da “inovação do fundamento do Auto de Infração pela DRJ”), ainda que fosse possível se ter como Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.042 40 comprovada a existência do ágio (com plena documentação aceitável) e, também, a sua consistência, pois o que justifica a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio, no presente caso, não restou afastado pelo recurso especial a acusação de que não existe ágio, nos termos legais, para efeitos fiscais, em operação deste tipo. Vejase que o tema da inexistência do ágio é presente desde o início da discussão inaugurada com o lançamento e depois repisada pela decisão da DRJ, no sentido de que em casos que tais de incorporação de ações, por meio da versão dessa participação aos titulares das antigas ações na nova controladora (no caso a Nova Bolsa), não se amolda ao tipo normativo previsto nos arts. 7º e 8º da Lei n.9532/1997 (alt. Pela Lei nº 9.718/ 1998, art. 10):, que é a base legal dos artigos 386 do RIR. É neste ponto que se pode afirmar que, ainda que pudesse ter havido a alegada demonstração do possível ágio pelo contribuinte , não existe, in casu, o ágio, conforme previsto na lei tributária, i.e., ágio suscetível de amortização para efeitos tributários, porque, a rigor, não houve “aquisição”. Vejase que, em nenhum momento, prevê a legislação a amortização de ágio, nos casos de incorporação, fusão ou cisão, que não seja envolvendo originariamente investidora adquirente e investida adquirida, decorrente de uma efetiva “aquisição” (a redundância é retórica). Observese o contido no caput do art. 386 do RIR/1999: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (Negritouse) Não se pode admitir que qualquer situação diversa da expressamente prevista em lei, mas que redundasse, ao final, em ocorrência semelhante àquela resultante da lei, poderia, apenas por esse motivo, vir a ser admitida. Ou seja, a “incorporação indireta” — embora não prevista em lei, ou uma fusão, por meio de uma empresa intermediária (no caso a Nova Bolsa) valeria tanto quanto a operação “direta”, desde que viesse a atingir, do ponto de vista econômico, o mesmo resultado desta. Ora, ainda que não se considere estar diante de um benefício ou incentivo fiscal, a dedutibilidade da amortização de ágio, temse que a regra geral é a do não cômputo das contrapartidas da amortização do ágio na determinação do lucro real, na forma dos arts 385 e 391 do RIR/1999, sendo que o que se tem é uma exceção contida no art. 386, inciso III, do RIR/1999 (para os casos de incorporação, fusão ou cisão) e que deve ter, por esse motivo, sua interpretação feita de forma restritiva. Nem se diga que a obediência a eventuais normas societárias ou regulatórias permitiria o pretendido emprego da analogia — pois é a analogia que se intentou aqui aplicar —, uma vez que esta, no âmbito tributário, somente é aplicável “na ausência de disposição expressa” (art. 108, e inciso I, do CTN ), o que, obviamente, não é o presente caso (vide redação do art. 386 do RIR/1999, acima transcrito – tratase de disposição expressa). Reiterese que a norma que permite a amortização do ágio é norma de exceção e não uma regra geral, e como tal deve ser interpretada restritivamente. Excptiones sunt stricissimoe intepretationis. É este o princípio de hermenêutica jurídica aplicável ao caso, por se tratar de norma tributária excepcional. O princípio se aplica, conforme Carlos Maximiliano às isenções e às Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.043 41 “simples atenuações de impostos e taxas”1 – que é caso presente. Assim, se a situação não se amolda ao princípio estrito da norma, ainda que economicamente a operação possa ter o mesmo efeito daquela prevista na norma, não é correto darlhe efeito tributário semelhante. Daí o acerto do que se contém na ementa da decisão de Primeira Instância, abaixo transcrita (fls. e1.8011.802): INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DESDOBRAMENTO. ÁGIO. AVALIAÇÃO DAS AÇÕES PELO PREÇO DE MERCADO. EFETIVO NEGÓCIO COM BASE NO VALOR. INOCORRÊNCIA. Prevê a lei fiscal que o ágio deve ser calculado pela diferença entre o custo de aquisição da participação societária e o valor do investimento obtido pelo método da equivalência patrimonial (MEP). Contudo, ainda que revestido de formalidades previstas em lei, tais como a elaboração de laudo, a avaliação pela cotação de mercado e a aprovação em assembleia de acionistas, o valor das ações assim determinado não poderá ser considerado como custo de aquisição quando restar evidenciada a inocorrência de efetivo negócio com base nesse valor. In casu, a incorporação de ações, em essência, foi quitada mediante a entrega de ações ordinárias e ações preferenciais resgatáveis. Por sua vez, a subsequente avaliação das ações incorporadas, a preços de mercado, não revela propósito negocial no contexto da transação, mormente porque inexistiu desembolso financeiro com supedâneo no valor encontrado, não implicou em criação ou extinção de direitos ou obrigações entre as partes e não repercutiu na participação societária dos alienantes das ações. O ágio calculado a partir desse valor, por conseguinte, reputase inexistente para fins fiscais e indedutível na apuração do lucro real tributado pelo imposto de renda. Os valores considerados para fins fiscais devem decorrer de atos reais e efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil. Em vista do exposto, nego provimento a recurso do contribuinte em relação matéria do aproveitamento do ágio, conforme alegado nas operações sub examine. 3. Inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização. Relativamente à matéria: “inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização” —, não se pode ter como dedutível, da base de cálculo da CSLL, em situação excepcional, em que somente se permitiu a amortização do valor do ágio nos balanços correspondentes à apuração de lucro real (art. 386 do RIR/1999). 1 Maximiliano, Carlos Maximiliano. Hermenêutica e aplicação do Direito. 18 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 225238, esp. 225 e 233. Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.044 42 Por conseguinte, ainda que, por hipótese, fosse possível admitir a amortização de ágio pretendida pela Recorrente, essa somente seria possível na determinação da base de cálculo do imposto de renda. Esclareçase que não se trata, no caso, de inexistir previsão legal que determine a adição, à base de cálculo da CSLL, da amortização de ágio deduzido pela investida adquirida, nos casos de incorporação, fusão ou cisão —, mas, sim, de inexistir previsão legal que estabeleça poder ser dedutível, dessa mesma base de cálculo, referida amortização, como sucede propriamente com a base de cálculo do imposto de renda (art. 386 do RIR/1999). Da decisão da DRJ, contrária à Recorrente nesse ponto, transcrevo o seguinte trecho (fl. E1.835): [...] Argumenta o interessado, por seu turno, que a exigência fiscal não pode prosperar no tocante à CSLL, por inexistir previsão legal para a adição da despesa para fins de apuração da base de cálculo da contribuição. É de se observar, por assaz curioso, que a alegação milita contra a reclamante. Toda a discussão travada nos presentes autos, relativamente ao IRPJ, diz respeito ao cumprimento ou não dos requisitos exigidos pela norma tributária que autoriza a amortização do ágio à razão de um sessenta avos, no máximo, por mês do período de apuração. Ora, se o interessado não reconhece a validade da norma para fins de incidência da CSLL, forçoso seria então admitir, de plano, que inexiste autorização legal para dedução de qualquer amortização. Vale lembrar que a glosa procedida pela autoridade fiscal tem fulcro no art. 7º da Lei nº 9.532/97 e no art. 10 da Lei nº 9.718/98, que por sua vez compõem a base legal do art. 386 do RIR/99, este último já transcrito alhures. Referidos dispositivos legais, embora integrantes da legislação tributária, também são normas de natureza contábil, consoante se deduz a partir do seu texto, de sorte que a sua repercussão ocorre por via da apuração do lucro contábil, que é o ponto de partida para a determinação de ambas as bases de cálculo, tanto a do IRPJ como a da CSLL. Não se está a afirmar, aqui, que as bases de cálculo são idênticas. É cediço que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL são definidas em legislação própria e específica de cada tributo. Por outro lado, há inúmeras normas que dizem respeito aos dois tributos, tais como os Princípios Contábeis, a legislação comercial relativa à escrituração e apuração do lucro contábil, etc. No caso dos indigitados dispositivos legais, por tratarem de normas contábeis que regem a apuração do resultado da pessoa jurídica, prevê a Lei nº 8.981/95, com a redação dada pela Lei