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Numero do processo: 13884.905384/2009-49
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM BASE EM DÉBITO DECLARADO EM DCTF QUE JÁ HAVIA SIDO RETIFICADA ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO FUNDADO EM PREMISSA EQUIVOCADA. NULIDADE.
A DCTF retificadora, satisfeitas as condições normativas expedidas pela RFB, substitui integralmente a original, podendo o crédito decorrente do pagamento a maior do débito retificado ser utilizado para fins de compensação tributária, acaso não constem dos autos elementos que porventura demonstrem a impropriedade da retificação do débito correspondente.
Recurso ao qual se dá parcial provimento para declarar nulo o despacho decisório que não homologou a declaração de compensação da interessada, posto que baseado em premissa errônea, qual seja, DCTF que já havia sido tempestivamente retificada antes do aludido despacho.
Numero da decisão: 3802-004.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso para declarar nulo o despacho decisório que não homologou a declaração de compensação da interessada, posto que baseado em premissa errônea, qual seja, DCTF já retificada antes do aludido despacho.
Acompanhou o julgamento, pela interessada, o Dr. Dalton Miranda, OAB/DF 11.853.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim (presidente), Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM BASE EM DÉBITO DECLARADO EM DCTF QUE JÁ HAVIA SIDO RETIFICADA ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO FUNDADO EM PREMISSA EQUIVOCADA. NULIDADE. A DCTF retificadora, satisfeitas as condições normativas expedidas pela RFB, substitui integralmente a original, podendo o crédito decorrente do pagamento a maior do débito retificado ser utilizado para fins de compensação tributária, acaso não constem dos autos elementos que porventura demonstrem a impropriedade da retificação do débito correspondente. Recurso ao qual se dá parcial provimento para declarar nulo o despacho decisório que não homologou a declaração de compensação da interessada, posto que baseado em premissa errônea, qual seja, DCTF que já havia sido tempestivamente retificada antes do aludido despacho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso para declarar nulo o despacho decisório que não homologou a declaração de compensação da interessada, posto que baseado em premissa errônea, qual seja, DCTF já retificada antes do aludido despacho. Acompanhou o julgamento, pela interessada, o Dr. Dalton Miranda, OAB/DF 11.853. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 53 84 /2 00 9- 49 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI 2 (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim (presidente), Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Preliminarmente, ressalto que, nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc para a formalização do acórdão, considerando o resultado do julgamento nos termos da ATA da correspondente sessão de julgamento. O Relatório abaixo foi baseado naquele apresentado pelo Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira na sessão em que houve o julgamento do feito. Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 7ª Turma da DRJ Campinas, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, não reconhecendo o direito creditório alegado na declaração de compensação objeto dos autos. A decisão recorrida foi fundamentada na ausência de prova do crédito reclamado, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PROVA. O contribuinte tem o ônus de provar o direito creditório alegado sob pena de indeferimento da compensação realizada. A DCTF retificadora transmitida antes do proferimento do despacho decisório dentro de um contexto em que outras compensações já haviam sido indeferidas não é documento eficaz para cancelar a decisão da DRF. A declaração em Dacon não é meio idôneo de demonstração do direito creditório se estiver em contradição com a DCTF ativa na data da apresentação da Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos que, em síntese, se referem: (i) à informação errônea na época da transmissão da DCTF, cujo valor correto do PIS seria de R$ 229.347,01, e não de R$ 233.684,23; (ii) ao fato de o processamento da DCTF retificadora haver ocorrido antes da ciência do despacho decisório; e (iii) ao não reconhecimento dos sistemas informatizados da Receita Federal da retificação efetuada. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13884.905384/200949 Acórdão n.º 3802004.248 S3TE02 Fl. 191 3 A primeira instância, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento objeto da lide em acórdão assim ementado: É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que o conselheiro relator, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, não mais compõe este colegiado, retratando, assim, a hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015: Abaixo reproduzo integralmente o voto apresentado pelo Conselheiro Relator na ocasião em que o feito foi julgado (sessão do dia 18/03/2015): Conforme consta dos autos, as provas apresentadas pelo contribuinte para valerse do reconhecimento do seu direito de crédito são a DCTF retificadora e a Dacon. Ambas foram transmitidas antes da ciência oficial da decisão de não homologação da compensação. Pois bem! No voto condutor do não reconhecimento do direito do crédito alegado pelo contribuinte, o Relator assim se manifestou: Caso o processo administrativo fosse isoladamente considerado, poderseia argumentar que o procedimento do contribuinte foi espontâneo e que, se tivesse providenciado a retificação da DCTF com mais antecedência, os sistemas informatizados da RFB a teriam levado em consideração na análise da compensação. É o que ocorreu no Processo nº 13884.902017/201027, em que a DCTF retificadora foi transmitida 221 dias antes da emissão do despacho decisório, diferentemente do observado no presente caso, em que a decisão pela não homologação foi proferida apenas 5 dias antes após a transmissão da mencionada declaração retificadora. (fls.90). Nesse sentido, a instância julgadora inferior entendeu impossível a restituição/compensação, ao fundamento de que a DCTF retificadora não seria espontânea no contexto em que foi transmitida. Tais argumentos não devem prosperar porquanto a DCTF retificadora tem a mesma natureza da retificada, substituindoa integralmente, cuja matéria, atualmente, está disciplinada no § 1º do artigo 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010. Ainda, em sede de fundamentação, nos termos do inciso II do artigo 3º da Lei nº 9.784 de 1999, o administrado tem o direito de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais devem ser objeto de consideração pelo órgão prolator. Posto isto, pelas razões de fato e de direito acima expostos, voto por CONHECER do presente recurso e DECLARAR NULO o despacho decisório que não homologou a declaração de compensação da interessada, Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI 4 posto que baseado em premissa falsa, qual seja, DCTF já retificada antes do aludido despacho. Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Com efeito, não consta da decisão recorrida nenhum elemento que porventura demonstre a impropriedade da retificação do débito declarado na DCTF. Entendo que, no presente caso, diante da existência de DCTF retificada tempestivamente, a nãohomologação da compensação deveria, obrigatoriamente, estar alicerçada em razões que demonstrassem a insubsistência da retificação processada, o que, no entanto, não restou consignado nos autos. Assim, diante do vício na motivação do despacho decisório que não homologou a compensação, legítimo o entendimento do i. relator em declarar nulo o correspondente despacho decisório não homologatório, posto que baseado em premissa errônea, qual seja, DCTF que já havia sido tempestivamente retificada antes do aludido despacho. Formalizado o voto em obediência ao disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 13609.000205/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 22/09/2007 a 30/06/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESTINADAS A TERCEIROS. AUTO DE INFRAÇÃO. ISENÇÃO INDEVIDA. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS LEGAIS. O Reconhecimento da imunidade de que trata o §7º do art. 195 da CF/88 depende do cumprimento cumulativo de todos os requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91 e será concedido à Entidade Beneficente de Assistência Social - EBAS que requerer o benefício tributário ao INSS, nos termos do §1º do mesmo dispositivo legal acima mencionado, correta lavratura do Auto de Infração para a constituição do crédito tributário.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. LEI Nº 12.101/2009. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela Entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos essenciais previstos nos incisos I a VIII do art. 29 da Lei nº 12.101/2009.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. DIREITO RESERVADO AO SUJEITO PASSIVO APÓS A CIÊNCIA DO LANÇAMENTO COM O OFERECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO FISCAL. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa; direito reservado ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação fiscal, quando se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
MULTA DE MORA E DE OFÍCIO. AIOP. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. SÚMULA O2 -CARF - INCOMPETÊNCIA PARA PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88 E Súmula 02 - CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-003.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento das contribuições previdenciárias, já que a Recorrente não é isenta da cota patronal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa- Relatora
EDITADO EM: 09/09/2015
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Graziela Parisotto, André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 22/09/2007 a 30/06/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESTINADAS A TERCEIROS. AUTO DE INFRAÇÃO. ISENÇÃO INDEVIDA. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS LEGAIS. O Reconhecimento da imunidade de que trata o §7º do art. 195 da CF/88 depende do cumprimento cumulativo de todos os requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91 e será concedido à Entidade Beneficente de Assistência Social - EBAS que requerer o benefício tributário ao INSS, nos termos do §1º do mesmo dispositivo legal acima mencionado, correta lavratura do Auto de Infração para a constituição do crédito tributário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. LEI Nº 12.101/2009. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela Entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos essenciais previstos nos incisos I a VIII do art. 29 da Lei nº 12.101/2009. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. DIREITO RESERVADO AO SUJEITO PASSIVO APÓS A CIÊNCIA DO LANÇAMENTO COM O OFERECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO FISCAL. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa; direito reservado ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação fiscal, quando se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. MULTA DE MORA E DE OFÍCIO. AIOP. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. SÚMULA O2 -CARF - INCOMPETÊNCIA PARA PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88 E Súmula 02 - CARF. Recurso Voluntário Negado.
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AUTO DE INFRAÇÃO. ISENÇÃO INDEVIDA. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS LEGAIS. O Reconhecimento da imunidade de que trata o §7º do art. 195 da CF/88 depende do cumprimento cumulativo de todos os requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91 e será concedido à Entidade Beneficente de Assistência Social EBAS que requerer o benefício tributário ao INSS, nos termos do §1º do mesmo dispositivo legal acima mencionado, correta lavratura do Auto de Infração para a constituição do crédito tributário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. LEI Nº 12.101/2009. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela Entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos essenciais previstos nos incisos I a VIII do art. 29 da Lei nº 12.101/2009. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. DIREITO RESERVADO AO SUJEITO PASSIVO APÓS A CIÊNCIA DO LANÇAMENTO COM O OFERECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO FISCAL. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa; direito reservado ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação fiscal, quando se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 02 05 /2 01 0- 78 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. MULTA DE MORA E DE OFÍCIO. AIOP. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. SÚMULA O2 CARF INCOMPETÊNCIA PARA PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88 E Súmula 02 CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento das contribuições previdenciárias, já que a Recorrente não é isenta da cota patronal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora EDITADO EM: 09/09/2015 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Graziela Parisotto, André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000205/201078 Acórdão n.º 2302003.659 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 22/09/2007 a 30/06/2009 Data de lavratura do Auto de Infração: 12/02/2010. Data de ciência do Auto de Infração: 13/02/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo HOSPITAL SÃO JOÃO DE DEUS em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 7ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Impugnação ao Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.267.0881, referente a contribuições destinadas a Terceiros (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), a cargo da empresa, incidentes sobre valores pagos ou creditados a empregados no período de 22/09/2007 a 30/06/2009, não recolhidas em suas épocas próprias, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 48/54. O Recorrente transmitiu, tempestivamente, declarações à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, por intermédio das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, informando o código FPAS “639”, razão pela qual não foram calculadas as contribuições previdenciárias devidas pela empresa, já que foi considerada isenta do recolhimento de contribuições sociais, no período de apuração de 09/2007 a 06/2009. A isenção das contribuições previdenciárias se deu em razão da Recorrente ter informado o código FPAS 639, o qual é utilizado, com exclusividade, por entidades beneficentes de assistência social em gozo regular do beneficio da isenção/imunidadede contribuições para a seguridade social, desde que estejam atendidas as exigências estabelecidas em lei. Entretanto durante a ação fiscal, verificouse que o Hospital São João de Deus não obteve a renovação do CEAS – Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, deixando de atender assim, o disposto no Inciso II do Art. 55 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Medida Provisória n° 2.18713/2001. Aduz a fiscalização que o gozo da isenção não é automático, devendo a entidade requerer ao órgão estatal competente o benefício da isenção perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, por força do disposto na Lei n° 11.457/2007, desde que cumpridos os requisitos dispostos na legislação, conforme determina o §1° do Art. 55 da Lei n°.8.212/91, o que não ocorreu. Dessa forma, a entidade não tendo cumprido o requisito do inciso II do Art.55 da Lei nº 8.212/91, como também não tendo cumprido o estatuído no §1° do mesmo dispositivo legal, vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores, não goza de qualquer benefício fiscal, razão pela qual lhe são impostos os encargos relativos às contribuições de que trata o art. 22 da Lei n° 8.212/91. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o ora Recorrente apresentou Impugnação às fls. 55/65. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa, formalizada no Acórdão nº 0229.857 da 7ª Turma da DRJ/BHE, às fls. 97/100, julgando procedente o lançamento fiscal impugnado e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 28/01/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 102 interpôs Recurso Voluntário às fls. 103/117, ratificando suas alegações anteriormente expendidas e respaldando sua irresignação em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: · Cerceamento de defesa, em razão da inobservância de procedimento administrativo próprio para suspender o direito à isenção, garantindolhe o exercício da ampla defesa e do contraditório; · afronta à norma inserta no art. 195, §7º, da CF/88, tendo em vista que se enquadra no conceito de associação civil de caráter assistencial e beneficente, fazendo jus às imunidades tributárias decorrentes dessa condição; · caráter confiscatório da multa aplicada; · Que o CEBAS tem caráter declaratório; Ao final requer a declaração de insubsistência do Auto de Infração. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg.Conselho. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000205/201078 Acórdão n.º 2302003.659 S2C3T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 28/01/2011, conforme AR juntado às fls. 102, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 24/02/2011, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA O Recorrente alega que houve cerceamento do seu direito de defesa, tendo em vista a ausência de procedimento administrativo para suspender seu direito à isenção/imunidade tributária, análogo ao estabelecido pelo artigo 32 da Lei nº 9.430/96, no qual o interessado possa expor suas razões e demonstrar que são improcedentes os argumentos levantados pelo fisco, reiterando os argumentos expendidos em sede de Impugnação. Referida alegação não pode prosperar em face ao que ensina o artigo 144 do CTN; no Direito Tributário o lançamento é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Nessa perspectiva, ainda que a norma tributária tenha sido revogada ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurídico, não há que se falar em desconstituição do crédito tributário correspondente, senão vejamos: Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportaseà data da ocorrência do fatogerador da obrigação e regesepela lei então vigente, ainda queposteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicaseao lançamento a legislação que, posteriormente àocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novoscritérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado ospoderes de investigação das autoridades administrativas, ououtorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, excetoneste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidadetributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançadospor períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixeexpressamente a data em que o fato gerador se consideraocorrido. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Em face da norma mencionada, verificase que a exceção à regra apresentada se dá nos casos em que legislação nova, promulgada posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Dentro desses parâmetros, a Lei nº 12.101/2009, além de estabelecer novas normas de direito material tributário, também estabeleceu normas de cunho procedimental, as quais instituíram novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, bem como outorgando ao crédito tributário maiores garantias ou privilégios. Ressaltese que pelo fato do estabelecimento de requisitos para a concessão de isenção configurar matéria de direito material, e não de direito processual, os mesmos deverão observar os requisitos vigentes à data dos fatos geradores, in casu: · Art. 55 da Lei nº 8.212/91, até 09/11/2008; · Art. 28 da MP nº 446/2008, de 10/11/2008 até 10/02/2009; · Art. 55 da Lei nº 8.212/91, de 11/02/2009 até 29/11/2009, e · Art. 29 da Lei nº 12.101/2009, a contar de 30 de novembro de 2009. No processo sob análise, constatase que o Hospital São João de Deus não obteve a renovação do CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, dessa forma, no período de apuração do débito, não foi observado o disposto no Inciso II do Art.55 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Medida Provisória n° 2.18713/2001; aliás, nem no momento em que a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário sob análise, NÃO juntou a renovação de seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, nem tampouco qualquer outra prova capaz de demonstrar que a entidade atendia aos requisitos da lei. O Auto de Infração em debate foi lavrado na vigência e eficácia da Lei nº 12.101/2009, cuja norma procedimental inscrita no seu art. 32 estatui de forma expressa que, constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados no art. 29 dessa mesma lei, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstrarem o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. Somase ainda o disposto no §1o do mencionado art. 32, onde prevê que eventual direito à isenção das contribuições previdenciárias, como as ora em debate, será considerado automaticamente suspenso durante o período em que se constatar o descumprimento de requisitos na forma desse dispositivo legal, verbis: Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000205/201078 Acórdão n.º 2302003.659 S2C3T2 Fl. 5 7 Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. §1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. §2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. No caso ora em apreciação, tanto o inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212/91, quanto o caput do art. 38 da MP nº 446/2008, assim como o caput do art. 29 da Lei nº 12.101/2009, exigem, como condição para gozar da isenção de contribuições previdenciárias patronais, que a Entidade Beneficente de Assistência Social seja portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social; assim, não sendo a Recorrente portadora do CEBAS válido, no período fiscalizado, ela não faz jus à isenção ora em debate. Nesse contexto, a Fiscalização, constatando o descumprimento desse requisito essencial para o gozo da isenção em tela, considerou automaticamente suspenso qualquer eventual direito à exclusão do crédito tributário, expondo em seu Relatório Fiscal os fatos demonstrativos do descumprimento observado, e lavrando o competente Auto de Infração relativo ao período mencionado no Relatório Fiscal, tudo em perfeita sintonia com os preceitos insculpidos no art. 32 da Lei nº 12.101/2009 c/c art. 144, §1º, do CTN. Notese que o processo administrativo fiscal é precedido de uma fase inquisitorial, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos de ofício de sua competência, aplicando a legislação tributária ao caso concreto (situação de fato), cujo resultado pode ou não resultar no correspondente lançamento tributário. Nessa fase preliminar, há coleta de informações, dados, elementos de prova, oitiva de testemunhas, análise de documentos, verificação dos registros contábeis e fiscais, tudo objetivando a apuração de eventual ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária principal e/ou acessória. Frisese que, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação, não se submetem, nesta fase do procedimento, ao crivo do contraditório e da ampla defesa. Somente após encerrado o procedimento fiscal (TEPF), será oportunizado ao sujeito passivo/interessado, o direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa, momento em que, desejando, poderá impugnar os termos do lançamento e do AI; é nesse momento que se instaura a fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando então o Contribuinte tem ao seu inteiro dispor, como já dito, o direito ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A Constituição Federal em seu inciso LV do artigo 5º assegura aos litigantes, nos processos judiciais e administrativos, o exercício do contraditório e a ampla defesa, sendo certo que só se há que falar em litígio após a impugnação do lançamento, se assim desejar o Contribuinte. Constituição Federal de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifos nossos) Diante do que ora se expõe, rejeito a preliminar de cerceamento de defesa, visto que foi oportunizado ao Recorrente o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa no procedimento administrativo em comento. Vencidas as preliminares, passo diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Inicialmente cumpre consignar que os fatos e/ou as matérias que não foram contestados expressamente, tanto em sede de Impugnação como em fase de Recurso Voluntário, são considerados verdadeiros, restando preclusas eventuais arguições em momento posterior, nos termos da legislação que rege a matéria, razão pela qual não serão objeto de apreciação por este Colegiado. Impendese ainda salientar que qualquer questão de fato ou de direito, estranhas ao presente lançamento, ou não oferecidas à apreciação perante o Órgão Julgador de 1ª Instância, não serão objeto de apreciação por esta Corte de Julgamento Administrativa, em face ao que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DO DIREITO À ISENÇÃO A Recorrente alega exaustivamente ter havido afronta à norma inserta no art. 195, §7º, da CF/88, por entender que o Hospital São João de Deus se enquadra no conceito de associação civil de caráter assistencial e beneficente, fazendo jus ao gozo dos benefícios de imunidade tributária decorrentes dessa situação, e não à isenção tributária, como insiste em afirmar a autoridade fiscal. Aduz que ao final dos trabalhos fiscalizatórios fora concluído de maneira equivocada que a entidade deixou de fazer jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º da CF/88, tendo sido realizado lançamentos das contribuições relativas aos segurados empregados, de contribuições destinadas a terceiros (SESC, SENAC, SEBRAE, etc.) e, ainda, aplicadas multas de mora e de ofício. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000205/201078 Acórdão n.º 2302003.659 S2C3T2 Fl. 6 9 Referidas alegações não podem prosperar, conforme já esclarecido no Acórdão ora recorrido, o pretendido benefício fiscal só está apto a ser usufruído se o Contribuinte atender a todas as exigências estabelecidas em lei, conforme dispõe o parágrafo 7º do art. 195 da CF/88. Segundo o mencionado dispositivo legal, são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atenderem às exigências estabelecidas em lei, verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) §7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Como sabido, referido dispositivo constitucional foi normatizado por lei ordinária federal, já que só se exige regulamentação por lei complementar para as matérias que fazem exigência expressa por essa modalidade legislativa em seus dispositivos Constitucionais. Nessa ordem de idéias, a matéria em comento foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 55 estabeleceu, expressamente, ser isenta de contribuições previdenciárias a entidade beneficente de assistência social que atendesse, cumulativamente, aos seguintes requisitos: a) Ser reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; b) Ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, o qual deve ser renovado a cada três anos; c) Promover gratuitamente e em caráter exclusivo a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; d) Não perceber seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; e) Aplicar integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 I – seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II – seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001); III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência;(Redação dada pela Lei nº 9.732/98); IV – não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V–aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. §3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732/98). §4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732/98). §5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732/98). §6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no §3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Notese que o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS (hoje RFB) cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto nesse artigo de lei. Dessarte, para que uma entidade possa se beneficiar do direito à isenção em comento, é indispensável que comprove ser entidade beneficente e de assistência social e que seja reconhecida formalmente como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000205/201078 Acórdão n.º 2302003.659 S2C3T2 Fl. 7 11 Federal ou municipal; que seja portadora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, além de atender, cumulativamente, aos demais requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. Destarte, a mera concessão do CEBAS não implica per si em isenção das contribuições previdenciárias assinaladas nos art. 22 e 23 da Lei nº 8.212/91, é necessário atender, cumulativamente, a todos os requisitos exigidos nos incisos I a V do art. 55 da Lei nº 8.212/91; bem como que a Entidade postule o benefício tributário perante o INSS, nos termos do §1º do mesmo dispositivo legal referido, fato esse não comprovado pelo Recorrente. Acerca da questão, impendese salientar que a mera obtenção de toda a documentação que satisfaça cumulativamente aos requisitos legais para a obtenção da isenção de contribuições previdenciárias não implica no direito automático à plena fruição de tal Benefício Fiscal, porquanto o §1º do art. 55 da Lei 8.212/91 determina, taxativamente, que o interessado tem que requerer a isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que tem o prazo de 30 dias para despachar o pedido. Sobre esse tema o legislador ordinário ao elaborar a Lei nº 12.101/2009, que instituiu um novo regime jurídico para a concessão de isenção das contribuições previdenciárias ora em apreço, determinou: Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (grifos nossos) I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios ,instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II – aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV – mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI – conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizadas que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar nº 123/2006. Art. 30. A isenção de que trata esta Lei não se estende a entidade com personalidade jurídica própria constituída e mantida pela entidade à qual a isenção foi concedida. Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. (grifos nossos) §1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. §2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. É fato que o novo regime jurídico não exige qualquer requerimento ao órgão competente para o gozo do benefício fiscal em debate; o art. 31 da nova legislação autoriza o exercício de tal isenção à entidade beneficente que atender cumulativamente todos os requisitos previstos no art. 29 daquela Lei Ordinária, mas tão somente a CONTAR DA DATA DA PUBLICAÇÃO DA CONCESSÃO DE SUA CERTIFICAÇÃO. É necessário consignar que os atos administrativos, bem como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. E, utilizando como referência os ensinamentos de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Segue ainda a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). A inversão do ônus da prova é consequência lógica da aplicação da presunção de veracidade pelo agente público, cabendo ao particular comprovar o fato constitutivo, modificativo ou extintivo de seu direito de forma a desconstituir a conduta narrada Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000205/201078 Acórdão n.º 2302003.659 S2C3T2 Fl. 8 13 pelo agente público, de maneira a eximir sua responsabilidade administrativa e/ou penal, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil, o que não ocorreu no presente caso. Nesse sentido, é adequado interpretar que os fatos constantes em documentos públicos trazem em si a mesma presunção de veracidade dos atos administrativos válidos, inclusive no que se refere à fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, até prova em contrário (artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC). Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal eaos Municípios: (...) II recusarfé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da suaformação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou ofuncionário declarar que ocorreram em sua presença. No caso concreto observase que O Hospital São João de Deus não obteve a renovação do CEAS – Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, não atendendo dessa forma, o disposto no Inciso II do Art. 55 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Medida Provisórian°. 2.18713de 2001; bem como o Contribuinte não atendeu ao caput do art. 28 da MP nº 446/2008, nem ao caput doart. 29 da Lei nº 12.101/2009, e, partindo da presunção de veracidade do ato administrativo, bem como da inexistência de fato constitutivo, modificativo ou extintivo apresentado pelo Recorrente, o Auto de Infração lavrado é válido. Ou seja, partindo da premissa de que o Auto de Infração é documento público oriundo de ato administrativo, formalizado pela Autoridade Fiscal, estando apto a gerar todos os efeitos dele decorrentes, esperase que a parte interessada se empenhe em afastar a eficácia do lançamento em debate; entretanto, em sua defesa administrativa, tanto em grau de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente não produziu qualquer prova de que detenha o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social válido no período fiscalizado, a dar esteio ao direito à isenção pretendida. O que se observa é que o Recorrente apresentou alegações recursais, desacompanhadas de qualquer indício de prova material, capaz de lhe fornecer o mínimo de esteio probatório, e, como é de conhecimento geral, no Processo Administrativo Fiscal, referidas alegações devem ser lastreadas em provas documentais. A contestação dos fatos por negativa geral não é admitida em nosso ordenamento jurídico, seja no âmbito administrativo, seja no âmbito judiciário; as autuações do Fisco exigem que o sujeito passivo instrua sua defesa com todas as provas documentais garantidoras de seu direito, sob pena de preclusão. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Referida contestação expressa da matéria, mencionada no dispositivo legal supramencionado, deve ser acompanhada de suporte probatório consistente e não somente de alegações técnicasdoutrinárias ou de suposta ocorrência de fatos e de ações sem nenhum amparo probatório a corroborar sua veracidade. Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado,sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para ainstrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Impendese ainda salientar que, é irrelevante o debate acerca da natureza jurídica do CEBAS, se constitutiva ou declaratória, bem como os seus efeitos. O que deve ser verificado, preliminarmente, de acordo com a legislação que rege a matéria, é se o Recorrente comprovou ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, o que NÃO ocorreu no presente caso. Desta feita, é incontroverso o entendimento, pelo que se coligiu até o momento, que o Recorrente não tem direito ao benefício de isenção de contribuições previdenciárias em debate. 3.2. DA MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Alega o Recorrente que a multa aplicada tem caráter confiscatório. Melhor sorte não assiste o Recorrente nessa alegação desprovida de amparo legal e probatório. A Constituição Federal em seu inciso IV, artigo 150, limitou a utilização de tributos com efeito de confisco, a saber: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos). Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV – utilizar tributo com efeito de confisco; É importante estabelecer algumas premissas sobre o tema, tributo configura se como a própria obrigação principal devida pelo sujeito passivo à Fazenda Pública, em razão da ocorrência real do fato gerador tributário estatuído na lei; já a multa de ofício, por seu turno, Fl. 160DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000205/201078 Acórdão n.º 2302003.659 S2C3T2 Fl. 9 15 possui natureza jurídica de penalidade de natureza pecuniária, decorrente do descumprimento tempestivo de obrigação principal. A multa de mora e a multa de ofício, não possuem natureza jurídica de tributo, mas meramente de penalidade pecuniária, pelo descumprimento de obrigação principal, formalizada mediante lançamento de ofício. Ao contrário dos tributos, aqui o fato gerador da multa de mora e da multa de ofício é evitável; seu objetivo primevo é desencorajar o descumprimento objetivo das normas tributárias. Nesse diapasão, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Posteriormente, referidas normas jurídicas foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual foi convertida na Lei nº 11.941/2009, revogando, sem solução de continuidade, o art. 34 e dando nova redação ao art. 35 ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. A mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A, que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de multa de ofício de 75%. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Conforme se nota, a imputação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias encontrase devidamente prevista em lei formal, em observância à reserva legal determinada pelo art. 97, inciso V do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II – a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III – a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV – a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V – a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; (grifos nossos) VI – as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. §1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. §2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Entretanto, em que pese toda argumentação expendida até o momento, como sabido, a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise em prerrogativa constitucional exclusiva do Poder Judiciário. Impende ainda salientar que atendendo aos comandos constitucionais que regem a matéria, esse entendimento também já foi sumulado neste Colegiado, declarando que o CARF não é órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária, a saber: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, dada a relevância do tema, necessário esclarecer ainda que também é vedado aos membros das Turmas de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo constante em Leis e Decretos, sob a alegação de incompatibilidade coma Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13609.000205/201078 Acórdão n.º 2302003.659 S2C3T2 Fl. 10 17 II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Assim, tendo em vista que até o presente momento as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, não foram objeto de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa, seja na via concentrada de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, as mesmas estão aptas a produzir todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos, inexistindo base legal para o afastamento de sua aplicabilidade, conforme pretendido pelo Recorrente. Alicerçado nesses fundamentos, resta claro que não cabe a este Colegiado apreciar os requerimentos do Recorrente para afastamento da aplicação da multa moratória e da multa de ofício, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio constante no artigo 150, IV da Constituição Federal, tendo em vista se tratar de matéria de competência privativa do Poder Judiciário. 4. CONCLUSÃO: Dessa forma, considerando que o Recorrente não apresentou o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, válido para o período objeto da autuação, como exigido no inciso II do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, bem como não contestou os valores lançados pela auditoria fiscal a partir de seus próprios documentos, correta a lavratura do Auto de Infração para constituir as contribuições sociais não recolhidas em razão de sua indevida qualificação como isenta/imune. Pelo exposto VOTO para CONHECER DO RECURSO e no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento das contribuições previdenciárias, já que a Recorrente não é isenta da cota patronal. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10480.004362/98-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1993,1994,1995, 1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara. Demonstrada a omissão, impõe-se a sua correção, em sede de embargos de declaração, no caso concreto ensejou efeitos infringentes.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM PER-DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Conforme § 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertem-se em Dcomp para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do § 5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contado da data da protocolização do pedido. Decorrido esse prazo sem manifestação da autoridade competente, considera-se tacitamente homologada a compensação efetuada.