nº 9.065/95: [transcreve o art. 57 da Lei] Ou seja, a apuração do resultado nos moldes do que dispõe o art. 7º da Lei nº 9.532/97, com a redação dada pela Lei nº 9.718/98, aplicase de idêntica maneira à apuração da base de cálculo da CSLL. Tanto é assim, que a IN SRF nº 390, de 2004, que consolidou a legislação atinente à CSLL, descreve em seu art. 75 todo o tratamento a ser dispensado à amortização do ágio de participações societárias extintas por incorporação de forma idêntica ao tratamento previsto para o IRPJ nos precitados dispositivos do RIR/99. A posição do Acórdão recorrido, que manteve a decisão da DRJ neste aspecto, é também corroborada pela jurisprudência do CARF, e.g., os Acórdãos n. 1302 Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.045 43 001.895, de 09 de junho de 2016, e n. 1101000.961, de 08 de outubro de 2013, do qual destaco o seguinte trecho, de autoria da Rel. C. Edeli Bessa (fls. E1947): Demais disso, embora à primeira vista a Lei nº 9.532/97 aparente surtir efeitos apenas nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, na medida em que esta aproximouse, no caso de ágio pago por expectativa de rentabilidade futura, da apuração do lucro contábil como antes mencionado, é possível interpretar que a lei, ao valerse daqueles termos, e não meramente firmar a dedutibilidade da amortização na apuração do lucro real, repercutiria, também, na apuração da base de cálculo da CSLL, inclusive como expresso na Instrução Normativa SRF nº 390/2004: [Transcreve o art. 75 da IN. SRF nº 390/2004] (negritos no original) Em vista do exposto, nego provimento ao recurso do contribuinte em relação a esta matéria. 4. Inaplicabilidade da multa isolada em razão do encerramento do ano base de 2009; Com referência à quarta matéria: “inaplicabilidade da multa isolada em razão do encerramento do anobase de 2009” , não é de ser acatado o argumento do contribuinte, uma vez que não há qualquer orientação legal no sentido de que a aplicação dessa multa devase fazer apenas “no curso do próprio anocalendário”. Ora, segundo a lei, essa multa será exigida da pessoa jurídica “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”, e não “ainda que venha a ser apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente” (destaque da transcrição). Entender o contrário conduziria ao absurdo de, com relação à estimativa do mês de novembro, por exemplo, ser inviável qualquer procedimento fiscal, haja vista que o seu vencimento se dá como é sabido no último dia útil do mês de dezembro. Estarseia, assim, instituindo, pelas vias tortuosas de mera tese jurisprudencial, verdadeira dispensa de obrigação tributária para esse mês, o que somente seria possível mediante lei. Assim, nego provimento ao recurso do contribuinte em relação a esta matéria. 5. Impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício. No concernente à quinta matéria: “impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício”, entendo também que não procedem as razões recursais. De início, cumpre observar que não se aplica ao presente caso o contido na Súmula CARF nº 105, por se referir, esta, expressamente, à redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, anterior ao advento da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, como segue: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.046 44 exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Vejase que a redação inicial do art. 44, caput, da Lei nº 9.430, de 1996, determinava a aplicação, tanto da multa de ofício quanto da multa isolada, “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”, como segue: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (negritouse). [...]. Porém, a partir da vigência MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/07/2007, dandolhe nova redação, referido preceito legal passou a ter a seguinte dicção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: [...]. Notese que, com essa nova redação, não mais são identificadas, no caput do artigo, as bases de cálculo — então comuns — de cada uma daquelas penalidades, às quais (bases de cálculo), por decorrência, devem ser agora extraídas dos respectivos incisos: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (negritouse). Logo, tendo sido alterada a base de cálculo eleita pelo legislador para a multa isolada — de totalidade ou diferença de tributo ou contribuição para valor do pagamento mensal, não há mais qualquer vínculo, ou dependência, da multa isolada com a apuração de tributo devido. Perfilhando o entendimento de que não se confunde a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição com o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, é vasta a jurisprudência desta CSRF, valendo mencionar dos últimos cinco anos, entre outros, os acórdãos nºs 910100577, de 18 de maio de 2010, 910100.685, de 31 de agosto de 2010, 910100.879, de 23 de fevereiro de 2011, nº 9101001.265, de 23 de novembro de 2011, nº 9101001.336, de 26 de abril de 2012, nº 9101001.547, de 22 de janeiro de 2013, nº 9101001.771, de 16 de outubro de 2013, e nº 9101002.126, de 26 de fevereiro de 2015, todos assim ementados (destaquei): O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.047 45 Assim o legislador, no caso, fez mais do que faria se apenas acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”. Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), tornouse um inciso vinculado ao próprio caput do artigo (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no mesmo patamar, portanto, do inciso então preexistente, que previa a multa de ofício. Vejase a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...]; Dessa forma, a norma legal, ao estatuir que “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está a se referir, iniludivelmente, às duas multas em conjunto, e não mais em separado, como dava a entender a antiga redação do dispositivo. Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas”. Pelo contrário: seria necessário, sim — se fosse esse o caso —, que a norma excetuasse essa possibilidade, o que nela não foi feito. Neste sentido nego provimento ao recurso especial do contribuinte neste ponto. 6. Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Por fim, quanto à sexta matéria em análise: “ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa” —, melhor sorte não cabe à Recorrente, em vista do entendimento já sedimentado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a esse respeito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: “É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.048 46 (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) Nesse mesmo sentido, aliás, decidiu esta Turma, por ocasião dos Acórdãos nºs 9101002.174, de 19 de janeiro de 2016, 9101002.181, 9101002.191, e 9101 002.192, de 20 de janeiro de 2016, 9101002.209, de 2 de fevereiro de 2016, e 9101 002.317, de 3 de maio de 2016, sendo o primeiro e o último, de minha relatoria. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Esse foi o voto do relator Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Declaração de Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Acompanhei o relator pelas conclusões porque concordo com o que afirmou no item “1. Desnecessidade de indicação do montante preciso do ágio a ser aproveitado fiscalmente.” do seu voto, bem como parte da sua manifestação trazida no item “2. Desnecessidade de apresentação de documentação de suporte do fundamento econômico do ágio.”, o que é suficiente para manter a autuação, conforme passo a demonstrar. A Fiscalização glosou despesas de amortização de ágio sob dois fundamentos, quais sejam: i) que o ágio seria inexistente; e ii) que o ágio não tem como fundamentação a expectativa de rentabilidade futura. Segundo a autoridade fiscal, o ágio seria inexistente porque: i) o evento de reorganização societária, ocorrido em maio de 2008, consistiu em uma incorporação de PJ (Nova Bolsa, com PL de R$ 500,00 incorporou BM&F, cujo PL era de R$ 2,6 bilhões), seguida de uma incorporação de ações (Nova Bolsa incorporou as ações da Bovespa Holding S.A, cujo PL era de R$ 1,5 bilhões); ii) porém o PL da Nova Bolsa ficou em R$ 22,2 bilhões, porque avaliaram a Bovespa Holding a valor de mercado em R$17,94 bilhões (conforme a média de 30 dias dos preços das ações no pregão da bolsa de valores). Fl. 3048DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.049 47 iii) a diferença entre essa avaliação da Bovespa Holding e o seu valor patrimonial foi registrada como ágio, ao qual foi atribuído o fundamento de rentabilidade futura com base em outra avaliação feita pela empresa de consultoria Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda, conforme laudo de fls. 123 a 168, que utilizou a metodologia de Fluxo de Caixa Futuro