Numero da decisão: 1401-001.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração para completar seus fundamentos, dando provimento integral ao recurso, com efeitos infringentes, para considerar homologadas tacitamente todas as compensações do presente processo e consumindo o crédito no montante dessas compensações.
(documento assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ENERGÉTICA DE PERNAMBUCO CELPE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1993,1994,1995, 1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Câmara. Demonstrada a omissão, impõese a sua correção, em sede de embargos de declaração, no caso concreto ensejou efeitos infringentes. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM PERDCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Conforme § 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertemse em Dcomp para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do § 5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contado da data da protocolização do pedido. Decorrido esse prazo sem manifestação da autoridade competente, considerase tacitamente homologada a compensação efetuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração para completar seus fundamentos, dando provimento integral ao recurso, com efeitos infringentes, para considerar homologadas tacitamente todas as compensações do presente processo e consumindo o crédito no montante dessas compensações. (documento assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 43 62 /9 8- 91 Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401001.518 S1C4T1 Fl. 426 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela DRF/Recife na decisão proferida no Acórdão n° 1401001098 (fls. 1633/1644), de 03 de dezembro de 2013, que restou assim ementado e decidido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 1993, 1994, 1995, 1996 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. EFEITO REFLEXO DO TRÂNSITO EM JULGADO NOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS QUE ALTERARAM O DIREITO CREDITÓRIO. No caso de compensação indeferida em razão de indeferimento do direito creditório como necessário ato reflexo de lançamento de ofício, que alterou o imposto devido nos anos anteriores, de se reconhecer, também, o efeito do trânsito em julgado em favor do contribuinte para cancelar referidos ajustes, inclusive em razão da decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso No caso, deuse provimento ao recurso do contribuinte (fls. 1549/1556), acima identificado, para que fossem homologadas as compensações declaradas, em observância às decisões proferidas nos processos de n°s 10480.011265/200210 e 10480.011266/200256. Segundo a DRF, através do despacho de fls. 2481, conforme voto da relatora às fls. 1644, deixouse de analisar a questão meritória suscitada pelo contribuinte relativa às homologações tácitas e decadência do direito de revisar os saldos negativos de períodos anteriores já decaídos, uma vez que, a juízo da Relatora, já havia motivo suficiente para o provimento do seu recurso. Acontece que a DRF demonstra que o que foi reconhecido pelo Acórdão embargado, em favor do contribuinte, ou seja, o direito creditório dos saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados nas DIPJs dos anoscalendário de 1993 a 1996, conforme tabela constante do Despacho, para serem compensados com os débitos declarados neste processo, não foram suficientes para homologar todos os débitos por ela declarados nos pedidos de compensação constantes do processo. A DRF concluiu assim o seu arrazoado: Utilizandose, mais uma vez, do aplicativo SAPO da Receita, fls. 1939/1943, efetuamos a compensação desses créditos complementares com os débitos Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 remanescentes, não alcançados pela compensação às fls. 1068/1076, resultando, ao final, que os novos créditos ainda não foram suficientes para compensar todos os débitos, restando os saldos devedores dos débitos constantes às fls. 2464/2471. Assim, propomos retornar o presente processo à 4a Câmara, 1a Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para se manifestar quanto a homologação dos débitos deste processo que não foram alcançados pela compensação (saldos devedores às fls. 2464/2471), se estão homologadas as compensações de todo os débitos ou apenas dos débitos até o limite do crédito reconhecido ou se estão abrangidos, no mérito, pela homologação tácita. Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade, submetese à deliberação da Turma, conforme proposto, nos termos do art. 65, § 7º do Anexo II do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos, mas recepcionandoos como embargos inominados, conforme fundamentos abaixo. Sobre os embargos o Anexo II do anterior e atual Regimento Interno do CARF assim estabelece: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: (...) Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. (...) Como a DRF ficou impedida de liquidar a execução do Acórdão, nos termos do art. 66, supramencionado, bem se vê que estamos lidando com os embargos inominados. Recepcionoos então como embargos inominados, e como tal é consagrada a jurisprudência pacífica deste CARF no sentido de que os embargos de que tratam o art. 66 do RICARF (INOMINADOS) não têm prazo para oposição, pois dizem respeito à correta execução do acórdão. Apenas os previstos no art. 65 possuem prazo de cinco dias, conforme estabelecido em seu § 1º. Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401001.518 S1C4T1 Fl. 427 5 Analisando os autos, verifico que assiste razão à embargante (DRF), uma vez que constatado saldos devedores remanescentes o Acórdão efetivamente se omitiu em relação ao direito de a Fazenda revisar o saldo negativo de períodos anteriores, que segundo a empresa já teria decaído; bem assim foi omisso também quanto à questão da homologação tácita, tudo isso aventados pelo contribuinte em seu recurso e que ficaram sem respostas e que uma vez respondidas serve como auxílio para a perfeita execução do Acórdão. 1º Omissão O primeiro ponto omisso e não analisado no Acórdão embargado foi em relação ao direito de a Fazenda revisar o saldo negativo de períodos anteriores, que segundo a Embargante já teria decaído. Em relação à Decadência do direito de revisão por parte do Fisco para o aferimento do pleito de restituição/compensação Outro aspecto levantado pela recorrente e não tratado no Acórdão embargado seria a decadência do direito de o fisco revisar seus assentamentos contábeis e fiscais e assim não poder mais negarlhe o pleito de restituição/compensação. Sobre esse aspecto sem razão a Embargante. Não se trata de prazo decadencial para se proceder ao lançamento, pois não se trata de lançamento, mas de pedido de restituição/compensação em que o ônus da prova é invertido, cabe ao contribuinte fazer a prova do seu direito líquido e certo. A se falar no instituto da decadência seria no máximo do direito de repetir o indébito por parte da recorrente, o que também não é o caso, mas não de negativa de se aferir o pleito de restituição, que exige a presença de direito líquido e certo. Outrossim, a partir apenas da natureza do lançamento por homologação não se pode concluir a partir daí que o órgão administrativo em pedidos que envolvem restituições deva simplesmente “homologar” o saldo negativo de IRPJ demonstrado na DIPJ correspondente, e proceder à restituição ou à compensação sem aferir a certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam. Dessa forma, o Fisco Federal não possa mais exigir eventuais diferenças.ou débitos, relativos ao anocalendário de 1990, por exemplo, por haver decorrido o prazo legal para tanto, a Autoridade Fiscal pode e deve verificar a origem, o valor e certeza do crédito pleiteado pela contribuinte e, verificada n inexistência, e créditos compensáveis ou ainda a constatação de débitos onde deveria haver crédito, ainda que não possa fazer qualquer correção, nem enviar o processo para a Delegacia de Fiscalização para lançamento desses valores devidos, o Fisco Federal tem o poder e o dever de negar a restituição e de não homologar as compensações efetuadas quando constatada a inexistência do crédito. Nesses casos, o nosso ordenamento jurídico criou apenas a figura da homologação tácita para as compensações que envolvem débitos em que os prazos para homologação haviam sido ultrapassados, a teor do § 5º do art. 74, com a redação determinada pela Lei nº 10.833/2003 5(cinco) anos contados da data de entrega da declaração de Fl. 2490DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 compensação ou da formalização do pedido na Receita Federal do Brasil . E como foi relatado, essa figura foi diligentemente aplicada pela DRF na medida em que considerou extintos os débitos que não satisfizeram aquelas condições, independentemente da existência dos créditos .O débito que remanesceu envolve pedido de compensação em que sua análise foi efetuada antes do transcurso dos 5(cinco) anos. Ademais, a levar avante essa tese seria afastar lei válida e vigente, que é terminantemente vedado a esse colegiado, sendo matéria inclusive sumulada. Ora, o novo regime estabelecido para as Dcomps constituise em uma verdadeira norma específica que tratou de forma mais detalhada e abrangente de como se dariam as homologações tácitas, sendo que se sabe que ela foi bastante clara no sentido de limitar a homologação apenas às compensações e não ao crédito em si. Portanto, acolho essa omissão, para suprir o julgado com essa fundamentação, sem no entanto emprestarlhes efeitos infringentes, apenas rerratificando o Acórdão embargado.. 2º Omissão homologação tácita O outro ponto omisso, seria a análise das compensações que segundo a Embargante estariam já homologadas tacitamente. Sem embargo de ter defendido entendimento diverso anteriormente, curvei me ao entendimento da CSRF em relação a determinado entendimento da homologação tácita. É que outrora, com relação às compensações pendentes de decisões até 30/10/2003, e, portanto, convertidas em Dcomps, entendia que não existia prazo para homologação dessas compensações declaradas pelo sujeito passivo (§ 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96), nos termos da ementa abaixo, constante do acórdão (n° 140100.115) : COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual se considera homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplicase somente a partir de 30/10/2003. A pergunta que se colocava e foi motivo de muita controvérsia que travei no então Segundo Conselho (Terceira Câmara) era se o novo prazo para homologação (5 anos), que foi somente estabelecido posteriormente ao advento das Dcomps, aplicarseia também aos pedidos de compensação convertidos em Dcomp entregues até 30 de outubro de 2003 ou tão somente às Dcomp entregues após a referida data. Acontece que referido raciocínio no foi seguido pela SRFB, que admitiu o efeito retroativo do citado parágrafo 5º. Essa não parecia ser a melhor exegese, haja vista que os fatos regulamse, em regra, pela lei em vigor na época de sua ocorrência. Como ocorreu uma mudança substancial na sistemática da MP nº 66/2002 para a MP nº 135/2003, não se poderia dizer que se tratava de Fl. 2491DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401001.518 S1C4T1 Fl. 428 7 uma alteração meramente procedimental, nem muito menos que as condições previstas no artigo 106, incisos I e II do CTN, foram atendidas. Porém, a partir de entendimento diverso estabelecido pela jurisprudência do CSRF, abaixo transcrito, bem assim da inteligência do art. 29 da IN nº600/2005, mudei de entendimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 PRAZO HOMOLOGAÇAO TACITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇAO ANTERIORES A LEI 10.833/03. De acordo com o artigo 74, § 4°, da Lei 9.430/96, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa são considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para todos os efeitos do artigo, sujeitandose, portanto, inclusive à homologação tácita do § 5° do mesmo artigo. Dessa feita, verifico que as compensações do presente processo foram assim declaradas: o pedido mais antigo data de Pedido 15/12/97 fl.49 e o pedido mais recente, data de 12/04/1999. Isso quer dizer que o despacho decisório para a compensação mais recente teria que ocorrer no mínimo até 12/04/2004. Passemos agora a fixar a data efetiva do despacho decisório: A informação Fiscal que foi base para as autuações do IRPJ e da CSLL, bem assim do presente processo de compensação de saldos negativos de períodos anteriores, inclusive informando o quantum remanescente saldos negativos do IRPJ e da CSLL foi cientificada à Contribuinte em 12 de agosto de 2002 e chegou à seguinte conclusão: " C O N C L U S Ã O : 13. Com base no exposto e nos elementos e documentos trazidos aos autos, apuramos os seguintes valores consolidados de crédito tributário compensável: Quadro resumo do Crédito Tributário a Compensar Admitido Ano Calendário Crédito Fiscal em UFIR (31/12/94) UFIR de Conversão (31/12/95) Crédito Fiscal em Reais (31/12/95) SELIC Acum. 1996 Crédito Fiscal em Reais (31/12/96) 1993 (1.065.360,22) 0,8287 (882.864,01) 1,2447 (1.098.900,84) 1994 (822.719,85) 0,8287 (681.787,94) 1,2447 (848.621,45) 1995 (1.745.310,00) 1,2447 (2.172.387,36) 1996 (1.859.684,00) Fl. 2492DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 Total (1.888.080,07) (3.309.961,95) (6.979.69ß,G4) Consta ainda do referido relatório fiscal: "Na tributação das infrações nos anoscalendário de 1993 a 1996, os valores apurados de IRPJ e da CSLL foram deduzidos dos respectivos créditos declarados pelo contribuinte, dada a necessidade provocada pelo mesmo nos seus pedidos de compensação processos administrativos 10480.001309/0099 e 10480.004362/98 91 e apensos para informação dos créditos fiscais admitidos pela SRF dessas rubricas. Com relação aos demais períodos de apuração (1997 a 2001), a utilização para compensação com os valores apurados de ofício de possíveis créditos fiscais do contribuinte, ainda não utilizados, está condicionada à sua manifesta vontade." Em 22 de agosto de 2002, com base na Informação Fiscal acima, já cientificada ao contribuinte, a DRF produziu despacho decisório de fls 963, RECONHECENDO em PARTE o crédito pleiteado e aprovou as compensações constantes do processo até o limite desse crédito, conforme quadro abaixo: Ano Calendário Data do Crédito Fiscal Moeda Valor do Crédito Fisc 1993 31/12/1993 UFIR 1.065.360,2 1994 31/12/1994 UFIR 822.719,8 1995 31/12/1995 R$ 1.745.310,0 1996 31/12/1996 R$ 1.859.684,00 Em 12 de agosto de 2002, nos mesmos moldes do IRPJ foi produzido relatório fiscal detalhado da CSLL (Fls.99/101), concluindo que: 9. Do exposto, concluímos que a empresa NÂO é detentora de crédito da CSLL do exercício de 1999, anocalendário de 1998 para as compensações pleiteadas neste processo. Às fls. 966, em 14/04/2003, consta despacho de encaminhamento da Fiscalização ao Seort dando conta de que o despacho decisório acima (de fls. 963) ainda não tinha sido cientificado ao contribuinte. Às fls. 1041, consta AR cientificando o Contribuinte em 04 de outubro de 2004 do despacho decisório Seort de 13/08/2003, com o seguinte teor: Pela presente dáse ciência do Despacho Decisório SEORT/IRPJ,'de 13/08/2002, proferido no processo acima identificado, cuja cópia segue anexa. Informamos que deixamos de anexar o Relatório de Informação Fiscal citado no Despacho Decisório, haja vista que o contribuinte foi cientificado do mesmo em 12/08/2002 Comunicamos que os débitos discriminados na tabela abaixo estão extintos por compensação. Tributo Período dec apuração Data de vencimento Valor originário R$ 2172 11/97 10/12/97 1.219.148,56 2172 12/97 09/01/98 52.82f,12 Fl. 2493DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10480.004362/9891 Acórdão n.º 1401001.518 S1C4T1 Fl. 429 9 2172 01/98 10/02/98 1.193.742,17 2172 02/98 10/03/98 1.294.731,04 2172 03/98 08/04/98 505.72,44 2362 02/98 31/03/98 1.042.170,63 2484 01/98 27/02/98 135.375,54 2484 02/98 31/03/98 652.627,77 8109 11/97 15/12/97 396.223,28 8109 12/97 15/01/98 17.167,85 8109 8109 01/98 02/98 13/02/98 13/03/98 387.966,20 420.787,59 Fica o contribuinte supra mencionado intimado a recolher aos cofies da Fazenda Nacional, dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência desta, os débitos indevidamente compensados discriminados no Demonstrativo de Débitos em anexo. Outrossim, como se colocou retro, levandose em conta a compensação mais recente, considerando a conversão das compensações em Dcomp e para não haver a homologação tácita o despacho decisório teria que existir no mínimo até 12/04/2004. Esses são os fatos, vamos à norma: A atual redação do artigo 74 da Lei 9.430/96 é a que segue: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutoria de sua ulterior homologação. (...) § 4° Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (A redação deste parágrafo foi dada pelo artigo 49 da Lei n° 10.637 de 30.12.2002). Fl. 2494DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (... ) Para aqueles que entendem que a expressão "pendentes de apreciação" implica apenas a existência do despacho decisório, hão de concluir então que os pedidos de compensação no presente processo não foram convertidos em Dcomp, uma vez que em 22 de agosto de 2002, portanto antes da entrada em vigor da nova sistemática das Dcomps, foi produzido no mundo jurídico o despacho decisório de fls. 963, fundamentado no Relatório Fiscal já cientificado ao Contribuinte em 12 de agosto de 2002. Nesse caso, não haveria que se falar em homologação tácita, pois na sistemática anterior essa figura não existia e os débitos seriam não compensados seriam cobrados ou pelos instrumentos de confissão de dívida então existentes (DIRPJ ou DCTF), ou via lançamento. Apesar de não ver uma vinculação extrema entre os autos de infrações e a o indeferimento dos saldos negativos de períodos anteriores, pois as naturezas são distintas, como já colocado alhures neste voto, além disso tenho entendimento de que não basta existir o despacho decisório em determinada data, é preciso que o ato jurídico dessa decisão se complete com a publicidade, que no caso significa dar ciência de sua existência ao seu destinatário maior, que é o contribuinte. E isso só aconteceu em 04 de outubro 2004, através do AR de fls. 1041, que cientificou o Contribuinte do despacho decisório Seort de 13/08/2002 (fls.963). Como as compensações mais recentes datam de 14/04/99, o prazo limite para não haver homologação tácita findou em 14/04/2004, portanto, todas as compensações do presente processo foram homologadas tacitamente. Por todo o exposto, ACOLHO os embargos de declaração para completar seus fundamentos, dando provimento integral ao recurso, com efeitos infringentes, por considerar homologadas tacitamente todas as compensações do presente processo e consumindo o crédito correspondente a essas compensações. (documento assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2495DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13888.000575/2005-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
PRAZO DECADENCIAL DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. INAPLICABILIDADE PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PREVISTO NO ARTIGO 74 DA LEI Nº 9.430/1996.
A verificação da liquidez e certeza do direito creditório não se sujeita ao prazo decadencial previsto nos artigos 150, §4º e 173 do CTN. O prazo para homologação da compensação é de cinco anos contados da data de entrega da declaração de compensação, nos termos do artigo 74, §5º da Lei nº 9430/1996.
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO.
O valor dos impostos recuperáveis não compõe o estoque de abertura de que trata o artigo 12 da Lei nº 10.833/2003, conforme os artigos 289, 290, 292, 293 e 294 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda).
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COFINS-IMPORTAÇÃO RECOLHIDA VINCULADA A MERCADORIAS DESTINADAS AO MERCADO INTERNO OU UTILIZADAS EM PRODUTO DESTINADO AO MERCADO INTERNO. CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INAPLICABILIDADE DOS MÉTODOS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS PREVISTOS NOS §§7º, 8º E 9º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003.
Os recolhimentos de Cofins-Importação vinculados a mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, destinado ao mercado interno, consideram-se específicos a estas receitas, não se lhes aplicando os métodos de apropriação previstos nos §§7º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, por não configurarem custos, despesas ou encargos comuns a receitas de venda no mercado interno e receitas de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-002.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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INAPLICABILIDADE PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PREVISTO NO ARTIGO 74 DA LEI Nº 9.430/1996. A verificação da liquidez e certeza do direito creditório não se sujeita ao prazo decadencial previsto nos artigos 150, §4º e 173 do CTN. O prazo para homologação da compensação é de cinco anos contados da data de entrega da declaração de compensação, nos termos do artigo 74, §5º da Lei nº 9430/1996. CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO. O valor dos impostos recuperáveis não compõe o estoque de abertura de que trata o artigo 12 da Lei nº 10.833/2003, conforme os artigos 289, 290, 292, 293 e 294 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda). CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. COFINSIMPORTAÇÃO RECOLHIDA VINCULADA A MERCADORIAS DESTINADAS AO MERCADO INTERNO OU UTILIZADAS EM PRODUTO DESTINADO AO MERCADO INTERNO. CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INAPLICABILIDADE DOS MÉTODOS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS PREVISTOS NOS §§7º, 8º E 9º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003. Os recolhimentos de CofinsImportação vinculados a mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno ou incorporadas ao produto resultante do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 05 75 /2 00 5- 59 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 3 2 processo de industrialização, destinado ao mercado interno, consideramse específicos a estas receitas, não se lhes aplicando os métodos de apropriação previstos nos §§7º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, por não configurarem custos, despesas ou encargos comuns a receitas de venda no mercado interno e receitas de exportação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Declarações de Compensação com utilização de créditos da nãocumulatividade de Cofins, relativo ao mês de dezembro de 2004. A fiscalização efetuou as seguintes glosas, reconhecidas em despacho decisório, cientificado em 27/01/2010: 1. Glosa da inclusão do ICMS na base de cálculo do crédito presumido do estoque de abertura, por entender que o ICMS, sendo tributo recuperável, não compõe o valor do estoque, conforme artigo 12, §1º da Lei nº 10.833/2003 e artigo 289, §3º do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99); 2. Glosa de créditos de importação de produtos amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Autotmotiva (Recof Automotivo), em razão de que os recolhimentos ocorreram devido à destinação dos produtos ao mercado interno (nacionalização, ou seja, o produto importado foi revendido no mercado interno ou utilizado como insumo em outro produto vendido no mercado interno). Em manifestação de inconformidade, a recorrente, alegou: Fl. 297DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A decadência do direito de glosar os referidos créditos por aplicação do art. 150, §4º do CTN; 2. A necessidade de se incluir o ICMS na base de cálculo do crédito presumido relativo ao estoque de abertura, em razão de que este valor compôs a base de cálculo das contribuições incidentes na receita do vendedor, por ocasião das aquisições; 3. A regularidade da segregação dos créditos de importação vinculados às receitas de exportação, pelo método do rateio proporcional às receitas no mercado interno e de exportação, relativamente aos insumos adquiridos ao amparo do Recof e, posteriormente, nacionalizados; 4. Que, caso não se entendesse pela regularidade do rateio efetuado pela recorrente, deverseia, ao menos, cancelar as multas e juros de mora sobre os débitos compensados, por ter a recorrente seguido as instruções de preenchimento do Dacon. A recorrente apresenta manifestação adicional, reforçando os argumentos quanto à regularidade do rateio efetuado, mencionado no item 3 acima. A Quinta Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1435.920, cuja ementa transcrevese: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIAS E DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. A perícia deve ser solicitada e a documentação comprobatória das alegações deve ser juntada quando da apresentação da manifestação de inconformidade, ou posteriormente nas condições do disposto no artigo 57 do Decreto nº 7.574, de 2001. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da apresentação da declaração. Base Legal: Art. 94, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO. Não se inclui no saldo do estoque de abertura existente em 30/04/2004 o valor dos impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 5 4 Base legal: Art. 289 do RIR/99. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. VALOR PAGO NA IMPORTAÇÃO. VENDAS NO MERCADO INTERNO. APROPRIAÇÃO DIRETA DOS CUSTOS, DESPESAS E/OU ENCARGOS. Os custos, despesas e encargos vinculados a receitas de vendas no mercado interno devem ser apropriadas diretamente na base de cálculo para apuração dos créditos. Incabível a aplicação do rateio proporcional previsto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, que se aplica na apuração do percentual referente às receitas sujeitas ao regime de cumulatividade e ao regime de nãocumulatividade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando: 1. Preliminarmente, a nulidade da decisão por não enfrentamento dos pontos fundamentais dos argumentos de defesa; 2. A decadência do direito de glosar os créditos da nãocumulatividade, pela aplicação do prazo decadencial disposto no artigo 150, §4º do CTN; 3. A correção da inclusão do ICMS na base de cálculo do crédito presumido relativo ao estoque de abertura; 4. O erro contido na decisão recorrida quanto à inexistência de base legal para aplicação do método de rateio para segregar os custos, encargos e despesas comuns às receitas de venda no mercado interno e às receitas de exportação; 5. A possibilidade de se aplicar o método de rateio proporcional a receitas de venda no mercado interno e de exportação, para segregar os insumos comuns adquiridos sob o regime do Recof; 6. A possibilidade de manutenção dos créditos das contribuições para o PIS e Cofins, em operações desoneradas sob o regime de Recof; 7. Que antes da edição da Lei nº 12.058/2009, não havia disposição legal determinando a segregação dos créditos em função da natureza, origem e vinculação desses ao tipo de receita auferida; 8. A exclusão da multa de ofício e dos juros de mora, por ter a recorrente seguido as instruções de preenchimento do Dacon. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Fl. 299DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 6 5 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente aduziu nulidade por não ter a decisão recorrida enfrentado todos os argumentos deduzidos na impugnação. A reclassificação da natureza dos créditos de CofinsImportação efetuada pela autoridade fiscal foi fundamentada na assunção de que tais créditos são específicos e vinculados às receitas de venda no mercado interno e não às receitas de exportação, conforme Termo de Informação Fiscal, efl. 71, e Despacho Decisório, efl. 100. A DRJ decidiu pela manutenção da reclassificação dos créditos, com fundamento de que os relativos ao CofinsImportação paga deveriam ser vinculados exclusivamente às receitas no mercado interno, não integrando, pois a base para o rateio previsto no §8º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Fundamentou, ainda, na inexistência de previsão legal para a aplicação do método de rateio proporcional a receitas de venda no mercado interno e externo e no perfeito controle do custo dos insumos apropriáveis à exportação e ao mercado interno, não prosperando a alegação de impossibilidade de segregação dos custos antes das vendas. A decisão recorrida utiliza como fundamento a própria razão da glosa empreendida pela autoridade fiscal, ou seja, de que os valores pagos de CofinsImportação são custos específicos do mercado interno e que não existe previsão legal para aplicação do método de rateio para segregar os custos entre receitas de venda no mercado interno e de exportação. Esta argumentação, por si só, afasta as alegações da recorrente quanto à aplicação do método de rateio previsto no §8º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, e os demais argumentos deduzidos pela recorrente. Ademais, não há necessidade de o julgador rebater um a um os argumentos deduzidos, bastando que a decisão seja suficientemente fundamentada, em observância do princípio do livre convencimento motivado. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3202001.369, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:1987, 1990 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido, devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos Fl. 300DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 7 6 fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Este entendimento é pacífico no Superior Tribunal de Justiça, como se observa nos seguintes julgados: Resp nº 879.944MG (2006/01814150): [...] 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Resp nº 885.454DF (2006/01923977) 1. Não há que se falar em ofensa do art. 535 do CPC se o Tribunal de segundo grau resolveu a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados. [...] EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.489.482 RS (2014/02694068): PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS DE LEI INVOCADOS. SÚMULA 211/STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS DO ART. 535 DO CPC. PRETENSÃO DE REEXAME E ADOÇÃO DE TESE DISTINTA. 1. Não são cabíveis os embargos de declaração cujo objetivo é ver reexaminada e decidida a controvérsia de acordo com tese distinta. 2. Não há falar em obscuridade e ausência de fundamentação no afastamento da alegada violação do art. 535 do CPC pela Corte de origem, pois, conforme explicitamente consignado no acórdão embargado, nos termos de jurisprudência do STJ, o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, Fl. 301DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 8 7 nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados, como ocorreu no caso em apreço. Quanto à observância do Dacon e exclusão das multas e juros de mora, verificase que a decisão atacada expressamente abordou tais questões, apenas concluindo de forma divergente da recorrente: “No caso presente, à vista das informações contidas no DACON sobre pagamento de PIS/COFINSIMPORTAÇÃO, entendeu a fiscalização que as mercadorias importadas, incorporadas ou não aos produtos vendidos no mercado interno, sobre as quais foram calculados e pagos os tributos, deveriam ter seu custo vinculado exclusivamente às receitas do mercado interno e, ao contrário do alegado pelo interessado, que não deveriam integrar o cálculo do rateio proporcional previsto no § 8°, do art. 3°, da Lei n° 10.833, de 2003, que dispõe: [...] Também não prosperam as alegações de ilegalidade, uma vez que não foi criado novo método de apuração dos créditos das contribuições, e o pedido de exclusão da multa e juros incidentes sobre os eventuais débitos decorrentes das glosas, porque não houve qualquer indução ao erro, e sim, interpretação equivocada da legislação.” Rejeitamse, portanto, as alegações de nulidade da decisão recorrida. Decadência do direito de reajustar a base de cálculo glosando créditos. A compensação submetida à Administração Tributária mediante a entrega de Declaração de Compensação sujeitase ao prazo homologatório de cinco anos a partir da data de entrega da referida declaração, conforme artigo 74, §5º da Lei nº 9.430/96.1 A homologação compreende, dentre outros, a verificação dos pressupostos jurídicos e fáticos atinentes ao direito creditório e sua análise é prerrogativa da Administração Tributária e não configura lançamento de ofício, mas procedimento para aferir a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. A recomposição da base de cálculo, seja na base de receita seja no creditamento da nãocumulatividade, pode ser efetivada sem a necessidade de lavratura de Auto de Infração, pois é condição para se concluir pela procedência do pedido. 1 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) [..] § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 302DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 9 8 Por outro lado, a tese defendida pela recorrente não se aplica ao caso presente, pois o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º e no artigo 173 do CTN se refere ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito escriturado. Ressalvase que um lançamento de ofício seria inócuo, pois não há constituição de crédito tributário e serviria apenas para estabelecer o contraditório e ampla defesa, o que já está garantido em análises de declarações de compensação, pois que submetidas ao rito processual do Decreto nº 70.235/1972, a teor do §11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Neste sentido, citase julgado desta turma: Acórdão nº 3302002.353: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS. Apurando o Fisco diferença entre o valor pleiteado e o valor que entende devido a título de ressarcimento de PIS ou Cofins, não pode a Autoridade Fazendária efetuar o pagamento do valor pleiteado, posto que ilíquido e indevido. Há que ser firmado o entendimento sobre o valor exato do crédito a ressarcir. A apuração darseá por meio de discussão em lançamento de ofício ou por meio de glosa efetuada no próprio pedido de ressarcimento. Rejeitase, assim, a prejudicial argüida. Inclusão do ICMS na base de cálculo do estoque de abertura. O artigo 12 da Lei nº 10.833/2003dispõe que a pessoa jurídica possui direito à apuração de crédito presumido correspondente ao estoque de abertura de bens na data do início da incidência nãocumulativa da contribuição, conforme transcrito abaixo: Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. (Produção de efeito) § 1o O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. § 2o O crédito presumido calculado segundo os §§ 1o, 9o e 10 deste artigo será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) § 3o O disposto no caput aplicase também aos estoques de produtos acabados e em elaboração. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 10 9 Por sua vez, os artigos 289, 290, 292 a 294 estabelecem: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] Art. 292. Ao final de cada período de apuração do imposto, a pessoa jurídica deverá promover o levantamento e avaliação dos seus estoques. Art. 293. As mercadorias, as matériasprimas e os bens em almoxarifado serão avaliados pelo custo de aquisição (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, §§ 3º e 4º, e Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). Art. 294. Os produtos em fabricação e acabados serão avaliados pelo custo de produção (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, § 4º, e Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). Depreendese, pois, que os estoques são avaliados pelos custos de aquisição, não se incluindo nos referidos os impostos recuperáveis, como é o caso do ICMS de que trata a lide. Neste sentido, citamse os Acórdãos nº 3403003.305, proferido em 14/10/2014 e nº 3801001.796, proferido em 20/03/2013, cujas ementas transcrevemse: Acórdão nº 3403003.305: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. ESTOQUE DE ABERTURA. ICMS. EXCLUSÃO. Na composição do estoque de abertura de que trata o art. 11 da Lei no 10.637/2002 deve ser excluído o ICMS, conforme art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 11 10 Acórdão nº 3801001.796: CRÉDITO PRESUMIDO ESTOQUE DE ABERTURA VALORAÇÃO DO ESTOQUE LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. O estoque de abertura deve ser valorado segundo os critérios adotados para fins do imposto de renda e o valor do ICMS, quando recuperável, não integra o valor dos estoques a ser utilizado como base de cálculo do crédito presumido. A recorrente alega que o crédito está diretamente relacionado à incidência na etapa anterior. Entretanto, o regime de creditamento é delineado pelas hipóteses previstas, as quais definem a base de cálculo e as alíquotas e, não necessariamente, se vinculam diretamente à incidência na etapa anterior. Exemplo é a aquisição de insumo adquirido de um fornecedor tributado pelo lucro presumido (portanto, tributado a 3% para a Cofins), cujo crédito ocorre a 7,6% no adquirente sujeito à nãocumulatividade. Outro exemplo, diametralmente oposto à questão do ICMS aqui tratado, referese ao IPI não recuperável, o qual compõe o custo de aquisição gerando crédito da nãocumulatividade2, apesar de consistir em exclusão da base de cálculo da incidência da exação3. Destarte, nego provimento ao recurso nesta matéria. Rateio para os créditos de importação vinculados às receitas de exportação, decorrentes dos recolhimentos de CofinsImportação, quando da nacionalização dos insumos importados ao amparo do Recof. Esclareçase, inicialmente, que as normas relativas à suspensão do pagamento do imposto de importação ou do IPI vinculado à importação, relativas aos regimes aduaneiros especiais, aplicamse também às contribuições para CofinsImportação, nos termos do artigo 14 da Lei nº 10.865/2004. O regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado estava disposto no Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002) e foi normatizado pela IN SRF nº 417/20044, vigente à época dos fatos, nos seguintes termos: Decreto nº 4.543/2002: CAPÍTULO VII DO ENTREPOSTO INDUSTRIAL SOB CONTROLE INFORMATIZADO Seção I Do Conceito Art. 372. O regime de entreposto industrial sob controle aduaneiro informatizado (Recof) é o que permite a empresa importar, com ou sem cobertura cambial, e com suspensão do pagamento de tributos, sob controle aduaneiro informatizado, 2 Art. 66, §3º da IN SRF nº 247/2002 3 Art. 24, inciso III da IN SRF n º 247/2002 4 Revogada pela IN RFB nº 757/2007 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 12 11 mercadorias que, depois de submetidas a operação de industrialização, sejam destinadas a exportação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 89). § 1º Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, poderá ser despachada para consumo (Decretolei nº 37, de 1966, art. 89). § 2º A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá ter ainda uma das seguintes destinações: I exportação; II reexportação; ou III destruição. Seção II Da Autorização para Operar no Regime Art. 373. A autorização para operar no regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, e poderá ser cancelada ou suspensa a qualquer tempo, nos casos de descumprimento das condições estabelecidas, ou de infringência de disposições legais ou regulamentares, sem prejuízo da aplicação de penalidades específicas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90, § 1º). Art. 374. Poderão habilitarse a operar no regime as empresas que atendam aos termos, limites e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, em ato normativo, do qual constarão (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90): I as mercadorias que poderão ser admitidas no regime; II as operações de industrialização autorizadas; III o percentual de tolerância, para efeito de exclusão da responsabilidade tributária do beneficiário, no caso de perda inevitável no processo produtivo; IV o percentual mínimo da produção destinada ao mercado externo; V o percentual máximo de mercadorias importadas destinadas ao mercado interno no estado em que foram importadas; e VI o valor mínimo de exportações anuais. [...] Seção III Do Prazo e da Aplicação do Regime Fl. 306DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 13 12 Art. 375. O prazo de suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação será de até um ano, prorrogável por período não superior a um ano. [...] Art. 376. A normatização da aplicação do regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, que disporá quanto aos controles a serem exercidos (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90, § 3º). Seção IV Da Exigência de Tributos Art. 377. Findo o prazo fixado para a permanência da mercadoria no regime, serão exigidos, em relação ao estoque, os tributos suspensos, com os acréscimos legais cabíveis (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 90, § 2º). Parágrafo único. O disposto no caput não dispensa o cumprimento das exigências legais e regulamentares para a permanência definitiva da mercadoria no País. Art. 378. Os resíduos decorrentes do processo produtivo poderão ser: I destruídos, sem exigência de tributos, caso não se prestem à utilização econômica; ou II despachados para consumo, com o pagamento de tributos, tendo como base de cálculo o valor que lhes for atribuído em laudo técnico específico, e com a alíquota fixada para a mercadoria correspondente. Art. 379. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá a forma e o momento para o cálculo e para o pagamento dos tributos. IN SRF nº 417/2004: Art. 1º A concessão e a aplicação do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof) serão efetuadas de acordo com o disposto nesta Instrução Normativa. DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 2º O regime permite importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão da exigibilidade de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados a exportação [...] Art. 22. A admissão no regime de mercadoria importada terá por base declaração de importação específica formulada pelo importador no Siscomex. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 14 13 [...] Art. 31. A aplicação do regime se extingue com a adoção, pelo beneficiário, de uma das seguintes providências: I exportação: a) de produto no qual a mercadoria, nacional ou estrangeira, admitida no regime tenha sido incorporada; b) da mercadoria no estado em que foi importada; c) da mercadoria nacional no estado em que foi admitida; ou d) de produto ao qual a mercadoria estrangeira admitida no regime, sem cobertura cambial, tenha sido incorporada; II reexportação da mercadoria estrangeira admitida no regime sem cobertura cambial; III transferência de mercadoria para outro beneficiário, a qualquer título; IV despacho para consumo: a) das mercadorias estrangeiras admitidas no regime e incorporadas a produto acabado; ou b) da mercadoria no estado em que foi importada; V destruição, às expensas do interessado e sob controle aduaneiro; ou VI retorno ao mercado interno de mercadoria nacional, no estado em que foi admitida no regime, ou após incorporação a produto acabado, obedecido ao disposto na legislação específica [...] Art. 36. Os resíduos do processo produtivo poderão ser exportados ou despachados para consumo, mediante o recolhimento dos tributos devidos na importação, ou destruídos. § 1º Os resíduos para os quais a beneficiária não tenha controle de suspensão de tributos na forma do ato a que se refere o art. 52, despachados para consumo, terão os seus tributos devidos calculados com base na mercadoria geradora de resíduo que tenha, na importação, o maior somatório de tributos com exigibilidade suspensa, por quilograma, consideradas as últimas importações registradas. § 2º O beneficiário deverá separar fisicamente os resíduos para os quais tenha controle na forma do ato a que se refere o art. 52 dos demais resíduos. [...] Fl. 308DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 15 14 Art. 37. No caso de destinação para o mercado interno, o recolhimento dos tributos com exigibilidade suspensa, correspondentes às mercadorias importadas, alienadas no mesmo estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, ou aplicadas em serviço de recondicionamento, manutenção ou reparo, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro de DI na unidade da SRF que jurisdicione o estabelecimento importador. § 1º O IPI com exigibilidade suspensa, relativo às aquisições no mercado interno, será apurado e recolhido na forma da legislação de regência. § 2º A declaração a que se refere o caput será desembaraçada automaticamente pelo Siscomex. [...] Art. 38. Findo o prazo estabelecido para a vigência do regime, os tributos com exigibilidade suspensa, incidentes na importação, correspondentes ao estoque, deverão ser recolhidos com o acréscimo de juros e multa de mora, calculados a partir da data do registro da admissão das mercadorias no regime. § 1º Na hipótese deste artigo, para efeito de cálculo dos tributos devidos, as mercadorias constantes do estoque serão relacionadas às declarações de admissão no regime ou às correspondentes Notas Fiscais de aquisição no mercado interno, inclusive de transferência entre beneficiários, com base no critério contábil PEPS. § 2º O pagamento dos tributos e respectivos acréscimos legais, quando espontâneo, não dispensa o registro da DI e o cumprimento das demais exigências regulamentares para a permanência definitiva das mercadorias no País. CONTROLE DO REGIME Art. 45. O controle aduaneiro de entrada, permanência e saída de mercadorias no regime, inclusive em decorrência de substituição do beneficiário ou de movimentação com base em Ambra, será efetuado com base no sistema informatizado a que se refere o inciso III do art. 5 o , 5 integrado aos respectivos controles corporativos e fiscais da empresa interessada. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento de outras obrigações acessórias previstas na legislação fiscal. 5 Art. 5 o Para a habilitação de que trata o art. 4 o , a empresa deverá: [...] III dispor de sistema informatizado de controle de entrada, permanência e saída de mercadorias, de registro e apuração de créditos tributários devidos, extintos ou com exigibilidade suspensa, integrado aos sistemas corporativos da empresa no País, com livre e permanente acesso da SRF; e Fl. 309DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 16 15 Art. 46. O sistema informatizado a que se refere o art. 45 estará sujeito a auditoria, nos termos da Instrução Normativa SRF n o 239, de 6 de novembro de 2002. [...] Art. 47. O sistema informatizado do beneficiário habilitado deverá contemplar ainda: I o registro de dados sobre as importações autorizadas no regime realizadas por fornecedores, até a entrada no seu estabelecimento; II o registro de dados de importações em outros regimes aduaneiros especiais e de aquisição no mercado interno de partes e peças utilizadas na fabricação de produto ou aplicadas na prestação de serviços industriais; III o controle do valor dos tributos com exigibilidade suspensa, relacionada às entradas ou transferências de regime de mercadorias importadas, referenciados aos seus documentos de origem, bem assim das formas de extinção das correspondentes obrigações tributárias; e IV a demonstração de cálculo dos tributos relativos aos componentes de produtos transferidos para outros beneficiários, vendidos no mercado interno ou exportados. Art. 48. O controle de extinção dos créditos com exigibilidade suspensa em decorrência da aplicação de outros regimes aduaneiros especiais também observará o critério PEPS, em harmonia com as entradas e saídas de mercadorias. § 1 o O sistema de controle informatizado deverá registrar os inventários de partes e peças existentes em estoque ou na linha de produção antes do início das operações no regime. § 2 o O disposto no § 1 o , para o caso de mercadorias admitidas em regime aduaneiro especial, requer, ainda, a vinculação dos estoques existentes aos respectivos documentos de entrada. § 3 o A exportação de produto, a reexportação de mercadoria admitida no regime ou a prestação de serviço a cliente sediado no exterior, utilizando mercadorias admitidas no regime de que trata esta Instrução Normativa e em outros regimes suspensivos, enseja a baixa simultânea dos correspondentes tributos com exigibilidade suspensa. A recorrente foi autorizada a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo) pelo Ato Declaratório Executivo SRF nº 8/2004, parcialmente, transcrito abaixo: Art. 1º Fica a empresa Caterpillar Brasil Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 61.064.911/0000177, situada na Rodovia Luiz de Queiroz, Km 157, s/nº, Distrito Unileste Piracicaba/SP, autorizada a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Fl. 310DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 17 16 Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo). Art. 2º A autorização referida no art. 1º somente permite a admissão, no Recof Automotivo, de mercadorias estrangeiras destinadas às operações de industrialização dos produtos relacionados no Anexo I à Instrução Normativa SRF nº 254, de 11 de dezembro de 2002. [...] Art. 5º A admissão de mercadoria no Recof Automotivo darseá com ou sem cobertura cambial e terá por base declaração de importação específica, formulada pela autorizada no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex, na forma estabelecida na Instrução Normativa SRF nº 254, de 2002. Art. 6º O recolhimento dos tributos suspensos, correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro da declaração de importação na DRF/Piracicaba. Art. 7º A autorizada fica obrigada a disponibilizar os relatórios previstos no ADE Conjunto COANA/COTEC nº 1, de 14 de novembro de 2001 , de conformidade com o disposto no art. 49 do ADE Conjunto COANA/COTEC nº 2, de 26 de setembro de 2003 . Parágrafo único. O disposto neste artigo: I não dispensa a autorizada de apresentar relatório de apuração anual, que demonstre o cumprimento dos compromissos de que trata o art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 254, de 2002; e II não exclui a realização de outros procedimentos fiscais pertinentes. [...] Art. 10. Este ato entra em vigor na data de sua publicação. Verificase que o art. 6º do referido ato determinava o recolhimento dos tributos suspensos correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, mediante o registro da corresponde Declaração de Importação. Já seu art. 7º determinava a disponibilização de relatórios previstos no Ato Declaratório Executivo Conjunto COANA/COTEC nº 1/2001, revogado pelo ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003, o qual especificou os requisitos técnicos para o sistema informatizado de controle aduaneiro. O ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003 especificou em seu item 3.7, os requisitos para o controle de suspensão dos tributos incidentes na importação, cujo teor transcrevese: Fl. 311DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 18 17 3.7 Suspensão de Tributos Art. 27 . O controle de suspensão do II e do IPI vinculado à importação e do IPI relativo à aquisição de mercadoria nacional deverá ser feito de modo integrado ao controle de entrada e saída de mercadoria, e abrangerá os valores dos tributos e as quantidades de mercadorias em estoque e terá por base os documentos fiscais e aduaneiros pertinentes, e a RTM6 quando for o caso. § 1º Cada tributo objeto do controle de que trata este artigo terá quatro contas "Calculado", "Suspenso", "Devido" e "Extinto" que serão registradas segundo o método contábil de partidas dobradas. § 2º As contas de tributo "Suspenso" serão desdobradas em nível de part number7 e cada um terá também uma correspondente conta de quantidade para registrar entrada e saída crédito e débito de mercadoria objeto do controle de suspensão. § 3º O controle de suspensão de que trata este artigo deverá ser estendido para registrar outros tributos ou contribuições administrados pela SRF que vierem a incidir sobre as operações e, a critério do beneficiário do regime, poderá ser utilizado também para controlar o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) e o Adicional de Frete de Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). [...] Art. 28. Os lançamentos nas contas referidas no artigo anterior deverão ser escriturados em ordem cronológica e obedecerão as seguintes regras: I pela importação de mercadoria com suspensão de tributos, aquisição de mercadoria nacional de outro beneficiário do Recof que contenha mercadorias admitidas nesse regime, ou pela aquisição de mercadoria nacional com IPI suspenso, será feito: 6 Relação de Transferência de Mercadoria O registro da transferência de mercadoria entre ambos, correspondente à entrada ou saída em seus estoques, terá por base a emissão informatizada da pertinente RTM e deverá apresentar contrapartida simultânea em ambos sistemas de controle 7 Art. 12. O controle de estoque de mercadoria admitida no regime de entreposto aduaneiro para fins de aplicação nas operações previstas nos incisos II e III do art. 5º da IN SRF nº 241, de 6 novembro de 2002, bem assim o de componente adquirido no mercado nacional para o mesmo fim, será feito de forma integrada ao correspondente controle exercido pelo estabelecimento industrial instalado no recinto alfandegado de uso público, que receba a mercadoria para industrialização. § 1º O registro da transferência de mercadoria entre ambos, correspondente à entrada ou saída em seus estoques, terá por base a emissão informatizada da pertinente RTM e deverá apresentar contrapartida simultânea em ambos sistemas de controle. § 2º A RTM terá numeração seqüencial única para o recinto, com sete dígitos mais um dígito verificador, correspondendo os dois primeiros ao ano da transferência e outros cinco à seqüência numérica sem repetição e terá como sede de registro e arquivo o sistema informatizado do recinto alfandegado de uso público. § 3º Cada mercadoria, identificada pelo seu part number, será indexada na RTM a um número seqüencial de item, iniciando sempre pelo numeral "0001". Fl. 312DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 19 18 a) débito na conta "Calculado" e crédito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) crédito na correspondente conta de quantidade; II quando do despacho para consumo de mercadoria importada admitida com suspensão, inclusive de seu resíduo, ou venda para o mercado doméstico de mercadoria nacional recebida com suspensão, inclusive de seu resíduo, ou do registro de saída relativamente à constatação de falta de mercadoria importada admitida no regime, será feito: a) débito na conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; e b) débito na correspondente conta de quantidade. III pela venda de mercadoria nacional admitida no regime de entreposto aduaneiro com suspensão de IPI, em retorno para o mercado interno, será feito: a) débito na conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; e b) débito na correspondente conta de quantidade; IV quando da exportação de mercadoria no mesmo estado em que importada, inclusive de seu resíduo, será feito: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) débito na correspondente conta de quantidade; V pela exportação de mercadoria produzida pelo estabelecimento com componente(s) importado(s) e ou nacional(is), ou pela venda ou transferência definitiva de mercadoria para outro beneficiário do regime, será feito: a) crédito na conta "Extinto" e débito na(s) conta(s) "Suspenso" do(s) pertinente(s) part number do(s) componente(s) importado(s) e ou nacional(is); b) débito na(s) correspondente(s) conta(s) de quantidade; VI pela baixa relativa à perda de mercadoria até o limite admitido na habilitação: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; b) débito na correspondente conta de quantidade; VII pela baixa relacionada à destruição de mercadoria admitida no regime sem cobertura cambial, ou de seu resíduo: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e Fl. 313DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 20 19 b) débito na correspondente conta de quantidade; VIII pela baixa relacionada à destruição de mercadoria admitida no regime com cobertura cambial, ou de seu resíduo: a) crédito na conta "Devido" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) débito na correspondente conta de quantidade; IX pela destinação ao mercado interno, em caráter definitivo, de mercadoria obtida pela desmontagem de outra mercadoria importada admitida no regime: a) débito na conta "Calculado" e crédito na conta "Devido" da pertinente NCM ou part number referido ao respectivo registro de desmontagem; e b) débito na correspondente conta de quantidade. X quando do pagamento da obrigação tributária, débito na conta "Devido"e crédito na conta "Extinto"; XI pela expiração do prazo de suspensão: a) débito na correspondente conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; b) débito na correspondente conta de quantidade, ao qual deverá corresponder um crédito nos estoques de mercadoria nacionalizada. § 1º O registro de débito/crédito referido nos incisos do caput, além das informações de valor e ou quantidade, deverá conter: [...] § 3º O débito na conta "Suspenso" de qualquer part number, bem assim na respectiva conta de quantidade, obedecerá ainda às regras: I será registrado apenas na data do correspondente embarque na hipótese de exportação, do registro da DI para consumo na hipótese de nacionalização de produto estrangeiro, ou da efetiva saída do estabelecimento em se tratando de destinação ao mercado interno de produto nacional; II o débito de tributo suspenso corresponderá à proporção da quantidade debitada, pela apropriação do respectivo saldo em cada DA/adição/item na hipótese de produto importado, ou de cada nota fiscal/item em se tratando de produto nacional, com obediência ao critério contábil PEPS; III para a mercadoria aplicada em produto industrializado pelo estabelecimento industrial situado em recinto alfandegado, o débito será feito mediante apropriação das quantidades de produto importado relacionadas nas RTM de transferência do Fl. 314DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 21 20 estabelecimento industrial para o recinto alfandegado de uso público; e IV as RTM referidas no inciso anterior serão apropriadas pelo critério PEPS por ocasião das exportações ou de colocação no mercado nacional, mantida a correspondência com o produto industrializado exportado. [...] Dispõe ainda o item 3.9, artigos 30 e 31: 3.9 Controles Contábeis e Corporativos Art. 30. O sistema de controle informatizado do estabelecimento industrial ou prestador de serviços, beneficiário de regime aduaneiro suspensivo de que trata este ADE, deverá se integrar aos controles contábeis, por meio dos registros de compras de mercadorias nacionais ou importadas, bem assim por meio do registro das vendas para o mercado interno ou exportações de produtos acabados. [...] Art. 31 . O sistema de controle informatizado do estabelecimento industrial ou prestador de serviços, beneficiário de regime aduaneiro suspensivo de que trata este ADE, deverá se integrar aos demais sistemas corporativos, especialmente os que controlem almoxarifados e produção. Depreendese que todo o controle da suspensão dos tributos pressupõe a segregação dos tributos suspensos que passam para a condição de “devidos” dos tributos suspensos que passam para a condição de “extintos”. É esta segregação exigida pelo ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003 que possibilita a aplicação do artigo 6º8 do ADE SRF nº 8/2004, acima mencionado, em conformidade com as disposições da IN SRF 417/2004. No sentido de se determinar a vinculação dos recolhimentos de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação, a fiscalização lavrou o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 05, com o seguinte teor: “Considerando que o sujeito passivo está autorizado a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo), podendo importar insumos com os tributos suspensos, sendo devidos os recolhimentos em caso de destinação ao mercado interno, deverá, em relação aos valores declarados nos campos "Créditos a Descontar na Importação — PIS/Pasep Pago" e "Créditos a Descontar na Importação — Cofins Paga" dos DACON e dos Demonstrativos de Cálculo dos Créditos do período 4° trimestre de 2004 até o 4° trimestre de 2005, atender o seguinte: 8 O recolhimento dos tributos suspensos, correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro da declaração de importação Fl. 315DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 22 21 1) Sendo estes valores integralmente referentes às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pagas em função da nacionalização, ou seja, destinação ao mercado interno de insumos, ou de produtos industrializados aos quais estes insumos sejam incorporados, adquiridos dentro do regime do Recof, originalmente com suspensão de tributos, apenas informar o fato; 2) Sendo os valores compostos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pagas em função da nacionalização de insumos adquiridos dentro do regime do Recof, originalmente com suspensão de tributos, e de contribuições pagas em função de aquisição de insumos fora do citado regime, com incidência de tributos, apresentar arquivos Excel de PIS/Pasep e Cofins pagos na Importação, distintos para cada situação a seguir, sujeito á comprovação posterior: a) de insumos adquiridos sob o regime do Recof e nacionalizados; b) de insumos adquiridos fora do regime e destinados exclusivamente ao mercado interno; c) de insumos adquiridos fora do regime e destinados exclusivamente ao mercado externo; d) de insumos adquiridos fora do regime, comuns ás receitas dos mercados externo e interno.” Em resposta, a recorrente informou: “A Intimada informa que os valores declarados nos campos "Créditos a Descontar na Importação PIS/Pasep Pago" e "Créditos a Descontar na Importação Cofins Paga" dos DACONs e dos Demonstrativos de Cálculo dos Créditos do período 4o . Trimestre de 2004 até o 4o trimestre de 2005, referem se às Contribuições para o PIS/Pasep e COFINS pagas (vide Anexos I e II), em decorrência de nacionalização de: a) Mercadorias importadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado RECOF, empregadas em produtos cujo destino final foi o mercado doméstico. b) Regime Comum de Importação referente a mercadorias importadas e empregadas na produção de geradores, cujo destino final foi o mercado doméstico. c) Regime Comum de Importação referente a peças de reposição para geradores, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas. d) Regime Comum de Importação referente a peças de reposição para máquinas, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas. e) Mercadorias importadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Depósito Especial DE, mais especificamente peças de reposição, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas.” Fl. 316DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 23 22 Constatase que a recorrente confirmou que os recolhimentos de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação referiamse à destinação das mercadorias importadas ao mercado interno e não às exportações. De todo o exposto, concluise que não procedem as alegações da recorrente quanto à aplicação do método do rateio previsto no §8º, uma vez que o recolhimento de Cofins Importação pressupõe a vinculação à destinação ao mercado interno, conforme normatizado pelo Recof. A própria sistemática do Recof, diversamente do que defende a recorrente, determina a segregação das mercadorias importadas e dos tributos suspensos respectivos, estabelecendo requisitos técnicos e formais para implantação de sistema informatizado, visando o controle dos tributos suspensos e da destinação de cada mercadoria. Destarte, os tributos suspensos relativos às mercadorias reexportadas ou utilizadas na fabricação de produto exportado se tornam extintos, implicando, por conseguinte, a inexistência de pagamento de CofinsImportação, incidindo, consequentemente, a vedação quanto à possibilidade de creditamento relativo à importação das mercadorias vinculadas às exportações, uma vez que o comando do artigo 15, §1º determina a efetividade de pagamento das contribuições para que as hipóteses de creditamento previstas nos incisos do caput possam gerar créditos, conforme transcrevese abaixo: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Regulamento) [...] § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. Por outro lado, discordase da recorrente quanto à alegação de que o art. 179 da Lei nº 11.033/2004 propiciaria a manutenção de créditos em operações desoneradas no âmbito do Recof. É que tal artigo não estabelece novas hipóteses de creditamento, mas apenas permite que se mantenham os créditos apuráveis segundo os dispositivos legais regentes da matéria, como os artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, bem como o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004. O artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 elucida o entendimento: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto 9 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 24 23 no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Assim, não obstante o art. 17 permitir o creditamento em relação a saídas desoneradas, é necessário que os pressupostos previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 sejam observados, especialmente o §1º que condiciona o creditamento à existência de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação efetivamente pagas. Entretanto, o Recof estipula que os tributos suspensos relativos às mercadorias destinadas ao exterior são extintos, baixados no dizer do §3º do artigo 48 da IN SRF nº 417/2004, ou seja, não há qualquer recolhimento de PIS/PasepImportação ou CofinsImportação vinculados às receitas de exportação. Dito de outro modo, se todas as mercadorias importadas no âmbito do Recof fossem destinadas ao mercado externo, implicando a baixa dos tributos suspensos, não haveria qualquer crédito a ser aproveitado. Desta forma, agiu a fiscalização com acerto, quando efetuou a glosa por entender que a contribuição paga vinculavase às mercadorias importadas revendidas no mercado interno ou utilizadas em produto vendido no mercado interno Por fim, quanto à exclusão de multas e juros de mora, por observância das normas de preenchimento do Dacon, verificase, de fato, que a recorrente não observou a premissa das instruções de preenchimento, qual seja, a existência de custos, despesas e encargos comuns às receitas de exportação e às de venda no mercado interno, sobre os quais aplicarseia um dos métodos de vinculação previstos no §8º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (rateio proporcional ou apropriação direta, à sua escolha). No caso aqui tratado, os créditos decorrentes dos recolhimentos de CofinsImportação no âmbito do Recof não são comuns às duas receitas, mas apenas às de venda no mercado interno. Assim, não se trata da aplicação do parágrafo único do artigo 100 do CTN. Pontuese, ainda, que as alegações quanto ao artigo 35 da Lei nº 12.058/2009 em nada influenciam a decisão, pois tal artigo trata de segregação dos créditos da não cumulatividade e não da segregação realizada no âmbito do Recof, a qual fundamentou a vinculação específica entre os créditos de importação decorrentes dos recolhimentos de PIS/Pasep e CofinsImportação e as receitas de venda no mercado interno. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 318DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000575/200559 Acórdão n.º 3302002.942 S3C3T2 Fl. 25 24 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 10670.002143/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, tributado com base no lucro presumido, deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, com vícios, erros ou deficiências que tornem a escrituração imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária.
LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA CONHECIDA.
O Lucro arbitrado das pessoas jurídicas quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para o lucro presumido, acrescidos de vinte por cento.
MULTA QUALIFICADA - APLICAÇÃO - CARACTERIZAÇÃO DE DOLO
Incabível a qualificação da multa de oficio quando não caracterizada nos autos a prática de dolo, fraude ou simulação por parte da autuada. A divergência na interpretação de artigo de lei tributária não justifica a aplicação da multa exacerbada, quando as informações respectivas estavam devidamente escrituradas na contabilidade da empresa.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS.
Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
IRRF - PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA.
Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa. O rendimento pago será considerado líquido, cabendo o reajuste do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.
Numero da decisão: 1301-001.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do relator. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Geraldo Airton Castanha, OAB Nº 107.685
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 19/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, tributado com base no lucro presumido, deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, com vícios, erros ou deficiências que tornem a escrituração imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA CONHECIDA. O Lucro arbitrado das pessoas jurídicas quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para o lucro presumido, acrescidos de vinte por cento. MULTA QUALIFICADA APLICAÇÃO CARACTERIZAÇÃO DE DOLO Incabível a qualificação da multa de oficio quando não caracterizada nos autos a prática de dolo, fraude ou simulação por parte da autuada. A divergência na interpretação de artigo de lei tributária não justifica a aplicação da multa exacerbada, quando as informações respectivas estavam devidamente escrituradas na contabilidade da empresa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF IRRF PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 21 43 /2 01 0- 05 Fl. 19692DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 2 Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa. O rendimento pago será considerado líquido, cabendo o reajuste do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do relator. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Geraldo Airton Castanha, OAB Nº 107.685 (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 19/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 19693DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10670.002143/201005 Acórdão n.º 1301001.956 S1C3T1 Fl. 19.693 3 Relatório PRISMA PRÉVESTIBULAR S/C LTDA., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA, que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para: exonerar o crédito tributário, relativo ao IRRF, no valor de R$ 65.714,86, relativamente aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2006 e 2007, conforme discriminado em tabela constante daquele acórdão, coluna “IRRF Exonerado”; manter o restante do crédito tributário; manter a sujeição passiva imputada ao Sr. Manoel Jose Pereira Neto. Consta da decisão recorrida o seguinte relato, do qual ora me valho: Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados os Autos de fls. 1 a 108, que lhe exigem um crédito tributário de R$ 4.213.683,20, com juros de mora calculados até 29/10/2010, assim discriminado: IRPJ 768.208,05 Juros de Mora 290.056,92 Multa Proporcional (passível de redução) 830.413,54 TOTAL IRPJ 1.888.678,51 IRRF 487.157,13 Juros de Mora 187,291,27 Multa Proporcional (passível de redução) 365.367,39 TOTAL IRRF 1.039.815,79 Contribuição para o PIS/Pasep 50.364,95 Juros de Mora 19.517,34 Multa Proporcional (passível de redução) 61.850,18 TOTAL PIS 131.732,47 Contribuição Social sobre o Lucro Liquido 223.076,31 Juros de Mora 84.335,63 Multa Proporcional (passível de redução) 238.044,87 TOTAL CSLL 545.456,81 Contrib. para Financ. Seguridade Social 232.454,45 Juros de Mora 90.081,26 Muita Proporcional (passivel de redução) 285.463,91 TOTAL COFINS 607.999,62 Na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” constante do Auto de Infração de IRPJ, o fiscal autuante relatou o seguinte: "Em procedimento de verificação do cumprimenta das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Ofício, nos Fl. 19694DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 4 termos do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infrações abaixo descritas aos dispositivos legais mencionados. Razão do arbitramento nos períodos: 03/2006 06/2006 09/2006 12/2006 03/2007 06/2007 09/2007 12/2007 Arbitramento do lucro que se faz pelas' razões e expostas no “TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, que integra o auto de infração. Enquadramento Legal: A partir 01/04/1999 Art. 530, inciso III, do RIR/99 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de receitas caracterizada por créditos bancários cuja origem dos recursos utilizados não foi comprovada por documentos hábeis e idôneos, conforme relatado no “TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL que integra este auto de infração. Foram constituídos de ofício créditos tributários de IRPJ, CSLL. COFINS e PIS. incidentes sobre essas receitas omitidas. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 27. inciso I. e 42 da Lei n° 9.430. de 27 de dezembro de 1996. Arts. 532 e 537 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de março de 1999 RIR/99. 002 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS Falta de pagamento de IRPJ e CSLL incidentes sobre receitas escrituradas na conta contábil “SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA código 600319, conforme relatado no "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL". que íntegra este auto de infração. Na apuração dos créditos tributários constituídos de ofício foram deduzidos os valores de IRPJ e CSLL declarados em DCTF`s e pagos. Não foram constituídos créditos tributários de COFINS e PIS incidentes sobre estas receitas, visto que foram declaradas em DCTF e pagas. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 532 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. aprovado pelo Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999. 003 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDA DE NÃO IMOBILIARIA) RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ESCRITURADAS COMO VENDA DE MATERIAL DIDÁTICO Falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados sobre receitas de prestação de serviço escrituradas em livros contábeis como "VENDA DE MATERIAL DIDÁTICO". código 600450. conforme relatado no "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL que integra este auto de infração. ENQUADRAMENTO LEGAL Fl. 19695DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10670.002143/201005 Acórdão n.º 1301001.956 S1C3T1 Fl. 19.694 5 Art. 532 do regulamento do imposto de renda. do RIR/99. aprovado pelo Decreto nº 3.000. de 26 de março de 1999. Lançamento decorrente da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. na qual foram apuradas as infrações abaixo descritas, ocasionando. por conseguinte. insuficiência na determinação da base de cálculo deste imposto. 001 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU PAGAMENTOS SEM CAUSA Lançamento de IMPOSTO DE RENDA NA FONTE incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, conforme relatado no “TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL que integra este auto de infração. ENQUADRAMENTO LEGAL Artigo 674 do Regulamento do Imposto de Renda. aprovado pelo Decreto n° 3.000. de 26 de março de 1999 RIR/99. Às fls. 264/266, consta o Termo de Verificação Fiscal. do qual se extrai o seguinte: "No exercício das atribuições de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) n° 06.1.08.002010001019 realizei a fiscalização do IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA (IRPJ) referente aos anoscalendário 2006 e 2007. Foram constatados os fatos e adotados os procedimentos a seguir relatados: I TERMOS LAVRADOS PELA FISCALIZAÇÃO E DOCUMENTOS E ESCLARECIMENTOS APRESENTADOS. II OBJETO SOCIAL DA EMPRESA III DECLARAÇÕES APRESENTADAS E PAGAMENTOS REALIZADOS: O PRISMA entregou declarações de informações econômicofiscais da pessoa jurídica (DIPJ) referentes aos anoscalendário 2006 e 2007. com opção de tributação pelo LUCRO PRESUMIDO. Nessas DIPJ's o PRISMA informou que adotou escrituração contábil. O PRISMA entregou Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referentes ao 1° semestre/2006 ao 2° semestre/2007, com informações de débitos de IRPJ e CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO (CSLL) apurados pelo lucro presumido, código de recolhimento 2089 e 2372, respectivamente. O PRISMA realizou pagamentos regulares de IRPJ, CSLL, contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS) e contribuição para o programa de integração social (PIS). incidentes somente sobre as receitas escrituradas na conta contábil "SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA código 600319. Não foram declarados e pagos tributos e contribuições incidentes sobre as receitas escrituradas na conta contábil “VENDA DE MATERIAL DIDATICO". código 600450. que representa a grande maioria das receitas escrituradas. Fl. 19696DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 6 IV ARBITRAMENTO DO LUCRO: Considerando os fatos relatados deve ser arbitrado o lucro referente aos anos calendário 2006 e 2007. conforme sintetizado a seguir: ARTIGO 530. INCISO II, ALÍNEA A DO RIR/99 ESCRITURAÇÃO COM EVIDENTES INDÍCIOS DE FRAUDES. VÍCIOS. ERROS E DEFICIÊNCIAS QUE A TORNARAM IMPRESTÁVEL PARA IDENTIFICAR A EFETIVA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA Houve expressiva omissão de receitas, ou seja. a empresa não escriturou parte significativa de suas receitas. Não foi escriturada grande parte dos pagamentos realizados. Podese afirmar que a maioria dos pagamentos realizados não foi escriturada, conforme demonstram a lucratividade extrema e irreal obtida nos anos fiscalizados. Se não foram escrituradas boa parte das receitas e a maioria dos pagamentos, pode se afirmar que a escrituração é imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira. ARTIGO 530, INCISO III. DO RIR/99 FALTA DE APRESENTACÃO DE DOCUMENTOS: Intimado regularmente. o fiscalizado não apresentou documentos que embasaram os lançamentos contábeis na conta “VENDA DE MATERIAL DIDÁTICO”. que representa a grande maioria das receitas escrituradas, conforme demonstrado na planilha “RECEITAS ESCRITURADAS EM LIVROS CONTABEIS R$ em anexo. V INFRAÇÕES A LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA E APURAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES DEVIDOS. O artigo 532 do RIR 99, que tem como base a Lei nº 9.249 de 1995, art. 16. e a Lei n° 9.430. de 1996. art. 27, inciso I, dispõe que o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta será determinada mediante a aplicação dos percentuais fixados no artigo 519 e seus parágrafos, acrescidos de 20%. O artigo 519 § 1º, inciso III, alínea "a", do RIR/99. dispõe que o percentual de determinação do lucro será de 32% para as atividades de prestação de serviço em geral. Destaco que nas DIPJ's apresentadas com opção pelo lucro presumido, o PRISMA apurou o IRPJ com a utilização do percentual de 32%. O PRISMA claramente prestou serviços de ensino educacional. Assim sendo considerando que houve o arbitramento do lucro. o percentual de determinação do lucro será de 38.4%. que corresponde a 32% acrescido de 20%. V1 APURAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE AS RECEITAS DE SERVIÇOS PRESTADOS ESCRITURADAS: O PRISMA informou nas DIPJs referentes aos anos fiscalizados receitas de serviços tributados pelo IRPJ com coeficiente de determinação do lucro de 32%. Essas receitas foram escrituradas na conta contábil "SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA código 600319. Sobre essas receitas foram apurados os valores devidos de IRPJ e CSLL. Os débitos informados em DCTF que foram efetivamente pagos, foram deduzidos dos valores devidos na apuração dos créditos tributários constituídos de ofício. Os valores deduzidos estão especificados nos demonstrativos "IRPJ DÉBITOS INFORMADOS EM DCTF E PAGOS" e “CSLL DÉBITOS INFORMADOS EM DCTF E PAGOS" em anexo. Fl. 19697DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10670.002143/201005 Acórdão n.º 1301001.956 S1C3T1 Fl. 19.695 7 Não foram constituídos créditos tributários de COFINS e PIS sobre estas receitas, visto que o PRISMA informou em DCTF e efetivamente pagou débitos incidentes sobre estas receitas. V2 APURAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE AS RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ESCRITURADAS COMO VENDA DE MATERIAL DIDÁTICO: Ficou caracterizado que as receitas escrituradas na conta contábil "VENDA DE MATERIAL DIDÁTICO", código 600450 foram efetivamente provenientes de prestação de serviços, conforme relatado anteriormente, mais especificamente no item que trata do arbitramento do lucro. Assim sendo essas receitas foram tributadas como RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Sobre elas foram apurados e constituídos de ofício os créditos tributários de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. V3 OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR CRÉDITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS NÃO FOI COMPROVADA: O PRISMA foi regularmente intimado, de forma reiterada, a comprovar a origem dos recursos correspondentes aos créditos bancários, bem como a comprovar que os créditos já tinham sido devidamente tributados. O PRISMA não comprovou a origem dos recursos utilizados em créditos bancários especificados pela fiscalização por meio de documentos hábeis e idôneos. Os documentos/esclarecimentos solicitados, os atendimentos protocolados e as considerações da fiscalização sobre os atendimentos estão relatados anteriormente. especificamente no item que trata do arbitramento do lucro. Assim sendo. foram tributadas como receitas omitidas. por presunção legal. as diferenças entre os créditos bancários e as receitas totais escrituradas. A apuração das receitas omitidas está especificada nos demonstrativos especificados a seguir. que constam em anexo: CRÉDITOS NO BANCO DO BRASIL. AGÊNCIA 0104X, CONTA 1.9445 (R$); RECEITAS ESCRITURADAS EM LIVROS CONTABEIS RS: APURAÇÃO DAS RECEITAS OMITIDAS RS; Sobre essas receitas omitidas foram apurados e constituídos de oficio créditos tributários de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. V4 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE INCIDENTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA: O artigo 674 do RIR 99, transcrito a seguir. preceitua sobre a incidência de imposto de renda exclusivamente na fonte à alíquota de 35% sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa. Art. 674. Está sujeito a incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981 de 1995, art. 61). Fl. 19698DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 8 § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981 de 1995, art. 61, § lº) § 2° Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei n° 8.981 de 1995, art. 61, § 2º). § 3° O rendimento será considerado liquido. cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei n° 8.981 de 1995, art. 61, § 3°). Ante o exposto, sobre os pagamentos especificados na planilha “PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS". em anexo, que o PRISMA, intimado de forma reiterada. não apresentou documentos comprobatórios hábeis e idôneos, ou seja, não identificou os beneficiários ou a causa dos pagamentos, foi apurado o IMPOSTO DE RENDA NA FONTE (IRRF). Destaco que os pagamentos especificados nessa planilha foram considerados como rendimentos líquidos e foi realizado o reajustamento da base de cálculo, conforme disposto no § 3º do artigo 674 do RIR/99. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁCULO: PAGAMENTO BASE DE CÁLCULO REAJUSTADA 100% BASE DE CÁLCULO REAJUSTADA: PAGAMENTO/0.65. A apuração da base de cálculo do IRRF esta especificada na planilha “PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. V1 CARACTERIZAÇÃO DE SONEGAÇÃO FISCAL E FRAUDE E APLICAÇÃO DE MULTAS DE OFÍCIO QUALIFICADAS: Conforme relatado exaustivamente neste termo, especificamente no item que trata do arbitramento do lucro, ficou demonstrado que o PRISMA incidiu em práticas que caracterizam sonegação fiscal e fraude, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/1964. Destaco as seguintes práticas adotadas pelo PRISMA: DIPJ's FRAUDULENTAS Apresentou DIPJ's referentes a 2006 e 2007 com faturamento muito inferior ao efetivamente ocorrido. Dessa forma, apresentou declarações com informações falsas à RFB, ou seja. declarações fraudulentas. DCTF's FRAUDULENTAS Apresentou DCTF's referentes ao 1° semestre/2006 ao 2° semestre/2007 com informações de débitos muito inferiores aos efetivamente devidos. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL FRAUDULENTA O PRISMA escriturou livros contábeis com simulação de que a maioria de suas receitas foi proveniente de vendas de materiais didáticos. Não escriturou a grande maioria dos pagamentos realizados. Desta forma. apurou lucros totalmente irreais. fantasiosos e desproporcionais às vendas. Inclusive esses lucros propiciam a integralização de capital mediante a incorporação de lucros acumulados que de fato não existem. Inclusive o PRISMA tentou ocultar da fiscalização a existência dos livros contábeis. A escrituração de lucros irreais não o prejudica, visto que apura o IRPJ e a CSLL sobre o lucro presumido. OCULTACÃO DE OCORRÊNCIA DE FATOS GERADORES Não recolheu os tributos/contribuições devidos, com grave prejuízo a fazenda publica e à sociedade em geral. Para lograr êxito. executou procedimentos fraudulentos com Fl. 19699DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10670.002143/201005 Acórdão n.º 1301001.956 S1C3T1 Fl. 19.696 9 intuito de ocultar os fatos gerados efetivamente ocorridos, visto que simulou a existência de receitas imunes/isentas, que efetivamente são receitas tributáveis. Conforme relatado. foi apresentada escrituração contábil com irregularidades e inconsistências que caracterizam a pratica de ocultação dos fatos efetivamente ocorridos, com a conseqüente sonegação fiscal. Ademais, essa sonegação fiscal implica em concorrência desleal. Ante os fatos expostos, foram lançadas multas de ofício qualificadas no percentual de 150% sobre o IRPJ, CSLL, COFINS e PIS incidentes sobre as receitas de prestação de serviços escrituradas como se fossem de vendas de material didático na conta contábil,"VENDA DE MATERIAL DIDÁTICO". Foi lavrada REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, visto que foram apuradas pela fiscalização a ocorrência de SONEGAÇAO FISCAL e FRAUDE, que caracterizaram crimes contra a ordem tributária. VII RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA: No sistema CNPJ consta que o sóciogerente é MANOEL JOSE PEREIRA NETO, CPF 056.485.63866. Os livros diário registrados em cartório foram assinados por esse sócio. como sócioadministrador. Os balanços patrimoniais transcritos nos livros diário também foram assinados pelo Sr. Manoel José. Nas DIPJs 2007 e 2008, bem como nas DCTFs referentes ao 1° sem/2006 ao 2° sem/2007, consta que o representante da pessoa jurídica é o Sr Manoel Jose. Ante os fatos relatados neste termo. considerando o disposto nos artigos 121, inciso II, 124. inciso I. e 135, inciso III, do CTN. ficou caracterizado que o Sr MANOEL JOSE PEREIRA NETO, CPF 036.485.63866. é pessoalmente responsável pelos créditos tributários referentes a IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, incidentes sobre as receitas de prestação de serviços escrituradas como imunes/isentas na conta contábil “VENDA DE MATERIAL DIDÁTICO", tendo em vista que ficou caracterizada a prática de SONEGAÇÃO FISCAL e FRAUDE, que implicou na responsabilidade tributária pessoal e em sujeição passiva solidária, nos termos da legislação vigente. Reitero que a sujeição passiva solidária abrange exclusivamente os créditos tributários de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. incidentes sobre as receitas de prestação de serviços escrituradas como imunes/isentas na conta contábil " VENDA DE MATERIAL DIDÁTICO". O Sr MANOEL JOSÉ PEREIRA NETO será cientificado da responsabilidade tributária e da sujeição passiva solidária. bem como dos autos de infração lavados. conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado nesta data. A contribuinte foi cientificada dos autos de infração e do TVF, em 04/11/2010, fls. 3, 23, 41, 58, 76 e 140. Na mesma data, o Sr. Manoel José Pereira Neto, teve ciência da exigência tributária e da responsabilidade a ele imputada conforme “TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA, fls. 1560 a 1563. Inconformada com a autuação, em 06/12/2010, a contribuinte, representada pelo seu sócio Sr. Manoel José Pereira Neto, apresenta às fls. 1566 a 1578, impugnação contra as exigências relativas ao IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e COFINS, insurgindose ainda contra a qualificação da multa de oficio. Às fls 1578 e 1583, apresenta impugnação contra a exigência relativa ao IRRF. Anexa aos autos os documentos de fls. 1585 a 2572 e três anexos. Constam das impugnações as seguintes razões de defesa: Fl. 19700DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 10 CONSIDERAÇÕES INICIAIS A fiscalização reconheceu o direito do contribuinte em optar pela tributação com base no lucro presumido, vez que o mesmo atende aos requisitos legais que tratam do assunto. A legislação tributária permite ao optante pelo lucro presumido escriturar somente o livro caixa. estando o mesmo dispensado de manter escrituração regular de forma mercantil. (artigo 45, parágrafo único da Lei n° 8.981/95), O fiscalizado é uma instituição de educação com fins lucrativos, portanto ministra cursos desde o maternal, primeiro e segundo graus. cursos profissionalizantes, cursos livres, prévestibulares. suplência e curso superior. Para exercer suas atividades e necessário aplicar uma metodologia, e esta se externa sob a forma de material didático. apostila impressa. livro e, hodiernamente, ate sob a forma de CDroom, estando certo que a metodologia sob suas diversas formas é a principal responsável pelo êxito no aprendizado. Por assim ser, a instituição obtém a receita de serviços e a receita de venda de material didático. Faz prova a seu favor os contratos firmados com os alunos, bem como amostra anexa do material utilizado. Decorre da Constituição Federal a imunidade tributária dos livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão, estando ai incluído o material didático utilizado em cada curso. Em sendo assim, ao considerar estas receitas imunes no livro caixa, e daí transportar para a declaração do imposto de renda lucro presumido, não ha como excluílas, pois no formulário inexiste previsão para deduzir estas receitas imunes, daquelas tributáveis. Por esta razão deixamos de considerar as receitas imunes no livro caixa por que é um livro para fins fiscais e deixamos de lançálas na declaração do imposto de renda, por inexistir linha própria para excluílas da tributação. Para atender a legislação societária, o fiscalizado mantém escrituração mercantil, de forma regular, sem qualquer erro ou vicio. DO ARBITRAMENTO Conforme explicitado acima, a movimentação financeira escriturada no livro caixa, somente contemplava os recursos provenientes das vendas objeto de tributação. A movimentação financeira completa está escriturada nos livros da escrituração mercantil, ou seja, livros diário e razão. [...] O fiscalizado é optante pelo lucro presumido e escriturou o livro caixa, contudo, não registrou, pelas razões explicitadas acima, a movimentação financeira proveniente das receitas imunes. A imunidade que da guarida ao contribuinte. está prevista no artigo 150, inciso VI, letra d, da Constituição Federal, vejamos: [...] Fl. 19701DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10670.002143/201005 Acórdão n.º 1301001.956 S1C3T1 Fl. 19.697 11 O direito está a amparar o contribuinte, a fiscalização afirma que toda a movimentação financeira está incluída na conta caixa, assim, é ilegal a aplicação da medida extrema do arbitramento. DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A infração apontada da conta de que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos utilizados nos créditos bancários, por meio de documentos hábeis e idôneos. Assim ficou caracterizada a omissão de receitas prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430 de 27/12/1996. Preliminarmente, cabe investigar se após a publicação da Lei Complementar n° 105 de 2001, ainda pode se aplicar o artigo 42 da Lei n° 9.430 de 27/12/1996. Enquanto que a Lei n° 9430/96 transferia ao fiscalizado o dever de provar a origem dos recursos aplicados nas contas bancárias e não o fazendo, autorizava o fisco presumir a ocorrência de omissão de receitas, cuja base de cálculo do imposto era o próprio valor do recurso aplicado. Com a edição da Lei Complementar 105/2001. não é mais assim. vejamos: Inicialmente a fiscalização devera demonstrar que detectou indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, para requisitar informações ou documentos que necessitar e a partir de então realizar fiscalização ou auditoria para adequada apuração dos fatos. Nota se que não há mais a inversão do ônus da prova, nem a tributação poderá ocorrer por presunção. nem o quantum a ser tributado será por arbitramento. Agora o fisco devera promover a fiscalização ou auditoria e realizar uma tributação real, porque deve apurar adequadamente os fatos. Tendo a norma nova regulado inteiramente a matéria sobre a tribulação através de contas bancárias, sendo também incompatível com o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. esta ultima esta revogada, ex vi do artigo 2° da Lei de Introdução ao Código Civil. Os fatos também apontam pela inexistência de qualquer omissão de receitas. [...] A fiscalização ao constatar que as diferenças haviam sido justificadas, não se tratando de omissão de receitas, mas de receita imune, proveniente da venda de material didático que não foi lançada na DIPJ, porque não havia previsão para excluílas das receitas tributáveis, resolveu promover a autuação com base exclusivamente nos extratos bancários. É exatamente pela inexistência de situações padronizadas. como a do presente caso. que o legislador veio modificar, através da Lei Complementar 105/2001, o modo de proceder quanto a identificação do fato gerador do imposto de renda através das contas bancárias. RECEITAS DE SERVIÇOS PRESTADOS ESCRITURADAS [...] Fl. 19702DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 12 Na verdade não ocorreu falta de pagamento. a fiscalização desconsiderou a tributação com base no lucro presumido e lançou a tributação com base no lucro arbitrado e depois deduziu o imposto correspondente que havia sido pago com base no lucro presumido. Assim sendo, os argumentos de defesa o são os mesmos constantes do item especifico “Do Arbitramento" defendido alhures. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ESCRITURADAS COMO VENDA DE MATERIAL DIDÁTICO As folhas 22 e 23 do Termo de 1ntimação Fiscal informam que a Receita de Venda de Material Didático não foi comprovada. por isso a fiscalização estava considerando estas receitas como da prestação de serviços. Provado restou que a desconsideração da receita imune foi justificada através de meras conjecturas. O direito tributário não comporta cobrança de imposto com base em presunções não autorizadas em lei. O enquadramento legal anotado no auto de infração para tipificar a suposta infração é o artigo 532 do RIR/99, que trata da base de cálculo do lucro arbitrado. Não consta a norma que autoriza aplicar a presunção pretendida pela fiscalização. portanto se não há lei tipificando o fato como tributável, a cobrança do imposto é ilegal. Mesmo se a lei autorizasse o fisco a cobrar o imposto via presunção, esta seria juris tantum, sendo afastada conforme as provas juntadas a esta defesa. DA MULTA AGRAVADA O autor do feito justifica a aplicação da multa qualificada pela contabilização fraudulenta de Receita de Vendas de Material Didático. conforme texto extraído da página 30 do Termo de Verificação Fiscal: “Ante os fatos expostos, foram lançadas multas de oficio qualificadas, no Percentual de 150%, sobre o IRPJ, CSLL, COFINS e PIS incidentes sobre as receitas de prestação de serviços escrituras como se fossem de vendas de material didático, na conta contábil “VENDA DE MATERIAL DIDÁTICO". Conforme se observa, a Venda de Material Didático está devidamente comprovada, não havendo razão para desconsiderála, não cabendo, conforme explicitado alhures, cobrança do tributo e como corolário imposição de multa, especialmente a qualificada por crime contra a ordem tributária. Para configurar o crime é necessário provar que a conduta do agente, ação ou omissão, seja contrária à lei penal. [...] Não olvidemos que o Decreto Lei nº 1.598 de 1977, art. 9°, § 1º, reproduzido no artigo 923 do RIR/99, estabelece: Parágrafo Primeiro. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza. ou assim definidos em preceitos legais. Podese extrair da leitura do texto acima o seguinte: Fl. 19703DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10670.002143/201005 Acórdão n.º 1301001.956 S1C3T1 Fl. 19.698 13 A escrituração do contribuinte é regular. porque mantém todos os requisitos intrínsecos e extrínsecos nos seus livros e está em conformidade com as disposições legais. Encontrase escriturada a receita de venda de material didático. O fato registrado está comprovado e tem respaldo legal em documentos hábeis, relatório de vendas, as apostilas e os contratos. Portanto, a receita registrada faz prova a favor do fiscalizado, cabendo ao fisco a prova em contrario, não podendo transferir o ônus da prova. por força do preceito legal acima transcrito, e pela ausência de outro que determine de forma diferente. Por fim, a suposta omissão de receitas com base em depósitos bancários e incabível para fins de cobrança de imposto de renda, conforme defendido acima. Por mais forte razão, esta suposta omissão não serve para dar respaldo à configuração de crime contra a ordem tributária. [...] PEDIDO Requer a total improcedência do auto de infração. declarando a sua nulidade, por tratarse de autuação sem respaldo em norma legal. Requer também a total improcedência da cobrança da CSLL, PIS. COFINS por serem decorrentes do mesmo fato, onde as razões de defesa a elas se estendem. O afastamento da multa qualificada de 150% e as demais, em decorrência da improcedência da cobrança. No que tange ao lançamento de IMPOSTO DE RENDA NA FONTE incidente sobre Pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa aduz a contribuinte: [...] A interpretação sistemática do artigo 61 caput e parágrafo 1° da Lei no 8. 981 de 1995, reproduzidos no artigo 674 e parágrafo 1° do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, nos leva a concluir que a aplicação cumulativa do caput do artigo 61 e do parágrafo 1º se estende somente às pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, ou seja, estas estão obrigadas a identificar o beneficiário, comprovar a operação ou a sua causa. Já para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido aplicase apenas o caput do artigo 61, devendo ser comprovada a identificação do beneficiário. Isso porque o caput do artigo 61 destinou o seu comando a todas as pessoas jurídicas, enquanto que o parágrafo primeiro destinou o seu comando às pessoas jurídicas sujeitas ao lucro real, porque no seu texto diz dos pagamentos contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa. Vejamos que a contabilização é obrigatória somente para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real. A comprovação da operação ou sua causa e condição para dedutibilidade do custo ou despesa, que só interessa às pessoas tributadas pelo lucro real. Fl. 19704DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 14 Portanto, o parágrafo único do citado artigo não guarda qualquer ilação com as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido, eis que o seu lucro é apurado com base nas receitas. [...] Este impugnante vem trazer a colação a planilha denominada "Comprovação dos Beneficiários Tidos Como Não Identificados Pela Fiscalização", corroborada pelos documentos que identificam os beneficiários dos dispêndios. A planilha foi elaborada com base na relação de cheques compensados elaborados pela fiscalização constantes do demonstrativo denominado "Pagamentos sem Causa ou a Beneficiários Não Identificados provando que a cada cheque emitido tem um ou vários favorecidos devidamente identificados. [...] A 1ª Turma da DRJ/JFA, analisou os argumentos apresentados pela impugnante, proferindo decisão para julgar improcedente sua manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, tributado com base no lucro presumido, deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, com vícios, erros ou deficiências que tornem a escrituração imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. LUCRO ARBITRADO BASE DE CÁLCULO RECEITA CONHECIDA. O Lucro arbitrado das pessoas jurídicas quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para o lucro presumido, acrescidos de vinte por cento. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a ocorrência da ação dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, é cabível a aplicação da multa qualificada no percentual de l50% (cento e cinqüenta por cento). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. Fl. 19705DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10670.002143/201005 Acórdão n.º 1301001.956 S1C3T1 Fl. 19.699 15 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007 IRRF PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou a sua causa. O rendimento pago será considerado líquido, cabendo o reajuste do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, os quais podem ser assim resumidos: Requer a total improcedência do auto de infração, declarando a sua nulidade, por tratarse de autuação sem respaldo em norma legal; Requer também a total improcedência da cobrança da CSLL, PIS, COFINS por serem decorrentes do mesmo fato, onde as razões de defesa a elas se estendem. O afastamento da multa qualificada de 150% e as demais, em decorrência da improcedência da cobrança. A improcedência do Termo de Sujeição Passiva em desfavor do Sr. Manoel José Pereira Neto. É o relatório. Fl. 19706DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 16 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/JFA e intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ e reflexos em 25/03/2011, conforme Aviso de Recebimento AR (fl. 2667), e apresentou, em 20/04/2011, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 2668 a 19.686. Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e sendo o Recurso Voluntário tempestivo, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração lavrado em face de supostas irregularidades, conforme consta da descrição dos fatos. Houve a determinação para que se procedesse com o arbitramento do lucro nos períodos: 03/2006, 06/2006, 09/2006, 12/2006, 03/2007, 06/2007, 09/2007 e 12/2007. Houve também alegação de suposta omissão de receitas caracterizadas por créditos bancários cuja origem dos recursos utilizados não foi comprovada por documentos hábeis e idôneos, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal TVF. Foram constituídos de oficio créditos tributários de IRPJ, CSLL, COFINS E PIS, incidentes sobre essas receitas omitidas. Por fim, constatouse a falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados sobre receitas de prestação de serviços escrituras em livros contábeis como “VENDA DE MATERIAL DIDÁTICO”. Aplicou ainda a multa agravada de 150% em relação às receitas com venda de material de didático. O recorrente se insurge contra as seguintes matérias, as quais serão analisadas uma a uma a seguir: 1) Do Arbitramento Alega o recorrente que o auto de infração aponta como enquadramento legal para aplicar o arbitramento o artigo 530, inciso II do RIR/99 e no Termo de Verificação Fiscal tenta mostrar o fato para enquadramento na norma. Já o acórdão que manteve o arbitramento fundamentou sua decisão na letra a, inciso II do artigo 530 do RIR/99, consoante enquadramento legal contido no auto de infração, e como fato típico, a falta de escrituração de parte significativa das receitas e da maioria dos pagamentos, no Livro Caixa, o que a torna imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira. Conforme explicitado por ocasião da impugnação, o recorrente aduz que a movimentação financeira escriturada no livro caixa, somente contemplava os recursos provenientes das vendas objeto de tributação, ou seja, as receitas provenientes das vendas de serviços, não tendo sido nela computadas as receitas com a venda de material didático, por entender que tais receitas estavam abarcadas pela imunidade conferida aos livros e periódicos. Por fim, alega que a movimentação financeira completa está escriturada nos livros da escrituração mercantil, ou seja, livros diário e razão. Fl. 19707DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10670.002143/201005 Acórdão n.º 1301001.956 S1C3T1 Fl. 19.700 17 Entende a recorrente que o arbitramento não seria aplicável porque a Fiscalização considerou exclusivamente o livro caixa, como se este fosse o único e exclusivo elemento de registro de suas operações. Entende o recorrente que a escrituração mercantil não é incompatível com a escrituração do livro caixa, ao contrário uma está associada à outra, de tal forma que a primeira complementa a segunda. Por fim, alega que é optante pelo lucro presumido e não registrou no livro caixa a movimentação financeira proveniente das receitas imunes. Contudo, mesmo não estando obrigado a manter a escrituração mercantil, fez constar nesta, toda a movimentação financeira, envolvendo as provenientes das receitas tributáveis e as imunes. Estando a escrituração completa, sem erros, vícios ou deficiência conforme pode ser constatado no presente caso, o direito está a amparar o contribuinte, portanto a aplicação do arbitramento é ilegal. Razão não assiste à Recorrente. Conforme o TVF, a fiscalização apurou que a escrituração contábil, inicialmente ocultada pela fiscalizada, é totalmente divergente do livro caixa apresentado. As diferenças se justificam em parte por que nos livros contábeis foram escrituradas supostas receitas de vendas de material didático, que não foram escrituradas nos livros caixa. E mais, em momento algum a autoridade fiscal afirmou que a efetiva movimentação financeira foi escriturada na conta caixa, apenas asseverou que “nos livros contábeis não houve escrituração de BANCOS CONTA MOVIMENTO. Assim sendo, toda movimentação/financeira da empresa está incluída na conta caixa o que e bem diferente. Tanto é assim que a fiscalização apurou, mesmo considerando todas as receitas escrituradas nos livros contábeis, uma expressiva omissão de receitas, ou seja, a empresa não escriturou parte significativa de suas receitas, 46,62% no anocalendário de 2006 e 39,08% no anocalendário de 2007. A própria contribuinte aduz que é optante pelo lucro presumido e escriturou o livro caixa, mas não registrou a movimentação financeira proveniente das receitas alcançadas pela imunidade prevista no artigo l10, inciso VI, letra d, da Constituição Federal. Sustenta ainda, acerca da ausência de contabilização dessas receitas, que “o sistema imposto pela Receita Federal para prestar as informações via declaração de imposto de renda não permite ao contribuinte escriturar no livro caixa toda sua movimentação financeira” e que “... aufere receitas provenientes de vendas amparadas pela imunidade tributária e no formulário da declaração do imposto de renda não está prevista uma maneira de excluir esta receita imune.” Temse por descabida tais alegações porque: (i) a legislação não desobriga de escrituração as receitas imunes, e (ii) tais receitas não são abrangidas pela imunidade, prevista no art. 150, inciso VI, alínea “d” da CF, uma vez que as receitas decorrentes da venda de livros, jornais e periódicos, estão incluídas na área de incidência do Imposto Sobre a Renda, da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL), da Contribuição Social Sobre o Faturamento, da Fl. 19708DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 18 Contribuição para o PIS/Pasep (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). O aludido art. 150, VI, “d”, da Constituição de 1988 dispõe: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (...) d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. Nesse sentido, de conformidade com o supratranscrito dispositivo da Constituição da República, especificamente quanto ao âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão são imunes somente ao Imposto de Importação, ao Imposto de Exportação e ao Imposto sobre Produtos Industrializados (art. 18, inciso I, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010), visto que tal imunidade alcança unicamente impostos, e não quaisquer outras espécies tributárias, a exemplo das contribuições sociais. Conseqüentemente, uma vez que se trata de imunidade puramente objetiva, isto é, de instituto que exclui da incidência de impostos somente os bens e produtos a que se refere, não alcança, portanto, os lucros ou o faturamento das pessoas jurídicas que exploram o seu comércio ou industrialização. Desta forma, entendo que a imunidade não alcança a pessoa jurídica ora consulente não é imune ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativamente às receitas e lucros advindos da comercialização de livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão Desse modo, não há como acatar as alegações do contribuinte, porque não há que se falar em imunidade das receitas com as vendas de livros e materiais didáticos, uma vez que tal imunidade não alcança o IRPJ e CSLL como já explicado acima. Assim, tendo optado pela tributação com base no lucro presumido nos anoscalendário de 2006 e 2007, a interessada sujeitouse à obrigatoriedade de manter escrituração comercial nos termos da legislação comercial, abrangendo todas as operações praticadas, ou, alternativamente, o livro Caixa, este contendo a totalidade de sua movimentação financeira, inclusive bancária, conforme previsto no art. 527 do RIR de 1999. A empresa apresentou o Livro Caixa sem a escrituração de parte significativa das receitas e da maioria dos pagamentos, o que a torna imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira. À fiscalização não restou alternativa senão aplicar a legislação que rege a matéria, devidamente capitulada no enquadramento legal, e arbitrar o lucro da empresa. A base tributável da empresa foi apurada mediante a aplicação do coeficiente estabelecido para o calculo do lucro presumido, acrescido de 20% sobre as receitas omitidas, em consonância com a legislação vigente, disciplinada nos arts. 15, 16 e 24 da Lei n° 9.249, de 1995, e art. 27, I, da Lei n° 9.430, de 1996. Desse modo, não ha qualquer reparo a fazer no tocante ao arbitramento, adotado em virtude do acima exposto, porque, em que pese a interpretação da contribuinte Fl. 19709DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10670.002143/201005 Acórdão n.º 1301001.956 S1C3T1 Fl. 19.701 19 quanto à imunidade, ainda assim estava o contribuinte sujeito à obrigatoriedade da escrituração contábil. 2) Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Quanto ao lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, entendo que o acórdão a quo não merece qualquer reparo, razão pela qual adoto como fundamento desta decisão, os mesmo argumentos utilizados pelo julgador de Primeira Instância: A autuação, com base legal no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, detectou omissão de receitas pela empresa, a partir de depósitoscréditos que esta recebeu em contas bancárias e cuja origem, apesar de intimada varias vezes, não logrou comprovar com documentação hábil e idônea. Questiona a impugnante, preliminarmente, a aplicabilidade do mencionado artigo, após a publicação da Lei Complementar n° 105, de 2001, que, no seu entender, regulou inteiramente a matéria sobre a tributação através de contas bancárias. E, sendo incompatível com o art. 42, da Lei n° 9.430/96, o teria revogado, nos termos do artigo 2° da Lei de Introdução ao Código Civil. Com base em jurisprudência, doutrina e legislação, anteriores à Lei n° 9.430/96, a impugnante argumenta que sempre se rejeitou a idéia de cobrar imposto de renda, tomando como base exclusivamente os depósitos existentes em contas correntes bancárias. Cita decisões lastreadas na extinta súmula n° 182 do antigo TFR, a qual dizia: “É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Assim entende que, com o advento da Lei Complementar n° 105, de 2001, o legislador corrigiu, através da revogação tácita do artigo 42, da Lei n° 9.430/96, uma incompatibilidade desse artigo com o conceito de fato gerador do imposto de renda, previsto no artigo 43 da Lei n° 5.172/66 (CTN). Sustenta que no parágrafo 4°, do artigo 5°, da mesma Lei, o legislador tratou o modo de proceder em relação a fiscalização das contas bancárias, diferentemente do que fora estabelecido na artigo 42 da Lei n° 9.430/96. e, a partir da edição da citada lei complementar, não lia mais a inversão do ônus da prova, nem a tributação poderá ocorrer por presunção, nem o quantum a ser tributado será por arbitramento. Aduz que, enquanto a Lei n° 9.430/96 transferia ao fiscalizado o dever de provar a origem dos recursos aplicados nas contas bancárias e não o fazendo, autorizava o fisco presumir a ocorrência de omissão de receitas, cuja base de cálculo do imposto era o próprio valor do recurso aplicado, com a edição da Lei Complementar 105/2001, não é mais assim. [...] A Lei Complementar n.° 105/2001 dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e da outras providências, introduzindo significativas modificações no instituto do sigilo bancário em relação a sua anterior disciplina, conferida pelo artigo 38 da Lei n.° 4.595, de 31 de dezembro de 1964, revogado. Para facilitar o exame da matéria, serão reproduzidos, a seguir, alguns dispositivos da Lei Complementar supra mencionada que dizem respeito ao fornecimento de informações à administração tributária da União, mais precisamente Fl. 19710DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 20 à Secretaria da Receita Federal, atual Secretaria da Receita Federal do Brasil, senão vejamos: Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) III o fornecimento das informações de que trata o § 2° do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996. VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 3º, 4º, 5°, 6°, 7º, e 9°desta Lei Complementar. (...) Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e nos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. § 1º Consideramse operações financeiras. para os efeitos deste artigo: I depósitos à vista e a prazo, inclusive em conta de poupança; II pagamentos efetuados em moeda corrente ou em cheques; III emissão de ordens de crédito ou documentos assemelhados; IV ¬ resgate em contas de depósitos à vista ou a prazo, inclusive de poupança; V contratos de mútuo; [...] § 2° As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) § 4º Recebidos as informações de que trata este artigo. se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar a fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5º As informações a que se refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Fl. 19711DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10670.002143/201005 Acórdão n.º 1301001.956 S1C3T1 Fl. 19.702 21 Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Art. 8º O cumprimento das exigências e formalidades previstas nos artigos 4º, 6º e 7º será expressamente declarado pelas autoridades competentes nas solicitações dirigidas ao Banco Central do Brasil. a Comissão de Valores Mobiliários ou as instituições financeiras. (...) Art. 10. A quebra de sigilo. fora das hipóteses autorizadas nesta Lei Complementar constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão de um a quatro anos. e multa, aplicandose, no que couber, o Código Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. Parágrafo único: Incorre nas mesmas penas quem omitir, retardar injustificadamente ou prestar falsamente as informações requeridas nos termos desta Lei Complementar. Art. 11. O servidor publico que utilizar ou viabilizar a utilização de qualquer informação obtida em decorrência da quebra de sigilo de que trata esta Lei Complementar responde pessoal e diretamente pelos danos decorrentes, sem prejuízo da responsabilidade objetiva da entidade pública, quando comprovado que o servidor agiu de acordo com orientação oficial. Da análise dos dispositivos transcritos, verificase que o artigo l°, § 3°, estabelece, expressamente, os casos em que o fornecimento de informações e documentos alusivos a operações e serviços de instituições financeiras não constitui violação do dever de sigilo, e o art. 5° determina que o Poder Executivo disciplinara, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços, que restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados. E se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal nas informações recebidas, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. Assim, ao contrário do que entende a litigante, a Lei Complementar não regula “a matéria sobre a tributação através de contas bancárias”, cuida, sim, das precauções e garantias para assegurar a mais perfeita inviolabilidade das Fl. 19712DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 22 informações de que disponham os bancos e outras instituições financeiras com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros, tampouco altera o modo de proceder em relação à fiscalização das contas bancárias, isto sim, objeto do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Desse modo, descabida a tese expendida pela defesa no sentido da revogação tácita do art. 42 da Lei n° 9.430/96, que se encontra em vigor e assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A lei acima transcrita estabeleceu uma presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Em relação às presunções de omissão de receita, destacase que essas são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (jures tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrario ao fato presumido; já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. As presunções legais relativas provocam a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo à contribuinte provar que o Fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito, este é o entendimento expresso pelo Código de Processo Civil, art. 333, II. Cumpre ao fisco, em tais circunstâncias, tãosomente provar o indício, como de fato foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída à contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas. A comprovação da origem dos valores depositados em contacorrente bancaria deve ser detalhada, coincidente em data e valores. Deve ficar claro que o numerário teve origem em valores já tributados pela empresa ou em valores não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. Acerca da autuação relativa aos depósitos bancários com base legal no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, afirma a litigante que depósitos bancários nunca teriam sido admitidos pela jurisprudência como indicativo de renda, alegou também que tais depósitos recebidos podem provir de várias outras causas, porém não comprova nenhuma delas. Alega também que, neste caso, a fiscalização, partindo para a hipótese mais cômoda de arbitramento da receita, resolveu promover a autuação com base exclusivamente nos extratos bancários, ao constatar que as diferenças haviam sido justificadas, não se tratando de omissão de receitas, mas de receita imune, proveniente da venda de material didático não lançada na DIPJ, porque não há previsão para excluílas das receitas tributáveis. No caso presente, a empresa foi regularmente intimada, de forma reiterada, a comprovar a origem dos recursos correspondentes aos créditos bancários, bem como a comprovar que os créditos já tinham sido devidamente tributados. Entretanto, não Fl. 19713DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10670.002143/201005 Acórdão n.º 1301001.956 S1C3T1 Fl. 19.703 23 comprovou a origem dos recursos utilizados em créditos bancários especificados pela fiscalização. Como se vê no auto de infração, mesmo considerando todas as receitas escrituradas nos livros contábeis, os créditos bancários eram significativamente superiores às receitas, sendo tributados os valores dos depósitos bancários de origem não comprovada. Por fim, cabe esclarecer que, com a entrada em vigor da Lei n° 9.430, de 1996, não há mais que se comprovar evidências de sinais exteriores de riqueza, pois a própria lei determina, nesses casos, que os valores depositados constituem receita. Não estão sendo tributados os depósitos bancários, mas a receita que eles representam por expressa disposição legal. Os depósitos são o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receita, quando não comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. [...] O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada; a prova carreada aos autos são os depósitos/créditos recebidos cuja origem a autuada não esclareceu, sendo descabida a acusação de que a fiscalização se furtou à obrigação de determinar a matéria tributária. Assim, com base em todo o acima exposto, valendome da mesma fundamentação da DRJ/JFA, nego provimento ao recurso quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada. 3) Receitas de Prestação de Serviços Escrituradas como Venda de Material Didático A fiscalização apurou na escrituração contábil da contribuinte que a grande maioria das suas receitas seriam provenientes de venda de material didático, nos valores de R$ 2.302.680,00, no ano de 2006, e de R$ 2.636.130,00, no ano de 2007, representando, respectivamente, 73,39% e 74,35% das receitas totais. Considerando que a atividade da contribuinte é a exploração do ramo de ensino e que não houve qualquer comprovação que as receitas escrituradas nos livros contábeis na conta 600450, VENDA DE MATERIAL DIDÁTICO, foram efetivamente levadas à tributação. Aduz a interessada que tais receitas não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo dos impostos e contribuições, por serem as mesmas imunes, nos termos do art. 150 da CF de 1988. Ocorre que, como já dito alhures, não assiste razão à recorrente, haja vista que a referida imunidade só alcança os impostos incidentes sobre ditos materiais (IPI, II, IE, etc) e não os impostos incidentes sobre as operações comerciais com eles levadas à cabo. Assim, entendo que tais receitas não são imunes para fins do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, razão pela qual as mesmas deveriam ter sido oferecidas à tributação. A Solução de Consulta COSIT nº 51, de 20 de fevereiro de 2014, assim se manifestou sobre este tema: [...] Fl. 19714DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 24 7. Nesse sentido, de conformidade com o supratranscrito dispositivo da Constituição da República, especificamente quanto ao âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão são imunes somente ao Imposto de Importação (arts. 211A, 211B e 245A do Regulamento Aduaneiro RA, aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, com redação do Decreto nº 7.213, de 15 de junho de 2010), ao Imposto de Exportação (art. 235 do RA) e ao Imposto sobre Produtos Industrializados (art. 18, inciso I, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010), visto que tal imunidade alcança unicamente impostos, e não quaisquer outras espécies tributárias, a exemplo das contribuições sociais, entre outras. 8. Conseqüentemente, uma vez que se trata de imunidade puramente objetiva, isto é, de instituto que exclui da incidência de impostos somente os bens e produtos a que se refere, não alcança, portanto, os lucros ou o faturamento das pessoas jurídicas que exploram o seu comércio ou industrialização. Desta forma, a pessoa jurídica ora consulente não é imune ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativamente às receitas e lucros advindos da comercialização de livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão. Tratandose, pois, o dispositivo constitucional de imunidade objetiva, abrange tãosomente aqueles impostos que incidem especificamente sobre a circulação ou industrialização da mercadoria livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão e não aqueles que atingem a renda ou o patrimônio. Na esfera federal. a imunidade tributária somente alcança o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Imposto de Importação (II) e o Imposto de Exportação (IE). A propósito, cabe registrar que o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, reiterou que continua válida a distinção entre imunidades objetivas e subjetivas e, ao mesmo tempo, ressaltou que a imunidade alusiva aos impostos incidentes sobre jornais, livros e periódicos não prejudica a exigibilidade de tributos incidentes sobre os atos negociais da pessoa jurídica que os edita. O julgado diz respeito ao IPMF mas exsurge óbvio que se aplica também ao Imposto de Renda, como se vê a seguir: TRIBUTÁRIO. ANISTIA DO ART. 150. VI. d. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IPMF. EMPRESA DEDICADA À EDIÇÃO. DISTRIBUIÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE LIVROS. JORNAIS. REVISTAS E PERIÓDICOS. Imunidade que contempla exclusivamente veículos de comunicação e informação escrita, e o papel destinado a sua impressão, sendo, portanto, de natureza objetiva, razão pela qual não se estende as editoras, autores, empresas jornalísticas, ou de publicidade que permanecem sujeitas à tributação pelas receitas e pelos lucros auferidos. Conseqüentemente, não há falar em imunidade ao tributo sob enfoque, que incide sobre atos subjetivados (movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira). Fl. 19715DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10670.002143/201005 Acórdão n.º 1301001.956 S1C3T1 Fl. 19.704 25 Recurso conhecido e provido. (Acórdão unânime da 1ª Turma do STF RE 206. 7741RS Rel. Min. Ilmar Galvão j. 03.08.99 Recte.: União Federal Recda: Dipo Editorial e Comercial Ltda. DJUe I 29.10.99, p. 19). Certo é que a autuada deixou de tributar receitas escrituradas como venda, sob a alegação de que tais receitas seriam imunes, entretanto, tais receitas não estariam amparada pela imunidade, conforme visto acima. A discussão quanto a natureza jurídica de tais receitas, venda de material didático ou prestação de serviços, só seria relevante para fins de determinar a alíquota aplicável para fins de determinação do lucro arbitrado, uma vez que os percentuais incidentes sobre as mesmas são distintos. Contudo, em razão da inexistência de pedido alternativo quanto a este particular, não há como sobre isto me manifestar, por não estar referida questão subjudice. Saliento que o recorrente tão somente se valeu do argumento da imunidade das mesmas, mas nunca atacou o percentual usado pela fiscalização para fins da determinação do lucro arbitrado. Diante do exposto, mantemse na integra o lançamento relativo às receitas de prestação de serviços escrituradas como venda de material didático. 4) Da Multa Qualificada Passo, por fim, a tratar das multas de oficio qualificadas, no percentual de 150%, sobre os valores lançados a título de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS incidentes sobre as receitas de vendas de material didático, lançado na conta contábil “VENDA DE MATERIAL DIDÁTICO”. No caso concreto, apontou a Fiscalização, no seu entendimento, fatos e números que afastariam a possibilidade de "simples erro" e levariam à qualificação da penalidade em virtude da prática dolosa, não havendo, também no entendimento da autoridade lançadora, qualquer justificativa plausível ou prova em contrário por parte da contribuinte. A falta de pagamento dos impostos e das contribuições ocorreu sistematicamente, da mesma forma, em todos os meses do ano de 2006 e 2007. Vejamos a transcrição de trecho da acusação fiscal nessa parte: O PRISMA apresentou as DIPJs 2007 e 2008, referentes aos anoscalendário 2006 e 2007, com faturamento muito inferior ao efetivamente ocorrido. Destaco novamente que nessas declarações somente foram informadas as receitas escrituradas na conta contábil “SERVIÇOS PRESTADOS À VISTA, que representam a minoria das receitas escrituradas. A grande maioria das receitas escrituradas foi contabilizada na conta “VENDA DE MATERIAL DIDÁTICO", como imunes/isentas. O PRISMA simulou que a maioria de suas receitas foi proveniente dessas vendas. Na verdade, essas receitas foram provenientes de prestação de serviços educacionais. que é a atividade operacional efetivamente desenvolvida pela empresa. Ao adotar esse procedimento, o PRISMA reduziu substancialmente as receitas tributáveis informadas em DIPJ, bem como a base de cálculo dos tributos e contribuições federais. Assim sendo, reduziu de forma fraudulenta os débitos declarados em DCTFs e conseqüentemente os valores devidos e pagos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. Como se pode ver, a fiscalização não só afastou a imunidade destas receitas, bem como as reclassificou, por alegada falta de comprovação documental hábil e idônea. Fl. 19716DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 26 Ocorre que a interessada, ora recorrente, em sede de recurso voluntário, junta farto suporte documental, principalmente contratos de prestação de serviços e venda de material didático celebrados com os seus clientes/alunos. Assim, se adotado o princípio da verdade material, farseia necessário converter o julgamento em diligência a fim de ser verificar se o novo suporte documental seria suficiente para afastar a reclassificação da natureza jurídica da venda de material didático para efetiva prestação de serviços educacionais. Penso que a nova documentação, no mínimo, seria capaz de desconstruir o principal argumento da Fiscalização para a reclassificação, qual seja, a falta de comprovação por parte do contribuinte de que se tratava de efetiva venda de material didático. Não há dúvida que os contratos juntados fazem clara distinção entre mensalidade e material didático. Contudo, solucionarei esta lide por outro fundamento. Entendo que aqui não se está diante de fraude por suposta ocultação de receitas. O que houve foi erro na interpretação legal, pois o contribuinte entendeu que a imunidade conferidas aos livros e periódicos abarcaria inclusive as transações comerciais tendo tais livros e periódicos. Tal dúvida na interpretação da abrangência da imunidade tanto me parece legitima e corriqueira que a COSIT, no final de 2014, proferiu Solução de Consulta (Solução de Consulta COSIT Nº 51/2014) no sentido de se esclarecer o tema. De plano, pois, afasto a possibilidade de fraude, pois tal prática pressupõe dolo, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64, verbis: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Entendese por dolo a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos (materiais) da conduta que se adjetiva como dolosa. Nas palavras do ilustre conselheiro Claudemir Malaquias, o dolo é “saber e querer a realização da conduta e não exige a consciência da ilicitude”. Observase que há julgamentos deste Conselho no sentido de se considerar como tendo ocorrido fraude somente em procedimentos que envolvam adulteração de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros), notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas ou errôneas (quanto apresentadas reiteradamente). No caso presente, não há registros de documentos inidôneos ou fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza. Inexiste vedação expressa aos procedimentos adotados pelo contribuinte, logo, não há que se falar em fraude à lei, que aliás não pode ser confundido com erro de interpretação da lei. Na fraude a lei, o ato em si é ilícito tendo em vista que o ordenamento jurídico proíbe sua prática. Fl. 19717DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10670.002143/201005 Acórdão n.º 1301001.956 S1C3T1 Fl. 19.705 27 Ora, não há dúvidas quanto a intenção da contribuinte em obter ganhos e economia com a segregação entre receita de prestação de serviços e receita de venda de material didático, tendo praticado todos os atos que entendeu válidos e amparados na lei. Há que ser analisado se incorreu em indevida redução dos tributos devidos, com o conseqüente lançamento de ofício dos tributos indevidamente reduzidos, mas daí a se afirmar que estaria presente o dolo e configurada a fraude, data vênia, não comungo desse entendimento. Desde o primeiro atendimento à Fiscalização, durante a auditoria, o contribuinte foi transparente e coerente em seus esclarecimentos, sobretudo no que diz respeito a seu entendimento quanto ao amparo legal para seus procedimentos, mais precisamente quanto ao entendimento de que as receitas de venda de material didático estariam amparadas pela imunidade estabelecida no artigo 150 da CF/88. Logo, ainda que a contribuinte possa ter realizado algum procedimento que se considere doloso, certamente não pode ser considerado “ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária”. Repito: foi a partir dos registros e operações da empresa que a fiscalização tomou conhecimento dos fatos e realizou os lançamentos de ofício relativos à parte tida como omitida. Registrese, ainda, que nos anoscalendário de 2006 e 2007 a fiscalização arbitrou a receita considerada omitida, ou seja, aplicou presunção para apurar a base de cálculo, logo, este seria um motivo para desqualificar a multa de oficio, pois: a fraude não se presume. Tanto é assim que o parágrafo 3º do artigo 24 da Lei nº 9.249/1995, que em sua redação original estabelecia a aplicação de multa qualificada sempre que apurada omissão de receitas, foi revogado no ano seguinte pelo art. 88 da Lei 9.430/1996. Em face do exposto, diante da existência de mero erro na interpretação de lei (imunidade de livros e períodicos), formei convencimento de que a qualificação da multa de ofício foi exacerbada, devendo ser reduzida a 75%. 5) IRRF Pagamentos à Beneficiários Não Identificados Diante dos elementos integrantes dos autos, a fiscalização lavrou o auto de infração sobre as saídas de recursos das contas correntes (cheques compensados e transferências) com beneficiários não identificados e/ou operações não comprovadas, constantes das planilhas de fls. 1476 a 1482. Especificamente no que se refere à incidência de IRRF, objeto deste processo, cumpre transcrever o art. 61 da lei n° 8.981, de 1995: Art. 61. Está sujeito à incidência do imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista neste artigo aplicase também aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não fora comprovada a operação ou a sua causa. Fl. 19718DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 28 Em sua defesa alega a recorrente que a aplicação cumulativa do caput do artigo 61 e do parágrafo 1° se estende somente às pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, ou seja, estas estão obrigadas a identificar o beneficiário, comprovar a operação ou a sua causa. Já, para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, aplicase apenas o caput do artigo 61, devendo ser comprovada a identificação do beneficiário, uma vez que a contabilização é obrigatória somente para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real e, sendo a comprovação da operação ou sua causa condição para dedutibilidade do custo ou despesa, só interessa às pessoas tributadas pelo lucro real. Ainda que prevalecesse a tese da contribuinte, de que aos optantes pelo lucro presumido só há que se falar em IRRF por pagamentos à beneficiários não identificados, não se aplicando a eles a falta de contabilização dos pagamentos, fazse necessário verificar se no caso dos presentes autos houve a adequada comprovação dos beneficiários dos pagamentos. Ultrapassada essa questão, analisouse os comprovantes dos pagamentos carreados aos autos pela então impugnante, às fls. 2.368 a 2.572, tendo o órgão a quo dado provimento parcial à impugnação para afastar a incidência do IRRF sobre os pagamentos que restaram devidamente identificados, tendo sido exonerado o crédito tributário, relativo ao IRRF, no valor de R$ 65.714,86, relativamente aos fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2006 e 2007 discriminados nas tabelas ao final do voto da DRJ/JFA, na coluna “IRRF Exonerado". Não faço reparos quanto à decisão da DRJ/JFA, pois entendo que dentre todos, não há nenhum outro pagamento que tenha sido efetivamente comprovado o beneficiário dos mesmos que não aqueles já deferidos em 1ª instância (DRJ/JFA). Deixo de me manifestar sobre a aplicação do parágrafo primeiro do artigo 61 da Lei nº 8.981/95 aos contribuintes optantes pelo Lucro Presumido, haja vista que ainda que a tese do contribuinte prevalecesse, ainda assim não restaram comprovados os beneficiários dos pagamentos efetuados pelo contribuinte, salvo aqueles que já foram exonerados pela DRJ. 6) Responsabilidade Solidária Por fim, deixo de me manifestar sobre a responsabilidade solidária do Sr. Manoel Pereira Neto, em razão de não haver fundamentação específica quanto a este tópico no Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, e por também não haver recurso do responsável solidário. Saliento que no recurso voluntário há pedido expresso no sentido de que seja declarado improcedente a responsabilização solidária, porém, não há qualquer fundamento a embasálo. Assim, por inexistir qualquer fundamentação quanto à responsabilização solidária, deixo de analisar o referido pedido. Desta forma, nego provimento ao pedido de exoneração da responsabilidade solidária do Sr. Manoel Pereira Neto. Fl. 19719DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10670.002143/201005 Acórdão n.º 1301001.956 S1C3T1 Fl. 19.706 29 Assim, diante de todo o acima exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa para o patamar de 75%, por entender que não restou comprovado o dolo.] Sala de Sessões, 02 de março de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 19720DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 9/03/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
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Numero do processo: 19740.000051/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. RERRATIFICAÇÃO.