Descontado a Valor Presente, o qual, por sua vez estimou que, em 31 de dezembro de 2007, o valor justo de mercado das ações se situava no intervalo de R$ 20.724 milhões a R$ 22.319 milhões. Mas como a avaliada era uma holging, a Fiscalização destacou, com base em informações prestadas pela fiscalizada, que a avaliação feita com base no Fluxo de Caixa Futuro Descontado a Valor Presente referiuse às atividades das subsidiárias integrais Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia CBLC e Bolsa de Valores de São Paulo BVSP (conforme destaca no TVF, às fls. 40 e 41 do volume 1, reportandose à resposta de fl. 627). iv) embora a Nova Bolsa tenha contabilizado o custo de aquisição do investimento (ações da Bovespa Holding) pelos R$ 17,94 bilhões, avaliou o patrimônio líquido da investida, pelo MEP, considerando o Balanço Patrimonial da companhia, levantado em 30/12/2007. v) a Fiscalização expressamente aceita que a incorporação de ações seja feita por valor inferior ao da avaliação (TVF, fl. 40) mas, com fundamento no art. 21 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, aduz que quando há divergência entre o critério que serviu de base para o valor do custo de aquisição contabilizado e aquele que serviu para fins de avaliar o PL, esse PL deveria ser ajustado (conforme inciso II do art. 21 supracitado), e como o ágio é a diferença entre o custo de aquisição e o PL da controlada, no caso de incorporação de ações, esse ágio não existiria. Às fls. 58/59 a Fiscalização consigna: Na 'Incorporação de Ações', os critérios de avaliação da participação societária que está sendo adquirida determinaram o 'custo de aquisição do investimento', e, como visto, o critério econômico de avaliação passou a ser também o critério contábil, uma vez utilizado seu valor para registro contábil. As regras do MEP determinam a adoção de critérios contábeis uniformes na avaliação dos elementos patrimoniais, inclusive dos investimentos em participação societária. Assim, a avaliação do elemento que foi utilizado para determinar o valor do 'custo de aquisição do investimento' para o MEP não pode ser diferente da avaliação do mesmo elemento, quando este servir para determinar o valor do 'patrimônio liquido', a ser utilizado pelo Método e que servirá para avaliar e classificar o investimento. [...] Desse forma, sob o aspecto fiscal, a expectativa de rentabilidade futura da Bovespa Holding S.A é o fundamento econômico para determinação do valor do 'custo de aquisição do investimento' , atribuído pelo contribuinte, e não fundamento econômico do ágio, visto que o ágio é resultado da diferença entre o valor do custo de aquisição do Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.050 48 investimento e o valor do patrimônio líquido da participação societária, quando avaliados sob os mesmos critérios. E o ágio, de acordo com a Fiscalização, não poderia ter como fundamentação a expectativa de rentabilidade futura, em razão de dois fundamentos. O primeiro desses fundamentos é baseado nas lições de Marco Aurélio Greco, em "aquisição em razão de operação de suponha a avaliação da participação societária para fins de versão dessa participação", inexistiria possibilidade de o ágio estar fundamentado, de forma autônoma, em rentabilidade futura, porque esta já estaria "inserida no conjunto de bens e direitos titularizados" pela pessoa jurídica. Além disso, consigna a Fiscalização que o ágio não poderia ter como fundamento a expectativa de rentabilidade futura porque, como o que foi avaliado foram os ativos da holding (BVSP E CBLC), o fundamento desse ágio é o valor de mercado de ativos, alínea "a" do §2º do art. 20. Segundo a Fiscalização: Assim, se a Nova Bolsa quisesse considerar algum 'ágio por rentabilidade futura', deveria considerar somente aquele que ultrapassasse o valor de mercado dos ativos e passivos da controlada. [...] As participações societárias nas companhia CBLC e BVSP são os únicos bens que estão registrados no ativo da Bovespa Holding S.A. e obviamente são os bens que levaram a determinação do custo de aquisição do investimento. Assim, se houvesse algum ágio relacionado ao custo de aquisição este ágio teria por fundamento econômico o valor de mercado dos ativos da coligada terem sido avaliados por valor superior ao custo registrado na sua contabilidade. Com base nesses fundamento é que a Fiscalização concluiu que o fundamento econômico do ágio resultante da incorporação de ações da Bovespa Holding S.A pela Nova Bolsa não poderia ser classificado como valor de rentabilidade futura. Discordo da tese da Fiscalização de que o ágio é inexistente. Mas concordo que o ágio não estava calcado na rentabilidade futura do investimento adquirido, no caso a Bovespa Holding, pois o laudo de avaliação apresentado não avaliou a Bovespa Holding. A respeito desse laudo, aduz a então recorrente em seu recurso voluntário que o AuditorFiscal responsável pela autuação não teria afirmado que este não seria apto a aferir a expectativa de rentabilidade futura do Bovespa Holding, que ele apenas disse que o laudo de referia às atividades da CBLC e BVSP, "sem qualquer contestação ou impugnação ao laudo apresentado". Defendeu que, por se tratar de uma holding, necessariamente a sua expectativa de rentabilidade futura está relacionada a de suas controladas e acostou parecer do Professor Eliseu Martins que, além de outros argumentos, manifestase por dizer que uma holding pode ser avaliada de duas formas: com base nas demonstrações contábeis consolidadas ou, alternativamente, a avaliação pode se referir a cada uma das sociedades controladas individualmente, para depois, se inserir essas avaliações no balanço da controladora. Referido parecer foi acostado às fls. 2004/2.114. Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.051 49 Porém, compulsandose os autos verificase que o referido laudo, elaborado pela empresa de consultoria Deloitte, afirma: " a avaliação feita com base no Fluxo de Caixa Futuro Descontado a Valor Presente referese às atividade de suas subsidiárias integrais CBLC e BVSP, que eram as empresas operacionais pertencentes à Bovespa Holding S.A.". Neste sentido, aliás, são os esclarecimentos da própria contribuinte durante o procedimento fiscal: "Com relação ao valor de rentabilidade futura da Bovespa Holding S.A., esclarecemos que seus resultados refletiam aqueles de suas controladas, notadamente a Companhia Brasileira de Liquidação e Custodia S.A. (CBLC S.A.") e a Bolsa de Valores de São PauloBVSP S.A.("BVSP S.A."), conforme de Avaliação EconômicoFinanceira elaborado pela DTT" Como bem destacado pela Fiscalização, o laudo de avaliação assim se refere às atividades operacionais que gerariam os 'fluxos de caixa operacionais projetado' para o período de 2008 a 2017: "A BOVESPA Holding, por meio de suas subsidiárias, abrange toda a cadeia relacionada às operações com títulos mobiliários: (i) negociação; (ii) compensação e liquidação; (iii) empréstimo de títulos e valores mobiliários; (iv) depositária, custódia e atividades ; (v) listagem; (vi) comercialização se cotações e informações de mercado; e (vii) licenciamento de software e indices de a ações. As atividades de listagem, negociação, comercialização de cotações e informações de mercado, de processamento de dados, licenciameneto de software e indices de ações são desenvolvidas por meio da controlada BVSP, enquanto as demais são exercidas pela controlada CBLC." Daí a pertinente conclusão do fiscal autuante, no sentido de que o fundamento desse ágio é o valor de mercado de ativos, alínea "a" do §2º do art. 20. Segundo a Fiscalização: "Assim, se a Nova Bolsa quisesse considerar algum 'ágio por rentabilidade futura', deveria considerar somente aquele que ultrapassasse o valor de mercado dos ativos e passivos da controlada. [...] As participações societárias nas companhia CBLC e BVSP são os únicos bens que estão registrados no ativo da Bovespa Holding S.A. e obviamente são os bens que levaram a determinação do custo de aquisição do investimento. Assim, se houvesse algum ágio relacionado ao custo de aquisição este ágio teria por fundamento econômico o valor de mercado dos ativos da coligada terem sido avaliados por valor superior ao custo registrado na sua contabilidade." A recorrente discordou desta abordagem mediante apresentação de Parecer de Eliseu Martins do qual destacase: "A avaliação de uma holding pode, por isso ser feita de duas formas, o que absolutamente não pode mudar o valor final da avaliação. Pode, primeiramente, tudo ser feito como se fossem Fl. 3051DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.052 50 todas uma única pessoa jurídica, ou seja, com base nas demonstrações contábeis consolidadas. E pode, alternativamente, ser feita a avaliação de cada uma das sociedades controladas individualmente, para depois se inserir essas avaliações no balanço individual da controladora. O resultado será, obrigatoriamente, o mesmo na mensuração do valor econômico da controladora. É algo semelhante ao uso do método da equivalência patrimonial na avaliação contábil de sociedades controladas: se tudo estiver tecnicamente correto, o lucro e o patrimônio líquidos das demonstrações individuais da controladora serão os mesmos que os das demonstrações consolidadas. Vejase, inclusive, essa exigência nos Pronunciamentos Técnicos do CPC Comitê de Pronunciamentos Contábeis, como no caso do de número 43 (A não ser que hajam procedimentos contábeis diferentes entre o balanço individual da controladora e consolidado, o que no Brasil hoje só pode ocorrer por conta do ativo diferido mantido, opcionalmente, para o individual, mas não admitido para o balanço consolidado. Antes das novas normas contábeis de fato existiam outras diferenças, mas por conta de erros da Lei que foram corrigidos.) Todavia, a Resolução CFC nº 750/93, ao abordar o Princípio da Entidade, bem demonstra que "as somas e agregações de patrimônios de diferentes Entidades não resultam em nova Entidade": 2.1 O Princípio da Entidade Art. 4° O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único. O PATRIMÔNIO pertence à ENTIDADE, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova ENTIDADE, mas numa unidade de natureza econômicocontábil.” 2.1.1 A autonomia patrimonial O cerne do Princípio da ENTIDADE está na autonomia do patrimônio a ela pertencente. O Princípio em exame afirma que o patrimônio deve revestirse do atributo de autonomia em relação a todos os outros Patrimônios existentes, pertencendo a uma Entidade, no sentido de sujeito suscetível à aquisição de direitos e obrigações. A autonomia tem por corolário o fato de que o patrimônio de uma Entidade jamais pode confundirse com aqueles dos seus sócios ou proprietários. Por conseqüência, a Entidade poderá ser desde uma pessoa física, ou qualquer tipo Fl. 3052DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.053 51 de sociedade, instituição ou mesmo conjuntos de pessoas, tais como: famílias; empresas; governos, nas diferentes esferas do poder; sociedades beneficentes, religiosas, culturais, esportivas, de lazer, técnicas; sociedades cooperativas; fundos de investimento e outras modalidades afins. No caso de sociedades, não importa que sejam sociedades de fato ou que estejam revestidas de forma jurídica, embora esta última circunstância seja a mais usual. O patrimônio, na sua condição de objeto da Contabilidade, é, no mínimo, aquele juridicamente formalizado como pertencente à Entidade, com ajustes quantitativos e qualitativos realizados em consonância com os princípios da própria Contabilidade. A garantia jurídica da propriedade, embora por vezes suscite interrogações de parte daqueles que não situam a autonomia patrimonial no cerne do Princípio da Entidade, é indissociável desse princípio, pois é a única forma de caracterização do direito ao exercício de poder sobre o mesmo Patrimônio, válida perante terceiros. Cumpre ressaltar que, sem autonomia patrimonial fundada na propriedade, os demais Princípios Fundamentais perdem o seu sentido, pois passariam a referirse a um universo de limites imprecisos. A autonomia patrimonial apresenta sentido unívoco. Por conseqüência, o patrimônio pode ser decomposto em partes segundo os mais variados critérios, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos. Mas nenhuma classificação, mesmo que dirigida sob ótica setorial, resultará em novas Entidades. Carece, pois de sentido, a idéia de que as divisões ou departamentos de uma Entidade possam constituir novas Entidades, ou microentidades”, precisamente porque sempre lhes faltará o atributo da autonomia. A única circunstância em que poderá surgir nova Entidade, será aquela em que a propriedade de parte do patrimônio de uma Entidade, for transferida para outra unidade, eventualmente até criada naquele momento. Mas, no caso, teremos um novo patrimônio autônomo, pertencente a outra Entidade. Na contabilidade aplicada, especialmente nas áreas de custos e de orçamento, trabalhase, muitas vezes, com controles divisionais, que podem ser extraordinariamente úteis, porém não significam a criação de novas Entidades, precisamente pela ausência de autonomia patrimonial. 2.1.2 Da soma ou da agregação de patrimônios O Princípio da Entidade apresenta corolário de notável importância, notadamente pelas suas repercussões de natureza Fl. 3053DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.054 52 prática: as somas e agregações de patrimônios de diferentes Entidades não resultam em nova Entidade. Tal fato assume especial relevo por abranger as demonstrações contábeis consolidadas de Entidades pertencentes a um mesmo grupo econômico, isto é, de um conjunto de Entidades sob controle único. A razão básica é a de que as Entidades cujas demonstrações contábeis são consolidadas mantêm sua autonomia patrimonial, pois seus Patrimônios permanecem de sua propriedade. Como não há transferência de propriedade, não pode haver formação de novo patrimônio, condição primeira da existência jurídica de uma Entidade. O segundo ponto a ser considerado é o de que a consolidação se refere às demonstrações contábeis, mantendose a observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade no âmbito das Entidades consolidadas, resultando em uma unidade de natureza econômicocontábil, em que os qualificativos ressaltam os dois aspectos de maior relevo: o atributo de controle econômico e a fundamentação contábil da sua estruturação. As demonstrações contábeis consolidadas, apresentando a posição patrimonial e financeira, resultado das operações, as origens e aplicações de recursos ou os fluxos financeiros de um conjunto de Entidades sob controle único, são peças contábeis de grande valor informativo para determinados usuários, embora isso não elimine o fato de que outras informações possam ser obtidas nas demonstrações que foram consolidadas. Correto, portanto, o entendimento firmado pela autoridade julgadora de 1ª instância acerca dos elementos que deveriam ser considerados para avaliação da rentabilidade futura da Bovespa Holding: Se a análise tivesse por finalidade a determinação do Valor Presente do Fluxo de Caixa Futuro Descontado da Bovespa Holding, como proposto às fls. 1213, então necessariamente haveria de se fazer projeções quanto ao fluxo de dividendos e de juros sobre o capital próprio a receber de suas subsidiárias, a previsão de aportes de recursos nas empresas controladas, as estimativas das futuras despesas de titularidade da própria Bovespa Holding, etc. Nada consta no referido laudo, quanto a esta matéria. Em vez disso, o laudo traz projeções de receitas e de custos de titularidade de suas subsidiárias, a demonstrar que o objeto da avaliação é, em realidade, o valor de mercado dos seus ativos, como bem concluiu a autoridade fiscal. Vejase que não são apenas as receitas e despesas das investidas que determinam a projeção de rentabilidade futura. Existem outros fatos, como controle, mercado, harmonia da sociedade que pode estar refletida em uma das empresas operacionais ou na holding e, com isso, as sociedade por ela controladas não terem a mesma rentabilidade futura projetada trazida a valor presente. Há variáveis que podem diferir em cada projeção, como o risco que interfere no custo de capital da holding. Fl. 3054DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.055 53 Essa também foi a fundamentação do voto do relator (Cons. Marcos Aurélio Pereira Valadão),porém como não concordo com a tese do jurista Marco Aurélio Greco, citada pelo relator e pela Fiscalização, é que o acompanhei pelas conclusões. Assim, destaco a parte do voto do relator com a qual não concordei: Posição, que embora não seja exatamente o mesmo fundamento, coincide, in casu, com a posição de Marco Aurélio Greco, que serviu de base à autuação, conforme transcrição do TVF abaixo (fls e62): A segunda hipótese [que é a que se adequa ao quadro presente] de aquisição de participação societária apresentada no estudo de Marco Aurélio Greco trata da "aquisição em razão de operação que suponha a avaliação da participação societária para fins de versão dessa participação", onde conclui que não há espaço para identificar como fundamento econômico de ágio eventualmente existente a expectativa de rentabilidade futura como entidade autônoma (letra 13' do § 2° do artigo 20 do DL n° 1.598/77). Aliás, cabe também esclarecer, em razão das alegações da contribuinte de que fez a segregação dos fundamentos do ágio nos termos da doutrina do jurista Marco Aurélio Greco citada no TVF, que a referida segregação, porém, não ocorreu por ocasião