Restando comprovada a existência de erro material no acórdão guerreado, na forma suscitada pelo embargante, impõe-se o acolhimento dos embargos inominados para rerratificar a decisão.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-004.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados para rerratificar o acórdão embargado.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ERRO MATERIAL NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. RERRATIFICAÇÃO. Restando comprovada a existência de erro material no acórdão guerreado, na forma suscitada pelo embargante, impõese o acolhimento dos embargos inominados para rerratificar a decisão. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados para rerratificar o acórdão embargado. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 51 /2 00 9- 42 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Cuidase de embargos interpostos pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro desafiando o Acórdão n.º 2401003.408 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 19/02/2014. O processo em questão contempla o Auto de Infração – AI n. 37.179.4854, lavrado para exigência da contribuição destinada ao Instituto de Colonização e Reforma Agrária INCRA. A turma decidiu dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo, exarando a seguinte decisão: "ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos da apuração os seguintes levantamentos: "3ER PLR CCT 2003 RJ EMP"; “3ES PLR CCT 2003 EMP SP”; “4ER PLR CCT 2004 EMP RJ”; “4ES PLR CCT 2004 EMP SP” e “PER PLR PROGRAMA PROPRIO RJ EMP”. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que dava provimento parcial somente para afastar a tributação do levantamento “PER PLR PROGRAMA PROPRIO RJ EMP”. Os conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Carolina Wanderley Landim, também excluíam da tributação todas as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados e os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira também excluíam da tributação parcela paga a título de gratificação espontânea de admissão." O órgão embargante verificou a ocorrência de contradição na decisão acima , haja vista que restou determinada a exclusão de levantamentos inexistentes no lançamento, o qual, na verdade, contém os levantamentos denominados 3TR, 3TS, 4TR, 4TS, GTR, GTS, PTR e PTS. É o relatório. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 19740.000051/200942 Acórdão n.º 2402004.782 S2C4T2 Fl. 418 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade A manifestação da RFB deve ser recebida como embargos inominados, conforme "caput" do art. 66 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015: "Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão." A ocorrência de erro material é evidente, posto que o acórdão determinou a exclusão de levantamentos inexistentes no AI, portanto, devem ser conhecidos os embargos. Mérito De fato, observo que ocorreu a mácula apontada e que isso se deu pelo fato da autoridade lançadora haver criado códigos de levantamento diferenciados para apuração da contribuição dos terceiros. O Relator não se deu conta dessa particularidade e acabou mencionando no seu voto os mesmos códigos de levantamento utilizados para apuração das contribuições para a Seguridade Social. Com a retificação do erro material, a decisão, que não terá alteração no seu resultado, passará a carregar a seguinte redação: "ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos da apuração os seguintes levantamentos: "3TR PLR CCT 2003 RJ TER"; “3TS PLR CCT 2003 SP TER”; “4TR PLR CCT 2004 RJ TER”; “4TS PLR CCT 2004 SP TER” e “PTR PLR PROGRAMA PROPRIO RJ TER”. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que dava provimento parcial somente para afastar a tributação do levantamento “PTR PLR PROGRAMA PROPRIO RJ TER”. Os conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Carolina Wanderley Landim, também excluíam da tributação todas as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados e os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira também excluíam da tributação parcela paga a título de gratificação espontânea de admissão." Fl. 419DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Conclusão Voto por conhecer e acolher embargos inominados, para rerratificar o acórdão embargado nos termos acima apresentados. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10580.001146/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1996
PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91.
Aplica-se o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita.
PASEP. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. DECRETO Nº 71.618/72.
A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência do pedido de restituição, ressalvando o direito de a Autoridade Administrativa apurar o valor do direito creditório mediante a aplicação da semestralidade.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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SÚMULA CARF Nº 91. Aplicase o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita. PASEP. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. DECRETO Nº 71.618/72. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência do pedido de restituição, ressalvando o direito de a Autoridade Administrativa apurar o valor do direito creditório mediante a aplicação da semestralidade. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 11 46 /2 00 5- 65 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001146/200565 Acórdão n.º 3302003.021 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de pedido eletrônico de restituição de PIS/Pasep transmitido em 08/10/2003, decorrente da declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445/88 e 2.449/88, suspensos pela Resolução do Senado nº 49/1995, relativo a pagamentos efetuados de 1992 a 1996, atualizados até 30/09/2002, propugnando pela aplicação da semestralidade, sem correção monetária da base de cálculo, no valor de R$ 9.359.794,33. O despacho decisório indeferiu o pedido por decadência do direito de pedir a restituição referente a períodos até 1996. Em manifestação de inconformidade, alegou que o prazo a ser aplicado seria de dez anos a partir da publicação da Resolução nº 49/1995. A DRJ julgou a lide, decidindo pela inaplicabilidade da semestralidade e pelo prazo decadencial de cinco anos, previsto no artigo 168, inciso I do CTN. A recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações da manifestação de inconformidade. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência nos seguintes termos: "À vista do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência para que a delegacia de origem, onde a autoridade lançadora deverá incluir as informações pertinentes às questões abaixo formuladas, e outras que julgar necessárias à boa apreciação da preliminar e do mérito do presente recurso: 1 se a contribuinte solicitou parcelamento correspondente aos períodosbase compreendidos entre 1992 e 1996, a quais fatos geradores se referiram, quais foram as bases de cálculo declaradas e quais os valores envolvidos, assim como as parcelas relativas à atualização monetária e multa moratória porventura consignada, e se foram efetivamente recolhidos conforme alega a recorrente; e 2 informação sobre se o parcelamento fora feito considerando as bases de cálculo, alíquotas, atualização monetária e multa moratória constantes dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 ou se pertinentes à Lei Complementar n 2 8/70 e ao Decreto n 2 71.618/72." Fl. 171DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001146/200565 Acórdão n.º 3302003.021 S3C3T2 Fl. 4 3 Foram anexados a este processo as peças do processo 10580.002854/2003 51, contendo cumprimento da diligência, tendo a autoridade fiscal informado os seguintes parcelamentos cadastrados: 10580.012163/9215, (débitos parcelados relativos a fatos geradores de 01/1990 a 09/1992), 10580.000824/9610 (débitos parcelados de 04/1994 a 11/1995), 10580.009598/9391 (débitos parcelados de 06/1993 a 10/1993 e transferido para o processo 10580.007020/9308), 10580.004015/9434 (débitos parcelados de 01/1994 a 04/1994 e transferidos para o processo 10580.007020/9308), 10580.007020/9308 (débitos parcelados de 10/1992 a 12/1992) , 10580.007019/9311 (débitos parcelados de 01/1993 a 05/1993). Relativamente ao parcelamento 10580.000824/9610 consta informação de envio à PFN para inscrição, com data de início em 02/06/2004. Os demais constam como encerrado com percentual de amortização de 100%. Concernente às bases de cálculo, a autoridade fiscal informou que não dispunha de informações para responder, intimando a recorrente a esclarecer o regime jurídico dos débitos parcelados, tendo esta respondido que foram os débitos parcelados foram calculados com base nos Decretoslei nº 2445/88 e 2449/88. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Duas são as questões postas em julgamento: o prazo decadencial para efetuar o pedido de restituição e a aplicação da semestralidade ao Pasep aos recolhimentos efetuados de acordo com a LC nº 08/1970 e o Decreto nº 71.618/72. Concernente ao prazo para efetuar o pedido de repetição de indébito, a matéria está pacificada pelo julgamento do RE 566.621, com repercussão geral reconhecida nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. O julgamento consolidou a tese dos "cinco mais cinco" contados do fato gerador, pela aplicação combinada dos artigos 150, §4º, 156, inciso VII e 168, inciso I do CTN, afastando a natureza interpretativa da Lei Complementar nº 118/2005 e aplicando o prazo de cinco anos estabelecido no artigo 168 do CTN, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, às ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, conforme ementa abaixo transcrita: 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001146/200565 Acórdão n.º 3302003.021 S3C3T2 Fl. 5 4 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Decisão Após os votos da Senhora Ministra Ellen Gracie (Relatora) e dos Senhores Ministros Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Celso de Mello e Cezar Peluso (Presidente), conhecendo e negando provimento ao recurso, e os votos dos Senhores Ministros Marco Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001146/200565 Acórdão n.º 3302003.021 S3C3T2 Fl. 6 5 Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, dando lhe provimento, foi o julgamento suspenso para colher o voto do Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Falaram, pela recorrente, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque e, pelo recorrido, Ruy Cesar Abella Ferreira, o Dr. Marco André Dunley Gomes. Plenário, 05.05.2010. Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Cezar Peluso. Plenário, 04.08.2011. A decisão proferida foi reconhecida no REsp 1.269.570/MG, superando o julgado no REsp 1.002.932/SP, conformandose à jurisprudência do STF, nos termos da seguinte ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo Fl. 174DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001146/200565 Acórdão n.º 3302003.021 S3C3T2 Fl. 7 6 julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. De outro lado, a Fazenda Nacional reconheceu a aplicação dos julgados aos pleitos administrativos, mediante o Parecer PGFN/CRJ/Nº 1247/2014 (confirmado na Nota PGFN/CRJ/Nº 1217/2014), cuja conclusão em seu item 122 recomendou a adoção de orientação mais flexível, privilegiando a razão de decidir do RE 566.621, estendendo a sistemática da tese dos "cinco mais cinco" aos pleitos administrativos formulados anteriormente à vigência da LC nº 118/2005, ou seja, anteriores a 09/06/2005. Por fim, foi editada a Súmula CARF nº 91, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, a teor do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador Assim, aos pleitos administrativos protocolados antes de 09/06/2005, devese aplicar o prazo de restituição de indébito de cinco anos previsto no artigo 168 do CTN a partir da homologação tácita do pagamento antecipado de que trata o artigo 150 do CTN, a qual ocorre cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, ressalvada a hipótese da data da homologação expressa como termo inicial para contagem do prazo de cinco anos de que trata o artigo 168. Este processo trata de pedido de restituição protocolado em 08/10/2003, relativo a Pasep recolhido até 1996. Assim, devese afastar a decadência declarada em 2 12. Não se está, aqui, a afastar a plausibilidade da orientação plasmada no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1528/2012, perfeitamente adequada ao cenário em que proferida, afinal a Administração Tributária, independentemente da LC nº 118/05, defendia a tese prevista em seu art. 3º, o que, à época, justificou uma interpretação mais restritiva do decidido no RE 566.621/RS. Todavia, os já mencionados precedentes posteriores, bem como o atual contexto, recomendam a adoção de orientação mais flexível, entendendo, sob a ótica da ratio decidendi do julgado em repercussão geral (Tema nº 04), que, em se tratando de pleito administrativo anterior à vigência da LC nº 118/2005 ou de demanda judicial que, embora posterior, seja a este (anterior) relativa (art. 169 do CTN), deve ser observada a sistemática da “tese dos cinco mais cinco”. 13. São essas as considerações que esta CRJ reputa úteis ao deslinde das questões jurídicas trazidas à sua apreciação, sugerindo, em caso de aprovação, (i) a revogação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1528/2012, (ii) ampla divulgação do presente Parecer às unidades da PGFN e da RFB, a fim de conferir tratamento uniforme à matéria, (iii) o encaminhamento de cópia deste Parecer à CASTF, para possível desistência dos agravos regimentais pendentes, mencionados na Nota PGFN/CASTF/Nº 683/2014, por incidência do disposto no art. 1º, V, da Portaria PGFN Nº 294/2010 e (iv) a adequação, à orientação aqui contida, do tópico correspondente ao RE 566.621/RS na Lista do art. 1º, V e § 1º, da Portaria PGFN Nº 294/2010. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001146/200565 Acórdão n.º 3302003.021 S3C3T2 Fl. 8 7 despacho decisório, relativa aos recolhimentos efetuados de novembro/1993 a 1996, que se refiram a fatos geradores posteriores a 08/10/1993, ou seja, fato gerador de outubro/1993, inclusive, em diante. Relativamente à semestralidade, após a declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445/88 e nº 2.449/88 pelo Supremo Tribunal Federal e a suspensão da execução dos referidos decretos pela Resolução nº 49/1995 do Senado Federal, as contribuições para o PIS e para o Pasep voltaram a ser reguladas pelas Leis Complementares nº 07/70 e nº 08/70, respectivamente, até a edição da MP nº 1.212/95. Para o PIS, a questão restou pacificada no REsp nº 1.127.713/SP3 e com a edição da Súmula CARF nº 15, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. De fato, a Lei nº 07/70 assim dispunha em seu artigo 6º: Art. 6.º A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à contribuição referida na alínea b do art. 3º será processada mensalmente a partir de 1º de julho de 1971. Parágrafo único A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente. Por sua vez, o Decreto nº 71.618/72, regulamentando a Lei Complementar nº 8/70, assim dispôs: Art. 13. A contribuição dos Estados e Municípios, bem como das respectivas entidades de administração indireta e fundações supervisionadas, para o PASEP, será devida a partir de 1 de julho de 1971 (Artigo 2º, item II, da Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970), qualquer que seja a data de expedição na norma legislativa, referida no artigo 8º da mencionada Lei Complementar. Art. 14. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no 6º (sexto) mês imediatamente anterior. Art. 15. As contribuições devidas ao PASEP serão recolhidas até o último dia do mês em que forem devidas. Portanto, é de se reconhecer que as razões que levaram à edição da Súmula CARF nº 15 devem ser aplicadas ao Pasep, no sentido de que o cálculo da contribuição deve 3 TRIBUTÁRIO. PIS. SEMESTRALIDADE. ART. 6º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LC 7/70. NORMA QUE SE REFERE À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. 1. O art. 6º, parágrafo único, da Lei Complementar 7/70 não se refere ao prazo para recolhimento do PIS, mas à base de cálculo do tributo, que, sob o regime da mencionada norma, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001146/200565 Acórdão n.º 3302003.021 S3C3T2 Fl. 9 8 ser efetuado considerando a aplicação da semestralidade, ou seja, a base de cálculo deve ser as receitas e transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao fato gerador, sem correção monetária, até a edição da MP nº 1.212/95. Neste sentido, citamse acórdãos do Antigo Conselho de Contribuintes e deste Conselho: Acórdão nº 20179.086: BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. ALÍQUOTA. Com a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, a base de cálculo da contribuição para o Pasep, eleita pela Lei Complementar 112 8/70 e pelo Decreto n2 71.618/72, permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP n9 1.212/95. O mesmo ocorreu com a alíquota. Acórdão nº 3201001.473: SEMESTRALIDADE PASEP. O art. 14 do Decreto nº 71.618/72 trata de base de cálculo e não de prazo de recolhimento da contribuição para o PASEP, que está disciplinado no artigo seguinte. Frisese, ainda, que a recorrente mencionou na resposta ao termo de intimação que as seguintes declarações de compensação utilizaram créditos demonstrados nos pedidos de restituição anteriormente mencionados: 10580.004601/200312, 10580.002855/200304, 10580.001864/200370, 10580.000445/200311, 10580.001227/2003 01, 10580.013402/200214, 10580.012202/200244 e 10580.011634/200238. Assim, a apuração de crédito a restituir deve ser efetuada, considerando os créditos porventura já utilizados nas referidas declarações de compensação, a afim se evitar a duplicidade de utilização do mesmo direito creditório. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a decadência do pedido de restituição de pagamentos efetuados entre novembro/1993 e 1996, vinculados a fatos geradores da contribuição de outubro/1993 em diante, ressalvado o direito de a autoridade administrativa apurar a liquidez e certeza do direito creditório, mediante a aplicação da semestralidade prevista no Decreto 71.618/72 até a edição da MP nº 1.212/95. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.001146/200565 Acórdão n.º 3302003.021 S3C3T2 Fl. 10 9 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13888.720560/2012-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2011
PROCESSO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES TRANSITADO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DAS QUESTÕES ALI TRATADAS.
Tendo o processo de exclusão do Simples transitado em julgado, por falta de manifestação do sujeito passivo no prazo legal acerca do que ficou decidido em primeira instância, descabe à empresa tentar abrir, no processo de exigência das contribuições devidas, a discussão acerca das questões que motivaram a sua exclusão do regime simplificado.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA.
O principal efeito da exclusão do Simples é que, a partir da sua produção de efeitos, a empresa excluída do regime torna-se obrigada ao recolhimento das contribuições sociais dentro da sistemática aplicada às empresas em geral.
GUIAS DE RECOLHIMENTO. SISTEMÁTICA DO SIMPLES. EXCLUSÃO. APROPRIAÇÃO.
As guias recolhidas na sistemática do Simples devem ser apropriadas em apuração decorrente da exclusão do sujeito passivo do referido regime tributário, considerando-se para tal a proporção do tributo lançado no montante recolhido em guia única.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário de modo que sejam apropriadas as guias recolhidas na sistemática do Simples.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2011 PROCESSO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES TRANSITADO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DAS QUESTÕES ALI TRATADAS. Tendo o processo de exclusão do Simples transitado em julgado, por falta de manifestação do sujeito passivo no prazo legal acerca do que ficou decidido em primeira instância, descabe à empresa tentar abrir, no processo de exigência das contribuições devidas, a discussão acerca das questões que motivaram a sua exclusão do regime simplificado. EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. O principal efeito da exclusão do Simples é que, a partir da sua produção de efeitos, a empresa excluída do regime torna-se obrigada ao recolhimento das contribuições sociais dentro da sistemática aplicada às empresas em geral. GUIAS DE RECOLHIMENTO. SISTEMÁTICA DO SIMPLES. EXCLUSÃO. APROPRIAÇÃO. As guias recolhidas na sistemática do Simples devem ser apropriadas em apuração decorrente da exclusão do sujeito passivo do referido regime tributário, considerando-se para tal a proporção do tributo lançado no montante recolhido em guia única. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DAS QUESTÕES ALI TRATADAS. Tendo o processo de exclusão do Simples transitado em julgado, por falta de manifestação do sujeito passivo no prazo legal acerca do que ficou decidido em primeira instância, descabe à empresa tentar abrir, no processo de exigência das contribuições devidas, a discussão acerca das questões que motivaram a sua exclusão do regime simplificado. EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. O principal efeito da exclusão do Simples é que, a partir da sua produção de efeitos, a empresa excluída do regime tornase obrigada ao recolhimento das contribuições sociais dentro da sistemática aplicada às empresas em geral. GUIAS DE RECOLHIMENTO. SISTEMÁTICA DO SIMPLES. EXCLUSÃO. APROPRIAÇÃO. As guias recolhidas na sistemática do Simples devem ser apropriadas em apuração decorrente da exclusão do sujeito passivo do referido regime tributário, considerandose para tal a proporção do tributo lançado no montante recolhido em guia única. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 05 60 /2 01 2- 30 Fl. 916DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário de modo que sejam apropriadas as guias recolhidas na sistemática do Simples. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13888.720560/201230 Acórdão n.º 2402004.840 S2C4T2 Fl. 917 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 14 40.854 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração – AI: a) AI n.º 51.009.5828: exigência das contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT; b) AI n.º 51.009.5836: exigência das contribuições para outras entidades ou fundos (terceiros). Nos termos do Relato Fiscal, os fatos geradores contemplados no lançamento foram as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, obtidas mediante análise das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e das folhas de pagamento. Informase ainda que a empresa foi excluída do regime tributário do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2009. Segundo o fisco, o Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples foi questionado pelo sujeito passivo e o órgão de julgamento negou provimento à manifestação de inconformidade, mantendo o ato de exclusão. Contra essa decisão a empresa não teria recorrido no prazo legal, além de haver requerido nova opção ao Simples, a partir do exercício de 2012. Para complementar, a autoridade lançadora informa que durante o período do lançamento a empresa se declarou como optante do Simples e efetuou o recolhimento das contribuições descontadas dos segurados. Cientificada da presente lavratura em 20/03/2012, o sujeito passivo apresentou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que manteve os lançamentos na íntegra. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, onde, em apertada síntese, alegou que: a) ao contrário do que entendeu a DRJ, a questão referente a sua exclusão do regime simplificado de pagamento de tributos deve ser analisada no presente processo; b) a razão para perda da opção pelo Simples Nacional foi a existência de débitos perante a União, todavia, os débitos apontados no Ato Declaratório de Exclusão estão com exigibilidade suspensa em face de depósito do seu montante integral; c) é tão evidente a suspensão da exigibilidade dos referidos débitos que a empresa obteve em sede de agravo de instrumento em mandado de segurança a imediata suspensão dos efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/PCA n.º 168660; Fl. 918DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 d) passa a discorrer sobre cada um dos débitos que supostamente lhes restringiria o direito de permanecer no Simples, procurando demonstrar que todos estão com exigibilidade suspensa em razão dos depósitos efetuados; e) cita jurisprudência da DRJ São Paulo em que se reconhece o direito de opção pelo regime simplificado em caso semelhante ao presente processo; f) mesmo durante o período em que os débitos eram exigíveis, a empresa continuou requerendo o seu enquadramento no Simples Nacional, sem nunca ter sido denegado qualquer requerimento nesse sentido; g) é ilegal o Ato Declaratório responsável pela sua exclusão do Simples, sendo, portanto, ilegítimas as contribuições lançadas; h) a quantificação do AI foi equivocada, haja vista que o fisco deixou de abater as quantias que o sujeito passivo recolheu na sistemática do Simples, todavia, o CARF já sedimentou o entendimento de que esses recolhimentos devem ser considerados na apuração, consoante o que consta da Súmula n.º 76. Ao final, requer que sejam cancelados as lavraturas ou que o desenquadramento do Simples seja considerado apenas para o ano de 2009, posto que a partir de então todos os seus débitos com a União estavam regularmente garantidos. Pede ainda a apropriação dos valores pagos na sistemática do Simples. É relatório. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13888.720560/201230 Acórdão n.º 2402004.840 S2C4T2 Fl. 918 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que atende aos requisitos de tempestividade e legitimidade. Do ato de exclusão do Simples Conforme se depreende dos autos, o sujeito passivo foi excluído do Simples Federal, com efeitos retroativos a 01/01/2009, conforme Ato Declaratório Executivo ADE DRF/PCA n.º 168660/2008. Cumpre esclarecer que o ADE foi emitido em 22/08/2008, devido ao fato de ter sido constatada a existência de seis inscrições em dívida ativa, decorrentes de autuações impostas pela SubDelegacia do Trabalho em Piracicaba, cuja exigibilidade não estaria suspensa na ocasião. A manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra esse ato foi julgada improcedente pela DRJ Ribeirão Preto, que manteve a exclusão com efeitos a 01/01/2009. Dessa decisão o sujeito passivo teve ciência em 18/01/2011 (fl. 163 do processo n.º 13888.005495/200832). Todavia, somente em 18/09/2011, conforme fl. 179 daquele processo, o sujeito passivo veio se insurgir contra a decisão da DRJ, argumentando que as pendências apontadas no ADE estavam devidamente regularizadas, por meio de depósito judicial. Esse manifestação deixou de ser acatada em razão da preclusão temporal que fulminou o direito da empresa de se contrapor a decisão de primeira instância. Novamente agora em sede de recurso contra decisão que manteve os débitos lavrados em razão da exclusão do regime simplificado, a empresa deseja reabrir a discussão acerca da improcedência do ADE. Entendo que não lhe cabe razão. As informações acima relatadas não deixam dúvida de que o contribuinte somente veio se contrapor à decisão da DRJ que manteve o Ato Declaratório Executivo DRF/PCA n.º 168660/2008 quando o processo já se encontrava arquivado em razão do seu trânsito em julgado administrativo. Assim, tendo o sujeito passivo perdido, em razão do decurso do prazo legal, a faculdade de recorrer da decisão de primeira instância, descabe agora a esse colegiado discutir as razões que levaram a empresa a ter o seu direito de permanecer no regime simplificado de arrecadação de tributos cassado. Diante disso, é legítimo que a autoridade lançadora tenha apresentado como motivo para exigência das contribuições patronais a exclusão da empresa do Simples, haja vista Fl. 920DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 que, a partir da produção de efeitos do Ato Declaratório da RFB até a sua reinclusão no Simples ocorrida em 2012, a recorrente passou a ser devedora dos tributos lançados. É que a discussão acerca da procedência do Ato Declaratório Executivo DRF/PCA n.º 168660/2008 se esgotou com o trânsito em julgado do processo, no qual a empresa poderia se contrapor às conclusões do órgão julgador de primeira instância, portanto, deve prevalecer o lançamento, uma vez que o principal efeito da exclusão é tornar exigíveis as contribuições patronais. Quanto às argumentações da empresa lançadas para atacar as causas que motivaram a sua exclusão do Simples, entendo que essa Turma de Julgamento sequer detém competência para apreciar questões relativas à exclusão de empresas do Simples, cabendonos apenas apreciar as lides que envolvem lançamentos de contribuições sociais decorrentes da perda da opção pelo regime simplificado. Observese por derradeiro que não há qualquer decisão judicial cassando os efeitos do ADE em questão. Assim, quanto a essa parte do mérito não assiste razão à recorrente. Apropriação das guias O pedido para apropriação de recolhimentos efetuados na sistemática do Simples deve ser acatado, posto que esses pagamentos substituem as contribuições lançadas. Esse entendimento já se encontra pacificado no CARF, tendo sido inclusive objeto de súmula: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Assim, sobre o montante pago de forma unificada nas guias do Simples, deve ser destacado o valor correspondente às contribuições previdenciárias para abatimento das contribuições apuradas. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso de modo que sejam apropriadas as guias recolhidas na sistemática do Simples, no montante correspondente às contribuições previdenciárias quitadas na guia unificada. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10215.720286/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. TRIBUTAÇÃO.
A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-á, a partir do período em que ocorrerem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA CONHECIDA.
A receita conhecida é não apenas a declarada pelo contribuinte, mas também aquela apurada pelo fisco a partir de informações coletadas durante a ação fiscal junto a terceiros.
APURAÇÃO DA RECEITA. USO DE PRESUNÇÕES.