da aquisição do investimento. Às fls. 193/195 estão os lançamentos contábeis da aquisição apresentados à Fiscalização, onde o ágio foi registrado sem segregação. À fl. 196 consta que houve amortização contábil a partir de 30/06/2008 sem qualquer segregação, e às fls. 205/206 consta que foram adicionados ao lucro real os valores amortizados até novembro/2008. Somente em 30/12/2008 consta um registro que parece ter a ver com a segregação (fl. 203). Neste sentido, às fls. 1137 e seguintes consta Relatório de Avaliação Patrimonial também de autoria de Deloitte, data base 08/05/2008, mas elaborado em novembro/2008. Sua finalidade foi "fornecer o valor de mercado dos bens à BMF & BOVESPA, o qual será utilizado no processo de incorporação da BOVESPA HOLDING". Evidente, assim, que esta aferição, não poderia repercutir na fundamentação do ágio formado no momento da aquisição. Esta apuração apenas altera o valor do ágio depois da incorporação, e reduz o valor que a contribuinte passa a amortizar a partir dali. É certo que a autuada levantou balanço em 08/05/2008 e nas notas explicativas (fls. 782) constava que até o encerramento do exercício de 2008 seria feita a segregação. Porém esta só ocorreu depois que a autuada incorporou a Bovespa Holding. Inclusive, os ativos intangíveis que são objeto de avaliação e segregação são aqueles pertencentes à BVSP e à CBLC, que só passam ao controle direto da autuada depois da incorporação da Bovespa Holding, e possivelmente por esta razão impõem à autuada a adequação de seus registros contábeis acerca da natureza do ágio antes registrado. Retroagir os efeitos desta segregação à data da incorporação implicaria reconhecer que, à época da aquisição da Bovespa Holding S/A, o ativo adquirido seria, em verdade, as participações societárias de BVSP e CBLC, desconsiderandose a existência daquela intermediária, cuja posterior incorporação, aliás, é invocada, no âmbito tributário, para justificar a amortização do ágio na forma do art. 7º da Lei nº 9.532/97. Fl. 3055DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.056 54 Por fim, e como um segundo argumento para manter a autuação, temse, como bem demonstrado no TVF e corroborado pelo voto vencedor do acórdão recorrido, "o contribuinte realizou a incorporação das ações da Bovespa Holding S.A. ao seu patrimônio por valor completamente diverso do apontado pelo laudo de avaliação e por critério de avaliação completamente diverso do utilizado pelo laudo de avaliação". De fato, apesar de ter solicitado a elaboração de Laudo de Avaliação Econômicofinanceira da Bovespa Holding S.A. com a finalidade de definir o valor justo de mercado das ações a serem incorporadas, a suposta rentabilidade futura da investida refletida naquela avaliação não foi invocada, nos termos do art. 170, §1º, inciso I da Lei nº 6.404/76: Art. 170. Depois de realizados 3/4 (três quartos), no mínimo, do capital social, a companhia pode aumentálo mediante subscrição pública ou particular de ações. § 1º O preço de emissão deverá ser fixado, sem diluição injustificada da participação dos antigos acionistas, ainda que tenham direito de preferência para subscrevêlas, tendo em vista, alternativa ou conjuntamente: (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) I a perspectiva de rentabilidade da companhia; (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) II o valor do patrimônio líquido da ação; (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) III a cotação de suas ações em Bolsa de Valores ou no mercado de balcão organizado, admitido ágio ou deságio em função das condições do mercado. (Incluído pela Lei nº 9.457, de 1997) As ações foram avaliadas por seu valor de mercado na forma do inciso III do referido art. 170, §1º, motivo do descompasso de valores entre o acordado e o mencionado laudo de avaliação. Ou seja, a vontade manifestada pelas partes justifica o valor atribuído às ações a partir de sua cotação em Bolsa, mas, no âmbito tributário, pretendese integrar esta vontade associandose o preço fixado a outra hipótese do art. 170, §1º da Lei nº 6.404/76, com base em um laudo de avaliação elaborado contemporaneamente à aquisição, mas desprezado como justificativa societária do valor definido para a operação. Em face ao exposto, a autuação deve ser mantida porque o laudo de fls. 123/168 não se prestou a avaliar a rentabilidade futura da Bovespa Holding. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 3056DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.057 55 Declaração de voto Conselheiro André Mendes de Moura Gostaria de acrescentar meus fundamentos para acompanhar as razões apresentadas pelo relator no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte (Nova Bolsa S.A.). A princípio, transcrevo síntese da autuação, bem descrita pelo voto da DRJ: Tratase, no presente caso, da amortização do ágio que fora escriturado pelo interessado por ocasião da incorporação da totalidade das ações da Bovespa Holding S.A., ocorrida em 08/05/2008. Pela incorporação de ações, a Bovespa Holding passou a ser subsidiária integral da autuada, consoante prevê o art. 252 da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações). Com base em seu valor de mercado, as ações recebidas foram avaliadas em aproximadamente R$17,94 bilhões e a participação societária foi registrada no ativo de forma desmembrada, sendo R$1,54 bilhão escriturado como valor de patrimônio liquido, pelo método da equivalência patrimonial (MEP), e os demais R$16,39 bilhões foram registrados como ágio. Como contrapartida, foi lançado a crédito o valor de R$1,53 bilhão, na conta de capital social, e o montante de R$16,41 na conta de reserva de capital. Posteriormente, em 28/11/2008, o contribuinte absorveu o patrimônio da sua subsidiária integral mediante a transformação societária prevista no art. 227 da Lei nº 6.404/76, ou seja, a controladora incorporou a sociedade controlada, com a extinção da personalidade jurídica desta última. (grifei) Registro primordial é de que a operação em debate tem como origem a incorporação de ações da Bovespa Holding, que passou a ser subsidiária integral da Contribuinte. Em seguida, a Contribuinte (controladora) incorporou a Bovespa Holding. O que se discute é a contabilização das ações no ativo, ao se escriturar R$1,54 bilhões como patrimônio líquido e R$16,39 bilhões como ágio, em uma operação de incorporação de ações. Na incorporação de ações, a incorporadora (investidora) aumenta seu capital, que é integralizado com as ações da sociedade incorporada, e entrega estas novas ações para os acionistas da incorporada. Ou seja, preservase a existência da sociedade que teve as ações incorporadas, passando a ser subsidiária da sociedade que incorporou as suas ações. Fl. 3057DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.058 56 Ocorre que na incorporação de ações, há que se atribuir um valor para as ações que serão incorporadas, valor que deve ser atribuído levandose em consideração não apenas uma medida econômica ou contábil, mas também componentes circunstanciais, como no caso concreto, no qual se buscava uma perfeita distribuição de ações (50%) para a BM&F e a Bovespa Holding, o denominado "Equilíbrio Acionário" do "Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações". Sobre a avaliação das ações que serão incorporadas, predica o art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976 (Lei das S.A.): Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (grifei) Não por acaso é feita referência ao artigo 224 da lei sob análise: Art. 224. As condições da incorporação, fusão ou cisão com incorporação em sociedade existente constarão de protocolo firmado pelos órgãos de administração ou sócios das sociedades interessadas, que incluirá: (...) III os critérios de avaliação do patrimônio líquido, a data a que será referida a avaliação, e o tratamento das variações patrimoniais posteriores; Observese que a lei não dispõe sobre o critério para a avaliação do patrimônio líquido. No caso concreto, foi realizada por empresa especializada, no qual concluiu que "o valor justo de mercado" situase no intervalo de R$20,724 bilhões e R$22,319 bilhões. Relata a autoridade fiscal que foi adotado um outro valor, registrado na ata da AGE que aprovou a incorporação das ações, na ordem de R$17,942 bilhões, equivalente à "média ponderada pelo volume financeiro transacionado das cotações médias" observadas nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo dentro de um intervalo temporal. Deuse, portanto, a avaliação do patrimônio líquido na ordem de R$17,942 bilhões. Fl. 3058DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.059 57 Prossegue a autuação fiscal discorrendo que, sendo as ações da sociedade incorporada um investimento, correspondente a um