Na apuração da receita omitida, o uso de presunções simples deve ser respaldado em um conjunto de indícios coerentes e convincentes da efetiva ocorrência das operações bem como do seu respectivo valor.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
Nos casos em que restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, deve ser aplicada a multa de ofício de 150%.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS EM INTIMAÇÃO FISCAL.
O agravamento da penalidade em 50%, previsto no inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser aplicado apenas nos casos em que o contribuinte deixa de atender à intimação do Fisco para prestar esclarecimentos, não se aplicando ao caso em que o contribuinte apenas deixa de entregar documentos acerca dos quais foi intimado a apresentar.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Também é passível de responsabilização pelo crédito tributário aquele com relação ao qual foi demonstrado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Afasta-se a imputação de responsabilidade à pessoa cuja participação nos atos ilícitos não restou comprovada, e com relação à qual não foi demonstrado o auferimento de vantagem outra que não apenas o rendimento (comissão) decorrente da sua atuação como intermediário nas operações.
Numero da decisão: 1201-001.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO E EXCLUSÃO DO REGIME. Recorrentes E FRANCELINO VIANA ME FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA. PENDÊNCIA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO OU DE CONCLUSÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. POSSIBILIDADE. A partir do momento em que constatada ocorrência de uma das situações previstas em lei como excludentes do Simples, cabe à Administração Pública efetuar a exclusão de ofício, mediante Ato Declaratório. A exclusão decorrente da constatação de receita auferida em excesso ao limite para a permanência no Simples independe do prévio lançamento de ofício constitutivo do crédito tributário decorrente daquela receita, mas a exclusão somente se torna definitiva com a decisão administrativa irrecorrível que confirme o auferimento de receita em excesso ao limite. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENDÊNCIA DE DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. POSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade ao ato de exclusão instaura o contraditório com relação à exclusão de ofício do regime simplificado. A possibilidade de discussão administrativa de Ato Declaratório Executivo que exclui a empresa de regime de tributação simplificada não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. INÍCIO DE ATIVIDADES. RECEITA BRUTA EM EXCESSO AO LIMITE. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. Ultrapassado o limite legal de receita bruta, para permanência no Simples, no próprio anocalendário em que a pessoa jurídica iniciou sua atividade, impõe se a sua exclusão deste sistema de tributação incentivada, com efeitos a partir do início de atividade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 02 86 /2 00 8- 47 Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 3 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. TRIBUTAÇÃO. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que ocorrerem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeitase ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. A receita conhecida é não apenas a declarada pelo contribuinte, mas também aquela apurada pelo fisco a partir de informações coletadas durante a ação fiscal junto a terceiros. APURAÇÃO DA RECEITA. USO DE PRESUNÇÕES. Na apuração da receita omitida, o uso de presunções simples deve ser respaldado em um conjunto de indícios coerentes e convincentes da efetiva ocorrência das operações bem como do seu respectivo valor. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Nos casos em que restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, deve ser aplicada a multa de ofício de 150%. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS EM INTIMAÇÃO FISCAL. O agravamento da penalidade em 50%, previsto no inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser aplicado apenas nos casos em que o contribuinte deixa de atender à intimação do Fisco para prestar esclarecimentos, não se aplicando ao caso em que o contribuinte apenas deixa de entregar documentos acerca dos quais foi intimado a apresentar. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Também é passível de responsabilização pelo crédito tributário aquele com relação ao qual foi demonstrado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Afastase a imputação de responsabilidade à pessoa cuja participação nos atos ilícitos não restou comprovada, e com relação à qual não foi demonstrado o auferimento de vantagem outra que não apenas o rendimento (comissão) decorrente da sua atuação como intermediário nas operações. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 4 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos por E FRANCELINO VIANA ME e pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Belém contra acórdão de sua própria lavra, por meio do qual foi dado parcial provimento à impugnação apresentada. O acórdão recorrido, de no 0124.746, possui a seguinte ementa: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2004, 2005 EMENTA ARBITRAMENTO Havemos de buscar na lei os parâmetros para a aferição do tributo a ser cobrado no caso de arbitramento” De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 9831004, o lançamento de ofício encontrase amparado em arbitramento dos lucros relativos aos anos de 2004 e 2005, efetuado a partir da receita bruta conhecida, apurada no curso do procedimento fiscal. Devese registrar que, em virtude de o contribuinte ter excedido os limites da receita bruta para permanecer na sistemática do Simples, a fiscalização elaborou representação para exclusão da empresa deste regime, tendo o Delegado da Receita Federal do Brasil em Santarém/PA expedido o Ato Declaratório Executivo n° 12, de 07 de novembro de 2008, determinando a sua exclusão com efeitos retroativos a partir de 15/01/2004, data de início de suas atividades, conforme consta no processo n° 10215.720261/200843, apenso ao presente. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 5 4 Ato contínuo, a fiscalização intimou o contribuinte a apresentar os seus livros Diário, Razão e LALUR, referentes a 2004 e 2005. A falta de sua apresentação motivou o arbitramento dos lucros da empresa. As infrações imputadas à recorrente foram três, conforme a segregação feita quanto à forma pela qual foram apuradas as suas receitas, a saber (obs.: numeração dos itens a seguir conforme identificados no Termo de Verificação Fiscal): 1.1. Receita declarada em DIPJ; 1.2. Receita apurada com base nas 251 Notas Fiscais obtidas com terceiros; 1.3. Receita Arbitrada. Com relação às receitas declaradas, tratase, no caso, dos valores de receita informados em novas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentadas, sob a modalidade do lucro arbitrado, quando, segundo o fisco, já se encontrava o contribuinte sob ação fiscal, sendo de se registrar que, originalmente e na época própria, o contribuinte apresentara Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica, com apuração pelo regime do Simples, para os mesmos anos em questão. Com relação ao item ‘1.2’ acima, tratase das receitas apuradas com base nas informações coletadas pela fiscalização junto a terceiros, que foram intimados no curso do procedimento fiscal, tendo eles apresentado cópias de notas fiscais emitidas pela recorrente e de comprovantes de pagamento pelas compras efetuadas, sendo 201 notas relativas a 2004 e 50 notas relativas a 2005. E, com relação à receita arbitrada, tratase da receita apurada pelo fisco a partir da consideração de um valor médio das notas fiscais às quais a fiscalização obteve acesso, projetado sobre a quantidade de notas fiscais consideradas emitidas em 2004 e 2005 às quais a fiscalização não obteve acesso (outras 778 notas fiscais, sendo 452 em 2004, e 326 em 2005). Os critérios utilizados pela fiscalização para considerar ser esta a quantidade de notas fiscais emitidas em cada ano, e para apurar o valor médio das notas fiscais, encontrase descrito em minúcias no Termo de Verificação Fiscal, que, neste mister, invoca o art. 148 do CTN como norma autorizadora do procedimento levado a efeito. Por considerar presente o intuito doloso de fraudar a administração tributária, foi imputada à infração relativa às notas fiscais obtidas junto a terceiros (que corresponde, nos autos de infração lavrados, à infração 001), a multa qualificada, e agravada ainda por ter o contribuinte deixado de atender às intimações fiscais, sem ter apresentado motivo que justificasse o seu não atendimento (ou seja, multa de 225%). Com relação às outras duas infrações, conquanto tenha a fiscalização registrado no Termo de Verificação Fiscal que as estaria submetendo à aplicação da multa agravada (de 112,5%), em virtude da falta injustificada de atendimento às intimações fiscais, o fato é que, nos autos de infração lavrados, a multa que restou afinal aplicada foi tão somente a de 75%. Em virtude dos fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal, foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária contra os Srs. ERIVALDO FRANCELINO VIANA e CHESTER GOMES PEDRO. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 6 5 Devidamente cientificados o contribuinte e os sujeitos passivos nomeados responsáveis tributários, apresentaram impugnação o contribuinte e o Sr. Chester Gomes Pedro. O Sr. Chester contesta a sua imputação como responsável tributário, esclarecendo que apenas vendeu madeira bruta à empresa fiscalizada, e que esta não lhe pagou, alegando que estava aguardando o pagamento das empresas citadas no termo de verificação, sendo que então propôs à fiscalizada que ele, Chester, recebesse os valores diretamente dos clientes da fiscalizada. Deste modo, resta descaracterizada a alegação fiscal de que haveria entre ele e a fiscalizada uma ligação muito estreita, em razão daqueles pagamentos. Esclarece ainda que os valores que recebeu foram declarados em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física e que já responde a processo por esse motivo, e que, inclusive, foi representado pelo crime contra a ordem tributaria, ocasionando litispendência, pelo que não poderia responder novamente a processo criminal pelo mesmo fato e valor. Aduz sua ilegitimidade passiva, uma vez que não exerceu qualquer atividade pessoal junto à empresa fiscalizada, e que não possui interesse comum em sua administração e resultado. Contesta ainda todas as multas aplicadas, em especial a qualificada, por falta de prova do evidente intuito de fraude, uma vez que apenas agiu com interesse de receber o que lhe era devido. Diante do exposto, requer: (i) que seja requisitado o processo administrativo a que responde o impugnante, para comprovar que responde pelos mesmos valores e por crime tributário, não podendo responder duas vezes pelos mesmos fatos; (ii) que seja o impugnante excluído da sujeição passiva, por não possui poder de mando junto à empresa fiscalizada; e (iii) que seja provida a impugnação, para declarar a improcedência e a desconstituição da sujeição passiva atribuída ao impugnante. O contribuinte, por sua vez, ao impugnar o feito, aduziu, em síntese, o seguinte: Segundo o auditor fiscal, várias intimações foram enviadas, porém as encaminhadas ao escritório do procurador foram todas respondidas. Segundo o auditor fiscal, o termo de inicio de fiscalização foi enviado pelo correio e devolvido, portanto, não é verdade que a fiscalização tenha iniciado no dia 24/07/2008, já que a impugnante, em face da devolução, não tomou conhecimento. Na verdade, após tomar conhecimento, pelo contribuinte Chester Gomes Pedro, de que o auditor fiscal estava requerendo informação da impugnante, de imediato, contratou um profissional para saber o que estava acontecendo. No dia 25/08/2008, por intermédio de seu procurador, apresentou pedido de informação direcionado ao Delegado da repartição, e em caráter de urgência, contendo três itens, como consta no termo de verificação fiscal declarado pelo auditor fiscal, para saber a situação fiscal da impugnante junto ao órgão. Até a presente da data, não recebeu resposta. O auditor fiscal, para justificar a omissão do Delegado, respondeu às perguntas da impugnante com vícios, uma vez que o pedido de informação foi direcionado ao Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 7 6 Delegado Fiscal e não ao auditor fiscal. Além disto, as respostas foram dadas em um termo de intimação, quando deveriam ter sido por meio de comunicação especifica. O auditor fiscal sem legitimidade afirmou no termo de verificação fiscal, que as Declarações não surtiram efeitos, mas ele não é autoridade competente para decidir. Nesse sentido, o procedimento “está vicioso e merece prosperar as Declarações de Imposto de Renda, pois a opção foi por arbitramento, mesmo antes ou depois de ter iniciado a ação fiscal, não poderia a impugnante apresentar depois de formalizado o auto de infração.” Embora a impugnante tenha apresentado suas Declarações pelo lucro arbitrado, não poderia ser retificadora, uma vez que essa opção é a extrema. A impugnante e seu titular não receberam os termos de intimação e inicio de fiscalização. Quando os termos passaram a ser enviados ao procurador da impugnante, o auditor fiscal recebeu todas as respostas, isso já demonstra a boa fé da impugnante, que não possui motivo para se esconder, tanto é que apresentou suas Declarações de Imposto de Renda. A impugnante apresentou as Declarações pelo Lucro Arbitrado, que substitui qualquer outra opção, e mesmo assim, o auditor fiscal "insiste em retificadora". Se existe a impugnação contestando a exclusão do Simples com efeitos retroativos em procedimento autônomo, não pode o auditor fiscal incluir no auto de infração os valores antes do julgamento, deve ele esperar o resultado da última instância. A exclusão com efeito retroativo fere o direito adquirido. Se a autoridade administrativa permitiu que a empresa operasse todo o ano de 2004 no Simples, está configurada uma situação de fato, que não importa em ilícito. Além disto, desestrutura a contabilidade da impugnante e abocanha parte do seu patrimônio, caracterizando confisco. Não obstante o protesto pela punição ao capital produtivo, a impetrante rendese, tal qual no recurso administrativo interposto, parcialmente ao ato declaratório de exclusão. A impetrante aceita ser excluída, uma vez que continuou a operar no SIMPLES por desconhecimento da hipótese de exclusão prevista no art. 15, II, da Lei de incentivo. A irresignação persiste apenas no tocante ao efeito retroativo da exclusão. O auditor fiscal não demonstrou com prova cabal o vinculo do senhor Chester Gomes Pedro com a impugnante. A Impugnante comprou madeira do senhor Chester e vendeu a terceiros e não pagou ao referido senhor. Ao ser procurado por ele, alegando que entraria na Justiça com ação de cobrança, a impugnante resolveu autorizar as empresas a pagar diretamente ao senhor Chester, essa é a verdade dos fatos. A impugnante só deixou de apresentar a documentação necessária por absoluta impossibilidade, devido ao fato de o contador não ter sido localizado na região, pois, segundo informações, estaria domiciliado em outro Estado. A impugnante não pode ser responsabilizada pelo erro do contador, que elaborou uma Declaração de Imposto de Renda zerada, e não foi intimado pelo auditor fiscal a respeito. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 8 7 Não pode o auditor presumir que todas as notas fiscais foram emitidas, deveria ele ter consultado a Secretaria da Fazenda do Estado do Pará, para saber se houve incineração de notas fiscais, se existem notas fiscais não emitidas, canceladas, ou devolvidas. Nenhuma providência foi tomada pelo auditor fiscal, que baseou suas conclusões em meras suposições. Não pode haver crime contra a ordem tributária devido à espontaneidade da impugnante quando apresentou Pedido de Informação no dia 25.08.2008, antes do procedimento de fiscalização, para saber sua situação, e até a presente data não recebeu resposta. A multa de 225% não pode prosperar, uma vez que a impugnante, ao apresentar o Pedido de Informação em 25.08.2008, demonstrou claramente que desejava agir de boa fé, e foi impedida pelo Delegado da Receita Federal, que não lhe respondeu. Além disso, o ônus de comprovar a existência de dolo no negócio considerado irregular é do fisco, e o auditor fiscal não provou que a impugnante possuía estoque para vender mercadoria no montante dos depósitos. E essa multa possui caráter confiscatório e fere o princípio da razoabilidade. O juízo de tipicidade da infração tributária não se resume na mera constatação de depósito bancário, é importante que o auditor fiscal investigue cada depósito antes de afirmar que é receita consumida. No presente caso, não existe a tipificação dolosa, e sim a mera ocorrência de declaração inexata. A impugnante não pode aceitar as multas de 75%, 150%, e 225%, pois não agiu com dolo. Não há possibilidade de incidência de duas multas, ou seja, uma de 150% e outra de 75%, pelo princípio da tipicidade cerrada e da interpretação mais favorável ao acusado. Como a fiscalização foi feita com base exclusivamente em depósitos bancários, e não por escrita imprestável, não pode ser aplicado o arbitramento do lucro. Ao fim, requer: (i) que sejam analisados os requerimentos protocolados em 25.08.2008 e 29.08.2008; (ii) que sejam analisadas as respostas acostadas nos autos; (iii) que seja requisitado o processo administrativo do senhor Chester Gomes Pedro, a fim de comprovar que os valores que estão sendo questionados no presente processo são objeto também do processo a que ele responde; (iv) que seja excluído o senhor Chester Gomes Pedro da sujeição passiva, por não possuir poder de mando junto à impugnante; (v) que seja excluído por litispendência o contribuinte Chester Gomes Pedro do crime contra a ordem tributaria e da sujeição passiva; e (vi) que seja conhecida e provida a impugnação, para declarar a improcedência do lançamento. A turma julgadora a quo afastou qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa, e observou que todas as fases processuais foram cumpridas, e que os autos de infração possuem todos os requisitos prescritos no art. 10 do Decreto 70.235/72. No mérito, considerou aplicável a tributação pelo lucro arbitrado, contudo, refutou o método utilizado pela fiscalização para arbitrar a receita não conhecida a partir da média dos valores encontrados para as vendas conhecidas, cancelando o lançamento nesta parte. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 9 8 Assinalou estar comprovado o intuito doloso do Sr. ERIVALDO FRANCELINO VIANA em fraudar o fisco, pelo que manteve a sua imputação como sujeito passivo solidário, bem como a multa qualificada aplicada. Contudo, afastou a exasperação da multa em 50%, por entender ter havido diligência por parte do sujeito passivo em atender às intimações fiscais. E, com relação ao Sr. CHESTER GOMES PEDRO, afastou a sua imputação como responsável tributário solidário, ao fundamento de que, no bojo do processo administrativo 10215.720198/200845, este contribuinte foi autuado com base em receita correspondente ao recebimento dos mesmos valores aqui analisados, os quais seriam oriundos de operações comerciais acobertadas por notas fiscais emitidas pela empresa do Sr. ERIVALDO FRANCELINO VIANA, tendo a autuação sido mantida pela mesma DRJ/Belém, e sendo que, naquela oportunidade, a fiscalização considerou como verdadeira a afirmativa do então fiscalizado (CHESTER GOMES PEDRO) de que os valores depositados em sua conta corrente corresponderiam a comissões auferidas na intermediação de venda de madeira, e autuou a receita de comissões omitida. Em face de o provimento parcial ter exonerado o sujeito passivo de valor superior ao limite de alçada, a DRJ recorre de ofício a este Colegiado. O aviso de recebimento endereçado ao contribuinte retornou sem recebimento atestado. Em despacho datado de 17.10.2012 (efls 1155), informou a autoridade preparadora que a intimação do resultado do julgamento fora reencaminhada ao responsável pela empresa no CNPJ, e que estaria aguardando o aviso de recebimento. Em 28.11.2012, conforme carimbo aposto pela DRF/Santarém no documento, foi recepcionado o recurso voluntário do contribuinte contra o acórdão no 01 24.746, no qual aduz, em síntese, o seguinte: O auditor fiscal não poderia ter arbitrado o lucro, uma vez que a base para o arbitramento foi DEPÓSITOS BANCÁRIOS e não a escrita fiscal e contábil, até porque a Recorrente está enquadrada no Simples Nacional, dispensada de escrituração contábil. O auditor fiscal presumiu que os valores foram receitas produzidas e consumidas. Deve ser reformada a parte mantida da decisão, visto que não existe obrigação tributária, uma vez que os valores depositados pertencem às empresas responsáveis pelos depósitos, já que a Recorrente comprava madeira na região e despachava, auferindo vantagem como intermediária em comissão. As empresas exigiam da Recorrente a emissão de Notas Fiscais como venda, já que não possuíam filiais na região e não tinham como adquirir diretamente as toras do produtor. As exceções derrogatórias à prevalência do postulado da inviolabilidade do sigilo bancário só podem emanar dos órgãos do Poder Judiciário. Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 10 9 Não é verdade a afirmação fiscal de que as empresas citadas teriam comprado os produtos da recorrente. Na verdade, elas depositaram os valores para a recorrente adquirir os produtos e despachar as notas fiscais deveriam ter sido emitidas como remessas, porém, houve erro na emissão, quando destacouse a natureza da operação como venda. A recorrente auferiu vantagem como intermediaria (rendimentos de comissão). Para comprovar, basta confrontar as datas das remessas (depósitos) com as emissões das Notas Fiscais, ou seja, as Notas Fiscais foram emitidas com datas posteriores aos depósitos, e não antes deles. A recorrente não possuía capital de giro para comprar, e sugeriu que as empresas efetuassem os depósitos para comprar os produtos e despachar para empresas abaixo identificadas responsáveis pelos depósitos. Descabe falar em crime contra a ordem tributária quando não resta comprovado o dolo específico da recorrente. A recorrente não possui patrimônio adquirido com os valores depositados. Se houve fraude, a responsabilidade não é da recorrente, e sim do contador que orientou que não deveria escriturar por não representar receita consumida. Se prevalecer o crime contra a ordem tributária, deve refletir nas empresas abaixo, as verdadeiras responsáveis pelos depósitos bancários e que não foram fiscalizadas (Vimex Vitoria Exportação de Madeira Ltda, Exportadora Peracchi Ltda, Pampa Exportações Ltda, ABM Exportação e Serviços Ltda, e Cikel Brasil Verde Madeiras Ltda). Ainda que a lei possa ser constitucional “in abstrato”, e que se acate a constitucionalidade material do art. 42 da Lei no 9.430/1996, pode haver inconstitucionalidade “in concreto”, quando o agente lançador insistir na interpretação literal da norma, aplicála de forma desproporcional ao caso concreto, ou ainda, dela se valer para simplesmente facilitar seu trabalho. Por todo o exposto, requer que seja julgado improcedente o auto de infração na parte mantida, e que seja desclassificado o crime contra a ordem tributária. Na sessão de 8 de agosto de 2013, tendo em vista que, apenso ao presente processo, encontrase o processo n° 10215.720261/200843, no qual se discute a exclusão da empresa do regime do Simples, e que, no referido processo, não havia sido dada ciência ao contribuinte do acórdão da DRJ lá proferido, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse feita a ciência, e que fosse oferecido ao contribuinte o prazo legal para a interposição do recurso voluntário contra aquela decisão. Cumprida a diligência, e oferecido o recurso voluntário no âmbito do citado processo, retornam os autos para julgamento. Observo que serão julgados, portanto, nesta mesma sessão de julgamento, tanto os recursos de ofício e voluntário contra o acórdão que manteve parcialmente a autuação fiscal, nos presentes autos, quanto o recurso voluntário contra a decisão que manteve a exclusão da empresa do regime do Simples, no âmbito do processo n° 10215.720261/200843. A respeito do processo de exclusão (processo n° 10215.720261/200843), fazse a seguir breve relatório: Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 11 10 De acordo com a Representação Fiscal – Exclusão do Simples, fls. 12 daqueles autos, o contribuinte ultrapassou o limite estabelecido pelo art 13, II, ‘b’, da Lei 9.317/96, para a permanência no Simples, no próprio ano de início de suas atividades, verbis: “1. No curso do procedimento fiscal instaurado contra o contribuinte acima identificado, foi constatado que o contribuinte, em 2004, ano de início da suas atividades (data da abertura 15/01/2004), obteve receitas no valar de R$ 3.502.413,97, referente a 201 notas fiscais que a fiscalização teve acesso, emitidas por ele naquele ano, as quais constam do processo da ação fiscal.” Com base na referida representação, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Santarém – PA expediu o Ato Declaratório Executivo n° 12, de 07 de novembro de 2008 (fls. 3 daqueles autos), por meio do qual o contribuinte foi excluído do Simples com efeitos a partir de 15/01/2004, conforme previsto no art. 15, inciso III, da Lei 9.317/96. Na manifestação de inconformidade, aduziu o contribuinte, em síntese, o seguinte: “A nova redação do art. 15, II, da Lei 9.317/96 contraria o disposto no art. 5o, incs. XXXVI e XL da Constituição. (...) Se a autoridade administrativa permitiu que a empresa operasse todo o ano de 2004 no SIMPLES está configurada uma situação de fato, que não importa em ilícito. (...) a exclusão, com efeito, retroativo (...) abocanha parte do patrimônio, ferindo mais uma garantia constitucional: a vedação ao confisco (...) (...) a exclusão ocorreu não porque a pequena empresa ascendeu economicamente, mas por vontade da autoridade fiscal, já que não identificou o motivo, não tem nem como presumir, vez que encontrase em fase de investigação, não podendo a autoridade aplicar o Ato Declaratório sem concluir a fiscalização. Agindo assim, a autoridade está cerceando o direito da ampla defesa, pois não foi concluída a fiscalização, impedido de apresentar seus documentos, haja vista que já foi punida antecipadamente. (...) Não obstante a Exclusão pode aceitar sua exclusão, porém a partir da data do Ato Declaratório. A irresignação da peticionaria persiste apenas no tocante ao efeito retroativo da exclusão. Reiterese que o ato de exclusão data de 07 de novembro de 2008. Portanto, só deveria surtir efeito a partir de dezembro de 2008, conforme a redação da Lei 9.732/98, ou, no mínimo, só deveria surtir efeito a partir da notificação a peticionária, ocorrida em novembro de 2008. (...) O não cancelamento do Ato Declaratório, suspendendo os efeitos retroativos do ato declaratório de exclusão sujeita a peticionária a sanções administrativas, inclusive com aplicação de auto de infração por arbitramento, prejudicando a peticionária, com as conseqüências advindas presunção de certeza e exigibilidade das diferenças entre os tributos no sistema normal e o SIMPLES no período ora excluído. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 12 11 (...) Face ao exposto, pede a peticionária requer de Vossa Senhoria: Receba o Pedido de Revisão, suspendendo os efeitos retroativos do Ato Declaratório n°. 12, que se abstenha de praticar sanções administrativas auto de infração, até decisão final, ou seja, em todas as instancias que tem direito a peticionária de recorrer.” A DRJ manteve a exclusão da empresa do Simples, pelos mesmos fundamentos constantes da citada representação fiscal, já sucintamente ao norte expostos, destacando não lhe caber negar vigência aos referidos dispositivos da lei do Simples (Lei 9.317/96) em face de alegada violação a diversos dispositivos constitucionais. O acórdão no 0124.780, da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Belém, por meio do qual foi julgada improcedente a impugnação apresentada, exibe a seguinte ementa: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2004 EMENTA EXCLUSÃO Ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia de preceito legal (retroatividade dos efeitos da exclusão).” Em sede de recurso, afirma o contribuinte que o presente processo “está vinculado ao Processo Principal no 10215.720.286/200847, suspenso no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em Brasília, com julgamento ocorrido em 08 de agosto de 2013, convertido em diligência.” Nesta conformidade, sustenta que o presente Recurso deve aguardar a decisão do processo principal. Alega que a exclusão do Simples com efeito retroativo apenas dará ao fisco o mérito de reduzir a recorrente a um estado absoluto de insolvência, e, ao final, conclui: “Renovamse, aqui, em todo o seu conteúdo, os argumentos da IMPUGNAÇÃO laborada em primeiro grau junto a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, Pará e desconsiderada pelos julgadores respectivo, com o pedido a esse EGRÉGIO CONSELHO para que conheça deste recurso para dar lhe provimento, decretando a total improcedência da Ação Fiscal, decidindo com superior acerto e maior sabedoria e, sobretudo, com JUSTIÇA.” É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 13 12 Na ausência de comprovação da data em que o contribuinte tomou ciência da decisão recorrida relativa a este processo, tomo o seu recurso por tempestivo. E, tendo o recurso sido interposto por representante da recorrente, devidamente constituído por meio de procuração outorgada, dele tomo conhecimento. O recurso de ofício também preenche os requisitos de admissibilidade, e deve ser conhecido. O recurso voluntário interposto no âmbito do processo de exclusão do Simples também é tempestivo, pois foi interposto em 08/01/2014, tendo a ciência do contribuinte, após as providências demandadas pelo CARF, se dado em 06/01/2014. Do julgamento em conjunto dos processos Tem razão o contribuinte quando afirma que os processos no 10215.720.286/200847 e no 10215.720261/200843 estão vinculados. Na verdade, ambos os feitos (exclusão do Simples, e o lançamento de ofício) poderiam ter sido formalizados em um único processo, conforme prevê a Portaria RFB no 666, de 24 de abril de 2008. Contudo, não o tendo sido feito, ao menos foram os processos apensados (Termo de Apensação às fls. 27), o que possibilita o seu julgamento em conjunto, conforme de fato aqui será feito, nesta sessão de julgamento, de sorte que o objetivo previsto na norma (Portaria RFB no 666/08) resta com isto alcançado. Aliás, justamente em face da interrelação entre os processos, é que, na sessão de 8 de agosto de 2013, o julgamento do recurso no processo do lançamento tributário (no 10215.720.286/200847) foi convertido em diligência. Isto se deu porque se constatou que não havia sido dada ciência ao contribuinte do acórdão da DRJ proferido no processo no 10215.720261/200843 (da exclusão do Simples), e, por conseguinte, tampouco havia sido apresentado recurso voluntário àquela decisão. Isto posto, todos os recursos (voluntários e de ofício) serão analisados conjuntamente a seguir, na análise dos respectivos pontos abaixo detalhados. Exclusão do Simples Do quanto exposto na impugnação e no recurso, vêse que a irresignação do contribuinte é, basicamente, contra o efeito retroativo do ato de exclusão, tanto que ela própria diz concordar com a exclusão, desde que esta surtisse efeitos apenas a partir de sua ciência do referido ato (novembro de 2008), ou então, no mês seguinte à ciência (dezembro de 2008). Reclama também a recorrente que a exclusão, antes de concluída a fiscalização na qual se viria a apurar o excesso de receita, configura uma punição antecipada, e um cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 14 13 Noutro giro, sustenta que o fisco deveria absterse de lavrar auto de infração enquanto não houvesse decisão final no presente processo. Ora, a conjugação das duas últimas alegações, se acaso procedentes fossem, levaria ao completo absurdo: o fisco não poderia excluir a empresa enquanto não concluísse o lançamento, e tampouco poderia lançar enquanto não transitasse em julgado a decisão quanto à legitimidade da sua exclusão. De fato, não tem qualquer procedência as alegações da recorrente, pois não há qualquer norma legal que impeça a atuação do Fisco nestas circunstâncias, antes pelo contrário. A partir do momento em que o Fisco constata a ocorrência de uma das situações previstas em lei como excludentes do Simples, cabe à Administração Pública efetuá la de ofício, mediante Ato Declaratório, conforme dispõe o § 3º do art. 15, da Lei n° 9.317/96, assim redigido: § 3o A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) Ao administrado, conforme visto, são assegurados o contraditório e a ampla defesa, direitos os quais são exercidos a partir da instauração da fase litigiosa do procedimento, que se inicia com a impugnação da exigência, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72. A situação excludente constatada pelo fisco foi a apuração de receita, com base nas informações obtidas junto a terceiros clientes da fiscalizada, em valores muito superiores ao limite para a permanência no Simples, já no próprio ano de início das atividades da empresa. Nestas circunstâncias, deve a autoridade fiscal, tão logo tome ciência do ocorrido, promover a exclusão de ofício do contribuinte, uma vez que este não o fizera espontaneamente. A exclusão do regime simplificado é que abre o caminho para o lançamento de ofício com relação aos anos em que a empresa não poderia estar enquadrada no Simples, ou seja, a exclusão, no caso, é que deve preceder ao lançamento de ofício. Disto não decorre qualquer espécie de cerceamento do direito de defesa, porque, conforme dito, este direito será exercido no âmbito do contraditório. Embora não haja previsão legal de suspensão dos efeitos do ato declaratório com a apresentação da defesa inicial e do recurso, cediço que a apresentação da impugnação e do recurso ao lançamento suspendem a exigibilidade dos créditos tributários constituídos. Deste modo, não há, de fato, qualquer prejuízo à recorrente, pois tanto a sua exclusão quanto as exigências tributárias somente se tornarão definitivas (ou não) após as decisões administrativas irrecorríveis que vierem a ser proferidas. Neste sentido, os seguintes precedentes: Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 15 14 “NULIDADE DO ATO DE EXCLUSÃO. INOCORRÊNCIA. PENDÊNCIA DE DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A partir do momento em que constatada ocorrência de uma das situações previstas em lei como excludentes do Simples, cabe à Administração Pública efetuar a exclusão de ofício, mediante Ato Declaratório, ainda que eventual crédito tributário decorrente das infrações apuradas quando a empresa ainda estava sujeita ao regime simplificado, e das quais decorreu a sua exclusão, esteja com sua exigibilidade suspensa em razão de recurso administrativo.” (Acórdão 110200.442, sessão de 26 de maio de 2011) “EXCLUSÃO DE REGIME SIMPLIFICADO. LAVRATURA CONCOMITANTE DE AUTO DE INFRAÇÃO. A possibilidade de discussão administrativa de Ato Declaratório Executivo que exclui a empresa de regime de tributação simplificada não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão, nem caracteriza qualquer violação ao contraditório e ampla defesa a ciência simultânea do ato de exclusão e dos autos de infração decorrentes.” (Acórdão 1102001.304, sessão de 3 de março de 2015) Os dispositivos legais que dão suporte à exclusão efetuada, e que estão mencionados no Ato Declaratório de exclusão encontramse assim redigidos (grifei): “Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: II obrigatoriamente, quando: b) ultrapassado, no anocalendário de início de atividades, o limite de receita bruta correspondente a R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse período. Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica;” No que toca à retroatividade dos efeitos da exclusão, esta decorre da própria lei do Simples. Conforme dito, no caso, foi ultrapassado o limite da receita no próprio ano de início das atividades. Vejase o que dispõe a Lei 9.317/96 a respeito (grifei): “Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 16 15 com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13;” A defesa da recorrente, neste aspecto, além de fazer referência a dispositivo que não tem relação com o caso dos autos (pois referese ao inciso II do art. 15, que trata dos efeitos da exclusão em outras hipóteses, que não a dos autos), limitase a argumentar no sentido da sua (do inciso II) inconstitucionalidade. Ainda que se transponha o argumento para o inciso correto (inciso III), é por demais cediço que aos julgadores administrativos falece competência para afastar a aplicação de lei por suposta violação a princípios constitucionais, nos termos da Súmula CARF no 2, que possui o seguinte teor: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Portanto, não há como acolher o pleito da recorrente para que a sua exclusão surtisse efeito em outro momento qualquer que não o do próprio início de atividade. Quanto à efetiva configuração do excesso de receita bruta no ano em questão (2004), os argumentos de mérito da recorrente serão analisados adiante. Arbitramento do lucro Aduz a recorrente que o auditor fiscal não poderia ter arbitrado o lucro, pois a base usada para o arbitramento teria sido apurada com base em depósitos bancários, e não na sua escrita fiscal e contábil, mesmo porque ela (recorrente) é empresa enquadrada no Simples Nacional, e, portanto, dispensada de escrituração contábil. Em primeiro lugar, registrese que o eventual enquadramento da empresa no Simples Nacional é de todo irrelevante no caso concreto, em que se discute lançamento de crédito tributário efetuado em razão de sua exclusão, de ofício, do Simples — também chamado de Simples “Federal” — e não do Simples Nacional. Contudo, mesmo “transpondose” o argumento da recorrente para “empresa enquadrada no Simples”, o fato é que, conforme dito, a recorrente foi previamente excluída deste regime, o que abre caminho para que o lançamento de ofício se dê por outras formas de apuração do lucro. Dispõe a Lei 9.317/96, no seu artigo 16, que a pessoa jurídica excluída do regime sujeitase, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão (no caso, 15/01/2004, data da abertura da empresa), às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Diante da exclusão da recorrente do Simples, a fiscalização intimoua a apresentar, dentre outros elementos, o “Livro Diário, Livro Razão e Livro de Apuração do Lucro Real, referente aos anos de 2004 e 2005” (fls. 912), ao que respondeu a contribuinte: Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 17 16 “Diante de já ter optado pelo lucro arbitrado, a Requerente deixar de apresentar os documentos solicitados por não ter optado pelo Lucro Real e vai apresentar impugnação contra o Ato Declaratório n°. 12 de 07 de novembro de 2008, por discordar da retroatividade, (...)” (fls. 918) Portanto, não foram apresentados os livros necessários à apuração do lucro real. Tampouco foi apresentado à fiscalização sequer o livro Caixa, de escrituração obrigatória para as empresas optantes pelo Simples, livro este cuja apresentação já fora solicitada desde o Termo de Início da Ação Fiscal (fls. 30). Além disto, conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização somente logrou obter acesso a 201 das 653 notas fiscais emitidas pelo contribuinte em 2004 (31% das notas) e a 50 das 376 notas fiscais emitidas pelo contribuinte em 2005 (13% das notas). E registrou o fisco que o contribuinte “foi intimado por três vezes, termo 233/2008, fls 29 a 31, 296/2008, fls 70 a 73, e 390/2008, fls 77 a 79, a apresentar as notas fiscais emitidas em 2004 e 2005, porém, injustificadamente, não apresentou, tampouco informou qualquer motivo que justificasse a não apresentação dessas notas”. Diante do cenário acima exposto, correta a utilização do arbitramento como modalidade para a apuração dos lucros da fiscalizada. A alegação de que o arbitramento teria sido apurado com base em depósitos bancários, que vem acompanhada de outros argumentos, no sentido de que o auditor fiscal teria presumido que os valores depositados seriam receitas produzidas e consumidas, de que somente o Poder Judiciário poderia quebrar o sigilo bancário, e outras da espécie, não fazem qualquer sentido, posto que a autuação nada tem a ver com a aplicação do art. 42 da Lei 9.430/1996, dispositivo legal mencionado no recurso. Apuração da receita A apuração da receita, para fins de arbitramento, conforme ao norte relatado, se deu por três formas. Em primeiro lugar, foram considerados os valores informados pela fiscalizada em declaração protocolada na própria DRF/Santarém em 29/08/2008, com tributação pretendida pelo lucro arbitrado. Há que se fazer um parênteses para melhor compreender os fatos. Conforme se verifica da leitura do Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização enviou os Termos de Início de Ação Fiscal tanto para o endereço do sujeito passivo constante na base de dados da Receita Federal do Brasil RFB, quanto para o endereço do empresário Erivaldo Francelino Viana, seu titular. A correspondência enviada à empresa retornou sem recebimento, com informações do correio de “ausente”, contudo, a intimação enviada ao titular da empresa foi recebida em 24/07/2008. No dia seguinte (25/07/2008), o representante legal da empresa protocolou requerimento junto à DRF/Santarém para indagar “se a requerente encontrase sob ação fiscal”. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 18 17 Ato contínuo, em 29/08/2008, novamente por intermédio de seu procurador, protocolou na DRF/Santarém as mencionadas Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ referentes aos anos de 2004 e 2005, nas quais informa o lucro arbitrado como forma de apuração. As declarações originalmente apresentadas, e efetivamente recepcionadas pelo órgão fiscalizador, são as declarações simplificadas, nas quais a empresa apresentavase como submetida à tributação pelo regime do Simples. Na declaração simplificada relativa ao ano de 2004, por exemplo, informara a empresa receitas apuradas iguais a zero. Contudo, na declaração pelo lucro arbitrado protocolada na DRF/Santarém quando já em curso a fiscalização, informou receitas apuradas no valor total anual de R$ 569.062,02. Essas receitas assim informadas foram, portanto, levadas em consideração na autuação fiscal. Além de terem sido informadas pelo próprio contribuinte, não se verifica, efetivamente, qualquer argumento de mérito no recurso contra a sua inclusão como uma das parcelas da receita tomada em consideração pelo fisco na autuação. Assim, não há o que avançar nesta questão, devendo ser mantido o quanto já decidido pela DRJ, no sentido da manutenção dos valores de R$ 569.062,02 em 2004, e de R$ 1.011.650,55 em 2005, como parte da receita a ser submetida à autuação. Em segundo lugar, foram considerados na autuação os valores das receitas contidas nas notas fiscais obtidas pela fiscalização em diligências efetuadas junto a diversos clientes da fiscalizada (201 notas fiscais em 2004, e 50 em 2005), os quais foram intimados a apresentálas acompanhadas dos respectivos comprovantes do pagamento por aquelas aquisições. Neste aspecto, foram apuradas pelo fisco receitas da ordem de R$ 3.502.413,97 em 2004, e de R$ 1.989.151,80 em 2005, as quais foram consideradas como receitas omitidas. Em sua defesa, aduz a recorrente que os valores depositados pelos adquirentes pertencem às próprias empresas responsáveis pelos depósitos, já que ela (recorrente) “comprava madeira na região e despachava, auferindo vantagem como intermediária em comissão”. A alegação, a par de não se fazer acompanhada de qualquer prova efetiva do quanto alegado, contraria até mesmo o que ela própria informou nas declarações apresentadas pela modalidade do lucro arbitrado. As declarações simplificadas, como é cediço, não fornecem qualquer pista sobre o tipo de receita auferida. Nas declarações pelo lucro arbitrado, contudo, a recorrente informou a receita auferida como sendo oriunda da revenda de mercadorias (vide preenchimento das linhas próprias, com esta denominação, relativas à apuração do PIS e da COFINS, e o preenchimento das linhas reservadas às receitas sujeitas aos percentuais de 9,6% e de 12% para o IRPJ e a CSLL, respectivamente). Tais linhas coadunam se com a atividade informada de “Comércio varejista de madeira e seus artefatos”, mas não com a suposta intermediação de negócios. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 19 18 Ademais, todas as notas fiscais emitidas pela fiscalizada (e obtidas junto às empresas diligenciadas), são notas fiscais de venda. A este respeito, alega a recorrente que as notas fiscais “deveriam ter sido emitidas como remessas, porém, houve erro na emissão quando destacou a natureza de operação como venda.” E, noutro giro, que as empresas adquirentes “exigiam da recorrente a emissão das Notas Fiscais como venda e não como remessa.” Tais alegações, mais uma vez, não se fazem acompanhadas de quaisquer provas neste sentido. Segundo a recorrente, para comprovar a sua atuação como mera intermediária na aquisição “basta confrontar as datas das remessas (depósitos) com as emissões das Notas Fiscais, ou seja, as Notas Fiscais foram emitidas com datas posteriores aos depósitos, e não antes deles.” Diz ainda que, por não possuir capital de giro para efetuar as compras, “sugeriu que as empresas efetuassem os depósitos para comprar os produtos e despachar para empresas abaixo identificadas responsáveis pelos depósitos.” O pagamento anteriormente à venda, se e quando ocorrido, nada prova no sentido desejado pela recorrente (de mera intermediação), pois, na prática comercial, tal situação pode configurar um adiantamento a fornecedor (pela ótica do comprador) ou um adiantamento de clientes (pela ótica do vendedor). Portanto, aqui também não há reparos a fazer ao quanto decidido pela DRJ, devendo ser mantida a autuação também com relação a esta parcela da receita submetida à tributação. Em terceiro lugar, foram considerados na autuação os valores arbitrados pelo fisco a partir da apuração de um valor médio das notas fiscais às quais a fiscalização obteve acesso, projetado sobre a quantidade total de notas fiscais consideradas emitidas pela fiscalizada em 2004 e 2005. Esta parcela, contudo, foi cancelada pela DRJ, sobre ela pendendo a análise do recurso de ofício. Não merece qualquer reparo, entretanto, a decisão, neste aspecto. De fato, o art. 148 do CTN, invocado pela fiscalização como norma autorizadora do procedimento levado a efeito, não o autoriza. Diz o dispositivo: “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 20 19 Neste caso, caberia à fiscalização tentar obter, por outros meios, a informação relativa à receita auferida pela fiscalizada, mas não simplesmente presumir que tais notas fiscais, as quais em nenhum momento vieram à tona, tenham de fato, em primeiro lugar, sido emitidas, e que, ainda, em segundo lugar, correspondam de fato a vendas feitas. E, por fim, em terceiro lugar, presumir, por meio de “arbitramento” (com base na média dos valores das demais notas fiscais conhecidas), o correspondente valor daquelas operações que sequer se sabe se ocorreram. Negase provimento ao recurso de ofício, portanto, quanto a esta parcela da autuação. De qualquer sorte, contudo, tendo sido mantidas as demais parcelas que foram objeto da autuação, confirmase o auferimento de receita em valores muito superiores ao limite para a permanência no Simples, já no próprio ano de início das atividades da empresa (R$ 569.062,02 mais R$ 3.502.413,97 em 2004), o que ratifica o acerto da exclusão promovida pela fiscalização. Multa de ofício Conforme relatado, a fiscalização aplicou a multa qualificada e agravada (225%) sobre a parcela relativa às notas fiscais obtidas nas diligências efetuadas, e de 75% sobre as demais parcelas (nada obstante tenha consignado que aplicaria, nesses casos, a multa agravada, de 112,5%). Com relação à qualificação da penalidade, aduz a recorrente que “descabe falar em crime contra a ordem tributária quando não resta comprovado o dolo específico da recorrente”. No presente processo, ressaltese, não se discute a prática de crimes contra a ordem tributária, mesmo porque não possui o colegiado administrativo competência para tanto. Mesmo concedendose, mais uma vez, a “transposição” do argumento para a prática de sonegação fiscal (art. 71 da Lei 4.502/1964), que é do que está sendo acusada a fiscalizada, vêse que os argumentos da recorrente contra a aplicação da penalidade qualificada não prosperam. Em síntese, argumenta ela que “não possui patrimônio adquirido com os valores depositados”, e que, se fraude houve, a responsabilidade seria ou do contador, ou então das empresas responsáveis pelos depósitos bancários efetuados para aquisição da madeira. Nenhum dos argumentos acima elide a aplicação da penalidade qualificada. No caso, ficou claro que a empresa, além de não manter escrituração regular de seus negócios, e de não apresentar ao fisco diversos elementos solicitados durante a fiscalização, tais como os talonários de notas fiscais, obrigando o fisco a obter junto a terceiros, apenas parcialmente, cópias das referidas notas, declarou ainda ao fisco que não teria obtido quaisquer receitas em 2004, sendo que o fisco apurou que, somente com base nas notas fiscais que logrou obter, sua receita já seria da ordem de R$ 3.502.413,97. A informação de receita zero em 2004 também permitiu à recorrente que se beneficiasse indevidamente do tratamento diferenciado e privilegiado que é conferido às micro Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 21 20 e pequenas empresas, com relação à receita (também muito inferior à efetiva) que declarou ter apurado em 2005. Tais fatos, analisados em conjunto, não deixam qualquer margem de dúvida quanto ao seu intuito doloso de praticar a sonegação, conforme definida no dispositivo legal mencionado pelo fisco: “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Mesmo quando já sob procedimento fiscal, talvez imaginando que o fisco não se daria ao trabalho de conduzir toda a extensa investigação que executou, por meio das diligências a terceiros, informou (por meio das DIPJ sob lucro arbitrado) valores de receitas auferidas, em 2004 e 2005, muito inferiores aos apurados com base tão somente nas notas fiscais levantadas pelo fisco. Portanto, deve ser mantida a qualificação da penalidade. Com relação ao agravamento da penalidade, ou seja, a majoração em 50% do percentual aplicável, fazendo a multa passar de 150% para 225%, este foi afastado pela DRJ, pendendo sobre este ponto, portanto, a análise do recurso de ofício. De acordo com a fiscalização, “o sujeito passivo não atendeu as intimações, tampouco apresentou motivo que justificasse o não atendimento. Dessa forma, fica sujeito à aplicação da multa de 225% (...) multa qualificada pela prática intencional de ocultação do fato gerador, mais o agravamento por deixar de atender as intimações.” Cediço que todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, no exercício de suas funções, nos termos do art. 927 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. Enquanto o art. 968 do RIR/99 traz a multa pelo descumprimento desse dever por terceiros, o agravamento da penalidade em 50%, previsto no inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é a punição imposta à pessoa objeto da fiscalização. Este agravamento, contudo, somente deve ser aplicado nos casos em que o contribuinte efetivamente deixar de atender à intimação do Fisco para prestar esclarecimentos, mas não no caso em que o contribuinte meramente apresenta resposta incompleta ou diferente daquela desejada pela autoridade fiscal. Do relatório fiscal colhemse os motivos que ensejaram a majoração da multa, verbis: Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 22 21 “45. Ressaltamos que não apresentou motivo para o atendimento das intimações 233/2008, fls 29 a 31, 296/2008, fls 70 a 73, e 390/2008, fls 77 a 79 , pois, (...)” Registrese que a mencionada intimação 233/2008, fls 29 a 31, corresponde, na verdade, ao Termo de Início da Ação Fiscal nº 233/2008, e que a mencionada intimação 296/2008, fls 70 a 73, corresponde, de fato, ao Termo de Reintimação Fiscal nº 296/2008, por meio do qual foram solicitados novamente os mesmos elementos pedidos no Termo de Início. E que, da mesma forma, a mencionada intimação 390/2008 corresponde à nova reintimação para apresentação daqueles mesmos elementos. Em outro trecho do Termo de Verificação Fiscal, assim consignou o fisco, verbis: “Destacamos que os termos 296/2008 e 390/2008 foram respondidos, fls 76 e 83 a 92, respectivamente, porém não atendeu o que lhe foi requerido, pois não apresentou os documentos solicitados.” Portanto, o próprio fisco reconhece que as intimações foram respondidas. Ademais, constatase que não há nas referidas intimações, a rigor, nenhum esclarecimento que esteja sendo solicitado. Tratase tão somente de exigências para a apresentação de diversos livros e documentos da escrituração contábil e fiscal da recorrente, os quais, conforme consignou a fiscalização, não foram apresentados. A consequência da falta de apresentação dos livros e documentos é o arbitramento dos lucros, com a consequente imposição da multa de ofício nos percentuais de, conforme o caso, 75% ou 150%. Já a conduta que levaria ao agravamento dessas penalidades em 50% seria a falta de atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, consoante os termos do inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Neste mesmo sentido, os seguintes precedentes: “MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA EM 50%. DESCUMPRIMENTO À ORDEM PARA APRESENTAR A ESCRITURAÇÃO. O artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996, prevê a majoração da multa de oficio em 50% ao fiscalizado que se recusar a prestar os esclarecimentos regularmente exigidos. Ou seja, a desobediência à ordem de exibir livros e documentos fiscais não é conduta típica para fins de agravamento da punição.” (Acórdão 10322.893, sessão de 28 de fevereiro de 2007, relator conselheiro Flávio Franco Corrêa) Portanto, devese também negar provimento ao recurso de ofício quanto a este ponto. Responsabilidade tributária solidária Com relação à responsabilidade solidária do titular da fiscalizada, o Sr. Erivaldo Francelino Viana, devese observar que o referido Sr. sequer havia apresentado impugnação, e tampouco a própria fiscalizada esboçara sequer algum comentário em sua Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 23 22 defesa, nada obstante o tenha feito, com relativa veemência, no que toca ao Sr. Chester Gomes Pedro. Dita responsabilidade foi mantida pela decisão recorrida e sequer se encontra neste momento em litígio, posto que inexistente também recurso quanto a este ponto. Com relação à responsabilidade solidária do Sr. Chester Gomes Pedro, por outro lado, houve impugnação tanto de sua própria parte, quanto por parte da fiscalizada. Como referida responsabilidade foi afastada pela DRJ, esta há de ser reavaliada por este colegiado, tendo em vista que a decisão o exonerou da exigência de tributo e/ou multa em valor superior ao limite de alçada. A imputação fiscal encontrase sintetizada no seguinte parágrafo do Termo de Verificação Fiscal: “39. A ligação do Sr Chester com o sujeito passivo é muito estreita, sendo que parte do produto das vendas o sujeito passivo determinava aos seus clientes que pagassem diretamente ao Sr Chester, o que demonstra participação nos negócios da empresa, de acordo com documentos apresentados por essas empresas, fls 109 a 619, 631 a 799, 811 a 846, também, quando o Sr Chester é fiscalizado, o sujeito passivo solicita informação se ele também estaria sob ação fiscal. Isso porque o Sr Chester estava efetivamente sob ação fiscal, conforme ele declara, fl 84. Então, se o Sr Chester não tivesse nenhuma ligação com o sujeito passivo, o que o levaria a crer que também seria fiscalizado? Ainda, se o Sr Chester não fizesse parte do negócio, porque razão ele foi beneficiado do produto das vendas do sujeito passivo.” A DRJ, contudo, ao fundamentar o afastamento da sua responsabilidade pelo crédito tributário aqui discutido, consignou o seguinte: “22. No que se refere à participação, ou vinculação aos fatos, que teria permitido a responsabilização do Sr. CHESTER GOMES PEDRO, CPF 460.748.80204, há que se destacar que, no bojo do processo administrativo 10215.720198/200845 este contribuinte foi autuado com base em receita correspondente ao recebimento dos mesmos valores analisados, que seriam oriundos de operações comerciais acorbetadas por notas fiscais emitidas pela empresa do Sr. ERIVALDO FRANCELINO VIANA, CPF 396.049.00200. A autuação foi mantida por esta DRJ Belém. Naquela oportunidade a fiscalização considerou como verdadeira a afirmativa do então fiscalizado (CHESTER GOMES PEDRO) de que os valores depositados em sua conta corrente corresponderiam a comissão na intermediação de venda de madeira e autuou a receita (comissão) omitida.” A imputação do fisco tem por pressuposto o fato (alegado) de que o Sr. Chester participaria nos negócios da empresa, e a circunstância de ele ser beneficiário de alguns depósitos efetuados pelas compradoras de madeira seria a prova desta participação na gestão, bem como do seu proveito econômico direto (“interesse comum”) nas operações praticadas com intuito fraudulento (sonegação) pela empresa. A fiscalização, contudo, não trouxe um único elemento efetivo de prova de que fosse de fato o Sr. Chester quem comandaria os negócios da empresa, ou ao menos sequer as operações de venda das quais teria recebido uma parcela do respectivo produto. Não há, neste sentido, uma procuração, sequer uma declaração de terceiros, ou algo assim. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 24 23 O que se tem, nos autos, são autorizações de cessão de créditos, decorrentes das vendas efetuadas pela recorrente, para que as terceiras compradoras depositem uma parte dos valores em favor de conta(s) de titularidade do Sr. Chester. Certamente aí há de o fisco averiguar tal situação, de modo a bem compreender os reais fatos e motivações que estão por detrás. Ocorre que, no caso, o fisco, conforme mencionou a DRJ, no bojo da autuação fiscal relativa à pessoa física do Sr. Chester Gomes Pedro, considerou que os valores por ele assim recebidos seriam decorrentes de comissões auferidas em decorrência das vendas efetuadas pela fiscalizada às empresas compradoras. O Sr. Chester, portanto, atuaria como mero intermediário (comissionado) naquelas operações de venda. Ora, se o fisco reconhece que os pagamentos direcionados ao Sr. Chester se referiam a comissões por intermediação de vendas feitas pela fiscalizada, então definida está a relação existente entre os partícipes, não se podendo falar, portanto, em interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Mesmo considerandose que este “interesse comum” seja o interesse econômico, o limite deste interesse está na percepção da respectiva comissão, mas não na participação no resultado econômico que seria de propriedade da fiscalizada. Tampouco há, conforme dito, qualquer prova de alguma outra forma de ingerência do Sr. Chester na condução dos negócios da fiscalizada. Assim, a sua responsabilidade pela eventual prática de infração punível com a multa qualificada encerrase na autuação que contra ele foi levada a efeito por conta daquelas comissões recebidas e não declaradas (o fisco, no caso, também qualificou a penalidade na autuação da pessoa física). Mas não há como imputar ao Sr. Chester qualquer participação na condenável prática de sonegar ao fisco a informação relativa às receitas auferidas pela fiscalizada, e aqui discutidas, e não há, portanto, como imputarlhe responsabilidade pelo crédito tributário constituído contra a fiscalizada. Portanto, devese também negar provimento ao recurso de ofício quanto a este ponto. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento aos recursos de ofício e voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10215.720286/200847 Acórdão n.º 1201001.266 S1C2T1 Fl. 25 24 Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10830.918673/2009-45
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF PELOS CONSELHEIROS DO CARF.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral, prevista no art. 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3803-006.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e Demes Brito.
Nome do relator: João Alfredo Eduão Ferreira
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e Demes Brito.
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INCONSTITUCIONALIDADE. A base de cálculo da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, não abrangendo as demais receitas. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STF PELOS CONSELHEIROS DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral, prevista no art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 86 73 /2 00 9- 45 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.918673/200945 Acórdão n.º 3803006.129 S3TE03 Fl. 247 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues (Relator) e Demes Brito. Relatório Em 21 de agosto de 2015, a repartição de origem devolveu a este Colegiado os presentes autos em razão da detecção de equívoco na identificação do período de apuração da contribuição sob comento, sendo informado que, enquanto na ementa se registrou o período de apuração de 01/02/2003 a 28/02/2003, no voto se reportou à composição da base de cálculo de dezembro de 2003, sendo que, de acordo com os débitos declarados, não havia, no período, o valor referenciado no montante de R$ 784.190,99. Em razão desse fato e por se tratar de acórdão da relatoria de Conselheiro que não mais compõe o Colegiado, fui designado como relator ad hoc neste processo, em razão do quê reproduzo o relatório elaborado pelo relator original e adoto o voto por ele redigido, bem como a ementa, com as devidas correções das inexatidões materiais detectadas pela repartição de origem, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento: Retornaram os autos da unidade de origem para onde foram baixados com a finalidade de certificação dos valores das demais receitas da recorrente que extrapolaram o faturamento, conforme documentos da escrita contábil juntado aos autos pela recorrente, e colacionadas aos mesmos as informações prestadas pela fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme apontado no Relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto o voto redigido pelo relator original, bem como a ementa, com as devidas correções das inexatidões materiais detectadas pela repartição de origem, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento: Foi juntada aos autos a informação fiscal e dela foi dado ciência ao Recorrente. Da informação fiscal consta planilha, formatada com base no Razão Analítico, informando que, na composição da base de cálculo da Cofins de fevereiro/2003, o Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10830.918673/200945 Acórdão n.º 3803006.129 S3TE03 Fl. 248 3 recorrente adicionara, em observância aos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento. Constatou a fiscalização que, em consulta realizada na DCTF, o recorrente apurara, para o período de fevereiro/2003, Cofins no valor de R$ 523.050,43, o quê, após as deduções legais levadas a efeito, resultou em valor recolhido a maior de R$ 45.222,28. Compulsando os autos, verificase que consta do demonstrativo de crédito do PER/DCOMP (fl. 58verso) a informação de que o valor total do crédito original utilizado fora de R$ 45.222,28, exatamente o valor apurado pela fiscalização por ocasião da diligência. Logo o direito creditório existe, é líquido e exigível. É cediço que o tema sob exame teve a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal que, por sentença proferida pelo Plenário em 10/09/2008, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 585.235, declarou a inconstitucionalidade do texto contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, decisão essa que transitou em julgado em 12/12/2008. Nesse contexto, devese proceder de acordo com o que dispõe o art. 62A do RICARF/2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ante o exposto, dáse provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório pleiteado. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 248DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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