investimento em controlada, submeterse ia ao Método de Equivalência Patrimonial (art. 248 da Lei das S.A.) e, por consequência, ao disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, que trata do desdobramento do custo de aquisição: Art. 20. O contribuinte que avaliar investimento pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. Na determinação do patrimônio líquido, constatou a Fiscalização a diversidade de critérios na avaliação (um estimado por empresa especializada, outro determinado pela AGE), levando a aplicação para o art. 21 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, no sentido de se promover ajustes para uniformizar os critérios contábeis adotados pela investida e pelo contribuinte. Fato é que a autoridade autuante conclui que, na incorporação de ações, a avaliação do patrimônio líquido precede a efetiva incorporação, de maneira que o valor do patrimônio líquido é o mesmo do custo de aquisição, razão pela qual não há que se falar em ágio. Transcrevo excerto do TVF: O MEP, ao visar a classificação contábil da participação societária, utilizase de três componentes valorativos: o "custo de aquisição do investimento", o "valor do patrimônio líquido" e o "ágio" (ou deságio). Entretanto, somente os dois primeiros são mensurados por avaliação patrimonial. O valor do "ágio " é determinado pela diferença entre os outros dois. Na "Incorporação de Ações", os critérios de avaliação da participação societária que está sendo adquirida determinaram o "custo de aquisição do investimento", e, como visto, o critério econômico de avaliação passou a ser também o critério contábil, uma vez utilizado seu valor para registro contábil. As regras do MEP determinam a adoção de critérios contábeis uniformes na avaliação dos elementos patrimoniais, inclusive dos investimentos em participação societária. Assim, a avaliação do elemento que foi utilizado para determinar o valor do "custo de aquisição do investimento" para o MEP não pode ser diferente da avaliação do mesmo elemento, quando este servir para determinar o valor do "patrimônio líquido", a ser utilizado pelo Método e que servirá para avaliar e classificar o investimento. Fl. 3059DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.060 58 Apenas a título de esclarecimento, cabe mencionar que nos casos de aquisição de participação societária por compra e venda de ações, o valor pago, ou "custo de aquisição do investimento" é mensurado pelo valor do "caixa" utilizado, que está registrado e é avaliado contabilmente pelo critério de avaliação contábil por seu custo histórico, por "valores de entrada", e o balanço da coligada ou controlada normalmente também tem seus ativos e passivos registrados por seus custos históricos, assim os "critérios contábeis" são uniformes. No caso sob análise o "custo de aquisição do investimento" não foi mensurado pelo critério do custo histórico, e sim, é oriundo de um valor atribuído na operação de "Incorporação de Ações", com base no critério de avaliação econômico pelo valor de mercado. Em uma operação de compra de ações, o valor do patrimônio líquido contábil da companhia a ser adquirida poderá ser acrescido de um ágio em razão da expectativa de rentabilidade futura da companhia. Porém na operação de "Incorporação de Ações", essa expectativa de rentabilidade futura é parte do valor da companhia adquirida, exteriorizada no momento em que as partes atribuíram o valor do aumento de capital e o valor de registro da participação societária. No MEP este valor pode ser considerado o "custo de aquisição do investimento". Desta forma, sob o aspecto fiscal, a expectativa de rentabilidade futura da Bovespa Holding S.A. é o fundamento econômico para determinação do valor do "custo de aquisição do investimento", atribuído pelo contribuinte, e não fundamento econômico do ágio, visto que o ágio é resultado da diferença entre o valor do custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido da participação societária, quando avaliados sob os mesmos critérios. Tratase da principal fundamentação da autoridade autuante, no sentido de que não há ágio a ser contabilizado, porque o patrimônio líquido avaliado, para que se possa processar a incorporação das ações, é precisamente o custo de aquisição. De fato, na incorporação de ações, continuam existindo a empresa investidora (sociedade que incorporou as ações) e a empresa investida (sociedade que teve as ações incorporadas). Há um aumento de capital na sociedade que incorporou as ações, integralizado pelas ações da empresa que teve as ações incorporadas, e há uma reavaliação do patrimônio líquido da empresa que teve as ações incorporadas. Observase que o que se processa é um aumento de capital na sociedade que incorporou as ações, tanto que a contrapartida das ações reavaliadas é lançamento em conta de capital. Situação diferente da apresentada pelo art. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, no qual a empresa A tem um investimento (empresa X), com patrimônio líquido 100, e que é alienado para a empresa B, pelo custo de aquisição 150. A empresa que detinha o investimento (empresa A) "sai de cena", e eventual ágio será aproveitado pela investidora (empresa B) ou investida (empresa X). Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.061 59 Na incorporação de ações, a empresa investida desempenha o papel, ao mesmo tempo, de alienante e adquirente, por isso, não há que se falar em ágio, mas sim em reavaliação do patrimônio líquido da própria investida, que será objeto de aquisição mediante incorporação de ações. Repito: a mesma empresa que aliena as ações vai se tornar a investidora, vez que passará a deter ações da adquirente. Tanto que, na avaliação das ações a serem incorporadas, há margem considerável de manipulação do valor, no sentido, inclusive, de permitir um ajuste como o realizado no caso concreto, para que os dois acionistas detenham precisamente 50% do capital. E, subsidiariamente, a Fiscalização discorre (efl. 59): Ainda que, na aquisição da Bovespa Holding S.A. pela Nova Bolsa S.A. fosse possível se considerar algum ágio, o artigo 20 do DecretoLei 1.598/77, que trata do desdobramento do custo de aquisição, estipula que o seu lançamento deverá indicar o fundamento econômico a que se refere o ágio, dentre os três previstos (...) Ao final, concluiu que, se fosse para se falar de ágio, o fundamento econômico adotado para avaliação do patrimônio líquido da Bovespa Holding foi a letra "a" do art. 21 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, qual seja, o valor de mercado. Isso porque a Bovespa Holding só tinha como ativos a BVSP e a CBLC: As participações societárias nas companhia CBLC e BVSP são os únicos bens que estão registrados no ativo da Bovespa Holding S.A. e obviamente são os bens que levaram a determinação do custo de aquisição do investimento. Assim, se houvesse algum ágio relacionado ao custo de aquisição este ágio teria por fundamento econômico o valor de mercado dos ativos da coligada terem sido avaliados por valor superior ao custo registrado na sua contabilidade. (grifei) Concluiu no sentido de que não haveria que se falar em amortização do ágio com base no fundamento econômico de rentabilidade futura, o que afastaria a aplicação do inciso III, art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997: Assim, a conclusão a que se chega é que o fundamento econômico do ágio resultante da incorporação de ações da Bovespa Holding S. A. pela Nova Bolsa S. A. não poderia ter sido classificado como valor de rentabilidade futura entidade autônoma previsto na letra "b", do § 2º do artigo 20 do DecretoLei 1.598/77. Diante do exposto, acompanho o relator, no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 3061DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.062 60 Declaração de Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo No mérito, em que pesem as razões expostas pelo Relator, peço licença para acompanhálo apenas por suas conclusões no que concerne à glosa das despesas com amortização de ágio, pelos motivos que passo a expor. Como bem pontuado no voto proferido pela Conselheira Adriana Gomes Rêgo, que acompanhei integralmente, o autor da ação fiscal afirma no TVF que o ágio contabilizado por Nova Bolsa S.A. quando da incorporação das ações de Bovespa Holding S.A. não pode ser qualificado como sendo fruto da rentabilidade futura de Bovespa Holding S.A. (art. 20, § 2º, "b" do Decreto nº 70.235/72). Veja que Bovespa Holding S.A. não é uma empresa "operacional". Toda sua renda provém de suas subsidiárias integrais, as companhias BVSP S.A. e CBLC S.A., essas sim empresas operacionais, e cujas ações estão registradas no ativo de Bovespa Holding S.A. Noutras palavras, BVSP S.A. e CBLC S.A. são ativos de propriedade de Bovespa Holding S.A. Por sua vez o laudo de avaliação de Bovespa Holding S.A., elaborado pela consultoria Deloitte com base na rentabilidade futura de BVSP S.A. e CBLC S.A., nada mais é do que a avaliação dos ativos de Bovespa Holding S.A. a valor de mercado. Ou seja, como BVSP S.A. e CBLC S.A. são ativos de Bovespa Holding S.A., o ágio em comento é fruto da diferença entre o valor de mercado desses ativos e o valor desses mesmos ativos registrados na contabilidade de Bovespa Holding S.A., conforme disposto no art. 20, § 2º, "a" do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. (...) § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; (g.n.) b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; (...) Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.063 61 Sobre o assunto a autoridade fiscal assim se pronunciou (vide item 5.1 do TVF à efl. 64 e ss.): O contribuinte informa em correspondência endereçada a esta fiscalização (fls. 625) que "a contabilização da participação societária de Bovespa Holding S.A. observou o disposto na Instrução CVM n° 247/96" que "Dispõe sobre a avaliação de investimentos em sociedades coligadas e controladas e sobre os procedimentos para elaboração e divulgação das demonstrações contábeis consolidadas, para o pleno atendimento aos Princípios Fundamentais de Contabilidade..." (...) Em nota explicativa a instrução CVM 469, de 02 de maio de 2008, assim se pronunciou a CVM: "Não obstante, as operações de aquisição de investimentos permanentes em controladas e coligadas estão sujeitas ao disposto na Instrução CVM n° 247, de 27 de março de 1996, que prevê procedimento parcialmente convergente com as normas internacionais quando trata da contabilização do ágio ou deságio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial. A Instrução CVM n° 285, de 31 de julho de 1998, que altera a Instrução CVM n° 247, de 1996, estabelece que o ágio por rentabilidade futura é somente aquele que ultrapassar o valor de mercado dos ativos e passivos." (g.n.) Assim, se a Nova Bolsa quisesse considerar algum "ágio por rentabilidade futura", deveria considerar somente aquele que ultrapassasse o valor de mercado dos ativos e passivos da controlada. Incluindo as suas subsidiárias integrais, BVSP E CBLC, que haviam sido avaliadas pelo laudo de avaliação da DTT, pelos seus valores de mercado. (g.n.) Por se tratar a controlada da Nova Bolsa S.A. de uma holding, seus ativos eram as participações societárias na BVSP e na CBLC, suas subsidiárias integrais. O valor de mercado de seus ativos (BVSP e CBLC) pode ser obtido por meio do Laudo de Avaliação da Bovespa Holding S.A feito com base no "valor presente dos fluxos de caixa líquidos gerados pelas operações da empresa no futuro", haja vista, que os fluxos de caixa considerados foram os das companhia CBLC e BVSP. A letra "a" do artigo 21 prevê como primeiro fundamento econômico a ser utilizado para o lançamento de eventual ágio: "o valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade" As participações societárias nas companhia CBLC e BVSP são os únicos bens que estão registrados no ativo da Bovespa Holding S.A. e obviamente são os bens que levaram a determinação do custo de aquisição do investimento. Assim, se houvesse algum ágio relacionado ao custo de aquisição este ágio teria por fundamento econômico o valor de mercado dos ativos da Fl. 3063DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.064 62 coligada terem sido avaliados por valor superior ao custo registrado na sua contabilidade. (g.n.) Assim, a conclusão a que se chega é que o fundamento econômico do ágio resultante da incorporação de ações da Bovespa Holding S. A. pela Nova Bolsa S. A. não poderia ter sido classificado como valor de rentabilidade futura entidade autônoma previsto na letra "b", do do § 2°, do artigo 20 do DecretoLei 1.598/77. (g.n.) (...) Não sendo fruto da expectativa da rentabilidade futura de Bovespa Holding S.A., e sim do aumento de valor de seus ativos (BVSP S.A. e CBLC S.A.) quando comparado ao valor contabilizado, a amortização do ágio contabilizado por Nova Bolsa S.A quando da incorporação das ações de Bovespa Holding S.A. não pode ser registrada como despesa para fins fiscais, haja vista o disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97. No caso, conforme divulgado pelas próprias companhias por meio da publicação do Fato Relevante, de 19 de fevereiro de 2008, Bovespa Holding S.A. e BM&F S.A. iniciaram "conversações visando a integração de suas atividades" (efl. 107). Neste primeiro comunicado ao público não foi informada a forma pela qual se daria a "integração das atividades" das duas companhias. Como é sabido, existem diversas formas de promoverse a integração das atividades de duas companhias. Duas, entretanto, se destacam por serem mais diretas. A primeira delas seria a realização de uma fusão pura e simples entre as companhias. A outra seria por meio da incorporação pura e simples de uma pela outra. Ocorre que em nenhuma dessas duas formas mais diretas de "integração das atividades" das companhias haveria a possibilidade de dedução fiscal de despesas com amortização de ágio. Isso porque naquele momento nenhumas das duas companhias possuía participação societária na outra adquirida com ágio, algo que impede a incidência do disposto no art. 7º da Lei nº 9.532/97, in verbis: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (...) Posteriormente, em 25 de março de 2008, as companhias divulgaram novo Fato Relevante onde informaram alguns detalhes sobre "integração de suas atividades". Os dois primeiros parágrafos desse documento encontramse a seguir transcritos (efl. 106): A BOVESPA HOLDING S.A. (BOVH3) e a BOLSA DE MERCADORIAS & FUTUROS BM&F S.A. (BMEF3), em complemento às informações divulgadas no Fato Relevante de 19 de fevereiro de 2008, vêm informar que seus respectivos Conselhos de Administração, em reuniões realizadas no dia 25 Fl. 3064DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.065 63 de março, decidiram propor aos respectivos acionistas uma integração das atividades das duas companhias, com formação de uma entidade provisoriamente denominada de Nova Bolsa. A Nova Bolsa será uma companhia aberta, registrada na Comissão de Valores Mobiliários, e cujas ações serão negociadas no Novo Mercado. Serão procedidas operações de reorganização societária que resultarão na emissão de ações ordinárias da Nova Bolsa para os acionistas da BM&F e da Bovespa Holding, na proporção de 50% para cada Companhia. Adicionalmente, os acionistas da Bovespa Holding receberão pagamento de R$ 1,24 bilhão. (...) Como visto no trecho acima, Bovespa Holding S.A. e BM&F S.A. decidiram incluir no processo de "integração de suas atividades" uma terceira companhia, denominada Nova Bolsa S.A (companhia sem atividade e com capital de pífios 500 reais). Ademais, decidiram que ao longo do processo Nova Bolsa S.A. emitiria ações aos acionistas de Bovespa Holding S.A. e BM&F S.A. de maneira que a participação de cada grupo de acionistas representasse 50% do capital de Nova Bolsa S.A. Adicionalmente, Nova Bolsa S.A. pagaria aos acionistas de Bovespa Holding S.A. o valor de 1,24 bilhão de reais. Em 17 de abril de 2008 as companhias divulgaram o último Fato Relevante antes da efetiva integração de suas atividades, ocorrida em 08 de maio de 2008. Por meio deste documento foi detalhada a forma de "integração das atividades" das companhias (efl. 94 e ss.). Conforme divulgado no documento acima referido, a forma de integração adotada consistiu: (i) na incorporação, por Nova Bolsa S.A., do patrimônio de BM&F S.A. a valor contábil, cabendo aos acionistas dessa companhia 50% das ações ordinárias da incorporadora; e (ii) na incorporação, por Nova Bolsa S.A., das ações de Bovespa Holding S.A. a valor de mercado, cabendo aos acionistas dessa companhia 50% das ações ordinárias da incorporadora, mais ações preferenciais resgatáveis no valor total de 1,24 bilhão de reais. Foi em razão da incorporação das ações de Bovespa Holding S.A. a valor de mercado que Nova Bolsa S.A. contabilizou o ágio cuja despesa com amortização foi glosada pela fiscalização. E é aqui que se verifica a questão da inexistência de fundamento econômico para esse ágio. De fato, o referido ágio não decorreu de nenhum esforço econômico por parte de Nova Bolsa S.A., de BM&F S.A. ou mesmo de Bovespa Holding S.A. Ocorre que um ágio formado sem substância econômica que o justifique não é passível de amortização, sequer para fins contábeis, conforme disposto no Ofício Circular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007 (expedido, portanto, antes da integração das atividades das duas companhias), in verbis: 20.1.7 “Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação Fl. 3065DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.066 64 de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. (g.n.) Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. (g.n.) (...) E nem se diga que BM&F S.A. era o terceiro que despendeu esforço econômico, justificando assim a dedutibilidade do ágio. O que ocorreu, em verdade, foi a fusão dos patrimônios de BM&F S.A. e Bovespa Holding S.A. E como essas duas companhias não possuíam participação na outra adquirida com ágio, nenhum ágio poderia ser amortizado, como dito anteriormente. O processo de integração empregado por BM&F S.A. e Bovespa Holding S.A., com utilização de Nova Bolsa S.A. teve como propósito primordial (ou mesmo único) a formação artificial do ágio. Fl. 3066DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.067 65 E um ágio assim formado não pode ser aproveitado para reduzir o resultado fiscal da companhia (e nem para reduzir resultado contábil), conforme já reiteradamente decidido por esta Turma. Tendo em vista todo o acima exposto, voto por manter a glosa das despesas com amortização do ágio surgido na incorporação das ações de Bovespa Holding S.A. por Nova Bolsa S.A., acompanhando assim o voto do Relator por suas conclusões, na forma do voto da Conselheira Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Declaração de Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra Como bem mencionado pelo Relator, as matérias postas à apreciação desta Câmara Superior referemse à: 1. desnecessidade de indicação do montante preciso do ágio a ser aproveitado fiscalmente. 2. desnecessidade de apresentação de documentação de suporte do fundamento econômico do ágio; 3. inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização; 4. inaplicabilidade da multa isolada em razão do encerramento do anobase de 2009; 5. impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício; e 6. ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Com exceção do item 4 e 5, acima, ouso, respeitosamente, discordar da posição do Relator. O voto vencedor do acórdão recorrido parte da premissa de que a fiscalização desconsiderou o laudo apresentado, tendo em vista que o valor da avaliação não guardou relação com o Laudo elaborado pela Deloitte. Nesse contexto, afirma que o laudo não traz elementos que possibilitem aferir o montante de ágio apropriado, não representando, assim, a “demonstração” a que faz referência a legislação de regência. Fl. 3067DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.068 66 O entendimento do Colegiado acerca da demonstração é de que o seu conteúdo, além de indicar com precisão o montante a ser aproveitado fiscalmente, deve estar amparado por documentos capazes de comprovar, de forma indubitável, a rentabilidade futura esperada. Vale aqui a transcrição dos trechos do referido voto que demonstram referido posicionamento: “Ou seja, para a Fiscalização, na medida em que a contribuinte não lhe apresentou documento (“demonstração”) capaz de explicar o montante apropriado a título de ágio, eis que o valor de avaliação das ações não guardou relação com o LAUDO DE AVALIAÇÃO ECONÔMICOFINANCEIRA elaborado pela DELOITTE, a conclusão lógica foi de que, se existente tal ágio, ele não teria por fundamento a rentabilidade futura dos ativos envolvidos. Para o Colegiado, tal conclusão não é digna de reparo, vez que efetivamente o LAUDO de fls. 123/168 não traz elementos que possibilitem aferir o montante de ágio apropriado pela fiscalizada, não representando, assim, a “demonstração” a que faz referência a legislação de regência. Cabe destacar que o LAUDO da DELOITTE foi o único documento apresentado pela contribuinte no curso da fiscalização para explicar o ágio apropriado no resultado fiscal. Em que pese a existência de pronunciamentos em sentido diverso, o entendimento do Colegiado acerca da DEMONSTRAÇÃO a que faz referência o parágrafo 3º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/77 é de que, embora não haja uma definição sobre a forma de sua apresentação, o seu conteúdo, além de indicar com precisão o montante a ser aproveitado fiscalmente, deve estar amparado por documentos capazes de comprovar, de forma indubitável, a rentabilidade futura esperada. (..) Na linha do argüido pela Recorrente no curso da ação fiscal e considerado o pronunciamento acima reproduzido, dúvidas não há de que o LAUDO apresentado “suporta” o montante apropriado a título de ágio, eis que o intervalo de valor nele referenciado é superior ao total da despesa, mas, considerar que ele possa servir como demonstrativo do valor apropriado no resultado fiscal e como comprovante de escrituração, para o Colegiado, é inadmissível. Ausente, pois, a DEMONSTRAÇÃO exigida pela lei, bem como a correspondente documentação de suporte, e, considerados ainda, os pronunciamentos e documentos aportados aos autos no curso do procedimento fiscal, decidiu o Colegiado pela Fl. 3068DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.069 67 manutenção da glosa de despesa de ágio, na parcela mantida pela Turma Julgadora de primeira instância.” Penso de maneira diferente. O simples motivo de o valor registrado ser inferior ao valor contido no laudo não o invalida para fins de amortização fiscal do ágio. Sendo o valor do ágio inferior ao valor contido no laudo, serve ele como documento satisfatório à demonstração, de modo que também o requisito da comprovação está cumprido. Esse, inclusive, foi o posicionamento da própria fiscalização sobre o laudo e sua validade, conforme se pode extrair do Termo de Verificação Fiscal, cujas principais partes serão transcritas nas linhas adiante: “3.2 – DA AVALIAÇÃO DAS AÇÕES INCORPORADAS (...) A avaliação das “ações a serem incorporadas” é feita com o propósito de se determinar o valor da companhia que irá se tornar uma subsidiária integral. Embora os termos da norma digam para avaliar as ações, o sentido real é o de se avaliar a companhia cujas ações serão incorporadas. Foi o que fez a Nova Bolsa S.A. A avaliação da companhia Bovespa Holding S.A. foi realizada pela Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda. – DTT, que apresentou “Laudo de Avaliação Econômicofinanceira” (fls. _____), concluindo o seguinte: “...estimamos que, na data base 31 de dezembro de 2007, o valor justo de mercado da totalidade das ações da Companhia se situa no intervalo de R$ 20.724 milhões a R$ 22.319 milhões,..”. Embora a Bovespa Holding S.A., com incorporação de todas as suas ações, passe a fazer parte, integralmente, do patrimônio da Nova Bolsa S.A., não há obrigatoriedade para que o valor da avaliação da companhia seja utilizado como valor contábil a ser registrado pela incorporadora, nem que seja o “valor da transação” entre as partes. Analogamente ao preconizado pelo artigo 226 da lei 6.40476, a lei não permite que o aumento do patrimônio da Nova Bolsa S.A. seja maior do que o valor da avaliação, a fim de garantir o direito dos credores da incorporadora, mas a incorporação das ações da incorporada pode ser feita por valor inferior ao da avaliação. Assim, o contribuinte realizou a incorporação das ações da Bovespa Holding S.A. ao seu patrimônio por valor completamente diverso do apontado pelo laudo de avaliação e por critério de avaliação completamente diverso do utilizado pelo laudo de avaliação. Fl. 3069DF CARF MF Processo nº 16327.001536/201080 Acórdão n.º 9101002.758 CSRF‐T1 Fl. 3.070 68 (...) “Respaldado pelo Laudo de Avaliação”, pois o valor utilizado é menor do que o apresentado no laudo de avaliação.” Nesse contexto, não há como desconsiderar o laudo apresentado na operação em questão, de modo que serve ele à demonstração do ágio, haja vista que o valor efetivamente utilizado foi inferior ao valor de avaliação contido no laudo. Sobre a dedutibilidade de amortização de ágio da base de cálculo da CSLL entendo haver clara autorização legal, no artigo 13, III, da Lei 9.249/1995 Tal artigo veda as deduções das amortizações, exceto se intrinsecamente relacionadas com a produção ou comercialização dos bens ou serviços, nos seguintes termos: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; Ora, aquisições de investimentos direitos em sociedades tem um claro objetivo de concentração de mercado, de modo a claramente incrementar a atividade da investidora, logo, havendo investimento adquirido com ágio, sua amortização é totalmente dedutível da base de cálculo da CSLL, por se enquadrar na exceção do inciso III acima transcrito. Nesse contexto que votei pelo parcial provimento ao Recurso, negando apenas no que se refere à impossibilidade de aplicação da multa de ofício em concomitância com a multa isolada pela ausência ou insuficiência de antecipações. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 3070DF CARF MF
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